Henrique Sá Pessoa “entusiasmado” com abertura de restaurante em Londres

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O ‘chef’ Henrique Sá Pessoa vai abrir um restaurante em Londres no final deste ano, projeto que o português encara com “entusiasmo”, mas também está consciente dos desafios que vai enfrentar devido à dimensão e dificuldades na indústria.

O “Joia” vai abranger os três andares superiores de um novo hotel, com um bar no 14.º andar, um restaurante no 15º andar e outro bar no telhado, junto à piscina, que terá vista sobre a capital britânica.

O hotel de 164 quartos no sudoeste de Londres situa-se junto à antiga central elétrica a carvão Battersea Power Station, cujo edifício e torres emblemáticas são consideradas património histórico e foram preservadas no âmbito de um grande projeto imobiliário.

Sá Pessoa disse à Agência Lusa estar “super entusiasmado”, mas reconhece que “um dos grandes desafios” vai ser a falta de mão-de-obra que está a afetar o setor da restauração britânico, sobretudo na capital.

“Para um português ter um restaurante numa cidade como Londres é sempre um orgulho e também uma enorme responsabilidade. Da mesma forma que estou entusiasmado também tenho a consciência de que não tenho um trabalho fácil pela frente”, disse.

Restaurantes e hotéis londrinos têm optado por reduzir o horário de funcionamento ou o número de serviços disponíveis, e estas são possibilidades que Sá Pessoa não exclui.

“Mas, se não quisesse esse desafio, não o tinha aceite”, vincou, mostrando-se confiante de que “clientes não faltam”, como observou numa visita recente a Londres.

O restaurante vai oferecer “pratos despretensiosos mas inovadores” com sabores da Península Ibérica – “60% de cozinha portuguesa, 40% espanhola” -, com destaque para o marisco, carne de porco e arroz.

Os pratos e ingredientes anunciados incluem camarão carabineiro grelhado, bisque cremoso de orzo, bacalhau com tomate e coentros, cebola em pickles ou caviar de azeite.

Henrique Sá Pessoa entende que a cozinha portuguesa já “tem alguma força em termos comerciais e de perceção” em Londres graças ao trabalho de ‘chefs’ como Nuno Mendes e Leandro Carreira, que abriram restaurantes na cidade e publicaram livros em língua inglesa.

O “Joia” é uma segunda colaboração de Sá Pessoa com a rede de hotéis Art’otel, parte do grupo PPHE, após a abertura em 2021 do restaurante “Arca” em Amesterdão, capital dos Países Baixos.

Em ambos trabalha como ‘chef’ consultor, escolhendo e formando a equipa e definindo o menu, mas só estará em cada um dos locais uma semana por cada dois meses, fazendo o resto do acompanhamento à distância.

Para o português, este é um regresso a Londres, onde iniciou a carreira entre 1997 e 1999 num grande hotel antes de seguir para Sidney, onde trabalhou também para a cadeia Sheraton, acabando por se restabelecer em Portugal em 2002.

Henrique Sá Pessoa dirige desde 2015 o “Alma” no Chiado, em Lisboa, que ganhou uma estrela do Guia Michelin no primeiro ano de atividade e em 2018 passou para duas estrelas (três estrelas é a distinção máxima).

No ano passado entrou para 38.º lugar na tabela dos 100 distinguidos na lista dos “The Best Chef Awards”, a maior entrada na classificação.

Além do “Alma”, possui mais três restaurantes em Portugal e outro em Macau, mas este encontra-se encerrado desde fins de 2020 devido ao confinamento imposto para travar a pandemia covid-19.

Portugal vai criar um leitorado na Coreia do Sul para promover o português na Ásia

HM

Portugal vai ter um leitorado na Coreia do Sul, no âmbito da aposta na promoção e divulgação da língua portuguesa na Ásia, que terá ainda mais iniciativas em 2023, anunciou o presidente do Camões.

João Ribeiro de Almeida falava à agência Lusa no final da sessão de abertura do 7.º encontro da Rede de Ensino Português no Estrangeiro (EPE), que decorre em Lisboa, com o tema “Cultura e Cidadania”.

Segundo o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, está prevista a criação de um leitorado na Coreia do Sul, que será “uma antena cultural” que fará “a ponte cultural entre os dois países e, sobretudo, a dinamização, divulgação e promoção da língua e cultura portuguesa num país como a República da Coreia”.

Apesar de atualmente já existirem “protocolos de apoio à docência”, o Camões concluiu que a região da Ásia “estava um pouco desguarnecida” da presença portuguesa na área cultural e até da promoção da língua.

Foi decidido superiormente, a seguir à visita do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Francisco André, à Coreia do Sul, a criação deste leitorado, que é “um grande investimento português, pois exige investimentos avultados”.

Um leitorado – concretizado na figura de um leitor que é um docente universitário encarregado de ensinar a língua do seu país em universidades de países estrangeiros – “é o máximo” que se pode ter a nível do investimento do Estado português naquele país para “consolidar a presença” portuguesa na área.

Segundo João Ribeiro de Almeida, a Ásia é seguramente uma das prioridades para 2023, ano em que serão conhecidas “novas notícias sobre investimentos na promoção e divulgação da língua portuguesa na região”.

O encontro da rede EPE centra-se nas dimensões e conceitos da cultura portuguesa e da cidadania e reúne coordenadores, adjuntos de coordenação, docentes do EPE e leitores de língua e cultura portuguesas em universidades estrangeiras.

Um dos propósitos do encontro é refletir sobre como integrar e operacionalizar nos programas do EPE, de modo transversal e progressivo, competências nestes domínios, a par das competências linguísticas que os mesmos já encerram, concorrendo para o desenvolvimento de cidadania global e pluricultural.

A rede EPE integra 323 docentes que apoiam o ensino e a aprendizagem da língua e da cultura portuguesas a jovens que frequentam o ensino básico e secundário nos 17 países abrangidos, bem como 51 leitores que exercem funções em universidades em 41 países.

Euroformula Open não quer lugar da F3 no GP Macau

GCS

O Conselho Mundial do Automobilismo da Federação Internacional do Automóvel (FIA), que se reuniu no final de Junho, não só cancelou a ronda asiática da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR, como também colocou um ponto final na possibilidade do 69º Grande Prémio de Macau receber qualquer outra Taça do Mundo, seja de GT ou de Fórmula 3. A possibilidade de trazer uma competição internacional substituta à altura da Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA em 2022 também está posta de parte.

Numa alínea do extenso comunicado da federação internacional é possível ler que a “Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA em Macau não se realizará em 2022 devido às contínuas restrições relacionadas com a pandemia da COVID-19”. Este será o terceiro ano consecutivo que a Fórmula 3 não irá visitar o território, após ter sido lançada com enorme sucesso em 1982 no seguimento da recusa da FIA em autorizar a proposta do Automóvel Clube de Portugal (ACP) para que o Circuito da Guia fosse palco de corridas de Fórmula 2.

Nos últimos dois anos, como alternativa, o reputado circuito de Macau tem acolhido a corrida de fim de temporada do Campeonato da China de Fórmula 4. Contudo, a competição chinesa não goza do mesmo estatuto internacional da saudosa corrida de Fórmula 3, nem os monolugares Mygale-Geely de Fórmula 4 têm a espectacularidade ou proporcionam as emoções dos carros da disciplina superior.

Mesmo após a recusa da FIA, devido às restrições impostas por Macau, as entidades terão encetado contactos para tentar trazer outra competição internacional de monolugares do mesmo nível. De acordo com a imprensa ocidental especializada, os organizadores do Euroformula Open Championship e da japonesa Super Formula Lights terão sido sondados para ocuparem a vaga da Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau.

Ambas as competições, que um dia foram campeonatos de Fórmula 3, mas que presentemente não o são porque a FIA não os permite usar essa denominação, têm em comum utilizarem os chassis Dallara 320 e uma variedade de motores, no melhor espírito do que foi a categoria que se tornou famosa por catapultar vários pilotos para a Fórmula 1.

Situação actual não se compadece

Interrogado pelo portal italiano italiaracing.net sobre uma possível corrida em Macau este ano, Jesus Pareja, o empresário espanhol responsável pela Euroformula Open Championship, declinou a possibilidade. Tal como os concorrentes do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, também as equipas da Euroformula Open Championship – algumas delas bem conhecidas do Circuito da Guia como a Carlin, Motopark, Double R ou a Van Amersfoort Racing – não se quiseram sujeitar às regras sanitárias impostas aos visitantes por Macau.

