Macau Boys: a micro-história da poesia em língua inglesa entre nós

Há uns anos, o investigador Rogério Puga chamou a atenção para algo que poucos de nós conhecíamos: uma pequena linhagem de poetas escrevendo em inglês sobre Macau. A história começa logo no início de Hong Kong, quando se fundou essa colónia e os ingleses que cá andavam para lá foram. Já nos anos 1840, Sir John Francis Davis, um dos primeiros governadores de Hong Kong, andava por Macau a namoriscar Camões, e compôs um soneto latino, que foi publicado no Canton Repository, jornal de bretões de Cantão, e depois inscrito na própria Gruta. Décadas depois, W.H. Auden passou por cá e ficou fascinado com esta erva daninha católica. De um lado, a Hong Kong frenética dos negócios; do outro, esta Macau sonolenta onde santos barrocos seguravam o queixo de jogadores e opiómanos. Seu contemporâneo, um gordo militar britânico residente ao hotel Boa Vista, G.H. Jollie (1921-1950), pachorrentamente publicou “The Edge of the World: Translations from the Chinese and Some Additional Poems” (1949), sobre o território.

Em 2006, nascia a Association of Stories in Macao (ASM), uma pequena organização que se propunha promover a escrita sobre Macau. O nome por trás da transformação era o de Kit Kelen, um australiano que decidiu fazer de Macau a sua casa literária. Durante treze anos, este poeta e professor da Universidade de Macau conduziu estoutra nau do trato.

As três antologias que a ASM publicou entre 2008 e 2009 são prova disso. A primeira, I Roll the Dice, Contemporary Macau Poetry, reunido por K. Kelen e Agnes Vong, reuniu mais de cem poetas contemporâneos de língua inglesa de Macau, originais e traduzidos, que mostra como a literatura de língua inglesa é vértice oculto de uma triangulação que apenas tem o Chinês e o Português como início(s). E quem diz Inglês, não diz só ingleses e australianos. Veja-se o belíssimo “Pan Chai: a Filipino boy in Macau”, de Papa Osmubal, da mais interessante poesia que se tem publicado em inglês em Macau, justamente pela ASM Poetry, em 2011.

Macau é terra de poetas, disse Kelen em outra parte. De alguma forma os temas repetem-se: o acaso, a sorte, o jogo. A ASM não parou por aqui. Criou parcerias, editou revistas online, publicou poetas chineses traduzidos para inglês. Kelen tornou-se editor da revista Poetry Macao e colaborou com publicações locais.

Macau é de facto a porta, a passagem, como está inscrito no seu caligrama tão bem conhecido de nós, e que todos os dias vemos, na rua. Felizmente não apenas para as redes expatianas, passe o neologismo. Também para os filipino boys deste Macau.

 

O sexo e a cidade

Rejeição da união homossexual pode violar Estado de direito em Hong Kong

O líder do Governo de Hong Kong prometeu ontem respeitar a decisão do parlamento sobre o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo, mas alertou que uma rejeição poderia violar o Estado de direito.

John Lee Ka-chiu recordou ontem que o tribunal superior do território deu, em Setembro de 2023, dois anos às autoridades para elaborar normas que garantam os “direitos fundamentais” dos casais homossexuais, como as uniões civis.

“O Governo não deve agir em violação da decisão do tribunal; caso contrário, será contra o Estado de direito”, sublinhou aos jornalistas o chefe do Executivo da região semiautónoma chinesa.

“O Estado de Direito é a pedra basilar da economia de Hong Kong, da confiança dos investidores e do seu sucesso de longa data. Violar o Estado de direito significará consequências graves”, alertou John Lee.

Um quadro legal, proposto pelo Executivo, que pretende reconhecer certos direitos a casais do mesmo sexo legalmente casados no estrangeiro, vai pela primeira vez ao Conselho Legislativo – o parlamento de Hong Kong – na quarta-feira.

Em 03 de Julho, a maioria dos intervenientes numa discussão parlamentar mostrou-se contra. De acordo com o jornal South China Morning Post, pelo menos 41 dos 90 deputados já demonstraram intenção de vetar a proposta.

 

Apoio popular

John Lee prometeu ontem “respeitar a decisão final” do parlamento, mas garantiu que Hong Kong vai continuar a apenas permitir “o matrimónio monógamo e heterossexual”.

Também a 03 de Julho, o fundador da organização não-governamental Hong Kong Marriage Equality (‘Igualdade no casamento’) garantiu à Lusa que “a sociedade está pronta”, citando um estudo de 2023, segundo o qual 60 por cento da população apoia o matrimónio entre homossexuais.

“A orientação é muito conservadora e temos uma grande preocupação com uma das condições, que exigiria que os casais registassem primeiro a união no estrangeiro. Acreditamos que isso é injusto”, afirmou Jerome Yau.

“Se a proposta se tornar lei, o que se vai fazer, essencialmente, é criar duas classes de casais do mesmo sexo, aqueles que se casaram lá fora e os que não são casados”, referiu Yau, fazendo nota da estranheza de ter de “pagar para viajar” e casar.

A proposta em discussão não vai equiparar as uniões ao casamento, mas limita-se a conceder direitos em áreas como questões médicas, incluindo visitas hospitalares e acesso aos registos médicos do casal, bem como disposições pós-morte.

A proposta exige que os casais sejam maiores de idade e que pelo menos um dos parceiros seja residente em Hong Kong.

“Adeus, Minha Concubina” encerra temporada da Orquestra Chinesa

O concerto que irá encerrar a temporada da Orquestra Chinesa de Macau está marcado para o sábado dia 26 de Julho, às 20h, no grande auditório no Centro Cultural de Macau. Paradoxalmente, o concerto de fecho da temporada intitula-se “Chegada Auspiciosa”.
Sob a batuta do director musical e maestro principal da orquestra, Zhang Lie, o concerto contará com a participação da mestre de jinghu Wang Caiyun, da solista de yangqin Liu Yinxuan e da soprano Cui Rui e um programa que “entrelaça clássicos da música chinesa e a essência lendária da Ópera de Pequim”, é referido numa nota de imprensa da Orquestra Chinesa de Macau.
Um dos pontos altos da performance será a interpretação de “Adeus, Minha Concubina” pela soprano Cui Rui, que dará voz ao poema sinfónico nacional de Guan Xia. “Adeus Minha Concubina” recria a “história épica de Xiang Yu e da consorte Yu com uma abordagem vocal inspirada na ópera chinesa, dando uma nova vida a este tesouro cultural chinês”.

Espírito de Pequim
O concerto reunirá vários artistas de excelência, que interpretarão obras clássicas intemporais. A solista de yangqin Liu Yinxuan interpretará concerto para Yangqin “Rapsódia”, da autoria da compositora Wang Danhong. Segundo a nota de apresentação do concerto, esta composição “evidencia as infinitas possibilidades expressivas do instrumento através do uso de técnicas de execução variadas e de uma grande expressividade musical”.
A mestre de jinghu Wang Caiyun interpretará, juntamente com a orquestra, “Espírito de Pequim”, uma obra de Wu Hua, que exige um domínio técnico magistral do jinghu e revela o charme artístico dos instrumentos.
Os bilhetes para o derradeiro concerto da temporada estão à venda na bilheteira online de Macau e custam entre 120 e 380 patacas.
A temporada de concertos da Orquestra Chinesa de Macau 2024-25 é organizada pelo Instituto Cultural e co-organizada pela Sociedade Orquestra de Macau, Limitada, contando com o apoio do Banco da China (Macau).

