Nissan | Perdas de 677 milhões de euros entre Abril e Junho

A empresa automóvel japonesa Nissan registou um prejuízo líquido de 677 milhões de euros, entre Abril e Junho, o primeiro trimestre do seu ano fiscal, devido à queda nas vendas e ao impacto das tarifas.

O terceiro maior fabricante automóvel japonês teve também uma perda operacional de 462 milhões de euros, enquanto o volume de negócios por vendas caiu 9,7 por cento em termos homólogos, para 15,824 mil milhões de euros, segundo o relatório financeiro publicado ontem.

A perda líquida registada é menor do que a esperada pelos analistas consultados pela Bloomberg, mas reflecte uma situação ainda difícil para o fabricante japonês, envolvido num grande processo de reestruturação.

Embora a evolução da sua oferta e as reduções de custos fixos “tenham permitido atenuar as perdas, o grupo continua a enfrentar ventos contrários, nomeadamente uma diminuição dos volumes de vendas, flutuações desfavoráveis das taxas de câmbio e o impacto dos direitos aduaneiros americanos”, indica a Nissan no relatório.

A empresa mantém as suas previsões para todo o exercício de 2025-2026, em 73 mil milhões de euros, mas escusa-se a fornecer previsões de lucros ou prejuízos num ambiente comercial ainda muito volátil.

As exportações de automóveis do Japão para os Estados Unidos estão sujeitas a uma sobretaxa de 25 por cento desde Abril pela administração Trump. Os direitos aduaneiros totais sobre o sector devem ser reduzidos para 15 por cento, de acordo com um acordo recentemente concluído entre Tóquio e Washington.

Neste contexto, a Nissan viu as suas vendas nos Estados Unidos, em número de unidades, recuarem 6,5 por cento no período de Abril a Junho.

Camboja e Tailândia reiteram na China compromisso com cessar-fogo

Representantes do Camboja e da Tailândia garantiram ontem ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Sun Weidong, que os seus países estão “comprometidos com o consenso alcançado para o cessar-fogo” após um conflito fronteiriço.

Sun recebeu ontem em Xangai representantes do Camboja e da Tailândia que, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, reiteraram a Pequim “o seu compromisso com o consenso sobre o cessar-fogo” e expressaram “o seu agradecimento pelo papel positivo da China” para amenizar a situação.

O comunicado indica que a reunião decorreu num ambiente “franco, amigável e harmonioso” e que o encontro demonstra “o último esforço diplomático da China”, que continua a desempenhar “um papel construtivo no apoio ao Camboja e à Tailândia para resolver pacificamente a sua disputa fronteiriça”.

A Tailândia voltou a acusar ontem o Camboja de “violar” o cessar-fogo devido ao conflito na fronteira, enquanto Pnhom Penh nega e garante que está “comprometida” com o acordo de cessação das hostilidades.

A Tailândia e o Camboja concordaram na segunda-feira com um cessar-fogo após cinco dias de confrontos que deixaram mais de 40 mortos de ambos os países, depois de uma disputa territorial histórica terminar num confronto militar em vários pontos de sua fronteira comum. Banguecoque já denunciou na terça-feira a violação do pacto por parte do país vizinho.

Para cumprir

O porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, rejeitou ontem as acusações e afirmou que o seu país está comprometido com o acordo assinado que entrou em vigor à meia-noite entre segunda e terça-feira.

Após semanas de tensões na sua fronteira, na quinta-feira, 24 de Julho, eclodiu o confronto por questões territoriais entre os exércitos dos dois países, que se acusaram mutuamente de ter iniciado os ataques.

Durante os cinco dias de conflito, pelo menos 43 pessoas morreram, 30 do lado tailandês e 15 do lado cambojano, enquanto cerca de 300.000 pessoas foram deslocadas, de acordo com os últimos balanços oficiais.

O acordo de cessar-fogo foi selado na segunda-feira com a mediação da Malásia, país que detém a presidência rotativa da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), enquanto os Estados Unidos e a China participaram como coorganizador e observador, respectivamente.

Tsunami | Alerta em todo o Pacífico após gigante sismo ao largo da Rússia

Um forte sismo de magnitude 8,8 atingiu ontem a península de Kamchatka, na Rússia, provocando tsunamis no país e no Japão e a emissão de alertas em muitos países banhados pelo Pacífico

 

Na cidade de Severo-Kourilsk, no norte do arquipélago russo das ilhas Curilas, vários tsunamis inundaram as ruas e parte dos dois mil habitantes foram retirados, de acordo com o Ministério de Situações de Emergência. O estado de emergência foi declarado naquela área.

“A quarta onda do tsunami está a chegar. A onda é muito grande, está tudo inundado, toda a costa está inundada”, testemunhou ontem um habitante num vídeo publicado pelo jornal russo Izvestia. De acordo com o presidente da câmara da cidade, citado pela agência estatal russa Tass, um dos tsunamis arrastou para o mar os navios que estavam ancorados.

De acordo com o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS), o sismo de magnitude 8,8 na escala de Richter ocorreu por volta das 07h25 de Macau, a 20,7 quilómetros de profundidade, a 126 quilómetros da costa de Petropavlovsk-Kamchatsky, no extremo oriente russo. Esta magnitude é a mais forte registada em Kamchatka desde 5 de Novembro de 1952, quando um terramoto de magnitude 9, ocorrido praticamente no mesmo local, provocou tsunamis devastadores em todo o Oceano Pacífico. O serviço sismológico de Kamchatka alertou que eram esperadas réplicas de até 7,5.

No Japão, imagens na televisão mostraram pessoas a sair de carro ou a pé para zonas mais elevadas, especialmente na ilha de Hokkaido, no norte do país, onde foi observado um primeiro tsunami com 30 centímetros de altura.
Os funcionários da central nuclear de Fukushima (norte), destruída por um forte terremoto e um tsunami em março de 2011, foram retirados, informou a operadora da infraestrutura.

“Não se aventurem no mar e não se aproximem da costa até que o alerta seja levantado”, apelou a Agência Meteorológica Japonesa (JMA), que prevê ondas de três metros. “Os habitantes das regiões onde foram emitidos alertas devem retirar-se imediatamente para locais seguros, zonas elevadas ou edifícios de evacuação”, insistiu o porta-voz do Governo japonês, Yoshimasa Hayashi.

O alerta nipónico abrange toda a costa norte e leste do arquipélago, até ao sul de Osaka, bem como as pequenas ilhas periféricas. Além disso, nas baías de Tóquio e Osaka, o tsunami poderá atingir um metro.

O outro Pacífico

A China emitiu alerta de tsunami para várias zonas da costa. As Filipinas também exortaram os habitantes da costa leste a deslocarem-se para o interior e aconselharam os pescadores que já se encontram no mar a permanecerem em águas profundas.

A mesma mensagem foi transmitida no Havai, nos Estados Unidos, ameaçado por ondas de três metros ou mais. “As pessoas não devem, e repito mais uma vez, não devem, como vimos no passado, permanecer perto da costa ou arriscar a vida apenas para ver como é um tsunami”, disse o governador do estado, Josh Green.

Também o Peru e o México declararam alerta de tsunami para o litoral, assim como o Equador, que evacuou as praias e os portos do arquipélago de Galápagos. Tsunamis de um a três metros também são possíveis no Chile, na Costa Rica, na Polinésia Francesa e outros arquipélagos. Os Estados Unidos emitiram uma série de alertas de diferentes níveis ao longo da costa oeste norte-americana, do Alasca até toda a costa da Califórnia.

