Tsunamis, Meteotsunamis e outros fenómenos similares

Recentemente o público mais atento foi surpreendido pela notícia sobre a ocorrência de um fenómeno pouco vulgar, que consistiu numa perturbação da superfície do oceano Pacífico e que se estendeu pelo Atlântico. Os marégrafos, instalados nas regiões costeiras mais longínquas do local onde foi originado o fenómeno, registaram alterações do nível do mar fora do normal. Os técnicos que procedem à monitorização deste tipo de fenómenos mostraram-se inicialmente surpreendidos, na medida em que não foi registado nenhum sismo que pudesse justificar este tipo de ondas. A surpresa desvaneceu-se quando se tomou conhecimento da ocorrência de uma forte erupção explosiva de um vulcão na região das ilhas Tonga.

O Reino de Tonga é um país constituído por 169 ilhas, onde cerca de um quarto são inabitadas. O arquipélago tem uma área de aproximadamente 700 km2 que se estende por uma vasta região de cerca de 700.000 km2, no Pacífico Sul, a sueste das ilhas Fiji, a uma distância aproximada de 3.300 quilómetros a leste da Austrália.

As ondas no arquipélago chegaram a atingir cerca de 15 metros, propagando-se, à medida que diminuíam de amplitude, pelo Pacífico, até atingirem regiões tão distantes como o litoral do Japão, Austrália, Nova Zelândia e a costa oeste do continente americano. Propagaram-se também pelo Atlântico, onde, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), atingiram Portugal, tendo sido o sinal registado de maior amplitude de cerca de 40 cm em Ponta Delgada e Peniche.

O vulcão parcialmente submerso Hunga Tonga-Hunga Haʻapai estava latente, entre as pequenas ilhas Hunga Tonga e Hunga Haʻapai, daí a ser designado pela junção dos dois nomes. A erupção ocorreu em 14 de janeiro de 2022, atingindo o seu máximo no dia seguinte, a cerca de 65 km a norte da ilha Tongatapu, onde se encontra a capital Nukuʻalofa, dando origem à formação de uma enorme nuvem de fumo e cinzas, em forma de cogumelo, com o diâmetro de cerca de 260 km.

Grande quantidade de cinzas vulcânicas cobriu parte das ilhas, prejudicando culturas e cobrindo a pista de aterragem do aeroporto internacional, o que impediu durante alguns dias a aterragem de aviões com meios de assistência à população. As cinzas vulcânicas prejudicaram também a navegação aérea no espaço aéreo de algumas ilhas do Pacífico Sul. O cabo submarino que liga o Reino do Tonga ao mundo exterior foi também danificado, tendo impedido as comunicações durante alguns dias. Foram registados estragos nas zonas costeiras das ilhas do arquipélago e de algumas regiões bastante longe da zona de geração. No Peru ocorreu um derrame de petróleo correspondente a cerca de 12.000 barris, durante a descarga de um petroleiro, do qual causou grave desastre ecológico a 30 km a norte de Lima, vitimando inúmeros peixes e aves. O número de vítimas mortais foi relativamente baixo, contando-se três no arquipélago de Tonga e duas no litoral do Peru.

A explosão, que projetou material vulcânico a mais de 20 km de altitude, gerou uma onda de choque atmosférica que se propagou com velocidade supersónica, dando várias vezes a volta ao globo, potenciando perturbações na superfície dos oceanos que o IPMA classificou como um meteotsunami. No entanto tal designação é discutível. A queda sobre a superfície do oceano de material vulcânico que havia sido projetado poderá também ter contribuído para a geração dessas perturbações, contribuindo assim para reforçar a ondulação causada pela onda de choque.

Os meteotsunamis não devem ser confundidos com os tsunamis. Os primeiros são em geral menos intensos e consistem em ondulação de grande comprimento de onda associada a fenómenos atmosféricos caracterizados por variações bruscas da pressão, podendo ocorrer, por exemplo, durante a passagem de formações de cumulonimbus (linhas de borrasca) e frentes frias muito ativas. No que se refere ao fenómeno tradicionalmente designado por tsunami, a sua geração nada tem a ver com fenómenos meteorológicos, mas com a ocorrência de eventos geofísicos abruptos, como sismos submarinos, erupções vulcânicas e deslizamento costeiro ou submarino de terras. A queda de meteoritos no mar pode também provocar tsunamis. (Consta que o desaparecimento dos dinossauros foi consequência da queda de um asteroide que provocou um enorme tsunami há cerca de 65 milhões de anos).

Outro fenómeno que poderá ser confundido com tsunami é designado por “storm surge” (traduzido frequentemente para português, embora indevidamente, como “maré de tempestade”). A sua ocorrência resulta do arrastamento das ondas pelo vento contra a costa e a consequente inundação de zonas baixas, quando o mar que se encontra sobre-elevado devido a pressão atmosférica muito baixa (quando a pressão diminui 1 hPa, o nível do mar sobe cerca de 1 cm). Ocorreu um fenómeno deste tipo em Macau, em agosto de 2017, aquando da passagem do tufão Hato. Em novembro de 2013, nas Filipinas, a “storm surge” associada ao tufão Haiyan (chamado Supertufão Yolanda nas Filipinas), foi a causa de muitas das cerca de 6.000 vítimas mortais. As consequências de tsunamis e de “storm surges” são muito semelhantes, embora as características das ondas sejam diferentes.

Nas “storm surges” as ondas são sempre causadas pelo vento, têm maior frequência e propagam-se com menor velocidade, enquanto que as geradas pelos tsunamis são em geral consequência de sismos submarinos e são caracterizadas por maior comprimento de onda, menor frequência e muito maior velocidade. As ondas de um tsunami propagam-se em águas profundas com velocidade próxima da velocidade de cruzeiro de aviões comerciais, ou seja, cerca de 900 km/h. À medida que entram em águas menos profundas, a velocidade das ondas diminui e a amplitude aumenta. Ambos os fenómenos geram ondas que, invadindo as zonas baixas do litoral, podem provocar estragos consideráveis e elevado número de vítimas.

A semelhança das consequências de tsunamis e de “storm suges” é tão grande que, conforme noticiado na imprensa filipina, o Mayor de Guiuan, a primeira cidade a ser atingida pelo tufão Haiyan, perante a passividade da população relativamente a um aviso de “storm surge”, enviou mensageiros em motociclos para alertar as comunidades costeiras da iminente chegada de um tsunami de grandes proporções. O termo “tsunami” sobressaltou a população que, seguindo instruções, se concentrou em locais de onde pôde ser evacuada. A expressão “storm surge”, difundida em inglês e traduzida para a língua local, foi considerada muito técnica e pouco compreensível por uma população não muito instruída.

(Curiosamente, Guiuan teve um papel importante na história das Filipinas. Reza a história que, no século XVI, foi na ilha Homonhon, pertencente àquela municipalidade, que Fernão de Magalhães desembarcou pela primeira vez naquele arquipélago. Talvez por esta razão a população da cidade é maioritariamente católica).

Outro fenómeno que poderá ser confundido com tsunamis são as “Seiches” (termo do francês falado na Suíça que significa abanar periodicamente). Trata-se, no entanto, de ondas estacionárias que ocorrem geralmente, em determinadas condições, em bacias parcial ou totalmente fechadas, como por exemplo, o lago Erie, um dos cinco lagos na fronteira entre os EUA e o Canadá, ou no lago Lémand, entre a Suíça e a França. Ocorrem normalmente quando ventos fortes associados a alterações bruscas da pressão atmosférica empurram a massa de água contra um dos limites da bacia. Quando o vento cessa, a massa de água inverte o sentido do deslocamento, oscilando durante horas ou mesmo dias.

Tratando-se este texto de um artigo de opinião, permito-me discordar do IPMA no que se refere a ter classificado como um meteotsunami a perturbação dos oceanos Pacífico e Atlântico provocada pela explosão vulcânica do Tonga. Um meteotsunami é um tsunami cujas causas estão relacionadas com fenómenos meteorológicos. Não sendo fenómenos deste tipo a erupção vulcânica nem a onda de choque por ela provocada, não se trata, portanto, de um meteotsunami, mas simplesmente de um tsunami.

*Meteorologista

Portugal-China | 43 anos de relações diplomáticas

Por Rui Lourido*

 

Portugal e a China perfizeram 43 anos de relações diplomáticas, com o seu estabelecimento a 8 de Fevereiro de 1979. Só com o derrube do fascismo, e a implantação da democracia em Portugal, foi possível o reconhecimento do governo da República Popular da China, que ocorreu a 6 de Janeiro de 1975. Portugal orgulha-se de ser a nação europeia que mantém as relações de amizade mais longas (desde o século XVI) com a China, bem como de ter sido pioneira na difusão da sofisticada e avançada civilização chinesa às restantes nações ocidentais, o que viria a influenciar a moda europeia, com um gosto à chinesa – a chinoiserie.

Os sucessos civilizacionais da democracia socialista chinesa, ao ter o povo no centro da acção política do governo da China, permitiram o feito histórico de retirar 850 milhões de habitantes da pobreza (com o acesso universal ao trabalho, saúde, habitação e educação). Com o desenvolvimento económico, os chineses ampliaram a sua abertura ao mundo (aceitando mais responsabilidades no apoio às agências das Nações Unidas) e foram exemplares no combate à pandemia da COVID-19 (com um número incrivelmente baixo de mortes e mesmo de infectados).

As relações entre os dois países têm beneficiado da abertura da China e são baseadas no interesse comum e descritas pelos respectivos governos como exemplares. As autoridades portuguesas têm-se empenhado em aprofundar as suas relações com a China, nomeadamente, com visitas, ao mais alto nível, dos Presidentes da República e de membros do Governo de Portugal – de Ramalho Eanes a Mário Soares, de Jorge Sampaio a Cavaco Silva (visita que acompanhei na qualidade de historiador), e do actual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Portugal recebeu a visita de estado do Presidente da China, Xi Jinping, em Dezembro de 2018. Durante a visita foram assinados, pelos dois países, 17 acordos de cooperação (incluindo 10 memorandos de entendimento), abrangendo múltiplas áreas. Da cultura às áreas financeira e empresarial (energia, comércio e serviços, transportes, novas tecnologias com o 5G e o STARLAB – laboratório nos domínios do mar e do espaço). Destacamos o acordo de participação na “Nova Rota da Seda”, que potenciará a cooperação bilateral em mercados terceiros, e valorizará o Porto de Sines e a sua ligação à rede ferroviária transeuropeia e euro-asiática, essenciais para Portugal ganhar a uma nova centralidade na economia europeia.

Pensamos que é do interesse geoestratégico de Portugal implementar o mais rápido possível estes acordos com a China (sem hostilizar os nossos aliados tradicionais), a fim de potenciar a favor de Portugal a sua integração neste mundo global, nomeadamente nas redes de novas tecnologias de Inteligência Artificial. Por outro lado, ao diversificar a origem das suas fontes de rendimento, Portugal cria condições para melhor resistir à próxima crise económica ocidental.

