Crime | Mulher detida e acusada de agredir a filha de dois anos João Santos Filipe - 6 Set 2021 A suspeita tem antecedentes criminais, tendo sido presa em 2018, por ter abandonado a filha que agora foi vítima de agressões. A mulher é uma trabalhadora-não residente libertada há seis meses Uma mulher com 30 anos foi detida pelas autoridades e é suspeita de ter agredido a filha de dois anos, na segunda-feira passada, de acordo com as informações reveladas pela Polícia Judiciária (PJ). A trabalhadora não-residente tem antecedentes criminais e há cerca de dois anos tinha sido presa por ter abandonado a filha, que agora agrediu. “A suspeita é a mãe. Estavam num centro de acolhimento e no dia 30 de Agosto, enquanto a vítima e a suspeita estavam juntas, cometeu actos de violência contra a vítima”, afirmou Chong Kam Leung, porta-voz da Polícia Judiciária, na apresentação do caso, que foi revelado apenas na sexta-feira. Na origem do ataque terá estado o facto de a mãe ter considerado que a filha não estava a acatar as suas instruções. As agressões foram detectadas por um trabalhador do centro e fizeram com que a bebé tivesse de ser levada para o hospital. “A vítima foi levada para o hospital com ferimentos num braço. O incidente foi testemunhado por um membro da equipa, que parou a agressão e mandou a vítima para o hospital”, foi relatado pela PJ, citada pela TDM. No hospital, foi confirmado que a vítima tinha sido atacada e apresentava uma mancha negra no braço com sete centímetros de diâmetro. A PJ relatou ainda que os ataques tinham sido captados pelas câmaras de videovigilância. Abandono em 2018 A mulher do Myamar estava em liberdade desde Junho deste ano, após ter cumprido uma pena de dois anos e seis meses por abandono da bebé. A primeira detenção tinha acontecido a 13 de Dezembro de 2018. Em 2018, a trabalhadora não-residente foi para a casa-de-banho da casa onde exercia as funções de doméstica. Como demorou a sair, o incidente acabou por levantar suspeitas, com patroa a entrar na casa-de-banho e a ver a mulher a limpar manchas de sangue. Na altura, a empregada recusou ter dado à luz. No entanto, à noite, a proprietária ouviu uma criança a chorar. Foi à casa-de-banho e do lado de fora da janela, no parapeito do ar-condicionado, acabou por encontrar a recém-nascida. Estavam 13 graus na rua. Na sequência do primeiro crime, a mulher foi condenada a uma pena de dois anos e seis meses. O caso foi entregue ao Ministério Pública (MP) que vai agora proceder com as investigações.
Mais de 300 atletas beneficiaram de apoio financeiro desde 2014 Pedro Arede - 6 Set 2021 Desde 2014, o “Projecto de Apoio Financeiro para Formação de Atletas de Elite” registou a participação de mais de 900 pessoas, beneficiando mais de 300 atletas. A informação foi revelada pelo Instituto do Desporto em resposta a uma interpelação escrita enviada por Sulu Sou. “Para prestar mais apoios aos atletas de alto nível, em 2014, o Governo da RAEM lançou o “Projecto de Apoio Financeiro para Formação de Atletas de Elite”, de modo a assegurar a formação regular, a competição e a reforma dos atletas de elite, por forma a concentrarem-se nos treinos e nas competições”, pode ler-se numa resposta assinada pelo presidente do ID, Pun Weng Kun. O responsável aponta ainda que para os atletas que não conseguem alcançar os resultados exigidos para receber o apoio, “mas que têm potencialidade e estão dispostos a dedicar-se à formação especializada a longo prazo”, o Governo elaborou um projecto de formação especial destinado a dar “apoio a atletas de diferentes níveis de competição”. No âmbito da formação de jovens atletas, o ID revela estar focado na cooperação com as associações desportivas, com o objectivo de “criar diferentes sistemas de formação” e “formar mais reservas das selecções para o desporto de alto rendimento”. Segundo o organismo, o Centro de Formação e Estágio de Atletas acolhe actualmente atletas de 14 modalidades desportivas que realizam treinos regulares. O número total de atletas não foi, contudo, revelado. Espera Olímpica Relativamente ao pedido de esclarecimento endereçado por Sulu Sou acerca da adesão de Macau ao Comité Olímpico Internacional, para poder participar nos Jogos Olímpicos de Verão e Inverno, o ID limitou-se a dizer que o pedido de filiação ainda aguarda por aprovação. “Logo após a sua fundação, o Comité Olímpico e Desportivo de Macau, China, apresentou o pedido de filiação no Comité Olímpico Internacional, mas ainda não foi aprovado até à data”, apontou. Acerca da possibilidade avançada por Sulu Sou para que os atletas Macau sejam, “pelo menos”, convidados a participar nas cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno, a realizar em Pequim no próximo ano, o ID escusou-se a tecer qualquer comentário ou explicação.
Ilha Verde | Moradores alertam para nova ocupação ilegal e criticam Governo João Santos Filipe e Nunu Wu - 6 Set 2021 Uma associação de moradores criticou o Executivo pela inacção e incapacidade para remover um contentor deixado na Colina da Ilha Verde, suspeito de ser usado para habitação clandestina. O Instituto Cultural diz estar atento e a acompanhar o caso Os moradores alertaram para uma nova ocupação ilegal da Colina da Ilha Verde e consideram que o Governo tem culpas no cartório. O caso foi revelado no sábado, por Chan Fong, vice-presidente Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde, ao jornal Ou Mun. Segundo o relato, nos últimos dias houve pessoas que tentaram deixar de forma ilegal contentores na Colina da Ilha Verde. A operação acabou por ser interrompida pela acção da associação e do proprietário dos terrenos, e as autoridades foram chamadas ao local. Contudo, a intervenção da associação não conseguiu evitar que fosse instalado no local um dos contentores com janelas e ventoinhas para extracção de ar, o que deixa a entender que pode ser utilizado para habitação. Além da polícia, foram notificados outro serviços e institutos públicos, que, segundo Chan Fong, não fizeram nada. Entre as instituições chamadas estão o Instituto Cultural (IC), Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Chan Fong, dos Kaifong, acha incompreensível a falta da acção dos departamentos governamentais, face aos pedidos de auxílio. Além dos Moradores, também a Companhia de Desenvolvimento Wui San, proprietária de parte da Colina Verde, chamou as autoridades ao local e criticou a sua inacção. Passividade tradicional Ao Ou Mun, um porta-voz da empresa atacou o que disse ser o “caos na Colina da Ilha Verde” e culpou a inércia das autoridades pela situação. Segundo o porta-voz, a polícia foi chamada, mas respondeu que ainda há um processo a decorrer nos tribunais. Ainda de acordo com as autoridades, sem o processo ser resolvido, não pode haver ordem de despejo ou remoção do contentor. Face à nova ocupação, o representante do proprietário lamentou que ao longo dos anos a DSSOPT não tenha aprovado o pedido da planta de condições urbanísticas. Para a empresa, uma planta e a respectiva construção impediriam novas ocupações ilegais. Sobre a conduta do IC, o porta-voz disse que apenas se limitam a pedir que os trabalhos de conservação do convento sejam realizados. “A ocupação ilegal prejudica obviamente o ambiente da colina. Nós impedimos [a ocupação ilegal], mas os nossos direitos têm sido ignorados. Se esta situação se mantém, como é que podemos conservar a Colina da Ilha Verde?”, questionou. Face à ocupação, o IC enviou técnicos ao local para reencaminhar queixas dos envolvidos aos vários serviços competentes e prometeu acompanhar a situação do contentor deixado no terreno.
Turismo | Excursões locais dependem do aval dos Serviços de Saúde Pedro Arede - 6 Set 2021 O plano de excursões locais só será reactivado após a autorização dos Serviços de Saúde. Segundo Helena de Senna Fernandes o regresso do programa incluirá actividades diárias. A responsável estima que Macau receberá entre 20 a 30 mil visitantes diários durante a Semana Dourada A directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes revelou na passada sexta-feira que a retoma do plano de excursões locais “Passeios, Gastronomia e estadia para Residentes de Macau” está dependente da autorização dos Serviços de Saúde (SSM). À TDM-Canal Macau, a responsável afirmou também que, assim que a retoma do plano for aprovada pelas autoridades de saúde, as excursões locais serão reactivadas numa base diária, para que seja possível colmatar os prejuízos que resultaram do novo surto de covid-19 registado no início de Agosto em Macau. Além disso, lembrou Senna Fernandes, nem todos os residentes de Macau estão ocupados durante a semana e essa é uma situação que pode ser aproveitada. “Sabemos que nem todos os residentes de Macau trabalham ou estudam. Por isso, podem participar, durante os dias úteis, nos roteiros. Alguns, por exemplo, poderão mesmo participar nos populares cruzeiros de barco, depois do trabalho. Esta modalidade pode conferir mais margem ao sector do turismo, para apoiar os negócios. Vamos contactar todos os participantes e inquirir sobre a possibilidade de cancelar a respectiva vaga ou escolher outra”, apontou. Segundo a TDM-Canal Macau, o interregno do programa de excursões locais durante um mês, terá afectado cerca de 10.000 participantes. Garimpeiros a postos Questionada sobre as previsões de entrada de turistas em Macau durante a Semana Dourada de Outubro, Maria Helena de Senna Fernandes apontou que são esperados entre 20 e 30 mil visitantes por dia. A pensar nos feriados de Outubro e para atrair mais visitantes, a responsável avançou que, no imediato, a prioridade passa por restabelecer a confiança dos turistas do Interior da China. “Desde o dia 18 de Agosto, depois de Macau aliviar gradualmente as restrições implementadas por causa da pandemia, temos trabalhado no sentido de consolidar a confiança dos turistas do Continente no turismo de Macau e de estabelecer uma imagem de turismo saudável e seguro, a pensar na semana de 1 de Outubro. Esperamos que durante a Semana Dourada possamos voltar a ter visitantes entre os 20 mil e os 30 mil ou até mais de 30 mil, nalguns dias. Para o sector do turismo vai ser uma grande ajuda”, sublinhou Helena de Senna Fernandes. Recorde-se que, depois do novo surto de covid-19 em Macau, o número de turistas caiu 47 por cento e a ocupação hoteleira caiu de 63 para 35 por cento, em relação a Julho.
