Cinemateca | Documentário de Macau e filme LGBT em destaque em Outubro

A obra de Macau “Once They Were Here” testemunha as agruras e as vitórias de uma clínica veterinária que serve de repositório do egoísmo da espécie humana. Em destaque na programação da Cinemateca Paixão está ainda o clássico do cinema gay “Lan Yu”, co-produzido na China e em Hong Kong. “Annete”, “It’s a Flickering Life” e “Moulin Rouge” estão também incluídos no cardápio de Outubro

 

Do nascimento à morte, passando por situações limite e injustiças, a ternura permanece. Pelo menos aquela que circula dos animais para a espécie humana. Incluído na programação de Outubro da Cinemateca Paixão, “Once They Were Here” é uma obra documental produzida em Macau que pretende por a nu situações resultantes dos maus tratos animais pela mão do homem.

No entanto, através do testemunho do dia-a-dia de uma clínica veterinária de Macau aberta 24 horas, a obra realizada por Chit Hao e Teng Teng Chan, foca também a bondade e a compaixão que essa mesma mão, por vezes impiedosa, é capaz de transmitir e concretizar. A doença, o nascimento, a morte, a separação, a alegria e o envelhecimento parecem ser os ingredientes inevitáveis de uma relação desigual, pela qual, contudo, vale a pena lutar.

“Once They Were Here” será exibido na Cinemateca Paixão nos dias 1, 2, 3, 5, 8, 10, 14 e 16 de Outubro. Após a sessão agendada para o dia 3 de Outubro, os realizadores da obra, Chit Hao e Teng Teng Chan, estarão disponíveis para conversar com o público.

Vencedor do prémio de melhor longa metragem no Festival Internacional de Cinema Gay – Glitter Award (2003) e exibido no Festival de Canne em 2001, “Lan Yu” conta a história de um jovem habituado à vida do campo que ruma a Pequim para estudar arquitectura. Inesperadamente, Lan Yu acaba por se apaixonar por Handong, dando início a uma história de amor intensa e turbulenta.

“Lan Yu” é uma co-produção da China e de Hong Kong realizada por Stanley Kwan que pode ser vista na Travessa da Paixão nos dias 3, 7 e 13 de Outubro.

Mistérios musicais

Nomeado para a Palma de Ouro da edição deste ano do Festival de Cinema de Cannes, “Annete” é outro dos destaques incontornáveis da programação da Cinemateca Paixão. Protagonizado por Adam Driver e Marion Cotilard, “Annete” assume os moldes de um musical para proporcionar um espectáculo de variedades pitoresco, que vai desde a ácida carreira de stand-up comedy de Henry (Adam Driver) até às aclamadas performances de Ópera de Ann (Marion Cotilard), a sua mulher.

Pelo meio do glamour e felicidade do casal, tudo muda quando nasce a sua filha, Annete, detentora de um dom simultaneamente misterioso e excepcional. Realizado por Leos Carax, “Annete” será exibido a 30 de Novembro e 2, 6 e 8 de Outubro.

Directamente do Japão para a Cinemateca Paixão, chega “It’s a Flickering Life”. Realizado por Yoji Yamada, “It’s a Flickering Life” presta homenagem aos tempos áureos do cinema japonês dos anos 20, comemorando ao mesmo tempo o centenário da produtora Shochiku. O enredo da obra leva o espectador a acompanhar a história de Tora-san, um pai ausente com dívidas de jogo que sempre sonhou ser realizador. “It’s a Flickering Life” pode ser visto na Cinemateca Paixão nos dias 25, 26 e 29 de Setembro.

Da programação de Outubro da Cinemateca Paixão fazem ainda parte o clássico “Moulin Rouge” (EUA e Austrália), “Eternal Summer: 4K Remastered Version” (Taiwan), “Barbarian Invasion2 (Hong Kong e Malásia), “The Edge os Daybreak”, “Wheel of Fortune and Fantasy” (Japão) e Brother’s Keeper (Turquia e Roménia).

24 Set 2021

Cinemateca Paixão | Filmes de acção asiática preenchem cartaz de Setembro

As artes marciais vão continuar a dominar o cartaz da Cinemateca Paixão ao longo de Setembro, com uma variedade de filmes de realizadores de todo o mundo, com particular incidência nos cineastas asiáticos. Hoje é exibido “The Master”, de Xu Haofeng, amanhã é a vez de “Zu: Warriors from the Magic Mountain”, do realizador Tsui Hark

 

O ciclo “A sombra da katana, armas, espadas – Festival das Artes Marciais, Samurai e Filme Ocidental” continua a ser a tónica cinematográfica do cartaz da Cinemateca Paixão, enchendo o ecrã da casa dos filmes de acção e violência ao longo do mês de Setembro.

No meio de um vasto cartaz, com muitos filmes já esgotados, o HM divulga as sessões para as quais ainda há bilhetes à venda.

Hoje, às 19h, é exibido “The Master”, uma megaprodução de 2015, da autoria do chinês Xu Haofeng. A narrativa gira em torno da longa e sangrenta ascensão de um homem à posição de mestre de artes marciais de wing chun, um conceito moderno baseado no tradicional wushu originário do Sul da China.

Até conseguir permissão para abrir uma escola de artes marciais, o protagonista, interpretado pelo aclamado actor Liao Fan, terá de treinar um aprendiz capaz de derrotar nove mestres de outras escolas.

Amanhã, às 15h, é a vez de “Zu: Warriors from the Magic Mountain” tomar conta do ecrã da Cinemateca Paixão, sessão que é repetida a 8 de Setembro, às 19h, para quem não gostar de filmes de kung fu à hora de matiné. Lançado em 1983, esta pérola do cinema de Hong Kong, realizada por Tsui Hark, foi uma influência enorme para John Carpenter conceber o clássico “Big Trouble in Little China”, com Kurt Russell, Kim Cattrall, Dennis Dun e James Hong no elenco.

“Zu: Warriors from the Magic Mountain” é um filme difícil de caracterizar, com elementos sobrenaturais, fantasia, artes marciais e comédia transversais a toda a narrativa, que se centra nas desventuras de um desertor do exército que tenta escapar da Montanha de Zu que, por acaso, está cheia de vampiros que encaram o militar como um banquete com pernas.

A sobrevivência do protagonista, interpretado por Yuen Biao, é garantida pela intervenção do mestre Ding Yan, desempenhado por Adam Cheng, a conhecida estrela do canto pop e actor da TVB.

Do Japão à Indonésia

Como um cocktail feito apenas com bebidas com mais de 40.º graus de álcool, “Sukiyaki Western Django” é um cruzamento bombástico entre Quentin Tarantino, Sergio Leone e Akira Kurosawa. A película, realizada pelo japonês Takashi Miike, que chegou às salas de cinema em 2007 é exibida no dia 5 de Setembro, às 15h.

O filme começa com a chegada de um pistoleiro a Yuta, uma cidade dividida por dois gangues em guerra. Depois de ignorar os convites de ambos os clãs, o pistoleiro acaba em casa de uma mulher que lhe conta como a cidade, em tempos próspera, se degradou com o embate violento dos dois gangues. A partir daqui “Sukiyaki Western Django” transforma-se num misto entre “Cães Danados” e “Os Sete Samurais”.

Nos dias 7 e 15 de Setembro, sempre às 19h, a Cinemateca Paixão exibe “The Fate of Lee Khan”, um clássico de Hong Kong, realizado por King Hu, que alia artes marciais a narrativas repletas de magia e fantasia. A acção desenrola-se durante os anos de declínio da Dinastia Yuan, quando Lee Khan, um general mongol, e a sua irmã Wan’er tentam obter informações tácticas das forças rebeldes que combatem. É com essa missão que chegam a uma estalagem na província de Shaanxi.

Seguindo uma toada mais calma do que “Sukiyaki Western Django”, “The Fate of Lee Khan” desenrola-se ao ritmo muito próprio, com cenas de luta a surpreenderem o espectador e a terminarem tão rapidamente como começaram, dando espaço a intriga e crescimento das personagens pelo meio.

Filme sobre filmes

Finalmente, destaque para um filme distinguido em festivais de cinema asiáticos como o Festival de Cinema Asiático Vesoul, Festival de Cinema Asiático de Hong Kong, Festival de Cinema de Taipei e no Festival Internacional de Cinema de Busan, para nomear alguns. No dia 8 de Setembro, às 21h, e às 16h30 de 18 de Setembro, é exibido “Garuda Power: The Spirit Within”, um documentário que explora a história pouco conhecida do cinema de acção indonésio.

Desde o nascimento da indústria cinematográfica na Indonésia, entre os anos 20 e 30 do século passado, o documentário do realizador Bastian Meiresonne atravessa os altos e baixos do sector, até chegar a “The Raid”, um filme de acção que mereceu aclamação global.

O cartaz da Cinemateca Paixão inclui outros filmes, muitos deles com sessões esgotadas, com este tipo de filmes em exibição a ocupar a programação de Setembro.

27 Ago 2021

Cinemateca Paixão | Cartaz inclui filmes de Wong Kar-wai, Sergio Leone e Tarantino

Películas como “O Bom, o Mau e o Vilão”, de Sergio Leone, ou “Django Unchained”, de Quentin Tarantino, compõem o programa de 25 filmes de artes marciais, samurais e westerns que vão estar em exibição em Agosto e Setembro na Cinemateca Paixão. Haverá ainda espaço para filmes de Wong Kar-wai, Kobayashi Masaki e dos irmãos Cohen

 

O imaginário dos comboys e do faroeste estará em destaque em Agosto e Setembro na Cinemateca Paixão com “A Sombra da Katana, Armas, Espadas – Festival das Artes Marciais, Samurai e Filme Ocidental”. O ciclo propõe-se apresentar “25 excelentes filmes sobre artes marciais, samurais e filmes do faroeste para espectadores de Macau”.

O filme de abertura, que será exibido dia 13 de Agosto, é uma versão restaurada de “A Touch of Zen”, de King Hu, filme chinês de 1970.

A história gira em torno de Gu, um jovem estudioso que vive perto de um forte degradado que todos dizem estar assombrado. Um dia, Gu trava amizade com Yang, uma jovem bela e misteriosa que se esconde dentro do forte.

Depois de uma noite de paixão, Yang revela a Gu que o seu pai, um oficial, foi executado pelo Eunuch Wei, que a partir daí a começa a perseguir.

O filme venceu o Grande Prémio Técnico no festival de cinema de Cannes, em 1975, além de ter ganho, em 1972, o prémio “Melhor Design de Arte” no festival de filmes Golden Horse. Em 2015 “A Touch of Zen” foi novamente recordado no festival de cinema de Cannes, na secção Cannes Classics.

O cartaz inclui ainda outros grandes nomes do cinema ocidental, como Quentin Tarantino. O filme “Django Unchained” será exibido dia 5 de Setembro e insere-se na secção do festival “A Estética da Violência”.
Realizado em 2013, “Django Unchained” passa-se no sul dos Estados Unidos, antes da Guerra Civil. Django é um escravo que acaba por ser resgatado pelo caçador de prémios Dr. King Schultz. A dupla improvável lança-se numa epopeia vingativa com um objectivo central: resgatar Broomhilda, a esposa desaparecida de Django.

Este filme de Tarantino venceu dois óscares em 2013, incluindo o de Melhor Argumento Origina e Melhor Actor Secundário, além de três nomeações. Em 2014 foi nomeado para Melhor Filme Estrangeiro nos prémios César.
Ainda na secção “A Estética da Violência” destaque para o clássico “O Bom, o Mau e o Vilão”, de Sergio Leone, de 1966, será exibido a 28 de Agosto e 10 de Setembro.

Sergio Leone volta a estar em destaque no festival, uma vez que o filme de encerramento deste programa especial será “Era uma vez no Oeste”, de 1968, exibido nos dias 3 e 18 de Setembro.

A exibição do clássico filme de Leone, protagonizado por Claudia Cardinale, Henry Fonda, Jason Robards e Charles Bronson, terá como aperitivo uma actuação musical do grupo The Swing Band.

Wong e companhia

Na secção “Sabores Literários em Filmes de Acção” a Cinemateca Paixão incluiu “Ashes of Time Redux”, de Wong Kar-wai, e que será exibido nos dias 9 e 14 de Setembro.

O programa da Cinemateca Paixão inclui também as secções “Armas ocidentais e espadas orientais”, onde se incluem obras de realizadores como Johnnie To, Bastian Meiresonne e Xu Haofeng, entre outros; e ainda “Heroínas”, com realizadores como Chao-Bin Su e Hsiao-hsien Hou, além de King Hu.

Em “Projecções Especiais” há ainda a destacar a exibição, a 11 de Setembro, do filme “No Country for Old Men” [Este país não é para velhos], de Joel e Ethan Coen, de 2007. Este filme varreu a edição 2008 dos Óscares ao vencer nas categorias de melhor filme, melhor realização, melhor argumento adaptado, melhor actor secundário, entre outras.

Nesse ano, mas nos Globos de Ouro, a obra dos irmãos Cohen venceu nas categorias de melhor actor secundário e melhor argumento, além de ter recebido duas nomeações. “No Country for Old Men” conta a história de Llewelyn Moss, interpretado por Josh Brolin, que enquanto caça faz uma descoberta macabra: vários corpos, um homem ferido, droga e dois milhões de dólares em dinheiro num camião abandonado. A forma como vai lidar com a violenta descoberta, dita o desenrolar da acção.

28 Jul 2021

Cinemateca Paixão | Seis filmes e documentários em cartaz para Agosto

A Cinemateca Paixão apresenta, no próximo mês de Agosto, seis longas-metragens e documentários de países como o Vietname, Japão ou a China, entre outros. Quatro deles são deste ano, como é o caso de “Threads – Our Tapestry of Love”, de Takahisa Zeze; “Striding into the Wind”, de Wei Shujun; “Mr. Bachmann and His Class”, de Maria Speth; e “Listen Before You Sing”, de Yang Chih-Lin. As exibições prolongam-se até ao mês de Setembro

 

Está fechado o cartaz da Cinemateca Paixão para o próximo mês de Agosto, com os bilhetes já disponíveis para venda. O público poderá ver seis películas, que vão desde o género longa-metragem ao documentário, quatro delas estreadas deste ano. O cartaz inclui produções asiáticas, mas também algumas feitas em parceria com países europeus.

