Em quase 10 anos Governo recebeu apenas 11 queixas laborais de professores

Lou Pak Sang, director da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), garantiu, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Sulu Sou, que foram recebidos desde o ano lectivo 2012/2013 “11 casos de pedidos de informações, apresentação de sugestões e queixas” sobre questões relacionadas com o pessoal docente.

Estes casos “têm sido alvo de acompanhamento”, frisou o director. Lou Pak Sang assegura que “o pessoal docente pode contactar as escolas, a DSEDJ e os serviços competentes para pedir informações, apresentar sugestões ou queixas sobre a remuneração e o descanso compensatório de trabalho extraordinário, entre outros assuntos”.

Sobre professores com excesso de trabalho, que têm de realizar tarefas além das aulas, Lou Pak Sang adiantou que o Governo “tem lançado diversas políticas de apoio ao trabalho pedagógico dos docentes”. No ano lectivo de 2020/2021, “os tempos lectivos semanais dos docentes dos ensino infantil, primário e secundário foram, em média, de 20,8, 16,3 e 14,3 por cento, tendo diminuído 11, 9 e 14 por cento, respectivamente”.

Lou Pak Sang disse ainda que a DSEDJ “incentiva as escolas a obterem um equilíbrio entre o tempo de descanso dos docentes e as tarefas de cuidado das necessidades de desenvolvimento e crescimento dos alunos”. O responsável nega ainda a existência da situação de, “em todos os anos lectivos, as escolas necessitarem de negociar com os docentes a renovação do seu contrato de trabalho”. Isto porque, com base na lei laboral, “além da contratação para satisfazer as ‘necessidades temporárias’, também os contratos de trabalho de outros docentes são considerados ‘contratos sem termo’”, rematou.

PCC | Transferência pôs fim a “100 anos de humilhação”, Ho Iat Seng

Durante a inauguração da exposição fotográfica que celebra o centenário do Partido Comunista da China, Ho Iat Seng afirmou que a criação do princípio “Um País, Dois Sistemas” foi fundamental para permitir que Hong Kong e Macau regressassem à pátria, colocando um ponto final a “100 anos de humilhação da nação chinesa”. Fu Ziying alertou para a necessidade de traçar uma linha clara contra forças separatistas

 

O Chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng afirmou ontem que o retorno de Hong Kong e Macau à pátria apenas foi possível devido à criação do princípio “Um País, Dois Sistemas”, política fundamental para pôr fim a “100 anos de humilhação”.

“O Partido Comunista da China apresentou, de forma inovadora, a importante política ‘um País, dois sistemas’ e, sucessivamente, retomou o exercício da soberania sobre Hong Kong e Macau, findando assim cem anos de humilhação da nação chinesa”, afirmou ontem Ho Iat Seng por ocasião da inauguração da Exposição de Fotografias de Celebração do 100.º Aniversário do Partido Comunista da China (PCC).

O líder político do território sublinhou ainda que, sem a liderança do PCC, “Macau não usufruiria da prosperidade e da estabilidade”, apenas permitida pelo mesmo princípio.

“O PCC é o pioneiro, o líder, o praticante e o defensor da causa ‘Um País, Dois Sistemas’. Devemos estar cientes que o apoio e a defesa da liderança do PCC constituem a base do sucesso da prática ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau”, acrescentou.

Apontando que conhecer a história é fundamental para rumar a “um futuro mais brilhante”, Ho Iat Seng garantiu ainda que o Governo está empenhado na prevenção da pandemia, manutenção do bem-estar da população e implementação de estratégias nacionais como o projecto da Grande Baía. A aplicação “plena e correcta” do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, a “firme” implementação do princípio “Macau governado por patriotas” e a consolidação da base político-social do “amor pela Pátria e por Macau” são também missões fundamentais.

Para miúdos e graúdos

Durante o discurso, o Chefe do Executivo afirmou ainda que a exposição fotográfica “visa sobretudo aprofundar o conhecimento de todos os residentes de Macau, especialmente da geração mais jovem, sobre a jornada dos 100 anos do PCC”, e assim recordar a sua “gloriosa história de um século de luta”, relembrando “os seus grandes contributos em prol do País, do povo, da nação e do mundo”. “A história é o melhor livro escolar”, acrescentou.

A exposição “Os 100 Anos do Partido Comunista da China – Exposição de Fotografias de Celebração do 100.º Aniversário do Partido Comunista da China” vai estar patente até 15 de Julho, no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e inclui 298 fotografias.

A ocasião contou ainda com a presença do Coordenador do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Fu Ziying, que afirmou que Macau deve apoiar sempre à liderança do Partido Comunista para defender os seus interesses, a segurança nacional e traçar uma linha clara contra qualquer força separatista.

“Na sociedade de Macau devemos aderir e seguir firmemente a liderança do Partido Comunista da China, defendendo a segurança nacional de uma forma resoluta, perseguindo o seu desenvolvimento e traçando conscientemente uma linha clara contra quaisquer forças separatistas, tais como as que são a favor da independência de Hong Kong e Taiwan”, vincou Fu Ziying.

All About Macau ficou de fora

O portal noticioso All About Macau revelou no Facebook que não foi autorizado pela Fundação Macau para cobrir a inauguração da Exposição de Fotografias alusiva à Celebração do 100.º Aniversário do Partido Comunista da China.

De acordo com a nota, a participação do evento foi rejeitada na passada segunda-feira, após o jornalista destacado ter sido inscrito dentro do prazo estabelecido e realizado o teste de ácido nucleico obrigatório. Depois de protestar, a organização do evento esclareceu na terça-feira que o número de vagas era limitado e que, das 23 inscrições recebidas, foi dada prioridade aos jornais diários, à rádio e à televisão, ficando de fora cinco publicações semanais e mensais. Reagindo à resposta, o All About Macau considerou que, à luz dos procedimentos dos anos anteriores e por publicar conteúdos online diariamente e em formato físico mensalmente, a prática “não é razoável” e viola o princípio da liberdade de imprensa.

Covid-19 | Analistas dizem que política de “zero casos” pode definhar economia local

A possibilidade de abrir novamente a bolha de viagem entre as RAEs ao fim de 28 dias sem casos locais de covid-19 em Hong Kong pode ser essencial para a recuperação de Macau. Analistas ouvidos pelo HM entendem que a política de “zero casos” do Governo de Macau é “exagerada” e pode levar a uma situação económica muito difícil. Porém, antes de existir, a bolha rebentou com a notícia de um possível surto de covid-19 em Hong Kong

 

A espera das autoridades de Macau pela inexistência de casos locais de covid-19 na vizinha Hong Kong para abrir as fronteiras pode levar a economia da RAEM a definhar cada vez mais. É esta a ideia deixada por vários analistas contactados pelo HM quando questionados sobre os efeitos da possível bolha de viagem com Hong Kong, caso se atinjam 28 dias sem novos casos locais de infecção.

Porém, ontem foi noticiado nos media da região vizinha um possível surto no bairro de Tai Po, depois da detecção de uma elevada carga viral nos esgotos da zona. As autoridades da RAEHK procederam à testagem em massa de habitantes de 30 prédios. Segundo a RTHK, foram testadas 2100 pessoas, não tendo sido detectados casos positivos de covid-19 até ao momento.

Além desta situação, o South China Morning Post, noticiou que as autoridades de saúde de Hong Kong estão ainda a investigar um caso de teste positivo à covid-19 de um residente na zona de Tai Po e que trabalha no Aeroporto Internacional de Hong Kong. As autoridades da região vizinha confirmaram também dois casos importados, um deles da Indonésia.

Pedro Cortes, advogado e especialista na área do jogo, acredita que “a política de “casos zero” terá consequências gravosas para a economia, mais cedo ou mais tarde”. “Não se morre da doença, mas morre-se da cura. Vemos em algumas zonas de Macau as lojas fechadas e há muita gente no desemprego. Percebo esta política, mas tem de haver alguma flexibilidade, caso contrário vamos demorar muito tempo até recuperar para a situação que tínhamos antes da pandemia”, referiu.

Ideia semelhante é defendida pelo economista Albano Martins, que considera que o Governo tem exagerado em muitas das medidas tomadas. “Há um grande exagero e não pode funcionar o “ou tudo ou nada”. Temos países em que o Governo não tem mão em nada, como os EUA na primeira fase com Trump. Macau conseguiu controlar a pandemia, mas está a exagerar. O poder está a cair na mão do pessoal da saúde, que são funcionários, mas que não sabem muito bem o que é a economia do território. É preciso jogar um pouco com maior flexibilidade, porque caso contrário não se morre da doença, mas da cura.”

Glenn Mccartney, docente e investigador da Universidade de Macau (UM), especialista na área do turismo, diz que tudo depende de que lado se está. “Tudo depende se somos accionistas, casinos, o Governo ou investidores. Isto é uma pandemia e é muito difícil adivinhar o seu percurso. Podemos ter excesso de zelo, mas em alguns casos isso pode ser bom, tudo depende de que lado se está. Penso que, de momento, a precaução pode ser um factor positivo, estamos a seguir em frente, a ter algumas receitas. Claro que os investidores querem mais receitas e lucros, mas as consequências de fazer tudo muito depressa é a ocorrência de casos comunitários.”

Também Óscar Madureira, advogado e especialista em jogo, defende que está na altura de as autoridades locais flexibilizarem mais as medidas. “Macau continua com alguma abertura em relação à China que apresenta números bem diferentes de Hong Kong. Não abre para Hong Kong de uma forma quase incompreensível.”

O causídico refere que “a situação de Macau é complicada”, uma vez que as operadoras de jogo “estão há bastante tempo sem conseguir operar em termos normais”. “Houve um sopro de positividade durante a Semana Dourada, em Maio, mas, neste momento, parece-me que o facto de Macau continuar isolado é mau para o território”, adiantou.

Tubo de escape

Olhando para os dados dos visitantes que entraram em Macau em 2019, no período pré-pandemia, os visitantes de Hong Kong representavam cerca de 20 por cento. Para Pedro Cortes, a reabertura de uma bolha de viagem com o território vizinho “seria muito bom para a indústria do jogo e local, como os restaurantes e o pequeno retalho que vivem muito dos visitantes de Hong Kong”.

Além disso, a abertura, a acontecer, pode funcionar como uma alternativa face às consequências negativas resultantes do aumento de casos de covid-19 em Guangdong.

“Compensaria de certeza absoluta o que foram as últimas semanas de entradas da China. Seria uma pequena lufada de ar fresco na indústria do jogo, mesmo com todas estas reservas. Sei por alguns clientes nossos que o fecho das fronteiras tem sido bastante prejudicial”, defendeu Pedro Cortes.

Albano Martins recorda que “Hong Kong é um mercado apetecível para o jogo de Macau”, mais antes de 1999 do que depois, quando o mercado chinês passou a dominar o sector.

“Toda e qualquer abertura é boa para o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]”, frisou o economista, que aponta o dedo às autoridades pela forma como estão a gerir a questão da renovação das concessões de jogo.

“O problema é a opacidade do Governo. Não se sabe muito bem se o Governo está a tentar manter o mercado do jogo ou se simplesmente está com a ideia, legítima, mas que na prática não é viável a curto prazo, nem nos próximos 20 anos, de diversificar, mas pela aniquilação do jogo. Acredito que o jogo vai continuar, as operadoras estão muito preocupadas porque não há luz verde nenhuma sobre como vão ser os processos de concessão e têm um investimento colossal.”

Glenn Mccartney lembrou que as família são, um segmento importante para os casinos, sobretudo na área do entretenimento e lazer. “Temos de pensar que as crianças não poderão vir porque não estão vacinadas. Temos de pensar neste cenário de visitantes sem famílias, e haverá certamente uma aproximação passo a passo a Hong Kong [ao mercado]. Não vejo que esta bolha de viagem tenha um impacto imediato no sector do jogo, porque continuam as restrições.”

Cautela é palavra de ordem no discurso do académico da UM. “Estas duas semanas [de análise] poderão ser estendidas. Com base naquilo que sabemos sobre o vírus, o Governo de Macau será ainda mais cauteloso. Há mais variantes do vírus e isso gera preocupações acrescidas.”

Abrir as fronteiras com Hong Kong e manter o corredor com a província de Guangdong “pode levar a uma recuperação lenta” da economia local, defendeu.

