DSEC | Restauração e vendas a retalho com quebras

DR

Em Setembro, o volume de negócios dos restaurantes entrevistados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) desceu 4,1 por cento, face a Setembro de 2021. A informação foi revelada ontem com a publicação dos resultados do Inquérito de conjuntura à restauração e ao comércio a retalho referente a Setembro de 2022.

Os volumes de negócios dos proprietários entrevistados de todos os tipos de restauração desceram em termos anuais, salientando-se que o negócio dos restaurantes chineses diminuiu 6,8 por cento.

Quanto ao comércio a retalho, observou-se que o volume de negócios dos retalhistas entrevistados desceu 11,3 por cento, em termos anuais. Os negócios das mercadorias de armazéns e quinquilharias, do vestuário para adultos, bem como dos produtos cosméticos e de higiene diminuíram 34,0 por cento, 18,7 por cento e 10,8 por cento, respectivamente. Contudo, o volume de negócios dos automóveis aumentou 13,3 por cento.

Banco da China lança nova subsidiária em Macau

DR
A partir de segunda-feira surge uma nova subsidiária do Banco da China, a pensar nos clientes território. Ontem o banco realizou uma conferência de imprensa para apresentar as mudanças

 

Um projecto que foca a diversificação das necessidades financeiras dos residentes e o desenvolvimento do sector financeiro do território. Foi desta forma que Chan Hio Peng, presidente da futura subsidiária em Macau do Banco da China, apresentou a instituição que vai começa a funcionar na próxima segunda-feira.

Actualmente, o Banco da China está presente em Macau através de uma representação, o que significa que a sede da instituição está no Interior. Contudo, com a inauguração da subsidiária, que vai ter como nome Banco da China (Macau) S.A., é aberta uma nova instituição, controlada a 100 por cento pelo Banco da China, mas com sede em Macau.

A entidade bancária realizou ontem uma conferência de imprensa para apresentar a nova instituição e explicar os objectivos da mudança. Segundo Chan Hio Peng, uma das grandes apostas vai ser o mercado de obrigações, visto pelo Governo da RAEM como um dos motores da diversificação da economia local. “Vamos focar-nos, muito concretamente, no mercado de obrigações, na gestão financeira, compensação de renminbis, fundos de oferta privada, e ainda nas finanças verdes, uma área a que a RAEM presta atenção”, explicou.

A alterações não vão ditar o fim da representação de Macau do Banco da China que se encontra em funcionamento e que vai servir empresas. Ao mesmo tempo, a nova subsidiária, vai estar virada para os clientes individuais.

Actualizações e promoções

Por sua vez, Yu Jian, director-geral da nova subsidiária, explicou que antes de ser feita a transição é necessário actualizar o sistema informático e suspender alguns serviços que actualmente são prestados. Entre os serviços afectados estão a aplicação móvel do banco, os pagamentos por código QR e a página com os serviços online.

“Para minimizar o impacto da suspensão dos nossos serviços, o Banco da China reduziu ao máximo o tempo necessário para as mudanças e fizemos todos os esforços para anunciar junto dos nossos clientes que a suspensão vai decorrer apenas na manhã de sábado e tarde de domingo”, afirmou Yu Jian.

Como forma de celebrar as alterações, entre 21 a 25 de Novembro, o Banco da China vai lançar um programa de descontos para os utilizadores da aplicação. Já Leong Sio Hong, director-geral do banco, apontou que as cadernetas bancárias actuais vão ser substituídas por outras com a nova marca do Banco da China (Macau), quando chegarem ao fim da validade. Também os recibos comprovativos de transacções e contratos vão ter o novo logótipo.

Académicos do Centro de Estudos da Universidade de Macau elogiam LAG

DR

O Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau realizou ontem um seminário de análise à apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano financeiro de 2023, com vários académicos e especialistas a demonstrarem apoio em relação aos planos traçados por Ho Iat Seng, em particular em termos económicos. O seminário foi conduzido pela directora do centro, a ex-deputada Agnes Lam.

Num comunicado, a instituição declara que o Governo “está a fazer um grande esforço para melhorar a vida das pessoas e para promover a recuperação económica durante os difíceis tempos de pandemia”. Ainda assim, foi indicado que o Executivo deveria implementar mais políticas viradas para o futuro e para reforçar a consolidação do desenvolvimento de Macau na era pós-pandémica.

Uma das personalidades que participou no evento foi o também ex-deputado Gabriel Tong, que preside ao Instituto de Gestão de Macau. O académico destacou a política económica “1+4”, que tem como objectivo diversificar o sector do turismo e lazer e promover as quatro indústrias de desenvolvimento prioritário: big health, indústria financeira moderna, convenções, exposições e comércio, e cultura e desporto. “A política ‘1+4’ é uma solução prática e apropriada aos problemas que Macau enfrenta nesta altura. Está alinhada com o desenvolvimento do turismo integrado e pode estimular a economia, criar emprego e melhorar a qualidade de vida da população.

Já o professor assistente da Faculdade de Ciência Sociais, Kwan Fung, enalteceu o facto de na apresentação das LAG Hot Iat Seng não ter feito grandiosas promessas, porque a situação pandémica não está totalmente controlada, mas antes ter procurado passar um sentido de estabilidade que abre lugar para a recuperação.

Feridas por sarar

Ao mesmo tempo que elogiou o equilíbrio das políticas anunciadas, o académico Ngo Tak Wing destacou a necessidade de estudar e dar resposta aos efeitos de longo-prazo do impacto da transformação económica em curso em Macau, assim como os diversos desafios que a população enfrenta em resultado da pandemia.

“A política ‘1+4’ exige quadros qualificados que o mercado de trabalho local pode não ter, sendo incapaz e absorver o desemprego gerado pela transformação das prioridades económicas. Isto pode levar à subida a curto-prazo do desemprego estrutural”, afirmou o académico.

A intervenção do professor Xu Jianhua foi mais focada nas sequelas de saúde mental resultantes da recessão económica. O docente sugeriu ao Executivo de Ho Iat Seng que tenha atenção à possível subida da criminalidade e à mudança de alvos preferenciais do crime organizado. A subida da taxa de suicídio foi outro dos pontos focado como prioritário e a merecer resposta urgente. Nesse sentido, o académico sugeriu que o Governo crie um mecanismo de resposta a problemas relacionados com doenças mentais em estudantes e professores.

UNESCO | Cooperação para elevar Rota da Seda a património cultural

DR
As autoridades nacionais e o Governo da RAEM querem aprofundar a colaboração internacional para a candidatura da Rota Marítima da Seda a património cultural da UNESCO. O compromisso foi ontem sublinhado no Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda

 

A China vai “intensificar a cooperação com outros países” para promover a candidatura da Rota Marítima da Seda a património cultural mundial das Nações Unidas, garantiu ontem um dirigente chinês no Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda.

O administrador adjunto da Administração Nacional do Património Cultural da China, Guan Qiang, disse esperar que cidades de outros países possam integrar uma aliança para preparar a nomeação da Rota Marítima da Seda para a lista do património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Actualmente, a aliança conta com 28 cidades, incluindo Macau.

Na apresentação feita no fórum, Guan Qiang apontou como exemplos o estado de Malaca, na Malásia, onde existe ainda uma comunidade lusodescendente, e a cidade de Sofala, em Moçambique.

A posição de Macau

No mesmo fórum, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Elsie Ao Ieong U, disse que os trabalhos de protecção do património cultural e candidatura da Rota Marítima da Seda a património mundial “estão numa fase crucial”.

A governante sublinhou que a candidatura será um esforço “conjunto” das cidades membro da aliança e realçou a confiança dada pelas autoridades chinesas relativamente ao “posicionamento de Macau como ‘base de intercâmbio e cooperação que promova a coexistência de diversas culturas, sendo a cultura chinesa a predominante’”. Neste aspecto, a protecção da Rota Marítima da Seda e a sua candidatura para a “inscrição na Lista do Património Cultural da UNESCO constitui uma missão cultural importante”, indicou a secretária.

Também uma assessora para o património mundial do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), Susan Denyer, defendeu que os países envolvidos na Rota Marítima da Seda devem “estabelecer um mecanismo de coordenação” para preparar a nomeação.

Já em 2019 o então administrador adjunto da administração estatal do património cultural da China, Gu Yucai, tinha dito esperar que “cidades de outros países possam também integrar” a nomeação da Rota Marítima da Seda. O Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda termina hoje no Centro de Convenções do Centro de Ciência de Macau.

Jogo | Participação de operadoras no concurso revela “confiança”, diz Chefe do Executivo

DR

Os deputados voltaram ontem a colocar questões sobre a crise económica e os problemas financeiros sentidos pelas operadoras de jogo. Mas o Chefe do Executivo, à semelhança do que disse esta terça-feira aos jornalistas, voltou a garantir que as concessionárias de jogo vão sobreviver à crise. Mais: a participação no concurso público para a atribuição de novas licenças é um bom sinal.

“Disse que a indústria do jogo está moribunda, mas penso que as concessionárias têm ainda muitas possibilidades de sobrevivência”, disse em resposta a uma questão colocada pelo deputado José Pereira Coutinho. “As concessionárias de jogo, ao participarem no concurso, demonstram confiança, pois a dimensão da indústria continua a aumentar”, adiantou.

Ho Iat Seng disse mesmo que é “anormal ter sempre lucros”. “As empresas estrangeiras, no início do investimento na China, já estavam preparadas para terem prejuízos para depois alcançarem lucros a longo prazo. Nunca há lucros permanentes e isso até as pequenas e médias empresas sabem. Temos ainda dívidas relativas a 88 mil metros quadrados de terrenos concessionados às operadoras. As concessionárias não vão abrir falência este ano e não podemos acreditar nos rumores falsos”, garantiu o Chefe do Executivo.

