Hengqin | Ngan Iek Hang preocupado com envelhecimento populacional João Luz - 26 Set 202226 Set 2022 Rómulo Santos O deputado dos Moradores Ngan Iek Hang está preocupado com o impacto demográfico em Macau de uma possível fuga de jovens para a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, e o consequente envelhecimento da população da RAEM. “Alguns empresários indicaram que se os jovens de Macau saírem em massa para trabalhar e viver na Grande Baía, o envelhecimento da população da RAEM irá intensificar-se e os recursos humanos vão escassear, colocando em causa o desenvolvimento económico a longo-prazo. O Governo está a planear introduzir políticas que promovam o equilíbrio no mercado de trabalho e previnam as consequências do envelhecimento populacional e da falta de mão-de-obra em Macau?”, pergunta o deputado numa interpelação escrita divulgada ontem. O legislador ligado aos Kaifong recordou ainda que com a inauguração do Novo Bairro de Macau previsto para este ano ainda não existem indicações quanto ao preço das habitações que serão disponibilizadas. Porém, questiona se as fracções serão vendidas a preço de custo de forma a serem acessíveis à bolsa dos residentes de Macau. Outra preocupação de Ngan Iek Hang, reflecte receios de comerciantes sobre a perspectiva de competição com superfícies estabelecidas numa zona de comercial isenta de impostos a estabelecer na Ilha da Montanha e como essa vantagem pode ser aproveitada por turistas que visitem a região, agravando a crise do comércio em Macau.
Congresso Nacional | Dirigentes do Gabinete de Ligação nomeados Hoje Macau - 26 Set 2022 HM O director e o subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Zheng Xincong e Zhang Rongshun, foram nomeados delegados para o 20.º Congresso Nacional do Partido Comunista da China. A lista dos 2.296 delegados foi publicada no domingo à noite pela agência oficial Xinhua. Aos dirigentes do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM junta-se o director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, Xia Baolong. A Xinhua indica que a lista de delegados “é composta por membros distintos do Partido Comunista da China, altamente qualificados em termos ideológicos, com boa capacidade de trabalho e padrão moral elevado, competentes na discussão de assuntos de Estado e que conseguiram notáveis êxitos nos seus trabalhos”. O passo seguinte no processo será a verificação da elegibilidade dos delegados por uma comissão especial de revisão especial.
Economia | Regresso das excursões e vistos é medida “prometedora” Andreia Sofia Silva - 26 Set 2022 O economista José Sales Marques considera que o regresso das excursões e dos vistos electrónicos é uma medida positiva para o turismo de Macau, mas quanto ao fim das quarentenas Hong Kong “dá um passo muito mais à frente” face à RAEM. Sales Marques é um dos oradores numa palestra hoje na Fundação Rui Cunha O anúncio, no passado fim-de-semana, de que vão regressar as excursões da China e a emissão de vistos electrónicos é visto como um sinal positivo para a recuperação do turismo. Esta é a ideia deixada pelo economista José Sales Marques, que fala hoje no debate promovido pela Fundação Rui Cunha (FRC), intitulado “The way forward Macau’s economy” [O caminho em frente da economia de Macau], que acontece a partir das 17h30. “As medidas são positivas e prometedoras”, disse ao HM. “O regresso dos vistos electrónicos e das excursões é um aspecto extremamente importante. Esperava que isso acontecesse já a 1 de Outubro, mas só será mais para o final do mês. Esperemos que nada de novo aconteça de negativo do ponto de vista da pandemia e possamos ter um final de ano melhor do que este ano, que tem sido péssimo do ponto de vista económico para Macau.” HK mais à frente Questionado sobre o fim da quarentena em Hong Kong, José Sales Marques entende que “é dado um passo muito mais em frente do que aquele que é dado em Macau, até porque Hong Kong está mais virado para o mercado internacional, dado o seu posicionamento no mercado financeiro”. “Macau vai continuar a depender, durante algum tempo, do mercado chinês. Uma vez que a China continua a seguir a política dinâmica de zero casos, com uma gestão muito apertada sobre entradas e saídas, Macau não tem outra solução a não ser seguir isso”, adiantou. O economista vai hoje abordar o futuro da economia sob várias perspectivas, uma delas “a alteração da estrutura do jogo, que vai ter influência do ponto de vista das receitas”. “Teremos de ver quais são as possibilidades com a atracção de novos segmentos de turistas, nomeadamente estrangeiros. Será mais viável? Como é que Macau se vai posicionar ao nível do city branding [a marca de Macau], para atrair novos segmentos que estão afastados desta realidade? Que trabalho promocional é que isso implica, tendo em conta o desenvolvimento da Ilha da Montanha?”. Estas são questões colocadas pelo economista a que o debate de hoje na FRC irá dar resposta. Juntamente com José Sales Marques participam Rui Pedro Cunha, presidente da Câmara de Comércio Europeia em Macau, Kevin Ho, na qualidade de presidente da Associação de Comércio e Indústria de Macau, e Henry Lei, professor de economia na Universidade de Macau.
Seca no centro da China agrava-se com precipitação média a cair 50% desde Julho Hoje Macau - 26 Set 2022 O Observatório Meteorológico Central da China emitiu hoje um alerta amarelo de seca, depois de os níveis de precipitação na bacia do rio Yangtsé, no centro do país, terem caído quase 50 por cento, em termos homólogos, desde julho passado. Em algumas áreas das províncias de Hunan, Hubei, Jiangxi e Anhui, a precipitação média entre julho e setembro caiu até 80%, em comparação com o mesmo período de 2021, segundo a mesma fonte. O Observatório também alertou para um aumento das temperaturas no centro do país, que esta semana podem chegar aos 37 graus, e para “alto risco” de incêndios florestais. No último fim de semana, a seca atingiu níveis “moderados, severos ou extremos” em doze províncias localizadas a sul do Yangtsé, o rio mais longo da China. O curso principal do Yangtsé está atualmente 4,56 metros abaixo do nível registado há um ano. O nível da água no Lago Poyang, o maior lago de água doce da China, localizado na província de Jiangxi, sofreu uma redução homóloga de 7,72 metros. O Poyang atingiu na sexta-feira o nível mais baixo desde que há registos. Nos últimos dias, o Governo central enviou uma equipa de fiscalização do Centro Nacional de Comando para a Prevenção de Secas e Inundações para as áreas mais afetadas pela seca, onde recomendou que a prioridade deve ser “prevenir secas de longo prazo” e garantir o “abastecimento de água potável” e a “estabilidade da colheita de outono”. Durante o verão, a seca levou a fenómenos inusitados, como pessoas em Chongqing (centro) a atravessar de motocicleta o rio Jialing, cujo leito ficou exposto devido à queda do nível da água, ou a descoberta de esculturas budistas de 600 anos até então cobertas pela água. As altas temperaturas registadas também fizeram com que províncias dependentes de energia hidroelétrica, como Sichuan (centro), restringissem o uso de energia a algumas indústrias. O Governo central alertou para uma “séria ameaça” à colheita de outono. O meteorologista local Chen Lijuan explicou recentemente que os períodos de calor intenso, que começam “mais cedo e terminam mais tarde”, podem tornar-se o “novo normal” no país asiático, sob o “efeito das mudanças climáticas”.
