Covid-19 | Bloqueios localizados tornam vida numa versão do jogo “Campo Minado” Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR A China está a substituir bloqueios totais com confinamentos localizados e testes em massa diários à covid-19, que transformaram a vida nas cidades chinesas numa espécie de versão real do popular jogo de computador “Campo Minado”. Reduzir o impacto económico das medidas de prevenção epidémica é o objectivo desta abordagem agora adoptada pelas autoridades. Praticamente vazias ao longo de um bloqueio de dois meses, que terminou no início deste mês, as ruas de Xangai, a “capital” económica da China, voltaram a ficar entupidas de automóveis nas últimas semanas. No entanto, quarteirões inteiros continuam a ser encerrados, sempre que é detectado um caso positivo, ou apenas um contacto próximo nas suas imediações. Os moradores continuam também a ser levados para instalações designadas pelo Governo, para cumprirem até três semanas de isolamento, caso habitem no mesmo prédio de alguém infectado. Para aceder a supermercados, restaurantes ou transportes públicos é necessário ter um teste negativo para o vírus, realizado nas 48 horas anteriores. Esta é a nova versão da estratégia de “zero casos” da China: bloqueios localizados, isolamento de infectados e contactos próximos, e testes em massa. Isto é possível devido à obrigatoriedade do uso de uma aplicação para aceder a locais públicos ou residenciais. O utilizador deve primeiro digitalizar o código QR, uma versão bidimensional do código de barras, colocado na entrada de todos os edifícios, assim como nos transportes públicos ou táxis. Sempre que um caso é diagnosticado, as autoridades acedem aos seus movimentos nos dias anteriores, identificando as pessoas com quem potencialmente teve contacto. A ida ao mesmo local onde esteve alguém que mais tarde testou positivo para o novo coronavírus resulta no isolamento num centro de quarentena. “É como jogar ao ‘Campo Minado’”, ironiza um europeu radicado em Pequim ouvido pela Lusa, numa referência ao jogo de computador “Minesweeper”, que se tornou popular nos anos 1990 devido à sua distribuição juntamente com o sistema operacional Microsoft Windows. A área de jogo consiste num campo de quadrados retangular. Cada quadrado pode ser revelado com um clique. Se o quadrado contiver uma mina, o jogador perde. A dobrar Foi o que aconteceu, por duas vezes, a um consultor português instalado em Pequim, que prefere não ser identificado. Na semana passada, o seu bairro foi bloqueado, pela segunda vez em menos de um mês, após alguns moradores terem sido considerados contactos directos de casos de covid-19 confirmados. O condomínio, situado na zona oeste de Pequim, é composto por 12 prédios e abriga mais de cinco mil pessoas. Vídeos partilhados com a agência Lusa mostram um grupo de moradores a pedir explicações às autoridades, que se limitaram a explicar que há muitos jovens no condomínio que frequentam um bar de Pequim associado ao mais recente surto na cidade, registado no início da semana passada. Centenas de casos foram vinculados ao bar Heaven Supermarket, próximo do Estádio dos Trabalhadores, onde está concentrada a vida nocturna na cidade, depois de uma pessoa infetada ter visitado o local. As autoridades locais tinham acabado de declarar o fim do último surto. Firmes e hirtos A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou já que a política de “zero casos” da China é “insustentável”, mas o país não dá sinais de desistência. Pelo contrário: as principais cidades chinesas estão a construir centenas de milhares de centros permanentes de testagem à doença covid-19 e a expandir as instalações de quarentena. As principais cidades chinesas devem agora ter locais de teste disponíveis a não mais de 15 minutos a pé das casas dos moradores, segundo as directrizes emitidas pelo Governo central. As 31 províncias e regiões do país também estão a seguir ordens de Pequim para preparar novos hospitais e instalações de quarentena, para o caso de ocorrer um surto de grandes dimensões, como aquele que atingiu Xangai. Yanzhong Huang, especialista em políticas de saúde pública do Conselho de Relações Externas, um centro de reflexão com sede em Nova Iorque, diz que as medidas demonstram o compromisso de Pequim com a estratégia de “zero casos”, “apesar do crescente custo social e económico associado a esta abordagem”. “O Governo acredita que pode superar o vírus”, aponta o especialista. “Mas sabemos que isto não é realista para a variante Ómicron. E, para uma variante ainda mais transmissível, isto tornar-se-á ainda menos viável”, conclui.
Estudo | Mangais diminuíram para um terço nos últimos 30 anos Hoje Macau - 23 Jun 202223 Jun 2022 DR Florestas de mangues que depuram água de Macau caem para um terço em três décadas. No que diz respeito à poluição marítima, Macau está entre territórios do mundo com maior índice de contaminação de plástico no oceano A extensão de florestas de mangues em Macau, que têm a capacidade de depurar as águas do território, foram reduzidas para um terço nas últimas três décadas, disse à Lusa uma investigadora universitária. “Havia 60 hectares nos anos 90 e agora são cerca de 19, mais centradas em partes da Taipa, Cotai e Coloane. Foram-se destruindo pela pressão da urbanização, mas há agora um esforço muito grande das autoridades para reflorestar estas zonas com a colaboração da Universidade de São José”, explicou a engenheira do ambiente Cristina Calheiros, docente da instituição. “A floresta de mangues é como uma estação de tratamento de águas natural, são ecossistemas habituados à salinidade e ajudam a depurar a água, a remover poluentes, metais pesados, servindo de apoio à descontaminação das águas”, contextualizou a académica, doutorada em biotecnologia. Cristina Calheiros frisou que os mangais são um contributo ambiental importante com benefícios que passam pela fitorremediação, por se tratarem de sequestradores de carbono e locais de nidificação, mas também a nível económico, porque estas florestas “são maternidades para peixes, caranguejos, bivalves e outros animais marinhos”. Ou seja, concluiu, “é um exemplo como Macau deve adoptar soluções baseadas na natureza”. Para além da conservação de zonas húmidas, das florestas de mangues, outras respostas devem ser dadas em Macau, sustentou, onde as autoridades podem liderar pelo exemplo. Soluções que passam também por acções até nos edifícios, como a criação de jardins verticais e coberturas ou telhados verdes, porque, salientou aquela que é também vice-presidente da Associação Nacional de Coberturas Verdes, “o que se fizer ao nível do edificado e em terra tem impacto directo no mar”, dando o exemplo a gestão e políticas relativas ao plástico, um dos grandes poluentes dos oceanos. O que vem de cima Macau, um dos territórios com maior densidade populacional a nível mundial, tem sido confrontado com “o tipo de pressões que se vê um pouco por todo o mundo”, de “crescente urbanização, impermeabilização da superfície, degradação das zonas costeiras, da qualidade do ar e da água, e de carência de espaços verdes”. Com o problema acrescido das alterações climáticas, as condições mais extremas e mais eventos de súbita precipitação, as escorrências urbanas que vão para o mar afectam a qualidade da água, sendo necessário investimento ao nível do saneamento e da drenagem, num território que tem igualmente de contar com o factor potenciador de poluição a partir de regiões vizinhas. A Universidade de São José tem também promovido acções de sensibilização/educação ambiental, para dar resposta à necessidade de envolver todos na mesma missão, em sintonia com a convicção de que é preciso ter “uma visão holística do problema”, insistiu. Afinal, concluiu, “é preciso apostar na literacia ambiental”. E “dar o exemplo”, acrescentou. Mar de plástico O director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José disse à Lusa que o território regista a nível mundial um dos maiores índices de contaminação de plástico no oceano e que este é um dos grandes desafios ambientais na região. David Gonçalves deu como exemplo o Rio das Pérolas, no sul da China, que está entre os dez que mais contribui ao nível da contaminação oceânica com plásticos, microplásticos e nanoplásticos. Macau, a oeste da foz do rio, que atravessa várias províncias chinesas, tem dados de “um estudo feito há já algum tempo que revela que os índices de contaminação nas praias e zonas costeiras, que afecta plantas e animais, são dos mais elevados do mundo”, explicou David Gonçalves. “Por um litro de areia, de sedimento, foram encontradas mais de duas mil partículas de microplástico, (…) o que se situa no extremo elevado do que é reportado na literatura, quando nos casos mais baixos se aponta para poucas dezenas ou menos até”, exemplificou o biólogo, especializado na área do comportamento animal e ciências ambientais. Agora, avançou, está a ser conduzido um estudo que envolve a instituição de Macau e a Universidade do Algarve, em parceria com o Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciência dedicado à quantificação da poluição de nanoplásticos na água em sedimentos e organismos, que irá permitir fazer uma análise comparativa. “E Macau é um bom caso de estudo, neste caso mau, ao nível da contaminação de plástico em geral”, sendo que a investigação vai ser desafiante ao nível da técnica, baseada em análises físico-químicas que permitam a quantificação dos nanoplásticos, diferente daquela que permite obter os índices de contaminação dos microplásticos. Para além disso, explicou, “a investigação vai procurar perceber o impacto destas nanopartículas nas células, nos organismos, e de que forma podem causar interferência na fisiologia e comportamento normal dos animais”. Solução de aquacultura Também devido à sua localização geográfica, em Macau não faltam desafios ambientais: a resposta a uma gestão ineficiente dos resíduos sólidos é um deles. E qualquer acção nesta área deve passar por reduzir a proporção de resíduos sólidos e em melhorar a qualidade de gestão dos mesmos, sustentou o académico. Outro dos elementos de pressão para Macau, com impacto directo no mar, tem a ver com as alterações climáticas, frisou, associando as emissões de carbono na atmosfera, absorvido em parte pelo mar, cuja temperatura aumenta, enquanto, em sentido contrário, o oxigénio diminui, com impacto nas espécies marinhas. Um factor a ter em conta, sobretudo quando é associado à sobre-exploração de recursos, como a pesca, especialmente numa zona como aquela em que a região de Macau está inserida, “onde há fraca regulamentação”, salientou. Um sinal de esperança está no facto de se ter assistido recentemente à “transição das quantidades de captura no mar para a aquacultura “, até porque “a China é o produtor ‘número um’ de aquacultura”, lembrou, para concluir: “é um caminho que a meu ver tem de ser feito para aliviar a pressão”. Uma pressão que é visível na degradação dos ecossistemas costeiros. E que se traduz na degradação das florestas de mangais, ainda que se assista a uma recuperação nos últimos anos, mas ainda longe da cobertura anterior, notou. Também aqui, a integração na Grande Baía pode ser benéfica para o território, “desde que os planos de integração ambientais passem do papel à prática”, ressalvou. “Ao nível de Macau acho que temos feito relativamente pouco no sector energético e nos transportes, com a energia a ser praticamente toda importada – e de fontes maioritariamente de origem fóssil -, com Macau a registar um desempenho fraco, considerando até os objectivos da própria China de descarbonização”. Ou seja, Macau tem de fazer mais para se alinhar com esses objectivos”, concluiu.
