Redes Sociais | Youtuber Sinam admite ter medo de sair de casa

A youtuber Sinam afirmou ter “medo de sair de casa”, depois de ter sido acusada de praticar bullying contra a ex-colega de trabalho na empresa Manner de Jane Lao, que morreu em Julho deste ano.

Numa publicação nas redes sociais, Sinam abordou o caso pela primeira vez e desabafou “ter ouvido todas as palavras mais cruéis do mundo”. “Até tenho medo de sair de casa porque não sei se quando é que as pessoas na rua vão começar a gritar comigo”, escreveu a youtuber. “Ao longo de toda a minha vida, sempre me senti muito optimista com o meu futuro. Mas, nos últimos meses estive à beira do colapso, por isso só quis fechar-me em casa e isolar-me do mundo” acrescentou.

Sinam esteve no centro da polémica em Julho deste ano, por ter feito um directo nas redes sociais a negar qualquer responsabilidade por bullying contra Jane Lao, quando se soube do suicídio. Ontem, admitiu ter errado com o que disse durante o directo e confessou ter mostrado falta de empatia para com a família da vítima.

Caso tenha pensamentos suicidas e necessite de auxílio pode ligar para o Serviço de Auxílio da Cáritas, através do número 28522 5222, em chinês, ou para o número 2852 5777, com apoio em inglês.

TNR | Residentes queixam-se de salários de empregadas domésticas

Salários acima de 4.500 patacas, exigências de horário de trabalho, qualidade mediana e desistências sem aviso são alguns dos problemas relatados por residentes descontentes empregadas domésticas. A solução apontada passa pela regulação do mercado

 

A exigência de condições mínimas de trabalho que aproximem o vínculo entre uma empregada doméstica e um empregador de uma normal relação de trabalho continuam a ser consideradas insuportáveis para muitos residentes. Prova disso foi um artigo publicado ontem no jornal Ou Mun que deu voz a alguns residentes descontentes com a relação qualidade/preço que “afecta” o sector.

A senhora U contou ao jornal Ou Mun que durante a pandemia procurou contratar uma empregada doméstica para tomar conta do filho. Apesar do salário elevado, que aumentou de uma média de 4.000 patacas para 6.000 patacas durante a pandemia, a residente queixa-se da qualidade mediana. Além disso, exigências de horário de trabalho, subsídio de transporte e alojamento, assim como a fixação do tamanho máximo da família para aceitar o emprego foram elencados pela residente como argumentos para não contratar ninguém.

A residente contou ainda que com o fim das restrições fronteiriças alguns particulares contornaram o sistema de contratação através de agências de trabalho e procuraram empregadas através das redes sociais. Porém, após acertadas as condições, incluindo salário e burocracia nos serviços de imigração, a residente afirma ter conhecimento de casos em que depois de algum tempo a trabalhar em Macau, as empregadas domésticas acabaram por pedir para voltar a casa.

Qualidade interior

Apesar das condições requisitadas, as residentes ouvidas pelo Ou Mun reconhecem que o fim da pandemia empurrou para baixo os salários das empregadas domésticas. Recorde-se que as empregadas domésticas ficaram de fora das profissões incluídas no salário mínimo e, portanto, não serão abrangidas pelo aumento que se espera entre quatro e seis patacas por hora.

Além disso, acompanhando a regra da oferta e procura, durante a pandemia as remunerações subiram à medida que a mão-de-obra escasseou.

Segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, no final de Dezembro de 2019, 30.506 famílias de Macau tinham empregadas domésticas. Até ao fim de Novembro do ano passado, esse universo de agregados familiares caiu para menos de 23.200, o que representa uma quebra de um quarto.

Depois de alguns equívocos, a senhora Chu optou por contratar uma empregada doméstica chinesa, após afirmar estar fartar da “falta de qualidade” das trabalhadoras estrangeiras que por vezes “fingiam estarem doentes e desapareciam sem deixar rasto”. Como tal, Chu decidiu contratar uma empregada do Interior da China, e nem a obrigação de pagar comissão a uma agência de trabalho a demoveu. Com salários entre 7.500 e 8.000 patacas, a residente enaltece a estabilidade e confiança que passou a ter na empregada.

Porém, teme que o salário aumente ainda mais, facto pelo qual defende que o Governo deveria regular o sector, nomeadamente os salários, assim como assegurar a qualidade dos serviços prestados e impedindo que as trabalhadoras mudem de emprego com facilidade. A senhora Chu entende que os elevados salários das empregadas domésticas resultam no aumento do custo de vida em Macau.

O jornal Ou Mun ouviu ainda uma residente, de apelido Hoi, que confessou ter recusado os pedidos “irracionais” de uma empregada doméstica estrangeira para aumentar o salário de 4.500 para 4.800 patacas e criticou o facto de estas profissionais se organizarem para reivindicarem melhores condições, algo que a residente considera merecer controlo do Governo.

Pac On | Arquivo pronto antes do esperado

A obra de construção do Edifício para Arquivo de Documentos Oficiais, no Lote O4 no Pac On, ficou concluída na segunda-feira, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Obras Públicas.

Segundo a informação oficial, a obra foi concluída com 57 dias de antecedência relativamente ao prazo contratual, pelo que foi considerado que “superou o impacto provocado pela epidemia e pelas alterações ao projecto durante a execução da obra”. O edifício tem 13 pisos de altura e destina-se ao uso de armazenamento de arquivos.

No rés-do-chão dispõe de uma zona de carga e descarga de mercadorias, enquanto o piso 1, em cave, se destina ao parque de estacionamento. O Consórcio de Companhia de Decoração San Kei Ip, Limitada/Grupo de Construção de Xangai foi o responsável pela obra, que teve um custo de cerca de 330 milhões de patacas.

Saola | Pedida substituição rápida de árvores afectadas

Ng Chi Lung , membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, apelou às autoridades para plantarem novas árvores em Coloane, perto dos trilhos, tão depressa quanto possível. Foi desta forma que Ng abordou o impacto da passagem do tufão Saola.

Segundo o também presidente da Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores de Hac Sa Chun, as medidas de protecção do Governo funcionaram bem, e as árvores na maior parte dos trilhos mostraram uma boa capacidade para resistir à velocidade do vento.

Porém, Ng admitiu que as árvores mais afectadas tiveram de ser removidas, e que se deve pensar em substituí-las por outras com maior capacidade para resistir ao impacto do vento. O dirigente associativo elogiou ainda o Executivo pela forma como os trilhos e parques naturais foram reabertos após o tufão, mas, em declarações ao Jornal Ou Mun, pediu à população cautela na utilização destas zonas.

IAM | Palestra sobre impacto alimentar da radiação

O Instituto para os Assuntos Municipais vai organizar no dia 23 de Setembro uma palestra no Mercado do Patane para explicar à população os efeitos da radiação nos alimentos. Além disso, o organismo liderado por José Tavares sublinha que Macau não importa carne de porco da prefeitura japonesa de Saga, onde foi detectado um surto de peste suína

No próximo dia 23 de Setembro, pelas 11h, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vai organizar uma palestra no 9.º andar do Complexo Municipal do Mercado do Patane para alertar a população para os riscos e impactos da radiação nos produtos alimentares. O organismo emitiu ontem um comunicado a convidar escolas, associações e residentes para a apresentação, acrescentando que estão abertas as inscrições até 20 de Setembro.

O IAM justifica a necessidade de organizar a palestra com a importância de “aumentar a sensibilização do público para a relação entre a poluição por radiação e a segurança alimentar”. A entidade presidida por José Tavares refere que irá explicar “do ponto de vista científico as medidas de dupla defesa para garantir a segurança alimentar em Macau, de modo a que o público compreenda plenamente as políticas de controlo do Governo, dissipando dúvidas”.

A palestra, que tem duração de 40 minutos, é de entrada gratuita, apesar de limitada aos lugares disponíveis que serão preenchidos por ordem de chegada, e serão distribuídas lembranças (uma carteira e um pano).

O anúncio da palestra aconteceu no mesmo dia em que o Governo japonês apresentou uma queixa à Organização Mundial do Comércio pelo veto da China à importação de todos os seus produtos do mar, medida que considera não ter qualquer base científica.

Sem bacon

Ainda no capítulo da importação de produtos alimentares japoneses para Macau, o IAM esclareceu ontem que não entrou este ano no território carne de porco da prefeitura de Saga, no Japão. O esclarecimento das autoridades surge uma semana depois de ter sido noticiado um surto de peste suína na região.

O IAM garantiu que irá continua a fiscalizar os produtos importados e rever os requisitos de higiene durante o processo de aprovação de importação, e se a área de origem dos produtos levanta alguma preocupação a nível de segurança alimentar.

O caso foi revelado na semana passada, e motivou uma reunião de emergência na prefeitura de Fukuoka devido à suspeita de casos de peste suína numa quinta na cidade de Karatsu, onde foram encontrados seis leitões mortos. Os testes feitos aos animais confirmaram a doença, levando as autoridades locais a apertadas medidas de isolamento e desinfecção.

