O Vento e o Guarda-vento de Wang Yun

Tianguan, o «alto funcionário da corte celeste», que na fluidez da iconopraxis das figuras do Daoísmo foi saindo dos muros dos templos e apropriado para a devoção particular, concretizada em rolos de pinturas que permitiam alguma liberdade aos seus criadores na concepção das suas formas humanas, surge numa pintura feita no período de Kangxi (1661-1722) como que empurrado pelo vento, dele se desprendendo um morcego que, por homofonia da palavra fu, se tornara um popular símbolo de felicidade.

E essa era mesmo a função de Tianguan: conceder a felicidade aos seres humanos. Na história da pintura a representação de morcegos vinha já do tempo do preclaro pintor dos Tang Wu Daozi (680-740), que os incluiu numa figuração da divindade daoísta Zhong Kui, o caçador de demónios, feita a pedido do imperador Xuanzong devido à sua capacidade de ver fantasmas de noite.

O autor desse retrato de Tianguan feito em 1716 (rolo vertical, tinta e cor sobre seda, 162,8 x 106, cm, no Museu de Arte de Indianapolis), o pintor de Yangzhou Wang Yun (1652-1734) faria outras figurações desse mundo descrito em relatos daoístas, como A ilha dos imortais, Fanghu, «O vaso quadrado» (rolo vertical, tinta e cor sobre seda, 141,9 x 60,3 cm, no Museu de Arte Nelson-Atkins) uma visão da fabulosa ilha com a forma de uma mandorla, no centro da qual se percebem palácios protegidos por grandes rochas e montanhas no meio de brumas e ondas alterosas embaladas pela ventania. Sobre uma rocha resistem, repousando, alguns grous, sinais da longevidade, quiçá da imortalidade.

Aos oitenta e um anos, o mesmo pintor representou um invulgar encontro (rolo vertical, tinta e cor sobre seda no Museu Britânico) entre um homem de barbas brancas, o seu criado e um recluso daoísta, reconhecível pelo saiote de folhas e uma cabaça, trazendo na mão um pêssego de tamanho desproporcionadamente grande, símbolo da longa vida. Estranhamente, apenas as roupas do recluso daoísta ondulam ao vento.

Wang Yun colaboraria com Yuan Jiang (1671-1746), outro pintor de Yangzhou, em duas pinturas feitas para dois biombos onde em oito painéis dobráveis (weibing) estão representadas paisagens onde se aninham palácios (246 x 490 cm cada um, no Museu Nacional de Quioto). Este objecto de mobiliário decorativo chamado pingfeng, traduz-se como guarda-vento.

É possível que esse vento que se não vê mas se guarda, enfuna as vestes dos daoístas, anima as ondas alterosas que protegem um paraíso, e se solta do imortal Tianguan conferindo felicidades, seja uma alusão à alegria. O poeta Li He (c. 790-c.816) escrevendo sobre o que está para cá e para lá de um guarda-vento autorizará essa intuição. Num poema que termina assim:

Ao luar a brisa sopra o orvalho,

Que frio do lado de fora do biombo!

Enquanto corvos crocitam nas muralhas da cidade,

Vai adormecendo a rapariga de Chu.

Habitação | Novos empréstimos hipotecários afundam

Em Março, os novos empréstimos para a compra de habitação registaram uma quebra de aproximadamente 1,00 mil milhões de patacas, ou 52,7 por cento, em comparação com Março do ano passado. Os dados foram revelados na sexta-feira pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), em comunicado.

Em Março deste ano, os novos empréstimos hipotecários para a habitação aprovados tiveram o valor de 905,10 milhões de patacas. Em contraste, no ano passado o montante tinha atingido 1,91 mil milhões de patacas. É uma redução superior a mais de mil milhões de patacas.

Apesar do cenário negativo ligado ao mercado da habitação, em comparação com Fevereiro deste ano, Março representou um aumento de 31,4 por cento, quando o valor dos novos empréstimos não tinha ido além dos 665,97 mil milhões de patacas.

Também os novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias tiveram uma queda muito significativa, de 71,7 por cento, quando o valor de Março deste ano é comparado com o ano passado. Em Março de 2024, os novos empréstimos tiveram um valor de 713,57 milhões de patacas, quando há um ano tinham atingido o montante de 2,52 mil milhões de patacas.

Metro Ligeiro | Confirmado erro humano em colisão de composições

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) confirmou a ocorrência de erro de operação humana durante o teste das composições da Linha Seac Pai Van, que provocou quatro feridos ligeiros na sequência de uma colisão de duas composições na estação do Hospital Macau Union.

Num comunicado emitido na sexta-feira, a DSOP garante que não se verificaram problemas de segurança do sistema e que foi exigido “à entidade responsável pela gestão de projecto participante no teste, ao fornecedor do sistema das composições e à entidade fiscalizadora para reverem, de forma integrada e imediatamente, o procedimento de teste das composições”.

Além disso, o Governo solicitou que sejam adicionadas “medidas de vigilância e controlo” e reforçada “a formação dos trabalhadores responsáveis por testes, para evitar que voltem a ocorrer acidentes do mesmo tipo”.

A DSOP indicou ter exigido “responsabilidades ao fornecedor do sistema nos termos das cláusulas contratuais”, e acrescentou que foram retomados os testes às composições que vão operar as linhas de Seac Pai Van e Hengqin fora do horário de funcionamento do transporte.

Táxis | Associação critica atrasos na atribuição de licenças

Foram divulgados na sexta-feira os resultados do concurso público para licenças de táxis. O presidente de uma associação do sector critica a falta de rapidez do processo e espera que os 500 veículos possam entrar em funcionamento ainda este ano. Novas licenças pressupõem pagamentos electrónicos, formação em línguas e contratos de trabalho

 

Na passada sexta-feira, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) publicou os resultados do concurso público para a atribuição de licenças para táxis, que irá acrescentar 500 veículos a uma frota que tem vindo a diminuir nos últimos anos.

Em declarações ao HM, o presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi, Tony Kuok, lamentou que o Governo tenha demorado tanto tempo a divulgar os resultados. “As licenças de oito anos para operar táxis têm expirado gradualmente, reduzindo cada vez mais o número de veículos no mercado. Espero bem que todos os 500 táxis possam começar a circular ainda este ano, mas temo que isso não venha a acontecer. Muitos taxistas ficaram desempregados devido ao fim da validade das licenças, sem que tenham surgido novos concursos”, indicou o representante dos taxistas.

Tony Kuok fez um balanço das novidades acrescidas pelas condições de exploração, realçando o rigor que confere à profissão. “As novas licenças obrigam à instalação de uma máquina Interior da viatura que supervisiona o comportamento do taxista, permitindo às empresas saber se o condutor fuma no interior do veículo ou se demonstra sinais de sono. Esta prática é diferente da actual operação em que os taxistas trabalham sem grandes limites. O novo sistema é mais rigoroso e obriga à existência de uma relação laboral entre a empresa e os taxistas”, afirmou Tony Kuok ao HM.

O que aí vem

O caderno de encargos do concurso público para as licenças de táxis obriga as empresas a permitir que os passageiros paguem as viagens através de pagamento electrónica das plataformas Mpay, WeChat Pay, Alipay, UnioPay QR e aplicação móvel do BNU. Será também possível o pagamento através de cartão de crédito UnioPay, VISA e MasterCard.

É também indicado que as empresas de táxis têm de proporcionar anualmente a todos os condutores formação que incluem “línguas estrangeiras, legislação relativas aos táxis e qualidade de serviço”.

Creche | Funcionário condenado a seis meses de prisão

O funcionário de uma creche que queimou um bebé de três meses durante o banho foi condenado com uma pena de prisão suspensa de seis meses. A sentença do julgamento foi conhecida na sexta-feira, de acordo com o Jornal Ou Mun. O funcionário foi condenado pelo crime de ofensa à integridade física por negligência.

O caso aconteceu em Outubro de 2022, depois da criança de três meses ter defecado e necessitar de ser lavada. No entanto, na altura de lavar o bebé, o funcionário utilizou água quente, sem que tivesse tido o cuidado de testar a temperatura da água. Como consequência a vítima sofreu várias queimaduras nos pé, pernas e nádegas.

