A quinta vaga João Romão - 10 Set 2021 São já quase dois anos de convívio com o covid-19 no Japão, começa a haver sinais de abrandamento da quinta vaga e está para breve a chegada do terceiro chefe de governo desde o início da pandemia. O primeiro a abandonar foi Shinzo Abe, após sete anos e oito meses como primeiro-ministro, o período mais longo na história do Japão. Evocou problemas de saúde – tal como tinha feito em mandato anterior, terminado em 2007 – mas já se acumulavam suspeitas de favorecimentos diversos em negócios do estado, além de manifestos sinais de insucesso das profundas reformas na política económica que implementou – a pomposamente chamada “Abenomics”, de fracos resultados, afinal. Desta vez foi Yoshihide Suga, o anterior ministro do governo de Abe que o havia de substituir no cargo, a demitir-sai após um ano deste exercício, assumindo a responsabilidade pelo descontrole que se vive hoje no país em relação à pandemia. Os primeiros casos verificaram-se em Janeiro de 2020, os números de infecções sempre estiveram longe das calamidades que se viveram noutras paragens, mas foram-se sucedendo novas “vagas” de infecções, cada vez maiores. Os temores que se foram expressando em relação ao perigo das Olimpíadas afinal não se justificaram (foram pouquíssimos os casos associados aos Jogos) mas ainda assim o Japão vive hoje o seu pior período de convivência com o vírus, com grande parte do país num estado de emergência que foi oficialmente prolongado à data em que escrevo (quinta feira, 9 de Setembro). A primeira vaga de infecções, iniciada em final de Janeiro de 2020, teria o seu ponto máximo em meados de Abril, com uma média semanal inferior a 550 novos casos por dia, valor que hoje parece insignificante para uma população de 126 milhões de pessoas (menos de meio caso por 100 mil habitantes, portanto). Parece pouco mas na altura impunha receios, sobretudo pela desconhecimento do que estava por vir e de como lidar com um problema que nessa primavera chegava à Europa e à América, depois de um inverno exclusivamente asiático. A segunda “vaga” havia de chegar no Verão e de ter o seu ponto culminante durante a primeira metade do Agosto, com a média semanal de novos casos a chegar ao valor máximo de 1.380, já mais de 1 caso por cada 100.000 habitantes, mas com grandes variações regionais e uma larga concentração nas grandes áreas metropolitanas de Tóquio e Osaka (além da ilha de Hokkaido, que se destacou desde o início e ainda hoje é zona particularmente problemática). A viver em Sapporo, foi aí que comecei o meu contacto com a pandemia desde o seu início em terras japonesas, mas neste verão já estava na tranquilidade de Hiroshima, até então praticamente imune ao vírus. Outras duas vagas haviam de se seguir, com durações e dimensões semelhantes e números máximos de novos casos francamente superiores: no início de Janeiro de 2021 atingiu-se uma média de 6.445 casos por semana (mais de 5 por cada 100 mil habitantes) e em meados de Maio chegou-se a um número bastante semelhante (6.460). Em ambas as situações, a cidade de Hiroshima, onde continuo a viver, já não era o paraíso de isolamento que tinha sido até então e tiveram que se intensificar as medidas restritivas. Havia de se iniciar entretanto um tardio processo de vacinação, com uma inusitada demora na aprovação pelas autoridades sanitárias do país das mesmas vacinas que já se utilizam massivamente em grande parte do mundo. E é já com cerca de metade da população vacinada que se vive uma quinta vaga de propagação da epidemia, já numa clara tendência de descida, mas que atingiu no final de Agosto uma média semanal de novos casos superior a 23 mil (mais de 18 por 100 mil habitantes). Ainda assim, o estado de emergência que tinha sido decretado até 12 de Setembro em quase todo o país foi hoje prolongado até ao fim do mês e o primeiro-ministro que estava no poder durante este período de descontrolo máximo apresentou esta semana a demissão. Na realidade, os números que se vivem hoje no Japão (média semanal de 10,7 novos casos diários) não são sequer próximos dos que se registam nos mesmos dias no reino Unido (56,7) ou nos Estados Unidos (45,5), são inferiores aos que se registam em Portugal (15,7) e semelhantes aos do estado espanhol (11,1). Sendo de longe os piores números que se registaram no país ao longo desta pandemia, o Japão em nenhum momento viveu sob medidas compulsivas de confinamento – para as quais, aliás, não há sequer cobertura legal. Há restrições severas aos horários de funcionamento de alguns estabelecimentos, limites à lotação de estabelecimentos públicos, recurso ao tele-trabalho ou apelos à não-mobilidade entre regiões. Nunca houve limitações à mobilidade entre municípios e mesmo em relação à mobilidade entre regiões o controle é quase inexistente. Há um apelo generalizado ao bom-senso e à auto-disciplina, que em geral foi resultando mas que agora começa a dar sinais de alguma ineficácia. São quase dois anos nisto, afinal. Felizmente a vacinação progride agora aceleradamente e espera-se que a partir de Novembro comece a haver mais abertura em relação às viagens internacionais, para as quais continua a haver uma quarentena obrigatória de duas semanas quando se entra no país. Talvez possa então fazer planos para visitar familiares e amizades em Portugal. Já é tempo.
Hóspede indiscreto Anabela Canas - 10 Set 2021 Ilustração de Anabela Canas coisas delicadas que esperava encontrar no meio dos objectos de quem, morrendo, fica a adejar emoções válidas. Testamentos. Legados a anónimos pretendentes em linha. São esses os vícios das palavras. Muitos as querem. Suas. Mas de quem se foi nada mais há, a cientificamente demonstrar. Labirintos de sentidos. Quem dá mais, na senda de se encaixar no remoinho emotivo que tinha palavras tu. Tarde demais para apanhar o pequeno ramo com a segurança do acaso, mesmo. Quanto mais de um remetente a endereçar. Quanto muito: meu querido diário. E ele sabe que é ele. No mesmo labirinto de sentidos um mapa de sinais – este inferno improdutivo – só um caderno inorgânico pode saber exactamente e sem margens de ambiguidade que a ele se endereçavam palavras mesmo se quando partilhadas infiéis com outros sujeitos. O vaso em alabastro tem uma discreta luz por detrás quando está vazio Mas quando cheio tudo se complica A superfície o recheio a luz que incide do outro lado um calor uma agonia suave cio Folheio páginas lancinantes como hóspede indiscreto que abre um ficheiro na memória e estaco naquela do poema curto a acabar. Ela estava triste nas linhas anteriores e irresoluta nas que se seguem porque do seguimento da vida ela não sabia nada nem queria nunca mais deitar-se a adivinhar. E as linhas breves colheram-me como em arena cornos pontiagudos de animal em fúria desencaminhado. Com o mesmo desconhecimento. Que a perplexidade de não ter certezas, apesar de tudo, nos sedimenta margens de segurança, estanques que não deixam mais ou nunca mais que uma dúvida como sinos se insinue e construa. Por dentro, claro, como só por dentro as coisas que nos arrastam de uma inércia qualquer, constroem. Fico com o registo dela mas não sei quanto tempo durará. Este abalo. Paro e descubro trocos que pagam um gelado de passagem e nem sei se esse outro pensamento dura. Ela, na sua intensidade que nem sempre se admite compreensível – digo eu, a minar. A pequena sequência de linhas, pequeno poema púdico entre outros, que encontra desprevenido, agora, uma luz póstuma que o estranha e não sabe ler. Copio apressadamente numa folha minha, aquelas linhas sem certeza de que um dia vou entender. Senão com a minha vontade. Sucesso inglório, sem troféu. Que não este papel já mole e enrugado. Meu, copiado dela e como se para mim. Porque me dizia sem nunca o dizer quero deixar-te tudo, quando morrer. E o sabor do gelado, gelado e frutado sem doce em demasia, na ansiedade apressada para não escorrer nem derreter mais do que o que o palato pode acolher mesmo num dia de calor tórrido, distrai-me o pensamento à superfície. No fundo, como em cenário, a dúvida que perpassa do simples papel que se apropriou de um pensamento de um seu igual mas com linhas. Sem ter certeza no sentir, ou se dele. E sem saber se descer ou subir a rua, entretanto e porque é indiferente para a resolução impossível de pensamentos como este a gerar suaves questões que ficaram em vida. Equações. Porque das profundezas do tempo, aquela palavra tu. Em cada excerto de narrativas improváveis.
