Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteEUA | Vitória esmagadora dos democratas reacende debate sobre centros de dados As eleições intercalares nos EUA deram uma esmagadora vitória ao partido Democrata tanto no Senado como na Câmara dos Representantes. O Presidente do país, Donald Trump, admitiu a derrota dos Republicanos e diz estar disposto a trabalhar com o partido rival. Entretanto, a vitória dos democratas reacendeu debates em torno da inteligência artificial A vitória dos democratas nas eleições intercalares dos EUA reacendeu o debate sobre os centros de dados dedicados à inteligência artificial (IA), levando o empresário Elon Musk a ironizar sobre a derrota dos candidatos republicanos que apoiou financeiramente com mais de 400 milhões de dólares. Perante a vaga democrata que garantiu o controlo das duas câmaras do Congresso norte-americano, Musk, o homem mais rico do mundo, mostrou-se preocupado com a possibilidade de serem impostas restrições à construção de centros de dados dedicados à IA. A Alphabet (Google) anunciou a construção de vários centros de dados no Estado, enquanto Elon Musk transferiu para o Texas as sedes das suas principais empresas: Tesla, SpaceX e X. “Tenho a sensação de que a interferência dos meus lasers espaciais nas eleições não funcionou desta vez”, brincou o fundador da SpaceX, após, entre outros resultados, a derrota de Ken Paxton, o candidato que apoiava para o Senado pelo Texas. “Os centros de dados no espaço parecem agora particularmente atraentes”, comentou Musk na rede social X. Os resultados das eleições intercalares nos EUA garantiram uma vitória histórica ao Partido Democrata nas duas câmaras do Congresso, incluindo o controlo do Senado, após derrotas republicanas em estados decisivos como Texas, Ohio, Kansas e, contra todas as expectativas, Carolina do Sul. Num país com um discurso político anti-imigração, estas eleições marcaram também uma viragem no perfil dos candidatos eleitos, existindo agora três governadores negros e uma indígena. Foi ainda eleito, pela primeira vez, um senador assumidamente gay, Chris Pappas. Keisha Lance Bottoms fez história no Estado da Geórgia a tornar-se na primeira mulher negra eleita governadora estadual no país. Byron Donalds, também negro, venceu na Florida, e David Crowley no Wisconsin. O peso da derrota No final de uma campanha marcada, entre outros temas, pelo debate em torno da instalação de centros de dados, Donald Trump depara-se agora com uma pesada derrota política por parte dos eleitores norte-americanos. O campo do Presidente perdeu importantes bastiões, como o Texas, onde os cargos de senador e governador passaram para responsáveis democratas favoráveis a uma maior supervisão dos centros de dados. “É necessário estabelecer imediatamente uma moratória sobre os centros de dados”, defendia Gina Hinojosa, advogada que derrotou o governador cessante Greg Abbott, num dos compromissos da sua campanha. Abbott tinha afirmado, em 2025, querer transformar o Texas no “centro nevrálgico do desenvolvimento da IA”, antes de moderar a sua posição devido ao crescente descontentamento da população. Hinojosa defende igualmente o fim das isenções fiscais concedidas ao sector, posição partilhada por James Talarico, eleito senador pelo Texas na terça-feira. As eleições neste estado do sul dos EUA, historicamente conservador, foram descritas por muitos analistas como decisivas para o futuro das infraestruturas ligadas à IA. Graças à abundância de energia e a um enquadramento regulamentar favorável, o Texas deverá concentrar, em 2028, cerca de 30 por cento da procura nacional de energia eléctrica destinada à IA, que deverá aumentar fortemente, segundo estimativas da Bloom Energy. Impacto nos Estados Wall Street deve a sua impressionante valorização dos últimos anos ao entusiasmo em torno do advento da IA. Contudo, os investidores mostram-se cada vez mais exigentes quanto à rentabilidade desta tecnologia dispendiosa e preocupados com os obstáculos ao seu desenvolvimento. Nas negociações antes da abertura de Wall Street, as valorizações das gigantes tecnológicas Microsoft, Google e Amazon recuaram cerca de 1 por cento, enquanto a SpaceX registou uma queda de 5 por cento. “Tendo em conta a dimensão da vitória democrata” e dos referendos que apelam à restrição dos centros de dados, dado que os eleitores votam tanto em candidatos como em medidas locais durante estas eleições, “os políticos que querem conservar os seus empregos terão de ter em conta estas mensagens”, considerou na rede social X Jim Bianco, analista da Bianco Research. Os especialistas concordam que o impacto será mais significativo a nível estadual, destacando o papel crucial dos governadores. A democrata Keisha Lance Bottoms, recentemente eleita governadora da Geórgia, “defendeu um congelamento temporário, à escala estadual, da construção de novos centros de dados, bem como medidas para assegurar que os grandes consumidores suportem os custos associados às suas infraestruturas”, recordou Stephen Innes, analista da SPI Asset Management. Também Amy Acton, eleita governadora do Ohio, prometeu impor regras mais rigorosas ao sector. Bolsas agitadas A vitória dos democratas nas intercalares americanas trouxe também agitação às bolsas asiáticas, que registaram ontem resultados mistos nas primeiras horas de negociação, com fortes quedas em Tóquio e Seul e ganhos moderados na Índia e China. Na Bolsa de Tóquio, o principal índice, o Nikkei, recuou 3,56 por cento até ao intervalo da sessão de ontem, perdendo 2.246,5 pontos, para 60.835,36 pontos. O índice mais abrangente Topix, que reúne as empresas japonesas da secção principal do mercado, as de maior capitalização, caiu 2,49 por cento, ou 98,01 pontos, para 3.832,27 pontos. Em Seul, a tendência foi semelhante, com o principal índice, o Kospi, a perder 3,54 por cento após as primeiras três horas de negociação. O indicador recuou 199,98 pontos, para 5.448,81 pontos, invertendo a tendência positiva registada na abertura da sessão. O índice Kosdaq, que reúne empresas tecnológicas e de média capitalização, caiu 2,69 por cento, ou 18,93 pontos, para 685,46 pontos. Na China continental, os mercados apresentaram resultados mistos perto das 12h locais. A Bolsa de Xangai recuou 0,1 por cento durante a sessão da manhã, enquanto Shenzhen avançou 0,14 por cento e o índice CSI 300, que acompanha as 300 principais empresas cotadas nos dois mercados, valorizou 0,04 por cento. A Bolsa de Pequim registou uma queda mais acentuada, de 0,54 por cento, embora tenha menor peso no mercado financeiro chinês, devido à sua criação recente, em 2021, e à concentração em pequenas e médias empresas. Em Hong Kong, o índice de referência Hang Seng avançou 0,02% até ao intervalo da sessão. Na Índia, os principais índices abriram em terreno positivo, depois de quatro sessões consecutivas de fortes valorizações. O BSE Sensex, índice de referência da Bolsa de Bombaim, que reúne 30 das maiores empresas cotadas, subiu 0,59 por cento, enquanto o Nifty 50, da Bolsa Nacional de Valores, que acompanha as 50 empresas com maior liquidez, avançou 0,47 por cento. Nos principais mercados do Sudeste Asiático, predominaram as perdas, com quedas em Singapura (1,45 por cento), Tailândia (0,95 por cento), Indonésia (0,79 por cento) e Malásia (0,17 por cento). Em sentido contrário, as bolsas das Filipinas e do Vietname registaram ganhos de 0,98 e 0,33 por cento, respectivamente. Donald aceita derrota Perante este volte-face a favor dos democratas, Donald Trump acabou por assumir a derrota do seu partido em entrevista ao jornal New York Times, periódico que tem sido alvo de acusações frequentes, por parte do Presidente norte-americano, de difusão de notícias falsas sobre si e o seu Governo. Numa entrevista concedida ao jornal esta terça-feira à noite, Trump disse estar “absolutamente disposto a aceitar” os resultados das eleições intercalares de terça-feira, prometendo trabalhar com um Congresso controlado pelo Partido Democrata. “Trabalharemos com os democratas; estamos ansiosos, sabe, por colaborar com eles. Provavelmente conseguiremos encontrar um terreno comum”, afirmou o chefe de Estado. Apesar destas declarações, Trump escreveu na sua rede social, “Truth Social”, o seguinte: “Eu não estava no boletim de voto e, se estivesse, teríamos vencido POR UMA MARGEM ESMAGADORA!”