Compre agora e pague depois David Chan - 17 Ago 2022 DR Recentemente, em Hong Kong houve alguns desenvolvimentos sobre o sistema “compre agora e pague depois” (BNPL sigla em inglês). O Hong Kong Consumer Council salientou que, entre Janeiro de 2021 e Julho de 2022, se registaram 22 queixas relacionadas com este modelo de compras, um terço das quais relacionadas com a plataforma de vendas online. Os queixosos eram jovens, donas de casa e pessoas sem rendimentos estáveis. A maior parte tinha comprado aparelhos electrónicos e roupas. Os montantes envolvidos situaram-se entre várias centenas e 2 mil dólares de Hong Kong (HKD). Existe muita informação online que indica que o sistema de pagamento BNPL se tornou muito popular e veio substituir os cartões de crédito durante a pandemia. Este método assenta na filosofia “desfrute agora e pague depois”. Os consumidores não precisam de ter cartão de crédito, só precisam de instalar esta aplicação. De um modo geral, os consumidores usam os telemóveis para abrir contas e fazem as compras na plataforma. Inicialmente, só precisam de pagar uma parte do valor e, depois de receberem os artigos, pagam o resto em três prestações. Algumas plataformas chegam a aceitar pagamento diferido. O pagamento a prestações pode ser facultado pela plataforma ou pelo vendedor. Se a plataforma fornecer crédito e permitir que os consumidores paguem as compras em prestações, passa ela a ser o credor que empresta dinheiro aos consumidores. Passa a existir uma relação de empréstimo entre a plataforma e o consumidor. Neste caso, independentemente de acontecer em Hong Kong ou em Macau, a plataforma, enquanto empresa que fornece empréstimos, deve apresentar um pedido específico aos respectivos Governos e, só depois de obter autorização, poderá dar seguimento ao seu negócio. Se o pagamento a prestações for facultado pelo vendedor, a relação que estabelece com o consumidor traduz-se num contrato de venda de bens e, portanto, não se trata de um empréstimo. Em Hong Kong, esta transacção é regulada pela Sale of Goods Ordinance (Portaria de Venda de Bens). Em Macau, está sujeita ao Código Civil e Comercial de Macau. A maior parte da informação que se encontra na Internet mostra que o pagamento a prestações é facultado pela plataforma, e é a isso que devemos prestar atenção. O BNPL é atractivo para os consumidores por três razões. A primeira é a conveniência. Neste modelo, a transacção é totalmente realizada através do telemóvel. Uma vez que a maioria dos telemóveis tem programas de pagamento específicos incorporados, a plataforma liga-se a esses programas, o que poupa imenso tempo aos consumidores e resulta no axioma “onde há um telemóvel há uma transacção”. Em segundo lugar, a utilização da aplicação é muito simples. Os consumidores só precisam de fornecer os seus dados pessoais e passam a poder comprar a crédito. A principal razão para a aprovação ser tão rápida é a plataforma não ser um banco e não verificar os registos de compras a crédito dos consumidores. Esta facilidade permite que pessoas sem cartão de crédito, como estudantes e freelancers, possam aceder sem problemas a este serviço. Em terceiro lugar, o risco de os dados pessoais serem roubados é mínimo. Se um consumidor usar um cartão de crédito, os seus dados podem ser armazenados na rede, e existe o risco de serem roubados. No modelo pague agora e pague depois, os dados são guardados na plataforma, reduzindo o risco de roubo. Para os retalhistas é vantajoso se o pagamento a prestações for facultado pela plataforma, porque expande a clientela e aumenta as vendas. Neste modelo, a plataforma cobra aos retalhistas uma taxa de cerca de 5por cento. Se o consumidor fizer os pagamentos no prazo, geralmente não tem de pagar qualquer taxa. Se o pagamento estiver em atraso, a plataforma cobra taxas e juros. Segundo o relatório da empresa de crédito americana Lendingtree, quatro em cada 10 americanos já usaram o serviço BNPL. De acordo com o Global Data, o volume de transacções BNPL cresceram de 33 mil milhões de dólares em 2019 para 120 mil milhões em 2021. A Worldpay assinalou no relatório sobre pagamentos globais em 2022, que a proporção das compras online duplicará de 2,9 por cento em 2021 para 5,3 por cento em 2025. Aparentemente o modelo de compras BFPL parece ser benéfico para consumidores, para os retalhistas e para a plataforma. Como os consumidores não precisam de pagar as compras na totalidade inicialmente, sentem-se menos pressionados e têm a ilusão de ter uma capacidade financeira superior à que realmente têm, o que os leva a fazer compras de valor mais elevado. Após repetidas utilizações, os problemas financeiros vão começar a aparecer. Conforme mencionado anteriormente, porque os consumidores que usam este serviço são sobretudo pessoas com rendimentos instáveis, a sua capacidade de honrar os pagamentos é questionável. Por conseguinte, estas pessoas enfrentam problemas mais graves do que aqueles que auferem rendimentos estáveis e requerem mais atenção social. De acordo com o inquérito ao emprego, emitido pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos de Macau, relativo ao segundo trimestre de 2022, o salário médio dos residentes de Macau era de 19.400 patacas, menos 600 patacas que no trimestre anterior. A taxa de desemprego local era de 4,8 por cento. Devido à pandemia, a taxa de desemprego subiu, e o salário médio dos residentes de Macau desceu. Estes factores vão reduzir o consumo dos residentes, que passarão a comprar pouco mais do que o indispensável. Além disso, não existem fronteiras na Internet. Registar-se na plataforma com um telemóvel e poder obter um crédito para consumo não é difícil. Mais importante ainda, alguns retalhistas que cooperam com as plataformas também têm lojas em Macau, o que merece a atenção de todos nós. A Autoridade Monetária de Hong Kong afirmou que actualmente não existe legislação para regular as operações destas plataformas. No entanto, serão emitidas orientações relevantes no segundo semestre de 2022 para regular o seu funcionamento. Também é importante saber que as empresas que concedem crédito em Macau têm de cumprir o que está estabelecido no Artigo 17 (1) (b) do Sistema Jurídico Financeiro Decreto-Lei No. 32/93/M. De acordo com esta disposição, só as empresas licenciadas pelo Governo de Macau podem exercer a actividade de instituições financeiras; caso contrário as suas operações são ilegais. Registar-se nas plataformas e obter crédito para consumo é fácil. É também, como é óbvio, difícil de supervisionar. A epidemia afectou a economia e criou situações problemáticas. Temos todos de ter muito cuidado. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Universidade Politécnica de Macau Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
China | Anunciadas novas medidas para estimular natalidade Hoje Macau - 17 Ago 2022 DR A China anunciou ontem novas medidas para incentivar as famílias a ter mais filhos, após ter aplicado rígidos controlos de natalidade durante mais de 30 anos, ao abrigo da política ‘um casal, um filho’. O país mais populoso do planeta enfrenta agora uma crise demográfica, com a força de trabalho a envelhecer, uma economia em desaceleração e o menor crescimento populacional em décadas. Apesar de as autoridades terem abolido a política de filho único em 2016, permitindo até três crianças por casal, os nascimentos continuaram a diminuir nos últimos cinco anos. Na terça-feira, o ministério da Saúde pediu ao Governo central e às autoridades locais que gastem mais em saúde reprodutiva e melhorem os serviços de assistência à infância. Esses serviços são em grande parte insuficientes no país. As autoridades locais devem “pôr em prática medidas activas de apoio à fertilidade”, através de subsídios, deduções fiscais e melhores seguros de saúde, bem como educação, habitação e ajuda ao emprego para as famílias, defendeu o ministério. As províncias também devem garantir que têm um número suficiente de creches até ao final do ano para crianças entre dois e três anos. Por todo o país As cidades mais ricas da China já introduziram empréstimos para a habitação, incentivos fiscais, auxílios educacionais e até subsídios para encorajar as mulheres a terem mais filhos. As directivas publicadas ontem parecem querer alargar esta política a todo o território. A taxa de natalidade da China caiu, no ano passado, para 7,52 nascimentos por 1.000 pessoas, a menor desde que os registros começaram em 1949, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. O maior custo de vida e propensão para famílias menores estão entre os motivos citados para esse declínio nos nascimentos. No início de Agosto, as autoridades de saúde alertaram que a população da China vai diminuir até 2025.