Ucrânia | Japão proíbe exportação de armas químicas para a Rússia Hoje Macau - 26 Set 2022 DR O Governo do Japão aprovou hoje um novo pacote de sanções devido à invasão russa da Ucrânia, incluindo a proibição da exportação para a Rússia de partes e produtos relacionados com armas químicas. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês anunciou num comunicado a expansão das sanções que já incluíam mais de 20 organizações associadas à indústria de defesa da Rússia. “Para contribuir com os esforços internacionais, o executivo do Japão aprovou na segunda-feira a proibição de exportações para organizações específicas da Federação Russa”, referiu o comunicado. O novo pacote de sanções abrange a empresa de construção civil Moselektronproyekt, a associação de pesquisa e produção Etalon, e o Instituto Alikhanov de Física Teórica e Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Kurchatov, avançou a agência noticiosa russa TASS. Também hoje, o porta-voz do governo japonês expressou grande preocupação com o possível uso de armas de destruição em massa pela Rússia contra a Ucrânia. “Como o único país do mundo que sofreu ataques nucleares, exigimos fortemente que a ameaça ou o uso de armas nucleares pela Rússia nunca aconteça”, disse Hirokazu Matsuno, numa conferência de imprensa. Em 17 de setembro, o Presidente dos Estado Unidos, Joe Biden, avisou o seu homólogo russo, Vladimir Putin, de que haverá consequências se a Rússia usar armas nucleares ou químicas na Ucrânia. Numa entrevista ao programa “60 Minutos” da CBS, Joe Biden disse que haveria “consequências” e que os russos “se tornariam os maiores párias que o mundo já viu”. “A resposta dependerá da extensão do que eles fizerem”, avisou o líder democrata dos EUA. O Japão tem vindo a impor sanções à Rússia, proibindo as importações de vários materiais e produtos deste país e congelando os bens de alguns cidadãos russos, incluindo os do primeiro-ministro, Mikhail Mishustin. A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e quase sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções em todos os setores, da banca à energia e ao desporto. A ONU apresentou como confirmados 5.587 civis mortos e 7.890 feridos, sublinhando que os números reais são muito superiores e só serão conhecidos no final do conflito.
Pensões | Rita Santos pede que suplemento seja estendido a Macau João Santos Filipe - 26 Set 2022 A presidente do Conselho Regional da Ásia e da Oceânia das Comunidades Portuguesas, Rita Santos, defende que o suplemento extra de pensão prometido pelo governo de António Costa deve incluir os pensionistas que vivem em Macau. A posição foi tomada em três cartas, enviadas ao Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, ao primeiro-ministro, António Costa, e ao presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, Flávio Martins, com a data de 20 de Setembro. Para fazer face à inflação, o governo de Portugal prometeu que os pensionistas vão receber um apoio de meia pensão extra, a ser pago em Outubro deste ano. No entanto, a medida só é aplicável aos pensionistas que vivem em Portugal. A presidente do Conselho Regional da Ásia e da Oceânia das Comunidades Portuguesas vem agora pedir que o apoio seja repensado e estendido aos 2.794 pensionistas que vivem na Ásia, dos quais cerca de 2.100 estão em Macau. Segundo Rita Santos, estes portugueses foram “muito afectados pela inflação”, “pela desvalorização do Euro” e ainda pelo “aumento dos preços dos bens essenciais”. Esta não é a primeira vez que a medida de António Costa é criticada por portugueses a viverem fora de Portugal. Anteriormente, Jorge Fão, representante da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas (APOMAC) de Macau, havia igualmente criticado a discriminação levada a cabo pelo governo do Partido Socialista. Sem justificação Rita Santos recorda também que entre 2011 e 2016 os portugueses pensionistas fora de Portugal foram afectados com cortes nas pensões devido à Contribuição Extraordinária de Solidariedade. No entanto, desta vez há uma adopção de critérios diferentes, quando implica um maior custo para os cofres do Estado português. “Consideramos incoerente, injusta e injustificável esta discriminação na atribuição dos apoios aos pensionistas Portugueses da Caixa Geral de Aposentações (CGA), residentes no estrangeiro”, sublinha Rita Santos. Por isso, a comendadora vem “apelar e solicitar”, para “que sejam envidados todos os esforços, e adoptadas as medidas necessárias, para a extensão dos suplementos extra de meia pensão a todos os pensionistas, independentemente do seu local de residência, repondo-se assim a justeza das medidas”.
Não se pode estudar sem cama André Namora - 26 Set 2022 DR Na semana passada escrevi sobre os problemas dos professores. Desta feita, refiro-me aos estudantes. Desde os mais pequeninos aos universitários, todos eles vivem horas amargas. A crise económica bateu à porta da classe média e os pais têm dificuldade em pagar uma creche privada. Para uma escola primária pública já é difícil fazer frente às despesas com materiais, roupa e calçado. Não há aluno que não tenha que levar a sua mochila e só como exemplo os pais depararam-se com um aumento no preço de 20 por cento. Tudo está mais caro e há crianças que não conseguem lugar na escola da área da sua residência. Ora, um casal pobre, sem carro, que utiliza os transportes públicos não pode levar os filhos para uma escola que fique longe. Testemunhei a ida de um casal de São Tomé que vivia em Portugal há mais de seis anos, mas que o homem estava actualmente desempregado e a mulher a ganhar muito pouco, com dois filhos pequenos sem lugar na escola e sem dinheiro, ou qualquer subsídio estatal, a embarcarem para França. Já não são apenas os portugueses a emigrar. Até aqueles que se contentavam com pouco e para quem Portugal era um paraíso já se estão a ir embora. O novo ministro da Educação foi apresentado como personalidade muito competente na matéria, mas os problemas no ensino agravam-se e quando abordamos o que se passa com os estudantes universitários, a nossa alma fica parva. Temos, no mínimo, 120 mil estudantes universitários deslocados da sua terra natal. A maioria não sabe o que fazer para conseguir uma cama para dormir. O preço das casas para alugar subiu de uma maneira exploradora. Sabemos de duas irmãs que vivem num quarto com uma amiga, são três a dormir na mesma cama. Isto, num quarto que apenas tem a casa de banho, guarda-fatos, uma mesinha e uma cadeira. Como é que podem estudar três jovens universitárias nestas condições? Sem cama não se pode estudar. A oferta em todo o país é pouco superior a 23 mil camas para os tais 120 mil estudantes universitários deslocados. Há no mínimo 20 mil camas a menos para responder às necessidades da comunidade universitária de Lisboa e Porto, refere um estudo da consultora imobiliária Cushman & Wakefield. De acordo com o mesmo estudo, em Lisboa existem, actualmente, cerca de 5500 unidades, no Porto, perto de 5300, a maioria de privados. A oferta em todo o país é pouco superior a 23 mil camas, entre residências públicas, privadas e de instituições religiosas. Este número mostra-se absolutamente insuficiente para os 120 mil estudantes deslocados. Para além destes 120 mil deslocados, temos o crescente número de estudantes estrangeiros nas faculdades nacionais. E o número de estudantes estrangeiros tem vindo a aumentar de ano para ano. A situação em Lisboa é alarmante. A Federação Académica de Lisboa já pediu a intervenção urgente e financiamento para resolver a escassez de alojamento académico no país. De norte a sul sucedem-se as queixas: não há alojamento suficiente para os estudantes que entraram para o ensino superior. Os preços de mercado são insuportáveis. O que era preocupante é agora alarmante. As queixas estão a aumentar porque na primeira fase de acesso foi aprovada a entrada de 50 mil alunos. O caso já chegou à Assembleia da República, onde o Bloco de Esquerda pediu uma audiência com o ministro da Educação sobre o alojamento académico. É grave e triste a situação gerada no país para os estudantes universitários. Mesmo que um estudante até consiga arranjar um quarto, é uma outra história saber se a família consegue pagar 300, 400, ou 500 euros por mês, para que os estudantes possam dormir decentemente para que os estudos não resultem em descalabro. E o pior disto tudo é que em 2018, imaginem, foi criado um Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior, o tal PNAES, com o objectivo de duplicar o número de camas em cada ano para estudantes universitários e que até aos dias de hoje teve uma execução fraquíssima. O que andou a fazer? Para que serve o dinheiro que vem da União Europeia e concretamente muitos milhões para benefício do ensino? O referido Plano é até 2026, ainda não começou a dar frutos e esperemos, ao menos, que possa actuar rapidamente na construção de habitação para estudantes. E de imediato, algo podia ser feito, tal como atribuir benefícios fiscais para quem aluga quartos aos estudantes e estabelecer protocolos com o Alojamento Local, à imagem do que se fez durante o tempo da pandemia. Na abordagem assim apresentada até parece que os nossos governantes devem pensar que no futuro já não são necessários, médicos, engenheiros, advogados, gestores, jornalistas… ai, Portugal, Portugal.
