Poluição | Ambientalistas contra compra de veículos eléctricos

A associação Green Student Union defende que o Governo deve reduzir o número de veículos privados em vez de promover a compra de veículos eléctricos.

A posição foi tomada na sequência do relatório com o Planeamento da Protecção Ambiental de Macau, publicado pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, onde consta como objectivo a promoção da compra de veículos eléctricos.

Em declaração ao jornal All About Macau, Joe Chan, o presidente da associação, explicou que este planeamento só está a incentivar a população a trocar os carros movidos a combustíveis fósseis por carros eléctricos. Contudo, a associação quer é promover a redução dos veículos.

Segundo as explicações, mesmo um veículo eléctrico precisa de electricidade para andar, que é produzida com recurso à queima de combustíveis fósseis, o que também provoca poluição. Ainda no que diz respeito ao transporte privado, Joe Chan apelou ao Governo para pensar em como promover a substituição dos veículos antigos e mais poluidores e aplicar exigências mais restritivas sobre a emissão de gases poluentes dos veículos.

Conselho Consultivo | Utilização de terrenos marcou reunião

Alguns membros do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários das Ilhas apelaram ao Governo para utilizar de forma racional os terrenos não aproveitados. Ontem, decorreu mais uma reunião do Conselho Consultivo e foram vários os membros que se debruçaram sobre os terrenos recuperados pela RAEM que não são utilizados.

De acordo com o relato do canal chinês da Rádio Macau, Leong Chon Kit, um dos membros , defendeu a necessidade dos terrenos serem aproveitados no futuro a pensar nas necessidades da comunidade de Seac Pai Van. Segundo Leong, a comunidade naquela zona é cada vez maior, e, por isso, exemplificou que o terreno junto ao Edifico Ip Heng deve ser utilizado para instalações desportivas, como um campo de futebol.

Por sua vez, Lam Ka Chun, coordenador-adjunto do Conselho, lamentou que alguns terrenos estejam desocupados há muito tempo e que não tenham sido aproveitados para organizar feiras e outras actividades exteriores que promovam o comércio local.

Quanto a Ao Ka Fai, mostrou-se mais preocupado com a situação do trânsito, e sustentou que é necessário um combate mais eficaz às infracções na via entre a Avenida de Guimarães e a Avenida de Kwong Tung.

Finalmente, Lei Hoi Ha deu prioridade ao trânsito para o Interior, e considerou que o Governo deve fazer tudo para aumentar a frequência dos autocarros que circulam para a Ilha da Montanha e para o Ponto Fronteiriço de Qingmao.

Economia | Ella Lei pede revisão das medidas de apoio às PME

Perante o “marasmo” da economia local e as incertezas em relação ao futuro, Ella Lei quer que o Governo reveja a eficácia das medidas de apoio às PME e trabalhadores, anunciadas em Outubro e coloca em cima da mesa a criação de um novo plano de ajuda económica capaz de transmitir “confiança” ao mercado

 

Ella Lei quer saber quais estão a ser os efeitos concretos das oito medidas de apoio às pequenas e médias empresas (PME) e trabalhadores lançadas em Outubro de 2021. A deputada questiona o Governo sobre a possibilidade de rever a sua eficácia e, no limite, de implementar um novo plano de apoio económico.

Isto, numa altura em que, segundo a legisladora, se desconhece ainda o número de beneficiários das medidas e a sua situação financeira, uma vez que muitos se mostram preocupados com o facto de poderem vir a ser incapazes de pagar os empréstimos contraídos para aceder aos apoios ou de serem obrigados a fechar portas com dívidas por saldar.

“Algumas PME indicaram estar preocupadas com a sua capacidade de pagar os empréstimos e, inclusivamente, de vir a fechar portas, acumulando dívidas avultadas, devido à dificuldade em fazer negócio. Apesar de as medidas de apoio flexibilizarem as condições dos empréstimos e concederem bonificações de juros, a população espera que o Governo continue a prestar atenção e apoio aos residentes afectados”, pode ler-se numa interpelação escrita assinada pela deputada.

Recorde-se que das medidas de apoio fazem parte, entre outras, a atribuição de um apoio pecuniário de 10 mil patacas a todos os contribuintes do imposto profissional, com rendimentos obtidos em 2020 inferiores a 144 mil patacas, a bonificação de juros de créditos bancários, alterações às condições de pedido de empréstimos sem juros, o ajustamento do reembolso de empréstimos sem juros e a isenção do pagamento de rendas dos bens imóveis pertencentes ao Governo.

Plano B?

Além disso, apontou Ella Lei, o “marasmo” em que a pandemia de covid-19 mergulhou a economia de Macau tem vindo a adensar as dificuldades dos residentes, sendo isso visível no aumento da taxa de desemprego ou do número de empresas entretanto extintas.

“O impacto económico da pandemia persiste. Segundo a Direcção de Estatísticas e Censos, em Novembro de 2021, a taxa de variação das empresas dissolvidas foi de 16,9 por cento, a taxa de variação de empresas criadas caiu 27 por cento e a taxa de desemprego dos residentes locais cresceu para os 3,9 por cento”, frisou.

Por isso mesmo, a deputada pergunta se o Governo já procedeu à “análise profunda” da eficácia das medidas e se está em condições de prestar esclarecimentos sobre a situação dos beneficiários.

Adicionalmente, perante a diminuição dos rendimentos dos trabalhadores, as dificuldades sentidas pelas empresas e a instabilidade económica, Ella Lei quer saber se o Executivo pondera introduzir novos planos de apoio económico para restabelecer a confiança no mercado.

“Para além destas medidas de contingência de curto prazo, o Governo tem novas propostas para aumentar a confiança global do mercado e promover maior estabilidade ao nível do emprego?”, questionou a deputada por escrito.

Pedro Farromba, chefe da missão portuguesa em Pequim 2022: “O grau de preparação dos nossos atletas é notável”

Traçado o objectivo de melhorar classificações de edições anteriores, o Chefe da Missão Olímpica nos Jogos Olímpicos de Pequim 2022 disse ao HM não ter dúvidas de que o grau de preparação dos atletas portugueses é “notável” e sublinha a importância da participação para o crescimento das modalidades de Inverno em Portugal. Pedro Farromba lamenta ainda as restrições impostas pela bolha olímpica mas salienta que a experiência está a ser “muito positiva”

 

Alcançado o primeiro objectivo da delegação portuguesa em Pequim, com a conquista do 43º lugar por Vanina Oliveira na prova de slalom gigante (suplantando assim o 59º alcançado por Camille Dias em Sochi 2014), o Chefe da Missão Olímpica nos Jogos Olímpicos de Pequim 2022 mostra-se confiante em relação às prestações que estão por vir em Pequim.

Ao HM, Pedro Farromba sublinhou que a evolução e a preparação, quer a nível físico, quer psicológico dos três atletas portugueses presentes em Pequim é “notável”. Até porque, acrescenta, uma qualificação para os Jogos Olímpicos “não está ao alcance de todos os atletas” e, por isso, estar no palco Olímpico é já de si “uma importante vitória” para um atleta português.

“Para se chegar a uns Jogos Olímpicos é preciso reunir um conjunto de condições de qualificação que realmente não estão ao alcance de todos os atletas. Em cada uma das modalidades aqui presentes, haveria com certeza muitos milhares de atletas que tentaram a qualificação e só algumas centenas conseguiram esse objectivo. E, portanto, é já de si uma importante vitória, um atleta português conseguir estar presente nos Jogos Olímpicos”, começou por dizer.

Recorde-se que nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, que decorrem entre 04 e 20 de Fevereiro, na China, Portugal está representando no esqui alpino por Vanina Oliveira e Ricardo Brancal e por José Cabeça, no esqui de fundo.

“Os objectivos são transversais aos três. O nosso objectivo é melhorar os resultados das últimas participações portuguesas. A Vanina já cumpriu esse objectivo e agora vamos aguardar, pois irá correr outra vez na quarta-feira [hoje]”, partilhou Pedro Farromba.

Para o responsável, que é também presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, a meta é perfeitamente alcançável dado que “o grau de evolução dos últimos tempos e o grau de preparação com que eles chegam a estas Olímpiadas é realmente notável”.

Falando mais concretamente de Vanina Oliveira e Ricardo Brancal, atletas que conhece melhor, Pedro Farromba aponta que ambos estão “muito bem” em termos físicos e psicológicos. Sobre José Cabeça, que em paralelo com esqui de fundo, tem também uma carreira desportiva no triatlo, o chefe de missão considera que está em “excelentes condições” de melhorar o 109º lugar nos 15 km de esqui de fundo alcançado em PyeongChang 2018 por Kequyen Lam, atleta nascido em Macau.

Segundo Farromba, o maior desafio está nos ombros de Ricardo Brancal, que vai tentar melhorar o 54º lugar obtido por Arthur Hanse em PyeongChang.

“As provas não são todas iguais e dependem de vários factores, mas vamos acreditar que o Ricardo vai conseguir obter uma boa classificação. O desafio é grande, mas ele está consciente disso e muito bem preparado”, apontou.

Ainda sobre a participação de Vanina Oliveira na prova de slalom gigante, o chefe de missão enalteceu aquele que foi “o melhor resultado de sempre de uma atleta portuguesa em Esqui Alpino”, numa prova realizada em condições “difíceis”. “A neve estava muito rija. Houve muitas quedas e saídas de prova”, explicou.

Bolha maldita

Há cerca de uma semana em Pequim, Pedro Farromba aponta a “experiência muito positiva” que a delegação portuguesa está a colher do evento, mas lamenta, apesar de compreender ser um mal necessário, a “bolha olímpica” a que todos os participantes estão sujeitos e que impede, entre outras, a presença de público nas competições e um maior contacto cultural.

“Se pudéssemos retirar da equação todas as questões inerentes à covid-19 teríamos uma organização perfeita e não é menos perfeita por causa do covid. É sim muito mais restritiva, ao ponto de impedir (…) que haja público nas competições ou confraternizar mais com os locais. Desde que chegámos até ao dia de hoje, vivemos numa bolha sem qualquer contacto. Mesmo nas deslocações que fazemos entre as diferentes aldeias olímpicas e até aos locais de competição, não saímos dos carros. Nem sequer os carros podem parar ou nos é permitido abrir os vidros das janelas. É realmente tudo muito restritivo, mas está a ser uma experiência muito positiva”, apontou.

