Habitação | Questionado investimento em Hengqin

Nelson Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau, questiona a coerência da construção do Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha, face à política de habitação do governo. As dúvidas foram lançadas através de um artigo no Jornal do Cidadão.
Em declarações à publicacão, o ex-candidato a deputado admitiu estar preocupado por ver um conflito, por um lado, entre o investimento no Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha e, por outro, a construção de várias habitações públicas no território, a que se juntam as mais de 20 mil habitações privadas vazias.
Com estas políticas, Kot aponta também que prevê que os residentes vão ter como prioridade a compra de habitação económica em Macau ou então o arrendamento ou compra das casas existentes no mercado privado.
O dirigente associativo acredita que apesar de os preços das habitações em Hengqin serem mais baratos, a diferença não vai fazer com que os residentes abdiquem de escolher viver em Macau.
Kot afirmou também não acreditar que as vantagens de Hengqin, como os prédios novos, o melhor ambiente e as perspectivas de um desenvolvimento futuro sejam suficientes para levar os residentes a optarem pela mudança.

Dos Serviços Sociais
Em relação ao Novo Bairro de Macau, Kot elogiou o projecto de habitação e considerou que os prédios estão bem construídos, com um bom design e com ruas bem desenhadas.
No entanto, o principal desafio passa por criar instalações sociais, como zonas comerciais, escolas e outros serviços essenciais para a população que ainda não estão a funcionar.
Por outro lado, o dirigente da associação considerou também que o projecto pode ser mais atractivo para os residentes com o sistema legal de Macau e a utilização da internet sem as restrições do Interior. Outro dos aspectos que pode ser importante para atrair os residentes, explica Kot, é a instalação de clínicas de Macau naquele bairro da Ilha da Montanha.
Na quarta-feira, ficou a saber-se que o preço por metro quadrado na Ilha da Montanha vai ser de 30 mil yuan. Nelson Kot considerou que se este preço fosse implementado em Macau que seria muito bem acolhido pela população. Contudo, em relação a Hengqin levantou dúvidas sobre o nível de atractividade.

Ó raparigas do meu bairro!…

Curioso inquérito realizado há algum tempo na Universidade de Macau às raparigas: o sonho de quase todas é casar, ter filhos e tomar conta do lar. Portanto, estas candidatas a fadas (do lar), se puderem, não tencionam seguir uma carreira, dedicar-se a uma profissão, no fundo, ter uma individualidade social. Convenhamos que este tipo de desejos não parece estar muito de acordo com o espírito do tempo. Ou será que está?

No Ocidente, desde o século XX que a mulher tem vindo a ocupar um lugar importante no plano da produção. Há mesmo quem diga que a superioridade ocidental passou, em grande parte, por ter aproveitado a força de trabalho feminina ao invés de as deixar em casa a tomar conta dos filhos e outras actividades domésticas. O escritor marroquino Tahar ben Jalloun diz que o seu país conhecerá um desenvolvimento sem precedentes no dia em que as mulheres ocuparem o espaço público, na medida em que lhes reconhece uma capacidade de trabalho, de organização e seriedade que não encontram na sua contraparte masculina.

Contudo, a saída da “casca” das mulheres não deixou de ter efeitos que alguns consideram negativos, nomeadamente na educação das crianças, cuja emotividade se desenvolverá de modo bem diferente sem a constante presença das mães. O curto tempo de amamentação provoca também, segundo a psicanálise, o aumento de carências orais, que se reflecte mais tarde em numerosos vícios, adicções e comportamentos violentos. Seja como for, não passa quase pela cabeça de ninguém inverter o actual estado das coisas. Ninguém (ou muito poucos) pensará em remeter as mulheres à vida que levavam no passado e ninguém ousaria imaginar que seriam as próprias mulheres a prescindir do seu actual estatuto e desempenho para se remeterem ao remanso do lar.

Pois em Macau, pelos vistos, a coisa não funciona como se esperaria. O mulherio, longe de pretender dedicar-se à política, às finanças, ao ensino ou ao comércio, parece mais inclinado a deitar fora as conquistas do seu sexo e voltar à vidinha doméstica que durante tantos séculos foi seu apanágio e destino. Por quê? É caso para perguntar.

Estarão as raparigas da universidade muito à frente ou muito atrás? Serão estas moçoilas de Macau uma vanguarda conservadora no mundo contemporâneo ou umas atrasadas mentais, preguiçosas e fúteis? Terão as mulheres de hoje chegado à conclusão que a vida de antes era melhor e mais eficiente, no cômputo geral, ou não estão simplesmente para a agarrar pelos cornos, preferindo agarrar os do marido, afinal mais manso que a vida? Pois não sei. Mas é caso para reflexão. E devia ser mais ainda por parte dos responsáveis políticos por esta terra, na medida em que assistem ao produto da educação que lhes proporcionaram e do ambiente cultural e social de que as rodearam. Numa palavra: são estas as mulheres que queremos?

É certo que o modelo tai-tai (mulheres casadas com um marido rico, viciadas em compras e beauty care) tem grande projecção em Hong Kong e por extensão em Macau. Mas estas senhoras têm, em geral, muito pouca educação e são, afinal, gozadas um pouco por toda a sociedade que lhes reconhece os ultrajantes tiques de futilidade. As tai-tai, sobre as quais existem dezenas de anedotas, não deveriam ser invejadas, mas constituir um modelo daquilo que as raparigas de hoje não querem ser. Não é que eu considere que o trabalho dá dignidade, mas a independência sim e ser dependente de um outro ser humano, nomeadamente do ponto de vista financeiro é, no mínimo, confrangedor.

Não chega por isso utilizar o modelo tai-tai para explicar as respostas das moças de Macau. Existe, isso sim, aqui um culto da preguiça e do dolce far niente que este regime casinodependente tem vindo a reforçar. As consequências não tardam em chegar. Elas são profundas, são mentais, duram gerações. Se o governo não implementar políticas de dignificação do ser humano em breve terá nos seus braços uma sociedade de inúteis e atrasados mentais. Desde o tempo dos portugueses que venho avisando neste sentido, agora o resultado começa a estar à vista.

Ó raparigas do meu bairro! Vamos lá a ter outro tipo de atitude! Deixem lá os cornos do gajo e agarrem os da vida! No fim, no finzinho, garanto que vale a pena. Se a vossa alma não for pequena. Se for, OK; regridam que daí não virá um mal especial ao mundo.

Ambiente | Novos limites de emissão de gases entram em vigor amanhã

Entram amanhã em vigor as alterações ao regulamento administrativo que estabelece os valores-limite de emissão de gases de escape poluentes dos veículos em circulação, assim como os métodos de medição. O regulamento administrativo foi revisto através de Despacho do Chefe do Executivo vai restringir os “valores-limite de emissão dos motociclos e ciclomotores e dos automóveis a gasolina e a gasóleo, assim como aperfeiçoando os respectivos métodos de medição”.
Segundo um comunicado emitido ontem pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), a decisão de alterar os limites de emissão de gases foi tomada tendo em conta a implementação da “dupla meta de carbono”, a melhoria da qualidade do ar de Macau e a “reparação e manutenção periódica dos veículos”.
Segundo a DSPA, a alteração à legislação tem como objectivo “reduzir a emissão de hidrocarbonetos, monóxido de carbono, óxidos de nitrogénio e partículas, entre outros poluentes, o que contribuirá para melhorar a qualidade do ar nas vias rodoviárias e assegurar a saúde da população”.