O primeiro filme a ser exibido, já a 5 de Agosto, e que repete novamente nos dias 7 e 11, é “Threads – Our Tapestry of Love”, de Takahisa Zeze, realizador japonês. Esta película foi nomeada para a categoria de Melhor Partitura Musical dos Prémios da Academia Japonesa deste ano, e conta a história de um menino e uma menina que nasceram no primeiro ano de Heisei, cujo período terminou em 2019 ao fim de 31 anos.

Os dois encontram-se na infância, apaixonam-se mas separam-se ao longo da vida, vivendo “em circunstâncias totalmente diferentes”, embora continuando “a manter-se nos seus pensamentos”, descreve a sinopse. Desta forma, este filme “conta a história de trinta anos na vida de duas pessoas ligadas por um fio do destino” e “certamente despertará naqueles que o vêem uma nova apreciação por conhecer pessoas”.

“Striding into the Wind”, de Wei Shujun, é outro filme que compõe o cartaz e que será exibido nos dias 19 e 27 de Agosto, bem como no dia 1 de Setembro. O filme do realizador chinês conta a história de Kun, que “parece estar a estragar quase tudo”, tal como “o último ano na escola de cinema, o trabalho no filme de formatura do amigo e a relação com a namorada”. “Mas o Kun acabou de tirar a carta de condução e, com ela, o carro em segunda mão, o mais barato que encontrou: um velho naufrágio de um Jeep Cherokee que pode vir a ser a chave para os seus sonhos mais loucos”, revela a sinopse.

Este filme teve nomeações em vários festivais de cinema, incluindo a nomeação para o Grande Prémio do Concurso Internacional de Novos Talentos na edição deste ano do Festival de Cinema de Taipei. Na Europa, “Striding into the Wind” foi nomeado na categoria de Melhor Filme – Atena Dourada no Festival Internacional de Cinema de Atenas, o ano passado. Também em 2020, foi nomeado para a Gold Hugo New Directors Competition do Festival Internacional de Cinema de Chicago. A película teve ainda duas nomeações em festivais de cinema na China.

Olhar internacional

Como exemplo do cinema internacional, a Cinemateca Paixão escolheu o documentário “Mr. Bachmann and His Class”, de Maria Speth, que será exibido no dia 24 de Agosto e nos dias 2 e 12 de Setembro. Este é um “documentário íntimo”, que “retrata a ligação entre um professor do ensino fundamental e os seus alunos”. “Os seus métodos não convencionais chocam com as complexas realidades sociais e culturais da cidade industrial alemã provincial em que vivem”, aponta a sinopse.

Este trabalho de Maria Speth é falado em alemão e conta com legendas em chinês e inglês. Na edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Berlim, o documentário ganhou o prémio do público da competição, o Urso de Berlim prateado e o prémio do júri, além de ter recebido uma nomeação para a categoria de melhor filme. Também este ano, mas no Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, ganhou o prémio Golden Firebird.

De Taiwan, chega “Listen before you sing”, de Yang Chin-Lin, exibido nos dias 20, 22 e 29 de Agosto. No Festival Internacional de Cinema de Crianças de Hong Kong deste ano o filme foi apresentado nas sessões de abertura e de encerramento.

“Dad, I’m Sorry” é a película vinda do Vietname, de Tran Thanh Vu Ngoc Dang, e que será exibida nos dias 22 e 25 de Agosto, bem como no dia 4 de Setembro. Tida como uma campeã de bilheteira na história do cinema do Vietname, ultrapassando o sucesso de “Avengers 4: Endgame”, “Dad, I’m Sorry” conta a história de Ba Sang, o “segundo de quatro irmãos barulhentos”. Segundo a sinopse, “o filme dá uma perspectiva multifacetada sobre a família através dos destinos de cada personagem e da forma como levam as suas vidas”.

“Collective”, uma produção conjunta entre a Roménia e o Luxemburgo, da autoria de Alexander Nanau, encerra as escolhas da Cinemateca Paixão para o próximo mês. “Collective” é considerado como “um olhar intransigente sobre o impacto do jornalismo de investigação no seu melhor”, relacionado com um incêndio ocorrido em 2015 no Colectiv de Bucareste, que deixa 27 mortos e 180 feridos.

A morte de várias vítimas de queimaduras faz com que os médicos dêem o alerta junto dos jornalistas sobre uma eventual fraude nos cuidados de saúde, cujo sistema pode mudar com a nomeação de um novo ministro no país. No entanto, para reformar um sistema corrupto, ele vai enfrentar muitos obstáculos.

“Collective” ganhou o prémio de melhor longa-metragem internacional e melhor longa-metragem documento nos Óscares, além de ter sido nomeado para melhor documentário nos British Academy Film Awards. A estreia mundial de “Collective” aconteceu este ano no Festival de Cinema de Veneza. A película é exibida nos dias 15, 17, 20, 22, 26 e 29 de Agosto.

23 Jul 2021

Cinemateca | Novidades a caminho após “ano difícil”

Ao fim de um primeiro ano “difícil”, a nova gestora da Cinemateca Paixão faz um balanço positivo dos resultados alcançados e considera ter sido capaz de se “reconectar com os cineastas locais” e exibir obras apreciadas pelo público. Na calha, revelou Jenny Ip ao HM, está um Festival de Cinema dedicado às artes marciais chinesas, japonesas e westerns e ainda uma mostra de cinema em português. Sobre o orçamento, a responsável considera ser “suficiente”

 

 

Continuar a aprender para fazer melhor. É desta forma que a responsável pela gestão da Cinemateca Paixão, Jenny Ip, olha em retrospectiva para o primeiro ano de operações da Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada. Para a responsável, apesar de haver ainda “muito trabalho para fazer”, há motivos para sorrir após o início conturbado que marcou a passagem do testemunho que sobrou da Cut Limitada.

Isto, quando foi possível restabelecer a relação com a comunidade cineasta local, que se mostrou desde logo céptica em relação à nova gestão, e o feedback positivo que tem chegado sobre a programação apresentada.

“Foi um ano difícil mas, olhando em retrospectiva, estamos mais confiantes em relação aos nossos pontos fortes”, começou por dizer Jenny Ip. “O feedback que temos recebido sobre a programação tem sido bom. As pessoas adoram a programação e o facto de ser diversificada. Lançámos o programa “Cinema Asiático Hoje” onde exibimos obras de todo o sudoeste asiático”, acrecentou.

Sobre a relação com os produtores locais, Jenny Ip apontou que o facto de, no decorrer do último ano, a Cinemateca Paixão ter sido capaz de envolver o sector nos eventos e actividades realizadas foi determinante para reatar o contacto e iniciar um caminho “positivo”. Cineastas como Tracy Choi, Emily Chan e Harriet Wong Teng Teng são algumas das figuras do sector que têm colaborado com a Cinemateca Paixão nos últimos meses.

“Ainda há muito trabalho para fazer, mas considero que conseguimos reconectar-nos com os cineastas locais. É um trabalho em curso que está a seguir um caminho positivo. Sempre que convidamos os cineastas locais eles mostram-se disponíveis e ficam contentes por falar connosco. Acho que reconhecem o esforço que estamos a fazer para que a Cinemateca seja cada vez mais frequentada por residentes de Macau e reconhecida além-fronteiras”, explicou.

Outro exemplo do esforço da criação de laços com a comunidade local, apontou Jenny Ip é o “Festival de Cinema da Juventude de Macau”, mostra em curso até ao dia 16 de Julho que, além da exibição de obras locais como “Ina and the Blue Tiger Sauna” (2019) ou “Our Seventeen” (2017) permite ao público assistir a curtas-metragens produzidas por estudantes, onde se incluem trabalhos de alunos da Universidade de Macau (UM), Universidade de São José (USJ), Instituto Politécnico de Macau (IPM) e Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). A ideia é para repetir no próximo ano.

“O objectivo deste festival passa por preencher a lacuna de permitir que os novos talentos locais na área do cinema tenham uma boa oportunidade de expor o seu trabalho (…), pois não é comum que estes filmes sejam vistos por muitas pessoas, pois, normalmente, acabam por ser exibidos apenas nas suas próprias universidades”, referiu.

Questionada sobre se, um ano depois, há motivos para dar razão aos críticos que consideraram que o orçamento de 15 milhões de patacas para três anos seria insuficiente para manter a qualidade dos conteúdos exibidos na Cinemateca Paixão, Jenny Ip respondeu assim: “O orçamento é suficiente para não comprometer a qualidade da programação”.

Punhos, espadas e Cowboys

Jenny Ip revelou ainda que a partir de 31 de Julho e até 18 de Setembro será realizado em conjunto com o Instituto Cultural (IC) o festival “A Sombra da Katana•Pistolas•Espadas – Festival de cinema de Artes Marciais, Samurais e Westerns”.

Segundo a responsável, durante a mostra serão exibidos mais de 25 filmes, entre clássicos e obras mais recentes dentro dos três géneros. A abertura do festival ficará a cargo obra dos anos 70 “A Touch of Zen” realizada por King Hu.

“Fizemos questão de abrir o festival com um filme dedicado às artes marciais chinesas e um western para o encerramento, estilos que se inspiraram mutuamente. Queremos quebrar alguns preconceitos que existem em torno deste tipo de filmes comerciais (…) e que têm qualidades artísticas que não devem tapadas por preconceitos”, partilhou.

Até ao final do ano, desvendou ainda Jenny Ip, haverá ainda uma programação dedicada ao cinema em língua portuguesa.

“Em conjunto com o IC, haverá uma programação dedicada ao cinema em português, mas neste momento temos de esperar pela confirmação do IC para anunciar”, rematou.

9 Jul 2021

Cinemateca | Realizadores de Macau em destaque até 16 de Julho

Até 16 de Julho, realiza-se na Cinemateca Paixão o Festival de Cinema da Juventude de Macau. Ao todo, poderão ser apreciadas curtas e longas metragens de cineastas locais e asiáticos mais ou menos consagradas e divididas por géneros e temas. A mostra inclui ainda obras produzidas por estudantes universitários de Macau

 

Com o objectivo de explorar e promover as ideias e criações dos cineastas e potenciais cineastas de Macau, a Cinemateca Paixão realiza até ao próximo dia 16 de Julho, o Festival de Cinema da Juventude de Macau. Segundo a organização, durante o evento serão exibidas curtas e longas metragens dos mais diversos géneros, produzidas dentro de portas ou no continente asiático.

“O festival de cinema pretende comunicar e desenvolver uma visão de consenso sobre a importância das artes cinematográficas para a construção de uma sociedade criativa e culturalmente consciente, incentivar produções de maior qualidade e servir como uma plataforma para intercâmbios culturais, criativos e industriais”, pode ler-se numa nota oficial.

Além da exibição de obras locais já conhecidas do público como “Ina and the Blue Tiger Sauna” (2019), “Our Seventeen” (2017) e “Against The Wind” (2016) será também possível assistir a curtas-metragens produzidas por estudantes, onde se incluem trabalhos de alunos Universidade de Macau (UM), Universidade de São José (USJ), Instituto Politécnico de Macau (IPM) e Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

No grupo de curtas documentais produzidas por estudantes, destaque para “Burning Incense” dos estudantes da MUST, Yifan Hua e Haoyue, “#BathroomSelfie”, de Pedro Izidro (USJ), “Macao’s World Champ”, de Andre Angelo (USJ) e “Grandmother”, de Iris Fan (UM). As curtas documentais serão exibidas na Cinemateca Paixão nos dias 30 de Junho e 9 de Julho.

No departamento da animação, serão exibidos os trabalhos “Trigger” dos estudantes do IPM Ka Wai Sou, Si Weng Leong e Tin Lai Kong, “Maniac”, de Potter Chung (Universidade Politécnica de Hong Kong) e “Me and my Magnet and my Dead Friend”, de Maoning Liu (Universidade de Comunicação da China). A exibição conjunta está agendada para os dias 29 de Junho e 11 de Julho.

Além destas serão exibidas obras produzidas por estudantes sob as temáticas “Narrativas e o Mundo Real” (29 de Junho e 11 de Julho), “Autoexploração” (1 e 11 de Julho), “Conexões Emocionais” (1, 2 e 10 de Julho) e “Perspectivas das Novas Gerações” (8 e 16 de Julho).

Ao nível das curtas-metragens, haverá ainda lugar para a projecção de obras da autoria de cineastas asiáticos naturais da Índia, Tailândia, Malásia, Filipinas, Singapura, Myanmar e Indonésia.

Para todos os gostos

Além de curtas-metragens locais, está ainda agendada a projecção de longas-metragens oriundas das Filipinas, Coreia do Sul e Hong Kong.

Realizado por Mikhail Red, “Neomanila” aborda a problemática da luta contra a droga na capital das Filipinas, enquanto leva o espectador a acompanhar a incursão de um adolescente num grupo criminoso. “Neomanila” será exibido nos dias 8 e 14 de Julho.

Da Coreia do Sul chega “Han Gong Ju”, uma obra realizada por SuJin Lee que elabora sobre o percurso de uma talentosa cantora forçada a mudar de escola e a manter o anonimato, após um incidente escandaloso. “Han Gong Ju” pode ser visto na Cinemateca Paixão nos dias 7 e 16 de Julho.

“I Still Remember” é um filme produzido em Hong Kong que conta a história de um professor de educação física que prometeu à sua falecida esposa que, um dia, iria terminar uma corrida de 10 quilómetros. Ao mesmo tempo, conhece Tin Sum, uma estudante com excesso de peso que quer participar numa corrida de 5 quilómetros para estar mais perto do seu ídolo. “I Still Remember” será exibido nos dias 3 e 7 de Julho.