. Numa outra entrevista concedida ao canal Fox News, Trump responsabilizou “parcialmente” a guerra no Irão como factor para a derrota. Este disse ainda que os democratas “fizeram um bom trabalho” e “lutaram bem”. A derrota dos Republicanos “não tem nada a ver” com a sua Administração, defendeu, argumentando que “havia uma certa atmosfera no ar” e que não deveria sentir-se culpado. “Quase nunca o Presidente em exercício, independentemente de ser bom ou mau, republicano ou democrata (…) consegue vencer” as eleições intercalares, referiu. Preocupações económicas Segundo uma reportagem da agência estatal chinesa Xinhua, muitos eleitores norte-americanos demonstram preocupações com o panorama económico do país. “Por entre uma elevada inflação persistente e o aumento do custo de vida, as eleições intercalares deste ano irão constituir um grande teste à Administração Trump no seu segundo mandato”, lê-se. “Nos últimos dias, jornalistas da Xinhua visitaram o Maine, Texas, Carolina do Norte e Georgia, bem como outros Estados, verificando que a inflação e o aumento do custo de vida estão entre as maiores preocupações para os eleitores americanos este ano. Muitos eleitores culpam a Administração Trump por políticas que levam a um aumento dos preços da energia e alimentação, expressando particular frustração em relação à guerra com o Irão e alterações tarifárias”, lê-se na reportagem. Além disso, os eleitores americanos parecem preocupar-se também “as políticas de imigração, cuidados de saúde e corrupção”. Com agências
Hoje Macau Grande PlanoTrump passa a integrar lista de “predadores da imprensa” da Repórteres Sem Fronteiras O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi incluído na lista de “predadores da imprensa”, elaborada pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), após ataques para reduzir o jornalismo à comunicação política e restrições impostas aos profissionais da informação. Na lista anual de 2026, publicada ontem, Trump figura ao lado de outros líderes que já constavam de edições anteriores da RSF e que continuaram a utilizar o aparelho do Estado para amordaçar os meios de comunicação, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Nicarágua, Daniel Ortega (juntamente com a esposa, Rosa Murillo); ou da Bielorrússia, Alexander Lukashenko. A RSF (Reporters sans frontières, sedeada em Paris) sublinha que, no caso do Presidente norte-americano, desde o início do segundo mandato, em Janeiro de 2025, “os seus ataques contra a imprensa ultrapassam cada vez mais o âmbito da retórica e das políticas públicas, traduzindo-se em restrições físicas impostas aos jornalistas”. A organização insiste que Trump “multiplicou os ataques para reduzir o jornalismo a mera comunicação política” e recorda que, com o chefe de Estado republicano, os Estados Unidos desceram, num ano, sete lugares no seu ranking sobre a liberdade de imprensa, figurando agora numa pouco honrosa 64.ª posição. Outra das personalidades que integram esse grupo de ameaças à segurança dos jornalistas — no qual figura o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman — é o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi , a quem se atribui nas últimas semanas a prisão dos jornalistas do portal de verificação Matsaddash e o encerramento do Mada Masr, um meio de comunicação de referência. Outras pressões No plano económico, a RSF aponta os gigantes tecnológicos norte-americanos Alphabet (proprietária, nomeadamente, da Google) e Meta (Facebook, WhatsApp, Instagram), mas também multimilionários como o francês Vincent Bolloré (proprietário, entre outros, de jornais, canais de televisão e rádios) e o georgiano Bidzina Ivanichvili por enfraquecerem os meios de comunicação independentes ou por colocarem a independência editorial sob pressão. A organização de defesa da liberdade de imprensa reitera a designação de Elon Musk como um dos “predadores” por fomentar a desinformação, nomeadamente através da rede social X, que lhe pertence, bem como por propagar o ódio contra os jornalistas e obstruir a liberdade de informação. No relatório deste ano, figura igualmente o Presidente argentino, Javier Milei, que, desde a chegada ao poder em Dezembro de 2023, “multiplica os ataques contra jornalistas e meios de comunicação críticos, aos quais acusa regularmente de corrupção, mentiras e manipulação política”.
Hoje Macau China / ÁsiaUcrânia | Trump disponível para reunião com Putin e Xi O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se segunda-feira disponível para reunir com os seus homólogos da Rússia e da China, Vladimir Putin e Xi Jinping, para negociar o fim da guerra na Ucrânia. “Reunir-me-ia e faria tudo o que pudesse para acabar com a guerra”, garantiu Trump em declarações aos jornalistas à saída da Casa Branca. Donald Trump, que nos últimos dias tem feito várias declarações e tomado decisões favoráveis à Rússia, assegurou que, caso a reunião tripartida se realize, não será “sobre a Ucrânia”. “A Rússia tem-se comportado bem em relação à Ucrânia. Não têm feito grande coisa ultimamente”, acrescentou o presidente norte-americano. O dia de ontem foi marcado por rumores sobre uma possível reunião entre os três presidentes nas próximas semanas para tratar do fim da guerra, sem a participação de Kiev ou dos seus aliados europeus. Segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a proposta partiu do presidente russo. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, admitiu ontem que a questão foi abordada durante a conversa telefónica que Putin manteve com Trump em 09 de Outubro, mas negou que exista um acordo para realizar o encontro durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para Novembro em Shenzhen, na China. “No entanto, nenhuma proposta concreta ou acordo, seja sobre a realização do encontro em si, seja sobre uma eventual agenda, foi discutido ou formulado por quem quer que seja”, esclareceu durante a sua conferência de imprensa diária. Estimou ainda que qualquer acordo final para pôr fim ao conflito na Ucrânia é “impossível sem a participação de representantes de Kiev dispostos a assumir as suas responsabilidades”. Da China Em Pequim, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, referiu, por sua vez, “não ter qualquer informação, neste momento”, sobre uma reunião trilateral. Também questionado sobre o assunto na segunda-feira, durante uma visita a Samarcanda, no Uzbequistão, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, mostrou-se evasivo. Para o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha, uma cimeira deste tipo apenas “encorajaria [Vladimir] Putin a continuar esta guerra”, dado que a Rússia “não pode vencer e não quer pôr fim” ao conflito. Defendeu, em vez disso, um encontro entre os líderes ucraniano, norte-americano e russo. Zelensky rejeitou também a proposta e acusou ontem Washington de procurar a capitulação da Ucrânia, ao alegadamente limitar o intercâmbio de informações de inteligência e atrasar o fornecimento de mísseis antibalísticos. Trump, que nas últimas semanas intensificou as críticas a Zelensky e apelou à sua substituição como presidente da Ucrânia, acusou o responsável ucraniano de “não estar a ajudar muito” a pôr fim ao conflito. Depois de Zelensky ter afirmado que Trump “não está do lado certo da história” por ter permitido à Rússia exportar gasóleo para o mercado internacional, o presidente norte-americano insistiu ontem que outro interlocutor deve assumir as negociações em nome de Kiev. “Zelensky não sabe do que está a falar. Zelensky é um homem que já devia ter resolvido esta guerra há muito tempo. Está na altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia”, frisou o republicano. Rubio nega retenção de ajuda a Kiev O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou ontem que Washington esteja a reter deliberadamente fornecimentos militares destinados à Ucrânia e rejeitou acusações de interrupção da partilha de informações. “Nada está a ser deliberadamente recusado” à Ucrânia, assegurou Rubio durante uma visita à Índia. O chefe da diplomacia norte-americana explicou que Washington procura encontrar um equilíbrio entre os compromissos assumidos com diferentes parceiros e as próprias necessidades militares dos Estados Unidos. Rubio acrescentou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está “irritado” com as acusações de que estaria deliberadamente a prejudicar a Ucrânia, nomeadamente através da suspensão da partilha de informações de inteligência. “O Presidente está irritado porque, antes de mais, não gosta de ser responsabilizado por coisas que não são verdadeiras, incluindo acusações de que teria, de alguma forma, ordenado a interrupção da partilha de informações”, afirmou Rubio.