Conselho de Estado | Associação instada a promover reunificação de Taiwan

Os jovens de Macau estão numa posição privilegiada para demonstrar as vantagens da reunificação do país com os jovens de Taiwan, devido à relação próxima entre os dois territórios, situação que representa uma “vantagem insubstituível”, na óptica do director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan junto do Conselho de Estado. A mensagem foi transmitida por Zhao Yumin, director para os assuntos de Hong Kong e Macau relacionados com Taiwan, a uma comitiva da associação local Associação da Juventude Chinesa.
A associação local foi recebida na quarta-feira, em Pequim, na sede do Gabinete para os Assuntos de Taiwan junto do Conselho de Estado, com uma comitiva liderada pelo deputado e fundador da Associação da Juventude Chinesa Si Ka Lon.
Durante o encontro, o representante do Conselho de Estado instou a associação local a realizar acções de intercâmbios com jovens de Taiwan e a guiá-los na discussão e planeamento da reunificação e rejuvenescimento do país. Zhao Yumin acrescentou que a juventude de Macau pode ser determinante na criação de uma dinâmica que conduza a um futuro promissor de Taiwan, através da reunificação.

Pontos cardeais
Na apresentação aos jovens de Macau, o representante do Conselho de Estado traçou um cenário geopolítico actual dominado por tensões entre Pequim e Taipé, situação agravada internacionalmente. Porém, Zhao Yumin afirmou que o rejuvenescimento nacional e a reunificação do país são imparáveis, indicando aos jovens de Macau que “as forças independentistas de Taiwan e as forças estrangeiras estão votadas ao fracasso”.
A comitiva da Associação da Juventude Chinesa foi ainda recordada de dois acontecimentos para os quais Zhao Yumin chamou atenção. A carta de Xi Jinping ao 15º Fórum do Estreito, onde o Presidente chinês apela à promoção a intercâmbios e cooperação económica e cultural entre a China e Taiwan e argumenta que a paz, desenvolvimento e cooperação são objectivos comuns dos compatriotas dos dois lados.
O outro acontecimento foi a visita à China do secretário do Estado norte-americano, Antony Blinken, que reafirmou que Washington não apoia a independência de Taiwan, nem quer um conflito aberto com Pequim.
O presidente da associação, Zhang Senhua, agradeceu as direcções apontadas pelo representante do Conselho de Estado e demonstrou esperança de que a relação com a Associação da Juventude Chinesa se mantenha no futuro.
Segundo o jornal Ou Mun, Si Ka Lon afirmou que a visita a Pequim permitiu aos jovens associados conhecerem melhor o rumo do país apontado pelo 20.º congresso do partido e as resoluções para os assuntos de Taiwan para a nova era.

Tsipras demite-se da direcção do Syriza após pesada derrota nas eleições

O líder da oposição grega, Alexis Tsipras, anunciou ontem a demissão da liderança do partido de esquerda Syriza, quatro dias depois da pesada derrota nas eleições legislativas de domingo frente à Nova Democracia (ND), de Kyriakos Mitsotakis.

“Há alturas em que é preciso tomar decisões cruciais”, disse Alexis Tsipras, emocionado, numa conferência de imprensa em Atenas, sublinhando que vai convocar eleições para a liderança do Syriza, às quais disse que não será candidato.

“Não escondo que esta é uma decisão dolorosa”, afirmou.

Tsipras, 48 anos, foi primeiro-ministro da Grécia de 2015 a 2019, durante anos politicamente tumultuosos, enquanto o país lutava para permanecer na zona euro e acabar com uma série de resgates internacionais.

Nas eleições gerais de domingo, o Syriza recebeu pouco menos de 18 por cento dos votos – perdendo quase metade do apoio nos últimos quatro anos –, enquanto a Nova Democracia, do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, ultrapassou os 40 por cento.

“O partido tem de tomar decisões difíceis e corajosas, que devem servir uma nova visão. É óbvio que isto também me preocupa. Por isso, decidi propor a eleição de uma nova direcção pelos membros do partido, como estipulado nos estatutos. É claro que não serei candidato”, afirmou. ”

Tsipras, que lidera o partido desde 2012, deverá manter-se como líder até que o seu sucessor seja eleito pelos membros do partido.

 

Más condições

Após a derrota eleitoral, nenhum membro proeminente do partido apelou publicamente a Tsipras para se demitir, embora Euclid Tsakalotos, antigo ministro das Finanças do Syriza, o tenha instado a reflectir sobre os resultados e a “tomar as medidas necessárias”.

Effie Achtsioglou, uma antiga ministra da Segurança Social, de 38 anos, recebeu apoio de uma secção do partido para procurar um papel de liderança, mas não discutiu publicamente os seus planos.

Os analistas gregos atribuíram o mau resultado eleitoral do Syriza à campanha amplamente negativa do partido, ao ressurgimento do Pasok, um partido socialista tradicionalmente forte, e ao aparecimento de partidos dissidentes liderados por antigos aliados de Tsipras.

Em grande parte devido aos ferozes confrontos políticos durante os resgates internacionais de 2010-2018, o Syriza e os socialistas não conseguiram chegar a qualquer acordo sobre uma potencial colaboração, apesar do apoio de alguns membros seniores de ambos os partidos.

Conselho de Estado | Associação instada a promover reunificação de Taiwan

Os jovens de Macau estão numa posição privilegiada para demonstrar as vantagens da reunificação do país com os jovens de Taiwan, devido à relação próxima entre os dois territórios, situação que representa uma “vantagem insubstituível”, na óptica do director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan junto do Conselho de Estado. A mensagem foi transmitida por Zhao Yumin, director para os assuntos de Hong Kong e Macau relacionados com Taiwan, a uma comitiva da associação local Associação da Juventude Chinesa.
A associação local foi recebida na quarta-feira, em Pequim, na sede do Gabinete para os Assuntos de Taiwan junto do Conselho de Estado, com uma comitiva liderada pelo deputado e fundador da Associação da Juventude Chinesa Si Ka Lon.
Durante o encontro, o representante do Conselho de Estado instou a associação local a realizar acções de intercâmbios com jovens de Taiwan e a guiá-los na discussão e planeamento da reunificação e rejuvenescimento do país. Zhao Yumin acrescentou que a juventude de Macau pode ser determinante na criação de uma dinâmica que conduza a um futuro promissor de Taiwan, através da reunificação.

Pontos cardeais
Na apresentação aos jovens de Macau, o representante do Conselho de Estado traçou um cenário geopolítico actual dominado por tensões entre Pequim e Taipé, situação agravada internacionalmente. Porém, Zhao Yumin afirmou que o rejuvenescimento nacional e a reunificação do país são imparáveis, indicando aos jovens de Macau que “as forças independentistas de Taiwan e as forças estrangeiras estão votadas ao fracasso”.
A comitiva da Associação da Juventude Chinesa foi ainda recordada de dois acontecimentos para os quais Zhao Yumin chamou atenção. A carta de Xi Jinping ao 15º Fórum do Estreito, onde o Presidente chinês apela à promoção a intercâmbios e cooperação económica e cultural entre a China e Taiwan e argumenta que a paz, desenvolvimento e cooperação são objectivos comuns dos compatriotas dos dois lados.
O outro acontecimento foi a visita à China do secretário do Estado norte-americano, Antony Blinken, que reafirmou que Washington não apoia a independência de Taiwan, nem quer um conflito aberto com Pequim.
O presidente da associação, Zhang Senhua, agradeceu as direcções apontadas pelo representante do Conselho de Estado e demonstrou esperança de que a relação com a Associação da Juventude Chinesa se mantenha no futuro.
Segundo o jornal Ou Mun, Si Ka Lon afirmou que a visita a Pequim permitiu aos jovens associados conhecerem melhor o rumo do país apontado pelo 20.º congresso do partido e as resoluções para os assuntos de Taiwan para a nova era.

