Ucrânia | MNE chinês diz “entender preocupações” da Rússia com a sua segurança Hoje Macau - 25 Fev 2022 A China “entende as preocupações de segurança da Rússia”, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, ao homólogo russo, Sergei Lavrov, horas após o início da invasão russa da Ucrânia. “A China sempre respeitou a soberania e a integridade territorial de todos os países”, disse Wang, de acordo com uma transcrição divulgada pelo ministério chinês. “Mas também vimos que a questão ucraniana tem uma história especial e complexa. Entendemos as preocupações de segurança razoáveis da Rússia”, apontou. A Rússia lançou hoje de madrugada uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que as autoridades ucranianas dizem ter provocado dezenas de mortos nas primeiras horas. Moscovo exigiu, nas últimas semanas, garantias ao Ocidente para a segurança da Rússia, em particular a promessa de que a Ucrânia não se juntaria à NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Os laços China – Rússia foram reforçados, sob o comando do líder chinês, Xi Jinping, que recebeu Putin, em Pequim, no início deste mês. Pequim afirmou por várias vezes compreender as preocupações russas com a segurança. Xi e Putin emitiram uma declaração conjunta contra o alargamento da NATO na Europa de leste. Mas Pequim também se inibiu de apoiar a invasão da Ucrânia. “A China está a acompanhar de perto os últimos desenvolvimentos”, disse hoje Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, recusando-se a descrever o ataque como uma “invasão”. “Pedimos a todas as partes que exerçam moderação para evitar que a situação fuja do controlo”, disse. Na quarta-feira, Hua acusou o Ocidente de criar “medo e pânico” com a crise e disse que os Estados Unidos estão a alimentar as tensões ao fornecer armas a Kiev. Hua não comentou a acusação infundada de “genocídio” das populações de língua russa, feita por Moscovo, para justificar a sua intervenção na Ucrânia. A embaixada chinesa na Ucrânia pediu hoje que os seus cidadãos aumentem a sua vigilância perante os “graves distúrbios” no país. O Presidente russo disse que o ataque responde a um “pedido de ajuda das autoridades das repúblicas de Donetsk e Lugansk”, no leste da Ucrânia, cuja independência reconheceu na segunda-feira, e visa a “desmilitarização e desnazificação” do país vizinho. O ataque foi de imediato condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, da NATO, União Europeia e Conselho de Segurança da ONU.
Ucrânia | Efeitos da invasão russa sentidos em Hong Kong, China e Taiwan Andreia Sofia Silva - 24 Fev 2022 O consultor e analista de jogo Steve Vickers defende que a invasão russa na Ucrânia poderá ter um impacto em determinados sectores económicos na China, Hong Kong e Taiwan. “O panorama na região da Ásia-Pacífico irá depender da turbulenta relação sino-americana, com implicações para o sector tecnológico de Hong Kong, Taiwan e China”, além de provocar “flutuações a nível financeiro, no comércio regional e tarifas”. Para este analista, “a possibilidade de extensão [do impacto] em áreas aparentemente não relacionadas é real”. Em termos gerais, Steve Vickers entende que a invasão decretada por Vladimir Putin à Ucrânia “promete trazer novos choques a um já instável ordenamento político e financeiro, em matéria de aumento dos preços de energia e uma grande incerteza”. Relativamente à situação pandémica para este ano, a análise de Steve Vickers aponta para uma maior tranquilidade na situação social e política em Hong Kong com a lei de segurança nacional. No entanto, “a imposição de agressivas medidas de quarentena, e com a imposição de testes obrigatórios a partir de Março, poderá trazer algumas frustrações”. No que diz respeito à política de zero casos covid-19 seguida pelas autoridades chinesas, e que também se aplica a Macau e Hong Kong, incluindo “uma crescente separação económica entre a RPC, os EUA e seus aliados” vai continuar a “reverter décadas de uma tendência de integração financeira, liberdade de movimento e globalização comercial na região da Ásia-Pacífico como um todo”.
Covid-19 | Hong Kong autoriza equipas da China a prestar apoio médico de emergência Hoje Macau - 24 Fev 2022 Hong Kong autorizou hoje médicos e enfermeiros da China a prestar “apoio de emergência necessário” para reforçar um sistema de saúde local sobrecarregado pelo “enorme aumento de novos casos de covid-19″ diário. As autoridades de Hong Kong disse ter adotado “um quadro jurídico” para que o Governo chinês “preste o apoio de emergência necessário (…) de forma mais eficiente e rápida”, de acordo com um comunicado. O documento prevê que todas as pessoas envolvidas no combate à pandemia, incluindo na construção de hospitais e instalações de isolamento de doentes, estejam isentas dos requerimentos habituais para trabalhar em Hong Kong. Atualmente, os médicos da China não podem praticar em Hong Kong sem realizar exames locais e obter um reconhecimento. Macau já tinha enviado, esta semana, uma equipa de especialistas para Hong Kong. Com cerca de sete milhões de habitantes, a cidade enfrenta uma quinta vaga de infeções pelo coronavírus, a pior desde o início da pandemia, com milhares de casos todos os dias. Os hospitais estão sobrecarregados e as autoridades decidiram que todos os pacientes, mesmo assintomáticos, devem estar isolados, em locais designados para o efeito. Equipas chinesas estão a construir dois novos centros de isolamento temporário que poderão acomodar 9.500 pessoas infetadas, e o governo também requisitou 20 mil quartos de hotel. Na terça-feira, a chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou a realização, em março, de três testes à covid-19 para toda a população da região, que conta 835 mortos e 32.538 casos da doença desde o início da pandemia. “O rápido agravamento da epidemia excedeu em muito a capacidade do governo de Hong Kong para enfrentar esta situação. O apoio do Governo central é, portanto, essencial para combater o vírus”, disse Lam. A governante confirmou também que Hong Kong se vai manter fiel a uma política de isolamento de pessoas com resultados positivos em testes à covid-19.
Hong Kong lança “passe de vacinação” para acesso a espaços públicos Hoje Macau - 24 Fev 202224 Fev 2022 O Governo de Hong Kong introduziu hoje um “passe de vacinação”, que define o acesso a espaços públicos, a mais recente medida das autoridades para encorajar os residentes a serem imunizados contra a covid-19. A introdução do “passe de vacinação” surge no momento em que a cidade luta contra a quinta vaga de infeções, que está a pressionar até ao limite o sistema de saúde da região administrativa especial chinesa, com impacto na capacidade de resposta nos hospitais e centros de isolamento. A aplicação LeaveHomeSafe, utilizada para rastreio de contactos e obrigatória para entrada em restaurantes e locais públicos, começou a ‘marcar’ os utilizadores que não carregaram os registos de vacinação, algo a que alguns residentes tinham resistido até agora, devido a preocupações de privacidade. Todas as pessoas com mais de 12 anos de idade devem ter sido vacinadas pelo menos uma vez contra a covid-19 para poderem entrar em vários espaços, tais como restaurantes, supermercados, centros comerciais e locais de entretenimento, onde as autoridades vão efetuar controlos aleatórios. Os requisitos estendem-se também a outros locais, tais como escolas, universidades, hospitais e serviços públicos, bem como lares para idosos. O não cumprimento dos regulamentos é uma infração e qualquer pessoa que entre ou permaneça em tais instalações sem ser vacinada está sujeita a uma multa até 10.000 dólares de Hong Kong. Estão isentas as pessoas inelegíveis para vacinação por motivos de saúde, os titulares de um certificado médico de isenção específico e aqueles que entram nas instalações listadas com o único objetivo de encomendar alimentos ou bebidas para levar, entregar ou recolher um item, entre outros. A quinta vaga causada pela variante Ómicron está a ter um impacto sério no sistema de saúde do território, que registou mais infeções nos últimos dois dias do que nos dois anos anteriores. A China continental enviou pessoal médico e material, enquanto o Presidente do país, Xi Jinping, exortou o governo de Hong Kong a controlar a situação. No último mês, os casos acumulados em Hong Kong subiram de 13.000 para 70.000, algo sem precedentes na antiga colónia britânica, que durante meses conseguiu manter as infeções diárias abaixo dos 100 e agora chegou a ultrapassar os 6.000. Na quarta-feira contabilizou 8.674 e espera-se um número de infetados a rondar os 10.000 nos próximos dias. Até este surto, Hong Kong tinha conseguido manter a pandemia sob controlo, embora a um preço elevado: com algumas das restrições de viagem mais rigorosas do mundo, o isolamento do centro empresarial asiático provocou o êxodo de numerosas empresas estrangeiras, pondo em risco o seu estatuto de centro financeiro internacional. Ainda assim, o Governo local anunciou esta semana medidas ainda mais duras, que incluem a antecipação das férias de verão nas escolas para março e abril, o encerramento obrigatório de certas instalações públicas tais como ginásios, locais de entretenimento e bares, prolongado até 20 de abril, assim como a proibição de comer nos estabelecimentos de restauração depois das 18:00.
