Cartoon | Rodrigo de Matos semi-finalista em concurso organizado em Itália Andreia Sofia Silva - 20 Ago 2021 O cartoonista Rodrigo de Matos, colaborador dos jornais Ponto Final e Expresso, em Portugal, é um dos 56 semi-finalistas do concurso “Libex 2021”, organizado em Itália. O cartoon, inédito, mostra um olhar sobre a questão do politicamente correcto e da “cultura do cancelamento” A caneta usada pelo jornalista é a aquela que, ao mesmo tempo, corta a sua mão. Foi esta a metáfora usada por Rodrigo de Matos, cartoonista dos jornais Ponto Final e Expresso, para participar na terceira edição do concurso internacional “Libex 2021”, organizado em Itália e dedicado exclusivamente a cartoonistas profissionais. Rodrigo de Matos, que foi convidado a concorrer, está entre os 56 semi-finalistas, sendo que os dez finalistas do concurso só serão conhecidos no início do próximo mês. Este ano o tema da iniciativa é a “cultura do cancelamento e o politicamente correcto”, tendo o cartoonista optado por um inédito para chamar a atenção para o que se passa em todo o mundo. “Esta questão do politicamente correcto, da limitação da linguagem e das visões políticas é um problema mundial. Há uma bifurcação muito grande na sociedade. Esta é uma tendência que se observa em que tudo o que nos cerca acaba por levar a um duelo que é de extremismo político”, aponta. Rodrigo de Matos considera que a pandemia da covid-19 só veio tornar mais evidente esse cenário. “Na situação actual da covid-19, que é uma questão essencialmente científica, em que as decisões deveriam ser tomadas sempre com critérios científicos, vemos que a actuação das pessoas tem sido muito política.” Sem saber o que os outros concorrentes apresentaram a concurso, Rodrigo de Matos diz não pensar muito em ganhar. “É bom [estar entre os semi-finalistas] sobretudo num concurso que não é aberto a cartoonistas amadores. A maior parte dos participantes são nomes conhecidos nos seus países, e só estar entre esses convidados já diz alguma coisa.” Chamas de criatividade O ano passado Rodrigo de Matos também chegou ao grupo dos 55 semi-finalistas com um cartoon publicado no Ponto Final que versava sobre as celebrações de Tiananmen em Macau. Este ano a opção de levar um cartoon inédito a concurso foi algo natural. “Normalmente concorro com coisas já publicadas, mas estive a verificar os meus desenhos e, com este tema, e eram todos muito presos a um tema muito específico e à notícia em si. Não tinham uma leitura tão abrangente sobre este assunto.” Rodrigo de Matos confessa que a pandemia da covid-19 lhe trouxe uma nova visão criativa. “Sempre que ocorrem coisas assim no mundo, fora do normal, são pequenas centelhas que acendem a chama da criatividade. São coisas que despertam sempre o nosso olhar crítico para o que se passa à nossa volta, e de facto tem sido um período [produtivo]. Há muita coisa para fazer cartoons e situações que merecem a nossa veia crítica”, referiu. Para o concurso “Libex 2021” foram convidados 160 cartoonistas de um total de 55 países.
Turismo | Número de visitantes sobe 49,9% em Julho Hoje Macau - 20 Ago 2021 Macau recebeu 789.407 visitantes em Julho, mais 49,4 por cento relativamente ao mês anterior e mais 966,7 por cento em termos anuais. O número de turistas (412.735) e de excursionistas (376.672) subiram “1.634,5 e 650,2 por cento, respectivamente”, comparativamente ao mesmo mês de 2020, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC). O período médio de permanência dos visitantes situou-se em 1,8 dias, ou mais 0,5 dias, em termos anuais, devido à proporção dos turistas (52,3 por cento do total) ter crescido 20,1 pontos percentuais, referiu. O número de visitantes da China fixou-se em 724.342, aumentando 989,4 por cento, em termos anuais, 293.927 dos quais com visto individual. Das nove cidades do delta do rio das Pérolas entraram ao território 426.991 visitantes, dos quais 49,8 por cento da cidade vizinha de Zhuhai. De Hong Kong, chegaram 59.135 visitantes e de Taiwan 5.800. Entre Janeiro e Julho, Macau recebeu 4.717.236 visitantes, mais 41,4 por cento do que no período homólogo de 2020, com o número de turistas (2.471.392) e de excursionistas (2.245.844) a registar um aumento de 57,5 e 26,6 por cento, respectivamente. O período médio de permanência dos visitantes foi de 1,6 dias, mais 0,2 dias, em termos anuais, acrescentou a DSEC.