Imigração ilegal | Desmantelada rede que contornava medidas anti-epidémicas Pedro Arede - 10 Set 2021 Em colaboração com as autoridades de Hong Kong e Zhuhai, a Polícia Judiciária (PJ) interceptou cinco pessoas, suspeitas de estarem envolvidas ou ter usufruído dos serviços prestados por uma rede criminosa dedicada a ajudar interessados a entrar e sair de Macau, sem fazer testes de ácido nucleico para vir ao território jogar. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, pelas 3h00 da madrugada da passada quarta-feira, a PJ deteve um homem e duas mulheres na zona do Pac On, que tinham sido largadas por uma embarcação no local para vir jogar. Pouco depois, a mesma embarcação viria a ser interceptada no mar pelos Serviços de Alfândega, que procederam igualmente à detenção de um suspeito de 19 anos que admitiu pertencer à rede criminosa, bem como de um outro homem que pretendia sair de Macau. Ao mesmo tempo, do outro lado da fronteira, as autoridades de Zhuhai detiveram três homens, sendo que dois deles são cabecilhas do grupo. Questionado pela PJ, o suspeito detido em Macau confessou ter colaborado nas operações de facilitação de imigração ilegal e que, por cada serviço, recebia 500 renminbis. Por seu turno, os quatro clientes interceptados pela PJ confessaram ter vindo a Macau para jogar e que, por cada viagem, desembolsaram entre 25.000 e 32.000 renminbis.
Padrasto detido por abusar sexualmente de enteada Pedro Arede - 10 Set 2021 Um residente de Macau de 60 anos foi detido por ter abusado sexualmente da enteada em diversas ocasiões, aproveitando o facto de esta se encontrar medicada. O alerta foi dado pela mãe da vítima, que descobriu e viu tudo após instalar uma câmara de videovigilância no quarto da filha A Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada quarta-feira um residente de Macau de 60 anos, por suspeitas de abusar sexualmente da sua enteada, aproveitando o facto de esta se encontrar a ser medicada com fármacos prescritos para conseguir dormir. O casal explorava, por turnos, uma banca de comida na Areia Preta. Dado que se trata de um caso considerado especial, a PJ apontou ter informado o Instituto de Acção Social (IAS) sobre o sucedido, acrescentando que, para salvaguardar a identidade da família, detalhes como a idade e a condição psicológica da vítima não podem ser revelados. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, a vítima foi diagnosticada com uma doença e, devido ao seu estado de saúde, precisa de medicamentos para conseguir dormir. Além disso, enquanto conversava com a filha, a mãe, de 40 anos, descobriu que esta se encontrava emocionalmente perturbada. Ao perguntar o que se tinha passado, a filha revelou que o padrasto tinha usado as mãos para tocar nas suas partes íntimas. Após o marido ter negado as acusações, a mãe, também ela residente de Macau, decidiu instalar uma câmara de videovigilância no quarto da filha. Na passada quarta-feira, enquanto trabalhava na banca de comida que explora em conjunto com o marido, a mãe decidiu consultar, a partir do smartphone, a transmissão emitida em directo pela câmara e deparou-se com a imagem do marido deitado na cama da filha, dando a impressão de estar a abusar sexual da mesma. Acto recorrente Ao ver as imagens, a mulher largou o posto de trabalho e dirigiu-se imediatamente a casa. Ao abrir a porta, viu o marido totalmente vestido a saltar da cama da filha. De imediato revelou saber o que se estava a passar e que tinha visto tudo através da câmara, tendo de seguida chamado a polícia. Na reacção, o suspeito arrancou a câmara e atirou-a pela janela, numa tentativa de eliminar as provas do crime. Após a detenção, o homem recusou-se a tecer qualquer comentário ou a colaborar com a investigação. Nas buscas efectuadas nas redondezas da habitação, a PJ encontrou a câmara de videovigilância, conseguindo igualmente recuperar os registos obtidos ao longo da semana em que o dispositivo esteve a funcionar. Ao consultar as imagens, ficou provado que o suspeito abusou sexualmente da enteada por diversas vezes, acreditando-se que actos semelhantes tenham sido cometidos noutras ocasiões passadas. O caso seguiu ontem para o Ministério Público (MP), onde o suspeito irá responder pelo crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência. A confirmar-se, o homem pode vir a ser punido com pena de prisão de 2 a 10 anos. Por se tratar de um caso qualificado, a pena pode ser agravada na proporção de um terço.
Ex-subdirector da DSAMA absolvido do crime de corrupção João Santos Filipe - 10 Set 2021 Vong Ka Fai foi absolvido do crime de corrupção em relação a um contrato por ajuste directo atribuído à empresa China Overseas. Tong Vun Ieong, chefe de divisão da DSAMA, e Lao Weng U, ex-chefe de divisão, foram condenados a pena de prisão efectiva por terem recebido malas da Chanel Vong Ka Fai, ex-subdirector da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), foi absolvido do crime de corrupção, no âmbito da de um contrato atribuído à empresa China Overseas. A leitura da sentença decorreu ontem no Tribunal Judicial de Base (TJB), e entre os cinco arguidos, todos ligados à DSAMA, só Tong Vun Ieong, chefe de divisão, e Lao Weng U, ex-chefe de divisão, foram considerados culpados. No caso do subdirector, e apesar de ter sido considerado que houve corrupção, o acórdão lido pela juíza Leong Fong Meng indicou que não foram apresentadas provas suficientes para ligar o arguido ao acto ilícito. “O subdirector da DSAMA estava ciente que não havia licenças para as embarcações actuarem […] Mas não há provas para dizer que praticou o acto”, foi lido. A decisão agradou a Vong e ao seu advogado, Ricardo Carvalho, que se mostrou cauteloso no final da sessão de julgamento. “Temos de ver se o Ministério Público vai recorrer da decisão, mas é um bom resultado. Agora vamos esperar”, afirmou o representante, ao HM. “O meu cliente disse-me que era este o resultado que estava à espera e está satisfeito”, acrescentou. Também no caso dos arguidos Kuok Kong Wa, ex-chefe de departamento, e Kuok Wang Ngai, ex-funcionário da DSAMA, o tribunal decidiu que as provas apresentadas não foram suficientes para os condenar. Em troca de Chanel Por sua vez, Tong Vun Ieong e Lao Weng U foram condenados pela prática de um crime de corrupção passiva para acto ilícito, com pena de prisão efectiva de dois anos e seis meses. O tribunal deu como provado que no primeiro contrato de dragagem atribuído à empresa China Overseas em 2014 algumas cláusulas ficaram por cumprir, em questões de segurança das embarcações e em relação ao tempo efectivo dos trabalhos. O tribunal deu como provado que Tong e Lao foram os funcionários responsáveis pelo documento em que a DSAMA declarou que o contrato de 54,7 milhões de patacas tinha sido respeitado e que justificou a renovação, com mais um pagamento de 38 milhões de patacas. Contudo, as juízas consideraram que não havia condições para o novo vínculo e que tal foi possível devido a corrupção com prendas. Na tese do Ministério Público, os condenados receberam presentes de funcionários da China Overseas, como malas Chanel, no valor de 20 mil e 30 mil patacas, e cosméticos avaliados em 80 mil patacas. “O 3.º e 4.º arguidos receberam prendas que se destinavam à obtenção dos trabalhos [de dragagem]. Receberam prendas para violarem a sua função, deveres e para a China Overseas receber a adjudicação directa”, afirmou Leong Fong Meng. “Os actos são bastantes graves e prejudicam a RAEM”, sublinhou. A decisão não agradou à defesa de Tong Vun Ieong, a cargo de Icília Berenguel: “A defesa ainda não tem acesso à decisão integral, mas obviamente que não era este resultado que estávamos à espera e vamos recorrer da decisão”, afirmou a advogada ao HM, à saída do tribunal. Neste caso, que remonta a 2014 e 2015, não houve arguidos acusados de corrupção activa.