“Fomos convidados pelo organizador nos últimos anos”, reconheceu Jesus Pareja, o homem que levou a Euroformula Open Championship ao Grande Prémio de Pau quando a Fórmula 3 abandonou o evento da pacata cidade francesa. O espanhol reconheceu, no entanto, que “com a Super Formula Lights formaríamos um bom alinhamento, mas com a actual situação sanitária na Ásia tal não é possível.”

A 69ª edição do Grande Prémio de Macau está agendada no calendário internacional de 17 a 20 de Novembro, mas o programa de corridas ainda não foi dado a conhecer.

Teatro | Associação Rota das Artes escreve e encena dramaturgia feminina

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A Associação Rota das Artes e a encenadora de Macau Cheong Kin I vão orientar cursos de formação a encenadores locais no Verão de 2023. Sob o tema da dramaturgia feminina, serão criadas e encenadas seis peças originais. Enquanto veículo de expressão artística, a escrita teatral será usada para explorar sem tabus as definições de feminilidade

 

“Escrita feminina” é o tema central das próximas sessões de formação em teatro organizadas pela Associação Rota das Artes e a encenadora local Cheong Kin I. Esta será a segunda edição do projecto, que está marcado para o Verão de 2023.

Segundo uma nota de imprensa da Associação Rota das Artes, para esta edição o desafio dirigido a criadores inclui a escrita de seis peças originais, tendo como tema central a dramaturgia feminina. Os artistas de Macau convidados a criar as obras são Chan Sio Fong, Ieong Lai Kei, Lam Lai Sam, Lau Nga Man, Wong Ka Lan e Yo Leong. Os textos serão materializados em leituras encenadas para o público, sob a batuta de Cheong Kin I.

Além da participação de Cheong Kin I, formada em encenação pela Universidade Nacional de Artes de Taipé, Taiwan, o projecto conta ainda com o trabalho de Lin Hsiang Chun, escritora e proprietária da livraria “Júbilo 31 Books”, que analisou, no primeiro ano dos cursos de formação, em 2021, obras ocidentais e japonesas.

Por sua vez, Brena Tai, formada na Universidade Nacional Normal de Taiwan, e Cheng-Han Wu, investigador de teatro da Universidade Nacional de Taiwan, também participam na iniciativa, ao ministrarem cursos sobre literatura feminina. Olivia Chen, encenadora de Taiwan e residente em Macau, vai acompanhar as formandas durante o processo da escrita de peças.

Só chinês

Os cursos de escrita dramatúrgica orientados por Cheong Kin I serão apenas em chinês, sendo que no último ano do projecto, em 2024, serão encenados os dois melhores argumentos. Ao HM, a artista revelou ter como objectivo “explorar diversos formatos de espectáculos que não se limitem às representações teatrais mais convencionais”.
“Procurei, no primeiro ano de formação, integrar e aprofundar as discussões sobre a sexualidade e o género feminino. Mas o objectivo não é apenas abordar a feminilidade como matéria ou tema, mas sim como forma e estrutura, neste caso recorrendo à expressão teatral”, acrescentou.

O tema “escrita feminina” tem como origem as obras de Hélène Cixous, que defendia que as mulheres deveriam escrever sobre elas próprias a fim de fazer face aos sistemas de escrita dominados pelos homens à época, disse a encenadora.

Neste caso, a exploração do tema da feminilidade não se cinge apenas à mulher, mas sim à “tentativa de sair de uma determinada estrutura, um quadro convencional ou ir além de estereótipos”. “É algo que também atinge os homens e pessoas de outros géneros, onde procuramos identificar as vozes ignoradas, esquecidas ou mesmo oprimidas”, adiantou.

DSC | Saúde de reclusos assegurada com telefonemas, aeróbica e “músicas leves”

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Devido à imposição da gestão em circuito fechado na prisão de Coloane, os reclusos estão confinados à sua cela e impedidos de receber visitas ou fazer exercício físico. Para assegurar a saúde física e mental, os serviços correccionais permitem aos reclusos fazer chamadas “um por um”, ouvir “músicas leves” e exercitar os músculos tendo por base a distribuição de “cartilhas sobre aeróbica”. Ajustes podem ser feitos “em tempo oportuno”

 

A saúde física e mental dos reclusos que se encontram no Estabelecimento Prisional de Macau (EPM), Coloane, em regime de circuito fechado, está a ser assegurada com telefonemas, exercícios de aeróbica, música e, em caso de necessidade, apoio psicológico por profissionais através de videoconferência.

A garantia foi dada ao HM pela Direcção dos Serviços Correccionais (DSC), que justificou a necessidade de confinar os reclusos à ala do edifício onde foram colocados, sem a possibilidade de receber visitas ou fazer exercício físico, com o facto de as prisões serem “locais fechados”, com elevada densidade de pessoas.

“Tendo em consideração que as prisões são locais fechados e de alta densidade populacional, apenas reduzindo a circulação de pessoas pode-se minimizar o risco de contágio para garantir a saúde e a segurança dos reclusos”, pode ler-se na resposta.

Por escrito, a DSC assegura ainda que “até agora, os reclusos têm cooperado com as medidas e providências tomadas”, e que já foram prestados “vários apoios” para proteger a sua saúde física e mental. Entre as medidas, é detalhado, está a possibilidade de fazer telefonemas, o ensino de exercícios de relaxamento, a distribuição de “cartilhas de aeróbica” e a divulgação de “músicas leves”, para reduzir a ansiedade e proporcionar a prática de exercício.

“No sentido de assegurar a saúde física e mental dos reclusos, a DSC continua a prestar vários apoios aos reclusos, incluindo providenciar para que os reclusos façam telefonemas um por um, nos termos da lei, divulgar informações sobre a epidemia e músicas leves e ensinar exercícios de relaxamento aos reclusos através de transmissão para reduzir a ansiedade e distribuir cartilhas sobre aeróbica, para permitir que os reclusos exercitem os seus músculos”, enumerou o organismo.

Sem fim à vista

Assegurando “estar atenta às emoções dos reclusos”, a DSC diz ainda que o pessoal profissional de serviço social e de psicologia do estabelecimento prisional poderá, caso venha a ser necessário, prestar “aconselhamento aos reclusos necessitados através de videoconferência”.

Questionada sobre a possibilidade de rever as medidas que ditaram a imposição da gestão em circuito fechado na prisão, a DSC revela que vai prestar atenção “às mudanças na situação epidémica” e “introduzirá os ajustamentos em tempo oportuno”.

Recorde-se que a questão do confinamento dos reclusos do Estabelecimento Prisional de Macau foi levantada no domingo durante a conferência de imprensa de actualização sobre a covid-19, com a médica Long Iek Hou a confirmar que os reclusos têm estado impedidos de sair das alas nas últimas semanas, devido à imposição de medidas de controlo inerentes ao surto que assola Macau desde o dia 18 de Junho.

Casa de Portugal falha pagamento de rendas devido à crise gerada pela pandemia

Tiago Alcântara

A paralisação de Macau, ditada pelo confinamento parcial e a mando do período de consolidação ainda em vigor, levou a Casa de Portugal a falhar o pagamento das rendas de Junho e Julho das oficinas de actividades. Isto, porque a expectável transferência de verbas da Fundação Macau destinadas a esse fim, não chegou a acontecer devido ao surto.

Em declarações à TDM-Rádio Macau, a presidente da Casa de Portugal, Amélia António explicou que, dada a situação de debilidade financeira da associação, a prioridade passa agora por pagar salários com as verbas restantes. Amélia António espera agora que, a breve trecho, a situação normalize, permitindo assim que a Fundação Macau possa transferir a última tranche do subsídio de 2021 e a primeira de 2022.

Questionada sobre se a Casa de Portugal tem recebido pedidos de ajuda de elementos da comunidade a atravessar dificuldades económicas, Amélia António referiu apenas que algumas pessoas têm solicitado apoio psicológico e que é frequente ouvir que outras estão a ponderar a sua continuidade em Macau.

Casinos-satélite | Operador pede responsabilidade social à banca

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O responsável pela gestão de um casino-satélite que pediu para não ser identificado, revelou ao jornal Ou Mun esperar que, devido à crise gerada pela pandemia, os bancos possam assumir também a sua quota parte de responsabilidade social, permitindo, temporariamente, que o pagamento de dívidas seja feito através da amortização de juros e não do capital. A mesma fonte disse ainda já ter proposto a solução a duas entidades bancárias, tendo apenas sido aceite numa das ocasiões.