Taiwan | Dois navios de guerra russos detectados junto à costa

Taiwan detectou dois navios de guerra russos junto à costa na terça-feira, disse ontem o Ministério da Defesa da ilha, que respondeu com o envio de embarcações e aviões para acompanhar os movimentos russos.
As fragatas russas foram “detectadas a navegar de norte a sul nas águas” da costa leste de Taiwan às 23:00 de terça-feira, informou o ministério, num comunicado.
O ministério disse que as Forças Armadas taiwanesas acompanharam a situação e responderam com o envio de aeronaves e barcos e com a activação de sistemas de mísseis terrestres.
Há meses que Taiwan regista, todos os dias, a presença de aeronaves e navios de guerra chineses à volta da ilha, mas a presença de embarcações russas é invulgar.
Um “destacamento de navios de guerra da Frota do Pacífico entrou no Mar das Filipinas depois de cruzar o Mar da China Meridional”, também conhecido por Mar do Sul da China, disse a agência de notícias oficial russa Interfax.
Os barcos realizaram várias manobras, incluindo “uma batalha naval simulada para repelir um ataque de míssil de um inimigo fictício vindo do mar”, segundo a Interfax.
Assim como os Estados Unidos, o principal aliado de Taipé, e muitos países europeus, Taiwan impôs sanções a Moscovo desde a invasão da Ucrânia, principalmente na exportação de componentes para computadores e máquinas, sector no qual a ilha se destaca.

Israel | PM confirma visita a Pequim num momento de tensão com EUA

O primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyahu, confirmou ontem a intenção de visitar a China em breve, apesar da actual relação tensa com os Estados Unidos.
A visita, confirmada num encontro com uma delegação bipartidária de congressistas norte-americanos, será a quarta de Netanyahu ao gigante asiático, onde se reunirá com o Presidente chinês, Xi Jinping, e, segundo os meios de comunicação hebraicos, está prevista para Julho, em data a determinar.
“O primeiro-ministro Netanyahu sublinhou perante os membros do Congresso que a cooperação entre os Estados Unidos e Israel em matéria de segurança e de serviços secretos é a mais elevada de sempre e que os Estados Unidos serão sempre o aliado mais vital e insubstituível de Israel”, refere um comunicado do gabinete do primeiro-ministro.
Segundo o comunicado, a administração norte-americana de Joe Biden foi informada há um mês da intenção do primeiro-ministro israelita se deslocar a Pequim a convite do governo chinês.
No entanto, Netanyahu, que está prestes a completar seis meses à frente do governo mais à direita e religioso de Israel, ainda não foi formalmente convidado a visitar a Casa Branca, o que é atípico na relação entre os Estados Unidos e Israel.
Desde 1969, ano em que Richard Nixon recebeu Golda Meir em Washington, todos os primeiros-ministros israelitas visitaram ou foram formalmente convidados a visitar a Casa Branca nos primeiros três meses dos seus mandatos, incluindo o próprio Netanyahu nas suas anteriores administrações.
Os analistas israelitas interpretam a viagem de Netanyahu à China como uma mensagem a Biden de que Israel pode forjar outras alianças internacionais, frisando que não é coincidência que o primeiro-ministro israelita a tenha anunciado numa reunião com congressistas norte-americanos.
A administração norte-americana está a distanciar-se do actual Governo israelita e tem criticado abertamente algumas das políticas mais controversas, nomeadamente a reforma judicial, que procura minar a independência do poder judicial e a separação de poderes.
Mais recentemente, Washington criticou a expansão dos colonatos judeus na Cisjordânia ocupada e o agravamento da violência nessa região.

Procura-se convite
Em Março passado, o próprio Biden declarou que não tinha intenção de convidar Netanyahu para a Casa Branca “a curto prazo”, apesar de o primeiro-ministro israelita ter parado o processo de reforma judicial sob pressão de protestos sociais e de uma greve geral.
Embora não tenha sido oficialmente confirmado, a imprensa israelita noticiou que Netanyahu proibiu todos os seus ministros de se deslocarem a Washington para se reunirem com os seus pares até ele próprio ser convidado.
Até à data, nenhum ministro israelita se deslocou a Washington em visita oficial, nem mesmo o ministro da Defesa, Yoav Gallant, apesar da importante aliança de segurança entre os dois países.
Segundo os termos dessa aliança, os Estados Unidos concedem anualmente a Israel uma ajuda militar de 3.800 milhões de dólares e garantem quase sempre a Israel o direito de veto no Conselho de Segurança da ONU sobre questões que lhe dizem respeito.

Críticas americanas
Segunda-feira, os Estados Unidos condenaram a decisão de Israel de aprovar a construção de 5.700 novas casas em colonatos judeus na Cisjordânia ocupada, o que, com as 7.300 aprovadas no início deste ano, eleva para mais de 13.000 o número de residências que receberam ‘luz verde’ em 2023.
Trata-se de um número recorde, que antes do final do ano em curso já ultrapassa o máximo de 12.159 casas de colonos aprovadas em todo o ano de 2020, no anterior Governo de Netanyahu e com Donald Trump na Casa Branca, favorável à expansão dos colonatos judeus.
Em resposta a esta medida, o Departamento de Estado norte-americano anunciou o corte de todas as relações com as instituições académicas e científicas israelitas sediadas na Cisjordânia ocupada, algo que não tem um forte impacto no terreno, mas que implica uma mudança de estratégia baseada na acção, já que até agora os Estados Unidos apenas tinham enviado mensagens de condenação moderadas a este respeito.
A imprensa israelita noticiou também ontem que a embaixada norte-americana em Jerusalém está a manter os ministros israelitas ultranacionalistas Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir – ambos defensores da violência dos colonos contra os palestinianos – fora da lista de convidados para a festa do 4 de Julho, dia da independência dos EUA.

Seul | Novas sanções contra financiadores de armamento de Pyongyang

O Governo sul-coreano aprovou ontem novas sanções contra indivíduos e entidades que ajudam a financiar o programa de armas de destruição em massa da Coreia do Norte.
A nova ronda de sanções contempla duas pessoas: Choi Chon-gon, um cidadão sul-coreano naturalizado russo, e So Myong, representante na cidade russa de Vladivostok de um banco norte-coreano, informou, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Choi fundou na Mongólia a empresa Hanne Ulaan – uma das duas entidades sancionadas – com o objectivo de escapar às sanções internacionais e obter financiamento para o programa de armamento do regime, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.
Por sua vez, So criou a Epsilon, outra empresa penalizada por Seul desde ontem, criada em conjunto com Choi, e “que permanece actualmente operacional”, de acordo com o ministério sul-coreano.
Este pacote de sanções é o nono aprovado pelo Governo do conservador Yoon Suk-yeol desde que chegou ao poder, em Maio de 2022. Um total de 45 indivíduos e 47 organizações foram desde então incluídos na lista de entidades castigadas por Seul.

Filipinas | Resgatados 2.700 trabalhadores de 18 países vítimas de tráfico humano

A polícia filipina resgatou terça-feira cerca de 2.700 trabalhadores de vários países que foram alegadamente enganados e estavam a trabalhar em portais ilegais de jogos ou noutros crimes informáticos.
Até ao momento, foi resgatado um número recorde de vítimas de tráfico humano em sete prédios na cidade de Las Pinas, na região metropolitana de Manila.
Esta situação, segundo as autoridades, indica como as Filipinas se tornaram uma base importante de operações para sindicatos do crime informático.
Os crimes informáticos tornaram-se um grande problema na Ásia, com relatos de pessoas de várias partes do mundo que foram atraídas para estes empregos, de países como Myanmar e Camboja, devastados por conflitos internos.
No entanto, muitos destes trabalhadores viram-se presos numa escravidão virtual e forçados a participar em fraudes direccionados a pessoas pela internet.
Em Maio, os líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) concordaram, numa cimeira na Indonésia, reforçar os controlos de fronteira e a aplicação da lei e ampliar a educação pública para combater sindicatos criminosos que traficam trabalhadores para outras nações, onde são obrigados a participar em fraudes na internet.