Ucrânia | China apela ao diálogo e critica Estados Unidos por agravarem a situação Hoje Macau - 24 Fev 2022 A China voltou hoje a apelar ao diálogo para resolver a crise na Ucrânia, mas recusou criticar o ataque da Rússia, acusando os Estados Unidos e os seus aliados de agravarem a situação. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Hua Chunying disse, em conferência de imprensa, que a “questão da Ucrânia é complexa, no seu contexto histórico (…) e que o que se está a ver hoje deve-se à interação de fatores complexos”. “A China está a acompanhar de perto os últimos desenvolvimentos”, disse Hua Chunying. “Ainda esperamos que as partes envolvidas não fechem a porta para a paz e se envolvam no diálogo e consulta, e impeçam que a situação se agrave ainda mais”, afirmou. Embora a China não tenha apoiado o reconhecimento de Vladimir Putin da independência das áreas separatistas do leste da Ucrânia ou a decisão do presidente russo de enviar forças militares para o país, Hua Chunying disse que a China “pediu às partes envolvidas que respeitem as preocupações legítimas de segurança dos outros”. “Todas as partes devem trabalhar pela paz em vez de aumentarem a tensão ou exaltarem a possibilidade de guerra”, apontou. A China e a Rússia alinharam amplamente as suas políticas externas em oposição aos EUA e aliados. O porta-voz não descreveu as ações da Rússia como uma invasão, nem se referiu diretamente às movimentações das forças russas na Ucrânia. A Embaixada da China em Kiev emitiu um aviso aos seus cidadãos para ficarem em casa e colocarem uma bandeira chinesa dentro do seu veículo se precisarem de viajar longas distâncias. Na quarta-feira, Hua Chunying acusou o Ocidente de criar “medo e pânico” com a crise e disse que os EUA estão a alimentar as tensões ao fornecer armas a Kiev. Também referiu que a China se opõe a novas sanções contra a Rússia. Os laços China – Rússia foram reforçados, sob o comando do líder chinês, Xi Jinping, que recebeu Putin, em Pequim, no início deste mês. Pequim afirmou por várias vezes compreender as preocupações russas com a segurança. Xi e Putin emitiram uma declaração conjunta contra o alargamento da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Europa de leste. Li Xin, diretor do Instituto de Estudos Europeus e Asiáticos da Universidade de Ciência Política e Direito de Xangai, disse que o Ocidente forçou a Rússia a agir, citando a expansão da NATO para o leste e a implantação do sistema de defesa anti-mísseis. “Por um lado, respeitamos a integridade do território e a soberania da Ucrânia, mas, por outro lado, devemos considerar o processo histórico da situação, em que a Rússia foi encurralada e forçada a contra-atacar”, disse Li.
Ucrânia | China defende que ainda é possível solução pacífica para conflito Hoje Macau - 24 Fev 2022 A China disse hoje que uma solução pacífica para a crise ucraniana é “ainda possível”, depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, ter avançado com uma operação militar na Ucrânia. “A China acredita que a porta para uma solução pacífica da crise ucraniana ainda não foi completamente fechada, e não deve ser fechada. Saudamos todos os esforços que possam ajudar a resolver isto através dos canais diplomáticos”, disse o embaixador chinês nas Nações Unidas, Zhang Jun, durante uma reunião do Conselho de Segurança, segundo um comunicado da missão diplomática na ONU. Segundo Zhang, “a situação está num momento crucial”, mas todas as partes envolvidas devem “exercer contenção” e “evitar uma nova escalada de tensões”. “Mencionámos muitas vezes que esta é uma questão com um contexto histórico complexo e que a situação atual é o resultado de muitos fatores”, continuou. O embaixador disse que a posição da China sobre “a salvaguarda da soberania e integridade territorial dos Estados” sempre foi “consistente”. “Os princípios da Carta das Nações Unidas devem ser defendidos conjuntamente. Esperemos que as partes sejam racionais e se empenhem no diálogo e na consulta para resolver a crise”, acrescentou. Zhang disse que “as legítimas preocupações de segurança de todos devem ser tidas em conta, mas é especialmente importante não acrescentar combustível ao fogo. A China continuará a promover negociações de paz à sua própria maneira, e apoia quaisquer esforços que conduzam a uma solução diplomática”. A China manteve na quarta-feira a posição de que as sanções não são eficazes na resolução do conflito e de que se opõe às punições unilaterais, aproveitando ao mesmo tempo a oportunidade para atacar os Estados Unidos. “Há que perguntar que papel Washington desempenhou na crise ucraniana”, disse a porta-voz chinesa Hua Chunying, acrescentando que “é irresponsável acusar os outros de provocar incêndios enquanto se acrescenta combustível ao incêndio”. Até agora, a China tem mantido a sua posição de que a crise deve ser resolvida através da negociação e “de acordo com os princípios da Carta das Nações Unidas”. A imprensa oficial chinesa comentou esta semana que Pequim está a tratar a crise ucraniana “com prudência” e sublinhou que a China apela à implementação dos Acordos de Minsk de 2015. Por outro lado, salientou também que “a situação mostra que a Rússia estava muito insatisfeita por as suas preocupações de segurança não terem sido satisfeitas” e que “Putin viu a fraqueza do Ocidente”.
Jogo | Galaxy regressou aos lucros em 2021 e distribui dividendos João Luz - 24 Fev 2022 Depois de avultadas perdas registadas em 2020, a Galaxy Entertainment Group voltou aos lucros no ano passado, com mais 1.3 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD) arrecadados, de acordo com um comunicado emitido ontem pela concessionária. Numa carta enviada aos investidores, o CEO e fundador do grupo, Lui Che Woo, anunciou a distribuição de um dividendo especial de 0.30 cêntimos de HKD por cada acção até 29 de Abril. O líder da concessionária aponta que durante o período financeiramente complicado, o grupo “continuou a investir no desenvolvimento da economia de Macau através da construção dos empreendimentos da fase 3 e 4 do Galaxy Cotai, e renovando os restantes resorts” do grupo. Além disso, Lui Che Woo aproveitou a missiva aos investidores para demonstrar o “apoio total” à legislação que irá regular a indústria do jogo, “incluindo a prioridade dada à segurança nacional e de Macau”, à diversificação económica e ao desenvolvimento sustentável”. Outro dos pontos destacados pelo CEO da concessionária, prendeu-se com a resposta do grupo à emergência sanitária provocada pela pandemia, adiantando que a taxa de vacinação de empregados da Galaxy é de 94 por cento e que a empresa envidou todos os esforços para garantir a segurança de Macau.
Reserva financeira | Cifra de 643,17 mil milhões de patacas no final de 2021 Hoje Macau - 24 Fev 2022 A reserva financeira da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) cifrou-se, até final do ano passado, em 643,17 mil milhões de patacas, anunciaram ontem as autoridades. O valor da reserva básica era de 139,08 mil milhões de patacas e a reserva extraordinária 504,09 mil milhões de patacas, indicou, em comunicado, a Autoridade Monetária de Macau. “Em 2021, a reserva financeira [da RAEM] norteou-se pelo princípio da prudência em matéria da gestão dos investimentos, tendo registado rendimentos dos investimentos na ordem de 14,74 mil milhões de patacas, o que correspondeu a uma rentabilidade anual de 2,3 por cento”, acrescentou. Nos últimos cinco anos, a rentabilidade anual média da reserva financeira foi de 3,5 por cento, enquanto a média da taxa de inflação anual foi de 1,6 por cento, em comparação com o período homólogo, de acordo com a mesma nota. No ano passado, devido aos impactos negativos na economia mundial da pandemia da covid-19, a reserva financeira da RAEM “tomou uma atitude prudente, com o objectivo de equilibrar os riscos e os investimentos”, referiu. Para 2022, a Autoridade Monetária de Macau previu que se mantenham “incertezas nos mercados financeiros globais”, situação que levará a reserva financeira a manter “medidas prudentes” no reforço dos rendimentos a médio e longo prazo.
IAM ordenou suspensão da importação de carne congelada do Brasil Hoje Macau - 24 Fev 2022 O Instituto de Assuntos Municipais (IAM) suspendeu a importação de carne congelada brasileira de uma empresa, depois de um lote ter obtido resultados positivos em testes ao coronavírus SARS-CoV-2 em Hong Kong. O IAM sublinhou que testou amostras do interior e do exterior das embalagens de carne de vaca do Brasil e de carne de porco da Polónia, tendo todas dado negativo ao novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, de acordo com um comunicado divulgado na ontem. O IAM garantiu que tem testado regularmente, desde Julho de 2020, amostras de embalagens de carne e outros produtos congelados, sem qualquer resultado positivo em testes nos últimos três meses. Na segunda-feira, o Centro para a Segurança Alimentar da região vizinha de Hong Kong anunciou que três amostras de carne de vaca do Brasil e uma amostra de carne de porco da Polónia tiveram testes positivos à presença de SARS-CoV-2. O centro ordenou a eliminação de todo o lote e a desinfecção dos armazéns onde se encontrava a carne. Tráfico de congelados Em 14 de Fevereiro, os Serviços de Alfândega (SA) de Macau anunciaram a detenção de dois homens, acusados de contrabando de dez toneladas de carne congelada. As patrulhas dos SA foram reforçadas para combater a entrada ilegal de pessoas e bens, “prevenindo a entrada do coronavírus em Macau através de actividades ilegais”, indicaram os SA. A imprensa estatal chinesa tem noticiado regularmente multas aplicadas a comerciantes que importaram, de forma ilegal, carne congelada. A 4 de Janeiro, a polícia chinesa aplicou uma pena de detenção de dez dias a dois comerciantes, numa cidade do sudoeste do país, acusados de não terem submetido um lote de pernas de frango enviadas do Brasil aos controlos sanitários. O Governo chinês afirmou que os recentes surtos da variante Ómicron da covid-19 no país devem-se, em parte, a produtos provenientes do estrangeiro.
