Importações | China reforça compras de soja ao Brasil Hoje Macau - 22 Jul 2026 O Brasil vê reforçadas as suas vendas à China, enquanto se acentua o declínio das exportações de soja, e não só, dos Estados Unidos para o gigante asiático As importações chinesas de soja brasileira aumentaram 13,7por cento em Junho, para um recorde de 12,08 milhões de toneladas, enquanto as compras aos Estados Unidos caíram 20,6 por cento, apesar do compromisso assumido por Pequim de reforçar as aquisições. Segundo dados divulgados na segunda-feira pela Administração-Geral das Alfândegas da China, no total, as importações chinesas de soja atingiram 13,55 milhões de toneladas em Junho, um máximo histórico para este mês, impulsionadas pela oferta brasileira e pelo desbloqueio de cargueiros que estavam retidos em portos chineses. Em Junho de 2025, o Brasil exportou para a China 10,62 milhões de toneladas de soja, enquanto os Estados Unidos venderam 1,6 milhões de toneladas. Os dados do primeiro semestre mostram uma tendência mais prolongada de queda das importações provenientes dos Estados Unidos. Entre Janeiro e Junho, a China comprou 9,31 milhões de toneladas de soja norte-americana, menos 42,4 por cento do que no mesmo período do ano anterior, apesar do compromisso assumido por Pequim de importar pelo menos 25 milhões de toneladas por ano até 2028, ao abrigo do acordo alcançado entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping. No mesmo período, as importações de soja brasileira cresceram 9,1 por cento, para 34,75 milhões de toneladas. O compromisso sino-americano é calculado numa base anual, pelo que os carregamentos de Junho reflectem compras efectuadas semanas ou meses antes, deixando margem para que as aquisições aos Estados Unidos aumentem na segunda metade do ano. O objectivo anual foi mantido após uma segunda ronda de contactos ao mais alto nível entre Trump e Xi, realizada em Maio. Quadro alargado A evolução das importações acompanha uma mudança mais ampla no comércio externo brasileiro. Segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil – China, as exportações do Brasil para a China aumentaram 22 por cento no primeiro semestre, para um recorde de 58,3 mil milhões de dólares, enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram 13 por cento, para 17,4 mil milhões de dólares. No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, o Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa de 25 por cento sobre vários produtos brasileiros, na sequência de uma investigação que incidiu sobre questões como desflorestação ilegal, acesso ao mercado do etanol e divergências em torno do sistema de pagamentos instantâneos Pix. Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), a medida poderá afectar mais de 11 mil milhões de dólares em exportações industriais e agrícolas brasileiras, embora produtos como café, carne bovina, sumo de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais tenham ficado isentos. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Marcio Elias Rosa, os Estados Unidos levantaram também, durante as negociações, a questão dos minerais críticos, defendendo que a exploração destes recursos fosse vedada a entidades que “não operam em condições de mercado”, numa referência implícita à China. Rosa afirmou que o Governo brasileiro rejeitou a proposta, argumentando que as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro. Apesar do aumento das receitas obtidas com a soja, o volume exportado pelo Brasil para a China manteve-se praticamente estável no primeiro semestre. As vendas renderam 20,2 mil milhões de dólares, mais 7 por cento do que um ano antes, graças sobretudo à subida dos preços, já que o volume embarcado recuou 0,2 por cento. Por partes A soja representou 34,7 por cento das exportações brasileiras para a China, menos 4,8 pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto o petróleo bruto ganhou peso. As vendas de crude para o mercado chinês aumentaram 62 por cento, para 15,1 mil milhões de dólares, impulsionadas pelas tensões no Médio Oriente e pelo receio de perturbações no estreito de Ormuz. As exportações brasileiras de minério de ferro para a China atingiram igualmente um máximo histórico no primeiro semestre, com 135 milhões de toneladas, no valor de 9,2 mil milhões de dólares. As exportações de carne bovina cresceram 50 por cento, para 4,8 mil milhões de dólares, à medida que os exportadores procuraram aproveitar uma quota de 1,1 milhões de toneladas antes da entrada em vigor de uma sobretaxa de 55 por cento sobre os volumes que excedam esse limite.
Direitos Laborais | Aumentam licença de maternidade e férias anuais João Santos Filipe - 22 Jul 202622 Jul 2026 A Assembleia Legislativa aprovou a proposta do Governo para assegurar que as trabalhadoras no sector privado passam a gozar de uma licença de maternidade de 90 dias, cerca de três meses. Os dias de férias podem subir dos actuais seis para um máximo de 12 A licença de maternidade no sector privado vai subir para 90 dias, face aos actuais 70 dias. A medida foi ontem aprovada na Assembleia Legislativa, por unanimidade, onde a matéria estava a ser discutida desde o início de Junho. Segundo as alterações ontem decididas, os 90 dias podem ser igualmente gozados se a trabalhadora der à luz um nado-morto ou se houver interrupção involuntária, após os primeiros três meses da gravidez. Neste caso, a mulher tem direito a gozar de 21 a 90 dias, dependendo das necessidades comprovados por atestado médico. A medida vai entrar em vigor no dia seguinte ao da publicação da lei no Boletim Oficial, o que poderá acontecer na próxima segunda-feira. Após a lei ser aprovada, tanto os deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau como à Associação das Mulheres chamaram para si os louros das mudanças. “Os aumentos [aprovados ontem] são um grande progresso nos direitos dos trabalhadores. O Governo deve continuar a pensar no aumento da licença de paternidade, subsídio da natalidade, para criar um bom ambiente de trabalho”, afirmou Leong Pou U, deputado ligado aos Operários em nome deste grupo. Por sua vez, os representantes do patronato, como Ip Sio Kai e Si Ka Lon pediram apoios do Governo para as Pequenas e Médias Empresas. “Em Macau temos uma indústria muito pequena, portanto muitas PME e microempresas vão ser responsáveis pelos pagamentos e irão sentir dificuldades”, afirmou Ip. “Actualmente, muitas PME ainda sofrem dificuldades, por falta de clientes, e tendo em conta esta aprovação espero que o governo acompanhe o desenvolvimento das PME e adopte políticas de apoio”, acrescentou. Férias curtas Em relação aos dias mínimos de férias obrigatórias, os deputados também aprovaram um aumento, que funciona de forma gradual e apenas a partir do próximo ano. Os actuais seis dias anuais são mantidos para os trabalhadores que ainda não cumpriram dois anos no mesmo emprego. A partir do segundo ano com a mesma empresa, os trabalhadores vão ganhar um dia de férias por cada dois anos de trabalho no mesmo local. Segundo esta lógica, quando estão no mesmo posto de trabalho entre dois e menos de quatro anos, os trabalhadores vão poer gozar de sete dias de férias por ano. Os dias sobem progressivamente até um limite máximo de 12 dias, quando os trabalhadores permanecem na mesma empresa mais de 12 anos.
