Orquestra de Macau | Dia dos Namorados celebrado com bandas sonoras e circo

No próximo dia 14 de Fevereiro, a Orquestra de Macau apresenta o espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes” no Broadway Theatre. Além da orquestra local, a actuação será abrilhantada pelo Cirque de la Symphonie, aliando música e artes circenses. Os bilhetes já estão à venda

 

O grupo Galaxy Entertainment e o Instituto Cultural (IC) anunciaram ontem uma proposta para o Dia dos Namorados. No dia 14 de Fevereiro, às 20h, o Broadway Theatre será palco do espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes”, um evento que irá juntar música e artes circenses com a actuação conjunta da Orquestra de Macau e o Cirque de la Symphonie.

Os bilhetes para o espectáculo, que tem duração de uma hora e meia, estão à venda na bilheteira online de Macau em macauticket.com e através da linha directa 2855 5555. Os preços variam entre 300 e 150 patacas

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo IC, o evento irá proporcionar ao público uma experiência “emocionante que entrelaça música sinfónica com actuações circenses e de malabarismo”.

Em termos musicais, a actuação da Orquestra de Macau irá brindar os espectadores com um reportório especial para comemorar o Dia dos Namorados, incluindo “obras musicais clássicas de diferentes épocas, abarcando vários séculos e diversos géneros, incluindo ballet, ópera e bandas sonoras de filmes de Hollywood”.

De cortar a respiração

Por sua vez, “os artistas do Cirque de la Symphonie apresentarão uma série de actuações de cortar a respiração, coreografadas ao sabor da música, complementando o concerto com actuações aéreas, acrobacias, magia, palhaços, mímica e dança”.

O Cirque de la Symphonie é constituído por ginastas e artistas circenses de diversos países, incluindo atletas olímpicos medalhados e recordistas mundiais. Desde a sua fundação, já colaborou com mais de uma centena de orquestras sinfónicas de todo o mundo.

O Cirque de la Symphonie é uma trupe circense itinerante sediada em Athens, no estado norte-americano da Geórgia, fundada em 2005 por William H. Allen e Alexander Streltsov. As suas apresentações envolvem uma variedade de números circenses contemporâneos minimalistas sincronizados com a música sinfónica ao vivo.

No espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes”, a Orquestra de Macau será dirigida pelo maestro Tony Cheng-Te Yeh.

SSM | Registados 5.078 casos de doenças de declaração obrigatória

Os Serviços de Saúde (SSM) registaram um total de 5.078 casos de doenças de declaração obrigatória em Dezembro, de acordo com a informação divulgada ontem. As três doenças com maior número de casos foram a Influenza (4.855 casos), a infecção por enterovírus (87 casos), e a varicela (29 casos).

Em relação à influenza, houve 4.855 casos, o que correspondeu a um aumento de 5,6 vezes em relação aos 731 casos registados no mês homólogo de 2024. Quanto a Novembro, as 4.855 infecções significaram um aumento de 35,7 por cento, dado que no mês anterior registaram-se 3.578 casos.

A influenza é uma doença respiratória aguda altamente contagiosa. A sua incidência é predominante no Inverno e na Primavera (de Janeiro a Março), bem como no Verão (de Junho a Agosto). Em Macau, os tipos de gripe mais frequentes são a gripe A (H1N1 e H3N2) e a gripe B.

No que diz respeito à infecção por enterovírus, em Dezembro contabilizaram-se 87 casos, um aumento para o dobro, face ao mesmo período de 2024, quando tinham sido registadas 43 ocorrências. No entanto, e quando a comparação é feita com Novembro, houve uma diminuição de 57,8 por cento face aos 206 casos anteriores.

Segundo os SSM, a infecção por enterovírus pode ser causada pelo vírus Coxsackie, echovírus e enterovírus 71. A infecção pelo enterovírus ocorre durante o ano inteiro, a nível mundial, mas é no Verão que tem maior incidência.

Os dados comparativos sobre as infecções de varicela não foram revelados no comunicado de ontem, apesar das 29 ocorrências.

JP Morgan | Jogo com receitas brutas sólidas em Janeiro

Os analistas do banco JP Morgan estimam que nos primeiros 25 dias do ano, os casinos de Macau tenham apurado 17,8 mil milhões de patacas em receitas brutas, uma performance “estável e sólida”. A instituição prevê que o mês feche com subidas anuais das receitas de, pelo menos, 15 por cento

O ano começou bem para os casinos de Macau, pelo menos de acordo com as estimativas dos analistas do JP Morgan. Segundo a mais recente nota de análise à indústria do jogo, divulgada na segunda-feira, é indicado que os casinos do território poderão ter amealhado nos primeiros 25 dias de Janeiro cerca de 17,8 mil milhões de patacas. O resultado é descrito como “estável e sólido”.

“Isto significa que a performance da semana passada se manteve estável face à semana anterior, com receitas brutas diárias de 693 milhões de patacas, apesar dos fracos resultados do segmento VIP. Estes resultados são bastante sólidos quando comparados com os 624 milhões de patacas por dia registados em Dezembro”, referem os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian, citados pelo portal GGR Asia.

Face às perspectivas, os analistas esperam que o mês encerre em grande. “Continuamos confiantes com a estimativa de que as receitas brutas cresçam anualmente em Janeiro entre 15 a 20 por cento, com a tendência a aproximar-se mais dos 20 por cento. O resultado abre perspectivas a aumentos anuais a rondar os 13 por cento nos primeiros dois meses e no primeiro trimestre de 2026”, é acrescentado.

A longo prazo

O ano de 2026 começou com um novo panorama na principal indústria do território, com Janeiro a ser o primeiro mês sem casinos-satélite, alterando a estrutura do mercado. Em Junho do ano passado, quando se soube que a larga maioria dos casinos-satélite iria fechar, a JP Morgan Securities indicava que o impacto do encerramento das operações dos casinos-satélite que operavam com as licenças da Melco e Galaxy seria “insignificante” para as concessionárias.

Na realidade, no início do ano, os analistas do banco cortaram as previsões de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) para o ano de 2026 para 71,9 mil milhões de patacas para o total das seis concessionárias de jogo. Apesar da redução, a estimativa para os resultados EBITDA deste ano representa uma melhoria face à previsão de 68,5 mil milhões de patacas do ano passado. Os resultados EBITDA de 2025 ainda estão no campo das estimativas uma vez que as concessionárias de jogo ainda não reportaram aos accionistas os resultados finais.

Trabalho ilegal | Nick Lei diz que combate não é eficaz

Nick Lei não está satisfeito com a eficácia do combate ao trabalho ilegal. O deputado sugeriu a criação de grupos de WeChat com associações, DSAL e empresas de sectores que normalmente empregam trabalhadores ilegais para que a actuação das autoridades se torne mais ágil

 

Apesar do bom caminho trilhado, Nick Lei considera que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) podia ser mais eficaz no combate ao trabalho ilegal. O Governo apresentou na segunda-feira os resultados do combate aos trabalhadores ilegais referentes ao ano passado.

Em 2025, a DSAL realizou 683 inspecções, 62 das quais visaram motoristas. Um total de 668 pessoas foram punidas administrativamente por terem sido encontradas a trabalhar ilegalmente com multas totais de quase 6,09 milhões de patacas. Foram identificados 157 motoristas ilegais, que resultaram na aplicação de multas de quase 1 milhão de patacas.

Em resposta aos resultados, Nick Lei enalteceu os esforços da DSAL, mas indicou que a entidade é pouco eficaz no combate ao fenómeno.