Neste âmbito, em 2021, realizou-se uma conversa telefónica entre o Presidente da República Chinesa, Xi Jinping, e o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, na qual foi reafirmada a importância da Parceria Estratégica Portugal-China, assinada em 2005. Foi ainda reconhecido o apoio inestimável da China no combate ao COVID-19, quer na divulgação internacional da descodificação do genoma do SARSCOV2, quer no rápido envio de materiais de protecção à saúde.

Esta parceria permitiu, apesar da pandemia, que as trocas comerciais entre a China e Portugal, de Janeiro a Novembro de 2021, aumentassem cerca de 27% face ao ano anterior, atingindo 805,093 mil milhões de USD, sendo que as exportações da China foram de 481,581mil milhões de USD e as importações da China de 323,512mil milhões de USD.

Os acordos nas áreas da ciência e do ensino superior foram reforçados, a 10 de Dezembro de 2021, pelos ministros da ciência de ambos os países. Entretanto, já tinham sido criados cinco institutos Confúcio em Portugal (Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Coimbra, com o apoio das respectivas universidades públicas), com cerca de 30 professores chineses (suportados pelo governo chinês) que dão aulas de chinês, simultaneamente, nas universidades e em 30 escolas secundárias públicas.

A sociedade civil tem também uma atividade muito diversificada, designadamente na cultura e na investigação. Devido ao serviço público que presta a nível internacional destaco, a Biblioteca Digital Macau-China “Descrições de Macau-China dos Séculos XVI ao XIX”, iniciativa do Observatório da China, em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal, com o apoio da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e o patrocínio da Fundação Macau. Este novo sítio da web disponibiliza mais de 200 mil páginas com as descrições e a cartografia portuguesas, dos séculos XVI ao XIX, relativas a Macau e à China, essenciais para a compreensão do relacionamento entre o Ocidente e a China, e de apoio a estudantes, investigadores e a leitores de todo o mundo.

As televisões públicas da China (CCTV) e de Portugal (RTP) tem vindo a reforçar as relações com a retransmissão de programas de divulgação de ambos os países, em especial das respetivas tradições e culturas, com destaque para a transmissão em directo das cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno em Beijing 2022.

A nível cultural, o Ano Novo Chinês tem sido comemorado, desde 2014, em várias cidades portuguesas, em especial nas ruas de Lisboa, com um desfile de grupos etnográficos, com música e dança da China e de Portugal. O novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Carlos Moedas, participou no evento digital de comemoração do Ano Novo Chinês, organizado pela Embaixada da China em 2022 (a convite do embaixador Zhao Bentang), comprometendo-se a dar continuidade e a apoiar o aprofundamento das relações com a China. Em 2019, realizou-se um grande festival da cultura portuguesa na China e da cultura chinesa em Portugal, incluindo música, dança, artes plásticas, projetos de arquivos e bibliotecas, contando com o empenho do embaixador de Portugal na China, José Augusto Duarte.

A Comunidade portuguesa na China e a Chinesa em Portugal têm crescido desde a criação da Região Administrativa Especial de Macau. De tal forma que para além da Embaixada em Pequim (Beijing) e do Consulado em Macau, Portugal abriu um novo consulado em Cantão (Guangzhou). Por outro lado, a Comunidade Chinesa em Portugal tem vindo a crescer moderadamente, sendo em 2021 de 27.430 chineses.

As relações entre Portugal e a China devem (como sempre aconteceu) continuar a aprofundar-se com benefício e respeito mútuos!

*Historiador, Presidente do Observatório da China

Comboios astrologicamente vigiados

Nada me preparara para o sonho que me enovoou, entre Coimbra e Aveiro:
«Duas mulheres belas, altas, desengonçadas, ainda na leveza dos vinte, mas com a airosa gravidade dos trinta a poisar-lhes suavemente no semblante, uma loura e outra ruiva, conversam no banco ao meu lado. Num à-vontade que se exala ao arrepio da máscara. São manequins e adoram o que fazem, embora a covid lhes esteja a ratar os planos:
– Oh pá, é mesmo azar, tinha três desfiles de grande expressão nos próximos meses, um em Santander, outro em Paris e o último em Roma…
– Não digas nada, amiga, eu estava combinada para Barcelona e Biarritz no próximo mês. Tenho marcada uma sessão para a Vogue que, talvez, se realize, o resto é uma banhada…
– E o teu agente?
– Que tem?
– Ainda te responde? O meu anda aos soluços…
– Felizmente, mas tenho amigas que se sentem abandonadas.
– Shit para este tempo que nos coube.
Resolvo interrompê-las:
– Desculpem meter-me na conversa… mas estes tempos só exigem novos palcos, está tudo por reinventar…
– Desculpe, como assim? – pergunta a loira.
– Pensem no efeito de usar-se o comboio como passarela, em sessões contínuas, da carruagem 2 à 23…
– Seria o caos…- reage a ruiva.
– Não vejo porquê? – insisti – seria uma mera questão de disciplina e de horários. O vosso público mais aficionado, pelo inédito da iniciativa, tomaria o comboio por curiosidade, e teriam além disso um público novo, o dos viajantes normais…
– Já viu a confusão, com as entradas e saídas de pessoas? – voltou a loura a objectar.
– O Alfa Pendular só pára três vezes, os intervalos entre as estações seriam o período ideal. E admitamos que se faria à noite a passagem de modelos… Vocês representam a beleza, o glamour… Já viram o vislumbre, quantos milhares de pessoas viriam às janelas de sua casa a essa hora para vos ver passar? Na beleza fosfórica que seria a vossa, à passagem veloz do comboio?
– Como cometas…- admitiu a ruiva.
– Sim, cometas concretos, com nome, rosto, e uma beleza intangível… A junção improvável que alimenta o sucesso.
– Gostei… – ponderou a loura – O que faz o senhor.
– Sou poeta, mas isso não importa agora… Sabe que nome daria a esses desfiles?
– Não… – mostrando-se ansiosas.
– Comboios astrologicamente vigiados.
– Não sei se entendo. – atreveu-se a ruiva – Porquê vigiados?
– Vigiados pelo bom-gosto, no sentido de estarem superiormente devotados à elevação do olhar pela beleza. O que é comum é a cultura de massas nivelar por baixo a educação estética, vocês, como anjos, irradiariam a excelência que nos pode salvar… Cromaticamente, pelo relâmpago dos figurinos e a elegância que os estilistas emprestam aos modelos, e depois pelo vosso natural… Astrologicamente, porque vocês são estrelas de bons augúrios…
– A ideia é muito boa… – concedeu a loura, entusiasmada – poderíamos falar com alguns estilistas de renome…
– Eu sou amiga pessoal da Victoria Beckhman. Vou telefonar-lhe, tenho a certeza de que vai entusiasmar-se…- reforçou a ruiva.
– Isso, eu falo com a Anabela Baldaque e a Fátima Lopes… – prometeu a outra.
– Tenho a certeza de que com alguns nomes sonantes a CP aderia ao projecto, … Mesmo em época de vírus, algo precisa de salvar a soturnidade em que estas viagens se tornaram… Se quiserem escrevo-vos o projecto e vocês apresentam…
– E como poderíamos agradecer-lhe? – perguntou a ruiva, de olhos brilhantes.
– Isso é simples… – brinquei – se “tatuassem” uns versos meus, no colo, num braço, na perna, no ventre… plantados nalgum lugar visível do vosso corpo, já me sentiria bastante recompensado… Já deram conta da variedade de formatos nos média em que vocês aparecem, que melhor montra para a poesia?
– Outra boa ideia…- espantou-se a loura.
– Sim, cada modelo adoptaria um poeta. Sabem, pode ser essa a salvação da poesia… Vocês gostam de poesia?»
Acordaram-me nesse instante, as duas majestosas mulheres. O meu caderno caíra no chão e uma delas devolvia-mo. Agradeci-lhes. Iam sair em Aveiro e o comboio entrava na gare.
– Desculpe acordá-lo… – disse a loura. Mas agora vai entrar muita gente e temi que o seu caderno fosse pisado…
– Obrigado… – balbuciei, num sorriso tímido.
Teria ressonado? Preocupou-me a imagem com que teriam ficado de mim.
Nada me preparou para esse sonho porque há três meses que essa campanha abrilhanta as viagens nocturnas na CP. A operação revelou-se um sucesso internacional, sendo repetida nos países do núcleo duro da moda internacional. E também a minha ideia de cada modelo adoptar um poeta foi seguida como lei. Com um sucesso de arromba. Cada poeta escolhido passou a vender milhares de livros por edição, num rompante.
Em Portugal foram oito os poetas escolhidos.
E nenhum verso meu aflora a clavícula de qualquer modelo, orvalha um decote, ou torneia a barriga de alguma perna. Até o nome copiaram – e o copyright internacional do projecto pertence às duas modelos portuguesas, mais à Victoria Backhmam a quem com certeza elas ludibriaram dando por sua a ideia.
Há três meses que assisto atarantado ao êxito retumbante, por toda a Europa, da campanha dos Comboios Astrologicamente Vigiados. Tentei chegar a acordo com elas, mas riram-se na minha cara quando lhes assegurei que fora eu quem tivera a ideia e lhes transmitira num sonho. Processá-las num sonho e receber a indeminização na vida real será igualmente possível? Já dois ou três jornais zombaram da minha história, como ridícula.
Há três meses que sempre que ouço, a meio da minha insónia, alguém meter uma chave na ranhura da porta, para me vir assaltar, grito, possesso:
– Entre Irene, a casa é sua!

Covid-19 | Governo Central pede para HK manter tolerância zero 

Numa altura em que a região vizinha registou, pela primeira vez, a ocorrência de mais de mil casos diários de covid-19, Pequim defende que as autoridades de Hong Kong não devem alterar a sua política de “tolerância zero” face à pandemia

 

As autoridades chinesas instaram ontem Hong Kong a manter a política de tolerância zero com a covid-19, alertando que qualquer alteração para uma política de coexistência com o vírus resultaria num desastre para a região. A advertência foi feita por um alto funcionário da Comissão de Saúde da China e pelo Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, após Hong Kong ter diagnosticado, pela primeira vez, mais de mil casos diários.

“A chamada estratégia de ‘coexistir com o vírus’ não está comprovada cientificamente. Implementá-la traria uma enorme pressão sobre o sistema sanitário, já para não mencionar que atrasaria a retoma das viagens sem quarentena com o continente”, apontou o Diário do Povo, num comentário sobre a situação epidémica na cidade.

A China mantém uma política de tolerância zero com a doença, agora designada, oficialmente, como “dinâmica zero casos”, e que envolve testes em massa e medidas de confinamento quando um surto é detectado.

O Diário do Povo clarificou que esta estratégia não almeja “zero infecções”, mas é antes uma estratégia geral, voltada para a “descoberta precoce e acção rápida”, visando “interromper a transmissão comunitária contínua”.

