China pede aos EUA que adoptem política “racional” na relação com Pequim Hoje Macau - 28 Set 2021 O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros disse hoje que os Estados Unidos precisam de “transformar as palavras em ações” e retornar a sua política para a China a um “caminho racional e pragmático”. Wang Yi, que reuniu, via videoconferência, com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que “Washington indicou recentemente que não quer um confronto ou guerra fria com a China”. “Mas a chave para isso é transformar as palavras em atos concretos e colocar a sua política em relação à China de volta a um caminho racional e pragmático”, descreveu, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. As relações entre Washington e Pequim deterioraram-se, nos últimos anos, marcadas por disputas no comércio, tecnologia ou Direitos Humanos. No entanto, na semana passada, o retorno à China da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, após um acordo com as autoridades dos EUA para suspender o seu pedido de extradição – ela estava detida no Canadá – e um processo judicial por fraude, constituiu um raro desenvolvimento positivo na relação entre os dois países. Após a sua libertação, a China também libertou os canadianos Michael Spavor e Michael Kovrig, que foram detidos numa aparente retaliação pela prisão de Meng no Canadá. Wang Yi disse ainda, durante outro encontro via videoconferência com o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, que a “região da Ásia – Pacífico não precisa de um novo bloco militar, nem deve ser motivo de confronto”. “Pequim está aberta ao diálogo”, numa altura em que a “comunidade internacional precisa de se unir e cooperar”, apontou Wang, acrescentando que a “China não almeja hegemonia ou expansão e quer dividir os seus dividendos com outros países”. Stoltenberg “saudou a expansão do diálogo entre a NATO e a China” e destacou o “potencial para maior cooperação em desafios comuns, como as alterações climáticas”, segundo um comunicado da NATO. Mas a mesma fonte apontou também as “preocupações da NATO sobre as políticas coercivas da China, a expansão do arsenal nuclear e a falta de transparência sobre a modernização militar” do país. Na última cimeira da NATO, realizada em junho passado, os aliados voltaram as suas atenções para a China e no comunicado final indicaram que viam oportunidades de cooperação com Pequim, em questões como controlo de armas ou alterações climáticas, mas alertaram para a crescente influência e a política externa do país que representam desafios para a segurança da Aliança. Wang também tem hoje agendado um encontro com o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, no quadro da 11.ª ronda do diálogo estratégico de alto nível entre a China e a UE.
Covid-19 | Registado 68.º caso, mais um segurança de hotel designado para quarentenas Hoje Macau - 28 Set 202129 Set 2021 Foi hoje detectada uma nova infecção por covid-19, o 68.º caso desde o início da pandemia, anunciaram hoje as autoridades de saúde, numa altura em que o território está prestes a terminar os testes em massa à população. Trata-se de mais um segurança de um hotel onde decorrem quarentenas obrigatórias para quem chega a Macau, que tinha sido colocado em isolamento a 25 de setembro e que se encontrava vacinado contra a covid-19. Macau está a concluir testes à covid-19 a toda a população, após ter detetado um caso num viajante, na sexta-feira, e os outros dois casos conexos no dia seguinte, os dois seguranças, um do mesmo local de trabalho, outro de um hotel contíguo. Pelo menos 855 pessoas foram colocadas em quarentena por terem percursos idênticos, em autocarros, aos primeiros dois seguranças diagnosticados. Na sexta-feira, o Governo decretou o estado de emergência imediata. Os testes à população terminaram às 15:00. Esta é a segunda vez que o território organiza testes em massa. Em agosto, após a deteção de quatro casos da variante delta do novo coronavírus, todos na mesma família, o Governo de Macau também decretou o “estado de emergência imediata” e testou toda a população, cerca de 680 mil pessoas. Nenhum caso foi então detetado. Pouco mais de metade da população está vacinada, apesar de a administração gratuita da vacina estar disponível há mais de meio ano.
Myanmar | Combates entre junta militar e grupos armados rebeldes aumentam no noroeste do país Hoje Macau - 28 Set 2021 Os combates entre as forças da junta militar de Myanmar (ex-Birmânia) e grupos armados rebeldes continuam ontem em áreas do noroeste do país, onde as populações foram deslocadas devido aos bombardeamentos e as autoridades cortaram a ligação à internet. Hoje, na cidade de Thatlangm, no estado de Chin, houve um confronto duro entre os militares e a Força de Defesa de Chinland, uma das milícias civis que surgiram no país para combater o exército, que tomou o poder em 01 de fevereiro, de acordo com a agência de notícias Chindwin. A população de Thantlang, palco desses combates, foi atingida por bombardeamentos nas últimas semanas, o que obrigou a maioria de seus 8.000 habitantes a deixarem as suas casas, em muitos casos para cruzar a fronteira com a Índia. O outro ponto de grande conflito nas últimas semanas é a província de Sagaing, também no noroeste, onde, de acordo com o meio de comunicação Khit Thit Media, o exército tomou as cidades de Monyway e Kyemon e disparou contra a população civil, com um morto confirmado. De acordo com o portal de notícias DVB, nesta região também ocorreram bombardeamentos aéreos do exército no fim de semana na cidade de Penlebu, onde a ligação de internet foi interrompida. O corte da internet em pelo menos 23 localidades que estão em conflito nos últimos dias dificulta o fluxo de informações e soma-se às dificuldades causadas pela perseguição à imprensa independente, que, desde o golpe de Estado, teve que passar à clandestinidade em muitos casos, atuando a partir de outros países. O corte seletivo da internet, especialmente à noite, foi uma das primeiras medidas tomadas pela junta militar após o golpe militar de 01 de fevereiro. A tomada de poder em Myanmar foi justificada por uma alegada fraude durante as eleições gerais de novembro passado, das quais o partido da líder deposta Aung San Suu Kyi saiu vencedor. A rejeição ao golpe militar é demonstrada com protestos em todo o país e um movimento de desobediência civil que conseguiu travar parte do Governo e do setor privado. Pelo menos 1.125 pessoas morreram como resultado da repressão brutal exercida por polícias e soldados desde o golpe, que atiraram para matar em protestos pacíficos. O regime militar mantém quase 6.803 opositores detidos, de acordo com os últimos dados da Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos. O golpe também agravou o conflito armado no país com o nascimento de novos grupos de defesa contra a junta militar, muitos deles sob a égide de um governo democrático alternativo formado por ex-parlamentares e ativistas.
Presidente da Coreia do Sul abre à porta à proibição do consumo de carne de cão Hoje Macau - 28 Set 2021 O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, abriu ontem a porta a uma proibição do consumo de carne de cão no país, um costume que se tornou uma vergonha internacional, revelou o seu gabinete. “Não terá chegado o momento de considerar prudentemente a proibição do consumo de carne de cão?”, disse Moon ao primeiro-ministro, Kim Boo-kyum, de acordo com a porta-voz presidencial citada pela agência France-Presse. A recomendação foi feita durante uma apresentação do plano para melhorar o sistema de tratamento dos animais abandonados, disse a porta-voz. A carne de cão é um alimento popular na Coreia do Sul, com estimativas de até um milhão de animais consumidos por ano. Mas o seu consumo tem diminuído à medida que os sul-coreanos passaram a ver os cães mais como companheiros do que como alimento. O consumo de carne de cão tornou-se tabu entre as gerações mais jovens e a pressão dos ativistas animais tem aumentado na Coreia do Sul. A indústria de animais de estimação está a crescer na Coreia do Sul, com cada vez mais famílias a viverem com um cão em casa, a começar pelo chefe de Estado. Moon Jae-in nunca escondeu o seu amor por cães e tem vários na sua residência presidencial, incluindo um rafeiro que resgatou depois de tomar posse. Esta adoção foi uma das suas promessas de campanha e Tory tornou-se o primeiro cão a ser levado de um centro de acolhimento de animais para a Casa Azul, o palácio presidencial em Seul. A lei de proteção dos animais da Coreia do Sul centra-se na proibição do abate cruel de cães e gatos, mas não proíbe o seu consumo. As autoridades têm recorrido a este e outros regulamentos de higiene para reprimir as quintas de criação de cães para consumo alimentar e os restaurantes que servem a sua carne antes de eventos internacionais, como os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018.