O filet mignon de Luiz Pacheco Duarte Drumond Braga - 22 Jul 202622 Jul 2026 Esta é a reedição há muito esperada de um autor de culto que estava indisponível; ou melhor, que estava disponível apenas para as algibeiras com maior capacidade, para os colecionadores e quejandos, que certamente aproveitaram a aura de excentricidade do autor para atirar-nos preços totalmente descabidos. É caso para perguntar: se ao menos o dinheiro acumulado por alfarrabistas que veio do culto necrófilo do desvio moral e comportamental por parte dos leitores candidatos a “maldito” tivesse sido dado em vida ao autor, será que a sua carreira de autor maldito de Pacheco teria sido diferente? «Ser Livre em Português: Uma Antologia» é o recentíssimo volume de éditos, que reúne alguns —poucos — títulos publicados pelo autor, incluindo os mais emblemáticos, como «Comunidade», ou «O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor». «Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos» é o nome do volume irmão que reúne cartas, cadernos, rascunhos, diários e outros textos dispersos, além de um conjunto de crónicas, a partir de investigaçãono espólio pessoal do autor, à guarda da família, feita pela mesmo equipa que organizou o centenário. Ambos são publicados pela Tinta-da-China, com edição dos investigadores Rui Sousa e Sofia A. Carvalho. No lançamento foi apresentado como o «filetmignon», leia-se: a escolha das escolhas. No fundo, a redução de Pacheco, como quem reduz em alta cozinha um molho, uma emulsão — o que é talvez um erro de perspetiva quando falamos de um autor que funciona muito por acumulação de textos, como o demonstram os próprios organizadores nas introduções, aliás muito enxutas e, já que estamos em metáforas de cozinha, sem qualquer gordura.Muito importante é emLuiz Pacheco, de facto, a migração, confirmação, repetição de textos de livro para livro. Claro que podemos perguntar-nos porque é que Luiz Pacheco é autor de culto, mas isso é toda uma outra questão. É-o talvez pelas piores razões, num país onde o estudo é tradicionalmente desprezado, e que prefere o anedotário fácil e a fruição do desvio, o dos outros. O estudo é apenas tomado a sério em certas figuras incensadas, consideradas sábias já à nascença, enquanto que os académicos são apodados de preguiçosos, o que na verdade nada diz nem sobre uns nem sobre outros e só mostra as descontinuidades da tradição crítica em Portugal. Dá trabalho ler as centenas de páginas publicadas por Luiz Pacheco, sobretudo num quadro em que o anedotário tende a fazer ignorar a matéria textual de uma obra. A anedota, a história fácil escondem uma vida que se desdobrou num trabalho imenso de que agora o público ledor começa a aperceber-se. Ao contrário daqueles que acham que o espólio nada tem a dizer, que tudo já está revelado, tratado, que os autores sem encontram já todos conhecidos e revelados e podem facilmente considerar-se geniais, sem trabalho de arquivo. Aqui poderia citar o próprio Pacheco quando diz a propósito de Lobo Antunes (ou será de Saramago?) que o génio é uma longa paciência. O que continuamente surge é o contrário disso, e ainda pouco ou nada foi feito sobre o que realmente interessa. A partir destes dois livros — que na verdade ganhavam em ser unidos num só — o culto pode passar a sê-lo por melhores razões. E agora já não há desculpa para não ler. Tudo isto veio a propósito de um centenário de muitas, intensas e incansáveis atividades, ainda por cima tão descentrado quanto a vida do autor, tendo calcorreado muito lado deste país: Palmela, Setúbal, Caldas, Sertã, estâncias da penetração pachecal (em vida, claro!). Centenário esse basicamente da responsabilidade de Rui Sousa, mas também com a colaboração de Sofia A. Carvalho e Mafalda Borges Soares, investigadores nada preguiçosos. No que toca à edição, muito limpa e muito criteriosa — com todas as opções justificadas, as escolhas dos textos e com as mais relevantes variantes textuais assinaladas —, ela permite pensar, por todos esses elementos, que entrámos numa fase crítica sobre o autor. Antes estávamos na já referida fase anedótica, isto é, pré-crítica, em que interessavam mais as memórias, os resquícios dos contactos pessoais e as historietas em torno da figura do autor. O melhor da academia, em seriedade, está aqui nestes dois livros, sobretudo no sentido da sua grande contenção e da necessidade de deixar os textos respirar. Finalmente entrámos numa fase de recuperação crítica da escrita de Luiz Pacheco, mais do que da sua gasta e funambulesca figura — que, graças ao centenário, e sobretudo a Rui Sousa, abandona o caso, o riso, talvez a chacota. Até porque este Pacheco bicéfalo se completa com o notável «O Essencial sobre Luiz Pacheco», da IN-CM, que saiu ao mesmo tempo, também da responsabilidade de Sousa. Funcionam em tríade, e aconselho o leitor interessado a ir aos três. Algo que é digno de ser sublinhado é que a escolha do volume de éditos predispõe a uma leitura simultânea, unitária, da ficção e da crítica pachecais, — ainda que os grandes textos ficcionais do autor surjam em toda a sua pujança, em estado concentrado –, patenteando a dificuldade em separar uma da outra. Pegando no volume de éditos, os textos iniciais escolhidos surgem com uma força imensa, em crescendo. É ainda hoje incrível o atrevimento de um texto como «O Libertino Passeia por Braga», escrito e publicado no remoto e fatal ano de 1961, que vem complementar o memorialismo erótico de «O Teodolito» e o experimentalismo radical de «Os Namorados». E une-os a todos com um viés fortemente existencial, que se nota muito nesses grandes textos, como «Comunidade» ou «O Libertino», um texto todo ele em torno de experiências sexuais falhadas, laica meditação radical sobre elas. No que poderia chamar um tentame de tradição materialista na literatura portuguesa (que vem de Cesário, dos primeiros livros de Junqueiro, passa por Fialho e José Duro, por certos projetos pessoanos, e vai desembocar ao neorrealismo e a algum surrealismo), a única metafísica possível aqui é a investigação sobre as bases materiais do ser humano, sobre o que realmente o sustenta, e aí Pacheco só encontra a desagregação do sujeito por entre a merda, o pus e outras secreções. Há por vezes, é certo, uma tentativa de radicação metafísica via hereditariedade, uma espécie de contemplação da eternidade através dos filhos e dos avoengos, que nos conectariam com a longa corrente humana. Mas a radicalidade da epígrafe, que vem na contracapa dos dois livros, parece ir num outro sentido. É uma espécie de contemplação do abismo, um ponto muito forte de uma poética materialista e existencial — sem ser necessariamente existencialista – centrada na intensidade e no limite das experiências humanas e na sua exploração em língua portuguesa (o livro chama-se «Ser Livre em Português»). É uma espécie de satori pachecal: «Não sei nada. Duvido de tudo. Desci ao fundo dos fundos, lá onde se confunde a lama com o sangue, as fezes, o pus, o vómito; fui até às entranhas da Besta e não me arrependo». Outro aspeto que estas duas recolhas tornam notório é que, num momento em que todo o prosador-bicho-careta persegue o romance, há aqui uma recusa das grandes formas, de alguma forma reafirmando a posição de Fialho, que estupidamente era desconsiderado comoficcionista por não ter romance. Crítica, epistolografia e diário como literatura: tudo gestos nos quais a linguagem, ao tocar o mundo, se volta para si própria; é certo, com o aspeto lúdico, metaliterário da maior parte dos seus textos, não de forma ressequida, mas sempre solta, vital, na melhor tradição camiliana. É só pena quea excessiva contenção em relação ao número de páginas para os dois breves volumes não tenha permitido a saída de um só, único e folhudo calhamaço, sabendo nós que as pessoas que querem Luiz Pacheco estariam perfeitamente dispostas a comprá-lo e até a lê-lo.
Diplomacia | Panamá e China negoceiam renovar acordo marítimo Hoje Macau - 22 Jul 202622 Jul 2026 Panamá e China “prosseguirão com os trâmites de renovação” do acordo marítimo após reunião entre autoridades dos dois países num momento de redução da escalada da tensão bilateral devido a conflito portuário e comercial, informou ontem o Governo panamiano. “De 16 a 17 de Julho de 2026, delegações da República do Panamá e da República Popular da China realizaram negociações em Pequim sobre a renovação do Acordo de Transporte Marítimo China-Panamá e alcançaram um consenso sobre os temas pertinentes. Ambas as partes prosseguirão com os trâmites de renovação”, indicou, sem mais, um breve comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Panamá. O chamado Acordo de Transporte Marítimo foi assinado em 2017, meses depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Panamá e a China, em detrimento de Taiwan, e está prestes a expirar este ano após uma renovação anterior em 2021. O acordo concede aos navios com bandeira panamiana, uma das maiores frotas mercantes do mundo, o estatuto de ‘Nação Mais Favorecida’ nos portos chineses, o que implica uma série de vantagens como tarifas portuárias preferenciais e procedimentos mais ágeis. A renovação desse acordo ocorre depois do crescimento do número de navios panamianos retidos em portos na China, uma situação que surgiu após a saída, em Fevereiro passado, do operador chinês CK Hutchison de dois portos próximos ao Canal do Panamá porque a concessão foi anulada por ser considerada inconstitucional pelo Supremo do país. A saída forçada, por sua vez, ocorreu depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar retomar o Canal – que foi construído e administrado pelos EUA durante o século XX -, devido à “influência maligna” chinesa, e após anos de denúncias internas contra a concessão, qualificada pelo Supremo como lesiva para o Estado. No bom caminho O vice-chanceler panamiano Carlos Hoyos disse ontem à cadeia Telemetro que as detenções de navios de bandeira panamiana na China diminuíram desde Junho e já se encontram em números normais, uma tendência sobre a qual o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, já tinha falado. “Parece que [a situação com a China] tem uma volta positiva e vai no sentido de anular qualquer tipo de tensão que possa existir, o que certamente não é o que queremos”, acrescentou Hoyos. Das 30 ou 40 detenções habituais de navios com bandeira panamiana, este ano aumentaram para 140, o que impactou directamente a marinha mercante do Panamá, com mais de 200 navios a abandonar a bandeira do Panamá, segundo Mulino.
