Tailândia descriminaliza consumo de canábis para fins medicinais

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O cultivo e posse de canábis foi hoje descriminalizado para fins medicinais na Tailândia, que se torna no primeiro país asiático a retirar a droga da lista de substâncias proibidas no país.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), o Governo tailandês disse que está a promover a canábis apenas para uso médico, advertindo que fumar em público ainda pode estar sujeito a pena de prisão de três meses e uma multa de 25 mil bahts.

Por outro lado, extratos de canábis continuam a ser ilegais se contiverem mais do que 0,2% de tetrahidrocanabinol (THC), a principal substância psicoativa da planta.

A Tailândia, que se destaca na indústria do turismo de saúde, está a tentar apostar na marijuana medicinal, com benefícios geralmente derivados de outras substâncias canabinóides que a planta contém, ainda de acordo com a AP.

“Devemos saber como usar a canábis”, disse recentemente, numa entrevista à imprensa, o ministro da Saúde Pública tailandês Anutin Charnvirakul, o grande impulsionador da marijuana no país. “Se tivermos sensibilizados para isso, a canábis é como o ouro, é algo valioso que deve ser promovido”, acrescentou.

Anutin Charnvirakul referiu que o Governo prefere “aumentar o conhecimento” sobre a utilização da canábis entre a população do que vigiar as pessoas e puni-las. “Tudo deve ter um meio termo”, disse.

Comércio externo da China recupera em maio com levantamento de medidas de confinamento

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O comércio externo da China recuperou, em maio, face ao atenuar das medidas de prevenção epidémica em Xangai e outros importantes centros industriais do país, segundo dados das alfândegas chinesas hoje divulgados.

As exportações subiram 16,9%, em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 308,3 mil milhões de dólares, acima do crescimento de 3,7%, alcançado em abril. As importações subiram 4,1%, para 229,5 mil milhões de dólares, depois de terem aumentado 0,7%, no mês anterior.

O comércio externo da China foi este ano prejudicado pela queda na procura global e pelas restrições impostas em várias cidades e províncias, para prevenir o alastrar de surtos de covid-19, sob a estratégia de ‘zero casos’.

Xangai, sede do porto mais movimentado do mundo, sofreu um bloqueio de dois meses. Também a província de Jilin foi sujeita a medidas de confinamento altamente restritivas. Em Pequim ou Cantão as medidas de confinamento foram parciais.

A queda no consumo interno, devido às medidas de prevenção, também afetou as importações, nos meses anteriores.

Os analistas reduziram as estimativas de crescimento económico da China para até 2% este ano, bem abaixo da meta oficial, estipulada pelo Partido Comunista, de “cerca de 5,5%”.

Alguns analistas preveem uma recessão para este trimestre, antes do início de uma recuperação gradual.

A maioria das fábricas, lojas e outros negócios, em Xangai, Pequim e outras cidades, foram autorizadas a reabrir, mas devem precisar de semanas ou meses para retomar os níveis normais de atividade.

“As exportações mostraram uma resiliência considerável em maio, apesar do impacto do prolongado bloqueio de Xangai”, disse Rajiv Biswas, da S&P Global Market Intelligence, num relatório.

“A perspetiva para o segundo semestre de 2022 é de uma recuperação mais forte das importações, à medida que a procura doméstica recupera”, acrescentou.

O excedente comercial da China aumentou 82,3%, em relação ao mesmo período do ano anterior, para 78,8 mil milhões de dólares. O porto de Xangai informou que o número de contentores de carga movimentados diariamente recuperou para 95% dos níveis normais, no final de maio.

No entanto, o acumular de dezenas de milhares de contentores provavelmente causarão atrasos que serão sentidos em todo o mundo.

O valor conjunto das importações foi impulsionado pelos preços globais mais altos do petróleo e de outras matérias-primas, mas o volume de mercadorias compradas ao exterior registou um crescimento mais lento.

As autoridades responderam às reclamações sobre o custo crescente da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19 através de uma abordagem mais direcionada, que inclui o isolamento de prédios ou complexos residenciais onde casos são detetados, em vez do bloqueio de cidades inteiras.

A economia da China cresceu 4,8% no primeiro trimestre do ano, em termos homólogos.

Isto representou uma melhoria, em relação à taxa de 4%, alcançada nos últimos três meses de 2021, mas os indicadores económicos do trimestre atual são sombrios.

As vendas de automóveis em abril caíram quase para metade, em relação ao período homólogo. Os gastos no setor retalhista caíram 11%.

O Partido Comunista está a tentar sustentar o crescimento com benefícios fiscais para os empresários, crédito mais acessível e o lançamento de obras públicas. O Banco Mundial alertou, esta semana, que estas políticas podem atrasar os esforços de Pequim para incentivar o crescimento baseado no consumo, em vez do investimento alimentado pela dívida.

Alto endividamento “acarreta mais riscos no futuro”, disse o economista-chefe do Banco Mundial para a China, Ibrahim Chowdhury, em comunicado.

Naturais de Portugal representam 0,3% da população total de Macau

Rómulo Santos

A população que nasceu em Portugal representava em agosto do ano passado 0,3% do total de habitantes de Macau, segundo os resultados finais do Censos 2021.

No documento indica-se que 2.213 pessoas que vivem em Macau nasceram em Portugal, contra 1.835 contabilizados em 2011, mas que representavam também há dez anos 0,3% da população total da região administrativa especial chinesa, onde viviam em agosto de 2021 682.070 pessoas.

Nos resultados do Censos 2021 dá-se conta que vivem no território 8.991 pessoas de nacionalidade portuguesa (+3.971) e que 13.021 pessoas possuíam ascendência portuguesa (+4.915), representando 1,9% da população total.

Os números reportam a agosto de 2021, mas há alguns dados a ter em conta. Por um lado, segundo dados oficiais enviados pelas autoridades à Lusa, mais de 1.600 pessoas com passaporte português abandonaram o território nos últimos dois anos, sendo que a entrada de estrangeiros, portugueses incluídos, tem estado barrada desde o início da pandemia. E Macau só passou a autorizar, excepcionalmente, a entrada de portugueses não residentes há duas semanas.

Por outro, a última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal na região administrativa especial chinesa apontava para 170 mil portadores de passaporte português entre os residentes em Macau e em Hong Kong, sendo que o regime jurídico chinês não reconhece a dupla nacionalidade.

Os dados finais do Censo 2021 dão conta também que mais de metade da população de Macau nasceu fora do território: 400.689 pessoas contra 281.381 que nasceram na região administrativa especial chinesa, ou seja, 41,3% dos habitantes.

Da população imigrante, 43,8% nasceu no interior da China, contra 41,3% nascida em Macau. Ainda segundo o documento, o crescimento da população em Macau está a abrandar e o número de idosos mais do que duplicou numa década.

“O índice de dependência de idosos cresceu substancialmente, passando de 8,9% em 2011 para 16,6%, tal significa que em 2011 um idoso era sustentado por 11 adultos e em 2021 um idoso passou a ser sustentado por seis adultos, isto é, sustentar idosos tornou-se num peso maior”, salientou-se no documento.

O crescimento populacional foi de 23,5% face a 2011. Verificou-se uma subida de 50,3% na população até aos 14 anos e de 12% entre os 15 e os 64 anos, mas o aumento mais significativo foi entre as pessoas com mais de 65 anos: mais 107,2% numa década.

Entre 2011 e 2021 registou-se ainda uma diminuição no número médio de membros por agregado familiar.

Outro dado em destaque diz respeito ao aumento significativo das habilitações académicas: em 2021, 30,2% da população com idade igual ou superior a 15 anos tinha o ensino superior, um crescimento de 99,9% em dez anos.

A região administrativa especial chinesa, um dos territórios mais povoados do mundo, registou em agosto de 2021 uma densidade populacional superior à de 2011 (18.454 pessoas por km2), passando para 20.620 pessoas por km2 em 2021, salientou a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

A mediana de idade da população total aumentou de 37 anos em 2011 para 38,4 anos em 2021.

O crescimento da população feminina voltou a superar a masculina: 25,9% contra 20,8%, existindo agora 88,5 homens por cada 100 mulheres. Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial da China em 20 de dezembro de 1999.

Pintora Paula Rego morreu aos 87 anos

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A pintora Paula Rego, uma das mais aclamadas e premiadas artistas portuguesas a nível internacional, morreu na manhã de ontem em Londres, aos 87 anos, disse à agência Lusa fonte próxima da família.

De acordo com o galerista Rui Brito, a artista “morreu calmamente em casa, junto dos filhos”.
Paula Rego estudou nos anos 1960 na Slade School of Art, em Londres, onde se radicou definitivamente a partir da década de 1970, mas com visitas regulares a Portugal, onde, em 2009, foi inaugurado um museu que acolhe parte da sua obra, a Casa das Histórias, em Cascais.

Nascida a 26 de janeiro de 1935, em Lisboa, foi galardoada, entre outros, com o Prémio Turner em 1989, e o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 2013, além de ter sido distinguida com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada em 2004. Em 2010, recebeu da Rainha Isabel II a Ordem do Império Britânico com o grau de Oficial, pela sua contribuição para as artes. Em 2019, recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Governo de Portugal.

O Governo vai decretar, em articulação com o Presidente da República, luto nacional pela morte da pintora Paula Rego, indicou ontem à agência Lusa fonte do Ministério da Cultura. Em Braga, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já lamentou a morte da pintora, destacando a sua projecção no mundo.

Questionado pelos jornalistas, em Braga, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que era a artista plástica portuguesa “com maior projecção no mundo” desde a morte de Vieira da Silva.

“É uma perda nacional. Certamente eu falarei com o senhor primeiro-ministro [António Costa] para ponderar como assinalar em termos de luto nacional essa perda, porque tem uma projecção muito longa, muito rica e muito prestigiante para Portugal”, disse o chefe de Estado.

