Creative Macau | Exposição de Zheng Yu para visitar a partir de quinta-feira

Zheng Yu é um pintor que explora o desejo humano recorrendo à maçã como o seu principal símbolo. Em “The Endless Desire”, exposição que estará patente na Creative Macau a partir desta quinta-feira, o pintor nascido em Hainan e a residir em Macau explora técnicas de pintura ocidentais com caligrafia chinesa. A exposição reúne uma dezena de quadros e uma instalação

 

Desde sempre tido como símbolo de desejo e tentação, a maçã é a protagonista principal da nova exposição patente no espaço Creative Macau. “The Endless Desire” é o nome da mostra de Zheng Yu, artista e arquitecto, que será inaugurada esta quinta-feira. A exposição fica patente até 26 de Junho.

O público poderá ver os seus mais recentes trabalhos, num total de dez pinturas, onde as emoções humanas são o foco. No espaço da exposição estará também uma instalação onde a maçã volta a ser a essência.

“Uso a maçã como símbolo do desejo humano, porque as pessoas gostam de recorrer à maçã como esse símbolo. É algo que surge na bíblia e que revela o desejo humano perante a sociedade”, contou Zheng Yu ao HM.

O artista garante que o público irá sentir-se “feliz” quando vir as suas obras, devido ao uso da cor. “Quero traduzir a cultura e a filosofia chinesas usando técnicas ocidentais. Esse é o meu objectivo principal com a exposição. Recorro à técnica de caligrafia chinesa na minha pintura, mas uso contextos ocidentais para criar toda a imagem”, contou ainda.

Os vários desejos

Lúcia Lemos, directora do espaço Creative Macau, falou do fruto enquanto conceito central do imaginário manifestado pelo artista, a maçã como “um símbolo do desejo, mas também religioso, no sentido cristão”. “Tem esse símbolo da Eva que tem vindo a ser explorado por diversos pintores ao longo de várias épocas, desde o [período] bizantino e também antes e depois do Renascimento”, explicou ao HM.

Para a responsável, o facto de Zheng Yu ser também arquitecto faz com que “esteja muitas vezes nessa situação de confronto ou de escuta dos desejos dos clientes”. “O desejo humano também é isso, não estou a pensar no desejo carnal. Ele tem também um lado humanista, no sentido de ser sensível à natureza e ao mundo animal”, acrescentou.

Nesse sentido, parte do valor angariado com a venda das obras reverte a favor de uma associação de defesa dos direitos dos animais “que está a passar por dificuldades”, disse Lúcia Lemos.

Nascido em Hainan, Zheng Yu é membro da Sociedade de Artistas de Macau e sempre prestou atenção ao desenvolvimento da arte contemporânea e da sua ligação com a sociedade dos dias de hoje. O artista expôs no evento Art Next Expo, em Hong Kong, além de ter participado em outras mostras patentes no território.

25 Mai 2021

Creative Macau | Exposição de escultura de Eloi Scarva e Chan Un Man abre hoje portas 

“Capsule Formation & Asymbiotic Seed Germination” é o nome da nova exposição da Creative Macau que é hoje inaugurada e que se mantém patente até ao dia 27 deste mês. Ambos residentes de Macau, mas com diferentes backgrounds culturais e artísticos, Eloi Scarva e Chan Un Man traçam na escultura a sua visão da cidade envolta numa pandemia, da natureza e dos objectos tradicionais

 

Eloi Scarva e Chan Un Man são os protagonistas da nova exposição do espaço Creative Macau e que abre hoje ao público. “Capsule Formation & Asymbiotic Seed Germination” é uma mostra de esculturas com estéticas completamente diferentes mas que acabam por se complementar.

De um lado, Eloi Scarva, jovem, de 27 anos, formado em escultura em Portugal, com uma visão muito própria de uma Macau fechada em si mesma devido à pandemia. Do outro, Chan Un Man com uma interpretação da natureza e de uma estética mais tradicional, apresentando peças trabalhadas em madeira.

Ao HM, Eloi Scarva, membro da Creative Macau desde 2017, contou que a ideia de Lúcia Lemos, responsável pela galeria, era precisamente criar um contraste nesta mostra, que revelasse os dois lados de que o território é feito. “Ele [Chan Un Man] é de Macau mas tem residência na China, e eu também sou de Macau, nasci cá mas tenho um lado português. A exposição tem esse contraste, com duas estéticas muito diferentes”, frisou.

Eloi Scarva resolveu abordar os actuais tempos de pandemia em que vivemos criando cápsulas, dentro das quais a cidade existe. “A minha estética é sempre muito industrial e achei que, neste caso, encaixavam bem estes materiais para representar a cidade. A primeira ideia era algo que tivesse objectos, muito na ideia daquilo que é a cidade de Macau, do espaço, de uma nova adaptação ao isolamento.”

O artista, que confessou não dar nomes conceptuais às suas obras, adicionou também o acrílico para que as pessoas possam ver de fora essa visão da cidade dentro da cápsula. Lá dentro foram depositados materiais que Eloi Scarva foi encontrando e coleccionando nas ruas.

“Há sempre coisas que se encontram pela cidade, nem que sejam pequenos objectos que as pessoas perdem. Decidi aliar as duas coisas, então as peças são uma colectânea enclausurada dentro de caixas, o que acaba por ser uma representação a vida aqui. São janelas para observarmos o que se passa”, frisou.

Natural e artesanal

Chan Un Man decidiu apresentar nesta mostra trabalhos esculpidos em madeira. “A primeira parte é composta por trabalhos meus anteriores e as ideias surgiram sobretudo de objectos tradicionais chineses, como mobiliário artesanal de madeira, mesas de jantar, cadeiras e armas antigas. Tentei combinar a memória desta percepção tradicional com os meus elementos criativos, e queria dar vida a estas peças com madeira natural”, descreveu ao HM.

A segunda parte da exposição contém peças novas, e exemplo disso é a obra intitulada “Seed Germination 1.2.3 Series”. “Esta ideia nasce da vitalidade da natureza e mostra a tensão no processo de germinação de sementes e do crescimento de raízes e folhas e essa experiência do ciclo de vida da natureza.”

Chan Un Man começou a trabalhar como artista quase de forma auto-didacta, pois em criança gostava de fazer desenhos nos livros que lia. Daí até comprar pincéis e começar a pintar foi um passo. Em 1988 estudou artes no Instituto Politécnico de Macau, tendo depois prosseguido os seus estudos na Guangzhou Academy of Fine Arts, finalizando um mestrado em escultura. Desde então que esta é a sua principal área de trabalho.

Para esta exposição na Creative Macau, Chan Un Man gostaria de ver, sobretudo, o reconhecimento de que “em Macau há alguns artistas que trabalham arduamente para fazer arte”. Comentando o trabalho do seu parceiro de exposição, Eloi Scarva, fala de alguém que “tem uma estética muito orgânica e que trabalha as peças de uma forma quase obsessiva, com detalhe”. O artista português prefere trabalhar as suas esculturas “de uma forma mais rústica e industrial”, remata.

8 Fev 2021

Escultura | Creative Macau acolhe trabalhos de Eloi Scarva e Chan Un Man

A partir de quinta-feira o espaço da Creative Macau inaugura a exposição “Capsule Formation & Asymbiotic Germination”. A mostra, que inclui trabalhos escultóricos dos artistas Eloi Scarva (Macau) e Chan Un Man (China), pretende ser uma alegoria ao confinamento que o mundo atravessa, procurando novas vias de ligar o Homem à natureza

“Co-existimos neste espaço colectivo abrigados de uma pandemia mundial, redescobrindo a nossa moradia com diferentes olhos, de quem não tem liberdade, numa cela a céu aberto de uma escala absurda, calculamos as nossas prioridades, reflectimos na nossa irmandade e questionamos o futuro”.

O mote é dado por Eloi Scarva, numa nota enviada pela organização. Através da sua obra, criada especialmente para a exposição “Capsule Formation & Asymbiotic Germination”, o artista de Macau pretende, a partir da mistura entre o cimento e material orgânico, como folhas, criar objectos arquitectónicos com o condão de “enclausurar uma síntese” da actual situação de Macau, marcada pelo enclausuramento e a pandemia.

O resultado, após a recolha de materiais um pouco por todo o território, são cápsulas que apresentam Macau fechada “dentro de uma prisão de cimento, polimero e aço” e na forma de “objecto-metáfora da actual situação nacional”.

Para Lúcia Lemos, coordenadora da Creative Macau, espaço que acolhe a exposição a partir de quinta-feira, o trabalho de Eloi tem o condão de “abordar o tema do confinamento e os sentimentos que isso desponta, mas observando, contudo, a natureza”.

“O Eloi resolveu criar esculturas em cimento e incluir elementos da natureza, como folhas, materiais orgânicos e outros feitos pelo homem. A ideia é juntar dois elementos numa situação drástica, à semelhança daquilo que o mundo está a sofrer. Nesse sentido, talvez as pessoas possam virar-se para dentro, de forma a estarem mais próximas da natureza”, partilhou com o HM.

Chan Un Man é o outro artista cujos trabalhos poderão ser vistos no espaço da Creative Macau. No caso de Man, explica Lúcia Lemos, apesar de abordar também a temática da natureza, as suas esculturas exploraram igualmente “o que é artificial”. “As esculturas, em si, são em madeira e depois encrostadas numa base de madeira com acrílico também como suporte”, acrescentou.

Subjacente está também a ideia da “germinação”, ou seja, da semente como génese das árvores, de onde se extraiu a madeira para as obras.

Equilibrios e forças

Outra das temáticas abordadas pelo artista chinês, Chan Un Man, prende-se com a ligação das suas obras ao místico e ao sagrado, sobretudo pelo facto de os troncos e madeira que acabou por usar na produção das peças, estarem originalmente destinados à criação de esculturas sagradas no Japão.

“Tive muita sorte (…) por ter comprado essa madeira para criações futuras. Dado que a madeira tinha uma missão sagrada, decidi dar-lhes vida, esculpindo-as”, apontou Chan Un Man numa nota oficial da organização.

Em comum, explicou Lúcia Lemos ao HM, através das suas obras, os dois artistas partilham a ideia de “procurar, no mundo em que vivemos, estar junto da natureza, com a certeza de que o progresso é irreversível”. “Os trabalhos de Eloi Scarva e Chan Un Man estão relacionados com todo esse equilíbrio e forças”, sublinhou ainda a responsável.

A exposição “Capsule Formation & Asymbiotic Germination” tem inauguração agendada para quinta-feira às 18h30 e pode ser vista até ao dia 27 de Fevereiro.

12 Jan 2021

Exposição | Creative Macau exibe pinturas baseadas em Gabriel García Márquez

“Do Amor e Outros Demónios” é o nome da obra de Gabriel García Márquez que serviu de ponto de partida para a exposição que estará patente na Creative Macau a partir de quinta-feira. O livro do escritor colombiano ganha agora uma nova interpretação com a mostra “Of Love & Other Demons – Painting Series by Kay Zhang”

 

Kay Zhang, um dos novos nomes do mundo das artes de Macau, está de regresso às exposições com uma interpretação muito própria do livro do escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor de um prémio Nobel da Literatura. “Do Amor e Outros Demónios” dá nome à exposição de Kay Zhang, que estará patente no espaço da Creative Macau a partir da próxima quinta-feira.

Segundo um comunicado da Creative Macau, a exposição “mostra os seus trabalhos baseados na história de García Márquez com o seu estilo icónico inspirado nos manuscritos medievais, e que são dispostos como um todo no formato de retábulo”.

“Do Amor e Outros Demónios” foi publicado em 1994 e adaptado para cinema. O romance conta a história de Sierva Maria, uma menina de 13 anos criada em Cartagena das Índias, na Colômbia, durante o período colonial. Apesar de ser filha de marqueses, a menina foi criada por escravos negros.