Hotel Tesouro | Quarentena alargada e incerteza deixam residentes desolados João Luz - 17 Ago 2022 DR Depois da identificação de um caso positivo de covid-19 num trabalhador do Hotel Tesouro, quem se preparava para sair de quarentena nesse dia ficou a perceber a razão que levou à extensão do isolamento até ao próximo sábado. Incredulidade e desalento passaram a ser os sentimentos dominantes. Uma residente destacou ao HM a falta de responsabilização das autoridades Enquanto aguardavam o muito esperado aviso para descer e fazer check-out depois de cumprida a quarentena obrigatória para entrar em Macau, os “hóspedes” de dois pisos do Hotel Tesouro tiveram uma desagradável surpresa. “Atendi a chamada de um número anónimo, pensando que me iriam dizer para descer para fazer check-out. Atendi o telefone toda animada, porque estava a 40 minutos de sair daqui. Quando me disseram que ‘infelizmente teria de ficar até dia 20’ vi tudo a desabar à minha frente e não acreditei no que se estava a passar.” É desta forma que Sofia Mota resume o choque que sofreu ao saber que teria de ficar mais cinco dias em quarentena, meio dia depois do anúncio de que um trabalhador do Hotel Tesouro teria testado positivo. Na segunda-feira, poucos minutos antes das 23h, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciava que um trabalhador (de 24 anos de idade, do sexo masculino, trabalhador não-residente) teria testado positivo e que as “pessoas que se encontram em observação médica neste hotel, necessitam de prolongar o período de observação médica até 20 de Agosto”. Uma residente de apelido Chen, contou ao HM que lhe disseram na fatídica chamada que haveria muitos casos positivos no piso onde cumpria quarentena com o seu filho e que, essa seria a razão para ficar mais cinco dias de quarentena, sem colocar em risco da comunidade devido à possibilidade de estar ainda a decorrer o período de incubação do vírus. “Mais tarde, vimos nas notícias que a razão era o teste positivo do trabalhador do hotel. Mentiram-nos, quiseram-nos culpar desta situação. Esta situação de falta de responsabilização é ridícula”. Bomba emocional No meio das mensagens contraditórias, Chen perdeu um pouco a paciência e perguntou às autoridades se o hotel estava ou não em condições para garantir a segurança dos hóspedes na eventualidade de se verificarem casos positivos entre “isolados” ou mesmo trabalhadores. “Quando um trabalhador de um hotel de quarentena é infectado, o Governo devia assumir a responsabilidade, mas não o fizeram. Se pedissem desculpa, em vez de mentirem, teria sido mais fácil”, acrescentou a residente. A incerteza e as políticas preventivas são os maiores receios da residente, que confessa não temer as consequências de saúde de contrair o vírus, mas sim as implicações restritivas, como ser enviada para o hospital. “Se me disserem que vou sair, de certeza, no dia 20 estaria muito bem com esse compromisso. Mas se existem mesmo muitos casos positivos no meu piso, temo que se repita o que aconteceu no Parisian, onde foram precisos cinco dias com testes negativos para todas as pessoas saírem da quarentena”. Sofia Mota tem mantido contacto com outros “companheiros de quarentena” que se viram obrigados fazer mais cinco dias de isolamento e revela que o “sentimento geral é de desolação”. Além da obrigatoriedade de ficar no hotel quando se preparavam para sair, a falta de informação e de racionalidade são factores de destabilização emocional. “Isto dá cabo de nós emocionalmente, e a nível pessoal, todos temos uma vida, temos de trabalhar. Quando chegamos estamos preparados para a possibilidade de testar positivo, principalmente depois da espera para darmos entrada no hotel. A situação no aeroporto foi a que mais me assustou”, conta.
Emprego | Poder do Povo exige protecção das vagas para residentes Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 17 Ago 2022 HM Numa altura em que a taxa de desemprego está em 4,8 por cento, a associação Poder do Povo entregou ontem na sede do Governo uma carta a exigir a garantia do emprego para locais. A entidade deseja que a segunda ronda de apoios económicos, de 10 mil milhões de patacas, chegue a todos os residentes A associação Poder do Povo entregou ontem uma carta na sede do Governo, dirigida a Ho Iat Seng e exigir que o Executivo garanta a protecção dos empregos para locais. A missiva pede atenção especial ao desemprego dos residentes, segmento demográfico que deve ser prioritário nas políticas laborais. Lam Weng Ioi, secretário-geral da associação Poder do Povo, disse que a situação do desemprego dos residentes está cada vez pior. Nesta fase, a taxa de desemprego é de 4,8 por cento e a taxa de subemprego atingiu 4,1 por cento. Para criar mais vagas de emprego, o responsável defende que sejam lançados mais concursos para obras, sendo essencial a definição de critérios para garantir que, em cada projecto, haja uma proporção mais equilibrada entre residentes e trabalhadores não-residentes (TNR). A Poder do Povo exige que todos os residentes sejam incluídos na segunda ronda de apoios económicos, no valor de dez mil milhões de patacas, uma vez que a medida não beneficia todos os locais. Desta forma, os residentes que ficam de fora deveriam receber mais um cheque pecuniário, apontou. A associação vincou que também está atenta à inflação, exigindo que as autoridades supervisionem o aumento dos preços, sobretudo dos combustíveis, uma vez que representam o maior aumento no Índice de Preços do Consumidor. Um caso exemplar Wong, residente e desempregado do sector da construção civil, foi um dos que acompanhou a Poder do Povo na entrega da carta a Ho Iat Seng, acusando as autoridades de substituírem residentes por TNR. “A 15 de Março não renovaram os contratos de centenas de residentes, eu incluindo. Mas a obra ainda não estava terminada. Porque é que só deixam os TNR trabalhar em vez dos locais?”, questionou. O residente queixa-se também de tratamento injusto por parte dos empregadores. “Os TNR podem fazer horas extraordinárias e trabalhar aos domingos. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais encobre os sub-contratados”, acusa. No caso da construção civil, a maior parte dos trabalhadores subcontratados vêm do Interior da China porque as empresas responsáveis pelos projectos são desta zona do país, optando por não recrutar em Macau, alertou Wong. O residente acusa ainda a DSAL de não fazer bem o acompanhamento da situação de quem está no desemprego. “A DSAL apresentou-me uma vaga de trabalho para um estaleiro de obras, mas depois de ter passado a fase de entrevistas, a empresa não me contratou. Quando perguntei as razões, disseram-me que já tinham sido contratadas pessoas suficientes.” Wong queixa-se ainda de estar a passar por uma situação financeira difícil e um período complicado a nível psicológico. “Como estou desempregado há algum tempo, a minha família causa-me muito stress. A minha mulher queixa-se de mim todos os dias. Eu também queria ter um emprego, mas não consigo”, indicou. O residente declarou ainda que tem aproveitado este tempo para realizar diversas acções de formação, a fim de ter uma melhor preparação na hora de procurar emprego.
Estudo | Jogo problemático com maior foco em solteiros e budistas Hoje Macau - 17 Ago 2022 DR Os homens solteiros, de meia idade e budistas têm maior probabilidade de se tornarem jogadores patológicos. A conclusão é apontada num estudo da Universidade Politécnica de Macau (UPM), intitulado “Profiling of Gamblers and Problem Gamblers Among Casino Patrons in Macau SAR”, da autoria dos académicos To Wai Ming e Huang Guihai. Segundo o portal Macau News Agency, o estudo conclui que os homens chineses, entre 35 e 54 anos, trabalhadores independentes e solteiros, numa situação de divórcio, viuvez ou separação, que vivam sozinhos, “têm uma elevada probabilidade de serem jogadores problemáticos”. Publicado este mês no Journal of Gambling Studies, o estudo estabelece uma ligação entre o vício de jogo e o Budismo. “Enquanto que a associação entre o Budismo e o jogo patológico parece ser um pouco surpreendente, tal pode explicar-se pelo facto de os homens chineses que são influenciados pelo Confucionismo e Budismo verem o jogo, incluindo o jogo nos casinos, como uma intensa actividade social e uma forma de testar a sorte e o destino de uma pessoa”, apontam os académicos. A investigação da UPM teve como base um inquérito feito a 1,352 pessoas que jogaram nos últimos 12 meses em Macau antes da pandemia em 2020. Um terço dos inquiridos era residente e cerca de metade era natural da China, sobretudo da província de Guangdong.
Veículos eléctricos | Deputado alerta para problemas de importação Andreia Sofia Silva - 17 Ago 2022 DR A qualidade dos motociclos eléctricos importados e os alegados problemas de inspecção e importação levaram Lam Lon Wai a questionar o Governo, que irá Assembleia Legislativa dar explicações sobre este assunto. O deputado entende que os novos motociclos eléctricos adquiridos ao abrigo do plano de concessão de apoio financeiro ao abate de motociclos obsoletos, não têm a mesma qualidade. Isto porque “a capacidade de carregamento, autonomia e desempenho energético são insatisfatórios”, além de que os residentes “verificaram que os motociclos tinham saído da fábrica há mais de dez anos”. O Governo assegurou que existem 241 tipos de veículos eléctricos com importação aprovada para efeitos de reconhecimento de marcas e modelos. Além disso, “desde a importação até à matrícula, os veículos têm de passar pela avaliação das especificações técnicas e de inspecção”. As autoridades prometeram ainda rever “os regimes de fiscalização relativo à atribuição de matrícula e os requisitos de inspecção”.