Segundo o Presidente da República, era uma artista plástica “muito completa”, com projecção mundial durante “longas décadas”. “Há longas décadas que Paula Rego não é só muito importante em Portugal, em Inglaterra, onde vivia e onde eu pude visitá-la no seu estúdio em 2016, mas por todo o mundo”, reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa mencionou que esteve com o filho da pintora recentemente “na inauguração da exposição em Londres, depois em Haia e depois em Espanha, em Málaga” e que essa exposição “era uma recolha e uma homenagem numa altura em que se sabia que Paula Rego estava já doente, bastante doente”.

“Nenhum de nós podia imaginar que pudesse desaparecer”, acrescentou. O Presidente da República transmitiu à família da pintora “os sentimentos de todo o povo português”.

Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Luanda-Capital da Cultura da CPLP, em 2022

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Decorreu em Luanda nos dias 3, 4 e 5 de maio, o Encontro de Escritores da Capital da Cultura da CPLP, em 2022. Organizado pela Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP, coordenada pela UCCLA no Biénio de 2021-2022, a convite da CPLP. A organização angolana do Encontro de Escritores foi da responsabilidade das Direções do Arquivo Histórico Nacional, da Biblioteca Nacional, do Ministério da Cultura de Angola e da União de Escritores Angolanos.

A cerimónia de abertura decorreu no dia 3 de maio, no histórico e bonito Palácio de Ferro, com a presença dos Ministros do Turismo e da Cultura presentes em Luanda, tendo sido presidida pelo Sr. Ministro da Cultura e do Turismo e Ambiente de Angola, Dr. Filipe Zau, em representação da Presidência Angolana em exercício da CPLP.

Intervieram igualmente o Secretário Executivo da CPLP, Zacarias da Costa, o Coordenador Cultural da UCCLA e Coordenador da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, da CPLP, Rui Lourido e o Secretário Geral da União de Escritores Angolanos – U.E.A., David Capelenguela. Seguidamente os escritores fizeram uma breve apresentação do seu trabalho.

O Encontro refletiu, a 4 de maio, sobre os desafios que se colocam ao Português enquanto Língua de Cultura (ciência e inovação). Num contexto de rápido desenvolvimento de novas tecnologias, da globalização e no impacto da pandemia de COVID19. Os escritores tiveram a oportunidade de debater os condicionalismos que afetam a circulação dos próprios escritores no espaço da CPLP. Tendo sido sugerida a dispensa da obrigatoriedade de visto para escritores convidados por entidades literárias dos respetivos países. Foram igualmente debatidos três outros subtemas: como promover a circulação do livro no espaço da CPLP; independentemente do tipo de suporte, papel ou digital, o livro deve ser encarado na sua dupla função de fruição do lazer, quer como instrumento de aprendizagem da complexidade e diversidade das sociedades Humanas, seja nas ciências Humanas, seja nas ciências exatas. O livro com recurso e apoio de texto, desenho, vídeo, som, música, promove a curiosidade, a imaginação, o sonho. Os escritores refletiram ainda, sobre a necessidade do mais amplo acesso ao livro, através das bibliotecas, criando polos de bibliotecas nos bairros e nos jardins, nos centros comerciais, nas escolas, refeitórios e prisões, … (deslocalização do livro para os computadores e para os telemóveis). No processo de cativar novos públicos, cada vez mais jovens, as autoridades públicas não podem esquecer os idosos, hoje mais numerosos e isolados nas nossas cidades.

Participaram como oradores escritores e agentes culturais de todos os países de Língua Portuguesa, nomeadamente: Lopito Feijóo (Angola, Membro da U.E.A.), Yola Castro (Angola, Membro da U.E.A.), Daniel Gociante Patissa (Angola, Membro da U.E.A.), David Capelenguela (Angola, S.G. da U.E.A.), João Anzanello (Brasil), Anna Cunha – ilustradora (Brasil), José Luís Tavares (Cabo Verde), Amadu Dafé (Guiné -Bissau), Ungulani Ba ka Kossa -Francisco Cossa (Moçambique), Rui Lourido (Coordenador Cultural da UCCLA e Coordenador da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, da CPLP), Afonso Cruz (Portugal), Rachel Caiano – ilustradora (Portugal), Olinda Beja (São Tomé e Príncipe) e Luís Costa (Timor).

Integrando a Capital da Cultura da CPLP 2022, realizou-se a XII Reunião de Ministros da Cultura da CPLP (presencial em Luanda e três ministros online, a 4 de Maio), que aprovou o Plano Estratégico e o Plano de Ação de Cooperação Cultural Multilateral da CPLP (2022-2026). Nesta sessão, os ministros ouviram a apresentação do plano de atividades da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, dos Observadores Consultivos da CPLP, para o ano de 2022, apresentado pelo seu Coordenador Rui Lourido. O qual destacou a ampla abrangência temporal e geográfica das iniciativas. Algumas de caráter temporário, mas outras permanentes.

A vasta abrangência geográfica destas iniciativas reflete-se na inclusão de mais de 11 espaços (Angola: Luanda; Espanha: Galiza, Olivença; Brasil, Cabo Verde; Guiné-Bissau; Macau/China; Índia; Portugal e Timor). O plano inclui uma grande variedade tipológica de iniciativas, (cerca de 57), que se podem agrupar nas seguintes 10 áreas: Encontros literários (Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal), conferências (ex. Galiza, Brasil, Portugal), projetos literários (sobre a pandemia, …), lançamento de livros (Gramática, …), concursos e prémios literários, bibliotecas digitais e físicas, leituras e entrevistas on-line, cursos de LP, A língua vai ao comércio local (Olivença), exposições, feiras do livro, Espetáculos (festivais, recitais de poesia, concertos, dança, teatro), oficinas lúdico didáticas, ciclos de cinema, programas de Rádio, e o apoio ao Museu da Língua Portuguesa de S. Paulo (Brasil).

O Encontro de Escritores da Capital da Cultura da CPLP, de 2022, abriu-se a novos públicos e partilhou com a população mais jovem e, em especial, com os estudantes da área da comunicação do Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL, 4 maio) e com os da Universidade Agostinho Neto, para assinalar o dia 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Nesta universidade, o Coordenador Cultural da UCCLA e da Comissão Temática, apresentou o vencedor de 2022, do Prémio de Revelação Literária da UCCLA/CML: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, e convidou os presentes a candidatarem-se com uma obra original. Seguidamente os escritores apresentaram o seu trabalho e responderam às perguntas entusiasmadas dos estudantes e professores. Utilizemos duas citações do mais jovem escritor, o guineense Amadu Dafé, que nos refere “Quer numa como noutra instituição de ensino superior, partilharam-se conhecimentos, histórias e experiências de vida, afetividades, sonhos e momentos poéticos”.

No dia 6, antes de regressar aos seus países de origem, os escritores realizaram visitas guiadas à importante Biblioteca Nacional e ao grandioso edifício do novíssimo Arquivo Histórico de Angola, novamente Dafé – “onde se fechou o ciclo com a sensação de missão cumprida e oficializando, com a declamação de poemas do Agostinho Neto ao sabor do funji e outras especialidades gastronómicas e culturais angolanas”.

 

Rui Lourido
Coordenador cultural da UCCLA
Coordenador da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, da CPLP

Automobilismo | F1 na China com dificuldades inesperadas de vingar

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Três meses depois do arranque da temporada de 2022, o entusiasmo da chegada do piloto chinês Guanyu Zhou ao Campeonato do Mundo de Fórmula 1 tem perdido força. Uma série de factores fora de pista têm contribuído para isso, e o próprio estreante Zhou, o primeiro piloto da República Popular da China a correr na disciplina, admite que não tem a certeza se vai manter o seu lugar na Alfa Romeo na próxima temporada

 

Nos últimos dias, o nome do jovem de 23 anos apareceu várias vezes na imprensa internacional entre os pilotos cujo futuro na Fórmula 1 não é claro para além de 2022. Isto, apesar do chefe de equipa da Alfa Romeo, Frédéric Vasseur, parecer satisfeito com a época de Zhou até agora, especialmente porque a relação que o piloto chinês tem com o colega de equipa Valtteri Bottas tem sido profícua.

“O Valtteri é rápido no carro, bom com a equipa fora do carro, é fantástico em termos de motivação e contribuição”, disse o responsável francês. “E a colaboração com Zhou é mais do que boa”.

No entanto, Zhou não tem a certeza sobre a sua continuidade, até porque não tem um contrato assinado. “Ainda estamos no início desta temporada, por isso ainda não tenho planos para o futuro e ainda não sei qual é o plano”, disse o piloto natural de Xangai. “Claro que tem sido uma temporada com pontos altos e baixos, mas no geral sinto-me muito feliz por estar aqui. E sinto que ainda há muitas corridas para eu desenvolver as minhas capacidades na Fórmula 1”.

A boa temporada que Bottas está a realizar este ano deverá mantê-lo na equipa, mas o lugar de Zhou é muito cobiçado pelo francês Théo Pourchaire. O piloto de reserva da Alfa Romeo F1 Team Orlen e membro da Sauber Academy é também um protegido de Vasseur. Vice-campeão em 2021 da Fórmula 2, Pourchaire ocupa a segunda posição no campeonato este ano e quer dar o assalto, preferencialmente em 2023.

Com um ponto já alcançado esta época, o que o coloca no 18.º lugar entre os vinte e um pilotos participantes, Zhou está aparentemente tranquilo e confiante. “Se tudo correr como planeado, não vejo razão para estar demasiado preocupado com o que vai acontecer no próximo ano”, referiu.

Outras dificuldades

Durante décadas acreditou-se que a presença de um piloto chinês no “Grande Circo” iria quebrar as barreiras e finalmente se iriam abrir as portas do actual maior mercado automóvel do mundo. Contudo, na prática, tal não está a acontecer, bem longe disso. A presença de Zhou trouxe o interesse de novos patrocinadores para o desporto, principalmente para a Alfa Romeo, mas ainda não se assistiu à chegada de fortes patrocinadores chineses.