Presos na rede
O general Sydney Hernia, que lidera a unidade anticrime informático da polícia nacional filipina, disse que as forças de segurança entraram e revistaram vários prédios em Las Pinas na madrugada de terça-feira e resgataram 1.534 filipinos e 1.190 estrangeiros de pelo menos 17 países, incluindo 604 chineses, 183 vietnamitas, 137 indonésios, 134 malaios e 81 tailandeses.
Havia também algumas pessoas de Myanmar, Paquistão, Iémen, Somália, Sudão, Nigéria e Taiwan, segundo as autoridades.
Não é claro quantos criminosos foram detidos pelas autoridades.
Em Maio, a polícia invadiu outra base suspeita de crimes informáticos no porto de Clark, na cidade de Mabalacat, na província de Pampanga, ao norte de Manila, onde encontrou cerca de 1.400 trabalhadores filipinos e estrangeiros que foram supostamente forçados a realizar fraudes com criptomoedas.
Alguns dos trabalhadores disseram aos investigadores que, quando tentaram pedir demissão, foram forçados a pagar uma quantia alta por motivos pouco claros ou temeram ser vendidos a outros sindicatos, acrescentando que os funcionários também foram forçados a pagar multas por supostas infrações no trabalho.
Os trabalhadores foram atraídos com ofertas de altos salários e condições vantajosas em anúncios na rede social Facebook, mas depois descobriram que as promessas eram um estratagema, disseram as autoridades.
O ministro indonésio Muhammad Mahfud, que lida com questões políticas, legais e de segurança, disse aos jornalistas em Maio que a Indonésia e outros países da região têm tido dificuldades para trabalhar com Myanmar nesta questão.
Mahfud disse que a ASEAN precisa estabelecer um tratado de extradição regional, proposto há muito tempo, que ajudaria as autoridades a processar os infratores mais rapidamente e evitar uma nova escalada no crime informático.

Lisboeta | Humarish Club acolhe primeira exposição a solo de Chen Wei Ting

O Humarish Club acolhe até 20 de Agosto a primeira exposição a solo de Chen Wei Ting. “Will See You Again” é o nome da mostra inaugural do artista contemporâneo, que reúne obras de vários estilos artísticos que espelham as experiências e memórias acumuladas ao longo da vida

 

“Como as experiências pessoais se podem reflectir em desenhos e escrita, essas criações são como pedaços da vida do artista.” É desta forma que Chen Wei Ting sintetiza o conceito por detrás da sua primeira exposição a solo, que estará patente no Humarish Club, no Lisboeta, até ao dia 20 de Agosto.

“Will See You Again” resulta da soma de várias partes da criação do artista de Taiwan, com a exibição de obra multidisciplinares, que vão da pintura, à poesia e escultura.

Organizada em conjunto pelo “Naomi Studio” e a associação “Pat Culture and Art”, a exposição resultou a acumulação de memórias de infância e de imagens e conceitos simbólicos, como ursos de peluche, brinquedos antigos, desenhos intuitivos em graffiti, personagens de ficção.

Segundo um comunicado divulgado pelo Humarish Club, Chen Wei Ting começou por encarar a pintura como um registo gráfico diário de eventos quotidianos, em vez de um registo verbal. As palavras reserva-as para propósitos mais interpretativos, é indicado pela curadoria.

O entendimento que Chen faz da pintura resulta de um processo constante de desconstrução de pensamentos. As representações figurativas de fragmentos de experiências de infância estão bastante presentes na criação do artista, mesmo através de memórias aleatórias como algo que viu na televisão, ou um momento em que brincou sozinho no quarto.

Geração umbilical

Chen Wei Ting indica que o forte apego às experiências pessoais é uma das características da sua geração. A forma como transcreve para escrita ou imagem as emoções com que se debate no dia-a-dia é difusa, pouco concreta, porém, intuitiva, despertando um lado inocente.

Como tal, o artista acredita que a criação artística é a única forma que tem para comunicar com o mundo. Com a arte a ser a ponte para o exterior, Chen Wei Ting indica que “Will See You Again” representa um contraste com os últimos anos, depois das mortes do seu avô e de dois mentores. As obras expostas até 20 de Agosto na galeria do Humarish Club são uma espécie de despedida dos últimos capítulos da vida do artista, revelando a intimidade do seu mundo interior, com representações simples de símbolos e personagens que o marcaram. “Um urso, uma vela em forma de cão, uma maçã, um balão, o sol e a lua, todas estas formas e criaturas apontam para o valor central da vida ‘Crescimento e Degradação’, cada personagem confere todo o seu propósito para perseguir o seu próprio sentido da vida, talvez o ‘Tao’ da vida”, é indicado pela curadoria da exposição.

Jogos Europeus | Esgrima já tem medalha para mostrar

A selecção portuguesa de esgrima está em fase de evolução, com jogadores muito jovens a evoluir em palcos internacionais, e agora já tem uma prata nos Jogos Europeus Cracóvia2023, por Miguel Frazão, para mostrar ‘serviço’.
Frazão bateu o irmão, Filipe, quando são os dois orientados pelo pai na selecção, nos quartos de final e conquistou uma prata invulgar para a esgrima portuguesa na competição de espada, caindo apenas na final, e até podia ter batido outro português, Max Rod, mas este chegou ‘apenas’ aos quartos, noutra prestação de bom nível.
Aos 20 anos, Miguel Frazão trouxe um foco para o trabalho a ser feito na esgrima nacional, que participa com sete jogadores em Cracóvia2023: Marta Caride e Luís Macedo, no florete, e cinco na espada, desde logo Maria Alvim, com resultados de relevo em júnior, Fabiana Bonito e o trio masculino.
Rod e os irmãos Frazão competem ainda no Campeonato da Europa por equipas na Tauron Arena, em Cracóvia, uma vez que os singulares não contaram como Europeu, devido à ausência de Rússia e Bielorrússia.
Deste conjunto, “cinco estão numa média de idades de 21 anos e outros dois são mais experientes”, conta à Lusa Nuno Frazão.
“Procura-se sempre os resultados, mas serão sempre uma consequência de cada um deles conseguir jogar o que já é o seu nível conhecido”, atira.
Segundo o antigo atleta olímpico, o objectivo para a evolução dos jovens é que possam “levar para a pista o seu real valor, se consigam superar, e saírem de cada competição um pouco mais fortes nesse processo evolutivo”.
Em ano de qualificação olímpica para Paris2024, a prova por equipas já conta para esse ‘campeonato’ e “todos os países estão ao máximo nível”, por isso a experiência que podem recolher é também de importância “fundamental”.
“São atletas que têm mostrado que toda a sua evolução vai a caminho de podermos acreditar que esta construção vai fazer deles atletas que se pretende de elite mundial”, declara o seleccionador.

No bom caminho
Apesar de haver ainda “um caminho a percorrer”, sobretudo na transição para seniores, estes “estão no bom caminho”, a ‘beber’ experiência de rivais “com mais 10, 12, 18 anos do que eles, anos esses repletos de competições e treinos”.
À Lusa, Marta Caride nota como a primeira grande experiência integrada numa missão do Comité Olímpico de Portugal, com outras duas centenas de atletas de mais de duas dezenas de modalidades, “dá vontade de continuar a trabalhar e ter motivação”, até porque tem já Mundiais de florete e as Universíadas à porta.
Essa ferramenta de aprendizagem, bem como a intensificação da presença internacional, combina com “a dedicação e esforço notórias” destes atletas, cada vez mais ‘temidos’.
“Portugal já tem vários nomes que quando calham numa ‘poule’ deixam os adversários a pensar. É uma selecção que tem vindo a ganhar força e os atletas têm mérito”, destaca a estudante de medicina, de 21 anos.
Portugal soma de momento 13 pódios em Cracóvia2023, nomeadamente três ouros, sete pratas e três bronzes.
A terceira edição dos Jogos Europeus decorre até domingo em Cracóvia e na região polaca de Malopolska, com 30 modalidades no programa e 48 países participantes, entre eles Portugal, que tem uma delegação com mais de duas centenas de atletas.

Violência Doméstica | Mulheres querem revisão de processo de reabilitação

A directora-adjunta do Centro de Solidariedade Social Lai Yuen da Associação Geral das Mulheres de Macau quer que todos os suspeitos de violência doméstica sejam obrigados a frequentar cursos de reabilitação, mesmo que depois sejam declarados inocentes

 

A Associação das Mulheres defende uma revisão do mecanismo de reabilitação das pessoas condenadas pelo crime de violência doméstica. Segundo a associação, a reabilitação deve começar logo após serem levantadas suspeitas sobre as pessoas, mesmo que não tenham sido condenadas e possam ser declaradas inocentes.

O pedido de revisão do mecanismo de acompanhamento surgiu ontem, depois de na segunda-feira um homem ter tentado matar a ex-mulher, com um martelo. A vítima do ataque está actualmente em coma no hospital. O ataque foi motivado depois de, em 2017, a mulher se ter queixado não só de actos de violência, mas também de ter sido violada. Segundo a directora-adjunta do Centro de Solidariedade Social Lai Yuen da Associação Geral das Mulheres de Macau, Fok Im Hong, o ataque foi motivado por acontecimentos do passado, pelo que foi “óbvio” que o agressor agiu com “má-fé” e planeou a “agressão”. Neste sentido, Fok apontou que é necessário tomar mais medidas de prevenção da violência doméstica, que não podem passar apenas pelas sanções dos tribunais.

Em declaração ao jornal Ou Mun, Fok Im Hong indicou que actualmente os juízes podem obrigar os suspeitos de violência doméstica a participarem em programas especiais de prevenção ou a submeterem-se a aconselhamento psicológico.

No entanto, a responsável explicou também que antes da decisão do juiz, o aconselhamento para os suspeitos é voluntário. Se eles não quiserem participar ou decidirem desistir, o aconselhamento é interrompido.

Para a melhor protecção das vítimas de violência doméstica, Fok Im Hong sugere a obrigação de frequentar os cursos mesmo antes de haver uma condenação pelo crime de violência doméstica.

A responsável defende que a participação deve ser uma das referências para a determinação da pena, com vista a incentivar os suspeitos a corrigir a propensão à violência e afastar atitudes de vingança.

 

Maior consciencialização

Fok Im Hong sugeriu também que o Governo deve continuar a promover programas de educação familiar e saúde psicológica, melhorando os apoios para casamentos em crise e os serviços de aconselhamento para as crianças que testemunham casos de violência doméstica.

Apesar de ter apoiado a revisão da lei de violência doméstica de 2016, e de nos últimos anos ter pedido uma postura mais activa do governo na prevenção e penalização do fenómeno, a Associação das Mulheres nem sempre foi tão activa no combate ao crime.

Na votação anterior à de 2016, quando se propôs que a violência doméstica fosse tornada um crime público, o que obriga as autoridades a investigarem todas as denúncias e a não ficarem limitadas às queixas das vítimas, a Associação absteve-se na votação. Esta postura da deputada da associação, na altura, contribuiu para que a classificação como crime público só fosse possível anos mais tarde.

Resíduos nucleares | Questionado impacto de descarga de águas

Depois do IAM vir a público admitir a possibilidade de aumentar o controlo de marisco do Japão, o deputado da FAOM apresentou uma interpelação escrita com um pedido nesse sentido

 

 

A possibilidade de o Japão despejar para o mar a água utilizada para arrefecer os reactores da central nuclear de Fukushima, destruída num tsunami em 2011, levou Lei Chan U a pedir ao Governo uma avaliação sobre o impacto para a comida importada por Macau.

O tema é abordado numa interpelação escrita que foi divulgada ontem pelo gabinete do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Lei Chan U quer saber se o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está preparado não só para reforçar a inspecção de todos os alimentos importados do Japão, mas também dos países vizinhos, que podem ser contaminados por aquelas águas.

“Além de se focar nos assuntos de segurança alimentar relacionados com a comida importada do Japão para Macau, será que o IAM também vai reforçar a inspecção da radiação dos alimentos, principalmente a nível dos mariscos importados do Japão e dos países e regiões vizinhas, que também podem ser afectados pela água poluída?”, perguntou Lei Chan U.

Na interpelação, o deputado pergunta também se o Governo vai reforçar a colaboração com as “áreas adjacentes” para supervisionar a poluição das águas locais, após a descarga da água poluída.

“A longo prazo as autoridades de Macau precisam de apertar os critérios de importação de comida fresca e congelada e criar vários pontos de inspecção da radiação”, sentença o deputado.

 

Ir a reboque

A interpelação de Lei Chan U surge na sequência de uma posição tomada anteriormente pelo IAM, através da vice-presidente O Lam, quando foi avançada a possibilidade de as descargas de água começarem em Julho.

“Se o Japão despejar no mar água da central nuclear, vamos suspender imediatamente os pedidos de importação de produtos alimentares vindos de distritos considerados de alto risco de contaminação, além de Fukushima”, indicou O Lam, citada pelo canal chinês da Rádio Macau, em meados deste mês.

A responsável assegurou também que o Governo da RAEM está atento à situação e poderá apertar o controlo a produtos alimentares frescos, como peixe, marisco, frutas e legumes, com a imposição de outras medidas como exigir a apresentação de certificados de radiação e origem.

Após o desastre nuclear ocorrido na central nuclear de Fukushima em 2011, a RAEM suspendeu a importação de peixe, marisco, frutas, legumes, produtos lácteos e carne animal oriundos de Fukushima e nove distritos do Japão (Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano, Saitama e Área Metropolitana de Tóquio).

A proibição de produtos destas zonas terminou em 2019, porém, passou a ser exigida a apresentação de certificados de radiação e de origem emitidos pelas autoridades japonesas.

Costa Rica | Tribunal impõe protecção de espécies de tubarão

O Tribunal Constitucional da Costa Rica ordenou às autoridades que tomassem medidas para proteger três espécies de tubarão-martelo em grave perigo de extinção, soube-se de fonte judicial na terça-feira.
A primeira câmara do Tribunal Constitucional ordenou na segunda-feira ao “Sistema Nacional de Protecção que inscreva as espécies de tubarão-martelo comum (Sphyrna zygaena), recortado (Sphyrna lewini) e grande (Sphyrna mokarran) na lista das espécies em perigo de extinção”.
A decisão do Tribunal obriga as autoridades a “adoptar todas as medidas necessárias e apropriadas” para acabar com a captura, posse e comercialização destes tubarões.
Duas das três espécies mencionadas figuram na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), em situação de “risco crítico” e com a respectiva população “em baixa”.
O governo da Costa Rica tinha proibido em Janeiro a pesca de tubarões-martelo.
Este país possui ao largo das suas costas no Oceano Pacífico a reserva marítima da ilha do Coco, que abriga uma das maiores populações de tubarões-martelo.
A conferência sobre o comércio internacional das espécies ameaçadas, reunida no Panamá em Novembro, decidiu estender a protecção a uma cinquentena de espécies de tubarão requiem e tubarão-martelo ameaçados pelo tráfico de barbatanas de tubarão, muito desejadas na Ásia para confeccionar sopas.
Estas espécies de tubarão são vítimas de mais de metade do tráfico mundial de barbatanas de tubarão, que representa mais de 500 milhões de dólares por ano.
O preço destas barbatanas chega a atingir os mil dólares por quilo nos mercados da Ásia Oriental, cujo centro está em Hong Kong.

Eleições | Apelo à abstenção será crime mesmo fora da campanha

O Governo vai criminalizar o incentivo ou apelo à abstenção e aos votos em branco ou nulos crimes, indicou ontem André Cheong na sessão de consulta pública para a revisão das leis eleitorais. O Executivo entende que este tipo de apelos pode influenciar a “ordem eleitoral e afectar as eleições”

 

O Governo declarou ontem que a revisão da lei eleitoral, actualmente em consulta pública, vai criminalizar o apelo à abstenção e ao voto em branco ou nulo, mesmo fora dos períodos de campanha.

Na sessão de consulta pública realizada ontem no Fórum Macau, o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, esclareceu que na revisão proposta pelo Governo este tipo de apelo será um crime em qualquer circunstância.

Isto embora o dirigente tenha reconhecido que “o efeito negativo do incitamento público ao acto de não votar, votar em branco ou nulo será mais evidente durante o período de campanha eleitoral” para Chefe do Executivo ou deputados à Assembleia Legislativa (AL).

A tomada de posição do secretário surgiu em resposta ao comentário de um membro da Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Ao Ka Fai, que defendeu “haver margem para melhoramento” na definição do que é o “incitamento público”. Ao Ka Fai avisou que a proposta podia tornar um crime “escrever numa plataforma online que não vai votar”. “Mas se este comentário for repetido e transmitido para outras pessoas, será que vai causar problemas?” perguntou o membro do conselho consultivo.

André Cheong garantiu que o “incitamento público ou publicidade” à abstenção ou ao voto em branco ou nulo vai ter “uma definição muito precisa e exigente”, mas sublinhou que “a sanção penal é sempre o último passo que se pretende aplicar”.

 

Lei e ordem

Na semana passada, um assessor do secretário Vu Ka Vai disse que será crime fazer este tipo de apelo “através de redes sociais” ou ao “reencaminhar mensagens electrónicas” e defendeu que o incitamento iria “influenciar a ordem eleitoral e afectar as eleições”.

O assessor sublinhou ainda que os autores de apelos que se encontrem fora de Macau poderão ser alvo de um pedido de extradição: “A internet não é um lugar fora da lei”.

Em 2021, Macau registou a mais alta taxa de abstenção (quase 58 por cento) nas eleições para a AL desde que foi criada a Região Administrativa Especial de Macau. As autoridades justificaram a situação com as restrições pandémicas e o mau tempo sentido no território.

Paris | Morte de um jovem pela polícia causou distúrbios nos arredores

A morte de um jovem, pela polícia, na cidade francesa de Nanterre durante uma tentativa de fuga originou uma série de distúrbios ontem nos arredores de Paris, levando as forças de segurança a deterem 24 pessoas.
O responsável pela polícia de Paris, Laurent Núñez, explicou ontem ao canal CNews que os manifestantes incendiaram 42 veículos, além de máquinas utilizadas na construção, e insistiu que os 350 policiais destacados durante a noite impediram roubos em lojas e noutros edifícios.
“O dispositivo durará o tempo que for necessário”, disse Núñez sobre a manutenção do aparato policial nos próximos dias, acrescentando que 24 elementos das forças de segurança ficaram feridos nos confrontos.
A mesma fonte adiantou que já estes tumultos já eram esperados, após o incidente da manhã de terça-feira, em Nanterre, aludindo à morte de Naël, um jovem com alegados antecedentes criminais que conduzia sem documentos e que, após ser mandado parar pela polícia, tentou fugir com o veículo e acabou por ser morto a tiro.
Um vídeo dos acontecimentos registado por uma testemunha mostra como um dos agentes, um brigadeiro de 38 anos, apontou a arma directamente para o jovem junto à janela do motorista enquanto o outro falava com ele do mesmo lado. Ambos os agentes foram detidos.

Indignação pública
A Justiça abriu duas investigações, uma delas por homicídio voluntário. A segunda por causa da fuga da vítima. Esta decisão tem provocado a indignação da família do jovem que, de acordo com a sua advogada “em França não se pode julgar um morto”.
Em declarações à estação France Info, Cambla indicou que a família pretende apresentar queixa por falsificação, considerando que os agentes envolvidos no incidente mentiram no seu primeiro depoimento.
Insistiu que a reacção da polícia foi “absolutamente ilegítima” e que “não se enquadra no quadro da legítima defesa” porque “sentir-se ameaçado não basta para disparar uma bala no peito”.
Este incidente gerou uma reacção política, especialmente de alguns dirigentes de esquerda, que denunciaram o grande número de mortes às mãos de elementos policiais, que contam com a legítima defesa, principalmente quando o condutor foge a um posto de controlo.
A estrela da selecção francesa Kylian Mbappé também reagiu, escrevendo numa mensagem, na sua conta no Twitter: “A França magoa-me. Uma situação inaceitável. Estou com a família e parentes de Naël, esse anjinho que se foi cedo demais”.

Reserva financeira | Ano com melhor arranque desde pandemia

A reserva financeira da RAEM fechou o mês de Abril com 571 mil milhões de patacas em “caixa”, valor que representa um acréscimo mensal de 1,3 mil milhões de patacas. O registo dos primeiros quatro meses de 2023 reflectem o melhor arranque de ano desde o início da pandemia

 

 

A reserva financeira da RAEM ganhou 1,3 mil milhões de patacas em Abril, continuando em terreno positivo pelo segundo mês consecutivo, após uma queda em Fevereiro, indicam dados divulgados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

A reserva financeira da Região Administrativa Especial de Macau cifrou-se em 571 mil milhões de patacas no final de Abril, de acordo com a informação publicada em Boletim Oficial. Apesar da queda de 4,5 mil milhões de patacas em Fevereiro, a reserva financeira acumulou uma subida de 11,8 mil milhões de patacas nos primeiros quatro meses de 2023.

A reserva financeira está a ter o melhor arranque de ano desde o início da pandemia, mas o seu valor permanece longe do recorde de 669,7 mil milhões de patacas, atingido em Fevereiro de 2021.

O valor da reserva extraordinária no final de Abril era de 404,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau para 2022, era de 152,1 mil milhões de patacas.

A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por depósitos e contas correntes no valor de 262,9 mil milhões de patacas, títulos de crédito no montante de 127,4 mil milhões de patacas e até 176,1 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados.

 

Apesar da chuva

A reserva financeira tinha terminado 2022 com 559,2 mil milhões de patacas, o valor mais baixo desde Janeiro de 2019, justificado pela AMCM com “a crise geopolítica, o bloqueio de cadeia global de fornecimentos causado pela epidemia e a subida significativa das taxas de juros”.

Mesmo no cenário de crise económica criada pela pandemia, a reserva financeira de Macau tinha crescido em 2020 e 2021, apesar de o Governo ter injectado mais de 90 mil milhões de patacas no orçamento.

No ano passado, o Governo voltou a transferir 68,2 mil milhões de patacas da reserva financeira para o orçamento público, que incluiu dois planos de apoio pecuniário à população.

A Assembleia Legislativa de Macau aprovou em Novembro o orçamento da região para 2023, prevendo voltar a recorrer à reserva financeira em 35,6 mil milhões de patacas.

Cinemateca Paixão | Festival “On The Road” exibe curtas locais

Começa hoje o “On The Road” Macao Youth Film Festival, que até meio de Julho irá exibir na Cinemateca Paixão 18 filmes e curtas de autores locais. Em destaque vão estar obras de António Faria e de estudantes de Macau. Pelo meio, o ecrã da Travessa da Paixão irá também mostrar documentários “cafeinados”, como o clássico “Coffee and Cigarettes” de Jim Jarmusch

 

Ainda antes de começar, Julho já fervilha na programação da Cinemateca Paixão. Hoje, às 19h30, o pequeno templo da sétima arte será palco da cerimónia de inauguração do “On The Road” Macao Youth Film Festival 2023, que irá exibir 18 filmes e curtas-metragens de cineastas locais, com destaque para cinco obras do realizador António Caetano Faria e seis trabalhos de estudantes locais.

O festival, que decorre até 16 de Julho, é apresentado pela organização como “uma mensagem dos produtores de audiovisual de Macau que conta a história do desenvolvimento do cinema local, das primeiras experiências de vídeo nos tempos de estudante, à primeira obra”, num constante movimento que leva a sétima arte por uma viagem intergeracional, “pela estrada fora”.

“On The Road” está dividido em três secções. A primeira centra-se em torno da carreira de António Caetano Faria, a segunda tem como epicentro a diversidade temática das curtas-metragens produzidas localmente. Finalmente, a terceira secção apresenta os primeiros passos das novas gerações com a exibição de curtas-metragens produzidas por estudantes de Macau.

 

Festa no ecrã

A obra que irá inaugurar hoje o festival é “Beautiful Game”, o mais recente filme de António Caetano Faria, que voltará a ser exibido no dia 7 de Julho, pelas 21h30.

A película do realizador local conta a história de busca da felicidade de uma família de Macau, dividida entre a luta pela sobrevivência e a realização de um sonho. O enredo vive do conflito e amor entre um pai e um filho. Ngai é um incansável dono de restaurante, que se entrega de alma e coração ao negócio, na esperança de deixar um legado duradoiro à família. Porém, o seu filho, Wo, acalenta o sonho de se tornar jogador profissional de futebol.

Entre o trabalho árduo e busca quimérica de glória desportiva, o pai tenta conciliar sentimentos contraditórios, entre apoiar o filho e continuar a tradição familiar. Por um lado, Wo entrega-se totalmente ao treino desportivo, devoção que não apazigua os receios do pai, que teme perder o “ganha-pão” da família se permitir que o filho fuja do caminho tradicional.

O festival irá apresentar outras películas de António Caetano Faria. No domingo, às 21h30, “Into the Void”, filme de 2013 que tece um poema visual sobre a fantasmagoria dos novelos de fumo de incenso e da combustão dos panchões.

Na segunda-feira, é exibido “Time Travel”, película de António Caetano Faria, Carolina Neves Rodrigues, um “documentário ficcional” que segue um jovem entre dois mundos: os modos de vida tradicionais da faina da pesca e a exuberante modernidade da cidade.

No dia 11 de Julho, às 19h30, é exibido “Ina and the Blue Tiger Sauna”, realizado por António Caetano Faria e Bernardo Rao, e no dia 5 de Julho o ecrã da Cinemateca Paixão projecta “RutZ”, um filme de viagem que acompanha uma jornada entre Buenos Aires e Medellín.

 

Preto e sem açúcar

Na categoria de curtas-metragens de estudantes locais serão exibidas seis obras em duas sessões. “409.9 MHz”, “Light on, Light off”, “The Pink Boxing Gloves”, “Nº001605”, “The Great Visiting” e “Back to the end”. As sessões estão marcadas para 8 de Julho, às 19h, e 15 de Julho às 14h.

Apesar de fora do cartaz do “On The Road” Macao Youth Film Festival, a selecção de Julho da Cinemateca Paixão apresenta dois documentários em que o café é mais do que uma bebida de acompanhamento e os cigarros ultrapassam a dimensão cancerígena.

“The Coffee Man”, do realizador australiano Jeff Hann, apresenta a caminha de um imigrante bósnio a viver na Austrália que busca a perfeição do café, do cultivo até à chávena, passando pelo estrelato em competições internacionais de café. O filme é exibido nos dias 6 e 15 de Julho, às 19h30 e 16h30, respectivamente.

No sábado, às 17h45, a Cinemateca Paixão acolhe a primeira de três sessões de exibição de “Coffee and Cigarettes”, o projecto de Jim Jarmusch que junta celebridades à frente de chávenas de café e um cinzeiro. Cafeína e nicotina são o pano de fundo para conversas inusitadas, mais ou menos ficcionadas, entre pares como Roberto Benigni e Steven Wright, Jack e Meg White da banda The White Stripes, Alfred Molina e Steve Coogan e Iggy Pop e Tom Waits.

“Coffee and Cigarettes” volta a ser exibido no dia 7 de Julho, às 19h30, e no dia 16 de Julho às 17h30.

Energia | Inaugurado maior complexo híbrido solar e hidroeléctrico do mundo

A China inaugurou o maior complexo híbrido solar e hidroeléctrico do mundo, com capacidade de geração de um milhão de quilowatts, avançou na segunda-feira à noite o portal de notícias chinês Yicai.
A central fotovoltaica de Kela, ligada no domingo, é a primeira fase do complexo híbrido Lianghekou, situado no curso do rio Yalong, na província central de Sichuan, que irá já fornecer electricidade à metrópole vizinha de Chongqing durante o pico de procura do Verão.
A imprensa chinesa destacou que é também o projecto híbrido solar e hidroeléctrico situado à maior altitude do mundo, já que o ponto mais elevado se encontra a cerca de 4.600 metros acima do nível do mar.
De acordo com o jornal de Xangai The Paper, as autoridades chinesas acreditam que o complexo Lianghekou evitará o uso de cerca de 600 mil toneladas de carvão e reduzirá as emissões de dióxido de carbono em mais de 1,6 milhões de toneladas por ano.
A China, que nos últimos anos promoveu uma forte aposta nas energias renováveis, prometeu atingir o pico de emissões até 2030 e a neutralidade das emissões até 2060.

Violência Doméstica | Homem tenta matar ex-mulher com martelo

O crime aconteceu em plena rua, e foi presenciado por várias testemunhas. A mulher ficou inconsciente, devido às lesões no crânio. O ex-marido confessou querer vingar-se das acusações de violência doméstica e violação

 

Um homem com 50 anos foi detido na segunda-feira à noite, depois de ter tentado assassinar com um martelo a ex-mulher. O caso decorreu noite dentro na segunda-feira e ontem o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelou os contornos que motivaram o crime passional.

O acto criminoso aconteceu no cruzamento entre a Rua Manuel Arriaga e a Rua Sacadura Cabral, perto da Rotunda dos Três Candeeiros, por volta das 10h25 da noite. Nessa altura, um homem pegou num martelo, que trazia consigo na mota, aproximou-se da ex-esposa e bateu-lhe na cabeça, à frente de outras pessoas.

Após o primeiro ataque, a mulher caiu no chão inanimada e a sangrar, enquanto o homem continuou a bater-lhe.

Houve ainda uma amiga da vítima que tentou pedir ao agressor que parasse com as agressões, mas o esforço foi em vão. “Até podes não acreditar, mas vou matar-te a seguir”, terá dito o homem à amiga da ex-mulher, de acordo com o depoimento citado pela polícia.

O sujeito acabou por ser detido por quatro agentes da polícia que se encontravam na área, embora estivessem fora de serviço. Os agentes terão corrido para o local, depois de ouvirem o que se estava a passar, devido à grande confusão criada.

A mulher, com cerca de 50 anos, ficou em estado grave, uma vez que parte da estrutura óssea do crânio ficou partida e penetrou o cérebro. Por este motivo, apesar de estar numa situação estável, a mulher está inconsciente no Centro Hospitalar Conde São Januário.