Além disso, conta, para além do uso obrigatória de máscaras em todas as ocasiões, à excepção dos atletas no momento de competir, todos os participantes são sujeitos a testes PCR diários e existe uma enorme preocupação com a desinfecção e funcionamento dos espaços ao ponto de, por exemplo, no refeitório da Aldeia Olímpica só haver lugares individuais para tomar as refeições.

“Há realmente muitas restrições, mas são fruto do que estamos a viver nesta altura e, portanto, temos que conviver com elas. Claro que ajudaria sentirmos a animação do público e diria que toda a ligação cultural que podíamos ter tido num ambiente normal seria sempre muito mais interessante, mas não é possível e é o que é. As regras são iguais para todos e temos que viver como estamos”, acrescentou.

Futuro risonho

Inerente àquela que é a maior delegação de sempre de Portugal em Jogos Olímpicos de Inverno, está a importância que a visibilidade da presença lusa pode trazer em termos do desenvolvimento das modalidades de Inverno no país. Como exemplo, Pedro Farromba aponta o caso próprio José Cabeça, já que o atleta de esqui decidiu começar a prática da modalidade após assistir às olimpíadas anteriores pela televisão.

“Toda a visibilidade que nos traz esta presença é importante para conseguirmos desenvolver as modalidades. O atleta que hoje temos em esqui de fundo, o José Cabeça está aqui porque assistiu na televisão às provas das últimas olimpíadas onde estivemos com outro atleta na mesma modalidade e foi de alguma forma também isso que o inspirou a estar cá hoje e a trabalhar no sentido de se qualificar”, começou por vincar.

Além disso, acrescenta, o facto de dois dos três participantes residirem em Portugal demonstra que é possível residir no país e conseguir estar presente numa prova deste tipo.

Pedro Farromba está também confiante que a presença portuguesa será cada vez maior em futuras edições dos Jogos Olímpicos de Inverno, dado que está a ser feita uma aposta “muito grande nas modalidades de gelo” em Portugal.

“Estamos a fazer uma aposta muito grande nas modalidades de gelo em Portugal, nomeadamente no hóquei, na patinagem artística e de velocidade e também no curling e acredito sinceramente que vamos conseguir uma presença maior em próximas edições, nomeadamente juntando às modalidades de neve, que já temos, as modalidades de gelo”, referiu.

Vanina Oliveira volta a competir na amanhã, no slalom, prova em que se sente mais confortável e em que no Campeonato do Mundo de Are, na Suécia, terminou no 37.º lugar. Ricardo Brancal, entra em acção nos dias 13 (slalom gigante) e 16 (slalom) de Fevereiro. Por último, José Cabeça, entra em pista no dia 11 de Fevereiro, nos 15 Km clássicos do esqui de fundo.

Patinagem | Fontana reforça estatuto de mais medalhada em pista curta

A italiana Arianna Fontana consolidou na segunda-feira o estatuto de patinadora de velocidade mais medalhada nas provas de pista curta em Jogos Olímpicos de Inverno, ao revalidar o título de campeã dos 500 metros e somar ‘o ‘décimo metal.

Em Pequim, Arianna Fontana, que soma a sua quinta participação em Jogos Olímpicos de Inverno, arrecadou o ouro, ao impor-se à holandesa Suzanne Schulting e à canadiana Kim Boutin, medalhas de prata e bronze, respectivamente.

Na quinta-feira, a italiana, de 31 anos, tinha alcançado a prata na prova de estafetas mistas e tornou-se a atleta mais medalhada da patinagem de velocidade em pista curta dos Jogos Olímpicos, com nove pódios, superando o norte-americano Apolo Anton Ohno e o russo Victor An. Fontana, que é única patinadora e ter conquistado medalhas dos três metais, soma dois ouros, três pratas e cinco de bronzes.

Agenda para hoje

Combinado Nórdico (a partir das 15h00) – Medalhas
Curling (20h05)
Esqui Alpino (a partir das 10h15) – Medalhas
Esqui Estilo Livre (a partir das 11h00) – Medalhas
Hóquei no Gelo (16h40 e 21h10)
Luge (a partir das 09h30) – Medalhas
Patinagem de Velocidade em Pista Curta (a partir das 19h00) – Medalhas
Saltos de Esqui (18h00)
Skeleton (a partir das 12h40)
Snowboard (a partir das 9h30)

* O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30

Candidatos à presidência das Filipinas abrem campanha, mas sem apertos de mão

A campanha para as presidenciais nas Filipinas arrancou hoje, com os candidatos, incluindo a atual vice-Presidente e o filho de um antigo ditador, a prometerem reduzir desigualdades, agravadas pela pandemia de covid-19.

A campanha oficial, que se prolonga por três meses, começou sob restrições anticovid-19, incluindo a proibição de apertos de mão, beijos, abraços e grandes multidões, tradicionais nas eleições no arquipélago.

Devido às restrições, as redes sociais tornaram-se um importante campo de batalha para as eleições de 09 de maio, que irão eleger, de forma separada, o Presidente, o vice-Presidente e metade dos 24 assentos no Senado das Filipinas.

Em 25 de março começam, sob forte vigilância policial, as campanhas para as eleições de governadores das províncias, presidentes dos municípios e para os assentos na Câmara dos Deputados.

Mais de 67 milhões de filipinos registaram-se para votar, incluindo quase 1,7 milhões que trabalham no estrangeiro.

O elenco de candidatos eleitorais inclui o presidente do município de Manila, Isko Moreno, um ex-ator elogiado pela limpeza da capital, o senador Panfilo Lacson, um ex-chefe da polícia filipina conhecido pela luta contra o crime e a corrupção, e o senador Manny Pacquiao, ex-campeão mundial de boxe que prometeu prender os políticos corruptos e doar casas aos mais pobres.

Ferdinand ‘Bongbong’ Marcos Júnior lidera as sondagens pré-eleitorais, com uma enorme vantagem em relação à atual vice-Presidente, Leni Robredo, o que tem alarmado os defensores dos direitos humanos e da democracia.

Marcos Jr., que foi derrotado por Leni Robredo na corrida à vice-presidência de 2016, tem descrito como “mentiras” as atrocidades e corrupção vividas durante o regime do pai, um ditador derrubado em 1986 numa revolta popular apoiada pelo exército.

Mais de três décadas depois da queda de Marcos, a família aproveitou a desilusão de muitos filipinos “com as contradições e deficiências inerentes à democracia de elites que substituiu a ditadura”, disse Richard Heydarian, um analista político radicado em Manila, acrescentando que “a propaganda pró-Marcos realmente invadiu a comunicação social”.

Marcos Jr. juntou-se à líder do município de Davao, Sara Duterte, filha do Presidente cessante, Rodrigo Duterte, e candidata à vice-presidência, embora tenha jurado nunca apoiar o filho do antigo ditador.

Ativistas de direitos humanos disseram que Rodrigo Duterte, de 76 anos, fará de tudo para garantir que o sucessor o proteja de eventuais ações judiciais devido a uma campanha de repressão antidroga, que causou a morte de mais de seis mil suspeitos.

A Comissão Eleitoral está ainda a analisar uma série de petições que pedem a desqualificação de Marcos Jr., apresentadas sobretudo por ativistas de esquerda, com a maioria a referir uma condenação por evasão fiscal em 1995 e alegadas falsidades nos documentos de candidatura.

Covid-19 | Hong Kong reforça restrições após número recorde de casos diários

A chefe do executivo de Hong Kong anunciou hoje que a região chinesa vai reforçar as medidas de distanciamento social, depois de registar um número recorde de casos diários de covid-19.

Em conferência de imprensa, Carrie Lam rejeitou a possibilidade de um confinamento total em Hong Kong e garantiu que as autoridades vão continuar a apostar em medidas flexíveis para as diferentes zonas da cidade.

A governante disse que as medidas concretas só irão ser divulgadas mais tarde, após serem discutidas no Conselho Executivo de Hong Kong.

Na segunda-feira, Hong Kong registou um número máximo diário de 614 infeções com SARS-CoV-2 e, de acordo com a emissora pública do território RTHK, a cidade diagnosticou hoje novamente mais de 600 casos positivos.

De acordo com uma fonte citada pelo jornal South China Morning Post, a região vai limitar grupos em restaurantes a duas pessoas por mesa e exigir a apresentação de um novo certificado de vacinação para a entrada em centros comerciais.

Carrie Lam lamentou a baixa taxa de vacinação da população de Hong Kong, sublinhando que mais de metade dos idosos com mais de 70 anos – cerca de meio milhão de pessoas – não foi ainda vacinada.

A chefe do executivo admitiu que as medidas de distanciamento social “acarretam um grande preço económico e social”, mas defendeu que são essenciais para evitar “o colapso” do sistema médico de Hong Kong.

Lam acrescentou que as novas medidas não deverão afetar a escolha do novo líder de Hong Kong, a decorrer em março, uma vez que “é uma eleição pequena em escala, envolvendo apenas 1.500 votantes”.

Tal como a China, Hong Kong adotou a estratégia “zero covid” que impõe restrições severas à entrada no território, confinamentos específicos e acompanhamento de casos.

Desde o surgimento no território da variante Ómicron altamente contagiosa, Hong Kong também reforçou as restrições de viagem, fechou as fronteiras para chegadas de oito países e proibiu passageiros de 153 países de transitar pela região.

A quarentena obrigatória num centro específico e em hotéis para viajantes do exterior foi entretanto reduzida de três para duas semanas. Desde o início da pandemia, Hong Kong registou mais de 16 mil casos e 213 mortes.

Fundação Jorge Álvares quer mais portugueses a estudar na China

A Fundação Jorge Álvares (FJA) está a preparar o lançamento de uma plataforma digital para encorajar mais portugueses a estudar em universidades chinesas, assim como chineses a estudar em Portugal.

Fernanda Ilhéu, do Conselho de Administração da FJA, disse à Lusa que cada universidade e instituto politécnico de Portugal, da China continental e de Macau terá direito a gerir um espaço próprio no portal, onde poderá colocar a sua oferta educativa.

O objetivo é facilitar aos alunos a consulta de informação sobre cursos, programas, perfil dos professores, condições de inscrição e pagamento de propinas.