Prémios pelas vacinas

No meio de toda esta equação, está um factor que pode resolver parte dos problemas: a vacina contra a covid-19. As autoridades de Macau frisaram que só poderão viajar para Hong Kong, com isenção da quarentena, quem tiver as duas doses da vacina. Pedro Cortes vai mais longe e pede que sejam criados benefícios para quem está vacinado, que poderiam passar, por exemplo, pela redução dos dias de quarentena.

Se em Macau tem sido difícil conquistar a população para as vacinas, a situação não é melhor em Hong Kong, onde uma pequena percentagem da população está vacinada. Óscar Madureira acredita que é necessária uma maior intervenção do Governo.

“Neste momento, era importante que a população de Macau se vacinasse. O Governo deveria ter uma palavra de maior pedagogia, sei que algumas operadoras já o fizeram e com bons resultados. Mas a percentagem da população vacinada não atingiu ainda números satisfatórios e isso prejudica a população de Macau. Se as fronteiras abrirem e houver contaminação será mais grave, e com a vacinação o Governo pode estar mais confiante.”

Os últimos dados divulgados pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus mostram que em Macau apenas cerca de 91 mil pessoas tomar as duas doses da vacina.

Wynn optimista para o Verão

A vice-presidente da Wynn Macau, Linda Chen, revelou que a estabilização da situação da pandemia nas regiões de Guangdong e Hong Kong ] e razão para estar optimista em relação ao número de visitantes esperados no próximo mês. À margem da apresentação da 9ª edição da exposição internacional da indústria do turismo de Macau, Linda Chen considerou que, pelo facto de estarem programadas várias actividades turísticas, culturais e desportivas para Julho, faz com que exista a expectativa de que a média diária de visitantes possa ultrapassar os 40 mil, à imagem do que aconteceu na semana dourada do 1º de Maio. Sobre o plano de expansão do Wynn Palace, a vice-presidente afirmou esperar que as novas instalações “correspondam ao desenvolvimento de Macau no futuro”.

Último número do jornal Apple Daily de Hong Kong sai na quinta-feira

O último número do jornal Apple Daily de Hong Kong vai ser publicado na quinta-feira, anunciou hoje o diário. A decisão do conselho de administração surgiu menos de uma semana depois de a polícia ter detido cinco responsáveis e congelado bens no valor de 18 milhões de dólares de Hong Kong.

O “Apple Daily decidiu que o jornal vai terminar a actividade a partir da meia-noite e que 24 de Junho será o último dia de publicação”, escreveu o diário na página digital, onde precisou que o sítio na internet do jornal “deixará de ser atualizado a partir da meia-noite”.

Alguns minutos antes, o conselho de administração tinha anunciado, num curto comunicado, que o último número impresso seria o de sábado, 26 de junho de 2021, deixando a versão digital de estar acessível a partir das 23:59, também de sábado.

Durante anos, o Apple Daily foi um firme apoiante do movimento pró-democracia na região e tem sido crítico dos líderes chineses. O proprietário e magnata dos ‘media’ Jimmy Lai está actualmente detido, condenado a várias penas de prisão pelo envolvimento nos protestos de 2019. Foi também acusado, ao abrigo da lei de segurança nacional, que prevê a pena de prisão perpétua para crimes de secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

Na quinta-feira, mais de 500 polícias invadiram os escritórios do jornal, numa operação que resultou na detenção de cinco responsáveis e no congelamento de bens no valor de 18 milhões de dólares de Hong Kong de três empresas ligadas ao Apple Daily.

Um dia depois, o diretor do jornal, Ryan Law, e o director-geral, Cheung Kim-hung, foram acusados de “conluio com um país estrangeiro ou elementos externos para pôr em perigo a segurança nacional” chinesa. Um tribunal de Hong Kong negou, no sábado, fiança para os dois responsáveis.

Covid-19 | China soma 24 novos casos, todos oriundos do exterior

A China detectou 24 casos de covid-19 nas últimas 24 horas, todos oriundos do estrangeiro, anunciaram hoje as autoridades de saúde do país. Os casos foram diagnosticados em viajantes provenientes do estrangeiro na cidade de Xangai (leste) e nas províncias de Sichuan (centro), Guangdong (sudeste), Jiangsu (leste) e Fujian (leste).

A Comissão de Saúde da China adiantou que o número total de casos activos é de 514, incluindo 16 em estado grave. Desde o início da pandemia da covid-19, o país registou 91.653 casos da doença e 4.636 mortos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.875.359 mortos no mundo, resultantes de mais de 178,6 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Surto de covid-19 em porto de Guangdong complica transporte marítimo mundial

Um surto de covid-19 num dos mais movimentados portos da China causou congestionamento de navios de carga e incertezas na logística, nas vésperas de época alta para o transporte marítimo, relatou ontem a imprensa local.

O porto de Yantian – o maior do mundo entre os que possuem um único terminal de contentores – fica em Guangdong. É através de Yantian que passa um terço do comércio internacional de Guangdong e um quarto das exportações chinesas para os Estados Unidos.

Os surtos do novo coronavírus em Guangdong – causados, sobretudo, pela variante Delta -, nas últimas semanas, colocaram pressão adicional em outros portos chineses, como Nansha, Shekou ou Hong Kong.

De acordo com a consultora chinesa Oneshipping, que fornece informações sobre o sector de logística, mais de 300 viagens foram canceladas ou desviadas para outras rotas e portos.

Desvio para Nansha

Na segunda-feira, o porto garantiu que retomou 70 por cento da sua capacidade total e que espera voltar à normalidade no final deste mês, antes da época alta para o transporte marítimo, concentrada anualmente nos meses de Agosto e Setembro, quando as empresas nos EUA e Europa se reabastecem para o Natal.

O referido porto de Nansha, localizado na cidade de Cantão – a capital da província -, acrescentou 38 navios à sua frota para “garantir o fluxo desimpedido do comércio internacional”, o que conduziu a congestionamentos nas estradas que conduzem às instalações. A isto soma-se aos problemas logísticos decorrentes do congestionamento do cargueiro Ever Given, no Canal de Suez, que causou já dificuldades em escoar contentores nos portos chineses.

A Maersk, uma das principais empresas de frete marítimo do mundo, expressou esperança de que os engarrafamentos no porto de Yantian, “um dos centros mais importantes do mundo”, sejam resolvidos “nas próximas semanas”.

Cartão de consumo de Hong Kong   

O Governo de Hong Kong divulgou no passado dia 18 a forma de funcionamento do Programa de Cartões Electrónicos de Consumo de Hong Kong (ECVP/sigla em inglês). O valor por cartão monta a 5.000 HK dólares.

Qualquer pessoa maior de 18 anos com residência em Hong Kong, anterior a 18 de Junho de 2021, os residentes permanentes e os recém chegados podem registar-se no website ou preencher um formulário em papel para se registarem no ECVP.

Chen Maobo, Secretário das Finanças de Hong Kong, afirmou: “Espero que a emissão de cartões de consumo, carregados com 5.000 HK dólares, possa encorajar os residentes a usarem este meio de pagamento prático e flexível no comércio local, na restauração e nos serviços. Espero também que o consumo cresça e que a recuperação económica de Hong seja acelerada. O ECVP vai incentivar os pequenos e médios comerciantes a adoptarem o sistema de pagamento electrónico e abraçarem novas oportunidades de negócio.”
  
Os residentes de Hong Kong podem optar pelo Alipay Hong Kong, pelo Octopus, o Tap & Go “Take and Stay Reward” e o WeChat Pay HK para receberem os cartões electrónicos, carregados com 5.000 HK dólares. Estes carregamentos serão efectuados em duas fases. Em todas as plataformas, excepto no Octopus, na primeira recebem 2.000 dólares e na segunda 3.000. As duas fases podem ser combinadas. No Octopus, existem três fases, duas com 2.000 dólares e uma com 1.000. As três fases podem ser combinadas.

Os cartões podem ser usados em lojas físicas e em lojas online, em compras e serviços e também em transportes públicos. Não podem, no entanto, ser usados em pagamentos de impostos, de serviços públicos, doações, etc.

Existem algumas diferenças do cartão de consumo electrónico de Macau que vale a pena salientar.

Em primeiro lugar, quem usar o Octopus em Hong Kong recebe dinheiro em três fases. O Governo não impõe restrições à utilização do cartão nem data limite. Ou seja, o utilizador pode decidir como e quando usar o cartão. Se optar por não gastar os 1.000 dólares da última fase, pode cancelar o cartão e guardar esse montante. Esta possibilidade não existe no cartão de Macau. O objectivo do cartão de Macau é a promoção do consumo local. Por isso existe uma data limite para utilização do cartão. Se o valor não for usado dentro da data limite, o remanescente reverte para o Governo. Os residentes não podem levantar o valor que não gastaram nem revertê-lo para as suas poupanças.

Em segundo lugar, em Hong Kong o Governo informa os cidadãos do saldo em cartão através de um SMS. Em Macau, para ter acesso a esta informação é necessário aceder a uma aplicação específica. Este método parece ser mais conveniente.

Em terceiro lugar, a emissão do cartão de consumo com 5.000 HK dólares para revitalizar a economia assemelha-se aos primeiros cartões de Macau. Se o Governo de Hong Kong seguir o plano de Macau, os residentes depois de terem recebido estas injecções de dinheiro, poderão usar os subsídios em pleno. Esta estratégia irá revitalizar a economia de Hong Kong.

Em quarto lugar, para beneficiar deste programa é necessário ser maior de 18 anos e ter residência em Hong Kong antes de 18 de Junho de 2021, ou seja, a data da implementação da medida. A intenção é garantir que o plano abrange apenas residentes da cidade. Há quem afirme que as pessoas deveriam dizer porque motivo não viviam em Hong Kong antes da implementação do plano. Esta abordagem só irá criar mais divisões e conflitos na cidade.

Por último, embora os cartões electrónicos de Hong Kong sejam emitidos de forma faseada, podem ser combinados. A maior vantagem desta modalidade é permitir o pagamento de uma só vez de produtos de valor elevado. Esta possibilidade não existe em Macau onde o limite diário do cartão de consumo é de 400 patacas. Neste aspecto são completamente diferentes.

O cartão de consumo de Hong Kong pretende revitalizar a economia da cidade. A intenção é boa, mas se houver muitas restrições e o montante disponível ficar pelos 5.000 dólares, resta ainda saber se os benefícios que trará à economia irão suplantar as críticas ao plano.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau
Blog:http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Situacionismo

Horta Seca, Lisboa, quinta, 21 Maio

Computador grávido de décadas resolve despedir-se, sem estrondo, mas com malefício. Afirmamos na conversa mole a dependência, mas não sabemos o modo como estes seres nos prolongam em prótese essencial para qualquer passo até falharem. Há vida além do ecrã, mas não sei já onde. Algures havia backups a velar pelo passado, aquele a que não voltaremos e o outro que nos falta como oxigénio embora respiremos, pelo que a desgraça talvez não seja tão grande agora surge. Algo se perderá, que não há outro modo do dia nascer. Só que o acontecido não se limita a mera alteração na rotina, funciona mesmo como reboot: as máquinas velhas têm manhas a que nos afeiçoámos ou pelo menos domesticámos, os programas em versões vetustas obedecem-nos, sabemos onde está cada botão, cada password, cada rotina. E a culpa assenta no nosso comportamento, que temos demasiado peso no correio, muitas mensagens abertas, muitos programas a funcionar em simultâneo, mais isto e menos aquilo, descuido e desrespeito. De súbito, vemo-nos obrigados a repensar mais esta relação, a começar de novo e o word não se diz da mesma maneira, é preciso recomprar o pacote dos básicos, aceder a dezenas de plataformas, redefinir milhares de palavras-passe, aceitar contratos em que cederemos até o futuro e um rim. Estou a ver a velha Olivetti armada em decorativo objecto sob a camada de pó e suspiro.

Rua da Rosa, Lisboa, sexta, 28 Maio

Qualquer cidade tem os seus segredos. Lisboa não sendo como as outras, tem mais e distintos, diz Pessoa em perpétuo desassossego e digo eu que nunca daqui saí. O [José] Pinho tem um radar que descobre lugares, na aparência vagos, mas que acabam cruzamentos concretos de gente e ideias e livros, pontos de encontro e interrogação e exclamação. Descobriu agora prédio assente em memórias e luz e resolveu correr a habitá-lo de possibilidades. Andou a mostrá-lo como quem conta uma história. Pode até nada mais acontecer, mas participar nesta peça de teatro imersivo valeu o dia (de aziaga memória).

