Segurança | RAEM acusa Taiwan de manipulação política

O Governo de Macau criticou no sábado a decisão de Taiwan de elevar o nível de alerta de viagem para a China continental, aconselhando a população a evitar essas deslocações O Executivo manifestou forte insatisfação e repúdio e acusou as autoridades de Taiwan de terem uma “intenção sinistra” ao incluírem Macau em manipulações políticas

 

Num comunicado emitido na madrugada de sábado, pelo Gabinete de Comunicação Social, o Governo da RAEM manifestou “veemente a sua forte insatisfação e o repúdio” face à elevação do nível de alerta pelas autoridades de Taiwan para quem viajar para o Interior da China, Macau e Hong Kong, após a divulgação de directrizes pelas autoridades judiciais chinesas, no passado dia 21 de Junho.

O Supremo Tribunal Popular emitiu directrizes para tribunais, procuradores e organismos de segurança pública e estatal da China no sentido de “punir severamente os defensores da independência de Taiwan por dividirem o país e incitarem a crimes de secessão, de acordo com a lei, e defender resolutamente a soberania nacional, a unidade e a integridade territorial”, indicou a agência estatal Xinhua.

O Executivo de Ho Iat Seng indicou que as “autoridades da região de Taiwan” usaram o “pretexto de elevar o nível de alerta de viagem para denegrir arbitrariamente a construção do sistema jurídico da defesa da segurança nacional de Macau e distorcerem a actual situação de desenvolvimento político e social de Macau”.

O Governo da RAEM acusa ainda “as autoridades da região de Taiwan de ignorarem os factos, difamarem publicamente o Estado de Direito e a situação dos direitos humanos em Macau, criando tendenciosamente pânico na ilha, destruindo o intercâmbio entre a população de Macau e de Taiwan, o que demonstra a sua intenção sinistra e o meio vil”.

Como tal, é apelado às autoridades de Taiwan que deixem de usar Macau em campanhas de manipulação política.

Cidade internacional

O Executivo de Ho Iat Seng sublinha também que a lei relativa à defesa da segurança do Estado “se destina e sanciona um número muito reduzido de pessoas que pretendem pôr em risco a segurança do Estado e de Macau”, e que “os turistas em geral que visitam a cidade não precisam de se preocupar com a possibilidade de caírem, por engano, nas malhas da justiça”.

É ainda vincado que Macau “continua a ser uma das cidades internacionais de turismo e lazer mais seguras e economicamente a mais dinâmica do mundo, o número de visitantes aumenta constantemente, e o seu desempenho económico é plenamente reconhecido e com grande expectativa do Fundo Monetário Internacional”.

1 Jul 2024

Taiwan | Pequim diz que independência equivale a declaração de guerra

A China advertiu ontem que uma eventual independência de Taiwan seria equivalente a uma declaração de guerra e que não haverá paz em caso de secessão. O exército chinês “assume a missão sagrada de proteger a soberania e a integridade territorial do país”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Wu Qian, numa conferência de imprensa em Pequim, citado pelo jornal oficial Diário do Povo.

Wu afirmou que as forças chinesas “sempre estiveram alerta para derrotar todas as tentativas de secessão” na ilha e atentas para “impedir a interferência de todas as forças externas”. “A reunificação da pátria é uma tendência histórica imparável”, afirmou, segundo a agência espanhola EFE.

A advertência de Wu surge no meio de uma tensão crescente na sequência da tomada de posse, a 20 de Maio, do líder da ilha, William Lai. O Ministério da Defesa da China avisou recentemente que voltará a “tomar contramedidas” se as “forças secessionistas que procuram a independência continuarem a provocar”. Esta política será mantida “até que a reunificação completa do país seja alcançada”, disse o ministério.

31 Mai 2024

Taiwan | China lança manobras militares contra “forças independentistas”

A China lançou ontem manobras militares “ao redor” de Taiwan, três dias após a tomada de posse do novo líder da ilha, William Lai Ching-te, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua. “Os exercícios estão a decorrer no Estreito de Taiwan, no norte, sul e leste da ilha de Taiwan, bem como em áreas em torno das ilhas de Kinmen, Matsu, Wuqiu e Dongyin”, disse a Xinhua.

A agência acrescentou que os exercícios, programados para durar dois dias, começaram às 07:45. Num comunicado, o porta-voz do Comando do Teatro Oriental das forças armadas da China descreveu as manobras de ontem como um “castigo severo” contra o que disse serem as “forças independentistas de Taiwan”.

Esta é uma “punição severa para os actos separatistas das forças da ‘independência de Taiwan’ e uma advertência severa contra a interferência e provocação de forças externas”, disse Li Xi, citado pela Xinhua.

William Lai assumiu a liderança da ilha em substituição de Tsai Ing-wen (2016-2024), também do Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês), na segunda-feira. No discurso de tomada de posse, Lai disse que “a paz não tem preço e a guerra não tem vencedores”, e deixou clara a intenção de manter o actual status quo entre os dois lados do Estreito e não declarar a independência de Taiwan.

24 Mai 2024

Líder de Taiwan acusado pela imprensa chinesa de “promover descaradamente independência”

A imprensa oficial chinesa acusou ontem o novo líder de Taiwan, William Lai, de “provocar o confronto” e “promover descaradamente a independência” do território no seu discurso de tomada de posse. Em editorial, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, acusou Lai de “incitamento ao ódio contra o povo chinês” e de “unir-se em torno da bandeira da independência de Taiwan”.

Lai “promoveu vigorosamente falácias separatistas, incitou ao confronto e à hostilidade entre os dois lados do Estreito de Taiwan”, lê-se no editorial, que denunciou o discurso “repleto de retórica provocatória”. Em particular, o Diário do Povo condenou o apoio de Lai à teoria dos dois Estados e à ideia de que a ilha não está subordinada à República Popular da China.

O jornal oficial das Forças Armadas chinesas, o PLA Daily, observou que as palavras de Lei “estão repletas de intenções sinistras” e acusou o novo líder em Taiwan de “procurar a independência através de meios externos e de utilizar a força militar para a conseguir, revelando mais uma vez a sua posição obstinada sobre a ‘independência de Taiwan’”.

O artigo advertiu que as palavras de Lai só serviriam para dividir ainda mais a ilha do continente e aumentar as tensões entre as duas partes. William Lai afirmou no seu discurso inaugural que a República da China e a República Popular da China “não estão subordinadas uma à outra” e que a soberania da ilha cabe aos seus 23 milhões de habitantes.