Finis Patriae Amélia Vieira - 26 Set 2022 DR Estamos por conseguinte em luto nacional, o que não deixa de ser assaz estranho numa República, mas dada a mundividência em que a morte da rainha se tornou, e nessa quimera feliz «dos amigos para sempre» como se o fogo da memória varresse aquelas partes menos boas, e se esquecesse mesmo da aceleração que a própria Inglaterra nos deu para a instauração da República, que nestas coisas (como em outras) sempre melhor escutar os poetas que os políticos, e na circunstância vivida, relembrá-los, que ele, Junqueiro, também exercera funções políticas, mas é no último verso deste livro que vamos encontrar a indignação de uma Pátria ferida, a voz de um panfletário, o génio de um poeta, tudo junto à escala da insolência pela grave ofensa sofrida. Precisamos lembrar! Sair das mordomias esclerosadas e garantir o deslumbre dos vindouros. Que o Ultimato vale bem um sabre envenenado pela mais fina matéria do verbo para que se saiba que não vamos esquecer. Guerra Junqueiro era uma espécie de rabi português, um perfil tão puro que nos perturba só de olhá-lo, tinha a intensidade e a sagacidade entrelaçadas na vasta barba, e ninguém contempla um ser assim sem um rebate de consciência por o não ter sabido replicar na visão colectiva, que nos seus olhos de lince se lhe notava ainda uma ternura que não sabemos explicar; tinha contornos de corvo e a silhueta negra indicava uma predestinação religiosa, que estas gentes são ainda aquelas que nos conseguem fulminar. Podiam fazer tranças em seus cabelos com estilos vários, que da sátira, ao saudosismo, ao panteísmo, ao verso alexandrino, eles condiziam articuladamente em suas majestosas cabeças. É desta aristocracia que a terra portuguesa é feita, muito mais que de súbditos nacionais a uma majestade que nunca fora a sua, é desta aliança com as boas práticas, feroz e intransigente, que nos devemos ocupar com carácter de urgência. Quando Pessoa enaltece a sua ama na canção de embalar, é também Junqueiro que nos vem à memória em seu «Regresso ao lar» uma longa jornada de retorno onde o amor mora, que ele não teme tornar… Toda uma vida que perdemos acontece mais tarde, quando ao reler lembramos a forma tão bonita como o fizeram, e sem saída, uns relampeiam, outros esquivam-se, ainda outros “deslizam sem ruído… no chão sumidos como faz um verme…” mostrando a travessia de todos nós. Não esquecer que foi já pela década de vinte que a República que ajudara a tomar forma, começa a contestá-lo, estávamos à beira dos tempos sombrios, e ontem como hoje, tudo se passa de igual maneira. «À Inglaterra» pasme-se então o leitor diante a virulência “que não é mal nenhum ser conhecido pela rebelião de um filho seu paterno…” Destas estirpes nenhuma diplomacia é feita, e o Estado nunca nos representa por inteiro. Que os estados de alma também não fazem poetas, mas onde a alma não se encontra em fina conexão com a justiça, essa nem sabe de que epíteto é feita. Nós somos agora todos mais ou menos panfletários, e não conseguimos sair deste registo que atiçamos como se estivéssemos em eternas campanhas, o risco de tudo isto é que perdemos a capacidade de louvar coisas outras. Há-de ainda chegar o tempo em que estes livros já esquecidos, serão ainda proibidos, nesta Assembleia das Nações que a troco de uma vida repleta de coisas, perdeu tudo no esquecimento mórbido face àqueles que nos deram tantos sonhos, que a morte da rainha é também o início dos tempos funestos, ela que nunca soube que tanta verve contra o seu reino tivesse sido tão emblemática, baluarte de um Império que será destroçado com um clamor como o mundo ainda não viu, repousa finalmente nestes dias de luto nacional. E neste Setembro em que o aniversário de Guerra Junqueiro se realizou, não sei explicar como iludir estes momentos. Quase duzentos anos! «Vencidos da vida»?! Tão diferente do “vencer na vida….” que é onde se encontram agora os derrotados de uma experiência triste. Eles, porém, são quem renasce perante o assombro da morte colectiva.
GP | Piloto irlandês diz que as estrelas internacionais não vão participar Sérgio Fonseca - 26 Set 2022 A possibilidade de termos um 54.º Grande Prémio de Motos de Macau com as grandes estrelas do “road racing” internacional em 2022 parece, por agora, uma possibilidade remota, mas não quer isso dizer que a corrida mais ansiada do 69.º Grande Prémio de Macau não se venha a realizar Michael Sweeney, que conta com seis participações na prova, levantou um pouco o véu do que se passa nos bastidores numa entrevista à publicação irlandesa “News Letter” na semana passada. O motociclista de 40 anos referiu que não irá participar na prova, pois considera que a longa quarentena, imposta pelas autoridades de Macau no combate à pandemia, hipoteca à partida uma viagem ao Oriente, e afirmou que os ex-vencedores da corrida, como Michael Rutter ou Peter Hickman, não têm planos para regressar ao Circuito da Guia este ano. “Eu não vou [participar no Grande Prémio de Macau] porque tens uma quarentena de dez dias”, disse o popular irlandês, que esta temporada já venceu cinco corridas aos comandos da sua BMW S1000RR. “Não podem esperar que o pessoal vá até lá e passe aquele tempo todo em quarentena. Eu não acredito que [o Grande Prémio de Motos de Macau] vá acontecer, porque precisas de tempo para organizar voos, reservas e transporte”. A prova motociclismo de estrada mais conceituada do continente asiático não se disputa desde 2019, mas este ano a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau parece empenhada em recuperar uma corrida que será sempre afectada pelas medidas restritivas de combate à pandemia. Em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau na pretérita semana, o presidente do Instituto do Desporto e Coordenador do Grande Prémio de Macau, Pun Weng Kun, reiterou que gostaria de ver em Macau equipas estrangeiras e que a maioria dos pilotos estrangeiros contactados pela organização concordaram em fazer quarentena para poderem participar na competição. “Não sei qual o requisito mínimo para uma grelha para poderem realizar a corrida, mas todas as pessoas com quem falei – incluindo pessoas como o [John] McGuinness, o ‘Hicky’ [Peter Hickman] e o [Michael] Rutter, nenhum deles vai ficar em quarentena durante dez dias”, acrescentou à publicação de Belfast, sem, no entanto, deixar de mencionar que gostaria de voltar a competir na RAEM “no próximo ano, com certeza, mas quando [o evento] regressar em condições [sem quarentas obrigatórias]”. No regulamento desportivo da última edição do Grande Prémio de Motos de Macau, podia ler-se que um “mínimo de 22 inscrições devem ser recebidas para a corrida se realizar”, porém, acredita-se que esse número será propositadamente reduzido este ano, precisamente para acomodar o número inferior de interessados em participar na prova. Preparativos para a festa Apesar do algum optimismo em redor da organização da prova, não há um único piloto que tenha confirmado publicamente a sua participação a dois meses do evento. Vários pilotos, alguns dos quais já apalavraram a sua presença em Macau, confirmaram ao HM que estão a trabalhar de forma a garantirem todas as condições para estarem à partida. Um dos grandes problemas encontrados por aqueles que querem vir acelerar novamente ao território reside na dificuldade em arranjar mecânicos qualificados com disponibilidade e interesse para realizar esta longa aventura. Para além do esforço pessoal e financeiro dos intervenientes – convém lembrar que muitos deles não são sequer profissionais do desporto – e numa altura em que existe uma normalização em relação à doença no mundo ocidental, há ainda muitas dúvidas e receios sobre o que irá acontecer a quem acusar positivo à chegada a Macau ou mesmo durante o evento. Por seu lado, a organização também vai alinhavando os preparativos. As motos e o equipamento das equipas serão transportados de avião para a RAEM através de um dos aeroportos de referência – Lisboa, Luxemburgo ou Londres – o que facilitará a logística, mas depois do evento regressará de barco como acontecia anteriormente. O 69.º Grande Prémio de Macau irá decorrer de 17 a 20 de Novembro, devendo voltar ao formato anterior de quatro dias, em vez dos três dias dos últimos dois anos, para acomodar as seis ou sete corridas previstas para o programa.
