Japão | Terramoto de 5,3 atinge Fukushima e Ibaraki

Um terramoto de magnitude 5,3 na escala de Richter atingiu hoje as prefeituras de Fukushima e Ibaraki na costa leste do Japão, sem desencadear um aviso de tsunami e sem que tenham sido reportados quaisquer danos.

As autoridades não comunicaram quaisquer danos materiais ou de feridos até ao momento, e não foram observadas irregularidades nas centrais nucleares localizadas em Fukushima, incluindo a central danificada em 2011, segundo o operador Tokyo Electric Power.

As autoridades alertaram para o risco de terramotos semelhantes nos próximos dias, notando que o terramoto de hoje foi o mais forte na área atingida por um terramoto de 7,4 de magnitude a 16 de março.

O forte tremor matou quatro pessoas e feriu mais de 200 em Fukushima, danificou infraestruturas, empresas e casas, perturbou as ligações ferroviárias e rodoviárias, e ameaçou o fornecimento de energia a grande parte do arquipélago, incluindo Tóquio, nas semanas que se seguiram.

O Japão situa-se no Anel de Fogo, uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo, e sofre sismos relativamente frequentes, pelo que a sua infraestrutura foi especialmente concebida para resistir a terramotos.

19 Abr 2022

Terramoto e sequelas

Os modos e as inteligências mudam menos do que calcula a noção controversa e volúvel de progresso ou a noção espúria embora mais comum de evolução, inapropriada a um primata que se vem equilibrando nos membros traseiros há não mais do que 400.000 anos. Uma piscadela de olho na fita do tempo de vida do planeta.

Tamanho foi o pavor, que depois de ter fugido até lugar onde a retina, os tímpanos e a pituitária já não recolhiam sinais da hecatombe, jurou D. José nunca mais dormir em edifício de alvenaria capaz de à primeira sacudidela lhe desabar na fidelíssima e majestática cerviz. Até ao fim dos seus dias viveu e despachou na Real Barraca da Ajuda também com outra e eufemística solenidade denominado de Real Paço de Madeira onde mais tarde se ergueria o subsequente palácio.

Em abono da régia poltronaria seria injusto não comparar o abalo de 1755 às mais negras descrições bíblicas da cólera de Deus. Uma cidade sumamente poderosa e capital da cristandade pulverizou-se inumando os seus fiéis habitantes do modo mais torpe, súbito e brusco, sem lhes dar azo a unção ou prece que resgatasse os seus pecados e lhes salvasse a alma, reduzindo-os a cadáveres insepultos abandonados à imundície e ao relento. Mais angustiante ainda foi que tão implacável devastação haja ocorrido no dia de Todos-os-Santos e à hora em que tanto o povo simples como os seus maiores se congregavam nas igrejas louvando a Deus

O instrumento, o momento e a dimensão do cataclismo claro que levantaria questões. E das essenciais.

Se a virtude de um retrato é a captura da índole profunda, e portanto volátil, do seu objecto poucos haverá tão fulgurantes – mesmo que pictoricamente sofrível – como o de Voltaire por Jean Hubert. Nele se flagra o fundibulário e filósofo mal saído da cama, de camisa de noite arregaçada, apenas enfiando uma perna no calção e já a ditar uma das suas controversas lettres ao secretário. É pitoresca a cena, porém credível.

Um ano não era passado – tempo curto à velocidade de então – e capturando a mórbida mas suculenta tragédia para a sua causa da Luz sobre ela debitou cerca de 500 versos que fez publicar no opúsculo “Poemes sur le Desastre de Lisbonne et Sur la Loi Naturelle.” Eis o ponto fulcral:

“Direis vós, perante tal amontoado de vítimas: / «Deus vingou-se, a morte deles é o preço de seus crimes»? / Que crime, que falta comentaram estes infantes / Sobre o seio materno esmagados e sangrantes? / Lisboa, que não é mais, teve ela mais vícios / Que Londres, que Paris, mergulhadas nas delícias? / Lisboa está arruinada e dança-se em Paris.”

