Ucrânia | Putin manda criar corredor de cereais para Pequim

O Presidente russo, Vladimir Putin, encarregou o Governo de assinar um acordo com a China para a criação de um corredor de cereais que aumentaria as exportações para o país asiático, foi na quarta-feira divulgado.

O objectivo do acordo, que deve ficar pronto até 1 de Outubro, é aumentar a produção de cereais na Sibéria e, principalmente, no Extremo Oriente, cujas regiões fazem fronteira com a China.

Uma das principais ligações no novo corredor terrestre entre Rússia e China seria o terminal ferroviário já existente na região de Zabaikal, que faz fronteira com a China e a Mongólia.

Este terminal ferroviário, que ficou operacional em Setembro de 2022, é considerado o primeiro do género no mundo e tem capacidade para transportar oito milhões de toneladas por ano.

Além de resolver o problema da diferença de largura das vias entre os dois países, possui um sistema de vigilância do abastecimento de cereais.

No âmbito deste projecto, a Rússia lançou um programa de cereais ao longo da ferrovia transiberiana com capacidade de armazenamento de 1,4 milhão de toneladas, um terminal marítimo e vários centros russos de distribuição no Cazaquistão.

Moscovo ameaça retirar-se do acordo de cereais do Mar Negro, cujas partes (Rússia, Ucrânia, Turquia e ONU) estão reunidas em Istambul, porque, segundo argumenta, não pode exportar os seus fertilizantes devido às sanções ocidentais.

Apesar da guerra em curso na Ucrânia, desencadeada pela Rússia em Fevereiro de 2022, as exportações russas aumentaram nos últimos meses.

Face à deterioração das suas relações com o Ocidente, Moscovo procura alternativas para a exportação de cereais, principalmente no continente asiático.

Aviação | Prejuízo superior a 29 mil milhões de euros em 2022

A aviação civil da China perdeu 217.440 milhões de yuan, em 2022, segundo dados divulgados ontem, ilustrando o impacto da política de ‘zero casos’ de covid-19, que foi, entretanto, desmantelada.

As perdas foram superiores às registadas em 2021, quando o sector perdeu 137.460 milhões de yuan, de acordo com um relatório divulgado pela Administração de Aviação Civil da China.

“A profundidade e persistência do impacto da epidemia na aviação civil superou em muito as expectativas”, apontou o documento.

Segundo a mesma fonte, o volume de passageiros em voos domésticos registou uma queda homóloga de 39,5 por cento em 2022, quando a altamente contagiosa variante ómicron da covid-19 lançou a China num ciclo de bloqueios que paralisaram a actividade económica.

A agência observou que a indústria “está a recuperar” desde que a China abdicou da política de ‘zero casos’ de covid-19, em Dezembro de 2022.

A agência noticiosa oficial Xinhua apurou que, em Março, os voos domésticos diários ascenderam a uma média de 11.657, número que representa um crescimento de 133 por cento, face ao mesmo período do ano passado.

As companhias aéreas chinesas e estrangeiras estão a retomar gradualmente as rotas que ligavam a China ao resto do mundo antes da pandemia, pelo que o tráfego aéreo internacional do país asiático continuou limitado a menos de 5 por cento do existente em 2019.

Inflação | Reservas de ouro aumentam pelo sexto mês consecutivo

A China aumentou as reservas de ouro pelo sexto mês consecutivo, em Abril, à medida que bancos centrais em todo o mundo expandem as suas reservas do metal precioso, face à inflação galopante e riscos geopolíticos.

As reservas de ouro chinesas subiram 8,09 toneladas em Abril, de acordo com dados da Administração Estatal de Câmbio da China, divulgados ontem. As reservas totais do país ascenderam a 2.076 toneladas, depois de terem aumentado 120 toneladas, no período entre Novembro e Março.

O debate sobre a fragmentação do mercado monetário e a diluição do domínio do dólar norte-americano foi renovado pelas sanções impostas pelo Ocidente contra a Rússia. O deteriorar das relações entre China e EUA também está a aumentar o apelo do ouro como um activo seguro.

Pequim está, em simultâneo, a tentar estabelecer acordos de compensação do yuan com outros países, visando incrementar o uso da sua moeda nas trocas comerciais, em detrimento do dólar.

Os bancos centrais em todo o mundo realizaram compras líquidas de 228 toneladas de ouro, no primeiro trimestre, um valor recorde para um período de três meses, de acordo com o relatório de Maio do World Gold Council. Singapura, China e Turquia estão entre os maiores compradores.

Economia | Inflação mantém-se praticamente inalterada em Abril

Sem grandes alterações a registar no mês passado, a taxa de crescimento económico vai provavelmente superar a meta oficial de 5 por cento

O índice de preços ao consumidor (IPC), o principal indicador da inflação na China, manteve-se praticamente inalterado, em Abril, ao registar um aumento homólogo de 0,1 por cento, o menor ritmo de crescimento no espaço de um ano.

Já em Março, aquele indicador registou a menor taxa de crescimento homólogo dos últimos 12 meses, ao subir 0,7 por cento.

Os dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatística (GNE) da China ficaram 0,3 por cento abaixo do previsto pelos analistas.

Depois de o IPC da China ter subido 2 por cento, no ano passado, Pequim estabeleceu uma meta de crescimento de cerca de 3 por cento para 2023.

O índice de preços ao produtor (PPI), que mede os preços à saída das fábricas, caiu 3,6 por cento, uma queda mais acentuada do que a registada no mês anterior (-2,5 por cento), aprofundando a deflação em Abril.

Dentro do IPC, os preços dos alimentos na China subiram em Abril 0,4 por cento, em relação ao mesmo mês do ano anterior, depois de terem registado um aumento de 2,4 por cento em Março. Os preços não alimentícios subiram 0,1 por cento, no mês passado, abaixo do aumento de 0,3 por cento registado em Março.

Os preços da carne de porco, a principal fonte de proteína animal na cozinha chinesa, subiram 4 por cento, em Março, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto os preços das frutas subiram 5,3 por cento, em termos homólogos, e os preços dos vegetais caíram 13,5 por cento.

Excluindo os preços voláteis dos alimentos e energia, o principal indicador da inflação na China subiu 0,7 por cento, em Abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Regresso ao normal

Na terça-feira, o banco britânico Standard Chartered alertou que a inflação na China pode ficar perto de zero nos próximos meses, já que o aumento no preço do petróleo no primeiro semestre de 2022 criou uma base de comparação alta.

O banco reduziu a sua previsão para o IPC da China, em 2023, de 2,3 por cento para 1 por cento, devido à fraca procura e à queda nos preços da carne suína e do petróleo.

No entanto, “com as taxas de juros já em mínimos históricos e uma taxa de crescimento que vai provavelmente superar a meta oficial de 5 por cento, não esperamos que o [banco central da China] corte as taxas de juros num futuro próximo”, disseram os economistas do Standard Chartered, num relatório.

Habitação | Rácio das dívidas não pagas subiram

No final de Março, o rácio das dívidas não pagas dos empréstimos hipotecários para a habitação (EHHs) atingiu 0,6 por cento, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a Abril e de 0,2 pontos percentuais em relação ao período homólogo do ano transacto. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Por sua vez, o rácio das dívidas não pagas aos Empréstimos Comerciais para Actividades Imobiliárias (ECAIs) atingiu 1,1 por cento, correspondendo a um aumento de 0,1 pontos percentuais em relação ao mês anterior ou 0,5 pontos percentuais em relação ao final de Março do ano passado.

A AMCM informa também que os novos EHHs aprovados pelos bancos de Macau cresceram 56,5 por cento em relação ao mês transacto, até ao valor de 1,91 mil milhões de patacas. Dos quais, os novos EHHs aprovados a residentes locais que representavam 98,7 por cento do total, crescendo 60,5 por cento e atingindo 1,89 mil milhões de patacas.

No final de Março de 2023, o saldo bruto dos EHHs atingiu 236,1 mil milhões de patacas, e decresceu 0,3 por cento relativamente ao mês anterior e 2,7 por cento em relação ao período homólogo do ano transacto. Destes empréstimos, 95 por cento foram concedidos a residentes. Em relação ao mês anterior, os saldos brutos dos EHHs destinados a residentes e a não-residentes decresceram 0,2 por cento e 1,8 por cento respectivamente.

