Funerárias | Pedido fim do monopólio da Associação Kiang Wu Nunu Wu e João Santos Filipe - 28 Jun 202328 Jun 2023 A Câmara de Comércio dos Negociantes Funerários de Macau pediu o fim do monopólio do embalsamento ligado à Associação de Beneficência do Kiang Wu e à empresa Yan Chak. Actualmente, só os corpos embalsamados podem ser levados para o Interior para serem cremados A Câmara de Comércio dos Negociantes Funerários de Macau entregou ontem uma carta na sede do Governo a apelar ao fim do monopólio no embalsamento de cadáveres da Associação de Beneficência do Kiang Wu. A carta endereçada à secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, pede que sejam autorizadas mais salas de embalsamento. Actualmente, os corpos dos mortos em Macau só podem ser cremados no Interior. No entanto, para serem transportados têm de ser embalsamados. Apenas a Associação de Beneficência do Kiang Wu está autorizada a fornecer o serviço de embalsamento, que é explorado pela empresa Serviços Funerais Yan Chak. A Associação de Beneficência do Kiang Wu é controlada pela família Chui, ligada ao anterior Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, e aos deputados e empresários Chui Sai Peng e Chui Sai Cheong. Em declarações aos jornalistas, o presidente da câmara de comércio, Lei Cheok Peng, justificou o pedido do fim do monopólio pela falta de alternativas para os residentes. No cenário actual, quando é necessário embalsamar um morto as famílias são sempre obrigadas a recorrer à empresa Yan Chak. Em causa, está o facto de a empresa se aproveitar da posição de vantagem no mercado e apenas oferecer o serviço de embalsamento com outros associados, como o transporte para o Interior ou o tratamento do corpo. “O problema actual é que o embalsamento só é possível com a compra de outros serviços funerários, o que deixa os residentes sem poderem escolher os serviço de outras funerárias, o que prejudica os interesses da população”, pode ler-se no documento. “Os residentes não conseguem aceder a serviços funerários com preços razoáveis”, foi acrescentado. Como alternativa ao licenciamento de salas de embalsamento para os privados, Lei Cheok Peng propôs uma regulação do Governo ao tipo de serviços prestados pela empresa, que permita o mercado funcionar de forma justa, ou então que seja o próprio Governo a disponibilizar o serviço. Actividade privada O deputado Ron Lam esteve presente na entrega da carta e apelou ao Governo de Macau para seguir o exemplo de Hong Kong, com maior regulação das actividades funerárias. Lam apontou ainda que em Hong Kong há um sistema de licenciamento dos serviços de embalsamento e que Macau devia seguir o mesmo, para evitar monopólios e manter a qualidade do serviço. Ron Lam justificou a importância deste assunto ao indicar que cerca de 80 por cento dos cadáveres de Macau são encaminhados a Zhuhai para serem cremados, o que, no seu entender, justifica até que o serviço seja concessionado.
Rússia | Retiradas acusações contra grupo Wagner Hoje Macau - 28 Jun 2023 As autoridades russas anunciaram ontem a retirada das acusações contra o grupo de combatentes a soldo da empresa Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, cuja rebelião se prolongou durante 24 horas no passado fim de semana. “Ficou estabelecido” que os participantes no motim “puseram termo às acções que visavam directamente a prática de um crime”, afirmaram ontem os serviços de segurança russos (FSB), citados pelas agências noticiosas de Moscovo. Nestas circunstâncias, “a decisão de retirar as acusações foi tomada a 27 de Junho [ontem]”, acrescentou o FSB. No fim de semana, Yevgeny Prigozhin, que lidera o grupo Wagner, conduziu uma rebelião armada de 24 horas, com os mercenários a tomarem a cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, e a avançar até 200 quilómetros de Moscovo. A rebelião terminou com um acordo mediado pelo Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que, segundo o Kremlin, estabelece que Prigozhin fique exilado na Bielorrússia, em troca de imunidade para si e para os seus mercenários. Yevgeny Prigozhin justificou na segunda-feira a “rebelião” do grupo com a necessidade de “salvar” a organização, rejeitando ter tentando um golpe de Estado e adiantando que 30 dos seus mercenários morreram em confrontos com militares russos. Por seu lado, o Presidente russo, Vladimir Putin, num discurso transmitido na segunda-feira pela televisão russa, acusou os responsáveis pela rebelião de serem traidores e disse que as suas acções só beneficiaram a Ucrânia e os seus aliados.
Macau cria pavilhão lusófono no maior centro de comércio por grosso do mundo Hoje Macau - 28 Jun 2023 Macau e a província de Zhejiang, no leste da China, assinaram ontem um acordo para criar um espaço dos países de língua portuguesa no maior centro de comércio por grosso de pequenos produtos do mundo. O acordo, assinado durante um evento dedicado à cooperação económica e comercial entre Zhejiang, Macau e os países de língua portuguesa (ver página 2), prevê o estabelecimento do Pavilhão dos Países e Regiões de Língua Portuguesa de Macau no Centro do Comércio Global de Yiwu. Este centro, na cidade de Yiwu, conta com uma área de cinco milhões de metros quadrados, que reúne quase dois milhões de diferentes tipos de produtos em mais de 75 mil lojas. É considerado pelo Banco Mundial o maior centro de comércio por grosso de pequenos produtos do mundo. Yiwu, com 1,2 milhões de habitantes, é o ponto de partida de ligações ferroviárias que levam mercadorias da China, atravessam o Cazaquistão, Rússia, Bielorrússia e Polónia, entrando na Europa central através da Alemanha e chegando até Madrid. A tal plataforma No mesmo evento, que decorreu em Macau, o líder do Partido Comunista Chinês em Zhejiang, Yi Lianhong, disse que a província quer atrair empresas de língua portuguesa Yi apontou como prioridades as áreas da economia do mar, biomedicina, transporte aéreo, investigação científica e formação profissional. O dirigente acrescentou que a província, com 65 milhões de habitantes e a quarta maior economia da China, gostaria ainda de “recorrer à plataforma de Macau para reforçar a cooperação com a América Latina e a Europa”. Na mesma sessão, o líder do Governo de Macau, Ho Iat Seng, sublinhou que as trocas comerciais entre Zhejiang e os países lusófonos atingiram 52,4 mil milhões de yuan nos primeiros quatro meses do ano, um aumento homólogo de 23,7 por cento. Yi Lianhong aproveitou a sessão para convidar os representantes dos países de língua portuguesa a visitarem a capital de Zhejiang, Hangzhou, que vai receber a próxima edição dos Jogos Asiáticos, entre 23 de setembro e 08 de Outubro. O evento multidesportivo da Ásia vai contar com intérpretes de língua portuguesa, voluntários da Universidade de Línguas Estrangeiras de Zhejiang, uma das 25 instituições de ensino superior da China continental que oferecem licenciaturas em português. Timor-Leste é o único país de língua oficial portuguesa que vai participar nos Jogos Asiáticos. Macau, região administrativa especial chinesa onde o português continua a ser língua oficial, também vai ter atletas na competição. Em Abril, o presidente da Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas Portugal – China, Chow Y Ping, disse à Lusa que estava a tentar criar um fundo envolvendo entidades portuguesas e a província de Zhejiang. “Grande parte dos emigrantes em Portugal, Espanha, França e Itália são dessa região”, disse o empresário, que também lidera a Liga dos Chineses em Portugal. A única ligação directa entre Portugal e a China parte de Lisboa com destino a Hangzhou, com uma frequência de dois voos por semana, operados pela companhia aérea chinesa Capital Airlines.