SMG | Chuvas intensas provocam cheias e aulas suspensas João Luz - 21 Jul 2026 As chuvadas intensas que afectaram Macau entre a madrugada e a manhã de segunda-feira provocaram um pandemónio no início do dia, com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) a registarem inundações em várias partes da cidade, com participar incidência na Taipa. Por volta das 07h05, as autoridades emitiram o sinal vermelho, o quinto do ano, alerta para previsões de precipitação de cerca de 50 milímetros numa hora, prevendo inundações nas partes baixas da cidade. Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), foram encerradas ao trânsito a Rua Cidade do Porto e a Rua Ponta Negra, na Taipa, e foram registadas inundações na a Avenida Wai Long, Estrada da Ponta da Cabrita e na Rotunda do Istmo. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude acompanharam o sinal vermelho de chuva intensa e às 07h06 lançaram um aviso de suspensão das aulas no ensino secundário na parte da manhã, e nos ensinos infantil, primário e especial durante o dia todo. “As escolas devem manter as suas instalações e respectivo pessoal em funcionamento, ocupando e acolhendo os alunos que cheguem às escolas, até que o seu regresso a casa se possa fazer em segurança”, acrescentou a DSEDJ. O top três Com o sinal vermelho emitido, o CPSP apelou à população para “permanecer em locais seguros, na medida do possível, e evitar sair à rua”. Aos condutores foi pedida prudência na estrada e atenção “às condições de inundação, evitando deslocações a zonas baixas ou a entrada em parques de estacionamento subterrâneos”. Também o Corpo de Bombeiros pediu à população para ficar em locais fechados e seguros e evitar deslocações a zonas baixas ou ao ar livre. Mais de três horas e meia depois de ter sido emitido o sinal vermelho de chuva intensa, os SMG substituíram-no pelo sinal amarelo. Nessa altura, várias zonas já registavam precipitação acumulada superior a 100 milímetros, com o recorde a ser batido pela estação de monitorização meteorológica da Taipa Grande com 147,4 milímetros. O segundo lugar do “pódio” foi para a Universidade de Macau com 133 milímetros e o “bronze” foi para o Porto Exterior com o registo de 125,2 milímetros. Porém, a inundação mais forte verificou-se no Caminho das Hortas, no centro da Taipa, onde os SMG registaram 37 centímetros de água acumulada. Apesar das previsões dos SMG apontarem para que a chuva e as trovoadas se mantenham hoje, o céu pouco nublado deve regressar na quarta-feira.
Carnaval Phone Show | Arno Bornkamp estreia-se no Centro Cultural de Macau João Santos Filipe - 21 Jul 2026 O saxofonista clássico holandês vai actuar pela primeira vez em Macau e interpretar temas como a Rapsódia de Debussy, a Sonata Hot de Schulhoff, as Duas Fantasias de Takács e os Três Prelúdios de Gershwin. Os interessados vão também poder ouvir a interpretação do Concerto Tallahatchie do compositor holandês Jacob ter Veldhuis O saxofonista clássico Arno Bornkamp é o cabeça-de-cartaz do concerto “Carnaval Phone Show”, que decorre esta noite, a partir das 19h45, no Centro Cultural de Macau. Os bilhetes para a 10.ª edição do espectáculo organizado pela Associação de Regentes de Banda de Macau custam 300 patacas. Segundo os organizadores, o evento vai ter uma duração de cerca de 100 minutos e durante a primeira parte, Arno Bornkamp vai tocar em Macau a Rapsódia de Debussy, a Sonata Hot de Schulhoff, as Duas Fantasias de Takács e os Três Prelúdios de Gershwin. Nascido em 1959, o neerlandês Arno Bornkamp tem uma carreira de quase 40 anos e um estilo distintivo herdado da tradição francesa do saxofone do século XX. Além disso, o saxofonista europeu foi também profundamente influenciado pelas correntes inovadoras da música holandesa dos anos 1980, tendo sido um dos fundadores do quarteto Aurelia Saxophone Quartet, em 1982. Este quarteto destacou-se ao longo de 30 anos por não se limitar ao repertório clássico francês, interpretando também quartetos de cordas de Bach, Mozart, Ravel e Piazzolla, além de música contemporânea e ter colaborado com artistas de jazz, rock, música étnica, bailarinos e actores. Ainda durante a primeira parte do espectáculo, Arno Bornkamp recebe a companhia do saxofonista local Hugo Loi, para interpretar peças para duos de saxofones: Canciones de Éxtasis y Nostalgia de Manuel Bonino e Ode to Strauss de Gershwin. Hugo Loi é um participante frequente dos “Carnaval Phone Show” organizados pela Associação de Regentes de Banda de Macau, associação que integra, estando assim de regresso para actuar em mais uma edição. Os dois saxofonistas vão ainda ser acompanhados por Cherry Tsang, pianista de Hong Kong, que se estreou em 2009 no Carnegie Hall, em Nova Iorque, e desde então tem actuado em algumas das salas de espectáculo mais famosas do mundo, integrando orquestras como a Orquestra Sinfónica da Hong Kong Academy for Performing Arts, Orquestra Hong Kong Ars Nova e Orquestra the Eastman Symphony. Oportunidades para todos Após o intervalo, Arno Bornkamp vai continuar em palco para actuar com um conjunto de saxofonistas escolhidos pela Associação de Regentes de Banda de Macau. Este conjunto inclui alunos de instituições de ensino como a Universidade de Macau, Escola Pui Ching, Escola Sheng Kung Hui, do Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa), Colégio Yuet Wah, Colégio do Sagrado Coração de Maria (Secção Inglesa), entre outras, e vai ser dirigido por Hugo Loi. Além disso, vão fazer ainda parte do grupo vários jovens saxofonistas de Macau já licenciados ou a frequentar cursos superiores de interpretação de saxofone. Em conjunto, vão interpretar a obra Concerto Tallahatchie do compositor holandês Jacob ter Veldhuis. Também nesta fase do espectáculo, vai ser interpretada a obra Bênção Divina, encomendada ao compositor holandês Douwe Eisenga a pensar na 10.ª edição do Carnaval Phone Show. “Trata-se de uma versão inédita encomendada para o conjunto de saxofones, que terá aqui a sua estreia mundial. O estilo musical de Douwe Eisenga funde rock, pop, música do mundo, bem como elementos barrocos e minimalistas”, comunicaram os organizadores. “As suas obras são conhecidas por ritmos hipnóticos e melodias líricas persistentes, cheias de uma força que toca a alma. Esta peça, feita à medida para a ocasião, será sem dúvida um dos pontos altos do evento”, foi acrescentado. O repertório do concerto abrange desde o impressionismo francês até obras contemporâneas do século XX, com estilos que variam da tradição clássica francesa a peças americanas com fortes cores de jazz, demonstrando plenamente a versatilidade do saxofone.
IAM | Obras no Mercado Tamagnini Barbosa arrancaram ontem Hoje Macau - 21 Jul 2026 O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ontem o início das obras para melhorar as instalações do Mercado Tamagnini Barbosa. Os trabalhos têm como objectivo revitalizar o mercado e vão ser conduzidos em diferentes fases. Segundo o comunicado do IAM, na primeira fase, as obras visam a renovação do centro de restauração, o que vai permitir à zona do mercado continuar a funcionar nos moldes normais. Na mensagem, o IAM afirmou que procura terminar as obras de melhoria do centro de restauração até ao final do ano, e que esse espaço deverá voltar a operar até Março de 2027. A segunda fase visa a renovação da zona de produtos alimentares frescos e da mercearia que se situa no rés-do-chão do mercado. Neste momento, o IAM ainda não tem a certeza sobre o impacto dos trabalhos, uma vez que vai ouvir as opiniões dos vendilhões sobre se têm interesse em manter os negócios activos. Só após a recolha de opiniões vão ser tiradas as conclusões sobre a suspensão das vendas. Esta obra deverá ser lançada até Março de 2027 e concluída até Junho do mesmo ano. No comunicado é indicado ainda que, desde Dezembro, as bancas de carne que estavam situadas no primeiro andar foram mudadas para o rés-do-chão. Com as novas obras, após o fim da renovação do centro de restauração, nove bancas de comidas no rés-do-chão mudam-se para o primeiro andar. Ao mesmo tempo, sete novos operadores de bancas vão poder iniciar as operações.
