Reaberto arranha-céus na China que oscilou por três vezes Hoje Macau - 8 Set 2021 O SEG Plaza, arranha-céus da cidade de Shenzhen, no sudeste da China, que tremeu repetidamente em maio, vai poder voltar a “funcionar normalmente”, a partir de hoje, informou o Governo local. O SEG Plaza tremeu por, pelo menos, três vezes, entre 18 e 20 de maio, levando à evacuação do local, sem que tenham ocorrido movimentos sísmicos. As autoridades decidiram então encerrar o prédio para investigar a causa dos abalos. A torre disposta no topo do prédio foi, entretanto, removida, após especialistas terem apontando a estrutura como causa dos tremores. Esta torre terá causado uma ressonância induzida pelo vento que se espalhou pelo edifício. A retirada do mastro “eliminou a fonte de ressonância e melhorou a dinâmica” do edifício, explicaram os especialistas locais, que garantiram que “vibrações como as de maio não voltarão a ocorrer”. Os especialistas destacaram ainda a dificuldade em demolir a torre, que tem 51 metros de altura e pesa 236 toneladas, e cuja remoção foi feita num período de fortes ventos e chuvas. O SEG Plaza, edifício de escritórios concluído em 2000, tem 71 andares e está localizado numa zona pedonal com vários centros comerciais. A densa malha de arranha-céus de Shenzhen, uma das mais prósperas cidades da Ásia, é símbolo do “milagre económico” que transformou a China nos últimos 40 anos. A cidade serviu como laboratório à abertura da China à economia de mercado, em 1979, e soma hoje um Produto Interno Bruto (PIB) superior a Hong Kong ou Singapura, dois importantes centros financeiros asiáticos.
Uma ocasião Nuno Miguel Guedes - 8 Set 2021 Por vezes uma pessoa procura refúgio no que leu, viu, ouviu. Sobretudo se essa pessoa for eu. Mas eis a maravilha e o terror: nada disso nos serve para coisa alguma. Estamos vulneráveis ao que somos (deixai-me saborear a língua portuguesa por uma vez e esquecer a ontologia) e o que somos tem a tendência de nos surpreender na proporção directa das nossas certezas, se tudo correr bem. Ou seja: quanto mais vida (idade, tempo, o eufemismo que o leitor preferir) mais tapete temos para alguém o puxar de forma inesperada e devida e deixar-nos estendidos no chão. Se esse alguém coincidir connosco a coisa torna-se tão misteriosa como bem-vinda. Foi certamente a visita dessa força que agora mesmo guia os meus dedos no teclado. Prometi, quando esta casa me foi gentilmente aberta, dedicar-me às pequenas coisas, até porque o mundo me aborrece. Mas fiz um pacto comigo em que a minha vida seria privada de escrita porque é privada de interesse para os outros. Até agora. Não sei o que terá acontecido nem sequer me faltava assunto para vos infligir; mas nunca sobre mim, a minha vida, os meus. Só que hoje, sem razão aparente, o tapete terá sido puxado com gosto e sadismo pela única pessoa com que não consigo lidar: eu. Não sei porquê. Sei que nesta altura – e são onze da manhã, desperto, descansado e sem desculpas – preciso falar do meu Avô Nabais. Melhor: porquê já sei mas só o direi no fim. Para já, descubro a causa neste paradoxo: quanto mais velhos mais remotas as memórias. Ou seja: não sei qual foi o meu pequeno-almoço mas lembro-me vividamente das cores e imagens dos meus doze anos. E aqui vou percebendo, à medida que escrevo. O meu Avô Nabais foi a primeira perda próxima que tive, o primeiro choque verdadeiro com a mortalidade a que me fizeram o favor de me poupar. Só que, lá está: se existe condição exclusivamente humana que nos redime ao mesmo tempo que nos condena é a memória. Neste caso pouco me importa o desfecho. De repente vejo-me num pequeno jardim de Inverno, numa varanda da Rua Passos Manuel, em Lisboa. A minha Avó cultivava nessa varanda toda a espécie de plantas e era aí que o meu Avô gostava da minha companhia. “Zé, senta-te aqui”. O porquê de me chamar “Zé” não sei; nunca, que me lembre, terá pronunciado o meu nome próprio. Mas pouco me importava: ia e ouvia, deliciado, as suas histórias. Raiano, nascido e criado na aldeia de Vale de Espinho, na Beira Baixa, veio para Lisboa porque era um dos destinos que lhe ofereciam – o seminário ou a cidade. Preferiu migrar para servir como marçano e a partir daí chegar ao que nunca mostrou ambição de ultrapassar: empregado de escritório. Mas com ele vieram as histórias fantásticas de caçadas de javali, o contrabando, o trânsito clandestino de voluntários para a Guerra Civil de Espanha (e, coisa inadequada aos nossos dias: o Avô era monárquico via franquista, coisa que só muito mais tarde vim a saber), as descrições das casas graníticas e tantas outras aventuras que invariavelmente começavam assim: “Uma ocasião…”. Foram tardes quentes que, percebo agora, terei desperdiçado até este preciso momento em que as lembro e celebro. E tantos outros instantes e características que testemunhei e que precisei de crescer para as identificar. O profundo introvertido, à beira da misantropia, que se fechava no quarto se chegassem visitas não anunciadas – filhas, genro, fosse quem fosse. A excepção era eu, neto único na altura. Os rituais escrupulosamente mantidos, como o de sair mais cedo antes de ir trabalhar para poder apanhar o eléctrico certo e ter tempo de ir ao café falar com os amigos sobre o seu amado Belenenses – a única religião que lhe conheci. Um dia regressei do liceu para almoçar em casa dos meus avós, como era habitual. Encontrei a casa cheia de gente alvoroçada, o telefone a tocar, a minha Mãe a falar-me com extremo cuidado. O Avô estava no hospital, de onde não voltaria. Tinha doze anos; por precioso conselho dos meus pais não fui nem a velório nem ao funeral. Fiquei em casa sozinho, televisão ligada mas ausente. Não verti uma única lágrima. Até hoje. Até agora mesmo. E essas lágrimas preciosas são a tinta destas palavras, a sua razão maior e a que estou grato. Um dia talvez venha a dizer aos meus netos “Uma ocasião…”. Somos todos os outros que viveram e vivem em nós e se houver sentido para esta coisa da vida que seja este: passar essa vida a quem mais amamos.
Comércio externo na China voltou a aumentar em Agosto Hoje Macau - 8 Set 2021 O comércio externo da China voltou a crescer em Agosto, em termos homólogos, apesar de interrupções causadas por surtos de covid-19 em várias regiões do país, segundo dados oficiais ontem divulgados. As exportações aumentaram 25,6 por cento, em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 294,3 mil milhões de dólares, acima do crescimento de 18,9 por cento, registado em Julho, revelam os dados das alfândegas da China. As importações aumentaram 33,1 por cento, para 236 mil milhões de dólares, acima do crescimento de 28,7 por cento registado no mês anterior. Isto ocorreu apesar das interrupções persistentes nas cadeias de produção industrial, devido à paralisação económica global do ano passado, e a um novo aumento nas infecções, nos Estados Unidos e em alguns outros mercados, que diminuíram a confiança dos consumidores. A China desafiou as previsões de que a procura pelas exportações estabilizaria à medida que as medidas de prevenção contra a covid-19 fossem aliviadas e as indústrias de entretenimento e outros serviços fossem reabertos, permitindo aos rivais estrangeiros retornar aos mercados globais. “As exportações e importações foram muito mais fortes do que o previsto no mês passado, mesmo com os dados apontando para alguma escassez de oferta”, disse Sheana Yue, da consultora Capital Economics, num relatório. Os números do comércio deste ano estão distorcidos em comparação com os dados de 2020. A procura global afundou no primeiro semestre, depois de os governos fecharem fábricas e lojas para combaterem a pandemia. Os exportadores da China retomaram a actividade depois de o Partido Comunista declarar o vírus sob controle, em Março de 2020, enquanto os seus concorrentes estrangeiros foram prejudicados por medidas de controlo durante mais tempo. As exportações chinesas para os 27 países da União Europeia caíram 9,9 por cento, em relação ao ano anterior, para 46,2 mil milhões de dólares. As importações de produtos europeus caíram 22 por cento, para 25,3 mil milhões de dólares. O superavit comercial da China com a Europa aumentou 10,9 por cento por cento, para 20,9 mil milhões de dólares. Registo americano As exportações da China para os Estados Unidos aumentaram 15,5 por cento, em Agosto, em relação ao ano anterior, para 51,7 mil milhões de dólares, acelerando em relação ao crescimento de 13,4 por cento registado em Julho, e apesar da longa guerra comercial travada entre Pequim e Washington. As importações de produtos norte-americanos aumentaram 33,3 por cento, para 14 mil milhões de dólares, acima dos ganhos de 25,5 por cento, registados no mês anterior. O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que assumiu o cargo em Janeiro, não se comprometeu a reduzir as taxas impostas sobre bens oriundos da China pelo seu antecessor, Donald Trump. O superavit comercial global da China diminuiu 1 por cento, em Agosto, em relação ao ano anterior, para 58,3 mil milhões de dólares. O superavit politicamente sensível com os Estados Unidos aumentou 10 por cento, para 37,7 mil milhões de dólares.