A FJA vai ainda disponibilizar informação sobre “o meio envolvente”, por exemplo sobre as cidades onde se localizam os ‘campus’ das instituições e as residências universitárias disponíveis.

A plataforma terá ainda informações úteis, nomeadamente sobre a obtenção de vistos, abertura de contas bancárias, realização de seguros e acesso a serviços de saúde para estudantes estrangeiros.

Embora a China e Macau não permitam atualmente a entrada de estudantes estrangeiros, Fernanda Ilhéu disse acreditar que o portal poderá ter um efeito positivo num futuro pós-covid-19.

“Esperamos que a pandemia seja controlada em breve e as situações de quarentena sejam levantadas”, salientou a investigadora.

A plataforma da FJA pretende também promover a cooperação entre instituições de ensino superior chinesas e portuguesas na área da investigação científica.

O portal vai ter uma área específica para ajudar investigadores a identificar potencial parceiros de pesquisa, partilhar trabalhos e publicações e organizar eventos conjuntos.

A fase de concepção de modelagem da plataforma deverá estar concluída no final de abril, seguindo-se a divulgação junto de instituições do ensino superior e investigação científica em Portugal, Macau e China.

A FJA é uma estrutura criada em dezembro de 1999, no quadro da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, e tem como objetivo promover o diálogo intercultural entre Lisboa e a região administrativa especial chinesa.

Desde 2016 que o presidente da Fundação Jorge Álvares (nome do português e primeiro europeu a chegar à China, por via marítima, no século XVI) é o general Garcia Leandro, governador de Macau entre 1974 e 1979.

Em janeiro, Zhao Zilin, aluna da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, venceu a primeira edição dos Prémios Fundação Jorge Álvares, para trabalhos sobre as relações entre Portugal e a China.

A China continua a sentir uma forte procura por profissionais que falem português, disseram à Lusa Catarina Gaspar e Madalena Teixeira, duas das co-autoras de uma obra académica sobre os estudantes chineses da língua portuguesa apresentada a 14 de janeiro.

Cerca de 50 instituições chinesas de ensino superior têm cursos de língua portuguesa, disse à Lusa, em novembro de 2020, o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, Gaspar Zhang Yunfeng.

Las Vegas Sands | Terminada relação com principais junkets de Macau

A Las Vegas Sands, empresa-mãe dos casinos de Macau sob a alçada da Sands China, anunciou ter terminado as ligações e acordos de cooperação que detinha com “os três principais” promotores de jogo do território.

“Não existem garantias de que seremos capazes de manter ou desenvolver as nossas relações com os promotores de jogos ou que estes continuem a estar licenciados pelo regulador do jogo [DICJ] para operar em Macau, o que poderá ter um impacto nos nossos negócios, resultados operacionais e fluxos de caixa”, pode ler-se no relatório anual da Las Vegas Sands divulgado na sexta-feira e citado pelo portal GGR Asia.

No mesmo documento, a Las Vegas Sands sublinha ainda que a “qualidade dos promotores de jogos” com os quais se relaciona é “importante” para a reputação do grupo e a sua capacidade de “continuar a operar em conformidade com as licenças de jogo” concedidas pelo Governo de Macau.

“Embora nos esforcemos por cultivar a excelência nas ligações que estabelecemos (…) não conseguimos assegurar que os promotores de jogos com os quais estamos associados irão satisfazer os elevados padrões pelos quais nos regemos”, é acrescentado.

Recorde-se que o anúncio acontece poucos dias depois de a Macau Legend ter confirmado a detenção de Levo Chan, líder do grupo Tak Chun, que possui uma licença para operar como junket. Antes disso, a indústria do jogo em Macau já levara um duro golpe em Novembro, após a queda do grupo Suncity e a detenção de Alvin Chau, indiciado pelos crimes de participação em associação criminosa, chefia de uma associação criminosa, branqueamento de capitais e de exploração ilícita do jogo.

Portugal sagra-se bicampeão europeu de futsal

Portugal sagrou-se este domingo bicampeão europeu de futsal ao vencer, em Amesterdão, a Rússia por 4-2 a final do UEFA Futsal EURO 2022. Sokolov, aos 10 minutos, e Afanasyev, aos 13, deram vantagem à Rússia, mas André Coelho, com dois golos, aos 27 e 32, e Pany Varela, aos 40, consumaram a reviravolta lusa, iniciada ainda na primeira parte, aos 19, por Tomás Paçó.

Após uma vitória que mereceu os parabéns do primeiro-ministro português, António Costa, a equipa foi recebida ontem no aeroporto de Lisboa por uma centena de adeptos. Após aterrar na pista do aeroporto Humberto Delgado, o capitão João Matos deixou as instalações, erguendo o troféu continental, que depois passou para o seleccionador Jorge Braz, antes de circular por grande parte dos jogadores e se aproximar dos presentes. “É extraordinário ter tocado o céu e regressar à realidade. Foi um feito extraordinário. Estamos de parabéns pelo que fizemos”, afirmou João Matos, em declarações aos jornalistas.

Tomás Paçó disse aos jornalistas que, com esta vitória, realizou um sonho “nesta segunda época de sénior”. “Eu e o Zicky já temos todos os troféus que podíamos conquistar, mas isso demonstra o potencial do futsal português”, disse o fixo ‘leonino’, de 21 anos, que no domingo juntou o título europeu de selecções ao Mundial e à Liga dos Campeões, vencida pelo Sporting, ao serviço do qual também já se sagrou campeão nacional e vencedor de Taça de Portugal, Supertaça e Taça da Liga.

O guarda-redes André Sousa, que segurava um cartaz levado por um adepto para o recinto neerlandês, com a mensagem ‘bagaço>vodka’, agradeceu a recepção, após “poucas horas dormidas e depois de um grande objectivo”. “Sabíamos que tínhamos de estar ao mais alto nível para estar neste patamar e acho que Portugal saiu como justo vencedor”, referiu o guardião do Benfica.

Visita a Belém

No aeroporto, o ala do Nápoles, Bruno Coelho, disse esperar manter estes momentos de glória na memória colectiva nacional. “Foi um feito enorme. Nos últimos quatro anos, ganhámos dois europeus e um mundial. É espectacular, nunca nos vamos esquecer. Espero que todos os portugueses não se esqueçam deste momento”, realçou.

A selecção portuguesa de futsal foi também recebida na manhã de ontem pelo Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa. Numa nota divulgada no website da Presidência, lê-se que “depois de um jogo difícil e muito emotivo os heróis portugueses manifestaram a sua vontade e competência, uma nova jornada de glória para o desporto nacional”.

Desejos de Ano Novo

O Ano Novo chinês começou a 1 de Fevereiro e no dia 7 celebra-se o “Dia do Povo”. Nesta última data comemora-se o aniversário de todos os chineses. Aqui, quero desejar a todos os meus leitores um excelente Ano Novo e um feliz aniversário.

Posso perguntar quais são os vossos desejos para 2022?

Esta pergunta não tem uma única resposta, porque todos temos desejos diferentes. No entanto, os desejos da humanidade para 2022 centram-se certamente na paz mundial e na saúde para todos.

Na Ásia, os testes de mísseis na Coreia do Norte acrescentaram um elemento de instabilidade à segurança global. Na Europa, as relações entre a Rússia e a Ucrânia estão tensas. Por alegadamente defender a sua própria segurança, a Rússia opõe-se à entrada da Ucrânia na NATO. Em defesa dos seus próprios interesses, é fácil de compreender que os Estados Unidos e a Nato dêem as boas vindas à Ucrânia. Muitos analistas acreditam que esta tensão pode conduzir à guerra e afectar a segurança global.

Vamos precisar de algum tempo para ver como é que estas questões na Rússia e na Coreia do Norte se vão desenvolver. Mas de certeza que ninguém quer que degenerem em conflitos armados, e, se tudo correr pelo melhor, em 2022, estes assuntos hão-de resolver-se sem dificuldade de maior.

Outro problema que todos temos de resolver, é a pandemia do novo coronavírus. Este vírus surgiu em 2019 e desde então já sofreu várias mutações, resultando numa variedade de novas estirpes.

Actualmente, as vacinas ainda não são capazes de combater o vírus na totalidade, e ainda não foi descoberto um medicamento capaz de curar eficazmente as pessoas infectadas com sintomas graves. Hamsters e outros animais também podem ser infectados com este vírus. Além de nos questionarmos se se trata de uma “doença zoonótica”, estamos mais preocupados com a elevada infecciosidade do vírus. Se o vírus afecta humanos e animais, então, no caminho da luta contra a epidemia, os seres humanos não só devem salvar-se, como também salvar os animais.

Para combater a epidemia, temos de trabalhar com afinco para prevenir as infecções. Tomar a vacina, usar máscara e evitar multidões são medidas eficazes para este fim. Se suspeitar que está infectado, deve testar-se. Também temos de estar preparados para voltar ao ensino online e ao tele-trabalho, sempre que necessário. Quando sairmos, temos de usar correctamente o “código de saúde” e o “código de deslocação”. Estes dois códigos ajudam a localizar pessoas infectadas pelo vírus e os seus contactos próximos.

Façamos em conjunto um voto pela paz mundial e tomemos medidas anti-epidémicas a nível global. À semelhança do emblema dos Jogos Olímpicos de Inverno, que actualmente decorrem em Pequim, os cinco anéis entrelaçados da bandeira olímpica, simbolizam a unidade dos povos dos cinco continentes.

Desde que todos cumpram o seu dever e tenham fé, ultrapassaremos naturalmente todo o tipo de dificuldades.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Mês lunar e as 28 Constelações

O sistema astronómico chinês usa pequenos grupos de estrelas para enunciar cada um dos dias do mês lunar. Como o mês lunar compreende uma lunação, isto é, desde a Lua Nova até ao Quarto Crescente vão sete dias e mais sete para chegar à Lua Cheia e decrescendo passa ao fim de outros sete dias a Quarto Minguante, até que com mais sete dias regressa à Lua Nova, ao primeiro dia do mês. Assim ocorre um mês com quatro semanas a perfazer 28 dias, enunciados em regular sucessão pelos 28 asterismos, denominadas constelações. As 28 Constelações (28 Xiu, 二十八宿) estão divididas em Quatro Quadrantes (四宫, Si Gong), que correspondem às quatro semanas cada uma de sete dias a compor o mês lunar.