28 Jun 2021

Cinemateca Paixão | Programação de Junho reúne 12 películas de todo o mundo

Da Europa ao Médio Oriente, passando pelos Estados Unidos e Ásia, a programação de Junho da Cinemateca Paixão inclui uma extensa selecção de obras cujos temas vão desde um ensaio sobre uma pandemia que causa amnésia (Apples), a maternidade (Asia), o surrealismo das peripécias de uma mosca gigante (Mandibules) ou de psicadélicos seres lendários (Cryptozoo)

 

Durante o mês de Junho, a Cinemateca Paixão irá projectar 12 filmes oriundos de todo mundo. Entre nomeados e galardoados nas principais mostras dedicadas à sétima arte, o drama, surrealismo de animação e ensaio sobre uma pandemia que faz perder a memória, há opções para todos os gostos a partir do dia 1 de Junho, na Travessa de Paixão.

Fruto de uma co-produção grega, polaca e eslovena, “Apples” pretende ser uma exploração sobre a identidade e a perda, que assenta nos efeitos de uma hipotética pandemia que provoca amnésia um pouco por todo o mundo. Ari, um dos afectados que, como tantos outros, foi esquecido pela sociedade por não saber quem é, acaba acolhido num programa de recuperação dedicado à construção de novas identidades e memórias dos pacientes. Munido de uma nova identidade e memórias registadas em vídeo, Aris regressa à vida quotidiana e conhece Anna, também ela em processo de recuperação. Contudo, ao longo da auto-descoberta fica a dúvida sobre de que matéria são afinal feitas as pessoas.

“Apples” é realizado pelo grego Christos Nikou e será exibido na Cinemateca Paixão nos dias 1, 9 e 18 de Junho.
De Israel chega “Asia”, uma obra focada no tema da maternidade, em particular sobre a forma desprendida como mãe e filha podem conviver ao longo de vários anos, como resultado de uma vida dedicada à carreira profissional. No entanto, tudo muda quando o estado de saúde de Vika, a filha, se deteriora rapidamente e Asia desenvolve uma outra forma de ser mãe e de abordar qualquer assunto sem tabus. A obra foi realizada por Ruthy Pribar.
“Asia” será exibido nos dias 10, 15 e 20 de Junho.

Outro destaque na selecção de Junho é “Mandibules”. Este filme francês realizado por Quentin Dupieux parte da simples e alucinante premissa de enriquecer à custa de uma mosca gigante que foi encontrada no porta-bagagens de um carro, depois de ter lá ficado esquecida durante vários anos. Jean-Gab e Manu são os felizardos proprietários do insecto, que vão tentar amestrar para ganhar uma tonelada de dinheiro. “Mandibules” será exibido na Cinemateca Paixão nos dias 9, 12 e 16 de Junho.

Das sombras ao psicadélico

Por sua vez, “Notturno” transporta os espectadores para uma noite que parece não ter fim sob o jugo do Estado Islâmico. Apesar da destruição, das atrocidades da guerra e dos filhos feitos prisioneiros em nome do fundamentalismo religioso, os dias acabam por correr sem grande luz, apesar de o humanismo e a solidariedade acabar sempre por encontrar forma de aparecer.

“Notturno” é uma coprodução italiana, francesa e alemã e será exibida na Cinemateca Paixão nos dias 3, 12, 23 de Junho.

Dos Estados Unidos da América chega “Cryptozoo”, uma obra de animação, no mínimo, peculiar, que explora a demanda dos guardiões de uma espécie de jardim zoológico povoado com criaturas híbridas, em busca de capturar Baku, um lendário que se alimenta de sonhos. Pelo meio de uma concepção visual original e arrojada, o dilema do enredo passa pelo direito ou não de exibir estas criaturas ao público. “Cryptozoo” pode ser visto na Cinemateca Paixão nos dias 2, 13 e 17 de Junho.

O cartaz de Junho da Cinemateca Paixão é completado ainda pelos filmes “Drifting”, uma produção de Hong Kong sobre um grupo de sem-abrigos despejados do local onde vivem, “Persian Lessons”, obra que retrata a ocupação nazi em França e ainda “Tiong Bahru Social Club” (Singapura), pelicula sobre um jovem tímido que procura desenvolver capacidades de socialização, numa instituição dedicada à busca de felicidade.

“We Made a beautifull bouquet” (Japão), Martin Eden (Itália e França), Supernova (Reino Unido) e “Bulbul Can Sing” (Índia) completam a programação de Junho da Cinemateca Paixão.

27 Mai 2021

Cinemateca | Programação de Maio presta homenagem a trabalhadores estrangeiros

Com o Dia Internacional do Trabalhador a dar o mote, a Cinemateca Paixão vai exibir quatro obras dedicadas aos trabalhadores migrantes que deixaram as suas casas em busca de melhores condições de vida. Desde condições de trabalho precárias à falta de compreensão entre culturas, a ideia é embarcar numa introspecção sobre o papel crucial da mão-de-obra estrangeira para o funcionamento de famílias, sociedades e, no limite, do mundo

 

É uma realidade próxima e muitas vezes esquecida. Apesar de crucial, a força de trabalho de quem vem de fora acaba por ser, na maioria das vezes, desvalorizada e assente em condições questionáveis.

Procurando abrir espaço para “mais compaixão, compreensão e respeito” para com aqueles que deixaram tudo para trabalhar num país estrangeiro, a Cinemateca Paixão exibe, a partir do próximo domingo e ao longo de Maio, quatro obras dedicadas à temática. Como pano de fundo, está a celebração do Dia Internacional do Trabalhador, que se assinala a 1 de Maio.

“Nas cidades contemporâneas um pouco por todo o mundo, existe um grupo crescente de trabalhadores estrangeiros migrantes, que deixaram as suas casas em busca de um trabalho que lhes garanta um futuro melhor para si e para as suas famílias. A confluência de culturas (…) resultante do fluxo de mão-de-obra, faz com que as nações economicamente mais poderosas se envolvam com cidadãos de outros países que procuram uma vida melhor, resultando, muitas vezes desta encruzilhada, inúmeros conflitos”, pode ler-se numa nota divulgada pela Cinemateca Paixão.

Integrado na secção “Cinema Asiático de Hoje”, o programa intitulado “Trabalho em terra estrangeira” arranca no domingo com “Sunday Beauty Queen”. A obra documental realizada por Baby Ruth Villarama tem lugar em Hong Kong e, com claras semelhanças à realidade vivida também em Macau, foca o trabalho das empregadas domésticas provenientes das Filipinas, cujo salário e carga horária colocam as suas condições laborais num lugar perto da escravatura. Isto porque, na sua grande maioria, as ajudantes domésticas vivem na casa dos empregadores e trabalham seis dias por semana, durante 24 horas por dia. Aproveitando a única folga semanal que dispõem, “Sunday Beauty Queen” acompanha a forma como cinco trabalhadoras domésticas promovem um concurso de beleza para recuperar alguma da dignidade que sentem ter perdido. A obra será exibida na Cinemateca no próximo domingo e nos dias 8 e 23 de Maio.

Dos Estados Unidos da América chega “Língua Franca”. A obra realizada por Isabel Sandoval foca a história de Olivia, uma trabalhadora filipina transgénero responsável por cuidar de uma idosa diagnosticada com demência, em Brighton Beach, Brooklyn. Sem documentos nem perspectiva de obter autorização de residência, Olivia acaba por se apaixonar pelo neto da idosa de quem trata, que, por sua vez, não sabe que Olivia é transgénero. “Língua Franca” pode ser visto na Cinemateca paixão nos dias 9, 23 e 28 de Maio.

Encruzilhada de vidas

Saltando do drama para acção, directamente dos becos de Kuala Lumpur, na Malásia, chega “Crossroads: One Two Jaga”. Realizado por Namrom, a obra explora as relações improváveis, mas fatalmente impossíveis de evitar, entre um trabalhador indonésio cuja irmã está em apuros, um trabalhador oriundo das Filipinas, também ele de mãos atadas e um polícia corrupto. “Crossroads: One Two Jaga” será exibido na Cinemateca Paixão nos dias 16, 22 e 27 de Maio.

Fruto de co-produção entre Japão, Hong Kong, Taiwan e Alemanha, “Mr. Long” conta a história de um assassino profissional de Taiwan que acaba por se fixar no Japão após uma missão falhada. Apesar do sangue frio que normalmente define a sua personalidade, Long trava amizade com a população local e monta o seu próprio negócio de comida de rua. Com o desenrolar da trama, Long acaba por ajudar um rapaz e a sua mãe toxicodependente, por quem se apaixona. “Mr. Long” pode ser visto nos dias 16 e 29 de Maio na Cinemateca Paixão.

28 Abr 2021

Cinema | Propostas para a semana entre clássicos de Hong Kong e comédia francesa

O Cinema Alegria exibe na sexta-feira a comédia negra “O Grande Êxito”, do realizador francês Emmanuel Courcol, que conta a história de um actor desempregado que encena Samuel Beckett com uma companhia de reclusos. Hoje, a Cinemateca Paixão celebra a sétima arte de Hong Kong com “Final Victory”, o clássico realizado por Patrick Tam, com argumento escrito por Wong Kar-wai

 

Imagine a interpretação da tragicomédia de Beckett “À espera de Godot” por um grupo de reclusos dirigidos por um actor desempregado. Agora imagine que a peça é um sucesso arrebatador, levando a improvisada companhia de teatro numa digressão além dos muros da prisão e que esta história aconteceu mesmo. Esta é a premissa de “O Grande Êxito”, “Un Triomphe” no título original, filme de Emmanuel Courcol baseado em acontecimentos reais exibido esta sexta-feira, às 19h, no Cinema Alegria.

No centro da narrativa está Etienne, um carismático actor no desemprego, que acaba a dirigir um workshop de teatro numa prisão. O resultado do projecto é a encenação da comédia negra, com profundos tons existencialistas, “À Espera de Godot” com um elenco formado exclusivamente por reclusos. A paixão e entrega da improvável trupe garante-lhes autorização para fazerem uma digressão nacional, proporcionando finalmente a Etienne o reconhecimento artístico que lhe escapara ao longo da carreira.

“O Grande Êxito” foi filmado em oito dias num estabelecimento prisional onde estão presos cerca de um milhar de reclusos e ganhou o prémio de Melhor Comédia Europeia dos 33.º Prémios do Cinema Europeu foi distinguido como o filme preferido do público no Victoria Film Festival, no Canadá.

Polícias e ladrões

Ainda esta semana, destaque para o ciclo “Histórias de Hong Kong: Mostruário dos clássicos de Hong Kong”, que termina esta semana na Cinemateca Paixão. Hoje, às 21h30, é exibido “Final Victory”, um filme de acção de 1987 realizado por Patrick Tam, com argumento escrito por Wong Kar-wai. Com Eric Tsang, Rachel Lee e Tsui Hark nos papéis principais, a história centra-se na tensão dramática entre dois irmãos, com o submundo das tríades como cenário.

Depois de o personagem interpretado por Tsui Hark, um chefe de tríade, ser preso, encarrega o irmão (Eric Tsang) de tomar conta das suas duas amantes, com todas as aventuras que isso irá implicar. “Final Victory” foi nomeado para 10 prémios na 7.ª edição do Hong Kong Film Award, mas apenas ganhou melhor edição. Ainda assim, foi um dos sucessos de bilheteira nesse ano.

Na quinta-feira, às 19h, é projectado na Cinemateca Paixão “Victim”, o thriller policial realizado por Ringo Lam, que estreou em 1999. O filme teve um percurso acidentado até chegar aos ecrãs com uma disputa entre o realizador e o produtor, Joe Ma, que levou a mudanças severas na edição.

Ma, protagonizado por Sean Lau, é um programador informático que desaparece do mapa, o que faz com que a sua namorada apresente queixa na polícia por rapto. Levando uma vida difícil, sem emprego e com mais dívidas que esperança, Ma é encontrado em muito mau estado, ensanguentado, pendurado de cabeça para baixo num hotel decrépito. O local onde é encontrado tem fama de ser assombrado, depois de um horripilante episódio de homicídio/suicídio que vitimizou o casal que geriu o hotel.

Depois de ser encontrado, Ma começa a aterrorizar a namorada, levando a polícia a suspeitar que o seu comportamento bizarro serve para disfarçar crimes maiores. Ainda estão disponíveis bilhetes para os dois filmes, com cada ingresso a custar 60 patacas.

20 Abr 2021

Cinemateca Paixão | Ambiente serve de mote a novo ciclo de cinema

A Cinemateca Paixão apresenta, em Abril, um novo ciclo de cinema dedicado às questões ambientais. A iniciativa “Uma mostra cinematográfica global do ambiente e crise da sustentabilidade” apresenta 26 obras, entre curtas e longas-metragens, bem como documentários e filmes de animação. Em simultâneo, está patente, até 11 de Junho, a exposição “Mulheres nos cinemas – O mundo Extraordinário das Cineastas”

 

A programação de Abril da Cinemateca Paixão tem como destaque um novo festival de cinema, intitulado “Uma mostra cinematográfica global do ambiente e crise da sustentabilidade”. Tal como o nome indica, o ciclo está centrado em temas relativos ao meio ambiente, alterações climáticas e o desenvolvimento sustentável do planeta, apresentando um total de 26 produções cinematográficas que chamam a atenção para estas questões.

Um dos filmes exibidos no âmbito deste festival será “Spread Your Wings”, de Christian Moullec, activista dos direitos dos animais e meteorologista. Para esta produção, Moullec baseou-se em eventos e personagens verídicos ao longo de mais de 20 anos de experiência, revelando o seu conhecimento enquanto guia para a migração dos gansos selvagens.

Outro destaque do cartaz é “Omelia Contadina”, um documentário do artista francês JR e da realizadora Alice Rohrwacher que regista o processo funerário da agricultura tradicional realizado por um grupo de agricultores, com o intuito de questionar o impacto da urbanização sobre as tradições rurais. O filme ganhou projecção internacional e foi exibido no ano passado em alguns festivais de cinema europeus.

