DSEC | Desemprego a crescer após fecho de ‘casinos-satélite’

A construção foi a área onde o desemprego mais cresceu, ao contrário do sector do jogo, onde se contrataram mais pessoas, apesar do encerramento dos casinos. As concessionárias prometeram manter os trabalhadores residentes dos espaços encerrados

 

A taxa de desemprego em Macau aumentou, pela primeira vez em seis meses, para 1,8 por cento, entre Outubro e Dezembro, foi sexta-feira anunciado, após o encerramento de dez ‘casinos-satélite’.

De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o indicador subiu 0,1 pontos percentuais em comparação com o período entre Setembro e Novembro, com o número de desempregados a crescer em cerca de 100, para 6.800.

Ainda assim, a taxa representa menos de metade do registado no terceiro trimestre de 2022 (4 por cento), o valor mais alto desde 2006, numa altura em que Macau vivia em plena crise económica causada pela pandemia de covid-19.

A recuperação motivada pelo fim da política ‘zero covid’, que esteve em vigor em Macau e na China continental durante quase mais de três anos, levou o desemprego a cair para 1,6 por cento entre Novembro de 2024 e Janeiro de 2025, um mínimo histórico desde que a DSEC começou a recolher dados sobre o desemprego em Macau, em 1992, ainda antes da transição de administração do território, de Portugal para a China.

O principal responsável pelo aumento do desemprego foi o sector da construção, que despediu cerca de 2.300 pessoas.

Pelo contrário, a mão-de-obra nos casinos – o maior empregador privado de Macau – aumentou em cerca de 900, apesar do encerramento até ao final de 2025 de dez ‘casinos-satélite’, onde trabalhavam cerca de 5.600 residentes.

Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada das concessionárias, são geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa e que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002.

Os dias do fim

Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo.

Macau é a capital mundial do jogo e o único local na China onde o jogo em casino é legal. Operam na região seis concessionárias de casinos, cujo contrato de concessão, válido por 10 anos, entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2023.

As três concessionárias que tinham a tutela dos ‘casinos-satélite’ prometeram garantir, em outros espaços de jogo, o emprego dos funcionários com estatuto de residente em Macau e directamente contratados pelas empresas.

Já os outros trabalhadores locais, foram “convidados a candidatarem-se a vagas relacionadas” dentro do grupo, “com prioridade para contratação” e com condições iguais às que tinham, referiu uma das operadoras, a SJM, fundada pelo falecido magnata Stanley Ho (1921-2020).

A reguladora dos casinos, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos prometeu cooperar com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais para assegurar o cumprimento das garantias dadas pelas concessionárias, nomeadamente “a recolocação de todos os referidos trabalhadores”.

MBC Show! | CQ acusa parceiras de desvio de fundos e falhas contratuais

Apesar das acusações da empresa de Macau CQ, não é dado como certo que o caso avance para os tribunais. A CQ recusou que o cancelamento do Festival MBC Show! Music Core in Macau tenha acontecido devido a “circunstâncias locais”, mas ignorou as acusações de que as autoridades de Macau estão a negar vistos de trabalho para artistas japoneses

 

Após o cancelamento do festival MBC Show! Music Core in Macau, o organizador local veio a terreiro recusar que o cancelamento se justifique com “circunstâncias locais”. A Companhia de Entretenimento e Comunicação Cultural (Macau) CQ acusa as parceiras coreanas de se apropriarem de fundos e violarem os contratos para o espectáculo. Contudo, a empresa local ignora totalmente a questão de as autoridades de Macau estarem a recusar vistos de trabalho aos artistas japoneses.

O festival com grupos de pop coreano estava originalmente agendado para os dias 7 e 8 de Fevereiro, no Local de Espectáculos ao Ar Livre. Contudo, nas últimas semanas, sugiram várias notícias nos meios de comunicação da Coreia do Sul a indicar que o evento estava em risco, porque as autoridades de Macau não estão a autorizar a entrada para fins profissionais de artistas japoneses.

No entanto, a empresa CQ (Macau) veio agora negar que o cancelamento se tenha ficado a dever a “circunstâncias locais”. A CQ acusa antes as empresas coreanas NCh Entertainment e Storypeak de violarem os contratos assinados.

“No comunicado a anunciar o cancelamento, a MBC afirmou que a causa era atribuível a ‘circunstâncias locais’. A este respeito, temos de emitir um esclarecimento com base nos factos: esta afirmação é totalmente inconsistente com a realidade”, começar por posicionar-se a empresa local. “A razão fundamental para o cancelamento é que os direitos do espectáculo foram concedidos a organizadores coreanos sem capacidade para cumprir as suas obrigações contratuais, nomeadamente a ‘nCH Entertainment’ e a ‘STORYPEAK’”, foi acrescentado.

A empresa que tem como administradores Ng Sao In e Mui Chong Lam vai mais longe e indica que “a nCH Entertainment cometeu repetidamente graves violações do contrato e desviou fundos, enquanto a STORYPEAK ocultou informações relativas ao financiamento e ao andamento do projecto e induziu fraudulentamente certos parceiros a adiantar pagamentos em seu nome”.

A CQ indica que o desvio dos fundos congelou toda a logística do evento, que impediu que este fosse realizado nos dias previstos.

O HM contactou a empresa nCH Entertainment para obter uma reacção às acusações, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta.

Processo? Talvez não

Apesar das acusações de desvio de fundos, a CQ não dá como certa a instauração dos procedimentos legais contra as empresas nCH Entertainment e STORYPEAK. “Lamentamos profundamente e estamos insatisfeitos pelo facto de o evento não ter podido ser realizado com sucesso, e apresentamos as nossas sinceras desculpas a todos os fãs, artistas e parceiros que estavam ansiosos por ele”, foi indicado. “Ao mesmo tempo, reservamo-nos o direito de prosseguir a responsabilidade legal contra as partes infractoras pelas perdas decorrentes deste assunto”, foi acrescentado.

A confirmação do cancelamento o festival chegou na semana passada, com a empresa MBC a justificar o desfecho com as “condições locais” de Macau, e a indicar que iria procurar organizar o evento no futuro quando se registassem “condições mais estáveis”. A posição da MBC, citada pelos órgãos de comunicação social da Coreia do Sul, também não comentava directamente o bloqueio das autoridades de Macau a artistas japoneses, apesar da informação ter circulado nas semanas anteriores.

História repete-se

O cancelamento de espectáculos em Macau com artistas japoneses não é novo. E esta também não é a primeira vez que a Companhia de Entretenimento e Comunicação Cultural (Macau) CQ está envolvida.

O primeiro cancelamento a envolver a CQ aconteceu em Dezembro do ano passado, quando a empresa anunciou que o concerto em Macau do grupo Hi-Fi Un!corn não seria realizado devido a “circunstâncias imprevisíveis”. Os Hi-Fi Un!corn são um grupo de rock com membros da Coreia do Sul e do Japão.

A justificação para a não realização do evento foi a existência de “circunstâncias imprevisíveis”, que foi igualmente utilizada em Xangai, quando o Interior começou a cancelar as actuações dos artistas japoneses.

Os cancelamentos na China, com excepção de Hong Kong, surgiram depois de Takaichi Sanae, primeira-Ministra do Japão, ter comentado a possibilidade de uma intervenção japonesa num eventual conflito armado entre o Interior e Taiwan. Em Macau, após estas declarações, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também os grupos Nexz e Hi-Fi Un!corn, que integram artistas com nacionalidade japonesa foram cancelados.

No dia 25 de Janeiro, o HM entrou em contacto com Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter reacções às informações que circulavam na Coreia do Sul, mas até agora não obteve qualquer resposta. No entanto, anteriormente, o IC recusou ter qualquer ligação com os cancelamentos.

Após distinção Lawrence Ho destacou investimentos não jogo

O líder da Melco Resorts, Lawrence Ho, defendeu na sexta-feira o mérito dos “grandes investimentos fora do jogo” em Macau, ao receber a Medalha de Mérito Turístico atribuída pelo executivo da cidade à equipa do espectáculo “House of Dancing Water”.

