Teerão autoriza passagem de navios chineses no estreito de Ormuz

As forças navais do Irão autorizaram desde quarta-feira a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz, anunciou a agência noticiosa iraniana Tasnim. “Na sequência de uma decisão da República Islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o estreito de Ormuz no âmbito de protocolos de trânsito geridos pelo Irão”, informou a Tasnim, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A agência iraniana Fars divulgou com informações semelhantes, enquanto a televisão estatal do Irão referiu que “mais de 30 navios” receberam autorização para cruzar o estreito, sem especificar se pertencem exclusivamente à China.

A República Popular da China é o principal país importador do petróleo iraniano. As notícias foram divulgadas no dia em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou encontros em Pequim com o homólogo chinês, Xi Jinping, no âmbito de uma visita oficial que está a realizar à China.

Os dois líderes falaram esta quarta-feira sobre a situação no estreito de Ormuz, de acordo com a Casa Branca, a presidência norte-americana. Trump exige ao Irão o fim do bloqueio do estreito de Ormuz como uma das condições para cessar a guerra contra o regime da República Islâmica.

O Irão bloqueou o estreito por onde passa habitualmente 20% do comércio internacional de produtos petrolíferos em reação à ofensiva militar de que é alvo desde 28 de fevereiro por parte dos Estados Unidos e Israel.

O bloqueio iraniano à única ligação do golfo Pérsico com o mar aberto tem perturbado os mercados globais e conferido a Teerão uma vantagem estratégica, segundo a AFP. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos navios e portos iranianos, apesar de estar em vigor um cessar-fogo desde 08 de abril.

A trégua foi mediada pelo Paquistão para permitir negociações entre Teerão e Washington, que foram infrutíferas até agora. A guerra causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, e afeta quase todos os países da região.

15 Mai 2026

Ormuz | Seul diz que “impacto externo” causou explosão em navio

Seul concluiu que a explosão ocorrida na semana passada num navio operado por uma companhia de navegação sul-coreana no Estreito de Ormuz foi causada pelo “impacto externo” de um objecto voador não identificado.

“Como resultado da investigação, foi confirmado que, em 04 de Maio, um objeto voador não identificado atingiu a popa do (navio) ‘HMM Namu’. Existe, no entanto, uma limitação para determinar com precisão o tipo exacto e o tamanho físico do objecto”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul num comunicado.

O navio de carga “HMM Namu” estava ancorado fora dos limites do porto de Umm Al Quwain, nos Emirados Árabes Unidos, quando ocorreu uma explosão, cerca das 20:40, hora da Coreia, “no lado bombordo da casa das máquinas”. Seguiu-se um incêndio, mas toda a tripulação saiu ilesa.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou anteriormente que se tratou de um ataque iraniano, instando Seul a juntar-se à agora suspensa operação militar dos Estados Unidos para escoltar navios através de Ormuz.

Teerão rejeitou categoricamente qualquer envolvimento na explosão, enquanto Seul adoptou uma postura cautelosa, classificando a possibilidade de um ataque como “incerta”.

Como muitas economias asiáticas, a Coreia do Sul depende fortemente das importações de combustível do Médio Oriente, grande parte das quais transita pelo estreito de Ormuz. O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, reúne-se hoje nos Estados Unidos com o homólogo norte-americano, Pete Hegseth.

Antes de partir para Washington, Ahn afirmou que, na reunião com Hegseth, irá discutir as intenções de Seul de conseguir a transferência do controlo operacional (OPCON) em tempo de guerra dos EUA para a Coreia do Sul durante o mandato do actual Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung.

Também discutirão o plano para desenvolver submarinos nucleares sul-coreanos com ajuda tecnológica de Washington, disse o ministro, em declarações reportadas pela Yonhap.