Governo assina acordos com o China Media Group – CCTV João Luz - 17 Ago 202217 Ago 2022 DR O Governo da RAEM assinou na segunda-feira múltiplos acordos de cooperação com o China Media Group, o gigante conglomerado de media estatal a que pertencem a CCTV, CNR, CGTN e CRI. A cerimónia de assinatura dos protocolos, realizada em videoconferência, contou com a participação de vários membros do Executivo, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, o vice-ministro do departamento de propaganda do comité central do Partido Comunista Chinês, entre outros altos dignitários. Ho Iat Seng destacou a “sólida cooperação existente” entre o Executivo de Macau e o China Media Group na produção de conteúdos que mostrem “o ambiente da cidade única, que é Macau”, onde se pode testemunhar “a fusão da cultura oriental e ocidental.” O Chefe do Executivo mostrou-se esperançado que os acordos estabelecidos revelem “a imagem e paisagem cultural distinta e rica de Macau, consolidando a base para a construção de “um centro, uma plataforma e uma base” para a RAEM, bem como para “contar bem a história da China ao exterior e mostre a implementação bem-sucedida de ‘Um País, Dois Sistemas’ com características de Macau”. Voz de Pequim Por outro lado, o presidente do China Media Group, Shen Haixiong, recordou que “o Presidente Xi Jinping se preocupa sempre com os residentes de Macau e presta atenção à prosperidade de Macau”. O dirigente comprometeu-se em “desempenhar em pleno o papel de difundir a voz principal em Hong Kong e Macau, bem como a transmitir bem a voz do Governo Central e contar bem história de Macau com efeitos positivos”. Destacando que o acordo irá aprofundar a integração da RAEM na conjuntura nacional, “sublinhou que a pátria é boa, e que Macau vai ficar cada vez melhor”. Um dos acordos foi assinado com a TDM, representada pela presidente da Comissão Executiva da TDM – Teledifusão de Macau, S.A., Lo Song Man, para o acesso a conteúdos do canal desportivo CCTV-5.
Sanções | Partido Comunista proíbe entradas de taiwaneses em Macau Hoje Macau - 17 Ago 2022 DR Mais sete pessoas de Taiwan, e as respectivas famílias, estão impedidas de entrar em Macau, após uma directiva de Pequim. Os proscritos são acusados de serem “fanáticos” da causa separatista, classificação que agora foi também aplicada a vários titulares de altos cargos na Ilha Formosa Mais sete governantes de Taiwan, e as respectivas famílias, estão proibidos pelo Partido Comunista de entrarem em Macau, Hong Kong e no Interior do país. As sanções foram anunciadas ontem por um porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Comité Central do Partido Comunista Chinês, em que os governantes são acusados de serem “fanáticos” da causa independentista. Os visados são Hsiao Bi-khim, Wellington Koo Li-hsiung, Tsai Chi-chang, Ker Chien-ming, Lin Fei-fan, Chen Jiau-hua e Wang Ting-yu, figuras ligadas ao Partido Progressista Democrático da Ilha Formosa. De acordo com as explicações do porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Comité Central do Partido Comunista Chinês, citadas pela Xinhua, as sanções são justificadas com a necessidade de “salvaguardar o desenvolvimento pacífico das relações no estreito de Taiwan e os interesses das pessoas de ambos os lados do Estreito”. Segundo a mesma fonte, Su Tseng-chan, primeiro-ministro de Taiwan, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Joseph Wu, e Su Tseng-chan, presidente do Parlamento, que já tinham sido anteriormente colocados na lista negra, e estavam proibidos de entrar em Macau, passaram agora a ser classificados como “fanáticos” separatistas. Ligações proibidas O Partido declarou também que todas as instituições ligadas a estes políticos de Taiwan ficam impedidas de estabelecer qualquer tipo de relações com instituições e pessoas no Interior. Além disso, foi também deixado o aviso de que qualquer empresa do Interior que estabeleça relações comerciais, ou outras, com as pessoas sancionadas ou instituições ligadas a estas pode ser chamada a assumir responsabilidades criminais. Sobre qualquer acto visto como um passo em direcção “à independência de Taiwan”, o Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Comité Central do Partido Comunista Chinês avisa que são “o maior obstáculo à reunificação da China” e “um grande perigo para o rejuvenescimento nacional”. Além disso, os sancionados são acusados de, “motivados por interesses pessoais”, actuarem em conluio com “com forças externas provocadoras”, que surgem associadas à visita de Nancy Pelosi a Taiwan. “Avisamos seriamente os fanáticos da independência de Taiwan a evitarem entrar ainda mais no caminho errado. Quem deliberadamente desafiar a lei vai ser seriamente punido”, afirmou o porta-voz. “Ninguém deve subestimar a nossa determinação, vontade e capacidade para defender a soberania da China e a integridade territorial”, foi acrescentado.
Fernando Pessoa | Publicada primeira antologia organizada por Casais Monteiro Hoje Macau - 16 Ago 2022 DR Fernando Pessoa nunca teve “o imediato como valor de expressão poética”, afirma o escritor e ensaísta Adolfo Casais Monteiro, na introdução à antologia do autor de “Mensagem”, uma edição pioneira que organizou e que é publicada na próxima quarta-feira. Para o poeta, tradutor, professor, crítico e ensaísta Adolfo Casais Monteiro (1908-1972), um dos primeiros investigadores a ousar “a construção de um percurso reflexivo” sobre a obra pessoana, Fernando Pessoa é “um dos quatro maiores” da poesia portuguesa, ao lado de Luís de Camões, Teixeira de Pascoaes e Antero de Quental. Na antologia “Poesia de Fernando Pessoa”, que organizou na década de 1950, uma das primeiras dedicadas ao poeta, e para a qual escreveu a introdução, Casais Monteiro afirma que “nem por sombras” pretende “‘explicar’ a poesia” do criador de Alberto Caeiro e Álvaro de Campos, referindo a sua obra como ”um produto de cultura, uma dessas obras cujas raízes vão buscar o mínimo de sangue que lhes é necessário a uma tradição literária”. O “segredo” do poeta Pessoa “é que ele transforma, diga-se assim, em emoções os seus pensamentos”, “sensibilizou o cerebral, deu raízes de existência ao absoluto”, escreve o autor de “Canto da Nossa Agonia” sobre o criador de “Chuva Oblíqua”. A antologia, publicada sob a chancela da Editorial Presença, conta mais de 30 poemas de Pessoa, incluindo dos seus heterónimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Casais Monteiro defende uma absoluta unidade na obra de Fernando Pessoa, mesmo tendo em conta os seus heterónimos.
Nuclear | Irão respondeu à proposta apresentada pela UE para salvar pacto Hoje Macau - 16 Ago 2022 DR O Irão respondeu à proposta apresentada pela União Europeia (UE) para salvar o pacto nuclear, noticiaram hoje os ‘media’ iranianos. “O Irão enviou a resposta ao alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell”, informou a agência noticiosa iraniana Mehr, avançando que Teerão “expressou os seus pontos de vista sobre as questões que ainda estão por resolver nas conversações”. “Há diferenças em três questões, e os EUA mostraram flexibilidade em duas delas, mas devem ser incluídas no texto”, disse a agência noticiosa oficial IRNA. “A terceira questão está relacionada com as garantias do acordo”, acrescentou a IRNA. As grandes potências aguardam a resposta de Teerão a uma proposta de acordo apresentada a 26 de julho pelo chefe da diplomacia da União Europeia. Após vários meses de impasse, os diplomatas de todas as partes no acordo (Irão, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) regressaram a 04 de agosto à capital austríaca para mais uma tentativa de salvar, sob a égide da UE, o acordo concluído em 2015. O pacto destina-se a assegurar que o programa nuclear iraniano se destina apenas a usos civis, depois de o Irão ter sido acusado de tentar desenvolver armas atómicas, apesar dos seus desmentidos. Mas, após a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo em 2018, durante a Presidência de Donald Trump, e da reimposição das sanções norte-americanas ao Irão, Teerão afastou-se gradualmente do cumprimento das obrigações consagradas no texto. O objetivo das negociações, nas quais os Estados Unidos participaram de forma indireta, é retomar o processo. Na terça-feira, o porta-voz de Borrell instou Teerão e Washington a tomarem “uma decisão rápida” sobre o compromisso final elaborado em Viena, indicando tratar-se de uma questão de “pegar ou largar”. Persiste um grande obstáculo: o Irão exige o encerramento da questão das instalações não-declaradas, onde foram identificados vestígios de urânio enriquecido.