Segundo o tribunal, o funcionário falhou aos seus deveres de cuidado, dado ter agido de forma contrária às instruções e também por não ter agido com o cuidado exigido neste tipo de situações.

Face aos factos apurados, o funcionário foi condenado a seis meses de prisão, uma pena suspensa durante dois anos. Por sua vez, o bebé demorou seis meses até ficar totalmente recuperado.

O tribunal deu igualmente como provado que a criança foi assistida com duas horas de atraso, devido ao facto de o vice-director da instituição não identificada ter tentado esconder o incidente da família. Em consequência, o pai só levou a criança às emergências duas horas depois do ocorrido, dado que tinha sido informado pela instituição que as feridas se tratavam de uma reacção alérgica.

Além da condenação do funcionário, também a creche, situada no Tói San, foi condenada a pagar à família cerca de 150 mil patacas pelos danos causados.

Crime | Guarda prisional detida por chantagear ex-presidiária

Uma residente de 33 anos foi detida em flagrante, quando tentava “sacar” dinheiro de uma ex-presidiária com ameaças à família. A detida terá igualmente ameaçado contar ao patrão da vítima que esta era uma ex-presidiária

 

Uma guarda prisional foi detida por suspeitas de chantagear uma ex-presidiária com ameaças contra a família. O caso foi revelado pela Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira. O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, declarou-se em “choque” com os acontecimentos revelados.

De acordo com a informação disponibilizada pela PJ, a guarda prisional de 33 anos e a vítima conheceram-se quando a ex-presidiária estava a cumprir uma pena de prisão no Estabelecimento Prisional de Coloane.

Após ser libertada, em Janeiro de 2022, a vítima começou a ser contactada pela guarda prisional sobre a necessidade de “saldar uma dívida”. Se não pagasse a “dívida”, a guarda prisional informou a vítima que não só iria tomar medidas contra a família desta, mas também contar ao actual empregador da vítima que a sua trabalhadora era uma ex-presidiária.

Como a vítima temeu pela segurança da família, concordou em ir transferindo dinheiro para a guarda prisional ao longo de dois anos, num montante que chegou às 78 mil patacas.

Após feitos os pagamentos, as duas afastaram-se. No entanto, recentemente, a guarda voltou a pedir mais dinheiro para “saldar dívidas”, voltando a ameaçar a vítima da libertada. Desta feita, a mulher atingiu o limite e acabou por fazer queixa contra a guarda prisional. Apesar disso, concordou mais um encontro, supostamente para fazer um novo pagamento.

Detida em flagrante

No encontro, a vítima fez-se acompanhar pela polícia que, no momento em que viu a guarda prisional, procedeu à detenção. Segundo a PJ, a guarda recusou cooperar com a investigação, no entanto, os telemóveis das duas mulheres mostram que houve trocas de mensagens, que parecem confirmar a versão da queixosa.

O caso foi entregue ao Ministério Público e a guarda prisional está indiciada pelo crime de extorsão, que é punido com uma pena de prisão de pelo menos dois anos e que pode chegar aos 8 anos, sem considerar eventuais condições agravantes.

Com a apresentação do caso, a PJ apelou a ex-presidiários e presidiários que, no caso de se confrontarem com injustiças, devem apresentar queixa, junto das autoridades, e que qualquer investigação “será sempre imparcial”.

“Forma vil”

Após o caso ter sido divulgado, na sexta-feira, o secretário para Segurança emitiu um comunicado a dizer-se em “choque”. “O secretário para a Segurança expressa o seu choque e indignação perante o comportamento de uma pessoa dos serviços correccionais, que tem conhecimento da lei e a infringe, abusa de poder, ameaçando a reabilitada de uma forma vil, para conseguir atingir interesses pessoais e particulares”, foi emitido em comunicado.

Wong Sio Chak indicou também que este caso tem efeitos negativos para a imagem das autoridades. “O secretário para a Segurança considera que a matéria em questão não só prejudica a imagem e a reputação das forças e serviços de segurança, como causa frustração e diminui a confiança da reabilitada na reinserção social e, ainda, destrói a boa atmosfera de aceitação social existente”, foi indicado. “As consequências prejudicam gravemente a sociedade”, foi frisado.

De acordo com a mesma nota de imprensa, Wong Sio Chak deixou ainda palavras de elogio para a vítima, porque “teve a coragem e não teve medo nenhum em denunciar a situação para defender os seus direitos legítimos”.

Outras condenações

Também a Direcção de Serviços Correccionais (DSC) reagiu ao incidente que definiu como “extremamente terrível” e revelou ter instaurado um inquérito disciplinar. “A Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) está extremamente preocupada e chocada, considerando o incidente extremamente terrível. A DSC nunca aceita qualquer acto ilegal e frisa que serão severamente punidas as infracções à lei e à disciplina praticadas pelo pessoal subordinado”, foi afirmado.

Foi ainda revelado que a guarda prisional foi suspensa preventivamente, enquanto decorrer o inquérito. “Para responsabilizar disciplinarmente a infractora de acordo com a lei, foi instaurado logo um processo de inquérito disciplinar interno e tomada a medida de suspensão preventiva do exercício de funções contra a guarda em causa”, foi informado.

Feito o mal, a DSC garantiu ainda que a vítima vai ser acompanhada. “Os serviços da DSC responsáveis pela reintegração social estão a acompanhar a situação da vítima reabilitada na sequência do incidente em questão, e irão esforçar-se por tomar as medidas de apoio e protecção possíveis, no sentido de garantirem à vítima uma reintegração social melhor”, foi acrescentado.

Orçamento | Saldo positivo de 12,33 mil milhões

Até ao mês de Abril, o orçamento da RAEM apresenta um saldo positivo de 12,33 mil milhões de patacas, de acordo com os números divulgados, na semana passada, pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF).

Para este valor contribuem as receitas de 35,77 mil milhões de patacas, das quais 29,86 mil milhões de patacas advém do imposto sobre os jogos de fortuna ou azar. A segunda maior fonte de receita foram os impostos directos, com um montante de 1,88 mil milhões de patacas. Por sua vez, os impostos indirectos resultaram em receitas de 1,11 mil milhões de patacas.

No pólo oposto, a despesa pública foi de 23,44 mil milhões de patacas, com os maiores gastos a serem dedicados a “transferências, apoios e abonos” e a contabilizarem um montante de 11,66 mil milhões de patacas. O plano de investimentos e desenvolvimento da administração (PIDDA) representou a segunda maior despesa, com gastos de 5,97 mil milhões de patacas. A terceira maior despesa foi dedicada ao pessoal da administração pública, no valor de 4,79 mil milhões de patacas.

Em comparação com o ano passado, o superavit do orçamento subiu de 3,05 mil milhões de patacas para 12,33 mil milhões de patacas. Contudo, no ano passado, o orçamento só se manteve positivo devido ao recurso à reserva financeira. Há um ano, em Abril, o montante utilizado da reserva era de cerca de 5,22 mil milhões de patacas.

Turismo | Governo agradece alargamento de vistos individuais

O leque de zonas do Interior da China integradas na política de vistos individuais para deslocações a Macau e Hong Kong foi alargado a mais oitos cidades: Taiyuan, Hohhot, Harbin, Lassa, Lanzhou, Xining, Yinchuan e Urumqi. O Governo da RAEM agradeceu a Pequim e garantiu que “a oportunidade será bem aproveitada”

 

A Administração Nacional de Imigração publicou no sábado a autorização do Conselho do Estado sobre a integração de mais oito cidades no “visto individual” para deslocação a Hong Kong e Macau. A cidades em questão são Taiyuan na província de Shanxi, Hohhot na região autónoma da Mongólia Interior, Harbin na província de Heilongjiang, Lassa na região autónoma do Tibete, Lanzhou na província de Gansu, Xining na província de Qinghai, Yinchuan da região autónoma de Ningxia e Urumqi da região autónoma Uigur de Xinjiang. A emissão dos vistos nestas cidades para visitas às regiões administrativas especiais começa no dia 27 de Maio, e as deslocações não podem exceder sete dias.

“O Chefe do Executivo, em nome do Governo da RAEM, agradece ao Governo Central o lançamento de mais medidas que vão beneficiar Macau, oportunidade que será bem aproveitada pelo Governo para aperfeiçoar, conjuntamente com o sector do turismo, as instalações turísticas e aumentar a capacidade de acolhimento, apoiando o desenvolvimento económico do território, assim como acelerar a integração de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional”, reagiu o Executivo de Ho Iat Seng horas depois do anúncio.

