Obras | Exigido cumprimento de normas de segurança João Luz - 9 Dez 2025 O secretário para os Transportes e Obras Públicas pediu a representantes de associações do sector da construção civil o cumprimento de medidas rigorosas de supervisão para minimizar riscos. Raymond Tam revelou que o Executivo irá acelerar a elaboração de instruções para obras em paredes exteriores de edifícios O trágico incêndio que vitimizou mais de uma centena e meia de pessoas em Tai Po continua a ter reverberações em Macau. Na passada sexta-feira, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man reuniu com representantes de seis associações do sector da construção civil. O governante “sublinhou que o sector deve implementar rigorosamente medidas de monitorização e controlo em todas as fases da construção, envidando todos os esforços para minimizar os riscos potenciais”. Na agenda do Governo, a curto prazo, está a “elaboração de instruções para a realização de obras em paredes exteriores de edifícios”, um processo que Raymond Tam garante que será acelerado. Estabelecidas as directrizes, as autoridades vão exigir “cumprimento rigoroso” aos empreiteiros. Segundo um comunicado emitido pelo gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam “salientou que o Governo da RAEM atribui elevada importância à gestão dos estaleiros e à segurança da construção, especialmente no que respeita à reparação de edifícios e às obras de renovação de paredes exteriores, exercendo um controlo rigoroso na fase de apreciação e aprovação”. Boas práticas O governante exigiu aos representantes do sector a utilização de materiais que cumpram as normas de segurança contra incêndios e a garantia de uma gestão adequada em todas as fases da obra. Outro ponto discutido, foi a promessa de intensificação do combate às construções ilegais, em particular as que possam obstruir vias de evacuação De acordo com o Executivo, os representantes das seis associações comprometeram-se em “articular com os trabalhos do Governo da RAEM, cumprindo rigorosamente as diversas instruções e requisitos relevantes”.
Sam Hou Fai defende que há cada vez mais apoios para a comunidade portuguesa Hoje Macau - 9 Dez 2025 O Chefe do Executivo defende que o Governo tem dado cada vez mais apoio à comunidade portuguesa em Macau. As declarações terão sido prestadas durante um encontro entre o Chefe do Executivo e os representantes da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República Portuguesa, de acordo com a versão do Governo de Macau. O encontro aconteceu na Sede do Governo na quinta-feira e, de acordo com o Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai destacou “o apoio, cada vez maior, do governo da RAEM no ensino da língua portuguesa, na transmissão da cultura e à comunidade portuguesa”. O Chefe do Executivo apontou ainda que estes “factos” “demonstram plenamente os alicerces consolidados de Macau na coexistência de culturas diversificadas, e a importância e respeito dados constantemente aos direitos, interesses, costumes e tradições da comunidade portuguesa em Macau”. Esperança no futuro Aos deputados de Portugal, que além de José Cesário incluíram Paulo Neves (PSD), Manuel Magno (Chega) e Catarina Louro (PS), o Chefe do Executivo afirmou ainda “esperar que as relações amigáveis entre Macau e Portugal continuem a avançar sob uma base sólida”. Ainda durante o encontro, Sam Hou Fai considerou que “Macau tem implementado inabalavelmente o princípio ‘um país, dois sistemas»’ seguindo o regime jurídico continental europeu anteriormente existente, e mantendo inalterados o sistema capitalista e a maneira de viver, sob o enquadramento da Lei Básica”. O Chefe do Executivo defendeu também “as vantagens institucionais de ‘um país, dois sistemas’, o forte apoio do Governo Central” e apontou ainda que depois da transferência Macau tem “alcançado êxitos notáveis a nível mundial nas áreas da económica, social, cultural e turística”.
Visita | Secretários de Estado de Portugal ficaram por receber João Santos Filipe - 9 Dez 2025 De acordo com a CNN Portugal, o Governo liderado por Luís Montenegro acredita que a recusa de Sam Hou Fai se deve ao facto de a China estar desagradada com a transferência do ex-embaixador de Pequim, Paulo Jorge Nascimento, para a Etiópia Um facto “estranho”. Foi desta forma que o Governo de Portugal encarou o facto de Pedro Machado e Hugo dos Santos, secretários de Estado portugueses, não terem sido recebidos oficialmente por Sam Hou Fai, na semana passada. A posição foi relatada pela televisiva portuguesa CNN, que acompanhou ao mais alto nível o encontro anual da Associação Portuguesa de Viagens e Turismo (APVT), realizado na RAEM, com a presença de Nuno Santos. Segundo a versão do canal televisivo, os secretários de Estado tinham a expectativa de ser recebidos pelo Chefe do Executivo durante um “encontro formal”. Porém, as autoridades de Portugal foram informadas que Sam Hou Fai “não teve agenda” para o encontro com os secretários de Estado do Turismo e das Infra-estruturas. E a ausência de encontro causou estranheza em Portugal, de acordo com a CNN, porque, na visão do Governo de Luís Montenegro, as relações com a China “são consideradas boas ou até muito boas” e terão saído reforçadas após a visita do primeiro-ministro à China, em Setembro. Em Portugalm, acredita-se que a falta de agenda de Sam Hou Fai para receber os membros do Governo português se deve à insatisfação da República Popular da China com a forma como Portugal distribui o seu corpo diplomático. Assuntos internos De acordo com a informação da estação televisiva, a China ficou desagradada com o facto do ex-embaixador de Portugal em Pequim, Paulo Jorge Nascimento, ter sido mudado para a Etiópia, pelo Governo. Nascimento foi substituído recentemente por Manuel Cansado Carvalho, ex-cônsul de Portugal e Macau. Esta alteração por si não terá sido encarada como problemática pela China. No entanto, a CNN Portugal aponta que a insatisfação se deve ao facto do Governo da República Popular da China encarar a transferência de embaixador em Pequim para a Etiópia como “uma falta de consideração”, porque aos olhos das autoridades chinesas um embaixador que saia de Pequim tem de ser colocado numa “chancelaria de primeira linha”. O desagrado não se prende com o facto de o país em causa ser a Etiópia, mas antes por não ser colocado num posto que não está na primeira linha à luz dos interesses de Portugal. À CNN Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal não se pronunciou sobre o movimento diplomático. No entanto, a estação aponta que a nomeação foi considerada “normal” dentro do ministério, mesmo que se reconheçam que as relações com a China são “especialmente delicadas” devido a questões como a guerra comercial e a invasão da Rússia pela Ucrânia. Apesar da recusa em receber os secretários de Estado, Sam Hou Fai esteve reunido com uma comitiva de deputados portuguesas, liderada por José Cesário, ex-secretário de Estado das Comunidades e agora deputado.
AMCM | Assinado acordo permanente com Banco Popular da China Hoje Macau - 9 Dez 2025 A Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) assinou na sexta-feira um acordo com o Banco Popular da China para a troca de moeda entre renminbis e patacas. O documento assinado intitula-se “Acordo Permanente de Swap de RMB/MOP entre o Banco Popular da China e a Autoridade Monetária de Macau” e pretende dar “continuidade ao ‘Acordo de Swap de Moedas'” anteriormente assinado. A nova versão estabelece a permanência do acordo “que não requer renovação periódica” e alargou-se o âmbito para 30 mil milhões para 50 mil milhões de RMB, ou de 34 mil milhões para 57 mil milhões de patacas. O primeiro acordo assinado com o Banco Popular da China ocorreu a 5 de Dezembro de 2019, com validade de três anos. Foi feita uma primeira renovação no mesmo mês de 2022, mantendo-se os valores iniciais de 30 mil milhões de RMB e 34 mil milhões de patacas. A AMCM destaca que a renovação e actualização de valores “proporcionarão um apoio mais robusto à liquidez do RMB no mercado financeiro de Macau, facilitando a expansão dos negócios em RMB”.
