MNE | Sancionado deputado japonês por “cooperar com forças separatistas” de Taiwan

A China anunciou ontem sanções contra o deputado japonês Keiji Furuya, a quem acusa de ter visitado repetidamente Taiwan “apesar da oposição” de Pequim e de “cooperar com forças separatistas” da ilha.

Em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que este comportamento “viola gravemente o princípio de uma só China”, “interfere de forma flagrante” nos seus assuntos internos e “compromete seriamente a sua soberania e integridade territorial”.

Ao abrigo da Lei contra Sanções Estrangeiras, Pequim pode congelar os bens móveis, imóveis e outros activos de Furuya em território chinês, além de recusar-lhe vistos e impedir a sua entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau. Organizações e indivíduos chineses ficam também proibidos de realizar qualquer tipo de transação, cooperação ou outras actividades com o deputado japonês.

Durante uma visita a Taipé, a 17 de Março, Furuya, deputado do Partido Liberal Democrático, actualmente no poder no Japão, reuniu-se com o líder taiwanês, William Lai Ching-te. A agência de notícias pública taiwanesa CNA indicou que, durante a visita, entre outras actividades, o político japonês propôs “estabelecer intercâmbios entre as bandas militares do Japão, dos Estados Unidos e de Taiwan”.

Pequim e Tóquio atravessam uma crise diplomática, depois de, no final de 2025, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter admitido a possibilidade de uma intervenção militar em Taiwan em caso de conflito na ilha, por considerar que tal poderia representar uma “ameaça à sobrevivência” do Japão.

31 Mar 2026

Taiwan | Líder da oposição confia que visita à China reduza tensões militares

A presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, Cheng Li-wun, manifestou ontem a esperança de que a sua visita à China, prevista para entre 07 e 12 de Abril, contribua para reduzir tensões militares.

A deslocação à China “mostrará ao povo de Taiwan e ao mundo uma coisa: que os dois lados do estreito não estão destinados à guerra, nem precisam de permanecer à beira de um conflito militar”, afirmou Cheng numa conferência de imprensa na sede do partido, em Taipé, citada pela agência noticiosa CNA.

O Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e o seu secretário-geral, Xi Jinping, convidaram Cheng a liderar uma delegação do KMT numa visita a Jiangsu, Xangai e Pequim entre 07 e 12 de Abril, anunciou ontem o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Song Tao.

A viagem será a primeira de um líder do partido da oposição à China desde que a então presidente do KMT, Hung Hsiu-chu, realizou uma visita semelhante em Novembro de 2016. Durante a sua intervenção, Cheng Li-wun afirmou que qualquer esforço para melhorar as relações entre Taipé e Pequim deverá basear-se nos termos do “Consenso de 1992” e na oposição à independência de Taiwan.

Esse consenso corresponde a um alegado entendimento entre o PCC e o então Governo taiwanês, liderado pelo Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês), segundo o qual ambas as partes reconhecem a existência de “uma só China”, embora com interpretações distintas. No entanto, o Partido Democrático Progressista (PDP), de orientação soberanista e no poder em Taiwan desde 2016, nunca reconheceu essa interpretação, por considerar que implicaria legitimar a reivindicação chinesa sobre a ilha.

31 Mar 2026

Taiwan | Pequim contra “a narrativa da ameaça chinesa”

A China apelou ontem a que se evite “alimentar a narrativa da ameaça chinesa” sobre Taiwan, após os serviços de informações norte-americanos indicarem que Pequim não prevê invadir a ilha em 2027 nem tem calendário definido.

O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lin Jian afirmou, em conferência de imprensa, que “a resolução da questão de Taiwan é inteiramente uma questão que deve ser decidida pelo próprio povo chinês”. Lin acrescentou que esta questão “não admite qualquer interferência por parte de forças estrangeiras”.

Os Estados Unidos “devem agir com prudência nas palavras e acções relativamente à questão de Taiwan”, disse o porta-voz, instando “as instituições e indivíduos norte-americanos relevantes” a “abandonarem preconceitos ideológicos e a mentalidade própria da Guerra Fria” e a “corrigirem as percepções sobre a China”.

Segundo o Relatório Anual de Avaliação de Ameaças de 2026, divulgado na quarta-feira e elaborado pelos serviços de informações dos Estados Unidos, as autoridades chinesas deverão continuar a procurar “criar condições para uma eventual unificação com Taiwan, sem recorrer ao conflito”.

“O país, apesar de admitir o uso da força para alcançar a unificação, se considerar necessário, e de contrariar o que entende como uma tentativa dos Estados Unidos de utilizar Taiwan para travar a sua ascensão, prefere atingir esse objectivo sem recorrer à força, se possível”, referiu o documento.

Outras visões

Esta avaliação contrasta com a expressa pelo Pentágono no final do ano passado, quando um relatório indicava que a China pretendia “travar e vencer” uma guerra em torno de Taiwan até ao final de 2027. A divulgação deste documento ocorreu antes da reunião prevista em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, cuja data foi adiada a pedido do líder norte-americano devido ao conflito em curso no Médio Oriente.

Entre os temas a abordar nesse encontro poderá estar precisamente a questão de Taiwan, considerada por Pequim como a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências.