Luiz Gonzaga Gomes refere serem os quatro quadrantes (Si-Kun, 四宫, Si Gong): o do Leste, O Dragão Verde/Azul, denominado em cantonense Tch’êng (青, em mandarim Qing) ou Tch’óng-Long (苍龙, CangLong), e contém da primeira à sétima constelação. O Quadrante Norte, O Guerreiro Sombrio, Ün-Môn (玄武, XuanWu), abarca da 8.ª à 14.ª constelação. O Quadrante Oeste, O Branco Tigre, Pák-Fu (白虎, BaiHu), que compreende da constelação 15.ª à 21.ª, apesar de LGG referir, creio equivocando-se, conter da 22.ª à 28.ª constelação, pois trocou com as do Quadrante Sul, O Pássaro Encarnado, Tchü-Niu (朱鸟, ZhuNiao) ou Tchèok (雀, Que), a corresponder às constelações que vão da 22.ª à 28.ª e não, como afirma, entre a 15.ª e a 21.ª constelação.

Mês Lunar

Aqui deixamos a lista das 28 Constelações correspondentes aos 28 dias que constituem um mês lunar, enquadradas nos Quatro Quadrantes (Si-Kun 四宫, Si Gong) a marcar as quatro semanas, com sete dias cada.

Os nomes são os usados por Luiz Gonzaga Gomes para as 28 constelações (I-Sâp-Pát-Sôk, 二十八宿, 28 Xiu) e estrelas que compõem cada um dos 28 asterismos do sistema astronómico chinês.

O primeiro Quadrante do mês, Leste, O Dragão Verde/Azul, compreende da 1.ª à 7.ª constelação. O primeiro dia do mês lunar é chamado Kôk (角, em mandarim Jiao), O Chifre, e é formada pela constelação cujas estrelas são Espica, Zeta, Teta e Iota, dispostas em cruz, e situadas perto de Virgem.

O segundo dia, Kàng (亢, Kang), O Pescoço, formada pelas estrelas Iota, Kapa, Lambda e Ró, em forma de arco e situado nos pés da Virgem.

– Dia 3 – Tâi (氐, Di), O Fundo, constituída pelas estrelas Alfa, Beta, Gama e Iota, em forma de uma vasilha e situado na parte inferior da Libra.
– Dia 4 – Fóng (房, Fang), O Quarto – Beta, Delta, Pi e Nu, na cabeça do Escorpião. [É o 1.º Domingo do mês]
– Dia 5 – Sâm (心, Xin), O Coração – Antares, Sigma e Tau no coração do Escorpião.
– Dia 6 – Mêi (尾, Wei) – A Cauda – Úpsilon, Mu, Zata, Eta, Teta, Iota, Kapa, Lambda e Nu, formando a cauda do Escorpião.
– Dia 7 – Kêi (箕, Ji) – A Peneira – Gama, Delta, Úpsilon e Beta aparentando uma peneira e situada nas mãos do Sagitário.
O segundo Quadrante, Norte, O Guerreiro Sombrio, compreende da Constelação 8.ª à 14.ª.
– Dia 8 – Tâu (斗, Dou) – A Vazilha – Mu, Lambda, Ró, Signa, Tau e Zeta, do Sagitário.
– Dia 9 – Ngau (牛, Niu) – O Boi – Composto de Alfa, Beta e Pi do Áries e Ómega, Alfa e Beta do Sagitário.
– Dia 10 – Nui (女, Nu), A Donzela – Úpsilon, Mu, Nu e nove situadas à esquerda do Aquário.
– Dia 11 – Hôi (虚, Xu), O Vácuo – Alfa, na testa do Eqúleo e em linha recta com Beta do Aquário. [2.º Domingo do mês]
– Dia 12 – Ngâi (危, Wei), O Perigo – Alfa, no ombro direito do Aquário e Úpsilon e Teta na cabeça do Pégaso de maneira a formar um triângulo obtusângulo.
– Dia 13 – Sât (室, Shi), A Casa – Alfa, na asa, e Beta, nas pernas do Pégaso.
– Dia 14 – P’êk (壁, Bi), A Parede – Alfa na cabeça da Andrómeda e Gama (Algenib) na extremidade da asa do Pégaso.
Terceiro Quadrante do mês, Oeste, O Branco Tigre, da 15.ª à 21.ª Constelação.
– Dia 15 – Kuâi (奎, Kui), O Passo Largo – Beta (Mirac), Delta, Úpsilon, Zeta, Eta. Mu, Nu, Pi da Andrómeda e duas Sigmas, Tau, Nu, Fi, Ki e Psi do Pisces formando como que um homem dando um largo passo.
– Dia 16 – Lâu (娄, Lou), O Montículo, constituído por três estrelas em forma de um triângulo isósceles: Alfa, Beta e Gama na cabeça do Áries.
– Dia 17 – Uâi (胃, Wei), O Estômago, formado pelas três estrelas principais da Mosca Boreal.
– Dia 18 – Máu (昂, Ang), O Quadrante Ocidental, constituído por sete estrelas da Plêiade.
– Dia 19 – Pât (毕, Bi), O Termo, formado por seis estrelas na Híade com a Mu e Nu de Toiro.
– Dia 20 – Tchôi (觜, Zui), Eriçar – Lambda e dois Fi na cabeça do Oriente.
– Dia 21 – Tch’ám (参, Can), Misturar – Alfa (Betegeux), Beta (Rigel), Gama, Delta, Úpsilon Zeta, Eta e Kapa nos ombros, cintura e pernas do Oriente.
Quarto Quadrante do mês, Sul, O Pássaro Encarnado, da 22.ª à 28.ª Constelação.
– Dia 22, Tchèang (井, Jing), O Poço, constituído por quatro estrelas nos pés e quatro nos joelhos dos Gémeos.
– Dia 23, Kuâi (鬼, Gui), O Demónio – Gama, Delta, Eta e Teta do Câncer.
– Dia 24, Lâu (柳, Liu), O Salgueiro – Delta, Úpsilon, Zeta, Eta, Teta, Ró, Sigma e Ómega da Hidra.
– Dia 25, Sêng (星, Xing), A Estrela – Alfa, Iota, duas Tau, Kapa e duas Nu, no coração da Hidra.
– Dia 26, Tchèong (张, Zhang), Retesar o Arco – Kapa, Lambda, Mu, Nu e Fi na segunda espira da Hidra.
– Dia 27, Iêk (翼, Yi), A Asa, Formada por vinte e duas estrelas da Cratera e da terceira espira da Hidra.
– Dia 28, Tch’ân (轸, Zhen), A Canga, constituída por Beta, Gama, Delta e Úpsilon do Corvo.
Na dinastia Tang estas 28 Constelações tinham ao todo 183 estrelas, apesar de apenas contarmos 161 estrelas no artigo Patronos do Calendário Chinês de Luiz Gonzaga Gomes, que refere ainda, “os primeiros dias de todas as luas se chamavam kôk, os segundos káng e assim por diante, dando-se o facto de recaírem, sucessivamente, todos os primeiros dias de cada grupo de sete dias, nas constelações fóng, hói, máu, e sêng que, por este facto, equivalia a referir-se-lhes como sendo o 1.º, o 2.º, o 3.º e o 4.º domingos do mês.”
“Não obstante as suas aparentes complicações, o sistema cronológico chinês presta-se admiravelmente para determinar com mais ou menos exactidão, os diversos períodos do tempo. Os investigadores que se dedicaram ao estudo do almanaque chinês, asseveram que sob vários aspectos, ele é mais flexível que o europeu e até regista com maior rigor as alternações das estações e as suas respectivas fracções, não devendo nós deixar de mencionar o facto de o notável político e matemático francês, Paul Painlevé, ter proposto a amalgamação dos calendários chinês e europeu, com o fim de se elaborar um calendário universal que viria a ser o mais perfeito de quantos têm sido produzidos até à actualidade.”

Futuro do carro construído por Eduardo Carvalho continua incerto

O nome Edsbrat não dirá muito até ao mais fervoroso adepto do automobilismo. Contudo, este monolugar de construção local, e cuja história se confunde com o Grande Prémio de Macau, é o único existente de uma era em que o génio de alguns se sobrepunha às dificuldades naturais da época

 

O português Eduardo Carvalho, o vencedor da primeira edição do Grande Prémio em 1954, foi um dos pioneiros na construção de carros de corrida no continente asiático. Logo na segunda edição do Grande Prémio, “Eddie”, como era conhecido à época, trocou o seu Triumph TR2 por um “Femcar Special” – um protótipo monolugar de aspecto muito artesanal construído e tripulado por si em 1955 e por Eduardo Noronha em 1956.

No início dos anos 1960s, quando os carros do Grande Prémio de Macau passaram a ser máquinas construídas propositadamente para as corridas, os fórmulas passaram a ser aceites na corrida principal do programa. Em 1962, “Eddie”, com 44 anos e proibido de correr pela avó, trabalhava na Hong Kong Garage, onde era o gerente da oficina, decidiu voltar a construir um carro de corridas, este de acordo com a pujante regulamentação da Fórmula Junior, que na altura era aceite no Grande Prémio de Macau. Esta foi uma categoria de promoção que pontificou em todo o mundo entre 1958 e 1963 e que, com monolugares leves e eficazes, deu ao automobilismo mundial nomes como Jim Clark, Jochen Rindt ou John Surtees. Em 1964, a Fórmula Junior perderia a preponderância internacional, para dar espaço à Fórmula 3.

O britânico John Kirk, que era amigo de Eddie e precisava de um carro para competir, aceitou de bom grado conduzir o Edsbrat no Grande Prémio de 1962, para além de ter realizado provas com ele na Malásia e Singapura. O piloto-aviador da Japan-Cathay Pacific, Brian Lewis, conduziu-o em 1963, tanto no Grande Prémio, como na única corrida da Fórmula Junior no Circuito da Guia, onde viu a bandeira de xadrez no terceiro lugar. Em 1964, John Tse, um nativo de Hong Kong e um reputado piloto das corridas de carros de Turismo locais, adquiriu este fórmula e participou com ele no segundo Grande Prémio do Japão, onde acabou por desistir ao fim de quatro voltas. O carro nunca mais viria a correr.

