Fim das offshores extinguiu mais de 100 trabalhos

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Com a entrada em vigor da lei que obrigou empresas offshore a ter actividade em Macau ou a deixar de operar, 168 pessoas perderam o emprego. Ao mesmo tempo, 15 trabalhadores queixaram-se de não ter recebido salários e compensações

 

A decisão da Assembleia Legislativa de revogar a lei que permitia a existência de empresas offshore em Macau levou à extinção de mais de 100 postos de trabalho. A revelação foi feita por Wong Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), em resposta a interpelação do deputado Lei Chan U.

Segundo os dados do legislador, com a revogação da lei das empresas offshore, que obrigava ao encerramento, ou a manter actividade na RAEM, ficaram em causa 1.700 postos de trabalho. Contudo, Wong apontou que apenas 168 desses trabalhadores precisaram de ajuda do Governo em termos laborais.

“Entre Outubro de 2018 e Dezembro de 2020, um total de 168 trabalhadores de companhias offshore comunicaram a necessidade de encontrar emprego e registaram-se junto da DSAL”, afirmou Wong. “Até meados de Junho de 2022, nove pessoas ainda estavam desempregadas”, foi acrescentado.

De acordo com o dirigente da DSAL, entre Outubro de 2020 e Maio de 2022, foram igualmente recebidas 10 queixas contra empresas offshore que operavam em Macau, envolvendo 15 trabalhadores, 13 locais e dois não-residentes.

Entre os 15 trabalhadores, o principal motivo das queixas estava relacionado com o pagamento de ordenados e/ou indemnizações, sendo que a questão foi resolvida em 13 destes casos. Além disso, houve dois processos que foram levados para tribunal. Os resultados das acções não foram mencionados na resposta à interpelação de Lei Chan U.

Acções de esclarecimento

Sobre a forma com os trabalhadores das empresas offshore foram avisados para os efeitos da decisão da Assembleia Legislativa, a DSAL afirmou ter criado uma linha de contacto para prestar esclarecimentos, visitado escritórios de empresas para falar com os empregados e ainda ter organizado vários cursos de formação.

No âmbito da campanha de sensibilização para as alterações, a DSAL apontou ter feito quatro sessões de esclarecimento, entre 2018 e 2021, que contaram com a participação de 96 pessoas, entre empregados e representantes de empresas.

A interpelação de Lei Chan U surge numa altura em que o desemprego dos residentes locais se aproxima de 5 por cento, um recorde nos anos mais recentes. Por isso, a DSAL prometeu “continuar a prestar atenção a alterações no ambiente de trabalho” e “prestar ajuda aos empregados locais que precisem de apoio”.

Covid-19 | Governo estuda redução da espera para quem chega do estrangeiro

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As autoridades prometem reduzir o tempo de espera pelo resultado dos testes feitos à entrada no território exigidos a quem vem do estrangeiro. No entanto, aguardar pelo resultado no hotel de quarentena está, para já, fora de questão. A suspensão dos testes rápidos vai depender da análise de todos os resultados submetidos

 

Quem chega a Macau vindo do estrangeiro tem de esperar mais de oito horas entre o momento em que o avião aterra no aeroporto e o momento em que entra no quarto do hotel designado para cumprir quarentena. Ao longo do penoso processo, a maior delonga está relacionada com o tempo que demoram a chegar os resultados dos testes de ácido nucleico feitos à chegada, antes de o encaminhamento para o hospital ou hotel de quarentena.

Tendo em conta que nas testagens em massa, é possível verificar o resultado na aplicação do código de saúde cinco horas após a recolha da amostra, o tempo de espera à saída do aeroporto é difícil de explicar.

Neste contexto, as autoridades prometem reduzir o tempo de espera e explicam que a situação se deve aos inúmeros procedimentos a cumprir antes da entrada no hotel.

“Esta situação não é a ideal e sabemos que as pessoas fazem muitas horas de voo. Estamos a ver que etapas podem ser reduzidas e feitas antes da chegada a Macau para que se reduza o tempo de espera”, adiantou Leong Iek Hou, médica e coordenadora do centro de coordenação de contingência do novo tipo de coronavírus.

As diferenças de espera foram explicadas pelas autoridades com o facto de as bagagens terem de ser desinfectadas à chegada e de o número de pessoas que chega num só voo ser elevado. Apesar de incomparável com a afluência aos testes em massa, e do risco de contágio para quem fica meio dia numa sala de espera com inevitáveis períodos em que se retira a máscara para comer e beber.

“No mesmo avião chegam muitas pessoas, é necessário muito tempo para que saiam do avião e as bagagens têm de ser desinfectadas. Estão envolvidos muitos serviços públicos e leva muito tempo.”

A possibilidade de esperar pelo resultado do teste de ácido nucleico no hotel de quarentena está posta de lado. “Têm havido muitas entradas em Macau oriundas de Singapura, e só no sábado tivemos 100 pessoas, com 11 casos positivos [ver caixa]. A proporção de pessoas infectadas vindas do exterior é mais alta, e é preocupante se levarem o vírus para o hotel. Achamos que é melhor aguardar pelo resultado [do teste] logo na entrada”, disse Leong Iek Hou.

Reclusos ainda sem visitas

A entrada plena no período de normalização vai depender dos últimos resultados dos testes rápidos. Ontem cerca de 510 mil pessoas já tinham carregado os dados no código de saúde, mas havia ainda 90 mil que não conseguiram fazê-lo, ficando com o código de saúde amarelo. “Se os testes de ácido nucleico forem todos negativos amanhã [hoje], não faremos mais testes rápidos”, frisou Leong Iek Hou.

Por outro lado, espaços como creches, lares de idosos e o Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) mantêm as mesmas restrições para evitar situações de contágio. O Instituto de Acção Social declarou ontem que está “temporariamente suspenso o funcionamento das creches subsidiadas, dos serviços de cuidados especiais diurnos para idosos e dos serviços de apoio vocacional para pessoas portadoras de deficiência”, bem como a prestação do serviço aos utentes mais necessitados. Por sua vez, nos lares de idosos, de reabilitação e de desintoxicação “mantêm-se as medidas básicas de gestão em circuito fechado e os utentes continuam a permanecer nos lares sem sair”. Estão ainda suspensas as visitas, tal como acontece no EPM.

“Não podemos ainda permitir as visitas aos reclusos, e será igual para as actividades ao ar livre. Tudo dependerá da situação epidemiológica”, adiantou Leong Iek Hou.

A tal infecção

Quanto ao caso positivo detectado em Zhuhai relativo ao trabalhador não-residente que morou no edifício Polytec Garden, as autoridades indicaram que não acarreta risco para a comunidade. “Os resultados dos testes dos colegas e pessoas que com ele coabitaram são todos negativos e o risco não é muito alto. Mas hoje, na zona das Portas do Cerco, ainda estão a ser feitos testes, por isso temos de aguardar os resultados. Só aí poderemos saber qual é o risco para Macau”, referiu Leong Iek Hou.

As autoridades estão ainda a avaliar a origem desta infecção. “Zhuhai determinou que é um caso importado de Macau, mas ainda não sabemos qual a fonte da infecção. Estamos a fazer o trabalho de controlo para ver se é possível encontrar mais casos.”

Por confirmar está também a informação de que o homem, de 26 anos de idade, se dedicava ao contrabando. “Creio que os serviços competentes vão analisar se a pessoa infringiu, ou não, outros diplomas legais”, foi acrescentado na conferência de imprensa. De frisar que o homem saiu de Macau na última quinta-feira, às 19h19, através da fronteira de Qingmao, tendo voltado a entrar no dia seguinte às 07h15, pelas Portas do Cerco. Depois de realizar vários percursos de ida e volta, voltou a entrar em Macau no sábado, às 15h57, através das Portas do Cerco, saiu às 16h19 e voltado a entrar e a sair do território através do posto de Qingmao.

Quatro profissões com testes diários

Os trabalhadores da linha da frente dos postos fronteiriços, os condutores de autocarros que fazem viagens entre Macau e Hong Kong, quem trabalha nos aviões ou no transporte de mercadorias deve realizar um teste de ácido nucleico todos os dias. Na que medida entrou ontem em vigor, os Serviços de Saúde definiram prazos diferentes conforme as profissões e o grau de risco. As despesas com os testes serão suportadas pelo Governo e empresas, sendo que apenas os testes suportados pelos empregadores servirão para passar a fronteira. Na conferência de imprensa de ontem foi dito que os trabalhadores que gozarem férias superiores a três dias “podem interromper os testes”, uma situação que deve ser fiscalizada pelas próprias empresas.

Uma entrada por dia

As autoridades de Zhuhai comunicaram ontem que quem entrar na cidade vindo de Macau só o poderá fazer uma vez por dia. “Todos os postos fronteiriços terão a passagem limitada. Num dia as pessoas podem sair e entrar uma vez, e os alunos transfronteiriços poderão ser acompanhados por uma pessoa. As pessoas com necessidades médicas ou os motoristas não têm limitações. Quem precisa de entrar e sair mais do que uma vez tem pedir ao Corpo de Polícia de Segurança Pública, Centro de Serviços da RAEM e terminal do Pac On, e a circulação deve ser feita usando o posto fronteiriço de Hengqin. As autoridades de Zhuhai irão depois tomar uma decisão”, foi ontem explicado. Os limites de circulação de pessoas entre Macau e Zhuhai prolongam-se até 9 de Setembro.

11 casos importados

No total, 11 pessoas oriundas do exterior testaram positivo à covid-19 no sábado, à chegada a Macau. De acordo com uma nota emitida ontem pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, os pacientes, cinco homens e seis mulheres, têm entre 19 e 59 anos, negaram qualquer histórico de infecção da doença e não apresentam sintomas, tendo sido encaminhados para isolamento médico. Da totalidade dos casos registados em Macau, apenas 791 são considerados “confirmados”, dado que os pacientes apresentaram sintomas. Os restantes 1.398 infectados são considerados casos assintomáticos, não entrando para essa contabilização.

Incêndio destrói ponte de madeira mais antiga da China

Um incêndio reduziu a cinzas a ponte Wan’an, construída há 900 anos durante a dinastia Song (960-1127) e considerada a ponte de madeira mais longa e antiga da China, informou hoje a imprensa local.

A ponte, localizada na vila de Pingnan, na província de Fujian, sudeste da China, começou a arder, na noite de sábado. O colapso da estrutura não causou vítimas, de acordo com o jornal oficial Global Times. Ainda não se conhece o motivo do incêndio.

“Acho que a origem do incêndio foi humana, não um desastre natural, pois a combustão espontânea de uma ponte sobre a água é muito rara”, disse Xu Yitao, especialista em arquitetura antiga da Universidade de Pequim, citado pelo jornal.

O fogo permaneceu ativo ao longo de dez horas, embora a estrutura de madeira da ponte tenha desabado durante os primeiros vinte minutos do incêndio.

Conhecida como “Ponte da Paz Universal”, a estrutura tinha quase cem metros de comprimento e um enorme valor cultural e arquitetónico, pois ilustrava as tradicionais técnicas e conhecimentos chineses nas construções de madeira.

China prolonga por um dia exercícios militares ao redor de Taiwan

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O Exército chinês vai prolongar até hoje os exercícios militares que iniciou na quinta-feira, em torno de Taiwan, como retaliação pela visita à ilha da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi.