Pedindo aos deputados para acalmarem os trabalhadores do sector do jogo quanto a receios de despedimento, Ho Iat Seng voltou a garantir que essa questão será assegurada nos novos contratos. “Em relação aos trabalhadores podem estar calmos, pois as garantias estão definidas. Não vamos permitir qualquer retrocesso. Espero que as concessionárias possam cumprir, pois temos o nosso meio de fiscalização. Acredito que vão cumprir, pois têm o sentido de responsabilidade social. Más interpretações e conspirações não serão úteis”, avisou.

Imobiliário | Sem margem de manobra em casos de burlas no Interior

DR

Há vários anos que são divulgados casos de residentes de Macau burlados por adquirirem imóveis no Interior da China que não correspondem à realidade. Questionado ontem sobre esta questão, pela deputada Ella Lei, Ho Iat Seng afirmou que pouco pode fazer para resolver esses problemas.

“Tenho recebido várias queixas, mas posso apenas resolver os problemas segundo a lei. Como Chefe do Executivo não posso resolver os problemas que não são de Macau.” Ainda assim, Ho Iat Seng assegurou que o Conselho dos Consumidores “vai reforçar a fiscalização e a divulgação das informações sobre a venda de casas no Interior da China”. “Caso haja irregularidades vamos proceder a uma análise”, adiantou.

O governante não deixou de dar umas sugestões a quem adquire casas em construção. “Espero que a população, quando compra esses imóveis, tenha cuidado, dirigindo-se ao local. O barato sai caro e temos de ter cuidado na compra de imóveis porque isso poderá trazer muitos problemas.

Redução de casos de suicídio é possível com recuperação económica, diz Ho Iat Seng

DR

Exortado por Kou Kam Fai a comentar o crescente número de casos de suicídio no território, Ho Iat Seng admitiu que a situação é de facto grave mas que poderá haver uma redução com a recuperação gradual da economia.

“Sei que a economia prejudicou muito a vida das pessoas e penso que com uma recuperação gradual será possível diminuir os casos de suicídio. Este ano ocorreram de facto muitos casos de suicídio, o rácio subiu bastante. Nos primeiros nove meses do ano houve 65 casos, sendo que 59 são de residentes, sendo um aumento de 71 por cento face ao período homólogo do ano passado. São várias as razões para isso acontecer. Um dos casos diz respeito a um jovem e isso é uma dor profunda para a RAEM.”

Quanto a medidas para solucionar o problema, o Chefe do Executivo disse que têm sido feitos contactos com associações locais a fim de se criar redes comunitárias de apoio, tendo sido dados subsídios para a criação de programas de formação e abertura de linhas de apoio. “Apelo a quem cuidem das suas vidas. Já entramos em contacto com diferentes associações de diferentes níveis e instituições para que seja prestado o devido apoio”, rematou.

Terrenos | Governo sem planos para novos leilões

DR

O Chefe do Executivo afastou ontem a possibilidade de vir a realizar um novo leilão de terrenos além daquele que já foi anunciado. Recorde-se que o Governo anunciou um leilão de quatro terrenos em hasta pública, a realizar brevemente.

“Vamos lançar quatro lotes de terrenos e não temos um plano de um novo leilão a médio e longo prazo. Há 20 anos que não fazemos um leilão de terrenos e temos de atender às mudanças do mercado. Em qualquer território não pode haver um plano de longo prazo para leilões de terrenos, pois tem de haver uma ligação ao desenvolvimento do mercado.”

Sobre o desenvolvimento do Parque Industrial da Concórdia, Ho Iat Seng espera que as empresas se possam instalar em edifícios mais altos. “O limite agora é de nove metros, mas espero que possam ser construídos edifícios até 30 metros. O terreno é do Estado, mas foi concedido às empresas. Tendo como base o exemplo de Hong Kong, esperamos conseguir um maior progresso no desenvolvimento do parque da Concórdia.”

LAG 2023 | Indústria têxtil “não está condenada à morte”, diz Chefe do Executivo

DR

Grande parte das fábricas que outrora laboraram na zona norte de Macau estão hoje de portas fechadas, mas Ho Iat Seng acredita que o sector industrial ainda se pode revitalizar. “A indústria têxtil tem tradição em Macau desde os anos 80, tal como as fábricas de brinquedos. Será que a indústria têxtil está condenada à morte? Não.”

Ho Iat Seng deu mesmo o exemplo de uma fábrica têxtil na zona de Guangzhou que, ao fim de 14 anos, conseguiu voltar a laborar e entrar no mercado europeu. “Temos de aprender com a experiência desta empresa. As marcas europeias querem uma entrega de produtos em 14 dias e as fabricas têm de ser competitivas. Não vamos alcançar esta dimensão, mas temos de explorar mais mercados. Esperamos que as indústrias tradicionais se dediquem a esta experiência aprendendo com estes exemplos.”

LAG 2023 | Governo acredita que telecirúrgias serão uma realidade em Macau

DR

Com a chegada do novo hospital nas ilhas e a rede 5G ao território, o Governo está confiante de que será possível disponibilizar aos doentes consultas à distância ou até telecirúrgias. Esta foi a ideia deixada ontem pelo Chefe do Executivo, em resposta às questões colocadas pelos deputados Ho Ion Sang e Wong Kit Cheng sobre o sistema de saúde no futuro e a aplicação da rede 5G na vida quotidiana.

“Na área da medicina, e no Complexo Hospitalar das Ilhas, será possível a rede 5G em algumas consultas de doenças crónicas, que podem acontecer por vídeo conferência. Serão introduzidas novas técnicas de saúde e estaremos preparados para ter um serviço de oncologia e medicina estética, por exemplo.”

A ideia é que não haja uma sobreposição em relação aos serviços médicos já disponibilizados pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário e Kiang Wu. Nestas entidades “a população consegue obter bons serviços de saúde” embora “nas doenças mais graves tenhamos de deslocar os nossos pacientes para fora de Macau”, admitiu Ho Iat Seng.

Passo a passo

Ainda sobre a aplicação da rede 5G, que será operada pela CTM e China Telecom, o arranque poderá fazer-se na área educativa, mas não só. “A aplicação da rede 5G no sector industrial, no Interior da China, tem sido bem-sucedida.

Em Macau podemos começar nas escolas e também nas contas únicas [de acesso a serviços públicos]. Neste momento a cobertura da rede ainda não é total, o seu desenvolvimento tem várias vertentes. Espero que, por exemplo, o sector da venda a retalho possa obter melhores resultados com esta rede, que também poderá ser aplicada na gestão da indústria hoteleira”, apontou o Chefe do Executivo.

LAG 2023 | Quarentena “3+3” não será suficiente para atrair visitantes, diz Ho Iat Seng

DR
O Chefe do Executivo admitiu que a fórmula de quarentena “3+3”, sugerida pelo deputado José Pereira Coutinho, não será suficiente para atrair mais turistas para Macau. Com a chegada de uma nova edição do Grande Prémio, Ho Iat Seng quer elevar a fasquia das entradas para mais de 25 mil turistas

 

José Pereira Coutinho sugeriu a adopção de uma quarentena de “3+3”, ou seja, três dias num hotel e três de auto-gestão de saúde, em vez dos actuais “5+3”. No entanto, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, admitiu que nem assim será possível atrair mais turistas para Macau, embora essa seja uma grande vontade das autoridades.

“Vamos persistir na política de zero casos covid, mas talvez não seja possível atrair mais turistas, mesmo com a política 3+3”, disse ontem o governante na Assembleia Legislativa. Na sua intervenção, o deputado pediu ao Governo para “implementar com urgência medidas concretas de alívio das regras da pandemia (3+3), destinadas à recuperação económica, principalmente na indústria do jogo, e em prol da atracção de mais turistas e investimentos estrangeiros”.

Mesmo com este cenário, persistem os diálogos com as autoridades chinesas para que o território possa receber mais visitantes. Ho Iat Seng disse ser necessária maior “flexibilidade” para atrair visitantes de outros locais da província de Guangdong além dos habituais. “Nunca pensei que em Outubro Guangdong tivesse problemas [devido à ocorrência de surtos pandémicos], bem como outros locais mais próximos. Caso não haja problemas vamos requerer luz verde [do Governo Central] para admitir excursões de três províncias e uma cidade. Muito rapidamente vamos receber informações do Ministério do Turismo da China sobre a vinda dos turistas”, prometeu.

O Chefe do Executivo referiu-se ainda às companhias aéreas, para dizer que “estão preparadas para a chegada de mais turistas, pois isso é um grande apoio ao mercado do sector do retalho. Com a retoma dos vistos electrónicos será melhor [para a recuperação do sector]”, acrescentou.

Falando das percentagens do volume de negócios este ano, que na área das vendas por grosso e retalho foi de 85 a 90 por cento, por exemplo, o governante reconheceu que os dados se devem, em grande parte, “ao consumo interno dos residentes”.

GP é oportunidade

Ho Iat Seng não deixou de fazer um apelo aos sectores ligados ao turismo, para que vejam “os locais de Guangdong que não têm problemas [com a pandemia] e desenvolvam os respectivos trabalhos [de divulgação turística]”.

Uma vez que uma nova edição do Grande Prémio de Macau está prestes a começar, o Chefe do Executivo deposita esperanças no aumento diário do número de turistas. “Temos de pensar em como dinamizar o turismo. Diariamente recebemos menos de 25 mil turistas e queremos recolher mais dados para convencer as excursões e as agências que organizam excursões para que haja mais visitantes no Grande Prémio, que começa no próximo fim-de-semana.”

MNE chinês revela detalhes da cimeira China-EUA

O Presidente Xi Jinping acabou de realizar uma reunião com o Presidente dos EUA Joe Biden, o que é motivo de grande preocupação para a comunidade internacional. Pode apresentar brevemente as principais circunstâncias da reunião?

