Cinema | Festival de Documentário arranca com filme sobre Chet Baker

Let’s Get Lost” (1988), sobre a vida do trompetista e músico de jazz Chet Baker, em versão recém-restaurada, é o filme de Bruce Weber que abre a 4ª edição do Festival Internacional de Documentário de Macau (FIDM), de 10 a 31 de Agosto na Cinemateca Paixão.

O “Realizador em Foco” de 2019 será o cazaque Sergey Dvortsevoy, que apresentará seis das suas obras e dará ainda uma masterclass destinada a cineastas e público local.

Entre muitas propostas de documentários recentes e alguns clássicos, o evento exibirá também filmes como “Presente.Perfeito” (2019) da jovem realizadora chinesa Shengze Zhu, que venceu prémios no IndieLisboa, ou as memórias do recém desaparecido pai da Bossa Nova, com o documentário “Onde Estás, João Gilberto?” (2018) de Georges Gachot, sobre a música e a vida do compositor. Os bilhetes para as sessões do FIDM encontram-se à venda desde sábado.

29 Jul 2019

Cinemateca Paixão | Ciclo de filmes japoneses entre Julho e Agosto

“Japanese Summer Breeze” é o título do ciclo de cinema japonês que traz ao território três filmes recentemente estreados, sobre temas quotidianos, questões familiares, assuntos do coração, dores de crescimento e mais alguns ingredientes

 

A Cinemateca Paixão estreou ontem o primeiro filme do ciclo de cinema nipónico, que dá pelo título de “Japanese Summer Breeze”. Em cartaz vão estar três recentes longas-metragens, de 2018 e 2019.

A anunciada brisa estival japonesa arrancou ontem ao final da tarde com o filme “Ramen Teh” (2019), do realizador singapurense Eric Khoo, sobre perdas familiares e a cura da alma através do estômago, com múltiplas sessões até ao dia 6 de Agosto.

“Eating Women” (2018), do realizador Jiro Shono, também sobre o poder da culinária e da partilha, estreia amanhã, dia 26 de Julho, e fica até 8 de Agosto. E “And Your Bird Can Sing” (2018), do realizador Sho Miyake, sobre as derivas da juventude, chega à tela no sábado, 27 de Julho, para ficar até 14 de Agosto.

Sopas de fitas

“Ramen Teh” é uma história sobre a busca da família e as memórias dos sabores de infância. Masato é cozinheiro num restaurante de “ramen” na cidade de Takasaki, no Japão. Após a morte súbita do pai, com quem mantinha uma relação emocionalmente distante, o jovem japonês encontra uma antiga mala cheia de objectos de recordação e um caderno vermelho, que pertenciam à sua mãe, falecida quando o rapaz tinha apenas dez anos.

A curiosidade sobre a família materna de Singapura leva Masato a viajar para aquele país, onde conhece uma jovem blogger de gastronomia que o ajuda a investigar as raízes e encontrar um tio materno. Através deste familiar, Masato vai descobrir que a avó ainda está viva, a pessoa certa para lhe explicar o terno, mas atribulado romance entre os pais. A reunião entre avó e neto é também ajudada pelos ingredientes que entram nas receitas de família, em especial na sopa “bak kut teh” singapurense, de que Masato ainda se recorda.

Amizades e Amores

“Eating Women” (2018), ou “Taberu Onna” no original é uma história sobre oito mulheres que se encontram frequentemente com uma ensaísta e alfarrabista, cuja loja de livros usados funciona na sua própria casa. Como gosta de cozinhar, a anfitriã prepara com frequência pratos especiais para experimentar com as amigas, enquanto conversam à mesa, ou no alpendre à luz da lua, partilhando as suas complicadas vidas. E quem são estas amigas? Mulheres com diferentes idades, carreiras, percursos, expectativas, amantes, companheiros, famílias. Mas que têm em comum a paixão pela boa comida e pelo convívio, como forma de aliviar a tensão das rotinas diárias.

25 Jul 2019

Cinema | Filme nomeado para os Césares 2019 em cartaz na Cinemateca Paixão

O que leva as pessoas a resistir e a seguir em frente, perante a adversidade, é eterno e intemporal. “Amanda” é uma história de família sobre as mudanças que ocorrem após um violento ataque terrorista. Nomeado para os Césares 2019, o filme está em exibição até à próxima terça na Cinemateca Paixão

 

A perda e a dor colectiva causada pelos ataques terroristas islâmicos em cidades europeias é o ponto de partida para este filme francês, realizado por Mikhaël Hers, que também assina o argumento a meias com Maud Ameline. “Amanda” (2018) é um drama contemporâneo sobre valores familiares, que está em exibição na Cinemateca Paixão até ao dia 30 de Julho.

Trata-se de uma história normal sobre pessoas normais num país europeu normal. São os acontecimentos dolorosos que vão obrigar as personagens a amadurecer e a repensar na vida após a tragédia. Toda a gente é forçada a reagir, mas não é a raiva e a impotência que o filme explora, é antes o processo de superação e a humanidade que se manifesta através dos compromissos inevitáveis que se estabelecem entre os protagonistas.

A Amanda do título é uma menina de sete anos que vive em Paris e é criada pela mãe, Sandrine, solteira e professora, com a ajuda irregular do seu irmão mais novo, David, um jovem de 20 anos, que vai trabalhando aqui e ali, a tomar conta de apartamentos e fazer tarefas de manutenção.

Quando é preciso, David faz de baby-sitter à sobrinha, vai buscá-la à escola e toma conta dela. A mãe ausente de David e Sandrine é inglesa e vive em Londres, sem grande relação com os filhos. David tem o sonho de ir assistir a um jogo de ténis em Wimbledon, mas não quer saber sequer da progenitora.

A vida de David muda quando a irmã é assassinada no meio de um ataque terrorista que acontece numa praça pública de Paris. A Amanda vai ter que ficar a seu cargo e ambos vão aprender a adaptar-se à nova situação.

Segundo a crítica internacional, o filme é bem-intencionado, evita o cliché dos confrontos religiosos, não explora as questões políticas contra o islamismo, opta antes pela autenticidade das relações e pelo retrato honesto do quotidiano de quem tem que continuar a viver o dia-a-dia.

Passagem pelo Indie

O filme foi acolhido e reconhecido em diversos festivais internacionais, vencendo o prémio principal e o melhor argumento do Festival Internacional de Tóquio 2018, para Mikhaël Hers e Maud Ameline. “Amanda” foi igualmente nomeado para os Césares 2019, nas categorias de melhor actor, com Vincent Lacoste, e melhor música original, de Anton Sanko; nomeado para os Lumiere Awards 2019, como melhor filme e melhor actor; nomeado para os Laurier du Cinéma 2019 e para a Selecção Orizzonti do 75º Festival de Cinema de Veneza.

O filme esteve ainda presente na competição do IndieLisboa 2019, indigitado para o Prémio Silvestre como melhor filme, que viria a ser atribuído ex-aequo a “I Do Not Care If We Go Down In History As Barbarians”, de Radu Jude, e a “M.”, de Yolande Zauberman. Mikhael Hers é já um nome habitual no Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa, por onde passaram os seus três primeiros filmes: “Primrose Hill”, “Memory Lane” e “Ce Sentiment de L’Été”.
Mikhaël Hers nasceu em França em 1975 e estudou produção cinematográfica em La Fémis, em Paris. Formou-se em 2004 e começou então a produzir e realizar os seus próprios filmes. Escreveu e dirigiu as médias-metragens “Charell” (2006), “Primrose Hill” (2007) e “Montparnasse” (2009), todas estreadas no Festival de Cinema de Cannes e, esta última, vencedora do Prémio Jean Vigo.

“Memory Lane” (2010) é a sua primeira longa-metragem. A segunda, “Ce Sentiment de L’Été” (2015), venceu o Grande Prémio do Júri no Festival Internacional de Cinema de Bordéus, em França, e foi apresentado ainda no Festival de Roterdão, na Holanda.

As sessões da Cinemateca Paixão acontecem entre hoje, dia 23, e terça-feira, de 30 de Julho, sempre às 19h30, excepto no sábado, em que a sessão é às 21h30. O filme é exibido na língua original, em francês, com legendas em chinês e inglês. A duração é de 106 minutos e os bilhetes estão disponíveis por 60 patacas na bilheteira ou na página web.

23 Jul 2019

Festival | Cinema premiado da China e dos PLP estreia esta quinta-feira

Vêm aí duas semanas de filmes premiados, em língua chinesa e portuguesa. Dezoito longas-metragens, três curtas e seis pequenas animações, compõem o ciclo de cinema que, de 4 a 17 de Julho, pode ser visto em Macau

 

O Festival de Cinema entre a China e os PLP está prestes a iniciar a segunda edição, com mais de 20 filmes em cartaz no Centro Cultural de Macau (CCM) e na Cinemateca Paixão (CP), a partir da próxima quinta-feira, de 4 até 17 de Julho. Organizados em três categorias – “Retrospectiva de Clássicos”, “Nova Visão da China e dos Países de Língua Portuguesa” e “Olá Macau” –, os filmes serão complementados por conversas pré ou pós-projecção, com curadores e convidados, que irão contextualizar as obras de acordo com as diferentes épocas, geografias e culturas apresentadas.

Lançado como parte integrante da primeira edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa” em 2018, o 2º Festival de Cinema arranca este ano com uma versão digitalmente remasterizada da longa-metragem “Primavera Numa Cidade Pequena”, de 1948, uma obra emblemática do cinema chinês pelo poeta e realizador Fei Mu. A sessão conta com uma palestra final, intitulada “A Paisagem Mutante do Cinema Chinês”, apresentada pela curadora convidada Joyce Yang e pela conhecida crítica de cultura e cinema Dai Jinhua, professora de Literatura Comparada e Cultura da Universidade de Pequim.

Numa pequena cidade do sul da China, a jovem Yuwen atravessa uma realidade depressiva com o marido doente Liyan, mas a sua vida vai ser perturbada pela visita do antigo amante, Zhichen. Na conversa pós-projecção, “a narratividade urbana do cinema chinês será explorada historicamente, desde a fundação da RPC até ao presente”, pode ler-se no programa do Instituto Cultural (IC).

A longa-metragem do realizador chinês Jia Zhangke, “Natureza Morta” (Still Life, 2006), é outro dos destaques do ciclo, vencedor do Leão de Ouro do 63º Festival de Cinema de Veneza. Com o projecto da barragem das Três Gargantas por cenário, no rio Yangtze, o filme segue um mineiro e uma enfermeira de Shanxi, em busca dos respectivos cônjuges na cidade prestes a ser demolida. Thomas Shin, crítico cinematográfico de Hong Kong, falará com o público após a sessão, marcada para 5 de Julho, às 19h30.

“A Caminho de casa” (Getting Home, 2007), do realizador chinês Zhang Yang, foi o vencedor do Prémio do Júri Ecuménico (Panorama) do Festival de Cinema de Berlim 2007 e é um filme que narra uma história de viagem com “gente hilariante e incidentes surpreendentes”, a 11 de Julho.

“Antônio das Mortes” (The Dragon of Evil Against the Saint Warrior”, 1969), do cineasta brasileiro Glauber Rocha, um dos pais do chamado “Cinema Novo”, passa no dia 12. Trata-se de um antigo western que explora o fenómeno da decadência do “coronelismo”, naquela época conturbada do país, tendo Glauber Rocha conseguido o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cannes em 1969.

Mais alguns clássicos, incluídos nesta mostra, são “A Ilha dos Amores” (The Island of Love, 1982), de Paulo Rocha (Portugal, Japão), nomeado para a Palma de Ouro do Festival de Cannes nesse ano, sobre o escritor português Venceslau de Moraes; “Chuveiro” (Shower, 1999), de Zhang Yang (China), que foi prémio da Crítica Internacional (FIPRESCI) no Festival Internacional de Cinema de Toronto; e “Mortu Nega” (Death Denied, 1988), de Flora Gomes (Guiné-Bissau), que daria ao realizador duas menções especiais no Festival de Cinema de Veneza. Passam a 6, 7 e 14 de Julho, respectivamente.

