Apple | Lançado iPhone Air na China após aprovação do sistema eSIM

A Apple anunciou o lançamento do novo iPhone Air na China continental a 22 de Outubro, coincidindo com a entrada em vigor dos serviços eSIM das principais operadoras do país, avançou hoje a imprensa local. Com um preço inicial de 7.999 yuan, o iPhone Air será o primeiro modelo da marca na China que funciona exclusivamente com eSIM, uma tecnologia que substitui os cartões físicos por módulos digitais integrados no aparelho.

O lançamento surge após China Mobile, China Unicom e China Telecom – os três principais operadores de telecomunicações chineses – terem recebido autorização do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação para iniciar o registo nacional de utilizadores com eSIM. O anúncio foi feito durante uma transmissão ao vivo na plataforma Douyin – a versão chinesa do TikTok – marcando a primeira aparição pública de Cook desde a inauguração da loja da Apple na plataforma Douyin Mall, em Agosto.

Apresentado em Setembro, juntamente com a série iPhone 17, o iPhone Air é o modelo mais fino já lançado pela Apple, com ecrã de 6,5 polegadas, estrutura em titânio polido e uma câmara traseira única de 48 megapíxeis. O ‘design’ ultrafino e a ausência de ranhura para cartão SIM físico levaram ao adiamento do lançamento do dispositivo na China, enquanto a Apple aguardava a autorização oficial para operar com eSIM, aprovada este mês.

O novo modelo inclui ainda uma câmara frontal de 18 megapíxeis com sensor quadrado, capaz de alternar automaticamente entre orientações vertical e horizontal, e funcionalidades de vídeo duplo que permitem gravar com as câmaras frontal e traseira em simultâneo.

A China, terceiro maior mercado mundial da Apple, é também um pilar fundamental na cadeia global de fornecimento da empresa. O lançamento do iPhone Air coincide com um novo impulso no sector na China e ocorre num contexto de tensões comerciais crescentes entre Pequim e Washington.

Exportações de carros eléctricos duplicam em Setembro

As exportações chinesas de veículos eléctricos duplicaram em Setembro, em termos homólogos, à medida que os fabricantes do país alargam a sua presença nos mercados internacionais, anunciou ontem a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM).

Segundo a organização sectorial, as exportações de veículos de “nova energia” – que incluem automóveis eléctricos a bateria e híbridos – aumentaram 100 por cento, para 222.000 unidades, ligeiramente abaixo das 224.000 registadas em Agosto. As vendas domésticas de automóveis de passageiros subiram em setembro 11,2 por cento em termos homólogos, abrandando face à subida de 15 por cento verificada no mês anterior.

A pressão sobre as margens de lucro devido à sobrecapacidade industrial e às guerras de preços tem levado os fabricantes chineses a apostar cada vez mais nos mercados externos, como a Europa e o sudeste asiático. Em 2024, pela primeira vez desde 2014, investiram mais no estrangeiro do que no mercado interno, segundo o grupo de consultadoria norte-americano Rhodium.

A BYD, o maior produtor de veículos eléctricos da China, revelou este mês que o Reino Unido se tornou o seu maior mercado fora da China, com um crescimento de 880 por cento nas vendas em setembro, face ao mesmo mês do ano anterior. Face às tarifas impostas pela União Europeia, Estados Unidos e Canadá sobre veículos eléctricos chineses, os fabricantes têm vindo a direccionar investimentos para o Médio Oriente e África.

Pé no travão

Na China, os construtores têm tentado travar as guerras de preços que eclodiram devido à intensa concorrência. As vendas internas da BYD caíram 5,5 por cento em Setembro, face a igual período de 2024, o primeiro recuo mensal desde Fevereiro do ano passado, embora alguns concorrentes continuem a registar aumentos expressivos.

Setembro é tradicionalmente um mês de pico para o sector automóvel chinês, apelidado de “Setembro Dourado”, marcado pelo lançamento de novos modelos e campanhas de vendas. Incentivos como subsídios à substituição de veículos antigos por automóveis de nova energia têm impulsionado a procura, apesar de algumas autoridades locais terem suspendido esses apoios nos últimos meses.

Tarifas | Pequim ameaça “lutar até ao fim” se EUA mantiverem taxas

A guerra das tarifas ameaça prolongar-se após o anúncio chinês de restrições às terras raras e a resposta norte-americana com ameaças de impor novas taxas de 100 por cento

A China advertiu ontem os Estados Unidos de que está disposta a “lutar até ao fim” se Washington insistir na imposição de novas tarifas e restrições comerciais, embora tenha reiterado a abertura ao diálogo. “Se quiserem lutar, lutaremos até ao fim; se quiserem falar, a porta está aberta”, declarou o Ministério do Comércio chinês, em comunicado, em resposta ao anúncio da Casa Branca de aplicação de tarifas adicionais de 100 por cento sobre produtos chineses e outras medidas restritivas.

Pequim defendeu que as recentes limitações impostas à exportação de terras raras e produtos associados são “acções legítimas” ao abrigo da legislação nacional e sublinhou que não se tratam de uma proibição total, já que os pedidos que cumpram os requisitos “continuarão a ser aprovados como antes”.

Segundo o ministério, a China notificou previamente os Estados Unidos sobre essas medidas através do mecanismo bilateral de diálogo sobre controlo de exportações. As autoridades chinesas acusam Washington de “abusar do conceito de segurança nacional” e de ter introduzido “uma série de restrições discriminatórias” desde a última ronda de negociações comerciais, realizada em Setembro, em Madrid.

O porta-voz instou os Estados Unidos a “corrigirem os seus erros”, demonstrarem “sinceridade genuína” e a trabalharem “na mesma direcção” que a China para retomar o caminho do diálogo económico. Ainda assim, Pequim recordou que “ambos os países partilham amplos interesses comuns e um grande espaço de cooperação” e que o confronto “prejudica ambas as partes”.

Em contacto

O comunicado indica que os dois países mantêm contactos no âmbito do mecanismo de consultas económicas e comerciais e que realizaram inclusive uma “reunião técnica” na segunda-feira. No entanto, criticou o facto de os EUA tentarem dialogar “enquanto ameaçam com novas sanções”, considerando que “não é a forma adequada de lidar com a China”.

A troca de declarações surge num momento de renovadas tensões comerciais, depois de a China ter anunciado, na semana passada, novas restrições à exportação de terras raras e de Washington ter respondido com a ameaça de duplicar as tarifas sobre produtos chineses.

Na sexta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou já não ver motivos para se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, na cimeira da APEC prevista para o final do mês na Coreia do Sul, embora ambos os países garantam que o contacto diplomático “se mantém aberto”.

Filosofia e História: Interpretando a “Era Xi Jinping”


Por Jiang Shigong

Jiang Shigong (强世功, nascido em 1967) é professor da Universidade de Pequim e um dos quadros mais importantes do Partido Comunista Chinês (PCC) na área da filosofia, uma figura central no pensamento que defende um caminho de desenvolvimento distinto para a China, baseado nas suas próprias tradições e realidades, em contraponto com os modelos ocidentais. Uma leitura importante para compreender o modo como a filosofia clássica é integrada na via actualmente percorrida pela liderança chinesa e onde igualmente se referem as diferenças entre o “Ocidente metafísico” e a “China histórica”.

(continuação do número anterior)

Ainda mais importante é o facto de que a política geracional pode ser facilmente mal interpretada, pois pode dar a impressão de que a autoridade política de cada geração de liderança é transmitida ou herdada da geração anterior. Na verdade, no caso do PCC, a autoridade política de cada geração de liderança política vem da sua crença no marxismo e do poder que lhes é conferido pelo povo de toda a nação. É uma legitimidade fundamentada numa missão histórica e no apoio do povo. Se confundirmos a fonte da legitimidade, isso sem dúvida diminuirá os nossos ideais e convicções comunistas e a confiança política de que esses ideais e convicções representam os interesses do povo e do Estado. Isso enfraqueceria a autoridade política do Partido num nível básico.

Por esta razão, o relatório apresentado no 19.º Congresso do Partido já não utiliza o tempo natural da política geracional para construir a história do PCC, mas aborda a questão da perspetiva da missão histórica e abre um novo espaço político com base num período político especialmente determinado, dividindo a história do PCC em três fases: «levantar-se», «enriquecimento» e «fortalecimento», e, com base nisso, resume as grandes contribuições feitas pelo Partido ao liderar toda a nação e seu povo em cada etapa. Na verdade, esse estilo de narrar o tempo político é um estilo de narração histórica usado por muitos congressos do Partido em seus relatórios. Por exemplo, o relatório do Décimo Quinto Congresso do Partido (1997) utilizou três períodos históricos — a Revolução Republicana, a fundação da Nova China e o período da Reforma e Abertura — para posicionar a Teoria de Deng Xiaoping, esclarecendo assim que Deng Xiaoping, tal como Sun Yat-sen e Mao Zedong, foi um fundador da República.

Por esta razão, o relatório do 19.º Congresso do Partido não emprega diretamente o estilo narrativo histórico do relatório ao 18.º Congresso do Partido, optando por um estilo narrativo que combina clássicos e história, ou que usa a história para explicar os clássicos, usando três exemplos de «consciência profunda» para periodizar a história do PCC. A primeira fase dessa periodização foi de 1921, quando o PCC foi fundado, até 1949, quando a Nova China foi estabelecida e o PCC completou a missão de construção da nação da revolução democrática, «realizando o grande salto de milhares de anos de política autocrática feudal para a democracia popular».

O segundo período foi de 1949 e a fundação da Nova China até 1978 e a política de Reforma e Abertura, na qual um PCC unificado liderou o povo para realizar a transformação de «levantar-se» para «enriquecer», ou, em outras palavras, “estabelecer um sistema social avançado correspondente às condições do nosso país, completando a mudança social mais ampla e profunda da história do povo chinês, fornecendo as pré-condições políticas básicas e a base institucional para todos os desenvolvimentos e progressos na China contemporânea e realizando um grande salto em que o povo chinês, que havia estado continuamente atrasado na história moderna, mudou o seu destino e avançou firmemente em direção à prosperidade, riqueza e poder”.

A terceira fase foi de 1978 e a política de Reforma e Abertura, até a abertura do 19º Congresso do Partido, quando o nosso Partido “seguiu a maré dos tempos, respondeu aos desejos do povo e teve a coragem de reformar e abrir-se; e essa consciência criou uma força poderosa para avançar a causa do Partido e do povo. O nosso Partido embarcou no caminho do Socialismo com Características Chinesas. Assim, a China conseguiu avançar para acompanhar os tempos.» Isto concretizou a transformação histórica de «enriquecer» para «tornar-se poderoso».