20 Mar 2026

Taiwan | Negados atrasos na venda de armamento dos EUA à ilha

O ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, assegurou ontem que Taipé não recebeu qualquer informação sobre possíveis atrasos na venda de armamento dos Estados Unidos a Taiwan, acrescentando que ambos mantêm “estreita coordenação” em matéria de Defesa.

Em declarações citadas pela agência CNA, Koo afirmou que os processos internos de revisão dos Estados Unidos relacionados com estas operações “avançam conforme o previsto”.

As declarações surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na segunda-feira que planeia adiar cerca de um mês a viagem à China que previa realizar no final do mês para se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, devido à guerra com o Irão.

Numa conversa telefónica no início de Fevereiro, Xi instou Trump a “gerir com prudência” o envio de armas para Taiwan e sublinhou que a ilha é a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências. Posteriormente, a publicação Wall Street Journal noticiou, citando responsáveis norte-americanos, que Washington tinha suspendido a aprovação de um importante pacote de armas para Taiwan por receio de que a operação pudesse pôr em risco a realização da cimeira entre Trump e Xi.

18 Mar 2026

Taiwan | Responsáveis de centro comercial que explodiu negam acusações

Está a decorrer em Taiwan o julgamento que coloca no banco dos arguidos dois responsáveis do centro comercial Shin Kong Mitsukoshi, em Taichung, onde ocorreu uma explosão de gás em Fevereiro do ano passado, que resultou em cinco mortos e 38 feridos. Entre as vítimas, contam-se três residentes da RAEM que perderam a vida e quatro que ficaram com ferimentos.

O julgamento arrancou ontem, e o gerente do centro comercial, o subgerente da empresa-mãe para a região de Taichung (que tem vários centros comerciais) e um funcionário declararam-se inocentes, negando acusações de homicídio por negligência, ofensa por negligência e violação da lei de segurança e saúde ocupacional.

O centro comercial em questão é responsável pela maior receita e fluxo de visitantes de todo o grupo, que possui centros em vários locais de Taiwan. Segundo indicou o jornal de Taiwan Liberty Times, a acusação argumentou que devido às dimensões do espaço a segurança pública deveria ser implementada com os mais elevados padrões de rigor, mas que isso não aconteceu, com a empresa a ignorar exigências legais e a correr riscos nas obras por motivos financeiros que motivaram a explosão.

A investigação terá revelado que os responsáveis não pediram as devidas autorizações legais para fazer a obra, não foi elaborado um plano de prevenção de incêndios, e o fornecimento de gás não foi interrompido durante os trabalhos. O julgamento prossegue hoje à tarde, com inquirições a mais arguidos, que são no total 13.

4 Mar 2026

Taiwan | Japão planeia deslocar mísseis terra-ar para perto da ilha

O Japão anunciou ontem planos para deslocar mísseis terra-ar para uma ilha japonesa perto de Taiwan até 2031, ao mesmo tempo que as autoridades japonesas aumentam os alertas sobre as ambições militares da China na região.

“O nosso plano é deslocar “mísseis terra-ar de médio alcance” durante o ano fiscal de 2030″ — ou seja, durante o período de 12 meses que termina em Março de 2031 — para a ilha de Yonaguni, a cerca de 110 quilómetros a leste de Taiwan, anunciou o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, durante uma conferência de imprensa regular.

A ilha de Yonaguni, isolada e localizada a aproximadamente 2.000 quilómetros de Tóquio, já alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão.

Este anúncio surge quando a China tem tomado uma série de medidas económicas, políticas e simbólicas contra o Japão desde Novembro, em retaliação a comentários feitos pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. A líder do Japão sugeriu que uma intervenção militar do seu país seria possível no caso de um ataque chinês a Taiwan.

Desde então, a China tem desencorajado os seus cidadãos a viajar para o Japão. Ontem, anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 destas de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.

25 Fev 2026

Taiwan | Rejeitada transferência de 40% da produção de ‘chips’ para os Estados Unidos

A vice líder de Taiwan afirmou ontem ser “impossível” transferir 40 por cento da produção de semicondutores da ilha para os Estados Unidos, defendendo que a investigação e desenvolvimento de tecnologias avançadas deve continuar a ser feita em Taiwan.

As declarações de Cheng Li-chiun surgem após o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick, ter indicado no mês passado que a Administração do Presidente Donald Trump pretende deslocar para os Estados Unidos cerca de 40 por cento da cadeia de fornecimento de semicondutores de Taiwan, no seguimento de um acordo comercial assinado entre Washington e Taipé.

“Disse claramente à parte norte-americana que isso é impossível”, declarou Cheng no domingo, durante uma entrevista ao canal de televisão CTS.

A governante salientou que os processos avançados de fabrico de ‘chips’ em Taiwan, essenciais para o desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial, representam cerca de 90 por cento do valor da produção mundial. Este domínio resulta de um ecossistema de semicondutores construído ao longo de décadas e “não pode ser transferido”.

Cheng sublinhou que, embora não seja possível “redistribuir a capacidade”, poderá haver expansão da presença industrial nos Estados Unidos. Para que a cooperação bilateral na construção da cadeia de fornecimento seja viável, o modelo taiwanês deve ser adoptado, algo que, segundo afirmou, foi bem acolhido por Washington.