Xangai | Mais de 280.000 pessoas retiradas devido ao tufão Co-may

A metrópole chinesa de Xangai retirou mais de 280.000 pessoas até às 10h de ontem, devido à passagem do tufão Co-may, o oitavo desta temporada, que atingiu a costa leste da China.

Em Xangai, vários distritos elevaram os seus níveis de alerta e, de acordo com números citados pelo portal de notícias local Yicai, o número de pessoas retiradas das suas áreas de residência ultrapassa as 280.000. As autoridades ordenaram o encerramento de alguns parques e zonas turísticas, suspenderam obras de construção e cancelaram aulas nas escolas.

A cidade amanheceu ontem com chuvas fortes, com o observatório meteorológico local a alertar que as precipitações acumuladas poderiam ultrapassar os 100 milímetros (mm) ao longo das próximas 24 horas.
O tufão Co-may atingiu a costa leste da China, onde se espera que nas próximas horas, já degradado a tempestade tropical, continue a mover-se em direcção noroeste sobre o território chinês.

A tempestade atingiu a cidade de Zhoushan (província de Zhejiang, leste) por volta das 04h30 com ventos de 23 metros por segundo no seu centro, de acordo com o Centro Meteorológico da China.
Xangai sofreu em Setembro do ano passado o seu tufão mais forte desde 1949, que deixou dois mortos na província vizinha de Jiangsu.

Futebol | Mais dois ex-funcionários condenados por corrupção na China

Dois ex-altos funcionários do futebol chinês foram condenados ontem por crimes de corrupção, elevando para 18 o número de pessoas condenadas desde o início, em 2022, da maior campanha anticorrupção da história recente do futebol do país.

Liu Jun, ex-presidente da empresa gestora da Superliga chinesa (CSL), foi condenado a uma pena combinada de 11 anos de prisão e uma multa de 1,1 milhões de yuan por aceitar subornos, tanto na qualidade de funcionário como de agente não estatal. O tribunal ordenou também a confiscação dos lucros obtidos ilegalmente por Liu, um dos principais investigados num dos maiores casos de corrupção do futebol na China.

Wang Xiaoping, ex-diretor do Comité Disciplinar da Associação Chinesa de Futebol (CFA), recebeu uma pena de 10 anos e meio de prisão e uma multa de 700 mil yuan por crimes semelhantes. Os rendimentos obtidos indevidamente também lhe foram confiscados.

Com estas duas novas sentenças, sobe para 18 o número de condenados na campanha anticorrupção que, desde Novembro de 2022, tem abalado o futebol profissional chinês, afectando ex-dirigentes, treinadores, árbitros e altos cargos da CFA.

Entre os condenados estão figuras proeminentes como o ex-presidente da CFA Chen Xuyuan, condenado a prisão perpétua, e o ex-treinador da selecção nacional e antigo ídolo local, Li Tie, que cumpre uma pena de 20 anos por aceitar e oferecer subornos.

A Associação Chinesa de Futebol (CFA), agora presidida por Song Kai, indicou que a sua prioridade é “retificar a ética no sector e cimentar as bases para uma nova Longa Marcha rumo ao progresso”, em alusão ao esforço colectivo para reconstruir o futebol chinês após os escândalos.

Análise | Economias locais mais dinâmicas já não são Pequim e Xangai

As economias locais mais dinâmicas da China deixaram de ser metrópoles como Pequim e Xangai e passaram a ser cidades menos conhecidas, incluindo Hangzhou e Hefei, segundo um novo relatório da Economist Intelligence Unit. Shenzhen ficou em quinto lugar, enquanto Pequim, Guangzhou e Xangai não entraram no ‘top 10

As conclusões do estudo da Economist Intelligence Unit (EIU), publicado na terça-feira, reflectem uma mudança crescente no panorama económico do país, à medida que cidades de menor dimensão se afirmam como motores de crescimento, graças à força da indústria transformadora avançada, energias limpas e outros sectores emergentes.

O relatório anual da EIU classifica as cidades chinesas em termos de potencial de crescimento, com Hangzhou – sede do gigante do comércio electrónico Alibaba, da empresa de inteligência artificial DeepSeek e de várias outras grandes tecnológicas – a liderar a lista pelo quinto ano consecutivo.

Segue-se Hefei, cidade no leste da China conhecida como polo de semicondutores e veículos eléctricos, e Chengdu, um importante centro industrial no sudoeste do país. Shenzhen, muitas vezes apelidada de “Silicon Valley” da China, ficou em quinto lugar, enquanto Pequim, Guangzhou e Xangai não entraram no ‘top 10’.

Os resultados “reflectem a ascensão da indústria transformadora e o declínio do sector dos serviços” na China, escreveram os economistas Xu Tianzeng e Su Yue, num contexto em que a prolongada crise imobiliária tem travado o consumo e a economia permanece dependente da produção.

Segundo o relatório, Hangzhou recuperou de forma robusta após as restrições regulatórias impostas por Pequim ao sector tecnológico em 2021. “Desde então, a cidade reafirmou a sua liderança na corrida chinesa à inteligência artificial, impulsionada por empresas como a DeepSeek, ao mesmo tempo que aproveitou as suas vantagens na indústria transformadora avançada”, escreveram os autores, salientando que Hangzhou tem uma das posições fiscais mais sólidas do país.

Hangzhou é também sede dos “seis pequenos dragões” – um grupo de ‘startups’ tecnológicas de destaque, incluindo a DeepSeek, a fabricante de robôs humanoides Unitree Robotics e a rival da Neuralink, BrainCo.

As autoridades da província de Zhejiang, onde se situa Hangzhou, têm dado prioridade ao apoio às empresas de alta tecnologia. Na semana passada, divulgaram um projecto de plano de acção para impulsionar a inovação local, que estabelece como meta que mais de 80 por cento das novas empresas cotadas sejam do sector tecnológico até 2027.

O relatório destaca ainda que Hefei e Chengdu fizeram “investimentos estratégicos e ousados” em tecnologias fundamentais para impulsionar o seu desenvolvimento.

Hefei investiu fortemente na CXMT, um dos principais produtores de ‘chips’ de memória DRAM da China, que se prepara para uma oferta pública inicial, sendo amplamente vista como a melhor aposta do país para competir com a Coreia do Sul e os Estados Unidos no mercado global de semicondutores.

Com pés e cabeça

Chengdu, por sua vez, investiu na fabricante de semicondutores Hygon, uma colaboração com a norte-americana AMD. “Estes empreendimentos não só geraram retornos substanciais para as duas cidades, como também lançaram as bases para ecossistemas industriais mais amplos nas cidades vizinhas”, referem os autores.

A área metropolitana que inclui Chengdu, Deyang, Meishan e Ziyang registou uma taxa média de crescimento superior a 7 por cento no primeiro trimestre de 2025, tornando-se uma das regiões de crescimento mais rápido do país.

De forma semelhante, a aposta da China nas energias limpas está a impulsionar forte crescimento em cidades mais pequenas com bases industriais ligadas às tecnologias de energia renovável. Xinyu e Yichun, na província oriental de Jiangxi, viram a procura crescente por minérios ricos em lítio – essenciais para veículos eléctricos e armazenamento de energia – acelerar o crescimento local.

Já Jinchang, na província noroeste de Gansu, registou uma taxa média anual de crescimento de 12,9 por cento entre 2022 e 2024, impulsionada pela procura de infra-estruturas de energia renovável, que dinamizou a indústria local de metais não ferrosos.

O relatório alerta, contudo, que estas cidades mais pequenas, impulsionadas pela transição energética, também enfrentam “vulnerabilidades”, incluindo a exposição a ciclos de preços de matérias-primas, choques no comércio externo e efeitos indirectos de ajustes de sobrecapacidade industrial.