11 Mai 2026

Irão | Porta-aviões francês passa Suez a caminho do Golfo Pérsico

O porta-aviões francês “Charles de Gaulle” e a sua escolta atravessaram ontem e o canal do Suez para se posicionarem na região do Golfo Pérsico, anunciou o Ministério das Forças Armadas. O envio do porta-aviões francês realizou-se para a eventualidade de ser lançada uma missão, promovida por Londres e Paris, para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz.

“O porta-aviões ‘Charles de Gaulle’ e os seus navios de escolta transitaram pelo canal do Suez hoje, 6 de Maio de 2026, a caminho do sul do mar Vermelho”, indicou ontem o ministério num comunicado. A decisão visa “agilizar a execução desta iniciativa assim que as circunstâncias o permitam”, acrescentou.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, estão por detrás de uma iniciativa para garantir a segurança da navegação no estreito, bloqueado desde o início do conflito que desde 28 de Fevereiro opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel.

Esta potencial missão de segurança, que só pôde ser desencadeada depois de as hostilidades terem cessado, pretende ser “neutra e claramente separada dos beligerantes”, afirmou em meados de Abril o chefe de Estado francês.

“A movimentação do grupo aeronaval é independente das operações militares iniciadas na região e complementa o dispositivo de segurança existente”, reafirmou o ministério. A sua presença perto do Golfo Pérsico vai permitir “uma avaliação do ambiente operacional regional antes do lançamento da iniciativa” e “o fornecimento de mais opções de saída da crise para reforçar a segurança regional”, indicou.

7 Mai 2026

Irão | Pequim trava sanções dos EUA contra empresas chinesas

Pequim bloqueou a aplicação das sanções de Washington contra cinco empresas chinesas devido às alegadas ligações com o comércio de petróleo iraniano, através de uma ordem que proíbe pessoas e entidades de cumprir, reconhecer ou executar essas medidas. O Ministério do Comércio explicou, no sábado, que a ordem, conhecida como “blocking ban”, visa neutralizar dentro da China o efeito das sanções norte-americanas, impedindo que empresas ou indivíduos adiram às mesmas ou colaborem na aplicação.

De acordo com o comunicado oficial, as medidas adoptadas por Washington, que envolvem a inclusão em listas de sanções, o congelamento de activos e a proibição de transações, interferem nas “actividades comerciais normais” entre empresas chinesas e países terceiros e violam “o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais”.

A ordem baseia-se no quadro jurídico chinês contra a aplicação extraterritorial de leis estrangeiras, desenvolvido nos últimos anos e reforçado recentemente, em Abril, com novas normas que ampliam a capacidade de Pequim para contrariar sanções adoptadas por outros países.

As autoridades chinesas reiteraram a oposição às sanções unilaterais sem o apoio das Nações Unidas e sublinharam que a medida não afecta o cumprimento das obrigações internacionais do país nem a protecção dos direitos das empresas estrangeiras na China.

Rota da crise

A decisão surge depois de Washington ter sancionado — na semana passada — dezenas de entidades e indivíduos pela alegada participação em redes financeiras ligadas ao petróleo iraniano, no âmbito da política de pressão sobre Teerão.

Entre as empresas afectadas, encontram-se várias refinarias e grupos petroquímicos chineses, apontados pelos Estados Unidos pelo suposto papel na comercialização de petróleo iraniano, um fluxo que Washington considera fundamental para o financiamento de actividades militares e de grupos aliados da República Islâmica.

A medida de Pequim coincide com a preocupação expressa pela China quanto ao impacto do conflito no Irão na estabilidade energética global, com especial atenção para o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento de petróleo bruto.

4 Mai 2026

Ormuz | Japão considera passagem de petroleiro “sucesso diplomático”

O Governo japonês classificou ontem a passagem pelo estreito de Ormuz de um navio ligado à empresa petroquímica nipónica Idemitsu Kosan, com dois milhões de barris de crude, como um “sucesso diplomático”, informou a emissora pública NHK.

“A passagem de navios ligados ao Japão pelo estreito de Ormuz tem sido solicitada repetidamente”, referiu um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros – não identificado pela NHK -, notando que, para a diplomacia japonesa, “isto pode ser considerado um sucesso diplomático”.

