10 de Junho | Cônsul enaltece legado português e relativiza saídas Pedro Arede - 13 Jun 2022 HM Naquela que terá sido a última celebração do 10 de Junho enquanto cônsul, Paulo Cunha Alves vincou que “Macau é o que é” devido à presença portuguesa e lembrou que “houve sempre momentos” em que a saída da comunidade se fez notar mais. Além disso, considera a permissão de entrada de portugueses um “sinal de carinho” e diz que a comunidade tem mostrado “resiliência e determinação” Por ocasião do dia de Portugal, o Cônsul-geral de Portugal em Macau, Paulo Cunha Alves, reiterou a importância de celebrar o legado português, quer seja “em ambiente de pandemia ou de guerra” e que “Macau é o que é” devido à presença portuguesa. Quanto ao crescente número de portugueses que decidiram abandonar Macau nos últimos anos, o cônsul diz tratar-se de uma “questão temporal”, que começou gradualmente a ser amenizada com a permissão de entrada nacionais no território. “Durante estes séculos da nossa presença em Macau houve sempre momentos em que a comunidade saiu mais e outros em que saiu menos. Apenas encaro isso como uma questão temporal, que é fruto da conjuntura da pandemia e que tem obrigado as pessoas a tomar decisões sérias e que devem ser (…) assumidas por si”, apontou na sexta-feira, à margem da cerimónia do hastear da bandeira nacional, integrada nas comemorações do 10 de Junho. “Temos de celebrar Portugal porque, em qualquer circunstância, quer seja em ambiente de pandemia ou de guerra, há sempre que relevar os valores nacionais, a nossa cultura e tradições e lembrar que existimos, estamos presentes em todo o mundo e que somos um povo bastante considerado onde quer que estejamos”, acrescentou. Confrontado com os cortes financeiros que as associações de matriz portuguesa têm sofrido e a necessidade, vincada há dias pela Presidente da Casa de Portugal, Amélia António, de serem dados “sinais” de apoio à comunidade, Paulo Cunha Alves frisou a importância da presença portuguesa em Macau. “Os sinais dependem sempre de quem os dá e julgo que essa questão deve ser colocada às autoridades locais, pois saberão certamente julgar o que é importante para manter este ambiente de boa convivência que temos tido ao longo dos últimos quase 500 anos. Macau é o que é hoje, e todos o reconhecem, portugueses e chineses, devido à presença portuguesa aqui. O facto de o centro de Macau ser património da Humanidade, resulta do facto de termos deixado aqui muitas marcas culturais, arquitectónicas, gastronómicas e outras”, apontou. Para o cônsul, “se toda a gente quiser que Macau continue a ser um local especial e até único na Ásia”, é preciso preservar esse legado no futuro. “Não conheço outra cidade como Macau”, rematou. Sobre a falta de apoios, o responsável referiu que, apesar de ser um “sinal menos positivo” a limitação é compreensível e as próprias associações devem agora “adaptar-se às circunstâncias e encontrar novas formas de financiamento”. “É preciso que todos nós façamos esse esforço para continuar com a nossa actividade aqui em Macau”. Resiliência e determinação Contudo, Paulo Cunha Alves não deixou de saudar o programa de entrada de não-residentes portugueses, que considerou ser “um sinal de carinho”. “É difícil dizer o que são sinais de carinho. Penso que tem havido medidas bastante positivas nas últimas semanas, como, por exemplo, a criação do projecto-piloto que permite aos portugueses não-residentes na RAEM virem até cá visitar familiares e amigos. Consideraria isso um sinal de carinho”, sublinhou. Mais tarde, no discurso que dirigiu à comunidade antes do concerto de tributo a Rui Veloso, Paulo Cunha Alves fez questão de sublinhar a “resiliência e determinação” da comunidade portuguesa, perante as restrições impostas desde Fevereiro de 2020. “A Comunidade portuguesa de Macau tem mostrado a sua resiliência e determinação no combate à pandemia, aceitando sacrifícios e as limitações impostas pelas regras em vigor desde Fevereiro de 2020. Estou certo de que as medidas recentemente anunciadas que permitem a entrada de portugueses não-residentes na RAEM irão ajudar na suavização da distância que sentimos dos nossos familiares e amigos”, disse. O cônsul apontou ainda que “as relações de Portugal com a China são seculares e isso a Macau o devemos”, esperando que as relações entre Portugal e Macau contribuam para o bem-estar de toda a população, o desenvolvimento do território e a diversificação da economia. Além disso, Paulo Cunha Alves deixou ainda votos para que tanto o turismo como o intercâmbio de estudantes entre Macau e Portugal alcancem novos patamares, à medida que a pandemia de covid-19 abrandar. “É fundamental que se desenvolva o turismo entre Portugal e Macau e que se desenvolva ainda mais o intercâmbio estudantil. Façamos votos para que o evoluir da pandemia nos permita alcançar estes objectivos e reconquistar a tão desejada normalidade na circulação de pessoas no mais curto prazo possível”, apontou. Em nome da comunidade Paulo Cunha Alves admitiu também que o passado dia 10 de Junho, celebrado na sexta-feira, terá sido o “último dia de Portugal” enquanto cônsul em Macau. “Completo quatro anos aqui em Macau no dia 30 de Setembro e, portanto, julgo que até 31 de Dezembro deverei ser colocado noutro posto. Durante o Verão deverei ter novidades”, explicou. Quanto às prioridades para o seu sucessor, Paulo Cunha Alves lembra que em seis meses “muita coisa pode acontecer”, mas defende que a aposta terá que continuar a estar virada para a melhoria dos serviços consulares e dá com exemplo a implementação do voto electrónico. “Penso que a prioridade das prioridades será continuar a zelar pelo bem-estar da comunidade portuguesa aqui em Macau e proporcionar uma melhoria contínua dos serviços consulares, através de novos instrumentos e técnicas. Estou a pensar, por exemplo, na questão do voto electrónico e outras que merecem discussão pelos órgãos competente em Lisboa, nomeadamente a Assembleia da República”, partilhou. Comunidades Portuguesas | Rita Santos vai a Portugal A presidente do Conselho Regional da Ásia e da Oceânia das Comunidades Portuguesas, Rita Santos, vai estar em Portugal para participar numa reunião do Conselho Permanente do organismo, onde promete transmitir as preocupações das associações de matriz portuguesa e cidadãos portugueses que estão em Macau. “No dia 19 de Junho vou a Portugal para uma reunião do Conselho Permanente, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, parlamentares e o Presidente da República”, revelou à margem da cerimónia do hastear da bandeira. “Vou ouvir as opiniões dos portugueses e contactar individualmente as associações de matriz portuguesa e enviar mails para todos, para saber o que gostariam de transmitir”, acrescentou. Sobre as comemorações do dia de Portugal, Rita Santos vincou tratar-se de uma data “muito importante para assinalar a presença portuguesa” e mostrar que ainda há “muitos portugueses a residir em Macau”. A presidente do Conselho Regional da Ásia e da Oceânia das Comunidades Portuguesas apontou ainda o desejo de ver o período de quarentena para quem chega a Macau reduzido para sete dias. Isto, depois de admitir que já foi dado “o primeiro passo” com a redução das quarentenas e a permissão de entrada de cidadãos portugueses. “Gostaríamos que pudessem reduzir ainda mais a quarentena para sete dias. Isso seria muito importante para que os portugueses possam viajar de e para Macau, porque muitos têm saudades dos pais e alguns decidiram mesmo voltar definitivamente para Portugal por não poderem ficar tanto tempo aqui em Macau”, partilhou. Amélia António: Comunidade deve ser estimada A presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António considera que, numa altura em que muitos portugueses deixaram o território, a comunidade portuguesa tem de estar unida e “mostrar a sua cara”, para que seja estimada pelo seu valor. “A comunidade tem de estar presente, unida e mostra a sua cara, mostrar que está cá, para que ninguém esqueça que esta comunidade tem muito valor para a RAEM e que deve ser estimada”, disse à margem da cerimónia do hastear da bandeira. Sales Marques: “É fundamental continuar a celebrar” O presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, José Luís Sales Marques considera ser “fundamental” continuar a celebrar “sempre” o dia de Portugal em Macau, independentemente das restrições inerentes à pandemia de covid-19. “É um acto solene e muito simbólico. Acho que é fundamental continuar sempre [a celebrar], não obstante das circunstâncias que possam existir nomeadamente ao nível das restrições”, começou por dizer, lembrando que o dia de Portugal “existe em todo o mundo onde existem comunidades portuguesas” e que continuou a ser assinalado mesmo depois da transferência de soberania. Sales Marques sublinhou ainda que a saída de “muitos portugueses” do território, prende-se não só com as restrições pandémicas, mas também com as “dificuldades económicas” potenciadas pela “situação frágil da economia de Macau”. Ainda assim, o responsável acredita que “a comunidade que está cá está viva e continua bem”.
Efeitos da chuva intensa preocupam Wong Kit Cheng Pedro Arede - 10 Jun 2022 DR A deputada Wong Kit Cheng está preocupada com os efeitos das fortes chuvas registadas na quarta-feira, que resultaram em várias inundações por toda a cidade e no encerramento das escolas. Para a deputada, o facto de a população ter sofrido muitos “constrangimentos” e muitas zonas de Macau terem ficado inundadas quando “apenas” estava accionado o sinal vermelho de chuva intensa é motivo para questionar as medidas que têm sido tomadas pelo Governo para prevenir as inundações. “O Governo tem levado a cabo uma série de projectos para melhorar a capacidade de drenagem de várias zonas de Macau. Perante o inconveniente provocado pelas intervenções, a população esperava não ter que sofrer novamente com as inundações. Sobretudo, quando ontem [quarta-feira] de manhã apenas esteve em vigor sinal o sinal vermelho e isso levou à ocorrência de várias inundações. Por isso, muitas pessoas estão preocupadas com a eficácia das intervenções do Governo”, apontou Wong Kit Cheng em comunicado. Recorde-se que, na quarta-feira, ao fim de praticamente de sete horas em que o sinal vermelho de chuva intensa esteve em vigor, Macau registou várias inundações nas zonas baixas da cidade, provocando fortes constrangimentos à circulação e levando mesmo ao cancelamento das aulas durante tarde. De acordo com dados da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), até às 16h00 desse dia, choveu o equivalente a 234,8 litros por metro quadrado na zona da Taipa, 184,4 litros por metro quadrado em Coloane e 182,8 litros por metro quadrado na península de Macau. Numa resposta enviada ao HM, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelou que durante o mau tempo registado na quarta-feira, não foram recebidas participações de “ferimentos” ou “acontecimento de acidentes em parques de estacionamento” directamente relacionados com as chuvas. Problemas de sempre Dado ser “indiscutível” que há cheias em Macau sempre que há chuva intensa, Wong Kit Cheng considera que os projectos e obras concluídas e em curso para prevenir inundações “são inadequadas” para lidar com as intempéries no território. Desta forma, a deputada defende que o Governo deve rever o Regulamento Geral dos Espaços Públicos com o objectivo de renovar a rede de esgotos, melhorar a capacidade de escoamento e drenagem e combater descarga ilegal de resíduos.