Supervisão | Número de relatórios do Comissariado de Auditoria diminui

Nos primeiros três anos e oito meses do mandato de Ho Iat Seng, o Comissariado de Auditoria publicou menos quatro relatórios de supervisão do que no mesmo período do início da governação de Fernando Chui Sai On. O organismo não explicou as razões para a menor produção

 

Nos primeiros três anos e oito meses do mantado de Ho Iat Seng, o Comissariado de Auditoria (CA) produziu menos quatro relatórios de auditoria, do que em comparação com o mandato de Fernando Chui Sai On. De acordo com as contas feitas pelo HM, com base nos relatórios disponíveis pelo CA no seu portal, há uma quebra de “produção” de praticamente um quinto.

A tendência para a emissão de menos relatórios não seria previsível em 2020, no primeiro ano completo de Ho Iat Seng à frente do Governo da RAEM. Nessa altura, organismo liderado por Ho Veng On publicou sete relatórios, entre os quais o relatório de Auditoria da Conta Geral, ou seja, a análise aos gastos do orçamento da RAEM, que depois é apreciada na Assembleia Legislativa.

Em termos de assuntos abordados pela primeira vez pelo CA, em 2020 foram alvo de relatórios o funcionamento da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau e a gestão da empresa de capitais públicos Macau Investimento e Desenvolvimento.

Os restantes quatro relatórios visaram os efeitos das auditorias feitas em anos anteriores. Além de um relatório geral sobre os efeitos das auditorias do passado, foram produzidos três relatórios específicos sobre os efeitos da supervisão anterior às zonas verdes geridas pelo actual Instituto para os Assuntos Municipais, originalmente feito em 2010. Além disso, a entidade analisou os reparos feitos na sequência dos relatórios sobre a atribuição de fundos do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo (original em 2012), e Atribuição de Apoios Financeiras a Associações pela Fundação Macau (original em 2012).

Por contraste, o primeiro ano completo do mandato de Chui Sai On teve quatro relatórios, entre os quais dois sobre gastos do orçamento da RAEM nos anos 2008 e 2009. Os restantes visaram a gestão das zonas verdes pelo IAM e as regalias sociais e gestão do regime de deslocações em serviço do pessoal da Teledifusão de Macau.

Tendências opostas

É a partir do segundo ano da governação de Ho Iat Seng que o CA começou a reduzir o número de relatórios publicados.

Em 2021, o CA publicou dois relatórios, a tradicional análise às contas do orçamento e um segundo relatório sobre a empresa Macau Investimento e Desenvolvimento.

Em comparação, no segundo ano da governação de Fernando Chui Sai On, 2011, o organismo liderado por Ho Veng On produziu cinco relatórios, então com quatro temas abordados pela primeira vez. Os assuntos visados foram as deslocações ao exterior em missão oficial dos trabalhadores da Função Pública, uma análise à 1.ª Fase do Metro Ligeiro, a gestão e funcionamento do Centro de Ciência e o recrutamento e formação de médicos internos. A estes quatro relatórios juntou-se a análise ao orçamento da RAEM do ano anterior.

Em 2022, o CA voltou a produzir dois relatórios, às contas da RAEM do ano anterior e introduziu o tema dos apoios do Fundo das Indústrias Culturais. Também neste aspecto, regista-se uma discrepância, face a 2012. Nessa altura, o CA produziu quatro relatórios. Além da análise às contas, houve três investigações que focaram a construção do Metro Ligeiro, a segunda auditoria ao projecto, o gabinete preparatório da participação de Macau na Expo Xangai, e a atribuição de apoios pela Fundação Macau.

Finalmente, nos primeiros oito meses deste ano, o CA produziu dois relatórios, sobre as obras de construção da caixa de retenção de águas e várias estações elevatórias no Porto Interior e sobre os apoios financeiros atribuídos pelo Fundo do Desporto. Em contraste, nos primeiros oito meses de 2013 tinham sido elaborados três relatórios, sobre estimativa de despesas para o novo Campus da Universidade de Macau, o serviço de transportes colectivos de Macau e o projecto e financiamento da ampliação do Terminal Marítimo do Pac On.

À espera de resposta

Face à aparente redução da actividade do Comissariado de Auditoria, pelo menos com base no número de relatórios publicados, o HM entrou em contacto com o organismo para perceber os motivos de serem publicados menos relatórios.

O CA foi igualmente questionado sobre a estimativa de relatórios a serem publicados até ao final do ano. Porém, apesar do contacto feito a 30 Agosto, até ontem não tinha havido qualquer resposta.

O CA é liderado desde 2009 por Ho Veng On, que foi escolhido para o cargo na altura em que foi formado o primeiro Governo de Fernando Chui Sai On. Antes disso, Ho Veng On tinha desempenhado as funções de chefe do Gabinete do Chefe do Executivo de Edmundo Ho, secretário do Conselho Executivo, sendo ao mesmo tempo o responsável de Macau do Grupo de Ligação de Cooperação entre Guangdong e Macau, coordenador da Comissão de Designação de Medalhas e Títulos Honoríficos e delegado do Governo junto da Teledifusão de Macau (TDM).

ASEAN | Cimeira centrada no Myanmar e tensões com a China

Começou ontem e decorre até amanhã a 43ª cimeira anual da ASEAN – Associação de Nações do Sudeste Asiático. O clima é de alguma tensão, com os diálogos centrados na situação política do Myanmar e nas questões geopolíticas que envolvem a China. Destaque também para o processo de adesão de Timor-Leste, apontado para 2025

 

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) realiza até amanhã, em Jacarta, mais uma cimeira anual de líderes dos países membros. O encontro, que arrancou ontem, é marcado pela ausência de progressos no Myanmar, país que continua mergulhado em conflito, e pelas tensões territoriais que têm como epicentro a China.

Num dos pontos mais baixos da história da organização, fundada em 1967 e composta por Indonésia, Singapura, Malásia, Tailândia, Filipinas, Vietname, Laos, Camboja, Brunei e a então Birmânia (actual Myanmar), a cimeira contará com a participação dos líderes de todos os Estados-membros excepto dois: o chefe da Junta Militar do Myanmar, Min Aung Hlaing, que não foi convidado, e o recém-nomeado primeiro-ministro tailandês, Srettha Thavisin.

São igualmente esperados na capital indonésia dirigentes de fora da região para reuniões com o grupo, entre os quais o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, o Presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, e o homólogo australiano, Anthony Albanese. Também estão presentes a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, e o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, bem como o secretário-geral das Nações, António Guterres, e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

Embora o Presidente indonésio, Joko Widodo, tenha mostrado capacidades de mediação no ano passado, enquanto anfitrião da cimeira do G20 (grupo das maiores economias do mundo) em Bali que se saldou num inesperado consenso, o princípio da não-ingerência da ASEAN dificulta a obtenção de acordos substanciais.

Com o tema “ASEAN: Epicentro do Crescimento”, a Indonésia procurou desviar a atenção dos conflitos para a prosperidade económica da região – uma das de maior crescimento do mundo – na cimeira, durante a qual se realizará também uma dezena de reuniões bilaterais.

Mas tal não será fácil de alcançar: a cadeira vazia de Myanmar é uma prova cada vez maior do fracasso do grupo em promover uma solução para o conflito que o país atravessa desde o golpe de Estado de 1 de Fevereiro de 2021, com mais de 4.000 mortos às mãos das forças de segurança birmanesas desde então, segundo a Associação para a Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP) do país, e centenas de milhares de rohingyas (minoria muçulmana perseguida) refugiados no vizinho Bangladesh, o país mais pobre do mundo.

“A ASEAN só poderá avançar com toda a sua força se formos capazes de assegurar uma solução pacífica e duradoura em Myanmar”, defendeu na segunda-feira a ministra dos Negócios Estrangeiros indonésia, Retno Marsudi, na reunião de chefes da diplomacia antes da cimeira.

Nesse sentido, afirmou que será discutido o acordo de cinco pontos alcançado em Abril de 2021 durante uma cimeira em Jacarta com a junta militar birmanesa, que prevê o fim da violência e o diálogo entre todas as partes envolvidas no conflito.

O empenho da ASEAN nesse plano que fracassou desde o início, devido à falta de compromisso da junta – razão pela qual os seus dirigentes não são convidados para reuniões de alto nível da organização – foi criticado na semana passada numa reunião sobre a crise em Myanmar organizada por uma dúzia de organizações não-governamentais em Jacarta.

O golpe da divisão

Os membros da ASEAN continuam divididos quanto à abordagem a adoptar em relação ao Myanmar: enquanto a Indonésia, Singapura, Vietname, Filipinas e Malásia condenaram o golpe de Estado através de uma resolução das Nações Unidas em 2021, o Camboja, o Brunei, o Laos – que será o anfitrião do grupo no próximo ano – e a Tailândia abstiveram-se.

Além da crise no Myanmar, também serão debatidas as tensões no mar do Sul da China – que Pequim reivindica na sua quase totalidade, disputando territórios com Malásia, Filipinas, Vietname e Brunei -, que, nos últimos meses, aumentaram devido a alegados ataques da guarda costeira chinesa a barcos filipinos e vietnamitas.

Além disso, o Vietname, a Malásia e as Filipinas, bem como a Índia e Taiwan, protestaram na semana passada contra o novo mapa divulgado por Pequim de territórios recentemente anexados, que inclui ilhas disputadas no mar do Sul da China.