Crime | Mulher detida por burla de 620 mil patacas

Uma residente local, de 30 anos, foi detida depois de burlar uma mãe em 620 mil patacas, através de grupo de conversação online para representantes de uma escola e encarregados de educação.
Segundo a conferência de imprensa da Polícia Judiciária (PJ), em Agosto do ano passado, a detida contactou a vítima privadamente, alegou ser agente da PJ e disse ter forma de arranjar bilhetes para concertos com preços mais baixos. Além da troca de mensagens sobre os bilhetes, a detida também enviou várias fotos fora do edifício da PJ para convencer a compradora.
A transferência do dinheiro foi feita, mas como até Outubro os bilhetes nunca foram entregues, apesar dos múltiplos contactos, a vítima acabou por fazer queixa. Depois da investigação, foi verificada que a suspeita não era agente da PJ, nem tinha forma de comprar os bilhetes. Todo o dinheiro recebido com a burla foi gasto em despesas quotidianas e para pagar dívidas.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público pelas práticas de burla de valor consideravelmente elevado e de usurpação de funções.

Doca do Lam Mau | Embarcação afundou devido a problema mecânico

Um barco atracado na Marina da Doca de Lam Mau começou a afundar e obrigou à intervenção da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA). O acidente aconteceu pelas 9h30 de segunda-feira, e na origem do problema terá estado uma avaria mecânica.
O acidente foi reconhecido pela DSAMA através de um comunicado, que informou não terem sido registados feridos. “Tendo em conta o derramamento de uma pequena quantidade de petróleo da embarcação de recreio em causa, a DSAMA activou o mecanismo de contingência, colocando imediatamente absorventes de combustíveis em volta da embarcação de recreio para prevenir a propagação de petróleo”, foi informado. “A DSAMA está a monitorizar a situação, exigindo à Marina da Doca de Lam Mau e ao proprietário da embarcação de recreio que procedam à remoção da embarcação e à recolha de resíduos oleosos o mais rápido possível”, foi acrescentado.
Tendo em conta o possível destaque para o ambiente local e para a água devido ao derrame de álcool, os trabalhadores da DSAMA comunicaram o caso à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Esta enviou pessoal para o local “pessoal de acordo com o mecanismo para fiscalizar o ambiente das áreas marítimas circundantes”, foi adiantado.

Turismo | Joalharia e relógios fazem aumentar preços

Entre Abril e Junho, o Índice de Preços Turísticos (IPT) cresceu 1,42 por cento face ao período homólogo, de acordo com os dados revelados ontem pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Este aumento foi explicado pela DSEC com a “preços da joalharia e do relógio, bem como do divertimento e lazer”, sectores onde os preços aumentaram 13,4 por cento e 12,0 por cento, respectivamente.
No entanto, alguns dos sectores mais importantes do turismo viram os preços ficarem mais baratos, como aconteceu com o vestuário e a restauração, com reduções de 3,14 por cento e 2,8 por cento.
No segundo trimestre, o IPT diminuiu 2,31 por cento, quando comparado com o período entre Janeiro e Março. Em termos trimestrais, o índice de preços da secção do alojamento desceu 13,29 por cento, devido ao decréscimo de preços dos quartos de hotel. O índice de preços da secção de divertimento e actividades culturais subiu 4,59 por cento. Já o preço dos bens diversos, onde se incluem as joalharias e relógios, registou um aumento de 3,83 por cento.
Em relação aos primeiros seis meses do ano, o IPT subiu 1,29 por cento, em termos anuais. O índice de preços da secção dos bens diversos, cresceu 14,32 por cento, e o índice do divertimento e actividades culturais aumentou 10,00 por cento.
Ao mesmo tempo, o índice de preços da secção do alojamento caiu 4,49 por cento e o dos medicamentos e bens de uso pessoal decresceu 3,00 por cento.

CAEAL | Governo manifesta “forte apoio” às exclusões

Momentos depois de terem sido tornadas públicas as exclusões às eleições devido à decisão da Comissão de Defesa de Segurança do Estado, o Governo emitiu um comunicado a manifestar o “forte apoio” às exclusões.
“No dia 15 de Julho […] a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa […] tomou, nos termos da lei, a decisão em relação aos candidatos que não possuem a capacidade para serem candidatos por não defenderem a Lei Básica ou não serem fiéis à Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China”, pode ler-se. “A referida decisão […] é uma medida correcta para a plena implementação do princípio fundamental ‘Macau governado por patriotas’, e o Governo da Região Administrativa Especial de Macau […] afirma o seu forte apoio a essa decisão”, foi acrescentado.
Todos os membros da comissão, à excepção dos assessores do Governo Central e que não têm direito de voto, são membros do Governo local, ou escolhidos por este. A comissão é presidida pelo Chefe do Executivo e tem como vogais o secretário para a Administração e Justiça, secretário para a Segurança, como vice-presidente, o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, o chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, o chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança, o director dos Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Polícia Judiciária, um assessor do Gabinete do Chefe do Executivo e um assessor do Gabinete do Secretário para a Segurança.

PIB | Associação prevê crescimento de 2,8% no primeiro semestre

O Produto Interno Bruto (PIB) da RAEM poderá crescer 2,8 por cento, em termos anuais, no primeiro semestre de 2025 e cerca de 7 por cento na segunda metade do ano. Esta é a perspectiva da Associação Económica de Macau, que lançou ontem o Índice de Prosperidade Económica.
A análise da associação presidida por Joey Lao destaca o papel fundamental da organização de concertos, que terá impulsionado a performance dos casinos.
“Graças à forte organização de concertos, as receitas brutas do jogo continuaram a recuperar de forma constante, com as receitas médias diárias a situarem-se entre 684 milhões e 702 milhões de patacas em Maio e Junho”, contextualizam os analistas. As receitas apuradas superaram mesmo as expectativas do mercado, acompanhando também o aumento do volume de turistas que visitou Macau. No passado mês de Maio, uma média diária de cerca de 109 mil pessoas visitou o território, dos quais quase 40 mil ficaram hospedados em hotéis de Macau, elevando a taxa de ocupação dos quartos para 87,8 por cento.
Porém, apesar de mencionar o aumento da massa monetária e a abundância de fundos, os analistas da associação destacam a contínua queda do índice de preços do mercado imobiliário para habitação, assim como o rácio empréstimos/depósitos do banco dos residentes locais que desceu ainda mais para 49,3 por cento, atingindo ambos um novo mínimo na última década. Este desequilíbrio é interpretado pelos analistas como um reflexo da dificuldade de transformar eficazmente os fundos em dinamismo económico real.

Confiança e sentimento
Apesar do poderia económico do Cotai, o organismo liderado por Joey Lao volta a realçar a situação externa complexa e imprevisível, e a fraca confiança dos consumidores e baixa procura, lançado incertezas em relação à saúde da economia da cidade.
“A economia de Macau está numa fase crítica de transformação e desenvolvimento. É necessário um esforço conjunto do Governo e do mercado para optimizar o ambiente empresarial e promover o desenvolvimento diversificado das indústrias, a fim de melhorar a competitividade global e alcançar um desenvolvimento sustentável”, é referido no Índice de Prosperidade. A estabilidade da taxa de desemprego é também mencionada como uma prova da capacidade de resiliência da economia local.

OCX | Chefes da diplomacia reúnem-se na China

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) reuniram-se ontem em Tianjin, nordeste chinês, num momento marcado por tensões internas e pelo esforço de Pequim para reforçar a coesão do bloco.
A reunião junta os chefes da diplomacia de países como China, Rússia, Índia, Irão e Paquistão, entre outros, num ano em que a presidência rotativa da organização está a cargo de Pequim.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o encontro visa promover “um consenso mais alargado” entre os Estados membros, abordando a cooperação regional e os principais desafios internacionais.
A reunião decorre poucas semanas após uma cimeira entre ministros da Defesa da OCX, realizada em Qingdao, que terminou sem declaração conjunta devido a desacordos sobre questões de segurança, nomeadamente no combate ao terrorismo.
Nessa ocasião, a Índia recusou assinar o texto final, acusando veladamente o Paquistão de usar o terrorismo transfronteiriço como instrumento político e de dar abrigo a grupos extremistas.
A presença do ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subrahmanyam Jaishankar, surge na sequência de uma reunião com o homólogo chinês, Wang Yi, realizada na véspera em Pequim, naquela que foi a primeira visita de um chefe da diplomacia indiana à China desde o confronto fronteiriço no vale de Galwan, em 2020, que causou vítimas mortais em ambos os lados.
Wang apelou para um relançamento das relações com base na “boa vizinhança e confiança mútua”, enquanto Jaishankar destacou os avanços na normalização dos laços no último ano e frisou a necessidade de evitar novas fricções fronteiriças e restrições comerciais.
O ministro indiano defendeu ainda que a OCX deve adotar uma política de “tolerância zero” face ao terrorismo.

