10 de Junho | Clube Militar serve comida mirandesa de Lídia Brás

Começa hoje mais uma iniciativa – desta vez gastronómica – do programa “Junho – Mês de Portugal na RAEM”. Trata-se do “Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Primavera 2026”, no Clube Militar de Macau, onde se pode provar os pratos de Lídia Brás e do seu assistente, Fernando Araújo

Lídia Brás é uma cozinheira de mão-cheia e será ela a protagonista do já habitual festival de gastronomia que o Clube Militar acolhe todos os anos. Nesta edição do “Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Primavera 2026”, integrante do cartaz de celebrações de “Junho – Mês de Portugal na RAEM”, espera-se comida transmontana genuína e alguns dos melhores vinhos portugueses. Na cozinha de Lídia estará também Fernando Araújo como seu assistente. O evento começa hoje e termina dia 15.

Numa nota do Clube Militar, descreve-se como este evento celebra também os 156 anos de existência desta entidade, “uma das mais antigas associações sociais de Macau”. O sentimento por receberem um evento ligado à cultura portuguesa é de felicidade e honra, destaca a nota assinada pelo presidente da direcção, Ambrose So.

O festival em causa “já tem uma tradição de mais de duas décadas no nosso Clube, coincidido, desde 2015, com a celebração do ‘Mês de Portugal na RAEM’. Sentimo-nos muito honrados pela integração nas actividades da celebração” organizada por diversas entidades, nomeadamente o Consulado-geral de Portugal na RAEM.

Mais do que experimentar comida portuguesa, este festival traz a Macau a verdadeira comida transmontana de Miranda do Douro, de onde é natural Lídia Brás, que foi, até há bem pouco tempo, chef de cozinha no restaurante Stramuntana, em Vila Nova de Gaia. “Stramuntana” quer dizer Transmontana em mirandês, um dos dialectos falados no país e que apresenta uma ligação com o espanhol, nomeadamente da zona da Galiza.

Nas redes sociais do restaurante lê-se que o Stramuntana “pretende representar o verdadeiro espírito transmontano; começando pelo nome em mirandês e passando por toda a cozinha de conforto aqui praticada”. Lídia anunciou nas redes sociais, em Março deste ano, que iria deixar a liderança do restaurante e abraçar novos projectos.

“Informo que, a partir deste momento, deixo de ter qualquer vínculo profissional, colaboração ou ligação aos projetos Stramuntana e Proua. Foi um percurso ao qual me entreguei com dedicação, responsabilidade e respeito, e pelo qual guardo gratidão por tudo o que foi construído ao longo desse caminho”, escreveu. A chef acrescentou ainda que iria iniciar “uma nova etapa na Bondlair”. Fernando Araújo continua à frente do projecto Stramuntana.

Lídia e Fernando são um casal que está junto na vida e na cozinha, transmitindo “a paixão das raízes transmontanas de Lídia em que o minhoto Fernando se integra perfeitamente”. Fernando, por sua vez, traz também para a cozinha o seu “conhecimento aprofundado e alargado sobre vinhos”. Associado à cozinha, juntam-se elementos desta região portuguesa como os caretos de Podence, gaitas-de-foles, cabaças, referências ao poeta Miguel Torga, nascido em São Martinho da Anta, em Trás-os-Montes.

Aposta desde 2006

Lídia Brás nasceu em Miranda do Douro e faz, no seu restaurante e também neste festival no Clube Militar, uma elegia à sua terra. Formou-se em Artes, mas depressa percebeu que a sua vida passaria pelos tachos e por transmitir a cultura do lugar onde nasceu.

O Clube Militar, na mesma nota, descreve como o trabalho de Lídia “preserva a autenticidade, sazonalidade e características da cozinha portuguesa, por vezes com um toque pessoal de inovação”, investigando ainda o “receituário Transmontano ancestral, ligado maioritariamente a tradições de festas populares, comidas do campo e rituais específicos daquela região”.

Fernando Araújo nasceu em Vila Nova de Gaia, mas tem raízes minhotas em Adaúfe. “Herdou desde cedo o palato apurado e o gosto pelo saber-fazer da gastronomia nortenha: os peixes e mariscos do litoral, os enchidos tradicionais e os pratos ricos de carne da terra”, é descrito.

Bem mais a Sul de Portugal, no “Alentejo profundo”, Fernando Araújo “aprofundou o conhecimento sobre a riqueza da gastronomia nacional, absorvendo tradições, sabores e técnicas que marcariam o seu percurso profissional”. O primeiro negócio do casal na área da gastronomia abriu portas em 2006, tendo-se iniciado “um percurso de crescimento contínuo na restauração e no universo vínico”.

No “Stramuntana” apresenta-se muita comida de tacho e feita em tradicionais panelas ao lume, como antigamente, prometendo-se o mesmo sabor no festival acolhido pelo Clube Militar. São as “memórias gastronómicas que existem em cada um de nós”, como as “comidinhas de conforto que nos remetem à infância e que, por mais simples que sejam, são sempre especiais, porque nos fazem lembrar de pessoas e de momentos”, lê-se na página de Facebook do restaurante. Na mesma publicação, apresenta-se a versão em mirandês: “Eisisten, an cada un de nós, las mimórias gastronómicas; las comidinhas de cunfuorto que mos remeten a l’anfáncia. Por mais simples que séian, son siempre speciales porque mos fázen lhembrar de pessonas i de momientos.”

NOTA: Notícia editada online com a nova informação de que Lídia Brás deixou o projecto Stramuntana este ano.

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