Hoje Macau China / ÁsiaAdministração Trump “não gosta claramente” da UE A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou ontem que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, “não gosta” claramente da União Europeia (UE), pois receia que os 27 Estados-membros em conjunto possam tornar-se uma potência equivalente. “Claramente não gostam da UE”, declarou Kaja Kallas, alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, numa entrevista realizada no âmbito da Conferência Lennart Meri sobre política externa e segurança, que decorre este fim de semana em Talin, capital da Estónia. Kallas comparou esta atitude à da Rússia e da China. “É porque, se nos mantivermos unidos e actuarmos em conjunto, então somos potências equivalentes, somos fortes”, afirmou, advertindo que estas potências “querem desmantelar” o bloco comunitário. Neste contexto, disse estar “muito preocupada” com a resposta de alguns países da UE, que transmitem a Washington a mensagem de que a relação é boa. “Se não gostam da UE, falem connosco [individualmente]”, permitindo assim que a estratégia de divisão dos Estados Unidos produza efeitos. Outros temores Por outro lado, a chefe da diplomacia europeia manifestou também preocupação com a tendência revelada pelas sondagens, segundo as quais a percepção pública europeia se torna cada vez mais crítica em relação a Washington, ao ponto de apenas 14 por cento considerarem os Estados Unidos um aliado. “Não nos devemos deixar levar por isso, precisamos uns dos outros. As nossas economias estão interligadas e a nossa segurança também”, sublinhou. Kallas criticou também a posição norte-americana no âmbito das negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, estagnadas há vários meses, considerando que esta passou por “pressionar a Ucrânia a ceder territórios que nem sequer perdeu militarmente”. Guerra de sexos De forma geral, acrescentou a alta representante, a estratégia de Trump – usada também em outras regiões do mundo – consiste em “fazer chocar as cabeças” dos rivais e impor-lhes a paz, mas, argumentou, “um conflito não termina sem aceitação social”. Kallas considerou que, nesse sentido, é necessário lidar com as raízes do problema e garantir que exista justiça pois, caso contrário, uma parte da população “procurará vingança e o ciclo continuará”. “Aliás, há também estudos que mostram que, quando as mulheres participam nas negociações, os acordos de paz são mais duradouros. E… a imagem que vimos das conversações entre os Estados Unidos e a China… havia muita masculinidade na sala, não era?”, comentou. Quanto à estratégia adequada perante a guerra na Ucrânia, a alta representante insistiu na necessidade de se “continuar a pressionar a Rússia”, para que Moscovo perceba que a táctica de recorrer aos Estados Unidos para alcançar os objectivos não funcionou e que tenha de se sentar verdadeiramente à mesa das negociações com Kiev e com os europeus.
Hoje Macau China / ÁsiaCimeira | Revitalização da China é compatível com movimento MAGA O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que as aspirações da “grande revitalização” da China são compatíveis com as de “tornar a América grande novamente”, como é conhecido o movimento MAGA (“Make America Great Again”) promovido por Donald Trump. Na abertura do banquete de Estado durante a visita oficial do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, Xi traçou paralelos entre o plano para os próximos 15 anos, de “avançar a modernização da China através de um desenvolvimento de alta qualidade”, e a celebração dos 250 anos de independência dos Estados Unidos e o espírito de “patriotismo, inovação e pioneirismo” que representa. “Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, defendeu. Mais tarde, Trump brindou à “prosperidade da China e dos Estados Unidos” e a um futuro “promissor” para as relações amistosas entre os dois países, enquanto Xi afirmou que ambos acreditam manter a “relação bilateral mais importante do mundo”. “Temos de garantir que funciona e nunca se estraga”, disse Xi, no final do primeiro dia de visita oficial de Trump. O jantar de gala realiza-se num salão do Grande Palácio do Povo e entre os participantes encontram-se altos funcionários de ambos os países, bem como empresários de grandes empresas chinesas e norte-americanas. Trump enfatizou o “laço de respeito” entre os dois países, que pode ser rastreado até à origem dos Estados Unidos, e afirmou que é “uma das relações mais transcendentais da história” e que definiu como “especial”. “Ambos valorizamos o trabalho árduo, o valor, a coragem e a conquista”, disse Trump, acrescentando: “Ambos temos a oportunidade de nutrir esses valores para criar um futuro de grande prosperidade, cooperação e felicidade”. A visita de Trump prossegue esta sexta-feira com um almoço de trabalho.
Hoje Macau Grande Plano MancheteCimeira | Economia, relações comerciais e Taiwan discutidos por Xi e Trump em longa reunião Foram duas horas de diálogo entre os dois mais importantes líderes da actualidade. Xi Jinping, Presidente chinês e Donald Trump, Presidente dos EUA, reuniram ontem para discutir questões comerciais, Taiwan e as relações económicas numa altura de turbulência geopolítica. Xi declarou que os dois países devem ser “parceiros, não rivais” Há muito que Donald Trump não pisava solo chinês na qualidade de Presidente dos EUA – a última vez foi em 2017, no seu primeiro mandato. As expectativas têm sido mais que muitas para esta cimeira que termina hoje, e que esta quinta-feira teve um dos pontos altos, com um encontro de cerca de duas horas entre Trump e Xi Jinping, Presidente chinês, numa altura em que os dois países tanto têm para dialogar. Não só são as duas maiores potências da actualidade, como esta cimeira acontece no contexto de uma situação geopolítica complexa, com o conflito no Médio Oriente, a crise energética, a questão de Taiwan e ainda as relações económicas entre os dois países, nem sempre pacíficas. A reunião de ontem foi realizada num formato alargado, com a presença de delegações de ambos os países, no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, Pequim. Após o contacto inicial, que incluiu cumprimentos tradicionais e uma discussão sobre Taiwan, os dois líderes visitaram o Templo do Céu, um dos principais sítios históricos da capital chinesa. Xi ofereceu também um banquete de homenagem a Trump, sendo que hoje os presidentes irão tomar chá e almoçar juntos. Ontem, Xi Jinping advertiu Donald Trump da possibilidade de um conflito entre os dois países caso Washington não lide bem com a questão de Taiwan, noticiou a televisão estatal chinesa. “A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino – norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar. Entre os temas em discussão incluíram-se o Irão, comércio bilateral e até um eventual acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo. Questão de peso A questão de Taiwan pesa na agenda dado o desagrado de Pequim com o pacote de armas norte-americano de 11 mil milhões de dólares americanos aprovado para a ilha. Pequim insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais, mesmo que subtis, de redução do apoio norte-americano à ilha. Antes da visita, uma porta-voz do Governo chinês sublinhou a determinação da China em opor-se à independência de Taiwan é “tão firme como uma rocha” e a que a capacidade de esmagar qualquer tentativa de secessão é inabalável. Os comentários vieram depois de uma recente intervenção do líder de Taiwan William Lai Ching-te, na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual afirmou que a democracia é o “bem mais precioso” de Taiwan e que o povo taiwanês “sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede”. Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um actor central no contexto das disputas entre Pequim e Taipé. A bem da cooperação Entretanto, Xi Jinping declarou também estar feliz por receber o homólogo norte-americano, Donald Trump, afirmando que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”, apesar das múltiplas divergências. “A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto a confrontação prejudica as duas. Devemos ser parceiros, não rivais, devemos ajudar-nos mutuamente para alcançar o sucesso e prosperar em conjunto,” disse Xi a Trump. O líder chinês acrescentou que o mundo se encontra “numa encruzilhada”, realçando ser necessário “uma nova via” de “boa convivência entre grandes potências nesta nova era”. Por seu lado, Trump prometeu a Xi um “futuro fabuloso” entre os EUA e a China, logo no início da cimeira. “É uma honra estar ao seu lado. É uma honra ser seu amigo, e as relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca”, afirmou Trump. Entretanto, segundo a Xinhua, Xi Jinping reuniu ontem em Pequim com empresários norte-americanos que integram a comitiva liderada por Trump, que disse ter trazido consigo “representantes de destaque da comunidade empresarial norte-americana, todos eles respeitadores e apreciadores da China”. Os empresários terão sido apresentados ao Presidente chinês “um a um”, escreveu a agência estatal chinesa, tendo afirmado “que atribuem grande importância ao mercado chinês”. Além disso, esperam “aprofundar as suas operações comerciais na China e reforçar a cooperação com o país”. Por sua vez, Xi Jinping “afirmou que as empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e que ambas as partes têm beneficiado com isso”. Resultados “concretos” A Casa Branca insiste que a viagem visa alcançar resultados concretos, nomeadamente compromissos chineses de compra de soja, carne bovina e aviões norte-americanos, além da criação de um Conselho de Comércio para resolver diferendos. Contudo, não foram avançados detalhes sobre possíveis acordos, numa altura em que os laços económicos de Pequim com o Irão complicam as negociações. A ofensiva lançada pelos EUA e Israel levou o Irão a bloquear o estreito de Ormuz, com petroleiros e navios de gás natural retidos, provocando a subida dos preços da energia e ameaçando o crescimento global. Os EUA e a China alcançaram no ano passado uma trégua comercial que suspendeu tarifas elevadas. A Casa Branca já afirmou existir interesse mútuo em prolongar o acordo, embora não esteja claro se será anunciado durante esta visita. Na delegação que acompanha Trump estão o chefe da diplomacia norte-americana, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário da Defesa Pete Hegseth, além dos filhos do Presidente, Eric e Lara Trump, o dono da SpaceX e da rede social X, Elon Musk. China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, diz Xi O Presidente chinês Xi Jinping prometeu ontem à delegação de empresários que acompanhou o líder norte-americano Donald Trump que a China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, reportou a imprensa estatal chinesa. “As empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e ambas as partes beneficiam disso. A porta da abertura da China continuará a abrir-se cada vez mais”, afirmou Xi, citado pela Xinhua. O líder chinês elogiou ainda o reforço na “cooperação mutuamente benéfica” entre os dois países e disse estar convicto de que as “empresas norte-americanas terão perspectivas ainda melhores na China”. Os dirigentes de vários gigantes empresariais que acompanharam o Presidente dos EUA na visita à China, estiveram presentes na cimeira realizada em Pequim entre o líder republicano e o homólogo chinês, algo invulgar neste tipo de diálogos bilaterais. Da Apple à Tesla Nas imagens difundidas pela CCTV, vê-se o grupo de empresários — entre os quais os presidentes executivos da Nvidia, Jensen Huang, da Apple, Tim Cook, e da Tesla, Elon Musk — a entrar no Grande Salão do Povo, onde se reuniam as delegações dos EUA e da China, lideradas pelos dois chefes de Estado. De acordo com o jornal estatal Diário do Povo, Trump afirmou ter levado a Pequim representantes destacados do sector empresarial norte-americano, explicando ter rejeitado a presença de executivos de “segundo nível”, o que, assegurou, reflectia o respeito das companhias para com a China e Xi. Posteriormente, os empresários foram vistos a abandonar o edifício para embarcar no autocarro utilizado nas deslocações pela capital. “Maravilhoso, muitas coisas boas”, disse Elon Musk aos jornalistas que aguardavam no exterior, com Jensen Huang a afirmar que as reuniões “correram bem” e que “Xi e o Presidente Trump foram incríveis”, enquanto Tim Cook limitou-se a fazer com os dedos um sinal de paz seguido de um gesto de aprovação. A delegação empresarial que acompanha Trump inclui ainda responsáveis da Boeing, BlackRock, Visa, Mastercard, Meta e Goldman Sachs, sublinhando o carácter económico e comercial da visita.
Hoje Macau China / Ásia MancheteGoverno da China saúda visita do Presidente Donald Trump ao país Donald Trump chegou ontem à noite a Pequim para uma visita oficial de três dias. Hoje encontra-se com Xi Jinping A China saudou ontem a visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou ontem ao país asiático para uma visita oficial, desejando reforçar a cooperação para injectar “mais estabilidade” nas relações internacionais. “A China saúda a visita de Estado do Presidente Trump”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun. A China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para “expandir a cooperação e gerir as diferenças, trazendo assim mais estabilidade e certeza a um mundo assolado pela mudança e turbulência”, afirmou o porta-voz durante uma conferência de imprensa regular. O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), publicou ontem um editorial afirmando que a relação entre a China e os Estados Unidos “não pode voltar ao passado” e pode ter “um futuro melhor”, apresentando a cimeira como uma oportunidade para ambas as potências trazerem “estabilidade” a um mundo “turbulento”. Trump viaja com um grupo de selectos executivos nortes-americanos, incluindo Elon Musk, da Tesla; Tim Cook, da Apple; Larry Fink, da BlackRock; Kelly Ortberg, da Boeing; e executivos de empresas como a Mastercard, Visa, Goldman Sachs e Meta. O encontro dos dois líderes foi precedido pelas negociações económicas e comerciais que o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizaram ontem em Seul. No entanto, o editorial do Diário do Povo enquadrou o encontro como parte de uma diplomacia entre líderes que funciona como “âncora” para a relação, argumentando que cada novo encontro entre Xi e Trump pode ajudar a garantir que os laços “não se desviem do rumo e não percam o ímpeto”, ao mesmo tempo que alertou que Taiwan é “a linha vermelha” nas relações bilaterais. Segurança reforçada Pequim amanheceu ontem com sinais visíveis da visita de Trump: bandeiras chinesas e norte-americanas hasteadas ao longo da estrada para o aeroporto, uma presença reforçada de segurança em vários pontos da capital e postos de controlo em vários locais relacionados com a agenda do Presidente norte-americano. A segurança foi especialmente reforçada em redor do Hotel Four Seasons, junto à Embaixada dos EUA e onde Trump ficará hospedado, com presença policial nas proximidades, bem como medidas de segurança visíveis em importantes cruzamentos da cidade, onde alguns militares estão em constante vigilância. A cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, na quinta e sexta-feira, em Pequim, visa estabilizar a relação entre as duas maiores potências mundiais, marcada por rivalidades e tensões persistentes. Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.