Em declarações ao jornal do Cidadão, o deputado ligado à comunidade de Fujian argumentou que a actuação da DSAL continua a não ter correspondência com as expectativas da população, de acordo com as opiniões recolhidas pela sua equipa.

Novas mensagens

Apesar de defender a continuação de inspecções a locais de trabalho, assim como investigações a anúncios nas redes sociais a oferecer trabalho ilegal, Nick Lei recomenda uma comunicação próxima entre as autoridades, associações e responsáveis de empresas em ramos mais afectados pelo trabalho ilegal.

Para tal, o deputado afirma que o método mais simples é criar um grupo de WeChat com todos agentes envolvidos, assim como responsáveis da DSAL para que a resposta e o combate ao trabalho ilegal sejam instantâneos.

A falta de eficácia das autoridades é demonstrada, segundo Nick Lei, pelo número reduzido de motoristas ilegais apanhados pelas autoridades, que estão longe da realidade.

Por esta razão, Nick Lei defende que a DSAL precisa de rever as actuais penalizações no âmbito de trabalho ilegal e, se o efeito dissuasor não for suficiente, será necessário alterar as leis. O deputado, que por inerência do seu trabalho tem o direito e obrigação de legislar, salienta que os regulamentos sobre o trabalho ilegal entraram em vigor há mais de 20 anos, não correspondendo assim aos tempos actuais.

Nick Lei alertou ainda para novos sectores da economia que começaram a empregar trabalhadores ilegais, depois da pandemia, como fotógrafos, ou obras de remodelação para os prédios da Zona A nos novos aterros, com a divulgação de anúncios nas redes sociais a oferecerem trabalho ilegal. O deputado exemplificou ser comum surgirem publicações de empresas do Interior da China a oferecer serviços de “obra de remodelação na habitação económica da Zona A” na aplicação Xiaohongshu (little red book).

IAM | Avança renovação do Mercado Tamagnini Barbosa

O presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) revelou o mercado na Zona Norte vai ser renovado. As obras irão incluir uma ligação com o futuro Parque Desportivo para os Cidadãos, zona que vai ser desenvolvida no Canídromo

 

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vai avançar com a renovação do Mercado Tamagnini Barbosa, para criar uma zona de restauração e uma oferta mais diversificada. A intenção foi anunciada pelo presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais, Chao Wai Ieng, na resposta a uma interpelação da deputada Ella Leng Cheng I.

“O IAM está a preparar o desenvolvimento da obra de optimização do Mercado Tamagnini Barbosa, projecto que prevê o ajustamento da disposição e concepção dos espaços públicos e bancas, da optimização das instalações existentes, da criação de um centro de comidas, etc.”, foi revelado.

O objecto da renovação “visa criar um novo modelo de mercado” em que a zona das bancas com água a correr e as bancas secas são separadas.

“Paralelamente, está planeada a construção de um corredor que liga o mercado ao Auto-Silo público do Edifício Toi Fai, bem como a instalação de um novo elevador em frente da Avenida do Conselheiro Borja, que servirá de ligação ao futuro Parque Desportivo para os Cidadãos [ex-Canídromo], favorecendo assim o aumento do fluxo de pessoas para o mercado”, foi explicado.

As obras no Mercado Tamagnini Barbosa acontecem depois da renovação do Mercado Almirante Lacerda (Mercado Vermelho), do Mercado da Horta e Mitra, da criação de um centro de comidas no Mercado do Patane e da renovação do Mercado da Taipa.

 

Mais intervenções

Além da intervenção no Mercado Tamagnini Barbosa, o IAM admite que vai ainda estudar as “experiências obtidas nos trabalhos de reordenamento dos mercados” para fazer “um estudo sobre o reordenamento e a revitalização do Mercado de S. Domingos e do Mercado de S. Lourenço”.

Chao Wai Ieng indicou igualmente que o objectivo do estudo é “introduzir bancas com tipos de actividades adequados e novos operadores criativos e entusiastas para os dois mercados, a fim de aumentar a sua atractividade e competitividade, a par de injectar uma nova vitalidade à sua exploração”.

Ainda sobre a gestão dos mercados, o IAM promete, “tendo em conta as condições concretas de cada mercado e zona de vendilhões, as suas próprias características e as necessidades de consumo dos residentes ou turistas” abrir concursos públicos para a atribuição de bancas com “novos tipos de actividades”, que não são especificados. Além disso, o IAM indica que “incentivará os operadores [dos mercados] a oferecerem produtos mais diversificados e atractivos, de modo a atender à procura no mercado e melhorar a sua própria competitividade, promovendo assim o desenvolvimento sustentável do sector de vendilhões”.

Governo Central | Líderes locais prometem a seguir instruções

Após o discurso de Xia Baolong a alertar para os perigos da separação de poderes nas regiões administrativas especiais, os titulares de altos cargos emitiram comunicados a prometer assegurar a supremacia do poder Executivo. Prometidas estão também sessões de estudo sobre o discurso de segunda-feira

 

Os secretários do Governo, a presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), o presidente da Assembleia Legislativa (AL) e o Procurador da RAEM prometeram todos trabalhar para assegurar a predominância dos diversos poderes ao Chefe do Executivo. Os comunicados dos representantes dos diferentes responsáveis surgiram na sequência de um discurso de Xia Baolong, director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, a definir a separação de poderes como uma ameaça à autoridade do Chefe do Executivo.

As palavras de Xia Baolong foram proferidas em Pequim, e o primeiro a reagir foi André Cheong, presidente da Assembleia Legislativa. Em comunicado, Cheong Weng Chon afirmou que “o discurso do Director Xia Baolong reveste-se de elevada pertinência e significado orientador, e todos os deputados da AL irão estudar atentamente para compreender o espírito do discurso, implementar e concretizar firmemente o princípio da predominância do poder executivo”.

Cheong indicou que os deputados vão agir “com sentido de responsabilidade e postura prática e eficiente, e consolidar continuamente o paradigma da interacção virtuosa entre os poderes executivo e legislativo, no sentido de promover conjuntamente a boa governação da RAEM”.

Por sua vez, também Song Man Lei, presidente do TUI, defendeu a predominância do Executivo, que prometeu respeitar: “A  predominância do poder executivo é um bom sistema comprovado pela prática, o qual pode destacar as vantagens institucionais do princípio um país, dois sistemas, defender com eficácia a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do País, assegurar a prosperidade e a estabilidade da RAEM a longo prazo, reforçar constantemente as vantagens únicas e a competitividade de Macau, melhorar significativamente o bem-estar da população de Macau, bem como resolver e enfrentar eficazmente os riscos e os desafios”, indicou. “Os órgãos judiciais respeitam e defendem a predominância do poder executivo, o que, na verdade, é o respeito pela combinação orgânica entre o poder pleno da governação do Governo Central e o alto grau de autonomia da RAEM, constituindo uma parte integrante da salvaguarda da ordem constitucional e da protecção dos direitos e interesses dos residentes”, frisou.

Secretários unidos

Às declarações de apoio ao poder executivo do poder legislativo e judicial, juntaram-se ainda os cinco secretários.

Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça, frisou que as palavras de Xia Baolong aprofundam as exigências do Presidente Xi Jinping. Segundo Wong, “no seu importante discurso, o director Xia Baolong explicou profundamente a exigência explícita do Presidente Xi Jinping de ‘persistir e aperfeiçoar a predominância do poder executivo’, esclareceu que a predominância do poder executivo é um princípio importante no estabelecimento da estrutura política das Regiões Administrativas Especiais pelas Leis Básicas, que tem demonstrado comprovadamente as vantagens do princípio ‘um país, dois sistemas’ através da sua implementação com sucesso”.