O Exército de Libertação Popular (PLA) anunciou na rede social Weibo – o equivalente chinês ao Twitter – que continua a “realizar exercícios práticos conjuntos no espaço aéreo e marítimo ao redor da ilha de Taiwan”.

As manobras que Pequim realizou nos últimos dias, que incluíram o uso de fogo real e o lançamento de mísseis de longo alcance, foram descritas pelo governo de Taiwan como “irresponsáveis”, além de suscitarem preocupação na comunidade internacional.

Os exercícios de segunda-feira vão concentrar-se em operações anti – submarino e ataques aéreos com navios como alvo, acrescentou o comunicado.

No entanto, as autoridades não especificaram a localização destas manobras adicionais ou se vão manter as seis áreas onde foram realizados os exercícios dos últimos dias, uma delas localizada a apenas 20 quilómetros de Kaohsiung, a principal cidade do sul de Taiwan.

No domingo, que deveria ter sido o último dia de manobras militares, os exercícios concentraram-se no “teste de capacidade de fogo conjunto para ataques terrestres e ataques aéreos de longo alcance”, ações que Taiwan denunciou e seguiu “de perto”, através das suas forças armadas.

Os primeiros quatro dias de manobras abrangeram as seis áreas mencionadas ao redor da ilha, nas quais os espaços aéreo e marítimo foram fechados, e incluíram o uso de fogo real e o lançamento de mísseis de longo alcance, alguns dos quais caíram em águas do Japão, motivando um protesto oficial do Governo japonês.

O ministério da Defesa Nacional de Taiwan denunciou que vários navios e aviões militares chineses cruzaram a linha média do Estreito da Formosa, que na prática é uma fronteira não oficial, que era até agora tacitamente respeitada por Taipé e Pequim.

Em reação aos movimentos da China e para testar a sua “prontidão de combate”, a ilha anunciou que vai realizar exercícios militares esta semana.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana, e ameaça usar a força caso a ilha declare independência. A China descreveu a visita de Pelosi como uma “farsa” e “traição deplorável”.

Hong Kong reduz para três dias quarentenas a quem chega do estrangeiro

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Hong Kong vai reduzir de uma semana para três dias a duração da quarentena obrigatória nos hotéis para as chegadas do estrangeiro, anunciou hoje o chefe do Governo do território.

A cidade do sul da China continua a ser um dos poucos lugares no mundo, a par de Macau e da China continental, a exigir uma quarentena aos viajantes para evitar o risco de contágio da população local com o novo coronavírus.

A medida entra em vigor sexta-feira e vai passar a ser a quarentena mais curta exigida por Hong Kong às chegadas, desde que a pandemia começou.

O líder de Hong Kong, John Lee, disse que os viajantes devem permanecer em quarentena durante três dias num hotel designado, e depois submeterem-se a quatro dias de vigilância médica durante os quais os seus movimentos serão restringidos através da utilização de um sistema de código de saúde.

As alterações às políticas da covid-19 surgem quando se regista um aumento de infeções com o novo coronavírus, com os responsáveis de saúde da cidade a advertirem que se poderá atingir 8.000 casos nas próximas semanas.

Durante a semana de quarentena e vigilância, os viajantes também terão de fazer testes regulares à covid-19, e os que estiverem infetados terão de permanecer em isolamento.

Aqueles que testarem negativo podem utilizar os transportes públicos e entrar em centros comerciais e mercados, mas não podem entrar em bares e parques de diversões ou visitar lares de idosos, escolas e determinadas instalações médicas.

Israel | Jihad Islâmica lança 600 ‘rockets’. Jerusalém ataca 140 alvos

A Jihad Islâmica Palestiniana lançou quase 600 ‘rockets’ contra Israel desde sexta-feira, segundo dados divulgados ontem pelo exército israelita, que, por sua vez, atacou cerca de 140 alvos do grupo na Faixa de Gaza.

O exército israelita informou ontem que pelo menos 585 ‘rockets’ foram lançados de Gaza pelo grupo Jihad Islâmica desde que teve início o actual pico de tensão, tendo provocado, até ontem, 29 mortos – todos palestinianos – e mais de 250 feridos.

Do total de projécteis lançados de Gaza, 470 atravessaram Israel e 115 caíram dentro da própria Faixa antes de cruzarem a cerca que separa os territórios.

Até agora, Israel sofreu poucos ataques em áreas povoadas, até porque, de acordo com o exército, o sistema de defesa antiaérea ‘Iron Dome’ tem uma taxa de sucesso de 97 por cento, interceptando 185 dos foguetes lançados. Os restantes caíram em áreas despovoadas do país.

Embora a maioria dos projécteis disparados tenham sido dirigidos às comunidades israelitas da fronteira com Gaza, foram também disparados tiros em direcção a Telavive no sábado e a Jerusalém no domingo, apesar de terem sido todos interceptados antes de chegarem ao seu destino.

O exército informou também ter bombardeado 139 alvos da Jihad Islâmica em Gaza, incluindo instalações onde o grupo palestiniano disse que as armas eram fabricadas e armazenadas, locais de onde os ‘rockets’ foram lançados e uma rede de túneis supostamente usada pelo grupo.

Esses ataques causaram a morte de pelo menos nove membros da milícia da Jihad, incluindo Khaled Mansur e Taysir al-Jabari, os principais comandantes do seu braço armado.

Por sua vez, o Ministério da Saúde palestiniano especificou que entre os mortos contam-se seis crianças e quatro mulheres.

Cinco dos menores morreram no sábado à noite após o impacto de um projéctil no norte de Gaza, num incidente que, segundo Israel, foi um lançamento de foguete fracassado pela Jihad Islâmica, que, por seu lado, culpou o exército israelita pelo ataque.

Das origens

O actual pico de tensão começou após a detenção, na segunda-feira passada, do alto dirigente da organização Jihad Islâmica na Cisjordânia, Bassem Saadi.

Face a rumores sobre a possibilidade de acções armadas de retaliação a partir do enclave palestiniano, Israel lançou um ataque preventivo contra alvos da Jihad em Gaza.

O movimento palestiniano Hamas mantém-se, por enquanto, à margem do conflito, o que conseguiu conter a sua intensidade, mas já condenou Israel, considerando que está “novamente a cometer crimes”.

Israel e grupos armados em Gaza têm travado vários conflitos, o último dos quais aconteceu em Maio de 2021 e durou 11 dias, causando a morte de 260 palestinianos e 13 israelitas.

Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau II – Da morfologia urbana

(continuação de dia 1 de Agosto)

Mário Duarte Duque*

A planificação de infra-estruturas de transporte, tal como as conhecemos hoje, não foi, nem é, alheia à morfologia dos territórios.

Isso foi resultado tanto da viabilidade técnica, como de eficiência e economia de execução, a que também importaram critérios paisagísticos.

Efectivamente, na escolha do traçado, fosse uma estrada ou um caminho de ferro, a contrapartida é muito maior se, para além das vantagens da acessibilidade e da construção, tirasse também partido de atributos de paisagem, tal como as margens de um rio, ou o avistamento de uma montanha, como recorrentemente acontece.

Quando transpomos o mesmo para o espaço urbano, o que se altera é que os atributos de paisagem não são só resultado da morfologia natural, mas também da morfologia construída. Como até as próprias infra-estruturas de transporte no espaço urbano têm capacidade de induzir outras novas morfologias, ou de elas próprias serem o novo elemento morfológico.

Assim, e da mesma maneira que a RAEM não tem um Plano Paisagístico Geral para assistir ao Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres, no que se prende com a construção de infra-estruturas de transportes, vai ter de se munir das mesmas avaliações paisagísticas e de salvaguarda, que se discutem caso a caso, tal como se faz com a emissão de Plantas de Condições Urbanísticas (PCUs), a respeito da definição da volumetria de ocupação dos lotes. Como acontece já na vigência de um Plano Director, mas ainda na ausência de planos de pormenor, que dispensariam tais definições avulsas, sujeitas por isso ao escrutínio do Conselho do Planeamento Urbanístico.

Na história do urbanismo, poucos foram as situações em que a cidade foi planeada paisagisticamente, visualmente ou mesmo pictoricamente, porque a definição racional e abstracta da cidade, mesmo apenas planimetricamente, já comtemplava elementos com capacidade de gerar atributos visuais, cujos efeitos era conhecidos, e possíveis de prever.

A necessidade de intervir visualmente ou pictoricamente na paisagem urbana foi, na maior parte dos casos, uma consequência da falha, ou do descontrolo, dos métodos convencionais de planeamento, e nas situações onde em causa estavam valores achados histórica ou socialmente sensíveis. Em certa medida, o instrumento de controlo e planeamento do skyline de uma cidade pode considerar-se nessa categoria.

Em Macau foi possivelmente exemplo dessa forma de intervir visualmente na cidade, a edificação realizada recentemente no sopé da escadaria de S. Paulo, que não foi resultado de uma projecção pictórica, mas antes de reconstrução pictórica, cuja informação foi possível retirar de um desenho de Chinnery.

Retomando o caso das infra-estruturas de transporte, um dos aspectos de maior impacto visual resulta das situações em que é necessário construí-la elevada.

O impacto é facilmente antecipável e a reacção é espectável, como efectivamente aconteceu quando se definiu que a Av. da Praia Grande iria ser sobrevoada por um viaduto, e que só era essa a alternativa possível para servir o centro com um transporte automático, tal como fora previsto de início.

Mas também, como para tudo o que acontece em contexto, o resultado é sempre fruto da selecção dos elementos de composição, da sua caracterização ou tratamento, assim como da sua posição.

Um viaduto avistado de perto, mas suficientemente longe da paisagem, serve de moldura a essa mesma paisagem. Mas um viaduto, quando é avistado mais de longe já corta ou bloqueia a paisagem que lhe segue.

Ou seja, na definição paisagística da cidade, importa saber onde os observadores se encontram ou os lugares que frequentam, ou mesmo definir posições ou circuitos privilegiados de observação, articulados com as novas infra-estruturas a erigir.

Já com as infra-estruturas de transporte de superfície, a questão que mais se coloca é a resulta da sua hierarquia e da intensidade do seu tráfego, com outras necessidades de atravessamento.

Por via da nova morfologia de aterros da RAEM com características de arquipélago, acrescem novos atributos paisagísticos litorais. Aqueles que conferem às edificações notáveis efeitos visuais de reflexos na água, proporcionam aos habitantes locais ambientalmente mais aprazíveis para residir, assim como para lazer dos utentes em geral.

Mas também permitem também construir vias marginais de tráfego mais eficiente. Vias que são de difícil atravessamento de nível, impossíveis no caso de circulações ferroviárias. Essas apenas possíveis atravessar nas situações de eléctricos urbanos, que tanto podem circular a alta velocidade em vias exclusivas, como a muito baixa velocidade em zonas pedonais, mas que não foram a opção de transporte automático da RAEM.

Tendencialmente as ocupações urbanas litorais caracterizam-se por orlas paralelas com especialidades funcionais diferentes, muitas vezes ao longo de uma encosta.

No passado a mobilidade entre zonas distintas da cidade era menos necessária, e os percursos dos habitantes faziam-se quase exclusivamente em ruas perpendiculares ao litoral, através dessas orlas paralelas. A cidade dependia dessas ruas também para assegurar a higiene do ar, fazendo uso das brisas que circulam entre a terra e a água, e que alternam de direcção ao longo do dia e da noite.

