Segurança Nacional | Governo lança campanha “Todos os dias são 15 de Abril” Hoje Macau - 16 Abr 2026 O Governo lançou uma nova campanha nos diversos portais oficiais para ensinar aos residentes que todos os dias são 15 de Abril, o dia da segurança nacional. A campanha com o nome “Todos os dias são 15 de Abril” foi lançada ontem e tem como objectivos “promover ainda mais a consciência da população para a segurança nacional” e “criar uma atmosfera social forte” para recordar às pessoas que têm de defender a segurança nacional. “O Governo da RAEM espera com esta iniciativa promover a normalização e a eficácia a longo prazo da divulgação e educação em matéria de segurança nacional, concretizando na prática o lema ‘todos os dias um dia 15 de Abril’, orientando o público no sentido de reforçar a sua consciência em matéria de segurança nacional e de cumprir conscientemente as suas responsabilidades constitucionais”, foi comunicado. No mesmo sentido, o Governo avisa a população que “a salvaguarda da segurança nacional” tem de se tornar “uma acção comum a toda a sociedade” para se “construir, em conjunto, uma barreira sólida de defesa da segurança nacional”, uma das condições para a “prosperidade e estabilidade a longo prazo de Macau”. Além destes portais, o Governo utilizou ontem a aplicação Conta Única para promover as actividades de defesa da segurança nacional, com notificações para todos os utilizadores.
Consumo | Pedido cartão de 10 mil patacas para residentes João Santos Filipe - 16 Abr 2026 O deputado Chan Hao Wan, ligado à ATFPM, justifica a necessidade da distribuição de uma nova ronda do cartão de consumo de 10 mil patacas com o preço dos combustíveis e as dificuldades de emprego sentidas tanto pelos mais jovens como por pessoas de meia-idade O deputado Chan Hao Wan defende a atribuição de um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas a cada residente, para fazer face ao preço dos combustíveis. A posição do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) consta de uma interpelação escrita. Segundo Chan, “devido à instabilidade da conjuntura internacional, os preços do petróleo têm vindo a aumentar a nível mundial” e em Macau acompanha-se a tendência. O deputado indica que desde Janeiro, quando o preço médio da gasolina sem chumbo era de 14,72 patacas por litro, houve um aumento de 16,4 por cento, uma vez que foi atingido um preço máximo de 17,40 patacas por litro. No mercado grossista, a gasolina é comercializada a 16,34 patacas por litro. “Esta volatilidade dos preços dos combustíveis é obviamente uma injustiça para os consumidores, havendo necessidade de reforçar a fiscalização do Governo”, aponta Chan. Como consequência, os preços junto da população estão a aumentar: “A subida do preço dos combustíveis tem vindo a aumentar directamente os custos das famílias e dos comerciantes em Macau”, indica o deputado. “As famílias de base, os idosos e os grupos com baixo rendimento enfrentam uma grave pressão de vida, uma vez que o crescimento dos salários não acompanha a inflação, sendo necessária uma gestão extremamente rigorosa das suas despesas diárias”, avisa. Crise no emprego Às dificuldades apresentadas pelo aumento do preço dos combustíveis, junta-se a “crítica situação do emprego em Macau”, onde “os jovens e as pessoas de meia-idade em mudança de emprego enfrentam dificuldades” e “rendimentos instáveis”. Ao mesmo tempo, Chan Hao Wan argumenta que as reservas da RAEM geraram 42,9 mil milhões de patacas no ano passado, mais do que suficiente para pagar esta medida extraordinária. “Tendo em conta a actual grande pressão de vida dos residentes, a elevada inflação, a robustez da reserva financeira da RAEM e as dificuldades dos residentes das camadas sociais mais baixas, dos idosos e dos grupos mais vulneráveis, o Governo vai atribuir um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas, com vista a atenuar directamente os encargos da população?”, questiona. “O Governo vai ainda lançar outras medidas complementares para atenuar as dificuldades da população? Vai prestar um apoio geral às famílias das camadas sociais mais baixas, aos idosos e aos grupos vulneráveis, no sentido de assegurar uma vida estável?”, acrescenta. O deputado pede ainda ao Executivo que fiscalize de forma mais rigorosa as gasolineiras, um pedido antigo dos legisladores, e deixa o desejo que o Governo liderado por Sam Hou Fai “escute as vozes das camadas mais desfavorecidas da população”.
CCILC | Optimismo sobre restrições à residência de portugueses em Macau Hoje Macau - 15 Abr 202615 Abr 2026 O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau disse ontem esperar que a visita do líder da região chinesa a Portugal resolva as restrições impostas à residência de portugueses. O Chefe do Executivo de Macau vai visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que Sam Hou Fai tomou posse, em Dezembro de 2024. O líder da CCILC apontou como o tema mais importante na agenda a possibilidade de os portugueses irem para Macau “exercer a sua actividade de uma forma menos burocrática, menos incerta”. Carlos Cid Álvares lembrou que isso era algo “que existia no passado, de uma forma relativamente simples, e que hoje em dia não existe”. “Acredito que é um tema que está a ser trabalhado, porventura nos bastidores, e que vai ter com certeza uma solução”, disse Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. O território tem apostado no ensino do português para servir como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países lusófonos e, assim, diversificar a economia local, altamente dependente dos casinos. Mas Cid Álvares diz que não basta ensinar a língua portuguesa e que é preciso “olhar para o futuro”. “Não vejo muito como é que a influência portuguesa se pode manter aqui, mantendo esta situação. Uma coisa é os chineses falarem português, outra coisa muito diferente é os portugueses estarem em Macau”, sublinhou. Cid Álvares falava à margem de um fórum empresarial organizado em paralelo com a assembleia geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, em Macau. Na mesma ocasião, o deputado do parlamento de Macau José Pereira Coutinho disse esperar que a visita de Sam Hou Fai a Portugal possa ter “resultados positivos para o futuro desenvolvimento de Macau, nomeadamente no âmbito dos recursos humanos”. “Precisamos de quadros especializados, nomeadamente na saúde, na área jurídica, na administração pública e na modernização digital”, disse o também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.
