In Memoriam do Chef António Coelho Jorge Rodrigues Simão - 16 Out 2025 “I love Portuguese food. I love the traditional and authentic cuisine. It’s the one I learned in Portugal. For me, that’s very important because I prefer the traditional things.” Chef António Neves Coelho O guardião da culinária luso-macaense e querido amigo, Chef António das Neves Coelho, deixou-nos no dia 12 de Outubro de 2025, no Hospital Conde de São Januário. Figura maior da gastronomia portuguesa em Macau, mentor de gerações, defensor da autenticidade culinária e símbolo de resiliência institucional. A sua partida representa uma perda irreparável para a cultura gastronómica da RAEM e para a memória afectiva de todos os que com ele partilharam mesa, cozinha e sonhos. O Chef António cresceu entre aromas de azeite, alho e vinho tinto. Desde cedo, revelou uma vocação rara para a cozinha, não apenas como técnica, mas como narrativa cultural. A sua formação passou por casas emblemáticas da gastronomia portuguesa, onde aprendeu a respeitar os ingredientes, os tempos e os afectos que compõem a tradição culinária. A sua carreira internacional levou-o a três continentes e, finalmente, a Macau território onde cumpriu o serviço militar e encontrou o seu verdadeiro palco. A partir de 1997, consolidou-se como Executive Chef e gestor de operações em espaços de referência, tornando-se um dos principais embaixadores da cozinha portuguesa e macaense. Macau não foi apenas o seu destino profissional mas o seu lar espiritual. António compreendeu que a culinária macaense não é apenas uma fusão de sabores, mas também de histórias. Com sensibilidade e rigor, tornou-se defensor da preservação das receitas tradicionais, da valorização dos ingredientes locais e da formação de equipas multiculturais com espírito de missão. Fundou uma marca própria, onde actuou como director culinário e gestor geral por mais de uma década no António Restaurante recebendo 12 recomendações Michelin, entre outras. A sua liderança era marcada por uma combinação rara de exigência técnica, empatia humana e visão estratégica. A sua cozinha era feita de azeite e afecto, de técnica e ternura, de rigor e poesia. O seu contributo foi reconhecido por duas distinções de elevado prestígio como a Medalha de Mérito Turístico, atribuída pelo Governo da RAEM, em reconhecimento pelo seu papel no desenvolvimento do sector da hospitalidade e da cultura gastronómica local e a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, atribuída pelo Governo de Portugal, pela sua acção como ponte cultural entre continentes e pela promoção da identidade portuguesa no exterior. Estas honrarias não foram apenas troféus mas testemunhos da sua dedicação à causa pública, à cultura e à excelência. Em 2024, o Chef António assumiu a liderança de um novo projecto gastronómico no Angela Café & Lounge do Lisboeta Macau. Ali, criou um menu que celebrava a essência portuguesa e macaense, com pratos como bacalhau à lagareiro, arroz de marisco e sobremesas com toque conventual. O espaço tornou-se um ponto de encontro entre tradição e modernidade, entre turistas e locais, entre memória e futuro. A sua equipa, formada e inspirada por ele, continua a representar os pilares da sua visão com dedicação, criatividade e compromisso com a excelência. O falecimento do Chef António representa uma perda humana e institucional de grande significado. Mas o seu legado permanece vivo na memória dos clientes que saborearam os seus pratos; na formação dos profissionais que com ele aprenderam; na identidade institucional dos espaços que ajudou a construir e na cultura gastronómica de Macau e da diáspora portuguesa A sua obra não termina com a sua partida mas continua em cada receita preservada, em cada gesto técnico transmitido e em cada valor ético defendido. Mais do que um Chef, António foi guardião da alma gastronómica luso-macaense. A sua vida foi uma ponte entre continentes, sabores e gerações. A sua cozinha era feita de memória e inovação, de técnica e ternura, de rigor e poesia. Que a sua memória continue viva em cada prato servido, em cada história contada e em cada jovem profissional que ousa sonhar com uma cozinha que respeita o passado e transforma o presente. Antes da sua partida, o Chef António deixou à sua legatária um conjunto precioso de receitas que não são meros registos técnicos, mas autênticos troféus da culinária portuguesa, lapidados ao longo de décadas de prática, reflexão e paixão. Este legado não é apenas um acervo gastronómico mas uma herança cultural, uma carta de intenções e uma missão a cumprir. Cada receita representa um capítulo da sua vida, uma memória partilhada, uma homenagem silenciosa às raízes que o formaram. São pratos que carregam o sabor da infância, o rigor da formação clássica, a ousadia da reinvenção e a ternura da maturidade. São fórmulas que não se limitam a ingredientes e quantidades pois contêm gestos, silêncios, tempos de espera, e sobretudo, intenção. A legatária, escolhida com discernimento e confiança, não recebeu apenas um caderno de receitas. Recebeu um testamento culinário, um mapa de valores e uma responsabilidade institucional. Caber-lhe-á agora executar, preservar e reinterpretar essas criações com fidelidade e coragem, mantendo viva a chama da autenticidade sem cair na rigidez da repetição. Na tradição portuguesa, a transmissão de receitas é um acto de intimidade e respeito. Não se trata apenas de ensinar mas de confiar. O Chef António compreendia isso profundamente. Por isso, as receitas que deixou não foram divulgadas em massa, nem transformadas em produto comercial. Foram entregues a quem soube compreender o seu espírito, a quem partilhou com ele o quotidiano da cozinha e a quem demonstrou capacidade técnica e sensibilidade humana. Essas receitas incluem pratos clássicos e sobremesas conventuais reinterpretadas com ingredientes locais. Mas incluem também criações inéditas, pensadas para ocasiões especiais, menus temáticos e homenagens culturais. São pratos que nunca chegaram ao público, mas que agora poderão ser revelados com o cuidado que merecem. Executar estas receitas não é apenas reproduzir sabores mas encarnar uma filosofia. A legatária terá de manter o equilíbrio entre fidelidade e evolução, técnica e emoção, tradição e contemporaneidade. Terá de respeitar os tempos, os gestos, os silêncios que o Chef António ensinou. Terá de compreender que cada prato é também uma mensagem, uma memória e uma afirmação de identidade. Mais do que cozinhar, terá de curar no sentido museológico e afectivo. Curar o legado, protegê-lo da banalização e apresentá-lo com dignidade. Terá de formar outros, transmitir os valores que recebeu, garantir que o legado não se extingue com o tempo, mas se multiplica com sentido. Este trabalho não é apenas gastronómico mas curatorial, educativo e diplomático. É uma forma de afirmar que a cozinha é também cultura, que o prato é também documento e que o sabor é também memória. As receitas deixadas pelo Chef António são sementes. Cabe agora à legatária e à instituição envolvida cultivá-las com respeito, regá-las com conhecimento e fazê-las florescer com criatividade. Cada vez que uma dessas receitas for servida, será como se o Chef António estivesse presente não como sombra, mas como luz. Este legado é um presente raro. E como todo o presente precioso, exige cuidado, tempo e amor. Que seja honrado com a mesma generosidade com que foi concebido. Que seja partilhado com a mesma elegância com que foi vivido. Que seja perpetuado com a mesma paixão com que foi criado. Porque na cozinha, como na vida, o que permanece não é o que se repete é o que se respeita.