Apesar dos intentos que a Fórmula 1 tem em realizar um dia dois Grandes Prémios na China, a verdade é que a categoria rainha do automobilismo não pisa solo chinês desde 2019. O contrato de Xangai foi mesmo assim renovado até 2025, mas hoje ninguém se atreve a garantir que haverá Grande Prémio da China em 2023 devido às actuais restrições de entrada de estrangeiros no país.

Outro problema que a Fórmula 1, neste caso a Liberty Media, tem encontrado na China prende-se com as transmissões televisivas. Fora das duas Regiões Administrativas Especiais, apenas em Xangai e na província de Guangdong é possível assistir às transmissões em directo dos eventos. Apesar dos rumores que a China Telecom poderia ter ganho o concurso dos direitos de transmissão online, a verdade é que não existe ainda uma plataforma autorizada a transmitir as corridas pela internet, o que condiciona a expansão da disciplina no país.

Segurança nacional | Ofertas de até 14.000 euros por denúncias de “ameaças”

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O novo regulamento de segurança do Estado surge em vésperas da preparação do 20.º Congresso do Partido Comunista e visa conter as ameaças à soberania do país

 

A China anunciou ontem que vai oferecer recompensas até ao equivalente a 14.000 euros a quem denunciar acções consideradas uma ameaça à segurança nacional, numa altura em que o Partido Comunista prepara a realização do 20.º Congresso.

O Ministério da Segurança do Estado disse que o novo regulamento, que estabelece critérios para as recompensas, foi introduzido com efeito imediato.

Qualquer pessoa que relate um alvo claro ou uma pista verificável, para acções ainda não conhecidas pelo Estado e consideradas prejudiciais à segurança nacional, vai ser elegível para recompensa, assim que tal for confirmado pelos investigadores.

Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, um porta-voz do ministério disse que o regulamento incentiva os cidadãos a relatar estas ameaças, constituindo uma medida de segurança concreta na preparação para o Congresso do Partido Comunista, que se realiza no Outono.

O Congresso deve atribuir ao secretário-geral, Xi Jinping, um terceiro mandato, quebrando com a tradição política das últimas décadas, que limitava o exercício do cargo a dois mandatos de cinco anos.

As leis de segurança nacional e contra a espionagem da China abrangem acções que ameaçam a soberania e a segurança do país.

Tabela de preços

Sob o novo regulamento, os informantes vão ser elegíveis para recompensas em dinheiro, num sistema de quatro níveis.

Uma pista no nível mais baixo dá direito a uma recompensa de cerca de 10.000 yuan. O nível mais alto – uma pista considerada como “extremamente significativa” – dá direito a mais de 100.000 yuans.

Os cidadãos podem transmitir informações utilizando as suas identidades reais ou de forma anónima, por telefone, correio electrónico, carta ou pessoalmente.

As autoridades vão decidir, num prazo de 30 dias, se a denúncia dá direito a uma recompensa, sendo o pagamento feito pelas agências municipais do ministério.

Isto ocorre depois de um homem, de 37 anos, ter sido preso pela polícia de segurança nacional, na cidade de Hangzhou, no leste do país, acusado de conspirar com forças anti-China estrangeiras, e de usar a Internet para incitar a “secessão” e a “subversão” do poder do Estado.

A imprensa estatal identificou o homem pelo apelido Ma e informou que se trata do director de pesquisa e desenvolvimento de uma empresa de tecnologia de informação. Fontes oficiais acusaram-no de cooperar com “forças externas” para derrubar o Governo chinês.

Amagao | Exposição “Lusografia” reúne obras de mais de 20 artistas

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De Paula Rego a Júlio Pomar, passando por Vhils, Alexandre Marreiros ou Cruzeiro Seixas, são 24 os artistas portugueses que terão as suas obras expostas na Galeria Amagao até 4 de Setembro. A exposição de obras de serigrafia, gravura e artes gráficas está integrada nas comemorações do 10 de Junho em Macau

 

Inaugura hoje na Galeria Amagao, espaço permanente localizado no Artyzen Grand Lapa, a exposição “Lusografia”, que reúne um espólio de cerca de 70 obras de serigrafia, gravuras e artes gráficas de 24 artistas portugueses.

Integrada nas comemorações do mês de Portugal em Macau, a exposição está patente até 4 de Setembro e inclui reproduções de “alta qualidade” de artistas portugueses de renome como Paula Rego, Júlio Pomar, Vhils, Vieira da Silva ou Cruzeiro Seixas, que podem ser adquiridas pelos visitantes.

“Proporcionou-se a oportunidade de fazer esta mostra associada às comemorações do Dia de Portugal e, por isso mesmo, embora sejamos uma galeria de vocação lusófona ampla, a iniciativa conta apenas com artistas portugueses (…) e não só artistas lusófonos em sentido lato”, começou por explicar ao HM, José Isaac Duarte, um dos responsáveis pela Galeria Amagao.

“Seria surpreendente não ter aqui em Macau manifestações de arte associadas a Portugal (…) pois são um elemento importante da presença portuguesa em Macau e no mundo. Como Portugal tem uma grande tradição na produção de serigrafias e obras feitas a partir das diferentes técnicas de gravura e há muitos artistas portugueses com produção de obras deste cariz [decidimos avançar com esta iniciativa]. Desde os mais consagrados aos mais novos”, acrescentou.

José Isaac Duarte vinca ainda que “a exposição não procura seguir qualquer tema”, encontrando sim “unidade” nas técnicas de gravura dos artistas com diferentes temas e abordagens.

“É uma exibição que tem a ver com técnicas de gravura e, dentro desse tema, decidimos fazer uma mostra diversificada de artistas que produzem obras variadas (…) e, portanto, as pessoas que visitam a exposição terão a oportunidade de encontrar obras de diversa natureza, com diferentes tonalidades, temas e abordagens”, vincou.

À flor da pele

Entre os artistas mais representados na exposição, o destaque vai para o modernista Júlio Pomar e o surrealista Cruzeiro Seixas, contando com cerca de uma dúzia de obras expostas cada um. Do lado da pintura portuguesa feita no feminino realce para o facto de a mostra incluir obras de Paula Rego e Graça Morais. Isabel Rasquinho e Alexandre Marreiros marcam presença na “Lusografia” também enquanto artistas com fortes raízes em Macau. Vhils, conhecido pelos seus trabalhos de arte urbana, tem três obras em exposição na Galeria Amagao.

José Isaac Duarte prefere, contudo, não destacar ou desvendar que obras ou artistas merecem, na sua opinião, maior relevo e convida os visitantes a descobrir por si próprios, que sensações e emoções os traços e as cores dos trabalhos lhes despertam.

“É óbvio que, tanto a Paula Rego como o Júlio Pomar têm uma dimensão internacional que não precisa de mais referências. O desafio passa por as pessoas virem aqui, verem as obras e fazerem o seu próprio julgamento. Haverá coisas que gostam e outras não, é natural. O importante é a oportunidade de nos confrontarmos com propostas diferentes de vários artistas e, sobre elas, fazer um juízo e ter uma reacção emocional. A arte, naturalmente, também tem uma componente de gosto e emoção e isso é importante”, partilhou.

Alexandre Baptista, Alfredo Luz, Artur Bual, Carlos Dugos, Clotilde Fava, Espiga Pinto, Francisco Geraldo, Graça Morais, João Paulo, Jorge Martins, José Luís Tinoco, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Maria João Franco, Miguel Pamplona, Raquel Oliveira, Velhô e Vieira da Silva compõem a lista de artistas.

A exposição “Lusografia” pode ser vista até 4 de Setembro entre terça-feira e domingo, das 10h00 às 19h00. As obras expostas podem ser adquiridas pelos visitantes, com preços a partir das 3.000 patacas.

Condenado a seis meses após remover bloqueador de rodas

Tiago Alcântara

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) condenou um indivíduo a seis anos de prisão, suspensa na execução pelo período de 1 ano, após este ter removido, com as próprias mãos, um bloqueador colocado na roda traseira do seu veículo.

A decisão, chega depois de o Tribunal Judicial de Base (TJB) ter absolvido o suspeito do crime de “destruição de objectos colocados sob o poder público” por considerar que este desconhecia a lei. No entanto, o argumento levou o Ministério Público (MP) a apresentar recurso.

O caso ocorreu na Rampa do Observatório na Taipa, lugar onde um agente do CPSP encontrou o veículo do indivíduo mal-estacionado e em falta relativamente ao pagamento do imposto de circulação, pelo que avançou para o bloqueio do veículo. No entanto, o indivíduo “não se dirigiu nem telefonou ao Departamento de Trânsito do CPSP para tratar das formalidades de desbloqueamento”, removendo “por si próprio” o bloqueador e tirando o carro do local.

Contas feitas, por considerar que “o conhecimento imperfeito das disposições legais concretas não deve, nem pode ser motivo para isenção da responsabilidade jurídica” e “o desbloqueamento sem permissão viola a lei”, o TSI deu razão ao MP e condenou o suspeito a 6 meses de prisão.

Chuva | Inundações e aulas canceladas após sete horas de sinal vermelho

GCS
Inundações nas zonas baixas, autocarros e parques de estacionamento alagados e o cancelamento das aulas marcaram grande parte do dia de ontem. Sinal vermelho de chuva intensa esteve em vigor durante quase sete horas. Encarregados de educação defendem que suspensão das aulas devia ter acontecido logo de manhã. Mau tempo vai continuar

 

Ao fim de praticamente de sete horas em que o sinal vermelho de chuva intensa esteve em vigor, Macau registou ontem várias inundações nas zonas baixas da cidade, provocando fortes constrangimentos à circulação e levando mesmo ao cancelamento das aulas durante tarde. Além disso, através de vários vídeos publicados nas redes sociais foi possível ver autocarros alagados, parques de estacionamento inundados e estradas submersas, com especial incidência nas zonas da Taipa e no Porto Interior.