Portugal | Robô de diagnóstico de medicina tradicional chinesa lançado em Portugal Hoje Macau - 15 Abr 2026 Um robô de diagnóstico e produção de Medicina Tradicional Chinesa (MTC) desenvolvido em Macau vai começar a ser oficialmente usado em Portugal, com os olhos postos no Brasil e outros mercados de língua portuguesa. Conhecido como Herbizon, trata-se de um robô que produz bebidas MTC à base de ervas e assenta em tecnologia desenvolvida em conjunto entre a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês), e um laboratório de MTC estabelecido na zona económica especial da vizinha Hengqin (ilha da Montanha) pela Universidade de MTC de Guangdong. Segundo o responsável do projecto, após superar um ano de testes numa clínica em Lisboa, o robô será formalmente lançado em 17 de Abril na Egas Moniz School of Health & Sciences, em Almada. Hon Chitin, investigador da Faculdade de Engenharia de Inovação da MUST, disse que o robô responde à falta de profissionais qualificados em MTC em áreas rurais ou mais remotas. O projecto teve origem em 2023, quando Hon identificou um estrangulamento logístico na prestação de cuidados de MTC. “Tradicionalmente, a preparação de uma única prescrição de MTC exige a recolha de ervas cruas e a sua cozedura durante um período que pode chegar a cinco horas, seja em casa ou num hospital. Normalmente, demora pelo menos meio dia”, afirmou Hon, observando que os recursos médicos de qualidade de MTC na China estão frequentemente concentrados nas grandes cidades. O professor idealizou então um sistema que pudesse fornecer um “serviço de MTC padronizado e de qualidade” em áreas rurais ou distantes, automatizando tanto a avaliação como a preparação da bebida. A abordagem de engenharia de Hon foi inspirada por uma unidade de fabrico de mil metros quadrados na cidade chinesa de Wuhan, que utilizava um grande braço mecânico para triar mais de mil tipos de ervas. “Pensei que, se eles conseguem operar por máquina, nós podemos fazer em pequeno”, recordou Hon. O dispositivo resultante, fabricado na cidade de Zhongshan, na província de Guangdong, condensou a capacidade industrial numa única caixa. O sistema gerou uma biblioteca interna de 14 fórmulas de chás inteligentes, seleccionadas entre mais de 1.300 substâncias, e consegue entregar uma bebida à base de ervas personalizada em três a oito minutos. Grande escala A inteligência artificial que opera o Herbizon baseia-se num modelo de linguagem de grande escala treinado em extensa literatura médica e clássicos antigos, integrado com o modelo DeepSeek Pro. Segundo Hon, este cérebro digital foi concebido para resolver o problema crónico da inconsistência diagnóstica na MTC, onde diferentes médicos chegam frequentemente a conclusões distintas para o mesmo paciente. “Queremos que seja estável e consistente”, explicou à Lusa. “Mesma pessoa, mesmo diagnóstico, mesmo resultado, mesmo que repetido cinco vezes”, acrescentou. O robô executa esta tarefa integrando quatro métodos de diagnóstico clássicos — inspecção do rosto e da língua, auscultação, inquérito e análise de pulso — através de percepção multimodal. De maneira a comercializar o projecto foi criada a companhia Zhuhai Herbizon Technology Co., Ltd., com o sistema atualmente protegido por mais de 10 tecnologias patenteadas e 50 marcas registadas. Segundo Hon, embora o robô já esteja activo em 20 locais na China, o ensaio português serve como um indicador regulatório pois o dispositivo está licenciado em Portugal como um dispensador de bebidas, em vez de um instrumento médico. Qualidade garantida Hon observou que, embora a acupuntura seja amplamente aceite no Ocidente, a medicina à base de ervas ainda enfrenta um escrutínio mais rigoroso por se relacionar com o sistema digestivo. “A regulação será mais restritiva”, disse, embora sustente que, para esta máquina, “a qualidade de todo o processo” está garantida. Hon encara o robô como uma forma de colmatar o fosso entre a medicina ocidental, que depende de testes clínicos para alvos únicos, e a MTC, que aborda os problemas a partir de múltiplos ângulos e através de vários órgãos humanos. “É uma mistura de muitas coisas em termos de química”, afirmou Hon. Após o ensaio em Lisboa, a equipa pretende concentrar-se no mercado da China continental durante dois a três anos para ganhar escala, antes de regressar para se expandir para o Brasil e outros mercados de língua portuguesa. O robô será apresentado no mesmo dia que se realiza o primeiro Simpósio para o Desenvolvimento de Alta Qualidade da MTC em Portugal, organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa. O evento deverá incluir a assinatura do Consenso de Lisboa 2026, um documento que visa estabelecer Portugal como uma plataforma europeia para a MTC.
Mudar como soía Amélia Vieira - 15 Abr 2026 Sim – a impermanência é o estado constante da vida e ela se movimenta ora em subtis, ora abruptas mudanças, e não será necessário o deslocamento físico para que os sinais energéticos nos conduzam às coisas que nos procuram, que de quando em vez, são exactamente as que buscamos, que podem vir em feixes de luz mutáveis mudando a órbitra dos dias deslocando-a para os trilhos de um propósito qualquer a ver no tempo da manifestação. Estamos mudando, estamos mudados sem nunca dizer adeus ao que fôramos, mas transfigurados, e nessa mutação a vida cresceu como árvore frondosa, tanto e tão longa que não nos sabemos pensar. A intrepidez constante fez de cada um único, somos programados para as leis mutáveis, há os que lhes oferecem resistência tentando minimizar a velocidade – os que a agarram no seu dossel ainda na penumbra das coisas- e os que arriscam indo atrás dela tentando saber da metamorfose a que estão sujeitos, galgando interditos num fenómeno de aceleramento cujo risco será somente o de andar à roda do próprio movimento. Ao imperturbável chamavam os gregos «ataraksia» a paz de alma, a economia do esforço, a fruição e quietude, um movimento filosófico que tem por base estancar o tempo e dele se apropriar somente como refém, só que a vida não pára, que estar vivo é uma permanente combustão transfigurável e animada, a morte será outra, mas aqui exige-se dinamismo e força constante de superação. Se os filósofos se ocupam da impermanência da vida indo até aos não banhados duas vezes nas mesmas águas (movimento absolutamente mais próximo daquilo que é um registo poético) que transformações seguimos tendo na continuada rede da vida que nos faz tão atávicos? Talvez um programa como o dos salmões correndo riscos de morte para desovar no mar dos Sargaços. Aquela travessia é uma impermanência, uma corrente electrizante que não sabemos como cortar pela esquematização das estrelas que a comandam, que requer fito, velocidade, tribulação e perpétuo movimento. Nenhuma vontade aqui é transformada, desviada, contornável, o cromossoma memória em completa mobilidade, faz e refaz o caminho até à consubstanciação de um encantamento perpétuo. Todo o movimento é uma epifania. Longe do lado acidental haverá sempre Camões a quem o destino lembrou a saga da mudança como a nenhum outro, e que em seu deambular quase nos aparece como um fenómeno de iniciação, uma longa marcha de mudança fitando um ponto fixo, uma calamidade trepidante, uma natureza feita para os embates das coisas afundadas, milagrosas, ininterruptas e desafiantes, o mesmo que nos disse na sua lírica «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades» mas, e o ser e a confiança? Esses também mudam. Neste mudar-se começa pela esperança nas novas qualidades para logo afirmar que suas novidades são contrárias ao esperado, ficando as mágoas na lembrança, e do bem se algum houve, as saudades- que afora este mudar-se cada dia, nada se muda já como soía. A própria mudança que nos muda não se muda como costumada, ela exerce o seu ritmo que para trás a fórmula foi fechada, a noção de mudança cria e vê fórmulas novas de continuarmos exercendo o papel dos viajantes que de porto em porto vão conquistando etapas, que para os que ficam na praia olhando as ondas, a vida é menos que espuma e de iguais dias desfrutarão na sua paralisante condição. Que agora chegada a Primavera o tempo cobre o chão de verde manto que já coberto foi de neve fria. E em mim converte em choro e doce canto.