Metas ambientais de Pequim ameaçam actividade fabril da China Hoje Macau - 28 Set 2021 Os consumidores globais enfrentam possível escassez de bens, nas vésperas da época natalícia, depois de cortes de energia na China, visando atender às metas governamentais, forçarem a suspensão da atividade fabril em algumas regiões. Na cidade de Liaoyang, no nordeste do país, 23 pessoas foram hospitalizadas com intoxicação por gás, depois de a ventilação de uma fábrica de fundição de metal ter sido desligada, após o corte no fornecimento de energia, de acordo com a emissora estatal CCTV. Um fornecedor de componentes para os iPhones da norte-americana Apple Inc. disse que suspendeu a produção numa fábrica a oeste de Xangai, sob ordens das autoridades locais. A interrupção da vasta indústria manufatureira da China durante uma das suas épocas mais ocupadas reflete a campanha do Partido Comunista para equilibrar o crescimento económico com os esforços para controlar a poluição e as emissões de gases poluentes. “A resolução sem precedentes de Pequim em impor limites no consumo de energia pode resultar em benefícios a longo prazo, mas os custos económicos a curto prazo são substanciais”, disseram os economistas Ting Lu, Lisheng Wang e Jing Wang, da empresa de serviços financeiros japonesa Nomura, num relatório publicado hoje. Os analistas reduziram a sua previsão de crescimento da economia chinesa, para este trimestre, de 5,1% para 4,7%, em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento anual foi revisto em baixa, de 8,2% para 7,7%. Os mercados financeiros globais já estavam nervosos com o possível colapso de uma das maiores construtoras da China, a Evergrande Group, que falhou o pagamento de juros sob títulos emitidos em dólares, na semana passada. Os fabricantes enfrentam também escassez de ‘chips’ para processadores, interrupções no transporte e outros efeitos persistentes da paralisação global de viagens e comércio, na sequência da pandemia do novo coronavírus. Moradores no nordeste da China, onde o outono traz temperaturas baixas, relataram cortes de energia e apelaram nas redes sociais ao Governo para que restaure o abastecimento. A crise ocorre numa altura em que os líderes globais se preparam para participar de uma conferência ambiental organizada pela ONU, por videochamada, entre os dias 12 e 13 de outubro, na cidade de Kunming, no sudoeste do país. Isto aumenta a pressão sobre o Governo chinês para cumprir as metas de emissões e eficiência energética. O partido no poder também se está a preparar para as Olimpíadas de Inverno em Pequim, e na província vizinha de Hebei, em fevereiro, um período durante o qual deseja registar baixos níveis de poluição do ar. Dezenas de empresas anunciaram que o racionamento de energia pode forçá-las a atrasar o atendimento de pedidos e prejudicá-las financeiramente. A fornecedora de componentes da Apple, Eson Precision Engineering Co. Ltd., disse no domingo que interromperá a produção na sua fábrica em Kunshan, a oeste de Xangai, até quinta-feira, “de acordo com a política de restrição do fornecimento de energia do governo local”. A Eson disse que a suspensão não deve ter um “impacto significativo” nas operações. O consumo de energia e as emissões industriais da China aumentaram à medida que os fabricantes acorrem para atender à procura estrangeira, numa altura em que os concorrentes em outros países ainda são prejudicados por medidas de prevenção contra a pandemia da covid-19. A economia chinesa “está a ser mais impulsionada pelas exportações do que em qualquer altura na última década”, mas as metas oficiais de uso de energia não levam isto em consideração, disseram os economistas Larry Hu e Xinyu Ji, do Macquarie Group, num relatório. Algumas províncias esgotaram grande parte das suas quotas oficiais de consumo de energia na primeira metade do ano e estão a reduzir o consumo energético, para ficar abaixo dos seus limites, de acordo com Li Shuo, especialista em política climática da organização ambiental Greenpeace. As empresas públicas enfrentam também preços crescentes do carvão e do gás. Isto desencoraja o aumento da produção, porque o Governo restringe a sua capacidade de repassar os custos aos clientes, disse Li. Os preços subiram “além da faixa de capacidade da indústria de eletricidade da China”, acrescentou. A China lançou repetidas campanhas para tornar o consumo de energia mais eficiente e reduzir os níveis de poluição atmosférica. A poluição foi visivelmente reduzida, mas a maneira abrupta como as campanhas são executadas interrompe o fornecimento de energia, deixando famílias sem aquecimento em casa e forçando o encerramento de fábricas.
NATO insta Pequim ao diálogo para controlo de armamentos Hoje Macau - 28 Set 2021 O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, expressou ontem as preocupações da Aliança Atlântica com “a expansão do arsenal nuclear da China” e instou Pequim a aceitar um diálogo sobre o controlo de armamentos. A China não é considerada um adversário pela Organização do Tratado do Atlântico-Norte (NATO), mas deve “respeitar os seus compromissos internacionais e agir de forma responsável no sistema internacional”, insistiu Stoltenberg, numa reunião por videoconferência com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. Jens Stoltenberg “transmitiu as preocupações da NATO em relação às políticas coercivas da China, o aumento do seu arsenal nuclear e a falta de transparência da sua modernização militar”, precisou a organização em comunicado. “O secretário-geral sublinhou que a transparência e o diálogo recíprocos sobre o controlo dos armamentos seriam benéficos tanto para a NATO como para a China”, acrescenta o documento. A situação no Afeganistão também foi discutida na reunião com o chefe da diplomacia chinês, tendo Stoltenberg insistido na necessidade de “fazer com que o país não sirva novamente de base a terroristas”. O responsável apelou para “uma abordagem internacional coordenada, incluindo com os países da região, para que os talibãs sejam obrigados a prestar contas dos seus compromissos em matéria de combate ao terrorismo e de respeito dos direitos humanos, nomeadamente dos direitos das mulheres”. A China tornou-se motivo de preocupação para os aliados, que afirmaram, na declaração adotada na sua última cimeira, em junho deste ano: “As ambições declaradas da China e o seu comportamento determinado representam desafios sistémicos para a ordem internacional, assente em regras e em áreas que se revestem de importância para a segurança da Aliança”. Mas não se trata de uma nova Guerra Fria, como sublinhou Stoltenberg, ao afirmar: “A China não é nossa adversária nem nossa inimiga”.
China tenta acabar com ‘ponzi’ imobiliário em transição para novo modelo económico Hoje Macau - 28 Set 2021 Uma viagem de comboio pela China adentro permite vislumbrar arrozais, montanhas, lagos e… milhares de torres vazias, ilustrando décadas de alocação de capital para o setor imobiliário, numa espécie de esquema pirâmide que ameaça agora ruir. O infame trajeto da maior construtora do país, a Evergrande Group, cuja dívida supera o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, e que ameaça agora entrar em incumprimento, é visto por analistas como um sintoma de problemas maiores no modelo económico chinês. O setor da construção constitui um terço do PIB chinês, mas o rácio entre o preço dos imóveis e o valor das rendas é dos mais altos do mundo, sugerindo um retorno negativo sobre o capital investido. Em Pequim ou Xangai, o valor médio dos imóveis ascende a cerca de 23 vezes o vencimento médio anual dos residentes. O preço médio das habitações supera em 500 vezes o valor das rendas. Os indicadores utilizados em finanças para medir a rentabilidade de um ativo, no entanto, parecem interessar pouco, num país onde os locais afirmam frequentemente que os “preços das casas só podem subir”. Diferentes analistas estimam existir na China propriedades vazias suficientes para abrigar mais de 90 milhões de pessoas – cerca de nove vezes a população portuguesa. Em muitos casos, as casas são mantidas vazias pelos proprietários, por serem assim mais fáceis de vender a um próximo especulador. A estrutura assemelha-se a um esquema pirâmide, onde o ativo não gera por si fluxo de capital, mas depende antes de um próximo investidor estar disposto a pagar mais pelo bem imóvel. Os excessos do setor foram finalmente este ano alvo dos reguladores chineses, que passaram a exigir às construtoras um teto de 70% na relação entre passivos e ativos e um limite de 100% da dívida líquida sobre o património líquido. As novas regras asfixiaram a Evergrande, mas mais empresas podem vir a seguir. A China soma oito das 10 imobiliárias mais endividadas do mundo. “Trata-se de um teste ao equilíbrio entre a redução de riscos financeiros e a prevenção de uma crise sistémica”, apontou à agência Lusa o economia chinês Bo Zhuang, da firma de investimentos norte-americana Loomis, Sayles & Co. Bo ressalva, no entanto, que os objetivos de Pequim são positivos para a economia do país a longo prazo. Ao diminuir a alocação excessiva de capital para o imobiliário, a China pretende reduzir a pressão económica para as famílias, numa altura em que se adivinha uma crise demográfica, face à queda consecutiva no número de nascimentos, e orientar fundos para o desenvolvimento de setores tecnológicos que considera vitais, como ‘chips’ de processador, inteligência artificial ou energias renováveis. “A China está a tentar orientar capital, talento e pessoas inteligentes para a ‘tecnologia pesada’, visando rivalizar com os EUA nestas áreas”, apontou Bo. Para Jim Chanos, há vários anos conhecido por apostar contra a economia chinesa através da venda a descoberto (‘short selling’) – a estratégia de ganhar dinheiro com a queda das ações –, o fim do modelo de crescimento impulsionado pela construção acarretará o fim de uma era de trepidante crescimento da economia chinesa. “Há muitas Evergrandes na China”, disse recentemente, citado pelo jornal Financial Times. “Se tentares esvaziar a bolha, esta está repleta de riscos (…) o maior risco é para o próprio modelo económico, porque os imóveis residenciais representam uma grande parte do PIB chinês”, apontou. “Todo o mercado imobiliário chinês tem pés de barro”.