Jogos Paraolímpicos | Ho Iat Seng felicita comitiva nacional Hoje Macau - 6 Set 2021 O Chefe do Executivo enviou uma carta de parabéns à delegação chinesa pela participação na 16.ª edição dos Jogos Paraolímpicos, devido aos “feitos extraordinários em várias competições”. “Os atletas paraolímpicos da pátria uniram-se e trabalharam arduamente”, “alcançando excelentes resultados com 96 medalhas de ouro, 60 medalhas de prata e 51 medalhas de bronze”, afirmou Ho Iat Seng, de acordo com um comunicado divulgado ontem. “Em nome da Região Administrativa Especial de Macau e da maioria dos residentes de Macau, gostaria de vos apresentar as minhas calorosas felicitações e demonstrar o mais elevado respeito”, escreveu o governante. O Chefe do Executivo declarou ainda que todos os desafios enfrentados pela delegação desportiva chinesa tocaram os corações dos compatriotas de Macau, destacando a coragem e determinação dos atletas. Ho destaca também o exemplo inspirador que fortalece a auto-estima de portadores de deficiência, além de reforçar o orgulho patriótico.
Eleições | Ron Lam, da Poder da Sinergia, pede atenção para opinião pública Hoje Macau - 6 Set 2021 O Executivo deve informar melhor a população relativamente ao processo de tomada de decisões, considera Ron Lam, que lidera a lista Poder da Sinergia às eleições do próximo domingo. Citado pela TDM – Rádio Macau, o candidato afirmou que se for eleito vai “exigir ao Governo que divulgue mais informações e que as comunique por iniciativa própria”. As falhas de comunicação, além da ausência de debates aprofundados sobre medidas políticas, levam a que a “discussão com a sociedade” seja incompleta. Ron Lam afirmou ainda que o Governo deve tomar acções concretas para facilitar o acesso à habitação, em particular resolvendo o problema do preço crescente do metro-quadrado. Energia Colectiva | Pedido mais apoios para idosos Chan Tak Seng, líder da lista Energia Colectiva de Macau, afirma que é preciso aumentar os apoios sociais para os idosos, que não conseguem fazer face às despesas diárias. De acordo com o candidato da lista número cinco, devia ser criado um mecanismo de aumento gradual para as pessoas habilitadas a receber as pensões de idosos. Segundo a proposta, quem tiver 55 anos recebe 4 mil patacas por ano, aos 60 anos o apoio sobe para 5 mil patacas e, no último nível, o apoio para pessoas com mais de 65 anos sobe para 6 mil patacas. Chan Tak Seng considera que com estes valores os idosos poderão aproveitar melhor “os últimos anos”. No mesmo discurso de campanha, Chan Tak Seng criticou ainda o Executivo por não conseguir criar apoios suficientes ao nível dos cuidados de saúde para os mais velhos. CAEAL | Réplica de assembleia de voto no Tap Seac A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) instalou uma réplica da assembleia de voto no Pavilhão Polidesportivo do Tap Seac para simular o acto de votar. A réplica está disponível ao público a partir de hoje, até sexta-feira, com o intuito de dar “conhecer a forma correcta de votação e a importância do segredo do voto, de modo a reduzir o número de votos nulos e evitar a violação da lei”. A entidade presidida por Tong Hio Fong incentiva ainda eleitores portadores de deficiência visual para se deslocarem ao pavilhão do Tap Seac para se adaptarem “à matriz do boletim de voto destinado ao seu voto exclusivo”. A CAEAL indica que “cada círculo da matriz corresponde ao quadrado para carimbo de cada candidatura no boletim de voto e, junto do círculo, encontra-se impresso em Braille o número da respectiva candidatura”. A simulação está disponível entre as 9h30 e as 18h.
Eleições | Ella Lei e Leong Sun Iok querem novo cartão de consumo João Santos Filipe - 6 Set 2021 A menos de uma semana das eleições, os candidatos metem a carne toda no assador. Os representantes da FAOM pedem mais um cartão de consumo de 8 mil patacas, enquanto Agnes Lam quer ver o problema das cheias resolvido Ella Lei e Leong Sun Iok, da lista União Para O Desenvolvimento, defendem que o Governo tem a obrigação de lançar uma nova ronda do cartão de consumo com pelo menos 8 mil patacas por residente. O apelo foi deixado, no sábado, no Mercado do Iao Hon, onde a lista apoiada pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) realizou uma acção de campanha. Segundo os argumentos apresentados pelos candidatos e deputados, o Governo tem a obrigação de garantir a estabilidade económica e proteger os empregos. Por isso, exigem que haja uma nova ronda do cartão de consumo de 8 mil patacas para “aliviar a pressão” na vida dos residentes. Uma das preocupações mostrada por Leong foi o desemprego. O deputado diz que há cada vez mais desempregados de longo prazo e pessoas obrigadas a tirar licenças sem vencimento. Ella Lei e Leong Sun Iok exigem que haja um controlo dos preços, para impedir aumentos nos combustíveis, como dizem estar a acontecer. Segundo esta versão, a gasolina e o gasóleo sobem sempre de forma muito rápida, mas o mesmo não acontece quando é para fazer descer os preços. Combate às cheias Em campanha no mesmo dia, mas no Largo do Pagode do Bazar, Agnes Lam, deputada e cabeça-de-lista da Observatório Cívico, considerou que um dos assuntos mais urgentes é resolução do problema das cheias no Porto Interior. Segundo a candidata, todos os Verões há cheias e é necessário haver medidas concretas e mais determinadas para aumentar a capacidade de retenção de água e drenagem. Por isso, Agnes Lam apelou a que essa construção seja acelerada, ao mesmo tempo que se melhorem as rotas de evacuação e planos de salvamento. Ainda sobre as cheias, Lam colocou-se ao lado dos comerciantes das zonas mais atingidas e afirmou que os subsídios monetários para pagar os danos não são suficientes. Segundo a candidata, os comerciantes das zonas com cheias vivem um ciclo vicioso em que pedem subsídios e mal os acabam de pagar, precisam de pedir outro novamente, porque voltou a haver cheias. Face a este cenário, Lam apelou ao Executivo para resolver o problema de uma vez por todas. Progresso só no Interior À mesma hora, a União Promotora para o Progresso, lista apoiada pelos Kai Fong, estava na Praça do Tap Seac a afirmar que só a integração na Grande Baía vai contribuir para criar oportunidades para os mais novos. Nos discursos de campanha, os candidatos número um, Leong Hong Sai, e número dois, Ngan Iek Hang, afirmaram que a mobilidade social em Macau está cada vez pior e que é necessário prestar mais atenção às oportunidades dos mais jovens. Por esse motivo, prometeram dedicar grande atenção às políticas de integração de Macau no Interior e na Grande Baía, que dizem ser a única via para os mais jovens melhorarem profissionalmente. Ainda sobre os assuntos dos mais jovens, a lista União Promotora para o Progresso, representada na Assembleia Legislativa há mais de 30 anos, prometeu fazer tudo para obrigar o Executivo a finalmente resolver os problemas de habitação, que se foram agravando com o desenvolvimento económico.
China vai criar terceira bolsa de valores para servir empresas privadas em Pequim Hoje Macau - 3 Set 2021 A China vai estabelecer a sua terceira bolsa de valores no continente, em Pequim, para servir empresas privadas, revelou ontem o Presidente Xi Jinping, manifestando apoio oficial aos empresários numa economia dominada pelo Estado. O anúncio surge num momento em que as empresas chinesas atravessam dificuldades cada vez maiores para conseguir financiamento em Wall Street e noutros mercados ocidentais, onde algumas das suas maiores empresas estão cotadas. “A China vai estabelecer a bolsa de valores de Pequim e criar uma posição principal virada para a inovação para pequenas e médias empresas”, realçou Xi Jinping, durante uma feira de comércio, citado pela agência AP. O chefe de Estado chinês não adiantou detalhes sobre o futuro mercado financeiro em Pequim ou quando este irá abrir. A primeira bolsa de valores criada na China continente após a revolução comunista de 1949 foi a de Xangai, em 1990, com forte presença de empresas estatais. Uma segunda bolsa foi criada em 1991 na cidade de Shenzhen. Gradualmente foram sendo integradas algumas empresas privadas, mas o domínio continua a ser de empresas estatais. Para se financiarem, privados como o gigante do comércio eletrónico Alibaba Group recorreram às bolsas ocidentais e a Hong Kong. Os líderes da China têm prometido, repetidamente, melhorar o acesso ao financiamento para empresários que gerem novos empregos e riqueza. O Governo lançou medidas de segurança de dados, entre outras, contra as empresas chinesas tecnológicas desde o final do ano passado, alertando que será mais difícil obter permissão para ingressar em bolsas de valores estrangeiras. A situação alimentou desconforto dos investidores, e que já causou quebras de centenas de milhares de milhões de dólares no valor das cotadas chinesas.
Mundial 2022 | Coreia do Sul, de Paulo Bento, estreia-se com empate caseiro Hoje Macau - 3 Set 2021 A Coreia do Sul, seleção treinada pelo português Paulo Bento, estreou-se ontem na segunda fase de grupos do apuramento asiático para o Mundial2022 de futebol com um nulo caseiro perante o Iraque. Em Seul, a Coreia do Sul teve o controlo total da partida, mas foi incapaz de furar com sucesso a barreira defensiva iraquiana, formação liderada pelo técnico holandês Dick Advocaat. A equipa de Paulo Bento fica agora a aguardar os restantes resultados do Grupo A, que inclui ainda Síria, Líbano, Emirados Árabes Unidos e Irão, todos a actuar ainda hoje. O próximo encontro da seleção sul-coreana está agendado para 07 de setembro, no Líbano.