Ultrapassar diferenças
O chefe da diplomacia iraniano, Abás Araqchí, também participa na reunião, depois de um recente conflito de 12 dias entre Irão e Israel, que lançou uma ofensiva contra alvos iranianos a 13 de Junho. Esses ataques foram condenados por vários membros da OCX, incluindo a China e a Rússia, aliados estratégicos de Teerão.
Citado pelo jornal oficial Global Times, o director do Centro de Desenvolvimento Social Euroasiático do Conselho de Estado chinês, Li Yongquan, minimizou as tensões internas, sublinhando que “as diferenças não anulam o valor da organização” e que a OCX constitui “uma excelente plataforma para gerir essas divergências e impedir que se agravem”.
Na mesma linha, o investigador Cui Heng, do Instituto Nacional para a Cooperação Judicial e Intercâmbio Internacional da OCX, afirmou que a organização, inicialmente centrada na segurança, evoluiu para um mecanismo de cooperação abrangente.
“Há um défice de segurança na Eurásia, agravado pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e a OCX oferece um quadro complementar para colmatar essa lacuna”, explicou.

Meio mundo
A OCX, que integra países como China, Rússia, Índia, Irão, Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, Tajiquistão, Bielorrússia e Usbequistão, é considerada a maior organização regional do mundo em termos de população e extensão geográfica, abrangendo cerca de 40 por cento da população global.
Apesar de os membros afirmarem que a OCX não é uma aliança militar e visa proteger os Estados contra ameaças como o terrorismo, o separatismo e o extremismo, alguns analistas consideram que a sua principal função é contrabalançar a influência da NATO.
Li rejeitou essa leitura, defendendo que a organização “não é um contrapeso direto aos Estados Unidos” e que assenta “no respeito pela soberania, integridade territorial e diversidade cultural” dos seus membros.

Taipa Village | Leques pintados por Chao Iok Leng em exposição

A exposição “Chinese Foldable Fan Paintings por Chao Iok Leng” é inaugurada hoje na Taipa Village Art Space, apresentando ao público a expressão estética da artista baseada em Macau, que nesta mostra saiu do confinamento restrito da tela para um objecto do dia-a-dia: o leque dobrável.
Numa altura em que as ventoinhas portáteis se tornaram num objecto omnipresente, a expressão artística de Chao Iok Leng é uma abordagem refrescante à tradição das pinturas de leques dobráveis chineses com uma técnica inegavelmente hábil utilizando tinta da China.
A colecção de leques pintados representa uma “rara intersecção de função e beleza, em que a função de arrefecimento é acentuada pela impressão artística no seu delicado papel”, refere a organização da mostra. “Esta exposição procura reabastecer o nosso quotidiano com um objecto exótico enraizado na cultura chinesa antiga e na apreciação do sublime”, é acrescentado pela organização da exposição.
Nesta mostra, Chao Iok Leng adornou a folha dos leques com imagens inspiradas em motivos florais (com hostas, glicínias, peónias, magnólia, ameixas e lótus), frutos (romã e líchia) e legumes (couve, pimento, lenteinhas). Também aparecem representações de animais, com insectos e algumas aves, realça o curador da mostra João Ó.
Cada pintura é acompanhada por uma inscrição ou um pequeno poema que acrescenta um contexto adicional, revelando a visão emocional da artista durante a criação.
No comunicado da organização que apresenta a exposição, a artista é citada explicando que “estes não são géneros de ‘naturezas mortas’, mas retratam elementos vivos que vemos no nosso quotidiano, mas que raramente apreciamos”.

Retrato da artista
Chao Iok Leng, originária de Nanhai, Guangdong, viveu em Macau durante a maior parte da sua vida e, desde a infância, tem um profundo e vasto interesse pela arte. No início dos anos 70, estudou com Guan Wanli, aprendendo a pintura meticulosa de flores e pássaros, e mais tarde estudou pintura ocidental com Li Lun, misturando os estilos oriental e ocidental.
No final da década de 1970, mudou-se para Hong Kong, onde estudou pintura de flores e pássaros e pintura de paisagem com Luo Zuishan e aprendeu caligrafia com Liang Zijiang.
Depois de regressar a Macau, estudou pintura chinesa e ocidental com Zhao Weifu e saía frequentemente para desenhar com os seus pares. Na década de 1980, estudou técnicas de pintura Lingnan com Zhao Shaoang e viajou para Pequim para aprender a pintura meticulosa de flores e pássaros com Xu Junxiu.
Chao Iok Leng é vice-presidente da Associação de Caligrafia e Pintura Yi Un de Macau, conselheira académica da Associação de Cultura e Artes Chinesas de Macau, conselheira artística da Associação de Cultura e Arte de Macau, conselheira honorária da Associação Internacional de Mulheres Artistas de Macau e membro da Sociedade de Artistas de Macau.
Em 1987, realizou a sua primeira exposição individual no Museu Luís de Camões de Macau, com obras coleccionadas pelo museu. Em 1996, foi convidada pela Direcção dos Serviços de Turismo para realizar uma exposição de pinturas chinesas intituladas “O Encanto do Lazer”, e participou em inúmeras exposições conjuntas tanto a nível local como internacional.
A exposição “Chinese Foldable Fan Paintings por Chao Iok Leng” estará patente ao público até 17 de Setembro e é patrocinada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

Eleições | Listas de Ron Lam e Alberto Wong excluídas

A Comissão de Defesa da Segurança do Estado excluiu das próximas eleições legislativas as listas Poder da Sinergia, liderada pelo deputado Ron Lam, e a lista Macau Creative People’s Livelihood Force, que tinha Alberto Wong como cabeça de lista. A novidade foi anunciada ontem numa conferência de imprensa pelo presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), o juiz Seng Ioi Man, em que as expressões “de acordo com a lei” e “confidencial por motivos de segurança do Estado” foram as mais usadas.
“Atendendo ao parecer da Comissão de Defesa da Segurança do Estado de que os candidatos não defendem a Lei Básica ou não são fiéis à RAEM, a CAEAL decidiu que os candidatos não possuem capacidade para serem candidatos”, afirmou ontem Seng Ioi Man.
Após mais uma onda de exclusões, as opiniões de concordância à decisão não se fizeram esperar (ver texto híbrido), com o Governo e o Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM a demonstrarem total apoio à decisão da CAEAL.
Também Ron Lam reagiu após a revelação de que não iria poder renovar o seu mandato como deputado, numa publicação nas redes sociais. “Obrigado pelas vossas preocupações e resposta unida. Não recebi nenhuma notificação, apenas vi as notícias em directo como todos vós. Foi muito repentino. Estou muito calmo e de consciência tranquila, a minha dedicação a Macau não vai mudar, mas acredito que o sol brilha sempre depois da tempestade”, comentou. “Só posso pedir desculpas a todos por não poder continuar a servir-vos. Quero sinceramente agradecer a toda a equipa que me acompanhou no serviço a Macau, todos vós”, concluiu Ron Lam.

