AFA | Exposição a solo de Lei Chek On inaugurada na quinta-feira

Lei Chek On expõe pela primeira vez a solo na Art For All Society, numa mostra que reúne obras abstractas que passam os seus pontos de vista, traçam representações do espaço e tecem sátira social. “Implicit Memory – Works by Lei Chek On” vai estar patente entre 25 de Junho e 22 de Julho

 

A Art For All Society (AFA) acolhe a partir desta quinta-feira a primeira exposição a solo do artista local Lei Chek On. A inauguração de “Implicit Memory – Works by Lei Chek On”, que integra uma série de exposições de jovens artistas. A inauguração está marcada para as 18h30. Em comunicado, a AFA descreve que Lei faz uso da arte para representar o mundo, e que “a simplicidade das suas pinturas abstratas é notável e impressionante”.

A mostra reúne um conjunto de escultura e pinturas a óleo. “No seu percurso artístico, Lei considera a relação entre a visão da vida e valores universais. Há uma série de trabalhos na exposição sobre vários assuntos actuais. O artista usa temas sociais como base e aplica técnicas implícitas e abstractas para narrar o seu ponto de vista. Na sua primeira exposição a solo, o ‘mundo’ de Lei Chek On parece ter evoluído de uma paisagem na terra para um universo mais vasto”, descreve a nota.

O nome da exposição está relacionado com o processo criativo do artista, que a curadora associa à memória implícita, presente em actividades como andar de bicicleta ou tocar um instrumento musical. Alice Kok explicou que quando Lei Chek On pinta, entra num estado em que se dissocia dele próprio, “quase como um transe”. Algumas pinturas estão relacionadas com o espaço. “Não consigo deixar de imaginar se o mundo interior que Lei vê é originado de vidas passadas, que não foram necessariamente na Terra, mas num canto mais distante do universo”, escreveu a curadora num texto publicado na página electrónica da AFA.

Lei Chek On nasceu em Guangdong em 1994, mudou-se para Macau em 2013 e completou a licenciatura em escultura em 2017. A exposição estará aberta ao público de 25 de Junho a 22 de Julho, nas instalações da AFA no Art Garden, na Avenida Rodrigo Rodrigues.

Ironia social

Além das pinturas mais abstractas, a curadora indica que Lei Chek On também apresenta trabalhos mais “socialmente identificáveis”, por exemplo sobre o desenvolvimento de Macau. Entre eles uma obra intitulada “Golden Avenue”, pintada num mapa da zona A da Nova Zona Urbana de Macau. “Há outra pintura chamada ‘No Man’s Land’ em que retratou fotografias antigas da Estátua da Liberdade, inspirado em preocupações sociais relacionadas com valores universais”, descreveu Alice Kok ao HM.

Destaque também para um trabalho constituído por duas esculturas de pedra que se assemelham a nacos de carne de porco, com os nomes “Iok Iok” e “Tun Tun”. De acordo com a curadora, os títulos referem-se a alcunhas dadas a pessoas de Macau.

Na página electrónica da AFA, Alice Kok descreve que “Lei utiliza estas duas representações de pedaços de carne de ‘porco’ para satirizar o destino trágico de quem tem como únicos objectivos de vida comida e moda, sem outras considerações sobre o que significa verdadeiramente ser feliz”.

“Ele também tem algumas séries mais relacionadas com o tecido social. Como por exemplo uma pintura abstracta chamada ‘Weaving Voices’, onde usa diferentes cores. Como sabemos, recentemente, em Hong Kong, Macau e até Taiwan, usamos cores para representar diferentes tipos de vozes e opiniões”, indicou ao HM.

O artista usa estas cores na tela, usando tinta semitransparente para as sobrepor, mas onde a cor de fundo continua a revelar-se. “Cria uma imagem abstracta que aos meus olhos parece um pouco os aglomerados de habitação pública em Hong Kong”, nota Alice Kok.

As ideias do artista são representadas através de meios abstractos, de forma implícita. “Ele não é uma pessoa muito expansiva, mesmo no seu trabalho não é assim. Então usa a sua expressão artística para revelar o que lhe é importante”, explicou a curadora.

22 Jun 2021

AFA | Leong Fei In e Zhang Xinjun seleccionados para intercâmbio artístico

Os artistas Leong Fei In e Zhang Xinjun apresentam uma exposição no Macau Art Garden, que cria uma história visual sobre uma ilha desconhecida e reúne também memórias de Macau. Durante este ano vão realizar uma residência artística e uma nova exposição conjunta

 

A exposição “One Plus One · Macau and Overseas Artists Exchanged Exhibition: Island”, organizada pela Art For All Society (AFA), está aberta ao público até dia 27 de Janeiro no Tak Chun Macau Art Garden. É a segunda edição de um programa de intercâmbio cultural, que conta desta vez com obras da artista local Leong Fei In, e do artista Zhang Xinjun, da China Continental.

No local da exposição nasceram nove pequenas ilhas de tamanhos e formatos distintos, construídas a partir de materiais como areia de quartzo tingida e especiarias antigas. As paredes revelam agora diferentes montanhas pintadas em cores vivas, acompanhadas de algumas palavras. Durante a visita, o público pode andar entre o trabalho.

“Leong Fei In alargou o conceito de ‘ilha’ a um sentido do corpo e visão do mundo, usando dados históricos das ilhas de Macau e do Sudeste Asiático que foram afectadas durante a era náutica, como pano de fundo para criar a história visual virtual ‘ilha desconhecida’”, comunicou a AFA.