Wong Kit Cheng pede mais condições para profissionais de saúde

Wong Kit Cheng espera que o Governo melhore as condições de trabalho para os enfermeiros no território. Foi esta a mensagem deixada ontem pela deputada, e enfermeira, a pensar no Dia Internacional do Enfermeiro e da Enfermeira, que se assinala hoje.

Numa opinião partilhada com os meios de comunicação social, Wong destacou a importância de melhorar a carreira dos enfermeiros, porque dessa forma será possível criar as condições para estabilizar as diferentes equipas destes profissionais no território.

A deputada indicou que um dos principais desafios no sistema de saúde local passa mesmo pela frequência com que os enfermeiros trocam de trabalho, o que faz com que haja uma grande instabilidade nos diferentes hospitais e clínicas. Face a esta realidade, apelou ao Governo para fazer da carreira mais atraente e com melhores condições profissionais, porque com equipas mais estáveis torna-se possível oferecer um melhor serviço de saúde à população.

Em relação à necessidade de introduzir alterações no sector, Wong pediu um sistema universal de reconhecimento das qualificações para os enfermeiros e condições semelhantes entre o sector público e o privado.

O respeito do direito às férias, aos intervalos durante o trabalho e a horários mais justos foram outra das condições exigidas pela legisladora.

No mesmo sentido, Wong destacou a necessidade destes profissionais de saúde, que trabalham por turnos, e muitas vezes sobrecarregados, de terem acesso a psicólogos, para poderem lidar com eventuais problemas que surjam.

Maior valorização

A legisladora da Associação das Mulheres de Macau deixou ainda agradecimentos aos enfermeiros porque são um elemento essencial para tomar conta da saúde da população de Macau.

Ainda em relação ao papel dos enfermeiros, Wong indicou que com o envelhecimento da população, o sector se vai tornar cada vez mais importante e que até ao final do ano poderá haver novos postos de trabalho, no Hospital das Ilhas.

Outro dos aspectos que se espera que valorize os profissionais, é a aposta na saúde com alta tecnologia, uma das estratégias do Governo de Ho Iat Seng para diversificar a economia, além do sector do jogo.

Segundo os Serviços de Saúde, no final do ano passado havia 4,3 enfermeiros por cada 1.000 pessoas.

AACM | Testada resposta do heliporto em exercício

A Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), em conjunto com um alargado naipe de departamentos, fez um simulacro para testar a capacidade de resposta do heliporto. Segundo a AACM, o exercício simulou o cenário de uma avaria na transmissão do rotor de cauda do helicóptero após a descolagem, obrigando a uma aterragem forçada no tapete principal. Todas as partes responsáveis activaram os seus planos de emergência para resolver a crise, incluindo o Corpo de Polícia de Segurança Pública, Corpo de Bombeiros, Serviços de Saúde, Serviços de Alfândega, Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, a AACM, com a coordenação da East Asia Airlines.

O helicóptero transportava dois membros da tripulação e dois passageiros quando se deu a avaria simulada. O exercício pôs à prova os vários departamentos que tiveram de acudir às consequências da aterragem forçada, com algumas partes da aeronave a desprenderem-se e a acudir aos dois passageiros que sofreram ferimentos graves. Foram também testados os procedimentos de resposta de emergência, incluindo de combate a incêndios e evacuação de feridos.

O exercício decorreu na noite de quarta-feira, durante uma hora, e envolveu cerca de uma centena de profissionais e sete veículos dos bombeiros.

Demografia | Óbitos duplicam em termos anuais no primeiro trimestre

Entre Janeiro e Março deste ano, morreram 1.214 pessoas em Macau, quase meio milhar devido a doenças do aparelho respiratório, mais de seis vezes o número de pessoas que morreram pelos mesmos motivos em igual período do ano passado. O número de mortos quase duplicou, face aos 610 óbitos registados no primeiro trimestre de 2022

 

O número de óbitos devido a doenças do aparelho respiratório no primeiro trimestre deste ano foi mais de seis vezes superior ao mesmo período de 2022, com 491 mortes este ano, face a 78 nos primeiros três meses de 2022. O aumento de mortes devido a doenças respiratórias nos primeiros três meses de 2023 aumentou 179 por cento em relação ao trimestre anterior.

Os dados estatísticos que revelam a mortandade durante a primeira grande vaga colectiva de infecções por covid-19 foram ontem divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

No cômputo geral, o número de óbitos no período em análise contabilizou 1.214, dado que quase duplica o registo do primeiro trimestre de 2022, quando morreram em Macau 610 pessoas. Nos primeiros três meses de 2023, o número óbitos cresceu 3,1 por cento em relação ao trimestre anterior, que já tinha batido recordes e fechou o ano em que mais se morreu em Macau, desde que há registo.

Vida de estudantes

No quadrante oposto, os serviços de estatística revelaram que no primeiro trimestre deste ano registaram-se 987 nascimentos, menos 154, em termos trimestrais. De entre o total dos bebés nascidos nos primeiros três meses de 2023, 481 foram meninos, correspondendo a 48,7 por cento dos partos.

O número de casamentos registados foi de 815 no trimestre de referência, mais 56, em termos trimestrais.

A DSEC aponta ainda que no final de Março, a população total de Macau era composta por 673.600 pessoas, mais 800, face ao fim do quarto trimestre de 2022, devido principalmente à subida do número de estudantes do exterior domiciliados no território. A população feminina era superior à masculina, com os serviços a contabilizarem 359.500 mulheres, representando 53,4 por cento da população total.

Quanto ao número de indivíduos do Interior da China recém-chegados a Macau titulares de “Salvo-Conduto Singular” (898) e o de indivíduos a quem foi concedida nova autorização de residência em Macau (186) aumentaram 327 e 102, respectivamente, em termos trimestrais.

No que diz respeito ao número de trabalhadores não-residentes, no primeiro trimestre deste ano totalizaram 154.658, menos 254 face ao trimestre anterior e menos 13.080 face ao primeiro trimestre de 2022.

DSAL | Mais de 200 vagas em três feiras de emprego a partir de hoje

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) vai organizar três feiras de emprego, com inscrições abertas entre hoje e a próxima quarta-feira, que vão disponibilizar 211 vagas nos dias 18 e 19 de Maio.

As sessões de encontro entre empregadores e candidatos vão acontecer na sede da Federação das Associações dos Operários de Macau, na Rua da Ribeira do Patane nº 2 – 6.

A primeira sessão está marcada para a manhã do dia 18 de Maio, com 57 ofertas de emprego para os sectores da restauração, nas posições de “cozinheiro de pastelaria e acepipes, assistente de cozinheiro, auxiliar de cozinha, empregado de mesa e empregado de lavagem de loiça”.

Na parte da tarde, serão disponibilizados 135 empregos para o sector da segurança e gestão de propriedades, que incluem vagas como inspector de segurança aeroportuária, segurança e empregado de limpeza.

A última sessão, marcada para a manhã de 19 de Maio, irá oferecer 19 vagas de emprego para o sector da venda de produtos alimentares, nomeadamente para os postos de encarregado de loja, vendedor, padeiro, cozinheiro de pastel de nata, assistente de padaria, assistente de fábricas, assistente de logística e assistente de loja de café.

Covid-19 | Urgências com mil entradas diárias. Governo lança recomendações

O director dos Serviços de Saúde revelou que na quarta-feira foram registados cerca de 70 casos positivos de covid-19 e que as urgências do Hospital São Januário estão a responder a um milhar de ocorrências diárias. O Governo lançou ontem novas recomendações e sugeriu diversos graus de urgência na procura de acompanhamento médico

 

O director dos Serviços de Saúde (SS) revelou que recentemente, a plataforma online de declaração infecção de covid-19 acrescenta diariamente cerca de 70 casos positivos. Em declarações ao jornal Ou Mun, Alvis Lo acrescentou que o número não é representativo da real dimensão da vaga de covid-19 que assola Macau.

No entanto, tendo em conta que muitos residentes apresentam sintomas ligeiros de gripe, não chegam a fazer teste à covid-19, não recebem tratamento médico, nem declaram o seu estado de saúde na plataforma online, “os dados de monitorização não devem reflectir totalmente a situação actual de infecção pelo novo coronavírus em Macau”.