Em declarações aos meios de comunicação social à margem da cerimónia anual de entrega das medalhas de mérito e de honra, protagonizada pelo Chefe do Governo, Sam Hou Fai, o filho de Stanley Ho enfatizou que a distinção representa “uma enorme honra”, agradecendo o reconhecimento do “House of Dancing Water”, um espectáculo em cena desde 2010.

“Penso que isto mostra que os grandes investimentos fora do jogo têm um lugar em Macau e também na Grande Baía [Guangdong-Hong Kong-Macau]”, afirmou Lawrence Ho, numa referência à estratégia do Governo da RAEM de diversificação da economia do território, tradicionalmente dependente dos casinos.

O espectáculo, que contou com um investimento original que excedeu 2 mil milhões de renminbi foi suspenso durante alguns anos devido à pandemia de covid-19, “mas desde que retomou a sua programação, no ano passado, tem sido um enorme sucesso”, afirmou o presidente executivo da Melco.

No coração do cenário do espectáculo encontra-se um palco com 20 metros de largura que se transforma num lago com mais de 17 milhões de litros de água, “equivalente a mais de cinco piscinas olímpicas em apenas 60 segundos”, de acordo com o site da empresa.

O empresário comprometeu-se a “continuar a trabalhar com o Governo de Macau” na diversificação da economia da região, com o objectivo de atrair “mais turistas internacionais” para o território, declarou.

“Esperamos criar mais novos conceitos, mais espectáculos, mais atracções e mais propriedades para continuar a crescer nesse mercado”, concretizou.

A Medalha de Mérito Turístico é uma das várias distinções atribuídas anualmente pelo Executivo de Macau para reconhecer contributos individuais ou colectivos para o desenvolvimento da região.

Para todos os gostos

Ho Iat Seng, líder do Governo anterior, entre 2019 e 2024, e Kou Hoi In, ex-presidente da Assembleia Legislativa, entre 2019 e 2025, foram agraciados com a Medalha de Honra ‘Grande Lótus’, a mais alta distinção atribuída pelo Governo de Macau.

Este ano, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, a Escola Keang Peng e a Escola Kao Yip receberam a medalha de Mérito Educativo e a medalha de Mérito Cultural foi atribuída à Associação de Ópera Chinesa dos Moradores Marítimos e Terrestres da Barra de Macau, ao deputado Lam Fat Iam e ao artista Chan Iu Pui, actualmente consultor artístico da Associação dos Artistas de Belas-Artes.

Trabalho | Consulta pública sobre dias de férias e de licença de maternidade

A proposta do Executivo passa por aumentar as férias para 12 dias, de acordo com a antiguidade, face aos 6 actuais, e os dias de licença de maternidade para 90 dias, em comparação com os 70 dias em vigor

 

O Governo propôs um aumento da licença de maternidade, para 90 dias, e das férias anuais, para 12 dias, com o intuito de inverter a taxa de natalidade mais baixa do mundo.

Numa conferência de imprensa, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) anunciou o lançamento de uma consulta pública sobre as alterações propostas, com a duração de 45 dias. A iniciativa arrancou no sábado e decorre até 16 de Março.

A DSAL propõe estender a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias – um valor já aplicado aos funcionários da administração pública – com os custos a serem divididos entre o Governo e os empregadores.

Para “aliviar a pressão” sobre os custos das pequenas e médias empresas (PME), o Executivo quer atribuir um subsídio equivalente a até 20 dias da licença de maternidade, mas apenas para as trabalhadoras com estatuto de residente.

No final de Novembro, o território tinha mais de 184 mil trabalhadores migrantes, o que representava mais de um terço (37,2 por cento) da população activa.

As autoridades querem também aumentar as férias anuais no sector privado, por antiguidade. Há 40 anos que os residentes permanentes de Macau têm direito a apenas seis dias remunerados de descanso anual. Os funcionários públicos têm direito a 22 dias úteis.

Trabalhar para gozar

O Executivo propõe agora que os trabalhadores tenham direito a mais um dia útil de férias por cada dois anos que passam na mesma empresa, até um máximo de 12 dias úteis por ano.

Um dos objectivos das alterações, disse o director da DSAL, Chan Un Tong, é permitir à população de Macau “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”.

O Governo encomendou em 2025 um estudo “a uma terceira entidade” – cuja identidade não foi revelada – sobre o eventual aumento da licença de maternidade e de férias anuais, que foi concluído no final de ano.

O estudo incluiu um inquérito, segundo o qual os trabalhadores consideram tanto a actual licença de maternidade como o período de férias anuais “insuficiente para atender às necessidades familiares”.

Questionado pela Lusa sobre o potencial impacto das alterações na taxa de natalidade em Macau, que em 2024 foi a mais baixa do mundo, Chan Un Tong respondeu que o objectivo é “aperfeiçoar o direito dos trabalhadores ao descanso”.

“O Governo tem, através de várias formas, tentado criar condições para que os residentes possam ter uma vida melhor”, acrescentou o director da DSAL.

 

 

O noivo perfeito não é humano?

A Geração Z acredita que pode desenvolver relacionamentos profundos com a Inteligência Artificial (IA) e mostra-se muito favorável ao casamento com IA. Estes foram os resultados de um estudo realizado por uma companhia de chatbots onde é possível criar uma namorada à medida. Um resultado conveniente à sua amostra: utilizadores que vêem na IA uma presença que não provoca desgostos. E apesar de não existir um regime jurídico que aprove o casamento com sistemas de IA relacional, desde chatbots a avatares, estes já acontecem como actos performativos. Estão a ser realizadas cerimónias para que todos vejam: o parceiro perfeito não precisa de ser de carne e osso. E há várias reflexões que podem ser feitas relativamente a esta tendência. Trarei aqui algumas ideias.
Muito se pode dizer sobre estas relações com um risco emocional mínimo – sem alteridade, sem um outro verdadeiramente autónomo. A IA é passível de ser moldada à nossa medida, o algoritmo desenvolvido para agradar e validar. Este é o sonho de muita gente, criar parceiros e parceiras perfeitas, com as interacções e com a disponibilidade emocional perfeitas. Olhamos para estes processos com julgamentos fáceis de que as pessoas só estão à procura de uma solução fácil sem sofrimento; como se lhes faltasse a coragem de fazer diferente. Contudo, encontrar amizade e amor na IA revela algo de muito particular sobre o campo relacional contemporâneo. Um campo onde o cansaço é grande, onde a desilusão é uma constante da relação interpessoal. O contacto humano tem-se deteriorado de tal forma, e vivemos tempos de tanta incompreensão, que a IA torna-se numa miragem, uma bolha de oxigénio que pode ser relevante para a nossa sobrevivência sócio-emotiva. É apenas uma pequena bengala, com os seus riscos.
Outra dimensão importante a ser discutida é a da sexualidade. A IA não tem um corpo. No Japão, no mais recente casamento com uma figura criada pela IA, o noivo foi trazido pela tecnologia de realidade aumentada. Como é que se vive a sexualidade sem o toque, sem a pele? Claro que o sexo pode viver de fantasias, de estímulos como a voz e o texto; não é o veículo que traz problemas, mas a substituição do corpo pela sua ausência permanente. A impossibilidade de viver o sexo com a temperatura dos corpos, a sensibilidade da pele e a exploração dos sentidos limita profundamente a experiência erótica. Não fazer gozo desta capacidade de nos relacionarmos com tamanha intensidade, é impossibilitar experiências que são especiais e humanas.
Mas não posso descurar a capacidade ensaística da IA. Como se se tratasse de um laboratório de exploração relacional. Pode funcionar como preâmbulo, mas dificilmente substituirá a narrativa rica, fantástica e trágica que são as histórias de amor e de sexo humanos. Por isso tenho curiosidade sobre estes casamentos, o quanto irão durar, e os níveis de satisfação ao longo do tempo. Poderão surpreender-me, mas acredito que irão chegar a pontos insuportáveis de aborrecimento e estagnação.
A desilusão, ou o desencontro, são parte do processo de relação. O terapeuta familiar, Terry Real, discute bastante esta questão. A desilusão não é um problema, é só um começo. O romance está no campo da projeção e fantasia, mas a relação só começa quando a projeção cai e o outro se torna real. O outro que não vem encaixar perfeitamente nas nossas necessidades ensina-nos que uma relação vive de negociações, de responsabilidade relacional, e de reconhecimento de limites. Para este terapeuta, a intimidade não vem de uma fantasia de encaixe perfeito, vem da realidade pós-desilusão. Isto é o que a IA nunca nos pode oferecer. A IA só nos espelha, e molda-se aos nossos desejos e necessidades.
As relações com IA levantam muitas questões éticas, afectivas e sociais — mas talvez sejam, acima de tudo, um sintoma. Um espelho de um tempo em que o contacto humano se tornou demasiado extenuante, imprevisível ou doloroso. Antes de perguntarmos se o noivo perfeito é humano, talvez devêssemos perguntar que mundo estamos a construir para que o humano, e as suas idiossincrasias, já não seja objecto de desejo.