O secretário indicou também que os seus subordinados vão estudar o discurso recente, e que as orientações vão ser utilizadas na reforma da Administração Pública.

Por sua vez, o secretário da Segurança, Chan Tsz King, instou a população a manter-se “vigilante face às interferências externas em relação à predominância do poder executivo”. Ao mesmo tempo, considerou que “a consolidação clara e o aperfeiçoamento da predominância do poder executivo são a chave para a concretização do regime ‘um país, dois sistemas’ exigências e objectivos necessários para a estabilidade a longo prazo e para o desenvolvimento próspero de Macau”.

Também os secretários Raymond Tam, Tai Kin Ip e O Lam prestaram declarações de apoio à predominância do Chefe do Executivo.

Campanha prometida

Tong Hio Fong, Procurador da RAEM, prometeu também combater qualquer crime que coloque em causa a segurança nacional. “Partindo da salvaguarda da legalidade, o Ministério Público irá exercer as funções de fiscalização que lhe são legalmente atribuídas, assegurando que os órgãos administrativos actuem em obediência à lei”, vincou. “Ademais, com vista à defesa intransigente de justiça e imparcialidade, o Ministério Público irá dedicar-se à execução da lei e à tramitação de processos com rigor, ao combate preciso aos crimes que ponham em causa a segurança nacional, lesem os interesses nacionais e prejudiquem a estabilidade da RAEM, a fim de contribuir para a construção do Estado de direito da RAEM e o seu desenvolvimento económico com prosperidade e estabilidade”, acrescentou.

Tong Hio Fong realçou ainda o papel de liderança do Chefe do Executivo do Ministério Público: “Sob a liderança sólida do Chefe do Executivo Sam Hou Fai, o Ministério Público irá continuar a preservar a estrutura com predominância do poder executivo, tendo por orientação de trabalho a boa governação, intensificar a comunicação com os órgãos executivo e legislativo e bem desempenhar o seu papel na concretização da predominância do poder executivo, com o objectivo de dar contributos a nível judiciário para a implementação bem-sucedida e o desenvolvimento de alta qualidade de ‘Um País, Dois Sistemas’ na RAEM”, realçou.

China | Cidadãos aconselhados a evitarem viajar para o Japão

O Governo chinês aconselhou ontem os seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão a curto prazo por motivos de segurança, uma recomendação emitida num momento de crescente tensão diplomática entre os dois países.

A mensagem foi divulgada na conta oficial na rede social WeChat da divisão consular do ministério, que alertou que “as condições de segurança pública no Japão têm sido instáveis recentemente”, com “frequentes casos de actos ilegais e criminosos dirigidos a cidadãos chineses”.

O comunicado acrescentou que “em algumas áreas ocorreram vários sismos que causaram feridos” e que o Governo japonês emitiu avisos sobre a possível ocorrência de “nova actividade sísmica e desastres secundários”, o que, segundo Pequim, implica que os cidadãos chineses no Japão enfrentam “graves riscos para a sua segurança”.

Nesse contexto, e perante a proximidade das férias do Ano Novo Lunar, o ministério dos Negócios Estrangeiros e as embaixadas e consulados chineses no Japão “aconselham os cidadãos chineses a evitarem viajar para o Japão num futuro próximo”.

O aviso surge num contexto de deterioração das relações bilaterais, marcado nas últimas semanas por uma acumulação de fricções diplomáticas e económicas entre Tóquio e Pequim.

Entre os principais focos de tensão figuram as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um eventual cenário de intervenção militar no Estreito de Taiwan, que provocaram uma dura reacção da China, assim como uma série de medidas comerciais adoptadas por Pequim, como o reforço dos controlos à exportação de produtos de uso duplo com destino ao Japão e a abertura de uma investigação ‘antidumping’ sobre um químico japonês essencial para o fabrico de semicondutores.

EUA | Bill Clinton insta americanos a manifestarem-se

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton instou os norte-americanos a manifestarem-se, denunciando as “cenas horríveis” em Minneapolis, onde duas pessoas foram mortas pela polícia.

“Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia norte-americana manifestarmo-nos”, disse no domingo o ex-líder democrata, acusando o Governo do Presidente Donald Trump de mentir sobre as duas mortes.

Também o antigo presidente norte-americano Barack Obama já tinha reagido, considerando a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) uma “tragédia desoladora” e apelando a uma reacção face ao que considera serem ataques perpetrados contra os valores fundamentais dos Estados Unidos.

“Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso Governo”, refere Barack Obama, num comunicado citado pela agência de notícias France Presse, no qual acusa a Administração de Donald Trump de estar “ansiosa por agravar a situação”.

Agentes da ICE mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota (centro-norte).

Mais tarde ficou a saber-se que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos antigos militares.

Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois (centro). Tal como Renee Good, morta em 07 de Janeiro, Pretti não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press (AP) que nunca tinha tido interações com a polícia, exceptuando algumas multas de trânsito.

Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês) e “possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais”.

Versão Bovino

Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, numa conferência de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05 quando agentes realizavam uma operação contra um “imigrante indocumentado”, chamado José Huerta Chuma, que “tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública”.

Durante a operação, “um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente”, relatou Bovino, acrescentando que, “temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa”.

Vários vídeos analisados pela AP, que mostram um agente ICE a disparar contra Pretti, após uma altercação de cerca de 30 segundos, contradizem essa versão.

Nos vídeos, o cidadão é visto apenas com um telemóvel na mão, descreve a agência. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.

De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.

Tensão máxima

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de Janeiro, de Renee Good, cidadã norte-americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente da ICE quando conduzia, embora o Governo de Donald Trump a acuse de “terrorismo interno”.

Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de 5 anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas (sul), aumentou a indignação de muitos cidadãos, que acusam a ICE de abuso.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O’Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações na cidade.

Abandonar os indesejáveis (2)

Na semana passada, falámos sobre uma clínica privada no Condado de Yinan, Província de Shandong, na China continental, que declarou numa publicação que iria concentrar os seus recursos nos pacientes que podem pagar os tratamentos. Esta publicação chamou de imediato a atenção dos departamentos governamentais. Depois de investigarem, declararam que o conteúdo da publicação infringe a ética médica e foi ordenado que a clínica o corrigisse. Também mencionámos o livro de medicina a “Sinceridade do Bom Médico”, de Sun Simiao, um famoso especialista da Dinastia Tang, que enumera os princípios a que um bom médico tem de obedecer, sendo o mais importante “ter um coração benevolente e mãos habilidosas”. Hoje, vamos tentar compreender mais profundamente o significado da expressão “coração benevolente e mãos habilidosas”.

Sun sublinhou que a primeira condição para tratar os doentes é cultivar a compaixão e fazer voto de dedicação a todos os seres conscientes. Durante o tratamento, o médico não pode preocupar-se consigo próprio, nem ter qualquer vaidade; quando vê a dor e o sofrimento do paciente, deve sentir empatia — isto é benevolência.