Capitalismo sonso João Romão - 10 Jun 2022 DR Na crónica anterior escrevi sobre improváveis parcerias no mundo do trabalho contemporâneo: depois das relações entre exploradores e explorados e até entre colaboradores e colaborados, o termo “parceiro” vem hoje designar formas de organização e estruturação do trabalho que em vez de promover a igualdade de direitos, ou pelo menos uma certa equidade, promovem a precarização e exploração máximas, o isolamento absoluto, enfim, a perda de quase todos as conquistas que justificaram longas e duras batalhas durante os últimos séculos, um pouco por todo o mundo. Mas não são só estes os termos que branqueiam as cada vez mais desequilibradas e tóxicas relações de poder no capitalismo contemporâneo: desde os anos 1980 tem havido uma sucessão de novas palavras que parecem prometer justiças necessárias mas que afinal aprofundam desequilíbrios e injustiças antigas. Desde logo, o famigerado “desenvolvimento sustentável”, que retirou às questões da inclusão e da igualdade social a centralidade que a emergência e a consolidação dos Estados Providência lhes tinham atribuído desde o início do século vinte. Essa centralidade passou a ser repartida com a das questões ambientais – o que até seria pouco problemático se fosse verdade: mas desde os anos 80, não só o crescimento económico tem sido sistematicamente baixo, como os problemas ambientais do planeta se agravaram, enquanto as desigualdades sociais aumentaram implacavelmente ano após ano. Mais do que promover qualquer tipo de pensamento e acção estratégica de longo prazo, que a tal ideia de “sustentabilidade” sugere, afinal o que se foi justificando foram supostas urgências de curto prazo que respondessem a limitações cada vez maiores de finanças públicas cada vez mais condicionadas por políticas de sucessiva austeridade: em nome da necessidade de proteger ao mesmo tempo o ambiente e as contas dos Estados, foram-se promovendo “parcerias público-privadas” nas mais variadas áreas, incluindo serviços e infra-estruturas públicas elementares e estratégicas – recolha e tratamento de resíduos, tratamento e distribuição de água, construção e exploração de infra-estruturas para diversos modos de transporte, individual e colectivo, hospitais e outros centros de saúde, ou vastos projectos de renovação urbana que em nome da valorização do ambiente foram promovendo formas mais ou menos massificadas de gentrificação nas cidades mais atractivas. Os resultados para o planeta destes 35 anos de “desenvolvimento sustentado” – desde que se publicou o famigerado relatório “O nosso futuro comum” – são elucidativos: com excepção de economias como a chinesa, pouco seguidoras dos manuais do neoliberalismo contemporâneo, o crescimento económico – ou mesmo a inovação e o dinamismo empresarial, tão apregoados – foram sempre muito limitados; os problemas ambientais continuam a agravar-se e à poluição e esgotamento de recursos naturais não-renováveis junta-se agora uma emergência climática para a qual não há respostas convincentes nem sistemáticas; a tendência para uma generalizada redução de desigualdades sociais que se foi consolidando ao longo do século vinte inverteu-se, dando lugar a desigualdades crescentes e cada mais violentas, expressas na segregação urbana, nas disparidades salariais entre patrões e trabalhadores (os tais “parceiros”), nas largas franjas da população permanentemente expostas à fome, à pobreza e, agora, aos impactos das alterações climáticas, ou no crescente número de bilionários que pouco ou nada contribui para as colectas de impostos mas que utiliza o espaço como um pátio de recreio e a economia global como uma sala de casino. Na mesma linha branqueadora da exploração máxima que a extração sistemática de recursos vai oferecendo a uma economia onde escasseiam outras ideias, mais produtivas e orientadas para necessidades sociais e colectivas, emergiu também o conceito de “economia partilhada” (“shared economy”), mais uma vez a apelar a uma certa ideia de equilíbrio, de generosidade colectiva, de aproximação, colaboração ou cooperação entre pessoas e instituições. É até verdade que há bons exemplos dessa partilha de recursos, como o tempo ou o esforço, que as tecnologias digitais podem exemplificar: plataformas de conhecimento como a “wikipedia” ou sofisticadas aplicações para cálculo técnico e científico, como a “R”, só são viáveis porque é possível coordenar e acumular conhecimentos individuais, de um largo número de pessoas que nem se conhece entre si, para a produção de ferramentas úteis, de utilização generalizada, massiva e gratuita, por vastas comunidades globais de utilizadores. As plataformas colaborativas mais notórias e lucrativas são, no entanto, as que em vez de partilha promovem a extração de recursos (como o parque habitacional) ou a exploração de trabalho (como a dos condutores ou dos transportadores de produtos diversos, como a alimentação). Em ambos os casos, promove-se a desregulamentação, a diminuição (ou eliminação) de direitos laborais e exigências ambientais, a desorganização sistemática das estruturas de representação colectiva, e a precarização absoluta. Esta economia da partilha não olha a processos colaborativos: olha para a maximização de lucros em negócios em que o que é novo é apenas a forma de organizar a exploração. Podemos juntar todas estas novas palavras mas na realidade das sociedades contemporâneas não vemos nem partilha, nem parcerias equilibradas, nem desenvolvimento, nem equidade, nem protecção do ambiente, nem um olhar o longo prazo: apenas a exploração máxima, o mais rapidamente possível.
Animais fantásticos da China XVII – O gudiao Carlos Morais José - 10 Jun 2022 Ana Jacinto Nunes Esta nossa demanda por terras chinesas obriga-nos, por vezes, a enfrentar criaturas de horror, cuja existência incita os homens a interrogar os deuses sobre a sua original bondade. Como podem deuses benevolentes permitir a semelhantes criaturas assombrar a terra entre os Quatro Mares onde uma humanidade valerosa se esforça por ser respeitadora e submissa aos seus preceitos e vontades? A pergunta incha de indignação quando a experiência nos diz que as principais vítimas destes seres de pesadelo são, geralmente, inocentes maculados pelo único pecado de se encontrarem em sítio funesto à hora errada. O mal tem uma inegável preferência por aqueles que, em termos de pensamentos e acções, muito pouco se encontram submetidos aos seus desígnios, nem frequentam os espaços onde os seus modos favoritos habitualmente proliferam. Tomemos o horrendo exemplo do gudiao, uma feroz besta que habita o monte Luwu, duas montanhas a leste do monte Xun. O terreno em Luwu é particularmente seco, o que limita de forma radical o crescimento de vegetação: além de ricos minerais, pouco mais se apresenta ao viajante que ousar aventurar-se por estas paragens. Ali nasce o rio Zegeng, afluente do rio Pang. Ora é ao longo do seu curso atribulado, através de pontudos rochedos e aflitivas depressões, que habita o gudiao, uma espécie de abutre cornudo, senhor de rica plumagem e que ostenta uma cauda semelhante a uma serpente. Contudo, a sua característica mais repugnante é o bico em forma de gancho, com o qual se apraz a desfazer e deglutir seres humanos, por cuja carne detém um particular apetite. Esta preferência agudiza-se quando a vítima se trata de uma criança ou uma jovem mulher. Alguns afirmam mesmo que o gudiao adquire rapidamente o vício da carne humana e, para o mitigar, não terá outro remédio que não seja caçar e absorver o almejado petisco, após o que sossega, até que os roncos inclementes do seu estômago vazio de novo o lancem na busca do seu predilecto alimento. Tal como outras bestas comedoras de humanos, também o gudiao aprendeu a imitar o choro de um bebé. E fá-lo com arte e convicção, de modo a assim atrair numerosas vítimas que, desgraçadas, só demasiado tarde reparam ter caído numa mortal armadilha. Por que razão criaram os deuses tal estirpe de criaturas e lhes permitem refocilar na carne dos inocentes? Este tipo de questão poderia causar alguma confusão nas mentes mais vulneráveis, mas valem-nos as palavras de mestre Zuo (Zuozi), inscritas na pedra: “Não compreender os actos de um gudiao equivale a não compreender os nossos próprios actos. O homem não se deve crer aparte da natureza ou superior nas suas acções aos outros dez mil seres. Se avaliarmos com integridade (cheng) o nosso coração (xin) – as nossas motivações, os nossos pensamentos, as nossas acções –, logo descobriremos que o comportamento do gudiao se queda muitos graus abaixo do nosso numa escala de iniquidades. Nós, os humanos, somos todos canibais. Da carne e da alma dos nossos semelhantes, fazemos festa e fortuna.”
Paula Rego António Cabrita - 10 Jun 2022 DR 07/06/22 Raramente se encontra um melhor argumento para a necessidade da arte do que este, avançado pelo humanista e cientista Jorge Wagensberg: «Olhar para trás é uma tarefa complacente, mas certas paisagens debotaram e, enquanto não se melhorar muito as técnicas de leitura, já não é possível saber quantos coices deu o cavalo de Napoleão; outros lampejos, em troca, como a Sinfonia Concertante de Mozart, permanecem claros e nítidos». Em tempos de guerra como este, este argumento vê reforçada a sua pertinência, porque à guerra – como nesta disputa se tornou claro – motiva-a o passado e a vã ilusão de fixar o número de coices que deu o cavalo do Napoleão. É a obsessão que orientou Putin, como, antes dele, inspirou outros corifeus da guerra: ressuscitar o império, reencontrar a pureza da alma eslava ou concretizar o velho sonho da Euroásia, não passam de facetas duma mesma crença, a saber, a solução para o mundo expressa-se no número cabalístico incarnado pelos coices que deu o cavalo de Napoleão. Compromete-se a dignidade do presente e a do futuro quando insistimos em querer esvaziar o mar com uma forquilha. O passado não volta. A oportunidade que se gorou no passado não volta. O instante que acabou no momento em que digito esta frase não me tornará mais novo. Suponhamos que a guerra se alastra e os beligerantes tiram das gavetas as bombas de neutrões. Daqui a cinquenta anos aterram os extraterrestres e encontram Paris, Moscovo, Joanesburgo ou Nova Iorque semi-devastadas e habitadas pelos ratos e o vento, sem sombra de humanos. Saberão ler nos vestígios a insanidade da guerra, que o homem não assimilou que se na natureza tudo é possível nem todos os acontecimentos virtuais são desejáveis ou plausíveis; que existem leis para restringir o caos e que devem ser seguidas. Mas encontram estátuas, um ou outro lance arquitectónico, arquivos, livros, imagens, e, num velho aparelho que activam, ouvem Bach, o Love Supreme de Coltrane, a nona Sinfonia do Mahler; são atraídos pela Notre Dame, de Paris, que, face à vacuidade de tudo, se ergue então como um alento misterioso. E percebem pelo contraste entre a dor que o homem infligiu a si mesmo, extinguindo-se, e aqueles exemplos de uma exuberante fluidez harmónica, ou mesmo dissonante, que realçavam momentos de algum ajuste, de algum sentido para figurar uma busca de infinito, que se a insanidade havia vencido no planeta isso não representava em exclusivo o homem. O que nos degradou não havia eliminado a energia que nos arrancava do chão em busca de um equilíbrio, talvez cósmico. Entram num museu de arte e vagueiam por entre as imagens, atentos ao halo que as obras humanas resgatam, aqui e ali, como testemunho de um certo viés para a beleza ou de um sentimento de exílio, mas ao arrepio da destruição. Não era muito, mas esse testemunho repunha alguma dignidade. E resolvem levar algumas obras, uma pintura da Paula Rego, outra com uma estranha arquitectura de Robert Matta, onde curiosamente se sentem retratados, a dança dos estilhaços em Cold Dark Matter de Cornelia Parker (- antes, noutra sala, os extraterrestres haviam aproveitado a Fonte, de Duchamp, para urinar, e num relance às Sopas Campbell, de Warhol, não lhe descortinaram a validade, o que me faz desconfiar que estes extraterrestres se alimentam por fotossíntese). Daqui a cinco séculos, a treze, ou naquilo que nos recordar e for levado pelos visitantes da Constelação de Orion, o que será digno de memória são as pinturas de Paula Rego e não os mísseis de Putin e Biden, por muito que isso custe a quem nos agride só perdura o que dá a vida. O mais são os coices e os flatos do cavalo do Napoleão – pó, sem terra onde poisar. 08/06/22 À procura de outra coisa, encontro esta afirmação de Simone Weil: «No mal, como no sonho, não existem leituras múltiplas. Daí a simplicidade dos criminosos. Crimes lisos como os sonhos dos dois lados: lado do carrasco e lado da vítima. Haverá algo mais aterrador do que morrer num pesadelo?». Eis o portador do mal refém do seu olhar unilateral, dogmático, da sua impossibilidade em reverter os efeitos da sua própria crença. De cada vez que perpetra o mal, só se rebaixa, esgarçando ainda mais a possibilidade de conseguir ler o fio da relação entre as coisas. Paranóico, devido à suspeita de poder haver algo que possa não controlar, apega-se à inteligência. Só que esta, noutro dizer luminoso de Simone Weil, «não tem nada para descobrir, tem sim para terraplanar». Como não pensar nos Senhores da Guerra. Entretanto, volto a Jorge Wagensberg, que me ensina outras coisas surpreendentes. Por exemplo, que as crenças não são o produto de conclusões, mas, em qualquer caso, de estímulos. Mas igualmente que, se já sabíamos que as crueldades mais absurdas aparecem justificadas por uma concepção determinista do mundo, não demos conta que também muitos artistas e escritores ilustram os seus actos com as leis do determinismo: «O meu romance escreve-se sozinho, tal pintura, tal escultura têm a sua própria dinâmica, obedecem às suas próprias leis, algo guia a minha mão… ou o “Eu não procuro, eu encontro”, de Picasso.» – surpreendente, não é, como nunca tínhamos associado uma coisa à outra? Leituras múltiplas, e responsabilização nos actos criativos: procuram-se, mortas ou vivas, 10 000 euros de recompensa.