Por sua vez, Zhang Xinjun juntou imagens relacionadas com a história, paisagens e pessoas de Macau. O artista organizou assim memórias do território, que assumem forma visual de tecido, em que os traços foram feitos através de queima de incenso. Estas imagens, explica a nota da AFA, “advieram de mal-entendidos do artista sobre o território através de informação indirecta”.

Em 2019 realizou-se pela primeira vez a exposição “one plus one”, com artistas de Macau e do exterior, em Pequim. A mostra da nova edição foi inaugurada no final de 2020, e está patente ao público entre as 11h e 19h, de segunda a sábado.

Tempo para criar

Ao longo de 2021, os dois artistas seleccionados vão realizar residências artísticas em Macau e uma nova exposição conjunta numa galeria local. O “One Plus One” é um programa de intercâmbio cultural, que pretende fortalecer as trocas artísticas e culturais entre Macau e artistas do exterior. Neste âmbito, a cada dois anos, a AFA seleciona um artista em representação de Macau e outro do exterior, cooperando com institutos artísticos da China Continental, Hong Kong ou do estrangeiro para organizar uma exposição conjunta.

Desta vez, foram Leong Fei In e Zhang Xinjun os eleitos. “Através deste projecto, a AFA espera trazer mais estímulos externos aos artistas [locais], dando-lhes uma oportunidade de ganharem mais experiências fora de Macau e obterem uma experiência criativa numa cena artística mais ampla”, indicou a entidade.

A artista Leong Fei In concluiu o mestrado em Artes Visuais na University of the Arts London, em 2016. O seu trabalho abrange técnicas como gravuras, livros, esculturas de papel e instalações, através das quais explora temas como espaço, memória e tensão. As exposições a solo incluem “In between”, em Kyoto no ano de 2017, ou “The Weight of Context” na AFA, em 2018.

O artista Zhang Xinjun nasceu em Zhengzhou, Henan. Terminou a formação na Academia de Belas Artes de Sichuan em 2005, e na Academia Central de Belas Artes em 2009. “Mine”, na Alemanha, ou “Hou Zhairen not surnamed Hou”, em Pequim, são exemplos de exposições a solo.

4 Jan 2021

AFA | Exposição de Tong Chong para ver até 7 de Junho 

A AFA – Art for All Society, exibe até ao próximo dia 7 de Junho um conjunto de trabalhos do pintor Tong Chong, nascido em Fuzhou, mas residente em Macau desde 1984. Eis uma oportunidade para ver obras de pintura chinesa contemporânea de um artista que foi aluno do conceituado artista Mio Pang Fei

 

Uma mistura de alegria com simplicidade e até ingenuidade. São estes os adjectivos que Alice Kuok, presidente da AFA – Art for All Society, usa para descrever os trabalhos do artista Tong Chong. A exposição, composta por um total de 22 obras com curadoria de Alice Kuok, intitula-se “Somniloquence” e pode ser vista até ao dia 7 de Junho.

Esta é a 11ª exposição individual do autor e faz parte de uma série de exposições a que a AFA deu o título “Perpetual Impermanence”. “Este conjunto com os seus mais recentes trabalhos reflectem uma exploração do artista com as cores nos últimos dois ou três anos”, descreve a curadoria numa nota publicada no website da AFA.

“Tong Chong, que tem hoje 40 anos, disse que havia uma ausência de cores claras nas suas pinturas anteriores. Mas como chegou à meia idade, parece ter iniciado um novo entendimento em relação ao uso da cor. Resolveu recorrer a pigmentos usados na pintura tradicional chinesa, porque as cores das plantas e dos minerais são mais naturais, e o uso das cores combinam com a arte tradicional do corte do papel.”

Para Alice Kuok, o estilo de Tong Chong “exige uma grande atenção”, ao mesmo tempo que “aparenta ser livre e fácil”. “Sempre que tem tempo ele corta papel em diferentes formas e depois classifica esses pedaços em diferentes categorias, e usa imagens recortadas para criar, colocar e pintar sobre eles”, descreve Alice Kuok.

Este processo de experimentação durou alguns meses, nos quais Tong Chong “explorou vários tipos de papel, cola, tipos e marcas de pintura para chegar ao actual método [de criação]”. A curadora aponta que, além da importância de olhar para a forma dos quadros é fundamental olhar “para o estado mental da criação artística”. “Se ele não está num estado mental adequado ele não pinta. Ele disse que o estado mental aqui referido está relacionado com a psicologia e o subconsciente”, acrescentou Alice Kuok.

Carreira em Macau

Nascido em Fuzhou, na província de Fujian, em 1977, Tong Chong veio para Macau em 1984, não sem antes ter regressado à sua terra natal, com a idade de 13 anos, para estudar pintura. Um ano mais tarde voltaria ao território para ter aulas de pintura moderna na Escola de Artes Visuais do Instituto Politécnico de Macau.

Entre os anos de 1991 e 1996, Tong Chong estudou pintura com o conceituado artista Mio Pang Fei.
Assumindo ter uma “especial afinidade” com o lado da arte primitiva e folk, o artista assume-se como sendo alguém de poucas palavras. O actual estilo começou a ser definido na adolescência. “A sua pintura nunca se transformou em outras formas da cultura dominante. Ele dedicou-se a explorar a plasticidade de transformar a realidade em padrões e imagens, o que o levou ao caminho da escultura.” Nesse sentido, a exposição patente na AFA contém também alguns trabalhos de escultura do autor.