Horta Seca, Lisboa, sexta, 11 Junho

Há uns meses foi o telemóvel que resolveu armar-se em situacionista e mandar nas minhas conversas, desatando a fazer chamadas em direcções indesejadas. Deu conversas longas e divertidas e uma delas foi com o António Torrado, que agora parte para parte incerta. A costumeira ignorância arrumou-o na gaveta de escritor para putos, coisa das mais menores, algures entre o conto e a poesia, uma necessidade por causa da didáctica e para entreter e por isso agora em atenta vigilância. Também teve pé em palco, mas isso pouco muda. Ora o António, que foi editor, era escritor a merecer outras sortes, as da leitura, nos mínimos. Se nele entrarmos pelo lado do absurdo logo a viagem se faz compensadora. Mas não, dá menos trabalho e alinhar na celebração pacóvia do que nos chega mastigado do que procurar raízes na terra comum. Uns dias antes, também nos havia deixado a Leonor Riscado, que gastou a vida precisamente na valorização desta disciplina luminosa e obscura. Não consigo deixar de procurar na minha cabeça em incessante crash uma palavra, uma única trocada com cada um e que gostasse que fosse, para sempre, a sua e de mais ninguém. Há palavras que procuram as pessoas certas onde morar.

Livraria Verney, Oeiras, Sábado, 19 Junho

Tem acontecido neste espaço, sob a minha desatenção, uma curiosa troca de olhares. Tendo em depósito a obra de Neves e Sousa, primeiro o Nuno [Saraiva], e neste momento a Catarina Sobral trataram de a ilustrar, ilustrar o desenho, outro modo de o comentar, de o ler, de o tornar seu. A tinta-da-china ganhou cores e o registo rápido de viajante atento ganhou sequência quase narrativa: se um grupo se junta em torno do fotógrafo em Neves e Sousa, a Catarina faz-nos a ver a fotografia possível. O que era transparência nos traços de um passou a expressividade no desenho de outra. Os corpos que se queriam reais passaram a ser formas de um vocabulário pessoal. E o essencial dá-se nesta maravilhosa deslocação dos corpos nas paisagens. E se no preto e branco só a podemos adivinhar, nas massas de cor apresenta-se em todo o seu esplendor, sua excelência, a luxúria. Fico preso a um mangal (na página), veios e folhagens sopradas pelo vento, lugar de híbridos e cruzamentos de estados, onde a terra se faz líquida e o vegetal toca as nuvens. Oculto nas folhagens está o observador indistinto do horizonte, animal que respira e vê.

Livraria Verney, Oeiras, Sábado, 19 Junho

Ainda nos reunimos sob o signo do medo. Coreografamos os primeiros momentos com a dança da hesitação, não sei se mão se cotovelo, se abraço ou aceno. Afasto por instantes a máscara para que me reconheçam ou continuo oculto e falante? Perceberão que estou sério ou sorridente? Se as comissuras falassem… O Luís [Cardoso] invoca os bons espíritos e com eles se dará a sessão de lançamento d’ «O plantador de abóboras», por acaso já bastante lido e comentado. Ana Paula Tavares faz justíssimo enquadramento, a corada Ana [Jacinto Nunes] não se cansa de elogiar as mulheres, personagens da verdade, e a Natália Luiza trará em voz alta a toada desta «sonata para uma neblina».

E o Luís fala como se cantasse e cantou de igual modo, a embrulhar a complexidade de cada gesto no pano da simplicidade. Um pouco como tem dito a cada entrevista: esta história foi-lhe entregue em herança por mulher perdida nas memórias esfumadas de Timor, mas o romance vai muito além dessas montanhas; que queria compor um longo poema de amor, que bem se espraia naquelas páginas, mas não se resume a isso, não sendo pouco. A ternura com que talha as personagens, gente e planta, animal e paisagem; o modo de contar como quem toca, não esconde assuntos como as malhas do Império, a identificação de um país ou essa inescapável desilusão. (Aqui para nós, que nos ninguém nos lê, emociona-me que inclua Sancho Pança nessa galeria de figuras, pois encontro nela muito do que pode ser um editor). Confirmo, a partir de pistas que já vinha recolhendo, em sala que não pode estar mais cheia por causa do vírus do tempo, que o Luís soube construir uma comunidade de leitores, feita sobretudo de mulheres. Sinto-me privilegiado por dela fazer parte.

10 de Junho | Ciclo de cinema sobre Macau em exibição até ao dia 4 de Julho

A investigadora Maria do Carmo Piçarra é a curadora do ciclo de cinema “Macau Passado e Presente”, que começa este sábado e termina a 4 de Julho, inserido nas comemorações do 10 de Junho e promovido pela Fundação Oriente. Filmes como “Hotel Império”, de Ivo Ferreira, ou “Boat People”, de Filipa Queiroz, voltam a ser exibidos

 

Começa este fim-de-semana um ciclo de cinema sobre Macau que visa mostrar a evolução da sétima arte no território nos últimos anos, mas também as múltiplas visões de realizadores portugueses e de Macau sobre um território que nunca deixou de ser atractivo para as salas de cinema.

Ao HM, a curadora do evento Maria do Carmo Piçarra contou que o convite partiu da Fundação Oriente, organismo organizador da iniciativa que se integra no programa de comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. O ciclo de cinema começa este sábado e estende-se até ao dia 4 de Julho, estando programadas exibições em vários locais da cidade.

“Houve a ideia de mostrar como é que Macau se tem articulado nesta convivência entre portugueses e habitantes locais. A opção era procurar mostrar como é que os realizadores portugueses têm olhado para Macau”, referiu.
Maria do Carmo Piçarra destaca o filme “Jóia do Oriente”, filmado por Miguel Spiegel em 1956, cuja cópia foi cedida pelo exército português. A histórica película representa “o início de um processo em que o autor filma Macau até ao período anterior a 1974”, algo que fez com o apoio do Estado português e também de alguns governadores de Macau.

A curadora do ciclo realça também o filme “Ilha dos Amores”, de Paulo Rocha, que nunca foi exibido em Macau. “Achei que era importante mostrar a cópia restaurada, mostrada em Cannes nos anos 80, onde estreou. Paulo Rocha é um dos pais do cinema novo português e este é um filme que lhe toma muitos anos, sobre a passagem do Venceslau de Morais por Macau e depois a sua instalação no Japão.” Este filme “complexo” será exibido na Cinemateca Paixão.

Sangue novo

Maria do Carmo Piçarra assume que não pôde incluir neste ciclo tantos filmes antigos como gostaria, e de facto o sangue novo do cinema local está em evidência, com a inclusão de nomes como Albert Chu, António Caetano de Faria, Maxim Bessmertny ou Tracy Choi.

“O Instituto Cultural tem sido muito importante para desenvolver esta produção de cinema em Macau desde a geração do Albert Chu até às mais recentes. Pretendemos mostrar esta diversidade de realidades. Aquilo que faz de Macau um território especial e fascinante para as pessoas nem é tanto o exotismo, que tem sido a maneira como se tem mostrado Macau, mas é toda esta diversidade”, adiantou.

Para Maria do Carmo Piçarra, “temos aqui uma pluralidade, com filmes muito diferentes, desde o filme do Paulo Rocha até ao filme do José Carlos de Oliveira, passando pelos mais jovens realizadores do cinema. O “Hotel Império”, por exemplo, acaba por ser uma reflexão do amor de uma mulher por Macau, pelo hotel onde viveu e cresceu, e que procura resistir a uma pressão trazida pela especulação imobiliária, que se sente um pouco por todo o mundo”, rematou.

Acima de tudo há o recurso a “linguagens que vão da ficção ao ensaio visual, recorrendo também ao formato da curta-metragem”. Reflecte-se, com este ciclo, “as mudanças na paisagem, física e humana, em que os vestígios coloniais servem um certo onirismo e nostalgia, e evidenciam o paralelismo entre o crescimento do território e a multiplicação das imagens desta – e do mundo – numa sociedade de ecrãs”, escreve a curadora.

Euro 2020 | Portugal defronta França no último jogo do Grupo F

Em 2016, o embate contra os franceses fez com que o conjunto luso levantasse o troféu de campeão europeu. Desta vez, um novo encontro ditará se a selecção portuguesa passa para os oitavos de final do Euro 2020 ou se vai para casa antes de 11 de Julho. O palco do desafio será Budapeste, na madrugada de quinta-feira, às 3h de Macau

 

Por Martim Silva

Constata-se que Portugal não tem tido uma campanha brilhante no Euro 2020. Uma vitória contra a Hungria (3-0) e uma goleada sofrida às mãos da Alemanha (4-2) não espelham a reputação de uma equipa consistente e robusta. Mas a selecção de Fernando Santos tem de procurar afirmar-se como um sério favorito a conquistar todos os troféus possíveis. Nas competições mundiais ou europeias há sempre os suspeitos do costume: França, Alemanha, Espanha, Brasil, Argentina. Nem sempre estas equipas são favoritas de caras, mas estão sempre mais perto da glória do que da miséria. Ora, Portugal quase nunca está neste leque restrito de países por causa da volatilidade dos seus desempenhos dentro de campo. Esta falha da selecção das quinas é algo a rectificar.

No entanto, para se manter no Euro e possivelmente repetir o feito de 2016, a equipa lusa necessita de empatar, pelo menos, com a selecção de França (o jogo realiza-se de quarta para quinta-feira às 03h).

Depois dos erros do embate frente à equipa germânica terem sido evidentes e bem explorados pelo adversário, Fernando Santos admitiu possíveis mudanças no onze inicial para o último jogo do Grupo F. “É normal que possa acontecer ter de refrescar a equipa aqui ou acolá, pontualmente. Mas isso não tem a ver com castigo. Por castigo não faço.” defendendo também que “a seguir a uma tristeza queremos dar, novamente uma alegria”.

Para a selecção portuguesa, a resposta em campo tem de se enquadrar com o estatuto de campeão europeu em título. Pela frente não está a vice-campeã europeia de 2016, mas antes a campeã mundial de 2018. No plantel para o Euro 2020, não há um único jogador francês a actuar fora dos cinco principais campeonatos da Europa. Ou seja, Portugal terá pano para mangas se quiser assegurar o apuramento para a próxima fase do torneiro.

E no meio de tanto talento e qualidade francesa, o seleccionador português não parece ter perdido o seu optimismo característico. Essa mesma esperança desmedida pode agora assegurar um lugar entre as dezasseis melhores equipas do velho continente. “Portugal pode ir à final e pode vencer, obviamente. É a minha convicção e desejo. Para isso, obviamente que temos de ser fortes, temos que ser capazes e temos de passar os adversários. O mais importante e que eu acredito que vamos conseguir, e não tenho dúvidas em relação a isso, é garantir o apuramento.” concluiu Fernando Santos.

Do outro lado do relvado vai estar um oponente formidável e sem derrotas em competições oficiais desde 2019 e a precisar, também, de garantir a passagem à fase seguinte do Euro. Mas más notícias saíram esta semana do departamento clínico francês, com a lesão de Ousmane Dembélé a deixar os gauleses desfalcados na frente de ataque. O extremo do Barcelona não volta a jogar mais na competição, tendo entrado aos 57 minutos no jogo frente à Hungria saindo ao minuto 87 com algumas queixas.

Com esta lesão em mente, Deschamps segue o mesmo caminho que Fernando Santos e admite rodar a sua equipa. “O último jogo teria sempre importância. Não excluo a possibilidade de haver uma rotatividade entre os jogadores. Com jogos a cada quatro dias, a frescura física é um aspecto importante.” sublinhou o treinador gaulês.

Rivalidade do Eixo

No outro jogo que sentencia o Grupo F, à mesma hora do Portugal-França, encontram-se velhos aliados. Alemanha e Hungria não se defrontam em competições oficiais desde a final do Mundial de 1954 na Suíça, mas em 2021 as contas a fazer são tão ou mais urgentes que uma final para ambas.

A Hungria, com apenas um ponto, quererá dificultar a vida o mais possível aos germânicos. Tem sido a identidade húngara nesta competição. Os jogos frente a Portugal e França foram extremamente bem planeados por Marco Rossi e interpretados de forma guerreira pelos jogadores da selecção magiar. Para a Alemanha, as sensações do último jogo não podiam ser melhores. Mas os pupilos de Joachim Löw encontram pela frente um dos adversários mais complicados deste Euro e podem não contar com Thomas Müller, que falhou o treino de segunda-feira, para o embate derradeiro. Ilkay Gündogan, Mats Hummels e Lukas Klostermann também não participaram, mas estarão aptos para o jogo.