A memória de lótus dourados que rivalizam com o Sol

Zhang Tingyu (1672-1755), o único alto funcionario, político literato e historiador que, caminhando por «ruelas apertadas com o espírito aberto» (liu chi xiang), resistiu às disputas internas e guerras de ambições que ocorreram ao longo das sucessivas transições entre três brilhantes imperadores da dinastia Qing (1644-1911) – Kangxi, Yongzheng e Qianlong – também foi pai de três influentes cultores das artes do pincel.

O mais velho dos três, Zhang Ruoai (1713-46), na sua vida breve de apenas trinta e três anos, como certas estrelas que muito brilham mas duram pouco tempo, deixou do seu pincel traços que não seriam esquecidos.

Em pinturas como um retrato de Qu Yuan caminhando e cantando (Quzi xingyin tu), poderá ver-se uma representação exemplar da sua condição de criador literato leal ao imperador. Qu Yuan (c.339-278 a.C.) o poeta símbolo da integridade moral e fidelidade nacional era uma figura com quem os literatos gostavam de se identificar.

Das muitas pinturas em álbuns que fez por encomenda imperial nota-se uma curiosa representação de um lugar especial, acarinhado pelos três eminentes imperadores e que já fora pintado por outros pintores da corte, o pavilhão na ilhota Ruyi, diante do monte Yanxun dentro do complexo da Estância imperial de montanha em Chengde, onde os monarcas passavam o Verão.

Nesse ábum Bishu shanzhuang tu bing Qianlong tishi ce, «Ilustrações da estância de Verão de Chengde com poemas do imperador Qianlong», que está no Museu do Palácio Nacional, em Taipé, o imperador escreveu o poema Lótus dourados que se comparam com o sol. Na ilustração ao lado, vêem-se enclausuradas entre longos e geometricamente exactos corredores cobertos, plantadas de modo sistemático, flores de pétalas de um amarelo alaranjado.

Zhang Ruoai não acrescenta qualquer outro elemento que perturbe a exactidão das construções em que se multiplicam abstractas linhas rectas rodeadas por água e o verde das árvores, criando uma impressão de irrealidade, intemporal como um pensamento que surge em meio à natureza.

As grandes e raras flores plantadas, designadas jinlian hua, «lótus dourados» (trollius chinensis) ou flores do globo dourado, dado o aspecto dos longos estames que crescem formando quase uma esfera, vinham do monte Wutai, em Shanxi, e como outras plantas e edifícios da estância de Verão ilustravam a diversidade do império dos Qing.

Outras características das flores como o seu florescimento na época em que lá se encontrava o imperador, a ligeira toxicidade que impedia que fossem tocadas, a cor semelhante à usada exclusivamente pela família real, tornavam-nas especialmente simbólicas. Os três imperadores escreveram poemas sobre a flor, mas Qianlong, que escreveu num seu retrato o poema É um, são dois, Shiyi shier, sabia que a identificação entre duas coisas sugere sempre uma terceira.

MICAF apresenta este fim-de-semana a peça “Um Dia de Astronauta”

O Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau (MICAF, na sigla inglesa) apresenta este fim-de-semana uma peça de teatro oriunda de uma companhia chinesa, a Grande Barco. Trata-se do espectáculo “Um Dia de Astronauta”, que sobe ao palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) amanhã, a partir das 19h30, sábado e domingo a partir das 15h.

Esta é uma “aventura em órbita”, descreve a sinopse do espectáculo pensado para os mais pequenos. “Enquanto enormes painéis solares se estendem como asas pelo cenário, meteoritos voam sobre o público. Por entre fantásticos ecrãs LED e efeitos multimédia, esta é mais do que uma simples viagem acima das nuvens, é também uma aventura imersiva”, descreve-se.

Com “Um Dia de Astronauta”, o público é convidado a entrar nesta aventura, podendo os miúdos “transformar-se em estrelas do universo”, pelo que cada apresentação deste espectáculo promete ser “uma experiência única”.

Em palco “a destemida Fei Fei, o físico Orbit e o engenheiro mecânico Da Shou estão sempre ocupados”, com tarefas como “as rotinas diárias e investigações importantes”. “Uns recolhem dados sobre combustões a baixas temperaturas, conhecidas como ‘fogo frio’, enquanto outros cultivam arroz ou estudam painéis de energia solar. É a fascinante vida em órbita a desenrolar-se diante dos nossos olhos”, é descrito.

O espectáculo, em mandarim e com legendas em chinês e inglês, promete dar respostas ao público sobre os grandes mistérios do espaço e do universo, podendo até “despertar novos sonhos cósmicos”.

Fim-de-semana preenchido

Outro dos eventos que decorre amanhã, até ao dia 29 de Agosto, é o “Acampamento Criativo para Crianças”, também no CCM, com bilhetes a 600 patacas. O acampamento destina-se a crianças dos 8 aos 12 anos e é monitorizado pela Macao Applied Theatre Association, organizando-se workshops e actividades onde as crianças podem brincar e aprender em conjunto.

Também esta sexta-feira decorre a última sessão da “Casa Mágica das Estrelas”, nome para outro workshop do MICAF que decorre na Sala de Ensaio do CCM, e que se destina a crianças com necessidades educativas especiais. Destaque ainda para a exposição permanente “A Magia das Linhas: O Mundo Maravilhoso dos Livros Ilustrados de Serge Bloch”.

Museu de Macau | Exposição assinala centenário da morte Sun Yat-sen

O Museu de Macau acolhe, a partir de 8 de Agosto, uma exposição sobre a passagem pelo sul da China, incluindo Macau e Hong Kong, de Sun Yat-sen, médico, revolucionário e um dos protagonistas da revolução republicana chinesa de 1911. A mostra intitula-se “Da Cura de Doentes à Salvação de uma Nação – Dr. Sun Yat-sen em Guangdong, Hong Kong e Macau”

 

A RAEM acolhe uma exposição que conta a história de vida de Sun Yat-sen, mais revolucionário de corpo inteiro do que médico, que passou por Guangdong, Macau e Hong Kong e que foi um dos principais responsáveis pela revolução republicana de 1911 que levou à queda do regime imperial. Sun Yat-sen acabou mesmo por ficar conhecido como “O Pai da China”, no sentido de ter contribuído para a construção de uma nova nação.

Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), a mostra “Da Cura de Doentes à Salvação de uma Nação – Dr. Sun Yat-sen em Guangdong, Hong Kong e Macau” será inaugurada no dia 8 de Agosto no Museu de Macau e visa comemorar o centenário da morte de Sun Yat-sen. Trata-se de uma iniciativa organizada conjuntamente pelo IC, pelo Departamento de Serviços Culturais e de Lazer do Governo de Hong Kong e pelo Departamento de Cultura, Rádio, Televisão e Turismo de Zhongshan, sem esquecer o Museu Dr. Sun Yat-sen, em Hong Kong, que recebeu a mostra em Junho.

A exposição, que pode ser visitada até 12 de Outubro, presta “uma profunda homenagem às contribuições duradouras do Dr. Sun Yat-sen para a revitalização da nação e a felicidade do povo”, descreve o IC, tratando-se de uma exposição itinerante que nasce “de um projecto de cooperação entre as entidades culturais de Guangdong, Hong Kong e Macau”.

A mostra inclui uma centena de peças ou colecções de imagens históricas, documentos e “valiosas relíquias históricas” da passagem de Sun Yat-sen por Guangdong, Macau e Hong Kong.