Filmes recentes

Entre o conjunto de filmes mais recentes, que dão uma visão do que tem sido feito na China e nos Países de Língua Portuguesa (PLP), encontram-se “Âmbar Azul” (Blue Amber, 2018), de Zhou Jie (China), que ganhou o prémio novo talento asiático no Festival de Cinema de Xangai; e “Jinpa” (2018), de Pema Tseden (Tibete, China), que contou com a produção de Wong Kar-Wai e venceu o Melhor Argumento do 75º Festival de Veneza. Os filmes são exibidos a 6 e 7 de Julho.

Também a 7 de Julho é projectado “Divino Amor” (Divine Love, 2019), de Gabriel Mascaro (Brasil), que foi nomeado para os Festivais de Sundance e de Berlim de 2019. O filme “Serpentário” (Serpentarius, 2019), de Carlos Conceição (Angola, Portugal), foi nomeado para o último Festival de Cinema de Berlim; “Cão Ladrando à Lua” (A Dog Barking at the Moon, 2019), de Xiang Zi, venceu de um Teddy Award, prémio especial do júri do 69º Festival de Berlim; e “Adeus, Meu Filho” (So Long, My Son, 2019), de Wang Xiaoshuai (China), arrebatou dois Ursos de Prata – Melhor Actor e Melhor Actriz – no último Festival de Berlim 2019. Os três filmes passam a 10, 13 e 14 de Julho.

Cinema de Macau

As longas de Macau chegam à tela nos dias 9, 10, 11 e 13 de Julho, dando oportunidade ao público de rever “Irmãs” (Sisterhood, 2016), da realizadora Tracy Choi; “O Amor é Frio” (Love is Cold, 2016), de Fei Ho; “Chuva Passageira” (Passing Rain, 2017), de Ka Keong Chan; e “Hotel Império” (Empire Hotel, 2018), de Ivo M. Ferreira, uma co-produção entre Portugal e Macau. Numa única sessão de curtas locais, a 16 de Julho, vai ser possível assistir aos filmes “Geração Ressaca” (The Age of Hangover, 2017), de Mike Ieong; “Ilegais” (Ilegalist, 2017), de Penny Lam; e “G.D.P.” (Grandma’s Dangerous Project, 2018), de Peeko Wong. A sessão tem 106 minutos.

Filmes de animação também fazem parte deste Festival. No dia 13 de Julho, sábado às 15h, os mais pequenos vão poder ver numa sessão única, de 37 minutos, “O Almoço de Meu Pai” (My Father’s Lunch), de Jason Pun; “O Farol” (The Lighthouse), de Jay Lei; “Céu Estrelado” (Starry Sky), de Zue Ku; “Pundusina”, de Ka Choi Lou; “Delicioso” (Delicious), de Su Kei Lam; e “O Coelho e o Crocodilo” (Rabbit Meets Crocodile), de Kin Hang Sam. As obras, de 2018 e 2019, são assinadas por realizadores locais.

O filme de encerramento é uma recente produção nacional, que fez parte dos nomeados para os Festivais Mar del Plata 2018 e Berlim 2019. “A Portuguesa” (The Portuguese Woman, 2018), de Rita Azevedo Gomes, é uma adaptação do romance do austríaco Robert Musil para um drama de época, passado no século XVI, sobre a história de uma mulher lusa que vive com o marido aristocrata no norte de Itália, até que este decide partir para a guerra. Esta sessão, a 17 de Julho às 19h30, termina o ciclo de duas semanas que passa na Cinemateca Paixão. Os filmes de abertura e de encerramento são exibidos no pequeno auditório do CCM. Os bilhetes custam 60 patacas, com diversos descontos, e já se encontram à venda.

1 Jul 2019

Fitas portuguesas preenchem fim-de-semana da Cinemateca

Três dias de filmes portugueses, curtos e longos, chegam esta sexta-feira à Cinemateca Paixão e ficam até domingo. A “Mostra de Cinema Português” traz a Macau, pela quarta vez consecutiva, os principais títulos produzidos e realizados por autores nacionais, que no ano anterior fizeram um percurso relevante em festivais e circuitos de exibição internacionais.

É o caso das fitas seleccionadas para 2019. A iniciativa, organizada pela Fundação Oriente e pela agência de cinema Portugal Film – uma extensão do Festival de Cinema Independente de Lisboa – seleccionou este ano para apresentar no território três longas-metragens e duas sessões de curtas. A primeira longa será o anunciado documentário “A Dama de Chandor” (1998), de Catarina Mourão, dia 21 de Junho às 20h30.

As longas de sábado e domingo, dias 22 e 23, são o documentário “Bostofrio, où le ciel rejoint la terre” (2018), de Paulo Carneiro, no sábado às 19h30, e o filme “Peregrinação” (2018), de João Botelho, no domingo às 20h30. O primeiro narra, em 70 minutos, a tentativa de um jovem realizador quebrar a lei do silêncio e desenterrar a história dos seus avós, que ninguém ousa comentar, numa remota vila de Trás-os-Montes. Os filhos de pai incógnito são uma realidade ainda presente em muitas regiões do país. O segundo é uma ficção sobre a lendária viagem de Fernão Mendes Pinto a terras orientais, a partir do seu livro escrito em 1570 e publicado a título póstumo em 1614. A obra, algo controversa, tem a duração de 105 minutos.

Curtas a meio da tarde

As duas sessões de curtas passam mais cedo, às 17h30 da tarde, no sábado e no domingo. No dia 22, a sessão “Curtas 1 – Amor e Juventude” reúne os primeiros filmes de cinco jovens realizadores, feitos ainda na escola de cinema ou já fora dela, com a duração total de 79 minutos. O destaque vai para os dois últimos, “Miragem Meus Putos”, de Diogo Baldaia, e “Amor, Avenidas Novas”, de Duarte Coimbra, que recolheram grandes elogios em dezenas de festivais europeus por onde passaram.

No dia 23, a sessão “Curtas 2 – Visões do Mundo”, junta quatro fitas de realizadores já à procura do seu lugar no panorama cinematográfico, e dura 84 minutos. O destaque neste grupo é “Farpões Baldios”, de Marta Mateus, que conta histórias alentejanas através dos protagonistas, resistentes da luta da reforma agrária contra os patrões latifundiários. O filme fez também longa carreira em muitos festivais europeus, asiáticos, e norte-e-sul-americanos.

As sessões da Mostra de Cinema Português são gratuitas. O público deverá aparecer à hora dos filmes, garantindo o lugar por ordem de chegada.

20 Jun 2019

Vencedor da Palma de Ouro Cannes na Cinemateca Paixão

O filme sul-coreano que venceu a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes 2019 vai ser exibido durante a próxima semana, em diversos horários, na Cinemateca Paixão. “Parasita” é o título da obra do realizador Bong Joon-ho, que foi considerada pela crítica internacional como “uma sátira social em esteróides” ou mesmo um “épico brilhante dos dias de hoje”.

Trata-se de um drama familiar que retrata bem o tema das desigualdades sociais, com um enfoque intimista e uma alta dose de suspense. O humor negro, em porções por vezes tímidas, outras vezes transbordantes, tornou o filme imprevisível e inteligente, “aplaudido calorosamente” pelo público da 72ª edição de Cannes.

Para não estragar a surpresa, os relatos da imprensa sobre as voltas que o guião dá são enigmáticos. E aconselham até o público a “saborear a preciosidade com um mínimo de informação”. Bong Joon-ho chegou mesmo a escrever uma carta aos críticos internacionais, implorando que não revelassem partes importantes do seu filme, para não arruinar a experiência aos demais espectadores.

O argumento conta a história da família unida de Ki-taek, em que todos os elementos são muito próximos, mas estão desempregados e receiam ter apenas um futuro negro pela frente. Até que o seu filho Ki-woo consegue um emprego, como professor particular de inglês de uma jovem de família rica, os Park. Enquanto os primeiros habitam numa escura e sórdida cave, infestada de baratas, os Park vivem numa sumptuosa casa com jardim e respectivas mordomias.

Ki-woo rapidamente se aproveita da situação, conseguindo através de subterfúgios contratar a irmã, o pai e a mãe para servirem na mansão dos Park, mas a chegada da família de golpistas precipita situações incontroláveis e nem tudo correrá como previsto para os novos parasitas.

“Escrito, realizado e interpretado na perfeição”, segundo a crítica de Cannes, o “argumento é excelente e os actores são globalmente extraordinários”. Bong Joon-ho assina não só a realização do filme, mas também o argumento em parceria com Han Jin-won. Os actores são Song Kang-ho no papel do patriarca, Jang Hye-jin interpreta a mulher deste, Choi Woo-sik e Park So-dam são respectivamente o filho e a filha do casal.

Cineasta sociólogo

O realizador Bong Joon-ho, que nasceu numa família da elite coreana, começou por se formar como Mestre em Sociologia antes de seguir a sua verdadeira vocação, o cinema. Após passar pela Academia Coreana de Artes Cinematográficas, começou a realizar filmes em 1994. Os mais conhecidos títulos da sua carreira eram, até à Palma de Ouro de 2019, os filmes “Cão Que Ladra Não Morde” de 2000 e “Okja” de 2017, um surrealista e o outro fantástico, este último chegando a gerar alguma polémica.

A controvérsia de “Okja” aconteceu também em Cannes, por ser uma fita apresentada na plataforma Netflix, na altura muito criticada sobre se poderia ser considerada um “verdadeiro filme”.

“Parasita” tem a duração de 132 minutos e chega agora à sala da Cinemateca Paixão. As sessões decorrem de 22 de Junho a 7 de Julho, em diferentes horários, e os bilhetes encontram-se à venda no local e na página web oficial.

18 Jun 2019

Ciclo afro-americano na Cinemateca Paixão em Junho

Os últimos filmes de Spike Lee e de Barry Jenkins, dois nomes de destaque do cinema afro-americano, vão estar na mostra “Black is Beautiful” que inaugura sexta-feira na Cinemateca Paixão. Cinema de excelência é no mês de Junho

 

A Cinemateca Paixão inaugura o ciclo de cinema afro-americano “Black is Beautiful”, que decorre de 7 a 20 de Junho em Macau, com festa, filmes e conversas sobre a cultura e a sociedade negra dos Estados Unidos da América. São 10 títulos de excelência que prestam tributo à crescente popularidade do cinema feito por cineastas de etnia africana, com filmes de referência, clássicos e actuais, premiados nos mais importantes festivais da especialidade.

“Já era altura”, explicou a directora da Cinemateca, Rita Wong, “de reunirmos um conjunto de filmes de importantes realizadores afro-americanos, num ciclo temático que representasse a qualidade das produções que têm sido feitas nos últimos anos”. A vontade vem desde há dois anos atrás, quando o filme “Moonlight” (2016), de Barry Jenkins, venceu o Óscar de Melhor Filme da Academia, ao mesmo tempo que o documentário “I’m Not Your Negro” (2016), de Raoul Peck, sobre a vida do escritor e activista James Baldwin, também nomeado para Melhor Documentário aos Óscares da 89ª Cerimónia da Academia de Cinema e vencedor na mesma categoria dos Prémio BAFTA, ambos anteriormente exibidos na Cinemateca.

O projecto “Black is Beautiful” é assinado pelo curador Francisco Lo, “com quem temos trabalhado já em diversas ocasiões, nomeadamente no ciclo que fizemos no ano passado sobre o Novo Cinema Americano, com diversas produções independentes norte-americanas. Ele tem estudado e trabalhado muitos anos como crítico de cinema nos EUA, por isso está bem familiarizado com este cinema de cultura negra, que é hoje uma tendência que desperta enorme interessante, um cinema maduro e experiente, que achámos que merecia uma maior atenção do nosso público em Macau”, sublinhou Rita Wong.