O comunicado emitido pelo Gabinete de Comunicação Social refere que Ho Iat Seng “sublinha que a quantidade de turistas que estas oito novas cidades abrangem é uma grande motivação, e trará, certamente, forte eficácia económica à venda a retalho e ao sector turístico”.

Com toda a dedicação

Para receber mais turistas ao abrigo do alargamento da política de vistos individuais promovida por Pequim, o Governo da RAEM garantiu que está empenhado em “realizar mais eventos internacionais, enriquecer as convenções, exposições e comércio, assim como os eventos culturais e desportivos”. Além disso, ficou também a promessa de melhorar e elevar a capacidade de acolhimento, aperfeiçoar as medidas de passagem fronteiriça e de trânsito, no sentido de criar experiências turísticas diversificadas.

O Executivo aponta que, desde a implementação da política de “visto individual” em 2003, o número de visitantes do Interior da China a Macau tem vindo a crescer, o que impulsionou o desenvolvimento sustentável do sector turístico e do crescimento das actividades comerciais. O novo alargamento é encarado também como oportunidade para aumentar o “intercâmbio humanístico e o sentimento de identidade das regiões, trazendo assim benefícios económicos significativos”.

Andy Wu quer voos directos

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, sugere ao Governo da RAEM que sejam estalecidos voos directos para as oito novas cidades que vão passar emitir vistos individuais para Macau. Em declarações ao jornal Ou Mun, o representante do sector sublinha que a maioria destas cidades não tem ligações aéreas directas para Macau, ou foram canceladas sem voltarem a ser repostas.

Uma vez que as oito cidades estão a uma distância considerável de Macau, Andy Wu salienta que estes turistas têm potencial para permanecer mais tempo no território, aumentando as pernoitas e trazendo vantagens para a hotelaria, restauração e economia comunitária. Além disso, Andy Wu está optimista em relação à perspectivas para o turismo este ano, prevendo que ultrapasse o resultado de 2019 devido ao alargamento da política de vistos individuais.

Trabalho | Deputado pede balanço de formações para jovens

O deputado Lei Chan U pretende que o Governo apresente um balanço do Plano de Desenvolvimento Profissional dos Jovens de Macau, lançado no ano passado. A solicitação faz parte de uma interpelação escrita do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Quando foi apresentado, o programa tinha como objectivo “integrar no desenvolvimento nacional” os jovens locais, através da parceria entre empresas locais e do Interior da China. O programa foi idealizado com três fases: uma formação sobre o Interior, formação prática na área de trabalho e a realização de visitas de estudo.

Na perspectiva de Lei Chan U, este programa foi também uma forma de encontrar oportunidades profissionais para os mais jovens, por isso, pretende que seja feito um balanço. “Quão eficaz foi o Plano de Desenvolvimento Profissional dos Jovens de Macau desde a sua implementação? E quantas pessoas de Macau beneficiaram do programa?”, questiona.

O deputado da FAOM quer também saber se há planos para tornar o programa permanente e pediu ao Governo que apresente as conclusões, para aferir se há necessidade de alterar os moldes do programa.

O deputado pretende também que o Executivo explique os pormenores de outro programa de formação, virado para a tecnologia, intitulado “Vila da Juventude de Ciência e Tecnologia”. Segundo o plano deste programa, 100 jovens que vão entrar no ensino superior, para cursos nas áreas da informática, engenharia, química, entre outras, terão direito a participar numa formação especial.

No entanto, Lei indica que os critérios de selecção não foram muito claros e que é preciso que o Executivo clarifique como vão ser escolhidos os 100 alunos participantes.

Cheque Pecuniário | Comparticipações distribuídas em Julho

Com os valores de 10.000 patacas e 6.000 patacas, o programa de comparticipação pecuniária vai ter um custo para o orçamento da RAEM de cerca de 7.360 milhões de patacas

 

A partir de Julho, o Governo começa a distribuição do programa de comparticipação pecuniária, o famoso “cheque pecuniário”. A versão deste ano do programa foi apresentada na sexta-feira, numa conferência de imprensa do Conselho Executivo. À semelhança dos anos mais recentes, o valor distribuído aos residentes permanentes é de 10.000 patacas. No caso dos residentes não permanentes, o valor está fixado em 6.000 patacas.

“No corrente ano vai ser mantida a implementação do Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico, atribuindo-se, a partir de Julho e de forma sequencial, o montante de dez mil patacas e de seis mil patacas, respectivamente, a cada residente permanente e não permanente da RAEM”, foi anunciado na conferência de imprensa.

De acordo com as contas apresentadas, 716.000 residentes vão receber 10.000 patacas e 31.000 residentes vão receber 6.000 patacas, valores que representam um custo conjunto para o orçamento de 7.360 milhões de patacas.

Também como aconteceu nos anos anteriores, o dinheiro vai ser distribuído através de transferência bancária ou envio postal de cheque cruzado.

Transferências bancárias

Em relação à distribuição do dinheiro, o Governo também anunciou o calendário, e como tradicionalmente acontece a recepção por transferência bancária é mais rápida.

As primeiras transferências chegam às contas dos residentes a 2 de Julho e a prioridade é atribuída aos que recebem o subsídio para idosos ou funcionários aposentados que recebem pensão de aposentação ou pensão de sobrevivência. A 3 de Julho o montante é depositado nas contas de quase todas as outras pessoas, que optaram por transferência.

No dia 4 de Julho, serão realizadas as transferências bancárias para os beneficiários do subsídio de invalidez, e no dia seguinte os residentes que recebem apoios económicos do Instituto de Acção Social, docentes que recebem subsídio directo ou subsídio para o desenvolvimento profissional e também os alunos que têm bolsas de estudo do Fundo Educativo para o Ensino Superior.

No caso dos funcionários públicos que não estejam registados para receber o pagamento por transferência bancária, recebem à mesma desta forma, com a transferência a ser realizada ao mesmo tempo que pagamento do salário do mês de Julho.

Por escrito

No caso dos que escolheram receber o dinheiro por cheque, para os residentes nascidos até ao fim de 1975, o envio vai decorrer entre 9 a 12 de Julho. Os nascidos entre 1976 e o fim de 2005 recebem o dinheiro entre 15 e 19 de Julho. Na terceira semana do mês de Julho, os contemplados com o cheque são os nascidos entre 2006 e o final de 2016. Finalmente, entre 29 e 31, o cheque é distribuído para os nascidos entre 2017 e 2023. Aqueles que nasceram no decorrer deste ano ainda não têm direito à comparticipação pecuniária.

Tecnologia | Jovens e estudantes são os que mais usam IA em Macau

A Inteligência Artificial é cada vez mais usada por residentes que procuram benefícios ao nível do trabalho e ensino, sobretudo ChatGPT e Poe. Jovens e estudantes dominam a utilização destas novas tecnologias. As conclusões constam no relatório “Tendências do Uso da Internet em Macau” da Associação para a Investigação na Área da Internet de Macau

 

A Inteligência Artificial (IA) está a popularizar-se em todo o mundo e também em Macau, onde cada vez mais residentes recorrem a ferramentas como ChatGPT ou Poe, para produzir textos para diversos fins ou simplesmente para consultar informação.

A conclusão consta do relatório “Internet Usage Trends in Macao” [Tendências do Uso da Internet de Macau], relativo a este ano, que aponta que, dos 1.502 entrevistados, todos residentes, 64 por cento conhece a IA enquanto 27 por cento já usou estas plataformas, “sendo as taxas de conhecimento e de utilização mais elevadas do que em 2023”. No ano passado, 50 por cento dos inquiridos dizia conhecer a IA. O ChatGPT é usado por 78 por cento dos inquiridos, seguindo-se o Poe com 19 por cento.

O relatório indica ainda que “os grupos mais jovens e de estudantes apresentam taxas de utilização mais elevadas”. No que diz respeito aos objectivos com que usam estas plataformas, 22 por cento dos internautas espera que a IA “melhore a eficiência da aprendizagem ou o trabalho”, além de que 15 por cento recorre a estas ferramentas para “responder a questões da vida quotidiana”.