Imprensa | Sam Hou Fai pede que história de Macau e da China seja bem contada

O Chefe do Executivo apelou aos órgãos de comunicação social nas línguas portuguesa e inglesa que contem bem a história de Macau e da China, e que se desloquem mais a Hengqin. A mensagem foi deixada durante um almoço realizado na tarde de quinta-feira. “Tendo em conta que os órgãos de comunicação social das línguas portuguesa e inglesa estabelecidos em Macau gozam de privilégios específicos pelo facto de estarem sediados em Macau […] espero que os amigos da comunicação social aproveitem estas vantagens para fazer reportagens e dar a conhecer, de forma objectiva, imparcial e empenhada Macau ao exterior, para contar bem a história da China e a de Macau ao mundo” afirmou Sam Hou Fai.
O líder do Governo indicou também ter esperança de que os órgãos de comunicação social reconheçam que Macau atravessa uma era “feliz”. “Espero que conheçam com precisão o pulsar de Macau desta era, compreendam a conjuntura política, económica, social e cultural mais recente de Macau, desempenhando da melhor maneira as funções da comunicação social, divulgando a nova imagem de uma Macau alicerçada no Estado de Direito, dinâmica, cultural e feliz”, vincou. “Espero que visitem proactivamente a Zona de Cooperação em Hengqin, a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e outras províncias e regiões irmãs no Interior da China, conheçam melhor os últimos avanços e as situações locais para reforçar ainda mais a cobertura noticiosa sobre a integração e prestação de serviços da RAEM na conjuntura nacional”, acrescentou.

Ensino | Escolas com falta de conselheiros pedagógicos

O director da Escola Choi Nong Chi, Vong Kuoc Ieng, alertou para a perda de conselheiros pedagógicos nas escolas, que se está a agravar nos últimos anos e que implica alguns dos trabalhadores mais experientes. Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável explicou que os serviços de aconselhamentos dos alunos nos campus estão ameaçados.
Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável explicou os conselheiros pedagógicos orientam os alunos, dão apoio emocional aos estudantes e orientações a nível da saúde e do percurso escolar. Estes conselheiros, organizam ainda palestras e encontros temáticos com os encarregados de educação.
No entanto, Vong Kuoc Ieng apontou que os conselheiros pedagógicos tendem a deixar a área, depois de alguns anos, para se tornarem professores, ingressarem na função pública ou mudarem-se para outras áreas profissionais.
O director da escola afirmou que esta rotatividade tem impacto nos estabelecimentos de ensino e que se estão a perder bons profissionais. O problema é mais grave, porque tem impacto nas crianças que são acompanhadas e que muitas vezes, depois de trabalharem com um conselheiro, não se conseguem adaptar a uma nova pessoa.
Vong Kuoc Ieng lamentou também o processo demorado na formação de conselheiros pedagógicos e que, não raras vezes, algum tempo depois, estes deixem a profissão, o que disse ser frustrante.
Face a estas dificuldades, o responsável pediu a criação de uma carreira para esta classe e defendeu que deve haver aumentos dos salários, para acabar com o ciclo vicioso de abandono.

GalaxyArt acolhe exposição de esculturas em bronze de Zhu Bingren

“A Fortuna Dourada: A Estreia em Macau da Arte do Cobre de Zhu Bingren” é o nome da exposição que está exibição na GalaxyArt até ao próximo dia 12 de Abril.
A mostra apresenta uma série de obras do mestre do cobre Zhu Bingren, que deu continuidade ao legado do seu pai, Zhu Junmin, através de 68 obras. Com o Ano do Cavalo à porta, a exposições reúne 38 esculturas centradas no tema equestre, algumas criadas especialmente para a exposição que apresenta a obra do mestre do cobre a Macau.
Esculpidas com esmalte de alta temperatura, as obras em exibição “entrelaçam o estilo arrojado e dinâmico dos cavalos da dinastia Tang com o realismo ocidental e influências contemporâneas”, aponta a Galaxy em comunicado.
A figura equestre tem uma dimensão de grande simbolismo na cultura chinesa, com a sua forma em galope representando boa sorte, vitalidade e progresso.
Prosseguindo o legado centenário da sua família, Zhu Bingren não se limitou a seguir as linhas traçadas pela tradição das técnicas gengcai, trilhando novas rotas na arte de moldar cobre derretido. A organização da mostra salienta que o artista expandiu as formas da arte estrutural para a arte moderna, “revigorando o antigo ofício com talento e destreza”.
“As suas obras combinam técnicas modernas com o artesanato tradicional, transmitindo simbolismo auspicioso e ganhando reconhecimento de muitos dos principais museus de arte da China, onde as suas criações são exibidas”, indica a Galaxy.

Memória que permanece
Ao longo da sua carreira, Zhu recebeu vários títulos e condecorações. Reconhecido oficialmente como um mestre nacional da arte do cobre, Zhu Bingren é investigador da Academia Nacional de Artes da China, e consultor cultural e criativo do Museu do Palácio em Pequim.
“Há nove anos atrás, vim pela primeira vez a esta terra. Desde então, a abertura e inclusão de Macau ficaram profundamente gravadas na minha memória. Daí criei ‘Confluência dos Três Rios’ e ‘Plumas Esmeraldas, Graça Florescente’. Espero que estes reflexos fluídos do cobre sirvam de ponte cultural, ligando a florescente comunidade artística da Grande Baía”, afirmou o artista, citado pela Galaxy.
A exposição é realizada com o apoio da Direcção dos Serviços de Turismo e o Instituto Cultural.

FDC volta a lançar dois planos para subsidiar produções audiovisuais

O Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) voltou a lançar os apoios financeiros “Plano de Subsídio à Divulgação e Distribuição das Obras Cinematográficas e Televisivas com Elementos de Macau e dos Filmes do Interior da China” e “Plano de Subsídio à Filmagem Cinematográfica e Televisiva em Macau”, para promover a indústria cinematográfica e televisiva de Macau.
Os apoios visam também incentivar a filmagem, divulgação e distribuição de “minisséries com elementos de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, assim como “filmes do Interior da China que utilizem Macau como base de distribuição para países e regiões de língua portuguesa”.
Haverá quatro rondas de candidaturas para os dois planos ao longo do ano. A primeira ronda decorrerá de 2 de Fevereiro a 31 de Março, seguida pelas rondas de 1 de Abril a 30 de Junho, 1 de Julho a 31 de Agosto e 1 de Setembro a 27 de Novembro.
A modalidade do apoio financeiro é por subsídios, sem quota fixa, mas o número final de projectos concedidos será determinado pelos resultados da avaliação de cada ronda de candidatura e sujeito ao orçamento total dos planos. Se o orçamento dos planos estiver esgotado, o período de candidatura terminará mais cedo.

Questão de milhões
O “Plano de Subsídio à Filmagem Cinematográfica e Televisiva em Macau” tem um “orçamento é de 30 milhões de patacas, das quais, o orçamento para minisséries é de 5 milhões de patacas, sendo o valor financiado máximo de 30 a 40 por cento das despesas orçamentais de filmagem.
Já o “Plano de Subsídio à Divulgação e Distribuição das Obras Cinematográficas e Televisivas com Elementos de Macau e dos Filmes do Interior da China”, está orçamentado em 5 milhões de patacas, das quais 1,5 milhões de patacas são destinadas a minisséries que incorporem elementos de Macau-Hengqin. O limite máximo de apoio financeiro varia entre 60 e 80 por cento das despesas para divulgação e distribuição.