A estratégia “incorpora um conceito antiepidémico que prioriza pessoas e vidas e que também provou alcançar resultados máximos com custo mínimo”, referiu o jornal.

Cidade com “maior risco”

O especialista em controlo de doenças da Comissão de Saúde da China, Liang Wannian, disse que a estratégia ainda é aplicável a Hong Kong, apontando a cidade como sendo de “maior risco”, devido à alta densidade populacional e frequentes intercâmbios internacionais. Em entrevista a um canal chinês, Liang sugeriu que as autoridades de Hong Kong devem rastrear os contactos próximos através da análise de dados móveis e expandir o alcance dos testes em massa. “Só podemos viver com o vírus quando houver medicamentos mais eficazes (…) É ainda muito cedo para desistir”, disse.

Segundo a agência Xinhua, esta terça-feira a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, referiu que a política de zero casos é a melhor estratégia a adoptar pelas autoridades nesta fase. A governante disse que a “dinâmica zero casos” é a melhor aproximação “aos interesses da sociedade e à protecção da saúde pública e segurança”. Carrie Lam disse também que Hong Kong tem de aderir a esta política de zero casos a fim de ganhar tempo para aumentar a taxa de vacinação no território e assegurar que os hospitais não entram em colapso com casos de covid-19.

Uma pesquisa realizada, no mês passado, pelo Partido Democrata de Hong Kong, mostrou que 65 por cento dos entrevistados consideraram que a cidade deve preparar-se para viver com o vírus. Outro inquérito realizado na mesma altura, pelo Instituto Bauhinia, pró-Pequim, constatou que 68 por cento concordava que a adopção da estratégia de zero casos está de acordo com os interesses da sociedade.

Desde o início da pandemia, Hong Kong registou 15.176 casos de covid-19 e 213 mortes, de acordo com as autoridades do território.

Óscares | “O Poder do Cão”, de Jane Campion, lidera nomeações 

As nomeações para a edição deste ano dos Óscares foram tornadas públicas esta terça-feira. O filme de Jane Campion, “O Poder do Cão”, é o grande líder, com nomeações para 12 categorias. Destaque também para a nomeação do luso-canadiano Luís Sequeira pelo seu trabalho no filme “Nightmare Alley”

 

O filme “O Poder do Cão”, da realizadora neozelandesa Jane Campion, lidera as nomeações dos Óscares, em 12 categorias, anunciou esta terça-feira a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos.

Jane Campion volta a estar nomeada para melhor realização, depois de em 1994 ter sido indicada com o filme “O piano”, que lhe valeu o Óscar de melhor argumento original.

De acordo com a lista de nomeados da 94.ª edição dos Óscares, “O Poder do Cão”, uma produção estreada na plataforma Netflix, soma 12 nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Fotografia e três indicações na representação para Benedict Cumberbatch, Jesse Plemons e Kirsten Dunst.

Com dez nomeações surge “Duna”, a adaptação do clássico de ficção científica de Frank Herbert por Denis Villeneuve.

O filme reúne nomeações em categorias técnicas de som e imagem, além de estar nomeado para Melhor Filme, mas Villeneuve falha uma nomeação na realização.

Com sete nomeações cada, estão “Belfast”, de Kenneth Branagh, e “West Side Story”, a visão de Steven Spielberg de um musical da Broadway.

Na contagem geral de candidatos aos Óscares, destaque ainda para a presença de dois filmes não ingleses: A produção japonesa “Conduz o meu carro” e a dinamarquesa “Flee – Em Fuga”.
“Conduz o meu carro”, de Ryusuke Hamaguchi, está nomeado para quatro Óscares, nomeadamente Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Filme Internacional e Melhor Argumento Adaptado, enquanto “Flee – Em Fuga”, de Jonas Poher Rasmussen, é candidato nas categorias de Melhor Filme Internacional, Melhor Documentário e Melhor Filme de Animação.

Para o Óscar de Melhor Realização estão indicados Jane Campion, Kenneth Branagh, Paul Thomas Anderson, Ryusuke Hamaguchi e Steven Spielberg.

Português nomeado

O ‘designer’ luso-canadiano Luís Sequeira está nomeado para a 94.ª edição dos Óscares pelo filme “Nightmare Alley – Beco das Almas Perdidas”, do mexicano Guillermo del Toro.
Luís Sequeira está nomeado para o Óscar de Melhor Guarda-Roupa, categoria na qual esteve indicado em 2018, com o filme “A Forma da Água”, do mesmo realizador, embora não tenha conseguido o galardão.

Nesta edição dos Óscares, o ‘designer’ luso-canadiano competirá numa categoria onde estão ainda os filmes “Cruella”, “Cyrano”, “Duna” e “West Side Story”.
Por conta de “Nightmare Alley – Beco das Almas Perdidas”, Luís Sequeira também está nomeado para os BAFTA, do Reino Unido, e para os prémios da Associação de Figurinistas dos Estados Unidos.

Luís Sequeira nasceu no Canadá, é filho de portugueses, tem dupla nacionalidade e soma mais de trinta anos de carreira entre a moda e o cinema. A cerimónia de anúncio dos vencedores está marcada para 27 de março em Los Angeles, Califórnia.

Pandemia | Preocupação com saúde mental dos trabalhadores

O Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais, Sheng Kung Hui, diz que os pedidos de apoio psicológico relacionados com questões financeiras aumentaram 10 por cento em relação ao período antes da pandemia. Insónias, ansiedade e depressão são os principais sintomas apontados. FSS diz que entre Janeiro e Outubro do ano passado, 22 desempregados receberam subsídios para obter formação profissional

 

O Chefe do Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui de Macau, Ip Kam Po, está preocupado com os efeitos que a pandemia está a ter nos trabalhadores das empresas locais, sugerindo que as entidades patronais prestem mais atenção à saúde mental e física dos colaboradores.

Além disso, o responsável pela associação ligada à igreja anglicana, espera que as empresas do território se mostrem mais disponíveis para cooperar com os serviços sociais locais, com o objectivo de “organizar actividades que apoiem de forma relevante os funcionários”.

De acordo com o jornal Ou Mun, Ip Kam Po justificou a tomada de posição com o facto de o volume de pedidos de ajuda recebidos pela associação que chefia ter aumentado em cerca de 10 por cento relativamente ao período antes da pandemia. O responsável revelou ainda que a maioria das sessões de apoio visaram atender preocupações económicas e o pagamento de dívidas e que os trabalhadores apresentaram sintomas como insónias, ansiedade e depressão.

Dirigindo-se ao Governo, Ip Kam Po espera que as autoridades lancem medidas de apoio dirigidas às empresas e a pensar na saúde mental e física dos trabalhadores. Já da parte da associação Sheng Kung Hui, revelou, será feito um estudo para avaliar a condição dos colaboradores do território nesses parâmetros e divulgado um vídeo de sensibilização. Desde que começou a prestar serviços de apoio a funcionários das empresas de Macau em 2010, o organismo já acolheu mais de 130 mil pessoas, dos quais 90 por cento eram trabalhadores locais.

E quem não trabalha?

Noutro espectro do mercado laboral, neste caso referente ao universo de desempregados que tem vindo a aumentar a reboque da pandemia, o Fundo de Segurança Social (FSS) revelou em resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U que entre Janeiro e Outubro do ano passado, houve um total de 22 casos subsidiados sob o enquadramento do “Regulamento dos Incentivos e Formação aos Desempregados”.

O apoio, que se traduz num montante de subsídios concedidos no valor de 157 mil patacas, revela “um aumento” em relação a 2020. Em termos totais, o saldo de dotação específica do “Regulamento dos Incentivos e Formação aos Desempregados” que está ainda a ser gerido pelo FSS, é de cerca de 103 milhões de patacas, revela ainda o organismo.

No que diz respeito à revisão do plano de apoio aos desempregados, o FSS diz apenas que a viabilidade de uma eventual alteração à lei e à sua operabilidade está a ser coordenada em conjunto com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).

Orquestra | IC envia 22 trabalhadores para a nova sociedade

A Sociedade Orquestra de Macau conta desde o início do mês com 22 trabalhadores do Instituto Cultural, que vão permanecer na empresa pública durante um ano

 

O Instituto Cultural (IC) nomeou 22 trabalhadores para serem enviados em comissão de serviço para a recém-criada Sociedade Orquestra de Macau. O anúncio foi publicado ontem através de um despacho em Boletim Oficial, assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U.

“São nomeados os 22 trabalhadores do Instituto Cultural, constantes da tabela em anexo para exercer funções, em comissão eventual de serviço, na Sociedade Orquestra de Macau, Limitada, pelo período de um ano, a partir de 1 de Fevereiro de 2022”, pode ler-se no texto do despacho.

O HM contactou o IC, para perceber as funções desempenhadas por estes trabalhadores e tentar perceber a razão de não terem sido despedidos e contratados pela nova orquestra, como aconteceu com os músicos, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta.

Segundo o anúncio publicado ontem no Boletim Oficial, os trabalhadores vão manter os respectivos salários e benefícios com o IC a assumir as despesas: “A remuneração mensal de cada um dos trabalhadores referidos […] é a correspondente à dos cargos de origem no Instituto Cultural, a quem caberá suportar as respectivas remunerações e os encargos com os descontos […] para efeitos de assistência na doença, aposentação e sobrevivência ou previdência, na parte respeitante à entidade patronal”, é referido. O despacho apresenta também os nomes dos trabalhadores afectados com a mudança.

Processo polémico

O processo da extinção da Orquestra de Macau e da Orquestra Chinesa de Macau e a transferência dos respectivos músicos para uma empresa com capitais públicos tem sido marcado por várias polémicas.

A medida serviu como pretexto para despedir o maestro chinês Lu Jia, que em declarações à TDM, admitiu ter ficado a saber do despedimento através de amigos, ainda antes de ter havido qualquer comunicação oficial.

Além disso, aos trabalhadores não-residentes foi igualmente feito um ultimato: ou assinavam um documento com a transferência para a nova empresa ou tinham de deixar o território. Os documentos da transferência foram assinados sem que houvesse informações sobre os salários nem outros direitos laborais. Ao longo das reuniões para explicar as mudanças, os músicos não-residentes saíram sempre com mais dúvidas do que respostas.

Quanto aos músicos residentes, o IC garantiu que foram despedidos, com direito a receberem as respectivas compensações, mas que seriam contratados pela nova empresa.

Durante o processo turbulento com as orquestras, houve ainda tempo para uma troca na presidência no Instituto Cultural com a saída de Mok Ian Ian e a promoção da vice-presidente Deland Leong Wai Man.

A troca nunca foi explicada oficialmente, e Elsie Ao Ieong U também não prestou declarações durante a tomada de posse de Deland Leong. No entanto, a relação entre Mok Ian Ian e a secretária Elsie Ao Ieong U nunca foi fácil. Mok tinha sido uma escolha de Alexis Tam, antecessor de Elsie, e o facto terá pesado sempre na relação entre as duas.