Hong Kong | Dois novos casos assintomáticos Hoje Macau - 24 Fev 2022 Uma residente de Hong Kong de 30 anos e outra de Macau com 50 anos, provenientes do território vizinho, testaram positivo para a covid-19 na terça-feira. Os dois casos, ambos importados, foram classificados “casos de infecção assintomática”. As duas mulheres chegaram a Macau na segunda-feira, através do autocarro de ligação dos postos fronteiriços da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (Autocarro Dourado), e ambas testaram negativo no primeiro teste. No entanto, já instaladas no Regency Art Hotel para cumprir quarentena, o resultado dos testes realizados no dia seguinte foi positivo, tendo as pacientes sido encaminhada para o Centro Clínico de Saúde Pública de Coloane para isolamento e tratamento. Inoculadas respectivamente com uma e duas doses da vacina da BioNTech, as duas mulheres não apresentam sintomas, não entrando para a contabilização de casos confirmados. Até ao momento, foram registados em Macau 80 casos confirmados de covid-19 e 29 casos de infecção assintomática.
A desnecessária arte de fingir orgasmos Tânia dos Santos - 24 Fev 2022 Comecemos pela Meg Ryan e a sua icónica demonstração que os orgasmos podem ser fingidos, no rom-com clássico dos anos 80. Muitos filmes e sitcoms depois apropriaram-se desse facto inabalável que, tendencialmente em relações heterossexuais, as mulheres fingem os orgasmos e os homens parecem não notar. A percentagem, dizem alguns estudos mais alarmistas, é estrondosa. Cerca de 67 por cento a 74 por cento das mulheres já reportaram terem fingido um orgasmo pelo menos uma vez na vida. A pergunta que se impõe é: porquê? Ninguém anda a ensinar que se deve fingir orgasmos. Eu certamente nunca assisti que fosse uma dica a ser passada de geração em geração. É como se o orgasmo fingido fizesse parte de um repertório silencioso, uma estratégia para lidar com as coisas do sexo e da cama, sem ninguém perceber bem como, nem de onde veio. Resta-nos analisar o orgasmo fingido como o resultado de uma interacção que deve ter determinados contornos. Pode ser que o propósito seja despachar o sexo de forma inequívoca, simples, e sem palavras necessárias. Mas também pode ser que seja uma estratégia de lidar e cuidar do ego masculino que julga que a masculinidade é medida pela quantidade de orgasmos que se pode proporcionar à parceira romântica. Ora, como sabemos, o orgasmo feminino necessita de um alinhamento particular, uma profunda delicadeza e grande sentido de descoberta. Só tendo essa abertura e habilidade é que as mulheres atingem o clímax. O orgasmo feminino ainda continua envolto em muito mistério, que ajuda a perpetuar o famoso orgasm gap documentado na literatura. Esta refere-se ao fosso que existe entre a quantidade de orgasmos reportados pelos parceiros. Em encontros heterossexuais de uma noite – e especialmente nesses casos – os homens reportam muito mais orgasmos do que as mulheres. Elas tentam resolver esse problema da melhor forma que podem: fingindo o orgasmo. Isto porque as crenças patriarcais do orgasmo feminino continuam por aí, ideias pré-concebidas, algumas delas mirabolantes. Há quem ache que o orgasmo deveria ser simultâneo ou que depende de penetração profunda, unicamente. Estas e tantas outras crenças contribuem para a pouca flexibilidade e criatividade no sexo, e eventualmente, levando à sua desgraça. Podemos também culpar a pornografia, o educador sexual contemporâneo, para grande tristeza de muita gente. A recomendação é que parem imediatamente de fingir orgasmos. Para todo o sempre. Uma recomendação que se aplica aos homens que, em números muito menores, também fingem orgasmos de vez em quando. Não será por magia que desencantam parceiros que muito eficaz e habilidosamente saibam dos vossos caminhos para o orgasmo. Não vale a pena remediar com os dotes –ainda que impressionantes – de os fingir. Mais vale lidar com o desconforto, com a potencial ferida, com o desfazer de expectativas de uma noite perfeita, a tal digna de um filme pornográfico. Importa que se observe o que nasce do desconforto e que se consiga confrontar com aquilo que não aconteceu. Só assim é que se cria uma oportunidade fabulosa de se transformar, experimentar outra vez, conversar sobre expectativas. Se se achar importante ou necessário, explica-se o que se gosta e como se gosta. Pode-se até desconstruir o peso do orgasmo no sexo, e deixar que ele deixe de ser o eixo definidor de uma relação sexual satisfatória. Flexibilizar, re-criar, transformar, sentir o prazer em vez de o assistir, como se fosse um filme ou um romance – não é essa a mudança desejável? Fingir o orgasmo só atrapalha o sonho de um sexo diferente. Pensem nisso na próxima vez que sentirem que devem fingir o que quer que seja.
Urbe Sub Rosa António Cabrita - 24 Fev 2022 20/02/22 “Vá e impeça a guerra, Jair…” – apela o cartaz, num reforço evangélico da campanha do Bolsonaro, que tem dado frutos, visto que ele tem subido nas sondagens. Na imagem vemos como as costas do ignóbil Bolsonaro estão resguardadas pela figura de Cristo. Embora na Rússia, a figura inspiradora que terá estado por trás da acção de Bolsonaro haja sido Judas, já que a benignidade natural do presidente brasileiro não desviou Putin um centímetro dos seus planos de invasão. O pobre falhou a todo vapor a sua estóica missão. Mas há outros feitos que se poderão atribuir a este novo Mensageiro de Cristo: o regresso de Trump, que vai dividir o país com as suas profecias sobre a guerra na Ucrânia, sopradas pelo Messias brasileiro; a estátua do Cristo Redentor não desabará nunca no morro do Corcovado porque o olhar beatífico do Capitão o impedirá; e na esfera do plano internacional a acção benfazeja de Bolsonaro apagará da lembrança o terremoto de 1755 em Portugal, esse trauma funesto que só continuará a existir nos livros do historiador Rui Tavares, como se sabe um feroz produtor de fake news. Estou encantado com as possibilidades que este novo baluarte do cristianismo abre. 22/02/22 Melanie Daniels (Tippi Hedren), uma jovem socialite com o desejo estampado à flor da pele chega a Bodega Bay e fica cativa. Duplamente cativa. Por causa do advogado Mitch Brenner (Rod Taylor) – um dos mais fragorosos erros de casting da história do cinema – e dos pássaros e aves que estão como ela à solta, mas numa espasmódica pulsão maligna. A dado momento, um derrame de gasolina e um descuidado charuto provoca um incêndio na povoação e uma massa de gaivotas, atraída pelo fogo, ataca os transeuntes. Melanie é forçada a refugiar-se numa cabine de telefone, toda em vidro, enquanto as aves criam o caos lá fora. É um dos momentos fortes do filme, ela em pânico naquele precário refúgio contra a voragem das gaivotas que bicam o vido tentando atingi-la. Se nós quisermos essa imagem é semelhante à condição que hoje experimentamos, acossados no interior duma caixa de vidro contra a histeria dos media que nos assaltam e exacerbam com os seus dramas sangrentos. No filme há três passarinhos inofensivos, cujo comportamento é confiável: os dois canários da filha de Mitch e a passarinha de Melanie, que apesar de descomandada pede gaiola. O filme mais não é a que a figuração no espaço e nas aves da flagrante sexualidade de Melanie à procura de pousio. E neste item Tippi Hedren é perfeita. No filme, apesar de tudo, a natureza é domesticável, apesar de irritadiça, inflamada e agressiva, sugere Hitchcock. Isto nos bons tempos em que não era tão nítido que a natureza mais selvagem é a do homem e que esta se encarniça contra si mesmo, na irracional vontade da guerra. Esta crise mundial chega no pior momento, aquele em somos rodeados pelos líderes ora mais fracos ora mais velhacos. Num péssimo momento para todos nós e também para os americanos que vão encontrar-se rapidamente divididos entre a liderança oficial de Biden e a alucinada de Trump – diante do recrudescimento da tensão vai ocorrer uma guerra civil não declarada nos States, e Putin joga com isso. Apertado pelos tribunais, é a oportunidade para Trump jogar todos os seus trunfos. Já começou. 23/02/22 Nesta sexta-feira, dia 25, na livraria Barata, apresento o livro que reúne a selecção que o Paulo da Costa Domingos fez de cinquenta anos de poesia publicada, desde 1972, “Urbe Sub Rosa” (com umas extraordinárias capa, lettering e contracapa de Patrícia Guimarães). Cinco anos mais velho que eu, o PDC era um dos meus heróis quando eu tinha dezasseis, dezassete anos e o seu “Uma Orelha Sem Mestre” inflamava a minha atenção, tal como o “Crítica Doméstica dos Paralelepípedos”, do Nuno Júdice, e “A Luva in Love”, do Jorge Fallorca – três livros que me marcaram numa época de aprendizagem da liberdade. É um livro denso (e não só pelo tamanho, 700 páginas) mas que constitui uma verdadeira aventura porque permite entrever os elos na sua obra que uma leitura livro a livro, plaquete a plaquete, deixava mais na sombra e a novidade é que a consistência que ressalta do conjunto reafirma uma voz e autentica a sua rebeldia, resgatando-a da margem, para firmar um dos mais interessantes e incomplacentes percursos da poesia portuguesa nas últimas décadas. Aqui deixo um poema: «GARANTO/ Garanto que o norte magnético/ já não é nada do que era,/ o carrocel roda ao invés, a vertigem/ mantém-nos na linha. Dos ventos// a rosa cobre-me os ombros/ e o nosso diálogo é o sentido, por isso/ vos digo: o norte magnético foi-se,/ glaciou-se, entre bacalhoeiros e arenques// que transportam agora nos dorsos os vírus/ do último esquimó/ e o imerecido ódio do/ último viking. Garanto-vos bebida quente/ no ápice trágico que anteceda o suicídio, // e o estilete que apontareis a quem vier/ violar vosso domicílio. Porque convém,/ cada vez mais, arreganhar o dente,/ dedicar um dia inteiro ao veneno.”