Gastronomia | Livro com receitas da diáspora chega em Outubro Hoje Macau - 26 Set 2022 DR Tiago Martins, franco-português, lança em Outubro o livro “L’Histoire du Portugal dans mon assiette” que inclui mais de 60 receitas portuguesas e factos histórico-culturais sobre o país. A cultura e a história de Macau estão presentes na conta de Instagram de Tiago Martins O livro “L’histoire du Portugal dans mon assiette” chega em Outubro às livrarias em França, com mais de 60 receitas e factos históricos sobre a gastronomia portuguesa compilados por Tiago Martins, um franco-português que faz sensação nas redes sociais. “Já no Instagram eu falava de gastronomia e de história de Portugal. Com a pandemia e a popularidade crescente da minha conta, conheci pessoas, conheci a editora Cadamoste e começaram a surgir algumas ideias, resolvemos então escrever este livro há dois anos. Houve muita pesquisa, fui muito a Portugal, do Norte ao Sul, fui a restaurantes, mas o mais difícil foi coordenar os mais de 60 ‘chefs’ que estão no livro”, disse Tiago Martins em declarações à Lusa. Na conta “Portuguese Facts”, na rede social Instagram, Macau surge explicado num vídeo de um minuto que destaca as especificidades culturais do território, como é o caso da presença da toponímia em português, das Ruínas de São Paulo ou da Calçada Portuguesa. Destaque ainda para uma publicação onde Tiago Martins fala de alguns dos mais importantes monumentos do território, como é o caso da Fortaleza do Monte ou a zona do Leal Senado, entre outros. De frisar ainda, uma outra publicação sobre o bairro português de Malaca, na Malásia. Tiago Martins nasceu em França, mas os pais são da aldeia da Barrenta, perto de Leiria, tendo tido sempre um interesse pela história e geografia de Portugal. A conta de Instagram foi crescendo, tendo agora mais de 14 mil seguidores. Sem formação em cozinha, este franco-português recorreu então a ‘chefs’ em Portugal e fora do país para reunir cerca de 60 receitas de pratos tradicionais portugueses. “Eu sei cozinhar, mas eu não tenho legitimidade para escrever uma receita. O que eu queria era um livro colaborativo, gosto muito dessa ideia por sermos uma diáspora solidária. Assim, cada receita tem um chefe diferente porque cada um tem uma ideia diferente da cozinha portuguesa”, explicou. Pratos globais Assim, no livro “L’histoire du Portugal dans mon assiette”, ou “a História de Portugal no meu prato”, pode-se encontrar a receita de orelha de porco com ovos ou polvo à lagareiro acompanhado por húmus, pratos tradicionais, muitas vezes reinventados por ‘chefs’ com origens portugueses em França, Suíça, Alemanha, Angola, Macau, Áustria, Canadá, Estados Unidos da América, entre outros. Mas Tiago Martins lembra que este é mais do que um livro de receitas portuguesas em francês. “O livro não tem só receitas. Tem também anedotas históricas e curiosidades, alguns pratos mais estranhos. Mas falo também dos produtos portugueses, da fruta portuguesa, como o ananás dos Açores, e também dos vinhos espirituosos”, explicou. Assim, todos os pratos são acompanhados de factos históricos e das suas origens como a sopa do vidreiro, da Marinha Grande, ou a chanfana. Tiago Martins também incluiu episódios das suas viagens sempre que se deparou com lendas que dão vida a estes pratos típicos. O jovem franco-português não gosta só de escrever sobre a gastronomia, gosta também de a provar e tem os seus pratos preferidos. “É um prato preferido de muita gente, mas adoro bacalhau à Brás. Adoro quando os ovos não estão muito cozidos. Mas também adoro o bacalhau à Gomes de Sá, mas esse não me atrevo a cozinhar porque o da minha mãe é muito bom. No livro, temos uma receita do bacalhau à Gomes de Sá de um ‘chef’ alemão, que é muito diferente, mas a essência está lá”, indicou. O livro estará nas livrarias francesas a partir de 13 de Outubro, com uma tiragem de 4.000 exemplares, e Tiago Martins tem já pedidos de outros pontos do mundo, como Estados Unidos, para uma tradução em inglês, pensando também na possibilidade de traduzir o livro para português.
Redução de rendas e de preços de telecomunicações abrandam inflação Hoje Macau - 26 Set 202226 Set 2022 DR A taxa de inflação homóloga em Macau abrandou em Agosto para 1,13 por cento, sobretudo devido a uma queda nas rendas das casas e nos preços dos serviços de telecomunicações, foi divulgado na sexta-feira. As rendas das habitações em Macau caíram 8,3 por cento em termos homólogos na primeira metade do ano, sobretudo devido ao “elevado desemprego”, segundo um relatório da imobiliária JLL. A taxa de desemprego subiu para 4,1 por cento entre Maio e Julho, o valor mais elevado desde 2005, embora o número de trabalhadores estrangeiros sem estatuto de residente tenha diminuído em quase 4.600 em Julho, mês em que Macau enfrentou o pior surto de covid-19 desde o início da pandemia. Por outro lado, subiram os salários dos trabalhadores domésticos (mais 19,8 por cento) e os preços dos combustíveis (21,7 por cento) e das refeições fora de casa (1,7 por cento), indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em comunicado. O índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas diminuiu 0,20 por cento, em termos mensais, graças à redução dos preços do peixe fresco e dos produtos hortícolas. A DSEC indicou ainda que na secção de bens e serviços o índice de preços dos transportes subiu em Agosto 5,94 por cento, em termos anuais. No capítulo dos serviços domésticos, importa recordar que em Abril deste ano, o território tinha levantado as restrições fronteiriças a trabalhadores das Filipinas, isenção mais tarde alargada à Indonésia – duas das principais fontes de trabalhadores domésticos para Macau. Recomeço de voos A companhia aérea Air Macau anunciou na semana passada o recomeço em 12 de Outubro dos voos directos com o Vietname, um outro importante país de origem dos trabalhadores domésticos na região chinesa. No entanto, ao contrário do que acontece para quem entra pela fronteira com a China continental, quem chega do estrangeiro continua a ser obrigado a cumprir uma quarentena de sete dias num hotel, seguido de três dias de “autovigilância médica” que pode ser feita em casa. Em Agosto, o índice de preços no consumidor geral desceu 0,17 por cento comparativamente ao mês anterior, de acordo com a DSEC. Enquanto que em Julho, a taxa de inflação homóloga em Macau era de 1,38 por cento.