Num desses vídeos, divulgados pelos canais online do jornal Ou Mun, é possível observar uma intensa enxurrada de água a correr ao longo da Calçada de São Paulo, localizada junto às Ruínas de São Paulo. Noutro vídeo, utentes de um parque de estacionamento subterrâneo deslocam-se com água pelas canelas ao longo do piso submerso do recinto.

De acordo com dados da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), até às 16h00 de ontem choveu o equivalente a 234,8 litros por metro quadrado na zona da Taipa, 184,4 litros por metro quadrado em Coloane e 182,8 litros por metro quadrado na península de Macau. Isto, quando até ao meio-dia já tinha caído o equivalente a 120 litros por metro quadrado de chuva na península de Macau, 140 na Taipa e 110 em Coloane.

Segundo o canal chinês da TDM-Rádio Macau, no Porto Interior, o efeito da chuva intensa que caiu durante toda a manhã e ao início da tarde era notório. Por volta do meio-dia, na Rua do Almirante Sérgio, era impossível andar sem que os pés estivessem debaixo de água. Comerciantes ouvidos pela emissora pública deram nota que, apesar da intensidade da chuva, a água não alagou o interior dos estabelecimentos.

No entanto, o registo ficou longe de ombrear com o recorde de chuva por dia alcançado sensivelmente há um ano no dia 1 de Junho. Na altura, a precipitação diária registada pela estação da Fortaleza do Monte chegou aos 408,8 litros de água, num dia que ficou marcado pela emissão do sinal preto de chuva intensa e mais de 30 casos de cheias.

O sinal vermelho de chuva intensa foi accionado às 9h15 juntamente com o de trovoada, acabando por ser cancelado às 16h05. Por volta das 13h00, a Direcção Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) emitiram uma nota a anunciar a suspensão do ensino secundário, primário, infantil e educação especial durante a tarde. No mesmo comunicado, a DSEDJ avisou os estabelecimentos de ensino para permanecer de portas abertas e assegurar pessoal para prestar apoio aos alunos até ao seu regresso a casa.

Tarde de mais

Após o anúncio da suspensão das aulas, vários encarregados de educação voltaram às escolas onde tinham deixado os filhos durante a manhã para os levar de volta a casa.

Segundo o canal chinês da TDM-Rádio Macau, os pais dos estudantes lamentaram que a DSEDJ apenas tenha suspendido as aulas da parte da tarde, defendendo que a decisão devia ter sido tomada logo ao início do dia. Isto, quando de manhã, a chuva já tinha deixado muitos alunos “encharcados”.

Devido à instabilidade do tempo e a continuação da ocorrência de chuvas intensas e trovoada nos próximos dias, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e o Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia (CPTT) emitiram uma nota onde alertam as empresas e lojas localizadas nas zonas baixas de Macau para tomar medidas preventivas contra as inundações.

Segundo os SMG, hoje e amanhã Macau “continuará a ser afectada por aguaceiros e trovoadas (…) fortes”, que podem provocar “inundações severas” e “deslizamentos de terra”. O organismo alerta ainda para o facto de a “aleatoriedade” da chuva e o reduzido tamanho de Macau, tornar impossível prever “com precisão” a hora, localização a intensidade das áreas de chuva.

Hengqin | Trabalhadores com subsídios cortados e sem meio para fazer queixa

Rómulo Santos
A Macau Investimento e Desenvolvimento, empresa de capitais públicos da RAEM que opera na Hengqin, cortou o “subsídio regional” sem qualquer explicação. Os trabalhadores não sabem a quem devem apresentar queixa

 

Vários trabalhadores de Macau do Parque de Medicina Tradicional Chinesa, investimento público da RAEM na Ilha da Montanha, viram um “subsídio regional” de 1.000 renminbis cortado, sem qualquer justificação, e não conseguem fazer queixa. Em causa está o facto de os trabalhadores não quererem ser identificados, e, ao contrário do que acontece em Macau, as autoridades do Interior não investigarem queixas laborais anónimas.

O caso foi revelado por trabalhadores afectados que telefonaram para o programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau. Na sequência, o jornal All About Macau tentou perceber os mecanismos de protecção laboral dos trabalhadores locais empregados em Hengqin, que resultou num pingue pongue entre o secretário da Economia e Finanças e as duas empresas com capitais da RAEM, a Macau Investimento e Desenvolvimento e a Guangdong-Macau Tecnologia da Medicina Tradicional Chinesa Desenvolvimento do Parque Indústria. No final, não foi obtida nenhuma resposta esclarecedora.

Na primeira troca de correspondência, Lei Wai Nong remeteu explicações para a Macau Investimento e Desenvolvimento e para a subsidiária Guangdong-Macau Tecnologia da Medicina Tradicional Chinesa Desenvolvimento do Parque Indústria.

Por sua vez, a Macau Investimento e Desenvolvimento não confirmou a existência de cortes, mas também não desmentiu. A empresa limitou-se a agradecer ao jornal a “a atenção prestada ao parque industrial”, além de afirmar que lida com todos os assuntos “de acordo com as legislações locais”.

Silêncio ensurdecedor

Não é a primeira vez que queixas laborais entre as duas jurisdições causam polémica. Anteriormente, um funcionário da Macau Investimento e Desenvolvimento na Ilha da Montanha apresentou uma queixa na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), depois de lhe ter sido recusado várias vezes um pedido para tirar seis dias seguidos de férias. Contudo, a DSAL recusou a queixa, por entender que o assunto compete às autoridades do Interior.

O All About Macau tentou também apurar os mecanismos laborais que existem no Interior para lidar com disputas que implicam os trabalhadores da RAEM. Esta é uma preocupação crescente, uma vez que cada vez mais o Governo incentiva residentes a procurar emprego no Interior, nomeadamente na Grande Baía.

Contudo, como aconteceu com a questão dos cortes de subsídios, tanto o secretário para a Economia e Finanças como a empresa Macau Investimento e Desenvolvimento ignoraram as perguntas colocadas.

Outra pergunta que Lei Wai Nong e a Macau Investimento e Desenvolvimento também ignoraram foi sobre o número de trabalhadores locais no Parque de Medicina Tradicional Chinesa. No entanto, o jornal indica que o número deverá rondar 10 trabalhadores, com os restantes a serem do Interior.

Cortes de Natal

Segundo os trabalhadores citados pelo All About Macau, a Macau Investimento e Desenvolvimento começou a pagar o “subsídio regional” de 1.000 renminbis aos funcionários de Macau em Agosto do ano passado. Contudo, o pagamento foi suspenso em Dezembro, sem qualquer explicação dada aos trabalhadores. Na sequência, os administradores da empresa foram confrontados, mas o grupo presidido por Lu Hong apenas respondeu que “a redução do salário foi feita de acordo com os procedimentos legais”.

O “subsídio regional” foi criado no ano passado para fazer frente a “uma onda de demissões” de residentes de Macau no parque e também para a empresa cumprir a “responsabilidade social de diversificar a economia” da RAEM.

IFT | Secretária pede que alunos não se deixem afectar pela pandemia

GCS

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultural, Elsie Ao Ieong U, apelou ontem aos estudantes do Instituto de Formação Turística que não se deixem afectar pela nova situação económica e pela covid-19.

A mensagem foi deixada durante a cerimónia de licenciatura dos estudantes do IFT, que decorreu ontem. “Espero que, perante as mudanças sociais e económicas causadas pela pandemia de COVID-19, possam seguir em frente com a cabeça erguida, mantendo a vossa aspiração inicial, adquirindo mais conhecimentos, lutando incessantemente pelo alcance dos vossos objectivos e contribuindo para o desenvolvimento de Macau!”, apelou a secretária.

No entanto, Elsie deixou ainda uma mensagem para o IFT, para o qual traçou objectivos para os próximos anos, pedindo à instituição que contribua para a diversificação da economia. “Espero que o IFTM consolide as próprias características e vantagens, desenvolvendo modelos de ensino que correspondam às novas conjunturas, que se baseiem nos novos horizontes e que integrem novas tecnologias, promovendo a integração indústria-academia-investigação”, afirmou. A secretária apontou ainda que a instituição tem de contribuir para a criação de “uma marca do ensino superior” de Macau.

Ensino superior | Coutinho pede protecção de direitos adquiridos

Tiago Alcântara

José Pereira Coutinho quer saber como é que o Governo vai garantir a manutenção dos direitos adquiridos dos trabalhadores das instituições de ensino superior, quando estes deixarem de ser considerados trabalhadores da Administração.

A pergunta faz parte de uma interpelação divulgada ontem, após o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, ter revelado que o Executivo tem a intenção de reduzir de 38 mil para 35 mil o número de trabalhadores da função pública.

Actualmente, os trabalhadores das instituições de ensino superior estão abrangidos pelo regime da função pública, mas o Executivo pretende alterar esta realidade, por sentir que existe “necessidade de aumentar a flexibilidade na gestão dos recursos humanos”. O objectivo é aumentar a competitividade nas condições oferecidas para os quadros altamente qualificados.

No entanto, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) mostra-se preocupado e diz não compreender a necessidade de mudar o actual regime. José Pereira Coutinho teme ainda que seja violado o artigo 98.º da Lei Básica, que define que os funcionários públicos têm direito a uma aposentação paga pela RAEM e podem manter os vínculos com a Administração.

Por último, Coutinho questionou ainda se o Governo vai ouvir as associações de trabalhadores públicos sobre as possíveis mudanças.

Farol da Guia | Defendida redução da altura do edifício da Calçada do Gaio

DR
Proposta do Governo de permitir que o edifício na Calçada do Gaio mantenha os actuais 82,32 metros não convence o Grupo para a Salvaguarda do Farol, nem o ex-deputado Sulu Sou

 

O Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia está contra a decisão do Governo de permitir que o edifício na Calçada do Gaio seja concluído com a altura actual, de 82,32 metros. A solução, para um problema que vem de longe, foi anunciada na terça-feira, durante uma reunião do Conselho do Património Cultural, mas ainda está dependente das decisões dos departamentos relevantes.