A origem da cozinha Macaense em Macau (Última parte) Hoje Macau - 24 Fev 2022 Por Ritchie Lek Chi, Chan *Artigo publicado no Macau Daily News em 1de Agosto de 2021 O Padre Manuel Teixeira, conhecido historiador de Portugal e Macau, escreveu a “Lenda da Origem dos Macaenses em Macau” no 20.º número da edição chinesa da Revista de Cultura. Este artigo prova que os macaenses não tinham ascendência chinesa originalmente. “Na nossa opinião, as primeiras pessoas que seguiram os portugueses para a China foram indianas e malaias, podendo haver também uma ou duas portuguesas (europeias).” Com a mudança dos tempos, portugueses residentes em Macau começaram a casar com chinesas. Em meados do século XVII, a migração de residentes de Lingnan (a área que cobre a província de Guangdong e Guangxi) e das zonas costeiras da província de Fujian para Macau continuou a aumentar. Esta situação propicia condições favoráveis para que portugueses ou outras etnias da colónia portuguesa se casem com chinesas, momento em que surge uma nova geração de mestiços. E apresenta outra razão. “Embora houvesse poucos casamentos entre Portugal e a China antes da abertura do porto, um grande número de escravas chinesas entrou nas suas famílias quando os empresários portugueses comercializaram e se estabeleceram ao longo da costa da China. Há muitos portugueses do sexo masculino a viver com estas escravas ou como concubinas, tendência desenvolvida por estes empresários e soldados portugueses em Goa, Malaca, Índia e outros locais. ” Em 1565, Ye Quan, um escritor da província de Anhui, veio para Macau. Testemunhou e escreveu sobre a relação entre as mulheres chinesas e os portugueses. “Eu estava na casa de um ocidental e vi uma criança de seis ou sete anos a chorar. Perguntei ao tradutor se essa criança era filha de um ocidental. O tradutor disse: “Não. Este ano as pessoas sequestraram pessoas de Dongguan para vender, deve estar a pensar nos seus pais e a chorar.” A maioria dos ocidentais criaram cinco ou seis pessoas, e há mais de dez mulheres, e todas se enquadravam nessa categoria. As roupas masculinas são como estão. As roupas femininas eram embrulhadas num pano branco e embrulhadas numa camisa de estilo ocidental com um pano horizontal por baixo. Elas não usavam roupa interior e andavam descalças. Fazia muito frio em Dezembro, e suas roupas eram apenas aquelas. As mulheres eram concubinas bárbaras, e havia milhares delas. Sabendo que se trata de filhos de boas famílias na China, este incidente é odioso. “Isto mostra que nos primeiros dias da abertura de Macau como porto, havia um grande número de mulheres chinesas a servirem como criadas ou concubinas dos portugueses. Esta afirmação foi também confirmada por estudiosos. O casamento misto entre portugueses e chineses começou no início da abertura de Macau. Diz o Padre Rev. Benjamin Videira Pires: “O casamento misto de portugueses e mulheres locais (chinesas) começou quando os portugueses chegaram a Macau. ” (Nota 1) A Professora Doutora Ana Maria Amaro do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Políticas Sociais no seu artigo “Filho da Terra – Um Estudo dos Macaenses em Macau” descreve claramente a situação destas mulheres chinesas. “Segundo dados históricos, os primeiros portugueses coabitaram com mulheres malaias e indianas. Aparentemente, as chinesas eram sobretudo mulheres vendidas pelos pais ou que seguiam os piratas com quem os portugueses serviam, algumas mulheres tornaram-se esposas. Portanto, parecia natural que as mulheres chinesas fossem concubinas naquela época, mas pensávamos que até recentemente as avós distantes do grande povo de Macau eram eurasiáticas e não chinesas. “(Nota 2) Com base nos argumentos apresentados por vários estudiosos acima mencionados, pode-se constatar que as mulheres chinesas pertenciam como membros dessas famílias portuguesas, e que os macaenses começavam a entrar na segunda fase. Idioma e hábitos de vida, incluindo a cultura alimentar, começaram a infiltrar-se na cultura e nos costumes chineses. Um dos exemplos óbvios é o “Tacho”. Só nesta altura se pode dizer que “os chineses deram um contributo para os pratos dos macaenses”. Até hoje, o autor acredita que alguns pratos Macaenses são difíceis de rastrear até à verdadeira origem. Pastéis de Bacalhau é um exemplo. A maioria das pessoas pensa que vem de Portugal, mas este tipo de alimento é extremamente comum na Indonésia e o método de fabricação é semelhante. Portanto, é difícil concluir se esta comida indonésia é afectada por Portugal. A maioria dos websites da Indonésia tem outra maneira de dizer que as “bolinhas de batata” da Indonésia, têm origem na Holanda, porque os holandeses gostam de fazer este tipo de comida. Este tipo de “bolinho de batata” é originário de Portugal, da Holanda ou da Indonésia? É difícil chegar a uma conclusão, é preciso mais investigação. Mas os Pasteis de Bacalhau de Macau são, sem dúvida, de origem portuguesa. O ingrediente básico desta comida é puré de batata, que os macaenses misturam com o bacalhau salgado marinado e outros ingredientes, como a cebola, e depois fritam numa panela até dourar. Os indonésios misturam o puré de batata com frango picado ou carne picada ou carneiro, misturados com chalotas e alguns temperos, misturados com farelo na superfície e fritos na frigideira até dourar. O nome do alimento é Kroket ou Perkedel. Governo de Macau promove vigorosamente a cozinha macaense A “cozinha macaense” baseia-se nos métodos de cozinha portuguesa, misturando métodos de cozinhar e materiais culinários de outras proveniências, e após centenas de anos de herança e adaptação, desenvolveu-se uma cultura culinária única. Com o intuito de apresentar ao público esta cultura alimentar única, destacando que Macau é uma sociedade harmoniosa e um local onde se integram diferentes culturas, há muitos anos que o Governo da Região Administrativa Especial de Macau se esforça para promover e preservar o trabalho de propaganda deste tipo de cozinha. Os Serviços de Turismo publicaram livros relacionados com a gastronomia macaense nas suas páginas Web, tendo o Instituto Cultural também publicado vários tipos de livros nesta área (Nota 3). De facto, na década de 1980, os círculos macaenses ou residentes ou grupos locais em Macau publicaram sucessivamente livros e periódicos sobre a cozinha macaense. Em 2016, o Macau Daily News publicou um artigo intitulado “Cozinha Macaense de Macau que vale a pena ver”, O editor dissertou sobre a origem histórica deste tipo de cozinha, incluindo no artigo os livros de cozinha macaense publicados em Macau e os nomes dos seus autores. De 1983 a 2014, foram publicados cerca de 13 livros e periódicos sobre a culinária Macaense, entre eles uma versão luso-chinesa e uma versão chinesa e portuguesa (Nota 4). Por outro lado, em termos de demonstrações físicas, a sala expositiva do segundo andar do Museu de Macau dispõe de uma área relacionada com a gastronomia e os dotes culinários macaenses, para divulgar a gastronomia e as características alimentares dos macaenses. No entanto, de acordo com os macaenses, muitos dos pratos macaenses já se perderam. A razão é que as aptidões culinárias dos macaenses só foram transmitidas de geração em geração. A maioria das famílias não transmite as suas receitas a estranhos. São apenas transmitidas dentro da família e raramente divulgadas ao público. Os pratos confeccionados por famílias diferentes são distintos, cada um tem o seu estilo e não existe um padrão e normas unificadas, sendo que algumas receitas se tornaram o símbolo da família. Uma vez que cozinhar pratos macaenses leva muito tempo e exige mais preparação, a nova geração Macaense não tem interesse em cozinhar. Essa também é uma das razões pelas quais os pratos originais se foram perdendo. Felizmente existe um grupo de macaenses entusiastas, com o intuito de preservar, herdar e promover os dotes culinários deixados pelos seus antepassados. No início de 2007, foi fundada a “Confraria da Gastronomia Macaense”, comprometida em coleccionar receitas