Hoje é um dado adquirido o mérito do pragmatismo de Sebastião José na ocasião apenas Secretário de Estado dos Negócios Interiores ainda longe do título de Conde de Oeiras e longuíssimo do marquesado de Pombal.

Sem querer saber das causas da catástrofe, repugnando o proverbial “parar para pensar”, não menos concomitante à inteligência lusa do que o “ir ao fundo do problema,” mouco às vozes de peritos que discutiam as verdadeiras e estabelecidas doutrinas acerca do fenómeno e das urgentes medidas a tomar no sentido de asseverar estremecida e incansavelmente a nossa fé na glória do Altíssimo para que ele não se voltasse a zangar connosco, o que Sebastião José fez foi “enterrar os mortos e salvar os vivos”, aforismo quase de certeza fictício, mas, como é frequente nas lendas, bastante acurado e explicativo.

A opinião pública da época, que dela só sabemos pela publicada, amedrontou-se muito com a impiedade e a desenvergonhada impenitência de Sebastião José. Assim se congregou ela em torno das popularíssimas prédicas do Jesuíta italiano Gabriel Malagrida provedoras de bálsamo às almas inquietas. Um santo, exclamava o povo.

No mesmo ano em que Voltaire contendia pelas “causas naturais” Malagrida distribuía pelas igrejas o folheto “Juízo da verdadeira causa do terremoto, que padeceo a corte de Lisboa.” Em resumo dizia ele isto: “Sabe pois, oh Lisboa, que os únicos destruidores de tantas casas e palácios, os assoladores de tantos templos e conventos, homicidas de tantos seus habitadores, os incêndios devoradores de tantos thesouros,(…) não são contingências ou causas naturaes; mas são unicamente os nossos intoleráveis pecados.”

Rir-se-á deste argumento quem não entender que a sua racionalidade não envelheceu uma letra. Fazer das vítimas os perpetradores primeiros da sua própria desgraça é ponderação que não só tem feito o seu curso como parece ter recrudescido. Seja a gaja que estava a pedi-las porque veio à rua de mini-saia justa, seja a sociedade hétero-parental dominada pelo homem branco a produtora do terrorismo bombista, o que não falta por aí são enunciados dignos de Malagrida.

11 Out 2019

HRW | Apelo para evitar deportação de desertores norte-coreanos

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) apelou ontem  à China para que não deporte um grupo de 15 desertores norte-coreanos, entre os quais três crianças, face ao perigo de serem presos, torturados e até executados.

A organização de defesa dos Direitos Humanos, que soube da situação do grupo através do pai de um dos desertores, pede a Pequim que os acolha como refugiados.

O filho deste homem e outros quatro norte-coreanos foram detidos no início de Julho, próximo da fronteira da China com o Laos.

Os cinco permaneceram detidos em Xishuangbanna, na província de Yunnan, extremo sudoeste da China, junto a outros dez norte-coreanos que já estavam detidos, entre os quais três crianças.

No início de Agosto, o grupo foi transferido para o centro de detenção para imigrantes, em Tumen, próximo da fronteira com a Coreia do Norte, e considerada a última paragem antes da repatriação.

Campos de terror

Em comunicado, a HRW refere que os “repatriados pela China enfrentam prisão em campos de trabalhos forçados (designados “kyohwaso”), campos de prisioneiros políticos (“kwanliso”) ou até a execução.

A organização sublinha que nos “kwanliso” as condições de vida são sub-humanas, com “maus tratos contínuos, inclusive abusos sexuais, torturas por guardas e execuções sumárias”.

“A taxa de mortalidade nestes campos é extremamente alta, segundo relataram ex-prisioneiros e guardas”, detalha.

A maioria dos desertores norte-coreanos atravessa os rios Amnok ou Tumen para chegar à China, de onde tentam alcançar um terceiro país, principalmente a Tailândia e a Mongólia, para pedir asilo através das embaixadas e consulados sul-coreanos.

A China, que quer evitar migrações em massa de norte-coreanos, não os considera refugiados, mas “migrantes económicos”, forçando assim a sua repatriação se forem apanhados pelas autoridades.