Grupo Jingye exige indemnização pela nacionalização da British Steel Hoje Macau - 21 Jul 202621 Jul 2026 A empresa chinesa que era proprietária da British Steel exigiu no domingo uma indemnização ao Governo britânico pelas perdas sofridas com a nacionalização da siderúrgica, concluída na semana passada. O Governo do Reino Unido assumiu o controlo operacional da empresa no ano passado, depois de o grupo chinês Jingye ter admitido encerrar os altos-fornos da fábrica de Scunthorpe, no norte de Inglaterra, a última unidade do país a produzir aço primário a partir de matérias-primas. Num comunicado divulgado na rede social chinesa WeChat, o Grupo Jingye afirmou que a nacionalização prejudicou a credibilidade do Governo britânico, afastou investidores internacionais e provocou “grandes prejuízos” à empresa e aos contribuintes britânicos. A empresa acusou ainda Londres de “pisotear as regras internacionais do investimento” e exigiu que o Governo britânico respeite os compromissos assumidos. O grupo anunciou ter iniciado os procedimentos de negociação previstos nos acordos bilaterais de protecção do investimento, reservando todos os direitos, incluindo o recurso à arbitragem internacional. Em nome do povo O Jingye indicou também que irá representar os contribuintes britânicos na tentativa de responsabilizar judicialmente o Governo do Reino Unido e a administração da British Steel, embora não tenha explicado de que forma pretende fazê-lo. “O Reino Unido ignorou o investimento contínuo e o contributo significativo do Jingye e apenas estava disposto a oferecer uma compensação praticamente nula”, afirmou a empresa. O Governo britânico anunciou na semana passada que será realizada uma avaliação independente para determinar se será paga alguma compensação ao Grupo Jingye. O ministério dos Negócios e Comércio britânico justificou a nacionalização, anunciada em 17 de Julho, com a necessidade de preservar milhares de postos de trabalho e proteger o interesse nacional, assegurando o fornecimento de aço produzido no país para grandes projectos de construção e para a indústria da defesa. A British Steel produz aço em Scunthorpe há mais de 130 anos e emprega actualmente cerca de 2.700 trabalhadores. O Grupo Jingye adquiriu a British Steel em 2020, afirmando então ter salvo a empresa da falência. Credibilidade em causa No sábado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que a forma como o Reino Unido gerir este processo influenciará directamente a percepção dos investidores chineses sobre o ambiente de investimento britânico e a credibilidade do Governo de Londres. A diplomacia chinesa apelou ao Reino Unido para que respeite “os princípios do mercado e o espírito contratual” e encontre uma solução para a compensação e outras questões “aceitável para ambas as partes”. Pequim acrescentou ainda que apoia as empresas na defesa dos seus direitos e interesses legítimos através dos meios legais.
Ponte da Amizade | Queixas de piso irregular e acidentado Nunu Wu - 21 Jul 202621 Jul 2026 Condutores queixam-se do piso irregular na Ponte de Amizade semelhante a pequenas lombas sempre que passam por uma junta de dilatação, a cada 12 metros. O deputado e engenheiro Leong Hong Sai aponta que a estrutura da ponte já pressupõe alguma trepidação A trepidação provocada pela circulação na Ponte da Amizade causou algumas queixas de condutores, que consideram o piso mais irregular e acidentado, em comparação com o passado, antes de terem iniciado as obras de manutenção na estrutura. Recorde-se que a Ponte da Amizade está com obras de manutenção no tabuleiro desde meados de Maio, as primeiras de grande escala nos últimos 25 anos. Segundo queixas ouvidas pelo jornal Ou Mun, os condutores manifestaram dúvidas se a trepidação se deve a problemas com o asfalto, ou se será das juntas de dilatação. A situação levou o deputado e engenheiro Leong Hong Sai a visitar a ponte. Em primeiro lugar, o legislador da bancada dos Moradores referiu que o facto de o tabuleiro e os viadutos de acesso da ponte terem juntas de dilatação a cada 12 metros é um problema herdado da concepção histórica da ponte. Leong Hong Sai explica que, com base no desenho estrutural da Ponte da Amizade, um veículo que circule a uma velocidade entre 60 e 80 quilómetros por hora sente a trepidação a cada meio segundo. O engenheiro refere que este sistema “ondulatório” é uma característica da ponte, mas que também se deve ao sistema de drenagem da estrutura. Como tal, a trepidação é sentida com mais intensidade na faixa mais lenta, devido ao declive descendente no asfalto para escoar água acumulada. Esperar pelo fim A diferença de materiais pode ser outra explicação para a trepidação, devido às propriedades físicas drasticamente diferentes. O deputado realçou que as juntas de dilatação são estruturas rígidas feitas de aço e betão, enquanto o revestimento rodoviário é constituído por betão asfáltico flexível. A passagem pelas diferentes superfícies cria esse contraste. Porém, se tiver de escolher entre o máximo conforto na condução, ou condução segura quando chove, o deputado e engenheiro não tem dúvidas que a prioridade deve ser a segurança rodoviária. No entanto, ressalva que a obra ainda não terminou, tendo o fim previsto antes do início do ano lectivo, em Setembro, e que as juntas de dilatação ainda não foram todas substituídas e que a condução deverá ser mais suave quando esse trabalho for concluído. Por fim, Leong Hong Sai realça a importância de efectuar uma vistoria completa quando as obras estiverem concluídas.
Mercados recuperam com intervenção de fundos públicos Hoje Macau - 21 Jul 202621 Jul 2026 As bolsas chinesas recuperaram ontem parte das fortes perdas da semana passada, após dois grandes fundos estatais anunciarem novas compras e o regulador dos mercados convocar uma reunião com os principais participantes do sector para reforçar a estabilidade financeira. O índice de referência CSI 300 chegou a subir 2 por cento nas primeiras horas da sessão, depois de ter recuado 3,6 por cento na sexta-feira e acumulado uma perda semanal de 5,3 por cento, a maior desde Outubro de 2022, num contexto de forte correção das acções tecnológicas a nível mundial. A recuperação ocorreu após a China Reform Holdings Corporation e a China Chengtong Holdings Group, duas gestoras estatais associadas à chamada “equipa nacional” (“national team”), anunciarem no domingo o reforço das suas posições em acções chinesas. As duas entidades comprometeram-se igualmente a continuar a aumentar os investimentos, em particular em empresas estatais sob controlo do Governo central. A China Reform Holdings revelou que uma das suas subsidiárias recorreu a mais de 50 mil milhões de yuan da facilidade de ‘swap’ do Banco Popular da China (banco central) para apoiar a estabilidade dos mercados. Já a China Chengtong indicou que duas subsidiárias adquiriram recentemente activos acionistas chineses no valor de quase 10 mil milhões de yuan. Preparar o futuro Entretanto, a Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China reuniu-se ontem com empresas cotadas, corretoras e gestoras de fundos para recolher propostas destinadas a promover “um desenvolvimento estável e saudável” dos mercados de capitais, segundo a imprensa estatal. As medidas surgem depois de uma vaga de vendas iniciada pelas acções chinesas ligadas à inteligência artificial (IA), que acabou por alastrar ao conjunto do mercado. O índice STAR 50, que agrega empresas tecnológicas cotadas em Xangai, caiu 17 por cento na semana passada, reflectindo também as preocupações dos investidores com a pressão da oferta antes da esperada entrada em bolsa da fabricante chinesa de memória ChangXin Memory Technologies (CXMT). Na sexta-feira, os fundos negociados em bolsa (ETF) habitualmente associados à chamada “equipa nacional” registaram entradas líquidas de cerca de 28 mil milhões de yuan, o valor mais elevado desde Abril de 2025. O reforço da intervenção estatal faz recordar as medidas adoptadas em Abril do ano passado, quando Pequim mobilizou vários fundos públicos para apoiar os mercados accionistas após a forte queda provocada pelo anúncio das tarifas globais impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Nessa altura, a China Reform Holdings, a China Chengtong Holdings e o fundo soberano Central Huijin Investment comprometeram-se igualmente a adquirir acções para restaurar a confiança dos investidores.