Wang Yi: Esta tarde, por iniciativa do lado americano, o Presidente chinês Xi Jinping e o Presidente americano Joe Biden realizaram uma reunião presencial em Bali. Os dois chefes de Estado tiveram uma comunicação franca, aprofundada, construtiva e estratégica sobre as principais questões relacionadas com as relações China-EUA e o futuro da paz e do desenvolvimento mundial. A China emitiu um comunicado de imprensa sobre a reunião. Gostaria de descrever melhor a situação.
Em primeiro lugar, é de grande significado. Foi a primeira reunião presencial entre os chefes de Estado chineses e americanos em três anos, a primeira reunião presencial entre os dois líderes desde que o Presidente Biden tomou posse, e a primeira interacção entre os principais líderes da China e dos EUA desde que cada um deles completou as principais agendas internas este ano.
Em segundo lugar, a comunicação é profunda. Os dois líderes conhecem-se há muito tempo e tiveram muitas reuniões por telefone e vídeo durante este período, sempre com uma comunicação longa e profunda. Esta reunião é simultaneamente uma continuação do seu compromisso até à data e um prenúncio de um novo começo. A reunião durou mais de três horas, excedendo a duração pré-acordada, e foi conduzida utilizando interpretação simultânea. O intercâmbio entre os dois chefes de Estado foi abrangente, profundo, franco, construtivo e estratégico.
Em terceiro lugar, foi rico em conteúdo. Na sua reunião, os dois chefes de Estado abordaram cinco tópicos, incluindo as suas respectivas políticas internas e externas, as relações EUA-China, a questão de Taiwan, o diálogo e a cooperação em vários campos, e grandes questões internacionais e regionais, que podem ser consideradas como cobrindo os aspectos mais importantes das suas relações e as questões regionais e globais mais prementes da actualidade.
Quarto, liderar o futuro. A diplomacia entre os líderes é a “bússola” e o “volante” das relações sino-americanas e desempenha um papel de liderança estratégica insubstituível no desenvolvimento das relações entre os dois países. Actualmente, as relações Sino-EUA enfrentam sérias dificuldades e encontram-se num ponto crítico. O Presidente Xi Jinping apresentou os principais resultados e significado do 20º Congresso Nacional do CPC, enfatizando que as políticas internas e externas do partido chinês e do governo são abertas e transparentes, as suas intenções estratégicas são abertas e claras, e mantém um elevado grau de continuidade e estabilidade. O Presidente Xi disse que a relação entre a China e os Estados Unidos não deve ser um jogo de soma zero no qual “tu perde e eu ganho” e “tu sobes e eu caio”, e que o mundo do século XXI deve evitar a repetição dos erros da Guerra Fria. Os dois países devem ter uma visão correcta das políticas internas e externas e das intenções estratégicas um do outro, e estabelecer um tom de diálogo em vez de confrontação, e um compromisso de benefício comum em vez de soma zero. O Presidente Biden descreveu as eleições americanas intercalares e disse que os EUA respeitam as instituições da China, não procuram mudar o sistema chinês, não procuram combater uma nova Guerra Fria, não procuram reforçar alianças contra a China, e não têm a intenção de entrar em conflito ou sitiar a China.
Ambos os chefes de Estado atribuíram importância ao significado global das relações EUA-China, enfatizaram a importância de estabelecer princípios orientadores para as relações EUA-China, esperaram promover a estabilização das relações bilaterais, e concordaram em reforçar a comunicação e promover a cooperação prática. Isto proporciona uma orientação clara para o desenvolvimento das relações sino-estadunidenses no próximo período e será conducente à promoção do regresso gradual das relações dos dois países a uma via saudável e estável.

Todos os países estão preocupados com a direcção das relações China-EUA. Poderá este encontro alcançar estabilidade nas relações China-EUA, ou, segundo o lado americano, “estabelecer as bases” para as relações China-EUA?

Wang Yi: Esta reunião de Chefes de Estado não só foi de grande orientação prática, como também terá um impacto importante e de longo alcance nas relações China-EUA na próxima fase e mesmo a longo prazo. Em primeiro lugar, esclareceu uma direcção para evitar que as relações sino-americanas descarrilem fora de controlo e para encontrar o caminho certo para que as duas grandes potências se entendam. O Presidente Xi Jinping salientou que a situação actual das relações entre os EUA e a China não é do interesse fundamental dos dois países e povos, nem corresponde às expectativas da comunidade internacional. Ambos os lados devem tomar uma atitude responsável em relação à história, ao mundo e ao povo e garantir que a relação sino-americana avança no bom caminho, sem bocejar ou perder velocidade, e muito menos colidir. Durante a reunião, o Presidente Biden disse que uma China estável e em desenvolvimento é do interesse dos Estados Unidos e do mundo. Os EUA e a China deveriam mostrar ao mundo que podem gerir as suas diferenças e evitar deslizar para o conflito e o confronto devido a um erro de cálculo ou a uma concorrência feroz.
Em segundo lugar, foi estabelecido um quadro para explorar conjuntamente o estabelecimento de princípios orientadores, ou um quadro estratégico, para as relações entre os EUA e a China. O Presidente Xi Jinping disse que a China e os Estados Unidos são dois países tão grandes que não é possível sem um grande consenso sobre os princípios. Com princípios, haverá direcção, e com direcção, poderemos abordar devidamente as diferenças e expandir a cooperação. A proposta da China de que a China e os Estados Unidos devem aderir ao respeito mútuo, à coexistência pacífica e à cooperação vantajosa para ambas as partes baseia-se nesta consideração. Os dois chefes de Estado concordaram sobre a importância de estabelecer princípios orientadores para as relações EUA-China, discutiram-nos de forma construtiva, e encarregaram as equipas de trabalho de ambas as partes de acompanhar e consultar com vista a chegar a acordo o mais rapidamente possível com base no consenso alcançado até à data.
Em terceiro lugar, foi iniciado um processo para pôr em prática o importante consenso entre os dois chefes de Estado para controlar e estabilizar as relações EUA-China. A diplomacia entre líderes é a forma mais elevada de diplomacia, e a liderança estratégica da cimeira EUA-China em Bali sobre as relações bilaterais reflecte-se em todos os aspectos, incluindo uma série de importantes preparativos antes da reunião, bem como o seguimento e a implementação após a reunião. A gestão e estabilização das relações EUA-China é um processo contínuo e ininterrupto que é um trabalho em curso, e não um passado ou um fim. As equipas de ambos os lados irão manter o diálogo e a comunicação, gerir conflitos e diferenças, e promover o envolvimento e a cooperação de acordo com as prioridades estabelecidas pelos dois chefes de Estado, de modo a acrescentar energia positiva e uma válvula de segurança às relações EUA-China e injectar estabilidade e certeza num mundo turbulento e em mudança.
É de notar que a China tem os seus próprios princípios e resultados há muito defendidos, interesses legítimos e legais que devem ser firmemente defendidos, e não sucumbirá a qualquer intimidação hegemónica. O lado americano deve traduzir a declaração positiva do Presidente Biden em políticas e acções concretas, deixar de conter e suprimir a China, deixar de interferir nos assuntos internos da China, deixar de minar a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento da China, avançar na mesma direcção que o lado chinês, construir conjuntamente os “quatro pilares” que são conducentes ao desenvolvimento saudável e estável das relações EUA-China, e solidificar conjuntamente os “alicerces sólidos” para a estabilidade das relações EUA-China. Trabalharemos com o lado americano para construir as “quatro vigas e os oito pilares” que são conducentes ao desenvolvimento saudável e estável das relações sino-estadunidenses, e trabalharemos em conjunto para reforçar os “alicerces sólidos” para as relações estáveis sino-estadunidenses.

A questão de Taiwan é certamente um foco deste encontro. Pode falar-nos sobre a comunicação entre os dois líderes em torno da questão de Taiwan?

Wang Yi: Taiwan é parte da China e a questão de Taiwan é um assunto interno da China. A razão pela qual a questão de Taiwan está a ser discutida entre a China e os Estados Unidos é porque os Estados Unidos têm interferido nos assuntos internos da China. A nossa exigência é muito clara e inequívoca: deixar de interferir nos assuntos internos da China e respeitar a soberania e a integridade territorial da China. Durante a reunião, o Presidente Xi Jinping informou o Presidente Biden sobre a história da colonização e invasão de Taiwan por forças externas ao longo dos últimos séculos, e salientou que a oposição da China à “independência de Taiwan” e à preservação da sua integridade territorial é salvaguardar a terra que pertence à China há gerações. Quem quiser separar Taiwan da China é contra a justiça nacional da China, e o povo chinês fará uma causa comum e nunca concordará com ela. O Presidente Xi salientou que a China aderirá à política básica de “reunificação pacífica e um país, dois sistemas” e lutará pela perspectiva da reunificação pacífica com a máxima sinceridade e esforço. No entanto, se as três situações graves estipuladas na Lei Anti-Secessão surgirem, a China agirá em conformidade com a lei. A China está mais interessada na paz e estabilidade no Estreito de Taiwan, e a “independência de Taiwan” é incompatível com a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan.
O Presidente Xi salientou que a questão de Taiwan é o cerne dos interesses centrais da China, o fundamento da base política das relações EUA-China, e uma linha vermelha que os Estados Unidos não podem e não devem atravessar. A China exige que o lado americano seja coerente com as suas palavras e actos, adira à política de “uma só China” e às disposições dos três comunicados conjuntos EUA-China, cumpra o seu compromisso de “não apoiar a “independência de Taiwan”, deixe de deflacionar e esvaziar a política de “uma só China”, e restrinja a “independência de Taiwan”.
O Presidente Biden disse que os Estados Unidos aderem à política de uma só China e não apoia a “independência de Taiwan”, “duas Chinas” ou “uma China, uma Taiwan”, e não procura utilizar a questão de Taiwan como um instrumento para conter a China.

A China e os Estados Unidos são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A comunidade internacional espera geralmente que a China e os Estados Unidos trabalhem em conjunto para enfrentar vários desafios globais. Que progressos têm sido feitos na cooperação bilateral e multilateral entre a China e os Estados Unidos?