Dos inquiridos, 49 por cento diz-se muita disposta a usar a IA no futuro, sendo que “a vontade dos jovens e estudantes é maior”. Tal demonstra que “a vontade dos internautas de utilizar a IA generativa está a aumentar gradualmente”.

O relatório foi produzido pela Associação de Macau para a Investigação na Área da Internet [Macao Association for Internet Research – MAIR] juntamente com a consultora eRS e-Research, fundada por Angus Cheong, ex-académico da Universidade de Macau.

Os 1.502 entrevistados têm idades compreendidos entre 6 e 84 anos, ou seja, foram inquiridas crianças sem idade escolar para terem capacidades de literacia que as habilitem a usar as ferramentas em questão. O relatório conta com Angus Cheong como investigador principal, além de ter sido produzido por Athena Seng, Jing Li, Wandy Mak, Erica Kwok, Candy Fong, Karen U, Holly Ho. As entrevistas realizaram-se em Janeiro deste ano.

Os perigos associados

Apesar da crescente penetração da IA no território, os autores do estudo não deixam de apontar riscos que estão associados a estas plataformas. “É ainda necessário ter bastante cuidado na aplicação da IA em cenários específicos”, pois os resultados “podem ser afectados por questões como a parcialidade dos dados, preconceitos e incorrecta compreensão semântica”, o que pode levar a IA a “distorcer os factos”.

“As pessoas não devem aceitar cegamente a informação gerada pelo modelo, devendo aprender e a avaliar [os conteúdos] com exactidão e racionalidade”. Assim, sugere-se que no futuro “o Governo, o meio académico e empresas possam trabalhar em conjunto para reforçar opções de exploração e aplicação da IA”.

“Com um esforço conjunto, Macau pode melhor promover o desenvolvimento da IA, ajudando a inovação e o progresso em vários sectores e proporcionando aos residentes formas mais convenientes e eficientes de aprender, trabalhar e viver”. Tal pode trazer “mais possibilidades e mudanças para o futuro” do território.

Uso superior à média

Em termos gerais, Macau apresenta uma taxa de utilização de internet de 93 por cento, enquanto a taxa de Internet móvel é de 91 por cento. O relatório destaca o facto de “a taxa de adopção da Internet ser superior à média mundial”, que é de 66 por cento, estando “entre as melhores da Ásia”.

Para se perceber a evolução do uso da internet no território, importa referir que, em 2001, a taxa de utilização era de apenas 33 por cento, e que nos últimos cinco anos tem-se mantido sempre acima dos 90 por cento, entre 91 e 93 por cento.

De destacar o facto de o Índice de Clivagem Digital ter diminuído para quase zero, sinónimo de que “os residentes de todos os estratos sociais têm iguais oportunidades de acesso à Internet”, sobretudo os telemóveis.

Os residentes recorrem à internet sobretudo para fins de lazer e entretenimento, sendo que uma “elevada percentagem de agregados familiares possui computadores”. Destaque para o maior uso do tablet em relação ao computador de secretária ou portátil entre os consumidores locais.

O acesso à internet é feito através do telemóvel, mas o estudo releva que “nos últimos anos um número crescente de internautas tem acedido à internet através da televisão”. À noite, a partir das 21h, é quando os internautas mais usam a internet, com a taxa de utilização a essa hora a “registar um crescimento significativo em comparação com dez anos atrás”.

WeChat e Taobao ganham

Em termos de actividades, a internet é usada, principalmente, para ler, ver e ouvir notícias, e aceder a redes sociais, com a plataforma WeChat a ser a mais usada por quase todos os grupos etários, seguindo-se o YouTube, Facebook e Whatsapp. O consumo de conteúdos audiovisuais surge logo de seguida em termos de popularidade, com o visionamento de filmes e séries em streaming, além de música.

O documento refere que “os menores, os jovens e os grupos de estudantes apresentam taxas mais elevadas de participação em várias actividades audiovisuais e de entretenimento” na área do streaming. Nos últimos anos os utilizadores que usam a internet para estarem informados manteve-se nos 80 por cento, enquanto 70 por cento dos inquiridos costuma escrever comentários nas redes sociais. Em termos de comunicação social digital, observa-se que “as pessoas de meia-idade e os jovens, além das pessoas com níveis educacionais mais elevados, são mais propensos a participar em várias actividades relacionadas com a informação online”.

Relativamente ao comércio online regista-se uma tendência de aumento, com 76 por cento dos entrevistados a afirmar que já fez compras desta forma, “sendo o Taobao a principal plataforma de compras online”. As compras são, sobretudo, de “produtos de cuidados da pele ou para necessidades diárias”. Um total de 83 por cento dos inquiridos fez pagamentos online.

Alerta segurança

Os investigadores colocaram ainda questões sobre a segurança online. Num território onde são frequentes os casos de burla online, o relatório mostra que, de facto, metade dos inquiridos diz ter tido problemas de privacidade ou segurança, “sendo o mais comum a fraude online, seguindo-se vírus em dispositivos, roubos de contas pessoais ou de palavras-passe”, ou mesmo “violação da privacidade”. Ainda assim, “cerca de 60 por cento dos internautas avaliam o estado actual da privacidade e segurança da Internet em Macau como seguro, proporção semelhante à registada no passado”.

Os autores do estudo consideram que é preciso promover mais a literacia digital e ter em conta a necessidade de preservação da segurança. “As pessoas de meia-idade e os jovens adultos, bem como as pessoas com um nível de educação mais elevado e com emprego têm a probabilidade relativamente mais elevada de se deparar com vários tipos de problemas de privacidade e segurança na internet. Este facto pode estar relacionado com a sua utilização mais frequente da internet e com um maior nível de sensibilização.”

Os autores acrescentam ainda que estes números “indicam que, embora o público tenha um certo nível de consciencialização e preocupação com a privacidade e a segurança na Internet, ainda há muitos desafios a enfrentar”.

Os riscos nos jovens

O relatório destaca também o facto de os utilizadores de internet serem cada vez mais jovens e do impacto negativo que isso pode causar a vários níveis, tornando-se fundamental aumentar a literacia digital dos mais novos.

“Actualmente, a utilização da internet por menores centra-se em actividades de lazer e entretenimento. No futuro, estes devem melhorar a literacia cibernética, aprender e dominar conhecimentos e competências e organizar razoavelmente o seu tempo de utilização da Internet para melhor a utilizarem na sua vida e na sua aprendizagem”.

Cabe ainda às escolas, famílias e sociedade “orientar os menores para o uso saudável da internet”, devendo as instituições de ensino “incorporar a literacia da internet no currículo para cultivar conhecimentos e competências dos alunos” nesta área, além de que os pais “devem reforçar a educação familiar dos menores para evitar a dependência excessiva da internet”.

O uso de internet por parte de menores de idade atingiu 91 por cento, sendo que estes optam, em 95 por cento dos casos, para ver filmes e vídeos, seguindo-se o consumo de música, em 85 por cento dos casos, ou para jogar (88 por cento). No que respeita às redes sociais, 52 por cento usa o TikTok. A literacia digital nos jovens entre os seis e 11 anos é menor, pelo que é necessário “melhorar a segurança na Internet e os aspectos de auto-proteção”, é indicado.

Japão | Tribunal permite que homem adopte apelido do parceiro

Um tribunal de família japonês autorizou um homem de 30 anos a adoptar o apelido do companheiro do mesmo sexo por terem “uma relação semelhante a um casamento”, noticiou ontem a imprensa local. O código civil japonês exige que os casais partilhem os apelidos, mas não permite casamentos ou uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.

O advogado do homem, que se identificou com o pseudónimo Akikazu Takami, considerou a decisão do tribunal invulgar, mas Takami disse estar satisfeito por o Tribunal de Família de Nagoya ter tratado o assunto “com sinceridade”, informou a agência de notícias japonesa Kyodo.

“Não me posso casar, mas sinto que estou um passo mais perto da minha família e não consigo dizer-vos o quanto estou feliz”, declarou Takami, citado pela emissora pública japonesa NHK.

A decisão, datada de 14 de Março, declara que o casal, que adoptou uma criança, “se apoia mutuamente e mantém uma vida estável centrada na educação dos filhos. As vidas não são substancialmente diferentes das de um casal num casamento heterossexual”.