Gripe | Começou hoje vacinação para grupos de alto risco Hoje Macau - 26 Set 2022 DR A campanha de vacinação gratuita contra a gripe sazonal arrancou hoje, numa primeira fase destinada a grupos de alto risco de gripe, indicaram ontem os Serviços de Saúde (SSM). Como tal, é aconselhado a “crianças, idosos, mulheres grávidas e pacientes com doenças crónicas, que correm alto risco de complicações da gripe, a receber a vacina contra a gripe sazonal, o mais rápido possível antes o pico da gripe”. As autoridades de saúde indicam que “uma vez que as mulheres grávidas, crianças, idosos e pacientes com doenças crónicas, são mais propensos a ter complicações graves e até, a morte após serem infectados pelo vírus influenza, ao mesmo tempo, com o aumento do fluxo de pessoas no exterior e a alta incidência de doenças respiratórias no Outono e Inverno, o risco de importação do novo tipo de coronavírus e o risco de transmissão da gripe também aumentaram”. Os SSM acrescentam que, neste contexto, “a vacinação antigripal pode efectivamente reduzir o risco de sobrepor a epidemia da pneumonia, causada pelo novo tipo de coronavírus ao surto da gripe, diminuindo a possibilidade de ocorrerem consequências graves, devido à infecção dupla”.
Pandemia | Amélia António diz que últimos três anos foram “desastrosos” Andreia Sofia Silva - 26 Set 2022 A presidente da Casa de Portugal em Macau realçou o impacto negativo que os anos de combate à pandemia tiveram na génese cultural e socioeconómica de Macau. Amélia António defende que não basta às autoridades falarem sem concretizarem projectos prometidos É mais um sinal de alerta. A presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António, disse à TDM Rádio Macau que os últimos três anos têm sido “desastrosos” para várias áreas da sociedade. “Estes três anos têm sido desastrosos para tudo, a todos os níveis. Ao nível económico, ao nível cultural, ao nível da abertura de Macau ao mundo. Na minha perspectiva, Macau não se pode só dizer que é, tem de ser.” A responsável falou aos jornalistas à margem da 10ª Exposição Internacional de Turismo, que contou com a representação de associações dos países de língua portuguesa e que terminou ontem. Amélia António não deixou de frisar que, num contexto de pandemia, é importante “marcar posição” neste tipo de iniciativa. A dirigente e advogada pede que Macau mantenha a sua especificidade cultural, sob pena de perder interesse para quem a visita. “Macau, há 500 anos, tornou-se uma porta e uma janela da China para o mundo e do mundo para a China. Hoje a China está aberta ao mundo de outra maneira, mas, apesar disso, Macau continua a ter um papel de ligação com o mundo, até do ponto de vista cultural. Se Macau deixar de ter as características culturais que tem, turisticamente também perde o interesse. Porque vir a Macau? Vai a uma cidade maior da China, a Xangai, a Pequim, a outro sítio qualquer, e vê, em grande, aquilo que em Macau há de pequenino.” Amélia António não tem dúvidas de que não basta às autoridades falarem dos projectos políticos que pretendem desenvolver para o território, apelando à concretização. “Não se pode só dizer que se é uma plataforma, só blá blá não chega. Tem de ser real.” Parabéns a você A 10ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau decorreu este fim-de-semana, entre sexta-feira e domingo, com o tema “Um Brinde à 10ª MITE”. A fim de celebrar o aniversário do evento, foram apresentados sete destaques “destinados a aprofundar a integração intersectorial ‘turismo+’ para ligar operadores de turismo e sectores relacionados de todo o mundo”. Pretendeu-se ainda, com a iniciativa, “promover o intercâmbio e a cooperação”, bem como “explorar oportunidades de negócio”. Lei Wai Nong, secretário para a Economia e Finanças, lembrou que a Expo de Turismo “tem vindo a aperfeiçoar-se”, além de que os 10 anos de existência do evento constituem “um novo marco histórico”. O governante disse ainda esperar que, através do evento, “se possa continuar a desenvolver as vantagens únicas e o papel de plataforma de Macau e criar mais oportunidades de intercâmbio e cooperação para os operadores turísticos regionais e internacionais”, entre outras vertentes. A Expo contou com 830 stands e funcionou em regime híbrido. Uma das novidades foi a inauguração do Pavilhão da Lusofonia, que serviu para “mostrar a diversidade cultural” de Macau e para que o território desempenhe “o papel de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa”. Houve ainda a estreia do pavilhão do “COTAI Strip”.
Segurança nacional | Wong Sio Chak garante protecção de direitos Hoje Macau - 26 Set 2022 DR O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, garantiu, numa reunião com dirigentes da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM), que será salvaguardada “a liberdade de imprensa e difusão consagrada pelo sistema jurídico da RAEM, bem como os direitos inerentes a qualquer cidadão e instituição da RAEM”. O encontro, que decorreu no sábado às 15h, serviu para discutir “a revisão da Lei relativa à defesa da segurança do Estado” e decorreu por convite da parte do secretário Wong Sio Chak. Os representantes da AIPIM, José Miguel Encarnação, Presidente da Direcção, João Francisco Pinto, antigo Presidente da Direcção e ex-Presidente da Mesa da Assembleia Geral, e João Carreira, Vogal do Conselho Fiscal, “foram informados sobre as alterações propostas à Lei relativa à defesa da segurança do Estado, tendo estes colocado várias questões relacionadas com a actividade jornalística, no âmbito da referida Lei”, aponta uma nota, sem especificar que tipo de questões foram apresentadas.
Colina da Guia | Governo visitou obras do sistema pedonal Hoje Macau - 26 Set 2022 DR Ho Iat Seng, André Cheong e Raimundo do Rosários visitaram na sexta-feira as obras de construção do sistema pedonal circundante na zona da Guia, que será inaugurado a 1 de Outubro. No local, os governantes “inspeccionaram todo o sistema pedonal, incluindo o túnel e a ponte pedonal, os elevadores e os demais equipamentos”. A obra vai ligar a Colina da Guia à zona envolvente da Avenida de Horta e Costa e Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE). As autoridades entendem que o projecto vai “beneficiar o bem-estar da população”, permitindo “reduzir significativamente a distância de deslocação dos peões” e “optimizando o ambiente pedonal das referidas zonas”. A obra consiste na construção de um túnel pedonal, o qual atravessa a Colina da Guia no sentido Sul-Norte e faz a ligação entre a ZAPE e a Avenida de Horta e Costa, permitindo que o percurso pedonal, com aproximadamente 1100 metros, seja encurtado para 400 metros. O túnel pedonal é equipado com um sistema automático de circulação pedonal e elevadores que dão acesso à Estrada do Engenheiro Trigo (circuito da Colina da Guia), com vista a facilitar a deslocação nas imediações com uma passagem pedonal mais conveniente e rápida. Além disso, as obras permitem ainda a optimização das condições de travessia pedonal da zona que abrange o troço da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, situado a Leste do Túnel do Monte da Guia, e a Estrada do Reservatório.