Eleições | Uma campanha morna nas ruas e sem novidades nos programas Andreia Sofia Silva - 8 Set 2021 Termina esta sexta-feira o período de campanha eleitoral para as eleições legislativas, que acontecem no domingo. Analistas consideram que os candidatos não trouxeram novos temas para a praça pública e que, num sistema político onde o Executivo domina, é difícil implementar ideias. Perante a desqualificação de deputados, torna-se difícil prever a composição da Assembleia Legislativa Com Pedro Arede e João Santos Filipe Mais habitação, mais apoios sociais e financeiros para combater os efeitos nefastos na economia devido à pandemia da covid-19, um melhor sistema de trânsito e o modelo de gestão do novo hospital das ilhas. Estes têm sido os temas mais marcantes de uma campanha eleitoral que arrancou a 28 de Agosto e termina esta sexta-feira. Analistas ouvidos pelo HM defendem que os programas eleitorais das 14 listas candidatas revelaram-se pouco inovadores em termos de ideias para o território. “Ouvi apenas o programa de duas listas, na rádio, que não falava de outra coisa a não ser do aumento dos subsídios. Portanto, pode ser um tema interessante entre os candidatos, que puxam o seu eleitorado pelos cifrões”, ironizou Leonel Alves, advogado e antigo deputado da Assembleia Legislativa (AL) durante 33 anos. No entanto, o causídico alerta para o facto de os deputados terem pouca margem de manobra para mudar algo nesta área. “A Lei Básica diz-nos que tudo o que esteja relacionado com encargos financeiros e despesa pública depende da proposta do Chefe do Executivo. Portanto, quanto muito, um deputado pode fazer certas reivindicações. Parece que agora é geral usar este argumento do aumento dos subsídios para congregar votos.” Também Jorge Fão, antigo deputado e dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), diz que os temas abordados pelos candidatos pouco variaram nos últimos anos. “Quase todas as listas se focam nos mesmos assuntos, que é a habitação, o trânsito, a saúde, o desemprego. São questões que não são fáceis de resolver, como é o caso também da diversificação da economia, de que se fala há dezenas de anos e não sei como pode ser feita.” Jorge Fão destaca que, na implementação de políticas, o poder Executivo domina. “Estamos muito dependentes das políticas do Governo e a AL tem poucas palavras a dizer. O Executivo tem domínio sobre todos os temas do território e o espaço de manobra dos deputados é relativamente pequeno. É preciso que o Governo esteja em sintonia com os comentários e as críticas.” Portanto, as ideias abordadas em plena campanha não passam “de uma retórica eleitoral”, embora Jorge Fão deposite esperanças na verdadeira resolução de um problema antigo: a falta de habitação. “Acredito que essa questão, com o actual Governo, vai ser resolvida. Pelo que se vê publicamente, e com as construções em curso, acredito que a habitação económica e social vai ter uma solução, mas não na totalidade.” Em relação aos restantes pedidos feitos pelos candidatos, o dirigente macaense tem menos crenças. “Quanto ao pedido de mais dinheiro e subsídios, penso que o Governo não terá capacidade para suportar mais encargos, porque sabemos que as receitas de todos os casinos estão a cair.” Depressão colectiva Para Leonel Alves, o facto de a maior parte das listas pedir um aumento dos apoios financeiros parte do sentimento de depressão generalizado sentido pela população desde que a pandemia começou. “Estamos em crise há algum tempo e as perspectivas podiam ser melhores se não fosse o prolongamento deste lockdown em Macau. As pessoas não chegam de Hong Kong, que é um mercado importante. Vejo lojas pequenas a fechar. A saúde da população não está no seu melhor e quando isso acontece obviamente que o medicamento é mais subsídio. Interpreto isso como um sentimento generalizado de que Macau está a passar por uma crise prolongada e sem perspectivas de alteração rápida e a curto prazo.” Nesse sentido, é “uma preocupação legítima da parte dos candidatos”. A pandemia pode também ter afastado das ruas a normal agitação eleitoral com carros e slogans. “Antes havia mais barulho nas ruas, mais carros a fazer a sua propaganda. Não se se isso se deve à crise ou a outros factores, não tenho visto este burburinho”, lembrou Leonel Alves, que destacou o facto de a maior parte das listas candidatas estarem a apostar nas redes sociais e formatos digitais para transmitir o seu programa político. “Hoje em dia procura-se mais as vias digitais [para fazer a campanha], que evita esta propaganda pelas ruas, e talvez por essa via seja melhor conseguido. Essa é a grande diferença.” António Katchi, jurista, considera que os temas abordados pelas listas “eram os esperados, tendo em conta a sua natureza, as circunstâncias actuais e os precedentes históricos”. “A divisão das classes trabalhadoras em trabalhadores residentes e não residentes – uma das maiores fracturas sociais existentes em Macau – tem sido sempre encarada pelos deputados e pelas listas concorrentes como uma situação normal e inevitável”, sendo este, para o jurista, “um tema estrutural que merecia um amplo debate”. Katchi também destaca a importância de debater nesta campanha os direitos laborais, “quer os direitos individuais, [sobre] o despedimento, o horário de trabalho e as férias, quer os direitos colectivos, como a liberdade sindical, negociação colectiva e greve”. Alerta Coutinho Esta campanha ficou marcada também pelo grito de alerta do deputado e candidato José Pereira Coutinho, líder da lista Nova Esperança, que se assumiu como o único candidato democrata nestas eleições, após a desqualificação de vários candidatos. Coutinho apelou ao voto para que a sua voz política, a única em língua portuguesa, se mantenha no hemiciclo, antevendo dificuldades para manter o assento pela via directa. António Katchi, jurista, concorda com esta posição. “Excluídas as listas ligadas à ‘constelação’ da Associação Novo Macau, a lista encabeçada por Pereira Coutinho é, de facto, a única em que os democratas podem encontrar, por um lado, simpatia e compreensão em relação a eles próprios (da parte das outras listas só encontram hostilidade e desprezo), e, por outro, ideias semelhantes às suas para a sociedade de Macau.” Katchi acredita que a lista Nova Esperança “também captará votos junto dos apoiantes da lista encabeçada por Cloee Chao, excluída das eleições”. Outra parte do eleitorado poderá votar nos deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau, como é o caso de Ella Lei e Leong Sun Iok, da lista União Promotora para o Progresso. Com a desqualificação de candidatos, é difícil para os analistas preverem como ficará a composição do hemiciclo a partir de domingo. Leonel Alves não antevê, para já, grandes mudanças. “Provavelmente uma ou outra lista manterá o número de deputados. Quem antes tinha dois deputados e passou a ter um, nesta actual situação pode vir a ter novamente dois candidatos eleitos. No geral, o hemiciclo não vai sofrer grandes alterações. Ou há a abstenção ou é diluído, porque o eleitorado também subiu para os sectores tradicionais.” Jorge Fão defende que é ainda uma “incógnita” a futura composição da AL. “Temos deputados que estão lá há mais de 20 anos e que nunca tiveram uma intervenção, entraram calados e saíram mudos. E temos outros que fizeram muito barulho mas que, na realidade, não fizeram nada, não passaram de retórica”, argumentou. Para o dirigente da APOMAC, o período de campanha eleitoral trouxe algum colorido às ruas, mas nada mais do que isso. “Os temas dos programas eleitorais de há quatro ou cinco anos não variam muito em relação aos deste ano. Houve a desqualificação de alguns deputados e os seus apoiantes poderão não votar. Mas também pode acontecer o contrário, nunca se sabe. Há votos que podem ser aproveitados por outras listas”, rematou Jorge Fão.
Reconstrução do Edifício Sin Fong está praticamente concluída João Santos Filipe - 8 Set 2021 A reconstrução do Edifício Sin Fong Garden está praticamente concluída, depois de os trabalhos em altura terem terminado. Nesta fase, segundo o canal chinês da Rádio Macau, estão a ser instalados tubos e canalizações para a electricidade e água. Segundo Wong Man Sang, proprietários de uma fracção habitacional no edifício, a conclusão das obras estava prevista para Agosto. Porém, ocorreram “pequenos atrasos” que fizeram com que tal não fosse possível. Também por esse motivo, os moradores ainda não sabem quando podem voltar a ocupar as suas casas. O proprietário explicou que a reconstrução do edifício foi financiada principalmente pelos proprietários. Para esse efeito, foram feitas das campanhas de recolha de fundos. Na primeira acção foram angariados 70 milhões de patacas e na segunda 100 milhões de patacas. O segundo montante foi conseguido com recursos a empréstimos bancários, apesar de alguns proprietários não terem conseguido cumprir as exigências necessárias para contrair empréstimo. Wong reconheceu ter sido um dos moradores com dificuldades para aceder ao financiamento, mas admite ter recebido assistência para resolver a situação. Promessa por cumprir Sobre a promessa de um donativo de 100 milhões de patacas da Associação de Conterrâneos de Jiangmen, Wong revelou que apenas chegaram 5,12 milhões de patacas. A associação apoia Zheng Anting nas eleições de domingo, e que tinha como principal figura ma Assembleia Legislativa o deputado Mak Soi Kun. Recorde-se que em 2012 um dos pilares do recém-construído Sin Fong Garden cedeu e obrigou a que o edifício fosse evacuado para segurança dos moradores. O caso arrasta-se há vários anos nos tribunais, entre processos para apurar a responsabilidades pelas obras e pedidos de compensações. Em Abril deste ano, o Tribunal Judicial de Base condenou sete construtoras e técnicos a pagarem 12,8 mil milhões de patacas à RAEM.