Áustria vai defrontar Itália nos oitavos

Em dia de fecho do grupo C do Euro 2020, Ucrânia e Áustria defrontaram-se na luta pelo segundo lugar e para se saber quem iria defrontar a selecção transalpina nos oitavos de final do Euro 2020.

Em jogo, teoricamente, equilibrado foi a Áustria a dominar o encontro. Com posse de bola e sem grande dificuldade em mantê-la, o seleccionador austríaco, Franco Foda, decidiu colocar David Alaba a lateral esquerdo e foi aí que o futuro jogador do Real Madrid mais brilhou durante a fase de grupos. A chave do triunfo por 1-0, com golo de Chris Baumgartner após assistência de Alaba, esteve no meio-campo da Áustria e na pressão que exerceu sobre a passiva organização ofensiva da selecção de Andriy Shevchenko, que pouco ou nada conseguiu construir desde a sua grande área.

Em jogo onde a agressividade do conjunto vencedor ficou patente, a Itália não podia ser um adversário melhor para o conjunto de Foda.

Vitória confortável

Ficou consumada a liderança sem derrotas dos Países Baixos, com vitória sobre a Macedónia do Norte por 3-0, no Grupo C do torneio europeu de selecções. A equipa laranja dominou o encontro, tendo efectuado sete remates à baliza de Stole Dimitrievski. Os Países Baixos marcaram os golos através de Memphis Depay e Gini Wijnaldum (2).

O próximo médio do PSG junta-se desta forma a Cristiano Ronaldo e Patrik Schick na lista de melhores marcadores da prova. Com o triunfo, os Países Baixos irão receber um dos terceiros melhores classificados do Grupo D, E ou F, estando Portugal nessa lista.

Dinamarca alcança segundo lugar do Grupo B

Com duas derrotas frente a Finlândia (1-0) e Bélgica (2-1), as possibilidades da selecção dinamarquesa passar à próxima fase pareciam pequenas. Mas se existe uma palavra que descreva a equipa de Kasper Hjulmand resiliência é uma boa hipótese. Depois da paragem cardíaca de Christian Eriksen, tudo pareceu não ter significado para os nórdicos. No entanto, a boa resposta no jogo frente à selecção flamenga deu um novo ar de possível continuidade no Euro 2020. No último jogo do Grupo B, a Dinamarca goleou a Rússia por 4-1 num jogo convincente e marcado pela inépcia dos russos em todos os momentos do jogo.

A equipa de Stanislav Cherchesov decidiu jogar com três defesas, tentando travar o ataque nórdico, porém tudo parecia correr mal. O jovem Mikkel Damsgaard fez o primeiro tento de forma magistral aos 38 minutos. Além das dificuldades em recuperar a bola dos pés dos jogadores da Dinamarca, a Rússia mostrava-se insegurança na sua última linha apesar de ter três homens na grande área, exemplo disto foi o golo marcado por Yussuf Poulsen aos 59 minutos que, após um passe errado do médio Roman Zobnin, só teve de encostar. Com isto, os dinamarqueses dilataram a vantagem através de um golaço do defesa Andreas Christensen (79’) e do lateral Joakim Mæhle (82’). O único golo dos russos foi marcado por Artem Dzyuba de penálti (69’). A Dinamarca irá agora enfrentar o País de Gales nos oitavos de final.

A Bélgica confirmou a passagem frente à Finlândia com golos de Romelu Lukaku e um autogolo do guarda-redes finlandês Lukáš Hrádecký. Os belgas são também um dos possíveis adversários de Portugal se a selecção nacional acabar entre os quatro melhores terceiros classificados.

Apoio escolar | Mais de 6.300 casos acompanhados em 6 meses

Problemas com comportamento escolar, saúde e necessidades familiares estiveram na origem de mais de 6.300 casos acompanhados por conselheiros escolares, num espaço de seis meses. No entanto, o Governo não observou um aumento da procura de apoio nas escolas

 

Entre Setembro do ano passado e Fevereiro de 2021, agentes de aconselhamento de estudantes acompanharam mais de 6.300 casos. Foi o que indicou a directora do Centro de Apoio Psicopedagógico e Ensino Especial, Chow Pui Leng, no seguimento de uma reunião do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior.

A responsável adiantou que o volume de casos não revela uma variação na procura de aconselhamento escolar. “Temos vindo a acompanhar cada caso de acordo com as necessidades dos alunos. E quando houver necessidade prestamos apoio de aconselhamento aos encarregados de educação, assim como aos estudantes. De momento, não verificamos aumento de pedidos de apoio”, observou Chow Pui Leng. Dos dados recolhidos ao longo do ano lectivo 2020/2021, os casos focaram-se em questões como comportamento escolar, saúde e também necessidades das famílias.

O relatório final da consulta pública da “política de juventude de Macau 2021-2030” divulgado na segunda-feira, revelou que algumas opiniões defenderam o lançamento de medidas para “ajudar os jovens a enfrentar problemas emocionais e psicológicos”, como aconselhamento regular em saúde mental nas escolas. “Expressam também a expectativa de o Governo da RAEM aprofundar o mecanismo de intercâmbio e cooperação com departamentos governamentais e universidades, e criar um esquema de consultas e de apoio psicológico constantes”, pode ler-se.

Em resposta, o Governo indicou que os serviços de aconselhamento escolar “serão optimizados” e que será anunciado um reforço no apoio às escolas para identificar potenciais focos de crise.

Educação para a vida

O chefe do departamento do Ensino Não Superior da Direcção dos Serviços para a Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Wong Ka Ki, observou que entre Janeiro e Junho se realizaram 39 sessões de partilha sobre a Educação para a Vida. Nelas participaram mais de seis mil professores, alunos e agentes de aconselhamento, bem como mais de 350 pais e filhos. O Governo também apostou na “base de dados de educação moral e cívica”, que contém mais de 3.800 materiais de referência para professores, além de ter organizado mais de duas dezenas de actividades comunitárias e sete seminários de educação parental.

Wong Ka Ki considera que a divulgação sobre este tema “tem surtido grandes efeitos, ajudando os estudantes”. Além disso, declarou que a promoção da educação para a vida não se deve cingir ao contexto escolar. Os trabalhos “devem contar com a participação de toda a sociedade”, indicou um comunicado da DSEDJ.

Burla | Rede lesou sete vítimas em mais de 184 mil yuan

A Polícia Judiciária deteve quatro homens suspeitos de pertencer a uma rede criminosa dedicada a burlar jogadores dos casinos do Cotai a pretexto da oferta de taxas de câmbio vantajosas. O cabecilha do grupo, que participou directamente em todos os desfalques, continua a monte

 

A Polícia Judiciária (PJ) deteve quatro homens por suspeitas da prática dos crimes de burla de valor consideravelmente elevado e associação criminosa, relacionados com um esquema de troca ilegal de dinheiro, que tinha como principais vítimas jogadores dos casinos do Cotai. Ao todo, terão sido concretizadas, pelo menos, cinco burlas, lesando cinco vítimas no valor total de 184.900 renminbis. Comum a todos os crimes foi a participação directa do cabecilha do grupo, que continua a monte.

De acordo com as informações divulgadas ontem pela PJ, a investigação foi despoletada após a apresentação de três denúncias, entre domingo e segunda-feira, relacionadas com burlas perpetradas nos casinos do Cotai e sob o pretexto de troca ilegal de dinheiro, após a apresentação de taxas de câmbio vantajosas na troca de renminbis pra dólares de Hong Kong.

Nos três casos apresentados ontem, o modo de operar foi sempre o mesmo. O cabecilha do grupo aborda as vítimas no recinto do casino, acabando por convencê-las a aceitar a troca de dinheiro. Obtido o consenso, o cabecilha encaminha as vítimas para um cúmplice, através do qual é estabelecida uma relação de confiança que culmina na transferência online do montante acordado para uma conta no Interior da China. Enquanto isto acontece, o cabecilha da rede criminosa desaparece sem deixar rasto.

Num dos casos relatados pela PJ, duas vítimas foram levadas a transferir 25.200 renminbis e 8.560 renminbis. Nas outras duas situações, as vítimas transferiram para a rede criminosa 42.500 renminbis e 25.140 renminbis, respectivamente. Adicionalmente, a polícia concluiu que, a 2 de Junho, o cabecilha do grupo já tinha sido responsável por burla outras duas vítimas no valor de 42.000 e 41.500 renminbis.

Papel químico

No decorrer da investigação, a PJ decidiu cruzar os três casos ocorridos nos casinos com o que teve lugar no início do mês, concluindo que, tanto o modo de operar como o espaço temporal em que decorreram, eram semelhantes e que, o primeiro passo em todas as burlas foi sempre dado pelo mesmo homem.

Contas feitas, foram detidos quatro homens oriundos do Interior da China envolvidos na rede criminosa, todos eles suspeitos de participar como cúmplices na concretização das burlas. Interrogados pelas autoridades, os suspeitos afirmaram nunca se terem conhecido anteriormente, mas confirmaram terem sido recrutados para actividades relacionadas com a troca de dinheiro.

Além disso, os detidos revelaram ainda que, por cada trabalho, recebiam entre 500 e 1.000 renminbis.
Quanto ao cabecilha do grupo, o porta-voz da PJ revelou que continua a monte, havendo outro suspeito em fuga.

Os quatro detidos foram ontem presentes ao Ministério Público (MP), para responder pela prática dos crimes de burla de valor consideravelmente elevado e associação criminosa. A confirmar-se a acusação, os suspeitos podem ser punidos, pelo primeiro crime, com prisão de 2 a 10 anos e, pelo segundo crime, com pena de 3 a 10 anos.

CAEAL | Lee Sio Kuan leva 300 pessoas para nova entrega de assinaturas

O mandatário da lista Ou Mun Kong I, que tenciona concorrer às eleições legislativas, voltou a entregar a lista de assinaturas necessárias depois da Comissão dos Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa ter considerado algumas inválidas. Caso não seja aceite, Lee Sio Kuan promete levar 600 apoiantes ao edifício da Administração Pública

 

Lee Sio Kuan, mandatário da lista Ou Mun Kong I, que ainda aspira concorrer às eleições legislativas de Setembro, voltou ontem a entregar as assinaturas para a candidatura na Comissão dos Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). O candidato que prometeu usar a estratégia de “Cão Louco” nesta campanha não foi sozinho, e compareceu no edifício da Rua do Campo com 300 apoiantes.

A acção seguiu-se ao alerta da CAEAL para a existência de algumas assinaturas inválidas na primeira lista entregue. Este, em declarações ao jornal All About Macau, defendeu que a CAEAL “aponta críticas às associações vulneráveis”. “Fui informado que as folhas que entreguei tinham falhas, mas não me explicaram quais”, frisou.

A CAEAL explicou que a associação entregou por duas vezes o pedido de confirmação da comissão de candidatura às eleições, com 473 assinaturas, tendo sido validadas apenas 184. Houve ainda 16 assinaturas repetidas, enquanto que 68 correspondiam a pessoas que não se encontram recenseadas. Por outro lado, 205 assinaturas pertenciam a pessoas sem informações completas, erradas ou repetidas.

O dobro dos apoiantes

Lee Sio Kuan prometeu que, se desta vez a CAEAL apontar falhas à lista de assinaturas, levará o dobro dos apoiantes, ou seja, 600 pessoas, para o edifício da Administração Pública, que irão assinar os documentos pessoalmente. “A CAEAL não nos tratou de forma razoável”, acusou, afirmando que recebeu queixas de sócios que assinaram listas de associações com maior dimensão. Lee Sio Kuan lembrou que pediu duas vezes à CAEAL explicar quais os métodos utilizados para verificar as assinaturas entregues por associações que também pretendem concorrer a lugares no hemiciclo pela via directa.

O mandatário enviou também uma carta à CAEAL relativa à Associação dos Conterrâneos de Jiangmen, que ofereceu aos seus sócios bens em jeito de celebração dos 100 anos da fundação do Partido Comunista Chinês. Apesar da entidade reguladora das eleições já ter comentado que não vê irregularidades na distribuição de vales de desconto, Lee Sio Kuan reafirmou ontem que continua a achar que a queixa faz todo o sentido.

A CAEAL afirmou não ter encontrado indícios de que esta tenha sido uma acção de campanha ilegal, mas reencaminhou a queixa para o Comissariado contra a Corrupção para que seja investigada qualquer potencial irregularidade eleitoral.