Vinhos | Macau e China contribuem para exportações do Alentejo Hoje Macau - 20 Ago 2021 As exportações dos Vinhos do Alentejo cresceram 20 por cento em valor e 14 por cento em quantidade no primeiro semestre deste ano, face a período homólogo de 2020, revelou ontem a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA). O crescimento também aconteceu, entre Janeiro e Junho, nos mercados asiáticos, “com a China a fechar o semestre em níveis pré-pandemia e um aumento de compras face a 2020 (mais 15 por cento em valor e mais 13 por cento em litros”. No caso de Macau, foram também superados os resultados totais alcançados nos últimos dois anos (mais 227 por cento em valor e mais 192 por cento em litros”. Os mercados brasileiro, norte-americano, suíço e do Reino Unido também registaram aumentos em termos de vendas. Em termos gerais, os números do primeiro semestre “superam os resultados atingidos pela região no período pré-pandémico”, acrescentou a CVRA. Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram ainda que “cerca de 12 milhões de garrafas [foram] comercializadas para o mercado externo, o que se traduz em mais de nove milhões de litros exportados”, o que representa um aumento de 14 por cento, em comparação com o primeiro semestre do ano transacto. Para o presidente da CVRA, Francisco Mateus, “este crescimento na primeira metade do ano é um sinal muito positivo dos valores” a que a região pode chegar este ano. “Habitualmente, os segundos semestres são mais fortes na exportação”, lembrou, manifestando-se confiante de que 2021 possa vir a ser “o ano com melhores resultados, desde que há registo”.
Covid-19 | Testagem em massa custou 49 milhões só em testes Pedro Arede - 20 Ago 2021 O programa de testagem em massa da população, que durou três dias, custou ao Governo, só em testes, 49 milhões de patacas, faltando ainda apurar as despesas com recursos humanos e materiais. Os Serviços de Saúde acreditam que Macau poderá ser considerado um local “seguro” a partir de 1 de Setembro, ou seja passados 28 dias sem novos casos Ao longo dos três dias em que decorreu o programa de testagem em massa da população em Macau, foram gastos 49 milhões de patacas só na realização de testes. De acordo com Tai Wa Hou, médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, devido à complexidade da operação, a este custo falta ainda somar todas as despesas implicadas nos gastos com o pessoal e ao nível dos equipamentos. “Vamos daqui para frente fazer essas contas, porque foram utilizados vários recursos humanos e materiais. Por exemplo, é fácil calcular as despesas relativas ao teste ácido nucleico: são 700 mil habitantes a multiplicar por 70 patacas por cada teste, ou seja, são 49 milhões de patacas. Mas não é só esta a despesa, pois [a operação] ainda envolveu vários recursos humanos e materiais. Assim que tivermos os dados vamos anunciar”, apontou ontem o responsável por ocasião da conferência de imprensa de actualização sobre a covid-19. Durante o encontro com a imprensa, Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas, reafirmou que Macau só poderá ser considerado um local “seguro” após terem passado “dois períodos de incubação” de 14 dias, ou seja, 28 dias desde o surgimento do novo surto de covid-19 em Macau. Passados esses 28 dias, a 1 de Setembro, Leong Iek Hou acredita que, se não houver novos casos de covid-19, as medidas de prevenção da pandemia podem vir a ser menos rigorosas e que regiões vizinhas como Hong Kong possam novamente considerar Macau como um local seguro. “Se durante os dois períodos de incubação [duas semanas] não houver novos casos, creio que as zonas vizinhas vão ter novamente confiança em nós. Acho que as medidas de prevenção vão ser mais relaxadas e menos rigorosas. Estamos sempre a acompanhar a situação juntamente com as autoridades de Hong Kong”, transmitiu. Contudo, a responsável fez questão de frisar que actualmente “não é possível dizer que o risco é zero” e que, por isso, é necessário continuar a insistir nas medidas de anti-epidémicas. Preparar o recomeço A pensar no regresso às aulas, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEDJ) anunciou ter transmitido ontem às escolas algumas instruções específicas. Dessas directivas, fazem parte indicações sobre a desinfecção dos espaços e arranjos especiais para a realização de testes de ácido nucleico. “Há várias informações que prestámos às escolas (…) relacionadas sobretudo com os trabalhos de desinfecção, os preparativos e organização de materiais. A partir do dia 28 de Agosto [as escolas] devem providenciar testes gratuitos de ácido nucleico. Entrámos em comunicação com Zhuhai para que possa haver um arranjo para que os estudantes e professores possam fazer o teste em Zhuhai”, explicou Wong Ka Ki, Chefe de Departamento do Ensino não Superior da DSEDJ.