Hong Kong | Estrangeiros autorizados a entrar em Macau Pedro Arede - 10 Set 2021 A partir de 15 de Setembro, cidadãos estrangeiros que tenham permanecido 21 dias em Hong Kong podem requerer uma autorização para entrar em Macau, mediante o cumprimento de quarentena de 14 dias. Reciprocidade do plano de Hong Kong que isenta residentes de quarentena, não está, para já, a ser equacionado no regresso a Macau No seguimento da melhoria da situação epidemiológica de Hong Kong, os Serviços de Saúde anunciaram que a partir de 15 Setembro, será permitida a entrada de estrangeiros em Macau, mediante a autorização prévia das autoridades, caso tenham permanecido no território vizinho durante 21 dias e realizem uma quarentena de 14 dias à entrada. “Devido à melhoria da situação epidémica em Hong Kong, pretendemos levantar as restrições para os não residentes estrangeiros em Hong Kong que já permaneceram [lá] durante 21 dias e nunca saíram para outros lugares. [Estas pessoas] podem requerer a sua entrada para entrar em Macau”, começou por partilhar ontem Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença. Segundo explicou a responsável, durante a habitual conferência de imprensa sobre a covid-19, os destinatários da medida são todos os estrangeiros com autorização de residência ou permanência, familiares de residentes com autorização de permanência, cônjuges ou parentes próximos de indivíduos que se encontrem em Macau, alunos admitidos em estabelecimentos de ensino superior em Macau e ainda, outros casos considerados excepcionais. Os pedidos de entrada podem ser submetidos a partir do dia 15 de Setembro, sendo que as primeiras entradas de estrangeiros em Macau estão agendadas para cinco dias depois, a 20 de Setembro. Os pedidos relacionados com cônjuges ou reunião familiar devem ser feitos através do website dos Serviços de Saúde pelos residentes de Macau. Pedidos de outro teor devem ser apresentados por entidades sediadas em Macau. “Só vamos autorizar pessoas que precisem de vir a Macau tratar de assuntos de grande importância e não prevemos que haja uma grande procura”, antecipou Leong Iek Hou. Sem “v” de volta Embora as autoridades de Hong Kong tenham anunciado que a partir de 15 de Setembro os residentes de Macau podem requerer uma das quotas diárias do plano “Come2HK” para ficar assim isentos de quarentena ao entrar no território vizinho, Leong Iek Hou revelou que, para já, não está a ser ponderada uma medida semelhante em sentido contrário. A responsável confirmou assim que os residentes que pretendam gozar da isenção de quarentena para entrar em Hong Kong, terão de ficar em observação médica durante 14 dias no regresso a Macau. Sobre a abertura da circulação entre Macau, Hong Kong e o Interior da China, Leong Iek Hou apontou que continuam a não estar reunidas as condições necessárias. “Quem participa no plano [Come2HK] não precisa de fazer quarentena na ida, mas, no sentido contrário, essas pessoas estão sujeitas a quarentena de 14 dias. Já explicámos muitas vezes a questão da livre circulação entre Macau, Hong Kong e o Interior da China (…) e o facto de que, para mantermos o livre trânsito entre a China e Macau, temos de cumprir as actuais medidas de prevenção [em vigor]”, referiu a médica. Durante a conferência de imprensa foi ainda revelado que a mãe das duas crianças identificadas como a fonte do mais recente surto de covid-19 em Macau, teve ontem alta. Vacinas ao ralenti Os Serviços de Saúde anunciaram que até às 16 horas de ontem tinham sido inoculadas 613 mil doses da vacina contra a covid-19, havendo 284 mil pessoas vacinadas com as duas doses. Tendo em conta que, de acordo com os dados mais recentes, a população de Macau era composta por 682 mil habitantes, a percentagem de vacinados corresponde a 41,6 por cento da população, faltando ainda vacinar mais de 8,0 por cento do total de residentes para que metade da população esteja completamente inoculada. HK | “Pouco provável” abrir fronteiras com Interior antes de Abril Deverá ser pouco provável que Hong Kong e China cheguem a um acordo para relaxar as medidas transfronteiriças no âmbito da covid-19 antes de Março ou Abril, relata o South China Morning Post, citando uma fonte próxima das negociações, ligada ao Governo de Guangdong, que disse que não haverá mudanças a curto prazo, uma vez que a China ainda está a recuperar de uma série de surtos de covid-19. Especialistas ouvidos pelo jornal defendem que a abertura de fronteiras de Hong Kong deverá acontecer mediante uma maior taxa de vacinação e a manutenção da política de “zero casos” de infecção. Tam Yiu-chung, delegado de Hong Kong à Assembleia Popular Nacional, disse esta quarta-feira estar optimista quanto à possibilidade de se vacinarem cinco milhões de residentes de Hong Kong até ao final deste mês. Tal medida, a concretizar-se, poderá convencer as autoridades de Pequim e de Guangdong a relaxar as medidas transfronteiriças, defendeu. Gripe aviária | Autoridades notificadas de caso em Guangxi Os Serviços de Saúde foram notificados pelo Departamento de saúde do Interior da China de um caso de infecção humana pela gripe aviária H5N6 na Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi. Segundo um comunicado publicado ontem, o caso foi identificado numa pediatra de 48 anos, residente na cidade de Liuzhou, da Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi. A doente manifestou sintomas, no dia 25 de Agosto e foi internada a 29 de Agosto e encontra-se em estado crítico. Segundo o historial epidemiológico, a paciente teve contacto com aves domiciliárias antes do início de sintomas. Face a este aviso, os Serviços de Saúde “apelam aos residentes que evitem o contacto com aves e tenham atenção à higiene individual e alimentar”. Desde Abril do ano 2014, foram registados casos confirmados de infecção humana pela gripe aviária H5N6, nas Províncias de Sichun, Cantão (Guangdong), Yunnan, Hubei, Hunan, Anhui, Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi e Província de Jinagsu.
Eleições | Candidatos do sector industrial querem vacinação em massa Nunu Wu - 10 Set 2021 Os candidatos que concorrem ao sufrágio indirecto no sector industrial e comercial, Kou Hoi In, José Chui Sai Peng, Ip Sio Kai e Wang Sai Man, querem que o Governo impulsione a vacinação em massa contra a covid-19. Os elementos da lista União dos Interesses Empresariais de Macau entendem que a inoculação é um passo essencial para acelerar a fluidez das passagens transfronteiriças com o Interior da China e Hong Kong, principalmente tendo em conta que a taxa de vacinação de Macau é muito baixa em comparação com as regiões vizinhas. Em declarações ao jornal Cidadão, os deputados apresentam outras receitas para a retoma económica, em especial com atenção para as Pequenas e Médias Empresas (PME), sector que auscultaram e atravessa uma situação “muito urgente”. Além dos apoios ao consumo e da organização de eventos culturais e recreativos que atraiam visitantes, o quarteto pró-Governo pede flexibilidade na fiscalização a PMEs, com mais avisos em vez de multas. Os legisladores mencionaram também queixas de comerciantes quanto às restrições fronteiriças impostas pelo Governo para fazer face à pandemia, que impossibilitam a vinda de clientes internacionais e de todas as províncias da China. O grupo de deputados pró-Governo, que inclui o presidente da Assembleia Legislativa, propõe ainda a isenção ou reembolso de despesas de licenças de agências de viagem e autocarros turísticos, a redução de custo de licenciamento para empresas e agentes do sector imobiliário e aprovação mais rápida de blue cards.
Governo vai rever as estimativas de receitas do jogo João Luz - 10 Set 2021 O Executivo vai ajustar as estimativas de receitas anuais da indústria do jogo. O secretário para a Economia e Finanças adiantou que o orçamento para 2021 será revisto para reflectir o efeito devastador dos casos locais de covid-19, verificados no início de Agosto O orçamento da RAEM para 2021 aponta para uma estimativa de 130 mil milhões de patacas de receitas anuais da indústria do jogo de Macau, meta que parece cada vez mais difícil de alcançar, à medida que 2021 se aproxima do último trimestre. Recorde-se que nos primeiros oitos meses do ano, os casinos amealharam 61,9 mil milhões de patacas, menos de metade da estimativa anual. Face à cruel frieza dos números, e após algumas vozes críticas terem alertado para a missão quase impossível, Lei Wai Nong anunciou na quarta-feira que o Governo irá “definitivamente” rever, até ao final do ano, as estimativas das receitas do jogo e submeter um orçamento rectificativo à Assembleia Legislativa. Em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, o secretário para a Economia e Finanças afirmou que a revisão foi forçada pelos recentes “acontecimentos”, que marcaram a ordem do dia em Macau, referindo-se ao surto local de infecções por covid-19, que levou à paralisia da cidade, com a realização de testes de ácido nucleico a toda a população. O governante adiantou que a nova estimativa ainda está a ser calculada, mas reforçou a esperança do Executivo quanto aos resultados do sector do jogo ao longo dos próximos dois meses. Questões médias Lei Wai Nong afirmou também que na terça-feira passada, Macau registou a entrada de 24.000 visitantes, número que contrasta com a média diária de 21.000 entradas na primeira metade do ano. A posição assumida pelo Executivo chegou em sintonia com divulgação dos dados da Direcção dos Serviços Financeiros revelando que foram arrecadados aproximadamente 2,56 mil milhões de patacas em impostos oriundos do sector dos casinos em Julho. A quantia representa uma quebra acentuada, 36,3 por cento, em relação aos impostos correspondentes a Junho, quanto os casinos pagaram mais de 4 mil milhões de patacas em impostos. No final de Julho, Lei Wai Nong mantinha a estimativa anual de receitas do jogo, indicando que o segundo semestre de 2021 seria determinante para a recuperação. Na primeira metade do ano, as receitas atingiram as 49 mil milhões de patacas, o que representava menos 25 por cento das estimativas do Governo. Na altura, o secretário apostou que “os períodos prósperos” se iriam “concentrar no segundo semestre, nomeadamente, nas férias de Verão, na semana dourada do Dia Nacional [da China], no Grande Prémio de Macau, bem como nas férias tradicionais em Dezembro”.