Afastada quebra acentuada de receitas em época baixa João Luz - 28 Jun 202328 Jun 2023 A tradicional sazonalidade de Junho, depois do forte mês de Maio, pode não se fazer sentir nas receitas de jogo este ano. Analistas da JP Morgan Chase & Co estimam que os casinos de Macau continuem a facturar até ao fim do mês, em linha com os bons resultados de Maio, um resultado bastante positivo tendo em conta a sazonalidade de Junho “Depois de um mês de Maio impressionante, os casinos de Macau registaram nos primeiros 18 dias de Junho receitas brutas diárias na ordem dos 527 milhões de patacas, afastando receios fraquezas sazonais.” O cenário foi traçado pelos analistas Joe Greff e Ryan Lambert, numa nota publicada pela JP Morgan Chase & Co, que acrescenta ser provável que a indústria do jogo de Macau feche o mês de Junho com receitas brutas em linha com as registadas em Maio, quando os cofres dos casinos amealharam 15,57 mil milhões de patacas. A perspectiva de manter o mesmo nível de receitas em termos mensais é salientada como um cenário muito positivo, com Junho a poder alcançar níveis de receitas brutas de cerca de 65 por cento face a Junho de 2019. Os analistas da JP Morgan referem ainda que se as receitas brutas do jogo de Junho forem semelhantes a Maio, esse cenário colocaria o segundo trimestre de 2023 com resultados que ficam a 62 por cento dos verificados no segundo trimestre de 2019. Comparação que ganha outro relevo tendo em conta apenas o segmente de massas, cuja rápida recuperação entre Abril e Junho ficaria a 85 por centos dos níveis verificados no mesmo período no ano de 2019. Lisura abençoada Os analistas da JP Morgan Chase destacam ainda o contexto tradicional de transição de Maio e Junho e o efeito de arrefecimento nas mesas de jogo. “No contexto histórico da sequente sazonalidade sentida entre Maio de Junho, encaramos estes resultados como positivos, uma vez que normalmente entre os dois meses é cavado um fosso de 14 por cento ao nível das receitas”, tendência verificada de 2007 a 2022, com excepção do ano de 2020, indica a instituição. A estimativa para Junho é também contextualizada pelos analistas em termos de mercado turístico. “Manter os níveis de receitas brutas entre Maio e Junho, sem declínio sequencial, é indicativo da melhoria das receitas e reflexo das tendências de crescimento do turismo que, normalmente, influenciam a performance do segmento de massas”, concluem os analistas.
Ilha da Montanha | Inaugurado Novo Bairro de Macau João Santos Filipe - 28 Jun 2023 Foi ontem realizada a cerimónia de descerramento da placa de inauguração do Novo Bairro de Macau. O secretário para a Economia e Finanças espera que o projecto encoraje os residentes a mudarem-se para a Zona de Cooperação Aprofundada Um espaço para permitir aos residentes experimentarem um nível de vida de alta qualidade. Foi desta forma que o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, se referiu ontem ao projecto do Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha, durante o discurso da cerimónia de descerramento da placa de inauguração. De acordo com o governante, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, o projecto vai permitir aos residentes encontrarem novas oportunidades de vida e de emprego na Zona de Cooperação Aprofundada, projecto na jurisdição do Interior com investimentos de Macau. Para o Governo da RAEM, o Novo Bairro de Macau é ainda encarado como “um marco” para a construção da Zona de Cooperação, que vai permitir aos residentes encontrarem “condições e um ambiente quotidiano semelhante ao de Macau”. A cerimónia decorreu com a informação a ser disponibilizada em chinês simplificado, tradicional e inglês, como normalmente acontece nas empresas de Hong Kong. No entanto, a Macau Renovação Urbana é uma empresa criada na RAEM com capitais públicos. A criação de um ambiente de Macau na Zona de Cooperação foi também um aspecto destacado por Peter Lam, presidente da Macau Renovação Urbana. O responsável apontou igualmente que este projecto transmite a esperança dos residentes poderem integrar-se melhor na Zona de Cooperação Aprofundada. No centro da ilha O Novo Bairro de Macau fica situado perto das avenidas Zhongxin e Gang’ao e conta com 27 torres habitacionais de 19 a 26 andares. Ontem, foi tornado público que os preços dos apartamentos devem ficar abaixo dos 30 mil yuan por metro quadrado. Na maior parte dos casos, cada andar é constituído por sete ou oito apartamentos, o que faz com que o projecto albergue quase 4 mil habitações. Além destas casas, estão ainda reservadas 200 fracções para “quadros qualificados”, que apenas poderão ser arrendadas. As estimativas apontam para que no futuro habitem no bairro de Hengqin entre 12 mil a 15 mil pessoas de Macau. Além das habitações, o Novo Bairro de Macau inclui outros equipamentos sociais, como uma escola, centro de saúde, serviços para idosos e um centro familiar. Este último, de acordo com o promotor do projecto, vai “servir os residentes de todas as idades”. O empreendimento tem também espaços comerciais com uma área de 5 mil metros quadrados, distribuídos por 60 lojas, cujo objectivo é disponibilizar os bens de primeira necessidade aos futuros habitantes. Ao nível do estacionamento, estão planeados 4 mil lugares, assim como “clubhouses”, parques infantis e zonas para a prática de desporto.
NATO diz que rebelião Wagner mostra que invasão foi erro estratégico Hoje Macau - 27 Jun 202327 Jun 2023 O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou ontem que a rebelião dos mercenários do grupo Wagner na Rússia mostra que a invasão da Ucrânia por ordem do Presidente russo, Vladimir Putin, foi um erro estratégico. “Estamos a acompanhar a situação na Rússia. Os acontecimentos do fim de semana são um assunto interno da Rússia e mais uma demonstração do grande erro estratégico que o Presidente Putin cometeu em relação à anexação ilegal da Crimeia e na guerra contra a Ucrânia”, disse Stoltenberg aos jornalistas em Vilnius, cidade que receberá a cimeira da Aliança Atlântica no próximo mês. “Também estamos a acompanhar a situação na Bielorrússia”, acrescentou Stoltenberg, após Moscovo ter enviado armas nucleares para o país no início deste mês, gesto que a NATO condenou. “É imprudente e irresponsável. Não vemos qualquer indicação de que a Rússia se esteja a preparar para utilizar armas nucleares, mas a NATO permanece vigilante”, adiantou o responsável da Aliança. De acordo com o Presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, que falou na mesma conferência de imprensa, a rebelião do Grupo Wagner demonstra “a instabilidade do regime do Kremlin”. “É provável que se esperem desafios semelhantes ou até maiores no futuro”, acrescentou Nauseda, referindo que “a fixação do grupo Wagner na Bielorrússia pode tornar-se um factor adicional” em relação à segurança da região. Stoltenberg também sublinhou que agora ainda é mais importante manter o apoio a Kiev. O secretário-geral da NATO indicou que, quanto mais a Ucrânia for bem-sucedida na sua contraofensiva para recuperar territórios ucranianos da Rússia, “mais fortes serão os seus trunfos a apresentar numa mesa de negociação”. Lembrou que os aliados estão a preparar apoios plurianuais à Ucrânia e decisões que a aproximem da organização militar. “O seu lugar [da Ucrânia] é na NATO”, sublinhou Stoltenberg, reforçando que todos os aliados concordam que as portas da NATO continuam abertas para a Ucrânia e que, mais cedo ou mais tarde, o país será membro da Aliança. “Serão os aliados e a Ucrânia a decidir [a sua entrada no bloco]. A Rússia não tem direito de veto”, reafirmou o secretário-geral da NATO. Ameaças e traições O chefe do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigozhin, suspendeu as movimentações da rebelião na Rússia contra o comando militar, menos de 24 horas depois de ter ocupado Rostov, cidade-chave no sul do país para guerra na Ucrânia. O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, qualificou de rebelião a acção do grupo, afirmando tratar-se de uma “ameaça mortal” ao Estado russo e uma traição, garantindo que não vai deixar acontecer uma “guerra civil”. Ao fim do dia de sábado, em que foi notícia o avanço de forças da Wagner até cerca de 200 quilómetros de Moscovo, Prigozhin anunciou ter negociado um acordo com o Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko. Antes, o chefe do grupo paramilitar acusou o Exército russo de atacar acampamentos dos seus mercenários, causando “um número muito grande de vítimas”.