A agência noticiosa oficial Xinhua advertiu que “quem brinca com o fogo, queima-se”. O Diário do Povo acusou o líder de estar “há muito envolvido em actividades separatistas, mas fingir ser um defensor da paz”. “Este é o acto mais descarado e sem escrúpulos”, acusou.

O jornal oficial do regime chinês escreveu que a nação chinesa partilha a convicção de que “o seu território não pode ser dividido, o seu Estado não pode ser caótico, o seu povo não pode ser disperso e a sua civilização não pode ser quebrada”. “Esta é uma necessidade histórica e uma lógica interna que conduzirá inevitavelmente à reunificação da China”, afirmou.

22 Mai 2024

Taiwan | Pequim impõe sanções a empresas dos EUA que vendem armas

A China impôs novas sanções contra três empresas dos EUA que vendem armas a Taiwan, avançou ontem a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, no dia em que o novo líder da ilha, William Lai Ching-te, tomou posse. As empresas General Atomics Aeronautical Systems, General Dynamics Land Systems e Boeing Defense, Space & Security foram colocadas na lista de “entidades não confiáveis”, informou a agência, citando o Ministério do Comércio chinês.

As empresas “serão proibidas de qualquer actividade de importação-exportação ligada à China e de qualquer novo investimento na China”, de acordo com a Xinhua. “Os principais executivos destas empresas estão proibidos de entrar na China e as suas autorizações de trabalho serão revogadas”, acrescentou a agência.

O anúncio surgiu no dia em que William Lai assumiu o cargo de líder de Taiwan, substituindo Tsai Ing-wen (2016-2024). Lai, de 64 anos, tomou posse ao lado da vice-líder, Hsiao Bi-khim, durante uma cerimónia na capital, Taipé. Pequim defende que qualquer contacto oficial com Taipei deve ser realizado com base no “consenso de 1992” e no “princípio de Uma Só China”, que define o Partido Comunista Chinês como o único representante legítimo da China no mundo.

21 Mai 2024

Taiwan | Pequim adverte que busca pela independência é “um beco sem saída”

A China advertiu ontem que os esforços para alcançar a independência conduziriam Taiwan a um “beco sem saída”, após a tomada de posse do novo líder do território, William Lai. “A independência de Taiwan é um beco sem saída”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, em conferência de imprensa.

“Independentemente da forma ou da bandeira que assuma, a busca da independência e da secessão de Taiwan está condenada ao fracasso”, acrescentou o porta-voz. O território de 23 milhões de habitantes opera como uma entidade política soberana, com diplomacia e exército próprios, apesar de oficialmente não ser independente.

Lai foi descrito por Pequim como um “separatista perigoso” pelas suas declarações anteriores a favor da independência de Taiwan, embora o novo líder tenha suavizado a sua retórica e, no discurso da tomada de posse se tenha comprometido a manter o status quo, sem declarar independência. Antes da tomada de posse de Lai, o Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês declarou que “a independência de Taiwan e a paz no Estreito” eram “como a água e o fogo”.

21 Mai 2024

Taiwan | Pequim anuncia “medidas disciplinares” contra taiwaneses por “espalharem boatos”

O Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo) da China anunciou ontem que vai tomar “medidas disciplinares” contra cinco pessoas na ilha por “divulgarem informações falsas” sobre Pequim.

O porta-voz do Gabinete, Chen Binhua, disse em conferência de imprensa que “certos indivíduos em Taiwan ignoraram as realizações e os progressos da China continental”, o que, segundo ele, “induziu em erro alguns cidadãos da ilha, fomentando a hostilidade e prejudicando as relações entre os dois lados do estreito”.

O porta-voz respondia a uma pergunta que se referia a declarações de algumas pessoas influentes na ilha que afirmaram que os assentos dos comboios de alta velocidade na China não têm encostos ou que os cidadãos chineses são tão pobres que não se podem dar ao luxo de comprar ovos cozidos mergulhados em chá.

Chen recordou que “qualquer acto de fabricação ou difusão de rumores que perturbe a ordem social e prejudique a honra e os interesses do país enfrentará consequências legais”. O porta-voz afirmou que as autoridades chinesas vão adoptar “medidas disciplinares” contra Huang Shicong, Li Zhenghao, Wang Yi-chuan, Yu Beichen e Liu Baojie, bem como contra os seus familiares.

16 Mai 2024

Pequim volta a autorizar viagens para Taiwan a partir da província de Fujian

A China anunciou no domingo que vai voltar a permitir residentes da província de Fujian a visitar Taiwan, visando estimular a interacção e atenuar a tensão entre os dois lados do Estreito da Formosa.

A medida, que entra em vigor na quinta-feira, vai permitir que residentes de Fujian visitem as ilhas Matsu, controladas por Taiwan, por motivos de turismo e negócios. Numa segunda fase, vão ser autorizadas viagens de grupo a outras partes de Taiwan, informou o Ministério da Cultura e do Turismo chinês, no domingo.

O porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Governo chinês, Zhu Fenglian, instou Taiwan, no mesmo dia, a considerar os interesses do público e das companhias turísticas de ambos os lados do Estreito para retomar todos os voos directos e viagens marítimas o mais rapidamente possível.

“Apesar do regresso parcial das rotas aéreas e marítimas directas no ano passado, após a China levantar as restrições relativas à covid-19, as opções de voos continuam a ser limitadas e os serviços marítimos directos de passageiros ainda não foram retomados”, afirmou Zhu.

A Administração Geral das Alfândegas da China também anunciou no domingo que vai aprovar a importação de toranja e outros produtos agrícolas e de pesca de Taiwan, desde que cumpram os requisitos do continente chinês.

Em resposta à retoma do turismo entre Fujian e Matsu, o Conselho de Taiwan para os Assuntos Continentais – organismo responsável pelas relações com a China – criticou a decisão das autoridades de Pequim de “reduzir grosseiramente os objectivos iniciais” do plano de intercâmbio turístico entre os dois lados do Estreito.

“Apenas os residentes de Fujian estão autorizados a visitar Matsu, mas não Kinmen e Penghu”, declarou o organismo num comunicado, no qual sublinhou ainda que os princípios chineses de “abertura recíproca” do turismo não estão a ser respeitados.

O ministro do Interior de Taiwan, Lin Yu-chang, afirmou que “os intercâmbios equitativos” entre as duas margens do estreito são uma “expectativa e um consenso partilhados” pelo povo taiwanês, mas que esses intercâmbios, acrescentou, devem ser “sem condições prévias ou considerações políticas”.