Após os debates entre os membros na terça-feira, os dirigentes da ASEAN reúnem-se com os líderes dos países convidados hoje e amanhã, também com vista a possíveis reuniões bilaterais, especialmente entre Harris e Li, cujos países competem pelo aumento de influência na região. A presença de Kamala Harris em vez do Presidente norte-americano, Joe Biden – que participou na cimeira da ASEAN em Phnom Penh em 2022 -, e de Li em vez do Presidente chinês, Xi Jinping, são baldes de água fria para o grupo, esperando-se, portanto, que as ausências também façam parte das conversas.

A adesão de Timor

Mesmo numa espécie de impasse, a ASEAN prepara-se para acolher um novo país com uma história bastante recente: Timor-Leste. Numa entrevista à Lusa, o primeiro-ministro timorense disse na segunda-feira que a adesão do país à ASEAN, firmada para 2025, é realista e permitirá ao país preparar os muitos quadros técnicos e especializados necessários para maximizar as oportunidades de fazer parte da organização regional.

“Temos de formar mais quadros, procurar recursos humanos competentes em áreas importantes, relativamente ao que ASEAN nos pode dar e ao que podemos dar à ASEAN. Áreas muito relevantes, especialmente porque sabemos que o objectivo do mandato deste Governo é desenvolver a economia”, disse Xanana Gusmão.

“Sobretudo no sector da economia, do investimento e das áreas relacionadas com este propósito e com esta interligação com os países da ASEAN, precisamos de gente capaz. Já fizemos uma análise e vemos que ainda estamos fracos em vários aspetos”, afirmou.

O chefe do IX Governo timorense participa na cimeira da ASEAN depois de Díli ter fixado o ano de 2025 como meta para a adesão, processo que se chegou a debater poder ser concluído ainda este ano e ainda sob a presidência rotativa da Indonésia.

Muitas metas

Um complexo roteiro de adesão implica que Timor-Leste terá de alcançar várias metas essenciais antes da conclusão de um processo que se arrasta há vários anos, mas que teve o seu maior impulso em 2022 com a votação a favor do estatuto de observador.

À Lusa em Jacarta, onde esta semana representa o Estado timorense na 43.ª Cimeira da ASEAN, Xanana Gusmão admitiu que a meta deste ano era excessivamente optimista, em termos de calendário.

“Iniciámos este processo de adesão no IV Governo. E sim, podemos falar de optimismo em relação à pressa, sim, mas não de optimismo em relação a querermos a adesão, porque isso é uma posição global, de todo o Estado”, disse o primeiro-ministro.

Timor-Leste já esteve representado na primeira cimeira deste ano, também organizada pela Indonésia, em Labuan Bajo, com o então primeiro-ministro Taur Matan Ruak a ser o primeiro líder timorense a intervir num encontro da organização regional. E ainda que o país não esteja formalmente integrado, Taur Matan Ruak já entrou na ‘foto de família’ dos chefes de Estado e de Governo que hoje decora a página principal da presidência indonésia da ASEAN.

Xanana Gusmão explicou que mais do que intervir no encontro, se trata de ouvir e de “trabalhar com os dedos”, registando as impressões, comentários e posições dos membros da organização, para compreender melhor os assuntos em cima da mesa.

Críticas de Xanana

O primeiro-ministro timorense criticou ainda a acção da Junta Militar do Myanmar, instando a ASEAN a resolver a situação, em declarações que levaram a Junta a expulsar o encarregado de negócios timorense naquele país. Xanana Gusmão reiterou a sua posição sobre o assunto, afirmando que se trata de defender os princípios que Timor-Leste sempre defendeu e de contestar, entre outros aspectos, a prisão da líder nacional Aung San Suu Kyi

“O meu perfil é dizer abertamente, claramente as coisas, o que penso. A reacção deles de expulsar o nosso representante diplomático é normal. É uma medalha para nós. Mas acredito que as minhas declarações não impedirão a nossa preparação para a adesão porque todos apoiam a nossa adesão”, afirmou.

“Há benefícios [com a adesão], mas nunca devemos esquecer que os valores devem estar sempre acima dos benefícios que podemos receber. Temos de ser coerentes com a nossa posição, com a nossa visão do mundo”, enfatizou.

Xanana Gusmão, que discursou no Fórum Empresarial da ASEAN, manteve no início da semana um encontro de cortesia com o Presidente indonésio Joko Widodo, antes de dois dias intensos de reuniões na cimeira e a nível bilateral.

Entre os encontros previstos, à margem da cimeira, contam-se reuniões com o homólogo australiano, Anthony Albanese, e com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Ser toda a gente e toda a parte

Os falantes de cantonense gostam de brincar com os sons das palavras e, por isso, como 2 (yi) é homófono de “fácil”, 22 será “fácil- fácil”, ou seja, um número positivo, benevolente, prenunciador de boa fortuna. Ora para o Hoje Macau, que neste dia 5 de Setembro de 2023 completa 22 anos, o actual estado do sítio não pode ser considerado “fácil”. Porque não o é.

Connosco estão milhares de cidadãos de Macau cujas vidas foram profundamente alteradas pela pandemia. Pessoas cuja sobrevivência não depende dos turistas, não têm a sua sobrevivência ligada ao Jogo, mas que transformam esta cidade em algo mais que um gigantesco casino. São as pessoas reais, com problemas reais e vidas realmente prejudicadas e cuja retoma parece nunca mais chegar.

É certo que o Jogo retomou os seus lucros e os respectivos impostos ajudam o Governo a encher os cofres, esvaziados em parte pela incompetência demonstrada nos investimentos. Como também é certo que isso não abrange grande parte da população. São inúmeras as vozes que exigem ao Governo mais criatividade de modo a resolver os problemas deixados por três anos de inércia. Mas parece que Ho Iat Seng, tal como o seu antecessor, tem dificuldade em ouvir os lamentos da população. Ou, então, não encontra meios de responder de forma satisfatória.

De algum modo, este Executivo está a desapontar a população que tanto acreditou nele e, sobretudo, na existência de uma real proximidade. Só que quando as dificuldades apertam vemos o Governo preocupado com o futuro quando todos gostariam que se preocupasse com o presente, porque esse é que é o real, a vida de todos os dias, na qual temos cada vez mais dificuldades de manter a qualidade prometida.

Não, não nos esquecermos da promessa de Edmond Ho de uma “sociedade de excelência”, reafirmada por Chui Sai On. Quando todos os dias vemos que as pessoas, ali do outro lado das Portas do Cerco, dão por crescimento da sua qualidade de vida, como podemos encarar facilmente a regressão de Macau? A pandemia não servirá de desculpa para tudo. Encaremos o futuro com respeito mútuo, benevolência e sabedoria.

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Neste mundo que se quer e que vai ser multipolar, o Hoje Macau tenta cumprir o seu papel. Isto é, dar a conhecer em língua portuguesa esta extraordinária civilização que aqui nos acolhe e cujo papel no planeta não pára de crescer.

Como sabem os nossos leitores, temos publicado diariamente, na nossa secção “Via do Meio”, numerosos artigos sobre cultura chinesa que, trimestralmente, são refundidos numa revista. Chegamos este mês ao nosso terceiro número, que em breve estará disponível.

Só que, entretanto, Macau transborda para Portugal e o primeiro número da “Via do Meio” vai, ainda este Setembro, ser publicada em lusas terras. Cumprimos assim o nosso desiderato de não fazer de Macau um ponto abúlico, mas sim um centro de divulgação da língua portuguesa no Oriente, um lugar de tradução de chinês para português, uma cidade onde existe, a par com um Fórum económico, uma produção cultural que aproxima a China dos países onde se fala a língua portuguesa.

Pretendemos assim desempenhar o papel indicado por Agostinho da Silva que, em palavras transmitidas por Luís Sá Cunha, terá afirmado que é tempo de os portugueses empreenderem o caminho inverso ao que percorreram nos Descobrimentos, ou seja, ao invés de trazer a cultura Ocidental para o Oriente, levar a cultura Oriental para o Ocidente, isto é, unir o que se encontra separado. Porque esse foi sempre e deve continuar a ser o nosso papel, o nosso sonho, o nosso desejo íntimo, fundado na Batalha de Ourique, desenvolvido por António Vieira, refundido por Pessoa e recuperado por quem sonhou Abril: ser toda a gente e toda a parte.

Arte Macau 2023 | UM acolhe exposição de arte dos estudantes do ensino superior

A Universidade de Macau (UM) acolhe até 5 de Novembro a “Exposição de Arte de Instituições de Ensino Superior”, mostra integrada na “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023”, organizada pelo Instituto Cultural (IC) e pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Participam nesta mostra os alunos de belas-artes de academias do Interior da China e quatro instituições de ensino superior de Macau, designadamente a Academia Central de Belas-Artes, a Academia de Artes da China, o Instituto de Belas-Artes de Sichuan, a Academia de Belas-Artes de Guangzhou, a UM, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de São José.

Segundo um comunicado do IC, a mostra “visa fomentar um ambiente criativo para os jovens locais e estimular o intercâmbio artístico a nível universitário, injectando novos ímpetos criativos no desenvolvimento da Bienal Internacional de Arte de Macau”. Poderão ser vistas 24 peças ou conjuntos de trabalhos “inovadores e de qualidade”, que suscitam “a partir de perspectivas artísticas peculiares, reflexões sobre as tradições religiosas e a história da ciência e tecnologia, demonstrando o acentuado espírito explorador dos jovens artistas”.