Os métodos da Cathay Pacific Airways (I) David Chan - 27 Jun 2023 A Cathay Pacific Airways teve problemas recentemente. Foi anunciado que um piloto tinha conduzido o avião na pista lentamente e logo a seguir ocorreu o incidente do cobertor relacionado com os assistentes de bordo, o que deixou a administração em maus lençóis. A condução lenta leva a empresa a pagar mais aos pilotos, visto que são pagos à hora, e provoca uma demora na chegada dos passageiros aos seus destinos, prejudicando a empresa e aqueles que viajam. Os assistentes de bordo lidam directamente com os passageiros e se existir algum problema que os deixe insatisfeitos, a imagem da Cathay Pacific Airways será afectada. O piloto é responsável pela segurança do voo e o assistente de bordo pelo trabalho de cabine e ambos prestam serviços aos passageiros. Portanto, se quer uns quer outros prejudicarem de alguma forma os passageiros isso vai reflectir-se na venda de bilhetes e nas receitas da Cathay Pacific Airways. Provavelmente, para tentar manter as suas receitas, a Cathay Pacific poderá tratar os dois incidentes como um só. Desta forma não só concentra os problemas, como também fará com que as pessoas sintam que a administração da empresa dá importância à situação, o que vai melhorar ainda mais a sua imagem. Estes incidentes de condução lenta nas pistas ocorrem porque o salário dos pilotos é calculado com base nas horas de voo efectuadas. Ao prolongar o tempo da viagem os pilotos recebem mais. Por isso vemos por vezes na comunicação social a seguinte frase: “Se andarmos mais depressa reduzimos o nosso salário, então porque é que havemos de o fazer?” A Cathay Pacific Airways declarou que não vai responsabilizar criminalmente os pilotos pela condução lenta, mas lembrou que este procedimento pode conduzir a um processo disciplinar. Recentemente, as medidas actualizadas que se aplicam a esta situação foram finalmente publicadas na comunicação social. A Cathay Pacific vai optimizar o método de cálculo do salário dos pilotos. Estes salários têm três componentes: o salário base, subsídios e horas de voo. Em 2023, a Cathay Pacific Airways aumentou o vencimento base dos pilotos em 3.3por cento. Além disso, a empresa vai comparar as horas de voo estimadas com as horas de voo efectuadas e usará o valor mais elevado para calcular o pagamento. Em resumo, os pilotos vão beneficiar com esta medida. Uma vez que o novo regime implica a actualização dos sistemas informáticos, estas medidas só vão ser implementadas só no próximo mês de Outubro. Por estas medidas, podemos ver que a Cathay Pacific planeia solucionar o problema da condução lenta aumentando o salário dos pilotos. Mas se este aumento salarial não for o que os pilotos estão à espera, como é que se vai resolver o problema? O Governo de Hong Kong aplicou 19.5 mil milhões de dólares de Hong Kong em acções preferenciais da Cathay Pacific Airways em Junho de 2020, e adiantou 7.8 mil milhões em empréstimos provisórios. Esta divida colocou pressão nas finanças da Cathay Pacific o que lhe torna impossível aumentar os salários dos pilotos a curto prazo. Por motivos de gestão, por vezes, as empresas exigem que os directores comprem acções, ou então oferecem-nas. Como atrás foi dito, quando as empresas geram lucros distribuem os dividendos consoante o número de acções vendidas. Quem possuir mais acções recebe mais dividendos. Se os directores possuirem acções da empresa, quando existem lucros, para além dos seus salários recebem os dividendos. A estratégia não só permite que quando estes executivos tomam decisões considerem os interesses da empresa como seus, mas também permite que recebam dividendos. A prática de alinhamento de interesses torna a política anual de bónus mais flexível, o que beneficia o funcionamento da empresa. Li Ka-shing, magnata de Hong Kong que fundou a Enterprise Holdings Co., Ltd., recebeu apenas um salário anual de 5.000 dólares durante 46 anos enquanto director da empresa. Quando a economia de Hong Kong estava em recessão, um jornalista perguntou-lhe se ele ia reduzir o seu salário e Li Ka-shing respondeu: “Eu só tenho um salário anual de 5.000 dólares, como é que posso reduzi-lo?” Mas por causa das acções que detinha, Li Ka-shing recebia milhares de milhões de dólares em dividendos. Li Ka-shing afirmou que esta abordagem protegia os interesses da empresa, dos directores e dos accionistas. A Cathay Pacific Airways está actualmente a passar um mau período. Agora que já vendeu acções ao Governo será que pode considerar vendê-las também aos pilotos? Ou mesmo doá-las? Uma vez que detenham acções, os pilotos para além de empregados da empresa passam também a ser accionistas. Quando a empresa tem lucros, os accionistas recebem naturalmente os seus dividendos. Mesmo que o piloto pense que o seu salário está abaixo dos padrões do mercado, depois de receber os dividendos vai pensar de outra forma. Com a melhoria da situação epidémica, a indústria da aviação vai gradualmente melhorar e os lucros da empresa vão certamente aumentar. Acredita-se que os dividendos a distribuir irão aumentar gradualmente. Para a próxima semana vamos analisar a resposta da CathayPacificAirways ao incidente do cobertor.
Automobilismo | Couto, Rodrigues e Valente somam sucessos nas pistas Sérgio Fonseca - 27 Jun 2023 Numa tradição que já vem de longe, os pilotos lusófonos da RAEM continuam a fazer-se representar muito bem além-fronteiras. Em mais um fim de semana de competições por toda a China, os resultados dificilmente poderiam ser melhores. Depois de quase três anos afastado da competição, André Couto regressou em grande estilo na visita do campeonato TCR China ao circuito de Zhejiang, que fica localizado nos arredores de Shaoxing. O agora piloto da Dongfeng Honda Racing Team subiu ao pódio na primeira corrida, ao terminar na segunda posição numa corrida onde a chuva quis ser um protagonista influente. Largando do segundo lugar, novamente com a pista molhada, Couto manteve-se sempre firme no segundo lugar até à entrada do Safety-Car, que iria permanecer em pista até ao final da corrida, rumo a um pódio merecido, apenas ficando classificado atrás de Martin Cao da Hyundai N. A segunda corrida, que teve um arranque com a grelha de partida invertida nos dez primeiros lugares, foi novamente marcada por um longo período de Safety-Car em pista. Aos comandos do novo Honda Civic FL5 TCR, modelo que fez o seu baptismo em pista na China este fim de semana, Couto viu a bandeira de xadrez na nona posição. Nas redes sociais, o piloto português escreveu estar “muito feliz com o resultado” e com o “segundo lugar na minha primeira corrida da época”, pois este resultado foi obtido “em condições muito difíceis”, onde “a aquaplanagem e a visibilidade foram um problema quando os carros rodavam muito próximos uns dos outros!”. Couto ainda agradeceu “à MacPro Racing Team, JAS Motorsport e Dongfeng Honda por prepararem um bom carro!” Hat-trick de Rodrigues em Ningbo Não muito longe do Circuito Internacional de Zhejiang, na cidade de Ningbo, outro piloto de Macau “deu cartas” durante o fim de semana. Tiago Rodrigues confirmou as boas indicações dadas na prova de abertura do Campeonato da China de Fórmula 4, disputada em Zhuhai, e somou três vitórias nas quatro corridas da competição de monolugares realizadas no fim de semana no Ningbo International Speedpark. Depois de um terceiro e um quarto lugar nas sessões de qualificação, o jovem piloto do território teve uma actuação de alto nível e venceu a primeira corrida de um fim de semana também ele marcado pela chuva. Na segunda corrida, Rodrigues subiu uma posição após o arranque e terminou no terceiro lugar. O melhor estava guardado para o domingo, com duas corridas em que Mygale-Geely n.º56 esteve magistral, vencendo categoricamente as duas corridas do dia, uma delas arrancando do 10º lugar da grelha de partida. Apesar do excelente resultado, Rodrigues disse na conferência de imprensa que “consegui três vitórias nesta prova, mas não consegui vencer todas as corridas, por isso há espaço para melhorias para mim e para a equipa.” Valente já ganha A senda de bons resultados dos pilotos lusófonos do território no Interior da China iniciou-se há duas semanas no Circuito Internacional de Guangdong. Rui Valente não perdeu a oportunidade de retirar da garagem o seu ainda competitivo Mini Cooper S e mostrar que “quem sabe nunca esquece” nestas andanças do automobilismo. Em mais um “GIC Super Track Festival”, impondo a sua experiência de mais de três décadas nestas lides, Valente não deu hipóteses à concorrência no seu agrupamento, com um triunfo incontestado numa corrida em que alinharam quarenta e dois concorrentes. “Correu bem, ganhei a corrida e a minha classe, dois troféus, trezentos litros de gasolina e 800 renmimbis de prémio monetário”, frisou com satisfação o piloto luso ao HM que continua com a mesma vontade de vencer.