Vírus Nipah | Governo apela à calma e prepara medidas de prevenção

“Em relação aos recentes casos de infecção pelo vírus Nipah registados no Bengala Ocidental, Leste da Índia, os Serviços de Saúde têm prestado estreita atenção à situação local. Até ao momento, a situação epidemiológica ainda se limita ao local, pelo que se apela aos residentes para não entrarem em pânico.” Foi desta forma que o Governo pediu calma à população, em relação ao surto do vírus, extremamente contagioso, que se alastra na Índia, e que está a trazer recordações dos primeiros tempos da covid-19.
Apesar de apelar à calma, os Serviços de Saúde (SS) garantem ter reforçado medidas de prevenção, como a “avaliação e exame médico nos postos fronteiriços para indivíduos com historial de viagem relevante e que apresentam sintomas, aumento da capacidade de detecção do vírus, preparação das instalações de isolamento, assim como planos de tratamento médico”.
Com os planos de prevenção e controlo a prontos, as autoridades de saúde organizaram na quarta-feira um colóquio, que contou com a participação de mais de uma centena de pessoas, entre representantes de associações de saúde e organizações e instituições sem fins lucrativos que prestam serviços médicos. O objectivo foi aumentar a vigilância do sector da saúde relativamente a infecções pelo vírus Nipah, a sua detecção precoce e a comunicação de casos suspeitos

Tão longe e tão perto
Durante o colóquio, o director dos SS, Alvis Lo, referiu que apesar da distância entre a Índia e Macau, a normal circulação de pessoas e a conveniência do transporte internacional não só aproximam regiões, como tornam doenças de elevado grau contágio num problema global.
Para já, o Governo reforçou a “linha de defesa” nas fronteiras, com orientações para o “envio de casos suspeitos detectados nos postos fronteiriços para avaliação hospitalar”. Foram também afixados nos átrios de entrada dos postos fronteiriços “avisos sobre a declaração voluntária de saúde por parte de viajantes assintomáticos com histórico de permanência ou contacto relevante”.
As autoridades de saúde indicam manter “uma comunicação estreita com o sector de aviação civil de Macau”, para sensibilizar o pessoal da linha da frente em relação a infeções por vírus Nipah e notificar atempadamente os casos suspeitos.
A reserva de reagentes de teste e equipamentos de protecção individual também está entre as prioridades do Governo, assim como o reforço da divulgação pública.
O vírus Nipah constitui um agente zoonótico potencialmente fatal, identificado em 1999. Nos últimos 20 anos, foram registados vários casos de infecção humana no Bangladesh e na Índia. As autoridades desaconselharam também deslocações às regiões afectadas.

Sands China | Lucros caiem 14,2 por cento em 2025

A operadora de casinos Sands China anunciou lucros de 901 milhões de dólares em 2025, menos 14,2 por cento do que no ano anterior. A empresa tinha terminado 2024 com lucros de 1,05 mil milhões de dólares, um aumento de 50,9 por cento.
A Sands terminou o ano passado com uma queda homóloga de 10,1 por cento dos lucros nos últimos três meses, invertendo uma subida homóloga de 1,5 por cento no terceiro trimestre. A operadora tinha registado descidas de 13 por cento e 32 por cento nos lucros no primeiro e segundo trimestres, respectivamente.
Os lucros encolheram apesar de as receitas dos cinco casinos da Sands em Macau terem subido 5,1 por cento em 2025, para 7,44 mil milhões de dólares.
O aumento homólogo das receitas foi ainda maior no último trimestre, 16,4 por cento, para 2,05 mil milhões de dólares.
Com as receitas a subir, a Sands China registou lucros operacionais de 608 milhões de dólares no último trimestre de 2025, uma subida de 6,5 por cento em termos anuais.
Mas no total do ano passado, os lucros operacionais do grupo encolheram 0,86 por cento, para 2,31 mil milhões de dólares.

Custos da NBA
Numa teleconferência com investidores, o presidente da Sands China, Grant Chum Kwan Lock, referiu que as despesas da empresa aumentaram no quarto trimestre, devido aos dois jogos de pré-época da liga norte-americana de basquetebol (NBA).
Os dois jogos, em 10 e 12 de Outubro, trouxeram a Macau as equipas dos Brooklyn Nets e dos Phoenix Suns e encheram a Venetian Arena, propriedade da Sands China, que tem capacidade para 14 mil pessoas.
Foram os primeiros jogos da NBA na China depois de seis anos de ruptura.
Em 9 e 11 de Outubro de 2026, os Houston Rockets irão defrontar, no mesmo local, os Dallas Marevicks, cujo dono é Patrick Dumont, director executivo da empresa-mãe da Sands China, a norte-americana Las Vegas Sands (LVS).
O presidente da LVS, Robert Goldstein, recordou que a operadora fez um “compromisso de uma década de realizar investimentos que reforcem a atractividade de Macau para o turismo de negócios e lazer e apoiem o seu desenvolvimento como um centro mundial”.
“Continuamos entusiasmados com as nossas oportunidades de alcançar crescimento tanto em Macau como em Singapura, nos próximos anos”, notou Goldstein, citado num comunicado da Sands China.
A empresa é uma das seis concessionárias de casinos que operam na região chinesa e cujo contrato de concessão, válido por 10 anos, entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2023.
A Sands China fez investimentos totais no valor de 274 milhões de dólares entre Outubro e Dezembro, incluindo 121 milhões de dólares em Macau.

Hong Kong | Banda japonesa Silent Siren actuou em Kowloon

O trio do pop-rock japonês Silent Siren actuou na sexta-feira na sala Tides, em Kowloon. As Silent Siren nasceram para a música em 2010, sob a égide da empresa de talentos Platinum Production, formadas por três modelos: Sumire Yoshida na voz e guitarra, Aina Yamauchi no baixo, a bateria a cargo de Hinako Umemura e Yukako Kurosaka atrás dos sintetizadores a partir de 2012, depois de Ayana Sōgawa ter abandonado a banda.
Dois anos depois da formação da banda, as Silent Siren estrearam-se nos registos discográficos com dois EPs, “Sai Sai” e “Love Shiru”.
Já com contrato assinado com a Dreamusic, a banda deu o seu primeiro concerto a sério no Nippon Budokan em Tóquio no início de 2015. A ganhar notoriedade, as Silent Siren chegaram a um público mais vasto compondo temas para bandas sonoras de várias séries de Anime, cinema e até para uma publicidade a uma conhecida cadeia de restaurantes de ramen.

Chegada à Universal
A banda continuou a lançar discos, com destaque para “S” e “Girls Power”, este último registo já pela Universal Music Japan.
Durante a pandemia, as Silent Siren interromperam a carreira, suspendendo tournées e a actividade discográfica, regressando no fim de 2023 já em formato de trio.
A sonoridade das Silent Siren agrega as diversas características estilísticas e rítmicas do pop-rock japonês. Melodias animadas e aceleradas por ritmos rápidos e dançáveis de bateria, vocalizações ingénuas a evocar o universo da anime, mas riffs de guitarras e baixo a abeirarem-se do punk mais pop e pastilha elástica.
O concerto da banda japonesa na região vizinha, onde ainda existem promotoras independentes de concertos, contrasta com o boicote não oficial que se verifica em Macau a espectáculos que envolvam cidadãos japoneses, que começou em Dezembro com o cancelamento da rainha da pop nipónica Ayumi Hamasaki, que tinha um concerto marcado no Venetian.
O cancelamento, o primeiro de muitos que se seguiriam, foi anunciado depois do mesmo ter acontecido em Xangai na sequência de tensões políticas entre a China e o Japão, apesar do Governo da RAEM negar qualquer envolvimento no boicote.