A história por fases

Todo o espaço expositivo está dividido em quatro partes, intituladas “O berço do pensamento sobre a salvação da nação”, “O berço da revolução”, “As regiões natais da família”, “Memoriais para o grande espírito”. Em todos estes espaços o público pode “recordar o percurso e a carreira revolucionária do dr. Sun em Guangdong, Hong Kong e Macau”, aponta o IC, apresentando-se ainda “as profundas ligações do dr. Sun com Guangdong, Hong Kong e Macau, expressando-se o profundo respeito destas três regiões” por este revolucionário.

Além da exposição, será projectado um filme relacionado com a personalidade política, sendo também lançada uma exposição online, com recurso à realidade virtual, após a inauguração, a fim de facilitar a visualização dos conteúdos por parte do público.

Segundo informações disponibilizadas pela biblioteca digital da Fundação Jorge Álvares, Sun Yat-sen nasceu no seio de uma família modesta natural da vila de Cuiheng, província de Guangdong.

Já o pai de Sun tinha estado em Macau a trabalhar como sapateiro, tendo voltado depois para a China onde formou família. Sun Yat-sen nasceu a 11 de Novembro de 1866 e partiu para Honolulu, no Hawai, com 13 anos de idade, ao encontro do irmão mais velho.

Estudou Medicina em Honolulu e Hong Kong. Foi nesse período que despertou a sua veia revolucionária. Partiu para Macau aquando da conclusão da licenciatura, em 1892, tendo exercido medicina ocidental no hospital Kiang Wu e, posteriormente, numa clínica fundada por si na Rua das Estalagens.

“Em 1894, já profundamente envolvido na política, fundou a Sociedade para a Regeneração da China que tinha como objectivo derrubar o regime imperial e instalar um governo democrático. No ano seguinte, chegou mesmo a participar numa tentativa de golpe de estado em Guangzhou, mas o golpe falhou, e viu-se obrigado a fugir, exilando-se no Japão. Durante os anos de exílio, viajou bastante pelos Estados Unidos, Canadá e Europa”, lê-se na biblioteca digital.

Ainda no Japão fundou a Sociedade da Aliança Unida que veio dar origem ao partido Kuomitang. Apesar do seu papel ideológico na luta revolucionária, Sun Yat-sen encontrava-se no estrangeiro quando o sistema imperial caiu na China, a 10 de Outubro de 1911, tendo sido por um curto período presidente da nova República da China.

Banca | Menos 429 caixas automáticas no espaço de cinco anos

Por cada cinco caixas de multibanco em funcionamento em 2020, restam hoje apenas quatro. No entanto, o número de terminais para fazer pagamentos electrónicos cresceu de cerca de 70 mil para quase 110 mil

 

Desde o final de 2020, até à actualidade, os bancos passaram a disponibilizar menos 429 caixas automáticas (ou caixas multibanco) à população. O número mais recente, referente ao final de Junho deste ano, foi adiantado ao HM pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), e contrasta com a maior utilização das outras formas de pagamentos electrónicos.

Segundo os dados avançados pela AMCM, no final de Junho havia um total de 1.358 caixas automáticas em funcionamento. Este número mostra que em comparação com o final de 2024 até houve um aumento do número de caixas a funcionar, com mais 29 unidades. No entanto, em comparação com o final de 2020, o ano em que havia mais caixas automáticas a funcionar, a queda tem acontecido de forma praticamente constante.

No final de 2020 estavam em funcionamento 1.787 caixas automáticas, o maior número registado pelo menos desde 2016. Em comparação com Junho de 2025, houve uma redução de 429 caixas automáticas, o equivalente a diminuição de 24 por cento. Esta redução significa que por cada cinco caixas multibanco em funcionamento no final de 2020 uma deixou de estar disponível.

A redução aconteceu de forma progressiva, mas tem acelerado nos últimos anos, à excepção dos primeiros seis meses deste ano. Entre 2020 e 2021 apenas nove caixas deixaram de estar disponíveis. No entanto, entre 2021 e 2022, a diminuição foi de 221 unidades, ou 12,4 por cento.

Entre 2022 e 2023 a quebra do número de caixas automáticas foi mais lenta, com uma redução 56 unidades, para 1.501, quando antes era de 1.557. Entre 2023 e o ano passado a redução voltou a acelerar ao ritmo de 11,5 por cento, com menos 172 máquinas em funcionamento, o que significou que 2024 encerrou com 1.358 máquinas a operar.

Outras alternativas

O encerramento das caixas automáticas dos bancos contrasta com a realidade dos pagamentos através de aplicações para telemóvel que se tem expandido continuamente nos últimos cinco anos.

No final de 2020, de acordo com as estatística publicadas em Janeiro de 2021 pela AMCM, havia cerca de 70 mil máquinas que aceitavam pagamentos móveis. Contudo, no primeiro trimestre de 2020, o número de máquinas era de cerca de 43 mil, o que significa que no espaço de 12 meses o número quase duplicou. Ao longo desse ano o valor das transacções com pagamentos móveis foi de aproximadamente 6,31 mil milhões de patacas.

Todavia, os números do primeiro trimestre de 2025 mostram uma implementação maior deste tipo de pagamentos, tendência para a qual também contribuiu o facto de o Governo de Ho Iat Seng ter utilizado os meios de pagamento electrónico para atribuir apoios ao consumo durante a pandemia.

Segundo os dados mais recentes, no final de Março de 2025, a AMCM contabilizou 108.749 terminais para pagamentos móveis. E só no primeiro trimestre o valor das transacções atingiu 7,9 mil milhões de patacas. Os dados da AMCM mostram também que ao longo de todo 2024 houve um total de 30,3 mil milhões de patacas transaccionados através de pagamentos electrónicos.

Diferença
Caixas Automáticas
1.787
1.358
-24,0%
Terminais de Pagamentos Electrónicos
70.000
108.749
+54,97%

Fonte: Autoridade Monetária de Macau

Alfândega | Rapaz de 14 anos colaborava com rede de contrabando

Os agentes dos Serviços de Alfândega (SA) apanharam, na tarde de segunda-feira, um menor de 14 anos que fazia contrabando em ligação com um grupo que operava na zona norte de Macau.

Segundo um comunicado dos SA, na sequência da investigação ao grupo suspeito, o jovem foi interceptado pelas autoridades quando passava na zona de inspecção do posto fronteiriço das Portas do Cerco, na posse de produtos electrónicos antigos. O rapaz, ainda estudante, admitiu que tinha recebido os produtos e que os ia deixar no outro lado da fronteira.

Através do rapaz, os SA dizem ter conseguido desmantelar a rede de contrabando, tendo apanhado também uma mulher de 60 anos que seria responsável pelo grupo. Dentro de um apartamento foram descobertos 278 computadores portáteis antigos, 900 produtos electrónicos, nomeadamente telemóveis velhos, no valor de 180 mil patacas.

Entretanto, e tendo em conta o colaborador menor de idade, os SA contactaram os pais do rapaz para lhes dar conta do ocorrido, tendo também comunicado o caso à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude.

TDM | Inês Chan é a administradora mais bem paga

Transferida directamente do Gabinete de Comunicação Social para o cargo de administradora na TDM-Teledifusão de Macau, Inês Chan vai ter o salário mais elevado entre os administradores, ficando apenas atrás da vice-presidente da empresa, Lo Song Man.

De acordo com o portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos, Chan vai receber anualmente 1,36 milhões de patacas, valor apenas ultrapassado pelo salário de Lo, que recebe 1,40 milhões de patacas por ano. Os restantes administradores a tempo inteiro da empresa têm salários que ficam pelos 1,22 milhões de patacas por ano.