A responsável garantiu também que os parques científicos existentes em Taiwan não terão equivalente nos Estados Unidos, assegurando que a capacidade da indústria taiwanesa de fabrico e embalagem avançada de ‘chips’ será “muito superior” às instalações nos Estados Unidos ou noutros países.

“É essencial primeiro estabelecer fábricas em Taiwan e confirmar a viabilidade da produção em massa. Só depois as empresas expandirão com novos investimentos no estrangeiro”, defendeu Cheng, reiterando que a inovação tecnológica deve continuar a ser feita em solo taiwanês.

10 Fev 2026

Encontro | PCC e oposição taiwanesa reforçam noção de nação comum

O representante da oposição taiwanesa reiterou o compromisso do Kuomintang para com o bem-estar da nação chinesa comum num encontro com dirigentes em Pequim

O líder do principal órgão consultivo da China, Wang Huning, e um representante da oposição em Taiwan vincaram ontem a noção de uma “nação chinesa comum” entre os dois lados do Estreito, num encontro em Pequim.

O líder da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês defendeu que os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan têm “responsabilidades comuns para com a nação chinesa”, no encontro com Hsiao Hsu-tsen, vice-presidente do Kuomintang (KMT), no contexto de um aparente esforço de reaproximação entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o principal partido da oposição em Taiwan, que vai em contraciclo com a crescente tensão entre Pequim e Taipé.

Wang assegurou que a realização do recente fórum de grupos de reflexão (‘think tanks’) entre os dois partidos demonstra “o compromisso de ambas as partes com o bem-estar dos cidadãos de ambos os lados” e contribui com “energia positiva” para as relações através do Estreito.

“Os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan pertencem à nação chinesa”, partilham “o mesmo sangue, a mesma cultura e a mesma história” e têm “responsabilidades comuns para com a nação e aspirações partilhadas quanto ao futuro”, vincou.

Hsiao reforçou que o chamado Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan “constituem a base política comum que permite manter os intercâmbios entre ambas as partes”. O dirigente foi mais longe ao reformular o entendimento original do acordo, afirmando que “cada parte expressa uma só China”, rejeitando assim a ideia de “interpretações distintas” sobre o conceito.

“A consciência chinesa é a nossa alma, a cultura chinesa é o nosso corpo e a nação chinesa é a nossa raiz”, declarou Hsiao, num gesto simbólico de alinhamento político com Pequim.

Um só país

O encontro decorreu no Salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo noticiou a agência de notícias taiwanesa CNA, um dia após o fórum que marcou a retoma do intercâmbio institucional entre o PCC e o KMT, interrompido há quase uma década. O evento é visto como um passo preliminar para uma possível reunião entre Xi Jinping e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano.

O Consenso de 1992 é um entendimento tácito segundo o qual tanto Pequim como Taipé reconhecem a existência de ‘uma só China’, embora discordem sobre o que isso significa. Esta ambiguidade permitiu, durante décadas, manter o diálogo entre o continente e a ilha.

A sintonia entre o PCC e o KMT contrasta fortemente com o clima hostil entre o Governo chinês e o Executivo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista – uma formação que rejeita a ‘reunificação’ com a China e defende que o futuro político da ilha cabe exclusivamente aos seus 23 milhões de habitantes.

5 Fev 2026

PC Chinês e oposição taiwanesa defendem “nação comum” e rejeitam confronto

Responsáveis do Partido Comunista Chinês e do principal partido da oposição em Taiwan concordaram ontem que os povos de ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma nação e rejeitaram um cenário de confronto.

“Embora a China continental e Taiwan tenham sistemas políticos diferentes, os povos de ambos os lados pertencem à mesma nação, são descendentes do imperador Yan e do imperador Amarelo, e devem apoiar-se mutuamente e cooperar para revitalizar a China”, afirmou o vice-presidente do Kuomintang (KMT), Hsiao Hsu-tsen, citado pela agência de notícias oficial taiwanesa CNA.

“O confronto ou mesmo o conflito entre as duas margens do Estreito não serve os interesses do povo taiwanês, nem os interesses comuns de ambos os povos, muito menos os interesses gerais da nação chinesa”, acrescentou.

Também o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Song Tao, defendeu que a situação actual é “complexa e grave” e sublinhou que o Partido Comunista Chinês (PCC) e o KMT têm uma “responsabilidade inelutável” de promover o “desenvolvimento pacífico” das relações através do diálogo.

Song reiterou ainda a “firme oposição” de Pequim à independência de Taiwan, afirmando que não haverá “tolerância nem mão branda” face ao secessionismo.

Todos juntos

As declarações foram proferidas durante um fórum realizado ontem em Pequim, promovido por institutos de investigação associados aos dois partidos, e que marcou a retoma do intercâmbio institucionalizado entre o PCC e o KMT após quase uma década de interrupção, informou a televisão estatal chinesa CCTV.

Participaram no evento representantes partidários, especialistas, académicos e empresários, que discutiram temas como turismo, indústria, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com o objectivo de “deliberar em conjunto sobre o rumo das relações” e “promover o bem-estar das populações de ambos os lados do Estreito”.

A delegação do KMT foi liderada por Hsiao Hsu-tsen e pelo vice-presidente da Fundação de Política Nacional, Lee Hong-yuan. Estão previstas outras visitas e encontros em Pequim, segundo a CCTV, que não avançou pormenores.