O responsável dos SS referiu que esta realidade não é de agora, mas que ainda assim os 70 casos diários submetidos na plataforma denotam um aumento do número de casos positivos. Durante o mês de Abril, a média diária de declarações positivas era cerca de uma dezena, no início de Maio subiu para 20 e nos últimos dias passou para 70.

Outro dado que revela o aperto pandémico, é o aumento significativo de entradas nas urgências do Centro Hospitalar Conde de São Januário, que subiram de entre 600 e 700 em dias de semana, para quase um milhar. Alvis Lo sublinha que entre estes doentes, a proporção de pessoas infectadas por covid-19 “aumentou significativamente”, com os diagnósticos graves que obrigam a internamento a chegar aos sete por dia. Para responder ao aumento das solicitações, os Serviços de Saúde mobilizaram pessoal da linha da frente para as urgências.

O que fazer

Alvis Lo sublinhou que o covid-19 não vai desaparecer e que os governos e populações devem estar preparados para níveis variados de defesas imunológicas, mutações e novas variantes e a possibilidade de surgirem novas doenças respiratórias. Neste momento, face ao aumento de infecções, o director dos SS aconselha que quem tiver sintomas faça testes rápidos antigénio durante três dias consecutivos.

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus emitiu ontem um comunicado a declarar que a situação pandémica em Macau é semelhante à verificada no Interior da China, com a detecção prevalente das mutações da variante ómicron XXB 1.5, XXB 1.16 e XBB 1.9.

Devido à gradual diminuição das defesas imunológicas depois da vacinação ou infecção, as autoridades de saúde lançaram ontem novas recomendações para pessoas infectadas com covid-19.

Assim sendo, o centro de coordenação de contingência recomenda a intervenção médica urgente para quem tiver sintomas como dificuldades respiratórias, aperto ou dores no peito, estados de confusão ou letargia, incapacidade para manter a consciência, pele e lábios com coloração azulada, febre alta persistente ou durante mais de 48 horas, vómitos, dores de cabeça ou abdominais persistentes ou que se sinta incapaz de comer ou urinar durante 12 horas.

De resto, as autoridades recomendam a ida ao centro de saúde, ou urgências, para prescrição de medicamentos os infectados que pertençam a grupos de risco, incluíndo pessoas com mais de 65 anos, grávidas e pessoas com doenças crónicas como diabetes, doenças renais, cardiovasculares, pulmonares, tuberculose, doenças de fígado.

Para as pessoas infectadas que não pertençam aos grupos de risco, ou apresentem sintomas graves, as autoridades recomendam que “descansem em casa, usem medicamentos” para tratar os sintomas.

Fronteiras | Estudantes do Interior com condições facilitadas

A Administração Nacional de Imigração anunciou ontem que a partir de 15 de Maio os vistos emitidos no Interior para alunos que estudam em Macau vão passar a ter um prazo equivalente ao tempo da licenciatura, mestrado ou doutoramento. Esta é uma alteração significante para os estudantes do Interior na RAEM, uma vez que até agora precisavam de renovar o visto anualmente.

Além disso, os residentes do Interior passam a poder pedir a emissão de visto para grupos de excursões para Hong Kong ou Macau em qualquer província, em vez de se terem de deslocar às suas terras natal, como acontecia até agora.

Por sua vez, os estrangeiros com bilhete de identidade permanente do Interior e as pessoas com autorização de residência superior a seis meses no Interior passam também a poder utilizar os corredores automáticos para atravessar a fronteira.

AL | Interpelações e respostas ficam mais de dois meses por traduzir

Pelo menos três respostas a interpelações escritas de deputados estão desde Fevereiro para serem traduzidas de chinês para português. Pereira Coutinho considera que a tradução afecta o seu trabalho, mas reconhece que é o problema de “uma minoria”

 

Várias interpelações escritas por deputados e respostas do Governo ficam meses à espera de tradução para a língua portuguesa no portal da Assembleia Legislativa (AL). Em chinês, o cenário é diferente, com os documentos a serem disponibilizados rapidamente.

Segundo o portal da AL, três respostas enviadas pelo Governo estão há mais de dois meses sem tradução. São os maiores atrasos do portal do hemiciclo, no que diz respeito a interpelações e respostas.

Para o deputado Pereira Coutinho, a lentidão de traduções é um problema, embora não seja comum a todos os deputados. “A tradução está muito atrasada. É evidente que afecta o meu trabalho, que tenho como língua materna o português”, afirmou o deputado, ao HM. “Eu sou a minoria, para os outros deputados que têm como língua materna o chinês não é um problema, nem os afecta”, acrescentou.

Sobre a explicação para estes atrasos, Coutinho respondeu ainda que é uma questão que deve ser colocada ao presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In. O HM contactou a AL para obter as explicações, ao final da tarde, mas até ao fecho da edição não tinha recebido resposta.

Olá, Fevereiro

O principal caso de atraso diz respeito a uma resposta com a data de 23 de Fevereiro de Maria Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo, a uma interpelação de Zheng Anting. Na interpelação com a data de 2 de Fevereiro, o deputado procurava respostas sobre estratégias para “promover a revitalização da economia dos bairros antigos”.

Apesar de a directora Helena de Senna Fernandes dominar a língua portuguesa, é da sua autoria outras respostas que estão há mais tempo por traduzir, concretamente desde 24 de Fevereiro. Neste caso, tratam-se dos esclarecimentos a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok, que questionava as “medidas de prevenção do aumento malicioso dos preços nas plataformas de reserva de hotéis”.

Também uma resposta de Tai Kin Ip, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento e Tecnologia, datada de 27 Fevereiro, não tinha qualquer tradução até ontem. Neste caso, a resposta focava uma interpelação da deputada Song Pek Kei, sobre “a promoção do investimento na Zona de Cooperação Aprofundada”.

Enviadas e respondidas

No que diz respeito às interpelações por traduzir, o caso que se arrasta há mais tempo é uma interpelação de José Pereira Coutinho enviada ao Chefe do Executivo. A 27 de Março, o deputado levantou perguntas sobre a “situação actual de desenvolvimento da Zona de Macau do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau e o respectivo plano de optimização”. E o Chefe do Executivo também respondeu, no entanto, nem a interpelação nem a resposta estão traduzidas.

Outra interpelação que se encontra há mais de um mês sem tradução pertence a Leong Hong Sai, sobre a “optimização do trânsito transfronteiriço”, datada de 31 de Março. Também neste caso até a resposta está disponível em chinês.

Jogo | Coutinho exige investigação a rixas e protecção de vítimas

Pereira Coutinho defende a existência de protocolos de segurança uniformes para todos os casinos, exigindo respostas do Executivo, e a instauração de processos de averiguações aos casos de rixas violentas nos casinos “a fim de apurar falhas de segurança interna”.

O deputado pergunta o que será feito para proteger a integridade física dos trabalhadores, jogadores e visitantes. Além disso, alerta também para a necessidade de se rever a lei para que vítimas de agressões recebam todos os fundos compensatórios a que têm direito, uma vez que as multas ou indemnizações “tornam-se muitas vezes incobráveis ou não pagas na totalidade devido à falta de bens patrimoniais dos condenados, ou por serem nacionais e residentes no estrangeiro”.

A nova lei deveria, assim, prever a criação de “fundos reparatórios”, definindo-se as vítimas e a tipologia de crimes passíveis de serem indemnizados.

Fábrica de Panchões | Recuperação “medíocre” e um parque nunca feito

Aberto ao público há apenas cinco meses, o espaço da antiga fábrica de panchões Iec Long já recebeu críticas do deputado José Pereira Coutinho pelo estado “degradante” em que se encontra. Bruno Simões, empresário ligado ao sector de convenções e eventos, fala de um projecto “medíocre”, sem espaço para eventos, muito aquém do seu verdadeiro potencial. O arquitecto Mário Duque revela o projecto do “Parque Urbano Iec Long” que nunca avançou devido ao caso Ao Man Long

Tem uma área praticamente igual à totalidade da dimensão da vila da Taipa, mas para já é só um emaranhado de plantas selvagens e edifícios que outrora acolheram uma fábrica de panchões, onde existem apenas dois edifícios recuperados para acolher exposições e um passadiço para visitantes com algumas placas informativas. O Instituto Cultural (IC) inaugurou o espaço da antiga fábrica de panchões Iec Long há cinco meses, mas já há quem lamente não se ter explorado o verdadeiro potencial deste espaço.