Japão | Alerta de tsunami não impacta residentes de Macau

Ontem foi emitido um alerta de tsunami no Japão, devido ao terramoto na península russa de Kamchatka. Um representante de agências de viagens afirmou que 10 excursionistas de Macau estavam em Hokkaido, onde algumas zonas tiveram aviso de evacuação. Os residentes estão em segurança e não houve pedidos de ajuda

 

A ocorrência de um terramoto ontem na zona de Kamchatka, na Rússia, provocou uma onda de alertas de tsunami e medidas de evacuação em várias regiões junto ao Oceano Pacífico, sendo que o Japão não é excepção.

Segundo informações disponibilizadas por Paul Wong, presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, dez residentes de Macau que estão a fazer uma excursão na região japonesa de Hokkaido encontram-se em segurança. Nas declarações proferidas ao canal chinês da Rádio Macau, Paul Wong acrescentou que este grupo de dez pessoas deverá regressar a Macau em breve.

Além disso, o responsável confirmou que as agências de viagens do território têm feito contactos no sentido de perceber quantos residentes de Macau estão a viajar no Japão a título individual, sendo que nenhum deles fez pedidos de ajuda ou de apoio. Paul Wong disse ainda que em Agosto haverá dezenas de excursionistas de Macau em Hokkaido e que, para já, não houve cancelamentos das viagens.

Cerca de dois milhões de pessoas no Japão receberam ontem ordens para abandonar as suas casas ou zonas costeiras devido ao risco de tsunami. O terramoto, ocorrido na península russa de Kamchatka, teve magnitude de 8,8, sendo que em Hokkaido, a maior ilha do arquipélago japonês e a mais próxima de Kamchatka, as autoridades locais emitiram ordem de retirada de nível máximo (5 em 5) para 10.463 cidadãos da cidade costeira de Urakawa.

Além disso, mais de 1,9 milhões de pessoas em 21 prefeituras ao longo da costa do Pacífico do Japão receberam avisos de retirada de nível 4, que apelam para a “retirada de zonas perigosas” – tais como as que se encontram perto do mar e da foz dos rios – “o mais rapidamente possível antes que a situação se agrave”.

SMG emitiram ordem

Entretanto, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos emitiram ontem uma nota a dizer que Macau não irá sofrer impactos com a ocorrência deste terramoto. Apenas foi feita uma previsão de que “uma pequena onda de tsunami” poderia atingir a costa de Macau entre as 18h e 19h, “podendo causar uma flutuação do nível da água igual ou inferior a 0,1 metros”, sem “risco significativo” para o território.

As ordens de evacuação das autoridades japonesas baseiam-se nos avisos emitidos pela Agência Meteorológica do Japão (JMA), que estão em vigor desde o início da manhã de ontem para praticamente toda a costa do Pacífico do arquipélago, e que estimam a ocorrência de tsunamis de até três metros de altura.

Até à tarde de ontem (hora de Macau) tinham sido registados tsunamis de até 1,3 metros de altura na localidade de Kuji, na prefeitura de Iwate, e de 80 centímetros na península de Nemuro, em Hokkaido, ambos no norte do país. Foi igualmente observado um tsunami de 30 centímetros no porto de Yokohama, a sul de Tóquio.

Trânsito | Lo Choi In sofre acidente de viação no Interior

A deputada Lo Choi In sofreu um acidente de viação no Interior e teve de ser hospitalizada. O facto foi partilhada pela legisladora ligada à comunidade de Jiangmen, através das redes sociais.

“Lamento informar que sofri um acidente de viação ontem [domingo], quando estava a trabalhar no Interior, mas não se preocupem, a minha vida não corre perigo”, divulgou, numa mensagem partilhada na segunda-feira. “No entanto, como fracturei ossos e as feridas ainda são muito dolorosas o médico obrigou-me a descansar durante alguns dias”, acrescentou.

As condições do acidente não foram reveladas, nem se Lo Choi In ia a conduzir ou seguia apenas como passageira na viatura acidentada. Contudo, a deputada garantiu que como consegue mexer as mãos vai tentar ajudar os residentes através das aplicações móveis e que continua contactável.

A publicação da deputada no Facebook recebeu a atenção de vários internautas que lhe desejaram as melhoras. “Obrigado pela vossa preocupação, não se preocupem, voltarei em breve e voltarei a servir-vos!”, respondeu, face às mensagens de apoio.

Lo Choi In é uma das deputadas que vai deixar o hemiciclo em Outubro, quando os novos deputados tomarem posse. Depois de um mandato, Lo ficou de fora da lista de candidatos ligados à comunidade de Jiangmen.

Chikungunya | Anunciada sexta infecção de residente

Com o número de casos de febre de Chikungunya a subir nos últimos dias, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, visitou estaleiros e parques públicos, onde foi filmada pelas equipas de propaganda do Governo

 

Um residente de Macau que vive em Zhuhai foi identificado pelos Serviços de Saúde (SS) como o sexto caso importado de febre de Chikungunya. A informação foi divulgada na terça-feira à noite, através de um comunicado em língua chinesa.

Segundo a informação oficial, o homem com febre de Chikungunya tem 66 anos e terá sido infectado durante uma viagem de trabalho ao Sri Lanka, onde esteve entre 7 e 18 de Julho.

Voltou para o território sozinho, mas a 21 de Julho começou a apresentar os primeiros sintomas da infecção, como fatiga, dores nas pernas e joelhos e diarreia. No dia seguinte, 22 de Julho, desenvolveu febre e erupções cutâneas nas pernas. Como a febre não desapareceu até ao dia 26, o homem acabou por procurar tratamento no Centro Hospitalar Conde São Januário. Finalmente, a 27 de Julho, o laboratório público de saúde confirmou o novo caso de febre de Chikungunya.

Os SS explicaram também que o caso foi categorizado como importado devido ao “histórico de viagens” do paciente, o “desenvolvimento dos sintomas” e “os testes do laboratório”. As autoridades apontaram também que o estado do paciente apresenta melhorias.

Segundo os Serviços de Saúde a febre Chikungunya é uma doença viral, transmitida por mosquitos do género Aedes, principalmente os das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus.

O Lam foi ao terreno

Com o número de casos a aumentar, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, deslocou-se na terça-feira a alguns locais do território, onde estão a ser realizadas acções de extermínio dos mosquitos, como estaleiros de obras, parques e jardins. As imagens das visitas foram partilhadas pelos meios de propagada do Governo.

A deslocação aos estaleiros da Zona A dos Novos Aterros foi justificada com o facto de pelo menos três dos casos de febre Chikungunya identificados na província vizinha de Cantão envolverem operários da construção civil que trabalham na Zona A. “A possibilidade de haver transmissão da febre através dos estaleiros não pode ser excluída”, foi considerado pelos SS.

Na altura em que o comunicado foi emitido, as autoridades justificaram também o reforço das acções de extermínio dos mosquitos com o facto de terem sido registados cinco casos importados em Macau (ainda não tinha sido divulgado o caso mais recente), assim como um caso local de febre de dengue.

Pequim emitiu 63 mil vistos para quadros qualificados para Macau e Hong Kong

A Administração Nacional para a Imigração emitiu cerca de 63 mil vistos para quadrados qualificados de Pequim, Xangai e das cidades da Grande Baía se instalarem em Macau ou Hong Kong. Os números foram revelados ontem, durante uma conferência de imprensa do Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China e diz respeito ao período do 14º plano quinquenal, que começou em 2021 e termina este ano.