Soou o tiro de partida Paul Chan Wai Chi - 3 Set 20213 Set 2021 Este mês e em Dezembro próximo irão ter lugar eleições legislativas, respectivamente em Macau e Hong Kong. A campanha para as eleições à Assembleia Legislativa de Macau começou a 28 de Agosto, com apenas 14 listas de candidaturas a concorrerem à eleição por sufrágio directo, o menor número de listas desde o regresso de Macau à soberania chinesa. Quanto ao processo da eleição por sufrágio indirecto, regressou ao formato anterior, em que o número de candidatos é igual ou inferior ao número de lugares disponíveis no Parlamento. Já os sete deputados nomeados por despacho do Chefe do Executivo, a seu tempo se saberá se essa nomeação irá trazer surpresas ou receios à população. Se houvesse o costume de disparar um tiro de partida para assinalar o início do processo eleitoral para a Assembleia Legislativa de Macau, então esse tiro teria sido disparado a 9 de Julho. Quando a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) anunciou a exclusão de candidatos pertencentes a seis listas de candidaturas a 9 de Julho, o processo eleitoral para a sétima Assembleia Legislativa da RAEM ficou basicamente determinado. Não pretendo fazer quaisquer comentários ou análises de momento, para não influenciar a campanha eleitoral. Mas alguns jornalistas escreveram artigos sobre o quadro em que vão decorrer as próximas eleições para a Assembleia Legislativa. Afinal de contas, a CAEAL é constituída apenas por seis pessoas, que decidiram quem é elegível para concorrer às eleições, mas o resultado eleitoral é decidido por mais de 300.000 eleitores elegíveis. Esse resultado será conhecido dentro de dez dias e os factos falarão por si. Em Hong Kong, o Comité de Revisão da Elegibilidade dos Candidatos (CERC sigla em inglês) determinou que a proposta do deputado Cheng Chung-tai, para o Comité Eleitoral (CE) era inválida, pelo que foi banido do Conselho Legislativo a 26 de Agosto. Cheng Chung-tai era deputado desde 1 de Outubro de 2016. Este incidente pode ser considerado como o tiro de partida do processo eleitoral para o Conselho Legislativo de Hong Kong, mas menos sensacionalista do que o incidente da desclassificação de candidatos de Macau. E isto porque em Hong Kong já tinha havido episódios de desclassificação de candidatos ao Conselho Legislativo e demissão em massa de deputados do campo pró-democracia em 2020. Embora Cheng Chung-tai não tenha integrado o grupo de deputados demissionários e o porta-voz do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau Junto do Conselho de Estado tenha afirmado que Cheng tinha tomado uma “decisão sensata”, como a situação mudou, quem perdeu os seus cargos teve de sair. A Assembleia Popular Nacional (APN) aprovou a Decisão de Aperfeiçoar o Sistema Eleitoral da Região Administrativa Especial de Hong Kong em Março de 2021 e a CAEAL de Macau definiu, em Junho de 2021, os sete critérios para avaliar a eligibilidade dos candidatos à sétima Assembleia Legislativa. Estas alterações marcam uma nova fase do princípio “um país, dois sistemas”, que regula as administrações de Hong Kong e de Macau, embora ambos os Governos das RAEs “estejam no mesmo barco”. A adopção desta estratégia está certamente relacionada com o actual clima político interno e internacional. Mas optar por medidas “impositivas” em detrimento de medidas “moderadas”, não vai ajudar a encontrar uma solução. Só quem valoriza a estabilidade acima de tudo pode apreciar medidas “impositivas”. A China conheceu muitos movimentos políticos, incluindo a Campanha Anti Direitista (1957), a Revolução Cultural (1966) o Contra-Ataque ao Vento Desviacionista de Direita (1975) e disparou o tiro de partida vezes sem conta. E o país e o seu povo sofreram sempre mais, cada vez que um desses tiros era disparado. As eleições para o Conselho Legislativo de Hong Kong terão lugar como previsto em Dezembro próximo. Mas depois de Cheng Chung-tai ter sido desclassificado, é pouco provável que o Partido Democrata e o Partido Cívico inscrevam os seus membros como candidatos às eleições para o Conselho Legislativo. O Governo de Hong Kong irá apresentar ao Parlamento a proposta de do Registo Médico 2021(Emenda à Lei) para discussão, a fim de criar uma forma de admitir médicos formados fora de Hong Kong, que sejam residentes permanentes, para poderem exercer na cidade. Esta proposta surge no sentido de colmatar o déficit de 700 médicos de diversas especialidades. Não existem estudos que indiquem se esta falta de especialistas se prende com a recente vaga de emigração de Hong Kongers. Mas as recorrentes vagas de emigração em Hong Kong nos últimos anos são um facto indesmentível. O objectivo que preside à Decisão de Aperfeiçoar o Sistema Eleitoral de Hong Kong, à Lei de Segurança Nacional de Hong Kong e à definição dos sete critérios para a avaliação da elegibilidade dos candidatos à sétima Assembleia Legislativa de Macau poderá ser uma tentativa de garantir a estabilidade da classe governante e de cortar qualquer tipo de resistência à sua liderança. No entanto, a classe governante não tomou em consideração uma questão importante, a saber: a principal causa das crises de governação ao longo de todas as Dinastias chinesas encontrou-se sempre no seio das próprias classes dominantes. Um polícia não dispara uma arma ao acaso no meio da cidade, nem um caçador se põe aos tiros sempre que lhe apetece. Os governantes não têm sempre de exercer todo o poder ao seu alcance, e tal como nos exemplos anteriores, não precisam de disparar todas as balas de uma só vez.
Futebol pós-pandemia João Romão - 3 Set 2021 A pandemia que continuamos a atravessar por todo o mundo também redefiniu o rectângulo de jogo para a prática do futebol, pelo menos o profissional, ou o de mais alto nível, o que ocupa a atenção de todo o planeta, mais coisa menos coisa: deixou de ser relvado o tapete verde que concentra a atenção das massas e passou a ser feito de “leds”, eventualmente orgânicos, ou de outras maravilhas da tecnologia, dessas que nos trazem a casa o espectáculo total, com ainda mais brilho que o original, mais opções de personalização, temporizações, repetições e outras opções que nos permitem desfrutar do show de bola no conforto do sofá, role o esférico onde for, que há transmissões para todos os gostos e a assistência se faz cada vez mais em vídeo. Esta redefinição das quatro linhas que passaram a estar nas salas de cada pessoa em vez das aglomerações em estádios também contribuíram para redefinir poderes, ou pelo menos para reforçar tendências de concentração de poder que já se vinham desenhando, com a hegemonia da liga inglesa a tornar-se ainda maior, mesmo que tenhamos sempre Paris, gloriosa excepção que assinala aliás singular presença histórica entre os mais reputados clubes de futebol do planeta, onde a presença francesa foi tradicionalmente escassa. E continua a ser: na realidade, é a Inglaterra que se vai tornando (ou recuperando) o centro desta redefinição do futebol enquanto espectáculo que se deslocou dos estádios de cada cidade para as televisões de todo o planeta. Foi relativamente lenta mas implacável esta deslocação: ainda há dez anos era a Liga espanhola que dominava as atenções do planeta, os astros maiores de todo mundo, as conquistas de medalhas e troféus. É território onde tradicionalmente se joga tarde, já de noite o esférico parece rolar melhor, e de dia há sestas para fazer, vermutes para tomar, ou outros afazeres de força maior, consoante a região. Essa escolha tem outras implicações, naturalmente: a essas horas já o público asiático dorme profundamente, esses potenciais milhares de milhões de pessoas que vivem o futebol europeu com proximidade e intensidade mesmo que vivam na Índia, na Indonésia, na Tailândia, na China ou no Japão. Esse público dedicado, fanático como outros, frequentemente com menor poder de compra mas sempre contado em muitos milhões de pessoas, seria decisivo para transferir da liga espanhola para a inglesa o poder maior do futebol global, que em Inglaterra se joga mais cedo e se adaptam com zelo e dedicação os horários e calendários para facilitar a vida a fregueses distantes, com os seus dispositivos digitais e ecrãs de tamanho diverso espalhados por todo o mundo: jogada à tarde, a liga inglesa pode ser acompanhada em directo nas noites asiáticas e nas manhãs das Américas, o verdadeiro espectáculo global, acompanhado ao vivo e em simultâneo em todo o planeta. Assim se vendem assinaturas e subscrições de canais de televisão, mas também camisolas e outras mercadorias promocionais, fontes diversificadas e massivas de rendimentos. É assim também que se atraem os grandes investidores, o capital global que se vai acumulando para lá das esferas produtivas e que alimenta negócios diversos, mais ou menos obscuros, incluindo o da bola: chegam a Inglaterra vindos dos Estados Unidos (Manchester United, Liverpool ou Arsenal, só para citar os maiores), dos Emirados Árabes Unidos (Manchester City), da Rússia (Chelsea), da Tailândia (Leicester), do Egipto (Aston Villa) ou da China (Southampton e a tão portuguesa equipa do Wolverhampton). As finanças do planeta mobilizam-se para promover a liga e os clubes ingleses num espectáculo que afinal chega em directo a cada casa ou a cada café do planeta. O resultado deste jogo das finanças globais também se nota nos lances de bola parada, com os jogadores em férias mas em negócios, quando se trata das transferências, potenciais ou efectivas contratações e rescisões, empréstimos e cedências, que ocupam páginas imensas na imprensa mundial e animam universos digitais variados mesmo quando não se joga. Foi mais uma vez em direcção a Inglaterra que se deslocou a maior parte das estrelas do universo futebolístico, para os clubes onde as receitas vêm sobretudo do negócio televisivo global e que por isso foram menos vulneráveis às quebras drásticas nas vendas de bilhetes para os estádios que a pandemia de covid-19 provocou. Há a excepção parisiense, evidentemente, feita de uma situação financeira excepcional, em que as receitas publicitárias do clube são desproporcionais em relação às dos restantes competidores na liga francesa. Não deixa de ser sintomático, aliás, que tenham vindo das ligas espanhola e italiana os mais intensos apelos e iniciativas para a criação de uma “super-liga” europeia de futebol. Na realidade, é apenas uma reacção tardia e desesperada à formidável derrota que foram sofrendo nos últimos anos quando não souberam ou não quiseram adaptar as formas e os tempos de jogo a essa nova abordagem ao futebol que, sem o retirar dos estádios (pelo menos antes e depois do covid-19), o colocou sobretudo nas televisões ou outras plataformas de entretenimento digital.