Esta semana, o deputado José Pereira Coutinho alertou para um espaço “degradante”, cheio de lixo, com edifícios ao abandono e cobras num solo cheio de vegetação. A esta voz crítica, junta-se a de Bruno Simões, empresário na área de organização de eventos e presidente da associação Macau Meetings, Incentives and Special Events (MISE).

“Ficou realmente uma obra medíocre”, afirmou ao HM. “Quando vi o resultado final do projecto fiquei muito desapontado, porque a área é grande, a localização é excelente, pois fica na zona da Taipa Velha com muitos turistas e está ao lado do Cotai. É ainda um projecto associado a dois grandes objectivos do Governo, que é o de tornar cada vez mais Macau uma cidade internacional de turismo e lazer e apostar na estratégia de diversificação da economia. Com os recursos que tinham ali não fizeram nada nesse sentido.”

Bruno Simões destaca o facto de “cerca de 80 a 90 por cento da área não estar aproveitada nem recuperada”. “Deixaram grande parte dos edifícios como estavam, fizeram o passadiço, com uma sinalização com informações. É uma obra que não serve praticamente para nada, tendo apenas duas pequenas áreas de exposições. Não há uma sinalização na rua a anunciar que ali há uma antiga fábrica de panchões, por exemplo.”

O empresário lamenta que não tenha havido um diálogo entre os diversos departamentos governamentais para que aquela zona pudesse ser aproveitada para acolher cafés, restaurantes ou eventos ligados ao sector MICE [exposições, convenções, feiras e eventos].

“Há uma falta de integração de diferentes áreas e entidades do Governo, porque para se atingir o estatuto de cidade internacional de turismo e lazer não basta fazer um só trabalho pelo turismo ou cultura, tem de haver uma integração e trabalho conjunto. Teria de envolver também o IPIM [Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau], responsável pela área do MICE e o IAM [Instituto para os Assuntos Municipais], responsável pela gestão dos espaços verdes. Só assim se conseguem resultados que dão resposta às necessidades de turismo, lazer e economia, e ali está um exemplo em que o IC tentou recuperar um espaço ligado à história e cultura de Macau cujo resultado final é muito fraco.”

Bruno Simões adianta ainda que, se olharmos para exemplos de renovação de espaços antigos noutras cidades limítrofes, o projecto da fábrica de panchões Iec Long fica bastante aquém.

“Temos concorrência, os turistas vêm da China, Hong Kong ou Singapura, e aquele projecto está muito abaixo da média face ao que se apresenta noutras cidades, de cujas infra-estruturas podemos usufruir. Temos o exemplo da antiga prisão em Hong Kong, onde se fizeram espaços de restauração, para eventos privados e públicos, e onde de facto se fez um sítio vivo e não apenas um local para fazer pequenas exposições culturais. Isso é muito limitado, ficando muito abaixo do verdadeiro potencial que um espaço destes apresenta.”

O empresário pensa que o Governo deveria “ter recuperado todos os edifícios da antiga fábrica de panchões e não apenas um ou dois”, além de que “deviam ter sido feitos restaurantes, esplanadas, lojas, mantendo o traço e a história do local”. “Simplesmente não se passa nada ali”, referiu.

Na gaveta

Para o espaço em questão, já foi projecto o “Parque Urbano Iec Long” que nunca chegou a ver a luz do dia. Estávamos em 1995, quando a então Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, hoje Direcção dos Serviços de Obras Públicas, lançou um concurso público para aproveitamento do lugar. O arquitecto Mário Duque trabalhou com Helena Valente Pinto e os arquitectos paisagistas João Gomes da Silva e Inês Norton de Matos de Lisboa.

Nessa altura, a Taipa não estava ainda urbanizada como está hoje, mas, segundo recorda ao HM Mário Duque, “começou a ser edificada intensamente”, sendo necessárias infra-estruturas de equipamento público”.

O facto de ali ter existido uma fábrica de panchões dava ao local “um atributo paisagístico notável, marcado pelas características das edificações e pela arborização invasiva em redor, que distinguiria este parque de outros”.

O projecto arquitectónico incluía uma casa de chá, casas de fresco, salas de leitura e de exposições, um ginásio de artes marciais, ateliers, lojas de artesanato, artigos de culto e coleccionismo. Poderiam ainda ser realizadas “atracções expectáveis num jardim ou num parque”, pois foi desenhado um palco um anfiteatro sobre o grande reservatório onde se pudessem fazer, entre outros, espectáculos de pirotecnia que tirassem partido de um reflexo de água, entre outras infra-estruturas que permitiam um melhor conhecimento e visualização daquele espaço antigo.

Ao projecto, estava associado o conceito de “arqueologia industrial”, já conhecido em todo o mundo, mas que em Macau “não figurava, e ainda não figura, como uma categoria patrimonial cultural”. A história da fábrica conta-se através de cada parcela de terreno, que inclui em si um período diferente, com edificações feitas com diferentes características. Por exemplo, “a primeira geração de construções da fábrica Iec Long adoptou características muito semelhantes a modelos que existiram na província de Hunan, mas introduzindo adaptações que tiveram em vista a utilização de menos solo, com dispositivos de protecção em muros em vez de taludes, passando a ser essa a principal característica local dessas fábricas”.

Terminado em 1997, o projecto não avançou pelo facto de o recinto ser constituído por diferentes parcelas de terreno, sujeitas a regimes diferentes e que “não estavam igualmente disponíveis”. O então secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, condenado anos mais tarde por corrupção, “procurou solucionar essa questão, que acabou por ser travada porque as permutas a efectuar foram achadas desproporcionais”. O processo com o antigo governante e a investigação dos terrenos envolvidos no caso fez com que este projecto tenha caído por terra.

Reverter é possível

Quando falamos de uma antiga fábrica devemos ter em conta os resíduos e materiais tóxicos que ali podem ter sido produzidos. Mário Duque acredita que o IC recolheu essa informação tendo em conta “a interpretação hoje disponível na visita ao local”, não existindo, por isso, perigos.

O arquitecto entende que o projecto inaugurado há cinco meses não é mais do que uma solução preliminar, “podendo ser prévio a outras intervenções sobre as quais possam ainda não existir certezas”, não colidindo “com nenhuma recomendação arqueológica ou ambiental”. “Essa intervenção afigura-se reversível, no caso de rectificações deverem ser feitas, conforme recomendações de órgãos internacionais de especialidade”, adiantou.

A circulação dos visitantes, através do passadiço, é “elevada e canalizada”, garantindo “que os pavimentos existentes, construídos ou os naturais, onde proliferam grandes raízes de frondosos Ficus Microcarpa, não sejam pisados, nem que os visitantes se introduzam nos interstícios recônditos do recinto ainda por tratar”.

Mário Duque desvaloriza as críticas feitas pelo deputado Coutinho. “A fauna que aí possa existir não é diferente da que existe nos trilhos da ilha. Os caminhos de circulação são sobre-elevados e vedados lateralmente por rede, e é bom que os trabalhadores da manutenção usem botas de borracha adequadas quando pisam o solo natural, como eu também uso calçado adequado quando visito uma obra e em consequências de normas trabalho, não vá eu pisar uma tábua com um prego espetado.”

Para Mário Duque, “do que possa ter sido alvo de críticas são possivelmente questões que não foram explicadas e que ainda o podem ser em moldes que são de razão”. “A população não apreciou o valor cénico do local, sendo isso mero facto circunstancial”, e “a remoção de toda aquela vegetação e a reconstituição das instalações a novo não é um procedimento reversível”.

“O valor cénico dos lugares só é prioridade quando nele se fixa objectivamente valor, que não deve existir apenas em registos fotográficos, e quando as demais necessidades fundamentais já se encontram asseguradas”, rematou.

Mapas e a Carta Náutica de Zheng He (XIV-2)

Nas viagens marítimas partia-se com a rota pré-estabelecida numa infinita estrada de água definida por marcas nos mapas e os pilotos (hua zhang) usavam principalmente três meios para cuidar da navegação, a bússola, o geng e o tuo.