APOMAC | Associação recebeu comitiva de deputados de Portugal João Santos Filipe - 9 Dez 2025 Os dirigentes da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) pediram aos deputados portugueses uma política de amizade com a China e que as posições tomadas tenham em conta os interesses da população portuguesa em Macau A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) recebeu quatro deputados e membros da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e defendeu uma política de amizade com a China, a pensar nos portugueses que vivem em Macau. O relato do encontro, que ocorreu na manhã de sábado, foi feito ao HM, por Jorge Fão, presidente da Assembleia-Geral da APOMAC. “Eles [deputados] perguntaram-nos se a APOMAC tem algumas preocupações, até porque neste momento se fala muito das questões de segurança nacional. E eu disse-lhes que eles têm de compreender a situação da comunidade portuguesa em Macau, dos residentes, que não são poucos, salvo erro são cerca de 140 mil”, começou por contar Jorge Fão. “Tudo o que Portugal pensar em fazer, tratar ou em comunicar com a República Popular a China tem de ter sempre em mente os interesses desta comunidade. Por isso, pedi-lhes para não hostilizarem a China, e procurarem resolver qualquer assunto pelo diálogo e não pelo confronto. Com uma postura de diálogo há benefícios para ambas as partes”, explicou. “Tenho receio que quando o Governo português não sabe lidar com a China cria situações preocupantes. Não estou a imaginar nada, por agora, mas pode acontecer. Quando maior a amizade e solidariedade, melhor ficará a população de Macau, falante, ou não, de língua portuguesa”, acrescentou. O dirigente associativo apontou ainda que a “China tem tido muita abertura para os países de língua portuguesa e que tem sido mais assertiva” no reforço das ligações comerciais. Por isso, considerou que “Portugal deve aproveitar esta política” e que a população do país “só tem a ganhar” com essa postura. Jorge Fão reconheceu a importância das relações de Portugal com os países ocidentais, mas indicou que “Portugal também precisa de parcerias económicas” e que a “China é um país muito forte” a nível económico. “Portugal tem aliados, mas o povo não vive das alianças, vive de comer, dos salários. Podem estar sempre a falar dos direitos e garantias, mas se estiverem a pregar no deserto, apesar de terem todos os direitos, morrem de fome”, vincou. “O bom relacionamento com a China significa mais postos de emprego para Portugal. Quanto maior for o investimento chinês, maiores serão os benefícios para a população em Portugal”, destacou Posição apoiada Em reacção à posição de Jorge Fão, os deputados terão afirmado compreensão e apoio, principalmente através de José Cesário, deputado do Partido Social-Democrata (PSD) que preside à Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas do Parlamento de Portugal. “Todos os deputados afirmaram que concordaram comigo. O José Cesário reafirmou essa posição, porque Portugal precisa de um parceiro económico forte, e a China é um país económico forte”, relatou. Integraram igualmente a comissão Paulo Neves, deputado do PSD, Manuel Magno, deputado do Chega, e Catarina Louro, deputada do Partido Socialista. O dirigente associativo destacou também o facto de esta ser a primeira vez que uma comissão do parlamento virada para as comunidades portuguesas visita Macau, o que considerou ter um “significado especial”. Durante o encontro, Jorge Fão admitiu não ter abordado os interesses mais específicos dos aposentados em Macau, relacionados com a Caixa Geral de Aposentações, por considerar que “não há grandes preocupações”, porque não implicam as competências dos deputados, e porque os problemas pontuais que surgem têm sido resolvidos sem sobressaltos. “Não temos tido qualquer preocupação que mereça intervenções dos deputados do Parlamento. As nossas questões têm a ver mais com a Caixa Geral de Aposentações, ou com a Direcção de Serviços de Finanças de Macau. Mas conseguimos ultrapassar os problemas directamente com essas instituições”, indicou. “Têm havido contacto regulares com essas duas entidades, que têm corrido da melhor forma”, justificou. Espaço VIP A recepção aos deputados pela APOMAC terminou com um almoço, no Salão Catarina, um novo espaço onde costumava estar a clínica e que foi renovado para receber palestras, seminários, festas, almoços e jantares privados e que inclui bar e karaoke. “A Catarina é minha prima, e está, assim como toda a família, há muitos anos no Canadá. Essa família tem o apelido Hui, e sempre, desde a primeira hora, apoiou a APOMAC materialmente. Foi a família que mais apoio deu à associação”, explicou Jorge Fão sobre o nome. As obras que tiveram um preço superior a 800 mil patacas foram pagas com donativos de empresários locais. Ao HM, Jorge Fão lamentou que a Fundação Macau não tivesse dado qualquer apoio ao projecto.
Timor-Leste | Recordações da vida de um homem reflectem a resistência de um povo Andreia Sofia Silva - 9 Dez 2025 O livro “Regresso a Uaidora, a infância e juventude de Domingos Gusmão” relata os testemunhos do timorense sobre os anos da resistência de Timor-Leste à ocupação indonésia. O testemunho foi escrito em Macau pelo ex-residente e professor universitário Duarte Trigueiros. 50 anos depois da ocupação, o autor recordou ao HM a obra lançada em 2022 Este ano tem sido marcado pelas celebrações de aniversários dos 50 anos de independências de muitas antigas colónias portuguesas. Timor-Leste foi a um desses territórios. Porém, logo a seguir à proclamação unilateral da independência, em 28 de Novembro de 1975, seguiu-se um período de confronto que culminou com a ocupação indonésia, a 7 de Dezembro do mesmo ano. Este domingo passaram 50 anos da invasão que marcou o destino do jovem país. A propósito dessa data, saiu, em 2022, o livro “Regresso a Uaidora, a infância e juventude de Domingos Gusmão”, que revela a história do timorense, que foi estudante em Macau e aluno do autor Duarte Trigueiros, ex-economista e professor na Universidade de São José. O HM falou com o autor sobre o reflexo da dor e luta pela autodeterminação de um povo que se vislumbra na vida de um homem e da sua família. “Quando ensinava em Macau recolhi o testemunho desse timorense de Baucau. Domingos Gusmão, sabendo que tinha ensinado na Universidade Nacional de Timor-Leste durante vários anos, contou-me como ele e a sua família viveram todos esses terríveis acontecimentos”. Nasceu assim o livro, sendo que Trigueiros foi meramente relator do testemunho, depois corrigido em parceria com Domingos Gusmão. A obra tem apenas versão online, mas na altura do lançamento contou com o apoio da Fundação Oriente na impressão de alguns exemplares. Matebian, Timor-Leste O contacto de Duarte Trigueiros, que viveu vários anos em Macau, com Domingos Gusmão deu-se na Festa da Lusofonia, em 2015. “Fui à barraca de Timor-Leste e ele disse-me que tinha coisas interessantes para me contar, mas que não conseguia falar bem português, e que gostava de deixar o seu testemunho escrito. A dada altura propus fazer-lhe perguntas a partir da sua infância, como era a vida na aldeia, e assim nasceu o livro, com nove capítulos.” O início da obra descreve, “pelos olhos de uma criança, o dia-a-dia dos agricultores das montanhas de Baucau em Timor-Leste, a determinação como reagiram à invasão do seu país em 1975 e a brutal repressão que se seguiu”. “O livro acompanha não apenas a vida dele, mas também da família e dos poucos que restaram. Acabou por não restar praticamente ninguém”, descreve Duarte Trigueiros. Segundo a obra, Domingos Gusmão terá nascido a 1 de Novembro de 1969 na aldeia de Uaidora, pertencente ao município de Baucau, filho de Julião, agricultor, e Juliana, doméstica. “Mas só o local onde nasci está correcto. A data de nascimento não passa de uma conjectura e os nomes que aparecem na certidão como sendo os meus pais, Julião e Juliana, também não são os de meu verdadeiro pai e mãe, mas de parentes que me adoptaram quando fiquei órfão. Na verdade, sou filho de Martinho Gusmão, cujo nome de código foi ‘Maunoco’ e era o chefe da aldeia Uaidora até à sua morte em 1983; e a minha mãe foi Ricardina, a