Literatura | “Os Memoráveis”, de Lídia Jorge, traduzido para chinês e publicado na China Hoje Macau - 16 Ago 2022 DR Publicado em 2014, o livro de um dos nomes mais sonantes da literatura portuguesa contemporânea vai ser agora publicado na China com o cunho da editora Haitian Publishing House. O livro de Lídia Jorge já tinha sido traduzido para outros idiomas, mas esta é uma estreia no mercado chinês A obra “Os Memoráveis”, da escritora portuguesa Lídia Jorge, foi traduzida para chinês e publicada esta semana pela editora chinesa Haitian Publishing House. A editora, detida pelas autoridades da Zona Económica Especial de Shenzhen, já tinha publicado em Outubro a tradução chinesa de “Essa Dama Bate Bué!”, o primeiro romance da luso-angolana Yara Nakahanda Monteiro. “Os Memoráveis” é protagonizado por Ana Maria Machado, uma repórter portuguesa em Washington que, em 2004, foi convidada a fazer um documentário sobre a Revolução de 1974, considerada pelo embaixador norte-americano à época, em Lisboa, “um raro momento da História”. Segundo comunicado da editora, Publicações D. Quixote, a repórter aceita o trabalho, forma uma equipa e entrevista vários intervenientes e testemunhas do golpe de Estado, “revisitando os mitos da Revolução de Abril”. “Os Memoráveis”, publicado em 2014, venceu no ano seguinte o Prémio de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues, atribuído pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof). O júri considerou que o romance “constitui uma assumida marca de cidadania ao trazer a Revolução de Abril de 1974 para as páginas de uma obra literária, cuja intensidade de linguagem e mestria narrativa, conjugada por uma hábil técnica compositiva, faz dela uma notável presença na literatura portuguesa contemporânea”. Mais traduções A obra foi traduzida para francês, logo em 2014, e para espanhol e eslovaco em 2020, com apoio da Linha de Apoio à Edição e Tradução da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e do Instituto Camões. Nascida há 75 anos em Boliqueime, no Algarve, Lídia Jorge estreou-se em 1980 com o romance “O Dia dos Prodígios”. Além de inúmeros romances, da sua bibliografia fazem igualmente parte coletâneas de contos, obras de literatura infantil, de ensaio, de teatro, de poesia e de crónicas. Lídia Jorge recebeu vários prémios literários portugueses e internacionais, entre os quais o Prémio FIL de literatura em Línguas Românicas em 2020, de Guadalajara, um dos mais importantes da América Latina. A Universidade de Massachussets, nos Estados Unidos, inaugurou a 5 de Abril a Cátedra Lídia Jorge, dedicada ao estudo da obra da escritora portuguesa, juntando-se a uma cátedra criada em Setembro de 2021 na Universidade de Genebra, na Suíça. Lídia Jorge é também, desde Março de 2021, membro do Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República português.
A centésima André Namora - 16 Ago 2022 DR Hoje é uma data histórica na minha satisfação pessoal de escriba, porque orgulhosamente dirijo-me pela centésima vez aos meus queridos leitores do HOJE MACAU. Escrever 100 crónicas sobre o que se vai passando neste Portugal, garanto-vos que não é fácil, especialmente numa linguagem acessível a todos. Há cronistas aqui nos jornais Expresso, Público, Correio da Manhã, Diário de Notícias e outros que assiduamente são alvos de críticas dos leitores que enviam para os directores das publicações o seu direito de resposta. Em 100 crónicas que vos enviei, apenas dois leitores, usaram esse desiderato e, por sinal, não tinham razão. Fi-lo sempre do modo mais eficiente e verdadeiro que soube. Para mim, escrever neste jornal é uma honra e saúdo todos quantos trabalham neste diário, o melhor de Macau, em especial uma saudação ao Director Carlos Morais José por compreender que os portugueses residentes na RAEM satisfazem-se em saber o que vai acontecendo no seu país. Vários temas tinha em agenda para vos noticiar, mas não posso deixar passar em claro um fenómeno imensamente triste que Portugal está a viver. Este nosso condado portucalense perdeu o seu pulmão, o que é gravíssimo. A Serra da Estrela está a arder há mais de uma semana. Dois mil homens dos bombeiros, GNR e Protecção Civil têm-se sentido impotentes para controlar o maior incêndio jamais registado. Na zona de Unhais dá dó: toda a floresta está ardida, várias casas estão em ruínas devido às chamas, uma dúzia de combatentes da paz ficaram feridos e um carro dos bombeiros de Loures, possivelmente por não conhecerem as curvas mais perigosas do país, capotou e três ocupantes estão gravemente feridos. Os aviões são de dimensão pequena e pouco conseguem fazer contra a imensidão do fogo. Vergonhosamente existem três aeronaves de grande dimensão, os Canadair, mas apenas um está operacional. Custou-me muito ouvir o primeiro-ministro a dizer que os dois aviões avariados só daqui a dois anos é que estarão reparados. Até parece que estamos no Terceiro Mundo. As populações protestam e afirmam que não existe coordenação no combate às chamas. Os pastores choram, porque têm ficado sem os seus animais e alguns eram o seu sustento, como cabras e ovelhas, que lhes ofereciam o famoso queijo da serra. A Serra da Estrela tinha a maior área arbórea do país e mais de 15 mil hectares já arderam e atingiram localidades como Guarda, Covilhã, Gouveia, Manteigas e Seia. Muitas pessoas foram evacuadas de suas casas e em Unhais da Beira toda a população teve de ir embora. Vários alojamentos turísticos também já foram evacuados. Os responsáveis da Protecção Civil concordam com as críticas da população, mas afirmam que a tragédia é enorme e quase impossível de a dominar. No entanto, este incêndio está pejado de factos surreais. Era importante que efectivamente alguém com capacidade técnica e independente pudesse fazer uma análise ao que aconteceu. Tem tudo menos de normalidade, nomeadamente no seu combate. Era importante para que a culpa não morresse solteira. Por exemplo, na zona de Gouveia encontravam-se várias corporações de diferentes locais do país. Assim, que se soube do acidente do carro de bombeiros que capotou e deixou gravemente feridos três combatentes, todas essas corporações foram-se embora… Para o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, a situação é muito preocupante. Para o presidente da Liga, o Governo devia ter accionado o mecanismo europeu à semelhança de França que já está a receber apoio de vários países no combate aos seus imensos incêndios. Contudo, já o referimos aqui numa outra crónica sobre os incêndios que têm destruído os diferentes pulmões ambientais, que a mão criminosa está no terreno. A Polícia Judiciária tem realizado um trabalho exemplar, o mesmo não se podendo dizer dos tribunais. Vários indivíduos têm sido apanhados a pegar fogo nas florestas. E neste ponto, lembramo-nos dos muitos drones que já foram adquiridos pelas autoridades. Por que razão esses drones não foram colocados ao serviço de vigilância da Serra da Estrela, sabendo-se que poderia ser o próximo palco de mais um desastre natural. Os drones são fundamentais para detectar através de imagens o que se passa no terreno. Isso, não aconteceu e é neste ponto que as populações têm toda a razão em criticar e revoltarem-se contra a descoordenação que esteve bem à vista. Não chega desculparem-se com as condições climáticas, com a seca extrema e com a falta de água nas barragens. Todos aqueles que se situam nos gabinetes de análise à protecção das gentes que ficam sem nada, deviam ter uma maior capacidade de coordenação e não ouvirmos um popular a dizer que os fogos “não têm rei nem roque”… Acabei de escrever a centésima crónica e, este facto, deve-se fundamentalmente à vossa aceitação. Bem hajam.