Confrontos na Índia entre polícia e jovens que exigem demissões no Governo Hoje Macau - 21 Jul 2026 Milhares de famílias e jovens indianos tentaram ontem marchar até ao parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação, mas foram alvo de gás lacrimogéneo e bastonadas quando tentaram romper as barricadas de segurança. Os manifestantes, apoiantes e membros do “Partido das Baratas” – um movimento satírico da Geração Z indiana que surgiu como resposta a uma declaração do presidente da Supremo Tribunal na qual comparou os jovens desempregados a baratas –, entoaram palavras de ordem contra o ministro da Educação e contra o primeiro-ministro, Narendra Modi. A polícia disparou gás lacrimogéneo e atacou os manifestantes com bastões depois de estes terem tentado romper as barricadas que cercavam o local do protesto, no centro de Nova Deli, marcando um dos confrontos mais graves até à data na campanha do movimento contra o Governo. Os manifestantes estão, há um mês, acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito depois de um conceituado engenheiro e activista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária. O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes. Wangchuk apoia o movimento estudantil e o chamado “Partido das Baratas” na exigência da demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e reformas estruturais urgentes no setor. A atenção aumentou ainda mais no sábado, quando a polícia levou o activista à força para o hospital. Antes da marcha de ontem, Wangchuk disse que terminaria a sua greve de fome de quase três semanas se o Governo assumisse a responsabilidade pelas falhas no sistema educativo e pelas fugas de provas ou se os manifestantes tivessem permissão para entrar ao parlamento e os deputados se comprometessem a abordar as questões em ambas as câmaras. A polícia de Deli garantiu, no entanto, que a manifestação não tinha sido autorizada e que eram necessárias restrições para manter a ordem pública em torno do parlamento durante a sessão de Inverno, que começou ontem. Divisões internas Apesar e tudo, o episódio parece ter resultado na primeira aproximação do Governo aos líderes dos protestos, já que o porta-voz do “Partido das Baratas”, Saurav Das, anunciou ter estado, em conjunto com outro representante, reunido com o ministro da Saúde, J.P. Nadda. O Governo não confirmou a reunião. Líderes importantes do Governo de Modi adoptaram uma linha dura contra o movimento, com Pradhan a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversas ou negociações com o partido. Os protestos tornaram-se um raro desafio público ao Governo nacionalista hindu de Modi, que cumpre o seu terceiro mandato, atraindo o apoio de partidos da oposição, activistas dos direitos humanos e algumas celebridades de Bollywood. Os manifestantes dizem que o espaço para a dissidência diminuiu sob o Governo de Modi, que tem sido criticado por reprimir protestos públicos, prendendo activistas e, em alguns casos, usando repressão policial violenta.
Casamentos tardios: alegrias e tristezas (I) David Chan - 21 Jul 2026 Com o aperfeiçoamento da medicina e o maior alcance do sistema de saúde, a esperança média de vida dos residentes de Hong Kong e de Macau continua a aumentar, atingindo o patamar dos 83 a 87 anos. O crescimento da longevidade remodelou a percepção do Homem moderno sobre as várias fases da vida: os 50 deixaram de ser a entrada na velhice, e passaram a ser um recomeço que permite que as pessoas se reexaminem e construam a “segunda metade” das suas vidas. Com a abertura dos comportamentos sociais, o casamento de idosos, considerado tradicionalmente um tabu, está a tornar-se gradualmente uma opção para que as pessoas encontrem apoio e autonomia emocional no ocaso das suas vidas. No entanto, os casamentos tardios não são apenas uma questão de recomeço emocional; envolvem questões complexas como a reestruturação familiar, a divisão de bens, alterações nos direitos de herança e ajustes nas pensões de reforma. Equilibrar as necessidades emocionais com a segurança financeira enquanto se procura a felicidade na velhice tornou-se um verdadeiro desafio que os seniores de hoje em dia têm de enfrentar. O aumento dos casamentos e dos divórcios em idades avançadas não é um fenómeno social súbito, mas sim um resultado faseado de alterações a longo prazo do modelo da família tradicional. Na estrutura nuclear das famílias chinesas, a maior parte dos casais dedica a sua energia, durante a juventude e a meia-idade, a criar os filhos e a gerir o agregado familiar, transformando gradualmente o matrimónio de relação íntima em “Empresa de Parentalidade Cooperativa.” Imagine-se um pai que chega a casa depois de um dia de trabalho cansativo e que tem de ajudar o filho a estudar para o teste do dia seguinte, enquanto a mãe faz os trabalhos de casa com a filha. Este estilo de vida repetitivo deixa pouco espaço para a vida afectiva do casal. A intimidade entre ambos parece um sonho distante. O dia a dia gira em torno do apoio escolar, dos cuidados aos filhos e da divisão das tarefas domésticas, sufocando constantemente a comunicação, o companheirismo e a intimidade entre os esposos. Este padrão que se arrasta por muito tempo, acaba por substituir o amor romântico pelo afecto familiar e por colocar a responsabilidade à frente do companheirismo, conduzindo à persistência de um défice emocional dentro do casamento. Além disso, os desentendimentos em torno da educação dos filhos e da divisão das tarefas domésticas transformam-se em muitos conflitos insolúveis, são uma bomba-relógio pronta a explodir a qualquer momento. Quando os filhos crescem, tornam-se independentes e saem de casa, e o elo que mantinha o casal unido desaparece. A falta de comunicação que há muito tempo se vinha a acumular, as diferenças de personalidade e a carência emocional vêm ao de cima, fazendo com que muitos casais de meia-idade, ou mesmo mais velhos, se divorciem. Comparada com a mentalidade tradicional que pautava por “aguentar as dificuldades até ao fim,” hoje em dia, os seniores têm mais consciência de si próprios e são mais independentes. Com uma esperança média de vida que ultrapassa os oitenta anos, cada vez mais idosos deixam de estar dispostos a manter casamentos insatisfatórios, optando por terminar relações antigas e procurar outras mais compensadoras. Os segundos casamentos entre idosos tornaram-se, assim, uma tendência social generalizada. Do ponto de vista motivacional, quando se voltam a casar, os idosos escolhem os parceiros com base em factores emocionais e também em factores práticos, demonstrando os valores particulares que levam ao casamento nesta faixa etária. Quer ao nível fisiológico quer ao nível psicológico, à medida que as pessoas envelhecem, são confrontadas com o declínio, os riscos de adoecerem aumenta, e o círculo social diminui, pelo que aumenta significativamente o medo das doenças, da solidão e do inevitável fim da vida. Relações estáveis que proporcionem companhia diária e conforto emocional aumentem bastante o sentimento de felicidade e de segurança neste período da vida. Ao contrário da geração mais jovem que se foca na atracção e no futuro do casamento, os segundos casamentos dos idosos privilegiam a compatibilidade de interesses e do estilo e ritmo de vida. Nos seus últimos anos, quando já não estão sobrecarregados com as pressões dos cuidados infantis, a compatibilidade espiritual torna-se o critério central para os idosos escolherem um parceiro, tornando os casamentos tardios mais puramente emocionais. Continuaremos a análise dos segundos casamentos entre idosos na próxima semana.
UNESCO | Avaliadas 30 candidaturas a Património Mundial Hoje Macau - 21 Jul 202621 Jul 2026 A UNESCO abriu domingo na Coreia do Sul a 48.ª reunião do Comité do Património Mundial, que avalia 30 candidaturas de diferentes países, entre as quais de Espanha e do Brasil, numa lista que inclui ainda fortalezas portuguesas. A Palestina também apresenta uma candidatura, a qual será tratada com carácter de urgência face à ameaça de ocupação israelita. “O Comité do Património Mundial dará vida à convenção durante os próximos 10 dias, considerando novas nomeações, examinando o estado de conservação e abordando desafios crescentes como as alterações climáticas, a urbanização e os conflitos”, afirmou o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla inglesa), Khaled El-Enany, no seu discurso de abertura. Entre as propostas para a eleição como Património Mundial no evento, que decorre na cidade meridional sul-coreana de Busan, figura o sítio cultural da Ribeira Sacra, em Espanha, embora a sua designação esteja rodeada de incerteza depois de o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) ter aconselhado a não inscrição por não ver nela um exemplo notável de um povoamento humano tradicional, além de tecer críticas aos critérios de integridade e autenticidade. Por sua vez, o Brasil tem a aspiração de inscrever conjuntamente o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, dois símbolos do auge da borracha no final do século XIX que combinaram arquitetura e materiais europeus com a identidade cultural amazónica. A candidatura palestiniana de Sebastia, um sítio arqueológico cujos primórdios remontam aos séculos VIII e IX a.C., será tramitada com carácter de urgência, no meio de uma ordem israelita de expropriação, apesar de se encontrar no território palestiniano da Cisjordânia. O monte Olimpo grego e a sua envolvência também participam na categoria mista de sítio cultural e natural, num evento que reúne em Busan mais de 3.000 participantes de 150 países. Outras propostas O Comité da UNESCO examinará ainda outras propostas de sítios culturais, como as de França, que apresenta as praias do desembarque da Normandia e as fortalezas medievais de Carcassonne (séculos XIII-XIV). Entretanto, a Finlândia propõe 13 obras de Alvar Aalto com o apoio do Icomos. Também figuram na lista de candidaturas teatros comunitários italianos, fortalezas portuguesas e as antigas capitais japonesas de Asuka e Fujiwara. O Património Mundial “é um símbolo que une a humanidade além-fronteiras e gerações, e é uma base sólida que permite pôr em prática a paz e a cooperação entre os países”, afirmou o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, na cerimónia realizada no centro de convenções BEXCO.