Governo distribui 8.000 patacas para gastar até Junho João Santos Filipe - 26 Set 202226 Set 2022 DR No dia em que anunciou o lançamento de mais um cartão de consumo, Ho Iat Seng realçou a natureza “temporária” da medida e que o Governo não pode “sustentar a longo prazo as dificuldades da população”. A medida vai custar 5,92 mil milhões de patacas O Governo anunciou a distribuição de uma nova ronda de 8 mil patacas, através de um programa que apelidou de “subsídio de vida com carácter de benefício generalizado para todos os residentes”. A apresentação do novo apoio decorreu na sexta-feira e a medida foi justificada com a necessidade de “aliviar a pressão financeira dos residentes”. Após uma reunião do Conselho Executivo, Tai Kin Ip, director dos Serviços Financeiros (DSF), alertou que, apesar do orçamento de 5,92 mil milhões de patacas para esta medida, as autoridades precisam de ser cautelosas com a reserva financeira. Em causa está a possibilidade de surgirem novos surtos. “Temos um orçamento de 5,92 mil milhões de patacas, mas precisamos de ter uma reserva para um eventual surto de epidemia”, afirmou Tai Kin Ip, em conferência de imprensa. “Sabemos que há muitas incógnitas e que temos de nos preparar para um eventual surto”, acrescentou. Também no dia seguinte, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, destacou que este apoio é “só uma medida temporária”, e avisou a população para o pior ao afirmar que o Governo não pode “sustentar a longo prazo as dificuldades da população”. As autoridades esperam que o investimento de 5,92 mil milhões de patacas na economia resulte num efeito multiplicador no consumo de 10 mil milhões de patacas. Daqui a um mês O programa entra em vigor a 28 de Outubro deste ano e pode ser utilizado até 30 de Junho de 2023. Ao contrário da ronda de apoios à população ainda em vigor, as 8 mil patacas podem ser utilizadas directamente em consumo, ou seja, sem haver necessidade de fazer carregamentos para aproveitar totalmente o dinheiro distribuído. O consumo diário está limitado a 300 patacas. Na ronda em vigor, os residentes receberam 5 mil patacas para gastar directamente e 3 mil patacas para descontos no consumo. Em relação às pessoas que receberam os apoios em vigor através de aplicações de pagamentos móveis, a transferência das 8 mil patacas acontece de forma automática. Quem recorreu ao cartão de consumo, vai ter de gastar o montante que tem no cartão até ter menos de 10 patacas, e depois pode fazer um novo carregamento nos locais habituais, sem necessidade de registo. A medida volta a deixar de fora os não-residentes. “Vamos dar prioridade aos residentes de Macau, entre os que estão aqui a viver, residentes permanentes ou não-permanentes. Seguimos a mesma regra”, justificou Tai Kin Ip.
Macau vai arrendar terreno nas Portas do Cerco para extensão do Metro Hoje Macau - 26 Set 2022 DR O Chefe do Executivo salientou ainda que, na reunião de sexta-feira, o Governo Central autorizou Macau “a aproveitar” um terreno situado junto no norte do território, para construir uma ligação entre as Portas do Cerco, principal fronteira com a China, e uma futura linha leste do Metro Ligeiro em Qingmao. O terreno será arrendado, mas Ho Iat Seng não revelou a quantia que a RAEM irá pagar à China, dizendo apenas que não é elevada. “A Linha Leste não previa esta ligação para o posto de Qingmao, mas a ligação é importante para conseguirmos promover o Metro Ligeiro como um transporte colectivo rápido. Também não podia chegar às Portas do Cerco, era impossível porque havia um terreno que não pertence à jurisdição de Macau, mas à administração de Zhuhai. Mas agora vamos poder aproveitar esse terreno nas imediações das Portas do Cerco para fazer uma ligação do Metro Ligeiro até ao posto de Qingmao”, afirmou Ho Iat Seng, citado pelo canal Macau da TDM. Em relação ao arrendamento do terreno, o Chefe do Executivo aproveitou o momento para afirmar que “o Governo Central presta, igualmente, apoio a Macau no que diz respeito a acelerar a concretização de grandes projectos de infra-estruturas.” Custo não revelado O secretário para a Administração e Justiça, André Cheong não revelou a quantia que a RAEM irá desembolsar pelo arrendamento do terreno, mas assegurou que não será avultada. “Não é um espaço de arrendamento muito grande, é apenas aquele terreno nas Portas do Cerco onde serão instalados os pilares para a passagem do Metro Ligeiro. A área não é muito grande, tem cerca de 3000 ou 4000 metros quadrados, por isso a renda não vai ser muito cara”, afirmou o governante, sem relevar as quantias envolvidas. Apesar de o início das obras ainda não ter data para arrancar, o Chefe do Executivo adiantou que o processo deverá começar com brevidade. “Vamos tentar abrir o concurso público o mais rapidamente possível, talvez em Novembro”, indicou Ho Iat Seng, recordando que até começarem as obras é necessário seguir os procedimentos normais de adjudicação de obra. Porém, a prioridade é que “as obras se iniciem muito em breve”.
Registado novo recorde de visitantes no fim-de-semana Andreia Sofia Silva - 26 Set 2022 DR O território recebeu, na sexta-feira, um total de 26.120 visitantes, o que representa um aumento superior a dez por cento em relação à média diária de visitantes registada durante o Festival de Barcos-Dragão. As autoridades apontam ainda que se trata de “um novo recorde [de turistas] desde o surto epidémico” que teve início a 18 de Junho. Por sua vez, entre os dias 16 e 22, o território recebeu 146.670 visitantes, uma média diária de 20.953, o que representa um aumento de 20,6 por cento face à média diária de 17.380 visitantes registados entre 9 e 15 de Setembro, e mais 96 por cento do que a média diária de Agosto (10.690). Já a taxa de ocupação média dos hotéis, entre os dias 16 e 22 de Setembro, foi de 39,3 por cento, um aumento de 3,6 por cento em comparação com os dias 9 a 15 deste mês, em que a taxa foi de 35,7 por cento. Face ao mês de Agosto, em que a taxa de ocupação média foi de 34,4 por cento, constitui um aumento de 4,9 por cento. A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) explica estes números com a realização de acções promocionais do turismo de Macau “para ampliar as fontes de visitantes em sintonia com a realização de uma série de eventos, festividades e actividades de turismo comunitário”. O objectivo é fazer com que os visitantes prolonguem o período de estadia e gastem mais na cidade, constituindo “uma série de esforços [da parte do Governo] para impulsionar o turismo e a economia”. Tendo em conta a chegada da Semana Dourada e a realização de eventos como o Festival Internacional de Música de Macau ou o Grande Prémio, entre outros, a DST espera conseguir atrair mais visitantes ao território, bem como “estimular o consumo turístico, prolongar o seu tempo de permanência em Macau e dinamizar a economia local”. No sábado, Ho Iat Seng destacou, segundo a TDM, os dados de visitantes, mas admitiu que o número “não é suficiente” para fomentar a economia local, esperando que o território possa vir a receber 40 mil turistas diários. Ainda assim, o Chefe do Executivo admitiu que Macau pode não ter a mesma capacidade para acolher os 40 milhões de turistas por ano que recebia antes da pandemia.