Resultados imediatos

A abertura das exportações agrícolas e da pesca e a retoma das viagens entre Fujian e Matsu coincidiram com uma viagem à China de um grupo de deputados do Kuomintang (KMT), o principal partido da oposição de Taiwan.

Liderado por Fu Kun-chi, líder do grupo do KMT no Yuan Legislativo (parlamento taiwanês), o grupo de dezassete deputados reuniu-se com Wang Huning, presidente da Conferência Consultiva do Povo Chinês, e Song Tao, director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, no sábado.

“Somos todos chineses e pertencemos à mesma família”, afirmou Wang durante a reunião. Após regressar a Taipé, Fu afirmou que, depois da “maratona de conversações” e da “coordenação constante” entre o KMT e as autoridades de Pequim, “registaram-se melhorias extraordinárias no turismo e na [exportação de] produtos agrícolas”.

“Após o distanciamento dos últimos oito anos, é possível obter resultados frutuosos num curto espaço de tempo. É claro que isto é apenas o início e vamos continuar a trabalhar arduamente”, afirmou o deputado da oposição, segundo a agência noticiosa estatal CNA.

30 Abr 2024

Taiwan | Terramoto de magnitude 5,6 não causa vítimas

Um terramoto de magnitude 5,6 atingiu ontem a costa oriental de Taiwan e, até ao momento, não se registaram vítimas mortais nem danos materiais graves, segundo a Agência Meteorológica Central de Taiwan (CWA).

O sismo ocorreu às 10:40 locais no Oceano Pacífico, 55,9 quilómetros a sudeste da cidade oriental de Hualien, a uma profundidade de 30 quilómetros, segundo a agência Efe. O abalo foi sentido em toda a ilha de Taiwan e nas Ilhas dos Pescadores, tendo sido mais forte nos condados de Hualien, Taitung (leste), Nantou (centro) e Changhua (oeste).

A este terramoto seguiu-se, pouco depois, outro de magnitude 4,6 ao largo da costa do norte do condado de Hualien, a uma profundidade de 24,8 quilómetros. Ainda que não tenham sido registadas vítimas mortais nem danos materiais importantes, o sismo provocou deslizamentos de rochas em vários troços de uma autoestrada, obrigando ao envio de máquinas para desobstruir a estrada.

A 3 de Abril, o condado de Hualien foi atingido por um terramoto de magnitude 7,2, o mais forte registado em Taiwan nos últimos 25 anos, causando 17 mortos, 1.100 feridos e elevados prejuízos nos setores do turismo e da educação da região.

Desde então, a CWA registou cerca de 1.000 réplicas de magnitude variável, sendo a de ontem a mais forte desde 3 de Abril. Taiwan situa-se ao longo do “Anel de Fogo” do Pacífico, a linha de falhas sísmicas que circunda o Oceano Pacífico e onde ocorre a maior parte dos terramotos do mundo.

22 Abr 2024

Taiwan | Xi avisa que “interferência externa” não pode impedir reunificação

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem, num encontro com o antigo líder taiwanês Ma Ying-jeou (2008-2016), que a “interferência externa” não pode impedir a reunificação de Taiwan com a China.

“As diferenças entre os nossos sistemas [políticos] não podem alterar o facto objectivo de pertencermos ao mesmo país e à mesma nação”, disse Xi Jinping, de acordo com um vídeo transmitido pelo canal taiwanês TVBS. “A interferência externa não será capaz de impedir a grande causa histórica do nosso encontro”, sublinhou.

Xi recebeu ontem Ma Ying-jeou, responsável pela maior aproximação entre China e Taiwan desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949. O encontro emula a cimeira histórica entre os dois em Singapura, em 2015, mas num contexto diferente, devido ao aumento das tensões entre Taipé e Pequim. Ma, antigo presidente do partido Kuomintang (KMT), actualmente na oposição, está na China para uma digressão que incluiu actividades em várias cidades, incluindo Pequim.

11 Abr 2024

Taiwan | Ma Ying-jeou disposto a reunir-se com Xi Jinping

O antigo líder de Taiwan, Ma Ying-jeou, está disposto a reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, durante a sua viagem à China continental, prevista para o início de Abril, disse ontem um dos seus assessores. Este seria o primeiro encontro entre os dois desde a histórica reunião de Singapura em 2015.

Segundo Hsiao Hsu-tsen, director executivo da Fundação Ma Ying-jeou, o antigo líder taiwanês (2008-2016) não exclui a possibilidade de se encontrar com o seu “velho amigo” do continente, referindo-se à reunião de Singapura, que marcou a primeira ocasião em que os líderes da China e de Taiwan se encontraram desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949.

“Ma está fora do poder há oito anos e não ocupa nenhum cargo no partido [Kuomintang, actualmente na oposição] ou na função pública. É um cidadão comum. No entanto, como construímos juntos esta importante história em 2015, é claro que gostaríamos de ver o nosso velho amigo”, disse Hsiao.

Relativamente ao conteúdo deste eventual encontro, que dependerá da disponibilidade da parte chinesa para acolher a viagem, Hsiao disse que Ma, independentemente da pessoa com quem se encontrar, transmitirá os “desejos” da sociedade taiwanesa de abraçar a paz e evitar um conflito armado com a República Popular da China.

O antigo líder taiwanês, de 73 anos, acompanhará um grupo de estudantes à China entre os dias 1 e 11 de Abril, uma viagem que inclui paragens nas províncias de Guangdong (sul) e Shaanxi (noroeste), bem como na cidade de Pequim, o que tem alimentado rumores de um possível encontro com Xi.

Maior cooperação

Ma, que se tornou o primeiro ex-líder taiwanês a visitar a República Popular em Março do ano passado, apelou durante a sua anterior visita a mais intercâmbios entre estudantes chineses e taiwaneses porque “partilham a mesma cultura e identidade étnica”.

O responsável taiwanês, Chen Chien-jen, do Partido Democrático Progressista (DPP), afirmou ontem que o governo de Taiwan “respeita” a viagem de Ma à China, aconselhando-o a ser cauteloso nas suas interações com os funcionários chineses.

“Espero que ele tenha em conta e esteja à altura das expectativas do povo taiwanês em matéria de soberania, democracia, Estado de Direito e outros valores durante a sua visita”, disse Chen, acrescentando que o governo taiwanês prestará a assistência necessária ao antigo líder.