Lee Sio Kuan, candidato às eleições de 2017, anunciou no passado dia 10 que pretende ser candidato este ano e revolucionar a campanha eleitoral com algo que designou como a “Estratégia Cão Louco”.

Inundações | André Cheong culpa descargas ilegais e promete rever lei

O secretário para a Administração e Justiça defende o aumento das penalizações para quem faz descargas ilegais na rede de esgotos como um dos primeiros passos para evitar inundações e estragos semelhantes aos verificados no início do mês. A longo prazo, a “solução definitiva” reside em obras de fundo nas vias públicas que requerem “determinação” e farão “sofrer” a população

 

No rescaldo das chuvas intensas registadas no primeiro dia de Junho e que provocaram estragos e apreensão um pouco por toda a cidade, o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, considera que uma das medidas mais urgentes a tomar no curto prazo para evitar inundações, passa por diminuir o número de descargas ilegais de resíduos para a rede de esgotos de Macau.

Para o secretário, um dos primeiros passos será rever o Regulamento de Águas e de drenagem de Águas Residuais de Macau, decreto de lei em vigor há 25 anos, que prevê penas “insignificantes” para quem efectua descargas ilegais de resíduos, prejudicando a capacidade de drenagem do sistema de esgotos.

“A situação [das inundações ocorridas a 1 de Junho] agravou-se com as descargas ilegais que, por sua vez, agravaram a situação de entupimento da rede de esgotos. Vamos melhorar os diplomas legais porque é preciso consciencializar os cidadãos (…) que não podem fazer descargas ilegais, porque isso vai entupir as redes de esgotos.

Actualmente a penalidade prevista para as descargas ilegais é relativamente suave, diria mesmo insignificante e, por isso, vamos melhorar os diplomas legais”, apontou ontem André Cheong após reunião com a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública que serviu para analisar as inundações ocorridas a 1 de Junho e a capacidade das infra-estruturas de drenagem do território. “Já temos planos para estabelecer um novo regulamento administrativo para aumentar a penalização”, rematou.

Recorde-se que durante aquele que foi o dia mais chuvoso desde 1952 foram registados até às 16h, segundo o Corpo de Bombeiros, 33 casos de cheias, quatro deslizamentos de terras e 10 acidentes de viação, com 11 feridos nas estradas locais.

André Cheong considerou também que a ocorrência das inundações ficou a dever-se “ao envelhecimento das redes de esgotos” que, devido ao volume da chuva ficaram “sobrecarregadas” nesse mesmo dia.

“Nas zonas onde tradicionalmente acontecem inundações, a rede de esgotos está muito envelhecida, diria mesmo, atrasada”, acrescentou.

Sobre a nova estação elevatória do norte do Porto Interior, estrutura que esteve debaixo de fogo nos dias que se seguiram às inundações, André Cheong apontou que, após análise, a obra mostrou ser “eficiente”, apresentando melhorias relativamente a situações registadas anteriormente.

“Após a chuva torrencial do dia 1 de Junho, fizemos uma avaliação à nova estação elevatória do norte do Porto Interior [e concluímos] que é eficiente para diminuir as inundações. Noutras zonas mais antigas, o volume da chuva foi tão grande que fez com que não fosse possível que água saísse num curto espaço de tempo. Vimos que (…) a saída da água foi mais rápida comparativamente com outras situações passadas. Isto é por causa da eficiência da nova estação elevatória do norte do Porto Interior”, referiu.

Além disso, o secretário vincou que a médio prazo existem planos para construir mais duas estações elevatórias, uma na parte sul do Porto Interior e a outra no bairro Fai Chi Kei, e a construção de mais estruturas de box-culvert.

Relativamente ao trabalho de continuidade, André Cheong referiu que será dada atenção ao desentupimento, limpeza, manutenção da rede de esgotos e feita uma maior aposta na consciencialização da população.

Problema grave

Fazendo referência ao combate da descarga ilegal, o presidente da Comissão de Acompanhamento da Assembleia Legislativa, o deputado Si Ka Lon, especificou que, a contribuir para obstrução do sistema de esgotos está a descarga ilegal de óleo residual de estabelecimentos como restaurantes de take-away e a descarga ilegal de argamassa e lama de estaleiros de obras. Para demonstrar a “gravidade do problema da drenagem ilegal”, o deputado revelou mesmo que, ao fim dos primeiros cinco meses de 2021 foram removidas cerca de 1,681 toneladas de resíduos.

“O não cumprimento das especificações estipuladas das caixas de retenção de óleo dos restaurantes, a descarga ilegal de óleo residual, o entupimento de canos de esgoto e a poluição do ambiente são problemas graves que se verificam nas zonas da Avenida de Almeida Ribeiro, Porto Interior e Porto Exterior”, transmitiu o deputado, tendo por base o documento de análise apresentado pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) sobre a rede de esgotos de Macau, que serviu de base para a reunião de ontem com o Governo.

Sobre as descargas ilegais efectuadas por estaleiros de obras, Si Ka Lon deu como exemplo o facto de terem sido descobertos no decorrer de uma inspecção do (IAM), dois canos pluviais de 1,35 metros de diâmetro entupidos por argamassa, tendo sido removidos mais de 120 metros cúbicos de pedaços de betão e lixo, o equivalente à carga de 50 camiões de 3,5 toneladas.

Precisamente ao nível das inspecções, Si Ka Lon avançou que tem vindo a ser feito um esforço para aumentar a sua frequência, tanto nas caixas de retenção de óleo de restaurantes como em estaleiros de obras, tendo sido efectuadas, entre Janeiro e Maio de 2021, respectivamente, 537 e 270 inspecções, traduzindo um aumento de 330 e 197 por cento relativamente ao mesmo período do ano anterior.

Uma carga de trabalhos

O resumo apresentado pelo IAM estabelece ainda medidas de curto, médio e longo prazo para atacar o problema das inundações, entre as quais o “planeamento global e estudo de todas as redes de esgotos de Macau”, a “revisão dos critérios de dimensionamento hidráulico do Regulamento de Águas e de Drenagem de Águas Residuais de Macau”, reordenamento da rede de drenagem em alguns locais da cidade ou o lançamento contínuo de obras que melhorem a capacidade da rede de esgotos.

Sobre o tópico, Si Ka Lon apontou que as obras na rede de esgotos podem ser sinónimo de escavações em várias artérias da cidade e, consequente, de redução da mobilidade da população e que, por isso, “é necessário obter o consenso da sociedade e a compreensão e o apoio dos cidadãos”.

André Cheong reforçou a mesma ideia, frisando que “a solução definitiva” do problema das inundações vai muito além da manutenção e limpeza da rede de esgotos e que, adensado pelas alterações climáticas, irá requer “determinação”.

“A solução definitiva reside em obras de melhoramento e isto vai requerer fazer intervenções nas vias públicas. Temos de ter determinação para resolver estas questões e fazer as obras, porque sabemos que o clima é cada vez mais extremo e as chuvas torrenciais vão ser cada vez mais frequentes. Por isso temos que estar determinados a fazer estas obras”, sublinhou.

Questionado sobre quais as obras que iriam avançar em primeiro lugar, André Cheong apontou “não haver obras prioritárias”.

“Temos de ponderar as obras tendo em consideração a situação do tráfego (…) e ponderar vários factores porque, nalguns sítios, se bloquearmos uma via não há alternativas de circulação. Para melhorar a nossa rede de esgotos vamos todos ter de sofrer um pouco”, concluiu.

Escolas | DSEDJ pede maior tolerância durante intempéries

O chefe do Departamento de Ensino Não Superior da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEDJ), Wong Ka Ki pediu ontem para que as escolas sejam mais tolerantes aquando da recepção de alunos durante a ocorrência de chuvas intensas que determinem o cancelamento de aulas.

“Mantivemos uma comunicação estreita com os serviços de meteorologia, que às 7h50 decidiram emitir o sinal vermelho, emitindo depois este aviso para os pais e encarregados de educação. Alertamos e apelamos que as escolas devem continuar a abrir as portas aos estudantes. Durante o sinal vermelho, as escolas devem ter flexibilidade para resolver os problemas dos estudantes”.

O mesmo responsável confirmou que, durante a manhã, vários encarregados de educação queixaram-se à DSEDJ sobre o facto de o aviso de sinal vermelho ter sido tardio, quando muitos alunos já estavam a caminho da escola.

SMG promete melhorar actuação durante chuvas intensas

No rescaldo das dificuldades provocadas pela chuva intensa registada na manhã de ontem, a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) revelou estar “muito atenta às inconveniências causadas”, prometendo dedicar-se a introduzir melhorias que promovam a “redução do impacto do mau tempo na vida da população”. A reacção do organismo surgiu após vários encarregados de educação terem-se queixado que a emissão do sinal vermelho foi tardia.

Numa nota divulgada ontem, os SMG afirmam ter emitido uma notificação especial no domingo para avisar a população que o tempo na região poderia ser instável entre terça e quinta feira e que às 06h20 de ontem foi divulgado um aviso sobre a possibilidade da ocorrência de chuva forte nas duas horas seguintes. Recorde-se que o sinal de chuva intensa amarelo foi emitido às 07h10, tendo sido alterado para o sinal de chuva intensa vermelho às 07h50.

SMG | Lam Lon Wai e Scott Chiang exigem melhores previsões

O deputado Lam Lon Wai quer que o Governo vá ao hemiciclo dar respostas sobre o sistema de previsões por parte dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). Em interpelação oral, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) pretende saber como será reforçado o sistema de previsões por parte dos SMG e a divulgação de informações meteorológicas em condições atmosféricas extremas.
Lam Lon Wai referiu o caso das chuvas intensas ocorridas no início do mês, acusando os SMG de não alertar a população de forma atempada, o que fez com que muitas pessoas, nomeadamente comerciantes, não tenham conseguido reagir às inundações.

Também Scott Chiang, candidato às eleições e ex-dirigente da Associação Novo Macau, escreveu no Facebook que deve haver uma mudança na forma como os sinais de alerta de chuva intensa são emitidos, para que a população possa reagir. Como exemplo, Scott Chiang frisou que o sinal vermelho de chuva intensa foi emitido dez minutos antes da queda de chuva para as escolas do ensino primário e secundário, o que levou a que muitos alunos tenham ficado presos nas escolas, gerando confusão.

AFA | Exposição a solo de Lei Chek On inaugurada na quinta-feira

Lei Chek On expõe pela primeira vez a solo na Art For All Society, numa mostra que reúne obras abstractas que passam os seus pontos de vista, traçam representações do espaço e tecem sátira social. “Implicit Memory – Works by Lei Chek On” vai estar patente entre 25 de Junho e 22 de Julho

 

A Art For All Society (AFA) acolhe a partir desta quinta-feira a primeira exposição a solo do artista local Lei Chek On. A inauguração de “Implicit Memory – Works by Lei Chek On”, que integra uma série de exposições de jovens artistas. A inauguração está marcada para as 18h30. Em comunicado, a AFA descreve que Lei faz uso da arte para representar o mundo, e que “a simplicidade das suas pinturas abstratas é notável e impressionante”.

A mostra reúne um conjunto de escultura e pinturas a óleo. “No seu percurso artístico, Lei considera a relação entre a visão da vida e valores universais. Há uma série de trabalhos na exposição sobre vários assuntos actuais. O artista usa temas sociais como base e aplica técnicas implícitas e abstractas para narrar o seu ponto de vista. Na sua primeira exposição a solo, o ‘mundo’ de Lei Chek On parece ter evoluído de uma paisagem na terra para um universo mais vasto”, descreve a nota.

O nome da exposição está relacionado com o processo criativo do artista, que a curadora associa à memória implícita, presente em actividades como andar de bicicleta ou tocar um instrumento musical. Alice Kok explicou que quando Lei Chek On pinta, entra num estado em que se dissocia dele próprio, “quase como um transe”. Algumas pinturas estão relacionadas com o espaço. “Não consigo deixar de imaginar se o mundo interior que Lei vê é originado de vidas passadas, que não foram necessariamente na Terra, mas num canto mais distante do universo”, escreveu a curadora num texto publicado na página electrónica da AFA.

Lei Chek On nasceu em Guangdong em 1994, mudou-se para Macau em 2013 e completou a licenciatura em escultura em 2017. A exposição estará aberta ao público de 25 de Junho a 22 de Julho, nas instalações da AFA no Art Garden, na Avenida Rodrigo Rodrigues.