Covid-19 | País quer construir milhares de centros de testagem e de quarentena Hoje Macau - 10 Jun 2022 DR Apesar dos custos económicos e sociais, a China mantém-se comprometida com a estratégia de zero casos no combate à pandemia da covid-19 A China está a construir centenas de milhares de centros permanentes de testagem à covid-19 e a expandir as instalações de quarentena em muitas das suas maiores cidades, como parte da política de ‘zero casos’. Em Xangai, no distrito de Minhang, novas medidas de bloqueio e testes em massa foram ontem anunciadas, abrangendo mais de dois milhões de pessoas. A directiva foi emitida uma semana após o Governo chinês ter declarado a vitória da cidade contra o vírus, depois de duas semanas de um bloqueio altamente restritivo. Medidas de confinamento, totais ou parciais, em dezenas de cidades puseram o país à beira da recessão, pela segunda vez em três décadas. Os indicadores económicos do trimestre actual são sombrios: as vendas de automóveis em Abril caíram quase para metade, em relação ao período homólogo, e os gastos no setor retalhista caíram 11 por cento. Embora as medidas tenham sido relaxadas em várias cidades, este mês, o programa lançado pelas autoridades relativo às infraestruturas para conter o vírus, indica que a política de tolerância zero à doença é para manter. As autoridades estão a desenvolver estratégias que permitam testar populações inteiras no espaço de 24 horas. As principais cidades chinesas devem agora ter locais de teste disponíveis a não mais de 15 minutos a pé das casas dos moradores, e instalações temporárias estão a ser substituídas por centros permanentes, fornecidos por empresas médicas privadas. As 31 províncias e regiões do país também estão a seguir ordens de Pequim para preparar novos hospitais e instalações de quarentena, para o caso de ocorrer um surto de grandes dimensões, como aquele que atingiu Xangai. Yanzhong Huang, especialista em políticas de saúde pública do Conselho de Relações Externas, um centro de reflexão com sede em Nova Iorque, disse que as medidas demonstram o compromisso de Pequim com a estratégia de ‘zero casos’, “apesar do crescente custo social e económico associado a esta abordagem”. “O Governo acredita que pode superar o vírus. Mas sabemos que isto não é realista para a variante Ómicron. E, para uma variante ainda mais transmissível, isto tornar-se-á ainda menos viável”, apontou. Em construção Em Abril, 400 hospitais improvisados tinham já sido concluídos ou estavam em fase de construção, com capacidade para mais de 560.000 camas, segundo a Comissão Nacional de Saúde. Autoridades em cidades com mais de 10 milhões de pessoas foram informadas de que pelo menos 1.500 camas hospitalares devem estar disponíveis em instalações de quarentena centralizadas, além de centros de apoio, que podem ser convertidos com alguns dias de antecedência. “A capacidade para internamentos e isolamento deve ser reforçada, e hospitais designados (…) e pontos de isolamento centralizados devem ser planeados e preparados com antecedência”, escreveu no mês passado Ma Xiaowei, alto funcionário da Comissão, no Qiushi, o principal jornal do Partido Comunista Chinês. Num exemplo de rápido progresso, Ningbo, uma cidade com oito milhões de habitantes, abriu a sua primeira instalação centralizada para quarentenas no mês passado, com 4.356 quartos. A maioria das grandes cidades chinesas já instituiu requisitos para testes regulares de covid-19. Em Pequim é necessário ter um teste negativo para o vírus, realizado nas 72 horas anteriores, para aceder a supermercados, restaurantes ou transportes públicos. Lanzhou, uma cidade do noroeste, com quatro milhões de habitantes, tem capacidade para testar cerca de 150.000 pessoas diariamente. A política da China foi bem-sucedida em conter a doença e manter o número de mortos baixo, em comparação com o resto do mundo. Mas muitas pessoas estão cansadas com a perspectiva de que a política se prolongue. “É uma loucura total”, comentou um residente de Pequim. “A comunidade científica considera a política insustentável, mas isto foi já convertido numa acção de mobilização das massas”, afirmou outra residente. Oito cidades na China e 74 milhões de pessoas estão agora sob bloqueio total ou parcial, em comparação com 133 milhões de pessoas há uma semana e 355 milhões de pessoas em Abril, segundo uma pesquisa divulgada pelo banco japonês Nomura. Segundo a mesma fonte, se todas as cidades adoptassem o requisito de teste de 72 horas, como em Pequim ou Xangai, seriam abrangidas 814 milhões de pessoas e o custo ascenderia a 1,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
Casa Garden | Curtas-metragens em exibição no fim-de-semana João Luz - 10 Jun 2022 DR A Casa Garden vai exibir, amanhã e domingo, 14 curtas-metragens selecionadas do New York Portuguese Short Film Festival e do Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa. As sessões começam às 17h30 e têm entrada gratuita A Casa Garden irá exibir um ciclo de curtas-metragens amanhã e no domingo, com 14 películas seleccionadas do New York Portuguese Short Film Festival e do Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A iniciativa é organizada pela Fundação Oriente, o Arte Institute e a Casa de Portugal em Macau, com o apoio institucional do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, do Instituto Português do Oriente e da AICEP. Na sessão marcada para amanhã, serão exibidas 14 obras de realizadores portugueses, que fizeram parte do New York Portuguese Short Film Festival. A sessão começa com “Paralympia”, do Coletivo Hyperion, um filme lançado no ano passado que conta a história de dois atletas paralímpicos. A película é uma espécie de ensaio histórico desportivo, recheada de emotividade, com os dois atletas a recordarem as provas em que competiram num diálogo acompanhado pelo visionamento simultâneo de imagens de arquivo. Numa perspectiva completamente diferente e demonstrando o ecletismo do cartaz, a curta-metragem que se segue é “The Girl from Saturn”, de Gonçalo Almeida, um filme que abre portas à fantasia. A narrativa tem no epicentro Luís, um rapaz que vive em Portugal numa zona rural. Um episódio aparentemente inocente vira de pernas para o ar a vida de Luís, quando a mãe lhe pede para acompanhar uma rapariga que não conhece. A partir daí, o jovem embarca numa viagem cósmica que lhe irá marcar a vida para sempre. A curta que se segue é “My Castle, My home”, de José Mira, uma obra com contornos autobiográficos centrada na vida atlética de um adolescente de 13 anos, Guilherme, e na forma como a prática do ténis degenera numa miríade de pesadelos e fobias. Atormentado pelo seu treinador, o jovem começa a ser aterrorizado por criaturas que têm raquetes em vez de mãos, que o perseguem ao longo dos corredores de casa. Num ambiente de terror sufocante, a casa de Guilherme transforma-se num labirinto. A única salvação é o aconchego materno. O cartaz prossegue com a exibição de “Two Cartoonists”, de Bruno Teixeira, “Ouro Sobre Azul”, de Andreia Pereira da Silva, “The Coop” da autoria de Rita Al Cunha, “A Straight Story” de João Garcia Neto, “Her name is Carla” de Cátia Biscaia e “Still Life” de Francisca Coutinho. Das lusófonas No domingo, também na Casa Garden, o dia será dedicado às curtas-metragens produzidas no universo lusófono. Piscando o olho ao imaginário dos The Beatles, será exibido “Lúcia no céu com semáforos”, uma curta-metragem com produção angolana, realizada por Ery Claver e Gretel Marín Palacio. O filme conta a história de um ser que apenas existe corporeamente, como um objecto-vivo cuja existência tem como objectivo único a satisfação das necessidades e desejos dos outros. No ecrã, Lúcia mantém sempre um olhar distante que esconde gritos, medos e explosões, traçando uma alegoria da mulher que se cinge a um papel funcional, sem o direito a existir, viver, pensar ou exprimir o que sente. Um dos destaques da sessão de domingo é “Tradição e Imaginação”, da realizadora guineense Vanessa Fernandes que viveu em Macau. Nesta obra, a autora conduz o espectador até ao Benim, na África Ocidental, numa viagem marcada pelo passado de escravatura, uma memória que perdura nas memórias dos mais velhos. Outro dos filmes do dia é “The Flight of the Manta Rays”, uma animação surrealista com produção luso-espanhola, realizada por Bruno Carnide. Uma imagem fantástica de enormes raias a voar pelos céus, passa da fantasia para a realidade, produzindo cenários de sonho. “Sentado no sofá, imaginei uma raia, em toda a sua beleza e magnificência, que em vez de nadar nas profundezas do mar voava na imensidão dos céus. A partir daí, comecei a desenhar”, escreveu Bruno Carnide na plataforma da Mailuki Filmes, uma agência de distribuição de filmes para festivais de cinema. No domingo serão ainda exibidos “Simpatia do Limão”, do brasileiro Miguel de Oliveira e “Dona Mónica”, do cabo-verdiano Carlos Yuri Ceuninck.
Covid-19 | Governo abre portas a TNR de todas as nacionalidades Andreia Sofia Silva - 10 Jun 2022 DR A partir de segunda-feira, os trabalhadores não-residentes com blue card válido estão autorizados a entrar para Macau, enquanto que quem tem autorizações de trabalho pode candidatar-se ao processo de entrada a partir de 24 de Junho O Governo decidiu levantar algumas restrições de entrada no território, permitindo a vinda de trabalhadores não-residentes de todas as nacionalidades. Foram ontem anunciadas regras para três grupos de trabalhadores, sendo que já a partir da meia-noite de segunda-feira será permitida a entrada de trabalhadores não-residentes (TNR) com um blue card válido, sem necessidade de requerimento prévio emitido pelos Serviços de Saúde (SSM). Em relação aos TNR especializados com autorização de trabalho emitida pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), bem como quem tenha autorização especial de permanência, podem candidatar-se ao processo de entrada a partir de 24 de Junho. As regras completas serão publicadas no dia 17 de Junho pelas autoridades. Cabe às entidades empregadoras de TNR especializados fazer o pedido de requerimento aos SSM, enquanto os próprios trabalhadores devem tratar do processo para os familiares. As autoridades sublinharam que é obrigatória a vacinação contra a covid-19 para quem entra em Macau, sendo que os empregadores devem assumir o pagamento da quarentena caso os TNR não tenham condições económicas para o fazer. Na conferência de imprensa de ontem do Centro de Coordenação e de Contingência, foi ainda referido que os cidadãos do Nepal, Sri Lanka, Bangladesh, Nigéria e Paquistão devem requerer um visto junto da embaixada ou consulado da China antes de entrarem em Macau pela primeira vez. Recorde-se que desde 27 de Maio é possível a entrada de portugueses não-residentes e que, até à data, foram recebidos 54 pedidos, estando todos em processo de análise. Em relação à vinda de trabalhadores domésticos, o Governo recebeu 100 pedidos e aceitou 55. Apenas cinco requerimentos foram cancelados a pedido do empregador. Redução em análise Em relação à redução do período de quarentena, Leong Iek Hou deu eco às palavras de Ho Iat Seng, mas não adiantou datas concretas. “Vamos primeiro reduzir de 14 para dez dias a título experimental e veremos se há a possibilidade de reduzir para sete dias. Estamos a analisar a situação no Interior da China, pois a medida de quarentena de sete dias difere de cidade para cidade. Há pessoas que precisam de ficar em casa e outras que saem no período de auto-gestão de saúde”, adiantou Leong Iek Hou, médica e coordenadora do centro. As autoridades anunciaram também o encerramento, a partir de segunda-feira, do centro de vacinação de Mong-Há.