Canídromo | Francisco Manhão destaca oportunidade para desenvolver desporto

O ex-presidente da Associação de Veteranos de Futebol defende que o Canídromo deve ser aproveitado para lançar um novo centro desportivo que permita ao desporto de Macau internacionalizar-se e finalmente obter resultados

 

Francisco Manhão, ex-presidente da Associação de Veteranos de Futebol, apelou ao Governo para assumir as rédeas do desporto local e criar um projecto de internacionalização com resultados desportivos. Para este fim, Manhão considera que o Canídromo é fundamental e que deve ser dotado de instalações para as diferentes modalidades.

Anteriormente, o Governo tinha anunciado que pretendia utilizar o Canídromo para desenvolver espaços para as escolas. Contudo, o projecto foi abortado, numa decisão elogiada por Manhão. “Fiquei satisfeito com a decisão do Governo de manter o Canídromo. Para mim, estamos a falar do espaço desportivo mais importante de Macau e também aquele que é o mais antigo e tradicional”, reconheceu, em entrevista ao HM.

“O Canídromo é uma oportunidade para Macau desenvolver o desporto, através da criação de infra-estruturas para finalmente se conseguir competir a nível internacional. Ainda há tempos ouvi o Presidente Xi, num discurso, a dizer que o desporto tem de ser uma aposta”, afirmou Manhão. “E como é que se pode desenvolver o desporto? De certeza que não chega apenas recuperar o campo, o balneário e as bancadas. É preciso mais”, vincou.

Para Manhão, o projecto deve passar pela aposta na construção de campos para modalidades como voleibol, andebol, fustal, além do futebol de onze, assim como num centro médico feito a pensar nos atletas, com piscina para tratar lesões. “É muito importante que os atletas tenham um espaço para poderem recuperar e receber todos os cuidados necessários”, justificou.

Para expandir

Além das instalações desportivas, o ex-presidente da associação defendeu a construção de alojamentos para os atletas, à semelhança do que aconteceu com o centro de alto rendimento, no Cotai.

Questionado sobre se os dois projectos não seriam redundantes, Manhão recusou o cenário por considerar que as novas instalações não resolveram o problema da falta de espaços para as diferentes modalidades.

Quanto à gestão do projecto, o macaense considerou que o Instituto do Desporto deveria entregar a gestão às diferentes associações, que tratariam dos pedidos para a utilização das instalações. “O Instituto do Desporto ficava com o papel de supervisão, mas como eles têm tantas tarefas, e recebem tantos pedidos, era mais fácil para todos se fossem as associações a gerirem os pedidos para os seus membros. Haveria menos burocracia e seria mais eficaz”, indicou.

Cultura de exigência

Sobre o desporto local, Francisco Manhão defendeu que é essencial uma maior intervenção do Governo para criar uma cultura de exigência de resultados, que não existe actualmente.

“Não temos desporto com qualidade. Há cinquenta anos que oiço que não há problema face à ausência de resultados porque se está a ganhar experiência. É uma resposta que não resolve nada”, sublinhou. “É um discurso que impede que se evolua e que faz com que Macau nunca tenha capacidade para competir internacionalmente”, acrescentou.

Por isso, Manhão considera que tem de ser o Governo a apostar num novo modelo de desenvolvimento, criar o estatuto de atleta de alta competição, com carreiras atractivas, e enviar os jovens e técnicos para o exterior, onde podem ser formados com os melhores profissionais. “Se olharmos para Hong Kong, vemos que o que conseguiram alcançar a nível internacional, e ganham medalhas em competições a nível mundial, tudo isso se deve a muito trabalho e à aposta no desporto. Temos de seguir o exemplo”, apontou.

O ex-presidente da Associação de Veteranos de Futebol disse ainda que podem ser feitas parecerias para formação de técnicos e atletas com os países mais desenvolvidos. “Se pensarmos no futebol, Alemanha, Inglaterra ou Portugal são boas hipótese. Se quisermos ver o caso do voleibol, a China é um bom destino para se aprender”, afirmou.

Claro para Francisco Manhão, é que o projecto do Canídromo tem de ser central para o desporto em Macau poder dar um salto qualitativo e poder chegar a um nível que seja efectivamente internacional.

Fórum Macau | Novo secretário-geral reúne com cônsul português

O novo secretário-geral do Fórum Macau, Ji Xianzheng, reuniu esta terça-feira com o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves. Segundo um comunicado, Paulo Cunha Alves destacou o facto de, nos últimos anos, o Fórum Macau ter promovido “o intercâmbio e a cooperação nas mais variadas áreas entre a China e os Países de Língua Portuguesa, com aproveitamento das vantagens singulares” do território.

Cunha Alves manifestou ainda a “disponibilidade continuada” do Consulado “no apoio aos trabalhos” do Fórum, tendo pedido que esta entidade “impulsione ainda mais a cooperação com as partes envolvidas em domínios como o intercâmbio cultural, a cooperação trilateral ou o apoio à construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

Por sua vez, Ji Xianzheng disse ser seu objectivo “continuar a reforçar o contacto e a cooperação com o Consulado Geral de Portugal de modo a conjugar esforços no apoio à construção de Macau enquanto Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

É objectivo do Fórum Macau continuar com a “auscultação de todos os intervenientes no intuito de melhor desempenhar o seu papel como mecanismo de cooperação multilateral”, a fim de “intensificar o intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa em todas as áreas”.

Legislativas | 44 % dos portugueses emigrantes não conseguiu votar 

Um inquérito realizado pela associação “Também somos portugueses” conclui que 44 por cento dos inquiridos não conseguiu votar nas últimas eleições legislativas para a Assembleia da República (AR), em Portugal.

Quanto às razões, 69 por cento disse que não chegou a receber o boletim de voto, ou por estarem recenseados em Portugal ou por não estarem na morada habitual. Ainda assim, uma grande parte dos inquiridos disse que conseguiu votar sem problemas. No inquérito, 80 por cento dos inquiridos disse preferir a implementação do voto electrónico, enquanto que 60 por cento dos participantes “quer o aumento do número de deputados eleitos pela emigração”.

Num comunicado, a associação “lamenta que tantos cidadãos portugueses tenham sido privados do direito ao voto. Os comentários mostram a frustração e indignação de quem tentou exercer o seu direito de cidadão mas não conseguiu votar. A dificuldade em actualizar a morada parece ser o principal problema, mas não o único.”

Este inquérito obteve respostas de 56 países onde vivem portugueses, sendo que será enviada uma versão completa do documento para a Comissão Nacional de Eleições, a Administração Eleitoral, ao Presidente da República e ao Executivo, liderado por António Costa.

DSAL | Coutinho vai levar despedimento de 521 trabalhadores à AL

No seguimento de não ter sido recebido pela DSAL após sucessivas tentativas, José Pereira Coutinho vai levar o caso dos 512 trabalhadores despedidos de uma obra no Cotai, à Assembleia Legislativa. Para o deputado, a situação é demonstrativa da falta de “transparência” e “responsabilidade” das entidades oficiais. Trabalhadores afectados continuam desempregados

 

O deputado José Pereira Coutinho vai levar à Assembleia Legislativa (AL), o caso dos 512 trabalhadores despedidos de uma obra no Cotai, que se manifestaram a 27 de Janeiro à porta da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para apresentar queixa. Contactado pelo HM, o deputado apontou não haver outra saída possível para a situação, dado que, desde o dia em compareceu à porta da DSAL e acabou por não ser recebido pelos responsáveis, procurou agendar novos encontros com o organismo, acabando por ver todos eles recusados.

“No dia seguinte [à concentração] fiz outro pedido e também foi negado. Até hoje estou à espera que façam alguma coisa e, perante isto, não tenho outra solução senão levar o assunto à AL. Os dirigentes da DSAL não se atreveram até hoje a encontrar-se com um deputado. Isto só demonstra opacidade, falta de transparência, de coragem e de responsabilidade por parte das entidades oficiais”, começou por dizer.

“Ainda ontem estive reunido com representantes dos trabalhadores despedidos. Estamos a recolher muita informação e eu estou, entretanto, a preparar um documento para enviar ao Governo e estamos a ver ainda qual será a melhor modalidade [interpelação escrita ou oral] para fazer face ao carácter urgente desta matéria. Desde que acompanhámos os trabalhadores à DSAL verificámos que, de facto, há um problema grave relacionado com as autorizações dos trabalhadores não residentes [TNR] e que tem prejudicado gravemente os trabalhadores locais, na medida em que uma grande parte são trabalhadores jovens”, acrescentou.

Segundo Pereira Coutinho, a maioria das centenas de trabalhadores afectados tem “cerca de 40 anos, famílias para sustentar, filhos menores e rendas para pagar” e, desde que foram despedidos, ainda não encontraram emprego.

Neste contexto, o deputado considera que a DSAL “não está a desempenhar o papel que lhe compete”, dado que estão a decorrer obras de grande envergadura como a fase 4 do Galaxy ou a construção do Complexo Hospitalar das Ilhas, onde os responsáveis “não se estão a esforçar por contratar trabalhadores locais”.

“A DSAL (…) não está a desempenhar o papel que lhe compete, nomeadamente de investigar estaleiro por estaleiro, porque é que, por exemplo, nas fundações, pinturas, trabalhos de arrematação do cimento ou no emadeiramento não se contratam trabalhadores locais?”, questionou.

Pactos comprometedores

Apesar de não estar ainda certo em que formato é que o assunto será levado à AL, Coutinho defende que o Executivo deve ser mais “exigente” em relação às autorizações concedidas aos trabalhadores não residentes (TNR), já que existem “ainda” 170 mil TNR no mercado de trabalho. Caso contrário, estará a pactuar com os interesses das construtoras e não com o bem-estar dos trabalhadores locais.

“Na área da construção civil, o Governo pactua com as grandes construtoras que receberam de bandeja as grandes obras públicas e (…) [podendo] é evidente que optam pelos TNR que não têm qualquer direito ou regalia e, ao mínimo passo em falso, são enviados imediatamente para o local de origem”, partilhou.

Em termos de medidas de apoio, Pereira Coutinho reiterou que o Governo deveria atribuir cheques pecuniários destinados às “classes mais vulneráveis” e defendeu o aumento do prazo de atribuição e do montante do subsidio de desemprego, respectivamente de três para seis meses, e de 4.500 para as 6.000 patacas.

Beijing 2022 | Nathan Chen encanta na patinagem. Eileen Gu conquista ouro inédito para a China

O norte-americano Nathan Chen bateu o record de pontuação alguma vez alcançado na patinagem artística (programa curto) numa performance sem erros e é favorito para o programa longo de hoje. Nascida nos EUA, Eileen Gu ofereceu à China o seu primeiro ouro no big air do esqui estilo livre, garantindo estar a viver “o melhor momento” da vida, depois de ter optado por competir pelo país. Itália surpreende no curling após bater a Noruega na final de duplas mistas

 

Ainda em busca de conquistar a sua primeira medalha olímpica individual, o norte-americano Nathan Chen bateu na terça-feira o recorde de pontuação alguma alcançado na patinagem artística (programa curto) durante uma apresentação isenta de erros. O tricampeão mundial obteve por parte do júri uma pontuação de113.97, superando assim a melhor marca anterior, alcançada pelo japonês Hanyu Yuzuru (111.82).

