EventosFAM | Apresentada programação de edição de 2026. Tiago Rodrigues traz nova peça ao festival Hoje Macau - 29 Abr 2026 Arranca no próximo dia 8 de Maio mais uma edição do Festival de Artes de Macau, que traz ao território uma peça do encenador português Tiago Rodrigues. O monólogo “Entrelinhas” é interpretado por Tonan Quito e é um dos destaques da programação, que traz também mais uma peça dos Doci Papiaçam di Macau: “Agora como?” (E agora?), em patuá O monólogo “Entrelinhas” do português Tiago Rodrigues, interpretado por Tónan Quito, é um dos destaques da 36.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que arranca a 8 de Maio, foi ontem anunciado. Numa conferência de imprensa, a presidente do Instituto Cultural de Macau (ICM), Leong Wai Man, sublinhou que apesar de ser um monólogo, o espectáculo consegue, “através de uma pessoa a actuar num palco, contar uma história completa”. “Entrelinhas” estará a 19 e 20 de Maio na Galeria dos Espelhos do Teatro D. Pedro V. Dada a ligação histórica entre Macau e Portugal, a peça “faz todo o sentido” para a edição de 2026 do FAM, cuja tema é “Rota Marítima da Seda como Ponte para o Intercâmbio Cultural”. O ICM sublinhou que Tiago Rodrigues, dramaturgo, encenador, actor, director artístico do Festival d´Avignon, escreveu a peça especialmente para Tónan Quito, numa das várias colaborações entre os dois. “Através de um labirinto narrativo, entrelaça o Édipo Rei de Sófocles com as cartas de um recluso à sua mãe — palavras encontradas nas entrelinhas de uma tragédia grega descoberta na biblioteca de uma prisão”, explicou o ICM. Na apresentação do programa, o ICM recordou que a “relação intimista com o público” de “Entrelinhas” valeu a Tónan Quito a nomeação para Melhor Actor pela revista Time Out em 2024. Em Abril de 2025, Macau recebeu a peça “O Cerejal”, original do dramaturgo russo Anton Tchékhov, com encenação de Tiago Rodrigues e interpretada pela actriz francesa Isabelle Hupert. Apoio cultural Com um orçamento de 22 milhões de patacas, menos 6 por cento do que em 2025, o FAM vai apresentar, entre 8 de Maio e 27 de Junho, espectáculos e actividades de ópera, dança, música, artes teatrais e exposições. A companhia local Dóci Papiaçám di Macau irá levar ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM) a peça em patuá “Agora como?” (E agora?), em 23 e 24 de Maio. O teatro neste crioulo de origem portuguesa faz parte da Lista de Património Cultural Imaterial Nacional chinesa desde 2021. À margem da apresentação, o encenador dos Dóci Papiaçam, Miguel Senna Fernandes, disse que a peça irá abordar “a distância bastante grande” entre “a recuperação brutal” dos negócios dos casinos e as dificuldades económicas dos pequenos negócios. “No fundo, é questionar até que ponto, para aqueles que gostam de Macau, querem ficar e recusam-se a partir, o que fazer?” explicou Senna Fernandes. O encenador acrescentou que será “uma espécie de tragicomédia”, mas “com muita picardia”. “Afinal, julgo que neste momento somos o único grupo de sátira aqui em Macau”, sublinhou Senna Fernandes. Doci não encerram Ao contrário do que é tradição, os Dóci Papiaçám di Macau não irão encerrar o festival. A presidente do ICM justificou a alteração com a extensão da FAM, que este ano “dura mais tempo, quase dois meses”. Mas Leong Wai Man lembrou que o patuá “faz parte da cultura de Macau”, defendeu que a peça “continua a ser uma actividade de destaque” e que “é muito amada pelos residentes”. A dirigente disse que o festival irá ainda assinalar o ano de intercâmbio cultural entre a China e o Cazaquistão, que se celebra em 2026. O espectáculo de abertura é “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”, que junta no CCM o Grupo de Danças e Cantares Birlik, do Cazaquistão, com grupos de dança locais. Também do Cazaquistão vem a Companhia de Dança Teatro Jolda, que leva ao palco do CCM o trabalho “Duo de Dança”, em 22 e 23 de Maio. O programa inclui ainda uma mostra de espectáculos ao ar livre, de entrada gratuita, nos dias 22, 23 e 24 de Maio, no Jardim do Mercado de Iao Hon, com a participação da associação Casa de Portugal em Macau.