A memória de Yokohama – II Luís Carmelo - 3 Set 2021 Lembrava-se de ter levado a mulher para as imediações da falésia de xisto escuro. Lembrava-se de descer de jipe até às águas escurecidas da barragem. lembrava-se de ver a silhueta da imensa calote esférica perdida entre arames farpados, vigias e um rebordo infindável de amieiros e pinheiros mansos. Laurentino lembrava-se que havia festa e fogo de artifício na aldeia e que a banda tocava música cigana húngara sob sombras avermelhadas de poeira. Laurentino lembrava-se de ter levado a mulher para dentro do átrio onde se erguia o antigo armazém da fundição. Laurentino lembrava-se de ter passado a correr com a mulher pelo cedro libanês que tinha ramos de bruxa e pela alfarrobeira imobilizada num repto da natureza. Laurentino lembrava-se de que tinham os dois passado pelas ruínas da vagoneta e do torno, para depois entrarem finalmente no armazém. O portão deslizou sobre carris negros e ouviu-se um som metálico e seco, um bramido pálido e oco. A mulher sentou-se no chão a um canto e tentou respirar fundo. Chorou depois compulsivamente e apenas dizia e repetia: “Eu sei coisas a mais. Eu sei coisas a mais. Eles vão matar-me. Ou uns ou outros. Ou uns ou os outros”. Lembrava-se de ter saído até ao cais, enquanto a mulher dormia no interior de um vestíbulo abandonado da fundição como se estivesse calafetada e defendida pela escuridão. Laurentino lembrava-se de ver dois carros pretos a estacionarem ao pé do cais de onde saíram vários homens de cabelo rapado que telecomunicavam entre si. A banda tocava com vivacidade meteórica e os chapéus dos músicos pareciam tendas de linho expostas à poeira avermelhada do Negueve. A pequena multidão acercava-se das barracas de comes e bebes, dos cachorros de peluche, dos ursos de focinho branco, dos palhaços ruidosos, das tendas de tiro, das tabernas improvisadas e do homem-estátua que mais parecia um bobo convulsivo esboroado em aguarela ocre e azulada. E, nessa altura, mais por intuição do que por temor, Laurentino regressou subitamente à fundição atravessando um caminho secreto e remoto que conhecia do tempo das brincadeiras de criança. Tudo havia sido preparado. Lembrava-se, por fim, de ter colocado a mulher dentro de um tapete turco. Por cima do rolo improvisado, encheu o jipe de latas, restos de cadeiras, dossiês comidos pelo bicho, hastes de candeeiro, jarros, molduras de fotografia, zincogravuras, cortinados, roldanas, ferramentas carregadas de ácido e um ou outro varão de cobre. Vestiu um fato de macaco a cheirar a podre e saiu da aldeia em direcção às alturas. Lembrava-se agora de circundar mais uma vez estas estradas muito íngremes. Levava o coração a ribombar, a tremer e revia assim a vertigem dos vales fendidos pela corrosão dos glaciares. Por trás, nada. Nem viatura, nem vivalma, nem sinal de perseguição. A fuga parecia perfeita. A mulher mal conseguia respirar e o tempo passava, lento e perigoso, como leme de veleiro no meio de súbita tempestade. Laurentino lembrava-se de ter andado quatro dias e quatro noites sem parar, a não ser para comprar gasóleo, água e bolachas de água e sal. E foi já num país que parecia Espanha, num descampado tipo aragonês, que Laurentino se lembra de ter livrado o carro de tanta porcaria. A mulher, completamente tonta e inundada por ansiolíticos, sentou-se a seu lado e não disse água vai água vem durante várias horas. Lembrava-se de ter chegado a uma terra cheia de praias onde não havia mais estradas por onde seguir para poente. Apenas o mar e nada mais. Uma terra de fins onde quase toda a gente se conhecia. Uma terra de toldos brancos, uma terra de linhas de comboio entre canaviais e marquises de alumínio, uma terra de areais e alicerces esventrados e balaustradas opulentas entre bustos de leão em cerâmica clara. Uma bela terra cheia de fadários e oliveiras. E ao fim dessa longa tarde, por fim, entrou no hotel que era uma dourada Fortaleza no Guincho. O hotel mais ocidental da Europa. E cada um dormiu onze horas bem contadas. Lembrava-se de ter acordado às duas da tarde desse décimo primeiro dia de Junho. Quando regressou ao quarto, já a mulher tinha saído do longo banho de imersão. E foi nessa altura que ela, com a toalha em jeito de turbante na cabeça, premiu o botão da televisão. Segundos depois, não mais do que isso, a programação normal era interrompida e as imagens mostravam a imensa bola de fogo que irrompia pelos vales e falésias de xisto escuro onde Laurentino tinha nascido. “Tudo leva a crer que um ataque terrorista fez explodir a maior central nuclear da Europa”, dizia-se na televisão com voz pouco convicta. Quase ao mesmo tempo, Laurentino abriu a vidraça das janelas e viu a polícia especial por todo o lado. Pareciam astronautas munidos de bastões eléctricos e viseiras violetas escuras. Avançavam pelas escarpas ou pela falésia que desce sobre o mar em plano inclinado, cercavam as dunas e as duas praias. Entravam nas varandas e subiam já ao terraço. As sirenes dispararam por todo o lado e, sem que nada o fizesse prever, envolveram a tranquilíssima fortaleza do Guincho. Ouviu-se nessa altura um disparo e Laurentino não se lembra de mais nada. (continua)
Governo chinês reforça medidas anti-monopólio e concorrência desleal Hoje Macau - 3 Set 2021 A China encetou decisivamente uma luta contra práticas monopolistas e concorrência desleal, no sentido de regular o mercado e evitar a proliferação de práticas consideradas nocivas e injustas. Esta semana, o presidente chinês Xi Jinping presidiu à 21ª reunião do Comité Central “para o aprofundamento da reforma global”, que analisou e aprovou uma série de orientações, incluindo as relativas à regulamentação anti-monopólio e à promoção da concorrência leal. Li Keqiang, Wang Huning e Han Zheng, todos os membros do Comité Permanente do Comité Central do CPC e os chefes adjuntos do Comité Central para o aprofundamento da reforma global, participaram na reunião. “A implementação de regulamentos e políticas anti-monopólio que promovam a concorrência leal é um requisito intrínseco para melhorar o sistema económico de mercado socialista”, disse Xi, sublinhando os esforços para “promover a igualdade de condições, criar um amplo espaço de desenvolvimento para todos os tipos de entidades de mercado e proteger melhor os direitos e interesses dos consumidores de acordo com a visão estratégica de promover um novo paradigma de desenvolvimento, e promover um desenvolvimento de alta qualidade e prosperidade comum”. “Desde o 18º Congresso Nacional do CPC em 2012, foi tomada uma série de decisões importantes em matéria de anti-monopólio e de concorrência desleal para melhorar o sistema de concorrência leal e promover um sistema unificado e de mercado aberto com uma concorrência ordenada”, concluiu um comunicado emitido após a reunião. Medidas e orientações: • Supervisão anti-monopólio, investigação e punição de empresas com comportamentos de monopólio e concorrência desleal de acordo com a lei, tendo sido registados progressos iniciais na prevenção da expansão desordenada do capital e a melhoria constante da concorrência leal no mercado. • Equilibrar desenvolvimento e segurança, eficiência e igualdade, vitalidade e ordem, bem como mercados domésticos e internacionais. • Avançar mais rapidamente para melhorar o sistema de acesso ao mercado, o mecanismo de revisão da concorrência leal, o sistema de regulação da concorrência leal na economia digital, e o sistema para prevenir e restringir o abuso do poder administrativo para excluir e restringir a concorrência. • Promover a interacção sólida e o desenvolvimento coordenado de grandes, médias e pequenas empresas. • Protecção dos direitos de propriedade e dos direitos de propriedade intelectual, e o reforço da transparência e da previsibilidade das políticas. • Reforço da consciência das empresas sobre a concorrência leal e a orientação de toda a sociedade para formar um ambiente de mercado que defenda, proteja e promova a concorrência leal. • Melhorar o mecanismo de ajustamento do mercado para reservas estratégicas, reforçar a capacidade de reservar e ajustar mercadorias a granel e fazer com que as reservas estratégicas desempenhem um papel melhor na estabilização do mercado. • Sob a liderança do Partido Comunista, tomar medidas para orientar as empresas a servir os interesses gerais do desenvolvimento económico e social.
Governo chinês proíbe homens com aspecto considerado afeminado em programas de televisão Hoje Macau - 3 Set 2021 O Governo chinês proibiu ontem homens com aspecto considerado afeminado na televisão e disse às emissoras do país para promoverem a “cultura revolucionária”, ampliando uma campanha para aumentar o controlo sobre os negócios e a sociedade. Usando gíria ofensiva para designar homens com aspeto considerado afeminado – “niang pao”, em chinês, a Administração da Rádio e Televisão da China indicou que as emissoras devem “excluir resolutamente ‘maricas’ e outros tipos de estética anormais”. Isto reflete a preocupação oficial de que as celebridades chinesas, influenciadas pela aparência elegante e feminina de alguns cantores e atores sul-coreanos e japoneses, não estejam a incentivar os jovens chineses a serem masculinos o suficiente. As emissoras devem evitar a promoção de “celebridades vulgares da internet” e a admiração pela riqueza e celebridade, apontou o regulador. Os programas devem antes “promover vigorosamente a excelente cultura tradicional chinesa, a cultura revolucionária e a cultura socialista avançada”. O Governo de Xi Jinping, o mais forte líder chinês desde o fundador da República Popular, Mao Zedong, também está a aumentar o controlo sobre a indústria da internet, com regulamentos antimonopólio ou de proteção da segurança dos dados dos utilizadores. Novas regras estipulam que os menores só podem jogar ‘online’ entre as 20h00 e as 21h00 às sextas-feiras, sábados e domingos. As empresas que desenvolvem os jogos já eram obrigadas a enviar os novos produtos para aprovação oficial. Em mais um exemplo de como o Partido Comunista (PCC) voltou a reforçar o controlo sobre as várias esferas da vida na China, as autoridades pedem agora que sejam acrescentados temas “nacionalistas”. O PCC também está a aumentar o controlo sobre as celebridades. As emissoras devem evitar artistas que “violam a ordem pública” ou “perderam a moralidade”, disse o regulador. Programas sobre filhos de celebridades também são proibidos. No sábado, a rede social Weibo, o Twitter chinês, suspendeu milhares de contas de clubes de fãs e notícias de entretenimento. Uma atriz popular, Zhao Wei, desapareceu das plataformas de transmissão de vídeo sem explicação. O seu nome foi retirado dos créditos de filmes e programas de televisão. A ordem de quinta-feira refere que as emissoras devem limitar os pagamentos aos artistas e evitar termos de contrato que possam ajudá-los a fugir aos impostos. Outra atriz, Zheng Shuang, foi multada em 299 milhões de yuans, na semana passada, por evasão fiscal, num aviso às celebridades para servirem como modelos positivos.