27 Mar 2024

Taiwan | Antigo líder Ma Ying-jeou desloca-se a Pequim em Abril

O antigo líder de Taiwan Ma Ying-jeou (2008-2016) vai visitar novamente a China continental, no início de Abril, numa deslocação que vai incluir uma paragem em Pequim, foi ontem anunciado.

Numa declaração à imprensa, o director executivo da Fundação Ma Ying-jeou, Hsiao Hsu-tsen, disse que o antigo líder do Partido Kuomintang (KMT), agora na oposição, vai acompanhar um grupo de estudantes numa deslocação à China entre 1 e 11 de Abril, na segunda viagem ao continente desde que deixou o cargo.

O itinerário de Ma inclui actividades em Pequim e nas províncias de Cantão e Shaanxi, disse Hsiao, esclarecendo que os possíveis encontros do antigo líder de Taiwan com figuras políticas na China vão depender da vontade dos anfitriões.

O Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado da China deu “boas-vindas” à visita de Ma. O porta-voz do Gabinete, Chen Binhua, manifestou “esperança de que os compatriotas de ambos os lados do estreito de Taiwan promovam o rico património cultural da China”, descrevendo a viagem como “uma oportunidade” para “reforçar a compreensão mútua e a ligação espiritual entre os jovens de ambos os lados do estreito” e “contribuir para o desenvolvimento pacífico das relações”.

Chen referiu que a delegação liderada por Ma vai participar no Dia do Finados, no qual os chineses prestam homenagem a entes queridos falecidos, numa cerimónia em honra do imperador Amarelo, considerado um dos pioneiros da civilização chinesa.

Ma, que se tornou o primeiro líder de Taiwan a visitar a República Popular da China em Março do ano passado, pediu um maior intercâmbio entre estudantes chineses e taiwaneses durante a anterior visita, por “partilharem a mesma cultura e identidade étnica”.

26 Mar 2024

Taiwan | China reitera “reunificação pacífica” e ‘linha vermelha’ da independência

O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou ontem que Pequim quer a “reunificação pacífica” de Taiwan “com total boa-fé” e que a ‘linha vermelha’ é a oposição firme a qualquer tentativa da ilha de obter independência.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, disse em conferência de imprensa que a “região Ásia – Pacífico deve ser uma zona de desenvolvimento pacífico” e “não um palco de confrontos geopolíticos”, lembrando que Taiwan “faz parte da China” e é um “assunto interno” do país asiático.

Lin reagiu assim às declarações do chefe do Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos, o almirante John Aquilino, que declarou na quarta-feira acreditar que o Exército chinês estará pronto para invadir Taiwan em 2027 e que as Forças Armadas chinesas simulam há anos operações contra a ilha, incluindo bloqueios marítimos e aéreos.

O porta-voz da diplomacia chinesa advertiu que a “determinação, vontade e capacidade do povo chinês” para “defender a sua soberania nacional e integridade territorial” não devem “ser subestimadas”.

22 Mar 2024

Taiwan | Vice-líder do KMT no continente pela segunda vez

Andrew Hsia, vice-líder do Kuomintang (KMT), o principal partido da oposição em Taiwan, anunciou ontem que vai realizar nova deslocação à China continental, a segunda em menos de um mês.

Citado pela imprensa da ilha, o também antigo ministro dos Assuntos Continentais de Taiwan (2015-2016) disse que se vai deslocar esta semana à cidade de Chongqing, acompanhado por vários membros do Departamento dos Assuntos Continentais do partido, principalmente para desejar bom ano novo aos empresários taiwaneses na região.

A visita de sete dias, que incluirá ainda paragens em cidades como Chengdu, Jinan e Qingdao, tem como objectivo “trocar impressões” com pessoas da região, sublinhou o vice-líder o KMT, que negou ir negociar “o que quer que seja” em nome do governo de Taiwan, actualmente liderado pelo Partido Democrático Progressista (DPP).

O líder do KMT, Eric Chu, encarregou Hsia de tratar dos assuntos internacionais e das relações entre os dois lados do Estreito de Taiwan, disse o vice-líder da oposição, quando questionado sobre a frequência das deslocações à China.

“Somos todos amigos, por isso não há nada de estranho em nos encontrarmos”, disse Hsia. O dirigente também se defendeu das críticas do DPP a estas visitas, dizendo que a única intenção da viagem para a China continental é que “o outro lado compreenda os sentimentos do povo taiwanês”.”Actualmente, só o partido no poder, e não a oposição, pode trair Taiwan”, afirmou o vice-líder do KMT.

14 Mar 2024

China pede que EUA não vendam armas a Taiwan

A China pediu aos Estados Unidos que interrompam a venda de armas e o contacto militar com Taiwan, disse esta quinta-feira Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Segundo notícias que vieram a público, o Departamento de Defesa norte-americano informou num comunicado que o Departamento de Estado aprovou a venda de um sistema avançado de link de dados táctico para Taiwan no valor de 75 milhões de dólares norte-americanos, informa a agência estatal Xinhua.
Em resposta, a porta-voz apontou numa conferência de imprensa que as vendas de armas dos EUA para a região chinesa de Taiwan violam seriamente o princípio de Uma Só China e as estipulações dos três comunicados conjuntos China-EUA, especialmente o Comunicado de 17 de Agosto de 1982.
“Essas vendas minam a soberania e os interesses de segurança da China e prejudicam as relações China-EUA, bem como a paz e a estabilidade através do Estreito de Taiwan”, afirmou Mao, observando que Pequim se opõe firmemente a isso, acrescenta a Xinhua.
O país pede que os Estados Unidos respeitem o princípio de Uma Só China e os três comunicados conjuntos China-EUA, interrompam a venda de armas e o contacto militar com Taiwan e parem de criar factores que possam aumentar as tensões através do Estreito.
“A China tomará medidas resolutas e fortes para salvaguardar sua soberania e integridade territorial”, acrescentou a porta-voz.

Congressistas de visita
Uma delegação da comissão da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do parlamento dos Estados Unidos, chegou ontem a Taiwan para uma visita de três dias. A comitiva de cinco deputados é liderada pelo presidente da comissão, o republicano Mike Gallagher, e pelo democrata sénior na comissão, Raja Krishnamoorthi. A delegação irá permanecer em Taiwan por três dias e reunir-se com Tsai Ing-wen, com o líder eleito, William Lai Ching-te, e com o responsável dos Negócios Estrangeiros, Joseph Wu Jaushieh, disse a diplomacia taiwanesa, num comunicado.