O ciclo é especial e começa logo em clima de festa, com a presença dos DJs convidados de Hong Kong, Kong Matt Force e Fotan Laiki, que são prova de que a cultura pop urbana, como o rap e o hip-hop, evoluíram desde as raízes negras do Bronx até se tornarem num fenómeno global. “Na mostra também vamos conhecer melhor esta cultura, de dentro para fora. Quando escolhemos os filmes, procurámos cobrir diferentes áreas, como a música, os movimentos artísticos, a literatura, a vida em sociedade, todos dirigidos por realizadores afro-americanos, homens e mulheres”, segundo revelou.

O filme de abertura é o mais recente do realizador Spike Lee, “BlacKKKlansman” (2018), que venceu o Grande Prémio de Cannes em 2918 e o Melhor Argumento Adaptado nos Óscares de 2019, baseado na história verídica de um detective policial negro que se infiltra com sucesso, por via telefónica, na Klu Klux Klan. O cineasta volta a bisar nesta mostra com “Do The Right Thing” (1989), sobre o crescendo de tensão e violência, entre negros, brancos, porto-riquenhos e coreanos, num dia demasiado quente em Brooklyn. Exibido três décadas antes, o filme, nomeado em várias categorias aos Óscares e Golden Globes, sairia das passadeiras vermelhas de mãos abanar.

Aos pares

Pela longa e extraordinária carreira de 40 anos, como realizador, produtor, argumentista e actor, Spike Lee tem nesta mostra lugar de destaque, contador por excelência de histórias de conflitos raciais, pesando nas consciências de Hollywood com os temas incómodos do seu país. Os dois filmes, antigo e recente, integram o primeiro dos cinco pares de títulos em que esta mostra está organizada: Um clássico e um Vencedor, Rebelião de L.A., Afro-Futurismo, Estranhos Companheiros de Cama, e Vencidos Pela Lei.

“O curador teve esta ideia interessante, de colocar cada par de filmes numa espécie de confronto, como se fosse um jogo de basquetebol da NBA, muito característico da cultura norte-americana.

Os pares têm, cada um, uma unidade temática, que os relaciona por razões de semelhança ou contraste, em comparações destinadas a criar uma certa química entre eles”, explicou a directora.

Pela ordem acima descrita, o segundo par em confronto é “Killer of Sheep” (1978), de Charles Burnett, sobre os altos e baixos de um trabalhador de matadouro que luta com a família pela sobrevivência num bairro de Los Angeles, e “Daughters of the Dust” (1991), de Julie Dash, sobre uma comunidade descendente de escravos das Sea Islands, na costa da Carolina do Sul, que tenta resistir e preservar a sua cultura e património.

O terceiro par opõe “An Oversimplification of Her Beauty” (2012), de Terence Nance, sobre a sensação de se ficar pendurado num encontro, com a divagação fantasiosa que daí resulta, a “Sorry to Bother You” (2018), de Boots Riley, em que o protagonista, cansado de maus empregos, aprende a usar a sua “voz branca” ao telefone para ascender ao lugar de vendedor de topo.

O quarto par junta “Losing Ground” (1982), de Kathleen Collins, sobre uma mulher negra culta, contadora de histórias de humor e reflexão social, numa interessante comédia cerebral, e “Chameleon Street” (1990), de Wendell Harris Jr, baseado na história de vida de um embusteiro que, entre outras coisas, se fez passar por repórter, cirurgião e advogado, até a lei o apanhar. Foi vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival Sundance de 1990.

O quinto par une os filmes “Fruitvale Station” (2014), de Ryan Coogler, sobre um jovem negro que é abatido por um agente policial numa estação ferroviária de Oakland, um problema de brutalidade e preconceito racial tão comum na América, e “If Beale Street Could Talk” (2018), de Barry Jenkins, a mais recente obra do realizador do oscarizado “Moonlight”, que conta uma história de amor intimista, passada nos anos 70, antes de sofrer uma grande reviravolta em busca do triunfo contra o ódio e a injustiça. O argumento é adaptado do romance homónimo de James Baldwin.

Conversas à parte

Haverá ainda tempo para uma conversa, no dia 15 (sábado) às 16h30, com o curador Francisco Lo e Derek Lam, da Universidade de Hong Kong, que tencionam apresentar o tema “Essa Cena É Minha! – Porque a Arte Negra Importa” e debater com o público sobre o futuro do cinema afro-americano e as implicações sociais, políticas e artísticas na sociedade americana e não só. A entrada da palestra é livre, mas os lugares estão sujeitos a reserva antecipada por telefone.

Quem não pretende perder um fotograma deste festival é a própria directora, Rita Wong, que não elege favoritos, mas confessou que “vou estar muito atenta ao filme do dia 8 de Maio, “If Beale Street Could Talk”, porque gosto muito do realizador e tenho grandes expectativas em relação ao filme, que ainda não vi. Nesse dia vou reservar o melhor lugar da sala para mim…”, gracejou.

Todos os títulos serão exibidos duas vezes durante o festival. Os bilhetes já se encontram à venda, ao preço de 60 patacas.

 

Filmes em Cartaz

“BlacKKKlansman” (O Infiltrado, 2018) de Spike Lee
7 Junho 16H00 | 11 Junho 19h30

“Do The Right Thing” (Não Dês Bronca, 1989) de Spike Lee
7 Junho 19h00 | 16 Junho 21h30

“Losing Ground” (Perdendo Terreno, 1982) de Kathleen Collins
8 Junho 16h30 | 12 Junho 19h30

“If Beale Street Could Talk” (Se Esta Rua Falasse, 2018) de Barry Jenkins
8 Junho 21h30 | 13 Junho 19h30

“Killer of Sheep” (O Matador de Ovelhas, 1978) de Charles Burnett,
9 Junho 16h30 | 15 Junho 19h30

“Daughters of the Dust” (Filhas do Pó, 1991) de Julie Dash
9 Junho 21h30 | 16 Junho 14h30

“Fruitvale Station” (A Última Paragem, 2014) de Ryan Coogler
14 Junho 19h30 | 18 Junho 19h30

“An Oversimplification of Her Beauty” (Uma Simplificação Excessiva da Sua Beleza, 2012), de Terence Nance
15 Junho 14h30 | 20 Junho 21h30

“Chameleon Street” (Street, O Camaleão, 1990) de Wendell Harris Jr
15 Junho 21h30 | 20 Junho 19h30

“Sorry to Bother You” (Desculpe Incomodar, 2018) de Boots Riley
16 Junho 17h00 | 19 Junho 19h30

28 Mai 2019

Cinemateca Paixão | Abertas candidaturas para exibição de filmes locais

Estão abertas as candidaturas a cineastas locais para apresentação de trabalhos produzidos desde 2017, na Cinemateca Paixão nas rúbricas “Poder do Cinema Independente Local” e “Panorama do Cinema de Macau 2019”. De acordo com um comunicado, as candidaturas estão abertas, até 8 de Março, a longas metragens, documentários e cinema de animação. A exibição dos filmes vencedores vai abrilhantar o cartaz de um festival que vai decorrer entre 18 Maio e 1 de Junho.

As últimas duas edições de “Panorama do Cinema de Macau” contaram com “numerosas e notáveis produções locais, de longas a curtas metragens, que assim foram trazidas ao público de Macau”, refere a organização.

Albert Chu, Director Artístico da Cinemateca, salienta, que “este ano será a terceira edição do ‘Panorama do Cinema de Macau’”, o que representa um sucesso, e que “graças à sessão ‘Poder do Cinema Independente Local’, o público poderá ter um conhecimento mais profundo” do que se faz em cinema em Macau.

O objectivo da iniciativa é “encorajar os cineastas independentes locais a apresentar os seus trabalhos”.

21 Fev 2019

Cinemateca Paixão | Primeiro filme de Ivo Ferreira exibido este fim-de-semana

No próximo sábado e domingo, “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau”, o primeiro filme de Ivo Ferreira, volta ao ecrã da Cinemateca Paixão, 22 anos depois da estreia

Macau foi a primeira musa e o cenário que marcou o início da carreira de Ivo Ferreira. Em 1997, o realizador estreava o filme que lançaria a sua carreira, “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau”, que viria a vencer o Prémio do Público do VII Encontros Internacionais de Cinema Documental da Malaposta e o Prémio de Documentário Caminhos do Cinema Português.

A obra cinematográfica será exibida na Cinemateca Paixão no sábado e domingo, depois de ter sido exibida também no fim-de-semana passado. As sessões estão marcadas para as 13h.

O filme inaugural do realizador português é um ensaio sobre diversas formas de viver em Macau, formando um mosaico de diversas cenas e pequenas histórias que se interligam entre si de forma harmoniosa. A lente de Ivo Ferreira segue um idoso que para vender jornais tem de percorrer a cidade de bicicleta. Seguindo o quotidiano do protagonista, ao longo de 24 horas, a narrativa fica algures no limbo entre a ficção e o documentário, perfumada pelo exotismo oriental.

O protagonista do filme é um vendedor de jornais e a sua vida mistura-se com a vida de Macau. Ao longo do dia, o quotidiano real do velhote cruza-se com cinco pequenas cenas ficcionadas, com que se depara por acaso.

Gente comum

Em comunicado que apresenta o filme de Ivo Ferreira, a Cinemateca Paixão refere que “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau” parte de uma “perspectiva e sensibilidade únicas de um estrangeiro” e da vida de “um homem de idade avançada percorrendo as ruas e ruelas de Macau” onde se cruza com gente comum como “vendedores de rua, vendedores de peixe nos mercados e prostitutas nas discotecas”.

Além da possibilidade de assistir ao filme de estreia de Ivo Ferreira, “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau” é uma forma de revisitação da paisagem urbana da Macau de há 20 anos, algo que constitui uma extraordinária experiência visual.

24 Jan 2019

Cinemateca Paixão apresenta filmes de Pedro Almodóvar

O cineasta espanhol será a figura de destaque do primeiro festival da Cinemateca Paixão deste ano. “Amor Almodóvar” promete trazer os principais filmes do realizador, que serão exibidos entre 16 de Fevereiro e 3 de Março

 

O universo louco e complexo do cineasta espanhol Pedro Almodóvar vai estar em destaque no primeiro festival do ano organizado pela Cinemateca Paixão. Os principais filmes do realizador, que venceu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro com a película “Tudo sobre a minha mãe”, vão ser exibidos entre os dias 16 de Fevereiro e 3 de Março.

Além desse filme premiado, que data de 1999, o público vai poder ver “Fala com Ela”, de 2002, e “Volver”, protagonizado por Penélope Cruz, uma das musas de Almodóvar, e que data de 2006.

Além de “Julieta”, o último filme do realizador, os espectadores poderão também conhecer os primeiros filmes feitos na década de 80, tal como “A Lei do Desejo”, protagonizado por António Banderas e Eusebio Poncela, “Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos” e “Que Fiz Eu Para Merecer Isto?”, ambos protagonizados por outra das suas musas, Carmen Maura.

Na perspectiva dos gestores da Cinemateca Paixão, este festival “é uma das mais completas retrospectivas da obra de Almodóvar no universo de língua chinesa até ao momento”. Dada a importância do evento, cada filme será exibido em duas sessões.

Emoções fortes

Pedro Almodóvar nunca estudou cinema devido a dificuldades financeiras. As primeiras experiências na área começaram com uma câmara Super 8, e foi com ela que filmou o seu filme de estreia, “Pepe, Luci, Bon e as garotas de montão”, datado de 1980. Seguiu-se “O Labirinto das Paixões”, de 1982, e a partir daí o realizador começou a ser conhecido fora de Espanha.

Os responsáveis pela organização do festival consideram-no “um dos mais importantes realizadores de Espanha e Europa”, sendo que “os seus filmes são marcados pelo uso de cores fortes, radicais alterações emocionais e humor desbragado”.

Os filmes são “variadíssimos, com mulheres inteligentes e sofisticadas até famílias com complexos problemas de vida e morte e apaixonadas amantes lésbicas”. Além disso, “têm sido extraordinariamente bem recebidos pela crítica e pelo público graças aos seus característicos elementos cinemáticos, que incluem um guarda-roupa espampanante e cenários fantásticos, piadas hilariantes, envolvente música espanhola para guitarra e comoventes histórias de mulheres”.