Muito do que hoje é apreciado nas ocupações litorais, foi destruído em muitos outros locais litorais por via da intensificação de circulação marginal. Boa demonstração disso são as cidades do Porto e de Lisboa, respectivamente.

As vias marginais de tráfego intenso é uma tradição que se instaurou no urbanismo contemporâneo, originariamente por necessidade e por ser recurso mais fácil de lançar mão, mas que nunca foi elemento originário de modelos urbanísticos.

Ponderadas todas estas situações, afigura-se que os eixos de circulação principal que o Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau propõe para circulação marginal, os mesmos coexistiriam mais favoravelmente se instalados nas vias paralelas mais interiores desses aterros, onde poderiam existir até elevados com reduzido impacto paisagístico, possibilitando desejáveis e mais tranquilos fluxos transversais de acesso local ao litoral desses aterros, para que aí se pudessem localizar ocupações e equipamentos em condições ambientalmente mais aprazíveis, com novos e melhores atributos paisagísticos de frente litoral, e menos perturbados pelo tráfego.

De outra forma, os novos terrenos da RAEM nascem assim já murados em relação à sua frente litoral, o mesmo que aconteceu em outras cidades, mas por falta de alternativas e em resultado das limitações de um território já consolidado.

Ainda para o que se prende com o transporte automático da RAEM, o metro ligeiro, importa que se instaurou um dado fundamental e indiscutível, i.e. instalou-se um dogma, do qual resulta a impossibilidade dessas instalações integrarem ou se conjugarem com quaisquer outras finalidades.

Há muito que em Macau se admite que um edifício possa albergar mais do que uma finalidade, mas a finalidade “transporte” encontra-se disso afastada.

Disso resulta que as instalações de transporte tenham que existir tanto em instalações exclusivas como em espaço público.

Efectivamente toda a parafernália que uma instalação de metro requer é grande, e a sua construção na Taipa teve necessariamente que ocupar o espaço público existente, em zonas urbanas já consolidadas.

O modelo continua o mesmo, tanto que, que os novos aterros tiveram o seu loteamento definido, antes de definidas as suas infra-estruturas, nomeadamente de transportes, que necessariamente irão ter de ocupar o espaço público que resultou dessas operações de loteamento, e onde não foram previstas.

Efectivamente as estações do metro ligeiro já realizadas na Taipa não puderam à data albergar qualquer finalidade comercial, mesmo contribuindo para a solvência do serviço, sequer mesmo instalar painéis solares, sob pena de entrar em conflito de interesses com a própria concessionária que alimenta a RAEM de energia eléctrica. Como também o modelo de exploração não permite que as estações possam existir em edifícios com outras finalidades.

Já aqui ao lado, em Hong Kong, as estações de metro tanto são génese, como integram novos polos habitacionais e comerciais, assim como, quando foram construídas no tecido urbano já consolidado, não foi necessário ocupar o espaço público, sequer para saídas à superfície, as quais foram criadas em lotes já existentes, nos segmentos do circuito subterrâneo,

A questão importa e está sujeita a escrutínios que tanto são de sustentabilidade como de gestão de bens públicos.

Espaço público, assim como urbanização, são bens/recursos públicos. Em territórios como Macau, onde a alta densidade impera e o espaço público é proporcionalmente escaço, a gestão do espaço público tem que ser eficaz.

A ocupação do que é escaço, mas que simultaneamente é de utilização exclusiva, não se afigura eficaz, sequer sustentável, se o bem em causa for escaço.

Em grande medida, é também este modelo de concepção e de exploração o que inviabiliza servir o centro da cidade pelo circuito de metro, uma vez que não é possível disponibilizar, sequer sacrificar mais, o espaço público do centro da cidade que este modelo requer. Quando tudo o que são instalações de um metro ligeiro, para as quais não existe alternativa, são apenas as linhas e os cais, pois tudo o mais, são átrios, acessos e instalações técnicas, cuja existência se pode negociar nos lotes já existentes.

Em verdade, no princípio do sec. XX foi possível estabelecer uma comunicação directamente entre o cais de passageiros no Porto Interior e o Leal Senado (a Av. de Almeida Ribeiro), da mesma maneira que outras cidades rasgaram boulevards das estações de caminho de ferro ao centro da cidade. Não ocorre porque não é possível, ou não haja interesse, em dotar a RAEM de uma estação de metro ligeiro que sirva o centro da cidade.

(com continuação)

 

*arquitecto

Retratos Que Gu Jianlong Fez na Horizontal e na Vertical

«Os lotos murchos, as pétalas dobrando-se para se proteger da chuva,/ Os crisântemos despidos ainda orgulhosos nos seus ramos estendidos atravessando a geada./ Há que lembrar que este é o tempo oportuno para a paisagem ser observada,/ Se as laranjas estão amarelas e os cunquates verdes, é esta a estação adequada.»

Wu Weye (1609-72) o poeta, pintor e literato atento e celebrado que viveu num desconfortável tempo de desencontros foi representado na pose habitual dos retratos de ancestrais, sentado de face virada para a frente como se olhando o tempo que passou e o que virá. Observando o rolo vertical (tinta e cor sobre seda, 149,7 x 89,8 cm, no Museu de Nanquim) como que se pressente a verdade sobre os seus arrependimentos no olhar desolado, debaixo da cabeça coberta com um tradicional barrete de tecido preto do tipo fujin, que já se usava na dinastia Han. E que contrasta com as vestes claras acinzentadas, mais escuras perto dos pés, calçados de vermelho tal como a espécie de almofada confortável que cobre a inesperada cadeira grosseira onde está sentado, construída com ramos nodosos de madeira não tratada. Uma peça de mobiliário cujo significado foi evoluindo em pinturas, desde iconografia característica de personalidades budistas até caracterizar agora a elegância espiritual de personalidades cultas. Que se reconheciam em palavras do Daodejing: «Bloqueia as aberturas, fecha as portas, amacia as arestas, desfaz os nós, abranda o teu olhar; deixa que as tuas rodas se movam apenas em antigos sulcos. Isto é conhecido como a misteriosa paridade.» (Cap.56) O autor da pintura, que em algum momento certamente se espelhou no olhar humilde do retratado, era um pintor de Suzhou chamado Gu Jianlong (1606-depois de 1687) que se relacionou com essas distintas figuras de literatos tendo acompanhado o poeta Qian Qianyi (1582-1644) a Pequim onde esteve nos anos de 1660-70 e realizou pinturas e retratos nos mais diversos estilos para outras relevantes personalidades da corte e da cultura, afirmando a sua vocação de apreender o olhar do outro. No retrato horizontal de Wang Shimin (1592-1680) que está no Instituto de Arte de Minneapolis (rolo, tinta e cor sobre seda,35,2 x 119,7 cm) ele moldaria o conteúdo da representação ao formato do suporte.

Gu Jianlong faz nessa pintura um retrato que é a detalhada descrição da morada organizada de um homem de letras, que se vê no centro na única divisão que abre para a rua, numa pose descontraída de perna traçada. Está rodeado de álbuns perfeitamente arrumados dispostos sobre mesas e armários. Separados dele, em corredores, quartos e outras divisões da mansão aninhada entre nevoeiros e árvores, como pinheiros, salgueiros e canas de bambu, encontram-se mulheres, criados e até crianças. Num desses quartos, o mais sumptuoso, diante de um tieluo está na sua pose digna, a esposa do pintor e numa janela velada ao seu lado, percebe-se ainda uma outra senhora. É um retrato da vida habitual muito diferente do de 1616, que o mostra isolado, feito por Zeng Jing (1564-1647) quando Wang Shimin tinha pouco mais de vinte anos e que o mostra sério, concentrado no futuro.

China denuncia EUA como “provocador não provocado e o criador da crise”

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse na sexta-feira que o contexto e os eventos que levaram às tensões no Estreito de Taiwan são claros. Os EUA são o provocador não provocado e o criador da crise.

A porta-voz Hua Chunying fez estas declarações numa conferência de imprensa diária. “A situação actual é inteiramente causada pela presidente da Câmara Pelosi e outros políticos dos EUA”, disse Hua.

Hua acrescentou que o assunto de Taiwan não é sobre democracia, mas sobre a soberania e integridade territorial da China.

“Se um estado norte-americano procura separar-se dos EUA e afirma ser um país independente, e um país estrangeiro fornece armas e apoio político a esse estado, o governo e o povo dos EUA permitirão que isso aconteça?”, perguntou Hua, instando o lado dos EUA a colocar-se no lugar dos outros.

A visita de Pelosi a Taiwan é uma grave violação do princípio de Uma Só China. Atropela seriamente as normas básicas das relações internacionais. Também prejudica seriamente a soberania e a integridade territorial da China. A China fez todo o possível diplomaticamente, disse Hua.

Sem excessos

A porta-voz apontou que a China agiu em legítima defesa somente depois da acção provocadora dos EUA. As contramedidas da China são necessárias como um alerta aos provocadores e como um passo para defender a soberania e a segurança do país.

“Agora os EUA e os seus aliados manifestaram-se acusando a China de ‘exagerar’. Mas se eles realmente se importam com a paz e a estabilidade regionais, por que não se levantaram e tentaram dissuadir Pelosi logo no início?”, disse a porta-voz.

Hua Chunying enfatizou que as contramedidas da China são justificadas, necessárias e proporcionais, e não há nada de excessivo nelas. Os EUA, como provocador e causador da crise, necessitam e devem assumir toda a responsabilidade.

Cinemateca Paixão | Agosto com selecção internacional, se pandemia deixar

Se a pandemia der um descanso a Macau, esta semana começa com uma selecção eclética de filmes na Cinemateca Paixão, com produções do Japão, Estados Unidos, Espanha, Irão, Coreia e Taiwan. “El Buen Patrón”, com Javier Barden, “Just Remembering”, do japonês Daigo Matsui e a produção iraniana “A Hero” serão algumas das películas em exibição

Poucos dias antes de Macau ter voltado a encerrar edifícios devido à pandemia, a Cinemateca Paixão anunciou o cartaz de Agosto com sessões diárias ao longo do mês e uma panóplia de filmes que vão estar em exibição, se não forem impostas novas restrições no combate à pandemia.

Assim sendo, as sessões na Travessa da Paixão devem regressar amanhã com a exibição de “Just Remembering”, às 19h e “Love Talk” às 21h30.

Inspirado no clássico “Night on Earth”, do cineasta Jim Jarmusch, “Just Remembering” é uma espécie de álbum de recordações de uma história de amor. O filme do japonês Matsui Daigo ganhou no ano passado o prémio do público do Festival Internacional de Tóquio.

O argumento de “Just Remembering” centra-se na relação entre um bailarino, Teruo, que trabalha como assistente de iluminação numa companhia e teatro, e uma condutora de táxi, Yo, que reencarna o papel interpretado por Winona Ryder na obra de Jarmusch.

Com base no eixo amoroso entre Teruo e Yo, o filme retrocede na relação amorosa entre as personagens, do fim para o princípio. “Just Remembering” tem exibições marcadas para amanhã e sexta-feira, às 19h e domingo às 21h30, e ao longo do mês nos dias 16, 17, 19, 21 e 23 de Agosto.