Foi precisamente a necessidade interna dessa lógica política que impulsionou a história do PCC para este quarto período. O relatório ao 19.º Congresso do Partido proclama claramente que o socialismo com características chinesas entrou numa nova era, que se estenderá desde a data do 19.º Congresso do Partido até ao centenário da China, período durante o qual será realizada a modernização do socialismo e o grande renascimento da nação chinesa. Para realizar este grande objetivo estratégico, o relatório ao 19.º Congresso do Partido desenvolve sistematicamente o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e realiza um planeamento abrangente e sistemático sobre a missão geral da nova era, a sua estratégia de desenvolvimento, as principais contradições sociais, as fases gerais e estratégicas de desenvolvimento e os requisitos concretos de trabalho.

O planeamento contém conceitos filosóficos, bem como princípios políticos, objectivos da missão e etapas gerais, pontos estratégicos de ênfase e planos sistemáticos, objetivos de desenvolvimento a longo prazo e implementações de trabalho quinquenais. Tudo isto constitui uma estratégia global para a construção do Socialismo com Características Chinesas na nova era. É o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e o plano de governação nacional construído com base nessa ideologia que impulsionarão o socialismo com características chinesas para um novo período histórico, abrindo assim um novo espaço político.

A construção do tempo político: compreender correctamente o posicionamento de um líder na História

O relatório ao 19.º Congresso do Partido apresenta o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e discute sistematicamente a estratégia para governar o país e organizar a política na nova era. Com base nisso, a China entra no que os estudiosos entendem como a era Xi Jinping. O pensamento, a estratégia e a era constituem juntos uma trindade, mas o elemento central é o pensamento. Pode-se dizer que é o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era que dá origem à estratégia que leva à realização da modernização do socialismo e ao grande renascimento da nação chinesa, e é precisamente essa estratégia de governação, na sua implementação concreta na história, que impulsionou o socialismo com características chinesas para a nova era. Por esta razão, a era Xi Jinping não surge automaticamente como parte do tempo natural, mas é criada pela luta diligente de todo o Partido, de todo o país e de todo o povo, sob a liderança do centro do Partido, com o camarada Xi Jinping no seu núcleo.

Quando olhamos para trás, para o período relativamente longo antes do relatório ao 18.º Congresso do Partido, vemos que havia forças políticas, dentro e fora do Partido, que esperavam opor a era Deng Xiaoping à era Mao Zedong, que esperavam usar a linha de Reforma e Abertura criada por Deng Xiaoping para negar o sistema socialista estabelecido durante a era Mao Zedong, e que defendiam a realização de reformas subversivas do sistema político após as reformas económicas, chegando mesmo a proclamar que, se tais «reformas do sistema político» não fossem realizadas, as reformas económicas poderiam muito bem ser revertidas e os resultados das reformas económicas não poderiam ser garantidos. Os objectivos das suas chamadas «reformas do sistema político», escusado será dizer, eram enfraquecer gradualmente e, eventualmente, eliminar a liderança do Partido com base na separação entre o Partido e o governo e instaurar um sistema democrático ocidental.

Diante desse contexto, e diante do desenvolvimento desigual e das crescentes disparidades de riqueza que surgiram no processo de Reforma e Abertura, e especialmente da aparência de que as forças capitalistas estavam monopolizando arbitrariamente a riqueza do povo, as pessoas comuns começaram a sentir nostalgia da era Mao Zedong, o que levou algumas pessoas a reverter a situação e tentar usar a era Mao Zedong para negar a era Deng Xiaoping e a política de reforma e abertura. Nas palavras do relatório ao 19.º Congresso do Partido, a China enfrentava na altura uma dupla crise: uma era repetir os erros de seguir o «caminho heterodoxo de mudar bandeiras» 改旗易帜的邪路 que levou ao colapso da União Soviética, e a outra era regressar ao «velho caminho da estagnação feudal» 封闭僵化的老路 do período anterior à Reforma e Abertura.

Num momento de crise histórica, Xi Jinping assumiu o cargo de Secretário-Geral do PCC e adoptou uma série de medidas eficazes, especialmente as de governar o Partido com severidade e reprimir totalmente a corrupção, o que pode ser considerado como tendo virado a maré. Na avaliação de muitos, essa reacção num momento de crise salvou o Partido e o Estado e salvou o Socialismo com Características Chinesas. A avaliação destes cinco anos no relatório ao 19.º Congresso do Partido é que foram «cinco anos extraordinários» 不平凡的五年, cinco anos que contiveram «uma mudança histórica»: «Resolvemos muitos problemas difíceis que estavam há muito na agenda, mas nunca foram resolvidos, e realizámos muitas coisas que eram desejadas, mas nunca foram feitas. Com isso, provocámos mudanças históricas na causa do Partido e do país.» Foi a natureza histórica das conquistas desses cinco anos que estabeleceu as bases para a posição de autoridade de liderança que Xi Jinping alcançou como líder central.

Em termos da teoria weberiana, a posição do Secretário-Geral Xi Jinping como núcleo do centro do Partido, núcleo de todo o Partido, a sua posição de autoridade como líder, surge não apenas da «autoridade legal» obtida em virtude das suas posições legalmente definidas como Secretário do Partido, Presidente Nacional, Presidente do Comité Militar Central e nem mesmo da «autoridade tradicional» nascida da tradição histórica do Partido. Mais importante é o facto de Xi Jinping, num momento particular da história, ter assumido corajosamente a responsabilidade política da missão histórica e, diante de uma era de transformação histórica de todo o mundo, ter demonstrado a capacidade de construir a grande teoria que facilita o caminho de desenvolvimento da China, bem como a capacidade de controlar eventos domésticos e internacionais complicados, consolidando assim os corações e mentes de todo o Partido e do povo de todo o país, tornando-se assim o líder central elogiado por todo o Partido, todo o exército e todo o país, possuindo um «poder carismático» especial.

Após o 18.º Congresso do Partido, Xi Jinping observou claramente que os trinta anos antes da Reforma e Abertura e os trinta anos após a Reforma e Abertura não podiam ser vistos como mutuamente contraditórios. Além disso, tanto as crenças políticas do Partido como o princípio político de que «o Partido lidera tudo» ditam que os dois períodos de trinta anos estejam ligados, como foi feito no relatório do Partido ao 19.º Congresso do Partido, que apresenta a história do Partido e a história da RPC como uma história integrada e contínua de desenvolvimento. No processo deste desenvolvimento histórico, a liderança desempenhou, sem dúvida, um papel importante no avanço da história.

No período inicial da Reforma e Abertura, algumas pessoas queriam repudiar completamente Mao Zedong, mas Deng Xiaoping opôs-se resolutamente a essas propostas, apontando claramente que «se não fosse o camarada Mao Zedong, no mínimo, o povo chinês teria tacteado no escuro por um período muito mais longo». E foi sob a orientação de Deng Xiaoping que o centro do Partido chegou a uma avaliação objectiva das contribuições e falhas de Mao Zedong. Da mesma forma, na ausência da Reforma e Abertura e da reconstrução moderna impulsionada por Deng Xiaoping, a China não poderia ter crescido tão rapidamente, realizando o salto histórico de «levantar-se» para «enriquecer».

Por esta razão, a era Xi Jinping não ocorreu naturalmente, mas foi criada por líderes que lideraram o povo. Os líderes dependem dos partidos políticos e os partidos políticos estão enraizados no povo; os líderes, os partidos políticos e as massas interagem de forma saudável. Este é um aspecto importante da organização marxista-leninista e o resultado da experiência da história chinesa. Mas, no passado recente, a construção do Estado de direito na China caiu gradualmente na zona errada dos conceitos ocidentais no processo de estudo do Estado de direito ocidental e, conscientemente ou não, as noções de «Estado de direito» 法治 e «governo do homem» 人治 passaram a ser vistas como antagónicas. Fetichizámos excessivamente o dogma jurídico e as reformas institucionais e passámos a entender o Estado de direito de forma simplista como uma máquina na qual as regras funcionavam automaticamente, ignorando o facto de que, se quisermos usar «boas leis» para realizar uma «boa governação», precisamos de uma boa cultura social e valores morais para apoiar sistematicamente o funcionamento eficaz das regulamentações e instituições jurídicas.

O Estado de direito e o Estado de direito humano não são completamente opostos, mas complementares. Uma sociedade governada pelo Estado de direito não pode ignorar a necessidade de proporcionar às pessoas ideais, crenças e educação moral. Não pode ignorar o papel positivo desempenhado pelos valores morais e por um clima social saudável na governação, nem pode ignorar a função histórica fundamental dos líderes e grandes personalidades, dos partidos políticos e das massas.

Nos anais da história da humanidade, o que sempre desempenhou um papel determinante no desenrolar da história foram as pessoas, porque a própria história da humanidade foi criada pelas pessoas, e boas instituições requerem pessoas para as administrar. Uma razão importante pela qual os pensadores ocidentais estão continuamente a examinar as falhas do sistema democrático ocidental é que essas instituições democráticas estão a corromper a natureza humana. Isto é especialmente verdadeiro em eleições competitivas controladas pelo dinheiro e pelos meios de comunicação social, que reduziram a «democracia» a meras «eleições». Este tipo de sistema terá dificuldade em produzir políticos que possam representar genuinamente o povo. Em vez disso, produzirá facilmente lobistas glorificados à disposição de vários grupos de interesse.

Foi com base nas conclusões sobre a história e a experiência da humanidade que, desde o 18.º Congresso do Partido, o centro do Partido realizou correcções aos planos em curso desde a política de reforma e abertura no que diz respeito à construção do Estado de direito. Essa correcção uniu a liderança do Partido com todo o processo de construção de um Estado de direito socialista, não apenas apontando que “governar o país através da moralidade” e “governar o país através da lei” são princípios de governação que se apoiam mutuamente, mas também trazendo as regras e a disciplina do Partido, que estão sob o controle da constituição do Partido, para o sistema de governação do socialismo com características chinesas, estabelecendo firmemente as bases legais para o Partido liderar o povo no governo do país.