Hengqin | Plano de cooperação é “oportunidade histórica”, diz André Cheong Andreia Sofia Silva - 10 Set 2021 Os planos de cooperação para as zonas de Hengqin e Qianhai foram ontem oficialmente apresentados pelo gabinete de informação do Conselho de Estado. André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, destacou a “oportunidade histórica” que o projecto representa para a diversificação económica do território e para os residentes, sobretudo em termos de oportunidades de emprego e negócios Uma grande oportunidade para Macau diversificar a economia e para potenciar o mercado de trabalho e as chances de negócio. Para o Governo da RAEM, estas são as grandes vantagens do plano de cooperação com Hengqin, ontem oficialmente apresentado em conferência de imprensa em Pequim, promovida pelo gabinete de informação do Conselho de Estado. O evento serviu também para apresentar o plano de criação da zona de cooperação económica entre Qianhai, Shenzhen e Hong Kong. André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, disse que a ligação a Hengqin constitui uma “oportunidade histórica” e apresentou quatro acções que o Governo pretende desenvolver a curto prazo. “Em primeiro lugar, [iremos] estudar com seriedade e dominar com precisão as linhas orientadoras das políticas da construção da Zona de Cooperação Aprofundada, a fim de estabelecer uma base para os trabalhos subsequentes”. Segue-se a promoção do plano e a apresentação do seu conteúdo “aos diversos sectores da sociedade”, para que “a população em geral conheça o grande significado da construção” da zona de cooperação. Uma das ideias-chave do projecto é o desenvolvimento das “vantagens próprias [de Macau] em conjunto com a província de Guangdong, de modo a construir uma grande sinergia” que irá proporcionar uma “conjuntura que favorece a cooperação e ganhos mútuos”. O Executivo da RAEM prometeu “empenhar-se na implementação” do projecto de cooperação e “dividir bem as tarefas”, além de “clarificar as responsabilidades dos serviços”. André Cheong referiu ontem que o plano de Hengqin traduz “uma nova dinâmica na oferta de novos espaços e na criação de novas oportunidades para o desenvolvimento de Macau a longo prazo”. Para o governante, a concepção do projecto “é inovadora” e traz “uma grande reforma”, com “um amplo âmbito de aplicação”. Está em causa o estabelecimento “de uma nova plataforma para promover o desenvolvimento da economia de Macau” e de “um novo espaço para facilitar a vida e o emprego dos residentes de Macau”. O plano de cooperação com Hengqin visa ainda “enriquecer a prática do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e proporcionar um novo patamar para impulsionar a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. Espaço para os jovens Em resposta aos jornalistas ontem em Pequim, André Cheong destacou ainda que as indústrias fundamentais a desenvolver no âmbito do plano de cooperação passam pela medicina tradicional chinesa, área financeira, convenções e exposições e alta tecnologia. “O presidente Xi Jinping referiu que um dos objectivos da zona de cooperação com Hengqin é apoiar o desenvolvimento da economia de Macau. E para levarmos a cabo este plano temos de ter esta ideia em mente. Vamos ter em consideração as vantagens de Macau e as expectativas dos residentes”, apontou o governante. Os dirigentes deram também grande destaque às oportunidades geradas para os jovens que pretendem estudar, trabalhar e viver em Hengqin e também nas cidades da Grande Baía, sem esquecer os que querem abrir negócios. “Temos adoptado políticas em matéria de recrutamento, reconhecimento mútuo de qualificações profissionais, coordenação de sistemas de segurança social e planos de impostos. Com estas medidas temos vindo a alargar o mercado de emprego de Guangdong aos jovens de Hong Kong e Macau, para que desfrutem de igualdade de oportunidades em relação aos cidadãos de Guangdong”, disse Lin Keqing, membro permanente do Comité Provincial e vice-governador executivo da província de Guangdong. André Cheong adiantou que o Governo da RAEM tem “apoiado os jovens a começarem negócios em Hengqin” e destacou que já existem mais de 500 projectos implementados em termos de incubadoras de negócios, bem como programas de apoio ao empreendedorismo. Para o secretário, “um dos principais papéis de Hengqin será facilitar a vida dos residentes de Macau”. “O Governo vai criar maiores condições para que os residentes de Macau possam viver e trabalhar em Hengqin. Vamos encorajar os jovens a irem para lá e fazerem lá os seus estudos, e também trabalhar. O plano vai mudar a estrutura económica de Macau e criar mais empregos para os jovens de Macau”, frisou o governante. Anunciado no domingo, o plano de cooperação com Hengqin foi aprovado pelo Comité Central do Partido Comunista da China e pelo Conselho de Estado, e abrange uma área de 106 quilómetros quadrados. Além de apontar à mudança da economia de Macau, o plano visa também reforçar a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Além dos quatro sectores chave já mencionados, inclui-se ainda a criação de vários incentivos fiscais e medidas para atrair quadros qualificados. Felicidade em Qianhai O lugar dos jovens foi também referido por John Lee Ka-chiu, secretário para a Administração da Região Administrativa Especial de Hong Kong. “A China promove estas acções na área do empreendedorismo, o que dará muitas oportunidades aos jovens de Hong Kong. Estas políticas têm atraído muitos jovens de Hong Kong para abrirem startups e incubadoras”, disse, referindo-se ao projecto de criação da zona de cooperação económica entre Qianhai, Shenzhen e Hong Kong. “Com o apoio da província de Guangdong, o Governo de Hong Kong vai adoptar um plano de emprego para a juventude na Grande Baía, a fim de encorajar e apoiar os licenciados a encontrar empregos nestas cidades, incluindo Qianhai”, disse John Lee Ka-chiu. O governante concluiu que a zona económica especial “vai trazer maiores desenvolvimentos para a juventude de Hong Kong”, e afirmou que o Governo liderado por Carrie Lam irá “continuar a implementar programas com foco na juventude, em prol da sua integração em todo o país”. A zona económica especial vai ter uma expansão para um limite máximo de 120 quilómetros quadrados e a ideia é atrair universidades de Hong Kong, Macau e também do estrangeiro para que estabeleçam polos. O foco é também dirigido para empresas do sector financeiro, uma vez que Hong Kong é, desde há muito, um importante centro financeiro na Ásia e a nível global. O objectivo é que, em 2035, “Qianhai proporcione um ambiente de negócios de nível mundial e que seja um local de desenvolvimento de alta qualidade com grande capacidade de alocação de recursos, trazendo inovação e desenvolvimento em matéria de coordenação”, lê-se no plano, citado pelo canal RTHK. Na conferência de imprensa de ontem estiveram presentes Cong Liang, subdirector da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma e subdirector do Gabinete do Grupo de Líderes para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, bem como Xu Hongcai, vice-ministro das Finanças da China. Participaram também Pan Gongsheng, vice-governador do Banco da China e director da Administração Estatal de Divisas Estrangeiras, bem como Zhou Zhiwu, subdirector da Administração Geral da Alfândega, e ainda Tan Weizhong, vice-secretário geral do Comité Municipal de Shenzhen e presidente do Município.
Universidade de Macau assina protocolo com Lisboa e Pequim para ensino do português na China Hoje Macau - 9 Set 2021 A Universidade de Lisboa, a Universidade de Macau e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim assinaram um protocolo para a criação da Aliança Universitária para o Ensino de Língua Portuguesa na China. A iniciativa marca “a criação oficial da Aliança, organização esta que irá apostar em elevar o nível da cooperação na área do ensino da língua portuguesa na China”, de acordo com um comunicado da Universidade de Macau (UM). As universidades vão “desenvolver cooperação na formação de profissionais de qualidade, recrutamento estudantil e futuro emprego, investigação científica, inovação colaborativa e serviços sociais, entre outras áreas”, acrescentou. O vice-reitor da UM, Rui Martins, sublinhou que a aliança universitária vai “desempenhar plenamente o seu papel como ponte de ligação entre a China e os países de língua portuguesa”, com o objetivo de aprofundar a cooperação no domínio do ensino do português. A organização sem fins lucrativos foi proposta pela UM e vai procurar potenciar vantagens de cada uma das instituições “nos domínios de ensino e investigação científica de língua portuguesa, fomentando a compartilha e a produção conjunta de recursos, e promovendo uma cooperação mais aprofundada entre os membros na formação de quadros qualificados e na inovação científico-tecnológica”, indicou a mesma nota.
Activistas de Hong Kong declaram-se culpados de participarem em vigília sobre Tiananmen Hoje Macau - 9 Set 2021 Doze activistas pró-democracia de Hong Kong declararam-se hoje culpados de participarem numa vigília não autorizada para assinalar o chamado “massacre de Tiananmen”. Os 12 foram acusados de participarem na vigília não autorizada em 04 de junho do ano passado, quando milhares de habitantes de Hong Kong acenderam velas e entoaram cânticos, apesar dos avisos da polícia de que poderiam estar a infringir a lei. Sete deles foram também acusados de incitarem outros a integrarem a iniciativa. Devido à pandemia de covid-19, as autoridades de Hong Kong alegaram riscos para a saúde pública para proibir nos dois últimos anos as habituais vigílias que assinalavam o aniversário da repressão chinesa contra manifestantes na Praça Tiananmen em Pequim, em 1989, que resultou num número indeterminado de mortos. Activistas e oposição ao Governo de Hong Kong criticaram a proibição, argumentando que esta faz parte de uma repressão contínua contra a dissidência no território semiautónomo chinês, após meses de protestos antigovernamentais em 2019. Macau e Hong Kong eram os dois únicos locais na China em que se assinalava, publicamente, a data. Mas, tal como em Hong Kong, as autoridades também proibiram o evento. Entre os activistas que se declararam culpados contam-se o advogado Albert Ho, os antigos legisladores Eddie Chu e Figo Chan, e um antigo líder da Frente Cívica de Direitos Humanos, movimento conhecido por ter promovido as maiores manifestações pró-democracia em Hong Kong. Os 12 réus enfrentam agora uma pena que pode ir até aos cinco anos de prisão. Os activistas fazem parte de um grupo maior de detidos em 04 junho. Alguns deles, incluindo o fundador do Apple Daily, Jimmy Lai, declararam-se inocentes. Já o activista Joshua Wong, assim como três outros, também acusados de reunião ilegal na vigília de 04 de junho do ano passado, já se tinham declarado culpados em abril deste ano, tendo sido condenados a penas de prisão entre quatro e dez meses.