O outro filme que inaugura amanhã o cartaz deste mês é “Love Talk”, um projecto que resultou da inspiração da realizadora de Taiwan Kuo Chen-Ti, nos contos do autor japonês Kanoko Okamoto.

Com a acção a desenrolar-se em Taiwan, Yamagata (Japão) e Kuala Lumpur (Malásia), “Love Talk” apresenta uma série de “paisagens amorosas” e episódios cómicos que retratam as relações amorosas contemporâneas. “Love Talk” será exibido amanhã, quinta-feira, sábado e dia 19, sempre às 21h30.

Na quarta-feira, às 19h, é exibido “El Buen Patrón”, uma comédia do realizador Fernando León de Aranoa, que conta na sua filmografia com películas marcantes como “Barrio” e “Los Lunes al Sol”. O protagonista de “El Buen Patrón”, interpretado por Javier Bardem, é um empresário carismático e manipulador que gere uma unidade fabril familiar numa pequena cidade espanhola. No meio da rotina de trabalho, o empresário imiscui-se na vida dos operários, numa tentativa desesperada de ganhar um prémio de Excelência Empresarial e apresentar a imagem do melhor patrão da história da indústria.

Além de ter entrado na lista preliminar para o Óscar de melhor filme estrangeiro, “El Buen Patrón” foi o grande vencedor dos Prémios Goya. Tem exibições marcadas para quarta-feira, sábado, 16 e 18 de Agosto às 19h, e depois com sessões às 21h30 nos dias 23 e 24 de Agosto e às 18h30 no dia 28 de Agosto.

Do drama ao épico

“The Northman” é o filme de maior orçamento na selecção de Agosto da Cinemateca Paixão. Realizado por Robert Eggers, este thriller épico inspirado na mitologia nórdica tem um elenco de luxo com Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk e Willem Dafoe nos papéis principais.

Partindo da premissa simples da sede de vingança de um jovem príncipe viking que procura vingar a morte do seu pai, assassinado pelo tio, “The Northman” parece catapultar a brutalidade da guerra, sangue a correr, ossos a partir e lama a invadir todos os poros para a dimensão de personagens. Um filme que convida a um duche depois de ser visto.

“The Northman” será exibido na quinta-feira e domingo às 19h, e ao longo do mês, dias 18, 20, 21 e 24, em horários diversos.

Finalmente, “A Hero” é a outra proposta cinematográfica do cartaz de Agosto da Cinemateca Paixão. Realizado por Asghar Farhadi, “A Hero” tem merecido o reconhecimento de festivais de cinema pelo mundo fora, como os Globos de Ouro, o Festival Internacional de Cinema de Palm Springs ou o Festival de Cinema de Cannes. A produção iraniana assenta na atribulada vida de Rahim, interpretado por Amir Jadidi, que acaba por ser preso devido a uma dívida que não consegue pagar ao seu cunhado. Durante uma saída precária de dois dias, o protagonista tenta de tudo para saldar a dívida, incluindo convencer o cunhado a retirar a queixa que apresentou.

Mais uma vez, Asghar Farhadi, que realizou o aclamado “A Separation”, consegue transportar o público para ambientes intensamente dramáticos com aparente leveza, através de uma narrativa que desafia os limites da moralidade. Um exemplo da vitalidade e subtileza do cinema iraniano.

“A Hero” será exibido às 21h30 de quarta-feira e sexta-feira, e nos dias 17, 20, 25 e 27 de Agosto às 19h.

A selecção de Agosto conta ainda com o filme sul-coreano “Broker” que só tem uma data de projecção na Travessa da Paixão e que já está esgotada.

A entrada para cada sessão custa 60 patacas.

Covid-19 | Pedido subsídio para TNR e fim da política de zero casos

A Associação Comercial de Macau sugeriu o lançamento de um cartão de consumo para não-residentes, no valor de três mil patacas. Por sua vez, a Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau quer o fim da política de zero casos

A Associação Comercial de Macau defende a atribuição de um cartão de consumo no valor de 3 mil patacas para os trabalhadores não-residentes. A posição da entidade foi divulgada na sexta-feira, através de um comunicado, e faz parte das sugestões apresentadas pela associação relativas a mais um pacote de apoio à economia no valor de 10 mil milhões de patacas.

“Em primeiro lugar, deve-se fornecer um subsídio monetário universal único para combater a [crise provocada pela] pandemia”, pode ler-se no comunicado da associação, citado pela agência Lusa.

Além da sugestão que visa não-residentes, a associação liderada por Frederico Ma considera importante a atribuição de mais um cheque para a população e ainda apoios financeiros para as Pequenas e Médias Empresas (PME), que ficaram de fora da ronda mais recente de apoios. Para o dirigente associativo, é essencial ajudar os negócios que foram impedidos de operar durante o surto mais recente.

As sugestões foram apresentadas ainda antes de as autoridades bloquearem um edifício residencial na Areia Preta e um espaço de comércio na Taipa, devido a um caso positivo detectado pelas autoridades de Zhuhai.

Negócios a fechar

Por sua vez, a Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau disse à Lusa que espera que o Governo abandone a política de zero casos, alertando para os graves danos das medidas restritivas na economia.

“Esperamos que o Governo não prossiga a operação da ‘política zero’”, disse o presidente, Raymond Wong. “E se no futuro houver novamente um surto na comunidade? Uma empresa pequena não consegue sobreviver se for obrigada a fechar outra vez (…) e muitas já fecharam os seus negócios”.

O empresário defendeu ainda que Macau deve abrir a fronteira com Hong Kong. “Tenho negócios em Hong Kong, e há dois anos que não posso lá ir. Hong Kong faz parte da China, porque não podemos ir?”, questionou, sublinhando que a “população está vacinada”.

Macau começou a administrar a quarta dose de vacina para toda a população na sexta-feira, com prioridade dada aos idosos e os doentes imunodeprimidos.

O território que tinha registado cerca de 80 infecções de covid-19, foi atingido em Junho deste ano pelo pior surto enfrentado desde o início da pandemia, que infectou 1.821 pessoas, a maioria dos casos assintomáticos, e poderá ter estado por trás da morte de seis idosos, que tinham doenças crónicas.

As fortes restrições fronteiriças, confinamentos parciais e o isolamento de partes da cidade em sintonia com a política de casos zero imposta por Pequim, a crise no turismo e na indústria do jogo tiveram um grande impacto na economia, muito dependente de turistas e dos casinos.

Agentes culturais lamentam efeito devastador de medidas antipandémicas

A Associação dos Artistas de Macau alerta que o sector cultural sofreu um impacto “devastador” devido às fortes restrições fronteiriças, confinamentos parciais e quarentena impostas pelas autoridades no combate à pandemia da covid-19.

“O sector cultural tem sido devastado”, disse à Lusa o presidente e artista de Macau, Ken Sou Io Kuong, lamentando que “devido a tudo isso os eventos estão totalmente suspensos”. “O sector cultural e de entretenimento e artes performativas não tem a certeza do tipo de apoio que receberá do Governo no futuro, porque a indústria do entretenimento não é uma necessidade na mente do público”, sublinhou.

Ken Sou Io Kuong explicou que as ajudas do Governo visam salvar primeiro sectores da restauração e que garantam os meios de subsistência e que o esquema de apoios não contempla a indústria cultural. “No sector cultural, muitos artistas fazem outros trabalhos em part-time, alguns deles até abandonaram esta indústria para trabalharem noutra coisa”, acrescentou.

Uma bailarina brasileira, Julia Moreschi, passou a ser instrutora de yoga devido à falta de oportunidades de dançar e de eventos. “A indústria do espectáculo foi desaparecendo. (…) Basicamente todos os meus amigos bailarinos deixaram Macau”, frisou, salientando que por vezes ainda iam conseguindo alguns trabalhos, mas que, entretanto, foram cancelados a partir dos confinamentos parciais.

Antes de 2020, detalhou, podiam ser contratados para dez trabalhos durante a época alta, mas este ano até agora só recebeu propostas para três.

Já o director e maestro da Orquestra Jovem Chinesa de Macau, Paul Cheong, adiantou que, antes de 2020, a orquestra tinha uma forte ligação com várias cidades na China e chegou a ser convidado a actuar na Ucrânia.

A pandemia afectou seriamente os intercâmbios culturais de Macau com a Área da Grande Baía, bem como outras partes da China continental, acrescentou.

“Desde o surto, todas as actividades de intercâmbio cultural tiveram de ser terminadas (…). Receamos convidar instrutores e peritos estrangeiros para virem a Macau para actividades de mentoria, quanto mais para organizar eventos de intercâmbio noutras cidades fora de Macau”, sublinhou o maestro.

O antigo deputado da Assembleia Legislativa de Macau, Sulu Sou, chegou a acusar o Governo de discriminar o sector. “Embora não tenha sido encontrado nenhum caso de covid-19 ligado a teatros e outros locais culturais, foram sempre os primeiros a encerrar e os últimos a reabrir no meio de surtos”, escreveu nas redes sociais.

“Apesar de nos últimos dois anos e meio não ter sido detectada qualquer infecção relacionada com locais de artes performativas, só lhes foi permitido operar na metade da capacidade durante um período prolongado, antes de serem relaxadas as medidas pandémicas, permitindo-lhes funcionar a três quartos da capacidade, e sob condições”, acrescentou.

Saúde | Inspecções surpresa em escolas para combater tabagismo juvenil

Para combater o consumo de tabaco entre menores, os Serviços de Saúde elaboraram uma lista de ponto negros onde os mais novos se juntam para fumar e têm realizado “inspecções surpresa” em escolas durante o intervalo do almoço. Até hoje, não foram detectados casos de venda ilegal de tabaco, revela Alvis Lo

Os Serviços de Saúde elaboraram uma lista de pontos negros onde menores se reúnem para fumar e têm realizado “inspecções surpresa” em escolas durante o intervalo do almoço e fora do horário escolar. As medidas, reveladas em resposta a interpelação escrita do deputado Lei Chan U, fazem parte do plano do Governo para combater e controlar o tabagismo entre os menores.

Admitindo atribuir “elevada importância” ao controlo do tabagismo dos jovens, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long, revela que o organismo optou por realizar “acções especiais”, onde se inclui a divulgação da lei junto de lojas que vendem tabaco, distribuição de folhetos promocionais sobre os seus malefícios e o “combate ao acto ilegal de fumar por jovens”, nas redondezas das escolas.

“Os Serviços de Saúde também elaboram uma lista de pontos negros onde os jovens costumam passear e reunir-se para fumar, sendo que têm sido organizadas inspecções especiais direccionadas a estes locais de acordo com o plano estratégico. Têm sido realizadas inspecções surpresa aos locais mais relevantes durante o intervalo do almoço e fora do horário escolar, a fim de aumentar a eficácia de promoção e de execução da lei”, pode ler-se na resposta a Lei Chan U.

Recorde-se que na interpelação, o deputado mostrou-se preocupado com as “lacunas” da lei do tabaco em vigor desde 2011, que permitiram a um menor com 13 anos, que acidentalmente provocou um incêndio num edifício habitacional com um cigarro, comprar tabaco no comércio local. Além disso, Lei Chan U questionou o Governo sobre quantos casos de venda ilegal de tabaco a menores foram registados e se estão a ser ponderadas alterações legislativas.