O fórum é visto como um possível passo preparatório para uma eventual reunião, ainda este semestre, entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a nova líder do KMT, Cheng Li-wun.

4 Fev 2026

Taiwan | Etiópia e reafirma apoio ao princípio de ‘Uma Só China’

O Governo da Etiópia rejeitou sexta-feira “toda a forma de independência de Taiwan” e reafirmou o seu apoio ao princípio de “uma só China”, considerando a ilha uma província do território chinês.

A posição foi expressa num comunicado conjunto após um encontro em Adis Abeba entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, Gedion Timothewos, e o homólogo chinês, Wang Yi, que se encontra de visita ao continente africano.

“A Etiópia reafirma o seu firme compromisso com o princípio de ‘uma só China’ e declara que só existe uma China no mundo, que Taiwan é parte inalienável do território chinês e que o Governo da República Popular da China é o único Governo legal que representa toda a China”, lê-se na nota oficial.

Ambas as partes sublinharam ainda que “todos os países devem respeitar os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas e no direito internacional, respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados e opor-se à utilização ou ameaça do uso da força nas relações internacionais”.

12 Jan 2026

Taiwan | Pequim acusa William Lai de “sabotar a paz”

A China acusou ontem o líder de Taiwan, William Lai, de “sabotar a paz”, após o seu discurso de Ano Novo, no qual alertou para o aumento da pressão de Pequim e apelou ao reforço da defesa da ilha.

A reacção partiu do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, cujo porta-voz, Chen Binhua, classificou a mensagem como “cheia de mentiras, hostilidade e malícia” e acusou Lai de repetir “falácias separatistas” sobre a independência de Taiwan e de “incitar à confrontação entre os dois lados do estreito”.

Segundo Pequim, Lai recorreu à retórica de “democracia contra autoritarismo” para “confundir os compatriotas taiwaneses e enganar a opinião pública internacional”, demonstrando uma postura “incorrigível” de apoio à independência da ilha. Chen Binhua foi mais longe ao descrever Lai como um “desestabilizador da paz”, “criador de crises” e “instigador da guerra”, argumentando que o líder taiwanês “intensificou deliberadamente as tensões” desde que assumiu o cargo e promove uma estratégia de “preparação para a guerra com o objectivo de alcançar a independência”.

“O fracasso da independência de Taiwan é inevitável”, lê-se no comunicado, que reitera que “Taiwan faz parte da China” e apela à população da ilha para “se opor firmemente ao separatismo e à interferência externa”.

8 Jan 2026

Taipé | Pelo menos três pessoas morreram em ataque no metro

Pelo menos três pessoas morreram e cinco ficaram feridas na sequência de um ataque no metro de Taipé, anunciou sexta-feira o chefe dos bombeiros da capital de Taiwan, acrescentando que o suspeito também morreu. O autor do ataque usava uma máscara e estava armado com uma faca quando atirou “cinco ou seis cocktails Molotov, ou granadas de fumo” na principal estação de metro de Taipé, explicou o chefe dos bombeiros em declarações à agência de notícias France-Presse.

Segundo as autoridades locais o incidente começou na passagem subterrânea da Estação Principal de Taipé por volta das 17:30 quando o suspeito lançou várias bombas de fumo que serviram de distração antes de se dirigir com uma faca pela avenida que liga essa estação à de Zhongshan.

O presidente da Câmara de Taipé, Chiang Wan-an, disse à imprensa que o suspeito aparentemente “se suicidou ao saltar de um edifício para escapar à sua detenção” e que uma das vítimas morreu ao tentar impedir o ataque na estação Central, a principal estação de metro da capital de Taiwan.

Uma das vítimas morreu devido aos ferimentos causados pela arma branca e uma segunda morreu devido a uma parada cardio-respiratória causada pelas granadas lançadas pelo agressor, segundo a agência oficial de notícias CNA.

Um balanço anterior dava conta de pelo menos oito feridos. O agressor foi identificado pela agência CNA como um homem de 27 anos, procurado por ignorar uma ordem de recrutamento militar, de acordo com a agência de notícias espanhola Europa Press.

21 Dez 2025

Taiwan | EUA avisados para deixarem de interferir nos assuntos internos

O governo da China avisou sexta-feira os EUA para pararem de “armar” Taiwan e “interferir nos assuntos internos” chineses, depois de o Congresso aprovado um orçamento de Defesa que inclui até mil milhões de dólares para cooperação com Taipé. O porta-voz do Gabinete dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Chen Binhua, afirmou ontem, em comunicado, que a denominada Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAAA, na sigla en Inglês) envia “um sinal errado às forças separatistas” de Taiwan.

Em sequência, pediu aos EUA que se abstenham de aplicar as disposições do pacote legislativo, assinado na véspera por Donald Trump, e instou-os a “aderir ao princípio de uma só China”. O orçamento contempla o financiamento da designada Iniciativa de Cooperação em Segurança de Taiwan, que cobre assuntos como equipas médicas e capacidades de abastecimento e de prestação e cuidados a vítimas de combates.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China voltou ontem a avisar que qualquer medida para “armar” Taiwan vai ter “graves consequências”, depois de o governo de Trump ter anunciado esta semana uma venda de armas avaliada em 11 mil milhões de dólares.