Lembrando que durante o confinamento parcial de Macau, apesar de não ter rendimentos, continuou a pagar salários a cerca de 1.000 funcionários, o responsável apontou que os bancos também devem assumir a sua responsabilidade social, permitindo não só facilidades às pequenas e médias empresas, mas também às empresas de maior dimensão que precisam urgentemente de capital. Caso contrário, isso poderá traduzir-se, no futuro, em perdas para o próprio banco.

Com cada vez menor fluxo de caixa, o operador acredita que será preciso esperar sensivelmente até meio de Agosto para que a reabertura das fronteiras com o Interior da China seja concretizada. Contudo, lamentou, o facto de grande parte das férias do Verão já terem passado, sem contribuir para alcançar resultados animadores ao nível das receitas.

Por último, o responsável pela gestão do casino-satélite referiu ter esperança de que, após o 20º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, agendado para Outubro, o Governo Central possa relaxar consideravelmente as políticas de entrada no país. Caso contrário, mais empresas poderão fechar portas, acredita.

Quase 60 médicos e enfermeiros agredidos desde 2017

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Nos últimos cinco anos, foram registados 59 casos de violência contra médicos e enfermeiros enquanto trabalhavam. Os Serviços de Saúde instalaram equipamentos de gravação “nos postos da linha da frente”, criaram orientações de prevenção e resposta e ministraram cursos para melhorar a capacidade de comunicação do pessoal

 

Nos últimos cinco anos, registaram-se em Macau um total de 59 casos de violência contra profissionais de saúde, ocorridos em instituições de saúde pública e que exigiram intervenção policial. Contas feitas, desde 2017, ocorreram, em média, 12 casos de violência anuais contra médicos e enfermeiros que desempenham funções na linha da frente. Os dados foram revelados ontem pelo director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long, em resposta a interpelação escrita enviada pela deputada Ella Lei.

Recorde-se que, na altura, a deputada mostrou-se preocupada com a falta de mecanismos de apoio dirigidos aos profissionais de saúde que desempenham funções na linha da frente, fazendo referência ao caso de uma enfermeira do hospital público que, alegadamente, terá sido alvo de assédio sexual em Maio, por parte de um polícia e a pressão colocada pelos “desafios provocados pela pandemia de covid-19”.

“De acordo com alguns profissionais de saúde, trabalhadores da linha da frente foram agredidos ou molestados no decurso das suas funções. Os trabalhadores em serviços de urgência são mais propensos a tais situações”, alertou Ella Lei.

Na réplica, o director dos Serviços de Saúde começa por dizer que “atribui grande importância à protecção dos trabalhadores da linha da frente contra a violência no local de trabalho” e que o organismo que coordena tem implementado medidas para prevenir a ocorrência deste tipo de casos, como a criação de orientações, mecanismos de resposta e apoio emocional e cursos para melhorar a capacidade de comunicação do pessoal.

“Os Serviços de Saúde formularam orientações sobre a prevenção e resposta para casos de violência, incluindo a prestação de apoio emocional (…), ao mesmo tempo foram organizados cursos de atendimento e técnicas de comunicação destinados aos profissionais de saúde da linha da frente, com o objectivo de prevenir a ocorrência de conflitos verbais e físicos”, disse Alvis Lo por escrito.

Além disso, revelou, foi criada uma “task force nas instituições de saúde pública” para avaliar, regularmente, o nível de risco e foram instalados equipamentos de registo audiovisual em determinadas áreas públicas de atendimento. Alvis Lo acrescenta ainda que foi criado um sistema de notificação, disponível 24 horas por dia, para responder a este tipo de incidentes e destacadas mais forças de segurança.

Caso venham a ser registados mais casos de violência contra o pessoal médico, os Serviços de Saúde asseguram ainda que, além de apoio de emergência, será prestado aconselhamento psicológico e legal, com o objectivo de “proteger a saúde física e mental” dos trabalhadores.

Segundo dados dos Serviços de Saúde citados anteriormente por Ella Lei, em 2020 existiam em Macau, mais de 3.400 profissionais de saúde e foram atendidos, no total, perto de 649 mil pacientes em ambulatório, ou seja, mais 96 mil relativamente a 2017.

Consolidação | Próxima fase depende de resultados da testagem em massa

Rómulo Santos
Depois de três dias sem serem detectadas infecções por covid-19 na comunidade, as autoridades de saúde continuam a apelar à cautela. Só depois de apurados os resultados dos testes em massa do próximo fim-de-semana serão decididas as medidas a adoptar após o período de consolidação, que termina no sábado

 

Cautela é a palavra de ordem das autoridades de saúde em relação à possibilidade de flexibilizar as medidas de contingência em vigor, permitindo, por exemplo a reabertura das lojas situadas em centros comerciais ou da possibilidade de os clientes tomarem as refeições dentro de restaurantes. Mesmo com três dias sem casos detectados na comunidade, o Governo prefere esperar pelos resultados da próxima ronda de testes em massa, que decorre este fim-de-semana, para saber se prolonga o período de consolidação, que termina sábado, ou se relaxa as medidas.

“Mesmo com três dias consecutivos sem casos, passou ainda pouco tempo. Decorrem ainda os testes feitos a grupos-chave e temos de contar com os resultados dos testes em massa nos dias 30 e 31 de Julho. Vão ser dois dias muito importantes. O período de consolidação dura até à meia-noite de sábado e ainda faltam alguns dias. Peço a vossa compreensão e paciência”, disse Leong Iek Hou, médica e coordenadora do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus.

Não é, portanto, certo se será prolongado o período de consolidação. “Se houver uma alteração da situação epidémica teremos de mudar os nossos planos, o que torna difícil adiantar detalhes. Se Macau não registar casos na comunidade durante os testes em massa ficaremos mais descansados. Mas isso não significa que voltaremos à normalidade, porque precisamos de uma reabertura gradual. Não podemos permitir, por exemplo, convívios com mais de 400 pessoas”, adiantou Leong Iek Hou.

Testes serão realidade

Questionada sobre a possibilidade de Macau vir a exigir testes negativos com validade de 48 horas para entrar em certos locais numa próxima fase da pandemia, à semelhança do que acontece em Zhuhai, as autoridades confirmaram que a hipótese está em cima da mesa.

“No Interior da China, após a ocorrência do surto, passou a ser exigida a apresentação de testes negativos para a entrada em certos estabelecimentos. Macau vai seguir a mesma medida, mas se for o Governo a exigi-la, os testes serão gratuitos. Já para passar a fronteira será necessário pagar o teste”, frisou Leong Iek Hou.

A normalização poderá passar também por um maior intervalo na realização dos testes para quem precisa de sair de casa para trabalhar, “de três, quatro ou cinco dias”, além de poder ser exigido um teste para comer num restaurante. No entanto, “não temos ainda um plano”, afirmou Leong Iek Hou.

Acima de tudo, exige-se que “a população continue a colaborar”, com a responsável a exemplificar com o “grande risco” de transmissão que representa tirar a máscara na rua.

Quanto à notificação para realizar de testes de quem vive em zonas alvo, foi pedida a actualização da morada de forma manual no código de saúde, pois nem sempre a morada constante na Direcção dos Serviços de Identificação está correcta, o que faz com que as informações do Governo não sejam recebidas e os testes não sejam realizados. Situações que podem levar à perda do código de saúde verde.

Na conferência de imprensa foi ainda avançado que um doente infectado com covid-19, em estado grave e que esteve ligado ao suporte básico de vida durante uma semana, teve ontem alta hospitalar.

Em relação às pessoas que foram infectadas com covid-19, Leong Iek Hou informou que 1.065 já recuperaram e tiveram alta, e que deste universo regressaram a casa 78. A médica acrescentou ainda que dos 1.816 casos positivos registados durante este surto, 1.114 são assintomáticos.

O médico Lei Wai Seng, da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, indicou ainda que os centros de saúde e outras unidades de saúde vão retomar alguns serviços progressivamente, incluindo análises ao sangue e levantamento de medicação.