Kaifong apoia teleférico, mas diz que falta solução para o trânsito Pedro Arede - 10 Jun 202210 Jun 2022 DR O Centro da Política da Sabedoria Colectiva considera que o projecto de construção do teleférico entre o Centro de Ciência e a Zona A dos Novos Aterros deve avançar se for considerada uma mais-valia para o sector do turismo, ficando a faltar, contudo, uma solução para o trânsito. “A população está atenta à ligação entre as zonas A e B [onde está o Centro de Ciência] e o teleférico parece ser um projecto mais virado para o turismo. Para resolver o assunto de trânsito (…) será ainda necessário construir uma passagem por túnel ou viaduto”, disse ontem o vice-presidente da associação e deputado, Leong Hong Sai, durante um encontro que serviu para discutir o Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (2021-2030). Além disso, o deputado alertou o Governo para a necessidade de fazer um estudo sobre a viabilidade da construção do teleférico, não só em termos de engenharia, mas também ao nível dos custos e capacidade de manutenção da hipotética estrutura. Por seu turno, Cheong Sok Leng, membro do Conselho Consultivo do Trânsito lembrou que, caso se decida avançar com a obra, o Governo deve equacionar os custos totais do projecto e a viabilidade dos planos de resposta em caso de acidente. Um passo de cada vez Já sobre o Metro Ligeiro, Leong Hong Sai considera que a construção da Linha Oeste, entre Barra e Portas do Cerco, é uma ideia a ter em conta, dado que poderá beneficiar a população dos bairros antigos de Macau. Contudo, alerta para a complexidade da obra e o facto de a prioridade passar por concluir as ligações entre Taipa e Barra, a linha de Hengqin e a linha Leste entre o Aeroporto e as Portas do Cerco. “A acontecer, a linha Oeste vai ter um efeito muito positivo para a população dos bairros antigos e beneficiar as ligações entre os Postos Fronteiriços de Qingmao, Portas do Cerco e Hengqin”, disse. Sobre o tema, Cheong Sok Leng sublinhou que o objectivo do plano de transportes passa por elevar o Metro Ligeiro ao estatuto de meio de transporte principal, relegando para segundo plano os autocarros. Contudo, alerta para a dificuldade que é concretizar novas linhas do Metro Ligeiro, dado que a única linha existente (na Taipa) levou 10 anos a ser construída.
Emprego | Deputado ligado aos Operários pede que residentes baixem as expectativas João Santos Filipe - 10 Jun 2022 Rómulo Santos Lei Chan U deixou ontem um aviso aos residentes: ou baixam as expectativas ou ficam sem emprego. Esta é a nova realidade, que, para o deputado, resulta em grande parte do “ajustamento” da indústria do jogo, que vai para além da pandemia. Já Che Sai Wang, recusa que os residentes tenham expectativas elevadas, e fala num mercado difícil até para os mais qualificados Lei Chan U, deputado dos Operários, considera que os residentes têm de baixar as expectativas e aceitar os empregos disponíveis. Num discurso em que fez eco das palavras do Governo, o legislador pró-laboral apelou aos residentes para tomarem uma atitude “pragmática” e aceitarem a realidade, que é afectada não só pela pandemia, mas pelo “ajuste do sector do jogo”. “Há dias, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais reconheceu que muitos trabalhadores do sector do jogo têm dificuldade na colocação profissional e a razão principal é faltar vagas”, começou por afirmar Lei Chan U. “Assim, é de salientar, mais uma vez, que, perante o duplo impacto resultante da pandemia e do ajustamento profundo do sector do jogo, se os trabalhadores continuarem com grandes expectativas de emprego e falta de flexibilidade na sua procura, vão estar numa posição social fraca, sob a realidade em que a procura de trabalho é maior do que a oferta”, acrescentou. Lei Chan U deixou ainda um recado para os residentes e avisou-os que está na altura de aceitarem os empregos disponíveis, antes de pensarem na carreira: “Espero que os residentes à procura de emprego ou desempregados, tendo em conta as condições e a realidade social, da actual situação do mercado laboral, ajustem a sua atitude e mentalidade, e adoptem a estratégia de ‘primeiro, ter um emprego e, depois, fazer escolhas entre os empregos disponíveis’, ou ‘primeiro, acumular experiência e, depois, escolher o rumo de desenvolvimento profissional’”, apelou. O deputado, eleito pela via indirecta, pediu ainda na intervenção antes da ordem do dia aos residentes que adoptem esta atitude para contribuírem para o esforço comum de combate à pandemia. Mais alternativas Se Lei Chan U pediu aos residentes para baixarem as expectativas, num polo oposto, Che Sai Wang apelou ao Governo para arranjar soluções para os quadros qualificados recém-licenciados. Segundo o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), os residentes não têm medo de trabalhar, e até aceitam empregos que não correspondem à área da formação. Para Che, o problema é outro: “Devido ao impacto da pandemia, a economia está em baixa, por isso muitos recém-licenciados estão desempregados, e depois optam por trabalhar na entrega de comida ou em lojas que vendem refrigerantes de chá, empregos que não correspondem à sua formação”, apontou. Também muitas vezes os residentes não são vistos como qualificados para as posições disponíveis, por falta de experiência. “Muitos estudantes inscreveram-se no ‘dia aberto da feira de emprego’ organizado pela DSAL, mas os postos de trabalho disponíveis eram apenas para lavagem de loiça e segurança, não correspondendo aos cursos de formação da sua graduação. Mais, a maior parte destes postos exige dois a três anos de prática profissional e esta exigência dificulta a vida das pessoas que não têm experiência de trabalho”, justificou. Os não-residentes Também na bancada da ATFPM, José Pereira Coutinho indicou que a falta de empregos para os residentes locais está relacionada com a importação de trabalhadores não-residentes, que aceitam condições laborais inferiores às dos residentes. “As principais razões, de termos ainda 167.738 trabalhadores não residentes na RAEM deriva da tolerância do Governo em autorizar de forma ‘desnorteada’ a importação de mão-de-obra barata e não qualificada. Muitos destes trabalhadores de segunda classe são explorados nos seus direitos e regalias, como acontece todos os dias, com o não pagamento de horas extraordinárias”, afirmou Coutinho. O deputado defendeu também que existem vários trabalhos não-qualificados em mercados como o do imobiliário, banca, seguradoras e financeiro que podiam ser ocupados por residentes. “Porque é que os jovens e os desempregados não têm capacidade de ocupar as cerca de 15 mil vagas ocupadas pelos trabalhadores não residentes e não especializados que trabalham no ramo imobiliário?”, questionou. “A razão é simples. Os trabalhadores não residentes têm de ser mais obedientes e não se atrevem a reclamar dos seus direitos, caso contrário serão de imediato despedidos e recambiados para os seus locais de origem”, respondeu. Uma visão contrária foi apresentada por Ip Sio Kai, deputado eleito pela via indirecta, que fala de uma situação em que as empresas não podem contratar não-residentes, mas também não conseguem contratar residentes. “Segundo os dados, até ao final de Abril de 2022, o número de trabalhadores não residentes diminuiu cerca de 30 mil, em comparação com o final de Dezembro de 2019, mas o desemprego local não melhorou muito, o que demonstra que não existe uma relação de complemento entre os postos de trabalho libertados pelos não residentes e os postos de trabalho pretendidos pelos residentes”, argumentou. “As necessidades de mão-de-obra das empresas locais são diferentes das intenções dos candidatos locais, o que resulta numa situação de ‘haver pessoas sem emprego e postos de trabalho sem candidatos’, e a mão-de-obra não se forma nem pode melhorar dum dia para o outro através de políticas”, completou.
Aprovadas medidas contra cigarros electrónicos. Pedida proibição total do tabaco João Santos Filipe - 10 Jun 2022 DR A Assembleia Legislativa aprovou ontem na generalidade e por unanimidade a revisão à lei do tabaco, para proibir o fabrico, distribuição, venda, importações e entrada no território de cigarros electrónicos, assim como de outros produtos de tabaco consumidos de forma oral. No entanto, entre os deputados houve pedidos para que se vá mais longe. Ip Sio Kai, ligado ao sector bancário, pediu que o consumo do tabaco seja totalmente proibido. E não foi o único. Quando apresentou a proposta de revisão à lei, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, alegou que as alterações visam combater a popularidade dos cigarros electrónicos entre os jovens dos 13 aos 15 anos, faixa etária que registou um aumento de 1,4 por cento no consumo, de 2015 para 2021. Mas houve deputados que não se mostraram satisfeitos com as alterações. Ip Sio Kei considerou que todo o tabaco devia ser proibido no território, com multas para os fumadores. “Eu não percebo, porque é que não proibimos todo o consumo de tabaco?”, questionou. “Era muito mais simples que estas medidas todas. Aliás, como o consumo não é sancionado, acho que não vai ser possível alcançar os objectivos das alterações à lei”, afirmou. Ip mostrou-se ainda preocupado com o que diz ser uma nova tendência, em que os mais jovens consideram que têm um ar “cool”, quando fumam cigarros electrónicos. “Eu não sei fumar, mas parece que as pessoas acham que é muito estiloso fumar”, atirou. Passo a passo Também Leong Sun Iok considera que o Governo deve ter poderes para controlar os fumadores, com multas, se necessário. “Não podemos afastar o cenário das pessoas recorrerem a meios ilícitos para obterem cigarros electrónicos, por isso, o uso também devia ser ilegal”, argumentou Leong. “Actualmente, o Governo não pode sancionar uma pessoa que fuma cigarros electrónicos, mas esse poder devia estar nesta proposta”, defendeu. Contudo, a secretária defendeu que o trabalho de combate ao tabaco vai ser feito progressivamente. “Em relação à proibição de fumar, temos o objectivo de fazer os trabalhos de forma gradual. A nossa experiência mostra-nos que esta forma de trabalho é eficaz”, justificou. “Os nossos dados mostram-nos que há menos pessoas a fumar, mas entre os jovens o consumo aumentou, e isso faz com que apresentamos estas alterações à proposta vigente”, explicou. Elsie Ao Ieong U defendeu ainda que é preciso “dar tempo” para que as pessoas possam “passo a passo” deixar de fumar. A secretária destacou também que a aposta vai passar por acções de campanha a explicar os malefícios do tabaco.