China | Medidas anti-monopólio não afastam grandes investidores estrangeiros Hoje Macau - 3 Set 2021 As principais empresas de investimento globais estão a aderir à China, apesar das medidas anti-monopólio do Governo que, a Goldman Sachs calcula, retiraram três biliões de dólares do valor de mercado às maiores empresas do país. Há mesmo quem diga terem demorado tempo demais a chegar Ao contrário do que se poderia esperar, quando as autoridades chinesas implementam novas medidas de regulação do mercado e alguns dos seus principais actores levam gigantescas talhadas em multas, alguns dos maiores nomes mundiais na gestão de activos dizem que ainda é uma boa altura para investir no País do Meio. Aliás, segundo disseram à CNN, as recentes medidas reguladoras foram “necessárias e atrasadas”, e que a história de crescimento da China se mantém “atractiva”. “O caso da China a longo prazo está intacto”, afirma Luca Paolini, estratega-chefe da Pictet Asset Management. A empresa é um braço do banco privado suíço Pictet Group, que tem activos sob gestão no valor de 746 mil milhões de dólares. O Pictet não está sozinho. Muitos dos maiores nomes de Wall Street, incluindo BlackRock (BLK), o maior gestor de activos do mundo, Fidelity e Goldman Sachs (GS), continuam a aconselhar os clientes a continuarem a comprar, embora cautelosamente. A “intensidade” das medidas “irá flutuar”, escreveram os estrategas da BlackRock, numa nota de investigação publicada em Agosto. “As autoridades chinesas irão provavelmente equilibrar a sua agenda regulamentar com um desejo de estabilidade económica, e a intensidade da repressão regulamentar poderá abrandar em meio a um crescimento mais lento e volatilidade do mercado”. Alguns reticentes A repressão ao longo do ano passado abalou muitas empresas e pode também estar a agir como um obstáculo ao crescimento económico. O sector dos serviços contraiu-se em Agosto pela primeira vez em 18 meses. A empresa de tecnologia financeira Ant Group valerá metade do que valia antes de uma oferta pública ter sido arquivada em Novembro passado e foi forçada a reformular o seu negócio. As acções da empresa Didi não conseguiram aproximar-se do seu preço de IPO depois de a empresa ter começado a ser investigada no início deste Verão. E as regras abrangentes reveladas em Julho encerraram essencialmente o sector de tutoria com fins lucrativos da China, no valor de 120 mil milhões de dólares. O índice MSCI China, que rastreia empresas chinesas de grande e média capitalização, caiu mais de 13% este ano. Pelo contrário, o Índice Mundial MSCI aumentou mais de 16%. Alguns grandes proponentes do investimento chinês – incluindo a fundadora do SoftBank (SFTBF) Masayoshi Son – avisaram que terão de aguardar os regulamentos antes de decidirem comprar mais agressivamente novamente. Outros, incluindo o Bank of America (BAC), recomendaram o abandono total das acções tecnológicas chinesas para oportunidades na Austrália, Japão, Índia e outras partes da Ásia. “Embora tenhamos defendido durante anos as impressionantes vantagens e realizações tecnológicas da China à escala global … pensamos que é pouco provável que o balanço regulamentar se dissipe em breve”, escreveram os analistas do Bank of America em Julho. “Os investidores estrangeiros que optam por investir na China têm uma dificuldade notável em reconhecer estes riscos”, escreveu o investidor bilionário George Soros esta semana no Financial Times. “A China de Xi não é a China que eles [investidores] conhecem”. Segundo Soros, a versão de Xi do Partido Comunista agiu como uma “versão actualizada” da que foi liderada por Mao. “Nenhum investidor tem qualquer experiência dessa China porque não existiam bolsas de valores no tempo de Mao”. Um modelo a seguir? Paolini, no entanto, não está preocupado. Por um lado, a repressão é uma “resposta tardia” ao ritmo acelerado a que muitas empresas chinesas têm crescido e inovado. O investidor prevê que o resto do mundo irá também criar regulamentos rigorosos sobre a utilização de dados e o domínio da Big Tech. “O risco regulamentar aumentou, mas agora o preço é agora em grande parte – sobre as nossas medidas”, disse Paolini, acrescentando que a China é o terceiro mercado “maior” de acções mais barato e “de longe o mais vendido”. Os estrategas da BlackRock fizeram eco dessa lógica, escrevendo que a liderança chinesa vê as medidas como “necessárias para controlar as indústrias que têm vindo a crescer rapidamente e a ser pouco regulamentadas”. “Mantemos a nossa preferência estratégica pelos activos chineses”, acrescentaram. Até a Goldman Sachs – que recentemente estimou que a repressão tinha eliminado 3,1 biliões de dólares em valor de mercado para as empresas chinesas em todo o mundo, metade dos quais provenientes apenas de empresas tecnológicas – permaneceu em alta. Os estrategas do banco de investimento escreveram na semana passada que o “ambiente comercial incerto” não era susceptível de prejudicar demasiado o caso da compra de acções chinesas, pelo menos não no continente. As empresas que constam da lista no estrangeiro podem estar a passar um mau bocado, uma vez que tanto os reguladores americanos como chineses têm estado a espremer as empresas que constam da lista em Nova Iorque. Mesmo assim, os analistas do Goldman apontaram para um “valor a longo prazo” para essas empresas – eles apenas querem “esperar por mais clareza na regulamentação” primeiro. A China tem “um forte potencial de crescimento económico e de ganhos num contexto global”, escreveram os estrategas. O banco reconheceu numa nota de pesquisa de Julho que as acções sofreram um impacto significativo com a repressão, acrescentando que alguns dos seus clientes até perguntaram se os mercados chineses se tinham tornado “invejáveis”. Mas disseram acreditar que é improvável que “regulamentações extremas” se espalhem a todos os sectores. O governo tem apoiado o desenvolvimento de “tecnologias fundamentais”, tais como energias renováveis e redes 5G, e “seria pragmático ao estabelecer um equilíbrio entre objectivos sociais/ideológicos e mercados de capitais em indústrias não sensíveis do ponto de vista social ao longo do tempo”. A venda “indiscriminada” também criou alguns bons investimentos para os que pensam a longo prazo, de acordo com Victoria Mio, directora de Acções Asiáticas da Fidelity International. “Apesar dos ventos contrários em alguns sectores, a China ainda está no bom caminho para um crescimento decente do PIB na próxima década”, afirmou, apontando para o aumento do poder de compra da classe média. Algumas empresas também tocaram no valor de outros activos chineses. Paolini salientou que o yuan teve um desempenho melhor do que outras moedas principais este ano, mais 1% em relação ao dólar americano. As obrigações do governo chinês também têm um desempenho superior, retornando 3,5% em comparação com uma perda de 1,1% no índice global de obrigações do governo do JP Morgan, uma referência rastreada pelos investidores em obrigações. “Claramente, a China continua a ser totalmente ‘investível’ para os investidores estrangeiros”, acrescentou ele. “É difícil prever a direcção futura das mudanças políticas, mas evitar stocks e sectores onde as avaliações são ricas e … as expectativas [são elevadas] pode ajudar a mitigar esta incerteza”, disse Catherine Yeung, directora de investimentos da Fidelity International. “Os investidores deixaram as acções da Internet e da educação, investindo em vestuário desportivo e em energias renováveis, entre outras indústrias. Sempre houve desequilíbrios sociais e económicos, e a pandemia trouxe-os ainda mais à luz”, acrescentou. “As recentes mudanças políticas/regulamentares da China são criadas para abordar estes desequilíbrios com enfoque na segurança, autonomia e justiça”.
FRC | Fotografia aérea em exposição a partir de segunda-feira Pedro Arede - 3 Set 2021 Em conjunto com a Associação de Fotografia Aérea de Macau, a Fundação Rui Cunha (FRC) organiza a partir da próxima segunda-feira uma mostra fotográfica dedicada a imagens captadas por drones, pelos céus de Macau e outras cidades da Região da Grande Baía. A iniciativa conta, no total, com 36 fotografias captadas por 17 membros amadores da associação que enveredaram por este tipo de imagens para promover o “desenvolvimento da arte e tecnologia da fotografia aérea”. “O desafio é promover o desenvolvimento da arte e tecnologia da fotografia aérea, e criar uma plataforma de comunicação e de intercâmbio artístico e cultural para a impulsionar um interesse crescente nesta actividade”, pode ler-se na nota oficial da exposição. Também na segunda-feira, pelas 16h00, será realizada uma palestra em cantonês, sobre o tema “Como fazer fotografia aérea popular e segura”. O evento conta com os oradores Andre Hong e Eric Ho e pretende ser uma plataforma de partilha de experiências e conhecimentos, não só sobre as técnicas de fotografia aérea, mas também os regulamentos em vigor em Macau e nos territórios vizinhos afectos à utilização de drones. “Macau é uma plataforma de intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente. É também membro da Região da Grande Baía, onde muitos entusiastas de fotografia aérea costumam morar e viajar. Esperamos que, por meio desta exposição, mais cidadãos e turistas possam entender e vivenciar as características e belezas de cada uma destas cidades”, revela a Associação Fotografia Aérea de Macau. A exposição pode ser vista na FRC até ao próximo dia 14 de Setembro. A entrada é livre.