A personagem movida por um intenso sentido poético vivia atormentada pela dúvida de qual seria o verdadeiro sabor de um beijo. Porém, Sierva Maria acaba por ser mordida por um cão com raiva o que ditou a entrada num convento, uma vez que, à época, a raiva ainda não era diagnosticada como doença e era entendida como uma possessão demoníaca. Sierva Maria deu entrada no convento para ser, portanto, exorcizada, mas acabou por morrer.

A história foi descoberta por Gabriel García Márquez quando era jornalista, que acabou por ver de perto a operação de exumação das criptas funerárias do antigo Convento de Santa Clara, em busca de notícias. A descoberta deu-se a 26 de Outubro de 1949, muito antes do autor considerar a hipótese de viver da escrita literária. No entanto, anos antes, já o autor de “Cem anos de solidão” ouvira a mesma história contada pela sua mãe.

Uma “esplêndida cabeleira”

Sierva Maria nunca cortou o cabelo e era fluente em várias línguas africanas. “No terceiro nicho do altar-mor, do lado do Evangelho, estava a notícia. A lápide saltou em pedaços à primeira pancada do alvião e uma cabeleira viva, de uma intensa cor de cobre, espalhou-se pela cripta. O mestre-de-obras quis retirá-la completa com o auxílio dos seus operários, mas quanto mais puxavam mais comprida e abundante ia surgindo, até saírem as últimas madeixas, ainda presas a um crânio de criança. No nicho não ficaram senão uns ossitos pequenos e dispersos e na lápide de cantaria carcomida pelo salitre apenas era legível um nome sem apelidos: Sierva Maria de Todos los Angeles. Estendida no chão, a esplêndida cabeleira media vinte e dois metros e onze centímetros”, lê-se no livro.

Kay Zhang, nascida em 1991, está assim de regresso às exposições com um dos seus autores favoritos. A primeira vez que expôs em Macau foi em Agosto de 2016, com “Innocencepedia”, no Macau Art Garden. Formada na Experimental School of Arts da China Central Academy of Fine Art, a artista volta a diluir as fronteiras entre a expressão literária e a pintura. Kay Zhang é uma das mais jovens artistas de Macau nomeada para o Sovereign Asian Art Prize e produziu trabalhos como “Psalm of Love and Ardor”, “A Room With A View”, “The Book of Dinamene” e “The Modern Decameron”.

20 Set 2020

Festival de ‘curtas’ de Macau regressa em Dezembro com mais de uma centena de filmes

A 11.ª edição do Festival Internacional de Curtas de Macau vai realizar-se em dezembro, com mais de uma centena de filmes entre os finalistas a concurso, tendo recebido 4.232 submissões, anunciaram os organizadores.

Organizado pelo Centro de Indústrias Criativas – Creative Macau e pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau, com o apoio do Governo do território, o festival, que vai decorrer de 01 a 08 de dezembro, promove a competição de profissionais e amadores, com “produções curtas independentes de reduzido orçamento”, segundo o comunicado divulgado hoje.

Tal como em anos anteriores, o festival inclui duas competições, “Shorts” (para curtas-metragens) e “Volume” (que premeia vídeos musicais). Das 4.232 submissões recebidas este ano, a maioria veio da Europa (43%), Ásia (32%), América do Norte (11%) e América do Sul (9%), segundo a nota, havendo ainda trabalhos de África (3%), Oceânia (1%) e outras regiões (1%).

As curtas-metragens finalistas da seleção oficial, com 124 filmes no total, incluem 68 ficções, 26 documentários e 30 animações de quase 40 países, incluindo Portugal, pode ler-se no comunicado. Nove vídeos musicais vão ainda competir na vertente “Volume”. Os prémios incluem distinções para o melhor filme, ficção, documentário, animação, “identidade cultural de Macau” e prémios do público, entre outros.

O júri deste ano é constituído por João Francisco Pinto, jornalista e diretor do canal de televisão TDM (Teledifusão de Macau), que preside ao painel, pelo realizador belga de curtas-metragens Julien Dykmans e pela realizadora sueca Måns Berthas.

Esta 11.ª edição, que se realiza no Teatro Dom Pedro V, inclui 152 filmes e nove vídeos musicais, além de sessões especiais para escolas de cinema, concertos e encontros com o júri e finalistas.

28 Ago 2020

Exposição | Artista de Taiwan exibe obra na Creative Macau

Entre 16 e 22 de Agosto a Creative Macau acolhe a exposição “A Place that is Never on the Map”, do artista de Taiwan radicado em Macau, Cai Guo Jie. Da sua obra implodem traços coloridos que, apesar de revelarem monumentos de Macau, vistos de perto, são na verdade caracteres de caligrafia chinesa. Formas reveladas a partir de planos urbanísticos é outra das apostas do artista

 

As aguarelas de Cai Guo Jie escondem pinceladas com segredos bem guardados. A obra do artista de Taiwan, que vai estar exposta na Creative Macau entre 16 e 22 de Agosto, dá primazia à desconstrução e reconstrução dos elementos que compõem as suas criações, ao ponto de deixar a dúvida a quem vê, de estar a olhar para uma pintura ou, na verdade, um escrito.

Se à primeira vista as cores vívidas das suas pinturas dão forma a marcos icónicos de Macau como a Igreja de São Domingos ou a Rua do Cunha, saltando à vista a roupagem mais ocidental deixada pelo legado português, um olhar mais atento, revela uma “espinha dorsal” composta por caracteres de caligrafia chinesa.

“Visto de perto, é possível reparar nas pinceladas rigorosas de caligrafia chinesa. Linhas e golpes de força em constante mutação percorrem a tela em diferentes velocidades, fundindo formas e caracteres que, no limite, se materializam numa paisagem pitoresca”, pode ler-se no comunicado da Creative Macau acerca da exposição.

Procurando transpor a arquitectura e o ambiente peculiares de Macau, Cai Guo Jie empresta às suas aguarelas o espírito e a história da produção de caracteres de caligrafia chinesa. “Para sermos precisos, Cai está sempre a escrever e não a pintar aguarelas”.

A demonstrá-lo, fascinado pelo processo de desconstrução, está o quadro dedicado à Igreja de São Domingos que “explora tridimensionalmente o espaço da igreja quase como se fosse um bonsai”.

Urbanismo alternativo

Contactada pelo HM, Lúcia Lemos, coordenadora da Creative Macau, revela que outro dos focos principais do artista de Taiwan radicado em Macau está relacionado com a história por detrás das terras e projectos urbanísticos da região.

“Há vários anos que o Cai Guo Jie tem vindo a desenvolver um projecto urbanístico no sentido de explorar história e o passado sobre essas terras que eram passadas de mão em mão ou de família para família através de um papel que era o equivalente a um simples reconhecimento verbal, o que era muito comum em Macau”, partilhou Lúcia Lemos.

Focado na ideia da divisão de terras ao longo dos tempos e da forma como eram estabelecidas as fronteiras que acabam por revelar sempre espaços intocados que não pertencem a ninguém, a obra de Cai sobre o planeamento urbanístico pretende, segundo a coordenadora da Creative Macau, retratar também a “evolução do campo para a cidade” e o facto de o tecido urbanístico “ter progressivamente invadido as aldeias”.

8 Jul 2020

Nova exposição de Crystal M.Chan e Benjamim Hodges reflecte sobre o desenvolvimento de Macau

Crystal M.Chan, pintora e estudante de mestrado em Nova Iorque, está de regresso a Macau para uma nova exposição, desta vez feita a quatro mãos com Benjamin Hodges. “Mountain Surrounded by Sea” é composta por quadros e sons que olham para o desenvolvimento que Macau sofreu nos últimos anos, ao mesmo tempo que convidam a uma contemplação e introspecção

 

A nova exposição dos artistas Crystal M.Chan e Benjamin Hodges, que inaugura na próxima terça-feira no espaço Creative Macau, é um olhar sobre a terra natal da artista, actualmente a frequentar um mestrado em artes em Nova Iorque. Pela primeira vez, Crystal M.Chan expõe com a ajuda da instalação de som e imagens, numa mostra onde se reflecte o efeito da quarentena, que a artista cumpriu em Nova Iorque.

Em “Mountain Surrounded by Sea” visualiza-se a reflexão de Crystal M. Chan sobre a Macau antiga e a Macau dos novos aterros, dos que já foram construídos e dos que estão por erguer. Mas quem visitar a exposição vai deparar-se com uma nova forma de olhar as obras.

“A projecção e os sons convida as pessoas a estar e a ouvir. Há um lado meditativo e penso que se deve a esta pandemia. Espero que as pessoas tenham uma nova perspectiva sobre a forma como trabalhamos e o ambiente, e que possam ver os trabalhos de uma forma mais contemplativa e não tão apressada”, contou ao HM.

Primeiro era a península e duas ilhas, mas rapidamente a paisagem de Macau foi ganhando novos contornos nos últimos anos. A exposição é também sobre isso. “Nos últimos meses, quando começamos a atravessar a nova ponte, podemos ver os pedaços de terra a surgirem do mar e esta mudança dá-nos a sensação de que o mar está a desaparecer”, disse Crystal M. Chan.

Benjamin Hodges fala também de um território habituado a acolher muita gente de fora, estando em permanente mudança. “A reclamação da terra ao mar tem acontecido nos últimos anos enquanto processo natural, e penso que terá começado já na Administração portuguesa. E neste momento os novos aterros visam a construção de mais casas para os residentes. É uma necessidade para o futuro de Macau, é também um desejo. Tudo isto tem a ver com a forma como as pessoas vêm para Macau.”

“No meu caso sou um americano que tem vivido em Macau nos últimos anos, e tenho vindo a aprender mais coisas sobre a história de Macau e a comunidade imigrante, pessoas que surgem de vários lugares. Por isso, também abordamos essa temática”, acrescentou.

Espaços distintos

As obras de Crystal M. Chan remetem também para um certo saudosismo daquilo que Macau já foi e numa análise daquilo em que se tornou. “Esta tem sido uma experiência muito boa que me está a fazer regressar aos meus tempos de adolescente. Ultimamente tenho passado mais tempo a pintar e nas minhas obras está muito presente um sentimento de perda, que está relacionado com as obras relativamente ao tempo da Administração portuguesa.”

Os dois artistas decidiram olhar para o espaço da Creative Macau sob dois ângulos. “Num dos espaços trabalhamos bastante sob o ponto de vista da construção, com a visão que temos dos novos aterros e do meio ambiente envolvente. Do outro lado, temos uma espécie de cenário de filme, com um local onde as pessoas se podem sentar e desfrutar dos sons e das obras”, explicou Benjamin Hodges.

O minimalismo foi a linha orientadora, convidando as pessoas a reflectir. E, aqui, a quarentena cumprida pela pintora revela-se nos detalhes. “A Crystal esteve de quarentena e regressou há pouco tempo de Nova Iorque, onde viveu esta sensação de isolamento. Está presente este tema de olhar para o mundo lá para fora de forma remota, através de uma janela. É um ponto com o qual trabalhamos num dos espaços, enquanto que no outro trabalhamos muito com a terra e o mar.”

O efeito quarentena neste trabalho revela-se também na vontade de o expandir a um público cada vez maior, tornando-o interactivo. “Estamos a pensar fazer um pequeno filme sobre a construção deste cenário, num projecto para continuar e partilhar online. Não queremos que se limite a este espaço físico e queremos que chegue a um público mais vasto”, rematou Crystal M.Chan.

14 Mai 2020

Exposição | Creative celebra 16º aniversário com “Our Family” a 28 de Agosto

A “Nossa Família” é o tema da mostra colectiva que assinala os 16 anos do Centro das Indústrias Criativas – Creative Macau, pensada como ponto de encontro dos artistas locais em torno de uma ideia comum e um elo de pertença

 

O Centro das Indústrias Criativas – Creative Macau – celebra o 16º aniversário com a inauguração da exposição colectiva “Our Family” no dia 28 de Agosto, às 18h30. São 29 artistas locais, que se preparam para exibir trabalhos onde interpretam de forma livre o seu conceito de família, restrita ou mais abrangente, nuclear ou alargada, real ou imaginária, presente, passada ou futura.