João Santos Filipe Manchete PolíticaJustiça | Trump pediu a Chui para interferir em decisão judicial Quando tentou expandir negócios para Macau, o Presidente dos EUA apercebeu-se que a firma Trump Companhia Limitada já tinha sido registada por dois residentes. O caso foi para tribunal, Trump perdeu e pediu ao Chefe do Executivo ajuda para “corrigir” a situação Em 2010, após ter perdido um caso nos tribunais da RAEM ligado à utilização da marca Trump Companhia Limitada, Donald Trump escreveu uma carta a Fernando Chui Sai On, então Chefe do Executivo, a pedir-lhe “assistência” para “corrigir” a decisão. O caso foi tornado público ontem pelo portal Hong Kong Free Press, que apresenta uma cópia da missiva assinada pelo actual Presidente dos Estados Unidos. Em Agosto de 2005, os residentes locais Maria Cecília Bastos Xavier e Wong Un Chon registaram em Macau a denominação comercial “Trump Companhia Limitada”. No entanto, e já depois de ter tentado obter, sem sucesso, uma concessão para explorar casinos em Macau, Trump levou o caso para os tribunais, onde pediu que fosse declarada nula a firma “Trump Companhia Limitada”. O empresário americano entendia que com este registo o residente Wong se apropriava “ilegitimamente” da sua “reputação mundial”. Além disso, foi argumentado que Wong Un Chon actuou de “forma fraudulenta” ao tentar utilizar a “prestígio do nome, marca, produtos e serviços” associados ao nome Trump. Como o Tribunal Administrativo negou o pedido de Donald Trump, este enviou uma carta a pedir ajuda a Chui Sai On para reverter a situação, acusando o sistema de ser corrupto. “Recentemente aconteceu-me algo terrível em Macau. Desde 2008 que estou nos seus Tribunais a tentar garantir e recuperar os direitos sobre o meu nome, que actualmente é detido por um jovem local”, começou por escrever o empresário. “A decisão do Tribunal transmitida na semana passada pelo meu advogado em Macau nega-me os direitos exclusivos sobre o nome da minha empresa na sua área. […] A decisão também determinou que nem eu nem o nome da minha empresa somos bem conhecidos no seu país. O facto de os seus tribunais poderem produzir um resultado tão ridículo é uma clara indicação de que o seu sistema judicial está manchado e a ser controlado por indivíduos corruptos”, acusou. Ecos por todo o mundo Donald Trump argumentou ainda na carta que é tão conhecido que até o Banco da China tinha escolhido arrendar um dos andares de um dos seus edifícios: “O nome da minha empresa ecoa por todo o mundo, incluindo na China e em Macau; quer seja pelos meus edifícios de classe mundial, pelo meu programa de televisão nº 1 The Apprentice, pelas dezenas de livros mais vendidos ou por qualquer um dos outros produtos e serviços que levam o meu nome”, escreveu. “É por esta razão que o maior banco da China procurou especificamente e ocupa agora um andar inteiro no meu edifício da Quinta Avenida, em Nova Iorque, a Trump Tower, onde mantêm a sua sede nos EUA”, destacou. No documento, Trump refere-se ainda a Wong Un Chon como “Senhor Pedruco”, acusa a decisão de ter partido de um único juiz entre os três presentes e indica que esse juiz foi posteriormente promovido para os tribunais superiores. Além disso, o actual Presidente dos EUA descreve que a situação com a firma Trump Companhia Limitada estava a impedi-lo de entrar no mercado de Macau, onde pretendia fazer parcerias com empresários locais. No final da carta, surge o pedido para que Chui Sai On interferisse nas decisões dos tribunais: “Peço-lhe que me ajude a corrigir este ultrajante erro judiciário. Ao fazê-lo, estará a ajudar a economia de Macau, criando empregos através da construção de projectos de classe mundial que levarão o meu nome Trump”, pode ler-se. Nova derrota O artigo do Hong Kong Free Press não menciona se Trump alguma vez recebeu resposta de Chui Sai On. Um ano depois da missiva, Trump escreveu ao Secretário-Geral do Comércio dos EUA, e que viria a ser embaixador dos EUA na China, Gary Locke, a queixar-se da justiça chinesa. Trump afirmava que os tribunais na China e em Macau “não merecem confiança”, são “corruptos” e estavam “manchados”. “Quem poderia esperar algo diferente de uma cultura enganadora?”, questionava. “Este comportamento deveria ser um aviso claro para o resto do mundo se abster de qualquer prática comercial ou relação negocial com eles”, considerou. O assunto acabou por chegar ao Tribunal de Segunda Instância e a decisão de 2014, tomada pelos juízes Lai Kin Hong, João Gil de Oliveira e Ho Wai Neng, voltou a ser desfavorável ao empresário americano. Finalmente, em Junho de 2017, a meses de começar o primeiro mandato como Presidente dos EUA, uma empresa ligada a Trump registou em Macau quatro marcas que abrangiam serviços imobiliários, construção, propriedades hoteleiras, serviços de casino, restauração e instalações para conferências. Este registo foi possível porque, em 2016, Wong Un Chon deixou expirar a marca “Trump Companhia Limitada”.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | Trump desvaloriza alegado fornecimento de informações chinesas O Presidente norte-americano, Donald Trump, desvalorizou ontem informações de que entidades chinesas terão fornecido a Teerão imagens de satélite de uma base militar na Jordânia antes e após um ataque iraniano que matou três soldados norte-americanos. “Quando dizem que a China nos espia, eu digo: têm razão, e nós também os espiamos”, afirmou Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, um dia depois de o jornal Wall Street Journal noticiar a alegada partilha de informações entre entidades chinesas e iranianas. “É isso que fazemos. Basicamente, eles fazem o que nós fazemos”, acrescentou o Presidente norte-americano. Em 17 de Julho, o Irão lançou mísseis contra a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, onde estão estacionadas forças norte-americanas. Três soldados dos Estados Unidos morreram no ataque. Responsáveis norte-americanos não identificados citados pelo Wall Street Journal não especificaram quais as entidades chinesas envolvidas nem sugeriram que o Governo chinês fosse directamente responsável.
Hoje Macau China / ÁsiaVisita | Trump diz que receberá Xi Jinping com jantar de Estado A visita de Xi Jinping a Washington deverá acontecer a 24 de Setembro. Trump antecipa o encontro enquanto elogia o homólogo chinês O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sábado que vai receber Xi Jinping, com um jantar de Estado, durante a visita do homólogo chinês à Casa Branca prevista para 24 de Setembro. “Vamos ter um jantar de Estado e vamos fazer grandes coisas com a China”, disse o Presidente norte-americano aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca. “Estamos ansiosos por isso. Ele é um grande cavalheiro. Damo-nos muito bem”, disse Trump sobre Xi. “Temos uma relação comercial muito boa. E, sabem, eles são concorrentes e tudo isso. Mas temos uma relação muito boa com o Presidente Xi”, acrescentou. Trump referiu que o novo heliporto da Casa Branca que está a ser construído no relvado da Casa Branca estará pronto a tempo da visita de Xi Jinping. “Temos tido muito sucesso com a China”, disse ainda. Trump tinha convidado o homólogo chinês para visitar os Estados Unidos durante uma visita oficial à China, em Maio passado. Segurança e tamales Nas mesmas declarações à imprensa, comentou que os trabalhos para reforçar a segurança do avião Air Force One doado pelo Qatar começam em Outubro e deverão demorar mais do que o esperado inicialmente (cerca de um mês), depois de uma ameaça à segurança em Julho na Turquia o ter obrigado a pedir emprestada outra aeronave. “Vai demorar cerca de 60 dias e será enviado em Outubro para ser aperfeiçoado”, disse o Presidente dos EUA. Trump também comentou a relação da sua administração com o México, considerando que este país não tem nada para oferecer aos EUA, além de “tamales [prato típico azteca] picantes e tomates”. Explicou, no entanto, que não pretende interromper a relação comercial porque se dá “muito bem” com a homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum. Trump referiu-se ao seu vizinho do sul enquanto respondia a perguntas de jornalistas sobre a sua ameaça de cortar o comércio com nações que mantêm um excedente comercial com os Estados Unidos. “Se eu deixasse de negociar com eles, não perderíamos nada. Uma única empresa bastava. Perdemos 195.000 milhões de dólares por ano com o México. Eles não têm nada do que realmente precisemos. Ou seja, (eles têm) tamales picantes, tomates, algumas coisas… mas, basicamente, eles não têm nada do que precisamos”, considerou. O Presidente insistiu que os Estados Unidos têm todos os recursos necessários: “Temos petróleo, temos tudo”.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi Jinping intensifica contactos antes de cimeira com Trump Antes da reunião com Donald Trump no final do mês em Washington, o Presidente chinês promove uma série de encontros com líderes internacionais O Presidente chinês, Xi Jinping, intensificou nas últimas semanas a actividade diplomática no estrangeiro, numa tentativa de projectar Pequim como parceiro mais previsível para países emergentes e do Médio Oriente, antes de uma prevista cimeira com Donald Trump. Xi reuniu-se na quarta-feira, no Cairo, com o homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, naquela que é a primeira visita do líder chinês ao Egipto desde 2016 e mais uma etapa da sua mais intensa sequência de deslocações internacionais desde 2019. A ofensiva diplomática ocorre numa altura em que as tarifas impostas pela administração norte-americana, a guerra contra o Irão e sinais contraditórios de Washington aos seus tradicionais parceiros de segurança provocaram tensões nas relações dos Estados Unidos com vários países. Numa mensagem publicada na imprensa egípcia, Xi afirmou que a China está disposta a trabalhar com o Egipto e a tirar partido da “localização única” do país, que estabelece uma ligação entre o mundo árabe e o continente africano. Perante aquilo que Pequim descreve como “profundas mudanças nunca vistas num século”, expressão utilizada pelas autoridades chinesas para caracterizar uma alegada perda de influência dos Estados Unidos, Xi defendeu que China e Egipto devem salvaguardar “vigorosamente a paz e a estabilidade mundiais” e promover “a equidade e a justiça internacionais através da prática de um verdadeiro multilateralismo”. Pequim tem aprofundado a presença económica no Egipto, participando na construção da nova capital administrativa do país. A tecnológica chinesa Huawei lançou também, em 2024, um serviço de computação em nuvem destinado ao mercado egípcio, incluindo ferramentas de inteligência artificial (IA), modelos de linguagem em árabe e bases de dados. Próxima paragem A visita ao Cairo sucede à participação de Xi numa cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada esta semana em Bisqueque, capital do Quirguistão. O Presidente chinês deverá deslocar-se na próxima semana à Índia para participar na cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, em Nova Deli, com líderes de países como Rússia, Brasil, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A série de deslocações antecede uma prevista visita de Estado de Xi a Washington, em Setembro, retribuindo a deslocação de Trump a Pequim, em Maio. Desde a pandemia, o líder chinês reduziu significativamente as viagens ao estrangeiro, privilegiando a recepção de dirigentes internacionais na capital chinesa. Na cimeira da OCX, Xi defendeu que os Estados-membros devem impedir “forças externas” de interferirem nos seus assuntos internos, ameaçarem a sua segurança política ou prejudicarem a estabilidade regional. O líder chinês procurou ainda apresentar os avanços do país na inteligência artificial como um instrumento de cooperação internacional, anunciando a criação de um centro internacional para a aplicação de IA e 100 projectos de cooperação tecnológica com os membros da OCX nos próximos três anos. A aproximação diplomática chinesa enfrenta, no entanto, reservas em vários países, devido sobretudo ao impacto dos elevados excedentes comerciais chineses sobre as indústrias locais. Esta semana, uma reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 terminou sem um comunicado conjunto, após divergências sobre os desequilíbrios comerciais globais. A China lamentou a ausência de consenso e pediu aos Estados Unidos, que exercem este ano a presidência do grupo, que respeitem as preocupações de todos os membros.