Como é que Sun demonstrou benevolência na sua prática médica? Registos online comprovam que certa vez, Sun encontrou um tigre com olhos fulminantes nas montanhas e ficou aterrorizado. No entanto, o tigre não o atacou, em vez disso abriu muito a boca e lançou um enorme lamento. Sun aproximou-se corajosamente e descobriu um osso preso na boca do tigre, que o impedia de comer. Sun queria salvar o tigre, mas aproximar-se da sua boca era muito perigoso. De repente, reparou num aro de cobre preso num poste e teve uma inspiração súbita. Tirou-o e colocou-o na boca do tigre, impedindo assim que ele a fechasse. Então avançou e retirou o osso, salvando o animal. Mais tarde, os discípulos de Sun passaram a ter com eles aros de cobre com objectos afiados pendurados que tilintavam quando eles andavam, identificando-se desta forma como seus aprendizes. Depois da morte de Sun, todas as lojas de medicina chinesa passaram a venerá-lo como “O Rei da Medicina”. Posteriormente, quando os discípulos de Sun passavam por uma destas lojas, era-lhes pedido para não fazer qualquer som com os aros de cobre, em sinal de respeito pelo Mestre.

Outra história que comprova a benevolência de Sun envolve o Imperador Taizong da Dinastia Tang, na antiga China. O Imperador Taizong sofria de aperto no peito que lhe provocava dor e chamou todos os médicos imperiais, mas nenhum o aliviou. Então os seus ministros recomendaram-lhe Sun. Depois de examinar a pulsação do Imperador, Sun propôs-lhe que entregasse as vestes imperiais, as concubinas e o trono depois de Sun o ter curado com sucesso. Na China antiga, estas condições equivaliam a usurpar o trono. Os ministros ficaram sem fala. O Imperador ficou tão zangado que vomitou sangue e desmaiou. Nesse momento, Sun disse:

“A doença já está meio curada.”

Depois Sun pegou nas agulhas douradas e tratou o Imperador com acupunctura e, depois de ele acordar, Sun disse-lhe que sofria de congestão toráxica, local onde a medicação não conseguia chegar e onde a acupuntura era ineficaz. Só invertendo o fluxo sanguíneo se podia ultrapassar a congestão e ele poderia ser aliviado. A única forma de o conseguir era através da raiva, especificamente da fúria. Por isso, Sun disse o que disse para provocar o Imperador Taizong.

Salvar o tigre foi um acto de benevolência, porque Sun acreditava que todos os seres possuem um espírito, e mesmo os animais mais humildes devem ser tratados com o máximo cuidado, pois a vida é insubstituível. Sun não pensou se o Imperador poderia matar toda a sua família e provocou-o com o objectivo de o salvar. Salvar os outros em detrimento da nossa própria segurança é precisamente a expressão de benevolência.

Na próxima semana, analisaremos o significado da expressão mãos benevolentes e habilidosas e discutiremos a forma de as clínicas e os pacientes resolverem a questão do pagamento dos tratamentos.

Timor-Leste | Número de professores portugueses bate recorde em 2026

O número de professores portugueses a leccionar nos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar em Timor-Leste (Escolas CAFE) vai atingir este ano o recorde de 145 docentes, disse ontem o embaixador de Portugal em Díli.

“No quadro das escolas CAFE vamos ter em 2026 um número sem precedentes de professores aqui em Timor-Leste. Em 2026, vamos atingir o número de 145 professores portugueses a leccionar em Timor-Leste ao abrigo do programa CAFÉ”, disse Duarte Bué Alves.

Duarte Bué Alves falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio da Presidência, em Díli.

Segundo o diplomata, o primeiro grupo de professores chegou no sábado e até ao início de Fevereiro vai atingir-se “um número recorde e sem precedentes de 145 professores portugueses”, que se vão juntar aos cerca de 200 professores timorenses, que também leccionam nas Escolas CAFE.

Duarte Bué Alves disse também que este ano se prevê iniciar a expansão e alargamento do projeto.

“O CAFE já está em 14 municípios e agora queremos ir mais além e penso que em 2026 estaremos em condições de crescer para além dessas 14 escolas”, salientou.

Pilares de qualidade

O projecto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE teve início em 2014 e já está presente nos 14 municípios timorenses, prevendo-se a extensão daqueles estabelecimentos de ensino para os postos administrativos do país.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, actualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses.

Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

O ano lectivo em Timor-Leste começa em Janeiro e termina em Dezembro.

Portugal e Timor-Leste assinaram, em 2024, o Programa Estratégico de Cooperação (PEC) para o período entre 2024 e 2028 com um valor de 75 milhões de euros e mais dois acordos relativos à reabilitação de património e infraestruturas.

Sobre o encontro com o Presidente José Ramos-Horta, Duarte Bué Alves afirmou que foram discutidos vários assuntos, entre as quais a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) por Timor-Leste e a crise na Guiné-Bissau.

Fotografia | Concurso “Somos Imagens da Lusofonia” aberto a candidaturas

A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa lançou ontem a sétima edição do concurso de fotografia “Somos Imagens da Lusofonia. Com o tema “O Hoje do Passado”, os concorrentes são desafiados a retratar aquilo que perdura no tempo, entre modernidade e história

 

A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa lançou ontem a sétima edição do Concurso de Fotografia “Somos Imagens da Lusofonia”, este ano com o tema “O Hoje do Passado”, que irá decorrer até 28 de Fevereiro. O concurso tem o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

À semelhança do ano passado, o primeiro classificado será contemplado com uma viagem e estadia em Macau, para quem não resida no território, para participar na cerimónia de inauguração da exposição subsequente e em workshops organizados localmente.

Segundo um comunicado divulgado pela associação, o tema desta edição propõe uma reflexão sobre as “coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”.

“Nos dias que correm, com o rápido desenvolvimento socioeconómico e tecnológico, o nosso foco tende a virar-se para o que é mais moderno, evoluído, para o que é novo. E, num contexto de acelerada transformação urbana, as províncias, cidades, e até vilas e aldeias têm sofrido mudanças que as levam a perder algumas caraterísticas distintivas. No entanto, há símbolos, instrumentos, ofícios, etc., que têm desafiado o tempo, as novas tecnologias e a homogeneização cultural. Alguns deles poderão até ser transversais ao universo lusófono”, indica a Somos.

 

Alimentar o espírito

O tema deste ano do concurso de fotografia da Somos convida à reflexão dos participantes sobre as realidades dos seus países e à expressão, através da fotografia, de pontos de vista sobre o valor dos costumes, práticas e tradições antigas nas sociedades actuais do universo lusófono.

Assim sendo, a associação propõe uma análise à importância do património histórico, artístico, etnográfico e imaterial de cada território geográfico da Lusofonia, assim como valores culturais e elementos históricos “enquanto veículos de cariz social, reforços da identidade comunitária e portais para a evocação de tempos passados”.

Através de trabalhos com dimensões artísticas, históricas e simbólicas, os participantes são desafiados a cristalizar numa imagem “testemunhos materiais da interação entre o passado e o presente”, refere a associação.

 

Questões práticas

As fotografias submetidas devem ser acompanhadas de título e de uma breve legenda descritiva de contextualização.

O concurso destina-se a todos os cidadãos dos países e regiões da Lusofonia ou residentes de Macau que possuam fotografias de qualidade, e enquadradas com o tema seleccionado, tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu.

Um júri composto por profissionais da área da fotografia irá seleccionar três vencedores, que vão receber prémios pecuniários, havendo também a possibilidade de atribuição de menções honrosas. Os vencedores serão escolhidos seguindo critérios de criatividade e originalidade, composição fotográfica, qualidade artística, e relevância e qualidade em relação ao tema do concurso.

Os três vencedores vão receber 10 mil patacas, enquanto as menções honrosas serão premiadas com 7 mil e 5 mil patacas. Além dos prémios pecuniários, o vencedor do primeiro lugar ganha uma viagem a Macau, e estadia.