BTL | Macau regressa à Bolsa de Turismo de Lisboa após ausência

O Governo de Macau avançou que a região voltará a marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), entre 25 de Fevereiro e 1 de Março, depois de um ano de ausência.
Num comunicado divulgado na quarta-feira, a Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) referiu ainda que irá participar, em Fevereiro, em Portugal, numa campanha de promoção para agências de viagens.
De acordo com o portal do grupo de operadores turísticos “Os Especialistas”, a campanha vai passar por Viseu, Porto, Braga, Coimbra e Lisboa, entre 9 e 13 de Fevereiro.
Macau não esteve presente na edição anterior da BTL, que decorreu entre 12 e 16 de Março de 2025, mas na altura a DST garantiu, numa resposta escrita à Lusa, que Portugal continuava a ser “um mercado prioritário”.
No início de Dezembro, o 50.º congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) reuniu na RAEM mais de mil profissionais do sector, um número recorde.
Durante o congresso, a cidade foi pela quarta vez escolhida como Destino Preferido da APAVT em 2026, depois de 2012, 2019 e 2024, “para dirigir a atenção dos operadores europeus a Macau”, recordou a DST.

Aprendizagem Electrónica
A principal novidade em 2026 do Destino Preferido vai ser o lançamento de um programa de ‘e-learning’ (aprendizagem electrónica) sobre Macau em alemão, para agentes de viagens da Alemanha, e em inglês, para agentes da Finlândia e Países Baixos, tal como o programa que foi lançado em Portugal em 2024.
A DST participou, entre 21 e 25 de Janeiro, na Feira Internacional de Turismo de Espanha (FITUR, na sigla em inglês), onde instalou um pavilhão de Macau, para “atrair mais visitantes internacionais de longo curso, incluindo a Europa”.
O pavilhão da região organizou workshops sobre o património imaterial de Macau, desde danças folclóricas portuguesas, as artes marciais chinesas Tai Chi e Wing Chun, a pintura de azulejos portugueses e a gastronomia macaense.
O número de turistas que chegou a Macau vindo de Portugal, Espanha e da Europa em geral registou “um crescimento de dois dígitos” no ano passado, sublinhou a DST.
De acordo com dados oficiais, o território recebeu em 2025 14.300 visitantes de Portugal (mais 43,5 por cento) e 10 mil de Espanha (mais 28,9 por cento). Da Europa, chegaram um total de 242.900 turistas, mais 21,8 por cento do que no ano anterior.
A DST lançou uma parceria com a operadora turística Ávoris, com presença em Espanha e Portugal, que começou a lançar uma série de promoções, desde antes do início da FITUR e até Abril.
A Ávoris irá ainda “criar mais produtos turísticos que integrem o interior da China e Macau para os mercados de Espanha e Portugal”, referiu a DST.

Espectáculos | Festival agendado para Fevereiro foi cancelado

Foi cancelado o festival Show! Music Core in Macau, que estava agendado para 7 e 8 de Fevereiro no Local de Espectáculos ao Ar Livre. O cancelamento do evento com música pop coreana foi confirmado pela empresa de entretenimento MBC, envolvida na organização, que justificou a decisão com “condições locais”.
Nos últimos dias, tinham surgido várias informações na imprensa sul-coreana a indicar que o festival estava em risco, uma vez que as autoridades de Macau estavam a dificultar a obtenção de vistos para artistas japoneses que integram os grupos de música pop coreana. Por esse motivo, alguns grupos terão cancelado a participação, enquanto outras bandas estavam a tentar adaptar-se e pretendiam actuar privados de alguns artistas. Contudo, os ajustes estavam a dificultar a actividade da organização para assegurar um número suficiente de grupos musicais.
“Após uma análise exaustiva das condições locais e gerais, decidimos, infelizmente, cancelar o Music Core in Macau”, pode ler-se no comunicado de imprensa da MBC. “Pedimos as nossas mais sinceras desculpas aos fãs e a todas as partes envolvidas que estavam entusiasmadas com o Music Core in Macau”, foi acrescentado.
Sem nunca mencionar as autoridades de Macau, a empresa MBC admite que o festival volte a ser realizado no futuro, se as circunstâncias se alterarem: “Se no futuro houver um ambiente mais estável, vamos analisar novamente a possibilidade de realizar o festival”, foi prometido.
Desde o final do ano passado que Macau adoptou uma política não assumida de boicote a artistas com nacionalidade japonesa, com os cancelamentos a somarem-se uns atrás dos outros, apesar do Instituto Cultural (IC) negar qualquer envolvimento. A RAEM segue assim a política do Interior, que tem sido entendida como uma reacção às declarações da primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, que afirmou que o país nipónico interviria em caso de conflito entre o Interior e Taiwan.

Tudo em silêncio
A possibilidade de cancelamento do festival começou a circular na semana passada, na imprensa coreana, e foi ligada às dificuldades dos artistas japoneses conseguirem autorização para actuarem na RAEM. No dia 25 de Janeiro, o HM entrou em contacto com Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter reacções às informações que circulavam na Coreia do Sul, mas até agora não obteve qualquer resposta.
Antes do cancelamento do evento, o cartaz apresentava como grupos presentes Enyphen, Kickflip ou Le Sserafim, todos com artistas de nacionalidade japonesa.
Um artigo da semana passada da agência News1KR explicava também que estes cancelamentos estão a fazer com que as empresas coreanas se mostrem mais cautelosas em agendar concertos em Macau, devido aos custos inerentes, assim como o impacto para a imagem dos grupos junto dos fãs.
Desde as declarações de Takaichi Sanae, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também o grupo de pop coreano Nexz, que integra artistas com nacionalidade japonesa, viu cancelados dois espectáculos, que estavam totalmente esgotados.

Visita | Starmer defende “parceria estratégica e de longo prazo” com a China

A visita do primeiro-ministro britânico à China visa relançar as relações entre os dois países e projectar parcerias sólidas para os próximos anos
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu que Londres e Pequim “precisam de uma parceria estratégica, consistente e de longo prazo”, na sua primeira visita oficial à China, que visa reatar relações bilaterais e reforçar laços económicos.
Na primeira deslocação de um chefe de Governo britânico ao país asiático em oito anos, Starmer defendeu a construção de uma relação “consistente, estratégica e abrangente” com Pequim.
“A China é um actor vital à escala global. O Reino Unido e a China precisam de uma parceria de longo prazo”, disse Starmer ao Presidente chinês, Xi Jinping, sublinhando a importância de trabalhar em conjunto em áreas como a estabilidade global, o crescimento económico e as alterações climáticas.
Xi Jinping reconheceu que as relações bilaterais “passaram por altos e baixos” nos últimos anos, o que “não serviu os interesses de ambos os países”.
Antes do encontro com Xi, Starmer foi recebido pelo presidente da Assembleia Nacional Popular chinesa, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo. O líder britânico classificou a visita como “histórica” e disse esperar “dias produtivos” de diálogo sobre segurança global e cooperação económica.
A visita inclui também um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, com quem deverá presidir à assinatura de vários acordos bilaterais centrados em áreas como energias limpas, saúde, indústrias criativas e fabrico inteligente, segundo o ministério do Comércio da China.
A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido, com um saldo favorável de 42 mil milhões de libras para Pequim, segundo dados do Departamento de Comércio britânico.
Starmer chegou à China acompanhado de membros do seu gabinete e de uma comitiva de cerca de 60 empresários e representantes culturais, incluindo executivos do HSBC, da farmacêutica GSK e das construtoras automóveis Jaguar e Land Rover.

Novo ciclo
O objectivo declarado da visita é reforçar os laços económicos e atrair investimento estrangeiro num momento em que a economia britânica enfrenta dificuldades. Fontes de Downing Street indicaram também que Londres procura discutir com as autoridades chinesas a renovação das instalações da sua embaixada em Pequim e temas como a imigração ilegal.
A visita de Starmer insere-se num novo ciclo de contactos diplomáticos com Pequim por parte de aliados ocidentais. Só este mês, a capital chinesa recebeu os líderes da Coreia do Sul, Canadá e Finlândia, e o chanceler alemão deverá visitar a China em Fevereiro.
Esta reaproximação coincide com o arrefecimento das relações de várias capitais com Washington, após a chegada ao poder de Donald Trump.

A Disputa pela Gronelândia (I)

“Whoever controls the Arctic controls the future.”