No início da década de 1990, o ex-piloto e antigo engenheiro aeronáutico australiano Neville McKay foi encontrá-lo abandonado numa garagem em Hong Kong. Conseguiu comprá-lo e trouxe-o para Macau, onde na oficina da Historic Motor Sports, na Rua Fernão Mendes Pinho, o carro foi restaurado. Não se pense que esta foi uma tarefa fácil, porque não foi.

Um mini Ferrari

Este Fórmula Junior, um exemplar único, tem uma característica muito peculiar que é o bico em forma de nariz de tubarão, inspirado no Ferrari 156 “Sharknose”, o carro com que Phil Hill e a Ferrari venceram o mundial de Fórmula 1, em 1961, e assim quebraram a hegemonia dos carros ingleses. “Em 1961, a Ferrari venceu o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 com um monolugar de “sharknose” e o Carvalho queria que o seu carro se parecesse com um Ferrari. Até o pintou de vermelho”, explica McKay ao HM.

O pequeno Edsbrat estava em muito mau estado quando chegou às mãos de Neville McKay, tendo demorado três anos até voltar ao seu estado de glória. O carro voltou a ser visto em público pela primeira vez em 2014, sendo uma das estrelas do “Classic Car and Vintage Festival”, em Hong Kong.

“Restaurar o carro demorou três anos. Tivemos que fazer os moldes e outro tipo de coisas. Em 1962, os carros não tinham cintos de segurança ou arco de segurança”, relembra McKay, ele que chegou a fazer parte da Comissão Internacional de Históricos da FIA, em representação da Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC).

À procura de uma nova vida

Em 2013, durante o 60º aniversário do evento, Neville McKay terá tentado que o Edsbrat voltasse a sentir o asfalto do Circuito da Guia, numa volta de exibição, mas tal não foi deferido. “É um carro único de Macau, representativo do Grande Prémio de Macau. Pesa 400 kg e está equipado com um motor original Ford 1100cc da Fórmula Junior”, recorda McKay.

Guardado numa oficina em Hong Kong, o futuro do carro é incerto. Conversações para um possível ingresso do Edsbrat no Museu do Grande Prémio não deram os frutos esperados. Neville McKay procura uma nova casa e está disposto a deixá-lo partir quando “aparecer uma oferta sensível”.

De todos os carros construídos localmente nos vibrantes anos 1950s e 1960s, este é o único exemplar existente. Nem todos os carros de corrida são peças de museu, mas este, por tudo o representa, possivelmente merecia outro lugar de destaque.

“Belfast” de Kenneth Branagh bem posicionado para os Óscares 

Posicionado como potencial nomeado aos Óscares, o filme “Belfast” revisita um período “profundamente trágico e doloroso” na história da Irlanda do Norte sob a lente da compaixão, disse o realizador Kenneth Branagh num evento da Variety.

“Compaixão foi o ponto de vista que quisemos aplicar a uma situação muito complicada”, afirmou Branagh, que desenvolveu a história com base na sua memória do início dos confrontos violentos conhecidos como The Troubles, que opuseram protestantes unionistas e católicos nacionalistas no final da década de sessenta.

“Olhamos para a situação através do Buddy, de nove anos, e é uma posição muito humana através da qual observamos uma família a lidar com eventos para os quais não estamos preparados para lidar”, descreveu o autor.

O filme tem como protagonistas Jamie Dornan, Caitriona Balfe, Jude Hill, Judy Dench e Ciarán Hinds, e tem sido aclamado pela crítica com várias nomeações e vitórias na temporada de prémios do cinema.

“Quando li o argumento, pareceu-me que a essência do que ele tinha captado era uma verdade muito profunda de uma cultura e de um povo”, disse o actor Ciarán Hinds, que interpreta o avô de Buddy no filme. “Foi como se tivéssemos escorregado de forma muito gentil para uma outra era, um outro tempo”.

“Experiência mágica”

O actor descreveu como “uma experiência mágica” trabalhar com Kenneth Branagh, que fez um filme quase autobiográfico com uma dose simultânea de nostalgia e assombro. “Sentimo-nos rodeados dos fantasmas dos nossos antepassados, os espíritos de onde viemos”, disse Ciáran Hinds.

Jamie Dornan também elogiou o trabalho do realizador, que deu aos actores a capacidade de se submergirem num filme de época – filmado a preto e branco – de forma orgânica.

Situado em 1968, no início do conflito, “Belfast” não aborda directamente a complexidade do que está em causa. Kenneth Branagh explicou que a sua intenção foi mostrar o desenrolar da violência de um ponto de vista familiar.

“São eventos políticos e sociais avassaladores, um período muito traumático para a Irlanda do Norte que durou trinta anos e ninguém sabia quanto tempo ia durar”, disse o realizador, lembrando que morreram 3700 pessoas durante o conflito. “Foi profundamente trágico e doloroso”, descreveu.

O filme “tenta entender” um pouco disso sem endereçar o principal problema. “Em vez disso, tenta focar nos mecanismos usados para enfrentar a situação, e as pequenas formas como uma família normal lidou com estas dificuldades e pôs um pé à frente do outro”, disse Branagh. “Podemos aprender com estas histórias”.

Cinemateca Paixão | “Lost in Translation” e “Terrorizers” em exibição nos próximos dias 

O aclamado “Lost in Translation”, de Sofia Coppola, é um dos filmes que integra o cartaz na Cinemateca Paixão para os próximos dias, e que apresenta algumas películas que têm a Ásia como pano de fundo

 

Ele é um actor de teatro em plena crise de meia idade que vai a Tóquio fazer um anúncio a um whisky. Ela é uma licenciada em Filosofia que acompanha o marido, fotógrafo, numa viagem de trabalho, mas que passa demasiado tempo sozinha. Os dois encontram-se no bar do hotel e depressa começam uma amizade que apenas cabe nas ruas de Tóquio.

Esta é a história central de “Lost in Translation”, o aclamado filme da realizadora norte-americana Sofia Coppola, de 2003, filmado no Japão, e que conta com a presença dos actores Scarlett Johansson e Billy Murray nos papéis principais. “Lost in Translation” é um dos filmes que integra o ciclo da Cinemateca Paixão para os próximos dias, dedicado ao cinema asiático, mas não só. O filme de Sofia Coppola será exibido entre quinta-feira e dia 18.

Este novo ciclo de cinema começou este domingo com a exibição de “Terrorizers”, filme que poderá ser visto até sexta-feira. Esta é uma produção de Taiwan de Wing Ding Ho que conta a história de quatro jovens em Taipei que vagueiam pela cidade com histórias pessoais marcadas pelo amor, desejo ou vingança. A película obteve uma nomeação, no ano passado, no Festival Internacional de Cinema de Toronto, para a secção de cinema internacional contemporâneo.

Mostra multicultural

“Lamb”, de Valdimar Johannsson, é um dos filmes com um cenário exclusivamente europeu que poderá ser visto na Cinemateca Paixão nos próximos dias, entre amanhã e o dia 15. Esta é a história de um casal que vive numa Islândia rural e que um dia faz uma descoberta alarmante no curral onde se encontram as suas ovelhas.

Depressa estes descobrem que estão a enfrentar as consequências de desafiarem o rumo da mãe natureza. O filme, que marca a estreia deste realizador, obteve, no ano passado, um prémio na categoria “Originality of un certain regard” no Festival de Cinema de Cannes, incluindo uma outra nomeação. Também no ano passado “Lamb” recebeu o prémio na categoria “FIPRESCI of European Discovery” nos Prémios Europeus de Cinema.

O regresso à Ásia faz-se com o filme “Vengeance is Mine – All others pay cash”, uma co-produção da Indonésia, Singapura e Alemanha, do realizador Edwin. Esta película conta a história do lutador Ajo Kawir que combate contra um problema pessoal: a impotência. No entanto, acaba por se apaixonar por uma outra lutadora, de nome Iteung. O filme vai contando a história da possibilidade desse amor. Esta película pode ser vista entre sábado e o dia 20.

A selecção de filmes prossegue com “Introduction”, uma produção sul-coreana de Hong Sang-soo que conta a história de Youngho e da sua namorada, Juwon, que se muda para Berlim para prosseguir os seus estudos.

Esta película obteve, no ano passado, o Urso de Prata para melhor guião no Festival Internacional de Berlim, além de ter recebido uma nomeação para a categoria de melhor filme. “A new old play”, uma co-produção de Hong Kong e França, de Qiu Jiongjiong, será exibido até domingo. Este filme passa-se no ano de 1980 e centra-se na personagem de Qiu Fu, um actor da ópera de Sichuan que morre num acidente de carro.

Caso IPIM | Repetição do julgamento adiada para 28 de Fevereiro

Zheng Chun Mei, ex-amante de Jackson Chang, faltou ao julgamento e a sessão teve de ser adiada. Antes, houve tempo para o juiz recusar o pedido do Ministério Público de acrescentar à acusação mais um crime de abuso de poder

 

A repetição do julgamento do ex-presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), Jackson Chang, estava prevista para ontem de manhã, mas foi adiada devido à falta da arguida Zheng Chun Mei.

“Parece que a arguida foi notificada, mas está em falta. Tem de apresentar uma justificação dentro de 10 dias. Se não o fizer vai haver uma multa”, avisou o juiz, após anunciar que a sessão seria adiada.
Zheng Chun Mei terá sido notificada e recebido a carta através de correio registado, mas não compareceu no tribunal. No primeiro julgamento, tinha sido apresentada pela acusação como a ex-amante do ex-presidente do IPIM.

Face à ausência, o juiz agendou uma nova sessão para 28 de Fevereiro pelas 9h30. Segundo as indicações dadas em tribunal, na nova data vão ser ouvidas testemunhas, mesmo que Zheng Chun Mei opter por voltar a comparecer sem justificação.

Entre os arguidos, apenas Jackson Chang, que está em liberdade, esteve no tribunal, acompanhado pela mulher, como sempre aconteceu ao longo do julgamento inicial. Miguel Ian é o único que se encontra a cumprir pena de prisão, em Coloane, mas optou por não ir a tribunal, fazendo-se representar pelo advogado.

Por sua vez, Glória Batalha que tinha sido condenada a pena de prisão efectiva na primeira decisão, foi absolvida dos crimes de que estava acusada, no âmbito do recurso.