Coreia do Norte assinala fundação com desfile militar de madrugada Hoje Macau - 9 Set 2021 Os meios de comunicação estatais da Coreia do Norte anunciaram hoje a realização de um desfile militar em Pyongyang, ao início da madrugada, para celebrar o 73.º aniversário da fundação do país. O desfile, aparentemente em menor escala do que noutras ocasiões, contou com a presença do líder norte-coreano, Kim Jong-un, embora aparentemente não tenha proferido um discurso durante a celebração, de acordo com a agência noticiosa estatal KCNA e pelo jornal Rodong. Como de costume, Kim presidiu ao evento a partir de uma varanda no extremo ocidental da praça Kim Il-sung, ladeado pelos outros quatro membros da presidência do politburo do partido único, incluindo o militar Pak Jong-chon, que foi recentemente nomeado para o poderoso órgão. Nem a KCNA, nem o Rodong publicaram fotografias de mísseis ou fizeram qualquer menção a tais armas. A Coreia do Norte, que celebra a Fundação da República, escolheu no passado desfiles militares na capital norte-coreana para exibir novo armamento, incluindo mísseis balísticos. Contudo, alguns analistas consideraram improvável que o regime apresentasse armamento pesado nesta ocasião, dada a curta duração do desfile, apenas uma hora, e depois de imagens de satélite não mostrarem a presença de grandes veículos militares nos ensaios da celebração. Horas antes de os meios de comunicação social norte-coreanos terem noticiado o desfile, os serviços secretos militares da Coreia do Sul detetaram atividade, indicando que o desfile militar tinha começado em Pyongyang após a meia-noite. “Os detalhes específicos [do desfile] estão a ser analisados em estreita cooperação entre os serviços secretos sul-coreanos e norte-americanos”, disse um porta-voz dos Chefes do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul. O desfile realizou-se quando Pyongyang parece ter reativado as instalações que utiliza para produzir combustível nuclear, enquanto as conversações de desnuclearização com os Estados Unidos, que recentemente propuseram um regresso incondicional à mesa de negociações, estão suspensas desde 2019.
China doa 26 milhões de euros ao Afeganistão e alerta para infiltração de terroristas Hoje Macau - 9 Set 2021 A China anunciou que vai doar a Cabul o equivalente a 26 milhões de euros, em cereais e vacinas contra a covid-19, e alertou para o perigo de grupos terroristas que possam escapar do Afeganistão para países vizinhos. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, reuniu na quarta-feira com os seus homólogos de todos os países vizinhos do Afeganistão, num encontro presidido pelo chefe da diplomacia do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, informou hoje a agência noticiosa oficial Xinhua. Também participaram da reunião os ministros dos Negócios Estrangeiros do Irão, Tajiquistão, Uzbequistão e Turcomenistão, todos países que, junto com a China e o Paquistão, fazem fronteira com o Afeganistão. Wang afirmou que “algumas forças terroristas internacionais com base no Afeganistão planeiam infiltrar-se em países vizinhos”. “Pedimos aos Talibã que rompam completamente as suas relações com todas as forças extremistas. Todas as partes devem aumentar os esforços para compartilhar inteligência e controlar as fronteiras e prender imediatamente grupos terroristas que chegam do Afeganistão, de forma a garantir a estabilidade regional”, disse. O ministro chinês também mencionou os desafios que o país da Ásia Central enfrenta e garantiu que os “países vizinhos, mais do que ninguém, querem ajudar o Afeganistão a sair do caos” e devem encorajar os Talibã a “cooperar com todos os grupos étnicos e construir uma estrutura política inclusiva”. “Respeitando a integridade territorial e a soberania do Afeganistão”, os países vizinhos devem “exercer uma influência positiva” sobre o país, defendeu Wang Yi. O chefe da diplomacia chinesa observou que os “Estados Unidos e os seus aliados são quem mais deve fornecer assistência humanitária ao Afeganistão”. “Os EUA e os seus aliados têm a responsabilidade principal pelo problema dos refugiados afegãos. Eles devem fornecer a compensação necessária às nações que desejam receber refugiados”, disse. Wang expressou a sua satisfação com as recentes declarações dos Talibã, que prometeram formar um governo, lutar contra o terrorismo e manter relações amigáveis com todos os vizinhos, mas alertou que a “chave é transformar essas palavras em ações concretas”. A representação chinesa no encontro propôs aos vizinhos do Afeganistão várias áreas nas quais eles poderiam cooperar: combate à pandemia, gestão de refugiados, assistência humanitária e cooperação antiterrorismo e anti tráfico de droga. Wang disse que a China trabalhará com os países da região para ajudar o Afeganistão a reconstruir a sua economia e sociedade, além de combater grupos terroristas e o comércio ilegal de drogas. Os ministros concordaram em institucionalizar as suas futuras reuniões para continuar a cooperação nestes assuntos, de acordo com o ministro chinês. No final de julho passado, Wang Yi recebeu uma delegação dos Talibã na cidade de Tianjin, no nordeste da China. Segundo o comunicado divulgado então pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang disse que os Talibã são uma “força militar e política crucial” no Afeganistão e expressou esperança de que terão um “papel significativo no processo de paz”.
FDCT enaltece conquistas da investigação científica de Macau João Luz - 9 Set 2021 O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) emitiu ontem um comunicado a elencar alguns dos resultados de investigação científica que financiou, em particular através da articulação com a Universidade de Macau (UM) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). O organismo destaca a investigação realizada na UM que desenvolveu um sistema portátil de testes genéticos rápidos e “um chip que pode detectar o novo tipo de coronavírus em 30 minutos”. A tecnologia está a ser testada em ensaios clínicos em hospitais do Interior da China. A inovação tem potencial para colocar no mercado dispositivos médicos mais pequenos e baratos, facilitando o rastreamento de vírus. O FDCT enaltece também a pesquisa realizada na MUST, em colaboração com o Hospital Kiang Wu, no campo da oncologia, que consiste numa “estratégia para aumentar a eficácia de anticorpos no tratamento do cancro do pulmão” através do ajuste da “microecologia intestinal”. A investigação foi, aliás, publicada recentemente na revista de renome mundial Gut. Impulso económico Entre as conquistas da ciência local, o FDCT cita o “Sistema de Circulação e Evacuação de Fumaça em Cirurgia”, desenvolvido pelo grupo Man Lei Lai, em colaboração com equipas médicas e universitárias da investigação científica em Macau. O equipamento médico inteligente serve para “absorver e filtrar resíduos cirúrgicos” tais como fumo e vapores gerados por facas eléctricas e ultra-sónicas durante a cirurgia abdominal”. É argumentado que o equipamento proporciona um ambiente cirúrgico mais seguro e limpo para os profissionais de saúde, a baixo custo, permitindo produção em massa. O fundo, que tem Chan Wan Hei como presidente no conselho de administração, reiterou o empenho na promoção e “transformação dos resultados da investigação científica, no impulso à inovação científica e tecnológica através do modelo de desenvolvimento da indústria-universidade-investigação orientado para atender às necessidades do mercado”.