Clima extremo atinge China com calor e tempestades Hoje Macau - 27 Jun 2023 Muitas cidades na China continuaram a emitir alertas de calor e chuva no fim-de-semana, sendo que os residentes em muitas áreas tiveram de enfrentar fenómenos climáticos extremos. De acordo com a Administração Meteorológica da China (CMA), as observações de quarta a quinta-feira demonstraram que um total de 2.830 estações em todo o país registaram altas temperaturas, acima de 40°C, enquanto 2.130 estações registaram fortes chuvas. Na manhã de sexta-feira, o Centro Meteorológico Nacional (NMC) continuou a emitir alertas laranja de temperatura elevada – o segundo mais alto no sistema de aquecimento climático de quatro níveis da China, já que a temperatura mais alta em Pequim, Tianjin, Hebei e Shandong na sexta-feira atingiu 40°C. A capital, localizada no norte da China, foi uma das cidades mais atingidas pela onda de calor. Na quinta-feira, Pequim registou uma temperatura de 41,1°C, quebrando o recorde histórico de Junho de 40,6°C, registado em 1961. Também na quinta-feira, a mesma estação meteorológica registou uma temperatura na superfície do solo de 71,8°C à tarde, também a segunda mais alta jamais registrada. Na manhã de sexta-feira, a Estação Meteorológica de Pequim emitiu um sinal vermelho de alerta para altas temperaturas, o mais alto do sistema de alerta climático de quatro níveis da China. A última vez que Pequim emitiu tal alerta foi em 2014. Na tarde de sexta-feira, Pequim registou novamente altas temperaturas acima de 40°C. Zhang Yingxin, meteorologista chefe da Estação Meteorológica de Pequim, disse que esta é a primeira vez desde o estabelecimento de estações de observação meteorológica em Pequim que altas temperaturas acima de 40°C foram registadas por dois consecutivos dias. Esta semana as altas temperaturas de Pequim deverão cair para 34°C. Desde 1951, Pequim registou um máximo de 11 dias de alta temperatura acima de 35 °C em Junho num único ano, em 1952 e 2000, respectivamente, e um máximo de cinco dias de alta temperatura acima de 37°C, em 1952. Desde quinta-feira, Pequim registou nove dias de alta temperatura acima dos 35 °C e cinco dias de altas temperaturas acima dos 37 °C em Junho de 2023. Enquanto isso, Tianjin e Hebei, também localizadas no norte da China, enfrentaram também o calor extremo. El Niño para durar Enquanto os residentes no norte da China sofrem com as temperaturas elevadas, o leste e o sul do país enfrentaram fortes chuvas. Este Verão assistiu a um aumento no clima incomum em todo o mundo. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos emitiu um alerta em 8 de Junho informando que o fenómeno El Nino surgiu e deverá perdurar até ao Inverno. Segundo especialistas da CMA, a China atravessou recentemente uma alta frequência de climas extremos associados ao surgimento do fenómeno El Nino. Zhou Bing, chefe do serviço climático da CMA, disse que o clima deste ano, em termos da China e do mundo, tem sido anormal. “O mundo está definitivamente mais quente este ano do que em 2022, devido ao aparecimento do evento El Nino”, disse ele à China Central Television (CCTV). “O desenvolvimento do El Niño levará a um aumento das chuvas no sul da China no Verão e a uma diminuição das chuvas no norte da China, com uma situação de inundações no sul e seca no norte”, disse Zhou. Não é provável que haja um período prolongado de calor extremo no norte da China, disse. Mas devido à influência do El Niño, a temperatura geral tende a ser superior à média.
Exposição colectiva “MusicArt” abre hoje na Fundação Rui Cunha João Luz - 27 Jun 2023 A galeria da Fundação Rui Cunha acolhe a partir de hoje a Exposição Colectiva “MusicArt”, uma mostra que reúne trabalhos de 17 artistas locais e do Interior da China. Com curadoria de Giulio Acconci, o conjunto de obras estabelece uma ponte entre sons e imagem através de várias expressões artísticas A Exposição Colectiva “MusicArt” vai estar em exibição na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) a partir de hoje, reunindo obras de 17 artistas de Macau e do Interior da China sob a batuta curadora do cantor, actor e artista local Giulio Acconci. Com a inauguração marcada para as 18h30 de hoje, a mostra apresenta uma colecção variada de trabalhos e expressões artísticas abrangendo “diferentes meios e formatos, incluindo a pintura – óleo, acrílico, aguarela, digital e técnica mista, fotografia, gravura, colagem, metal, cerâmica, animação 3D, instalação e vídeo”, revela a organização. A exposição está dividida em quatro partes: String Connections, Synesthesia, Imaging e Fusion. A segmentação conceptual da mostra tem como objectivo “transmitir as várias emoções da sociedade contemporânea e explorar as diversas possibilidades da arte interdisciplinar”, segundo a proposta do curador. “MusicArt” é um “projecto de arte interdisciplinar experimental que conecta os mundos da cor e das notas musicais através de interpretação mútua, inspirando-se reciprocamente para alcançar um estado harmonioso”, revela o memorando da exposição. Giulio Acconci acrescenta no documento que apresenta a exposição com o propósito de aliar as essências de formas de expressão diversas. “É do conhecimento comum que tanto a Música quanto a Arte podem ser explicadas ou decompostas em teorias. Os fundamentos desses dois mundos, aparentemente diferentes, são surpreendentemente semelhantes: existem sete notas básicas na música (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si), assim como existem sete cores básicas no espectro cromático (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Azul, Anil e Violeta). Uma experiência interessante poderia ser substituir as notas e cores por números e ver o que acontece”, sugere o curador. A exposição estará patente ao público até 22 de Julho. Entre telas Passando da teoria à prática, a FRC propõe alguns concertos, reunir as artes plásticas e a música no mesmo espaço. Assim sendo, o projecto irá contar com a colaboração da Associação Vocal de Macau e da Associação de Promoção do Jazz de Macau, que vão organizar dois concertos. O primeiro espectáculo, marcado para 8 de Julho às 17h, intitula-se “Bel Canto Saturday”, e o segundo, agendado para 15 de Julho também às 17h, será o “Saturday Night Jazz” O curador aponta a multiplicidade de meios artísticos como uma forma de integrar a complexidade da época. “No confronto cada vez mais intenso de diferentes culturas e ideias, esta experiência artística interdisciplinar pode ajudar-nos a compreender melhor a época em que vivemos, e promover o vigoroso desenvolvimento da arte local em Macau”, refere Giulio Acconci.
Barco Dragão | Feriados com centenas de milhares de visitantes João Luz - 27 Jun 2023 Durante os quatro dias do fim-de-semana prolongado dos feriados do Dia do Barco Dragão, quase 367 mil turistas visitaram Macau. A sexta-feira foi o dia de maior movimento nos postos fronteiriços com quase 107 mil pessoas a entrarem no território. Governo está a negociar com companhias descontos para atrair turistas estrangeiros Entre quinta-feira e domingo, entraram em Macau 366.935 turistas, aproveitando o fim-de-semana prolongado pelos feriados do Dia do Barco Dragão. De acordo com os dados revelados ontem de madrugada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), durante os quatro dias, Macau recebeu em média mais de 91.700 turistas diariamente, com sexta-feira a registar o maior volume de entradas, com 106.913 visitantes a chegarem ao território. Como é tradicional, as Portas do Cerco registaram a maior afluência, com 138.409 pessoas a fazer a travessia para Macau nesse posto fronteiriço, representando cerca de 37,7 por cento das entradas, seguido pela fronteira da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, por onde entraram 88.569 turistas. A tendência de congestionamento nas fronteiras começou logo na quinta-feira, feriado em Macau, Hong Kong e no Interior da China, com a entrada de mais de 100 mil pessoas no território. O fluxo consistente de turistas compreende-se com a decisão do Conselho de Estado chinês que declarou quinta-feira, sexta-feira e sábado feriados nacionais. O registo do fim-de-semana passado apresenta uma boa performance em termos da capacidade de atracção do território, principalmente face aos números do passado mês de Maio, quando foi a semana dourada do Dia do Trabalhador. Durante esse mês, Macau foi visitado por mais de 2,21 milhões de turistas, com uma média diária superior a 71 mil visitantes. Ir mais além Na próxima sexta-feira terminam os descontos nos transportes entre a RAEHK e Macau, medida que arrancou no início do ano para voltar a captar turistas de Hong Kong. Em declarações prestadas ontem à margem de uma acção promocional na Rua do Cunha, Helena de Senna Fernandes indicou que a medida para atrair visitantes de Hong Kong não irá continuar, uma vez que esse mercado estabilizou. O foco da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) irá agora para os mercados externos, avançou ontem Helena de Senna Fernandes, que está a negociar com companhias aéreas a oferta de para voos directos para os aeroportos de Macau e Hong Kong. A promoção deverá seguir o padrão de oferta de uma das viagens num bilhete de ida e volta. Para já, a DST está a estudar a possibilidade de lançar acções de charme em Singapura e na Malásia semelhanças à caravana promocional que andou pelas cidades da Grande Baía a mostrar Macau como produto turístico. Estão também a ser pensadas campanhas promocionais para o mercado indonésio e japonês, apesar da pouca propensão actual dos japoneses em viajar devido à depreciação do yen.