PR de Moçambique inicia amanhã visita de Estado de sete dias à China Hoje Macau - 15 Abr 2026 O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, inicia amanhã uma visita de Estado de sete dias à China, anunciou ontem o Governo chinês. “A convite do Presidente Xi Jinping, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, realizará uma visita de Estado à China de 16 a 22 de Abril”, lê-se numa informação divulgada ontem pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. A Lusa já tinha noticiado em 18 de Março a previsão desta visita de Estado à China, conforme autorização dada nesse dia pelo parlamento, depois de Daniel Chapo ter assumido querer elevar a cooperação bilateral a um novo patamar. O Presidente moçambicano transmitiu em 18 de Fevereiro ao homólogo chinês, Xi Jinping, o objectivo de reforçar a cooperação entre os dois países em 2026, reafirmando ainda o apoio ao princípio de “Uma só China”. “A República de Moçambique reafirma a sua firme determinação em continuar a trabalhar, lado a lado, com a República Popular da China, no reforço dos laços de amizade, cooperação e solidariedade, reiterando o seu apoio ao princípio de Uma só China”, lê-se na mensagem enviada por Chapo, a propósito do novo ano chinês. O chefe do Estado moçambicano sublinhou ainda o significado especial deste ano, destacando os valores que orientam a relação bilateral: “O ano de 2026, proclamado como o Ano da Cooperação Povo-a-Povo, assume um significado especial, ao promover valores de amizade, solidariedade e compreensão mútua, que Moçambique partilha e cultiva no quadro da sua Parceria Estratégica Global com a China”. Recorda a importância histórica das relações entre os dois países, com 50 anos, e que “hoje se projectam numa cooperação abrangente e mutuamente vantajosa”, lê-se na mesma mensagem, em que Chapo aponta 2026 como “uma oportunidade estratégica para elevar a cooperação bilateral a um novo patamar”. Contas em dia Moçambique pagou em três meses de 2025 mais de 36 milhões de euros à China pelo serviço da dívida, que lidera entre os credores bilaterais do país, segundo dados do Ministério das Finanças de Novembro. De acordo com um relatório sobre a gestão da dívida, o serviço da dívida à China foi o que mais pesou nas contas moçambicanas em três meses, de Janeiro a Março, com 35,51 milhões de dólares em amortizações e 6,77 milhões de dólares em juros. A dívida de Moçambique à China ascendia, no final de Junho, a 1.347 milhões de dólares. Antes, em Outubro, o Governo chinês perdoou os juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até 2024 e fez uma doação de 12 milhões de euros ao país africano, anunciou então a primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi. “Tivemos duas notícias positivas vindas do Presidente [chinês], Xi Jinping, uma das notícias foi a doação ao nosso país de 100 milhões de Yuan — a moeda chinesa — [equivalente a 12 milhões de euros] e o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até o ano de 2024”, disse Levi, que falava aos jornalistas após uma visita de dois dias à China. O Governo moçambicano prevê a realização de seis visitas de Estado pelo Presidente da República em 2026 e a assinatura de cinco acordos internacionais. Na área de Cooperação Internacional, documentos de suporte ao Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2026, referem que estão previstas “seis visitas de Estado”, ao Canadá, Botsuana, Angola, Rússia, China e Vietname. “No âmbito do reforço e aprofundamento das relações de irmandade, amizade, solidariedade e de cooperação entre os povos e países, bem como a mobilização de financiamento para a viabilização da agenda nacional de desenvolvimento”, justifica-se no documento, sobre as visitas de Estado.
Visita | Sánchez defende que é do interesse da Europa reforçar laços com a China Hoje Macau - 15 Abr 2026 O Chefe do Executivo espanhol reuniu com Xi Jinping a quem transmitiu o desejo de reforçar as pontes e os laços com o país do meio O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendeu ontem, em Pequim, que “é do interesse da Espanha e da Europa estreitar laços com a China” e definir “uma relação aberta, baseada no respeito e num espírito pragmático”. Sánchez, que se encontra em visita oficial ao país asiático, sublinhou numa conferência de imprensa após reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, que a Espanha é um país “profundamente europeísta” e apelou a esse “contexto de defesa e priorização de princípios e valores” na hora de “estreitar laços e construir pontes”. “O que queremos é poder contribuir activamente para a criação de uma nova ordem global que traga a paz definitiva ao mundo”, afirmou o governante espanhol, que falou com Xi sobre a “grave situação” no Irão, em Gaza, no Líbano e na Ucrânia e encorajou o Governo chinês a “continuar a contribuir activamente para reformar” o sistema de governação multilateral. A ordem internacional predominante desde a segunda metade do século XX “está, infelizmente, a ser minada por actores de peso na ordem internacional”, denunciou Sánchez, que salientou que, face àqueles que negam ou lamentam essa realidade, a Espanha prefere dedicar os seus esforços a “reformar uma ordem internacional que garantiu a paz durante muitas décadas”. “Uma ordem internacional renovada da qual, sem dúvida alguma, uma potência média como a Espanha beneficiaria, assim como a Europa e o mundo inteiro”, afirmou. Pontes equilibradas O Chefe do Executivo espanhol afirmou ainda que o seu país quis “encorajar” a China a “intensificar os seus esforços para combater a emergência climática, tal como está a fazer (…) e também, logicamente, a contribuir com a sua acção diplomática para resolver os conflitos e as guerras que assolam o mundo”. No plano económico, Sánchez salientou que Pequim deve ver a Europa e a Espanha como locais onde investir e como parceiros com quem lançar projectos industriais, e assegurou que, no seu encontro com Xi Jinping, encontrou do outro lado da mesa “compreensão e vontade de trabalhar para alcançar esse equilíbrio” comercial. O primeiro-ministro espanhol defendeu o objectivo do seu Governo de ampliar e diversificar as relações com a China em domínios como o comercial, o industrial e o tecnológico e reiterou que transmitiu ao líder chinês a necessidade de corrigir o “excessivo” desequilíbrio comercial entre ambos os países e avançar para um comércio “mais equilibrado”. Sánchez, cuja visita ao país asiático é a quarta em quatro anos, tinha ainda agendado para ontem à tarde um encontro em Pequim com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji, e com o primeiro-ministro, Li Qiang, com quem assinará cerca de vinte acordos bilaterais.
China apresenta proposta para restaurar paz no Golfo Hoje Macau - 15 Abr 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, apresentou ontem ao homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed al Nahyan, uma proposta de quatro pontos para restaurar a paz no Golfo, em plena tensão no estreito de Ormuz. A iniciativa foi apresentada durante a visita de Al Nahyan a Pequim, visando impulsionar o processo diplomático no Médio Oriente e no Golfo, face à crise desencadeada pela ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de Fevereiro. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a proposta define princípios para retomar a estabilidade na região, incluindo a adesão à coexistência pacífica, o respeito pela soberania nacional, pelo direito internacional e a coordenação em matéria de segurança. A iniciativa surge num momento em que a China rejeitou o bloqueio do estreito de Ormuz anunciado pela administração norte-americana, tendo classificado a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “perigosa e irresponsável” e alertou que a medida pode agravar a tensão e pôr em risco o cessar-fogo na região. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que o reforço do dispositivo militar norte-americano e as acções de bloqueio vão aumentar a tensão e “minar o já frágil cessar-fogo”. Guo sublinhou que a situação se encontra numa “fase crítica” e frisou que a prioridade deve ser evitar a retoma das hostilidades e preservar a actual trégua, instando todas as partes a respeitar os compromissos assumidos e a avançar pelo diálogo. O responsável acrescentou que apenas um “cessar-fogo abrangente” poderá criar condições para aliviar a situação no estreito e garantir a segurança da navegação, reiterando o apelo à via do diálogo e da negociação. Sem comentários Questionado sobre informações relativas a um petroleiro ligado à China que estará a operar na zona, Guo evitou comentar o caso concreto e limitou-se a defender a necessidade de assegurar a segurança e a fluidez do tráfego marítimo. O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, atravessa um período de elevada tensão, após semanas de restrições impostas pelo Irão ao tráfego marítimo, em resposta ao conflito com os Estados Unidos e Israel, a que se juntou o anúncio de Washington de bloquear e intercetar determinados navios após o fracasso das negociações com Teerão no Paquistão.