Testes de pureza
Recorde-se que nas eleições legislativas de 2021, em que foram excluídos 21 candidatos pela CAEAL, a análise ao patriotismo das listas deixou de fora o Poder da Sinergia e Ron Lam, que foi considerado patriota e fiel à RAEM e à Lei Básica.
Entre os dois sufrágios, a lei eleitoral foi alterada para garantir que só podem ser deputados patriotas e pessoas fiéis à RAEM e à Lei Básica, uma avaliação feita pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado. Ron Lam foi um dos deputados que ajudou a aprovar a lei que acabaria por justificar a sua exclusão das eleições cerca de um ano e meio depois da aprovação por unanimidade.
A aprovação unânime das alterações à lei eleitoral foi mencionada ontem pela CAEAL num comunicado publicado pelo Gabinete de Comunicação Social após a conferência de imprensa: “A proposta da lei foi votada e aprovada na especialidade na Assembleia Legislativa por unanimidade dos deputados presentes. A CAEAL confia plenamente na determinação da Comissão da Defesa da Segurança do Estado a qual foi efectuada nos termos da lei e possui autoridade e alto nível de especialização.”
O organismo é presidido pelo Chefe do Executivo e constituído pelos secretários para a Administração e Justiça e para a Segurança, o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, os directores dos Serviços de Assuntos de Justiça e da Polícia Judiciária, assim como os chefes dos gabinetes do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança.
Além disso, o Governo Central criou, junto da comissão, um lugar de assessor para os assuntos de segurança nacional, a quem cabe a supervisão, orientação, coordenação e apoio à RAEM no desenvolvimento dos trabalhos de defesa da segurança do Estado, e outros três assessores técnicos.

Não se pode
Quando foi questionado sobre os critérios usados para determinar o grau de fidelidade dos candidatos a deputados, Seng Ioi Man recusou revelar os factos que levaram à exclusão, defendendo que “os trabalhos e documentos da Comissão da Defesa da Segurança do Estado são confidenciais”.
O magistrado que preside à CAEAL sublinhou ainda que os pareceres vinculativos da Comissão de Defesa da Segurança do Estado, dos quais não é possível recorrer, “têm um fundamento legal claro e suficiente” e foram elaborados “tendo em conta os factos”, que não pode revelar.
Seng Ioi Man afirmou que a sua divulgação “pode representar certos riscos para a segurança nacional, não devendo nem podendo ser publicado o seu conteúdo”.
Pressionado pelos jornalistas a divulgar qual ou quais dos sete critérios incluídos na nova lei eleitoral, em vigor desde Abril de 2024, levaram a esta decisão, Seng disse apenas que a CAEAL “não tem mais informações a providenciar”.
Pouco depois do anúncio da comissão eleitoral, a Comissão de Defesa da Segurança do Estado sublinhou, num comunicado, que quando um candidato é excluído por falta de patriotismo, todos os outros candidatos da mesma linha são também afastados.
Com a decisão divulgada ontem, vão concorrer às eleições, marcadas para 14 de Setembro, seis listas pelo sufrágio directo, menos oito do que há quatro anos. A lista de Pereira Coutinho e todas as listas de associações tradicionais estão aptas a concorrer.
Questionado pelos jornalistas sobre um eventual novo aumento da abstenção, Seng sublinhou que “o direito de voto é também um dever” e prometeu estar atento a eventuais apelos ao boicote das eleições. A nova lei eleitoral estabelece que “quem, publicamente, incitar os eleitores a não votar, votar em branco ou nulo, é punido com pena de prisão até três anos”.

Visita | Xi Jinping elogia reaproximação com Austrália

O Presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, reuniram-se ontem em Pequim com o objectivo de “impulsionar a relação bilateral”, num contexto de normalização dos laços entre os dois países.
“Pequim está disposta a colaborar com a parte australiana para promover o desenvolvimento da relação bilateral e alcançar novos progressos que beneficiem os dois povos”, afirmou Xi Jinping antes da reunião, segundo um comunicado divulgado pelo Governo australiano.
Albanese destacou os avanços na cooperação com o seu principal parceiro comercial e a vontade de actualizar o Acordo de Livre Comércio entre os dois países, em vigor desde dezembro de 2015, apesar das divergências políticas e comerciais.
“Agradeço a oportunidade de apresentar as opiniões e interesses da Austrália, bem como a nossa perspectiva sobre como manter a paz, a segurança, a estabilidade e a prosperidade na nossa região”, disse o líder australiano, conhecido pelas suas críticas à crescente influência chinesa no Indo-Pacífico.

Objectivos comuns
A visita de Albanese à China surge num momento em que tanto Camberra como Pequim procuram diversificar os seus mercados, perante as elevadas taxas alfandegárias impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
As relações entre os dois países deterioraram-se entre 2018 e 2022, sob o anterior Governo conservador australiano, após o pedido de uma investigação internacional sobre a origem da covid-19.
Em resposta, Pequim impôs tarifas elevadas sobre produtos australianos como vinho, cevada, lagosta e carne bovina – restrições que foram sendo gradualmente levantadas nos últimos anos.
“A relação entre a China e a Austrália superou os retrocessos e deu uma volta positiva, trazendo benefícios concretos para os povos chinês e australiano”, afirmou Xi.
Albanese, que chegou no sábado a Xangai acompanhado por uma comitiva de empresários, deverá reunir-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e visitar a cidade de Chengdu amanhã, onde concluirá a sua visita.
Apesar da tradicional proximidade entre Camberra e Washington, o líder australiano ainda não se encontrou com Donald Trump desde o regresso deste à Casa Branca.
Uma reunião bilateral prevista para Junho, à margem da cimeira do G7 no Canadá, foi cancelada à última hora, e Albanese também não participou no encontro da NATO na Holanda.
As relações entre os dois aliados históricos atravessam um momento sensível, devido às tarifas impostas pelos EUA sobre exportações australianas de cobre, alumínio e aço.
Além disso, Trump tem revisto os termos do pacto de segurança AUKUS, assinado em 2021 com Reino Unido e Austrália, no âmbito do qual Camberra planeia adquirir submarinos de propulsão nuclear com tecnologia norte-americana.

Bombeiros | Redução no número de intervenções em incêndios

Entre Janeiro e Junho, o número intervenções do Corpo de Bombeiros em incêndios teve uma redução de 49 ocorrências, ou 10,77 por cento, face ao período homólogo. Os números foram apresentados ontem pelo Corpo de Bombeiros através de uma conferência de imprensa.
Nos primeiros seis meses do ano, o Corpo de Bombeiros foi chamado a intervir em 406 fogos, quando no mesmo período do ano passado tinham actuado em 455 ocasiões. Entre os 406 incêndios, os bombeiros tiveram de recorrer a mangueiras para extinguir as chamas em 85 ocasiões. Nos restantes 321 incêndios, as chamas foram extintas sem utilização de mangueira.
A informação oficial mostra ainda que 78 dos 406 incêndios tiveram origem em comida queimada. “As principais causas dos incêndios deveram-se ao esquecimento de desligar os fogões, ao esquecimento de chamas não extintas, queixa de incensos e velas/papéis votivos, curtos-circuitos em instalações eléctricas e a falhas mecânicas/equipamentos”, pode ler-se no comunicado distribuído durante a conferência de imprensa.

Menos saídas
Em relação ao número de saídas de ambulâncias em serviço, nos primeiros meses do ano registaram-se 22.388 casos, que implicaram a deslocação de 23.983 veículos. Estes números significam uma redução de 3,53 por cento no número de casos com veículos de emergência, dado que no período homólogo tinham sido registados 23.207 casos, mais 819 do que no período mais recente. Quanto ao número de veículos chamados, houve uma redução de 4 por cento para 24.982 veículos, havendo menos 999 saídas.
A redução do número intervenções de veículos de emergência foi explicada com um menor número de casos de indisposições leves, febres ou dificuldades respiratórias. Ainda assim, os principais casos de intervenção das ambulâncias prenderam-se com tonturas, dores abdominais, dificuldades respiratórias, vómitos, febres e ferimentos.
Ao nível das operações de salvamento, verificou-se uma redução de 9,06 por cento para 833 casos, quando no período homólogo 916 casos justificaram intervenções. Uma tendência negativa foi igualmente registada nos serviços especiais, com uma redução de 23,96 por cento para 2.339 casos, quando antes o registo foi de 3.07 situações.
A nível geral, contabilizaram-se assim um total de 25.966 eventos com intervenção do Corpo de Bombeiros, uma redução de 6,1 por cento ou de 1.688 ocasiões, face ao período homólogo, quando se verificaram 27.654 casos.