Associação de Jovens Macaenses | Jorge Valente pondera deixar direcção Andreia Sofia Silva - 8 Set 2021 Com oito anos de existência celebrados na última semana, a Associação de Jovens Macaenses pode mudar de presidente no próximo ano. Isto porque Jorge Valente está a ponderar não se recandidatar para dar lugar a sangue novo O mandato de Jorge Valente como presidente da Associação dos Jovens Macaenses termina este ano, e nas próximas eleições a liderança poderá ter um novo rosto. Isto porque o empresário confessou ao HM que está a ponderar não se recandidatar. “Provavelmente não me recandidato como presidente da direcção porque as ideias novas acabam por se esgotar se for sempre a mesma pessoa. Nos últimos anos atraímos mais jovens e preparamos mais pessoas para se chegarem à frente e levarem a associação a fazer coisas mais inovadoras.” Os estatutos determinam que os associados não podem ter mais de 45 anos. Apesar de ainda não ter atingido essa idade, Jorge Valente disse que está na altura “de surgirem outras pessoas que, no próximo mandato, levem a associação a patamares mais altos”. O actual dirigente “gostaria de ver mais dinamismo e mais vertentes” na associação. Com oito anos celebrados na passada quinta-feira, a Associação dos Jovens Macaenses sofreu as consequências da pandemia, ao ter de cancelar uma série de eventos. “O nosso mandato termina no fim deste ano e para o ano há novas eleições. A próxima equipa terá de definir o que a associação vai fazer no futuro”, declarou. Balanço positivo Nos últimos oito anos, a Associação dos Jovens Macaenses viu muitos jovens sair para outras entidades, mas Jorge Valente considera que esse é um sinal de que os jovens macaenses estão hoje mais despertos para o associativismo. “A divulgação aumentou, o que fez com que os jovens macaenses tenham percebido que a sociedade de Macau é inclusiva. Não estamos excluídos. Vários jovens entraram para a nossa associação, saíram e entraram para outras associações de matriz portuguesa ou outras mais ligadas aos seus passatempos. De outra forma, talvez não tivessem começado.” Em relação ao futuro e à integração regional do território na Grande Baía, Jorge Valente considera que “a comunidade macaense adapta-se e sobrevive”. “É uma questão de fazer ajustamentos e seguir em frente”, frisou. A associação “começou do nada” há oito anos, mas conseguiu “firmar a sua presença”. “Hoje temos uma maior participação, embora ainda seja longe do que queríamos atingir na altura. Mas o balanço que faço é positivo. Ao longo destes anos tivemos de ser de tudo um pouco, para toda a gente. Temos uma vertente de desporto, fazemos viagens de intercâmbio, actividades relacionadas com música, palestras com vários temas”, defendeu. Relativamente ao futuro, Jorge Valente quer que a associação se mantenha eclética e não apenas virada para a vertente comercial.
Estudo | Jovens sem perspectivas de mobilidade social João Santos Filipe - 8 Set 2021 A crise económica causada pela pandemia está a ter consequências nas expectativas económicas dos jovens de Macau. Segundo um estudo da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, apenas um terço dos inquiridos acredita na melhoria das hipóteses de mobilidade social nos próximos 10 anos Quase metade dos jovens de Macau considera que nos últimos cinco anos não houve oportunidades de mobilidade social e apenas 30 por cento diz que as oportunidades vão surgir nos próximos 10 anos. Estes resultados fazem parte do estudo “2021 Relatório sobre o Desenvolvimento da Juventude”, realizado pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, com base em 824 questionários. Segundo a informação apresentada ontem em conferência de imprensa, e citada pelo Jornal Ou Mun, os resultados reflectem o ambiente que se vive com a pandemia, mas a tendência não é nova. Apesar de tudo, o panorama actual tornou mais claro para os inquiridos que Macau é uma sociedade estratificada, onde as pessoas com rendimentos médios e baixos têm maiores probabilidades de baixarem de classe do que de subir, devido à crise económica. Chan Ka In, líder da equipa de investigação e vice-presidente da associação, revelou que menos de um quarto dos jovens, mais precisamente 22 por cento, acredita que as oportunidades de mobilidade na sociedade são suficientes. Em comparação com o estudo feito em 2019, foi ainda sublinhado que a situação pandémica é tida pelos jovens como a principal alteração. Segundo as conclusões, o actual panorama socioeconómico aumenta os índices de competitividade na procura de emprego e alarga o fenómeno do desemprego jovem. Aposta na diversificação Na sequência dos problemas assinalados, os investigadores da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau apontaram a diversificação económica como a solução. No entender da associação, o Governo tem de apostar em outras indústrias, como na tecnologia de ponta na área da saúde e no mundo da alta finança. Com mais indústria, os investigadores acreditam que as oportunidades de emprego vão aumentar, assim como a mobilidade social em outros sectores. Por outro lado, a associação defende a criação de uma plataforma mais alargada de oferta de empregos, assim como a aposta em estágios pagos, para responder aos anseios da população. De resto a formação profissional para as áreas indicadas nos planos de diversificação é um dos caminhos indicados, com a associação a pedir ao Governo a coordenação de esforços, inclusive a criação de bolsas de estudo.
Televisão | Maria Cordero promete renunciar a nacionalidade portuguesa João Santos Filipe - 8 Set 2021 A macaense Maria Cordero defende o encerramento da indústria do entretenimento do Interior a estrangeiros e promete abdicar da nacionalidade portuguesa para continuar a trabalhar na China A artista macaense Maria Cordero, presença assídua na televisão de Hong Kong, em particular em programas de culinária e música, prometeu abdicar da nacionalidade portuguesa para continuar a trabalhar no Interior. A promessa foi feita em entrevista a meios de comunicação chinesa, em que abordou a recente campanha do Interior contra artistas de Hong Kong com dupla nacionalidade. “Se uma pessoa que trabalhar no Interior, o correcto é renunciar a qualquer nacionalidade estrangeira. Se alguém quer trabalhar no Interior, deve ter nacionalidade chinesa e não vejo nenhum problema nisso”, afirmou a cantora de 67 anos. As declarações de Cordero surgem na sequência da partilha de uma lista com nomes de artistas em risco de serem banidos do Interior por terem dupla nacionalidade. A lista não foi confirmada pelas autoridades, mas tem nomes muito conhecidos do público como Jet Li, Nicholas Tse, Liu Yifei, Stefanie Su ou Wang Leehom. A possibilidade de exclusão de trabalhos no Interior da China foi afastada por alguns artistas, levando a agência de representa Stefanie Sun a emitir um comunicado a negar a possibilidade. Porém, Nicholas Tse declarou que irá renunciar à nacionalidade canadiana, decisão que foi aplaudida por Maria Cordero. “Vi a notícia que o Nicholas Tse iria renunciar à nacionalidade canadiana. Acredito que todos os artistas com dupla nacionalidade vão fazer o mesmo, uns atrás dos outros”, vaticinou. “A não ser que não queiram fazer dinheiro na China e não gostem de viver aqui”, vincou. O lado pragmático Segundo Maria Cordero, conhecida como Mãe Gorda, abdicar da nacionalidade estrangeira, como a portuguesa, não é apenas uma obrigação para quem quer trabalhar na China, mas também uma atitude pragmática. “Ter nacionalidade chinesa é uma garantia, se tivermos nacionalidade chinesa temos acesso a seguro, protecção laboral e às protecções das políticas sociais”, justificou. Além de cantora e de participar em programas de culinária, Maria Cordero tem assumido posições políticas com bastante frequência nos últimos anos, nomeadamente no apoio ao Governo de Hong Kong. É também uma das grandes defensoras da integração de Hong Kong e Macau na Grande Baía. Filha de pai português e mãe chinesa, Maria Cordero nasceu em Macau em 1954 e aos nove anos de idade, por volta de 1963, mudou-se para Hong Kong onde fez carreira na indústria do entretenimento.