Wang Yi: A história do desenvolvimento das relações sino-americanas mostra que a China e os Estados Unidos juntos beneficiarão ambos os lados, enquanto que os combates prejudicarão ambos. Contra o pano de fundo de um século de epidemias e mudanças centenárias, e os desafios sem precedentes que a sociedade humana enfrenta, não é apenas do interesse da China e dos Estados Unidos, mas também da expectativa geral da comunidade internacional que a China e os Estados Unidos, como dois grandes países, reforcem a cooperação em campos bilaterais e multilaterais e trabalhem em conjunto com outros países para superar as dificuldades da época.
Durante a reunião, o Presidente Xi Jinping afirmou que a cooperação entre a China e os Estados Unidos é boa para ambos os países e para o mundo. A China e os Estados Unidos têm diferenças e divergências, as diferenças não devem ser um obstáculo ao desenvolvimento das relações sino-americanas, e as diferenças devem ser a força motriz para os intercâmbios e a cooperação entre os dois países. A cooperação requer uma boa atmosfera e uma relação estável, não pode ser uma lista de atracção unilateral, deve cuidar das preocupações de ambas as partes, e deve haver dar e receber. Independentemente da relação entre a China e os Estados Unidos, a vontade de ambos os países de cumprir as suas grandes responsabilidades de poder nos assuntos internacionais não pode ser reduzida.
O Presidente Xi Jinping observou que a China e os Estados Unidos deveriam trabalhar para tornar a lista de cooperação mais longa e não mais curta. Os dois chefes de Estado concordaram que as suas equipas podem dialogar sobre política macroeconómica, comércio e questões económicas entre os dois países, e trabalhar em conjunto para promover um resultado positivo da 27ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Coordenar a implementação dos dois documentos de cooperação formados nos domínios da saúde pública e agricultura, encorajar e apoiar o desenvolvimento do intercâmbio de humanidades EUA-China, expandir o intercâmbio de pessoas em vários domínios, e continuar as consultas do Grupo de Trabalho Conjunto EUA-China para abordar questões mais específicas.
Os factos têm demonstrado repetidamente que a competição não pode ser simplesmente utilizada para definir toda a relação EUA-China, e que a cooperação é sempre a melhor opção tanto para a China como para os Estados Unidos. A cooperação EUA-China é benéfica para todas as partes e abre um futuro vantajoso tanto para a China como para os Estados Unidos, e um futuro vantajoso para o mundo.

Sobre que outras preocupações importantes e comuns as duas partes trocaram opiniões?

R: O Presidente Xi Jinping clarificou a posição da China sobre uma série de questões importantes que preocupam o lado americano, bem como a comunidade internacional, e deixou clara a atitude da China.
Sobre a questão da democracia e dos direitos humanos. O Presidente Xi Jinping salientou que a liberdade, a democracia e os direitos humanos são a busca comum da humanidade e a busca consistente do Partido Comunista Chinês. Os Estados Unidos têm uma democracia ao estilo americano e a China tem uma democracia ao estilo chinês, ambas em conformidade com as suas respectivas condições nacionais. O processo completo de democracia popular da China baseia-se nas condições nacionais e na história e cultura da China, e reflecte a vontade do povo. As diferenças específicas que existem entre os dois lados podem ser exploradas, desde que haja um intercâmbio igualitário. Definir o próprio país como democrático e outro país como autoritário é em si mesmo um sinal de antidemocracia. A chamada “democracia contra o autoritarismo” é uma falsa proposta, não uma característica do mundo de hoje, e não está de acordo com a tendência dos tempos.
Sobre a questão dos caminhos institucionais. O Presidente Xi Jinping disse que os Estados Unidos estão empenhados no capitalismo, a China está empenhada no socialismo, os dois lados estão a tomar um caminho diferente. Esta diferença existe desde o primeiro dia em que os dois lados lidaram um com o outro, e continuará a existir no futuro. É importante que a China e os Estados Unidos se dêem bem um com o outro, reconhecendo esta diferença e respeitando-a. A liderança do Partido Comunista Chinês e do sistema socialista da China, abraçada e apoiada por 1,4 mil milhões de pessoas, são a garantia fundamental do desenvolvimento e estabilidade da China. Tentativas de subverter a liderança do Partido Comunista da China e do sistema socialista chinês iriam pisar os limiktes, atravessar uma linha vermelha e abalar os alicerces da relação entre os dois países.
Sobre questões económicas e comerciais. O Presidente Xi Jinping salientou que a essência das relações económicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos é mutuamente benéfica, combatendo guerras comerciais, guerras tecnológicas, “construindo artificialmente muros e barreiras”, forçando “a dissociação e a quebra de cadeias”, completamente contrárias aos princípios da economia de mercado, minam as regras do comércio internacional, apenas em detrimento de outros. A China levará a cabo uma firme reforma e abertura, e colocará sobre si mesma a base do desenvolvimento e do progresso. A China tem uma gloriosa tradição de auto-aperfeiçoamento, e toda a repressão e contenção apenas estimulará a vontade e o entusiasmo do povo chinês. Se os EUA forem até ao fim na questão do “desacoplamento”, acabará por levantar uma pedra e esmagar os seus próprios pés.

Actualmente, a comunidade internacional está altamente preocupada com a crise na Ucrânia e na Península Coreana. Como é que os dois lados interagiram sobre esta questão?

Wang Yi: Os dois chefes de Estado procederam a uma troca de impressões aprofundada sobre questões internacionais e regionais, incluindo a questão da Ucrânia e a questão nuclear na Península Coreana. Sobre a questão da Ucrânia, o Presidente Xi reiterou os “quatro deveres” da China ao tratar da questão da Ucrânia e clarificou as “quatro respostas comuns” da China à mais recente evolução da situação na Ucrânia. Sublinhou que o diálogo e as negociações devem ser conduzidos para resolver a crise pacificamente, que as armas nucleares não devem ser utilizadas e que a guerra nuclear não deve acontecer, que uma crise nuclear deve ser evitada na Ásia e na Europa, e que devem ser feitos esforços conjuntos para assegurar a estabilidade da cadeia de abastecimento da cadeia industrial global e para evitar uma crise humanitária em grande escala, e que a China sempre esteve do lado da paz e continuará a insistir na paz e na negociação.
Sobre a questão nuclear da Península da Coreia, o Presidente Xi Jinping elaborou a posição estabelecida da China, sublinhando que o cerne da questão na península deve ser enfrentado de forma frontal e que se deve insistir numa solução equilibrada para as suas respectivas preocupações, especialmente as legítimas preocupações da RPDC.

Acaba de introduzir o significado da reunião e o consenso alcançado. Quais são os próximos acordos de seguimento para ambas as partes?

Wang Yi: Durante a reunião, os dois chefes de Estado concordaram em continuar a manter contactos regulares, enquanto encarregam as equipas diplomáticas e de segurança dos dois países de prosseguir a comunicação estratégica, dar seguimento às principais questões discutidas, e implementar o consenso alcançado.
O lado americano disse que o Secretário de Estado norte-americano Blinken visitará a China o mais rapidamente possível para dar seguimento à reunião. A China congratula-se com este facto. As equipas financeiras, económicas e comerciais dos dois países também comunicarão e coordenarão sobre questões como as políticas macroeconómicas e as relações económicas e comerciais EUA-China. Tudo considerado, a reunião alcançou o objectivo esperado de comunicação aprofundada, clarificando intenções, traçando linhas vermelhas, prevenindo conflitos, indicando direcções e explorando a cooperação.

Han Fei Zi e o legismo

Han Fei (280 -233 a.E.C.) nasceu na família real do País de Han, no centro da China, durante a fase final do Período dos Estados Combatentes. Na sua formação foi determinante a influência de Xun Zi um confucionista de grande relevo político à época. Para além deste mestre, a outra fonte para as suas teorias políticas foi, curiosamente, o “Dao De Jing” de Lao Zi, que Han Fei interpretava mais como um texto político do que como um guia místico, como pareceu ser prática subsequente e mesmo hodierna. Han Fei via o “Dao” como uma lei natural que todas as coisas e todos os homens estavam destinados a seguir. No entanto, o filósofo acabou por chegar a um pensamento em que o soberano era colocado no centro absoluto, controlando o Estado com a ajuda de três conceitos: poder (“shi”), técnica (“shu”) e as leis (“fa”). Este pensamento seria objecto de um radical refinamento ao longo da sua vida e obra.
Han Fei assistiu ao gradual, mas constante, declínio do Estado Han e, em diversas ocasiões, tentou persuadir o rei a seguir políticas diferentes, apesar do monarca nunca ter ouvido os seus conselhos (diz-se que Han Fei seria gago, o que se, por um lado, lhe dificultava a comunicação das ideias na corte, por outro, o terá levado a desenvolver aquele que ainda hoje é considerado como um dos mais brilhantes estilos escritos da China). Com um desespero crescente, via como os políticos do seu tempo eram levados pelos filósofos Ru (nome da escola confucionista) e pelos seguidores de Mo Zi (490-403 a.c. Filósofo de estatura equivalente à de Confúcio, que recusava a ordem aristocrática e preconizava uma certa noção de “Amor Universal”) que pregavam interminavelmente acerca das virtudes morais.
Para além desta influência, que considerava perniciosa em extremo, os estados da sua época estavam à mercê de bandos de cavaleiros mercenários que a cada passo escarneciam e agiam contra as leis, acrescentando à confusão da sociedade e dos regentes, como uma errante nuvem negra de anti-heróis pairando sobre todo um período histórico.
Por fim, as obras de Han Fei acabaram por chegar ao centro de poder do Estado de Qin, onde pontificava aquele que viria a ser o Primeiro Imperador (o imperador Huangdi). No entanto, na corte Qin o filósofo foi rapidamente vítima de uma teia de suspeitas relacionadas com a sua origem no país de Han e consequente incapacidade natural de servir a outro senhor. Este clima conspiratório acabaria por conduzir Han Fei ao suicídio.