Foi este o desafio lançado pela coordenadora do Creative Macau, Lúcia Lemos, que definiu o tema familiar como um pretexto para estimular a imaginação dos participantes e oferecer a oportunidade de se exprimirem como entendessem a partir deste conceito. Foi também uma forma de celebrar a família artística local que, ao longo deste tempo, tem passado por aquela galeria.

“O convite foi feito aos membros da associação há alguns meses, com a intenção de assinalar o aniversário da Creative Macau nesta exposição colectiva”. Cerca de três dezenas de autores manifestaram interesse em participar, acabando por ficar vinculados ao projecto 29 artistas no final, cada um incumbido de apresentar uma obra alusiva a essa temática.

“Já recebemos a maior parte dos trabalhos, que são muito diversos e com várias técnicas, como por exemplo pintura, desenho, gravura, fotografia, instalação artística, escultura, vidro, e outros. Foi completamente livre a interpretação do tema”.

A ideia de família pode ser tal como está no título, “mas também pode sugerir uma abstracção do conceito, uma coisa mais psicológica com que cada um se identifique. É aquilo que os artistas quiserem, pode ser um sentimento de pertença, não têm que ser pessoas, podem ser lugares”, explicou Lúcia Lemos.

O comunicado de imprensa refere também que “historicamente, em muitas civilizações, a composição dos membros de uma família podia ser pequena ou enorme, extensiva a animais, escravos e outras figuras reais ou imaginárias. Muitos “retratos de família” desses tempos ficaram registados de diversas formas. E hoje o mundo está a aceitar a emergência de novas estruturas familiares como unidades sociais”.

Artistas locais

Dos trabalhos recebidos, têm surgido ideias fora do normal. A própria coordenadora apresenta também uma visão sua de família nesta mostra e, embora não tenha querido revelar muito, adiantou que se trata de “uma instalação de dois livros, feitos à mão, criados e desenvolvidos por mim”. De resto, o resultado tem sido interessante, contou, “as pessoas fizeram coisas bastante diferentes, umas representaram alguns elementos da própria família, outras interpretaram o conceito de família desde a antiguidade, a origem da família e a religiosidade, há fotografias com elementos bizarros, representação de ícones, ideias zen da mitologia chinesa, recriações da árvore da família, e coisas muito variadas”.

Os trabalhos expostos contam com as assinaturas de Alex Ao, Alice Leong, Anita Fung, António Mil-Homens, Arlinda Frota, Cheong Ut Man, Cristina Vinhas, Denis Murrell, Duarte Esmeriz, Fernando Simões, Francisco Ricarte, Gordon Zheng, Jason Lei, Jovina António, Kai Zhang, Leong Leng, Lo Yuen Yi, Lúcia Lemos, M.Chow, Madalena Fonseca, Maria Sequeira, Mavin Zin, Patrícia Mouzinho, Regina Leong, Ricardo Meireles, Rodrigo de Matos, Sou Chon Kit, Sou Un Fong e Yaia Vai, por ordem alfabética.

Cada artista terá a oportunidade de exibir uma obra, “que pode ser uma pequena composição”, das famílias possíveis no imenso mundo da criação. A mostra vai estar patente ao público até 21 de Setembro.

22 Ago 2019

Ilustrações de Vincent Cheang na Creative Macau até 24 de Agosto

“Highway Stars” é o título da primeira mostra individual de Vincent Cheang. A exposição reúne ilustrações sobre música, motas, moda para motards e, sobretudo, grandes lendas do rock. Isto é, as mais recentes, porque às antigas perdeu o rasto

 

Foram muitos os amigos e convidados que se juntaram a Vincent Cheang na inauguração da sua primeira exposição a solo de obras de ilustração e design de moda, na galeria de arte da Creative Macau que aconteceu no passado dia 11 de Julho. “Highway Stars” é o título da mostra que revela outra faceta do artista que nos habituámos a conhecer à frente do projecto LMA – Live Music Association.

As peças expostas remetem para o mundo do rock & roll, dos músicos e das bandas, das guitarras, das motas e corridas, só faltando o asfalto e o cheiro a gasolina. São 17 desenhos de ilustração cheios de adrenalina e um vídeo do ‘making of’ de alguns deles. Há ainda 5 casacos de cabedal, que fazem parte da colecção de moda da marca “Worker Playground”, criada por Vincent Cheang em 2010, outra actividade a que se dedica na área da “street fashion” masculina.

Os trabalhos aqui reunidos foram criados entre 2016 e 2019, explicou Vincent ao HM, contando que há toda uma colecção em falta nesta mostra, os seus ídolos da música que foi pintando desde que frequentou o curso superior de Design Gráfico do Instituto Politécnico de Macau, nos idos anos 90. “Já nessa altura queria muito fazer uma exposição, mas era jovem e havia muita burocracia administrativa para montar um evento destes. Eu só queria desenhar e, como ninguém me ajudou a fazer a exposição, acabei por desistir”.

Mas continuou a ilustrar os seus ídolos preferidos. Alguns desses quadros estão hoje no seu estúdio, mas outros acabaram por se perder. “Dessa colecção inicial faltam muitos dos meus quadros. Deixei-os na antiga Rádio Vila Verde”. Depois de mais de 20 anos a trabalhar na rádio, na altura de sair não trouxe as obras que ali tinha nas paredes e, passado este tempo todo, não faz ideia onde possam estar ou se ainda existem.

“Naquela altura eu era muito novo e pensava: perdi-os, tudo bem, não há problema. Mas, depois de quase trinta anos, tenho pensado muito nisso e agora sinto a falta deles!”, justifica o artista.

Se na actual mostra estão alguns dos seus ídolos musicais – porque só pinta bandas e artistas de que gosta – como Lou Reed, Kurt Cobain, Keith Flint dos Prodigy, Alice in Chains, Stone Temple Pilots ou Daft Punk, ficaram a faltar os desaparecidos Miles Davis, John Lee Hooker, o rapper Guru (da banda de hip-hop Gang Starr) ou mesmo a cantora e compositora inglesa Kate Bush.

Perdidos e achados

É por isso que anda há algum tempo com a ideia de criar uma instalação com o título “Lost and Found”, “para encontrar a arte que perdeu. “Se alguém souber onde estão as obras, por favor digam-me!”.

No futuro talvez venha a incluir esse projecto, mas para já pode ser uma coisa interactiva. “Pode ser que as pessoas se lembrem ‘oh, eu já vi esta imagem em algum lado ou em casa de alguém’. E talvez façam posts no Facebook ou no Instagram, quem sabe?”.

A exposição “Highway Star” abriu portas na quinta-feira e, até sábado, Vincent Cheang já tinha vendido seis quadros e um casaco de cabedal. O interesse despertado pelas peças levou o artista a pensar em exibir mais design e merchandising da sua marca “Worker Playground”, um nome que tem origem no antigo Campo dos Operários, localizado onde hoje se ergue o Casino Grand Lisboa. Era um local muito central onde costumava passar tempo quando era criança, daí a relação sentimental da etiqueta que então criou e que simboliza a sua inspiração na cultura de rua.

Os blusões de cabedal são criações nos estilos rocker e motard, com ilustrações nas costas relacionadas com as suas paixões pela música e pelas máquinas, sejam elas motas, carros de corrida ou aviões. Uma das peças exibe, aliás, “uma pintura que fala da história da aviação de Macau. Desenhei um avião muito antigo, de 1948, que foi o primeiro avião de Macau. Chamava-se Miss Macau e tem uma história muito interessante”, contou ao HM.

Gente com pinta

Afinal, tudo interessa e inspira Vincent Cheang. “Há uns dias atrás comecei a ter ideias para a minha próxima exposição de arte”, revelou. Então? “Sim, já estou a planear o meu próximo projecto, gostaria de desenhar pessoas “cool” de Macau. Pessoas locais interessantes que eu quero apresentar e também conhecer. Alguns músicos, alguns artistas, talvez também alguns dos meus amigos. Podem ser fotógrafos, designers de moda, pintores, coleccionadores, corredores de carros, por exemplo”.

Mas acrescenta que ainda não definiu um prazo para este projecto. “Tenho que amadurecer a ideia, antes de começar. Leva o seu tempo”. Até lá, está na altura de passar pela galeria da Creative Macau e ver as lendas do rock em “Highway Star”, título da mostra e de uma das canções dos Deep Purple, gravada em 1972. Se o dia da inauguração foi bastante concorrido, Vincent Cheang quer que a data de encerramento também o seja, no dia 24 de Agosto. E está já a planear qualquer coisa, “não sei ainda o quê”, mas vai haver festa. Reservem o dia na agenda.

16 Jul 2019

Creative Macau mostra Crónicas Imaginárias

O Centro de Indústrias Criativas – Creative Macau – inaugurou ontem a exposição “Crónicas Imaginárias”, com novos trabalhos de Tong Chong e Noah Ng Fong Chao que podem ser vistos até ao dia 18 de Abril. Os dois artistas assinam uma mostra conjunta de obras, que compõem as Blossom Series e The Pleasure, respectivamente, patente ao público entre as 14h e as 19h.

A primeira explora a definição de beleza através das nuances da vida diária da população, uma proposta de Tong Chong que questiona o impacto da informação e da tecnologia nos hábitos e nas tradições das pessoas, influenciando novas formas de entendimento do conceito de beleza, pode ler-se no comunicado de imprensa da organização.

A arte de Noah Ng Fong Chao explora as diferenças culturais e o potencial de conflito cognitivo, entre perspectivas orientais e ocidentais, como base da criação artística. Esta proposta tem como ponto de partida a “Peregrinação a Lingnan” de Ye Quan, autor de referência da Escola de Pintura de Lingnan, na província de Guangdong, que se especializou na pintura de elementos da natureza – sobretudo flores e pássaros – incorporando técnicas de pintura ocidental, acrescenta o comunicado.

Tong Chong estudou Artes Modernas no Instituto de Artes Visuais de Macau, fez o bacharelato de Artes Visuais no Instituto Politécnico de Macau e obteve um mestrado em Artes na Academia de Belas Artes de Guangzhou, contando com mais de 190 exposições colectivas e 10 individuais no currículo.

Noah Ng Fong Chao, natural da província de Zhejiang, vive em Macau desde 1984, onde estudou gravura, pintura moderna, fotografia e outros meios no Instituto de Artes Visuais de Macau.

Licenciou-se em Artes Visuais (pintura a óleo), tirou o mestrado de Artes em Investigação e Criação Artística Moderna e Contemporânea na Academia de Belas Artes de Guangzhou e é hoje programador de exposições no Museu de Artes de Macau. Participou, desde 1990, em mais de 100 exposições colectivas na China e no estrangeiro.

15 Abr 2019

“Reencarnação” de Allen Wong inaugura dia 10 no espaço Creative Macau

A exposição “Reencarnação” reúne 21 trabalhos de Allen Wong que exploram o ciclo da vida numa metáfora com a própria arte ancestral da pintura chinesa e a sua evolução no mundo contemporâneo. A mostra é inaugurada na próxima quinta-feira na Creative Macau

 

“Reencarnação” é o nome da exposição do artista local Allen Wong com inauguração marcada para a próxima quinta-feira na galeria da Creative Macau. O evento está marcado para as 18h30 e vai apresentar 21 obras, sendo que duas são instalações. Os restantes trabalhos são pinturas em que o artista utiliza de forma experimental a tinta num regresso às origens da arte chinesa e em forma de metáfora com o ciclo da vida na sociedade contemporânea.

A escolha da arte chinesa, mesmo que utilizada em representações abstractas, foi uma opção de Wong tendo em conta a sua origem. De acordo com o artista, “a pintura chinesa é profunda e apresenta uma atmosfera que procura o espaço espiritual mantendo o seu balanço através da prática,” afirma Allen Wong na apresentação do evento.