Portas do Cerco | Passagens pedonais alvo de revisão Hoje Macau - 21 Jul 202621 Jul 2026 O Governo promete levar a cabo uma revisão das pontes pedonais de acesso às Portas do Cerco. A promessa foi feita pelo director dos Serviços de Obras Públicas, Lam Wai Hou, na resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok. “A Estação ES1 da Linha Leste do Metro Ligeiro, actualmente em construção, efectuará, através de passagens pedonais subterrâneas e passagens superiores para peões, a ligação directa à zona de mudflat junto da Avenida Norte do Hipódromo, ao Edifício do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e às imediações da zona comunitária da Praceta do Bom Sucesso”, começou por descrever. “O Governo irá, através da coordenação interdepartamental e em articulação com o andamento da construção da Linha Leste do Metro Ligeiro, proceder simultaneamente à revisão das actuais passagens superiores para peões e instalações pedonais no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e nas suas zonas circundantes”, foi acrescentado. Os trabalhos, que têm como objectivo “aperfeiçoar o ordenamento do tráfego” e “racionalizar os percursos pedonais”, vão ser iniciados “oportunamente”. Lam Wai Hou prometeu também que após a conclusão das obras, a rede pedonal naquela zona da cidade vai ser mais “conveniente e contínua”.
Produtos financeiros | Coutinho alerta para falta de fiscalização João Santos Filipe - 21 Jul 2026 O deputado ligado à ATFPM avisa para o surgimento de novos produtos financeiros na banca local que fazem dos residentes intermediários de crédito. Numa interpelação, Pereira Coutinho recorda que esta actividade exige uma licença especial e pede maior fiscalização por parte da AMCM para evitar abusos O deputado José Pereira Coutinho pediu à Autoridade Monetária de Macau (AMCM) para fiscalizar os produtos financeiros vendidos por bancos locais e instituições de créditos. Numa interpelação escrita, o deputado alerta que os residentes podem estar a ser manipulados para adquirirem produtos financeiros que não compreendem. Segundo o legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), as queixas surgiram depois de alguns residentes terem assinado contratos com os bancos em que aceitavam pagar as dívidas de terceiros a esses bancos, e, como contrapartida, recebiam taxas de juro “elevadas” com valores entre 12 a 20 por cento da dívida. No entanto, Coutinho alerta que estes contratos foram assinados “sob permanente pressão das instituições bancárias”. Além disso, o deputado avisa que os produtos financeiros descritos se enquadram no regime previsto para a “captação e aplicação de recursos em troca de remuneração por juros”, o que de acordo com uma circular da AMCM faz com que estes produtos só possam ser disponibilizados a investidores profissionais. No cenário descrito pelo membro da Assembleia Legislativa, as instituições, que nunca são identificadas, poderão ter falhado em várias das suas obrigações, ao nível da informação que devem prestar aos clientes: “Impõe-se saber se tais operações foram objecto de comunicação prévia à AMCM […] e se as instituições bancárias envolvidas cumpriram cabalmente os deveres de informação, adequação e transparência que lhes são impostos”, avisou o deputado no documento. Coutinho vai mais longe e indica ainda que as queixas denunciam que os clientes dos produtos financeiros “não foram devidamente informados sobre a natureza estruturada das complexas operações financeiras, os riscos inerentes à intervenção de terceiros financiadores, nem sobre a existência de eventuais comissões ou remunerações acessórias”. “Tal omissão, caso se confirme, configura uma violação dos deveres de informação”, realça o deputado. Obrigações paralelas Coutinho também questiona a AMCM sobre se teve conhecimento da criação por “algumas instituições bancárias” de “complexas operações de produtos financeiros estruturados com empréstimos de moradias hipotecadas em que os cidadãos pagam a dívida bancária do mutuário e recebem em contrapartida taxas de juro anuais entre 12 por cento a 20 por cento”. O deputado pede igualmente ao Governo para esclarecer se “estas operações foram ou não objecto de comunicação prévia” e se as instituições bancárias que disponibilizam os produtos financeiros foram objecto de fiscalização, no que diz respeito aos direitos de informação, transparência e adequação. José Pereira Coutinho alerta ainda que segundo os produtos financeiros referidos, os residentes estão “na prática a exercer a actividade de intermediação financeira ou de concessão de crédito” sem terem autorização legal. Por isso, o deputado quer saber quais são as medidas adoptadas pela AMCM para fiscalizar estas situações e sancionar as instituições de crédito de forma a evitarem a repetição destes comportamentos. O deputado quer também que a AMCM explique como está a “proteger os consumidores e salvaguardar a estabilidade e a legalidade do sistema financeiro de Macau”.
Deputado quer imitar protecção laboral do Interior nos contratos a tempo parcial João Santos Filipe - 21 Jul 202621 Jul 2026 O deputado Leong Hong Sai pretende que as empresas locais adoptem um sistema de protecção dos trabalhadores a tempo parcial inspirado no que acontece no Interior. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa. No documento, Leong Hong Sai começa por dar como adquirido que os novos trabalhos na RAEM vão ser cada vez mais precários: “Com a contínua reconversão da estrutura industrial de Macau, o rápido desenvolvimento da economia de plataforma e do modelo flexível de emprego, os postos de trabalho flexíveis, como o trabalho a tempo parcial, tornaram-se cada vez mais comuns, constituindo importantes complementos para o mercado de trabalho de Macau”, indicou o legislador. Para o deputado ligado aos Moradores, a precariedade não é tida como negativa. Leong Hong Sai elogia estes novos modelos de trabalho, por proporcionarem “aos residentes escolhas diversificadas de emprego” e permitirem ainda uma “mobilização flexível dos recursos humanos em todos os sectores e a adaptação às necessidades de desenvolvimento do mercado”. No entanto, o legislador reconhece que “existem actualmente muitas lacunas na protecção dos direitos e interesses da maioria dos trabalhadores a tempo parcial”, com impacto no “sentimento de segurança no emprego” e na “estabilidade da vida” destes trabalhadores. Garantias para acidentes Como forma de desenvolver mais direitos para estes trabalhadores, Leong Hong Sai quer saber se o Governo da RAEM vai “estudar a implementação em Macau de garantias em acidentes de trabalho para os trabalhadores a tempo parcial ou que trabalham em plataformas”, seguindo o projecto-piloto sobre acidentes de trabalho do Interior da China. O deputado não explica o modelo nem as vantagens do projecto-piloto. Leong Hong Sai questiona ainda se o Executivo vai “rever a responsabilidade solidária de empresas e entidades empregadoras, no que respeita à indemnização por danos causados aos trabalhadores”. Por último, o deputado pretende saber se o Executivo vai criar um sistema de formação para trabalhadores a tempo parcial, através de “cursos de formação” ou subsídios para “formação flexível”, que pode ser frequentada através de um “período de tempo disperso”.
Estacionamento | Nam Kwong vai explorar parquímetros por sete anos João Luz - 21 Jul 2026 A Nam Kwong Tung ganhou o concurso de exploração dos estacionamentos nas vias pública, cuja concessão dura sete anos, substituindo a Macau Forehap Parking Management. A concessão prevê a introdução de várias formas de pagamento electrónico e uma aplicação para pagar à distância A Companhia Nam Kwong Tung venceu o concurso público para a “Concessão da exploração de lugares de estacionamento na via pública”, que implica a gestão de cerca de 10 mil de lugares com parquímetros nas ruas da cidade. A decisão foi anunciada ontem numa ordem executiva assinada por Sam Hou Fai publicada ontem no Boletim Oficial, que delega no secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, poderes para representar a RAEM na escritura público do contrato de concessão com a Nam Kwong Tung. O testemunho da concessão passa da Macau Forehap Parking Management para a subsidiária do gigante estatal Nam Kwong Group. O concurso público, que foi lançado no final de Fevereiro implica a modernização dos estacionamentos na via pública, a começar pelos métodos de pagamento. O Governo exigiu que sejam fornecidos diversos meios de pagamento electrónicos locais e não locais, incluindo o “Simple Pay”, cartões de crédito, porta-moedas electrónicos. A concessionária terá também de criar uma aplicação móvel e uma página de internet que permita consultar em tempo real se os lugares de estacionamento com parquímetros estão ou não ocupados, além de permitir o pagamento remoto, acabando com a necessidade de voltar ao parquímetro para renovar o pagamento. Aos seus lugares A Nam Kwong Tung terá também de adquirir e instalar sensores de detecção de veículos em todos os lugares de estacionamento com parquímetros para automóveis ligeiros e pesados. Ficará ainda a cargo da concessionária o pagamento integral dos custos de aquisição e instalação de um sistema de equipamentos de cobrança para substituir o actual. Das 12 concorrentes admitidas ao concurso público, a Nam Kwong Tung apresentou a sexta proposta mais elevada, com um preço proposto de retribuição de 48 por cento. A antiga concessionária, a Macau Forehap Parking Management propôs um preço de retribuição de 63 por cento. A Companhia de Parques de Macau, cujo presidente é Ma Iao Lai, apresentou a proposta mais elevada, com um preço proposto de retribuição de 70 por cento. Ma Iao Lai é o filho mais velho do empresário Ma Man Kei e pai de Frederico Ma Chi Ngai. Aquando da abertura do concurso, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego indicou que a avaliação e adjudicação teria por base o valor proposto pelos concorrentes, plano de execução do sistema de cobrança e dos equipamentos de hardware e software, prazo de execução das obras e projectos adicionais de exploração do serviço público de estacionamento.