e publicar os livros de culinária Macaense, através da organização de competições de culinária macaense e da organização de cursos de formação e outras actividades. Divulgar junto dos cidadãos de Macau e dos jovens chefs, para que os dotes culinários dos macaenses fiquem bem organizados e preservados. Em 2012, a “Cozinha macaense e competências culinárias” foi finalmente incluída na Lista do Património Cultural Imaterial de Macau. As qualidades da culinária macaense passavam originalmente pelo método de cozinhar das famílias comuns, mas agora esta gastronomia está amplamente divulgada na população e tornou-se numa das cozinhas favoritas dos residentes locais e dos turistas. Quem visita uma cidade pode saborear a gastronomia local, que ajuda a criar uma boa memória de viagem, mas Macau pode transformar-se numa típica cidade turística de lazer pelas suas iguarias. Nota 1: Website do Instituto de História Qing da Universidade Renmin da China, “Casamento de portugueses em Macau durante as dinastias Ming e Qing”, o segundo ponto, o padrão de casamento dos portugueses em Macau, (1) Casamento misto com estrangeiros, parágrafo 9. “Ethnic Studies” Issue 3, 2017 Autores: Tang Kaijian; Yan Xuelian. Nota 2: Ana Maria Amaro, “Filho da Terra – Um Estudo dos Macaenses em Macau”, Revista de Cultura, Edição Chinesa N.º 20, terceiro trimestre de 1994, página 13, parágrafo 2, publicada pelo Instituto Cultural de Macau. Nota 3: “A Cozinha de Macau da Casa do Meu Avô”,Graça Pacheco Jorge. A versão em português foi publicada em 1992 e a versão em chinês foi publicada em 2015. Nota 4: “Pratos Macaenses de Macau Dignos de Uma Escavação Vigorosa”, Macau Daily News, 11 de Julho de 2016, Edição E08: Visão, Autor: Lu Shanyuan. *Artigo publicado no Macau Daily News em 1de Agosto de 2021
Covid-19 | Governo equaciona quarentenas em casa e testes rápidos Pedro Arede - 24 Fev 2022 Os Serviços de Saúde garantem ter um plano para lidar com surtos de covid-19, que passa por construir um local para acolher pacientes. Segundo Leong Iek Hou, se a situação piorar, testes rápidos e quarentenas domiciliárias podem também ser uma realidade. Os comprimidos para infectados vão estar disponíveis no final de Março A coordenadora do Núcleo de Prevenção de Doenças Infecciosas dos Serviços de Saúde, Leong Iek Hou, revelou ontem que o Governo já definiu um plano para lidar com um novo surto de covid-19 em Macau. Numa altura em que a situação epidémica em Hong Kong é grave e a contabilização de casos importados em Macau é uma realidade diária, a responsável disse que será construído um local dedicado a acolher pacientes, se o número de casos aumentar. “Se o número de doentes não for muito elevado, vamos continuar com a actual política. Mas, se os casos aumentarem vamos implementar outras políticas e ponderar construir uma estrutura para concentrar doentes num único local. Ainda temos capacidade de tratar os doentes mesmo que o número aumente”, disse à TDM – Rádio Macau após participar no programa “Fórum Macau” da emissora em língua chinesa. Nesse cenário, Leong Iek Hou admitiu a possibilidade de integrar na estratégia de combate à covid-19, a realização de testes rápidos e quarentenas domiciliárias para pacientes com sintomas ligeiros. No entanto, a médica frisou que essa será uma alternativa pouco desejável, accionada apenas se a situação “piorar muito”. “Os resultados deste tipo de testes não é muito preciso e há uma probabilidade maior de haver falsos negativos (…) e se a situação da pandemia piorar muito [em Macau] os pacientes com sintomas ligeiros talvez possam ficar em casa. Mas essa é uma situação que não queremos”, reiterou. Toma o comprimido Em declarações à imprensa, Leong Iek Hou revelou ainda que os comprimidos da Pfizer para tratamento de doentes com covid-19 vão chegar a Macau até ao final de Março. Questionada sobre a chegada à RAEM da vacina da BioNTech para crianças dos 3 aos 11 anos, a médica apontou “não haver data” para a sua importação devido à escassez de oferta no mercado, mas garantiu que as autoridades estão em conversações com o fabricante e que a vacina da Sinopharm disponível em Macau é “muito eficaz”. “Em países estrangeiros foram disponibilizadas vacinas mRNA para crianças e os Serviços de Saúde encomendaram imediatamente este tipo de vacina. No entanto, devido à escassez de oferta, ainda não temos calendário para a sua importação para Macau, mas já falámos com o fabricante. As nossas crianças entre os 3 e os 11 anos só podem receber as vacinas da Sinopharm, essa vacina é muito eficaz”, vincou Leong Iek Hou. Obra das Mães | Caso colectivo de gripe detectado em creche Os Serviços de Saúde revelaram a existência de um caso de infecção colectiva de gripe, diagnosticado na turma E na Creche S. João da Obra das Mães, na Avenida da Universidade de Macau. De acordo com as autoridades, o surto afectou três meninos e três meninas, todos com três anos de idade. Segundo o relato da ocorrência, no “dia 22 de Fevereiro, os alunos começaram a manifestar sintomas de infecção do trato respiratório superior como febre, tosse e corrimento nasal”. Os sintomas fizeram com que as crianças fossem levadas para cuidados médicos, que levaram à detecção do caso. No entanto, não houve necessidade de internamentos.
PJ | Mulher acusada de violência doméstica Hoje Macau - 24 Fev 2022 Uma mulher de 46 anos é suspeita da prática do crime de violência doméstica, por agressões ao filho menor. De acordo com a informação da Polícia Judiciária (PJ), a mulher é reincidente uma vez que se encontra a aguardar julgamento pelo mesmo tipo de crime, relacionado com factos ocorridos em 2018. A investigação para a nova queixa, começou depois de o Hospital Centro S. Januário ter relatado às autoridades a admissão nos seus serviços de um menino de oito anos com várias contusões na cabeça, mãos e barriga. Segundo o relato da vítima, a progenitora costuma bater-lhe à hora do pequeno-almoço ou quando demora a fazer os trabalhos de casa. O facto de a criança também não ajudar em tarefas domésticas também foi indicado como uma das razões para as agressões. A suspeita, que é croupier, foi levada pela PJ para a investigação, e recusou cooperar. Face ao segundo incidente, a PJ encaminhou o caso para o Instituto de Acção Social e a criança ficou à guarda de um centro de apoio.
Droga | Prisão preventiva para cinco suspeitos de tráfico João Luz - 24 Fev 2022 O Juiz de Instrução Criminal decretou prisão preventiva para quatro vietnamitas e um tanzaniano por suspeitas da prática de tráfico de droga em Macau, em dois casos separados, indicou ontem em comunicado o Ministério Público. Quanto ao primeiro caso, as autoridades detectaram uma rede constituída por quatro indivíduos oriundos do Vietname suspeitos de terem enviado, por via postal, ecstasy da Holanda para Macau. A droga escondida em papel de chocolate totalizava mais de mil comprimidos com um peso líquido de 473,45 gramas. Na sequência do inquérito policial as autoridades apuraram que um dos suspeitos terá entrado ilegalmente em Macau e tinha em sua posse um documento de identificação de outra pessoa. No caso que envolve um homem oriundo da Tanzânia, a polícia fez a detenção por suspeitas de tráfico de cocaína. O Ministério Público revelou que as autoridades encontraram a droga (17,542 gramas) no quarto da hospedaria onde o indivíduo estava alojado. Os cincos arguidos foram indiciados pela prática de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, crime que pode resultar numa pena de prisão até 15 anos. O homem suspeito de uso ou posse de documento alheio e de entrada sem sujeição a controlo de migração arrisca penas adicionais de prisão de até 3 anos e um ano, respectivamente. A prisão preventiva foi decretada porque o Juiz de Instrução Criminal entendeu haver risco de fuga de Macau e perturbação da investigação e obtenção de prova. De acordo com os dados estatísticos do Ministério Público, em 2021 foram acusados 99 arguidos pela prática do crime de tráfico de droga e destes a 58 foi aplicada a prisão preventiva.