Mikhail Gorbachev

 

A crescente atenção dos Estados Unidos à Gronelândia, particularmente durante a presidência de Donald Trump, constitui um caso paradigmático da intersecção entre interesses estratégicos de longa duração e ambições políticas de natureza mais pessoal. A análise deste fenómeno exige distinguir, por um lado, os objectivos estruturais do Estado americano e, por outro, as motivações específicas associadas ao estilo político e às prioridades simbólicas da presidência de Trump. Esta distinção é fundamental para compreender a forma como a política externa dos Estados Unidos se reconfigura quando interesses institucionais e impulsos individuais convergem, ainda que parcialmente, em torno de um mesmo território.

A Gronelândia ocupa uma posição singular no tabuleiro geopolítico contemporâneo. Situada no extremo norte do Atlântico, a ilha constitui um ponto de observação privilegiado sobre o Árctico, região que, nas últimas décadas, se tornou palco de competição entre grandes potências. O degelo progressivo, associado às alterações climáticas, abriu novas rotas marítimas e tornou acessíveis recursos naturais antes inacessíveis, incluindo minerais estratégicos e reservas energéticas. Este novo cenário intensificou a presença e a vigilância militar de Estados como a Rússia e a China, que procuram garantir posições vantajosas num espaço que poderá redefinir fluxos comerciais e equilíbrios de poder.

Para Washington, a Gronelândia representa um activo geoestratégico de valor crescente. Desde a Guerra Fria, os Estados Unidos mantêm na ilha infra-estruturas militares essenciais, como a base aérea de Thule, integrada no sistema de alerta antecipado contra mísseis balísticos. A localização da base permite monitorizar actividades militares no Ártico e no espaço euro-asiático, constituindo um elemento central da arquitectura de defesa americana. A modernização e expansão destas capacidades, num contexto de rivalidade intensificada com Moscovo e Pequim, reforçam o interesse permanente dos Estados Unidos em assegurar controlo operacional sobre o território.

Além da dimensão militar, a Gronelândia possui vastos recursos minerais, incluindo terras raras, urânio e outros elementos críticos para a indústria tecnológica e de defesa. A crescente dependência global destes materiais, aliada à tentativa de reduzir a influência chinesa nas cadeias de abastecimento, torna a exploração mineira da ilha particularmente relevante. Existe tal como em relação à Venezuela a percepção americana de que o controlo de recursos estratégicos é um instrumento de poder no hemisfério ocidental, e que a Gronelândia pode desempenhar um papel complementar nesse esforço.

Importa notar que, do ponto de vista jurídico e diplomático, os Estados Unidos dispõem de mecanismos que lhes permitem operar militarmente na Gronelândia e negociar o acesso a recursos naturais. Os acordos de defesa celebrados com a Dinamarca em 1951, actualizados em 2004, garantem ampla liberdade de acção. Copenhaga, consciente da importância da aliança com Washington, tem historicamente demonstrado flexibilidade nas negociações, desde que a soberania formal sobre a ilha seja preservada. Assim, os interesses estratégicos americanos não exigem, em sentido estrito, a aquisição territorial da Gronelândia.

A tentativa de Donald Trump de adquirir a Gronelândia introduz uma camada adicional de interpretação, distinta dos objectivos tradicionais da política externa americana. A proposta de compra, amplamente divulgada e inicialmente recebida com perplexidade internacional, não pode ser dissociada da visão política e simbólica que caracterizou antes e agora a sua presidência.

Trump procurou antes e agora, ao longo do seu mandato, construir uma narrativa de liderança disruptiva, capaz de romper com convenções diplomáticas e de afirmar os Estados Unidos como potência incontestável. A aquisição da Gronelândia seria, nesse sentido, um gesto de magnitude histórica, evocando episódios de expansão territorial como a compra da Louisiana ou do Alasca. A ambição de ser recordado como o presidente que expandiu o território nacional após décadas de estabilidade fronteiriça revela uma preocupação com o legado político e com a inscrição simbólica da sua presidência na história americana.

Este impulso encontra eco entre sectores nacionalistas que vêem os Estados Unidos como uma “civilização da fronteira”, cuja identidade se constrói através da conquista e da expansão. A reabertura simbólica dessa fronteira no Ártico seria interpretada como um renascimento do espírito pioneiro, reforçando a narrativa de grandeza nacional que sustentou parte da base eleitoral de Trump.

PCC | Relações entre China e Reino Unido devem ser vistas na perspectiva global

A visita do primeiro-ministro britânico à China deu o mote para o editorial do Global Times, onde se destaca que o aprofundamento das relações entre as duas nações poderá ser um contributo significativo para a paz e estabilidade global

 

Um jornal do Partido Comunista Chinês defendeu ontem que as relações entre China e Reino Unido devem ser vistas de uma perspectiva global, para além da visão bilateral, no início da visita a Pequim do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

“O fortalecimento de uma relação estável e previsível entre os dois países poderá contribuir não apenas para os interesses nacionais de ambas as partes, mas também para a promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento a nível global”, apontou o Global Times, em editorial.

O jornal citou as declarações recentes do Presidente chinês, Xi Jinping, proferidas durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, nas quais o chefe de Estado chinês sublinhou que, perante um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos regionais e incerteza económica, a comunidade internacional deve reforçar a coordenação.

Segundo Xi, os principais países devem assumir um papel de liderança responsável, promovendo a igualdade entre Estados, o respeito pela ordem internacional, a cooperação e a integridade nas relações internacionais.

De acordo com o Global Times, estes princípios são igualmente aplicáveis às relações entre a China e o Reino Unido, defendendo o título que, apesar das diferenças políticas, ideológicas e estratégicas existentes, ambos os países dispõem de bases sólidas para aprofundar a cooperação.

O jornal sustentou que o reconhecimento das divergências, aliado a uma gestão adequada dos desacordos e ao reforço do diálogo, é essencial para garantir um desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Áreas de interesse

O editorial destacou que a China e o Reino Unido mantêm interesses comuns em diversas áreas, incluindo comércio, investimento, finanças, ciência e tecnologia, educação e combate às alterações climáticas, e sublinhou que uma relação construtiva entre Pequim e Londres poderá desempenhar um papel positivo mais amplo no sistema internacional.

“A cooperação entre grandes economias é um factor importante para enfrentar desafios globais comuns, como a transição energética, a segurança alimentar, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável”, apontou.

O jornal considerou que a confrontação e a lógica de blocos não oferecem soluções eficazes para os problemas globais actuais e manifestou a expectativa de que delegações britânicas que visitem a China possam transmitir ao Reino Unido e a outras sociedades ocidentais uma percepção mais directa da realidade chinesa.

Segundo o Global Times, os visitantes terão contacto com um país “aberto, inclusivo e dinâmico”, defendendo que essa experiência “poderá contribuir para reduzir mal-entendidos e percepções consideradas distorcidas sobre a China no Ocidente”.

Mais perto

A visita de Starmer ocorre num momento de reajustamento da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o esfriamento das suas relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.

Nos últimos anos, o Reino Unido tem manifestado preocupações relativamente a questões como direitos humanos, Hong Kong ou Taiwan, posições que têm sido rejeitadas por Pequim como ingerência nos seus assuntos internos.

“A estabilidade das relações sino-britânicas depende da capacidade de ambas as partes evitarem a politização excessiva das relações económicas e de resistirem a pressões externas que possam comprometer a cooperação bilateral”, afirmou o editorial.

A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre desde ontem e até sábado.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji.

Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai.

Orquestra de Macau | Concertos contaram história de Pedro e o Lobo em escolas

A Orquestra de Macau apresentou um ciclo de concertos “Música para o Futuro – Música no Campus” em 13 escolas do território. Os espectáculos narraram a história de Pedro de o Lobo. O Governo espera que o contacto com a obra de Prokofiev desperte nos alunos o gosto pela música clássica

 

“Pedro e o Lobo”, a composição sinfónica de autoria do compositor russo Sergei Prokofiev, foi o ponto de entrada nos prazeres da música clássica para muitos jovens do território. Pelo menos, foi essa a intenção do Instituto Cultural (IC), através da iniciativa “Música para o Futuro – Música no Campus”, que levou a 13 escolas de Macau uma série de concertos interpretados pela Orquestra de Macau.

Num comunicado divulgado ontem em português, 12 dias depois da publicação em chinês, o IC salienta que o ciclo de concertos faz parte da política de promoção da educação musical clássica na cidade, nomeadamente nos “jardins de infância e escolas primárias e secundárias locais, para plantar sementes musicais nas mentes dos mais jovens”.