Além da exibição dos filmes o festival conta com uma palestra onde se irá abordar a obra do realizador espanhol, protagonizada por Ka Ming, crítico de cinema de Hong Kong.

“Abram Alas a Pedro Almodóvar: O Génio Heterodoxo do Cinema Espanhol” acontece no dia 17 de Fevereiro entre as 15h00 e 16h30, e a participação do público está sujeita a uma inscrição prévia. No dia anterior acontece uma festa de abertura com música espanhola ao vivo, que se irá centrar “nos fascinantes elementos e temas cinemáticos na obra de Almodóvar” e que “abrirá o apetite do público para a louca magia cinematográfica de Almodóvar antes da película de abertura”.

17 Jan 2019

Personalidades do ano de 2018

PAULO CARDINAL E PAULO TAIPA

Os dois juristas portugueses da Assembleia Legislativa, agora de saída, desempenharam durante largos anos a sua função com competência, profissionalismo e lealdade. Paulo Cardinal e Paulo Taipa são um excelente exemplo da presença da comunidade portuguesa em Macau, na medida em que souberam resistir à transferência de soberania e foram reconhecidamente fundamentais para os trabalhos jurídicos da nascente RAEM. Neste ano de 2018, o seu anunciado afastamento da Assembleia Legislativa, onde recebiam o apreço da generalidade dos deputados, provocou ondas variadas e levantou muitas questões. A menor das quais não será: estarão as famílias portuguesas a prazo na RAEM, se a sua sobrevivência depender da administração? E outra que a complementa, mais incisiva: não haverá mais lugar para portugueses como consultores do Governo de Macau? Se profissionais do calibre de Paulo Cardinal e Paulo Taipa foram dispensados ao fim de longos anos de dedicação e serviço, durante os quais a sua competência e a sua seriedade nunca foram postas em causa, o que dizer de outros e do futuro? Aos dois juristas e cidadãos, o Hoje Macau agradece o trabalho efectuado, que sempre dignificou o nome da comunidade portuguesa e foi de uma extrema utilidade para a RAEM, com esta singela homenagem.

 

POLÍTICO DO ANO – HO IAT SENG

Quando saiu da reunião em Pequim, Ho Iat Seng não conseguia esconder o facto de ter sido abençoado. E, a partir daí, as suas palavras, os seus actos e as suas decisões ganharam um novo peso. O peso de quem (quase todos acreditam) poderá ser o próximo Chefe do Executivo da RAEM. Sobre ele, enquanto político, pouco haverá para dizer. Não se lhe conhecem convicções, visões, causas, ideologias. O que não é nada de novo na margem Oeste do Rio das Pérolas. 

GOVERNANTE DO ANO – WONG SIO CHAK

É o governante que, com mais facilidade, leva a água ao seu moinho, mói o pão, leva-o ao forno e mastiga-o, ainda quentinho, com prazer. Nota 10 em termos de protecção civil. Já outros aspectos das suas ambições, como tornar Macau numa cidade excessivamente securitária, etc, etc levantam algumas dúvidas e temores entre os que pugnam por uma sociedade mais liberal, onde o segundo sistema realmente funcione em pleno e os cidadãos gozem de todas as garantias proporcionadas pela Lei Básica.

GCS

REVELAÇÃO – SERVIÇOS DE PROTECÇÃO CIVIL

O tufão veio, soprou forte e muitos esperavam o mesmo desastre ocorrido quando da passagem do Hato. Mas os Serviços de Protecção Civil demonstraram ter aprendido a lição e tudo correu surpreendentemente bem. Isto é a prova que, quando as coisas são previstas e preparadas com antecedência e racionalidade, até em Macau podem correr bem, com profissionalismo e dedicação. Nestes dois capítulos, os Serviços de Protecção Civil foram exemplares e com a sua acção proporcionaram à cidade uma sensação de segurança, que se houvera esvaído no ano anterior.

DESILUSÃO DO ANO – ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DE MACAU

Não conseguir que o Benfica, campeão de Macau, participe na Taça AFC foi uma verdadeira desilusão. Até porque o clube, liderado por Duarte Alves, realizou um investimento que lhe permitia levar e dignificar o nome de Macau num importante palco. Assim não vai ser por razões que escapam à razão e se devem anichar noutro canto da alma humana. Lamentável.

EVENTO DO ANO – BIENAL FEMININA

Macau abriu um novo capitulo das artes plásticas da Ásia ao fundar esta bienal exclusivamente dedicada a artistas do sexo feminino. E o resultado foi um sucesso, pois proporcionou uma excelente ocasião para conhecer o que se anda a fazer por aí. Ter conseguido o “apadrinhamento” de Paula Rego foi um golpe genial. Estão de parabéns todos os organizadores, nomeadamente os “pais” da ideia: Lina Costa e José Duarte.

INSTITUIÇÃO DO ANO – CINEMATECA PAIXÃO

A nossa cinemateca, recentemente criada, está espectacular. Excelente programação, que nos traz cinema importante, passado e presente, do Ocidente e Oriente, e que assim preenche um vazio, um buraco negro na oferta cultural de Macau porque as salas “normais” não chegam. Alberto Chu e a sua equipa não estão apenas de parabéns. Dão um exemplo fantástico de como as coisas devem ser feitas.

BRONCA DO ANO – ROTA DAS LETRAS

A proibição de entrada em Macau (ou a sua sugestão) de três escritores convidados pela organização do festival literário foi uma péssima surpresa. Jung Chang havia estado em Hong Kong sem que tal tenha causado problemas à “segurança nacional”. Contudo, o pior de tudo isto foi que se tratou de um primeiro caso no que toca a escritores. Esperemos que fique por aí.

FIGURA INTERNACIONAL DO ANO – JAMAL KHASHOGGI

O jornalista árabe foi barbaramente assassinado no consulado do seu país, a Arábia Saudita, em Istambul. O facto mostrou a face bárbara do regime saudita, com o qual é cada vez mais difícil conviver. Mas o que a morte de Jamal Khashoggi demonstrou é que o mundo está cada vez mais nas mãos de governantes que não hesitam em eliminar fisicamente os que não lêem pela sua cartilha. O líder do Ocidente, Donald Trump, nem perante as evidências prestadas pela CIA se atreveu a condenar os responsáveis. Os nossos valores são espezinhados. Money rules.

EXCESSO DO ANO – SEGURANÇA NACIONAL

Numa cidade tão patriótica como Macau parecem excessivos os cuidados com a segurança nacional. A fronteira continua a não deixar entrar alguns compatriotas de Hong Kong e de Taiwan sem que seja dada uma outra explicação além da cabalística “segurança nacional”. Enfim, defender a pátria tudo bem, mas dentro dos limites do segundo sistema que ela mesmo impõe, se faz favor.

LIVRO DO ANO – O SILÊNCIO DOS CÉUS, DE FERNANDO SOBRAL

Fernando Sobral é um escritor e crítico literário sobejamente conhecido em Portugal. Agora tivemos a sorte de ter voltado os seus olhos para Macau, talvez pela mão sempre dedicada de Rogério Beltrão Coelho, e ter produzido um excelente romance que usa esta cidade e a sua história como pano de fundo de uma narrativa que se sorve de um fôlego. A não perder.

EXPOSIÇÃO DO ANO – MARC CHAGALL

É isto. É este tipo de exposições, de grandes artistas internacionais, que Macau também tem a obrigação de proporcionar aos seus cidadãos. Uma cidade com tantos recursos disponíveis tardou em trazer-nos algo desta indiscutível qualidade. A ver vamos o que nos calha para o ano.

ACIDENTE DO ANO – SOPHIA FLOERSCH

O vídeo do acidente da jovem de 17 anos Sophia Floersch deve ter sido um dos mais vistos do ano na internet. Estava praticamente no portal de todos os jornais de circulação mundial. Sophia foi corajosa e comedida nas suas declarações, mostrando vontade de voltar a correr no Circuito da Guia.

 

PRÉMIOS ESPECIAIS 2018

 

PASSA POR MIM NO ROSSIO DO ANO – Ponte HKZM

É a grande obra de um regime por edificar, conhecido por Grande Baía. Aberta sem demasiadas fanfarras, não se tem revelado uma opção pacífica para quem ousa atravessar a maior ponte do… blá blá blá

IMPORTA-SE DE REPETIR? DO ANO – MAK SOI KUN

O deputado espantou o mundo e a Assembleia Legislativa com a sua astuta reivindicação de papel higiénico para as casas de banho públicas. Perante tamanha argúcia, entreabriram-se as bocas de espanto e de admiração.

SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO DO ANO – HOTEL 13

Foi anunciado como o hotel mais luxuoso do mundo, para super ricos e outros animais de grande porte. Mas já lá vão uns aninhos que para ali está, aparentemente terminado e mobilado, e não abre nem vem abaixo. O número 13 deu azar?

PEITO ÀS BALAS FEITO DO ANO – PEDRO LEAL E JORGE MENEZES

Quando alguns advogados se apressaram a tirar o cavalinho da chuva, quando contactados para defender o deputado Sulu Sou, estes dois causídicos não hesitaram e subiram à tribuna para o representar. E tiveram a oportunidade (e o descaramento) para pôr alguns pontos nos is.

O VALENTE DO ANO – SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA

Ele teve coragem e tentou, é certo. E só isso merece algum destaque. Contudo, a sua candidatura à presidência da Associação dos Advogados de Macau não chegou a levantar voo. Valores mais altos imediatamente bateram as asas e ocuparam os céus da advocacia local.

DESCULPEM LÁ QUALQUER COISINHA DO ANO – RAIMUNDO DO ROSÁRIO

O secretário para os Transportes e Obras Públicas tem muitas razões para pedir desculpa à população. E foi o que ele fez com todas as letras e mais algumas. Os deputados ouviram, abanaram as cabeçorras e a vida continuou o seu imparável curso.

ISTO NUNCA FOI VISTO DO ANO – VÍTOR SERENO

Pela primeira vez, o Governo da RAEM distinguiu um diplomata português com uma medalha. Vítor Sereno teve a arte de agradar a portugueses e chineses, sobretudo pelo modo como se empenhou na realização do seu trabalho e pela afabilidade a todos demonstrada.

EPURE SE MUOVE DO ANO – HOSPITAL SÃO JANUÁRIO

As queixas são mais que muitas em relação ao hospital público, mas o modo como tratou da acidentada Sophia Floersch reabilitou a imagem de uma instituição que tem sido atacada por várias frentes e que, aos poucos, perdeu a confiança da população.

AINDA SE PODE FALAR? DO ANO – PROGRAMA CONTRAPONTO

É um espaço singular de opinião da nossa TDM e que bravamente desafiou o passar do tempo. Gilberto Lopes consegue fazer variar o painel de comentadores cujas palavras e ideias, dizem, ecoam em Pequim.

2 Jan 2019

Especial 2018 | Cultura: Um oásis no deserto

Se por um lado há muito a apontar à cultura ou à falta dela no território, por outro é pertinente salientar o que consegue vingar, tratando-se de um lugar que por princípio lhe é hostil. Onde param as demonstrações culturais, sejam elas de que origem forem, num pequeno território governado por casinos e turistas consumidores de cosméticos?

A cultura é uma espécie de oásis que consegue, quase despercebida, emergir, lutando contra as forças de um deserto de gente poderosa que não quer saber dela. Apesar das dificuldades, há áreas que são de destaque e que, gradualmente, assumem um lugar digno, apesar de muitas vezes negado.

Neste ano que chega ao fim, a sétima arte ocupa o pódio no que respeita a cartazes, e mais importante, na sua capacidade de chamar as pessoas às salas da cidade.

Mas vejamos.