Hoje Macau China / ÁsiaIgreja | Papa sem medo da Administração de Trump O Papa rejeitou ontem ter medo da Administração dos Estados Unidos e querer entrar em debate com o chefe de Estado norte-americano, após as críticas feitas por Trump a Leão XIV. “Não sou político, não tenho qualquer intenção de entrar em debate com ele. A mensagem é sempre a mesma: promover a paz”, argumentou o Papa em declarações aos jornalistas que o estão a acompanhar na sua visita a Argélia. Leão XIV chegou à Argélia ontem para uma visita histórica, a primeira de um Papa ao país, no início de uma viagem de onze dias por África, que foi perturbada antes de começar pelas duras críticas do Presidente norte-americano. Num contexto internacional de tensão provocada pela guerra no Médio Oriente, o Presidente norte-americano lançou fortes críticas contra o Papa, dizendo que “não era grande fã” dele. Leão XIV tinha proferido um discurso contra o conflito no Médio Oriente. Num gesto que poderia ser interpretado como um apoio ao Papa, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni — próxima de Trump — divulgou uma declaração na manhã de ontem a desejar ao Papa uma viagem proveitosa a quatro países africanos. Em Argel, o Papa foi recebido com honras debaixo de chuva pelo Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune. Uma salva de tiros foi disparada quando desembarcou do avião papal. Esta viagem à Argélia “é muito especial”, disse Leão XIV ao chegar à terra natal de Santo Agostinho, cujo pensamento perpassa o seu pontificado. Este grande pensador cristão do século IV é “uma ponte muito importante no diálogo inter-religioso”, e “esta viagem representa uma oportunidade muito preciosa para continuar a promover a paz e a reconciliação com respeito e consideração por todos os povos”, acrescentou. Viver em paz A coexistência pacífica estará no centro da mensagem do Papa neste país de 47 milhões de habitantes, onde o Islão sunita é a religião oficial. Na primeira paragem da sua visita de dois dias, o Papa Leão XIV prestará homenagem no Monumento aos Mártires às vítimas da Guerra da Independência contra a França (1954-62), um gesto de reconhecimento da história dolorosa da nação. Será depois recebido pelo Presidente Tebboune e fará o seu primeiro discurso às autoridades e ao corpo diplomático. À tarde, visitará a Grande Mesquita, um complexo monumental com o minarete mais alto do mundo (267 m), antes de seguir para a Basílica de Nossa Senhora de África, uma emblemática igreja cristã com vista para a Baía de Argel. Durante uma celebração inter-religiosa que vai reunir cristãos e muçulmanos, o líder dos 1,4 mil milhões de católicos vai apelar à fraternidade num país onde os católicos representam menos de 0,01% da população. Esta viagem marca o início da primeira grande viagem internacional do Papa, de 70 anos, que o levará aos Camarões, Angola e Guiné Equatorial [de 13 a 23 de Abril], uma maratona de 18.000 quilómetros com uma agenda bastante preenchida. Numa peregrinação mais pessoal, o Papa viajará na terça-feira para Annaba (leste), perto da fronteira com a Tunísia, a antiga Hipona Régia, cujo bispo foi Santo Agostinho (354-430).
Hoje Macau China / ÁsiaChina / EUA | Reforço de investimento antes de chegada de Trump China e Estados Unidos estão a discutir formas de reactivar o investimento recíproco como parte dos preparativos para a prevista visita do Presidente norte-americano a Pequim, avançou ontem o jornal de Hong Kong South China Morning Post. Citando fontes anónimas, o jornal referiu que a assinatura de acordos na área do investimento poderá ser um dos poucos resultados tangíveis da deslocação, anunciada por Washington para 31 de Março a 02 de Abril, mas ainda não confirmada oficialmente por Pequim. A incerteza em torno da visita e dos possíveis resultados aumentou nos últimos dias, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, país do qual a China é o principal parceiro comercial e maior comprador de petróleo, além de um dos seus mais importantes apoios diplomáticos. Segundo o jornal, embora ainda não existam acordos específicos, tanto Pequim como Washington manifestaram interesse em estruturas como empresas conjuntas com modelos claros de governação, acordos de licenciamento ou formatos com menor exposição em matéria de propriedade intelectual, susceptíveis de resistir ao escrutínio político e regulatório. Uma das fontes citadas aponta como “modelo possível” o acordo alcançado em 2023 entre a Ford e a chinesa CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos eléctricos, que permitiu à empresa norte-americana licenciar tecnologia de baterias de fosfato de ferro-lítio para utilização nos Estados Unidos. Entre os pontos de fricção, os representantes norte-americanos terão insistido na necessidade de melhorar o acesso ao mercado chinês, onde empresas estrangeiras denunciam há anos tratamento desigual. Pequim pediu maior protecção para os seus investimentos face a perdas e retiradas motivadas por maior escrutínio e por tarifas, abordando também as ofertas públicas iniciais de empresas chinesas nos mercados norte-americanos. Os Estados Unidos têm sido tradicionalmente um dos principais destinos do investimento externo chinês, que atingiu um máximo de 17 mil milhões de dólares em 2016, recuando para cerca de 6,6 mil milhões de dólares em 2024. No total, a China investiu mais de 90 mil milhões de dólares na maior economia mundial. Segundo dados divulgados por Pequim, o investimento norte-americano na China caiu 18,5 por cento em 2024, para cerca de 2,7 mil milhões de dólares. De acordo com uma das fontes, foi transmitido que o investimento chinês é bem-vindo, desde que em sectores considerados não sensíveis. Contudo, para que tal se concretize, seria necessário “mudar a narrativa” e atenuar o discurso da “ameaça chinesa” dominante nos Estados Unidos. Nova ronda Na semana passada, o ministério do Comércio chinês anunciou a realização de uma sexta ronda de negociações comerciais com Washington. Embora a data e o local não tenham sido confirmados, espera-se que as conversações sirvam de antecâmara à visita de Trump. O South China Morning Post referiu ainda que a deslocação poderá permitir prolongar a trégua comercial de um ano acordada em Outubro entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, que ajudou a aliviar temporariamente as tensões geradas pela escalada tarifária iniciada após o regresso do republicano à Casa Branca.
Hoje Macau China / ÁsiaCasa Branca | Donald diz que visita à China vai “ser algo selvagem” A Casa Branca anunciou que Donald Trump vai fazer uma viagem oficial à China, de 31 de Março a 02 de Abril. Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, já se reuniram pessoalmente por cinco vezes. “Vou à China em Abril. Vai ser algo selvagem”, tinha dito Trump na quinta-feira. Esta visita realiza-se depois de o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA ter anulado parcialmente as taxas alfandegárias que Trump tinha instituído. Estas taxas têm sido um dos principais focos de tensão entre EUA e China. A disputa comercial acalmou com um acordo de emergência, em Maio de 2025, em Genebra, que se consolidou por um ano, desde Outubro de 2025, quando a China levantou as restrições às suas exportações das ditas terras raras e os EUA reduziram parte das taxas. Donald e XI devem também abordar as relações bilaterais na tecnologia e a segurança na região Ásia-Pacífico, além da questão específica de Taiwan. No final de 2026, em sentido inverso, está previsto que Xi Jinping se desloque à Casa Branca.