Takami, que vive com o parceiro há seis anos na província de Aichi, no centro do Japão, pediu a alteração do apelido em tribunal em Novembro do ano passado, alegando que a diferença causava problemas.

“Uma noite, quando o meu companheiro me levou de urgência para o hospital, perguntaram-nos que tipo de relação tínhamos porque os nossos apelidos eram diferentes”, contou à NHK.

Takami acrescentou que ter um apelido diferente do companheiro e do filho levou os médicos a pensar que não havia qualquer parentesco quando ia ao centro de saúde com o filho e, em alguns casos, foi impedido de assistir a procedimentos médicos.

Gaza | Ataques israelitas fazem dezenas de mortos

Dezenas de palestinianos foram mortos durante a madrugada em Rafah, a cidade mais a sul da Faixa de Gaza, e no norte do enclave devido a ataques militares israelitas, segundo fontes médicas citadas por agências locais.

Em Rafah, as forças militares israelitas tomaram, numa ofensiva lançada a 7 de Maio, as zonas da passagem para o Egipto e do ponto de Kerem Shalom, para Israel, bem como de outros 31 quilómetros quadrados de onde a população foi mandada retirar-se um dia antes.

Os aviões israelitas voltaram a atacar as zonas em torno do posto fronteiriço de Rafah, que permanece encerrado, disparando projécteis contra os bairros orientais de Al-Shuweika e Al-Jeneina, enquanto a força naval utilizou também metralhadoras contra as zonas ocidentais da cidade de Rafah, informou agência palestiniana Wafa.

No bairro de Zeitun, no norte de Gaza, pelo menos 10 casas foram bombardeadas perto da mesquita Hasan Al Banna e da Universidade de Gaza, deslocando milhares de pessoas que se abrigavam nas escolas.

“Dezenas de pessoas foram mortas na sequência dos bombardeamentos dos aviões de guerra ocupantes”, indiciou a Wafa. O número total de mortos desde o início da guerra em Gaza, a 7 de Outubro de 2023, ascende a 34.844, segundo a contagem das autoridades palestinianas, enquanto pelo menos 78.404 pessoas ficaram feridas.

Além disso, milhares de corpos estão ainda enterrados sob os escombros e não podem ser alcançados pelas equipas de salvamento. Israel declarou guerra ao movimento Hamas após um ataque surpresa em território israelita que fez cerca de 1.200 mortos e mais de 200 raptos.

Condições ambientais extremas

As condições ambientais extremas podem verificar-se na Natureza ou na sociedade, sendo que no primeiro caso podem provocar desastres e no último destruição.

Na tarde de 30 de Abril, o tempo em Macau não estava normal, com trovoadas fortes e queda de granizo, o que já não acontecia desde 2011. A 4 de Maio, a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos emitiu pela primeira vez, em quase três anos, o Sinal Preto referente a Chuva Intensa. Extensas zonas da cidade ficaram inundadas e as cheias na província de Guangdong foram ainda mais devastadoras. Desde a passagem do tufão “Hato” em 2017 e do subsequente super-tufão “Mangkhut”, os cientistas previram que devido à destruição do meio ambiente, os fenómenos meteorológicos extremos tornar-se-iam cada vez mais frequentes.

A Tasmânia, localizada na Austrália, tem o ar mais puro de todo o planeta. No noroeste da Tasmânia, a Australian Academy of Science e o United States Department of Energy criaram em conjunto uma estação de monitorização do ar, e a composição do ar da Tasmânia serve de base de comparação para medir as alterações nas emissões globais de gases com efeito de estufa e do dióxido de carbono. De acordo com alguns estudos, os cientistas descobriram que o dióxido de carbono na atmosfera aumentou 25% de 1978 a 2024, o que é extremamente preocupante.

Os danos causados à Natureza podem ser reparados através da protecção e da conservação do ambiente, mas as feridas infligidas na sociedade podem nunca vir a sarar completamente.

Todos sabemos que a deflagração de uma guerra nuclear ou da III Guerra Mundial podem fazer desaparecer a Humanidade da face da Terra. No entanto, a guerra neste planeta é inevitável. Em 24 de Fevereiro de 2022, tropas russas invadiram a Ucrânia, e a 7 de Outubro de 2023, um grupo de militantes do Hamas atacou Israel. Estes dois conflitos continuam a decorrer e mesmo a intensificar-se. Se as sementes do belicismo se espalharem para outras regiões do mundo, será o início de outro desastre catastrófico.

Quando ocorrem condições ambientais extremas numa sociedade, especialmente quando ocorrem comportamentos extremos na política, os assassinatos são inevitáveis. Song Jiaoren (fundador do Partido Nacionalista, Kuomintang) durante a República da China, Mahatma Gandhi (após a Partição da Índia) e Yitzhak Rabin, o antigo Primeiro-Ministro de Israell, são disso exemplo, todos assassinados às mãos de extremistas, e infelizmente as suas mortes trouxerem consigo mais mortes.

A Natureza exige um equilíbrio ecológico e a ecologia de uma sociedade também deve ser equilibrada. No 1º de Maio deste ano, não houve manifestações em Macau. Depois de três anos de pandemia, os comícios e desfiles que eram habituais há poucos anos também desapareceram. A aparente calma social representará paz verdadeira? Quererá isto dizer que os cidadãos não têm quaisquer queixas ou reclamações? Passar de um extremo a outro nunca foi bom.

Ninguém por sua vontade escolhe viver num local onde ocorram fenómenos meteorológicos extremos ou que esteja sempre em guerra. Leva muito tempo a construir um local próspero, seguro e cheio de vitalidade, mas leva muito menos tempo a destruí-lo. Eliminar os factores que causam condições ambientais extremas e restaurar a harmonia na Natureza e na sociedade deveria ser da responsabilidade de todos nós.

FRC acolhe este sábado recital com estudantes da UPM

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe este sábado, a partir das 17h, o evento “Recital Conjunto de Estudantes de Música da UPM [Universidade Politécnica de Macau]”, integrado na série de concertos musicais “Os Sons da Praia Grande”, co-organizado pela Associação Vocal de Macau.

O programa contará com a presença da mezzo-soprano Xiangbing Liu, que venceu a medalha de ouro no “Concurso Vocal de Estudantes Modelo da China” por três anos consecutivos, e ainda a medalha de prata no “Concurso Vocal Profissional de Hong Kong” em 2023. A ela se juntarão as sopranos Changkun Lei, Shuangrong Wu, e Shuting Xiong, todas a frequentar o segundo ano do curso de Música da UPM, sob orientação das professoras Wang Xiao e Mai Jiali.

O acompanhamento será da responsabilidade da pianista May Poon, professora da UPM e pianista convidada da Orquestra de Macau. Esta foi uma “Jovem Artista Steinway” galardoada pela prestigiada competição internacional do famoso fabricante “Steinway & Sons”. Além da extensa lista de participação em competições, festivais e recitais a nível mundial, a pianista é também requisitada com frequência como júri de performances e competições a nível regional.

Destaque aos clássicos

A música seleccionada para a sessão inclui peças clássicas de compositores como o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, o francês Georges Bizet, os alemães Robert Schumann e Richard Strauss, os italianos Francesco Paolo Tosti e Pietro Mascagni, o coreano Yoon Hakjun, e os chineses Wang Long e Gao Weijie, além de canções folclóricas da Mongólia Interior.

“Bel Canto” é um termo italiano criado no século XVIII e que representa “a expressão máxima da voz humana”, tendo inspirado a série de iniciativas que a FRC tem desenvolvido nos últimos anos na área da música clássica. “Bel Canto” é “uma técnica vocal que enfatiza a beleza do som e a capacidade técnica do artista, em vez da expressão dramática ou da emoção romântica, sendo ainda hoje ensinada em moldes semelhantes aos do passado”.

MAM | Obras dos séculos XVIII a XIX reveladas em nova exposição

O Museu de Arte de Macau acolhe, a partir desta sexta-feira, uma nova exposição que remete para a recriação das cidades que compõem a Grande Baía por artistas que viveram nos séculos XVIII e XIX. Um dos artistas em destaque é George Chinnery, cujo 250º aniversário do seu nascimento se celebra este ano

 

É inaugurada esta sexta-feira uma nova exposição no Museu de Arte de Macau (MAM) que apresenta a forma como artistas chineses e estrangeiros dos séculos XVIII a XIX retrataram não só Macau, como também os restantes territórios de Guangdong, no que hoje chamamos a Grande Baía.