Linhas do campo

A sessão serviu também para que ficasse totalmente definido o teor do julgamento, que se vai limitar, no caso de Jackson Chang, a quatro crimes de corrupção passiva, quatro crimes de branqueamento de capitais e três de abuso de poder. No primeiro julgamento, o ex-presidente do IPIM tinha sido absolvido destes crimes e condenado a dois anos de prisão efectiva pela prática de quatro crimes de violação de segredo e três crimes de inexactidão de elementos no preenchimento da declaração de rendimentos.

O Ministério Público pretendia que Chang fosse acusado por mais um crime de abuso de poder, mas o pedido foi recusado. “O TSI foi muito claro na decisão. Temos de fazer o julgamento com base no que foi decidido pelo TSI”, justificou. “O julgamento vai seguir as ordens do TSI e não vamos acrescentar mais crimes”, esclareceu.

Não foram só os pedidos do MP a serem negados, o tribunal recusou igualmente analisar outras questões levantadas pelos advogados de defesa dos arguidos. “Só vamos seguir a decisão do TSI. O objecto do julgamento é o definido pelo TSI”, reiterou.

Entre os 26 arguidos do processo inicial, 19 tinham sido considerados culpados e sete ilibados. Segundo a primeira decisão, o casal de empresários Ng Kuok Sao e Wu Shu Hua, marido e mulher, tinham criado uma associação criminosa para vender autorizações de fixação de residência e foram condenados, respectivamente, a penas de 18 e 12 anos de prisão. Ng Kuok Sao foi julgado à revelia por estar fora de Macau, ao contrário de Wu, que compareceu no primeiro julgamento. Porém, depois da primeira decisão Wu também terá deixado a RAEM.

Secretária Irene Iu morre na prisão

No julgamento inicial, Irene Iu, ex-secretária dos empresários Ng Kuok Sao e Wu Shu Hua, tinha sido condenada com uma pena de oito anos e seis meses, pelo crime de associação criminosa e vários de falsificação de documentos. Contudo, Irene Iu faleceu em Dezembro do ano passado na prisão de Coloane.

Era a única arguida presa, além de Miguel Ian. Segundo o HM apurou, Irene Iu foi diagnosticada com um cancro, mas recusou receber tratamento, optando por morrer, apesar de lhe terem sido disponibilizados todos os cuidados. A residente local morreu aos 48 anos, e antes de ser presa tinha declarado um rendimento mensal de 7 mil patacas. No dia da condenação, deixou a sessão em lágrimas.

Ano Novo Lunar | Macau perde 90,6% de turistas em relação a 2019

Mais de 113 mil turistas entraram em Macau na semana dourada do Ano Novo Lunar, menos 90,6 por cento que em 2019, ou seja, antes da pandemia da covid-19. Ainda assim, o registo ficou acima dos números registados em 2021, anunciou ontem Direção dos Serviços de Turismo (DST).

De acordo com os dados divulgados pela DST, o território registou a entrada de apenas 113.699 visitantes, uma média diária de 16.242 turistas. No entanto, o balanço da semana, que este ano decorreu entre 31 de Janeiro e 06 de Fevereiro, é positivo (+25,4 por cento), quando comparado com o de 2021, entre 11 e 17 de Fevereiro.

Dois anos após o início da pandemia, e apesar do regresso das celebrações do Ano Novo Lunar, tradicionalmente um ponto alto para o turismo de Macau, o contexto pandémico voltou a afastar os turistas da capital mundial do jogo, que recebeu 7,7 milhões de visitantes em 2021, um valor muito distante dos quase 40 milhões registados em 2019.

Os visitantes são quase todos oriundos do Interior da China, que beneficiam de excepções face às restrições fronteiriças determinadas no âmbito do combate à pandemia do novo coronavírus.

Recorde-se que Macau tem promovido a cidade como um território seguro em relação à covid-19, procurando capitalizar com o facto de ter registado apenas 79 casos durante a pandemia. No entanto, apesar de se tratar de uma das festas mais importantes para as famílias, as autoridades do Interior da China pediram à população para não viajar durante os feriados.

Escola Internacional | Pandemia leva à saída de 20 por cento dos professores

Devido aos efeitos da pandemia, a Escola Internacional de Macau chegou a temer perder metade dos professores no final do ano lectivo, mas o número afinal vai ser menor. Neste momento, trabalha-se na contratação de novos docentes

 

Apesar de ter chegado a temer perder metade dos professores no final do ano lectivo, a Escola Internacional de Macau (TIS, em inglês) acredita ter resolvido o problema. Inicialmente, havia a expectativa de que no final do ano lectivo metade dos professores pudesse deixar Macau, muitos deles motivados pelas políticas de restrições de circulação nas fronteiras, mas o número foi reduzido e deverá rondar apenas os 20 por cento. A contratação de novos profissionais está quase terminada.

“Estávamos à espera que no final deste ano lectivo um grande número dos nossos funcionários deixasse a escola. Por isso, a questão foi sempre tratada como a nossa prioridade”, começou por explicar Howard Stribbell, director da TSI, ao HM. “Felizmente através de uma estratégia em que, por um lado, fizemos tudo para lidar com as preocupações dos nossos funcionários para o próximo ano lectivo e, por outro, apresentámos planos muito concretos, fomos capazes de minimizar as saídas”, acrescentou.

Howard Stribbell explicou igualmente que em condições normais cerca de 10 por cento dos professores deixavam a escola. Neste sentido, a saída de 20 por cento dos docentes, num contexto em que as fronteiras estão praticamente fechadas há dois anos, é encarada como um número dentro do expectável.

Além das saídas, o grande desafio é a contratação de professores, porque há poucas alternativas. A contratação de docentes no Interior é assim uma das poucas alternativas, além da contratação de residentes que estejam foram da RAEM. “Fomos capazes de recrutar e preencher 80 por cento das vagas em aberto”, admitiu Stribbell. “Agora já estamos numa fase em que se não conseguirmos preencher todas as vagas, podemos sempre ter um plano B”, considerou.

Tempos difíceis

No entanto, o arrastar da pandemia tem feito com que as instituições de ensino tenham cada vez mais dificuldades para arranjar professores. O problema estende-se a todo o sector, como reconheceu Howard Stribbell. “Não podemos deixar de agradecer ao Governo todos os esforços que tem feito para nos manter seguros, mas, neste momento, há muitas dificuldades para contratar professores. É uma dificuldade comum a todas as instituições”, apontou.

O HM sabe que, por exemplo, no caso da Escola Portuguesa de Macau também há alguma incerteza sobre a saída de professores, e que, por agora, está em cima da mesa a saída de quatro a cinco docentes. No entanto, esta não é uma situação definitiva.

Pior é a situação da Alliance Français, que desde o início do ano suspendeu todos os serviços, inclusive o ensino da língua francesa. Apesar de não ter havido um esclarecimento sobre este aspecto, o jornal Ponto Final avançou que a situação tinha sido motivada pela falta de docentes.

Lorne Schmitdt novo director

A partir do próximo ano lectivo Howard Stribbell vai ser substituído por Lorne Schmitdt no cargo de director da Escola Internacional de Macau. A notícia foi transmitida no final do mês passado, através de uma carta enviada por Stribbell, à associação de pais da Escola Internacional.

Habitação | Sulu Sou critica falta de soluções em estudo do Governo

O vice-presidente da Associação Novo Macau diz que o estudo sobre a habitação foi publicado estrategicamente antes das férias para não ser discutido. Porém, considera também que o documento volta a não apresentar soluções

 

O ex-deputado Sulu Sou criticou o estudo sobre a habitação da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPR) por considerar que não apresenta soluções para os problemas do sector. A posição foi deixada através das redes sociais.

A primeira crítica do vice-presidente da Associação Novo Macau prendeu-se com a data da publicação, 31 de Janeiro, ou seja, o dia anterior às celebrações do Ano Novo Chinês, quando as famílias tradicionalmente se reúnem. No entender de Sulu Sou, a escolha da data não foi inocente e visou mesmo evitar a atenção pública: “Não é novidade para ninguém que alguns serviços públicos gostam de publicar os comunicados de imprensa ou os relatórios em alturas pouco oportunas ou mesmo antes das férias e feriados”, atirou o ex-deputado. “São truques para que a população, e os críticos, não prestem muita atenção, e para se poder dizer que se fez todo o trabalho”, acrescentou.

Além de criticar a data de publicação do estudo, Sulu Sou arrasou o conteúdo. Para o vice-presidente da Novo Macau, as conclusões nem merecem ser lidas porque são as mesmas de sempre. Por isso, Sou resumiu o trabalho de 44 páginas em duas frases: “Há muitas pessoas sem capacidade para comprar casa” e ainda “O Governo promete melhorar as políticas habitacionais”.

Por outro lado, Sulu Sou considerou que, no que diz respeito à política habitacional, não tem havido grandes mudanças, e que o Governo “fala muito” mas “faz pouco”.

No relatório, a DSEPR considerava que até 2030 a RAEM precisava de construir 3.100 habitações sociais, 23.000 habitações económicas, 10.100 habitações da classe intermédia, 3.400 habitações para idosos e que a procura no mercado privado ia atingir 25.600 fracções.

Necessidades preocupam

O documento também foi analisado Lo Choi In, deputada ligada à comunidade de Jiangmen, que se mostrou preocupada com as estimativas para as habitações para idosos. Segundo o Governo, até 2030 são necessárias 3.400 casos do género. Contudo, Lo acredita que o número pode ser superior, dado o envelhecimento da população.

A deputada alertou também o Executivo para a possibilidade de muitos idosos não conseguirem aceder a habitações sociais ou económicas, o que tenderá a fazer aumentar essa procura.

Quanto à oferta de habitação privada no mercado livre, a trabalhadora do sector bancário sublinhou a necessidade de serem tomadas medidas para que os preços fiquem controlados e sejam acessíveis à população.

Saúde | Leong Sun Iok questiona planos de formação de profissionais 

O deputado Leong Sun Iok interpelou o Governo sobre os planos de formação de profissionais de saúde. Uma das questões prende-se com a preparação dos estágios após a entrada em vigor do “regime legal da qualificação e inscrição para o exercício da actividade dos profissionais de saúde”.