Investigador altamente qualificado entrega comida (II)

Na semana passada, discutimos a história de Ding Yuanzhao (丁遠昭), um estudante chinês altamente qualificado. Ding Yuanzhao tem um doutoramento e trabalhou como investigador numa universidade. Depois de o seu contrato não ter sido renovado, passou a entregar comida. Quando a sua história se espalhou na internet, passou a ser alvo de muita atenção na China continental. Estavam todos preocupados com a transformação que a sua vida sofrera. A razão é simples. Na cultura chinesa, acredita-se que o estudo cultiva o carácter. Em épocas passadas, era o caminho para aceder a altos cargos oficiais. Por conseguinte, o estudo é admirado e apreciado por todos. Mesmo na sociedade chinesa actual, os pais fazem tudo para que os filhos obtenham sucesso académico e posteriormente um trabalho bem pago. A experiência de Ding é incompatível com a cultura tradicional chinesa e naturalmente atraiu a atenção de toda a gente.
Ding fez um vídeo onde conta a sua história e carregou-o na Internet, afirmando que os estudantes que têm notas boas e aqueles que têm notas más não terão futuros profissionais muito diferentes; isto é certamente uma declaração pessimista. Na sociedade rica em informação dos nossos dias, devemos saber que as universidades transmitem o conhecimento aos alunos para que eles o venham a herdar. Só quando os alunos herdam o conhecimento e produzem inovação pode a sociedade progredir. E é precisamente isto que qualquer sociedade necessita. Portanto, haverá sem dúvida diferença entre as carreiras dos estudantes que receberam formação universitária e as daqueles que não receberam. É impossível que “não haja muita diferença nos trabalhos futuros.”

Em segundo lugar, do ponto de vista económico, um investigador universitário a trabalhar como entregador de comida demonstra que a sociedade ainda não recuperou completamente depois da pandemia. Estima-se que existam mais pessoas com histórias semelhantes à de Ding. Só quando a economia recuperar completamente, podem ser resolvidos gradualmente problemas como o desemprego e a disparidade entre a formação académica e o trabalho efectuado.
Talvez Ding possa considerar vir a pedir ao departamento laboral local que o ajude a encontrar um trabalho adequado à sua formação. Ding é uma pessoa altamente qualificada e as empresas de recursos humanos no mercado de trabalho em geral podem não ser capazes de lhe encontrar uma função compatível. Será benéfico para Ding procurar ajuda junto de departamentos governamentais. Resumindo, procurar trabalho adequado à sua formação das pessoas para “tirar o maior partido dos seus talentos”, é benéfico para a sociedade, para os empregadores e para os trabalhadores.
Em terceiro lugar, com o avanço da sociedade e a democratização da educação, cada vez mais pessoas recebem formação universitária e podemos encontrar por todo o lado doutorados. O aumento de pessoas com este grau académico não é acompanhado do aumento de postos de trabalho adequados à sua formação, e por isso cria-se uma situação em que que haverá “mais marinheiros que marés”, ou seja, em que a procura excede a oferta. Um exemplo típico é o lugar de professor universitário. Antigamente, era fácil encontrar colocação como professor universitário, desde que se tivesse um doutoramento, mas já não é o caso; é o resultado da proliferação das qualificações académicas. Portanto, mesmo que aqueles que procuram emprego tenham uma formação elevada, têm de estar preparados psicologicamente para enfrentar dificuldades. Se não se conseguir encontrar o trabalho que se procura, deve aceitar-se uma segunda opção e continuar à procura em vez de baixar os braços; ou seja, não fazer nada. Esta é a atitude correcta quando somos confrontados com a adversidade.
Para conseguir vantagem na procura de trabalho, as pessoas altamente qualificadas devem continuar a estudar e aprender a ter em muitos aspectos mais competências. Pelo mesmo salário, é melhor contratar alguém com múltiplas competências ou só com uma? A resposta é óbvia. Só acrescentando constantemente valor a nós próprios podemos encontrar o trabalho ideal.
Em quarto lugar, embora os valores estejam correctos, compreenderemos que as capacidades necessárias para entregar comida não são elevadas e o desenvolvimento desta carreira é limitado. Em vez de obter mais competências e continuar a estudar, Ding filmou a sua experiência e publicou-a online para chegar ao conhecimento do público. Isto vai sem dúvida transformar a sua experiência negativa numa oportunidade. Como ele é graduado por várias universidades prestigiadas, nacionais e internacionais, se quiser ser consultor de estudos universitários internacionais, as suas qualificações académicas e a sua experiência internacional facilmente lhe abrirão oportunidades de negócio.
Em quinto lugar, Ding tomou a decisão de trabalhar a entregar comida depois de perder o emprego, o que demonstra que tem uma atitude positiva e maleável. Quando se deparou com o desemprego, mudou de vida em vez de deitar a toalha ao chão, mas mais importante ainda é ter escolhido um trabalho em que “serve a sociedade, sustenta-se a si próprio, esforça-se e é recompensado.” Em resumo, trabalha arduamente, sustenta-se a si próprio e serve a sociedade”. Também em Macau existem muitos estudantes universitários que trabalham como condutores de autocarros e taxistas. Estes valores positivos devem ser encorajados.
A história de Ding lembra-nos que os jovens devem compreender que precisam de receber formação superior e qual deve ser o propósito da educação universitária. No caso de haver uma recessão económica, os jovens devem aceitar a realidade calmamente, manter uma atitude positiva, esforçar-se e ponderar várias saídas. Se baixarmos os braços, aí é que está tudo perdido.

Calor | Alerta para o risco de hipertermia

Com a emissão frequente de alertas para temperaturas altas, pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, os Serviços de Saúde avisaram a população para se acautelar face aos riscos de hipertermia. “Quando a temperatura do corpo sobe, o corpo irá naturalmente proceder ao ajustamento fisiológico para diminuir a temperatura corporal, nomeadamente, aumentar a transpiração e a frequência respiratória”, indicaram as autoridades. Quem acumular longos períodos de exposição ao sol, num ambiente húmido ou mal ventilado, deve ter em consideração que nem sempre o corpo consegue o ajuste fisiológico que permite controlar a temperatural corporal. Estas situações podem resultar numa série de consequências, sendo a mais grave a intermação que pode levar à morte.
A intermação ocorre na sequência de uma exposição prolongada a um calor intenso, provocando alterações fisiológicas do organismo, afectando o sistema nervoso central e a perda das funções de ajuste da temperatura do corpo. A pessoa deixa de suar, a pele torna-se seca, quente e vermelha e o pulso fica rápido e fraco à medida que a respiração acelera, podendo resultar em perda de consciência se a temperatura corporal atingir os 41 graus. Sem socorro e medidas que arrefeçam o corpo, o doente pode sofrer lesões cerebrais irreversíveis ou mesmo morrer.
A exposição a calor intenso pode resultar em síncope ou exaustão por calor, que provoca tonturas, pele húmida e fria e enfraquecimento do pulso, ou cãibras por calor, devido à grande quantidade de suor libertado, provocando desequilíbrio de electrólitos. Os efeitos tomam a forma de espasmos e convulsões musculares, sede extrema, cansaço, falta de força dos membros, náuseas, dor de cabeça, tonturas ou inconsciência temporária.