Greve ou fim do comércio em Macau José Simões Morais - 16 Ago 2022 DR “De uma parte está a ordem superior de governo da metrópole e o compromisso do governo provincial com o arrematante do exclusivo [do liu-pun, o comerciante Chan Iü San de Hong Kong,] já concluído, tendo sido celebrado com todas as formalidades. De outra parte estão os lojistas chineses ligados pelo interesse comum, e unidos por meio de seus respectivos grémios, convencidos da necessidade de abolir este exclusivo para poder continuar o comércio a funcionar desafogadamente.” Assim se discorre n’ O Macaense de 7 de Abril de 1892 e continuando: “Estudando bem a questão, não nos parece que esta reacção dos chineses seja uma oposição acintosa à acção do governo, mas é mais um acto de desesperação, causado pela decadência do comércio, que hoje sofre do mal-estar geral e não dá lucro algum. Esta situação angustiosa, agravada pelo novo imposto, produziu um ressentimento contra o governo, que longe de auxiliar os negociantes, aliviando-os dos ónus que sobre eles pesam, veio ainda sobrecarregá-los tão inoportunamente, com um novo exclusivo que ameaça afugentar daqui para a frente.” Impressão deixada “após uma discussão desapaixonada com vários lojistas sob o assunto, e aqui a consignamos franca e lealmente.” E prosseguindo: “Para os chineses a greve funda-se no espírito de associação de que vem a força, e tanto pode significar uma pressão suave e indirecta aos poderes públicos, como uma manifestação colectiva de vontades, mui eficaz nos resultados práticos e imediatos, o que – diga-se a verdade – nunca pode ser condenado em vista do regime da liberdade d’ indústria e livre concorrência, sobretudo quando não seja acompanhado de ameaças ou violência. A intervenção das autoridades é só justificável quando haja ameaça contra a segurança dos direitos individuais, ou receio da perturbação da ordem. Folgamos de ver que estes princípios são respeitados e até afirmados no edital de S. Exa. o Governador, (…) Nem outra cousa era de esperar do ilustrado e enérgico governador.” O Edital do Governador, publicado a 6 de Abril por causa da suposta greve dos negociantes de vinho, foi lido pela cidade. Em cortejo, “o procurador dos negócios sínicos acompanhado de um intérprete e de todo o pessoal administrativo, precedido de uma escolta de polícia com dois tambores à frente, percorreu todas as ruas da cidade. A leitura do edital foi feita por um amanuense chinês da repartição do expediente sínico, que se punha em pé sobre o jenricksha [riquexó] para daí o ler. Um grande grupo de garotos acompanhava esse séquito fazendo uma vozearia infernal de mistura com os rufos do tambor.” Do edital [transcrito já em anteriores artigos] faltava-nos apenas publicar a apresentação do Governador feita por o próprio: <Custódio Miguel de Borja, capitão-de-fragata da marinha real portuguesa, ajudante de campo honorário de Sua Majestade El-Rei, comendador da ordem militar de S. Bento d’ Aviz, da de Leopoldo da Bélgica e do mérito naval de Hespanha, cavaleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, da de Aviz e da Legião de Honra de França; condecorado com as medalhas militares de prata das classes de bons serviços e comportamento exemplar; antigo deputado da Nação, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário de Sua Majestade Fidelíssima nas cortes da China, Japão e Siam, Governador da província de Macau e Timor e suas dependências, …” Refere o articulista, “Não podemos prever por enquanto qual a solução. Confiamos, porém, na alta inteligência e reconhecida prudência do chefe de colónia, que decerto não trepidará perante qualquer medida quando ela seja necessária para conservação do prestígio da autoridade, mas ao mesmo tempo não deixará sua Exa. de estudar a questão sob todos os seus aspectos.” Opinião chinesa Na rubrica Comunicado, ainda n’ O Macaense de 7 de Abril, um negociante chinês publicou a opinião: Os chineses consideram o vinho liu-pun como um dos géneros de primeira necessidade. Não há chinês, desde o mais rico até o mais pobre, que não faça uso do liu-pun nas suas refeições. Os da classe de operários e de carregadores preferem ficar sem comer a ficar sem beber o liu-pun. Acontece muitas vezes, quando o seu trabalho diário não dá o suficiente para o jantar, em que o arroz é indispensável para os chineses, compram um bocado de carne ou de peixe e comem-no acompanhado sempre do liu-pun, empregando no vinho a verba com que deviam comprar arroz. Na generalidade os chineses, principalmente os da classe dos operários e carregadores, destinam 10 a 12 sapecas para vinho por cada refeição, o que corresponde por mês a 70 avos pouco mais ou menos. Para o arroz que é indispensável para os chineses e que constitui o principal género alimentício, os operários em geral não gastam mais do que 30 a 40 sapecas por dia, isto é, pouco menos do que o dobro do que se gasta com o vinho. O liu-pun é tão necessário como o arroz para os trabalhadores; portanto se esses homens tiverem de despender mais 3 ou 4 sapecas por cada refeição ou 20 avos por mês, deixarão de beber ou diminuirão a porção usual. Em qualquer desses dois casos o resultado será decerto prejudicial ao comércio de vinho. Asseguram os negociantes de vinho que, se tiverem de pagar a taxa de 4 sapecas por cada cate, pouco ou nenhum lucro auferirão; e o vendedor precisando de baratear o vinho, ver-se-á na necessidade de adulterá-lo para poder conseguir algum lucro. As lojas chinesas de Macau não dão bons salários aos seus empregados, mas dão-lhes cama e mesa livre e nas suas refeições é indispensável o vinho, portanto o exclusivo de liu-pun virá não só lesar os indigentes como os donos das lojas que terão de despender mais com o salário do pessoal. De mais o negócio do liu-pun está ligado ao do arroz. Rara é a loja de arroz que não tenha um ou mais alambiques para destilar o vinho, por tanto qualquer prejuízo que sofrerem os negociantes de vinho, terão nela parte os negociantes de arroz. Finalmente é natural que as lojas de vinho mudem para Lapa ou Chin-san, onde quase nenhum imposto terão de pagar, levando consigo muitas outras lojas de diferentes géneros, o que contribuirá para enriquecer a ilha da Lapa com grande prejuízo desta cidade, como ainda há poucos anos aconteceu com o negócio de peixe salgado, que custou muito ao governo trazê-lo de novo para Macau. Os chineses não se sublevarão por causa deste imposto; mas ver-se-ão obrigados a abandonar paulatinamente esta cidade por não poderem suportar tantos impostos com que já estão sobrecarregados. É esta a opinião de um chinês. Os negociantes enviaram no dia 5 uma petição ao Leal Senado.
Taiwan | Retomadas patrulhas militares em redor da ilha Hoje Macau - 16 Ago 2022 DR A retoma das actividades militares chinesas junto da ilha coincide com mais uma visita de congressistas norte-americanos a Taiwan O exército chinês anunciou que realizou ontem manobras militares no espaço aéreo e marítimo em torno de Taiwan, em resposta à visita de cinco congressistas norte-americanos à ilha. “Em 15 de Agosto, o Exército de Libertação do Povo Chinês realizou uma patrulha conjunta de prontidão de combate e exercícios de combate no mar e no espaço aéreo ao redor de Taiwan”, disse o coronel Shi Yi, porta-voz do Comando de Operações do Teatro Oriental, adiantando que o Exército Popular de Libertação (EPL) tomará as medidas necessárias para “defender resolutamente a soberania nacional”. Também ontem, o ministério da Defesa de Taiwan informou que um total de 22 aviões e seis navios militares chineses fizeram no domingo incursões em áreas à volta da ilha, que tem independência de facto, mas faz formalmente parte da China. Olhos no céu As incursões, de acordo com o comunicado citado pela agência noticiosa taiwanesa CNA, coincidiram com a chegada de uma delegação de congressistas norte-americanos que tem previstas reuniões com representantes do Governo local e poucos dias depois de uma visita da presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi. Segundo o Ministério da Defesa, dez dos aviões chineses atravessaram uma linha no Estreito de Formosa que tem funcionado como uma fronteira não oficial tacitamente respeitada por Taipé e Pequim nas últimas décadas, mas atravessada nas últimas semanas pelas forças chinesas durante manobras militares. A força aérea da ilha monitorizou a situação com patrulhas aéreas de combate e navais e a activação de sistemas de mísseis terrestres, disse o ministério.