GP Macau | Listas de inscritos apresentadas não desapontaram Sérgio Fonseca - 16 Out 2025 Na passada segunda-feira, a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau apresentou a 72.ª edição do maior evento desportivo do território. No total, serão sete grelhas de GT, turismos, monolugares e motos que proporcionarão, entre corridas de qualificação e corridas, um total de onze imprevisíveis batalhas pela vitória no sempre carismático e mundialmente respeitado Circuito da Guia A RAEM terá 19 pilotos no total, espalhados por quatro corridas do programa, visto que não terá pilotos nem na prova de GT, nem no Grande Prémio de Motos ou na Corrida da Guia. O território estará representado por Charles Leong Hon Chio no Grande Prémio de Macau – Taça do Mundo de FR da FIA. O campeão da classe PRO desta temporada do Lamborghini Super Trofeo Asia passa à Fórmula Regional, uma categoria que não corre desde 2020, quando esta ainda se chamava F3 (!) na Ásia. Tiago Rodrigues, na sua terceira participação no evento, e Marcus Cheong, na sua segunda, defenderão as cores da RAEM na primeira edição da Taça do Mundo de F4, uma corrida que contará com sete ex-campeões de F4 ou equivalente. O restante da comitiva do território competirá na Taça GT – Corrida da Grande Baía, com sete pilotos, e na Macau Roadsport Challenge, com nove. É preciso recuar aos inícios dos anos 1970 para encontrarmos uma presença de pilotos de matriz portuguesa tão reduzida num Grande Prémio. Para além do jovem Tiago Rodrigues, estarão presentes os veteranos do território Rui Valente e Jerónimo Badaraco, ambos na corrida Macau Roadsport Challenge. O universo da lusofonia completa-se com o brasileiro Ethan Nobels, que se estreará no Circuito da Guia na prova de F4. A última representação de Portugal na prova remonta ao Grande Prémio de Motos de Macau de 2022, quando André Pires e Sheridan Morais superaram o confinamento obrigatório, com Morais a conquistar um pódio, um feito único para o motociclismo português. Nos automóveis, a última participação foi em 2019, quando Tiago Monteiro conduziu um Honda Civic Type-R TCR na Corrida da Guia. Curiosamente, numa altura em que há um aumento da participação feminina em provas de automobilismo a nível mundial, não há uma única senhora entre mais de cento e sessenta pilotos inscritos no Grande Prémio. Mercedes borra a pintura Depois de dois anos com pelotões com duas dezenas de carros GT3, a Taça GT Macau – Taça do Mundo de GT da FIA está novamente a baixo desse número de referência. Felizmente, os dezasseis carros de seis construtores diferentes, incluindo o regresso da McLaren, serão conduzidos por pilotos de credenciais mundiais. Nomes conhecidos de Macau, como Edoardo Mortara ou Raffaele Marciello, a que se junta o novo herói do automobilismo chinês, o vencedor das 24 Horas de Le Mans, Ye Yifei, apaziguam eventuais desilusões. Caso a Audi Sport Asia, numa altura em que a marca de Ingolstadt está a desinvestir nas provas de GT, tivesse recuado, teríamos menos carros que na edição de 2018, onde alinharam apenas quinze máquinas. A introdução de sensores de binário na corrida deste ano – uma decisão onerosa da inteira responsabilidade da FIA – esteve no cerne da decisão da Mercedes-AMG de não participar no evento. O modelo de negócio da marca alemã passa por inscrever carros em parceria com equipas da região no evento. No Sudeste Asiático, os carros estão constantemente em movimento através de transporte em contentores, deixando poucas oportunidades para trabalhos de conversão e testes dos sensores, algo imperativo para a Mercedes-AMG. Todos estão certos de que a marca de Estugarda voltará ao Circuito da Guia num futuro próximo, mas este ano Maro Engel não poderá defender a coroa conquistada no ano transato. Clássicas mantém a áurea Confirmada a ausência de Michael Rutter, havia muita apreensão sobre a lista de inscritos do Grande Prémio de Motos, mas a presença de Davey Todd, o vencedor do ano passado, e de Peter Hickman manterá a prova no radar internacional. Doze países, todos europeus, estarão representados numa grelha que este ano contará com quatro estreantes, enquanto das quatro marcas presentes, a BMW e a Honda somam mais de 70% das vinte inscrições. Notavelmente, nenhum piloto compete montado numa Kawasaki, marcando a primeira vez nesta década que a empresa, que no próximo ano celebra 130 anos desde a sua fundação, não tem presença na principal corrida de estrada de motociclismo da Ásia. Numa altura em que as corridas de Turismo vivem um momento menos pujante a nível mundial, a Corrida da Guia tem já vinte e quatro carros inscritos, sendo que três ainda terão que ser preenchidos por pilotos a nomear. A presença das estrelas do FIA TCR World Tour, que volta a ser decidido no circuito território, é sempre sinónimo de um bom espectáculo em pista.
Apple | Tim Cook vai reforçar presença e cooperação com a China Hoje Macau - 16 Out 2025 O presidente executivo da Apple, Tim Cook, garantiu ontem ao ministro chinês da Indústria e Tecnologia da Informação que a tecnológica norte-americana vai reforçar o investimento e aprofundar a cooperação com a China, visando um desenvolvimento “mutuamente benéfico”. Durante o encontro em Pequim, as duas partes discutiram a situação da empresa norte-americana no país e possíveis áreas de colaboração nos sectores da electrónica e tecnologia da informação, segundo um comunicado do ministério chinês O ministro Li Lecheng sublinhou que a China dispõe de um “mercado de enorme dimensão” e de um sistema industrial completo, o que representa “elevado potencial de investimento e consumo”. O governante reiterou que o país vai continuar a promover uma “abertura de alto nível” ao exterior e fomentar a “industrialização inteligente” e a “inteligência industrial”, criando um ambiente propício ao investimento estrangeiro, incluindo o da Apple. O ministro expressou ainda o desejo de que a Apple aprofunde a sua presença no mercado chinês, colaborando com empresas locais em inovação, desenvolvimento e ao longo da cadeia de abastecimento, além de participar “activamente no novo processo de industrialização” do país. Presente na China há duas décadas, a Apple mantém uma vasta rede de fornecedores e parceiros de montagem no país, onde continua concentrada uma parte significativa da sua produção global, apesar de nos últimos anos ter começado a diversificar parte da manufactura para outros países asiáticos. Na segunda-feira, Cook anunciou que o novo iPhone Air será lançado na China continental a 22 de Outubro, coincidindo com a entrada em vigor do serviço eSIM – cartões electrónicos – disponibilizado pelas três principais operadoras chinesas. A chamada “Grande China” – que inclui a China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan – representa o terceiro maior mercado da Apple, atrás apenas das Américas e da Europa.
Função pública | Abertas candidaturas até aos 43 anos para combater maldição dos 35 Hoje Macau - 16 Out 2025 A China vai aumentar de 35 para 43 anos o limite de idade para algumas vagas no funcionalismo público, tentando responder à discriminação etária crescente e à chamada “maldição dos 35” no mercado de trabalho. Segundo o plano de recrutamento divulgado ontem pelo Governo central, candidatos com mestrado ou doutoramento poderão concorrer aos exames nacionais para cargos públicos até aos 43 anos, enquanto o limite para os restantes candidatos sobe dos actuais 35 para 38 anos. A medida, que segue iniciativas semelhantes adoptadas por vários governos locais, surge num contexto de elevado desemprego e forte concorrência por empregos estáveis no sector estatal, em particular entre os jovens. O ajustamento coincide também com a decisão de Pequim de aumentar gradualmente a idade de reforma em até cinco anos, no quadro do envelhecimento acelerado da população. A discriminação etária é um tema de debate aceso na China, onde muitos trabalhadores relatam dificuldades em encontrar emprego após os 35 anos, tanto no sector público como no privado. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, o académico Peng Peng, do grupo de reflexão Guangdong Society of Reform, afirmou que o Governo “pretende dar o exemplo e incentivar as empresas privadas a adoptar práticas mais inclusivas”, salientando que “a discriminação por idade é generalizada, desde a aviação até à restauração”. Para Peng, a flexibilização das regras também permitirá atrair profissionais mais qualificados, uma vez que “cada vez mais pessoas concluem estudos de pós-graduação apenas na casa dos 30 anos”. Actualmente, ao contrário da China, a maioria dos países ocidentais não impõe limites etários para o ingresso na função pública.
UE procura resposta coordenada com G7 a restrições de terras raras Hoje Macau - 16 Out 2025 A União Europeia (UE) quer coordenar com o G7 uma resposta conjunta ao anúncio da China sobre a imposição de novas restrições à exportação de terras raras, afirmou ontem o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic. “Não podemos ficar de braços cruzados, precisamos de uma resposta coordenada. Estou em contacto próximo com os meus parceiros do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais representante da UE)”, declarou o comissário eslovaco numa conferência de imprensa, no final de uma reunião informal de ministros dessa área dos 27, classificando a medida da China como “injustificada” e sublinhando estar também em contacto com Pequim para encontrar uma solução. Sefcovic instou a um “tratamento justo” para as empresas europeias e criticou a “enorme incerteza” que estas restrições criam para as empresas. “Precisamos de uma atitude mais firme em relação à China”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, que acolheu a reunião, organizada pela presidência dinamarquesa do Conselho da UE em Horsens (oeste da Dinamarca), na mesma conferência de imprensa. Das dificuldades Antes do início da reunião, Rasmussen tinha defendido uma “resposta dura” e instado a “exibir força”, apontando a UE como o maior bloco comercial do mundo. À chegada a Horsens, Sefcovic destacou a “grave preocupação” manifestada pelos ministros da UE e lamentou que a China tenha aprovado apenas metade das licenças de exportação enviadas pelas empresas europeias, o que dificulta o planeamento das empresas. “Já transmitimos as nossas preocupações à China, e estão em curso conversações com altos responsáveis. Solicitei uma videoconferência com o meu homólogo chinês, que provavelmente se realizará no início da próxima semana”, disse. A China defendeu a legitimidade das novas restrições impostas na semana passada à exportação de terras raras e garantiu que o seu impacto nas cadeias de abastecimento será limitado, exortando as empresas a não se preocuparem. A medida chinesa surge em plena guerra comercial desencadeada pelos Estados Unidos nos últimos meses, com a imposição de elevadas tarifas alfandegárias a produtos de todos os países.