Covid-19 | Emissão de e-vistos e excursões regressam dentro de um mês João Luz - 26 Set 2022 DR Depois de muitas súplicas de políticos e empresários, as autoridades chinesas vão voltar a emitir vistos electrónicos e a permitir a vinda de excursões a Macau. Ho Iat Seng agradeceu a atenção prestada pelo Governo Central à RAEM e apontou o retorno das excursões para Novembro A China vai voltar a permitir excursões organizadas e a emissão de vistos electrónicos para visitas a Macau, até Novembro, anunciou o Chefe do Executivo no sábado, numa conferência de imprensa para apresentar uma “série de medidas benéficas” para Macau, lançadas pelo Governo Central. Ho Iat Seng adiantou que a emissão de vistos electrónicos deverá ser retomada “muito em breve”, tendo apontado para “finais de Outubro ou início de Novembro”. Quanto às excursões organizadas, o Chefe do Executivo previu que possam recomeçar em Novembro, uma vez que será necessário “um mês para a preparação”, nomeadamente para “restabelecer contactos com agências de viagens e companhias aéreas”. Desde o início da pandemia que o Governo Central chinês suspendeu as viagens em grupo e a emissão de vistos para turistas individuais com destino a Macau, para prevenir surtos de covid-19. A reabertura vai começar pela província vizinha de Guangdong (sudeste), tradicionalmente a maior fonte de turistas para Macau, e será depois alargada às províncias de Fujian (sudeste), Zhejiang (leste) e à cidade de Xangai (na costa central da China), disse Ho Iat Seng. As restrições impostas aos viajantes da China continental durante a pandemia causaram uma queda de mais de 80 por cento no número de turistas que chegaram a Macau nos dois anos anteriores, em comparação com 2019. Tendo em conta que o turismo é o sector dominante da economia da região administrativa especial chinesa, o responsável admitiu que “a situação é muito difícil” para a população. Ho Iat Seng admitiu a natural dependência da indústria turística do Interior da China, e que o Executivo “comunicou junto do Governo Central as necessidades concretas da cidade” e revelou que o regresso das excursões a Macau teve consentimento do Comissão Nacional de Saúde, “após a negociação entre serviços de prevenção epidémica”, indicou o Gabinete de Comunicação Social. Boa jogada A decisão da China de retomar as excursões organizadas e os vistos electrónicos para Macau vai dar às sete concorrentes às licenças de exploração de jogos “uma certa confiança no futuro”, acrescentou na mesma ocasião André Cheong. O presidente da comissão de avaliação das propostas e secretário para a Administração e Justiça disse que o Governo “está confiante em que as concessionárias irão apostar no futuro de Macau”. Devido à suspensão, que se prolonga há mais de dois anos, “é natural” que várias concorrentes “possam sentir algumas preocupações” quanto ao eventual retorno de um investimento em Macau, admitiu André Cheong. Em relação às restrições à entrada de turistas vindos do Interior da China e do estrangeiro, Ho Iat Seng garantiu que “não se irão prolongar durante 10 anos”. “As operadoras estão até mais cientes disto” do que as próprias autoridades, acrescentou. Ao contrário do que acontece para quem entra pela fronteira com a China, quem chega de Hong Kong ou do estrangeiro continua a ser obrigado a cumprir uma quarentena de sete dias fechado num quarto de hotel, seguido de três dias de “autovigilância médica”, que pode ser feita em casa. Com LUSA
João Pedro Rodrigues filma o que lhe apetece e desta vez é um conto de fadas queer Hoje Macau - 25 Set 2022 DR Por Sílvia Borges da Silva, da agência Lusa O realizador João Pedro Rodrigues estreia na próxima quinta-feira, em Portugal, o filme “Fogo-Fátuo”, que é “declaradamente uma comédia”, um conto de fadas queer no qual entram ainda incêndios, alterações climáticas, monarquia e colonialismos. “Fogo-Fátuo” chega aos cinemas portugueses depois de ter aberto a Quinzena dos Realizadores, em Cannes, de já ter tido estreia em salas francesas e de estar a fazer um intenso e elogiado percurso por outros festivais. João Pedro Rodrigues, nascido em Lisboa em 1966, já não assinava uma longa-metragem em nome próprio desde 2016, ano em que venceu o prémio de melhor realização com “O Ornitólogo”, no Festival de Locarno. Assinou algumas ‘curtas’ e fez o documentário “Onde fica esta rua?”, com o realizador, produtor e companheiro João Rui Guerra da Mata, também já exibido este ano em festivais. A fazer filmes desde finais dos anos 1990, João Pedro Rodrigues entrou agora, pela primeira vez, no registo de comédia com esta longa-metragem, que o próprio descreve como uma “fantasia musical”, sobre um jovem príncipe que quer ajudar o país a livrar-se do flagelo dos incêndios e que acaba por se apaixonar por um bombeiro. A relação entre aqueles dois homens “é o que mantém o filme de pé, mas também é uma história de amor entre um príncipe e um bombeiro e, além disso, acho que só pode ser tratado de uma forma cómica, em particular em Portugal. O tom da comédia está certo para isto. É um bocadinho conto de fadas”, afirmou o realizador, em entrevista à agência Lusa. “Fogo-Fátuo”, protagonizado por Mauro Costa e André Cabral, “é uma comédia muito da palavra, do diálogo e da escrita”, que faz rir e pensar sobre a relação de Portugal com o passado monárquico, colonialista, sobre preconceitos, homossexualidade, sobre a incúria dos incêndios florestais, sobre a realidade das alterações climáticas. “Eu não sou muito programático. A minha aproximação à minha criação no cinema não é teórica. Eu vou contando as histórias que têm a ver comigo no momento em que eu as quero contar e que me estão próximas. Sempre fiz os filmes que queria fazer. Felizmente vivemos num país onde existe liberdade e nunca tive nenhuma condicionante”, explicou o realizador. João Pedro Rodrigues lembra que não se desvia do que lhe é essencial: “O que sinto que estou a fazer nos meus filmes é o meu ponto de vista perante o mundo, mas eu não o tenho de explicar. Faço os meus filmes para os outros e para que sejam vistos, mas depois cada um tem liberdade de fazer o que quiser”. O realizador de “Odete” (2005), “Morrer como um homem” (2009) e “A última vez que vi Macau” (2012), correalizado com João Rui Guerra da Mata, admite que, ainda assim, quer libertar-se do que já fez. “Por isso é que se calhar os meus filmes são tão diferentes uns dos outros. Eu não quero sentir-me confortável num estilo ou numa maneira de fazer os filmes. Eu quero sempre questionar-me”, sublinhou. João Pedro Rodrigues tem andado quase sempre em viagem, a divulgar e a falar sobre “Fogo-Fátuo” com diferentes públicos, enquanto planeia o próximo projeto, em montagem financeira, intitulado “O Sorriso de Afonso”. “Vou fazer um filme que se passa durante o 25 de Abril [de 1974]. É a história de um adolescente que descobre a sexualidade nesse período revolucionário. (…) Eu acho que temos uma dificuldade em falar do nosso passado presente e discute-se pouco. Na ficção temos dificuldade em voltar ao nosso passado recente. A mim apetece-me falar sobre isso”, disse. E justifica as escolhas para o próximo filme: “Logo após o 25 de Abril, há um grupo de trabalho homossexual que escreveu um manifesto publicado no Diário de Lisboa, para defender os direitos do homossexuais, e veio o Galvão de Melo [militar que pertenceu à Junta de Salvação Nacional, de onde viria a ser excluído no final de setembro de 1974] à televisão dizer que a revolução não foi feita para prostitutas e homossexuais. Se pensarmos, a homossexualidade só foi legalizada nos anos 1980. A revolução é liberdade, mas a liberdade não era para todos”. Depois de um problema com o produtor do filme anterior, “Ornitólogo”, que está ainda a decorrer em tribunal, João Pedro Rodrigues passou a assumir também o papel de coprodutor das suas obras e não descarta qualquer convite para, por exemplo, trabalhar diretamente para ‘streaming’. “Não digo ‘não’ a nada, a mim interessa-me a variedade e a diversidade. Depende do grau de liberdade que eu pudesse ter. Uma das coisas que fazem com que o cinema português seja reconhecido lá fora é precisamente a sua diferença, são universos particulares. Os filmes não se parecem com outros filmes. E é isso que interessa às pessoas”, sublinhou.
Coreia do Sul diz que Coreia do Norte testou míssil em direção ao mar Hoje Macau - 25 Set 2022 DR Os militares da Coreia do Sul dizem que a Coreia do Norte disparou hoje pelo menos um míssil balístico não identificado em direção ao seu mar oriental. O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul não disse imediatamente que tipo de míssil era ou quão longe voou. O lançamento ocorreu um dia depois de as autoridades sul-coreanas terem detetado sinais de que a Coreia do Norte estava a preparar-se para testar um míssil projectado para ser disparado de submarinos. A Coreia do Norte acelerou as suas atividades de testes para um ritmo recorde em 2022, testando mais de 30 armas balísticas, incluindo os seus primeiros mísseis balísticos intercontinentais desde 2017, enquanto continua a expandir as suas capacidades militares, no meio de um impasse prolongado na diplomacia nuclear. O lançamento ocorreu quando o porta-aviões nuclear USS Ronald Reagan e o seu grupo de ataque chegaram à Coreia do Sul para o exercício militar conjunto dos dois países para mostrar a sua força contra as crescentes ameaças norte-coreanas. A ameaça norte-coreana também deverá estar na agenda da vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, quando esta visitar a Coreia do Sul na próxima semana, depois de participar no funeral, em Tóquio, do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe.