Serviam-se das ‘cartas de rotas de agulha’, realizadas desde a dinastia Song para o Oceano Pacífico e no Índico, sobretudo durante a quarta viagem de Zheng He, e com essas marcadas direcções, os pilotos dos juncos guiavam-se através da bússola marítima, registando os rumos e fazendo cálculos de estimativa da distância navegada no período de Tempo de um Geng (更), que andava entre 40 a 60 li [1 li ±. 0,5 km].

Além da bússola e do geng, existia o tuo (庹) a medir a profundidade das águas assinaladas também nas cartas e daí se escolhia o rumo da navegação da armada. Segundo o livro Hong Xue Yin Yuan Tu Ji 鸿雪因缘图记, escrito na dinastia Ming por Wang Chun Quan 汪春泉, 1 tuo correspondia a 5 chi (尺) igual a 1,6 metros, pois 1 chi nas dinastias Ming e Qing era igual a cerca de 32 cm.

Já no período nocturno, com céu limpo a técnica de orientação pelas estrelas era realizada num instrumento de observação chamado ‘Tábua de levar as estrelas’, a calcular latitudes através da distância angular, equivalendo 1 Zhi (dividido em 4 Jiao) a 1,9° desde as dinastia Qin e Han, sabendo-se ainda ser de 5 Zhi a maior distância angular entre Vénus e a Lua.

Com a aplicação destas técnicas de navegação forneceram-se os elementos às quatro Cartas Anexas e à Carta Náutica de Zheng He, guardadas no livro militar Wu Bei Zhi (Livro das Armadas, ou Documento oficial de armamento tecnológico) compilado por Mao Yuanyi em 1621 durante a dinastia Ming.

HISTÓRIA DOS MAPAS

Os mapas, registados na China em muitos dos Clássicos compilados na dinastia Zhou (1046 a 256 a.n.E.), estavam nas memórias mencionados sem prova nos desenhos realizados durante a dinastia Xia (2070 a 1600 a.n.E.) em nove caldeirões de bronze. Estes tinham já representados mapas das várias regiões do país, suas montanhas, rios, plantas e animais.

No Período dos Reinos Combatentes (475 a 221 a.n.E.) ganharam uma outra maior importância para planear tácticas e estratégicas manobras militares, na escolha dos caminhos seguros para as tropas marcharem e locais a evitar, ou realizar as batalhas. Daí a necessidade de ser reproduzido tudo o existente no terreno, orientações, distâncias, localização das montanhas, rios e locais para os atravessar, assinalando florestas onde o inimigo se poderia esconder e mesmo as condições do solo a fim de se perceber o número e meio de transporte a usar.

Da dinastia Han (206 a.n.E. a 220), no túmulo em Mawangdui do Marquês de Dai [Li Cang, primeiro-ministro de Changsha] e sua família, datado de 168 a.n.E., foram desenterrados três mapas em panos pintados de seda. Um com 96 cm² era um mapa topográfico da área de Changsha, numa escala aproximada de 1 para 180 mil, onde representadas estavam todas as montanhas, rios, centros populacionais e as estradas claramente localizadas. Outro mapa topográfico posicionava o aquartelamento das tropas e tinha 98 cm de comprimento e 76 de largura. O terceiro mapa assinalava as cidades e vilas de algumas regiões.

Todos os três tinham o Sul representado na parte superior e neles não existiam títulos, nem especificavam as escalas e datas de quando foram feitos, no entanto apresentavam um aprimorado método com correctas proporções nas distâncias.

No ano de 116 o astrónomo Zhang Heng “inventou a cartografia quantitativa ao desenhar grelhas em mapas para obter localizações, distâncias e itinerários precisos”, sendo a projecção semelhante à desenvolvida no século XVI por o cartógrafo flamengo Gerardus Mercator.

Na dinastia Jin do Oeste (265 a 316), Pei Xiu (223-271), apontado como Ministro das Obras por o Imperador Wu Di (Sima Yan, 265-290), logo se encarregou de compilar o Yu Gong Di Yu Tu (Mapas regionais de Yu Gong), onde no prefácio sumarizou as experiências dos iniciais cartógrafos e formulou seis regras para se fazer mapas. A primeira refere a obrigatoriedade de os mapas conterem desenhada uma escala graduada.

A segunda, o dever de mostrar a correcta relação direcional entre as várias partes do mapa e a terceira, as distâncias entre dois importantes lugares terem de ser medidas por o caminhar de quem os regista. Quarto, quinto e sexto, em caso desses dois locais não estarem ao mesmo nível, primeiro terá de se ajustar para ficarem no plano.

Continuando nas informações de Cao Wanru, retiradas do artigo ‘Mapas de há 2000 Anos e Regulamentos da Cartografia Antiga’, quem usou essas regras foi Jia Dan (730-805) ao compilar os mapas das prefeituras de Longyou e Shannan e realizar o Hai Nei Hua Yi Tu (Mapa dos Chineses e do Povo Bárbaro dos quatro mares), com 10 metros de comprimento e 11 de altura. A escala era de 1 cun (2,94 cm) para 100 li (sendo um li=18.000 cun) e representava uma área de 30.000 li de Leste a Oeste e 33.000 li do Norte até ao Sul, onde se apresentava a China e muitos outros Estados.

As informações provinham dos enviados estrangeiros em visita à China e nesse mapa estavam anotados os nomes históricos desses Estados, províncias, prefeituras (zhou) e concelhos (xiàn), assim como as mudanças ocorridas nas áreas dessas jurisdições, marcando a negro as abolidas e em vermelhão os correntes nomes.

Na dinastia Song do Sul (1127 a 1279) os cartógrafos e astrónomos chineses fizeram Di Li Tu, um planisfério em pedra com um dispositivo que apresentava um mapa dos céus para qualquer data e hora definidas e em 1136 um mapa, o Yu Ji Tu usando grelhas cuja escala era 100 li para cada lado do pequeno quadrado.

CARTA NÁUTICA DE ZHENG HE

Regressando ao livro Wu Bei Zi, nele se encontraram vinte mapas para a navegação de diferentes regiões e quatro cartas astronómicas, provavelmente concluídas em 1430 e realizadas nas viagens marítimas de Zheng He e daí conhecida como Carta Náutica de Zheng He.

“Essas cartas de ‘levar as estrelas a atravessar os oceanos’ eram rectangulares, com o Norte em cima, o Sul em baixo, o Oeste à esquerda e o Leste à direita, desenhadas de forma muito aproximada às actuais. As 4 cartas continham, cada uma, o seu próprio título reportado à respectiva rota, legendas, anotações concisas sobre a sua utilização ao longo do percurso e os nomes dos astros e respectivas medidas em Zhi e Jiao, [para o cálculo angular da latitude dos lugares].

Registavam ainda textos com indicações úteis sobre as constelações desenhadas e as legendas complementavam-se. As estrelas ‘levadas’ apareciam ligadas por segmentos de recta nas margens da carta; tratando-se de duas estrelas ‘levadas’ o segmento de recta intersectava a linha que as ligava entre si. As medidas das estrelas ‘levadas’ registavam-se ao lado das respectivas ilustrações. O interior da carta era decorado com um navio de três mastros.

O desenho das velas do navio correspondia à direcção dos ventos favoráveis às rotas de ida e regresso”, segundo Zheng Yi Jun.

Nanjing era o ponto de partida nesses mapas, que assinalavam 56 rotas distintas a facilitar a navegação às embarcações de diferentes calados. Outras informações aí disponibilizadas eram, a duração do percurso de cada uma das rotas, a profundidade dos cursos de água e os obstáculos subaquáticos existentes.

As viagens de Zheng He contribuíram muito para o desenvolvimento da ciência náutica astronómica, aumentando o rigor na definição da posição das embarcações num caminho abstrato entre a água e Tian, o Céu.

GP | Associação de Pilotos prevê menos 60% de participantes locais

Num ano em que as despesas vão subir, fruto dos novos regulamentos desportivos, que obrigam a um investimento considerável em nova maquinaria, os pilotos de Macau uniram-se e transmitiram as suas preocupações

 

No passado domingo, a Associação de Pilotos de Automobilismo de Macau convocou a comunicação social para dar conta das suas preocupações, esperando que os apoios e subsídios governamentais cortados durante a pandemia sejam repostos.