Macau conseguiu levar avante um festival internacional de cinema, que mais parecia ter nascido morto. O que parecia impossível, acabou por acontecer. Depois de uma primeira edição que nada tinha de auspicioso, o evento não só se manteve como, dois anos depois, nesta terceira edição, se conseguiu afirmar. Mais: conseguiu mostrar que não era mais um. Conseguiu garantir que podia ser bom. Mike Goodrige e Helena de Senna Fernandes estão de parabéns. O cartaz não desiludiu. Filmes como “Roma”, “Diamantino”, “A favorita” ou “The green book” foram exibidos por cá depois de passarem em ecrãs como Cannes, Berlim ou Veneza e antes de serem nomeados para os melhores dos óscares ou do ano.

Festival com público

Além do que está na tela, parece que o evento está a conquistar o público. Se na estreia, em 2016, as salas estavam tristemente vazias, com o andar das edições os auditórios do Centro Cultural de Macau, da Paixão e da Torre esgotam, ou se isso não acontece, estão pelo menos bem compostos por públicos diversos, reflexo de quem cá mora.

O festival é pontual, mas a cinemateca Paixão é presença permanente e nome a considerar para quem gosta da sétima arte. Apostada e convicta em manter uma programação que nem sempre é para todos os gostos, mas que sem duvida inclui os filmes de referência a nível internacional, a Paixão aqui salta poros fora e mostra-se. O grande ecrã é acarinhado regularmente com uma programação de luxo, não só para Macau, mas que poderia estar em qualquer cartaz de uma cidade internacional. Ali, na Travessa homónima, aquela sala pequenina peca por não ser a dobrar ou a triplicar.

Celebrado o primeiro ano de actividade da Cinemateca em 2018, a dupla de programadores Rita Wong e Albert Chu merece os parabéns. Por ali passaram filmes de animação, documentários, curtas e independentes. Houve espaço para o mundo com ciclos dedicados ao cinema do Estados Unidos ou de Portugal. Deu-se destaque a alguns dos melhores realizadores da praça como David Lynch e Kore-eda. Macau e o seu ainda embrionário cinema também teve direito a uma programação própria. Até a gastronomia fez parte de um cartaz na celebração do primeiro aniversário da cinemateca, e não foi preciso andar por aí a falar de capitais de tudo e de nada para juntar sabores e imagens.

Filmes à parte, as demonstrações culturais continuaram a passar obrigatoriamente pelas iniciativas de matriz portuguesa. Acontecem todos os anos e há mesmo quem diga, com ar aborrecido: “Lusofonia outra vez? São João?”. Pois sim, é isso mesmo e é lá que se junta muito do que é a identidade local.

As casas da Taipa e a zona de São Lázaro voltaram este ano a ser palco de encontros, os do costume e outros, com as comunidades que partilham desta terra. Trazem o sabor da sardinha, trazem música do mundo ou do arraial. Trazem o que Macau é: esta mescla de gentes, que deve ser respeitada e recordada.

Música para si

E como estamos a falar de oásis no deserto, é tempo de falar de música. O festival de música de Macau é uma referência que se mantém, já faz parte do protocolo. É bom, mas não chega.

Apesar das queixas dos vizinhos, a Live Music Association (LMA) continuou a ser a alternativa para quem quer marcar o quotidiano com uma ida a um concerto. Num deserto de opções, o 11º andar da Coronel Mesquita conseguiu, durante mais um ano, abrir portas e arriscar. Entre uma programação semanal, Vincent Cheang consegue ter ali espaço para a diversidade, consegue ter “O gajo” a tocar viola campaniça, os “Re-Tros” com as sonoridades pós-punk de Pequim, as bandas dos países nórdicos europeus com minimalismos tecnológicos, o punk dos “Lonely Leary”, o rock, o jazz e até o cabaret. Bem-haja.

Por outro lado, e com agenda marcada uma vez por ano, o “This is My City” (TIMC) também fez a sua parte nisto de trazer música aos de cá. O evento usou efectivamente o território como um local onde a cultura musical do continente se apresentou a par com sons de Portugal e locais. Sem utilizar a palavra bem-amada dos governantes – plataforma – o TIMC concretiza de alguma forma este objectivo. Não é preciso dizer nada, é preciso fazer. O TIMC fez.

Também sem precisar de etiquetas e chavões, destacou-se mais uma vez o Festival Literário Rota das Letras, um espaço em que convergem as literaturas do mundo e que na edição deste ano acabou por ser assombrado pela impossibilidade da presença de alguns autores “controversos” – Jung Chang, James Church e Suki Kim – o que valeu a demissão do seu director artístico Hélder Beja. Ainda assim, o Rota das Letras foi o evento literário do ano – e único – que junta géneros e autores, e isso ninguém lhe tira.

O teatro, por seu lado, manteve-se escondido nas vicissitudes linguísticas. A culpa não é dele. Não é de ninguém. Mas além do que vem de fora, o que se fez por cá continua a carecer de uma divulgação multilingue capaz de levar outras comunidades a ver as peças do Teatro experimental ou a assistir a uma encenação da Comuna de Pedra.

As faltas são ainda muitas no que respeita a iniciativas culturais neste pequeno território, é um facto. Mas no final de mais um ano em que houve tantos a fazerem o que podiam, é necessário o devido reconhecimento. Não é fácil ser terreno fértil em solo contaminado.

2 Jan 2019

Pun-Leung Kwan é o próximo cineasta residente da Cinemateca Paixão

A Cinemateca Paixão realiza entre 12 e 19 de Janeiro a terceira edição do programa cineasta residente, sendo que desta vez o convidado é Pun-Leung Kwan, de Hong Kong. De acordo com um comunicado da própria cinemateca, esta iniciativa inclui a realização de workshops de cinematografia e palestras com a presença de Pun-Leung Kwan.

O cineasta de Hong Kong colaborou com outros realizadores aclamados da região vizinha como Wong Kar-Wai, Stanley Kwan Kam-Pang e Ann Hui. Kwan trabalha não só em produções cinematográficas premiadas, mas o seu entusiasmo também se estende à fotografia, curtas metragens e realização de documentários.

A palestra de Pun-Leung Kwan acontece a 13 de Janeiro, entre as 15h00 e 17h00, e intitula-se “Os Meus Encontros Cinematográficos”. A ideia é partilhar as inspirações que a aprendizagem da cinematografia lhe proporcionaram em diferentes fases da sua carreira, contando com Nicole Chan como oradora convidada.

Para participar nesta actividade, será necessária a inscrição, gratuita, até ao próximo dia 10 de Janeiro, por email. O workshop, por sua vez, acontece entre os dias 18 e 20 de Janeiro, e também acontece mediante inscrição e pagamento de 600 patacas. Serão aceites apenas cinco pessoas para esta actividade.

Filmes e documentários

O leque de actividades fica completo com a exibição de vários filmes da autoria de Pun-Leung Kwan ou que contaram com a sua colaboração. Incluem-se os documentários premiados como “Solto no Vento”, co-realizado com Hsiu-Chiung Chiang, e “2046”, no qual trabalhou como director de fotografia com Christopher Doyle. Nesta película, ambos ganharam o prémio de melhor cinematografia na 24ª edição dos Prémios de Cinema de Hong Kong. Os filmes “Miao Miao” e “Mais Que Azul”, nos quais Kwan trabalhou como director de fotografia, também serão exibidos na cinemateca.

18 Dez 2018

Cinemateca Paixão | Festival “Fora de Horas” a partir de sexta-feira

 

O “Fora de Horas – Festival de Cinema Fantástico ao Fim da Noite” arranca esta sexta-feira, com a chancela da Cinemateca Paixão. O cartaz promete mostrar “oito filmes bizarros de diversas partes do mundo”, sempre à meia noite

 

Cinema do outro mundo, na calada a noite, atrás das Ruínas de São Paulo? Se a proposta parece tentadora, é melhor apontar na agenda o evento que começa a partir de sexta-feira, com a chancela Cinemateca Paixão. O festival “Fora de Horas – Festival de Cinema Fantástico Ao Fim da Noite” arranca no dia 31 deste mês e promete mostrar ao público “oito filmes bizarros de diversas partes do mundo”, todos os dias até 22 de Setembro.
De acordo com um comunicado da Cinemateca Paixão, este festival acontece “sob a égide do culto e do suspense”. “Desfrutar de um filme com outros à meia noite ou depois da hora normal de ir dormir mergulha-nos numa fantástica dimensão de puro divertimento”, apontam os organizadores.
O primeiro filme a ser transmitido na sala da Cinemateca Paixão intitula-se “Hereditário” e é considerado por alguma parte da crítica como “a melhor película de terror deste ano”. “Os amantes de sangue adorarão Cru, a nova obra da realizadora francesa Julia Ducournau”, acrescenta o comunicado, que fala ainda do filme “Os Rapazes Selvagens”, destinado aos “anti-tradicionalistas”, sendo uma “elegante e pouco habitual abordagem do travestismo misturado com a história de jovens sobreviventes numa ilha deserta”.
O cartaz do “Fora de Horas” inclui ainda a “comédia choque” intitulada “Female Trouble”, de John Waters, conhecido como o “Papa do Lixo”. Na visão dos organizadores deste festival de cinema fantástico, Waters consegue “transformar o chamado ‘mau gosto’ em algo de tão perversamente desfrutável”, que é impossível resistir.

Dude fora de horas

“Miami Connection”, outra das películas que figuram no cartaz do festival, é um “filme culto de acção realizado pelo mestre de taekwondo Y. K. Kim”.
Os organizadores da iniciativa destacam ainda “outra obra de culto a não perder”, com o nome “Uma História de Desgosto e Tristeza”, um “filme erótico sobre uma golfista realizado por Seijun Suzuki”.
O “Fora de Horas” apresenta ainda a comédia “O Grande Lebowski”. O filme estreou há 20 anos mas continua a ser alvo de culto por parte de uma legião de fãs que chega mesmo a organizar uma convenção de “dudes”, o carismático personagem principal, interpretado por Jeff Bridges. A organização considera a exibição deste clássico, realizado pelos irmãos Cohen, como “um outro ponto alto do festival”.
“Teremos também uma oportunidade de ouro para apreciar no grande ecrã “A Montanha Sagrada”, realizada pelo pioneiro de culto Alejandro Jodorowsky”, acrescenta o comunicado.
As sessões, sempre à meia noite, acontecem todas as sextas-feiras e sábados. Os bilhetes estão à venda desde quinta-feira, no balcão ou no website da própria Cinemateca Paixão. Cada bilhete custa 60 patacas.

27 Ago 2018

Cinemateca Paixão | Filmes de animação chegam à tela em Agosto

Um total de 14 filmes de animação compõem o cartaz do “Festival de Animação Mundial de Verão”, que estará em exibição na Cinemateca Paixão. A curadoria está a cargo de Jonathan Hung, de Hong Kong

 

Depois dos filmes portugueses e dos documentários, a Cinemateca Paixão prepara-se para apresentar um novo cartaz a pensar nas férias de Verão dos mais pequenos. O “Festival de Animação Mundial de Verão” acontece entre os dias 11 e 26 de Agosto e apresenta 14 filmes de animação, num trabalho de curadoria de Jonathan Hung, de Hong Kong.

De acordo com um comunicado, este festival “traz 14 notáveis animações com uma grande variedade de temas e estilos, que nos garantirá uma maravilhosa viagem ao mundo da fantasia”. Além disso, “pais e filhos poderão aprender a realizar animações simples no ‘Workshop de Animação para a Família’”, que terá a duração de duas horas e que é destinado a crianças e jovens. O workshop, apenas em língua chinesa, decorre no dia 4 de Agosto entre as 15h e 17h.

Uma vez que o cartaz é composto por películas que receberam nomeações ou que “ganharam prémios importantes em diversos festivais de cinema de relevo”, a Cinemateca Paixão encarregou-se de dar ao festival “quatro destaques diferentes”.

O festival irá realçar ainda um realizador, na categoria “Realizador em Foco”. Nesse âmbito será recordado Satoshi Kon, falecido em 2010, através de quatro filmes de animação: “Azul Perfeito”, “Actriz do Milénio”, “Padrinhos de Tóquio” e “Paprika”. De acordo com os organizadores do festival, a selecção “permitirá um olhar retrospectivo e exaustivo do imaginário deste autor”.