 

IAM | Acolhidos temporariamente 167 animais

Desde 19 de Junho, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) deu acolhimento temporário a 167 animais, incluindo cães, gatos, coelhos, hámsteres, ouriço-caixeiros, pássaros, tartarugas, entre outros, indicou ontem o organismo liderado por José Tavares. Em simultâneo, após a comunicação com associações de protecção de animais e veterinários privados, foi estabelecido um mecanismo de transporte e assistência veterinária a moradores de edifícios declarados como zonas vermelhas. Até à passada segunda-feira, o IAM ajudou a transportar oito animais de zonas vermelhas para veterinários privados para exames veterinários, hospitalização ou cuidados auxiliares como entrega de medicamentos ao domicílio.

Terceiro dia sem casos

Pelo terceiro dia consecutivo, não foram encontrados casos comunitários em Macau. Referindo-se aos dados recolhidos na segunda-feira, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo tipo de Coronavírus anunciou que foram detectados dois novos casos nas zonas de código vermelho e em hotéis de quarentena durante a fase de gestão e controlo. Desde 18 de Junho, Macau acumulou um total de 1.816 casos positivos, tendo sido acompanhadas, no total, 22.957 pessoas.

Três casos importados

Três homens com idades entre os 28 e os 50 anos acusaram positivo para a covid-19 ao entrar em Macau na passada segunda-feira. De acordo com o Centro de Coordenação, os três pacientes não apresentam sintomas e negaram qualquer histórico de infecção da doença, tendo sido encaminhados para isolamento médico. Da totalidade dos casos registados em Macau, apenas 787 são considerados “confirmados”, dado que os pacientes apresentaram sintomas. Os restantes 1.368 infectados são considerados casos assintomáticos, não entrando para a contabilização.

Ron Lam U Tou diz que medidas de consolidação “não são científicas”

Sofia Margarida Mota

Numa carta dirigida à secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, o deputado Ron Lam U Tou defende que algumas medidas adoptadas no período de consolidação não são científicas. O deputado refere as justificações pouco convincentes que levaram à possibilidade de restaurantes ou centros de estudo que só funcionarem em regime de take-away ou online, mantendo-se fechados espaços como cinemas ou ginásios.

Outros exemplos elencados na missiva dirigida a Elsie Ao Ieong U foi a das lojas dentro de centros comerciais que continuam fechados por, no entender das autoridades, não existir um sistema de limpeza e ventilação que assegure baixa transmissão do vírus.

Na óptica de Ron Lam, estas medidas não só são arbitrárias como causam “sério impacto às pequenas e médias empresas (PME) que operam no sector educativo”. O legislador também não compreende porque alguns edifícios reabertos ao público funcionam com ar condicionado ligado e recebem algum fluxo de pessoas, mantendo uma circulação de ar em espaço fechado, enquanto “apenas os espaços em centros comerciais estão proibidos de continuar a operar”.

“Apoiamos em absoluto as políticas do Governo, mas actualmente é difícil afirmar que algumas medidas são científicas. Em contraste, Zhuhai, cujo primeiro caso de covid-19 da variante Ómicron BA.5 foi descoberto dia 11 de Julho, e mediante a apresentação do teste negativo com validade de 48 horas e limitação de pessoas, permite que os restaurantes sirvam refeições, além de que a maior parte das indústrias e espaços comerciais voltaram a operar.”

Explicações necessárias

Ron Lam U Tou exige que as autoridades de Macau “anunciem o mais cedo possível o plano de recuperação económica após o período de consolidação”, bem como “quando serão abolidas as diferentes medidas de prevenção da pandemia”. O deputado defende que restaurantes devem reabrir os serviços de mesa e receber clientes, assim como os centros educativos e de explicações, “para que não sejam forçados a estar encerrados ou com operações reduzidas mais um mês”.

O legislador pede também à secretária para os Assuntos Sociais e Cultura que explique o que implica em termos práticos o “período de normalização” e quais as medidas de combate à pandemia que serão implementadas durante essa fase.

Uruguai e China perto de cronograma para concluir acordo de livre-comércio – Montevideu

DR

O Uruguai e a China estão a trabalhar para concluir um cronograma que permitirá avançar num acordo de livre-comércio entre os dois países, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros uruguaio.

“Foi formada uma equipa de trabalho muito boa. Neste trabalho e nesta equipa, o negociador chefe fez um primeiro contacto com o homólogo chinês do Ministério do Comércio para estabelecer um cronograma”, explicou Francisco Bustillo, citado pela agência noticiosa Efe, que se encontrou com o diretor-geral para a América Latina e Caraíbas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Cai Wei.

Quando questionado sobre a possibilidade de todos os países do Mercosul avançarem juntos num acordo de livre-comércio com o gigante asiático, o chefe da diplomacia do Uruguai disse que continuará a negociar, como já anunciado pelo Presidente do país, Luis Lacalle Pou.

“Estamos a dar passos nesta direção e (…) prevemos que, a dada a altura, os restantes Estados-membros do Mercosul se juntem a estas negociações”, acrescentou.

De acordo com o ministro uruguaio, Montevideu espera concluir o acordo durante o mandato deste Governo, que termina em 01 de março de 2025.

Ainda sobre a possibilidade de os países do Mercosul avançarem num possível acordo de livre-comércio, Bustillo considerou que tal poderá acontecer a diferentes velocidades.

“O Mercosul já deu um número infinito de flexibilidades, uma das quais é precisamente o tempo de negociação. Neste sentido, não estamos fechados à possibilidade de podermos concluir o nosso acordo de livre comércio com a China e, depois, outros países aderirem em alturas e ritmos diferentes”, concluiu.

Já Cai Wei referiu que a sua visita à capital do Uruguai lhe permitiu perceber “a vontade firme de a comunidade uruguaia reforçar as relações com a China”.

“A China, como forte defensora do comércio livre, está disposta a negociar e assinar acordos de livre-comércio com todos os países interessados”, acrescentou.

A reunião entre os dois responsáveis decorreu na Torre Executiva, na capital uruguaia, e contou com a presença da ministra da economia, Azucena Arbeleche, e do secretário da Presidência do país, Álvaro Delgado.

No passado dia 13, Lacalle Pou anunciou que o Uruguai e a China iam iniciar negociações para a assinatura de um acordo de livre-comércio, depois de uma conclusão “positiva” constar de um estudo de viabilidade que está a ser realizado pelos dois países.

Execução de prisioneiros em Myanmar “é altamente condenável”, diz ASEAN

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A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) condenou hoje a execução de quatro opositores ao regime militar de Myanmar, de acordo com um comunicado divulgado pelo Governo do Camboja, que detém atualmente a presidência do bloco.

“A implementação das penas de morte, apenas uma semana antes da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, é altamente condenável e representa um retrocesso e uma grande falta de vontade de apoiar os esforços para implementar os cinco pontos de consenso”, alcançados em abril de 2021 pelos dirigentes do bloco e o líder do regime militar de Myanmar (antiga Birmânia), lê-se na declaração.

Na próxima semana, os chefes da diplomacia dos países da ASEAN vão reunir-se na capital cambojana, Phnom Penh, com exceção de Myanmar – membro do bloco, mas que não foi convidado -, para falar sobre a situação daquele país, entre outros temas.

“Fazemos um apelo forte e urgente a todas as partes envolvidas para que desistam de tomar medidas que só agravariam ainda mais a crise, dificultariam o diálogo pacífico entre todas as partes e colocariam em risco a paz, a segurança e a estabilidade não apenas em Myanmar, mas em toda a região”, pediu ainda a ASEAN.

O bloco de nações asiáticas enfatizou, além disso, o compromisso com os cinco pontos de consenso, que incluem o fim da violência contra civis naquele país, o diálogo entre todas as partes envolvidas no conflito, incluindo a líder destituída Aung San Suu Kyi, detida numa prisão de Naypyidaw.

A junta militar executou quatro prisioneiros, dois deles políticos da oposição, a primeira aplicação da pena de morte em mais de três décadas, informou na segunda-feira a imprensa oficial.

Numa breve nota publicada pela Agência Nacional de Myanmar, controlada pelos militares, as autoridades confirmaram que “a punição foi executada” por enforcamento, sem especificar quando.

Entre os executados incluem-se o antigo deputado Phyo Zeyar Thaw, da Liga Nacional para a Democracia, e o ativista Ko Jimmy, condenado em janeiro por acusações de terrorismo na sequência de atividades contra a junta.

Os outros dois são Hla Myo Aung e Aung Thura Zaw, acusados de matar uma mulher por, alegadamente, ser uma informadora dos militares. O regime militar anunciou no início de junho que iria retomar a pena capital.