Moçambique | China perdoa juros dos empréstimos concedidos até 2024 Hoje Macau - 16 Out 2025 Além do perdão da dívida, o Governo chinês ainda anunciou a doação de 100 milhões de yuan à antiga colónia portuguesa O Governo chinês perdoou os juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até 2024 e anunciou a doação de 12 milhões de euros ao país africano, disse hoje a primeira-ministra moçambicana, Benvida Levi. “Tivemos duas notícias positivas vindas do Presidente [chinês], Xi Jinping, uma das notícias foi a doação ao nosso país de 100 milhões de yuan — a moeda chinesa — [equivalente a 12 milhões de euros] e o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até o ano de 2024”, disse Levi, que falava aos jornalistas após uma visita de dois dias à China. O anúncio foi feito pela primeira-ministra moçambicana após audiência com o Presidente chinês, num encontro que, segundo a governante, serviu também para partilhar os principais instrumentos de governação de Moçambique, nomeadamente o Plano Quinquenal do Governo (PQG) e o Plano Económico Social e Orçamento do Estado (PESOE). “Juntos identificámos algumas áreas de seguimento. A nosso ver, e também concordado com a parte chinesa, nós queremos concentrar nos investimentos na agricultura, e em toda a sua cadeia de valor, na formação técnica profissional e na saúde”, disse Levi. Para o sector da educação, no qual o apoio chinês permitiu a construção do Instituto Politécnico de Muanza, no centro de Moçambique, o Governo Moçambique pede mais investimento na área técnico profissional, para permitir a construção de mais escolas noutros pontos do país. Mais de 14 por cento da dívida externa de Moçambique era detida, em Março deste ano, pela China, o maior credor bilateral do país, com um ‘stock’ de 1.383 milhões de dólares, segundo dados do Governo moçambicano. O anterior embaixador da China em Moçambique, Wang Hejun, estimou, em Abril passado, que os investimentos chineses em Moçambique ascendem já a 9,5 mil milhões de dólares. No ano passado, o valor do comércio bilateral atingiu 5,6 mil milhões de dólares, referiu igualmente o diplomata. Propósitos definidos Os investimentos chineses em Moçambique estão assentes nas áreas das infraestruturas, energia e extração de recursos naturais, para além da crescente presença empresarial em sectores estratégicos da economia moçambicana. Um documento, assinado em 2016 entre os dois países, estabeleceu 14 princípios que deveriam nortear as relações bilaterais, abrindo espaço, para além do comércio e investimento, para o fortalecimento de contactos entre o exército, polícia e serviços de informações. O acordo prevê que a China disponibilize assistência técnica às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), incluindo formação de quadros, fornecimento de equipamento e acessórios, num total de cerca de 11,5 milhões de dólares. Em Junho de 2024, os ministros da Defesa de ambos os países expressaram a intenção de elevar a cooperação militar para um novo nível, reforçando a partilha de informação, formação conjunta e capacidade de Defesa, no âmbito do Comité Conjunto de Defesa Moçambique-China. No mesmo ano, os exércitos dos dois países participaram no exercício “Peace Unity 2024” na Tanzânia, com foco em operações contra o terrorismo, reforço das capacidades de contra-insurgência e troca de informação.
Filosofia e História: Interpretando a “Era Xi Jinping” Hoje Macau - 16 Out 2025 Por Jiang Shigong Jiang Shigong (强世功, nascido em 1967) é professor da Universidade de Pequim e um dos quadros mais importantes do Partido Comunista Chinês (PCC) na área da filosofia, uma figura central no pensamento que defende um caminho de desenvolvimento distinto para a China, baseado nas suas próprias tradições e realidades, em contraponto com os modelos ocidentais. Uma leitura importante para compreender o modo como a filosofia clássica é integrada na via actualmente percorrida pela liderança chinesa e onde igualmente se referem as diferenças entre o “Ocidente metafísico” e a “China histórica”. (continuação do número anterior) O comunismo e o grande renascimento da nação chinesa O segundo posicionamento da era Xi Jinping realizado no relatório ao 19.º Congresso do Partido é o seu posicionamento na história da civilização chinesa. A civilização chinesa já alcançou as maiores conquistas da era agrícola da história da humanidade e, por meio das relações comerciais facilitadas pelas Rotas da Seda terrestres e marítimas, trocou e aprendeu com a civilização ocidental. Quando o Ocidente entrou no período sombrio da Idade Média, os europeus em busca de comércio com a Ásia descobriram acidentalmente o novo continente americano, o que deu origem à era do imperialismo europeu em todo o mundo. De acordo com a visão dos «estudiosos da Califórnia» dos Estados Unidos, antes do século XVIII, a China era, no mínimo, o centro da economia mundial. Na época, a cultura chinesa era invejada pelo Ocidente, e a prosperidade da China era uma força importante na criação da globalização. No entanto, desde 1840, a China moderna passou por humilhações e misérias. Desde o Movimento de Autofortalecimento, passando pelas Reformas de 1898 e pela Revolução de 1911, inúmeras almas corajosas buscaram continuamente o caminho para a renovação da nação, mas sem sucesso. Somente em 1921, com a fundação do PCC, a história do povo chinês passou por uma transformação fundamental. Como partido político marxista, o ideal político mais elevado do PCC sempre foi a chegada do comunismo. Mas, na história real dos esforços para alcançar esse ideal mais elevado, surgiu dentro do partido, desde o início, uma luta entre duas linhas revolucionárias. Uma era «tomar a Rússia como nosso mestre» e, assim, posicionar a revolução chinesa no panorama global do movimento comunista internacional, copiando cegamente a linha revolucionária da Rússia Soviética. A outra linha estava enraizada no solo da China e posicionava a revolução chinesa na história moderna chinesa, com o objectivo de criar uma nova linha revolucionária baseada nas realidades chinesas. Durante a Guerra Antijaponesa, essa contradição tornou-se a questão de se priorizar a luta de classes ou a luta nacional. Após a reunião de Wayaobao 瓦窑堡 em dezembro de 1935, quando foi apresentada a teoria de que o PCC poderia conter «duas vanguardas», representando tanto as classes trabalhadoras como o povo chinês como um todo, a ideologia política do PCC evoluiu para a unidade orgânica do comunismo e do nacionalismo, o que deu início ao gradual desenrolar da sinificação do marxismo. Após a fundação da Nova China, o PCC baseou-se na sua crença nos ideais do socialismo e do comunismo para arquitectar uma mobilização social abrangente, que libertou uma grande força política para estabelecer a base institucional da República Popular. Mas após a «Revolução Cultural», a China entrou numa crise de confiança sem precedentes. Diante disso, Deng Xiaoping usou a teoria do período inicial do socialismo para projectar o comunismo num futuro mais distante e também apresentou a “teoria do socialismo com características chinesas”. No entanto, como as pessoas em geral não tinham o apoio de uma crença espiritual genuína nessa teoria, os valores do capitalismo ocidental aproveitaram-se da situação e rapidamente passaram a dominar a sociedade, o que provocou uma tempestade política. Foi neste contexto que Jiang Zemin 江泽民 (nascido em 1926), numa palestra na Universidade de Harvard em 1992, utilizou pela primeira vez o slogan relativo ao «grande renascimento da nação chinesa» 中华民族的伟大复兴 e, pouco depois, também propôs o conceito das «Três Representações». O primeiro consolida a força espiritual de todo o Partido e do povo de toda a nação por meio do nacionalismo, e o segundo permite que o PCC represente os interesses políticos das novas camadas sociais emergentes, evitando com sucesso a crise de representatividade que ocorreria se o Partido pudesse representar apenas os interesses dos trabalhadores e camponeses. Mais tarde, Hu Jintao 胡锦涛 (nascido em 1942) deu um passo adiante ao oferecer sua noção de “construção avançada” 先进性建设 do Partido, de modo a evitar a situação em que o PCC perderia a confiança nos seus ideais e se tornaria um partido político de grupos de interesse cujo objectivo fosse a simples harmonização de vários interesses, evitando assim tornar-se um «Partido de todo o povo 全民党» como o da antiga União Soviética. Pode-se dizer que, no processo de desenvolvimento da teoria do socialismo com características chinesas, o lançamento do slogan «o grande renascimento da nação chinesa» foi uma mudança fundamental. Do ponto de vista da história da civilização chinesa, o grande renascimento da nação chinesa significa que a China está a seguir o período Shang-Zhou, o período Qin-Han, o período Tang-Song e o período Ming-Qing, entrando no quinto período de renascimento geral. A brilhante imaginação política de milhares de anos de civilização chinesa preenche com sucesso o vazio espiritual deixado pelo enfraquecimento da visão comunista. Essa confiança política nacionalista tornou-se uma importante força espiritual que consolida todo o Partido e o povo de toda a nação; essa autoconfiança nacional e sentimento de orgulho são benéficos para a estabilidade política da China e impulsionaram a economia chinesa através de sua rápida ascensão. Após o 18.º Congresso do Partido, Xi Jinping deu um passo adiante e elevou o grande renascimento da nação chinesa ao nível do «Sonho Chinês» 中国梦, proporcionando ao povo chinês uma visão futura de uma vida ideal. É claro que, se não tivermos a orientação dos ideais mais elevados e da fé do comunismo e confiarmos apenas no grande renascimento da nação chinesa, a China poderá muito bem perder o rumo. Do ponto de vista das relações internacionais, slogans nacionalistas simplistas podem facilmente provocar reacções nacionalistas e preocupações noutros países, especialmente nos países próximos da China. É por isso que a teoria ocidental da “ameaça chinesa” é tão atraente. Os ocidentais muitas vezes partem de sua própria experiência histórica como hegemonia e interpretam o grande renascimento da nação chinesa como uma restauração da soberania histórica da China no Leste Asiático, vendo assim a ascensão da China como um desafio à hegemonia ocidental. O “voltar para a Ásia” dos Estados Unidos e os seus ataques à China em questões relacionadas ao Mar da China Oriental e ao Mar da China Meridional usam isso como desculpa. Os estudiosos ocidentais sempre vêem erroneamente a ascensão da China como uma repetição do desafio da Alemanha à hegemonia inglesa ou do desafio da União Soviética aos Estados Unidos, e começaram a prestar atenção ao que chamam de «armadilha de Tucídides». O que a «Uma Faixa, Uma Rota» propõe é um novo conceito e estrutura para «negociar, construir e partilhar em conjunto» com base na promoção do comércio livre global, que irá recriar a prosperidade e a estabilidade que o comércio entre o Oriente e o Ocidente durante a era da Rota da Seda produziu. Mas, na visão de mundo da hegemonia ocidental, as propostas da «Uma Faixa, Uma Rota» foram entendidas como uma estratégia política regional digna de Halford Mackinder e Alfred Thayer Mahan. Eles usam isso para