Homem esfaqueou vizinhos e obrigou a intervenção da polícia João Santos Filipe - 20 Ago 2021 A confusão instalou-se no Edifício Hong Tou Kok, na zona do Toi San, ao início da manhã. Um jovem que, segundo a polícia, denotava um comportamento estranho nas últimas semanas e “sentia sombras” à porta de casa, esfaqueou dois vizinhos, um homem e uma mulher de 63 e 54 anos, respectivamente Um jovem foi ontem detido pela polícia, após ter esfaqueado dois vizinhos, por volta das 09h, e de ter estado demorado várias horas até ser capturado. O ataque aconteceu no Edifício Hong Tou Kok, na zona do Toi San, e obrigou ao transporte das vítimas para o Centro Hospitalar Conde São Januário. Segundo as informações disponibilizadas pelas autoridades, na origem dos esfaqueamentos esteve uma disputa entre vizinhos, mas à hora do fecho da edição do HM os motivos na origem do ataque ainda não eram claros. Aos meios de comunicação social em língua chinesa, a polícia afirmou que o atacante andava insatisfeito porque nas últimas semanas “sentia sombras” na porta de casa e terá confrontado os vizinhos, por acreditar que eram eles os responsáveis. As vítimas dos esfaqueamentos são um homem com 63 anos e uma mulher com 54 anos. Apesar de viverem no mesmo prédio, habitam apartamentos diferentes, e não têm qualquer ligação familiar. O ataque terá acontecido quando ambos estavam em espaços comuns, no corredor do 18.º andar. Na sequência das agressões, o homem ficou com uma ferida no lado esquerdo do pescoço, mas foi transportado vivo e consciente para o hospital. A mulher, foi esfaqueada mais vezes, em partes do corpo como os braços, antebraços, mãos e ainda no ombro e pescoço. Depois de terem sido alertadas as autoridades, a mulher foi levada de emergência para o hospital. No momento do transporte estava consciente. Detenção levou horas Após o alerta para o incidente, que aconteceu depois das 09h, as equipas de salvamento apareceram no local e bloquearam o acesso ao edifício, onde se encontrava o atacante. Os agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública chegaram ao local equipados com escudos de protecção, e atrás deles surgiram as equipas de bombeiros. Os trabalhos de salvamento decorreram sem problemas de maior, uma vez que as vítimas estavam a aguardar no rés-do-chão. Contudo, a detenção do suspeito foi mais difícil e levou ao isolamento do edifício, uma vez que o homem só se entregou várias horas depois. Por temerem que saltasse, antes da detenção, as equipas de salvamento instalaram mesmo um colchão perto da janela do local onde se encontrava o indivíduo. Sobre o atacante, o jornal Exmoo ouviu uma das vizinhas do prédio, que disse conhecer o rapaz desde pequeno. Segundo esta, o jovem era sempre “muito simpático e gentil”, o que levou a mulher a confessar estar muito surpreendida com os acontecimentos da manhã de ontem.
Segurança | Crimes informáticos crescem 382% a reboque da pandemia Pedro Arede - 20 Ago 2021 No primeiro semestre de 2021, registaram-se mais 489 casos de crimes informáticos relativamente ao mesmo período de 2020. Em termos gerais, a actividade criminosa cresceu 26,1 por cento em Macau. A pasta da Segurança acredita que a subida se deve ao aumento do número de turistas e da utilização de plataformas digitais Entre burlas, extorsões e utilização indevida de cartões de crédito, o número de crimes informáticos aumentou 382 por cento em Macau nos primeiros seis meses de 2021. De acordo com os dados divulgados ontem pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, registaram-se 617 casos deste tipo, um “aumento significativo”, tendo em conta que o número representa uma subida de 489 casos relativamente ao primeiro semestre de 2020, altura em que se registaram 128 crimes informáticos. Detalhando, a maior fatia de crimes informáticos recaiu nos casos relacionados com o consumo online com recurso a cartão de crédito, situação reportada em 540 ocasiões, representando mais 450 casos do que em 2020. Outro crime cibernético que registou aumentos, está relacionado com burlas em apostas ilegais online, tendo sido registados 54 casos deste tipo (mais 27 do que em 2020). No primeiro semestre de 2021, ocorreram ainda 28 casos de extorsão através de “nude chat”, representando um aumento de 10 casos em comparação com os primeiros seis meses de 2020. Para o secretário para a Segurança, a subida deste tipo de crimes está relacionada com a mudança do estilo de vida provocada pela pandemia e que levou, consequentemente, a uma maior utilização da internet e, por outro lado, à falta