O júri é composto por Gonçalo Lobo Pinheiro (Macau) – presidente do júri em representação da Somos -, Lei Heong Ieong (Macau), Bruno Santos e Levi Bianco (Brasil), Luísa Nhantumbo (Moçambique) e César Mourão (Portugal).

Empréstimos a África caem para metade em 2024

Angola foi o principal destinatário dos empréstimos chineses a África em 2024, ao absorver 1,45 mil milhões de dólares, num ano em que o financiamento chinês ao continente caiu 50%, revelou um estudo. Os dados, divulgados esta semana num estudo da unidade de investigação Boston University Global Development Policy Centre, revelam uma redução de quase 50% no financiamento chinês ao continente face a 2023 e confirmam a tendência de concentração em poucos países, com Luanda a liderar.

A queda global insere-se numa reorientação estratégica de Pequim, que está a afastar-se de grandes empréstimos concedidos a governos e a privilegiar projectos de menor escala e sectores estratégicos.

Energia, estradas e portos

No caso angolano, os fundos em 2024 destinaram-se a uma linha de transmissão elétrica (641 milhões de euros) e a um projeto de infraestruturas perto de Luanda que abrange imobiliário, estradas e um porto (582 milhões de euros).

Desde 2000, Angola já recebeu mais de 49 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) em empréstimos chineses, representando mais de um quarto do total do continente.

A par da redução do volume, destaca-se a transição do dólar para o yuan nos financiamentos. No Quénia, por exemplo, todos os empréstimos para infraestruturas em 2024 foram denominados em moeda chinesa, tendo a dívida pendente da linha ferroviária construída no país por empreiteiros chineses sido convertida para yuan, uma operação que deverá reduzir os custos anuais do serviço da dívida em cerca de 215 milhões de dólares.

“O que estamos a ver não é uma retirada, mas uma calibração”, afirmou Mengdi Yue, investigadora do centro, sublinhando que a mudança reflecte “lições aprendidas sobre sustentabilidade da dívida e gestão de risco”.

Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egito – receberam financiamento chinês em 2024. No total, apenas seis projectos foram financiados em todo o continente, nenhum deles ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares.

O estudo alerta, no entanto, para a ausência de investimento em energia verde. “Estamos curiosos para ver se os empréstimos soberanos, juntamente com o comércio e o investimento direto, ainda apoiam a transição verde em África”, apontou Mengdi Yue.

Os investigadores sugerem que o apoio futuro poderá passar do financiamento direto para áreas como estudos de pré-viabilidade, de modo a fomentar o ecossistema de energia limpa e atrair investimento privado.

“À medida que a era dos projectos de mil milhões de dólares chega ao fim, os novos instrumentos financeiros da China podem definir uma fase mais selectiva do seu envolvimento com África”, previu o relatório.

Pequim retira apoio estatal aos mercados de valores para conter a euforia bolsista

A agência Bloomberg noticiou ontem que os fundos e instituições estatais usados por Pequim para injectar capital nos mercados de valores, para os estabilizar, parece estar agora a liquidar investimentos para refrear a euforia bolsista.

Estimativas da Bloomberg indicam que a Huijin Investment, subsidiária do fundo soberano CIC, que faz parte do grupo utilizado por Pequim para intervir nos mercados, vendeu o equivalente a cerca de 67,5 mil milhões de dólares em participações em 14 fundos cotados (ETF) em apenas seis sessões até à última quinta-feira.

Embora a China não tenha um fundo oficial de estabilização, a “equipa nacional”, como é designada, desempenha esse papel desde 2015, quando Pequim ordenou à Huijin Investment e a outros organismos estatais de investimento que resgatassem os mercados perante uma queda que acabou por ascender a cerca de cinco biliões de dólares. As autoridades recorreram novamente a essa fórmula em 2023, após atingirem os mínimos em cinco anos.

Em agosto de 2025, após uma campanha agressiva de investimento, a Central Huijin contava com cerca de 180 mil milhões de dólares em ETF, pelo que alguns analistas apontam agora que a escala da liquidação “aponta para um esforço proativo para facilitar uma correção de preços em setores sobreaquecidos”.

As vendas podem ter como objetivo drenar os “excessos especulativos” de certas áreas do setor tecnológico, como aplicações de inteligência artificial, que dispararam nos últimos meses, apesar de ainda não oferecerem garantias de rentabilidade.

Apesar dessa aparente intenção específica, especialistas e gestores apontam que a mudança de rumo poderia “alterar as expectativas” dos mercados em geral e consideram que a estratégia agora deve concentrar-se em valores em que o peso do investimento da “equipa nacional” seja menor, para evitar o impacto das vendas.

Outros investidores acreditam que a retirada do apoio estatal é “um passo para promover um mercado em alta de forma gradual”, ou seja, que as autoridades não pretendem acabar com a tendência positiva dos mercados, mas sim garantir que o ritmo das subidas não seja excessivo.

O facto de a volatilidade do CSI 300, o índice que mede a valorização das trezentas principais ações das bolsas de Xangai e Shenzhen, estar em mínimos desde maio, é visto por fontes do setor como uma demonstração da forte procura institucional por ações da China continental.

Além disso, de acordo com Zhu Zhenxin, da Asymptote Investment Research, “vender agora libertará posições [de investimento] para que [os membros da ‘equipa nacional’] possam oferecer um impulso noutro momento de risco no futuro”, evitando assim uma bolha – e a sua consequente explosão – como a de 2015.

Acordo com Canadá não visa terceiros

A China afirmou ontem que o seu recente acordo comercial com o Canadá não visa “nenhuma terceira parte”, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado retaliar e impor tarifas de 100% sobre produtos canadianos. Perante a guerra comercial iniciada por Trump, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, tem apostado na procura de novos mercados na Ásia e na Europa.

No início de janeiro selou, segundo os seus termos, “um acordo comercial preliminar, mas histórico, visando eliminar os obstáculos ao comércio e reduzir as taxas alfandegárias” com a China.

Donald Trump afirmou no sábado que pode impor “taxas de 100%” sobre as importações canadianas nos Estados Unidos, caso se concretize um acordo comercial entre o Canadá e a China.

“Para a China, as relações entre Estados devem basear-se numa lógica de ganhos mútuos, não de jogos de ‘tudo ou nada’, e na cooperação, não no confronto”, reagiu Guo Jiakun, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa.

“A China e o Canadá estão a construir uma parceria estratégica de novo tipo (…). Isso não visa nenhuma terceira parte, serve os interesses comuns dos dois povos e contribui também para a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade do mundo”, salientou.

O acordo preliminar entre Pequim e Otava prevê, nomeadamente, deixar entrar no Canadá 49.000 veículos elétricos fabricados na China com taxas preferenciais de 6,1%, segundo Mark Carney.

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a sobretaxa de 100% mencionada por Donald Trump será imposta “se eles [os canadianos] fizerem um acordo de livre-comércio” com a China.

Isto é, “se forem mais longe e se vir que eles estão a deixar os chineses inundarem com os seus produtos” a América do Norte, declarou Bessent numa entrevista à cadeia de televisão ABC.

Conselho Legislativo de Hong Kong rejeita resolução do Parlamento Europeu a propósito de Jimmy Lai

O Conselho Legislativo de Hong Kong rejeitou ontem “de forma veemente” uma resolução do Parlamento Europeu a apelar a sanções contra o Governo local devido ao julgamento do activista Jimmy Lai Chee-ying. Num comunicado, o parlamento da região, conhecido como Legco, sublinhou que “todos os membros” condenam a resolução europeia, “que difamou maliciosamente a lei de segurança nacional de Hong Kong e o poder judicial”.

