Ambiente | Falta de especialistas na reparação de motos eléctricas João Santos Filipe e Nunu Wu - 21 Out 2025 Com um novo programa de incentivo ao abate das motos a gasolina e a troca por novos veículos eléctricos, a Associação de Motociclos Eléctricos e Ecológicos alerta para a falta de conhecimentos técnicos e pede melhor acesso aos postos de carregamento O presidente da Associação de Motociclos Eléctricos e Ecológicos alertou a sociedade para a escassez de técnicos especializados na reparação de motos eléctricas. O aviso foi deixado por Lei Chong Sam em declarações ao jornal Exmoo, apesar de o dirigente associativo elogiar os esforços de promoção deste tipo de veículos. De acordo com Lei Chong Sam, actualmente as lojas de reparação de motos enfrentam uma grande pressão, devido à crescente necessidade de contratar mão-de-obra preparada para lidar com as motos eléctricas, com sistemas muito diferentes das motas tradicionais com motores a combustão. No entanto, o representante queixa-se de que não existem pessoas em Macau com este tipo de conhecimentos em número suficiente, e que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) não está a autorizar a contratação de trabalhadores não-residentes: “Os donos das oficinas de motocicletas sentem-se frustrados porque a cidade tem faltas de técnicos que saibam reparar motocicletas eléctricas”, afirmou. “Muitas vezes os donos pedem à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais que autorize a contratação destes técnicos, mas a DSAL recusa e responde que já há técnicos em número suficiente” acrescentou. Por esta razão, o também membro do Conselho Consultivo do Trânsito apelou ao Governo para apoiar o sector para melhorar as condições existentes, mas também a assegurar o acesso aos meios necessários para realizar a reparação de motos eléctricas. Carregamento problemático Além dos problemas com as reparações, Lei Chong Sam apontou que um dos grandes desafios à implementação das motos eléctricas é a falta de postos de carregamento em número suficiente. Citando os dados oficiais, o presidente da Associação de Motociclos Eléctricos e Ecológicos apontou que actualmente existem 5 mil motos eléctricas registadas, mas que em alguns locais do território não há postos de carregamento, devido aos riscos relacionados com as inundações. Este motivo faz com que o acesso ao carregamento seja desequilibrado. Lei Chong Sam deixou também o desejo de que rapidamente se tornem cada vez mais populares os armários de baterias para as motos, para que as pessoas possam trocar de bateria rapidamente, em vez de recorrerem ao carregamento. Na semana passada, foi anunciado um novo plano de concessão de apoio financeiro ao abate de motociclos a gasolina e a sua substituição por motociclos eléctricos novos. Sobre o programa, Lei Chong Sam admitiu que se pode esperar uma reacção “dinâmica”, porque houve muitos residentes a procurarem informação sobre as condições de acesso. O conselheiro revelou também que entre os vendedores de motos existe a expectativa de que o programa vá contribuir para um aumento do volume de negócios.
Videovigilância | Creches ainda sem apresentar pedidos Hoje Macau - 21 Out 2025 O Instituto de Acção Social (IAS) continua sem receber pedidos, por parte das creches, para a instalação de câmaras de videovigilância, isto desde que arrancou o prazo para o pedido, a 19 de Setembro. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o presidente do IAS, Hon Wai, lembrou que a instalação de câmaras de videovigilância não é obrigatória, sendo que alguns encarregados de educação não apresentaram este pedido. O responsável confessou ter esperança de vir a receber pedidos de instalação deste tipo de aparelhos, sendo que o mais importante, salientou, é obter o consenso junto dos pais das crianças. Hon Wai acredita que não vai ser fácil obter consenso sobre esta matéria e a medida, uma vez que existem pais preocupados com o visionamento das imagens captadas pelas câmaras, pelo que o IAS vai continuar a estar disponível para acolher os pedidos. Segundo o IAS, esta medida “tem por objectivo não só apoiar as creches a reforçar, uma vez mais, a segurança das crianças que as frequentam, avaliando, de forma mais objectiva, os serviços nelas prestados”, mas também “descortinar a realidade dos factos que deram origem ao acidente com crianças”. Antes de avançar com este programa, o IAS pediu autorização à Direcção dos Serviços da Protecção de Dados Pessoais, a qual foi concedida. Além disso, foram também ouvidas “as opiniões do sector”, tendo sido definidas, com base nisso, “a respectiva implementação e as orientações relevantes”, destaca o IAS numa nota oficial. Após apresentação do pedido de instalação por parte da creche, o IAS dispõe de 25 dias úteis para analisar o pedido, recusando-o ou aceitando-o. As creches podem depois instalar as câmaras “nas zonas de camas das crianças, nas zonas de actividades e nas zonas com funções análogas”.
Justiça | CE diz que há “leis claras” e ” eficientes” para atrair investidores Andreia Sofia Silva - 21 Out 2025 Ao falar, ontem, na XIII Conferência do Fórum dos Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça dos Países e Territórios de Língua Portuguesa, Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, defendeu como a estabilidade jurídica existente em Macau e as “vantagens do segundo sistema” ajudam a atrair investidores para o território Macau “aproveita as vantagens do segundo sistema” e possui “leis claras que aumentam a confiança dos investidores”, bem como uma “justiça eficiente que garante o cumprimento de contratos”. Foi desta forma que Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, deixou ontem, num discurso, elogios ao sistema judicial e político do território, a propósito da realização da 13.ª edição da Conferência do Fórum dos Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça e Territórios de Língua Portuguesa, que decorreu em Macau. O governante falou ainda da existência de “mecanismos alternativos de resolução de litígios que reduzem os custos de transacções, justiça e imparcialidade que consolidam a ligação entre os nossos povos”, sendo que Macau tem tido a capacidade de “realizar um desempenho de qualidade e de promover a ‘interligação jurídica, a confiança mútua a nível judiciário e benefícios mútuos para o Estado de Direito'”. Sam Hou Fai destacou a realização, há 22 anos, da V Conferência dos Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça dos Países e Territórios de Língua Portuguesa, a primeira realizada na RAEM e que foi presidida por si mesmo, quando era presidente do Tribunal de Última Instância da RAEM, cargo que ocupou até ser eleito Chefe do Executivo. O líder de Macau salientou que, no Fórum, a “RAEM passou de um novo membro para um participante e promotor activo, o que demonstra a salvaguarda firme da independência judiciária sob o princípio ‘um país, dois sistemas'”. O governante destacou ainda que o território “goza do poder judicial independente, incluindo o de julgamento em última instância, o que nos permite consolidar, dentro do enquadramento legal, o Estado de Direito”. Além disso, existem “vantagens únicas” no facto de existir um sistema bilingue, pois permite a Macau ser “naturalmente a ponte entre a China e o mundo lusófono”. A importância do Direito A 13.ª edição desta Conferência teve como tema “O Direito e a Justiça como factor de aproximação dos povos e o seu desenvolvimento económico-social”. Sam Hou Fai salientou que “perante grandes mudanças, sem precedentes nos últimos cem anos, o que o mundo precisa é de diálogo e não de confronto, a cooperação e não a divisão”. Neste sentido, é necessário “usar a certeza jurídica para contrariar as ‘variedades do mundo'” e também “usar a imparcialidade do sistema judicial para proporcionar garantias ao desenvolvimento socioeconómico”, devendo ainda “usar o carácter aberto do Estado de Direito para aproximar as nações e os países”. Sam Hou Fai não esqueceu os sistemas comercial e de cooperação onde a RAEM se pretende mover, nomeadamente o universo dos países de língua portuguesa, que “abrangem a Ásia, a África, a Europa e a América Latina, com uma população de quase 300 milhões de pessoas”, enquanto a China “é a segunda maior economia global”. No que diz respeito ao projecto de construção da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau, composto por 11 cidades chinesas da província e as duas regiões administrativas especiais, “está em pleno desenvolvimento”, rematou Sam Hou Fai.