Operadoras e associações saúdam aprovação da nova lei do jogo Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR As concessionárias e uma subconcessionária de casinos em Macau consideraram a revisão da lei do jogo, aprovada na terça-feira, essencial para o desenvolvimento do território. A concessionária Sociedade de Jogos de Macau Resorts (SJM), fundada por Stanley Ho, afirmou confiar na “contínua futura presença em Macau” e estar a preparar a proposta para o novo concurso, uma vez que as actuais licenças de jogo terminam em 31 de Dezembro e o Governo quer avançar com um concurso público para atribuir novas concessões, de acordo com um comunicado. Também a concessionária Galaxy Entertainment Group (GEG) indicou, numa nota, que, “encorajada pela aprovação da proposta”, vai apoiar o Governo de Macau e o desenvolvimento sustentável da indústria do jogo, ao mesmo tempo que se prepara para “o concurso de atribuição de novas concessões”. A Melco Resorts, subconcessionária liderada por Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, salientou, em comunicado, a importância o novo diploma que “promove a sustentabilidade e desenvolvimento saudável da indústria do jogo em Macau para benefício da comunidade” local. Na terça-feira, a concessionária Wynn e as subconcessionárias Sands China e MGM China tinham destacado o processo legislativo eficiente e bem-sucedido, ferramenta necessária para “o desenvolvimento saudável e sustentável” da indústria do jogo no território, de acordo com comunicados das três empresas enviados à Lusa. O jogo representa cerca de 80 por cento das receitas do Governo e 55,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Macau, numa indústria que dá trabalho a mais de 80 mil pessoas, ou seja, a 17,23 por cento da população empregada. Associações também aplaudem A aprovação da nova lei do jogo é vista com bons olhos por várias associações de Macau, que acreditam que o sector pode agora seguir o rumo certo em termos de desenvolvimento e exploração de mercado. No entanto, o futuro das salas VIP e a protecção do emprego dos funcionários dos casinos são temas que suscitam preocupação. Para o presidente da União Geral das Associações dos Moradores, Chan Ka Leong, a nova lei encoraja as operadoras a apostar no mercado de massas e a explorar novos clientes em mercados estrangeiros. Também o director do Centro Pedagógico e Científico nas Áreas do Jogo e do Turismo, Wang Chang bin, considerou que a alteração irá trazer um “desenvolvimento estável” ao sector. Contudo, alerta para o impacto “muito negativo” que a nova lei vai trazer às salas VIP. Por seu turno, Kou Ngon Fong, da Associação Choi In Tong Sam apontou que, apesar de a nova lei prever a defesa dos direitos laborais dos funcionários dos casinos, espera que sejam produzidos regulamentos complementares específicos para garantir o emprego e a ascensão profissional dos trabalhadores locais do sector.
Casinos | Concurso pode arrancar no fim de Julho ou Agosto, diz a JP Morgan Pedro Arede - 23 Jun 2022 DR Os analistas da JP Morgan acreditam que o concurso para atribuir novas licenças pode começar no final de Julho ou em Agosto, prevendo-se que os resultados sejam anunciados “no início de Novembro”. A corretora avança ainda que a SJM é a operadora de Macau que mais está a sofrer com as restrições anti-epidémicas e, sem receitas, terá liquidez financeira para sustentar operações até Março de 2023 O concurso público para a atribuição das novas licenças de jogo poderá arrancar já no final do próximo mês ou no decorrer de Agosto. A previsão foi avançada na terça-feira pela JP Morgan Securities (Asia Pacific) em comunicado, no seguimento de a nova lei do jogo ter sido aprovada pela Assembleia Legislativa. Além disso, citados pelo portal GGR Asia, os analistas DS Kim e Livy Lyu baseiam-se no primeiro concurso público de atribuição de licenças de jogo em Macau, para apontar o “início de Novembro” como data para o anúncio dos resultados da nova licitação. “A nova lei do jogo fornece agora uma base para o Governo [de Macau] preparar o concurso público para as próximas concessões de jogo (2023-2032)”, pode ler-se na nota citada pelo GGR Asia. “Lembramos que, no caso das concessões atribuídas há 20 anos, o concurso público teve início cerca de 40 dias após a aprovação da lei de jogo [original] e durou cerca de três meses. Com base nestes dados, esperamos que o concurso comece em Agosto, ou no final de Julho, e os resultados finais possam ser anunciados no início de Novembro”, acrescentam os analistas. Os especialistas avançam ainda esperar que “todas as seis concessionárias possam ver as suas licenças renovadas”, com aquilo que consideram ser uma “quantidade razoável” ou” modesta” de condições adicionais de investimento em actividades não relacionadas com o jogo. Recorde-se que, depois de estendidas além de 26 de Junho, as actuais licenças de jogo terminam a 31 de Dezembro. A nova lei do jogo aprovada na terça-feira, limita o prazo de concessão a dez anos, metade do actualmente vigente, a um total máximo de seis concessionarias de jogo e proíbe as subconcessões. O diploma estabelece ainda uma subida de 1,6 para 2 por cento do actual imposto sobre as receitas do jogo, entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos, bem como um aumento de 2,4 para 3 por cento do imposto destinado ao Fundo de Segurança Social de Macau e ao desenvolvimento urbano e turístico. O imposto directo sobre as receitas de jogo mantém-se nos 35 por cento. Sem espaço de manobra Numa outra nota divulgada no domingo, a JP Morgan volta a alertar para a situação financeira da SJM Holdings, apontando que a empresa que controla a concessionária Sociedade de Jogos de Macau é, entre as operadoras de jogo de Macau, a que mais está a sofrer com a implementação da estratégia “zero covid” no território. Nesse contexto, no comunicado citado pela edição online do Financial Times, é indicado que, num cenário de ausência total de receitas, a SJM teria apenas a liquidez financeira necessária para continuar as suas operações até Março de 2023, o período mais curto entre as concessionárias. Segundo os analistas, a SJM terá actualmente uma liquidez financeira de cerca 710 milhões de dólares americanos o que, estimando custos fixos mensais de 80 milhões, permitiria sustentar as operações por mais nove meses. Por seu turno, a JP Morgan estima que a liquidez financeira da Sands China seja de cerca de 1.6 mil milhões de dólares e que outras operadoras como a Wynn, MGM e Melco tenham liquidez financeira para suportar operações, sem qualquer receita, até meados de 2024.
Ella Lei quer mais apoios económicos face ao novo surto João Santos Filipe - 23 Jun 2022 Rómulo Santos A legisladora da Federação das Associações dos Operários de Macau defende que o Executivo tem de ajudar os trabalhadores em layoff e os desempregados com pelo menos um novo cheque de 10 mil patacas A deputada Ella Lei apelou ao Governo que para fazer face ao impacto económico do surto mais recente no território que lance urgentemente um subsídio para trabalhadores, profissionais e operadores de estabelecimentos comerciais. O pedido foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada ontem, pelo escritório da legisladora. “A pandemia está entre nós, e está a afectar todos os aspectos das nossas vidas. Com a descoberta de mais casos confirmados na comunidade no dia 19 de Junho, e uma vez que a fonte da infecção ainda não é conhecida, muitos residentes têm de ficar de quarentena. E outros têm de evitar sair de casa”, começou por admitir a deputada. “No entanto, para fazer face às medidas de resposta aos casos comunitários, muitos negócios tiverem de suspender o seu funcionamento e os empregados ficaram sem trabalhar novamente”, alertou. Num cenário em que os rendimentos são cada vez mais reduzidos e em que as medidas do Governo de combate à pandemia impedem o funcionamento da economia, Ella Lei aponta que há que “aliviar o fardo carregado pelas empresas e residentes”. A deputada pede assim um novo “plano de apoio pecuniário aos trabalhadores, aos profissionais liberais e aos operadores de estabelecimentos comerciais”, ou seja, a medida de distribuição de 10 mil patacas a cada trabalhador, em 2020, e que no ano passado ofereceu 10 mil patacas às pessoas com um rendimento anual inferior a 144 mil patacas. “Devido ao impacto profundo da pandemia, muitas empresas e os rendimentos dos trabalhadores estão suspensos, além disso a duração da suspensão é incerta. Será que o Governo já ponderou em que moldes vai lançar o plano de apoio pecuniário aos trabalhadores, aos profissionais liberais e aos operadores de estabelecimentos comerciais”, perguntou. “E será que este ano pode baixar as exigências para a distribuição do apoio aos residentes, para incluir mais pessoas que foram obrigados a ficar de layoff, ou que viram os salários reduzidos?”, questionou. Desempregados crónicos Além da ajuda aos empregados em layoff, Ella Lei indica que há cerca de 2.500 pessoas desempregadas há mais de setes meses, apesar de procurarem activamente trabalho. A estes, juntam-se ainda 1.500 pessoas que estão no desemprego há mais de um ano. A legisladora quer saber se estas pessoas vão ter apoios especiais. “A pressão económica entre os desempregados e as famílias está a tornar-se enorme. Será que o Governo pode reforçar as medidas de apoio para estes desempregados?”, perguntou. “E em que moldes vão criar os novos apoios para estes grupos?”, questionou. Actualmente, quem estiver desempregado pode pedir um subsídio de 150 patacas por dia, com um limite máximo de 90 dias, o que resulta em 13.500 patacas. Recebido esse montante, tem de esperar até ao próximo ano para poder voltar a receber o subsídio.
CPSP | Idoso expulso de autocarro por não mostrar código de saúde Hoje Macau - 23 Jun 2022 Tiago Alcântara Um homem de 70 anos que se recusou a apresentar o código de saúde ao entrar num autocarro foi forçado a sair do veículo e levado para a esquadra por três agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). De acordo com uma nota oficial, o incidente aconteceu pelas 9h00 de ontem na paragem situada em frente do Edifício Riviera, na Avenida Almirante Sérgio. Após o homem se ter recusado a apresentar o código de saúde, o motorista decidiu chamar as autoridades. No entanto, “apesar dos repetidos conselhos e avisos dos agentes”, o homem recusou-se a cooperar, tendo sido levado à força para fora do autocarro. Segundo o CPSP, o código de saúde foi mais tarde confirmado ser de cor verde e o homem, que ficou em liberdade, “levou uma forte reprimenda por parte dos agentes”. Recorde-se que desde segunda-feira, a apresentação do código de saúde de cor verde passou a ser obrigatória para utilizar autocarros, táxis e o Metro Ligeiro.