Censos 2021 | Mais residentes têm curso superior, mas mercado não absorve graduados Andreia Sofia Silva - 10 Jun 2022 DR Numa década, o número de residentes com curso superior mais que duplicou. A maior parte opta por licenciaturas em ciências empresariais, línguas e turismo. Entre 2011 e 2021, quase metade dos diplomas foram obtidos nas universidades locais. Analistas ouvidos pelo HM assumem que o mercado laboral não consegue absorver todos os licenciados Em dez anos, a fatia da população com curso superior quase duplicou, segundo os resultados dos Censos 2021, que traçam o retrato de um período marcado não apenas pelo investimento público no ensino superior, aponta o relatório. “A tendência para a formação contínua foi impulsionada pelo aumento da procura de quadros qualificados, que se deve ao desenvolvimento económico”, lê-se. Da população com mais de 15 anos, num total de 583.089 pessoas, 175.956, ou seja, 30,2 por cento, tinha curso superior, quando esse valor era em 2011 de apenas 18,1 por cento, o que constitui um aumento de 99,9 por cento. Relativamente aos locais, deu-se um aumento de 97,9 por cento do número de residentes com formação superior, sendo que as maiores proporções se registam nas pessoas com idades compreendidas entre 25 e 29 anos e dos 30 aos 34 anos, com percentagens de 72,2 e 61 por cento. A grande escolha dos residentes recai na licenciatura, que representa 69,8 por cento, enquanto que apenas 14,7 dos residentes tem mestrado e 1,6 por cento doutoramento. Relativamente às áreas de ensino, os cursos de “ciências empresariais e administração” são os mais procurados, com uma fatia de 30,5 por cento, enquanto os cursos de “humanidades e línguas” representam nove por cento. Seguem-se os cursos de “turismo, hotelaria e serviços de catering”, com 8,4 por cento. Apesar de muitos locais optarem por estudar no estrangeiro, a verdade é que a procura por cursos em Macau aumentou, com 44,2 por cento dos diplomas a serem obtidos no território. Segue-se o Interior da China com 29,5 por cento, Taiwan com 10,5 por cento e Hong Kong com 2,8 por cento. Portugal representa apenas 1,3 por cento dos destinos para frequentar o ensino superior. Ainda no sector educativo, os Censos mostram que “com a elevação do nível de escolaridade da população, 29 por cento dos trabalhadores detinham cargos de ‘directores e dirigentes administrativos’, ‘especialistas das profissões intelectuais e científicas’ e ‘técnicos e profissionais de nível intermédio’”, um aumento de 6,2 por cento face a 2011. Estes trabalhadores mais qualificados eram, no total, 10.5432, sendo que 73,8 por cento tinha estudado no ensino superior. E encontrar emprego? Para Agnes Lam, académica e ex-deputada, estes dados são “um bom sinal” e reflectem “o investimento que tem sido feito pelo Governo no que diz respeito à escolaridade gratuita e concessão de bolsas”. No entanto, acredita que, com o actual cenário de crise económica, “o mercado não consegue absorver todas as pessoas”. “Deveria haver um mecanismo para ajudar licenciados a iniciarem os seus próprios negócios em determinadas áreas, e não apenas a abrirem cafés. Há pequenos negócios que podem ser criados, mas serão precisos mais dez anos para vermos algum desenvolvimento [a este nível]. Deveríamos apostar também na educação profissional. Não podemos ter os mesmos empregos que tínhamos nos anos 90 e as pessoas também têm de encarar essa realidade”, admitiu. Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau (UM), interpreta os dados demográficos do ensino como o reflexo do investimento público e privado no ensino superior. “A nível de licenciatura creio que grande parte dos alunos são de Macau, mas ao nível de mestrado e doutoramento este panorama inverte-se um bocado”, disse. Antes da pandemia, 30 por cento dos graduados da UM encontravam emprego assim que terminavam o curso, mas o cenário mudou um pouco. “Estamos numa situação de crise devido à pandemia e isso afecta grandemente a economia dos casinos. Estes têm, à sua volta, uma série de empresas e indústrias que permitem a criação de muitos empregos. Até 2019/2020, costumava dizer que bastava a um aluno de Macau entrar na UM para ter emprego. Mas a economia está a abrandar e os licenciados começam a ter mais dificuldades em encontrar emprego.” No entanto, Rui Martins acredita que, levantadas as restrições pandémicas e com mais visitantes, a situação laboral “entrará no ritmo normal que tínhamos”. Por sua vez, Carlos Noronha, docente da UM, destaca o “grande encorajamento para que os residentes trabalhem em Hengqin”, embora haja ainda poucas vagas no contexto dos projectos de cooperação existentes. “Temos de esperar mais um tempo porque a economia está a ser muito afectada pelas restrições. Como se pode atrair os jovens a trabalhar em Hengqin? Por exemplo, na Grande Baía, existe um sistema jurídico diferente e estas coisas têm de ser resolvidas.” Carlos Noronha entende, contudo, que existe “receio de ir trabalhar para outros locais”, pois em Macau “os jovens são muito protegidos e talvez queiram manter-se por perto ou mesmo “procurar emprego em Hong Kong”. “Não há emprego se a porta para a internacionalização continuar fechada. [Seria importante] enviar estudantes universitários para o estrangeiro para absorverem mais conhecimentos e deixá-los regressar a Macau ou para Hengqin para transferir ferramentas e capacidades. Macau vai conhecer um retrocesso se continuar desta forma”, rematou o docente da UM. Tudo para Coloane Coloane registou, em dez anos, um aumento de moradores de 753,7 por cento, e uma subida vertiginosa de 900 por cento no número de habitações. Por sua vez, a Ilha Verde teve um aumento de 143,9 por cento, devido à construção “de edifícios novos e empreendimentos habitacionais públicos de grande envergadura”. Entre 2011 e 2021 registou-se uma quebra de 6,8 por cento no número de pessoas a viver na península, enquanto que a proporção a residir na Taipa aumentou 16,4 por cento. Os mais velhos residem sobretudo em zonas como a Praia Grande e Penha, numa proporção de 18,4 por cento, e avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, com 17,1 por cento. Em termos de dimensão do território, Macau tinha em 2021 mais 3,14 quilómetros quadrados, sendo que na baixa da Taipa residem 75.689 pessoas, 11,1 por cento da população total. Na zona da Areia Preta reside 10,4 por cento. TNR no activo Entre 2011 e 2021, deu-se um aumento de 8,8 por cento das pessoas em idade de trabalhar “em consequência dos incrementos de imigrantes e de trabalhadores não-residentes”. A população activa feminina cresceu 14,6 por cento, sendo superior à masculina em 3,3 por cento. Em termos gerais, Macau a população activa no ano passado era de 377.071 pessoas. A população empregada global era, em Agosto de 2021, composta por 364.043 pessoas, mais 7,8 por cento em relação há dez anos atrás. Sectores como o do jogo, inserido nas “actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços”, comércio por grosso e retalho, hotelaria e restauração tinham 48 por cento da população empregada global, uma quebra de 4,1 por cento em relação a 2011. A área do “trabalho doméstico” tinha, em 2021, mais cinco por cento de pessoas empregadas, num total de 30.242 pessoas, em relação a 2011. No ano passado havia também mais pessoas empregadas nos sectores da educação (5,4 por cento), saúde e acção social (4,3 por cento) e actividades financeiras (3,9 por cento). Salários em alta A mediana do rendimento dos trabalhadores de Macau subiu 5.600 patacas em dez anos, situando-se, em Agosto do ano passado, em 15.600 patacas. Os funcionários públicos apresentam a mediana de rendimento mensal mais elevada, com 40.000 patacas, seguindo-se os sectores da “educação”, com uma mediana de 27.000 patacas, e “produção e distribuição de electricidade, gás e água”, com 25.500 patacas. Idosos em casa A população idosa mais que duplicou, com um aumento de 107,2 por cento em relação a 2011. Os idosos representavam no ano passado 12,1 por cento da população, mais 4,9 por cento face a 2011, sendo que mais de metade dos dependentes, 63,7 por cento, vivem em casas de família, enquanto que 34,5 por cento estão em lares. Ainda assim, 95,5 por cento dos idosos com 60 ou mais anos afirma ter capacidade para levar uma vida autónoma. A solidão na terceira idade é cada vez mais comum, uma vez que, em dez anos, houve um aumento de 80,3 por cento de idosos a morar sozinhos. Francisco Manhão, presidente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), considera que, em termos gerais, os mais velhos têm uma boa vida em Macau, sendo importante o regresso da injecção das sete mil patacas anuais nas contas individuais de previdência. Isto porque o Governo “deveria partilhar mais a sua riqueza com os residentes, em particular com os da terceira idade”. Além disso, Francisco Manhão defende a criação “de uma cidade satélite” para albergar os idosos. Rendas mais caras Olhando para o contexto da habitação privada arrendada, os Censos mostram que em Agosto do ano passado as zonas do Pac On e Taipa Grande são as que têm a renda média mensal mais elevada, no valor de 16.300 patacas. Pelo contrário, viver nas zonas do Patane e São Paulo era mais barato, com uma renda média mensal de 5.500 patacas. A renda média mensal das casas paga por agregado familiar atingiu, em 2021, o valor de 8.700 patacas. Português menos falado Em matéria de domínio de línguas, os Censos revelam que, em dez anos, houve uma ligeira descida de 0,1 por cento das pessoas que falam fluentemente português, representando apenas uma fatia de 2,3 por cento. Entre 2011 e 2021, Macau passou a ter mais pessoas a dominar o inglês, um aumento de 1,3 por cento, representando uma proporção de 3,6 por cento. Tal deve-se “ao crescimento da população imigrante oriunda de outros países ou territórios”. Em termos de domínio geral de línguas, 86,2 por cento da população usava o cantonense como meio de comunicação, enquanto que 45 por cento falava mandarim, menos 3,8 por cento e mais 3,6 por cento, respectivamente.
Rússia e China justificam veto a mais sanções à Coreia do Norte na ONU Hoje Macau - 9 Jun 2022 DR A Rússia e a China justificaram hoje perante a Assembleia-Geral da ONU o seu veto a uma proposta norte-americana para sancionar a Coreia do Norte, na primeira vez em que as potências foram obrigadas a explicar-se. Em abril passado, as Nações Unidas aprovaram uma resolução que exige a convocação automática de uma sessão plenária da Assembleia Geral sempre que se registar um veto no Conselho de Segurança, medida que procura dissuadir o uso desse privilégio a que só cinco países têm acesso: Rússia, China, Estados Unidos da América (EUA), França e Reino Unido. Assim, em cumprimento com esta nova norma, os 193 Estados-membros da ONU reuniram-se hoje para ouvir as explicações da Rússia e da China, que em 26 de maio bloquearam uma resolução que procurava endurecer as sanções internacionais a Pyongyang em resposta aos seus últimos testes de mísseis. Esse texto proposto pelos EUA recebeu o apoio de 13 dos 15 membros do Conselho de Segurança, mas não foi adiante devido ao “não” de Moscovo e Pequim. O embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, assegurou que o seu país procura sempre cooperar com os demais membros do Conselho de Segurança para tentar chegar a um consenso e evitar vetos, mas deixou claro que, nesta ocasião, era impossível para ele apoiar a resolução dos EUA. “Os Estados Unidos devem assumir a responsabilidade por isso”, disse Zhang, que acusou Washington de forçar uma votação quando sabia que nem a China nem a Rússia apoiavam a iniciativa. Conforme referiu, o seu país levantou inúmeras opções alternativas que foram rejeitadas pelos EUA, a quem Pequim atribuiu o atual bloqueio em discussões com a Coreia do Norte. “Desde que a República Popular Democrática da Coreia adotou medidas de desnuclearização em 2018, os Estados Unidos não retribuíram essas iniciativas positivas e não abordaram as preocupações legítimas e razoáveis” da Coreia do Norte, insistiu. O representante chinês referia-se assim aos gestos que o regime de Kim Jong-un tem feito nos últimos anos, suspendendo os seus testes nucleares e os seus ensaios de armas, que levaram a contactos com a administração norte-americana do agora ex-presidente Donald Trump (2017-2021). Essas negociações, no entanto, não ofereceram nenhum progresso concreto e Pyongyang retomou os seus lançamentos de mísseis, com repetidos testes em desafio às resoluções da ONU. A Rússia, por sua vez, ressaltou que impor mais sanções à Coreia do Norte não ajudará em nada e criticou a fixação dos EUA por apostar nesse caminho de pressão e não no diálogo. Washington, por sua vez, considera que é justamente a inação do Conselho de Segurança diante dos lançamentos de mísseis norte-coreanos está a ser interpretada por Pyongyang como “uma luz verde para agir com impunidade e aumentar a tensão”.
Tailândia descriminaliza consumo de canábis para fins medicinais Hoje Macau - 9 Jun 2022 DR O cultivo e posse de canábis foi hoje descriminalizado para fins medicinais na Tailândia, que se torna no primeiro país asiático a retirar a droga da lista de substâncias proibidas no país. De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), o Governo tailandês disse que está a promover a canábis apenas para uso médico, advertindo que fumar em público ainda pode estar sujeito a pena de prisão de três meses e uma multa de 25 mil bahts. Por outro lado, extratos de canábis continuam a ser ilegais se contiverem mais do que 0,2% de tetrahidrocanabinol (THC), a principal substância psicoativa da planta. A Tailândia, que se destaca na indústria do turismo de saúde, está a tentar apostar na marijuana medicinal, com benefícios geralmente derivados de outras substâncias canabinóides que a planta contém, ainda de acordo com a AP. “Devemos saber como usar a canábis”, disse recentemente, numa entrevista à imprensa, o ministro da Saúde Pública tailandês Anutin Charnvirakul, o grande impulsionador da marijuana no país. “Se tivermos sensibilizados para isso, a canábis é como o ouro, é algo valioso que deve ser promovido”, acrescentou. Anutin Charnvirakul referiu que o Governo prefere “aumentar o conhecimento” sobre a utilização da canábis entre a população do que vigiar as pessoas e puni-las. “Tudo deve ter um meio termo”, disse.