Ao alcançar o feito, Chen parece ter enterrado definitivamente os fantasmas que o assombraram em PyeongChang 2018, quando cometeu diversos erros no programa curto e acabou por se classificar no 17º lugar. Contudo, após a performance, o atleta de 22 assume-se agora como um dos favoritos para o programa longo a ser disputado hoje e que definirá, em conjunto com os resultados do programa curto, os vencedores das medalhas.

“Diria que esta performance esteve perto do meu melhor. Claro que há sempre algo a melhorar (…) mas no geral estou feliz”, disse Chen, ao Olympic Channel.

Por seu turno, o actual bicampeão Olímpico, Hanyu Yuzuro (Japão) terminou o programa curto no 8º lugar após algumas hesitações, colocando-se numa posição difícil para revalidar uma vez mais o título de campeão olímpico. Contudo, sobre o adversário, Nathan Chen mostra-se cauteloso.

“Não é possível descartar nenhum atleta deste gabarito. A competição não é composta apenas por um programa. O que aconteceu no programa curto não é indicativo do que vai acontecer no programa longo”, acrescentou. “Tenho mais uma oportunidade (…) e muito tempo de música para executar muitos saltos, e aí posso dar o meu melhor”, afirmou por sua vez o japonês sobre a chance de dar a volta por cima no programa longo.

Para a história

Contudo, o grande momento do quarto dia de competição dos Jogos Olímpicos de Inverno foi assinado por Eileen Gu, de 18 anos, que conquistou na terça-feira para a República Popular da China, uma inédita a medalha de ouro no big air do esqui estilo livre. Isto, após a atleta que nasceu em São Francisco e cresceu nos Estados Unidos, ter optado por representar a China nos Jogos Olímpicos de Pequim.

“Foi o melhor momento da minha vida. O momento mais feliz de toda a minha vida. Nem posso acreditar no que acabou de acontecer”, disse Eileen Gu emocionada segundo o Diário de Notícias, citando o Olympic Channel. Antes da sua participação nos Jogos Olímpicos, e devido ao contexto geopolítico, a atleta disse também que um dos seus grandes objectivos passava por “inspirar milhões de jovens” na China, terra onde nasceu a mãe, e “ajudar a promover o desporto” que ama.

A decisão do ouro ficou para a última ronda de saltos, com uma disputa acesa entre Eileen Gu, Tess Ledeux (França) e Mathilde Gremaud (Suiça). A chinesa foi a primeira a saltar e não vacilou, tendo executado uma rotação de 1620 graus (quatro voltas e meia) numa manobra inédita que a colocou de imediato na liderança (188,25 pontos) e transferiu uma enorme pressão às adversárias. A suíça falhou o último salto e a francesa não foi capaz de superar a sua performance anterior, consagrando assim a vitória de Eileen Gu. A prata acabou por ir para Tess Ledeux (187.50) e o bronze para Mathilde Gremaud (182.50).

De frisar ainda que Eileen chegou a representar os Estados Unidos em 2017 e 2018, mas ao aperceber não existiam grandes figuras no esqui da China, decidiu optar pela nacionalidade do país, muito devido ao facto de a sua mãe ser chinesa, da convivência que teve com a avó e das várias visitas que fez à China.

Questionada sobre a tópico da nacionalidade durante a sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude de Lausanne 2020, Eileen Gu desvalorizou qualquer polémica. “Quando estou na China, sou chinesa. Quando estou nos EUA, sou americana”, disse ao Olympic Channel.

Ouro sobre azul

No campo das surpresas, destaque para a vitória da Itália nas duplas mistas do curling. A dupla composta por Stefania Constantini e Amos Mosaner conquistou a medalha de ouro após bater a favorita Noruega, na final, por 8-5. Já a medalha de bronze foi para a Suécia, após bater o Reino Unido por 9-3 no “Cubo de Gelo”.

A campanha da equipa italiana na competição foi uma das mais inesperadas e empolgantes da história do curling nos Jogos Olímpicos. Com um quinto lugar no Mundial de 2021 como melhor resultado alcançado anteriormente, não era esperada sequer uma entrada no pódio olímpico, especialmente diante de conjuntos experientes como o Canadá, a Suécia, a Suíça e o Reino Unido.

“Este é um momento importante. Conseguimos ganhar uma medalha de ouro e isso é incrível. Mas acima de tudo, alcançámos 11 vitórias e nenhuma derrota, essa é a coisa mais linda”, disse Mosaner ao Olympic Channel.

Já Stefania Constantini espera que os italianos comecem a interessar-se mais pelo curling depois do resultado alcançado. “Muitos italianos (…) estão orgulhosos de nós. Conseguimos sentir todo o apoio deles”, afirmou a jogadora.

Snowboard | Max Parrot de ouro após vencer cancro

O canadiano Max Parrot venceu a medalha de ouro na modalidade de snowboard slopestyle nos Jogos Olímpicos de Inverno, que chegou a Pequim três anos após ter sido diagnosticado com um cancro, mais precisamente um linfoma de Hodgkin, que acabaria por superar em 2019.

“Sou hoje muito mais forte mentalmente. Passar por 12 sessões de quimioterapia em seis meses dá muita força”, garantiu Parrot ao Olympic Chanel, após a conquista da medalha de ouro na passada segunda-feira, onde obteve uma pontuação de 90.96.

A luta contra a doença começou em Dezembro de 2018, pouco tempo depois altura de o atleta ter vencido a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang.

“Há exactamente três anos, nesta data em particular, estava deitado na cama do hospital a passar por 12 tratamentos de quimioterapia. Já não tinha músculos, já não tinha energia. Quis desistir por vezes, porque era tão difícil chegar à manhã seguinte. Estar aqui, três anos depois, e ganhar o ouro é uma loucura total”, disse em declarações ao Olympic Chanel citadas pelo jornal Expresso.

A completar o pódio da final de snowboard slopestyle ficaram Su Yiming (China), que fez a sua estreia olímpica e obteve uma pontuação de 88.70 e Mark McMorris (Canadá) que alcançou uma pontuação de 88.53, numa disputa que ficou marcada pelo equilíbrio.

Portugal | Vanina Oliveira falha porta e não termina prova de slalom

A esquiadora portuguesa Vanina Oliveira falhou ontem uma porta no início da segunda manga e não terminou a prova de slalom nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, depois de ter sido 46.ª na primeira descida, entre 88 participantes.

Na disciplina em que se sente mais confortável, Vanina Guerillot Oliveira, de 19 anos, partiu para Pequim com o objectivo de ficar entre as 30 primeiras no slalom, mas o erro logo à saída da segunda manga na pista Ice River, em Yangqiing, gorou as expectativas da atleta lusa.

A eslovaca Petra Vlhová, número um do ´ranking` mundial e vice-campeã do mundo, conquistou o ouro olímpico, com um tempo de 1.44.98, depois de ter sido oitava na primeira descida e ter sido a melhor na segunda descida. Katharina Liensberger, austríaca, campeã do mundo, terminou em segundo e a suíça Wendy Holdener, prata em PeyongChang2018, conseguiu o bronze.

O chefe de missão, Pedro Farromba, sublinhou as condições da pista, “com a neve muito rija”, que atirou 38 atletas para fora de prova, e acentuou a frustração de Vanina Oliveira, após “uma boa primeira manga” que antevia cumprir “o que estava definido”.

“Estamos tristes. Esta era a prova onde ela é mais forte. A Vanina teve azar, acontece. É sempre frustrante. Ela está muito triste e desiludida, porque é muito tempo de treino e de trabalho para, num momento, não correr bem”, disse Pedro Farromba, em declarações à agência Lusa.

O responsável realçou que o esqui alpino tem a particularidade de não permitir recuperar quando se comete um erro e salientou o foco na comitiva já na próxima prova, os 15 Km clássicos no esqui de fundo de José Cabeça, na sexta-feira.

 

Agenda para hoje

Bobsled (a partir das 14h55)
Curling (a partir das 09h05)
Esqui Alpino (10h15 e 14h15) – Medalhas
Esqui Cross-Country (15h00) – Medalhas
Esqui Estilo Livre (a partir das 19h00) – Medalhas
Hóquei no Gelo (a partir das 12h10)
Luge (21h30) – Medalhas
Patinagem Artística (9h30) – Medalhas
Patinagem de Velocidade (20h00) – Medalhas
Saltos de Esqui (18h00)
Skeleton (9h30 e 11h00)
Snowboard (a partir das 9h30) – Medalhas

* O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa

Acções da chinesa Wuxi Biologics afundam após inclusão na lista negra dos EUA

A empresa chinesa Wuxi Biologics suspendeu na segunda-feira a negociação das suas acções na Bolsa de Valores de Hong Kong, após ter sido incluída pelas autoridades dos Estados Unidos na lista negra do Departamento de Comércio.

As acções da empresa, que fornece soluções tecnológicas para farmacêuticas, caíram 22,77%, até as negociações terem sido temporariamente suspensas. Em comunicado, a Wuxi Biologics indicou que vai fazer um anúncio, previsivelmente relacionado com a sua inclusão na referida lista negra.

O Departamento de Comércio inclui nesta lista empresas estrangeiras para as quais não pode verificar a “legitimidade e confiabilidade” do uso que fazem de produtos importados a partir dos Estados Unidos.

A medida não significa que os exportadores não possam fazer negócios com a Wuxi Biologics, mas significa que devem passar por processos adicionais antes de fazê-lo.

O Governo de Joe Biden manteve a postura da administração anterior, liderada por Donald Trump, no sentido de tornar mais difícil para a China garantir tecnologias de ponta, ao restringir o comércio e o investimento.

Washington acrescentou esta semana outras 32 organizações chinesas, com o objetivo de “ajudar os exportadores norte-americanos a realizar os processos relevantes e avaliar o risco das transações”, segundo a Casa Branca.

A inclusão na lista que restringe o acesso a produtos norte-americanos visa também “enviar uma mensagem ao governo da República Popular da China sobre a importância da sua cooperação na clarificação sobre o uso final” de produtos importados dos Estados Unidos.

A Wuxi disse em comunicado que a sua inclusão na lista não afeta significativamente os seus negócios.

“A WuXi Biologics está a importar alguns componentes para biorreatores e filtros de fibra oca que estão sujeitos a restrições na exportação dos EUA, mas receberam aprovação [dos EUA] nos últimos 10 anos”, disse a empresa, em comunicado, na segunda-feira.

Analistas consideram que o impacto das proibições pode ser minimizado pela substituição de componentes norte-americanos.

John Yung, analista do Citigroup em Hong Kong, disse que a Wuxi é “mais propensa a procurar alternativas na União Europeia ou na China”, em vez de lidar com atrasos no fornecimento de componentes oriundas dos EUA.