O Legismo da Dinastia Qin

O ponto principal e básico de onde Confúcio e Mencius partiram assentava numa visão do homem como fundamentalmente bom. Cada ser humano nascia com “de” ou “virtude moral”. Curiosamente, um dos maiores confucionistas da antiguidade, e mestre de Han Fei, Xun Zi (298 -238 a.E.C.), acreditava exactamente no oposto: que todos os seres humanos nasciam fundamentalmente depravados, egoístas, gananciosos e cheios de luxúria. No entanto, esta não era uma visão inteiramente tenebrosa e pessimista da humanidade, pois Xun Zi acreditava, simultaneamente, que os homens poderiam ser tornados bons através da educação e da convivência social. O seu aluno Han Fei começou a pensar a partir do mesmo ponto, embora tenha chegado à conclusão de que os seres humanos são tornados bons pelas leis do Estado.
Para o filósofo, a única forma de contrariar o egoísmo humano e a sua depravação era através do estabelecimento de leis que recompensassem abundantemente as acções, que beneficiassem os outros (a comunidade, a sociedade; o próprio Estado, na figura do soberano) e punissem impiedosamente todas as acções que causassem mal aos outros ou ao Estado. Se, para Confúcio, o poder era algo para ser usado em benefício do povo, para Han Fei, o benefício do povo residia no controlo sem restrições do egoísmo individual.
Radical, Han Fei acrescentava que se não se puder confiar no próprio Imperador para se comportar à altura do interesse do seu povo, isto é, se se pode esperar egoísmo do próprio Imperador, é necessário que as leis tenham um carácter supremo acima mesmo do soberano. Idealmente, se as leis fossem suficientemente bem escritas e aplicadas com agressividade, não existiria necessidade sequer de liderança individual, pois as leis seriam só por si suficientes para governar o Estado. Mais um aspecto em directa oposição ao idealismo confucionista de uma condição social humana em que as leis não seriam necessárias.
Quando os Qin ganharam poder imperial ao cabo de décadas de guerra civil, adoptaram as ideias dos Legistas como a sua teoria política. Na prática isto significou apenas uma nova forma de totalitarismo uniforme. As pessoas eram obrigadas a trabalhar por períodos indefinidos em projectos do Estado, um dos quais foi a construção de secções de muralhas defensivas, parte da Grande Muralha. Todos os tipos de discórdia com o governo passaram a ser objecto de pena capital. Todos os modos de pensamento alternativo, que os Legistas entendiam como encorajando a tendência natural de fraccionamento da humanidade, foram banidos. Estas políticas acabariam por causar a queda da própria Dinastia Qin ao cabo de apenas catorze anos no poder. As revoltas locais não encontraram resistência por parte dos oficiais do governo, que temiam que os próprios relatórios sobre essas revoltas pudessem ser considerados como críticas ao governo e assim resultassem na sua própria execução. A corte só descobriu estes levantamentos quando era já demasiado tarde e, em termos gerais, os Qin caíram em descrédito por mais de dois milénios.
Apesar de tudo isto, não é de facto simples desacreditar o Legismo como apenas um curto, anómalo e desagradável período de totalitarismo na história da China. Os Legistas estabeleceram formas de governo que influenciariam profundamente o futuro. Em primeiro lugar, adoptaram e colocaram em prática o idealismo de Mo Zi acerca do utilitarismo: as únicas ocupações a que o povo se devia dedicar deveriam ser aquelas que beneficiassem materialmente os outros, em particular a agricultura. A maioria das leis dos Qin foram tentativas de demover as pessoas de certas actividades inúteis tais como as Letras e a Filosofia. Este utilitarismo haveria de sobreviver como uma das correntes mais dinâmicas da teoria política chinesa.
Em segundo lugar, os Legalistas inventaram aquilo a que podemos chamar “o primado da lei”, ou seja, a noção de que a lei é superior a cada indivíduo, incluindo governantes. É a lei que deve governar e não os indivíduos, cuja autoridade se limita à administração da lei.
Em terceiro lugar, os Legistas aplicaram, quase como conclusão lógica, uma padronização uniforme da lei e da cultura. De modo a ser eficaz, a lei deve ser aplicada com uniformidade, ninguém deve ser punido mais ou menos severamente por causa do seu estatuto social. Esta noção de igualdade perante a lei permaneceria, com algumas alterações (nomeadamente na questão religiosa, levantada sobretudo com o advento do budismo organizado na China), um conceito central nas teorias chinesas de governo.
Na sua busca de uniformização, os Qin levaram a cabo um projecto de padronização da cultura chinesa abarcando o sistema de escrita, o sistema monetário, os pesos e medidas, e os sistemas filosóficos (o que conseguiram sobretudo através da destruição de escolas de pensamento rivais). Tudo isto afectou profundamente a coerência da cultura chinesa e a centralização do governo. A dinastia que lhes sucedeu, a dos Han (202 a.E.C. – 9 a.E.C.), continuou esta tentativa de fusão de escolas rivais num processo conhecido por Síntese Han.

A solidão e a saudade na poesia de Wang Wei

Wang Wei(701-761), o poeta budista, nasceu no condado de Qi, província de Shanxi. É um dos grandes representantes da poesia paisagística e pastoril da dinastia Tang. Desde muito cedo, acreditava no budismo, pensava de uma forma inconvencional, ademais, fez uma carreira de oficial saliente. O núcleo da sua poesia é a beleza e solidão das montanhas e dos rios, carrega versos que refletem o panorama da montanha arborizada e o prazer da vida em seclusão, a tranquilidade da floresta de bambu e a beleza e solidariedade da lua. Muitas vezes, sua forma de expressar representa a combinação entre a poesia, a pintura e a música, e expressa o vazio do silêncio e o baço do indistinto sem separar do ambiente natural, seu estado de veemência e serenidade, a profundeza e a cordialidade da sua alma. Depois dos quarenta anos, passou a viver meio oficial e meio ermita. Em forma de jueju (composições poéticas belas e entoadas compostas por quatro versos), vamos viajar pelos recantos nostálgicos criados pelo Wang Wei:

鹿柴

空山不见人,
但闻人语响。
退影入深林,
复照青苔上。

Floresta dos cervos

Ravina vasta, desabitada,
Eco de voz se ouvia.
Raios do ocaso penetram na floresta profunda,
Sombra matizada, sobre o musgo verde, reflectia.

竹里馆

独坐幽簧里,
弹琴复长啸。
深林人不知,
明月来相照。

Recanto de bambus

Sozinho, sentado no meu recanto,
Toco, para o céu, assobio.
Nesse recanto profundo, ninguém sabe se existo
Só a lua com seu brilho e companheirismo.

送别

山中相送罢,
日暮掩柴扉。
春草年年绿,
王孙归不归?

Despedida na montanha

Depois de me despedir do velho amigo,
À noite, silenciosamente, fecho a porta do meu abrigo.
No próximo ano, quando as ervas voltarem a verdejar,
Será que nos voltaremos reunir, amigo?

相思

红豆生南国,
春来发几枝?
愿君多采撷,
此物最相思。

Ervilha de Rosário

A sua árvore cresce nas terras do sul,
Quantos ramos brotaram na primavera?
Colhe mais! colhe até encher sua mão,
Ela é o que mais representa a dor da sua solidão.

杂诗

君自故乡来,
应知故乡事。
来日绮窗前,
寒梅著花未?

Miscelânea

Paisano, vieste da nossa terra
Deves saber as notícias de lá!
Quando partiste, aquela agridoce à frente da janela,
Teria já florescido?

九月九日忆山东兄弟

独在异乡为异客,
每逢佳节倍思情。
遥知兄弟登高处,
遍插茱萸少一人。

Recordo meus amigos no monte Hua no dia do festival Yang

Solitário vagueando por terra desconhecida,
Saudade aperta nesta data festiva.
Lembro amigos no alto do monte, de cornisos na cabeça,
Distantes, sentem a falta da minha presença.