Comércio externo da China recupera em maio com levantamento de medidas de confinamento Hoje Macau - 9 Jun 2022 DR O comércio externo da China recuperou, em maio, face ao atenuar das medidas de prevenção epidémica em Xangai e outros importantes centros industriais do país, segundo dados das alfândegas chinesas hoje divulgados. As exportações subiram 16,9%, em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 308,3 mil milhões de dólares, acima do crescimento de 3,7%, alcançado em abril. As importações subiram 4,1%, para 229,5 mil milhões de dólares, depois de terem aumentado 0,7%, no mês anterior. O comércio externo da China foi este ano prejudicado pela queda na procura global e pelas restrições impostas em várias cidades e províncias, para prevenir o alastrar de surtos de covid-19, sob a estratégia de ‘zero casos’. Xangai, sede do porto mais movimentado do mundo, sofreu um bloqueio de dois meses. Também a província de Jilin foi sujeita a medidas de confinamento altamente restritivas. Em Pequim ou Cantão as medidas de confinamento foram parciais. A queda no consumo interno, devido às medidas de prevenção, também afetou as importações, nos meses anteriores. Os analistas reduziram as estimativas de crescimento económico da China para até 2% este ano, bem abaixo da meta oficial, estipulada pelo Partido Comunista, de “cerca de 5,5%”. Alguns analistas preveem uma recessão para este trimestre, antes do início de uma recuperação gradual. A maioria das fábricas, lojas e outros negócios, em Xangai, Pequim e outras cidades, foram autorizadas a reabrir, mas devem precisar de semanas ou meses para retomar os níveis normais de atividade. “As exportações mostraram uma resiliência considerável em maio, apesar do impacto do prolongado bloqueio de Xangai”, disse Rajiv Biswas, da S&P Global Market Intelligence, num relatório. “A perspetiva para o segundo semestre de 2022 é de uma recuperação mais forte das importações, à medida que a procura doméstica recupera”, acrescentou. O excedente comercial da China aumentou 82,3%, em relação ao mesmo período do ano anterior, para 78,8 mil milhões de dólares. O porto de Xangai informou que o número de contentores de carga movimentados diariamente recuperou para 95% dos níveis normais, no final de maio. No entanto, o acumular de dezenas de milhares de contentores provavelmente causarão atrasos que serão sentidos em todo o mundo. O valor conjunto das importações foi impulsionado pelos preços globais mais altos do petróleo e de outras matérias-primas, mas o volume de mercadorias compradas ao exterior registou um crescimento mais lento. As autoridades responderam às reclamações sobre o custo crescente da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19 através de uma abordagem mais direcionada, que inclui o isolamento de prédios ou complexos residenciais onde casos são detetados, em vez do bloqueio de cidades inteiras. A economia da China cresceu 4,8% no primeiro trimestre do ano, em termos homólogos. Isto representou uma melhoria, em relação à taxa de 4%, alcançada nos últimos três meses de 2021, mas os indicadores económicos do trimestre atual são sombrios. As vendas de automóveis em abril caíram quase para metade, em relação ao período homólogo. Os gastos no setor retalhista caíram 11%. O Partido Comunista está a tentar sustentar o crescimento com benefícios fiscais para os empresários, crédito mais acessível e o lançamento de obras públicas. O Banco Mundial alertou, esta semana, que estas políticas podem atrasar os esforços de Pequim para incentivar o crescimento baseado no consumo, em vez do investimento alimentado pela dívida. Alto endividamento “acarreta mais riscos no futuro”, disse o economista-chefe do Banco Mundial para a China, Ibrahim Chowdhury, em comunicado.
Naturais de Portugal representam 0,3% da população total de Macau Hoje Macau - 9 Jun 2022 Rómulo Santos A população que nasceu em Portugal representava em agosto do ano passado 0,3% do total de habitantes de Macau, segundo os resultados finais do Censos 2021. No documento indica-se que 2.213 pessoas que vivem em Macau nasceram em Portugal, contra 1.835 contabilizados em 2011, mas que representavam também há dez anos 0,3% da população total da região administrativa especial chinesa, onde viviam em agosto de 2021 682.070 pessoas. Nos resultados do Censos 2021 dá-se conta que vivem no território 8.991 pessoas de nacionalidade portuguesa (+3.971) e que 13.021 pessoas possuíam ascendência portuguesa (+4.915), representando 1,9% da população total. Os números reportam a agosto de 2021, mas há alguns dados a ter em conta. Por um lado, segundo dados oficiais enviados pelas autoridades à Lusa, mais de 1.600 pessoas com passaporte português abandonaram o território nos últimos dois anos, sendo que a entrada de estrangeiros, portugueses incluídos, tem estado barrada desde o início da pandemia. E Macau só passou a autorizar, excepcionalmente, a entrada de portugueses não residentes há duas semanas. Por outro, a última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal na região administrativa especial chinesa apontava para 170 mil portadores de passaporte português entre os residentes em Macau e em Hong Kong, sendo que o regime jurídico chinês não reconhece a dupla nacionalidade. Os dados finais do Censo 2021 dão conta também que mais de metade da população de Macau nasceu fora do território: 400.689 pessoas contra 281.381 que nasceram na região administrativa especial chinesa, ou seja, 41,3% dos habitantes. Da população imigrante, 43,8% nasceu no interior da China, contra 41,3% nascida em Macau. Ainda segundo o documento, o crescimento da população em Macau está a abrandar e o número de idosos mais do que duplicou numa década. “O índice de dependência de idosos cresceu substancialmente, passando de 8,9% em 2011 para 16,6%, tal significa que em 2011 um idoso era sustentado por 11 adultos e em 2021 um idoso passou a ser sustentado por seis adultos, isto é, sustentar idosos tornou-se num peso maior”, salientou-se no documento. O crescimento populacional foi de 23,5% face a 2011. Verificou-se uma subida de 50,3% na população até aos 14 anos e de 12% entre os 15 e os 64 anos, mas o aumento mais significativo foi entre as pessoas com mais de 65 anos: mais 107,2% numa década. Entre 2011 e 2021 registou-se ainda uma diminuição no número médio de membros por agregado familiar. Outro dado em destaque diz respeito ao aumento significativo das habilitações académicas: em 2021, 30,2% da população com idade igual ou superior a 15 anos tinha o ensino superior, um crescimento de 99,9% em dez anos. A região administrativa especial chinesa, um dos territórios mais povoados do mundo, registou em agosto de 2021 uma densidade populacional superior à de 2011 (18.454 pessoas por km2), passando para 20.620 pessoas por km2 em 2021, salientou a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A mediana de idade da população total aumentou de 37 anos em 2011 para 38,4 anos em 2021. O crescimento da população feminina voltou a superar a masculina: 25,9% contra 20,8%, existindo agora 88,5 homens por cada 100 mulheres. Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial da China em 20 de dezembro de 1999.
Pintora Paula Rego morreu aos 87 anos Hoje Macau - 9 Jun 2022 DR A pintora Paula Rego, uma das mais aclamadas e premiadas artistas portuguesas a nível internacional, morreu na manhã de ontem em Londres, aos 87 anos, disse à agência Lusa fonte próxima da família. De acordo com o galerista Rui Brito, a artista “morreu calmamente em casa, junto dos filhos”. Paula Rego estudou nos anos 1960 na Slade School of Art, em Londres, onde se radicou definitivamente a partir da década de 1970, mas com visitas regulares a Portugal, onde, em 2009, foi inaugurado um museu que acolhe parte da sua obra, a Casa das Histórias, em Cascais. Nascida a 26 de janeiro de 1935, em Lisboa, foi galardoada, entre outros, com o Prémio Turner em 1989, e o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 2013, além de ter sido distinguida com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada em 2004. Em 2010, recebeu da Rainha Isabel II a Ordem do Império Britânico com o grau de Oficial, pela sua contribuição para as artes. Em 2019, recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Governo de Portugal. O Governo vai decretar, em articulação com o Presidente da República, luto nacional pela morte da pintora Paula Rego, indicou ontem à agência Lusa fonte do Ministério da Cultura. Em Braga, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já lamentou a morte da pintora, destacando a sua projecção no mundo. Questionado pelos jornalistas, em Braga, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que era a artista plástica portuguesa “com maior projecção no mundo” desde a morte de Vieira da Silva. “É uma perda nacional. Certamente eu falarei com o senhor primeiro-ministro [António Costa] para ponderar como assinalar em termos de luto nacional essa perda, porque tem uma projecção muito longa, muito rica e muito prestigiante para Portugal”, disse o chefe de Estado. Segundo o Presidente da República, era uma artista plástica “muito completa”, com projecção mundial durante “longas décadas”. “Há longas décadas que Paula Rego não é só muito importante em Portugal, em Inglaterra, onde vivia e onde eu pude visitá-la no seu estúdio em 2016, mas por todo o mundo”, reforçou. Marcelo Rebelo de Sousa mencionou que esteve com o filho da pintora recentemente “na inauguração da exposição em Londres, depois em Haia e depois em Espanha, em Málaga” e que essa exposição “era uma recolha e uma homenagem numa altura em que se sabia que Paula Rego estava já doente, bastante doente”. “Nenhum de nós podia imaginar que pudesse desaparecer”, acrescentou. O Presidente da República transmitiu à família da pintora “os sentimentos de todo o povo português”.
Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Luanda-Capital da Cultura da CPLP, em 2022 Hoje Macau - 9 Jun 2022 DR Decorreu em Luanda nos dias 3, 4 e 5 de maio, o Encontro de Escritores da Capital da Cultura da CPLP, em 2022. Organizado pela Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP, coordenada pela UCCLA no Biénio de 2021-2022, a convite da CPLP. A organização angolana do Encontro de Escritores foi da responsabilidade das Direções do Arquivo Histórico Nacional, da Biblioteca Nacional, do Ministério da Cultura de Angola e da União de Escritores Angolanos. A cerimónia de abertura decorreu no dia 3 de maio, no histórico e bonito Palácio de Ferro, com a presença dos Ministros do Turismo e da Cultura presentes em Luanda, tendo sido presidida pelo Sr. Ministro da Cultura e do Turismo e Ambiente de Angola, Dr. Filipe Zau, em representação da Presidência Angolana em exercício da CPLP. Intervieram igualmente o Secretário Executivo da CPLP, Zacarias da Costa, o Coordenador Cultural da UCCLA e Coordenador da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, da CPLP, Rui Lourido e o Secretário Geral da União de Escritores Angolanos – U.E.A., David Capelenguela. Seguidamente os escritores fizeram uma breve apresentação do seu trabalho. O Encontro refletiu, a 4 de maio, sobre os desafios que se colocam ao Português enquanto Língua de Cultura (ciência e inovação). Num contexto de rápido desenvolvimento de novas tecnologias, da globalização e no impacto da pandemia de COVID19. Os escritores tiveram a oportunidade de debater os condicionalismos que afetam a circulação dos próprios escritores no espaço da CPLP. Tendo sido sugerida a dispensa da obrigatoriedade de visto para escritores convidados por entidades literárias dos respetivos países. Foram igualmente debatidos três outros subtemas: como promover a circulação do livro no espaço da CPLP; independentemente do tipo de suporte, papel ou digital, o livro deve ser encarado na sua dupla função de fruição do lazer, quer como instrumento de aprendizagem da complexidade e diversidade das sociedades Humanas, seja nas ciências Humanas, seja nas ciências exatas. O livro com recurso e apoio de texto, desenho, vídeo, som, música, promove a curiosidade, a imaginação, o sonho. Os escritores refletiram ainda, sobre a necessidade do mais amplo acesso ao livro, através das bibliotecas, criando polos de bibliotecas nos bairros e nos jardins, nos centros comerciais, nas escolas, refeitórios e prisões, … (deslocalização do livro para os computadores e para os telemóveis). No processo de cativar novos públicos, cada vez mais jovens, as autoridades públicas não podem esquecer os idosos, hoje mais numerosos e isolados nas nossas cidades. Participaram como oradores escritores e agentes culturais de todos os países de Língua Portuguesa, nomeadamente: Lopito Feijóo (Angola, Membro da U.E.A.), Yola Castro (Angola, Membro da U.E.A.), Daniel Gociante Patissa (Angola, Membro da U.E.A.), David Capelenguela (Angola, S.G. da U.E.A.), João Anzanello (Brasil), Anna Cunha – ilustradora (Brasil), José Luís Tavares (Cabo Verde), Amadu Dafé (Guiné -Bissau), Ungulani Ba ka Kossa -Francisco Cossa (Moçambique), Rui Lourido (Coordenador Cultural da UCCLA e Coordenador da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, da CPLP), Afonso Cruz (Portugal), Rachel Caiano – ilustradora (Portugal), Olinda Beja (São Tomé e Príncipe) e Luís Costa (Timor). Integrando a Capital da Cultura da CPLP 2022, realizou-se a XII Reunião de Ministros da Cultura da CPLP (presencial em Luanda e três ministros online, a 4 de Maio), que aprovou o Plano Estratégico e o Plano de Ação de Cooperação Cultural Multilateral da CPLP (2022-2026). Nesta sessão, os ministros ouviram a apresentação do plano de atividades da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, dos Observadores Consultivos da CPLP, para o ano de 2022, apresentado pelo seu Coordenador Rui Lourido. O qual destacou a ampla abrangência temporal e geográfica das iniciativas. Algumas de caráter temporário, mas outras permanentes. A vasta abrangência geográfica destas iniciativas reflete-se na inclusão de mais de 11 espaços (Angola: Luanda; Espanha: Galiza, Olivença; Brasil, Cabo Verde; Guiné-Bissau; Macau/China; Índia; Portugal e Timor). O plano inclui uma grande variedade tipológica de iniciativas, (cerca de 57), que se podem agrupar nas seguintes 10 áreas: Encontros literários (Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal), conferências (ex. Galiza, Brasil, Portugal), projetos literários (sobre a pandemia, …), lançamento de livros (Gramática, …), concursos e prémios literários, bibliotecas digitais e físicas, leituras e entrevistas on-line, cursos de LP, A língua vai ao comércio local (Olivença), exposições, feiras do livro, Espetáculos (festivais, recitais de poesia, concertos, dança, teatro), oficinas lúdico didáticas, ciclos de cinema, programas de Rádio, e o apoio ao Museu da Língua Portuguesa de S. Paulo (Brasil). O Encontro de Escritores da Capital da Cultura da CPLP, de 2022, abriu-se a novos públicos e partilhou com a população mais jovem e, em especial, com os estudantes da área da comunicação do Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL, 4 maio) e com os da Universidade Agostinho Neto, para assinalar o dia 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa. Nesta universidade, o Coordenador Cultural da UCCLA e da Comissão Temática, apresentou o vencedor de 2022, do Prémio de Revelação Literária da UCCLA/CML: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, e convidou os presentes a candidatarem-se com uma obra original. Seguidamente os escritores apresentaram o seu trabalho e responderam às perguntas entusiasmadas dos estudantes e professores. Utilizemos duas citações do mais jovem escritor, o guineense Amadu Dafé, que nos refere “Quer numa como noutra instituição de ensino superior, partilharam-se conhecimentos, histórias e experiências de vida, afetividades, sonhos e momentos poéticos”. No dia 6, antes de regressar aos seus países de origem, os escritores realizaram visitas guiadas à importante Biblioteca Nacional e ao grandioso edifício do novíssimo Arquivo Histórico de Angola, novamente Dafé – “onde se fechou o ciclo com a sensação de missão cumprida e oficializando, com a declamação de poemas do Agostinho Neto ao sabor do funji e outras especialidades gastronómicas e culturais angolanas”. Rui Lourido Coordenador cultural da UCCLA Coordenador da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, da CPLP
Automobilismo | F1 na China com dificuldades inesperadas de vingar Sérgio Fonseca - 9 Jun 2022 DR Três meses depois do arranque da temporada de 2022, o entusiasmo da chegada do piloto chinês Guanyu Zhou ao Campeonato do Mundo de Fórmula 1 tem perdido força. Uma série de factores fora de pista têm contribuído para isso, e o próprio estreante Zhou, o primeiro piloto da República Popular da China a correr na disciplina, admite que não tem a certeza se vai manter o seu lugar na Alfa Romeo na próxima temporada Nos últimos dias, o nome do jovem de 23 anos apareceu várias vezes na imprensa internacional entre os pilotos cujo futuro na Fórmula 1 não é claro para além de 2022. Isto, apesar do chefe de equipa da Alfa Romeo, Frédéric Vasseur, parecer satisfeito com a época de Zhou até agora, especialmente porque a relação que o piloto chinês tem com o colega de equipa Valtteri Bottas tem sido profícua. “O Valtteri é rápido no carro, bom com a equipa fora do carro, é fantástico em termos de motivação e contribuição”, disse o responsável francês. “E a colaboração com Zhou é mais do que boa”. No entanto, Zhou não tem a certeza sobre a sua continuidade, até porque não tem um contrato assinado. “Ainda estamos no início desta temporada, por isso ainda não tenho planos para o futuro e ainda não sei qual é o plano”, disse o piloto natural de Xangai. “Claro que tem sido uma temporada com pontos altos e baixos, mas no geral sinto-me muito feliz por estar aqui. E sinto que ainda há muitas corridas para eu desenvolver as minhas capacidades na Fórmula 1”. A boa temporada que Bottas está a realizar este ano deverá mantê-lo na equipa, mas o lugar de Zhou é muito cobiçado pelo francês Théo Pourchaire. O piloto de reserva da Alfa Romeo F1 Team Orlen e membro da Sauber Academy é também um protegido de Vasseur. Vice-campeão em 2021 da Fórmula 2, Pourchaire ocupa a segunda posição no campeonato este ano e quer dar o assalto, preferencialmente em 2023. Com um ponto já alcançado esta época, o que o coloca no 18.º lugar entre os vinte e um pilotos participantes, Zhou está aparentemente tranquilo e confiante. “Se tudo correr como planeado, não vejo razão para estar demasiado preocupado com o que vai acontecer no próximo ano”, referiu. Outras dificuldades Durante décadas acreditou-se que a presença de um piloto chinês no “Grande Circo” iria quebrar as barreiras e finalmente se iriam abrir as portas do actual maior mercado automóvel do mundo. Contudo, na prática, tal não está a acontecer, bem longe disso. A presença de Zhou trouxe o interesse de novos patrocinadores para o desporto, principalmente para a Alfa Romeo, mas ainda não se assistiu à chegada de fortes patrocinadores chineses. Apesar dos intentos que a Fórmula 1 tem em realizar um dia dois Grandes Prémios na China, a verdade é que a categoria rainha do automobilismo não pisa solo chinês desde 2019. O contrato de Xangai foi mesmo assim renovado até 2025, mas hoje ninguém se atreve a garantir que haverá Grande Prémio da China em 2023 devido às actuais restrições de entrada de estrangeiros no país. Outro problema que a Fórmula 1, neste caso a Liberty Media, tem encontrado na China prende-se com as transmissões televisivas. Fora das duas Regiões Administrativas Especiais, apenas em Xangai e na província de Guangdong é possível assistir às transmissões em directo dos eventos. Apesar dos rumores que a China Telecom poderia ter ganho o concurso dos direitos de transmissão online, a verdade é que não existe ainda uma plataforma autorizada a transmitir as corridas pela internet, o que condiciona a expansão da disciplina no país.
Segurança nacional | Ofertas de até 14.000 euros por denúncias de “ameaças” Hoje Macau - 9 Jun 2022 DR O novo regulamento de segurança do Estado surge em vésperas da preparação do 20.º Congresso do Partido Comunista e visa conter as ameaças à soberania do país A China anunciou ontem que vai oferecer recompensas até ao equivalente a 14.000 euros a quem denunciar acções consideradas uma ameaça à segurança nacional, numa altura em que o Partido Comunista prepara a realização do 20.º Congresso. O Ministério da Segurança do Estado disse que o novo regulamento, que estabelece critérios para as recompensas, foi introduzido com efeito imediato. Qualquer pessoa que relate um alvo claro ou uma pista verificável, para acções ainda não conhecidas pelo Estado e consideradas prejudiciais à segurança nacional, vai ser elegível para recompensa, assim que tal for confirmado pelos investigadores. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, um porta-voz do ministério disse que o regulamento incentiva os cidadãos a relatar estas ameaças, constituindo uma medida de segurança concreta na preparação para o Congresso do Partido Comunista, que se realiza no Outono. O Congresso deve atribuir ao secretário-geral, Xi Jinping, um terceiro mandato, quebrando com a tradição política das últimas décadas, que limitava o exercício do cargo a dois mandatos de cinco anos. As leis de segurança nacional e contra a espionagem da China abrangem acções que ameaçam a soberania e a segurança do país. Tabela de preços Sob o novo regulamento, os informantes vão ser elegíveis para recompensas em dinheiro, num sistema de quatro níveis. Uma pista no nível mais baixo dá direito a uma recompensa de cerca de 10.000 yuan. O nível mais alto – uma pista considerada como “extremamente significativa” – dá direito a mais de 100.000 yuans. Os cidadãos podem transmitir informações utilizando as suas identidades reais ou de forma anónima, por telefone, correio electrónico, carta ou pessoalmente. As autoridades vão decidir, num prazo de 30 dias, se a denúncia dá direito a uma recompensa, sendo o pagamento feito pelas agências municipais do ministério. Isto ocorre depois de um homem, de 37 anos, ter sido preso pela polícia de segurança nacional, na cidade de Hangzhou, no leste do país, acusado de conspirar com forças anti-China estrangeiras, e de usar a Internet para incitar a “secessão” e a “subversão” do poder do Estado. A imprensa estatal identificou o homem pelo apelido Ma e informou que se trata do director de pesquisa e desenvolvimento de uma empresa de tecnologia de informação. Fontes oficiais acusaram-no de cooperar com “forças externas” para derrubar o Governo chinês.