Em dezembro, Jimmy Lai foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim, que pode acarretar a prisão perpétua.

Em 12 de janeiro, um tribunal iniciou as chamadas audiências de atenuação, que se prolongaram por quatro dias e onde os arguidos, incluindo Lai, podem pedir penas mais leves. A sentença final será proferida numa data ainda por anunciar.

O parlamento de Hong Kong garantiu que a decisão dos três juízes designados pelo Governo – um dos quais a lusodescendente Susana D’Almada Remedios – é “livre de qualquer interferência e de quaisquer considerações políticas”. O Legco disse ainda que o Parlamento Europeu “interferiu flagrantemente nos assuntos internos da China e violou gravemente os princípios do direito internacional”.

Na quinta-feira, os eurodeputados disseram que Lai “é um exemplo de como as leis de segurança do Estado estão a ser utilizadas para eliminar os meios de comunicação independentes, a liberdade de expressão e a oposição política em Hong Kong”.

“Qualquer sugestão de que certos indivíduos devem ser imunes às consequências legais pelos seus actos ilegais equivale a defender um privilégio especial para infringir a lei”, respondeu o Legco.

A resolução do Parlamento Europeu instou o Conselho Europeu a adoptar sanções contra o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, “e todos os dirigentes responsáveis pela repressão das liberdades”.

No documento, aprovado por 503 votos a favor, nove contra e 100 abstenções, os eurodeputados solicitaram ainda à Comissão Europeia que inicie o processo de suspensão do estatuto de Hong Kong na Organização Mundial do Comércio. Além disso, o Parlamento Europeu apelou a todos os Estados-membros da União Europeia (UE) que suspendam os tratados de extradição com a China continental e com a região administrativa especial de Hong Kong.

Portugal e a República Checa são os únicos dois países da UE que ainda têm acordos de extradição em vigor com Hong Kong. Em dezembro de 2022, a Assembleia da República chumbou, pela terceira vez em três anos, uma recomendação proposta pela Iniciativa Liberal para que o Governo português suspendesse os acordos de extradição com a China e Hong Kong.

A região vizinha de Macau assinou em 2019 com Portugal um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos no parlamento.

Editorial do jornal das forças armadas enfatiza guerra anti-corrupção

Um editorial publicado no domingo pelo principal jornal do Exército de Libertação Popular (ELP) da China promete “lutar e vencer a guerra anticorrupção nas forças armadas”.

A China anunciou no sábado a investigação de duas altas patentes oficiais militares, Zhang Youxia e Liu Zhenli, por “suspeitas de graves violações disciplinares e da lei”.

Zhang é membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) e vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC). Liu é membro da CMC e chefe do Estado-Maior do Departamento de Estado-Maior Conjunto da CMC.

No domingo, um editorial do principal jornal das forças armadas chinesas publicou um editorial onde comenta o assunto.

“A decisão tomada pelo Comité Central do PCC de investigar Zhang e Liu demonstrou mais uma vez a posição clara na luta contra a corrupção: nenhum posto está fora dos limites, nenhum terreno é deixado de lado e nenhuma tolerância é permitida”, afirma o Diário do ELP.

“Tal mostra a determinação do Partido em perseverar na luta contra a corrupção e a posição firme de que, independentemente de quem seja ou do cargo que ocupe, qualquer pessoa envolvida em corrupção será tratada sem clemência”, continua o artigo.

Uma batalha difícil

O editorial elogia a investigação como um resultado importante da luta anticorrupção e uma demonstração importante da determinação e força do Partido e exército, acrescentando que “a investigação tem grande significado para vencer essa batalha difícil, prolongada e abrangente dentro das forças armadas”.

“Zhang e Liu, como altos oficiais do Partido e das forças armadas, traíram gravemente a confiança neles depositada, pisaram e minaram seriamente o sistema de responsabilidade final que recai sobre o presidente da CMC”, afirma ainda o artigo.

“Eles alimentaram gravemente problemas políticos e de corrupção que ameaçam a liderança absoluta do Partido sobre as forças armadas e minam a base de governança do Partido”, de acordo com o editorial.

Segundo o artigo, foi gravemente manchada “a imagem e a autoridade da liderança da CMC” e prejudicada “severamente a base política e ideológica da unidade e do progresso entre todo o pessoal militar, causando graves danos aos esforços para fortalecer a lealdade política nas forças armadas, o ambiente político militar e a prontidão geral para o combate, causando um sério impacto adverso no Partido, no país e no exército, afirma o texto.

“Ficou bem demonstrado que quanto mais as forças armadas combatem a corrupção, mais fortes e puras se tornam, com maior capacidade de combate. Quanto mais completamente a corrupção for erradicada, mais confiantes e capazes as forças armadas serão para alcançar as metas do centenário do ELP”, afirma o editorial.

O ano de 2026 marca o lançamento do 15º Plano Quinquenal e “um ano crítico na árdua jornada para alcançar as metas do centenário do ELP”, afirma o artigo, observando que todo o exército deve avançar, com padrões mais elevados e medidas mais práticas.

O editorial pede finalmente “esforços contínuos para confinar o poder dentro da gaiola das restrições institucionais e envidar esforços concertados para erradicar criadouros e condições que favorecem a corrupção. Os membros do Partido e os quadros no exército, especialmente aqueles que ocupam altos cargos, devem fortalecer seus ideais e convicções, aumentar a integridade política e melhorar a sua conduta”.

“As forças armadas devem-se unir mais estreitamente em torno do Comité Central do Partido, com Xi no seu núcleo, implementar o sistema de responsabilidade final que recai sobre o presidente da CMC e acelerar a construção de forças armadas de classe mundial”, conclui.

Moçambique | Reunião em Macau abre caminho a missão humanitária

A delegação de Macau da Dress a Girl Around The World irá realizar uma missão em Moçambique entre 7 e 21 de Fevereiro deste ano, de acordo com um comunicado divulgado ontem pela Associação dos Amigos de Moçambique.

A missão da organização não-governamental (ONG) tem como foco principal a doação de vestuário infantil e material escolar e didáctico a crianças em situações de vulnerabilidade. A associação indica que “face ao flagelo recorrente de eventos climáticos extremos que afectam Moçambique, como secas severas, cheias e ciclones, a iniciativa assume um carácter urgente de solidariedade concreta”.

Os detalhes da missão foram acertados numa reunião na semana passada no Consulado-Geral da República de Moçambique em Macau, em que participaram o cônsul Rodrigues Muebe, representantes da ONG, da Associação dos Amigos de Moçambique em Macau, e o presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia Conselho das Comunidades Portuguesas.

Durante a audiência, foi pedida colaboração ao Consulado-Geral de Moçambique para facilitar a coordenação com as autoridades em Moçambique.

Está previsto que as doações sejam entregues ao Hospital Central de Maputo, com especial foco nas unidades de Oncologia e Pediatria, e à Associação IVERCA, uma agremiação de jovens estudantes e profissionais de turismo que promove o desenvolvimento cultural e ambiental no país.

 

Óbito | Faleceu juiz do Supremo e escritor Rodrigo Leal de Carvalho

Intimamente ligado à Administração Portuguesa de Macau, Rodrigo Leal de Carvalho desempenhou funções de juiz, Procurador da República, Presidente do Tribunal de Contas de Macau e liderou as últimas eleições legislativas

 

O juiz conselheiro e escritor Rodrigo Leal de Carvalho morreu aos 93 anos, anunciou o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) português.