O director de Gestão de Migração dos Cidadãos Chineses, Xiong Shuren, elogiou a medida e considerou que beneficia o intercâmbio entre o Interior, Hong Kong e Macau. O responsável recordou que 59 cidades do Interior da China emitem vistos individuais para a deslocação a Hong Kong e Macau. “Quanto aos vistos de viagem de Hengqin e Macau, mais de 56 mil residentes gozaram dessa conveniência,” destacou.

Sobre os serviços destinados a residentes de Hong Kong e Macau para a deslocação ao Interior da China, Xiong Shuren apontou que durante o período do 14º plano, 394 mil residentes renovaram o salvo-conduto que permite os residentes de Hong Kong e Macau entrarem e saírem do Interior.

Soluções alternativas

Xiong Shuren recordou que durante a pandemia, vários residentes das RAE não conseguiram pedir a renovação. Como tal, indicou que as autoridades lançaram “prontamente” uma política para alargar o prazo de validade de salvo-conduto. O alargamento do prazo de validade dos salvo-condutos abrangeu 4,4 milhões de residentes de Hong Kong e Macau.

Xiong Shuren também revelou que desde Julho de 2024 foi lançada a política de emissão de salvo-conduto para os residentes das RAE com nacionalidade estrangeira para concretizar o que disse serem “grandes avanços” na gestão de estradas e saídas do Interior, de acordo com o princípio “Um País, Dois Sistema” da nova era. Xiong completou que foram emitidos 85 mil salvos-condutos para estrangeiros.

Grande Baía | Árbitros têm de falar pelo menos uma língua estrangeira

Foram ontem publicadas as orientações para escolher árbitros em litígios jurídicos na Grande Baía. Os escolhidos têm de falar “perfeitamente” chinês e, pelo menos, uma língua estrangeira. Além disso, têm de estar inscritos em instituições de arbitragem de duas das três jurisdições da Grande Baía

 

Os residentes de Macau que pretendam ser árbitros em litígios jurídicos na Grande Baía têm, como regra geral, de dominar “perfeitamente” o mandarim ou o cantonês. Os requisitos para o exercício destas funções foram revelado ontem, através da publicação das “Orientações de trabalho sobre a lista de árbitros da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Como primeiro requisito é exigido que os árbitros defendam a Constituição do país e as Leis Básicas de Macau e Hong Kong, além disto também se espera que “tenham bom comportamento deontológico, sem registo de sanções por má reputação ou por violação de deontologia profissional”.

Os futuros árbitros têm igualmente de estar na lista de árbitros de instituições de arbitragem de duas das três regiões da Grande Baía, ou seja, têm de ser reconhecidos como árbitros em Macau e no Interior, Macau e Hong Kong, ou Interior e Hong Kong.

Nas exigências consta ainda a necessidade de ter mais de cinco anos de experiência profissional no exercício de funções de árbitro e de ter “desempenhado, cumulativamente, funções de árbitro em pelo menos cinco casos de arbitragem e elaborado decisões arbitrais”. Em relação às decisões arbitrais em pelo menos três dos casos as decisões têm de ter envolvido arbitragem interjurisdicional”.

Finalmente, o documento com as orientações indica que os árbitros têm de dominar “perfeitamente o mandarim (ou cantonês) e, pelo menos, uma língua diferente do chinês”.

Apesar das exigências gerais, as orientações admitem que as autoridades possam isentar os árbitros de cumprir algumas condições, inclusive sobre a necessidade de dominarem o chinês, de “acordo com a situação”. No entanto, as orientações não revelam em que situações a isenção é garantida. O respeito pela Constituição e Leis Básicas, assim como a necessidade de ter um registo deontológico limpo nunca podem ser alvo de isenção.

Mecanismo de cooperação

As orientações foram elaboradas pelo Departamento da Justiça da Província de Guangdong, pelo Departamento da Justiça do Governo de Hong Kong e pela secretaria para a Administração e Justiça do Governo de Macau, e aprovadas pela Reunião Conjunta dos Departamentos Jurídicos da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. A Reunião Conjunta dos Departamentos Jurídicos da Grande Baía tem os poderes para afastar o cumprimento por parte dos árbitros de alguns requisitos.

É também o órgão da Reunião Conjunta dos Departamentos Jurídicos que vai ter poderes para excluir árbitros da Grande Baía. Esta situação é prevista para quando os árbitros praticam “actos contra a segurança do Estado ou contra o interesse público da sociedade”, cometem uma “violação grave das leis, dos diplomas legais, bem como das regras de arbitragem e da deontologia profissional dos árbitros” ou crimes. A exclusão aplica-se ainda quando os árbitros são afastados da função pública, têm a licença profissional cancelada ou perdem “condições para o exercício de funções em virtude da aplicação da sanção de suspensão do exercício de funções”.

Segundo a versão em português da documento, as orientações permitem ainda o afastamento das árbitros em qualquer situação que a Reunião Conjunta considere que “deve ser concedida a exclusão”.

Gaza | Mais de 60 mil palestinianos já morreram na guerra

Mais de 60 mil palestinianos morreram na guerra entre Israel e o Hamas, que começou há 21 meses, declarou ontem o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo grupo islamita palestiniano. O Ministério da Saúde de Gaza declarou que o número de mortos subiu para 60.034, acrescentando que outras 145.870 pessoas ficaram feridas desde o início da guerra, em 7 de Outubro de 2023.

As autoridades de saúde de Gaza não especificaram quantas destas vítimas mortais eram civis ou combatentes, mas sublinharam que as mulheres e as crianças representam cerca de metade dos mortos. As Nações Unidas e outros especialistas independentes consideram os números apresentados pelas autoridades de saúde do enclave como contagem fiável de vítimas.

A ofensiva israelita destruiu vastas áreas de Gaza, desalojou cerca de 90 por cento da população e provocou uma crise humanitária catastrófica, com especialistas e organizações a alertar para a gravidade da fome no enclave.

A guerra sofreu uma reviravolta drástica no início de Março, quando Israel impôs um bloqueio total de dois meses e meio, impedindo a entrada de alimentos, medicamentos, combustível e outros bens.
Semanas depois, Israel quebrou o cessar-fogo com um bombardeamento e começou a tomar grandes áreas de Gaza, medidas que, segundo Israel, visavam pressionar o Hamas a libertar mais reféns. Pelo menos 8.867 palestinianos foram mortos desde então, segundo as autoridades de Gaza.

Canal do Panamá | China considera neutralidade crucial

A embaixada da China no Panamá considerou crucial a neutralidade do Canal do Panamá, após uma reunião com a administração da via interoceânica em que foram discutidas áreas de cooperação marítima.

Na rede social X, a embaixada chinesa escreveu, na segunda-feira, que “ambas as partes trocaram pontos de vista sobre o intercâmbio e a cooperação em áreas como assuntos marítimos e transporte naval entre [China e Panamá], coincidindo na importância crucial de manter a neutralidade permanente do Canal”.

A reunião, realizada na sexta-feira, no edifício da Administração do canal, foi liderada pela embaixadora chinesa no Panamá, Xu Xueyuan, e pelo administrador da via, Ricaurte Vásquez, no âmbito de uma visita de “cortesia” da diplomata, informou a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) em comunicado.

Segundo a ACP, Vásquez e a subadministradora, Ilya Espino de Marotta, mantiveram com a delegação chinesa um “diálogo cordial sobre temas de interesse comum, incluindo cooperação em comércio marítimo, inovação tecnológica e sustentabilidade”. O encontro ocorre numa altura de reiteradas acusações dos Estados Unidos sobre a alegada “influência maligna” da China no canal, rejeitadas tanto pelo Governo chinês como pelo panamiano.