Lisboeta | Okuda Yuta mostra trabalho em Macau pela primeira vez Andreia Sofia Silva - 16 Ago 2022 DR A galeria Humarish Club, no empreendimento Lisboeta Macau, acolhe pela primeira vez o trabalho do artista japonês Okuda Yuta. A mostra “With Gratitude” pode ser vista até ao dia 11 de Setembro O conceituado artista japonês Okuda Yuta mostra, pela primeira vez, o seu trabalho no território. Até ao dia 11 de Setembro o público poderá ver os trabalhos na exposição “With Gratitude” [Com Gratidão] na galeria Humarish Club Art Space, situada no empreendimento Lisboeta Macau, no Cotai. O antigo designer de moda revela trabalhos cheios de cor e criatividade produzidos no período da pandemia, transmitindo a mensagem de que é necessário lidar com o mundo que nos rodeia com “um coração cheio de gratidão”. Esta é uma exposição que revela “o amor pela vida e o abarcar num mundo mais colorido”. A mostra foi inaugurada no último sábado. Foi no pior período da pandemia, há cerca de dois anos, que o artista japonês compreendeu que “as coisas que sempre tinha tido como garantidas eram extraordinárias”, e desde então que começou a pintar flores focado em transmitir uma mensagem de gratidão num período difícil para a maioria das pessoas, que se viram obrigadas a parar as suas vidas e negócios e a ficar em confinamento em casa. As obras de arte de Okuda Yuta transmitem, assim, uma onda de positivismo, levando as pessoas a “abraçar a vida e o mundo”. Em mudança “With Gratitude” acontece em Macau depois de o artista ter marcado presença com a mesma exposição em Singapura, com a qual está a percorrer várias cidades. Muito antes de se dedicar à arte, a partir de 2016, participando em diversas mostras colectivas e individuais, Okuda Yuta foi também designer de moda para a marca Takeo Kikuchi. Nascido na prefeitura de Aichi, em 1987, Okuda Yuta estudou design de moda não apenas no seu país, mas também em Inglaterra. A nova série de flores desenhadas para esta exposição marca uma transformação no seu trabalho, em busca de maior oportunidade e a descoberta de novas coisas por acaso. “As flores [desenhadas] em diferentes cores recordam-nos do trabalho feito pelos artistas pop, mas se observarmos com mais detalhe percebemos que cada pétala foi pintada de forma bastante delicada”, lê-se na nota de imprensa. Para os quadros, Okuda Yuta inspirou-se nas memórias de infância, num processo de busca e de salvação de si mesmo.
Banca | Actividade internacional caiu no 2.º trimestre João Luz - 16 Ago 2022 Tiago Alcântara A quota de aplicações financeiras nos mercados internacionais, no activo total do sistema bancário de Macau, decresceu de 86 por cento, taxa registada no final de Março de 2022 para 85,5 por cento, taxa reportada ao final de Junho de 2022, indicou ontem a Autoridade Monetária de Macau. De acordo com as estatísticas publicadas ontem, as responsabilidades internacionais no passivo total do sistema bancário desceram de 83,6 por cento, registado no final de Março de 2022 para 83,3 por cento. No que toca às transacções bancárias internacionais a pataca continua longe de ser a unidade principal, ocupando no final de Junho deste ano uma quota de 0,8 por cento e 0,7 por cento, respectivamente, no total do activo e no total do passivo financeiro internacional. A moeda com maior quota no activo internacional foi o dólar norte-americano, com 44 por cento, seguido do dólar de Hong Kong, com 32,7 por cento, e o renminbi com 18,7 por cento. Em relação ao total da responsabilidade internacional, o dólar de Hong Kong representava 37,4 por cento, a moeda norte-americana 37,6 por cento e o renminbi 21,6 por cento. No final de Junho deste ano, o total dos activos internacionais do sector bancário de Macau decresceu 3,6 por cento relativamente ao trimestre anterior, atingindo 2.206,0 mil milhões de patacas.
DST | Excursões locais retomaram ontem com mil inscritos João Luz - 16 Ago 2022 DR As excursões locais, designadas como “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”, voltaram ontem a organizar roteiros. Segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), até ontem mais de mil residentes estavam inscritos nos roteiros e mais 10 mil registados para “desfrutar da experiência de estadia em hotéis”. Para marcar o retorno do programa, as excursões de ontem incluíram visitas à Vila de Nossa Senhora em Ká-Hó, a uma das oito novas paisagens de Macau – a Vila de Pescadores de Coloane – entre outros pontos turísticos, indicou a DST. Em relação aos roteiros que incluem refeições em restaurantes foram encontradas soluções para separar os participantes em mesas pequenas da restante clientela, especificam os Serviços. Quanto aos roteiros sem refeições incluídas, os guias turísticos vão distribuir pelos participantes “um cartão de refeição no valor de 100 patacas, a fim de facilitar a tomada de refeições separadamente”. Recorde-se que a duração do programa de excursões locais deste ano estava prevista para o período entre 29 de Janeiro e 31 de Agosto, acabando por ser suspenso em meados de Junho devido ao surto que assolou Macau desde o início da pandemia. Com o regresso das inscrições, no início de Agosto, foram vendidos 3.848 pacotes para estadia em hotel (de 6 a 14 de Agosto), envolvendo 10.832 hóspedes. Em relação às inscrições em excursões locais, entre 8 e 14 de Agosto, registaram-se 1.158 inscrições.
Fornecedores sugerem cartão de consumo de 15 mil João Luz e Nunu Wu - 16 Ago 2022 DR A Associação da União dos Fornecedores defende mais uma ronda de cartão de consumo de 15 mil patacas, assim como medidas de alívio, destinadas às PME, para pagar rendas e salários. Um académico da UM considera que uma parte do valor do cartão deve usado exclusivamente em negócios que pouco beneficiaram com outras rondas Tendo em conta o lançamento de um novo pacote de medidas de apoio à economia, no valor global de 10 mil milhões de patacas, a Associação da União dos Fornecedores de Macau apresentou uma lista de sugestões ao Governo, onde se destaca uma nova ronda de cartão de consumo no valor de 15 mil patacas. Exceptuando a medida de incentivo ao consumo, a associação apontou alguns caminhos para atenuar a pressão sobre as pequenas e médias empresas (PME). Num comunicado, citado pelo jornal Ou Mun, a instituição que representa os fornecedores do território sugeriu ao Executivo que isente de impostos os proprietários que reduzam rendas de PME e que sejam criados subsídios para ajudar a pagar despesas com rendas e salários. Quanto a estes últimos apoios, foi sugerida a criação de um subsídio que suporte o pagamento de metade da renda e despesas com salários de PME durante um período de três meses. No caso de um proprietário reduzir para metade a renda de uma loja, o Governo poderia devolver a contribuição predial urbana de 2021, bem como isentar a contribuição predial urbana e taxa de arrendamento de 2022, exemplificou a associação. Foco onde interessa O professor Lei Chun Kwok, da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, entende que as medidas de apoio económico devem ser dirigidas ao grupos demográficos e sectores empresariais menos beneficiados nas rondas anteriores. Em declarações ao jornal Ou Mun, o académico defendeu que deveria ser dada mais atenção a grupos sociais como reformados e donas de casa. Lei Chun Kwok argumenta que, independentemente de se tratar de uma nova ronda de cartão do consumo ou cheque pecuniário, as redes de supermercados e grandes superfícies não devem continuar a ser os maiores beneficiários dos apoios públicos. Como tal, indica que o Executivo deve dividir em duas partes o valor do cartão do consumo, com uma fracção a ser usada em todos os estabelecimentos comerciais e uma segunda parte com uso exclusivo nos sectores económicos, zonas e lojas mais afectadas pela pandemia. Quer pela natureza do negócio, quer pela área geográfica mais afectada com a demarcação das zonas vermelhas e amarelas durante o surto. Quanto ao panorama geral económico, Lei Chun Kwok prevê o aumento da taxa de desemprego e que o Governo deve manter alguma sobriedade nas medidas de apoio a pensar na população que perdeu o emprego. O lançamento de apoios às empresas para impedir despedimentos é uma das sugestões do académico.
Património | Pedida protecção do Pátio das Seis Casas João Santos Filipe - 16 Ago 2022 DR Um artigo publicado por dois académicos da MUST aponta que o Pátio da Seis Casas é um dos raros exemplos do estilo arquitectónico Lingnan em Macau e que deve ser protegido Chen Yile e Zheng Liang, académicos da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, acrónimo em inglês) defendem que o Pátio das Seis Casas deve ser utilizado para promover a História do território. Num artigo com o título Casas Tradicionais de Lingnan: Pátio da Seis Casas, publicado na revista Multidisciplinary International Journal of Research and Development, os autores argumentam que as casas do pátio apresentam exemplos raro da arquitectura Lingnan em Macau. “O Pátio das Seis Casas tem uma história com uma centena de anos, tem dos poucos edifícios que preservam o estilo Lingnan, de uma forma tradicional e completa”, sustentam Chen e Zheng. Este estilo arquitectónico vai buscar o nome à região de Lingnan, que fica no Sul das Montanhas Nanling e abarca Macau, Hong Kong, grande parte de Cantão e ainda o norte do Vietname. Destaca-se de outros estilos adoptados no Interior devido à adaptação ao clima subtropical da região, o que faz com que, por exemplo, seja frequente a utilização de materiais mais resistentes à humidade. A arquitectura de Lingnan tende igualmente a favorecer cores claras, como o verde e o branco, evita estruturas circulares, e apresenta detalhes no topo das fachadas, que vão de pinturas a esculturas em relevo. No entanto, os autores reconhecem que o facto dos edifícios terem sido erigidos numa colónia portuguesa também se faz sentir: “Têm traços tradicionais da arquitectura chinesa, mas também alguns elementos da arquitectura portuguesa, o que reflecte um valor arquitectónico único”, é indicado. “São um elemento físico que nos permite estudar as casas, o imobiliário e a forma de viver dos comerciantes chineses durante o período mais tardio da Dinastia Qing”, é acrescentado. Perigo à vista Apesar do que consideram o valor histórico e cultural, Chen Yile e Zheng Liang alertam que os edifícios podem estar ameaçados. “Uma vez que o Pátio das Seis Casas não faz parte da Zona Protegida do Centro Histórico de Macau não está legalmente protegido. É uma sorte que tenha mantido toda a integridade”, é sublinhado. Por isso, além de considerarem ser imperativo garantir que o espaço se mantém sem alterações, o que significa preservar não só os edifícios do pátio, mas outros elementos como poços e altares, os autores consideram que se deve proceder a trabalhos de limpeza e restauração. Ainda neste capítulo, Chen Yile e Zheng Liang esperam a coordenação das autoridades com os proprietários dos terrenos naquela zona, para que lhes seja explicada a importância do local e da manutenção das suas características. No mesmo sentido, é ainda sugerido que o Pátio das Seis Casas, como prova viva da história do final da Dinastia Qing em Macau, seja desenvolvido como uma atracção turística, com materiais a explicar a história e a cultura reflectidas pelos edifícios.