(continua)

Influencers | “CreatorWeek Macao 2025” arranca na próxima semana

Chama-se “CreatorWeek Macao 2025” e será uma semana dedicada a explorar o universo dos influencers digitais e da sua ligação ao território. Sob o tema “Macau – cidade jovem, internacional e inovadora”, há todo um programa de actividades a acontecer entre os dias 24 e 28 de Outubro com 250 grupos de pessoas ligadas à criação de conteúdos digitais

 

É já na próxima semana que Macau acolhe, pela primeira vez, um evento inteiramente dedicado aos influencers digitais, que recorrem às redes sociais para criar conteúdo, muitas vezes patrocinado. A “CreatorWeek Macao 2025” acontece de 24 a 28 de Outubro e é promovida pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e a empresa Branded.

Segundo um comunicado da DST, pretende-se, durante os cinco dias, reunir no território “criadores de conteúdos internacionais e da Grande China”, bem como “líderes das redes sociais e celebridades”. Com este evento pretende-se “elevar a imagem de Macau como uma cidade turística célebre na Internet”, a fim de “reforçar a expansão do mercado de visitantes de camadas mais jovens e impulsionar o desenvolvimento da economia de turismo”.

Helena de Senna Fernandes, directora da DST, disse que com a “CreatorWeek Macao 2025” se pode “mostrar, a nível internacional, a diversidade e singularidade da atracção de Macau”.

Pretende-se que esta semana dos influencers sirva de “plataforma para criadores internacionais conhecerem o mercado da China e impulsionar o diálogo entre os dois lados”, reunindo-se cerca de 250 grupos convidados internacionais e da Grande China, incluindo 180 equipas de criação de conteúdos, 50 oradores e 20 unidades de actuação. A organização considera esta iniciativa “um dos maiores eventos actuais na Ásia para criativos de conteúdos”.

No total, haverá seis actividades temáticas que visam “impulsionar o intercâmbio aprofundado entre as indústrias criativas chinesas e ocidentais, reforçar o papel de Macau como uma plataforma de abertura ao exterior de alta qualidade e criar experiências imersivas por toda a cidade”.

Música e diversão

Nos dias 27 e 28 de Outubro, decorrem as conferências no Grand Lisboa Palace, entre as 9h e as 18h, com “criadores locais de conteúdo e 50 líderes internacionais das redes sociais”, como é o caso de responsáveis do YouTube para a Grande China, entre outros.

Estes dois dias de conferências centram-se “na fusão das culturas chinesa e ocidental e tendências das plataformas de comunicação, panorama e futuro da economia criativa”. Espera-se ainda, nesta semana dos influencers, actuações ao vivo com 20 bandas e músicos locais e internacionais.

A parte musical acontece entre os dias 25 e 26 de Outubro, das 16h às 22h, no Broadway Food Street, no Galaxy Macau. Contam-se artistas como Lola Amour, Oliver Cronin, Mikey Bustos AKA Antscanada e os SCAMPER.

O evento promove ainda encontros de seguidores de plataformas com 40 criadores de conteúdo, nomeadamente o artista de dança freestyle Merrick Hanna, o especialista em vídeos curtos Austin Sprinz ou o actor da Netflix Ian Boggs, que irão interagir de perto, tirar fotografias e partilhar histórias de bastidores com os fãs.

Nesta semana, há ainda espaço para actividades de bem-estar e workshops de saúde com criadores de conteúdo, realizando-se quatro sessões de yoga, dança, fitness e meditação. A primeira edição da “Creator Week” foi realizada em Singapura no ano passado.

Prostituição | Acção de cooperação policial detém 18 pessoas

Uma acção policial conjunta entre Macau, Hong Kong e Guangdong levou ao desmantelamento de um grupo de controlo de prostitutas, tendo sido detidas 18 pessoas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, oito das pessoas detidas são residentes de Macau. Foram interceptados, nesta operação conjunta, 58 prostitutas e 44 clientes.

O caso remonta a Maio, quando a Polícia Judiciária (PJ) iniciou a investigação, percebendo que havia várias prostitutas a procurar clientes através do mesmo website com alegadas ligações a um grupo criminoso com membros da província de Guangdong, Macau e Hong Kong.

Esta segunda-feira, teve início a operação policial conjunta, com detenções de suspeitos em várias cidades da China e nas duas regiões administrativas especiais. A PJ acredita que este grupo terá iniciado o negócio das prostitutas através do website em Janeiro deste ano, tendo sido feita publicidade a mais de 2500 prostitutas, que trouxeram um lucro de 750 mil renminbis. A PJ descreveu ainda que cada prostituta tinha de pagar ao grupo 300 renminbis para ter publicidade e, assim, atrair clientes.

JP Morgan | Semana Dourada com resultados abaixo do esperado

A passagem de dois tufões, a proximidade do Festival do Bolo Lunar e o Grande Prémio de Fórmula 1 em Singapura são indicados como os factores que afectaram negativamente a indústria do jogo

 

As receitas do jogo ficaram aquém do esperado durante a Semana Dourada e até Novembro a situação não deve melhorar. O cenário foi traçado pelo banco de investimento JP Morgan, no relatório mais recente assinado pelos analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian. De acordo com o conteúdo, divulgado pela Macau News Agency, as receitas no início de Outubro não “foram assim tão douradas”, com uma redução de cinco por cento em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo os analistas, para a diminuição das receitas contribuíram os impactos do tufão Ragasa, que obrigou ao encerramento dos casinos durante algumas horas, e também do tufão Matmo, que apesar de não ter encerrado os locais de jogo levou a que os transportes fossem seriamente afectados. E também o facto de o Festival Lunar ter sido celebrado perto da Semana Dourada. Enquanto data de encontros familiares, o festival poderá ter contribuído para que os jogadores ficassem menos tempo nas mesas dos casinos.

No entanto, Macau também terá sofrido com a competição regional e a organização do Grande Prémio de Fórmula 1 em Singapura. Os analistas acreditam que o evento ocorrido entre 3 e 5 de Outubro contribuiu para afastar do território alguns dos maiores apostadores.

Face a estes fenómenos, a JP Morgan fez uma revisão das estimativas das receitas do jogo em baixo, apontando para um crescimento anual em Outubro de 3 a 6 por cento. A estimativa anterior apostava para um crescimento de 11 a 13 por cento, no que se esperava que fosse a melhor Semana Dourada desde os tempos da pandemia.

Sinal positivo

Apesar de reduzirem as estimativas, os analistas deixaram um sinal de confiança aos analistas no mercado do jogo de Macau: “Não estamos a atirar a toalha ao chão. Vemos estes factores como lombas no caminho e não como bloqueios, pelo que apesar de reduzirmos as nossas estimativas acreditamos no valor do mercado”, foi apontado.

Face a este contexto, os analistas acreditam que a valorização das acções dos casinos deverá apresentar fortes variações nas próximas semanas, até a indústria voltar a apresentar um crescimento de pelo menos 10 por cento. A JP Morgan acredita que esse crescimento deve acontecer a partir de Dezembro e durante o primeiro trimestre do próximo ano. Em Setembro, o sector do jogo arrecadou 18,3 mil milhões de patacas, mais 6 por cento face a Setembro do ano passado.

Em termos de receita bruta acumulada, os primeiros nove meses de 2025 registaram um aumento de 7,1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo 181,3 mil milhões de patacas. Macau fechou 2024 com receitas totais de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que no ano anterior.

Zona A | Admitidas 24 propostas para melhoria de diques

O Governo admitiu a totalidade das propostas, 24, submetidas ao concurso público para a “Empreitada de Melhoramento de Diques na Nova Zona A – Fase II”. A abertura das propostas decorreu no passado dia 9, embora só ontem foi divulgada. Os preços propostos de construção variaram entre mais de 91 milhões e mais de 113 milhões de patacas, com os prazos gerais de construção a variar entre os 285 e 286 dias de trabalho.

A obra em causa visa elevar a altura dos diques da Zona A dos Novos Aterros “conforme o padrão de prevenção de inundações com um período de retorno de 200 anos”. Esta alteração deve-se “ao desenvolvimento urbano de Macau e o surgimento de fenómenos meteorológicos extremos”, tornando-se necessárias estas alterações de acordo com as exigências previstas no “Plano decenal de prevenção e redução de desastres em Macau (2019-2028)”.

A primeira fase da obra, referente ao melhoramento do dique leste-1, e com cerca de 1100 metros de comprimento, já foi concluída em 2024. A segunda fase da obra, que inclui os diques leste-2, sul-1 e sul-2, com o comprimento global de cerca de 1550 metros, deverá ter o prazo de execução aproximado de 300 dias de trabalho.

Coimbra | Vice-reitor aponta China como factor de “certeza”

João Nuno Calvão da Silva afirma que a China é uma força da paz no mundo e que contribui como um factor “de certeza” na ordem internacional, numa altura em que existem “tantos factores de incerteza”, alguns dos quais provenientes do mundo ocidental

 

O vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Nuno Calvão da Silva, considerou que a República Popular da China tem conferido “uma componente de certeza” no mundo actual, em contraste com os factores de incerteza que tem surgido “no mundo ocidental”. As declarações do vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da UC foram prestadas à margem da cerimónia de abertura de uma conferência conjunta entre a Universidade de Macau (UM) e a UC.

Quando questionado sobre a crescente utilização do direito em áreas como o patriotismo, a segurança nacional e a convivência com o Estado de Direito, dadas a recente detenção de um ex-deputado e as exclusões cada vez mais frequentes de eleições, João Nuno Calvão da Silva destacou o papel assumido pela China no mundo actual.

“Na ordem internacional em que vivemos temos tantos factores de incerteza, mesmo de onde nós menos esperávamos, no mundo ocidental, por exemplo, que apraz-me registar essa componente de certeza que a República Popular da China vem conferido ao mundo”, afirmou o dirigente da UC, de acordo com o Canal Macau. “Também devemos salientar o cumprimento que tem feito com que seja possível à comunidade portuguesa continuar aqui, aos jornalistas fazerem as perguntas que entendem ao vice-reitor da Universidade de Coimbra, neste momento, e isso também tem a ver com o cumprimento desta matriz de um direito que foi esculpido por grandes juristas portugueses sobretudo da Universidade de Coimbra”, acrescentou.

Além 2049

De acordo com a Lusa, o académico “recusou-se a comentar questões políticas específicas”, mas destacou um grau de compreensão promovido pela China. “Como em tudo no mundo, a perfeição não existe. Mas é este grau de compreensão e este factor de certeza que a mim apraz registar e que continua a ser muito importante e para a aproximação das relações”, apontou. “Não apenas entre Portugal e a China, mas de todo o mundo de língua portuguesa e da República Popular da China, como factor inestimável de conteúdo para a paz na humanidade”, sublinhou.