China exige que viajantes oriundos de Portugal façam quarentena antes de partirem Hoje Macau - 7 Set 2021 A China passou a exigir que os viajantes oriundos de Portugal cumpram uma quarentena de 21 dias antes de partirem para o país asiático, informou esta segunda-feira a embaixada chinesa em Lisboa, numa medida inédita de prevenção da covid-19. As embaixadas da China na Bélgica, Rússia, Egito e Peru emitiram comunicados semelhantes, impondo uma quarentena no país de origem, a que se soma outra quarentena na chegada à China, de pelo menos 14 dias. A China, à semelhança de outros países, já exigia que qualquer pessoa que viajasse do exterior cumprisse um período de quarentena à chegada, mas uma quarentena obrigatória antes de embarcar é um requisito inédito. “Todo o pessoal de empresas com capital chinês deve ser colocado em quarentena, com 21 dias de antecedência, e fornecer certificados de quarentena carimbados pelas respetivas empresas”, lê-se no comunicado difundido no portal oficial da embaixada da China em Lisboa. “Tripulantes que tenham desembarcado em Portugal e pretendam embarcar com destino à China devem ser colocados em quarentena, em Portugal, por pelo menos 14 dias, devendo os certificados de quarentena ser emitidos pelas companhias aéreas”, acrescenta a mesma nota. No caso de Portugal, o único voo direto para a China, operado pela companhia aérea Beijing Capital Airlines, tem como destino a cidade chinesa de Xi’an, que exige 21 dias de quarentena a quem chega do exterior, num hotel designado pelas autoridades, e mais sete dias posteriores na respetiva residência na China. Os passageiros devem ainda apresentar o certificado de vacinação ou o certificado de teste de antigénio negativo. Para além de um daqueles dois certificados, o passageiro deve apresentar os resultados negativos dos testes de ácido nucleico PCR e de anticorpos IgM. A ligação entre Lisboa e Xi’an tem a frequência de um voo por semana. A Beijing Capital Airlines suspendeu também, temporariamente, o transporte de passageiros em trânsito para a China, via Lisboa, oriundos da África do Sul, Brasil, Índia, Nepal, Reino Unido, Angola, Moçambique, Itália e Espanha.
Myanmar | Autodenominado Governo de Unidade Nacional declara “guerra defensiva” contra a junta militar Hoje Macau - 7 Set 2021 O autodenominado Governo de Unidade Nacional de Myanmar (antiga Birmânia), composto por políticos e ativistas pró-democracia, declarou uma “guerra defensiva” contra a junta militar e apelou à rebelião popular. “Hoje iniciamos uma guerra defensiva do povo contra a junta militar”, declarou o presidente interino do Governo de Unidade Nacional (NUG, na sigla em inglês) Duwa Lashi La, num vídeo enviado aos meios de comunicação social. “Durante esta revolução popular, todos os cidadãos da Birmânia devem revoltar-se em todo o país contra a junta militar, liderada por Min Aung Hlaing”, general que lidera os militares no poder, sublinhou. Em 01 de fevereiro deste ano, o exército birmanês tomou o poder e afastou o governo democrático, liderado ‘de facto’ pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. O país tem estado numa crise profunda desde o golpe militar, rejeitado por uma grande parte da sociedade birmanesa. A comunidade internacional, como a UE, os Estados Unidos e o Reino Unido, anunciou sanções nos últimos meses contra a junta militar, cuja brutal repressão custou a vida a mais de mil pessoas. A China e a Rússia tornaram-se os únicos pontos de apoio da junta militar e bloquearam as tentativas do Conselho de Segurança da ONU de impor um embargo de armas. Embora a resistência à junta militar fosse inicialmente pacífica, a contestação civil é agora também armada, apesar da falta de conhecimento militar por parte da oposição. O exército birmanês justificou o golpe com uma alegada fraude eleitoral nas eleições de novembro passado, que o partido da líder deposta, Aung San Suu Kyi, venceu, como já acontecera em 2015, num escrutínio considerado legítimo pelos observadores internacionais. A Nobel da Paz (1991) está sob custódia das autoridades birmanesas desde as primeiras horas do golpe militar, tendo sido acusada de vários crimes. No processo que está a decorrer no tribunal da capital birmanesa, a política de 76 anos é acusada de incitação ao ódio, de uma alegada importação ilegal de aparelhos eletrónicos e de violação das normas contra a propagação da pandemia de covid-19. Suu Kyi, que permanece detida num local desconhecido após ter passado várias semanas em prisão domiciliária, também enfrenta uma acusação por violação de informações secretas, processo que está a decorrer em outro tribunal em Rangum. Neste caso concreto, Aung San Suu Kyi pode incorrer numa pena de prisão até 14 anos.
Hong Kong | Residentes de Macau isentos de quarentena à entrada João Luz - 7 Set 20218 Set 2021 O Governo de Carrie Lam anunciou ontem que a partir de 15 de Setembro pessoas oriundas de Macau e Guangdong podem entrar em Hong Kong sem terem de cumprir quarentena. As entradas na região vizinha serão limitadas a 2.000 por dia, mediante apresentação de teste de ácido nucleico negativo A partir de 15 de Setembro, residentes de Macau e do Interior da China vão poder entrar em Hong Kong sem terem de cumprir quarentena obrigatória. A medida foi anunciada ontem por Carrie Lam, durante a semanal conferência de imprensa do Conselho Executivo da RAEHK. A isenção de quarentena irá beneficiar um máximo de 2.000 pessoas por dia, divididas entre quem vem de Macau e quem vem de Shenzhen. “Será disponibilizada uma quota diária de 1.000 pessoas para o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau e para o posto fronteiriço de Shekou em Shenzhen”, revelou Carrie Lam. A Chefe do Executivo da RAEHK adiantou que a política “Come2HK” (vem para Hong Kong) tem estado em cima da mesa das negociações há bastante tempo, mas foi sucessivamente adiada devido à ocorrência de surtos em Hong Kong e no Interior da China. Carrie Lam anunciou também que a partir de hoje residentes de Hong Kong que estejam em Macau ou no Interior da China podem regressar à RAEHK sem terem de cumprir quarentena obrigatória. Esta medida, a que o Governo vizinho chama “Return2HK” (Regresso a Hong Kong), recomeçou a 5 de Agosto, apenas para quem voltava da província de Guangdong, depois de ter arrancado em Novembro do ano passado. Desde então, e depois de mais de 200.000 entradas, “não houve um único caso de infecção confirmada”, declarou Carrie Lam. Com juízo As políticas de entrada em Hong Kong requerem a apresentação de resultado negativo a teste de ácido nucleico no posto fronteiriço e subsequentes testes depois da entrada no território. A novidade anunciada ontem pela Chefe do Governo de Hong Kong aconteceu exactamente 21 dias depois da descoberta do último caso local de covid-19, no passado dia 17 de Agosto. Lam frisou que a passagem dos 21 dias é uma marca temporal importante, porque reflecte o tempo de incubação do vírus. “O que significa que, basicamente, chegámos à marca de zero casos”, acrescentou, citada pelo portal de comunicação do Governo da RAEHK. A relativa abertura das fronteiras de Hong Kong surge num contexto recente de alívio de medidas de restrição, com particular destaque para a permissão de entrada de empregadas domésticas, inoculadas com duas doses de vacina contra a covid-19, oriundas das Filipinas e Indonésia. A medida, implementada na semana passada requer a apresentação de um certificado de vacinação e quarentena obrigatória de três semanas.
Governo exige testes regulares à covid-19 a trabalhadores de risco Andreia Sofia Silva - 7 Set 2021 O Centro de Coordenação de Contingência do novo tipo de coronavírus anunciou ontem que trabalhadores de quatro grupos considerados de risco, que incluem pessoal de saúde, funcionários de hotéis e dos postos fronteiriços, trabalhadores da área dos congelados e empregados de limpeza no aeroporto terão de fazer testes regulares à covid-19, incluindo testes diários. A medida surge na sequência da visita de especialistas da Comissão Nacional de Saúde da China ao território. “A comissão propôs a realização de testes a determinados grupos de pessoas. Tendo em conta a recente evolução epidémica em Cantão, iniciámos testes a quatro grupos chave que no seu trabalho diário possam estar expostos a infectados ou pessoas de contacto próximo”, referiu Tai Wa Hou, coordenador do programa de vacinação. Estes trabalhadores terão de realizar um teste de ácido nucleico a cada sete dias, mas “quem tem um maior risco de exposição [ao vírus] terá de fazer um teste por dia”, incluindo os trabalhadores de limpeza que fazem a desinfecção de espaços por onde passaram pessoas infectadas, ou quem tenha contacto com essas pessoas, até mesmo funcionários de limpeza do aeroporto, adiantou Tai Wa Hou. Os testes serão gratuitos e essenciais para passagem transfronteiriça e para apresentação ao serviço. Mais de dez mil trabalhadores serão abrangidos por esta medida, embora as autoridades “ponderem incluir funcionários dos serviços sociais e motoristas de transportes públicos”. A Comissão Nacional de Saúde da China deixou ainda indicações sobre o plano de vacinação, mas o Governo ainda está a estudar medidas sobre esta matéria. “Quanto à vacinação, há medidas que ainda temos de estudar. Pela análise a esses grupos chave, quem não recebeu a vacina tem de fazer um teste. Dependendo do grau de exposição [do trabalhador], poderemos ter prazos diferentes. Um maior risco de exposição implica a realização de um teste de sete em sete dias, e com menor risco de 14 em 14 dias. Os dados concretos serão depois divulgados”, referiu Tai Wa Hou. De frisar que a definição destes grupos chave surge depois de ter sido detectado um novo caso de infecção numa funcionária de um hotel em Cantão. Irmão teve alta O Centro de Coordenação adiantou ontem que um dos membros da família de quatro pessoas infectadas com covid-19 teve alta, o segundo depois da irmã ter deixado o hospital nos últimos dias de Agosto. Trata-se do irmão mais velho, com 15 anos, que não apresenta sintomas e testou negativo em todos os testes. Em relação ao pai e à mãe, estão sem febre e sem problemas respiratórios. Relativamente ao plano de vacinação, o Executivo pretende encomendar mais 30 mil vacinas da Sinopharm, embora ainda tenha 170 mil doses deste laboratório e 50 mil doses da mRNA/BioNTech. “Tendo em conta os números da vacinação penso que o nosso stock dura mais 100 dias”, referiu Tai Wa Hou.