Ironia social

Além das pinturas mais abstractas, a curadora indica que Lei Chek On também apresenta trabalhos mais “socialmente identificáveis”, por exemplo sobre o desenvolvimento de Macau. Entre eles uma obra intitulada “Golden Avenue”, pintada num mapa da zona A da Nova Zona Urbana de Macau. “Há outra pintura chamada ‘No Man’s Land’ em que retratou fotografias antigas da Estátua da Liberdade, inspirado em preocupações sociais relacionadas com valores universais”, descreveu Alice Kok ao HM.

Destaque também para um trabalho constituído por duas esculturas de pedra que se assemelham a nacos de carne de porco, com os nomes “Iok Iok” e “Tun Tun”. De acordo com a curadora, os títulos referem-se a alcunhas dadas a pessoas de Macau.

Na página electrónica da AFA, Alice Kok descreve que “Lei utiliza estas duas representações de pedaços de carne de ‘porco’ para satirizar o destino trágico de quem tem como únicos objectivos de vida comida e moda, sem outras considerações sobre o que significa verdadeiramente ser feliz”.

“Ele também tem algumas séries mais relacionadas com o tecido social. Como por exemplo uma pintura abstracta chamada ‘Weaving Voices’, onde usa diferentes cores. Como sabemos, recentemente, em Hong Kong, Macau e até Taiwan, usamos cores para representar diferentes tipos de vozes e opiniões”, indicou ao HM.

O artista usa estas cores na tela, usando tinta semitransparente para as sobrepor, mas onde a cor de fundo continua a revelar-se. “Cria uma imagem abstracta que aos meus olhos parece um pouco os aglomerados de habitação pública em Hong Kong”, nota Alice Kok.

As ideias do artista são representadas através de meios abstractos, de forma implícita. “Ele não é uma pessoa muito expansiva, mesmo no seu trabalho não é assim. Então usa a sua expressão artística para revelar o que lhe é importante”, explicou a curadora.

Hong Kong | Cancelado protesto em dia de aniversário da transição

A Frente Civil dos Direitos Humanos (CHRF) de Hong Kong cancelou, pela primeira vez em 18 anos, a manifestação de 1 de julho, data da transferência da soberania do território do Reino Unido para a China, em 1997.

Esta é a primeira vez, desde do início das manifestações, em 2003, que o evento não se vai realizar, devido a “dificuldades administrativas e à atmosfera política na cidade”, disse um dos responsáveis da CHRF (sigla em inglês), citado pelo portal ‘online’ Hong Kong Free Press.

Chung Chung-fai afirmou que as dificuldades enfrentadas pela organização, com alguns dos membros presos pela participação em manifestações não autorizadas pela polícia, e a certeza de que o protesto não teria a aprovação das autoridades levaram ao cancelamento.

Chung acrescentou que a plataforma pró-democracia, que inclui várias organizações, vai analisar em setembro, durante uma reunião geral, a dissolução, ou não, das actividades, já que perdeu força com a saída de alguns dos membros, devido à situação política na cidade.

Hong Kong | Apple Daily não consegue pagar salários depois de congelamento de bens

O jornal Apple Daily, em Hong Kong, indicou ontem que não consegue pagar os salários dos jornalistas, depois dos bens do grupo terem sido congelados, o que poderá levar ao encerramento. O proprietário do jornal, Jimmy Lai, está a cumprir actualmente uma pena de vários meses de prisão por instigação aos protestos de 2019 e enfrenta ainda acusações por “conluio com forças estrangeiras”, por defender sanções contra dirigentes de Pequim e de Hong Kong.

“O nosso problema não é falta de fundos, temos 50 milhões de dólares no banco”, explicou à cadeia de televisão CNN um conselheiro de Lai a viver no estrangeiro, Mark Simon. “O nosso problema é que o secretário responsável pela Segurança e a Polícia não nos deixa pagar aos jornalistas (…), ao pessoal (…) e fornecedores. Bloquearam as nossas contas”, disse.

O congelamento dos bens foi ordenado em 17 de Junho, horas depois de a polícia ter efectuado buscas ao jornal e detido cinco pessoas. Dezoito milhões de dólares de Hong Kong de bens detidos pelo jornal foram congelados ao abrigo da Lei de Segurança Nacional.

Dois responsáveis do Apple Daily, Ryan Law e Cheung Kim-hung, este último também director-geral da empresa-mãe do diário Next Digital, foram detidos e acusados de “conspirar com forças estrangeiras”, ao abrigo da lei de segurança nacional. Três outros responsáveis do jornal foram, entretanto, postos em liberdade sob caução.

De acordo com a polícia local, o Apple Daily publicou “dezenas de artigos”, entre os quais uma coluna de opinião assinada pelo proprietário do jornal, uma das figuras mais conhecidas da oposição pró-democracia de Hong Kong, que provariam que o diário conspirou com forças ou elementos estrangeiros.

Organizações não governamentais internacionais como a Amnistia Internacional consideraram rusgas e detenções como um “novo ataque à liberdade de imprensa” na antiga colónia britânica, mas as autoridades locais alegaram que a operação é parte de um “caso de conspiração” e não está relacionada “com o trabalho dos meios de comunicação ou dos jornalistas”.

“O trabalho jornalístico normal é realizado com liberdade e respeito pela lei em Hong Kong”, disse o secretário da Segurança, John Lee, que deixou um aviso aos jornalistas locais. “Façam o vosso trabalho jornalístico com a liberdade que desejarem, de acordo com a lei e assumindo que não conspiram ou têm a intenção de violar a lei de Hong Kong, muito menos a lei de segurança nacional”, disse.

Jornal poderá ser encerrado

Alguns advogados e peritos jurídicos em Hong Kong consideram a suspensão da operação do jornal e um encerramento completo como “uma medida legítima e necessária dada a sua má conduta por suspeita de violação da lei de segurança nacional”.

“A intenção do jornal é desafiar a lei de segurança nacional usando a ‘liberdade de expressão’ como ‘escudo’, mas nenhum direito ou liberdade, incluindo o de imprensa, pode atravessar a linha da segurança nacional”, disseram alguns peritos jurídicos que consideram ser a altura de encerrar o Apple Daily, pois “em vez de ser um meio de comunicação social, o jornal tornou-se uma ferramenta anti-governamental radical na divulgação de mentiras e ódio, ao fazer reivindicações atraentes e sediciosas com preconceitos para atingir objectivos políticos, e não abandonou as suas tentativas de conluio com forças estrangeiras desde que a lei de segurança nacional de Hong Kong entrou em vigor”.

“O que o Apple Daily fez é absolutamente claro: o jornal toma a lei de segurança nacional como nada e continua a violá-la, indo muito além dos padrões éticos e jornalísticos”, disse Louis Chen, secretário-geral da Hong Kong Legal Exchange Foundation.

“Há toneladas de provas que mostram o Apple Daily a conspirar com forças estrangeiras e a instigar à sedição, quer se trate da conversa ao vivo de Lai a pedir ajuda às forças ocidentais ou de alegações publicadas do chamado apoio de políticos ocidentais, todos eles suspeitos de violar a lei”, disse Chen, observando que as autoridades devem impedir a publicação do jornal.

Outro jornal de Hong Kong, o Oriental Daily, noticiou no domingo que desde que pelo menos 10 quadros superiores do seu sector editorial desistiram, o que tem dificultado o seu funcionamento. “O caso envolve o chefe e os seus quadros superiores, o que torna toda a empresa uma plataforma suspeita de pôr em perigo a segurança nacional, que deveria ser encerrada, pelo menos suspensa para cooperar com a aplicação da lei”, disse Lawrence Tang, membro da Associação Chinesa de Estudos de Hong Kong e Macau, no domingo.

De acordo com o artigo 31 da lei de segurança nacional de Hong Kong, um organismo incorporado ou não incorporado, como uma empresa ou uma organização que cometa uma infracção nos termos da lei, será multado, e o funcionamento da empresa ou organização será suspenso ou a sua licença ou licença de negócio será revogada se o organismo tiver sido punido por cometer uma infracção nos termos da lei.

“Há fortes indícios de que dezenas de artigos publicados pelo Apple Daily desde 2019 desempenharam um papel crucial na conspiração que forneceu munições a países e instituições ou organizações estrangeiras para impor sanções à China e à região de Hong Kong”, disse o Superintendente Sénior da polícia de Hong Kong, Steve Li Kwai-wah, aos repórteres após as detenções de quinta-feira.

Ex-Chefe do Executivo acusa jornal de conluio

O antigo chefe executivo do governo da RAEHK, Leung Chun-ying, publicou várias vezes no seu próprio Facebook, questionando o papel legítimo do Apple Daily como meio de comunicação social quando publicou anteriormente os slogans dos protestos anti-governamentais e quando alguns fundos de caridade relacionados com o jornal subvencionaram os tumultos em 2019.

Na sequência das últimas detenções e operações policiais, o Apple Daily publicou uma carta aos seus leitores dizendo que o seu pessoal se manteria fiel ao seu trabalho, o que Leung chamou de “vergonha até ao fim, vergonha de Hong Kong e vergonha dos meios de comunicação globais”.

Entre três directores independentes não executivos, Louis Gordon Crovitz é americano e a sua esposa Minky Worden, que trabalha para a Human Rights Watch, tem “apelado constantemente para que a comunidade internacional pressione a China e ataque o país sobre as suas políticas de Xinjiang e Hong Kong, bem como apelando a um boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno na China”, disse Leung num post, perguntando “quem mais se pode comparar ao Apple Daily sobre conluio com forças externas?

Carrie Lam adverte ‘media’

A chefe do executivo de Hong Kong advertiu esta terça-feira que os meios de comunicação social não devem incitar à revolta contra o Governo, numa referência ao caso do jornal Apple Daily. “Criticar o Governo de Hong Kong não é um problema, mas se existe uma intenção de organizar ações que incitem à subversão do Governo, então é claro que é diferente”, disse Lam.

“Os amigos dos meios de comunicação social devem ser capazes de distinguir entre os dois”, acrescentou, na conferência de imprensa semanal. Lam disse que o caso contra o Apple Daily não era um ataque ao “trabalho jornalístico normal”, mas acusou o diário de ter tentado minar a segurança nacional da China em artigos publicados.

Questionada sobre o que considera o Governo de Hong Kong “trabalho jornalístico normal”, Carrie Lam respondeu apenas: “Penso que está em melhor posição para responder a essa pergunta”.

Exposição de fotografias assinala em Macau 100 anos do Partido Comunista Chinês

Uma exposição de quase 300 fotografias é inaugurada, na quarta-feira, em Macau para dar a “conhecer mais profundamente” o Partido Comunista da China (PCC), no 100.º aniversário da sua fundação, em Julho.

As 298 fotografias patentes “mostram o caminho que a nação chinesa percorreu (…) para dar o grande salto do fortalecimento do país após longos anos de sofrimento, permitindo à sociedade de Macau conhecer mais profundamente o passado, o presente e o futuro” do PCC, indicou, em comunicado, a Fundação Macau, um dos co-organizadores.

A exposição está dividida em quatro partes: “Estabelecimento do Partido Comunista da China, Obtenção da Grande Vitória na Revolução da Nova Democracia Chinesa”, “Fundação da República Popular da China, Revolução e Construção do Socialismo”, “Implementação da Reforma e Abertura, Desenvolvimento do Socialismo com Características Chinesas” e “Socialismo com Características Chinesas na Nova Era, Construção Integral de Uma Sociedade Moderadamente Abastecida, Nova Jornada da Plena Construção de Um País Socialista Moderno”, acrescentou.

Promovida pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado da República Popular da China, pelo Governo da Região Administração Especial de Macau (RAEM) e pelo Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, e organizada pela Fundação Macau e pela Nam Kwong União Comercial e Industrial, a exposição “Os 100 Anos do Partido Comunista da China – Exposição de Fotografias de Celebração do 100.º Aniversário do Partido Comunista da China” vai estar patente até 15 de julho, no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Em Fevereiro, no ano do centenário da fundação do PCC, o Presidente da China anunciou que o país concluiu a “árdua tarefa” de erradicar a pobreza extrema, apontando que 98,99 milhões de pessoas saíram desta condição nos últimos oito anos.

Desde que a China lançou o programa de reforma e abertura, no final de 1970, quase 800 milhões de pessoas saíram da pobreza, contribuindo assim para cerca de 70% na redução da pobreza extrema em todo o mundo, neste período. Em 2012, a China estabeleceu como meta erradicar a pobreza extrema até 2020, dez anos antes da data estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, lançados pela ONU.