Apesar de manter o tamanho actual, segundo a presidente do Instituto Cultural, o edifício vai utilizar materiais transparentes, como vidro, no topo da infra-estrutura, no que foi justificado como uma forma de reduzir o impacto visual.

No entanto, as duas sugestões não convencem o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia, que, através de um comunicado, aponta que a melhor solução passa por reduzir a altura do edifício para 52,5 metros.

A associação explicou também que a UNESCO tinha pedido para que “o desenho e a construção dos andares superiores fosse feita com materiais menos volumosos e mais transparentes para reduzir o impacto ambiental”.

Contudo, para o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia a proposta não cumpre com o que tinha sido requisitado. “Não percebemos como é que o actual desenho do edifício pode satisfazer as exigências da UNESCO”, argumentam.

Por estes dois motivos, o grupo insiste na demolição dos andares superiores para que a altura se mantenha nos 52,5 metros e não bloqueie o corredor visual para o farol.

Solução desadequada

Também o ex-deputado Sulu Sou, que fez da questão do Farol da Guia um dos principais temas da sua agenda, mostrou desagrado com a solução encontrada.

Através das redes sociais, Sulu Sou recordou que em 2016 a UNESCO deixou muito claro que não concordava com a construção em altura do edifício, porque teria um impacto irreversível para o corredor visual para o Farol da Guia.

Contudo, agora o Governo diz que a solução encontrada cumpre os requisitos da UNESCO. Para o ex-deputado e vice-presidente da Associação Novo Macau, a postura do Executivo foi de atrasar ao máximo a resolução do problema, e adoptar uma solução que não se adequa à realidade actual, de 2022, muito diferente da vivida em 2008.

Em 2006, quando foi aprovada a licença de construção, surgiu um plano para que o edifício tivesse mais de 120 metros. Foi devido à altura do prédio e à necessidade de proteger o corredor visual que as obras estão suspensas desde 2008.

Governo vai apresentar orçamento rectificativo

DR
O orçamento da RAEM para 2022 será rectificado para disponibilizar recursos financeiros adequados à despesa pública, afirmou ontem o secretário para a Economia e Finanças. Para já, a estimativa das receitas do jogo para este ano não será revista, apesar de Lei Wai Nong referir que as previsões acabam por ser diferentes dos resultados concretos

 

O secretário para a Economia e Finanças revelou ontem que o orçamento da RAEM será revisto para cobrir a despesa pública mediante a injecção de recursos financeiros adicionais. Lei Wai Nong revelou o plano de revisão orçamental à margem da cerimónia de abertura da “4.ª Competição de Aptidão Profissional das empresas de turismo e lazer de Macau, 2022”, que se realizou ontem no MGM Cotai. O governante acrescentou que o Executivo está a preparar a proposta de lei para apresentar à Assembleia Legislativa, de acordo com o canal chinês da TDM.

Recorde-se que no ano passado o Governo viu-se forçado a rectificar o orçamento três vezes, recorrendo a processo legislativo de urgência.

Também a previsão das receitas do jogo para este ano, pode ser revista em baixa do valor inicial de 130 mil milhões de patacas, uma vez que as receitas do primeiro semestre não corresponderam às expectativas, apesar de Lei Wai Nong ter recusado fazer uma nova previsão.

“Na primeira metade do ano, a situação da pandemia no estrangeiro e nas regiões vizinhas agravou-se. Durante os meses de Janeiro e Fevereiro, as receitas dos casinos foram relativamente boas, mas a partir de Março a pandemia voltou a trazer incerteza. Muitas das coisas que previmos acabaram por não corresponder aos resultados concretos. Vamos tratar as previsões económicas de forma dinâmica”, afirmou.

Nos primeiros quatro meses de 2022, as receitas do jogo registaram uma quebra de mais de um terço em relação ao mesmo período do ano passado.

À espera de sol

Sem adiantar números, mas a ressalvar que o Governo irá adoptar uma postura dinâmica nas previsões económicas, Lei Wai Nong mostrou-se esperançado quanto à segunda metade do ano.

“Não vou fazer previsões, mas destaco que o segundo semestre é um período dourado para a indústria do turismo. Se a situação pandémica permitir, vamos envidar todos os esforços para alargar as origens e o número de visitantes. Mas estamos prontos para fazer uma nova avaliação”, acrescentou o governante.

O secretário para a Economia e Finanças referiu ainda que a nova lei do jogo não teve impacto nos casinos-satélite e que a decisão de manter estes espaços de jogo a operar é do foro comercial das respectivas empresas. O governante afirmou ter esperança na sobrevivência dos casinos-satélite e no contributo para a estabilidade do emprego.

Alexandre Pais, director do Museu Nacional do Azulejo: “Portugueses não tinham o segredo da porcelana” 

HM
Estudioso da influência da porcelana chinesa na cerâmica portuguesa, Alexandre Pais é um dos contribuídores do livro “Rotas da Cerâmica”, que conta a história do comércio da porcelana e da sua produção em Jingdezhen, na China. O livro editado pelo Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro também aborda o período de grande exportação para a Europa, sobretudo para Portugal, a partir dos séculos XVI e XVII

 

 

Como surgiu a possibilidade de participar nesta obra?

Já tinha tido contactos com o professor Carlos Morais e fizemos uma série de projectos. O meu texto é sobre a integração da faiança portuguesa de inspiração oriental e é um resumo da minha tese de doutoramento. O livro, em si, é importante porque nos apresenta o ponto de vista do Oriente em relação à porcelana. Normalmente, tudo o que existe é sempre do ponto de vista do Ocidente. Pelo que li, há muita bibliografia oriental à qual os ocidentais não têm acesso, incluindo sobre escavações arqueológicas.

Como chega porcelana chinesa a Portugal ao ponto de inspirar a nossa cerâmica?

Ela entra nos finais do século XV e início do século XVI, após a descoberta do caminho marítimo para a Índia. Portanto, com Vasco da Gama chega logo uma série de porcelanas. Ela depois começa a ser comercializada em grande quantidade, e Portugal é o primeiro país europeu a comercializar grandes quantidades de porcelana, mas também outro tipo de materiais e objectos. A porcelana entra de facto no gosto de toda a sociedade, com objectos para todas as bolsas, menos para as classes mais desfavorecidas.

Até à burguesia, digamos assim?

Do que chamamos burguesia, que na altura não existia, mas mercadores, classes um pouco mais abastadas que não pertenciam à nobreza. A porcelana é disseminada por todo o mercado europeu, e depois, quando perdemos a independência e ficamos sob alçada da coroa espanhola, outros países começam a cobiçar as rotas portuguesas do Oriente, nomeadamente os holandeses. [Chega mesmo a haver] a apreensão de diversas caravelas que transportavam porcelanas, que depois são vendidas no mercado de Amesterdão, e a partir daí a Holanda começa a querer o caminho e perdemos essa rota comercial pela associação com Espanha. Não quer dizer que deixe de entrar porcelana em Portugal, mas entra pouca, e não temos já essa importância. Não temos provas, mas parece-nos que as olarias portuguesas começam a produzir um tipo de decoração que, não sendo porcelana, invoca o Oriente. Existe um produto genuíno que é mais raro e caro, mas os portugueses começam a consumir esta faiança que tem qualquer coisa de exótico. E é por aí que vai sendo feita esta produção. É curioso porque surge um pouco também como contraponto às produções espanholas, que são diferentes. Depois também terá algumas componentes exóticas. A sensação que tenho é que a nossa faiança surge como contraponto ao que é produzido na península e como resposta à perda da rota e da quantidade de porcelana que vinha para a Europa.

O domínio espanhol levaria a porcelana chinesa também para Espanha.

Não estudei muito esse ponto, mas é óbvio, porque os espanhóis, ao ficarem com o reino português, ficaram com todas as rotas comerciais. Depois havia a rota de Manila para compensar a questão das rotas holandesas, e a porcelana e os espanhóis também faziam encomendas específicas à China, como os portugueses anteriormente também faziam. Mas Espanha acaba por beneficiar do facto de nos ter sob sua alçada.

Depois de 1640 como ficou o comércio da porcelana? Reforçou-se, houve uma expansão no mercado?

Não inicialmente, porque os primeiros 20 anos não foram fáceis. Falamos de 1640, mas o processo da restauração da independência foi longo. Isso nota-se pela própria produção de faiança: numa fase inicial, ainda tenta acompanhar a questão do exotismo, mas começamos a notar uma certa decadência. À medida que vai havendo dinheiro e reforço das rotas comerciais portuguesas, e como depois começa a ser possível encomendar directamente na China, a produção passa a ser completamente diferente da que era no século XVI. Aí era o azul e branco, mas a partir desta altura, em finais do século XVII, começamos a ter as chamadas famílias, verde, rosa. Começamos a ver, como há uma alteração do gosto e da própria utilização, pois a sociedade torna-se mais complexa, uma mesa portuguesa começa a ter mais produtos, surgem mais exigências em termos de higiene, por exemplo. Aí começam a ser encomendadas à China uma série de formas diferentes e objectos com outras características, surgem as peças brasonadas. Com o século XVIII dá-se uma grande expansão da loiça brasonada para o mercado interno, e aí a faiança deixa de ter qualquer importância.

Além do brasão, que elementos destaca nessas peças?

Algumas obras são encomendas específicas com elementos relacionados com os locais a que se destinam, como é o caso das casas religiosas. As grandes alterações prendem-se com a morfologia, a quantidade de peças que são encomendas com novas utilidades. São produzidas terrinas com a forma de animais, vegetais e frutas, o que tem a ver com a cenografia barroca das mesas temáticas.