Novo embaixador alemão na China morre aos 54 anos Hoje Macau - 7 Set 2021 O novo embaixador da Alemanha na China, que serviu anteriormente como conselheiro da chanceler alemã, Angela Merkel, morreu aos 54 anos, anunciou ontem o Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão. O ministério anunciou a “morte súbita” de Jan Hecker, num breve comunicado, emitido na madrugada de ontem. A mesma fonte não especificou a causa da morte e descartou qualquer relação com o cargo. A porta-voz adjunta do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Andrea Sasse, disse, quando questionada numa conferência de imprensa sobre a causa da morte, que “nada tem a ver com o papel que Hecker desempenhava” na embaixada. Hecker, que se tornou embaixador, em Agosto passado, era casado e tinha três filhos, segundo a sua biografia, publicado no portal oficial do Ministério. O embaixador chegou à China no início de Agosto e apresentou as suas credenciais no dia 24 do mesmo mês, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país asiático. Ex-funcionário do Ministério do Interior e juiz do Tribunal Administrativo Federal da Alemanha, começou a trabalhar na chancelaria alemã, em 2015, como chefe de uma unidade que coordena a política para os refugiados. Hecker tornou-se conselheiro para a política externa de Merkel – um cargo influente, embora com um perfil público baixo – em 2017. Merkel revelou, em comunicado, estar “profundamente chocada” com a morte de Jan Hecker. “Estou de luto por um estimado conselheiro de longa data, com profunda humanidade e notável experiência”, afirmou.
Clima | China e EUA conversam sobre mudanças climáticas Hoje Macau - 7 Set 2021 Xie Zhenhua e John Kerry acertaram agulhas com vista a reduzir urgentemente as emissões de dióxido de carbono e impulsionar a implementação do Acordo de Paris O Enviado Especial da China para Mudanças Climáticas, Xie Zhenhua, conversou, a convite com o Enviado Presidencial Especial para o Clima dos EUA, John Kerry, em Tianjin, durante a semana, disse o Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente na sexta-feira. Os dois lados conduziram diálogos francos, profundos e pragmáticos e tiveram uma troca completa de opiniões sobre assuntos-chave, incluindo a seriedade e a urgência da mudança climática global, planos para conversações e cooperação bilaterais sobre mudança climática e a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Glasgow, no Reino Unido. As duas partes compartilharam as políticas e acções sobre mudanças climáticas adoptadas pelos respectivos países. A China criou um grupo sobre o pico de carbono e neutralidade de carbono e está a trabalhar num sistema de políticas para atingir o pico das emissões de dióxido de carbono até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060, de acordo com o lado chinês. O lado norte-americano apresentou as políticas do governo Biden para facilitar as metas do país de redução de emissões, de acordo com a pasta. Olhar em frente Reconhecendo a importância dos diálogos climáticos entre a China e os EUA sobre os esforços multilaterais para enfrentar a mudança climática, os dois lados discutiram os próximos passos para colocar as negociações bilaterais numa base mais institucional, concreta e pragmática, e para estabelecer certos planos e projectos de cooperação no sector ecológico e de baixo carbono estabelecendo mecanismos relevantes. Sob o processo multilateral da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e do Acordo de Paris, as duas partes trabalharão em conjunto com outras partes para promover o sucesso da conferência de Glasgow. As duas partes concordaram em continuar com diálogos e consultas, e agir para tratar dos assuntos climáticas, fortalecer a cooperação pragmática, impulsionar em conjunto o processo multilateral e impulsionar a implementação plena, efectiva e sustentável do Acordo de Paris.
Televisão | Nicole Kidman interrompe produção de “Expats” e deixa RAEHK João Luz - 7 Set 2021 Nicole Kidman saiu de Hong Kong depois de uma disputa com a realizadora da série “Expats” e retornou à Austrália entre relatos de queixas relativas às condições em que a produção estava a ser conduzida. A estrela de “The Hours” e “Eyes Wide Shut” tem regresso marcado a Hong Kong para Novembro Quando no mês passado Nicole Kidman foi avistada em Mong Kok a filmar no meio da característica azáfama da zona, começava a ganhar forma a polémica que haveria de estalar. A estrela australiana ficou isenta de cumprir a quarentena a que normalmente estão obrigadas as pessoas que entram em Hong Kong. Contornada a questão, Kidman voltou este fim-de-semana ao radar mediático com a notícia de que teria deixado “temporariamente” Hong Kong depois de alegados desentendimentos com a realizadora Lulu Wang durante a rodagem da série “Expats”, para a plataforma de streaming Amazon Prime Video. A actriz, que também é produtora executiva da série, terá entrado em rota de colisão com a realizadora devido a opiniões divergentes, acrescidas com um alegado desconforto com as condições de trabalho no local das filmagens. Meios de comunicação de Hong Kong, citados pelo The Standard, indicam que Nicole Kidman não se conseguiu adaptar ao ambiente de filmagens, que implica a rodagem de cenas à vista de todos os transeuntes. Facto agravado pela ausência de locais para descansar isolada de multidões. A actriz pediu uma licença de dois meses para interromper o projecto e regressou à Austrália. O The Standard adianta que a actriz deverá seguir para o Reino Unido para filmar “Aquaman” e “Lost Kingdom”, antes de regressar a Hong Kong para terminar “Expats”. Filhas e enteadas Os média de Hong Kong reportaram que Nicole Kidman abandonou Honk Kong num jacto privado no domingo. Porém, a sua chegada ainda agita águas. A decisão do Governo de Carrie Lam de permitir que a actriz contornasse a quarentena obrigatória para entrar em Hong Kong gerou polémica, levando as autoridades a endereçar o assunto e a explicar que Kidman reunia as condições de isenção, mas que continuaria a acompanhar a situação para assegurar que todas os requisitos de prevenção sanitária fossem respeitados. A polémica levou mesmo à intervenção de Edward Yau Tang-wah, secretário do Comércio e Desenvolvimento Económico, defendeu a isenção Kidman de quarentena obrigatória como uma decisão que equilibrou a ajuda à actriz e o controlo da pandemia. Importa referir que foram concedidas isenções a um total de cinco membros da equipa de produção. A dispensa implicou que Kidman se sujeitasse a pelo menos três testes de ácido nucleico nas primeiras duas semanas que esteve em Hong Kong, apresentasse um itinerário seguido ao longo da produção, limitasse as deslocações ao mínimo, apenas para trabalho, e sem usar os transportes públicos. Desde que chegou a Hong Kong, Nicole Kidman esteve hospedada numa casa no Peak, uma das zonas mais caras da cidade. Nas últimas semanas, a actriz foi avistada a filmar numa escola primária no Peak, num edifício em Sai Wan e no mercado de rua da Fa Yuen Street em Mong Kok. A série “Expats” é baseado no romance “The Expatriates”, de autoria de Janice Y. K. Lee. Protagonizada por Kidman, com Jack Huston e Sarayu Rao, segue “as vibrantes vidas de uma comunidade expatriada que se mantém muito próxima, onde a riqueza é celebrada, as amizades intensas, mas reconhecidamente temporárias, e as vidas, mortes e casamentos são eventos públicos”, adiantou Jennifer Salke, presidente da Amazon Studios.
Cerca de 30% de negócios de turismo e restauração fechou portas Hoje Macau - 7 Set 2021 Desde o início do ano que 30 por cento dos negócios virados para o turismo, como venda de lembranças ou de restauração fechou desapareceu. O número foi apresentado por Aeson Lei, presidente da Associação de Qualidade Verde Marca, durante um simpósio no domingo, para Pequenas e Médias Empresas. De acordo com declarações prestadas ao Jornal Cheng Pou, Aeson Lei mostrou-se muito preocupado porque os encerramentos foram quase todos uma consequência de degradação da situação económica imposta pela pandemia da covid-19 e pelas restrições de circulação. Lei explicou que também as plataformas de distribuição de comida fizeram com que a situação dos restaurantes se degradasse, através da cobrança de comissões muito elevadas. Para o panorama “negro” contribui ainda a redução do poder de compra não só dos residentes, que é cada vez mais acentuada, mas também dos turistas, que gastam menos do que em anos anteriores. O responsável da associação explicou ainda que os alimentos que chegam a Macau, e produtos relacionados, estão mais caros, o que tem reduzido as margens de lucro praticadas. Sobre as dificuldades acrescidas no consumo, Aeson Lei exemplificou ainda que o cartão de consumo electrónico e a distribuição de vales electrónicos tem um impacto mais limitado do que no ano passado porque “as pessoas estão mais cautelosas na forma como gastam o dinheiro”. Mais regulação e apoio Face à crise económica, o presidente da Associação de Qualidade Verde Marca sublinhou que são muitas as empresas a lutar pela sobrevivência e pediu que o Governo lance medidas de apoio a curto, médio e longo prazo a pensar nas Pequenas e Médias Empresas. No que diz às margens do negócio, o principal problema apontado foram as plataformas de distribuição. De acordo com Aeson Lei, os donos dos restaurantes queixaram-se de que as comissões cobradas nas entregas são demasiado elevadas e precisam de ser controladas. Foi ainda pedida uma regulação exigente para este tipo de plataformas, que, segundo Lei, funcionam numa situação de vácuo jurídico.