Quatro séries, diferentes filmes

A primeira parte do festival intitula-se “Série Luminosa” e mostra ao público o filme “A Ganha Pão”, que foi nomeado para um Óscar. Este filme conta “a história de uma menina de 11 anos que tem de tomar conta da família e aprender a ser independente depois do pai ser preso”. Será também exibido o filme de Taiwan “Na Estrada da Felicidade”, que mostra “a mudança social em Taiwan através da viagem de crescimento de uma jovem rapariga”.

Ainda nesta categoria, o filme “A Ilha dos Cães”, de Wes Anderson, também faz parte da selecção, tal como “A Rapariga sem Mãos”, “um perturbador olhar sobre o mundo dos Irmãos Grimm, [onde] o realizador recorre a linhas de tinta claras para definir a suavidade e dureza da heroína”.

Na Cinemateca podem ainda ser vistas “duas animações cheias e humor negro para desfrutar, ‘Uma Cidade Chamada Pânico’ e ‘A Minha Escola Inteira a Afundar-se no Mar’”.

Segue-se a categoria “Série Negra”, com duas animações que são “verdadeiramente surreais e surpreendentes”. No filme “A Noite É Curta, Não Pares de Andar” revela-se a história de uma jovem que se lança “numa viagem pela noite de Tóquio cheia de gente embriagada e eventos misteriosos”. Por sua vez, “Anomalisa” versa sobre os estranhos encontros nocturnos de um escritor. Este filme, de Charlie Kaufman, esteve nomeado para um Óscar e venceu o Grande Prémio do Júri no Festival de Cinema de Veneza.

Na série “Sucessos da China” entra o filmes “Tenha um bom dia”, de Lou Jian, que está cheio de “ridículo, imprevisibilidade, humor negro e um poderoso estilo de animação raramente visto em filmes de animação chineses”. Outra película de animação incluída nesta categoria intitula-se “Dahufa” que conta uma história “onde a amizade permite aos personagens repensarem as suas identidades e posições, liberdade e escravatura, mas também as suas ideias feitas”. Os bilhetes começam a ser vendidos este sábado, ao balcão da Cinemateca ou online.

20 Jul 2018

Cinemateca Paixão | 3º Festival do Documentário começa este mês

“Imagina o Mundo” é o tema da terceira edição do Festival Internacional de Documentário de Macau, que começa no próximo dia 14 e termina a 4 de Agosto. O público poderá assistir a um total de 28 documentários, no evento que conta com a parceria com a associação local Comuna de Han-Ian. Hara Kazuo será o “realizador em foco” desta iniciativa

 

Depois de apresentar uma série de filmes que mostram como a China e os Países de Língua Portuguesa podem andar de mãos dadas, a Cinemateca Paixão prepara-se para apresentar este mês uma programação dedicada ao género documentário.

Em parceria com a associação local Comuna de Han-Ian, o terceiro Festival Internacional de Documentário de Macau (FIDM) começa este mês, com o tema “Imagina o Mundo”. A ideia é que os 28 documentários europeus, americanos ou japoneses, entre outros, mostrem como “não nos sujeitaremos às dificuldades da realidade”, mas sim “deixar que a imaginação se torne numa nova visão do mundo, usando-a como um sólido bloco de construção da nossa cidade”, aponta um comunicado.

Hara Kazuo, realizador japonês independente, será o rosto principal deste evento, sendo considerado o mais importante documentarista asiático contemporâneo. Kazuo irá partilhar as suas experiências com o público, além de que os seus cinco documentários farão também parte do programa, com os nomes “Goodbye CP”, “Eros Extremamente Privado: Canção de Amor 1974”, “O Exército Nu do Imperador Continua a Marchar”, “Uma Vida Dedicada” e “O Desastre de Amianto de Sennan”.

Coreia a abrir

O filme de abertura será o “Dia da Libertação”, que é “uma obra sobre a famosa banda arte rock ex-jugoslava Laibach e a sua viagem a Pyongyang para tocar no concerto de celebração do Dia da Libertação da Coreia do Norte”.

O primeiro dia do festival vai também contar com dois convidados de Hong Kong, de nome Yuen Chi-Chung e Dennis Wong, que irão protagonizar um espectáculo musical e uma conversa sobre a banda Laibach. Este evento começa às 16h30, tendo entrada livre.

O festival conta ainda com outros filmes como “A Vida É Frutada”, “Os Van Goghs da China”, “Kedi”, “Morrer Amanhã”, “Comunhão”, “Light Up”, “Rostos Lugares” e “Ryuichi Sakamoto: CODA”.

“A Vida É Frutada” (realizado por Kenshi Fushihara), é sobre as vidas e filosofia do arquitecto japonês Shuichi Tsubata e sua esposa Hideko e a sua busca de harmonia entre a humanidade e a natureza.

“Os Van Goghs da China” (realizado pela parceria pai-filha de Yu Haibo e Yu Tianqi) retrata a vida de Zhao Xiaoyong, um camponês tornado pintor em Dafen, uma das “aldeias de pintura a óleo” de Shenzhen, que produziu réplicas de Van Gogh durante toda a vida e finalmente realiza o seu sonho de viajar até à Holanda para seguir as pisadas do mestre.

“Light Up” (realizado por Deniece Law, uma conhecida investigadora social de Hong Kong) regista quatro pessoas deficientes que perseguem os seus sonho através do teatro. O realizador encontrar-se-á com o público depois da sessão.

“Rostos Lugares” é um encantador e interessante documentário sobre Agnès Varda, a madrinha da Nova Vaga francesa, que se junta a JR, um artista contemporâneo, para viajar por aldeias francesas numa missão de ligar o público e a comunidade artística através da fotografia. O filme ganhou o Prémio Golden Eye (Melhor Documentário) no Festival de Cinema de Cannes 2017.

“Ryuichi Sakamoto: CODA” é o primeiro documentário sobre Ryuichi Sakamoto, o compositor premiado pela Academia e um dos mais importantes músicos japoneses.

Continuaremos também a contar com a “Secção Portuguesa” este ano e alargamos o horizonte para incluir mais filmes de países lusófonos, tais como o Brasil e Cabo Verde. Vamos olhar mais longe em busca da visão criativa do universo lusófono.

O “Realizador em Foco” HARA Kazuo dará uma master class, passando em revista mais de quatro décadas de prática documental. O próprio mestre explicará o seu método de “documentário de acção” e o seu entendimento da genealogia do “extremamente privado” no cinema documental asiático e mundial.

O festival encerra com um espectáculo musical da banda Cicada, de Taiwan, que vai tocar uma banda sonora ao vivo. De acordo com o mesmo comunicado, os Cicada são conhecidos por “dedicarem a sua música ao retrato da relação entre a humanidade e o ambiente. O concerto decorre dia 4 de Agosto no Teatro D. Pedro V.

Os bilhetes para este festival estão à venda na bilheteira da Cinemateca Paixão e também no website. Cada bilhete custa 60 patacas.

2 Jul 2018

Filmes portugueses regressam à Cinemateca Paixão

Começa hoje mais um ciclo de cinema português na Cinemateca Paixão. A mostra que vai até sexta-feira traz ao ecrã películas que passaram pelo IndieLisboa e que têm sido aclamadas internacionalmente. “Amor, Amor” o filme que abre as hostes, tem no elenco a actriz portuguesa, que reside em Macau, Margarida Vila-Nova

 

Pelo terceiro ano consecutivo, a Portugal Film traz à Cinemateca Paixão uma selecção de filmes portugueses que marcaram o último ano no circuito internacional.

O programa abre hoje, às 20h, com a exibição do filme “Amor Amor”, de Jorge Cramez e que tem como uma das protagonistas Margarida Vila-Nova. “Amor Amor” é uma história que gira em torno das múltiplas relações entre um grupo de amigos e as promessas que se fazem na passagem de ano.

Em “Amor Amor”, as personagens Marta e Jorge namoram há sete anos, naquela que parece aos olhos de todos uma relação “perfeita”. De acordo com a sinopse da película, a relação é “demasiado perfeita, para desespero de todos: de Bruno, muito mais novo que Marta, mas loucamente apaixonado por ela; de Lígia, irmã de Bruno e melhor amiga de Marta, que adoraria ver o irmão feliz; de Carlos, amigo de Jorge, que mantendo um namoro superficial com Lígia, ama secretamente Marta; e de Jorge, ele próprio que, por medo que tal idílio seja a sua prisão, convencido de que o seu amor e o desejo de casamento da sua amada inibam a sua liberdade”. “‘Amor Amor’ é a história deste grupo de amigos que entre a madrugada de 31 de Dezembro e a madrugada de 1 de Janeiro, em Lisboa, vivem os ziguezagues do amor e em que há quem venha a descobrir-se a si próprio e há quem venha mesmo a descobrir o amor”. Há ainda os que vão descobrir o preço limite da liberdade num fim de ano que pode mudar tudo de uma forma completamente inesperada.O filme, que estreou no festival IndieLisboa 2017, participou em competições nacionais e internacionais e é a segunda longa metragem de Jorge Cramez.

Regresso ao passado

Amanhã, a mostra apresenta o documentário de Susana de Sousa Dias, “Luz Obscura”. O filme, que tem sido reconhecido internacionalmente, aponta a organização, é um documento fundamental para reflectir sobre os aspectos mais obscuros do Estado Novo. “Como dar corpo a quem desapareceu sem nunca ter tido existência histórica?” é a questão que se coloca neste documentário que procura revelar como um sistema autoritário opera na intimidade familiar, fazendo emergir, simultaneamente, zonas de recalcamento actuantes no presente.

A mostra termina na sexta-feira, dia 29, com uma sessão de curtas metragens composta por quatro películas. “Limoeiro”, uma animação de Joana Silva realizada em contexto escolar na Royal College of Art de Londres, é um filme que pretende reconstruir uma personagem fictícia, através da fisicalidade de um espaço em ruína.

Segue-se “O Homem de Trás-os-Montes”, de Miguel Moraes Cabral, uma ficção que parte do Guia de Portugal de Raul Proença, uma edição histórica, conhecida pela qualidade literária das descrições do país. Apaixonado por Trás-os-Montes e inspirado pelo guia, Miguel procura histórias para realizar este documentário. O imprevisto marca a produção, sendo que “um dia, a aparição de um homem montado num burro vai mudar o seu destino”, revela a organização.

“Flores”, de Jorge Jácome, um dos filmes portugueses que mais prémios arrecadou no último ano em festivais de cinema, é uma ficção que imagina um cenário de crise natural nos Açores provocada por uma incontrolável praga de hortênsias. Perante um cenário de crise natural, a população açoriana vê-se forçada a abandonar as ilhas. Entretanto, dois jovens soldados, “sequestrados pela beleza da paisagem, guiam-nos pelas narrativas dos que partiram e o inerente desejo de resistirem, ficando”, lê-se em comunicado. Com esta deambulação, “o filme assume uma reflexão nostálgica e política sobre território e identidade, bem como sobre o papel que assumimos nos lugares aos quais pertencemos”.

A sessão termina com “Os Humores Artificiais”, de Gabriel Abrantes, curta que estreou no festival de cinema de Berlim no ano passado, onde ganhou uma nomeação para os European Film Awards. O filme conta a história de uma menina indígena do Estado do Mato Grosso, Brasil, que se apaixona por um robô. “Os Humores Artificiais” foi rodado no Mato Grosso (Canarana e nas aldeias Yawalapiti e Kamayura dentro do Parque Indígena do Xingu) e em São Paulo e mistura uma “certa estética hollywoodiana com abordagens típicas do registo documental”.

27 Jun 2018

Cinema | “San Va Hotel – Os Bastidores” regressa à Cinemateca Paixão

P ara além da última obra de Ivo Ferreira, intitulada “Hotel Império” e que ainda não chegou aos cinemas, há uma outra película que revela os bastidores das filmagens, enquanto conta a história da hospedaria mais antiga de Macau. “San Va Hotel – Os Bastidores”, de Vanessa Pimentel e Yves Sonolet, volta a ser exibido esta semana.