A segunda fase dos concertos de “Música para o Futuro – Música no Campus” da Temporada 2025-2026 teve lugar em 13 escolas, entre Dezembro de 2025 e Janeiro deste ano, apresentando a obra clássica “Pedro e o Lobo” e despertando o interesse dos alunos pela música clássica de forma lúdica e descontraída, refere o IC.

Sob a batuta do maestro Tony Cheng-Te Yeh, a Orquestra de Macau actuou perante cerca de 3.000 alunos do ensino primário. As escolas que aderiram ao programa soram a Escola Oficial de Seac Pai Van, Escola Pui Tou (Sucursal da Taipa), Escola Luso-Chinesa da Taipa, Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Sheng Kung Hui Escola Choi Kou (Macau), Escola Tak Meng, Escola Internacional de Macau, Escola Secundária Sam Yuk de Macau, Escola Pui Tou, Colégio Diocesano de São José N.º 1 e N.º 2, Escola Primária Oficial Luso-Chinesa “Sir Robert Ho Tung” e Colégio do Sagrado Coração de Jesus.

 

Alargar horizontes

A sinfonia infantil de Sergei Prokofiev tem “uma narração envolvente da história e de uma interpretação orquestral de excelência”, indica o IC, e tem a capacidade para apresentar instrumentos, com cada um a representar uma personagem da história. Pedro costuma ser representado por um quarteto de cordas, o Lobo por três trompas, o Avô ganha som através de um fagote, o clarinete dá voz ao Gato, o Pato é um oboé, enquanto o Passarinho é representado por uma flauta transversal.

O IC salienta que este ciclo de concertos “é um dos principais projectos educativos da Orquestra de Macau”, que “organiza actuações musicais adaptadas a alunos de diferentes faixas etárias, com um repertório cuidadosamente seleccionado e interpretado por agrupamentos de diversas dimensões”.

“Através de interacções dinâmicas e lúdicas, o programa contribui não só para aprofundar o conhecimento e a apreciação musical dos alunos, como também para alargar os seus horizontes e refinar o seu temperamento, incentivando a exploração da música clássica”, acrescenta o IC.

O Governo indica também que estão abertas inscrições para escolas, bastando para tal contactar a Orquestra de Macau.

O ciclo de concertos em escolas está inserido na temporada 2025-2026 da Orquestra de Macau, que conta com a organização conjunta do IC, das seis concessionárias de jogo, e com o apoio da sucursal de Macau do Banco da China.

Tabaco e álcool | Infracções aumentaram quase 28% em 2025

As infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram 27,9 por cento no ano passado, face a 2024, com quase 5.500 violações da lei detectadas, a larguíssima maioria incindindo em fumadores. As autoridades atribuem a subida à optimização das inspecções e ao aumento do fluxo de turistas em 2025

 

No ano passado, o número de infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram mais de um quarto, 27,9 por cento, face os casos detectados em 2024, para um total de 5.474 casos, mais 1.194 em termos anuais.

A esmagadora maioria das violações da lei foram cometidas por fumadores, com 5.008 casos, mais 1.064 face a 2024, um aumento de 27 por cento, o que significa uma média diária superior a 15 multas por dia. Aliás, em todas as categorias relativas ao combate ao tabagismo 2025 foi um ano de crescimento em todas as vertentes.

Os casos de pessoas apanhadas a atravessar a fronteira para entrar em Macau com cigarros electrónicos mais que duplicou face a 2024 (+102,6 por cento) para um total de 316 casos.

Em relação aos locais onde é proibido fumar, os mais frequentes continuam a ser os casinos, onde foram identificados 1.111 casos, seguidos por restaurantes (780 casos) e finalmente parques, jardins e espaços recreativos com 414 casos identificados no ano passado.

 

Sempre a subir

Os Serviços de Saúde (SS) atribuem “o aumento dos casos de fumo ilegal a uma conjugação de factores, incluindo a contínua optimização dos métodos de inspecção, assim como a sua frequência”. Para dar uma ideia da dimensão da caça ao fumador, em 2025 foram realizadas mais de 240.700 inspecções ao consumo ilegal de tabaco, o que dá uma média de quase 600 inspecções diárias.

Outro dado que fez subir as estatísticas, de acordo com as autoridades, foi o aumento de turistas que visitaram Macau em 2025. O número de turistas apanhados a violar as leis de controlo do tabaco aumentou 48 por cento, de 2.063 casos em 2024, para 3.050 no ano passado. Os SS justificam também a subida de infracções com a falta de capacidade para cumprir as responsabilidades estabelecidas pela lei de controlo do tabaco.

Os esforços do Governo para apertar o cerco ao tabagismo e consumo de álcool envolvem a cooperação de vários departamentos e serviços públicos. No caso do controlo do tabagismo, o território é inspeccionado por pessoal dos Serviços de Saúde, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e Serviços de Alfândega.

Em relação ao controlo do consumo de álcool, as autoridades detectaram no ano passado apenas 16 casos, seis dos quais relativos à venda de bebidas alcoólicas a menores, ou a permitir o seu consumo.

As restantes infracções relacionaram-se com a falta de sinalização da proibição de bebidas alcoólicas a menores, ou de identificação destes produtos nos espaços comerciais.

Análise | Pedidos mais feriados e benefícios familiares

O académico e presidente da Associação de Segurança Social Chan Kin Sun considera que Macau deve acompanhar o mundo em matéria de licenças de maternidade e paternidade, assim como aumentar os feriados obrigatórios e férias anuais

 

O equilíbrio entre a vida familiar e o trabalho é uma aspiração dos países mais ricos, algo que está longe de acontecer em Macau, apesar dos esforços positivos do Governo, de acordo com o académico e presidente da Associação de Segurança Social de Macau Chan Kin Sun.

Num artigo de opinião publicado ontem no jornal Ou Mun, o responsável indica que existe uma forte vontade na sociedade por políticas que beneficiem as famílias, indo além do aumento dos dias de férias individuais.

Chan Kin Sun, que coordena o programa de mestrado em Administração Pública da Universidade de Macau, entende que os cidadãos esperam melhorias no sistema de licenças parentais. Depois de em 2019 o Governo ter introduzido a licença de paternidade e alargado a licença de maternidade, ficou a faltar o estabelecimento de folgas pagas quando um dos progenitores tem de se ausentar do trabalho para, por exemplo, acompanhar um filho numa ida ao médico.

Além disso, o académico defende que o Governo deveria criar mais feriados obrigatórios, bastando para tal escolher entre os vários festivais tradicionais que se celebram no território.

 

Socialismo do patronato

Chan Kin Sun focou a sua análise também no número de dias de férias anuais pagas praticadas na região. Em Macau, depende do tempo de serviço do trabalhador. Um recém-contratado tem seis dias de férias anuais pagas, requerimento que se mantém inalterado há quatro décadas. Na China, os dias de férias também variam consoante a antiguidade, entre cinco e 15 dias por ano, enquanto em Hong Kong variam entre sete e 14 dias.

A Organização Internacional de Trabalho recomenda, pelo menos, três semanas anuais de férias. O académico realçou a discrepância o desenvolvimento económico de Macau, o seu posicionamento como cidade internacional e as expectativas dos trabalhadores em relação à qualidade de vida”.

Por fim, Chan Kin Sun elogiou o Governo pelo lançamento dos planos de subsídio de assistência na infância e subsídio complementar atribuído aos empregadores pela remuneração paga na licença de maternidade.

Reserva financeira de Macau subiu 7,6% até Novembro

Segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), os activos da reserva financeira aumentaram 7,6 por cento nos primeiros 11 meses de 2025. Os dados da AMCM revelam também que no final de Novembro a reserva financeira valia 663,2 mil milhões de patacas, mais 47 mil milhões de patacas do que no final de 2024.

Um balanço publicado ontem no Boletim Oficial mostra que a reserva já se valorizou mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas.

O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas.

O valor atingido no final de Novembro é o segundo mais elevado de sempre, só aquém do recorde de 663,6 mil milhões de patacas, fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia. Ainda assim, de acordo com a AMCM, a valorização da reserva abrandou em Novembro, mês em que ganhou 2,15 mil milhões de patacas, menos 198,3 milhões de patacas do que o aumento de Outubro.