Entretenimento | Actrizes e actores do Japão vão animar o Cotai em Setembro

A actriz e cantora Sora Aoi foi escolhida como a embaixatriz da Expo do Entretenimento PinkD! – Macau, que traz ao Lisboeta alguns dos nomes mais conhecidos da indústria para adultos do Japão. O evento, que vai decorrer entre 26 e 28 de Setembro, no espaço H853 no hotel Lisboeta, traz a Macau cerca e 40 actrizes e actores, e pretende mostrar na Grande Baía as tendências mais recentes da indústria para adultos.
Ao longo dos três dias, os admiradores e curiosos vão poder participar em actividades como encontros um-a-um com as suas actrizes favoritas, visitar cenários utilizados em gravações de filmes e assistir a danças e outras demonstrações ao vivo. Além disso, haverá leilões e venda de produtos especiais lançados apenas para o evento.
Este ano o grande destaque dos organizadores é Sora Aoi, de 44 anos, actriz que no início dos anos 2000 era um dos nomes mais populares na indústria para adultos no Japão e com uma grande legião de fãs no Interior, capaz de até ultrapassar as tensões nacionalistas. A grande aceitação da actriz entre o público do Interior ficou demonstrada em Maio de 2012, durante um momento maior tensão entre a China e o Japão devido à chegada de actividades de Hong Kong às ilhas Diaoyu/Senkuku. Com a tensão em alta entre os dois países, e a internet inflamada com discursos nacionalistas, os internautas chineses não deixaram de tornar célebre a frase: “As ilhas Diaoyu pertencem à China, mas a Sora Aoi pertence ao mundo”.
A grande popularidade da actriz ficou também demonstrada pelo facto de em 2014 Aoi ter mais de 15 milhões de seguidores da rede social Weibo, apesar deste tipo de filmes serem proibidos.
A carreira activa de Aoi na indústria para adultos teve menos de 10 anos, mas trouxe-lhe o reconhecimento necessário para ao mesmo tempo conseguir papéis em séries de televisão no Japão e na Coreia do Sul e para se lançar no mundo da música. Aoi gravou o último filme para adultos em 2011, e deixou de licenciar produtos par adultos com a sua fisionomia em 2019, altura em que foi mãe pela primeira vez e decidiu dedicar-se à vida familiar.

Companhia de luxo
Outro dos nomes conhecidos do público masculino que vai estar presente no Cotai, é a modelo e actriz Shouko Takahashi, de 32 anos. Numa primeira fase, Takahashi começou por cimentar a carreira como capa em várias revistas orientadas para um público masculino, mas em que não aparecia totalmente nua, antes em bikini ou apenas com poses mais sensuais.
Em 2016, a roupa saiu das fotografias e nesse mesmo ano aconteceu a estreia no cinema pornográfico, depois de não ter conseguido o sucesso desejado como guitarrista na banda Camouflage. Apesar dos diferentes caminhos, em 2018 Shouko foi distinguida com quatro prémios Fanza Adult Awards, incluindo o de melhor actriz.
Habituada a constar na lista de nomeadas para os prémios Fanza Adult Awards está também Ayaka Yamagishi, outra das presenças confirmadas no Cotai. Igualmente com 32 anos, à imagem de Shouko Takahashi, Ayaka Yamagishi vai estar no Hotel Lisboeta quando atravessa uma segunda fase na carreira.
Inicialmente conhecida como Aika Yamagishi, a actriz estreou-se nesta área em 2017, depois de ter trabalhado durante alguns meses como apresentadora para um canal de televisão local na região de Tokai, na Prefeitura de Aichi. Com os 30 anos, chegou a vontade de mudança. O nome artístico passou assim de Aika para Ayaka, com a actriz a justificar que procurava fazer um novo tipo de trabalhos, com uma nova imagem, ainda que dentro da mesma indústria.

Companhia masculina
Outro dos grandes nomes que vai participar no evento é Mana Sakura, que também tem 32 anos. Natural da prefeitura de Chiba, Mana terminou os estudos em Engenharia Civil antes de decidir que pretendia ser actriz pornográfica. É a imagens de marca da agência SOD Create, com quem tem um contrato exclusivo de 2012. Além disso, é considerada pela agência como uma grande mais-valia por ser capaz de cativar uma grande audiência feminina.
Em contraste com as grandes actrizes, os nomes dos actores masculinos são menos conhecidos. Entre estes encontram-se Chitose Komei, Taichi Lin e Kazuo Kaden.
Os bilhetes para o evento encontram-se à venda desde o mês passado, e o evento só aceita a entrada a pessoas com mais de 18 anos. Os interessados precisam de fazer-se acompanhar pelo documento de identificação com fotografia. A entrada tem um custo de 280 patacas. O bilhete com encontros personalizados com as actrizes custa 480 patacas.

Terras raras | Exportações sobem 32% após flexibilização de licenças

As exportações chinesas de terras raras aumentaram 32 por cento, entre Maio e Junho, após Pequim ter prometido “rever e aprovar” os pedidos para vender ao exterior este grupo de minerais críticos para indústrias como semicondutores, aeronáutica, automóvel e defesa.
Segundo os dados divulgados ontem pela Administração Geral das Alfândegas da China, o volume exportado de terras raras aumentou 32,02 por cento em Junho, face a Maio, e cresceu 60,34 por cento, em termos homólogos.
No primeiro semestre de 2025, as exportações aumentaram 11,9 por cento face ao mesmo período de 2024, apesar de o valor dessas vendas ter recuado 24,4 por cento, de acordo com os relatórios alfandegários.
Os dados preliminares ontem divulgados não detalham as exportações por elemento nem indicam os países de destino, apresentando apenas o total agregado.

Dá licença?
Desde 02 de Abril, no contexto da guerra comercial com os Estados Unidos, a China implementou um novo regime de licenças que obriga empresas estrangeiras a solicitar autorização para exportar sete dos 17 minerais que compõem o grupo das terras raras – nomeadamente samário, gadolínio, térbio, disprósio, lutécio, escândio e ítrio –, bem como ímanes derivados, invocando razões de segurança nacional.
A introdução destas restrições provocou uma queda acentuada das exportações em Abril
(-15,56 por cento), mas em Maio as vendas recuperaram com um aumento mensal de 22,57 por cento, superando inclusive os níveis de Março.
Os controlos têm impacto significativo em sectores altamente dependentes destes materiais, uma vez que a China foi responsável por 99 por cento do processamento global de terras raras pesadas em 2024 e detém cerca de 49 por cento das reservas mundiais.
A promessa de acelerar a emissão de licenças faz parte dos compromissos assumidos por Pequim no âmbito do acordo alcançado durante a mais recente ronda de negociações comerciais com os Estados Unidos, realizada há pouco mais de um mês em Londres.
Na altura, as autoridades chinesas comprometeram-se a “rever e aprovar” os pedidos de exportação de bens restritos, numa aparente referência às terras raras – um dos principais focos de tensão entre as duas potências e que chegou a ameaçar a continuidade da trégua comercial de 90 dias iniciada em meados de Maio.

China prevê aprofundamento do diálogo com os EUA após encontro com Rubio

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, afirmou ontem que a reunião com o homólogo norte-americano, Marco Rubio, realizada na sexta-feira em Kuala Lumpur, criou condições para aprofundar os contactos bilaterais, num momento de crescentes fricções comerciais.
Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang considerou que o encontro contribuiu para gerir as diferenças entre Pequim e Washington, reconhecendo que ambos os lados representam “a relação bilateral mais importante do mundo”, com impacto global.
“A reunião foi construtiva, com ambas as partes a envolverem-se num diálogo em pé de igualdade e num espírito de respeito mútuo”, afirmou Wang, citado na mesma nota.
“Creio que permitiu melhorar a compreensão dos Estados Unidos sobre a China e preparou o terreno para a próxima fase de contactos entre as equipas diplomáticas dos dois países”, acrescentou.
O comunicado indica que Wang falou aos jornalistas após participar nas reuniões da ASEAN e em encontros relacionados com o Leste Asiático, realizados na capital da Malásia, sem especificar o local exacto da conversa com Rubio.
Segundo o chefe da diplomacia chinesa, o encontro de sexta-feira serviu para reforçar o diálogo, evitar equívocos, gerir divergências e ampliar a cooperação sino-americana.

Clima de tensão
O encontro decorreu num contexto de renovada tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Desde que Donald Trump regressou à presidência dos Estados Unidos, em Janeiro, a administração norte-americana tem endurecido a sua política económica face à China, impondo novas tarifas sobre produtos chineses de sectores estratégicos como veículos eléctricos, baterias, semicondutores e minerais críticos.
Pequim reagiu com medidas de retaliação, incluindo controlos à exportação de metais essenciais para a indústria tecnológica global, como o gálio e o germânio, e novas restrições às exportações de terras raras.
Em paralelo, ambos os países concordaram, em meados de Maio, com uma trégua comercial de 90 dias, que tem permitido negociações técnicas para tentar evitar uma escalada tarifária generalizada.