“Chicken of the Dead” é o nome de uma outra curta-metragem que integra este programa. O filme “tenta apresentar uma reflexão sobre o impacto da avicultura no ambiente social”.

Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), “o conjunto de trabalhos seleccionados não só permitem ao público local apreciar filmes sobre temas ambientais de elevada qualidade provenientes de todo o mundo, como ainda suscitar a sua preocupação sobre a protecção ambiental”.

Além do ciclo de cinema, os interessados poderão visitar, até 11 de Junho, a exposição “Mulheres nos cinemas – o mundo extraordinário dos cineastas”, patente no terceiro piso do edifício da Cinemateca, na Travessa da Paixão. A mostra “retrata a evolução do papel das figuras femininas, tornando-se cada vez mais importante no sector cinematográfico ao longo do último século”.

8 mil visitantes desde Setembro

A Cinemateca Paixão reabriu portas em Setembro do ano passado com uma nova empresa responsável pela gestão do espaço. Desde então, a cinemateca foi visitada por cerca de oito mil pessoas, com a taxa de venda de bilhetes se situa nos 70 por cento, adianta o IC. É intenção da entidade liderada por Mok Ian Ian é “educar e expandir o nicho de apreciadores de cinema através da exibição de filmes artísticos e independentes ou géneros cinematográficos com menos contacto com o público em geral”.

Além dos filmes e do espaço dedicado às exposições, a Cinemateca Paixão tem ainda o projecto de visitas guiadas intitulado “Um Passeio pela Cinemateca Paixão”, destinado a escolas e associações.

Além da apresentação feita por um guia especializado sobre a origem e a história do cinema, o funcionamento de uma sala de cinema e a evolução do sector, ainda são exibidos vídeos de curta duração localmente produzidos, com o objectivo de consolidar os conhecimentos dos visitantes sobre o sector da projecção cinematográfica de Macau e sobre a própria Cinemateca Paixão. Segundo o IC, “a iniciativa tem tido ampla adesão de escolas e associações desde o seu lançamento”.

29 Mar 2021

Isabél Zuaa, protagonista de “As Boas Maneiras”, em exibição na Cinemateca Paixão: “Impossível ficar indiferente a este filme”

“As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra, é o filme brasileiro que integra o cartaz da Cinemateca Paixão que, neste mês de Março, homenageia cineastas femininas. Isabél Zuaa, actriz portuguesa, é a protagonista e revela como foi interpretar, pela primeira vez, uma personagem natural do Brasil, num trabalho que não a deixou indiferente. Depois de uma primeira exibição este domingo, “As Boas Maneiras” regressa à tela amanhã e no dia 18

 

Como foi a experiência de fazer este filme?

Participar no filme “As Boas Maneiras” foi uma experiência intensa, surpreendente e muito positiva. Um filme que tem tantas convenções juntas, que mistura terror e suspense, musical, fábula, homoafectiva e com recorte racial e social… são muitas camadas num objecto artístico só. É impossível ficar indiferente.

Assumir o papel de protagonista foi um passo importante para a sua carreira mas também de maior responsabilidade?

A responsabilidade e o profissionalismo sempre estão presentes independente da incidência dos personagens nas tramas ou narrativas. É evidente que quando temos a possibilidade de viver uma protagonista, temos mais oportunidade de partilhar o nosso trabalho.

Até que ponto este filme foi diferente de outros projectos em que participou?

Pela primeira vez tive o desafio de interpretar uma pessoa natural do Brasil. Foi uma questão muito falada por nós, Juliana Rojas e Marco Dutra, pois eu achava que se a personagem da Clara fosse estrangeira seria mais fácil e coerente. No entanto, para eles seria importante que a personagem da Clara fosse brasileira para trazer essa questão de diferença social no mesmo país. Para além das convenções artísticas juntas: fábula, o género terror e suspense, e por trazer o imaginário do folclore brasileiro. Depois dessa experiência, tive a oportunidade de fazer outros projectos de terror no Brasil mas, até então, “As Boas Maneiras” foi o primeiro. Uma curiosidade do filme foi ter ajudado e coordenado a coreografia que a personagem Ana (Marjore Estiano) faz no filme.

Que expectativa tem sobre a exibição deste filme na Cinemateca Paixão?

O filme fala de afecto, de relações. Apesar das diferenças culturais, existem sentimentos que são universais, são intrínsecos à nossa natureza humana, espero que isso possa conectar os espectadores da Cinemateca Paixão. Espero que a emoção venha pela positiva.

Chegou a receber um convite para estar presente no Festival Internacional de Cinema de Macau.

O filme “Joaquim”, de Marcelo Gomes, esteve em exibição em Macau e eu não tive a oportunidade de estar presente. Infelizmente, tenho pouco contacto com o cinema feito em Macau, mas quero muito estreitar esse laço e conhecer mais, trocar mais.

Está com novos projectos nesta fase?

Sim. Felizmente, no meio desta pandemia, tenho tido a oportunidade de criar. Apesar dos adiamentos e ajustes de calendários, tenho feito colaborações artísticas e desenvolvido os meus projectos a solo. Uma das alegrias deste ano é ter a perspectiva de voltar a Lisboa com o espectáculo “Aurora Negra”, em Junho, junto das artistas e co-criadoras, Cleo da Luz e Nádia Yracema.

Dos arredores de Loures para os grandes palcos, Isabél Zuua soma distinções

Nascida em Lisboa e criada no Zambujal, em Loures, Isabél Zuua encontrou no Brasil o impulso que a sua carreira de actriz precisava. A portuguesa, filha de pai guineense a mãe angolana, chegou ao Brasil em 2010 e sete anos depois era distinguida, na categoria “Revelação”, com o Prémio Guarani de Cinema Brasileiro, pelo desempenho em “Joaquim”, de Marcelo Gomes.

No ano passado conquistou dois prémios de “Melhor Actriz” no Festival de Cinema de Gramado com o filme “Um Animal Amarelo”, do cineasta Filipe Bragança, e com a curta-metragem “Deserto Estrangeiro”, de Davi Pretto.

A menos de um mês de completar 34 anos, Isabél Zuua cresceu como artista na escola do Chapitô e mais tarde formou-se em Teatro na Escola Superior de Teatro e Cinema. No currículo conta com a participação na série da RTP “Sul”, escrita por Edgar Medina e Guilherme Mendonça e realizada por Ivo Ferreira.

Maneiras premiadas

O filme em exibição na Cinemateca Paixão, e que integra o ciclo dedicado a realizadoras, estreou no Festival Internacional de Cinema de Locarno, onde recebeu críticas muito positivas, chegando mesmo a ser distinguindo com o Prémio Especial do Júri. “As Boas Maneiras” foi premiado também nos festivais de Sitges e Gérardmer e exibido nos certames de Londres e Palm Springs.

Com uma trama que combina ambientes de fantasia e horror, a narrativa centra-se na relação entre Clara, protagonizada por Isabél Zuaa, uma enfermeira solitária que vive na periferia de São Paulo e uma mulher rica que a contrata.

O ciclo “Cineastas Femininas – Encaminhando a sua narrativa” decorre até 19 de Março com a projecção de películas como “Radioactive”, filme que retrata os avanços científicos e consequências da obra de Marie Curie, interpretada por Rosamund Pike; “Lipstick Under my Burkha” (Índia), que em 2016 foi classificado como melhor filme sobre igualdade de género no Festival de Cinema de Mumbai; “The Third Wife”, de Ash Mayfair que retrata a vida de uma rapariga de 14 anos que no final do século XIX é dada num casamento arranjado no Vietname rural, entre outros filmes.

9 Mar 2021

Cinemateca | Programa de Março destaca “histórias inabaláveis” de cineastas femininas

A luta pela igualdade de género ganha este mês um lugar no ecrã da Cinemateca Paixão com a programação a destacar mulheres cineastas. Entre 6 e 19 de Março, vão ser exibidas obras que envolvem temas como casamentos arranjados, candidaturas eleitorais e a herança científica de Marie Curie

 

No mês em que se celebra o dia internacional da mulher, o programa da Cinemateca Paixão tem em destaque “Cineastas Femininas – Encaminhando a sua narrativa”. Esta selecção de filmes é exibida entre os dias 6 e 19, procurando apresentar “as lutas das mulheres para obter igualdade e fortalecimento ao longo da história têm sido dificultadas e constantemente empurradas para trás devido ao que a sociedade (‘outras pessoas’) ditou”, descreve a Cinemateca em comunicado.

“Os filmes de Março de 2021 celebram as obras das cineastas não apenas por causa de seu género, mas também pelas suas histórias inabaláveis, urgentes e intransigentes de coragem contra todas as probabilidades”, explica a nota.

O programa arranca no sábado com “The Third Wife”, de Ash Mayfair. O filme retrata a vida de May, uma rapariga de 14 anos que no final do século XIX é dada num casamento arranjado no Vietname rural tornando-se a terceira esposa do marido, e a escolha que tem de fazer entre manter-se em segurança ou procurar liberdade pessoal.

Segue-se “The Perfect Candidate”, focado numa médica numa cidade pequena da Arábia Saudita que decide concorrer às eleições locais e as restrições que enfrenta dos papéis tradicionais das mulheres. Esta obra de Haifaa Al Mansour foi nomeada para melhor filme no Festival de Cinema de Veneza Leão de Ouro de 2019, e melhor longa-metragem no prémio internacional do Festival de Cinema de Adelaide do ano passado.

Das obras anunciadas para Março, inclui-se ainda “Lipstick Under my Burkha” (Índia), que em 2016 foi classificado o melhor filme sobre igualdade de género no Festival de Cinema de Mumbai. Acompanha a vida de mulheres em diferentes fases da vida numa pequena cidade da Índia: uma estudante universitária que veste a burkha e quer ser cantora pop, uma esteticista, uma dona de casa oprimida, e uma viúva de 55 anos que redescobre a sua sexualidade.

Avanços científicos

A selecção leva ainda ao ecrã “As Boas Maneiras” (Brasil, França), realizado por Juliana Rojas e Marco Dutra, em que uma enfermeira dos arredores de São Paulo é contratada como ama do filho que ainda está por nascer de Ana, com quem desenvolve uma ligação forte, e também Babyteeth (Austrália), no qual se explora até onde se vai por amor, através da história de uma adolescente doente que se apaixona por um traficante de droga.

Mais recente, o filme “Radioactive” representa os avanços científicos e as consequências da obra de Marie Curie, interpretada por Rosamund Pike, numa viagem da década de 1870 à era moderna. As produtoras Darkest Hour e Atonement apresentam neste filme uma visão de como a descoberta da radioactividade mudou o mundo do casal Curie e momentos decisivos do século XX.

3 Mar 2021

Cinema | Projecto de visitas ‘cinéfilas’ guiadas em bairros antigos continua

O Instituto Cultural disse à Lusa que vai prolongar até Abril as excursões sobre filmes rodados em zonas históricas de Macau, cujos guias são directores e actores, justificando a decisão com o êxito da iniciativa. Além disso, a Cinemateca Paixão vai exibir a 2 de Março um documentário sobre a história do cinema de Macau

 

O Instituto Cultural (IC) convidou cineastas e actores locais para guiarem excursões nos bairros antigos de Macau a partir do cenário de filmagens efectuadas em diversos pontos da cidade.

O IC vai prolongar a iniciativa “Visitar o Porto Interior, Taipa e Coloane seguindo os filmes” em Março e Abril, com mais 18 sessões, depois da iniciativa ter arrancado no início do ano.
Pelo menos 180 pessoas participaram nas excursões, aos fins-de-semana e feriados, numa actividade inicialmente prevista para terminar este mês, de acordo com o instituto.

“Através desta actividade, posso conhecer mais sobre a história das zonas de Macau e os filmes que foram realizados” na cidade, salientou um dos guias, Albert Chu Iao Ian, fundador da Associação Audio-Visual Cut, realizador e director. “Como produtores locais, estamos muito satisfeitos”, acrescentou o director, partilhando a importância do envolvimento na iniciativa: “O mais significativo é que partilhei filmes de Macau e isso permite aos participantes ter mais exposição aos filmes locais”.

“No processo de exploração das rotas antes do evento, encontrámos muitos lugares que nunca tínhamos visitado antes, e eram únicos, o que nos fez perceber que Macau tem muitas coisas para oferecer (…). Há ainda muitos lugares em Macau que precisam de ser documentados por imagens”, explicou.

Interpretar imagens

Outro realizador de Macau, Chao Koi Wang, também participou como guia: “O mais importante é que andei muito nesta actividade e aumentei a ligação com o território”, sublinhou.

Chao disse esperar que se possa estender, no futuro, as rotas da actividade para outras áreas e os cidadãos possam entrar nas zonas que habitualmente são menos percorridas na vida quotidiana.

“Foi óptimo descobrir que pessoas de diferentes origens estavam interessadas em ouvir-nos falar sobre os filmes, e isso motivou-nos a introduzir mais filmes de Macau”, frisou.

Os dois percursos das excursões têm lugar nas zonas antigas de Macau, Taipa e Coloane, para “promover e reforçar a participação da comunidade no desenvolvimento artístico e aumentar os elementos culturais do turismo nas antigas zonas de Macau”, segundo o IC.

Também para promover o cinema em Macau, o IC anunciou na segunda-feira que produziu um documentário que irá ser exibido ao longo de cinco sessões na Cinemateca Paixão.

Com o título “Interpretação das Imagens”, centra-se “na história do cinema e do sector da exibição cinematográfica de Macau”. “O documentário ‘Interpretação das Imagens’ mostra a força criativa por trás do sector cinematográfico e televisivo local e, através de entrevistas a académicos e profissionais do cinema, conta a história das vicissitudes do sector da exibição cinematográfica de Macau e apresenta a evolução dos cinemas locais ao longo do século passado”, de acordo com a mesma nota. O documentário vai ser exibido a partir de 2 de Março.