Inaugurada na sexta-feira, a exposição pode ser visitada no Museu de Arte da UM e na Biblioteca Wu Yee Sun da UM.

A “Arte Macau 2023”, inclui 30 exposições de arte divididas em oito secções, apresentando, por toda a cidade, obras-primas modernas e contemporâneas, da autoria de mais de 200 artistas provenientes de mais de 20 países e regiões.

Festival da Lua | Operadoras de jogo festejam com arte e criatividade

Setembro é o mês da celebração do Festival da Lua, ou do Meio Outono, coincidente com o aniversário de implementação da República Popular da China no início de Outubro. A pensar na efeméride muito própria da comunidade chinesa, as operadoras de jogo promovem uma série de actividades que incluem exposições de lanternas criadas por artistas de renome, instalações e eventos em família

 

Este ano o feriado relativo ao dia seguinte ao Chong Chao (Bolo Lunar) marca-se no calendário a 30 de Setembro, celebrando-se o chamado Festival da Lua, em que é habitual criarem-se lanternas artesanais com os mais diversos formatos e comer bolos lunares. Segue-se, nos dias seguintes, a semana dourada que marca mais um aniversário da implementação da República Popular da China.

A pensar nestas datas festivas tão importantes para a comunidade chinesa, as operadoras de jogo organizam vários eventos comemorativos. A Sociedade de Jogos de Macau (SJM) promove “Esplendor da Lua – Festival das Lanternas da SJM”, um evento organizado em parceria com a Sociedade de Artistas de Macau que apresenta “criações vibrantes de lanternas que destacam as tradições culturais chinesas” do território, com a assinatura “dos artistas mais talentosos da Ásia”.

Assim, a exposição decorre entre os dias 21 de Setembro e 10 de Novembro no Grand Lisboa Palace, no Cotai, e também no hotel Grand Lisboa. Foram convidados artistas asiáticos de renome como Rukkit, conhecido artista de arte urbana tailandês; ANTZ, também artista de arte urbana oriundo de Singapura, RUOB, vindo da China, e ainda Rainbo Peng, natural de Hong Kong.

A SJM convidou ainda artistas locais, nomeadamente a ilustradora Yolanda Kog; a artista multimédia Hera Ieong; o escultor Carlo Lio, conhecido pelos seus trabalhos em pedra; o pintor Wing Pun e o artista de escultura Yanlas Sou.

Poderão ser vistas 11 lanternas que expressam o estilo individual de cada artista, além de que a SJM organiza também diversos workshops para pais e filhos com os artistas participantes no evento.

Uma “superlua”

Também a Galaxy se associa a estas celebrações promovendo, em parceria com a Associação de Design de Macau, o “Festival de Arte de Lanternas da Galaxy”, com diversos eventos organizados a partir desta sexta-feira, dia 8, e até 31 de Outubro.

O festival inclui um concurso de design de lanternas destinado a jovens universitários e designers das cidades da Grande Baía, sendo os trabalhos expostos no empreendimento Galaxy Macau entre sexta-feira, dia 8, e 31 de Outubro.

O festival integra ainda a mostra de uma colecção de lanternas digitais da autoria de quatro designers bem conhecidos da China, Macau e Singapura. Estes “expressam a sua criatividade através da fusão de desenhos de lanternas tradicionais chinesas com a tecnologia de projecção de luz”, com recurso a uma parede com luzes LED que inclui “uma série contínua de obras de arte digitais”.

Uma das atracções especiais desta quadra festiva apresenta-se entre os dias 24 de Setembro e 8 de Outubro. Trata-se da instalação de uma “Superlua” gigante com seis metros de altura no empreendimento da Galaxy no Cotai, na zona conhecida como “The Lawn”. Segundo um comunicado da operadora, a instalação proporciona a quem a vê uma “experiência imersiva”. Destaque ainda para a realização de piqueniques ar livre em família, espectáculos e desfiles no mesmo local entre as 18h e as 23h nos dias 29 e 30 de Setembro, respectivamente, na véspera e no dia feriado do Festival da Lua ou do Meio Outono.

Design a rodos

A operadora associa-se ainda à organização da Semana do Design de Macau 2023, que se realiza entre os dias 11 e 24 de Setembro na Praça Oriental do empreendimento no Cotai. O evento junta 50 entidades e associações de design de Macau, Singapura e Japão, com a exibição de cerca de 80 trabalhos.

O empreendimento Broadway, também no Cotai, acolhe ainda o Festival de Gastronomia e Artesanato, que decorre entre 28 de Setembro e 8 de Outubro das 14h às 22h, onde se promove um “paraíso gastronómico” com ofertas e eventos que levarão os visitantes de regresso aos anos 50. Na rua cheia de bares e restaurantes decorrerão ainda diversas actividades dignas de serem registadas nas redes sociais com as melhores imagens, além de que as pequenas e médias empresas locais terão a oportunidade de mostrar os seus produtos.

As atracções especiais incluem a primeira Superlua de seis metros em Macau e o Festival de Comida e Artesanato da Broadway, juntamente com uma série de ofertas de F&B e de retalho temáticas do meio do Outono, e novas aberturas proporcionarão aos habitantes locais e aos turistas de todo o mundo uma experiência festiva a não perder.

‘Uma Faixa, Uma Rota’ | MNE italiano em Pequim para gerir danos

O chefe da diplomacia italiana, Antonio Tajani, iniciou ontem uma visita à China para gerir danos e negociar melhores termos com Pequim, apontaram vários analistas, numa altura em que Itália se prepara para abandonar a Iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

Itália é o único país do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias do mundo, que assinou um memorando de entendimento no âmbito do principal programa da política externa de Pequim. O acordo expira em Março de 2024, aguardando-se agora uma decisão formal da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, sobre a não renovação por mais cinco anos.

Antes de partir para a China, Tajani admitiu que a adesão de Roma à iniciativa chinesa não trouxe os resultados esperados. O ministro acrescentou que Itália gostaria de trabalhar com Pequim, mas que quer condições equitativas.

Citado pelo South China Morning Post, Wang Yiwei, especialista em assuntos europeus da Universidade Renmin, em Pequim, argumentou que Roma “não quer realmente desistir”, mas antes negociar termos mais benéficos com a China.

Itália pode tentar usar o actual momento geopolítico, numa altura em que a China tenta melhorar as relações com os governos europeus, face às tensões com Washington e os planos da União Europeia (UE) para reduzir riscos nas relações com o país, para “reforçar o seu poder negocial”, observou.

“Embora a China valorize a participação de Itália, não se vai deixar sequestrar por ameaças de desistência”, disse.

Para Noah Barkin, especialista nas relações Europa – China da consultora Rhodium Group, Tajani está numa “missão de gestão de danos”, para assegurar que Pequim não retaliará, caso Roma desista do acordo. “É pouco provável que Pequim inicie uma nova disputa com uma capital europeia.”

“O facto de não ter retaliado contra a Holanda, que restringiu o fornecimento de tecnologia para produção de ‘chips’ semicondutores, mostra que [a China] está preparada para ‘fingir que não viu’, em prol da estabilidade nos laços com a UE”, frisou.

Diplomacia | Xi não vai a cimeira do G20 na Índia

Pequim far-se-á representar em Nova Deli pelo primeiro-ministro Li Qiang que, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, irá promover o reforço da solidariedade e da cooperação internacional

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, não vai participar na cimeira do G20 na Índia, sendo substituído pelo primeiro-ministro, Li Qiang, anunciou ontem a diplomacia chinesa, num período de renovadas tensões entre Pequim e Nova Deli.

Um aviso colocado no portal do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês informa: “A convite do governo da República da Índia, o primeiro-ministro do Conselho de Estado, Li Qiang, participará da 18.ª Cimeira do G20, que se realiza em Nova Deli, na Índia, nos dias 09 e 10 de Setembro”.

As relações entre China e Índia deterioraram-se, nos últimos anos, devido à disputa fronteiriça que em 2020 resultou num violento confronto entre as tropas dos dois países. Os confrontos resultaram na morte de 20 soldados indianos e quatro chineses.

Os dois países também mantêm disputas comerciais. Pequim desconfia ainda dos crescentes laços estratégicos entre Índia e Estados Unidos.

A Índia ultrapassou recentemente a China como nação mais populosa do mundo e os dois países são rivais nos sectores da tecnologia, exploração espacial e comércio global.

Questionada sobre o motivo da ausência de Xi na cimeira, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, recusou responder.

“O G20 é um importante fórum para a cooperação económica internacional. A China sempre atribuiu grande importância e participou activamente nas actividades relevantes”, apontou Mao, em conferência de imprensa.

“O primeiro-ministro Li Qiang vai elaborar as opiniões e propostas da China sobre a cooperação no G20, promover o G20 para reforçar a solidariedade e a cooperação e trabalhar em conjunto para enfrentar os desafios económicos e de desenvolvimento globais”, disse.

Promessas de paz

Comandantes militares chineses e indianos comprometeram-se, no mês passado, a “manter a paz e a tranquilidade” ao longo da fronteira disputada.

Em causa está a Linha de Controlo Real, que separa os territórios controlados por chineses e indianos de Ladakh, no oeste, até ao estado de Arunachal Pradesh, no leste da Índia, que a China reivindica na totalidade. Índia e China travaram uma guerra nas suas fronteiras em 1962.