João Nuno Calvão da Silva manifestou também a esperança de que Macau mantenha o legado jurídico português após os 50 anos de validade da Lei Básica e da Declaração Luso-Chinesa. “Depois de 2049, se [Macau] sai desse tratado internacional, deste período de transição, obviamente nós esperamos que este trabalho que foi sendo feito, as pessoas que vão sendo criadas, este capital humano, fique aqui com uma cultura jurídica em que este ADN de Portugal e de Coimbra se vá manter”, afirmou Calvão da Silva.

O vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da UC explicou que actualmente existe um direito que “está a ser cumprido”, uma “Lei Básica” e um “conjunto de diplomas com uma matriz muito específica do direito português”.

“Em processo penal, (…) estamos a ter um cumprimento desse ordenamento jurídico, sabemos que até 2049 assim será, é assim que tem sido desde 1999”, considerou.

Deputado Lei Chan U elogia novo diploma sobre reforma administrativa

Foi publicado esta segunda-feira um novo diploma na área da reforma administrativa, intitulado “Regime geral da criação e da estrutura orgânica dos serviços e entidades públicas”. Desta forma, foi feita a revisão de dois decretos-lei que vigoravam no território desde os anos 80.

Lei Chan U, recentemente reeleito deputado à Assembleia Legislativa (AL), emitiu um comunicado onde defende que esta alteração legislativa constitui “um marco importante na reforma da Administração pública, contribuindo para resolver problemas persistentes”, nomeadamente a “constante reorganização dos serviços, a estrutura excessivamente pesada e a falta de clareza nas responsabilidades” dos dirigentes.

O responsável declarou também que esta reformulação irá melhorar “a eficácia governativa e promover a criação de um Governo eficiente e orientado para o serviço dos cidadãos”. No mesmo comunicado, o deputado lembrou o facto de os últimos Governos terem “procurado promover a reforma da Administração pública” embora problemas como estruturas pesadas, “a sobreposição de funções e a indefinição de competências nunca tenham sido efectivamente resolvidos”.

Luz ao fundo do túnel

Desta forma, Lei Chan U entende que este novo regulamento administrativo vem definir “critérios claros para a criação de novos serviços públicos, estipulando que só será permitido criar novos departamentos quando surgirem novas funções que não possam ser exercidas com o ajustamento das estruturas existentes”.

É ainda referido que o “número de serviços públicos será reduzido de mais de 70 para 47, alcançando-se uma verdadeira ‘limpeza’ da máquina administrativa”, declarou.

Outra regra definida no regulamento administrativo, passa pela proibição, por parte dos serviços públicos, de “criar novas subunidades com nível de sector e de secção”.

Lei Chan U disse esperar que “o Governo continue a reforçar a coordenação e o planeamento” da máquina administrativa, através da promoção “da revisão de estruturas e funções dos serviços públicos de forma gradual, ordenada e baseada no princípio da objectividade”, a fim de se construir “um Governo eficiente, capaz e orientado para o serviço público”.

Diplomacia | Liu Xianfa pediu fim de “ataques” dos EUA à RAEM

O Comissário do MNE em Macau mostrou a sua insatisfação à cônsul-geral dos Estados Unidos em Hong Kong e Macau, Julie Eadeh, com os “chamados relatórios anuais” publicados pelos Estados Unidos sobre a RAEM que afirmou conterem “ataques e difamações”

 

O Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, Liu Xianfa, apelou à cônsul-geral dos Estados Unidos em Hong Kong e Macau, Julie Eadeh, para acabar com “os ataques e difamações” contra Macau nos relatórios anuais. O pedido aconteceu durante uma chamada telefónica feita por Julie Eadeh a Liu Xianfa, a 10 de Outubro, de acordo com uma publicação na rede social Facebook, na página do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros na RAEM. Em Agosto, Julie Eadeh foi escolhida pelos Estados Unidos como a nova cônsul-geral em Hong Kong e Macau, sucedendo a Greg May.

Como parte das novas funções, e dado que a área de acção também inclui Macau, a representante americana fez uma “chamada telefónica de cortesia” a Liu Xianfa. Durante o telefonema, o comissário disse a Eadeh que espera que os Estados Unidos assumam um papel construtivo no desenvolvimento de Macau e que acabem os “os ataques e difamações”.

“O Comissário Liu apelou à parte norte-americana a acabar com os ataques e difamações contra Macau nos chamados relatórios anuais, a não comprometer a segurança e a estabilidade de Macau e a não impedir a prosperidade e o desenvolvimento de Macau”, consta no comunicado.

Em causa, estão os relatórios publicados anualmente pelo Departamento de Estado sobre direitos humanos, liberdade religiosa ou tráfico humano.

Liu Xianfa também terá indicado a Julie Eadeh a esperança de que ela “aja de forma a promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e os EUA” e que “desempenhe um papel construtivo no desenvolvimento estável, sólido e sustentável das relações entre a China e os EUA”.

Salvaguardar cooperação

De acordo com a versão do Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, durante a chamada telefónica, Julie Eadeh destacou que “o envolvimento e a cooperação com Macau no comércio, investimento e intercâmbio entre os povos são importantes para os EUA” e que ela vai desempenhar um “papel activo” para concretizar esse intercâmbio.

Julie Eadeh é licenciada em Ciências, pela Universidade do Leste do Michigan e tem um mestrado em Estudos Árabes Contemporâneos pela Universidade de Georgetown. Fez parte do Departamento de Estado dos EUA, até ingressar nos Serviços Consulares americanos em 2004.

Ao longo da carreira teve passagens por embaixadas no Médio Oriente, em países como a Arábia Saudita, Líbano ou Iraque. Em 2010, tornou-se cônsul-geral dos EUA em Xangai, lugar que ocupou até 2012. Também desempenhou funções de chefe da secção política do Consulado dos EUA em Hong Kong, que agora vai liderar.

Turismo | Chan Pou Sam sugere feira nocturna para mais pernoitas

Chan Pou Sam, presidente permanente honorário da Associação de Promoção de Vida Social e Bem-Estar da População de Macau, defendeu a realização no território de uma feira nocturna, em formato permanente, para atrair o maior número de turistas e, assim, aumentar o número de pernoitas. Segundo o jornal Exmoo, a ausência de uma feira nocturna é uma das razões pelas quais os turistas optam por não pernoitar mais tempo em Macau.

O ex-membro do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais justificou que o Governo tem um saldo orçamental sustentável para este tipo de projectos, tendo em conta que o montante disponível na Reserva Financeira ultrapassou já as 630 mil milhões de patacas, enquanto que as receitas do jogo também aumentaram em termos anuais.

Além disso, Chan Pou Sam recordou que o Governo já recuperou 93 terrenos sem ocupação, com uma área total de 720 mil metros quadrados, pelo que há espaço para realizar uma feira nocturna, enquanto o corredor e paisagens à beira-rio são também espaços que podem ser utilizados, defendeu.

Há, porém, um alerta deixado por Chan Pou Sam, que entende que esta feira deve ser feita fora das zonas residenciais para não incomodar a população. O ex-conselheiro do IAM destacou que deve haver uma preparação prévia para os pedidos de licença de comerciantes, questões de protecção ambiental e higiene urbana, segurança contra incêndios ou controlo de ruído, entre outras questões.

Trabalho | Nick Lei pede defesa de trabalhadores do jogo

Com vários casinos-satélites a encerrar até ao final do ano, o deputado Nick Lei apelou ao Governo para garantir que os direitos dos trabalhadores destes espaços são respeitados. O pedido foi deixado através de um comunicado, depois de o deputado ter revelado ter queixas de alguns trabalhadores.

Num comunicado, o deputado citou uma queixa de um alto funcionário de um casino-satélite, que apesar de ter desempenhado funções de topo e ser responsável por todos os assuntos deste espaço apenas recebia um salário do nível de gerente. Agora, como vai ser integrado numa das concessionárias, o salário e a função a desempenhar vão ser de gerente, o que significa uma despromoção, com perda de direitos.

Segundo Nick Lei, esta situação é injusta porque o funcionário desempenhou funções pelas quais nunca foi devidamente pago. O deputado considera assim que a concessionária está a lidar com o caso de forma injusta, o que mostra a falta de capacidade do Governo para supervisionar o encerramento dos casinos e garantir os direitos laborais.

Além disso, Nick Lei defende que o Governo precisa de continuar a prestar atenção aos resultados do recrutamento de funcionários de casinos-satélites pelas concessionárias, não só para apoiar estes trabalhadores a transitarem para as novas posições, mas também para divulgar à população como estão a decorrer as operações de mudança.

Cooperação | Sam Hou Fai recebeu governador de Hainão

O líder do Governo de Macau e o Governador de Hainão discutiram a possibilidade de aprofundar a cooperação entre as duas regiões. Sam Hou Fai espera o apoio da região conhecida como o Hawai da China para diversificar a economia

 

O Chefe do Executivo destacou contar com o apoio de Hainão para criar mais oportunidades de desenvolvimento para a RAEM. A mensagem foi deixada durante um encontro entre Sam Hou Fai e Liu Xiaoming, governador da província de Hainão, que esteve de visita a Macau.

Segundo a versão do Governo de Macau sobre o encontro de segunda-feira, Sam Hou Fai e Liu Xiaoming “trocaram opiniões sobre o fomento da cooperação cultural e económico-comercial” entre as duas partes e discutiram “o reforço da articulação na promoção de actividades turísticas e de exposições e convenções”.

Na reunião, Sam Hou Fai disse a Liu Xiaoming que “a RAEM e a província de Hainão se situam na região do Grande Delta do Rio das Pérolas” e que têm “acesso ao vasto mercado do Interior do País, como também estão ligados ao mercado do Sudeste Asiático”.

O dirigente de Macau apontou também que Macau e Hainão têm mantido “um intercâmbio frequente e profundo, e uma base sólida de cooperação em áreas como no turismo, na cultura, nas exposições e convenções”. E sobre esta parceria Sam Hou Fai apontou que foram alcançados “resultados notáveis”.

Ganhos mútuos

O líder da RAEM afirmou ainda que desde que as partes começaram a apostar na “promoção conjunta do modelo de uma viagem de multi-destinos” que a cooperação subiu para um novo nível e está a gerar “ganhos mútuos”.

Sam também frisou que “através do incentivo à reciprocidade de fluxos turísticos, promover-se-á o desenvolvimento dinâmico da indústria turística de ambas as regiões, alcançando benefícios recíprocos”.