Teste em massa | Governo anuncia nova que ronda começa esta manhã João Santos Filipe - 23 Jun 202223 Jun 2022 DR A partir das 9h de hoje, os residentes têm de realizar mais um teste de ácido nucleico. Ontem, os casos confirmados subiram para 71, com 11 ocorrências detectadas durante os testes de antigénio As autoridades anunciaram a realização de mais um teste em massa a toda a população, que começa esta manhã e se prolonga até à meia-noite do dia 25, ou seja, depois das 23h59 de amanhã. O anúncio foi feito na tarde de ontem, na habitual conferência sobre a evolução da pandemia e, até ao fecho desta edição do HM, existiam 71 casos confirmados. Entre os casos identificados ontem, alguns foram detectados durante a realização dos testes antigénio, ou seja, os testes rápidos. Segundo Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, até às 16h, cerca de 373 mil pessoas tinham feito o teste e declarado os resultados. Entre estas, houve 31 declarações com resultados positivos, mas apenas 11 casos foram confirmados. Isto porque 18 se enganaram a declarar o resultado, e dois infectados fizeram uma declaração positiva que foi contabilizada duas vezes. “Vamos iniciar uma ronda de testes em massa no dia 23 de Junho, que começa às 9h e que vai durar até à meia-noite de 25 de Junho, o que significa que vai ter a duração de 39 horas”, anunciou Alvis Lo. “Vamos tentar que até às 9h de sábado tenhamos todos os resultados”, acrescentou. A necessidade de realizar mais de dois testes por semana, quando também contabilizado o teste rápido caseiro, foi justificada como um “contra-relógio” das autoridades. Segundo esta explicação, quanto mais testes forem feitos, maior a probabilidade de se detectarem os casos na comunidade. Além disso, explicou o director dos Serviços de Saúde, o teste rápido evita que pessoas contaminadas circulem pelas ruas. O novo teste foi anunciado numa altura em que ainda decorria a realização de um outro teste para a população da “zona alvo”, ou seja, os habitantes do interior da zona delineada pelas artérias: Avenida Horta e Costa, Rua do Almirante Costa Cabral, Estrada do Repouso e Avenida do Almirante Lacerda. Para estas, o teste de ácido nucleico de ontem não foi cancelado. Porém, os Serviços de Saúde solicitaram que apenas agendem o novo teste para sexta-feira. Seguem-se rápidos Com a realização do teste em massa, vão ser distribuídos mais dois kits de testes rápidos, para serem utilizados mais tarde. Outra novidade para a segunda ronda de testes em massa deste mês, passa pelo facto de os postos onde se pagava, como acontecia, por exemplo, no Hotel Grande Lisboa, passarem a estar disponíveis testes de forma gratuita. Também ontem, foi anunciado que o Hotel England Marina Club, perto do hotel Pousada Marina Infante, no Cotai, vai começar a ser utilizado para quarentena. Até ontem, havia 2.246 pessoas nos hotéis designados em observação. A administração do Hotel Lisboeta anunciou igualmente que o espaço também vai passar a ser utilizado para a realização de quarentena. Mais longe, está a utilização do Hospital de Campanha, na Nave dos Jogos da Ásia Oriental. Segundo Alvis Lo, o hospital temporário está preparado para receber casos graves da doença, e vai continuar a ser essa a sua finalidade. Jantar da preocupação Outra das informações do dia de ontem, foi o apelo geral das autoridades para que quem participou num jantar de casamento, no dia 18 de Junho, no Hotel Grand Lisboa Palace, entre em contacto com os Serviços de Saúde. O evento tem estado rodeado de polémica, uma vez que a informação disponibilizada pelas autoridades tem sido escassa, o que contrasta com a informação apresentada sobre os trabalhadores não-residentes do Myanmar. Há três dias, foi mesmo colocada a pergunta sobre se a informação estava a ser guardada por ter participado no jantar um ou mais membros do Governo. A ideia foi recusada por Leong Iek Hou, que afirmou não olhar a nomes. Contudo, ontem surgiu um apelo para que todos os convidados do evento se identificassem. O jantar é encarado como um “veículo de transmissão”, conta com quatro casos positivos, espalhados por mais de uma mesa. Além disso, o Governo não consegue aceder à lista de todos os convidados, porque não há registo, e não se conhece o número total de participantes. A possibilidade de o banquete ter ultrapassado o limite de 400 pessoas, contando com os trabalhadores a prestarem serviço, também não foi afastada, o que implicaria uma violação das medidas de prevenção pandémica. Se o limite fosse ultrapassado, era exigido aos participantes que apresentassem um teste de ácido nucleico com resultado negativo para poderem entrar no evento. Fim do ano lectivo Devido ao surto mais recente e à impossibilidade de realização aulas presenciais, a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude anunciou o fim antecipado do ano lectivo. Segundo o representante da DSEDJ, Kong Chi Meng, as escolas do ensino não-superior têm elementos suficientes para fazer a avaliação dos alunos e terminar o ano lectivo, sem necessidade de recorrerem a um exame final. Ainda de acordo com o responsável a decisão foi tomada depois de ouvir as escolas. Covid-19 | Mulher queixa-se de longa espera até isolamento Uma mulher, cujo teste está integrado no conjunto das amostras com resultados preliminares positivos, queixou-se num grupo na rede social Facebook de um longo período de espera até chegar ao hotel para cumprir uma quarentena de dez dias. Esta residente descreve que, na noite de terça-feira, as autoridades informaram-na de que seria transferida de casa para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para a realização da quarentena. No entanto, esperou toda a noite, desde as 2h da manhã, por um autocarro, que só chegaria às 9h desta quarta-feira. A residente descreve também que, no hospital, havia um grande aglomerado de pessoas que esperavam há mais de dez horas pelo transporte para o hotel, além de que o local não era suficientemente arejado. A publicação no Facebook, que é acompanhada por um vídeo, pede que as autoridades revejam a forma como estão a transportar pessoas para quarentena, alertando ainda para o risco, em matéria de saúde pública, de reunir muita gente num só espaço sem suficiente circulação de ar.
Covid-19 | Novas restrições preocupam hotéis, restaurantes e sector das convenções Hoje Macau - 23 Jun 202223 Jun 2022 DR Associações ligadas ao turismo temem que o novo surto possa piorar ainda mais a frágil situação de Macau. Sector hoteleiro diz que as novas restrições vão deitar por terra a recuperação que se esperava no Verão. Chan Chak Mo espera mais apoios para a restauração e uma análise ampla das autoridades. O sector das convenções espera que o Governo siga os exemplos de Singapura e Tailândia e abra fronteiras, mediante condições Na sequência do novo surto de covid-19 detectado em Macau, associações ligadas ao turismo temem que as restrições impostas pelas autoridades, venham a agravar a situação já de si precária do sector. “Penso que os turistas do interior da China começaram a perder a confiança em termos de quando podem vir a Macau, porque estão preocupados, claramente, em ficar aqui presos”, disse à Lusa o vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau, Rutger Verschuren. Recorde-se que na madrugada de domingo, as autoridades decretaram o estado de prevenção imediata, depois de terem sido detectados 12 casos de covid-19, tendo sido decidida a realização de uma testagem geral da população num período de 48 horas, medida que vai ser repetida hoje e amanhã. Além de aplicarem medidas de isolamento em várias zonas da cidade, as autoridades avançaram com novas restrições à entrada de turistas do Interior da China. Aqueles que atravessam as fronteiras têm de apresentar agora um certificado de teste de ácido nucleico com resultado negativo feito nas 48 horas anteriores, em vez de num período de sete dias. A Associação de Hotéis de Macau, que representa 59 estabelecimentos da região, de quatro e cinco estrelas, admitiu que, por questões de saúde pública, apoia a política de prevenção do Governo. Já no que diz respeito ao negócio, o organismo considerou que as medidas “extremamente stressantes” vieram deitar por terra os planos de recuperação para o Verão. “Perante a situação actual, podemos dizer adeus a Junho e pelo menos a metade de Julho, mas temos alguma esperança em Agosto”, notou Vershuren, apontando que “com um surto destes leva, pelo menos, dois meses para [o sector começar a] recuperar”. A pão e água Também o presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restaurantes e Bebidas de Macau, Chan Chak Mo, notou que o mais recente surto e programa de resposta das autoridades “vão ter um impacto imediato” no negócio. “Mas depende de como o Governo consegue controlar a transmissão do vírus. Se tudo correr bem, prevejo que para a semana volte tudo ao normal”, disse Chan Chak Mo, realçando esperar que as autoridades criem, “mais tarde, se possível, um plano de auxílio económico”. De referir que, na sequência do mais recente surto, Governo anunciou no domingo sete medidas de apoio a empresas e residentes de Macau, no valor total de dez mil milhões de patacas, sustentadas pela reserva financeira, que vão desde benefícios fiscais a uma moratória por um ano do pagamento de empréstimos bonificados. “Para já, são boas medidas, mas tudo depende do avançar da pandemia. Se persistir e [os turistas] não puderem entrar em Macau, isso pode indicar um problema iminente e recorrente e penso que o Governo deve olhar para a situação”, constatou o também deputado da Assembleia Legislativa. Pouco convencionais Synthia Chan, representante da área das convenções e exposições (MICE, na sigla inglesa), um sector “continuamente afectado” pela pandemia, mostrou-se mais céptica quanto ao apoio económico anunciado pelo Executivo. “Não ajuda a indústria, pelo que entendi”, salientou a presidente da Associação de Comércio e Exposições de Macau. “O sector MICE depende muito dos turistas da China ou de fora para que os eventos tenham sucesso”, disse, frisando que “Macau é um destino muito turístico” e os viajantes MICE são “o topo dos turistas” e aqueles “que estão dispostos a gastar dinheiro”. “Este surto agora, com as restrições fronteiriças – que nós entendemos – não vão possibilitar a recuperação da economia”, completou. As medidas de restrição e controlo contra a covid-19 levaram Macau, que em 2019 contabilizou quase 40 milhões de visitantes, a fechar a fronteira a estrangeiros e a impor uma quarentena obrigatória a quem chega de fora, à excepção do Interior da China. Só no mês passado, o número de visitantes caiu 30,6 por cento em termos anuais, de acordo com dados divulgados na segunda-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Para fazer frente à baixa turística, aponta o vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau, várias unidades hoteleiras têm “criado programas para reduzir custos e obter receitas”. “Muitos trabalhadores viajam entre Zhuhai [cidade fronteiriça] e Macau, e não o podendo fazer, têm de ficar em algum lado. Como não têm um apartamento, podem reservar um hotel, mas claro, [agora] não podem utilizar as instalações, porque não está nada aberto”, notou. No que diz respeito aos próximos passos, Synthia Chan sugeriu que Macau observe as regiões vizinhas e “entenda como se adaptar” a esta nova realidade. “Em Singapura ou na Tailândia, eles abriram [as fronteiras], mas com requisitos de entrada: precisa-se de pelo menos duas vacinas à covid-19 e testes feitos 24 ou 48 horas antes. Lembro-me de ir a uma exposição na China e antes de entrar no evento tive de fazer um teste no local”, contou.
Orçamento | Quase menos 2 mil milhões em apoios até Abril Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR Até ao final de Abril, o Governo gastou menos 1,83 mil milhões de patacas em “transferências, apoios e abonos” em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Execução Orçamental. Segundo os dados disponíveis no portal da Direcção de Serviços de Finanças, no ano passado, até ao final de Abril, a despesa com “transferências, apoios e abonos” tinha sido de 17,61 mil milhões de patacas. No entanto, até ao final de Abril do corrente ano, o valor não foi além dos 15,78 mil milhões de patacas, o que representa uma diminuição de 1,83 mil milhões de patacas, ou seja, 10,4 por cento. O valor gasto em “transferências, apoios e abonos” representa uma taxa de execução de 28,2 por cento do montante orçamentado até ao mês de Abril para esta rubrica, que é de 55,96 mil milhões de patacas. O valor relatado ainda não tem em conta o valor distribuído com o cheque pecuniário que só deve ser contabilizado nos próximos meses. Apesar do corte de quase 2 mil milhões de patacas, numa altura em que a economia atravessa um período mais complicado do que no ano passado, e com um novo surto, os apoios são muito superiores aos montantes de 2019, antes do surgimento da pandemia. Em 2019, quando Fernando Chui Sai On ainda era o Chefe do Executivo, o Governo tinha gasto 9,43 mil milhões de patacas em “transferências, apoios e abonos”, o que significa uma diferença de 6,35 mil milhões de patacas face aos valores deste ano.
Aviação | Air Macau com prejuízo de 771 milhões Pedro Arede - 23 Jun 2022 DR A Air Macau registou receitas operacionais de 1.203 milhões de patacas em 2021, uma subida de 42 por cento em comparação com o ano anterior, registando-se um prejuízo líquido de 771 milhões de patacas. De acordo com os resultados da companhia, divulgados ontem em Boletim Oficial (BO), o registo traduz uma redução de 269 milhões de patacas em termos de prejuízos, relativamente a 2020. “Em 2021, a situação da covid-19 manteve-se inconstante, mas melhorou em comparação com 2020”, pode ler-se no relatório. “Este foi o resultado principal da recuperação do mercado turístico de Macau, do reforço da gestão em eficiência de voo e controlo de custos da Companhia”, é acrescentado. A Air Macau revela ainda que, em 2021, registou um total de 23.264 horas de “voo seguro”, um aumento de 41 por cento em relação a 2020, “sem sinais de acidente de transporte aéreo nem erros graves”. A companhia dá também nota de que no ano passado “abraçou activamente a procura doméstica”, tendo sido adicionadas duas novas rotas para Yiwu e Nantong. Além disso, a Air Macau revelou que a idade média de toda a frota “foi reduzida de 6,52 anos no final de 2020 para 5,54 anos no final de 2021”.
Covid-19 | Casos positivos passam a 65. Um total de 41 são assintomáticos Andreia Sofia Silva - 22 Jun 2022 DR Concluída a testagem em massa à população esta terça-feira, os dados divulgados esta manhã revelam que o número de casos positivos passam de 49 a 65, estando confirmados 24. Um total de 41 casos são assintomáticos. Os dados divulgados pelo Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus mostram ainda que há 45 mulheres a testar positivo contra 20 homens, sendo que o paciente mais novo tem apenas oito meses e o mais velho tem 89 anos. As autoridades estão a fazer o acompanhamento de 2.965 pessoas, sendo que 437 são consideradas de contacto próximo com casos positivos, enquanto que 1.655 fizeram o mesmo itinerário. Há ainda 261 pessoas que são contactos próximos por via secundária e 61 contactos gerais. Há 486 pessoas classificadas como acompanhantes. Recorde-se que as autoridades aconselham a população a realizar hoje um auto-teste, cujos dados devem ser inseridos nesta plataforma: https://eservice.ssm.gov.mo/generalrat. Além disso, quem vive nas zonas da Avenida de Horta e Costa, Rua do Almirante Costa Cabral; Estrada do Repouso e Avenida do Almirante Lacerda terá de fazer novamente um teste de ácido nucleico hoje.
Celebrações do 24 de Junho adiadas Andreia Sofia Silva - 22 Jun 202222 Jun 2022 DR As comemorações do quarto centenário da Batalha de Macau contra a invasão dos holandeses e o Dia de S. João, que deveriam arrancar amanhã, serão adiadas sem que haja uma nova data prevista para a sua realização. A garantia foi dada por fonte próxima do Instituto Internacional de Macau (IIM) ao HM. Para amanhã, estava agendada uma sessão na Fundação Rui Cunha (FRC) com a presença da historiadora Beatriz Basto da Silva, numa parceria com a Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial. Este evento foi adiado para Julho, confirmou o HM junto da FRC. A missa de Acção de Graças, salvo informação em contrário, deverá acontecer sexta-feira, às 18h, contando com a actuação do Coro de São Tomás, em colaboração com a Associação dos Antigos Alunos do Seminário de S. José de Macau. Para sábado, 25, o IIM iria acolher uma sessão, entretanto, também adiadas, onde se falaria sobre a importância de recordar o 24 de Junho, acompanhada de um sarau musical com o grupo “Macau no Coração”, que iria apresentar danças folclóricas portuguesas, canções em patuá com Gabriel e John Ho e ainda uma actuação de Giulio Acconci. Até final do ano O programa das celebrações, que conta com a participação de diversas associações ligadas à comunidade macaense e que tem o patrocínio da Fundação Macau, decorre até ao final do ano. Para o dia 3 de Julho, irá decorrer a palestra com Flora Chan, da Associação Diocesana das Artes Performativas e Culturais de Macau, sobre “A importância do Dia de São João Baptista em Macau e a vitória de Macau contra a tentativa de invasão dos holandeses”. Esta sessão, que não está, para já, adiadas, decorre apenas em chinês, no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau. Até ao final do ano serão realizadas palestras junto de escolas secundárias e universidades sobre o significado do dia de S. João de Macau.
O orgulho é a solução Tânia dos Santos - 22 Jun 2022 DR Nas primeiras horas de 28 de Junho de 1969 em Greenwich Village, na cidade de Nova Iorque, a polícia fez uma incursão ao bar gay Stonewall Inn. A polícia, ao contrário de outras vezes, encontrou resistência. Esta durou vários dias. O bairro mais gay da cidade de Nova Iorque estava farto que os tentassem invisibilizar. Os seus moradores não aceitavam as incursões de uma suposta polícia ‘da moralidade’ ou que lhes dissessem que não podiam ser como se sentiam ser. A série de eventos desse dia ajudou a impulsionar a luta dos direitos LGBTQI+ como a conhecemos hoje. No primeiro aniversário dos eventos de Stonewall em 1970 protagonizou-se uma marcha em várias cidades dos Estados Unidos, que em 1972 foi transportada para Londres. Anos mais tarde estenderam esta causa a todo o mês de Junho. Junho dedica-se ao tema do orgulho, dos direitos e das constantes lutas da comunidade LGBTQI+. É celebrado em tantos pontos do globo que nem eu, nem a internet, conseguimos precisar quantos. Tive a sorte de estar em Nova Iorque neste mês tão especial para a cidade – ainda que desolada por não ficar para a marcha. As conquistas eram visíveis. Por entre algumas casas de banho que não tinham uma categorização binária de género para maior inclusão, e por entre tantas pessoas que se sentiam verdadeiramente à vontade de serem elas próprias, vi bandeiras de orgulho LGBTQI+ por todo lado, na loja de instrumentos musicais e na loja de donuts. Também as vi pespegadas nas fachadas de igrejas de várias congregações, que tanto me surpreendeu. Poucos dias de observação fizeram-me crer que a aceitação, ali, podia ser sustentada e partilhada. Não me senti testemunha de ‘tolerância’ como muitos acreditam ser a única solução. Pareceu-me testemunhar a solidariedade que só pode vir do reconhecimento que a diversidade sexual e de género são parte integral da experiência humana. Neste caso, e não esquecendo esta particularidade, reconhecendo também que faz parte da história e experiência daquela cidade. Claro que também vi muitas empresas a apoiar a causa, desde a Google, à Starbucks ou a Levi’s. A bandeira do orgulho estava por todo o lado ainda que as políticas empresariais de certas marcas não reflictam os valores ou as preocupações do mês. Se tive a oportunidade de ver igrejas católicas a apoiar a causa, também pude testemunhar o mês de orgulho como parte de um repertório mercantil, circunscrito no tempo. Afinal, onde está a representatividade no resto do ano, nas empresas e nos seus anúncios? Há mais de 50 anos que o orgulho continua a importar. Estamos muito longe de conseguir criar sociedades que consigam resolver a violência sistémica e sucessiva pela qual a comunidade LGBTQI+ ainda passa. Uma em cada cinco pessoas transgénero já se viu sem abrigo nos Estados Unidos. A taxa de suicídio na comunidade LGBTQI+ é três vezes maior à dos heterossexuais. São muitos os dados que confirmam que é preciso marchar nas ruas e revindicar o direito de se estar alinhado com a natureza, desejo e fantasias de cada um. Mas ainda assim, em Nova Iorque há liberdade. Pelos corpos e vozes dos dissidentes que que se revoltaram contra a opressão numa madrugada de Junho de 1969, e de tudo o que veio a seguir, ganhou-se espaço e visibilidade. A história revela-se bem mais complexa e longa, mas na sua génese e sustento está o orgulho, que desafiando tudo e todos, consegue mudar pequenos mundos.
O Sol desce Amélia Vieira - 22 Jun 202222 Jun 2022 DR Desce e sobe o glorioso Sol Nado que agora aqui se levanta até ao grande meio-dia, o zénite da sua hora solar que sobe nesta altivez de Solstício com suas festas-fogueiras, que a Estrela arde, e seu reflexo é por ela acender chamas. São assim os Santos da temporada, para quem a flama é o brilho que falta para que tudo fique da altura dos efeitos consagrados. Grande foi a enxurrada de labaredas que veio como uma goela do inferno por esta altura num pequeno país cujo elemento é todo mar, como se de uma revolução solar se tratasse para nos lembrar que não controlamos o Fogo. Ninguém salta fogueiras destas que ressuscitam em nós o efeito da tragédia que é uma dimensão bastante mal interpretada nestas paragens. Advento, poderemos assim chamar a tais realidades, talvez manifestação assombrosa daquilo que se foi fazendo ao tempo das Inquisições, ecos de imagens que muita liturgia impôs aos olhos incautos dos que não sabiam que se poderia criar realidade através da criação, e não só; efeitos de má gestão que se esqueceu da terra e a foi usando sem sentido, um território que se afundou no drama de ninguém saber como adequar cultivos, restaurar funções e abrir caminhos. Debruçado sobre si mesmo nas honras marítimas, veloz a mudar o rumo da embarcação para os interesses continentais, tudo esqueceu, tendo que ser desperto pela absoluta forma de um desastre. Este é também o locar levado pela « Barca dos Loucos» que por via europeia entrou na deriva de maus e implacáveis ventos, que eles acendem Fogueiras, e destroem os verdes pinhos que sustinham as areias, que o mar também pode triunfar pela terra adentro como uma língua de fogo contra a costa se tudo for de facto a medida que falta a uma reposição que perto anda desta fronteira, mesmo que a Lua fique sorumbática a ser observada de viés pelos telescópios de alta precisão nos seus eclipses audazes e suas cores de cereja, quem não a encontrar por dentro, e ao Sol, e às coisas no osso, e aos vestígios disto tudo numa superfície maior, nada entenderá, e rápido esquece o que aconteceu. Que nós já nem podemos avançar agora com a nossa presença na vida uns dos outros. – Não se pode estar com ninguém! Abalroámos os dons de saber estar por causa das superabundâncias de fluxo personalista. Creio mesmo que tendemos para o canibalismo de massas, que os taumaturgos ficaram esquecidos nas ordens das vestes naturais. Um Estado que se agarra ao mantra das tribos (núcleos e clãs) não está vocacionado para compreender o bem individual e os seus direitos quando essas arcaicas associações faltam. Mas é esta componente que não foi implantada enquanto capacidade maior que impede que um território seja considerada uma Nação. Laxismo severo, que o desdém toca enquanto processo moral para o nivelamento. Gravitar depois disto nestas cinzas pode retirar as competências de que a vida sempre se reveste para se reinventar, que a intriga é sujeito passivo onde até a plebe aparentemente ilustrada acaba por fixar as bases da sua própria ruína. Não há muita noção, a ver pela desproporcionalidade do lixo fabricado, de como separá-lo mesmo agora, e esse entulho do pequeno rectângulo galvanizado pelo muito que o desperdício traz, encherá de novo as piras por onde todos os Infernos gostam de passar. Gestos simples que o quotidiano agradece para não sucumbirmos às Fúrias. Que os nossos olhos dançaram nas páginas mais bonitas… e nos momentos aflitos elas nos saltam pelas fontes sagradas que fazem da dor presença bem-dita, e nesses instantes entendemos do essencial como se sentíssemos através das lágrimas o dom de continuar vivo, apenas e só, graças a elas. Não hás-de sofrer mais sede muito tempo, Meu coração queimado! Anda no ar uma promessa, …. – A grande frescura vem… Mantém-te forte, meu valente coração! Não perguntes: por quê? F. NIETZSCHE – in- O Sol desce…
Educação | Exames decorrem na Escola Portuguesa apesar de surto Hoje Macau - 22 Jun 2022 DR A Escola Portuguesa de Macau está a tomar medidas especiais de segurança, como a realização de autotestes a professores e alunos. Apesar do estado de prevenção imediata, as autoridades locais autorizaram a realização dos exames nacionais A Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi autorizada a realizar os exames nacionais, apesar dos estabelecimentos de ensino locais estarem encerrados devido ao novo surto de covid-19, afirmou na segunda-feira o director da instituição. “Foi-nos permitido realizar os exames, porque os serviços de Educação sabem que são exames nacionais e que se não forem feitos nesta altura, depois é mais complicado para os alunos realizá-los”, afirmou à Lusa o director da EPM, Manuel Machado. O responsável explicou que para cumprir o calendário das provas – que têm de ser feitas no mesmo horário que em Portugal – a escola teve de “obedecer a um conjunto de regras de segurança”, impostas pelas autoridades locais da Saúde e da Educação. “Facilitaram-nos a realização dos exames desde que fossem feitos autotestes a todos os alunos e a todos os professores intervenientes no processo, com as devidas separações de um metro entre os alunos que estão a realizar os exames enquanto estão à espera de ser chamados para as provas”, explicou. O director do estabelecimento de matriz portuguesa realçou ainda que a escola permanece em “contacto muito próximo” com as autoridades e que, neste momento, não tem informações sobre os passos a dar a partir de hoje. A primeira fase dos exames nacionais, que servem como critério para a selecção dos candidatos às universidades em Portugal, começou a 17 de Junho, com a prova de português, e prolongam-se até 6 de Julho, data em que é feito o exame de História B. A segunda fase começa a 21 de Julho, com a prova de Físico e Química A, e termina a 27 de Julho, com os exames de Alemão, Espanhol, Francês e Mandarim. No terreno Macau decretou no domingo de madrugada o estado de prevenção imediata, depois da cidade ser afectada por um novo surto de covid-19, e decidiu avançar para a testagem em massa da população de mais de 680 mil habitantes em 48 horas. As autoridades aplicaram medidas de isolamento em algumas zonas da cidade, onde é proibida a saída de todas as pessoas das residências. Entre as várias medidas, foi anunciado o encerramento das escolas até pelo menos quarta-feira. À semelhança do Interior da China, a região segue uma política de “zero casos”, em que os assintomáticos não entram para as contas oficiais do Governo, apesar de serem igualmente obrigados a cumprir as medidas de isolamento.
Casinos-satélite | David Chow defende criação de legislação João Santos Filipe e Nunu Wu - 22 Jun 2022 HM O empresário considera que há vários aspectos que precisam de ser clarificados para garantir o futuro dos casinos-satélite. A competição com as concessionárias é um aspecto que também preocupa David Chow David Chow, co-presidente e director não-executivo da Macau Legend, considera que o Governo deve criar legislação específica sobre a situação dos casinos-satélite. As declarações foram prestadas pelo empresário ao jornal Ou Mun, na sequência do anúncio do fecho dos casinos dos hotéis Rio e Presidente. Também o casino do Hotel Emperor tinha anunciado que fecharia portas, mas vai afinal ser explorado até ao final do ano pela concessionária SJM Resorts. Segundo o empresário, após os casinos-satélite terem garantido a sobrevivência com a nova lei, agora é necessário resolver as questões pendentes e definir bem as áreas de cooperação entre as concessionárias e as operadoras dos casinos-satélite, que utilizam mesas de jogo e empregados das concessionárias. Entre os assuntos a necessitarem de clarificação, David Chow defendeu que os casinos-satélite devem poder continuar a operar sem terem de prestar informações sobre os clientes às concessionárias, por uma questão de segredo comercial e para evitarem que estas tenham informações privilegiadas e lhes “roubem” os clientes. O co-presidente da Macau Legend mostrou-se também preocupado com o futuro dos casinos-satélite, quando as licenças das concessionárias não se renovarem ou forem retiradas. Para David Chow, é preciso deixar claro numa lei própria se os casinos-satélite podem operar com as licenças de outras concessionárias ou se deixam de poder operar. Contratos mais longos Ainda no que diz respeito às políticas para os casinos-satélite, o empresário explicou que a indústria só pode ser sustentável com um ambiente de negócios favorável. Por isso, acredita que todos os casinos devem ter uma licença que permita operar a longo prazo, que deve ser de dez anos. Ainda no que diz respeito ao sector, Chow criticou o modelo actual que permite às concessionárias decidirem o montante que recebem dos casinos-satélite, para que estes possam operar. No entender do empresário, o modelo adoptado favorece em demasia as concessionárias, que ficam com todo o poder negocial, mesmo que os casinos-satélite estejam a perder dinheiro. Sobre a situação financeira dos casinos-satélites, Chow alertou para a situação de que grande parte contraiu empréstimos bancários, e que, caso não consigam pagar as dívidas, o sistema pode ficar ameaçado.
Caso Alvin Chau | Julgamento arranca a 2 de Setembro Hoje Macau - 22 Jun 2022 DR O caso que envolve o julgamento do antigo presidente do grupo Suncity, Alvin Chau, terá início no dia 2 de Setembro. De acordo com informações apuradas pela TDM-Rádio Macau, os valores envolvidos em apostas ilegais são de mais de 823 mil milhões de dólares de Hong Kong, levando o grupo a lucrar ilegalmente, entre 2013 e 2021, mais de 21 mil milhões de dólares de Hong Kong. Recorde-se que Alvin Chau é acusado de ter liderado uma sociedade secreta dedicada ao branqueamento de capitais e à promoção de jogo ilegal, tanto online como em apostas paralelas nos casinos de Macau. Segundo a mesma fonte, as acções de branqueamento de receitas e das apostas reais levadas a cabo pelo grupo, terão resultado no desfalque de milhões junto das concessionárias e, indirectamente, do próprio Governo, dado ter deixado de receber os impostos sobre os montantes reais. Segundo a TDM-Rádio Macau, algumas operadoras já começaram a reclamar os prejuízos, sendo expectável que o Executivo proceda da mesma forma no futuro. Recorde-se que Alvin Chau foi detido em Novembro de 2021, sendo um dos 21 arguidos envolvidos no caso. O processo está nas mãos da juiz presidente, Lou Heng Ha.
Coutinho diz que actividade de Junkets não tem futuro em Macau Pedro Arede - 22 Jun 2022 DR Pereira Coutinho considerou que a nova lei do jogo aprovada ontem irá levar à extinção da actividade dos promotores de jogo em Macau. Isto, defendeu o deputado, tendo em conta que o diploma prevê que cada promotor de jogo só possa exercer actividade com uma concessionária, tornando as duas figuras “concorrentes” entre si. “Se calhar é melhor eliminar esta norma, porque [na lei] não há espaço para o desenvolvimento das actividades de promoção de jogo”, começou por dizer. “No futuro, o promotor vai então concorrer com a concessionária, que tem os seus próprios panos individuais. Esta situação é muito parecida com a questão das comissões dos promotores. O senhor secretário disse que não quer alargar [a actividade] mas eles têm um desenvolvimento sustentável e querem ter mais clientes. Estamos a falar de trabalhadores que vão ficar sem salários. Não estou a entender porque é que aqui isto aparece de forma tão rigorosa e no passado era possível trabalhar com várias concessionárias. Se há acções ilegais podemos abrir um processo. Há dias dialoguei com alguns jovens que me disseram que vão desenvolver esta actividade no Japão e na Tailândia, porque a forma como a lei está redigida é para eles fecharem as portas”, acrescentou. Na réplica, Lei Wai Nong explicou que apesar de a actividade dos promotores de jogo estar a ser regulada noutra proposta de lei, era obrigatório que no diploma aprovado ontem houvesse uma “menção geral” aos junkets. O secretário rejeitou ainda a ideia de que promotores de jogo e concessionárias sejam concorrentes e defendeu que a nova legislação “garante uma relação mais clara e evita interpretações sem limites”. “São parceiros. Queremos que os promotores de jogo angariem clientes para servir melhor as concessionárias”, acrescentou. Fantasmas do passado Por seu turno, Adriano Ho, responsável máximo da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) justificou o articulado com “a necessidade de fiscalizar melhor a actividade” e com actos ilegais ocorridos nas salas VIP, que escaparam à intervenção das operadoras nos últimos 20 anos. “No passado, houve casos criminosos que tiveram a ver com as actividades ilegais dos promotores. Então, para garantir o desenvolvimento sustentável e saudável do sector do jogo tivemos de adoptar medidas para fiscalizar as actividades dos promotores, porque nas salas VIP instaladas nas concessionárias pelos promotores (…) as operadoras não tiveram uma intervenção profunda (…), mas com esta lei as concessionárias passam a ter o dever de fiscalizar as actividades dos promotores”, vincou.
Surto | Lo Choi In pede mais um cheque pecuniário Hoje Macau - 22 Jun 2022 Rómulo Santos A deputada Lo Choi In considera que face ao novo surto é necessário prestar maior assistência financeira à população e sugere assim que seja distribuído um novo cheque pecuniário. As declarações foram prestadas ontem por Lo Choi In à margem do Plenário da Assembleia Legislativa, e citadas pelo jornal Ou Mun. Na opinião de Lo, o impacto do novo surto vai ser muito profundo, e em conjunto com o estado actual da economia, tem de ser combatido com uma nova ronda de medidas de apoio económico. No entanto, a deputada avisa que os apoios não podem ser só para as empresas ou para os cidadãos, têm de ser abrangentes. No que diz respeito aos cidadãos, a legisladora aponta que a melhor solução seria um novo cheque pecuniário. Mas, no caso de o Executivo não gostar da ideia, a opção de lançar mais uma fase do cartão de consumo electrónico também é vista como muito positiva por Lo Choi In . Em matéria de emprego, Lo pede que o período do subsídio do desemprego deve ser aumentado. Actualmente, quem tiver sido despedido pode pedir um subsídio de 150 patacas por dia, com um limite máximo de 90 dias, o que significa 13.500 patacas. Recebido esse montante, tem de esperar até ao próximo ano para poder voltar a receber o subsídio. A deputada vem agora dizer que face ao estado da economia o valor deve ser aumentado. Além disso, Lo apelou ainda aos senhorios para que baixem o valor das rendas, e considerou que o Governo devia insistir mais neste aspecto.
Nova lei do jogo aprovada na especialidade após debate com apenas cinco deputados Pedro Arede - 22 Jun 2022 GCS Pereira Coutinho, Ron Lam, Che Sai Wang, Ella Lei e Iau Teng Pio foram os únicos a participar na discussão da nova lei do jogo, que viria a ser aprovada por unanimidade. Entre as principais preocupações estão as responsabilidades sociais das concessionárias e a isenção de contribuições. Lei Wai Nong prometeu detalhes nas novas licenças de jogo, garantiu que não haverá cortes no FSS e apontou que a angariação de clientes estrangeiros é o futuro A proposta de lei que mais discussão gerou nos últimos tempos na Assembleia Legislativa foi ontem aprovada, na especialidade e por unanimidade, ao final de cerca de duas horas, tendo contado apenas com a participação de cinco deputados durante o debate que precedeu a sua votação. Perante as preocupações apresentadas por José Pereira Coutinho, Ron Lam Che Sai Wang e Ella Lei, sobre a falta de critérios, detalhes e mecanismos a respeito do cumprimento das responsabilidades sociais das concessionárias, onde se insere o apoio às PME e a protecção do emprego, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong assegurou que, aquando do concurso para a atribuição das novas licenças de jogo as “regras” vão ser definidas com maior detalhe. “Os quatro deputados mostraram-se preocupados com o emprego e aqui temos um consenso. Este artigo está feito de forma abstracta e, no futuro, quando abrirmos o concurso isso vai ser definido nas regras. Além disso, nas discussões com as concessionárias aquando do concurso, vamos ter em conta todos os interesses da RAEM. O novo concurso está relacionado com aquilo que será o nosso futuro nos próximos 10 anos”, explicou o secretário. Antes disso, perante o contexto adverso marcado pela pandemia, Ella Lei mostrou-se particularmente preocupada com a “garantia de ascensão profissional de trabalhadores locais” e de “aposentação”, mecanismo de transição de trabalhadores durante a entrada em vigor das futuras licenças de jogo e os postos de trabalho dos funcionários dos casinos-satélite. Pereira Coutinho, considerou o articulado “vago” e classificou a alínea referente ao apoio à diversificação económica “apenas um slogan”. Já Che Sai Wang apelou por mecanismos que garantam o cumprimento da protecção ambiental e Ron Lam defendeu a definição de “critérios qualitativos e quantitativos” que assegurem o cumprimento das responsabilidades sociais das concessionárias. Olhos no exterior Outro dos pontos da nova proposta de lei que mais debate gerou, prendeu-se com a possibilidade de o Chefe do Executivo poder reduzir ou isentar as concessionárias do pagamento das contribuições complementares de 5,0 por cento, caso estas apostem na angariação de clientes vindos do estrangeiro. Ella Lei e Ron Lam mostram-se preocupados com o facto de a medida poder comprometer a injecção futura de verbas no Fundo de Segurança Social (FSS), se as receitas brutas de jogo vierem a diminuir. Contudo o secretário assegurou que não haverá cortes no FSS e que o Governo não vai hesitar em “estender a mão” para ajudar os mais necessitados. “Muitos estão preocupados que as verbas para o FSS vão sofrer cortes. Temos de pensar na composição das receitas, são 35 por cento mais cinco por cento. Se conseguirmos conceder a redução e fazer expandir os mercados estrangeiros, isto vai acarretar mais receitas para o Governo. Nos últimos anos, a situação económica é adversa, mas o Governo não reduziu o dinheiro para a educação e para o FSS. Macau posiciona-se como Centro Mundial de Turismo e Lazer e esta medida é definida em prol dos interesses de Macau e da expansão dos mercados de clientes estrangeiros. Só assim podemos fazer um ‘bolo maior’ para que a população de Macau saia mais beneficiada”. A pedido de Ron Lam, o número do artigo em questão acabou por ser votado à parte, tendo contado com o voto contra do deputado. No seguimento do pedido de Ron Lam, o deputado nomeado por Ho Iat Seng, Iau Teng Pio pediu a palavra para mostrar apoio ao Governo e lembrou que a autorização do pedido de isenção carece da consulta da Comissão especializada do Sector dos Jogos de Fortuna ou Azar. DICJ | Mais quadros e aposta na tecnologia O secretário para a Economia e Finanças Lei Wai Nong assegurou ontem que, para cumprir os requisitos de fiscalização impostos pela nova lei do jogo, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) vai contratar mais colaboradores e apostar na tecnologia. “A DICJ alterou a sua lei orgânica e alargou o seu quadro. Portanto, no futuro, para além de aumentar o pessoal, vamos também reforçar a aplicação de tecnologias informáticas. Com tudo isto, esperamos fazer melhor o nosso trabalho (…) e reforçar a nossa gestão. Sabemos que a dimensão dos casinos é muito diferente do passado e, por isso, vamos aumentar o pessoal. Após a aprovação da proposta de lei vamos também destacar pessoal para cumprir as atribuições legalmente previstas”, apontou o secretário em resposta ao deputado José Pereira Coutinho. AL | Agenda reduzida à lei do jogo devido à pandemia A sessão plenária de ontem começou com o presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, a propor aos deputados o cancelamento do habitual período reservado às intervenções antes da ordem do dia e da discussão e votação da lei sobre intercepção e protecção de comunicações. Segundo Kou Ho In, perante o actual surto de covid-19 que se vive em Macau, o objectivo foi reduzir ao máximo a duração da reunião. “Com o objectivo de discutir e aprovar a nova lei do jogo e encurtar a duração da reunião plenária propomos cancelar a discussão e votação regime jurídico da intercepção e protecção de comunicações e o período de intervenções antes da ordem do dia. Se os deputados aprovarem a proposta, ficamos apenas com um ponto único na nossa ordem do dia”. Após a proposta ter sido aprovada por unanimidade pelos 32 deputados presentes, Kou Hoi In pediu ainda aos deputados para não tirarem a máscara “mesmo durante as intervenções” e lembrou que foram tomadas medidas extraordinárias para que a reunião plenária fosse realizada no actual contexto, permitindo a presença de jornalistas e impedindo a presença de público.