Como o próprio nome indica, a linha divide as áreas de controlo físico em vez de reivindicações territoriais.

Segundo a Índia, a fronteira de facto tem 3.488 quilómetros de extensão, mas a versão da China é um número consideravelmente menor. Ao todo, a China reivindica cerca de 90.000 quilómetros quadrados de território no nordeste da Índia, incluindo Arunachal Pradesh, cuja população é principalmente budista.

A Índia diz que a China ocupa 38.000 quilómetros quadrados do seu território no planalto de Aksai Chin, que a Índia considera parte de Ladakh, onde nos últimos anos confrontos ocorreram. A China, entretanto, começou a consolidar as relações com o principal rival da Índia, o Paquistão, e a apoiar Islamabade na questão da disputada Caxemira. Os confrontos de 2020 ocorreram com recurso a paus e pedras.

Desde então, Índia e China retiraram tropas de algumas áreas nas margens norte e sul de Pangong Tso, Gogra e Galwan Valley, mas continuam a manter tropas extra, como parte de uma implantação de vários níveis.

A ausência de Xi na cimeira também elimina a possibilidade de uma interacção com o Presidente dos EUA, Joe Biden.

Também o Presidente russo, Vladimir Putin, que enfrenta acusações de crimes de guerra pela invasão da Ucrânia pela Rússia, vai estar ausente da cimeira, embora planeie visitar a China, em Outubro.

Criado em 1999, o G20 reúne 19 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia e Reino Unido) e a União Europeia.

Sobre Buda

Crónica de Sofia Yao

O que aconteceu ao viajante? As nossas pernas já não precisam de aguentar a caminhada que nos trouxe até aqui? Os meus olhos já não são obrigados a suportar o peso de qualquer visão, a bem do futuro, é preciso calcar o passado.

Oh, Boddhisatva desta querida Terra, com tal força e ainda precisas de um protector. Choras pelos fracos que abandonaram o teu corpo? Desta vez o viajante não tinha crenças: uma jornada de vitória, uma manifestação de Canibalismo. Dentro do silêncio, afirmaste a tua narrativa. Suspenso, tu ponderas. Dizem que o pensamento é a arma mais poderosa. Quem? Quem precisa dos nossos pensamentos e são eles alguma vez transportados pelos lamentos, ou nunca podem escapar ao destino da tinta e do papel?

Só através do pensamento eu me torno o teu soldado e, no entanto, comecei a pensar porque prometeste libertar-me.

Secretismo dentro de montanhas, dentro de cavernas. O solilóquio é uma actuação; quem disse que eu queria vir a ter uma resposta? Ter companhia sem conversação, ter medo, mas também demonstrar força. Com os vapores dos cozinhados, todos regressamos ao vinho, à Terra.

Digo que existem suficientes pessoas sensatas neste Planeta! Tantas teorias, mas nenhum conteúdo. Não se pode atingir a sabedoria sem encontrar a solução para uma obsessão não resolvida. Para contemplar cada camada da nossa fixação: fascínio, paixão, limitação, co-existência. Temos de sair do nosso palácio não só para nos apercebermos de que existem outros reinos, mas para ver as pessoas, o invasor, o monge.

Lamento Boddhisatva, mas não tenho a tua força. Tenho de destruir o pedestal que distingue o corpo da mente. Sob a violência carnavalesca, o nosso corpo é destruído, sem que eu tenha possibilidade de ver a tua mente. Tenho de permanecer fiel às minhas sensações. Para deixar que o meu corpo faça voar um papagaio chamado mente.

Os comentários satíricos sobre os nossos actos de violência não justificam o acto em si. Porque é que nos sentimos confortáveis connosco próprios quando entramos na pele do “observador”? A câmara torna-se os nossos olhos renovados, sempre nítida, sem interferências da realidade permutável. Um gosto de beleza distorcido, onde um Buda na sua plenitude se torna indigno de nossa visão, porque a sua plenitude nos é incompreensível. Talvez precisemos da sua destruição para alcançar um sentimento de auto-piedade.

AMCM | Depósitos cresceram 1,2% em Julho

Os depósitos dos residentes cresceram 1,2 por cento em Julho, em comparação com Junho, tendo atingido 705,1 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem no âmbito das Estatísticas Monetárias e Financeiras, da Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Por sua vez, os depósitos dos não-residentes cresceram 1,0 por cento, tendo atingido 297,2 mil milhões de patacas, enquanto os depósitos do sector público cresceram para 221,6 mil milhões de patacas, representando um crescimento de 0,2 por cento.

Como resultado das alterações, o total dos depósitos da actividade bancária registou um crescimento de 1,0 por cento quando comparado com o mês anterior, tendo atingido 1.223,9 mil milhões de patacas. A proporção dos depósitos em patacas era de 20,5 por cento, em Hong Kong dólares de 45,3 por cento, 9,3 por cento em yuan, e 22,4 por cento em dólares americanos.

Em termos de empréstimos ao sector privado registou-se uma diminuição de 0,8 por cento, em relação em Junho, para 557,1 mil milhões de patacas em empréstimos. Também os empréstimos ao exterior tiveram uma redução, de 0,3 por cento para, 621,9 mil milhões de patacas.

Os empréstimos ao sector privado decresceram 0,6 por cento em relação ao mês anterior, tendo atingido 1.179,0 mil milhões de patacas. Entre estes, 18,8 por cento eram em patacas, 45,2 por cento em dólares de Hong Kong, 13,5 por cento em yuan e 20 por cento de dólares norte-americanos.

Jogo | Segmento de massas premium ultrapassou níveis pré-covid-19

A indústria do jogo de Macau recuperou em Agosto as receitas brutas do segmento de massas para cerca de 94 por cento dos níveis pré-pandemia. Porém, os resultados das mesas premium já ultrapassaram a barreira dos tempos infectados pela covid-19

 

O passado mês de Agosto voltou a bater o record mensal do novo paradigma comparativo entre os tempos antes e depois da pandemia, com as receitas dos casinos a ultrapassarem a fasquia dos 17,2 mil milhões de patacas, o melhor resultado desde Janeiro de 2020.

Após a divulgação dos resultados da indústria pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), os analistas da JP Morgan Securities (Asia Pacific) emitiram uma nota a destacar que o segmento de massas premium obteve resultados equivalentes a 110 por cento dos níveis pré-pandémicos.

No cômputo geral, a indústria apurou em Agosto receitas que ficaram a 71 por cento da facturação de 2019.

Os analistas concluem que os dados apresentados na sexta-feira pela DICJ implicam que no mês passado os casinos de Macau obtiveram receitas diárias de 555 milhões de patacas. A marca solidifica a tendência ascendente de receitas, depois de receitas diárias de 500 milhões de patacas no segundo trimestre do ano e de 537 milhões de patacas em Julho.

“Os números indicam que as receitas brutas do jogo de massas recuperaram para 93 a 94 por cento dos níveis pré-covid, superando os resultados de Julho”, destacam os analistas, citados pelo portal GGR Asia.

Água na fervura

Também no sector VIP foram registados progressos, apesar das fortes restrições impostas pela revisão da lei do jogo e pela campanha movida pelas autoridades chinesas ao jogo transfronteiriço. A JP Morgan denota que as receitas brutas do segmento VIP andaram entre 28 e 29 por cento dos níveis pré-pandemia, resultado que representa uma melhoria face aos níveis entre 23 e 24 por cento verificados no segundo trimestre deste ano.

Apesar dos resultados de Agosto, os analistas da JP Morgan puseram água na fervura em relação ao entusiasmo face aos sucessivos recordes batidos mensalmente, algo que não se deve manter este mês. “As receitas brutas do jogo em Setembro não vão deslumbrar ninguém, não só devido à sazonalidade, por ser um mês intermédio entre o Verão e a Semana Dourada de Outubro, mas também devido à passagem do super-tufão Saola no fim-de-semana”.

O período da Semana Dourada está marcado para os dias entre 29 de Setembro e 6 de Outubro, período em que é expectável que os hotéis de Macau esgotem a reserva de quartos. “A grande questão que se coloca agora é saber quanto vão jogar os hóspedes”, apontam os analistas.

SMG | Emitido sinal número 1 face à aproximação do tufão Haikui

Cerca de 28 horas após a passagem do Saola, o território volta a estar em alerta, desta vez para o tufão Haikui, que obrigou à retirada de mais de sete mil pessoas de zonas de alto risco em Taiwan

 

Macau emitiu ontem, pelas 04:00, o sinal de alerta 1 face à aproximação do tufão Haikui, 28 horas depois de ter baixado o último alerta devido ao super tufão Saola.

Às 05:00, o Haikui encontrava-se a cerca de 680 quilómetros a leste de Macau, movendo-se a uma velocidade média de 10 quilómetros por hora, indicaram os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau. “Espera-se que as condições permitam chegar à conclusão de que Macau virá a ser afectado, posteriormente”, disseram os SMG.

Durante o dia de hoje, havia a possibilidade de ser içado o sinal número três de tufão, embora a probabilidade fosse “relativamente baixa”. A escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, cuja emissão depende da proximidade da tempestade e da intensidade do vento.