semear a discórdia entre a China e os países envolvidos na «Uma Faixa, Uma Rota», na esperança de conter o desenvolvimento da China. Da perspectiva da política interna da China, o grande renascimento da nação chinesa não está necessariamente em contradição com os sistemas democráticos liberais ocidentais. Os liberais chineses viram novas possibilidades políticas nisso, o que resultou em divisões dentro das fileiras liberais, nas quais um grupo começou a ajustar a sua estratégia, vendo a sua fetichização passada dos direitos individuais e dos mercados livres, e a sua consequente oposição à nação e ao povo, como uma espécie de imaturidade política. Este grupo apressou-se a abraçar a ascensão da nação como um sujeito político. Isto estimulou o desenvolvimento do «grupo do grande país» 大国派, que argumenta que só adoptando uma constituição democrática liberal é que podemos realmente levar a cabo o grande renascimento da nação chinesa. Para eles, as constituições inglesa e americana devem tornar-se o modelo para a ascensão da política chinesa, enquanto os fracassos da Alemanha e da antiga União Soviética servem como lições negativas para a ascensão da China. Ao mesmo tempo, com o lançamento do slogan do grande renascimento da nação chinesa, também surgiu um grupo de conservadores culturais. Eles transformaram-se numa espécie de «grupo de renascimento da antiguidade» 复古派 e defendem a «confucionização do Partido», negando as conquistas históricas da revolução nacionalista liderada pelo PCC em termos de igualdade e chegando ao ponto de negar o Movimento Quatro de Maio e a Revolução Republicana. Nesse contexto, os resquícios do pensamento restauracionista feudal vieram à tona, unindo-se ao capital comercial e ao capital cultural, na esperança de que essas relações e interesses feudais penetrem no Partido. Pode-se dizer que essas duas correntes de pensamento político se uniram ao pensamento liberal sobre a chamada “reforma das instituições políticas” para apresentar um desafio à autoridade política da liderança do PCC no país e ao sistema político. Neste contexto, a renovada insistência de Xi Jinping nos ideais e crenças comunistas determinou os mais altos ideais e crenças e a direção final do desenvolvimento do grande renascimento da nação chinesa. Tanto o utopismo como o comunismo são ideias que têm as suas origens na tradição civilizacional ocidental. Foi a concepção histórica cristã do tempo linear que mudou a visão clássica do tempo como cíclico. Isto não só plantou as sementes do pensamento utópico que imaginava um futuro belo, como também introduziu a noção do desenvolvimento do progresso social na teoria ocidental. Por esta razão, os estudiosos ocidentais acreditam que a teologia cristã da salvação e as visões do progresso histórico na teoria moderna fazem parte da mesma genealogia, e alguns atribuem a ascensão do comunismo ao gnosticismo cristão. É por isso que o marxismo pode ser interpretado como uma versão secular do determinismo. Mas Marx enfatizou consistentemente que o «comunismo» deve ser transformado de utopismo em socialismo científico, o que significava que o comunismo tinha de ser realizado na vida real, tornando-se um estado concreto de vida sujeito a testes, no qual o «comunismo» se tornaria uma «sociedade comunista» num sentido verdadeiramente científico. Se dissermos que, na época de Marx, o socialismo ainda não havia sido construído, o que significa que o comunismo só poderia ser uma noção filosófica distante, então, depois que a Rússia Soviética e a China construíram países socialistas, o «cronograma» e o «projecto» para a realização da sociedade comunista tornaram-se mais acessíveis. O comunismo enfrenta agora o desafio de ser transformado de um conceito filosófico numa «sociedade comunista» com instituições e estruturas concretas. Seja no caso da fantasia de Lenine de «poder soviético mais electrificação» ou da imaginação de Mao Zedong de comer da «panela comunitária» no período das Comunas Populares, os ideais, uma vez que descem ao mundo, perdem o seu brilho original. Foi precisamente a tensão interna entre o comunismo como conceito filosófico e a construção de uma sociedade comunista de maneira genuinamente científica que levou Mao Zedong a começar a questionar-se sobre questões filosóficas básicas, como se a sociedade comunista fosse uma contradição nos seus termos. É como a «busca do milénio» no cristianismo, em que o retorno de Deus à Terra só pode ser repetidamente adiado. Se realmente experimentássemos o julgamento de Deus aqui na Terra, o cristianismo também poderia perder parte do seu brilho. O que devemos prestar especial atenção é ao facto de que, quando Xi Jinping enfatiza um retorno aos princípios comunistas, ele não está a falar da «sociedade comunista» que era parte integrante do socialismo científico, mas está a usar a ideia de que «aqueles que não esquecem sua intenção original 不忘初心 prevalecerão», extraída da cultura tradicional chinesa. Ao fazer isso, ele remove o comunismo do contexto social específico da tradição científica empírica ocidental e astutamente o transforma no Estudo do Coração da filosofia tradicional chinesa, o que, por sua vez, eleva o comunismo a uma espécie de fé ideal ou crença espiritual. Por esta razão, o comunismo nunca mais será como era sob Mao Zedong — algo que deveria assumir uma forma social real no aqui e agora — mas é, em vez disso, o ideal e a fé mais elevados do Partido. Tornou-se parte da educação e do cultivo do Partido, o «Estudo do Coração» do PCC. O comunismo não é apenas uma sociedade concreta a ser realizada num futuro distante, mas também o ideal mais elevado que será absorvido pela prática política actual, um estado espiritual vibrante. O comunismo não é apenas uma bela vida futura, mas também, e mais importante, o estado espiritual dos membros do Partido Comunista na sua prática da vida política. Desta forma, o comunismo funde-se com o processo histórico específico e a vida quotidiana como ideais e lutas. Precisamente no contexto da cultura tradicional chinesa, a compreensão deste ideal mais elevado já não é a de Marx, que pensava dentro da tradição teórica ocidental; já não está no Jardim do Éden da humanidade, «não alienado» pela divisão do trabalho dentro da sociedade. Em vez disso, está intimamente ligado ao ideal de «Grande Unidade sob o Céu» 天下大同 da tradição cultural chinesa. A última secção do relatório ao 19.º Congresso do Partido começa com a frase «quando a Via prevalece, o mundo é partilhado por todos» 大道之行,天下为公, um ideal supremo que encoraja todo o Partido e o povo de toda a nação. E no conteúdo específico do relatório também encontramos a passagem, desenvolvida com base na noção de “Grande Unidade sob o Céu” da tradição chinesa, no sentido de que “os jovens terão educação, os estudantes terão professores, os trabalhadores terão remuneração, os doentes terão médicos, os idosos terão cuidados, aqueles que procuram habitação terão habitação, os fracos terão apoio”. Por esta razão, voltando ao tema de «não esquecer as intenções originais», no seu discurso de 2016 comemorativo do 95.º aniversário do PCC, Xi Jinping utilizou o termo «intenções originais» para se referir aos grandes ideais do comunismo e, no relatório ao 19.º Congresso do Partido, referiu-se a «procurar a felicidade do povo chinês, procurar o renascimento da nação chinesa». A diferença entre os dois é que, para todo o Partido, o «discurso de 1 de julho», que celebra a fundação do Partido Comunista Chinês, é uma reflexão intelectual altamente filosófica e um baptismo espiritual, razão pela qual ele prestou ainda mais atenção aos mais elevados ideais do comunismo e os transformou no «Estudo do Coração» para os membros do PCC. Em contrapartida, o relatório ao 19.º Congresso do Partido está mais preocupado com todo o Partido, com a sua missão nesta fase da história e com estratégias concretas de governação, e, por isso, ele dá mais atenção ao grande renascimento da nação chinesa, uma crença e um objectivo mais prementes, em que o comunismo ocupa o seu lugar no trabalho concreto de construção do Partido como um valor socialista fundamental. Podemos dizer que a nova leitura de Xi Jinping dos conceitos comunistas é um modelo da sinificação do marxismo na nova era, na qual o marxismo não deve apenas ser integrado à situação actual da China, mas também absorvido pela cultura chinesa. Por esta razão, a mais elevada busca espiritual do comunismo e a realização do grande renascimento da nação chinesa são mutuamente complementares e, juntas, tornaram-se os pilares espirituais através dos quais Xi Jinping consolidou todo o Partido e os povos de toda a nação. É precisamente por causa de sua fé nos ideais do comunismo que o grande renascimento da nação chinesa não pode, de forma alguma, retornar ao passado da China, mas deve, em vez disso, «renovar um país antigo». O grande renascimento da nação chinesa deve estar intimamente ligado à construção do socialismo com características chinesas. Se dissermos que, durante a era de Deng Xiaoping, a ênfase no slogan «socialismo com características chinesas» estava nas «características chinesas», então, na era de Xi Jinping, a ênfase está no «socialismo», usando os princípios políticos básicos do socialismo para corrigir tanto as interpretações liberais quanto as conservadoras do grande renascimento da nação chinesa. E isso significa que o socialismo com características chinesas deve assumir novamente uma posição dentro do movimento comunista mundial. (continua)
FRC | Debate sobre questões penais nos PLP acontece hoje Hoje Macau - 16 Out 2025 A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, um debate sobre as “Questões Penais Paradigmáticas nos Países de Língua Portuguesa”, que inclui quatro palestras temáticas. Trata-se de uma iniciativa que se insere no “Ciclo de Reflexões ao Cair da Tarde”, tendo moderação de Leonor Esteves, da Universidade Lusíada do Porto. Hoje, decorrem as sessões “Nullum crimen sine lege e o artigo 7.º (Costume) da Constituição da República de Angola”, protagonizada pela professora Luzia Bebiana de Almeida Sebastião, da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, Angola; e a conversa “Direito Criminal e Democracia: a experiência recente do caso brasileiro” pelo professor Fernando Andrade Fernandes, do Departamento de Direito Público da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista, UNESP, Brasil. Outra das sessões, intitula-se “A legitimidade material do crime de associação no direito moçambicano” pela assessora jurídica e professora Elysa Vieira, do Conselho Constitucional e Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique; e ainda a “Inviolabilidade das comunicações e apreensão de correio electrónico” pela professora Maria João Antunes, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. A presença no território deste conjunto de oradores convidados insere-se no âmbito da 15.ª Conferência Internacional de Direito, este ano dedicada às “Reformas Jurídicas de Macau no Contexto Global: Estudos sobre o Código Penal e o Código de Processo Penal de Macau”, organizada pelo Centro de Estudos Jurídicos da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, que decorre hoje e amanhã e que conta com o apoio da FRC.