segunda mulher de Martinho Gusmão, aquela que lhe deu descendência.” Assim começa a história de Domingos. A ida para Baucau A obra relata anos muito difíceis, de fugas de milhares de timorenses para o mato para escapar aos indonésios, organizando a luta armada. Um dos capítulos, destaca Duarte Trigueiros, relata como Domingos e familiares “foram deportados e ficaram sem qualquer tipo de apoio, sem médico ou comida. “Morreu uma quantidade enorme de gente nessa altura, até inícios dos anos 80, e eles [a família de Domingos Gusmão], já no sítio onde estavam a cultivar a terra, começaram a ter frutos da terra, e a enviar crianças para a escola. Este rapaz [Domingos Gusmão], durante esse tempo, começou a preparar-se para ir para Baucau estudar, algo que não era fácil, pois era preciso arranjar um lugar, e havia muitas crianças.” Domingos e Xanana Gusmão É aí que a família decide sair da aldeia e ir para Baucau, encontrando empregos “ao serviço da tropa, dos juízes, enfermeiros e médicos”, que lhes valeram os primeiros contactos com a resistência timorense. “Ele [Domingos Gusmão] começou a organizar aquilo a que chamam uma frente clandestina com os colegas. O livro relata todas essas peripécias que revelam, claramente, como funcionava a resistência. Este rapaz sentiu depois vontade de continuar os estudos e fez uma candidatura a um seminário católico”, lembrou Duarte Trigueiros. A ligação à religião católica não era um acaso. “O propósito era ir para fora, porque a única coisa que os indonésios respeitavam realmente era a Igreja Católica, não respeitavam mais nada. E ele foi-se embora, esteve uma quantidade de anos a formar-se. Esteve nas Filipinas, onde também participou em actividades da resistência, e voltou já feito padre, em 2012.” Escrever este livro importava para Domingos Gusmão pois ele “queria referir os nomes dos comandantes [timorenses] da primeira fase, quando a tropa indonésia entrou por Baucau, para o interior, e houve uma quantidade grande de comandantes da resistência que se opuseram, quase sem armas, e foram mortos”. “Quando me falou desse assunto, insistiu muito, disse-me ‘Escreve aí o nome do comandante tal’. Tudo para os nomes não caírem no esquecimento”, recordou. “O que ele me disse é que hoje em dia, em Timor-Leste, as pessoas estão a compensar os membros da resistência que estão vivos, mas há muitos mortos que deram a vida por isso e estão a ser esquecidos. Mas este livro fala também de tudo a nível pessoal, do que aconteceu ao tio, de como o pai morreu nessa fase, atirado ao chão, com uma coronhada, com pontapés, porque se recusou a aceitar uma ordem e atiraram-no ao chão. Ele era chefe da aldeia e tinha de aceitar a ordem [dos indonésios], mas recusou”, frisou Duarte Trigueiros. Para o autor, a obra conta “uma versão mais verdadeira” daquilo que foi a ocupação indonésia, e muito concretamente sobre as experiências da povoação de Uaidora e do interior do país. No livro, lê-se o testemunho de Domingos sobre esta fase de resistência em Baucau, a partir de 1986. “Eu devo o meu alistamento na resistência às frentes clandestinas e também ao meu colega Domingos de Oliveira. (…) Poucas semanas depois, a 16 ou 17 de Setembro de 1991, celebrava-se o centenário da catedral de Díli e os jovens foram convidados a participar. De Baucau partiram 14 camionetas cheias de adolescentes e eu era um deles. No dia seguinte, durante o regresso, apareceram bandeiras da FRETILIN e todos nós cantámos hinos à independência. Ao passarmos em Manatuto a tropa mandou-nos parar, mas depois disseram-nos para seguirmos; e já à entrada de Baucau, antes do aeroporto, a estrada encontrava-se bloqueada e fomos cercados por um forte dispositivo militar. Só carros de assalto eram três!” Gusmão prossegue o relato deste momento tenso. “Depois de nos terem assim encurralado, a tropa, com os carros de assalto do lado direito, ocupou o lado esquerdo. As 14 camionetas ficaram alinhadas com o dispositivo militar, o qual tinha as armas em posição, prontas a disparar. Eram como um pelotão de fuzilamento muito comprido. Ali ficámos, com todas aquelas armas apontadas para nós, em silêncio enquanto o tempo decorria e nada acontecia.” Apoio de portugueses Duarte Trigueiros e Domingos Gusmão foram mantendo contacto, mas um AVC tirou qualidade de vida ao timorense. “Quase não me responde aos emails. Talvez tenha outra visão da vida”, confessa o autor. Outra perspectiva que a obra dá, segundo Trigueiros, é o posicionamento das autoridades portuguesas nos anos da ocupação indonésia, afastando a ideia de que tenha havido abandono depois da independência. “Limito-me a mostrar aquilo que o Domingos me disse, e ele disse-me que muitos dos comandantes da resistência tinham sido militares portugueses e que, por isso, sabiam manejar armas. Disse-me, além disso, que eram extremamente patriotas. Há o relato de que nos anos 90 tentaram conseguir de Portugal um telefone satélite para entregar à resistência, e há referências ao apoio da Embaixada de Portugal em Manila. Acho que ficámos bem na fotografia”, conclui. Duarte Trigueiros deu aulas em Timor entre 2004 e 2009, onde encontrou um ensino superior muito fraco. “Os alunos praticamente não sabiam português e nós tínhamos de ensinar em português. Só isso já era um grande esforço. Em geral, os alunos eram fracos, estavam muito mal preparados. A preparação [educativa] dos indonésios tinha sido de baixo nível, pois havia discriminação dos alunos por serem timorenses. O livro descreve isso, como só os bons alunos tinham direito a subir, digamos assim, e isso nem sequer significava ir para a universidade.” Ainda assim, Duarte Trigueiros destaca a formação “de uma boa quantidade de pessoas, engenheiros, licenciados em Direito, economistas”. “Deu muito trabalho e esse foi o grande apoio que Portugal conseguiu dar”, acrescentou. Hoje, o ex-economista diz que os timorenses olham para os portugueses com imensa gratidão. “É espantoso, pois quando vamos numa rua com um australiano, eles desprezam o australiano e não falam com ele, mas com o português cobrem-no com todo o tipo de carinho. Isso acontece muitíssimo em Timor-Leste”, rematou.
China | Yuan abaixo do esperado após atingir máximos face ao dólar Hoje Macau - 5 Dez 2025 O banco central da China fixou ontem a sua taxa de câmbio de referência para o yuan abaixo do previsto pelos mercados, num sinal de que Pequim procura travar a recuperação da moeda face ao dólar. De acordo com informações divulgadas pelo Banco Popular da China (BPC, banco central) no seu site oficial, a taxa de câmbio oficial para ontem foi fixada em 7,0733 yuans por dólar, 164 ‘pips’ (um centésimo de 1 por cento, medida utilizada em análises cambiais) abaixo das previsões mais difundidas entre investidores e analistas. A decisão, sublinha a agência Bloomberg, representa a maior diferença entre as expectativas do mercado e a taxa finalmente fixada pelo BPC desde Fevereiro de 2022. A taxa de câmbio fixada pelo BPC é fundamental para a cotação da taxa “onshore” — negociada nos mercados nacionais — do yuan, uma vez que esta só pode desviar-se num intervalo máximo diário de 2 por cento, tanto quando se valoriza como quando se desvaloriza. Face ao optimismo que se seguiu à trégua comercial entre a China e os Estados Unidos, seguida do anúncio da eventual visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao país asiático no próximo ano, o yuan tem vindo a aproximar-se da barreira psicológica das 7 unidades por dólar, e o seu valor nos mercados está a caminho de atingir os registos mais elevados desde 2020. Parte da valorização do yuan em relação ao dólar também se deve aos receios, refletidos na moeda norte-americana, em relação à política orçamental dos Estados Unidos, bem como às previsões de redução das taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed). “O BPC tem vindo a dar prioridade à estabilidade cambial, pelo que não é surpreendente (…) que estejam a abrandar o ritmo das subidas. Não esperamos que o nível das 7 unidades [por dólar] seja posto à prova no resto do ano, mas provavelmente será ultrapassado em algum momento do próximo ano”, afirmou Lynn Song, economista-chefe do ING para a China, citado pela Bloomberg.