GP Macau | Peças do puzzle começam a encaixar-se Sérgio Fonseca - 28 Set 2021 A apenas dois meses do 68.º Grande Prémio de Macau, as equipas e pilotos locais ultimam os preparativos para o grande evento de fim de ano. As inscrições na Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC) para as provas do Grande Prémio terminam hoje e, por isso mesmo, para grande parte dos pilotos locais as decisões já têm que estar tomadas. Apesar da turbulência causada pela pandemia, as peças do puzzle começam a encaixar-se. Charles Leong Hon Chio, o primeiro vencedor de uma corrida de Fórmula 4 no Circuito da Guia, vai tentar repetir a proeza de 2020. O piloto de 20 anos confirmou ao HM que “em princípio, vou fazer a corrida de F4 outra vez”, mas ainda não revela pormenores por “estar ainda em negociações”. O Campeonato da China de Fórmula 4, que realizará dois eventos antes do Grande Prémio, não organiza uma prova desde Novembro de 2020. Leong Hon Chio também tem estado parado, portanto aproveitou o feriado para testar no circuito de Zhuhai com um monolugar Mygale-Geely da equipa chinesa SmartLife. Com mais quilómetros esta temporada, Rodolfo Ávila continua a aguardar uma tomada de posição da sua equipa, a MG XPower Team. O piloto português, que terminou no segundo posto na última prova do TCR China disputada em Xangai, diz que a participação no evento anual do território com um dos MG6 XPower TCR oficiais “é uma decisão da MG e que por agora ainda não foi comunicada aos pilotos”. Num programa que deverá incluir seis corridas diferentes, a Corrida da Guia comemora a sua 50ª edição este ano e deverá ser disputada nos moldes da pretérita edição, combinando os participantes do TCR Ásia, TCR China e concorrentes locais, só que desta vez com um só fornecedor de pneus. Haverá novamente uma forte representação de Macau. Filipe Souza, Henry Ho, Kelvin Wong ou Eurico de Jesus participaram nas corridas da Taça Ásia-Pacifico para as viaturas da categoria TCR, em Zhaoqing, a pensar na corrida de Novembro. À espera de decisões O interesse nas corridas de GT por parte de pilotos locais tem crescido nos últimos anos e tanto a Taça da Grande Baía, para carros da classe GT4, como a Taça GT Macau, cujo principal enfoque são os carros da classe GT3, deverão ter uma forte participação de pilotos da RAEM. Os repetentes Liu Lic Ka e Billy Lo são esperados à partida, mas as atenções na Taça GT Macau certamente irão voltar-se para o eventual regresso de André Couto. O vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 em 2000 tem admitido desde o início da temporada “a possibilidade de voltar a correr no Grande Prémio, uma vez que a Toro Racing tem três ou quatro Mercedes AMG GT3”, algo que voltou a reiterar ao HM. O piloto de Macau aguarda uma decisão da equipa chinesa que no ano transacto venceu a Taça GT Macau com Leo Ye.
Mais vale prevenir David Chan - 28 Set 2021 A 14 de Setembro, o Centro de Macau de Coordenação de Contingência para Reforçar a Resposta ao Novo Coronavírus anunciou que as pessoas que trabalham directamente com o público e as que trabalham em espaços fechados devem ser vacinadas contra esta infecção. Se, após avaliação médica, as pessoas que tenham todas as condições para ser vacinadas, não o quiserem ser, terão de fazer todas as semanas um teste ao ácido nucleico, às suas próprias expensas. As instituições públicas e privadas devem publicar as suas próprias linhas orientadoras, ao abrigo das novas circunstâncias, caso contrário estarão a violar a “Lei de Prevenção e Controlo de Doenças Infecciosas.” O objectivo da publicação de linhas orientadoras em todos os locais de trabalho é a salvaguarda da saúde pública e a garantia de que a transmissão do vírus será reduzida ao máximo. A vacinação é uma medida preventiva da infecção. Quanto mais cedo se tomarem medidas preventivas, mais seguros serão os locais de trabalhos e mais saudável ficará toda a população de Macau. Em Macau, actualmente, cerca de 60 por cento dos funcionários públicos estão vacinados. Dados dos Serviços de Saúde indicam que, após avaliação médica, foram emitidos 913 “Certificados de Suspensão de Vacinação” e “Certificados de Não Vacinação”. Os “Certificados de Suspensão de Vacinação ” destinam-se as pessoas submetidas a tratamento médico, como é o caso de pacientes oncológicos a fazer quimioterapia, que só precisam de ser vacinados dentro de nove ou dez meses; ou pacientes com gripe, e ou qualquer outra infecção, que terão a vacinação suspensa por uma semana. Os “Certificados de Não Vacinação” destinam-se a pessoas com reacções alérgicas graves às vacinas. Estes certificados têm validade permanente. A julgar pela situação da vacinação nos diversos países do mundo, constata-se que ainda existem muitas pessoas que são infectadas mesmo depois de estarem vacinadas. Além disso, abaixo de uma certa idade as crianças ainda não estão a ser vacinadas. Mesmo que toda a população estivessse vacinada, essas crianças continuavam a poder ser infectadas com o vírus. Todos estes factores combinados, indicam que a possibilidade de a vacina prevenir a transmissão do vírus é inferior a 70 por cento e a afirmação de que vacinação cria uma parede defensiva é duvidosa. Actualmente, não existe medicação que trate eficazmente esta infecção. Só existe um método preventivo: a vacinação. O US Centers for Disease Control and Prevention confirmou que no início de Julho de 2021, 99,5 por cento das pessoas que morreram vítimas da COVID, não estavam vacinadas. Neste período, 93 por cento dos infectados que já tinham recebido a vacina não precisaram de internamento. O New England Journal of Medicine salientou que quando as pessoas vacinadas são infectadas desenvolvem uma carga viral mais baixa e que, além disso, os seus sistemas imunitários já “sabem” a lidar com o vírus. Yuan Guoyong, professor da Faculdade of Medicina da Universidade de Hong Kong, assinala que o vírus é mais transmissível com baixas temperaturas. Nessas circunstâncias, as infecções serão mais graves e a recuperação mais demorada. Esta afirmação é preocupante, porque o Inverno vai chegar dentro de dois meses, e o sistema de saúde vai precisar de mais recursos para tratar os doentes. Se o número de pessoas infectadas aumentar subitamente, devido ao frio, a pressão nos hospitais vai aumentar; se essa pressão for muito grande o sistema de saúde pode colapsar, o que será muito grave. Se pensarmos que “só temos uma vida”, devemos considerar seriamente vacinar toda a população. Em Hong Kong, a 5 de Setembro, tinham sido administradas mais de 7,840 milhões de doses de vacinas. O Departamento de Saúde recebeu a informação que terá havido 5.698 casos de reacções adversas, uma percentagem de 0.07 por cento do total da população vacinada. Destes, 41 casos foram considerados graves, o que representa uma percentagem de 0.0005 por cento do total. Não se verificaram quaisquer mortes relacionadas com a vacinação. Estes números demonstram que a vacinação é segura e não que há necessidade de preocupação. A França implementou o passe sanitário, que é uma forma disfarçada de tornar a vacinação obrigatória, o que causaou mal estar em algumas pessoas e provocou protestos. Este exemplo mostra que a vacinação obrigatória pode ser contraproducente. Só a divulgação intensiva e a pedagogia podem ser a abordagem correcta. A recompensa também pode ser considerada. Em Hong Kong uma pessoa foi elegível para um sorteio por estar vacinada e acabou por ganhar um apartamento. Este caso foi conhecido em toda a cidade e recebeu a admiração de todos. Para aumentar a taxa de vacinação, estes métodos devem ser considerados. Sabemos que ainda vai levar algum tempo até que este vírus possa ser erradicado. Antes que isso aconteça, a humanidade vai ter de co-existir com o vírus. Por enquanto não existem medicamentos que curem a infecção, a única forma de prevenir é vacinar. Escrevi este artigo no dia em que o Governo de Macau anunciou a segunda testagem a toda a população. Se o vírus não for erradicado, vão existir mais testagens deste tipo de futuro. A ciência diz-nos que as vantagens da vacina suplantam largamente as desvantagens. Prevenir é melhor do que remediar. Depois de receber um teste negativo, cada pessoa deve pensar na melhor forma de proteger a sua saúde e nas responsabilidades que tem para consigo próprio e para com os outros. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau Blog:http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