“Como vai ser feita a distribuição dos estagiários pelos diversos hospitais? Solicito ao Governo que faça uma apresentação detalhada sobre o assunto”, escreveu o deputado, que está também preocupado com o plano de formação do Governo para médicos especialistas.

A interpelação oral de Leong Sun Iok foca-se ainda nos restantes profissionais de saúde que não constam na lista de 15 profissões que não serão sujeitas à mesma regulação, como é o caso dos psicológicos. “As autoridades avançaram que não vai haver inscrição [para estes profissionais], mas que serão elaboradas instruções para a sua regulação. Qual é o ponto de situação destes trabalhos? O Governo assumiu que ia ser feito um estudo sobre o assunto para que estes profissionais possam ter acesso a um desenvolvimento profissional adequado. Qual é o ponto de situação?”, questionou o deputado.

Droga | Wong Kit Cheng preocupada com participação de jovens no tráfico

Wong Kit Cheng está preocupada com o aumento dos casos de tráfico de droga e considera haver muitos estudantes universitários seduzidos por essa via devido à instabilidade do mercado de trabalho. A deputada quer ainda que o Governo tome medidas para contrariar a tendência de consumo oculto de drogas como a marijuana

 

No seguimento da ocorrência recente de dois casos de consumo e tráfico de droga envolvendo estudantes universitários, a deputada Wong Kit Cheng mostra-se preocupada com os efeitos que a pandemia de covid-19 está a ter nos crimes relacionados com estupefacientes e pretende que o Governo tome medidas eficazes para impedir a entrada de produtos ilícitos e sensibilizar os jovens.

Isto, tendo em conta que, de acordo com os dados da Secretaria para a Segurança, entre Janeiro e Setembro do ano passado, registaram-se 64 casos de tráfico de droga, traduzindo-se num aumento de 11 casos em comparação com o período homólogo de 2020. Além disso, aponta a deputada numa interpelação escrita, os casos recentes são demonstrativos de que os crimes estão relacionados com o envio de droga através da via postal e que são os estudantes universitários interessados em obter rendimentos extra, os principais alvos das redes criminosas.

“A epidemia está a afectar bastante a economia. No passado, muitos estudantes universitários trabalhavam em part-time nos seus tempos livres, mas, como agora o mercado laboral está instável, as oportunidades de emprego em part-time para os universitários diminuíram significativamente. Portanto, alguns malfeitores aproveitam a oportunidade para seduzir, com dinheiro, adolescentes e estudantes universitários a receberem pacotes com droga, situação que não se pode menosprezar”, considera Wong Kit Cheng.

Posto isto, a deputada é da opinião de que urge ao Governo “reforçar os seus trabalhos, para combater esta prática de crime narcótico” e colaborar com os sectores da aviação e da logística para “evitar a entrada de pacotes com droga na comunidade”. “Como é que vão fazê-lo?”, questiona.

Consumo oculto

Apesar de os dados do Sistema de Registo Central dos Toxicodependentes de Macau divulgados pelo Instituto de Acção Social (IAS), apontarem para uma redução entre 10 e 20 por cento no número de pessoas registadas (92) no primeiro semestre de 2021, Wong Kit Cheng considera que o consumo oculto de droga, em particular de marijuana, é uma realidade que não pode ser ignorada. Em especial, quando se trata de um estupefaciente cujo consumo é legal em muitos países.

“Tendo em conta a legalização de drogas como a marijuana em certos países, alguns jovens deixam de ser cautelosos em relação a esta droga. Por exemplo, nos casos mencionados, os suspeitos confessaram o consumo de marijuana em casa, portanto, esta situação mostra que se os conceitos dos jovens não forem corrigidos atempadamente, as repercussões, para toda a sua vida, vão ser, possivelmente, irreversíveis”, sublinhou.

Fazendo menção ao facto de estarem actualmente identificados em Macau nove toxicodependentes com idade igual ou inferior a 21 anos que consomem marijuana, a deputada é da opinião de que o Governo deve reforçar as suas acções de divulgação, “para evitar que os adolescentes caiam na armadilha da droga devido à falta de conhecimentos”. Além disso, defende também uma a colaboração com as associações, escolas e outros organismos.

Pequim 2022 | Austrália e Nova Zelândia vivem dia para a história com três medalhas

Apesar de pouca tradição nos desportos de Inverno, a Austrália e a Nova Zelândia tiveram um dia fulgurante em Pequim. Zoi-Sadowski-Synnott, no Snowboard, ganhou a primeira medalha de sempre para a Nova Zelândia. Jakara Anthony (ouro) no Esqui e Tess Coady (bronze) no Snowboard foram as responsáveis por colocar a Austrália em lugar de destaque no medalheiro

 

Não é fácil associar neve e gelo a nações como Austrália e Nova Zelândia. Mas a verdade é que os dois países estiveram em destaque no segundo dia de competição dos Jogos de Inverno Pequim 2022, com direito a triunfos inéditos no feminino e uma medalha de ouro para cada. Além disso, a Austrália alcançou no mesmo dia, os primeiros triunfos na modalidade de curling.

A jornada começou com um surpreendente triunfo da Nova Zelândia no Snowboard, após Zoi-Sadowski-Synnott ter conquistado o primeiro ouro Olímpico de sempre para o país, no que toca a Olimpíadas de Inverno.

A atleta neozelandesa de 20 anos selou a conquista com um desempenho imaculado na terceira e última descida na estância de Zhangjiakou, com direito a dois saltos de 1080 graus. A americana Julia Marino conquistou a medalha de prata, ao passo que o bronze foi para australiana Tess Coady.

“É surreal! Estou muito orgulhosa pelo patamar que consegui alcançar com o meu Snowboard nos últimos quatro anos e por ter a oportunidade de mostrar ao mundo o que uma neozelandesa é capaz de fazer. Espero que o meu desempenho aqui inspire as crianças do meu país”, comentou Sadowski-Synott sobre a conquista, segundo o portal oficial dos Jogos Olímpicos Pequim 2022.

Com uma pontuação de 92.88, Zoi-Sadowski-Synnott, conquistou para a Nova Zelândia o primeiro ouro do país na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. Coincidentemente, a vitória aconteceu no mesmo dia em que se celebra a assinatura do Tratado de Waitangi (6 de Fevereiro de 1840), evento que marca a fundação do território e que é tido como o dia nacional da Nova Zelândia.

Austrália para a história

Aos 23 anos, Jakara Anthony escreveu também o seu nome na história Olímpica dos desportos de Inverno australianos, ao ganhar a prova de Esqui (estilo livre), na estância de Zhangjiakou.

O ouro conquistado no domingo por Jakara Anthony foi o primeiro alcançado em provas femininas pela Austrália e a terceira medalha de sempre conquistada pelo país em Jogos Olímpicos de Inverno, após a prata de Matt Graham em PyeongChang 2018 e de Dale Begg-Smith, campeão em Turim 2006 e Vancouver 2010.

“É uma grande honra representar a Austrália aqui em Pequim e conquistar uma medalha de ouro. Não podia pedir mais nada”, afirmou Anthony.

Recorde-se que em PyoengChang 2018, Anthony ficou a um pequeno passo do pódio, terminando na quarta posição. Desta vez, contudo, a australiana liderou as quatro as descidas da competição, tendo obtido uma nota final de 83.09.

“É difícil não pensar muito quando se está à frente. Temos de estar constantemente focados naquele momento e em conseguir dar um passo de cada vez. Estou nas nuvens. Não tenho palavras. É um sentimento incrível”, desabafou.

A americana Jaelin Kauf conquistou a prata, tendo o bronze ficado para Anastasiia Smirnova em representação do Comité Olímpico Russo (ROC), de apenas 19 anos.

Emoções ao rubro

Também no curling, a Austrália fez história no domingo, apesar de não ter conquistado um lugar nas meias finas da vertente de duplas mistas. Isto porque, de equipa estreante afastada do evento por um dos seus elementos ter testado positivo para a covid-19, a dupla Tahli Gill e Dean Hewitt foi readmitida na competição e alcançou as primeiras vitórias de sempre para a Austrália na modalidade: 9-6 diante da Suíça e 10-8 contra o Canadá.

O resultado contra os suíços ganhou contornos ainda mais dramáticos porque, horas antes da partida, o Comité Olímpico Australiano estava a planear o regresso antecipado dos atletas depois de Gill ter testado positivo para a covid-19.

Entretanto, Comité Olímpico Australiano recebeu um documento oficial das autoridades de saúde da República Popular da China a anular a exclusão e a readmitir a dupla na competição (desde que cumprissem um protocolo específico) a poucas horas do início do primeiro embate, com a Suíça.

“Recebemos uma chamada oficial e lembro-me de pensarmos: ‘Será que isto é mesmo a sério?’. Precisávamos entrar no táxi em 15 minutos”, comentou Hewitt. “Foram, literalmente, as 24 horas mais loucas da minha vida, as minhas malas ainda estão feitas. Apenas deu tempo de tirar o uniforme”, comentou Gill, atentando para um pequeno detalhe:

“Tive de remexer na roupa toda para lá e para cá e acabei, inclusivamente, por jogar apenas com uma luva, e era a errada”, contou.

Apesar dos resultados obtidos, a Austrália não avançou para as meias-finais. Itália, Grã-Bretanha e Noruega estão entre os países apurados até ao momento.

Vanina Oliveira estreia-se com 43.º lugar no Slalom gigante

Vanina Oliveira, a primeira atleta portuguesa a competir nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, terminou ontem a prova de slalom gigante no 43.º lugar, entre 82 participantes, numa competição conquistada pela sueca Sara Hector.

Na prova, que decorreu em Yangqiing, Vanina Guerillot Oliveira, de 19 anos, estreante em Jogos Olímpicos, terminou a primeira manga na 55.ª posição e melhorou o tempo na segunda descida, ficando a 21,23 segundos da vencedora, que terminou as duas mangas em 1.55,69 minutos.

Depois da líder do ‘ranking’ mundial da disciplina, que conquistou o seu primeiro título olímpico, seguiu-se no pódio a italiana Federica Brignone, também medalha de prata em PyeongChang 2018, e a campeã do mundo, a suíça Lara Gut-Behrami, que foi terceira classificada.