24 Fev 2021

Cinemateca | Filmes indonésios em destaque até ao fim do mês

A Cinemateca Paixão anunciou o cartaz do programa “Cinema Asiático Hoje” que decorre em paralelo com as selecções de Janeiro. Ao todo, serão exibidas quatro obras produzidas na Indonésia, que partem em busca da definição de herói, com e sem capa, na aridez do campo, na cidade e com mais ou menos fantasmas

 

Há heróis de capa e espada e outros que acabam por sê-lo para sobreviver, ensombrados. Focado no cinema indonésio, a Cinemateca Paixão anunciou o cartaz do programa “Cinema Asiático Hoje”, mostra que inclui quatro obras focadas na temática do herói, e todas as suas facetas. Os filmes serão exibidos na sala de projecção da Travessa da Paixão até ao final do mês, paralelamente com as já anunciadas selecções de Janeiro.

Produzido por Eddie Cahyono em 2014, “Siti” pinta em tons de preto e branco a história de um dia na vida de Siti, uma mulher de 24 anos que “faz das tripas coração” para cuidar do filho, da sogra e do marido, incapacitado após sofrer um acidente enquanto pescava. Isto tudo, enquanto segura dois empregos para conseguir pagar dívidas e suportar a família. Se de dia é vendedora de bolachas em Parangtritis, no Sul da ilha de Java, de noite, Siti trabalha como guia de karaoke. Contudo, novos dilemas impõem-se nesta periclitante ginástica diária, quando o marido de Siti condena a vida nocturna que leva e decide deixar de lhe falar. Siti conhece um polícia disposto a casar com ela e fá-la hesitar.

“Siti” será exibido na Cinemateca na próxima quarta-feira (19h30) e no dia 28 de Janeiro (21h30).
Também da Indonésia, mas fruto de uma co-produção que adicionou contributos franceses, malaios e tailandeses, chega “Marlina the Murderer in Four Acts”, um drama com trejeitos de western que testemunha a vida sofrida de uma viúva que, para se defender, é forçada a matar. Ao longo de um penoso e assombrado caminho de redenção, a ilha de Sumba serve de cenário para quatro actos tão heróicos quanto áridos e desafiantes, onde a figura feminina e os direitos das mulheres estão no centro da equação.

Da autoria da realizadora indonésia Mouly Surya, “Marlina the Murderer in Four Acts” poderá ser visto na Travessa da Paixão no próximo domingo (19h00) e no dia 27 de Janeiro (19h30).

Como na BD

Lançado em 2019, “Gundala” tem o condão de repescar a fórmula de sucesso dos heróis com super-poderes e uniforme a condizer, enquadrando-a com as disparidades sociais, ascensão criminal e dificuldades em arranjar emprego sentidas na pele por uma população de Jacarta cada vez menos esperançosa. Perante um sistema viciado e depois de ter sido atingido por um trovão, Sancaka, órfão que perdeu o pai durante um motim, desenvolve a capacidade de expelir raios eléctricos pelas próprias mãos, decide lutar pelos direitos dos oprimidos, cada vez em maior número e vontade de rebelião.

Inspirado na banda desenhada de sucesso com o mesmo nome lançada em 1981, “Gundala” pode ser visto na Cinemateca Paixão na próxima quinta-feira (19h00) e no dia 29 de Janeiro (19h30).

Por fim, o foco no cinema produzido na Indonésia termina com “The Golden Cane Warrior”, uma epopeia centrada nos conceitos de lealdade, integridade, ambição e traição, onde dois aprendizes de uma poderosa e ancestral arte marcial partem em busca de uma relíquia bélica que caiu nas mãos erradas.

Realizado por Ifa Isfansyah, “The Golden Cane Warrior” será exibido na Cinemateca Paixão na próxima sexta-feira (19h00) e no dia 31 de Janeiro (16h30).

Recorde-se que até ao final do mês, o cartaz da Cinemateca Paixão inclui ainda exibições de obras provenientes dos quatro cantos do globo, com destaque para “Never Rarely Sometimes Always” (EUA e Reino Unido), o filme de animação “Waltz with Bashir” (Israel, França e Alemanha), “Bamboo Theatre” (Hong Kong), “True Mothers” (Japão), “The Woman Who Ran” (Coreia do Sul) e “Undine” (Alemanha e França).

18 Jan 2021

Cinemateca | Selecções de Janeiro com obras locais e de todo o mundo

A co-produção britânica e norte-americana “Never Rarely Sometimes Always” é um dos filmes em destaque na Cinemateca para receber o novo ano. Além de cinema local, em cartaz, estarão ainda películas do Japão, Hong Kong, Coreia do Sul Israel, França e Alemanha. Estão ainda previstas conversas com realizadores do território após algumas exibições

 

A Cinemateca Paixão vai receber 2021 com a prata da casa, mas também com uma pitada do mundo. Ao todo, o cartaz de Janeiro inclui sete novas selecções, onde, para além de “Years of Macao”, um compêndio de curtas metragens da autoria de vários realizadores locais, serão exibidas obras do Japão, Hong Kong, Coreia do Sul, Israel, França, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido.

Fruto de uma co-produção britânica e norte-americana, “Never Rarely Sometimes Always” leva à Travessa da Paixão as temáticas da gravidez na adolescência e do aborto. Escrito e realizado por Eliza Hittman, a obra acompanha a história de Autumn Callahan, de 17 anos, que, após descobrir que está grávida, vê-se impedida de fazer um aborto na sua terra natal, Pensilvânia, sem o consentimento dos seus pais. Após tentar interromper a gravidez pelas próprias mãos, com recurso a comprimidos e auto-flagelação, Autumn decide rumar a Nova Iorque com sua prima Skylar.

“Never Rarely Sometimes Always” será exibido na Cinemateca nos dias 2 (16h30), 10 (16h30), 14 (19h30) e 23 (21h00) de Janeiro.

Por sua vez “Waltz with Bashir” é uma longa metragem de animação que resulta de uma colaboração entre Israel, França e Alemanha. Vencedor da Palma de Ouro em 2008 e do Óscar de melhor filme estrangeiro em 2009, “Waltz with Bashir” é uma obra que coloca o próprio realizador, Ari Folman, no centro do enredo. Isto dado que o filme retrata as tentativas de Folman, veterano da Guerra do Líbano (1982) de recuperar as suas memórias perdidas dos eventos que marcaram os massacres de Sabra e Shatila. “Waltz with Bashir” será exibido nos dias 8 e 16 de Janeiro na Cinemateca Paixão, pelas 21h30.

De Hong Kong chega “Bamboo Theatre”, um documentário da autoria de Cheung Cheuk, que seguiu durante dois anos os rituais e as práticas em várias aldeias e ilhas remotas do território durante a construção de teatros de bambu, espaços improvisados onde habita a ópera chinesa, e que contrastam com as infraestruturas sofisticadas das grandes metrópoles. “Bamboo Theatre” será exibido na Cinemateca nos dias 7 e 9 de Janeiro, às 19h30.

Destaque ainda para “True Mothers”. Oriunda do Japão, esta película realizada por Naomi Kawase aborda a temática da adopção e as implicações inerentes ao facto de, mais tarde, a mãe biológica partir em busca de reconectar-se com o seu filho.

Presente na Selecção Oficial do Festival de Cinema de Cannes em 2020 “True Mothers” será exibido nos dias 21 (21h00) e 24 (16h00) de Janeiro.

O cartaz de Janeiro da Cinemateca Paixão é completado pelos filmes “Undine”, uma produção franco-alemã sobre uma mulher que está obrigada a matar todos os homens que a traem e ainda “The Woman Who Ran”, realizado pelo coreano Hong Sang Soo e que aborda a história de Gamhee, que se predispõe a visitar três amigos, enquanto o marido está numa viagem de negócios.

À conversa

Previsto para ser exibido nos dias 1 (19h00), 3 (21h30), 5 (19h30) e 6 (19h30), “Years of Macao” é outros dos destaques da programação de Janeiro da Cinemateca Paixão e vai contar com mais alguns extras.

Isto porque após a exibição do dia 5 de Janeiro, a plateia poderá conversar com os realizadores de algumas das curtas presentes na obra como Tou Kin Hong, Penny Lam Kin Kuan e Tracy Choi.

No dia seguinte, após a exibição de “Years of Macao” haverá lugar a uma troca de ideias com os realizadores António Caetano de Faria, Albert Chu Iao Ian, Tou Kin Hong e Penny Lam Kin.

Recorde-se que “Years of Macao” é uma antologia materializada em nove curtas metragens que pretendem retratar Macau entre 1999 e 2019: “Go Back Home”, “REC-Last Days”, “Sparkling Mind”, “The Last Show”, “Till the End of World”, “The First Cigarette”, “A Moment”, “Dirty Laundry” e “Summer”.

31 Dez 2020

Cinemateca | Filmes de Taiwan em destaque nas selecções de Dezembro

Em vésperas de Natal, o cartaz da Cinemateca Paixão inclui duas obras de Taiwan que prometem dar que falar por prescindirem do uso da palavra em prol da imagem e do silêncio. Há películas do campo do fantástico e está ainda previsto um seminário sobre direitos de autor dedicado aos produtores locais no próximo sábado

 

Há histórias sem uma única palavra, criaturas fantásticas, humor negro e clássicos para lembrar que o Natal está aí à porta. Ao todo, o cartaz de Dezembro da Cinemateca Paixão inclui seis novas selecções, que colocam o cinema de Taiwan em destaque, com a inclusão de duas obras da Ilha Formosa.
A primeira a merecer realce pela ousadia de prescindir de qualquer diálogo ou do uso de palavras é “Days”.

Realizado pelo malaio Tsai Ming-Liang, “Days” testemunha, em silêncio, o encontro feliz de dois homens sozinhos numa terra estranha. Através da imagem, Kang e Non partilham lentidão, fragilidade e esperança antes de voltarem à sua rotina. “Days” será exibido na Cinemateca nos dias 8 (19h), 10 (21h30) e 18 (19h).

Também de Taiwan directamente para a travessa da Paixão virá “The Silent Forest”. Realizado por Chen-Nien Ko “The Silent Forest” leva o espectador a conhecer de perto a vida de Chang Cheng, um adolescente surdo que, após ser transferido para um estabelecimento dedicado a crianças com necessidades especiais, é confrontado com um problemático e violento jogo, que rapidamente dissemina o medo entre os alunos.

A obra de Chen-Nien Ko pode ser vista nos dias 9 e 20 às 19h, no dia 12 às 21h e nos dias 15, 17 e 30 às 21h30.

De Taiwan, o cartaz da Cinemateca vai ainda à Coreia do Sul para apresentar o clássico de 1998 “Christmas in August”. O drama realizado por Hur Jin-ho, aborda a vida agri-doce de Jung-won, o proprietário de um estúdio fotográfico que descobre ter uma doença terminal pouco depois de encontrar o amor da sua vida. “Christmas in August” será exibido nos dias 13 (21h), 18 (21h30), 26 (16h30) e 30 (19h30) de Dezembro.

No campo do fantástico, destaque ainda para produção espanhola e norte-americana “A Monster Calls”, de Juan Antonio Bayona. Longe do pai e a lidar com a doença da mãe e o bullying de que é alvo na escola, Conor O’Malley, de 12 anos, vai viver com a avó e cedo encontra refúgio no desenho e no seu imaginário. A aventura começa quando a criatura que idealizou ganha vida. “A Monster Calls” pode ser visto na Travessa da Paixão nos dias 16 e 24 de Dezembro às 19h.

O cartaz de Dezembro é completado pelos filmes “Not Quite Dead Yet”, uma produção japonesa realizada por Shinji Hamasaki e ainda por “Tangerine”, realizado pelo norte-americano Sean Baker e cujo enredo é passado na véspera de Natal da turbulenta vida de Sin-Dee Rella, um transgénero que ganha a vida através da prostituição.

Conhecer os direitos

No próximo sábado, a Cinemateca Paixão irá ainda acolher um seminário dedicado aos direitos de autor na área do audiovisual. A iniciativa destina-se aos produtores locais e, segundo um comunicado oficial, tem como objectivo dar a conhecer os direitos que os profissionais detêm sobre as suas obras, sobretudo porque a publicação de trabalhos “em diferentes plataformas”, tem vindo a aumentar

Dado que a pirataria não se limita só a produtos físicos como CD’s ou DVD’s, o seminário “Entretenimento & Leis dos Direitos de autor, Filme & Televisão” irá contar com a advogada local, Annie Lao, para partilhar informações, como a “definição de violação de direitos de autor, precauções ao usar obras de outras pessoas” e ainda “métodos para proteger os direitos de autor.

A participação no seminário, que inclui tradução simultânea de cantonês para inglês, é gratuita e as inscrições podem ser feitas por email até quinta-feira.

7 Dez 2020

Cinemateca Paixão | Cartaz de Novembro “espreita” Festival de Cinema de Hong Kong

O mês de Novembro da Cinemateca Paixão é fortemente influenciado pela edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, em particular com a exibição do filme de abertura do evento “Keep Rolling”, documentário sobre a cineasta Ann Hui. Os restantes sete filmes dividem-se entre autores de Taiwan, Turquia, Palestina, Estados Unidos e França

 

O cartaz de Novembro da Cinemateca Paixão é composto por oito filmes de várias proveniências e estilos. Três das obras que vão ser exibidas na Travessa da Paixão integram o programa da edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong. A começar pelo documentário de abertura do evento na região vizinha, “Keep Rolling”, focado na vida e obra da cineasta Ann Hui, um dos nomes cimeiros da sétima arte produzida em Hong Kong.

O documentário, realizado por Man Lim Chung, será exibido na Cinemateca Paixão nos dias 13 e 15, às 19h, e 21, 24 e 28 às 21h30.

O cinema de Taiwan continua bem representado na programação, com duas películas “i WEiR DO” e “Dear Tenant”, esta última também integrada no cartaz do festival de cinema da região vizinha. “Dear Tenant” é um drama familiar, realizado e escrito por Yu-Chieh Cheng, que começa e acaba com mortes no papel de catalisador da acção. O personagem principal (Lin), depois do falecimento do namorado, fica a tomar conta do filho e da mãe do falecido (Sr.ª Chou), num misto de prolongamento da relação através de terceiros e solidariedade.