Evolução | Genomas africanos apontam origens da espécie humana Hoje Macau - 5 Dez 2025 O Homo sapiens existe há pelo menos 300 mil anos, mas a sua origem exacta permanece desconhecida e um novo estudo afastou a hipótese de que este evoluiu na África Oriental e se expandiu para sul. O estudo, baseado na análise de genomas antigos de pessoas que viveram desde a Idade da Pedra – há 10.200 anos – até há 150 anos no sul de África, defende que um grupo de indivíduos viveu em isolamento parcial durante várias centenas de milhares de anos. Ao analisar os seus genomas, os investigadores encontraram adaptações genéticas que provavelmente moldaram o H. sapiens enquanto espécie. Os detalhes do estudo – o mais abrangente até à data sobre o ADN africano antigo – conduzido por investigadores da Universidade de Uppsala (Suécia) e da Universidade de Joanesburgo, foram publicados na quarta-feira na revista “Nature”, noticiou a agência Efe. “Há muito que sabemos que a África Austral era habitada (…). Podemos agora demonstrar que o Homo sapiens existiu e evoluiu na África Austral durante um longo período e que esta região desempenhou um papel significativo na evolução humana, talvez o mais importante de todos”, realçou Mattias Jakobsson, geneticista da Universidade de Uppsala e principal autor do estudo. A equipa analisou os genomas antigos de 28 indivíduos da África Austral e comparou-os com os dos seus contemporâneos de outras partes do mundo. Descobriram que os habitantes da Idade da Pedra da África Austral viveram isolados durante um longo período. “Este grupo parece ter permanecido geneticamente isolado durante pelo menos 200 mil anos, e só há cerca de 1.400 anos começam a surgir vestígios claros de fluxo genético dentro deste grupo, quando o ADN de indivíduos da África Oriental e Ocidental começa a aparecer em indivíduos da África Austral”, explicou Jakobsson. Embora nenhum novo grupo tenha migrado para a África Austral antes de há cerca de 1.400 anos, os dados genéticos sugerem que os membros da população do sul migraram para norte durante determinados períodos climáticos. De facto, material genético — datado de há cerca de 8.000 anos — desta população do sul foi encontrado em indivíduos do actual Malawi, sendo possível que as migrações do sul também tenham ocorrido anteriormente. Técnicas e variações Uma grande parte dos restos humanos analisados foi encontrada no Abrigo Rochoso do Rio Matjes (África do Sul), um sítio arqueológico com vestígios datados de há aproximadamente 10.000 a 1.500 anos. Este sítio revelou ainda ferramentas distintas de cada período histórico, confeccionadas com diferentes técnicas. No entanto, os indivíduos são geneticamente praticamente idênticos ao longo de todo o período, ou seja, não há evidências de imigração ou de troca populacional, “exactamente o oposto do que aconteceu na Europa, onde as mudanças culturais tendem a coincidir com as migrações populacionais”, analisou Jakobsson. No estudo, os investigadores identificaram 79 variantes de ADN exclusivas do Homo sapiens, distintas das que se encontram nos neandertais, denisovanos, chimpanzés e gorilas. Sete destas variantes, relacionadas com a função renal, estavam “claramente sobre-representadas”. Os autores acreditam que estas variantes estão ligadas à capacidade humana única de arrefecer o corpo através do suor, o que requer uma boa capacidade de regular o equilíbrio hídrico do organismo. Encontraram também variantes envolvidas no sistema imunitário e no crescimento neuronal. Mais de 40 por cento destas variantes estão associadas a neurónios e ao crescimento cerebral, sugerindo um papel na evolução cognitiva. Além disso, vários genes foram ligados à atenção, uma capacidade mental que pode ter evoluído de forma diferente no Homo sapiens em comparação com os neandertais e os denisovanos.
GP | Unanimidade quanto à “Super Pole” nos GT Sérgio Fonseca - 5 Dez 2025 A Federação Internacional do Automóvel (FIA) deverá continuar a apostar no sistema de “Super Pole” para a nona Taça do Mundo FIA de GT, caso esta corrida volte a integrar o programa do 73.º Grande Prémio de Macau no próximo ano Pela primeira vez, na edição do passado mês de Novembro, os dez mais rápidos da Qualificação 1 dispuseram de 20 minutos para se prepararem para a primeira “Super Pole” da história da Taça do Mundo de GT da FIA, na qual, pela ordem inversa dos tempos, cada piloto entrou sozinho em pista para uma volta de saída, duas voltas cronometradas e uma de regresso, com intervalos de um minuto entre concorrentes e a possibilidade de utilizar um novo jogo de pneus. O melhor tempo obtido entre as duas voltas cronometradas determinou a Qualificação 2 “Super Pole”, que definiu a grelha de partida da Corrida Classificativa. Após o sucesso desta iniciativa, a federação internacional pretende continuar a aplicá-la na Taça GT Macau – Taça do Mundo FIA de GT, tendo inclusive produzido um vídeo promocional para o confirmar. Lutz Leif Linden, Presidente da Comissão de GT e da Comissão de Construtores da FIA, admite que se trata de algo “muito excitante para os espectadores, assim como para os pilotos”. Presente em Macau durante o Grande Prémio, o influente Stéphane Ratel, CEO da SRO Motorsports Group, entidade co-organizadora da Taça GT Macau – Taça do Mundo FIA de GT, concorda igualmente com a medida, sublinhando que representa “um desafio adicional e que resulta. Na SRO fazemos isso a nível global. Nos maiores eventos, como as 24 Horas de Spa, temos uma ‘Super Pole’, e é algo de que gostamos.” Pilotos e marcas concordam Pilotos e marcas ficaram igualmente impressionados com esta primeira experiência nas ruas do território. “Macau já é especial e acho que, com este formato, tivemos algo ainda mais especial”, recordou Antonio Fuoco, o piloto que deu à Ferrari o seu primeiro em Macau desde 1995. Ferdinando Cannizzo, responsável máximo da Competizioni GT da Ferrari, reforça a ideia, destacando a vantagem técnica quando o desafio se resume ao piloto e ao circuito, sem interferências externas. “Sem carros, sem trânsito, podes concentrar-te realmente nas tuas forças e tentar maximizar a performance do carro”, referiu o representante da marca do Cavallino Rampante. Este sistema de qualificação, um momento importante do fim-de-semana dada a dificuldade de ultrapassar no Circuito da Guia, acrescenta também um elemento de incerteza e eleva o espectáculo. Stefan Gugger, responsável pelo desenvolvimento dos carros de competição da Lamborghini, afirmou que, na sua opinião, “é uma melhoria para os nossos fãs. Podemos realmente ver a performance do piloto e do carro, o que representa igualmente um bom desafio para a equipa.” A Porsche, uma das marcas que mais defendeu a introdução obrigatória dos dispendiosos sensores de binário nesta corrida, foi também das principais impulsionadoras da “Super Pole”. “Acredito que o novo formato é realmente um passo em frente”, afirmou Thomas Laudenbach, Vice-Presidente da Porsche Motorsport. “Permite que os pilotos tenham voltas limpas. É um excelente avanço na direcção certa, talvez com alguma afinação, mas, no geral, para mim é positivo. Espero que mantenham este formato, porque é fantástico.” Entretanto, a data da edição de 2026 do Grande Prémio de Macau deverá ser confirmada na próxima semana, durante o Conselho Mundial da FIA, que terá lugar antes da cerimónia de entrega dos prémios da FIA referentes a 2025, na cidade de Tashkent, no Uzbequistão.
Rendimento dos títulos da dívida do Japão sobe para nível mais alto desde 2007 Hoje Macau - 5 Dez 2025 O rendimento dos títulos da dívida japonesa a 10 anos atingiu ontem 1,91 por cento, o nível mais alto desde julho de 2007, devido às expectativas de que o Banco do Japão (BoJ) suba as taxas de juros. O governador do banco central do Japão, Kazuo Ueda, desencadeou na segunda-feira especulações sobre um eventual aumento das taxas, ao sugerir num discurso perante líderes empresariais que as condições económicas são propícias para continuar com a normalização da política monetária, que o organismo suspendeu em Janeiro para avaliar o impacto das novas tarifas dos Estados Unidos. Sem antecipar o resultado da próxima reunião sobre política monetária do BoJ, em meados deste mês, Ueda disse que “ajustar adequadamente o nível de flexibilização monetária, nem muito tarde nem muito cedo, é necessário para alcançar sem problemas o objectivo de estabilidade de preços, garantindo ao mesmo tempo a estabilidade dos mercados financeiros e de capitais”. As palavras provocaram fortes quedas na Bolsa de Tóquio e os títulos da dívida, que vinham já a registar máximos desde a crise financeira de 2008 devido à preocupação com a saúde fiscal do arquipélago, dispararam. Aconteceram também depois do anúncio do novo Executivo nipónico da primeira-ministra Sanae Takaichi, na passada quinta-feira, do projecto para o esperado orçamento suplementar de 2025, avaliado em 18,3 biliões de ienes (mais de 100 mil milhões de euros), que será financiado em grande parte com a emissão de títulos do Estado, e destinado sobretudo a um ambicioso pacote de estímulos. Cautelas centrais O BoJ é, de longe, o maior investidor em títulos do país mais endividado entre as economias mais avançadas, cujo rendimento é barómetro por excelência sobre as taxas de longo prazo. O banco central manteve as taxas de juro de referência em 0,5 por cento nas últimas seis reuniões sobre política monetária, desde o aumento de 25 pontos base em Janeiro. A última reunião do ano gerou grande expectativa, depois da mudança de Governo no Japão, em Outubro, mas o BoJ manteve uma postura cautelosa, antes de conhecer a posição financeira da nova primeira-ministra – que se mostrou crítica em relação à subida dos juros – e também de ter uma visão estabilizada sobre as negociações tarifárias com os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Japão, depois da China.