19 Mai 2020

AFA | “Floating World”, primeira mostra de Kit Lee inaugurada sexta-feira 

A AFA – Art for All Society está de volta com a primeira exposição da artista Kit Lee. “Floating World” é o nome da exposição que será inaugurada esta sexta-feira, 27, e que faz parte do projecto da associação que visa mostrar o trabalho de artistas emergentes de Macau

 

Depois de um longo interregno devido à pandemia covid-19, que decretou o encerramento de todos os espaços culturais e de exposição, a AFA – Art for All Society regressa com a primeira exposição do ano, a partir desta sexta-feira, dia 27. “Floating World” será a apresentação do trabalho de Kit Lee, nascida em Macau, um dos novos nomes do panorama artístico local.

De acordo com um comunicado divulgado pela AFA, a mostra faz parte do projecto anual intitulado “New Generation – New Media” – Art Exhibition Series part I”, que visa precisamente mostrar o trabalho de jovens artistas de Macau.

Kit Lee formou-se em comunicação, em 2009, em Taiwan na Universidade Tamkang, onde também completou o mestrado, que concluiu em 2013. Em 2014, a artista regressou a Macau e começou a trabalhar na área do design multimédia a partir de 2016.

Beleza natural

Foi durante a licenciatura que Kit Lee começou a trabalhar na área dos media e do vídeo com um foco artístico. A AFA aponta que os seus trabalhos, numa fase inicial, “eram essencialmente de vídeo arte, sobre a disseminação de informação e temas da cultura pop, produção de animação ou pós-produção vídeo”.
Kit Lee revelou, desde cedo, uma paixão pela “beleza das flores”, tema que preencheu o seu trabalho de design multimédia a partir de 2016, através do uso de ferramentas 3D. Depois de criar formas e texturas de flores, a pós-produção permitiu a Kit Lee produzir o “efeito de água” nessas imagens.

“A característica deste tipo de trabalho é o seu vazio. Comparado com a ‘realidade’ de tudo o que existe no mundo, não é permitido tocar nas flores do vazio de Kit Lee, permanecendo apenas o silêncio numa negra profundidade”, descreve a AFA. Esta exposição estará patente até ao dia 27 de Abril.

24 Mar 2020

Arte | AFA apresenta “0 – Obras de Wong Weng Io”

“O – Obras de Wong Weng Io” é a exposição da artista local que vai ser inaugurada no próximo dia 17 de Setembro nas instalações da associação Art for All (AFA)

 
Wong Weng Io, também conhecida como Yoyo, questiona através dos seus trabalhos “o relacionamento e o impacto mútuo entre a existência humana, informação, tecnologia, dados pessoais, inteligência artificial e robótica”, refere a apresentação do evento. De acordo com a organização, “0 – Obras de Wong Weng Io” traz à AFA uma reflexão da vida quotidiana que pode ser comparável “à infinita futilidade de Sísifo na mitologia grega”.

Para o efeito, a artista recorre às sequências numéricas que se apresentam em repetições infinitas.

A exposição é composta por 365 obras em acrílico feitas a partir de fotografias que imitam o movimento dos dedos humanos no ecrã dos telemóveis. É nestes movimentos e na sua transposição que mostra o que mais prende as pessoas no dia-a-dia. Numa actividade constante, sem início nem fim, naquilo a que chama de “zero”.

“É o começo e é o fim. É zero e é infinito ao mesmo tempo. É como se [estes movimentos] fizessem parte de um jogo de dominó, sendo que aqui é um jogo que nunca tem um verdadeiro começo”, aponta a AFA. A exposição estará patente até 8 de Outubro.

11 Set 2018

Artes Plásticas | Alice Kok apresenta a exposição “Emptiness is form” na AFA

É inaugurada hoje, na AFA, a exposição “Emptiness is form” da artista local, Alice Kok. A mostra reúne um conjunto de trabalhos que pretende questionar a percepção do público acerca do que existe. Vídeo, fotografia, instalações e formas geométricas são os veículos usados pela artista para abordar a espiritualidade que encontrou no budismo

“Emptiness is form” é o nome da exposição individual de Alice Kok que é inaugurada hoje nas instalações da Art for All society (AFA).

O conceito que deu nome a esta mostra foi inspirado numa frase dos escritos budistas tibetanos. “Form is emptiness and emptiness is form”, transmite a ideia completa a partir da qual  exploro a relação entre o vazio e a forma”, conta Alice Kok ao HM.

Para a artista, importa trabalhar o modo como as formas são percebidas, sendo que “a ideia budista de vazio não tem que ver com a inexistência, ou com o nada, mas com o facto de que tudo o que existe se relaciona entre si”, explica.

É esta relação contínua que dá origem ao mundo e à natureza como um todo, considera Alice Kok. “O nada acontece quando alguma coisa está só e independente de tudo o resto. A natureza que é uma só, está em inter-acção com tudo”, refere.

Conceito permanente

A exploração do conceito de vazio não é novo no trabalho da artista. Há cinco anos criou “Nada acontece”. A peça “é uma instalação que pretendia criar o efeito de uma miragem”, refere. “Nada acontece” vai estar exposta também na AFA acompanhada de outros trabalhos.