Cais das Descobertas 1 António Cabrita - 9 Set 2021 06/09/21 Devíamos escrever num espelho com um marcador colorido em vez de em papel branco. Não por qualquer impulso narcísico, mas para não deixarmos de estar sempre face a face com o efeito do tempo em nós, a sua tremenda vocação para desenganar-nos. Interrogo-me se não seria o mesmo que acontecia a Danielle Lessnau, que fazia fotografia-pinhole dos seus amantes com a câmara implantada na sua vagina. 07/09/21 No dia da morte de mon Ami, Ferdinand, vi o enfandonho Exodus, de Ridley Scott, que é o mesmo que uma grande fortuna posta de joelhos (que erros de casting!); fita que me pareceu feita para ilustrar a máxima de José Saramago: “Antes de Jesus já os homens eram capazes de perdoar, mas os deuses não”. Quanto a Belmondo, que nunca seria actor para fazer de Faraó ou Moisés, guardo-lhe as performances preciosas que marcaram uma geração: como Laszlo Kovacs, em À Bout the Soufle, e como Ferdinand, em Pierrot le Fou, na mais sábia dosagem que o cinema assistiu de actor brechtiano e de nonchalance. Teve um realizador à altura, o que não aconteceu com outros da mesma qualidade, talvez com a excepção de Robert Mitchum em A noite do Caçador. 08/09/21 Voltei ao ciclo das insónias. Acordo entre a 1h30 e as 2h da manhã e não volto a cair nas garras de Morfeu senão pelas 7h, 7h30. Mato o hiato, lendo, ou fazendo a primeira demão de traduções várias, normalmente de poesia. Esta noite entreteve-me um delicioso livro de Claude Roy que sobrevoa a poética de vários autores, La Conversation des poètes, e leio sobre Jean Tardieu (1903- 1995): «(…) nesta duplicação perpétua a que chamamos ser humano, o poeta repara que, em querendo exprimir a sua verdadeira realidade interior, o solilóquio não lhe convém e o simples monólogo o trai. Com a série de poemas reproduzidos em “Dialogues a voix basse””, começou a sua conversação infinita, que vai do arguir contra um interlocutor-interruptor (aliás inexistente), desenvolvido em “Quel est ce homme?, às interrogações, “colóquios”, interpelações e falas ao jeito de um clown filósofico, em “Monsieur Monsieur”. Esta metamorfose levará Tardieu de uma poesia a várias vozes ao teatro.» Nada que não conheçamos desde o Pessoa; Tardieu, acrescenta-lhe o humor, a paródia, perfaz o espectro duma ironia doce que desemboca na causticidade da sátira, em poemas-curto-circuito onde o “koan” não está ausente. A primeira antologia que adquiri dele, “Le Fleuve Caché” (poésies, 1938-1961) desfez-se-me nas mãos. Malditos livros que não foram cosidos, antes mal colados, e se desmancham em mil folhas ao contacto. Nele sublinhei este verso premonitório: «O vento dispersa a tumba». Há vinte e cinco anos que repousa na estante, intocado. A segunda antologia que dele arranjei é da Seghers, comprei-a na Feira da Ladra, com outros da colecção e pouco a manuseei, interessavam-me mais outros poetas comprados na mesma ocasião; portanto negligenciei o meu encontro com Tardieu. Agora abri-a ao acaso, à primeira apanhei isto: «PRIMEIRO ÚLTIMO AMOR Está tudo morto. Mesmo os desejos de morte,/ jazem, mortos. O que cresce não tem figura./ As mãos, os olhos – desertos. É a derrocada/ de qualquer medida depois do incêndio que destrói um corpo.// Nada – nem esperança nem dúvida – abre mais/ aquela porta onde costuma o sol esperar-nos./ Os frutos profundos, tombados pela tempestade/, estão mortos: o espírito conhece enfim as suas cinzas; // sedento e mestre de uma só noite / que do céu precipita a chuva,/ onde todo o movimento mergulha, para, do objeto/ que nele se apaga, ressaltar/o chamado sem voz/ que confunde a esmo os nossos sonhos.» E passo a madrugada a esboçar a tradução de alguns poemas: «A NOITE, O SILÊNCIO E O ALÉM Um suspiro na imensidão do espaço// Sussurra então uma voz:// “Gontran, estás aí?”// Soergue-se o silêncio// Passos que se afastam como as nuvens.» «CONVERSAÇÃO (de ombro na ombreira, com bonomia)/ Como vai isso aí na terra? / – Ah, magnífico, tudo sobre rodas.// Os cachorrinhos medraram, vigorosos?/ – Graças a Deus, graças a Deus, obrigado. // E as nuvens?/ – Essas flutuam.// E os vulcões? – Fervem, num fartote.// E os rios?/ – Fluindo.// E a hora? – Acontece.// E tudo bem com a sua alma?/ – Oh, está doente/ a primavera foi tão verde/ que abusou das saladas.» «NOTAS DE UM HOMEM ESPANTADO Nascido debaixo de grandes nuvens/ como tu,/ no rodapé das nuvens,/ eis-nos/ */ ela muitas vezes está aqui,/ assim como vos vejo/ Já o instante depois dela é mais longínquo/ ouço-a cantar num beco limítrofe/ É a vastidão, Senhor, a vastidão/ */ Ao meio-dia no momento em que não se morre/ mais de uma folha/ se sobrepõe na sua sombra/ E eu de todo disperso nesta grande paisagem/ nascida da luz dos meus olhos./ */ Saiu esta manhã um pleno de plantas/ bichos e homens/ de uma mesma casa/ repartida pelas estradas,/ nada respira acima deles/ além da luz/ */ Aquele que atravessou o mar/ e aquele que se contenta com pouco/ e todos os demais,/ movemo-nos como os dedos da mão./ */ Cresce a sombra como os mortos/ No alpendre, entre o dia/ e a noite/ hesito/ */ Tremer como varas verdes? As/ portas/ uma após outra/ ei-las fechadas:/ qu’ ele está para chegar./ */ Mas não para quê sofrer/ Não passará de um instante/ De resto, de vós estaremos perto/ */ Se bem que eu não acompanhe o ritmo/ o melhor é saber antes de expulsar-me./ Mais que uma palavra/ uma só palavra/ e raspo-me.» A afinidades que distraídamente, durante décadas, me haviam passado ao lado! Amanhã aterrarei em Lisboa e hei-de encomendar a obra completa que descobri na Quarto. E hei-de escolher cinquenta poemas para traduzir, com paciência e recato, divertindo-me como um bruto com os seus jogos coloquiais. É sempre excelente o que nos apanha desatendidos.
Pequim enaltece formação de governo no Afeganistão Hoje Macau - 9 Set 2021 O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês congratulou-se com a formação do governo dos talibãs que, segundo Pequim, vem pôr fim à anarquia vivida no país nas últimas três semanas A China destacou ontem a importância da formação de um governo provisório pelos talibãs, no Afeganistão, afirmando que põe fim a “mais de três semanas de anarquia” no país da Ásia Central. Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Wang Wenbin indicou que a formação de um governo é “um passo necessário para restaurar a ordem no Afeganistão e a reconstrução após a guerra”. Wang confiou que o “Afeganistão criará um governo aberto e inclusivo, lutará com firmeza contra o terrorismo e manterá boas relações com os seus vizinhos”. Pequim “respeita a independência e apoia a escolha do povo afegão de acordo com a sua situação nacional”, disse. No final de Julho passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, recebeu uma delegação de líderes dos talibãs, na cidade de Tianjin, no nordeste da China. De acordo com o texto sobre o encontro publicado então pelo Ministério, Wang disse que os talibãs são uma “força militar e política crucial” no Afeganistão e expressou a sua esperança de que o grupo desempenhe um “papel importante no processo de paz”. Aos seus lugares O gabinete provisório, anunciado na terça-feira pelos talibãs, é chefiado por Mohammad Hassan Akhund, anunciou o principal porta-voz dos talibãs, mais de três semanas depois da tomada do poder pelo movimento extremista islâmico. O co-fundador dos talibãs Abdul Ghani Baradar será o número dois do novo executivo, precisou Zabihullah Mujahid numa conferência de imprensa em Cabul. Segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, o ‘mullah’ Hassan Akhund chefiou o Governo dos talibãs durante os últimos anos do seu anterior regime (1996-2001) e o ‘mullah’ Baradar, que liderou as negociações com os Estados Unidos e assinou o acordo para a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, é um dos seus dois adjuntos.
Lusofonia | Miguel de Senna Fernandes diz que festival vai acontecer em Outubro Pedro Arede - 9 Set 2021 Miguel de Senna Fernandes garante não haver indicações por parte do Governo para que o Festival da Lusofonia não se realize no próximo mês. Para o membro da organização, apesar da repetição do formato “económico” do ano passado, é “fundamental” que a festa aconteça para aliviar uma população confinada “há muito tempo” Tudo indica que o Festival da Lusofonia estará de regresso já no próximo mês às Casas-Museu da Taipa. De acordo com Miguel de Senna Fernandes, um dos membros da organização do evento, apesar do novo surto de covid-19 registado em Macau no início de Agosto, não há indicações por parte do Governo para que o evento não se realize ou sejam tomadas medidas anti-epidémicas adicionais. “Até este momento, por parte do Governo não há indicações em contrário, por isso tudo indica que a festa vai acontecer e o número de bancas vai continuar a ser a mesmo”, começou por dizer Miguel de Senna Fernandes ao HM. “Acho que tudo vai continuar. Tal como no ano passado, conseguimos levar avante o Festival da Lusofonia e este ano esperamos que aconteça a mesma coisa, apenas com público e artistas locais”, acrescentou. O também Presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses acredita que, tal como aconteceu em 2020, a edição deste ano vai ser um “sucesso”, apesar das restrições impostas devido à pandemia, que obrigam a que, tantos os visitantes como artistas, sejam exclusivamente locais. “No ano passado também estivemos sujeitos às medidas anti-epidémicas, mas depois a festa acabou por vencer e o pessoal esteve muito à vontade. Apesar de tudo, considero que a edição do ano passado foi um sucesso. Esperemos que este ano o mesmo aconteça e que, apesar das restrições ainda vigentes, possamos ter um número bastante bom [de visitantes] para que o ambiente seja efectivamente de festa”, apontou. Contudo, para Senna Fernandes, a edição de 2021 do Festival da Lusofonia será mais “económica” devido período de contenção financeira que o território está a atravessar. “Não sei como é que as restrições se vão reflectir nas barraquinhas que cada associação vai ter, até porque estamos em época de contenção de custos e há restrições de financiamento que podem afectar, por exemplo, as decorações e a aquisição de coisas. Portanto vai ser preciso fazer alguns sacrifícios”, admitiu. Pão para a boca Para Miguel de Senna Fernandes, apesar das restrições financeiras e da manutenção do mesmo formato, “mais limitado”, a realização do Festival da Lusofonia é “fundamental” para uma população confinada “há muito tempo”. “Tudo indica que o Festival da Lusofonia vá acontecer mas vai ser uma festa mais económica. Ainda bem que vai acontecer. Muitas vezes não é uma questão de termos ou não dinheiro, porque a festa continua. Estamos há muito tempo confinados e julgo que é fundamental que a festa aconteça. O resto é peixe na rede”, partilhou com o HM. Sobre a imposição de mais restrições que obriguem, por exemplo, a diminuir o número de bancas presentes no evento, Miguel de Senna Fernandes acredita que tudo irá decorrer como na edição do ano passado. “Acho que o novo surto não vai levar a mais arranjos especiais. Há um entendimento, embora não tenhamos conversado sobre isto, e é quase certo que todas as associações, pelo menos aquelas que costumam estar presentes no festival, vão ter a sua barraquinha e fazer o melhor possível para que a festa seja festa. Portanto não vai haver uma diminuição do número de barraquinhas, pelo menos não há indicações nesse sentido”, acrescentou o organizador.