“Instamos os EUA a respeitarem o princípio de uma só China (…), a pararem a perigosa medida de armar Taiwan, a deixarem de perturbar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e a deixarem de enviar mensagens equivocados às forças separatistas”, reiterou, em declarações a jornalistas, o porta-voz do Ministério, Guo Jiakun.

A Agência de Cooperação em Segurança e Defesa dos EUA (DSCA, na sigla em Inglês) detalhou em oito comunicados separados que a venda de armas a Taiwan inclui 60 obuses autopropulsionados e equipamento relacionado, no montante de 4.030 milhões de dólares.

O pacote também contempla 82 sistemas de foguetes de artilharia de alta mobilidade (M142 HIMARS, na sigla em Inglês) por 4.050 milhões de dólares, e software, equipamento e serviços para redes de missões tácticas, no valor de 1.010 mil milhões de dólares.

21 Dez 2025

Taiwan | China diz que EUA enviam “sinal errado” com plano de vender armas

Pequim afirmou ontem que Washington enviou um “sinal gravemente errado” às “forças independentistas” taiwanesas, ao autorizar vendas de armamento a Taiwan no valor de 11,1 mil milhões de dólares.

Os EUA “anunciaram publicamente um plano de venda de armas avançadas a Taiwan num montante enorme”, o que “prejudica gravemente a soberania, a segurança e a integridade territorial da China”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, em conferência de imprensa. Estas operações “prejudicam gravemente a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan”, afirmou.

“As forças separatistas tentam buscar a secessão através das armas e rejeitar a reunificação pela via militar, desperdiçando o dinheiro ganho com o suor do povo e tentando transformar Taiwan num ‘barril de pólvora’”, acrescentou Guo, para quem isso “não pode mudar o destino inevitável do fracasso da independência” e apenas “acelerará o avanço para uma situação perigosa” no estreito de Taiwan.

O porta-voz acusou também Washington de “ajudar a independência através das armas” e de tentar “usar Taiwan para conter a China”, uma estratégia que fracassará. Na sua intervenção, Guo sublinhou que a questão de Taiwan é “o núcleo dos interesses fundamentais da China” e “a primeira linha vermelha que não pode ser ultrapassada” nas relações entre Pequim e Washington.

Guo concluiu salientando que a China “adoptará medidas firmes e contundentes” para defender a sua soberania, segurança e integridade territorial.

19 Dez 2025

Taiwan | Pequim condena proibição da rede social Red Note e fala em acto “arbitrário”

A proibição temporária da rede social Xiaohongshu (red note) em Taiwan constitui um ato “antidemocrático” e “arbitrário”, que “obstrui a liberdade” e “despreza a democracia”, acusou ontem um porta-voz do Governo chinês. Em conferência de imprensa, Chen Binhua, do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, afirmou que a decisão revela o “medo” e a “insegurança” das autoridades do Partido Democrático Progressista (PDP), actualmente no poder em Taiwan.

“Através do Xiaohongshu, os jovens taiwaneses tomam contacto com a realidade da China continental e interagem de forma cordial com os utilizadores do continente, o que tem feito ruir a ‘câmara de isolamento informativo’, criada deliberadamente pelo PDP, e as suas calúnias contra o continente”, afirmou o porta-voz.

Chen sublinhou que, segundo dados divulgados por órgãos de comunicação taiwaneses, o Facebook esteve envolvido em quase 60 mil casos de fraude na ilha no ano passado – “muito acima” dos incidentes atribuídos ao Xiaohongshu. “Portanto, o que as autoridades do PDP chamam de ‘antifraude’ é, na verdade, ‘antidemocracia’. Este comportamento arbitrário obstrui a liberdade e priva brutalmente os taiwaneses, sobretudo os jovens, do direito à informação e de usar livremente as redes sociais”, disse.

“O que semeia injustiça colherá a sua ruína: as acções desenfreadas do PDP acabarão por fazê-los provar o seu próprio fruto amargo. As suas medidas retrógradas não conseguirão travar a tendência dos jovens taiwaneses para conhecer o continente e interagir com os compatriotas do outro lado do estreito”, acrescentou.

As declarações surgem depois de o Ministério do Interior de Taiwan ter anunciado na semana passada o bloqueio durante um ano da plataforma Xiaohongshu – conhecida como o “Instagram chinês” – por motivos de cibersegurança e alegadas ligações a esquemas de fraude. A aplicação conta com mais de três milhões de utilizadores em Taiwan.

11 Dez 2025

Taiwan CSBC Corp | Empresa falha prazo de entrega de submarino

A construtora naval de Taiwan CSBC Corp não cumpriu o prazo estabelecido para a conclusão do primeiro submarino de concepção local, informou ontem o ministro taiwanês da Defesa, Wellington Koo Li-hsiung. O objectivo inicial estipulava que a conclusão dos testes marítimos do submarino devia ter acontecido antes de 30 de Setembro e a entrega do navio devia ser formalizada até ao final de Novembro, de acordo com a marinha taiwanesa.

Wellington Koo anunciou ontem no parlamento que os testes, iniciados em Junho, ainda estão em andamento. “Gostaria de salientar mais uma vez que tudo o que fazemos é baseado em avaliações de segurança e que não há urgência em cumprir um prazo específico”, precisou o governante.