Um dos destaques da exposição é uma instalação em forma de pirâmide. Para a produção desta peça, Alice Kok convidou alguns amigos para meditarem com ela, durante seis minutos, no estúdio onde trabalha. As sessões foram filmadas e o resultado foi a produção de um vídeo que integra esta peça. A estrutura da pirâmide é feita num ângulo de 51 graus, a razão para este detalhe geográfico está relacionado com as teorias acerca da construção das pirâmides do Egipto. “Muitos creem serem construções receptoras de energia”, comenta. Para a artista, a obra reflecte uma expressão de unicidade das coisas e da sua relação constante.

Geometria sagrada

Por outro lado, a ideia de construir uma pirâmide vai de encontro ao que Alice Kok tem por hábito usar nas suas peças – a geometria. “Achei esta ideia muito interessante até porque tenho trabalhado muito com formas geométricas”, refere.

É também na conjugação geométrica que a artista recriou um carácter chinês que será exibido em grande escala. “Por detrás das linhas há o significado, há uma forma muito geométrica e isto também está relacionado com a possibilidade de reconhecer algo  através da forma”, explica.

Foi ainda com a forma em mente que foi desenvolvido outro trabalho que integra a exposição que abre hoje ao público. “A montanha de plástico” é uma obra em que Alice Kok usa sacos de plástico para criar a forma de uma montanha. “O objectivo aqui foi dar a ideia de plasticidade artística ao mesmo tempo que se usa o próprio material”. O resultado é a criação de “uma montanha que não é uma montanha, mas apenas a sua imagem”. De acordo com Kok, é possível perceber a ideia pensando no trabalho de René Magritte, “Ceci n’est pas une pipe”.

A mostra conta ainda com um trabalho em que a artista usa polaroides. “Este tipo de fotografia não é reproduzível, só se pode tirar uma vez”, conta. Nesta peça, Alice Kok coloca as imagens instantâneas em água. “A sua dissolução transmite a impermanência das coisas que é aplicável a tudo”, esclarece.

Inspiração Budista

Alice Kok começou a interessar-se pelos conceitos budistas, que agora explora, depois de se formar, em 2004, em França. “Fiz uma viagem à Índia e ao Tibete que me mudou a vida”, aponta.

Na Índia, a artista visitou uma comunidade tibetana onde conheceu refugiados tibetanos que não estavam autorizadas a regressar a casa para visitar os seus familiares. Ao deparar-se com esta situação resolveu fazer um trabalho em vídeo. “Coloquei estas pessoas a falarem em frente a uma câmara para comunicarem com as suas famílias. Depois levei esses vídeos comigo ao Tibete. Encontrei uma das famílias envolvidas e mostrei-lhe estas imagens. Filmei a resposta e trouxe-a de novo à Índia, a estas pessoas refugiadas”, recorda Alice Kok.

O vídeo foi feito há cerca de dez anos, mas até hoje, é para a criadora local, o seu mais importante trabalho. “Encheu-me a vida e a minha perspectiva do que é arte”, aponta.

Foi também nesta altura que teve o primeiro contacto com o budismo tibetano. A vida em Macau tinha-lhe transmitido uma visão diferente daquela que encontrou nas montanhas da Índia. “A ideia que tinha de budismo em Macau era errada. Aqui as pessoas vão ao templo pedir para terem dinheiro e isso para mim era uma superstição. Não conhecia realmente o que o budismo dizia, nem a sua filosofia. Em Macau, o budismo não tem relação propriamente com a filosofia que o criou”, refere. Desde então, a inspiração de Alice Kok tem sido, independentemente da forma, inspirada nesta filosofia.

25 Mai 2018

Aniversário | Art For All Society nasceu há dez anos

Começam hoje as celebrações do décimo aniversário da associação Art For All Society, que visa promover o trabalho de vários artistas locais. A AFA já esteve em Pequim, fechou portas, e agora gostava de ter uma representação em Hong Kong. Alice Kok, presidente, e José Drummond, um dos fundadores, recordam o momento em que um grupo de pessoas se juntou para debater ideias sobre o panorama artístico local

De todas as casas que a AFA – Art for All Society já teve, aquela que estava junto às Ruínas de São Paulo foi a primeira. Um dia, artistas como Konstantin Bessmertny, José Drummond, Carlos Marreiros ou Alice Kok reuniram-se para discutir ideias que dariam origem a um novo movimento de revelação de novos artistas junto do público.

Dez anos depois, a AFA prepara-se para celebrar a sua curta existência com uma exposição, uma palestra e um documentário. A história de algo embrionário conta-se com frames, imagens, palavras.

“Hoje será a exposição do aniversário dos 10 anos e depois haverá uma palestra na quarta-feira. Na quinta-feira será transmitido um documentário sobre os artistas que nos têm acompanhado. O objectivo é olhar para aquilo que temos feito nos últimos dez anos, o que fizemos ou não fizemos, numa espécie de reflexão”, contou Alice Kok ao HM.

A palestra visa ser um espaço de debate sobre o estado actual do panorama artístico. “Convidámos outras galerias de arte ou gestores de espaços de arte para discutirmos os desafios e os problemas que enfrentamos quando tentamos manter associações de arte ou outros negócios em Macau”, explicou Alice Kok.