A Relíquia, de Eça de Queirós – 2 (de 8) Paulo José Miranda - 28 Set 2021 Logo nas primeiras páginas, o narrador informa o leitor da razão pela qual quer contar a sua história, e adianta também que não vai escrever um livro de viagens, referindo-se claramente ao capítulo 3 do livro. A edição aqui usada é a da Porto Editora, 2009. Leia-se: «Mas hoje, escrevendo por motivos peculiarmente espirituais, pretendi que as páginas íntimas em que a relembro [a viagem realizada] se não assemelhassem a um Guia Pitoresco do Oriente. Por isso (apesar das solicitações da vaidade), suprimi neste manuscrito suculentas, resplandecentes narrativas de ruínas e de costumes…» (página 6) Eça de Queirós deixa assim bem claro, e desde o início, que não vai fazer um relato de viagem. O seu relato, poderíamos dizer a sua viagem é outra, «peculiarmente espiritual». Ver-se-á noutra semana que este «peculiarmente espiritual» irá ter um papel importante na economia do livro. Atente-se que no final da sua introdução (de quatro ou cinco páginas, consoante a edição), ele explica que aquilo que o leva a escrever este texto é uma correcção em relação ao texto do professor alemão. A saber, o facto de ele ter escrito no seu livro que aquilo que Teodorico Raposo transportava consigo em dois embrulhos, ao longo de toda a viagem, desde as vielas de Alexandria, eram os ossos dos seus antepassados. Algo que para o narrador era inadmissível, não apenas por não ser verdade, mas porque essa informação poderia prejudicá-lo diante da Burguesia Liberal. Assim, logo de início somos confrontados com duas causas para a escrita do texto, que nos parecem antagónicas: «peculiarmente espiritual» e «alcançar as coisas boas da vida, através de não cair em desgraça perante a Burguesia Liberal». (9) O livro, isto é, a narrativa de Teodorico Raposo, começa logo a seguir com esta frase: «Meu avô foi o padre Rufino da Conceição, licenciado em teologia, autor de uma devota Vida de Santa Filomena e prior da Amendoeirinha.» (11) É um início irónico, mesmo sarcástico, ao anunciar que o seu antepassado era padre, teólogo, e autor de uma devota obra sobra a vida de Santa Filomena. O tom está dado. E continua. Duas páginas depois, contando muito rapidamente a história do seu nascimento, a partir dos avós paternos, e já depois de nos ter contado que a mãe morrera assim que ele nascera, escreve: «Depois, numa noite de Entrudo, o papá morreu de repente, com uma apoplexia, ao descer a escadaria de pedra de nossa casa, mascarado de urso […]» (13) A história do fidalgo Teodorico Raposo começa com a relação do avô, que era padre, teólogo e autor de um devoto A Vida de Santa Filomena, com a sua avó, Filomena Raposo, de alcunha a Repolhuda, que era doceira, e a sua ascendência desaparece com o pai a morrer mascarado de urso. Eça de Queirós compõe esta peça na tonalidade de humor. Se o riso é fruto do absurdo do mundo, o humor é a consciência desse absurdo. E o humor é uma forma, talvez privilegiada, de nos pôr a pensar. E é isto que Eça pretende que o leitor faça ao compor esta partitura em tom de humor. Porque o tema em si mesmo é um tema profundo e negro: «o mal radical». Eça nunca usa esta expressão, mas ela percorre todo o livro como uma sombra que acompanha a acção e os pensamentos de Teodorico Raposo. Já em O Primo Basílio, Eça de Queirós escrevera pela voz do médico Julião: «Mas quem tem aí princípios? Quem tem aí quatro princípios? Ninguém; têm dívidas, vícios secretos, dentes postiços; mas princípios, nem meio!» A noção de decadência moral da sociedade da sua época era uma constante nos livros de Eça de Queirós. Mas por pior que Basílio seja, Teodorico é muito pior. Teodorico configura aquilo que Immanuel Kant descreveu como «mal radical» no livro A Religião nos Limites da Simples Razão. Veremos adiante aquilo que se entende por mal radical, mas adiantemos que se conecta com o egoísmo. Pelo menos é assim que Eça pretende que vejamos, mas que em Kant se expressa como «amor de si» ou «amor próprio»: «[…] amor de si; tal amor, aceite como princípio das nossas máximas, é precisamente a fonte de todo o mal.» (Immanuel Kant, A Religião nos Limites da Simples Razão, Edições 70, 2008, p. 51) Os dois primeiros capítulos do livro de Eça de Queirós são a história de Teodorico Raposo, contada na primeira pessoa. Ficamos a saber quem ele é, de onde vem e o que pretende. Se o livro terminasse nestes dois capítulos ficávamos a saber tudo acerca de Teodorico Raposo. Não apenas o que ele é, mas no que ele se tornaria se o plano tivesse dado certo: um Teodorico sem escrúpulos, rico, e na farra em Paris. Depois da morte do pai, Teodorico será criado pela sua tia, irmã da mãe, D. Patrocínio, mulher muito rica e que nunca conhecera homem. Completamente devota a Deus e aos santos. Neste ambiente, Teodorico torna-se um anti-herói. O modo como nos narra a sua história, mostra-nos par e passu a sua hipocrisia, a sua cobardia, a sua vilania, o seu egoísmo. Teodorico vive com a tia, mas não gosta dela. E nem segue os seus valores, nem sequer os respeita enquanto vive em casa da tia. Teodorico apenas finge que segue esses valores e que os respeita. Tudo em Teodorico é fingimento: tanto os afectos quanto o comportamento. A sua narrativa na primeira pessoa não nos deixa dúvidas acerca do seu carácter, da sua índole, dando-nos a ver a diferença entre o que ele diz à titi e o que ele pensa e faz. Teodorico mostra-nos que não é bom e não deixa nenhumas dúvidas ao leitor acerca disso. Este assumir-se para nós como pessoa que mente continuamente não apenas à tia, mas aqueles que são próximos da tia, enquadra-se claramente naquilo a que Kant chama «mal radical». Mal radical não é um mal horroroso, como o que alguns acusam Hitler ou Stalin de protagonizar. Antes de avançarmos mais, convém esclarecer o sentido do adjectivo «radical». Aqui, «radical» não é uma acção limite, como quando se diz hoje «desporto radical», Kant usa o adjectivo no sentido de «raiz». O mal é a nossa raiz, porque ligada à nossa natureza, às nossas inclinações. O mal só não seria a nossa raiz se fôssemos pura razão, isto é, divinos. Temos como raiz o mal. Em 1792, Kant publica um artigo chamado «Sobre o mal radical na natureza humana», que no ano seguinte, 1793, será um dos quatro textos do livro A Religião dentro dos Limites da Simples Razão. Antes de apurarmos o que é o mal radical, veja-se o que Kant designa por um homem mau em A Religião dentro dos Limites da Simples Razão: «Chama-se, porém, mau a um homem não porque pratique acções que são más (contrárias à lei), mas porque estas são tais que deixam incluir nele máximas más.» (26) Por conseguinte, para Kant o mal não é uma natureza que se tem, mas uma escolha que se faz. Leia-se ainda no mesmo texto do filósofo: «[…] não é a natureza que carrega com a culpa (se um homem é mau) ou com o mérito (se é bom), mas o próprio homem é dele autor.» (28) É a liberdade humana, a escolha, que decide acerca de se ser bom ou mau. Que Teodorico Raposo é uma pessoa má, não restam dúvidas, pois ele age continuamente em contramão da lei moral. Ele é autor das suas próprias más acções. Continua na próxima semana
Julião Sarmento debatido em congresso internacional em Novembro Hoje Macau - 28 Set 2021 O artista Julião Sarmento (1948-2021) vai ser homenageado por artistas, curadores e historiadores num congresso internacional, entre 4 e 6 de Novembro, em Lisboa, que terá por título “Na escalada do desejo”, revelou à agência Lusa a organização. “O desaparecimento de Julião Sarmento foi um choque para todos, e tendo em conta o impacto da sua figura como artista no meio nacional e internacional, achámos que fazia todo o sentido lançar um congresso no dia do seu aniversário e nos seguintes”, justificou a directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) – Museu do Chiado, Emília Ferreira. A iniciativa é do MNAC em conjunto com a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde irá decorrer, presencialmente, com oradores portugueses e estrangeiros, como Pedro Lapa, Delfim Sardo, Benjamin Weil, Raquel Henriques da Silva, Alexandre Melo, Cristina Guerra, João Pinharanda e Nuno Crespo. Este congresso sobre Julião Sarmento – que faria 73 anos em 4 de Novembro -, “o mais internacional dos artistas portugueses” e que “morreu cedo demais”, sublinhou Emília Ferreira, “é um pretexto para reunir especialistas nacionais e internacionais sobre a sua obra, e fazer-lhe a devida homenagem”. Autor de uma obra multifacetada, Sarmento, nascido em 1948, em Lisboa, representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza em 1997 e foi alvo de uma exposição pela Tate Modern, em Londres, em 2011. No ano seguinte, o Museu de Serralves, no Porto, organizou a mais completa retrospectiva até hoje realizada do seu trabalho, reconhecido com a atribuição do Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). No seu trabalho, combinava vários suportes, desde a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, o som e a performance. “É um artista já muito estudado, cuja obra teve ecos teóricos um pouco por todo o mundo, mas não podíamos deixar passar este momento”, vincou a directora do MNAC, comentando ainda: “Se calhar é uma reacção emotiva, mas, na verdade, é um artista central que merece muito este enfoque”. Para continuar O encontro internacional – que também contará com a presença, entre outros, de Clara Ferreira Alves, Ana Anacleto, Bernardo Pinto de Almeida, Helena Vasconcelos e Filipa Oliveira – vai abrir uma ´open call´ de propostas de investigadores e autores que possam apresentar painéis sobre vários temas ligados à obra de Sarmento. Embora o artista seja já muito estudado, a historiadora de arte considera “importante trazer ao debate parte dos estudos feitos e potenciar outros, porque os congressos também servem para isso, para serem espaço de debate teórico, confronto crítico e apresentar propostas”. A directora do MNAC revelou ainda à Lusa que, em conjunto com os mesmos parceiros, este será o primeiro de uma série de congressos anuais dedicados a figuras da arte portuguesa contemporânea, e Nikias Skapinakis (1931-2020) já foi escolhido para a próxima homenagem, em 2022. “A ideia é mesmo fazê-los anualmente, com a parceria absolutamente relevante da Faculdade de Belas Artes e dos nossos centros de investigação, sobre nomes centrais das nossas artes”, salientou a diretora, referindo-se ao Centro de Estudos e de Investigação em Belas Artes (CIEBA), ao Instituto de História de Arte (IHA) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e ao Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa). O Congresso Internacional “Na escalada do desejo. Julião Sarmento (1948-2021)” tem, na comissão organizadora, Bruno Marques, Emília Ferreira, Hilda Frias e Joana d’Oliva Monteiro, contando com a colaboração de outros investigadores na comissão científica.