Crime | Algemou e filmou prostituta para roubar 100 mil RMB Pedro Arede - 24 Fev 2022 Após perder dinheiro no casino, um homem do Interior da China procurou os serviços de uma prostituta, para a chantagear com imagens obtidas ilegalmente, onde a mulher aparece nua e “algemada” com um cabo USB. No final, a vítima acabou por transferir 100 mil renminbis para a conta do suspeito A Polícia Judiciária (PJ) deteve na terça-feira um homem e 43 anos pela prática dos crimes de roubo e captação ilegal de imagens. Em causa, está o facto de o suspeito ter roubado 100 mil renminbis a uma prostituta num quarto de hotel no Cotai, depois de a ter “algemado” com um cabo USB, filmado sem roupa e chantageado com a divulgação das imagens para os amigos e familiares da vítima. De acordo com dados revelados ontem pela PJ em conferência de imprensa, depois de perder o dinheiro que tinha no casino do hotel, o homem, natural do Interior da China, abordou durante a madrugada desse mesmo dia, uma prostituta que estava à procura de clientes no mesmo espaço. A mulher propôs cobrar 2.000 dólares de Hong Kong pelo serviço, montante que o homem aceitou pagar sem contestar. Já no quarto, e após consumado o serviço, o homem pegou num cabo USB usado para carregar telemóveis, a fim de amarrar as mãos da prostituta atrás das costas, sem que esta tivesse sequer tempo para se vestir. Com a mulher imobilizada e sem poder usar as mãos, o suspeito pegou no telemóvel da mulher e começou a gravar um vídeo da mesma, nua e a algemada. Tirando partido da situação, o suspeito pediu à mulher para revelar a password da sua aplicação de home banking, sob pena de divulgar o vídeo onde aparece sem roupa pelos seus amigos e familiares. Chantageada, a mulher acedeu ao pedido do suspeito, que de imediato fez uma transferência de 100 mil renminbis da conta da prostituta para a sua própria conta. De seguida, o homem pôs-se em fuga, deixando a mulher nua e amarrada no quarto, que acabou por conseguir chamar a segurança do hotel e apresentar queixa à polícia. Mais nunca é demais Iniciada a investigação, a PJ descobriu que, após abandonar o hotel, o suspeito dirigiu-se à zona do NAPE, onde trocou ilegalmente o montante que tinha acabado de receber digitalmente por dinheiro e seguiu para outro casino para jogar. Na manhã do mesmo dia, e recorrendo às câmaras de vigilância, a PJ viria a encontrar e deter o homem numa sauna no NAPE, onde estava a dormir. Durante o interrogatório, o homem confessou ter roubado a prostituta por ter perdido todo o dinheiro que tinha no casino e acrescentou ter gasto os 100 mil renminbis novamente em jogo. O caso seguiu ontem para o Ministério Público (MP), onde o indivíduo irá responder pelos crimes de “roubo” e “gravações e fotografias ilícitas”. A confirmar-se a acusação, o suspeito pode ser punido com pena de prisão de 1 a 8 anos pela primeira infracção e com pena de prisão até 2 anos ou pena de multa até 240 dias pelo segundo crime. Também a mulher foi levada para o MP, devido a irregularidades relacionadas com o seu visto de trabalho.
Grande Baía | Pandemia atrasa abertura de segunda clínica da Globallmed Andreia Sofia Silva - 24 Fev 202224 Fev 2022 Era para abrir no primeiro semestre do ano passado, mas não há ainda data para a abertura de uma segunda clínica gerida pela Globallmed em Macau. José Quinteiro, director do Centro Médico Globallmed, diz que o projecto está em suspenso devido à pandemia O facto de Macau ter praticamente as fronteiras fechadas ao exterior e a obrigatoriedade de cumprimento de longas quarentenas obrigou a Globallmed a adiar os planos de abrir uma segunda clínica na avenida Coronel Mesquita, confirmou ao HM o empresário José Quinteiro, director do Centro Médico Globallmed. “Esse projecto foi congelado devido à situação que se vive em Macau e a gestão que está a ser feita da pandemia, que nos limita imenso o desenvolvimento dos negócios. Não vamos estar a alocar um conjunto de recursos humanos que poderia não vingar.” Foi em 2018 que a Globallmed, marca do grupo IGHS – Global Healthcare Services, chegou a Macau, passando a gerir, no ano seguinte, uma clínica na Taipa, na avenida de Guimarães, que já funcionava há dez anos. Com as oportunidades trazidas pelo projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, a Globallmed promete continuar a investir no território, num projecto que envolve “medicamentos inovadores e uma profunda ligação aos cuidados de saúde”. “Temos alguns contactos já estabelecidos para algo maior em matéria de cuidados de saúde, que teria um cariz hospitalar. Estamos focados em algo novo na área do medicamento. Queremos integrar um parceiro europeu, que será português, do Médio Oriente e da Ásia, quer seja China, Hong Kong ou Macau”, frisou José Quinteiro. Este responsável defende, no entanto, uma modernização da legislação de Macau nesta área. “Parece-me importante a harmonização legal. Em Macau temos uma excelente legislação que está desfasada no tempo. Não se evoluiu em relação às leis que existiam em Portugal nos anos 80 na área da saúde e do medicamento. O facto de não haver uma modernização face às regras de mercado acaba por desviar algum interesse. Mas apostamos que, com o dinamismo que se prevê para essa área, que esta modernização venha a acontecer.” José Quinteiro foi um dos oradores da palestra que decorreu ontem na Fundação Rui Cunha (FRC) e que abordou a presença do tecido empresarial português na Grande Baía. O empresário destacou que esta zona constitui “uma grande importância ao nível do turismo de saúde, algo que ainda não está explorado”. Aposta no imobiliário Nuno Batista, do grupo Soulfato, foi outro dos oradores do evento na FRC. Esta empresa está presente há 15 anos na China, operando actualmente em Shenzhen, por ser “a grande cidade das startups”, além de possuir escritórios em Macau e Portugal. A Soulfato trabalha essencialmente no mercado imobiliário, com recurso aos vistos gold, e na captação de empresas internacionais para o mercado chinês. O empresário considera que a Grande Baía é, neste momento, “a região da China com maior impulso económico e mais oportunidades”, além de ter trazido a oportunidade para a criação de mais plataformas que permitem a partilha de informações entre empresas portuguesas e chinesas, como é o caso das câmaras de comércio. Para Nuno Batista, a Grande Baía é também um balão de ensaio para “que as empresas portuguesas aprendam como entrar no mercado chinês de forma eficiente”, uma vez que em Portugal “há muitas empresas com capacidade económica” para investir neste campo. Tiago Pereira, representante em Macau da Associação para a Cooperação e Desenvolvimento Portugal-Grande Baía, que organiza este evento, destacou ao HM que “já existe alguma presença empresarial portuguesa nesta zona, mas haverá potencial para uma presença bem maior”, sobretudo em áreas como inovação tecnológica, investigação e startups. “O projecto da Grande Baía abre um leque de oportunidades e de atracção de investimento estrangeiro. É um projecto de integração que pretende atrair empresas e talento da China e do exterior, criando-se um centro de inovação que traduz a transformação económica da China para sectores de maior valor acrescentado. Deste ponto de vista haverá possibilidades a explorar pelas empresas portuguesas”, rematou. O debate contou ainda com a participação de outras personalidades, como é o caso de Carlos Álvares, CEO do Banco Nacional Ultramarino, Carolina Lousinha, da AICEP, ou o economista José Sales Marques. A moderação esteve a cargo do jornalista José Carlos Matias.
AL | Ron Lam desiludido com secretários por falta de respostas João Santos Filipe - 24 Fev 2022 A Lei do Jogo e o Metro Ligeiro são assuntos em que o deputado tem focado a atenção, mas o Governo tem sido parco em revelar pormenores e dar explicações. Contudo, o deputado promete voltar à carga O deputado Ron Lam considera que alguns dos secretários do Governo estão a ter um desempenho abaixo do expectável. Em causa, está não só a forma como exercem o poder, mas também a falta de respostas face às dúvidas levantadas pelos deputados nas sessões da Assembleia Legislativa e através das interpelações escritas. O episódio mais recente tem a ver com uma interpelação escrita de 23 de Dezembro, quando o deputado questionou o Executivo sobre o custo da Linha de Leste do Metro Ligeiro. Na resposta, divulgada há poucos dias, Lam Wai Hou, coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) respondeu em três linhas: “As respostas às questões em causa foram detalhadamente apresentadas pelos representantes do Governo, na sessão plenária de interpelações orais da Assembleia Legislativa de 18 de Janeiro de 2022”, escreveu Lam Wai Hou. No entanto, na mencionada sessão, a pergunta também não foi respondida. “Em relação à Linha Leste, é claro que temos as nossas estimativas, mas, nesta fase, ainda não conseguimos controlar todos os factores que vão contribuir para o custo final. Por isso, não quero adiantar um valor”, disse Raimundo do Rosário, na altura, sobre o assunto. Para Ron Lam, a postura dos governantes é uma desilusão: “Através dos deputados e da Assembleia Legislativa fiscaliza-se o Governo. Mas, penso que alguns dos secretários não estão a ter um bom desempenho nas suas funções”, considerou o deputado, ao HM. “Fiz muitos pedidos de informações e interpelações sobre o Metro Ligeiro, também exigi um relatório detalhado sobre acidentes na construção, para perceber se vale a pena ou não avançar com as fases seguintes. Só que o Governo não me facultou qualquer informação”, queixou-se. “Escreveram uma resposta a uma interpelação escrita a dizer que a informação já tinha sido dada numa interpelação oral…”, explicou. Voto de protesto Às perguntas sem resposta sobre o Metro Ligeiro, soma-se o debate sobre a proposta da nova Lei do Jogo. Num plenário muito marcado pela situação do fim dos casinos-satélite, foram vários os deputados que pediram ao secretário Lei Wai Nong para explicar o impacto para o emprego local. Por outro lado, foi igualmente pedido a Lei que explicasse como a situação podia ser atenuada, no caso de afectar não só os casinos-satélite, mas também todo o comércio que funciona à volta da principal indústria do território. “Fiz muitas questões sobre a Lei do Jogo, mas o Governo não quis responder. Dizem que todos os assuntos vão ser discutidos na sede da especialidade, mas essas reuniões são feitas à porta fechada e não esclarecem a população”, justificou Ron Lam. Como consequência da intransigência de Lei Wai Nong, Ron Lam acabou por votar contra o diploma. “Votei contra no Plenário, para chamar a atenção do Governo para a necessidade de esclarecer a intenção legislativa e para que se perceba que este tipo de postura cria muitas dúvidas na sociedade. Estamos a falar de assuntos que afectam a vida da população e prejudicam o funcionamento dos casinos”, alertou. Apesar de este trabalho poder causar alguma frustração, Ron Lam, eleito pela primeira vez em Setembro, promete continuar a lutar para esclarecer todas as dúvidas.