A mostra intitula-se “Integração Artística entre a China e Ocidente nos Séculos XVIII-XIX” e é não só organizada pelo MAM como pelo Museu de Guangdong (Museu Luxun de Cantão), além de contar com o apoio do Museu de Arte de Hong Kong.

Segundo um comunicado do IC, esta mostra apresenta três perspectivas distintas, em termos de estilos técnicas e materiais de pintura, revelando um “diálogo visual e a integração entre a China e o Ocidente, promovidos por artistas locais e estrangeiros na região do Delta do Rio das Pérolas, durante os séculos XVIII e XIX”.

A iniciativa, integrada no programa da 34.ª edição do Festival de Artes de Macau, é tida como a “maior exposição de pintura histórica, com exportação de peças, jamais realizada em Macau”, estando disponíveis para admirar mais de 300 peças ou conjuntos de pinturas do MAM e do Museu de Macau, além de obras dos espaços museológicos de Guangdong e Hong Kong.

Assim, o MAM pretende apresentar ao público local “um panorama completo da origem e do desenvolvimento da pintura exportada” sobre os territórios, além de “realçar o espírito inclusivo e exploratório dos artistas de Guangdong, Macau e Hong Kong no âmbito do processo de globalização do comércio que teve lugar há dois séculos”.

Parabéns a Chinnery

Um dos artistas em destaque na mostra, tendo em conta “o número especialmente numeroso de obras”, é George Chinnery, cujo 250.º aniversário de nascimento se celebra este ano.

Incluem-se, assim, “uma série de quadros valiosos que serão expostos pela primeira vez no território, proporcionando uma reflexão abrangente sobre a importante influência de Chinnery no sul da China no século XIX”, além de se realçar “o papel de Macau como ponto de encontro entre as culturas chinesa e ocidental”.

Nesta exposição, as obras revelam inúmeros temas “como plantas, barcos, paisagens, retratos e pintura de género”, podendo o público observar “o diálogo criado entre as técnicas da pintura chinesa e ocidental”. Dá-se, assim, a conhecer “várias formas de expressão artística, incluindo óleo, aguarela, guache, esboço e gravura, proporcionando uma visão panorâmica da integração e adaptação de materiais de pintura então usados”.

Workshops para todos

Além da exposição propriamente dita, o público poderá ter um contacto mais próximo com as obras graças às visitas guiadas, realizadas em cantonense, todos os sábados, domingos e feriados às 15h a partir do dia 18 de Maio. Irão ainda realizar-se “visitas guiadas especiais”, palestras, workshops e concertos, sem esquecer as “visitas artísticas” dedicadas à obra de George Chinnery.

Estas visitas, intituladas “Passeando pelas Ruas de Macau nas Pinturas de Chinnery” e “Passeando no Museu de Arte de Macau” focam-se nos vestígios de George Chinnery em Macau, proporcionando possibilidades de interpretação do seu estilo de pintura, bem como das obras de arte exportadas da China nos séculos XVIII e XIX.

A exposição pode ser vista no MAM até aos dias 11 de Agosto no piso 4, enquanto no piso 3 a mostra fica disponível até 15 de Setembro.

Presidente sul-coreano promete laços estreitos com Kiev e “boa relação” com Moscovo

O Presidente da Coreia do Sul prometeu ontem cultivar uma “boa relação” com a Rússia e manter laços estreitos com a Ucrânia, excluindo o fornecimento directo de armas.

Seul “fará tudo o que estiver ao seu alcance para prosseguir a cooperação económica” com Moscovo, mantendo-se ao mesmo tempo próximo de Kiev, afirmou Yoon Suk-yeol, na primeira conferência de imprensa que deu em quase dois anos e depois da derrota do Partido do Poder Popular (PPP) nas eleições gerais de Abril. Yoon referiu ainda a “posição firme” do país de não fornecer armas letais a países em conflito.

Que rica bolsa

Na conferência, o líder sul-coreano, há dois anos no poder, prometeu novas políticas para a educação e o trabalho, bem como ajudas para apoiar o equilíbrio entre a vida profissional e familiar.

Pediu, além disso, a cooperação da oposição, que reforçou a maioria no Parlamento após a pesada derrota de Abril, para aprovar leis que permitam a criação de um novo ministério para combater a baixa taxa de natalidade no país, ameaçado por uma crise demográfica.

“Durante dois anos, tentámos melhorar a vida dos sul-coreanos, mas não foi suficiente. Nos próximos três anos, vamos ouvir a voz do povo com humildade”, disse Yoon, referindo-se à derrota nas urnas e aos três anos que lhe restam no poder.

“Peço desculpa por ter incomodado o povo devido à imprudência da minha mulher”, acrescentou, numa referência ao chamado “escândalo da bolsa Dior”, surgido na sequência de um vídeo gravado com imagens da primeira-dama a receber uma bolsa Dior avaliada em mais de 2.200 dólares das mãos de um religioso.

Yoon escusou-se a fazer mais comentários sobre o assunto, dizendo que não quer influenciar a investigação do gabinete do procurador-geral.

O sucedido pode constituir um crime, uma vez que a lei anticorrupção sul-coreana considera ilegal que um funcionário do Governo, ou cônjuges, recebam presentes avaliados em mais de um milhão de won de uma só vez ou um valor acumulado de mais de três milhões de won durante um ano fiscal.

O caso voltou à ribalta depois da pesada derrota eleitoral do PPP, juntamente com as alegações de que a primeira-dama também teria cometido um crime de manipulação de activos da bolsa entre 2009 e 2012.

Em Janeiro, Yoon teve de exercer o veto presidencial a uma moção do Partido Democrático para investigar o alegado crime de manipulação de activos, mas, na sequência do resultado das eleições, a oposição voltou a pedir a abertura de um inquérito especial sobre o caso.

Huawei | EUA cancela várias licenças de exportação

O governo dos EUA cancelou quarta-feira algumas licenças de exportação para o conglomerado chinês de telecomunicações Huawei, impedindo empresas norte-americanas de lhe venderem componentes, agravando as tensões entre EUA e China. “Não comentamos licenças específicas, ma podemos confirmar que revogamos algumas licenças de exportação para a Huawei”, disse ontem um porta-voz do Departamento do Comércio à AFP.

“Estamos a avaliar em permanência a maneira pela qual os nossos controlos podem proteger ainda melhor a nossa segurança interna e os nossos interesses em matéria de política externa, considerando as ameaças e uma paisagem tecnológica em constante mudança”, acrescentou. “No quadro deste processo, como temos feito, revogámos licenças de exportação”, especificou.

A Huawei está desde há anos no centro de uma intensa disputa entre Washington e Pequim, com os norte-americanos a acusarem a empresa de poder espiar em benefício das autoridades chinesas.

Em reacção, um porta-voz do Ministério do Comércio chinês disse, em comunicado, que “os EUA estenderam demasiado o conceito de segurança interna, politizaram as questões económicas e comerciais, abusaram das medidas de controlo de exportações e adoptaram, por diversas vezes, sanções e medidas de repressão absurdas contra empresas chinesas específicas”.

O porta-voz avisou que “a China tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar firmemente os direitos e os interesses legítimos das empresas chinesa”. Desde 2019, as sanções de Washington eliminaram a Huawei das cadeias de aprovisionamento mundiais de tecnologias e componentes dos EUA.

As sanções norte-americanas forçaram a empresa chinesa a recentrar-se em sectores como programas informáticos, aparelhos interligados, informática de empresa e carros eléctricos, onde detém a marca Aito.

Economia | Comércio externo registou subida homóloga de 8% em Abril

O valor das trocas comerciais realizadas entre a China e o resto do mundo, denominado na moeda chinesa, aumentou 8 por cento, em Abril, em termos homólogos, segundo dados oficiais divulgados ontem pelas alfândegas do país asiático.

O comércio externo da China ascendeu em Abril a cerca de 3,64 biliões de yuan. As exportações aumentaram 5,1 por cento, em relação ao mesmo mês do ano passado, para 2,08 biliões de yuan. As importações cresceram 12,2 por cento, para 1,56 biliões de yuan. O excedente comercial chinês fixou-se assim em 513,4 mil milhões de yuan no quarto mês do ano.