Covid-19 | Cientistas chineses dizem ter projectado um novo teste ultrarrápido

Cientistas chineses desenvolveram um novo teste para o coronavírus SARS-CoV-2 que é tão confiável como um teste PCR de laboratório e dá resultado em minutos, de acordo com um artigo publicado numa revista científica.

Atualmente, os testes PCR são o padrão máximo mundial para triagem da infeção, mas os resultados demoram várias horas a sair.

Pesquisadores da Universidade de Fudan, na cidade chinesa de Xangai, dizem, no entanto, terem desenvolvido uma alternativa.

Num artigo publicado na revista Nature Biomedical Engineering, a equipa disse ter desenvolvido um sensor que usa microeletrónica para analisar amostras de DNA coletadas por uma zaragatoa.

O sensor, ligado a uma máquina portátil, permite obter um resultado em “menos de quatro minutos”, asseguram os seus projetistas.

Este terminal tem “alta sensibilidade” e pode ser facilmente levado para qualquer lugar.

Para testar o dispositivo, foram retiradas amostras de 33 pessoas infetadas com o coronavírus. Os testes de PCR foram realizados em paralelo, para poder comparar os dois métodos.

De acordo com o artigo, todos os resultados obtidos pelos dois dispositivos foram idênticos.

Os testes realizados com o novo dispositivo envolveram um total de 54 amostras, incluindo pessoas com febre, mas que não tiveram covid-19, pacientes com gripe e voluntários saudáveis.

Os pesquisadores da Universidade Fudan disseram que, uma vez aperfeiçoados, os seus dispositivos podem ser usados em várias situações, incluindo aeroportos, hospitais e até em casa.

Além de serem lentos, os testes de PCR requerem infraestrutura e laboratórios que são escassos em muitos países em desenvolvimento, o que constitui um obstáculo à deteção do vírus.

Autotestes rápidos também existem, mas são considerados menos confiáveis. A China é um dos maiores produtores mundiais de testes de PCR. Em dezembro, exportou um valor total de 1,4 mil milhões de euros, um aumento de 144%, face ao mês anterior, segundo as alfândegas chinesas.

China reitera apoio à reivindicação da Argentina sobre as Ilhas Malvinas

A China reiterou o seu “firme apoio” à reivindicação da Argentina sobre as Ilhas Malvinas/Falkland e insistiu que Londres deve sentar-se para discutir o assunto com Buenos Aires.

Em comunicado, o porta-voz da Embaixada da China no Reino Unido reagiu assim às palavras da ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss, que defendeu na terça-feira aquelas ilhas como “parte da família britânica”.

“A China deve respeitar a soberania das Falkland (como os britânicos chamam às ilhas)”, escreveu Truss, na sua conta oficial na rede social Twitter.

O porta-voz chinês enfatizou que a posição do seu país nas Malvinas é “consistente” e implica “firme apoio à reivindicação legítima da Argentina de completa soberania” sobre as ilhas.

“A China sempre defendeu que as disputas territoriais entre países sejam resolvidas por meio de negociações pacíficas, de acordo com os princípios da Carta das Nações Unidas”, lê-se na mesma nota.

Pequim “espera” que o Reino Unido responda afirmativamente ao pedido da Argentina de abrir negociações o mais rápido possível para encontrar uma “solução pacífica, justa e duradoura de acordo com as resoluções da ONU”.

A Argentina reivindica as ilhas desde 1833, mas o Reino Unido recusa-se a entrar em negociações sobre a sua soberania, conforme solicitado por Buenos Aires.

Os dois países travaram uma guerra, em 1982, um conflito que começou com a ocupação das ilhas pela junta militar argentina, em 02 de abril, daquele ano e terminou com a rendição argentina em 14 de junho. Durante a guerra morreram 649 militares argentinos, 255 britânicos e três civis habitantes das ilhas.

Chefe da diplomacia dos EUA inicia périplo na região de Ásia-Pacífico

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, partiu ontem para a região da Ásia-Pacífico, périplo que pretende consolidar as parcerias locais perante a estratégia expansionista da China e que surge em plena intensificação da crise ucraniana.

Blinken passará três dias na cidade australiana de Melbourne, onde vai participar numa reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do grupo Quad, uma aliança dos Estados Unidos da América (EUA) com a Austrália, Índia e Japão, que Washington pretende que seja um baluarte contra o desejo de controlo regional por parte da China.

Em Melbourne, o chefe da diplomacia norte-americana vai reunir com altos funcionários australianos, incluindo o primeiro-ministro, Scott Morrison, com quem deve tentar fortalecer a aliança militar trilateral “AUKUS” (Austrália, Reino Unido, EUA), anunciada em setembro para combater a influência da China.

Ao abrigo desta aliança, a Austrália adquiriu, no ano passado, submarinos de propulsão nuclear aos Estados Unidos, rompendo um contrato de compra de submarinos tradicionais à França, o que provocou um incidente diplomático.

Após a partida da Austrália, programada para sábado, Blinken fará uma escala nas ilhas Fiji para se encontrar com vários líderes das ilhas do Pacífico.

“A principal mensagem que o secretário de Estado transmitirá é que as nossas parcerias cumprem as promessas estabelecidas”, disse Daniel Kritenbrink, secretário de Estado adjunto para o Pacífico e Ásia Oriental.

“O Quad é uma componente-chave, económica e de segurança, da política externa dos EUA na região do Indo-Pacífico”, explicou Kritenbrink.

Criado em 2007, o grupo Quad foi revitalizado em 2017, quando a Austrália se envolveu de forma mais assertiva para combater as intenções expansionistas do Governo de Pequim, acusado de intimidação militar no Mar do Sul da China.

As Forças Armadas da Austrália participaram em manobras conjuntas da aliança, em 2020, um ano em que tropas chinesas e indianas entraram em confronto por várias vezes, numa área de fronteira disputada.

A reunião de Melbourne também servirá para discutir estratégias no combate à pandemia de covid-19 e os problemas das alterações climáticas, preparando a agenda para uma reunião de chefes de Estado do Quad, marcada para meados deste ano.

Esta viagem de Blinken acontece numa altura em que os receios ocidentais sobre uma potencial invasão russa da vizinha Ucrânia continuam bem presentes.

Também acontece poucos dias depois do Presidente russo, Vladimir Putin, ter recebido o apoio do chefe de Estado chinês, Xi Jinping, nas críticas contra a expansão da NATO a leste.

Num encontro na capital chinesa, que decorreu por ocasião da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, os dois líderes deram sinais de uma frente comum, com Pequim a apoiar Moscovo no seu confronto com a NATO em torno da Ucrânia e Putin a devolver o apoio de Xi Jinping no que diz respeito a Taiwan, ilha que a China considera parte do seu território e que já chegou a ameaçar a reunificação pela força.

O corpo perfeito não existe: o mito que complica o sexo

Há um determinado número de condições para que o sexo faça bem. Sexo é demasiado vago para ser esse poço de benefícios que eu tento apregoar. No caso das pessoas que foram socializadas e que se identificam como mulheres, a questão da imagem corporal é um importante factor que pode bloquear ou desbloquear todos os benefícios do sexo. Quanto mais te sentires confortável na tua pele, quanto mais te sentires confortável sem roupa, expondo a celulite, as estrias, as banhas e os outros supostos demónios que foram incutidos, mais confortável te sentirás com o sexo. Isto não sou eu a dizê-lo de forma gratuita, isto é o que a investigação confirma.

Há investigação científica que sugere que é preciso resolver este problema – e obsessão – do corpo perfeito se queremos educar para uma sexualidade mais livre e prazerosa. Mas esta questão do corpo não vai lá só com livros e vídeos de auto-ajuda que de forma débil, e um tanto ou quanto incompleta, tentam ensinar as pessoas a aceitarem o seu corpo tal como é. Não quero soar pessimista, mas procurar uma solução milagrosa no trabalho individual e cognitivo – apesar de ajudar – é ingénuo.

Vivemos desde sempre em sociedades que gostam de cristalizar um ideal de beleza. A indústria – e o tão poderoso marketing por detrás – suscita o consumo de produtos e serviços com um propósito absolutamente indigno: que não deveremos querer ser quem somos. Por isso é que parte deste processo de libertação tem que passar por escrutinar todas as mensagens que são transmitidas por várias vias, desde o seio familiar, até às narrativas mais gerais de como é que podemos apreciar o corpo. Por exemplo, os ginásios escolhem promover os seus serviços com uma ênfase desmesurada nas 300 maneiras de como se pode esculpir e tonificar o corpo: um objectivo que a maior parte das pessoas não irá conseguir alcançar. Desafio-vos a encontrar um espaço de exercício físico que o publicite como um importante promotor da saúde e bem-estar, em vez de focar-se no controlo do corpo.

Se existem situações em que estas narrativas são óbvias e muito condenáveis – por exemplo, ao pensarmos que meninas de 8 anos já andam preocupadas com a gordura e com o seu visual – existem outras formas em que as narrativas operam de forma mais subtil. A associação entre excesso de peso e a saúde é um daqueles mitos que aos poucos começa a ser desconstruído. Não há evidência científica que o peso ou o índice de massa corporal seja um indicador de melhor ou pior saúde. O estigma que as pessoas com excesso de peso passam na sociedade e no acesso a serviços é que está associado a crescentes problemas de saúde. Aliás – e isto vai vos surpreender – a investigação parece mostrar que o défice de peso está mais associado a problemas de saúde do que o excesso. Disto ninguém fala, não é?

O sexo só faz bem se nos sentirmos bem. A forma como nos relacionamos com o nosso corpo é importante para a sexualidade positiva. Não podemos, contudo, assumir que está nos nossos ombros a responsabilidade de resolver um problema que vai existir ainda por muito tempo. Os mitos e as histórias do corpo perfeito e sensual precisam de muita desconstrução ainda. No entretanto, tenta-se viver o maravilhoso mundo do sexo sabendo que o corpo perfeito nunca irá existir.

Falar de nós

Falando de nossos feitos, são os efeitos melhorados, seguros, e naturalmente previsíveis no que à autossugestão diz respeito. Muitas vezes nem acrescentamos mais interesse que o imenso prazer dado pela valorização das coisas que em nós se enaltecem. Mostrar de nós coisas tão iguais a outras quaisquer nem é bem uma disputa, mas tão-somente um reflexo comparativo que todos tendemos a distribuir.

Depois os que se afundam na intrigante “originalidade” que nunca, ou quase nunca intriga (exatamente pela ausência de tal componente) podendo nós mesmo afirmar que alguém carismático pouco se apercebe desse impacto em seu redor na medida que ele é inato, mas, e dado que é particularidade perturbador e sem resposta, os que falam de si falam também de outros «sis» “de si” “de sim” “de não” e assim, num alvoroço que desconhece o poder central, se vão ajaezando à andaluza (que ao vidente nada se recusa) os que falando de todos, de si falam com demarcação e lunatismo padecentes.