Karaokes queixam-se de que negócio piorou após pandemia Nunu Wu e João Santos Filipe - 27 Jun 202327 Jun 2023 Face ao cenário de pessimismo dos cidadãos, o presidente da Associação Industrial e Comercial sugere que sejam lançadas medidas de promoção da economia interna, como o cartão de consumo para turistas Os proprietários dos bares de karaoke queixam-se de que o negócio está a enfrentar condições piores do que aquelas com que teve de lidar durante a pandemia. Em declarações ao jornal Ou Mun, alguns empresários do sector traçam um cenário de dificuldades, motivadas pela crescente concorrência dos espaços no Interior e as restrições no consumo. Segundo a versão do empresário Leong, com a passagem das fronteiras para o Interior a voltarem praticamente à situação de normalidade em Janeiro, os empresários sentem dificuldades acrescidas, porque muitos dos residentes passaram a preferir frequentar os bares de karaoke no outro lado da fronteira. Leong adiantou ainda que com a implementação do programa de circulação de veículos de Macau no Interior o volume de negócios dos bares de karaoke registou quebras de 50 a 60 por cento face ao período da pandemia. No caso do estabelecimento gerido por Leong, há noites de fim-de-semana em que não tem mais do que duas mesas com clientes, o que é muito diferente do que se registava no passado. O sector atravessa assim uma situação em que tem mais clientes durante os dias da semana do que ao fim-de-semana, o que representa uma mudança de paradigma. Quebras acentuadas O jornal Ou Mun ouviu também outro dono de um espaço de karaoke, de apelido Chan, que afirmou ter quebras na ordem dos 50 por cento, face ao período da pandemia. O empresário explicou que o ambiente económico é muito diferente do antecipado e que a fonte dos clientes sofreu alterações. Além da concorrência dos espaços do Interior, que foi intensificada com a circulação dos veículos para Zhuhai, há um ambiente de depressão económica e de cortes no consumo. Chan admitiu ainda que no passado investiu em restaurantes, porque o ambiente de negócios era bom e era possível ganhar dinheiro apenas com a loja aberta. Contudo, explicou, a situação mudou muito e teve de fechar vários espaços. O empresário deixou ainda antever que vai ter de fechar mais restaurantes no futuro, face à falta de receitas. Apoio às PME Por sua vez, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial, Ng Wah Wai apelou ao Governo para encontrar uma solução para os problemas das pequenas e médias empresas. Segundo o dirigente associativo, a recuperação económica vai demorar a ser sentida, pelo que é necessário apoiar os negócios locais. Ng Wah Wai defendeu o lançamento de mais medidas para promoção do consumo interno, que façam com que os residentes comprem mais nas lojas locais. Além de atrair os residentes locais, o responsável também sugeriu que o Governo siga as práticas do sudeste asiático, do Japão e de Taiwan, onde foram lançados cartões de consumo para os turistas, o que é visto como uma forma de promover o consumo em Macau.
Operadoras do Jogo procuram elevar receitas VIP com junkets João Luz - 27 Jun 202327 Jun 2023 As concessionárias de jogo de Macau e junkets estão em negociação com o objectivo de potenciar as receitas das salas VIP. A redução das licenças atribuídas a promotores de jogo em 2023 e a obrigação legal de apenas estarem ligados a uma concessionária coloca os junkets que “sobreviveram” à crise numa posição vantajosa “Muitos junkets estão a aguardar e observar os mercados antes de voltarem a contactar os seus clientes. Esperam que os casinos lhes ofereçam mais benefícios, uma vez que já não podem escolher livremente levar os clientes a qualquer casino do território. Assim sendo, aguardam as melhores ofertas, como suites de hotel e viagens grátis”, afirmou Nelson Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau. Em declarações ao Asia Gaming Brief, o ex-candidato a deputado afirmou ter informações de que as concessionárias de jogo têm procurado activamente os junkets com o objectivo de promover o crescimento das receitas do segmento VIP. Recorde-se que o Governo reviu a legislação que regula o sector, obrigando cada promotor de jogo a apenas trabalhar como uma concessionária. Esta limitação faz com que os junkets registados para operar no território procurem as melhores condições para voltar a activar as suas listas de clientes. Entretanto, o sector das apostas VIP começa a mostrar sinais de recuperação, com os dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos a revelarem que no primeiro trimestre do ano as receitas do baccarat VIP chegaram a 8,56 mil milhões de patacas, representando quase um quarto das receitas globais da indústria. Face a este cenário, Nelson Kot entende que “nenhuma operadora de jogo está disposta a desistir do segmento VIP, apesar das crescentes restrições impostas aos junkets com a nova legislação”. Céus azuis Com as apostas nas salas VIP a serem consideravelmente superiores ao segmento de massas, as carteiras de clientes que alimentam este segmento continuam a ser apelativas aos casinos locais. Como tal, Nelson Kot entende que o número de junkets registados em Macau pode voltar a aumentar. De acordo com fontes do sector, citadas pelo Asia Gaming Brief, a Sands foi a concessionária que contratou mais junkets. O presidente da Associação para o Jogo Responsável de Macau, Billy Song, indicou que um dos focos do mercado VIP será as zonas de jogo exclusivas para apostadores estrangeiros, com atractivas isenções fiscais. Seguindo a tendência, a Galaxy abriu há pouco mais de uma semana o Yinzuan Club, um espaço de jogo VIP, composto por oito salas privadas. Para aceder ao Yinzuan Club, um apostador tem de trocar, pelo menos, 1 milhão de dólares de Hong Kong em fichas, com as apostas mínimas situadas em 3.000 dólares de Hong Kong.
Académicos avisam que Governo vai enfrentar “teste de stress complexo” João Santos Filipe - 27 Jun 2023 A vontade do Governo Central de terminar com o jogo VIP em Macau e com a dependência da “corrupção em massa” vai fazer com que o Governo local tenha de enfrentar vários desafios A pressão do Governo Central que levou Macau a promover transformações profundas no segmento VIP do jogo vai levar o Governo da RAEM a enfrentar um “teste de stress” para controlar a despesa orçamental e evitar problemas sociais. O aviso é deixado no artigo “O perfil da Cidade de Macau – A Ascensão e a Queda de Uma Cidade do Jogo”, publicado este mês na revista Cidades e assinado pelos académicos Edmund Li, da Universidade de Shandong, Zhang Anning e Yin Yechang, ambos da Universidade de Macau. Num artigo em que fazem uma análise ao impacto das alterações mais recentes na indústria do jogo no território, os autores apontam que ao longo dos anos o território sofreu de “má governação crónica”, motivada pela “ilusão de uma prosperidade sem limites”. No entanto, com a pandemia o cenário foi radicalmente alterado e os académicos consideram que a imagem “glamorosa” de Macau como uma cidade de jogo foi “manchada”, devido à recessão ligada à covid-19 e à vontade de Pequim de reformar a indústria. “Tornou-se impossível para o Governo de Macau manter o status quo ou implementar as reformas a um ritmo lento. Macau foi forçada por Pequim a impor restrições rigorosas à sua indústria do jogo e a encerrar o lucrativo negócio do jogo VIP”, foi indicado. “Pequim agiu para garantir que Macau tem um desenvolvimento saudável e sustentado sem depender da corrupção em massa”, foi acrescentado. Preço a pagar Contudo, os académicos indicam que as reformas impostas por Pequim vão ser um desafio e que pode haver um preço a pagar. Segundo o artigo, Macau “vai enfrentar um teste de stress muito complexo e severo no futuro, com a redução das receitas do jogo no orçamento e a capacidade para controlar os gastos”. Ao mesmo tempo, o teste vai surgir numa altura em que o Governo está a tentar diversificar a economia, o que na perspectiva dos investigadores pressupõe um aumento dos gastos com o orçamento, mas que também cria vários riscos acrescidos para garantir que o plano de diversificação é bem-sucedido. Num cenário com um futuro complicado para o governo, Edmund Li, Zhang Anning e Yin Yechang alertam vai ser necessário “dar maior enfâse à sociedade civil”, “ouvir activamente as opiniões dos cidadãos” e “diminuir o enorme fosso que existe entre a elite e os restantes cidadãos”. Os investigadores considerarem também que para os próximos anos de governação vai ser essencial a capacidade para “antecipar os problemas sociais”.
Timor-Leste | PR espera acordo com Alemanha para trabalhadores timorenses Hoje Macau - 26 Jun 2023 O Presidente da República timorense espera que Timor-Leste e a Alemanha assinem ainda este ano um acordo entre governos para que mil timorenses possam ir para aquele país trabalhar e receber formação técnico-profissional. José Ramos-Horta disse à Lusa que esse é um dos assuntos na agenda da sua curta visita a Berlim, no fim de semana, durante a qual se encontrou com as principais autoridades do país. “A ideia de a Alemanha receber trabalhadores timorenses foi minha. Avancei com a vinda a Timor-Leste de um grupo de sete deputados federais alemães, representando todos os partidos políticos, e cumprindo uma promessa que me fizeram antes das eleições na Alemanha, em que se vencessem iriam retomar a cooperação bilateral com Timor-Leste, que foi, entretanto, terminada depois de 20 anos”, explicou. “Durante a visita avancei com a proposta: quero 1.000 vistos de trabalho para timorenses trabalharem na Alemanha, com formação técnico-profissional a fazer parte do programa”, explicou. “Gostaram da ideia e nesses meses tenho trabalhado com entidade alemães para ver como concretizar essa iniciativa, que está em bom caminho. Esperamos assinar o acordo brevemente, depois da minha visita”, disse. Quando se concretizar, notou, será o primeiro acordo laboral de Timor-Leste com um país europeu, num programa “governo-governo, sem intermediários ou agências de emprego e que vai ser rigorosamente controlado pelos dois governos, para não haver abusos seja de quem for”.