Um relatório de 2014 da Comissão de Investigação da ONU sobre os Direitos Humanos na Coreia do Norte indicou que “quase todos os repatriados são objecto de actos inumanos”, por serem considerados “uma ameaça para o sistema político e a cúpula” do regime, que quer evitar que o país “tenha contacto com o mundo exterior”.

Inflação subiu 1,4 por cento em Julho

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) na China, a segunda economia mundial, registou um aumento de 1,4 por cento em Julho, face ao mesmo mês do ano passado, revelam dados oficiais do Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. Os preços dos alimentos caíram 1,1 por cento, no mês passado, enquanto os produtos não alimentares subiram dois por cento, afastando o receio de uma entrada em deflação. Destaca-se a queda do preço da carne de porco, de 15,5 por cento, em Julho, face ao período homólogo de 2016, e dos vegetais, de 9,1 por cento, enquanto na categoria não alimentar destaca-se a subida de 5,5 por cento nos gastos com a saúde. Segundo a consultora Capital Economics, os números reflectem as políticas económicas mais restritivas adoptadas por Pequim, que estão a abrandar a actividade económica. O índice de preços na produção, que indica a inflação no sector grossista, registou uma subida homóloga de 5,5 por cento no mês passado, a mesma percentagem que nos dois meses anteriores. À semelhança de anos anteriores, o Governo chinês fixou como meta que a inflação não supere os três por cento.

Pelo menos 25 mortos em deslizamento de terras

As equipas de resgate encontraram ontem sem vida o último dos desaparecidos num deslizamento de terras, ocorrido na terça-feira no sudoeste da China, elevando para 25 o número de mortos, informou a imprensa local. Os escombros cobriram a aldeia de Gengdi, na província de Sichuan, uma zona habitada principalmente pela minoria étnica Yi, segundo as autoridades locais. Outras cinco pessoas ficaram feridas na sequência do deslizamento. Um terramoto ocorrido no mesmo dia em Sichuan fez pelo menos 19 mortos e 247 feridos. O deslizamento ocorreu devido às fortes chuvas que atingiram a região nos últimos dias.

Em 24 de Junho passado, também na província de Sichuan, um deslizamento de terra e rochas causou quase 100 mortos.

10 Ago 2017

Tragédia em Sichuan | Deslizamento de terras faz mais de 110 desaparecidos

Depois de chuvas intensas, a aldeia de Xinmo, situada no norte da província de Sichuan, foi inundada por terra e pedras. A derrocada engoliu 62 casas particulares e um hotel, deixando mais de uma centena de pessoas desaparecidas. Até ao fecho da edição o número de mortos encontrados era de 15

Enquanto a chuva intensa continua a provocar danos nas províncias de Hunan e Hubei, em Sichuan a calamidade acrescentou terra e pedras à forte precipitação. Na madrugada de sábado, às 05:45 da manhã, a aldeia de Xinmo, em Sichuan, foi atingida por um deslizamento de terras que cobriu a localidade de terra e pedregulhos. O local sinistrado fica a 170 quilómetros a norte de Chengdu, a capital da província e é habitado, sobretudo, por uma vasta comunidade de tibetanos e famílias da etnia Qiang.

Até ao fecho desta edição o número de vítimas mortais situava-se nos 15, com mais de 110 pessoas desaparecidas. A localidade, situada no sopé de uma montanha, faz fronteira com o Tibete. Ao local acorreram cerca de 3 mil operacionais munidos de aparelhos de detecção e equipas cinotécnicas em busca de sobreviventes debaixo dos escombros. As equipas de salvamento focam os seus esforços na área mais afectada, onde 62 casas e um hotel foram totalmente arrasados pelo poder das terras. Numa altura em que já se procediam a salvamentos, em plena luz do dia, uma segunda derrocada que fez rolar sobre a fustigada aldeia pedras de grandes dimensões. O segundo deslize dificultou as manobras de máquinas de grandes dimensões nos esforços de salvamento, além de ter perpetuado o pânico.