Hoje Macau China / ÁsiaEconomia | Aliados históricos dos EUA cedem influência à China Os líderes do Reino Unido e do Canadá “inclinaram-se perante Pequim”, observou ontem o analista Bill Bishop, numa análise aos recentes contactos diplomáticos com a China, que reflectem um distanciamento em relação aos Estados Unidos. “Tivemos dois dos mais firmes aliados históricos dos Estados Unidos, dois membros da NATO […] efectivamente, de certa forma, a inclinarem-se perante Pequim”, comentou o analista no seu boletim diário Sinocism. A visita realizada na semana passada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à República Popular da China – a primeira de um chefe de Governo britânico desde 2018 – ocorre num momento em que outros líderes ocidentais, como os da França, Finlândia e Canadá, também procuram reforçar os laços com Pequim, numa tendência de diversificação de alianças face à imprevisibilidade da política externa norte-americana. Apesar de Pequim não ter anunciado concessões de relevo à delegação britânica, Starmer regressou ao Reino Unido com a redução das tarifas sobre o whisky britânico de 10 por cento para 5 por cento e com a promessa de novas parcerias comerciais. Uma delegação empresarial de cerca de 50 empresas, incluindo a AstraZeneca, acompanhou o chefe do Governo, tendo sido anunciado um investimento de 15 mil milhões de dólares na China até 2030. A visita foi precedida pela aprovação, por parte das autoridades britânicas, de um projecto para uma nova embaixada chinesa em Londres, bloqueado durante vários anos, bem como pelo abandono de um processo judicial por espionagem que envolvia cidadãos chineses. Para Bishop, a estratégia de Pequim não visa substituir os Estados Unidos como aliado principal destes países, mas sim “explorar o espaço deixado por fissuras” nas relações tradicionais com Washington. A visita de Starmer, tal como a do primeiro-ministro canadiano, é interpretada como um sinal de abertura para relações mais pragmáticas com dois membros da NATO e da aliança de informação “Cinco Olhos”. “A China continua a ter uma enorme vantagem em cadeias de abastecimento críticas, como as terras raras”, lembrou Bishop, referindo-se ao controlo chinês sobre minerais essenciais para a indústria. Um relatório recente do grupo de reflexão European Council on Foreign Relations (ECFR) apontou num sentido semelhante. O documento concluiu que a política externa unilateral e transacional de Donald Trump está a provocar um realinhamento global, com vários países a considerar a China um actor mais previsível e, em certos casos, mais confiável do que os Estados Unidos. Mapas de influência Segundo o ECFR, apenas 16 por cento dos europeus vêem hoje os EUA como um aliado confiável. Entre os inquiridos em 21 países, apenas 10 por cento acreditam que os EUA terão mais influência no mundo dentro de 10 anos, enquanto 36 por cento apostam na China. O relatório sublinhou ainda que muitos cidadãos, tanto na Europa como no chamado Sul Global, já não vêem o mundo dividido entre dois blocos rivais, mas sim como um espaço multipolar, onde é possível manter boas relações com ambas as potências. Para Bishop, o objectivo da China não é virar aliados ocidentais contra Washington, mas sim aproveitar as divisões que se alargaram. “Não se trata de os virar contra os Estados Unidos, mas sim de expandir o espaço de influência e negociação”, afirmou.
Hoje Macau Grande PlanoEuropa | Merz considera inaceitáveis pontos da geostratégia de Trump O chefe do governo federal alemão, Friedrich Merz, declarou ontem que há certos pontos inaceitáveis no documento sobre Defesa e geostratégia da Administração norte-americana liderada por Donald Trump, na perspectiva europeia. “Não vejo qualquer necessidade de os americanos quererem salvar a Democracia na Europa”, disse, em visita à Renânia-Palatinado (estado a sudoeste), que alberga várias bases militares dos Estados Unidos da América (EUA). Num documento estratégico sobre segurança nacional dos EUA, divulgado na passada semana, lê-se um alerta para o perigo de “extinção civilizacional” da Europa, caso se mantenham as “tendências actuais”, “Se as tendências actuais continuarem, o continente [Europa] vai ficar irreconhecível dentro de 20 anos ou menos”, lê-se no documento de 33 páginas, no qual é defendida a “restauração da supremacia” dos EUA na América Latina. Trump, no prefácio, resume: “pomos a América em primeiro lugar em tudo o que fazemos”. “É mais do que plausível que, em poucas décadas, no máximo, os membros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, na sigla inglesa) se tornem predominantemente não europeus”, escreveu, acrescentando que “é legítimo questionar se eles perceberão o seu lugar no Mundo ou sua aliança com os EUA, da mesma forma que aqueles que assinaram a carta da organização”. A Casa Branca lamenta decisões europeias que “minam a liberdade política e a soberania, as políticas migratórias que estão a transformar o continente [Europa] e a criar tensões, assim como a censura à liberdade de expressão e a repressão à oposição política, a queda nas taxas de natalidade e a perda de identidades nacionais (…)”. Washington manifesta desejo de que “a Europa permaneça europeia, recupere sua autoconfiança civilizacional e abandone sua obsessão infrutífera com o sufoco regulatório”.
Hoje Macau China / ÁsiaTrump aconselha Japão a não provocar a China com Taiwan O Presidente dos Estados Unidos aconselhou a primeira-ministra japonesa a não provocar a China com a questão da soberania de Taiwan, informou ontem o Wall Street Journal (WSJ), na sequência da disputa diplomática sino-nipónica. As relações entre as duas maiores economias da Ásia estão a atravessar um momento difícil depois de, no início de Novembro, a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmar que Tóquio poderia intervir militarmente no caso de um ataque a Taiwan, ilha que Pequim considera parte do território chinês. Durante uma chamada telefónica com o Presidente norte-americano, Donald Trump, na segunda-feira, o homólogo chinês, Xi Jinping, insistiu neste assunto, afirmando que o retorno de Taiwan à China faz parte integrante da “ordem internacional do pós-guerra”, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Pouco depois, “Trump organizou uma chamada com Takaichi e aconselhou-a a não provocar Pequim sobre a questão da soberania da ilha”, informou o diário WSJ, citando, embora sem identificar, responsáveis japoneses e um norte-americano que estão familiarizados com a conversa. “A opinião de Trump foi subtil e ele não a pressionou a voltar atrás nas declarações”, lê-se no jornal. Entretanto, o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, não quis ontem confirmar se Trump pediu a Takaichi que moderasse o tom em relação a Taiwan. “Na conversa telefónica do outro dia, discutimos muitas questões, como o reforço das relações entre o Japão e os EUA e a situação e os problemas no Indo-Pacífico (…). Evito dar mais pormenores porque se trata de um assunto diplomático”, disse Kihara durante a conferência de imprensa diária. No relato da chamada, a chefe do Governo japonês limitou-se a indicar que falou com Donald Trump sobre a conversa deste com Xi Jinping, bem como sobre as relações entre os dois aliados. “O Presidente Trump disse que éramos amigos muito próximos e sugeriu que eu lhe ligasse a qualquer momento”, afirmou a líder japonesa. Proteger interesses De acordo com o WSJ, porém, “os responsáveis japoneses consideraram a mensagem preocupante”. “O Presidente [norte-americano] não queria que as tensões em torno de Taiwan comprometessem a abertura alcançada no mês passado com Xi, que inclui a promessa [da China] de comprar mais produtos agrícolas norte-americanos, a fim de apoiar os agricultores duramente afectados pela guerra comercial”, desencadeada pelo líder norte-americano, estimou o jornal. Na sequência das declarações de Sanae Takaichi, a China convocou o embaixador do Japão e aconselhou a população a evitar viagens para o arquipélago. O lançamento de vários filmes japoneses na China também foi adiado, de acordo com os meios de comunicação estatais chineses.