Arte Macau | Pintura e escultura gigantes em exibição Pedro Arede - 3 Set 2021 Uma pintura alusiva a Macau com 26 metros de comprimento criada pelo estúdio de Pequim “Drawing Architecture Studio” e uma escultura em bronze de Su Xinping já podem ser vistas na Praceta da Arte do Centro Cultural de Macau Integrada na Bienal Internacional de Artes de Macau 2021, já se encontram expostas na Praceta da Arte do Centro Cultural de Macau (CCM), duas obras de Arte Pública de grandes dimensões que prometem proporcionar uma experiência visual “única” a quem passa. Desenvolvida pelo estúdio de Pequim “Drawing Architecture Studio”, a pintura de grandes dimensões “Aprender com Macau” promete, tirando partido dos seus 26 metros de comprimento e 13 metros de altura, retratar marcos locais de Macau através de cores vivas e linhas simples. “Esta pintura combina linhas simples e cores ricas, para, com base na arquitectura e nas observações da rotina diária de Macau, esboçar um panorama totalmente original da região, retratando diversos marcos locais de características únicas e, sobretudo, a imagem de uma cidade vivaz e dinâmica, em homenagem à sua cultura local”, pode ler-se numa nota do Instituto Cultural. Inspirada no impacto que a indústria do jogo tem vindo a ter no desenvolvimento da arquitectura e paisagem de Macau e na vida diária dos seus habitantes, a obra pretende também ensaiar “novas ideias para a concepção urbana do século XXI”. Na pintura, que acaba por ser um “mega panorama” da cidade, é possível ver vários edifícios icónicos, como o Grand Lisboa, projectados na tela, recorrendo ao que o IC designa por “linguagem representativa da axonometria arquitectónica icónica”. A pintura “Aprender com Macau” pode ser apreciada até 30 de Novembro na parede exterior de Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau. Mãos do infinito A poucos metros de distância, no centro da Praceta de Arte do CCM, duas gigantescas mãos encontram-se, num aperto que tende a parecer infinito. “Encontro” é uma escultura de bronze da autoria do artista da China, Su Xinping, que assume a forma de um par de mãos gigantes, procurando criar a imagem da “monumentalidade da montanha” e explorar a sensação de infinidade. Para tal, a obra socorre-se de uma “representação expressiva com dimensões surreais” e “uma observação em perspectiva sugerida de baixo para cima”. “Com esta obra, a intenção do artista passa por proporcionar aos espectadores, por meio de uma experiência visual única, uma sensação de infinito que se estende a partir do artefacto e assimilar um encontro com o mundo espiritual extraído da realidade mundana”, aponta o IC. Até atingir o seu estado final, “Encontro” evoluiu a partir de uma série de esboços que foram gradualmente ganhando tridimensionalidade e que se assumem como uma representação de “um mundo em constante fractura e reunião”, potenciado por uma noção temporal e espacial “deslocada”. A escultura “Encontro” pode ser vista Praceta de Arte do CCM até ao dia 29 de Novembro. Aproveitando o balanço, de recordar que, não muito longe dali, quem apreciar as duas obras de rua, pode aproveitar a ocasião para visitar, no interior do CCM até 17 de Outubro, a terceira secção da Exposição Principal da Arte Macau. Sob o tema “Avanços e Recuos da Globalização”, a exposição inclui obras de vários artistas que idealizam “cenários de desafio, dilema, hesitação, ilusão e ansiedade”, que a Humanidade tem vindo a enfrentar à medida que tendência da globalização se adensa, em conluio com o “tempo de desespero” provocado pela pandemia de covid-19. Aeroportos, globos terrestres, sistemas de navegação, satélites, imagens aéreas e mensagens partilhadas nas redes sociais durante o período pandémico, são alguns dos tópicos que deram o mote para a exploração artística da exposição.
Covid-19 | Autoridades chinesas criticam baixa vacinação de Macau Andreia Sofia Silva - 3 Set 2021 Macau recebeu uma visita de quatro dias da delegação da Comissão Nacional de Saúde da China, que deixou recomendações sobre a baixa taxa de vacinação no território, por comparação ao elevado número de doses administradas no Interior do país A baixa taxa de vacinação em Macau foi um dos pontos criticados pelas autoridades chinesas no final de uma visita de quatro dias, que começou a 28 de Agosto e terminou ontem. Na habitual conferência de imprensa do Centro de Coordenação e de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, Tai Wa Hou, coordenador do programa de vacinação, explicou que, na opinião do grupo de oito especialistas, “Macau está ainda muito distante do [nível atingido] pelo Interior da China”, tendo em conta que, nesta região do país, já foram administradas 2.040 milhões de doses de vacinas. Além disso, os especialistas defenderam “medidas mais pró-activas para promover a vacinação”, e que passam por “conseguir a inoculação de um maior número possível de pessoas e procurar saber as razões pelas quais alguns grupos de pessoas não querem ser vacinados”. Tai Wa Hou adiantou apenas que “há experiências que podemos aproveitar”, sendo que agora será feito um relatório escrito e balanço sobre a visita. Uma volta por Macau A visita dos especialistas da Comissão Nacional de Saúde da China foi feita a convite da RAEM e incluiu também a passagem por vários locais onde se realizam testes e acções de monitorização da pandemia. “Falaram de assuntos como os testes de ácido nucleico e foram feitas sugestões ao pessoal dos postos fronteiriços, instituições médicas e todos os que asseguram a logística e a entrega de bens”, referiu o responsável. Na opinião dos especialistas, poder-se-ia equacionar a possibilidade de classificar as pessoas envolvidas nestes trabalhos para definir o número de testes de despistagem à covid-19 a realizar, “consoante se o nível de risco [de infecção] é alto ou baixo”. Relativamente ao início de um novo ano lectivo, foi adiantado que, até ontem, 11 mil alunos e docentes estavam inscrito para o teste de ácido nucleico antes do arranque das aulas. Em relação às eleições, foram anunciadas regras de votação para residentes que se encontram em quarentena. “Os eleitores devem fazer o teste antes da eleição e depois seguem do seu quarto, um a um, para votar, evitando o contacto próximo uns com os outros. Exige-se o uso de máscara quando saírem do quarto e devem usar luvas e álcool-gel. Os trabalhadores das assembleias de voto, incluindo os trabalhadores que vão contar os votos, devem vestir os fatos de protecção”, disse a médica Leong Iek Hou.
Ranking Universitário | UM sobe e está à frente da MUST Andreia Sofia Silva - 3 Set 2021 A Universidade de Macau (UM) subiu algumas posições no ranking da Times Higher Education 2022 e está à frente da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Segundo os dados divulgados ontem, a UM deixou o grupo das 301-350 melhores universidades do mundo para ocupar o das 201 a 250 melhores instituições para estudar. Além disso, a UM ocupa o 37º lugar no Asia University Ranking. Enquanto isso, a MUST mantém-se no grupo das 251 a 300 melhores universidades do mundo para realizar estudos superiores, posição obtida o ano passado. O ranking destaca ainda o facto de a UM possuir “um dos maiores e mais complexos sistemas colegiais com dez colégios residenciais geridos pelos mais distintos académicos”. É também referido que a UM disponibiliza mais de 130 programas para mais de dez mil alunos, alguns reconhecidos internacionalmente. Os três laboratórios chave de referência são também referidos pelo ranking. O Times Higher Education 2022 é liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, seguindo-se o California Institute of Technology, a Universidade de Harvard e a Universidade de Stanford, ambas nos EUA.
Pastelaria Trigo d’Ouro nasceu na pandemia para trazer o doce de Portugal João Santos Filipe - 3 Set 2021 Aberta desde Setembro de 2020 em Seac Pai Van, a pastelaria Trigo d’Ouro expandiu-se em Julho para a Península. Nos dias que correm, a Trigo d’Ouro é exemplo de um negócio que tem crescido, apesar do contexto de crise generalizada Em tempo de pandemia, um passeio pelas zonas mais turísticas da cidade revela várias lojas fechadas e espaços para arrendar. Mas, no meio das dificuldades, há quem esteja em contraciclo e encontre oportunidades para montar negócio e fazê-lo crescer. É o caso da pastelaria e padaria de produtos portugueses Trigo d’Ouro, que em Setembro de 2020 abriu em Seac Pai Van e em Julho expandiu para a Península, na Avenida Comercial de Macau, perto da AIA Tower. A proprietária Vânia Vieira, em parceria com o marido Diogo Vieira, explicou ao HM a aposta em contraciclo com as condições da comunidade portuguesa, que devido a quarentenas se encontra, em muitos casos, impossibilitada de viajar para Portugal. “Claro que houve algum receio abrir um negócio na altura da pandemia. Só que achámos que como a comunidade não pode sair de Macau, seria uma boa aposta levar às pessoas a proximidade de Portugal. Sentimos que seria benéfico”, afirmou Vânia Vieira, que reside em Macau há seis anos. “Muitas pessoas estão presas em Macau, não podem sair, e este negócio foi feito a pensar na comunidade. Felizmente, tem corrido bem”, acrescentou. Também os produtos vendidos, e para garantir a qualidade, são importados de Portugal. A opção tem por base os conhecimentos e experiência de Vânia Vieira, que fez carreira no sector da restauração e geriu a cadeia de saladas Vitaminas. “Os nossos produtos são ultracongelados e importados de Portugal, depois são cozinhados nas nossas cozinhas. Acreditamos que com a importação a qualidade é superior”, afirmou a proprietária. “Nem sempre é fácil encontrar em Macau os ingredientes necessários, e às vezes basta a água ser diferente para alterar o produto. Com a importação queremos manter a consistência, se vier comer hoje um palmier recheado e amanhã a qualidade é igual”, justificou. Café ao balcão Com a comunidade em mente, a pastelaria Trigo d’Ouro faz questão de permitir que as pessoas bebam o café ao balcão. “É uma forma muito portuguesa de beber o café e temos disponível nos dois espaços. Em Macau, os clientes podem mesmo ficar nas mesas, no piso de cima. Em Seac Pai Van, o conceito é diferente, mais virado para o takeaway ou só para o consumo ao balcão”, informou Vânia Vieira. Se, por um lado, a comunidade portuguesa foi a principal aposta, por outro, as outras comunidades locais também não foram ignoradas. E apesar do receito que os produtos fossem muito doces para os consumidores chineses, a Trigo d’Ouro tem clientes de todas as origens. “As pessoas quando vêm à Trigo d’Ouro esperam ter a experiência verdadeira da pastelaria portuguesa. Por isso, o feedback tem sido bom. Os nossos clientes são 50/50, e eles gostam dos produtos, até as tendências de consumo são as mesmas”, indicou. “No início, os clientes chineses escolhem produtos que já conhecem, mas depois acabam por experimentar outras coisas, como palmiers, bolos de coco. Na verdade, também esperava que a comunidade chinesa pudesse achar os bolos muito doces, mas até agora a resposta tem sido positiva”, reconheceu.