Pandemia | Função Pública dispensada até sexta-feira. Afastado confinamento geral Andreia Sofia Silva - 22 Jun 2022 Rómulo Santos Funcionários públicos sem funções urgentes estão dispensados do serviço até sexta-feira. Ainda não há data para o regresso das aulas presenciais e o Governo aconselha a avaliação contínua. Autoridades afastam possibilidade de confinamento geral do território. Quem tem voos marcados não pode deixar zonas seladas As autoridades decidiram prolongar até sexta-feira a suspensão do trabalho para todos os funcionários públicos que não desempenhem funções essenciais ou de linha da frente. A garantia foi dada ontem na habitual conferência de imprensa do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), com base no despacho assinado pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, que entra hoje em vigor. “Os trabalhadores suspensos do serviço devem cumprir o seu dever e permanecer em casa. As empresas que não prestem serviços urgentes devem suspender os trabalhos, enquanto que os restaurantes devem disponibilizar apenas o serviço de take-away. Segundo os resultados dos testes em massa, temos 21 amostras mistas, por isso apelo aos cidadãos para permanecerem em casa”, adiantou. Mesmo com regras relativas a distanciamento social e com encerramento de serviços, as autoridades afastam, para já, a possibilidade de o território entrar em confinamento geral. “Temos um plano de gestão comunitária circunscrita que não queremos ainda activar. Estamos a observar a situação e não é necessária preocupação. Não precisam de açambarcar os produtos [nos supermercados], basta que sigam as nossas instruções”, apontou o responsável dos Serviços de Polícia Unitários (SPU). A situação torna-se mais complicada para quem tem voos marcados para fora de Macau e esteja agora em zonas vermelhas, uma vez que não pode sair, mesmo com teste negativo à covid-19. “Estas pessoas não podem sair das zonas de confinamento porque temos de assegurar que a epidemia não se propaga para fora de Macau e têm de ficar em casa. Se apanharem voos ou outros transportes quer dizer que seremos responsáveis pela propagação do vírus fora de Macau”, adiantou Alvis Lo. Testes hoje Tendo em conta que a testagem em massa terminou ontem, as autoridades pediram à população para fazer hoje testes rápidos em casa. “A próxima etapa será a realização, amanhã, dia 22 [hoje] de testes anti-génio para todos os residentes. Vamos dividir algumas zonas onde serão feitos testes de ácido nucleico e vamos ainda analisar quantas pessoas estão envolvidas.” Já quem vive em determinadas áreas afectadas terá de realizar hoje testes de ácido nucleico. Quem vive ou trabalha na zona delimitada pela Av. Horta e Costa; Rua do Almirante Costa Cabral; Estrada do Repouso; e Avenida do Almirante Lacerda deve efectuar marcação ainda hoje até às 21h, através do link https://eservice.ssm.gov.mo/allpeoplernatestbook informaram as autoridades de saúde ao fim da noite. Ainda assim, as autoridades não afastam a possibilidade de realizar outra ronda de testes à população, conforme a evolução pandémica. “Temos de fazer primeiro uma avaliação dos resultados. Amanhã [hoje] apelamos a que as pessoas façam testes rápidos e coloquem o resultado na plataforma. Se detectarmos mais casos positivos, teremos mais uma ronda de testagem em massa. Como selámos os edifícios em risco e temos dois grupos de pessoas em análise, pedimos apenas, de momento, o teste rápido”, disse Alvis Lo. As autoridades continuam sem saber quem é o paciente zero, mas assumem que “o mais importante é encontrar todos os pacientes e pessoas de contacto próximo”. “Muitas vezes, na China, nunca é encontrada a origem do surto. Mesmo que façamos as investigações é sempre necessário tempo”, frisou Alvis Lo. Aulas sem data Luís Gomes, responsável da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), afirmou que ainda não existe uma data para o regresso das aulas presenciais. Caso as aulas se mantenham online, e uma vez que o ano lectivo está perto do fim, as autoridades educativas aconselham os docentes a recorrer à avaliação contínua. “Não podemos dizer nada, para já, porque temos de acompanhar a situação, mas o princípio fundamental é a segurança dos estudantes. Se não tivermos mais tempo para o regresso das aulas presenciais, poderemos considerar o recurso à avaliação contínua.” A DSEDJ assegura que serão disponibilizadas “soluções de ensino” para que as escolas façam a “avaliação multidisciplinar”. “Ao longo do ano lectivo não houve suspensão de aulas pelo que os alunos conseguiram ter aproveitamento até esta altura. As escolas podem aproveitar esta avaliação contínua”, assegurou Luís Gomes. Crianças acompanhadas Tendo em conta o caso positivo relativo a uma professora da Escola Primária Hou Kong, que contactou com mais de 300 alunos, bem como o da sua filha que é aluna do Jardim de Infância do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, que poderá ter contactado com mais de 60 crianças, as autoridades ainda estão a avaliar quantas crianças irão cumprir quarentena em hotéis. Ficou garantido que, caso isso aconteça, serão acompanhadas pelos pais. “Teremos de ver a disponibilidade dos hotéis e o percurso comum, se houve um período mais longo, para vermos se se justifica enviar para a quarentena. As nossas regras dizem que as crianças com menos de 18 anos são acompanhadas pelos pais.” 300 no Hotel Fortuna Um dos novos locais sinalizado como zona vermelha é o Hotel Fortuna, que neste momento tem 300 hóspedes e 80 trabalhadores, alguns deles da zona do casino. “Se os quartos estiverem disponíveis as pessoas podem lá ficar, caso contrário serão transferidas para hotéis de quarentena. Temos primeiro de realizar os testes após selar a unidade.” De frisar que o parque de estacionamento está aberto ao público. O encerramento do Hotel Fortuna deveu-se ao facto de um trabalhador ter testado positivo, bem como mais três homens que estão no grupo de casos confirmados associados a trabalhadores não-residentes. Além disso, um trabalhador do Hotel Fortuna, que está em Zhuhai, também testou positivo, aumentando para cinco os casos associados à unidade hoteleira. IAS | Apelo “veemente” à vacinação de idosos O Instituto de Acção Social (IAS) voltou a solicitar aos cidadãos idosos que se vacinem contra a covid-19, porque “apesar de ficarem permanentemente no domicílio e não saírem de casa, é provável que os idosos fiquem infectados com a covid-19, transmitido pelos familiares ou seus cuidadores”. O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, afastou ontem a hipótese de tornar a inoculação obrigatória. “Relativamente à obrigatoriedade, não posso ainda dizer que as pessoas serão obrigadas a vacinarem-se, porque é difícil”, afirmou. Até às 21h do dia 20 de Junho, a taxa de vacinação dos idosos em diversos grupos etários que administraram pelo menos uma dose de vacina foi de: 79,9 por cento para idades de 60 a 69 anos; 74,8 por cento para 70 a 79 anos; 50,4 por cento para o grupo etário de 80 anos ou mais. 49 positivos, 15 com sintomas Macau está neste momento com 49 casos confirmados de covid-19, sendo que apenas 15 pessoas apresentam sintomas e 34 estão assintomáticos. Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), prometeu divulgar os resultados dos testes em massa até à meia noite de ontem, mas até ao fecho desta edição os dados não tinham sido divulgados. Ontem de manhã, de um total de 677.586 testes, 564.297 apresentaram resultado negativo, existindo 21 amostras mistas com um resultado positivo. Os 49 casos dividem-se em dois grupos, sendo que o primeiro está ligado a 28 trabalhadores não residentes, enquanto que outro grupo é composto por um trabalhador do Estabelecimento Prisional de Coloane e familiares, num total de 19 pessoas. Segundo Alvis Lo, duas pessoas estão a ser investigadas por, alegadamente, terem uma ligação a estes dois grupos, que estão interligados em termos de contágio. As autoridades classificaram 11 zonas vermelhas, de onde as pessoas não podem sair, e cinco zonas amarelas. De momento, estão 1824 pessoas isoladas em casa. Transportes | Apresentação de código de saúde causa problemas Desde que a apresentação do código de saúde de cor verde passou a ser obrigatória na segunda-feira para frequentar autocarros, táxis e o Metro Ligeiro, residentes idosos e trabalhadores não-residentes têm encontrado constrangimentos na utilização de transportes públicos. De acordo com a TDM – Canal Macau, muitos passageiros de autocarros foram apanhados de surpresa pela medida, implicando atrasos e a necessidade de encontrar alternativas de transporte. Um trabalhador não-residente do Interior da China que se encontrava numa das paragens de autocarro da Praça Ferreira do Amaral contou não ser capaz de gerar o código saúde e que, por isso, iria chegar atrasado ao trabalho. Um casal de residentes idosos admitiu ter sido obrigado a pedir ajuda à filha para se deslocar na cidade, pois a mulher não possui um telemóvel com acesso à internet capaz de gerar o código de saúde. “A minha mulher tem um telefone antigo, sem internet e, por isso, não consegue fazer o código de saúde. Só eu tenho o código de saúde e vamos ter que pedir à nossa filha para nos transportar”, disse. Uma outra residente que também esperava a chegada do autocarro, admite ter sido apanhada de surpresa pela exigência, mas sublinha ser necessário “cooperar com o Governo porque há um surto no território”. Além disso, ao longo de segunda-feira foi comum ver os autocarros a demorar-se mais em cada paragem, dada a fila de passageiros que se inevitavelmente se formava para preparar e apresentar, o código de saúde ao condutor do veículo. Macau Zonas Vermelhas – Controlo Selado Edifício Yim Lai: Rua de Manuel de Arriaga 66-66C Padre Modern Cuisine (Edifício Tak Fung): Avenida da Praia Grande 251 Edifício Tat Cheong: Rua de Afonso Albuquerque 33-35G Edifício Parkway Mansion (Bloco 2): Rua do Almirante Costa Cabral 146 Centro Chiu Fok: Rua de Pedro Coutinho 23 Lake View Garden: Praça de Lobo de Ávila 16-18 Carnes Assadas Lam Kei: Rua da Emenda 10 Centro Internacional de Macau (Torre VI): Rua de Malaca 124, Rua do Terminal Marítimo 93-103, Travessa da Amizade 82 Edifício Jardim Iat Lai (Bloco 6): Rua Central de Toi San 302 Edifício Man Lei (Bloco S,T): Rua Três do Bairro da Areia Preta 6 Hotel Fortuna: Rua de Cantão 49-63, Rua de Foshan 48A-78,Praça de D. Afonso Henriques 76-90 Zona Amarela – Zona de Prevenção Edifício Son Lei: Rua de Manuel de Arriaga 64-64B Edifício Chun Fong: Rua de Afonso de Albuquerque 38-40A Edifício Tak Fong: Avenida da Praia Grande 241-253 Edifício Tak Weng: Rua de Afonso de Albuquerque 37-45 Edifício Man Heng: Rua de Afonso de Albuquerque 31C-31G Taipa Zonas Vermelhas – Controlo Selado Flower City – Lei Pou Kok: Avenida Olímpica 177-259, Rua de Évora 10-72