Depois da morte da Srª Chou, um outro filho enlutado regressa do exterior e apercebe-se que a mãe deixou a casa onde habitava a Lin. Disputas de herança e suspeitas de homicídio adensam o drama de “Dear Tenant”.

As quatro sessões previstas para a exibição da obra de Yu-Chieh Cheng estão todas esgotadas.
Também realizado em Taiwan, e igualmente com as sessões esgotadas na Cinemateca Paixão, “I WeirDO” representa uma dupla estreia. É o primeiro filme asiático filmado com um iPhone e a primeira longa-metragem realizada por Ming-Yi Liao.

A narrativa de “I WeirDO” assenta na relação entre duas pessoas cujo dia-a-dia é mercado por perturbações obsessivo-compulsivas.

Paraíso e pereiras

Também tirado do cartaz do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong chega “It Must Be Heaven”, do mestre palestiniano Elia Suleiman, que venceu o prémio do júri do Festival de Cannes em 2002 com “Divine Intervention”.

Na linha do autor, “It Must Be Heaven” é uma comédia que segue as pisadas conceptuais de Jacques Tati, com um toque de Buster Keaton, com o próprio Suleiman a lançar-se numa viagem, com paragens em Paris e Nova Iorque, em busca de pontos comuns com a Palestina. O elenco conta ainda com François Girard e Gael García Bernal.

“It Must Be Heaven” será exibido amanhã, sexta-feira, e nos dias 11, 13 e 19, às 21h30. As sessões das 19h estão agendadas para os dias 10, 12 e 17 de Novembro, estando disponíveis bilhetes para todas as exibições.

O cartaz de Novembro da Cinemateca Paixão é completado pelos filmes “Last Letter”, uma produção chinesa realizada pelo japonês Shunji Iwai, por “Light of My Life”, o mais recente filme realizado pelo norte-americano Casey Affleck e “The Wild Pear Tree”, um drama da autoria do turco Nuri Bilge Ceylan.

Finalmente, a programação deste mês da cinemateca tem como destaque “O Mágico”, uma animação francesa de 2010 que arrebatou uma série de prémios internacionais. Realizado por Sylvain Chomet, “O Mágico” é baseado num guião de Jacques Tati que nunca chegou a sair do papel, que tem como base a vida de um ilusionista que tenta sobreviver num mundo artístico que vota a sua a magia ao esquecimento.
“O Mágico” é exibido no sábado e no dia 22 às 19h30, e no dia 14 de Novembro às 21h.

2 Nov 2020

Cinemateca | Outubro dedicado ao cinema em língua chinesa e com obras locais

Apesar de só terem sido anunciados quatro filmes até ao momento, a programação de Outubro da Cinemateca Paixão vai incluir uma selecção de 19 películas, algumas delas locais, dedicadas ao cinema em língua chinesa. Em jeito de balanço do primeiro mês da nova gestão, Jenny Ip considera ter sido “um começo de sucesso”

 

Depois do arranque polémico da sua nova e desconhecida empresa gestora, marcado pela exibição de filmes clássicos, a Cinemateca Paixão promete um mês de Outubro “substancialmente diferente”. De acordo com Jenny Ip, gestora do espaço, além dos quatro filmes já anunciados, a programação para este mês irá incluir uma selecção dedicada ao cinema em língua chinesa, com 13 curtas e seis longas metragens.

Para o arranque da programação de Outubro, como celebração do Dia Nacional a 1 de Outubro, está programada a exibição de “To Live to Sing”, do realizador chinês Johnny Ma.

“Escolhemos o filme “To Live to Sing” de Johnny Ma, da China, para ser projectado no dia 1 de Outubro em celebração do dia Nacional. É um grande filme que explora um tema valioso, que é a arte produzida na China. Neste caso, é um filme sobre a ópera de Sichuan, uma tradição preciosa e provavelmente em vias de extinção e que temos a oportunidade de ver aqui. Além disso, explora também a forma como está a ser encarado o desenvolvimento do cinema artístico na China”, partilhou Jenny Ip.

Ao HM, a gestora da Cinemateca Paixão revelou ainda que o realizador Johnny Ma virá a Macau durante o mês de Outubro para uma palestra, que terá lugar após uma das projecções entretanto agendadas de “To Live to Sing”.

Das obras já anunciadas para Outubro, inclui-se ainda “Swallow” (EUA), que acompanha a história de uma mulher, cuja existência idílica durante a gravidez toma um rumo alarmante, a partir do momento em que desenvolve uma compulsão de comer objectos perigosos e “The Specials” (França) que aborda o tema do autismo, no contexto do quotidiano de um bairro problemático.

Por fim, será ainda exibido “Tora-san, Wish You Were Here” (Japão), do conhecido realizador Yoji Yamada. O filme, que será exibido em Macau em forma de comemoração do 50º aniversário da carreira do cineasta, fala de uma história onde o amor, a nostalgia e uma amizade de longa data, estão no centro do enredo.

Sobre a selecção dedicada ao cinema em língua chinesa, cujos títulos e detalhes das 19 obras serão anunciados “em breve”, Jenny Ip acrescentou apenas que “a selecção irá incluir obras locais.

“Estamos muito entusiasmados por apresentar um novo programa em breve. Em Outubro o programa será consideravelmente diferente, já sem clássicos e com obras de novos realizadores. Vamos ver se somos capazes de promover estes novos filmes e realizadores perante o público de Macau”, referiu,

Ver para crer

Em jeito de balanço ao final do primeiro mês ao leme da Cinemateca Paixão, a responsável de operações afecta à In Limitada, a nova operadora, considera que o mês passado materializou “um começo de sucesso”, com muito feedback positivo e salas cheias.

“As pessoas gostaram da nossa selecção, de ter a oportunidade de ver filmes clássicos em Macau e sugeriram também outras obras que gostavam de ver no futuro. Estamos muito satisfeitos por receber este feedback, porque é um bom sinal de que o programa foi apreciado e que o público tem grandes expectativas. Além disso, muitos filmes tiveram a lotação esgotada e acrescentámos projecções adicionais (…) e mesmo essas sessões esgotaram em apenas um ou dois dias”, apontou.

Para Ip, outro dos pontos altos do primeiro mês de operações da “nova” Cinemateca foi a presença do realizador de Hong Kong, Stanley Kwan, na conversa online promovida pelo espaço e intitulada “Cineastas de Macau: A sua jornada para o cinema”.

29 Set 2020

Cinemateca Paixão | Conversa com realizadores marcada para sábado

É já este sábado que a Cinemateca Paixão acolhe a palestra “Cineastas de Macau: A sua jornada para o cinema”, que conta com a presença da realizadora Tracy Choi e de Stanley Kwan, de Hong Kong. Jenny Ip, gestora do espaço, acredita que este tipo de iniciativas aproxima mais o público da renovada cinemateca

 

A Cinemateca Paixão promove, este sábado, uma conversa online entre realizadores de Macau e de Hong Kong. “Cineastas de Macau: A sua jornada para o cinema” acontece entre as 15h e as 16h e conta com a participação de Tracy Choi e de Oliver Fa, realizadores de Macau, que vão trocar experiências como cineastas com Stanley Kwan, realizador de Hong Kong.

Ao HM, Jenny Ip, gestora de operações da In Limitada, a nova concessionária da Cinemateca Paixão, declarou ser “uma honra” poder contar com a presença de Stanley Kwan.

“Vai ser uma sessão de partilha sobre a sua forma de fazer cinema. Esperamos que possam ser partilhadas muitas ideias nesta sessão.”

Para Jenny Ip, a palestra online vai proporcionar maior aproximação [da Cinemateca Paixão] com o público. “Um dos nossos objectivos é, nos próximos dois anos, trazer a Macau mais produtores e realizadores do estrangeiro, para que possam partilhar as suas ideias com os nossos realizadores. Acreditamos que este tipo de experiência pode ajudar ambos os lados, para que possam aprender novas coisas, algo que ajude no processo criativo”, frisou.

Depois das críticas iniciais por parte de alguns realizadores, a nova gestora da Cinemateca Paixão quer aproximar-se mais daqueles que fazem cinema em Macau. “É necessário tempo, mas o mais importante é mantermos o constante contacto com os realizadores. Temos uma comunicação muito estreita com alguns realizadores e produtores”, disse Jenny Ip.

A responsável pela gestão da Cinemateca Paixão adiantou ainda que acompanha de perto muitos dos filmes que estão a ser rodados neste momento, para que possam vir a integrar o programa.

“Sabemos que muitos dos realizadores e produtores estão a meio da fase de produção de filmes e vamos acompanhando o progresso do trabalho. Depois de terminarem as produções, gostaríamos de agendar a exibição dos filmes na Cinemateca.”

Bilhetes vendidos

Neste momento, a Cinemateca Paixão tem apresentado alguns clássicos do cinema, sessões inseridas no festival “A Love Letter to the Cinema”. Jenny Ip conta que a adesão do público tem sido muito boa, com grande parte dos bilhetes já vendidos.

“Estamos muito felizes. Temos tido bom feedback e até adicionámos novas sessões. Até agora temos tido um bom acolhimento por parte do público e sentimos que é uma boa experiência rever os clássicos.”
Para Jenny Ip, o mais importante é fazer com que os amantes do cinema possam rever obras incontornáveis da sétima arte em tempo de pandemia. “Nos próximos meses, esperamos que o público aprecie o nosso programa e faremos o nosso melhor para trazer bons filmes para Macau”, rematou.

21 Set 2020

Cinemateca | Experiência passada continua a ser tabu em dia de reabertura

A Cinemateca Paixão voltou ontem a abrir portas com uma programação dedicada aos clássicos. “Singin’ in the Rain” fez as honras, numa reabertura onde a falta de informação sobre a nova gestão na área do cinema continuou a ser tabu. Cineastas presentes no evento consideram que é preciso “dar o benefício da dúvida” e que o mistério faz parte de Macau

 

“Não sei se já viram o Casablanca? Macau tem uma história de 500 anos de relações entre Portugal e a China, com intervenções holandesas, inglesas e vários períodos de guerra. Esta é a cidade do mistério, por isso temos de ver o que vai acontecer”. As palavras são do realizador Maxim Bessmertny, após ter sido questionado sobre as expectativas que tem para “o filme que aí vem”, tendo em conta os primeiros “minutos” misteriosos da nova gestora da Cinemateca Paixão, a Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada.

Apesar das dúvidas, o realizador espera que a In Limitada exiba uma programação de qualidade, capaz de unir o público que gosta de cinema, sobretudo num contexto difícil, marcado pela pandemia.

“Esperamos ver cinema e filmes que nos juntem a todos. Nestas alturas é que as gentes precisam de algo que as junte, porque o cinema sempre foi uma força. Em tempos difíceis, como aconteceu após a Segunda Guerra Mundial, o cinema consegue mostrar o que temos em comum”, referiu Bessmertny.

Intitulado “Uma carta de amor ao Cinema: Produção cinematográfica nos grandes ecrãs”, o primeiro evento desde que a In Limitada assumiu as rédeas da Cinemateca Paixão, inclui uma selecção de clássicos e obras-primas de diferentes países e Eras. O primeiro dia do festival começou com a versão remasterizada de “Singin’ in the Rain” e inclui também obras de Fellini (“Otto e Mezzo”) e Woody Allen (“The Purple Rose of Cairo”).

Esperanças e ausências

Sobre a experiência da nova equipa na área do cinema, Jenny Ip, a nova gestora de operações da Cinemateca voltou a frisar que a confidencialidade dos clientes é a principal razão para não se saber mais sobre o passado da empresa.

“Gostávamos de revelar mais mas, como o público está a prestar muita atenção à nossa experiência passada e projectos, os nossos clientes pediram confidencialidade. Esperamos que o público vire o foco para a nossa nova equipa, porque agora somos nós os responsáveis pela Cinemateca Paixão. Esperamos trazer uma nova energia e uma boa programação para o público”, afirmou Jenny Ip.

Sobre o que esperar da actuação da In Limitada e as críticas acerca da falta produções locais e independentes, o produtor Jorge Santos, que também marcou presença no evento de reabertura, afirma que é preciso “dar o benefício da dúvida” e que ficou curioso com o facto de a programação de Setembro ser dedicada ao cinema clássico.

“Não sei se falta cinema independente ou local, isto começou hoje [ontem], portanto não faço ideia qual será a programação para o futuro. Suponho que a dada altura vão passar cinema local, não vejo razão para não passar”, apontou.

Sobre o trabalho da anterior gestão, Jorge Santos não tem dúvidas que a CUT “fez um trabalho muito interessante”, com ciclos originais “de todo o mundo”.

Já Bessmertny lembra que a CUT “continua a fazer bons eventos para a comunidade” e espera que a nova gestora apresente bons e novos filmes para oferecer “aos amantes do cinema de Macau”.

Questionada sobre se os proprietários da In Limitada marcaram presença na reabertura da Cinemateca, Jenny Ip referiu que não vieram “porque têm outros negócios a tratar”, apesar de “terem apoiado muito a reabertura”.

2 Set 2020

Jenny Ip, gestora de operações da In Limitada, responsável pela gestão da Cinemateca Paixão

Ao fim de dois meses, a nova gestora da Cinemateca Paixão quebrou o silêncio. Jenny Ip, a gestora de operações da Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada conta como os principais inimigos da perfeição têm sido o tempo e as comparações com a CUT. Manter a confidencialidade dos clientes é a razão apresentada para que não se saiba mais sobre o passado da empresa

 

Como está a ser o processo de reabertura da Cinemateca tendo em conta a continuidade do trabalho que tem vindo a ser feito?