Sempre zero

Na réplica, Alvis Lo Iek Long não faz referência a uma eventual revisão do actual regime de prevenção e controlo do tabagismo, lembra que os comerciantes devem exigir o documento de identificação sempre que suspeitarem que o comprador tem menos de 18 anos e justifica o problema da venda de tabaco a menores com a “dificuldade” que existe em detectar vendas irregulares. Sobre o número de casos de venda ilegal, o responsável diz não haver registo de qualquer ocorrência.

“A venda é um acto de curta duração, daí os agentes de fiscalização encontrarem dificuldades em detectar a venda irregular durante as inspecções para emissão imediata de acusação. Após a entrada em vigor da lei, até ao momento, os Serviços de Saúde não receberam queixas ou denúncias sobre a venda de produtos de tabaco a menores de 18 anos”, apontou Alvis Lo.

Quanto a outras medidas, os Serviços de Saúde referem que estão a ser levadas a cabo “actividades promocionais de educação”, que incluem workshops, palestras, teatros itinerantes, jogos online e “acampamentos anti-tabagismo”. Contas feitas, entre 2012 e 2021, revela o organismo, foram organizadas 900 palestras sobre os malefícios do tabaco, que contaram com a participação de mais de 49 mil alunos.

Por último, Alvis Lo aponta que os Serviços de Saúde estão a “criar directrizes relevantes” para tornar os dados sobre o tabagismo “comparáveis” com outros países e regiões. De acordo com o estudo mais recente realizado em Macau, o consumo de cigarros convencionais entre os jovens caiu de 6,1 em 2015 para 3,8 por cento em 2021. Em sentido contrário, o consumo de cigarros electrónicos subiu de 2,6 para 4,0 por cento.

 

Pandemia | Caso detectado em Zhuhai coloca Macau em alerta e encerra edifícios

As autoridades de Zhuhai notificaram ontem Macau da detecção de um caso positivo de covid-19 relativo a um trabalhador não-residente de 26 anos, que morava na Areia Preta e que trabalha na padaria do Grand Mart, na Taipa. Cerca de 60 mil pessoas de zonas alvos fizeram ontem teste de ácido nucleico e toda a população fez ontem e fará hoje testes rápidos obrigatórios

Passados poucos dias do levantamento das quarentenas obrigatórias à entrada em Zhuhai, as autoridades da cidade vizinha notificaram ontem o Governo de Macau da descoberta de um caso positivo de covid-19 relativo a um indivíduo de 26 anos, trabalhador não-residente em Macau.

Embora o paciente tenha testado mais de dez vezes negativo nos sucessivos testes de ácido nucleico feitos em Macau, as autoridades indicam que “não se pode excluir o eventual risco de transmissão de vírus nas áreas onde esse indivíduo vive e trabalha”.

Quando Macau se preparava para relaxar medidas restritivas, a descoberta do caso levou ao restabelecimento de novas zonas alvo, obrigando à realização de testes de ácido nucleico a um universo alargado de pessoas. Assim sendo, entre as 15h30 de ontem e as 00h de hoje, foi decretada a obrigatoriedade de fazer um teste de ácido nucleico “às pessoas que morem ou trabalhem nas zonas delimitadas pela Avenida Dr. Sun Yat Sen, Estrada Almirante Marques Esparteiro, Rua de Viseu, Estrada Governador Albano de Oliveira, Avenida do Estádio, Rua do Desporto, Rua do Regedor, Rua da Ponte Negra e Avenida Olímpica, na Taipa. Os resultados devem ser conhecidos esta manhã

Os testes são obrigatórios também para quem esteve nas zonas referidas por mais de meia hora no dia 3 de Agosto, ou após essa data, especialmente para quem frequentou a padaria do supermercado Grand Mart, em frente ao Jockey Club de Macau. A medida deve abranger certa de 60 mil pessoas, apesar do médico Tai Wai Hou ter frisado ontem a dificuldade em contabilizar todos os que devem fazer teste de ácido nucleico.

As autoridades de saúde acrescentam que “considerando o alto risco nas áreas relevantes”, não ficaram “isentos os bebés e as crianças pequenas nascidos após o dia 1 de Julho de 2019, bem como os idosos com dificuldade de locomoção que necessitem de cuidados de acompanhamento ou, as pessoas com deficiência”. Porém, quem já tinha feito teste de ácido nucleico ontem por estar incluído num grupo-chave não precisou fazer novo teste. As pessoas que recuperaram depois de infectadas ficaram isentos.

Voltam bloqueios

O indivíduo em causa morou até ao dia 4 de Agosto no Edifício Polytec Garden (bloco 1), na Rua Central da Areia Preta, num apartamento com oito pessoas, seis delas ainda se encontraram em Macau, todos colegas de trabalho. As autoridades de saúde locais, confirmaram na conferência de imprensa que até ontem todos tinham testado negativo nos testes de ácido nucleico. Como resultado, o edifício em questão foi bloqueado e decretado zona vermelha, obrigando todos os moradores a fazer teste de ácido nucleico, estando previsto o fim do isolamento do prédio no próximo sábado e o levantamento do código de saúde amarelo no dia 15 de Agosto. Porém, o tempo de confinamento do edifício será determinado com base nos resultados dos testes dos moradores.

Como a pessoa infectada visitou várias vezes a mesma loja no centro comercial City Plaza, perto das Portas do Cerco, “os trabalhadores do primeiro piso vão ser testados e sujeitos a medidas de controlo e serão recolhidos dados dos clientes que visitaram o centro comercial para fazerem também teste de ácido nucleico”, afirmou ontem a médica Leong Iek Hou.

O edifício onde se situa o centro comercial acabou também por ser selado.

As autoridades estão a averiguar a possibilidade de o indivíduo em causa estar envolvido em práticas de contrabando.

E agora?

Uma das consequências imediatas para a população geral foi a imposição de testes antigénio rápidos entre ontem e hoje. Mas a grande questão é saber até que ponto a descoberta deste caso em Zhuhai irá afectar a normalização de Macau. Importa referir que o fluxo de passagens transfronteiriças entre as duas cidades tem atingido grande intensidade e que a cidade vizinha detectou, pelo menos, três outros casos positivos na zona de Doumen.

O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, referiu ontem que os casos de Macau, com base na sequenciação genética e investigação epidemiológica, e que, para já, “não se justifica interromper de novo as passagens das fronteiras”.

Entretanto, as autoridades de Zhuhai começaram a admitir entrada apenas a quem faça o teste já do outro lado da fronteira e montaram postos de testagem à entrada em Gongbei.

Quanto ao futuro, só os resultados da testagem o dirão. “Temos de nos manter alerta, mas não precisamos ficar muito preocupados. Para já, não precisamos confinar, o essencial é fazer os testes de ácido nucleico e só os resultados podem ditar as medidas que vamos tomar. Mas não queremos tomar medidas de alta intensidade”, apontou Alvis Lo. Ficou assim, em aberto o prolongamento do chamado período de estabilização.

O director dos Serviços de Saúde voltou a apelar à população para evitar ao máximo as saídas desnecessárias e cumprir as habitais directrizes, como desinfectar as mãos com frequência, evitar aglomerações e convívios e usar máscara.

Braços descruzados

Além da incerteza se a semana pode começar com o retorno de restrições, a tónica da conferência de imprensa de ontem foi a rapidez com que as autoridades de Macau responderam ao comunicado da cidade vizinha, ponto repetido várias vezes por Alvis Lo.

Depois da notificação às 09h de ontem, ao meio-dia “já tinham sido bloqueadas zonas e identificado os grupos alvo que seriam sujeitos a testes de ácido nucleico”. “Fomos muitos rápidos a responder e pedimos aos cidadãos que façam teste antigénio hoje e amanhã [ontem e hoje] para identificar casos. Podemos ter casos esporádicos nos próximos tempo, mas precisamos fazer o nosso trabalho”, afirmou o director dos Serviços de Saúde.

Segundo a médica Leong Iek Hou, até ontem às 18h e em conexão com o caso positivo, estavam a ser acompanhados 33 contactos próximos, 18 pessoas fizeram o mesmo percurso, assim como cinco contactos por via secundária.

Para já, a medida de levantamento da gestão em circuito fechado em lares de idosos e instalações de reabilitação, que deveria ser descartada hoje, irá manter-se até serem apurados os resultados da testagem aos grupos-alvo.

Associações, políticos e famílias tradicionais condenam visita de Pelosi a Taiwan

Várias associações tradicionais de Macau condenaram a visita da Presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, em vários comunicados publicados ontem no jornal Ou Mun. As posições dos dirigentes, que ocupam cargos políticos no território, surgem num dia marcado por vários exercícios militares do Exército de Libertação Popular ao largo da Ilha Formosa.

Tina Ho, ex-presidente da Associação das Mulheres, irmã do Chefe do Executivo e vice-directora do Comité de Ligação com Hong Kong, Macau, Taiwan, foi uma das dirigentes associativas que veio a público denunciar a vista. Ho apontou que é “inaceitável que forças estrangeiras interfiram nos assuntos de Taiwan” e indicou que “todos os compatriotas de Macau” apoiam e cooperam com a resposta adequada do Governo Central.

Por sua vez, Kevin Ho, membro de Macau na Assembleia Popular Nacional, avisou o Governo de Taiwan que não pode “seguir uma política de independência só porque tem o apoio dos Estados Unidos”. O empresário alertou que estas políticas prejudicam a Ilha Formosa, e que as populações do Interior da China, Macau, Hong Kong e Taiwan devem defender os interesses comuns da população chinesa.

Também Lao Ngai Leong, líder do Conselho Regional de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China e membro de Macau à APN, manifestou apoio em relação a todas as medidas que o Governo Central considere necessárias contra Taiwan e os EUA, incluindo a utilização de força.

Lao atacou ainda o Governo de Tsai Ing-wen e o Partido Democrático Progressista por considerar terem participado em conluio com “forças estrangeiras”, o que no seu entender só vai acelerar a destruição do DPP e criar uma catástrofe na Ilha Formosa.

 

Vozes de deputados

Também os deputados José Chui Sai Peng e Chan Hou Seng defenderam os treinos militares chineses nas áreas marítimas de Taiwan, por considerarem que mostram a posição firme de liderança da China, como um grande país no palco internacional.

Chui e Chan destacaram ainda que os exercícios militares não são um acto irresponsável, mas um passo determinado na concretização do “grande rejuvenescimento da nação chinesa e da comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”.

Por seu turno, o deputado Si Ka Lon apontou que os sectores de Macau devem aproveitar as vantagens da cooperação estreita entre Macau e Taiwan, assumindo um papel de ponte para impulsionar o intercâmbio alargado entre a China e Taiwan, com vista a concretizar o mais rapidamente possível a unificação da pátria de forma pacífica.

Os Mártires da floresta Amazónica

Estamos habituados relacionar a Amazónia com o Brasil mas, na realidade, trata-se de uma vasta floresta tropical que se estende por territórios de nove países. É certo que a maior parte se distribui pelo Brasil (cerca de 60%) e Colômbia (cerca de 13%), estendendo-se os restantes 27% pela Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

O termo Amazónia provém do nome do rio Amazonas que, por sua vez, adquiriu esta designação a partir do pressuposto que foram avistadas guerreiras nas suas margens, as quais foram comparadas às amazonas da mitologia grega pelo explorador espanhol Francisco de Orellana, que navegou pelo rio desde os Andes até ao Atlântico, tendo atingido a foz em agosto de 1542.