Agualusa diz que mau escritor nunca escreverá bom livro Hoje Macau - 20 Out 2025 Um mau escritor “nunca escreverá um bom romance com o recurso à inteligência artificial”, disse o escritor José Eduardo Agualusa este sábado no FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, defendendo que este instrumento não constitui um perigo para os autores e pode até ter algumas potencialidades. “Creio que um mau escritor nunca escreverá um bom romance com o recurso à inteligência artificial”, mas “talvez um bom escritor consiga escrever um romance melhor a partir do momento em que saiba usar esse instrumento”, acrescentou. Numa mesa de autores em que garantiu que a inteligência artificial não o assusta, o escritor angolano considerou que este instrumento “ainda é usado de forma trivial” por muitas pessoas, mas que quando “se souber utilizar bem, provavelmente irão descobrir-se potencialidades maiores”. Ainda assim considera não haver perigo de “os escritores serem substituídos”, porque a inteligência artificial “mimetiza, reproduz o estilo do escritor”, mas “a imitação do estilo, normalmente, é ridícula”. Já noutros capítulos “aquele instrumento é muito útil”, disse, dando como exemplo a crónica angolana nos jornais, que “melhorou muito, porque aquilo corrige muito bem”. “No caso de Angola é muito claro, de repente os cronistas começaram a escrever melhor, qualquer emergência a gente pede e sai a coluna semanal”. Porém, na narrativa longa, no romance, “a IA tem ainda um grande desafio” e, mesmo que um dia consiga escrever “um romance medíocre” terá que ter “alguém atrás, com criatividade”. Conversas no FOLIO José Eduardo Agualusa falava na 12.ª mesa do FOLIO, numa conversa com a escritora brasileira Giovana Madalosso, onde ambos defenderam que a literatura não está em perigo, apesar dos movimentos de censura e cancelamento de escritores em países como o Brasil. Até porque “cada vez há mais gente a ler. Cada vez há mais gente a ler melhor”, disse Agualusa. O FOLIO terminou ontem. Este ano assinalou-se o décimo ano de existência com mais de 460 iniciativas, incluindo mais de uma centena de conversas entre autores e o público, 15 mesas de autor, tertúlias, seminários, lançamento de livros, concertos e entregas de prémios.
UPM | Creative Macau acolhe mostra com trabalhos dos alunos Andreia Sofia Silva - 20 Out 2025 A galeria da Creative Macau acolhe, até ao dia 8 de Novembro, a exposição “Prototype – Exposição de Trabalhos dos Alunos do Curso de Licenciatura em Artes Mediáticas”, da Universidade Politécnica de Macau. São 30 trabalhos de mais de 20 alunos que frequentam este curso e que mostram aqui toda a sua criatividade A Creative Macau acolhe uma nova exposição composta por obras de arte dos alunos da Universidade Politécnica de Macau. Trata-se de “Prototype” – Exposição de Trabalhos dos Alunos do Curso de Licenciatura em Artes Mediáticas da Universidade Politécnica de Macau (UPM) 2025″, e pode ser vista até ao dia 8 de Novembro, com entrada gratuita. A exposição apresenta mais de 30 obras de arte de cerca de 20 alunos que frequentam o programa de licenciatura na UPM, podendo o público ver “uma selecção com curadoria de trabalhos notáveis dos alunos do primeiro ao terceiro ano” do referido curso, explica uma nota da Creative Macau. Poder-se-á ver uma “diversidade dos trabalhos, que vão desde experiências digitais interactivas a criações físicas, reflectindo a ênfase equilibrada do programa tanto nos fundamentos teóricos como na aplicação prática”. Assim, “através de trabalhos práticos em vários cursos, os alunos adquiriram proficiência numa ampla gama de ferramentas de design e técnicas de produção, transformando ideias abstratas em obras totalmente concretizadas”. “Marco importante” A Creative Macau descreve ainda que esta mostra, e a oportunidade que os estudantes têm de mostrar o resultado do seu trabalho, “constitui um marco importante na sua jornada académica”. “Ao partilhar estas criações com o público, esperamos estimular um diálogo e um intercâmbio mais amplos sobre artes mediáticas, tecnologias emergentes e o futuro cultural que elas continuam a moldar”, é ainda referido. A Creative Macau – Centro de Indústrias Criativas nasceu em 2003 e tem sido gerido pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau. Em todos estes anos a Creative Macau tem apoiado projectos e trabalhos artísticos em 12 áreas das indústrias criativas, incluindo publicidade, arquitectura, design, moda ou artesanato. “O seu objectivo é ajudar estas indústrias a atingir o seu pleno potencial económico, acrescentando valor e promovendo o reconhecimento na sociedade”, é ainda descrito. No caso da licenciatura em Artes Mediáticas da UPM, o objectivo é “formar profissionais de artes mediáticas de alta qualidade através de um currículo que enfatiza a aprendizagem multidisciplinar nas áreas das artes, do design e da tecnologia”. Pretende-se aqui que os “alunos desenvolvam competências de comunicação, visão internacional, compreensão intercultural e pensamento inovador, ao mesmo tempo que adquirem conhecimentos e competências em artes mediáticas nas áreas da interação em jogos, arte tecnológica e narrativa em vídeo”.
Escritor brasileiro Ozias Filho fala do papel da literatura Hoje Macau - 20 Out 2025 O escritor brasileiro Ozias Filho afirmou na sexta-feira que a literatura é um acto político e de resistência e que a poesia produzida por inteligência artificial nunca será igual, porque lhe falta a “intangível e insubstituível” vivência. Ozias Filho falava durante o XIII Encontro de Escritores da Língua Portuguesa, que decorreu até sábado na capital cabo-verdiana, num painel dedicado à literatura e desenvolvimento. O também fotógrafo e editor de livros, que nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em Portugal há vários anos, afirmou que se vive hoje “um paradoxo notável: nunca tivemos tanto acesso à informação, mas nunca, por outro lado, estivemos tão expostos à desordem e à manipulação”. “As notícias falsas, os algoritmos que moldam a nossa percepção e a efemeridade das interações digitais transformaram a linguagem num verdadeiro campo de batalha”, adiantou. Para Ozias Filho, a literatura é “um acto de resistência contra qualquer poder instituído pela força, uma arma para a consciência que, uma vez despertada, não mais se cala”. “Ler é apreender o mundo e compreender o seu contexto. E não basta viver numa ditadura, para compreender o sentido deste pensamento”, afirmou. Na opinião de Ozias Filho, vive-se hoje “sob a égide da ditadura do imediatismo, do consumismo, das mentiras e dos revisionismos históricos”. “Não é por acaso que a leitura, a aprendizagem, a educação e a cultura são frequentemente desvalorizadas em regimes ditatoriais”, observou, acrescentando: “Mesmo quando a leitura é incentivada nesses sistemas, é porque cumpre e veicula a ideologia do poder vigente”. Poesia artificial Ozias Filho abordou depois na sua intervenção um dos temas deste encontro de escritores, a inteligência artificial, lançando a pergunta: “Pode uma máquina criar poesia?”. “Sim, a inteligência artificial é capaz de produzir versos metrificados, metáforas coerentes e até poemas que emocionam. Pode reproduzir a forma, mas falta-lhe algo intangível e insubstituível: a vivência”. E concluiu que “um algoritmo não sente o luto, a perda, não conhece a resistência, não vive a paixão ou a saudade, nem luta contra a opressão. Pode simular, mas nunca possuirá a alma, fruto de uma experiência humana singular, imperfeita e contraditória”. Neste painel participaram ainda Teresa Moure, da Galiza, Joaquim Ng Pereira (Macau/China), Daniel Medina e Vera Duarte, ambos de Cabo Verde. O encontro arrancou com a apresentação do Prémio de Revelação Literária UCCLA-Câmara Municipal de Lisboa, este ano atribuído ao actor Cláudio da Silva, que nasceu em Angola e vive em Portugal. A apresentação esteve a cargo de Germano de Almeida, o escritor cabo-verdiano que venceu o Prémio Camões em 2018.