A iniciativa foi condenada por vários países, incluindo França, Estados Unidos e Canadá, bem como as Nações Unidas e centenas de organizações não-governamentais locais e internacionais.

A última execução na Birmânia teve lugar em 1988, sob a antiga junta militar que governou o país entre 1962 e 2011, de acordo com a Amnistia Internacional.

Desde a revolta militar, 113 pessoas foram condenadas à morte num país que não tinha revogada a pena, mas onde os condenados viam as suas sentenças trocadas por tempo em prisão, na sequência dos perdões tradicionais concedidos pelas autoridades em datas especiais.

O golpe mergulhou o país numa profunda crise política, social e económica, e desencadeou uma espiral de violência com novas milícias civis.

Mais de dois mil civis foram mortos em resultado de uma repressão brutal por parte da polícia e dos soldados, que dispararam sobre manifestantes pacíficos e desarmados, de acordo com dados compilados pela Associação para a Assistência aos Prisioneiros Políticos, que não contabiliza os mortos durante confrontos armados ou fatalidades ligadas ao regime militar.

Guterres nomeia chinês Li Junhua como adjunto para Assuntos Económicos e Sociais

DR

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, nomeou hoje o chinês Li Junhua como sub-secretário-geral para os Assuntos Económicos e Sociais, informaram hoje os seus serviços, em comunicado. Li Junhua sucede no cargo ao seu compatriota Liu Zhenmin, que tinha sido nomeado em 2017.

Atual embaixador plenipotenciário da China para Itália e San Marino, Li é apresentado como alguém que vai levar para a ONU “perspetivas e visões para fomentar a cooperação multilateral económica e social”, com especial ênfase em fazer cumprir a Agenda 2030.

A nota apresenta-o como alguém muito experiente na política multilateral, com participação destacada em organismos asiáticos e da Bacia do Pacífico, além dos BRICS, G-20 e a própria ONU, tanto na Assembleia Geral como no Conselho de Segurança.

A carreira de Li tem sido feita inteiramente no Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em destinos como Birmânia e Tailândia, mas principalmente em diversos cargos na sede central da ONU, onde esteve entre 1997 e 2008.

Partido de Suu Kyi devastado com execução de quatro ativistas em Myanmar

DR

O partido da líder deposta no golpe de Estado em Myanmar (antiga Birmânia), Aung San Suu Kyi, afirmou estar devastado com a execução de quatro ativistas pró-democracia no país, incluindo um antigo parlamentar da força política.

Foram as primeiras execuções em 30 anos realizadas em Myanmar e o caso está a gerar a indignação mundial.

“A Liga Nacional para a Democracia (NLD) está devastada”, afirmou o partido numa declaração, enquanto Aung San Suu Kyi, que se encontra detida desde o golpe militar de 01 de fevereiro de 2021 e que foi condenada a uma pena de 11 anos de prisão, acrescentou lamentar as execuções, segundo avançou o serviço birmanês da estação britânica BBC.

Segundo a NLD, os quatro ativistas foram “impiedosamente mortos pela milícia terrorista”, referindo-se à junta militar no poder, que acusou de ter cometido “outro crime intolerável” e de ignorar os apelos da comunidade internacional e “daqueles que procuram justiça”.

Numa breve nota publicada pela Agência Nacional de Myanmar, que está sob o controlo dos militares, as autoridades confirmaram hoje que a punição foi executada por enforcamento, mas sem especificar quando.

Entre os executados incluem-se o antigo deputado Phyo Zeyar Thaw, da Liga Nacional para a Democracia, e o ativista Ko Jimmy, condenado em janeiro por acusações de terrorismo na sequência de atividades contra a junta.

Os outros dois executados são Hla Myo Aung e Aung Thura Zaw, acusados de matar uma mulher por, alegadamente, ser uma informadora dos militares. O regime militar, que assumiu o controlo do país na sequência do golpe de fevereiro de 2021, anunciou no início de junho que iria retomar a pena capital.

A decisão foi condenada por vários países, incluindo França, Estados Unidos e Canadá, bem como as Nações Unidas e centenas de organizações não-governamentais (ONG) locais e internacionais. A última execução em Myanmar teve lugar em 1988, sob a anterior junta militar que governou o país entre 1962 e 2011, de acordo com a Amnistia Internacional (AI).

Desde o golpe militar, 113 pessoas foram condenadas à morte num país que não tinha revogada a pena capital, mas onde os condenados viam as suas sentenças trocadas por tempo em prisão na sequência dos perdões tradicionais concedidos pelas autoridades em datas especiais.

O golpe de fevereiro de 2021 mergulhou o país numa profunda crise política, social e económica, e desencadeou uma espiral de violência com novas milícias civis.

Mais de dois mil civis foram mortos na sequência de uma repressão brutal por parte da polícia e dos soldados, que durante manifestações pacíficas pró-democracia dispararam fogo real contra manifestantes desarmados, de acordo com dados compilados pela Associação para a Assistência aos Prisioneiros Políticos.

Cabo Verde quer medicina tradicional chinesa como alternativa à convencional, diz ministro

DR

O ministro da Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, disse que o país está a trabalhar para implementar a medicina tradicional chinesa no país, para ser uma alternativa e para complementar a medicina convencional.

“Nós estamos a trabalhar para a implementação da medicina tradicional chinesa em Cabo Verde, medicina alternativa, dentro do Serviço Nacional de Saúde [SNS]”, disse o ministro, na sua intervenção, no ato de entrega por parte da China de equipamentos aos serviços do Hospital Universitário Agostinho Neto, da Praia, o maior do país.

O governante referiu que o projeto está a ser implementado em conjunto com o Parque Industrial de Macau, para funcionar como tratamento alternativo da medicina convencional.

“Neste aspeto também é uma área que podemos continuar a aprofundar, por forma a que possamos ter as duas medicinas trabalhando paralelamente e complementarmente em Cabo Verde”, perspetivou Arlindo do Rosário.

Há anos que Cabo Verde fala na implementação da medicina tradicional chinesa no país, prevendo também que seja um centro para servir também a África.

“Tal como em Portugal, que construiu também um centro de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa, para a Europa, porque não em Cabo verde, para África?”, argumentou em setembro de 2019 o ministro, à margem do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, que aconteu em Macau.

Na altura, frisou que a indústria farmacêutica já produz cerca de 40% dos medicamentos da medicina convencional consumidos no país.

“É uma indústria em expansão, que está a desenvolver-se, também virada para a região africana, para os países (…) africanos de língua oficial portuguesa”, salientou.

A criação de legislação para regulamentar a atividade é uma das prioridades, declarou na altura à Lusa a assessora para a implementação da medicina tradicional em Cabo Verde, Leila Rocha.

Em maio de 2019, Cabo Verde assinou um acordo com o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, com o objetivo de aprofundar a cooperação nesta vertente medicinal com a China.

A China tem sido um dos grandes parceiros do desenvolvimento de Cabo Verde, apoiando, além da saúde, em diversas áreas, como habitação social, militar, económica, tecnologia, segurança e formação de quadros na cultura.

China com alertas de calor e milhões aconselhados a ficar em casa

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Várias cidades da China estiveram ontem em alerta vermelho devido à onda de calor que atinge o país, onde dezenas de milhões de pessoas foram aconselhadas a manter-se em casa. A população das zonas que foram colocadas em alerta vermelho pelo instituto meteorológico nacional – sobretudo o sudeste e noroeste do país – foi aconselhada pelas autoridades a “cessar toda a actividade ao ar livre” e “ter especial atenção à prevenção de incêndios”.

A cidade de Xangai registou, no fim-de-semana passado, a temperatura mais alta dos últimos 149 anos, com 40,9° Celsius, e as províncias de Zhejiang e Fujian (leste) ultrapassaram os 41°C, quebrando um recorde histórico em duas cidades destas províncias. Embora no sábado se tenha assinalado o início da época mais quente, de acordo com o calendário tradicional chinês, este Verão parece superar todas as expectativas.

Para se refrescarem, centenas de chineses deslocaram-se para a praia em Xiamen, província de Fujian, no domingo, segundo relatam as agências internacionais.

A onda de calor está a pressionar o sistema eléctrico chinês, já que as famílias e as empresas estão a recorrer mais ao ar condicionado, levando as centrais de energia do país a baterem recordes de capacidade em meados de Julho, de acordo com a Sxcoal, uma publicação de comércio de energia.