Amagao | Exposição “Lusografia” reúne obras de mais de 20 artistas Pedro Arede - 9 Jun 2022 DR De Paula Rego a Júlio Pomar, passando por Vhils, Alexandre Marreiros ou Cruzeiro Seixas, são 24 os artistas portugueses que terão as suas obras expostas na Galeria Amagao até 4 de Setembro. A exposição de obras de serigrafia, gravura e artes gráficas está integrada nas comemorações do 10 de Junho em Macau Inaugura hoje na Galeria Amagao, espaço permanente localizado no Artyzen Grand Lapa, a exposição “Lusografia”, que reúne um espólio de cerca de 70 obras de serigrafia, gravuras e artes gráficas de 24 artistas portugueses. Integrada nas comemorações do mês de Portugal em Macau, a exposição está patente até 4 de Setembro e inclui reproduções de “alta qualidade” de artistas portugueses de renome como Paula Rego, Júlio Pomar, Vhils, Vieira da Silva ou Cruzeiro Seixas, que podem ser adquiridas pelos visitantes. “Proporcionou-se a oportunidade de fazer esta mostra associada às comemorações do Dia de Portugal e, por isso mesmo, embora sejamos uma galeria de vocação lusófona ampla, a iniciativa conta apenas com artistas portugueses (…) e não só artistas lusófonos em sentido lato”, começou por explicar ao HM, José Isaac Duarte, um dos responsáveis pela Galeria Amagao. “Seria surpreendente não ter aqui em Macau manifestações de arte associadas a Portugal (…) pois são um elemento importante da presença portuguesa em Macau e no mundo. Como Portugal tem uma grande tradição na produção de serigrafias e obras feitas a partir das diferentes técnicas de gravura e há muitos artistas portugueses com produção de obras deste cariz [decidimos avançar com esta iniciativa]. Desde os mais consagrados aos mais novos”, acrescentou. José Isaac Duarte vinca ainda que “a exposição não procura seguir qualquer tema”, encontrando sim “unidade” nas técnicas de gravura dos artistas com diferentes temas e abordagens. “É uma exibição que tem a ver com técnicas de gravura e, dentro desse tema, decidimos fazer uma mostra diversificada de artistas que produzem obras variadas (…) e, portanto, as pessoas que visitam a exposição terão a oportunidade de encontrar obras de diversa natureza, com diferentes tonalidades, temas e abordagens”, vincou. À flor da pele Entre os artistas mais representados na exposição, o destaque vai para o modernista Júlio Pomar e o surrealista Cruzeiro Seixas, contando com cerca de uma dúzia de obras expostas cada um. Do lado da pintura portuguesa feita no feminino realce para o facto de a mostra incluir obras de Paula Rego e Graça Morais. Isabel Rasquinho e Alexandre Marreiros marcam presença na “Lusografia” também enquanto artistas com fortes raízes em Macau. Vhils, conhecido pelos seus trabalhos de arte urbana, tem três obras em exposição na Galeria Amagao. José Isaac Duarte prefere, contudo, não destacar ou desvendar que obras ou artistas merecem, na sua opinião, maior relevo e convida os visitantes a descobrir por si próprios, que sensações e emoções os traços e as cores dos trabalhos lhes despertam. “É óbvio que, tanto a Paula Rego como o Júlio Pomar têm uma dimensão internacional que não precisa de mais referências. O desafio passa por as pessoas virem aqui, verem as obras e fazerem o seu próprio julgamento. Haverá coisas que gostam e outras não, é natural. O importante é a oportunidade de nos confrontarmos com propostas diferentes de vários artistas e, sobre elas, fazer um juízo e ter uma reacção emocional. A arte, naturalmente, também tem uma componente de gosto e emoção e isso é importante”, partilhou. Alexandre Baptista, Alfredo Luz, Artur Bual, Carlos Dugos, Clotilde Fava, Espiga Pinto, Francisco Geraldo, Graça Morais, João Paulo, Jorge Martins, José Luís Tinoco, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Maria João Franco, Miguel Pamplona, Raquel Oliveira, Velhô e Vieira da Silva compõem a lista de artistas. A exposição “Lusografia” pode ser vista até 4 de Setembro entre terça-feira e domingo, das 10h00 às 19h00. As obras expostas podem ser adquiridas pelos visitantes, com preços a partir das 3.000 patacas.
Condenado a seis meses após remover bloqueador de rodas Hoje Macau - 9 Jun 2022 Tiago Alcântara O Tribunal de Segunda Instância (TSI) condenou um indivíduo a seis anos de prisão, suspensa na execução pelo período de 1 ano, após este ter removido, com as próprias mãos, um bloqueador colocado na roda traseira do seu veículo. A decisão, chega depois de o Tribunal Judicial de Base (TJB) ter absolvido o suspeito do crime de “destruição de objectos colocados sob o poder público” por considerar que este desconhecia a lei. No entanto, o argumento levou o Ministério Público (MP) a apresentar recurso. O caso ocorreu na Rampa do Observatório na Taipa, lugar onde um agente do CPSP encontrou o veículo do indivíduo mal-estacionado e em falta relativamente ao pagamento do imposto de circulação, pelo que avançou para o bloqueio do veículo. No entanto, o indivíduo “não se dirigiu nem telefonou ao Departamento de Trânsito do CPSP para tratar das formalidades de desbloqueamento”, removendo “por si próprio” o bloqueador e tirando o carro do local. Contas feitas, por considerar que “o conhecimento imperfeito das disposições legais concretas não deve, nem pode ser motivo para isenção da responsabilidade jurídica” e “o desbloqueamento sem permissão viola a lei”, o TSI deu razão ao MP e condenou o suspeito a 6 meses de prisão.
Chuva | Inundações e aulas canceladas após sete horas de sinal vermelho Pedro Arede - 9 Jun 2022 GCS Inundações nas zonas baixas, autocarros e parques de estacionamento alagados e o cancelamento das aulas marcaram grande parte do dia de ontem. Sinal vermelho de chuva intensa esteve em vigor durante quase sete horas. Encarregados de educação defendem que suspensão das aulas devia ter acontecido logo de manhã. Mau tempo vai continuar Ao fim de praticamente de sete horas em que o sinal vermelho de chuva intensa esteve em vigor, Macau registou ontem várias inundações nas zonas baixas da cidade, provocando fortes constrangimentos à circulação e levando mesmo ao cancelamento das aulas durante tarde. Além disso, através de vários vídeos publicados nas redes sociais foi possível ver autocarros alagados, parques de estacionamento inundados e estradas submersas, com especial incidência nas zonas da Taipa e no Porto Interior. Num desses vídeos, divulgados pelos canais online do jornal Ou Mun, é possível observar uma intensa enxurrada de água a correr ao longo da Calçada de São Paulo, localizada junto às Ruínas de São Paulo. Noutro vídeo, utentes de um parque de estacionamento subterrâneo deslocam-se com água pelas canelas ao longo do piso submerso do recinto. De acordo com dados da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), até às 16h00 de ontem choveu o equivalente a 234,8 litros por metro quadrado na zona da Taipa, 184,4 litros por metro quadrado em Coloane e 182,8 litros por metro quadrado na península de Macau. Isto, quando até ao meio-dia já tinha caído o equivalente a 120 litros por metro quadrado de chuva na península de Macau, 140 na Taipa e 110 em Coloane. Segundo o canal chinês da TDM-Rádio Macau, no Porto Interior, o efeito da chuva intensa que caiu durante toda a manhã e ao início da tarde era notório. Por volta do meio-dia, na Rua do Almirante Sérgio, era impossível andar sem que os pés estivessem debaixo de água. Comerciantes ouvidos pela emissora pública deram nota que, apesar da intensidade da chuva, a água não alagou o interior dos estabelecimentos. No entanto, o registo ficou longe de ombrear com o recorde de chuva por dia alcançado sensivelmente há um ano no dia 1 de Junho. Na altura, a precipitação diária registada pela estação da Fortaleza do Monte chegou aos 408,8 litros de água, num dia que ficou marcado pela emissão do sinal preto de chuva intensa e mais de 30 casos de cheias. O sinal vermelho de chuva intensa foi accionado às 9h15 juntamente com o de trovoada, acabando por ser cancelado às 16h05. Por volta das 13h00, a Direcção Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) emitiram uma nota a anunciar a suspensão do ensino secundário, primário, infantil e educação especial durante a tarde. No mesmo comunicado, a DSEDJ avisou os estabelecimentos de ensino para permanecer de portas abertas e assegurar pessoal para prestar apoio aos alunos até ao seu regresso a casa. Tarde de mais Após o anúncio da suspensão das aulas, vários encarregados de educação voltaram às escolas onde tinham deixado os filhos durante a manhã para os levar de volta a casa. Segundo o canal chinês da TDM-Rádio Macau, os pais dos estudantes lamentaram que a DSEDJ apenas tenha suspendido as aulas da parte da tarde, defendendo que a decisão devia ter sido tomada logo ao início do dia. Isto, quando de manhã, a chuva já tinha deixado muitos alunos “encharcados”. Devido à instabilidade do tempo e a continuação da ocorrência de chuvas intensas e trovoada nos próximos dias, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e o Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia (CPTT) emitiram uma nota onde alertam as empresas e lojas localizadas nas zonas baixas de Macau para tomar medidas preventivas contra as inundações. Segundo os SMG, hoje e amanhã Macau “continuará a ser afectada por aguaceiros e trovoadas (…) fortes”, que podem provocar “inundações severas” e “deslizamentos de terra”. O organismo alerta ainda para o facto de a “aleatoriedade” da chuva e o reduzido tamanho de Macau, tornar impossível prever “com precisão” a hora, localização a intensidade das áreas de chuva.
Hengqin | Trabalhadores com subsídios cortados e sem meio para fazer queixa João Santos Filipe - 9 Jun 2022 Rómulo Santos A Macau Investimento e Desenvolvimento, empresa de capitais públicos da RAEM que opera na Hengqin, cortou o “subsídio regional” sem qualquer explicação. Os trabalhadores não sabem a quem devem apresentar queixa Vários trabalhadores de Macau do Parque de Medicina Tradicional Chinesa, investimento público da RAEM na Ilha da Montanha, viram um “subsídio regional” de 1.000 renminbis cortado, sem qualquer justificação, e não conseguem fazer queixa. Em causa está o facto de os trabalhadores não quererem ser identificados, e, ao contrário do que acontece em Macau, as autoridades do Interior não investigarem queixas laborais anónimas. O caso foi revelado por trabalhadores afectados que telefonaram para o programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau. Na sequência, o jornal All About Macau tentou perceber os mecanismos de protecção laboral dos trabalhadores locais empregados em Hengqin, que resultou num pingue pongue entre o secretário da Economia e Finanças e as duas empresas com capitais da RAEM, a Macau Investimento e Desenvolvimento e a Guangdong-Macau Tecnologia da Medicina Tradicional Chinesa Desenvolvimento do Parque Indústria. No final, não foi obtida nenhuma resposta esclarecedora. Na primeira troca de correspondência, Lei Wai Nong remeteu explicações para a Macau Investimento e Desenvolvimento e para a subsidiária Guangdong-Macau Tecnologia da Medicina Tradicional Chinesa Desenvolvimento do Parque Indústria. Por sua vez, a Macau Investimento e Desenvolvimento não confirmou a existência de cortes, mas também não desmentiu. A empresa limitou-se a agradecer ao jornal a “a atenção prestada ao parque industrial”, além de afirmar que lida com todos os assuntos “de acordo com as legislações locais”. Silêncio ensurdecedor Não é a primeira vez que queixas laborais entre as duas jurisdições causam polémica. Anteriormente, um funcionário da Macau Investimento e Desenvolvimento na Ilha da Montanha apresentou uma queixa na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), depois de lhe ter sido recusado várias vezes um pedido para tirar seis dias seguidos de férias. Contudo, a DSAL recusou a queixa, por entender que o assunto compete às autoridades do Interior. O All About Macau tentou também apurar os mecanismos laborais que existem no Interior para lidar com disputas que implicam os trabalhadores da RAEM. Esta é uma preocupação crescente, uma vez que cada vez mais o Governo incentiva residentes a procurar emprego no Interior, nomeadamente na Grande Baía. Contudo, como aconteceu com a questão dos cortes de subsídios, tanto o secretário para a Economia e Finanças como a empresa Macau Investimento e Desenvolvimento ignoraram as perguntas colocadas. Outra pergunta que Lei Wai Nong e a Macau Investimento e Desenvolvimento também ignoraram foi sobre o número de trabalhadores locais no Parque de Medicina Tradicional Chinesa. No entanto, o jornal indica que o número deverá rondar 10 trabalhadores, com os restantes a serem do Interior. Cortes de Natal Segundo os trabalhadores citados pelo All About Macau, a Macau Investimento e Desenvolvimento começou a pagar o “subsídio regional” de 1.000 renminbis aos funcionários de Macau em Agosto do ano passado. Contudo, o pagamento foi suspenso em Dezembro, sem qualquer explicação dada aos trabalhadores. Na sequência, os administradores da empresa foram confrontados, mas o grupo presidido por Lu Hong apenas respondeu que “a redução do salário foi feita de acordo com os procedimentos legais”. O “subsídio regional” foi criado no ano passado para fazer frente a “uma onda de demissões” de residentes de Macau no parque e também para a empresa cumprir a “responsabilidade social de diversificar a economia” da RAEM.