Já o documentário coloca os artistas a falarem do seu próprio trabalho. “É uma forma de olharmos para trás, para aquilo que temos vindo a fazer e deixar os artistas falar do seu trabalho em frente à câmara, para que o público possa compreender melhor o que é a profissão e o que significa ser artista”, contou a presidente da AFA.

A ausência de coleccionadores

Quando convidámos José Drummond a recordar o início de uma jornada, o artistas apenas disse que, no fundo, o tempo passa demasiado rápido sem darmos por isso.

“É a prova de que a vida passa muito rápido. Parece que foi ontem que estávamos todos numa sala ao pé das Ruínas de São Paulo, onde foi a primeira AFA, a debater ideias e a falar sobre as primeiras exposições. E já passaram dez anos e a AFA esteve em tantos espaços. A participação da AFA no meio artístico local continua a ser muito importante”, frisou.

Drummond considera que, quando a AFA nasceu, faltavam em Macau coleccionadores de arte, algo que não mudou com o passar dos anos.

“Há dez anos não havia tantos coleccionadores, mas isso não quer dizer que as coisas estejam melhores. Podem haver mais coleccionadores de arte não acho que, no geral, isso seja significativo, pois a vida encareceu muito mais. Os artistas que continuam a ambicionar viver do trabalho de artista plástico é quase impossível em Macau. A luta continua a ser muita nesse sentido.”

A luta pela estabilidade

Além da falta de coleccionadores que invistam em arte local, tem faltado o factor estabilidade.

“Quando fechámos a nossa galeria em Pequim decidimos concentrar-nos em Macau. Não conseguíamos estar lá pessoalmente e era difícil gerir uma galeria de arte à distância. Por isso ficamos no Macau Art Garden, no centro da cidade. Temos sido bem sucedidos, mas estamos no início, pois temos sido obrigados a mudar-nos a cada dois anos. Nos últimos dez anos mudámo-nos cerca de cinco vezes”, recordou Alice Kok.

Além de garantir a estabilidade no espaço Macau Art Garden, a presidente da AFA confessa que há o desejo de criar uma representação da associação em Hong Kong.

“Queremos garantir a nossa presença aqui de uma forma permanente. Para o futuro queremos primeiro garantir uma estabilidade e depois vamos procurar mostrar o trabalho dos nossos artistas lá fora. Gostaríamos de ir para Hong Kong, mas ainda não fomos à procura de nenhum espaço”, disse.

Dez anos depois, o pessimismo

Anos e anos de exposições depois, Alice Kok considera que continua a faltar uma educação das pessoas para aquilo que é arte.

“Precisamos de fazer mais em prol da educação artística, não só dos próprios artistas mas também do público. Vimos um grande progresso em termos de arte no espaço público, mas a maior parte das pessoas de Macau não sabem muito bem aquilo que está a ser feito. Queremos encorajar mais estudantes para que saibam mais sobre arte.”

José Drummond tem uma visão mais pessimista do mercado artístico. Não só os artistas não são arrojados como no passado como há uma visão mais comercial daquilo que está a ser feito.

“Já tive mais esperanças no futuro da arte de Macau do que tenho hoje em dia. Vejo que há uma direcção nitidamente comercial no seio dos nossos artistas e há uma grande confusão sobre aquilo que é arte. Quem recebe apoio mais directo são coisas que são tradicionais demais. Questiono-me muitas vezes se aquilo é arte contemporânea, porque aquilo já foi feito nos anos 50 do século XX. Se os artistas não tiverem coragem para romper com isso…”, lamentou.

Nem o modelo das feiras de arte em hotéis, como se tem visto muito nos últimos tempos, funciona, segundo o artista e designer.

“Apesar de ser interessante ter feiras de arte em hotéis, a verdade é que ainda não revelaram nada de novo. Será que é importante venderem meia dúzia de obras?”, questionou.

“Houve uma tendência para se comercializar demasiado o trabalho e este aparece muitas vezes como um trabalho decorativo. Nesse aspecto sinto que Macau regrediu um bocado. Muitas vezes os artistas não arriscam tanto como os da minha geração, em termos de ideias, de suporte. Há uma aderência ao suporte pictórico que é demasiado tradicional e não define em nada a arte contemporânea.”

Para José Drummond, na China já se inova mais. Lá, no continente, “os artistas contemporâneos trabalham em todos os media”. “Essa tendência [em Macau] teve a ver muito com as indústrias culturais, em que se quis vender, e com isso tem de se fazer pintura, e com um determinado tamanho. Acho isso muito perigoso, e não vejo pessoas a arriscar.”

Da ausência de auto-crítica

Além do panorama da subsídio-dependência, José Drummond lamenta que, dez anos depois, não haja historiadores de arte, curadores e críticos de arte independentes dos artistas.

“Não há história de arte, não há curadores, e estes são, na maior parte, os artistas, à excepção de uma ou outra pessoa que está no Museu de Arte de Macau. Como não temos estes factores de dinamismo e de auto-crítica, parece que nunca há espaço para vingar fora de portas.”

José Drummond frisa que os poucos casos de artistas que conseguem expor lá fora fazem-no porque alguém de fora de Macau reparou neles. “São curadores de Hong Kong ou da China que estão interessados. Esse input acontece de fora para dentro e não de dentro para fora, o que seria mais lógico. Há coisas que não estão a funcionar, não sei quais são as fórmulas, pois já foram tentadas várias e não funcionaram. Mas tem a ver com a pouca auto-crítica e não há pessoas a escrever. Criámos uma bolha sem identidade e isso é preocupante.”