Efeito dominó

Ondas de calor extremas, às vezes mortais, têm afectado várias regiões do planeta nos últimos meses, nomeadamente a Europa ocidental em Julho e a Índia em Março e Abril. Por isso, as autoridades locais de algumas províncias da China decidiram desligar as luzes da rua e cobrar mais às empresas pela electricidade durante os horários de pico de consumo.

O director de previsões do instituto meteorológico da China, Fu Jiaolan, avisou ontem que a onda de calor também “afectará negativamente as culturas locais” e disse que as temperaturas actuais se irão manter, pelo menos, mais 10 dias. No início do Verão, e em contraste com a actual situação, a China foi cenário de inundações e chuvas incessantes.

Greve e lojas fechadas

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A arrematação do exclusivo do vinho Liu-pun para Macau, Taipa e Coloane e suas dependências para o período de 1 de Maio de 1892 até 30 de Junho de 1894 foi feita a 2 de Abril de 1892 por proposta em carta fechada do capitalista Chan-Iü-San, chinês de Hong Kong, pela quantia de 7,810 patacas.

As condições do contrato do exclusivo do vinho Liu-pun respeitantes a terceiros aparecem no anúncio da repartição de fazenda provincial no Boletim Official do Governo da Província de Macau e Timor n.º 15 de 16 de Abril de 1892, parte já publicada no artigo anterior. Aqui se complementa com a Condição sexta – O imposto que o arrematante tem direito de cobrar, três caixas por cada cate de vinho Liu-pun que seja importado em Macau, Taipa e Coloane, ou aí fabricado com sua licença, é devido, no caso de importação, logo que o vinho entre nessas localidades e no caso do fabrico local, logo que esteja preparado.

Sobre a peça oficial, o edital do Governador publicado a 6 de Abril de 1892 no Suplemento ao n.º 13 do B.O., o jornal O Independente de 21 de Abril refere, Não produziu o efeito desejado, antes foram desprezadas pelos chineses as determinações nele contidas a despeito das quais resolveram fechar todas as suas lojas, tendo havido previamente, segundo se diz, várias conferências na Lapa.

Abertura das lojas

A 28 de Abril de 1892 O Independente anuncia: . “Parece que o governo provincial andava mais sôfrego de ver a solução da crise, e estava firmemente resolvido a fazer terminar até com violência a greve no começo do terceiro dia”, segundo O Macaense, que , mas a impossibilidade de consultar esse jornal, devido ao actual encerramento das bibliotecas, retira-nos essa valiosa informação. Ainda a 28, o jornal O Independente apresenta em comunicados:

Soluções

Continuando n’O Independente de 28 de Abril de 1892: É que, com efeito, brada aos céus que importando-se e fabricando-se em Macau não menos de 36 mil picos de liu-pun, por ano, se autorizasse a cobrança de 3 caixas por cate, o que produz aproximadamente $15:000, recebendo o governo apenas $7.800, quando teria sido mais justo, regular e mais político anunciar a taxa de 3 caixas, provocar pelos meios de que o governo pode dispor um princípio de reacção, chamar então os negociantes a agremiarem-se, cedendo caixa e meia, o que dava ao governo 7.500 patacas por ano, aliviando os contribuintes de igual quantia. (…)

Tentou-se obrigar os chineses a abrirem as suas lojas, quando nos parece que seria mais acertado usar do direito que assiste ao governo de cessar as licenças, proibindo aos grevistas tornarem a abrir as suas lojas, se o não quisessem fazer, pura e simplesmente, sem condições de espécie alguma, no termo de 24 horas. Iam para a Lapa? Pois fossem, que primeiro está o prestígio do governo!

Era ocasião de se dar um impulso à actividade dos macaistas, que seriam levados a estabelecer-se e tornar-se negociantes, para não tornarem a ficar na completa dependência dos chineses.

Myanmar | Quatro enforcados, primeiras execuções em 30 anos

DR

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch disse ontem que a execução pela junta militar de Myanmar (antiga Birmânia) de quatro prisioneiros, dois deles políticos da oposição, é “um acto da maior crueldade”. “A União Europeia, os Estados Unidos e outros governos devem mostrar à junta que será responsabilizada pelos seus crimes”, disse a directora para a Ásia da ONG.

A junta militar executou quatro prisioneiros, dois deles políticos da oposição, a primeira aplicação da pena de morte em mais de três décadas, informou ontem a imprensa oficial.

Numa breve nota publicada pela Agência Nacional de Myanmar, controlada pelos militares, as autoridades militares confirmam que “a punição foi executada” por enforcamento, sem especificar quando.

Entre os executados incluem-se a antiga deputada Phyo Zeyar Thaw, da Liga Nacional para a Democracia, e o activista Ko Jimmy, condenado em Janeiro por acusações de terrorismo na sequência de actividades contra a junta.

Os outros dois são Hla Myo Aung e Aung Thura Zaw, acusados de matar uma mulher por, alegadamente, ser uma informadora dos militares.

“Extremamente chocado e triste ao ler a notícia da execução de quatro activistas pró-democracia”, escreveu na rede social Twitter o autodenominado Governo de Unidade Nacional, que se opõe aos militares, apelando às Nações Unidas, à União Europeia e ao bloco de países do sudeste asiático para “punir a junta militar pela sua crueldade e assassínios”.

O regime militar, que assumiu o controlo do país num golpe de Estado a 1 de Fevereiro de 2021, anunciou no início de Junho que iria retomar a pena capital.

Hong Kong | Estudantes devem aprender com discurso de Xi Jinping

DR
A secretária para a Educação do Governo de Hong Kong entende que os estudantes da região vizinha devem aprender com o discurso que Xi Jinping proferiu durante a visita à RAEHK. Christine Choi afirmou que os jovens devem interiorizar a ideia de que os seus sonhos e objectivos estão interligados com o futuro do país

 

“Todos os jovens devem compreender a importância dos conceitos proferidos no discurso [de Xi Jinping] e perceber que os seus objectivos e sonhos de vida devem estar intimamente interligados com o futuro do país”, afirmou ontem Christine Choi, secretária para a Educação do Executivo de John Lee, no Conselho Legislativo de Hong Kong.

A governante destacou a importância do discurso do Presidente Xi Jinping de 1 de Julho, durante as celebrações do 25º da RAEHK, na sequência de questões colocadas por dois deputados numa comissão parlamentar sobre educação patriótica e o ângulo pedagógico do discurso de Xi Jinping.

Com o objectivo de pôr em prática os ensinamentos curriculares das palavras do Presidente da República Popular da China, a secretária para a Educação afirmou que serão organizadas sessões com docentes, reitores e directores de escolas para extrair lições do discurso.

De acordo com a emissora RTHK, o deputado Tang Fei, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores do Sector da Educação, perguntou como pode o Governo aferir da eficácia da educação patriótica. Christine Choi respondeu que se os estudantes demonstrarem bom comportamento durante as cerimónias de içar da bandeira, ou em excursões ao Interior da China, de uma forma visível para os docentes, isso quer dizer que os objectivos foram alcançados.

As outras vozes

Entretanto, alguns legisladores questionaram a eficácia da promoção da educação patriótica e das visitas de estudo ao Interior da China. “Na realidade, muitos estudantes regressam destas visitas e dizem que não acreditam no que viram, argumentando que tudo pareceu encenado”, afirmou a deputada Priscilla Leung.

Representantes do Executivo de John Lee garantiram que durante as visitas de estudo, os alunos de Hong Kong têm acesso a locais que não estão disponíveis ao público geral, e que o Governo recebeu garantias das autoridades do Interior da China de que os estudantes aprendem algo importante nos sítios que visitam.

Finalmente, Christine Choi esclareceu que as visitas à China não têm como objectivo classificação curricular, mas fazer com que os estudantes aprendam algo sobre o país.

Un I Wong, advogada da área empresarial: “Macau continua focado no mercado local”

HM
Advogada em Lisboa, com experiência nos ramos empresarial e imobiliário, Un I Wong é natural de Macau e olha com interesse para o projecto da Grande Baía, afirmando que o território ainda tem de trabalhar muito para atingir os objectivos estabelecidos. A jurista defende que Macau olha demasiado para o mercado local e que é preciso ter confiança para chegar a projectos internacionais

 

O projecto da Grande Baía tem ainda muitas áreas para explorar?

É um projecto muito importante e acho fascinante que a China esteja sempre a desenvolver novas iniciativas para crescer, tal como “Uma Faixa, Uma Rota”. A Grande Baía será o motor do crescimento económico na China a curto prazo. Como o projecto começou há pouco tempo, ainda existem muitas áreas a explorar, mas com a colaboração do Governo Central e do sector privado não tenho dúvidas de que muitas pessoas e entidades, incluindo de Macau, vão tirar proveito do projecto.

O seu trabalho, na área empresarial e do imobiliário, acaba por estar muito ligado aos projectos da Grande Baía.

Acompanho alguns processos na China porque desempenho funções como conselheira para a área internacional e exploro as oportunidades que existem. Notamos mais projectos entre fronteiras, ou seja, de empresas chinesas que nos contactam com o intuito de colaborar com Macau e que querem saber como o projecto pode ser lançado. Fomos também solicitados por escritórios de advogados do outro lado da fronteira que procuram a nossa colaboração. Esta é uma área com grandes potencialidades e o Governo está a investir muito no projecto, o que faz com que o sector privado também esteja a investir. Já se contam vários exemplos de sucesso, mas posso falar do caso do BNU, que está em Hengqin. Uma das vantagens mais imediatas que vejo [na Grande Baía] é o facto de a mão-de-obra na China continuar a ser mais barata do que em Macau, além de existirem mais talentos. Conheço empresas que decidiram mudar a sede para Hengqin, tendo contratado locais lá. Mas a gestão e decisão continuam a ser de Macau. A ideia é muito interessante, porque poupam-se custos e conseguem-se mais talentos.

Macau está no caminho da integração na Grande Baía, mas continua a ter um problema de falta de recursos humanos. Pode ser um entrave para o desenvolvimento?

Faltam talentos, mas prefiro focar-me na questão dos profissionais qualificados. Essa é a maior urgência, porque o projecto de Macau ser uma plataforma comercial começou há muitos anos e, apesar do Governo ter investido bastante, o impacto continua a ser muito limitado. Como trabalho em dois sítios [Macau e Portugal], percebo que neste contexto não há muitas pessoas que conheçam as necessidades concretas de duas realidades. Muitas pessoas que trabalham em Macau continuam a focar-se muito no mercado local e não têm visão internacional. Não querem participar nos projectos com impacto internacional, pelo menos neste nicho luso-chinês. Este ano, o Banco de Portugal revelou que a China é o quinto maior investidor em Portugal, sendo que 41 por cento do investimento vem do Luxemburgo e 22 por cento de Hong Kong. E questionei-me: onde está Macau? Será que a plataforma é eficiente?

Que razões aponta para essa lacuna?

Tenho muitos amigos que trabalham em empresas chinesas que investem em Portugal e percebi que não conhecem bem Macau e não têm informações sobre o território. Quando comparam Macau com Hong Kong, como não há grandes vantagens competitivas para o investimento luso-chinês, facilmente escolhem Hong Kong ou outro sítio que também tenha vantagens fiscais e onde o sistema possa ser mais avançado quando comparado com a economia de Macau. O que temos, neste momento, não é suficiente. A única coisa que Macau tem de mais benéfica é a isenção do imposto quando há dividendos, caso uma empresa de Macau faça investimentos nos países lusófonos. Mas isto é algo aprovado todos os anos [no Orçamento], não é uma lei, e por isso não é suficiente.

Pretende-se desenvolver o sector financeiro em Macau e abrir uma bolsa de valores virada para o mercado lusófono. Acha que estão reunidas as condições para isso?

Macau tem de trabalhar muito para conseguir tornar o sector financeiro mais sofisticado e internacional. O objectivo não é apenas ajudar as empresas chinesas, mas também ajudá-las a sair para fora, para que captem investimento. Existe, de facto, um grande potencial que está muito bem definido, que é a captação de investimentos luso-chineses para Macau. É algo possível, mas desafiante, pois já existem dois mercados bolsistas bem estabelecidos em Hong Kong e Shenzhen [dentro da Grande Baía]. A bolsa de valores em Macau, eventualmente, não será muito dinâmica, mas, pelo menos, pode ser algo bem trabalhado e trazer valores para o território. Só apostando na plataforma com os países de língua portuguesa Macau pode ter mais-valia na Grande Baía. O sistema jurídico que temos neste momento não é suficiente para apoiar um projecto tão complexo como a criação de uma bolsa de valores. Falta de legislação, como o Código dos Valores Imobiliários. Há muito trabalho a fazer, e sei que o Governo está a estudar e a planear para isso.

Mas é possível ir além da plataforma?

Penso que o turismo é uma área em que Macau já tem muita experiência e capacidade. Os grandes resorts estabelecidos no território, com grandes eventos, conseguem atingir uma qualidade de serviço muito alta, com grande capacidade em termos de logística e de recursos humanos. É uma área na qual Macau pode partilhar conhecimentos com outras cidades da Grande Baía, com Portugal e até com os restantes países de língua portuguesa. Mas em relação à plataforma, penso que os incentivos devem ser reforçados.

Fiscais?

Vários. Actualmente, além da isenção do imposto de que falei, não há muitos mais incentivos. Macau pode ser uma boa ponte em termos de comércio, não tão forte como Hong Kong, mas beneficiamos do Acordo CEPA. Os benefícios aduaneiros são também importantes para vários produtos. Mas também outros incentivos, como regimes específicos para vários tipos de talentos, algo que acontece em muitas províncias chinesas. Cada cidade, quando quer captar talentos, tem um programa, com a concessão de subsídios ou facilitação de alojamento. Macau pode pensar nisso também, além do regime de residência. É também importante aumentar a eficiência na emissão de vistos e atribuição de residência. Conheço casos de empresas de Macau que não conseguem contratar pessoas fora de Macau, devido às limitações para a emissão de blue cards. Tenho conhecimento, por exemplo, de uma empresa portuguesa que quer abrir uma sucursal em Macau e não consegue contratar pessoas. Desta forma, devem ser implementados programas específicos para estes projectos e proporcionar maior flexibilidade. Se tratamos os projectos dos países de língua portuguesa como se fossem iguais aos outros, quem investe pensa em ir para Hong Kong ou outra cidade, questionando o valor de Macau. É também preciso construir a confiança, pois ainda é fraco o conhecimento dos projectos internacionais.

E em relação ao investimento português na Grande Baía?

O Plano de Resolução e Resiliência (PRR), em vigor em Portugal, pode fomentar o investimento, embora não directamente. Continua a existir em Portugal grande falta de conhecimento sobre a Grande Baía. Trabalho com várias associações e think-tank luso-chineses, e sei que só este ano começaram a acontecer mais seminários focados no projecto. Antes só se abordava o assunto de vez em quando. Mas continuamos ainda na fase inicial para que os portugueses saibam o que é a Grande Baía. Quando a pandemia passar, o Governo chinês também terá interesse em promover a Grande Baía em Portugal. Mas tenho conhecimento de várias empresas portuguesas na área da tecnologia que têm interesse em entrar na China. A maior dificuldade que têm é não saber quem contactar e para que cidade devem ir. Por isso, o nosso papel é servir de intermediários, ajudar nos investimentos e bater em algumas portas. O maior desafio é, sem dúvida, arranjar os parceiros certos para os projectos. Na Grande Baía, como cada cidade tem objectivos definidos, vai ser mais fácil para as empresas portuguesas perceber para onde querem ir. Portugal pode, sem dúvida, ter uma relação mais estreita com a Grande Baía.

Enquanto advogada, acredita que o futuro passará pela interligação dos sistemas jurídicos de Macau e da China?

Um dos maiores desafios da Grande Baía é como tratar as diferenças entre os dois ordenamentos jurídicos. Estudei também Direito da China, além da minha formação em Direito português, e será difícil mitigar as diferenças. A promoção do intercâmbio e formação contínua é muito importante.

DSAL | TNR com salários em atraso em acompanhamento

Tiago Alcântara

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) diz estar a acompanhar o caso de 29 trabalhadores não-residentes (TNR) empregados numa empresa do sector da limpeza que reclamam o pagamento de salários em atraso.

Segundo uma nota de imprensa, a DSAL diz ter explicado aos trabalhadores os seus direitos e instaurado um processo para acompanhar o caso. Além disso, já foi contactada a empresa em causa e exigidas “informações para conhecer a situação de atribuição de salários”. Na mesma nota, a DSAL afirma que “vai continuar a acompanhar o caso, investigando-o nos termos da lei, sendo certo que aplicará sanções, caso venha a verificar a existência de qualquer acto que viole a lei, a fim de garantir os direitos e interesses legítimos dos trabalhadores”.