Hoje Macau China / ÁsiaExercícios entre EUA e Coreia do Sul encurtados após críticas de Trump Os actuais exercícios militares anuais conjuntos realizados por Seul e Washington, serão encurtados em seis dias, anunciou ontem o exército sul-coreano, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter expressado reservas em relação aos mesmos. “Decidimos ajustar a duração do exercício para que decorra de 17 a 21” de Agosto, declarou quarta-feira o Estado-Maior Conjunto sul-coreano num comunicado, a propósito da operação anual ‘Ulchi Freedom Shield’, que inicialmente estava prevista durar 11 dias, até 27 de agosto. Donald Trump apanhou o seu aliado histórico desprevenido no domingo, ao classificar os exercícios militares com Seul como “dispendiosos” e ao considerar que enviavam “um sinal totalmente inadequado e hostil” à Coreia do Norte. O líder norte-americano tinha também invocado a sua “excelente relação” com o líder norte-coreano Kim Jong Un para justificar esta redução “considerável” da participação dos Estados Unidos nas manobras anuais, perante a impossibilidade de as cancelar por ser demasiado tarde. O objectivo fundamental não é, contudo, “tratar uma entidade específica como um adversário, mas sim preservar, em segurança e em paz, a vida quotidiana da população”, afirmara terça-feira o Presidente sul-coreano Lee Jae Myung. Segurança regional Pouco antes do anúncio da redução da sua duração, a agência de notícias oficial da Coreia do Norte denunciou estes exercícios, sem fazer menção à flexibilização pretendida por Donald Trump. “Usaremos o nosso direito à autodefesa para neutralizar as ameaças militares de forças hostis através de uma acção transparente”, afirmou o título de um comentário publicado pela KCNA, acrescentando que estas operações “constituem a ameaça mais imediata e directa” para a Coreia do Norte, bem como para a “segurança regional”. Estes exercícios mobilizam, normalmente, 18.000 militares sul-coreanos, além de efectivos provenientes do contingente americano de 28.500 homens presente na Coreia do Sul. Iniciados segunda-feira, os exercícios foram estruturados tendo em conta a experiência adquirida pelas forças norte-coreanas ao lado dos russos na guerra contra a Ucrânia. A Coreia do Norte tinha efectuado testes de mísseis no período que antecedeu o início destas manobras anuais.
Hoje Macau China / ÁsiaTrump suaviza tom sobre alegada interferência chinesa antes de encontro diplomático O Presidente norte-americano, Donald Trump, suavizou ontem o tom sobre as alegadas interferências da China nas eleições presidenciais de 2020, antes do encontro entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi. “Vamos falar com eles sobre isso”, afirmou Trump aos jornalistas, referindo-se às acusações de interferência eleitoral dirigidas à China na semana passada. O chefe de Estado norte-americano acrescentou, contudo, que os alegados acontecimentos “ocorreram há muito tempo” e admitiu que “a China pode ser um pouco diferente hoje do que era nessa altura”. “Eles fazem-nos coisas e nós fazemos-lhes coisas. Para ser honesto, também lhes fazemos coisas. Não é uma rua de sentido único, mas vamos falar sobre isso”, declarou. Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que cita fontes familiarizadas com os preparativos, Rubio e Wang deveriam reunir-se ontem, à margem dos encontros ministeriais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na capital filipina. O encontro ocorre menos de uma semana depois de Trump ter acusado Pequim de protagonizar “o maior comprometimento de dados eleitorais da história”, alegando que a China obteve ilicitamente mais de 200 milhões de registos de eleitores norte-americanos. Negas de Pequim A embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, classificando-as como “calúnias completamente infundadas” e reiterando que Pequim segue o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países. “A China não tem interesse nem nunca interferiu nas eleições dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz da missão diplomática, Liu Chang, citado pelo jornal. Questionado no domingo sobre se iria abordar o tema com Wang, Rubio recusou revelar a agenda do encontro, alegando tratar-se de “assuntos delicados”. O secretário de Estado indicou que continua prevista para setembro uma visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos. “Quando existem dois países grandes e poderosos como os Estados Unidos e a China, haverá sempre divergências e assuntos em que não concordamos. Mas cabe a países importantes como os nossos continuarem a dialogar e a manter uma relação”, afirmou.
Hoje Macau China / ÁsiaG7 | Trump quer concentrar-se na Coreia do Norte após acordo com Irão O Presidente sul-coreano, que se encontrou na semana passada com o homólogo norte-americano, afirmou que Donald Trump pretende agora concentrar-se na resolução da “questão norte-coreana”, após celebrar um memorando de entendimento com o Irão. “O Presidente Trump afirmou que chegou o momento de dedicar atenção à questão norte-coreana”, afirmou Lee Jae-myung aos jornalistas em Seul, revelando detalhes do encontro com o Presidente dos Estados Unidos durante a cimeira do G7 em Évian, França. O dirigente sul-coreano afirmou ainda ter dito a Trump que “as sanções e a pressão” impostas à Coreia do Norte devido ao programa nuclear eram ineficazes. “A eficácia das sanções diminuiu devido à cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia relacionada com a guerra na Ucrânia”, prosseguiu. “Mesmo uma ajuda modesta da Rússia é de grande utilidade para a Coreia do Norte”, acrescentou. No passado dia 14 de Junho, poucas horas depois de ter anunciado um acordo com o Irão, Trump publicou nas redes sociais uma fotografia sem legenda ao lado do líder norte-coreano Kim Jong-un, tirada durante o encontro entre os dois em Singapura, em 2018. Isto alimentou as especulações de que o Governo de Trump poderia agora voltar-se para a Coreia do Norte, que possui armas nucleares. Trump e Lee encontraram-se num jantar em Évian na semana passada, onde discutiram a rivalidade de longa data entre a Coreia do Sul e o vizinho do Norte, que possui armas nucleares. Lee escreveu na rede social X que os dois governantes tiveram “conversas aprofundadas sobre a paz na península coreana e as relações entre a Coreia e os Estados Unidos, tendo sido alcançados progressos significativos”. As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz, e estão separadas por uma zona desmilitarizada ao longo da qual se estende a fronteira.
Hoje Macau China / ÁsiaImprensa | Trump pediu a Xi que ajude a desbloquear negociações entre Rússia e Ucrânia O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu pessoalmente ao homólogo chinês, Xi Jinping, que utilize a influência de Pequim sobre Moscovo para pôr fim à guerra na Ucrânia, segundo fontes citadas pelo jornal South China Morning Post. De acordo com pessoas familiarizadas com as conversações realizadas durante a cimeira entre os dois líderes, em Maio, em Pequim, Trump transmitiu a Xi que as negociações entre Rússia e Ucrânia se encontram bloqueadas e apelou à China para convencer o Presidente russo, Vladimir Putin, a regressar à mesa de negociações com o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, escreveu o jornal de Hong Kong. O pedido reflecte a necessidade de Washington envolver Pequim nos esforços para resolver um conflito que entrou no quinto ano e que Trump colocou no centro da sua agenda de política externa desde o regresso à Casa Branca. A guerra foi um dos temas abordados durante a cimeira, embora o comércio e o investimento tenham dominado as conversações. Segundo as mesmas fontes, questões como Taiwan e o Irão tiveram também maior destaque do que a Ucrânia nas discussões entre os dois líderes. Trump confirmou publicamente que o conflito foi abordado durante os encontros, mas limitou-se a afirmar que se trata de um tema que os Estados Unidos gostariam de ver resolvido. A ficha informativa divulgada pela Casa Branca após a cimeira não fez qualquer referência à guerra, enquanto o comunicado chinês apenas indicou que Xi e Trump trocaram opiniões sobre a crise na Ucrânia e outros assuntos internacionais. Pequim aprofundou as relações com Moscovo desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, tornando-se um importante apoio económico e diplomático para a Rússia. A China nunca condenou publicamente a invasão e tem rejeitado as acusações ocidentais de que ajuda a sustentar o esforço de guerra russo através do fornecimento de bens de dupla utilização, insistindo que controla rigorosamente as exportações e que o comércio com Moscovo decorre dentro da normalidade. Dias após a partida de Trump de Pequim, Xi recebeu Vladimir Putin na capital chinesa. Na ocasião, os dois países assinaram uma declaração conjunta na qual a Rússia manifestou apoio ao desejo da China de desempenhar um “papel construtivo” na resolução da crise ucraniana por vias políticas e diplomáticas. Trunfos no terreno As fontes indicaram ainda que as exportações chinesas de terras raras também estiveram em destaque durante a cimeira. Washington continua insatisfeito com os controlos impostos por Pequim à exportação destes minerais estratégicos, fundamentais para a produção de semicondutores e sistemas de defesa. Segundo as mesmas fontes, são esperadas novas negociações entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. A China impôs no ano passado amplas restrições à exportação de terras raras, suspendendo posteriormente parte dessas medidas no âmbito da trégua comercial alcançada por Trump e Xi durante a reunião realizada em Outubro, em Busan, na Coreia do Sul. De acordo com um documento divulgado pela Casa Branca em Maio, Pequim comprometeu-se a responder às preocupações dos Estados Unidos relacionadas com falhas nas cadeias de abastecimento de terras raras e outros minerais críticos.