Bienal de Veneza | A memória do colectivo YIIMA em representação de Macau Andreia Sofia Silva - 28 Set 2021 Depois de uma bem-sucedida exposição no Museu Berardo, em Lisboa, o trabalho do colectivo YIIMA, composto pelos artistas Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io, vai representar Macau na Bienal de Veneza 2022. A curadoria está a cargo de João Miguel Barros que tentou transportar as memórias captadas pelo colectivo em sonhos A notícia surpreendeu João Miguel Barros, fotógrafo e advogado, mas deixou-o sobretudo satisfeito pelo enorme reconhecimento que contém. O trabalho do colectivo YIIMA, de Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io, exposto em Lisboa em 2019, vai representar Macau na Bienal de Veneza de 2022, mas desta vez com o nome de “A Alegoria dos Sonhos”. Esta foi a forma que o seu curador, João Miguel Barros, encontrou para ajustar um trabalho que captou as memórias sócio-culturais de Macau e que tem agora de responder à temática da Bienal, “The Milk of Dreams”. As obras do colectivo YIIMA, constituídas essencialmente por fotografias, em que Ung Vai Meng e Chan Hin Io encarnam a figura de anjos, estiveram expostas, pela primeira vez, no Museu Berardo, mas a adaptação foi agora essencial. “Quisemos construir uma história que tivesse correspondência com a realidade”, contou João Miguel Barros ao HM. “O trabalho deles ajusta-se muito a este projecto do sonho, porque há sempre dois anjos nas cenas que produzem uma memória e um tempo que querem registar. Com esta alegoria quisemos construir uma ponte entre Macau e Veneza, em que Macau é o ponto de partida e Veneza o ponto de chegada.” Neste universo comunicacional, o ponto de partida é a “vivência cultural dos lugares e das pessoas, as memórias”, enquanto que a chegada é feita através de um sonho. Veneza passa então “a ser o testemunho de toda esta carga de memória e do património”. O desafio, segundo João Miguel Barros, passa agora pela instalação e montagem, sujeitos a restrições de espaço, uma vez que no local arrendado pelo Governo de Macau não é possível usar as paredes. “Além das fotografias em grandes dimensões vamos ter uma estátua grande que vai ter de ser instalada num pedestal, num pátio da casa que foi destinada a Macau. Vamos ter também elementos multimédia e levar vários objectos típicos das famílias chinesas para uma sala, como se fosse um bazar, e que surgem nas fotografias”, explicou o curador. Este bazar vai, na sua perspectiva, “suscitar uma enorme curiosidade” junto do público. Preservar identidade O projecto foi um dos 24 que se apresentaram a concurso para a representação da RAEM na Bienal de Veneza e João Miguel Barros considera que “ser um português na equipa que representa Macau é um elemento importante em termos de multiculturalidade que temos de evidenciar” no território. Para alguém que quer desenvolver ainda mais a carreira como fotógrafo e curador, trata-se de um “desafio muito estimulante no futuro”. Mas João Miguel Barros considera que tanto Guilherme Ung Vai Meng, antigo presidente do Instituto Cultural, como Chan Hin Io mereciam este reconhecimento. “O trabalho de ambos é de extrema importância e precisa de ser reconhecido em Macau de uma outra forma. É muito sério e muito importante na perspectiva artística, porque tem a fotografia performance, muito planeada pelos dois, com um cenário representado numa performance que dá origem à fotografia final.” Mas mais do que esta componente, o curador destaca o facto de, com este projecto, se reunirem memórias de Macau que vão aos poucos desaparecendo com o desenvolvimento inevitável do território. “Há outras componentes que têm de ser avaliadas, mais sociológicas e históricas, na defesa do património cultural material e imaterial. Há muitos anos que ambos fazem um registo apurado e documental, através da fotografia, das enormes e profundas transformações que Macau vai sofrendo ao nível das tradições e dos lugares”, rematou.
Covid-19 | Identificado 67.º caso em paciente em quarentena João Santos Filipe - 28 Set 2021 Uma mulher de Hong Kong testou positivo à covid-19, mas as autoridades acreditam tratar-se de uma recaída devido à baixa carga viral. Quanto às pessoas em isolamento nos hotéis Tesouro e Golden Crown, vão ficar em isolamento pelo menos até 1 de Outubro As autoridades anunciaram mais uma infecção por covid-19, relativa a uma residente de Hong Kong que estava de quarentena. O caso revelado ontem, durante a conferência sobre a evolução da pandemia, fez subir para 67 o número total de infecções desde o surgimento da covid-19. Segundo Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), a infectada é uma empresária de Hong Kong que entrou no território por motivos profissionais. A mulher de 37 anos viajou entre Abril e Julho por vários locais da Europa e Médio Oriente, como Dubai, Egipto, Croácia e Montenegro, e suspeita-se que terá sido infectada durante as viagens. Agora terá tido uma recaída. “A 19 de Setembro chegou a Macau e está de quarentena no Hotel Tesouro. No início, quando fez testes, teve resultado negativo. No dia 26 de Setembro recolhemos uma nova amostra e esta madrugada [ontem] teve resultado positivo”, afirmou o director. “Como a carga viral é muito baixa, supomos que foi infectada há algum tempo, também tendo em conta o historial de viagem”, explicou. “Por isso, se a taxa viral se mantiver baixa, é recaída. Se a carga viral aumentar vamos considerar que é um novo caso de infecção”, acrescentou. Praticamente afastada está a possibilidade de ligação entre o caso anunciado ontem e o surto de três pessoas do fim-de-semana. Segundo as explicações, a mulher está no Hotel Tesouro, enquanto que o surto aconteceu no Hotel Golden Crown China, e apesar de haver ligação entre os dois hotéis, os SSM acreditam na tese da recaída, devido à baixa carga viral. Antes de ter sido infectada, a mulher tinha sido inoculada com duas doses da vacina Sinovac, administrada em Hong Kong. Sem casos positivos Alvis Lo fez ainda ponto de situação sobre a evolução da testagem às 88 pessoas isoladas nas zonas de código vermelho e as 139 que estão na zona de código amarelo. À hora da conferência, nenhum dos testados tinha tido resultado positivo. Sobre o andamento da segunda ronda da testagem em massa, até às 15h de ontem, entre testes pagos e grátis tinham sido recolhidas 607.432 amostras, com 449.448 resultados negativos e zero positivos. Ontem foi também anunciado no Boletim Oficial que o preço dos testes pagos vai passar de 80 patacas para 70 patacas. Quanto às pessoas em quarentena no Hotel Tesouro e Hotel Golden Crown China, mesmo que os 21 dias já tinham sido atingidos, vão ter de permanecer em isolamento pelo menos até 1 de Outubro. A partir dessa data, serão testados e o fim da quarentena vai ser decidido caso-a-caso, informou a médica Leong Iek Hou. Alvis Lo refuta críticas Na conferência de imprensa de ontem, Alvis Lo refutou críticas às quarentenas e mostrou-se contra a possibilidade de o Governo inverter o caminho traçado. “A observação médica é uma medida necessária. Há quem diga que actualmente a situação é mais suave e questione a necessidade de quarentenas de 14 ou 21 dias. Mas essa necessidade existe e as quarentenas são indispensáveis”, afirmou. Sobre a discrepância do período das quarentenas, quando a variante Delta já se encontra em Macau e no Interior, nada disse.
Comércio | Pessimismo face a impacto do novo surto de covid-19 João Santos Filipe - 28 Set 2021 Dias sem “ouro”. É esta a expectativa dos comerciantes locais e dos analistas do jogo face aos casos mais recentes de covid. Perante a difícil situação, o empresário Alexandre Ma apela ao Governo para apoiar as PME A Semana Dourada era aguardada com grande expectativa pelo comércio local, por ser uma das épocas mais altas do turismo, mas os novos casos de covid-19 deixam antever um cenário complicado. Uma das pessoas a fazer o soar o alarme, apesar de declarar apoio incondicional ao Governo, foi Alexandre Ma, presidente da Associação Comercial de Macau. Citado num artigo do Jornal Cheng Pou, Ma apelou ao Executivo para que tome medidas e lance apoios económicos para as Pequenas e Médias Empresas (PME). “[O pior do novo surto] é que vai fazer com que seja necessário entre duas semanas e um mês para que se possa relaxar as medidas de passagem fronteiriças. E o mais mortal é que as esperanças dos comerciantes na Semana Dourada ficam totalmente frustradas”, reconheceu. Num cenário difícil, Alexandre Ma pediu ao Governo que se chegue à frente e distribua apoios. “O Executivo tem de tomar medidas para que as empresas afectadas tenham apoios económicos, de forma a ajudar os negócios afectados pelos dois surtos [de Agosto e Setembro]”, vincou. Ma afirma a necessidade de injectar dinheiro na economia para “recuperar a confiança”. Para o responsável, a resposta à crise não passa só por receber. Por isso, lembrou ao sector comercial que se quer ultrapassar a crise da covid-19 é necessário haver um esforço de mobilização para aumentar a taxa de vacinação. Cancelamento de reservas De acordo com o jornal Ou Mun, após ter sido confirmado o novo surto em Macau, houve uma redução das reservas nos hotéis locais para a Semana Dourada. Segundo Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, a situação agora é “mais grave” do que a verificada em Agosto. O responsável apontou que havia hotéis com reservas de 70 e 80 por cento da capacidade e, em alguns casos, até de 90 por cento. Contudo, após o novo surto, o Ou Mun ouviu fontes da indústria que pediram para ficar anónimas e foi identificada uma tendência de cancelamento de reservas na ordem dos 20 a 30 por cento. Os grandes empreendimentos do Cotai são os mais afectados. Adeus ouro Quanto às receitas do jogo, o cenário não é melhor. Depois dos casos mais recentes, a JP Morgan Securities (Asia-Pacific), segundo o portal GGR Asia, emitiu um relatório com o título “Adeus Semana Dourada”. Em causa, está o impacto das medidas de restrições de fronteiras. “Achamos que é cada vez mais claro que vai ser uma semana sem ouro. Há grande probabilidade de muitos jogadores evitarem deslocações a Macau, para evitarem o risco de serem colocados em quarentena, na altura do regresso ao Interior”, pode ler-se no relatório assinado por DS Kim, Amanda Cheng e Livy Lyu. Também os analistas da Morgan Stanley, Praveen Choudhary, Gareth Leung e Thomas Allen, reconhecem que o impacto pode ser muito significativo. Segundo as conclusões da Morgan Stanley, os resultados das concessionárias no terceiro trimestre vão ficar abaixo dos registados nos dois primeiros. Os analistas admitem inclusive que as operadoras podem perder dinheiro.