Exportações chinesas crescem 2,5% em Março e desaceleram com impacto da guerra no Irão Hoje Macau - 15 Abr 2026 As exportações da China cresceram 2,5 por cento em Março, desacelerando face aos dois meses anteriores, num contexto de incerteza devido à guerra no Irão e ao impacto nos preços da energia e na procura global. Os dados divulgados ontem pela Administração Geral das Alfândegas da China ficaram aquém das estimativas dos analistas e representam uma forte descida, face ao crescimento de 21,8 por cento, registado em Janeiro e Fevereiro. As importações aumentaram 27,8 por cento em Março, acima da subida homóloga de 19,8 por cento verificada nos primeiros dois meses do ano. “As exportações da China desaceleraram à medida que a guerra no Irão começa a afectar a procura global e as cadeias de abastecimento”, afirmou Gary Ng, economista para a Ásia-Pacífico no banco francês Natixis. Apesar da recuperação significativa registada no início do ano, a procura deverá enfraquecer devido ao choque energético provocado pelo conflito, segundo economistas do Bank of America, liderados por Helen Qiao. Os riscos aumentam caso o conflito se prolongue além do esperado, podendo originar uma desaceleração global persistente, acrescentaram. As tarifas impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bem como as tensões entre Washington e Pequim, têm também pressionado as exportações chinesas para o mercado norte-americano, levando a China a reforçar as vendas para outras regiões, como a Europa, o Sudeste Asiático e a América Latina. Os analistas acompanham ainda com atenção a visita prevista de Trump a Pequim, em maio, para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, após um adiamento motivado pela guerra no Irão.
Basquetebol | Hong Kong adia apostas face a aumento do mercado de previsões Hoje Macau - 15 Abr 2026 O Governo de Hong Kong anunciou o adiamento da legalização das apostas em jogos de basquetebol, devido ao crescimento do investimento no mercado de previsões a nível mundial, que poderá alimentar “indirectamente actividades clandestinas”. Na segunda-feira à noite, o Departamento de Assuntos Internos e da Juventude (HYAB, na sigla em inglês) reiterou à imprensa local que apostar em competições desportivas através de plataformas do mercado de previsões é ilegal. Estas plataformas permitem aos clientes comprar e vender ‘contratos’ ligados ao resultado de eventos futuros políticos, desportivos ou culturais, sobre uma ampla gama de situações. Muito do crescimento recente se tem devido às apostas desportivas, após plataformas, como Polymarket e Kalshi, terem assinado acordos com várias equipas de ligas desportivas. O Governo de Hong Kong disse que lançar apostas de basquetebol no actual contexto poderia atrair mais dinheiro para o mercado de previsão, “alimentando indirectamente actividades clandestinas”. “Perante os últimos acontecimentos, o Governo considerou necessário estudar o modelo e a plataforma emergentes com maior profundidade”, afirmou um porta-voz do HYAB. “Para prevenir dados para o interesse público, os novos projetos de apostas não devem prosseguir até que as condições estejam amadurecidas”, acrescentou. O Governo de Hong Kong sublinhou que o volume de dinheiro investido no mercado de previsão triplicou em 2025, atingindo 64 mil milhões de dólares. O parlamento do território aprovou em setembro a legalização das apostas em jogos de basquetebol, que passariam a ser operadas pelo Hong Kong Jockey Club, replicando o modelo já existente para as corridas de cavalos e apostas em futebol.
#17 – Poema em forma de pagode: introdução Sara F. Costa - 15 Abr 2026 Em 1903, Lu Xun encontra-se em Tóquio, onde estuda japonês no Instituto Kobun. Shen Diemin (1878–1969), colega de turma e companheiro de habitação de Lu Xun nessa época, recorda que existia em Tóquio uma escola militar do exército imperial chinês, designada Escola Chengcheng. Este nome deriva de um provérbio, zhòngzhì chéngchéng (眾志成城), que pode ser traduzido como “corações determinados erguem uma muralha”, expressão adotada como lema pela instituição. Os estudantes desta escola, selecionados pelo representante-inspetor militar da corte Qing, eram maioritariamente conservadores favoráveis ao regime imperial, em oposição aos revolucionários chineses. Observando esses grupos a marchar em formação nas ruas, Lu Xun compôs este poema de caráter irónico no fundo da sala de aula, após o término das aulas. A ausência do poema na edição das Obras Completas de Lu Xun (鲁迅全集) introduz uma questão de natureza filológica relativa à sua autoridade textual. Esta exclusão indica que o texto não integra o corpus estabilizado e editorialmente validado, o que sugere uma circulação periférica ou não canonizada. A atribuição a Lu Xun apoia- se, neste caso, em testemunhos secundários, como o de Shen Diemin, cuja memória retrospetiva não substitui critérios de fixação textual baseados em documentação direta. Este desfasamento entre tradição de transmissão e canonização editorial evidencia a existência de uma zona intermédia no estatuto dos textos, situada entre o documento histórico e a obra reconhecida. A análise deste poema implica, assim, uma abordagem crítica que considere simultaneamente as condições de produção, os modos de circulação e os processos de legitimação que definem o lugar de um texto no interior de um corpus autoral. Poema chinês 兵bīng 成城 chéng chéng 大將軍dà jiāng jūn 威風凜凜 wēi fēng lǐn lǐn 處處有精神 chù chù yǒu jīng shén 挺胸肚開步行 tǐng xiōng dù kāi bù xíng 說什麼自由平等 shuō shén me zì yóu píng děng 哨官營官是我本分 shào guān yíng guān shì wǒ běn fèn Tradução Soldados formam muralha diante do general, altivos na parada, em toda a parte vigilante, peito erguido, ventre firme, marcham que cantais vós liberdade igualdade, ser oficial é meu dever, ser oficial basta-me! Notas 成城 (chéng chéng) remete para a expressão 眾志成城, associada à ideia de coesão coletiva enquanto força defensiva. A imagem da muralha traduz a transformação do grupo em estrutura compacta e disciplinada. 威風凜凜 (wēi fēng lǐn lǐn) designa uma atitude de imponência e rigor marcial. A expressão associa aparência exterior e autoridade simbólica, compondo uma figura de poder visível. 處處有精神 (chù chù yǒu jīng shén) indica vigilância constante e energia distribuída no espaço. A noção de 精神 articula presença física e disposição mental. 挺胸肚開步行 (tǐng xiōng dù kāi bù xíng) descreve uma postura corporal codificada, associada à disciplina militar. O gesto traduz interiorização de normas através do corpo. 自由平等 (zì yóu píng děng) corresponde a conceitos de origem política moderna. A sua inserção neste contexto produz um efeito de contraste entre discurso ideológico e prática hierárquica. 哨官營官 (shào guān yíng guān) designa funções intermédias na estrutura militar. A referência a 本分 (běn fèn) indica aceitação de um papel definido no interior de uma ordem estabelecida. Notas e comentário da tradutora A forma do poema organiza-se segundo uma disposição gráfica de expansão progressiva que corresponde ao modelo designado como pagode. A sequência inicia-se com unidades lexicais isoladas e evolui para estruturas sintáticas progressivamente mais extensas. Esta configuração visual não constitui um elemento decorativo, mas integra o funcionamento semântico do texto, articulando crescimento formal e intensificação discursiva. A tradução preserva esta estrutura através de uma distribuição escalonada dos segmentos, assegurando a correspondência entre disposição gráfica e desenvolvimento do enunciado. A expressão muralha (成城) inscreve o poema numa tradição retórica associada à coesão coletiva e à defesa do corpo político. A sua presença no início da progressão formal estabelece um princípio de agregação que se prolonga na representação dos corpos alinhados. A figura do general (大將軍) introduz um eixo de hierarquia que organiza o espaço e determina a orientação do movimento. A sequência de descrições corporais, centrada na postura e na marcha, traduz a interiorização de normas disciplinares através da repetição gestual. A intensificação formal culmina na introdução dos termos liberdade e igualdade (自由 平等), que surgem integrados num contexto marcado pela obediência e pela função. A posição destes termos no ponto de maior expansão do verso acentua o seu valor crítico. A justaposição entre vocabulário político moderno e estrutura militar produz um efeito de tensão semântica que sustenta a dimensão irónica do poema. A formulação final, centrada na noção de dever (本分), condensa o percurso anterior e fixa o enunciado numa afirmação de adesão à ordem instituída. Do ponto de vista tradutório, a estratégia adotada privilegia a manutenção da progressão formal e da economia lexical. A organização do texto em unidades crescentes permite reproduzir a dinâmica do original, evitando a introdução de conectores que comprometeriam a leitura contínua. A escolha de termos como muralha (成城) e dever (本分) assegura a transmissão de núcleos semânticos centrais, enquanto as notas garantem a contextualização dos referentes culturais. A tradução procura, deste modo, preservar a articulação entre forma visual, estrutura sintática e densidade simbólica que caracteriza o poema.