Literatura | “Na Memória” é o novo livro da editora Mandarina Andreia Sofia Silva - 16 Out 2025 Será lançado no próximo dia 25 de Outubro o novo projecto editorial da Mandarina, editora dedicada à literatura infantil. “Na Memória” integra-se na colecção “Pequenos Exploradores de Macau” que aborda os universos da memória e do património de Macau através da escrita de Catarina Mesquita A editora Mandarina associou-se a uma série de parceiros, onde se inclui o Instituto Internacional de Macau (IIM), para lançar um novo livro para crianças que explora os universos do património e da importância da sua preservação e da memória de um território em permanente mutação. “Na Memória”, escrito por Catarina Mesquita e com ilustrações de Fernando Chan, traz de novo as aventuras dos personagens Júlia e Pou, ela a dialogar com o pai; ele a falar com a avó. Ao HM, Catarina Mesquita desvenda as razões pela escolha do tema memória para este novo livro, o terceiro integrado na colecção “Pequenos Exploradores de Macau”, que inclui os títulos “Na Rua” e “Em Casa”. “A dinâmica é a mesma [em relação aos livros anteriores]: trata-se de um livro com duas histórias e dois personagens, mas o fim é comum. Decidi-me pela memória não só pela importância que tem nas nossas vidas, mas para transmitir às crianças a ideia de que tudo aquilo que vivemos é muito importante e faz parte da nossa construção, sobretudo as crianças que vivem em Macau, pois vêem coisas a evoluir que devem ficar dentro delas.” A co-edição com o IIM deve-se ao facto de se celebrar 25 anos da inscrição do centro histórico de Macau como património classificado pela UNESCO. “A memória faz parte desse património, da sua preservação. Como os nossos livros têm vindo sempre a sublinhar locais, festividades e situações de Macau, achamos que poderíamos dar continuidade à colecção e associarmo-nos a este marco tão importante.” Três livros, seis histórias “Na Memória” é um livro bilingue, em português e chinês tradicional, tendo também uma parte interactiva com autocolantes, com palavras nas duas línguas e em patuá, um dialecto macaense praticamente em vias de extinção. “Decidimos colocar o patuá por causa desta conexão com a memória e o património. Então o livro tem duas páginas de autocolantes em que os leitores observam o cenário e em que se dá mais importância à ilustração”, explicou Catarina Mesquita. “A forma como retratei a memória está sempre associada à visão das crianças e às perguntas curiosas que fazem. Temos a Júlia a interagir com o pai e o Pou com a avó sobre as experiências que vão tendo ao longo de um ano, que é o período temporal da história. Eles vão fazendo perguntas e há coisas que ficam registadas na cabeça deles.” A autora do livro descreve uma parte da história em que Júlia sobe à Torre de Macau com o pai e ele explica-lhe o futuro de Macau, construído com a nova cidade de Hengqin. Júlia é uma menina de oito anos que está a ver uma nova cidade a nascer, enquanto “a avó do Pou tem 80 anos e está em Macau há muito tempo, então tem recordações de uma Macau que o neto não conhece”. “Há esta passagem entre o passado, presente e futuro para fazer as crianças pensar um pouco, que as coisas mudam e para que percebam que há coisas que, na vida deles em Macau, mudam mesmo, como esse caso de olhar para o lado e ver uma mega-cidade a crescer”, adiantou a fundadora da Mandarina. Com existência há quase seis anos no pequeno mercado editorial de Macau, Catarina Mesquita fala do que ainda é preciso fazer para que seja dado maior ênfase à literatura infantil. “Sabemos o mercado que temos, que não é muito significativo. Não conseguimos chegar a todas as crianças de Macau e sentimos que há uma falta de apoio que não é só financeiro. Apesar de haver fundos [financeiros, de apoio a projectos], é preciso um apoio muito maior ao nível de valores. Nos últimos anos o Governo de Macau tem promovido a literatura infantil e a leitura, mas não existe uma situação em que os editores façam um trabalho conjunto para desenvolver a literatura infantil em Macau”, lamenta. Catarina Mesquita entende que este tipo de literatura é ainda visto como não tendo “grande prioridade, sobretudo aquela que é feita para lazer e não a que é dada nas escolas”. “Há pouco investimento nessa leitura por prazer e tem de haver maior investimento, além de se dever olhar com seriedade para esse tipo de literatura infantil, pois é essencial para o futuro. É preciso dar às crianças esta base, para que olhem para o livro como um objecto companheiro”, rematou. A apresentação do livro acontece no dia 25 no âmbito da “Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português”, no Auditório do Carmo, na Taipa, a partir das 18h30.
Turismo | Andy Wu pede maior divulgação do património intangível Hoje Macau - 16 Out 2025 Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, defende que deve ser feita uma maior divulgação do património cultural intangível a turistas, isto numa altura em que o Instituto Cultural acaba de anunciar 12 novas classificações, nomeadamente a confecção de pastéis de nata e dos tradicionais biscoitos de amêndoa, os bolos de casamento tradicionais chineses e a confecção de massas de jook-sing. Segundo o jornal Ou Mun, o dirigente associativo entende que oferta cultural turística pode incluir o património cultural intangível, proporcionando-se experiências extraordinárias aos turistas, nomeadamente a realização de workshops de pastéis de nata e biscoitos de amêndoa, entre outras. Este tipo de eventos seria organizado entre o sector, o ensino ligado ao turismo e personalidades da sociedade, para que os visitantes tivessem mais informação sobre o processo de produção. Andy Wu espera que o Governo dê mais apoios por entender que estas iniciativas podem ajudar a colmatar a falta de espaços para os turistas terem este tipo de experiências. Poucas lojas mantêm ainda a confecção do bolo de casamento tradicional chinês.
Taiwan | Residentes seduziam pessoas para burlas Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 16 Out 2025 Foram detidos, esta segunda-feira, seis residentes suspeitos de estarem ligados a um grupo criminoso de Taiwan associado a burlas, e que terão recrutado nove residentes para extorquir dinheiro a vítimas. A investigação começou em Setembro do ano passado, sendo que a Polícia Judiciária ainda está a investigar os montantes envolvidos A Polícia Judiciária deteve, esta segunda-feira, seis residentes de Macau alegadamente envolvidos com um grupo criminoso de Taiwan associado a burlas. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o caso começou quando a Polícia Judiciária (PJ) iniciou uma investigação após receber pedidos de ajuda de familiares de nove residentes de Macau desaparecidos. As autoridades perceberam mais tarde que estes nove residentes tinham sido detidos pela polícia de Taiwan e condenados a penas de prisão de três a oito meses pela prática do crime de burla. O papel destes residentes foi o de receber e entregar o dinheiro extorquido às vítimas de burla, sendo que quatro destes residentes regressaram depois a Macau após cumprirem a pena. Estima-se que os nove residentes tenham recebido de milhares a dezenas de milhar de renminbis como pagamento para estas funções. A PJ de Macau percebeu então que os nove residentes julgados em Taiwan terão sido recrutados pelos seis detidos desta segunda-feira, com promessas de salários elevados para a realização de actividades ilegais na antiga Formosa. Montantes por calcular A PJ percebeu também que dois dos seis detidos serão os autores principais do grupo criminoso de Taiwan, tendo recebido pagamentos ilegais de 1 a 3 por cento por cada montante de burla extorquido pelos nove residentes detidos em Taiwan. No entanto, a PJ disse precisar de investigar os montantes concretos recebidos por estes dois autores principais do crime, bem como a remuneração ilegal recebida pelos outros suspeitos. O caso foi encaminhado para o Ministério Público para posterior investigação, existindo suspeitas da prática de crime de associação criminosa.
Economia | Previsão de estabilidade no quarto trimestre Hoje Macau - 16 Out 2025 A Associação Económica de Macau acaba de divulgar o mais recente Índice de Prosperidade, que faz a previsão de uma economia estável até Dezembro. Segundo um comunicado da associação, apesar de considerar excelentes os desempenhos dos sectores do jogo e do turismo na Semana Dourada, há áreas económicas ainda com desempenhos mais fracos, como é o caso do consumo, crédito e confiança nos investimentos locais. Por esta razão, a associação atribuiu, numa escala de 0 a 10, 6,2 pontos, 6 pontos e 6,1 pontos, respectivamente, para os meses de Outubro, Novembro e Dezembro no que diz respeito à situação económica, o que significa um nível de estabilidade. Além disso, a associação destacou que os dados relacionados com o turismo e jogo, no terceiro trimestre, foram fortes, prevendo um crescimento positivo do Produto Interno Bruto de cerca de 7 por cento no terceiro trimestre. Reservas Cambiais | Aumento mensal de 1,6% Em Setembro, as reservas cambiais da RAEM tiveram um aumento de 1,6 por cento para 239,2 mil milhões de patacas, face aos montantes corrigidos de Agosto. Os dados foram divulgados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), através de uma nota imprensa. Em Agosto, as reservas cambiais atingiram 235,4 mil milhões de patacas. A taxa de câmbio efectiva da pataca, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 100,8 em Setembro de 2025, o que representou uma queda de 0,06 pontos em termos mensais e uma redução anual de 1,60 pontos. Face a esta variação, a AMCM informou que a nível global “a pataca caiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau”.
Habitação | Empréstimos afundam 34 por cento Hoje Macau - 16 Out 2025 Em Agosto, o valor dos novos empréstimos para a habitação aprovados pelos bancos de Macau registou uma redução anual de 34,8 por cento, de acordo com os dados divulgados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Em Agosto deste ano, os novos empréstimos para habitação representaram 820,82 milhões de patacas, quando em Agosto de 2024 tinham atingido 1,26 mil milhões de patacas. Quando a comparação é feita entre Agosto deste ano e o mês anterior, Julho, a redução foi de 22,2 por cento, face ao valor de 1,05 mil milhões relatado pela AMCM. Entre os 820,82 milhões de patacas aprovados em novos empréstimos, os residentes foram responsáveis 806,05 milhões, uma redução de 22,5 por cento face ao mês anterior. Em relação aos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias, em Agosto o valor foi de 1,14 mil milhões de patacas, um crescimento anual, dado que em Agosto de 2024 o valor tinha sido de 954,23 milhões de patacas. No final de Agosto de 2025, o rácio das dívidas não pagas dos empréstimos de habitação era de 3,8 por cento, um aumento de 0,1 pontos percentuais face a Julho. Em relação a Agosto de 2024, o incumprimento teve uma diminuição de 0,5 pontos percentuais, dado que nessa altura era de 4,3 por cento. O rácio das dívidas não pagas dos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias atingiu 5,5 por cento, um aumento de 0,1 pontos percentuais face a Julho. Em termos anuais, o incumprimento cresceu 1,6 pontos percentuais.
Aeroporto | Expansão garante capacidade para 13 milhões de visitantes João Santos Filipe - 16 Out 2025 Ainda antes do aumento da capacidade para passageiros, o aeroporto vai receber uma maior área de estacionamento das aeronaves, com o número de lugares a subir para 56 face aos actuais 36 Até ao final de 2030, o Aeroporto Internacional de Macau vai ter capacidade para receber por ano 13 milhões de passageiros. Os números foram apresentados por uma representante da Autoridade de Aviação Civil (AACM), na mais recente reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, que ocorreu na segunda-feira. O balanço da reunião foi feito ao jornal Ou Mun pelos conselheiros Li Yongjian e Ieong Weng Kuong, que citaram as respostas do encontro da AACM. Segundo as explicações citadas, as obras de expansão estão em curso, depois de terem arrancado em Abril. A nova zona de estacionamentos deverá ficar terminada em 2028, o que vai fazer com que os lugares de estacionamento para aeronaves passem dos actuais 36 para 56 lugares, um aumento de 55,6 por cento. Ao mesmo tempo, foi indicado que as estimativas apontam para que as obras de expansão fiquem totalmente terminadas em 2030, dentro de cerca de cinco anos, e que nessa altura o aeroporto vai ter capacidade para lidar com mais dois milhões de viajantes, face à capacidade actual de 11 milhões por ano. No ano passado, o aeroporto recebeu 7,6 milhões de viajantes, menos dois milhões do que o recorde de passageiros, alcançado em 2019, ainda antes da pandemia, quando houve 9,6 milhões viajantes a utilizar a infra-estrutura. No entanto, o número parece ir apresentar uma nova redução. Entre Janeiro e Outubro deste ano, foram contabilizados cerca de 5,5 milhões de passageiros. No ano passado, nos primeiros dez meses, registaram-se de 5,7 milhões de passageiros. Maior área Com as obras em curso, a área total do aeroporto vai ser aumentada para 325 hectares, face aos actuais 177 hectares. Na reunião, os conselheiros abordaram ainda outras questões relacionadas com o aeroporto como os assuntos relacionados com a segurança e o transporte de passageiros entre o cais de embarque e os aviões. Neste sentido, foi garantido aos conselheiros que face às actuais limitações no número de mangas de embarque disponíveis, que o transporte dos passageiros entre o cais de embarque e as aeronaves vai continuar a ser feito através de autocarros. Esse será também o meio utilizado para os futuros lugares de estacionamento dos aviões. Durante o encontro, segundo Li Yongjian e Ieong Weng Kuong, houve ainda conselheiros a apelar para o desenvolvimento de mais instalações complementares do aeroporto, assim como uma especial atenção para que o centro de transportes esteja preparado para lidar com o fluxo de passageiros que acontece em eventos de grande dimensão, como os recentes jogos de pré-temporada em Macau da NBA.
Sam Hou Fai fala em “nova fase” do princípio um país, dois sistemas Andreia Sofia Silva - 16 Out 2025 O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, disse ontem que “Macau entrou na nova fase de aplicação do princípio um país, dois sistemas” e que se debate “com mudanças profundas e complexas do ambiente interno e externo”, além de que o mundo se encontra “num novo período de turbulências e mudanças”. Discursando num evento de celebração dos 105 anos da Fundação da Cruz Vermelha de Macau, Sam Hou Fai lembrou que “os compatriotas necessitam de mais cuidado humanístico e conforto espiritual”, pelo que espera que a Cruz Vermelha “continue a prestar atenção e apoio ao desenvolvimento da RAEM e à acção do Governo”. O governante defendeu que esta organização centenária deve estar atenta “aos planos governativos e exigências do desenvolvimento de alta qualidade de Macau na nova jornada”, ficando a esperança de que haja um reforço de cooperação com a Sociedade da Cruz Vermelha da China. Longa vida O Chefe do Executivo destacou que a Cruz Vermelha de Macau está “enraizada” no território desde 1920, sendo que, além de “servir Macau, também acompanha atentamente e apoia os serviços humanitários e actividades de interesse público no Interior da China e a nível internacional”. O governante máximo da RAEM não esqueceu o momento da transição, quando a “Cruz Vermelha de Macau passou, oficialmente, a Delegação com alto grau de autonomia da Sociedade da Cruz Vermelha da China, sendo testemunha, participante e contribuinte para a bem-sucedida aplicação do princípio um país, dois sistemas com características de Macau”. Ainda sobre a governação, Sam Hou Fai prometeu “construir uma Macau alicerçada no Estado de Direito, dinâmica, cultural e feliz”, continuando com o “foco no apoio às camadas mais vulneráveis” e assumindo “o reforço do sentimento de realização, felicidade e segurança de todos os residentes de Macau como ponto de partida e base da acção governativa”. Ficou também a garantia de que o Executivo “apoiará de forma plena a Cruz Vermelha de Macau no planeamento e desenvolvimento das actividades”.
Hainão | Aproveitar Macau para importar produtos lusófonos Hoje Macau - 16 Out 2025 Numa visita ao Fórum Macau, o governador Liu Xiaoming afirmou querer criar sinergias com a RAEM para que os produtos lusófonos consigam entrar no Interior O líder da ilha de Hainão afirmou ontem que quer ajudar os produtos lusófonos a entrar no mercado chinês, defendendo sinergias com Macau e os países de língua portuguesa. O governador Liu Xiaoming apontou como meta “a construção de Hainão como núcleo entreposto para a entrada dos produtos dos países de língua portuguesa no interior da China”. Liu falava durante uma visita às instalações do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum de Macau. Segundo o Fórum de Macau, o líder de Hainão pediu apoio à organização, também para ajudar as empresas da ilha “a aprofundar os conhecimentos sobre as regras dos mercados e os ambientes de investimento das nações lusófonas”. De acordo com um comunicado, Liu defendeu a aposta em um “desenvolvimento sinérgico entre Hainão, Macau e os países de língua portuguesa” e lembrou que a ilha irá tornar-se um porto franco antes do fim do ano. A partir de 18 de Dezembro, os produtos importados que sejam processados em Hainão – com um valor acrescentado de pelo menos 30 por cento – podem entrar na China continental sem pagar taxas alfandegárias. Aposta nas vantagens Na segunda-feira, ainda antes da deslocação ao Fórum Macau, Liu Xiaoming teve um encontro com Sam Hou Fai. De acordo com um comunicado do Governo de Macau, Sam defendeu que pode haver “complementaridade de vantagens” entre o porto franco de Hainão e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau. Esta zona económica especial, gerida conjuntamente pela província de Guangdong e por Macau, foi lançada por Pequim e 2021 e abrange cerca de 106 quilómetros quadrados na ilha da Montanha, adjacente a Macau. A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau. O organismo integra, além da China, os nove países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial. As exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 11,3 por cento, para 86,6 mil milhões de dólares nos primeiros oito meses do ano, de acordo com dados oficiais.
AL | Deputados tomam posse esta manhã Hoje Macau - 16 Out 2025 Os deputados da Assembleia Legislativa tomam posse esta manhã para o início da VIII Legislatura. O juramento está agendado para as 11h, na sala de reuniões do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. À tarde, para as 15h, está agendada a primeira sessão do Plenário da Assembleia Legislativa que vai servir para eleger os futuros presidente, vice-presidente, primeiro secretário e segundo secretário. Feita a reunião, haverá mais uma sessão de juramento, logo no mesmo dia, às 16h, e tomada de posse do presidente da AL. A sessão também decorre no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na sequência da remodelação governativa, Wong Sio Chak e Chan Tsz King vão realizar a cerimónia de juramento e tomada de posse esta manhã, pelas 10h, na sede do Governo. Wong Sio Chak vai assumir as funções de secretário para a Administração e Justiça, enquanto Chan Tsz King vai ser o novo secretário para a Segurança. Na sessão das 10h, a primeira das três que vão ocorrer amanhã, está igualmente prevista a cerimónia de juramento e tomada de posse de Tong Hio Fong como Procurador da RAEM e dos novos membros do Conselho Executivo. A cerimónia não é aberta à população. AMCM | Chan Kuan I nomeada para Conselho de Administração Chan Kuan I foi nomeada vogal do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A medida entra em vigor na próxima segunda-feira, de acordo com um despacho de Sam Hou Fai, publicado ontem no Boletim Oficial. Licenciada em Comércio (Contabilidade) na Monash University da Austrália e com um mestrado em Administração Pública ministrado pela Peking University e Chinese Academy of Governance, Chan faz parte dos quadros da AMCM desde Agosto de 2001, embora com um interregno entre 2006 e 2009, quando desempenhou funções no Gabinete de Informação Financeira. Após o regresso à AMCM, a nova vogal desempenhou as funções de técnica, directora-adjunta e directora do Departamento de Supervisão de Seguros. DSSCU | Chan Hoi Ieng nomeada subdirectora Raymond Tam nomeou Chan Hoi Ieng, umas das assessoras do seu gabinete, como subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). A nomeação foi revelada ontem através do Boletim Oficial. Chan Hoi Ieng é licenciada em Engenharia pela Universidade de Tsinghua e tem um mestrado em Administração Pública, pela Universidade de Peking. A nível profissional foi técnica superior entre Dezembro de 1999 e Novembro de 2016 no então Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Entre 2016 e 2022, desempenhou o mesmo tipo de funções nos Serviços de Alfandega, até Dezembro do ano passado, altura em que foi promovida a assessora. Também em Dezembro do ano passado, foi nomeada assessora do Gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas. É agora escolhida para subdirectora da DSSCU.
DSAT | Chiang Ngoc Vai assume o cargo de director João Santos Filipe - 16 Out 2025 Após quase 20 anos à frente da direcção responsável pelo trânsito, Chiang foi promovido ao topo da hierarquia. Desde Julho, que desempenhava as funções, como substituto, depois da saída de Lam Hin San Após três meses como director substituto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Chiang Ngoc Vai assumiu ontem a pasta a título próprio. A informação foi revelada através de um despacho publicado no Boletim Oficial, assinado por Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas. Além dos três meses como director substituto, Chiang Ngoc Vai conta com uma carreira de quase 20 anos na DSAT, serviço em que ingressou pela primeira vez em 2008, logo para assumir as funções de subdirector. Desde essa altura, até Julho deste ano, Chiang manteve-se como subdirector e foi nessa condição nos últimos meses que assumiu as funções de director, após a saída do antecessor, Lam Hin San. A promoção confirmada ontem, e o afastamento de Lam Hin San, mostram também uma ruptura de Raymond Tam com o passado, dado que o antecessor de Chiang tinha sido nomeado pelo anterior secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, merecendo a confiança deste durante cerca de 10 anos. No despacho não são indicadas razões particulares para a nomeação, além do pro-forma a indicar que Chiang Ngoc Vai “possui competência profissional e aptidão para o exercício do cargo” e do currículo do nomeado. Como acontece nas nomeações em comissão de serviço, a escolha do secretário é válida durante o período de um ano. Da engenharia Em termos académicos, o despacho indica que Chiang Ngoc tem duas licenciadas em Engenharia Civil e em Ciência (Topografia Cadastral e Ordenamento do Território). As instituições de ensino das licenciaturas não são referidas. A nível profissional, o director da DSAT conta com um longo percurso na Administração Pública, com mais de 30 anos. Chiang ingressou na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes em Outubro de 1990, desempenhado as funções de técnico. Em Março de 1992, é promovido dentro da mesma direcção, para assumir as funções de chefe de sector. Ainda antes da transferência, em 1995, Chiang Ngoc Vai é novamente promovido internamente para assumir as funções de técnico superior e também de chefe de Departamento. Manteve-se nestas funções até 2008, durante mais 13 anos, altura em que nomeado para a DSAT.
Taiwan | Cerca de 2,8 milhões de ataques informáticos por dia Hoje Macau - 15 Out 2025 Os serviços do Governo de Taiwan registaram uma média de 2,8 milhões de ataques cibernéticos por dia até agora este ano, informou ontem o Gabinete de Segurança Nacional (NSB, na sigla em inglês) taiwanês. Num documento divulgado pela CNA, a Rede de Serviços Governamentais indicou que os ataques se centraram em áreas como “projectos de infraestruturas críticas” e “informações confidenciais sobre a cooperação governamental no estrangeiro”. Ao atingirem sistemas ligados à defesa nacional de Taiwan, aos negócios estrangeiros e às comunicações, os piratas informáticos procuravam “obter informações confidenciais” e “interromper o desenvolvimento de infraestruturas essenciais”, detalhou o NSB. A agência acrescentou que, até à data em 2025, as agências de informação taiwanesas identificaram mais de 1,5 milhões de “informações controversas” ou notícias falsas disseminadas nas redes sociais através de “perfis anómalos”.
929 Challenge | Startups de PALOP e Timor sobem 73 por cento Hoje Macau - 15 Out 2025 A competição sino-lusófona 929 Challenge, realizada em Macau, atraiu 170 ‘startups’ dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) e de Timor-Leste, mais 73 por cento do que em 2024, disse ontem um dos organizadores à Lusa. Marco Duarte Rizzolio, cofundador da 929 Challenge, escolheu o aumento da participação dos países lusófonos menos desenvolvidos como o destaque da quinta edição da 929 Challenge. O também professor da Universidade Cidade de Macau justificou a subida com os novos parceiros da competição: “assinámos acordos estratégicos com a Cabo Verde Digital e a Universidade Eduardo Mondlane [Moçambique]”. Desde o final da última edição, em Novembro de 2024, Rizzolio já foi a Angola duas vezes promover a 929 Challenge, enquanto o outro co-fundador, José Alves, visitou São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. “São países muito pequenos, com uma população muito pequena e o ecossistema muito pouco desenvolvido, mas nós conseguimos ter até projectos ali”, sublinhou o organizador, graças a “uma particularidade dos países em desenvolvimento”. Em países com uma média etária relativamente baixa, “devido também à falta de emprego, a juventude está cheia de energia, está muito aberta para desenvolverem negócios”, explicou Rizzolio. Um novo prémio A quinta edição do 929 Challenge em Macau inclui pela primeira vez o prémio ‘Future Builders’ (Criadores do Futuro), para a melhor ‘startup’ dos PALOP e de Timor-Leste. A única vez que uma equipa dos PALOP e de Timor-Leste chegou aos finalistas foi logo na primeira edição, lançada em 2021, em plena pandemia de covid-19, então apenas direccionada a estudantes universitários. Um projecto da Universidade Lusófona da Guiné-Bissau para instalar painéis solares na região de Gabu, no leste do país, ficou em segundo lugar. Rizzolio destacou também que, pela primeira vez, as ‘startups’ dos países lusófonos – incluindo Portugal e Brasil – estão em maioria no 929 Challenge, representando cerca de 65 por cento dos 402 participantes. “Tínhamos muito mais projectos vindos aqui da China [continental]”, referiu o organizador. A 929 Challenge “já adquiriu uma certa notoriedade”, defendeu Rizzolio, nomeadamente através da promoção feita na SIM Conference, em Maio, no Porto, e no Web Summit, em Junho, no Rio de Janeiro. Começou na segunda-feira o ‘bootcamp’ que decorre ‘online’ do 929 Challenge, tendo atraído mais de 400 equipas e ’startups’, uma subida de mais de 25 por cento em comparação com 2024. A última edição da competição tinha registado um máximo, com mais de 1.600 participantes em mais de 320 equipas. A final está marcada para 30 de Novembro. O concurso é coorganizado pelo Fórum Macau e por várias instituições de Macau, incluindo todas as universidades locais.
Índia | Google investe cerca de 12.970 ME em centro de dados de IA Hoje Macau - 15 Out 2025 A gigante tecnológica Google anunciou ontem um investimento de 15.000 milhões de dólares num centro de dados de inteligência artificial (IA) no estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia. “Este investimento de aproximadamente 15.000 milhões de dólares ao longo de cinco anos (2026-2030) é o maior investimento da Google na Índia até à data e está alinhado com a visão Viksit Bharat 2047 do Governo indiano para acelerar a expansão dos serviços baseados em IA”, afirmou a Google em comunicado. O anúncio oficial da empresa norte-americana eleva o valor do projecto, depois de um ministro regional de Andhra Pradesh, Lokesh Nara, ter informado anteriormente um investimento de 10 mil milhões de dólares. O conglomerado indiano Adani, propriedade do magnata Gautam Adani, será o parceiro local do Google para construir esta infraestrutura, que, segundo ambas as empresas, será a maior da Índia e uma das maiores da Google em toda a Ásia. “Será projectado especificamente para as necessidades da inteligência artificial”, disse Adani numa mensagem publicada no X. A ministra das Finanças da Índia, Nirmala Sitharaman, celebrou o anúncio e considerou que “reflecte a harmonia entre a formulação de políticas progressistas e o dinamismo na tomada de decisões de governança” do país. A Google consolidou a sua presença estratégica na Índia nos últimos anos, reconhecendo o país como um dos seus mercados mais importantes, tanto pelo volume de utilizadores como pelo potencial da sua indústria digital, que conta com vários polos importantes do sector tecnológico nas cidades de Bangalore, Hyderabad e Pune. Desde 2024, a empresa fabrica os seus smartphones Pixel no país asiático.
O sexo e as emoções Tânia dos Santos - 15 Out 2025 O sexo pode despertar uma panóplia de emoções. Das positivas às negativas — passando pelas neutras — as emoções emergem muitas vezes de forma atabalhoada, sem que consigamos dar-lhes sentido imediato. Há quem até experiencie combinações emocionais que colocam lado a lado emoções que à primeira vista seriam opostas: o prazer e a vergonha. Estas respostas, contudo, são culturalmente moldadas. O sexo, no fundo, é um microcosmo da vida emocional humana, onde se cruzam corpo, cultura e identidade. A teoria da vinculação, frequentemente descrita como a teoria do amor, mostra como a procura de segurança, ou a sua ausência, molda a nossa resposta emocional na relação com o outro. O corpo possui mecanismos hormonais associados ao prazer, que nos fazem sentir seguros, mas também outros que podem perpetuar o nosso sentido de insegurança. A forma como as respostas emocionais são criadas depende muito do contexto e das nossas experiências passadas. Por isso as emoções tornam-se muitas vezes uma lente pela qual olhamos o mundo. A psicologia das emoções tem cruzado duas linhagens importantes para percebermos estes mecanismos. Uma delas é a da medicina, onde a emoção resulta da construção e regulação fisiológica. A outra vem da antropologia, que tem explorado a forma como a cultura molda as nossas respostas emocionais. Por exemplo, estudos interculturais mostraram que em sociedades mais individualistas, em que a raiva é uma forma de expressão de quebra na relação com o outro – numa tentativa de impor limites – a resposta fisiológica é mais forte que em sociedades coletivistas. Em sociedades onde a configuração grupal tem um peso mais determinante no sentido do self, a raiva é apenas um indicador de que existe uma desarmonia na relação de grupo, e a resposta fisiológica e os níveis de inflamação são menores. A raiva não é percebida como um corte radical do coletivo, e por isso a experiência da raiva é, de algum modo, mais sustentada. Esta dimensão cultural torna-se ainda mais evidente quando analisamos a forma como as várias expressões de género constroem os seus mundos emocionais. Apesar da cultura popular nos dizer que há diferenças entre ‘homens’ e ‘mulheres’, a verdade é que existe muito mais variabilidade dentro de cada grupo do que entre eles, o que torna difícil justificar uma distinção clara. Essa divisão é culturalmente alimentada e manifesta-se nos gestos quotidianos. Os estudos mostram que as mulheres, ao chegarem a uma urgência com palpitações, são mais rapidamente diagnosticadas com ansiedade do que com um ataque cardíaco. O mesmo não acontece com os homens, de quem se espera uma manifestação emocional menor, e por isso sintomatologia como palpitações raramente é confundida com ansiedade. Assim, torna-se quase esperado que as mulheres expressem emoções em excesso e que os homens as reprimam — o que distorce a nossa noção do que é ‘normal’ ou ‘desviante’. Vale a pena trazer aqui uma distinção essencial na teoria das emoções: existem emoções primárias, que são mais imediatas e mais fiéis aos nossos estados internos, e as emoções secundárias, que são de algum modo uma complexificação das primeiras, alimentadas então por crenças, narrativas e culturas. Se num determinado momento sinto raiva, e se a minha experiência de vida me ensinou que a raiva é uma emoção desadequada, rapidamente outras emoções se sobrepõem, como a vergonha ou a culpa. Tudo isto é relevante para melhor compreendermos as emoções durante o sexo. No binarismo redutor do costume, persistem crenças generalistas que impõem aos homens pressões de desempenho e às mulheres sentimentos de culpa — dinâmicas que também se refletem nas relações entre pessoas do mesmo sexo. Quando percebemos que as emoções que emergem não correspondem àquilo que a cultura define como ‘normal’, começamos a vigiar e a censurar o que sentimos. Sem uma compreensão profunda das emoções, do corpo e do contexto em que estão inseridos, acabamos por complicar a nossa vida. Por exemplo, as emoções que se seguem ao sexo variam tanto quanto as próprias experiências. Alguns sentem um bem-estar tranquilo, uma sensação de proximidade e ternura — o chamado afterglow. Outros experimentam o oposto: uma certa melancolia ou vazio, conhecida como disforia pós-sexo. Estes estados emocionais parecem depender menos do acto físico e mais do significado que cada pessoa lhe atribui — ligação, validação, curiosidade ou solidão. As emoções estão intimamente ligadas aos significados que atribuímos às coisas. São as conversas mais profundas sobre as emoções que nos libertam dos limites artificiais que impedem a honestidade emocional plena. Só compreendendo estes processos — que traduzem contextos sociais e narrativas culturais em respostas fisiológicas e emocionais que o corpo transporta — poderemos compreender melhor o sexo, os seus prazeres e as suas dificuldades. E se tratarmos o sexo como uma conversa entre corpos e emoções — talvez consigamos ouvir-nos, e aos outros, com mais presença e empatia.
Timor-Leste | Ramos-Horta atribui Medalha de Mérito a 12 médicos chineses Hoje Macau - 15 Out 2025 O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, atribuiu ontem a medalha de mérito a 12 médicos chineses em reconhecimento pelo seu contributo para o sector da saúde no país. “A atribuição da Medalha de Mérito a estes 12 dedicados médicos simboliza a profunda gratidão do povo de Timor-Leste”, afirmou o chefe de Estado timorense, citado num comunicado divulgado à imprensa. Segundo José Ramos-Horta, o serviço daqueles profissionais “personifica o espírito de cooperação internacional e contribui para salvar inúmeras vidas”, reforçar as capacidades médicas dos timorenses, bem como reforçar os laços de amizade e solidariedade entre Timor-Leste e a China. A primeira brigada médica chinesa chegou a Timor-Leste em 2003 no âmbito de um acordo de cooperação assinado entre os dois países. Desde então, segundo a Presidência timorense, já passaram pelo país dezenas de brigadas médicas chinesas. A brigada que agora termina a sua missão esteve no país durante dois anos e serviu no Hospital Nacional Guido Valadares e em vários centros de saúde, tendo atendido 19.000 casos urgentes e consultas externas, efectuado 5.800 internamentos e realizado 1.300 cirurgias. A equipa de médicos chineses prestou também cuidados médicos gratuitos em áreas remotas do país, realizou formações em primeiros socorros e participou e apoio vários simpósios científicos nacionais e internacionais para partilha de conhecimentos. A nova equipa de médicos chineses chega hoje a Timor-Leste proveniente da província chinesa de Sichuan, acrescenta a Presidência timorense.
Comércio | Sancionadas cinco filiais da Hanwha nos EUA Hoje Macau - 15 Out 2025 As autoridades chinesas puniram as subsidiárias sul-coreanas em resposta à intervenção de Trump na indústria naval O Governo chinês anunciou ontem a proibição de transacções de empresas chinesas com cinco subsidiárias do construtor naval sul-coreano Hanwha Ocean, numa nova resposta à política do Presidente norte-americano, Donald Trump, de relançar a indústria naval nos Estados Unidos. Num comunicado divulgado ontem, o Ministério do Comércio chinês indicou ainda que vai investigar a decisão de Washington de abrir um inquérito ao domínio crescente da China na construção naval global, advertindo que poderá aplicar novas medidas de retaliação. As autoridades chinesas afirmaram que a investigação “coloca em risco a segurança nacional” da China e a sua indústria marítima, apontando o envolvimento da Hanwha no processo como um dos motivos para as sanções. A investigação norte-americana, ao abrigo da Secção 301 da lei de comércio dos EUA, foi lançada em Abril de 2024, tendo concluído que a posição dominante da China no sector prejudica as empresas norte-americanas. “Pequim acaba de transformar a construção naval numa arma”, afirmou Kun Cao, vice-presidente executivo da consultora Reddal, citado pela imprensa internacional. “É um sinal claro de que atingirá empresas de terceiros países que colaborem com os EUA no seu esforço para conter o domínio marítimo da China”, apontou. A ‘lista negra’ chinesa inclui as entidades Hanwha Shipping LLC, Hanwha Philly Shipyard Inc., Hanwha Ocean USA International LLC, Hanwha Shipping Holdings LLC e HS USA Holdings Corp. As ações da Hanwha Ocean registaram ontem uma queda superior a 8 por cento na bolsa sul-coreana. Em resposta, a empresa afirmou estar a “analisar a situação”. Mar agitado O anúncio surge num momento de escalada das tensões comerciais e marítimas entre as duas maiores economias do mundo. Ambos os países introduziram ontem novas taxas portuárias sobre os navios um do outro. As taxas chinesas abrangem embarcações detidas ou operadas por empresas ou indivíduos norte-americanos, com participação igual ou superior a 25 por cento, navios com bandeira dos EUA ou construídos nos EUA, replicando em grande medida os critérios definidos pelas autoridades norte-americanas. A trégua na guerra comercial parece assim ter-se desfeito após Trump ter ameaçado impor tarifas de 100 por cento sobre todas as importações oriundas da China, em protesto contra os recentes controlos chineses à exportação de terras raras. Pequim assegurou ontem que as duas partes mantêm contacto, tendo realizado na segunda-feira uma ronda de conversações a nível técnico. A aproximação entre Washington e Seul na construção naval tem-se intensificado como resposta ao domínio chinês – a China é actualmente o maior construtor naval do mundo. No final de 2024, a Hanwha adquiriu o estaleiro Philly Shipyard, na Pensilvânia, por 100 milhões de dólares, e anunciou em Agosto um plano de investimento de 5 mil milhões de dólares para ampliar as infraestruturas portuárias nos EUA. A empresa assinou também contratos com a Marinha dos EUA para serviços de manutenção e reparação de embarcações militares. Em Maio deste ano, a Hanwha revelou que iria sair de uma ‘jointventure’ que mantinha na China.