O sistema climático (composto por atmosfera, litosfera, criosfera, hidrosfera e biosfera) depende grandemente de uma das suas componentes, a biosfera, na qual estão inseridas as florestas. A Amazónia desempenha um importante papel no que se refere à atenuação das alterações climáticas, na medida em que se trata da mais vasta floresta tropical, abrangendo uma área de cerca de 5,5 milhões de km2. Constitui uma fonte de oxigénio para a atmosfera e um sumidouro de dióxido de carbono, contribuindo assim para a atenuação da concentração dos gases de efeito de estufa produzidos pelas atividades antropogénicas. Acontece, porém, que está a ser alvo de atentados perpetrados pelos humanos, muito mais intensos desde que a administração do Brasil é chefiada por Jair Bolsonaro. De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (Ipam), a desflorestação da floresta amazónica em território brasileiro aumentou cerca de 56% de 2016-2018 para igual período de 2019-2021 (respetivamente de 20.911 km2 para 32.740 km2), correspondendo este triénio aos primeiros anos do governo atual do Brasil. Estes valores foram obtidos com recurso a satélites pelo insuspeito Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), cujo diretor, Ricardo Galvão, foi demitido por Bolsonaro em 2019 pelo facto de ter permitido a divulgação destes dados.

A desflorestação para exploração da madeira e os incêndios, tendo em vista a exploração agropecuária, têm como implicação a aproximação cada vez maior do ponto de não retorno da capacidade de regeneração da Amazónia, que poderá vir a transformar-se numa imensa savana. Portanto, existe o risco desta floresta passar de sumidouro do dióxido de carbono da atmosfera para uma fonte deste gás. O risco desta inversão do papel da floresta poderá contribuir para o aquecimento global e tornar mais difícil o caminho para o combate às alterações climáticas. Além disso, a destruição de que está a ser alvo contraria os direitos dos povos autóctones, expressos na constituição do Brasil de 1988, em que é reconhecido o facto histórico que os índios foram os primeiros ocupantes do Brasil e, como tal, têm o direito a ocupar a terra onde nasceram.

Devido à riqueza que encerra, a Amazónia tem sido alvo de frequentes atentados motivados pela ganância, nomeadamente de garimpeiros, agricultores, caçadores e pescadores sem escrúpulos. Contra estas atividades, frequentemente ilegais, têm-se levantado vozes de ativistas, o mais célebre dos quais foi Francisco Alves Mendes Filho. Chico Mendes, como era conhecido, nasceu em 1944 e foi assassinado em 1988, em Xapuri, no Estado do Acre. Na altura em que desenvolvia a sua atividade, o conceito de “alterações climáticas” não era ainda tão popular como nos nossos dias. Apesar disso, pode-se considerar Chico Mendes como um dos pioneiros das lutas contra essas alterações. Foi uma das vozes que mais se fez ouvir, nas décadas de setenta e oitenta do século passado, em defesa dos seringueiros da Bacia do Amazonas cuja subsistência dependia da floresta amazónica. Na qualidade de sindicalista lutou contra a destruição da floresta e em defesa dos povos indígenas, o que não foi do agrado dos grandes fazendeiros que pretendiam destruir grandes extensões de arvoredo para as substituir por pastagem para gado.

 

Chico Mendes, assassinado em 1988

Muitos outros ativistas foram também vítimas da ganância de grandes fazendeiros. A missionária norte-americana Dorothy Stang teve o mesmo destino de Chico Mendes: foi assassinada no Estado do Pará, em 2005, a soldo de madeireiros e proprietários de terras.

Dorothy Stang, assassinada em 2005 

Também no Pará, em 2011, foram assassinados os cônjuges José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, ambos defensores da floresta, vítimas de interesses de madeireiros e criadores de gado. Os executores do assassinato deste casal foram condenados, mas os mentores, por falta de provas, continuam em liberdade.

 

José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados em 2011

Ainda em 2011, em Porto Velho, capital da Rondónia, foi assassinado Adelino Ramos, ativista do direito à terra, após denúncia de exploração ilegal de madeira.

 

Adelino Ramos, assassinado em 2022

Segundo o Relatório da ONG Global Witness, referente a 2019, houve neste ano 24 assassinatos relacionados com ativismo em defesa do ambiente em território brasileiro, 90% dos quais ocorreram na Amazónia. Quase todas as vítimas lutavam contra a desflorestação, em grande parte causada por grandes projetos relacionados com a agricultura e a extração mineira.

Os defensores da Amazónia tiveram recentemente mais um rude golpe. O jornalista britânico Dom Phillips e o antropólogo e indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira foram assassinados em junho de 2022, em plena Amazónia. Dedicavam-se ambos a investigar atividades ilegais que constituíam verdadeiros atentados à natureza, nomeadamente às comunidades indígenas e à biodiversidade. Dom Phillips trabalhava para várias publicações de grande prestígio, como o Financial Times, The Washington Post, The New York Times e The Guardian. Era também colaborador da Fundação Oswaldo Cruz, instituição de grande prestígio internacional, com atividades nas áreas da saúde, desenvolvimento social, promoção e difusão do conhecimento científico. Segundo o The Guardian, Phillips estava a escrever um livro na área do desenvolvimento sustentável que teria o título “Como Salvar a Amazónia”.

 

Dom Phillips e Bruno Pereira, assassinados em 2022

Bruno Pereira, profundo conhecedor da vida indígena, ajudava Dom nas entrevistas a membros das comunidades amazónicas. Sob pressão de interesses ligados à exploração da floresta, foi exonerado das suas funções como indigenista da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) pela administração de Jair Bolsonaro, em 2019. De acordo com dirigentes das comunidades indígenas, Bruno Pereira já havia sido ameaçado por garimpeiros, pescadores e madeireiros. Ambos regressavam de uma visita à Amazónia brasileira nas vizinhanças do Peru e Colômbia.

Além destes assassinatos, muitos outros ocorreram, tendo sido a maioria das vítimas membros anónimos das comunidades indígenas.

De acordo com uma declaração da Universidade Federal da Baía sobre os assassinatos de ativistas defensores do ambiente, datada de 16 de junho de 2022, o aumento da violência na Amazónia é atribuído ao desmonte de órgãos e políticas públicas de proteção do meio ambiente e ao não reconhecimento dos direitos dos povos indígenas.

A melhor homenagem que se pode prestar a Bruno Pereira, Dom Phillips e a todos que foram vítimas dos interesses ligados aos exploradores sem escrúpulos da Amazónia, é continuar a luta pela responsabilização dos mandantes dos atentados, exigir do Governo do Brasil o reconhecimento dos direitos dos povos autóctones, conforme o estabelecido pela Constituição de 1988, zelar pela manutenção da biodiversidade e proceder à exploração dos recursos naturais de forma sustentável.

O Xiao

É longa e vetusta a discussão sobre a perigosidade de certos animais, geralmente de porte relevante, para os seres humanos. Alguns entendem esses bichos como bestas insensíveis, por vezes puros predadores — como os tubarões; doutras meramente perniciosos, ainda que sem intenção — como os ratos. Já sensibilidades de outro tipo, estribadas em observações científicas e numa forma derivada de compaixão, consideram escassas as situações em que um animal ataca um ser humano sem ter sido antes ameaçado. Alegando ser na Natureza extremamente raro o assassinato com fins não-alimentares, replica esta gente não existir nos animais a maldade abundantemente constatada na espécie humana.

O tema adopta contornos mais sinistros quando os humanos desejam muito frequentar uma determinada área, mas receiam a presença de um certo animal, cujas práticas agressivas neles inspiram tamanho receio que só em extensos grupos se atrevem a desafiar a presumida ferocidade das bestas. É o caso da Montanha da Ovelha Negra, um lugar belíssimo, pontuado de cerejeiras e bambus de variadíssimas qualidades. Do seu ventre, emergem o jade e o cobre; e pelas suas encostas desce o Rio da Laca que, num vale esmeralda, se funde no Rio Wei. Trata-se de uma paisagem arrebatadora, sobretudo em certas épocas do ano, sedutora de pintores, poetas, calígrafos e aventureiros de sensibilidade requintada.

O problema é que, neste paraíso terreal, habita uma espécie de macaco de grande porte, dotado de longos braços, cujo carácter o predispõe para sentir um profundo desagrado pela presença humana nos que considera seus territórios. E, motivado por essa antipatia, não se exime em atirar pedras e mesmo atacar com ferocidade os incautos viajantes. Para o efeito, usa os seus fortes braços, capazes de um abraço mortal, e mesmo os dentes, extremamente afiados por extraírem alimento de cascas de áceres e bambus.

Conhecido pelo nome de xiao, este animal mantém os humanos à distância, sem os atacar de surpresa. Pelo contrário, o seu nome (xiao, que quer dizer barulhento) indica que se desdobra em múltiplos guinchos e urros, de carácter agonístico, numa óbvia tentativa de espantar os visitantes. No entanto, se estes insistem em passear pelos territórios que considera como seus, o xiao é bem capaz de partir para a violência e a sua tremenda força e circense agilidade fazem dele um inimigo temível e difícil de derrotar.

Certos textos admitem que o grupo de xiaos da Montanha da Ovelha Negra será, na verdade,  uma tribo de humanos que, desde a queda de uma dinastia em tempos imemoriais, ali se terá isolado e, desde então, escusado a qualquer contacto com o mundo exterior àquela maravilhosa montanha. A aparência símia, os longos braços e mesmo a cauda, seriam artifícios utilizados para inspirar terror nos que se atrevem a percorrer aqueles domínios. Contudo, poucos subscrevem tão fantasiosa teoria.

Mestre Zuo diz: “O mal é uno, embora se manifeste na multiplicidade. Daí que não possamos atribuir a um animal especiais intenções ou mesmo outro objectivo que não seja cumprir um destino que não escreveu. Talvez vos surpreenda saber que incluo os humanos neste grupo.”

Mísseis terão caído na zona económica exclusiva japonesa

O ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, declarou que vários dos mísseis balísticos disparados ontem pela China terão caído pela primeira vez na Zona Económica Exclusiva do Japão

“Suspeitamos que cinco dos nove mísseis balísticos disparados pela China terão caído na Zona Económica Exclusiva (ZEE)  do Japão, afirmou o ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, aos jornalistas, para falar sobre o início dos exercícios navais militares que Pequim iniciou ontem em torno de Taiwan, após a visita à ilha da líder do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi.

“O Japão já apresentou um protesto à China por via diplomática”, referiu Kishi, considerando o incidente como um “problema grave” que afeta a segurança nacional nipónica.

O Exército Popular de Libertação da República da China confirmou, entretanto, o lançamento de mísseis, explicando ter-se tratado de “um ataque com mísseis convencionais multirregionais e de vários modelos em águas predeterminadas da parte leste da ilha de Taiwan”.

Segundo adiantou um responsável chinês, “todos os mísseis atingiram o alvo com precisão”.

 

Fogo real

Por seu lado, o Ministério da Defesa taiwanês denunciou o disparo dos mísseis, condenando o que considerou as “acções irracionais que minam a paz regional”. “O Ministério da Defesa Nacional declara que o Partido Comunista Chinês disparou vários mísseis balísticos ‘Dongfeng’ nas águas circundantes do nordeste e sudoeste de Taiwan às 13h56”, anunciou o ministério, em comunicado, sem adiantar o local exato onde os mísseis caíram.