FRC | História da Diocese de Macau contada por Beatriz Basto da Silva Hoje Macau - 15 Abr 2026 A antiga docente em Macau e investigadora Beatriz Basto da Silva protagoniza hoje, por videoconferência, uma palestra na Fundação Rui Cunha centrada na história da Diocese de Macau, que está a celebrar 450 anos de existência. “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus” é o nome da sessão, integrada no ciclo “Serões com História” A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, uma sessão dedicada à história da Diocese de Macau que conta com a presença online de Beatriz Basto da Silva, ex-residente no território, docente e investigadora na área da história de Macau. A sessão, integrada no ciclo “Serões com História”, que acontece desde 2024, intitula-se “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus: Corolário de um impulso com História” e é co-organizada pela Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco (AAAEC). A moderação está a cargo de José Basto da Silva, presidente desta entidade. Segundo uma nota da FRC, Beatriz Basto da Silva irá falar sobre a criação da Diocese de Macau, há 450 anos, pela mão do Papa Gregório XIII, o 226.º sumo pontífice da Igreja Católica. “A legitimação outorgada pela Bula de Gregório XIII, em 1576, consagra em seus termos a criação da Diocese em Macau. Ao novo Bispo é conferida a necessária jurisdição para actuar no Extremo-Oriente”, refere Beatriz Basto da Silva, citada pela mesma nota. Segundo esta, a decisão “teve as raízes nas bulas papais do Século XV, conducentes ao documento ‘Inter Cætere’ do Papa Calisto III (1456)”, tendo sido criado depois o chamado “Padroado Português”, que foi responsável pela “propagação da Fé Cristã”. Um papel importante Nascia, assim, a 23 de Janeiro de 1576, a Diocese de Macau, “inicialmente com jurisdição eclesiástica sobre a China, o Japão e as ilhas adjacentes”, tendo a sua criação confirmado, à época, “o papel que a então colónia portuguesa de Macau desempenhava, como centro de formação e de partida de missionários católicos, nomeadamente jesuítas, para os diferentes países da Ásia”, explica a mesma nota. Para a docente e investigadora, “não consideramos que tal instrumento apostólico seja, na conjuntura, um ponto de chegada, nem se revelará só um ponto de partida”, mas será “talvez que, à luz dessa nova energia, eclode em Macau um fecundo viveiro de rápido crescimento”. Beatriz Amélia Alves de Sousa Oliveira Basto da Silva nasceu na Anadia, Portugal, em 1944, e licenciou-se em História pela Universidade de Coimbra. Chegou em 1970 a Macau, onde foi professora de História no ensino secundário e também professora da cadeira de História de Macau no Centro de Formação de Magistrados. Desempenhou outros cargos de relevo locais, tais como os de Directora da Escola do Magistério Primário e Directora do Arquivo Histórico de Macau, desde a sua criação, em 1979, até 1984. Foi deputada nomeada da V Legislatura da Assembleia Legislativa de Macau, de 1992 a 1996, e integrou o Conselho de Gestão da Fundação Macau, quando se reformou da Função Pública. Pertenceu ainda diversas associações, nomeadamente a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), a Santa Casa da Misericórdia e a Asianostra/Estudo de Culturas. Além disso, é Membro Académico Correspondente da Sociedade Portuguesa de História, Membro do Conselho Internacional de Arquivos e sócia efectiva da Sociedade de Geografia de Lisboa. Tem várias obras publicadas e conferências proferidas, nomeadamente um livro dedicado ao comércio dos cules em Macau, intitulado “Emigração de cules: Dossier Macau 1851-1894”, além de ter vasta colaboração dispersa por revistas culturais de Macau e de Portugal. A investigadora regeu ainda cursos na área da sua especialidade, tendo feito parte de diversas Comissões, criadas pelo Governo e pela Diocese de Macau.
MGM Macau | Exposição “Silk Roads” apresenta um tapete persa e dois quadros italianos Andreia Sofia Silva - 15 Abr 2026 A mostra “Silk Roads Beyond Borders”, patente no Poly MGM Museum, no MGM Macau, acaba de receber novas peças que fazem a sua estreia na Ásia. Trata-se de uma “nova fase” de uma exposição que pretende mostrar a história da Rota Marítima da Seda e de como Macau foi importante nesse percurso comercial. Segundo uma nota do MGM, as novas peças adicionadas à exposição são “duas importantes obras do século XVIII de mestres da Escola Veneziana”, e que chegam ao território com o apoio do Consulado Geral de Itália em Hong Kong e Macau. São elas “O Molo do Bacino di San Marco”, de Canaletto, nome artístico de Giovanni Antonio Canal; e “Ca’ Foscari e Palazzo Balbi alla volta del Canal Grande”, de Michele Marieschi. Trata-se de um empréstimo da Fundação Paolo e Carolina Zani, sendo dois quadros pintados a óleo sobre tela que “captam a prosperidade de Veneza como um importante nó nas Rotas da Seda”. Assim, estas duas obras “apresentam a prosperidade de Veneza como porto de transbordo para as mercadorias da Rota da Seda que entravam na Europa”, sendo exibidas “ao lado da seda chinesa, porcelana e outros artefactos”, ilustrando, desta forma, “os processos históricos através dos quais as Rotas da Seda facilitaram o intercâmbio cultural”. Ao lado destes quadros apresenta-se “Golden City”, uma “representação moderna de Veneza” da autoria do artista franco-chinês Zao Wou-Ki. Vindo de Lisboa No rol das novidades disponíveis nesta exposição consta um tapete persa, nomeadamente o “Tapete Farahan com Padrão Herati”, proveniente do Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, Portugal, e que está exposto ao lado do “Tapete do Trono com Padrão de Dragão”, que já é propriedade do MGM. Desta forma, “ao comparar os materiais, motivos e técnicas de tecelagem destes dois tapetes, os visitantes obtêm uma compreensão intuitiva do fluxo bidirecional da arte têxtil ao longo das Rotas da Seda, e de como as tradições artesanais quotidianas refletem séculos de intercâmbio estético entre as civilizações chinesa e ocidental, enriquecendo ambas as tradições”. Outro destaque desta exposição, é a “Marco Polo VR Experience”, com recurso à realidade virtual, tratando-se de uma “viagem imersiva de dez minutos que transporta os visitantes a mais de 700 anos atrás, colocando-os nas pegadas de Marco Polo enquanto viajam de Veneza por locais-chave do intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente”. A mostra “Silk Roads Beyond Borders” está disponível para visita desde Outubro de 2025 e trata-se de uma exposição de cariz anual. Contém cerca de 200 peças do tempo da Dinastia Zhou até aos presentes dias, e que espelham todas as trocas comerciais existentes ao longo dos séculos entre a China, Macau e os países ligados à Rota Marítima da Seda.