25 Fev 2024

Taiwan | Pequim condena encontro de William Lai com antigos funcionários dos EUA

A China condenou ontem o encontro entre o líder eleito de Taiwan, William Lai, com uma delegação de antigos funcionários norte-americanos que visitaram a ilha após as eleições de sábado passado.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou em conferência de imprensa que as eleições em Taiwan “são um assunto interno da China” e que o Governo chinês “se opõe firmemente a qualquer contacto oficial entre os Estados Unidos e Taiwan”, bem como a “qualquer interferência dos EUA” nos assuntos da ilha. Mao exortou os EUA a reconhecerem “a complexidade e a sensibilidade” da questão de Taiwan e a “respeitarem fielmente o princípio ‘Uma só China’”.

A porta-voz pediu ainda a Washington que actue com “prudência e cautela” nas questões relacionadas com Taiwan, “para não prejudicar de forma alguma o princípio ‘Uma só China’” e “para não enviar quaisquer sinais errados às forças separatistas” de Taiwan.

Lai, também líder do Partido Democrático Progressista (DPP), no poder, reuniu-se com o antigo conselheiro de segurança nacional Stephen Hadley (2001-2009) e o antigo vice-secretário de Estado James Steinberg (2009-2017) na sede do partido, informou ontem a agência oficial da ilha, CNA.

16 Jan 2024

Pequim “aprecia” a decisão de Nauru de cortar laços com Taiwan

A China manifestou ontem o seu “apreço” pela decisão do governo de Nauru, uma pequena nação insular do Pacífico Sul, de cortar relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer a República Popular da China.

“Como país soberano e independente, Nauru declarou o seu reconhecimento do princípio ‘Uma só China’, cortou as suas chamadas relações diplomáticas com as autoridades de Taiwan e manifestou a sua disponibilidade para retomar as relações diplomáticas com a China”, afirmou o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em comunicado. “A China aprecia e saúda a decisão do governo de Nauru”, acrescentou o comunicado do ministério.

O Governo chinês disse estar pronto para “abrir um novo capítulo” nas relações entre os dois países, agora que Nauru se tornou a mais recente nação da Oceânia a reconhecer Pequim como o único governo legítimo de toda a China.

O Governo de Nauru sublinhou ontem, numa breve declaração, que o país reconhece o princípio de ‘Uma só China’ e pretende reatar relações diplomáticas plenas com Pequim. A nação insular argumentou que a mudança de política é um primeiro passo para “promover o desenvolvimento” da pequena república oceânica.

16 Jan 2024

Taiwan | EUA não apoiam independência, mas mantém interferência

O Presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou ontem que os Estados Unidos não apoiam a independência de Taiwan. “Não apoiamos a independência”, sintetizou Biden aos jornalistas à saída da Casa Branca. Washington não reconhece Taiwan como um Estado e consideram a República Popular da China como o único governo legítimo, mas fornecem à ilha uma ajuda militar substancial.

Por seu lado, num comunicado, o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, felicitou Lai e os taiwaneses pelo “sólido sistema democrático”. “Os Estados Unidos felicitam Lai pela vitória nas eleições de Taiwan. Felicitamos igualmente o povo de Taiwan por ter demonstrado uma vez mais a força do seu sistema democrático e do seu sólido processo eleitoral”, declarou o Secretário de Estado norte-americano, adiantando que Washington planeia enviar uma “delegação informal” à ilha após a votação.

“Os Estados Unidos estão empenhados em manter a paz e a estabilidade no Estreito [de Taiwan] e na resolução pacífica das divergências, sem pressões nem coações”, acrescentou. Blinken afirmou ainda que esperava trabalhar com William Lai no futuro para fazer “avançar os interesses e valores comuns” e para “continuar a relação não oficial de longa data de uma forma coerente” com a posição oficial dos EUA.

Estas declarações não caíram bem em Pequim, que respondeu através de um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. “A declaração do Departamento de Estado dos EUA sobre as eleições na região chinesa de Taiwan viola gravemente o princípio de uma só China e os três comunicados conjuntos China-EUA. A decisão vai contra o compromisso político dos EUA de manter apenas relações culturais, comerciais e outras relações não oficiais com a região de Taiwan e envia um sinal gravemente errado às forças separatistas da ‘independência de Taiwan’. Deploramos e opomo-nos firmemente a esta atitude, tendo feito diligências sérias junto dos EUA”, afirmou o porta-voz.

“A questão de Taiwan está no centro dos interesses fundamentais da China e é a primeira linha vermelha que não deve ser ultrapassada nas relações entre a China e os EUA. O princípio de uma só China é uma norma básica nas relações internacionais, um consenso prevalecente entre a comunidade internacional e a base política das relações entre a China e os EUA”, continuou o porta-voz.

O porta-voz disse ainda que a China se opõe firmemente a que os EUA tenham qualquer forma de interação oficial com Taiwan e interfiram nos assuntos de Taiwan de qualquer forma ou sob qualquer pretexto, e de não procurarem utilizar a questão de Taiwan como um instrumento para conter a China.

Delegação em Taipé

Entretanto, uma delegação informal dos Estados Unidos chegou ontem a Taipé, disse a representação norte-americana na ilha. Num comunicado, o Instituto Norte-americano em Taiwan (AIT, na sigla em inglês) revelou que a delegação será constituída pelo antigo conselheiro de Segurança Nacional Stephen J. Hadley e pelo antigo secretário de Estado adjunto James B. Steinberg.

O AIT sublinhou que “o Governo dos EUA pediu a antigos altos funcionários que viajassem a título privado para Taiwan”, algo que aconteceu “anteriormente após as eleições presidenciais” da ilha. A delegação será acompanhada pela presidente do instituto, Laura Rosenberger.

Na segunda-feira, os dirigentes irão reunir-se com “uma série de figuras políticas importantes e transmitirão as felicitações do povo norte-americano a Taiwan pelas eleições bem-sucedidas”, referiu o comunicado.

A delegação irá também sublinhar “o apoio à prosperidade e ao crescimento contínuos de Taiwan e o interesse de longa data na paz e estabilidade nos dois lados do Estreito”, acrescentou o AIT.

Alemanha e França defendem status quo

Alemanha e França apelaram ontem para o “respeito pelo status quo” após a vitória do candidato do Partido Democrático Progressista (DPP), William Lai, nas eleições realizadas no sábado em Taiwan. A França congratulou-se hoje com a realização das eleições em Taiwan e apresentou as “felicitações” aos eleitores e candidatos que participaram no “exercício democrático”, apelando simultaneamente, num comunicado de imprensa, ao “respeito pelo ‘status quo’ [o actual estado das situações]”.