Num comunicado publicado no portal oficial do STJ no sábado, a instituição demonstrou “pesar e consternação” pela morte do juiz conselheiro jubilado e enviou “sentidas condolências” à família de Leal de Carvalho.

Nascido na Praia da Vitória, na ilha Terceira, Açores, em 1932, Leal de Carvalho formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1956, ingressando de seguida na magistratura.

O juiz começou por trabalhar como delegado-interino na ilha do Pico, mas em 1959 foi para Macau, onde viria a viver boa parte da vida, com passagens por Lisboa e pelas então colónias portuguesas da Guiné, Angola e Moçambique.

Já depois da Revolução de 25 de Abril, Leal de Carvalho regressou mais uma vez a Macau, em 1976, como Procurador da República.

Em 1995, foi nomeado juiz conselheiro do STJ e, no ano seguinte, liderou a comissão que organizou as últimas eleições para a Assembleia Legislativa de Macau sob administração portuguesa.

Já em 1996, tornou-se presidente do Tribunal de Contas de Macau, posto que ocupou até às vésperas da transferência da administração da região para a China, em 1999.

Como líder do Tribunal de Contas de Macau, foi em 1998 agraciado com a Medalha de Valor, por decisão do então Presidente Jorge Sampaio.

Foi também em Macau que Leal de Carvalho se estreou como romancista, em 1993, com a publicação de “Requiem por Irina Ostrakoff”, livro que lhe valeu o prémio do Instituto Português do Oriente, no ano seguinte, e que acabou por ser traduzido para chinês, em 1999, e para búlgaro, em 2002.

Seguiram-se os romances “Os Construtores do Império” (1994), “A IV Cruzada” (1996), “Ao Serviço de Sua Majestade” (1996) e “O Senhor Conde e as suas Três Mulheres (1999)”.

 

Fascínio com Macau

Já regressado a Portugal, o juiz continuou a escrever sobre a região chinesa, nomeadamente em “A Mãe” (2000), onde narra a vida de Natasha Korbachenko, nascida na Sibéria, que a revolução bolchevista fez fugir para Xangai e que no pós-guerra do Pacífico acaba por se refugiar em Macau.

Leal de Carvalho publicou ainda “O Romance de Yolanda” (2005), a história de uma macaense que aceita casar-se com um milionário filipino perseguido pela polícia para este obter nacionalidade portuguesa.

O último livro foi “As Rosas Brancas de Surrey” (2007), que tem como palco o “conturbado período da Revolução Cultural”, nos anos 60, em Macau, disse na altura o diário de língua portuguesa Ponto Final.

Este romance integrou uma parceria lançada pelo Ponto Final e pela editora Livros do Oriente para assinalar os cinco anos da transição de administração de Macau.

“Com a recriação de ambientes e experiências vividas em mais de 30 anos no território, Rodrigo Leal de Carvalho afirmou-se como um escritor das memórias da cidade de Macau e do universo do funcionalismo português nas colónias ultramarinas das décadas de 1950 e 1960, sempre enquadradas na conjuntura mundial do século XX”, destacou o STJ.

Casamentos | Crise força a cerimónias simples e menos gastos

Os negócios dos casamentos nunca recuperaram da pandemia. Cerimónias simplificadas, banquetes e orçamentos cortados obrigam a transformações na forma como se celebram os matrimónios. O papel da acompanhante de noiva nos casamentos tradicionais chineses também tem menos procura

Menos complicações e despesas são as palavras de ordem na forma como se celebram casamentos em Macau nos dias de hoje.

Depois da razia absoluta a que a pandemia da covid-19 votou as empresas que operam negócios na área dos casamentos, o sector nunca voltou a recuperar a dimensão de outros dias. O ano de 2025 tinha tudo para resultar na retoma da indústria, por ser considerado um ano auspicioso para casar, de acordo com as superstições do zodíaco chinês. A expectativa para o Ano da Serpente apontava para bons negócios. No entanto, houve uma redução de 13 por cento nos primeiros três trimestres do ano passado.

Na semana passada, o fluxo de pessoas que participaram numa feira dedicada a casamentos, com stands de empresas que catering, maquilhagem, vestuário e joalharia, deixou os empresários optimistas.

Em declarações ao jornal Ou Mun, um empresário de planeamento de casamentos, de apelido Pang, notou o aumento de afluência de noivos em relação ao ano passado. Apesar disso, o empresário afirmou que o ambiente de negócios continua mau, com o tamanho dos banquetes de casamento a ficarem mais pequenos, passando de 20 a 30 mesas no passado, para pouco mais de 10 mesas actualmente. Também os orçamentos dos noivos caíram cerca de 10 por cento, em comparação com o ano passado.

Além disso, Pang salientou que os tradicionais banquetes de casamento caíram um pouco em desuso, com cada vez mais casais a optarem por fazer cerimónias ao ar livre após o registo do matrimónio. A festa fica muitas vezes reduzida a um jantar de família para encerrar a cerimónia.

 

Ajustar à realidade

Para fazer face às mudanças no mercado, o empresário confessou ter alterado a tabela de preços e oferecer um serviço único e simples que reúne todas valências, do catering, à maquilhagem e roupa dos noivos.

Uma das esperanças de Pang é a entrada na idade de casar dos jovens que nasceram no virar do século, assim como o aumento do subsídio de casamento e permite os notários privados celebrarem o casamento.

Também uma acompanhante de noiva, que tem as funções de ajudar a noiva e actuar como uma gerente de todos os rituais do casamento tradicional chinês, deu conta da vontade de simplificar os matrimónios. Como tal, a procura pelos seus serviços também tem diminuído.

Ensino | Song Pek Kei pede mais apoios e incentivos para professores

A deputada Song Pek Kei quer saber como o Governo vai incentivar os professores a participar em cursos de formação profissional. Numa interpelação escrita, a legisladora considera que estas formações são importantes para os docentes conseguirem responder a uma procura educativa cada vez mais diversificada.

A deputada ligada à comunidade de Fujian recordou que nos últimos anos o Governo investiu muitos recursos em cursos de formação no âmbito de ciência e tecnologia para os professores. No entanto, como estes cursos têm vagas limitadas e os professores ainda precisam de dedicar o seu tempo às aulas e outras tarefas escolares, Song Pek Kei indica que os docentes têm pouca vontade, ou tempo livre, para participar em formações profissionais. A legisladora pede assim incentivos de formação.

Além disso, a deputada pede que o Governo revele pormenores das políticas em vigor para facilitar o acesso dos professores de Macau ao ensino em Hengqin. Song explica que actualmente muitas profissões, como médicos e farmacêuticos, conhecem as regras que lhes permitem exercer a profissão em Hengqin. No entanto, ainda não há informações disponíveis sobre o futuro dos professores. Song espera que o Governo acelere o procedimento e que os professores inscritos em Macau fiquem isentos de fazer qualquer tipo de exame para exercer em Hengqin.

Lares | Coutinho pede medidas para reduzir tempos de entrada

Com filas de espera superiores a dois anos, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pede ao Governo mais vagas nos lares e mais apoios

 

José Pereira Coutinho pede ao Executivo que adopte medidas para reduzir os tempos de espera de admissão nos lares públicos e privados subsidiados pelo Governo. O assunto é abordado pelo deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) através de uma interpelação escrita.