No entanto, também a pintura chinesa tem passado por várias formas. “A caneta e a tinta são como a poesia que tem vindo a ficar pior com o passar de gerações e tal como a água fervente, fica sem sabor à medida que o tempo passa”, refere. Com o declínio evidente, o artista local questiona a razão que mantém a arte chinesa ainda em uso.

Para Wong, este tipo de questão possibilita ao artista a reflexão “tendo por base o paradoxo filosófico do navio de Teseu”, aponta. O resultado é uma viagem pela história da pintura chinesa através de uma linha do tempo em que se passa pela época em que era uma arte criadora de estilos próprios tendo passado a ser uma herança e mesmo uma forma de imitação em que os métodos tradicionais vão sendo substituídos pela utilização de outros meios, mais contemporâneos.

A vida em conceitos

Por outro lado, o artista teve em conta, na concepção de “Reencarnação”, a exploração de dois conceitos: o de Topos e o de Concreto. No primeiro, Allen Wong aborda “a extração da inércia da tinta tradicional e converte o resultado numa sequência de substâncias”. São estas substâncias que, sendo simulações de uma vida natural, resultam na conversão de elementos inanimados em formas de vida, acrescenta.

Já no escopo do Concreto, estão os aspectos mecânicos que conduzem a própria vida. Para a sua operacionalização, Wong utiliza as estruturas que simulam o sistema circular da vida dos animais e das plantas e que é representado pela tinta na caneta.

Para o artista, “as memórias das emoções são fontes de energia e é nesta energia natural, governada pelo ritmo mecânico das estruturas regularizadoras, que ‘Reencarnação” se desenvolve seguindo o ciclo da vida”, remata.

7 Jan 2019

“Tempos Transitórios” de Ricardo Meireles inaugura a 29 de Novembro na Creative Macau

A Creative Macau vai receber, a partir do próximo dia 29, a exposição de fotografia de Ricardo Meireles, “Tempos Transitórios”. De acordo com o autor, a mostra pretende “parar” as pessoas para que se apercebam do lugar que habitam e onde se movem

 

Proporcionar um momento de pausa é a proposta do fotógrafo Ricardo Meireles com a exposição “Tempos transitórios” que será inaugurada no próximo dia 19 na galeria da Creative Macau. O objectivo é dar às pessoas um espaço para “parar, olhar e observar” a cidade que habitam e que, muitas das vezes, não têm tempo para absorver, apontou Ricardo Meireles ao HM.

Para o efeito, o fotógrafo foi à procura da cidade, das suas características e movimentos. “Quis captar aqueles momentos da cidade que são mais característicos e que estão mais relacionadas com a memória local e com a identidade através da arquitectura, da construção”, começou por explicar o também arquitecto.

Por outro lado, não existe cidade sem as pessoas que nela circulam e para transmitir esta ideia, o fotógrafo optou pelo desfoque das figuras humanas em contraponto com o foco das construções. “Estou a focar o elemento da cidade e estou a desfocar as pessoas porque são um elemento transitório, que passa”, explicou. “As pessoas movem-se de um lado para o outro e a cidade continua”, acrescentou.

Em última instância, Meireles pretende, com as imagens que apresenta em “Tempos transitórios”, sintetizar a ideia de um momento de pausa em que as palavras de ordem são “agora pára, olha e observa”. A razão, sublinhou tem que ver com a própria dinâmica local. “Em termos de fluxo humano, Macau é um pouco desordenado. As pessoas vivem no seu dia a dia e acabam por passar muitas vezes pelos mesmos lugares e não param, não reconhecem e não sentem a cidade. Acabam por não perceber o que é Macau em si em termos de espaço e de sociedade”, justificou.

Três tempos

A mostra está dividida em três momentos distintos. Numa primeira parte estão patentes ao público um conjunto de doze imagens a preto e branco e de grande formato. A ideia é mostrar o resultado do movimento rápido que é a captura de uma imagem. Segundo o autor, trata-se “do registo do movimento dos fluxos pedonais, num testemunho que foca um certo elemento perene da cidade” com características que incluem a memória e identidade locais.

A apresentação de um vídeo com cerca de cinco minutos integra o segundo momento da exposição. Aqui, “o registo é idêntico ao das fotografias”, disse. “Estou a focar a cidade e capto o movimento das pessoas em longas exposições. As pessoas estão lá mas em movimento”, acrescentou.

A última parte da mostra é dedicada a uma instalação em que as imagens, ao contrário dos momentos anteriores, se mostram a cores. Aqui as fotografias são essencialmente dedicadas a Macau antiga, “onde estão mais memórias”.

A instalação é constituída por um painel que agrupa uma série de imagens pequenas e constitui um momento que dá ao público várias opções de observação: “as pessoas podem focar-se numa imagem em particular, ou no conjunto”, apontou. Mas o público também se pode rever e integrar quer no contexto da obra que no contexto da exposição. Isto porque faz parte da instalação a suspensão de lamelas de acrílico que podem servir de mediador entre o público e o trabalho exposto, mas podem ainda ser um espelho e um projecto de cada um. “Acabamos por estar a observar e a ser observados porque fazemos parte do mesmo contexto”, rematou o fotógrafo.

21 Nov 2018

Festival Internacional de Curtas-Metragens divulga cartaz de animação

Entre os dias 4 e 9 de Dezembro, o Teatro Dom Pedro V recebe o Festival Internacional de Curtas-Metragens, que terá em exibição 90 filmes oriundos dos quatro cantos do mundo. Ontem foram revelados as curtas que participam na classe de animação, e que vão ser exibidos no dia 6 de Dezembro

 

Os primeiros detalhes do cartaz do Festival Internacional de Curtas-Metragens, Sound & Image Challenge, estão aí com a divulgação dos filmes que participam na categoria de animação. O evento, marcado para o Teatro Dom Pedro V, decorre entre os dias 4 e 9 de Dezembro e conta com 90 filmes, 13 palestras, dois concertos, 15 prémios, 10 videoclips e 4 masterclasses.

Com filmes originários um pouco de todo o mundo, a edição deste ano da secção de animação, que será exibida a 6 de Dezembro a partir das 15h30, tem em destaque duas películas portuguesas e uma de Macau. “Porque este é o meu ofício” é o nome do filme de Paulo Monteiro. Em pouco mais de 10 minutos, a curta leva o espectador a perder-se num “vórtice de tempo sobre a infância” e na forma como “ela nos marca para a vida”, pode-se ler no comunicado da Creative Macau. A narrativa centra-se na relação entre pai e filho e nas “muitas palavras nunca ditas, porque estão escritas no coração”.

Também de Portugal chega-nos “Rácio entre dois volumes”, de autoria de Catarina Sobral. O equilíbrio e o volume são os focos deste filme, com um dos personagens, Sr. Cheio, a funcionar como uma espécie de esponja circunstancial que guarda dentro de si todas as situações em que se envolve no dia-a-dia. “Nunca esquece uma lembrança, um pensamento ou uma emoção”, lê-se no comunicado de apresentação da categoria de animação do Festival Internacional de Curtas-Metragens. Por outro lado, independentemente dos esforços constantes, nada preenche o Sr. Vazio. Até ao dia em que o Sr. Cheio decide confrontar os seus medos e Sr. Vazio resolve viajar.

O som e a imagem

“A Lâmpada Bob”, de autoria de Chong Chon In, é o filme que representa Macau na secção de animação da edição deste ano do Festival Internacional de Curtas-Metragens. A narrativa gira em torno da vida profissional de uma lâmpada chamada Bob, como indica o título do filme, que conseguiu finalmente o emprego dos seus sonhos. Porém, logo no primeiro dia, Bob percebe que o “seu trabalho é odiado por muitas pessoas”.

A representação da República Checa faz-se através de “Vigilante”, de autoria de Filip Diviak, que tem como cenário um país nórdico indefinido no início do século XIX. “A história é sobre a vida estereotipada de um idoso que trabalha como vigilante acordando pessoas. A sua vida é sempre igual, até ao dia em que recebe um velho sino brilhante”, refere o comunicado da Creative Macau.

Do Canadá chega-nos “Magi”, realizado por Hao-feng Lu. O pequeno filme de menos de dois minutos procura expressar “a busca artística de animação 2D, usando técnicas de animação directa e animação em papel em três estados abstractos: rigidez, maleabilidade e epifania”.

Também do continente americano, mas bem mais a sul, é exibido no ecrã do Teatro Dom Pedro V “Novo Brinquedo”, um filme da autoria do brasileiro Rogério Boechat. A narrativa centra-se num dia de particular tédio para um bebé, que se altera radicalmente quando a mãe lhe oferece um urso de peluche. O novo brinquedo torna-se no seu melhor amigo. Com o tempo a excitação da novidade esvai-se e o tédio apodera-se da relação, até que uma reviravolta do destino troca as voltas à improvável dupla.

6 Nov 2018

Festival | Sound&Image já recebeu quatro mil candidaturas de vários países

A 9.ª edição do Sound&Image Challenge de Macau, festival internacional de música e curtas-metragens, já recebeu mais de quatro mil candidaturas provenientes das mais “variadas regiões”, anunciou ontem a organização.

Organizado pela Creative Macau, espaço cultural que comemora este ano o 15.º aniversário, o festival avança para a oitava edição com filmes provenientes da Grécia, Egipto, Estados Unidos, Reino Unido, Irão, Portugal, Brasil, entre outros.

A organização anunciou que entre 26 de Julho e 24 de Agosto serão exibidas as curtas-metragens vencedoras das últimas edições (2010-2017).

Por ocasião do 15.º aniversário, a Creative Macau decidiu organizar este ano a exposição colectiva “Open Future”, que estará patente naquele espaço cultural entre os dias 28 de Agosto e 22 de Setembro, lê-se na nota.

“O que o futuro reserva para nós?” ou “Como podemos mudar o futuro?” são algumas das questões abordadas nas exposições de escultura, pintura, instalação, fotografia e poesia.

Em Maio, a coordenadora da Creative Macau, Lúcia Lemos, afirmou à Lusa já ter recebido pelo menos 27 candidaturas de filmes portugueses.

À data, a responsável aproveitou para revelar que um dos directores do festival internacional de Curtas de Vila do Conde, Miguel Dias, vai ser grande júri do Festival.

O Sound&Image Challenge International Festival divide-se em duas competições: a de curtas-metragens, nas categorias de Ficção, Documentário e Animação, e a de vídeos musicais. A estes prémios, a organização decidiu acrescentar este ano novas nomeações: Prémios de melhor realizador, melhor cinematografia, melhor edição, melhor música, melhor banda sonora, melhores efeitos visuais para a competição de curtas, e de melhor canção e melhores efeitos visuais para a competição de vídeos musicais, que por enquanto não têm valor monetário.

Os trabalhos finalistas vão ser apresentados de 4 a 9 de Dezembro no Teatro Dom Pedro V.

4 Jul 2018

Exposição “Stillness in motion” é inaugurada no próximo dia 28 na Creative Macau

“Stillness in motion” é a exposição de fotografia de Agostinho Guilherme Fernandes que vai ser inaugurada no próximo dia 28 na galeria da Creative Macau. Com este trabalho o autor, mais conhecido por Nico Fernandes, quer ultrapassar a linguagem estática da captura fotográfica tradicional e transmitir movimento e tridimensionalidade a cada obra

 

A ideia para ““Stillness in motion” partiu da observação do Tai Chi, uma prática que mais parece uma coreografia e em que o movimento é o caminho para a quietude. “Quando observamos o Tai Chi percebemos que é através daqueles movimentos lentos, associados ao Kung Fu, que os praticantes procuram um equilíbrio, um estado de calma”, começou por dizer Nico Fernandes ao HM.

O resultado são 28 imagens de coreografias de vários tipos de danças em que a questão do movimento dos bailarinos está sempre presente. As longas exposições utilizadas pelo fotógrafo, muitas vezes associadas ao movimento da própria câmara são algumas das técnicas que escolheu para mostrar o que via.