Presidente das Filipinas ameaça prender quem recusar vacina contra a covid-19

O Presidente das Filipinas ameaçou prender quem se recusar a tomar a vacina contra a covid-19, numa altura em que o país combate o pior surto da doença desde o início da pandemia.

“Se não se quiser vacinar, farei com que o prendam e depois injeto-lhe a vacina nas nádegas”, disse Rodrigo Duterte, conhecido pelas declarações polémicas e insultuosas, durante um discurso transmitido pela televisão, na segunda-feira.

“Tu decides: toma a vacina ou ponho-te na prisão”, ameaçou o Presidente, de acordo com a agência de notícias EFE, que cita o portal Rappler.

Embora nas Filipinas a vacinação seja voluntária, Duterte disse que vai procurar formas legais, no âmbito da lei de emergência, para forçar a população a inocular-se contra a doença.

O aviso do Presidente, que insistiu que vai agir “dentro da legalidade”, surge numa altura em que a campanha de vacinação encontra resistência no arquipélago filipino, que acumulou 1,36 milhões de casos e 23.600 mortes desde o início da pandemia.

Muitos filipinos estão relutantes em serem vacinados, após uma polémica em 2016 provocada por uma vacina contra o dengue, que mais tarde se descobriu aumentar o risco de sintomas graves em pacientes que não tinham tido a doença no passado.

Até agora, o país, com quase 110 milhões de habitantes, só conseguiu vacinar 2,1 milhões de pessoas.

O objetivo das autoridades é vacinar 70 milhões de pessoas antes do final do ano.

No ano passado, o chefe de Estado filipino defendeu que as forças de segurança deviam abrir fogo contra quem criasse “desordem” em áreas sob confinamento, o que lhe valeu duras críticas de organizações de defesa dos direitos humanos.

No mês passado, Duterte também deu ordens à polícia para deter pessoas a usar máscara de forma inadequada.

Milhares de pessoas foram punidas por não cumprirem as regras decretadas para combater a covid-19, desde que as restrições foram reforçadas na capital e nas províncias vizinhas, no final de março, devido a um aumento nos casos do novo coronavírus SARS-CoV-2.

O ministro da Justiça e o responsável pela polícia filipinos instaram os agentes policiais a impor multas ou serviços comunitários aos infratores, em alternativa à detenção, na sequência da morte de um homem que, por violar o recolher obrigatório, foi forçado a executar 100 flexões.

Do bairro

J. é do bairro. Na verdade é de África mas sabe-se lá quanto de uma pessoa pertence ao passado e quanto pertence ao futuro. O presente é estranho. Um homem quase menino, espigado e magro como um cálamo e quase a intuir-se-lhe esse pequeno passo que o separa, como um vime, de quebrar. O presente em que se apresenta sinuoso um e o outro. Quanto daquele corpo se formou e desapareceu desde que foi um atleta vocacionado e prometedor.

Futebolista daqueles em que há como uma inteligência rápida a mobilizar os reflexos psicomotores como se uma estratégia estudada guiasse no momento certo um movimento instantâneo, uma resposta, um salto sobre o espaço que medeia a corrida e a bola – a abordagem e o domínio – e o objectivo. Um mapa prévio ao disparo. Um animal felino, atendendo às proporções, mas de que a massa muscular desapareceu. O álcool, dizem no bairro, mas já não. Drogas. Talvez. Mas uns dias sim e outros não. E uns dizem que sim e outros que não. É misterioso e sem norte, o que sempre dá trabalho à imaginação.

Trabalha focado. Dilacerado por uma história de insucesso do passado. Pai militar que lhe exigia. Regras. Levantar-se de madrugada porque sim. Um dia o fascínio da dança. Algo nele suspeito de feminino. Mas a dança não seria sintoma sério. Nem a doença, doença. Não podia ser. Não entendi bem a cronologia da rejeição. Algo organiza a dança antes ou depois do futebol. E as drogas antes ou depois do álcool. E expulso de casa. Como pode ser casa de quem é a casa e haver um vómito. Uma autoridade, uma prepotência. Pais donos de filhos e donos de casa e se uns não estão em sintonia com outros, pais que se demitem violentamente de ter decidido um dia dar ao mundo alguém que não pediu para nascer. Mas algo nele adora esse pai de antes ou de depois, como se pode adorar – mesmo assim – quem faz mal. E espera. Talvez.

J. é uma sombra desse atleta pujante e tridimensional. Sobra-lhe a altura mas quebrada de uma certa inclinação com que se mexe, como a tentar não ocupar todo o espaço que a fita métrica lhe admitiria. Oferece trabalho nas obras. Asseado. Com a força incontestável do desespero que não pergunta, simplesmente lhe diz: pega. Meticuloso.

Uns dias, sim. Outros, desaparecido e triste. Não, triste é o olhar todos os dias. Do passado chega ao presente e sem apelo, a adoração por esse pai longínquo que expulsou de casa. Militar. Dono da bola. Como aqueles meninos nos recreios e que negam aos outros o direito de brincar, somente porque podem.

Sobra o presente. Onde não se consegue imaginar a cartografia da memória. A distância de casa. A casa limpa e arrumada, que não paga há dois anos. Custo a ler o mapa em que se desenha este bairro e a dança e o futebol e o tempo vindouro. Se há. A relação com esta rua. A irrequietude com que aparece e desaparece na obra. O olhar que não se prende, talvez sempre presa de outras miragens passadas ou futuras. Aceita um bolo e sem olhar e já lá não está. Arrepia-me pensar que alguém não come o suficiente. J. É do bairro. Todos o conhecem. Resta saber de onde se sente. J. De cá ou de lá. Preso de um desejo de reparação ou de um desapontamento sobre o que poderia ter tido em troca, mas não houve.

Mais esguio do que uma sombra. Persigo-o com os olhos à espera de comprovar se faz ou não sombra nas paredes ao longo das quais se esgueira entre tarefas. Sombrio ele. Mas sem espaço. Quando a obra terminar.

Faz-me lembrar furtivamente as esculturas de Giacometti. O homem que caminha. Mas este, se bem que igualmente fino, furtivo. Com uma qualidade de rapidez e aleatoriedade, que mais nos traz a noção de que há uma mente a determinar, não a caminhada em frente, persistente e imparável, mas a qualidade do movimento rápido, com que se esgueira, esquivo. Está e deixa de estar. É rápido. Uma espécie de felino na floresta urbana. Escuro como uma pantera e sem rasto. Como se algo, à partida, o tivesse apagado.

Mas é do bairro. Como a senhora que ia ao pão com o cãozito pela trela. E roupão turquesa. Gosto deste bairro vindo da idade média e de pessoas que vêm de tão longe como de lá e como eu.

“A Morte de um Apicultor” 3

Veja-se como o narrador pressente que pode haver outro modo de viver que mais se adeque a si, quando começa a relação com Anna: «Estar tão próximo de uma outra vida que acontecia noutro lugar, um ambiente tão diferente, era como se estivesse a viver uma vida dupla. Esse era, talvez, o tipo de vida dupla de que precisava, sem me aperceber. / (Sempre tive a sensação de que todas as soluções se encontravam algures entre a minha vida e uma outra.)» (72-3) E estas palavras a seguir: «Mas os olhos dela faziam-me lembrar algo. Pura e simplesmente, acordavam-me para a vida. / Davam-me a sensação de que existia uma coisa muito importante que tinha sempre descurado.» O que o narrador nos diz, e que tomou consciência naquele momento, é que descurou a sua própria existência, ao deixar que pensassem por ele e, desse modo, fazendo com que ele agisse pelos outros. Ele toma consciência de que a vida como a vivemos está errada. Por fim, quase no final deste capítulo «Casamento», escreve: «Uma utopia, pensei eu. Uma utopia tornada realidade. / Sempre o pressenti. Nada nos impede, afinal de contas, de viver fora das regras. E pensar que nunca tinha percebido isto!» (78) Nem ele, nem nós.

De qualquer modo, um casamento acaba sempre por encontrar as suas próprias leis. Veja-se como o narrador descreve o seu: «Saber mais do que os outros era uma maneira de ficarmos ligados um ao outro. // E nós estávamos ligados: sem sentimentalismo, sem grande sensualidade, mas de um modo confortável. Sentíamo-nos como dois solitários que se tinham encontrado e que, por causa dessa solidão, tinham algo em comum e deixavam de ser solitários. Mantermo-nos juntos, a Margareth e eu, era uma forma de dizer.» (63) Outro modo substancial de nos pôr a ver o mundo como usualmente não vemos prende-se com a aquilo que escreve acerca das abelhas. Leia-se: «A morte de um enxame sente-se quase como a morte de um animal. É uma entidade que deixará saudades, como se fosse um cão, ou, pelo menos, um gato. // Mas a morte de uma abelha deixa-nos completamente indiferentes. Deitamo-la no lixo, e já está.» (19)

Esta passagem é absolutamente estonteante. Gustaffson mostra-nos aqui duas coisas extraordinárias e distintas. Primeiro, não é que nas abelhas o colectivo é que importa e não o individual, mas como isso nos faz pensar imediatamente no ser humano. Ele não fala do humano, mas obriga-nos a pensar nele, ao descrever tão clara e categoricamente a distinção entre colectivo e individual, entre enxame e abelha. Aliás, mais tarde, no segundo capítulo, escreverá: «(“A mim próprio”, “eu próprio”: hoje em dia. Acho esta expressão absurda. Não tem conteúdo.

Mas não consigo explicar bem.)» Este não consigo explicar é fundamental ao longo do livro. Nós não conseguimos explicar bem as coisas, não só aquilo que está fora de nós, mas também aquilo que está em nós. Por conseguinte, por que carga de água um romance teria de ser capaz de explicar? O que melhor pode fazer é mostrar, no sentido de Wittgenstein, na célebre distinção entre mostrar e dizer. Escreve o filósofo que nós podemos dizer aquilo que pode ser explicado, aquilo que pode ser colocado em uma proposição lógica. O que não pode ser colocado em uma proposição lógica deve ser mantido calado, em silêncio. Ou então, mostrar. Mostrar é a função da arte. Através da arte podemos mostrar o que nos acontece, mas através da lógica, não. Seja como for, naquela distinção entre enxame e abelha e mais tarde a incompreensão do «eu próprio», Gustaffson faz-nos pensar em tudo isto. Em tudo isto e muito mais que não consigo explicar bem.

Depois, e ainda em relação à passagem do enxame e da abelha, Gustaffson liga claramente a nossa indiferença à falta de comunicação, que não tem necessariamente de ser por palavras, evidentemente. É este o sentido daquela comparação do enxame, muito acima da abelha, «como se fosse um cão, ou, pelo menos, um gato.» A hierarquia fica claramente estabelecida: um cão acima do gato; o gato está mais próximo da abelha do que um cão o está. Porquê?

Segundo este modo de nos fazer pensar, de Gustaffson, porque um gato fecha-se em si de tal modo que mais se assemelha a uma abelha e não a um enxame. O gato não comunica, ou, pelo menos, não comunica directamente connosco como o faz um cão. O cão assemelha-se mais ao enxame, subentende-se, pensa-se, devido à sua predisposição para comunicar connosco. Repare-se que a comunicação é sempre vista do ponto de vista do humano, não do animal ou animais. Por isso, também o enxame ganha a nossa simpatia, a abelha não. «Há enxames com uma personalidade tremenda», escreve o narrador.

Por fim, gostava de abordar o capítulo IV, «Interlúdio». Neste capítulo são inúmeras as perplexidades que o autor nos causa. Enumeremo-las: a dificuldade de lidar com a esperança quando depostos na dor; a noção de que o paraíso é um lugar de que somos expulsos, isto é, tal como Adão e Eva não se davam conta de que viviam no Paraíso até serem expulsos, também nós só nos damos conta de termos sido expulsos do paraíso quando começam as dores; a vida não tem saída; mostra-nos a inutilidade das listas, quer seja acerca do que é melhor dentro de uma arte quanto nas diversas artes, através de uma lista completamente aleatória da ordem de importância das artes; por fim, o planeta nº3 do sistema nº 13 de Aldebarã, onde não é possível mentir. Esta passagem tem ligação directa com a quarta parte de As Viagens de Gulliver, como é evidente, embora esta passagem de Gustaffson seja muito rudimentar se em comparação com o capítulo de Swift. Aliás, paira sobre todo o livro de Gustaffson a sombra desse livro de Swift. De qualquer modo, gostava de salientar a dificuldade pragmática que seria a vida com a inexistência de símbolos. Por exemplo, é bom não esquecer que um dos factores para o desenvolvimento da filosofia na Magna Grécia, além da língua comum e de um sistema de mitos comuns, foi a invenção da moeda. Com moedas, as pessoas passaram a viajar mais e com isso a trocar mais ideias, já não precisavam de levar aquilo que tinham de comer, podia trocar a comida por dinheiro. Agora expanda-se isto até aos sinais de direcção, o que quer que seja. O narrador diz-nos mesmo que nesse planeta não era possível a astronomia. O que aqui está em causa é mostrar-nos que, talvez mais do que os sentimentos, a abstracção define o humano. Sem abstracção não havia ser humano. A linguagem é a abstracção maior, porque permite que uma dor seja enunciada, isto é, que aquilo que se sente seja enunciado.