 

Pratos da balança

O valor da reserva extraordinária no final de Novembro era de 456,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 167,3 mil milhões de patacas.

O orçamento inicial do território para 2025 previa uma subida de 7 por cento nas despesas totais, para 109,4 mil milhões de patacas. Mas a Assembleia Legislativa (AL) aprovou em Julho uma proposta apresentada pelo Governo para um novo orçamento, que inclui um aumento extra de 2,86 mil milhões de patacas nas despesas.

Em Novembro, a AL deu também luz verde, por unanimidade, ao orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas.

Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 283,2 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 272 mil milhões de patacas e até títulos de crédito no montante de 104,4 mil milhões de patacas.

Em 2024, os investimentos renderam à reserva financeira quase 31 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,3 por cento, disse a AMCM, no final de Fevereiro de 2025.

AMCM | Banco estatal emite dívida para apoiar projectos lusófonos

O Governo anunciou ontem que o Banco de Desenvolvimento da China completou a primeira emissão de dívida para financiar projectos nos países lusófonos. A operação envolveu a emissão de obrigações públicas no montante global de 5,5 mil milhões de renminbis

A Sucursal de Hong Kong do Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês) concluiu na terça-feira a operação, que envolveu obrigações públicas no valor de 5,5 mil milhões de renminbis (RMB), anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). O regulador local sublinhou, num comunicado, que é “a primeira emissão de obrigações temáticas destinadas à iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e aos países e regiões de língua portuguesa”.

A AMCM salienta que a emissão de dívida é dirigida a investidores profissionais. Do montante total de 5,5 mil milhões de RMB, as obrigações temáticas com prazo de três anos ascenderam a 3,5 mil milhões de RMB, com uma taxa de juro fixada em 1,75 por cento. Já as obrigações temáticas com prazo de cinco anos, totalizaram 2 mil milhões de RMB, com uma taxa de juro fixada em 1,85 por cento.

O lançamento das obrigações “representa uma importante demonstração” do apoio à afirmação de Macau como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, declarou a AMCM.

A AMCM defendeu ainda que a operação da sucursal do CDB na vizinha região de Hong Kong também “destaca a participação e contributo de Macau para a construção” de ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

O CBD tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir obrigações públicas em Macau, algo que a AMCM descreveu como “mais um marco relevante quanto à diversificação dos emitentes no mercado obrigacionista”.

O plano global

Em Novembro, o Chefe do Executivo sublinhou que o valor dos títulos de dívida emitidos em Macau, sobretudo pelas autoridades centrais ou locais chinesas, ultrapassou 100 mil milhões de patacas.

Durante a discussão das Linhas de Acção Governativa para 2026, Sam Hou Fai afirmou que queria criar um mecanismo monetário para liquidar na RAEM as transacções comerciais entre a China e os países de língua portuguesa.

Um mecanismo monetário, “incluindo os países de línguas portuguesa e espanhola”, pode também encorajar o mercado de obrigações, defendeu o primeiro líder da região semiautónoma chinesa que fala português.

O Chefe do Executivo quer atrair os governos e as empresas dos países de línguas portuguesa e espanhola para emitirem dívida no mercado de obrigações de Macau.

Em Janeiro de 2025, Henrietta Lau Hang Kun, dirigente da AMCM, disse que os bancos centrais de Angola e Timor–Leste estavam interessados em emitir dívida pública na região, para atrair investidores da China continental.

Destaque

O lançamento das obrigações “representa uma importante demonstração” do apoio à afirmação de Macau como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, declarou a AMCM

Portugal | Delegação parlamentar elenca desafios após visitar Macau e Hong Kong

Dificuldades no regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal e aversão à utilização da língua portuguesa foram alguns dos obstáculos identificados durante uma visita de deputados lusos

 

As dificuldades no recrutamento de portugueses, na atribuição da nacionalidade, na emissão de passaportes e entraves ao uso da língua portuguesa constam do relatório divulgado ontem sobre a visita de uma delegação parlamentar a Macau, Hong Kong e Timor-Leste.

A delegação da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que esteve entre 3 e 7 de Dezembro em Macau, aponta como dificuldade as alterações – desde 2023 – do regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), criando obstáculos acrescidos ao recrutamento de trabalhadores portugueses.

No relatório, assinala-se ainda atrasos significativos nos processos de atribuição da nacionalidade portuguesa em Macau e na emissão de passaportes pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), com casos que podem demorar entre um e cinco anos.

A substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal é igualmente identificada como um problema com impacto directo na comunidade, sendo referido que sete médicos deixaram Macau em 2025.

A comissão destaca também a resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Fizeram parte da comissão, que foi recebida por Sam Hou Fai, José Cesário, Paulo Neves, deputados do Partido Social-Democrata, Manuel Magno, do Chega, e Ana Catarina Louro, do Partido Socialista.

Sobre Hong Kong, onde a missão esteve entre 7 e 8 de Dezembro, salientou-se que residem cerca de 30.000 portugueses e a importância do Club Lusitano.

 

Situação em Timor-Leste

Em Timor-Leste, onde a delegação esteva de 09 a 12 de Dezembro, foi identificado como principal constrangimento as dificuldades de participação dos cidadãos portugueses nos actos eleitorais, devido à falta de fiabilidade dos serviços postais.

Por isso, os emigrantes em Timor-Leste reforçaram o pedido de aplicação do voto electrónico.

Foram igualmente sinalizados atrasos nos processos de nacionalidade pendentes no IRN e dificuldades no uso do português no Parlamento Nacional timorense, onde muitos deputados e funcionários privilegiam o tétum ou o inglês, apesar do português ser língua oficial.

A construção de uma nova Escola Portuguesa em Timor-Leste é apontada como prioridade urgente, tendo em conta que a actual escola, projectada para 400 alunos, acolhe cerca de 1.400 e tem uma lista de espera de cerca de 400 estudantes.

A missão referiu ainda a necessidade de se reforçar a presença cultural portuguesa em Timor-Leste, apoiar estudantes e jovens trabalhadores timorenses em Portugal, preservar edifícios históricos ligados à presença portuguesa e desenvolver oportunidades económicas, nomeadamente nas áreas das conservas, construção naval e logística regional asiática.

Diplomacia | Pequim recebe Starmer com boas expectativas sobre as relações com Londres

O primeiro-ministro inglês está de visita à China esta semana. A primeira viagem, em oito anos, de um líder britânico ao país reflecte uma maior aproximação entre as duas nações face à instabilidade internacional

 

A China destacou ontem a necessidade de reforçar a “confiança política” e aprofundar a cooperação com o Reino Unido, face à visita oficial que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, realizará ao país asiático esta semana.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, afirmou em conferência de imprensa que Pequim está disposta a aproveitar a viagem para “melhorar a confiança política mútua”, aprofundar a cooperação prática e “abrir um novo capítulo” no desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Guo lembrou que o Presidente chinês, Xi Jinping, manteve uma conversa telefónica com Starmer em Agosto de 2024 e reuniu-se com ele em Novembro durante a cimeira do G20 no Rio de Janeiro, contactos que “colocaram as relações bilaterais no caminho da melhoria”.

A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre entre quarta-feira e sábado.

O porta-voz da diplomacia chinesa sublinhou que a China e o Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm interesses comuns em manter a comunicação e reforçar a cooperação num cenário internacional marcado pela instabilidade.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji.

Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai. Segundo Guo, ambas as partes abordarão as relações bilaterais e assuntos de interesse comum.

Quente e frio

O porta-voz destacou ainda que o actual governo trabalhista britânico manifestou a sua vontade de desenvolver uma relação “coerente, duradoura e estratégica” com a China e de promover o diálogo e a cooperação entre os dois países.

Questionado sobre informações relativas a um possível endurecimento do escrutínio britânico sobre as actividades chinesas no Reino Unido, Guo limitou-se a reiterar que reforçar os intercâmbios, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação “responde aos interesses de ambos os países e do mundo”.

A visita de Starmer ocorre num momento de reajuste da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o arrefecimento das relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.