Hoje Macau China / ÁsiaImprensa | Trump sugeriu a Xi união com Putin contra TPI O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu ao homólogo chinês, Xi Jinping, unir forças com o presidente russo, Vladimir Putin, contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), noticiou o Financial Times. Citando “fontes próximas das reuniões”, o jornal britânico avançou ontem que este foi um dos temas abordados entre os dois líderes políticos na visita de Trump a Pequim da passada semana. A Casa Branca recusou comentar o assunto, ainda segundo o Financial Times, que não aprofundou detalhes sobre a proposta de Trump ou sobre a forma como ela foi recebida por Xi Jinping. Nenhum dos três países reconhece a autoridade do TPI e a sua jurisdição sobre os estados-nação. Contudo, a oposição de EUA e Rússia ao tribunal de Haia é mais veemente do que o posicionamento chinês, já que Pequim nega a jurisdição sobre o seu território chinês, mas tem apoiado decisões em conflitos como na Líbia ou no Sudão. Em 2023, o TPI emitiu um mandado de prisão contra Putin por “crimes de guerra” na Ucrânia, mas o presidente russo continuou a viajar, principalmente para países da esfera de influência da antiga União Soviética, mas também para os EUA (Alasca), China ou Índia, todas em 2025. A animosidade de Trump em relação ao TPI aumentou bastante com a imposição de sanções económicas e restrições de viagem contra o procurador Karim Khan, alegando que o tribunal tomou “medidas ilegítimas e infundadas contra os Estados Unidos e seu aliado próximo, Israel”. O TPI é um dos pilares da ordem mundial que Trump está determinado a desacreditar desde seu retorno ao poder para o seu segundo mandato, juntamente com a ONU e suas diversas agências e acordos internacionais (como o Acordo de Paris, sobre o clima).
Hoje Macau China / ÁsiaAdministração Trump “não gosta claramente” da UE A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou ontem que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, “não gosta” claramente da União Europeia (UE), pois receia que os 27 Estados-membros em conjunto possam tornar-se uma potência equivalente. “Claramente não gostam da UE”, declarou Kaja Kallas, alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, numa entrevista realizada no âmbito da Conferência Lennart Meri sobre política externa e segurança, que decorre este fim de semana em Talin, capital da Estónia. Kallas comparou esta atitude à da Rússia e da China. “É porque, se nos mantivermos unidos e actuarmos em conjunto, então somos potências equivalentes, somos fortes”, afirmou, advertindo que estas potências “querem desmantelar” o bloco comunitário. Neste contexto, disse estar “muito preocupada” com a resposta de alguns países da UE, que transmitem a Washington a mensagem de que a relação é boa. “Se não gostam da UE, falem connosco [individualmente]”, permitindo assim que a estratégia de divisão dos Estados Unidos produza efeitos. Outros temores Por outro lado, a chefe da diplomacia europeia manifestou também preocupação com a tendência revelada pelas sondagens, segundo as quais a percepção pública europeia se torna cada vez mais crítica em relação a Washington, ao ponto de apenas 14 por cento considerarem os Estados Unidos um aliado. “Não nos devemos deixar levar por isso, precisamos uns dos outros. As nossas economias estão interligadas e a nossa segurança também”, sublinhou. Kallas criticou também a posição norte-americana no âmbito das negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, estagnadas há vários meses, considerando que esta passou por “pressionar a Ucrânia a ceder territórios que nem sequer perdeu militarmente”. Guerra de sexos De forma geral, acrescentou a alta representante, a estratégia de Trump – usada também em outras regiões do mundo – consiste em “fazer chocar as cabeças” dos rivais e impor-lhes a paz, mas, argumentou, “um conflito não termina sem aceitação social”. Kallas considerou que, nesse sentido, é necessário lidar com as raízes do problema e garantir que exista justiça pois, caso contrário, uma parte da população “procurará vingança e o ciclo continuará”. “Aliás, há também estudos que mostram que, quando as mulheres participam nas negociações, os acordos de paz são mais duradouros. E… a imagem que vimos das conversações entre os Estados Unidos e a China… havia muita masculinidade na sala, não era?”, comentou. Quanto à estratégia adequada perante a guerra na Ucrânia, a alta representante insistiu na necessidade de se “continuar a pressionar a Rússia”, para que Moscovo perceba que a táctica de recorrer aos Estados Unidos para alcançar os objectivos não funcionou e que tenha de se sentar verdadeiramente à mesa das negociações com Kiev e com os europeus.
Hoje Macau China / ÁsiaCimeira | Revitalização da China é compatível com movimento MAGA O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que as aspirações da “grande revitalização” da China são compatíveis com as de “tornar a América grande novamente”, como é conhecido o movimento MAGA (“Make America Great Again”) promovido por Donald Trump. Na abertura do banquete de Estado durante a visita oficial do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, Xi traçou paralelos entre o plano para os próximos 15 anos, de “avançar a modernização da China através de um desenvolvimento de alta qualidade”, e a celebração dos 250 anos de independência dos Estados Unidos e o espírito de “patriotismo, inovação e pioneirismo” que representa. “Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, defendeu. Mais tarde, Trump brindou à “prosperidade da China e dos Estados Unidos” e a um futuro “promissor” para as relações amistosas entre os dois países, enquanto Xi afirmou que ambos acreditam manter a “relação bilateral mais importante do mundo”. “Temos de garantir que funciona e nunca se estraga”, disse Xi, no final do primeiro dia de visita oficial de Trump. O jantar de gala realiza-se num salão do Grande Palácio do Povo e entre os participantes encontram-se altos funcionários de ambos os países, bem como empresários de grandes empresas chinesas e norte-americanas. Trump enfatizou o “laço de respeito” entre os dois países, que pode ser rastreado até à origem dos Estados Unidos, e afirmou que é “uma das relações mais transcendentais da história” e que definiu como “especial”. “Ambos valorizamos o trabalho árduo, o valor, a coragem e a conquista”, disse Trump, acrescentando: “Ambos temos a oportunidade de nutrir esses valores para criar um futuro de grande prosperidade, cooperação e felicidade”. A visita de Trump prossegue esta sexta-feira com um almoço de trabalho.