Durante o encontro, cuja duração não foi divulgada, o líder de Macau adiantou a Liu Xiaoming que a RAEM está a adoptar políticas de “diversificação adequada da economia, promovendo com total empenho um desenvolvimento socioeconómico de alta qualidade”. E, neste processo, o Chefe do Executivo afirmou esperar “contar com o grande apoio de Hainão, e através da cooperação pragmática entre as duas partes, aproveitar plenamente as vantagens de cada uma”. Sam Hou Fai prometeu também “explorar mais modelos de colaboração para criar oportunidades de desenvolvimento mais amplas” para Macau e Hainão.

Além de Sam Hou Fai representaram Macau no encontro o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak, o director do Gabinete de Estudos de Políticas e Desenvolvimento Regional, Cheong Chok Man, e o director dos Serviços de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, Cao Jin Feng.

O incêndio de Pat Sin Leng

No passado dia 10, soube-se através da comunicação social de Hong Kong que uma criança de oito anos tinha feito três chamadas para a polícia alegando que havia um fogo em Pat Sin Leng, Tai Po, e que 25 professores e alunos estavam presos na montanha. Depois do alerta, a polícia, juntamente com o departamento de Agricultura e Pescas e o Corpo de Bombeiros, chegaram ao local e verificaram que não havia qualquer incêndio. O rapaz foi posteriormente localizado, admitiu que tinha mentido e recebeu uma admoestação verbal.

Embora este incidente não passe de um assunto trivial, que dificilmente suscita preocupação pública, não deixa de despertar memórias dolorosas. A frase “há um fogo em Pat Sin Leng” evoca memórias do acidente ocorrido há 30 anos.

A 10 de Fevereiro de 1996, quatro professores da Fung Yiu King Memorial School de Hong Kong, acompanhavam um grupo de alunos do 7.º e 8.º anos numa caminhada em Pat Sin Leng. Suspeita-se que o fogo tenha deflagrado porque alguém atirou um cigarro a arder para o mato.

O fogo alastrou pela montanha e o caminho para baixo ficou bloqueado obrigando toda a gente a subir. Devido às dificuldades do terreno, tiveram de escalar o rochedo “Maliu Cliff” para escapar. Dois professores ficaram para trás para ajudar os alunos a subir o penhasco. Trinta e dois conseguiram regressar ao ponto de partida para procurar ajuda. Depois de terem ajudado a maior parte dos jovens, os dois professores não conseguiram escalar o penhasco e morreram no incêndio juntamente com dois alunos.

Neste incidente morreram os dois professores e três alunos e treze ficaram feridos. Um outro caminhante, que tinha ajudado a resgatar algumas das vítimas do incêndio, imolou-se mais tarde, possivelmente devido a sofrer de stress pós-traumático.

Em 1996, o Tribunal decidiu que a causa do acidente foi “indubitavelmente humana”, mas não estava claro se se terá devido a um cigarro mal apagado ou a uma fogueira que possa ter sido acesa por brincadeira.

Para homenagear o sacrifício dos dois professores, o Governo de Hong Kong mandou erguer um pavilhão em sua memória em Pat Sin Leng, chamado “Spring Breeze Pavilion,” o que significa “bons professores” em chinês.” Dentro do pavilhão, inscrições bilíngues em chinês e inglês relatam todo o incidente. Foram plantados dois pinheiros-budistas em frente ao pavilhão, em homenagem aos dois professores. Uma placa comemorativa do Pavilhão Spring Breeze está colocada na entrada da Fung Yiu King Memorial School. São realizados anualmente serviços memoriais para compartilhar os acontecimentos com os estudantes. A Fung Yiu King Memorial School fez uma parceria com a Universidade Chinesa de Chinese Hong Kong para criar uma bolsa de estudos em memória dos dois professores que recebeu os seus nomes.

A mentira do rapaz reacendeu indubitavelmente memórias dolorosas. Estas memórias deveriam ir desaparecendo com o tempo ao contrário de permanecerem na memória das pessoas. Esperemos que as mentiras acabem aqui e que nunca mais ressurjam. Que as memórias dolorosas sejam levadas pelo vento.

O espírito dos dois professores que se sacrificaram pelos outros continua vivo na sociedade de Hong Kong e é celebrado por todos. Precisamos de perguntar: porque celebramos o altruísmo? Será porque temos apenas uma vida, por isso, quando alguém se sacrifica pelos outros merece respeito?

A resposta não é assim tão simples. Temos só uma vida e depois da morte não existe mais nada. O motivo para celebrarmos o auto-sacrifício em prol de outros é uma forma de celebrarmos o facto de que alguém capaz deste acto é completamente destituído de egoísmo, alguém que só deseja o bem alheio. Isto é uma manifestação pura de amor pela humanidade. Se aqueles que foram salvos puderem continuar a transmitir este amor, o egoísmo vai diminuir e a amizade genuína vai aumentar. Com este tipo de amor unificador, não haverá naturalmente hostilidade, porque o amor congrega. Neste sentido, o amor pode promover uma sociedade mais pacífica e harmoniosa e todos serão felizes.

Na sociedade complexa dos nossos dias, os corações humanos são imprevisíveis. Mesmo que queiramos levar o nosso amor aos outros, ele nem sempre é aceite. Esta é sem dúvida uma dura realidade. Os estudantes que ficaram feridos em Pat Sin Leng, e que enfrentaram muitas provações, devem certamente ter deixado esses momentos maus para trás, esforçaram-se para viver as suas vidas e para dar início a um novo capítulo, mas simultaneamente devem ter recordado os dois professores que os salvaram. A sua capacidade de sacrifício em prol dos estudantes não só é merecedora de ser imitada, mas é uma lição que deve ser aprendida e transmitida. Só o amor pode unir-nos a todos de forma altruísta.

Já passaram trinta anos desde o incêndio de Pat Sin Leng, mas o tempo não irá desvanecer a memória do amor sincero e altruísta que estes dois professores deram aos seus alunos. Através das notícias de hoje, prestemos-lhes mais uma vez silenciosamente homenagem. Que possam viver felizes no Além, e que o amor que tinham pelos seus alunos possa para sempre continuar a ser transmitido.


Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

Diplomacia | Anunciada visitada de MNE espanhol esta semana

O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, realizará uma visita oficial à China entre hoje e amanhã, a convite do homólogo chinês, Wang Yi, anunciou ontem a diplomacia chinesa. Em comunicado, a diplomacia chinesa destacou os “estreitos intercâmbios” entre Pequim e Madrid e classificou Espanha como “um importante parceiro estratégico na Europa”.

O porta-voz do ministério Lin Jian expressou confiança de que a visita de Albares “contribuirá para reforçar a cooperação bilateral”, salientando que os dois países “mantêm contactos de alto nível”, com uma confiança política “em consolidação” e uma cooperação prática que “tem produzido resultados frutíferos”, promovendo “o desenvolvimento económico e o bem-estar das populações de ambos os países”.

Lin recordou que este ano assinala o 20.º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica integral entre China e Espanha, sublinhando que a deslocação do chefe da diplomacia espanhola permitirá “aprofundar o entendimento e o apoio mútuos” e “impulsionar o desenvolvimento de alto nível” da relação bilateral.

Segundo o porta-voz, as reuniões de Albares com dirigentes chineses abordarão “as relações bilaterais e questões internacionais e regionais de interesse comum”.

A visita de José Manuel Albares ocorre seis meses depois da deslocação do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, à China, em Abril, durante a qual se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping. Nessa ocasião, Sánchez descreveu a China como um “parceiro indispensável para enfrentar os desafios globais” e defendeu o aprofundamento das relações tanto a nível bilateral como no quadro europeu.

A diplomacia chinesa classificou então a visita de Sánchez como “um êxito”, que demonstrou “a determinação de ambas as partes em ampliar os seus vínculos”.

Xiaomi | Acções caem 6% após acidente com um carro da marca

As acções da tecnológica chinesa Xiaomi caíram ontem 5,71 por cento, após um acidente com um dos seus veículos eléctricos que se incendiou e provocou a morte do condutor. Segundo o portal noticioso The Paper, o condutor do modelo SU7 perdeu o controlo do veículo durante a madrugada de ontem e embateu numa avenida, na cidade de Chengdu, no centro da China, incendiando-se de imediato.

Testemunhas citadas pelo mesmo meio relataram que vários transeuntes tentaram apagar o fogo e abrir as portas, chegando a partir os vidros com objectos, mas o condutor ficou preso no interior. De acordo com relatos, o automóvel circulava a uma velocidade superior a 100 quilómetros por hora no momento em que tentou desviar-se de outro carro que reduziu a marcha para virar à direita. Os bombeiros de Chengdu continuam a investigar as causas do acidente.

A queda de ontem levou as acções da Xiaomi ao nível mais baixo desde Abril, quando um acidente semelhante – também envolvendo um veículo eléctrico da marca que se incendiou numa autoestrada no leste da China e causou três mortes – provocou um forte recuo no valor de mercado da empresa. Apesar disso, as acções acumulam uma valorização de 44,35 por cento desde o início do ano.

Tradicionalmente associada à produção de telemóveis e dispositivos inteligentes, a Xiaomi tem apostado na diversificação do seu negócio com a entrada no competitivo sector dos veículos eléctricos, dominado na China por marcas como a BYD e a Tesla.

Trocas comerciais entre Angola e China atingiram os 20,6 mil ME em 2024

Angola e China disseram ontem que atingiram uma pareceria empresarial “activa, contínua e mutuamente benéfica” destacando o volume de trocas comerciais que atingiu os 24 mil milhões de dólares em 2024. O nível da cooperação bilateral entre ambos dos países foi ontem destacado pelo presidente da Câmara de Comércio Angola – China (CAC), Luís Cupenela e pelo embaixador da China em Angola, Zhang Bin, em Luanda.

De acordo a caracterização da balança de pegamento de 2023 a 2024, o volume das trocas comerciais entre Angola e China registou uma variação mínima de mais de 1 por cento de 23,8 a 24 mil milhões de dólares, mantendo o “stock” do investimento acima dos 27 mil milhões de dólares, disse o presidente da CAC.

Em declarações na abertura da conferência sobre “A Influência do Setor Empresarial Chinês na Economia Nacional de Angola”, iniciativa da CAC e da TV Zimbo, que decorreu ontem em Luanda, Luís Cupenala sinalizou que aproximadamente 5 mil milhões de dólares do global do investimento chinês no país africano foram direccionados ao sector não petrolífero.

“A cooperação com o gigante asiático traduz-se em benefícios e progresso mútuo, desde que saibamos com sabedoria e proficiência tirar maiores vantagens, pois a China está comprometida em buscar um desenvolvimento de alta qualidade, servindo como um pilar da estabilidade socioeconómica global”, referiu. Cupenela fez saber que mais de 500 empresas de direito angolano com capital chinês operam em Angola, “onde encontraram a sua segunda pátria e participam no quotidiano e ombro a ombro com angolanos na dinâmica económica do país”.