Coreia do Sul | Seul tenta repatriar seis cidadãos detidos no Norte Hoje Macau - 5 Dez 2025 As autoridades sul-coreanas tentam voltar ao diálogo com o regime de Kim-jong Un na tentativa de resgatar seis cidadãos acusados de espionagem O Governo sul-coreano comprometeu-se ontem a procurar a repatriação de seis cidadãos detidos por espionagem e outras acusações na Coreia do Norte entre 2013 e 2016, ainda que Pyongyang recuse o diálogo com Seul. “Resolveremos o problema esforçando-nos para retomar rapidamente o diálogo inter-coreano com base no consenso nacional”, afirmou o gabinete presidencial, numa resposta que ficou pendente na quarta-feira numa conferência de imprensa do Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, na qual o chefe de Estado reconheceu não estar a par do assunto. Os seis cidadãos incluem três norte-coreanos que desertaram para a Coreia do Sul. Os outros três são missionários detidos pelas autoridades norte-coreanas entre 2013 e 2014, nomeadamente Kim Jung-wook, Kim Kook-kie e Choi Chun-gil. O gabinete presidencial não revelou a identidade dos três desertores norte-coreanos para proteger a segurança das famílias no Norte e evitar que sofram sanções por associação, normalmente aplicadas por Pyongyang. “Como as conversações e os intercâmbios inter-coreanos estão suspensos há muito tempo, o sofrimento do nosso povo continua e a questão precisa de ser resolvida com urgência”, acrescenta o comunicado, citado pelo The Korea Herald. Seul solicitou a libertação dos missionários em Março, ainda sob a vigência do Governo sul-coreano anterior, a pedido do Ministério da Unificação, depois de um grupo de trabalho das Nações Unidas ter classificado as detenções como ilegais. Conversas antigas A última vez que o tema dos sul-coreanos detidos foi discutido abertamente entre as duas partes foi no âmbito da cimeira intercoreana de 2018, entre o então presidente sul-coreano Moon Jae-in e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e nas conversações de alto nível realizadas no mesmo ano. “Como resultado, chegou-se a um ponto muito próximo da libertação [dos detidos]. Kim Jong-un chegou mesmo a prometer ao então presidente Moon: “Farei tudo o que estiver ao meu alcance para [a libertação dos detidos]”, recordou ontem o deputado Yoon Geon-young, que na altura época era director da Sala de Situação presidencial sul-coreana. Kim explicou que, após a cimeira fracassada de Hanói entre Pyongyang e Washington, em 2019, e a pandemia da Covid-19, as relações intercoreanas deterioraram-se, “por isso não foi possível obter um resultado”. “A razão pela qual não pudemos informar publicamente os cidadãos sobre esta situação naquele momento era simples: em assuntos como a libertação de detidos, se o processo for tornado público, pode afectar negativamente o resultado, dependendo do caso”, acrescentou.
Médio Oriente | Pequim pede cessar-fogo efectivo em Gaza após novo ataque israelita Hoje Macau - 5 Dez 2025 O governo chinês pediu ontem que o cessar-fogo na Faixa de Gaza entre em vigor “efectivo”, após novo ataque das Forças da Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa) ter feito cinco mortos, incluindo duas crianças e duas mulheres. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lin Jian, lamentou o sucedido num campo de refugiados em Khan Yunis (sul do enclave palestiniano), comentando que “a situação em Gaza continua frágil”. Lin frisou a importância do cessar-fogo “para aliviar a crise humanitária e restaurar a Paz e a estabilidade regional o mais rápido possível”. As IDF anunciaram terem efectuado o bombardeamento em causa como retaliação ao ataque contra as suas tropas na região de Rafah, no qual cinco soldados israelitas ficaram feridos. Para o grupo radical islamista palestiniano Hamas, o ataque “constitui um claro crime de guerra” e uma “violação do acordo de cessar-fogo”. O Presidente chinês, Xi Jinping, declarou ontem, após reunião em Pequim com o homólogo francês, Emmanuel Macron, que ambos os países vão trabalhar em conjunto rumo a “uma solução abrangente, justa e duradoura” no Médio Oriente, acrescentando um apoio de 100 milhões de dólares na reconstrução de Gaza. O bombardeamento israelita de ontem, que ocorreu perto do hospital de campanha Kuwaiti, provocou ainda ferimentos em 30 palestinianos, sendo que muitos dos residentes nas tendas eram funcionários do hospital e respectivas famílias, embora não se saiba ainda se constam entre as vítimas, informaram as mesmas fontes à agência de notícias espanhola EFE.
Visita | Ucrânia e comércio dominam encontro entre Macron e Xi Hoje Macau - 5 Dez 2025 Na sua quarta visita à China, Macron volta a apelar à interferência de Pequim na guerra na Ucrânia, ao mesmo tempo que procura um maior equilíbrio na balança comercial entre os dois países O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou ontem aos esforços do homólogo chinês, Xi Jinping, para pôr fim à guerra na Ucrânia e corrigir os desequilíbrios comerciais, no início de uma visita de Estado à China. “Temos de continuar a mobilizar-nos em prol da paz e da estabilidade no mundo. E da Ucrânia às diferentes regiões do mundo afectadas pela guerra, a nossa capacidade de trabalhar em conjunto é determinante”, afirmou Macron após uma reunião restrita com o chefe de Estado chinês e antes de discussões em formato alargado. “Sabemos que temos muitos pontos em comum, às vezes temos desacordos, mas temos a responsabilidade de saber superá-los, de encontrar mecanismos de cooperação e de resolução de litígios para um multilateralismo eficaz no qual acreditamos”, acrescentou o líder francês. Xi garantiu, pelo seu lado, que a China tenciona cooperar com França para “eliminar qualquer interferência” e “tornar a parceria estratégica geral entre China e França mais estável”. Macron apelou também ao crescimento dos “investimentos cruzados” entre os dois países, para reequilibrar a relação comercial, e defendeu a cooperação no âmbito do G7 no sentido de uma governança económica baseada em “regras”. O Presidente chinês, acompanhado pela esposa, Peng Liyuan, recebeu Macron e a esposa, Brigitte, no Palácio do Povo, onde os dois líderes ouviram os hinos nacionais e passaram em revista as tropas, antes de serem saudados por crianças. O chefe de Estado francês, que chegou na quarta-feira à noite a Pequim, acompanhado por 35 líderes de grandes grupos empresariais (incluindo Airbus, EDF e Danone) e empresas familiares, do sector de luxo ao agroalimentar, deverá assistir à assinatura de uma série de contratos. A relação entre a China e a União Europeia é caracterizada por um enorme défice comercial (357,1 mil milhões de dólares) em detrimento da UE. Paris está também empenhada em pressionar a China a que invista mais em França, e aceite uma partilha de tecnologias comparável à praticada pelos europeus, que contribuiu para o crescimento económico de Pequim. Metais e ursos Outro dos assuntos sensíveis é o do acesso a metais raros, cuja produção e transformação mundiais são dominadas pela China, alavanca que Pequim utilizou em 2025, em plena guerra comercial com os Estados Unidos, abanando as cadeias de abastecimento do planeta. Esta é a quarta visita de Estado de Emmanuel Macron à China desde que foi eleito Presidente em 2017. Xi Jinping foi recebido em França em 2024 e o Eliseu apresenta o tempo que Xi passará com Macron até sexta-feira, incluindo encontros privados, como um sinal da importância da relação sino-francesa. “Temos uma expectativa constante em relação à China: É que use a sua influência junto da Rússia para levá-la a cessar a guerra” na Ucrânia, às portas da União Europeia, afirma o Eliseu. A China tem reiterado que deseja a paz, mas nunca condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, em Fevereiro de 2022. Parceiro económico e político fundamental da Rússia, o gigante asiático é o maior comprador mundial de combustíveis fósseis russos, incluindo produtos petrolíferos, alimentando assim a máquina de guerra. Os europeus acusam ainda Pequim de fornecer componentes militares a Moscovo. Durante a anterior viagem a Pequim, em 2023, Macron apelou a Xi para que “chamasse a Rússia à razão”. Tal como em França em 2024, os dois casais presidenciais reunir-se-ão na sexta-feira num ambiente mais informal em Chengdu, na província de Sichuan (sudoeste), berço dos pandas gigantes que se tornaram embaixadores da China em todo o mundo.