Turismo | Prémios PATA distinguem DST e concessionárias Hoje Macau - 9 Set 2021 A representação da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) nos Estados Unidos e as operadoras de jogo Galaxy, Melco e MGM foram distinguidas na cerimónia de prémios de turismo, organizada pela Associação de Turismo da Ásia Pacífico (PATA, em inglês). Os prémios foram atribuídos ontem e, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Turismo, a representação dos EUA foi premiada com o galardão mais importante, o PATA Grand Award, devido à iniciativa de marketing “Sonhar Agora e Viajar mais Tarde”. Na mesma cerimónia, as concessionárias Melco, Galaxy e MGM foram distinguidas com os prémios PATA Gold Awards nas categorias Iniciativa em Mudanças Climáticas, Cultura e Promoção e de Promoção da Juventude, respectivamente.
Governo manda extinguir nome do Beco do Coronel Mesquita João Santos Filipe - 9 Set 2021 A decisão foi publicada em Boletim Oficial, sem que fosse dada qualquer justificação. Apesar da extinção do nome do beco, Vicente Nicolau de Mesquita tem ainda no território, pelo menos, cinco artérias com o seu nome José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), anunciou a extinção da designação do Beco do Coronel Mesquita, por deliberação do Conselho de Administração. A decisão foi tomada no dia 6 de Agosto e anunciada ontem, no Boletim Oficial. “Faz-se público que o Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais, na sessão de 6 de Agosto de 2021, deliberou aprovar a extinção da designação de um arruamento público da RAEM o ‘Beco do Coronel Mesquita’, com o código do arruamento n.º 1232, na freguesia de Nossa Sra. de Fátima”, pode ler-se no Edital, com a decisão, publicado pela imprensa oficial. O HM contactou o Instituto para os Assuntos Municipais para perceber o fundamento da decisão, mas, até à hora de fecho, não recebeu resposta. O Beco do Coronel Mesquita fica num arruamento perpendicular à Avenida do Coronel Mesquita, a principal artéria do bairro de Mong Há, que se estende do Canil Municipal ao Edifício Hoi Fu Garden. Estes não são os únicos arruamentos com o nome do português nascido em Macau. Numa outra perpendicular à avenida fica situado espaço, denominado Pátio do Coronel Mesquita Machado. Ainda em Macau, exista a Rua do Coronel Mesquita e uma travessa. Finalmente, na Taipa, há uma Estrada Coronel Nicolau de Mesquita. Até a família matou Nascido em Macau em 1818, Vicente Nicolau de Mesquita é uma das figuras mais controversas do território. Filho do advogado Frederico Albino de Mesquita e de Clara Carneira, Vicente escolheu enveredar pela carreira militar e em 1835 ingressou no Batalhão do Príncipe Regente. O grande momento da carreira chegou no Verão de 1849, na sequência do assassinato de João Ferreira do Amaral, Governador de Macau, e a crescente tensão entre Portugal e a China. Com o exército chinês a bombardear as Portas do Cerco a partir do Passaleão, no outro lado da fronteira, Nicolau de Mesquita comandou um grupo de 500 soldados, acompanhados por uma peça de artilharia, na ofensiva. O ataque foi bem-sucedido. Apesar da acção ter sido visto como heróica pelo Governo de Portugal e de Mesquita ter progredido na carreira, até chegar a Coronel, o militar sempre acreditou que tinha sido prejudicado por ter nascido em Macau. Também por esse motivo entrou em depressão e num dos vários ataques matou a mulher, uma filha, feriu gravemente duas pessoas e, por último suicidou-se, a 20 de Março de 1867. As circunstâncias da morte fizeram com que não tivesse honras militares no funeral, nem enterro católico. Só mais tarde foi reabilitado, e teve direito, inclusive, a uma estátua no Leal Senado. O monumento acabou por ser derrubado em 1966, com o motim 1-2-3.
Cláudia Xu nomeada vice-reitora da Universidade de Macau Hoje Macau - 9 Set 2021 Cláudia Xu Jian foi anunciada ontem como a nova vice-reitora da Universidade de Macau (UM), de acordo com um comunicado da instituição. A responsável assume o posto a partir de segunda-feira e a escolha foi justificada com a experiência de mais de 25 anos em “administração, planeamento estratégico e gestão inovadora”. Sobre a nomeação, Cláudia Xu agradeceu a oportunidade e desejou conseguir usar “a experiência de gestão no mundo universitário, de negócios e nas ciências para contribuir para um melhor ambiente académico, de pesquisa e de trabalho”. Por sua vez, Song Yonghua, reitor da UM, destacou as “capacidades de liderança” da nomeada e o facto de estar familiarizada com o desenvolvimento de políticas universitárias. Song mostrou ainda confiança que “Xu possa trazer um novo ímpeto e novas ideias para universidade, de forma a que a instituição atinja um nível superior”. Segundo a informação da UM, Claudia Xu é doutorada pelo Instituto Nacional Politécnico de Toulouse. Em 2000 entrou para os quadros da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, onde assumiu como responsabilidades as áreas a transferência de tecnologia e comércio, colaborações com a indústria, gestão e licenciamento de propriedade intelectual, entre outras áreas. A nível de experiência profissional trabalhou como especialista na área energética da consultora McKinsey e gestora do desenvolvimento de negócios na sucursal para o mercado Ásia-Pacífico da americana Bechtel.
Grupo Macau Waste Reduction alerta para necessidade de reciclar João Santos Filipe - 9 Set 2021 O grupo Macau Waste Reduction organiza este fim-de-semana a iniciativa mensal para promover a consciencialização sobre a reciclagem e alertar para o impacto negativo do uso do plástico. Desde 2019, o grupo foi responsável por mais de cinco toneladas de lixo reciclado Um dia para que a comunidade se aperceba da quantidade de lixo criada diariamente e ensinar a população a reciclar. É este o objectivo da Actividade de Reciclagem, promovida todos os meses pela associação Macau Waste Reduction, que volta a ser realizada este fim-de-semana. A iniciativa foi explicada por Capricorn Leong, uma das responsáveis do grupo, em declarações ao HM. “Quando uma pessoa vem aos nossos eventos fica com um conhecimento mais prático de como separar os materiais, de forma a aumentar a racionalidade e eficácia da reciclagem”, afirmou. “Por exemplo, são ensinados procedimentos como a necessidade de separar os plásticos transparentes daqueles com cor, porque a verdade é que são feitos com plásticos diferentes”, acrescentou. A iniciativa é feita desde Fevereiro de 2019, no segundo fim-de-semana de cada mês. No sábado, vai decorrer entre as 10h e as 11h45, no lado de Macau, em cinco locais: Escola Portuguesa de Macau, Centro da Associação Baptista Ha Wan, Centro Comunitário Amor aos Vizinhos da Igreja Evangélica Sun Tou Tong e Universidade de São José. No domingo, a iniciativa decorre na Taipa, entre as 10h30 e 12h15 no Colégio Anglicano de Macau. Os interessados apenas precisam de comparecer com parte do lixo que pretendem reciclar. Em média, participam em cada evento entre 30 a 50 pessoas, e algumas famílias optam por levar crianças. Contudo, os procedimentos adoptados para a reciclagem surpreendem sempre alguns dos participantes. “Há muita gente que não se apercebe da complexidade até reparar no número de sacos diferentes que temos para a separação dos plásticos”, relata a responsável. “Só depois é que começam a olhar para os rótulos e números das embalagens que têm essas informações. No dia-a-dia não há muita gente a ler o rótulo das garrafas ou caixas depois de acabar de beber ou comer produtos em embalagens de plástico”, aponta. Com peso A “lição” serve também para perceber a complexidade não só da reciclagem, mas também do impacto causado pelo plástico. “Normalmente quando as pessoas participam começam a perceber a quantidade de lixo que produzem e a responsabilidade de reciclá-lo de maneira correcta”, explicou Leong. “Para quem vem pela primeira vez, o processo pode ser trabalhoso, porque é preciso lavar, secar e fazer a divisão pelo tipo de cor”, reconhece. “Claro que se não produzirmos tanto plástico, este é um processo que pode ser evitado… Também há a alternativa de simplesmente deitar tudo no lixo e depois respirar o ar poluído ou comer os alimentos criadas na terra poluída…”, acrescenta. Apesar de um processo que pode ser trabalhoso, desde Fevereiro de 2019 até Julho deste ano, a Macau Waste Reduction calcula ter reciclado 5,72 toneladas, entre plásticos, papel e metais.