Estaria a mentir se dissesse que não estamos a sentir a pressão do público mas, somos uma equipa nova de jovens que tem, na capacidade de ouvir, a sua maior força. Talvez seja verdade que não temos toda a experiência da equipa responsável pelo que foi construído ou feito aqui, mas somos uma equipa com paixão que quer fazer melhor. Por isso, estamos a fazer todos os possíveis e tudo o que está ao nosso alcance para ouvir o feedback e os conselhos do público, de forma a aplicar mudanças imediatas e promover bons programas nos próximos anos, ao mesmo tempo que asseguramos serviços de qualidade e procuramos corresponder às expectativas do público. Temos enfrentado muitas dificuldades, sobretudo porque somos constantemente comparados com a antiga gestora [CUT]. Pessoalmente, sempre fui fã da Cinemateca Paixão, sempre vim cá ver filmes. Por isso, na verdade, este tipo de pressão funciona como fonte de motivação e isso faz-nos lutar para estar ao nível das expectativas do público. Mas provavelmente o nosso maior desafio tem sido o tempo, porque desde que nos comprometemos com este projecto, não tivemos muito tempo para nos prepararmos, especialmente quando começámos a abordar os distribuidores de filmes.

A nossa programação de Setembro é composta essencialmente por clássicos, honestamente, tem sido difícil encontrar distribuidores disponíveis durante o Verão. Tem sido muito desafiante, mas somos persistentes.


Porquê a decisão de focar a programação de Setembro nos clássicos?

A ideia passa por compreender o impacto que a pandemia teve em cada um de nós e na indústria do cinema, que compete hoje com uma miríade de plataformas online em crescimento. Perante isto perguntámo-nos qual será o futuro do cinema, as alterações que a indústria está a enfrentar e como é que a cultura cinematográfica está a evoluir em termos de visionamento. Por isso, nesta reabertura queremos prestar tributo ao cinema com o programa “Uma carta de amor ao cinema: Produção cinematográfica nos grandes ecrãs”. Nesta programação seleccionámos nove trabalhos de diferentes territórios que estão relacionados com o cinema. Em termos de bilheteira, os números têm sido animadores e considero que tem sido um bom começo. Queremos convidar o público a vir e entrar nas mentes destes realizadores para ver filmes que falam de filmes. Por isso é como se estivéssemos a escrever cartas de amor ao cinema e a partilhar esse amor com o público.

Muitos produtores locais estão desiludidos com a ausência do cinema independente e de produções locais. Que comentário faz?

À parte deste festival com um tema definido, temos também aquilo a que chamamos a “Selecção de Setembro”, onde temos quatro filmes artísticos, que nunca passaram em Macau. Ao nível das produções locais, um dos principais objectivos passa por garantir que são exibidas na Cinemateca, porque em Macau não existem muitos cinemas interessados em passar filmes locais, optando antes por filmes mais comerciais.

Acreditamos que temos um papel importante em assegurar que as produções locais são vistas. Ao longo do ano vamos exibir filmes locais e já iniciámos contactos com alguns realizadores e produtores de Macau.

O que é que a In está a fazer para reconquistar a confiança dos produtores locais?

Em Outubro, haverá outro festival, onde vão ser exibidos filmes de Macau e de territórios vizinhos, como a China, Taiwan e Hong Kong. Vamos continuar a contactar produtores locais, este é um passo muito importante. Claro que não os conhecemos a todos, mas queremos mostrar que estamos aqui para ajudar.

Não queremos excluir ninguém. Queremos ter uma relação próxima porque, pessoalmente, dou muito valor ao trabalho dos produtores de Macau. A sua persistência é inegável quanto a perseguir os seus sonhos e concluir projectos, mesmo com recursos limitados. Achamos também que as oportunidades que existem actualmente para que sejam vistos, não são suficientes e que, apesar de a Cinemateca desempenhar um papel importante, continua a ser um sítio pequeno. Temos de os tornar visíveis nas regiões vizinhas e no resto do mundo. Esta é a visão que queremos alcançar nos próximos três anos, ou seja, explorar o maior número de oportunidades e colaborações com outras regiões. Por exemplo, em Taiwan ou na China há vários cinemas ligados a produções artísticas com os quais já estamos em contacto para trazer alguns filmes independentes e vice-versa. Além disso, vamos promover encontros mensais com produtores das regiões vizinhas para partilhar ideias. Acredito que este tipo de eventos vai contribuir para o desenvolvimento do cinema de Macau e para recuperar a confiança dos produtores locais. Porque se queremos que os produtores locais confiem em nós não basta dizer para o fazerem, é preciso mostrar que os podemos ajudar a explorar mais oportunidades e recursos.

O que tem a dizer ao grupo “Macau Cinematheque Matters” que tem sido bastante crítico quanto à nova gestão?

Claro que compreendemos as preocupações que têm vindo a mostrar porque não têm certezas sobre a nossa experiência. Isto é perfeitamente compreensível e agradecemos todo o feedback que nos possam dar. Claro que não somos perfeitos, somos uma equipa jovem, mas temos vontade de ouvir, ajustar e fazer mudanças. Esperamos que durante estes três anos possamos provar que partilhamos um objectivo comum, que é fazer deste lugar um dos mais importantes de Macau.

Desde que o novo website da Cinemateca foi lançado, surgiram reacções negativas sobre falta de informação, a impossibilidade de comprar bilhetes online e a inexistência de versões em chinês simplificado e português. Porque é que estas funcionalidades não foram implementadas?

O que podemos assegurar é que no dia 1 de Setembro tudo estará a funcionar correctamente, incluindo as versões em chinês simplificado e português e a bilheteira online. Claro que lamentamos qualquer inconveniente causado, mas estamos a trabalhar para que no primeiro dia, quando as portas abrirem ao público, esteja tudo de acordo com o caderno de encargos do concurso público.

Mas o problema foi a falta de tempo?

Sabíamos o que tínhamos de fazer e inicialmente a ideia era apenas deixar tudo pronto no dia 1 de Setembro. Mas também percebemos que o público queria saber mais sobre os filmes e comprar os bilhetes com antecedência e, por isso, preparámos tudo para começar a funcionar uma semana antes. Durante esta semana estamos a testar intensamente o sistema de venda de bilhetes online para garantir que não há erros e que tudo está pronto antes do lançamento. Claro que tenho de admitir que o tempo, desde o momento em que agarramos o projecto até agora, é muito curto tendo em conta o trabalho que há para fazer.

Estavam à espera de receber a advertência escrita por parte do Instituto Cultural (IC)? Como tem sido essa relação?

Na verdade, temos estado em constante conversação com o IC. Temos um grupo de Whatsapp onde comunicamos praticamente todos os dias e reunimos todas as semanas para garantir que estamos a remar para o mesmo lado. Não estávamos à espera da advertência do IC, mas aceitamo-la, porque compreendemos que temos muito espaço para melhorar. Na verdade, até acaba por ser mais um factor de motivação.

Porque é que até hoje a In Limitada não foi capaz de apresentar exemplos da sua experiência na área do cinema?

Acredito que este projecto da Cinemateca Paixão é um dos maiores actualmente em curso na empresa e já lançámos, entretanto, o nosso próprio website onde revelamos algumas das nossas experiências passadas. Compreendemos as preocupações do público mas, na verdade, após comunicarmos internamente, a razão pelo qual não podemos revelar muito prende-se com questões de confidencialidade dos nossos clientes. Até porque temos recebido muita atenção por parte do público. Por isso, o feedback que recebemos dos clientes não tem sido positivo em relação a revelarmos a sua identidade. A forma como estamos a lidar com o assunto passa por tentar manter a confidencialidade dos clientes. Adoraria revelar mais, mas não posso.

Mas assim não parece que estão a esconder alguma coisa?

Sim, nós compreendemos, mas é difícil fazer essa gestão. Por um lado, queremos revelar mais mas, ao mesmo tempo, temos de proteger os clientes, evitando que se transformem em focos de atenção. Por isso, estamos concentrados em dar a conhecer a nossa equipa, porque agora somos nós que estamos ao leme deste projecto, não é a antiga gestora. Queremos muito que as pessoas conheçam a nossa equipa e quem somos, em vez de se focarem naqueles sobre quem não podemos falar.

Mesmo sem revelar clientes, qual a experiência da equipa na área do cinema?

A nossa directora de operações Tung Mei Yi tem experiência na gestão de cinemas em Hong Kong e juntamente com a June Wu, tem ajudado muito a levar o projecto para a frente. Eu e algum do staff recém recrutado, participámos em trabalhos relacionados com o cinema e a produção cinematográfica nos últimos anos. Por isso, apesar poucas pessoas nos conhecerem, temos experiência. Acreditamos que, apesar de as pessoas não estarem muito confiantes que somos capazes de fazer este trabalho, nos próximos meses, com a programação e a estratégia que vamos apresentar, vão ver o esforço que estamos a fazer. Se não estivermos a fazer um bom trabalho, por favor, digam-nos e nós vamos mudar.

Então porquê manter o silêncio ao longo de tanto tempo? Não considera que isso contribuiu para danificar uma relação já de si complicada?

Compreendemos e lamentamos que tenha sido assim. Tínhamos muita coisa na cabeça no início do projecto e não era o momento apropriado para desvendar as nossas ideias porque tínhamos acabado de vencer o concurso público e era necessário construir a equipa. Tudo leva tempo. Compreendemos que as pessoas possam pensar “será que nos estão a esconder alguma coisa?”, mas garanto que não. Apenas estamos a preparar tudo antes de aparecermos com uma postura forte sobre o que queremos fazer e os nossos objectivos.

Pode partilhar mais acerca do proprietário da empresa?

O proprietário é o senhor Leong Chan Weng e foi ele que construiu a equipa quando foi anunciado que a empresa venceu o concurso público. Está à frente da In desde a sua fundação e partilha connosco o objectivo de querer fazer parte da indústria cinematográfica, pela qual tem uma grande paixão. Não sei como descrevê-lo, mas é, simultaneamente, um apaixonado pelo cinema e um homem de negócios que nos uniu nesta missão e que quer muito que o projecto vá para a frente.

Consegue esclarecer a relação que existe entre a In e a Associação de Cultura e Produções de Filmes e Televisão de Macau (MFTP), presidida por Alvin Chau, e que organiza o Festival Internacional de Cinema (IFFAM)?

Tanto quanto sei, não existe qualquer ligação com essa empresa. Mas a nossa equipa já participou nalguns trabalhos do IFFAM e outros festivais. Como equipa, não temos qualquer ligação com a MFTPA.

Sente que existe liberdade na escolha dos conteúdos a exibir?

Sim, sem dúvida. Mas sob a monitorização atenta do IC. A minha única preocupação é que seja bom para o público e que vão ao encontro da expectativas e exigências do IC.

Que comentário tem a fazer sobre o orçamento da In e o apresentado pela CUT, que era mais do dobro?

Acho que a melhor forma de mostrar ao público a nossa qualidade é através da programação porque, por exemplo, a obtenção dos direitos para a exibição dos clássicos em Setembro é bastante rara e não é propriamente barata. Desde o dia em que começámos a preparar a participação no concurso, não sabíamos como é que os outros candidatos iriam calcular os gastos mas, até agora, não estamos em qualquer risco de défice e o orçamento está sob controlo. Não podemos comentar como é que os outros calculam os gastos.

De que forma a Cinemateca Paixão irá participar no Festival Internacional de Cinema?

Até agora ainda não fomos contactados por ninguém em relação ao IFFAM.

28 Ago 2020

Cinemateca | IC repreende nova gestora por ausência do português no website

Numa resposta enviada ao HM, o Instituto Cultural (IC) admitiu que vai emitir uma “advertência por escrito” à nova gestora da Cinemateca Paixão. Em causa está o facto do novo website não ter versões em português e chinês simplificado, o que viola as regras do caderno de encargos. A bilheteira online estará disponível antes do dia 1 de Setembro

 

O facto de o novo website da Cinemateca Paixão não estar disponível em português e chinês simplificado levou o Instituto Cultural (IC) a repreender por escrito a nova gestora do espaço, a Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada. A confirmação foi dada ontem pelo IC, através de uma resposta enviada ao HM.

“Relativamente à violação das regras do Caderno de Encargos sobre as línguas no sítio web da Cinemateca Paixao, o IC irá emitir uma advertência por escrito à empresa exploradora, exortando a mesma a corrigi-lo com a maior brevidade possível”, refere o IC.

Recorde-se que a situação veio a lume na passada segunda-feira, quando foi apresentado o novo website e colocados à venda os bilhetes para o festival de cinema que marca a reabertura da Cinemateca Paixão no dia 1 de Setembro.

Além do novo website não incluir versões em português e chinês tradicional, também não contempla a aquisição de bilhetes online. A ausência da funcionalidade provocou o descontentamento de vários utilizadores que alertaram para o facto, através de comentários partilhados na página de Facebook da Cinemateca Paixão.

Contudo, relativamente à venda de bilhetes online, o IC esclarece que o sistema “está a ser testado e os respectivos serviços estarão disponíveis antes do dia 1 de Setembro”, data oficial estipulada para a venda de ingressos.

Na resposta, o IC garante ainda que “irá intensificar a supervisão da construção da respectiva página electrónica” e que já alertou a In Limitada para “trabalhar de acordo com as regras do Caderno de Encargos”. Caso contrário, alerta o IC, “as respectivas punições serão aplicadas, de acordo com as regras estabelecidas”.

Segundo o caderno de encargos, as “penalidades por incumprimento do contrato” prevêem que, caso o adjudicatário receba duas advertências por escrito, “o IC tem o direito de lhe aplicar uma multa com o valor limite de mil patacas, por incumprimento”. Se mesmo assim as correcções não forem efectuadas, pode ser aplicada uma multa no valor máximo de três mil patacas por infracção.

Apesar do “puxão de orelhas”, o IC reconhece que “desde Agosto, a empresa exploradora tem levado a cabo, activamente, os preparativos para a reabertura da Cinemateca ao público”.

A tempo e horas

Contactada pelo HM, a Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada reagiu à advertência emitida pelo IC, admitindo ter falhado “em providenciar as interfaces em chinês simplificado e português no website”. As correcções serão feitas, garante a In Limitada, antes da reabertura oficial da Cinemateca, a 1 de Setembro.