O Grande Prémio de Macau já se realiza há sete décadas, tendo-se tornado um evento de marca do território. A Associação de Pilotos de Automobilismo de Macau (AAMC), pela voz do ex-piloto de Fórmula 3, Li Kit Meng, pediu que o governo continue a subsidiar os pilotos das corridas locais para que estes possam competir, de modo a que a cultura das corridas possa manter-se viva no território e mais pilotos locais possam ter a oportunidade de participar no Grande Prémio.

Citado pela imprensa de língua chinesa, Li Kit Meng referiu que tinha recebido notícias da Associação Geral Automóvel de Macau China de que os pilotos da RAEM não seriam subsidiados para participarem em competições fora do território esta temporada. Além disso, antes de participarem no 70.º Grande Prémio de Macau, os pilotos da casa voltarão a ser obrigados a participar em provas de qualificação a designar. Segundo dados recolhidos pela associação de pilotos, se nada mudar, prevê-se que o número de pilotos a participarem no Grande Prémio deste ano seja 60 por cento inferior ao do ano passado, o que inevitavelmente lançará uma nuvem escura sobre a promissora indústria das corridas.

Recorde-se que os pilotos de Macau não receberam qualquer apoio para realizarem provas fora do território em 2022, mas foram obrigados a participar num evento promovido pela AAMC, no Circuito Internacional de Guangdong, para se qualificarem para o 69.º Grande Prémio de Macau. Esta situação foi do desagrado de muitos concorrentes, porque o evento acarretou elevados custos num ano de muito poucos patrocínios comerciais disponíveis.

IDM não fecha a porta a apoios

De acordo com o Jornal “Ou Mun”, o Instituto do Desporto (IDM) respondeu que deseja continuar a apoiar os pilotos locais a participarem no Grande Prémio e noutros eventos de automobilismo, se as condições o permitirem. Uma vez que o Governo concentrou os seus recursos na luta contra a epidemia nos últimos anos, todos os sectores da sociedade concordam que a afectação racional dos recursos e a realização de um bom trabalho na luta contra a epidemia fossem os principais objectivos, estando actualmente o IDM a planear o Grande Prémio deste ano.

No que diz respeito à competição automóvel, se os pilotos locais cumprirem os requisitos de inscrição da competição correspondente, segundo a mesma fonte, o IDM dará as boas-vindas aos pilotos locais qualificados para participarem no Grande Prémio de Macau. O Instituto do Desporto reiterou que não há qualquer anúncio oficial de que os pilotos de Macau não serão patrocinados para competir fora do território.

Entretanto, a AAMC ainda não confirmou em que datas e moldes irá organizar estas corridas de qualificação para os pilotos do território. Antes da pandemia, a vontade da associação desportiva de Macau passava por realizar estas corridas no circuito de Zhuzhou, na Província de Hunan.

Startups lusófonas na Beyond Expo com interesse na China

Potenciais parcerias, fabrico de equipamento a custos inferiores e acesso a 1,4 mil milhões de chineses são os motivos que levaram startups do Brasil e de Portugal à feira de tecnologia Beyond Expo 2023, em Macau.

O programa da feira incluiu ontem a segunda edição do Brazil-Portugal Innovation Company Roadshow (Mostra de Empresas de Inovação Brasil-Portugal), com 10 projectos brasileiros e portugueses. A mostra vai ainda passar por Hong Kong, pela Zona de Cooperação Aprofundada, criada em conjunto com a província de Guangdong na vizinha Hengqin (ilha da Montanha), e pela zona especial de Nansha, na capital da província, Guangzhou.

Tal como para as outras startups, a DruGet procura mais clientes na China, disse à Lusa a cofundadora da uma plataforma brasileira que acelera o desenvolvimento de novos medicamentos. “O nosso foco inicialmente sempre foi a Europa, só que quando nós começámos a analisar, vimos que a China é o país que mais pesquisa sobre novas drogas”, sublinhou Lorane Hage Melim.

Também a portuguesa R5 Marine Solutions, que desenvolveu uma ferramenta de previsão da erosão costeira, vê a China e os seus 14 mil quilómetros de costa como “um potencial mercado gigantesco”, explicou o director comercial.

André Cardoso sublinhou que a R5 Marine Solutions, com sede em Aveiro, encara ainda a ida vinda a Macau como “um primeiro passo para perceber se existem empresas de engenharia da área que tenham interesse em criar uma parceria para utilizar a nossa solução aqui na China”.

Saúde e afins

Um objectivo semelhante tem a presidente executiva da PLUX Biosignals que gostaria de identificar startups chinesas interessadas em cooperar no desenvolvimento de dispositivos individuais de monitorização da saúde.

A empresa portuguesa está a ponderar estabelecer uma presença em Macau, aproveitando vantagens como benefícios fiscais, a língua portuguesa e a legislação baseada no Direito português, revelou Rita Cristóvão.

Um passo que a Virtuleap deu ontem, criando uma empresa em Macau, revelou à Lusa Amir Bozorgzadeh, cofundador da startup, com sede em Lisboa, que usa a realidade virtual para ajudar a aumentar os níveis de atenção, tratar doenças cognitivas e retardar o início do declínio cognitivo.

A brasileira Key2Enable chegou à Beyond Expo já com reuniões marcadas em Macau, Hong Kong e Pequim, para levar o seu equipamento e tecnologia para ajudar crianças e pessoas com deficiência “um dos países mais populosos do mundo”, disse o director de vendas.

Por outro lado, acrescentou Marcelo Rubinger, a startup, que já tem uma base em Braga, acredita que fabricar o equipamento na China pode reduzir os custos, tornando-o mais acessível a países em desenvolvimento. “Estamos a ajudar pessoas com deficiência motora ou intelectual a terem uma vida mais inclusiva. A gente tem de levar isso para o mundo”, sublinhou Rubinger.

Dia da Vitória na Rússia e na Europa

No dia 8 de Maio de 1945, a Alemanha assinou a rendição em Berlim, e a paz foi declarada às 0:00 horas de 9 de Maio. A rendição da Alemanha pôs fim à II Guerra Mundial na Europa. Assinalado a 8 de Maio na Europa e a 9 de Maio na Rússia, o “Dia da Vitória” celebra o anseio dos povos por uma paz duradora e a paixão com que defendem as suas pátrias.

Antes do desmembramento da União Soviética, Moscovo e Kiev celebravam o “Dia da Vitória” a 9 de Maio, porque inúmeras vidas humanas se perderam durante a invasão Nazi nestas duas cidades. Em Fevereiro de 2022, a Rússia enviou tropas para a Ucrânia para levar a cabo operações militares especiais para, alegadamente, salvaguardar a segurança nacional, enquanto a Ucrânia afirma fazer face à invasão russa para defender a sua soberania territorial. Embora a China e as Nações Unidas tenham dado o seu melhor para promover as conversações de paz entre os dois países, infelizmente a guerra ainda continua. Lamentavelmente, ambos os países alegam que combatem para defender a segurança nacional. Se a guerra continuar, acredito que acabará por provocar cada vez mais danos à segurança nacional dos dois países. Entre a guerra e a paz, os líderes sensatos sabem por qual optar.

Haverá inevitavelmente fricções, e mesmo guerras, entre países. Tomemos como exemplo a China e o Vietname. A China lançou um “contra-ataque defensivo” ao Vietname do Norte em 1979. O exército chinês entrou no Vietname e ocupou a cidade de Lang Son, uma importante base militar vietnamita. Mas o exército chinês não avançou para invadir Hanói (capital do Vietname), mas, em vez disso, retirou após a missão estar cumprida. A guerra entre estes dois países começou a 17 de Janeiro e terminou basicamente a 16 de Março, pelo que durou apenas dois meses. O conflito de curta duração entre a China e o Vietname não destruiu as economias dos dois países, nem abalou gravemente a sua relação.

Fazer uso da sabedoria política na guerra é muitas vezes mais compensador do que a confrontação militar. No entanto, devemos respeitar as questões remanescentes de incidentes ocorridos entre países ao longo da história, relacionadas com a defesa da integridade territorial e da soberania. O Departamento de Educação da História da Imprensa Popular da China fez as seguintes explicações sobre o “Tratado de Nerchinsk” (o primeiro tratado assinado entre a China e a Rússia) mencionado nos materiais didácticos para alunos do ensino secundário que produziu em 1994: em primeiro lugar, o “Tratado de Nerchinsk” é um tratado equalitário (foedus aequum), que colocou ambas as partes em pé de igualdade. Em segundo lugar, diz respeito à fronteira oriental entre a China e a Rússia, e refere que as vastas áreas ao sul da Cordilheira Stanovoy, os rios Amur e Ussuri, incluindo a Ilha Sacalina, são todas zonas territoriais chinesas.