12 Dez 2017

Concerto | Diiv ao vivo em Hong Kong daqui a um mês

Com dois discos aclamados pela crítica na bagagem aclamados, os norte-americanos Diiv tocam na região vizinha no dia 14 de Setembro. O concerto, que terá na primeira parte a banda local Phoon, realiza-se em Kowloon na sala Kitec

Os Diiv foram apelidados como a grande esperança do rock sujo que tem as suas raízes entre bandas históricas como os Nirvana ou os Sonic Youth. Mas o conjunto de Brooklyn vai mais além do que as suas visíveis influências, que não se esgotam nestas duas bandas, tendo conseguido demarcar a sua sonoridade e marca identitária. A banda é liderada, e confunde-se com o seu guitarrista/vocalista, Zachary Cole Smith, o principal compositor e mentor do grupo.

No ano passado editaram o segundo e muito aguardado disco, “Is the Is Are”, depois de um hiato de quatro anos após o lançamento do registo de estreia “Oshin”. Ambos os álbuns mereceram aplausos da crítica, que quase em uníssono pegaram não só na música da banda, mas também na imagem do seu vocalista. Cole Smith é considerado por uma parte da crítica que gosta de estabelecer paralelismos como o sucessor natural de Kurt Cobain. As comparações agravaram-se depois do músico ter sido apanhado pela polícia na posse de uma quantidade considerável de heroína. Cole Smith estava acompanhado pela namorada, a modelo/actriz/cantora Sky Ferreira, levando a óbvias equiparações com trágicos casais do rock como Kurt Cobain e Courtney Love, ou Sid Vicious e Nancy Spungen. Pareciam destinados a seguir a rota decadente dos seus predecessores. Além disso, o caso trouxe ainda sérias dúvidas se o novo disco iria mesmo sair.

Vento a abrir

Assim que chegaram aos escaparates com três singles publicados online, “Sometime”, “Human” e “Geist”, mereceram a atenção das melhores publicações dedicadas à música alternativa, como a Pitchfork ou a Stereogum. Aí deu-se um contratempo identitário com a banda de Zachary Cole Smith que ainda teve de mudar de nome, uma vez que Dive já estava tomado. Assim nasciam os Diiv, que começaram a agarrar algum público com o lançamento do single “Doused”, popularizado em Portugal por musicar uma campanha publicitária de uma conhecida empresa de telecomunicações.

“Doused” é uma música que espelha bem a sonoridade da banda norte-americana, com um baixo pulsante, muito ritmado e guitarras carregadas de delay sempre prestes a irromper em solos. Os Diiv são difíceis de catalogar, com diversas influentes dentro do espectro do rock alternativo, vão buscar inspiração ao psicadelismo e outras às paisagens sonoras mais típicas do shoegaze. O seu mais recente disco mostra alguma maturidade, remetendo o ouvinte para um imersão completa num somatório que traz o melhor das últimas quatro décadas de música movida a guitarras. Foi assim que chegamos a “Is the Is Are”, que mal saiu mereceu um lugar de destaque entre os melhores discos do ano passado.

Desde então, a banda tem andado em tour a promover o seu segundo registo, até que chega ao território vizinho no dia 14 de Setembro para um concerto na Music Zone @ E-Max do centro Kitec, que abre as portas ao público a partir das 20h.

A primeira parte estará a cargo da banda local Phoon. Com assumida inspiração indie rock, o grupo de Hong Kong inspirou-se nos ventos que assolam a região e partiu da tradução inglesa da palavra “tufão”.

Este concerto serve bem de aperitivo para o festival Clockenflap, para o qual os espectadores ainda terão de esperar até Novembro.

14 Ago 2017

AFA acolhe exposição de Ng Man Wai

É a primeira exposição do ano da Art For All (AFA) e é da responsabilidade de Ng Man Wai. A artista plástica de Macau, a viver na Alemanha, regressa ao território para uma mostra individual à qual decidiu chamar “Packing the Nature”. A exposição, que inclui uma instalação, pretende explorar a relação entre Homem e natureza e recorre a sacos de plástico como meio de expressão.

A AFA antecipa, em comunicado, que quem passar pelo Art Garden a partir do próximo sábado vai encontrar uma instalação de grande envergadura logo à entrada do edifício. “A artista vai usar sacos de plástico e enchê-los com lâmpadas para decorar o espaço, para exprimir a relação entre humanos e natureza”, escreve a organização.

“Os sacos de plástico são produtos industriais e a utilização de cores artificiais vai contra o que é próprio da natureza, é o oposto das cores naturais”, escreve a AFA. Ng Man Wai usa “uma série de cores para demonstrar que são como as construções dos humanos, feitas para uma vida melhor, mas com consequências negativas para o ambiente”. O nome dado à exposição tem origem no desejo de “guardar o que de melhor a natureza tem”.

A exposição de Ng Man Wai pode ser vista até ao próximo dia 26 no espaço da AFA na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues.

6 Mar 2017

AFA | Liberdade artística marca exposição de aniversário

A Art for All Society assinala mais um aniversário com uma exposição sem tema. Uma ideia que, segundo o curador José Drummond, deu oportunidade aos artistas de revelarem melhor a sua individualidade criativa, sem constrangimentos

 

Uma exposição livre e capaz de mostrar a identidade de cada autor que a compõe. Esta é a ideia da mostra que assinala o nono aniversário da Art For All Society (AFA), que decorre até sexta-feira no Art Garden, na Avenida Rodrigo Rodrigues.