Eram, portanto, feitas encomendas específicas aos fabricantes chineses.

Sim, mas isso já no século XVI. Havia motivos que eram levados para o centro produtor e que às vezes não eram bem interpretados. Mostrava-se um motivo e ele era invertido, por exemplo. Há erros porque o oleiro chinês não sabia interpretar bem as instruções, frases ou palavras invertidas, por exemplo.

O livro fala dos centros de produção na China, nomeadamente em Jingdezhen. Era uma importante actividade económica na altura?

Sim. Jingdezhen é uma região quase totalmente dedicada à olaria. Havia mais centros produtores na China, mas esta região era o ponto principal. Produziam também para outros centros na Ásia, mas era em Jingdezhen que estavam os centros de produção imperiais. Havia loiça para a corte, para o imperador e para exportação. Este centro ainda hoje está activo e replica muitas produções antigas.

O que revela o comércio de porcelana sobre as ligações entre Portugal e a China?

O Oriente sempre foi um foco de interesse para o Ocidente. Os portugueses são um povo muito curioso em relação a outras culturas e povos. Nota-se essa predisposição até na nossa expansão. O Oriente era uma civilização muito requintada e avançada e suscitava curiosidade. Ter objectos de uma cultura que não é próxima, com uma noção de exotismo, é sempre um factor apetecível, e dá uma dimensão mais sofisticada a quem a possui. Despertou-me curiosidade, na caracterização da cidade de Lisboa no século XVII e dos tipos de população, com pessoas oriundas da Índia, do Japão, da China. A convivência era relativamente estável entre essas populações e a população portuguesa.

Nós mostrávamos as nossas faianças no Oriente? Os missionários levavam algumas peças?

Suponho que seria algo residual. Tentei perceber se na China e Japão haveria faiança portuguesa, e tenho informação escrita de que haveria alguns exemplares em Hiroshima, mas não tenho mais dados.

Portugal importava mais porcelana chinesa do que outros países europeus?

Não sei se isso está estudado. Inicialmente, no século XVI, até à perda da rota comercial, tínhamos mais comércio com o exterior. Éramos os maiores importadores de produtos chineses, nomeadamente de porcelana. Nos séculos XVII e XVIII já existiam as companhias orientais holandesas e inglesas. Tendo em conta a quantidade de serviços de porcelana brasonados que há em Portugal dessa época, mostra que tínhamos um papel muito destacado na importação.

Ainda se encontram influências dessa ligação na cerâmica de hoje em dia, por exemplo?

Não. Essa influência dura todo o século XVII, e um dos últimos anos começa a ser já muito residual. A partir do momento em que retomam as rotas comerciais com a China, no final desse século, a faiança volta a ser um produto para classes menos endinheiradas, sem necessidade de grande decoração. Nessa altura as olarias portuguesas começam a trabalhar mais no azulejo. A cerâmica passou para segundo plano.

Há visões do Oriente no azulejo português, por exemplo?

Sim, visões da China e do Japão feitas com base em gravuras europeias. Muitas retratam um quotidiano que é imaginado, sempre com a ideia do exótico. Não é o retrato real de uma sociedade, mas a fantasia sobre o que é a vida do outro. Falamos de uma sociedade que, para nós, era pagã, adorava vários deuses, tinha hábitos estranhos. Mas ainda no século XVII, encontramos alguma influência exótica no azulejo português, embora não seja determinante. No caso da faiança, essa influência está muito presente inicialmente, mas progressivamente o que interessa é uma recriação de elementos que vão sendo aplicados na faiança. Depois adicionam-se elementos ocidentais, criando-se um produto híbrido. Nós não tínhamos o segredo da porcelana.

Porquê?

Não se percebia que material era, e pensava-se que a matéria de porcelana era um tipo de búzio específico. A produção de porcelana nunca foi privilegiada porque tínhamos imenso comércio com a China e, provavelmente, terão pensado que não valeria a pena produzir em Portugal. Demora algum tempo até a Vista Alegre começar a produzir porcelana, já no século XIX, ainda que o segredo do material tivesse sido descoberto antes.

 

A história do comércio 

Editado pelo Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro, “Rotas da Cerâmica” conta com a participação de diversos autores, com a edição por Carlos Morais e Ying Han. Além da colaboração de Alexandre Pais, o livro tem ainda a colaboração de Guo Mo, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, que aborda “os motivos chineses na faiança portuguesa: três exemplos de ‘venerar sem subserviência’”. Destaque ainda para o capítulo dedicado à “expansão e influência da cultura da cerâmica chinesa no sudeste asiático”, da autoria de Han Yeliang e Zhi Rui, da Universidade de Línguas Estrangeiras de Dalian, na China.

Inundações no centro da China afectam mais de 800 mil pessoas

Reuters

As fortes chuvas e inundações ocorridas na província de Jiangxi, no centro da China, afetaram, até à data, mais de 800 mil pessoas, informou hoje a imprensa estatal. As chuvas causaram danos em 80 cidades e vilas da província, que tem 45 milhões de habitantes.

Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, cerca de 32 mil pessoas foram retiradas pelas autoridades, entre 28 de maio e esta segunda-feira. Não foram relatadas mortes.

As autoridades locais estimam que as chuvas causaram danos em mais de 76 mil hectares de terras agrícolas e prejuízos no valor de 1.160 milhões de yuans. O governo provincial cancelou hoje o protocolo de resposta às cheias, de nível 4, que se mantinha em vigor, após o nível de precipitação ter diminuído.

No verão passado, inundações no centro da China, após chuvas de intensidade sem precedentes nas últimas décadas, causaram mais de 300 mortes, com bairros inteiros e estações de metro a ficarem submersas na província de Henan.

Durante a cobertura das inundações, jornalistas ocidentais foram assediados pela população local, depois de as contas oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC) nas redes sociais terem apelado às pessoas que “procurassem repórteres da BBC” e “alertassem as autoridades” quando os encontrassem.

Após uma investigação, o PCC concluiu, em janeiro deste ano, que o governo da cidade de Zhengzhou, capital de Henan, e outras agências locais foram “culpados de negligência e abandono do dever” e que “ocultaram ou atrasaram informações sobre pessoas mortas e desaparecidos no desastre”, informou na altura a Xinhua.

Song Lianchun, meteorologista do Centro Meteorológico Nacional, declarou no ano passado: “Não podemos dizer que um evento climático extremo seja causado diretamente pelas mudanças climáticas, mas, a longo prazo, o aquecimento global causa um aumento na intensidade e frequência desses eventos”.

Imobiliário | Jiayuan Group com dois pedidos de insolvência em Hong Kong

DR
Em 2017, a companhia do Interior deu 3,51 mil milhões de dólares de Hong Kong por dois terrenos na Taipa, naquele que foi o valor mais alto alguma vez pago. A vendedora foi uma empresa de William Kuan

 

A Jiayuan International Group, empresa que comprou o terreno mais caro de sempre no território, está a enfrentar dois pedidos de insolvência nos tribunais de Hong Kong. A revelação foi feita pela companhia através de um comunicado à Bolsa de Hong Kong, após a venda das acções ter estado suspensa nos últimos dias.

A informação sobre os pedidos é escassa, mas em causa estão dívidas de 15 milhões de dólares americanos relacionadas com juros de um empréstimo. No entanto, a empresa afirmou que “segundo a informação disponível” os pedidos de insolvência “não vão ter um impacto material ou significante nas operações ou na situação financeira”.

Apesar disso, a Jiayuan International Group destacou que tem “a intenção de se defender vigorosamente” contra os pedidos.

Também na sexta-feira, foi revelado que uma subsidiária do grupo chegou a acordo para vender um projecto de imobiliário identificado como Chengnan Real Estate, em Yancheng City, na província de Jiangsu. A venda foi feita à empresa Jiaxing Yuetai, a troco de 879 milhões de yuan. Sobre a transacção, a Jiayuan International Group justificou que “é uma boa oportunidade para o Grupo transformar em dinheiro o investimento inicial, e num ciclo muito mais curto do que o esperado”, caso fosse cumprido o processo de construção e vendas das habitações e lojas.

Vida negra

Os problemas da Jiayuan International Group estão ligados à crise do imobiliário que se vive no Interior. A situação ganhou maior visibilidade com o caso da gigante Evergrande, mas têm sido várias as empresas de construção em dificuldades e a falhar o pagamento de empréstimos, como a Fantasia, China Properties Group ou a Modern Land.

Os problemas da Jiayuan tinham sido antevistos pela Fitch Ratings, que no mês passado baixou o rating da empresa para “C”, um nível para empresas “em incumprimento ou “em vias de incumprimento”, e que fica abaixo do nível visto como “lixo”.

A descida do rating pela Fitch foi justificada com o facto de a empresa ter falhado o pagamento dos juros de um empréstimo de 200 milhões de dólares americanos, a 30 de Abril. Porém, para a empresa de notação financeira, o principal problema é que este empréstimo tem de ser devolvido na totalidade em Outubro de 2022. Além disso, na primeira metade do próximo ano a Jiayuan volta a ter de devolver dois empréstimos, no valor de 176 milhões de dólares americanos e 295 milhões dólares americanos. Sem acesso aos mercados financeiros, a Fitch antevê dificuldades para a Jiayuan fazer frente aos empréstimos.

Negócio recorde

Foi em 2017 que a Jiayuan International Group adquiriu pelo preço recorde de 3,51 mil milhões de dólares de Hong Kong dois terrenos na Taipa, na Avenida Dr. Sun Yat-Sen. A compra foi feita à Companhia de Fomento Predial San Kin Tai, na altura detida a 40 por cento por William Kuan, empresário que está detido e a ser investigado por crimes de corrupção.

Os dois terrenos têm actualmente em construção o projecto Ocean Hill, composto por habitações e lojas. No total, implicam uma área de 5.597 metros quadrados, o que significa que o negócio foi feito com o pagamento de 627,1 mil dólares de Hong Kong por metro quadrado.