Antigo diplomata de Myanmar pede ao Japão para não legitimar junta militar em funeral de Abe Hoje Macau - 25 Set 2022 DR Um diplomata birmanês demitido pela junta militar de Myanmar, pela oposição ao golpe de Estado, criticou a decisão do Japão de incluir o atual embaixador birmanês entre os convidados para o funeral de Shinzo Abe. Aung Soe Moe, um dos diplomatas autorizados a permanecer no Japão pelo governo japonês depois de ter sido afastado da embaixada de Myanmar (antiga Birmânia) no ano passado, disse que permitir a presença do embaixador Soe Han, juntamente com outros dignitários, no funeral de Estado do antigo primeiro-ministro nipónico, morto a tiro durante um comício eleitoral a 08 de julho, vai servir para legitimar a junta militar. “O que os generais querem é o reconhecimento oficial do regime pela comunidade internacional” e, ao mesmo tempo, tornar o golpe de fevereiro de 2021 “um facto consumado”, disse Aung Soe Moe, de 53 anos, em conferência de imprensa, citado pela agência de notícias japonesa Kyodo. O antigo diplomata referiu, como exemplo, a decisão do Reino Unido de não permitir a participação de qualquer delegação birmanesa no funeral da rainha Isabel II e afirmou que o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, devia tomar uma posição semelhante contra a junta. “O Japão não convidou Min Aung Hlaing [líder da junta], mas isso não fará muita diferença, se o governo de Kishida permitir que o embaixador nomeado pela junta participe” no funeral de Estado, argumentou Aung Soe Moe. Entre os dignitários estrangeiros que confirmaram a presença no funeral de Abe, na terça-feira, incluem-se a vice-Presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, e o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese. Desde que foi expulso do Ministério dos Negócios Estrangeiros birmanês por se juntar ao movimento de desobediência civil contra a junta, Aung Soe Moe, primeiro secretário da embaixada birmanesa em Tóquio aquando do golpe militar, tem estado ativo no Japão pela restauração da democracia em Myanmar. A comunidade birmanesa pró-democracia no Japão disse também não compreender o convite para o funeral do antigo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe de um representante de um regime que está a reprimir violentamente os opositores, e pediu que a decisão seja reconsiderada. Desde que a líder Aung San Suu Kyi e outros responsáveis democraticamente eleitos foram afastados do poder, a 01 de fevereiro de 2021, a junta matou mais de duas mil pessoas, deixou cerca de 974 mil deslocados e quase 12 mil pessoas foram arbitrariamente detidas e muitas torturadas, de acordo com dados da ONU. O Japão condenou o golpe e instou a junta a inverter o seu curso, mas Tóquio não reconheceu o chamado “governo de unidade nacional” de Myanmar, formado em abril do ano passado, por representantes que se opunham à junta militar.
Casa Garden | Exposição “Desenhar Macau” inaugurada amanhã Andreia Sofia Silva - 22 Set 202222 Set 2022 DR “Desenhar Macau”, com pinturas, desenhos e gravuras de Catarina Cottinelli da Costa, é inaugurada amanhã, na Casa Garden, depois do adiamento provocado pelo surto pandémico. Os trabalhos reflectem um período de quatro anos de Macau e diferentes fases, marcadas pelas saudades das viagens e da família e o olhar atento aos diversos espaços urbanos e arquitectónicos Integrada no programa oficial de celebração do 10 de Junho, a mostra “Desenhar Macau”, com desenhos, gravuras e pinturas de Catarina Cottinelli da Costa, estava na gaveta devido ao último surto epidémico. A inauguração da exposição acontece amanhã, às 17h30, na Casa Garden. Ao HM, a artista e docente, com formação em arquitectura, explicou o significado dos trabalhos que reflectem as vivências e percepções de quatro anos de vida em Macau. “Tendo em conta a minha cultura ligada à arquitectura, tenho sempre uma tendência para olhar e registar as coisas de um modo diferente. Uma vez que Macau tem uma cultura bastante diferente daquela em que estava inserida, tive muita curiosidade em conhecer muitos sítios. Macau reflecte situações especiais, não tinha nenhuma experiência no Oriente e foi interessante para mim contactar com as pessoas e também com as vivências e arquitecturas dos espaços.” O foco de “Desenhar Macau” é esse mesmo, o reflexo de espaços icónicos de Macau, tal como o jardim de Lou Lim Ieok. “Foi como fazer um desenho mental, um conhecimento mental desses espaços ligados à urbanidade e às pessoas. Fui um pouco atrás dos meus interesses de momento.” Catarina Cottinelli da Costa descreve a exposição como sendo composta por várias fases, algumas delas ligadas aos sentimentos de saudade da família, de isolamento ou de ausência. É aqui que se podem ver retratos de família pintados a óleo ou pinturas de locais exóticos, como Goa ou Tailândia, feitas a partir de fotografias. “Há um aspecto mais sentimental da exposição que tem a ver com o facto de não poder voltar a casa devido à pandemia. Há uma parte em que explorei o retrato a óleo com pinturas dos membros mais importantes da minha família. Depois tentei ocupar o tempo desenhando e fazendo aguarelas a partir de fotografias. Mas o foco da mostra é Macau, os seus espaços e vivências, e tudo o que fiz desde que vim para cá”, frisou a artista. Novos mundos criativos Catarina Cottinelli da Costa lamenta que Madalena Fonseca, pintora e anterior monitora na Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau, não possa estar presente. “Investi numa área que desconhecia, que é a pintura, graças à Madalena Fonseca. Foi minha monitora e foi com ela que aprendi uma série de coisas, nomeadamente na gravura, com vários tipos de técnicas, que vão estar expressas na exposição”, adiantou. “Desenhar Macau” é a primeira exposição individual de Catarina Cottinelli da Costa, após duas participações em mostras colectivas, e acontece por incentivo de outras pessoas que foram tendo conhecimento do seu trabalho. “É com muito agrado que posso fazer a exposição ainda este ano. Foi a Ana Paula Cleto [delegada da Fundação Oriente em Macau] que me fez este convite e se mostrou sempre muito interessada para que acontecesse ainda em 2022”, adiantou. A mostra pode ser vista até ao dia 21 de Outubro.
Covid-19 | Vacinas para crianças até aos três anos chegam até Novembro Hoje Macau - 22 Set 2022 DR Macau deverá receber, em “Outubro ou Novembro”, vacinas contra o novo coronavírus, responsável pela covid-19, adequadas para crianças dos seis meses até aos três anos, disseram ontem as autoridades. A região está “em negociações com os fornecedores” de vacinas mRNA, disse uma responsável do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus dos Serviços de Saúde de Macau (SSM). Leong Iek Hou disse, em conferência de imprensa, (ver texto principal), que, “segundo a resposta dos fornecedores, o mais provável é que as vacinas estejam disponíveis em Outubro ou Novembro”. Neste momento, Macau dispõe apenas de vacinas inactivadas da chinesa Sinopharm, para crianças com idade igual ou superior a 3 anos, e de vacinas de mRNA (da alemã BioNTech) para crianças com idades entre 5 e 11 anos. O regulador norte-americano aprovou em Junho a administração de emergência das vacinas mRNA contra a covid-19 da Pfizer e da Moderna em crianças a partir dos seis meses de idade.