O evento, que conta com a curadoria de José Drummond, teve na génese “propor aos artistas que encontrassem uma solução própria para contribuir para o aniversário da AFA”. “Esta opção faria mais justiça ao trabalho de cada um até porque, muitas vezes, estar a limitar os artistas a um determinado tema pode ser constrangedor”, disse José Drummond ao HM. O objectivo foi mostrar, de forma representativa, o trabalho de cada um dos membros da associação.

O resultado foi um conjunto de obras que acabam por fazer sobressair trabalhos marcados pela liberdade de criação. “Em virtude dessa liberdade, a exposição é uma montra interessante do que se faz em Macau, especialmente pela diversidade que a própria arte local tem”, referiu o curador.

Uma das características que pontua as artes plásticas locais e que, de algum modo, a caracteriza é precisamente a diferença que se pode ver em cada uma das criações porque “em Macau é difícil encontrar dois artistas que sejam semelhantes ou que estejam na mesma linha”. Drummond atreve-se mesmo a dizer que é uma arte “em que não há modas ou estilos e há realmente um trabalho individual em que cada um explora a sua expressão, sendo que, se podem existir elos de ligação entre um ou outro artista, existe, ainda assim, uma voz única em cada um”.

Para o curador, este aspecto poderia até ser encarado de uma forma negativa mas, no caso de Macau, até acaba por ser benéfico. “Este hipotético desapego a modas, tendências ou estilos acontece essencialmente por existir uma outra coisa que poderia ser negativa: o não ter um verdadeiro mercado de arte, uma história de arte ou uma série de estruturas”, apontou.

Por outro lado, é um aspecto que foge à influência do crescimento recente das indústrias culturais, na medida em que é um fenómeno que “causa algum constrangimento aos artistas”. Para o artista plástico, estas indústrias podem obrigar os criadores a produzirem trabalhos “mais comerciais”.

Um caminho difícil

Os nove anos que estão a ser comemorados pela AFA não tiveram um trajecto facilitado. “Ao longo deste tempo foram muitas as dificuldades e começaram logo por ter tido de mudar, pelo menos quatro vezes, de localização, o que acaba por ser muito negativo”, explicou José Drummond.

As dificuldades que a associação foi encontrando limitaram o trabalho e as possibilidades de afirmação. “A inquietude a prazo e em prazos de dois anos, em que cada vez que se muda de espaço volta a fazer-se obras, por exemplo, impossibilita o planeamento a médio prazo”, disse.

Para o curador, o grande destaque do trabalho desenvolvido está precisamente no que a AFA tem feito pelos próprios artistas. Ao olhar para o início, José Drummond recorda que a realidade artística da altura era muito diferente. “Além dos espaços institucionais – e mesmo estes eram em muito menor número do que hoje –, existiam mais uns três espaços onde os artistas se podiam mostrar e nenhum deles tinha a perspectiva de um espaço expositivo que pudesse colmatar a lacuna da galeria comercial”, explicou ao HM.

Com a AFA, os artistas tiveram um espaço que, além de aberto à experimentação, também podia ser usado para a venda de trabalhos. “A questão da venda, na altura, foi importantíssima para que alguns deles pudessem começar a ter estúdios e a ser mais reconhecidos, especialmente na sociedade local”, explicou o curador. Nove anos depois, há artistas que, através do trajecto ao qual a AFA deu início, passaram a ser reconhecidos, alguns mesmo internacionalmente.

Mas o caminho ainda não acabou e Macau precisa de mais e melhor no panorama de arte local e, essencialmente, na arte contemporânea. O aspecto prioritário para Drummond é a formação com uma “aposta na educação na área artística, especialmente com uma visão contemporânea”. “No que respeita à formação, é usual ver membros da AFA a darem workshops dentro das instalações da associação de modo a motivar energias e a estender o leque de acções na sociedade.”

28 Dez 2016

AFA | Kay Zhang apresenta exposição para além da inocência

A primeira exposição a solo da jovem artista Kay Zhang é uma compilação visual de trabalhos que desafiam o tabu sexual. Uma exploração desenhada e colada sobre corpos e desejo, de uma artista que desafia a própria pureza da arte