No entanto, o resultado fica longe daquilo que que chama de “fotografia tradicional”, em que a imagem é estática, nítida e objectiva. “Penso que a fotografia em Macau ainda é muito vista sob uma perspectiva tradicional em que a introdução de técnicas que vão além da imagem estática do momento não são apreciadas”, conta o fotógrafo. Ciente da crítica, Nico Fernandes insiste na sua concepção de imagens. Para o fotógrafo amador é com elas que consegue contar as suas histórias, não a história que aparece manifesta mas aquela que tem dentro de si e que pode ser interpretada e mesmo recriada por quem as vê. “As minhas imagens são muitas vezes pensadas num universo mais surrealista em que mostro o que se passa dentro de mim e ao mesmo tempo deixo liberdade ao público para dar a sua história a cada fotografia”, explica.

Espera frutífera

O fotógrafo começou a interessar-se pela imagem “há muito”, mas a fotografia era um hobby “demasiado caro”. “Era preciso ter as máquinas, rolos e pagar a revelação”, diz. Foi esperando por tempos melhores, e com o aparecimento da fotografia digital que viu a possibilidade de começar a dedicar-se a esta arte muito mais próxima.

Há cerca de dez anos comprou a sua primeira câmara e começou a interagir em fóruns da especialidade para aprender. O segredo, para se conseguir chegar ao que se pretende, considera, é a humildade. “Colocava lá as minhas imagem e recebia as críticas. Tinha mesmo quem dissesse que as fotografias não prestavam”, aponta, mas o que interessa “é colocar o ego de lado, perceber porque é que não são boas e aprender a fazer melhor”.

Os anos passaram e sempre fiel à intenção e dar às suas fotografias um lado mais onírico, Nico Fernandes desenvolveu as técnicas que precisava para isso. Ao seu lado teve um professor, Yung Siu Sun, que favorável à exploração das possibilidades de uma imagem nunca desencorajou Nico Fernandes a desistir de quebrar as regras clássicas da fotografia. “Acabei por conhecer o fotógrafo Yung Siu Sun que sempre me apoio naquilo que queria fazer”, refere.

Não sendo visto como o “fiel fotógrafo” em Macau, os trabalhos que tem feito já lhe valeram o reconhecimento internacional, nomeadamente da Royal Academy de Londres, sendo que “nunca se faz uma imagem para se entrar numa competição”. disse. “A imagem é sempre um processo pessoal, feito para o próprio, depois, se gostarmos e acharmos que vale a pena, podemos concorrer com ela”, remata.

12 Jun 2018

Arquitectura | Exposição dos alunos da USJ é inaugurada amanhã

A “USJ Architecture Program Exhibition”, exposição que reúne os trabalhos finais dos alunos de arquitectura da Universidade de São José, vai ser inaugurada amanhã na Creative Macau. A iniciativa realiza-se anualmente e pretende mostrar algumas ideias dos futuros arquitectos de Macau

 

À semelhança de anos anteriores, e chegado o final das aulas, a Creative Macau recebe os projectos de fim de curso dos alunos do último ano de arquitectura da Universidade de São José (USJ). A exposição deste ano, “USJ Architecture Program Exhibition”, é inaugurada amanhã às 18h30.

A mostra divide-se em dois momentos expositivos. Num primeiro espaço, vai estar patente ao público uma peça concebida em conjunto. “É um trabalho absolutamente conceptual em que os alunos não propõem nenhum tipo de edifício”, refere a responsável pela Creative Macau, Lúcia Lemos, ao HM.

Trata-se de uma obra que tem, por princípio, de ser concebida em bambu, assim tem sido todos os anos. A razão da escolha deste material é óbvia: “No oriente é o bambu que sustenta o processo de construção e há uma ligação muito forte com este material”, diz Lúcia Lemos.

Ao mesmo tempo, os alunos de arquitectura da USJ desenvolvem ao longo do percurso académico uma forte relação com o material e com quem o trabalha, de acordo com a directora da Creative Macau.

A produção deste momento expositivo está intimamente relacionada com o desenvolvimento de uma maior ligação ao artesanato, aponta Lúcia Lemos. “A montagem dos andaimes em bambu requer muita técnica e muito trabalho manual, desde a forma como a estrutura vários objectos da arquitectura erefere o comunicado oficial.)IC) trabalho, jtrar o que os futuros arquitecto s de Macau é montada aos modos de junção das canas”, explica.

Para ajudar na montagem desta peça, os alunos tiveram a ajuda dos mestres que dedicaram a sua vida profissional a trabalhar na construção e com o auxílio dos professores no apoio à concepção “mais intelectual”.

“Podemos dizer que é um trabalho da área da arquitectura urbanística, no sentido de que algo pode ser projectado para um espaço público sem ter de possuir uma utilidade prática”, refere a responsável pela associação.

A segunda parte da exposição é constituída pelos trabalhos de final de curso dos alunos. Os projectos que vão ser apresentados podem abranger vários objectos da arquitectura com a finalidade de mostrar o que os estudantes, ainda sem experiência no mercado de trabalho, já conseguem idealizar. “Estamos a falar de pessoas muito jovens que ainda estão a estudar. Fazem o seu trabalho dentro do possível e podemos mesmo dizer que há aqui alguma inovação”, descreve Lúcia Lemos.

Parceria útil

A cooperação entre a Creative Macau e a USJ não é uma aliança formalizada através de protocolos, mas isso não impede o desenvolvimento de iniciativas conjuntas. “Faz parte do nosso projecto estarmos a par daquilo que se faz em Macau. Desde há muito tempo que temos esta iniciativa com os alunos de arquitectura e de design de comunicação”, aponta.

Para Lúcia Lemos, esta colaboração “faz todo o sentido”, até porque “é uma forma de trazer estes trabalhos para o público em geral”.

Mas o que surpreende a responsável pela Creative Macau é a forte adesão por parte de estudantes do ensino secundário. “Estas exposições têm muitos visitantes, mesmo de alunos das escolas secundárias”, refere. Na opinião de Lúcia Lemos, esta adesão pode ser explicada pelo facto deste tipo de iniciativas poderem ajudar os estudantes que se encontram numa fase de escolha de carreira.

 

Arquitectura | USJ presente na Bienal de Veneza

O Departamento de Arquitectura da Universidade de São José participou na Bienal de Arquitectura de Veneza 2018, entre 26 a 28 de Maio, com “URBAN CATALYST: SHAPING THE FUTURE OF MEDINI CITY”. O projecto foi desenvolvido pelo estúdio de design urbano da universidade liderado por Nuno Soares. Este projecto estará integrado no Programa de Sessões da Bienal de ISKANDAR PUTERI 100YC, como uma proposta conceptual ao desafio de design global apresentado às principais escolas internacionais de Arquitectura. “URBAN CATALYST: SHAPING THE FUTURE OF MEDINI CITY” oferece formas arquitectónicas e urbanas originais para a nova Cidade de Medini, o futuro Distrito Comercial Empresarial de Iskandar Puteri, concebido a partir da sua estrutura essencial, e visando criar um plano director alternativo como ponto de partida para esta nova comunidade urbana nos próximos 100 anos. O Iskandar Puteri 100YC (100 Year Cities) é uma colaboração global de investigação liderada pela RMIT (Instituto Real de Tecnologia de Melbourne) e pela Nextdor Property Communications Sdn Bhd. O seu principal objectivo é promover o pensamento multidisciplinar e a colaboração como as principais qualificações para a inovação futura, reunindo os visionários de hoje e as escolas de arquitectura internacionais mais progressistas do mundo em busca de futuros optimistas e ideais originais para as cidades, refere o comunicado oficial.

29 Mai 2018

Creative Macau | “Visual Thinking” é inaugurada a 25 de Abril

S e o pensamento fosse transmissível em imagens, o que seria? “Visual Thinking” é a exposição que traz a resposta, em forma de fotografia, através da visão de seis artistas. A mostra vai estar patente na Creative Macau, a partir do dia 25 de Abril.

O tema foi lançado e a resposta veio de um total de seis artistas e fotógrafos. O resultado é uma exposição colectiva promovida na Creative Macau que tem inauguração marcada para o próximo dia 25 de Abril. “Desafiámos os nossos membros a criar uma série de fotografias para expor numa mostra colectiva” referiu Lúcia Lemos, responsável pela Creative, ao HM. Desta forma desprendida nasceu “Visual Thinking”, uma exposição de fotografia contemporânea composta por séries fotográficas.
Os trabalhos são de Hugo Teixeira, Lampo Leong, António Mil-Homens, Li Li, Noah Fong Chao e Ricardo Meireles.
“My Grandfather, uncle father and me” é um trabalho intimista de Hugo Teixeira. As imagens estão relacionadas com a morte do pai há dois anos e a história familiar de quem acompanha a doença cardíaca. Em exposição vão estar 10 auto-retratos impressos sobre metal e uma imagem em grande escala de um electrocardiograma do próprio autor. Hugo Teixeira mostra, mais uma vez, o trabalho que desenvolve no campo da fotografia analógica, incidindo nos processos alternativos de revelação.
Lampo Leong tem os seus pensamentos visuais em “Memories. Fortress of Monte”. Através da procura de texturas na Fortaleza do Monte, a intenção do artista é promover a memória e a reflexão acerca da história e do património de Macau. A Fortaleza do Monte foi o espaço eleito para representar esta herança. “Com mais de 400 anos de idade, a Fortaleza de Monte continua a ser um magnífico lembrete do antigo porto marítimo e serve como um símbolo poderoso para o espírito das pessoas”, apresenta o comunicado oficial do evento.

O que não é visível
O fotógrafo local António Mil-Homens reflecte sobre o espaço e os obstáculos que o impedem de ser visto. Em Macau, a visibilidade é limitada pelo grande aglomerado de pessoas que todos os dias circulam nas suas ruas. “Troubled Vision” trata desta visão deturpada em que há uma perturbação da sensibilidade visual. As imagens são a preto e branco e convidam a pensar o lugar e o que se vê dele.
Li Li pega na figura da garça para alertar para conceitos tão em voga como a sustentabilidade, inovação e reciclagem. “Creative Ideas” traz cinco trabalhos com este animal como mote para a resolução criativa dos desafios do quotidiano. As garças são um exemplo de como se pode usar a criatividade através da representação de um animal conhecido pela sua habilidade e simplicidade.
Noah Fong Chao apresenta “The Opposite Shore”, um conjunto de trabalhos produzidos em 2009. De acordo com o comunicado da Creative Macau, trata-se de uma reflexão acerca da mudança numa cidade que vê a paisagem alterar-se a grande velocidade. Os trabalhos de Noah pretendem alertar para a dificuldade em definir o tempo. As imagens são acompanhadas de pintura de modo a conferir-lhes um maior sentido de histórico, refere a organização.
O trabalho submetido por Ricardo Meireles lança um apelo à imaginação da visão que vai mais além das duas dimensões presentes numa imagem.

18 Abr 2018

Cartoonista Rodrigo de Matos inaugura “Punacotheca” na quinta-feira

R odrigo de Matos inaugura, na próxima quinta-feira a exposição “Punacotheca”, integrada no Festival Literário – Rota das Letras. A mostra, que estará patente na Creative, reúne 30 trabalhos de pintura e ilustração num jogo de significados entre imagens e palavras

Rodrigo de Matos, conhecido como cartoonista, com trabalhos publicados em jornais em Macau e em Portugal, decidiu sair da sua zona de conforto e aventurar-se noutra área criativa . Na primeira exposição individual de pintura, Rodrigo de Matos propõe um jogo entre imagens – ambíguas e até ridículas – e os múltiplos significados de palavras ou expressões.

Em “Punacotheca” (em inglês) ou “Pinacotroca” (em português) – que brinca com a palavra trocadilho e pinacoteca – “propus-me a fazer uma série de pinturas e ilustrações que partem justamente de trocadilhos visuais e de sentidos. Na maior parte, as expressões que escolhi funcionam nas duas línguas (português e inglês)”, explicou o artista ao HM.