Hoje Macau Grande Plano MancheteCimeira | Economia, relações comerciais e Taiwan discutidos por Xi e Trump em longa reunião Foram duas horas de diálogo entre os dois mais importantes líderes da actualidade. Xi Jinping, Presidente chinês e Donald Trump, Presidente dos EUA, reuniram ontem para discutir questões comerciais, Taiwan e as relações económicas numa altura de turbulência geopolítica. Xi declarou que os dois países devem ser “parceiros, não rivais” Há muito que Donald Trump não pisava solo chinês na qualidade de Presidente dos EUA – a última vez foi em 2017, no seu primeiro mandato. As expectativas têm sido mais que muitas para esta cimeira que termina hoje, e que esta quinta-feira teve um dos pontos altos, com um encontro de cerca de duas horas entre Trump e Xi Jinping, Presidente chinês, numa altura em que os dois países tanto têm para dialogar. Não só são as duas maiores potências da actualidade, como esta cimeira acontece no contexto de uma situação geopolítica complexa, com o conflito no Médio Oriente, a crise energética, a questão de Taiwan e ainda as relações económicas entre os dois países, nem sempre pacíficas. A reunião de ontem foi realizada num formato alargado, com a presença de delegações de ambos os países, no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, Pequim. Após o contacto inicial, que incluiu cumprimentos tradicionais e uma discussão sobre Taiwan, os dois líderes visitaram o Templo do Céu, um dos principais sítios históricos da capital chinesa. Xi ofereceu também um banquete de homenagem a Trump, sendo que hoje os presidentes irão tomar chá e almoçar juntos. Ontem, Xi Jinping advertiu Donald Trump da possibilidade de um conflito entre os dois países caso Washington não lide bem com a questão de Taiwan, noticiou a televisão estatal chinesa. “A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino – norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar. Entre os temas em discussão incluíram-se o Irão, comércio bilateral e até um eventual acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo. Questão de peso A questão de Taiwan pesa na agenda dado o desagrado de Pequim com o pacote de armas norte-americano de 11 mil milhões de dólares americanos aprovado para a ilha. Pequim insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais, mesmo que subtis, de redução do apoio norte-americano à ilha. Antes da visita, uma porta-voz do Governo chinês sublinhou a determinação da China em opor-se à independência de Taiwan é “tão firme como uma rocha” e a que a capacidade de esmagar qualquer tentativa de secessão é inabalável. Os comentários vieram depois de uma recente intervenção do líder de Taiwan William Lai Ching-te, na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual afirmou que a democracia é o “bem mais precioso” de Taiwan e que o povo taiwanês “sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede”. Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um actor central no contexto das disputas entre Pequim e Taipé. A bem da cooperação Entretanto, Xi Jinping declarou também estar feliz por receber o homólogo norte-americano, Donald Trump, afirmando que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”, apesar das múltiplas divergências. “A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto a confrontação prejudica as duas. Devemos ser parceiros, não rivais, devemos ajudar-nos mutuamente para alcançar o sucesso e prosperar em conjunto,” disse Xi a Trump. O líder chinês acrescentou que o mundo se encontra “numa encruzilhada”, realçando ser necessário “uma nova via” de “boa convivência entre grandes potências nesta nova era”. Por seu lado, Trump prometeu a Xi um “futuro fabuloso” entre os EUA e a China, logo no início da cimeira. “É uma honra estar ao seu lado. É uma honra ser seu amigo, e as relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca”, afirmou Trump. Entretanto, segundo a Xinhua, Xi Jinping reuniu ontem em Pequim com empresários norte-americanos que integram a comitiva liderada por Trump, que disse ter trazido consigo “representantes de destaque da comunidade empresarial norte-americana, todos eles respeitadores e apreciadores da China”. Os empresários terão sido apresentados ao Presidente chinês “um a um”, escreveu a agência estatal chinesa, tendo afirmado “que atribuem grande importância ao mercado chinês”. Além disso, esperam “aprofundar as suas operações comerciais na China e reforçar a cooperação com o país”. Por sua vez, Xi Jinping “afirmou que as empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e que ambas as partes têm beneficiado com isso”. Resultados “concretos” A Casa Branca insiste que a viagem visa alcançar resultados concretos, nomeadamente compromissos chineses de compra de soja, carne bovina e aviões norte-americanos, além da criação de um Conselho de Comércio para resolver diferendos. Contudo, não foram avançados detalhes sobre possíveis acordos, numa altura em que os laços económicos de Pequim com o Irão complicam as negociações. A ofensiva lançada pelos EUA e Israel levou o Irão a bloquear o estreito de Ormuz, com petroleiros e navios de gás natural retidos, provocando a subida dos preços da energia e ameaçando o crescimento global. Os EUA e a China alcançaram no ano passado uma trégua comercial que suspendeu tarifas elevadas. A Casa Branca já afirmou existir interesse mútuo em prolongar o acordo, embora não esteja claro se será anunciado durante esta visita. Na delegação que acompanha Trump estão o chefe da diplomacia norte-americana, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário da Defesa Pete Hegseth, além dos filhos do Presidente, Eric e Lara Trump, o dono da SpaceX e da rede social X, Elon Musk. China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, diz Xi O Presidente chinês Xi Jinping prometeu ontem à delegação de empresários que acompanhou o líder norte-americano Donald Trump que a China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, reportou a imprensa estatal chinesa. “As empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e ambas as partes beneficiam disso. A porta da abertura da China continuará a abrir-se cada vez mais”, afirmou Xi, citado pela Xinhua. O líder chinês elogiou ainda o reforço na “cooperação mutuamente benéfica” entre os dois países e disse estar convicto de que as “empresas norte-americanas terão perspectivas ainda melhores na China”. Os dirigentes de vários gigantes empresariais que acompanharam o Presidente dos EUA na visita à China, estiveram presentes na cimeira realizada em Pequim entre o líder republicano e o homólogo chinês, algo invulgar neste tipo de diálogos bilaterais. Da Apple à Tesla Nas imagens difundidas pela CCTV, vê-se o grupo de empresários — entre os quais os presidentes executivos da Nvidia, Jensen Huang, da Apple, Tim Cook, e da Tesla, Elon Musk — a entrar no Grande Salão do Povo, onde se reuniam as delegações dos EUA e da China, lideradas pelos dois chefes de Estado. De acordo com o jornal estatal Diário do Povo, Trump afirmou ter levado a Pequim representantes destacados do sector empresarial norte-americano, explicando ter rejeitado a presença de executivos de “segundo nível”, o que, assegurou, reflectia o respeito das companhias para com a China e Xi. Posteriormente, os empresários foram vistos a abandonar o edifício para embarcar no autocarro utilizado nas deslocações pela capital. “Maravilhoso, muitas coisas boas”, disse Elon Musk aos jornalistas que aguardavam no exterior, com Jensen Huang a afirmar que as reuniões “correram bem” e que “Xi e o Presidente Trump foram incríveis”, enquanto Tim Cook limitou-se a fazer com os dedos um sinal de paz seguido de um gesto de aprovação. A delegação empresarial que acompanha Trump inclui ainda responsáveis da Boeing, BlackRock, Visa, Mastercard, Meta e Goldman Sachs, sublinhando o carácter económico e comercial da visita.
Hoje Macau China / Ásia MancheteGoverno da China saúda visita do Presidente Donald Trump ao país Donald Trump chegou ontem à noite a Pequim para uma visita oficial de três dias. Hoje encontra-se com Xi Jinping A China saudou ontem a visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou ontem ao país asiático para uma visita oficial, desejando reforçar a cooperação para injectar “mais estabilidade” nas relações internacionais. “A China saúda a visita de Estado do Presidente Trump”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun. A China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para “expandir a cooperação e gerir as diferenças, trazendo assim mais estabilidade e certeza a um mundo assolado pela mudança e turbulência”, afirmou o porta-voz durante uma conferência de imprensa regular. O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), publicou ontem um editorial afirmando que a relação entre a China e os Estados Unidos “não pode voltar ao passado” e pode ter “um futuro melhor”, apresentando a cimeira como uma oportunidade para ambas as potências trazerem “estabilidade” a um mundo “turbulento”. Trump viaja com um grupo de selectos executivos nortes-americanos, incluindo Elon Musk, da Tesla; Tim Cook, da Apple; Larry Fink, da BlackRock; Kelly Ortberg, da Boeing; e executivos de empresas como a Mastercard, Visa, Goldman Sachs e Meta. O encontro dos dois líderes foi precedido pelas negociações económicas e comerciais que o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizaram ontem em Seul. No entanto, o editorial do Diário do Povo enquadrou o encontro como parte de uma diplomacia entre líderes que funciona como “âncora” para a relação, argumentando que cada novo encontro entre Xi e Trump pode ajudar a garantir que os laços “não se desviem do rumo e não percam o ímpeto”, ao mesmo tempo que alertou que Taiwan é “a linha vermelha” nas relações bilaterais. Segurança reforçada Pequim amanheceu ontem com sinais visíveis da visita de Trump: bandeiras chinesas e norte-americanas hasteadas ao longo da estrada para o aeroporto, uma presença reforçada de segurança em vários pontos da capital e postos de controlo em vários locais relacionados com a agenda do Presidente norte-americano. A segurança foi especialmente reforçada em redor do Hotel Four Seasons, junto à Embaixada dos EUA e onde Trump ficará hospedado, com presença policial nas proximidades, bem como medidas de segurança visíveis em importantes cruzamentos da cidade, onde alguns militares estão em constante vigilância. A cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, na quinta e sexta-feira, em Pequim, visa estabilizar a relação entre as duas maiores potências mundiais, marcada por rivalidades e tensões persistentes. Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.