Para lá dos limites da inocência e num pensar sobre ela e a sua antítese é a “tela” que dá corpo ao trabalho de Kay Zhang. A 1 de Agosto às 18h30 está marcada a abertura da exposição “INNOCENCEPEDIA”, que concretiza a primeira mostra individual da jovem artista chinesa.
O evento terá lugar na Art for All Society (AFA) e traz à luz do dia o conjunto de trabalhos que marcam a estreia, a solo, da mestranda da Academia de Belas Artes de Pequim. Aluna de Xu Bing, um dos nomes que marcam o cenário artístico chinês contemporâneo pela sua linguagem criativa ligada à tipografia, Kay Zhang traz a Macau “INNOCENCEPEDIA”. 15716P10T1
A exposição aborda o sexo. Palavra associada muitas vezes a tabu, ao proibido que não se fala, à pornografia ou obscenidade. Assunto inerente à essência humana e a um conjunto de curiosidades partilhadas por muitos, como relembra a AFA. A exploração da componente sexual também se reflecte na arte, sendo muitas das vezes representada através da exploração da nudez. Para Zhang, a expressão do sexo e do desejo é inevitável.
A artista recorre também ao nu, mas numa combinação de técnicas e materiais que no seu conjunto denomina de artigos visuais. Estamos perante uma enciclopédia imagética que pretende, por vontade da artista, deixar a questão da pureza artística… ou a falta dela.
Nascida em 1991, Zhang estudou pintura a óleo no Instituto de Belas artes de Sichuan em 2009. Esteve em Braunschweig, sendo que continuou, de regresso à China, os estudos na área da arte experimental. Actualmente a sua pesquisa e trabalho estão voltados para a arte contemporânea. Do seu leque de interesses contam o uso de diferentes meios e técnicas para abordar os assuntos que mais lhe interessam. Já viu o seu trabalho em diversas exposição na China continental e até na Suécia.
A exposição na RAEM é o resultado de uma bolsa de estudo que a artista recebeu por parte da AFA para desenvolver trabalho na Academia de Belas Artes de Pequim. Os 33 trabalhos que vão ser apresentados combinam desenho e colagem, fruto dessa aprendizagem, avança uma responsável do AFA ao HM. A exposição está patente até 21 de Agosto e conta com entrada livre.

15 Jul 2016

“Salão de Outono ” e “Vafa ” em simultâneo na Casa Garden em Novembro

A Fundação Oriente (FO) e a Associação Art for All (AFA) resolveram juntar o Salão de Outono com o festival Vafa (Art Vídeo para Todos), o festival internacional de vídeo-arte organizado já desde 2010. A ideia é cativar maior número de pessoas, pelo que “Um Outono repleto de arte” é também a aposta da organização ao organizar estes dois eventos em conjunto, combinando em simultâneo obras de arte locais e internacionais.
A participação no Salão de Outono ainda é possível para todos os residentes e também para os artistas que mais recentemente vivem e trabalham em Macau, pois as inscrições estão abertas.
Os candidatos podem apresentar trabalhos de pintura, gravura, escultura, fotografia, instalação e vídeo. Todas as candidaturas serão analisadas e seleccionadas por um júri composto por representantes da FO e da AFA, bem como por conceituados artistas locais.
Os finalistas serão notificados no final de Setembro. Para participar basta fazer o download do formulário de inscrição em www.afamacau.com. O prazo termina a 30 de Agosto.

Prémio “Jovem”

A FO adianta ainda que tem para oferecer 50 mil patacas para reconhecer e apoiar os jovens artistas plásticos de Macau em início de carreira. Os artistas terão ainda a oportunidade de exporem o seu trabalho no território e também de desenvolver as suas qualidades artísticas em Portugal, já que o vencedor terá ainda direito a uma residência artística no país no próximo ano. Os candidatos ao prémio poderão mostrar as suas obras em conjunto com os trabalhos seleccionados para o “Salão de Outono “.
Ao prémio podem candidatar-se apenas artistas actualmente residentes em Macau ou que provem ter vivido em Macau durante os últimos dois anos, independentemente da sua nacionalidade. Têm de ser portadores de Bilhete de Identidade de Residente e ter entre os 18 e os 35 anos.

VAFA em movimento

O concurso para o quinto Vafa também se encontra a decorrer e os artistas interessados podem apresentar as suas obras de vídeo-arte até ao dia 30 de Agosto. O júri é composto por artistas internacionais de vídeo-arte e alguns curadores de arte. Primeiro prémio e quatro menções honrosas são os prémios disponíveis, sendo que o vencedor do melhor vídeo receberá mil dólares americanos e será convidado para vir a Macau, caso não seja residente, para participar na cerimónia de abertura da exposição.
O valor para cada menção honrosa é de 500 dólares americanos. Como a vídeo-arte é uma criação independente, não há critérios fixos relativos ao tema e forma das obras. A única restrição à criação será para vídeos com informações violentas ou provocadoras.

11 Jul 2016

AFA | Época de exposições abre com fotógrafos locais

A Art for All Society (AFA) abre a sua temporada de exposições no próximo dia 30 de Março, com “Paisagens Escondidas”, que integra imagens da dupla de autores da terra Season Lao e Tang Kuok Hou. Pelas 18h30, a exposição “Paisagens Escondidas” reúne fotografias de Macau e do Inverno de Hokkaido com trabalhos da série “Dialects”, de Lao.
Ao falarem de si, os autores – apesar das proximidade etárias – consideram que assumem estilos artísticos francamente diferentes. Lao, que vive neste momento no Japão, apresenta trabalhos que visam essencialmente a natureza numa perspectiva “zen”- Já Tang, graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Macau, terá optado pelo trabalho artístico debruçando-se nos conceitos identitários, temporais e referentes aos problemas culturais.
“Paisagens Escondidas” é também percepcionada de forma diferente por ambos. Lao, que visitou Hokkaido enquanto estrangeiro, terá ficado absolutamente fascinado pelas paisagens naturais da região bem como pelas suas florestas brancas de neve, o que o terá levado à ânsia de fotografar cada um destes cenários. Por outro lado, Tang procede a uma abordagem da actual Macau, numa tentativa de captura de cenários distintivos locais, longe do estilo Las Vegas, mas antes em busca do silêncio da cidade.
Apesar das diferenças, ambos estão no encalce de uma paisagem que se esconde na sua mudez e beleza. A exposição estará patente ao público até 30 de Abril e tem entrada livre.

24 Mar 2016