Koo tinha já admitido em Outubro que o calendário de construção era irrealista, salientando “problemas de equipamento e atrasos no planeamento do pessoal técnico dos fabricantes”. O submarino, cuja construção está ligada a um programa lançado em 2016, mede 80 metros de comprimento e está equipado com sistemas de combate e torpedos fornecidos pelo grupo norte-americano Lockheed Martin.

O principal partido da oposição, o Kuomintang (KMT), e o seu aliado, o Partido Popular de Taiwan (PPT), que juntos controlam o parlamento, congelaram parte do orçamento do programa no início do ano, exigindo conhecer os resultados dos testes marítimos do submarino antes de desbloquear os fundos.

A marinha taiwanesa dispõe actualmente de dois submarinos da classe Swordfish em serviço, adquiridos aos Países Baixos na década de 1980. O Governo de Taiwan anunciou na semana passada que vai propor 40 mil milhões de dólares em despesas adicionais com a defesa para os próximos anos.

2 Dez 2025

China diz que esmagará ingerências em Taiwan

A China voltou ontem a acusar o Japão de aumentar a tensão regional com a anunciada implantação de mísseis em ilhas próximas de Taiwan, advertindo que “esmagará” qualquer tentativa de interferência externa no que considera um assunto interno.

O porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Peng Qing’en, classificou a decisão de Tóquio como uma “provocação extremamente perigosa” e acusou o Japão de estar “a criar tensão e a alimentar o confronto militar” numa zona a apenas 110 quilómetros de Taiwan.

“Temos a firme vontade, determinação e capacidade de salvaguardar a soberania e a integridade territorial da China e de esmagar qualquer tentativa de interferência externa”, afirmou Peng numa conferência de imprensa em Pequim. O porta-voz acusou Tóquio de violar o espírito da Constituição pacifista do país e de avançar para a “expansão militar”, impulsionado por “forças de direita, que procuram libertar-se das restrições do pós-guerra”.

Peng recordou que a Declaração de Potsdam (1945) proibia o rearmamento japonês, sublinhando que esta evolução “despertou a preocupação da comunidade internacional”.

A data concreta para a implantação desse sistema antimíssil numa cadeia de ilhas próxima de Taiwan, capazes de interceptar ameaças aéreas a uma altitude de cerca de 50 quilómetros, ainda não foi decidida, mas corresponde a 14 novas unidades antimísseis terra-ar que o Governo japonês planeia instalar até 2031 para triplicar os sistemas de protecção numa zona de especial interesse estratégico.

A reacção da China ocorre num momento de máxima tensão diplomática entre Pequim e Tóquio, após declarações recentes da nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que declarou que um ataque chinês contra Taiwan pode justificar a intervenção das Forças de Autodefesa japonesas.

A China exigiu a retratação da chefe do Governo nipónico, convocou o embaixador japonês e emitiu avisos oficiais desaconselhando os cidadãos chineses a viajar para o Japão, o que provocou centenas de milhares de cancelamentos de voos e afectou o sector turístico e cultural japonês.

Tóquio, por sua vez, defendeu que a implantação de mísseis terra-ar nas ilhas do arquipélago Nansei responde exclusivamente a fins de defesa e faz parte da estratégia de segurança adoptada em 2022, em plena inflexão histórica de Tóquio no sentido do rearmamento.

O Ministério da Defesa japonês denunciou ainda esta semana a incursão de um drone chinês entre a ilha de Yonaguni e Taiwan, o que justificou o envio de caças.

Sem avanços

A tensão diplomática mantém-se, apesar dos recentes apelos do Presidente norte-americano, Donald Trump, tanto ao líder chinês, Xi Jinping, como a Takaichi.

Durante uma conversa telefónica com Trump, Xi insistiu que o “retorno” de Taiwan à China constitui uma “parte importante” da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial, enquanto Tóquio insiste que a sua posição não mudou e que qualquer disputa sobre a ilha, autogovernada desde 1949, deve ser resolvida pacificamente.

Tóquio e Pequim têm mantido reuniões bilaterais de alto nível em busca de formas de desaceleração da tensão actual, sem sinais claros de progresso, segundo analistas.

27 Nov 2025

Taiwan | Japão envia aviões militares para ilha próxima após detectar drone chinês

O Japão enviou ontem aviões militares para Yonaguni, a ilha japonesa mais próxima de Taiwan, após a detecção de um drone chinês, quando a tensão entre Pequim e Tóquio está a aumentar nas últimas semanas.

“Confirmamos que um drone suspeito de ser chinês sobrevoou o espaço aéreo entre a ilha de Yonaguni e Taiwan na segunda-feira”, declarou ontem o Ministério da Defesa japonês na rede social X. A Força Aérea “enviou aeronaves” em resposta a este incidente, acrescentou o Ministério japonês.

Na segunda-feira, a China criticou fortemente as declarações feitas no dia anterior pelo ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi. O ministro japonês, que estava em visita a Yonaguni, afirmou que o plano de instalação de mísseis terra-ar de médio alcance naquela ilha estava “dentro do prazo”.

“O envio de armas ofensivas do Japão para as ilhas do sudoeste, próximas de Taiwan, visa deliberadamente criar uma tensão regional e provocar um confronto militar”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, numa conferência de imprensa.