Índia | Amazon investe 24 mil ME até 2030 Hoje Macau - 26 Jun 2023 A empresa norte-americana reforça a sua posição no país dando seguimento ao investimento de 12.700 milhões de dólares até 2030 anunciado a 18 de Maio pelo maior provedor de serviços de computação em nuvem do mundo, a Amazon Web Services. O director executivo da Amazon comprometeu-se a aumentar os investimentos da gigante norte-americana na Índia para 26.000 milhões de dólares até 2030, durante um encontro com o primeiro-ministro indiano na sexta-feira. De acordo com um comunicado divulgado sábado pelo gabinete do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o governante e Andrew R. Jassy “mantiveram conversações sobre a área do comércio electrónico” e “discutiram o potencial de uma maior colaboração com a Amazon no sector logístico na Índia”. Por sua vez, o presidente executivo da Amazon avançou na rede social Twitter que, durante a reunião, foi discutido “o compromisso da Amazon de investir 26.000 milhões de dólares na Índia até 2030”. “Trabalhando juntos, apoiaremos as novas empresas, criaremos empregos, possibilitaremos exportações e capacitaremos pessoas e pequenas empresas para competirem globalmente”, acrescentou Jassy. Os esforços da Amazon para fortalecer a sua presença no país asiático seguem-se ao investimento de 12.700 milhões de dólares até 2030 anunciado a 18 de Maio pelo maior provedor de serviços de computação em nuvem do mundo, a Amazon Web Services (AWS). Ao interesse da Amazon em investir na Índia somam-se outras oportunidades de crescimento exploradas por Modi durante a sua visita aos EUA, onde manteve reuniões com o presidente executivo (CEO) da Google, o empresário indo-americano Sundar Pichai, o director executivo da Boeing, David L. Calhoun, e o fundador da Tesla e actual dono do Twitter, Elon Musk. Agenda preenchida O primeiro-ministro indiano terminou sábado a visita de Estado de quatro dias aos EUA, durante a qual se reuniu com o Presidente Joe Biden, participou num jantar na Casa Branca, interveio uma sessão conjunta do Congresso dos EUA e manteve encontros com mais de duas dezenas de líderes e empresários, incluindo economistas, académicos e especialistas em saúde. Narendra Modi seguiu para o Egipto, onde se encontrou com o Presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi.
O povo não está cansado André Namora - 26 Jun 2023 Um amigo meu tem uma pequena fábrica de placas de contraplacados. Há dias, encontrámo-nos e a conversa percorreu vários continentes desde aquela loucura de irem ver os destroços do ‘Titanic’ a 3.800 metros de profundidade até às empregadas domésticas que cada vez são mais abusadas sexualmente para que possam obter um pecúlio extra dos patrões. No entanto, o principal da conversa situou-se na ideia peregrina que está em estudo nas hostes governamentais de se trabalhar apenas quatro dias por cada semana. O povo está cansado? Qual quê, qual carapuça. O meu amigo transmitiu-me que para o país andar para a frente, as fábricas e outras empresas até deviam trabalhar ao domingo. Aliás, algumas já o fazem, tal como hipermercados e centros comerciais. Antes, trabalhar aos domingos era um crime. Depois começaram a ficar de boca aberta ao verem as lojas dos chineses abertas ao domingo e agora uma grande parte de comerciantes já trabalham no “dia santo”… O meu interlocutor explicou-me que a possível medida de trabalhar apenas quatro dias por semana, deve ser um caso para países ricos, muito desenvolvidos e que não tenham dívida externa. Se o pessoal começa a ter descanso três dias: sexta, sábado e domingo, a sua opinião é que o país regressa à bancarrota. Para alguns patrões trata-se da sorte grande porque ao parar tudo, a despesa da água e da luz diminui substancialmente. E os trabalhadores? Passam a receber o mesmo salário? Esses, estão muito enganados com o tri-descanso. O dia em que não trabalham será para dormir até ao meio-dia, depois têm de limpar a casa, pôr a roupa a lavar, passar a ferro, limpar os vidros e as varandas, cortar a relva, arranjar o jardim, lavar o carro e por aí adiante. Não haverá descanso nenhum, e irão trabalhar muito mais do que se estivessem no escritório ou na fábrica. A medida dos quatro dias de trabalho por semana tem os seus apoiantes, mas também existe um grande número de trabalhadores que acha não haver qualquer vantagem. E alguns até já me salientaram: “É pá, mas o que é que eu estou a fazer em casa ou no café? A olhar para a televisão e a engordar com o sedentarismo ou no café a aturar bêbedos?”. A opinião varia. A medida poderá ser implementada, mas quer-nos parecer que ao fim de um ano tudo voltará ao princípio. O pessoal está habituado a um certo ritmo de vida e não está interessado em nenhum tipo de pasmaceira ou de trabalho caseiro de borla. Para os que apoiam trabalhar só quatro dias por semana, segundo estatísticas confidenciais a que tivemos acesso, a maioria dos apoiantes tem dinheiro, é classe média alta. Pode pegar no carro com a cara-metade e passar três dias no ripanço numa praia ao longo da costa plantada. Mas, essa maioria tem um problema: se tiver filhos, já não haverá passeio para um turismo rural ou hotel de cinco estrelas porque a miudagem tem aulas à sexta-feira. Ou então, as escolas (professores, assistentes sociais, cozinheiros e funcionários da limpeza) também encerram porque só passam a abrir quatro dias por semana? Tudo isto, é muito confuso e perplexo. Não será fácil agradar a todos, como tudo na vida, mas o Governo terá de pensar muito bem, contactar patrões e comissões de trabalhadores antes de decidir pelo decreto. Não é fácil e sobre esta matéria muita água irá correr por baixo da ponte. O que nós pensamos é que o país tem mais de dois milhões de cidadãos no limite da pobreza. Muitos desempregados, outros que fazem biscates durante todo o dia, outros dedicam-se à prostituição e ainda outros “inscrevem-se” nos gangues e a nessa vida fácil cometem um vasto número de crimes, que na maior parte das vezes, leva-os a ir ver o sol aos quadradinhos. Semana com quatro dias de trabalho? Hum… cheira-me que os pobres que trabalham (a maioria) não vão gostar da decisão e ainda vamos ter, pela primeira vez, uma manifestação sob o slogan “Somos pobres, queremos trabalhar!”. Uma verdade é certa: o povo não está cansado de trabalhar, o povo está é cansado de ganhar mal…
G7 | Acordados sistemas para erradicar violência de género Hoje Macau - 26 Jun 2023 Os ministros da Igualdade do G7 acordaram estabelecer uma série de sistemas para erradicar a violência de género contra mulheres e meninas, incluindo a prevenção da violência e o apoio às vítimas, segundo um comunicado conjunto divulgado ontem. A “Declaração de Nikko”, assinada após um encontro de dois dias na cidade com o mesmo nome (a nordeste de Tóquio), inclui uma série de propostas para prevenir a violência e facilitar o acesso à justiça, saúde e habitação para as vítimas. “Para eliminar todas as formas de violência de género, devemos estabelecer sistemas multissectoriais integrados com ênfase na prevenção da violência, apoio e proteção de sobreviventes e vítimas e garantia de acesso à justiça e responsabilização dos perpetradores”, lê-se no texto ontem publicado. O documento também faz referência aos casos de assédio ‘online’, assim como a discursos de ódio e misoginia encontrados nas redes sociais e que se intensificaram nos últimos anos contra vítimas, jornalistas e defensores de direitos humanos, entre outros. A declaração considera ainda essencial a participação plena e igualitária das mulheres na tomada de decisões a todos os níveis, sustentando tratar-se de “uma questão de direitos humanos, que contribuiria positivamente para as condições económicas, sociais e políticas globais”. Outra das propostas do documento é a criação de um melhor ambiente de trabalho para as mulheres trabalhadoras nos sectores do turismo, restauração e cuidados a idosos ou crianças, cargos tradicionalmente desempenhados por mulheres.