Som e sentido na escrita chinesa

Dando sequência à crítica aos ideogramas como ideologia — ou, no mínimo, à revisão do que costuma ser tomado como o mundo afônico dos ideogramas, convém que nos debrucemos sobre um caso e, por ele, busquemos algumas novas interpretações que ampliem o campo da linguística, no qual nos aventuramos em nossa última coluna. Tomemos Buda como exemplo. O caractere que o representa no extenso rol de ideofonogramas chineses é o seguinte: 佛. Fó, cuja pronúncia se dá no segundo tom.
Huo Datong, “o único psicanalista da China”, nos recorda de que a parte esquerda dos caracteres compostos (no caso de 佛, trata-se do radical para 人, rén, pessoa, ser humano) está, geralmente, relacionada com a imagem, numa conexão lacaniana com o significante que, concreto, encontra correspondência na realidade objetiva. Segundo essa compreensão, ao identificar 人, vejo uma pessoa em pé, e isso já imprimiria “ideogramicamente” o sentido do que hei de ver. A parte direita do caractere (弗, fú, no caso de Buda) seria então a atribuição fonética ao novo caractere, composto. Nesse caso, a origem etimológica perderia o significado ideal, “ideogrâmico”, e figuraria apenas como acessório sonoro à composição. Sendo o caractere 弗 um elemento de negação, poderíamos até aventar a hipótese de que buda, em última instância, seria um não-humano (o que não deixa de ser verdade, em certo sentido: os budas, isto é, os iluminados que nascem no reino humano — pois, em verdade, há budas em todas as direções, todos os reinos e todos os tempos, animais, espirituais, divinos — deixam de ser humanos sujeitos ao ciclo quase eterno de renascimentos e mortes, libertando-se por meio da iluminação. Chegam a ser algo como não-humanos, portanto…)
Mas não é isso que se dá, a menos que queiramos poetizar a não-humanidade (ou a suprema humanidade) de Buda. A composição do caractere ocorre por uma razão simples, nos diz Huo Datong: a visão do elemento à esquerda acionaria o hemisfério direito do cérebro, responsável pela compreensão mais abrangente e visual do contato sensorial, lidando com a totalidade orgânica dos dados percebidos e com sua conexão com elementos concretos.
A visão do elemento à direita acionaria, por sua vez, o hemisfério esquerdo do cérebro, responsável por funções fonadoras, racionalização, pela concretude e pela generalidade dos processos linguísticos.
E o psicanalista nos diz mais, a partir de bases que apenas reforçam que o mito do ideograma, como sugeriu John DeFrancis, é mesmo um mito: Datong afirma existir uma quebra entre a imagem e a realidade, com a primeira não mais remetendo à segunda, num processo de patologização da linguagem alienada:
“A ruptura que ocorre entre a figura do caractere chinês e o significado representa a ruptura do vínculo entre o imaginário e o real. A manifestação patológica dessa ruptura é a amnésia, cujo estado extremo é que o paciente não se lembra mais de nada. […] Podemos notar também que o pictograma do cavalo no ideofonograma da mãe desempenha apenas um papel fonético, enquanto sua figura como imagem visual do cavalo perdeu sua função de representação-coisa, ou seja, seu elemento da figura foi reprimido. O pictograma do cavalo agora não indica o cavalo, mas apenas o som, ma.” (Huo Datong em francês no original).
Explicando que o elemento cavalo do caractere para mãe (o 马 de 妈) cumpre apenas função fonética, o psicanalista diz algo semelhante ao que nos diz Jonathan Stalling quando critica a visão reificada, concreta e imagista que — sobretudo — Ezra Pound imprimiu à sua leitura da escrita chinesa.
Pound fazia parecer que a escrita ideogrâmica era sumamente fotográfica, com tudo sendo diretamente vinculado a um elemento do real, algo aproximado do mito que DeFrancis analisa. Stalling, sobre isso, percebe a constante “ruptura entre real e imaginário” que Huo Datong enunciou e desmente, assim, a ubíqua relação concreta dos poetas:
“A velha teoria quanto à natureza do caractere escrito chinês (que Pound e Fenollosa seguiram) é a de que o caractere escrito é ideograma — uma imagem estilizada da coisa ou conceito que representa. A teoria oposta (que prevalece hoje entre os estudiosos) é que o caractere pode ter suas origens pictóricas em tempos pré-históricos, mas que essas origens foram obscurecidas em todos, exceto em alguns casos muito simples, e que, em qualquer caso, os utilizadores nativos não têm o significado pictórico original em mente enquanto escrevem.” (Jonathan Stalling).
Há uma questão interessante que surge dessa sequência de críticas, e que pretendemos desenvolver no futuro, mas aqui a sumarizo: o tal mito ideográfico, ao sobrepor a visualidade à materialidade sonora da língua falada e, com isso, ignorar a dissociação que a história imprime entre caractere e sentido originário, faz com que os leitores — sobretudo — ocidentais da escrita chinesa, de sua poética própria, valorizem a pictografia em detrimento da sonoridade, a materialidade concreta dos traços em lugar da fluidez maviosa que o falar carrega consigo.

Bibliografia

Datong, Huo. (s/d). L‘inconscient est structuré comme l’écriture chinoise. Lacan et le monde chinois. Disponível em: http://www.lacanchine.com/Ch_C_HuoInc_Txt.html
Duarte-Plon, L. (2003). Psicanalista Huo Datong. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica [online], v. 6, n. 1. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-14982003000100009.
Durazzo, L.; Jatobá, J. (2014). Ensaiando uma tradução coletiva: Yao Feng e o som da poesia chinesa. Translatio, n. 7. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/translatio/article/view/50795
Stalling, J. (2011). Poetics of Emptiness: Transformations of Asian Thought in American Poetry. New York: Fordham University Press.

Cinemateca Paixão | Novembro com histórias no feminino

DR
A Selecção de Novembro da Cinemateca Paixão é marcada por uma lista eclética de cinco filmes que variam entre produções europeias, africanas e asiáticas. As obras escolhidas têm como epicentro personagens femininas e foram todas reconhecidas em festivais internacionais de cinema

 

Cannes, Palm Springs, Toronto, Hong Kong, Sundance e mais um rol de festivais de cinema reconheceram os seis filmes que fazem a Selecção de Novembro da Cinemateca Paixão.

A primeira película a ser apresentada na Travessa da Paixão é “1982”, do realizador libanês Oualid Mouaness, no próximo sábado às 19h30. Celebrado em Cannes, Hollywood e Singapura, “1982” tem como pano de fundo o início da guerra da Líbano. Protagonizado pela actriz Nadine Labaki, que atingiu um patamar mundial com o filme “Caramel”, e que em “1982” dá o corpo a uma professora de uma escola de Beirute. A docente vê-se envolvida numa cândida estória de amor entre dois alunos, que esparra em timidez infantil, enquanto as forças militares israelitas invadem o Líbano.

O filme reflecte a infância do realizador e a escola em que estudou, num cenário montanhoso e pitoresco. Escrito e realizado por Oualid Mouaness, “1982” levou oito anos a ser produzido, enquanto o autor trabalhava noutros projectos. “1982” volta a ser exibido na próxima terça-feira, às 19h30, na quinta-feira 25 de Novembro, às 21h, e depois no dia 27 de Novembro, às 19h.

A obra que se segue no cartaz da Cinemateca Paixão é “Anaïs in Love” da realizadora francesa Charline Bourgeois-Tacquet, que é apresentada no próximo domingo, às 19h30. A inquietação e extrema emotividade são os pilares da obra de Charline Bourgeois-Tacquet, que retrata a vertiginosa vida de Anaïs, um turbilhão de pessoa, que no fim de uma relação amorosa acaba por despertar o interesse de outro homem, comprometido. Adicionando gasolina ao fogo, a protagonista acaba por se envolver com a mulher do seu novo interesse amoroso.

O charme efervescente de Anaïs suaviza o comportamento narcisista e a busca incessante pela próxima nova excitação.

“Anaïs in Love” é um bom filme para ver no Inverno, pois faz brilhar um sol cinematográfico onde quer se seja projectado. Com uma cadência dramática suave, apesar das desventuras da protagonista, a produção francesa flui de uma forma estranhamente positiva para um filme repleto de circunstância dramáticas. A obra volta a ser exibida na próxima terça-feira, 21h30, no dia 24 de Novembro às 21h30 e no dia 25 de Novembro às 19h.

Corpos e sacrilégios

Também na próxima terça-feira, às 19h30, estreia “Gentle”, uma produção húngara que tem como epicentro a vida de Edina, uma das mais conceituadas culturista da Hungria, enquanto se prepara para competir num campeonato de culturismo.

O seu namorado, Adam, é também o treinador que a puxa até aos limites físicos e psicológicos, não aceitando outro resultado que não seja a vitória, apesar dos elevados custos económicos que a prática do culturismo implica.
Sem margem para erro, e com as despesas e sacrifícios a amontoarem-se, a desportista acaba por se prostituir para continuar a competir.

Realizado por László Csuja e Anna Nemes, “Gentle” volta a ser exibido no dia 26 de Novembro, às 21h, e no dia 2 de Dezembro, às 19h30. Da Hungria para o Chade, a Selecção de Novembro da Cinemateca Paixão propõe um drama familiar, que coloca uma jovem mulher no centro da discussão secular entre fé religiosa e autonomia e independência.

“Lingui, The Sacred Bonds” tem a primeira exibição agendada para o dia 23 de Novembro, às 21h30. Realizado pelo cineasta do Chade Mahamat-Saleh Haroun, este filme centra-se em torno da vida frágil de Amina, que vive sozinha com a filha de 15 anos na capital N’Djamena.

A gravidez inesperada da filha adolescente lança a já instável vida familiar numa espiral descendente cuja a mais óbvia solução é o aborto, caminho doloroso num país cujas leis e religião se opõem determinantemente contra a interrupção da gravidez.

A luta contra forças desmesuradamente superiores, a coragem de Amina, a intensidade dramática que se esbate na vastidão de planos de grande-angular, são alguns dos ingredientes que dão sabor a “Lingui, The Sacred Bonds”. A filme de Mahamat-Saleh Haroun volta a ser exibido no dia 26 de Novembro, às 19h, e no dia 1 e Dezembro às 19h30.

Finalmente, no dia 24 de Novembro, às 19h30, a tela da Cinemateca Paixão exibe “Rehana Maryam Noor”, uma produção do Bangladesh realizada por Abdullah Mohammad Saad. O título do filme é o nome da protagonista, uma professora de 37 anos de idade que lecciona numa faculdade privada de medicina. Apesar do cargo profissional, a vida de Rehana é um somatório de dificuldades. Um dia, vindo do nada, um facto aleatório coloca uma pedra na engrenagem existencial da Rehana: testemunha um colega de profissão a abusar de uma aluna.

O incidente muda a vida da protagonista, que decide denunciar o comportamento do colega, levando Rehana para uma batalha por justiça. O filme volta a ser apresentado no dia 27 de Novembro, às 21h, e no dia 30 de Novembro, às 19h30. Como é habitual, o preço dos bilhetes é 60 patacas.

Líderes da Austrália e China tentam estabilizar relações

DR

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e o presidente chinês, Xi Jinping, reuniram-se ontem à margem da cimeira do G20, numa tentativa de estabilizar as relações diplomáticas entre os dois países. “Tivemos as nossas divergências (…), mas o nosso relacionamento bilateral é importante”, disse Albanese, no início do encontro.

“Presidente Xi, espero que hoje tenhamos uma troca e um diálogo construtivos”, disse Albanese, insistindo na necessidade de respeitar o direito internacional e trabalhar por uma região do Indo-Pacífico “estável, próspera e pacífica”, num momento de “grande incerteza” no mundo.

No dia 13, tinha decorrido a primeira reunião frente-a-frente entre altos representantes da China e da Austrália em três anos, onde o primeiro-ministro chinês Li Keqiang disse, enquanto se reunia com Albanese, que “a China está pronta para se encontrar com a Austrália a meio caminho e trabalhar em conjunto para promover laços sustentados e saudáveis”, no meio de uma série de sinais positivos que Camberra enviou nos últimos dias.

Albanese disse a Li que o seu país está disposto a reforçar os intercâmbios de alto nível com a China e a promover conjuntamente o desenvolvimento saudável das relações bilaterais. “Tive uma grande conversa com o primeiro-ministro Li. Foi muito positiva e construtiva”, disse Albanese aos repórteres no domingo após a reunião, informou a AFP.