Hoje Macau China / ÁsiaIgreja | Papa sem medo da Administração de Trump O Papa rejeitou ontem ter medo da Administração dos Estados Unidos e querer entrar em debate com o chefe de Estado norte-americano, após as críticas feitas por Trump a Leão XIV. “Não sou político, não tenho qualquer intenção de entrar em debate com ele. A mensagem é sempre a mesma: promover a paz”, argumentou o Papa em declarações aos jornalistas que o estão a acompanhar na sua visita a Argélia. Leão XIV chegou à Argélia ontem para uma visita histórica, a primeira de um Papa ao país, no início de uma viagem de onze dias por África, que foi perturbada antes de começar pelas duras críticas do Presidente norte-americano. Num contexto internacional de tensão provocada pela guerra no Médio Oriente, o Presidente norte-americano lançou fortes críticas contra o Papa, dizendo que “não era grande fã” dele. Leão XIV tinha proferido um discurso contra o conflito no Médio Oriente. Num gesto que poderia ser interpretado como um apoio ao Papa, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni — próxima de Trump — divulgou uma declaração na manhã de ontem a desejar ao Papa uma viagem proveitosa a quatro países africanos. Em Argel, o Papa foi recebido com honras debaixo de chuva pelo Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune. Uma salva de tiros foi disparada quando desembarcou do avião papal. Esta viagem à Argélia “é muito especial”, disse Leão XIV ao chegar à terra natal de Santo Agostinho, cujo pensamento perpassa o seu pontificado. Este grande pensador cristão do século IV é “uma ponte muito importante no diálogo inter-religioso”, e “esta viagem representa uma oportunidade muito preciosa para continuar a promover a paz e a reconciliação com respeito e consideração por todos os povos”, acrescentou. Viver em paz A coexistência pacífica estará no centro da mensagem do Papa neste país de 47 milhões de habitantes, onde o Islão sunita é a religião oficial. Na primeira paragem da sua visita de dois dias, o Papa Leão XIV prestará homenagem no Monumento aos Mártires às vítimas da Guerra da Independência contra a França (1954-62), um gesto de reconhecimento da história dolorosa da nação. Será depois recebido pelo Presidente Tebboune e fará o seu primeiro discurso às autoridades e ao corpo diplomático. À tarde, visitará a Grande Mesquita, um complexo monumental com o minarete mais alto do mundo (267 m), antes de seguir para a Basílica de Nossa Senhora de África, uma emblemática igreja cristã com vista para a Baía de Argel. Durante uma celebração inter-religiosa que vai reunir cristãos e muçulmanos, o líder dos 1,4 mil milhões de católicos vai apelar à fraternidade num país onde os católicos representam menos de 0,01% da população. Esta viagem marca o início da primeira grande viagem internacional do Papa, de 70 anos, que o levará aos Camarões, Angola e Guiné Equatorial [de 13 a 23 de Abril], uma maratona de 18.000 quilómetros com uma agenda bastante preenchida. Numa peregrinação mais pessoal, o Papa viajará na terça-feira para Annaba (leste), perto da fronteira com a Tunísia, a antiga Hipona Régia, cujo bispo foi Santo Agostinho (354-430).
Hoje Macau China / ÁsiaChina / EUA | Reforço de investimento antes de chegada de Trump China e Estados Unidos estão a discutir formas de reactivar o investimento recíproco como parte dos preparativos para a prevista visita do Presidente norte-americano a Pequim, avançou ontem o jornal de Hong Kong South China Morning Post. Citando fontes anónimas, o jornal referiu que a assinatura de acordos na área do investimento poderá ser um dos poucos resultados tangíveis da deslocação, anunciada por Washington para 31 de Março a 02 de Abril, mas ainda não confirmada oficialmente por Pequim. A incerteza em torno da visita e dos possíveis resultados aumentou nos últimos dias, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, país do qual a China é o principal parceiro comercial e maior comprador de petróleo, além de um dos seus mais importantes apoios diplomáticos. Segundo o jornal, embora ainda não existam acordos específicos, tanto Pequim como Washington manifestaram interesse em estruturas como empresas conjuntas com modelos claros de governação, acordos de licenciamento ou formatos com menor exposição em matéria de propriedade intelectual, susceptíveis de resistir ao escrutínio político e regulatório. Uma das fontes citadas aponta como “modelo possível” o acordo alcançado em 2023 entre a Ford e a chinesa CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos eléctricos, que permitiu à empresa norte-americana licenciar tecnologia de baterias de fosfato de ferro-lítio para utilização nos Estados Unidos. Entre os pontos de fricção, os representantes norte-americanos terão insistido na necessidade de melhorar o acesso ao mercado chinês, onde empresas estrangeiras denunciam há anos tratamento desigual. Pequim pediu maior protecção para os seus investimentos face a perdas e retiradas motivadas por maior escrutínio e por tarifas, abordando também as ofertas públicas iniciais de empresas chinesas nos mercados norte-americanos. Os Estados Unidos têm sido tradicionalmente um dos principais destinos do investimento externo chinês, que atingiu um máximo de 17 mil milhões de dólares em 2016, recuando para cerca de 6,6 mil milhões de dólares em 2024. No total, a China investiu mais de 90 mil milhões de dólares na maior economia mundial. Segundo dados divulgados por Pequim, o investimento norte-americano na China caiu 18,5 por cento em 2024, para cerca de 2,7 mil milhões de dólares. De acordo com uma das fontes, foi transmitido que o investimento chinês é bem-vindo, desde que em sectores considerados não sensíveis. Contudo, para que tal se concretize, seria necessário “mudar a narrativa” e atenuar o discurso da “ameaça chinesa” dominante nos Estados Unidos. Nova ronda Na semana passada, o ministério do Comércio chinês anunciou a realização de uma sexta ronda de negociações comerciais com Washington. Embora a data e o local não tenham sido confirmados, espera-se que as conversações sirvam de antecâmara à visita de Trump. O South China Morning Post referiu ainda que a deslocação poderá permitir prolongar a trégua comercial de um ano acordada em Outubro entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, que ajudou a aliviar temporariamente as tensões geradas pela escalada tarifária iniciada após o regresso do republicano à Casa Branca.
Hoje Macau China / ÁsiaCasa Branca | Donald diz que visita à China vai “ser algo selvagem” A Casa Branca anunciou que Donald Trump vai fazer uma viagem oficial à China, de 31 de Março a 02 de Abril. Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, já se reuniram pessoalmente por cinco vezes. “Vou à China em Abril. Vai ser algo selvagem”, tinha dito Trump na quinta-feira. Esta visita realiza-se depois de o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA ter anulado parcialmente as taxas alfandegárias que Trump tinha instituído. Estas taxas têm sido um dos principais focos de tensão entre EUA e China. A disputa comercial acalmou com um acordo de emergência, em Maio de 2025, em Genebra, que se consolidou por um ano, desde Outubro de 2025, quando a China levantou as restrições às suas exportações das ditas terras raras e os EUA reduziram parte das taxas. Donald e XI devem também abordar as relações bilaterais na tecnologia e a segurança na região Ásia-Pacífico, além da questão específica de Taiwan. No final de 2026, em sentido inverso, está previsto que Xi Jinping se desloque à Casa Branca.
Hoje Macau China / ÁsiaEconomia | Aliados históricos dos EUA cedem influência à China Os líderes do Reino Unido e do Canadá “inclinaram-se perante Pequim”, observou ontem o analista Bill Bishop, numa análise aos recentes contactos diplomáticos com a China, que reflectem um distanciamento em relação aos Estados Unidos. “Tivemos dois dos mais firmes aliados históricos dos Estados Unidos, dois membros da NATO […] efectivamente, de certa forma, a inclinarem-se perante Pequim”, comentou o analista no seu boletim diário Sinocism. A visita realizada na semana passada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à República Popular da China – a primeira de um chefe de Governo britânico desde 2018 – ocorre num momento em que outros líderes ocidentais, como os da França, Finlândia e Canadá, também procuram reforçar os laços com Pequim, numa tendência de diversificação de alianças face à imprevisibilidade da política externa norte-americana. Apesar de Pequim não ter anunciado concessões de relevo à delegação britânica, Starmer regressou ao Reino Unido com a redução das tarifas sobre o whisky britânico de 10 por cento para 5 por cento e com a promessa de novas parcerias comerciais. Uma delegação empresarial de cerca de 50 empresas, incluindo a AstraZeneca, acompanhou o chefe do Governo, tendo sido anunciado um investimento de 15 mil milhões de dólares na China até 2030. A visita foi precedida pela aprovação, por parte das autoridades britânicas, de um projecto para uma nova embaixada chinesa em Londres, bloqueado durante vários anos, bem como pelo abandono de um processo judicial por espionagem que envolvia cidadãos chineses. Para Bishop, a estratégia de Pequim não visa substituir os Estados Unidos como aliado principal destes países, mas sim “explorar o espaço deixado por fissuras” nas relações tradicionais com Washington. A visita de Starmer, tal como a do primeiro-ministro canadiano, é interpretada como um sinal de abertura para relações mais pragmáticas com dois membros da NATO e da aliança de informação “Cinco Olhos”. “A China continua a ter uma enorme vantagem em cadeias de abastecimento críticas, como as terras raras”, lembrou Bishop, referindo-se ao controlo chinês sobre minerais essenciais para a indústria. Um relatório recente do grupo de reflexão European Council on Foreign Relations (ECFR) apontou num sentido semelhante. O documento concluiu que a política externa unilateral e transacional de Donald Trump está a provocar um realinhamento global, com vários países a considerar a China um actor mais previsível e, em certos casos, mais confiável do que os Estados Unidos. Mapas de influência Segundo o ECFR, apenas 16 por cento dos europeus vêem hoje os EUA como um aliado confiável. Entre os inquiridos em 21 países, apenas 10 por cento acreditam que os EUA terão mais influência no mundo dentro de 10 anos, enquanto 36 por cento apostam na China. O relatório sublinhou ainda que muitos cidadãos, tanto na Europa como no chamado Sul Global, já não vêem o mundo dividido entre dois blocos rivais, mas sim como um espaço multipolar, onde é possível manter boas relações com ambas as potências. Para Bishop, o objectivo da China não é virar aliados ocidentais contra Washington, mas sim aproveitar as divisões que se alargaram. “Não se trata de os virar contra os Estados Unidos, mas sim de expandir o espaço de influência e negociação”, afirmou.