Falando de nós que também merecemos, nós, aqueles que fazem, que estão de pé, que não baixam a guarda, que todos os dias lutam na aflitiva selva do desarranjo mental do mundo, dos que estão sós por destino e suprema ambição de liberdade – falando de nós, digamos – nós nem sabemos bem o que de nós mesmos dizer. Parece-nos irrisório, por outro lado, uma grosseria ocupar tempo alheio com tais voluntarismos, e por isso somos sempre aqueles que menos falam. Gente existe que opina de modo reverberante qualquer tema como instigados pela pressa de uma revelação, depois, ela não vem, as palavras estreitam-se e uma pessoa pensa o porquê de escutar as gentes em seus delírios onde se depreendem males de cognição avassaladora. Mas a vida tornou-se nisto, ou mais ou menos isto, patranhas, entranhas, e muita molécula solta de ilusionismo egótico, erótico, entrópico… Sem nos darmos conta deixámos de ouvir os sinos da Cidade, que ela se tornou um negócio de casas, casarios para mentes não casadoiras, intermitente e bastante decorativa, caríssima e carente de inquilinos de condição sustentável.

As coisas de que se fala! Coisas gentes, agentes das coisas e outras mais, e o que dizem parece uma obra ficcional ao negro tecida por escaravelhos. Dizem que dizem, fala que falam, e o certo é que quase nada se escuta da amálgama tecedeira de uma irrequieta imaginação daninha que só dá frutos estranhos: que há nisto até quem conte com o nosso testemunho! Nestas dissonantes matérias faladas existe sempre o depositário bom senso prestes a normalizar pelo verbo mofo uma “poliquice” tão correcta que o som das vozes prodigaliza o sono que por vezes não vem e por elas logo aparece. Desta estirpe de faladores os mais monótonos são ainda os negacionistas; negam até a obsoleta razão de haver tais pensamentos com roteiro de muito poucos caracteres. Mas temos fala para muito mais!

Comovemo-nos perante todas as formas de energia móvel lançadas ao vento quando se transformam em energia limpa, são aquelas vozes que se transformam em canto ao dizerem o inesperado sem dar azo a nenhum contraditório- solilóquio, narração, encanto e forma- que a palavra tem o esqueleto dos verbos altos, é como os segredos, nós escutamo-los como feitos apenas para nós.- Que esta outra coisa fala de nós, mas nós não falamos dessa “coisa” que nós devíamos falar pelo espírito das coisas, e não pelo fonador, o aparelho mais estridente que nos pôde acontecer.

E como para falar são sempre precisos dois, o que falam dois o tempo todo metidos no falatório de cada um? Empolgam-se palavrosamente numa constatação de que nada têm mais a dizer, e isso seria até bom se para tal se calassem de vez. Mas não! Há sempre uma reverberação pronta a soltar-se no trilho das causas, que os efeitos se geram por si. E dito isto, falemos então.

Não tanto que nos impeça a vida de colocar questões, nem de argumentar o irrazoável, mas das coisas concebíveis e nada mais, que o inconcebível foi esta natureza do eco partilhado por vozes tais que diríamos falácia. Falemos como nos sonhos nas noites de Verão, e se não nos doer a voz, cantemos! Nós devíamos retorquir às perguntas, respostas cantantes, e retirar de uma vez por todas a carga episcopal dos retóricos de serviço, libertá-los, que é gente amordaçada. Devemos uma certa misericórdia aos algozes frenéticos da palavra, sem a qual, a sua condição de escravos fonadores não se daria.

E soltos e mais livres, digamos pois somente o que nos inspira o pensamento, que nós sempre falaremos, e iremos Rumo a Bizâncio, o belo poema de Yeats, dizer a sua primeira frase a título de filme, que também «este país não é para velhos».

Automobilismo | Macaenses mantêm forte representação na nova FIA

Macau reforçou a sua posição nas Comissões Desportivas da Federação Internacional do Automóvel (FIA) para o biénio 2022-2023. O território estará presente em seis das vinte e cinco comissões permanentes do órgão máximo que rege o desporto automóvel

 

Na pretérita semana, o novo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, liderou o seu primeiro Conselho Mundial da FIA. Este encontro, realizado em formato digital, permitiu eleger os membros do Senado em falta, assim como determinar a formação das Comissões Desportivas. São estes grupos de trabalho, constituídos por pessoal escolhido pelas diversas associações desportivas nacionais, que decidem o futuro das várias disciplinas do automobilismo e cujas medidas são colocadas para aprovação do Conselho Mundial da FIA.

Serão quatro os elementos da RAEM presentes nestas Comissões Desportivas. Herculano Ribeiro, vice-presidente da Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC), irá manter o seu assento nas comissões de Circuitos e de carros de GT. Sancho Chan, presidente do colégio de comissários desportivos do último Grande Prémio de Macau, foi reconduzido como membro das comissões de Monolugares (fórmulas) e de veículos históricos. Na comissão internacional de karting, que foi presidida pelo ex-piloto brasileiro de F1 Felipe Massa, entretanto colocado à frente da comissão de pilotos, Américo Martins de Jesus foi renomeado no cargo.

A RAEM mantém também o seu lugar na comissão de carros de Turismo, mas neste caso particular, na posição de representante dos eventos e com uma novidade. Nam Kuan deixa a posição que ocupava, cedendo o seu lugar a Carlos Osório.

Entre os países da lusofonia, Portugal é aquele com mais assentos nas Comissões Desportivas da FIA, catorze no total, enquanto que o Brasil tem nove e Moçambique segurou oito. A República Popular da China tem agora sete e Hong Kong não tem qualquer presença. A zona Ásia-Pacifico é agora presidida por Lee Lung Nien, o ex-presidente da associação automóvel de Singapura.

Novo chefe na casa

A lista presidencial de Mohammed Ben Sulayem, que levou a melhor, com 61,62% dos votos, sobre aquela apresentada pelo inglês Graham Stoker, era a mais lusófona das duas listas concorrentes, contando com a brasileira Fabiana Ecclestone, esposa do ex-patrão da F1 Bernie Ecclestone, no cargo de Vice-Presidente para o Desporto na América do Sul, e com o moçambicano Rodrigo Ferreira Rocha, no cargo de Vice-Presidente para o Desporto na África.

Jean Todt terminou em Dezembro o seu périplo de doze anos e três mandatos à frente dos destinos da FIA. Aos 60 anos, o ex-piloto de ralis será o primeiro não-europeu a presidir à instituição que rege o desporto automóvel. “Uma nova era começou para a FIA, através da criação de uma estrutura de governança baseada na abertura e na diversidade global. Este é um pilar fundamental da nossa estratégia e agradeço calorosamente aos membros do Conselho Mundial que aprovaram as mudanças. A responsabilidade e autoridade serão aumentadas”, afirmou.

O nativo dos Emirados Árabes Unidos criou três grupos de trabalho específicos, sendo que o primeiro terá a função de recomendar uma lista de candidatos aos Conselhos Mundiais e ao Senado para a selecção de um CEO. Dois outros grupos de trabalho foram criados, um para preparar a análise da governança e outro para lançar uma auditoria financeira.

Música | Recital “Those Who Want to Catch Time” sábado no Macau Art Garden

Ellison Lau, engenheiro de som, empresário e compositor, junta-se aos amigos músicos num recital que acontece este sábado, a partir das 21h, no Macau Art Garden. “Those Who Want to Catch Time” apresenta um repertório de músicas compostas para teatro e cinema por Ellison Lau

 

“Those Who Want to Catch Time” [Os que querem aproveitar o tempo] é o título do recital de música que acontece este sábado, a partir das 21h, no espaço Macau Art Garden. O espectáculo é protagonizado pelo músico, compositor e engenheiro de som Ellison Lau, fundador da empresa SoundMist. Lau irá tocar piano e far-se-á acompanhar em palco pelos músicos Daniel Leong Chon Hang, violoncelista, Leung Yan Chiu, tocador de Sheng, um tradicional instrumento musical chinês, e Pn Lam, guitarrista.

Ao HM, Ellison Lau explicou que o conceito principal deste espectáculo está muito ligado à pandemia e aos sucessivos confinamentos e encerramentos que as sociedades têm enfrentado nos últimos meses, o que acarreta uma nova noção de tempo.

“Nestes dois anos, quando temos tempo, pudemos planear o nosso futuro. Mas há planos que, neste tempo de pandemia, podem não acontecer, então tentamos aproveitar todo o tempo de que dispomos. Não sabemos se na próxima semana não haverá outro surto que nos impeça de realizar este espectáculo, por isso há esta ideia de aproveitar o tempo antes que aconteça qualquer coisa que nos impeça de fazer o que queremos.”

Ellison Lau confessa que já tem experiência de palco com estes músicos que, desta vez, se deslocaram a Macau para passar os feriados do ano novo chinês. “Nestes dois anos, em que a pandemia afectou as nossas vidas, cada vez que nos encontramos [é especial]. É este o conceito por detrás deste espectáculo.”

O programa do recital inclui composições que Ellison Lau tem vindo a desenvolver nos últimos anos para filmes e peças de teatro, sendo que muitas delas foram ajustadas para serem tocadas por outro tipo de instrumentos.

“As músicas que iremos apresentar têm alguma ligação com o estilo clássico, mas não tem apenas essa aproximação. Quem participou nos meus espectáculos nos últimos anos percebe que a minha música está mais virada para o novo clássico, mas acho que este recital está aberto a todos os tipos de público”, disse Ellison Lau.

Tudo menos tradicional

O protagonista deste recital não se assume como um músico tradicional. “Diria que a minha experiência não é muito habitual porque eu próprio não sou pianista, não estudei música. Sou engenheiro de som e faço pós-produções de música para filmes. Neste sentido, não sou um músico tradicional.”

Ellison Lau espera que o novo público que não conheça o seu trabalho possa ganhar “uma nova perspectiva” das suas composições com este recital. Questionado sobre as dificuldades de ter uma empresa nesta área em Macau, o engenheiro de som confessou que enfrenta alguns desafios.

“Diria que sou uma das primeiras pessoas em Macau a fazer trabalhos de engenharia de som de forma profissional. Não diria se é fácil ou difícil iniciar uma empresa como esta, mas tento focar-me nas coisas que verdadeiramente gosto de fazer. Quero mudar o padrão que existe na indústria”, rematou.

Estudo | Proposta maior cooperação entre farmácias e turismo 

Um estudo dos investigadores Glenn Mccartney, Carolina Ung e José Ferreira Pinto defende que a abertura gradual de fronteiras do território poderia ser feita mediante uma maior cooperação entre o sector do turismo e as farmácias locais para a vacinação e testagem de visitantes

 

Macau deveria abrir gradualmente as suas fronteiras mediante a adopção de uma maior cooperação entre as farmácias locais e o sector do turismo, para que os turistas pudessem testar-se ou vacinar-se e visitar o território de forma segura, à semelhança do que acontece noutros países.