A televisão estatal chinesa, a CCTV, já tinha anunciado ontem de manhã, que a China ia dar início a exercícios militares, com fogo real, nas imediações de Taiwan, acrescentando que a operação irá durar até domingo.

As manobras militares surgem em resposta à visita a Taiwan da líder do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, vista pela China como uma grave provocação.

Exposição de caligrafia e pintura “Lee Chau Ping e Alunos” até 13 de Agosto na Fundação Rui Cunha

De regresso à programação cultural, a Galeria da Fundação Rui Cunha alargou o período em que estará patente a exposição de Caligrafia e Pintura “Lee Chau Ping e Alunos” até ao final da próxima semana, dia 13 de Agosto. A entrada é livre

 

 

Passados apenas quatro dias de exibição, a mostra de pintura e caligrafia “Lee Chau Ping e Alunos” foi interrompida pelo surto de covid-19 que paralisou completamente Macau. Como tal, e face à reabertura da Galeria da Fundação Rui Cunha, foi ontem anunciado que o período de exibição da mostra será alargado até ao final da próxima semana, 13 de Agosto.

A mostra conjunta reúne trabalhos do metre Lee Chau Ping e de 43 aprendizes que colaboram nas suas aulas, oficinas e actividades artísticas, regularmente organizadas pela Associação de Amizade das Artes, Pintura e Caligrafia de Macau, presidida por Lee Chau Ping.

A mostra dá a conhecer 44 peças de pintura e caligrafia, uma por cada participante, que reflectem a preocupação de Lee Chau Ping em “promover a cultura da caligrafia e pintura chinesa, bem como a arte, com o objectivo de reunir entusiastas para estudar a sua essência, para que os membros possam pesquisar, aprender e observar os outros durante estas actividades”, de acordo com o manifesto da iniciativa.

O propósito da exposição é também “fornecer uma plataforma para exibir as obras de pintura e caligrafia dos alunos. E é uma boa oportunidade para criar e praticar esta arte, permitindo que os alunos comuniquem com outros, cultivando a alfabetização cultural, incentivando sentimentos, enriquecendo a sua vida espiritual e levando adiante a cultura e as tradições chinesas para serem transmitidas de geração em geração”, refere o mestre, citado por um comunicado da organização da mostra.

Lee Chau Ping (李秋平), calígrafo e pintor local, é conhecido como discípulo do estilo artístico da Escola de Pintura de Lingnan. Nascido em 1959, o artista começou a sua carreira como designer de interiores, formado pelo Instituto de Design e Indústria de Hong Kong. A paixão pelas artes vem da infância, tendo aprendido pintura e caligrafia chinesas por influência do pai, quando tinha cerca de seis anos de idade.

O percurso académico levou-o depois para o mundo do design e da gestão de negócios. Seguiu para a Canadian Public Royal University, onde fez um Master of Business Administration, passou pela Princeton University, onde obteve um PhD em Gestão, e ainda pela Renmin University of China, para uma graduação em Administração de Empresas. “Aos 63 anos, o espírito incansável do artista é admirável, sendo igualmente licenciado e praticante de Medicina Chinesa desde 1999”, indica a Fundação Rui Cunha.

A galeria reabriu portas na quarta-feira, em horário integral das 10h às 19h, incluindo o período do almoço de segunda a sexta-feira, e aos sábados das 15h às 19h. A entrada é livre.

Apesar dos prejuízos, MGM diz saber como atrair estrangeiros

A MGM China anunciou prejuízos de 382,4 milhões de dólares de Hong Kong no segundo semestre de 2022. A queda ficou a dever-se à descida de 74 por cento das apostas em bacará nas salas VIP.  Apesar do “desafio” das restrições epidémicas, a operadora está confiante na sua capacidade de trazer jogadores estrangeiros a Macau

 

A operadora de jogo MGM China anunciou ontem um prejuízo de 382,4 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) no segundo trimestre de 2022.

Em igual período de 2021, a MGM China tinha apresentado um EBITDA (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) ajustado positivo de 116 milhões de HKD, de acordo com um comunicado citado pela agência Lusa.

No primeiro trimestre de 2022, a empresa, com dois casinos em Macau, registou ainda um lucro líquido de 45,7 milhões de HKD. No segundo trimestre, a MGM China registou receitas no valor de 1,1 mil milhões de HKD, menos 53,5 por cento comparativamente com o mesmo período do ano passado.

De acordo com resultados divulgados pela ‘companhia mãe’ da MGM China, a norte-americana MGM Resorts, a queda deveu-se sobretudo à descida de 74 por cento nas apostas em bacará nas salas de grandes apostadores (VIP).

Recorde-se que, em Novembro do ano passado, a indústria do jogo de Macau foi afectada pela queda do maior angariador de apostas VIP do mundo, o Suncity Group, quando as autoridades de Macau decretaram a prisão preventiva do então director executivo do grupo, Alvin Chau.

Além disso, a reboque das medidas de prevenção impostas para combater o último surto de covid-19 no território, as receitas do jogo em Macau caíram em Julho, 95,3 por cento em termos anuais, fixando-se em 398 milhões de patacas, o pior resultado desde 2003.

 

Estamos prontos

Numa altura em que está a decorrer o prazo para a apresentação de propostas relativas ao concurso público para a atribuição de seis licenças de jogo, o director de operações da MGM, Hubert Wang, considera que a operadora está munida de todas as ferramentas necessárias para corresponder aos requisitos do Governo. Nomeadamente, apontou segundo o portal GGR Asia, quanto à captação de jogadores de mercados internacionais e à aposta em elementos não relacionados com jogo.

“O Governo de Macau está focado nos mercados internacionais e esse é precisamente um dos nossos pontos fortes, tendo em conta a nossa rede global de distribuição. Por isso, é esse o nosso foco”, afirmou o responsável na quarta-feira durante a apresentação de resultados da MGM China.

Hubert Wang frisou ainda “a enorme quantidade de requisitos” exigidos no concurso ao nível dos elementos não jogo, algo em que a operadora também está apostada em responder de forma competente, através da proposta que vai entregar ao Governo. “Vamos aproveitar os nossos pontos tradicionalmente fortes na área das artes e da cultura, para concretizar a diversificação que o Governo está a pedir”, garantiu Wang.

Na mesma ocasião, Bill Hornbuckle, CEO e presidente da MGM Resorts International, admitiu, contudo, que as restrições inerentes à covid-19 constituem um “desafio” e um factor a ter em conta, durante o período em que está a decorrer o concurso público.

Número de mortes atinge valor mais elevado desde 2016

Entre Janeiro e Maio, antes do confinamento, morreram mais 55 pessoas do que no mesmo período do ano passado. O número de suicídios explica o aumento de mortalidade no primeiro trimestre de 2022

 

Desde 2016 que não se morria tanto em Macau no período entre Janeiro e Maio. Segundo os dados da Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), nos primeiros cinco meses morreram 1.016 pessoas em Macau. O número de mortes até Maio, antes do mais recente confinamento, é o mais alto desde 2016, quando no período em causa foram registados 1.049 óbitos.

Segundo a estatística mais recente disponibilizada pela DSEC, em comparação com o ano passado, houve um aumento da mortalidade em 55 casos, ou seja, de 5,7 por cento. Nos primeiros cinco meses de 2021 tinham morrido 961 pessoas.

Nesta estatística saltam à vista duas tendências diferentes. Entre Janeiro e Fevereiro, a mortalidade estava a diminuir, com 205 e 187 óbitos, respectivamente, correspondendo a uma redução de 3,3 por cento e 3,1 por cento face ao ano anterior.

No entanto, a partir de Março o número de óbitos começou a aumentar, o que fez com que o primeiro trimestre fosse mais mortal do que no ano passado. Em Março, foram registadas 218 ocorrências, o que representou um aumento de 16 por cento, face aos 188 casos de 2021, e que elevou as mortes do primeiro trimestre para 610, face às 593 do ano anterior.

A tendência negativa não parou em Março, e em Abril, com 205 óbitos, e Maio, 201, agravando a situação face aos períodos homólogos de 9,6 por cento e 11 por cento, respectivamente.

 

O peso dos suicídios

Um dos motivos que contribuiu para o aumento das mortes foi o número de suicídios. Dados divulgados pelo Canal Macau da TDM, mostram que até ao final de Maio o número de suicídios se fixara em 43, mas não permitem a comparação com o mesmo período do ano passado. Também a estatística sobre as mortes em Junho ainda não foi divulgada pela DSEC.

O peso dos suicídios para a mortalidade pode assim ser avaliado pelos dados do primeiro trimestre. Anteriormente, os Serviços de Saúde (SSM) divulgaram que entre Janeiro e Março 28 pessoas puseram termo à sua vida. Segundo os mesmos dados, os 28 casos correspondem a um aumento de 18 ocorrências face ao período homólogo.

No primeiro trimestre o número de óbitos cresceu de 593, em 2021, para 610, este ano, no que foi um aumento de 17 ocorrências. No mesmo período o número de suicídios aumentou em 18 casos, subindo de 10 para 28 ocorrências.

Apesar de representarem uma proporção de 4,6 por cento de todas as mortes, os números mostram que se o fenómeno do suicídio tivesse sido controlado através de políticas de reforço de saúde mental, e não tivesse havido um aumento das ocorrências, a mortalidade teria diminuído.

Além disso, entre o primeiro trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2022, a proporção de suicídios na mortalidade geral cresceu de 1,7 por cento para 4,6 por cento. Este número significa que em cada 20 mortes houve um suicídio, numa altura em que ainda não tinham sido impostas as medidas de confinamento.

Macau anuncia quarta dose da vacina para toda a população

A partir de hoje, está disponível a quarta dose da vacina contra a covid-19. Para grupos de risco, o reforço deve ser administrado três meses depois da última inoculação e seis meses depois para a população geral. Após o período de estabilização, que termina domingo, vão continuar a existir grupos-chave obrigados a testes regulares

 

O Governo anunciou que vai disponibilizar, a partir de hoje, a quarta dose da vacina contra a covid-19 a toda a população, com prioridade para as pessoas mais vulneráveis, nomeadamente idosos e doentes imunodeprimidos.

Num comunicado divulgado na noite de quarta-feira, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus revelou que, desde ontem, passou a ser possível agendar a toma da segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19. Para os grupos de maior risco, o centro decidiu reduzir o intervalo mínimo entre a terceira e a quarta doses da vacina de seis meses para três meses.

Mais tarde, durante a conferência de actualização sobre a pandemia, a médica Leong Iek Hou detalhou que estes grupos de risco incluem idosos com mais de 59 anos, portadores de doença autoimune moderada ou grave com mais de 11 anos, incluindo cancro, pessoas que realizaram transplantes, doentes com SIDA e indivíduos que vivam em lares de idosos ou instituições de reabilitação. Para a população em geral, o intervalo mínimo entre a terceira e a quarta doses da vacina continua a ser de meio ano.

Lançando um novo apelo à vacinação, Leong Iek Hou sublinhou ainda que o nível de anticorpos daqueles que optam por levar doses de reforço é crucial para evitar “infecções galopantes” e casos mortais em grupos frágeis e entre os idosos.