Segundo o cenário traçado pelo deputado, as famílias locais enfrentam cada vez mais dificuldades para cuidarem dos mais velhos, porque os agregados familiares são cada vez menores. “Os casais têm cada vez menos filhos e mesmos estes filhos na sua maioria estão activos no mercado de trabalho, denotando-se falta notória de familiares para cuidar dos mais velhos”, justifica o legislador.

Ao mesmo tempo, o “aumento do envelhecimento populacional, a maior expectativa de vida e a diminuição drástica dos nascimentos” criam “enormes pressões às famílias”, principalmente quando os agregados têm membros que sofrem doenças crónicas e precisam de ficar acamados.

“Nestes últimos três anos, o nosso Gabinete de Atendimento aos Cidadãos tem recebido muitos pedidos de apoio por parte de familiares com dificuldades para cuidarem dos seus parentes idosos, principalmente os idosos com alta clínica internados nos hospitais que após recuperação têm de regressar às suas casas”, revela o deputado.

 

Mais vagas
Neste contexto, o deputado defende que a solução tem de passar pela existência de mais vagas nos lares públicos e maiores apoios públicos no acesso ao serviço privado. “Em Macau, o tempo de espera por uma vaga num lar público para idosos ou lar privado, mas subsidiado pelo Governo de Macau, demora cerca dois anos”, avisou. “Que medidas pragmáticas vão ser implementadas para construir mais asilos ou lares para idosos na RAEM para colmatar a falta de vagas e resolver a curto prazo este grave problema?”, questionou.

Coutinho indica também que como há cada vez mais pessoas a tentar entrar nos lares, a tendência é para que as listas de espera continuem a aumentar. Por isso, pede medidas: “Que medidas vão ser implementadas no curto e médio prazo para reduzir o tempo de espera por uma vaga num lar de idosos público ou lar privado, mas subsidiado pelo Governo de Macau?”, perguntou.

Finalmente, o deputado pede “medidas concretas” que estejam em curso para “resolver os problemas dos idosos inscritos na lista” para entrarem nos lares públicos ou privados subsidiados.

CC | Alerta para riscos de burlas com bilhetes na Grande Baía

O Conselho dos Consumidores (CC) emitiu um comunicado a aconselhar os consumidores a comprarem bilhetes para espectáculos na Grande Baía pelos canais oficiais, de forma a evitarem burlas.

“Durante a aquisição, é necessário verificar cuidadosamente as plataformas de venda autorizadas pela entidade organizadora, não acreditando facilmente nas alegações que se encontram nas redes sociais ou plataformas de segunda mão, como ‘bilhetes internos’ ou ‘aquisição através de intermediários’”, consta no alerta. “Além disso, não se deve efectuar transferências fora das plataformas autorizadas, devendo os consumidores boicotar proactivamente a revenda de bilhetes a um preço inflacionado e os serviços de aquisição irregular através de intermediários”, foi acrescentado.

Quer seja em Macau ou no Interior, o CC indica que é necessário recorrer sempre às plataformas oficiais de venda dos bilhetes ou então a plataformas de vendas de bilhetes indicadas como legítimas pelas entidades organizadoras.

“Ao mesmo tempo, deve-se reforçar a consciência relativamente à protecção de dados pessoais, recusando o fornecimento de informações sensíveis, como a identificação ou o número de telemóvel a terceiros desconhecidos, de modo a prevenir riscos de fuga e abuso dessas informações”, foi acrescentado.

Estacionamento | Cobrança de meia hora alargada

A possibilidade de pagar o estacionamento por um período de meia hora, em vez de uma hora, vai ser alargada ao Auto-Silo do Edifício da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Auto-Silo do Edifício Mong In, Auto-Silo do Edifício Mong Sin, Auto-Silo do Edifício Mong Tak e ao Auto-Silo do Centro Desportivo Mong-Há.

A medida entra em vigor a partir de 4 Fevereiro e foi justificada pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) com a intenção de “responder às necessidades de estacionamento de curta duração dos cidadãos e aumentar a taxa de rotatividade dos lugares”. O pagamento de meia hora vai passar assim a abranger um total de 32 parques de estacionamento. “Esta medida proporciona aos cidadãos opções de cobrança mais flexíveis, incentivando a melhor utilização dos recursos de estacionamento público e contribuindo para a melhoria do ambiente de circulação rodoviária”, foi acrescentado.

Nos parques mencionados, o preço a pagar por meia hora passa a ser de 3 patacas por meia hora, entre as 8h e 20h, e de 1,50 patacas entre as 20h e as 8h, no caso dos automóveis ligeiros.

Em relação às motos, o preço a pagar por meia hora é de 1 pataca, entre as 8h e 20h, e de 0,5 patacas, entre as 20h e as 8h.

Espectáculos | Aprovadas novas taxas para utilização de Local ao Ar Livre

O novo modelo de cobrança nos eventos de longa duração torna os preços mais baratos. No início do mês, O Lam admitiu que o Executivo pretende que o espaço seja utilizado para a realização de eventos desportivos ou outras actividades

 

As novas taxas de utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau foram reveladas ontem, variam entre 84 mil patacas e 500 mil patacas por dia e entram em vigor a partir de hoje. A informação sobre a utilização das infra-estruturas no Cotai foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através da publicação de um despacho da secretária para os Assuntos Sociais e Cultural, O Lam.

As novas taxas vêm criar um modelo que permite um preço mais barato para os casos em que o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau é arrendado para eventos mais longos, com uma duração que pode chegar aos 30 dias.

Quando o espaço é ocupado por um período de 30 dias, nos quais há espectáculos em pelo menos dois desses dias, as autoridades passam a cobrar entre 2,52 milhões de patacas e 3,6 milhões de patacas. O preço mais reduzido, que corresponde a uma média de 84 mil patacas é aplicado quando a audiência é inferior a 30 mil pessoas. Se a audiência ultrapassar esse número, a cobrança sobe para uma média de 120 mil patacas por dia.

Anteriormente, caso houvesse a intenção de arrendar o espaço por 30 dias, incluído dois dias de espectáculos, o preço mínimo seria de 5,6 milhões de patacas (média diária de 187 mil patacas) ou 8 milhões de patacas (média diária de 267 mil patacas), sendo mais caro quando a capacidade era de pelo menos 30 mil pessoas.

 

Novo modelo

As alterações vêm tornar mais barato o arrendamento do espaço para a realização de outros tipos de eventos, além dos concertos.

No início do mês, na Assembleia Legislativa, a secretária O Lam admitiu que o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau poderia ser arrendado no futuro para realizar eventos desportivos, como torneios de basquetebol, ou outras actividades mais viradas para as famílias.

Apesar do novo modelo de cobrança, o arrendamento do espaço para espectáculos de curta duração não sofre alterações. Quando a duração é inferior a 30 dias e ou apenas prevê um único dia com espectáculos, as autoridades cobram 350 mil patacas pelo dia do espectáculo, se a audiência for inferior a 30 mil pessoas. Nestas condições, ao preço cobrado acresce 170 mil patacas por cada dia de ensaios e montagens. Se a capacidade for preparada para pelo menos 30 mil pessoas, os organizadores têm de pagar 500 mil patacas por dia de espectáculo e 250 mil patacas por cada dia de ensaios e montagens.

Nos casos em que os espectáculos são efectivamente realizados, os organizadores podem pedir ao Instituto Cultural o reembolso de 25 por cento do valor pago. Esta é uma alteração face ao modelo anterior, porque até agora os organizadores pagavam apenas 75 por cento das taxas previstas. Porém, agora têm de pagar tudo de uma vez, e depois recebem o reembolso.