Este mês, o porta-voz da embaixada chinesa no Panamá criticou as “mentiras” que o embaixador norte-americano no país “repete até à exaustão sobre a China e as relações sino-panamianas”.

Com base na alegada ingerência chinesa no Canal do Panamá, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou “recuperar” a via, construída e operada pelos EUA no século passado até à sua transferência para o Estado panamiano, há 25 anos.

Camboja e Tailândia suspenderam os movimentos de tropas na fronteira

Os exércitos da Tailândia e do Camboja concordaram ontem suspender o movimento de tropas na fronteira, cumprindo o cessar-fogo alcançado na segunda-feira após cinco dias de confrontos. A suspensão do movimento de efectivos militares foi anunciada pelas autoridades tailandesas referindo-se às zonas perto da fronteira entre a Tailândia e o Camboja.

O porta-voz do Exército tailandês, Winthai Suvaree, explicou que os comandantes regionais dos dois países realizaram ontem três reuniões, que terminaram com o acordo que determinou a paragem do movimento de tropas. Devido aos combates dos últimos dias, cerca de 300 mil civis foram obrigados a abandonar os respectivos locais de residência.

Além da paralisação das tropas, as partes concordaram estabelecer comunicações directas entre os chefes militares assim como se vai facilitar o regresso dos feridos e a entrega de restos mortais.

De acordo com fontes militares e governamentais da Tailândia, 15 civis e 14 militares perderam a vida na última semana devido ao agravamento do conflito. Segundo a mesma fonte, 126 militares e 53 civis ficaram feridos, alguns com gravidade.

O Ministério da Defesa do Camboja não actualizou o balanço comunicado no passado fim-de-semana. Os militares do Camboja disseram na altura que cinco militares morreram e 21 ficaram feridos tendo-se registado oito mortes entre a população civil.

Cessar, mas pouco

O exército tailandês acusou ontem o Camboja de violar o cessar-fogo, afirmando que os confrontos continuaram, apesar de a trégua ter entrado em vigor à meia-noite.

“Após a declaração do cessar-fogo, foram relatados distúrbios na área de Phu Makua, causados pelo lado cambojano, levando a uma troca de tiros entre os dois lados, que continuou até esta manhã”, escreveu ontem num comunicado o porta-voz adjunto do exército tailandês, Ritcha Suksuwanon. Além disso, “ocorreram também confrontos na área de Sam Taet e continuaram até as 05h30 (06h30 em Macau)”.

As reuniões de ontem fazem parte do acordo de cessar-fogo alcançado na segunda-feira entre Banguecoque e Phnom Pen, com a mediação da Malásia. O cessar-fogo foi anunciado pelo primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, na qualidade de presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Os combates começaram na quinta-feira passada, após várias semanas de tensões em vários pontos dos 820 quilómetros da fronteira comum entre os dois países.

O Camboja e a Tailândia estão em conflito há muito tempo sobre o traçado da fronteira de mais de 800 quilómetros, definida em grande parte por acordos celebrados durante a ocupação francesa da chamada Indochina, entre final do século XIX e meados do século XX.

A saúde sexual é complexa — e ainda bem

Numa época em que se fala cada vez mais de saúde mental, a discussão pública sobre saúde sexual permanece tímida — muitas vezes limitada a temas como infeções sexualmente transmissíveis (IST) ou gravidez indesejada. O artigo recentemente publicado na International Journal of Sexual Health, da autoria de Manão, Brazão e Pascoal, intitulado “How to Define Sexual Health? A Qualitative Analysis of People’s Perceptions”, devolve-nos alguma da complexidade do conceito a partir da perspetiva das pessoas.

O estudo, que analisa as respostas de 151 participantes em Portugal à pergunta aberta “o que significa para si saúde sexual?”, oferece um retrato multifacetado.

A primeira conclusão relevante é que, para estas pessoas, a saúde sexual não se resume à ausência de doença. Para muitos dos inquiridos, trata-se de uma realidade que abrange o corpo, mas também as emoções, os relacionamentos, a autonomia pessoal e o contexto social e político. Esta visão vai ao encontro da definição mais abrangente proposta pela Organização Mundial de Saúde, uma proposta que tem em conta os muitos fatores que influenciam a saúde e o bem-estar de diferentes modos.

Os temas emergentes — sobre a fisicalidade do sexo, a autonomia, as questões relacionais e íntimas, e a justiça sexual — revelam uma evolução progressiva face à visão tradicional (biomédica e genital), no sentido de um conceito mais inclusivo e contextualizado. É revelador, por exemplo, que muitos participantes associem saúde sexual à capacidade de sentir prazer, de comunicar desejos com o parceiro ou de se sentirem respeitados nas suas escolhas.

Num momento em que se retiram temas de sexualidade da disciplina de Cidadania nas escolas portuguesas, em resposta a receios “ideológicos” infundados, estudos como este evidenciam a importância de continuar a discutir abertamente a sexualidade — e, em particular, a saúde sexual. Esta deve ser entendida como um sistema multifatorial complexo, que exige espaços de igualdade, respeito e liberdade para se ser quem se é, sem medo de discriminação.

É essencial que a saúde sexual seja plenamente integrada nos modelos de saúde, para que a sua força epistémica ganhe novo vigor. A ausência de preconceito, a existência de políticas públicas inclusivas e o acesso equitativo a serviços de saúde sexual foram identificados por alguns participantes como elementos estruturantes, para que cada pessoa possa cuidar efetivamente da sua saúde sexual. A sexualidade, afinal, não é apenas um assunto privado, mas também um campo político.

Outro aspeto relevante diz respeito à responsabilização individual, refletida no tema sobre autonomia. Muitos participantes reconhecem que cabe a cada pessoa cuidar da sua sexualidade, procurar informação, comunicar com o parceiro e, quando necessário, recorrer a serviços especializados.

Esta autonomia é, sem dúvida, essencial. No entanto, a ênfase exclusiva na responsabilidade pessoal pode facilmente escorregar para uma lógica de healthismo — uma ideologia que transfere o peso da saúde inteiramente para o indivíduo, ignorando os determinantes sociais, económicos e culturais. É precisamente aqui que a perspetiva crítica do artigo — e deste campo de estudos — se torna fundamental: não basta promover a saúde sexual como escolha individual; é necessário criar condições estruturais para que essa escolha seja realmente possível.

A saúde sexual é mais do que um tema de consultório ou de sala de aula; faz parte dos mecanismos de significado que sustentam a vida social. É um reflexo direto da sociedade que construímos. O tipo de saúde sexual que promovemos revela muito sobre os nossos valores coletivos — sobre o quanto valorizamos o corpo, a liberdade, o respeito e a justiça.

Importa ter presente que, apesar da sofisticação conceptual evidenciada neste estudo, se trata de uma amostra de 151 pessoas, na sua maioria com ensino superior, recolhida através de uma técnica de amostragem em bola de neve — ou seja, os participantes foram sendo referenciados uns pelos outros. Não podemos ignorar que estes dados representam uma visão situada, e não necessariamente generalizável à população em geral. O que quer dizer que há mais formas de compreensão que podem não estar a ser acedidas, muitas delas que podem ainda ser problemáticas ou indesejáveis.

Qualquer tentativa de desconstruir modelos biomédicos de saúde a favor de uma abordagem socio-política mais abrangente é, de facto, de extrema importância. A saúde sexual não se define apenas pela ausência de vírus ou bactérias, mas por uma compreensão mais completa de bem-estar, em que os fatores socio-políticos precisam de ser analisados, compreendidos e, em algumas situações, transformados. Se há uns tempos este era um trabalho relevante, agora é um trabalho urgente.