Caritas | Apoio alimentar ajuda 1.000 pessoas a contornar a fome

HM
Entre quem está desempregado há vários meses, em situação de layfoff ou perdeu o trabalho nas últimas semanas devido às restrições anti-epidémicas, o programa de ajuda alimentar da Caritas apoia cerca de 1.000 pessoas que estão a passar fome ou em dificuldade. Paul Pun, acredita que o número vai aumentar em breve e que haverá sempre forma de ajudar quem precisa, mesmo que as restrições pandémicas coloquem entraves

 

O secretário-geral da Caritas Macau, Paul Pun revelou que o programa de ajuda alimentar do organismo, “Food Sharing Project”, apoia actualmente cerca de 1.000 pessoas que estão a passar fome ou a atravessar dificuldades excepcionais inerentes à pandemia. Além disso, com a agravante das restrições anti-epidémicas das últimas semanas, que incluíram um confinamento parcial da cidade, e apesar da urgência humanitária da situação, a ajuda tem de ser feita “discretamente” e sem aglomerações e, por isso, é necessário recorrer a marcações para evitar filas de espera.

Entre os grupos que têm pedido ajuda, explicou Paul Pun ao HM, está um conjunto de cerca de 150 pessoas “desesperadas” e “a necessitar de atenção urgente”, dado estarem desempregadas há mais de dois meses, um outro grupo composto por várias centenas de pessoas que ficaram sem trabalho nas últimas semanas devido à imposição de restrições e, por fim, um terceiro grupo de pessoas “relativamente seguras” a nível financeiro, forçadas a entrar em regime de licença sem vencimento durante o confinamento parcial, mas que não perderam o trabalho.

A maioria dos pedidos de ajuda são trabalhadores não-residentes (TNR) que “estão a pedir pão” ou outros bens essenciais como leite em pó ou fraldas, mas também há residentes de Macau, geralmente idosos que estão em zonas amarelas que “não sabem o que fazer e não têm ninguém que os ajude”. Contas feitas, os primeiros dois grupos, com necessidades mais urgentes, contabilizam, no total, 800 pessoas, sendo que as restantes 200 pessoas pertencem ao grupo menos urgente. No ano passado, o número total de pessoas que pediram auxílio à Caritas chegou a ser de cerca de 2.000, mas, devido aos voos de repatriamento, o número caiu drasticamente.

“Aqueles que estão a passar fome fazem parte do primeiro grupo. As pessoas do segundo grupo também estão muito ansiosas, porque não têm rendimentos a curto prazo. As pessoas do terceiro grupo têm salário, mas não tiveram rendimentos nas últimas semanas e, por isso estão relativamente seguras. No entanto, o problema é não terem dinheiro suficiente para enviar também algum para casa”, explicou o responsável.

Contudo, tendo em conta as restrições ainda em vigor devido ao chamado “período de consolidação”, a ajuda apenas pode ser dada mediante marcação, com a prioridade canalizada, maioritariamente, para as 800 pessoas em situação mais urgente. Outro dos constrangimentos destes dias é o facto de ter sido impossível fornecer pão diariamente, durante duas semanas, a quem precisa, dado que a sua entrega esteve condicionada.

“Neste momento, a grande preocupação de todos é que há muitas pessoas a passar fome. Se estiverem a passar fome, essas pessoas podem vir ter connosco entre as 16h-20h [na Avenida do Coronel Mesquita Nº17] ou ligar a qualquer hora. Mesmo que a porta esteja fechada, a janela está aberta. Temos de fazer isto para que não se formem filas grandes à entrada do nosso espaço”, conta Paul Pun.

“Temos de fazer isto de forma discreta [devido às restrições]. Apesar de estarmos a dar coisas que as pessoas precisam urgentemente, não queremos desiludir quem nos pede ajuda e, se não podemos dar hoje, damos amanhã. Por isso, estamos a pedir às pessoas que façam marcações para vir aqui, em vez de, simplesmente, aparecerem”, acrescentou.

Filhos e enteados

Neste contexto, Paul Pun fez ainda referência ao facto de durante o dia de ontem “a maioria dos bancos ter enormes filas à porta” e, socialmente, isso não ser visto como um problema, ao contrário daquilo que poderia acontecer caso os TNR fizessem filas para receber ajuda alimentar.

“A sociedade não iria aceitar ver os trabalhadores estrangeiros a fazer fila à porta das nossas instalações para poder comer. As pessoas achariam errado. Mas num banco, apesar de muitas pessoas estarem aglomeradas e à espera durante muito tempo e com uma distância inferior a um metro, não há queixas. Aqui, bastaria acontecer uma vez para começarem a tirar fotografias e a criticar o que estávamos a fazer”, apontou.

O secretário-geral da Caritas deu ainda nota de que “há menos pessoas a fazer doações”, dado estarem agora “mais preocupadas com a sua própria subsistência”. Paul Pun considera ainda que o número de pessoas que estão actualmente a pedir ajuda de forma regular à Caritas “vai aumentar devido aos efeitos da pandemia”.

Sobre a medida, entretanto cancelada, que obrigava todos os nacionais filipinos a fazer testes de ácido nucleico diários, Paul Pun disse lamentar a forma como a situação foi enquadrada e que existiriam “maneiras melhores” de fazer com que a comunidade colaborasse mais com o trabalho de prevenção epidémica e a sentir-se melhor, através da oferta de contrapartidas e explicações mais “convincentes e científicas”, visando essencialmente o seu bem-estar em termos de saúde pública.

Cooperação | Rita Santos reuniu com embaixador chinês em Lisboa

DR

Rita Santos, na qualidade de presidente do conselho regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, reuniu no passado dia 13 com Zhao Bentang, embaixador chinês em Lisboa. Segundo uma nota de imprensa divulgada ontem, Rita Santos explicou “o contributo das comunidades portuguesa e macaense, residentes na RAEM, sublinhando o importante papel que têm desempenhado na utilização de Macau como plataforma de promoção, e aprofundamento, das relações entre a China e os países de língua portuguesa”.

Por sua vez, Zhao Bentang defendeu que Portugal “é um parceiro estratégico da China”, enquanto que Macau “é um importante elo histórico entre a China e Portugal, desempenhando o papel de uma plataforma económica, e comercial, e de ligação cultural”. Relativamente ao projecto da Grande Baía, o Embaixador apontou que é uma iniciativa “importante para que a China possa aprofundar a reforma e a abertura do país para uma nova era”.

Desta forma, Zhao Bentang espera que “os empresários e a comunidade portuguesa a residir na China participem activamente neste desiderato”, a fim de “acrescentar novas conotações à parceria estratégica global Portugal-China”.

Renovação urbana | Governo diz ter ouvido todos os sectores

Tiago Alcântara

O director dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ), Liu Dexue, garantiu a Pereira Coutinho que o Governo auscultou todos os sectores da sociedade e analisou todos os dados disponíveis no âmbito da consulta pública e processo legislativo do regime jurídico da renovação urbana. O diploma está actualmente a ser analisado pelos deputados da segunda comissão permanente da Assembleia Legislativa.

“Concluída a consulta pública, o Governo tem auscultado as opiniões de todos os sectores da sociedade no decurso da elaboração da proposta de lei. Além disso, informou-se da finalidade e idade dos edifícios existentes em Macau com base em dados actualizados, nomeadamente os que constam no registo predial.”

O director da DSAJ explicou também que o Executivo “tem mantido uma comunicação estreita” com os deputados e explicado “dúvidas sobre a assinatura do acordo de reconstrução, a finalidade das fracções após a reconstrução, a hipoteca e o registo envolvidos no decurso da reconstrução, o desenvolvimento do procedimento da arbitragem necessária, a utilização de verbas destinadas à reconstrução e a protecção dos direitos e interesses das pessoas envolvidas”.

Numa carta enviada ao Executivo, o deputado Pereira Coutinho exigiu informações adicionais sobre a proposta de lei, tal como as entidades públicas e privadas que foram auscultadas, o número de entidades que concordou com o conteúdo do diploma e ainda se a consulta pública incluiu “prédios antigos destinados a fins industriais, comerciais, serviços, escritórios e profissões liberais, bem como fins de actividade hoteleira e similar”, entre outros pontos.