Noutro esforço para aliviar as tensões com a China, a Ministra dos Negócios Estrangeiros australiana Penny Wong, no seu primeiro grande discurso político, culpou o anterior governo de coligação pela ruptura das relações com a China, dizendo que os Trabalhistas “procurariam cooperar onde pudéssemos”, noticiou a SBS News, com sede na Austrália, no domingo.

Desde que tomou posse, Wong reuniu-se duas vezes com o MNE Wang Yi para restabelecer o mecanismo de diálogo. “Nessas reuniões, expressei francamente os pontos de vista da Austrália sobre uma série de questões de comércio bilateral, consular e de direitos humanos, bem como de segurança regional e internacional”, revelou Wong.

No entanto, o ministro australiano do Comércio, Don Farrell, disse que estão dispostos a discutir “fora das fronteiras” com a China, em vez de forçar uma decisão da OMC sobre as actuais disputas comerciais entre os dois países. O ministro disse que independentemente do que aconteça na OMC, as empresas australianas estão a procurar “minimizar a exposição ao risco”, diversificando a sua actividade fora do mercado chinês.

“As observações de Farrell são de facto um eufemismo para a ‘dissociação’ com a China, e isso em si mesmo cai novamente numa mentalidade de Guerra Fria. Não há forma de substituir um mercado tão grande como o da China, e é apenas sensato que a Austrália mostre a sua sinceridade em seguir na mesma direcção que a China”, disse Chen Hong, presidente da Associação Chinesa de Estudos Australianos.

A China é o mercado de exportação nº1 de minério de ferro australiano, com mais de 60% a ir para o mercado chinês, tornando o sector parte da espinha dorsal da economia australiana. A China é também o principal mercado para outros produtos australianos que vão desde o vinho à carne de vaca e lagostas.

Xi Jinping avisa Biden que Taiwan é “linha vermelha”

DR

O Presidente chinês, Xi Jinping, avisou o seu homólogo norte-americano, Joe Biden, para não “cruzar a linha vermelha” em Taiwan, durante o encontro bilateral que mantiveram na Indonésia, anunciou a diplomacia chinesa.

“A questão de Taiwan está no centro dos interesses centrais da China, a base da fundação política das relações sino-americanas, e é a primeira linha vermelha a não ser atravessada nas relações sino-americanas”, disse Xi a Biden, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

“A resolução da questão de Taiwan é da competência dos chineses”, advertiu o líder chinês, citado pela agência francesa AFP. Os dois presidentes estiveram reunidos durante mais de três horas na ilha indonésia de Bali, à margem da cimeira do G20, o grupo das economias mais desenvolvidas e emergentes.

Xi disse que “é a aspiração comum do povo chinês de alcançar a reunificação nacional e salvaguardar a sua integridade territorial”. “Qualquer pessoa que procure separar Taiwan da China estará a violar os interesses fundamentais da China e o povo chinês nunca o permitirá. Esperamos ver paz e estabilidade no Estreito de Taiwan, mas a paz e a ‘independência’ de Taiwan são irreconciliáveis”, avisou.

O líder chinês disse esperar que Washington “honre a sua palavra” e “respeite a política de uma só China e os três comunicados conjuntos assinados” pelas duas partes. “São a base das relações entre os nossos dois países”, insistiu.

Xi recordou que Biden comentou “em numerosas ocasiões” que os Estados Unidos “não apoiam a independência da ilha” e não têm intenção de “utilizar Taiwan como instrumento para ganhar vantagem na sua concorrência com a China ou para conter a China”. “Esperamos que os Estados Unidos cumpram as suas promessas e ponham realmente tudo isto em prática”, acrescentou.

A presidência norte-americana disse que, no encontro, Biden criticou as “acções coercitivas e cada vez mais agressivas” da China em relação a Taiwan. “Não creio que haja uma tentativa iminente da China de invadir Taiwan”, disse Biden, no entanto, na conferência de imprensa que deu em Bali após a reunião com Xi.

As tensões entre Pequim e Washington agravaram-se em Agosto, na sequência de uma viagem provocatória à ilha pela presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi. A China respondeu à visita com os maiores exercícios militares em redor da ilha em décadas e com sanções comerciais contra Taipé. Os Estados Unidos são o principal fornecedor de armas de Taiwan e têm declarado que estarão do lado de Taipé em caso de um conflito militar com a China.

Ucrânia: Nuclear, não obrigado

Esclarecido este assunto, Xi Jinping, reiterou ao seu homólogo norte-americano que a China está “muito preocupada” com a guerra na Ucrânia e que Kiev e Moscovo devem retomar as negociações. “Apoiamos e aguardamos com expectativa o reinício das conversações de paz entre a Rússia e a Ucrânia”, disse Xi.  A China também espera que os Estados Unidos, a União Europeia e a NATO “conduzam diálogos abrangentes com a Rússia”.
Xi disse a Biden que “conflitos e guerras não produzem nenhum vencedor” e defendeu que “não existe uma solução simples para uma questão complexa”. Xi e Biden concordaram em rejeitar a utilização de armas nucleares na guerra na Ucrânia.

Xi também disse a Biden que o mundo é suficientemente grande para que ambos os países se possam desenvolver e prosperar. “Nas actuais circunstâncias, a China e os Estados Unidos partilham mais, e não menos, interesses comuns”, disse. A China não procura desafiar os Estados Unidos ou “alterar a ordem internacional existente”, disse também, apelando para que ambas as partes se respeitem mutuamente.

Não há “democracias perfeitas”

Xi defendeu ainda que “nenhum país tem um sistema democrático perfeito” e que as diferenças específicas entre os dois lados podem ser discutidas, “mas apenas na condição prévia da igualdade”. “A chamada narrativa ‘democracia versus autoritarismo’ não é a característica que define o mundo de hoje, muito menos representa a tendência dos tempos”, afirmou.

No seu comunicado, a Casa Branca disse que Biden falou sobre a situação dos direitos humanos na China e, em particular, as acções de Pequim na região ocidental de Xinjiang, em Hong Kong e no Tibete.

Sobre a Coreia do Norte, Biden transmitiu as suas preocupações sobre o comportamento do regime de Kim Jong-un, que intensificou o lançamento de mísseis e pode estar a preparar-se para realizar o seu primeiro ensaio nuclear desde 2017. Disse “ao Presidente Xi que penso que eles têm a obrigação de deixar claro à Coreia do Norte que não devem realizar testes nucleares”, revelou Biden após a reunião.

Xi avisou Biden de que iniciar uma guerra comercial e tecnológica, procurando a desvinculação económica ou o corte das cadeias de abastecimento, “não serve os interesses de ninguém”. A Casa Branca apenas aludiu às práticas chinesas que vão contra a economia de mercado e não fez qualquer menção às tarifas que o ex-presidente Donald Trump (2017-2021) impôs às importações chinesas e que Biden manteve. Também não abordou as novas restrições que Washington colocou à venda de ‘microchips’ chineses.

Presidente chinês quer resolver dívida soberana dos países mais pobres

DR

O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu ontem que as instituições financeiras internacionais e credores comerciais “participem” e façam “esforços” para reduzir e suspender as dívidas dos países em desenvolvimento. Durante a sua participação na cimeira do G20, Xi assegurou que essas organizações “são os principais credores dos países em desenvolvimento” e instou especificamente o Fundo Monetário Internacional (FMI) a “acelerar” os empréstimos aos países mais pobres.

“A China lançou a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida do G20 (DSSI) e, no seu âmbito, suspendeu a maior quantia em empréstimos entre todos os membros”, afirmou o líder chinês. Xi Jinping disse ainda que a “China também trabalhou com alguns membros do G20, no âmbito do Quadro Comum para o Tratamento da Dívida, ajudando assim os países em desenvolvimento a ultrapassar um momento difícil”.

A reestruturação da dívida dos países em desenvolvimento deve ser um dos temas na cimeira, que se realiza na ilha de Bali, na Indonésia. Os parceiros latino-americanos do G20 (Argentina, México e Brasil), em particular, estão interessados em criar as condições que lhes permitam reestruturar a sua dívida de longo prazo.

Mundo frágil

Xi enfatizou ainda que a economia mundial está numa posição “frágil” devido à “tensa situação geopolítica, governação global inadequada e a sobreposição de múltiplas crises em áreas como alimentos e energia”. Pediu que se “evitem divisões e políticas de confronto entre blocos”, apelando aos líderes dos vários países que “trabalhem de mãos dadas para abrir novos horizontes de cooperação”.

O Presidente chinês realçou que a China propôs a Acção do G20 sobre Inovação e Cooperação Digital e que está “ansiosa para trabalhar com todas as partes para promover um ambiente aberto, equitativo e não discriminatório para o desenvolvimento da economia digital, visando reduzir o fosso digital entre os hemisférios Norte e Sul”.

Xi manifestou assim o seu apoio à adesão da União Africana ao G20, e disse que o grupo deve “ter sempre em mente as dificuldades dos países em desenvolvimento e atender às suas preocupações”. “Dados os retrocessos sofridos pela globalização económica e os riscos de recessão enfrentados pela economia mundial, todos estamos a atravessar um momento difícil, sendo que os países em desenvolvimento são os mais afetados”, acrescentou.

Comércio mundial mais aberto

O líder chinês também pediu que se promova “activamente” a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) para avançar com a “estruturação de uma economia mundial aberta”. “O comércio global, a economia digital, a transição verde e o combate à corrupção são fatores relevantes que impulsionam o desenvolvimento global. Devemos avançar na liberalização e facilitação do comércio e do investimento”, acrescentou.

Xi apontou que a sua proposta para assuntos de segurança, designada Iniciativa de Segurança Global (GSI), visa “manter o espírito da Carta da ONU, agir de acordo com o princípio da indivisibilidade da segurança e persistir no conceito de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável “.

A China “advoga a neutralização de conflitos por meio de negociações, a resolução de disputas por meio de consultas e o apoio a todos os esforços que levem à resolução pacífica de crises”.