Hoje em dia, se disséssemos que o acordo fronteiriço sino-russo referente ao “Tratado de Nerchinsk” ainda era válido, deixaria de haver paz entre a China e a Rússia. O Império Romano, o Sacro Império Romano-Germânico, o Império Mongol, o Império Otomano, o Império Russo e a Dinastia Qing tornaram-se parte da história. Não devemos aspirar à glória do passado, mas sim a trabalhar em conjunto para criar um futuro melhor para a humanidade. Ao comemorar o Dia da Vitória, os russos não se devem esquecer que o propósito de obter a vitória é manter a paz. O falecido primeiro-ministro israelita Rabin foi um bom chefe militar, mas acabou por procurar a paz através de negociações. Este líder que enveredou pelo caminho da paz merece ser homenageado na Praça de Telavive.

FAM | Teatro grego e outras histórias sobem ao palco do CCM

“Electra”, peça originalmente escrita pelo grego Sófocles e que terá sido representada, pela primeira vez, nos anos 420 ou 410 a.c., sobe este fim-de-semana ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Macau pela mão do Centro de Artes Dramáticas de Xangai. O cartaz do Festival de Artes de Macau traz ainda Stella e Artistas x TOTAL BRUTAL e um espectáculo de marionetas em papel

 

Tida como uma das grandes peças do teatro grego clássico, com mensagens que continuam a fazer sentido no mundo contemporâneo, a peça “Electra”, de Sófocles, terá sido representada, pela primeira, na Grécia Antiga nos anos de 420 ou 410 a.c. Sófocles foi, aliás, um dos grandes dramaturgos desta importante civilização que tanto marcou os períodos que se seguiram na Europa.

Inserida no cartaz do Festival de Artes de Macau (FAM), “Electra” sobe este fim-de-semana, sábado e domingo, às 20h, ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Macau, com encenação original de Michail Marmarinos e composição de Dimitris Kamarotos. Fan Yilin é a actriz principal da peça encenada depois por Huang Fangling.

“Electra”, de Sófocles, é uma tragédia sobre vingança e justiça. O texto inclui como personagens, além da própria Electra, Chrysothemis, Egisto, Orestes, Agamemnon e Clytemnestra. Na mitologia grega, “Electra” era filha de Agamemnon e Clytemnestra, irmã de Orestes, Crisótemis e Ifigénia. Nela se revela uma história de impulsividade e morte entre uma só família, com Electra a estar no centro da trama, ao induzir o irmão Orestes a matar a mãe para vingar a morte do pai.

Desde 2018 que esta peça tem sido premiada, contando com a importante presença do coro que dá uma roupagem importante à tragédia em palco. O compositor grego Dimitris Kamarotos convidou especialistas para reproduzir os antigos aulos duplos gregos, um instrumento musical com mais de dois mil anos, para cruzá-lo com o Sheng, um antigo instrumento chinês de sopro de palheta livre.

Luo Tong é a responsável pela tradução do texto para chinês, sendo investigadora na área da literatura e teatro da Grécia Antiga, pertencendo também a uma família que há muito está ligada a este universo profissionalmente,

Stella e companhia

O cartaz do FAM traz ainda, hoje e amanhã, às 19h45 no pequeno auditório do CCM o espectáculo “Clube Solidão” dos artistas locais Stella e Artistas x TOTAL BRUTAL. Stella e Artistas é o nome de uma companhia de dança local que, desta vez, se une ao conceituado coreógrafo Nir de Volff para criar um espectáculo com bailarinos de Macau e Berlim que dançam em torno das temáticas da busca do amor e da solidão como uma das grandes doenças e questões do mundo contemporâneo.

Nascido e criado em Israel, o coreógrafo Nir de Volff fundou a companhia de dança TOTAL BRUTAL em 2007, residindo actualmente em Berlim. Actuou como bailarino convidado na digressão de Pina Bausch em Israel e co-produziu obras com vários artistas, incluindo Falk Richter, um dramaturgo proeminente e ex-director residente do Schaubühne am Lehniner Platz em Berlim.

Destaque ainda para um espectáculo do Teatro de Marionetas em Papel – Paperbelle virado para os mais pequenos e as famílias apresentado no sábado e domingo, às 10h e 15h, no teatro “Caixa Preta” no edifício do antigo tribunal. O espectáculo, criado no Reino Unido e que já teve mais de cem actuações no Interior da China, é protagonizado pelo artista Robert Stanley Pattison, contando com música de Li Lixiang e coordenação técnica de Jin Zaixiang.

Revela-se aqui a história de uma enigmática rapariga de papel que convida todos os pequenos hóspedes da cidade para a sua sala de estar para descobrirem num cenário minimalista uma forma de arte que não é tão simples como parece.

Melco | Ano começa com prejuízo superior a 81 milhões de dólares americanos

Apesar de as contas continuarem negativas, como acontece desde o início da pandemia, a empresa de Lawrence Ho conseguiu alcançar o primeiro lucro operacional desde o início da pandemia

 

A concessionária do jogo Melco Resorts and Entertainment Ltd registou um prejuízo de 81,3 milhões de dólares americanos durante o primeiro trimestre de 2023, menos 55,6 por cento em termos anuais. Os resultados foram apresentados ontem e o presidente do grupo, Lawrence Ho, destacou que se está a registar uma recuperação mais rápida do que a antecipada.

“Estamos a assistir a um início de ano que nos deixa encorajados porque a recuperação da indústria do jogo está a ser mais rápida do que o esperado, após o levantamento das restrições de viagem em Janeiro”, afirmou Lawrence Ho, na apresentação dos resultados aos investidores.

O filho do histórico Stanley Ho apontou também que o mercado do jogo ainda tem muita capacidade para crescer, principalmente no Verão, uma vez que o aeroporto apenas está a funcionar a 30 por cento da capacidade. Segundo Ho, com mais voos vai ser possível atrair mais clientes do Interior, de outras províncias além de Cantão.

De acordo com um comunicado enviado à bolsa de valores Nasdaq, em Nova Iorque, o prejuízo da Melco sofreu uma redução de 62,3 por cento em comparação com o último trimestre do ano passado.

As receitas também subiram significativamente nos primeiros três meses deste ano, com a Melco a registar 716,5 milhões de dólares, mais 51 por cento do que no mesmo período de 2022.

Mais bem preparada

Com as receitas a subir, a Melco voltou a registar um lucro operacional, de cerca de 400 mil dólares, no primeiro trimestre, o primeiro lucro operacional desde o início da pandemia.

Apesar das perdas, Geoffrey Davis, vice-presidente da Melco, destacou que a empresa está mais bem preparada para gerar lucros, depois de ter reduzido grande parte do pessoal. “Estimamos ter cerca de menos 2 mil pessoas a tempo inteiro em comparação com 2019, mesmo que estejamos a funcionar no máximo das nossas capacidades”, indicou Davis.

Ainda assim, a Melco prevê gastar cerca de 10 mil milhões de patacas no segmento não-jogo numa década, incluindo no “único parque aquático em Macau com instalações interiores abertas durante todo o ano”. A aposta em elementos não-jogo foi uma das exigências das autoridades de Macau para a renovação por 10 anos das licenças das seis concessionárias a operar no território.

Nos primeiros três meses de 2023, as receitas do jogo atingiram 34,6 mil milhões de patacas, mais 94,9 por cento do que em igual período de 2022, e o melhor arranque dos últimos três anos. Com Lusa

Pensões | Obrigações do Governo chinês no plano de contribuições

O Fundo de Pensões anunciou ontem que vai introduzir a partir de Junho o fundo de obrigações do Governo da China: “HSBC Global Funds ICAV – China Government Local Bond Index Fund” como plano de aplicação das contribuições do Regime de Previdência. A medida foi justificada com a necessidade de proporcionar aos contribuintes do Regime de Previdência dos Trabalhadores dos Serviços Públicos flexibilidade na diversificação mais acentuada dos riscos de investimento.