Um homem de coragem

DR

A Igreja de São Pedro em Gallicantu é um templo católico romano localizado na encosta leste do Monte Zion, mesmo à saída das muralhas da antiga cidade de Jerusalém. Foi construída em homenagem à profecia de Jesus, quando afirmou que Pedro o haveria de negar três vezes antes que o galo cantasse. Depois do canto do galo, Pedro lembrou-se da profecia, e arrependeu-se repetidas vezes. Acabou por ser um mártir que morreu pela sua fé. Os cardeais católicos envergam vestes vermelhas e só podem exercer o cargo até uma idade limite. São elegíveis para suceder ao Papa em funções. Muitas pessoas pensam que o vermelho das vestes dos cardeais simboliza dignidade, mas na verdade simboliza a predisposição do cardeal para morrer pela sua fé, à semelhança de São Pedro, o primeiro Papa da Igreja Católica.

Embora Macau seja conhecida como a “Cidade do Nome de Deus de Macau” não há um cardeal na sua Diocese há mais de100 anos. Apenas o bispo José da Costa Nunes foi feito cardeal depois de ter sido Arcebispo de Goa. A vizinha Hong Kong, teve três cardeais, o Cardeal John Wu Cheng-chung, o Cardeal Joseph Zen Ze-kiun e o Cardeal John Tong Hon. Tirando o Cardeal John Wu Cheng-chung, os outros dois foram professores do Bacharelato de Ciências Religiosas no Holy Spirit Seminary College of Theology and Philosophy of Hong Kong, enquanto eram apenas padres. O Cardeal John Tong Hon ensinava “Criacionismo” e o Cardeal Joseph Zen Ze-kiun ensinava “Escatologia”.

O dia 24 de Maio é especial para a Igreja Católica. Em Maio de 2007, o Papa Bento XVI enviou uma carta aos católicos chineses, na qual consagrava 24 de Maio como Dia Mundial da Oração pela Igreja na China. O Papa escolheu esta data por ser o dia da Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos, marco importante da Ordem Salesiana.

Por coincidência, 24 de Maio deste ano foi o dia em que o Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, da Ordem Salesiana, se declarou inocente num tribunal de Hong Kong.

O Vaticano exprimiu a sua profunda preocupação pelo Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, que tem mais de 90 anos, ter sido processado pelo Governo de Hong Kong, assim como o Cardeal de Myanmar e os católicos de Hong Kong e de Macau. O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun é acusado de não ter “submetido um pedido de registo, ou isenção de registo de uma sociedade dentro do prazo designado”, e se for considerado culpado, pode enfrentar uma pena de prisão até três meses, com base na precedência. E como todos os outros envolvidos no caso se declararam inocentes, a próxima audiência pré-julgamento ficou marcada para 9 de Agosto próximo, e o julgamento, com duração de cinco dias, começará a 19 de Setembro.

Como os procedimentos judiciais ainda estão a decorrer, não é apropriado comentar o caso, embora eu não esteja em Hong Kong. Ouvi a advogada Margaret Ng Ngoi-yee, uma das acusadas, dizer que Hong Kong é uma sociedade regida pela lei e, mesmo que as leis sejam imperfeitas, devem ser antes de tudo respeitadas, e só depois se deve lutar por aperfeiçoá-las. Admiro Margaret Ng pelo seu respeito pelo estado de direito. Quando fui deputado na Assembleia Legislativa de Macau, também tentei ajudar o Governo da RAE a aperfeiçoar as suas leis.

Mas em vez de falarmos do caso do Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, em curso no tribunal, falemos antes do Cardeal Joseph Zen Ze-kiun como um homem de coragem. Numa declaração, disse ter sido o primeiro clérigo disposto a ir pregar na China depois do incidente de 4 de Junho na Praça Tiananmen, em 1989. Imaginem só o clima da sociedade chinesa nessa altura. Ter ido servir para a China, naquele período, demonstra a sua fé no país, enquanto residente em Hong Kong. Ainda fala cantonês, com sotaque de Xangai, porque nasceu nesta cidade.

É preciso coragem para dizer a verdade e fazer as coisas certas. A coragem dos cristãos é totalmente demonstrada através dos actos do Cardeal Joseph Zen Ze-kiun. Enquanto ele acreditar que está a cumprir a vontade do Senhor, assim o fará até ao fim. Mas devido à sua teimosia, não pode receber uma aprovação unânime. Mesmo na Igreja Católica, as opiniões dividem-se, mas ninguém pode negar que ele é um homem de coragem.

Discípulos em Saís

Não fora esta cidade egípcia e nem nos lembraríamos que para a anunciar necessitamos desesperadamente do trema, mas a escrita e seus significados ficaram enterrados na areias do deserto, e entre nós, na espuma dos dias. Ela é tão longínqua que só Novalis a poderia ter ido buscar numa eloquente inspiração, talvez Atlante, pois foi lá que um sacerdote escrevera sua história. Novalis não é menos grandioso que as lendas, só que muito mais recente em sua curta vida. O expoente mais puro do Romantismo conseguiu surpreender a nossa noção de tempo e dialogar com todos eles a partir de uma cultura de excesso de lembrança.

Esta é a obra que nos leva neste preciso instante à defesa do planeta, devendo ser um marco nestas matérias de juízo natural (não naturalista) para reorganizar o ser no centro da sua função, que passar por tudo isto em florilégio de cânticos de salvação sem outras componentes, é abrigarmo-nos à sombra de intenções. A Humanidade não quer saber da natureza, mas sim do fluxo das coisas que julga pertencerem-lhe por deleite e facilidade de acção. Contudo, a natureza é um laboratório que só se abre quando em nós sente um discípulo pronto, que em todo o caso ela sempre se esconde, mas mostrando quase tudo o que a nossa versão idílica não vê.

Levantar o véu de Ísis é tarefa problemática em Saís, ela encontrava-se coberta e quem atentasse na sua desocultação ficaria com uma nudez que não entenderia, mas quem a procurasse entraria fundo no seu seio: o primeiro capítulo em título de prólogo esclarece isto mesmo, em tonalidades envoltas com propósitos de busca e solidez amorosa. – Ele achava-se menos hábil que os outros, mas julgava que a Natureza o amava, por isso, e sob o véu de uma confiança luminosa nos foi por ela buscar saberes. Estamos na presença de um avatar que resulta transfigurado na sua dupla essência como ente que não perdeu o fio de prumo da consciência natural. A síntese do seu tesouro é tão raiada de futuro que o estar aqui na “persona” se poderá considerar de ora em diante uma inutilidade na concretização do ser.

Narramos até onde nos for possível a mensagem do obreiro, pois que este sentido extraordinariamente dinâmico se encontra transfigurado em culturas várias e correntes vibrantes de influências, interpretações e aturadas reflexões, e de Schiller a Hoderlin, passando por ele «fabricou-se um último exemplo de ciência poética antes de Hegel decapitar um problema tão aristocrático com a guilhotina da Lógica». Neste memorável discurso recuperamos o xamã, mas também as bases da legislação da República, a antevisão sonhada por todos os espíritos que a vanguarda instruiu para melhorar os dons dos habitantes da Cidade. Uma não mestria do Mestre em pirâmide, mas de assuntos que norteiam a delicadeza paradoxal da Natureza. – Que ela não é benevolente! Quem a pode tocar com estes dons saberá dirigir-se à vida com a ternura exacta e a inteligência mais firme para dissipar as agruras indistintas da vil consciência que aterra na fronteira do seu próprio suplício.

Nem tendencialmente estamos unidos como nos encontramos aqui, pois que os dons nos filtraram em defensores de causas, mas as causas têm efeitos, e os efeitos que servem este propósito estão algures entre estas páginas e muitas outras, todas de poetas, antes do esquecimento à função que lhes preside; dialogar com os mistérios, exceder as capacidades, e ser da natureza um filho muito pródigo. Que «O inesgotável tesouro das suas fantasias não tolera que um só dos seus amigos se afaste de mãos vazias. Tudo sabe embelezar, animar, confirmar; e se parece, em certos pormenores, que apenas reina um mecanismo sem consciência nem sentido, o olhar que penetra até ao fundo das coisas descobre, na coincidência e na sequência dos acidentes singulares, uma encantadora simpatia pelo coração humano». Pode ser esta a função científica do poema inundando de compreensão o Universo inteiro. A ciência responde, mas deixa por definir esta parte da Natureza que a transcende.

Exposição | “Lusografia” inaugurada amanhã na galeria Amagao

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Chama-se “Lusografia” e é mais uma exposição a ser inaugurada, amanhã, às 18h30, no âmbito do ciclo de actividades comemorativas do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões das Comunidades Portuguesas. A mostra, que estará patente entre sexta-feira e o dia 4 de Setembro, na galeria Amagao, no Artyzen Grand Lapa Macau, apresenta 70 obras de 20 artistas portugueses que vão desde a serigrafia, à gravura ou artes plásticas.

Podem ser vistos trabalhos de nomes bem conhecidos como é o caso dos pintores, já falecidos, Cruzeiro Seixas, um dos últimos representantes do surrealismo português, e Júlio Pomar.

Destaque ainda para a presença de trabalhos de Paula Rego ou Graça Morais, dois dos nomes mais importantes da pintura portuguesa contemporânea feita no feminino. Macau está também representado com o trabalho de Alexandre Marreiros, artista e arquitecto, e de Isabel Rasquinho.

O público poderá ainda ver trabalhos de Manuel Cargaleiro, pintor e ceramista português, e Vhils, autor de diversos trabalhos de arte urbana expostos em todo o mundo. Em Macau, Vhils tem o rosto de Camilo Pessanha esculpido num mural exposto junto ao consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Uma nota divulgada sobre a exposição dá conta que “Portugal tem uma longa tradição na gravura, serigrafia e artes gráficas afins”. “A produção de múltiplos de alta qualidade de uma obra de arte torna-a acessível a um público mais amplo. Além do valor estético e individual, estas obras tornam-se objectos de colecção”, pode ler-se.