É de salientar que as chuvadas e consequentes deslizes de terras são frequentes nesta zona da China, sendo que desta vez a aldeia de Xinmo foi varrida por uma parcela do topo de uma montanha da província de Aba no Tibete.

Caíram sobre a população do pequeno povoado cerca de 18 milhões de metros cúbicos de terra e rocha, de acordo com informação veiculada pela agência Xinhua. A chuva de pedras abrangeu uma área de três quilómetros de diâmetro, enterrou 1,6 quilómetros de estrada e bloqueou dois quilómetros do leito de um rio.

Terra tremida

A região havia sido fustigada por um enorme terramoto a 12 de Maio de 2008, que vitimou mais de 87 mil pessoas, e que foi sentido em Macau três minutos depois de tremor original. Passados seis meses da calamidade que entrou directamente para o pódio dos terramotos mais mortíferos do século XXI, o Governo chinês anunciou o investimento de 1 bilião de renminbis, parte do programa de estímulo económico chinês, para reconstruir a zona afectada.

Ouvido pela televisão estatal chinesa, Tian Yanshan, geólogo especializado em respostas urgentes do Ministério da Terra e Recursos, afirma que as montanhas da região se encontram numa situação de instabilidade desde o forte abalo de 2008. “A razão para o deslizamento de terras é complicada. Chuva forte e uma estrutura montanhosa instável contribuíram para o desastre”, concluiu o geólogo à CCTV. O especialista acrescentou ainda à lista de possíveis explicações a intervenção humana na zona, em particular actividades ligadas à indústria da mineração.

De acordo com os serviços meteorológicos, as fortes chuvadas vão-se manter. Como tal, as províncias de Hunan, Hubei, Guizhou e Anhui continuam com alertas de emergência de forma a dar resposta a possíveis focos de inundação. Foi também lançado um alerta de deslize de terras para a cidade de Jin, em Hunan.

Neste aspecto é de salientar que nas províncias de Hunan e Hubei, no centro da China, as inundações provocadas pelas chuvas registadas nos últimos dias afectaram cerca de 466.500 pessoas e causaram pelo menos dois mortos, informou a agência noticiosa estatal Xinhua. As cheias provocaram danos patrimoniais ainda por apurar, sendo que meia centena de casas ruiu e mais de 9 mil pessoas tiveram de ser retiradas das suas moradias.

Depois da deslize de terras, ocorreram a Xinmo mais de um milhar de bombeiros, pessoal de assistência médica e polícias. A logística deslocada para a remota zona do noroeste da província de Sichuan inclui um veículo com equipamento satélite e drones. O Departamento dos Assuntos Civis da Prefeitura Autónoma do Aba Tibetano e Qiang montou na zona do desastre um acampamento com 20 tendas e dois geradores eléctricos. Foram também enviados para o Xinmo cerca de 400 mantas e mudas de roupa para servir de apoio logístico aos sinistrados.

Resposta de Pequim

Os votos de solidariedade não se fizeram esperar, um pouco por todo o mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou no sábado tristeza pela perda de vidas humanas e devastação causada pelo deslizamento de terras. Guterres acrescentou ainda que as Nações Unidas disponibilizam a Pequim todo o apoio que Pequim necessitar. De resto, o português deixou as condolências para o povo e Governo da República Popular da China, e “desejos de melhoras rápidas” para os feridos.

Assim que foi dada notícia da calamidade em Xinmo, o Presidente Xi Jinping, assim como o Primeiro-Ministro Li Keqiang, emitiram um comunicado compelindo as equipas de salvamento a “fazerem o máximo esforço para minimizar casualidades”. Xi Jinping acrescentou ainda que será prestado o cuidado apropriado a familiares de vitimas e a quem teve prejuízo com o desastre.

Um oficial local, Li Yuanjun, relatou ao Sichuan Daily que ao chegar à zona afectada deparou-se com um cenário de total devastação. “De toda a aldeia só consegui ver uma casa de pé, o resto está enterrado debaixo das rochas”, contou.

26 Jun 2017