Segurança | Operação Trovoada resultou em mais de 400 casos transfronteiriços Pedro Arede - 7 Set 20217 Set 2021 Ao todo, as operações de combate à criminalidade transfronteiriça dos SPU, SA, CPSP e PJ resultaram na abertura de 443 casos e na detenção de 516 pessoas. Casos de burla foram os mais recorrentes, havendo 90 incidências a registar. Autoridades asseguram estar tudo preparado para a abertura do posto Fronteiriço Qingmao e para apoiar a construção da zona de cooperação de Hengqin A iniciativa de combate à criminalidade organizada transfronteiriça “Operação Trovoada 2021” resultou na abertura de 443 casos em Macau, envolvendo a acusação de 516 suspeitos. A operação decorreu em duas fases, entre 6 de Junho e 11 de Julho e de 16 a 30 de Agosto de 2021 e envolveu as autoridades policiais das regiões de Macau, Guangdong e Hong Kong. Do lado de Macau, sob a coordenação dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Serviços de Alfândega (SA), Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e Polícia Judiciária (PJ), foram realizadas 746 acções de fiscalização, num total de 1.571 locais, incluindo ruas, zonas costeiras e marítimas, postos fronteiriços, lojas, casinos e espaços de diversão. Dos 443 casos registados, revelou ontem o adjunto do Comandante-geral dos SPU, Vong Chi Hong, 174 dizem respeito a “crimes contra o património”, estando a grande maioria (90) relacionados com burlas, que envolveram, no total, 104 pessoas. Destes 90 casos, 31 envolveram burlas com troca de dinheiro e três são casos de burla informática com recurso a redes sociais. Do total de “crimes contra o património”, houve ainda 33 casos de furto e 30 de apropriação ilegítima e coisa achada. A outra grande fatia de crimes diz respeito a ocorrências relacionadas com droga, violência doméstica, jogo ilícito, imigração ilegal, criminalidade organizada, branqueamento de capitais, infracções à lei do trânsito rodoviário ou contra a economia ou a saúde pública. Ao todo, foram registados 149 casos deste tipo. Quanto aos actos relacionados com droga, foram apontados 17 crimes, envolvendo 24 pessoas. Do total, 11 crimes dizem respeito a tráfico de droga. Em relação a “crimes contra a pessoa”, foram registados 71 casos. Destes, 25 casos são de ofensa simples à integridade física, sete de importunação sexual, dois de abuso sexual de menores e 19 de pornografia infantil. Os restantes casos estão relacionados com “crimes contra a vida em sociedade” (27) e “crimes contra o território” (22). Sobre os resultados da operação, Vong Chi Hong sublinhou que devido à pandemia, nomeadamente os crimes relacionados droga, trouxeram “grandes desafios”, que obrigaram as autoridades a “tomar medidas diferentes” para se ajustar aos novos modus operandi das redes criminosas, que passaram a utilizar os correios na maioria dos casos. Tudo a postos Questionado sobre os desafios de segurança apresentados pela abertura do novo posto fronteiriço de Qinqmao, que acontece amanhã, e o anúncio do projecto de cooperação entre Macau e Guangdong em Hengqin, Vong Chi Hong assegurou que os planos e os exercícios de prevenção estão feitos e a comunicação com as autoridades vizinhas está em marcha. “Ontem [domingo], o Governo de Macau recebeu o novo plano de cooperação com Hengqin e, por isso, os postos fronteiriços vão ter novas vias para permitir a passagem de mais pessoas e nós já estamos em estreita comunicação com Guangdong para assegurar o seu bom funcionamento”, apontou.
Qingmao | Moradores preocupados com impacto da Fronteira Hoje Macau - 7 Set 2021 A Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde está preocupada com a abertura da Fronteira de Qingmao. Em declarações ao jornal Ou Mun, Lei Tong Man, presidente da associação, afirmou que muitos residentes consideram que a abertura vai promover um aumento das importações paralelas. Esta é uma prática ilegal, em que as pessoas vêm a Macau comprar produtos, para depois venderem no Interior a preços mais baixos do que aqueles que são praticados no outro lado da fronteira, uma vez que não estão sujeitos aos mesmos impostos. Entre os factores que podem contribuir para um aumento da prática, Lei Tong Man apontou o horário de funcionamento de 24 horas, uma localização “mais escondida”, em comparação com as Portas do Cerco, e ainda a proximidade de várias unidades de distribuição de produtos conhecidos e levados para o Interior. Face a este cenário, a Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde apela ao Governo para que melhore as acções de inspecção e que investigue qualquer sinal de uma eventual ilegalidade. Segundo Lei, é necessário actuar ainda antes de começarem a surgir sinais de mais uma “rota” de comércio ilegal. A nova fronteira de Qingmao apenas permite a passagem de quem tem nacionalidade chinesa, ou seja, não permite a passagem de locais com passaporte português, entra em funcionamento amanhã.
CAEAL disposta a adiar eleições em caso de tufão de sinal 8 Hoje Macau - 7 Set 2021 A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) admite adiar as eleições, caso seja içado o sinal número oito de tufão. O cenário está em cima da mesa, uma vez que se formou uma tempestade tropical com o nome Conson, a leste das Filipinas. Segundo as informações dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), “ainda existem incertezas na previsão de intensidade e trajectória”, mas não é afastada a possibilidade de afectar o território. Perante a situação, Tong Hio Fong, presidente da CAEAL, explicou que se for necessário o acto pode ser adiado deste domingo, 12 de Setembro, para o seguinte, ou seja 19 de Setembro. “Se houver sinal oito e não pudermos fazer a eleição […] de acordo com a legislação, o dia da votação pode ser adiado para o fim-de-semana seguinte”, indicou Tong. A CAEAL garantiu ainda que se vai manter “em comunicação” com os SMG. Se as eleições forem adiadas, o período de campanha poderá ser prolongado até sexta-feira dia 17 deste mês. “De acordo com o previsto na lei, se houver adiamento, e como a lei prevê que a campanha pode ser feita até dois dias antes do dia da eleição, vai ser estendido o período de campanha”, explicou Tong. Simulação de voto Ontem, os membros da CAEAL estiveram no Pavilhão Polidesportivo Tap Seac a visitar a local de voto de simulação, que permite à população vivenciar, e preparar-se, para o voto de domingo. O “teste” permitiu aos membros da CAEAL recolherem algumas indicações, como a necessidade de manter marcas amarelas no chão, para que o distanciamento social seja respeitado nas filas de espera para votar. O evento da CAEAL decorreu ao mesmo tempo que uma visita do Colégio Perpétuo Socorro Chan Sui Ki, com os alunos a assistirem a uma apresentação sobre o acto eleitoral, através de vídeo, e a terem a oportunidade de utilizarem as urnas de voto de simulação. Até sexta-feira, o espaço está aberto para que mais alunos possam aprender como decorrem as eleições. As visitas estão disponíveis para todos os cidadãos.
Eleições | Lista Bom Lar usou recursos da DSEDJ para imprimir materiais de campanha João Santos Filipe - 7 Set 20217 Set 2021 Escolas, campanha eleitoral e confusão. Depois de, em 2017, ter sido suspeita de distribuir panfletos de campanha junto às escolas, a lista de Wong Kit Cheng foi agora apanhada a utilizar recursos da DSEDJ A Lista Aliança de Bom Lar é suspeita de ter utilizado o Centro de Recursos Educativos da Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEDJ) para imprimir materiais de campanha. A denúncia foi revelada ontem pelo portal Macau Concealers e a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) confirmou que está a decorrer uma investigação, por parte do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). O episódio aconteceu a 1 de Setembro deste ano, quando uma pessoa vestida de cor-de-rosa e com o número nove da candidatura liderada por Wong Kit Cheng foi vista a imprimir materiais que se acreditam ser de campanha. “A CAEAL já tinha avisado que as pessoas [das listas] não podem pedir serviços junto das entidades que têm de seguir o princípio da neutralidade. Por isso, encaminhámos o caso ao Corpo de Polícia de Segurança Pública”, confirmou Tong Hio Fong. “As indicações que temos é que estariam a ser imprimidos panfletos de campanha, mas ainda temos de investigar”, reconheceu. O caso levantou suspeitas e alguns dos presentes terão denunciado a situação ao jornal. Suspeita-se que o espaço seja de acesso restrito, o que implica que apenas professores e funcionários públicos ali podem entrar. “Neste momento ainda estamos a investigar se [o envolvido] é um funcionário público […] Se o caso envolver funcionários públicos, eles têm de assumir as respectivas responsabilidades”, respondeu Tong. De acordo com as denúncias, pelo menos um membro da lista foi visto na zona de acesso para professores a imprimir materiais publicitários com o nome “Aliança de Bom Lar”. A existência de professores na Lista Aliança de Bom Lar não será um problema. A lista é apoiada pela Associação Geral das Mulheres de Macau, responsável por várias escolas na RAEM. Em 2017, a mesma lista, também encabeçada por Wong Kit Cheng, usou alunos das suas escolas para enviar materiais da candidatura aos encarregados de educação. Apanhados O momento foi captado pelas câmaras de vigilância, segundo a CAEL, que, no entanto, diz que os trabalhadores da DSEDJ não tiverem qualquer intervenção, no sentido de evitar que os recursos fossem utilizados de forma imprópria. De acordo com a lei, as instituições públicas estão obrigadas a manter a neutralidade política e não podem disponibilizar recursos para as listas. Por sua vez, a DSEDJ, segundo os esclarecimentos citados pela CAEAL ao Macau Concealers, prometeu uma maior consciencialização dos funcionários contra a possível utilização recursos pelas listas na campanha e instrui-los de forma a garantir que não há abuso dos recursos. Até ontem, a CAEAL tinha recebido 17 queixas, das quais cinco foram reencaminhadas para o Corpo de Polícia de Segurança Pública, duas para o Comissário Contra a Corrupção e outras duas para a Polícia Judiciária.