“Estendemos as nossas felicitações a todos os eleitores e candidatos que participaram neste exercício democrático, bem como aos que foram eleitos”, sublinhou o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, sem mencionar o nome de William Lai. A declaração refere também que França reafirma “a importância crucial da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan”, além de apelar para “o respeito do ‘status quo’ por todas as partes”, esperando que seja “retomado o diálogo entre as duas margens do Estreito”.

“Taiwan é um parceiro importante para a Europa e para França, nomeadamente nos domínios económico, cultural, científico e tecnológico, e esperamos que, após estas eleições, os laços com a ilha continuem a reforçar-se, em conformidade com a nossa política de uma só China” (que reconhece oficialmente apenas a China continental), concluiu. Também a Alemanha insistiu ontem na preservação do ‘status quo’ em Taiwan, após as eleições, e apelou para que quaisquer mudanças só sejam efectuadas de “forma pacífica e concertada” com Pequim.

“Felicitamos todos os eleitores e candidatos que participaram nestas eleições, bem como os que foram eleitos”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado, sem felicitar pelo nome William Lai. “A Alemanha está a trabalhar para preservar o ‘status quo’ e criar confiança. O ‘status quo’ só pode ser alterado de forma pacífica e concertada”, acrescentou.

15 Jan 2024

Taiwan | William Lai é o novo líder, mas o seu partido perdeu maioria

O Partido Democrático Progressista conseguiu eleger o seu líder, mas sofreu uma considerável derrota ao perder a maioria de deputados no parlamento de Taiwan. Face aos resultados, Pequim afirma que o líder eleito não representa a maioria do povo de Taiwan.

William Lai Ching-te venceu as eleições para a liderança de Taiwan, com 40% (5.5 milhões de votos), no sábado, mas o seu Partido Democrático Progressista (PDP) não conseguiu manter a maioria legislativa, o que introduz uma nota de incerteza na sua presidência. Hou Yu-ih, do Kuomintang (KMT), ficou em segundo lugar, com 33,5% (4,7 milhões de votos), e Ko Wen-je, do Partido Popular de Taiwan (PPT), com 26,5% (3,7 milhões de votos), de acordo com a contagem da Comissão Eleitoral Central. A taxa de participação eleitoral foi de 71,9% – cerca de 14 milhões de pessoas – ligeiramente inferior aos 74,9% registados há quatro anos.

Há quatro anos, a Presidente Tsai Ing-wen, com Lai como seu vice, foi reeleita com um recorde de 8,2 milhões de votos – 57,1% dos votos – cerca de 19 pontos percentuais à frente do candidato do KMT, o que representa uma perda significativa de votos da parte do PDP, cujo revés nas eleições legislativas, o fez perder a sua maioria na legislatura de 113 lugares, ficando atrás do KMT. Segundo o sistema eleitoral de Taiwan, não existe segunda volta caso nenhum dos candidatos atinja os 50%. Ganha o que ficar em primeiro lugar, embora isso possa significar que não goza sequer do apoio de metade dos eleitores, como aconteceu no sábado.

O Kuomitang, principal partido da oposição, obteve 52 lugares, tendo o TPP obtido oito lugares e dois lugares para outros candidatos, uma situação que poderá dificultar ao PDP a aprovação de projectos de lei e a implementação de reformas importantes quando Lai assumir funções.

No sábado, Lai disse que o seu partido iria “rever humildemente” os resultados, sublinhando a necessidade de “construir um ambiente de comunicação, consulta, participação e cooperação” no parlamento.

Chang Chun-hao, cientista político da Universidade de Tunghai, em Taipé, afirmou ao South China Morning Post que o resultado das eleições legislativas poderá abrir caminho a políticas de promoção do intercâmbio com o continente, tais como a redução das restrições impostas aos estudantes e turistas do continente. “Dado que o PPT tem agora o poder de influenciar a legislatura, será difícil para o PDP apresentar políticas”, disse Chang.

“Com o KMT e o TPP a formarem uma maioria, isso também poderá significar um aumento das políticas que promovam a comunicação e os intercâmbios”, disse Chang, acrescentando que as políticas para a entrada de turistas e estudantes chineses do continente poderão ser flexibilizadas no futuro.

Hou, do KMT, apelou a um maior intercâmbio entre as duas margens do Estreito, nomeadamente em domínios como a educação e a cultura. No seu discurso de vitória, Lai pareceu adoptar um tom conciliatório em relação ao continente. “Temos de substituir o cerco pelo intercâmbio e o confronto pelo diálogo, a fim de alcançar a paz e a co-prosperidade, e a única saída é a paz, a igualdade e o diálogo democrático”, afirmou. “É a única forma de alcançar uma situação vantajosa para ambas as partes do Estreito de Taiwan”.

Nada muda para Pequim

Ainda no sábado, um porta-voz da China continental comentou no sábado os resultados das eleições para a liderança e para a legislatura de Taiwan. Chen Binhua, do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, afirmou que os resultados revelam que “o Partido Democrático Progressista não pode representar a opinião pública dominante na ilha”. Salientando que “Taiwan é Taiwan da China”, Chen afirmou que “as eleições não alterarão a paisagem básica e a tendência de desenvolvimento das relações entre o Estreito de Taiwan, não alterarão a aspiração comum dos compatriotas do outro lado do Estreito de Taiwan de estabelecer laços mais estreitos e não impedirão a tendência inevitável da reunificação da China”.

“A nossa posição relativamente à resolução da questão de Taiwan e à realização da reunificação nacional continua a ser coerente e a nossa determinação é tão firme como uma rocha. Aderiremos ao Consenso de 1992, que incorpora o princípio de uma só China, e opor-nos-emos firmemente às actividades separatistas que visam a ‘independência de Taiwan’, bem como à interferência estrangeira”, afirmou Chen.

Chen afirmou que o continente “trabalhará com os partidos políticos, grupos e pessoas relevantes de vários sectores em Taiwan para impulsionar os intercâmbios e a cooperação entre as duas margens do Estreito, reforçar o desenvolvimento integrado entre as duas margens do Estreito, promover conjuntamente a cultura chinesa e fazer avançar o desenvolvimento pacífico das relações entre as duas margens, bem como a causa da reunificação nacional.