Ontem, Koizumi declarou aos jornalistas que os mísseis “não se destinam a atacar outros países (…) e claramente não contribuem para o aumento da tensão na região”. A tensão entre a China e o Japão aumentou desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou, em 07 de novembro, que as operações armadas contra Taiwan poderiam justificar uma intervenção militar japonesa para defender a ilha.

A China, que reivindica Taiwan como parte do seu território, consideraram estas declarações como uma provocação. Yonaguni alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão desde 2016, apesar das objecções iniciais dos habitantes locais. Tóquio anunciou a sua intenção de implantar mísseis terra-ar de médio alcance na ilha para se defender de ataques de mísseis e aeronaves.

26 Nov 2025

China / Japão | Pequim reitera protesto por comentário sobre Taiwan

A China declarou ontem que reiterou os “fortes protestos” a um diplomata japonês, de visita a Pequim, a propósito de declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan. Masaaki Kanai, um alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão para a região da Ásia-Pacífico, encontrou-se com o director-geral do Departamento de Assuntos Asiáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Jinsong.

“Durante as consultas, o lado chinês reiterou os seus fortes protestos ao lado japonês em relação às declarações erradas sobre a China feitas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, durante uma conferência de imprensa regular.

Em 07 de Novembro, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um ataque a Taiwan poderia justificar a intervenção das Forças de Autodefesa do Japão. Em resposta, a China chamou o embaixador japonês em Pequim alertando-o que o preço a pagar seria “doloroso”. O Ministério da Defesa da China defendeu ainda que as declarações de Takaichi foram “extremamente perigosas” e uma “grave interferência” nos assuntos internos chineses.

A tensão aumentou no dia seguinte, depois de o cônsul chinês em Osaka, Xue Jian, o cônsul-geral da China em Osaka, Xue Jian, defender num ‘post’ na rede social X, que, entretanto, apagou, que o melhor seria “cortar essa cabeça suja sem a menor hesitação”, sem especificar a quem se referia exactamente, mas citando um artigo de imprensa que relatava as declarações da governante japonesa.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês emitiu um alerta, na sexta-feira, no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança. Um aviso replicado, no domingo, pelas autoridades das duas regiões semiautónomas chinesas de Macau e Hong Kong.

19 Nov 2025

Nova líder da oposição taiwanesa diz estar pronta para reunir-se com Xi

A nova presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, disse estar disponível para reunir-se com o líder chinês, Xi Jinping, visando resolver diferenças e promover a cooperação entre Taiwan e a China continental.

Cheng Li-wun, antiga porta-voz do Governo taiwanês (2012-2014), venceu no sábado as eleições internas do KMT com 50,15 por cento dos votos, superando largamente o seu principal adversário, o ex-presidente da câmara de Taipé Hau Lung-bin, que obteve 35,85 por cento. Em declarações à rádio, citadas pela agência estatal CNA, Cheng garantiu que o KMT vai passar de ser “um rebanho de ovelhas a uma manada de leões” sob a sua liderança, e sublinhou que a paz entre Taipé e Pequim é “a questão mais importante” para o partido.

A nova líder considerou ainda que a estratégia de “usar a oposição à China como arma política” perdeu eficácia na sociedade taiwanesa, defendendo a necessidade de “reunir o maior consenso possível dentro de Taiwan” para que o partido tenha uma “representação mais legítima no outro lado do estreito”.

Cheng não excluiu a possibilidade de visitar a China continental nem de se encontrar com Xi Jinping: “Estou disposta a fazer qualquer trabalho e a reunir-me com quem for necessário”, declarou, rejeitando, no entanto, que o KMT venha a adoptar uma posição pró-reunificação sob a sua liderança.

“Todos os candidatos nestas primárias afirmaram ser chineses. A minha posição sobre as relações através do estreito sempre foi coerente e resiste a qualquer escrutínio. É, além disso, a posição histórica do Kuomintang”, afirmou a dirigente, cujo partido tem como nome oficial em mandarim “Partido Nacionalista Chinês”.

Mensagem do Norte

Após a vitória de Cheng nas primárias, Xi Jinping enviou-lhe uma mensagem de felicitações, na qual manifestou a esperança de que o KMT e o Partido Comunista Chinês “reforcem a sua base política comum” e unam “a grande maioria do povo taiwanês para aprofundar os intercâmbios e a cooperação, impulsionar o desenvolvimento conjunto e avançar rumo à reunificação nacional”.

Na mensagem, divulgada pela agência noticiosa oficial Xinhua, Xi apelou também à salvaguarda da “casa comum da nação chinesa” e dos “interesses fundamentais da população de ambos os lados do estreito”.

Cheng, por sua vez, respondeu que os habitantes da China e de Taiwan “fazem parte da mesma nação chinesa” e defendeu que os dois partidos devem reforçar os intercâmbios e a cooperação para “promover a paz e a estabilidade”, segundo a mesma fonte. A líder do KMT tomará posse a 01 de Novembro, durante o congresso nacional do partido.

21 Out 2025

Taiwan | China diz que “separatismo” está “condenado ao fracasso”

A tentativa fracassada de destituir sete deputados da oposição de Taiwan demonstra que o “separatismo” favorável à “independência” da ilha “vai contra a vontade do povo e está condenado ao fracasso”, afirmou ontem o Governo Chinês.

Centenas de milhares de taiwaneses foram às urnas no sábado para votar a destituição de sete deputados do Kuomintang (KMT), o principal partido da oposição de Taiwan, no âmbito da segunda volta de um referendo revogatório realizada no território.