G7 | Acordados sistemas para erradicar violência de género Hoje Macau - 26 Jun 2023 Os ministros da Igualdade do G7 acordaram estabelecer uma série de sistemas para erradicar a violência de género contra mulheres e meninas, incluindo a prevenção da violência e o apoio às vítimas, segundo um comunicado conjunto divulgado ontem. A “Declaração de Nikko”, assinada após um encontro de dois dias na cidade com o mesmo nome (a nordeste de Tóquio), inclui uma série de propostas para prevenir a violência e facilitar o acesso à justiça, saúde e habitação para as vítimas. “Para eliminar todas as formas de violência de género, devemos estabelecer sistemas multissectoriais integrados com ênfase na prevenção da violência, apoio e proteção de sobreviventes e vítimas e garantia de acesso à justiça e responsabilização dos perpetradores”, lê-se no texto ontem publicado. O documento também faz referência aos casos de assédio ‘online’, assim como a discursos de ódio e misógina encontrados nas redes sociais e que se intensificaram nos últimos anos contra vítimas, jornalistas e defensores de direitos humanos, entre outros. A declaração considera ainda essencial a participação plena e igualitária das mulheres na tomada de decisões a todos os níveis, sustentando tratar-se de “uma questão de direitos humanos, que contribuiria positivamente para as condições económicas, sociais e políticas globais”. Outra das propostas do documento é a criação de um melhor ambiente de trabalho para as mulheres trabalhadoras nos sectores do turismo, restauração e cuidados a idosos ou crianças, cargos tradicionalmente desempenhados por mulheres.
Cimeira de Paris | China comprometida no combate às alterações climáticas e pobreza Hoje Macau - 26 Jun 202326 Jun 2023 Numa conferência que juntou mais de 40 chefes de Estado e de Governo na cidade das luzes, Pequim, através do primeiro-ministro, Li Qiang, afirmou estar preparada para cooperar na luta global contra as alterações climáticas e a pobreza A China está preparada para assumir maiores compromissos na luta contra as alterações climáticas e a pobreza, bem como no alívio da dívida dos países pobres, anunciou na sexta-feira em Paris o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. No encerramento da cimeira de Paris para um novo pacto financeiro global, Li afirmou que a China acelerou os esforços para promover “uma produção e um estilo de vida com baixas emissões de carbono”. “Nos últimos dez anos, a China registou um crescimento médio de 6,3 por cento, mas apenas 3 por cento de crescimento no consumo de energia”, afirmou, citado pela agência francesa AFP. O primeiro-ministro chinês disse que a China, acusada de ser um dos maiores poluidores do mundo, diminuiu a quota do carvão. Li disse que a China também está empenhada na cooperação global na luta contra a pobreza e na iniciativa de suspensão do serviço da dívida apoiada pelo G20 (grupo das maiores economias). A China está preparada para “trabalhar com todas as partes interessadas, incluindo as instituições financeiras internacionais, os credores privados e outros”, afirmou o chefe do Governo do país asiático. Ajuste de contas Este compromisso surge no momento em que os credores da Zâmbia anunciaram na passada quinta-feira que tinham chegado a um acordo para reestruturar parte da dívida do país da África Austral. A Zâmbia, com quase 20 milhões de habitantes, entrou em incumprimento da dívida em 2020, e as negociações para resolver o problema estavam paradas devido a divergências entre os credores ocidentais e chineses. “A China está pronta a trabalhar com todas as partes envolvidas para garantir que as finanças mundiais se tornem justas e eficientes”, concluiu Li Qiang. A presidência francesa organizou a cimeira para lançar as bases de uma revisão da arquitectura financeira internacional que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, com o objectivo de travar a pobreza e o aquecimento global. Participam na cimeira cerca de quarenta chefes de Estado e de Governo, bem como os dirigentes das instituições internacionais. Li Qiang está em Paris depois de ter visitado Berlim, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que assumiu funções em Março.
Actividades culturais celebram “Génese e Espírito” de Hainan João Luz - 26 Jun 2023 O ciclo de actividades “Génese e Espírito – Mostra de Património Cultural Intangível de Hainan” irá marcar a agenda cultural do Verão, com música tradicional, dança, teatro, ópera e um desfile de trajes tradicionais da província insular de Hainan A partir de 1 de Julho, as múltiplas facetas da cultura da província de Hainan vão estar em destaque com um sortido variado de actividades e eventos apresentado pela cidade. Artes performativas como dança, teatro, ópera, música e demonstrações da multiplicidade etnográfica que marcam a cultura da província de Hainan vão estar em destaque no ciclo “Génese e Espírito – Mostra de Património Cultural Intangível de Hainan” até Outubro. A série de eventos arranca oficialmente na próxima sexta-feira, às 18h30, no Jardim da Fortaleza do Monte, com uma cerimónia apresentada pelo Ministério da Cultura e Turismo e pela Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura do Governo da RAEM. A organização estará a cabo do Instituto Cultural (IC), Departamento de Turismo, Cultura, Rádio, Televisão e Desporto da Província de Hainan, em parceria com o Centro de Protecção do Património Cultural Intangível da Província de Hainan e com o apoio do Galaxy Entertainment Group. Após a cerimónia, a partir das 19h começam “espectáculos com características de Hainan, incluindo música tradicional, dança, teatro, ópera e um desfile de trajes tradicionais do grupo étnico Li especialmente preparado, que oferecerá uma experiência física totalmente imersiva sob o tema “Luzes Cintilantes, Trajes Resplandecentes”. O IC aponta que o desfile irá permitir ao “público sentir o folclore e as artes tradicionais” da província, eventos que vão alargar o horário de abertura do Jardim da Fortaleza do Monte até às 20h. Joias da coroa De 1 de Julho a 8 de Outubro, o Museu de Macau vai acolher a mostra “Génese e Espírito – Exposição de Património Cultural Intangível de Hainan”, que irá “apresentar diferentes itens do património cultural intangível, tais como as técnicas artesanais de fiação, tingimento, tecelagem e bordado da etnia Li e as esculturas de coco de Hainan”. O IC indica que a exposição tem como objectivo “dar a conhecer aos residentes e turistas as técnicas artesanais particularmente encantadoras do património cultural intangível de Hainan”. No mesmo âmbito de apresentação de manifestações do património cultural da província do Interior da China, terá lugar no dia 1 de Julho, no Hotel Broadway e no Jardim do Mercado do Iao Hon, uma Feira Gastronómica. A juntar aos sabores de Hainan, serão ainda apresentadas actividades como “desfile de trajes tradicionais do grupo étnico Li, da ópera tradicional de Hainan Qiong, das músicas e danças de minorias étnicas, do teatro de marionetas e de outros espectáculos com características do sul do país”. Mãos à obra A série de actividades incluirá ainda demonstrações de artesanato e workshops de experiência interactiva, que o IC aponta como exibições práticas da técnicas e artes do património cultural intangível de Hainan. De 1 a 7 de Julho, na Casa de Lou Kau, serão organizadas actividades que vão proporcionar a introdução a “experiências de aroma e de chá, designadamente a produção do pó de incenso, a criação de sachês e a experiência de técnicas tradicionais de processamento de chá do grupo étnico Li”. No próximo fim-de-semana, dias 1 e 2 de Julho, a Casa do Mandarim acolhe uma série de workshops sobre “escultura de coco de Hainan, técnicas de produção de cerâmica do grupo étnico Li, técnicas de tecelagem de bambu do grupo étnico Li e técnicas de bordado e batique do grupo étnico Miao”. As inscrições para estas actividades terminam hoje e podem ser feitas através da Conta Única. “A província de Hainan é uma terra de encontro de culturas diversas, que serviu de berço a um rico e esplêndido conjunto de património cultural intangível”, apontou o IC.