Exposição | Aguarelas de Ada Zhang dão cor à vila de Ká-Ho

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A exposição “Home’s where the heart is” reúne aguarelas de Ada Zhang no espaço “Hold on to Hope Project”, na vila de Ká-Ho. A mostra que estará patente até 26 de Junho, reflecte as visões da artista que se formou depois de perder o emprego que tinha na indústria do jogo

 

“Home’s where the heart is” é o nome da exposição de Ada Zhang, que pode ser vista no espaço “Hold on to Hope Project”, que a Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) gere na vila de Ká-Ho. Porém, a mostra podia também ser um resumo dos últimos setes anos de vida da artista, desde que veio viver para Macau em 2015.

O conjunto de aguarelas, e algumas pinturas a óleo, que compõem a mostra têm como fio condutor um conceito retirado da obra do clássico poeta chinês Su Shi, nascido há quase mil anos, durante a dinastia Song. “O significado da frase que dá nome a esta exposição é a insignificância do lugar em que estamos, a localização geográfica da nossa terra natal é de menor importância. O que importa é o sítio onde nos sentimos confortáveis e em paz”, explica Ada Zhang.

Oriunda da província de Sichuan e a viver no território há cerca de sete anos, a artista revela que o conceito de “lar interior” foi algo que sempre lhe agradou e que encontrou em Macau. “É uma terra acolhedora, tranquila, que transmite o tipo de calma e boas emoções conducentes à pintura”, acrescenta.

Além das paisagens mais emblemáticas de Macau, os quadros da artista transpiram frescura e vivacidade, mas também a sobreposição de camadas de cor típicos da pintura clássica chinesa.

Oportunidade de ouro

Apesar de pintar desde criança, as voltas que a vida dá acabaram por colocar a arte numa esfera além do passatempo.
Depois de passar para licença sem vencimento e a receber metade do salário enquanto analista de dados numa concessionária de jogo, Ada Zhang passou a ter mais tempo para pintar e viu na tela uma alternativa. “Desde a infância que gosto de pintar, mas nunca pensei que poderia vir a fazê-lo a tempo inteiro. O tédio de passar metade do mês sem nada para fazer levou-me à pintura. Entrei num grupo de Facebook, fiz muitos amigos e, por vezes, pintamos juntos.”

Com uma atitude refrescantemente humilde, Ada Zhang confessou ao HM preocupar-se com as opiniões do público, e da forma como a sua arte é recebida. Nesse sentido, “Home’s where the heart is” podia ser o antídoto perfeito, uma vez que em pouco tempo de exibição, já foram vendidas cerca de 90 por cento das obras expostas. A artista conta que a larga maioria dos quadros foi comprada por estrangeiros. “Acho que os residentes chineses não têm o hábito de comprar arte, mas os residentes que falam português e inglês, assim como os macaenses, compram”, revela.

Clássico e contemporâneo

“É claro que, por vezes, faço questão de pintar cenários que não são populares no mercado artístico. Por exemplo, tentei retratar um grupo de pessoas a jogar às cartas. Deu-me muito trabalho, demorei semanas a completá-lo. Mas, apesar do processo de criação exaustivo, diverti-me muito a pintar e nem tenho planos para vendê-lo”, contou a artista ao HM.

“Macau é uma cidade de jogo. A imagem de pessoas a jogarem às cartas é como uma representação do microcosmo da cidade. Por isso, pintei os jogadores com um gaiola no fundo.”

Na colecção de paisagens retratadas por Ada Zhang constam “postais” incontornáveis do território, como o Templo de A-Má, as Ruínas de São Paulo e a Torre de Macau, numa espécie de abordagem moderna ao imaginário bucólico das aguarelas de George Chinnery.

A exposição “Home’s where the heart is” tem alguns trabalhos pintados a óleo, porém, as aguarelas ocupam o espaço central. Além de entender que a aguarela é mais popular, a artista acha que implica um método de criação mais divertido. Além disso, é da opinião que a aguarela permite maior progresso no domínio da técnica e “uma forma mais fiável de verificar o nível de qualidade das obras”, algo que não consegue aferir nas pinturas a óleo, uma vez que a falta de talento pode ficar camuflada pelo estilo artístico.

Património | Projecto para Lai Chi Vun com orçamento de 42 milhões

Sofia Margarida Mota
O novo plano para os estaleiros de Lai Chi Vun foi apresentado ontem ao Conselho do Património Cultural e inclui restaurantes, zonas de exposição, espaços ao ar-livre e estacionamento

 

O Instituto Cultural apresentou ontem o plano para o reaproveitamento dos estaleiros de Lai Chi Vun ao Conselho do Património Cultural. O projecto terá um orçamento de 42 milhões de patacas. No final, Deland Leong, presidente do Instituto Cultural, revelou que o espaço vai incluir restaurantes, exposições e zonas ao ar-livre.

“Vamos iniciar as obras para dinamizar e renovação de Lai Chi Vun. São cinco terrenos, com uma área total de 4.600 metros quadrados”, anunciou a responsável do IC. “Após a renovação vamos ter restaurantes, espaços ao ar-livre, uma zona de exposição, uma feira de artesanato e ainda uma exposição sobre a cultural dos estaleiros navais e os procedimentos para a construção de um navio”, acrescentou.

De acordo com o plano, que não foi mostrado aos jornalistas, os terrenos são identificados como X11, X12, X13, X14 e X15. O X11 vai manter a estrutura de aço existente e terá em exposição um “cortador de madeira”. Nos terrenos X13 e X14, os estaleiros vão ser reconstruídos, e a estruturas de madeira substituídas por aço, devido ao elevado grau de decomposição.

Ainda de acordo com a presidente do IC, os terrenos X12 e X15 serão destinados a espaços ao ar-livre para complementar as actividades dos espaços fechados.

Por sua vez, Wu Chou Kit, deputado e porta-voz do Conselho do Património Cultural, adiantou que vai haver um estacionamento no local.

Calçada do Gaio avança

Também ontem, foi apresentado o novo design do edifício da Calçado do Gaio, cujas obras estão suspensas há vários anos. A obra vai manter a altura actual de 82,32 metros e 19 pisos. “Devido à situação especial e após uma troca de opiniões entre o Governo e o Comité Cultural da UNESCO, foi emitido um parecer técnico sobre o edifício inacabado”, afirmou Deland Leong. “Segundo as instruções da deliberação, mantendo a altura, o proprietário alterou o design do edifício e com esta novidade consegue cumprir os requisitos”, justificou. Inicialmente, em 2006, a licença de construção previa 36 pisos e altura de 126,12 metros.

No entanto, antes de recomeçar as obras, ainda é necessário obter as restantes licenças emitidas pelos outros departamentos. Além do limite de altura, vão ser instalados vidros no topo do edifício, para não afectar a área da zona.

300 mil para altar

O Instituto Cultural e o Conselho do Património Cultural concordaram com o pedido de apoio da Associação dos Moradores para renovar o Altar de Terra, no Pátio do Banco, perto da Rua do Campo. O preço da obra está avaliado em 300 mil patacas e a necessidade de intervenção foi justificada com o elevado estado de degradação de uma estrutura com valor arquitectónico e cultural.

Censos revelam crescimento mais lento da população 

A população de Macau tem vindo a crescer de forma mais lenta em comparação a 2011. Esta é uma das conclusões dos resultados globais dos Censos 2021 ontem divulgados, que mostram que a taxa de crescimento médio anual foi de 2,1 por cento, inferior à taxa de 2,4 por cento, registada entre os anos de 2001 e 2011.

Por sua vez, a população total em 2021 era de 682.070 pessoas, mais 23,5 por cento em relação a 2011. Excluindo estudantes do exterior e trabalhadores não residentes, Macau tinha apenas, em 2021, 568.662 pessoas, mais 17,2 por cento, em relação a 2011.

O envelhecimento contínuo da população é outra das conclusões dos Censos. A população idosa, composta por pessoas com mais de 65 anos, era constituída por 82.812 pessoas, um aumento de 107,2 por cento em relação a 2011. Os idosos representam hoje 12,1 por cento da população, mais 4,9 por cento face a 2011. Por sua vez, o índice de envelhecimento cresceu 23,0 pontos percentuais para 83,7 por cento.

Mais mulheres e solteiros

O relatório de 2021 conclui também que Macau tem hoje mais mulheres do que homens, e também mais solteiros. A população feminina era de 361.785 pessoas e a masculina de 320.285 pessoas, representando 53 e 47 por cento da população total, respectivamente.

Em relação à população com idade igual ou superior a 16 anos, 27,4 por cento era solteira, o que representa um aumento de 2,8 por cento em relação a 2011. Os casados eram, em 2021, 64,1 por cento, menos 3,3 por cento por comparação a 2001. Os dados mostram ainda que os jovens casam cada vez mais tarde, por volta dos 30 anos, quando em 2001 se casavam por volta dos 28 anos.

Outra das conclusões, passa por uma maior escolaridade da população, uma vez que, no ano passado, 30,2 por cento da população com mais de 15 anos tinha frequentado um curso do ensino superior, num total de 175.956 pessoas. Trata-se de um crescimento de quase 100 por cento em relação a 2011.

Olhando para a génese das famílias, houve um aumento de 18,7 por cento no número de agregados familiares face à última edição dos Censos, no entanto, hoje a sociedade tem mais famílias compostas por duas pessoas. Este tipo de agregado familiar é actualmente “predominante”, representando 25,6 por cento, um aumento de 2,3 por cento em relação há dez anos. Os Censos revelam, portanto, “uma redução contínua da dimensão dos agregados familiares”.
Em dez anos, deu-se ainda um aumento da oferta de habitação pública. Só em habitações económicas moram hoje mais 61,3 por cento das famílias.