Análise | Zona de cooperação em Hengqin vai acelerar investimento, mas faltam detalhes Pedro Arede - 7 Set 2021 José Luís Sales Marques e Jorge Neto Valente consideram que o anúncio do projecto de cooperação em Hengqin é uma “excelente notícia” para Macau. Contudo, para Neto Valente, os empresários precisam de “certezas” para avançar, até porque não é certo se os portugueses com BIR terão a mesma facilidade de circulação. O plano prevê para 2029 uma “economia altamente articulada” entre Macau e a Ilha da Montanha Depois de, em 2009, o Comité Central do Partido Comunista da China e o Conselho de Estado terem decidido o destino da Ilha da Montanha (Hengqin), foi dado mais um passo para reforçar a integração e o desenvolvimento económico de Macau. O Governo Central anunciou no passado domingo, o plano geral para a construção de uma zona de cooperação aprofundada entre Macau e Guangdong em Hengqin. No seguimento do anúncio, analistas contactados pelo HM consideram que o “Projecto geral de construção da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” é uma “excelente notícia” que pode “apressar” o investimento na Ilha da Montanha e acelerar o desenvolvimento de Macau. Para o empresário Jorge Neto Valente o projecto surge como resposta a uma ideia que tem estado “em águas de bacalhau” e se tem desenvolvido “muito devagar”. “Este novo modelo parece ser uma fórmula para podermos apressar o investimento em Hengqin e dar apoio a Macau”, apontou o empresário. Entre as possíveis vantagens, Jorge Neto Valente destaca as facilidades de circulação de pessoas e mercadorias e ainda a previsível redução do custo de arrendamento de espaços comerciais, que poderá trazer vantagens para pequenas e médias empresas (PME). “[Actualmente] a importação é difícil. Há mercadorias que temos aqui e não existem na China. Pode ser que na zona de Hengqin haja mais produtos iguais aos de Macau. A longo prazo, a zona de cooperação pode levar também à redução do preço dos espaços comerciais. As PME têm um problema grande em conseguir espaços de baixo custo. E em Hengqin o que não falta é espaço”, disse ao HM, referindo-se aos 106 quilómetros quadrados da Zona de Cooperação. Copo meio cheio Para o economista José Luís Sales Marques, apesar de haver aspectos que precisam de ser definidos posteriormente, a promulgação do Projecto de Cooperação entre Macau e Guangdong em Hengqin surge numa altura em que “todas as boas notícias são bem-vindas” e tem o condão de “criar excelentes oportunidades para Macau e para a população em geral”. “Numa primeira abordagem, [o projecto] responde a várias questões. Em geral, acho que é um plano muito interessante e cria novas oportunidades para Macau. A questão da própria plataforma de serviços entre a China e os países de língua portuguesa, os produtos ‘Made in Macau’ e a medicina tradicional chinesa (…) implicam arranjos que estão relacionados com as regras internacionais e regularização da Organização Mundial do Comércio [OMC]”, referiu. Sobre o sistema de administração conjunta entre os Governos de Macau e Guangdong, previsto no plano, através da criação da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação, Sales Marques acredita que este é um passo que serve o propósito de acelerar a integração de Macau na Grande Baía. “Haverá uma supervisão muito forte do Governo Central e do próprio partido no que diz respeito ao processo de acelerar a integração de Macau na Grande Baía. Diria que a Ilha da Montanha é quase uma zona de demonstração do que podem ser os esforços conjuntos de Macau, Guangdong e Zhuhai no que diz respeito à criação de novas oportunidades”, explicou. Detalhes por apurar Contudo, Jorge Neto Valente aponta haver ainda detalhes por afinar no projecto, nomeadamente quanto às condições que as empresas de Macau vão gozar se decidirem rumar a Hengqin. “O formato e as directivas gerais estão definidas, mas ainda faltam detalhes. Esse é o lado negativo, porque nós, as PME, precisamos de ter certezas na implementação de coisas para poder planear e avançar”, defendeu. Outro dos pontos que para o empresário não é claro, prende-se com a circulação de residentes de Macau detentores de passaporte estrangeiro, já que, para todos os efeitos, não vão deixar de existir fronteiras. “Para residentes chineses com salvo conduto, vai ser mais fácil [circular], mas com a ressalva de que não se aplica a portugueses e outros estrangeiros. Vamos ter um problema que é o facto de estas facilidades não chegarem a toda a população e é uma pena. Os portugueses com BIR permanente deveriam ter as mesmas regalias, mas, como há uma fronteira, não vai ser tão fácil como para os cidadãos chineses. Não está bem definido e é um problema”, apontou Jorge Neto Valente. Campo fértil O plano, aprovado pelo Comité Central do Partido Comunista da China e pelo Conselho de Estado, foi tornado público no domingo, noticiou a agência Xinhua segundo a Lusa, com as autoridades a salientarem que se trata de um acordo importante para enriquecer a prática do princípio “Um País, Dois Sistemas” e uma importante força motriz para o desenvolvimento de Macau a longo prazo. A zona de cooperação vai abranger uma área total de 106 quilómetros quadrados, que servirá de casa a uma nova plataforma para impulsionar a “diversificação económica de Macau, um novo espaço que proporciona conveniência à vida e emprego dos residentes”. Por outro lado, vai permitir reforçar também o projecto da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Segundo o plano, a zona de cooperação irá desenvolver novas indústrias para ajudar a promover a diversificação económica de Macau, com um foco nas áreas de investigação e tecnologia de ponta, além da promoção da medicina tradicional chinesa, das indústrias associadas à cultura e ao turismo, do sector das convenções e exposições, bem como das finanças. As políticas fiscais sobre o rendimento das sociedades serão alvo de incentivos e vão ser desenvolvidas medidas para atrair quadros qualificados, de Macau e do estrangeiro, sublinha-se. A zona de cooperação pretende ainda ser um novo lar para os residentes de Macau habitarem e trabalharem. De acordo com o plano, está previsto o encorajamento dos residentes para encontrarem emprego ou criarem as suas próprias empresas, com a promessa de que a conectividade das infra-estruturas e os serviços públicos serão também impulsionados. Os procedimentos de declaração de mercadorias que saem e entram entre Macau e a zona de cooperação “serão ainda mais simplificados”, prevendo-se ainda a introdução de medidas “inovadoras em termos de gestão financeira transfronteiriça”, acrescentou a Xinhua. Segundo o projecto, em 2024, ano em que se comemora o 25.º aniversário da transferência de soberania, o mecanismo do sistema de negociação, construção e administração conjuntas entre Guangdong e Macau “irá funcionar bem”. Seis anos depois, em 2029, prevê-se que haja uma economia “altamente articulada” entre a zona de cooperação e Macau. Por fim, em 2035 estarão “basicamente concretizados os objectivos da promoção do desenvolvimento da diversificação da economia de Macau”. Circulação e Habitação . Articulação de serviços públicos de educação, saúde e serviços sociais . Aceleração do projecto “Novos Moradores de Macau” . Liberalização total de entrada e saída de veículos motorizados . Extensão do Metro Ligeiro à zona de cooperação e à rede ferroviária de Zhuhai . Eliminação gradual das tarifas de roaming . Construção de uma via verde de ligação da rede fixa à internet a nível internacional Regime fiscal Residentes Imposto sobre rendimento pessoal cobrado à taxa de imposto de Macau Talentos de alto nível Imposto sobre rendimento pessoal cobrado à taxa de 15% Empresas . Taxa de imposto sobre o rendimento de 15% para empresas qualificadas . Permitida dedução de uma vez do cálculo do imposto no período corrente das despesas . Isenção de imposto sobre investimentos do exterior obtidos por empresas de turismo, serviços modernos e tecnologia Mercadoria . Isenção de pagamento de impostos à saída de Macau (há excepções) . Isenção de imposto aduaneiro de importação para mercadoria ao entrar no Interior da China a partir da zona de cooperação FAOM defende iniciativa Lee Chong Cheng, presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau, acredita que só com a organização conjunta da Ilha da Montanha vai ser possível avançar com a diversificação da economia. Segundo o representante da FAOM, no últimos anos, Macau apostou na investigação científica e desenvolvimento tecnológico, produção de alta tecnologia, medicina chinesa tradicional e no sector das convenções. Contudo, as apostas esbarraram em vários obstáculos, como a falta de espaço. Por isso, o presidente da FAOM mostrou-se confiante que a organização conjunta permita à RAEM alcançar a meta de diversificar a economia. Alexandre Ma apoia cooperação Alexandre Ma, presidente da Associação Comercial de Macau, diz que está comprometido com o projecto e que a associação vai trabalhar para que a cooperação entre Macau e Zhuhai, através da Ilha da Montanha, seja bem sucedida. O empresário sublinhou também que a criação de um Conselho de Administração para a Zona de Cooperação com representantes das altas esferas de Macau e Guangdong mostra que o projecto é de extrema importância. O empresário também desejou que a população se empenhe na diversificação da economia. Ligação directa O Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau reagiu em comunicado ao anúncio da Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, afirmando ser um projecto a que o Presidente Xi Jinping atribuiu grande importância. O organismo acrescentou que a zona tem um grande significado para o impulsionamento da diversificação económica de Macau, o enriquecimento da prática do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e o desenvolvimento da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Grande prenda Joey Lao, o deputado e presidente da Associação Económica de Macau, reagiu ao anúncio do projecto de Hengqin caracterizando-o como um presente gigante que o Governo Central deu a Macau, permitindo a integração no desenvolvimento nacional, imprimindo uma nova dinâmica à região. No seu entender, o projecto cria uma plataforma para a diversificação económica de Macau, e é um factor positivo na criação de emprego, inovação e empreendedorismo.