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA / Nigéria | China rejeita “ameaças de sanções e uso de força militar” A China rejeitou ontem as ameaças de sanções e intervenção militar dos Estados Unidos contra a Nigéria, após Donald Trump acusar o Governo nigeriano de permitir a matança de cristãos. “Enquanto parceiro estratégico abrangente, a China apoia firmemente o Governo nigeriano nos seus esforços para conduzir o povo por um caminho de desenvolvimento compatível com as suas condições nacionais”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning, em conferência de imprensa. Mao afirmou que Pequim “se opõe à ingerência de qualquer país nos assuntos internos de outros, sob pretexto da religião ou dos direitos humanos”. Num texto publicado na rede social Truth Social, Donald Trump escreveu: “Se o Governo nigeriano continuar a permitir a matança de cristãos, os Estados Unidos irão suspender de imediato toda a ajuda e assistência à Nigéria, podendo mesmo intervir nesse país agora desacreditado, com recurso a armas, para eliminar por completo os terroristas islâmicos que estão a cometer essas atrocidades horríveis”. O republicano acrescentou que vai ordenar ao Departamento de Defesa que se prepare para uma “possível acção”, garantindo que essa eventual intervenção militar será “rápida, impiedosa (…), tal como os terroristas atacam os nossos queridos cristãos”, e apelou ao Governo da Nigéria para que “aja rapidamente”. O executivo nigeriano, liderado pelo Presidente, Bola Ahmed Tinubu, rejeitou as acusações, considerando que “não reflectem a realidade no terreno”.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Pequim confirma reunião entre Xi Jinping e Trump Xi Jinping e Donald Trump encontram-se hoje na capital sul-coreana antes da cimeira APEC. Em cima da mesa, devem estar temas como as terras raras, as tarifas, o Tik-Tok ou a questão de Taiwan A diplomacia chinesa confirmou ontem que o Presidente Xi Jinping vai reunir-se hoje com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Coreia do Sul, num encontro destinado a aliviar a tensão comercial entre os dois países. Embora Washington já tivesse confirmado a reunião – com Trump já presente na Coreia do Sul ontem – Pequim manteve o silêncio até agora, naquela que será a primeira reunião entre os dois líderes desde o regresso do republicano à Casa Branca, em Janeiro passado. O encontro decorrerá à margem da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) e deverá abordar temas como a guerra comercial, a aplicação TikTok, a questão de Taiwan e o combate ao tráfico de fentanil. Nos últimos dias, ambos os lados sinalizaram uma vontade de compromisso. Trump manifestou confiança num “acordo comercial bom para ambos” e admitiu baixar tarifas à China em troca de maior cooperação no combate ao fentanil, droga responsável por uma crise de saúde pública nos EUA. Também se mostrou evasivo quanto à possibilidade de discutir Taiwan com Xi, afirmando: “Taiwan é Taiwan”. Dar seguimento A reunião segue-se a negociações técnicas realizadas em Kuala Lumpur, nas quais Washington e Pequim alcançaram um “acordo preliminar” para aliviar disputas comerciais, incluindo os controlos chineses às exportações de terras raras e as tarifas norte-americanas sobre produtos chineses. Na terça-feira, o Comité Central do Partido Comunista Chinês publicou novas directrizes estratégicas que apelam a uma mobilização nacional para alcançar “avanços decisivos” em tecnologias-chave como semicondutores, ferramentas de precisão, software básico, inteligência artificial e energia de fusão, no âmbito do plano quinquenal 2026-2030. No plano diplomático, a tensão em torno de Taiwan ganhou novo fôlego antes da cimeira. Pequim reiterou que “nunca renunciará ao uso da força” para alcançar a reunificação, enquanto o líder taiwanês, William Lai, afirmou que “só a paz através da força” pode garantir a estabilidade regional e apelou a uma oposição mais firme à “anexação” chinesa. Nos últimos dias, a China intensificou também a actividade militar em torno da ilha, com dezenas de aviões de combate a cruzarem a linha média do Estreito de Taiwan. Para pior basta assim Donald Trump manifestou ontem optimismo quanto à possibilidade de alcançar um novo acordo comercial com o homólogo chinês, Xi Jinping, afirmando que “é melhor chegar a um entendimento do que estar em conflito”. “Espero que consigamos chegar a um acordo. Acredito que vai ser um bom acordo para ambos. Isso seria realmente um excelente resultado”, afirmou Trump, durante um discurso perante empresários no Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, na cidade sul-coreana de Gyeongju. “É melhor isso do que estarmos em confronto e passarmos por todo o tipo de problemas sem necessidade. O mundo inteiro está a observar”, acrescentou o líder norte-americano, na véspera do encontro com Xi. Em declarações a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump admitiu também a possibilidade de reduzir as actuais tarifas sobre a China, desde que isso ajude a intensificar o combate ao tráfico de fentanil, uma das principais prioridades da reunião com Xi.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Trump quer realizar um bom acordo com a China O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que espera “chegar a um bom acordo” durante a próxima reunião com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, incluindo um pacto relacionado à plataforma TikTok, segundo a imprensa internacional. Trump declarou, a bordo do Air Force One, que o TikTok será um dos temas que irá discutir com Xi durante o encontro, agendado para esta quinta-feira, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que se realizará na cidade sul-coreana de Gyeongju, segundo a agência de notícias EFE. De acordo com o Presidente norte-americano, o acordo, assinado entre Washington e a empresa-mãe da popular plataforma de vídeo, a chinesa ByteDance, já conta com a “aprovação provisória” de Xi. Em Setembro, os Estados Unidos chegaram a um acordo com a ByteDance, apoiado por Pequim, para permitir que o TikTok continuasse a operar em solo norte-americano, após o Congresso dos EUA ter estabelecido em 2024 que a aplicação deveria ser desactivada devido ao risco que representava para a segurança nacional do país O pacto estabelece a criação de uma ‘joint-venture’ maioritariamente norte-americana, com uma operação suficientemente separada da sua casa-mãe chinesa — que manterá uma participação de 20 por cento —, sobretudo no que diz respeito ao acesso do Governo chinês aos servidores que armazenam dados dos utilizadores. O encontro presencial entre os dois líderes proporcionará uma oportunidade para ambas as potências aliviarem as tensões após o anúncio de Pequim de restrições à venda das suas terras raras e para discutir um possível acordo comercial abrangente após meses de tensões tarifárias.
Hoje Macau China / ÁsiaPyongyang | Trump adoraria encontrar-se com Kim Jong-un O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou ontem que adoraria encontrar-se com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante a deslocação ao continente asiático esta semana. “Adorava encontrar-me com ele, se ele [Kim Jong-un] quiser”, disse Donald Trump, em declarações aos jornalistas, a bordo do avião presidencial norte-americano (Air Force One) e que foram divulgadas ontem pelo gabinete presidencial dos Estados Unidos. Donald Trump admitiu prolongar a viagem à Ásia para se reunir com o líder da Coreia do Norte. O chefe de Estado norte-americano esteve na Malásia no domingo, seguiu ontem para o Japão onde fica até hoje e depois desloca-se à Coreia do Sul na quarta-feira e na quinta-feira. Na Coreia do Sul, Trump vai participar na cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) onde deve reunir-se com os homólogos sul-coreano e chinês, entre outros chefes de Estado. Até ao momento, o regime de Pyongyang não se pronunciou sobre as declarações do Presidente dos Estados Unidos.
Hoje Macau China / ÁsiaEncontro | Trump diz que agricultura e Taiwan são temas a abordar com Xi na Coreia do Sul O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que o encontro, esta semana, com o homólogo chinês, Xi Jinping, vai centrar-se em questões agrícolas e que vai “mencionar Taiwan”. “Temos muito que falar com o Presidente Xi, ele tem muito que falar connosco, acho que vamos ter uma boa reunião”, afirmou Trump aos jornalistas antes de partir para a Malásia, a primeira paragem da uma digressão asiática que vai fazer. O governante norte-americano disse que as questões relacionadas com a agricultura estão no topo da agenda e que vai “mencionar Taiwan”, embora tenha esclarecido que ainda não planeia viajar até à ilha. Trump tem vindo a sublinhar o desejo de que a China compre soja norte-americana, depois de o ter deixado de fazer em Setembro, como não acontecia há anos. Além disso, o país asiático impôs tarifas adicionais sobre as importações agrícolas dos Estados Unidos, em resposta às medidas económicas avançadas pelo Presidente norte-americano. O encontro entre os dois líderes, previsto para a próxima semana na Coreia do Sul, vai realizar-se poucos dias antes de entrarem em vigor as novas tarifas importas pelos Estados Unidos à China, assim como as medidas de controlo aduaneiro que Xi anunciou anteriormente e que entram em vigor a 01 de Novembro.