Prostituição | 13 detidos em operação do CPSP Hoje Macau - 15 Abr 2026 O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou a detenção de 13 pessoas por suspeitas de prostituição e incompatibilidade com os vistos de entrada no território. Dos 13 detidos, 10 admitiram terem entrado como turistas e estarem a disponibilizar serviços de prostituição. Entre os detidos, o CPSP afirmou também que havia dois “homens que se vestiam como mulheres”, segundo o jornal Ou Mun. Uma vez que as pessoas exerceram actividades incompatíveis com os vistos de entrada, o caso foi encaminhado para o departamento de imigração. Além disso, durante a operação foi também verificado que algumas habitações estavam a ser utilizadas para fornecer alojamento ilegal. Os casos foi foram encaminhados para a Direcção de Serviços de Turismo (DST) e os espaços confirmados como alojamentos ilegais foram selados. O CPSP prometeu ainda mais campanhas contra a prostituição e pediu à população que denuncie casos suspeitos. Extorsão | Paga 7 mil patacas depois de se mostrar nu Um jovem foi extorquido em mais de 7 mil patacas, depois de ter mantido uma videochamada online sem roupas. O caso foi relatado ontem pela Polícia Judiciária (PJ), e citado pelo jornal Ou Mun. Segundo os pormenores apresentados, o jovem conheceu uma alegada mulher através de uma aplicação online. Os dois mantiveram-se em contacto até que ela o convidou para fazerem uma videochamada sem roupas. A chamada terá durado cerca de um minuto, e depois de terminada, a mulher enviou várias imagens do jovem nu, exigindo que que o jovem comprasse vários pontos num portal online. Se não comprasse, as imagens seriam divulgadas online. A compra dos pontos implicou um custo de cerca de 7.300 patacas. Feita a primeira compra, a alegada mulher exigiu mais dinheiro, o que levou o jovem a apresentar queixa à Polícia Judiciária. O caso está a ser investigado. Burla | Perde 13 mil yuan a tentar jogar online Um residente local foi burlado em mais de 13 mil renminbis, depois de ter tentado jogar num portal de jogo online. De acordo com o caso apresentado pela Polícia Judiciária (PJ), e relatado pelo canal chinês da Rádio Macau, o jovem viu um anúncio online numa rede social e tentou abrir uma conta para transferir 674 unidades de uma criptomoeda, equivalente a 4,583 yuan. Contudo, o portal indicou que o montante transferido tinha ficado bloqueado. O jovem queixou-se nas redes sociais onde viu o anúncio e foi contactado por um utilizador que afirmou estar ligado à plataforma. Esse utilizador afirmou que ia tenta resolver o problema e que se o residente de Macau transferisse mais 1.000 unidades da criptomoeda iria obter um bónus. O residente fez a transferência e mais uma vez o montante ficou bloqueado. Nessa altura, o jovem percebeu que tinha sido burlado e apresentou queixa. Às autoridades, a vítima admitiu ter por hábito jogar bacará online.
Consumo | Ourivesarias satisfeitas com efeitos de grande prémio João Santos Filipe e Nunu Wu - 15 Abr 2026 U Gon Seng, presidente do Conselho Fiscal da Associação das Ourivesarias de Macau, elogiou a iniciativa e considera que é muito importante para fazer face à redução da procura naquela que é uma época baixa para as lojas Desde segunda-feira, que arrancou a ronda mais recente do grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias e logo no primeiro dia a Associação das Ourivesarias de Macau afirmou que as lojas já sentiram uma maior procura. A posição foi tomada por U Gon Seng presidente do Conselho Fiscal da associação, em declarações ao jornal Exmoo. U Gon Seng afirmou que muitas famílias utilizaram os cupões que ganharam no sorteio para a compra de ouro em grãos e joias em ouro, por terem descontos de cerca de 30 por cento com a iniciativa. O também empresário, responsável da Joalharia e Ourivesaria Chong Fok, apontou que nos primeiros dias do grande prémio do consumo registou-se um aumento significativo da emissão de recibos, prevendo-se que o volume total de negócios vá aumentar entre 10 e 20 por cento, face aos períodos em que não há incentivos ao consumo. Segundo o novo modelo da iniciativa, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizarem meios de pagamento electrónicos para contas superiores a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. U Gon Seng considera que o novo modelo é positivo porque as oportunidades de ganhar cupões com descontos vão aumentar, dado que haverá menos dias de sorteio por semana. Ao mesmo tempo, o responsável explicou que uma possível valorização do ouro ao longo do ano é tida como um incentivo à compra por parte dos residentes. Período difícil O responsável considerou ainda importante a iniciativa e explicou que depois do Ano Novo Lunar o mercado atravessa tradicionalmente um período de menor procura, o que contribui para aumentar a pressão sobre os comerciantes nos bairros comunitários. Todavia, com este grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias há um maior incentivo ao consumo, que beneficia estes negócios. U Gon Seng sugeriu ainda que o Governo pode continuar a expandir o âmbito dos destinatários para beneficiar mais comerciantes nos bairros comunitários. Olhando para as expectativas de negócio do sector de joalharia e ourivesaria este ano, U Gon Seng admitiu como natural a correcção do preço, face ao ano passado, mas não afastou a possibilidade de haver uma nova valorização para valores recorde, que podem levar mais pessoas a comprarem produtos de ouro. U Gon Seng prevê que o preço de ouro possa ultrapassar o ponto mais alto do ano passado e mantém-se optimista, dado considerar que as políticas monetárias em relação ao dólar americano vão estimular a valorização de ouro e outros metais preciosos. A nova ronda do Grande Prémio Para o Consumo Nas Zonas Comunitárias vai distribuir 400 milhões de patacas em descontos ao longo das próximas 10 semanas.
Óbito | Wu Zhiliang lamenta morte de Chan Kai Chon Hoje Macau - 15 Abr 2026 O presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, lamentou a morte do ex-director do Museu de Arte de Macau, ex-vice-presidente do Instituto Cultural (IC) e pintor, Chan Kai Chon. A nota de pensar consta num artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun. Chan morreu com 60 anos, em Xangai, no dia 4 deste mês devido a doença, que não foi revelada. Wu Zhiliang recordou que conhecia Chan Kai Chon há mais de 30 anos e o falecido era uma pessoa talentosa e apaixonada. Wu Zhiliang elogiou Chan Kai Chon e indicou que na sua carreira profissional na Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e no IC sempre mostrou uma grande dedicação e sempre desenvolveu todos os esforços para levar a cabo um trabalho exemplar.