As relações China-Rússia e os acontecimentos em Donetky-Lugansk (Ucrânia) Hoje Macau - 24 Fev 2022 Por Francisco José Leandro – Professor Associado da Universidade Cidade de Macau Nas relações China-Rússia há cinco factos que, independentemente dos próximos desenvolvimentos no sudeste da Ucrânia, irão ditar a posição chinesa. Em primeiro lugar, a China e a Rússia são membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, facto que a China entende como uma especial responsabilidade no quadro da preservação do sistema da Carta das Nações Unidas; isto significa o respeito pela integridade territorial de todos os Estados e, tal como afirmou recentemente o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China Wang Yi, “todas as soluções para a crise na região de Donetky-Lugansk devem ser negociadas no quadro dos Acordos de Minsk” (2015). Posição lógica e coerente na sequência dos acordos de Budapeste em 1994, no quadro da OSCE, aos quais a China deu o seu apoio de forma escrita. Em segundo lugar, a assimetria das relações económicas (a economia Chinesa é cerca de 11 vezes a da Rússia), os recentes desenvolvimentos no contexto da iniciativa da nova rota da seda na região da Eurásia, designadamente no âmbito da Parceria Económica Euro-asiática (2021), da Parceria Estratégica China-Rússia (1994), da entrada em funcionamento do gasoduto “Power of Siberia” (2022) e das possibilidades que oferece o Projecto Yamal e a Rota da Seda Polar, levará previsivelmente a que China a adopte uma posição de responsabilidade e de comedimento perante a comunidade internacional e perante os seus próprios interesses. Em terceiro lugar, a China é um importante parceiro comercial da Ucrânia. A Ucrânia importa da China 15% do seu total de importações, exposta para a China 16% do seu total de exportações. Para além disso, é necessário ter em conta que, face às posições políticas já assumidas pela União Europeia e pela maioria dos seus Estados-Membros, a China é o maior parceiro comercial do Espaço Comum Europeu e, também por essa razão, não se espera um inequívoco, incondicional e público alinhamento China-Rússia. Espera-se, isso sim, um intenso debate diplomático sem os holofotes dos meios mediáticos. Em quarto-lugar, as relações China-Rússia já não são as que se verificavam em 1958 durante a cimeira Mao Zedong-Kruschev. A China é hoje uma superpotência económica, uma potência em crescimento e com sofisticação militar, um reconhecido actor global, ao qual a Rússia se vai procurar associar, para capitalizar no seu esforço de regresso ao concerto dos estados mais poderosos do sistema internacional. Todavia, as assimetrias geoeconómicas estão a favor da China, que estou em crer não deseja mais do que aprofundar parceiras, distanciando-se da ideia de alianças formais. Finalmente, a China e a Rússia têm um forte ponto comum nas suas agendas das relações internacionais: são ambas potências revisionistas que não aceitam uma ordem internacional baseada unicamente no modelo neoliberal e, como tal, têm visões próprias para a evolução do sistema. Ambas sabem também, que uma eventual reeleição do Presidente Donald Trump (2025) aconselha a uma redobrada prudência, já que alinhadas representam uma possibilidade de reequilíbrio ideológico da ainda ordem hegemónica.
Ucrânia | China olha para tensão na Europa com prudência e expectativa Andreia Sofia Silva - 24 Fev 2022 A escalada da Rússia em direcção à Ucrânia deixa, para já, a China “expectante” e “cautelosa”, tendo em conta as relações de proximidade com o país presidido por Vladimir Putin. Analistas acreditam que a tensão que se vive na Europa pode constituir um teste em relação à situação de Taiwan Declarada a independência, por Vladimir Putin, dos territórios separatistas da Ucrânia, Lugansk e Donetsk, pró-Rússia, teme-se a escalada ofensiva até Kiev, capital do país. Vladimir Putin, Presidente russo, parece querer retirar das cinzas pedaços do que foi a URSS, expandindo a sua estratégia para os países vizinhos e violando para isso, aos olhos do Ocidente, as leis internacionais. A China, que mantém uma relação amigável com Moscovo, está para já “expectante” e “cautelosa”, apontam analistas ouvidos pelo HM. “A posição do Xi Jinping, neste momento, é expectante. A Europa deveria fazer uma cintura de protecção, os EUA deveriam reforçar o contingente militar que têm na Polónia e nos países de leste da UE para travar qualquer tentativa golpista por parte da Rússia. Não é fácil, e penso que antes da Primavera não vai haver grandes movimentações. Putin é um homem muito inteligente e calculista”, explicou o académico Arnaldo Gonçalves, especialista em relações internacionais e ex-residente no território. Já Jorge Tavares da Silva, académico da Universidade de Aveiro e especialista nas relações China-Taiwan, defende que está em causa uma “posição sensível”, pois “a relação entre a China e a Rússia não é uma aliança formal mas tem um eixo de conveniência”. “Há um alinhamento diplomático entre os dois países que foi reforçado com os Jogos Olímpicos de Inverno. A situação actual coloca a China uma posição difícil, em que o país tenta não se comprometer demasiado com a Rússia, porque isso pode, de alguma forma, trazer-lhe uma reacção negativa a nível internacional.” Jorge Tavares da Silva acredita mesmo que poderá haver uma consequência para os chineses das sanções que a comunidade internacional está a aplicar à Rússia pelo seu posicionamento face à Ucrânia. “Imaginemos que as sanções que são aplicadas à Rússia se alargam à China. E se isto vier a acontecer será trágico para a relação bilateral Moscovo-Pequim. Será complicado, uma vez que a China está a tentar recuperar a sua economia face ao contexto da covid-19 e não quer ver a sua situação mais debilitada. A China está muito cautelosa e não quer ingerências do ponto de vista militar”, acrescentou o académico. Teste para Taiwan A tensão que se vive na Ucrânia pode também servir de balão de ensaio para a questão de Taiwan. “É evidente que a China faz um teste”, declarou Jorge Tavares da Silva. “Há um apoio informal de Pequim a estas intervenções militares [da Rússia]. Se, eventualmente, Pequim decidir fazer uma intervenção militar em Taiwan, sabe que pode contar com o apoio de Moscovo. Há esta cumplicidade entre as duas nações.” Para Arnaldo Gonçalves, “a China, por causa do problema de Hong Kong e de Taiwan, está a tentar ler a realidade da Ucrânia, para ver como se pode posicionar”. “O problema é que Taiwan é uma peça central da política de defesa externa dos EUA”, frisou. Ontem, a líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, condenou as acções da Rússia. “O nosso governo condena a violação da soberania da Ucrânia pela Rússia (…) e apela a todas as partes para continuarem a resolver os conflitos por meios pacíficos e racionais”, afirmou Tsai. A governante descreveu Taiwan e a Ucrânia como sendo “fundamentalmente diferentes em termos de geoestratégia, ambiente geográfico e importância das cadeias de abastecimento internacionais”, numa referência ao estatuto da ilha como um dos principais pilares da economia mundial, sobretudo devido à indústria de semicondutores. Ainda assim, Tsai ordenou que os militares intensifiquem as defesas contra o aumento das tensões com a China. “Diante de forças externas que tentam manipular a situação na Ucrânia e afectar o moral da sociedade taiwanesa, todas as unidades do governo devem estar mais vigilantes”, avisou Tsai. Já Pequim, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, acusa os Estados Unidos de lançarem gasolina para a fogueira e recusa qualquer comparação entre a crise da Ucrânia e a questão de Taiwan. “Os Estados Unidos estão a vender armas à Ucrânia, a aumentar as tensões, a criar pânico e até a exagerar o cronograma para uma guerra”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying. “A questão-chave é, qual o papel dos Estados Unidos nas actuais tensões na Ucrânia”, questionou, adiantando: “Alguém que atira gasolina para cima do fogo, enquanto acusa os outros, é alguém imoral e irresponsável”. Quanto à questão de Taiwan, o MNE é categórico. “O facto de as autoridades taiwanesas estarem a escalar a questão ucraniana” e a fingir estarem alarmadas com a situação é “insano”, reagiu Hua Chunying. “Taiwan não é, definitivamente, a Ucrânia. Taiwan sempre foi uma parte inalienável do território chinês. Este é um facto histórico e legal irrefutável”, apontou. Outras condenações Também ontem, o Japão e a Austrália anunciaram sanções contra a Rússia e os territórios separatistas pró-russos de Lugansk e Donetsk. O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, disse que o governo vai proibir nova emissões e distribuição de títulos de dívida soberana russa no Japão, em resposta às “acções da Rússia na Ucrânia”. Kishida disse que o país vai também proibir o comércio com Lugansk e Donetsk, suspender a emissão de vistos para as pessoas ligadas às duas zonas do leste da Ucrânia e congelar os bens desses indivíduos no Japão. O primeiro-ministro nipónico adiantou que as sanções vão entrar em vigor “o mais depressa possível”. O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, anunciou sanções contra instituições bancárias como o VEB, um dos maiores bancos de investimento e desenvolvimento da Rússia, e o banco militar russo, entre outros. A Austrália vai também impor sanções contra indústrias de diversos sectores, como a energia, mineração e hidrocarbonetos, das regiões de Donestsk e Lugansk, que passam ainda a ser abrangidas por sanções impostas em 2011 à Crimeia e a Sebastopol, então ocupadas pela Rússia. Morrison disse que a Austrália vai também proibir a entrada e aplicar sanções financeiras a oito membros do conselho de segurança da Rússia, órgão que reúne os principais decisores russos, em particular os líderes do Exército e dos serviços secretos. O Canadá, o Reino Unido e os Estado Unidos já tinham também anunciado sanções contra a Rússia e os territórios separatistas pró-russos de Lugansk e Donetsk. Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, expressou preocupação com a evolução da crise na Ucrânia, mas absteve-se de tomar uma posição. No início de Fevereiro, a China e a Rússia assinaram uma declaração conjunta na qual anunciavam uma “nova era” nas relações internacionais, afirmando-se “contra qualquer alargamento futuro da NATO”. Na segunda-feira, o Presidente russo reconheceu Lugansk e Donetsk, no leste da Ucrânia, como independentes. Putin anunciou ainda que as forças armadas russas poderão deslocar-se para os territórios ucranianos em missão de “manutenção da paz”, decisão que já foi autorizada pelo Senado russo.