Fengshen | Tufão deverá passar a 400km de Macau Hoje Macau - 20 Out 2025 O ciclone tropical Fengshen deverá passar a cerca de 400 quilómetros a sul de Macau, na quarta-feira, de acordo com a Direcção de Serviços Meteorológicos e Geofísicos (DSMG). Nessa altura, segundo as previsões de ontem, o ciclone tropical deverá ganhar força e transformar-se em tufão. “Assim sendo, dependendo do desenvolvimento de Fengshen e das mudanças na força do vento em Macau, será emitido um Sinal de Tempestade Tropical a partir da noite de Segunda-feira (hoje)”, foi apontado. Desde ontem que se previa também que o vento se começasse a intensificar devido “uma monção de nordeste”, e as autoridades acreditavam que houvesse um “aumento significativo, com o vento a atingir os níveis 6 a 7 da Escala de Beaufort”. Temperaturas | Descida para os 18 graus A partir de hoje e até quarta-feira as temperaturas deverão baixar para os 18.º graus, de acordo com a informação divulgada ontem pela Direcção de Serviços Meteorológicos e Geofísicos (DSMG). “Em relação ao estado do tempo, está prevista precipitação, com a temperatura mínima a descer para cerca de 18 graus Celsius, entre segunda e quarta-feira (20 a 22)”, foi indicado. “Devido à significativa descida das temperaturas na próxima semana, e ao vento forte associado a um clima nublado com precipitação, a sensação térmica de frio será inferior à temperatura real. A DSMG apela à população que preste atenção às informações meteorológicas mais recentes”, foi acrescentado.
Cáritas | Recebidos mais de 3.500 pedidos de ajuda até fim de Setembro Hoje Macau - 20 Out 2025 O número de pedidos de apoio mostra uma tendência de estabilização nos últimos anos. E dada a falta de problemas “muito graves de pobreza”, a Cáritas Macau também estendeu o seu programa de apoio ao Paquistão e Bangladesh A Cáritas Macau recebeu até ao final de Setembro 3.509 pedidos de apoio para o Banco Alimentar, afirmou ontem o secretário-geral da organização, indicando que os valores finais deste ano não se deverão afastar dos de 2024. “Prevemos que [em 2025] ultrapasse os quatro mil, como no ano passado”, notou à Lusa Paul Pun Chi Meng, apontando que, em 2024, chegaram à organização humanitária 4.936 pedidos, que, por sua vez, representa uma queda de 2,5 por cento em relação a 2023 (5.065). Numa comparação anual, os primeiros nove meses de 2025 apresentam valores semelhantes aos verificados no mesmo período de 2023 e 2024: 3.589 e 3.596, respectivamente. Ainda assim, verifica-se este ano uma ligeira descida, que poderá estar relacionada com a “existência de outros recursos de apoio” ou “maior facilidade em concorrer a habitação social”, observou Pun, dando a entender que o acesso mais fácil a casas públicas poderá aliviar as contas ao fim do mês. O programa, dirigido a pessoas de baixo rendimento e financiado pelas autoridades, prevê que o apoio do Banco resulte no auxílio alimentar por um período de dez semanas, sendo que no prazo de 12 meses é possível fazer-se uma segunda solicitação. Entre os trabalhadores não-residentes, salientou Paul Pun, também há um grupo que recorre à organização de assistência social. No sábado passado, perto de mil pessoas receberam apoio na forma de cabazes alimentares. Ajuda no Paquistão e Bangladesh O secretário-geral da Cáritas explicou também que como Macau não enfrenta problemas “muito graves de pobreza”, a organização está a apoiar famílias desfavorecidas no Bangladesh e Paquistão, chegando a ajuda a 2.100 pessoas. Na semana passada, Pun regressou de Sylhet, cidade no nordeste do Bangladesh que tem visitado várias vezes desde 2023, ano em que a Cáritas Macau se envolveu num programa para a “melhoria da saúde e nutrição de crianças desfavorecidas”. Com doações na ordem dos 15 mil dólares anuais, a ajuda já alcançou 400 pessoas, referiu o responsável. “Esperamos que, através da formação, ao nível de cuidados com os recém-nascidos, das mães, possam alcançar uma vida melhor”, apontou o secretário-geral da Cáritas Macau, notando ainda que, em cima da mesa está a possibilidade de disponibilizar recursos para a formação profissional de adolescentes que abandonaram a escola. Há cerca de um mês, Paul Pun esteve também em Lahore, a segunda maior cidade do Paquistão, com perto de 14 milhões de habitantes e que foi afectada, nos últimos anos, por várias cheias. O auxílio da Cáritas Macau ao programa “Educação informal e desenvolvimento de jovens e mulheres”, com a transferência de até 35 mil dólares anuais (cerca de 30 mil euros), já tocou a vida de 1.200 crianças e 500 adolescentes em Lahore, de acordo com o líder da organização humanitária. “As crianças não têm escolas [nestes lugares]. Participam neste programa de educação informal para que tenham uma oportunidade de atingir os padrões e um dia possam entrar na escola”, referiu. Além de apoiar a educação de adolescentes – “sobretudo rapazes” – em áreas como a informática, o programa compreende ainda a formação de competências “por parte de jovens mulheres”. À Lusa, Paul Pun referiu que a assistência internacional da Cáritas Macau chega “via vários canais”, nomeadamente através de doações e da organização Good Fortune Charity Shop, a empresa social da Cáritas Macau, que recolhe bens doados para venda beneficente.
UM junta-se a Cátedra UNESCO dedicada ao património português Hoje Macau - 20 Out 2025 A Universidade de Macau (UM) anunciou a adesão à Cátedra UNESCO em Diálogo Intercultural em Patrimónios de Influência Portuguesa, um projecto lançado pela Universidade de Coimbra (UC). Num comunicado divulgado na sexta-feira à noite, a UM defendeu que a entrada no projecto “imprime uma nova dinâmica no desenvolvimento da investigação sobre património cultural” em Macau. A colaboração com a UC irá promover “o intercâmbio académico internacional em Macau”, assim como reforçar “os laços” com instituições de ensino superior dos países de língua portuguesa, acrescentou a UM. A adesão formal da instituição à Cátedra UNESCO aconteceu numa cerimónia organizada pelas duas instituições em Macau, na quarta-feira, com a presença de Rui Martins, vice-reitor da UM, e João Nuno Calvão da Silva, vice-reitor da UC. Rui Martins defendeu que a entrada da UM “irá enriquecer ainda mais os recursos académicos e a perspectiva cultural” da já “ampla rede de parceiros” estabelecida pela Cátedra UNESCO. A UC criou o projecto em 2018, para explorar “os resultados multiculturais decorrentes da influência da cultura de língua portuguesa”, como arquitectura, artes, língua, literatura, paisagem e urbanismo, referiu o comunicado. Na altura, a Cátedra UNESCO já envolvia meia centena de docentes e investigadores numa parceria com várias instituições europeias, brasileiras e africanas. Esforço abrangente A lista incluía a Universidade de Estudos de Bolonha (Itália), a Universidade Federal Fluminense (Brasil), as universidades Eduardo Mondlane e Lúrio (Moçambique), a Universidade Paris Nanterre (França) e a MEIA – Mindelo Escola Internacional de Arte (Cabo Verde). Rui Martins, um académico português há muito radicado em Macau, salientou que a Cátedra UNESCO é um projecto internacional “que integra investigação, formação e cooperação para o desenvolvimento”. No caso da UM, o Departamento de Gestão de Resorts Integrados e Turismo da Faculdade de Gestão de Empresas irá “demonstrar activamente a sua competência profissional” na investigação sobre património cultural, garantiu Martins. A Cátedra UNESCO é coordenada pelo investigador Walter Rossa, que na quarta-feira falou sobre “o significado político” da investigação sobre património cultural no quadro das políticas da organização.