Seguros | Vendedores não conseguem receber comissões João Santos Filipe - 15 Abr 2026 Os veículos com matrículas duplas de Macau e Hong Kong precisam de três seguros para circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No entanto, quando os vendedores de Macau contribuem para a compra dos seguros fora da RAEM estão legalmente impedidos de receber comissão Os vendedores de seguros em Macau que ajudam os proprietários de veículos com matrícula dupla de Hong Kong e de Macau a obterem seguros para circularem na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau não estão a receber comissões pelo serviço. A situação foi denunciada pelo deputado Leong Sun Iok, que indica existirem impedimentos legais em Hong Kong a bloquear o pagamento das comissões. Actualmente, uma vez que grande parte da ponte fica na jurisdição do Interior, os residentes com matrícula de Macau e Hong Kong precisam de adquirir seguros nas três jurisdições. Estes seguros podem ser comprados em Macau, através dos serviços “one stop”. No entanto, mesmo quando a compra acontece em Macau e por veículos de Macau, a legislação em vigor em Hong Kong impede que se paguem comissões sobre esses seguros em Macau. Segundo Leong, o “sector” dos seguros “presta apoio aos residentes no tratamento dos seguros legais dos três locais para ‘veículos de dupla matrícula de Hong Kong e de Macau’, através do mecanismo ‘one stop’”, mas depois “esses trabalhadores não conseguem obter a respectiva retribuição pelo serviço prestado”. Frutos do desenvolvimento Neste sentido, e dado que muitas vezes o registo inicial da viatura aconteceu em Macau, onde a primeira matrícula foi emitida e o veículo circula principalmente, Leong Sun Iok pede ao Governo que crie um mecanismo com as autoridades de Hong Kong, para permitir pagamentos aos trabalhadores em Macau. “Sugere-se que se estude, em conjunto com Hong Kong, a possibilidade da criação de um ‘mecanismo de conformidade’, com base no ‘local onde foi efectuado o registo inicial e a primeira matrícula de veículo’, para permitir que os referidos trabalhadores de Macau possam obter uma retribuição correspondente”, apontou. Leong argumenta ainda que esta questão passa por defender “os direitos e interesses” dos trabalhadores locais que contribuem para a compra dos seguros, pelo que no seu entender devem ter direito a receber uma comissão. Na interpelação divulgada no portal da Assembleia Legislativa, Leong Sun Iok pede ainda que as autoridades acelerem a política de reconhecimento de seguros equivalentes para os veículos que só têm matrícula de Hengqin ou matrícula dupla de Guangdong e de Macau, para ficarem dispensados da compra de dois seguros de responsabilidade civil de automóvel.
UCCLA | Sam Hou Fai promete expandir cooperação sino-lusófona Andreia Sofia Silva - 15 Abr 2026 Decorreu esta segunda-feira a 43.ª assembleia-geral da UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa, com uma delegação a reunir com Sam Hou Fai. O Chefe do Executivo da RAEM disse, no encontro, que o Governo “irá continuar a expandir plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas” com “influência internacional” A UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa esteve em Macau para realizar a sua 43ª assembleia-geral, que decorreu esta segunda-feira no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Porém, no contexto deste encontro, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu com representantes da delegação da UCCLA. Citado por uma nota oficial, Sam Hou Fai disse ser “inquestionável o posicionamento [de Macau] enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer e a sua função como plataforma sino-lusófona”. Ficou ainda a promessa de que o Executivo “irá continuar a expandir as plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas de influência internacional”, apostando em “cooperações pragmáticas com diversos países e regiões de língua portuguesa”. Esta foi a quarta vez que a UCCLA realizou uma assembleia-geral no território, tendo Sam Hou Fai destacado que Macau “foi um dos [territórios] fundadores desta organização”, mantendo “uma cooperação estreita com a UCCLA com vista a promover um desenvolvimento coordenado entre Macau e as diversas cidades de língua portuguesa”. Sam Hou Fai disse esperar que “os membros da União possam também comprovar os resultados significativos e as profundas mudanças que a RAEM alcançou nos últimos 26 anos desde o seu estabelecimento”. Rasaque Silvano Manhique, presidente da UCCLA, destacou “as vantagens particulares e contributos significativos de Macau na promoção de cooperação entre as cidades de língua portuguesa, na transmissão da multiculturalidade e no apoio para o intercâmbio e cooperação entre a China e os países de língua portuguesa”. O responsável adiantou que a UCCLA vai “continuar a aprofundar as relações de cooperação com o território”, esperando criar “uma rede de cooperação mais estreita entre cidades de língua portuguesa, através das suas funções de coordenação transregional e de cooperação externa de cidades”. Macau preside Na 43.ª assembleia-geral estiveram 35 representantes e empresários das cidades membros de países de língua portuguesa, designadamente, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, e São Tomé e Príncipe. Neste encontro, foram eleitos os novos órgãos sociais para o biénio 2026-2028, sendo que a RAEM foi eleita para a presidência da comissão executiva. Foram aprovadas as adesões da cidade de Calumbo, de Ícolo e Bengo, em Angola, e da cidade de Viseu, em Portugal, assim como o Plano de Actividades para este ano. A UCCLA é uma organização intermunicipal, sem fins lucrativos, que se dedica ao fomento do intercâmbio e da cooperação entre os seus membros em vários domínios. Constituída em 1985, tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande. Actualmente, congrega 106 membros, entre os quais 24 efectivos, 44 associados, 28 apoiantes e 10 observadores. Segundo a agência Lusa, o secretário-geral da UCCLA, Luís Campos Ferreira, indicou que as cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”. “A República Popular da China deposita em Macau a sua plataforma para os países de língua portuguesa e, neste caso concreto, para as cidades de língua portuguesa. A China é muito útil e tem muito conhecimento a transmitir. Todos nós temos muito a aprender com a China também”, afirmou. O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015, destacou também ser preciso melhorar a cooperação entre cidades lusófonas para além dos campos económicos e culturais. “O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às necessidades dos cidadãos”, afirmou Ferreira. O responsável destacou que a comunicação já existe em várias dimensões, “nomeadamente na cultural e na económica”, mas que precisa de ser reforçada. Com Lusa
Electricidade | Governo analisa novos fornecimentos de energia Andreia Sofia Silva - 15 Abr 2026 Ip Kuong Lam, director da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), garantiu, numa resposta à interpelação escrita da deputada Song Pek Kei, que “no futuro, e à medida que a cooperação entre Macau e Hengqin se for aprofundando, serão estudadas novas modalidades de fornecimento de energia eléctrica adequadas a Macau”. Actualmente, este fornecimento “ainda se baseia, principalmente, na importação de energia eléctrica do Interior da China, sendo complementado pela produção local”, disse o director, que acrescentou “estarem em curso estudos e o planeamento para a quarta interligação de transmissão de energia eléctrica”. Neste contexto, “não há planos para construção de novas unidades geradoras”. Song Pek Kei deixou questões sobre a construção de um sistema de energia eléctrica de baixo carbono, tendo Ip Kuong Lam dito que, de momento, “todas as centrais eléctricas locais operam com geradores a gás natural para a produção de electricidade”. “As unidades geradoras a fuelóleo existentes são apenas utilizadas em situações de emergência”. Desta forma, “o novo contrato de concessão de electricidade está em linha com o rumo definido na Estratégia de Descarbonização a Longo Prazo de Macau”.
Aeroporto | Coutinho denuncia falta de estacionamento Andreia Sofia Silva - 15 Abr 2026 O deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre a “crónica falta de lugares de estacionamento no Aeroporto Internacional de Macau”, tendo por base “as muitas opiniões recebidas regularmente” no seu gabinete de cidadãos. Segundo descreve o deputado na interpelação escrita, os veículos normais e também as viaturas de turismo “são quase sempre forçadas a estacionar temporariamente nas vias adjacentes ou nas entradas e acessos” ao aeroporto, o que causa “engarrafamentos e ocupação de uma das faixas rodoviárias, o que afecta a fluidez do tráfego”. O deputado entende que “residentes e turistas do interior do continente têm aproveitado as facilidades de transporte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (HZMB), que proporciona um melhor acesso dos residentes ao Aeroporto Internacional de Hong Kong”. Desta forma, o deputado questiona “que medidas concretas e eficazes estão a ser implementadas para expandir a capacidade de estacionamento do aeroporto, designadamente através da ligação com o parque do Terminal de Pac On”.