As pequenas escadas de madeira, o ambiente que nos remete para o início do século XX a Oriente e os quartos onde apenas equipados com uma velha cama e um lavatório já apareceram em muitos filmes de realizadores orientais, sendo o mais conhecido Wong Kar-wai. O Hotel San Va, localizado na Rua da Felicidade, carrega consigo a sua própria história de Macau.
Um dos últimos filmes rodados na histórica pensão foi o de Ivo Ferreira, intitulado “Hotel Império”, que ainda não chegou às salas de cinema. Este foi o mote para Vanessa Pimentel e Yves Sonolet se juntarem e fazerem o projecto “San Va Hotel – Os Bastidores”, exibido pela primeira vez em Dezembro e que esta semana regressa à Cinemateca Paixão, inserido no ciclo Panorama do Cinema de Macau, nos dias 22 e 26.
Apesar de estar catalogado como documentário, a verdade é que Vanessa Pimentel não consegue dar-lhe uma definição concreta. É certo que tudo começou com “Hotel Império”, mas depois a imensa história do hotel acabou por levá-los a explorar um outro lado.
“É uma mistura entre making off e documentário. Mas o lado documental foi uma coisa que fizemos posteriormente, com a dona do hotel e a sua história muito ligada ao início de tudo”, contou ao HM.
Vanessa Pimentel decidiu concorrer a um concurso aberto pelo Instituto Cultural para a atribuição de subsídios, e chamou Yves Sonolet para trabalhar consigo. Se no início do projecto tinham uma ideia vaga do que iam fazer, depressa ela ganhou forma. “Tudo partiu da ideia de fazer o making off do filme do Ivo Ferreira, e coincidiu com a abertura desse concurso. Não sabíamos muito bem como ia ser, mas queríamos apresentar qualquer coisa. Filmámos o making off, o resultado saiu entretanto e ganhamos o subsídio. Fizemos mais filmagens e acabámos por nos centrar no hotel, que é o cenário principal do filme do Ivo.”
À medida que as filmagens de “Hotel Império” foram avançando, ficou claro para Vanessa e Yves que o Hotel San Va seria o protagonista do seu primeiro filme, não só a título individual, como em termos de parceria.
“A equipa do Ivo [Ferreira] passou grande parte da rodagem dentro do edifício. Nessa altura, acabámos por conhecer a dona do hotel, estabelecemos contacto e combinámos depois da rodagem falar com ela mais calmamente, perceber se poderíamos fazer as filmagens ou não. Foi aí que nos pareceu muito óbvio que existia esta ligação com o lado documental, pegando no nosso interesse pelo edifício e o facto do filme do Ivo ser rodado lá.”

Aposta documental
Apesar do Hotel San Van já ter servido de cenário a muitos filmes, a verdade é que são poucos os trabalhos cinematográficos sobre a sua história e singularidade, sobretudo se olharmos para a história que a Rua da Felicidade tem no panorama da cidade.
Vanessa Pimentel explicou ao HM que nunca quis filmar um making off da maneira mais óbvia ou tradicional. “O ponto de partida para ter esta sinergia, para ir filmar para a rua, foi de facto fazer o making off, mas a minha perspectiva sobre isso nunca foi uma coisa de filmar a câmara e ter um realizador a dizer acção, e corta. Sempre quis abordar um tema do ponto de vista documental sobre o acto de filmar, como é que as pessoas filmam, o que escolhem para filmar, por aí.”
Apesar de querer levar o filme para festivais de cinema na China, Hong Kong ou mesmo Portugal, Vanessa Pimentel tem a percepção de que será difícil dar-lhe uma etiqueta fixa.
“Só mesmo vendo o filme é que dá para falar sobre isso, porque sinto que o filme está muito preso ao Hotel Império, no sentido em que a rodagem do Ivo [Ferreira] está muito presente. Não consigo definir o filme como sendo um making off ou um documentário. E acho que ele pode sofrer com isso, até em termos de circulação e de participação em festivais.”
Para a realizadora, “é um bocado difícil fazê-lo circular sem o filme do Ivo, mas, por outro lado, poderá suscitar interesse porque tem um lado muito específico, que é o da rodagem e da abordagem documental. Depois há uma linguagem universal que pode ser difundida em qualquer altura.”
Vanessa Pimentel vive há alguns anos em Macau e trabalha na área do cinema desde o ano 2000. Para este projecto, fez tudo a quatro mãos com Yves, apesar de se ter debruçado de forma individual sobre a montagem final. Já Yves Sonolet é um artista visual que vive em Macau há oito anos, e que se dedica à mistura de comunicação digital utilizando a paisagem urbana enquanto temática e suporte.

21 Mai 2018

Cinemateca Paixão | Realizador Adam Wong orienta ‘workshop’ em Maio

Adam Wong vai estar em Macau de 11 a 15 de Maio para orientar um ‘workshop’ de cinema. O realizador de Hong Kong foi escolhido para ser cineasta residente na Cinemateca Paixão em Maio, depois de Cheung King-wai, no ano passado.

Durante a sua estadia, de cinco dias, vão ser exibidas três das suas longas-metragens: “Quando Beckham Conheceu Owen” (2014), “A Nossa Dança” (2013) e “Ela Lembra, Ele Esquece” (2015). Em paralelo, o seu mais recente documentário “A Saída” (2017) e as curtas “Cata Vento” (2009), “Sabor Secreto” (2012) e “Trabalhos” (2016) vão ser apresentados pela primeira vez em Macau. Após as sessões, o público terá a possibilidade de conversar com o realizador, indicou a Cinemateca Paixão.

Além de apresentar os filmes, Adam Wong vai orientar um ‘workshop’ de cinema, com quatro horas de duração, intitulado “O que filmar? Como filmar?”, no qual o cineasta vai partilhar o método de criação das suas curtas-metragens, desde a fase de encontrar ideias, passando pelo esboçar de histórias, pela pesquisa e planeamento até à escolha do elenco e ao acto de filmagem propriamente dito. O ‘workshop’ vai decorrer em cantonense com interpretação simultânea em inglês.

16 Abr 2018

Cinemateca Paixão | “Histórias de Macau 1” em exibição a partir de Sábado

A Cinemateca Paixão vai revisitar a primeira edição da série “Histórias de Macau”. As sessões arrancam no próximo Sábado e prolongam-se até ao final do mês

A Cinemateca Paixão exibe, a partir do próximo Sábado, a primeira edição da série “Histórias de Macau”, rodada há dez anos na cidade. “Os Melhores e os Piores Tempos” (de Ho Ka Cheng), “Incerteza” (de Chan Ka Keong), “Avião de Papel” (de Vincent Hoi), “O Momento Certo” (de Albert Chu) e “Rua de Macau” (de Sérgio Perez) são as curtas que formam a longa-metragem que tem como fio condutor os bairros da cidade.

Sérgio Perez recorda como “Rua de Macau” foi parar ao “Macau Stories”, como é mais conhecida a série realizada por Albert Chu. “O filme estava em finais de pós-produção nos finais de 2008, mas ainda estávamos a pensar como o lançar, mas soubemos que o Albert Chu e outros realizadores locais estavam a fazer o ‘Macau Stories’. Foram ver, gostaram e acharam que fazia todo o sentido que a curta integrasse o Macau Stories. Eu também achei que sim e fiquei muito sensibilizado”, recorda o realizador.

“É uma história que não sei como a justificar à audiência”, tem uma narrativa “aparentemente simples, feita num determinado momento da história de Macau, que aborda temas como o encontro de culturas, de pessoas com diferentes perspectivas do mundo e, de alguma maneira, uma Macau que se está também a descobrir ou a redescobrir”, descreve o realizador ao HM. Sérgio Perez explica ainda que as duas personagens em torno das quais gira a narrativa acabam por “carregar um pouco em si algumas Macau que se procuram encontrar, reencontrar ou descobrir o seu espaço”.

Uma década depois

Apesar de a experiência ter sido feita por um Sérgio Perez que hoje “será um bocadinho diferente”, o facto de o filme ainda ser exibido mostra que esforço valeu a pena. “Foi um filme feito com várias limitações, completamente financiado por mim, com o meu próprio equipamento, com voluntariedade de amigos – alguns profissionais, outros nem tanto”, conta. Na altura, o processo de produção era muito diferente” comparativamente com os restantes realizadores, com “muitos fins-de-semana” e que se estendeu “por mais de um ano”.

Embora remonte a 2008, a história “acaba, de certa forma, por “ainda ser intemporal, porque não ficou datada”, apesar de numa década se terem operado mudanças no cenário. “O restaurante onde foi filmado parte do filme já não existe. Aliás, muitos dos espaços já não existem e a pessoa que nos concedeu o espaço também já cá não está”, exemplifica o cineasta.

“Fiz o ‘Rua de Macau’ para ser visto no grande ecrã e sempre que vejo que pegam nele e lhe dão exposição na tela fico muito contente”, diz Sérgio Perez, dando conta de que a curta-metragem ainda recentemente foi exibida pelo Instituto Confúcio em Barcelona, o que o deixou “surpreso”.

“Espero que o filme agarre o público, que consigam vê-lo de forma agradável, do princípio ao fim, e que tirem as suas próprias conclusões”, realça o realizador.

A primeira edição da série de “Histórias de Macau” vai ser exibida na Cinemateca Paixão aos sábados e aos domingos. A entrada é livre.

5 Mar 2018

Cinema | “Macau – Um Longe Tão Perto” em exibição na Cinemateca Paixão

O documentário do realizador Rui Filipe Torres, “Macau – Um Longe Tão Perto”, será exibido no próximo sábado, dia 10 de Fevereiro, às 19h na Cinemateca Paixão. O filme é uma remontagem de três documentários sobre Macau produzidos para a RTP Internacional em Dezembro de 2012 e Janeiro de 2013. O documentário estreou-se no Museu do Oriente, em Lisboa, no início de 2014.

O documentário de Rui Filipe Torres é uma abordagem panorâmica sobre o papel da Região Administrativa Especial de Macau enquanto plataforma entre a China e os países da lusofonia. Tem como ângulo os pontos chave das dinâmicas sociais e políticas e a forma como estes elementos marcam a caracterização e identidade do território.

A frescura da visão de Rui Filipe Torres é algo que advém de uma certa ingenuidade de quem chega pela primeira vez a Macau vindo de Lisboa e que descobre que a 11 mil quilómetros de distância se continua a viver e sentir Portugal, numa singular afirmação de cosmopolitismo e abertura ao mundo contemporâneo.

“Macau – Um Longe Tão Perto” também lança um breve olhar sobre a posição geopolítica de Macau na perspectiva da política “Um País, Dois Sistemas”, através do testemunho de algumas personalidade que, de diferentes formas, são actores relevantes nas dinâmicas sociais, culturais e políticas do território.

A lista de entrevistados, em Macau e Lisboa, tem personalidades como Adriano Moreira, Amélia António, Miguel de Senna Fernandes, Paulo Coutinho, Joaquim Magalhães de Castro, José Pereira Coutinho, James Chu, José Drummond, João Marques da Cruz, José Maças de Carvalho, Ivo Ferreira, Luís Pimenta Machado, Ana Paula Cleto, Carlos Manuel José, Carlos Manuel Piteira, Rita Santos, Rui D´Ávila Lourido, e Zhong Yi Seabra de Mascarenhas.

9 Fev 2018

Paixão | Cinemateca comemora ano novo com cinema em chinês

Três filmes vindos de Taiwan, Malásia e Hong Kong, e duas películas de Macau construem o cartaz do ciclo pontual “O Poder dos Filmes em Língua Chinesa” que vai marcar presença na Cinemateca Paixão durante o mês de Fevereiro. Rita Wong justifica a escolha com as comemorações do ano novo chinês.

Um ciclo de filmes em língua chinesa é a iniciativa promovida pela cinemateca Paixão para assinalar mais um ano novo chinês.

O espaço que prima pela exibição de filmes fora do mainstream, vai trazer a Macau, no mês de Fevereiro cinco películas, em mandarim e cantonês para assinalar a maior festa do oriente. “É uma forma de assinalar a maior festa chinesa, o ano novo”, refere a responsável pela cinemateca Paixão ao HM, Rita Wong.

