Lágrimas e crocodilos – Chega de moralismo e lamentos pela «armadilha» industrial chinesa Hoje Macau - 5 Ago 2025 Por Wang Zichen Imagem: Wang Qingsong, Can I cooperate with you, fotografia120x200cm,2000 Recentemente, os comentários norte-americanos pintaram um quadro em que a China executa um plano calculado, há muito arduamente elaborado, para atrair empresas estrangeiras para o seu mercado, apenas para extrair a sua tecnologia e estimular os concorrentes nacionais – acabando por descartar as empresas estrangeiras depois de terem cumprido o seu objetivo. Nesta narrativa, uma empresa americana após outra é vítima da suposta armadilha da “tecnologia para o mercado” de Pequim: primeiro a Motorola, depois a Apple e agora a Tesla. Dois artigos recentes do Wall Street Journal sobre a China (8 de julho e 15 de julho, 2025) resumiram este ponto de vista, contando como a Motorola ajudou a alimentar a indústria de telecomunicações da China apenas para ser ultrapassada, e como a estrela da Tesla na China se desvaneceu à medida que os fabricantes locais de veículos eléctricos cresceram. Cada artigo levava os leitores a uma conclusão precipitada – por exemplo, um terminava com a pergunta: “Como acha que as empresas americanas devem abordar a China actualmente?”, e o seguinte com a pergunta: “Acha que os EUA devem apertar ainda mais as suas restrições tecnológicas à China?” Estas perguntas reforçam o ângulo de que as empresas estrangeiras foram vítimas ingénuas e a China a beneficiária astuta, em vez de convidarem a um debate aberto. Esta perspectiva unidimensional ganhou ainda mais força com vozes como a do antigo estratega da Casa Branca, Steve Bannon, que foi citado no Financial Times esta semana, troçando a propósito de “as empresas americanas terem passado décadas a ser enganadas, a ser ludibriadas pelo Partido Comunista Chinês, a transferir as jóias da coroa da nossa tecnologia. E, por isso, não receberam nada”. Segundo Bannon, as empresas ocidentais foram essencialmente enganadas – seduzidas pelo mercado chinês, despojadas do seu know-how e deixadas com os bolsos vazios. (Não importa que Bannon tenha forrado o seu próprio bolso com o dinheiro de um vigarista chinês fugitivo.) Este tipo de narrativa é cativante, sim, mas é também profundamente enganadora. Assenta num tom moralizador e condescendente que simplifica demasiado uma realidade muito mais complexa. Implícita nestas narrativas está a presunção de que a hierarquia global de domínio tecnológico – há muito liderada por empresas ocidentais – deve permanecer fixa para sempre. O tom subjacente é que as empresas ocidentais têm um direito natural à sua liderança e que, se as empresas chinesas as alcançarem ou ultrapassarem, deve haver algo de malicioso em jogo. Há um sentimento quase palpável de indignação pelo facto de um “arrivista” do mundo em desenvolvimento se atrever a desafiar a ordem estabelecida. Esta mentalidade trata o sucesso anterior das empresas ocidentais como legítimo e o avanço das outras como uma violação, ignora a realidade histórica de que todas as grandes potências industriais se ergueram aprendendo com os outros. No passado, o próprio Ocidente tomava emprestada ou roubava tecnologia livremente: como disse uma análise da Associated Press: “A nação emergente era um antro de pirataria intelectual” – no final do século XVIII e início do século XIX, essa “nação pária” eram os Estados Unidos, cujo Secretário do Tesouro Alexander Hamilton apoiou o roubo de segredos industriais britânicos. Os primeiros americanos pirateavam projectos de máquinas têxteis e atraíam artesãos britânicos; na verdade, os EUA eram “a China do século XIX”, nas palavras de um artigo da Foreign Policy de um vencedor do prémio Loeb. Só depois de se tornarem líderes industriais é que os Estados Unidos defenderam protecções rigorosas da Propriedade Intelectual. Ao recriar os processos de desenvolvimento industrial e de difusão do conhecimento como sendo exclusivamente nefastos quando a China o faz, a narrativa actual associa o avanço nacional à ilegitimidade. Confunde a perda de um monopólio ocidental com a perda de justiça. O tom moralizador faz mais do que provocar cepticismo intelectual – gera uma espécie de ressentimento. É como se o domínio ocidental na inovação fosse considerado a ordem natural e qualquer desafio fosse automaticamente suspeito. Estas narrativas, envoltas na linguagem da justiça e da “batota”, soam muitas vezes a lamentos velados pela perda de privilégios. Dizem aos leitores o que devem pensar – a China é má, o Ocidente foi enganado – em vez de encorajar uma análise genuína do modo como a tecnologia e o poder funcionam efectivamente numa economia globalizada. O resultado é menos jornalismo do que ideologia, alimentando uma espécie de ansiedade tecno-nacionalista que substitui a indignação moral pela clareza analítica. Durante décadas, a estratégia industrial da China assentou no princípio da troca de acesso ao mercado por tecnologia – algo explicitamente articulado por Deng Xiaoping já na década de 1980. Longe de ser uma armadilha, tratou-se de um negócio deliberado e transparente que permitiu que ambas as partes beneficiassem. Tomemos como exemplo a General Motors (GM). A GM entrou na China na década de 1990 através de uma empresa comum e, em 2010, a GM estava a vender mais carros na China do que nos Estados Unidos. A procura de automóveis na China constituía uma enorme oportunidade de mercado, e o sucesso da GM, outrora, tornou-se uma parte vital do seu negócio global. As vendas da GM na China atingiram um pico de 4 milhões de veículos por ano no final da década de 2010, o que a tornou no maior mercado automóvel do mundo. Era uma relação mutuamente benéfica – a China dava acesso a um mercado enorme e em rápido crescimento, enquanto a GM ganhava um elevado volume de vendas e eficiência de fabrico. Agora, considere a Apple. Ao longo da última década, a Apple obteve cerca de 227 mil milhões de dólares em lucros operacionais provenientes da China, o que representa mais de um quarto dos seus lucros totais durante esse período. Os lucros da Apple foram reforçados pela montagem dos seus iPhones na China, onde os custos de mão de obra eram mais baratos e fabricantes como a Foxconn tratavam da produção em massa. Esta parceria permitiu à Apple obter enormes poupanças de custos, ao mesmo tempo que construía uma cadeia de abastecimento de classe mundial na China. Este não é um caso isolado. Nos primeiros anos de atividade da Tesla na China, a empresa recebeu um apoio substancial do governo chinês, incluindo a primeira fábrica estrangeira detida a 100% em Xangai, que também facilitou terrenos e empréstimos. As vendas do Modelo 3 da Tesla dispararam na China e a empresa tornou-se um dos veículos eléctricos mais vendidos no país. A ascensão dos fabricantes chineses de veículos eléctricos, como a BYD e a NIO, pode ter diminuído a quota de mercado da Tesla, mas trata-se de concorrência em ação. A política da China para atrair actores estrangeiros como a Tesla não consistiu em roubar a tecnologia da Tesla, mas sim em introduzir um “catfish” [firma que vem agitar o mercado] e criar um ambiente competitivo que levasse os fabricantes nacionais a inovar. De facto, a Tesla beneficiou muito com a sua presença na China e o mercado local de veículos eléctricos explodiu devido a essa presença. É essa a natureza dos mercados competitivos: surgem novos actores e mesmo as empresas dominantes enfrentam a concorrência, o que leva todos a fazer melhor. A história da Motorola também foi contada com um toque de nostalgia, que, por exemplo, referia que “a entrada da Motorola não se limitou a construir um mercado; ajudou a construir uma China moderna”. Esta versão, devidamente apimentada com citações de um antigo executivo da Motorola, lamenta a forma como a Motorola se arruinou a si própria devido à generosidade forçada para com a China, omitindo convenientemente algum contexto fundamental. A empresa também perdeu a sua liderança devido a erros estratégicos. Não conseguiu antecipar a revolução dos smartphones e ficou irremediavelmente atrás da Apple e da Samsung, incapaz de igualar a inovação do iPhone ou o boom do Android que se seguiu. E para terminar a ironia, considere este conto pouco conhecido: no final de 2003, a Huawei tentou vender-se à Motorola. A relação comercial entre os EUA e a China nunca foi um caso em que um lado foi enganado e o outro planeou um grande roubo. As empresas ocidentais tomaram decisões calculadas para entrar na China e, em troca de acesso ao mercado, partilharam alguma da sua tecnologia. A narrativa de que a ascensão da China é um “longo golpe” ignora as contrapartidas legítimas e calculadas feitas por todas as partes. A China não “enganou” estas empresas; ofereceu-lhes acesso ao seu mercado em crescimento em troca de conhecimentos, que a China utilizou para construir a sua própria base industrial. Em última análise, a história da ascensão da China tem a ver com concorrência – tal como o Japão e a Coreia do Sul competiram outrora com as empresas americanas, a ascensão da China no domínio da tecnologia faz parte de um padrão global de concorrência industrial. Isto não torna as acções da China “maliciosas”; é apenas a forma como o mundo funciona. O Ocidente não tem direito ao domínio eterno da tecnologia e a ascensão da China não deve ser vista como um “roubo”, mas como um desafio competitivo que obriga todos a inovar e a adaptar-se. De facto, os monopólios do conhecimento e a protecção da propriedade intelectual por parte de poderosas empresas transnacionais sediadas em países de elevado rendimento estão a conduzir a uma intensa concentração da riqueza e do poder das empresas, travando assim o desenvolvimento económico nos países de baixo rendimento. Um artigo recente de Cedric Durand e William Milberg expõe este ponto de forma vigorosa. Os autores constatam um enorme aumento do rendimento internacional gerado pelos direitos de propriedade intelectual entre a década de 1980 e a década de 2010, que se destina quase exclusivamente aos países de elevado rendimento (dominados pelos Estados Unidos). Em 1980, o rendimento gerado pelos pagamentos internacionais relacionados com a utilização da propriedade intelectual era bastante igual em todo o mundo. Em 2016, este rendimento foi cem vezes superior nos países de rendimento elevado do que nos países de rendimento baixo e médio (323 mil milhões de dólares contra 3 mil milhões de dólares). Devemos também reconhecer que as empresas transnacionais dos países de elevado rendimento – os principais beneficiários das patentes – dependem totalmente da mão de obra e dos sistemas de produção dos países de baixo rendimento para gerar lucros. Por exemplo, a inovação e os lucros inesperados da indústria tecnológica dos EUA não seriam possíveis sem a mão de obra de países como a China e a Índia. De facto, o artigo supracitado de Durand e Milberg sublinha explicitamente que as grandes empresas tecnológicas sediadas nos Estados Unidos obtêm lucros enormes principalmente porque tiram partido do seu poder na economia mundial, e não porque inovam. Quando muito, os países de rendimento elevado devem aos países de rendimento mais baixo enormes quantidades de tecnologia devido ao facto de tirarem partido da sua mão de obra e competências. Existe um equívoco comum de que as empresas chinesas estão a ultrapassar as empresas americanas. Embora isso seja verdade em alguns sectores – e esteja a acontecer cada vez mais -, a ascensão capitalista da China tem, na verdade, impulsionado o poder estrutural dos EUA em certos aspectos, especialmente ao gerar mais lucros para as empresas americanas. Um estudo de Sean Starrs conclui que a maioria das indústrias globais continua a ser dominada por empresas americanas , ajudadas pela ascensão da China. Starrs salienta que tanto os investimentos na China como as importações de factores de produção da China permitiram às empresas americanas manter o seu domínio global. Em conclusão, a narrativa da China como uma “armadilha” maliciosa para as empresas estrangeiras é uma moralização fácil e hipócrita que ignora as realidades complexas da concorrência global e do avanço tecnológico. Se aspiramos genuinamente a um mundo mais justo e próspero – uma aspiração que não é universalmente partilhada, mas pela qual vale a pena lutar – a verdadeira questão é saber porque é que tão poucos países subiram com sucesso a escada tecnológica. Em vez de se deixarem enganar pela propaganda de Wall Street, talvez os países em desenvolvimento pudessem tentar tirar uma página do livro chinês para nivelar o campo de jogo – tanto com os países ricos como com a China – na criação de uma paisagem global mais equitativa.
Cinema | Filme sobre massacre de Nanjing arrecada 181 ME e lidera bilheteira Hoje Macau - 5 Ago 2025 O filme Dead To Rights, sobre o massacre de Nanjing, lidera a bilheteira na China, após arrecadar mais de 1.500 milhões de yuan em duas semanas, impulsionado pelo 80.º aniversário da rendição japonesa. A obra centra-se nas provas fotográficas do massacre ocorrido em 1937, naquela cidade do leste da China, às mãos do Exército imperial japonês. A história acompanha Ah Chang, um funcionário dos correios que se faz passar por técnico de laboratório para sobreviver. Sob pressão, revela fotografias aos militares japoneses, enquanto transforma o estúdio num refúgio, ajudando civis e soldados a fugir e, ao mesmo tempo, expõe ao mundo provas visuais da atrocidade. A produção gerou grande repercussão nas redes sociais chinesas, onde circulam imagens de espectadores a prestarem continência nos cinemas durante os créditos finais e a entoarem palavras de ordem em homenagem às vítimas dos acontecimentos retratados. Dead To Rights está em exibição numa altura em que decorrem os preparativos para o desfile militar marcado para 3 de Setembro, em Pequim, que assinala o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e da rendição japonesa. A 13 de Dezembro de 1937, tropas japonesas invadiram Nanjing e, nas seis semanas seguintes, saquearam e incendiaram a cidade, violaram dezenas de milhares de mulheres e mataram entre 150.000 e 340.000 pessoas, segundo diferentes fontes históricas. Todos os anos, a China assinala essa data com uma cerimónia no Memorial das Vítimas do Massacre de Nanjing pelos Invasores Japoneses, erguido no local. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão invadiu grande parte do território chinês, onde cometeu crimes de guerra generalizados, incluindo massacres sistemáticos de civis, experiências com armas biológicas e a utilização de mulheres chinesas como escravas sexuais por parte de militares nipónicos. O Governo chinês tem criticado com frequência as autoridades japonesas por adoptarem uma postura que considera revisionista em relação à invasão e aos crimes cometidos.
Hunan | Homem mata duas pessoas e fere outras três em ataque Hoje Macau - 5 Ago 2025 Pelo menos duas pessoas morreram e três ficaram feridas após um ataque perpetrado por um homem no centro da China, confirmaram ontem as autoridades. O incidente ocorreu no domingo, às 18:00 locais, na cidade de Leiyang, na província central de Hunan. Segundo as autoridades, um homem de 31 anos, de apelido Duan, realizou um ataque “intencional” de natureza não especificada contra um grupo de pessoas. Desconhece-se, por enquanto, se o agressor conhecia as vítimas ou se se tratou de um ataque indiscriminado. Os feridos, que foram transportados para unidades de saúde, encontram-se livres de perigo, acrescentaram as autoridades num breve comunicado. As causas do ataque estão a ser investigadas. Nos últimos anos, têm-se multiplicado na China os ataques indiscriminados contra multidões, seja com veículos ou com armas brancas. Entre os casos mais recentes está o atropelamento em massa ocorrido em Novembro de 2024 na cidade de Zhuhai, no sul do país, que provocou 35 mortos e cerca de 40 feridos. O autor, condenado à morte em Dezembro, foi executado em Janeiro. Estes incidentes são geralmente descritos pelas autoridades e pela imprensa como casos de “vingança contra a sociedade”, em que indivíduos frustrados com problemas pessoais descarregam a sua ira sobre inocentes. A Procuradoria Popular Suprema prometeu recentemente “castigos severos, rigorosos e rápidos” para os responsáveis por este tipo de crimes, enquanto o Ministério da Segurança Pública apelou ao reforço das medidas de prevenção para “manter a estabilidade social”.
Meteorologia | Decretado alerta máximo devido às chuvas Hoje Macau - 5 Ago 2025 As autoridades de Pequim voltaram ontem a emitir um alerta vermelho para chuvas intensas, uma semana depois de inundações que causaram 44 mortos, com risco elevado de aluimentos de terra. O serviço meteorológico local prevê chuvas fortes em toda a cidade até esta manhã, com mais de 100 milímetros em seis horas na maioria das áreas, e mais de 200 milímetros em algumas zonas, noticiou a agência oficial chinês Xinhua. As chuvas devem atingir com maior intensidade as áreas montanhosas de Miyun, Fangshan, Mentougou e Huairou, na periferia da capital chinesa, onde há elevado risco de inundações e aluimentos de terra, alertaram as autoridades, que apelaram aos residentes para permanecerem em casa e evitarem zonas de montanha e margens de rios. Na semana passada, chuvas torrenciais causaram 44 mortos e nove desaparecidos naquelas áreas. Nos últimos verões, fenómenos meteorológicos extremos têm afectado com frequência o território chinês: em 2023, inundações em Pequim provocaram mais de 30 mortos, enquanto em 2022 várias vagas de calor extremo e secas severas atingiram o centro e o leste do país.
Diplomacia | Pequim rejeita exigência dos EUA para deixar de comprar petróleo russo e iraniano Hoje Macau - 5 Ago 2025 Embora continuem a ser ultrapassados obstáculos na guerra das tarifas, a administração chinesa recusa veementemente qualquer interferência externa sobre onde deve adquirir o fornecimento de energia Estados Unidos e China poderão chegar a acordo em várias áreas para evitar tarifas punitivas, mas continuam afastados numa questão central: a exigência de Washington para que Pequim deixe de comprar petróleo ao Irão e à Rússia. “A China vai sempre assegurar o seu fornecimento energético de acordo com os seus interesses nacionais”, publicou na quarta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês na rede social X, após dois dias de negociações comerciais em Estocolmo e na sequência da ameaça norte-americana de uma tarifa de 100 por cento. “A coerção e a pressão não terão qualquer efeito. A China vai defender firmemente a sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”, acrescentou. A reacção surge num momento em que ambos os países manifestam optimismo sobre a possibilidade de estabilizar as relações comerciais, após terem recuado nas tarifas elevadas e nas restrições comerciais mais duras. A posição de Pequim, no entanto, salvaguardou pontos inegociáveis nas discussões com a Administração de Donald Trump, sobretudo quando o comércio é associado às políticas energética e externa chinesas. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse aos jornalistas, após as conversações, que, no que toca às compras de petróleo russo, “os chineses levam a sua soberania muito a sério”. “Não queremos interferir na sua soberania, por isso eles preferem pagar uma tarifa de 100 por cento”, afirmou, acrescentando que considera os negociadores chineses “duros”, mas que isso não travou as negociações. “Acredito que temos as bases para um acordo”, disse, em entrevista à CNBC. O consultor Gabriel Wildau, director-geral da Teneo, considerou improvável que Trump avance, de facto, com a tarifa de 100 por cento, já que tal “provavelmente destruiria todo o progresso recente e acabaria com qualquer hipótese” de um anúncio de acordo comercial numa eventual reunião entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, prevista para o Outono. Os EUA querem restringir as vendas de petróleo da Rússia e do Irão, fontes de receita fundamentais para os dois países, e assim tentar reduzir o financiamento dos respetivos orçamentos militares, num momento em que Moscovo continua a guerra na Ucrânia e Teerão apoia grupos armados no Médio Oriente. Resistir para vencer Em Abril, quando Trump apresentou um vasto plano de tarifas a impor a dezenas de países, a China foi o único país a retaliar, recusando ceder à pressão norte-americana. “Se os EUA insistirem em impor tarifas, a China lutará até ao fim”, disse Tu Xinquan, director do Instituto de Estudos da OMC na Universidade de Negócios e Economia Internacionais, em Pequim. Tu acrescentou que Pequim poderá suspeitar que os EUA não irão cumprir a ameaça, questionando a prioridade dada por Trump ao combate à Rússia. Scott Kennedy, conselheiro sénior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, afirmou que Pequim dificilmente alterará a sua postura enquanto identificar incoerências na política externa dos EUA em relação à Rússia e ao Irão. Kennedy disse também que Pequim poderá tentar usar a questão como instrumento de negociação para obter mais concessões de Trump. Para Danny Russel, investigador do Asia Society Policy Institute, Pequim vê-se agora como “quem tem as cartas na mão” na disputa com Washington. “Trump deixou claro que quer um acordo de grande impacto mediático com Xi, por isso rejeitar a exigência dos EUA para parar as compras de petróleo ao Irão e à Rússia provavelmente não será visto como um obstáculo ao acordo, mesmo que cause atritos e atrasos”, sublinhou. A manutenção das compras de petróleo russo garante a Xi “solidariedade estratégica” com o Presidente russo, Vladimir Putin, e reduz significativamente os custos para a economia chinesa, acrescentou Russel. “Pequim não pode abdicar do petróleo da Rússia e do Irão, que está a ser comprado a preços de saldo”, explicou. Segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, entre 80 por cento e 90 por cento do petróleo exportado pelo Irão em 2024 teve como destino a China, que importa mais de um milhão de barris por dia. Pequim é também um dos principais clientes de Moscovo, a seguir à Índia, com as importações de crude russo a subirem em Abril 20 por cento face ao mês anterior, para mais de 1,3 milhões de barris diários, segundo o KSE Institute, ligado à Kyiv School of Economics.
FRC | Caligrafia em destaque na mostra “Vai em Frente, o Futuro Brilha” Hoje Macau - 5 Ago 2025 É hoje inaugurada uma nova exposição na Fundação Rui Cunha, e que ficará patente por um curto período de tempo, até este sábado. Trata-se de “Vai em Frente, o Futuro Brilha”, uma mostra de caligrafia cujos protagonistas são os alunos dos cursos de arte e literatura do Centro Budista Fo Guang Shan. Trata-se de uma homenagem ao mestre Hsing Yun A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe, entre hoje e sábado, uma nova exposição de caligrafia. Trata-se da mostra “Keep Going, The Future is Bright” [Vai em Frente, o Futuro Brilha], com organização do professor e alunos dos cursos de arte e literatura do Centro Budista Fo Guang Shan, e é apresentada como uma homenagem ao “venerável mestre” Hsing Yun. A mostra apresenta cerca de 50 obras de caligrafia e pintura chinesa “que procuram dar continuidade ao espírito do mestre Hsing Yun, fundador do Centro Budista, cujos problemas de visão se viriam a agravar nos últimos anos de vida”, descreve uma nota do FRC. O mesmo mestre desenvolveu e utilizou o “olho do coração” e o “olho do Dharma” para escrever a sua caligrafia única de “um traço”, na esperança de transmitir compaixão, sabedoria, paz e luz através das suas criações. O Dharma é um conceito multifacetado que se refere, em grande parte, ao princípio da ordem cósmica, da rectidão, do dever e do caminho para uma existência com sentido, o que no budismo abrange as obrigações morais do indivíduo, a conduta ética e as leis naturais que governam o universo. Obras com mensagens O projecto inclui os trabalhos dos alunos de arte e literatura do professor Hok-lon Yim, um “jovem e influente calígrafo e pintor de Macau” que foi convidado pelo Centro Budista Fo Guang Shan para orientar o ensino da caligrafia e pintura a todos os entusiastas, com maior ou menor experiência, utilizando o pincel e a tinta para transmitir bênçãos e levar alegria às pessoas. A fundação do Centro Budista de Macau remonta ao início de 1989, quando o mestre Hsing Yun pregou o Dharma em locais públicos de Hong Kong, congregando devotos do território vizinho e também formações espontâneas de grupos provenientes de Macau, para assistirem às palestras. O convite foi então lançado ao Mestre Hsing Yun para a enviar discípulos a Macau que pregassem o Dharma, e o próprio veio cá inúmeras vezes, entre 1991 e 2014, realizando palestras emotivas, sempre com auditórios lotados. Em 1996, o Centro foi oficialmente registado como uma organização de caridade sem fins lucrativos pelo Governo, iniciando a sua missão de difundir o Dharma em Macau, seguindo o princípio de “promover o Budismo humanista e construir uma terra pura”. Esta é uma filial da Fo Guang Shan regional e o maior centro budista urbano de Macau.
Acidente | Despiste faz quatro mortos e três feridos João Santos Filipe - 5 Ago 2025 O acidente aconteceu na madrugada de ontem, quando um carro de cinco lugares circulava com sete passageiros. Quatro já foram declarados mortos. Os três feridos continuam em estado grave O despiste de uma viatura na Avenida da Amizade, perto do Edifício do Grande Prémio, causou ontem quatro mortos e três feridos em estado grave. O acidente aconteceu por volta das 6h, quando dentro da viatura com cinco lugares seguiam sete pessoas, todos residentes, com idade entre os 19 e 21 anos. De acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), o acidente aconteceu quando a viatura perdeu o controlo e embateu em várias grades que delimitam a estrada naquela zona, tendo igualmente atingido os degraus de pedra instalados no Reservatório e ainda alguns sinais de trânsito. De acordo com o CPSP, a jovem, de 20 anos, que estava ao volante e os outros seis passageiros foram encontrados inconscientes no local, após o embate. A condutora e três passageiros foram transportados pelas equipas de emergência para o hospital em estado grave, onde foram declarados mortos. Os restantes feridos também se encontram hospitalizados em estado grave. Entre os acidentados, cinco são do sexo masculino e dois do feminino, incluindo a mulher que estava ao volante. O acidente aconteceu na Avenida da Amizade, por volta das 6h depois do veículo ter arrancado da rua de Bruxelas, na ZAPE, onde inicialmente estava estacionado. O carro entrou na Avenida da Amizade depois de ter passado na Avenida Dr Sun Yat-Sen e seguia na direcção da Areia Preta. Trânsito encerrado Devido às operações de salvamento, e à necessidade de recolher as provas sobre o sucedido, as autoridades encerram o troço da Avenida da Amizade durante algumas horas. Quando o Corpo de Bombeiros (CB) chegou ao local, o veículo já não estava a deitar fumo. Cinco dos feridos foram enviados para o Centro Hospitalar Conde São Januário e outros dois para o Hospital Kiang Wu. Os motivos que levaram a condutora a perder o controlo da viatura ainda não são conhecidos. Após o acidente, o veículo, Mercedes Class C, activou os airbags, inclusive os laterais, tanto dos lugares da frente como de trás. Ao jornal Ou Mun, um idoso que se encontrava no Reservatório na altura do acidente admitiu ter ouvido um grande estrondo, embora não tivesse visto o embate. Num primeiro momento, o homem afirmou ter pensado que o barulho se devia a trovoada. Contudo, quando se aproximou do local verificou que existia um carro acidentado. Na altura da ocorrência, contou o homem, várias pessoas faziam exercício no Reservatório, como acontece normalmente todos os dias. As autoridades apelaram a eventuais testemunhas que contactem as autoridades, para prestarem informações.
Jogo | Morgan Stanley dobra a previsão de crescimento de receitas Hoje Macau - 5 Ago 2025 As receitas brutas dos casinos de Macau durante este ano podem aproximar-se dos 248,9 mil milhões de patacas, segundo a nova estimativa dos analistas do banco de investimento Morgan Stanley. Num comunicado divulgado ontem, os analistas duplicam a previsão de crescimento das receitas de 5 por cento em termos anuais, para 10 por cento. A estimativa do banco de investimento para a margem de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) triplicou de uma subida de 2 por cento para 6 por cento. Em termos de média de receitas brutas, os analistas estimam valores de 682 milhões de patacas por dia em longo deste ano, é indicado no comunicado do banco, citado pelo portal GGR Asia. A actualização da Morgan Stanley surge após o anúncio oficial de que em Julho as receitas do jogo atingiram 22,125 mil milhões de patacas, o valor mais elevado desde o início da pandemia, 19 por cento superior ao mesmo mês de 2024. Também em Junho, as receitas aumentaram 19 por cento em termos anuais. Os analistas citam o crescimento anual de 25 por cento do número de visitantes do Interior da China no segundo trimestre como o principal impulso para a performance dos casinos de Macau nos últimos dois meses. Outros factores elencados pelo banco, são a realização de concertos de artistas populares, assim como a valorização do renminbi e a descida dos fluxos de turistas chineses para destinos como a Tailândia e Japão.
FAOM | Estudo revela falta de oferta de formações profissionais Hoje Macau - 5 Ago 2025 Cerca de 40 por cento dos inquiridos de um estudo considera que existe falta de diversidade na oferta de formação profissional. As conclusões resultam de um estudo apresentado ontem elaborado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e a Associação Geral de Empregados do Sector de Serviço de Macau. Numa conferência de imprensa liderada por Leong Sun Iok, deputado e membro da FAOM, foi apontado que 40 por cento dos trabalhadores consideram haver falta de formação profissional variada. Além disso, 36,6 por cento apontou que a formação profissional disponibilizada em Macau tem pouca ligação com a carreira desenvolvida. O inquérito foi realizado entre Janeiro e Maio, e foram recolhidos 1.336 inquéritos válidos. A avaliação de alguns aspectos da formação profissional não se ficou pela oferta insuficiente, dado que mais de 1 em cada 3 dos inquiridos considerou que os formadores são de “má qualidade”. Sobre as formações profissionais que os entrevistados pretendem frequentar, 35 por cento indicou que pretende aprofundar os conhecimentos em língua e comunicação. Houve também 34,7 por cento a indicar que pretende melhorar e explorar as técnicas profissionais das áreas em que trabalha. A equipa revelou ainda que apenas 32 por cento dos entrevistados conhecem as políticas de formação profissional do Governo, pelo que se defende uma maior promoção das mesmas.
Chikungunya | Autoridades reforçam eliminação de mosquitos Hoje Macau - 5 Ago 2025 Com os diagnósticos de Febre Chikungunya a aumentarem em Guangdong e os casos locais a despontarem em Macau, o Governo organizou algumas dezenas de equipas interdepartamentais para alertar a população e inspeccionar locais onde os mosquitos podem proliferar Os Serviços de Saúde (SS) lançaram uma campanha para eliminar as águas estagnadas em toda a cidade, à medida que são detectados mais casos de Febre Chikungunya em Guangdong e começam a ser diagnosticados casos locais em Macau. No domingo, os SS organizaram um evento em que participaram vários departamentos do Governo que vão colaborar para realizar inspecções conjuntas nos bairros residenciais para eliminar águas estagnadas e da fonte de proliferação de mosquitos. As entidades que participam na campanha são os SS, o Instituto para os Assuntos Municipais, a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, o Corpo de Polícia de Segurança Pública, a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, a Direcção dos Serviços de Turismo, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, o Instituto de Acção Social, o Instituto de Habitação e o Gabinete de Comunicação Social. As autoridades de saúde, auxiliadas por associações locais, formaram equipas para sensibilizar a população e combater a proliferação de mosquitos. A campanha incluiu a divulgação de informações nos bairros, porta a porta, sobre “métodos de limpeza de água estagnada nas casas e prevenção de mosquitos, com foco na melhoria da capacidade dos residentes de identificar e remover fontes de reprodução”. As 33 equipas, constituídas por cerca de 140 membros associativos e dos SS, inspeccionaram no domingo mais de 2.200 residências e forneceram informação a quase 700 agregados familiares. No período compreendido entre Janeiro e Julho, foram realizadas 8.903 inspecções às fontes de proliferação de mosquitos e, a partir de Abril, a frequência de eliminação de mosquitos nos 140 pontos negros de higiene em Macau aumentou para duas por mês. Em Julho, de acordo com a avaliação de risco mais actualizada, reforçou-se a eliminação de mosquitos, indicou o Grupo de Trabalho para a Prevenção Contra a Febre de Dengue. Em todas as frentes Além das acções gerais, as autoridades indicaram ontem que vão proceder a trabalhos de eliminação química de mosquitos no Toi San, em várias zonas da Areia Preta e na zona circundante da Igreja de Santo Agostinho. Na semana passada, as autoridades de saúde de Guangdong revelaram o diagnóstico positivo de Febre de Chikungunya de três trabalhadores nas obras na Zona A. “Tendo em conta a acumulação frequente e fácil de águas em estaleiros de obras da Zona A dos Novos Aterros Urbanos, por motivos de diversas obras, o que pode provocar a proliferação de mosquitos e aumentar os riscos para a saúde”, as autoridades locais indicaram ontem que em cada estaleiro será eliminada água estagnada, no mínimo duas vezes por semana. Segundo a televisão estatal CCTV, foram detectados 2.892 novos casos na semana terminada no sábado, sem registo de infecções graves ou fatais. A maioria, 2.770, ocorreu em Foshan, enquanto Guangzhou contabilizou 65 casos.
Taiwan | Requisitos de viagem de funcionários a Macau apertam Hoje Macau - 5 Ago 2025 Taiwan endureceu os requisitos de viagem para funcionários públicos que visitem as regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau, numa tentativa de travar a influência de Pequim, informou ontem a imprensa local. Segundo fontes citadas pelo jornal Taipei Times, próximo das autoridades de Taiwan, o Conselho de Assuntos do Continente (MAC, na sigla em inglês) – responsável pelas relações com o Interior – alterou a regulação vigente para exigir que os funcionários que viajem por “motivos não oficiais” a estas cidades apresentem relatórios antes e depois das visitas. Os que não entregarem essas informações poderão enfrentar “medidas disciplinares”, indicaram as fontes, acrescentando que as mudanças legislativas serão submetidas ao parlamento para aprovação e implementação definitiva. “As viagens à China, Hong Kong e Macau implicam riscos crescentes, e Taiwan vai reforçar ainda mais o sistema de gestão do seu pessoal”, referiram as fontes, explicando que os relatórios devem incluir também detalhes sobre reuniões ou contactos com “pessoas específicas” desses territórios. A mudança ocorre cerca de meio ano após William Lai ter anunciado um conjunto de iniciativas para contrariar as operações de influência do Interior. Entre as medidas está a obrigação de divulgação, por parte de todos os funcionários dos órgãos das autoridades da Formosa, a nível central e local, de qualquer participação em intercâmbios com entidades chinesas. Em Abril, as autoridades taiwanesas já tinham endurecido os critérios para a atribuição de residência a cidadãos de Hong Kong e Macau, por “razões de segurança nacional”.
Imobiliário | Mercado mostra sinais de recuperação face a Junho João Santos Filipe - 5 Ago 2025 Os primeiros números do mercado de habitação referentes a Julho mostram um cenário mais animado do que em Junho. No entanto, a comparação anual continua a revelar a crise do sector imobiliário Na primeira metade de Julho, houve 162 vendas de imóveis para habitação, o que representou um aumento para o dobro do que tinha sido registado no início de Junho. Os dados foram revelados no portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). O número de transacções mais recente, de 162, mostra um aumento significativo face ao início de Junho, quando foram vendidos 80 imóveis para habitação no território. Nos primeiros 15 dias de Junho foram transccionadas 122 fracções na Península de Macau, 31 na Taipa e nove em Coloane. Em comparação, na primeira metade de Junho tinham sido registadas 53 transacções da Península de Macau, 25 na Taipa e duas em Coloane. A situação do mercado do imobiliário mostra igualmente uma valorização ao nível do preço médio do metro quadrado, que cresceu 13 por cento, para uma média de 74.310 patacas por metro quadrado. No início de Junho, a média do custo do metro quadrado tinha sido de 65.618 patacas. No início de Julho, o preço médio do metro quadrado na Península de Macau foi de 75.338 patacas, na Taipa de 68.125 patacas e de 88.749 patacas em Coloane. Esta situação contrasta com o início de Junho, quando a média do preço do metro quadrado da habitação em Macau foi de 67.332 patacas e de 61.813 patacas na Taipa. Os preços de Coloane não foram revelados, dado que só houve duas transacções nesse início de mês, o que faz com que os números não sejam publicados, por motivos de protecção de dados pessoais. Teoria da relatividade Se a comparação tiver em conta a primeira metade de Julho de 2024, o mercado apresenta uma situação de quebra evidente, tanto ao nível do número das transacções como do valor do metro quadrado. Em termos do número de transacções, no espaço de um ano houve menos 42, uma quebra de 204 transacções para 162. Esta diferença representa uma diminuição de 20,5 por cento. A maior diferença aconteceu na Taipa onde no período mais recente foram vendidas 31 habitações, mas no período homólogo tinham sido transaccionadas 63 casas. Na Península as transacções caíram de 134 para 122 e em Coloane, houve uma tendência oposta, com um crescimento de sete transacções para nove. No entanto, a grande diferença no espaço de um ano regista-se no preço por metro quadrado. Há um ano, o preço médio por metro quadrado era de 94.905 patacas, o que resultava do preço médio na Península ser de 91.247 patacas, na Taipa 102.409 patacas e em Coloane de 94.905 patacas.
Hong Kong | John Lee faz visita oficial a Macau Hoje Macau - 5 Ago 2025 O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, vai estar hoje em Macau a liderar a visita de uma delegação vinda do território vizinho. O anúncio foi feito pelas autoridades da RAEHK, através de um comunicado público. Com John Lee, viajam o secretário para as Finanças, Paul Chan, o secretário dos Assuntos Constitucionais do Interior, Erick Tsang Kwok-wai, o secretário da Saúde, Lo Chung-mau, e a secretária dos Transportes e Logística, Mable Chan. John Lee tem encontro agendado com o Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, e vai ainda realizar visitas a diferentes infra-estruturas. O líder do Governo de Hong Kong regressa à RAEHK no mesmo dia.
Governo anuncia aumento de subsídios de invalidez e de idosos João Santos Filipe - 5 Ago 2025 O Governo anunciou ontem o aumento do valor do subsídio de invalidez e do subsídio para idosos. A informação foi divulgada através de dois despachos publicados no Boletim Oficial. No que diz respeito ao subsídio de invalidez normal o montante anual vai ter um aumento de 1.000 patacas, o que faz com que o valor suba para 10.000 patacas, quando até agora era de 9.000 patacas. Ao mesmo tempo, o subsídio de invalidez especial também vai apresentar um aumento, mas de 2.000 patacas, de 18.000 para 20.000 patacas. De acordo com o Boletim Oficial, Sam Hou Fai ordenou que os valores fossem alterados, depois de ter em conta a opinião da Comissão para os Assuntos de Reabilitação. O subsídio de invalidez foi criado em 2011, e de acordo com o Instituto de Acção Social visa “manifestar a solidariedade da RAEM para com as pessoas portadoras de deficiência e assegurar-lhes o acesso à assistência adequada”. Em relação ao montante anual do subsídio para idosos, registou-se também um aumento de 1.000 patacas. O valor do subsídio passa para 10.000 patacas, quando até agora 9.000 patacas. Este é um subsídio que é atribuído desde 2005, e de acordo com a IAS visa “mostrar o cuidado aos idosos da RAEM e promover a virtude do respeito pelos idosos”. Prova de vida No comunicado, em que também foi divulgado o aumento dos valores, o IAS apelou aos “beneficiários do subsídio de invalidez e aos beneficiários do subsídio para idosos que residem fora da região de Macau que devem realizar a prova de vida até ao dia 31 de Agosto, por forma a poder receber as respectivas quantias dentro do prazo previsto”. O IAS apontou também que os indivíduos “que requerem pela primeira vez o subsídio para idosos ou o subsídio de invalidez” que “apresentem o pedido até ao dia 31 de Agosto do corrente ano e que satisfaçam os requisitos”. No caso de o pedido ser feito até 31 de Agosto, o montante pode ser recebido em Outubro. No caso de os interessados falharam a data de 31 de Agosto, o IAS indica que “subsídio será atribuído posteriormente”.
Concessionárias | Pedido aumento de licença de maternidade João Luz e Nunu Wu - 5 Ago 2025 Song Pek Kei quer que o Governo incentive as concessionárias de jogo a aumentar os dias de licença de maternidade e de férias anuais. A deputada, ligada à comunidade de Fujian, vinca a boa performance financeira do sector e que a expansão dos direitos laborais é o factor mais importante para a felicidade dos cidadãos Seguindo a tendência de bons resultados de receitas, as concessionárias de jogo de Macau devem tomar a dianteira no alargamento dos direitos laborais na RAEM. A ideia é defendida pela deputada Song Pek Kei, numa interpelação escrita em que pede ao Governo para incentivar as empresas que gerem casinos a aumentar os dias da licença de maternidade e de férias anuais. A legisladora salienta que as seis concessionárias “sempre desempenharam um papel de liderança em termos de medidas amigáveis e de apoio à família dos trabalhadores” e que agora é altura ideal para aumentar a licença de maternidade e as férias anuais, políticas que estão a ser estudadas pelo Executivo de Sam Hou Fai. A recuperação económica conseguida pelas empresas do jogo é outro aspecto que torna o alargamento dos direitos laborais uma medida oportuna. Outro aspecto que Song Pek Kei gostaria de ver consagrado contratualmente pelas concessionárias de jogo e empresas dos resorts integrados diz respeito à licença de acompanhamento de familiar em caso de doença, um direito que é salvaguardado na Função Pública. “Se o Governo aplica o regime das faltas dadas por motivo de doença de familiares de trabalhadores da Função Pública, porque não incentiva as seis empresas integradas de turismo e lazer a adoptar a mesma licença para que os seus trabalhadores possam equilibrar de melhor forma trabalho e família”, questiona Song Pek Kei. A busca da felicidade Para concretizar o objectivo de construir uma “Macau feliz”, a deputada considera que a garantia e a alargamentos dos direitos laborais é essencial. Nesse sentido, uma das formas de aumentar a felicidade pode passar por flexibilizar o sistema de trabalho por turnos nas empresas de jogo, de “forma razoável e científica”. “O Executivo deve incentivar as empresas do jogo a melhorarem as disposições de trabalho por turnos e aumentarem a flexibilidade na gestão dos turnos, seguindo uma lógica de medidas favoráveis à família e à melhoria do ambiente de trabalho”, defende a deputada.
IAM | Gatos capturados devido a queixas da Universidade de Macau Andreia Sofia Silva - 5 Ago 2025 A recolha de gatos dos terrenos da Universidade de Macau resultou de “queixas da universidade sobre a grande quantidade de gatos no seu campus”, revelou ao HM o Instituto para os Assuntos Municipais. O organismo público afasta, para já, o cenário de abate dos animais, temido pelos estudantes O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) esclarece que a recolha de 15 gatos entre os dias 22 e 25 de Julho do campus da Universidade de Macau (UM) surgiu em resposta a queixas da própria instituição do ensino superior relativamente aos problemas de higiene no campus gerados pela presença dos animais. “O IAM tem recebido constantemente queixas da UM sobre a grande quantidade de gatos no seu campus e os resíduos alimentares que não são removidos atempadamente e que afectam a higiene ambiental”, foi referido na resposta enviada ao HM. A recolha dos gatos do campus da UM levou a uma onda de indignação dos estudantes, que dizem temer o abate dos animais após o período de reclamação e adopção. O IAM afasta, para já, esse cenário. “Relativamente aos gatos capturados, se não forem reclamados pelo dono após o prazo de reclamação, o IAM irá implementar a política de ‘Captura, Esterilização e Adopção aberta’ (TNA), priorizando encontrar adoptantes adequados para os gatos. É de salientar que o IAM não estabelece um prazo para a retenção dos animais adoptados.” Na mesma resposta é referido que durante o período de espera por famílias de acolhimento, o IAM “irá continuar a prestar atendimento clínico e cuidados diários aos animais, nunca existindo a situação de abate dos mesmos devido ao termo do prazo de retenção”. Neste sentido, é explicado que os veterinários do IAM “estão a realizar uma série de cuidados médicos que incluem a examinação corporal, administração de vacinas e colocação de microchips”. Além disso, “os gatos só podem estar disponíveis para adopção depois de serem esterilizados”, adiantou o IAM. “Falta de sensibilidade” Os alertas para a adopção destes animais prosseguem nas redes sociais, sendo que, numa nota enviada ao HM e assinada por “um membro do grupo UMers – Membros da Comunidade da UM”, é questionada a “situação preocupante” que ocorreu no período de férias de Verão e, portanto, de ausência de grande parte dos estudantes. “Estes gatos, considerados parte integrante da comunidade universitária, sobreviveram a tufão de sinal 10, mas infelizmente não conseguiram escapar a estas operações de captura efectuadas pelo IAM nos últimos dias. Para muitos estudantes e professores, estes gatos eram como ‘veteranos’ do campus, acompanhando-os durante momentos significativos da vida académica e proporcionando conforto e alegria no ambiente universitário.” A nota explica que os membros do “UMers” não podem adoptar os gatos “devido a várias circunstâncias”, como alergias na família, posse de outros animais ou “restrições adicionais” para os estudantes do Interior da China. Os alertas nas redes sociais visam “sensibilizar o público para esta situação e incentivar pessoas com condições adequadas a adoptarem estes gatos no canil municipal de Macau. Na plataforma Red Note existe mesmo o grupo “UM catstories”, onde se partilham as histórias dos gatos capturados pelo IAM, sendo que só uma publicação gerou 460 gostos e 160 comentários. Foi também criado um grupo no Facebook, o “Macao Cats II”, existindo ainda publicações no Threads, já com um total de 500 gostos e 500 partilhas, incluindo as dez mil visualizações. Um dos perfis das “UM catstories” diz respeito a um “pequeno gato tigrado”, descrito como “um ficheiro ‘sem nome’, acabado de criar no computador: ainda em branco, explorando o mundo aos poucos e tentando digitar fragmentos soltos para escrever” a sua própria história. “Encolhido a um canto, observo as pessoas que passam, avaliando quem poderá tornar-se uma personagem importante do meu enredo. Até agora, poucas pessoas foram escritas na minha história, e também deixei poucas marcas na vida de alguém. Antes de sair do campus talvez este meu ficheiro ‘sem nome’ tenha apenas 5KB, registando algumas tímidas explorações e um suave desejo por calor humano”, lê-se no apelo feito à adopção. O HM questionou a UM sobre este assunto, tendo em conta que os animais vinham sendo acarinhados pelos estudantes, mas até ao fecho da edição não recebeu uma resposta. Os membros do “UMers” também questionam como pode a UM, “uma instituição que procura a excelência académica e melhores classificações nos rankings mundiais, demonstrar tal falta de sensibilidade, permitindo a captura destes animais sem qualquer solução alternativa”. Associação abortada Na mesma nota é referido que os estudantes ponderaram criar uma associação para “organizar a esterilização dos gatos do campus, mas a universidade não aprovou a criação de tal associação estudantil”. Os membros do “UMers” realçam o “contraste com universidades de renome no Interior da China, como a Universidade de Pequim, onde existe uma associação estudantil dedicada ao cuidado de gatos do campus universitário, e na Universidade de Zhejiang, onde o actual reitor da UM, Song Yonghua, trabalhou anteriormente, que estabeleceu uma associação para proteger animais de campus universitário desde 2005”. Relativamente às acções de recolha e tratamento dos animais, o IAM diz que “as políticas TNA correspondem aos princípios orientadores da Organização Mundial de Sanidade Animal (WOAH), que contribuem para reduzir a possibilidade de animais vadios serem expostos a doenças e enfrentarem factores ambientais desfavoráveis”. Tais políticas também contribuem para a redução do número de animais “e a sua reprodução excessiva a longo prazo”. É também referido que “as políticas TNA ainda levam em conta o estado de sobrevivência e bem-estar dos animais, com o intuito de arranjar famílias adequadas adoptantes para os animais com condições, dedicando-se a ajudá-los a obter cuidados apropriados permanentes e estáveis”. O IAM diz ainda ter optimizado “constantemente os canis municipais”, sendo que, nos últimos anos, “foram aperfeiçoadas as instalações e equipamentos complementares”. Além disso, existe também cooperação “com associações de protecção de animais”, realizando-se projectos conjuntos nas escolas e bairros comunitários em prol da adopção e do cuidado animal. Dados oficiais disponíveis no website do IAM indicam que no primeiro trimestre deste ano foram capturados 264 animais sem microchip, número que aumentou para 280 no segundo trimestre. Os números são semelhantes aos primeiros dois trimestres de 2024: no primeiro foram apanhados 266 animais sem microchip, seguindo-se 327 animais no segundo trimestre. No terceiro e quarto trimestres do ano passado foram apanhados 258 e 203 animais, respectivamente. Relativamente às acções de esterilização, no primeiro trimestre deste ano foram feitas 289, seguindo-se 211 acções deste género no segundo trimestre. No primeiro trimestre deste ano foram reclamados, ou adoptados, 102 gatos e 29 cães, sendo que, no trimestre seguinte, foram reclamados ou adoptados 93 gatos e 49 cães. Quanto ao número de animais abatidos, só no primeiro trimestre deste ano foram mortos 32 gatos e 69 cães. Se nos gatos esse número reduziu no segundo trimestre, para 11, o mesmo não aconteceu com os cães: foram abatidos 101.
Aí estão eles André Namora - 4 Ago 2025 Portugal está a ferro e fogo há mais de uma semana. Aí estão eles, os fogos. Os fogos da inoperância, da demagogia, do desleixo, da incompetência, do altruísmo, da corrupção, dos incendiários criminosos, dos madeireiros interesseiros e da legislação absurda. Arouca, Ponte da Barca, Gondomar, Nisa, Santarém, Penafiel, Castelo de Paiva, Cinfães e dezenas de aldeias são o palco das chamas descontroladas, do desespero de populações, de casas a arder, de animais a morrer, de bombeiros heróicos exaustos, de aeronaves que caem, de moradores a tentar apagar chamas com mais de 10 metros de altura com uns baldes ou umas pás. São 131 Concelhos em risco máximo. A área ardida já é o triplo de 2024. Já foram detidos pelo excelente trabalho da Polícia Judiciária cerca de 30 suspeitos de fogo posto. A maioria das vezes pagos por madeireiros a quem interessa madeira queimada para vender rapidamente e obterem rendimentos destes crimes. Numa noite, viu-se um carro passar junto a uma floresta, passados cinco minutos deu-se início a um fogo enorme que ainda lavra na zona de Ponte da Barca. Os fogos são iniciados por incendiários criminosos, que na maior parte das vezes os tribunais mandam em liberdade. Mantivemos contacto com um prestigiado geólogo que nos disse que existe uma legislação absurda, no que respeita à limpeza dos terrenos ao redor das casas. Legislação que obriga a limpar uma área circundante das casas com 50 metros. O geólogo explicou que 30 metros seria o suficiente e que a obrigação de limpeza de 50 metros é caríssima para pessoas que vivem do pouco que têm. Resultado: pouca gente limpa os terrenos e o combustível ali está à espera dos incendiários. O mesmo geólogo salientou-nos que o terreno em Portugal contém uma quantidade de biomassa que levará a termos incêndios durante mais uma década, no mínimo. O Governo apareceu com uma nova ministra da Administração Interna que pode saber de coser meias, mas de incêndios é um zero à direita. Nem sequer abordou o problema enorme de continuar adiada a compra de novos helicópteros que tanta falta fazem. Este ano, à semelhança de outros anos, já tivemos bombeiros feridos, aldeias evacuadas, idosos, mulheres e crianças a dormir no chão em pavilhões polidesportivos, aeronaves a cair e várias casas ardidas. A propósito de casas, uma crítica contundente para os emigrantes que constroem vivendas de três pisos, gastando centenas de milhares de euros, no meio da floresta e depois querem os bombeiros em todo o lado onde as chamas colocam em perigo essas vivendas. A situação é trágica para milhares de portugueses, mas todos os anos é a mesma coisa: permitem a plantação de eucaliptos e pinheiros em todo o lado, quando deveria existir um planeamento global com terrenos apropriados à plantação ordenada de pinheiros, carvalhos, eucaliptos, sobreiros e outras árvores. A falta do referido ordenamento geológico e demográfico leva à desgraça a que assistimos. No sábado passado, dia em que vos escrevi estas palavras, já mais de 20 moradores tinham ido para o hospital e 10 bombeiros receberam tratamento hospitalar. Há mais de uma década que ouvimos dizer que tem de se fazer qualquer coisa. Obviamente que há soluções, mas a maioria dos projectos fica nas gavetas governamentais. E como ninguém o refere, nós salientamos a acção arriscada e profissional dos jornalistas repórteres que têm arriscado a vida de dia e noite a uma temperatura que tem rondado os 45 graus, fugindo das chamas, a dormir e a comer deficientemente. Deixo-vos imagens contundentes deste drama que Portugal está a viver com mais um cenário global de incêndios.
O Papa Americano (I) Jorge Rodrigues Simão - 4 Ago 2025 “The bishop is not supposed to be a little prince sitting in his kingdom, but rather called authentically to be humble, to be close to the people he serves.” Pope Leo XIV Leão XIV encarna a dupla crise da América e da Igreja Católica. Versão contemporânea da antiga tensão entre o império e o papado. Sujeitos incomparáveis por natureza que, por constituição, se excluem mutuamente. Nascidos para redimir o mundo de acordo com os seus princípios. Com a arma do poder em todas as suas dimensões expressas hoje na Terra, depois de amanhã talvez noutros planetas, a América. Com a intenção de converter a humanidade à presença do Reino de Deus encarnado em Cristo, a Igreja de Roma, mediadora entre o Céu e a Terra. Missões impossíveis, mas indispensáveis. Está em jogo a própria identidade. A vida. Cada uma, no seu plano, vive e sofre do crisma original do Ocidente, ao qual ambas se referem de forma diferente; o universalismo. Parte que se sonha inteira. Sonho que se transforma em pesadelo para os Estados Unidos, que temem morrer globalizados por terem ousado americanizar o mundo. Pelo contrário, a Igreja que, com Francisco, esboçou a saída para as periferias constata que as ovelhas não são muito atraídas pelo pastor, muitas vezes fogem dele. Especialmente no seu núcleo de origem, europeu e ocidental. E se a Igreja desaparecesse de si mesma? Cabe ao novo papa, veremos se mais híbrido ou americano, estabelecer em concílio sinodal a trajetória do povo de Deus. Cabe à sua pátria natal discernir se e como aproveitar a sua esteira para se curar. O clima actual informa-nos que Washington e Roma não seguirão caminhos paralelos, muito menos solidários, para curar a doença que parece assimilá-las. A instituição temporal dotada de religião civil, o “American way of life”, opta com Trump por uma dieta geopolítica de emagrecimento de nada de grandes e comprometedoras aventuras no vasto mundo, fortificação do reduto americano em expansão ártica. Fiel à tradição ocidental desfigurada pelos iluministas, positivistas e comunistas. A outra, de inspiração celestial e inculturação variada nos territórios de missão marcados pelas dioceses, herança tardo-romana, não tem casca em que se retrair sem se desfigurar. A abertura à ecúmene é a sua razão de ser. A ser modulada de acordo com uma geopolítica eclesiástica sempre actualizada. Nunca se submetendo ao “Número Um” do momento. Se Trump, entusiasmado com a tomada americana do Vaticano com o advento de Leão XIV, conta com um catolicismo pós-franciscano disposto a oferecer um suplemento de alma ao seu magistério rude e imprevisível, está enganado. Como se ilude o alto clero da Santa Igreja quando confia ter arrancado um bilhete premiado ao escolher um sucessor americano para Pedro. A oferta da Papal Foundation e de outros patrocinadores prometidos do outro lado do Atlântico «tem condições», tem restrições rigorosas, como informam «doadores» em equilíbrio entre Deus e Mamona. É claro que, antes de se encerrarem na Capela Sistina, os cardeais passaram muito tempo a discernir as consequências financeiras da inspiração que o Espírito Santo lhes teria concedido, o que, parafraseando o jargão eclesiástico, é uma revelação. A sede vacante não é tempo de virtudes teologais, mas sim cardinais. Como observou em 1997, com ironia curial, o cardeal Joseph Ratzinger a quem lhe perguntou se o papa era eleito por escrutínio divino afirmou «Eu não diria isso, no sentido de que é o Espírito Santo que o escolhe. Diria que o Espírito Santo não assume exactamente o controlo da questão, mas sim, como bom educador que é, deixa-nos muito espaço e liberdade, sem nos abandonar completamente. Assim, o papel do Espírito Santo deve ser entendido num sentido muito mais elástico, não que dite o candidato em quem se deve votar. Provavelmente, a única certeza que oferece é que o facto não pode ser totalmente arruinado. Há demasiados exemplos de papas que, evidentemente, o Espírito Santo não teria escolhido». Não sabemos se o acaso, a necessidade ou a Providência impuseram Robert Francis Prevost no trono de Pedro precisamente na encruzilhada entre as duas (suas) crises. Certamente é um sinal dos tempos. Vulgarmente representado na selfie artificial divulgada pela Casa Branca, com a qual, na véspera do conclave, o pseudo-Trump disfarçado de papa invadiu a esfera mediática. Quase como para santificar a comunhão entre a Quarta e a Primeira Roma, em ordem hierárquica. Faltava apenas que o pontífice cesariano se dividisse em dois para se dar a unção real. Ironia do conto, pois na fotomontagem, o papa Trump veste-se totalmente de branco, como Francisco. Talvez também por isso, ao ostentar-se urbi et orbi, Leone enriqueceu a batina branca com os símbolos clássicos do pontificado. Mas um grão de verdade expõe essa imagem blasfema. Há muito de eclesiástico na autoconsciência da América. Da mesma forma, há muito de imperial na história da Igreja. Os Estados Unidos nascem e crescem como uma religião autocentrada em peculiares declinações cristãs. Independentemente da seita ou confissão a que pertençam, os americanos vivem versões estreladas e listradas. Católicos incluídos. Os catolicismos americanos, bastante mundanos, mais conscientes e conflituosos do que nunca, ocupam espaços distintos no rebanho do pastor de Roma. Com e contra as ramificações protestantes predominantes, estabelecidas ou neo-evangélicas, professam o Credo Americano. Religião celebrada na sua época áurea pela nação-Igreja autodenominada ápice da humanidade. Farol da Liberdade, portanto, universal. Autocéfala e ao mesmo tempo católica no sentido etimológico e, portanto, ecuménico da palavra. Como consequência de tantas contradições formidáveis, a crise de identidade da superpotência mundana é ao mesmo tempo própria e mundial. A Santa Sé, grandioso repositório de cultura e fé, expressão geopolítica da Igreja de Roma e seu órgão supremo de governo no Estado da Cidade do Vaticano, em plena Urbe, nasce, vive e confronta-se com o imperium sine fine em todas as suas ramificações. Os túmulos romanos de Pedro e Paulo, primeiros impulsionadores da evangelização, confirmam a potentior principalitas, a autoridade preeminente do caput mundi em relação aos veneráveis patriarcados originais de Antioquia, Alexandria, Éfeso, Corinto e Tessalónica. A religião dos apóstolos germina sob Tibério na Palestina, expande-se na pars occidentalis da Primeira Roma, delimitada pela instável bipartição estipulada em Brindisi entre António e Otávio quarenta anos antes de Cristo, sanção da heterogeneidade permanente entre Oriente e Ocidente. Depois, baptiza com Constantino a Segunda Roma, ideal-tipo da metrópole de fundação totalmente cristã. Há um milénio que disputa com a ortodoxia da Terceira Roma, coração do império moscovita que se exibe cristão, na utopia de ser reconhecido como terceiro pulmão do Ocidente, com a Europa e a América. E há oitenta anos convive com a primazia terrena da Quarta Roma, eleita por puríssimos pais peregrinos anglo-irlandeses e erigida por ex-colonos britânicos apaixonados pela tradição helenístico-romana, de modo a corresponder em código através de pseudónimos latinos. A Ecclesia permixta descrita por Santo Agostinho, referência de eleição do papa Prevost, onde se misturam trigo e joio, fertilidade e esterilidade, amor e inveja, descobre-se ferida. Os cismas líquidos que a corroem tendem a coagular. A prioridade do pontificado é a costura das rupturas que dilaceram o corpo da Igreja. Sem renegar Francisco, fechar algumas das brechas por ele abertas, distinguindo aquelas que merecem ser preenchidas das perigosas ou precárias, descartáveis. À espera que os posthumos releiam o seu papado, captando alguns traços proféticos demasiado incoerentes com a realidade, não só eclesial, para poder já agir. Hoje ressoa o aviso de Bento, mestre do agostinianismo, sobre a necessidade de proteger a missão ad extra do excessivo optimismo sobre a fé como «pressuposto óbvio da vida comum» afirmando que «Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e que a luz seja mantida escondida». Mesmo que isso signifique que a Igreja se queira isolar de graça no mundo sem graça? O clero católico divide-se em três. Aqueles que privilegiam a missão, aqueles que privilegiam a instituição e aqueles que navegam entre as duas correntes. A pedra de toque continua a ser o Concílio Vaticano II. Para os primeiros, deve ser desenvolvida a abertura missionária ao povo de Deus, ou seja, à Igreja propriamente dita, juntamente com o impulso ecuménico. Para os segundos, prevalece a defesa da tradição contra a submissão aos sinais dos tempos, que pode induzir à heresia. Sair ad gentes, portanto, contaminar-se para evangelizar, ou entrincheirar-se em nome da fé «pura»? Na história, o carisma do papa inclina o barco de Pedro para um lado ou para o outro. Hoje muito mais do que ontem, com o pontífice superstar, enquanto o seu povo parece contrair-se, em crise de caridade interna e de atracção externa. Na vulgata, Francisco é considerado um campeão irregular da Igreja em saída, pela história, doutrina e carácter. Pastor por excelência. Ou em excesso, para os críticos. Bento XVI, seu predecessor traumatizado pelo peso do múnus petrino, é o epónimo do fidei defensor. Teólogo perspicaz. Herr Professor raro do seminário. Claustrofóbico. Simplificações questionáveis, mas poderosas. Leão XIV nem um nem outro. Pelo menos nas intenções de muitos dos seus eleitores. Convertam-se a ele a partir das margens opostas, conscientes das cisões latentes ou já efectivas que estão a fragmentar o arquipélago eclesiástico em ilhas e ilhotas autocentradas. Católicos diferentes. Certamente não romanos. A biografia e algumas palavras do papa americano exaltam a sua vocação pastoral, a proximidade com os humildes. Gestos pontifícios e outras palavras marcam a recuperação de símbolos e liturgias tradicionais. Com uma metáfora política que outrora nos teria colocado no Índice dos Livros Proibidos, poderíamos ver em Prevost um democrata cristão renascido, ancorado no centro, olha para a esquerda enquanto toma cuidado para não ter muitos inimigos à direita. Ou vice-versa. «Pedro, adelante con juicio» expressão da novela “Os noivos” utilizada para pedir a alguém que proceda con precaução e discernimento em uma situação difícil ou complicada. Leão XIV deve governar a Igreja em missão. Fixar o rumo, manter o leme direito, revitalizar a Cúria e reconectá-la às periferias eclesiais, muitas vezes indiferentes, se não adversas, à cátedra de Pedro. Para manter o mundo à beira do abismo de guerras sem fim. Os princípios da Igreja confiaram a este monarca tranquilo e decidido a tarefa de curar as feridas que sangram o rebanho de Cristo. Para que o fim do catolicismo não antecipe o fim do mundo. Talvez seja tarde, talvez não. Certamente é uma tarefa que Leão XIV poderá iniciar, mas não consolidar. A doença está demasiado disseminada, há muito tempo, para ceder a terapias milagrosas. Passou quase meio século desde o desaparecimento do último pontífice vocacionado (não só) para o governo da Igreja que foi Paulo VI (1963-1978). Os quatro sucessores não quiseram ou não puderam dedicar-se à máquina de Pedro. João Paulo I (1978) por falta de tempo e de firmeza, João Paulo II (1978-2005) por excesso de personalidade, Bento XVI (2005-2013, falecido em 2022) por comovente inaptidão, Francisco (2013-2025) porque queria «fazer barulho» («hagan lío!») para poupar o seu rebanho da morte por asfixia clerical. Papas conservadores e/ou revolucionários, inadequados e/ou relutantes em reformar na continuidade. A decomposição do tecido católico e a desculturação da sua classe dirigente são tais que excluem um Vaticano III. A menos que se aspire a uma implosão libertadora, para recomeçar a partir de micropatriarcados autocefálicos, nacionais ou subnacionais, de tom neo-ortodoxo. Mais facilmente, a partir de seitas espiritualistas emotivas de cunho neo-evangélico, fiéis a Mamona. Para compreender o desafio do Papa Prevost, convém partir daqui. Está em jogo o sentido da Igreja. Tanto espiritual como terreno. Nunca existiu nem poderá existir um cristianismo separado da realidade do mundo. A Santa Igreja Romana foi e continua a ser, apesar de ferida, um formidável sujeito geopolítico que desenhou a história universal. Há dois mil anos, católicos e outros cristãos vislumbram nela vários sinais e cores. Retiram dela lições diferentes. Doutrinárias, pastorais e geopolíticas. Para muitos, confirmação da fé em Cristo. Para menos, mas influentes, anúncio do apocalipse iminente. Aos estudiosos da geopolítica, resta a obrigação de estudar a visão e a acção da Santa Sé no cenário da história, cruzando no sentido próprio e figurado o factor humano e a especificidade religiosa. Elegemos como Carta Magna do modo cristão de estar no mundo o misterioso “Carta a Diogneto”, manuscrito grego anónimo do século II-III encontrado em 1436 em Constantinopla por um clérigo latino.
Joaquim Surumali ajuda a preservar património cultural timorense Hoje Macau - 4 Ago 2025 É na sua oficina em Tasi Tolu, em Díli, que Joaquim Surumali preserva o património cultural de Timor-Leste ao replicar em joias, para utilização diária, peças utilizadas nas casas sagradas e em cerimónias e danças tradicionais. Nas suas mãos, o ‘kaebauk’, ornamento com chifres de búfalo, que representa o sol, a força, segurança, protecção e poder, tradicionalmente usado na cabeça e em cima dos telhados das casas sagradas, ganha a forma de brincos e de pendentes para serem utilizados num colar. Já o “belak”, um disco de bronze que simboliza a lua e é utilizado ao peito e no interior das casas sagradas, também pode ser comprado em brincos. Na oficina de Joaquim Sumali também não faltam os colares, denominados de “morten”, por norma com a cor laranja, que trazem sorte e prosperidade e afastam os maus espíritos e as energias negativas. “Eu quero fazer este trabalho. O meu pai também trabalhava com joias, moldava o belak e o kaebauk desde o tempo dos portugueses, e até agora os meus irmãos e irmãs às vezes ainda fazem joias como kaebauk e belak em Díli”, contou à Lusa Joaquim Surumali. O joalheiro, de 34 anos, sublinhou que a sua arte é uma tradição da família, que continua até aos dias de hoje. “Aprendi a fazer joias com o meu pai e com os meus irmãos. Mas o nosso trabalho vem do nosso próprio sangue, do nosso pai e dos mais velhos que também faziam joias como as que se fazem hoje”, explicou Joaquim Surumali. Outros materiais Joaquim Surumali faz as joias em ouro, prata ou bronze, dependendo da preferência e do dinheiro dos clientes. O material, segundo o joalheiro, é comprado em Timor-Leste, mas a maioria vem da Indonésia ou de Singapura, porque os recursos no país são escassos. “Como as pessoas compram em ouro para colocar nas casas sagradas, ele já não está disponível. Por isso, tentamos comprar do estrangeiro. Na maioria das vezes, os clientes são eles que trazem o ouro e nós apenas cobramos pela nossa mão-de-obra”, disse o joalheiro. Questionado sobre os preços das joias, o artesão explicou que um “belak” de ouro puro pode custar 600 dólares e um “morten” 100 dólares. “Muitos timorenses compram estas joias, mas também muitos portugueses, sobretudo professores”, afirmou. Joaquim explicou que os portugueses apreciam estas peças porque vêem nelas algo único e tradicional de Timor-Leste. Os timorenses compram-nas para as colocar nas casas sagradas das famílias e que podem ser vistas em todos os municípios do país. Os artigos mais comprados são, sobretudo, os “belak” de ouro. Sobre o rendimento mensal da produção de joias, Joaquim Surumali disse que pode chegar até aos 500 dólares mensais, mas que depende da quantidade de clientes e das visitas.
Fringe | Evento dedicado ao “Passeio Urbano” regressa em Setembro Andreia Sofia Silva - 4 Ago 2025 “Passeio Urbano” é a temática central da próxima edição do Festival Fringe, a 23.ª, que chega ao território entre os dias 5 e 28 de Setembro. O público poderá desfrutar de um total de 18 espectáculos e 13 actividades, dentro e fora de portas, e com a habitual onda de energia e criatividade a que o Fringe já habituou Macau O Instituto Cultural (IC) anunciou, na sexta-feira, a programação da 23.ª edição do Festival Fringe, agendado para os dias 5 a 28 de Setembro e com o tema “Passeio Urbano”. No total, serão realizadas no território, em diversos locais, 18 espectáculos e 13 actividades, prometendo-se “palcos cheios de criatividade”, em que “a arte se espalha conforme os percursos de cada um”, lê-se no comunicado de imprensa do IC. Um dos destaques é a secção “Crème de la Fringe”, onde se integram dois eventos: “TOMATO – Mostra de Teatro Digital Interactivo”, apresentado entre os dias 10 e 21 de Setembro; e “Palhaços para o Festival ‘Complicité'”. Quanto ao “TOMATO”, trata-se de um evento com curadoria de Erik Kuong que apresenta quatro programas distintos: “O Monstro – Um Teatro de Aventura Imersiva e Pessoal”; “Diários à Deriva – Teatro de Passeio Urbano”; “Velado Brilho: Exposição de Instalação de Micro-sensações Urbanas” e “Livro de Aventuras – Uma Janela Oculta em Macau – Versão com Acompanhamento Musical”. O objectivo é que, através de uma aplicação de telemóvel, a plataforma “Chito”, o público possa acompanhar as histórias por detrás destes programas, que se passam em zonas antigas de Macau como é o caso das freguesias de Santo António, da Sé ou de São Lourenço. Trata-se de uma iniciativa “onde os mundos digital e físico convergem”, destaca o curador, e que permite “ao público seguir a história e explorar recantos ocultos da cidade através de uma aplicação”, tratando-se de uma “experiência teatral pioneira que conecta comunidades através da narração de histórias digitais”. Depois, dentro do “Crème de la Fringe” apresenta-se ainda o “Palhaços para o Festival ‘Complicité'”, que tem curadoria de Chan Lai Nei e inclui três eventos: “Kung Food: A Arte Marcial Vegetariana”, “O Menu de Hoje” e ainda “Tu ou Eu?”, todos eles realizados na Feira do Carmo e com participação gratuita. Com criação da companhia Canu Theatre, esta série do Fringe traz “grupos artísticos da Europa e Ásia”, apresentando-se “três espectáculos culturalmente diversos e interactivos e duas actividades de extensão”, com a promessa de uma “conspiração de alegria” e uma “hilaridade acidental que desencadeia uma reacção em cadeia de gargalhadas”. Chan Lai Nei diz que a sua visão sobre o mundo dos palhaços “mudou completamente” depois de um período de estudos em França. Assim, o “Palhaços para o Festival ‘Complicité’ quer oferecer uma experiência teatral inesperada, com momentos que ressoam no seu coração”, lê-se na sinopse do espectáculo. Comédias e outras histórias Além do “Crème de la Fringe” existem ainda outras iniciativas, nomeadamente a actuação do grupo japonês Co.SCOoPP que apresenta o espectáculo “Para Sobreviver nas Cidades!”, uma “comédia repleta de emoções que combina elementos de acrobacia aérea, interacção e malabarismo”. Destaque ainda para programas como o “Convés Oscilante”, apresentado por Ao Ieong Pui San e Zhang Hui, onde se “ajusta a realidade aumentada ao mundo real, permitindo aos participantes experimentar o Porto Interior [de outra forma], onde memórias se fundem com visões oníricas”. Suzuki Cheng apresenta “Obrigado por Estar Aqui”, abordando o tema da maternidade num “diálogo temporal e espacial através de um teatro imersivo”. Já o Estúdio de Arte PO apresenta “Máquina Sem Sonhos, Classe Inútil”, onde “os participantes se tornam juízes e experimentam vários tipos de máquinas de auto-atendimento no centro comercial”. A companhia Own Theatre traz ao Fringe “Wendy e o País das Maravilhas”, para contar uma história “de busca pela inocência infantil” onde se integram “acrobacias corporais, andas e dança aérea”. De frisar também a inclusão do espectáculo “Congregação”, que nasce de uma colaboração entre o artista sonoro britânico Ray Lee e a “Tempest Projects”. Trata-se de “uma experiência dinâmica que combina ambiente, música e tecnologia”, onde, com a “emissão de sons, a esfera suspensa guia os participantes por caminhos e vielas que podem ser familiares ou uma descoberta”. Ligação à história O IC destaca que esta edição do Fringe tem a preocupação de levar o festival a zonas mais antigas, como o bairro da Ilha Verde ou os estaleiros de Lai Chi Vun, em Coloane, só para citar alguns exemplos. O que se pretende fazer é a mistura da “arte cenográfica com o charme histórico”, onde muitos grupos locais participam. É o caso da Associação de Arte Teatral Dirks, que apresenta “Orquídeas à Velha Casa”, contando a história do “tráfico de leitões” com recurso à música. Temos depois o espectáculo a solo de Chan Si Kei, “Uma Reunião na Solidão”, que tem por pano de fundo um antigo salão de chá, onde o artista “tece considerações sobre vinhetas evocativas dos jantares familiares”. A Casa de Portugal em Macau também se integra no cartaz do Fringe com o espectáculo “Jazzés & The Blackbird”, onde “três músicos cantam os clássicos do jazz, num palco improvisado na varanda da sede da Casa de Portugal, ornado por uma instalação artística de aves gigantes da autoria de Elisa Vilaça”. Se já há cartaz, ainda não há bilhetes disponíveis. A venda de ingressos para o Fringe começa no dia 10 de Agosto, próximo domingo.
Médio Oriente | China lamenta sanções dos EUA a funcionários palestinianos Hoje Macau - 4 Ago 2025 A administração norte-americana decidiu condicionar ainda mais a concessão de vistos a membros da Organização para a Libertação da Palestina e da Autoridade Nacional Palestina. Pequim critica a decisão e acusa os EUA de não contribuírem para a paz na região A China criticou sexta-feira a decisão de Washington de impor restrições de vistos a membros e funcionários da Organização para a Libertação da Palestina e da Autoridade Nacional Palestina, que Washington acusa de “apoiar o terrorismo”. “Estamos surpreendidos e desapontados com estas sanções. Não compreendemos que os Estados Unidos continuem a menosprezar os esforços da comunidade internacional pela paz. A questão palestiniana é uma questão em que devem prevalecer a equidade e a justiça”, afirmou o porta-voz dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun, em conferência de imprensa. Guo acrescentou que os Estados Unidos devem “ser responsáveis e implementar as resoluções das Nações Unidas e envidar esforços para alcançar uma solução adequada para esta questão, em vez de fazer o contrário”. O porta-voz reiterou que Pequim continuará a trabalhar com a comunidade internacional “para pôr fim ao conflito em Gaza, aliviar a crise humanitária e avançar para a implementação do quadro dos dois Estados”. O Departamento de Estado dos EUA indicou na quinta-feira num comunicado que “é do interesse da segurança nacional dos EUA impor consequências e responsabilizar a Organização para a Libertação da Palestina e a Autoridade Nacional Palestina por não cumprirem os seus compromissos e minarem as perspectivas de paz”. “Além disso, (ambas as entidades) continuam a apoiar o terrorismo – incluindo a glorificação da violência, especialmente nos livros escolares – e a conceder pagamentos e benefícios em apoio a actividades terroristas a palestinianos envolvidos em terrorismo e às suas famílias”, lê-se no comunicado. Pressão alta O anúncio das sanções surge no meio de uma crescente pressão internacional sobre Israel para melhorar as condições na Faixa de Gaza, que atravessa uma grave crise humanitária e onde, nos últimos dias, as autoridades locais denunciaram um pico de mortes relacionadas com a fome. França, Reino Unido e Canadá, entre outros países, expressaram a sua decisão de reconhecer um Estado palestino perante a ONU em resposta à situação, anúncios que foram recebidos com fortes críticas do governo israelita, que considera essa medida um “apoio ao Hamas”. O presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu na quinta-feira que a maneira “mais rápida” de pôr fim à crise em Gaza é a rendição do grupo islamista palestino e a devolução dos reféns israelitas que mantém em seu poder.
As figuras muito lá de casa que Su Hanchen observou Paulo Maia e Carmo - 4 Ago 2025 Zhao Gou (1107-1187), o imperador Gaozong (r.1127-62), viveu o dificíl tempo de recriação da dinastia Song, quando em 1127 os seus membros foram forçados, pelos nómadas Jurchen, a abandonar a capital Bianjing (actual Kaifeng) em direcção ao Sul. E não foi imediatamente que a corte em fuga encontrou uma nova capital. Desses tempos inquietantes com que se iniciava a dinastia Song do Sul (1127-1279) o itinerário da fuga fê-los passar por Nanquim, de onde foram até à actual Shangqiu, depois Yangzhou até fixarem uma nova capital em Linan (actual Hangzhou) em 1129. Xiansheng cilie (1115-1197), a esposa do imperador, ou simplesmente a imperatriz Wu de Song que era, como ele amante das artes do pincel, recordou com amargura esses tempos num poema breve: «Aqui belas ameixas definham cedo e pessegueiros varridos pelo vento ficam de súbito despidos,/ Na claridade do anoitecer, contemplo com alegria o disco de jade na abóboda celeste./ Em Yangzhou conheci bem a face branda da brisa de Primavera,/ Comparando todas as flores estas, em geral, nada se assemelham às outras.» Tudo, aliás, seria um pouco diferente. Por influência da filosofia Neo-confuciana buscava-se agora a reforma da sociedade de baixo para cima. Vendo obras de pintores, notar-se-á uma tendência para diminuir o tamanho das pinturas, abandonando os grandes cenários com a grande montanha dominando visualmente outras mais pequenas sugerindo uma ordem que vem de cima, e emerge uma forma de representação mais próxima, de cenas mais íntimas ligadas ao quotidiano. Um exemplo dessa mudança vê-se nas obras de Su Hanchen (1094-1172), um pintor da Academia imperial, patrocinada pelo pai de Gaozong, o inspirado imperador Huizong (1082-1135). Numa pintura feita num leque redondo (tuanshan) vê-se uma Senhora sentada diante de um toucador num jardim (tinta, cor e ouro sobre seda, 25,2 x 26,7 cm, no Museu de Belas Artes de Boston). Vista de costas, o seu rosto aparece no espelho que ela segura na mão direita, sublinhando o facto de estarmos admirando um momento privado. Su Hanchen seria, no entanto, mais reconhecido por dois temas que se tornariam géneros dentro da pintura figurativa. As cenas de crianças a brincar, yingxi tu, mostradas em diferentes ambientes e os vendedores de bujigangas, huolang tu, transportando uma imensa parafernália de objectos, em geral artigos baratos acessíveis a todos. Ambas, figuras capazes de provocar uma incontida alegria. Em duas pinturas que estão no Museu do Palácio Nacional, em Taipé (uma delas, um rolo vertical, tinta e cor sobre seda,181,5 x 267,3 cm) junta os dois temas, mostrando o vendedor ambulante acolhido por crianças oriundas de famílias ricas. Num pressentimento do que viria a seguir. Afinal, com um território menor, a dinastia retomada no Sul por Gaozong seria até mais próspera que no Norte.
Melco apresenta lucros de 17,2 milhões no segundo trimestre Hoje Macau - 4 Ago 2025 A operadora de jogo em Macau Melco anunciou lucros líquidos no segundo trimestre de 17,2 milhões de dólares, menos 24,4 por cento do que em igual período em 2024. Em termos globais, a Melco Resorts & Entertainment registou um aumento de 14,5 por cento nas receitas operacionais totais em relação ao trimestre homólogo de 2024, para 1,33 mil milhões de dólares, e um aumento de 16,2 por cento nas receitas de jogos, atingindo 1,1 mil milhões de dólares entre 1 de Abril e 30 de Junho de 2025, impulsionado pelo forte desempenho dos casinos e resorts em Macau. O lucro operacional no segundo trimestre de 2025 foi de 124,7 milhões de dólares, resultado que supera os 123,7 milhões de dólares no segundo trimestre de 2024. O EBITDA ajustado foi de 377,7 milhões de dólares no segundo trimestre de 2025, em comparação com 302,8 milhões de dólares no segundo trimestre de 2024. Lawrence Ho, presidente e director executivo da Melco, citado no comunicado da operadora, sublinhou que “o EBITDA da Macau Property cresceu 35 por cento em relação ao ano anterior e 13 por cento em relação ao trimestre anterior”. Destacadas maiores receitas Por outro lado, acrescentou o executivo, “os volumes e receitas dos jogos aumentaram, com o City of Dreams Macau e o Studio City a estabelecerem novos recordes em receitas de jogos de mesa no mercado de massa”. Este desempenho, sublinhou ainda Lawrence Ho, foi apoiado por aumentos na eficiência de custos, levando a margens mais fortes. “Estamos confiantes de que as iniciativas estratégicas que implementámos nos proporcionaram uma base sólida para um crescimento contínuo”, afirmou.
Jogo | Receitas atingem em Julho o valor mais alto desde pandemia Hoje Macau - 4 Ago 2025 Após o início do ano em que as receitas desiludiram e obrigaram à revisão do orçamento, o cenário parece estar agora a mudar. As receitas de Julho atingiram 22,125 mil milhões de patacas, o valor mais elevado desde o início da pandemia As receitas do jogo registaram em Julho um aumento anual de 19 por cento e mensal de 5 por cento, alcançando o valor mais elevado do ano e também desde Janeiro de 2020, de acordo com os dados anunciados na sexta-feira. Os casinos arrecadaram 22,125 mil milhões de patacas em Julho, contra 18,595 mil milhões de patacas no mesmo mês de 2024, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Em Junho deste ano, os casinos tinham registado receitas de 21,064 mil milhões de patacas, sendo que Maio era até agora o mês com o valor mais elevado de 2025: 21,193 mil milhões de patacas. Julho apresenta-se ainda como o melhor mês desde Janeiro de 2020, quando as receitas dos casinos alcançaram um valor muito próximo: 22,126 mil milhões de patacas. Desde final de Janeiro de 2020, a pandemia da covid-19 teve um impacto sem precedentes no jogo, motor da economia de Macau, com os impostos sobre as receitas desta indústria a financiarem a esmagadora maioria do orçamento governamental. Em termos de receita bruta acumulada, os primeiros sete meses deste ano registaram um aumento de 6,5 por cento em relação ao ano anterior, com um total de 140,896 mil milhões de patacas contra 132,348 mil milhões de patacas entre Janeiro e Julho de 2024. Macau fechou o ano passado com receitas totais de 226,782 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que no ano anterior. Revisão orçamental O Governo previu, no orçamento inicial para 2025, que o ano iria fechar com receitas totais de 240 mil milhões de patacas, o que representaria um aumento de 6 por cento em comparação com o ano passado. Mas, em 11 de Junho, a Assembleia Legislativa aprovou um novo orçamento, proposto pelo Executivo, que reduz em 4,56 mil milhões de patacas a previsão para as receitas públicas. O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, admitiu aos deputados que o corte se deve ao facto de as receitas brutas do jogo no primeiro trimestre de 2025 terem “ficado ligeiramente abaixo do previsto”. Desde Maio deste ano que as receitas mensais nunca ficaram abaixo de 20 mil milhões e patacas, uma séria de três meses consecutivos. No entanto, até Abril, inclusive na altura do Ano Novo Lunar, um dos picos altos da indústria, as receitas nunca tinham atingido 20 mil milhões de patacas.