Hoje Macau China / ÁsiaTrump anunciou que visitará a China “no início do próximo ano” O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou segunda-feira que viajará para a China “no início do próximo ano” para se encontrar com o homólogo chinês Xi Jinping. “Fui convidado para ir à China e provavelmente irei no início do próximo ano. Está praticamente tudo organizado”, disse Trump aos jornalistas, ao lado do primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, que recebeu na Casa Branca. Trump deverá encontrar-se presencialmente com Xi no final deste mês, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), na Coreia do Sul, naquele que será o primeiro encontro bilateral desde 2019. O encontro esteve em risco devido às tensões entre os dois países devido aos controlos anunciados por Pequim sobre a exportação de terras raras, bem como de máquinas e tecnologias que permitem o seu refinamento e transformação. Em resposta, Trump ameaçou aumentar as tarifas a Pequim depois daquela que qualificou como uma decisão “extremamente agressiva” por parte da China. Trump também expressou segunda-feira, na mesma ocasião e na presença de jornalistas, dúvidas sobre uma possível invasão chinesa a Taiwan. “Acho que tudo vai correr bem com a China. A China não quer fazer isso”, adiantou. Paz e defesa Também segunda-feira, o líder taiwanês, William Lai, afirmou que a paz entre China e Taiwan não se alcança “com um simples acordo”, em declarações na sequência da eleição da nova líder do partido de oposição Kuomintang, favorável ao diálogo com Pequim. Num discurso dirigido a representantes da diáspora taiwanesa, Lai defendeu que tanto ele como a sua antecessora, Tsai Ing-wen (2016-2024), apostaram em “reforçar a defesa nacional”, uma vez que “a paz deve ser um ideal, mas não uma ilusão”. “A paz não pode ser obtida através de um simples acordo. Tampouco se pode alcançar a paz aceitando as propostas da China, como o chamado ‘Consenso de 1992’ ou o princípio de ‘uma só China'”, declarou, referindo-se ao entendimento tácito entre o KMT e o Partido Comunista Chinês (PCC), segundo o qual ambos reconhecem a existência de “uma só China”, embora com interpretações distintas.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Pequim acusa Estados Unidos de arbitrariedade Os editoriais do Global Times e do China Daily criticam veementemente a política norte-americana de ameaças constantes e falta de visão estratégica Pequim acusou ontem os Estados Unidos de agirem com arbitrariedade e visão de “curto prazo” na política comercial, após Washington alertar que a China será “a mais prejudicada” se mantiver restrições à exportação de minerais estratégicos. Num editorial intitulado “Washington não deveria surpreender-se com a resposta da China”, o jornal oficial Global Times atribuiu as novas tensões entre as duas maiores economias do mundo ao “incumprimento de promessas” por parte dos Estados Unidos e à sua “conduta unilateral”. O texto responsabiliza os EUA por “sobrestimar o seu poder de coerção” e “subestimar a capacidade de resposta da China”, afirmando que as ameaças de novas tarifas “desestabilizaram os mercados globais e as cadeias de abastecimento”. Segundo o jornal, as contramedidas adoptadas por Pequim representam “uma defesa dos seus direitos legítimos e da justiça internacional”. O editorial critica ainda a política comercial norte-americana por revelar “falta de visão estratégica” e avisa que o “grande bastão” empunhado por Washington “não passa de um tigre de papel” para o povo chinês – expressão comum na retórica política do país asiático. Um outro jornal oficial, o China Daily, publicou um comentário do académico Zheng Jueshi, que acusa os EUA de aplicarem a “lei da selva” nas relações internacionais, tratando aliados, parceiros e rivais como “parte do seu menu político”. Na sua opinião, Washington “sacrifica os interesses de outros países” em nome da sua hegemonia, enquanto Pequim “defende um sistema de governação mais justo”. As críticas surgem um dia depois de o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter afirmado, em Nova Iorque, que a China “será a mais prejudicada” se continuar a adoptar políticas “decepcionantes e coercivas”, numa alusão às restrições impostas por Pequim à exportação de terras raras, minerais essenciais para as indústrias tecnológicas e de defesa. O responsável norte-americano afirmou que estas acções demonstram “o risco de depender de um parceiro pouco fiável” e defendeu que os EUA e os seus aliados devem “diversificar as cadeias de abastecimento”. Bessent anunciou ainda a fixação de preços mínimos em várias indústrias e o reforço da “política industrial” norte-americana para reduzir a dependência do mercado chinês. Corda a esticar As tensões comerciais entre os dois países agravaram-se nas últimas semanas, após a decisão de Pequim de aplicar sanções a filiais norte-americanas da sul-coreana Hanwha Ocean e impor novas tarifas a navios com bandeira dos EUA. Washington respondeu com medidas semelhantes e ameaçou impor tarifas de 100 por cento a todos os produtos chineses a partir de 01 de Novembro. O actual impasse recorda os episódios de confronto tarifário registados no início do ano, quando ambos os governos se acusaram de distorcer o comércio global através de controlos à exportação de tecnologias e matérias-primas estratégicas. Embora nem o Global Times nem o China Daily mencionem directamente Bessent, os editoriais reiteram a mensagem habitual das autoridades chinesas após críticas de Washington, insistindo na necessidade de “igualdade e respeito mútuo” nas negociações bilaterais.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Sancionadas cinco filiais da Hanwha nos EUA As autoridades chinesas puniram as subsidiárias sul-coreanas em resposta à intervenção de Trump na indústria naval O Governo chinês anunciou ontem a proibição de transacções de empresas chinesas com cinco subsidiárias do construtor naval sul-coreano Hanwha Ocean, numa nova resposta à política do Presidente norte-americano, Donald Trump, de relançar a indústria naval nos Estados Unidos. Num comunicado divulgado ontem, o Ministério do Comércio chinês indicou ainda que vai investigar a decisão de Washington de abrir um inquérito ao domínio crescente da China na construção naval global, advertindo que poderá aplicar novas medidas de retaliação. As autoridades chinesas afirmaram que a investigação “coloca em risco a segurança nacional” da China e a sua indústria marítima, apontando o envolvimento da Hanwha no processo como um dos motivos para as sanções. A investigação norte-americana, ao abrigo da Secção 301 da lei de comércio dos EUA, foi lançada em Abril de 2024, tendo concluído que a posição dominante da China no sector prejudica as empresas norte-americanas. “Pequim acaba de transformar a construção naval numa arma”, afirmou Kun Cao, vice-presidente executivo da consultora Reddal, citado pela imprensa internacional. “É um sinal claro de que atingirá empresas de terceiros países que colaborem com os EUA no seu esforço para conter o domínio marítimo da China”, apontou. A ‘lista negra’ chinesa inclui as entidades Hanwha Shipping LLC, Hanwha Philly Shipyard Inc., Hanwha Ocean USA International LLC, Hanwha Shipping Holdings LLC e HS USA Holdings Corp. As ações da Hanwha Ocean registaram ontem uma queda superior a 8 por cento na bolsa sul-coreana. Em resposta, a empresa afirmou estar a “analisar a situação”. Mar agitado O anúncio surge num momento de escalada das tensões comerciais e marítimas entre as duas maiores economias do mundo. Ambos os países introduziram ontem novas taxas portuárias sobre os navios um do outro. As taxas chinesas abrangem embarcações detidas ou operadas por empresas ou indivíduos norte-americanos, com participação igual ou superior a 25 por cento, navios com bandeira dos EUA ou construídos nos EUA, replicando em grande medida os critérios definidos pelas autoridades norte-americanas. A trégua na guerra comercial parece assim ter-se desfeito após Trump ter ameaçado impor tarifas de 100 por cento sobre todas as importações oriundas da China, em protesto contra os recentes controlos chineses à exportação de terras raras. Pequim assegurou ontem que as duas partes mantêm contacto, tendo realizado na segunda-feira uma ronda de conversações a nível técnico. A aproximação entre Washington e Seul na construção naval tem-se intensificado como resposta ao domínio chinês – a China é actualmente o maior construtor naval do mundo. No final de 2024, a Hanwha adquiriu o estaleiro Philly Shipyard, na Pensilvânia, por 100 milhões de dólares, e anunciou em Agosto um plano de investimento de 5 mil milhões de dólares para ampliar as infraestruturas portuárias nos EUA. A empresa assinou também contratos com a Marinha dos EUA para serviços de manutenção e reparação de embarcações militares. Em Maio deste ano, a Hanwha revelou que iria sair de uma ‘jointventure’ que mantinha na China.