O tufão já atingiu a costa leste da ilha de Taiwan e, caso mantenha a trajectória, deverá entrar hoje no mar do Sul da China, seguindo depois em direcção às províncias de Fujian ou Guangdong, no leste da China.

O Haikui, o primeiro tufão a passar directamente sobre Taiwan em quatro anos, obrigou as autoridades a retirarem cerca de sete mil pessoas de zonas de alto risco, no leste da ilha, e a suspenderem as operações em pelo menos três linhas ferroviárias (ver pag15).

O Ministério do Interior informou que mais de 2.800 pessoas foram retiradas de sete cidades da Taiwan, principalmente da zona montanhosa de Hualien.

Partes do sul de Taiwan estavam sob aviso de chuvas “extremamente fortes ou torrenciais”, que poderão atingir 700 milímetros em algumas zonas montanhosas, segundo a agência espanhola EFE. Mais de 200 voos domésticos foram cancelados e escolas e escritórios encerrados no Sul e no Leste da ilha.

Nem arrefeceu

Macau voltou a emitir o sinal de alerta 1, apenas 28 horas depois de ter baixado o último alerta emitido devido à passagem do super tufão Saola.

Tal como aconteceu na China continental e na vizinha região administrativa especial chinesa de Hong Kong, Macau chegou a emitir o alerta máximo, de nível 10, o que levou ao acolhimento de 250 pessoas em centros de emergência e ao registo de cinco feridos.

O Governo de Macau decretou também o encerramento dos casinos, serviços públicos, escolas e parques de estacionamento, tendo sido cancelados mais de 200 voos no aeroporto internacional.

Em Setembro de 2018, o tufão Mangkhut provocou 40 feridos e inundações graves no território. Um ano antes, o Hato, considerado o pior tufão em mais de 50 anos a atingir o território, causou dez mortos e 240 feridos.

Coutinho pede reforço de meios para a saúde mental

José Pereira Coutinho questiona se os recursos disponíveis para tratar problemas mentais no território são suficientes. A questão é colocada através de uma interpelação escrita, divulgada ontem pelo gabinete do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, em que são abordados os problemas mentais em contexto laboral.

O legislador pede ainda que a eficácia da rede de apoio e tratamento ligada aos Serviços de Saúde seja avaliada. Pereira Coutinho destaca que é preciso conhecer a “suficiência ou insuficiência dos recursos humanos especializados”, a qualidade do serviço e dos equipamentos e se o atendimento é prestado em tempo útil a quem mais precisa.

No mesmo sentido, Coutinho pede que sejam divulgados dados sobre “a percentagem de serviços públicos dotados de pessoal habilitado e com capacidade” para “a implementação de procedimentos formais para lidar com problemas relacionados com a depressão, ansiedade e o stress”.

Ambiente | Importação de pratos e copos de plástico proibida

A partir do próximo ano a importação para o território de “pratos descartáveis, de plástico” e “copos descartáveis, de plástico” está proibida. A informação consta de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo e publicado ontem no Boletim Oficial.

“O Governo da RAEM promove, progressivamente, medidas de restrição ao uso de plástico, para garantir a qualidade do ambiente em Macau”, apontou o Executivo, em comunicado. De acordo com a mesma mensagem, foi indicado que a proibição foi implementada depois de ter sido “feita uma análise extensiva à situação real em Macau” e de ter sido estudada a “situação das regiões” mais próximas.

Também a importação de “bandejas descartáveis de esferovite para produtos alimentares” passa a estar proibida, de acordo com o despacho de ontem.

Esta não é a primeira importação de produtos de plástico descartáveis a ser proibida. Desde 2022 que o Governo proíbe a importação de palhinhas descartáveis de plástico não-biodegradável e de misturadores de plástico, ou seja, os “pauzinhos” utilizado para mexer as bebidas.

No início deste ano, a proibição de importação passou a abranger talheres descartáveis. Nos dois casos, as proibições foram anunciadas no Verão anterior a entrarem em vigor.

Como parte do acompanhamento da medida, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) prometeu fazer uma sessão de apresentação das alterações, para explicar o impacto dos novos regulamentos às associações comerciais. Estas sessões, apontou o Governo, vão “garantir a implementação sem problemas das medidas de controlo” do plástico.

Cheias | Deputado dos Moradores pede rapidez nas obras

Após a passagem do tufão Saola, Leong Hong Sai defendeu a necessidade de completar o mais depressa possível os projectos de prevenção de cheias e pediu uma alternativa à barragem de marés no Porto Interior

 

Após a passagem do tufão Saola pelo território, Leong Hong Sai apelou ao Governo para acelerar os projectos e obras relacionados com a prevenção de cheias. O pedido foi deixado em declarações ao Jornal do Cidadão.

Segundo o deputado ligado aos Moradores, apesar de o Saola ter poupado o território a grandes impactos, “os tufões nunca devem ser subestimados”, razão pela qual defende que uma preparação “compreensiva” com vários planos de resposta a calamidades naturais.

No que diz respeito às cheias, Leong Hong Sai pediu ao Governo para “acelerar a implementação do plano de controlo e prevenção das cheias”, na Zona Oeste de Coloane, que indicou ser um dos pontos mais vulneráveis a inundações.

Nesse sentido, o membro da Assembleia Legislativa defende também que é necessário encontrar uma alternativa para a barragem de marés no Porto Interior. Este é um projecto antigo, que tinha recuperado um novo fôlego com a passagem do tufão Hato, que provocou 10 vítimas mortais. Contudo, desde Fevereiro que o Executivo anunciou a intenção de desistir da barragem, após um estudo de viabilidade, por considerar que os custos não justificam os benefícios e por entender que a altura das portas da barragem pode deixar de ser suficiente para evitar as cheias a médio prazo.

Leong Hong Sai não se mostra conta o cancelamento do projecto, mas apela para que a construção de várias estações elevadas e a instalação de bombas na zona sejam aceleradas.

Melhorias no trânsito

Em relação ao tufão recente, Leong Hong Sai destacou a necessidade de melhorar a situação do trânsito, principalmente quando apenas o tabuleiro inferior da Ponte Nam Van está aberto. “Quando só está aberto o tabuleiro inferior, após ser içado o sinal 8 ou superior, a ligação deixa de ser suficiente. O trajecto que em condições normais demoraria 10 minutos, passa a demorar quase uma hora”, afirmou o legislador.

Leong apelou assim para que se encontrem alternativas e que as autoridades arranjem forma de apoiar o trânsito com os meios necessários, nos dias de tufão e quando os cidadãos precisam de se deslocar.

A lição da ponte Nam Van deve ser também, segundo o deputado, aplicada nas futuras ligações às Zonas C e D dos Novos Aterros. As autoridades indicaram no passado terem planos para construir ligações que tivessem disponíveis em todas as situações. Leong veio ontem pedir que sejam divulgados mais pormenores sobre os planos, mesmo que a construção da Zona C esteja suspensa.

Em relação aos autocarros públicos, pediu ao Governo para que melhore a coordenação e que quando o sinal de tufão número 3 é içado que o número de autocarros em circulação aumente. Leong revelou ter recebido queixas sobre a sobrelotação dos autocarros e as dificuldades sentidas pelos cidadãos para chegarem a casa, ou a abrigos de acolhimento, antes de o sinal número 8 de tufão ser içado.

Metro vai ligar-se a comboio de alta velocidade em Hengqin

Foi lançado, na última quinta-feira, o concurso público para o estudo de concepção da ligação do comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai-Macau ao centro da ilha de Hengqin e ao sistema de metro ligeiro de Macau.

Segundo informações divulgadas na quinta-feira pela Direcção dos Serviços de Planeamento Urbanístico e Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o comboio, que já faz a ligação entre Zhuhai e Hengqin, até ao parque Chimelong, terá mais uma ligação com o centro de Hengqin. Será depois estudada a conexão com a estação do metro ligeiro de Macau junto à fronteira com o comboio rápido, numa distância que varia entre sete e nove quilómetros.

Prevê-se que o comboio de alta velocidade circule a 350 quilómetros por hora num percurso com sete paragens, começando na zona norte da cidade de Guangzhou com ligações ao aeroporto de Baiyun, Yuzhu, Nansha, Zhongshan, Hezhou, em Zhuhai e ilha de Hengqin.

Até Chimelong

Recorde-se que já está em funcionamento a linha de comboio de alta velocidade intermunicipal Guangzhou-Zhuhai, que passa pelas cidades de Foshan e Zhongshan até chegar a Zhuhai, bem perto do posto fronteiriço de Gongbei. Em 2020, a linha expandiu-se para a zona do Chimelong, em Hengqin, onde existe também um espaço reservado para uma futura conexão com o sistema de metro ligeiro de Macau.

O concurso público para o comboio de alta velocidade inclui ainda um estudo de integração urbanística entre a estação de comboios de Hengqin e os restantes meios de transporte e zona pedonal. Prevê-se que o planeamento e construção durem até 2035, sendo que o orçamento apenas para a concepção é de 5,6 milhões de renminbis.

As autoridades entendem que o comboio rápido e as ligações que irá proporcionar “é um importante projecto de apoio à promoção da prosperidade e estabilidade a longo prazo de Macau”, bem como a “aceleração da construção” da Zona de Cooperação Aprofundada.