Imprensa Nacional inicia publicação das Obras Completas de Maria Ondina Braga Hoje Macau - 21 Jun 2022 DR As autobiografias ficcionais de Maria Ondina Braga (1932-2003) compõem o primeiro volume das Obras Completas da escritora, de que a Imprensa Nacional inicia a publicação e que apresenta, na terça-feira, em Braga, cidade natal da autora. “Estátua de Sal”, “Passagem do Cabo” e “Vidas Vencidas” são os títulos reunidos neste primeiro volume, e faz parte da programação das comemorações do centenário do nascimento da autora de “A China Fica ao Lado”, de acordo com o anúncio da Imprensa Nacional (IN). A obra de Maria Ondina Braga encontrava-se ”há muito esgotada no mercado editorial português”, escreve a IN, no comunicado hoje divulgado, adiantando que a sua produção literária será publicada em sete volumes, sob a coordenação dos professores Isabel Cristina Mateus e Cândido Oliveira Martins, e contará também com “a colaboração de estudiosos da obra da escritora, de várias universidades internacionais”. Cândido Oliveira Martins, especialista em Teoria da Literatura, é o editor responsável pelo primeiro volume, que “permite ao leitor contemporâneo ‘descobrir a escritora mais cosmopolita da literatura em língua portuguesa do século XX’”, detentora de “um percurso multicultural único e uma voz pioneira na afirmação de uma escrita no feminino, anterior à sua polémica irrupção nas vésperas de Abril”. O segundo volume das Obras Completas será dedicado a “biografias femininas”, o terceiro, a “romances”, o quarto e o quinto, a “narrativas breves”, o sexto, a “outros textos” e, o sétimo e último volume, a “inéditos e dispersos”. Num excerto de uma carta inédita da escritora Agustina Bessa-Luís, datada de 1968, a autora de “A Sibila”, sobre Ondina Braga, afirmou: “A minha impressão mantém-se; é uma escritora e não uma informadora de achaques da sensibilidade, como outros e outras são. Só desejaria que pudesse escrever mais”. Sobre este primeiro volume, Cândido Oliveira Martins afirma, no prefácio, que “faz todo o sentido a reunião destes três livros num volume inicial das suas Obras Completas — ‘Estátua de Sal’, ‘Passagem do Cabo’ e ‘Vidas Vencidas'”. “Escritos e publicados em épocas bem distintas da sua vida, estas autobiografias ficcionais aproximam-se a nível da temática, da estilística e da mundividência que caracterizam esta poética autoficcional, assente num contrato ou pacto de leitura específico, com uma dicção literária muito própria, singularizando-se claramente face às outras obras da autora”, que “escolheu resolutamente para si uma vida singular — escritora, professora, tradutora”, acrescenta o investigador do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Universidade Católica de Braga. Maria Ondina Braga foi precetora de crianças na Grã-Bretanha, onde concluiu estudos de língua inglesa na Royal Society of Arts, e em França, onde prosseguiu os estudos na Alliance Française. Foi professora em Angola, Goa, Macau e Pequim, além de tradutora. “O seu percurso de vida e literário confunde-se com a ideia de deslocação ou viagem, numa cartografia que passa pelos quatro continentes, do Brasil ao Sri Lanka ou Singapura. Esta condição itinerante e multicultural constitui a marca de água de uma escrita que experimenta vários géneros, da crónica ao conto, das memórias ao romance, além da poesia e diários ou notas de viagem. Com destaque para a autobiografia e autoficção, além das biografias breves de várias mulheres escritoras (algumas delas inéditas): Virginia Woolf, Irene Lisboa, Selma Lagerlöf, Katherine Mansfield, George Sand, Rosalía de Castro, Sei Shonagon e Anaïs Nin, entre outras”, escreve Cândido Oliveira Martins. Maria Ondina Braga colaborou em vários jornais, nomeadamente Diário de Notícias, Diário Popular, n’A Capital, e também em revistas, como Panorama, Mulher, Ação e Colóquio/Letras. Numa entrevista à jornalista e escritora Maria Teresa Horta, em abril de 1992 (Diário de Notícias), Maria Ondina Braga declarou: “Penso que a única coisa que me deu gosto na vida, o que na verdade me interessou, foi escrever”. Maria Ondina Braga recebeu o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa, o Prémio Eça de Queirós e o Grande Prémio de Literatura ITF/dst. Sobre os títulos reunidos neste primeiro volume, o cocoordenador do projeto recorda que “Passagem do Cabo” foi publicado pela primeira vez em 1965, pela ex-Agência-Geral do Ultramar, na sua coleção “Unidade”, sob a direção de Luís Forjaz Trigueiros, com o título de “Eu Vim para Ver a Terra”. Em 1994 voltou a ser publicado, pela Editorial Caminho, com “muito significativas alterações, incluindo um novo título, embora a belíssima frase do título original se mantenha no ‘incipit’ narrativo da obra”, assinala Cândido Oliveira Martins, acrescentando que o “livro foi objeto de outras mudanças consideráveis, com destaque para a introdução de novos textos, sobretudo significativamente alterados face à 1.ª edição”. “De facto, o aturado trabalho de reescrita opera uma revisão muito profunda do texto original de cada capítulo. No trabalho que preside à nova edição foram acrescentadas quatro secções, cujos títulos reforçam a ideia de etapas de uma viagem ou itinerário, desde África até Macau, bem como a inclusão de frequentes epígrafes poéticas, próprias e alheias (de Fernando Pessoa, Agostinho Neto, Vimala Devi, Camilo Pessanha, Almada Negreiros). Ao mesmo tempo, a reedição de ‘Passagem do Cabo’ é ainda enriquecida com múltiplas epígrafes entremeando os vários capítulos”, escreve Oliveira Martins, sugerindo que “seria muito elucidativo e proveitoso um trabalho de crítica genética que cotejasse analiticamente todo este trabalho de revisão”. Quanto a “Estátua de Sal”, escrito em Macau, em 1963, foi editado pela primeira vez em 1969, pela Sociedade de Expansão Cultural. “Entre outras particularidades, nesta edição inaugural, na capa e folha de rosto, continha apenas o nome de ‘Maria Ondina’, alterando depois para Maria Ondina Braga. Ao mesmo tempo, esta edição inicial contava com o elogioso prefácio de um prestigiado escritor nortenho, intitulado ‘Algumas palavras de Tomaz de Figueiredo’, texto prefacial onde a franca apreciação de qualidades da jovem escritora coexiste com um natural paternalismo do consagrado escritor, também ele de raízes bracarenses e minhotas”, escreve Cândido Oliveira Martins. Cândido Oliveira Martins revela que, num exemplar da primeira edição, atualmente na posse da família da escritora, Maria Ondina Braga deixou um comentário à sua própria obra: “’Estátua de Sal’ foi decerto um dos mais belos textos que escrevi. Palavras, pois, que pedi ao grande escritor Tomaz de Figueiredo, e assim com ele encontraria eu um verdadeiro livro. Acabei, pois, por ser simplesmente como sua filha que me chamava ‘alma’ e eu a pertencê-lo ao mundo do ‘alheamento e da solidão’”. “Vidas Vencidas”, terceiro título incluído neste volume, foi editado uma única vez, pela Caminho, em 1998, na coleção “O Campo da Palavra”. “Está estruturado em 17 capítulos breves, recorrendo à estratégia citacional de colocação de algumas epígrafes, apenas do poeta António Nobre”, afirma o coordenador do projeto. Quanto ao “processo de fixação do texto destas três obras, seguimos as edições mais recentes, publicadas em vida pela autora, embora sem desconhecer a [sua] evolução”, explica Cândido Oliveira Martins, sobre o trabalho de coordenação desenvolvido com a professora da Isabel Cristina Mateus, do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, especialista em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. De contos e crónicas como os reunidos em “Amor e Morte”, “A Revolta das Palavras” e no derradeiro “O Jantar Chinês”, à novela e ao romance, como em “A Personagem”, a obra de Maria Ondina Braga reúne perto de duas dezenas de títulos como “Os Rostos de Jano”, “Estação Morta”, “A Casa Suspensa”, “Noturno em Macau”, “A Rosa de Jericó” e “Filha do Juramento”, além de “Angústia em Pequim”, relato de uma vivência expatriada, como leitora de português. Uma “sagaz e ‘distanciada’ biógrafa da sensibilidade feminina, em conflito com as regras obsoletas, por vezes ferozes, por vezes ridículas, de uma sociedade masculina arcaica e repressiva”, escreveu Urbano Tavares Rodrigues, o autor de “Bastardos do Sol”, sobre a obra de Maria Ondina Braga, num artigo sobre a escritora, no antigo Jornal do Comércio. A sessão de apresentação do primeiro volume das Obras Completas de Maria Ondina Braga tem início marcado para as 21:00 de terça-feira, na Galeria do Paço, em Braga.
Níveis de precipitação recorde levam à retirada de mais de 220.000 pessoas na China Hoje Macau - 21 Jun 2022 DR Níveis de precipitação recorde na China causaram inundações e deslizamentos de terra no sul do país, assim como a retirada preventiva de centenas de milhares de pessoas, informou hoje a imprensa estatal. Chuvas fortes são frequentes no final da primavera e início do verão, principalmente no centro e sul da China, regiões onde também estão localizadas cidades industriais importantes. Nos últimos dias, fortes chuvas atingiram a província de Guangdong, no sudeste da China, ameaçando os serviços logísticos e produção manufatureira, numa altura em que as cadeias de fornecimento estão já sob pressão devido às restritivas medidas de prevenção adoptadas pela China, no âmbito da política de ‘zero casos’ de covid-19. A cidade de Shaoguan, localizada a cerca de 200 quilómetros a norte de Cantão, a capital da província, emitiu hoje um alerta vermelho para inundações, o nível mais alto do serviço meteorológico chinês. As escolas foram transformadas em abrigos temporários e centenas de instalações provisórias foram montadas num centro desportivo, segundo imagens divulgadas pela imprensa. A região vizinha de Guangxi, no sul, foi atingida pelas piores chuvas desde 2005, segundo a imprensa local. Os moradores foram retirados, à medida que as águas lamacentas inundaram áreas residenciais. De acordo com os serviços meteorológicos locais, 28 rios da região subiram para níveis considerados perigosos. Em Fujian, no leste da China, mais de 220 mil pessoas foram também retiradas, como medida preventiva, desde o início do mês, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. As chuvas em Guangdong, Fujian e Guangxi atingiram uma média de 621 milímetros entre o início de maio e meados de junho, o nível mais alto desde 1961, de acordo com o boletim meteorológico da China. Em 2021, a China sofreu inundações severas, com chuvas muito fortes no centro do país, que resultaram em mais de 300 mortos. A maioria morreu em inundações e deslizamentos de terra na cidade de Zhengzhou, onde muitos motoristas ficaram presos, pelo aumento repentino das águas em túneis rodoviários.
Histórico restaurante flutuante Jumbo de Hong Kong afunda no mar do Sul da China Hoje Macau - 21 Jun 202221 Jun 2022 DR O famoso restaurante flutuante Jumbo de Hong Kong, conhecido pelas suas luxuosas salas de refeição e luzes, afundou no domingo no mar do Sul da China, anunciou a empresa proprietária. O Jumbo Floating Restaurant (Restaurante Flutuante Jumbo, em tradução simples) – ou Jumbo Kingdom (Reino Jumbo, em tradução simples) – havia sido rebocado na semana passada depois de ter encerrado durante a pandemia de covid-19. De acordo com a empresa Aberdeen Restaurant Enterprises, a embarcação foi atingida por condições meteorológicas adversas e naufragou perto das Ilhas Paracel, acrescentando que nenhum membro da tripulação ficou ferido. Com 260 metros de comprimento e três andares, o navio esteve atracado 46 anos nas águas de Hong Kong, tendo recebido “numerosos dignitários e celebridades internacionais”, incluindo a rainha de Inglaterra Isabel II e o ator norte-americano Tom Cruise. O afundamento surge depois de a Aberdeen Restaurant Enterprises ter dito que não tinha mais condições para assumir os custos de manutenção. No entanto, a chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, rejeitou os pedidos de alívio financeiro temporário. “Indicámos de forma clara que o Governo não tem planos para investir dinheiro na operação do restaurante (…), disse Carrie Lam. Mesmo antes da pandemia, o restaurante, que servia comida cantonense, estava a acumular dívidas, mas a proibição de turistas para conter a propagação do vírus SARS-CoV-2 atingiu o Jumbo e outras atrações em Hong Kong.