A bicampeã olímpica e principal favorita, a norte-americana Mikaela Shiffrin, falhou uma porta na primeira descida e ficou fora da prova.

A esquiadora portuguesa cometeu um erro na fase final da primeira manga, que a fez perder algum tempo e a afastou do ‘top 40’ que tinha como objectivo para o slalom gigante, mas assegurou a melhor classificação lusa na disciplina, superando o 59.º lugar de Camile Dias em Sochi 2014, entre 90 participantes.

Sempre a subir

O chefe de missão, Pedro Farromba, salientou a dificuldade da pista e da prova, que 33 esquiadoras não conseguiram terminar, e manifestou-se “muito satisfeito” por ter sido atingido “o primeiro objectivo” da comitiva lusa.

“Estou muito satisfeito. Houve aquele percalço na primeira manga, já na parte final. Teríamos ganho ali uns quatro ou cinco segundos, o que nos tinha permitido fazer um ‘top 40’, mas era uma prova bastante difícil, como se percebeu pelo número de atletas que caíram, incluindo algumas de topo”, frisou Pedro Farromba, em declarações à agência Lusa.

“Cumprimos o que era o nosso primeiro objectivo, melhorar o resultado da última vez no slalom gigante. Estamos muito contentes. Para o slalom, as expectativas são mais elevadas, mas a Vanina está feliz e bastante animada”, referiu Pedro Farromba.

Vanina Oliveira volta a competir na quarta-feira, no slalom, prova em que se sente mais confortável e em que no Campeonato do Mundo de Are, na Suécia, terminou no 37.º lugar.

Patinagem artística | Kamila Valieva encanta com apenas 15 anos

Com apenas 15 anos, a patinadora Kamila Kalieva, representante do Comité Olímpico Russo (ROC), estreou-se nos Jogos Olímpicos de Inverno com uma prestação memorável no evento de patinagem artística por equipas, ao ter alcançado uma pontuação de 90.15, perto de seu recorde pessoal de 90.45 conquistado em Janeiro, no decorrer dos Campeonatos da Europa. A patinadora russa, foi a única a fazer um Axel triplo, elevando os braços acima da cabeça, depois mostrou um flip triplo e um triplo Lutz ao som de “In Memoriam”.

Com esta prestação, Valieva tornou-se na quarta mulher da história da modalidade a apresentar um Axel triplo nos Jogos Olímpicos. “Estava um pouco nervosa quando comecei a competição, mas assim que entrei no gelo, patinei bem. Consegui manter o controlo sobre aquilo que tinha programado e o resultado foi o que eu queria”, afirmou Valieva após a prova.

“Estou a patinar pela minha avó que faleceu, foi esse sentimento que me tomou”, acrescentou. A segunda colocada, a japonesa Higuchi Wakaba, obteve uma pontuação de 74.73 e a canadiana Madeline Schizas surpreendeu ao alcançar a terceira posição com 69.60.

Patinagem | Van der Poel conquista ouro para a Suécia e recorde olímpico

Na prova de masculina dos 5.000 metros de patinagem de velocidade, o sueco Nils van der Poel conquistou a medalha de ouro e conseguiu um novo recorde olímpico.

Van der Poel, que já era o recordista mundial, cumpriu a prova em 06.08,84 minutos, batendo assim o recorde que estava na posse do holandês Sven Kramer, com a marca de 06.09,76, conseguidos em Pyongyang em 2018. No segundo lugar ficou o holandês Patrick Roest, que levou a medalha de prata, enquanto o norueguês Hallgeir Engebraaten ficou com o bronze.

Na competição de esquiatlo masculino, o Comité Olímpico Russo foi o grande dominador, ao garantir os dois primeiros lugares do pódio. Alexander Bolshunov foi o vencedor da competição masculina dos 30 quilómetros de esquiatlo, prova de esqui de fundo, em que os esquiadores fazem 15 quilómetros em estilo clássico e 15 em estilo livre, deixando o segundo lugar para o seu compatriota Denis Spitsov. O finlandês Iivo Niskanen fechou o pódio e ficou com a medalha de bronze.

Nota ainda para o facto de o vento forte registado no domingo ter obrigado a organização a adiar a prova masculina de downhill dos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022, que acabou por ser disputada ontem.

Os ‘reis’ da velocidade do esqui alpino viram o início da prova ser adiado por três vezes, enquanto a organização aguardava por uma melhoria das condições meteorológicas, mas como tal não se verificou, a prova foi adiada em definitivo para segunda-feira.

 

Agenda para hoje

Biatlo (16h30) – Medalhas
Combinado Nórdico (15h30) – Medalhas
Curling (14h05 e 20h05) – Medalhas
Esqui Alpino (11h00) – Medalhas
Esqui Cross-Country (a partir das 16h00) – Medalhas
Esqui Estilo Livre (10h00) – – Medalhas
Hóquei no Gelo (a partir das 12h10)
Luge (a partir das 09h30)
Patinagem Artística (09h15)
Patinagem de Velocidade (18h30) – Medalhas
Skeleton (a partir das 12h40)
Snowboard (a partir das 10h40)

* O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30

Acusação de abusos sexuais é “enorme mal-entendido”, diz Peng Shuai

A tenista chinesa Peng Shuai disse que a preocupação internacional com o seu bem-estar parte de “um enorme mal-entendido” e negou ter acusado o ex-vice-primeiro-ministro chinês Zhang Gaoli de abusos sexuais.

“Agressão sexual? Eu nunca disse que alguém me fez submeter a uma agressão sexual”, disse a tenista, numa entrevista publicada pelo jornal desportivo francês L’Equipe no domingo à noite.

No início de novembro, numa publicação na rede social chinesa Weibo, a antiga campeã de pares em Roland Garros acusou Zhang Gaoli de a ter forçado a ter relações sexuais, durante um relacionamento que durou vários anos.

“Esta publicação resultou num enorme mal-entendido por parte do mundo exterior”, disse Peng Shuai. “O meu desejo é que o significado desta publicação não continue a ser distorcido.”

As acusações da tenista, de 36 anos, rapidamente desapareceram, com a Weibo a censurar posteriormente qualquer referência ao caso.

Questionada pelo L’Equipe, Peng Shuai disse que foi ela a apagar a publicação. “Porquê? Porque quis”, acrescentou.

Na entrevista, a tenista não respondeu diretamente a uma pergunta sobre se a publicação teria ou não causado problemas com as autoridades chinesas.

“Emoções, desporto e política são três coisas claramente separadas”, disse ao jornal. “Os meus problemas românticos, a minha vida privada, não devem ser misturados com desporto e política.”

A publicação disse ter conversado com a tenista no sábado, num hotel de Pequim, numa entrevista de uma hora organizada pelo Comité Olímpico da China.

O L’Equipe acrescentou que as perguntas foram enviadas com antecedência e que um funcionário do Comité Olímpico local participou na conversa e traduziu os comentários de Peng a partir do chinês.

O jornal salientou que outra condição para a realização da entrevista foi a publicação da conversa na íntegra, em forma de pergunta e resposta.

China vai manter tolerância zero contra o vírus, diz epidemiologista

A China vai manter a política de tolerância zero contra a covid-19, afirmou o epidemiologista chefe do Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças, Wu Zunyou, citado pela imprensa local.

“Antes, pensávamos que a covid-19 podia ser contida por meio de vacinas, mas agora parece que não há um método simples para controlar a doença, exceto com medidas abrangentes, embora as vacinas sejam a arma mais importante para conter a epidemia, incluindo a [variante] Ómicron”, afirmou.

Questionado se vacinar 70% da população mundial podia pôr fim à pior fase da pandemia, Wu disse que essa noção ainda está “sujeita a debate”.

O especialista citou exemplos de países europeus, como Alemanha ou França, que com mais de 70% da população vacinada, enfrentam vagas do surto causadas pela variante Ómicron, que “desafia o conceito de imunidade de grupo”. De acordo com Wu, a imunidade de grupo perde o sentido se novas variantes do vírus causarem surtos.

Tianjin foi, em janeiro passado, a primeira cidade chinesa a detetar casos da variante Ómicron, altamente contagiosa e, segundo Wu, “alguns dos habitantes foram infetados apesar de estarem vacinados”.

Nos meses anteriores, outros especialistas chineses, como o epidemiologista Zhong Nanshan, especularam que a vida na China podia voltar ao normal se mais de 80% da população tivesse a vacinação completa.

O país administrou já mais de três mil milhões de doses, o suficiente para 100% da população ter recebido duas doses.

De acordo com as autoridades de saúde, desde o início da pandemia, 106.419 pessoas foram infetadas na China, entre as quais 4.636 morreram.

Pequim 2022 | Espanha quebra boicote diplomático

O ministro da Cultura e Desporto espanhol, Miquel Iceta, reuniu-se ontem, em Pequim, com o seu homólogo chinês, Gou Zhongwen, com quem confirmou o interesse dos dois países na cooperação bilateral no domínio do desporto. Iceta, que esteve na sexta-feira na capital chinesa para representar a Espanha na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, manteve uma reunião que durou cerca de 30 minutos com Gou, durante a qual analisou as possibilidades de colaboração em diferentes áreas do desporto, segundo explicou o ministro à agência Efe.

Os dois países reiteraram o interesse em assinar “o mais rapidamente possível” um memorando para acordar mecanismos de cooperação bilateral no domínio do desporto. O memorando de intenções, cuja assinatura foi adiada devido à crise sanitária, poderia finalmente ser assinado no decurso deste ano, disse o ministro da Cultura e do Desporto espanhol.

As autoridades desportivas chinesas estão “muito interessadas” no futebol espanhol e o país ibérico está interessado em “outras disciplinas desportivas”, disse. Na reunião, os ministros espanhóis e chineses discutiram também o desporto feminino, uma prioridade para ambos, e concordaram em procurar mecanismos para promover conjuntamente a participação das mulheres em desportos competitivos e de elite.

Iceta explicou a Gou – que é também presidente do Comité Olímpico Chinês – o interesse de Espanha e o trabalho que está a ser realizado nesse país para acolher os Jogos Olímpicos de Inverno, em 2030.

A reunião contou igualmente com a presença do presidente do Comité Olímpico Espanhol (COE), Alejandro Blanco, e do secretário-geral da Cultura e do Desporto, Víctor Francos.