Por seu lado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China também se pronunciou no sábado sobre o resultado das eleições na região de Taiwan. Reiterando as palavras de Chen Binhua, o porta-voz afirmou que “a questão de Taiwan é um assunto interno da China. Quaisquer que sejam as mudanças que ocorram em Taiwan, o facto básico de que existe apenas uma China no mundo e Taiwan faz parte da China não mudará; a posição do governo chinês de defender o princípio de uma só China”. Além disso, acrescentou “o consenso prevalecente da comunidade internacional sobre a defesa do princípio de uma só China e a adesão duradoura e esmagadora a este princípio não mudará”, também enquanto “âncora sólida para a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”.

15 Jan 2024

China apela aos EUA para não “se intrometerem” nas eleições de Taiwan

A China apelou ontem aos Estados Unidos para não “se intrometerem” nas eleições de Taiwan e disse opor-se “firmemente” aos laços entre Taipé e Washington, que anunciou o envio de uma delegação à ilha após a votação.

Os EUA “não devem interferir nas eleições na região de Taiwan, sob qualquer forma, de forma a evitar danos graves nas relações sino-norte-americanas”, disse Mao Ning, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa. “A China opõe-se firmemente a qualquer forma de intercâmbio oficial entre os Estados Unidos e Taiwan”, sublinhou. “Existe apenas uma China no mundo e Taiwan é parte inalienável da China”, frisou.

Os Estados Unidos, cujas relações com a China continuam muito tensas, vão enviar “uma delegação informal” a Taiwan depois das eleições marcadas para amanhã, anunciou na quarta-feira um alto funcionário norte-americano. Pedindo para não ser identificado, a mesma fonte alertou Pequim contra qualquer acto “provocador” após estas eleições cruciais.

Centro de interesses

Os comentários foram condenados na quinta-feira por Pequim. “A China expressa a sua profunda insatisfação e firme oposição aos comentários imprudentes dos Estados Unidos sobre as eleições na região de Taiwan”, disse Mao Ning.

“A questão de Taiwan está no centro dos interesses da China e constitui a primeira linha vermelha intransponível nas relações sino-americanas”, frisou. A China considera Taiwan uma das suas províncias, que ainda não conseguiu reunificar com o resto do seu território desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949.

Pequim diz ser a favor de uma reunificação “pacífica” com a ilha e é contra o aumento dos contactos entre líderes políticos norte-americanos e taiwaneses, que considera ser uma violação do compromisso dos Estados Unidos de não manter relações oficiais com a ilha.

12 Jan 2024

Taiwan | Excluída “intenção política” no lançamento de satélite por Pequim

O Governo de Taiwan excluiu ontem a existência de “intenções políticas” no satélite lançado pela China na terça-feira, que levou Taipé a emitir um alerta de emergência, a poucos dias do território realizar eleições. O gabinete da porta-voz presidencial Lin Yu-chan afirmou que, após análise pela equipa de Segurança Nacional e avaliação pelos parceiros internacionais, foi determinado que não houve qualquer motivação política por detrás do lançamento do satélite.

O alerta que apareceu automaticamente nos ecrãs dos telemóveis apelou à população para “ter cuidado”. As versões em chinês e inglês diferem, porém, no desígnio do objecto que alegadamente atravessou o espaço aéreo da ilha. “Alerta de ataque aéreo: míssil a sobrevoar o espaço aéreo de Taiwan, atenção”, lê-se na versão em inglês da mensagem, partilhada com a agência Lusa por um residente no território.

A versão em chinês refere antes que a China lançou um satélite às 15:04, que atravessou o espaço aéreo do sul de Taiwan. O ministério de Segurança Nacional esclareceu, entretanto, em comunicado, que o texto em inglês “não foi revisto” e pediu desculpa pelo sucedido.

No mesmo comunicado, o ministério afirmou que o satélite saiu “inesperadamente” da atmosfera ao sobrevoar o espaço aéreo do sul de Taiwan.

“O sistema conjunto de informação, vigilância e reconhecimento das Forças Armadas estava a acompanhar de perto a situação, incluindo o lançamento e a trajectória. O sistema de alerta de ataques aéreos foi activado através de mensagens de texto para informar o público”, disse o ministério.

O satélite referido no alerta oficial foi lançado em órbita pela China a partir do centro de lançamento de Xichang, na província central de Sichuan, por um foguetão de transporte Longa Marcha-2C, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

11 Jan 2024

Taiwan | Pequim diz que “não fará concessões” durante diálogo militar com EUA

A soberania de Taiwan não faz parte da discussão em matéria de Defesa entre a China e os Estados Unidos, voltaram ontem a sublinhar as autoridades militares chinesas que exigiram ainda o fim do envio norte-americano de armas para a antiga Formosa

 

O Exército chinês sublinhou ontem que “não vai fazer quaisquer concessões ou compromissos” relativamente a Taiwan, durante uma reunião com representantes da Defesa dos Estados Unidos, em Washington. Durante a reunião, que faz parte da Mesa de Diálogo de Coordenação da Política de Defesa China – EUA, o general Song Yanchao exigiu que Washington “respeite o princípio ‘Uma só China'” e “deixe de enviar armas para Taiwan”.

Song apelou aos Estados Unidos, representados pelo vice-secretário adjunto da Defesa, Michael Chase, para que “não apoiem a independência de Taiwan” e “reduzam a presença militar e as provocações no Mar do Sul da China”, de acordo com um comunicado emitido pelo ministério da Defesa chinês.

“Os EUA devem deixar de apoiar as acções provocatórias de certos países”, afirmou Song, numa referência velada às Filipinas, país com o qual a China tem tido atritos nos últimos meses por causa de águas disputadas. Song afirmou ainda que Washington deve “reconhecer plenamente a causa dos problemas de segurança marítima e aérea” e “deixar de manipular ou exagerar os problemas”.

A parte chinesa também afirmou que Pequim está disposta a “desenvolver uma relação militar forte e estável” com os Estados Unidos “com base na igualdade e no respeito”, mas sublinhou que Washington deve “levar a sério as preocupações da China”.

Por outro lado

Chase sublinhou “a importância de manter as linhas de comunicação abertas a nível militar” para “evitar que a concorrência entre os dois países se transforme em conflito”, indicou o departamento de Defesa dos EUA, em comunicado.

O Presidente do Conselho de Segurança dos Estados Unidos falou também da importância da segurança em toda a região do Indo-Pacífico e reafirmou que “os Estados Unidos continuarão a voar, navegar e operar de forma segura e responsável sempre que o Direito Internacional o permita”.