Uma outra fonte governamental citada pela NHK, também não identificada, recordou que outros navios ainda não podem atravessar livremente este estreito crucial. “Para garantir um abastecimento energético estável para o Japão, devemos continuar a exigir que todos os países garantam a liberdade de navegação e a segurança dos seus navios”, afirmou.

Embora a empresa japonesa tenha recusado comentar a situação do navio por motivos de segurança, de acordo com um comunicado divulgado pela NHK, o portal de monitorização MarineTraffic indicou que o petroleiro Idemitsu Maru se encontrava ontem no golfo de Omã às 12:30, hora local, após ter atravessado o estreito de Ormuz, e espera-se que chegue à cidade japonesa de Nagoya em meados de Maio.

A televisão estatal iraniana Press TV informou na terça-feira à noite sobre a travessia do Idemitsu Maru, um navio com bandeira panamenha gerido por uma filial da refinaria japonesa Idemitsu Kosan e carregado com petróleo bruto desde março passado na Arábia Saudita. “A passagem exigiu coordenação com Teerão”, indicou a Press TV. No entanto, fontes oficiais japonesas garantiram à NHK que Tóquio não pagou qualquer taxa ao Irão.

30 Abr 2026

Médio Oriente | Pequim critica “intercepção forçada” de navios pelos EUA

O ataque norte-americano a um navio iraniano põe em causa o cessar-fogo em vigor

O Governo chinês criticou ontem a “intercepção forçada” de navios pelos Estados Unidos, após um ataque a um porta-contentores iraniano perto do Estreito de Ormuz, e apelou ao respeito pelo cessar-fogo.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que a situação no Estreito de Ormuz é “sensível e complexa” e instou as partes envolvidas a “criar as condições necessárias para que o trânsito volte à normalidade”. Segundo o responsável, a região encontra-se numa “fase crítica” de transição entre a guerra e a paz, sendo necessário estabelecer as bases para pôr fim ao conflito o mais rapidamente possível.

Guo reiterou ainda a importância do Estreito de Ormuz como via internacional de transporte, sublinhando que garantir a livre circulação “corresponde aos interesses comuns dos países da região e da comunidade internacional”. “A China continuará a promover a distensão da situação e a desempenhar um papel construtivo para alcançar uma paz duradoura e a estabilidade no Médio Oriente”, acrescentou.

Ataques e violações

O incidente surge depois de o Exército iraniano ter denunciado um ataque dos Estados Unidos a um navio iraniano nas proximidades do estreito, um porta-contentores que seguia da China para o Irão, classificando-o como uma violação do cessar-fogo acordado entre Teerão e Washington.

O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20 por cento do petróleo mundial, continua sujeito a bloqueios intermitentes no contexto do conflito, tanto por parte do Irão, que mantém um “controlo rigoroso” da passagem, como dos Estados Unidos, que impuseram um cerco naval para limitar as exportações e importações iranianas.

O episódio ocorre à porta de uma segunda ronda de negociações de paz entre Washington e Teerão, nas quais o Irão se tem recusado a participar enquanto os Estados Unidos não levantarem o bloqueio marítimo.

Pequim tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de “respeitar a soberania” dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas e que têm sido alvo de represálias iranianas.

21 Abr 2026

Pequim pede navegação “sem entraves” face a bloqueio de portos iranianos

A China defendeu ontem a necessidade de garantir uma navegação “sem entraves” no Estreito de Ormuz, horas antes do bloqueio anunciado de portos iranianos pelos Estados Unidos, e pediu a Washington e Teerão para manterem o cessar-fogo.

“O Estreito de Ormuz é uma via comercial internacional crucial para bens e energia, e é do interesse comum da comunidade internacional garantir a sua segurança, estabilidade e um tráfego sem entraves”, afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa. O responsável reiterou que a guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel é a “causa principal” da quase paralisação do Estreito de Ormuz.