“As Espantosas e Curiosas Viagens: As Bonecas Viajantes”, a partir de amanhã na FRC João Luz - 20 Jul 202620 Jul 2026 É inaugurada amanhã, às 18h30, na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) a exposição “As Espantosas e Curiosas Viagens: As Bonecas Viajantes”, um projecto de investigação artística e etnográfica de Marta Sala e Cheong Kin Man, com curadoria de Sara Neves. A exposição é composta por uma série obras, como uma fotografia da dupla de artistas com os seus trajes de casamento enquanto obra de arte, em frente ao seu auto-retrato têxtil de casamento, tradução abstracta de poema da autora de Macau Sin Iok Cheng, um conjunto de máscaras e uma “imagem fixa de instalação de vídeo sobre a comunidade macaense no Brasil”. A organização da mostra refere que os trabalhos apresentados a partir de amanhã, e que vão estar patentes ao público até 1 de Agosto, representam o “o culminar de vários anos de cooperação intercultural entre os dois criadores, fundindo a criação artística com a investigação de campo antropológica”. O projecto da dupla constituída pela artista polaca Marta Stanilslawa Sala e o antropólogo visual de Macau Cheong Kin Man tem como temas centrais o intercâmbio cultural, as experiências migratórias e a identidade étnica. Segundo um comunicado da FRC, em “As Espantosas e Curiosas Viagens: As Bonecas Viajantes”, “os autores recorrem a abordagens artísticas para analisar a relação única de interpenetração de diversas culturas no meio da sua mobilidade e colisão, utilizando os tecidos e os textos escritos como forma de comunicação”. Mundo sem fronteiras O trabalho de Marta Sala e Cheong Kin Man explora as formas como as culturas se tocam e como as identidades se deslocam ao atravessar fronteiras. A investigação assenta, maioritariamente, em dois materiais flexíveis, quotidianos, transportáveis, modificáveis e sempre presentes no arquivo emocional de cada um: o têxtil e o textual. Assim sendo, a exposição apresenta diferentes trabalhos desenvolvidos pela dupla no contexto deste projecto e, para a mostra em Macau os artistas criaram um novo trabalho, “As Bonecas Viajantes”. O convívio com estes objectos propõe um olhar sobre o corpo como portador de memória híbrida, vulnerabilidade, adaptação e hibridez cultural em contextos pósmigratórios, é indicado pela FRC. A iniciativa é organizada pela Casa de Portugal em Macau e da Fundação Rui Cunha. Na cerimónia de inauguração, amanhã a partir das 18h30, terá lugar uma conversa com a dupla artística e a curadora.
Festival Juvenil de Dança | Mais de 800 bailarinos de 33 grupos dão ritmo à cidade João Luz - 20 Jul 202620 Jul 2026 Começou no sábado o “Festival Juvenil Internacional de Dança 2026”, que conta este ano com mais de 800 bailarinos e 33 grupos das mais variadas proveniências. Até quinta-feira, será possível ver e dançar com grupos vindos de várias províncias chinesas, de Portugal, Austrália, Turquia, México, Sri Lanka, Grécia ou Tailândia Arrancou no sábado a edição deste ano do “Festival Juvenil Internacional de Dança”, organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) em colaboração com um conjunto de outros departamentos oficiais. O evento, que irá decorrer até à próxima quinta-feira, teve como primeira actividade no sábado um desfile que partiu das Ruínas de São Paulo até ao Largo do Senado, com todos os grupos convidados a desfilarem no centro da cidade. “Ao longo do trajecto, os artistas proporcionaram ao público actuações cheias de características próprias e interagiram com entusiasmo com os espectadores, contribuindo, através de danças cheias de juventude e vitalidade, para moldar a imagem de Macau como “Cidade do Espectáculo” e promover o “estabelecimento de amizades através da dança” entre os jovens locais e de outras regiões”, descreveu a DSEDJ num comunicado divulgado no sábado à noite. A festa continua hoje ao início da noite, às 19h30, na Praça do Tap Siac com a actuação de cinco grupos de Macau (Associação de Dançarinos Regina, Equipa de Dança da Universidade de Macau, Associação de Danças de Macau, Associação de Dança Ieng Chi e Equipa de Dança da Escola dos Moradores de Macau). A cidade vizinha de Hong Kong será representada hoje no Tap Siac pelo Alan & Becky Dance Group, enquanto de Sichuan chega o Grupo Artístico Étnico do Distrito Autónomo Qiang de Beichuan. Actuam hoje no mesmo espectáculo o Grupo de Dança da Associação de Antigos Alunos da Hwa Chong, de Singapura, o Grupo Cultural Juvenil da Tailândia, os Tubil da Turquia e a Waveomatics Crew da Grécia. Na quarta-feira, no mesmo local e hora, vão actuar os restantes grupos convidados para o festival, incluindo os portugueses Dancingstar – Associação Valboense de Dança. A representar Macau vão estar as equipas de dança das escolas Pui Ching, Hou Kong e Kao Yip, a Macau Art – Ignition Space Art Troupe, Estúdio de Dança KAPO. Do Interior da China, o público poderá apreciar as actuações dos bailarinos da Dalian Art College e do Grupo de Dança Juvenil da Faculdade de Artes da Universidade de Tecnologia do Sul da China. O naipe de conjuntos internacionais que actuam na quarta-feira no Tap Siac é composto pelo Conroy Dance Center da Austrália, pela Academia de Dança RanRanga do Sri Lanka, pela Companhia de Dança Folclórica Xihuitzilli do México, os Perle da Letónia Aprender uns passos O festival “invadiu” ontem o Átrio do Posto Fronteiriço de Hengqin e o Centro de Ciência de Macau, com aquilo a que o Governo designou como flashmob, um tipo de actuação imprevista e que surpreende o público, ou seja, o completo oposto de uma actividade com hora e local marcado. O festival tem também no programa um concurso de fotografia cujo tema é centrado nas actuações artísticas, assim como workshops amanhã, entre as 10h e as 12h, na Escola Oficial Zheng Guanying. A fechar a programação deste ano do “Festival Juvenil Internacional de Dança”, estão marcados para o Pavilhão 1 do Fórum de Macau dois espectáculos amanhã e na quinta-feira, sempre a partir das 20h.
Jogo VIP | Mercado com queda trimestral de 18,8% Hoje Macau - 20 Jul 2026 As receitas vindas dos grandes apostadores, um segmento conhecido em Macau como jogo VIP, desceram 2,6 por cento no segundo trimestre do ano, em termos anuais, e 18,8 por cento, face aos três meses anteriores, de acordo com dados oficiais. O bacará VIP, o jogo que representa a totalidade do sector VIP no território, atingiu receitas de 15,9 mil milhões de patacas entre Abril e Junho, anunciou na quinta-feira a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) de Macau. No mesmo período de 2025, as receitas das grandes apostas alcançaram 16,3 mil milhões de patacas. O valor agora registado representa também uma queda de 18,8 por cento face ao primeiro trimestre de 2026, período em que as receitas deste segmento alcançaram 19,6 mil milhões de patacas. No entanto, o jogo VIP em Macau continua longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19. Em 2019, o bacará VIP representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos de Macau. Mas, no segundo trimestre deste ano, ficou-se por uma fatia de 26,1 por cento. As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021. O antigo director executivo da Suncity, Alvin Chau Cheok Wa, foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau. O número de licenças tem vindo a recuperar e, de acordo com dados da DICJ, totaliza neste momento 29, embora permaneça aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50. Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, caíram 1,2 por cento, em termos anuais, no segundo trimestre de 2026, alcançando 35,2 mil milhões de patacas.