 

Misturar é bom

Macau tem administrado vacinas de mRNA da BioNTech-Pfizer e vacinas inactivadas da chinesa Sinopharm. Ao anunciar a possibilidade de tomar a quarta dose, as autoridades de saúde recomendaram ainda aos que receberam duas doses da vacina da Sinopharm, que escolham a vacina mRNA como dose de reforço, uma vez que a “vacinação mista” pode resultar numa imunização mais eficaz.

“De acordo com a Comissão Nacional de Saúde, caso tenham optado pela vacina inactivada, devem, na segunda dose de reforço, escolher uma vacina com outras especificações técnicas. Portanto, se a primeira dose for a inactivada, a dose de reforço pode ser a vacina mRNA. Com vacinas mistas é possível criar um maior efeito protector. Apelo à população para que se vacine porque, por enquanto, esta é a ferramenta mais importante e útil para prevenir a covid-19”, explicou Leong Iek Hou.

Foi ainda recordado que, todas as seis mortes registadas durante o mais recente surto de em Macau, dizem respeito a idosos com doenças crónicas, alguns dos quais não vacinados, sendo que o objectivo de disponibilizar a quarta dose da vacina contra a covid-19 passa por “minimizar o risco de outro surto de grande escala em Macau”.

 

Testes para alguns

Apesar de ter sido confirmado que, a partir de domingo, terminado o chamado período de estabilização, quem sai de casa para ir trabalhar deixa de estar obrigado a fazer testes à covid-19 a cada três dias, Leong Iek Hou admitiu que alguns grupos-alvo vão continuar a ter de fazer testes regularmente. Contudo, a responsável reservou para o futuro a identificação dos grupos-alvo.

“Se conseguirmos manter esta estabilização até ao fim-da-semana, na próxima podemos entrar numa fase de maior normalidade. Os trabalhadores que precisam sair de casa (…) já não têm de fazer o teste de ácido nucleico. Quanto aos grupos-alvo (…), ou seja, profissionais que nós entendemos que têm maior risco de ser infectados, vamos ter que pedir a estas pessoas para continuar a fazer testes regularmente”, começou por explicar a responsável.

“Vamos reavaliar os sectores para termos uma ponderação final em relação aos riscos (…) e ter como referência a experiência do Interior da China para fazer a nossa nova avaliação de risco. Depois anunciaremos ao público”, acrescentou.

 

 

Aeroporto | Reforço de pessoal pode atenuar esperas à chegada

A médica Leong Iek Hou admitiu haver “longos períodos de espera” para aqueles que chegam a Macau do exterior e precisam de aguardar por resultados dos testes de ácido nucleico antes de seguir para os hotéis de quarentena.

Está em cima da mesa a contratação de funcionários para trabalhar em circuito fechado, face ao aumento de passageiros e à falta de recursos humanos.

“Ultimamente, os residentes que vêm dos voos de Singapura (…) têm de esperar um período de tempo mais longo. Ontem, regressaram a Macau 78 pessoas no mesmo voo, o que é um número muito elevado”, começou por dizer. “Como temos três turnos, não conseguimos ter o número de trabalhadores suficientes para responder ao [maior] número de voos de Singapura (…) durante o Verão. Não queremos uma medida mais ágil que possa comprometer a segurança da comunidade (…), pelo que estamos a ver se é possível aumentar o número de trabalhadores no aeroporto (…) e introduzir tratamento informático”, acrescentou.

 

Associação Industrial | Impossível que importação de alimentos seja origem de surto

A Associação Industrial de Macau disse à Lusa ser impossível que a importação de alimentos infectados com o novo coronavírus tenha originado o recente surto de covid-19 na cidade.

“É completamente impossível que os alimentos sejam infectados e entrem no mercado”, disse Lei Kit Hing.

“Em termos de alimentos, a estrutura municipal [Instituto para os Assuntos Municipais] e a alfândega são muito rigorosos. Todas as importações de alimentos têm de ser esterilizadas uma a uma por uma máquina, e este processo está a decorrer há um ano sem quaisquer problemas”, sublinhou o dirigente associativo e proprietário da Tak Sang Meat Industries Limited.

“Por exemplo, se for encontrado um teste positivo para o leite, este é destruído imediatamente e não será permitido vendê-lo”, salientou, acrescentando que, tal como na cadeia de frio, cada produto é esterilizado e “as pessoas que o transportam usam vestuário de protecção e deitam-no fora logo após a sua utilização”.

Um importador de alimentos, Ronald Lau, que compra principalmente produtos de Portugal, sublinhou também que tal é improvável.

“Cada peça de mercadoria importada para Macau é pulverizada (…) para desinfectar”, esclareceu, para acrescentar: “E nós, normalmente, importamos mercadoria seca, mercadoria à temperatura ambiente que não é demasiado ‘perigosa’ (…), mercadoria sobretudo oriunda de Portugal, que precisa de alguns meses para chegar a Macau, pelo que o vírus é ‘morto’ no caminho”, explicou o empresário.

 

Às escuras

As autoridades de saúde de Macau admitem não saber a fonte do pior surto de covid-19 em Macau desde o início da pandemia, mas reiteraram na terça-feira que provavelmente foi causado por “objectos ou produtos vindos do estrangeiro”.

Na segunda-feira, o director dos Serviços de Saúde (SSM) da região administrativa especial chinesa, Alvis Lo Iek Long, disse que o surto se deveu à “importação de produtos” e reconheceu que, “no futuro, pode surgir novo surto”.

Segundo o portal da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Internet, “não há provas até ao momento de vírus que causam doenças respiratórias serem transmitidos através de comida ou embalagens de comida”.

“Os coronavírus não conseguem multiplicar-se em alimentos; precisam de um hospedeiro animal ou humano para se multiplicar”, referiu a OMS.

“É verdade que a maior parte dos surtos são devido a contaminação entre pessoas”, admitiu Leong Iek Hou. Mas, “de acordo com a experiência da China e do exterior, muitas vezes a infecção humana é através de objectos”, acrescentou.

Em 12 de julho, a Comissão Nacional de Saúde chinesa anunciou que iria deixar de fazer testes à presença de covid-19 em produtos importados, excepto congelados.

Desde o início da pandemia, a China suspendeu por diversas ocasiões as importações de produtos de alguns países por associarem as suas mercadorias congeladas a surtos de covid-19 em cidades chinesas.

Em 2 de Julho, Macau suspendeu, inicialmente durante uma semana, a importação de mangas de Taiwan, após ter detectado vestígios do novo coronavírus, responsável pela covid-19, no exterior de uma embalagem.

Em resposta, o Conselho de Agricultura, que faz parte do Governo de Taiwan, defendeu não haver provas científicas de que a doença pode ser transmitida através de produtos embalados.

Qualquer movimento provocativo para desafiar a linha vermelha da China está condenado ao fracasso

Por Liu Xianfa*

As questões relacionadas a Taiwan dizem respeito aos interesses ncleares da China e são mais importantes e sensíveis nas relações entre a China e os Estados Unidos da América. No seu último telefonema com o Presidente Xi Jinping em 28 de Julho, o Presidente dos EUA, Joe Biden, assegurou que a política de Uma Só China dos EUA não mudou e não mudará, e que os EUA não apoiam a “independência de Taiwan”. O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, fizeram também as mesmas promessas em conversas com contrapartes chinesas.

Fiel à natureza dos políticos dos EUA, dizem sempre uma coisa e fazem outra. Embora a China tinha repetidamente deixado claro para os EUA as suas sérias preocupações com a possível visita da Presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, bem como a firme oposição da China a ela, tal visita ainda ocorreu. A visita de Pelosi envia outro sinal errado às forças separatistas que buscam a “independência de Taiwan”, constitui uma interferência grosseira nos assuntos internos da China, infringe seriamente a soberania e a integridade territorial da China, atropela desenfreadamente o princípio de Uma Só China, ameaça grandemente a paz e a estabilidade através do Estreito de Taiwan , prejudica gravemente as relações China-EUA e leva a uma situação e consequências demasiado graves, que é um divisor de águas nas relações do Estreito de Taiwan, bem como nas relações China-EUA.

Existe apenas uma China no mundo, e Taiwan faz parte inseparável da China. Isto é um consenso internacional estabelecido e uma norma básica que rege as relações internacionais. O princípio de Uma Só China é um princípio fundamental afirmado na Resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas, e também a premissa sobre a qual a China estabeleceu relações diplomáticas com 181 países, incluindo com os EUA. No mês de Dezembro de 1978, a China e os EUA emitiram o Comunicado Conjunto sobre o Estabelecimento das Relações Diplomáticas, no qual os EUA “reconhecem o Governo da República Popular da China como o único Governo legítimo da China” e “reconhecem a posição chinesa de que há apenas uma China e Taiwan faz parte da China.”

Todo o mundo agora sabe qual o lado que está a quebrar suas próprias palavras, qual lado está a causar problemas e qual lado está a tomar acções unilaterais no sentido de  mudar o status quo do Estreito. Pelosi é a oficial de terceiro escalão mais alto no governo e a segunda na linha de sucessão à presidência dos EUA. Seja qual for o momento ou a maneira como ela vai para Taiwan é uma violação grave do princípio de Uma Só China, com o qual os EUA estão comprometidos nos três comunicados, que são o fundamento das relações diplomáticas entre os dois países e, sem dúvida, criará um impacto político notório. A separação de poderes nos EUA não torna a viagem de Pelosi a Taiwan desculpável. E a afirmação absurda de que “Se a Presidente da Câmara decidir visitar e a China tentar criar algum tipo de crise ou aumentar as tensões, isso será inteiramente de Pequim” feita pelo Secretário de Estado Blinken apenas leva à falência o crédito dos EUA com a sua hipocrisia.

De facto, por um período de tempo, o lado dos EUA tem vindo a intensificar seus esforços, incluindo obscurecer e esvaziar o princípio de Uma Só China, fortalecer a interação oficial com Taiwan, ajudar Taiwan a desenvolver as chamadas capacidades de defesa assimétricas, defender a teoria do “status indeciso” de Taiwan e, encorajar as forças separatistas da “independência de Taiwan”, para jogar a “carta de Taiwan” com a tentativa de usá-la para conter a China. As questões relacionadas a Taiwan dizem respeito aos interesses núcleos da China, sobre os quais não há espaço para concessões. Nunca permitiremos espaço para forças separatistas de “independência de Taiwan” de qualquer forma. Ninguém deve subestimar a determinação firme, vontade forte e capacidade grande do povo chinês em defender a soberania nacional e a integridade territorial. Como quem provocou as tensões actuais, os EUA têm que arcar com todas as graves consequências daí decorrentes.

Como o Presidente Xi Jinping enfatizou no seu telefonema com o Presidente Biden, salvaguardar resolutamente a soberania e a integridade territorial da nação é a firme vontade de mais de 1,4 mil milhões de chineses. Aqueles que brincam com fogo perecerão por ele. Não há nenhuma força que possa impedir a China de alcançar a reunificação nacional entre Taiwan e o continente chinês. A reunificação nacional nunca foi uma questão de sim ou não, mas uma escolha de caminho e tempo. Qualquer movimento provocativo para desafiar a linha vermelha da China está condenado ao fracasso.

 

 

*(Liu Xianfa, Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na Região Administrativa Especial de Macau)