Em relação às alterações climáticas, Xi indicou que é necessário fazer uma transição para o desenvolvimento verde e com baixas emissões de carbono, mas que para isso “é imperativo cumprir o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, e fornecer apoio aos países em desenvolvimento em termos de fundos, tecnologias e capacitação”, disse.

O líder asiático também se pronunciou sobre o que considerou o “desafio mais premente para o desenvolvimento global”: a segurança alimentar e energética, cuja crise ele atribuiu às cadeias de fornecimento e falta de cooperação internacional.

“Devemos fortalecer a cooperação na supervisão e regulação do mercado, estabelecer parcerias na áreas das matérias-primas, desenvolver um mercado de matérias-primas aberto, estável e sustentável, além de trabalhar em conjunto para desbloquear cadeias de fornecimento e estabilizar os preços no mercado”, apontou.

Feira de Produtos de Marca | IPIM satisfeito com vendas das empresas

DR

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) indicou ontem que a Feira de Produtos de Marca da Província de Guangdong e Macau (GMBPF) deixou parte das empresas expositoras satisfeitas com os resultados alcançados a nível de vendas.

O evento que decorreu no fim-de-semana reuniu mais de 350 empresas “que exibiram e venderam no local produtos de qualidade de Guangdong, de Macau e dos países abrangidos pela iniciativa Uma Faixa, Uma Rota”. Foram também organizadas mais de 140 sessões de bolsas de contactos físicas e virtuais e, ao longo dos três dias da feira, as transmissões ao vivo de sessões de vendas e apresentações de produtos obtiveram mais de um milhão de visualizações.

“As empresas de Macau afirmaram que a venda foi bastante satisfatória, traduzida na reposição de mercadorias por várias vezes durante os três dias da exposição”, dando conta da “expansão da clientela e procura de oportunidades de negócio”.

O IPIM fez também questão de salientar que 118 expositores oriundos das nove cidades da Grande Baía marcaram presença na edição deste ano do certame, o que representou uma subida de quase 50 por cento em relação à edição de 2021.

Covid-19 | Detectado novo caso positivo relacionado com estudante

DR
Um jovem de 22 anos foi diagnosticado ontem com covid-19. As autoridades indicaram que a infecção é conexa com o caso positivo, referente a uma estudante universitária portuguesa, revelado ontem. De resto, todos os testes de ácido nucleico recolhidos das zonas vermelhas deram negativo

 

As autoridades de saúde anunciaram ontem que um residente de 22 anos foi diagnosticado com covid-19. O caso positivo está relacionado com a infecção da estudante, relevada na segunda-feira pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus.

O jovem havia sido classificado como contacto próximo da estudante de 21 anos e estava em observação médica. Para já, as autoridades de saúde indicam que não apresenta sintomas e, depois de ter acusado positivo no teste de ácido nucleico, foi transferido para o Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane.

Em relação às pessoas retidas nos edifícios que foram declarados como zonas vermelhas, todos os testes realizados deram resultado negativo. No prédio onde vive a família portuguesa, o Edifício “Tranquility” localizado na Avenida do Ouvidor Arriaga, nº 28-28B, foram recolhidas amostras de 104 pessoas, para um primeiro teste de ácido nucleico.

Como a jovem trabalha no restaurante Vista 38 no Hotel Four Seasons, entre funcionários do restaurante e pessoas alojadas na unidade hoteleira foram testadas 571 pessoas, sem terem sido encontradas novas infecções.

Quanto à morada de residência do outro caso positivo, relativo ao homem de 34 anos que mora no Bloco II do Edifício Seng Hei Court da Rua de S. Lourenço, n.º 18C, foram testadas 24 pessoas, também todas com resultado negativo.

Além disso, foram recolhidas um total de 56 amostras ambientais no Four Seasons e nas duas zonas vermelhas, incluindo o Edifício Seng Hei Court e o Edifício “Tranquility”, com resultado negativo.

Encerrados e importados

As autoridades de saúde de Zhuhai anunciaram ontem terem detectado seis casos positivos em pessoas que já estavam em quarentena nos últimos dois dias. Adicionalmente, o comando de prevenção e controlo da covid-19 do distrito de Xiangzhou da cidade vizinha encerrou dois pisos do centro comercial subterrâneo do posto fronteiriço de Gongbei. A manter-se a situação actual, as lojas da muito concorrida superfície comercial só reabrem no próximo sábado.

Além disso, foi também bloqueado o bloco 32 do edifício Huafa Shuian, em Xiangzhou, pelo menos até sábado.
Por cá, as autoridades revelaram ontem que na segunda-feira foram registados seis casos importados referentes a dois homens e quatro mulheres, provenientes de países como Estados Unidos, França, Índia, Singapura e Malásia.

Pensões | PSD quer complemento para reformados de Macau

DR

O Partido Social Democrata (PSD) terá apresentado uma proposta para que os pensionistas residentes em Macau sejam abrangidos pelo “complemento excepcional a pensionistas”.

A informação foi divulgada ontem por Rita Santos, presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo China, Macau e Hong Kong, através de um comunicado.

“O deputado António Maló de Abreu respondeu à Comendadora Rita Santos que o PSD já apresentou uma proposta no sentido de eliminar a discriminação no Decreto-Lei n.º 57-C/2022, de 6 de Setembro”, é revelado. Caso a alteração seja aprovada, os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações a residir no estrangeiro também poderão receber o complemento de pensão.

Rita Santos está actualmente em Lisboa para participar nas reuniões do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas que decorrem até hoje. Além disso, foram agendados encontros com os grupos parlamentares do Partido Socialista, Partido Social Democrata, Iniciativa Liberal, Chega, Pessoas-Animais-Natureza e Livre.

No âmbito desta deslocação, Rita Santos, enquanto membro do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, deverá ainda ser recebida pelo presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

GP Macau | Previstos 20 mil visitantes diários

DR

Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, prevê que cheguem ao território cerca de 20 mil turistas por dia, durante a realização do Grande Prémio de Macau. Ao jornal Ou Mun, Andy Wu explicou que a expectativa está em linha com os números do ano passado, porque a principal fonte de visitantes é a província de Guangdong.

No entanto, como há um surto activo de covid-19 em Cantão, e Macau também tem casos importados, o presidente da associação reconheceu que o número diário de visitantes até pode ser menor do que o esperado. No ano passado, o número de visitantes no primeiro dia do Grande Prémio foi de 35 mil.

Turismo | Pedidas medidas para atrair estrangeiros

O deputado Cheung Kin Chung defende que com a futura ampliação do Aeroporto Internacional de Macau vai ser necessário criar medidas para tornar Macau um centro mundial de lazer. O objectivo passa assim por atrair não só visitantes do Interior, mas também do estrangeiro. Ouvido pelo jornal Ou Mun, o também presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau apontou que o sector hoteleiro local é bem-desenvolvido e pode oferecer acomodação com qualidade, com preços e actividades diversificadas, sendo altamente competitivo. Mesmo assim, Cheung Kin Chung pediu que não se abdique do mercado do Interior e que também se tente fazer esse segmento crescer.

Obras | Au Kam San questiona impacto do investimento público

DR
O antigo deputado argumenta que o investimento nas obras públicas tem pouco impacto, porque as empresas e os trabalhadores são do Interior, onde acabam por gastar o dinheiro que vem do território

 

Au Kam San questionou ontem a política de aumentar o investimento público no sector da construção civil, como forma de promover a recuperação económica. A crítica ao caminho seguido pelo Governo de Ho Iat Seng prende-se com o facto de o investimento estar a ser canalizado principalmente para empresas do Interior, que o antigo deputado considera pouco contribuírem para a economia local.

“O Governo da RAEM está a promover activamente a construção de mais obras públicas, que se pretende que levem a um aumento do consumo”, começou por escrever Au Kam San, num comentário publicado na rede social Facebook, “Mas será que não há um problema nesta aposta?”, questionou.

Para argumentar contra o caminho seguido pelo Executivo, o democrata recorre às teorias do economista britânico John Maynard Keynes. “Na economia Ocidental, Keynes é encarado como uma referência. Segundo as suas teorias, quando as pessoas gastam mais dinheiro das suas poupanças e aumentam o consumo privado, espera-se que surja um efeito multiplicador nos outros factores da economia que vai assim contribuir para um maior crescimento”, justificou. “Contudo, existem dois pré-requisitos para que o efeito multiplicador possa actuar. É necessário que a economia seja relativamente fechada e tem de ter uma dimensão suficientemente grande para que surjam os efeitos desejados”, explicou.

Todavia, Au Kam San afirma que Macau está longe de possuir as condições para que as medidas surtam efeito. “No caso de Macau, a economia não é fechada o suficiente para que o investimento seja retido no território. Também é uma economia demasiado pequena, o que em conjunto com a existência de um grande número de trabalhadores não-residentes, faz com que o efeito multiplicador não tenha impacto”, apontou.

Do Interior

Além de duvidar do efeito multiplicador, Au Kam San indicou também que o dinheiro alegadamente investido na economia de Macau está a ser canalizado para o Interior, o que significa que a existir um impacto benéfico para a economia, acontece no outro lado da fronteira.

Para sustentar este ponto de vista, o ex-deputado avança com os exemplos da Universidade de Macau, na Ilha da Montanha, a construção da Ilha Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e do Posto Fronteiriço de Qingmao, em que os projectos foram todos “entregues” e “construídos” por empresas do Interior.

Nesta matéria, Au indicou também que a construção foi feita por trabalhadores do Interior, assim como os materiais para a sua execução, o que faz “sem dúvida nenhuma” com que “o efeito multiplicador em Macau tenha tido zero impacto”.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, mesmo que a construção seja entregue a empresas locais, os efeitos desejados não vão ser alcançados, porque a maioria dos trabalhadores são não-residentes. “A maior parte do tempo estes trabalhadores estão no Interior, onde comem, e gastam o dinheiro, principalmente nas suas terras”, justificou.