Justiça | Portugal pode enviar novos juízes para Macau Hoje Macau - 20 Out 2025 Apesar de ter impedido a permanência no território de Carlos Carvalho e de ter mantido a incerteza sobre o futuro de Rui Ribeiro, que optou por voltar a Portugal, o Conselho Superior de Magistratura de Portugal garante abertura para enviar novos magistrados para a RAEM O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) afirmou que Portugal está disponível, caso Macau demonstre interesse, em enviar novos juízes. As declarações foram prestadas numa altura em que um magistrado português está prestes a abandonar a RAEM. O juiz Rui Ribeiro, do Tribunal de Segunda Instância, confirmou à Lusa, à margem de um evento público, que vai deixar Macau no final de Outubro, antecipando o fim da comissão, que terminava em Maio de 2026. O magistrado sublinhou que as autoridades judiciais de Macau “fizeram tudo” para que mudasse de ideias, mas explicou que preferiu regressar já a Portugal face à incerteza sobre uma eventual renovação da licença especial por parte do Conselho Superior de Magistratura (CSM). Com a partida anunciada de Rui Ribeiro, resta apenas nos tribunais de Macau um juiz português: Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, presidente de tribunal colectivo no Tribunal Judicial de Base (TJB). O líder do STJ, João Cura Mariano, que por inerência preside também ao CSM, disse aos jornalistas que, durante uma visita a Macau, pretende saber se o território tem interesse em contar com magistrados portugueses. “Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu aos jornalistas. João Cura Mariano disse que esse seria um “assunto a discutir” nos encontros de ontem com a presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), Song Man Lei, e com Sam Hou Fai, líder do Governo de Macau e ex-presidente do TUI. “Acho que é muito útil, porque, sendo um antigo presidente do tribunal [Sam Hou Fai] terá consciência das necessidades que existem”, referiu o juiz conselheiro português. Dificuldades nacionais Mas o presidente do STJ sublinhou que a justiça portuguesa está com “alguma dificuldade em contribuir com juízes”, devido à falta de recursos humanos qualificados e com experiência. “Ainda agora retirámos um juiz que já cá estava há muitos anos e nós necessitávamos dele”, recordou João Cura Mariano. Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do TJB Carlos Carvalho, que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território a continuar por mais dois. O conselho não autorizou a renovação da licença especial de Carlos Carvalho e promoveu-o a juiz desembargador, com colocação no Tribunal da Relação. Ainda assim, João Cura Mariano garantiu estar disposto a ajudar, “apesar das dificuldades que actualmente existem em Portugal no recrutamento de juízes”. O presidente do STJ sublinhou o exemplo de Timor-Leste, onde existem actualmente “muitos juízes portugueses a colaborar no sistema judiciário timorense”, porque “são muito necessários”. O magistrado esteve em Macau para participar, no domingo, na 13.ª edição do fórum que junta presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça dos países e territórios de língua portuguesa.
Pontes | Conselheiro sugere portagens e gera coro de críticas Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 20 Out 2025 No passado dia 10 de Outubro, Leong Chi Hang, membro do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários das Ilhas, sugeriu a introdução do pagamento de portagens nas quatro pontes que fazem a travessia entre a península de Macau e a Taipa. A opinião gerou polémica nas redes sociais e até levou um ouvinte a ligar para o programa matinal do canal chinês da Rádio Macau O conselheiro Leong Chi Hang, membro do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários das Ilhas, defendeu numa reunião deste organismo, no passado dia 10 de Outubro, que se deveria pagar portagem nas quatro pontes que fazem a travessia entre a península de Macau e as ilhas. Esta sugestão foi feita no período de intervenções antes da ordem do dia do referido organismo, tendo Leong Chi Hang, que também é vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, defendido que é necessário o Governo melhorar e reformar o sistema de gestão das pontes devido aos frequentes engarrafamentos nestas infra-estruturas viárias. “Sugiro que se crie um sistema de cobrança electrónica com portagens nestas quatro pontes, sendo que a cobrança seria feita conforme os diferentes períodos, veículos. Poder-se-ia acrescentar uma tarifa adicional em épocas com maior circulação”, disse. Segundo Leong Chi Hang, o objectivo da cobrança de portagens seria equilibrar o fluxo dos veículos nas quatro pontes através do ajuste à cobrança dos valores, pois para algumas pessoas o aumento dos custos para atravessar a ponte de carro pode fazer com que optem mais pelo transporte público. Desta forma, dar-se-á prioridade aos transportes públicos e a deslocações mais amigas do ambiente. Rastilho ateado Esta opinião foi divulgada nas redes sociais durante a reunião do Conselho Consultivo, sobretudo em grupos de Facebook, o que gerou uma onda de opiniões críticas. E a onda de contestação não se ficou pelas redes sociais: na sexta-feira um residente, de apelido Ma, ligou para o programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, a criticar esta medida, defendendo que, para aliviar a situação do tráfego nas pontes, deveriam simplificar-se os procedimentos para lidar com acidentes de viação. “Não acho que seja uma sugestão viável [a cobrança de portagens], pois as pontes estão sempre com muito trânsito e ainda se defende uma cobrança adicional. Muitas vezes os engarrafamentos acontecem nas pontes não devido ao excesso de carros, mas sim à ocorrência de acidentes de viação. Porque é que não podemos simplificar os procedimentos à semelhança do que acontece no Interior da China?”, questionou. Este ouvinte defendeu que “se [um acidente de viação] não envolver um processo penal, e bastar tirar fotografias ao acidente, os veículos envolvidos no acidente podem ser removidos do local” de forma mais rápida. Ma queixou-se ainda do facto de Macau continuar a manter um sistema desactualizado para lidar com acidentes de viação, ainda que o território tenha adoptado, nos últimos tempos, soluções digitais, como a instalação de câmaras de videovigilância, que acabam por não ser bem aproveitadas para lidar com este tipo de casos.