AMAGAO | “Meet You There” apresenta obras de Alexandre Marreiros e Nyoman Suarnata Andreia Sofia Silva - 5 Dez 2025 O arquitecto e artista Alexandre Marreiros está de volta às exposições, mas desta vez não vem sozinho. Em “Meet You There”, inaugurada hoje na galeria AMAGAO, Marreiros junta-se ao amigo Nyoman Suarnata para uma mostra que espelha “territórios de percepção ajustável”, com conceitos moldados pela “colaboração, diálogo e imaginação” A galeria AMAGAO, um projecto de Lina Ramadas e Vítor Hugo Marreiros, acolhe hoje uma nova exposição. “Meet You There” começa a receber os primeiros visitantes a partir das 18h30, contando com obras de dois artistas que resolveram juntar-se: Alexandre Marreiros, que habitualmente deambula entre as artes e a arquitectura, e Nyoman Suarnata. No texto curatorial sobre esta exposição, lê-se que “Meet You There” não é apenas “um ponto no mapa”, mas sim “um território conceptual moldado pela colaboração, diálogo e imaginação”, onde os dois artistas “transformam tela e papel num espaço partilhado onde a percepção é fluida e a narrativa pulsa como um organismo vivo”. Este “encontro criativo” traz um novo “lugar onde a linguagem visual se converte em instrumento de investigação”, existindo obras com “composições sobrepostas, símbolos fragmentados e perspectivas em constante deslocamento”, onde “os artistas constroem um território que resiste ao significado fixo”. E que elementos habitam neste novo território cheio de conceitos e concepções? “Inquietações sociais, pessoais e ambientais”, que depois “se metamorfoseiam em personagens, símbolos e até super-heróis”. “Não são figuras que salvam, mas que revelam. São encarnações de urgência, empatia e resistência, desafiando o espectador a refletir: o que significa cuidar? Imaginar? Agir?”, questiona-se no mesmo texto. Nesta exposição faz-se o convite “para participar num espaço onde a arte não é estática, mas geradora; onde o diálogo não é linear, mas estratificado; e onde a imaginação é forma de engajamento e participação”. Trabalho de atelier Em declarações ao HM sobre a mostra, Alexandre Marreiros fala de uma exposição criada por dois amigos, sendo que grande parte do trabalho foi realizado em Macau, a quatro mãos, numa colaboração permanente. Tal deveu-se às “várias viagens que Nyoman fez até Macau, nomeadamente ao meu atelier, onde ele estava livre de escolher qualquer obra minha”. “Houve sempre uma construção interessante, um processo longo, primeiro para o Nyoman se libertar e escolher uma obra minha sem limitações. Depois de um dia de trabalho respondia às intervenções dele. Ao princípio foi uma coisa curiosa, porque ele tinha um grande respeito e quase não tocava nas partes que já tinha pintado e eu também não tocava nas coisas dele, mas sentimos que estava a haver uma espécie de limite, coisa que não queríamos. Houve um exercício muito interessante de libertação, em que abri as portas do meu atelier, dei-lhe as obras que tinha para ele poder escolher e intervir nelas, e depois eu respondia.” Assim, surgiram 34 obras em cerca de dois anos de trabalho conjunto, em que as valências artísticas de ambos se tocaram. “Se olharmos para trás, vemos que tenho sempre um recurso gráfico e também da palavra nos meus trabalhos. O Nyoman também tem esse registo, algo se calhar mais manuscrito, e eu tinha com outras técnicas, fosse a serigrafia, a litografia ou o desenho, recorria muito a elas para transportar a palavra para os meus trabalhos.” Alexandre Marreiros assume que “de algum modo, existe sempre uma personagem” nas suas obras, nomeadamente “poetas e filósofos”, mais concretamente “há sempre uma personagem predominante no meu trabalho, que é Luís de Camões”; enquanto Nyoman “tem um universo de personagens que se podem assimilar, ou não, de maneira crítica, ou que se podem considerar super-heróis ou um ser humano com poderes sobrenaturais”. “Meet You There” é, assim, resultado de uma colaboração permanente, em que um artista trabalhava nas obras do outro na sua ausência, em que eram “poucas as oportunidades, talvez 10 ou 20 por cento, em que podíamos estar os dois a participar directamente no trabalho”. “É algo que se sente no trabalho, que é honesto, no sentido em que há um universo de comunhão, universalidade e confiança, de duas pessoas muito diferentes que se encontram, respeitam e admiram”, disse Marreiros. Temas contemporâneos Nestes trabalhos há sátira “do momento em que vivemos”, nomeadamente “numa série de trabalhos, os primeiros, e que são muito a representação daquilo que Nyoman vê em Macau”. Há depois outra série “com os super-heróis dele e os meus, que são sempre os escritores, filósofos e seres humanos que, de alguma maneira, deixaram a sua marca nesta passagem que é a vida”. Existem também outros trabalhos “um bocadinho mais ligados a Macau, nomeadamente ao universo dos casinos”. “Participo de forma activa e directamente nesta identidade e indústria de Macau e, portanto, é natural que esse universo surja nos meus trabalhos e haja intervenções e reinterpretações do Nyoman.” Macau foi sempre, para os dois artistas, “um ponto de encontro e de trabalho”, sendo este projecto “uma libertação” para Alexandre Marreiros, no sentido em que abriu a porta do seu atelier às intervenções de Nyoman. Trata-se “de uma exposição que fala da globalização, de relações de confiança, das diferenças culturais, artísticas e intelectuais que podem conviver no mesmo território”. Há mensagens de sátira “que revelam algumas preocupações dos dois artistas no contexto em que vivem e no contexto em que se inserem globalmente”. “Meet You There” é, para Alexandre Marreiros, “uma exposição do nosso tempo e contexto, e reveladora de que as diferenças podem coexistir e criar diálogos e narrativas bonitas, também elas diferentes”.
Inundações | DSAMA publica Tabela de Marés para 2026 Hoje Macau - 5 Dez 2025 A Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA) acaba de divulgar a Tabela de Marés para o próximo ano, referindo, em comunicado, que se faz a “introdução pioneira dos dados horários da altura das marés”, o que pode auxiliar no combate a inundações. Desta forma, “acrescenta-se a previsão da altura da maré em cada hora em ponto, além dos dados da altura das preia-mares e baixa-mares em cada dia, permitindo ao sector marítimo e ao público em geral aceder de forma mais prática às previsões das variações horárias das marés”. O levantamento de dados das marés começou a ser feito em 1925, sendo que as tabelas anuais das marés de Macau são produzidas desde 1960. A previsão das marés é obtida a partir da análise dos dados de nível das marés, medidos e registados permanentemente na Estação Maregráfica do Porto Interior. Os dados de previsão das marés são disponibilizados em tempo real aos serviços meteorológicos para referência, permitindo o cálculo das alturas das marés resultantes da combinação das marés astronómicas com os efeitos do “Stormsurge”.
DSAT | Inquérito releva que quase metade das deslocações se fazem a pé Hoje Macau - 5 Dez 2025 Um estudo realizado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), relativo a 2024, revelou que, entre os diversos modos de deslocação, andar a pé continua a registar a maior proporção, com cerca de 46,5 por cento, semelhante ao registo de 2019. Porém, a proporção cai 3,2 por cento face a 2009. Importa referir que o inquérito é realizado de cinco em cinco anos. O segundo meio mais usado de movimentação na cidade voltou a ser o autocarro público, apesar da descida de um ponto percentual para 20,9 por cento no ano passado. Em relação à utilização de automóveis particulares de passageiros, a DSAT deu conta de um aumento ligeiro, de 0,8 por cento, entre 2024 e 2019, para um total de 15,5 por cento. A percentagem varia bastante consoante a área de residência, com Coloane, naturalmente, a ser a zona mais propícia a deslocações de automóvel ou motociclos. O inquérito revela ainda que as deslocações com motociclos caíram ligeiramente entre 2019 e o ano passado, sendo o transporte preferencial de 11,3 por cento da população.