“A solução passa por um cessar-fogo imediato e pelo fim das hostilidades. Todas as partes devem manter a calma e exercer contenção”, acrescentou. A diplomacia chinesa tem sido apontada como um dos factores que contribuíram para o actual cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, apesar da discrição de Pequim.

A China é um parceiro importante do Irão, que antes da guerra destinava ao país asiático mais de 80 por cento das suas exportações de petróleo, segundo a consultora Kpler. Mais de metade das importações chinesas de petróleo transportado por via marítima provinha do Médio Oriente e transitava maioritariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo a mesma fonte. “A China está disposta a continuar a desempenhar um papel positivo e construtivo”, afirmou Guo Jiakun.

Via do diálogo

Pequim apelou a Teerão e Washington para prosseguirem a via diplomática, apesar do fracasso das negociações no Paquistão, considerando que essas conversações “constituem um passo rumo à paz”. “A China espera que as partes respeitem o acordo temporário de cessar-fogo, continuem a resolver as divergências por meios políticos e diplomáticos, evitem retomar as hostilidades e criem condições para um rápido regresso à paz”, afirmou.

14 Abr 2026

Tailândia diz ter chegado a acordo com Irão sobre estreito de Ormuz

Banguecoque declarou sábado ter chegado a um acordo com Teerão para permitir a passagem dos petroleiros tailandeses pelo estreito de Ormuz, praticamente paralisado desde o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão.

“Foi agora celebrado um acordo para permitir que os petroleiros tailandeses transitem em segurança pelo estreito de Ormuz, contribuindo assim para acalmar as preocupações relativas ao transporte de combustível para a Tailândia”, declarou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, em conferência de imprensa. “Com este acordo, estamos confiantes de que não teremos de enfrentar mais perturbações como as observadas no início de Março”, acrescentou.

Os países do Sudeste Asiático estão a sofrer as consequências das dificuldades de abastecimento de combustível provocadas pela guerra do Irão. Depois de ter sido inicialmente limitado a 30 bahts (0,79 euros) por litro pelo Governo, o preço do gasóleo aumentou a semana passada seis bahts por litro. A escassez e as filas de espera são cada vez mais frequentes nas estações de serviço.

Batalhas navais

Um navio mercante tailandês foi atacado em 11 de Março quando navegava no estreito de Ormuz. Três dos tripulantes continuam desaparecidos. A Guarda Revolucionária iraniana anunciou na sexta-feira ter obrigado três porta-contentores a voltarem para trás no estreito de Ormuz, precisando que esta rota estratégica estava fechada a navios provenientes ou com destino a portos ligados “ao inimigo”.

O tráfego no estreito de Ormuz, por onde normalmente transita 20 por cento do petróleo bruto mundial, caiu 95 por cento em relação ao normal entre 01 e 26 de Março, de acordo com a plataforma de monitorização marítima Kpler. Desde 01 de Março de 2026, 24 navios comerciais, incluindo 11 petroleiros, foram atacados ou relataram incidentes no Golfo, no estreito de Ormuz ou no golfo de Omã, de acordo com a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

30 Mar 2026

Ormuz | Tóquio insta Teerão a cessar acções que ameacem navegação

Tóquio instou na terça-feira Teerão a cessar ações que ameacem a navegação no estreito de Ormuz, quando se intensifica o debate sobre uma intervenção internacional para proteger o tráfego marítimo naquela via fundamental para o comércio energético. O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, fez o apelo na terça-feira à noite durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com um comunicado do chefe da diplomacia nipónica.

“O ministro Motegi instou veementemente o Irão a cessar imediatamente os ataques contra instalações civis e infraestruturas nos países do Golfo, bem como as acções que ameaçam a segurança da navegação no estreito de Ormuz”, revelou o comunicado. O ministro japonês expressou profunda preocupação com a continuação da troca de “ataques de retaliação” desde a anterior chamada telefónica que mantiveram em 09 de Março, e com a extensão dos danos, que afectaram inclusivamente países vizinhos.