Hoje Macau Grande PlanoEuropa | Merz considera inaceitáveis pontos da geostratégia de Trump O chefe do governo federal alemão, Friedrich Merz, declarou ontem que há certos pontos inaceitáveis no documento sobre Defesa e geostratégia da Administração norte-americana liderada por Donald Trump, na perspectiva europeia. “Não vejo qualquer necessidade de os americanos quererem salvar a Democracia na Europa”, disse, em visita à Renânia-Palatinado (estado a sudoeste), que alberga várias bases militares dos Estados Unidos da América (EUA). Num documento estratégico sobre segurança nacional dos EUA, divulgado na passada semana, lê-se um alerta para o perigo de “extinção civilizacional” da Europa, caso se mantenham as “tendências actuais”, “Se as tendências actuais continuarem, o continente [Europa] vai ficar irreconhecível dentro de 20 anos ou menos”, lê-se no documento de 33 páginas, no qual é defendida a “restauração da supremacia” dos EUA na América Latina. Trump, no prefácio, resume: “pomos a América em primeiro lugar em tudo o que fazemos”. “É mais do que plausível que, em poucas décadas, no máximo, os membros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, na sigla inglesa) se tornem predominantemente não europeus”, escreveu, acrescentando que “é legítimo questionar se eles perceberão o seu lugar no Mundo ou sua aliança com os EUA, da mesma forma que aqueles que assinaram a carta da organização”. A Casa Branca lamenta decisões europeias que “minam a liberdade política e a soberania, as políticas migratórias que estão a transformar o continente [Europa] e a criar tensões, assim como a censura à liberdade de expressão e a repressão à oposição política, a queda nas taxas de natalidade e a perda de identidades nacionais (…)”. Washington manifesta desejo de que “a Europa permaneça europeia, recupere sua autoconfiança civilizacional e abandone sua obsessão infrutífera com o sufoco regulatório”.
Hoje Macau China / ÁsiaTrump aconselha Japão a não provocar a China com Taiwan O Presidente dos Estados Unidos aconselhou a primeira-ministra japonesa a não provocar a China com a questão da soberania de Taiwan, informou ontem o Wall Street Journal (WSJ), na sequência da disputa diplomática sino-nipónica. As relações entre as duas maiores economias da Ásia estão a atravessar um momento difícil depois de, no início de Novembro, a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmar que Tóquio poderia intervir militarmente no caso de um ataque a Taiwan, ilha que Pequim considera parte do território chinês. Durante uma chamada telefónica com o Presidente norte-americano, Donald Trump, na segunda-feira, o homólogo chinês, Xi Jinping, insistiu neste assunto, afirmando que o retorno de Taiwan à China faz parte integrante da “ordem internacional do pós-guerra”, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Pouco depois, “Trump organizou uma chamada com Takaichi e aconselhou-a a não provocar Pequim sobre a questão da soberania da ilha”, informou o diário WSJ, citando, embora sem identificar, responsáveis japoneses e um norte-americano que estão familiarizados com a conversa. “A opinião de Trump foi subtil e ele não a pressionou a voltar atrás nas declarações”, lê-se no jornal. Entretanto, o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, não quis ontem confirmar se Trump pediu a Takaichi que moderasse o tom em relação a Taiwan. “Na conversa telefónica do outro dia, discutimos muitas questões, como o reforço das relações entre o Japão e os EUA e a situação e os problemas no Indo-Pacífico (…). Evito dar mais pormenores porque se trata de um assunto diplomático”, disse Kihara durante a conferência de imprensa diária. No relato da chamada, a chefe do Governo japonês limitou-se a indicar que falou com Donald Trump sobre a conversa deste com Xi Jinping, bem como sobre as relações entre os dois aliados. “O Presidente Trump disse que éramos amigos muito próximos e sugeriu que eu lhe ligasse a qualquer momento”, afirmou a líder japonesa. Proteger interesses De acordo com o WSJ, porém, “os responsáveis japoneses consideraram a mensagem preocupante”. “O Presidente [norte-americano] não queria que as tensões em torno de Taiwan comprometessem a abertura alcançada no mês passado com Xi, que inclui a promessa [da China] de comprar mais produtos agrícolas norte-americanos, a fim de apoiar os agricultores duramente afectados pela guerra comercial”, desencadeada pelo líder norte-americano, estimou o jornal. Na sequência das declarações de Sanae Takaichi, a China convocou o embaixador do Japão e aconselhou a população a evitar viagens para o arquipélago. O lançamento de vários filmes japoneses na China também foi adiado, de acordo com os meios de comunicação estatais chineses.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA / Nigéria | China rejeita “ameaças de sanções e uso de força militar” A China rejeitou ontem as ameaças de sanções e intervenção militar dos Estados Unidos contra a Nigéria, após Donald Trump acusar o Governo nigeriano de permitir a matança de cristãos. “Enquanto parceiro estratégico abrangente, a China apoia firmemente o Governo nigeriano nos seus esforços para conduzir o povo por um caminho de desenvolvimento compatível com as suas condições nacionais”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning, em conferência de imprensa. Mao afirmou que Pequim “se opõe à ingerência de qualquer país nos assuntos internos de outros, sob pretexto da religião ou dos direitos humanos”. Num texto publicado na rede social Truth Social, Donald Trump escreveu: “Se o Governo nigeriano continuar a permitir a matança de cristãos, os Estados Unidos irão suspender de imediato toda a ajuda e assistência à Nigéria, podendo mesmo intervir nesse país agora desacreditado, com recurso a armas, para eliminar por completo os terroristas islâmicos que estão a cometer essas atrocidades horríveis”. O republicano acrescentou que vai ordenar ao Departamento de Defesa que se prepare para uma “possível acção”, garantindo que essa eventual intervenção militar será “rápida, impiedosa (…), tal como os terroristas atacam os nossos queridos cristãos”, e apelou ao Governo da Nigéria para que “aja rapidamente”. O executivo nigeriano, liderado pelo Presidente, Bola Ahmed Tinubu, rejeitou as acusações, considerando que “não reflectem a realidade no terreno”.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Pequim confirma reunião entre Xi Jinping e Trump Xi Jinping e Donald Trump encontram-se hoje na capital sul-coreana antes da cimeira APEC. Em cima da mesa, devem estar temas como as terras raras, as tarifas, o Tik-Tok ou a questão de Taiwan A diplomacia chinesa confirmou ontem que o Presidente Xi Jinping vai reunir-se hoje com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Coreia do Sul, num encontro destinado a aliviar a tensão comercial entre os dois países. Embora Washington já tivesse confirmado a reunião – com Trump já presente na Coreia do Sul ontem – Pequim manteve o silêncio até agora, naquela que será a primeira reunião entre os dois líderes desde o regresso do republicano à Casa Branca, em Janeiro passado. O encontro decorrerá à margem da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) e deverá abordar temas como a guerra comercial, a aplicação TikTok, a questão de Taiwan e o combate ao tráfico de fentanil. Nos últimos dias, ambos os lados sinalizaram uma vontade de compromisso. Trump manifestou confiança num “acordo comercial bom para ambos” e admitiu baixar tarifas à China em troca de maior cooperação no combate ao fentanil, droga responsável por uma crise de saúde pública nos EUA. Também se mostrou evasivo quanto à possibilidade de discutir Taiwan com Xi, afirmando: “Taiwan é Taiwan”. Dar seguimento A reunião segue-se a negociações técnicas realizadas em Kuala Lumpur, nas quais Washington e Pequim alcançaram um “acordo preliminar” para aliviar disputas comerciais, incluindo os controlos chineses às exportações de terras raras e as tarifas norte-americanas sobre produtos chineses. Na terça-feira, o Comité Central do Partido Comunista Chinês publicou novas directrizes estratégicas que apelam a uma mobilização nacional para alcançar “avanços decisivos” em tecnologias-chave como semicondutores, ferramentas de precisão, software básico, inteligência artificial e energia de fusão, no âmbito do plano quinquenal 2026-2030. No plano diplomático, a tensão em torno de Taiwan ganhou novo fôlego antes da cimeira. Pequim reiterou que “nunca renunciará ao uso da força” para alcançar a reunificação, enquanto o líder taiwanês, William Lai, afirmou que “só a paz através da força” pode garantir a estabilidade regional e apelou a uma oposição mais firme à “anexação” chinesa. Nos últimos dias, a China intensificou também a actividade militar em torno da ilha, com dezenas de aviões de combate a cruzarem a linha média do Estreito de Taiwan. Para pior basta assim Donald Trump manifestou ontem optimismo quanto à possibilidade de alcançar um novo acordo comercial com o homólogo chinês, Xi Jinping, afirmando que “é melhor chegar a um entendimento do que estar em conflito”. “Espero que consigamos chegar a um acordo. Acredito que vai ser um bom acordo para ambos. Isso seria realmente um excelente resultado”, afirmou Trump, durante um discurso perante empresários no Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, na cidade sul-coreana de Gyeongju. “É melhor isso do que estarmos em confronto e passarmos por todo o tipo de problemas sem necessidade. O mundo inteiro está a observar”, acrescentou o líder norte-americano, na véspera do encontro com Xi. Em declarações a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump admitiu também a possibilidade de reduzir as actuais tarifas sobre a China, desde que isso ajude a intensificar o combate ao tráfico de fentanil, uma das principais prioridades da reunião com Xi.