Guangdong | Song Pek Kei defende mais quotas de circulação

A deputada de Fujian critica a “dualidade de critérios” no facto de o Governo aumentar as quotas para circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, mas não permitir mais viaturas a circular para Cantão

 

Após o anúncio do aumento de quotas de circulação para os veículos de Macau na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, Song Pek Kei veio defender também o aumento das quotas para que mais veículos possam aderir ao programa “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong”. O pedido foi feito através de uma interpelação escrita, citada pelo Jornal do Cidadão.

Há quase duas semanas, as autoridades anunciaram o aumento de 544 quotas para utilização da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Todavia, ao contrário do que tinha sido pedido por vários deputados, as quotas para a circulação em Cantão não sofreram qualquer alteração.

No início de Agosto, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, tinha justificado na Assembleia Legislativa que não haveria aumento das quotas para circular em Guangdong, para não aumentar o trânsito na Zona Norte, onde se registam congestionamentos frequentes.

No entanto, para a deputada, ligada à comunidade de Fujian, a explicação é incompreensível face ao aumento das quotas para circular na megaponte, porque os acessos são os mesmos para ir a Cantão: “Esta dualidade de critério das autoridades leva inevitavelmente a que os residentes fiquem confusos com a situação”, apontou Song. “Também não é uma medida que promova a integração dos residentes no desenvolvimento da Grande Baía”, acrescentou.

Subir a parada

Face à situação, Song questiona se o Governo vai aumentar as quotas para circular no Interior e aponta que o programa “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong” é mais popular do que a circulação na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

A legisladora também considera, com base nos dados revelados anteriormente, que a fronteira para entrar em Cantão na Ponte HZM está a funcionar abaixo da sua capacidade. Por isso, questiona o Executivo se tem planos para implementar medidas de agilização da passagem de fronteira para viaturas particulares, de forma a que mais carros de Macau circulem em Guangdong.

Ainda para fazer face ao argumento de que a Zona Norte da cidade está a ser afectada pelo trânsito para o Interior, Song Pek Kei sugere que a população possa utilizar outras fronteiras, como o posto da Ilha da Montanha, para realizar a passagem.

No passado, o Governo afastou a possibilidade de a fronteira de Hengqin ser utilizada, devido à tecnologia de reconhecimento das matrículas ser diferente, mas Song Pek Kei indicou que este não deve ser um factor que impeça uma maior integração.

SAFP | Saída de Kou Peng Kuan pode ser reconhecimento, diz analista

Não se podem apontar grandes erros no percurso de Eddie Kou Peng Kuan à frente dos Serviços de Administração e Função Pública, na óptica do académico Bryan Ho, que encara a saída para o Centro de Formação Jurídica e Judiciária como possível reconhecimento. Já Pereira Coutinho não encontra um único ponto positivo na liderança de Kou Peng Kuan

Eddie Kou Peng Kuan esteve oito anos à frente dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e, agora, é a vez de passar o testemunho a Ng Wai Han, e desempenhar funções como director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária.

Tendo em conta que a área do funcionalismo público sempre foi alvo de inúmeras críticas, devido à burocracia e lentidão dos serviços, analistas ouvidos pelo HM não apontam grandes reparos a Eddie Kou Peng Kuan.

Bryan Ho, docente da Universidade de Macau (UM) e especialista em governança e administração pública, defende mesmo que a nomeação para o Centro de Formação Jurídica e Judiciária pode ter duas leituras.

“Em primeiro lugar, Kou Peng Kuan não cometeu erros graves durante o tempo em que esteve à frente dos SAFP, apesar de algumas dificuldades e desafios que ainda estão por resolver. Em segundo lugar, o seu desempenho relativamente bom e a sua contribuição para a Função Pública e para a sociedade de Macau foram reconhecidos.”

José Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), destaca o facto de o ex-director dos SAFP ser “uma pessoa de bom trato”, mas incapaz de “sobressair devido às anteriores tutelas que nunca tiveram a preocupação de resolver os importantes problemas internos da Função Pública, causadores de inúmeras injustiças”.

Coutinho destaca entre as falhas de Kou Peng Kuan a “contagem do tempo eventual de serviço para efeitos de cálculo das pensões de aposentação, a implementação da retroactividade dos índices de forma igualitária, a pouca transparência da Comissão de Avaliação das Remunerações da função pública” ou ainda “a inutilidade da Comissão de Tratamento e Gestão de Queixas da função pública”.

O deputado e dirigente associativo não consegue realçar, pela positiva, uma única medida de Kou Peng Kuan, que fez parte “do grupo de responsáveis pela criação e extinção de vários gabinetes de apoio”. Em suma, o deputado descreve que “muito pouco foi feito ao nível da simplificação dos procedimentos administrativos” enquanto liderou os SAFP.

“Relativamente bom”

Para Bryan Ho, Kou Peng Kuan teve, nestes oito anos, “um desempenho relativamente bom” na liderança dos SAFP, “empenhando-se na construção de uma Função Pública eficiente para a sociedade”. O académico destaca a criação do serviço de “Conta Única de Macau”, introduzido em 2019 que permite o tratamento online de inúmeras burocracias.

Bryan Ho recorda momentos menos bons do mandato do ex-director, nomeadamente quando o Comissariado de Auditoria “revelou num relatório o aumento da despesa pública relacionado com o sistema de recrutamento gerido pelos SAFP”, e “o desperdício de dinheiros públicos devido à sua ineficiência”. Nessa altura, “os jornalistas perguntaram se Kou assumiria as responsabilidades, demitindo-se do cargo em prol da responsabilização política”. Este manteve-se à frente dos SAFP.

“No contexto de Macau, as questões relativas a um sistema ineficaz e confuso de recrutamento na Função Pública podem ser mais complicadas do que parecem. O sistema de recrutamento foi objecto de reformas e obteve alguns resultados, mas também gerou muitos outros problemas imprevistos”, rematou o académico da UM.

Um novo dia

O ex-director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Kou Peng Kuan tomou posse como director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ) na passada sexta-feira, prestando juramento numa cerimónia presidida pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, e testemunhada pelo chefe do gabinete do secretário para a Administração e Justiça, Lam Chi Long.

Durante a cerimónia, Kou Peng Kuan agradeceu a André Cheong “pela confiança depositada, afirmando que irá, em conjunto com a equipa, continuar a empenhar-se na prossecução das atribuições do CFJJ”. O novo director prometeu dedicação na “formação profissional nas áreas da justiça e do direito, com base nos trabalhos realizados e os bons resultados obtidos no passado”.

A chegada ao topo da hierarquia do CFJJ é mais um passo numa carreira que começou a ser construída com a licenciatura em Gestão Empresarial pela Universidade Ji Nan, mestrado em Direito Económico pela Universidade Sun Yat-Sen e doutoramento em Administração Pública pela Universidade Popular da China.

O ingresso na função pública aconteceu em 1991, mais precisamente como técnico superior do Centro de Formação para a Administração Pública. Ao longo dos anos, Kou Peng Kuan passou pelos cargos de adjunto da divisão de formação, chefe da divisão de formação e chefe do departamento de modernização administrativa dos Serviços de Administração e Função Pública. A escalada no organismo levaria Kou Peng Kuan a desempenhar o cargo de subdirector dos SAFP em 2011 e director a partir de 2015, cargo que ocuparia até à nomeação para o CFJJ.

História com barbas

Quando Kou Peng Kuan ingressou na função pública, os SAFP ainda não existiam. Na altura, a gestão e operacionalidade dos serviços administrativos estavam fragmentados em vários organismos dispersos, como os Serviços de Administração Civil, as Administrações de Concelho de Macau e das Ilhas e o Posto Administrativo de Coloane. Estes organismos haviam sido criados nos primórdios do Estado Novo pela implementação da Reforma Administrativa Ultramarina de Portugal, através de um decreto-lei aprovado pelo Ministério das Colónias em 15 de Novembro de 1933.

Cinquenta anos depois, ainda durante a administração portuguesa de Macau, era aprovado o decreto-lei que instituiu a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, a 1 de Dezembro de 1983.

O novo organismo transferiu e centralizou as competências das entidades da administração ultramarina portuguesa sobre Macau. Além disso, o organismo ficou incumbido das missões de “estudar, promover, coordenar a optimização e inovação das políticas de administração e função pública e impulsionar o aumento contínuo de desempenho administrativo”, assim como “melhorar constantemente o sistema de função pública”. A página dos SAFP acrescenta à lista de missões a formação de uma equipa de trabalhadores altamente eficiente, que estabelece uma cultura de serviços de qualidade.

Ng Wai Han tomou posse como directora da SAFP

A tomada de posse de Ng Wai Han para o cargo de directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) realizou-se na sexta-feira, numa cerimónia presidida pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong. O governante destacou que os SAFP desenvolveram instrumentos e medidas para melhorar a governação electrónica e a optimização de procedimentos administrativos.

André Cheong exortou ainda Ng Wai Han e os colegas a empenharem-se no cumprimento das suas funções, tendo por base os “trabalhos promovidos no passado, como a reforma da administração pública, optimização do regime jurídico da função pública, promoção da governação electrónica, aperfeiçoamento das acções de formação dos trabalhadores da administração pública”.

Por sua vez, Ng Wai Han prometeu que irá enfrentar os desafios inerentes ao cargo com uma atitude baseada em “pragmatismo, inovação e empenho” e em conjugação com a orientação governativa do Governo.