De acordo com dados da Comissão Eleitoral Central, nenhuma das sete propostas de destituição atingiu o limite mínimo de 25 por cento dos votos favoráveis no respectivo distrito, nem conseguiu reunir mais votos positivos do que negativos.

A votação fazia parte da segunda volta de um referendo destinado a destituir 31 dos 39 legisladores do KMT eleitos por voto directo em Janeiro de 2024.

Na primeira volta, realizada em 26 de Julho, nenhuma das 24 iniciativas de destituição prosperou, o que representou um duro revés para o Partido Democrático Progressista (PDP) no poder, que procurava recuperar o controlo de um Parlamento dominado pelo KMT e pelo minoritário Partido Popular de Taiwan (PPT).

“Depois da primeira volta da votação, em 26 de Julho, o povo de Taiwan voltou a dizer ‘não’ à maliciosa farsa política do PDP”, declarou ontem o porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Executivo chinês, Zhu Fenglian, em declarações recolhidas pela agência Xinhua.

25 Ago 2025

Taiwan | Líder de apela ao “não” em referendo sobre nuclear

O líder de Taiwan, William Lai, apelou aos taiwaneses para que, no referendo de 23 de agosto, votem contra a reactivação da última central nuclear na ilha, localizada no condado de Pingtung (sul), noticiou o Taipei Times. Lai assegurou que a realização do referendo antes de o Governo poder efectuar avaliações de segurança é “uma negação” do direito da população a tomar “decisões informadas”. “Irei às urnas no sábado da próxima semana para votar ‘não’, como todos nós devemos fazer”, disse o dirigente na quarta-feira.

O referendo, promovido pelos dois principais partidos da oposição, o Kuomintang (KMT) e o Partido Popular de Taiwan (TPP), coloca a seguinte questão: “Concorda que a central nuclear de Maanshan continue a funcionar após a aprovação pela autoridade competente e confirmação de que não existem problemas de segurança?”

De acordo com a lei taiwanesa relativa aos referendos, a proposta de reactivação da central é aprovada se os votos a favor superarem os contra e representarem, pelo menos, um quarto de todos os eleitores elegíveis.

O encerramento do reactor número 2 da central de Maanshan, em Maio, marcou o fim da energia nuclear em Taiwan, após o desmantelamento progressivo dos reactores das centrais de Chinshan e Kuosheng – ambas localizadas no distrito norte de Nova Taipé – entre 2018 e 2023.

15 Ago 2025

Pequim acusa Taipé de entregar activos estratégicos aos EUA

Pequim acusou ontem Taiwan de ceder aos EUA e entregar activos estratégicos como a TSMC, após Washington sugerir um investimento de 300 mil milhões de dólares no Arizona, onde a empresa já tem fábrica. A porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, afirmou que uma operação desta dimensão “afectaria gravemente” a economia taiwanesa e reduziria a “capacidade de desenvolvimento autónomo” da ilha.

“Quando a TSMC foi forçada a anunciar um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, já provocou inquietação no sector e mal-estar na população da ilha. Se se concretizar a cifra de 300 mil milhões, o impacto será enorme”, disse Zhu, em conferência de imprensa.

A responsável acusou Washington de “esvaziar” a indústria taiwanesa e o Partido Democrático Progressista (PDP, no poder na ilha) de ser “o principal cúmplice” pelo papel nas negociações comerciais e na política industrial.

Segundo Zhu, as autoridades taiwanesas “não só cederam antes de negociar em matéria pautal, como entregaram voluntariamente ativos estratégicos de Taiwan como a TSMC”. A porta-voz instou o PDP a “rectificar” e a pôr fim à sua estratégia “traidora”.

14 Ago 2025

Taiwan | Pequim classifica William Lai de “belicista” por exagerar ameaça chinesa

A China acusou ontem o líder de Taiwan, William Lai, de “belicismo” e “separatismo”, por “exagerar a ameaça chinesa” durante um discurso na terça-feira, na abertura do Fórum Ketagalan, dedicado a temas de segurança, em Taipé.

A porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, afirmou que Lai “aderiu obstinadamente à posição separatista da independência de Taiwan e à estratégia errada de depender de potências estrangeiras para procurar a independência”.

Zhu acusou o líder taiwanês de “promover a falsa narrativa de democracia contra autoritarismo” e de revelar a sua “verdadeira natureza de sabotador da paz, belicista e provocador”. Segundo a responsável, durante o primeiro ano do seu mandato, Lai impulsionou a “desvinculação e ruptura dos laços através do Estreito [de Taiwan], prejudicando os intercâmbios e interacções”.

“Lai negligenciou a economia e o bem-estar da ilha, traindo sem escrúpulos Taiwan, prejudicando os seus interesses e enfraquecendo a sua economia”, acrescentou. A porta-voz advertiu ainda que “quem persegue a independência de Taiwan e o separatismo acabará inevitavelmente por provocar a sua própria destruição”.

No seu discurso, William Lai afirmou que o orçamento da Defesa de Taiwan representará cerca de 3 por cento do Produto Interno Bruto em 2026, valor semelhante ao deste ano, reiterando o compromisso em manter o “status quo” e garantir a “paz e estabilidade” no Estreito.

8 Ago 2025