Chama acesa

Apesar das “incertezas” resultantes dos choques e instabilidade económica global, observou o presidente da CAC, a China e os empresários chineses continuam a acreditar no futuro de uma Angola comprometida com o progresso.

“O nível do aprofundamento de relações de cooperação e parceria estratégica, construídas ao longo dos 42 anos, mantém a acesa a chama de contínua manutenção das trocas comerciais, dos investimentos e do benefício recíproco entre os dois países”, assinalou ainda o responsável.

Zhang Bin, por sua vez, também destacou o investimento chinês em Angola e o grau de cooperação entre Luanda e Pequim referindo que nos últimos 42 anos a cooperação económica e comercial entre os dois países alcançou “progressos notáveis e levou a resultados frutíferos, visíveis e tangíveis”. O diplomata chinês assinalou a participação “activa” do seu país na reconstrução de Angola, na construção de caminhos-de-ferro, estradas, portos, aeroportos, hospitais, habitações e sistemas de distribuição de água.

O comércio bilateral anual superior a 20 mil milhões de dólares bem como o stock de investimento de 27 mil milhões dólares foram igualmente enaltecidos pelo embaixador chinês, realçando ainda os investimentos nos sectores da agricultura, mineração, finanças, processamentos, parques industriais, imobiliário e serviços.

“O investimento e a cooperação comercial das empresas chinesas em Angola não só criaram inúmeros postos de trabalho e receitas fiscais, como também formaram um número significativo de profissionais e técnicos qualificados, promovendo, de forma eficaz, a diversificação da economia angolana”, concluiu Zhang Bin.

Mulheres | Xi apela ao reforço da participação feminina na vida política

Maior representatividade em cargos de poder para alcançar de facto a igualdade de género. O mote foi dado pelo Presidente chinês no seu discurso de abertura da Reunião Mundial de Líderes sobre a Mulher, em Pequim

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem o reforço da participação das mulheres na política e nos processos de decisão, apelando a que os Estados “ampliem os canais” de representação feminina na governação nacional e social. “É fundamental garantir que a igualdade de género se enraíze verdadeiramente em toda a sociedade”, afirmou Xi, durante o discurso de abertura da Reunião Mundial de Líderes sobre a Mulher, que decorre em Pequim, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

O chefe de Estado chinês sublinhou que “a paz e a estabilidade são condições essenciais para o desenvolvimento integral das mulheres” e defendeu o fortalecimento dos mecanismos de combate à violência e “a todas as formas de abuso dirigidas contra elas”. Xi alertou que mais de 600 milhões de mulheres e raparigas vivem em zonas afectadas por conflitos e que uma em cada dez permanece em situação de pobreza extrema.

Durante o encontro, o líder chinês anunciou uma doação de 10 milhões de dólares à ONU Mulheres, bem como uma contribuição de 100 milhões de dólares para o Fundo para o Desenvolvimento Global e a Cooperação Sul-Sul, destinada a projectos de apoio a mulheres e raparigas. Pequim vai ainda criar um centro global de formação para mulheres.

Segundo a imprensa estatal chinesa, dezenas de chefes de Estado e de Governo, dirigentes parlamentares, vice-primeiros-ministros, ministros e representantes de organizações internacionais participam na reunião, organizada em parceria com as Nações Unidas, que visa impulsionar o avanço global rumo à igualdade de género.

Desafios em curso

A conferência decorre num contexto em que a presença feminina nos mais altos escalões da política chinesa é praticamente inexistente. Desde o XX Congresso do Partido Comunista Chinês, em 2022, nenhuma mulher integra o Politburo, o principal órgão de decisão do país.

A ausência de figuras femininas na liderança do Partido contrasta com a ampla participação das mulheres na sociedade chinesa: segundo o Banco Mundial, 62 por cento participam na força laboral. No sector empresarial, representam um quarto dos fundadores de empresas e dirigem cerca de 40 por cento das novas marcas de comércio electrónico.

Apesar destes avanços, persistem desafios ligados à discriminação e à violência de género, com casos de assédio e maus-tratos que suscitaram indignação pública nos últimos anos.

Filosofia e História: Interpretando a “Era Xi Jinping”

Por Jiang Shigong

Jiang Shigong (强世功, nascido em 1967) é professor da Universidade de Pequim e um dos quadros mais importantes do Partido Comunista Chinês (PCC) na área da filosofia, uma figura central no pensamento que defende um caminho de desenvolvimento distinto para a China, baseado nas suas próprias tradições e realidades, em contraponto com os modelos ocidentais. Uma leitura importante para compreender o modo como a filosofia clássica é integrada na via actualmente percorrida pela liderança chinesa e onde igualmente se referem as diferenças entre o “Ocidente metafísico” e a “China histórica”.

Em 18 de outubro de 2017, o 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês teve início sem problemas em Pequim. Alguns meios de comunicação proclamaram que o mundo havia entrado na «era chinesa», porque o facto de «o socialismo com características chinesas ter entrado numa nova era» se refere a uma nova era não apenas na China, mas no mundo em geral. Esta nova era já foi apelidada de «era Xi Jinping» por estudiosos perspicazes na China e no exterior.
Se quisermos compreender a era Xi Jinping, devemos primeiro estudar seriamente o grande discurso de Xi no 19º Congresso do Partido, “Garantir uma vitória decisiva na construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos e lutar pelo grande sucesso do socialismo com características chinesas para uma nova era 决胜全面建成小康社会,夺取新时代中国特色社会主义伟大胜利”. Actualmente, os media estão a divulgar análises e interpretações de especialistas, com foco nos novos conceitos, pontos de vista, ideias e medidas pronunciados no discurso, na esperança de que estes entrem nas mentes, discursos e ações de todos os membros do Partido e da sociedade em geral, tornando-se o consenso político de todo o Partido e dos vários povos de toda a nação, alinhando a liderança do Partido com o povo como um agente orgânico, unificado e ativo, realizando assim os desafios estratégicos e os planos da era Xi Jinping. Por esta razão, o relatório de Xi ao Congresso do Partido é o texto central que consolida os corações do povo na nova era e pode até ser visto como uma expressão política de como o PCC responderá à sua missão histórica nos próximos trinta anos.
Se quisermos compreender o relatório ao 19.º Congresso do Partido, devemos primeiro compreender o PCC. O PCC é um partido político orientado por princípios com origem no marxismo. É uma vanguarda colectiva cujo mandato histórico, revelado pelo marxismo, é perseguido com empenho e espírito de sacrifício. É um órgão de ação política altamente secular, racional e organizado. Por esta razão, a primeira missão do Partido é resolver a tensão entre a verdade filosófica e a prática histórica, unir a verdade filosófica universal do marxismo com a realidade histórica concreta da vida política da China, produzindo linhas, orientações e políticas que possam fornecer orientações concretas na prática. Este processo é aquele em que a teoria orienta a prática e a prática testa a teoria, e onde a prática permite a avaliação, melhoramento e criação da teoria.

Este processo de movimento dialéctico entre teoria e prática, filosofia e história, é precisamente a «sinificação do marxismo», que criou uma longa e rica tradição intelectual. O novo pensamento do Partido só pode ser compreendido, herdado e levado adiante quando visto dentro de uma tradição que começa com o marxismo, o leninismo, o pensamento de Mao Zedong, a teoria de Deng Xiaoping, o importante pensamento das «Três Representações», o desenvolvimento científico e o pensamento de Xi Jinping para o socialismo com características chinesas na nova era, revelado no 19.º Congresso do Partido.

A tradição real à qual esta teoria está ligada é a tradição filosófica chinesa criada por Confúcio, por volta de 500 a.E.C. Noções filosóficas como «estudo» e «conhecimento» devem ser integradas com ideias de «prática» e «acção» a partir de práticas concretas da vida, e somente quando «estudamos e, na altura certa, praticamos o que estudamos 学而时习之», somente com «a unidade do conhecimento e da acção 知行合一» podemos obter o verdadeiro conhecimento. Por esta razão, o povo chinês sente que a filosofia não é apenas «conhecimento», tal como entendido na tradição metafísica ocidental como teorias e investigação produzidas por académicos, mas é, em vez disso, algo que revela um mandato histórico e consolida o consenso político de todo o Partido e do povo e que, por esta razão, se torna um guia para a acção.

Uma razão importante pela qual os ocidentais têm dificuldade em compreender as teorias do PCC é que a sua forma filosófica de pensar tem sido condicionada pela tradição metafísica do Ocidente. Estão habituados a um processo lógico que procede de conceito em conceito e, por isso, não conseguem compreender verdadeiramente a tradição filosófica chinesa da «unidade do pensamento e da acção». Não conseguem ligar conceitos teóricos à prática histórica concreta e não conseguem compreender as estratégias interpretativas únicas que a tradição filosófica chinesa sempre empregou.

Por esta razão, se quisermos compreender a era Xi Jinping anunciada pelo seu grande relatório ao 19.º Congresso do Partido, bem como a missão histórica da era Xi Jinping e o Pensamento Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era desenvolvido para cumprir esta missão histórica, então devemos ter não só uma abordagem filosófica, mas também, e mais importante, uma abordagem histórica. Este grande relatório ao 19.º Congresso do Partido foi escrito de forma a integrar filosofia e história, ligando assim reflexões filosóficas universais à prática histórica concreta.

O posicionamento histórico da era Xi Jinping: do tempo natural ao tempo político

Do ponto de vista da minha investigação, o grande relatório do 19.º Congresso do Partido posiciona, na verdade, a era Xi Jinping na história de quatro maneiras. A primeira é a sua posição na história do PCC e na história da RPC. O relatório indica claramente que: «O socialismo com características chinesas entrou numa nova era, o que significa que o povo chinês, que sofreu durante muito tempo na era moderna, deu agora um grande salto, passando de se levantar 站起来, a enriquecer 富起来, a tornar-se forte 强起来.» «Levantar-se», «enriquecer» e «tornar-se forte» são formas de dividir as histórias do nosso Partido e da nossa República, referindo-se, respectivamente, à era de Mao Zedong, à era de Deng Xiaoping e à era de Xi Jinping em que estamos a entrar. Estas divisões não são as compreendidas pelos historiadores académicos, mas devem ser analisadas de um ponto de vista político. Utilizar divisões históricas para expressar o pensamento político é um método básico empregado pela filosofia tradicional chinesa.