IAM | Cães voltam a aparecer mortos em Coloane João Luz - 5 Dez 2025 Um internauta partilhou no Facebook fotografias de três cães mortos e denunciou a presença de funcionários do IAM a espalhar veneno para ratos de forma displicente. O IAM diz que as autópsias revelaram lesões hemorrágicas sistémicas e que a morte por envenenamento é “extremamente baixa”. O caso foi encaminhado para a polícia Voltou a acontecer. Na quarta-feira, foram publicadas no Facebook fotografias de cães mortos. O autor, que suspeitou de morte por envenenamento, diz ter visto funcionários do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e de uma empresa contratada pela entidade pública a espalhar veneno para ratos numa zona, em Coloane, onde foi encontrado um cão morto. Segundo a publicação, o internauta terá abordado os funcionários do IAM e da empresa de limpezas criticando o método de aplicação do veneno ao arrepio das orientações estabelecidas, que estaria a descoberto na beira da estrada, ao alcance de pessoas e animais domésticos. Em resposta, o queixoso refere que lhe foi dito que estava tudo bem, e continuaram a depositar o veneno apesar dos protestos do cidadão. Na noite de quarta-feira, o IAM emitiu um comunicado a endereçar a questão, afirmando ter recebido “sucessivamente relatos de cidadãos sobre a descoberta de três cadáveres de cães em três locais adjacentes entre si em Coloane”, a partir do sábado passado. Afirmando estar “altamente atento ao incidente”, o IAM indica ter destacado imediatamente pessoal para acompanhar os casos nos locais em questão. “Após a autópsia dos cadáveres e a respectiva análise, verificou-se que os três cães em causa apresentavam lesões hemorrágicas sistémicas. O Instituto já participou o caso à polícia, aguardando uma investigação mais aprofundada”. A papel químico Sobre a suspeita de ingestão de veneno pelos cães, o IAM sublinhou que o produto usado actualmente “contêm um agente amargo, especificamente concebido para os ratos pela sua falta de reflexo de vómito”. “Para animais com sistema de vomição, incluindo gatos e cães, a ingestão acidental provoca uma reacção de vómito, dificultando a deglutição. Assim, a probabilidade de envenenamento por ingestão acidental é extremamente baixa. Além disso, a dose de isca colocada pelos trabalhadores do IAM de cada vez é especificamente calculada para o pequeno porte dos ratos”, acrescentou a entidade pública. Na publicação no Facebook, o internauta divulgou uma fotografia onde se pode ver um amontoado de um granulado de cor avermelhada. O instituto liderado por Chao Wai Ieng indicou ainda que o veneno é colocado em caixas fixas e trancadas, ou em buracos de ratos, ficando oculto e sem contacto fácil por pessoas ou animais. Uma declaração totalmente contraditória com o relato do internauta que denunciou a situação. No início de Maio, aconteceu um caso semelhante na Taipa também com três cães mortos e suspeitas semelhantes. Na altura, o IAM emitiu um comunicado semelhante ao divulgado na quarta-feira à noite.
VIH | Associação alerta para tendências de aumento Andreia Sofia Silva - 5 Dez 202515 Dez 2025 Kelvin Wai Ip U, presidente da direcção da Associação de Cuidados da Sida em Macau [Macao AIDS Care Association], alerta para a complexidade do maior número de casos de VIH na população não residente e lamenta que o estigma sobre o vírus e a doença seja ainda uma realidade no território A Associação de Cuidados da Sida em Macau (Macao AIDS Care Association] fala num cenário de complexidade face ao crescente número de novos casos de VIH junto de não residentes. Em entrevista ao HM, Kelvin Wai Ip U, presidente da direcção da associação, descreve que “a tendência observada entre não residentes é complexa e reflecte factores estruturais, e não apenas o comportamento individual”. Esses factores são “o estatuto de Macau como centro internacional, o que significa um fluxo constante de pessoas, incluindo visitantes, trabalhadores imigrantes e estudantes de todo o mundo”, que “podem ter atitudes diferentes em relação a comportamentos sexuais de alto risco devido à sua diversidade cultural e formação académica”. Para Kelvin U, “uma maior atenção a testes e detecção de casos entre os não residentes pode levar a mais diagnósticos”, sendo que persistem “barreiras [no acesso] a serviços”, nomeadamente devido a “diferenças linguísticas, conhecimento limitado dos direitos locais de saúde, preocupações com a confidencialidade ou horários de trabalho que entram em conflito com o horário de atendimento”. Permanece ainda “o medo do estigma ou da perda de emprego”, cenários que podem ser “um impedimento significativo para a procura de testes ou cuidados de saúde”. Há ainda “factores socioeconómicos” que explicam o crescimento de casos. Dados dos Serviços de Saúde de Novembro falam de uma tendência de crescimento dos casos: entre Janeiro e Setembro deste ano, registaram-se 28 novos casos infecção pelo VIH, 14 dos quais em residentes e 14 em não residentes. No ano passado, não havia referência a não residentes infectados. Em comparação, entre Janeiro e Setembro do ano passado, tinham sido confirmados nove casos entre residentes, o que significa que ao longo deste ano houve um aumento de 55,6 por cento em novos casos detectados. Papel importante A conversa com Kelvin U surgiu a propósito da realização, este fim-de-semana, do 8.º Fórum sobre a Sida de Pequim, Hong Kong, Macau e Taiwan, a decorrer no Lisboeta Macau, no Cotai. Já em 2016, Macau tinha organizado outra edição deste evento. Para Kelvin U, a repetição de Macau como local de acolhimento “tem um significado profundo” para a associação, pois “reafirma o papel activo e empenhado” do território “como ponte vital na parceria regional entre Pequim, Hong Kong e Taiwan na luta contra o VIH/SIDA”. “Embora a prevalência de Macau [de novos casos] continue relativamente baixa, enfrentamos desafios distintos, incluindo uma população móvel e a necessidade de uma prevenção sustentada e direccionada”, disse. Persiste ainda, no território, “o equívoco de que o VIH afecta apenas principalmente grupos específicos, como homens que fazem sexo com homens, tal como acontece a nível global”. Trata-se de uma ideia “prejudicial, porque cria uma falsa sensação de segurança noutras populações e agrava o estigma”. Foco no indivíduo A propósito do estigma, Kelvin Lei chama a atenção para o facto de, “em comunidades compactas como Macau e Hong Kong”, existir “o medo de divulgação social dentro de redes muito unidas”. Cabe ao Executivo incorporar outro tipo de discurso nas suas políticas, sugeriu. “Reconhecemos e apreciamos o compromisso e a alocação de recursos do Governo da RAEM para a prevenção e tratamento, com a infraestrutura clínica a fornecer terapia antirretroviral essencial. A proporção médico-paciente nesta área específica é gerida. O discurso tem mudado progressivamente para um quadro científico e de saúde pública. No entanto, a próxima fronteira é integrar verdadeiramente a luta contra o estigma no discurso oficial e na prática sistémica.” O supervisor fala na necessidade de defesa pública do conceito “U=U”, ou seja, “indetectável – intransmissível”, além de se dever “promover cuidados centrados na pessoa que vejam o indivíduo, e não apenas o vírus”. Kelvin U aconselha ainda “promover a normalização dos testes para todos e garantir políticas não discriminatórias em todos os contextos”. Desta forma, a realização do Fórum, este fim-de-semana, traz um diálogo “com representantes de todas as regiões, incluindo o Governo, que é um passo positivo para alinhar as nossas capacidades científicas, com o apoio social necessário, para acabar com a epidemia”. Pretende-se também analisar “estratégias inovadoras, como a prevenção de longa duração e aplicações de inteligência artificial que estamos a discutir, e um espírito de solidariedade”. A Associação de Cuidados da Sida em Macau assume-se como “uma das principais associações na prevenção do VIH em Macau”, atravessando “desafios não médicos”, como o “estigma internalizado e social”, que “pode levar a uma profunda solidão e a problemas de saúde mental”. Deve-se ainda “garantir a continuidade dos cuidados”, existindo “necessidades holísticas” por parte dos doentes, como medicamentos, “aconselhamento psicológico, apoio para revelar a condição à família ou empregadores e, por vezes, assistência nutricional ou financeira”. Esta associação disponibiliza, assim, uma série de apoios neste sentido.
Táxis | Pedidos mais serviços por aplicação Hoje Macau - 5 Dez 2025 A Associação dos Comerciantes e Operários de Automóveis de Macau considera que Macau deve ter aplicações de telemóvel para chamar táxis semelhante à Didi ou Uber, apelando ao Governo para trazer esse serviço para o território aquando do lançamento da consulta pública para rever o regulamento do transporte de passageiros em Táxis. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Leng Sai Vai, elogiou a importância deste tipo de serviço, frisando que actualmente os taxistas apenas podem ter clientes nas proximidades, como casinos ou postos fronteiriços, sendo que clientes em zonas mais afastadas dos pontos de paragem têm dificuldade em chamar um veículo. O responsável acredita que criar estas aplicações em Macau pode trazer mais clientes, aumentando a eficácia do serviço e dando maior conveniência aos passageiros.