Hoje Macau Grande PlanoEstudo | Trump foi principal disseminador de desinformação nos EUA em 2024 O Presidente norte-americano, Donald Trump, foi o principal disseminador de desinformação nos Estados Unidos da América (EUA), em 2024, concluiu um estudo do International Center for Jounalists (ICFJ). “O Presidente dos EUA, Donald Trump, foi a fonte dominante e distribuidora de desinformação” em 2024, afirmam os autores do estudo “Desarmando a Desinformação: Estados Unidos”. O estudo destaca que Trump recorreu a funções das forças políticas domésticas, em vez de actores estatais estrangeiros, como a principal fonte de narrativas de desinformação no discurso político dos EUA. Além disso, a existência de grupos de WhatsApp e outros espaços digitais fechados muitas vezes actuam como “casulos de informação” que fomentam rumores e outras formas de desinformação. Desta forma, “a disseminação viral de desinformação e o ataque estratégico a jornalistas surgiram como ameaças interligadas à democracia. Numa era de crescente autoritarismo e retrocesso democrático, as falsidades são frequentemente utilizadas como arma por actores estatais para influenciar a opinião pública, minar o jornalismo e intimidar jornalistas”. Os autores do estudo afirmam que estes factores são cada vez mais a realidade norte-americana, com Donald Trump a “promulgar narrativas manifestamente falsas” nos últimos anos. “Os media americanos enfrentam uma profunda crise de informação, num tempo de repressão à liberdade de expressão”, lê-se no estudo. Neste sentido, a confiança na grande imprensa continua a diminuir num clima de crescentes ataques aos media, por parte do Governo Trump. O estudo publicado pelo International Center for Jounalists (ICFJ) teve como base a análise de 10.000 notícias e publicações em meios de comunicação durante 2024, bem como um inquérito a 1.020 americanos.
Hoje Macau China / ÁsiaTrump anuncia encontro com Xi em Outubro na Coreia do Sul e visita China em 2026 O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira que vai reunir-se com o homólogo chinês, Xi Jinping, no final de Outubro, na Coreia do Sul e que visitará a China “no início do próximo ano”. O anúncio foi feito após uma conversa telefónica entre os dois líderes, que também aprovaram um acordo sobre o futuro da rede social TikTok. “A conversa foi muito boa, voltaremos a falar por telefone, agradecemos a aprovação do TikTok e ambos estamos ansiosos por nos encontrarmos na APEC!”, escreveu Trump na rede Truth Social, referindo-se à cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC). Esta foi a segunda conversa telefónica entre os líderes desde o regresso de Trump à Casa Branca, num contexto de tensões comerciais após a imposição de tarifas adicionais sobre produtos chineses. Trump afirmou que a rede social “tem um valor tremendo” e argumentou que os EUA “têm esse valor nas suas mãos”, justificando que será o país a aprovar. As autoridades norte-americanas têm levantado preocupações sobre a entrega de dados ao Governo chinês e sobre o controlo do algoritmo da rede social. Apesar dos avanços, continuam em aberto questões como restrições à exportação de tecnologia, compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e o combate ao fentanil. Positiva e construtiva De acordo com a agência oficial Xinhua, Xi sublinhou que Pequim e Washington “podem alcançar o sucesso mútuo e a prosperidade partilhada, beneficiando ambos os países e o mundo”, pedindo aos EUA que criem “um ambiente de negócios aberto, justo e não discriminatório” para as empresas chinesas. Xi considerou a conversa “pragmática, positiva e construtiva” e sublinhou a importância das relações China-EUA. “Para concretizar esta visão, ambos os lados devem encontrar um meio-termo e procurar o respeito mútuo, a coexistência pacífica e a cooperação vantajosa para ambas as partes”, disse Xi, acrescentando que Pequim e Washington “podem continuar a gerir adequadamente as principais questões do relacionamento bilateral e procurar resultados vantajosos para ambas as partes”.
Hoje Macau China / ÁsiaRejeitadas declarações de Trump sobre “conspiração” com Pyongyang e Moscovo A China rejeitou ontem as declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que acusou o homólogo chinês, Xi Jinping, de “conspirar contra os Estados Unidos” juntamente com os líderes da Rússia e da Coreia do Norte. “A China desenvolve as suas relações diplomáticas com todos os países, sem nunca visar terceiros”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa, em Pequim. O responsável classificou ainda como irresponsáveis as declarações da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, que considerou o encontro entre Xi Jinping e os líderes da Rússia e Coreia do Norte, Vladimir Putin e Kim Jong-un, respetivamente, um “desafio directo” à ordem internacional. A resposta de Pequim surgiu depois de Trump ter escrito, na rede Truth Social, uma mensagem dirigida a Xi: “Peço que transmita os meus mais calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos”, comentou o Presidente, referindo-se à presença dos três líderes no desfile que marcou o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.