A civilização ocidental é construída sobre uma tradição filosófico-teológica de antagonismos binários, entre fenómeno e existência, vida na terra e vida no céu. Na tradição cristã, o objectivo final e o significado da existência humana vêm de Deus no céu, razão pela qual o objectivo final da luta ocidental é chegar à realização de várias versões do “fim da história”. Mas, na tradição da civilização chinesa, os reinos mundano e sobrenatural não estão estritamente separados, e ambos são absorvidos num mundo completo onde o céu e a humanidade são um só. O objectivo e o significado da vida para o povo chinês não era como chegar ao céu, mas sim como localizar um significado universal e duradouro dentro do «universo família-Estado 家国天下» historicamente existente.

Por esta razão, os chineses, e especialmente os políticos, procuravam todos deixar o seu nome na história através de realizações profissionais. E o objectivo dos historiadores chineses não era uma simples pesquisa de factos objectivos, como enfatizado pelos historiadores modernos, mas sim uma busca filosófica por valores universais e significado nos registos factuais. Ditos como «os Seis Clássicos são todos histórias 六经皆史» e «os clássicos e a história são um só 经史不分» confirmam esta ideia.

Por esta razão, a construção da legitimidade na ordem política chinesa deve ser, em primeiro lugar, uma construção histórica. A ordem política clássica na China começou com os Três Soberanos e os Cinco Imperadores [aproximadamente no terceiro milénio a.C.] e os reinados de Yao, Shun e Yu [que governaram durante este período], e a razão pela qual aqueles que conquistaram o poder e governaram se autodenominavam «imperadores» era porque esperavam obter legitimidade política dos Três Soberanos e Cinco Imperadores enquanto trabalhavam para estabelecer um novo regime.

Mas a ordem política moderna deve ser construída com base na história moderna da China desde 1840. Por esta razão, as divergências políticas na China também começam frequentemente a partir de diferenças nas narrativas históricas. Nos últimos anos, as inovações teóricas que vimos na China em áreas como a Nova História Qing, a história da Revolução Republicana, a história da República e a história do Partido contêm, em diferentes graus, exigências políticas veladas. Portanto, as periodizações aplicadas à história do Partido e à história republicana, as posições históricas atribuídas ao Partido e aos líderes nacionais e a construção da ordem política chinesa são extremamente importantes.

Essas periodizações históricas constituem os princípios mais básicos da vida política chinesa no nível mais profundo. O prefácio da Constituição da China começa com uma narrativa histórica e, cada vez que há avanços teóricos ou revisões no Estatuto do Partido, isso requer alterações no prefácio da Constituição, o que, sem dúvida, sinaliza a transformação dos princípios políticos básicos nos princípios básicos da nação em termos da lei fundamental. Por esta razão, todos os relatórios ao Congresso do Partido começam com a história do Partido e a história do país. Eles discutem o desenvolvimento e as mudanças na linha, princípios e políticas do Partido, ajustando a periodização conforme necessário. Esta é a relação dialética entre herança e tradição na tradição teórica do Partido.

A partir do relatório ao 14.º Congresso do Partido, foi empregado um novo estilo de periodização, baseado na política geracional 代际政治, relatando, respectivamente, as contribuições históricas feitas pela primeira geração da liderança coletiva central, com Mao como líder central do Partido, e pela segunda geração da liderança colectiva central, com Deng Xiaoping como líder central do Partido. Posteriormente, os relatórios ao 17.º e 18.º Congressos do Partido deram um passo adiante na sua discussão sobre «a primeira geração da liderança central colectiva com o camarada Mao Zedong como líder central do Partido», «a segunda geração da liderança central colectiva com o camarada Deng Xiaoping como líder central do Partido» e «a terceira geração da liderança central coletiva com o camarada Jiang Zemin como líder central do Partido».

O uso dessa periodização histórica política geracional surgiu do contexto especial associado aos eventos de 1989 e foi eficaz na consolidação da autoridade do secretário do Partido, Jiang Zemin, dentro do Partido e na preservação da continuidade e estabilidade da política de Reforma e Abertura. Foi o desenvolvimento prolongado proporcionado por essa estabilidade política e normativa que permitiu à China realizar a transformação histórica da «China que se levantou» da era Mao Zedong para a «China que ficou rica» da era Deng Xiaoping.

O povo chinês aceita prontamente a política geracional. Por um lado, a cultura confucionista chinesa enfatiza a hierarquia das relações entre mais velhos e mais jovens e, em grande medida, afirma os resultados políticos objectivos alcançados ao longo da passagem natural do tempo. Por esta razão, a política geracional é benéfica para a estabilidade política. Além disso, esta mudança geracional está em perfeita sintonia com a duração dos mandatos atribuídos aos líderes nacionais pela Constituição e constitui objectivamente uma situação política que exige uma mudança geracional.

Mas a história da humanidade não respeita as divisões do tempo natural. A vida política, por sua própria natureza, não é natural, mas criada pelo homem, e a história é, em última análise, produzida pelos seres humanos. O tempo histórico não é absolutamente o tempo natural da física newtoniana, mas sim o tempo político criado pelas pessoas, e até mesmo a forma como periodizamos a história é um produto da política. Na verdade, é precisamente por causa dos diferentes períodos de tempo que se referem a missões e significados históricos desenvolvidos a partir de processos políticos que temos a distinção entre tempos antigos e modernos, ou perspetivas como «desde 1840», «desde 1949» e «desde o período da Reforma e Abertura».

Pode-se dizer que a política geracional baseada no tempo natural não pode facilmente tornar-se a forma básica da construção do tempo político. Por exemplo, figuras ilustres da história política chinesa, como os imperadores fundadores Qinshihuang (秦始皇, r. 247-220 a.C.), Han Wudi (汉武帝, r. 141-87 a.C.), Tang Taizong (唐太宗, r. 626-649 d.C.) ou Song Taizu (宋太祖, r. 960-976 d.C.) não alcançaram o seu lugar na história devido à sua posição geracional, mas sim devido ao espaço histórico que abriram através das suas acções. Foram os seus próprios esforços políticos que criaram o tempo político, que mais tarde se tornou referência à medida que as pessoas estabeleceram divisões históricas.

“Halftone 25” | Exposição de fotografia inaugurada hoje na FRC

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a Exposição Fotográfica Colectiva “Halftone’ 25”, que reúne os trabalhos anuais de 23 artistas amadores e profissionais, membros da Halftone — Associação Fotográfica de Macau, com curadoria de Gonçalo Lobo Pinheiro e de Francisco Ricarte.

A mostra colectiva revela um total de 23 obras, que vão desde a fotografia documental até à expressão artística, passando pela fotografia de paisagem, humana, de estúdio, conceptual, “street photography”, a cores ou a preto-e-branco.

À semelhança dos anos anteriores, foram seleccionadas imagens, umas já conhecidas e outras inéditas, de autores como André Carvalhosa, António Mil-Homens, António Sotero, António Bessa Almeida, Cássia Schutt, Catarina Cortesão Terra, Carmen Serejo, Cristiana Figueiredo, David Lopo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Gonçalo Lobo Pinheiro, Inela Kovacevic, Joana Freitas, João Miguel Barros, João M. Rato, João Palla Martins, Jorge Veiga Alves, José das Neves, José Sales Marques, Kuok Hou Tang, Nélson Silva e Nuno Calçada Bastos.

A Halftone é uma associação cultural criada em 2021, sem fins lucrativos, com sede em Macau, que tem o objectivo de promover a fotografia contemporânea em todas as suas vertentes. Fundada de forma inclusiva e abrangente, está aberta a todos aqueles que tenham interesse na fotografia como expressão artística ou documental, independentemente da sua experiência ou da sua prática.

Além de dinamizar o trabalho fotográfico dos seus associados, a Halftone tem ainda o propósito de organizar exposições, publicar uma revista, livros e monografias, organizar debates e desenvolver projectos pedagógicos e educativos. Esta exposição vai estar patente até ao dia 25 de Outubro, 2025.

FIMM | Thomas Hampson interpreta Mahler esta semana no CCM

Esta quinta-feira, dia 16, actua em Macau o mundialmente reconhecido barítono Thomas Hampson, que interpretará temas de Gustav Mahler para mais um concerto integrado na 37.ª edição do Festival Internacional de Música de Macau. “Thomas Hampton Canta Mahler” conta ainda com o pianista alemão Wolfgang Rieger

É mais um momento alto do cartaz da 37ª edição do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM): esta quinta-feira, 16 de Outubro, sobe ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) aquele que é considerado um dos grandes barítonos a nível mundial, Thomas Hampson, protagonista do concerto “Thomas Hampton Canta Mahler”. A acompanhá-lo, a partir das 20h, estará o pianista alemão Wolfgang Rieger.

Trata-se de um espectáculo dedicado aos “lieder” [conjunto de composições] de Gustav Mahler, regente e compositor nascido em 1860, na Boémia, e tido como um dos grandes nomes do período romântico da música clássica. Os “lieder” incluem o ciclo de canções “Des Knaben Wunderhorn (A Trompa Mágica do Jovem)”, composto e revisto entre 1892 e 1901; e ainda o ciclo de canções antigas “Lieder und Gesänge aus der Jugendzeit”, composto entre 1880 e 1889, “iluminando a intrincada poesia e as complexas paisagens psicológicas que definem a arte de Mahler”.

Além disso, o programa do concerto “oferece uma viagem temática pelos cenários ‘Wunderhorn’ e ‘Lieder und Gesänge’ de Mahler”, composições “agrupadas em três capítulos – ‘Fábulas e Parábolas’, ‘Humoresques e Baladas’ e ‘Baladas e Alegorias'”, e que “traçam uma progressão do encanto pastoral e da sátira à profundidade existencial e ao anseio metafísico”.

Desta forma, “o público terá ainda a oportunidade de experienciar uma mistura da sabedoria de vida e estimada musicalidade através do som da sua voz aos 70 anos”, descreve uma nota do Instituto Cultural (IC).

Estudo e prémios

O percurso do barítono está repleto de distinções. O IC descreve que “Thomas Hampson dedicou décadas à execução, à comunicação e ao estudo académico da arte de Mahler, conquistando a reputação de ‘cantor-erudito'”. Além disso, “obteve múltiplos doutoramentos honoris causa e recebeu numerosos prémios internacionais, incluindo o Prémio Grammy, o Prémio Edison, ou o ‘Grand Prix du Disque'”.