Livros | Obras proibidas em Hong Kong resistem em Macau Hoje Macau - 26 Jun 2023 Após a retirada de obras e autores das bibliotecas públicas de Hong Kong, é possível encontrar, em Macau, as “chamadas obras proibidas”, que resistem sobretudo nas universidades e em língua inglesa. Poucos dias depois de duas obras de Allan Au Ka-lun terem sido retiradas das bibliotecas públicas de Hong Kong, uma amiga do autor foi à procura de “Tide Pools” em Macau. Mas o livro, que foi publicado apenas na versão chinesa, não estava disponível na rede de bibliotecas local. Allan Au assegura à Lusa que nem sempre foi assim: “Estou bastante convicto de que este livro existia na biblioteca pública de Macau e, depois de sair a notícia do jornal de Hong Kong [Ming Pao], a minha amiga procurou-o e não encontrou”. “Tide Pools”, um registo de viagem publicado pelo jornalista em 2009, é um dos títulos que desapareceu nos últimos dois anos das prateleiras das bibliotecas públicas de Hong Kong, de acordo com uma notícia avançada pelo Ming Pao. Au integra uma lista de autores e obras com “más ideologias” que foram recolhidos do sistema por ordem do Governo daquela região: outros nomes são o cartunista Zunzi (pseudónimo de Wong Kei-kwan) e a ex-deputada Margaret Ng Ngoi-yee. A exclusão em Maio das duas obras de literatura de viagem de Au, “Tide Pools” e “Tata Bus” (2011), deixou o autor, que já tinha visto a bibliografia “com conteúdo mais político” desaparecer das prateleiras das bibliotecas públicas de Hong Kong no ano passado, “bastante surpreendido”. “Os livros não tratam temas sensíveis. Isso mostra que eles [Governo] estão a visar pessoas em particular e não o conteúdo em si. Eu acho que é bastante óbvio”, refere. As opções editoriais em Hong Kong também se fizeram logo sentir em Macau: “I am not a kid” (2015), de Joshua Wong Chi-fung, rosto dos protestos de 2019, foi excluído da biblioteca pública de Seac Pai Van para análise, disseram em Julho de 2020 as autoridades ao Hoje Macau. E passados três anos, esta ou qualquer outra obra do jovem activista continuam ausentes da base de dados da rede pública de Macau, formada por 16 bibliotecas. A Lusa questionou o Instituto Cultural (IC) se retirou recentemente publicações consideradas inapropriadas pelas autoridades das instalações bibliotecárias do território, mas o departamento governamental respondeu apenas que segue “os princípios estabelecidos na Política de Desenvolvimento de Colecções”, tendo em conta “a importância dos livros no local de publicação original, o equilíbrio das opiniões dos conteúdos”, entre outros factores. São realizados “constantemente, de acordo com as práticas das bibliotecas públicas internacionais, trabalhos de avaliação e triagem das colecções”, notou ainda o IC num email, sem avançar com mais detalhes. Instado ainda a confirmar se “Tide Pools”, de Allan Au, deixou de fazer parte do acervo literário, o IC não respondeu. Critérios universitários Se por um lado, a pesquisa por obras de autoria de Joshua Wong, Allan Au ou Zunzi não produzem resultados no motor de pesquisa das bibliotecas geridas directamente pelo Governo de Macau, o mesmo não acontece nas bibliotecas da Universidade Politécnica de Macau (UPM) e da Universidade de Macau (UM), ambos estabelecimentos públicos de ensino superior. Além de artigos académicos, em inglês e até castelhano, relacionados com Joshua Wong, o livro de Allan Au “Twenty shades of freedom: media censorship routines in Hong Kong” (2017), que versa sobre “a autocensura da comunicação social” naquela região, é uma das publicações assinadas pelo autor e pode ser consultada tanto na UPM como na UM. Por outro lado, “The People’s Republic of Amnesia” (2014), de Louisa Lim, um dos livros excluídos recentemente das bibliotecas públicas de Hong Kong, integra o corpo literário em língua inglesa, disponível na UM – sobretudo ‘online’ -, que aborda os acontecimentos de Tiananmen, a 04 de Junho em 1989, em Pequim. Em Hong Kong, pelo menos nove títulos em língua inglesa sobre os protestos estudantis em Pequim foram retirados da rede de bibliotecas públicas, noticiou, em Maio, o jornal Washington Post. As bibliotecas universitárias em Macau “parecem ser melhores” no que diz respeito à literatura disponível, analisa o comentador político Sonny Lo Shiu-Hing, para quem a “situação ainda depende do julgamento e das decisões dos bibliotecários”. Allan Au, notando que “o mesmo se passa em Hong Kong”, justifica a presença “das chamadas obras proibidas” na esfera académica, em parte, com questões administrativas. “Se quiserem fazer isso [excluir obras], precisam de passar por mais pessoas e mais processos. No caso das bibliotecas públicas, o Governo pode ordenar directamente”, nota o escritor, apontando que “pelo menos em Hong Kong, a universidade ainda é relativamente independente”. “Mas não podemos saber o que se vai passar a seguir. Estou pessimista”, constata.
Maio com valor mais elevado da inflação em sete meses Hoje Macau - 26 Jun 2023 Durante o passado mês de Maio, o índice de preços no consumidor subiu 0,9 por cento para o valor mais elevado em mais de um ano e meio. De acordo com os dados dos serviços de estatística, este foi o 18.º mês consecutivo de subida da taxa de inflação O índice de preços no consumidor no passado mês de Maio aumentou 0,9 por cento em termos homólogos, registando o valor mais elevado desde Outubro de 2022, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. A inflação acelerou sobretudo devido à subida dos salários das empregadas domésticas e do preço das refeições em restaurantes e do vestuário, indicou o comunicado a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os dados revelam que os gastos das famílias de Macau com empregadas domésticas cresceram 6,4 por cento em comparação com Maio de 2022. No final de Abril, a RAEM tinha quase 23.700 empregadas domésticas. O preço das refeições adquiridas fora de casa subiu 2,9 por cento enquanto o custo do vestuário e calçado aumentou 4,1 por cento em termos homólogos, num mês que incluiu a chamada Semana Dourada do 1.º de Maio, um dos picos turísticos da China continental. Em termos mensais, durante o mês em análise, Macau recebeu 2,2 milhões de turistas, mais 268,5 por cento do que no mesmo período do ano passado. Educação e casa Também os gastos das famílias do território com propinas do ensino superior subiram 16,2 por cento em termos homólogos. Por outro lado, a DSEC estimou que o custo dos pagamentos das hipotecas imobiliárias diminuiu 2,1 por cento em Maio, em comparação com igual mês de 2022. A DSEC revelou que o índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas cresceu 0,38 por cento, em termos mensais, graças essencialmente ao acréscimo dos preços das refeições adquiridas fora de casa, da fruta e do peixe fresco. “Porém, o decréscimo dos preços dos produtos hortícolas atenuou parte do crescimento”, indicou o Governo. No capítulo dos preços das secções dos transportes e das bebidas alcoólicas e tabaco diminuíram 1,34 por cento e 0,35 por cento, respectivamente, em termos mensais, em virtude da queda dos preços dos bilhetes de avião e das bebidas alcoólicas. Recorde-se que a Autoridade Monetária de Macau aprovou em Maio um aumento de 0,25 pontos percentuais da principal taxa de juro de referência, a décima subida desde Março de 2022, seguindo a Reserva Federal norte-americana. A inflação verificada em Maio culmina um período de 18 meses de subidas sucessivas de um ciclo iniciado em Dezembro de 2021, depois de três trimestres de deflação provocada pela paralisia económica resultante do combate à pandemia.
Trabalhadores sem melhorias laborais João Santos Filipe - 26 Jun 2023 Um inquérito da FAOM revela que 65 por cento dos profissionais estão encalhados na profissão, sem perspectivas de evolução na carreira. Os resultados indicam que a recuperação económica não está a chegar aos assalariados No ano passado, mais de 90 por cento dos trabalhadores de Macau tiveram cortes nos salários ou viram os seus vencimentos congelados. A conclusão faz parte de um inquérito elaborado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), entre Abril e Maio, que contou com as respostas de 435 trabalhadores. De acordo com os resultados apresentados, numa conferência de imprensa que contou com a presença do deputado Leong Sun Iok, 90 por cento dos inquiridos apontou ter os salários congelados ou ter sofrido cortes nos últimos dois anos, sem que tenha havido qualquer reposição do valor cortado. Ao mesmo tempo, de acordo com as conclusões citadas pelo jornal Ou Mun, 70 por cento dos trabalhadores reconheceu ter um período laboral diário superior a oito horas, o que contribui para que cerca de 50 por cento se considere numa situação profissional stressante. As longas horas de trabalho não se reflectem em melhor perspectivas de carreira para grande parte dos profissionais. Segundo os resultados, 65 por cento considera que não existem perspectivas de mobilidade vertical profissional, o que significa que não têm perspectivas de promoção ou melhoria das condições profissionais. Formações congeladas As conclusões dos questionários apontam também que no último ano 75 por cento dos trabalhadores não recebeu qualquer tipo de formação nas empresas. Os inquiridos identificam ainda os trabalhadores não-residentes como um factor de competição, que afecta negativamente as suas condições laborais. Cerca de 30 por cento dos trabalhadores vincou que as empresas contrataram trabalhadores não-residentes e 40 por cento defendeu ter visto a sua situação laboral afectada negativamente pela contratação de não-residentes. Em relação a perspectivas profissionais, 20 por cento vincou sentir necessidade ou ter a intenção de mudar de emprego assim que possível e 30 por cento revelou ter planos para fazer formações e aumentar as suas valências profissionais. Quando questionados sobre a possibilidade de o Governo implementar uma reforma laboral, metade dos inquiridos deixou o desejo de que Ho Iat Seng introduza melhorias através de legislação em matérias como as férias pagas, licença de maternidade, entre outras.