China anuncia plano para criar de zona de cooperação aprofundada Macau-Guangdong Hoje Macau - 6 Set 2021 As autoridades centrais da China anunciaram um plano geral para a construção de uma zona de cooperação aprofundada entre Macau e a província vizinha de Guangdong em Hengqin. O plano, aprovado pelo Comité Central do Partido Comunista da China e pelo Conselho de Estado, foi tornado público no domingo, noticiou a agência de notícias Xinhua, com as autoridades a salientarem que se trata de um acordo importante para enriquecer a prática de “um país, dois sistemas” e uma importante força motriz para o desenvolvimento de Macau a longo prazo. Hengqin (ilha da Montanha) localiza-se na parte sul da cidade de Zhuhai, na província de Guangdong. A área total da zona de cooperação vai abranger uma área de 106 quilómetros quadrados, de acordo com o plano, no qual se define a posição estratégica da zona como uma nova plataforma para impulsionar a “diversificação económica de Macau, um novo espaço que proporciona conveniência à vida e emprego dos residentes”. Por outro lado, destaca-se que vai permitir reforçar a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, um projeto de Pequim para criar uma região que integra as regiões administrativas especiais de Macau, Hong Kong e nove cidades de Guangdong. Segundo o plano, a zona de cooperação irá desenvolver novas indústrias para ajudar a promover a diversificação económica de Macau, com um foco nas áreas de investigação e tecnologia de ponta, para além da promoção da medicina tradicional chinesa, das indústrias associadas à cultura e ao turismo, do setor das convenções e exposições, bem como das finanças. As políticas fiscais sobre o rendimento das sociedades serão alvo de incentivos e vão ser desenvolvidas medidas para atrair quadros qualificados, de Macau e do estrangeiro, sublinha-se. A zona de cooperação será um novo lar para os residentes de Macau viverem e trabalharem, de acordo com o plano, no qual se prevê que os residentes de Macau sejam encorajados a encontrar emprego ou a criar as suas próprias empresas, com a promessa de que a conectividade das infraestruturas será também impulsionada. Os procedimentos de declaração de mercadorias que saem e entram entre Macau e a zona de cooperação “serão ainda mais simplificados”, prevendo-se ainda a introdução de medidas “inovadoras em termos de gestão financeira transfronteiriça”, acrescentou a Xinhua.
China prevê investir 136 biliões de yuan para atingir a neutralidade carbónica em 2060 Hoje Macau - 6 Set 2021 A China deverá investir 136 biliões de yuan para alcançar a neutralidade carbónica em 2060, anunciou ontem um alto responsável do Governo. Este valor foi avançado pelo vice-presidente do Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional, Zhang Shaogang, durante a Feira Internacional do Comércio e Serviços da China, segundo a televisão estatal CCTV. Segundo Zhang, 90% das emissões nacionais de carbono são provenientes de setores-chave como a indústria, energia, construção e transportes, motivo pelo qual a China necessitará de fazer “a maior diminuição de emissões da história mundial”. No entanto, o responsável destacou que se trata de um objetivo difícil, uma vez que “60% das tecnologias que apoiam a neutralidade carbónica ainda se encontram numa fase conceptual”, o que requer um grande investimento e apoio à investigação. Zhang está mais otimista com as metas ambientais fixadas por Pequim, a de atingir o seu pico nas emissões de carbono antes de 2030. Essas metas, anunciadas em setembro de 2020 pelo Presidente chinês Xi Jinping, foram recebidas com relativo entusiasmo pela comunidade internacional, já que a China é o país responsável pela maior quantidade de emissões de dióxido de carbono no mundo (27% do total global em 2017, de acordo com o Global Carbon Atlas). Organizações ambientais como a Greenpeace pediram ao Governo chinês uma maior fiscalização dos projetos de energia a carvão – cerca de 60% da eletricidade nacional vem dessa fonte – aprovados por algumas autoridades provinciais do país.
Automobilismo | Competições nacionais na China voltam três meses depois Sérgio Fonseca - 6 Set 2021 Depois de três meses de interregno forçado, o automobilismo voltou à República Popular da China. Isto é, competições motorizadas de carácter nacional foram novamente autorizadas, pois aquelas com estatuto meramente regional terão continuado a ser organizadas um pouco por todo o país, como são exemplo as corridas realizadas nos últimos meses em Zhaoqing e Zhuzhou. No passado dia 27 de Maio, a Federação dos Desportos Automóveis e Motociclos da República Popular da China (CAMF) suspendeu, com efeito imediato, todas as actividades de automobilismo e motociclismo no país, seguindo assim as recomendações da autoridade máxima dos desportos do país. Todos os circuitos, organizadores e partes interessadas no desporto foram obrigados a rever os seus procedimentos de segurança e emergência. Esta medida, que também abrangeu outros desportos ao ar livre, surgiu depois da tragédia numa prova de atletismo no noroeste da China que vitimou vinte e um participantes. No pretérito fim de semana, em Ningbo, houve finalmente “luz verde” para recomeçar, com a Taça Porsche Carrera Ásia a disputar a sua terceira prova do ano, enquanto o Campeonato da China de Resistência (CEC na sigla inglesa) teve honras de abertura de temporada. A RAEM esteve representada no “Ningbo Carnival” por um trio de pilotos locais – Ng Kin Veng, Cheung Chi On e Ip Tak Meng – que alinhou na corrida do CEC, com um Volkswagen Golf TCR, integrado na categoria de carros de Turismo. Ausência esperada Depois de ter disputado as duas primeiras provas da temporada de 2021 da Taça Porsche Carrera Ásia, André Couto não esteve presente no evento de Ningbo. Desde o início da temporada que era sabido que o experiente piloto do território não previa participar por inteiro na época desportiva do troféu da marca alemã. No entanto, Couto deveria ter estado presente na pista da província de Zhejiang para participar prova do CEC com a Toro Racing, algo que não veio a acontecer devido a uma súbita mudança de planos. A equipa chinesa inscreveu dois dos seus Mercedes-AMG GT3 na prova de Ningbo, mas optou por retirá-los já durante a semana que antecedeu o evento. Assim, e se não existirem mais atrasos ou contratempos causados pela pandemia, André Couto deverá voltar ao volante do Mercedes-AMG GT3 da Toro Racing, fazendo dupla com o o piloto amador chinês Zang Kan, na prova do Campeonato da China de GT no circuito Qinghuangdao Shougang. A pista montada numa zona fabril na província de Hebei está designada para acolher a primeira prova do campeonato no fim de semana de 18 e 19 de Setembro, porém a data final do evento ainda carece confirmação oficial. Optimismo para o recomeço Quem regressa já este fim de semana às pistas é Rodolfo Ávila. No Circuito Internacional de Xangai, o piloto de Macau voltará aos comandos do MG6 XPower TCR na segunda jornada do TCR Ásia/TCR China. Depois de um início de temporada em que os carros da marca sino-britânica não conseguiram medir forças de igual para igual com os favoritos Lynk & Co, Ávila espera uma melhoria de performance já nesta prova. “Já muito tempo passou desde a nossa última prova, mas estou feliz e preparado para este regresso”, afirmou Ávila, em entrevista publicada pela organização do campeonato nas redes sociais chinesas. “O desempenho do carro tem melhorado a cada ano. A experiente equipa 333 tem contribuído muito. Trabalho com esta equipa há mais de seis anos, pelo que nos conhecemos muito bem, o que também nos permite comunicar e trabalhar de forma mais eficiente, optimizando as afinações e assim melhorando os resultados nas corridas. Ir atrás de melhores resultados é sempre o nosso principal objetivo”.