Embora tenha participado anteriormente em colectivas, Rodrigo de Matos nunca expôs pintura a solo. “No fundo, o que eu pretendi foi variar um pouco em relação àquilo que as pessoas conhecem do meu trabalho, que é o que sai publicado, mas há outras coisas que gosto de fazer além do cartoon, como pintar e brincar com os materiais”, sublinha.

“Esta exposição permitiu-me desenvolver um pouco a minha técnica que, no dia-a-dia, fica um pouco restrita ao meu estilo e limitações do cartoon, pelo que tento fugir um pouco”, explica Rodrigo de Matos que, em “Punacotheca”, explora habilidades que ficam de fora do quotidiano. “Procurei recuperar um pouco essa veia”, complementa.

Macau em tela

A exposição reúne 15 trabalhos de pintura e outros tantos de ilustração. “As pintura têm várias dimensões, normalmente com tinta acrílica sobre tela, enquanto entre as ilustrações, feitas à mão, são usadas canetas de tinta permanente mas também há pequenos toques ou apontamentos com tinta acrílica sobre cartolina”, especifica.

Se, por um lado, há imagens mais genéricas, por outro, encontram-se também referências concretas à realidade de Macau. “Sim, algumas são mais próprias para serem percebidas pelas pessoas de Macau ou, pelo menos, são coisas que têm estado mais na berra aqui. Mas penso que mesmo alguém de fora também irá perceber o jogo dos significados”.

“O que eu tentei em cada trabalho, independentemente dos que se enquadram num lado ou noutro, foi a partir de uma notícia, por exemplo, descodificar esses pequenos termos utilizados, como ‘talento bilingue’. No fundo, tentei jogar apenas com o significado das expressões, sem incutir qualquer opinião ou crítica política ao contrário do que faço habitualmente no cartoon”, explica Rodrigo de Matos.

Sem destacar uma obra em particular, Rodrigo de Matos entende que a mostra “vale como um todo”, estando a piada no jogo entre as imagens – com “uma certa dose de ambiguidade e até um pouco ridículas” – e os títulos dos quadros. Essa brincadeira permite que “as pessoas as possam interpretar como quiserem e todas as interpretações serão válidas”, sublinha.

“Penso que os mais ou menos bem-humorados são capazes de achar piada”, concluiu.

“Punacotheca”, que fica patente na Creative até 21 de Abril, é a terceira exposição de Rodrigo de Matos em Macau, mas a primeira que apresenta fora do universo dos cartoons.

20 Mar 2018

Armelle no espaço Creative Macau – As ironias do realismo

Francesa, criativa, residente em Macau há 25 anos. O aspecto é seco, os olhos são azuis, sombreados a negro. O olhar é penetrante. Aqui e ali vislumbra-se um olhar entre o divertido e o irónico. É a segunda exposição de Armelle Lainsecq, e não deixa de surpreender. Deu também para um reencontro com o marido, Jacques Lenantec, escultor.

Quando se observam as fotomontagens de Armelle Lainsecq, encontramo-nos inevitavelmente como que perante delírios que podem raiar a classificação de surrealistas mas não creio. São antes uma aguda observação da realidade e a sua interpretação pessoal da mesma, a sua própria verdade.

A artista produziu três séries chamadas “Macao Illusions”, “All in One” e “Dechronologies”.

Armelle Lainsecq interpela o que vê e sente e constrói um mundo desmascarado, onde todas as personas caem para que aquilo que supostamente escondem surja desnudado, qual circo urbano onde reina o condimento da ironia.

Armelle Lainsecq propõe assim três leituras, uma que me é naturalmente cara, a da cidade e a sua (dela) verdade presente – Macao Illusions – outra, a da apropriação e manipulação de pinturas de Rembrandt, Cézanne, Manet, Delacroix e outros, onde a exigência técnica está primorosamente patente em brilhantes reconstruções que parecem indagar com um “e se…” e que são da série “All in One” e ainda uma terceira, “Dechronologies” onde, com uma técnica de fotomanipulação, actualiza criativamente personagens de outros tempos.

Em todos os casos estamos perante alguém com uma capacidade analítica notável, e uma ironia incontestável, integrando uma família de artistas, como seu marido, o escultor Jacques Lenantec e Vincent, o filho que faz tatuagens.

Toda esta circulação pelos territórios do que existe exógenamente, mas sobretudo pela sua interpretação, requer um espaço onde se possa meditar e especular sobre estas áreas.

Daí a tão compreensível reclusão para a decantação entre a aparência do real e a realidade que apenas existe dentro de nós.

O retrato surgiu depois, e com ele naturezas mortas, galhos partidos, uma obssessão com o retrato da realidade, a mesma busca de perfeição residente nas suas fotomontagens.

E foi aí que nasceu a conversa, depois da inauguração da sua Exposição no Creative Center, a merecer uma visita por parte do público de Macau.

 

Há quanto tempo vive em Macau?

A.L.- Desde 1983 a 1992. Depois voltei a Paris e regressei em 2001 até agora. Um total de 25 anos.

Porquê Macau? E porquê a zona do Lilau?

A.L.: Macau em 1983 por motivos profissionais. Nessa altura, o meu marido estava à procura de fundições de bronze na Ásia. Um amigo francês convidou-nos para Macau, dizendo que Macau era um bom lugar para começar a procurar fundição de bronze na Ásia. Na verdade, não encontramos nenhuma fundição, mas apaixonámo-nos por Macau! O clima, a comida, o exotismo. E em 1983, criámos um atelier para lançar as esculturas de meu marido. O Lilau não é uma escolha. Por acaso, começamos a viver nesta área da colina de Penha.

Como relaciona a sua escolha de viver em Macau e numa área histórica e no Macau de hoje?

A.L.- Compramos um apartamento em 1990 na Rua de Lilau por um preço acessível, (risos). Em seguida, compramos um armazém felizmente no piso térreo em 2004, ainda a um preço acessível (mais risos). Ficámos então nesta zona que é silenciosa!

Considera-se uma pessoa irónica?

A.L.- Sim, completamente. Mas sempre com respeito. É mais um sentido de humor, na verdade. Mas também tenho uma grande capacidade de escárnio por mim mesma.

Como surge a série de “All in One”, Manet, Rembrandt, Cézanne e outros aparecem? Porquê?

A.L.- Entre a série “Macao Illusions” e o meu “All in One”, trabalhei em retratos de personalidades, que eu chamei de “Dechronologies”. Por exemplo, peguei no retrato de Luís XIV e, com photoshop, tentei ver como ele deveria ser hoje. Muito engraçado. Retratei assim cerca de 50 personalidades, gosto disso.

Enquanto procurava pinturas para essas “”Dechronologies”, comecei a conhecer muitos mestres e muitas pinturas. Naturalmente descobri o estilo dos mestres e vi que nesses grandes mestres, a sua pintura era por vezes “engraçada” e repetitiva. A ideia de fazer “All in One” veio dessa descoberta.

Lembro-me da sua primeira exposição no Creative de Macau. Até então, a Armelle só tinha colagens digitais. O que a fez passar para os retratos? A sua entrada no mundo do desenho representa uma afirmação interior?

A.L.- Depois de tirar fotografias de tantos artistas, achei que era fácil criticar ironicamente. O último pintor que eu tentei trabalhar foi Picasso com Guernica em “All in One”. Nunca terminei porque me assustei com essa pintura que achei feia. Naquele exacto momento decidi desenhar, para mostrar que não só era capaz de criticar. Desenho retratos, mas também gatos – gosto de gatos – e qualquer assunto que me inspire. Gosto das árvores quebradas após o tufão Hato ou, mais recentemente comida chinesa. Gosto de me concentrar nos detalhes.

Comecei a desenhar no primeiro de Janeiro de 2016, pelo menos, 10 a 12 horas por dia. Todos os dias, do nascer ao pôr-do-sol, durante todo o ano. Apenas paro quando sou forçada a viajar.

Porquê a ironia sobre Picasso, Manet ou mesmo Rembrandt? O que está por detrás disso?

A.L.- Picasso: não tenho absolutamente nenhuma emoção quando vejo Guernica e todas as suas obras.

Manet: ha ha ha. Porquê uma mulher nua entre 2 homens vestidos tendo um almoço na relva? É uma situação absolutamente absurda.

Rembrandt: neste caso, nenhuma crítica. Apenas tive a ideia de colocar mulheres, em vez de homens, em torno do corpo morto por mera diversão.

… Mas eu tenho muito mais para lhe mostrar: Delacroix, Leonardo da Vinci, Ingres, Courbet, David, Bouguereau.

Aceita encomendas de retratos?

A.L.- Sim. Depois de desenhar cerca de cem retratos de graça e também para treino, eu comecei a aceitar comissões. Tive três no mês passado e tenho quatro novas encomendas para fazer. E algumas mais a caminho. É quando desenho retratos que abandono a ironia! Quero realmente que as pessoas fiquem satisfeitas e felizes com os seus retratos. Para mim todos os meus modelos são VIP, independentemente da idade. Gosto de encontrar os detalhes que revelam o charme ou a beleza de qualquer pessoa que eu desenhe.

Como vê a cena artística de Macau?

A.L.- (risos) Isso não me preocupa nem me importa. Não sou politicamente correcta nessa área, por isso prefiro estar calada.

Claro, há bons artistas em Macau. Descobri recentemente Filipe Dores, que tem muito talento.

Parece que é uma pessoa bastante retirada. Porquê?

A.L.- Nunca fui uma pessoa muito sociável. Tenho muito poucos amigos. Todos sabem que eu sou um pouco “selvagem”. Todos eles desempenharam um papel importante na minha vida, esta é a condição para obter a minha amizade para sempre. Excepto esses verdadeiros amigos, não sinto a necessidade de companhia, tirando a companhia dos meus gatos. Sim, sou retirada e gosto do som do silêncio, não do barulho da música. Sinto-me feliz na frente de um computador ou na frente de uma folha de papel.

Porque essa necessidade de tempo? Quer deixar um corpo de trabalho, uma obra?

A.L.- Comecei tarde a ter uma actividade artística a tempo inteiro. Tenho sido uma mulher-de-artista há décadas. Ser mulher-de-artista é um trabalho a tempo inteiro. Meu marido é escultor, e a escultura é uma arte muito complicada. Trabalhei muito com ele. Sei tudo sobre a escultura, do processo do barro até ao bronze. Mas, há 2 anos, por motivos profissionais e pessoais, decidi ter minha própria actividade em tempo integral. O problema é que comecei tarde, por isso o meu tempo é precioso. Estou em estado de emergência permanente para economizar o meu tempo. Talvez o meu tempo não tenha valor, mas para mim é precioso. Não, não quero deixar uma corpo obra para trás. Sou muito humilde e não tenho tal pretensão.

Considera-se uma artista? Isso é importante para si?

A.L.- Sim, considero-me uma artista. Sempre fui, indirectamente. Na minha maneira de pensar, ou a maneira de compartilhar a arte do meu marido por via de um elevado nível de colaboração. Hoje, se eu não desenhar ou “criar algo”, fico extremamente nervosa, cuidado, eu posso ser perigosa (risos)! Deixem-me desenhar, é a minha vez de pensar em mim!

Não, não é importante ser uma artista, excepto se se fôr um verdadeiro génio, e eu não sou. Todos somos artistas, em diferentes graus.

Tenho notado que os seus preços de venda são bastante acessíveis. Por que é que?