Em termos acumulados, entre Janeiro e Abril, o comércio entre a China e o resto do mundo aumentou 5,7 por cento, em yuan, com as vendas a subirem 4,9 por cento e as compras 6,8 por cento.

As alfândegas também divulgaram ontem dados sobre o comércio externo denominado em dólares, que são utilizados como referência pelos analistas internacionais e que normalmente divergem dos dados comunicados em moeda chinesa devido às flutuações da taxa de câmbio.

O comércio entre a China e o resto do mundo denominado na moeda norte-americana aumentou 4,4 por cento, em termos homólogos, para cerca de 512,56 mil milhões de dólares, com as importações a subirem mais (8,4 por cento) do que as exportações (1,5 por cento).

Os números são mais positivos do que o previsto pelos especialistas, que esperavam que as exportações crescessem 1 por cento e as importações 5,4 por cento.

Visita | China e Hungria são bons amigos, diz Xi Jinping

A China e a Hungria são bons amigos e bons parceiros de confiança mútua, afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, num discurso escrito ao chegar esta quarta-feira a Budapeste para uma visita de Estado à Hungria.

“Estou muito satisfeito por fazer uma visita de Estado ao belo país da Hungria, a convite gracioso do presidente Tamas Sulyok e do primeiro-ministro Viktor Orban”, disse, estendendo as sinceras saudações e votos de felicidades ao governo e ao povo húngaros em nome do governo e do povo da China, indica o Diário do Povo.

Observando que a Hungria é conhecida pela sua história consagrada pelo tempo e profunda herança cultural, Xi disse que o povo húngaro é trabalhador, inteligente, aberto, inclusivo, pioneiro e criativo.

Nos últimos anos, o governo e o povo da Hungria têm avançado com determinação, fazendo progressos impressionantes no desenvolvimento económico e social, disse, acrescenta a publicação. “Como bons amigos e parceiros estratégicos abrangentes, nós, na China, tanto o governo como o povo, regozijamo-nos sinceramente com vossas conquistas.”

Em 1949, a Hungria foi um dos primeiros países a reconhecer e estabelecer relações diplomáticas com a República Popular da China. Em 2004, os dois países decidiram estabelecer uma parceria amigável e cooperativa.

Nos últimos anos, os dois lados têm visto frequentes intercâmbios de alto nível, confiança mútua aprofundada, resultados frutíferos na cooperação da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, intercâmbios interpessoais e culturais vibrantes e estreita coordenação e colaboração em assuntos internacionais e regionais, afirmou Xi.

“Juntos, demos um belo exemplo de construção de um novo tipo de relações internacionais caracterizado pelo respeito mútuo, imparcialidade, justiça e cooperação de benefício mútuo”, disse.

Fazer o futuro

Este ano marca o 75.º aniversário das relações diplomáticas China-Hungria, trazendo uma oportunidade importante para o crescimento das relações bilaterais, continuou o Presidente chinês.

Xi disse que espera reunir-se com o presidente Sulyok, o primeiro-ministro Orban e outros líderes húngaros e que eles delinearão conjuntamente um novo plano para a cooperação e o desenvolvimento, com vista a conduzir a relação China-Hungria a grandes passos e levá-la a um nível superior.

“Acredito que, não importa como o cenário internacional evolua, a China e a Hungria verão sempre e abordarão a relação bilateral a partir de uma perspectiva ampla e uma visão de longo prazo”, disse.

“Através de esforços vigorosos e determinados, trabalharemos juntos para o objectivo de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade e daremos a nossa devida contribuição para a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade do mundo”, acrescentou.

“Estou confiante de que, com os esforços concertados dos dois lados, esta visita será um sucesso total e inaugurará um futuro ainda mais brilhante para as relações China-Hungria”, disse ainda.

Província de Yunnan – Na fabulosa Lijiang

Viajo de Dali para Lijiang, trezentos quilómetros por uma estrada em mau estado – lá por baixo, por vales e túneis, existe já uma nova auto-estrada em construção –, subindo pelas montanhas até aos 3.100 metros e depois descendo para o extenso planalto ondulado e sinuoso onde se situa a cidade de Lijiang que estende o seu casario por terras a 2.450 metros de altitude.

Estamos bem no norte da província de Yunnan, a duzentos quilómetros da fronteira com o Tibete. Por aqui não existem montes, nem serras, há montanhas e montanhas, infindáveis vales profundos, desfiladeiros e mais planaltos entre montanhas, e ainda mais montanhas por cima de outras montanhas. O alto Yangtsé passa também por aqui, no fundo de um canyon, rasgando a montanha há umas boas dezenas de séculos.

Muito antes de chegar a Lijiang, aparecem no horizonte, por detrás do escuro dos cumes próximos, os picos nevados de Yulong Xueshan, ou seja a Montanha de Neve do Dragão de Jade, com o ponto mais alto a 5.550 metros, rodeado pelo maior conjunto de glaciares do hemisfério norte. Tudo a 20 quilómetros de Lijiang, em linha recta.

Pode-se subir pelos fios suspensos nos ossos da montanha até aos 4.506 metros – dizem-me ser o mais elevado teleférico do mundo – mas a íngreme escalada não é conveniente para corações sensíveis à altitude. O ar rarefeito, a escassez de oxigénio podem provocar fulminantes ataques cardíacos, embolias cerebrais, etc.

Chegada às alturas do planalto, a minha mulher de Xangai, nascida e criada na grande metrópole ao nível do mar, começa a sentir dores no coração. O motorista do carro que nos trouxe desde Dali passou meia viagem a meter-lhe medo com a altitude, as tonturas, as dores no peito, as mortes súbitas.

A minha companheira já sente o coração virado do avesso, dói-lhe tudo, acima do estômago, abaixo do pescoço. Acredito que seja psicossomático mas preocupo-me, vou ter de acautelar a estadia por estas paragens e não pensar em trepar pelas montanhas. Tenho, no entanto, quase a certeza que regressada a Xangai, na lisura das grandes planícies, tudo quanto é coração, diafragma e anexos da Wang Hai Yuan, minha esposa, voltará a funcionar em pleno. Já não vou poder subir até à cidadezinha de Zhongdian, setenta quilómetros a norte, rebaptizada como Shangri-la, a 3.150 metros de altitude, logo abaixo do Tibete

丽江Lijiang, que significa “rio bonito”, é Património Mundial pela Unesco desde 1997. A cidade foi abalada por um tremendo terramoto em Fevereiro de 1996, 7,2 graus na escala de Richter, que provocou 300 mortos e 16.000 feridos. A parte nova do pequeno burgo sofreu enormes danos, mas a cidade antiga, com as casas e as empenas em madeira apoiadas em estruturas sólidas de pedra e adobe, – uma arquitectura velha de dez séculos –, permaneceu quase intacta, resistiu bem ao abalo sísmico.

Tal facto despertou atenções por toda a China e foi também objecto de estudo por vários organismos internacionais. Gente da Unesco acabou por visitar Lijiang e, ano e meio depois do tremor de terra, a cidade foi declarada Património Mundial. E merece tal distinção. Estamos diante, dentro de um dos mais fascinantes lugares da China.

As casas, todas de um ou dois pisos, começaram a ser construídas nas dinastias Song e Yuan (secs. XI a XIV). A arquitectura é singularíssima porque mistura estilos tibetanos, chineses e naxis, esta a minoria nacional mais presente na região.

Lijiang foi, em tempos não muitos recuados, um grande entreposto, um centro de comércio, de intercâmbio e trocas na chamada Rota do Chá. Daqui partiam grandes caravanas de cavalos transportando o chá de Yunnan e Sichuan para o Tibete e para a antiga Birmânia.