Além disso, Motegi manifestou preocupação com o elevado número de navios ligados ao Japão que se encontram actualmente retidos no Golfo Pérsico e solicitou ao Irão que adoptasse as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os navios no Estreito de Ormuz, “incluindo os do Japão e de outros países asiáticos”.

Por seu lado, Araghchi expôs a posição do Irão e ambos os ministros concordaram em manter uma comunicação estreita com vista a um rápido alívio das tensões, de acordo com o comunicado japonês.

As expectativas de um potencial envio de navios militares japoneses para a região pode ser um dos temas-chave na cimeira esta quinta-feira em Washington entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente norte-americano. Questionada ontem sobre a possibilidade de enviar para a zona efectivos das Forças de Autodefesa japonesas, Takaichi reiterou que, por enquanto, não há planos para o fazer.

19 Mar 2026

Estreito de Ormuz | Encerramento pode fazer disparar inflação

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, avisa que em caso de bloqueio o impacto deve começar a ser sentido dentro de dois a três meses. Alguns preços podem subir até 10 por cento

 

A possibilidade de o Irão avançar com o encerramento do Estreito de Ormuz pode fazer disparar a inflação em Macau. O cenário foi traçado pelo presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, em declarações ao jornal Ou Mun.

Após os bombardeamentos norte-americanos e israelitas contra o Irão foi adiantada a possibilidade de o país encerrar o Estreito de Ormuz. Ip Sio Man reconheceu que os efeitos negativos do encerramento vão afectar a RAEM ao nível dos preços dos bens de consumo e que deverão começar a sentir-se mais intensamente cerca de dois a três meses após o bloqueio.

O presidente da associação estimou que o encerramento vai levar ao “aumento inevitável dos preços” de cerca de 5 a 10 por cento. O crescimento dos preços vai demorar cerca de dois a três meses a fazer-se sentir, porque muitos dos importadores e distribuidores têm reservas dos produtos que podem vir a ser afectados, pelo que podem ser vendido aos preços actuais. No entanto, quando forem importados novos produtos mais caros, os preços em Macau também vão reflectir esse aumento.

Ip Sio Man também indicou que depois do início da guerra entre Israel, os EUA e o Irão, o custo dos seguros para o transporte marítimo aumentou 50 por cento. Os preços do petróleo subiram cerca de seis por cento.

O presidente da associação indicou ainda que com o bloqueio do Estreito de Ormuz, o transporte marítimo que actualmente demora três meses vai passar a demorar quatro a cinco meses. Face a esse cenário, Ip acredita que o impacto a nível do transporte de mercadorias entre e Ásia e a Europa vai ser semelhante ao que aconteceu durante a pandemia.

China mais protegida

Apesar do panorama negativo, Ip Sio Man destacou ainda que a China está mais bem preparada para enfrentar o impacto do que regiões como o Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Macau ou outras do Sudeste Asiático.

O presidente destacou que o transporte ferroviário entre a China e a Europa pode ser uma alternativa para o transporte de alguns produtos e que actualmente já é utilizado para bens mais consumidos pela classe média-alta, como vinhos, licores, produtos lácteos, doces, chocolates e bolachas.

Uma área em que Macau deverá sofrer pouco impacto é ao nível dos bens de primeira necessidade, como cereais, óleo alimentar e outros alimentos, dado que estes produtos têm como origem o Interior da China e os países do Sudeste Asiático.

O artigo do jornal Ou Mun cita também um fornecedor anónimo que indica que a Europa não é uma fonte de importações em Macau e que por isso o impacto não deve ser muito sentido. A mesma fonte anónima indicou que desde a pandemia, Macau começou a diversificar o destino de origem das importações, procurando alternativas no sudeste Asiático.

Este fornecedor indicou ainda esperar um impacto moderado a nível da inflação, porque o consumo no Interior da China está em retracção, devido à crise do emprego no outro lado da fronteira.

25 Jun 2025