Descendentes de Fundadores do Teatro D. Pedro V criticam utilização João Santos Filipe e Nunu Wu - 3 Set 2021 Exposições com porcos de peluches, ornamentos com desenhos animados japoneses e misses do Vietname. A utilização do Teatro D. Pedro V está a ser criticada por falta de elementos que respeitem o seu passado cultural. No entanto, um representante da associação de proprietários diz que estas actividades são “expressões da cultura chinesa” Descendentes dos fundadores do Teatro D. Pedro V criticam a forma como o espaço está a ser utilizado, principalmente devido a exposições e ornamentos que não respeitam o que consideram ser a sua tradição artística. Em causa está uma exposição organizada em 2019, com peluches de porcos e fotografias de misses (alguns dos materiais ainda estão no espaço), assim como desenhos animados japoneses e outras decorações, que adornam o teatro construído em 1860. Ao HM, Henrique Nolasco da Silva, bisneto de um dos fundadores e filho de antigo presidente da Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, aponta que a decoração desprestigia o espaço. “Essas exposições nada têm a ver com o património cultural de Macau, considerando que se trata de um edifício classificado como tendo valor cultural, não só para a RAEM como também para a Humanidade”, começou por considerar Nolasco da Silva. “Nenhum daqueles temas tem alguma relação, próxima ou remota, com Macau. São realizações que desprestigiam o imóvel, desvirtuam o fim para que ele foi construído e subvertem os pressupostos da sua classificação pela UNESCO”, acrescentou. Questionado sobre se o espaço tem ignorado as comunidades portuguesa e macaense, Henrique Nolasco da Silva aceitou a hipótese e promete acompanhar o caso: “Completamente [ignoradas]. As exposições e actividades que ali estão a ser realizadas são legítimas, mas noutro local, não ali. Os porcos de peluche cor-de-rosa, por exemplo, podem ficar enquadrados numa feira de domingo no Tap Seac, mas não ali”, disse. “Esta questão do Teatro D. Pedro V deve ser objecto de uma reflexão colectiva, pelo que o grupo de descendentes dos fundadores e dirigentes históricos do Teatro vai continuar a dedicar-lhe particular atenção”, prometeu. Elogios ao Instituto Cultural Também Catarina Canavarro Ramos, neta de outros dos fundadores, afirmou estar preocupada com a utilização do espaço. “A preservação física do imóvel está bem feita, mérito do Instituto Cultural e a sua utilização pelo IC respeita a história do Teatro, mas a utilização feita pela suposta Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V é, como já foi dito, absolutamente imprópria, só possível por parte de quem não faça ideia do passado do Teatro”, apontou a descendente. “O indivíduo que se apresenta como Presidente da Direcção tentou vendê-lo ao IC. Não é por acaso. Deve referir-se que essa má utilização pode estar a ser feita com o apoio ou, pelo menos, a inércia do Clube Macau que ocupava uma parte do edifício”, acrescentou. “Portanto, o espaço, embora preservado fisicamente, é culturalmente abusado por essas pessoas e, nessa medida, não está a ser preservado”, concluiu. Responsabilidades alheias Confrontado com as críticas, Ma Lin Chong, representante da Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, explicou que o conteúdo das exposições é dos organizadores, a quem o espaço é disponibilizado sem qualquer custo. “A exposição já foi um evento de 2019, o espaço serve principalmente a finalidade para emprestar. Se pergunta se os conteúdos da exposição são correctos ou não, se pergunta se as pessoas se queixam ou não, cada um tem sua opinião”, afirmou Ma. “Os membros da associação de proprietários têm autonomia para decidir, e a nossa prática é deixar o público utilizar o espaço para qualquer actividade, desde que não violem as leis”, acrescentou. Nas declarações prestadas ao HM, em momento alguns os descendentes dos fundadores do Teatro D. Pedro V questionaram actividades ligadas à cultura chinesa, como as estátuas taoistas, símbolos nacionais ou a realização de ópera cantonesa. A postura demonstrada foi de aceitação da expressão artística das várias comunidades de Macau. Porém, Ma Lin Chong considera que o problema dos fundadores é de promoção dos valores chineses, como diz ter acontecido na exposição com fotografias de misses do Vietname: “A escultura em bambu [com misses do Vietname e porcos de peluche] é uma das artes da China. Acho que estas queixas são 100 por cento injustas. Na verdade, a soberania de Macau já foi transferida [para a China], e a divulgação da cultura chinesa corresponde à tendência corrente”, respondeu.
Deputado Sulu Sou pede alívio do excesso de trabalho dos alunos Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 3 Set 20213 Set 2021 O deputado Sulu Sou quer mais medidas para aliviar a pressão que recai sobre os alunos do ensino não superior, como a redução dos trabalhos de casa e testes, após um caso de suicídio de uma aluna A elevada carga horária de aulas e de trabalhos de casa de que são alvo os alunos do ensino não superior levaram o deputado Sulu Sou a questionar o Governo sobre a necessidade de implementar novas medidas que reduzam a pressão sentida pelos alunos. A interpelação escrita, surge depois de um caso de suicídio de uma aluna de 16 anos, divulgado pelas autoridades esta quarta-feira. Sulu Sou lembrou que, recentemente, a China lançou uma política para aliviar o volume de trabalho dos alunos, como a redução de trabalhos de casa e testes, questionando a posição do Governo sobre este assunto. O deputado recordou que já havia uma proposta para reduzir o número de trabalhos de casa e de testes consoante o nível de ensino. O legislador pretende saber como é que a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) vai supervisionar a forma como cada escola implementa estas novas medidas, bem como o novo sistema de avaliação dos alunos que entrou em vigor este ano lectivo. Que felicidade? Na mesma interpelação escrita, Sulu Sou questionou quais as medidas concretas adoptadas pelos grupos de trabalho da DSEDJ focadas nas questões da saúde mental e física dos jovens, a fim de reduzir a ansiedade dos estudantes sobre o número de trabalhos a realizar fora da sala de aula. Em relação ao novo regime do ensino especial, que entrou em vigor este ano lectivo, o deputado pretende saber como é que o Governo vai acompanhar a implementação desta nova legislação e se será criado um regime de avaliação apropriado para as necessidades de cada aluno. As autoridades informaram que a estudante de 16 anos cometeu suicídio naquele que seria o seu primeiro dia de aulas de um novo ano lectivo. Inicialmente, as autoridades pensaram tratar-se de uma queda. Uma investigação preliminar por parte da Polícia Judiciária afastou quaisquer indícios de crime, tendo sido encontrada uma nota no apartamento da família da jovem.
Património | Governo retira calçada e asfalta Rua de Eduardo Marques João Santos Filipe - 3 Set 2021 A opção é justificada com a segurança de quem anda de moto na zona e não foi afastada a possibilidade de a calçada deixar de existir em mais zonas da cidade para proteger os motociclistas. A medida gerou críticas entre a população e candidatos eleitorais O Governo mandou retirar a calçada portuguesa da Rua de Eduardo Marques e asfaltar a artéria situada na zona de Protecção do Centro Histórico de Macau. Nas últimas semanas, quem passava na zona podia ver a calçada ser retirada e trocada pelo asfalto, mas, na quarta-feira, foi confirmado que a calçada já não volta. Segundo as explicações avançadas pelo Executivo, durante uma reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, a escolha prendeu-se com a opção de privilegiar a “segurança” em vez de um troço que não é visto como património. No final da reunião, Lei Chong In, membro do conselho, relatou o conteúdo do encontro e explicou que a preocupação das autoridades prende-se com as chuvas e o facto de a calçada ser considerada escorregadia para os motociclos, que na opinião das autoridades, tem sido responsável por vários acidentes. Em Maio de 2020, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), através de José Tavares, já tinha afirmado que pretendia remover a calçada por esse motivo. Porém, no mês seguinte, em Junho de 2020, segundo o jornal Cheng Pou, Tavares voltou atrás e prometeu que as características portuguesas das ruas iam ser mantidas. Um ano passou, e o presidente do IAM actuou contra o prometido. Segundo Lei Chong In, o Instituto Cultural, liderado por Mok Ian Ian, aprovou a remoção da calçada, por considerar que não ia ter impacto na zona, que é de Protecção do Centro Histórico. Já durante a noite de ontem, o IC fez saber que a retirada da calçada tinha a ver precisamente com o objectivo de evitar acidentes. Por sua vez, outro membro do conselho consultivo, Chang Ka Wa afirmou que o Governo confirmou que a substituição da calçada pode não ficar por aqui, e há a possibilidade de ser estendida para outras zonas inclinadas da cidade. Chuva de críticas Na opinião de José Pereira Coutinho, deputado e candidato da Lista Nova Esperança, deviam ter sido equacionadas outras alternativas para reforçar a segurança: “Hoje em dia existem outras formas de garantir a segurança neste tipo de superfície, para evitar que seja tão escorregadia”, indicou. Coutinho fez ainda uma analogia entre a solução e um paciente que vai ao dentista para arranjar um dente: “Tomaram a opção de arrancar o dente [do paciente], mas isso não resolve o problema. O que se devia ter feito era encontrar alternativas para que o paciente ficasse com o dente, neste caso a calçada”, vincou. O candidato mostrou-se preocupado com a facilidade com que se muda o ambiente da cidade. “Todo o ambiente onde está inserido esta calçada vai ficar modificado. As ruas não vão ser as mesmas. E isso é muito prejudicial para Macau, que pretende ser uma cidade internacional com características próximas da cultura portuguesa”, afirmou. Pong Chio Fai, presidente da Associação para a Reinvenção de Estudos do Património Cultural de Macau, também se mostrou incomodado com as alterações. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, Pong considerou que as mudanças tiveram um impacto negativo para o ambiente “tradicional” da Freguesia São Lázaro. Por isso, o representante da associação deixou o desejo que antes de fazer alterações tão profundas o Executivo oiça a população. As críticas sobre as alterações não passaram à margem das redes sociais, onde vários comentários sobre o assunto se tornaram virais. Por exemplo, o deputado Sulu Sou aproveitou para fazer uma sondagem sobre as opiniões contra ou a favor de remover a calçada portuguesa, com recurso aos diferentes tipos de “gostos”. Às 18H, além de quase 500 comentários ao posto, houve 1700 pessoas a expressarem-se contra a remoção da calçada e 480 a favor. Rua do Governador A Rua Eduardo Augusto Marques tem o nome actual desde 7 de Janeiro de 1933 e evoca o antigo Governador de Macau. Antes, a artéria que começa na Estrada do Cemitério e se estende até à Calçada da Igreja de São Lázaro e Rua de São Miguel tinha como nome Rua do Asilo. Eduardo Augusto Marques nasceu em 1867 em Mafra e foi Governador de Timor, entre 1908 e 1909. Depois, entre 1909 e 1910, governou Macau. Apoiante da Ditadura Militar de 1926, foi umas das figuras do Estado Novo, principalmente nas questões coloniais, tendo assumido o cargo de Ministro das Colónias entre 1929 e 1931. Piso escorregadio O Instituto Cultural (IC) justifica a aprovação da remoção da calçada portuguesa na Rua de Eduardo Marques com a necessidade de evitar os acidentes na área devido ao piso escorregadio, sem que daí decorra qualquer impacto negativo sobre o património em causa. Em comunicado, o IC diz que “relativamente às obras de melhoramento da Rua de Eduardo Marques, desenvolvidas pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que tem causado vários acidentes de viação e incidentes de segurança de peões, especialmente em dias de chuva, a situação torna-se mais grave, pelo que o IAM pretende proceder à substituição do pavimento da via, a fim de reduzir os acidentes de viação e pedonais causados por condições escorregadias e húmidas. Tendo em conta que, em diferentes épocas, foram utilizados diferentes materiais de pavimentação naquela rua, sendo o revestimento de calçada portuguesa foi colocado nas obras de repavimentação posteriormente, e que as respectivas obras de optimização não tiveram impacto negativo sobre os bens imóveis classificados nas imediações, e têm ainda um efeito positivo na segurança pedonal e rodoviária, pelo que o IC não se opôs à obra em causa.”