Esta é a conclusão principal deixada pelo estudo “Living with covid-19 and Sustaining a Tourism Recovery—Adopting a Front-Line Collaborative Response between the Tourism Industry and Community Pharmacists” [Viver com a covid-19 e manter a recuperação do turismo – A adopção de uma colaboração na linha da frente entre a indústria do turismo e os farmacêuticos locais”, desenvolvido pelos investigadores Glenn McCartney, Carolina Ung e José Ferreira Pinto, da Universidade de Macau (UM).

“Sugerimos uma nova posição para uma estratégia de recuperação da pandemia em Macau, que poderia ocorrer de forma mais segura através de uma parceria colaborativa com uma rede de farmácias na cidade, bem como com a comunidade e websites de turismo mais populares”, pode ler-se.

Os autores defendem ainda que existe “uma grande necessidade de gestão e partilha de conhecimento entre sectores”, uma vez que, devido ao programa de distribuição de máscaras, entre outras medidas, “os farmacêuticos licenciados já estão registados na base de dados das autoridades de saúde de Macau, o que promove uma rápida proximidade”.

Desta forma, “com Macau a olhar para uma fase de desenvolvimento em termos de visitantes, o aproveitamento de uma contínua colaboração e criação de uma rede de farmácias comunitárias com o sector do turismo poderia reforçar a compreensão sobre a crise do sector e a comunicação”.

Glenn McCartney, José Ferreira Pinto e Carolina Ung fala mesmo do exemplo da Região Autónoma da Madeira, em Portugal, que exige que os turistas façam um teste de despistagem à covid-19 em farmácias comunitárias aderentes à campanha de testagem em curso.

Os quatro C’s

Para a realização deste estudo, os autores falaram com farmacêuticos, empresários do sector do turismo e outros profissionais, que responderam a questionários específicos. Foi depois desenvolvido um quadro conceptual baseado em “Quatro C’s”, ou seja, na comunicação, cooperação, coordenação e colaboração entre o sector farmacêutico e do turismo.

“Com base nas nossas hipóteses, as respostas às entrevistas com empresários do turismo e das farmácias comunitárias confirmam a adequação deste quadro e a importância de uma colaboração interdisciplinar entre as farmácias comunitárias para desenhar um caminho sustentável para a recuperação da covid-19”, lê-se no estudo.

Relativamente aos empresários do turismo, estes sugeriram “a cooperação com os serviços de farmácias comunitárias em matéria de vacinação e testagem”, sendo que uma das opiniões se refere à possibilidade de o território tornar-se, a curto prazo, “num destino em matéria de vacinação, com a melhor opção em termos de vacinas”.

Outra das opiniões contidas no estudo, defende a criação de uma aplicação de telemóvel “com vários idiomas e actualizações ao minuto que providenciasse informação aos hotéis para que estes pudessem encaminhar directamente os hóspedes e viajantes internacionais para o local certo”.

Os farmacêuticos ouvidos para este trabalho “projectaram a necessidade de elevar o seu papel profissional no controlo do vírus e nas medidas de prevenção para proteger a comunidade e os turistas”.

Isto porque “alguns farmacêuticos já colaboram com o sector do turismo apenas ao nível da coordenação, mas uma formalização é exigida”. O estudo refere ainda que, em 2020, Macau possuía 296 farmácias comunitárias.

Covid-19 | Portugal passa a reconhecer vacina da Sinopharm

À semelhança do que já acontecia noutros países da União Europeia, Portugal passou a reconhecer a vacina da Sinopharm ministrada em Macau, para efeitos de emissão do certificado digital de vacinação. Cidadãos portugueses que optaram pela vacina deixam de ter de apresentar teste negativo à covid-19 ao entrar no país e circular no espaço europeu

 

As autoridades de saúde de Portugal passaram a reconhecer, desde ontem, a vacina inactivada da Sinopharm utilizada em Macau para efeitos de emissão do Certificado Digital da União Europeia relativo à covid-19. A informação, que consta numa circular assinada pela directora Geral de Saúde, Graça Freitas, e pelo presidente do Infarmed, Rui dos Santos Ivo, foi divulgada pela secção do PS-Macau, que afirma ter tomado diligências nesse sentido junto do MNE e do Ministério da Saúde de Portugal.

“A partir de hoje [ontem], 8 de Fevereiro de 2022, os cidadãos portugueses que administraram (…) em Macau a vacina ‘SINOPHARM BIBP VERO CELL’, com a apresentação do certificado de vacinação completo emitido pelas autoridades locais, esta vacina passa a ser reconhecida em Portugal”, pode ler-se numa nota assinada secretário da secção do PS-Macau, Vitor Moutinho.

Circular sem restrições

Em declarações à TDM-Rádio Macau, Vitor Moutinho apontou a importância do reconhecimento do fármaco, dada a existência de muitos portugueses que residem, não só em Macau, mas noutras partes do mundo e que se encontram inoculados com a vacina da Sinopharm, permitindo assim evitar constrangimentos como a obrigatoriedade de apresentar testes negativos à covid-19 para entrar em Portugal ou circular livremente no espaço europeu.

“O Infarmed e a DGS perceberam finalmente que há um conjunto bastante alargado de cidadãos portugueses que vivendo em Macau ou noutras partes do mundo, como o Brasil e Angola, lhes foi administrada voluntariamente ou, por não terem opção, a vacina da Sinopharm inactivada”, começou por dizer.

“Foi uma luta que começou há mais de meio ano porque havia outros países da UE que já reconheciam a vacina da Sinopharm e Portugal ainda não o estava a fazer. Isso estava a criar um conjunto de constrangimentos aos portugueses, que optaram por essa vacina, e que para se deslocarem a Portugal tinham de cumprir um outro conjunto de requisitos que se tivessem optado por outra vacina não tinham necessidade de fazer”, acrescentou.

Desta feita, explicou também o responsável, qualquer cidadão português inoculado com a vacina da Sinopharm está agora habilitado para pedir a emissão de um certificado digital de vacinação, que permite circular livremente em Portugal e na União Europeia.

Recorde-se que antes da actualização da medida, a vacina da BioNTech era a única ministrada em Macau reconhecida pelas autoridades portuguesas.

Organização da maratona evita tempos de chip de participantes para não causar confusões

O Instituto do Desporto acredita que os concorrentes da Maratona Internacional de Macau só devem ter acesso ao tempo do disparo e não do chip pessoal, de forma a evitar confusões. A explicação foi dada ao deputado Leong Sun Iok, no âmbito de uma interpelação escrita.

Actualmente, os concorrentes têm acesso ao tempo do disparo, ou seja, o tempo é calculado a partir do momento que começa a prova. No entanto, esse tempo não corresponde ao que a maioria dos participantes demora a percorrer os 42,125 quilómetros. Muitos só começam mais tarde, devido ao natural congestionamento na partida.

Numa interpelação escrita, Leong Sun Iok tinha pedido que além do tempo do disparo, cada concorrente tivesse acesso ao tempo do chip pessoal, ou seja, o tempo individual desde o momento em que passa a linha de partida e chega à meta.

A pretensão foi recusada, por Pun Weng Kun, presidente do Instituto to Desporto: “Os resultados das provas são calculados com base no momento do disparo pela organização até ao momento da chegada à meta, não sendo exibido o tempo pessoal (tempo do chip), por forma a não causar confusão”, justificou.

De acordo com o presidente do ID, a posição da organização da maratona tem por base as “práticas internacionais em vigor”.

Eterna questão

Quanto à possibilidade de haver mais tempo para o desenrolar das provas e fazer ajustes nos horários, a organização considera que é uma matéria difícil, pelo impacto para o trânsito. “O tempo limite estabelecido na Maratona Internacional de Macau é determinado de acordo com as actuais condições gerais de tráfego local e o desempenho dos participantes nas edições anteriores”, foi explicado.

Pun Weng Kun insistiu também que um dos grandes desafios é adequar este tipo de prova à realidade de Macau, o que é encarado como limitador não só em termos de horário, mas também à definição do percurso.

Por outro lado, o ID admite utilizar o evento para promover o turismo, mas mais do que fazer alterações ao nível do trajecto, a aposta passa por complementar a prova com feiras e outros eventos.

Anima | Dificuldades financeiras levam à suspensão de resgate de animais

Com cerca de 700 animais nos abrigos e dívidas de 2,4 milhões de patacas, a associação está a promover uma nova campanha para aumentar as doações financeiras e adopções

 

As grandes dificuldades financeiras levaram a Anima – Sociedade Protectora dos Animais de Macau a suspender praticamente o serviço de resgate de animais. Em causa, está uma redução muito significativa dos apoios recebidos nos últimos anos do sector privado, devido aos efeitos da pandemia.

Segundo a informação divulgada pela associação, no final de Janeiro havia uma dívida acumulada de 2,4 milhões de patacas, restando em caixa 70 mil patacas. “Sabemos que muitas empresas estão com dificuldades e não nos podem apoiar como acontecia antes. As empresas ainda nos apoiam, com doações e voluntários, mas há uma grande diferença”, explicou Billy Chan, presidente da Anima, ao HM. “As dificuldades das empresas prolongam-se há dois anos e é natural que quem nos apoia não o consiga fazer como no passado. E isso nota-se a nível das nossas finanças”, acrescentou.

As dívidas acumuladas estão relacionadas com a comida para os animais resgatados, despesas com veterinários e até salários dos funcionários dos abrigos.

Perante este cenário, a Anima teve de optar por suspender o serviço de resgate de animais. Segundo os dados da associação, só no ano passado foram resgatados 197 gatos, 128 cães e 41 hamsters, coelhos, chinchilas, tartarugas, pássaros, entre outros.

Contudo, o número de animais acumulados nos abrigos torna-se incomportável. “Temos 700 animais acumulados nos nossos abrigos. O número é muito superior à nossa capacidade, os abrigos estão cheios e isso consome os nossos recursos muito rapidamente, quer seja ao nível de dinheiro como de tempo”, afirmou Billy Chan. “O assunto não é novo. Mas está a ficar pior, e a redução do financiamento torna tudo mais grave”, vincou.

Nova campanha

Para tentar reduzir o número de animais nos abrigos, a Anima lançou no mês passado uma campanha para aumentar as adopções e também pedir mais financiamento junto da população.

Segundo o presidente da associação, uma das grandes prioridades é aumentar o número de adopções, para também permitir que se salvem mais animais. Quanto mais animais deixarem o abrigo, mais vagas haverá para que outros sejam resgatados.

Para Billy Chan, os primeiros resultados foram animadores: “Acho que nos primeiros dias as pessoas se têm envolvido na campanha e mostram que não querem que a Anima encerre”, reconheceu. Contudo, realçou que ainda se está muito longe de encontrar uma solução para o problema.

Quanto ao financiamento público, e através da Fundação Macau, o presidente da Anima realçou que tem sido cumprido. “Nos últimos dois anos cumpriram sempre e ajudaram-nos. Foi muito importante. Esperamos que a situação se mantenha neste ano, caso contrário os nossos problemas vão ser muito maiores”, reconheceu.