Turismo | Subida de 9% para 20,9 milhões no primeiro semestre Hoje Macau - 20 Jul 2026 Macau recebeu no primeiro semestre do ano 20,9 milhões de visitantes, uma subida de 9 por cento em termos anuais, indicam dados divulgados na sexta-feira. Entre os visitantes que se deslocaram ao território nos primeiros seis meses do ano, mais de metade (12,9 milhões) eram excursionistas, o que representa um aumento de 15,3 por cento face ao mesmo período do ano anterior, refere uma nota da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Também o número de turistas, (cerca de oito milhões), registou uma subida ligeira de 0,2 por cento entre Janeiro e Junho de 2026, em termos anuais, acrescenta-se na nota. A maioria dos visitantes (15,3 milhões) veio da China continental – mais 11 por cento -, sendo que 3,7 milhões chegaram de Hong Kong e pouco mais de 575 mil de Taiwan, apresentando uma subida homóloga de 0,3 por cento e 24,7 por cento, respectivamente. Os visitantes internacionais (exclui interior da China, Hong Kong e Taiwan), refere ainda a DSEC, totalizaram no primeiro semestre 1,4 milhões, registando um aumento de 6 por cento, em comparação com o mesmo período de 2025. Já em termos mensais, entraram no território 2,8 milhões de visitantes em Junho, o que representa um decréscimo de 3,1 por cento em relação ao mesmo mês do ano passado.
Hotelaria | Prevista taxa de ocupação de 90% no Verão Nunu Wu e João Santos Filipe - 20 Jul 202620 Jul 2026 O ex-deputado e presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, Cheung Kin Chung, acredita que o mercado está a criar condições para os turistas pernoitarem mais tempo no território, antes de regressarem a casa O presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, Cheung Kin Chung, estima que a ocupação hoteleira durante o Verão atinja uma taxa de 90 por cento, com Agosto a ser o mês com mais dormidas. O cenário foi traçado por Cheung, em declarações ao jornal Ou Mun. O ex-deputado explicou que o Verão tende a reflectir uma maior ocupação, não só devido aos turistas individuais, mas principalmente devido às deslocações em família que acontecem com maior frequência durante o Verão. Quanto aos preços dos quartos, Cheung Kin Chung apontou que a flutuação dos valores durante as férias de Verão se mantém dentro de um nível que razoável. O responsável explicou que os preços são mantidos dentro de um nível aceitável, não só porque recentemente abriu um novo hotel na cidade, o que veio aumentar ainda mais a oferta, mas também porque os comerciantes fazem um esforço de autodisciplina sobre a questão dos preços, para evitar grandes impactos junto dos clientes. Por estes motivos, Cheung Kin Chung não espera grandes subidas dos preços, indicando que devem rondar os valores praticados durante a Semana do Dia do Trabalhador, quando as dormidas custavam cerca de 1.000 dólares de Hong Kong por noite. O dirigente associativo acredita que ao longo do Verão estes valores devem ser mantidos. Visitam, mas não dormem Nas declarações prestadas à publicação em língua chinesa, Cheung Kin Chung abordou também a questão do aumento do número de turistas que visitam Macau, mas optam por não pernoitar. Sobre este aspecto, Cheung Kin Chung afirmou que o sector tem feito diferentes planos para contribuir para permanências mais longas e deu como exemplo a mais recente vaga de descontos. Segundo as novas promoções, quanto mais noites os clientes passam num hotel, maiores são os descontos. De acordo com este modelo, os turistas pagam normalmente a primeira noite, mas depois têm um desconto na segunda noite, que se torna ainda maior se houver uma terceira dormida. Na linha destes esforços, Cheung Kin Chung revelou também que o mercado tem cada vez mais pacotes de turismo, que juntam refeições com deslocações a atracções turísticas ou eventos, como convenções, de forma a promover estadias em Macau mais longas. Cheung Kin Chung indicou ainda que o sector vai reforçar a cooperação regional para criar um mercado de turismo mais internacional, com a oferta de produtos turísticos entre Macau e Hengqin ou outras paragens na Grande Baía.
Guterres agradece a Xi Jinping “apoio consistente” da China ao multilateralismo e à ONU Hoje Macau - 20 Jul 2026 O secretário-geral da ONU, António Guterres, agradeceu sexta-feira ao Presidente chinês, Xi Jinping, pelo “apoio consistente da China” ao multilateralismo e às Nações Unidas, incluindo às missões de manutenção da paz. Num encontro em Xangai, para onde Guterres viajou para participar na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (IA), o líder da ONU e o chefe de Estado chinês discutiram uma série de assuntos internacionais e regionais de paz e segurança, incluindo questões relativas ao Médio Oriente, assim como à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, segundo o gabinete do secretário-geral. “O secretário-geral reafirmou o seu firme compromisso com a reforma da ONU, em plena consonância com a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, e com o pleno respeito pelo equilíbrio entre os três pilares das actividades das Nações Unidas – paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos – e com o reforço da cooperação com a China em todas estas áreas”, disse o gabinete de Guterres em comunicado. O ex-primeiro-ministro português aproveitou ainda o encontro com Xi para elogiar o envolvimento da China nas discussões globais sobre a governação da IA. Poder nas pessoas António Guterres chegou à China na quinta-feira. Na sexta-feira de manhã, participou na cerimónia de abertura da Conferência Mundial de IA, em Xangai, e posteriormente interveio na sessão de abertura do Fórum Meteorológico da Conferência Mundial. Guterres apelou para que não se permita a “um punhado de países ou empresas” controlar o futuro da IA, sublinhando que deve ser a humanidade a “moldar” essa tecnologia. “A IA pode ser uma das maiores oportunidades para a humanidade no século XXI, mas também poderá ser um dos seus maiores riscos. (…) A tecnologia deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário”, advertiu. Na sua perspectiva, os riscos concentram-se na ameaça de “desigualdades ainda maiores” em matéria de rendimento, oportunidades ou segurança. “Não podemos permitir que isso aconteça. O desafio que enfrentamos é garantir que a IA se torne uma força para maior inclusão e para o progresso comum”, afirmou o líder da ONU.
Hong Kong | China saúda EUA por restaurarem privilégios comerciais Hoje Macau - 20 Jul 2026 A China saudou a decisão dos Estados Unidos de não renovar uma ordem executiva que revogava o estatuto comercial especial de Hong Kong, considerando um passo importante na implementação do consenso alcançado durante encontros entre Pequim e Washington. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou na sexta-feira que não vai renovar a ordem executiva, assinada em Julho de 2020 durante o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump, em resposta à imposição pela China da lei de segurança nacional. Decisão aplaudida na sexta-feira por um porta-voz do Ministério do Comércio da China que, citado pela agência de notícias Xinhua, confirmou a revogação, este ano, da ordem executiva. Ainda de acordo com este ministério, durante as consultas económicas e comerciais entre a China e os EUA, realizadas em Madrid no ano passado, os Estados Unidos assumiram compromissos sobre questões que incluíram Hong Kong e o investimento. O porta-voz indicou ainda que a manutenção da prosperidade e da estabilidade de Hong Kong serve os interesses comuns da China e dos Estados Unidos, e que o ajustamento da política dos EUA em relação a Hong Kong numa direcção positiva também vai ao encontro das expectativas da comunidade internacional. Pela estabilidade A China, afirmou ainda o responsável chinês do Ministério do Comércio, espera que os Estados Unidos honrem as convenções internacionais e o consenso alcançado pelas duas partes, respeitem a soberania da China e o Estado de direito na Região Administrativa Especial de Hong Kong, e restabeleçam e reforcem as relações económicas e comerciais com esta cidade vizinha de Macau. Esses esforços contribuiriam para a construção de uma relação construtiva de estabilidade estratégica entre a China e os Estados Unidos, acrescentou o porta-voz. Na sexta-feira, o porta-voz do Departamento do Tesouro afirmou que continuarão em vigor as sanções previstas na Lei de Autonomia de Hong Kong de 2020, que penaliza autoridades que promovem a política chinesa de limitar a autonomia do território, acrescentando que a decisão de não renovar evita a duplicação de sanções. A ordem executiva de 2020, justificada com a convicção de que Hong Kong deixou de ser suficientemente autónomo para merecer um tratamento diferenciado em relação à China continental sob certas leis, fora renovada pela última vez em Julho de 2025, por um ano. O Governo de Hong Kong afirmou, em comunicado, ter notado uma “mudança positiva na política dos EUA” em relação à cidade. “Salvaguardar a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong atende aos interesses comuns da China e dos Estados Unidos e também se alinha com as expectativas gerais da comunidade internacional”, referiu.