APAVT | Macau é “Destino Preferido” internacional em 2026 Hoje Macau - 5 Dez 2025 A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo voltou a escolher Macau como Destino Preferido da associação em 2026, o que permitirá um reforço da cooperação. Helena de Senna Fernandes enalteceu a continuação do bom trabalho resultante da parceria com a associação lusa “Macau e a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) decidiram que não devem parar. É por isso que vos transmito com muita alegria que decidimos, Macau e a APAVT, que Macau seja o destino preferido internacional da APAVT ao longo de 2026”, afirmou o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira no território. O 50.º Congresso Nacional da APAVT, que decorre desde terça-feira em Macau, terminou ontem, e contou com mais de mil profissionais, um número recorde, para debater o futuro do sector do turismo. Macau acolheu pela sexta vez aquele que é considerado o maior congresso do sector do turismo português. “Não posso estar mais feliz. Sabem da minha condição de último mandato. Cumpro um sonho que é voltar a Macau e voltar a trabalhar com Macau. (…) O Congresso tem sido, no meu entender, memorável do ponto de vista dos temas, mas também tem sido memorável do ponto de vista do número, é o maior de sempre, e tem sido memorável do ponto de vista da capacidade de acolhimento”, reforçou Pedro Costa Ferreira. O Destino Preferido da APAVT é um programa “muito amplo”, que tem duas partes fundamentais, a comunicação e marketing, e que ajuda, desta forma, o destino eleito a promover-se. “Significa que em todas as nossas presenças, teremos Macau junto connosco e, portanto, temos essa comunicação”, acrescentou o presidente da associação, lembrando que desta forma é reforçada uma relação com muitos anos. Velhos amigos “O regresso do Congresso à nossa cidade este ano e a designação de Macau, a par da China, Destino preferido para 2026, abrem caminho para continuarmos a trabalhar bem”, disse a directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes. A principal novidade em 2026 do Destino Preferido vai ser o lançamento de um programa de ‘e-learning’ (aprendizagem electrónica) sobre Macau para agentes de viagens da Alemanha, Finlândia e Países Baixos, tal como o programa que foi lançado em Portugal em 2024. O ‘e-learning’ será desenvolvido pela APAVT e pelo Turismo de Macau, em colaboração com a Confederação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos (European Confederation of Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations [ECTAA]). Pedro Costa Ferreira lembrou ainda que este congresso tem vários “significados especiais”, desde logo “por ser o sexto” em Macau e porque foi o escolhido “para acabar a comemoração do 75.º aniversário” da associação. A APAVT diz ter acreditado 1.039 congressistas de 172 voos diferentes, congressistas que “vão agora visitar várias províncias da China em colaboração com o Turismo de Macau”.
Aeroporto | Secretário fala em “activo estratégico” Andreia Sofia Silva - 5 Dez 2025 Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, referiu ontem, a propósito do 30.º aniversário do Aeroporto Internacional de Macau (AIM), que esta infra-estrutura se tornou “num motor de desenvolvimento sócio-económico” do território, bem como “uma porta essencial para a integração de Macau no desenvolvimento regional e na cooperação internacional”. Inaugurado em 1995, o AIM “tem registado um desenvolvimento contínuo das suas operações”, e batido “sucessivos recordes na movimentação de passageiros e no volume de carga”, destacou o secretário, que não esqueceu “a melhoria constante na qualidade dos serviços e eficiência operacional”. Raymond Tam considerou o AIM “um activo estratégico fundamental para promover o desenvolvimento económico diversificado de Macau e apoiar a sua integração na conjuntura de desenvolvimento nacional”.
Patriotismo | Destacada importância da residência do General Ye Ting Hoje Macau - 5 Dez 2025 Tendo em conta a reabertura, ontem, da antiga residência do General Ye Ting, no número 76 da Rua do Almirante Costa Cabral, dois académicos destacaram, ao jornal Ou Mun, a importância deste novo espaço museológico para a educação patriótica. Lam Fat Iam, director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Politécnica de Macau, e também deputado, disse que esta residência representa um testemunho da história de vida do general, nomeadamente do tempo em que esteve em Macau. Este responsável destacou ainda que as peças expostas constroem uma clara linha de educação patriótica, reveladora das lutas ocorridas na história moderna da China. Já Ieng Weng Fat, historiador, afirmou que o Instituto Cultural melhorou a apresentação do general, permitindo ao público conhecer as contribuições que Ye Ting fez nos anos da II Guerra Mundial, na luta contra a invasão japonesa, saber mais sobre a educação patriótica e fomentar, junto dos jovens, o amor por Macau.
Trabalho | Dois terços descansam apenas 1 ou 1,5 dias por semana João Luz e Nunu Wu - 5 Dez 2025 Um inquérito da FAOM revelou que cerca de 60 por cento dos trabalhadores não tiveram actualização salarial este ano e dois terços não tem descanso semanal de dois dias. Leong Sun Iok quer que o Governo dê orientações claras às empresas para darem prioridade à contratação de residentes e fixe uma quota mínima de locais Salários congelados, sobrecarga de trabalho, insegurança financeira e concorrência desleal com salários muito baixos de não-residentes foram as principais preocupações reveladas por cerca de 2.000 trabalhadores que responderam a um inquérito sobre condições de trabalho em 2025. O tabalho, apresentado ontem, foi realizado pela Associações dos Operários de Macau (FAOM). Para 60 por cento dos entrevistados, não houve aumentos de ordenado este ano, enquanto 10 por cento tiveram mesmo cortes salariais. Além disso, perto de dois terços dos trabalhadores queixaram-se de uma excessiva carga laboral, com o descanso semanal reduzido a um dia ou um dia e meio. Outra situação que desalinha o equilíbrio entre vida e trabalho, é o acesso tecnológico que permite transportar para os tempos livres e para casa tarefas de trabalho. Esta situação voltou a ser alvo de queixas de trabalhadores, levando os responsáveis da FAOM a pedir ao Governo que defina claramente os parâmetros do “direito a estar offline”. Para tal, é necessário que os trabalhadores tenham direito a compensação de horas extra, ou salário de trabalho por turnos. A juntar a estes problemas, foram frequentes os relatos de falta de estabilidade e de “almofada” financeira, causando sentimentos de insegurança em relação ao futuro. O bicho papão Dando eco a uma das bandeiras políticas da FAOM, os entrevistados consideram que as políticas laborais não dão prioridade eficaz aos locais no acesso ao emprego. Como tal, 63 por cento dos inquiridos revelaram falta clareza às medidas de protecção a trabalhadores residentes. Neste ponto, o deputado Leong Sun Iok, afirmou que “apesar de as actuais leis já definirem a prioridade dos residentes locais, o Governo nunca traçou exigências claras para as empresas em relação às práticas de contratação recursos humanos”. O resultado é a falta de eficácia na concretização da prioridade. Uma solução, apontado pelo deputado, seria a aplicação firme de quotas ou proporção mínima de residentes nos recursos humanos de cada empresa, como acontece com os cargos de chefia nas concessionárias do jogo. Leong Sun Iok considera que desta forma, os empregadores seriam “incentivados” a formar funcionários locais. Os salários demasiado baixos de trabalhadores não-residentes, e a decorrente concorrência desleal provocada pelo desnível dos ordenados, foi destacada por 60 por cento dos inquiridos. Leong Sun Iok defende que o Governo deveria recusar pedidos para contratação de não-residentes quando os salários propostos pelos empregadores forem demasiado baixos.
Malásia | Retomadas buscas por avião desaparecido há 11 anos Hoje Macau - 4 Dez 2025 A Malásia anunciou ontem a retoma das buscas pelo voo MH370 da companhia aérea Malaysia Airlines, desaparecido com 239 pessoas a bordo em Março de 2014, pouco depois de descolar de Kuala Lumpur com destino a Pequim. “A [empresa] Ocean Infinity e o Governo da Malásia confirmam que iniciarão [em 30 de Dezembro] as operações de busca por um total de 55 dias, de forma intermitente”, anunciou o Ministério dos Transportes da Malásia, através de um comunicado com a data de ontem. A Ocean Infinity é uma empresa de robótica e exploração do fundo do mar com sede nos Estados Unidos e no Reino Unido, que há anos colabora na busca do avião, desaparecido em 08 de Março de 2014, cerca de 40 minutos após a descolagem de Kuala Lumpur com destino à capital chinesa. A aeronave desapareceu dos radares após deixar o espaço aéreo da Malásia e entrar no do Vietname, quando, em princípio, se desviou da rota para o sul do Índico, sem que se conheçam ainda as causas. A bordo do Boeing 777 viajavam 153 chineses, 50 malaios (12 faziam parte da tripulação), sete indonésios, seis australianos, cinco indianos, quatro franceses, três norte-americanos, dois neozelandeses, dois ucranianos, dois canadianos, dois iranianos, um russo, um neerlandês e um taiwanês. Inicialmente, a Malásia, a China e a Austrália realizaram uma busca conjunta em cerca de 120.000 quilómetros quadrados no Índico, mas encerraram as operações em janeiro de 2017, sem encontrar os destroços do avião. A Ocean Infinity também tentou localizar o aparelho numa área de cerca de 100.000 quilómetros quadrados entre Janeiro e Junho de 2018, sem sucesso. Em Abril passado, o Governo da Malásia afirmou que a operação de busca da aeronave havia sido interrompida por “não ser a época” ideal para o efeito, mas adiantou que seria retomada no final deste ano. O comunicado de ontem concretiza que a busca será realizada numa “área específica com maior probabilidade de localização da aeronave”.