O burgo antigo distribui-se por milhares de casas quadradas de madeira com dois sobrados e um vasto pátio interior. Fiquei alojado numa destas casas, adaptada a pousada, com apenas dez quartos nos dois pisos e o bonito nome de Hotel das Aves Migrantes. Que sensação óptima adormecer numa cama limpa nas faldas do Tibete rodeado da serena vetustez dos séculos! E, porque era a época baixa, paguei a enormidade de 60 yuans por noite, mais ou menos 8 euros, por um duplo confortável, com as camas aquecidas – estamos em Março, ainda faz frio –, e temos direito a quarto de banho privativo, sem pequeno almoço, mas com chamadas telefónicas para a China e internet grátis. Fiz o meu turístico negócio da China!…

As ruas, muitas delas atravessadas por pequenos canais com água sempre a correr, estão pavimentadas com lajes de pedra de várias cores e não faltam lanternas chinesas penduradas em tudo quanto é casa e telhado, há lojas e lojas onde se vende um pouco de tudo, quinquilharia e peças de bom artesanato, roupa às toneladas, sedas, algodões, brocados, casacões para os invernos frios feitos com lã dos rebanhos da montanha, de excelente qualidade. As montanhas de Caxemira, do outro lado dos Himalaias, não estão longe…E há restaurantes quase porta sim, porta não, com pratos típicos dos naxis, comida estranha, exótica que não me entusiasmou sobremaneira.

Na praça central, todas as noites encontram-se grupos de naxis, principalmente mulheres com os trajes da sua minoria que dançam num grande círculo. Qualquer pessoa pode entrar na roda e juntar-se à festa. Também todos os dias, às oito horas da noite, num típico e original teatro em madeira, acontece um concerto-espectáculo da responsabilidade dos vinte e quatro idosos membros da Orquestra Naxi de Lijiang.

Têm entre 70 e 90 anos. Pendurados nas suas barbichas de velhos sábios e nas roupas coloridas de brocado tocam nos antiquíssimos erhu, suona, guzheng (violinos, flautas, harpas, marimbas) antiga música taoísta que dizem entroncar nas dinastias Han, Tang e Song (secs. I a XI). Alguns membros da orquestra, devido à provecta idade, ao cansaço dos anos, ao ritmo embalador do concerto, de vez em quando adormecem. O recital, mais para ver os velhos e a decoração original do interior do teatro do que para ouvir a música monótona e repetitiva, também deu para eu passar pelas brasas.

Para fechar a estadia em Lijiang fui até ao parque do Lago do Dragão Negro, uns dois quilómetros a norte da cidade. Sabia da sua existência há muitos anos e das espantosas fotografias que aí se tiram. A capa do meu segundo livro de poesia “China de Seda” é uma foto deste lugar que fui buscar à net em 2001. Chegou finalmente a minha vez de estar em Lijiang e fotografar tudo com os olhos, o coração e a câmara digital. As águas do lago espraiam-se abraçadas pela vegetação das margens. Ao fundo, pavilhões e torres reflectem-se nas águas azuis, paradas, tendo logo por detrás os picos imaculadamente brancos da neve em Yulong Xueshan, a montanha do Dragão de Jade.

A água do lago corre depois para a cidade, com cascatas e pequenas pontes unindo o enrugar da terra.
Aqui um homem, à deriva pelo mundo chinês, levitando no ar leve e depurado da manhã, acredita encontrar o Paraíso.

Demografia | Natalidade baixa 13,3% no primeiro trimestre

Durante o primeiro trimestre deste ano, nasceram em Macau 856 bebés, o que representa descidas de 13,3 por cento face ao mesmo período de 2023 e 10,9 por cento em termos anuais, segundo dados ontem divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Das 856 crianças nascidas nos primeiros três meses, 452 eram meninos e 404 meninas.

O número de casamentos registados foi de 937, mais 96, em termos trimestrais. No cômputo geral, no fim do primeiro trimestre deste ano a população total de Macau era composta por 686.400 pessoas, mais 2.700, face ao trimestre anterior. A DSEC atribuiu o aumento populacional à subida do número de trabalhadores não-residentes domiciliados em Macau, que eram 179.469 no fim de Março (+2.808 face ao trimestre anterior).

Quanto à distribuição percentual da população por sexo, a população feminina (366.200) era superior à masculina (320.200), representando 53,4 por cento da população total.

Se por um lado houve menos nascimentos, os óbitos aumentaram. Nos primeiros três meses do ano morreram 631 pessoas, menos 27 do que no trimestre anterior. As três principais causas antecedentes de morte foram tumores (232 óbitos), doenças do aparelho circulatório (159 óbitos) e doenças do aparelho respiratório (110 óbitos).

Construção civil | DSAL promove curso para técnicos de segurança

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Universidade de Macau organizam o “curso de formação de técnico superior de segurança na construção civil”, com três turmas para a língua chinesa e apenas uma turma em inglês. Segundo um comunicado da DSAL, há 154 vagas disponíveis, estando as candidaturas já abertas.

As aulas iniciam-se entre Junho e Setembro deste ano. As inscrições terminam no dia 17 para a turma de inglês e no dia 31 para as turmas em chinês, sendo que se podem candidatar residentes com ensino secundário complementar completo e que tenham dois ou mais anos de experiência em execução de obras ou gestão de segurança na construção civil.

Este curso é organizado pela DSAL desde 2005 tendo já formado 1 995 alunos. Aos formandos que completarem o curso e forem aprovados na avaliação será emitido o certificado do curso pela DSAL e Universidade de Macau, bem como atribuído o subsídio de formação de 2.500 patacas pela DSAL. O presente curso conta para os requisitos de formação de técnico superior de segurança na construção civil no âmbito da lei da segurança e saúde ocupacional na construção civil, implementada em 2023.

Pandemia | Dificuldades dos mais necessitados aumentaram

Investigadores da Universidade Cidade de Macau defendem a necessidade de aumentar a contribuição mensal dos trabalhadores para a segurança social das actuais 90 patacas por mês para 763 patacas por mês

 

Desde o aparecimento da pandemia que a vida da população com menos meios financeiros se tornou mais difícil. A conclusão faz parte de um estudo publicado na revista Internacional Journal of Religion, por académicos de Universidade Cidade de Macau, com o título “Integração e capacitação: A mudança da política social de Macau na era pós-pandémica”, da autoria de Hu Jierong, Peng Yanchong e Ka U Lao.

Numa análise ao sistema social da RAEM, e às futuras necessidades de financiamento, os académicos concluem que a pandemia veio alterar as condições dos mais pobres. “Sob a influência da epidemia, a vida dos residentes mais pobres sofreu um grande impacto, e há um risco maior para a sua segurança financeira”, é indicado.

O estudo sublinha igualmente que o agravar das dificuldades desta camada da população “mostra que há um grande fosso a nível dos rendimentos entre as classes sociais de Macau”.

Por outro lado, o documento explica que a redução das receitas do Governo, no pós-pandemia, é um risco para a segurança social do território. “O impacto da epidemia da covid-19 na economia afectou seriamente a sustentabilidade da segurança social, que é dominada pelo financiamento do Governo. A pandemia trouxe uma quebra geral das receitas, o que resultou numa pressão significante no financiamento dos serviços sociais”, foi argumentado. “Como consequência, a capacidade de resposta da segurança social sofreu uma redução significativa”, foi acrescentado.

Expectativas inversas

É na altura em que se sentem mais dificuldades no financiamento do sistema de segurança social, que os autores reconhecem que as exigências pelos serviços sociais vão ser superiores e que se corre o risco de entrar numa situação de maior desequilíbrio.

Neste sentido, é alertado que o futuro dos apoios sociais em Macau pode passar por grandes alterações de financiamento, com os cidadãos a terem de desenvolver um maior esforço.

“A manutenção de um nível elevado de protecção social exige um apoio financeiro crescente. Perante as flutuações económicas causadas por novos riscos sociais e a instabilidade das receitas fiscais, a responsabilidade financeira do Governo em matéria de assistência social enfrenta fragilidades e insustentabilidade”, é alertado. “As políticas sociais de Macau durante a covid-19 expuseram alguns problemas, o que exige o ajustamento das políticas sociais para alcançar um desenvolvimento sustentável”, foi vincado.

Como exemplo, os autores indicam que a pensão para os idosos pode actualmente chegar a um montante de 3.740, que resulta de contribuições mensais de 90 patacas. No entanto, os académicos indicam que se o Governo tiver como objectivo aumentar o montante da pensão para idosos para o nível do índice mínimo de subsistência, actualmente em 4370 patacas, que nesse caso a contribuição mensal deve ser aumentada para 763 patacas por mês para garantir um certo equilíbrio.

Os autores reconhecem que actualmente não há consenso sobre este assunto e que os aumentos não devem ser implementados durante uma fase de recuperação económica. Contudo, alertam que a longo prazo vai ser este o caminho.