A.L.- Na verdade, eu quero ser acessível, como diz. Acessível às pessoas que não têm o hábito de comprar arte. Quando desenho um retrato, tenho que mostrar um resultado cem por cento de semelhante ao modelo. É o mesmo preço para o meu vizinho que vende “dim sum” no mercado e para uma pessoa muito rica. As pessoas simples sabem melhor o valor das coisas do que as pessoas ricas. Quero trabalhar para pessoas simples. Aqueles que sonham em ter o seu retrato e perceber que isso comigo é possível. O meu alvo são as pessoas. Tenho excelente relação com eles. Eles conhecem-me, eu falo com eles em cantonês (não com fluência, mas o suficiente). Eles gostam de mim e eu gosto de pessoas que gostam de mim. Quero desenhar prioritariamente para eles. Claro que um dia, aumentarei os meus preços, mas essa é a única coisa sobre a qual não tenho pressa. Respeito o valor do trabalho e o trabalho de um artista não tem, para mim, mais valor do que qualquer outro trabalho “normal”. Ei artistas, acalmem-se, vocês são apenas artistas!

25 Nov 2017

Gonsalo Oom, arquitecto: “Gosto da influência das igrejas no espaço urbano”

“Desenhos Expressionistas de Macau” é a exposição de Gonsalo Oom que mostra, a partir do dia 28, uma série de trabalhos acerca da paisagem do território. As obras vão estar na Creative Macau e trazem, na sua maioria, a interpretação do (também) arquitecto da expressão urbana da península

É a sua primeira exposição individual no território. O que é que vamos ver na Creative Macau?
A exposição chama-se “Desenhos Expressionistas de Macau” e tem que ver com a minha leitura e interpretação do território. São desenhos artísticos. Não são tão figurativos como os que faço em arquitectura, e deixam margem para uma interpretação. Sou arquitecto e normalmente temos de fazer desenhos sempre muito rigorosos, o que não acontece neste caso.

Da arquitectura ao desenho artístico. Como é que aconteceu esta passagem?
Comecei a desenhar para dar os trabalhos de presente aos meus amigos que casavam. Desenhava igrejas essencialmente. Têm que ver com arquitectura e era uma coisa de que gostava. Não tinha muito dinheiro e era um bom presente. Recordo que, na altura, tinha tanto trabalho acerca deste tipo de edifícios que quase que dava para fazer um roteiro das igrejas de Lisboa. Já na altura desenhava a carvão.

Esta exposição também é maioritariamente a carvão. 
Sim. O carvão tem algumas particularidades, um bocadinho como o que acontece nos materiais que se escolhem na pintura. Há desenhos em que, por exemplo, uso aquilo que pode ser visto como tinta-da-china, mas não o é. É tinta de cargas de caneta em que também é requerida uma técnica específica. Quando tiro a carga da caneta, a tinta começa a borrar e há que saber controlar esse borrão. É uma mancha que se vai trabalhando para se retratar o que se está a ver, mas de uma forma, digo, expressionista. Este trabalho também depende de uma série de factores, como a emoção. É tudo desenhado à vista. Não dá para estar em casa a ver fotografias. Mas há sempre algumas dificuldades quando se sai para desenhar à vista. Temos sempre de lidar com insectos, com o calor e mesmo com pessoas. Desenhei uma vez ali em frente à Escola Portuguesa e quando os alunos saíram e me viram a trabalhar não consegui fazer mais nada. O mesmo aconteceu nas Ruínas de São Paulo. Encontrei um sítio porreiro, mais discreto, mas as pessoas acabaram por me descobrir. Gosto mais de estar recatado. Não desisto, mas estas situações acabam por interferir no trabalho.

Macau é um lugar fotogénico?
Sim. Os contrastes que existem no território, apesar de nem sempre serem bons, resultam muito bem no desenho.

Que lugares escolheu para desenhar para esta mostra?
Lá está, vamos ter igrejas e outras situações urbanas.

Gosta especialmente de igrejas?
Gosto da influência das igrejas no espaço urbano. A igreja é um local de conforto e de calma. Agora são mais as lojas, em Macau. Uma pessoa entre numa loja e tem a oportunidade de se refrescar, mas acho que antigamente as pessoas também iriam para as igrejas com esse objectivo (risos). Gosto também, ao nível urbano, da influência dos casinos, da massa formada por eles. Desenhei umas coisas para umas paredes grandes, era uma sequência de painéis com a skyline de Macau vista da Taipa. Tenho alguns trabalhos assim, nesta mostra.

Enquanto arquitecto, como vê a alteração da paisagem local?
Acho óptimo. Quer dizer, não deixa de provocar alguma perturbação porque as coisas parecem não ter controlo e há situações muito fortes. Em termos de urbanismo há coisas que “chocam”. Chegar às Ruínas de São Paulo e ver o prédio que está atrás é muito estranho. É um edifício que acaba por estragar um elemento icónico do património. Vim pela primeira vez para Macau em 2006. Voltei para Portugal pouco depois e regressei em 2013 numa altura de muita construção, pelo que assisti a muita transformação que acabou por afectar a paisagem.

Já participou noutras exposições – e também na Creative Macau – com outro tipo de trabalhos. 
Sim. Já participei com objectos, principalmente com peças de mobiliário. Desenhar móveis é uma obsessão que tem que ver com a tridimensionalidade. Esta oportunidade foi uma sorte. Tenho um dos meus desenhos integrado na exposição que está a decorrer no mesmo local actualmente, e a responsável, Lúcia Lemos, constatou que tinha um espaço de um mês para preencher e acabou por me convidar. A minha primeira ideia até foi uma exposição com os trabalhos feitos pelas pessoas de Macau que desenham. Há muita gente a fazer isso e que depois não tem como mostrar o que faz. Achei que seria giro fazer uma coisa dessas. Será o próximo passo.

 Já alguma vez pensou em dedicar-se apenas à pintura e ao desenho?
Caso não tivesse trabalho como arquitecto, dedicava-me ao desenho a tempo inteiro. É uma coisa natural em mim, mas é preciso trabalho. Não é uma coisa que se possa dizer que as pessoas têm jeito. É preciso trabalhar muito também. O jeito não é o fundamental.

13 Set 2017

Sound and Image Challenge recebe filmes até 20 de Agosto

Vem aí mais uma edição do festival Sound and Image Challenge International, organizado pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM) e pela Creative Macau. Os jovens realizadores terão a oportunidade de submeter os seus filmes até ao dia 20 de Agosto, sendo que a sétima edição do evento conta com algumas novidades. Será feita uma pré-selecção de 50 películas que depois irão a concurso.

Apesar de se manterem as categorias de Ficção, Documentário e Animação, nas competições “Shorts” e “Volume”, cai a categoria de Publicidade. “Em 2015, começámos a definir as categorias cinematográficas, mas achamos que a publicidade não fazia muito sentido, por ser algo mais televisivo. Vai ganhar mais a ficção, o documentário e a animação”, explicou Lúcia Lemos, responsável pela Creative Macau e directora do Sound and Challenge International Festival.

Outra novidade prende-se com a criação da competição “Festival Poster”, em que o projecto vencedor será a imagem oficial da oitava edição do evento. Para Lúcia Lemos, o prémio poderia ser melhor, mas é apenas um começo para que os designers gráficos de Macau possam mostrar os seus trabalhos. Entre os dias 20 de Maio e 20 de Julho, os interessados poderão submeter as suas propostas, sendo que os finalistas terão direito a uma exposição na Creative Macau, que estará aberta o público entre os dias 23 de Novembro e 30 de Dezembro.

Chamar a experiência

Em sete anos, a direcção do festival recebeu cerca de cinco mil filmes a concurso, de países tão diversos como Espanha, Estados Unidos, França ou Brasil, entre outros. Só o ano passado, o Sound and Challenge International Festival recebeu 1650 produções, que resultaram em 41 filmes nomeados.

Este ano há outra novidade que, diz Lúcia Lemos, pode representar uma maior chamada de atenção em relação ao evento: o convite de antigos vencedores para fazerem parte do júri.

“Creio que o grande júri pode atrair mais submissões. Vamos convidar os vencedores internacionais das outras edições para a competição de ‘Short Films’, e isso vai contribuir para melhorar. São pessoas da área e têm a experiência pessoal como vencedores, do nosso e de outros festivais. Vai qualificar mais ainda e dar mais autoridade [ao festival]”, sublinhou Lúcia Lemos.

Além da visualização de filmes, o Sound and Image Challenge International Festival vai integrar masterclasses e palestras sobre os filmes visionados, marcadas já para o período entre 5 e 8 de Dezembro. Logo a seguir, nos dias 9 e 10, serão transmitidos os filmes finalistas, incluindo filmes extra, cuja selecção ficou a cargo de alguns curadores convidados. A Cinemateca Paixão, que é inaugurada oficialmente este mês, poderá ser outro local para a transmissão dos filmes, mas há ainda detalhes por confirmar. Os prémios variam entre as quatro e as 20 mil patacas.

17 Mar 2017

Creative Macau com exposições em dose dupla

Uma escultura feita pelo público e concebida por Geralde Estadieu e uma mostra da cerâmica de Kristina Mar são as exposições que a Creative Macau propõe a partir de hoje. O caractere de pessoa – 人 - vai ser produzido com peças impressão em 3D e a ceramista vai mostrar a imperfeição.

Geralde Estadieu é o autor da exposição interactiva que estará aberta à apreciação e participação do público a partir de hoje na Creative Macau. A ideia é a construção do caractere 人(ren), que significa pessoa, com peças impressas em 3D. “Uma ideia que junta o criador e o público num projecto comum”, explicou o autor ao HM.

“A ideia de produzir este caractere numa escultura de grande dimensão e totalmente feita com peças impressas ‘in loco’ partiu de uma iniciativa de Maio do ano passado também aqui em Macau. Foi a primeira vez que o público foi convidado a ver o processo de produção e a Creative acabou por me convidar a fazer um projecto”, referiu Geralde Estadieu.

Chegar à ideia de pessoa não foi complicado. O autor queria, acima de tudo, “uma coisa simples e directamente relacionada com a cultura chinesa”. Por outro lado, é um caractere que, pela sua forma, pode facilmente ser associado ao Homem e entendido pela maioria das pessoas de Macau. “Pode ser reconhecido por chineses e por outras comunidades que também vivem cá. A própria forma remete para o ser humano, o que ajuda muito e faz com que as pessoas se identifiquem.”

O objectivo era ainda aliar a criatividade que está implicada num processo de produção artística à tecnologia, e o 人 expressa isso mesmo: “a relação entre humanos e produção de ponta”.

Paralelamente à unicidade de cada ser humano, cada peça será única na forma e no tamanho. “Outra característica para conferir o caractér único de cada um é a possibilidade que o público vai ter de, se quiser, personalizar as peças com que vai construir o caractere. Estamos a gerar um padrão em que cada peça é única, assim como cada humano o é. Como tal, cada pessoa que participar, pode decorar a peça como bem entender”, explicou o artista e criador ao HM.

A apresentação começa com peças previamente impressas, mas a ideia é manter o produção enquanto a escultura ganha forma. A instalação estará em construção até o próximo dia 30, sendo que o autor prevê que a forma final seja concluída no Natal.

O regresso da imperfeição

A exposição de Kristina Mar vai decorrer em simultâneo na Creative Macau. Para a directora da organização, Lúcia Lemos, faz sentido ter estes trabalhos ao mesmo tempo. “Ambas são construções e ambas têm um cariz artesanal” disse ao HM.

“Tanto na escultura em 3D como nas peças da Kristina Mar, os trabalhos partem do nada e é possível perceber, de formas diferentes, a sua construção”, sendo que, apesar de as peças de cerâmica não serem produzidas ao vivo, o seu carácter artesanal está presente”, concretizou a directora.

Kristina Mar é ainda destacada por Lúcia Lemos pela sua insistência na mostra da imperfeição. “O trabalho dela deixa visíveis as falhas, as quebras, as imperfeições, para que a própria peça possa respirar porque a artista quer que a cerâmica fale por si.”