Arranca julgamento de recurso de 13 activistas em Hong Kong

Treze activistas pró-democracia começaram ontem a recorrer das penas de prisão a que foram condenados no maior julgamento ao abrigo da lei de segurança nacional realizado até hoje na região semiautónoma chinesa de Hong Kong.
Ao todo, 45 figuras da oposição foram condenadas no final de 2024 a penas de prisão efectiva por organizarem, em 2020, uma eleição primária informal, classificada pelas autoridades como uma conspiração para subverter o poder do Estado.
Entre os réus estão antigos deputados, representantes distritais, académicos e sindicalistas, com posições que variam do moderado ao radical. Muitos foram detidos em 2021 e já passaram mais de quatro anos detidos.
A repressão contra a oposição intensificou-se após a imposição, por Pequim, de uma rigorosa lei de segurança nacional, na sequência dos protestos em massa que abalaram Hong Kong em 2019.
Os antigos deputados Leung Kwok-hung (conhecido como ‘long hair’), Lam Cheuk-ting, Helena Wong e Raymond Chan estão entre os 13 activistas que vão contestar as condenações em audiências previstas para decorrer ao longo de dez dias.
Owen Chow, de 28 anos, é o arguido com a pena mais pesada entre os que agora recorrem: sete anos e nove meses de prisão.

Da defesa
“O único modo de restaurar a imagem da cidade como um lugar onde os direitos são respeitados e as pessoas podem expressar livremente as suas opiniões, sem receio de serem presas, é anular estas condenações”, afirmou a directora da Amnistia Internacional para a China, Sarah Brooks.
A eleição primária informal organizada pelos activistas visava aumentar as probabilidades de conquista de uma maioria legislativa nas eleições de Hong Kong, com o objectivo de pressionar o governo local a aceitar reivindicações como a introdução do sufrágio universal, sob ameaça de vetar o orçamento.
Três juízes, designados pelas autoridades para julgar processos relacionados com segurança nacional, consideraram que o plano constituía uma tentativa de provocar uma “crise constitucional”.
Os Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido já condenaram o processo judicial, considerando que ilustra a erosão das liberdades fundamentais e da oposição política na antiga colónia britânica, transferida para a soberania chinesa em 1997.
Durante a fase de recurso, os procuradores vão também contestar a absolvição do advogado Lawrence Lau, um dos dois únicos réus no processo dos chamados “47 de Hong Kong” a ser declarado inocente em primeira instância.
Entretanto, oito activistas, entre os quais a antiga jornalista e advogada Claudia Mo e o defensor dos direitos LGBT+ Jimmy Sham, já cumpriram as respectivas penas e foram libertados nas últimas semanas.
Em paralelo, um dos últimos partidos de oposição ainda activos em Hong Kong, a Liga dos Sociais-Democratas (LSD), anunciou a dissolução no final de Junho, invocando uma “pressão política imensa”.

Timor-Leste | Xanana em Singapura para reforçar cooperação

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, iniciou ontem uma visita oficial a Singapura para reforço da relação bilateral e da cooperação entre os dois países.
No primeiro dia da visita, segundo uma informação à imprensa distribuída pelo gabinete do primeiro-ministro, Xanana Gusmão vai reunir-se com o seu homólogo, Lawrence Wong, que acumula também o cargo de ministro das Finanças, e com o Presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam.
A delegação timorense vai também visitar o Oceanário de Singapura para “conhecer melhor as abordagens nas áreas da educação marinha, investigação e desenvolvimento institucional”, pode ler-se na informação à imprensa.
Timor-Leste está a desenvolver a sua economia azul e no âmbito daquela política pretende estabelecer um Centro de Educação e Investigação Marinha na ilha de Ataúro, situada em frente a Díli, na costa norte da ilha.
Na terça-feira, o chefe do Governo timorense tem prevista uma visita ao Centro de Energia Ambiental Cora, para perceber como Singapura encontrou soluções para resolver os problemas relacionados com os resíduos ao transformá-los em soluções energéticas.
Xanana Gusmão vai também proferir uma palestra numa escola de estudos internacionais dedicada ao tema “Timor-Leste e a ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]: Um novo capítulo na história da região” e plantar uma camélia nos Jardins da Baía.

Sempre a aprender
Ainda no âmbito da visita, que termina quarta-feira, o primeiro-ministro vai visitar o Conselho de Habitação e Desenvolvimento de Singapura para “obter informações sobre a política de habitação pública, os modelos de financiamento e o planeamento urbano com dimensão social”, refere a informação.
“As lições aprendidas com o bem-sucedido modelo de habitação pública de Singapura poderão contribuir para os esforços contínuos de Timor-Leste para desenvolver habitação de qualidade e acessível para o povo timorense”, pode ler-se na informação divulgada à imprensa.
Xanana Gusmão lidera uma delegação que inclui o vice-primeiro-ministro e ministro coordenador dos Assuntos Económicos e ministro do Turismo e Ambiente, Francisco Kalbuadi Lay, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Bendito Freitas, a vice-ministra para os Assuntos da ASEAN, Milena Rangel, e o secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes.

Reparação Predial | Distribuídos apoios de 8,3 milhões

No segundo trimestre do ano, o Fundo de Reparação Predial distribuiu 8,3 milhões de patacas em apoios públicos, de acordo com os dados oficiais publicados ontem. Os 183 apoios distribuídos variaram entre os valores de 455 patacas e 1,3 milhões de patacas, e em alguns casos são atribuídos a título de empréstimos sem juros.
Os edifícios Lei Hong e Lei Tou, no Complexo Habitacional Fa Seng, foram os que receberam o apoio mais elevado, de 1,3 milhões de patacas, com o objectivo de “suportar as despesas emergentes do pagamento de obras de conservação ou reparação, nas partes comuns do condomínio”. De acordo com a informação oficial, o apoio foi distribuído ao abrigo do Plano de Apoio Financeiro e de Crédito sem Juros para Reparação de Edifícios (Apoio Financeiro para Reparação).
O segundo apoio mais elevado, teve como destinatário o Edifício Industrial Kek Seng, com um montante de 526 mil patacas. Também neste caso, o apoio foi distribuído devido ao Plano de Apoio Financeiro e de Crédito sem Juros para Reparação de Edifícios e serve para auxiliar na reparação de partes comuns.
Além dos apoios para obras, o Fundo de Reparação Predial subsidiou o início das operações de administração de vários edifícios, devido ao Plano de Apoio Financeiro para a Administração de Edifícios. Neste capítulo, os apoios tendem a envolver montantes mais baixos, que vão de valores como 455 patacas, como aconteceu com o edifício M. Residences a 5 mil patacas, como se verificou com o complexo habitacional Kam Keng Fa Un, constituído pelos edifícios Kam Hoi e Ngan Hoi.
Menos é mais
Em comparação com o primeiro trimestre do ano, os números mais recentes mostram uma diminuição de 4,9 milhões nos apoios distribuídos.
Entre Janeiro e Março deste ano, o Fundo de Reparação tinha distribuído entre subsídios e empréstimos sem juros 13,2 milhões de patacas, embora tenha havido um menor número de apoios, um total de 152, o que significa uma média mais elevada dos apoios e subsídios.
Quando a comparação é feita com o segundo semestre do ano passado, os dados mais recentes também apresentam uma redução do montante dos apoios. Entre Abril e Junho de 2024, o Fundo de Reparação Predial entregou 9,2 milhões de patacas entre empréstimos sem juros e subsídios. Este valor significa uma queda de aproximadamente 900 mil patacas em comparação com os dados mais recentes. No segundo trimestre de 2024, o número de apoios aprovados foi de 223.