“Esperamos lançar oficialmente as páginas em chinês simplificado e português do website, antes da abertura da Cinemateca Paixão”.

Sobre as críticas em torno da venda de bilhetes, a In Limitada lembra que, apesar de as operações só começarem em Setembro, levou a cabo “arranjos especiais entre 24 e 31 de Agosto”, para que o público tivesse a oportunidade de adquirir ingressos no local, antecipadamente.

Antes de um pedido de desculpas, a resposta da nova gestora termina com um convite dirigido ao público para partilhar opiniões sobre os serviços oferecidos pela Cinemateca.

“Estamos a fazer todos os possíveis para assegurar a qualidade dos nossos serviços (…) e corresponder às expectativas do público”.

Recorde-se que o evento “Uma carta de amor ao Cinema: Produção cinematográfica nos grandes ecrãs”, o primeiro a acontecer na Cinemateca Paixão desde que o espaço encerrou para obras e a nova gestora assumiu as rédeas da operação, irá debruçar-se sobre o cinema clássico e não colheu a aprovação de profissionais da área do cinema.

26 Ago 2020

Cinemateca | Novo website ainda sem versão portuguesa e reservas online

Os bilhetes para o festival que marca a reabertura da Cinemateca Paixão começam hoje a ser vendidos. Contudo, um dia depois do anúncio da programação multiplicaram-se críticas sobre o novo website, que não permite comprar bilhetes online, nem tem versões em português e chinês simplificado

 

Estão à venda a partir de hoje, os bilhetes para o festival de cinema que marca a reabertura da Cinemateca Paixão, sob a batuta de uma nova gestora, a Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada. Contudo, tanto a programação para o mês de Setembro, como o novo website da Cinemateca Paixão estão longe de reunir consenso entre o público e profissionais do sector.

As principais queixas são a impossibilidade de adquirir bilhetes online através do novo portal da Cinemateca Paixão, mas também a inexistência de tradução para português e chinês simplificado.

Intitulado “Uma carta de amor ao Cinema: Produção cinematográfica nos grandes ecrãs”, o primeiro evento desde que a Cinemateca encerrou para obras tem como objectivo “evocar um amor indescritível pelos filmes, entre os fãs”, através de uma selecção de clássicos e obras-primas de diferentes países e Eras. O festival abre a 1 de Setembro com a versão remasterizada de “Singin’ in the Rain” e inclui também obras de Fellini (“Otto e Mezzo”) e Woody Allen (“The Purple Rose of Cairo”).

Contactado pelo HM, o cineasta Vincent Hoi, membro do grupo “Macau Cinematheque Matters”, considera que a programação apresentada pela nova gestora falha em cumprir o próprio objectivo a que se propõe, porque as obras escolhidas não chegam a abordar de forma apropriada o tema da cinematografia.

“A nova programação inclui filmes clássicos, mas, na verdade, acho que não estão lá as obras principais. Simplesmente querem, ou pretendem, exibir algumas obras para apresentar a programação, mas os filmes principais estão a faltar”, apontou Hoi. “Penso que não sabem o que quer dizer cinematografia. Para organizar a programação do próximo mês acho que se limitaram a escolher obras, algumas delas muito populares, que falam do cinema, mas não da cinematografia”, acrescentou.

Além disso, num jogo de palavras, o cineasta refere ainda que o próprio nome do festival, “Produção cinematográfica nos grandes ecrãs” é “caricato” e “não faz qualquer sentido”. “Se virmos bem, como é que se pode rodar um filme no grande ecrã?”, atirou.

Já Rita Wong, directora de operações da CUT, empresa que geriu até ao final do ano passado a Cinemateca Paixão, não vê problemas em apostar nos clássicos, apesar de admitir que estava à espera de ver “coisas novas” ligadas ao cinema independente. “Não considero mau que haja alguns clássicos para o público ver, mas há também que explorar o cinema independente. Como único espaço dedicado ao cinema em Macau esperamos também ter a oportunidade de ver algumas obras pioneiras (…), coisas novas que vão além dos clássicos e que mostrem o que de melhor está actualmente a ser feito no mundo”, partilhou Rita Wong.

Faroeste digital

Ao contrário do que aconteceu nos últimos três anos, o novo website da Cinemateca Paixão não inclui versão em português e chinês tradicional, nem permite a compra de bilhetes online. Além disso, através de comentários partilhados na página de Facebook da Cinemateca Paixão, foram muitos os utilizadores a queixarem-se que a informação disponibilizada no novo portal está incompleta, não incluindo, por exemplo, o preço dos ingressos ou o nome dos realizadores e produtores das obras a ser exibidas.

Recorde-se que, no ponto relacionado com as “condições gerais de execução da prestação de serviços”, do caderno de encargos referente ao concurso público que a In ganhou é estabelecido como critério da cumprir que “o website deve ter interfaces em chinês, tradicional e simplificado, português e inglês”.

O mesmo se passa com o serviço de venda de bilhetes online, que segundo o documento deve ser disponibilizado, “com, pelo menos, duas formas de pagamento, electrónico e no local, no horário de funcionamento da bilheteira”.

“Estou um pouco surpreendida com o facto de o novo portal não ter a versão portuguesa e em chinês simplificado que sempre existiu, até porque fazia parte dos requisitos do caderno de encargos. Por isso, pergunto-me o que se terá passado”, refere Rita Wong.

Entre os vários problemas que detectou no site, Vicent Hoi confessa não compreender porque não aparecem os nomes dos realizadores e qual a razão para “a apresentação dos dias das exibições não ser explícita”.

“Não sei se é, ou não, um prenúncio de que as coisas vão correr mal, mas ao ver o site da Cinemateca, é como se estivesse a ler a informação do Festival Internacional de Cinema de Macau (IFFAM), onde falta sempre muito conteúdo”, aponta o cineasta.

Sobre a impossibilidade de comprar bilhetes no website, Hoi refere que é como voltar ao ano em que a Cinemateca abriu portas, gerida pela CUT.

“Não se compreende porque é impossível comprar bilhetes online. Nos últimos três anos, a CUT construiu uma relação importante com o público e as bases de uma operação eficaz que incluía uma bilheteira online. É como regressar a 2017. Ou melhor, é como andar para trás 10 anos”.

Julgamentos precoces

Já para João Nuno Brochado, professor e coordenador dos programas de Cinema da Universidade de São José (USJ) é ainda cedo para fazer um julgamento, embora admita que “depois de tanta polémica, não foi boa ideia começar com este tipo de programação”, até porque tem dúvidas se terá o condão de atrair o público de Macau.

“Efectivamente esta primeira programação vem confirmar que não há nenhum filme de Macau. Contudo, estamos a falar da programação para um mês e a nova empresa tem contrato para três anos, por isso não podemos estar a julgar toda a programação apenas com base no primeiro mês”, vincou o académico.

Sobre as razões que fizeram soar o alarme junto dos cineastas locais, o professor aponta que o sector receia que a nova gestora deixe de apostar no cinema de Macau, sobretudo “porque as pessoas sempre trabalharam muito em conjunto”.

“A comunidade ligada ao cinema em Macau é muito pequena, são pessoas que se conhecem e estão juntas com alguma regularidade e a Cinemateca era o sítio onde se encontravam. Além disso, quem geria a cinemateca também fazia parte desse grupo que também produz filmes em Macau. Por isso, quando agora mudaram a gestão para uma empresa que nem se sabia que existia e que está fora da comunidade cinematográfica, todos ficaram com receio”, apontou João Brochado.

Remetidos ao silêncio

O HM tentou saber junto do Instituto Cultural (IC) quais as justificações apresentadas pela nova gestora para que o website da Cinemateca Paixão não permita a venda de bilhetes online e não tenha versão em português e chinês simplificado. No entanto, até ao fecho da edição, não obteve respostas.

O mesmo aconteceu após nova tentativa de contacto junto da Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada. Recorde-se que, a 16 de Julho, o HM questionou, por escrito, a empresa In sobre a data estimada para a apresentação da nova programação da Cinemateca, bem como o andamento da construção da futura página oficial da In na internet. Adicionalmente, após várias tentativas falhadas de contacto telefónico com a empresa através da sua coordenadora, Kathy Wong, o HM confrontou o IC com a ausência de respostas da In. O IC voltou a remeter a responsabilidade para a nova gestora da Cinemateca.

Desde que foi anunciado que a In venceu o concurso de gestão da Cinemateca Paixão, têm sido levantadas muitas dúvidas sobre a experiência e trabalho feito pela empresa na área do cinema. Por ocasião de uma conferência de imprensa, que aconteceu nas instalações da In a 24 de Junho, quando foram pedidos exemplos concretos de trabalhos realizados, Kathy Wong remeteu mais informações para a futura página oficial da In na internet.

A In venceu o concurso para assumir a gestão da Cinemateca Paixão no final de Junho. Com uma proposta de 15,4 milhões de patacas, a empresa bateu a CUT, que geriu até ao final do ano passado a Cinemateca Paixão e que tinha uma proposta de 34,8 milhões de patacas.

 

Programação | 1 a 23 de Setembro

Uma carta de amor ao cinema

Filme de abertura: Singin’ in the Rain (Remasterizado) (1952)
Realização: Stanley Donen, Gene Kelly

1. Otto e Mezzo (Remasterizado) (1963)
Realização: Federico Fellini

2. The Purple Rose of Cairo (1985)
Realização: Woody Allen

3. Cinema Paradiso (Remasterizado) (1990)
Realização: Giuseppe Tornatore

4. Close-up (1990)
Realização: Abbas Kiarostami

5. Center Stage (Remasterizado) (1992)
Realização: Stanley Kwan

6. Goodbye, Dragon Inn (Remasterizado) (2003)
Realização: Tsai Ming-liang

7. Phantom of Illumination (2017)
Realização: Wattanapume Laisuwanchai

8. Talking the Pictures (2019)
Realização: Masayuki Suo

Selecção de Setembro

1. La Belle Époque (2019)
Realização: Nicolas Bedos

2. The Weasels’ Tale (2020)
Realização: Juan José Campanella

3. Beasts Crawling at Straws (2020)
Realização: Kim Yong-hoon

Animação: Buñuel in the Labyrinth of the Turtles (2018)
Realização: Salvador Simó

24 Ago 2020

Cinemateca | Grupo de cineastas entrega petição dirigida a Ao leong U

Praticamente dois meses depois do mar de dúvidas, gerado pelo anúncio da nova gestora da Cinemateca Paixão, o grupo de cineastas locais “Macau Cinematheque Matters” entregou ontem uma petição à secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. O objectivo é pressionar o IC e a empresa a dar respostas sobre a gestão do espaço. Junto da petição seguiram ainda 158 cartas de apoio de cidadãos

 

Depois de quase dois meses remetido ao silêncio, o grupo de cineastas locais “Macau Cinematheque Matters” entregou ontem uma petição ao Governo, com o objectivo de pressionar o Instituto Cultural (IC) a revelar mais informações acerca da nova gestora da Cinemateca Paixão, a Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada.

Junto da petição dirigida à secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Ao Leong U, seguiram também 158 cartas de apoio, incluindo 98 conteúdos escritos e 60 ilustrações de cidadãos locais, artistas e cineastas da China, Portugal, Hong Kong, Taiwan e Malásia. Além de experiências passadas nos últimos três anos na Cinemateca Paixão, nas cartas estão também patentes preocupações relativas à recente controvérsia gerada pela nova gestão. Recorde-se que esta é a segunda petição entregue pelo grupo, depois de no dia 22 de Junho ter endereçado um primeiro apelo ao IC, que recolheu mais de 300 assinaturas de profissionais do sector.

“A primeira petição uniu sobretudo cineastas locais, e constitui uma opinião profissional junto do Governo. Mas não havendo respostas concretas, quisemos dar aos cidadãos e ao público a oportunidade de expressarem as suas opiniões. Por isso, esta segunda petição pretende dar voz, sobretudo, a todos os cidadãos de Macau e também de artistas e cineastas malaios, portugueses, Tawain, Hong Kong”, disse ao HM o realizador Reade Iao, após entrega do documento.

Outro realizador presente na entrega da petição, Vincent Hoi sublinhou que todos os que enviaram cartas ao grupo “sentem sobretudo uma enorme pena”, pelo facto de Macau ter perdido “um centro cultural e artístico muito importante”. “A maioria dos cidadãos e do público não confia na nova gestão da Cinemateca Paixão e querem que a CUT [gestora dos últimos três anos] continue o trabalho que estava a fazer”, acrescentou.

Transparência, procura-se

No documento entregue ontem, o grupo volta a insistir na falta de informação relativamente à experiência, trabalho realizado na área do cinema e detalhes acerca do programa para os próximos três anos, que estará a cargo da In. Além disso, frisando que a Cinemateca Paixão se tornou “numa importante plataforma cultural para os artistas de Macau”, o grupo pede que o IC “comunique de forma mais transparente e inclusiva com o público”, com o objectivo de permitir que “todos os cidadãos participem no desenvolvimento cultural de Macau”.

Na petição é ainda pedido que Ao Leong U, juntamente com o IC, possam reavaliar o concurso público que deu a vitória à In, sob o argumento de que “os serviços prestados por instituições culturais não devem seguir os cadernos de encargos tradicionais”, que dão primazia à contenção de custos em vez da experiência passada.

“Queremos que a secretária dê seguimento ao funcionamento da nova empresa e exerça a sua responsabilidade para que a In se coordene com o IC para nos dar algum tipo de respostas e materializar este problema”, vincou Vincent Hoi.

Recorde-se que a Cinemateca Paixão volta a abrir portas no próximo dia 1 de Setembro sob a batuta da In, apesar de a programação prevista após a conclusão das obras de restauro de que está a ser alvo, continuar a ser desconhecida. Desde o dia 16 de Julho que o HM tem procurado contactar, sem sucesso, a nova gestora.

18 Ago 2020