(Continua na próxima semana)

Covid-19 | Província de Guangdong com dois casos locais

A província de Guangdong registou dois casos locais de covid-19 nas últimas 24 horas, anunciou hoje a Comissão de Saúde da China.

O país asiático diagnosticou ainda 23 casos positivos entre viajantes oriundos do exterior, na cidade de Xangai (leste) e nas províncias de Fujian (sudeste), Guangdong (sudeste), Sichuan (centro), Zhejiang (leste) e Mongólia Interior (norte).

A Comissão de Saúde da China adiantou que o número total de casos activos é de 512, entre os quais 17 em estado grave. Desde o início da pandemia de covid-19, o país registou 91.629 casos da doença e 4.636 mortos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.868.393 mortos no mundo, resultantes de mais de 178,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Nova política da juventude inclui cerca de 30% da população

O Governo decidiu estender a sua política da juventude até à idade de 35 anos, aumentando o limite etário do conceito de “jovem”, que antes estava fixado entre os 13 e 29 anos. Esta é uma das alterações previstas para a nova Política da Juventude de Macau (2021-2030), segundo o relatório da consulta pública ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Considera-se que “é mais adequado que a faixa etária dos 13 aos 29 anos dos jovens seja alargada para os 35 anos”, tendo em conta “o desenvolvimento social” e uma “melhor articulação com a política de juventude nacional e das diversas cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Esta mudança faz com que a Política da Juventude do Governo chegue a 30 por cento da população total, abrangendo “mais grupos juvenis de diferentes camadas sociais e afectados por diferentes situações, tais como o prosseguimento dos estudos, o emprego, a criação de negócios e a aquisição de habitação”, entre outras.

Sim ao pensamento crítico

O relatório dá ainda conta que a nova Política da Juventude irá acrescentar “a expressão relativa ao pensamento crítico”, por se considerar que “o significado de ‘pensamento distintivo’ [proposta no documento de consulta] e ‘pensamento crítico’ é o mesmo”.

No documento de consulta fala-se de pensamento distintivo com base “na cultura tradicional chinesa e nas indicações do livro ‘Clássico dos Ritos – Doutrina do Meio”, e que significa alguém que “estude extensivamente, aprenda detalhadamente, pense cautelosamente, distinga claramente e execute efectivamente”. A ideia é que os jovens cultivem “a capacidade de pensar de forma independente” e que saibam “distinguir o certo do errado”.

O patriotismo assume um papel central nesta política. “A maioria das opiniões considera que ‘o sentimento de amor pela Pátria’, a ‘visão internacional’ e a ‘participação social’ são conteúdos necessários e que constituem um conjunto de orientações correctas para a formação dos jovens”. Além disso, “um grande número de opiniões concorda muito com a integração dos jovens de Macau no desenvolvimento nacional”.

O relatório aborda também propostas como a reforma do ensino técnico-profissional, a necessidade de maior apoio às famílias monoparentais e o reforço da aposta em cursos de formação. O Executivo promete optimizar “a configuração curricular e a elaboração de materiais didácticos”, além de serem “implementadas actividades extracurriculares diversificadas sobre o sentimento patriótico”. No total, o Governo recolheu mais de 1400 opiniões, incluindo junto de 110 instituições.

Euro 2020 | Grupo B fecha hoje

Após a conclusão do Grupo A, é a vez do Grupo B. Num Euro que parece correr como o vento, é hora de colocar os pontos nos is e perceber quem vai passar à fase seguinte. No segundo grupo da competição está a Bélgica, a nova “favorita” a precisar de juntar o seu talentoso grupo de jogadores a troféus de primeira instância. Mas pelo caminho há uma Dinamarca motivada, uma Finlândia com garra e uma Rússia capaz de dificultar a vida a qualquer equipa

 

Por Martim Silva

Não há elogios suficientes para a selecção da Bélgica, dotada de um talento de outro mundo. Os diabos vermelhos têm a melhor geração de jogadores de que há memória. Apenas 5 dos 26 jogadores convocados por Roberto Martínez jogam fora dos 5 principais campeonatos da Europa.

Em todas as facetas do desporto-rei, jogar contra a Bélgica parece injusto e complexo. A capacidade de jogo é tremenda, havendo poucas nações capazes de a derrotar. Com a ascensão de um conjunto de jogadores que está capacitado para ombrear com Alemanha, França, Itália, Espanha e outros, os seus adversários de grupo podem, e devem, tomar todos os cuidados necessários.

Mas o Grupo B do Euro 2020 é talvez o mais resiliente. Começando com a Dinamarca. A equipa nórdica parece adversa à desistência. Mesmo depois do colapso repentino de Christian Eriksen, os dinamarqueses deram uma resposta com cabeça, mãos e pés. Apesar da derrota por 2-1 contra os belgas, a Dinamarca foi competente e competitiva até ao apito final. De hoje para amanhã (00:00) os dinamarqueses vão defrontar a Rússia, outra selecção convicta da sua competência. Os pupilos do seleccionador da Dinamarca, Kasper Hjulmand, completarão os três jogos em Copenhaga, trazendo desta maneira uma ligeira vantagem para o confronto frente à equipa treinada por Stanislav Cherchesov. A Rússia demonstrou muito mais na vitória frente à Finlândia (1-0) do que tinha mostrado quando foi goleada frente à Bélgica (3-0), estando a chave desse triunfo nos pés de Aleksey Miranchuk, médio da Atalanta, que além de marcar o golo da vitória fez uma exibição de encher o olho.

Do lado dinamarquês desponta Yussuf Poulsen. Frente à Bélgica, o avançado do RB Leipzig foi uma dor de cabeça para a defesa liderada por Jan Vertonghen, tendo marcado o primeiro e único golo da Dinamarca neste Euro. Pierre-Emile Højbjerg, médio do Tottenham, coroou um bom desempenho com a assistência para o golo nórdico. Há ainda Simon Kjær e Martin Braithwaite na equipa de Hjulmand, jogadores com habilidade suficiente para vencer uma partida.

Do lado russo, os desempenhos de Miranchuk, Aleksandr Golovin e Igor Diveev frente aos finlandeses pintam um ataque robusto e solidez defensiva. Os treinadores de ambas as equipas, acreditam que a chave da vitória está na capacidade de trabalho. Para Cherchesov, o factor casa dos dinamarqueses não incomoda. “Este vai ser o nosso primeiro jogo fora em dois torneios seguidos e sem os nossos adeptos. No entanto, isso não é um problema. Não usámos a palavra ‘problema’ nos últimos cinco anos. É apenas uma contingência e sabemos como lidar com ela.”. Já o seleccionador da Dinamarca acredita na dificuldade da tarefa pela frente. “Aconteça o que acontecer, vamos tentar ganhar o jogo. Vai ser um duelo incrivelmente difícil frente à Rússia. Eles têm uma boa equipa. Não temos de forçar nada.” rematou o seleccionador da Dinamarca.

Produto do talento

A Finlândia tem pela frente jogadores como Romelu Lukaku, Eden Hazard e o regressado Kevin De Bruyne, que no jogo frente à Dinamarca marcou e fez uma assistência, trunfos que vai tentar contrariar com a vontade de disfrutar o último jogo da fase de grupos. “Criámos mais contra a Rússia, mas o último passe ainda não foi o ideal. Precisamos de melhorar este aspecto. Os jogadores estão bem-dispostos e faremos tudo para tirar proveito do último jogo da fase de grupos. Todos conhecemos a qualidade da selecção belga e estamos bem cientes de que vamos ter uma tarefa difícil.” sublinhou o seleccionador da Finlândia, Markku Kanerva.

Do lado da equipa orientada por Roberto Martínez a conquista do Grupo B é um objectivo mínimo, com as ambições dos belgas a estar na conquista do troféu de campeão europeu devido à aglomeração de tantos jogadores acima da média. Com o favoritismo em mente, a Bélgica não deverá olhar para o jogo com a Finlândia como um mero amigável. O objectivo belga passa por assegurar a conquista do grupo o mais depressa possível para o foco se alargar para a final, onde uma equipa como a Bélgica pertence.

 

As contas que vão definir o Grupo D

É no Grupo D do Euro 2020 que reside a maior esperança futebolística. A selecção de Inglaterra, com todo o aparelho mediático desportivo implícito, tem a distinta tarefa de validar todos os elogios direccionados à equipa de Gareth Southgate. Luka Modrić, médio croata, já tinha deixado claro estes sentimentos quando referiu que a arrogância dos ingleses provinha dos seus jornalistas e comentadores, inflacionando as capacidades colectivas e individuais das tropas de Sua Majestade.

A equipa de Southgate não tem estado ao melhor nível e jogadores como Jack Grealish têm ficado de fora do onze inicial. O jogador do Aston Villa em apenas 20 minutos de jogo contra a Escócia sofreu quatro faltas – o recorde de maior número de faltas sofridas por um suplente num Euro pertence a Éder, que frente a França em 2016 sofreu cinco. O nível exibicional tem sido fraco e não há jogadores a destacar-se. O empate contra a Escócia (0-0) com poucas oportunidades de golo deu azo à urgência inglesa de acabar com esta fase menos positiva.

Pela frente está a República Checa que tem no seu plantel um dos melhores marcadores do torneio, Patrik Schick. Os checos têm uma selecção que gira à volta do atacante do Bayer Leverkusen, muito devido à sua qualidade e características físicas notáveis. Além de Schick há jogadores como Tomáš Souček e Vladimir Coufal, ambos representam o West Ham e trazem para a equipa uma dinâmica mais combativa e defensiva. O jogo será apitado pelo português Artur Soares Dias.

Na outra partida do Grupo D, defrontam-se Escócia e Croácia. Modrić tem carregado a selecção de Zlatko Dalić nas suas costas, não se esperando nada de diferente frente a uma selecção escocesa que com bola não é perigosa e sem ela tem algumas limitações.

Itália sai invicta da fase de grupos

Entre as características mais vezes apontadas a Itália, a organização defensiva está no topo. Esta tradição faz parte da presente equipa, orientada por Roberto Mancini. Com o triunfo frente ao País de Gales (1-0), os azzurri igualaram o recorde da selecção italiana de Vittorio Pozzo entre 1935 e 1939 quando estiveram 30 jogos sem qualquer derrota. Para Mancini e os seus pupilos, a chave tem sido o incansável meio-campo e a capacidade atacante de Domenico Berardi, Lorenzo Insigne e Leonardo Spinazzola mas é na defesa que está a resposta para tanto triunfo.

Além da marca histórica de jogos sem perder, a Itália segue para os oitavos de final do Euro 2020. A vitória sobre o País de Gales foi clara e evidente, apesar de alguns sustos pelo caminho, nomeadamente, o falhanço de Gareth Bale em frente à baliza de Gianluigi Donnarumma, por volta do minuto 75. Mas a chave esteve sempre na defesa com Leonardo Bonucci a ser um maestro de passes progressivos. O central da Juventus iniciou várias ligações ofensivas desde trás, ajudando Marco Verratti, que se estreou oficialmente no Euro, Jorginho e Matteo Pessina.

O médio da Atalanta, que fez o único golo do encontro aos 39 minutos após passe de Verratti, fez um pouco de todo dentro de campo. Atacou a profundidade, movimentou-se como um avançado e funcionou como um ala. Depois da humilhação de não se qualificar para o Mundial de 2018, a Itália assume cada vez mais o papel de candidato a vencer o Euro 2020.

No outro jogo do Grupo A, a Suíça derrotou a Turquia por 3-1. Os golos helvéticos foram marcados por Xherdan Shaqiri (2) e Haris Seferović. O único tento turco da competição foi marcado por Irfan Kahveci. A Suíça fica com 4 pontos, tendo a possibilidade de passar à próxima fase, se estiver entre os quatro melhores terceiros classificados.