Governo da RAEM no encerramento dos Jogos Nacionais Nunu Wu - 28 Set 2021 Ho Iat Seng e Carrie Lam foram recebidos no domingo à noite pelo presidente da Administração Geral do Desporto da China, Gou Zhongwen, em Xi’an, a histórica capital da província de Shaanxi, um dos “palcos” onde decorreram os 14.º Jogos Nacionais da China. Gou, que também chefia a entidade que organizou os jogos nacionais, deu as boas-vindas aos líderes dos governos das regiões administrativas especiais e felicitou Ho e Lam pelo trabalho que permitiu o bom intercâmbio desportivos entre a China e Macau e Hong Kong. De acordo com a Administração Geral do Desporto da China, foram deixadas garantias de apoio às duas regiões administrativas especiais para a organização da 15.ª edição dos Jogos Nacionais em 2025, respeitando o princípio “Um País, Dois Sistemas” e as leis básicas de forma a impulsionar o desenvolvimento desportivo chinês. Tanto Ho Iat Seng como Carrie Lam agradeceram o apoio da Administração Geral do Desporto da China na área desportiva ao longo dos anos e demonstraram confiança no sucesso da organização dos próximos jogos nacionais. Balanço positivo Um artigo da Xinhua acompanhou o presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun no sábado, quando decorriam as últimas participações de atletas de Macau nos jogos, nomeadamente de três nadadores que representaram as cores da RAEM nas provas preliminares de natação. Apesar de não terem conseguido passar às semifinais, a Xinhua descreve a satisfação de Pun Weng Kun com os desempenhos. “A maioria dos atletas de Macau não são profissionais e sabem que os seus concorrentes são muito fortes. Mas não perdem a coragem. Em vez disso, atiram-se ao desafio com tenacidade. Eles têm dado um bom exemplo para os jovens de Macau”, referiu o presidente do ID. No total, a RAEM foi representada por 102 atletas nos Jogos Nacionais, com destaque inevitável para a primeira medalha de sempre de Macau, o bronze, conseguida pelo karateca Kuok Kin Hang na vertente Kata. Além disso, os atletas locais bateram alguns recordes pessoais. Em relação à conquista de Kuok Kin Hang, a Xinhua escreve que graças ao desempenhou dos atletas de Macau, “a região foi tomada de assalto pelo entusiasmo com o desporto e os Jogos Nacionais”. Entusiasmo testemunhado no local pelo presidente do ID. “Tanto os nossos atletas em Xi’an como os residentes de Macau ficaram muito entusiasmados com a nossa primeira medalha de sempre”, disse Pun citado pela Xinhua. “O ambiente dos Jogos permitirá a todos os residentes de Macau amar mais intensamente a pátria e a RAEM”, acrescentou.
Deputados nomeados, escolhas que não surpreendem Andreia Sofia Silva - 28 Set 2021 A entrada de Kou Kam Fai, Chan Hou Seng e Cheung Kin Chung para a lista dos deputados nomeados pelo Chefe do Executivo não surpreende os analistas ouvidos pelo HM. José Sales Marques não esperava a escolha de um macaense e descreve Chan Hou Seng como “uma pessoa capaz, trabalhadora e discreta”. O académico Leung Kai In destaca a maior proximidade a Pequim face a 2017 Terminadas as eleições, marcadas pela desqualificação de vários candidatos, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, nomeou sete deputados para a Assembleia Legislativa (AL) na última quinta-feira. A entrada de nomes como Kou Kam Fai, Chan Hou Seng e Cheung Kin Chung não surpreende os dois analistas com quem o HM falou. José Sales Marques, economista, chegou a trabalhar com Chan Hou Seng quando esteve na Câmara Municipal de Macau Provisória, na abertura do Museu de Arte de Macau (MAM). “Parece-me uma pessoa válida e um profundo conhecedor da cultura chinesa. Ele trabalhou comigo em todo o processo de abertura do MAM e é uma pessoa capaz, trabalhadora e discreta.” Chan Hou Seng, com 58 anos, tem mestrado em Literatura e profissionalmente exerce funções como investigador especializado no Instituto de Pintura e Caligrafia da Academia da Cidade Proibida e director-geral da Sociedade de Arte do Selo Hou Kong. Sales Marques não tinha, contudo, esperanças quanto à possibilidade de Ho Iat Seng vir a nomear um deputado macaense. “Já há algum tempo que não tenho essa expectativa de ver ser nomeado um macaense. Não foi uma surpresa”, declarou. Mais perto de Pequim O académico Leung Kai In destaca o facto de este grupo de deputados ser mais próximo de Pequim em relação às escolhas feitas em 2017. “O último grupo de deputados nomeados era, na maioria, composto por académicos, mas este grupo tem, além de académicos, representantes de empresas pró-Pequim, como é o caso da Agência de Viagens e de Turismo China (Macau)”, disse o responsável, referindo-se a Cheung Kin Chung. Este, além de presidir a essa empresa, é ainda gerente-geral da Macau CTS Hotel Management (International) Ltd e possui um mestrado em gestão de empresas, além de ser doutorado em Gestão Turística. “Penso que este é o acordo ‘normal’. No entanto, Ho Iat Seng referiu que ia escolher pessoas com diferentes opiniões para desempenharem o cargo de deputados. Onde estão as outras vozes? Penso que o Gabinete de Ligação teve um importante papel neste processo de escolha”, adiantou Leung Kai In, que destaca a pouca representatividade que estes deputados têm tido no hemiciclo. Kou Kam Fai, o outro novo rosto dos deputados nomeados, tem 56 anos, é doutorado em gestão e exerce o cargo de director da Escola Secundária Pui Ching. De saída deste grupo estão os académicos Joey Lao, economista, e Davis Fong, especialista na área do jogo, bem como Chan Wa Keong, advogado.
Covid-19 | Deputado preocupado com responsabilização após novo surto Pedro Arede e Nunu Wu - 28 Set 2021 Após as falhas detectadas num hotel onde foi descoberto o novo surto de covid-19 em Macau, o deputado eleito pela via indirecta, Chan Iek Lap, defende o reforço do regime de responsabilização de cargos públicos. O também médico admitiu que a primeira ronda de testes em massa “foi mal-organizada” O deputado eleito indirectamente pelo sector profissional, Chan Iek Lap acredita que, na sequência das falhas detectadas num hotel na origem do novo surto de covid-19 em Macau, os membros da Assembleia Legislativa vão estar atentos ao aperfeiçoamento do regime jurídico relativo à responsabilização dos titulares de cargos públicos. Respondendo às questões colocadas pelos ouvintes do canal chinês da TDM-Rádio Macau no programa “Fórum Macau”, o também médico considerou que a primeira ronda de testes em massa “foi mal-organizada”. A consequência foi a reformulação e introdução de melhorias no novo plano de testagem por parte de vários serviços públicos. Perante a preocupação demonstrada pelos ouvintes acerca da responsabilização de cargos públicos, Chan Iek Lap apontou que a população deve “pensar se a demissão de cargos públicos é solução para o problema”. Recorde-se que, com a confirmação da infecção de dois seguranças que trabalhavam no Golden Crown China Hotel que contactaram com uma pessoa infectada com covid-19, o Governo decretou a testagem em massa de toda a população e, a partir da meia-noite de sábado, o estado de prevenção imediata, por “existir o risco de surgir um surto do novo tipo de coronavírus na comunidade de Macau”. Questionado se a testagem em massa não pode ser encarada como “um desperdício de dinheiro e recursos”, tendo em conta o esforço a que a população e a cidade ficam sujeitos e o facto de a medida entrar em vigor sempre que é detectado um novo caso de covid-19 no território, o deputado rejeitou a ideia, apontando para a necessidade de preservar a segurança sanitária de Macau. “O objectivo da testagem em massa é proteger todas as pessoas de Macau. Aqueles que não estão dispostos a participar devem ser devidamente informados de que o plano é uma medida que visa restaurar a segurança de Macau e levar o território a ser incluído de volta no lote de regiões de baixo risco”, referiu. De volta aos básicos Durante a emissão, Chan Iek Lap referiu ainda que a população está bem informada sobre a utilização de máscaras, mas que é preciso não descurar as medidas anti-epidémicas. Isto, dado que os Serviços de Saúde apontaram que a causa da transmissão da doença do hóspede em observação médica para os seguranças, terá acontecido pela utilização indevida das máscaras por parte dos funcionários. Para o médico, importa “cuidar de todos os aspectos” da luta conta a pandemia, desde o cumprimento das medidas de segurança nos hotéis destinados às quarentenas, até à entregue de refeições à população que está confinada nas zonas vermelhas. Chan Iek Lap apontou ainda que, tendo em conta a baixa taxa de vacinação, o Governo deve aperfeiçoar o plano de inoculação. Por último, o deputado apelou que a população efectue o teste de ácido nucleico o mais rapidamente possível para que os trabalhadores da linha da frente possam descansar “o quanto antes”.
Alto quadro de Wall Street reuniu na China com vice-primeiro-ministro Hoje Macau - 27 Set 202127 Set 2021 John Thornton, um alto quadro de Wall Street, esteve seis semanas na China, onde se reuniu com o vice-primeiro-ministro chinês Han Zheng, no final de Agosto, avançou hoje o jornal de Hong Kong South China Morning Post. O alegado acesso permitido pelas autoridades chinesas a Thornton – atual diretor executivo da mineradora de ouro Barrick Gold e ex-presidente do banco de investimentos Goldman Sachs – é inédito, no quadro das restrições impostas às entradas no país, devido à pandemia da covid-19. Os poucos dignitários estrangeiros que visitaram a China desde o início da pandemia foram recebidos em outras cidades da China que não Pequim. A relação entre a China e os Estados Unidos deteriorou-se rapidamente nos últimos dois anos, com várias disputas simultâneas entre as duas maiores economias do mundo, incluindo no comércio e tecnologia ou sobre os Direitos Humanos, o estatuto de Hong Kong e a soberania do Mar do Sul da China. Em Pequim e em Washington, referências a uma nova Guerra Fria são agora comuns. A visita de Thornton não foi anunciada pelas autoridades chinesas ou pela imprensa oficial, mas ocorre num período de debate sobre o impacto da campanha regulatória lançada pelo Governo chinês contra várias indústrias. Investidores como George Soros passaram a excluir a China como um destino para investimentos, apontando que o país está a retroceder nas reformas económicas adoptadas no final dos anos 1980. A fonte anónima citada pelo SCMP comparou a visita à viagem secreta, em 1971, de Henry Kissinger, então assessor para a Segurança Nacional do presidente norte-americano Richard Nixon, que lançou as bases para o estabelecimento de relações bilaterais entre os dois países. Thornton, que é co-presidente do Conselho para os Assuntos Financeiros EUA – China, passou três semanas em Xangai, a “capital” económica da China, antes de ir para Pequim, onde se encontrou com Han, um dos sete membros do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China, a cúpula do poder na China. Han disse a Thornton que a China quer “retomar a cooperação” entre as duas potências, desde que Washington trate Pequim “como igual”. O vice-primeiro-ministro garantiu que não vai ser possível melhorar as relações, se o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, continuar a política do antecessor, Donald Trump, contra a China, mesmo que tente, em simultâneo, cooperar em áreas como a luta contra as alterações climáticas. Thornton também se encontrou, em Pequim, com o emissário do Governo chinês para as questões ambientais, Xie Zhenhua, dias antes de uma visita à China do homólogo norte-americano, John Kerry. Segundo a mesma fonte, durante o encontro com Han, Thornton afirmou que Kerry – que voltará a visitar o país asiático nas próximas semanas – não é apenas o homem de referência dos Estados Unidos para a cooperação climática, mas para a relação entre Washington e Pequim. Segundo o SCMP, Thornton terá também visitado a região de Xinjiang, no noroeste da China.
Curador português João Miguel Barros representa Macau em Veneza Hoje Macau - 27 Set 2021 O curador português João Miguel Barros e os artistas de Macau Ung Vai Meng e Chan Hin Io vão representar o território na 59.ª Bienal Internacional de Arte de Veneza 2022, anunciou o Instituto Cultural (IC). João Miguel Barros nasceu em 1958, em Lisboa. Advogado, é também um curador independente na área da fotografia contemporânea, com trabalho realizado em várias exposições de fotografia em Portugal. Ung Vai Meng, artista que obteve o doutoramento em Belas Artes pela Academia de Arte da China, participou em vários projetos de arte contemporânea de grande escala em Lisboa e Singapura. Já Chan Hin Io, é fotógrafo e conta no currículo com diversas exposições individuais em Macau e Portugal. A proposta de exposição recorre a vários suportes como fotografia, escultura, videoarte, arte performativa” e “dilui as fronteiras entre o sonho e a realidade”, revelando “a abundância, densidade e vivacidade dos recantos de Macau, apresentando a sua memória coletiva e a situação atual”, segundo o júri. A “Alegoria dos Sonhos” vai ao encontro do tema da 59.ª Bienal, “The Milk of Dreams”, ao conseguir reunir “profundas preocupações humanistas e reflexões sobre o espaço de vivência” e “ao entrelaçar uma visão panorâmica com um olhar pormenorizado”, até porque “a obra eleita disseca a história singular e a miscigenação cultural de Macau”, pode ler-se na nota que justifica a seleção. O júri analisou 24 propostas de 60 curadores e artistas locais. A “Bienal Internacional de Arte de Veneza” foi criada em 1985 e esta é a sétima vez que Macau participa no evento.
Princesa Mako do Japão renuncia ao subsídio de casamento Hoje Macau - 27 Set 2021 A Princesa Mako do Japão planeia renunciar ao tradicional apoio financeiro dado pelo Estado às mulheres da Família Imperial Japonesa, noticiaram hoje os meios de comunicação japoneses. Mako, 29 anos, sobrinha do Imperador Naruhito, planeia casar-se com Kei Komuro, que está a estudar nos Estados Unidos, no próximo mês, num casamento civil que tem atraído enorme atenção dos media desde que os dois anunciaram o seu noivado em 2017. O casamento da princesa com um homem fora da Família Imperial japonesa implica a sua desassociação da Família Imperial, de acordo com a Lei da Casa Imperial, que também concede direitos exclusivos de sucessão masculina ao Trono de Crisântemo. O anúncio do noivado de Mako e Komuro causou uma grande agitação no Japão porque significaria uma nova partida da Família Imperial Japonesa, que está em declínio contínuo devido à escassez de homens e aos regulamentos acima mencionados, e também devido a uma alegada disputa financeira que afeta a família do noivo. O casal decidiu adiar duas vezes a data do casamento, e agora planeia casar-se em outubro sem uma cerimónia formal, de acordo com a tradição da Casa Imperial, segundo os meios de comunicação locais. Na sequência da controvérsia em torno do casamento, Mako também disse ao Governo que pretende renunciar aos 150 milhões de ienes que são normalmente dados a membros do sexo feminino da Família Imperial que casam e deixam a instituição, fontes do governo disseram à agência noticiosa local Kyodo. Se se confirmar que o casamento terá lugar sem seguir o rito Imperial e que Mako não receberá o apoio financeiro, ela seria a primeira mulher membro da Família Imperial a saltar as duas tradições no Japão do pós-guerra.
Covid-19 | Coreia do Sul avança com terceira dose da vacina nos próximos meses Hoje Macau - 27 Set 2021 A Coreia do Sul planeia administrar a terceira dose da vacina contra a covid-19 aos grupos prioritários, nos próximos meses, anunciou hoje o Governo. O primeiro-ministro sul-coreano, Kim Boo-kyum, disse hoje que na próxima segunda-feira vai divulgar as datas exatas de administração da dose de reforço, adiantando que será aplicada nos próximos meses. Conforme apontou, numa primeira fase, a vacina será administrada a pessoas com mais de 60 anos e a profissionais da saúde. Por outro lado, o executivo quer encurtar o atual intervalo entre a primeira e a segunda dose. Segundo os dados da Agência de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas (KDCA), 45,2% da população do país já foi inoculada com as duas doses, enquanto 74,1% receberam a primeira dose. As previsões do Governo apontam para mais de 70% da população vacinada com as duas doses até ao final de outubro. O país contabilizou 3.272 infetados no sábado, o número mais elevado desde o início da pandemia, agravado pelas novas variantes e pelo período de férias. O primeiro-ministro sul-coreano classificou como “muito grave” o aumento das infeções, acrescentando que a evolução das próximas semanas vai determinar o início do plano de regresso “à vida normal”. Desde o início da pandemia de covid-19, a Coreia do Sul contabilizou 300.000 infetados e 2.450 mortes.