“O compromisso dos Estados Unidos para com os nossos aliados no Indo-Pacífico e em todo o mundo continua a ser inabalável”, afirmou.

No que se refere ao Mar do Sul da China, Chase sublinhou “a importância do respeito pela liberdade de navegação em alto mar” e denunciou “o assédio repetido da China às embarcações filipinas que operam legalmente” nessa zona. Relativamente a Taiwan, Chase reafirmou que os EUA continuam “empenhados” no “reconhecimento do princípio ‘Uma só China'” e sublinhou “a importância da paz e da estabilidade” no Estreito da Formosa.

Em Dezembro passado, os dois países retomaram o diálogo militar de alto nível, suspenso por Pequim depois de a então Presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, ter visitado Taiwan em Agosto de 2022.

No final de Dezembro, um alto responsável militar chinês realizou uma videoconferência com um homólogo norte-americano, na qual o representante chinês sublinhou que a questão de Taiwan é um “assunto interno” da China que “não admite qualquer interferência externa”.

Os presidentes chinês e norte-americano, Xi Jinping e Joe Biden, respectivamente, acordaram o reinício das conversações militares durante um encontro em Novembro passado, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC), em São Francisco.

No domingo, a China anunciou sanções contra cinco empresas norte-americanas por venderem armas a Taiwan, alertando para “uma resposta forte e decisiva” se continuarem a fazê-lo. A questão de Taiwan continua a ser um dos principais pontos de discórdia entre Pequim e Washington.

11 Jan 2024

Xi destaca “inevitável reunificação” com Taiwan em discurso de fim de ano

O Presidente chinês, Xi Jinping, definiu domingo a reunificação com Taiwan como uma “inevitabilidade histórica”, num discurso de fim de ano em que destacou os sucessos do país em 2023.

O líder chinês reiterou que a reunificação com Taiwan, é uma “inevitabilidade histórica”, depois de um ano em que se registou o aumento das tensões no estreito da Formosa e a poucos dias da realização das eleições no território insular.

Xi Jinping enfatizou também a necessidade de “manter a prosperidade e a estabilidade a longo prazo” e a “melhor integração no grande plano de desenvolvimento nacional” das regiões semiautónomas de Hong Kong e Macau. “O controlo da pandemia estabilizou-se”, lembrou Xi na sua única referência ao fim da política ‘zero covid’ no início deste ano, depois de quase três anos de restrições rigorosas no país.

No seu discurso, transmitido na televisão, o Presidente garantiu que “a economia chinesa continuou a recuperar e a melhorar” em 2023 e apontou um “transbordante dinamismo de desenvolvimento” no país, dando como exemplos a força das vendas de telemóveis fabricados internamente e o progresso da segunda maior economia do mundo na fabricação de veículos eléctricos.

Entre os destaques do ano, Xi mencionou o primeiro voo comercial da aeronave C919 de fabricação chinesa e as missões espaciais Shenzhou, que transportaram astronautas para a estação espacial chinesa Tiangong.

Por outro lado, o líder do gigante asiático referiu-se às “pessoas que enfrentam dificuldades no emprego e na vida” e às zonas do país que este ano sofreram catástrofes naturais, como inundações ou sismos, e garantiu “ter isso em mente”.

Confiança no futuro

A nível internacional, Xi observou que “ainda há lugares no mundo em plena guerra” e que o povo chinês “está muito consciente do valor da paz”, razão pela qual assegurou que o seu país está “disposto a trabalhar com a comunidade internacional para promover a construção de uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade”.

Depois de um ano em que recuperou a actividade diplomática, após dois anos e meio de isolamento devido à política ‘zero covid’, e em que se reuniu com líderes de países como Estados Unidos, França, União Europeia, Espanha, Colômbia ou Brasil, Xi Jinping garantiu que “a China não só se desenvolve, como também abraça o mundo e assume a responsabilidade de uma grande potência”.

O líder chinês lembrou que o próximo ano vai marcar o 75.º aniversário da fundação da República Popular da China e apelou ao “aprofundamento da reforma e abertura em todos os aspectos”, ao aumento da “confiança no desenvolvimento” e ao reforço da “vitalidade económica” no próximo ano.

“Coexistência pacífica”

A líder de Taiwan afirmou segunda-feira esperar uma “coexistência pacífica” a longo prazo entre Taipé e Pequim e sublinhou que o futuro das relações deve ser decidido pelos “procedimentos democráticos” da ilha, que em breve realiza eleições. “Esperamos que os dois lados [do Estreito de Taiwan] retomem o mais rapidamente possível intercâmbios saudáveis e sustentáveis”, declarou Tsai Ing-wen no discurso de Ano Novo, o último antes do fim do mandato, em Maio.

“Esperamos também que as duas partes procurem conjuntamente uma via, estável e a longo prazo, para uma coexistência pacífica”, acrescentou. As eleições presidenciais e legislativas em Taiwan realizam-se a 13 de Janeiro.

3 Jan 2024

Comércio | Pequim acusa Taiwan de usar pactos para ser independente

A China acusou ontem o partido no poder em Taiwan de estar a tentar alcançar a independência do território, após a líder da ilha ter pressionado pelo apoio da Austrália na adesão a um pacto comercial regional.

Zhu Fenglian, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado da China, afirmou ainda que os recentes exercícios militares chineses em torno de Taiwan foram realizados para combater a “arrogância das forças separatistas de Taiwan”.

A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, reuniu com seis deputados australianos, na terça-feira, visando obter o apoio da Austrália para a tentativa de Taiwan de aderir ao Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica, um acordo de livre comércio entre onze nações. A delegação parlamentar australiana discutiu o reforço da cooperação económica com Taiwan, particularmente no âmbito das energias renováveis e na indústria de ‘chips’ semicondutores.

Zhu disse que qualquer participação de Taiwan num agrupamento económico regional deve ser tratada de acordo com o princípio ‘Uma Só China’, que Pequim vê como uma garantia de que o Partido Comunista Chinês é o único governo legítimo de toda a China e de que Taiwan é parte do país. “A tentativa do Partido Democrático Progressista de procurar a independência em nome da economia e do comércio não vai ter sucesso”, disse a porta-voz, referindo-se ao partido político de Tsai.

Zhu sinalizou que a China não vai diminuir a sua actividade militar em torno de Taiwan. “Enquanto as provocações à independência de Taiwan continuarem, as acções do Exército de Libertação Popular para salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial não vão parar”, assegurou.

27 Set 2023