 

Confissões do agressor

Após ser detido, o homem confessou o crime e admitiu ter actuado por pretender vingar-se da mulher. Segundo a versão da polícia, depois de ter sido acusado de violência doméstica e de violação em 2017, pela ex-mulher, o homem decidiu vingar-se e matá-la.

A informação divulgada ontem pelo CPSP, e citada pelos órgãos de comunicação social em língua chinesa, não permite saber se a mulher chegou a apresentar alguma queixa formal, nem o desfecho da mesma. O HM contactou o Ministério Público para pedir esclarecimentos sobre este aspecto e sobre a existência de alguma queixa formal, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta.

O divórcio do casal aconteceu três anos depois, em 2020.

Além do martelo, a polícia encontrou ainda na mota do suspeito uma faca, que se acredita seria para utilizar na prática do crime, embora tal não tenha acontecido.

O suspeito é um motorista privado e foi transferido para o Ministério Público, estando indiciado da prática dos crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, armas proibidas e ameaça.

Economia | PM confiante em alcançar objectivos para 2023

A China encontra-se no bom caminho para alcançar o objectivo de crescimento traçado para este ano, afirmou ontem o primeiro-ministro do país, Li Qiang.
O produto interno bruto (PIB) chinês cresceu 3 por cento no ano passado, uma das taxas mais lentas das últimas quatro décadas e valor aquém do objectivo oficial de 5,5 por cento.
Para 2023, o governo fixou o objectivo para o crescimento do PIB em “cerca de 5 por cento “.
“Este ano, temos esperança de conseguir atingir [este] objectivo de crescimento”, afirmou o primeiro-ministro chinês, responsável pela economia da nação asiática.
Li Qiang, a segunda figura mais importante do país, falava na abertura do Fórum Económico Mundial, em Tianjin, no norte chinês.

Pedras no caminho
As declarações surgem numa altura em que a segunda maior economia do mundo enfrenta várias dificuldades. A recuperação após a pandemia, na sequência do levantamento das restrições sanitárias no final de 2022, perdeu fôlego nos últimos meses.
A economia está a ser penalizada pelo sobre-endividamento do sector imobiliário – pilar tradicional do crescimento – pelo fraco consumo devido à incerteza do mercado de trabalho e pelo abrandamento da economia mundial, que está a afectar a procura de produtos chineses.
Para estimular a actividade, o banco central estabeleceu a redução de taxas de juros nas últimas semanas, numa altura em que muitos economistas defendem um plano de estímulo.
Para já, as autoridades parecem estar a excluir esta opção a favor de medidas específicas.

Plume

Há sempre aqueles que parecem de vento e são artífices laboriosos da transparência. Este extremo refinamento é talvez a mais conseguida capacidade humana para uma transfiguração, que este saber em dimensões aperfeiçoadas, pode passar incólume aos pesados seres das sombras por causa de toda uma sujeição que elas imprimem.
Claro! Estamos num mundo pouco depurado, e não se sabe bem porquê, agora que as tecnologias permitiram avanços prodigiosos nessa matéria, também vieram com ela os pesos mais agrestes da nossa truculenta condição: a inteligência pode vir a ser artificial, que o ser natural é concreto demais para ser já às portas de um futuro breve, contemplado. Essa leveza que faz o cérebro fazer as melhores ligações, possuem-nos alguns poetas como ninguém, e também será por isso que lhes testemunhamos semblantes esguios e finos como se fossem catedrais. Revisamos as suas anatomias! Por incrível que pareça, há ali elementos de éter puro.
Henri Michaux. Se há beleza, que o vento a traga, sinalize a forma, e seja ” lointain intérieur” que a lonjura a que nos mantém destila pródiga maravilha. Essa lonjura será ainda um propósito severamente poético ( que para proximidade temos os narradores, e a descritiva composição, que não sendo artificial inteligência, deve ser considerada por vezes aberrante função naturalista). E a voluptuosidade também deverá esconder-se de vergonha ensimesmada perante a mais impressionante construção de beleza “gasosa” deste outro instante a que passamos a chamar, poema

Le Malheur, mon grand labourer,
Le Malheur, assois-toi,
Repose-toi,
Reposons-nous un peut toi et moi,
Tu me trouves, tu m´éprouves, tu me le
prouves.
Je suis ta ruine.

Mon grand théâtre, mon havre, mon âtre,
Ma cave d´or,
…………
Dans ta lumière, dans ton ampleur, dans mon horreur,
Je m´abandonne.

Não há muito a dizer acerca deste magnífico poema oxigénio que se respira mas que não se vê. Nós deciframos os signos linguísticos, damos reformulações aos enxames de associações comparativas…mas chega o vento, e perante o domínio do leve, calamos. Creio que interrompemos estes seres para que se escutasse o defeito generalista, e isso abriu feridas gigantescas, grotescas, no domínio da linguagem, que deve sempre servir para muito mais do que debitar ideias e estados sensoriais. Em última instância, poder-se-ia concluir que não tarda, seremos traduzidos até para esferas telepáticas, outras linguagens, portanto. Devemos somente, e doravante, dizer como Michaux aqui, o que descobrimos, que isso será futuramente o maior dom saído da palavra ” on veut trop être quelqu´un. Il n´est pas un moi… MOi n´est qu´une position d´équilibre”
Se formos para a sua obra gráfica, vamos ainda olhar para o desenho do vento, e não dissociamos as linguagens que formam um acordo onde tudo se lê, contempla, e ganha dimensão estranha e espacial. Olhamos a sustentabilidade de uma impressão que nunca se fixa, como a chuva e a sombra, e quando contempladas nos parecem diáfano nos seus impressionantes efeitos ideográficos. O autor de « Um bárbaro na Ásia» deseja o que a este lhe fascina, saber como pode penetrar na sua espiritualidade. Que ele de facto não quer descrever coisa nenhuma em termos factuais, romanceiros: é um poeta, e quer a rota daquilo que a sua natureza impele para o símbolo. Nunca deixou de percorrer os « Paraísos Artificiais» mas ao invés de um Baudelaire, vai bastante mais longe. Se a alucinação for tudo isto, então quem se deve sentir alucinado são aqueles que não sabem afinal de contas aquilo de que um cérebro é capaz. Escrever e desenhar o vento.

Rússia | Retiradas acusações contra grupo Wagner

As autoridades russas anunciaram ontem a retirada das acusações contra o grupo de combatentes a soldo da empresa Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, cuja rebelião se prolongou durante 24 horas no passado fim de semana.
“Ficou estabelecido” que os participantes no motim “puseram termo às acções que visavam directamente a prática de um crime”, afirmaram ontem os serviços de segurança russos (FSB), citados pelas agências noticiosas de Moscovo.
Nestas circunstâncias, “a decisão de retirar as acusações foi tomada a 27 de Junho [ontem]”, acrescentou o FSB.
No fim de semana, Yevgeny Prigozhin, que lidera o grupo Wagner, conduziu uma rebelião armada de 24 horas, com os mercenários a tomarem a cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, e a avançar até 200 quilómetros de Moscovo.
A rebelião terminou com um acordo mediado pelo Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que, segundo o Kremlin, estabelece que Prigozhin fique exilado na Bielorrússia, em troca de imunidade para si e para os seus mercenários.
Yevgeny Prigozhin justificou na segunda-feira a “rebelião” do grupo com a necessidade de “salvar” a organização, rejeitando ter tentando um golpe de Estado e adiantando que 30 dos seus mercenários morreram em confrontos com militares russos.
Por seu lado, o Presidente russo, Vladimir Putin, num discurso transmitido na segunda-feira pela televisão russa, acusou os responsáveis pela rebelião de serem traidores e disse que as suas acções só beneficiaram a Ucrânia e os seus aliados.