Henan | Nomeado abade de templo Shaolin após escândalo de corrupção

A China nomeou ontem um novo abade para o emblemático templo Shaolin, após a destituição do anterior líder religioso, investigado por corrupção e conduta imprópria, anunciaram as autoridades budistas.

O novo responsável do mosteiro, situado na província central de Henan e conhecido mundialmente pela ligação ao kungfu e ao budismo chan, é o mestre Yinle, que desde 2005 exercia como abade do histórico templo do Cavalo Branco (‘Baima’), na mesma região.

Segundo um comunicado oficial emitido pela administração do templo Shaolin, a nomeação foi realizada “de acordo com os procedimentos” estipulados pela regulação estatal e contou com o apoio da comunidade monástica local. O anúncio ocorre um dia depois de a Associação Budista da China ter revogado o certificado de ordenação do anterior abade, Shi Yongxin, por “graves violações disciplinares”.

As autoridades religiosas acusam-no de desviar fundos ligados ao templo e de manter relações impróprias, incluindo pelo menos um filho reconhecido, em violação dos votos monásticos.

Chuva e inundações matam pelo menos 34 pessoas em Pequim e arredores

As cheias e chuvas intensas provocaram 30 mortos em Pequim, anunciaram ontem as autoridades, elevando para pelo menos 34 o número de vítimas mortais provocadas pelas tempestades que assolam a região. Em comunicado, o governo municipal indicou que 28 pessoas morreram no distrito de Miyun, o mais afectado, e duas no distrito de Yanqing, ambos situados na periferia de Pequim.

Mais de 80 mil residentes foram retirados da cidade, incluindo cerca de 17 mil em Miyun, acrescentou a mesma nota. Durante a noite de segunda-feira voltou a chover com intensidade na área. Nesse dia, as autoridades reportaram ainda um deslizamento de terras que causou quatro mortos na zona rural de Luanping, na vizinha província de Hebei, onde outras oito pessoas continuam desaparecidas. Um residente disse ao jornal estatal Beijing News que as comunicações estão cortadas e não consegue contactar os familiares.

As tempestades causaram uma precipitação média superior a 16 centímetros em Pequim até à meia-noite de segunda-feira, com duas localidades de Miyun a registarem 54 centímetros de chuva, segundo o governo municipal.

As autoridades de Miyun abriram as comportas de uma barragem que atingiu o nível mais elevado desde a sua construção, em 1959, e alertaram a população para se manter afastada dos rios a jusante, cuja subida vai continuar devido à previsão de mais chuva.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou na segunda-feira que as cheias em Miyun causaram “graves baixas” e apelou a operações de salvamento, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

O temporal provocou cortes de electricidade em mais de 130 aldeias, destruiu linhas de comunicação e danificou mais de 30 troços de estrada. Na zona de Miyun, as inundações arrastaram automóveis e derrubaram postes de electricidade.

“Em sérios apuros”

Em Taishitun, a cerca de 100 quilómetros a nordeste do centro de Pequim, árvores arrancadas ficaram empilhadas com as raízes expostas e as ruas ficaram cobertas de lama, que atingiu paredes de edifícios. “As águas chegaram de repente, tão rápidas e súbitas. Em pouco tempo, tudo estava a encher”, relatou Zhuang Zhelin, que limpava a lama com a família na sua loja de materiais de construção, citado pela
agência Associated Press.

O vizinho, Wei Zhengming, médico de medicina tradicional chinesa, retirava lama da sua clínica, de chinelos e com os pés cobertos de lodo. “Estava tudo inundado, à frente e atrás. Fugi para o andar de cima e fiquei à espera de resgate. Pensei: se ninguém vier buscar-nos, estamos em sérios apuros”, contou.

As autoridades de Pequim activaram na segunda-feira à noite o nível máximo de emergência, ordenando à população que permanecesse em casa, encerrando escolas, suspendendo obras e actividades turísticas ao ar livre, medidas que vão vigorar até nova indicação.

Economia | Pequim quer reforçar laços com o Brasil face a tarifas de Trump

A China manifestou ontem disponibilidade para reforçar os laços económicos com o Brasil e defender o que classificou de “justiça” no comércio internacional, a poucos dias da entrada em vigor de tarifas dos EUA sobre as exportações brasileiras

 

Em conferência de imprensa em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun disse que a China está disposta a trabalhar com o Brasil e outros países do bloco de economias emergentes BRICS e da América Latina para defender um sistema comercial multilateral centrado na Organização Mundial do Comércio.

Guo sublinhou a importância da cooperação com o Brasil no sector da aviação, referindo-se ao insucesso das negociações para anunciar vendas de aeronaves durante a visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, a Brasília, em 2023, apesar das tentativas iniciais. “A China valoriza a cooperação orientada para resultados com o Brasil, incluindo na aviação. Estamos prontos para promover a cooperação relevante com base em princípios de mercado e impulsionar o desenvolvimento nacional de ambos os países”, afirmou.

O porta-voz recordou que a Embraer, um dos principais fabricantes mundiais de aeronaves comerciais de médio porte, depende fortemente dos EUA como principal mercado de exportação.

Horas depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês voltou a defender o Brasil, reafirmando, através da rede social X, que as guerras comerciais “não têm vencedores”. A declaração surge num contexto de maior tensão diplomática. No início do mês, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50 por cento sobre todas as importações brasileiras, justificando-a com a alegada perseguição política ao seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que aguarda julgamento pela participação numa tentativa de golpe de Estado, em 2023.
Segundo a CNN Brasil, um representante da administração Trump sugeriu informalmente que os EUA poderiam negociar o acesso a minerais raros brasileiros em troca da redução das tarifas. A proposta nunca foi tornada pública, mas gerou preocupação em Brasília, onde as autoridades viram na sugestão uma tentativa de usar pressão económica para obter concessões estratégicas.

Tesouros do subsolo

A China domina o mercado global de terras raras, fornecendo cerca de 70 por cento da procura mundial e concentrando ainda mais capacidade de processamento. Nos últimos anos, Pequim tem usado essa posição como instrumento em disputas comerciais, levando os EUA e aliados a procurarem fornecedores alternativos. O Brasil, que detém as segundas maiores reservas conhecidas, tornou-se uma opção cada vez mais relevante.

Um relatório recente do Conselho Empresarial China-Brasil indicou que as exportações brasileiras de compostos de terras raras para a China atingiram 6,7 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025, triplicando face ao mesmo período do ano anterior.

Analistas apontaram que o aumento reflecte a estratégia chinesa de diversificar o acesso a minerais críticos e reduzir os custos ambientais do processamento interno.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitou publicamente qualquer tentativa norte-americana de pressionar o país a ceder o controlo sobre a sua riqueza mineral. Num evento sobre energia, no Rio de Janeiro, na segunda-feira, criticou o que considerou ser oportunismo de Washington. Lula acrescentou que qualquer empresa interessada em explorar o solo brasileiro precisa de autorização estatal e está proibida de vender ou transferir direitos sem aprovação do Governo.

Com o prazo para as tarifas a aproximar-se, diplomatas brasileiros tentam evitar uma ruptura comercial. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, chegou no domingo aos EUA para reuniões nas Nações Unidas, em Nova Iorque, e indicou que poderá deslocar-se a Washington se a administração Trump manifestar abertura para retomar negociações.

Uma delegação de oito senadores brasileiros permanece em Washington para encontros com legisladores, empresários e representantes da sociedade civil, prevendo ficar até quarta-feira e tentar reunir-se com o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick.