Portugal | Sam Hou Fai encontra-se com líderes dos três poderes Hoje Macau - 17 Abr 2026 O líder do Governo de Macau tem encontros agendados com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai encontrar-se com “os líderes dos órgãos executivo, legislativo e judicial” durante uma passagem por Portugal, foi ontem anunciado. A participação de Tai Kin Ip estava prevista para a visita, mas o secretário é uma baixa de última hora, depois de ter sido exonerado do cargo. Sam parte amanhã para “a primeira visita ao estrangeiro” desde que tomou posse, em Dezembro de 2024, sublinhou o Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Governo de Macau. A deslocação começa em Lisboa, passa ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas, antes de regressar a Macau em 26 de Abril. Além do primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, a nota não clarifica se Sam Hou Fai se irá também reunir com o Presidente da República, António José Seguro. Segundo o Governo de Macau, os encontros em Lisboa têm “o objectivo de aprofundar, de forma contínua, a cooperação entre Macau e Portugal sob a base sólida existente”. Numa entrevista transmitida no domingo pelo canal em português da emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, Sam Hou Fai disse que poderão ser assinados “mais de 39 protocolos de cooperação com entidades ou empresas de Portugal”. Os acordos abrangem domínios como “o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, ‘Big Health’ [saúde integrada] e a tecnologia de ponta”, disse Sam. Comissão mista O governante disse ainda que a Comissão Mista Portugal/Macau irá reunir-se, pela primeira vez desde Maio de 2019, antes do início da pandemia de covid-19, mas Sam Hou Fai não revelou nem a data nem a agenda da reunião. Em Setembro, após um encontro com Sam Hou Fai na região chinesa, Luís Montenegro disse que entre os temas na agenda da comissão estarão as restrições impostas à residência de portugueses. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura aos recentes programas de captação de quadros qualificados. Em Setembro, Luís Montenegro disse que “as coisas estarão encaminhadas” quanto a uma solução para as restrições. O GCS indicou ontem que Sam Hou Fai irá levar uma delegação com “representantes de várias empresas-chave” de Macau e da China continental, incluindo da zona económica especial na vizinha Hengqin (ilha da Montanha). O comunicado referiu que o programa da visita a Portugal inclui uma sessão de promoção de cooperação económica e comercial.
Macau adere à Rede Lusófona de Protecção de Dados Pessoais Hoje Macau - 17 Abr 2026 A Direcção dos Serviços da Protecção de Dados Pessoais (DSPDP) anunciou ter aderido à Rede Lusófona de Protecção de Dados Pessoais (RLPD), tornando-se membro oficial da organização. A adesão foi oficializada a 8 de Abril, de acordo com o comunicado das autoridades locais. “A RLPD destina-se promover o intercâmbio de experiências e de informação relativas ao direito à protecção de dados pessoais, e tem como objectivo consolidar a cooperação entre as autoridades de protecção de dados, dando-lhes maior capacidade para defender os interesses dos cidadãos, sustentados na defesa dos Direitos Humanos, Liberdades e Garantias de Direito”, comunicou o Governo de Macau. No âmbito da nova ligação, a DSPDP promete “criar uma ponte de cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa nas áreas de protecção de dados pessoais, governança de dados e fluxos transfronteiriços de dados”. “Isto demostra plenamente a responsabilidade de Macau de servir a estratégia nacional e promover a aprendizagem mútua e a cooperação com benefícios mútuos entre as civilizações chinesa e estrangeira”, foi vincado. Segundo a DSPDP, a aceitação também “demonstra o alto reconhecimento internacional do sistema da protecção de dados pessoais de Macau”. A mesma fonte indicou que a RLPD foi criada em 2024 e é composta por autoridades de protecção de dados pessoais de países e territórios de língua portuguesa. Actualmente, além da DSPDP, os membros da RLPD incluem as autoridades de protecção de dados pessoais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Segurança nacional | Sam Hou Fai promete reprimir ligações a “forças hostis externas” Hoje Macau - 17 Abr 2026 O líder do Governo prometeu na quarta-feira reprimir severamente as ligações entre residentes que se oponham ao regime do Partido Comunista e “forças hostis externas”. “Com uma determinação inabalável, defendemo-nos e combatemos a interferência externa”, disse Sam Hou Fai, na cerimónia de inauguração de actividades ligadas à educação para a segurança nacional. “Reprimimos severamente, nos termos da lei, as ligações entre elementos anti-China, desestabilizadores de Macau e forças hostis externas”, acrescentou, no discurso, o Chefe do Executivo. O ex-deputado Au Kam San foi detido em 30 de Julho por alegadamente ter agido em “conluio, desde 2022, com uma organização anti-China” estrangeira, disse na altura a Polícia Judiciária (PJ) de Macau. Sam Hou Fai defendeu ainda que as alterações à lei de segurança nacional “reforçam ainda mais o mecanismo de liderança de topo e conferem à Comissão de Defesa da Segurança do Estado [CDSE] uma base jurídica mais sólida, bem como uma capacidade de execução reforçada”. A nova lei estipula que a escolha de um advogado para casos de segurança nacional está sujeita à aprovação de um juiz, que remete o requerimento à CDSE para que a mesma emita um parecer vinculativo e não passível de recurso. Ainda segundo a legislação, o pedido de aprovação do advogado pode ocorrer “em qualquer processo judicial, se a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”.
Governo | Tai Kin Ip deixa o cargo de secretário por “motivo pessoal” Hoje Macau - 17 Abr 2026 As razões da saída anunciada ontem de manhã não foram concretizadas nem é conhecido o nome do futuro secretário para a Economia e Finanças. O Executivo de Sam Hou Fai perde assim o segundo membro, em menos de dois anos O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, foi exonerado do Governo, depois de emitir uma declaração a justificar-se com um “motivo pessoal”. As razões não foram reveladas publicamente, mas este é o segundo secretário que o Executivo de Sam Hou Fai perde em menos de dois anos. A saída do Governo acontece a poucos dias do início da viagem oficial do Chefe do Executivo a Portugal e a Espanha, que vai ter na agenda vários assuntos relacionados com a cooperação económica e a diversificação da economia da RAEM. Os motivos não foram divulgados publicamente. “Eu, Tai Kin Ip, há algum tempo que, por motivo pessoal, solicitei formalmente ao Chefe do Executivo Sam Hou Fai a demissão do cargo de Secretário para a Economia e Finanças do Governo da Região Administrativa Especial de Macau”, pode ler-se no comunicado atribuído pelo Gabinete de Comunicação Social ao secretário. Hoje [ontem], o Conselho de Estado publicou, sob proposta do Chefe do Executivo, a minha exoneração do cargo”, acrescentou. Segundo a divulgação oficial, Tai Kin Ip agradeceu “de coração ao Governo Popular Central e ao Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a confiança e o apoio” durante o período em que exerceu funções. O exonerado agradeceu ainda “a todos os trabalhadores dos serviços públicos da área da economia e finanças pelo esforço e colaboração”. Na mensagem, Tai Kin Ip é ainda citado a dizer que vai continuar “como sempre” a “prestar atenção, colaborar e apoiar o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM”. Elogios superiores Na hora da despedida, Sam Hou Fai emitiu um comunicado a elogiar o secretário que ocupou o cargo durante dois anos e no qual sucedeu a Lei Wai Nong. “ O Chefe do Executivo referiu que, desde a tomada de posse deste Governo, Tai Kin Ip desempenhou com brio o cargo de secretário para a Economia e Finanças, implementando as linhas orientadoras da governação e os planos de trabalho do Governo da RAEM”, pode ler-se na mensagem. “Liderou a equipa da área da economia e finanças actuando em obediência à lei, com sentido de responsabilidade, determinação e eficácia, e promoveu novos progressos na área da economia e finanças”, considerou Sam. O líder do Governo agradeceu ainda a Tai Kin Ip e reconheceu “os esforços e contributos” a promoção o desenvolvimento da RAEM. Com esta movimentação, o Executivo de Sam Hou Fai perde o segundo secretário em menos de dois anos. No entanto, desta vez o procedimento da substituição foi diferente do que aconteceu em Setembro do ano passado. Na altura, quando foi revelada a exoneração de André Cheong, ex-secretário para a Administração e Justiça, que deixou o Governo para assumir a presidência da Assembleia Legislativa, foi rapidamente comunicado que Wong Sio Chak iria substituir o exonerado. Ao mesmo tempo, Chan Tsz King foi anunciado como secretário da Justiça, ocupando a vaga deixada em aberta pela nova pasta de Wong Sio Chak. Ontem, e apesar de o Governo ter anunciado que a vontade de Tai Kin Ip tinha sido comunicada “há algum tempo”, não houve informação sobre o seu substituto. Ao invés, Sam Hou Fai comunicou que “o Governo da RAEM está a acompanhar o trabalho de nomeação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças, e será oportunamente submetida ao Governo Popular Central, para efeitos de nomeação, a indigitação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças”. Foi ainda clarificado que até “à tomada de posse do novo secretário, todas as competências inerentes ao cargo serão exercidas pelo Chefe do Executivo”.
Moçambique | PR na China com financiamento na agenda Hoje Macau - 16 Abr 2026 O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, vai tentar mobilizar financiamento para “projectos estruturantes” em Moçambique junto da China, para onde partiu ontem, em visita de Estado de sete dias. “No plano económico, o chefe do Estado irá mobilizar recursos para o financiamento de projetos estruturantes de elevado impacto social e económico, bem como impulsionar o relançamento da economia nacional, com enfoque nos setores prioritários, nomeadamente infraestruturas, mineração, energia e agricultura”, refere uma nota da Presidência da República. O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, realiza uma visita de Estado à China de 16 a 22 de Abril, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping. A Presidência acrescenta que Moçambique “propõe-se reforçar a cooperação político-diplomática e económica com a China, bem como aprofundar a concertação em matérias de interesse comum da agenda internacional, com destaque para as questões do Sul Global, a reforma das Nações Unidas e as mudanças climáticas”. De acordo com a Presidência, acompanham o chefe de Estado deputados, membros do Governo e outros quadros do Estado moçambicano. O Governo chinês assumiu na terça-feira que esta visita vai aprofundar a parceria estratégica entre os dois países. “Acredita-se que esta visita promoverá o desenvolvimento aprofundado da parceria estratégica abrangente entre a China e Moçambique e contribuirá para a construção de uma comunidade China-África sólida e com um futuro partilhado para a nova era, além de reforçar a solidariedade e a cooperação no Sul Global”, disse, em conferência de imprensa, em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun. “Actualmente, a confiança política mútua entre os dois países está a aprofundar-se, com resultados profícuos na cooperação em diversas áreas e na estreita cooperação em questões internacionais e regionais”, sublinhou Guo Jiakun.
Coreia do Norte | Pyongyang classifica documento japonês como “grave provocação” Hoje Macau - 16 Abr 2026 A Coreia do Norte acusou ontem o Japão de “grave provocação”, depois de Tóquio manifestar oposição ao programa nuclear do país no ‘Livro azul’, um documento diplomático publicado na semana passada. Os dois países não mantêm relações oficiais, e Pyongyang critica regularmente Tóquio pela colonização da península da Coreia (1910-1945). Neste ‘Livro Azul’, que tem como objectivo apresentar as posições diplomáticas de Tóquio, o Japão reiterou a oposição à posse de armas nucleares pela Coreia do Norte, além de expressar mal-estar face ao envio por Pyongyang de tropas e munições para apoiar o esforço de guerra da Rússia contra a Ucrânia. Pyongyang insistiu que não vai abandonar o arsenal nuclear, qualificando a trajectória de irreversível. Esta posição constitui “uma grave provocação que viola os direitos soberanos, os interesses de segurança e os direitos ao desenvolvimento do nosso Estado sagrado”, relatou um responsável não identificado do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, num comunicado. As “medidas destinadas a reforçar as capacidades de defesa” da Coreia do Norte “inscrevem-se no direito à autodefesa”, indica-se no comunicado divulgado pela agência de notícias oficial norte-coreana KCNA. A mesma fonte descreveu o ‘Livro Azul’ como sendo “tecido de uma lógica de gangsters” e “de absurdos”. Neste documento, escreveu a agência de notícias France-Presse, o Japão despromoveu a China, anteriormente descrita como “um dos parceiros mais importantes do Japão”, a “vizinho importante”, pela primeira vez em dez anos. Isto marca oficialmente um agravamento das relações entre os dois países, depois de a primeira-ministra nacionalista japonesa, Sanae Takaichi, ter dado a entender que o Japão poderia intervir militarmente em caso de um ataque contra Taiwan, que Pequim considera território chinês.
Combustíveis | Vários voos entre China e Sudeste Asiático cancelados Hoje Macau - 16 Abr 2026 Vários voos entre a China e o Sudeste Asiático e a Oceânia foram cancelados nos últimos dias, devido à subida dos custos de combustível causada pela guerra no Irão, informou ontem o jornal The Paper. Desde o início do mês, algumas rotas que ligavam cidades chinesas a destinos na Tailândia, Laos, Malásia ou Camboja suspenderam temporariamente todos os voos, enquanto noutras, com destino à Austrália ou à Nova Zelândia, a taxa de cancelamento atinge 83,3 por cento. Segundo o jornal South China Morning Post, outras companhias aéreas, como a paquistanesa PIA, também reduziram voos com a China e outros destinos, enquanto empresas das Filipinas, Vietname ou Nova Zelândia cortaram rotas, e a Cathay Pacific, de Hong Kong, já anunciou que vai cancelar 2 por cento dos seus voos em Maio e junho. Lin Zhijie, especialista citado pelo The Paper, explicou que o combustível de aviação – cerca de um terço dos custos de uma companhia aérea – praticamente duplicou de preço desde o início da guerra no Irão, enquanto os bilhetes não acompanharam essa subida, colocando algumas empresas numa situação em que, quanto mais voos operam, maiores são as perdas. Além disso, alguns dos países mencionados enfrentam problemas de abastecimento de combustível devido ao bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz – destino de entre 84 por cento e 90 por cento do petróleo que transita por esta rota marítima crucial – o que agrava os custos e cria incerteza quanto à capacidade de reabastecimento. Mitigar impacto As companhias melhor posicionadas neste contexto são as transportadoras ‘low cost’ chinesas, como a Spring Airlines, que conseguem transportar até mais 25 por cento de passageiros do que outras companhias com os mesmos aviões, mitigando assim o impacto dos custos acrescidos com combustível, acrescentou Lin. Segundo dados da plataforma Flight Manager, a China deverá registar no próximo feriado de Maio um aumento das viagens, tanto em volume como em preços: as tarifas médias dos voos domésticos subiram 9,6 por cento em termos homólogos e mais de 20 por cento face ao mesmo período de 2019. A China tem resistido melhor ao impacto da guerra do que outros países da região, graças à sua capacidade interna de refinação, tendo também restringido as exportações de combustível, o que deixou alguns países vizinhos sem uma alternativa de fornecimento. Após uma das maiores subidas recentes dos combustíveis, os reguladores chineses anunciaram que vão limitar esse aumento a cerca de metade do habitual, para proteger os consumidores.
As incompreensões entre “Pérsia” e “Irão” Jorge Rodrigues Simão - 16 Abr 2026 “Misunderstanding is never born from distance, but from the refusal to see the other as history rather than myth.” Adrian Levingston A relação entre o Ocidente e o Irão constitui um dos casos mais persistentes de desencontro cultural na história moderna. Ao longo de séculos, a antiga Pérsia foi simultaneamente admirada e mal compreendida, convertida em símbolo exótico, cenário imaginado ou ameaça difusa, raramente reconhecida como sujeito histórico pleno. A persistência de estereótipos, a leitura superficial da sua cultura e a incapacidade de compreender a continuidade civilizacional iraniana contribuíram para a construção de um “grande outro” que, mais do que descrever o Irão, revela as limitações do olhar ocidental. A história destas incompreensões não é apenas um inventário de equívocos; é também um espelho das fragilidades conceptuais do próprio Ocidente, que frequentemente projectou sobre o Irão fantasias, receios e simplificações que pouco dizem sobre a realidade iraniana. A designação “Pérsia” desempenhou, durante séculos, um papel central nesta construção. Para o imaginário europeu, a Pérsia evocava uma civilização antiga, marcada por esplendor artístico, refinamento cortesão e uma aura de mistério. Esta imagem, embora parcialmente fundada em elementos reais, cristalizou-se como representação estática, desligada das transformações históricas e políticas que moldaram o território. Quando, em 1935, o Estado iraniano solicitou oficialmente que a comunidade internacional adoptasse o nome “Irão”, muitos observadores ocidentais interpretaram a mudança como ruptura, quando na verdade se tratava de afirmação identitária interna, coerente com a longa tradição cultural do país. A dificuldade em aceitar esta continuidade revela a tendência ocidental para fixar a Pérsia num passado idealizado, recusando reconhecer o Irão como actor moderno. A persistência de preconceitos orientalistas reforçou esta visão distorcida. A partir do século XIX, o discurso académico e político europeu passou a enquadrar o Médio Oriente como espaço de atraso, irracionalidade e despotismo. O Irão, apesar da sua história singular, foi frequentemente incluído neste conjunto homogéneo, como se partilhasse características imutáveis atribuídas a toda a região. Esta abordagem reducionista ignorou a complexidade das instituições iranianas, a diversidade étnica e linguística, a vitalidade intelectual e a capacidade de adaptação política demonstrada ao longo dos séculos. A imagem de um país imóvel, impermeável à mudança, serviu mais para confirmar preconceitos ocidentais do que para descrever a realidade. A literatura de viagens desempenhou um papel decisivo na consolidação destes estereótipos. Muitos relatos europeus, escritos entre os séculos XVII e XX, privilegiaram descrições pitorescas, enfatizando elementos considerados exóticos ou chocantes. A selecção de episódios, frequentemente anedótica, contribuiu para a construção de uma narrativa que apresentava a sociedade iraniana como curiosidade antropológica, não como comunidade histórica complexa. A ausência de contextualização e a tendência para generalizar a partir de experiências individuais reforçaram a ideia de que a Pérsia era um espaço distante, quase irreal, cuja função principal era alimentar a imaginação europeia. A modernidade não dissipou estas distorções. Pelo contrário, os acontecimentos políticos do século XX intensificaram a tendência para interpretar o Irão através de categorias simplificadoras. A Revolução de 1979, por exemplo, foi frequentemente apresentada como retorno ao passado, ignorando que resultou de dinâmicas sociais, económicas e ideológicas profundamente modernas. A incapacidade de reconhecer a pluralidade de actores envolvidos e a complexidade das suas motivações contribuiu para reforçar a imagem de um país guiado por impulsos irracionais. Esta leitura, amplificada pelos meios de comunicação, consolidou a percepção de que o Irão era essencialmente incompreensível, reforçando a distância simbólica entre “nós” e “eles”. A questão de Soraya Esfandiary-Bakhtiary constitui um exemplo paradigmático desta incompreensão. A sua figura, amplamente divulgada na imprensa europeia dos anos de 1950, tornou-se símbolo de uma Pérsia romântica, elegante e trágica. A narrativa construída em torno da sua vida privilegiou elementos melodramáticos, transformando-a em personagem de um conto oriental adaptado ao gosto ocidental. A dissolução do seu casamento com o Xá Mohammad Reza Pahlavi foi interpretada como drama sentimental, ignorando as implicações políticas e dinásticas que moldaram a decisão. A forma como Soraya foi representada revela a tendência ocidental para reduzir o Irão a histórias individuais que confirmam expectativas pré-existentes, em vez de procurar compreender o contexto mais amplo. A recepção de obras literárias associadas ao Irão reforça esta tendência. Em muitos contextos académicos ocidentais, estudantes e leitores identificam a literatura iraniana com obras que, embora relevantes, não pertencem à tradição persa. A associação frequente de Reading Lolita in Tehran ou The Kite Runner à literatura árabe ou iraniana demonstra a confusão conceptual que persiste no Ocidente. Esta incapacidade de distinguir tradições culturais distintas revela não apenas desconhecimento, mas também a tendência para agrupar sociedades diversas sob categorias vagas como “Médio Oriente” ou “mundo islâmico”. A ausência de rigor histórico e cultural impede o reconhecimento da especificidade iraniana e perpetua uma visão homogénea da região. A construção do Irão como “grande outro” não resulta apenas de ignorância; é também consequência de dinâmicas políticas. A relação entre o Irão e as potências ocidentais foi marcada por rivalidades estratégicas, intervenções externas e disputas geopolíticas que influenciaram a forma como o país foi representado. A narrativa ocidental, ao enfatizar aspectos negativos ou ameaçadores, serviu frequentemente para justificar políticas de contenção ou pressão diplomática. A imagem de um Irão irracional ou agressivo facilitou a legitimação de intervenções e sanções, contribuindo para reforçar a distância simbólica entre as duas partes. A representação do país como ameaça permanente tornou-se instrumento político, obscurecendo a realidade interna e impedindo uma compreensão equilibrada. A ausência de cultura histórica no Ocidente, frequentemente denunciada por académicos, agrava este problema. A tendência para interpretar acontecimentos contemporâneos sem considerar a longa duração histórica conduz a análises superficiais. O Irão, com uma tradição estatal milenar, não pode ser compreendido sem referência à sua continuidade civilizacional, às dinâmicas internas de poder, às relações entre centro e periferia, e à importância simbólica da identidade persa. Ignorar estes elementos conduz a interpretações erradas e reforça a ideia de que o país é enigmático ou imprevisível. Na verdade, muitas das suas decisões políticas tornam-se inteligíveis quando analisadas à luz da sua história. A incompreensão ocidental manifesta-se também na forma como o Irão é representado nos meios de comunicação. A cobertura mediática privilegia frequentemente episódios de tensão, ignorando aspectos culturais, sociais e científicos que revelam a vitalidade da sociedade iraniana. A ausência de diversidade narrativa contribui para a construção de uma imagem monolítica, que não reflecte a pluralidade de vozes existentes no país. Esta representação parcial reforça a percepção de que o Irão é essencialmente um problema geopolítico, não uma sociedade complexa com trajectórias próprias. A superação destas incompreensões exige um esforço consciente de revisão conceptual. É necessário abandonar categorias simplificadoras e reconhecer a especificidade histórica e cultural do Irão. A compreensão do país implica atenção às suas dinâmicas internas, à diversidade das suas tradições e à continuidade da sua identidade civilizacional. Exige também a capacidade de distinguir entre representações mediáticas e realidade social, evitando generalizações precipitadas. O estudo da história iraniana, literatura, filosofia e instituições políticas permite construir uma visão mais equilibrada, capaz de ultrapassar estereótipos. A relação entre “Pérsia” e “Irão” não deve ser entendida como oposição, mas como continuidade. A Pérsia não é apenas passado; é componente viva da identidade iraniana. O Irão não é ruptura; é expressão moderna de uma civilização antiga. A dificuldade ocidental em reconhecer esta continuidade revela mais sobre o Ocidente do que sobre o Irão. A construção do “grande outro” persa-iraniano é, em grande medida, produto das limitações conceptuais e históricas do olhar ocidental. Superar estas limitações implica não apenas estudar o Irão, mas também questionar os pressupostos que moldam a forma como o Ocidente observa o mundo. A história das incompreensões entre Pérsia e Irão, tal como vista do Ocidente, é portanto história de projecções, equívocos e simplificações. Mas é também oportunidade para repensar a relação entre culturas e para reconhecer que a compreensão mútua exige esforço, rigor e humildade intelectual. O Irão, com a sua profundidade histórica e riqueza cultural, desafia o Ocidente a abandonar visões estereotipadas e a construir um diálogo baseado no conhecimento, não na fantasia. A superação do “grande outro” começa quando o Irão deixa de ser cartolina exótica e passa a ser reconhecido como civilização viva, complexa e plenamente histórica.
Díli | Ramos-Horta considera ataques contra o Papa inaceitáveis Hoje Macau - 16 Abr 2026 O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou que os ataques gratuitos contra o Papa Leão XIV são inaceitáveis, reagindo às provocações feitas pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, contra a igreja católica. “Estamos ao lado do Papa Leão XIV, o líder global mais respeitado. “Ataques gratuitos contra o Papa Leão XIV e a deturpação da sua posição são inaceitáveis. O Papa nunca afirmou que a posse de armas nucleares é aceitável. O Irão não possui armas nucleares. Israel possui”, escreveu, terça-feira, o também prémio Nobel da Paz na sua página no Facebook. O Presidente dos Estados Unidos afirmou que o Papa é “terrível em política externa”, aludindo às críticas de Leão XIV sobre o Irão e a Venezuela, e instou-o a “deixar de agradar à esquerda radical”. Em causa, estava o discurso proferido pelo Sumo Pontífice na Basílica de São Pedro, em Roma, no sábado, em que Leão XIV denunciou os belicistas e as “demonstrações de força”, numa das suas críticas mais veementes até à data aos conflitos armados que assolam o mundo. “Não quero um Papa que ache que está bem o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela (…). E não quero um papa que critique o Presidente dos Estados Unidos quando estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito”, declarou Donald Trump. Leão XIV respondeu que não teme a administração norte-americana e reiterou o seu compromisso de “erguer a voz para construir a paz”. Em Timor-Leste, 98 por cento dos cerca de 1,3 milhões de habitantes são católicos.
Coreia do Norte | Agência de energia atómica alerta para actividades nucleares Hoje Macau - 16 Abr 2026 O director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, alertou ontem para o aumento significativo da actividade com energia nuclear na Coreia do Norte, tal como anunciara Pyongyang. “Confirmámos que as actividades nucleares estão em curso e em expansão significativa, não só no reactor de classe de 5 MegaWatts (MW), nas instalações de reprocessamento de combustível nuclear usado e no reactor de água em Yongbyon, mas também noutras instalações por perto”, disse Grossi, em conferência de imprensa em Seul, citado pelo jornal sul-coreano Chosun Ilbo. O responsável da AIEA declarou que as equipas de inspecção avaliaram minuciosamente as capacidades nucleares da Coreia do Norte, mesmo após a retirada daquele país, em 2009. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, determinou, em Fevereiro, que o país vai fortalecer e expandir ainda mais as suas forças nucleares, exercendo plenamente seu estatuto de estado detentor de armas nucleares, no congresso que define a estratégia nacional quinquenal. Jong-un também declarou que qualquer evolução positiva nas relações bilaterais com os Estados Unidos da América depende de os responsáveis de Washington abandonarem as suas exigências de desnuclearização de Pyongyang. As declarações de Rossi ocorrem três dias depois de a Coreia do Norte ter realizado um teste de mísseis de cruzeiro descritos como “estratégicos”, uma indicação de sua potencial capacidade de transportar ogivas nucleares.
Seul / Imprensa | AIEA apela a acordo sobre enriquecimento de urânio Hoje Macau - 16 Abr 2026 A urgência de se alcançar um acordo entre os EUA e o Irão foi sublinhada pelo director da Agência Internacional de Energia Atómica na imprensa sul-coreana O director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, frisou ontem a necessidade de ser atingido um qualquer acordo entre Estados Unidos da América (EUA) e Irão sobre o processo de enriquecimento de urânio. Para o responsável daquela instituição, uma possível suspensão do programa nuclear da República Islâmica iraniana é uma “decisão política”, em declarações reproduzidas pelo jornal sul-coreano Chosun Ilbo. “Sem verificação, todos os acordos não passam de papelada”, disse Grossi, adiantando que, se Washington e Teerão chegarem a um entendimento, a AIEA “vai solicitar cooperação na verificação e nas salvaguardas”. Questionado sobre uma possível paragem no processo de enriquecimento de urânio, o líder da AIEA limitou-se a afirmar que tal seria “uma decisão política”, sem exprimir a posição da entidade que dirige. Guerra e paz A questão do urânio enriquecido foi a justificação para a primeira guerra de 12 dias, em Junho, e para a ofensiva conjunta de Israel e EUA, em 28 de Fevereiro, já que Washington exige “enriquecimento zero”, enquanto Teerão defende o seu direito de mantê-lo para uso civil. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou recentemente que os EUA estão prontos para ajudar economicamente o Irão se aquele país do Médio Oriente se comprometer a não desenvolver armas nucleares, após a suspensão das negociações falhadas no fim de semana, no Paquistão. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, defendeu na quarta-feira, em Pequim, o “direito inalienável” do Irão ao processo de enriquecer urânio para fins pacíficos, tendo já Moscovo avançado com a ideia de receber o urânio enriquecido iraniano, em caso de haver um acordo de paz. Entretanto, os responsáveis de Islamabade anunciaram haver a possibilidade de nova ronda de negociações entre representantes de EUA e do Irão brevemente.
Avião chinês não tripulado HH-200 completa voo inaugural Hoje Macau - 16 Abr 2026 O avião não tripulado comercial HH-200, desenvolvido pela estatal chinesa Aviation Industry Corporation of China (AVIC), realizou ontem o voo inaugural, assinalando um marco no desenvolvimento de equipamentos de transporte autónomos de grande escala. A aeronave voou de forma estável durante a manhã, com todos os sistemas a funcionar correctamente e a cumprir sem problemas os objectivos de voo previstos, informou a agência noticiosa oficial Xinhua. Construído de acordo com padrões da aviação civil, o HH-200 está equipado com capacidades de voo autónomo totalmente inteligente e sistemas de prevenção de obstáculos baseados em inteligência artificial. O aparelho, que completou o primeiro voo na base do Centro de Ensaios de Voo de Aeronaves Civis da AVIC, na cidade de Weinan, província de Shaanxi (norte da China), incorpora um design estrutural inovador e um uso extensivo de materiais compósitos, permitindo reduzir o peso em 20 por cento e diminuir os custos operacionais. Longa vida A aeronave dispõe de uma capacidade de carga padrão de 12 metros cúbicos, expansível até 18, e uma carga útil máxima de 1,5 toneladas. O HH-200 atinge uma velocidade de cruzeiro até 310 quilómetros por hora, tem uma autonomia máxima de 2.360 quilómetros e uma vida útil estimada em 50.000 horas de voo ou 15.000 descolagens e aterragens. Em termos operacionais, a Xinhua destacou a “elevada capacidade de adaptação ambiental”, incluindo descolagem e aterragem em pistas curtas de 500 metros e a altitudes superiores a 4.200 metros, bem como resistência a temperaturas extremas entre -40°C e 50°C, o que permite ultrapassar desafios logísticos em zonas montanhosas, insulares, nevadas e de grande altitude. Está previsto que o HH-200 opere sobretudo em rotas de carga fronteiriças, costeiras e transfronteiriças, na logística de pequenas encomendas ponto a ponto no interior, no transporte entre ilhas no Sudeste Asiático e em redes de carga aérea dos países envolvidos na iniciativa chinesa Faixa e Rota. No futuro, o aparelho poderá ser rapidamente adaptado a múltiplas missões, incluindo operações de resgate de emergência, combate a incêndios florestais, modificação meteorológica, deteção remota aérea e protecção de culturas agrícolas e florestais.
Diplomacia | Relações entre China e Rússia são “preciosas” Hoje Macau - 16 Abr 202616 Abr 2026 Xi Jinping reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, que esteve de visita ao país. Seguem-se Trump, em Maio, e Putin ainda na primeira metade do ano O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que a estabilidade e a previsibilidade das relações entre a China e a Rússia são particularmente “preciosas” num contexto internacional marcado por “mudanças e turbulência”. Durante um encontro em Pequim com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, Xi considerou que a “forte vitalidade” e o “significado exemplar” do tratado de amizade entre os dois países se destacam ainda mais neste cenário. O líder chinês defendeu que os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países devem implementar plenamente o consenso alcançado com o Presidente russo, Vladimir Putin, apelando ao reforço da comunicação estratégica e à coordenação diplomática. Xi instou ainda as duas partes a promover a parceria estratégica abrangente entre Pequim e Moscovo para que “atinja novos patamares, avance de forma mais estável e vá mais longe”. O Presidente chinês não especificou, contudo, a que se referia ao mencionar “mudanças e turbulência” no cenário internacional, numa altura em que persiste a incerteza sobre a duração da guerra no Irão. Putin a caminho O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, de visita à China durante dois dias, anunciou ainda que o Presidente russo, Vladimir Putin, vai visitar a China na primeira metade deste ano. Lavrov fez o anúncio numa conferência de imprensa no final da visita oficial ao país asiático, durante a qual se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o seu homólogo, Wang Yi. A deslocação do chefe da diplomacia russa voltou a evidenciar a sintonia entre Moscovo e Pequim. Na terça-feira, Wang afirmou que ambas as partes “coordenam plenamente as suas posições” e “apoiam-se mutuamente” no plano internacional, enquanto Lavrov denunciou tentativas de “conter” a Rússia e a China através de estruturas de “blocos” na Ásia. O ministro russo declarou ainda perante Xi que a relação bilateral desempenha “um papel estabilizador” nos assuntos mundiais, acrescentando depois que os vínculos entre os dois países são cada vez mais importantes para o que descreveu como “a maioria da população mundial”. Lavrov sustentou também ontem que a Rússia pode compensar a escassez de recursos energéticos registada na China e noutros países na sequência da crise no Médio Oriente. O responsável russo acrescentou que os laços entre a Rússia e a China são “inquebráveis perante qualquer tempestade”. E Trump em Maio O anúncio surge numa altura em que é esperada, para Maio, a visita a Pequim do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para os dias 14 e 15, o que abre a possibilidade de as deslocações de Putin e Trump à China ocorrerem com reduzido intervalo temporal. Está também previsto que Putin, que já visitou o país asiático mais de duas dezenas de vezes enquanto Presidente russo, regresse à China em Novembro para participar, pela primeira vez desde 2017, na cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC), que terá lugar este ano na cidade de Shenzhen, no sudeste da China. A China e a Rússia têm vindo a estreitar relações nos últimos anos. Pouco antes da invasão russa da Ucrânia em larga escala, Xi e Putin proclamaram, em Pequim, uma “amizade sem limites” entre os dois países.
China classifica Espanha como “parceiro fiável” após visita de Sánchez Hoje Macau - 16 Abr 2026 A China destacou ontem a “confiança mútua” com Espanha e classificou o país como “parceiro fiável”, após a visita oficial do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante a qual foi acordado reforçar o diálogo estratégico e ampliar a cooperação. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que a visita, a quarta de Sánchez em quatro anos, foi um “completo sucesso” e permitiu trocas “profundas e amistosas” entre os líderes dos dois países, com “novos consensos importantes”. Segundo o responsável, ambas as partes acordaram estabelecer um mecanismo de diálogo estratégico a nível diplomático e reforçar a comunicação para “consolidar” e “melhorar” a estabilidade da relação bilateral. Guo sublinhou ainda a convergência entre Pequim e Madrid em questões internacionais, referindo que ambos defendem a salvaguarda do multilateralismo e do direito internacional, num contexto de conflitos e tensões globais. Nesse sentido, destacou a vontade comum de reforçar a coordenação perante os desafios actuais e de desempenhar um papel construtivo na comunidade internacional. O porta-voz acrescentou que uma maior cooperação entre a China e a Europa não só beneficia ambas as partes, como contribui para a estabilidade global, manifestando disponibilidade para que Espanha desempenhe um papel activo na relação entre Pequim e a União Europeia. No plano económico, Guo indicou que foi acordado aprofundar a cooperação em áreas como comércio, educação, agricultura, ciência e tecnologia, bem como avançar em setores como energia, economia digital e inovação. A China está também disposta a importar mais produtos espanhóis e a incentivar o investimento das suas empresas em Espanha, de forma a expandir o comércio e a cooperação industrial, acrescentou. Sintonia geral A visita, a quarta de Sánchez à China em quatro anos e a primeira com carácter oficial, teve um forte enfoque económico, visando facilitar o acesso de produtos espanhóis ao mercado chinês e reduzir um défice comercial que o líder espanhol classificou como “insustentável”. Fontes do Governo espanhol afirmaram que estas visitas contribuem para abrir portas à exportação de produtos, sublinhando que os resultados têm surgido gradualmente na sequência das deslocações anteriores de Sánchez. Nesta visita, a assinatura de vários acordos deverá facilitar a entrada na China de produtos agroalimentares como pistácios, figos, proteína animal suína e determinados fertilizantes. Se, segundo o executivo espanhol, as visitas anteriores ajudaram a canalizar investimento chinês para Espanha, nesta deslocação Sánchez voltou a apresentar o país como destino atractivo para empresas chinesas. O líder espanhol apelou ainda aos responsáveis empresariais dos dois países para reforçarem parcerias, numa reunião que contou com a presença de representantes de 36 empresas chinesas, cujo volume de negócios combinado rondou um bilião de dólares em 2025. A deslocação evidenciou igualmente a sintonia entre os dois países em questões internacionais e permitiu elevar o nível do diálogo bilateral, num momento em que Espanha procura reforçar o papel da União Europeia na relação com a China.
“Macau Antigo” | Revelados registos fotográficos do Convento e Igreja de S. Francisco Andreia Sofia Silva - 16 Abr 2026 Há 18 anos que o blogue “Macau Antigo” continua a desvendar pedaços da história de Macau pela mão do seu autor e criador, o jornalista João Botas. Com mais de quatro milhões de visualizações, o blogue traz agora uma novidade aos leitores: novos registos fotográficos do Convento e Igreja de S. Francisco, demolidos em 1860, sendo que uma das imagens poderá ser de Marciano Baptista Numa altura em que os blogues foram, há muito, ultrapassados pelas redes sociais e outro tipo de publicações ou criações de conteúdo, o “Macau Antigo”, alojado na plataforma “Blogspot”, permanece activo há 18 anos e está para durar, trazendo agora novidades aos leitores. Criado pelo jornalista e autor João Botas, o projecto prepara-se para mostrar na blogosfera novas imagens do antigo Convento e Igreja de S. Francisco, demolidos em meados de 1861. Segundo contou João Botas ao HM, até à data apenas se conhecia um registo fotográfico desse empreendimento religioso, da autoria de Jules Itier, datado de 1844, isto numa altura em que fotografar era algo bastante raro, com muitas das vezes a pintura a servir como registo para a posteridade de locais, pessoas e momentos. “Desde 2008 que, todos os dias, publico uma nova história e faço trabalho de pesquisa. Foi numa dessas pesquisas que ‘descobri’ uma referência ao antigo Convento e Igreja de S. Francisco que me despertou a atenção por se tratar de uma imagem”, começou por dizer. João Botas explicou que “existem vários registos iconográficos dos locais, mas a maioria são desenhos ou pinturas”, sendo que o conhecido pintor George Chinnery fez, por exemplo, quadros do convento e da igreja entre os anos de 1825 e 1852. “Tanto quanto sei, até agora só se conhecia um registo fotográfico do local, feito em 1844 por Jules Itier, ainda como daguerreótipo.” No lugar onde existiram este convento e igreja está hoje alojado o Quartel de S. Francisco. Origem da descoberta Uma das imagens encontradas por João Botas é de 1859 ou 1860, sendo da autoria de Marshall Milton Miller. “Foi publicada em 1863 pela empresa norte-americana E. & H. T. Anthony no suporte stereoviews (estereoscópio) feitos por Milton Miller na China, Macau e Japão. Na colecção ‘Anthony’s Stereoscopy Views’ há uma imagem com a legenda ‘View in Macao – showing fort on the Hill’ no stereoview n.º 25, e outra onde pode ver-se parte da Baía da Praia Grande, com o Convento e Forte de S. Francisco à direita e no topo a ermida e Fortaleza da Guia”, explicou. Na descoberta de João Botas consta ainda uma imagem publicada em 1868 editada pela publicação “The China Magazine”, que surge com a legenda “The Public Gardens Macao, and Convent of San Francisco”. A publicação era dirigida por C. Langdon Davies. “A impressão é de péssima qualidade e terá sido essa a razão pela qual a referida imagem ter passado despercebida até hoje”, adiantou o autor do blogue, que recorreu à inteligência artificial para restaurar e recuperar as imagens. No caso desta fotografia publicada na “The China Magazine”, “estamos perante o terceiro registo fotográfico do Convento de S. Francisco”, não existindo referência ao autor da fotografia. Porém, João Botas destaca “um dado que permite especular [quanto à autoria da mesma] com algum grau de certeza”. E esse nome é Marciano Baptista, pintor macaense. “Ainda que o escocês John Thomson tenha colaborado com [C. Langdon] Davies, a verdade é que só chegou a Hong Kong depois da demolição do convento [e igreja]. Assim, a hipótese mais provável é tratar-se do macaense Marciano Baptista (1826-1896) que já tinha estabelecido residência na então colónia britânica.” João Botas assume que a autoria da imagem será do macaense dado que na edição de “The Chronicle & Directory for China, Japan, Philippines etc”, de 1869, surge “o nome ‘M. Baptista referido como ‘the photographic printer for the China Magazine'”. O facto de surgirem registos fotográficos do antigo convento e igreja é algo importante, dado “a fotografia ser ainda incipiente naqueles tempos”. “Macau, Hong Kong e outros locais do Sul da China seriam amplamente fotografados por estrangeiros itinerantes como John Thomson, William Pryor Floyd, Milton Miller, mas só a partir do final da década de 1860”, disse ainda. Complexo imponente Segundo João Botas, o complexo do convento e da igreja, onde hoje existe o Quartel de S. Francisco, foi construído por “missionários espanhóis, liderados por frei Pedro de Alfaro, espanhol que foi das Filipinas para Macau em 1579”, tendo começado a funcionar a 2 de Fevereiro de 1580. “O complexo religioso era um dos mais imponentes da cidade, e ainda não existia a Igreja Mater Dei e o Colégio de São Paulo, situado na extremidade leste da península, junto à Praia Grande, onde também existia, contíguo, o Forte de S. Francisco”, recorda. João Botas diz-se “muito satisfeito” por ter conseguido ultrapassar a marca das quatro milhões de visualizações do seu projecto pessoal. “São números avassaladores. Ainda há apenas oito meses tinha atingido os três milhões, pelo que [o blogue conseguiu] mais de 125 mil visualizações a cada mês que passou”. “Num projecto com quase 20 anos de existência julgo ser uma prova do fulgor e importância do que vai sendo publicado todos os dias, e já são mais de 6.300 publicações, consolidando-se cada vez mais como o maior acervo documental online sobre a história de Macau, disponível 24 por dia em várias línguas e em todo o mundo”, rematou.
Eventos da Semana da Leitura a partir de segunda-feira Hoje Macau - 16 Abr 2026 Decorrem a partir da próxima segunda-feira, dia 20, diversas actividades organizadas pelo Instituto Cultural (IC) para a promoção da leitura, no âmbito da “Semana Nacional da Leitura” e também da celebração do “Dia Mundial do Livro”, a 23 de Abril. Desta forma, a iniciativa “Macau Lê – Semana Nacional da Leitura 2026”, decorre entre segunda-feira e domingo (dias 20 a 26 de Abril) e visa a promoção do hábito da leitura junto dos residentes, bem como “a consolidação de Macau como uma ‘Cidade da Leitura'”. Apresenta-se, segundo uma nota do IC, um “programa rico e diversificado”, nomeadamente o novo projecto “10 Minutos de Leitura”, que não só traz “um programa de recompensas” como inclui a iniciativa “Cantinho de Leitura de 10 Minutos. Segundo o IC, o público pode esperar “diversas iniciativas de extensão entre Abril e Maio, incluindo workshops, sessões de leitura, leitura em família, exposições temáticas de livros, e cerimónias de entrega de prémios, adequadas a diferentes faixas etárias, criando um forte ambiente de envolvimento do público com a leitura”. Festa partilhada No dia 23, acontece na Praça do Centro Cultural de Macau (CCM) uma cerimónia sobre o Dia Mundial do Livro, fazendo-se a ligação às cidades de Shenzhen, Guangzhou, Dongguan, Hong Kong, Nanning e Haikou. O evento que acontece em simultâneo nestas cidades intitula-se “Actividade ‘Juntos para Meia Hora de Leitura’ de Guangdong, Hong Kong, Macau, Guangxi e Hainan”. Com esta iniciativa pretende-se criar uma “rede inter-regional que evidencia o encanto da integração cultural regional”. Na tarde do dia 23 decorre ainda, com a Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau, o clube de leitura intitulado “Leitura em Conjunto: Da Grande Baía ao Mundo”, no CCM. Até ao final deste mês, podem ser feitas as inscrições no programa “Pontos de Leitura”, no qual se incentiva a participação de instituições e entidades de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin na organização de “actividades de leitura voluntárias”. A ideia, com este projecto, é estabelecer “uma rede de leitura por toda a cidade”. Depois, no sábado e domingo (dias 25 e 26), a praça do CCM acolhe novamente actividades que visam promover a leitura, como a “Troca de Livros” ou “Venda de Revistas”, sem esquecer stands de jogos, actividades de leitura conjunta em família e demais zonas interactivas relacionadas com o mundo do livro.
IAM | Aberto concurso público para pavilhão infantil na Venceslau de Morais Andreia Sofia Silva - 16 Abr 202616 Abr 2026 Está aberto o concurso público para a elaboração do projecto de obra do Pavilhão Infantil de Exploração na Avenida de Venceslau de Morais, disponível no primeiro e segundo andar do Edifício Mong Son, na Avenida de Venceslau de Morais. Segundo o despacho publicado esta quarta-feira em Boletim Oficial (BO), o prazo de validade das propostas é de 90 dias, devendo ser entregue uma caução provisória de 60 mil patacas, com a caução definitiva a valer quatro por cento do preço global da adjudicação. As propostas devem ser submetidas junto do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) até ao dia 27 de Maio, pelas 17h, sendo que o acto público decorre no dia seguinte. Segundo é descrito no despacho, há duas partes a ter em conta na elaboração do projecto de obra, nomeadamente a “prestação de serviços de concepção e de assistência técnica, sendo o prazo total de concepção de 110 dias úteis”. O Governo vai ter em conta, para a adjudicação, critérios como a “remuneração total dos serviços”, o “preço global da obra” e a “proporção de trabalhadores residentes das empresas dos concorrentes”, sem esquecer a “experiência na concepção de projecto com itens similares”.
Preços | Prevista estabilidade em produtos vindos da China Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 16 Abr 202616 Abr 2026 Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, prevê a estabilidade de preços dos produtos a curto prazo tendo em conta que a maioria é importada da China. Porém, nos produtos oriundos do estrangeiro poderá haver aumentos dentro de meses O dirigente da Associação da União de Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, declarou ao jornal Ou Mun que não deverá haver um grande aumento de preços nos próximos meses nos produtos importados da China, tendo em conta que a taxa de câmbio continua a ser forte. Ip Sio Man explicou que o preço médio do câmbio atingiu o ponto mais alto do mercado em três anos, com 6,85 renminbis para um dólar americano. Tendo em conta que Macau importa mais produtos do interior da China, a associação defende que é limitado o impacto da taxa de câmbio. Na lista de exportadores de Macau surge, em segundo lugar, a região do Sudeste Asiático, enquanto mercadorias de média e alta qualidade são oriundas da Europa e EUA. Ip Sio Man afirmou que os preços dos produtos fabricados na China têm-se mantido estáveis, com a maioria dos importadores a optar por suportar os custos ao invés de aumentar os preços junto dos consumidores para aumentar as margens de lucro. O responsável defendeu ser cedo apresentar expectativas quanto a eventuais aumentos de preços, dizendo que a China tem reservas suficientes de petróleo, sendo generalizado o uso de transporte ferroviário e de veículos eléctricos. Além disso, os produtos frescos são oriundos de Guangdong e regiões próximas, pelo que Ip Sio Man acredita que é ainda possível controlar custos e evitar eventuais subidas de preços. No entanto, os produtos oriundos de fora da província de Guangdong poderão ficar mais caros por acarretar maiores distâncias no transporte. Depois de se fazerem os inventários dos produtos oriundos da Europa, dentro de dois a três meses, poderá haver um aumento de preços, acredita Ip Sio Man. Contentores mais caros No que diz respeito ao mercado internacional e preços praticados, em comparação com a valorização do renminbi, Ip Sio Man destacou que os preços internacionais dos combustíveis subiram, provocando o aumento de custos associados ao transporte e entrega, com maior impacto nos preços das mercadorias. Ip Sio Man falou do caso do transporte marítimo, cujo valor da tarifa por contentor, nas rotas do Sudeste Asiático, nomeadamente no caso da Tailândia, aumentou em cerca de 500 patacas. No caso das rotas europeias a situação é mais grave devido às tensões no Médio Oriente, tendo aumentado o tempo de trânsito de um mês para mais de três meses. Tal resulta num aumento significativo de custos financeiros e também de mais tempo gasto no transporte.
Imobiliário | Empréstimos registam quebra Andreia Sofia Silva - 16 Abr 2026 Dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) relativos aos empréstimos de Fevereiro deste ano revelam uma quebra, em termos mensais, nos empréstimos concedidos para habitação e actividades actividades imobiliárias. No caso dos empréstimos para habitação, a quebra foi de 58,3 por cento, com um valor de 661,18 milhões de patacas, enquanto que no caso dos empréstimos para fins imobiliários a quebra foi de 12,7 por cento entre Janeiro e Fevereiro deste ano, registando-se o valor de 489,53 milhões de patacas. De Dezembro de 2025 a Fevereiro de 2026, o número médio mensal dos novos empréstimos à habitação atingiu o valor de 1,05 mil milhões de patacas, menos 15,8 por cento face aos meses de Novembro de 2025 a Janeiro deste ano.
Galerias técnicas | Governo assegura fiscalização financeira Andreia Sofia Silva - 16 Abr 2026 O Governo assegura que vai realizar uma “fiscalização rigorosa” relativamente às despesas de gestão e manutenção das galerias técnicas que incluem canalizações de serviços públicos a moradores. Numa resposta assinada por Ip Kuong Lam, director da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), à interpelação escrita do deputado Leong Hong Sai, é referido que “as obras de construção das galerias técnicas são da responsabilidade do Governo da RAEM, sendo as despesas de gestão e manutenção suportadas conjuntamente pelos utilizadores das canalizações, com base no princípio do ‘utilizador-pagador'”, e é neste contexto que as autoridades prometem uma fiscalização. Tudo para garantir que “os serviços de gestão prestados pela concessionária responsável pela prestação do serviço público e a respectiva cobrança de taxas cumprem o estipulado no Contrato de Concessão do Serviço Público de Gestão das Galerias Técnicas na RAEM”. Na mesma resposta, o responsável da DSPA explicou que “a construção de galerias técnicas é muito importante para reduzir as escavações nas vias e aprimorar a gestão urbana”, sendo que na Zona A dos Novos Aterros quase todas as canalizações ficam instaladas em galerias técnicas, “com excepção da canalização de gás natural e da rede de drenagem municipal”. A CEM já concluiu, nesta zona, a colocação de cabos eléctricos de alta tensão, enquanto a Macau Water iniciou, no terceiro trimestre de 2024, a obra de instalação de condutas de água. Por sua vez, a CTM e a MTEL procedem, desde o quarto trimestre de 2025, à colocação dos cabos de fibra óptica.
Jogo | Apesar de subida das receitas, lucros devem manter-se João Santos Filipe - 16 Abr 2026 No primeiro trimestre do ano, as receitas das concessionárias apresentaram um crescimento anual de 14,3 por cento. No entanto, os analistas do banco Jefferies consideram que a competição entre as operadoras pode fazer com que os lucros arrecadados não sofram grandes alterações Apesar do aumento das receitas do jogo no início do ano, o banco de investimento Jefferies indica que os lucros das concessionárias se estão a manter nos valores do ano passado. O cenário é traçado no relatório mais recente para os investidores, citado pelo portal GGRAsia. Segundo o documento assinado pelos analistas Anne Ling e Jingjue Pei, a margem dos resultados ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) continuar a ser “um desafio” para as concessionárias. Esta margem é um indicador financeiro que mede a percentagem de receita líquida que uma empresa transforma em lucro operacional. No primeiro trimestre do ano, as receitas aumentaram 14,3 por cento, em termos anuais, mas o crescimento foi motivado pelo segmento dos grandes apostadores, onde a margem de lucro está a ser afectada “pelas promoções e pela competição” entre as concessionárias. Em relação aos resultados das operadoras, o banco Jefferies acredita que a Sands China vai apresentar a maior capacidade de transformar as receitas em lucros operacionais, ao atingir uma percentagem de 30 por cento. No pólo oposto, o desempenho mais fraco do mercado é atribuído à SJM, com uma margem de 15 por cento. No entanto, nem tudo são más notícias para a SJM, uma vez que a margem de 15 por cento é superior à do período homólogo em dois pontos percentuais e à do trimestre anterior em cinco pontos percentuais. Os analistas atribuem a diferença, que consideram benéfica, ao encerramento dos casinos-satélite. Subida de 6,8 por cento Sobre estimativas para o mercado do jogo, os analistas estimam um crescimento anual das receitas de 6,8 por cento, o que deverá representar um total de 264,2 mil milhões de patacas, quando no ano passado foi de 247,4 mil milhões de patacas. “Estimamos um aumento das receitas brutas do jogo de 6,8 em 2026, face ao consenso de 6 por cento”, indicaram os analistas. Estes números significam que em termos das receitas da indústria o banco Jefferies está mais optimista do que a maioria dos outros analistas. No primeiro trimestre do ano, as receitas do jogo atingiram 65,9 mil milhões de patacas, um crescimento anual de 14,3 por cento. Nos primeiros três meses de 2025, as receitas tinham atingido 57,7 mil milhões de patacas, o que na altura representou um crescimento anual de 0,6 por cento. Desde o início do corrente ano, Janeiro foi o mês com maiores receitas, que chegaram às 22,6 mil milhões de patacas. Em Fevereiro, as receitas foram de 20,6 mil milhões de patacas e em Março de 22,6 mil milhões de patacas.
UPM | Chui Sai Cheong fica no Conselho Geral Hoje Macau - 16 Abr 2026 A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, renovou os mandatos para o Conselho Geral da Universidade Politécnica de Macau (UPM), mantendo-se Chui Sai Cheong na presidência deste organismo por mais três anos. Destaque para o facto de o presidente e vice-presidente do Conselho Geral da UPM terem direito a remuneração mensal, que corresponde aos índices 550 e 275 da tabela indiciária da Administração Pública. A informação consta num despacho publicado em Boletim Oficial (BO), que renova também a nomeação de Lok Po como vice-presidente do Conselho Geral, também por mais três anos. São renovadas as comissões de Francisco Ho Ka Lon e Au Chon Hin, bem como de Chan Ka Leong, o macaense, advogado e ex-deputado Leonel Alves, e Carlos Ascenso André, académico e antigo director do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa. Mantém-se ainda no Conselho Geral Chan Hong e Sio Hong Pan. O despacho entrou em vigor a 1 de Abril. DSI | Fong Pak Ian nomeado subdirector Fong Pak Ian foi nomeado subdirector dos Serviços de Identificação (DSI), em regime de comissão de serviço, pelo período de um ano, de acordo com a informação divulgada ontem no Boletim Oficial. A nomeação partiu do secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak e produz efeitos a partir do dia 1 de Maio. Fong Pak Ian é licenciado em Arquitectura pela Universidade Cheng Kung de Taiwan e em Direito em Língua Chinesa pela Universidade de Macau. Possui ainda um mestrado em Administração Pública pela Chinese Academy of Governance. O novo subdirector ingressou na função pública em Outubro de 2000. A sua carreira está ligada ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC), onde exerceu os cargos de investigador superior, investigador principal, investigador-chefe, investigador-chefe superior e assessor, funções que vai desempenhar até ao final deste mês. DSAT | Mok Soi Tou escolhido para subdirector Mok Soi Tou foi escolhido para exercer o cargo de subdirector da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), em regime de comissão de serviço. A informação foi divulgada ontem no Boletim Oficial e a escolha partiu do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam. A nomeação entra em vigor amanhã. Mok Soi Tou é licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Nacional de Taiwan. Ingressou na Administração Pública em Agosto de 1995 como técnico superior do Leal Senado, transitando posteriormente para a Câmara Municipal de Macau Provisória e para o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, onde também exerceu funções de chefia funcional. Em Maio de 2008, assumiu o cargo de chefe da Divisão de Coordenação da DSAT até 2025, para depois transitar para chefe de divisão na Direcção dos Serviços de Planeamento e Construção Urbanos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Regressou à DSAT em Outubro de desse mesmo ano.
Abusos | Defendidos novos moldes para consultas com menores João Santos Filipe - 16 Abr 2026 Após a PJ ter anunciado o caso de um especialista de medicina tradicional chinesa que terá abusado de uma menor, a deputada Wong Kit Cheng defende que é preciso garantir que há sempre um adulto a acompanhar os menores nas consultas médicas Wong Kit Cheng defendeu a revisão dos moldes em que decorrem as consultas médicas com menores. Esta foi a reacção da deputada ligada às Mulheres, depois da Polícia Judiciária (PJ) ter revelado, na terça-feira, o caso de um profissional especializado em medicina tradicional chinesa suspeito do crime de assédio sexual de menor. De acordo com as declarações citadas pelo jornal Ou Mun, a deputada considera que a sociedade tem a obrigação de proteger os menores pelo que devem ser revistos os moldes das consultas médicas com menores, para criar mecanismos legais mais fortes e “proteger os pacientes”. A deputada, que é enfermeira de formação, indica que o Governo deve estudar a possibilidade de os menores serem sempre acompanhados por familiares nas consultas médicas. Wong Kit Cheng afirmou também que é necessário que o Serviços de Saúde (SS) comece a suspender de forma preventiva o pessoal médico suspeito, e interromper o funcionamento das clínicas, quando existem suspeitas de crimes contra menores e os pacientes. Em relação ao caso em concreto, a deputada condenou o médico, por considerar que abusou da confiança estabelecida entre o profissional de saúde e o paciente. Wong observou ainda que este tipo de condutas contribui para quebrar a confiança entre a população e os médicos do território. Massagens e óleos afrodisíacos Na terça-feira, a PJ anunciou a detenção de um médico de 44 anos especializado em medicina tradicional chinesa por assédio de uma paciente menor. Segundo a versão das autoridades, a vítima foi duas vezes à clínica acompanhada pela família para tratar de tremores nas mãos. Sempre que a menor foi acompanhada, o médico mostrou um comportamento profissional. Contudo, na terceira visita, a vítima foi sozinha, e a consulta terá decorrido de forma diferente do habitual. O médico pediu à menor que trocasse de roupa, para receber uma massagem na zona das pernas, cinturas e costas. Durante esta massagem, o médico terá baixado a roupa interior da menor e aberto as pernas da vítima, para poder ver-lhe a vagina. Além disso, terá colocado um óleo na cintura da paciente, sendo que esta afirma que após a aplicação do óleo teve uma sensação de quente. Após a consulta, a menor sentiu-se assediada e contou à família o sucedido. A queixa foi apresentada dois dias depois dos acontecimentos, o que a família justificou com a necessidade “pensar com cuidado” sobre o sucedido. Durante as investigações, a PJ apreendeu um óleo, que acredita ter sido utilizado no alegado crime, e que apresentou à comunicação social como óleo afrodisíaco. Nas investigações, descobriu-se ainda que o médico, em conluio com outros dois funcionários da clínica, terá cometido uma burla com vales de saúde, no valor de 860 mil patacas. Todos detidos O crime de abuso sexual de menor prevê uma pena de prisão mínima de 1 ano e máxima de 10 anos, dependendo dos contornos do caso. A PJ indicou não ter havido violação, o que poderá contribuir para uma pena menos pesada. No caso da burla de valor consideravelmente elevado, os três detidos arriscam uma pena de prisão mínima de 2 anos e máxima de 10 anos.
DSAMA | Comissão de Serviços de Susana Wong renovada Hoje Macau - 16 Abr 2026 Susana Wong vai manter-se durante mais um ano como directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), um cargo que ocupa desde Maio de 1999, há mais de 26 anos. A informação foi divulgada ontem, através do Boletim Oficial. A comissão de serviço tem a duração de um ano e foi justificada, como acontece nestes casos, com a “capacidade de gestão e experiência profissional adequadas para o exercício das suas funções”. Susana Wong é licenciada em engenharia electrónica pela Universidade de Zhongshan e conta ainda no currículo com um ano em Portugal a estudar português. Ingressou no Leal Senado em 1990, tendo sido transferida, em 1995, para os Serviços Marítimos, que lidera desde 1999.