Fronteiras | Qingmao enriquece “Um País, Dois Sistemas” e alivia Portas do Cerco Pedro Arede - 9 Set 2021 Macau inaugurou ontem o novo posto fronteiriço de Qingmao, estrutura com capacidade diária para 200 mil pessoas que custou quatro mil milhões de patacas e pretende aliviar a pressão fronteiriça nas Portas do Cerco, que é desde 2011 o maior posto fronteiriço terrestre nacional e da Ásia. Durante a cerimónia, Ho Iat Seng afirmou que a abertura da nova fronteira enriquece o conteúdo do princípio “Um País, Dois Sistemas” e é de “grande relevância” para a promoção e inovação de sistemas e mecanismos de cooperação regional. “O projecto do Posto Fronteiriço de Qingmao (…) estava sujeito simultaneamente aos regimes jurídicos, normas de gestão e critérios técnicos do Interior da China e de Macau. Porém, com o esforço e estudo conjuntos de Guangdong e Macau, conseguimos concretizar uma efectiva articulação entre ambas as partes, em termos de critérios técnicos de construção, de políticas e de sistemas”, disse ontem o Chefe do Executivo. Na zona norte da cidade, a 800 metros de distância das Portas do Cerco, Qingmao vai funcionar 24 horas por dia e servir “para a passagem fronteiriça automática com 100 canais de passagem de inspecção integral rápida” e mais quatro passagens de inspecção manual, sem corredores para veículos. “O Posto Fronteiriço de Qingmao (…) desempenhará um papel no desvio de passageiros do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco”, vincou Ho. Reforçar laços Durante a cerimónia, Ho Iat Seng destacou ainda a importância do novo posto fronteiriço Qingmao no âmbito da conectividade com a rede de transportes rápidos na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O novo acesso fronteiriço Guangdong-Macau destina-se “à entrada e à saída dos residentes do Interior da China, Hong Kong e Macau que usam documentos electrónicos” para facilitar uma passagem com “rapidez e segurança”, segundo as autoridades. Em Maio de 2012, Guangdong e Macau assinaram o acordo-quadro de cooperação para o projecto do novo acesso entre Guangdong e Macau. Em Abril de 2017, o Conselho de Estado aprovou formalmente o projecto. As obras principais arrancaram, no início de 2018, tendo a construção do edifício principal ficado concluída em Maio.
Eleições | CAEAL alerta para ilegalidade do uso de símbolos de listas João Luz e Nunu Wu - 9 Set 2021 O presidente da comissão eleitoral sublinha que é proibido usar máscara, roupa e parafernália de promoção eleitoral, além de discutir listas e intenções de voto a 100 metros das assembleias de voto. A decisão quanto à possível suspensão das eleições, em caso de tufão, será anunciada às 18h de sábado O assunto das eleições não pode ser discutido no dia do sufrágio num raio de 100 metros das assembleias de voto. Os residentes não podem revelar em quem votaram, em quem pensam votar, nem perguntar a outros eleitores que lista preferem nas imediações de locais de voto. Foi o que indicou ontem Tong Hio Fong, presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), durante o programa Fórum Macau, do canal chinês da TDM – Rádio Macau. Além de conversas nas imediações das assembleias de voto, o magistrado alertou para a proibição no sábado e domingo do uso de máscaras, vestuário e parafernália alusiva a listas candidatas, ou ao seu número, sublinhando a possibilidade de os prevaricadores serem responsabilizados criminalmente. Uma das questões recentemente colocadas à CAEAL prende-se com a hipótese de Macau ser fustigado por um tufão no dia das eleições. Tong Hio Fong afirmou que o organismo que dirige vai manter o contacto com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), e “estará atento à sua trajectória” e à “possibilidade de içar o sinal de tufão n.º 8 ou aviso de Storm Surge de alto nível”. Caso a comissão eleitoral entenda que as condições atmosféricas comprometem a segurança do sufrágio, “o processo de votação poderá ser adiado, ou transferido para outras assembleias de voto”. Tong Hio Fong revelou também que a CAEAL irá anunciar uma decisão às 18h de sábado. Nulos e brancos O tópico dos votos nulos voltou à baila, com presidente da CAEAL a indicar que em 2017 o design dos boletins de voto foi melhorado, resultando na redução de votos inválidos. Em resposta a um ouvinte do Fórum Macau, que perguntou se haveria problema em divulgar na internet a intenção de votar nulo, o presidente da CAEAL respondeu que “o espírito da lei é garantir o sigilo do voto”. “A CAEAL nunca reconhecerá qualquer forma ou propósito de influenciar a intenção de voto e deste modo procederá ao devido acompanhamento de casos específicos para se inteirar da intenção de incomodar a ordem da eleição”, adiantou o magistrado. Na passada terça-feira, a CAEAL visitou o Estabelecimento Prisional de Coloane para inspeccionar as condições de voto dos eleitores que cumprem pena de prisão, ou que estão em prisão preventiva. A comissão indicou que o padrão da instalação, procedimentos e horário de voto é idêntico ao das outras assembleias de voto em geral e que entre toda a população prisional, 343 são eleitores. O organismo destacou que nas últimas eleições para a Assembleia Legislativa a taxa de votação nas assembleias de voto do estabelecimento prisional foi superior a 70 por cento.
Eleições | Mak Soi Kun apoia corte de ofertas, mas quer revisão da lei Pedro Arede - 9 Set 2021 Mak Soi Kun concorda com a suspensão de subsídios e outras actividades de associações, porque cria um ambiente eleitoral “saudável” e “imparcial”. No entanto, o deputado considera que o sistema e cultura eleitoral de Macau estão “maduros” e defende, por isso, a revisão do regime eleitoral após as eleições O deputado Mak Soi Kun, mostrou apoio à decisão do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) de sugerir que as associações suspendam a atribuição de subsídios e outras ofertas, mesmo as regulares, durante o período de campanha eleitoral. O legislador mais votado no último sufrágio, dá a entender uma ligação entre a distribuição de apoios e a introdução de critérios de patriotismo que resultaram na exclusão de 21 candidatos das eleições legislativas do próximo domingo. Contudo, para o deputado ligado à comunidade de Jiangmen, se numa primeira análise este ambiente “tenso” poderia afectar a “vontade de votar dos cidadãos”, depois de consultada a fundamentação de “alguns especialistas e académicos”, não há lugar para preocupações, porque depois da alteração à lei eleitoral em 2016, “o sistema e a cultura eleitorais de Macau já estão mais maduros”. “As medidas tomadas para adiar, temporariamente, as actividades que se destinem à atribuição de benefícios, organizadas pelas associações, basicamente, não irão influenciar a vontade de votar da população, criando apenas um ambiente eleitoral mais saudável, mais justo e imparcial, especialmente, tendo em conta a introdução de critérios de patriotismo nas recentes eleições para a Assembleia Legislativa, os quais são benéficos para os cidadãos elegerem os deputados que amam a Pátria e Macau, e que se dedicam de corpo e alma ao serviço da população”, apontou Mak Soi Kun em interpelação escrita. Recorde-se que em Agosto as actividades da Associação dos Conterrâneos de Jiangmen entraram no radar do CCAC, depois de a entidade ligada à lista União de Macau-Guangdong, liderada por Zheng Anting, ter organizado uma sessão sobre como preencher o boletim de voto, que incluía a entrega de um cabaz de ofertas, ou ter distribuído “bolsas em dinheiro” a idosos. Em Junho, a associação distribuiu vales de 100 patacas para compras nos supermercado Royal. Rever é preciso Apesar de concordar com as medidas do CCAC que pretendem evitar que as associações criem “situações embaraçosas ou suspeitas”, Mak Soi Kun defende que “qualquer medida ou política” deve ser apoiada, desde que contribua para escolher deputados patriotas. Por isso mesmo, e para “acompanhar a evolução dos tempos”, o deputado sugere que o Governo reveja o regime eleitoral após as eleições. “Segundo outros especialistas e académicos, após as eleições para a 7.ª Assembleia Legislativa, o Governo deve proceder, em tempo oportuno, à avaliação e revisão do regime eleitoral, acompanhar a evolução dos tempos e aperfeiçoar as respectivas leis e regulamentos, pois todos acreditam que qualquer medida ou política merece apoios, desde que contribua para a escolha de deputados que correspondam aos critérios de patriotismo”, referiu.