Coutinho quer jovens mais perto da política Hoje Macau - 16 Ago 2022 Rómulo Santos O deputado José Pereira Coutinho quer saber que medidas estão a ser pensadas para atrair os mais jovens para a política e para os trabalhos desenrolados na Assembleia Legislativa (AL). A pretensão consta numa interpelação escrita, divulgada ontem pelo deputado, em que é abordada a abstenção de 42 por cento nas últimas legislativas, um recorde negativo deste o estabelecimento da RAEM. Segundo o deputado, apesar da Comissão dos Assuntos Eleitorais das Assembleia Legislativa (CAEAL) ter justificado a taxa de abstenção histórica de 42 por cento “com as restrições impostas devido à pandemia e ao mau tempo”, a questão de fundo prende-se com “o desinteresse dos jovens, e dos cidadãos, de uma forma geral, pelas questões referentes aos trabalhos da Assembleia Legislativa”. No entender do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que nunca menciona o facto do deputado mais jovens de sempre na RAEM, Sulu Sou, ter sido impedido de participar nas últimas eleições, o desinteresse é motivado pela “opacidade das comissões” da AL e a “crónica falta de transparência”. Coutinho acusa também as escolas secundárias e do ensino superior de contribuir para a actual situação, por terem “demonstrado um profundo alheamento pela educação política, e cívica” e de de não incentivarem “a participação dos alunos nos trabalhos da Assembleia Legislativa”. Neste cenário, o deputado quer saber que planos tem o Governo para aumentar a participação dos jovens da política, e levar as escolas a terem um maior envolvimento, como com a criação de um programa de um parlamento jovem.
Portugal | Comunidade chinesa manifesta-se junto à embaixada dos EUA Andreia Sofia Silva - 16 Ago 2022 HM A Liga dos Chineses em Portugal, presidida por Y Ping Chow, juntamente com outras associações representativas da comunidade chinesa, está a organizar uma manifestação contra a visita de Nancy Pelosi a Taiwan. O protesto vai decorrer junto à embaixada dos EUA em Lisboa, na próxima segunda-feira, dia 22 A comunidade chinesa em Portugal vai manifestar-se na próxima segunda-feira, dia 22, junto à embaixada dos EUA, em Lisboa, contra a recente visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a Taiwan. O protesto é organizado pela Liga dos Chineses em Portugal, presidida por Y Ping Chow, bem como por outras associações representativas da comunidade chinesa. Pretende-se que a manifestação seja “organizada, com slogans e bandeiras”. “Os subscritores e apoiantes desta manifestação querem exprimir livre e pacificamente o seu protesto pela visita da senhora Nancy Pelosi, na qualidade de presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, à província chinesa de Taiwan, a que a diplomacia chinesa se opôs legitimamente, porque à luz daquela resolução e dos acordos estabelecidos com os EUA, representa uma violação da soberania da China”, lê-se no pedido de manifestação feito às autoridades portuguesas. Ao HM, Y Ping Chow declarou que a visita de Nancy Pelosi “não cria apenas problemas à China, mas também instabilidade na região, além de promover uma guerra”. “Quando há instabilidade reflecte-se no comércio e na possibilidade de fazer negócios, não afectando apenas a Ásia mas todo o mundo. A intenção dos americanos cria instabilidade em todo o mundo, além da que já existe na Europa com a guerra na Ucrânia”, frisou o responsável. Um dos rostos mais importantes da comunidade chinesa em Portugal, residente no Porto, confirmou que todos os dirigentes de associações chinesas vão marcar presença, bem como “algumas personalidades portuguesas”, sem querer referir quais. Y Ping Chow acredita mesmo que mais comunidades chinesas espalhadas pela Europa darão os mesmos passos contra a visita de Pelosi. “Os chineses são bastante pacíficos, mas tenho a certeza de que vamos ter bastante adesão”, disse ainda. As contas da Liga dos Chineses em Portugal apontam para um máximo de 1000 participantes. “Uma só China” No pedido feito às autoridades portuguesas, para a realização da manifestação, lê-se que “o princípio de ‘Uma Única China’ é o núcleo essencial dos três comunicados conjuntos China-EUA e a premissa e fundamento para o estabelecimento e desenvolvimento das relações diplomáticas entre a China e os EUA”. É ainda feita uma referência à “afronta” feita “ao consenso mundial estabelecido pelas Nações Unidas de não ingerência nos assuntos internos dos países e do reconhecimento da unidade da nação chinesa, o que, no caso de Taiwan, significa respeitar o caminho soberano da República Popular da China de promover a reunificação pacífica com Taiwan através da política de ‘Um país, dois sistemas’”. Esta é uma fórmula “já aplicada com sucesso no regresso à mãe pátria de Hong Kong e Macau”, rematam os responsáveis.
Covid-19 | Pyongyang acaba com obrigatoriedade do uso da máscara Hoje Macau - 14 Ago 2022 DR A Coreia do Norte decretou ontem o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em quase todos os locais públicos, dias após o líder Kim Jong Un ter declarado vitória na luta contra a covid-19. “A exigência de uso de máscara foi suspensa em todos os lugares, excepto nas áreas da linha de frente e cidades e condados fronteiriços”, anunciou a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA. As medidas de distanciamento social também foram suspensas em todas as regiões, excepto nos territórios fronteiriços, acrescentou a KCNA. O regime, no entanto, recomenda o uso de máscara para pessoas com sintomas e pede aos norte-coreanos que “fiquem alerta a qualquer coisa anormal”, uma possível referência aos balões com propaganda enviados por activistas da Coreia do Sul. Apesar de uma proibição imposta pelas autoridades de Seul em 2021, activistas sul-coreanos continuam a enviar balões contendo panfletos políticos e notas de dólares, provocando protestos de Pyongyang. A Coreia do Norte acusou Seul de ter introduzido o coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, a partir da fronteira entre os dois países. Durante o pico da vaga de covid-19 na Coreia do Norte em Maio, foram comunicados até 200.000 casos num único dia. Desde o final de Julho, as autoridades norte-coreanas têm anunciado sucessivamente zero casos, o que levou Pyongyang a facilitar as medidas de isolamento.
Conselho Executivo conclui análise sobre três diplomas legais Andreia Sofia Silva - 14 Ago 2022 DR Está concluída a análise, por parte do Conselho Executivo, de três diplomas legislativos que darão entrada na Assembleia Legislativa. Um deles é o novo Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM) e diplomas conexos. O novo regime visa flexibilizar a mobilidade dos funcionários públicos e garantir um melhor aproveitamento dos recursos humanos. Além disso, “foram clarificadas as competências do pessoal de direcção na gestão [dos funcionários públicos]”, tendo sido introduzidas “disposições legais para regulamentar a digitalização” dos processos. Tudo para “elevar a eficiência administrativa”. O Conselho Executivo concluiu ainda, na sexta-feira, a discussão do regulamento administrativo relativo ao regime jurídico da construção urbana, que define o procedimento a adoptar para o licenciamento de obras. Ficam, assim, definidos os critérios exigidos para pedir o licenciamento de uma obra, bem como “as fases de apresentação dos projectos de obra, os procedimentos e critérios de apreciação e aprovação dos projectos, a emissão de licença de obra, bem como a fiscalização e vistoria de obras concluídas”. São ainda acrescentadas as disposições sobre os projectos de segurança contra incêndios, sistemas de segurança contra incêndios e de telecomunicações. O novo regulamento administrativo visa ainda a “simplificação dos circuitos”, sendo criado o regime de comunicação prévia. Desta forma será mais fácil fazer obras simples de reparação ou modificação sem necessidade de apresentar um pedido de licença. Mudanças nos incêndios Outro diploma analisado pelo Conselho Executivo foi o “regulamento técnico de segurança contra incêndios em edifícios e recintos”, que alarga as competências do Corpo de Bombeiros (CB) para estes locais, além de melhorar e actualizar as regras técnicas de segurança contra incêndios. É ainda reforçada a monitorização inteligente dos incêndios por parte do CB, para que estes possam acompanhar, em tempo real, o funcionamento dos sistemas de segurança contra incêndios. O diploma implementa também o novo regulamento técnico de segurança contra incêndios.
Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau – III – Da arte de andar a pé Hoje Macau - 14 Ago 2022 Rómulo Santos Por Mário Duarte Duque* A mobilidade pedonal é a mais primordial, a mais comprometida com o acréscimo da complexidade urbana, mas também aquela que mais revela tendência e vontade crescentes em dela cuidar, nomeadamente devolvendo um sentido de humanidade às cidades. A mobilidade pedonal é também aquela dotada de maior liberdade de movimentos, seja por se processar por decisões individuais, seja por não depender da utilização de equipamentos. Ou seja, algo que aos humanos importa, porque isso reveste-se de sentido de auto determinação. A tradição urbana que caracteriza as cidades de hoje ainda se pauta pela condução sistemática de serviços, tal como resultou da revolução industrial, os quais convivem regradamente num espaço canal (as ruas), onde cada utilidade tem um local destinado (i.e. as circulações motorizadas individuais e colectivas, rodoviárias e de carril, mas também redes de esgotos e de abastecimento), o qual define um território “infra-estruturado”, onde a circulação pedonal tem um local reservado lateralmente a que chamamos “passeio”, construídos elevadamente para resguardo da drenagem de superfície que corre na parte rodoviária da via, antes de ser recolhida subterraneamente. Ou seja, um arquétipo urbano, que em cada situação concreta tem um desenho próprio, mas subjacente à mesma ideia. É isto que identificamos ter sido implementado na RAEM na cidade antiga, ter sido praticado nas urbanizações recentes, mas que também que se antevê ser o modelo dos novos aterros. Todavia, modelos que têm como limites uma proporção máxima e fixa entre os diferentes caudais de fluxos, e que entram necessariamente em crise quando esses caudais se alteram, como aconteceu com o exponencial acréscimo do transporte rodoviário individual. A primeira consequência foi a redução da largura desses passeios para aumento de número de faixas de rodagem. A segunda consequência foi “guardar” os passeios com vedações de segurança, porque o fluxo de peões também aumentou. Mais fácil e perigosamente esses peões podiam resvalar para a faixa rodoviária, como atravessar essas vias onde passou a não ser autorizado. A terceira foi dotar esses passeios de um sentido pedonal único, como acontecia na Av. Almeida Ribeiro, em tempos em que a economia de Macau efervescia com o turismo, mas muito disfuncionalmente. Da mesma forma que os lugares têm um contingente máximo de ocupação, as comunicações também têm um contingente máximo de fluxo Efectivamente, a circulação pedonal de superfície vem sendo condicionada na RAEM sem moldes de quantificação, e vem sendo definida com grande sacrifício para a liberdade dos peões. Simultaneamente, e em sentido contrário, os centros das cidades conheceram o aumento de circulação pedonal com o estabelecimento de zonas pedonais exclusivas. Tipicamente a pedonalização dos centros iniciou-se com grande oposição dos comerciantes com receio de perda de negócio. Antagonicamente, os centros das cidades acabaram mudar as características do comércio, exactamente por acréscimo de afluência, e disso o centro de Macau não foi excepção. Efectivamente, pela pedonalização, o centro das cidades aliviou-se e humanizou-se mas também por compressão no restante tecido urbano, colocando o interface de fluxos nos pontos onde se comuta da circulação pedonal para as circulações gerais da cidade. Principalmente quando esses centros não estão serviços por outro transporte público subterrâneo. A isso o centro de Macau também não é excepção. Efectivamente não é razoável que o acesso pedonal da Av. da Praia Grande ao centro, se faça por um passeio vedado com menos de metro e meio de largura na Calçada de S. João, logo ao lado de uma circulação rodoviária, onde os veículos, predominantemente poluentes, têm que aumentar drasticamente a rotação dos motores, por causa da subida. Também nunca se cuidou em diversificar esses acessos ao centro, nomeadamente libertando alguns logradouros públicos que proliferam pela cidade antiga, e que se encontram bloqueados. Ou seja, situações que não podem expandir, mas que podem ser mais bem aproveitadas no seu detalhe, nomeadamente dando utilidade ao obsoleto. Noutra vertente, mas também em consequência da intensificação do trânsito, houve necessidade de resolver os atravessamentos das circulações para que se processassem sem interrupções de fluxo, nomeadamente os atravessamentos pedonais, introduzindo passagens superiores para peões. Foram soluções necessárias, mas pouco atractivas para os peões pelo esforço e desconforto que acarretam, e mais uma vez em sacrifício de uma liberdade pedonal. Por essa razão, a medida complementou-se com os gradeamentos ao longo dos passeios para impedir os peões de atravessar as vias em locais não designados. Anos depois o sacrifício foi atenuado com a equipagem dessas passagens superiores com elevadores e escadas rolantes. Só mais recentemente se deu a mudança de paradigma quando algumas dessas passagens deixaram de ser meros atravessamentos desnivelados e passaram a constituir um nível de circulação próprio, que Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau, em discussão, apresentou como um sistema 3D, e que se caracteriza por camadas desejavelmente contínuas, autónomas e intercomunicáveis, que se pautam por um melhorado e elevado sentido de conforto. Ou seja, um sistema que não devolvendo a mesma liberdade de movimentos que os peões tinham à superfície, alivia-os sobremaneira de muitos sacrifícios de que foram aflitos. Importa também ter presente que esse modelo também não constitui outro paradigma que a mesma condução sistemática de serviços por uma via infra-estruturada, tal como resultou da revolução industrial, e por que ainda se pauta toda a cidade, tal como a conhecemos. Constitui apenas maior intensificação, com melhor desempenho, por mais bem arrumado e melhor coordenado e articulado. Ou seja, a verdadeira mudança de paradigma na forma de conduzir circulações e fluxos deveria acontecer nos novos aterros que, sendo planeados de início, poderiam ser palco de soluções que melhoram acomodam todas as necessidades tal como já se conhecem, se quantificam, e se antevêem, e não aquelas que, mesmo sendo engenhosas, resultam de situações de exaustão. Efectivamente, a malha urbana dos novos aterros antecipa vias convencionais, a serem infra-estruturadas convencionalmente, definindo lotes convencionais, para os quais, pelas actuais regras da edificação, a DSSCU continuará a exigir o ingresso das edificações à superfície, atribuindo uma cota de soleira. Assim como o Departamento de Planeamento Urbanístico continuará a definir ingressos à superfície para as entradas de estacionamento, seja em Planos de Pormenor, seja em Plantas de Condições Urbanísticas na delonga de Planos de Pormenor. No que se prende com o acréscimo significativo de percursos pedonais que vêm sendo proporcionados, nomeadamente com aperfeiçoadas condições ambientais, importa distinguir os que se fazem em tempo de pausa, por desporto ou por lazer, dos que se fazem em rotinas diárias. As rotinas pedonais diárias figuram em planeamento urbanístico e prende-se com a distância máxima a atribuir a esses percursos, nomeadamente em complemento dos trajectos efectuados em transportes públicos, como uma distância admissível de 400m. Esse valor é deveras relativo na medida em que tanto é reduzido por factores de comunidade, como é aumentado por factores de saúde e de desejáveis rotinas de manutenção. Ou seja, depende do que anima uma sociedade em determinado momento. Todavia essas distâncias pedonais podem ser consideravelmente estendidas se esses percursos puderem ser feitos por bicicleta, praticamente com a mesma autonomia dos circuitos pedonais, contando que esses utilizadores possam transportar bicicletas nos transportes públicos, nas passagens elevadas, e nos elevadores que lhes dão acesso. Para isso assistem bicicletas que se dobram e se admitem em transportes públicos, que por sua vez têm entradas próprias e espaços designados, para não atrapalharem os demais utentes. E se a tendência é de reduzir o transporte automóvel privado, o mesmo significa um decréscimo de utilização rodoviária, logo alguma capacidade de devolver algum equilíbrio tradicional às circulações de superfície, nomeadamente as pedonais. Em verdade, em toda a RAEM os edifícios continuam a ser pedonalmente acessíveis ao nível da rua. *arquitecto (continua)