Thomas Hampson recebeu também “inúmeras honras internacionais pela sua singular arte e liderança cultural, reflectindo plenamente o seu ilustre estatuto no círculo da música clássica”, possuindo um repertório “composto por mais de 80 papéis, e com uma discografia a incluir mais de 170 álbuns”.

Thomas Hampton é ainda professor honorário de Filosofia na Universidade de Heidelberg e membro honorário da Royal Academy of Music de Londres. Possui o prestigiado título de “Kammersänger da Wiener Staatsoper” e foi nomeado “Comandante da Ordem das Artes e das Letras” pela República Francesa. É ainda co-fundador e director artístico da Lied Academy Heidelberg e, em 2003, fundou a Hampsong Foundation, através da qual utiliza a arte da canção para promover o diálogo e a compreensão interculturais.

Parceria feliz

Outro dos músicos que sobe ao palco do CCM, Wolfram Rieger, é um distinto pianista alemão, sendo reconhecido pela sua interpretação de “Lied”. Aperfeiçoou a sua arte aulas com Elisabeth Schwarzkopf, Hans Hotter e Dietrich Fischer-Dieskau. Após concluir os estudos, Rieger começou a leccionar na Escola Superior de Música de Munique, onde fundou em 1991 a sua própria classe de Lieder para cantores e pianistas. É Professor de “Lied” na Escola Superior de Música Hanns Eisler de Berlim desde 1998, e dá masterclasses em todo o mundo.

Muito requisitado como parceiro de recitais e músico de câmara, Rieger actua em salas de renome como o Wigmore Hall, o Carnegie Hall, o Konzerthaus de Viena e em festivais como a Schubertiade de Feldkirch e Salzburgo. Entre os seus colaboradores destacam-se Thomas Hampson, Thomas Quasthoff, Brigitte Fassbaender e Matthias Goerne. As suas reconhecidas gravações valeram-lhe distinções como a Medalha Hugo Wolf e a Medalha da Associação Franz Schubert de Barcelona. Os preços dos bilhetes para este recital variam entre 150 e 400 patacas.

DSAJ | Serviços digitais de notariado lançados

Foram ontem lançados serviços digitais de notariado pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), num processo que será faseado. Segundo um comunicado, os serviços dizem respeito a quatro áreas, nomeadamente escrituras, averbamentos, pedidos online de serviços do notariado e disponibilização da plataforma electrónica para pedido de registo a usar pelos notários privados.

Ontem, o 2.º Cartório Notarial fez o lançamento do serviço de escrituras electrónicas, alargando-se esse serviço ao primeiro cartório, ao Cartório Notarial das Ilhas e aos notários privados. Segundo a DSAJ, este serviço “permite a recolha, por via electrónica, das assinaturas de todos os outorgantes, nas quais será colocada a assinatura electrónica qualificada do notário” a fim de prevenir “a viciação de documentos e assegurar a autenticidade dos mesmos”.

Também ontem, foi lançado o serviço de averbamento electrónico “que se aplica a todas as escrituras electrónicas e em papel, desde que as respectivas imagens digitais tenham sido arquivadas no Sistema do Notariado”.

No próximo mês de Dezembro, os cartórios notariais passam a aceitar pedidos online de serviços de notariado, sendo que os residentes podem recorrer à plataforma da Conta Única de Macau para pedir serviços relativos às escrituras de compra e venda, ou de constituição de hipoteca de imóvel, procurações e documentos autenticados (termos de autenticação). A DSAJ disponibiliza ainda uma plataforma online para que notários privados possam tratar dos pedidos de registo predial e comercial.

Óbito | António Coelho morre com 77 anos, mas deixa legado na gastronomia portuguesa

O fundador do Restaurante António morreu no domingo em Macau, devido a problemas de coração. Para trás, deixa uma marca e um conceito inovador de promoção da comida portuguesa na Ásia

Um pai, um amigo e um dos grandes embaixadores da gastronomia portuguesa na Ásia. O chef António Coelho morreu no domingo, com 77 anos, devido a problemas de coração, mas deixa para trás um percurso profissional de quase 40 anos e uma influência que se faz sentir em vários restaurantes e cozinheiros de comida portuguesa em Macau.

Nascido em Portugal em 1948, o primeiro contacto de António Coelho com Macau aconteceu em 1970, quando teve de cumprir o serviço militar obrigatório de quatro anos. Após dois anos, a terra ficou na memória, mas o futuro cozinheiro optou por regressar à Europa.

Em Portugal, começa por trabalhar na Segurança Social, mudando, mais tarde, para num laboratório de análises clínicas. Foi nesta área que desenvolveu o gosto pela gastronomia, não pelo trabalho, mas pelos vários almoços e jantares em diferentes restaurantes. Cada vez mais interessado na cozinha, António decide empregar-se, em 1984, num restaurante, onde admitiu ter aprendido a cozinhar, de acordo com uma entrevista ao jornal South China Morning Post, de 2018.

Os primeiros anos da nova carreira de António Coelho são passados em Portugal, onde desempenha diferentes funções como gerente-administrador do restaurante Botequim do Rei ou director do departamento de restauração do Grande Hotel da Curia. Em 1996, tem a primeira experiência internacional, como director do departamento de restauração do Hotel Trópico, em Cabo Verde. A experiência prolonga-se um ano.

Criação de um legado

Regressado a Macau em 1997, António vai trabalhando durante 10 anos em diferentes espaços, como os restaurantes Frol de la Mar, Lusitano, Lisboa, tendo ainda uma breve passagem por Hong Kong, em 2002, no Restaurante Inn. No entanto, o passo decisivo para a sua afirmação como um dos chefs mais influentes de gastronomia portuguesa na Ásia surge em 2007, com a abertura do Restaurante António.

E o êxito que se seguiu não foi obra do acaso, como contou Edgar Rodrigues, chef que veio para Macau para trabalhar no lançamento do projecto: “O sucesso teve por base as receitas, a qualidade da comida, mas também o muito profissionalismo”, afirma Edgar Rodrigues, ao HM. “Ele estava muito atento aos clientes. Se houvesse um pedido de amêijoas à bolhão pato, ele tinha receitas diferentes adaptadas à nacionalidade. Por exemplo, os coreanos não gostam de coentros, a receita para eles não tinha coentros. Os clientes chineses gostam de pouco sal, eram servidos com pouco sal, e os locais gostam da receita mais tradicional. Num único prato havia várias formas de cozinhar, só para satisfazer os diferentes clientes”, recorda.

Também Cristiano Tavares, actualmente chef do restaurante Macalhau, veio para Macau para trabalhar no Restaurante António. Considera que o chef encontrou um posicionamento para a comida portuguesa que ainda hoje influencia outros restaurantes. “Acho que o sucesso se deveu à maneira de ser, era uma pessoa politicamente correcta, tinha uma forma de trabalho que agradava tanto a turistas chineses, coreanos como japoneses”, explicou Cristiano Tavares, ao HM. “Éramos um restaurante de rua com quatro ou cinco cozinheiros. Ele conseguiu fazer o que ainda hoje muitos restaurantes grandes não conseguem fazer. Hoje em dia há muitos restaurantes com comida portuguesa que que abrem em Macau, mas seguem o exemplo do que ele fez”, considerou.

Qualidade e espectáculo

Além da comida, os clientes Restaurante António deixavam seduzir-se pelo “espectáculo”. É esta a visão de Marcelino Marques, amigo de António e músico que durante vários anos animou as noites do espaço, com música tradicional portuguesa.

“A qualidade da comida fazia com que o espaço fosse popular. Ele tinha muito cuidado na escolha da comida e das bebidas servidas. Ia a Portugal escolher vinhos de várias regiões, como o Douro ou o Alentejo, todos com muita qualidade, que eram engarrafados com a marca António. As pessoas sabiam que não iam pagar pouco, não que fosse um espaço com preços de luxo, não era, mas a quantidade servida não era pouca”, recordou Marcelino Marques.

Todavia, o músico considera que o sucesso também se deveu a um conceito em que a refeição também era um espectáculo: “As pessoas gostavam de ouvir a música portuguesa, mas também de estar com o António. Ele era uma pessoa afável, grande e aparecia com aquela jaqueta branca com as bandeiras de Portugal, China e Macau e as pessoas gostavam da presença dele e pediam-lhe para tirar fotografias” conta. “Ele também abria uma garrafa champanhe com uma espada. Fazia toda uma cerimónia e as pessoas gostavam muito disto. Era um espectáculo e uma festa ver a rolha a voar da garrafa. Funcionava bem”, lembrou.

Marcelino Marques recorda que a comida e o espectáculo faziam com que o restaurante fosse muito famoso, principalmente entre turistas japoneses, coreanos e de Hong Kong. O músico revela que as marcações dos turistas nipónicos aconteciam com dias de antecedência. E para este factor também contribuiu o facto de António oferecer no final das refeições um cálice de vinho do porto, o que também levou ao reconhecimento da Confraria do Vinho do Porto.

O sucesso do Restaurante António fez com que o chef vendesse o espaço a um fundo de investimento, passando a embaixador do espaço. A ruptura com o fundo aconteceu em 2020, quando foi despedido sem justa causa. O caso acabou nos tribunais, com António a vencer a causa. Nos últimos anos, António assumiu a posição de chef executivo no Angela’s Café and Lounge, no Hotel Lisboeta.

Um pai, um amigo

Devido ao trabalho em Macau, António foi distinguido, em 2013, pelo Governo da RAEM com a Medalha de Mérito Turístico da RAEM. Também em 2015, recebeu a medalha de mérito das comunidades portuguesas do Governo Português. No entanto, para quem trabalhou com ele o mais importante foi a relação que ultrapassou o campo estritamente profissional.

“Ele teve um grande impacto em Macau e para mim foi como segundo pai. Quando vim para Macau não tive uma vida fácil e ele sempre me deu a mão”, confessou Rodrigues. “Foi sempre uma pessoa que esteve presente para mim. E sempre o encarei como um homem de ferro. Em tudo o que ele fazia havia ali uma grande vontade”, apontou.

Este é um sentimento partilhado por Cristiano Tavares. “O António é o meu pai em Macau. Ele trabalhou até ao último dia, sempre com seriedade, honestidade e integridade. É um exemplo para todos os chefs que estamos nesta área”, indicou.

Para Marcelino Marques a morte de António é a perda de um amigo. “O António foi a pessoa que me acolheu em Macau e era capaz de o fazer o mesmo com toda a gente. Ele era rigoroso e exigente, mas era uma pessoa excelente”, descreveu. “Toda a gente o conhecia. Era uma pessoa afável e recebia como ninguém”, completou.