 

15 Dez 2016

Sound & Image Challenge | Festival de curtas-metragens arranca hoje

 

O festival Sound & Image Challenge começa hoje e vai até ao dia 11. Este ano foram nomeados 33 filmes para competição e oito videoclips musicais

 

“As expectativas são boas, naturalmente.” As palavras são de Lúcia Lemos, directora do festival e coordenadora do Centro para as Indústrias Criativas (CIC). A cerimónia de inauguração será hoje, pelas 19 horas, no histórico Teatro Dom Pedro V, com o concerto do grupo New Music Hong Kong Ensemble, que interpretará a peça “Aeolian Scriptures”.

Além do concerto, as festividades contarão com o discurso do presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, entidade que, em parceria com o CIC coordena o festival, e serão apresentados os trailers dos filmes em competição. O certame decorre no Teatro Dom Pedro V de 6 a 9 de Dezembro, e na Cinemateca Paixão nos dias 10 e 11.

Amanhã, o calendário arranca em grande com a mostra do filme de Leonor Teles “Balada de um batráquio”, que venceu o Urso de Ouro de 2016 para a melhor curta-metragem do Festival de Cinema de Berlim. Em seguida, o ecrã será tomado por filmes das Filipinas, Tailândia, Singapura e China. O festival, que começou como um concurso, actualmente perfila-se como uma mostra internacional com “ambição de crescimento ao nível mundial, apesar de ser um evento organizado com poucos fundos”, confessa Lúcia Lemos.

A coordenadora acrescenta que nunca teve a intenção de tornar o festival em algo comercial, que desse avultados prémios aos vencedores, mas que proporcionasse o encontro entre diversas formas de abordar a curta-metragem. Outro dos objectivos é dar aos realizadores a possibilidade de trocarem experiências e contactarem com produtores e distribuidores.

Este ano estarão em concurso 33 filmes na competição Shorts, em contraste com os 25 do ano passado. Na secção Volume entram no concurso oito videoclips de música. Os vencedores serão anunciados no dia 9, pelas 19 horas, assim como as menções honrosas.

Inspirar a comunidade

Lúcia Lemos realça o “orgulho de ver a qualidade dos trabalhos a melhorar”, facto que considera não ser alheio ao facto de os realizadores locais participarem na análise e selecção dos filmes a concurso. “Eles percebem de cinema e têm a responsabilidade de participar na elaboração da shortlist de filmes seleccionados”, explica. É um processo que revela confiança nos criadores locais.

Outro dos objectivos do festival é dar inspiração à comunidade artística de Macau, que continua a fazer trabalhos muito ligados à cidade. Lúcia tem testemunhado o aumento da qualidade cinematográfica, algo que a enche de orgulho. “À medida que o festival vai crescendo, a qualidade dos filmes que são realizados cá cresce em paralelo”, conta a coordenadora do festival. Um crescimento simbiótico que só pode valorizar a oferta cultural de Macau.

6 Dez 2016

Lúcia Lemos, Coordenadora do Centro de Indústrias Criativas – Creative Macau

Está à frente da Creative Macau já lá vão 13 anos. Uma ideia que nasce de um sonho misturado com necessidade de fazer de Macau um pólo onde a criatividade pudesse ser mostrada. De poucos artistas, o leque foi crescendo e Lúcia Lemos conta, satisfeita, o progresso a que tem assistido, alertando que há ainda caminho pela frente

Esta aventura já dura há 13 anos. Como é que surgiu a motivação para a criação deste Centro?
Começámos em 2002, a pensar neste projecto. Naquela altura não se falava ainda muito em indústrias criativas. Havia pessoas que produziam artefactos e outros produtos, que eram aquilo que considerávamos áreas das industrias criativas. Verificámos que havia realmente uma necessidade de tentar criar uma plataforma onde estas actividades pudessem ter uma voz.

O que pretendiam fazer ouvir?
Esta voz seria não só ao nível de poder proporcionar encontros entre os profissionais e amantes da criação artística, como também de possibilitar a exposição, não só no aspecto físico com trabalhos, mas também com conversas e trocas de ideias. Achámos por bem que era urgente reconhecer e criar um projecto destes.

Como é que as coisas aconteceram em termos de apoios?
Foi estabelecido um elo com o Instituto de Estudos Europeus de Macau, que disponibilizou uma verba que, naturalmente, era um extra. O projecto foi levado ao Governo para aprovação. Na altura, a economia vivia um momento de baixa dadas as circunstâncias. A criação do Centro foi concretizar uma abordagem mais positiva. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais era a entidade que tutelava estes casos e concedeu-nos o espaço. Com o pequenino orçamento que temos, conseguimos fazer muita coisa. Cingimo-nos ao que podemos gastar e vamos conseguindo levar a coisa a bom porto.

Foram uma espécie de pioneiros das indústrias criativas em Macau. Agora é assunto que está na moda…
Sim, mas mesmo assim levou muito tempo para que as pessoas se começassem a habituar. Já na altura havia arquitectos e designers e todo um leque de profissões associadas a esta indústria, mas estava tudo muito disperso. Hoje ainda estão, mas já se fala mais e, como em qualquer projecto, é necessário muito tempo para dar algo como estabelecido.

Têm aparecido mais entidades dedicadas a esta área…
Sim, entretanto surgiram outras instituições e organizações nesta área que também vieram criar plataformas importantes. Como exemplo temos o Centro de Design, a Fundação Rui Cunha ou o Armazém do Boi. A própria Fundação Oriente começou também a dinamizar o seu espaço. Tudo isto veio contribuir para um alargamento desta área. Há uma maior partilha e discussão de ideias. Há uma abertura para que os criativos se mostrem e apresentem os seus trabalho.

O que é que os criativos locais têm que fazer para usufruir do vosso apoio?
No nosso caso, as pessoas, para que possamos fazer algo por elas, têm que se registar como membros para que nós possamos saber o que fazem. Esta acção tem como objectivo possibilitar que as possamos distribuir nas diversas áreas que temos e naquelas em que melhor se enquadram. Mas a inscrição é um processo muito simples e é todo ele gratuito.

Só não está quem não quer, é isso?

Exactamente. Não exigimos qualquer currículo académico. Exigimos é trabalho. É o que nós queremos. O que acontece é que muitas vezes as pessoas têm outras ocupações e por isso acabam por não produzir muito. Encaram isto como um hobby. Temos uma lista de membros mas não obrigamos a que as pessoas tenham uma actividade que seja de lucro, quer para nós, quer para eles. É essencialmente para que possam aparecer.

Depois, na prática, como funciona?
Temos uma lista de nomes que fazem isto e aquilo em determinados chamamentos. As pessoas são muitas vezes chamadas a participar num evento ou num projecto profissional e, a nós, há quem peça contactos ou informações acerca de quem faz determinadas coisas. Damos os contactos e as informações que temos e com isso podemos ajudar as partes envolvidas. Acabamos por fornecer uma rede de contactos. Não é um sistema economicista e, por outro lado, também não temos essa obrigação. Não nos responsabilizamos depois pela continuidade de projectos, mas ajudamos na parte que nos toca. Temos um vínculo associativo em que ninguém tem obrigações. Há liberdade.

E para que sejam mostradas?
No que respeita à possibilidade de exposição no espaço [do Centro] temos algumas regras também. A pessoa tem que se disponibilizar em participar em exposições colectivas. Todos os membros são convidados a participar nestas exposições. Mandamos convite a todos. Vamos depois acompanhando a evolução dos trabalhos e dos artistas que nos vão chegando e organizamos os calendários anuais onde eventualmente estão inseridas também as mostras individuais. Se vemos que há gente com pouca produção mas que ainda assim já apresenta um volume de trabalho considerável, convidamos duas pessoas para cada uma das salas. São igualmente exposições individuais. No colectivo, às vezes damos oportunidade àqueles que já expuseram há algum tempo para que voltem a mostrar o que andam a fazer. É muito bom ver a evolução das pessoas ao fim de alguns anos.

Tem assistido efectivamente a essa evolução?
Sim tenho.

Uma das dificuldades que têm sentido é relativa à escassez de profissionais. Ainda tem esse problema ou há mais gente a aparecer?
Acho que cada vez aparecem mais pessoas. As indústrias criativas agora estão na boca do mundo porque apareceram fundos. As pessoas berravam porque não tinham como criar um produto. Para o fazer, há um processo muito grande e que conta com uma despesa para a criação do produto. Tem que haver investidores e não existem assim tantos. lucia lemos

Os fundos foram essenciais, é isso?

Havendo fundos faz com que, por exemplo no Design, se criem projectos. Os projectos têm que garantir viabilidade económica para poderem aceder a esse fundo. São necessários para que as pessoas avancem com uma ideia que possa, eventualmente, vir a ser rentável. Muitas vezes isso acontece com a própria associação entre pessoas. Por outro lado também já há mais formação que pode ser aplicada em diferentes áreas de negócio ou mesmo na criação da sua própria empresa.

Começamos a ter uma indústria em Macau?
Como não há uma indústria em Macau, não conseguem produzir aqui. Não há fábricas. Não há meios de produção. Antigamente havia os industriais que podiam, por exemplo, ter um andar da sua fábrica dedicado à produção de produtos vindos de criadores. Mas, por outro lado, agora começa a aparecer aqui e acolá quem queira fazer isso. Acho que há pessoas interessadas. Aqui, têm que juntar a criação ao empreendedorismo. As pessoas estão realmente a aparecer cada vez mais a criar o seu próprio negócio ou a fazer parcerias.

E há os elementos técnicos necessários?
Isso acho que não. Quando queremos fazer um filme quantos operadores existem? Isto leva-nos a outro problema, que é realmente a falta também de mão-de-obra técnica associada às indústrias criativas. Porque associado ao trabalho do criador há sempre uma equipa técnica. Em Macau como é que isso se faz? Muito dificilmente. Por exemplo, aqui um realizador pode ter que esperar por disponibilidade de técnicos para fazer um filme.

Há mercado em Macau, é isso que está a dizer?
É capaz de não haver ainda um mercado. Vejamos, não há produtos de qualidade capazes de atrair as pessoas. É preciso também criar produtos que atraiam os visitantes que compram porque gostam. Aqui, o que existe à disposição dos turistas como recordação é sempre horrível. As pessoas querem levar um porta-chaves ou um íman de frigorífico e não têm coisas bonitas ou de qualidade. Imaginação não há, de certeza absoluta. Porque é que se insiste no mesmo design que já está velho? Acho que também é necessário criar um produto de Macau que as pessoas gostem e que seja contemporâneo. O que vemos nas lojas não é a nossa cultura. Não é chinesa nem portuguesa, nem é nada. É uma cultura de ninguém. Aquilo é uma imagem errada de Macau e não tem nada a ver com Macau.

O que se poderia fazer?
Quem de direito poderia investir numa fábrica de cérebros criativos, por exemplo.

Quais as áreas que mais precisam de um empurrão?
Tanta coisa. Um exemplo pode ser os caixotes do lixo que são horríveis. É preciso em todo o lado. É preciso criar algo que diferencie a cidade publicamente.

Já afirmou há uns anos que a qualidade do design em Macau era muito boa. Comparando com Hong Kong, muito melhor até. O que acha neste momento?

Lembro-me que quando abrimos isto era um furor. Éramos falados em Hong Kong e essas coisas. Vinha gente de todo o lado. O design de Hong Kong na altura era uma coisa sem identidade ou de uma identidade comum. O que também é importante porque é um design para todos. Mas aqui era diferente. Era uma coisa com assinatura. Era um design de autor muito interessante, bonito, elegante e diferente.

Como é agora?
Acho que agora está também no caminho do anonimato. Está mais ao serviço do cliente sem rosto, que simboliza o potencial cliente. É mais desprendido. É criar um design para ser vendido sem conhecer as pessoas. É menos emotivo e envolve menos o criador no que respeita ao sentido de pertença.

O Centro está de boa saúde e recomenda-se?
Sim (risos). Continuamos a ter sempre novos membros, a casa está aberta a todos. Continuamos a promover sempre o máximo que conseguimos e estamos sempre aqui, abertos a novas ideias.

25 Jul 2016