HM/20 anos | Edições iniciais mostram primeiros passos da RAEM e história circular João Luz - 3 Set 2021 Volvidas duas décadas sobre o nascimento do Hoje Macau, olhámos para as primeiras edições do jornal que testemunham os passos inaugurais da RAEM e notícias que atestam a natureza cíclica da história. Macau preparava-se para as primeiras eleições desde a transferência de soberania, os Censos tinham sido um sucesso e, enquanto se caminhava para a liberalização do jogo, o Hoje Macau esclarecia a natureza da concessão do antigo Hotel Bela Vista No dia 5 de Setembro de 2001 era publicada a edição inaugural do Hoje Macau, com a capa a incidir sobre a polémica questão da titularidade do antigo Hotel Bela Vista, que passou a ser a residência consular de Portugal em Macau, uma entrevista a Ng Kuok Cheong e a notícia do encerramento de websites “críticos à adesão de capitalistas ao Partido Comunista Chinês”. Numa altura em que a Região Administrativa Especial de Macau tinha pouco mais de um ano e meio de idade, a actualidade local vivia dos primordiais passos institucionais e económicos, com destaque para as primeiras eleições para a Assembleia Legislativa desde a transferência e o aceleramento do processo de liberalização do jogo. Lá fora, a Europa preparava-se para a revolução cambial da chegada do Euro, António Guterres, longe dos horizontes internacionais da ONU, visitava as obras da Barragem do Alqueva na condição de primeiro-ministro e o mundo estava prestes a ser abalado pelo ataque terrorista que derrubou as Torres Gémeas em Nova Iorque. No Afeganistão, os talibãs governavam, como uma espécie de testemunho do tempo. Numa altura de ressaca do êxodo de parte da comunidade portuguesa pós-1999, a manchete inaugural do Hoje Macau trazia claridade a um assunto que agigantava boatos e sentimentos crispados. A questão da propriedade do edifício do antigo Hotel Bela Vista abria chagas emocionais entre as comunidades, nos primeiros tempos em que a presença oficial portuguesa no território passava para o âmbito diplomático. O HM publicou o documento da Conservatória do Registo Predial que atesta que o edifício da residência do cônsul de Portugal em Macau não era propriedade do Estado português, mas uma concessão gratuita, com o prazo de arrendamento até 19 de Dezembro de 2042. O documento especifica que o edifício é “afecto às instalações do Consulado-Geral da República Portuguesa em Macau, nomeadamente como residências do Cônsul-Geral e de outros membros do Consulado-Geral”. Na segunda edição do HM, é acrescentada a voz do cônsul-geral da altura, Carlos Frota, confessando pensar que a publicidade à situação jurídica do edifício teria ficado resolvida com a publicação em Boletim Oficial, a 10 de Dezembro de 1997, do acordo alcançado sobre as instalações consulares. No dia seguinte, 7 de Setembro, o assunto ainda mexia, mas apenas no formato leve de uma breve opinativa que comentava o facto de o jornal Ou Mun ter publicado a “não novidade” de que o antigo Hotel Bela Vista não pertencia ao Estado português. Voto na matéria Também em destaque no número um do HM, esteve a entrevista a Ng Kuok Cheong, candidato que viria a ser o mais votado nas eleições que se avizinhavam. Em discurso directo, o histórico deputado dava voz a algumas das reivindicações que marcaram a sua carreira na vida política. Afastando radicalismos, Ng Kuok Cheong gostava que em 2009 o Chefe do Executivo fosse eleito por sufrágio directo, desejo que seria usado, 20 anos depois, para o desqualificar das eleições. De resto, o deputado almejava à abertura das comissões da Assembleia Legislativa, criticava a falta de eficácia da fiscalização do poder legislativo e defendia que a língua portuguesa devia continuar a ser oficial. Dois dias depois, o HM colocava Ng Kuok Cheong “em alta” na “bolsa de valores”, uma coluna de opinião, como um político “mais crescido, mais lúcido, menos radical” e com uma visão “correcta e desassombrada da comunidade portuguesa”. No capítulo das eleições, a comissão eleitoral já se pautava pela confusa regulamentação e vigilância do que era permitido e proibido durante a campanha. O HM citou mesmo uma fonte que dava conta da “fobia regulamentadora da comissão”, que “acabou por ter um resultado castrador nas acções de propaganda das listas, mesmo em pleno período de campanha eleitoral”. Ainda assim, nem tudo era cinzento na actuação da comissão eleitoral em 2021, como demonstra a notícia de 7 de Setembro onde se refere que a entidade teria chegado a acordo com as companhias de transportes públicos para não se pagar bilhete entre as 09h e as 20h do dia das eleições. Coisas da política e da terra Na terceira página do segundo número do HM, o assunto de um pequeno artigo viria a mudar para sempre a face de Macau. O texto versava sobre o aceleramento do processo de liberalização do jogo, uma semana depois da aprovação da lei que permitiria transformar Macau na capital mundial do jogo. O secretário para a Economia e Finanças da altura, Francis Tam, anunciava que estavam em curso “trabalhos para a respectiva regulamentação e para a criação de um grupo coordenador para o efeito”. Fora dos assuntos eleitorais e das questões locais, Macau abraçava e era abraçado pela China e projectava-se no plano global enquanto RAEM. O HM noticiava no dia 10, na sua primeira edição de segunda-feira, a visita de Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça a Pequim para participar no Fórum Internacional “A China e o Mundo no século XXI”. A reunião teria a participação de figuras internacionais como Helmut Kohl, Jacques Santer, Boutros Ghali e Henry Kissinger. Voltando à natureza cíclica da história, há 20 anos, as autoridades agradeciam à população a colaboração nos Censos 2001. No plano desportivo, a grande notícia local era a ausência do piloto português André Couto do Grande Prémio de Macau 2001, depois da participação vitoriosa no ano anterior. Entre notícias sobre novos métodos usados no Matadouro, o desejo da Casa de Portugal em Macau em conseguir voos charters para fazer viagens entre Lisboa e Macau no Natal de 2001, ou uma burla com água mineralizada importada de Zhuhai que afinal era da torneira, o HM surge num momento de ruptura da cena internacional. Com laivos premonitórios, a quinta edição do HM dava conta de um surto de cólera em Hong Kong, a um ano do grande pavor em que a SARS mergulhou a região, lançando alertas que chegaram rapidamente a Macau. Ainda assim, à altura, sem confirmação de casos pelos Serviços de Saúde, uma fonte do HM garantia que Macau não tinha “condições técnicas e de monitorização para fazer face a um hipotético surto de cólera com maiores dimensões”. Este artigo foi publicado no dia 11 de Setembro. No dia seguinte, Osama Bin Laden tornava-se no homem mais procurado do mundo. Planeta de ontem Quanto a notícias sobre Portugal, o futebol era um dos maiores elos de ligação, o cordão umbilical desportivo, com notícias que relatavam as lesões de Mantorras, os voos goleadores de Jardel e os desaires da selecção nacional orientada por António Oliveira. No plano político, o primeiro HM divulgava o aparato de segurança que implicava a chegada do euro a Portugal. O artigo não era sobre o campeonato europeu de futebol, mas sobre a revolução económica, política e cambial do fim da moeda escudo e o início do euro. A operação implicou a chegada de aviões carregados de dinheiro, destinado ao Banco de Portugal e à banca privada, à Base Aérea de Alcochete, com supervisão militar e de grupos privados. Na segunda edição, este jornal noticiava a visita do Engenheiro António Guterres, enquanto primeiro-ministro, às obras da barragem do Alqueva. Porém, o mundo estava prestes a ser abalado por um sismo geopolítico com epicentro em Manhattan. No dia 12 de Setembro, a sexta edição do HM, na capa lia-se “Terror na América – Milhares de Mortos”, com a manchete “Apocalypse Now” e a ilustração mostrava três momentos, desde os embates dos aviões nas Torres Gémeas à derrocada. O mundo mudava, atirando estilhaços que ainda hoje se sentem, moldando a nova configuração da geopolítica e da forma como é concebida a política internacional. Uma mudança de viragem de século, que o HM testemunhou, como tantas outras que foram passando pelas nossas páginas nos últimos 20 anos.