Tabaco | Consulta pública com mais de 2.500 opiniões Hoje Macau - 15 Abr 2026 Terminou o processo de consulta pública relativo à alteração da Lei de Controlo do Tabagismo. Segundo uma nota dos Serviços de Saúde (SS), foram recolhidas mais de 2.500 opiniões que serão agora analisadas e incluídas no relatório final, que ficará depois disponível para consulta da população. A consulta decorreu entre os dias 8 de Março e 8 de Abril deste ano, tendo sido recolhidas 2.569 opiniões enviadas por meios electrónicos ou presenciais. Foram ainda realizadas três sessões de consulta que registaram 230 participantes. Segundo a nota dos SS, “os pontos principais da consulta pública abrangem o alargamento das áreas de proibição de fumar ao ar livre, a proibição do fabrico e da circulação de bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e cachimbos de água (incluindo tabaco/pasta de tabaco para cachimbo de água e narguilé)”, ou ainda “a proibição da posse de cigarros electrónicos em locais públicos”, entre outras alterações.
Quadros qualificados | Macau quer atrair mais talentos lusófonos Hoje Macau - 15 Abr 2026 A meta foi traçada por Kong Chi Meng, coordenador da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, que promete um esforço mais activo na captação de talentos da lusofonia O coordenador da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados de Macau disse que a região chinesa quer promover o programa de “captação de talentos” nos países lusófonos, incluindo Portugal e Brasil. Kong Chi Meng prometeu “promover de forma proactiva a política de atracção de talentos no estrangeiro, incluindo nos países de língua portuguesa”, de acordo com a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. “Estamos também a trabalhar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento para promover de forma simultânea o investimento e a captação de talentos”, acrescentou Kong. O também director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude revelou que o programa já recebeu mais de duas mil candidaturas, com cerca de 900 já aprovadas. A terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, atraiu quase 300 candidaturas, acrescentou Kong. O dirigente sublinhou que a terceira fase inclui novos critérios, incluindo uma maior valorização de quadros qualificados com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil. Macau estabeleceu em Julho de 2023 um programa de captação de quadros qualificados do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais. Caminho único Este programa tornou-se a única alternativa para os cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. 23 BIRs No ano passado, houve um total de 23 bilhetes de identidade de residente (BIR) atribuídos a cidadãos portugueses, mais dois do que no ano anterior, quando foram autorizados 21 bilhetes de identidade de residente. Os dados da Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) foram divulgados ontem pelo jornal Ponto Final. Os números dos últimos dois anos foram os mais baixos desde 2000. Desde 2021, um dos anos da pandemia em que havia fortes restrições de entrada no território, que o número nunca ficou acima das 100 autorizações, como acontecia regularmente desde 2000.
Igreja | Papa sem medo da Administração de Trump Hoje Macau - 14 Abr 2026 O Papa rejeitou ontem ter medo da Administração dos Estados Unidos e querer entrar em debate com o chefe de Estado norte-americano, após as críticas feitas por Trump a Leão XIV. “Não sou político, não tenho qualquer intenção de entrar em debate com ele. A mensagem é sempre a mesma: promover a paz”, argumentou o Papa em declarações aos jornalistas que o estão a acompanhar na sua visita a Argélia. Leão XIV chegou à Argélia ontem para uma visita histórica, a primeira de um Papa ao país, no início de uma viagem de onze dias por África, que foi perturbada antes de começar pelas duras críticas do Presidente norte-americano. Num contexto internacional de tensão provocada pela guerra no Médio Oriente, o Presidente norte-americano lançou fortes críticas contra o Papa, dizendo que “não era grande fã” dele. Leão XIV tinha proferido um discurso contra o conflito no Médio Oriente. Num gesto que poderia ser interpretado como um apoio ao Papa, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni — próxima de Trump — divulgou uma declaração na manhã de ontem a desejar ao Papa uma viagem proveitosa a quatro países africanos. Em Argel, o Papa foi recebido com honras debaixo de chuva pelo Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune. Uma salva de tiros foi disparada quando desembarcou do avião papal. Esta viagem à Argélia “é muito especial”, disse Leão XIV ao chegar à terra natal de Santo Agostinho, cujo pensamento perpassa o seu pontificado. Este grande pensador cristão do século IV é “uma ponte muito importante no diálogo inter-religioso”, e “esta viagem representa uma oportunidade muito preciosa para continuar a promover a paz e a reconciliação com respeito e consideração por todos os povos”, acrescentou. Viver em paz A coexistência pacífica estará no centro da mensagem do Papa neste país de 47 milhões de habitantes, onde o Islão sunita é a religião oficial. Na primeira paragem da sua visita de dois dias, o Papa Leão XIV prestará homenagem no Monumento aos Mártires às vítimas da Guerra da Independência contra a França (1954-62), um gesto de reconhecimento da história dolorosa da nação. Será depois recebido pelo Presidente Tebboune e fará o seu primeiro discurso às autoridades e ao corpo diplomático. À tarde, visitará a Grande Mesquita, um complexo monumental com o minarete mais alto do mundo (267 m), antes de seguir para a Basílica de Nossa Senhora de África, uma emblemática igreja cristã com vista para a Baía de Argel. Durante uma celebração inter-religiosa que vai reunir cristãos e muçulmanos, o líder dos 1,4 mil milhões de católicos vai apelar à fraternidade num país onde os católicos representam menos de 0,01% da população. Esta viagem marca o início da primeira grande viagem internacional do Papa, de 70 anos, que o levará aos Camarões, Angola e Guiné Equatorial [de 13 a 23 de Abril], uma maratona de 18.000 quilómetros com uma agenda bastante preenchida. Numa peregrinação mais pessoal, o Papa viajará na terça-feira para Annaba (leste), perto da fronteira com a Tunísia, a antiga Hipona Régia, cujo bispo foi Santo Agostinho (354-430).
Macau | Feira de Turismo fecha com 60 acordos assinados Hoje Macau - 14 Abr 202614 Abr 2026 A Expo Internacional de Turismo de Macau encerrou após três dias de actividades, marcados pela assinatura de cerca de 60 protocolos de cooperação e pela estreia de pavilhões dedicados à tecnologia turística e à economia de baixa altitude. A 14.ª edição do evento teve lugar de 10 a 12 de Abril no hotel-casino Venetian Macau e contou com mais de 700 expositores dos mercados nacional e internacional, e nove de países de língua portuguesa. Segundo a organização, perto de 120 instituições e associações ligadas à cultura e ao turismo participaram na cerimónia de assinatura realizada no sábado, abrangendo áreas como a expansão global do turismo, a indústria digital e inteligente, a integração da medicina com o turismo e a iniciativa Nova Rota da Seda. Um dos destaques da expo foi o “Pavilhão da Tecnologia Turística”, que reuniu empresas como a AutoNavi, a iFlytek e a Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), apresentando produtos e serviços tecnológicos aplicados ao sector. Também estreou o “Pavilhão da Economia de Baixa Altitude”, com empresas como a gigante chinesa de drones DJI e a empresa de aeronaves EHang a mostrarem soluções para tráfego aéreo urbano e turismo de baixa altitude. A economia de baixa altitude é um novo sector económico focado no uso de aeronaves civis tripuladas e não tripuladas (drones) em altitudes entre 1.000 a 3.000 metros. A expo apostou também na demonstração de ferramentas digitais para a indústria do turismo, incluindo um sistema inteligente de navegação 3D para orientar os visitantes em Macau. Na abertura do evento, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse que face “às incertezas da conjuntura internacional e da geopolítica”, Macau espera alargar a origem dos turistas. As autoridades de Turismo de Macau declararam estar a ponderar cobrir os custos de transporte dos turistas internacionais que aterrarem no aeroporto de Guangzhou, no sul da China, para se deslocarem ao território.