China pune 17 funcionários em caso de mulher que vivia acorrentada numa aldeia Hoje Macau - 23 Fev 2022 As autoridades chinesas puniram 17 funcionários da província de Jiangsu, leste da China, por um caso de maus-tratos a uma mulher, que foi vendida em 1998 e passou anos acorrentada, num caso que chocou o país asiático. Os funcionários, alguns dos quais foram demitidos, “não protegeram os direitos das crianças e mulheres” e incorreram em “formalismos e burocracia”, informou hoje a agência noticiosa oficial Xinhua. O caso, que causou grande indignação nas redes sociais do país, foi conhecido devido a um vídeo publicado a 28 de janeiro na aplicação Douyin – o nome do Tiktok na China – que mostrava uma mulher acorrentada pelo pescoço, numa área rural em Jiangsu. A mulher, mãe de oito filhos, parecia confusa e não conseguiu responder, no vídeo amador, quando questionada sobre se sentia frio, devido às baixas temperaturas da época e à falta de agasalho. O vídeo horrorizou a opinião pública e vários internautas apelaram a uma investigação para esclarecer a situação. As investigações, que começaram a 17 de fevereiro, determinaram, através de uma análise de DNA, que a mulher, cujo nome verdadeiro é Xiao Huamei, nasceu em 1977, em Fugong, na província de Yunnan, no sul da China. Xiao foi vendida a um homem de Jiangsu, de apelido Xu, em 1998, por 5.000 yuans (cerca de 700 euros), mas desapareceu alguns meses depois, disse o homem aos investigadores. De acordo com a investigação, outro homem comprou a mulher, em junho de 2000. O filho desse homem, de sobrenome Dong, obteve fraudulentamente uma certidão de casamento com Xiao e teve oito filhos com ela. A investigação revelou que Dong mantinha Xiao amarrada pelo pescoço, com uma corrente de ferro, desde 2017, e que ela foi privada de assistência médica. Xiao não sofre de qualquer outra doença física, mas, segundo depoimentos dos vizinhos às autoridades, quando chegou à cidade, em 1998, já apresentava sintomas de doença mental, que se agravaram a partir de 2012. No final de janeiro, médicos em Nanjing, capital da província de Jiangsu, diagnosticaram que Xiao tinha esquizofrenia, uma condição que a impede de comunicar normalmente, segundo as autoridades. Dong foi preso por suspeita de abusos. Há ainda dois indivíduos, de apelido Sang e Shi, sob investigação, por sequestro e tráfico humano. O tráfico de seres humanos é um problema persistente na China, agravado pela antiga política do filho único e pelo desequilíbrio entre o número de homens e mulheres no país. Segundo o Banco Mundial, há 42 milhões de homens a mais do que mulheres na China. Homens solteiros recorrem às vezes à compra de mulheres de partes remotas da China ou de países vizinhos, como o Vietname. Nos últimos anos, tecnologias como a análise de DNA ou o reconhecimento facial têm contribuído para solucionar casos de venda de crianças e mulheres.
“Bolha” sanitária dos Jogos de Inverno foi “experiência valiosa” para a China, diz epidemiologista Hoje Macau - 23 Fev 2022 O epidemiologista chinês Zhang Wenhong considerou hoje que a ‘bolha’ sanitária utilizada durante os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, constituiu uma “experiência valiosa” para a China, que mantém as suas fronteiras encerradas. A ‘bolha’ isolou os participantes do evento, que terminou este fim de semana, da população local. Atletas e outros participantes não puderam visitar os locais turísticos ou restaurantes de Pequim durante o seu tempo livre. Os hotéis e os locais de competição foram cercados com muros temporários e guardas. Fora da ‘bolha’, a vida decorreu com normalidade para a maioria das pessoas. Através da sua conta na rede social Weibo – o equivalente chinês ao Twitter -, Zhang destacou que a experiência constituiu uma resposta “perfeita” ao desejo da China de interagir com o exterior, enquanto a pandemia perdurar. Não há relato de casos de contágio entre a ‘bolha’ e a população de Pequim. As fronteiras da China permanecem fechadas para visitantes estrangeiros não residentes. Quem chega ao país tem que cumprir quarentena, de pelo menos 14 dias, num hotel designado pelo governo. A lição dos Jogos Olímpicos de Inverno está no “cancelamento da quarentena para viagens internacionais, em determinadas circunstâncias”, superando assim o “desequilíbrio” entre as diferentes estratégias de prevenção de cada país, apontou Zhang. O especialista espera que a experiência dos Jogos possa ser estendida a “intercâmbios políticos, económicos e académicos”, para “promover a interação” entre a China e o exterior. O epidemiologista é um dos mais conhecidos especialistas em saúde do país asiático e tem mais de quatro milhões de seguidores no Weibo. Enquanto alguns países como a Austrália ou Singapura relaxaram as suas estratégias de tolerância zero contra a covid-19, a China continua inflexível, restringindo a movimentação e realizando campanhas massivas de testes e confinamentos sempre que um surto é detetado. Segundo as contas das autoridades chinesas, desde o início da pandemia, 108.194 pessoas foram infetadas no país, entre as quais morreram 4.636.
Hong Kong vai distribuir até 10 mil dólares de HK a residentes para estimular consumo Hoje Macau - 23 Fev 2022 Hong Kong anunciou hoje que vai distribuir vales eletrónicos até 10 mil dólares de Hong Kong à população para estimular o consumo, quando atravessa a pior vaga da covid-19 desde o início da pandemia. O programa, no valor de 66,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, faz parte do orçamento da região para 2022, apresentado pelo secretário das Finanças do governo local, Paul Chan. O orçamento inclui ainda um “fundo antipandemia” de 64 mil milhões de dólares de Hong Kong e uma verba de 20 mil milhões de dólares para apoiar pessoas e empresas mais afetadas pelos surtos. Com cerca de sete milhões de habitantes, a região enfrenta uma quinta vaga de infeções pelo novo coronavírus, a pior desde o início da pandemia, com milhares de casos todos os dias. Chan garantiu que Hong Kong vai “controlar gradualmente” a propagação da covid-19, algo que permitirá também o reinício das viagens sem quarentena de e para a China e região vizinha de Macau, suspensas desde março de 2020. O secretário das Finanças expressou confiança na recuperação do consumo e do investimento e previu que as medidas de estímulo fiscal agora anunciadas vão permitir à economia acelerar na segunda metade do ano. Num discurso sobre os orçamentos da cidade para 2022 e 2023, Chan previu que a economia deverá crescer entre 2% e 3,5%, uma desaceleração significativa, justificada com uma base comparativa mais forte. O produto interno bruto (PIB) da região chinesa cresceu 6,4% em 2021, após ter contraído 6,1% em 2020, devido ao impacto da pandemia. Macau anunciou, em abril de 2021, uma segunda ronda de apoios ao consumo no valor total de 5,88 mil milhões de patacas, dando aos residentes subsídio de cinco mil patacas e a um montante de três mil patacas em descontos imediatos, através de pagamento móvel ou de um cartão eletrónico.