A rubrica tem o nome “O Poder dos Filmes em Língua Chinesa” começa já amanhã, às 19h30 com a exibição do filme “The big buda”.

A película vem de Taiwan e foi galardoada com cinco prémios no Festival de Cinema de Taipé, incluindo o Grande Prémio e Melhor Filme Narrativo. A proeza foi ainda conseguida com mais cinco estatuetas Golden Horse: Melhor Adaptação para Cinema, Melhor Novo Realizador, Melhor Cinematografia, Melhor Canção Original e Melhor Banda Sonora Original.

Crime por acaso

O filme traz ao ecrã a história de Pickle, um segurança nocturno numa fábrica de estátuas que passa o tempo a ver televisão e a folhear revistas pornográficas com o amigo Belly Button. Quando a televisão avaria, voltam-se para uma fonte alternativa de entretenimento: as filmagens feitas pela câmara do carro do patrão. A vida privada de quem lhes paga é um divertimento até ao dia em que as imagens revelam mais do que situações do quotidiano. De repente, a dupla vê-se testemunha de um crime que envolve a estátua de um buda.

“The big buda” é realizado por Huang Hsin-yao. Nascido em 1973 em Tainan, Huang Hsin-yao é conhecido essencialmente pelos documentários de que é autor. “The big buda” é o reconhecimento na área da ficção do jovem realizador.

 

Dramas malaios

No mesmo dia, às 21h30, volta ao ecrã mais um filme em língua chinesa vastamente premiado.

Agora proveniente da Malásia, “Shuttle life” é do malaio Tan Seng-kiat e já recebeu o prémio Novo Talento Asiático do Festival Internacional de Cinema de Xangai e foi nomeado para os prémios Golden Horse de Melhor Realizador e Melhor Cinematografia

De acordo com a organização, trata-se de um drama neorrealista em que Tan Seng-kiat lança um duro olhar às vidas dos mais desfavorecidos no seu país. A história é de Qiang. Vive num bloco de habitação social com a família e aos 19 anos tem de cuidar da sua mãe que sofre de problemas mentais e da irmã de seis anos, Hui-shan, enquanto tenta assegurar a sobrevivência da família. Depois de uma volta com a irmão numa motorizada roubada terminar em acidente, Qiang enfrenta as autoridades e debate-se com a procura de Hui-shan que desaparece. “Este retrato impiedoso e devastador da corrupção e divisão entre classes na Malásia arrasou no concurso de Novos Talentos do Festival internacional de Cinema de Xangai 2017, tendo ganho três prémios, entre eles o de Melhor Filme”, salienta a organização.

Já “Love education” ainda não tem data nem horário revelado, mas Rita Wong avança que o filme da realizadora de Hong Kong, Sylvia Chang, já uma confirmação.

“Love education” é a narrativa de uma mulher que quer deslocar a campa do pai da aldeia onde foi enterrado para a cidade onde vive. Mas, a mulher do defunto faz de tudo para que isso não aconteça. Entretanto, Weiwei é a jovem neta, que transforma o conflito entre a mão e a “avó” numa história de televisão. É um filme que trata três gerações de mulheres que enfrentam diferentes realidades e modos de lidar com as relações familiares, com as emoções e contextos em que vivem.

 

Destaque local

O ciclo não passa sem a representação do cinema local. Na tela vai estar “Passing rain” do realizador local Lorence Chan. Depois de ter marcado presença na segunda edição do Festival Internacional de Cinema, “Passing Rain” está agora pela primeira vez em exibição.

O filme é apresentado em formato mosaico e traz à tela as histórias de diferentes personagens que apesar de independentes acabam por se cruzar num território pequeno como o de Macau. A prostituição, o jogo, a família e as esperanças e desilusões são alguns dos aspectos que Lorence Chan mostra nesta sua estreia nas longas metragens.

“Histórias de Macau 2: Amor na Cidade” é a segunda representação local nesta mostra promovida pela Cinemateca Paixão. Produzida por Chu Iao Ian, o filme apresenta uma série de curtas metragens feitas por realizadores locais e que abordam o tema do amor e da cidade. As histórias são: “Um Livro a Lembrar” (realizado por Jordan Cheng), “June” (realizado por Fernando Eloy), “Sofá” (realizado por Ao Ieong Weng-Fong), “O Bolo” (realizado por Tou Kin Hong), “Chocante” (realizado por Elisabela Larrea), e “Mundo Gelado” (realizado por Harriet Wong). O filme recebeu uma Menção Honrosa no Festival Internacional de Cinema AVANÇA, em Portugal.

1 Fev 2018

Cinemateca Paixão | Novo cinema americano em destaque

Arranca já este sábado a nova temporada de filmes na Cinemateca Paixão, desta vez dedicada aos filmes produzidos nos Estados Unidos. “Nova América – Cinema de Possibilidades” mostra dez filmes ao público, com destaque para aquilo que é alternativo e para as realizações no feminino

 

“A Feiticeira do Amor”, “Good Time” ou “Columbus” são algumas das películas que poderão ser vistas nas próximas duas semanas na Cinemateca Paixão. Está pronto a estrear mais uma temporada de filmes exclusivamente com a assinatura de realizadores norte-americanos, intitulada “Nova América – Cinema de Possibilidades”.

A ideia, contou Rita Wong, presidente da associação que gere o espaço, é mostrar o que de novo e diferente se tem feito num país que domina o cinema em termos mundiais. “Os filmes americanos são muito populares em todo o mundo, independentemente de serem filmes de Hollywood ou outros. Uma vez que nos EUA são produzidos muitos filmes, com os quais temos muito contacto, há também um novo cinema. Desta vez cooperámos com um director que estudou nos EUA e está habituado à cultura americana e aos seus filmes.”

Rita Wong adiantou que a sua colaboração acabou por revelar-se fundamental na introdução “de um lado mais alternativo do cinema americano junto do nosso público”. “Queremos trazer mais horizontes e mais alternativas ao público”, frisou.

A temporada começa no sábado, com a realização de uma palestra intitulada “Seminário do Festival De Hollywood ao Independente: O Cinema Americano na Linha da Frente”, que tem entrada livre. Esta palestra, com entrada gratuita, tem como orador Derek Lam, da Universidade de Hong Kong.

“[Derek Lam] virá falar dos filmes americanos e com isto queremos aumentar o interesse das pessoas. Esperamos que mais pessoas possam vir, mas o importante é trazer alternativas. Também temos novos filmes que têm elementos mais comerciais. Tudo para que o público possa explorar novas áreas no cinema”, disse a directora de programação da Cinemateca.

Rita Wong assegura que “Nova América – Cinema de Possibilidades” constitui uma pequena temporada. “Optámos por passar apenas dez filmes, que vão ser exibidos duas vezes cada um. Tentámos incluir mais filmes realizados por mulheres, porque estão a fazer um bom trabalho nesta área. Também incluímos os novos realizadores, como é o caso do realizador do filme ‘Columbus’.”

Na apresentação desta iniciativa, os gestores da Cinemateca Paixão consideram que o alternativo a Hollywood tem surpreendido pela positiva.

“Apesar da máquina económica de Hollywood ter suplantado o seu desenvolvimento artístico, os filmes americanos fora do sistema dos grandes estúdios têm continuado a amadurecer e impressionar no palco internacional.”

“Esta série de dez aclamadas produções americanas abrange todo o tipo de géneros, da acção ao drama, da comédia ao thriller. Com estes filmes de qualidade, esperamos mostrar as muitas facetas da vibrante cultura americana.”

Além disso, “as mulheres e as minorias étnicas têm tido papéis cruciais em muitos destes filmes, quebrando o molde da supremacia masculina branca. São películas cujas visões estão cheias de possibilidades que levarão os espectadores até uma nova era do cinema americano.”

Nove meses positivos

Foi em Abril do ano passado que a Cinemateca Paixão abriu portas ao público. Com quase um ano de actividade, Rita Wong faz um balanço positivo do funcionamento de um espaço que já mostrou o melhor do cinema local.

“Temos vindo a aumentar os números em termos de público. Estamos satisfeitos, apesar de querermos sempre fazer melhor. Foi algo surpreendente a resposta em termos de público e reacções. Temos um espaço muito pequeno e conseguimos falar com quem nos visita e temos tido um feedback importante. Penso que as pessoas procuram de facto coisas novas ou diferentes e vamos tentar ter isso”, rematou.

11 Jan 2018

Cinemateca Paixão | Ciclo de cinema dedicado a Hirokazu Koreeda

Começou no documentário e é hoje uma das referências do cinema japonês. Hirokazu Koreeda é o realizador em foco para mais um ciclo de cinema promovido pela cinemateca Paixão. São 10 filmes que retratam as relações humanas e o sentido da vida de forma real e sensível

O segundo realizador em foco, este ano, na Cinemateca Paixão é o japonês Hirokazu Koreeda.

A ideia é ter, dentro desta rúbrica, um balanço entre cinema oriental  e ocidental, referiu a directora do espaço, Rita Wong, ao HM. “Queríamos também fazer um destaque para os realizadores orientais. Já tivemos realizadores do ocidente e queremos mostrar também o trabalho dos profissionais da Ásia”, disse.

O ciclo vai trazer ao ecrã da Paixão dez películas de Koreeda realizadas desde a década de 1990 até aos dias de hoje, incluindo O Terceiro Homicídio, aclamado pela critica no Festival Internacional de Cinema de Veneza 2017. O filme conta com a participação do cantor popular Masaharu Fukuyama.

Hirokazu Koreeda nasceu em 1962 e é considerado como um dos mais importantes realizadores do cinema contemporâneo japonês. “A sua delicada representação dos personagens e a sua capacidade narrativa distinta, mas não melodramática, tem-lhe merecido aplausos e prémios em numerosos e importantes festivais de cinema na Europa e Ásia, incluindo nos chamados “Óscares Japoneses””, refere a apresentação do evento.

Por outro lado, Rita Wong também sublinha a forma “objectiva com que Koreeda trata as temáticas que trabalha. “É um realizador que aborda as relações humanas com um foco especial nas ligações familiares e em que não é esquecido o sentido da vida, mas, ao contrário da ideia que se pode ter, faz esta abordagem de uma forma muito realista, sem dramatismos”, disse.

Do documentário à ficção

A razão, considera Rita Wong, terá que ver com o próprio início de carreira de Koreeda. Depois de se formar na Universidade de Waseda em 1987, começou a produzir documentários numa estação de televisão japonesa. “Os documentários de Koreeda destacam-se pela sua exploração de vários fenómenos sociais japoneses dos últimos 20 anos e pelo seu toque humano”, refere a directora da Paixão.

A partir de meados da década de 1990, Koreeda passou a realizar longas metragens “evitando o sensacional, o exagerado e o lugar comum”. O realizador prefere retratar os seus personagens de modo subtil e delicado.

Palestra a acompanhar

Por outro lado, Ka Ming, crítico de cinema de Hong Kong, vai liderar uma palestra intitulada “Hirokazu Koreeda – Coração e Sangue de Criança”. A ideia é permitir que o público possa “ter uma melhor compreensão de Koreeda e dos seus filmes. A palestra terá lugar na sala de projecções da Cinemateca Paixão, das 14h30 de 11 de Novembro.

O ciclo decorre de 11 a 25 de Novembro. Cada um dos dez filmes é apresentado três vezes “O Terceiro Homicídio” será uma “grande estreia, permitindo ao público desfrutar em primeira mão desta obra especial de Hirokazu, que ultrapassa o universal familiar entrando no mundo dos tribunais”.

Os restantes nove filmes são: Maborosi (1995), Além da Vida (1998), Ninguém Sabe (2004), Ainda a Caminhar (2008), Boneca Insuflável (2009), Meu Desejo (2011), Tal Pai Tal Filho (2013), A Nossa Irmãzinha (2015) e Depois da Tempestade (2016).

A venda de bilhetes para as sessões de cinema começa hoje.

24 Out 2017