Ng Wai Han é licenciada em Direito e mestre em Direito Criminal pela Universidade de Zhongshan, de Guangzhou. Em 1999, ingressou na função pública como técnica superior na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), de 2013 a 2016 desempenhou funções de Chefe da Divisão de Estudos do Departamento de Estudos e Informática, Chefe da Divisão das Relações Laborais do Departamento de Inspecção do Trabalho e posteriormente Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho.

Em Novembro de 2016 assumiu o cargo de subdirectora da DSAL substituta, tendo em Junho de 2017 iniciado funções como subdirectora da DSAL. Desde Junho de 2020 tem exercido o cargo de subdirectora do SAFP.

China tenta reorientar economia de crescimento “fictício” para “genuíno”

O período de intenso crescimento económico da China acabou, à medida que Pequim tenta desalavancar a economia e reorientar o investimento para activos produtivos e estratégicos, apesar dos riscos inerentes, apontaram analistas à Lusa.

A sequência de dados económicos negativos – deflação, crise imobiliária ou altas taxas de desemprego jovem – são consequência da determinação do Presidente chinês, Xi Jinping, de abandonar um modelo de crescimento assente no endividamento, que resultou numa espectacular transformação do país, mas também em muito “crescimento fictício”, observou Michael Pettis, professor de teoria financeira na Faculdade de Gestão Guanghua, da Universidade de Pequim.

“O excesso de investimento em todo o tipo de projectos de construção inflaciona o crescimento na China há vários anos”, descreveu à agência Lusa.

Na última década, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, cerca de cem aeroportos ou dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média em centenas de milhões de pessoas.

Guizhou, uma das mais empobrecidas províncias chinesas, por exemplo, construiu, algumas das pontes mais altas do mundo, incluindo uma travessia sobre o rio Duge Beipan, com 565 metros de altura, ou a ponte Pingtang, com 332 metros de altura, que atravessa o desfiladeiro do rio Caodu.

A dívida local é agora também das mais altas do país: 1,2 biliões de yuan, ou 137% do PIB (produto interno bruto) da província.

“A maioria dos quadros [do Partido Comunista] conseguiu adaptar-se activamente aos novos requisitos de desenvolvimento, mas alguns não estão a conseguir acompanhar”, advertiu Xi, num discurso recente. “Há quem ache que desenvolvimento consiste em lançar projectos, realizar investimentos e expandir em escala”, observou.

Na visão do líder chinês mais forte das últimas décadas, a China deve alcançar um crescimento “genuíno” e converter-se numa potência industrial e tecnológica de nível mundial, com uma economia assente na produção de bens com valor acrescentado e alocação eficiente de recursos. Xi pediu que o país se concentre em objectivos de longo prazo, “em vez de visar apenas riqueza material a curto prazo”.

“Os países ocidentais enfrentam cada vez mais problemas”, observou. “Eles não conseguem conter a natureza gananciosa do capital”.

A primeira vítima de Xi foi o imobiliário: em 2021, os reguladores chineses restringiram o acesso do sector ao crédito bancário, suscitando uma crise de liquidez. Uma das maiores construturas do país, o Grupo Evergrande, colapsou. Dezenas de outros grupos estão a negociar a restruturação das suas dívidas. O mais recente é a Country Garden, que está entre as 500 maiores empresas do mundo.

Isto acarreta “grandes riscos” para a economia do país, já que o imobiliário concentra 70 por cento da riqueza das famílias chinesas e 40 por cento das garantias detidas pelos bancos, segundo estimativas do Citigroup Inc. O impacto sobre a riqueza das famílias reduziu também o apetite pelo consumo, num segundo golpe para o crescimento.

Bons indicadores

Alguns dos planos de Pequim estão a correr de feição: a China ultrapassou, este ano, o Japão como o maior exportador de automóveis do mundo e a transição energética a nível global depende dos painéis solares, turbinas eólicas e baterias produzidas no país.

“Poucos parecem perceber que a China está a liderar o mundo a nível de geração de energia renovável e produção de veículos eléctricos”, disse Elon Musk, que em 2019 inaugurou em Xangai a maior fábrica da Tesla fora dos Estados Unidos. “Independentemente do que se pense da China, isto é simplesmente um facto”.

Um estudo divulgado este mês pelo grupo de reflexão (‘think tank’) German Economic Institute (IW) indicou que os fabricantes chineses ocupam uma quota cada vez maior nas importações europeias de produtos industriais avançados, uma área na qual a Alemanha é tradicionalmente líder.

“Durante décadas, os produtos alemães dominaram o mercado europeu, mas os concorrentes chineses estão rapidamente a ganhar terreno”, advertiu.

Pequim estima que esta “nova economia” cresceu 6,5 por cento, no primeiro semestre do ano, em termos homólogos, compondo agora mais de 17 por cento do PIB. Em contraste, os gastos com construção imobiliária caíram quase 8 por cento no mesmo período.

“É uma mistura de coisas boas e más”, resumiu Steve Hoffman, presidente executivo da Founders Space, uma das principais incubadoras e aceleradoras de ‘startups’ do mundo, à agência Lusa, numa visita recente a Pequim.

“A bolha no imobiliário está a rebentar, como rebentou no Japão, nos anos 1990, e nos Estados Unidos, em 2008”, apontou. “São fenómenos cíclicos”, observou. “Mas eu vejo a China numa posição muito forte a longo prazo, simplesmente porque tem um mercado e economia enormes e está agora a produzir bens avançados e muito competitivos”.

Religião | Papa saúda povo da China a partir da Mongólia

O Papa Francisco celebrou missa para cerca de dois mil católicos na Mongólia. Do país vizinho, aproveitou para enviar mensagens de solidariedade e amizade ao povo chinês

 

O Papa aproveitou ontem a viagem à Mongólia, vizinha da China, para saudar o povo chinês. “Estes dois irmãos bispos, o bispo emérito de Hong Kong e o actual bispo, quero aproveitar a sua presença para enviar uma saudação calorosa ao nobre povo chinês”, disse Francisco, de surpresa, no final de uma missa em Ulan Bator.

O Papa desejou que o povo chinês “avance sempre e faça progressos”. “E aos católicos chineses, peço-vos que sejam bons cristãos e bons cidadãos. A todos”, acrescentou, citado pela agência espanhola EFE.

Francisco, 86 anos, celebrou ontem uma missa num estádio em Ulan Bator perante cerca de dois mil fiéis, incluindo católicos de outras nações asiáticas, como o Vietname, as Filipinas e a China.

Perante uma multidão entusiasta, Francisco deu a volta à arena num carrinho de golfe ao lado do cardeal italiano Giorgio Marengo, um missionário de longa data na Mongólia e, aos 49 anos, o cardeal mais jovem da Igreja Católica. Em seguida, foi conduzido ao palco, onde estava colocada uma cruz gigante, para presidir à missa.

No final da missa, gritou “bayarlalaa!”, obrigado em mongol, aos “irmãos e irmãs da Mongólia”, de acordo com o relato da agência francesa AFP.

A visita do Papa “prova a solidariedade da humanidade”, disse à AFP Natsagdorj Damdinsuren, director de um mosteiro budista na Mongólia.

“Sou apenas um humilde monge budista, mas para mim, a guerra e os conflitos são os acontecimentos mais trágicos do nosso tempo. Suponho que as outras religiões concordam comigo”, acrescentou. Nomin Batbayar, um estudante mongol de 18 anos presente na missa, congratulou-se com o apelo do Papa ao diálogo inter-religioso.

“Sinto que ele é uma pessoa verdadeiramente autêntica, e é por isso que há mil milhões de pessoas no mundo que acreditam nele e o apoiam”, afirmou. “A China não o apoia verdadeiramente, mas o seu povo está presente hoje”, observou.

Francisco chegou à Mongólia na sexta-feira para visitar a pequena comunidade católica local de cerca de 1.400 fiéis. O Papa argentino tornou-se o primeiro chefe da Igreja Católica a visitar a nação asiática com uma população maioritariamente budista.

Hong Kong presente

Por a Mongólia estar encravada entre a Rússia e a China, esperava-se uma representação de peregrinos dos dois países na missa. Nenhum bispo da China continental terá sido autorizado a viajar para a Mongólia durante a visita do Papa, segundo as agências internacionais.

Apenas o antigo cardeal chinês e bispo emérito de Hong Kong, John Tong Hon, e o actual bispo, Stephen Chow, que será nomeado cardeal pelo Papa no final de Setembro, assistiram à visita do Papa.

No estádio, um grupo de cerca de 40 católicos de Hong Kong exibiu as respectivas bandeiras e estandartes, segundo a EFE. Ao lado, cerca de 20 pessoas provenientes do norte da China ergueram a bandeira chinesa quando o Papa passou no local antes de celebrar a missa.

“Sempre esperámos por isso”, disse Yan Zhiyong, um empresário católico chinês na Mongólia, à agência norte-americana AP. “Esperamos realmente que, gradualmente, o nosso Governo e os nossos dirigentes o aceitem e o convidem a visitar o nosso país”, acrescentou.

A China não reconhece a autoridade do Papa em relação aos católicos no país, que estão subordinados à Associação Patriótica Católica Chinesa, um organismo estatal fundado em 1957. O Papa deixa hoje a Mongólia.