O novo fundo investe nas obrigações emitidas pelo Governo Popular Central da China e pelos três bancos de política da China (Banco de Desenvolvimento da China, Banco de Exportação e Importação da China e Banco de Desenvolvimento Agrícola da China).

“O fundo é gerido de forma passiva, com o objectivo de acompanhar o desempenho do seu índice de referência, proporcionando rendimento periódico e valorização de capital, e é adequado aos contribuintes que desejam aproveitar as oportunidades de investimento a longo prazo resultantes do desenvolvimento do mercado das obrigações da China”, indicou ontem o Fundo de Pensões da RAEM.

Timor-Leste | Pedido de asilo de deputado filipino rejeitado

Timor-Leste rejeitou o pedido de asilo de um deputado filipino suspenso de funções naquele país, por considerar que não cumpre os requisitos para obter esse estatuto, dando-lhe cinco dias para sair do país, confirmou fonte oficial.

A fonte do Ministério do Interior timorense explicou à Lusa que o deputado Arnolfo Teves Jr., que as autoridades das Filipinas querem declarar como terrorista, viajou para Timor-Leste no final de Abril, num voo privado e acompanhado da família.

“Chegou num avião privado com a sua família. O pedido de asilo foi avaliado e com base na lei de imigração e asilo, os serviços de migração consideraram que não cumpre os requisitos”, disse a fonte.

“O cidadão tem cinco dias para sair de Timor-Leste, sendo que a lei prevê ainda uma opção de recurso da decisão”, explicou.

“É ainda garantido o direito de asilo aos estrangeiros e os apátridas que, receando fundamentadamente ser perseguidos em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, opiniões políticas ou integração em certo grupo social, não possam ou, em virtude desse receio, não queiram voltar ao Estado da sua nacionalidade ou da sua residência habitual”, refere ainda o diploma.

Neste caso, explicou a fonte, as autoridades consideram que Arnolfo Teves Jr. não preenche essas condições, notando que o deputado suspenso de funções nem sequer é ainda oficialmente um cidadão procurado.

As autoridades filipinas anunciaram que estão a dar passos para considerar Teves Jr. como terrorista, um processo que já começou a ser tratado.

O portal Inquirer cita cartas entre responsáveis do sector judicial do país e informação dada pela embaixadora das Filipinas em Díli, que indicam que Arnolfo Teves Jr. terá já apresentado o pedido de asilo às autoridades timorenses.

China ameaça retaliar eventuais sanções europeias a empresas chinesas

A China adoptará medidas de retaliação se a União Europeia (UE) impuser restrições a empresas chinesas por alegadamente ajudarem a Rússia a contornar sanções ocidentais, advertiu ontem, em Berlim, o chefe da diplomacia de Pequim.

“A China e as empresas russas têm uma relação normal, uma cooperação. Este tipo de cooperação normal não deve ser afectado por eventuais sanções europeias”, alertou Qin Gang durante uma conferência de imprensa com a homóloga alemã, Annalena Baerbock.

A Comissão Europeia apresentou, na sexta-feira, aos Estados-membros da UE um 11.º pacote de medidas restritivas contra a Rússia para evitar que as sanções sejam contornadas.

“O objectivo é evitar que as mercadorias proibidas de serem exportadas para a Rússia entrem no complexo militar russo”, disse o porta-voz da Comissão Eric Mamer, na segunda-feira.

A proposta da Comissão visa, pela primeira vez, oito empresas chinesas e de Hong Kong acusadas de reexportar mercadorias sensíveis para a Rússia, de acordo com um documento citado pela agência francesa AFP.

“A China vai dar a resposta necessária para proteger firmemente os interesses legítimos das empresas chinesas”, avisou Qin em Berlim.

Qin Gang alertou também para os elevados custos para a Europa de uma “nova guerra fria” e pediu a colaboração alemã para garantir a estabilidade económica mundial face ao confronto que disse estar a ser incentivado pelos Estados Unidos.

“Se a nova guerra fria se tornar uma realidade, não custará apenas à China, mas também à Europa”, afirmou Qin, citado pela agência espanhola EFE.

Baerbock apelou à China para que adopte uma posição clara sobre o conflito na Ucrânia, afirmando que a neutralidade equivale a estar do lado da Rússia.

“Neutralidade significa estar do lado do agressor”, disse a ministra alemã. “A China pode, se assim o decidir, desempenhar um papel importante (…) para acabar com a guerra”, acrescentou. A China apresenta-se como um interlocutor neutro no conflito, apesar das relações próximas com Moscovo.

No final de Abril, o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, tiveram uma conversa telefónica, a primeira desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, no dia 24 de Fevereiro de 2022.

Qin disse em Berlim que a China vai “enviar em breve um representante especial para os assuntos europeus à Ucrânia”. “Ele também visitará outros países europeus”, afirmou, assegurando que a China “continua a defender as negociações” entre Moscovo e Kiev.

Na Substância do Tempo – dança, corpo e linguagem

O programa de dança apresentado pela Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo no Festival de Artes de Macau, concebido para a comemoração dos 100 anos de nascimento da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, foi particularmente tocante.

Primeiro, porque a escolha de uma companhia portuguesa que homenageia uma de suas maiores poetisas permite retomar as conexões históricas existentes entre Portugal e Macau em planos estéticos e simbólicos, mobilizando afetos e sensibilidades que nos tocam não no passado, mas na emergência do presente.

Depois, porque o poema “Quando” de Sophia, que dá o mote à primeira peça do programa intitulada “Em Redor da Suspensão – e seguida por “Outono para Graça” e “Requiem” – fala justamente de transformação e transcendência, conectando imediatamente esse espetáculo europeu à versão chinesa da Sagração da Primavera de Yang Liping, cumprindo com a promessa de oferecer um Festival de Artes que nos permita, refletindo sobre vida no tempo expandido das longas jornadas, olhar para o futuro com afeto.

No caso da coreografia portuguesa, também é sensível que o espetáculo tenha ocorrido na mesma data em que se comemora o dia da Língua Portuguesa, uma língua pluricêntrica cuja variedade de sotaques e modos de ser encontra em Macau uma vida própria. Que se homenageie, em Macau, essa língua com uma dança dedicada a Sophia, não me parece uma questão trivial por parte dos programadores dos eventos, tendo em vista, sobretudo, o cuidado com as escolhas e as articulações que percebemos emergir ao longo de toda a programação do Festival. O que temos, nesse caso, é o corpo do bailado como oferenda à língua feminina, que tudo gera e tudo conecta – que tudo transforma. A língua que cria realidades para além da realidade dada.

Se a poesia, por ser ancorada na palavra, necessita de grande esforço tradutório, o mesmo não ocorre com a dança, mais universalmente acessível como linguagem. A caligrafia dos corpos que cruzam o ar em movimento é capaz de cruzar quaisquer fronteiras da sensibilidade. A dança, como linguagem, realiza aquilo que a nação portuguesa um dia pretendeu: lançar-se para além dos limites do próprio confinamento.

Contra todos que um dia quiseram conquistar e dominar, impondo uma cultura sobre as outras, vemos no corpo da língua de Sophia uma mátria imensa acolhedora que, na coreografia de Vasco Wellenkamp, nos convida, em tons gentis, a girar em suas calhas de roda. E nossos corações sentimos vir se revelando: a leveza mais que a gravidade, a brisa mais que a umidade, o voo mais do que a ave. A dança da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, com sua gramática delicada de gestos, mostra uma Sophia como expressão máxima de uma cultura que sabe ser sedutora, que domina ao ser dominada, que vence ao ser vencida, que faz acender a luz na noite da madrugada. Dessa cultura ninguém deseja fugir, a ela queremos nos entregar na transcendência além do amor – e de toda morte.

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta

Continuará o jardim, o céu e o mar,

E como hoje igualmente hão-de bailar

As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar

Em que eu tantas vezes passei,

Haverá longos poentes sobre o mar,

Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,

Será o mesmo jardim à minha porta,

E os cabelos doirados da floresta,

Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Flávio Tonnetti é PhD pela Universidade de São Paulo e professor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal de Viçosa, no Brasil. Em Macau, é pesquisador pós-doutor na Universidade de Macau, trabalhando com temas de língua, cultura e arte contemporânea.