Hoje Macau China / ÁsiaOposição indiana critica Trump e fracasso do Governo A oposição indiana classificou quarta-feira as novas tarifas dos Estados Unidos como “chantagem económica” e criticou o primeiro-ministro, Narendra Modi, pelo que considera um fracasso da política externa que prejudica os interesses nacionais. “A tarifa de 50 por cento de [Donald] Trump é uma chantagem económica: uma tentativa de pressionar a Índia a aceitar um acordo comercial injusto”, escreveu o líder do partido Congresso Nacional Indiano (INC), Rahul Gandhi, nas redes sociais. Gandhi exortou Modi a “não permitir que a sua fraqueza prevaleça sobre os interesses do povo indiano”, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Na mesma linha, o presidente do INC, Mallikarjun Kharge, afirmou que “uma política externa sólida requer substância e habilidade” e classificou a diplomacia de Modi como superficial. “Eles não conseguiram chegar a um acordo comercial e agora estão a falhar em proteger o nosso país”, criticou. Os Estados Unidos activaram quarta-feira a nova política de tarifas de 50 por cento sobre exportações da Índia como punição pela compra de petróleo à Rússia, alvo de sanções devido à guerra contra a Ucrânia. A nova taxa punitiva adicional é de 25 por cento. Em causa, estão exportações indianas no valor de cerca de 60 mil milhões de dólares, segundo a EFE. A Rússia já declarou estar pronta para absorver as exportações indianas mais afectadas pela punição norte-americana. Os sectores mais atingidos são indústrias com alta empregabilidade, como o têxtil, o de joias e pedras preciosas, o de frutos do mar e o de componentes para automóveis. Os Estados Unidos não puniram sectores produtores de bens que são importantes para as próprias empresas ou para o bolso dos cidadãos norte-americanos, como medicamentos e telemóveis. Factor petróleo O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou inicialmente uma tarifa de 25 por cento sobre produtos indianos. Mas, no início de Agosto, assinou uma ordem executiva impondo uma tarifa adicional de 25 por cento devido às compras de petróleo russo pela Índia, o que elevou as tarifas combinadas impostas ao aliado asiático aliado para 50 por cento. “As nossas importações [de petróleo russo] baseiam-se em factores de mercado e são feitas com o objectivo geral de garantir a segurança energética de 1,4 mil milhões de pessoas na Índia”, afirmou Nova Deli em 07 de Agosto, recordou o jornal Hindustan Times. Para fazer face à medida, o Governo indiano anunciou quarta-feira a promoção de produtos têxteis em mercados que considerou prioritários, incluindo os do Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. As exportações da Índia atingem actualmente 220 países e territórios, mas as autoridades disseram que 40 mercados são fundamentais para a diversificação. A lista inclui também Alemanha, França, Itália, Espanha, Países Baixos, Polónia, Canadá, México, Rússia, Bélgica, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Austrália, segundo o jornal The Times of India. A Federação das Organizações de Exportação da Índia (FIEO) expressou num comunicado “máxima preocupação” e solicitou apoio imediato do Governo às empresas.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA | Apoiantes de Trump criticam entrada de 600 mil alunos chineses Depois de ter restringido significativamente a entrada de alunos estrangeiros nas universidades e de ter bloqueado matrículas em Harvard, Donald Tump troca as voltas aos seus apoiantes e anuncia a entrada do dobro de estudantes chineses no ensino norte-americano face a 2023-24 A promessa do Presidente norte-americano, Donald Trump, de permitir a entrada de 600 mil alunos chineses nas universidades do país surpreendeu e motivou críticas de grande parte dos sectores conservadores que o apoiam. O número citado por Trump – no contexto inesperado de um encontro na Casa Branca com o Presidente da Coreia do Sul na segunda-feira – representa mais do dobro do número de alunos chineses matriculados no ano lectivo de 2023-24 e nem a Presidência nem o Departamento de Estado responderam ontem a pedidos de esclarecimentos. “O Presidente Xi gostaria que eu fosse à China. É uma relação muito importante. Como sabem, estamos a receber muito dinheiro da China por causa das tarifas e de outras coisas (…) Ouço tantas histórias de que ‘não vamos permitir a entrada dos alunos deles’, mas vamos permitir a entrada dos alunos deles. Vamos permitir. É muito importante — 600.000 alunos”, afirmou o Presidente norte-americano. A duplicação do número de estudantes chineses representaria de facto uma inflexão do executivo Trump, que em seis meses aumentou restrições aos vistos de estudantes, bloqueou as matrículas de estrangeiros na prestigiada Universidade de Harvard e alargou os motivos para serem negados vistos a estudantes internacionais. Em Maio, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que iria revogar os vistos de estudantes ligados ao Partido Comunista Chinês (PCC) e aumentar restrições a novos candidatos. Ontem, numa reunião de gabinete e sentado ao lado de Rubio, Trump disse sentir-se “honrado” por ter estudantes chineses no país e que estes ajudam as finanças das faculdades. “Eu disse isto ao Presidente [chinês] Xi [Jinping]: ‘sentimo-nos honrados por ter os vossos alunos aqui’ (…) Agora, além disso, verificamos e temos cuidado, vemos quem está cá”, disse Trump. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China confirmou, entretanto, que Trump disse a Xi num telefonema em Junho que “os Estados Unidos adoram que os estudantes chineses venham estudar” para o país. Finanças ao alto No seu primeiro mandato, Trump proibiu a entrada de universitários chineses que frequentassem escolas com ligações militares. A ideia de acolher mais estudantes chineses foi rapidamente rejeitada por alguns dos mais fervorosos apoiantes de Trump — desde a congressista Marjorie Taylor Greene ao ex-conselheiro presidencial Steve Bannon e à activista de extrema-direita Laura Loomer. Bannon criticou ontem o anúncio, dizendo que “não deveria haver estudantes estrangeiros neste momento no país”. Greene, uma das mais fervorosas apoiantes de Trump, questionou o argumento da importância destes alunos para o financiamento das universidades, defendendo que se 15 por cento destas fecharem por falta de chineses, é “porque estão a ser sustentadas pelo PCC” e como tal “devem falhar de qualquer maneira”. O argumento de que 15 por cento das universidades norte-americanas fechariam sem estes estudantes estrangeiros foi invocado pelo secretário do Comércio, Howard Lutnik, na segunda-feira no canal conservador Fox News, onde defendeu que Trump está a adoptar uma “visão económica racional”. A apresentadora Laura Ingraham, que havia questionado Lutnik sobre como é que tal mudança seria consistente com os princípios “America First” (“América em Primeiro Lugar”) de Trump, não se mostrou convencida com a resposta. “Simplesmente não consigo compreender. São 600 mil vagas que os jovens americanos não vão conseguir”, disse Ingraham, cujos espectadores são na sua maioria eleitores do Partido Republicano. Tem vindo a afirmar-se no país um consenso bipartidário de que as universidades não devem ajudar a formar os principais talentos do grande rival chinês em áreas críticas como a computação quântica, a inteligência artificial e a tecnologia aeroespacial. O democrata Kurt Campbell, vice-secretário de Estado no governo de Joe Biden, disse à AP que gostaria de ver estudantes chineses nos EUA para estudar humanidades e ciências sociais, “não física de partículas”.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Trump ameaça China com taxas de 200% se Pequim não exportar mais ímanes O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou ontem a China com tarifas de cerca de 200% sobre os produtos chineses que entram nos Estados Unidos se Pequim não acelerar as suas exportações de ímanes de terras raras. “Têm de nos dar ímanes. Se não o fizerem, então imporemos tarifas de cerca de 200 por cento. Mas penso que não teremos problemas com isso”, declarou Trump, na presença do seu homólogo sul-coreano Lee Jae-myung, durante uma troca de impressões na Sala Oval. A China é o principal produtor mundial de terras raras, que são utilizadas no fabrico de ímanes essenciais para as indústrias automóvel, electrónica e de armamento. No entanto, no início de Abril, o Estado chinês impôs uma licença para a exportação destes materiais estratégicos, uma decisão vista como uma medida de retaliação contra os direitos aduaneiros americanos. Pequim e Washington iniciaram então uma guerra comercial em grande escala, respondendo cada um ao aumento dos direitos aduaneiros do outro, que atingiram 125 por cento e 145 por cento, respetivamente. Desde então, as negociações entre as duas maiores potências mundiais atenuaram as tensões e o Governo chinês comprometeu-se a acelerar a emissão de licenças para várias empresas norte-americanas. “Penso que temos uma óptima relação com a China, falei muito recentemente com o Presidente Xi [Jinping] e em algum momento deste ano deveríamos visitar a China”, acrescentou Trump. Funcionários norte-americanos e chineses reuniram-se três vezes nos últimos meses para resolver uma série de questões relacionadas com as suas relações comerciais. No final destas reuniões, os dois países concordaram em manter os direitos aduaneiros que impõem um ao outro em 30 por cento e 10 por cento, respectivamente, por um período de 90 dias, que já foi prorrogado duas vezes, a última até Novembro próximo.