Takeaway | Pedida protecção de trabalhadores Hoje Macau - 20 Out 2025 O deputado Leong Hong Sai questiona o Governo sobre se tem planos para legislar o estatuto dos trabalhadores das plataformas online de entrega de comida. O assunto foi levantado pelo deputado ligado aos Moradores, através de uma interpelação escrita divulgada na sexta-feira. No documento, Leong aponta como problema o facto de os distribuidores serem considerados “trabalhadores independentes”, mas que nem por isso deixam de estar sujeitos a cumprir as ordens do empregador, como numa relação laboral tradicional. “Actualmente, várias plataformas online de entrega de comida e encomendas em Macau definem os seus trabalhadores como ‘trabalhadores independentes’ ou ‘parceiros’, excluindo-os assim das protecções laborais legais”, acusou. “Entende-se que algumas plataformas atribuem encomendas através de algoritmos e implementam esquemas de incentivos, impedindo os trabalhadores da plataforma de usufruir da autonomia típica do trabalho independente tradicional”, acrescentou. O deputado pede por isso que o Executivo crie um estatuto legal, para assegurar a protecção laboral dos distribuidores. “As autoridades vão rever as regulamentações existentes que regem as relações de trabalho para regulamentar de forma abrangente as plataformas online de entrega de comida e encomendas?”, pergunta. “Além disso, vão fazer ajustes adequados em resposta às mudanças no mercado de trabalho para esclarecer prontamente o estatuto jurídico, as responsabilidades e os direitos tanto das empresas como dos trabalhadores das plataformas?”, questiona.
Ponte-Cais n.º 11 | Governo avança com recuperação de terreno Hoje Macau - 19 Out 2025 O Governo ordenou os ocupantes do terreno da Ponte-Cais n.º 11 a desocuparem o espaço, por considerar que a “licença temporária de ocupação” expirou há cerca de 44 anos. A informação consta de um edital da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), com a data de 3 de Outubro. De acordo com o documento, a licença para ocupar o terreno da Ponte-Cais n.º 11 foi emitida a 14 de Abril de 1980 e tinha como prazo 31 de Dezembro de 1980. Contudo, passado o prazo, nunca houve qualquer pedido de renovação da licença. “Conforme o ofício enviado pela Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água em 18 de Agosto de 2025, não há documento que revela o registo de pedido de renovação da referida licença, pelo que esta caducou automaticamente devido ao termo do prazo”, pode ler-se no edital. Aos ocupantes, um dos quais identificado como Chan Meng, foi agora atribuído um prazo de 45 dias, a partir da divulgação do edital, para desocuparem o terreno. O documento clarifica também que se a desocupação não ocorrer de forma voluntária no prazo de 45 dias, as autoridades têm poderes para avançar coercivamente. O terreno fica situado na Rua das Lorchas com a Ponte-Cais n.º 11 a apresentar um bom estado de conservação. O lote tem uma área de 199 metros quadrados.
LAG 2026 | Mais de 3.500 opiniões recolhidas Hoje Macau - 19 Out 2025 Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, disse aos jornalistas que foram recolhidas 3.548 opiniões e sugestões a propósito das Linhas de Ação Governativa (LAG) para o próximo ano. Citado numa nota oficial, a propósito da abertura, este fim-de-semana, da sede do Governo à população, Sam Hou Fai explicou que o trabalho de recolha de opiniões foi realizado durante um mês e terminou na sexta-feira. O governante disse ainda que em termos do número de opiniões e sugestões, houve “um aumento em comparação com os anos anteriores”. A abertura ao público da sede do Governo decorreu sábado e domingo e, segundo a mesma nota oficial, “alguns residentes afirmaram que valia a pena visitar a Sede do Governo, referindo que esta não era a sua primeira visita e que, desta vez, tiveram o prazer de conhecer o Chefe do Executivo, tirar fotografias e conversar amigavelmente, sentindo a sua solidariedade”. Houve também turistas a visitar a sede do Executivo, tendo estes referido “o encanto e as características arquitectónicas específicas do Palácio Protocolar da Sede do Governo”. Registaram-se ainda opiniões quanto à “exposição temática de flores no jardim”, tendo sido considerada “bonita, e os espectáculos no local apelativos”.
AL | André Cheong promete presidência a cumprir expectativas João Santos Filipe - 19 Out 2025 No início da nova legislatura, os deputados receberam “três expectativas” do Chefe do Executivo, uma das quais passa por “trabalhar em conjunto” com o Governo, mas também exercer as funções de fiscalização da lei Ao desempenhar as funções de presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong promete ter em mente as expectativas do Chefe do Executivo para os trabalhos do órgão legislativo. As declarações foram prestadas pelo novo presidente do hemiciclo, numa entrevista aos canais em chinês da TDM. “Como presidente da Assembleia Legislativa sinto que o peso da responsabilidade é maior. Vou cumprir rigorosamente as disposições da lei e do regimento para desempenhar as minhas funções como presidente”, afirmou o novo presidente da AL, citado pelo Canal Macau. “Ao mesmo tempo vou ter em conta as três expectativas estabelecidas pelo Chefe do Executivo para a nova composição da Assembleia Legislativa, conduzindo bem a equipa nos trabalhos legislativos e no âmbito da fiscalização”, acrescentou. André Cheong foi eleito presidente da AL na sexta-feira e contou com o voto de todos os deputados, incluindo do próprio. Foi a primeira vez, pelo menos desde 2019, que um deputado foi eleito presidente por unanimidade. O presidente da AL pretende também implementar uma maior cooperação entre o Governo e os técnicos do hemiciclo. “Para as propostas de lei importantes relacionados com o bem-estar da população, o Governo necessita de um tempo de preparação considerável”, indicou. “Esperamos incentivar as equipas técnicas da AL a envolverem-se mais cedo na fase preparatória dos departamentos governamentais. Por exemplo, as discussões e os intercâmbios técnicos preliminares podem resultar numa comunicação técnica mais fluída, quando estas propostas de lei importantes estiverem a ser analisadas pela Assembleia Legislativa” apontou. Três anseios Após o início da nova Legislatura, na passada quinta-feira, o Chefe do Executivo promoveu um encontro com os deputados. Nesta ocasião, de acordo com a versão oficial, dado que o encontro decorreu à porta fechada, Sam Hou Fai disse aos legisladores que tem três expectativas para o funcionamento do hemiciclo. A primeira passa por “potenciar mais o papel de liderança da Assembleia Legislativa em termos políticos”, no que explicou ser um papel de promoção do nacionalismo e de manutenção da harmonia a longo prazo. Em segundo lugar, pediu também aos deputados para “potenciar mais o papel da Assembleia Legislativa na elaboração da legislação e na fiscalização”, o que explicou implicar deputados a “trabalhar em conjunto com o órgão executivo” para criar e rever a legislação consideradas chaves para o Executivo, como a diversificação da economia. Por último, foi pedido à AL que seja um “interlocutor fundamental” na recolha de opiniões da “opinião pública”, ao mesmo tempo que indicou esperar que os deputados orientem “a sociedade para formar um ambiente de discussão positiva, objectiva e racional” e “promover o mais amplo consenso social possível para apoiar o Governo da RAEM”.
São Januário | Implantado primeiro coração artificial em Macau Hoje Macau - 19 Out 2025 Realizou-se recentemente a primeira cirurgia de implantação de um coração artificial no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) dos Serviços de Saúde (SS), em colaboração com a equipa de cirurgia cardiotorácica do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Jinan. O procedimento foi realizado numa mulher de 68 anos que padecia de insuficiência cardíaca terminal, sendo que, segundo um comunicado dos SS, “a condição apresentada era complexa e a intervenção cirurgia desafiante”. Tratou-se “do primeiro procedimento cirúrgico de implantação de coração artificial totalmente levitado magneticamente, desenvolvido de forma autónoma no Interior da China”. A realização desta cirurgia no território representa para as autoridades “um progresso significativo na cirurgia cardíaca em Macau”. Para os SS, “a conclusão com sucesso da primeira cirurgia de implante cardíaco artificial em Macau representa um avanço significativo no tratamento da insuficiência cardíaca terminal na região”, além de que este avanço tecnológico “preenche uma lacuna significativa no atendimento médico, oferecendo uma alternativa viável e segura para os pacientes que não são elegíveis para transplante cardíaco ou que não podem aguardar por uma intervenção cirúrgica”.
Israel bombardeia Rafah alegando que Hamas atacou unidade militar Hoje Macau - 19 Out 2025 Israel lançou uma série de ataques aéreos contra a cidade de Rafah, na Faixa de Gaza, após acusar o Hamas de atacar uma unidade de engenharia militar, avançaram ontem fontes de segurança citadas pela imprensa israelita. Enquanto se aguarda uma declaração oficial das Forças de Defesa de Israel e do grupo islamita Hamas, fontes militares confirmaram ao ‘site’ israelita Walla e ao jornal Times of Israel terem sido realizados ataques aéreos e terrestres em Rafah, alegando ter-se tratado de uma resposta a um ataque a uma escavadora militar israelita encarregada de destruir os túneis da organização islamita. Embora não haja ainda informações oficiais sobre a existência de mortos ou feridos, fontes militares israelitas adiantaram a uma televisão israelita que dois alegados militantes do Hamas foram mortos. Desconhece-se também se este fogo cruzado pode pôr em causa o cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de Outubro, mas o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Givr, já instou o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a retomar a ofensiva contra a Faixa de Gaza. “Peço ao primeiro-ministro que ordene às Forças de Defesa de Israel (FDI) que retomem totalmente os combates na Faixa de Gaza com todo o seu efectivo”, disse o ministro, que foi condenado no passado por incitar ao ódio contra os palestinianos, ao vandalismo e ao apoio ao terrorismo. De acordo com uma fonte do braço armado do Hamas, o grupo tinha lançado uma operação em Rafah para eliminar o líder da milícia rival, conhecida como ‘Forças Populares’, Yasser Abu Shabab. No entanto, os soldados israelitas intervieram para apoiar Shabab, o que resultou num fogo cruzado e provocou a explosão da escavadora israelita. Os Estados Unidos avisaram no sábado que tinham “informações credíveis” sobre um “ataque iminente” do Hamas contra civis palestinianos, numa “violação clara” ao cessar-fogo. Caos instalado Ontem de manhã, o grupo islamita rejeitou a acusação e culpou Israel por ter armado e financiado outras milícias, que, segundo disse, realizaram “assassinatos, raptos, roubos de camiões de ajuda humanitária e furtos contra civis”. Segundo o Hamas, os seus membros em Gaza estão, “com o amplo apoio civil e popular”, a perseguir estes gangues e a responsabilizá-los “de acordo com mecanismos legais claros, para proteger os cidadãos e preservar a propriedade pública e privada”. Apenas um dia após o cessar-fogo, os militantes do Hamas começaram a reprimir todos os clãs e milícias que alegadamente colaboraram com Israel durante a guerra dos últimos dois anos, incluindo execuções públicas de alegados colaboradores, cujas imagens se tornaram virais. O cessar-fogo em Gaza – proposto pelos Estados Unidos e acordado entre Israel e o Hamas – está em vigor desde o dia 10 de Outubro, prevendo três fases: a libertação dos reféns, o desarmamento do Hamas e a reconstrução gradual do território, sob supervisão internacional. A segunda etapa, centrada na “desmilitarização”, continua a ser a mais controversa e a que Israel considera essencial para pôr fim ao conflito.
O populismo caiu no poço André Namora - 19 Out 2025 André Ventura tinha anunciado que nas eleições autárquicas conseguiria a presidência de umas 30 edilidades. Em 308, obteve o resultado “estrondoso” de três Câmaras Municipais. As sondagens que infelizmente ainda temos apresentaram que a vitória pertenceria à AD, o segundo lugar ao Chega e o terceiro para o Partido Socialista. Os comentadores televisivos fartaram-se de elogiar as sondagens e de salientar que seria normal o resultado do Chega porque o PS estava em declínio absoluto desde as últimas eleições legislativas. Enganaram-se, mais uma vez. Sondagens e comentadores. O Partido Socialista renasceu das cinzas e conseguiu um resultado muito positivo. No cômpito geral não perdeu por muito e em termos de resultados de partidos sozinhos, sem coligações, os socialistas obtiveram quase o dobro das Câmaras Municipais que o PSD. Ficou provado que sem o populismo radical, sem a xenofobia, sem o racismo e sem os gritos de André Ventura, o Chega é um flop a nível local, especialmente pelo interior do País. O populismo caiu no poço e vamos ver quando é que os “bombeiros” o conseguem trazer ao de cima. O Chega ganhou no Entroncamento sem saber bem por quê, ganhou numa edilidade madeirense onde vivem meia dúzia de pessoas e ganhou em Albufeira porque os proprietários dos bares e hotéis conseguiram convencer toda a clientela e vizinhança para votar nos neonazis. Os eleitores de Albufeira irão chorar baba e ranho porque o Chega preconiza no seu programa algarvio que os bares encerrem às duas da madrugada e os proprietários desses estabelecimentos de diversão nocturna exigem que o encerramento seja às quatro horas da madrugada. O descontentamento local irá imperar e certamente que se traduzirá em próximas eleições. Isto, em Albufeira, porque no resto do Algarve o Chega pensava ganhar tudo. Nem aquela espécie de taberneiro que no Parlamento está sempre a gritar e a limpar o suor da careca, conseguiu vencer em Faro. O mapa global divide-se entre a AD/IL e o partido rosa. O cavaquistão terminou ao fim de várias décadas. Viseu que teve sempre aquele Ruas, que pinta o cabelo e o bigode querendo parecer que tem menos 30 anos, teve uma derrota como nunca esperou. Em Lisboa e Porto, o caso já deu muito que falar. As vitórias da AD e seus pares da Iniciativa Liberal em Lisboa, e no Porto com o apoio verbal de Rui Moreira, o edil que terminou os seus polémicos mandatos, foram obtidas por uma margem mínima e até à meia-noite do domingo eleitoral as televisões só falavam em empate técnico. Triste, foi ver Luís Montenegro, que na sua qualidade de primeiro-ministro versus presidente do PSD, no dia das eleições a apelar ao voto nos seus companheiros candidatos, indo em absoluto contra a lei. Montenegro cantou vitória, mas podia ter sido um pouco mais humilde porque a vitória autárquica foi tangencial e perdeu muitas Câmaras importantes como Braga e Coimbra. O povo, mostrou, desta vez, um grande sentido cívico e a abstenção foi das menores da história eleitoral. Em muitas mesas de voto as filas foram enormes e a espera muito demorada. Era a tradução que a abstenção iria baixar. Mesmo assim, não deixou de existir a falcatrua. Numa região do País lá veio a velha ilegalidade de um partido ter mandado imprimir boletins de voto semelhantes aos que foram entregues aos eleitores e depois propuseram que os seus apaziguados levassem um boletim no bolso já com a cruzinha no partido em causa e quando trouxessem o boletim em branco que a mesa de votos tinha entregado, recebiam dois mil euros. Nada mau para uns milhares de “mercenários”. De eleições está o povinho farto, mas nada sobre a matéria vai acabar. Já estão na estrada os pontas de lança dos candidatos a Presidente da República. A variedade é enorme, mas quase toda para o mesmo lado. Na direita central temos o almirante Gouveia e Melo com Marques Mendes. Ainda mais à direita surge o “bocas” André Ventura e Cotrim Figueiredo que foi líder da Iniciativa Liberal. Pelo lado esquerdo moderado surgiu António José Seguro e só no sábado passado é que o Partido Socialista resolveu apoiar oficialmente o candidato António José Seguro. Tarde demais. E mesmo assim, a ala socialista mais à esquerda irá votar em António Filipe do PCP, ao bom estilo de Álvaro Cunhal, que alvitrava que por vezes tem de se tapar os olhos para votar em quem não pertence ao partido. Desta vez, as sondagens parece que vão acertar. Uma empresa de sondagens, na qual temos a maior confiança, obteve num inquérito nacional realizado na semana passada, que haverá uma segunda volta entre Gouveia e Melo e António José Seguro. Contudo, quando os inquiridos foram confrontados com a decisão final na segunda volta, a vitória pendeu para o almirante. Pois, tal e qual como escrevemos na passada segunda-feira, Luís Montenegro com esta vitória autárquica não se irá demitir, mesmo que o Ministério Público abra um inquérito judicial contra o actual primeiro-ministro sobre o caso da sua empresa familiar Spinumviva. O homem tem muitos anos de política e sabe tudo sobre como se defender das suspeitas de alegados cambalachos. Portugal continuará a ser governado por um político debaixo de suspeitas graves, mas que em nada afecta a sua vontade doentia de ser chefe do Executivo.
Partido Liberal do Japão perto de garantir novo acordo de coligação Hoje Macau - 19 Out 2025 O Partido Liberal Democrático (PLD), no poder no Japão, está perto de formar uma coligação governamental, que deixaria a líder Sanae Takaichi a apenas dois deputados de garantir a eleição como primeira-ministra. Os principais meios de comunicação japoneses avançaram ontem que o acordo com o Partido da Inovação do Japão (Ishin) poderá ser fechado já na segunda-feira, um dia antes do parlamento se reunir para escolher o sucessor de Shigeru Ishiba. O primeiro-ministro cessante demitiu-se em Setembro da liderança do Governo e do PLD, que, em primárias realizadas no início de Outubro, escolheu a conservadora e nacionalista Takaichi como candidata a ser a primeira mulher a liderar o Japão. De acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo, o PLD e o Ishin terão concordado em formar uma coligação sem que o partido da oposição garanta lugares no novo Governo. Em troca, o PLD comprometer-se-ia a cumprir uma série de propostas, incluindo a redução do número de deputados, a eliminação do imposto sobre o consumo alimentar e a eliminação de donativos políticos de empresas e organizações. Hoje, é esperada uma reunião final com o PLD. Liderança frágil O jornal referiu que o partido da oposição está relutante em ocupar cargos no possível Governo de Takaichi e prefere primeiro garantir que a nova líder do PLD cumpre os termos do acordo. Se for eleita, a conservadora irá liderar um dos governos mais fracos da história política do Japão, com uma clara minoria em ambas as câmaras do parlamento, o que a obrigaria a cooperar com a oposição para aprovar qualquer lei. O apoio de Ishin é fundamental para Takaichi, especialmente depois de o partido budista Komeito, ao qual o PLD esteve aliado durante 26 anos, ter abandonado a coligação no poder. O centrista Komeito retirou-se da aliança devido a notícias publicadas sobre alegados fundos secretos do PLD, tendo também criticado Sanae Takaichi devido a supostas mudanças de postura da líder face às visitas a Yasukuni. Temores diplomáticos Takaichi, conhecida pela postura de linha dura em relação à China, visitou inúmeras vezes no passado, principalmente quando era ministra, o santuário xintoísta, considerado um símbolo do passado militarista do país. Mas, na sexta-feira, no primeiro dia do festival de Outono de Yasukuni, 64 anos, esteve ausente e enviou apenas uma oferenda, por, segundo os meios de comunicação japoneses, temer que uma visita pudesse incomodar os países vizinhos. As visitas anteriores de altos funcionários japoneses ao santuário irritaram Pequim e Seul. A China e a península coreana foram palco de atrocidades cometidas pelos militares japoneses na primeira metade do século XX. Nenhum primeiro-ministro japonês em funções visitou o santuário em Tóquio desde 2013, quando a visita de Shinzo Abe provocou fúria entre os países vizinhos e reprimendas dos Estados Unidos. O santuário presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados japoneses mortos em combate, mas também a oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial. O PLD tem governado o Japão quase em permanência desde 1955, apesar das frequentes mudanças de liderança.
Camboja | Deportados 64 sul-coreanos por práticas criminosas Hoje Macau - 19 Out 2025 Seul estima que cerca de mil cidadãos sul-coreanos sejam tratados como escravos e trabalhem em centros no Camboja dedicados a praticar fraudes via internet A polícia da Coreia do Sul confirmou sábado que o Camboja deportou 64 cidadãos sul-coreanos acusados de envolvimento com centros que praticam fraudes através da Internet. A Coreia do Sul enviou na quarta-feira uma equipa para o Camboja, onde acredita que cerca de mil sul-coreanos estão a trabalhar nestes centros, para discutir dezenas de casos de raptos através de ofertas de emprego fraudulentas. Seul anunciou então, na sexta-feira à noite, que estava a fretar um voo para trazer de volta cerca de 60 cidadãos, “participantes voluntários e não voluntários” dos esquemas de burlas, que estavam detidos pela polícia cambojana. O grupo aterrou na manhã de sábado no Aeroporto de Incheon, disse um dirigente da polícia sul-coreana à agência de notícias France-Presse. As autoridades policiais foram vistas a preparar-se para os transportar em carrinhas de segurança pretas. A maioria dos sul-coreanos regressados foi detida no Camboja durante repressões contra centros de burla e vai enfrentar investigações policiais em casa, disse o director de segurança nacional de Seul, Wi Sung-lac. Na sexta-feira, o Governo da Coreia do Sul proibiu os sul-coreanos de viajar para o Camboja, face ao aumento do número de pessoas supostamente raptadas por redes de tráfico de seres humanos e grupos de crime organizado com base no Camboja. Os grupos criminosos obrigaram os cidadãos sul-coreanos a praticarem fraudes, envolvendo criptomoedas, através da Internet, num ambiente semelhante ao de uma prisão. De acordo com fontes diplomáticas de Seul e da ONU, os cidadãos sul-coreanos são mantidos como escravos e foram submetidos a actos de tortura pelos grupos de crime organizado. O alerta de Seul recomenda igualmente aos cidadãos sul-coreanos a abandonarem certas zonas do Camboja. Encontros capitais O aviso foi difundido no dia em que o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, Kim Jina, se reuniu com o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, em Phnom Penh. O encontro na capital do Camboja aconteceu após a morte de um estudante sul-coreano que terá sido forçado a trabalhar num centro de burlas no Camboja. Phnom Penh informou na quinta-feira que, nos últimos meses, deportou 180 cidadãos sul-coreanos envolvidos em cibercrime e outros 60 aguardam repatriamento. Segundo um relatório das Nações Unidas, pelo menos 200 mil pessoas estão actualmente retidas em centros de fraude no Camboja, enquanto em Myanmar (antiga Birmânia), outro epicentro deste fenómeno, o número ascende a cerca de 120 mil. A decisão de Seul surgiu na mesma semana em que os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos anunciaram a aplicação de sanções conjuntas contra o conglomerado Prince Group, com base no Camboja. O presidente do grupo de empresas, Chen Zhi, é acusado de montar rede de cibercrime e tráfico de seres humanos.
Física | Morreu Chen Ning Yang, vencedor do Prémio Nobel Hoje Macau - 19 Out 2025 O físico chinês Chen Ning Yang, vencedor do Prémio Nobel da Física em 1957 e considerado um dos investigadores mais influentes do século XX da física moderna, morreu sábado aos 103 anos em Pequim, anunciou a Xinhua. Chen Ning Yang, nascido na cidade oriental chinesa de Hefei em 1922, recebeu o Prémio Nobel da Física, juntamente com o investigador e seu compatriota Tsung Dao Lee, por investigações sobre a lei da conservação da paridade, princípio fundamental da física nuclear. Os dois investigadores fugiram da China durante a guerra contra o Japão (1937-1945) e desenvolveram a sua carreira profissional nos Estados Unidos, onde Chen Ning Yang era professor na Universidade de Princeton e Tsung Dao Lee na Universidade de Columbia, quando receberam o prémio. Por esta razão e por ambos terem adquirido a nacionalidade norte-americana – a China não reconhece a dupla nacionalidade —, durante muitos anos Yang não foi considerado um vencedor “chinês” do Nobel. Chen Ning Yang regressou à China como professor da prestigiada Universidade Tsinghua de Pequim em 2003, que o destacou como “o físico mais influente” da era actual e lembrou que, após o descongelamento das relações com Washington em 1971, foi o primeiro cientista chinês residente nos Estados Unidos a poder regressar ao seu país. Em 2015, 51 anos depois de obter a nacionalidade norte-americana, renunciou-a. “Yang foi um dos maiores físicos teóricos do século XX. Ele estava mais próximo de Einstein do que os seus contemporâneos”, afirmou Shi Yu, professor do Instituto de Estudos Avançados de Xangai, citado sábado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. Além do seu trabalho académico, o físico tornou-se uma celebridade a nível nacional ao casar-se em 2004, aos 84 anos, com Weng Fan, uma estudante de 28 anos. Meses antes, no final de 2003, tinha morrido a sua primeira esposa, Tu Chih-li, com quem se casara em 1950.
Mar do Sul | Pequim pede às Filipinas que abandonem fantasias Hoje Macau - 19 Out 2025 As disputas marítimas na região provocaram mais um embate entre embarcações chinesas e Filipinas Pequim instou sábado as Filipinas a abandonar o que descreveu como “ilusões irrealistas” e farsas, após uma colisão entre navios dos dois países, no domingo passado, no disputado mar do Sul da China. “Os factos são muito claros e as Filipinas não têm motivos para justificar ou negar as suas intrusões, provocações e acções impróprias”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, citado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua. Zhang Xiaogang acusou Manila de realizar uma “intrusão ilegal” junto ao arquipélago conhecido na China como Nansha e denunciou a recente reivindicação por parte das Filipinas da soberania sobre Nansha e a ilha de Huangyan. “O âmbito do território filipino foi definido por uma série de tratados internacionais, e as ilhas de Huangyan e Nansha, que pertencem à China, não estão incluídos nele”, argumentou o porta-voz. O Governo chinês prometeu novas “medidas resolutas” para defender a soberania sobre as ilhas e os direitos marítimos, face ao que disse ser a “distorção deliberada” de “factos históricos e jurídicos” por parte das Filipinas. Em 12 de Outubro, um navio da Guarda Costeira chinesa e uma embarcação das autoridades filipinas embateram perto da ilha Thitu, conhecida nas Filipinas por Ragasa, no mar do Sul da China. A Guarda Costeira chinesa atribuiu a responsabilidade do incidente às Filipinas, afirmando que três embarcações de Manila se aproximaram de navios de patrulha chineses e que uma delas terá causado o embate. Voz da América Dois dias depois, o porta-voz adjunto do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, condenou o embate “e o uso de canhões de água por parte da China” contra o navio do Gabinete de Pesca e Recursos Aquáticos das Filipinas. Pigott acusou Pequim de estar a intensificar acções “cada vez mais coercivas” no quadro das suas “amplas reivindicações territoriais e marítimas” nesta zona disputada, que envolve também outros países do sudeste asiático. Estas acções perigosas continuam, segundo o responsável, “a minar a estabilidade regional” e “contradizem os compromissos anteriores de resolver as disputas de forma pacífica”. O porta-voz reiterou o apoio de Washington a Manila e recordou que o Tratado de Defesa Mútua entre os dois países cobre qualquer ataque armado “contra as Forças Armadas, embarcações públicas ou aeronaves filipinas, incluindo as da Guarda Costeira, em qualquer ponto do mar do Sul da China”. As águas disputadas do mar do Sul da China são atravessadas por rotas comerciais cruciais e especialistas acreditam que os fundos marinhos poderão conter importantes reservas de petróleo e gás. Pequim tem reiteradamente tomado medidas contra embarcações filipinas, acusando-as de entrarem em águas que reivindica como sendo território chinês.
Taiwan | Kuomingtang elege Cheng Li-wun como nova líder Hoje Macau - 19 Out 2025 O principal partido da oposição em Taiwan, os nacionalistas do Kuomingtang (KMT), escolheu uma antiga deputada como nova presidente. Cheng Li-wun — a única candidata na corrida que se posicionou como reformista — derrotou no sábado, por larga margem, o ex-presidente da Câmara de Taipé, Hau Lung-bin, e outros quatro candidatos à liderança do partido pró-Pequim. Numa conferência de imprensa após a vitória, Cheng disse que os nacionalistas iriam defender os princípios da igualdade, do respeito e dos benefícios mútuos na condução das relações externas. “Não devemos deixar que Taiwan se torne um criador de problemas. Em segundo lugar, não devemos deixar que Taiwan seja sacrificada à geopolítica”, disse, acrescentando que o KMT seria também um pacificador. Os nacionalistas mantêm uma forte influência política em Taiwan, apesar de terem perdido três eleições presidenciais consecutivas para o DPP, que defende um afastamento da China. O KMT detém lugares suficientes para formar um bloco maioritário com os aliados no parlamento. Com tomada de posse prevista para Novembro, Cheng Li-wun poderá influenciar a forma como Taiwan lida com Pequim e outras políticas importantes e questões políticas nacionais e internacionais. Cheng será também a líder do partido nas eleições locais de 2026. O KMT deverá ainda preparar um candidato que desafie o DPP de William Lai Ching-te nas eleições de 2028.
Air China | Avião desviado para Xangai após fogo numa bateria guardada em bagagem Hoje Macau - 19 Out 2025 Um avião da companhia Air China foi desviado com segurança para Xangai sábado, depois de uma bateria guardada na bagagem de mão de um passageiro se ter incendiado, informou a companhia aérea. O incidente ocorreu a bordo do voo da cidade de Hangzhou, no leste da China, para o Aeroporto Internacional de Incheon, perto de Seul, na Coreia do Sul. “Uma bateria de lítio guardada na bagagem de mão de um passageiro no compartimento superior do voo CA139 incendiou-se espontaneamente”, disse a companhia aérea, num comunicado publicado na rede social chinesa Weibo. “A tripulação lidou imediatamente com a situação com base nos procedimentos, e ninguém ficou ferido”, refere o documento, acrescentando que o avião foi desviado para o Aeroporto Internacional de Xangai Pudong “para garantir a segurança do voo”. Uma imagem tirada por um passageiro e publicada pelo meio de comunicação nacional estatal Jimu News mostra chamas num compartimento superior, onde é visível fumo preto e, pelo menos, um passageiro a tentar apagar o fogo. De acordo com dados do Flightradar24, que faz a monitorização do tráfego aéreo global, o voo descolou de Hangzhou às 09:47 locais (, sobrevoou o mar, aproximadamente equidistante da costa leste da China e da ilha japonesa de Kyushu, antes de aterrar em Xangai pouco depois das 11:00 locais.