As eleições não conhecem o interior André Namora - 27 Set 2021 Obviamente que vos estou a escrever antes das eleições autárquicas em Portugal. Foi uma semana triste, de perplexidade em alguns casos. A campanha eleitoral deixou os portugueses a gostar menos deste sistema político que tem sido oferecido aos eleitores. Uma campanha amorfa, sem vida, sem alternativas. Os candidatos passaram a semana a discutir. Foi só um lavar de roupa suja. A maioria dos presidentes de Câmara quer continuar com o “tacho” e todos nós sabemos as razões desse desejo tão estranho. Na direita política nem tudo foi entendimento. O PSD coligado com o CDS e outros partidos mais pequenos, como o Iniciativa Liberal não conseguiram convencer ninguém de modo a alterar o status quo, a não ser possivelmente em Coimbra, onde o PS pode perder o poder. Tivemos o “banha-da-cobra”. Ventura que chegou a ter cinco pessoas à sua espera para um comício. Ele para a televisão bate em todos, mas o povinho já topou que Salazar chegou um. Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos, respectivamente líderes do PSD e do CDS chegaram mesmo a dar o ar aos potenciais eleitores que a seguir às eleições vão de patins. A grande esperança do Partido Comunista nestas eleições é reconquistar Almada e levou o armamento pesado para a campanha de Maria das Dores Meira que tinha realizado em Setúbal um bom trabalho. Em Almada está a grande dúvida e quando lerem esta crónica já são capazes de saber os resultados. Alguns deles já vos posso dar: no Porto, Rui Moreira ganha a brincar e na capital do país, o portuense-lisboeta Fernando Medina ganha com uma vantagem considerável sobre Carlos Moedas. E o que fica destas eleições? Duas coisas lamentáveis: mais abstenção e propaganda política do primeiro-ministro que não devia ter andado pelo país a anunciar e a prometer melhorias ao povo, quando ele sabia perfeitamente que essas promessas apenas serão cumpridas com o dinheiro que vai chegando da União Europeia, o qual titularam de “bazuca”. António Costa não tinha necessidade nenhuma de se ter armado em feirante baixando o nível da sua imagem de primeiro-ministro. As eleições autárquicas têm uma importância vital para que o poder local possa melhorar o nível de vida dos portugueses, especialmente do interior. Mas, no interior é que estão os pobres, os velhos e os acamados. Nada se ouviu na campanha eleitoral que se iria construir habitação social de imediato, que os centros de saúde deixavam de ter pessoas que vão para a porta de madrugada a fim de recolher uma senha, que os médicos iriam ter o seu salário muito aumentado se fossem laborar para o interior do país. Não, os reformados que recebem uma miséria continuarão esquecidos, os estudantes sem bolsa de estudo ou residência na cidade onde está instalada a universidade que escolheram. A tão anunciada revolução no sistema ferroviário anunciado pelo ministro das Infraestruturas, não teve uma palavra de qualquer candidato a autarca no sentido de pressionar o governante, cuja única preocupação é continuar a passear no seu Maserati e a enterrar a TAP. As eleições autárquicas podiam servir para revolucionar as lacunas existentes. Eleger candidatos de quem o povo gostasse, mas nada disso acontece. Os partidos é que mandam e colocam lá as suas figuras de proa para que possam ser eleitos, a fim de continuarmos a assistir à corrupção e compadrio existentes. No entanto, houve autarcas que realizaram bom trabalho. Loures e Cascais é um exemplo de que autarcas de ideologia completamente diferente, como o caso de Bernardino Soares (PCP) e Carlos Carreiras (PSD), podem apresentar obra que beneficiou quem votou neles e o mais certo é que continuem a votar. O pior de tudo são as promessas. Ouve-se um candidato a discursar e promete mundos e fundos. No final do mandato, mais de metade dos projectos ficaram na gaveta. E no poder local sempre assistimos aos cambalachos da mais diversa ordem. Alguns autarcas têm sido alvo de investigação criminal e até sentenciados. Há projectos nas Câmaras Municipais que são autênticas ilegalidades dentro da legalidade. Como assim? Constrói-se um prédio destinado a habitação para estudantes ou para pobres com rendimento reduzido, para as chamadas rendas acessíveis. Assim que as obras têm início e os interessados se dirigem à edilidade para se inscreverem no sentido de obterem um apartamento, é-lhes comunicado que a lista já está esgotada. Como foi? É que os funcionários superiores da edilidade, incluindo os presidentes, já destinaram as fracções para os amigos, ou amigos dos amigos, recebendo em troca uma óbvia compensação. Com autarcas desta natureza é natural que se vá perdendo a vontade de votar. E como ainda está um solinho agradável, a malta prefere ir até à praia. Ao menos aí votam todos num mergulhinho… *Texto escrito com a antiga grafia
Justiça | Pequim libertou os dois canadianos “por razões de saúde” Hoje Macau - 27 Set 2021 A China disse ter libertado “por razões de saúde” os dois canadianos que deteve em Dezembro de 2018, que regressaram ao Canadá no sábado. Segundo a agência noticiosa estatal Xinhua, citando as autoridades chinesas, os dois tribunais que julgaram e condenaram os canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor por espionagem no sábado aprovaram a sua “libertação sob fiança” depois de o terem solicitado por razões de saúde. Para além de aprovar a sua libertação sob fiança “com base em diagnósticos médicos”, os tribunais ordenaram “a suspensão dos seus julgamentos”. Os dois canadianos foram detidos na China em Dezembro de 2018, em aparente retaliação pela detenção da filha do fundador e directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos, que a procuravam extraditar e acusavam-na de fraude. Caso político No sábado, a China classificou como “perseguição política” o caso contra Meng Wuanzhou, a directora financeira da Huawei libertada nesse dia pelo Canadá devido a um acordo com as autoridades norte-americanas, que haviam pedido a extradição num caso de fraude. “Os contornos deste caso provam que se trata de perseguição política contra uma cidadã chinesa, com o objectivo de reprimir as empresas tecnológicas chinesas”, disse a porta-voz chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, em comunicado. Segundo as últimas informações, Meng Wuanzhou já chegou à cidade meridional chinesa de Shenzhen, onde a empresa tem a sede. Pequim sempre negou que as detenções tivessem alguma relação com o caso Meng. Meng foi detida no Canadá em Dezembro de 2018, a pedido do Governo norte-americano, esteve em prisão domiciliária, e vivia com a família numa das mansões que tem em Vancouver. Enquanto os “Michaels” (como são popularmente conhecidos Spavor e Kovrig) permaneceram em rigoroso isolamento, com visitas limitadas por parte do pessoal consular canadiano, segundo a imprensa do país norte-americano.
Música | Achun lança Keep Da Vibez Goin’ e prepara concertos em Macau João Luz - 27 Set 2021 Keep Da Vibez Goin’ é o mais recente disco de Achun, o músico local que na ausência de uma comunidade alternativa em Macau centrou a carreira em Hong Kong. Numa altura em que a ansiedade e o negativismo ganham terreno, os sons de Achun são o elixir da boa disposição, descontração e ritmo à vida Apesar de tudo, a boa onda prevalece. “Keep Da Vibez Goin’”, o disco de Achun lançado recentemente, é o equivalente a abrir todas as janelas numa casa fechada há demasiado tempo, a aragem que rompe com o mofo que se expandiu na inactividade. Situado no campo da música electrónica, distante dos marasmos barulhentos das discotecas, “Keep Da Vibez Goin’” resulta da colagem de muitos estilos que influenciam o músico de Macau, como hip hop, drum and bass, big beat e soul. “Neste último disco, muitas faixas nasceram de samples de antigas músicas de pop japonês dos anos 80, sons 8-bit e de velhos jogos de Nintendo”, conta ao HM. As melodias simples e difíceis de tirar da cabeça que servem de banda sonora de videojogos, o ambiente dos jogos de arcada e o universo digital japonês são fontes de inspiração para Achun. Com a pandemia a congelar a vida e a remeter a carreira para a internet, sem concertos marcados e com as viagens entre Hong Kong e Macau entremeadas com quarentenas, o músico local acabou por ficar grande parte do ano passado na região vizinha. Pelo meio, o seu filho nasceu e lançou em Julho de 2020 “Unending Journey”, um disco que acabou por não ter suporte físico, apesar dos planos para o editar em vinil. O álbum encontra-se à venda em formato digital no bandcamp e Spotify do artista. No final do ano passado, o DJ que comanda a XXX Records, editora de Achun, desafiou o artista a trabalhar no próximo registo. Foi neste cenário que nasceu “Keep Da Vibez Goin’”, o disco que soa como um grito cool de resistência ao cenário negativo que se estabeleceu. A faixa de abertura, “Groovin’ In Da Midnite” dá algumas pistas sobre a mente criativa de Achun, com a melodia a ser entregue pela via digital 8-bit a remeter o ouvinte para um universo de videojogos. A música seguinte, “Say Goodbye”, é uma festa, plena de groove e batida drum and bass que reclama visibilidade de um artista criativo e com uma noção muito particular de melodia, longe dos produtos comerciais que geraram fenómenos como os Mirror, outras boybands semelhantes e artistas que esticam a corda do cantopop até ao infinito. Um ninho no nicho Apesar de somar dezenas de milhares de streamings no Spotify, Macau não acarinha nichos culturais que fujam às tendências mais convencionais de criação, em particular na música. Motivo pelo qual a carreira de Achun tenha passado mais por Hong Kong, Zhuhai e outros locais no Interior, como Xangai. Em Hong Kong, Achun encontrou uma pequena comunidade alternativa, que foge às regras da arte mercantil ditada ainda por meios antigos como a televisão. “A maioria do meu público é de Hong Kong, antes da pandemia passava muito tempo lá e tocava muito ao vivo. Quando regressei este ano a Macau percebi que ninguém me conhece, continua tudo muito parado, a maioria das pessoas não sai, não vai a festas ou concertos”, contextualizou o músico ao HM. Apadrinhado pela editora XXX, que nasceu de um club nocturno em Kowloon com o mesmo nome, Achun encontrou artistas com visões semelhantes com quem colaborou. Luna is a Bep, artista em ascensão na cena hip hop de Hong Kong, foi uma das colaboradoras recentes do músico de Macau. A primeira parceria aconteceu há dois anos, com um tema inspirado nos protestos em Hong Kong e nas questões identitárias das gerações mais novas. A segunda colaboração é uma das faixas de destaque do disco do ano passado de Achun. “Tree Poisons”, tema inspirado no conceito budista dos três venenos (ignorância, apego e aversão), que fala das angústias dos mais novos na região vizinha. Disparidade entre ricos e pobres, habitação e elevado custo de vida são questões sociais fortes que estão no epicentro de uma melodia calma, com toques de soul e uma linha de baixo que faz mexer as ancas. O gosto musical de Achun é bem representado nesta faixa. Batidas ténues, que embalam mais do que agitam, longe dos tempos de rocker, quando os sons do pop-rock britânico dominavam a discografia, com Oasis, Blur, Radiohead e Suede entre os discos predilectos. Porém, já a electrónica se infiltrava no seu gosto, através de nomes incontornáveis como The Chemical Bothers, The Prodigy e Daft Punk. Hoje, com 37 anos, o músico de Macau evoluiu enquanto compositor, aprimorando ecletismo e múltiplas influências em melodias e ritmos que transportam o ouvinte para cenários mais optimistas do que os que vivemos. Achun tem no calendário duas actuações em Macau. No próximo dia 30 de Outubro irá servir o prato principal da ementa da noite de Halloween no DD3 e em Novembro actua no Festival Hush!, ainda sem data marcada.