Jogos Nacionais | Espectadores chineses com visto alargado

Os espectadores chineses que venham a Macau assistir a competições dos Jogos Nacionais vão beneficiar de uma extensão do visto para permanecer na RAEM. A novidade foi revelada no domingo pelo coordenador do gabinete preparatório para a organização dos jogos, Pun Weng Kun, que confirmou negociações com as autoridades de Guangdong no sentido de alargar os vistos para cidadãos chineses que tenham bilhetes para competições em Macau. Pun Weng Kun indicou que a extensão poderá incluir o dia antes e depois da competição.
Para beneficiar da medida, os visitantes precisam apenas de mostrar os ingressos para provas em Macau nos departamentos que tratam dos vistos.
No sentido de tornar mais conveniente as travessias fronteiriças, segundo Pun Weng Kun, as autoridades de Guangdong pretendem tornar o processo de inspecção alfandegária mais fácil, nomeadamente através do uso de tecnologia de reconhecimento facial.
O coordenador do organismo encarregue da preparação logística para a competição espera que as novas medidas permitam aos espectadores ficar mais tempo em Macau, possibilitando ver um espectáculo e apreciar a gastronomia e a cidade.

A bom ritmo
A menos de quatro meses da cerimónia de abertura dos Jogos Nacionais, marcada para 9 de Novembro, é esperado que as três regiões envolvidas (Guangdong, Macau e Hong Kong) coloquem bilhetes à venda no próximo mês de Agosto.
Além da venda online, serão colocados à venda bilhetes em locais específicos para facilitar a compra de ingressos por residentes de Macau.
Para já, Pun Weng Kun afirma que o processo de testes e preparação para o início do evento desportivo está a decorrer com suavidade, com as instruções das autoridades nacionais. Aliás, apesar de existirem situações a corrigir, o feedback das autoridades chinesas sobre os testes feitos em Macau foi elogioso.
Porém, além da boa organização das competições, Pun Weng Kun afirmou que o objectivo é proporcionar aos espectadores uma boa experiência em Macau. Uma das apostas passa pela colaboração com associações locais para angariar voluntários que estarão espalhados pela cidade como “embaixadores da boa vontade”, para ajudar as equipas desportivas e fãs do desporto no que for preciso.
Macau irá acolher competições de cinco modalidades: Ténis de mesa (todos os grupos), basquetebol de três (todos os grupos), basquetebol de cinco (masculino sub-18), voleibol (feminino adultos) e karaté́ (todos os grupos).
Além disso, a prova individual masculina de ciclismo irá atravessar as três regiões.

TNR | Ella Lei sugere recém-licenciados em cargos não qualificados

A substituição de trabalhadores não-residentes (TNR) é um dos pontos preferidos da agenda política dos deputados da Assembleia Legislativa, com particular intensidade antes de eleições.
Ao longo da sua carreira como deputada, Ella Lei mostrou-se uma defensora acérrima da redução de TNR no mercado laboral da RAEM. A legisladora dos Operários lançou uma série de sugestões ao Grupo de Trabalho para a Coordenação da Promoção do Emprego, criado pelo Governo de Sam Hou Fai, a começar pela realização de uma análise às aspirações e planos dos desempregados no regresso ao activo. Ella Lei entende que conhecer as intenções dos candidatos, em especial de recém-licenciados e desempregados de média idade e longo prazo, pode ajudar à criação de medidas específicas de apoio.
Em declarações ao jornal do Cidadão, a deputada citou dados de inquéritos que revelaram que os residentes procuram com mais frequência trabalhos de escritório e venda a retalho e defendeu que o Governo deveria analisar os requerimentos de cargos que não exigem qualificações especiais e que são ocupados por TNR. A ideia é substituir essa mão-de-obra por profissionais locais, incluindo recém-licenciados e jovens.
A deputada lembrou que o Governo estima a substituição de 200 TNR no sector financeiro, algo que não considera suficiente, uma vez que a gestão do número de TNR deve articular-se com a procura de emprego pelos residentes.

Duas realidades
No sector do comércio, os mais de 21 mil TNR que trabalham em vendas a retalho são outro alvo da deputada, que entende que, principalmente, nas lojas de grandes cadeias abertas nos resorts integrados a substituição de TNR deve ser uma prioridade, assim como a formação profissional de residentes.
Outro aspecto a melhorar, é a progressão na carreira profissional. A deputada deseja que a proporção de 85 por cento de cargos de chefia ocupados por residentes nas empresas de jogo seja alargada a outros sectores, mas não adiantou como se poderia atingir esse objectivo.
Apesar do cenário traçado, não só por Ella Lei, os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos mostram que o número de TNR se manteve estável na última década e que a taxa de desemprego de residentes deste ano está entre as três mais baixas dos últimos 10 anos.

Aviação | Deputado quer subsídio para voos entre Macau e Lisboa

O deputado Ip Sio Kai defende a necessidade de o Governo subsidiar a exploração inicial de um voo directo entre Macau e Lisboa. A posição foi tomada ontem na Assembleia Legislativa, com o deputado a alertar para que a falta de ligações directas para a Europa compromete o papel da RAEM como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
Na intervenção antes da ordem do dia, Ip apontou os dados oficiais de Outubro do ano passado, indicando que o “Aeroporto Internacional de Macau contava com 40 rotas directas regulares para o Interior da China e outras regiões da Ásia”. Contudo, apontou a ausência de “voos directos de médio e longo curso para a Europa e os países de língua portuguesa”.
O legislador considerou que esta falha “compromete, em certa medida, o papel de ligação de Macau na rede internacional”, e “a contribuição e a influência de Macau, enquanto plataforma entre estes países”.
Ao mesmo tempo, Ip afirmou que a ligação directa entre Macau e Portugal pode funcionar como centro de ligação com os outros países da plataforma: “Julgo que a abertura de voos directos entre Macau e Lisboa é a base de uma plataforma, que serve para ligar, através da companhia aérea portuguesa, o Brasil e os países de língua portuguesa em África, o que contribuirá para promover ainda mais o comércio, o turismo e o fluxo de pessoas entre Macau e os países europeus”, justificou.
Além disso, para Ip a falta de ligações torna as deslocações mais inconvenientes: “Devido à falta de voos directos para Lisboa, os residentes e os visitantes de Macau têm de viajar por Hong Kong, Dubai, Istambul, Xangai, etc., o que representa uma longa viagem de ida, tendo de mudar de aeroporto ou esperar por voos de ligação, o que torna o tráfego aéreo consideravelmente inconveniente e não favorece a promoção da normalização das actividades comerciais e empresariais sino-portuguesas, nem a atracção de mais turistas internacionais para Macau”, justificou.

Abrir os cordões
Apesar da sugestão, Ip Sio Kai reconheceu que “este tipo de rotas de longa distância tem custos operacionais elevados e desafios como o longo período de desenvolvimento da clientela”. Como principais custos apontou o preço do combustível, os salários do pessoal de voo e de manutenção, a manutenção do avião, a despesas de descolagem e aterragem no aeroporto ou as tarifas de utilização da rota.
Dado que os custos e a dificuldade inicial de rentabilidade tendem a afastar os interessados da exploração das ligações directas, o deputado considera que o Executivo pode assumir parte dos custos. “O Governo deve estudar a criação de um subsídio específico para apoiar os elevados custos da exploração inicial das rotas aéreas, por exemplo, as despesas com os direitos de tráfego, as tarifas do aeroporto, bem como os custos do pessoal e do combustível, atribuindo subsídios financeiros faseados”, sugeriu. Esses subsídios podem ser atribuídos através de um montante fixo de acordo com o número de voos ou, mais flexível, através da redução gradual e faseada de um montante inicialmente atribuído consoante o número de anos de exploração das rotas, a fim de ajudar as companhias aéreas a reduzir os riscos iniciais e promover a entrada em funcionamento dessas rotas”, acrescentou.
Ip pediu também que se negoceie com as autoridades de Portugal com vista a tentar reduzir parte dos custos de voar para a Europa, em aspectos como as tarifas cobradas no aeroporto.