de cuidados de prevenção dos residentes. “Com o surto da epidemia, situação que levou à mudança da forma de vida dos cidadãos (…) muitos [passaram] a utilizar a internet para conhecer novos amigos e fazer compras online, dando mais oportunidades aos malfeitores. Por outro lado, esta subida deve-se à fraca noção de prevenção dos cidadãos, fornecendo facilmente os dados pessoais para outras pessoas através da internet”, pode ler-se no relatório publicado ontem. Para fazer face à situação e “elevar as noções de prevenção”, a pasta da segurança sublinha que a polícia tem promovido acções de sensibilização nas redes sociais. Além disso, através de acções conjuntas, foram desmanteladas seis associações criminosas transfronteiriças e detidos mais de 130 indivíduos que praticavam extorsão e burla através de redes informáticas, envolvendo valores superiores a 22 milhões de patacas. Subida controlada Ao nível da criminalidade em geral, foram registadas 5.915 ocorrências entre Janeiro e Junho de 2021, representando um aumento de 26,1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado (4.691). Para Wong Sio Chak, o aumento do número de crimes ficou a dever-se à subida do números de turistas e do número de utilizadores de redes sociais e compras online. Além disso, o secretário considera que o número deve ser relativizado dado que, o próprio registo de 2020 “foi relativamente mais baixo” do que em 2019, período antes pandemia em que foram reportados 6.920 casos nos primeiros seis meses. No entanto, pode ler-se no relatório, “não se verificou uma subida em termos de criminalidade violenta”. Na primeira metade de 2021, registaram-se 129 casos deste tipo, sendo que a nível de crimes de rapto, homicídio e ofensas corporais graves, continua a registar-se “uma boa situação, de taxa zero ou de casuística muito baixa”. Os dois casos de homicídio registados estão relacionados com troca ilegal de moeda. Houve ainda a registar 1.199 casos de “crimes contra as pessoas”, representando uma subida de 24,8 por cento. Destes, 632 são crimes de ofensa à integridade simples (+5,2 por cento), 17 são crimes de sequestro (- 41,4 por cento) e 16 são crimes de violação (+23,1 por cento). Foram também reportados 2.901 “crimes contra o património” (+11,2 por cento), 320 “crimes contra a vida em sociedade” (menos dois casos), 268 “crimes contra o território” (+20,7 por cento) e ainda 1227 “crimes não classificados noutros grupos” (+112,3 por cento), onde se incluem os crimes informáticos. Contas feitas, nas conclusões do relatório, o Gabinete do Secretário para a Segurança considerou que o estado de segurança de Macau se mantém “estável e favorável”. Vício dissimulado Na primeira metade de 2021, foram registados 39 crimes de tráfico de droga, um aumento de cinco casos em igual período do ano passado. De acordo com o relatório divulgado ontem pelo Gabinete do secretário para a Segurança, desde o início da pandemia, o modus operandi de indivíduos e grupos traficantes começou a recorrer a pacotes postais para as operações e “tende a ser mais dissimulado”, havendo registos de tráfico de droga “em vinho tinto, produtos cosméticos, produtos electrónicos, maços de cigarro, lápis de cor”. Grandes labaredas O número de casos de fogo posto na primeira metade de 2021 aumentou 33,3 por cento no primeiro semestre de 2021. De acordo com o relatório divulgado ontem pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, dos 24 casos de fogo posto registados, 16 foram resolvidos. Destes, seis foram provocados “de forma dolosa devido a embriaguez, furto, vingança e razões emocionais”, tendo outros seis sido causados por “pontas de cigarro deixadas em lugar inapropriado”. Ajuda preciosa Na primeira metade do ano, o sistema de videovigilância “Olhos no Céu” deu apoio à investigação de 1.761 casos. De acordo com as estatísticas da criminalidade divulgadas ontem, incluídos nesses casos estão crimes de “ofensas graves à integridade física”, “violação”, “fogo posto” e “homicídio”. “O Sistema de Videovigilância da Cidade de Macau (…) continua a desempenhar um papel importante em auxiliar a Polícia na resolução rápida e volumosa de casos”, pode ler-se no relatório.
SAFP | Governo quer melhorar regime de delegação de poderes Pedro Arede - 20 Ago 2021 O Director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Kou Peng Kuan, revelou que é intenção do Governo arrancar com a resolução dos problemas existentes no actual regime de delegação de poderes. Em resposta a uma interpelação escrita de Ng Kuok Cheong, o responsável aponta ser necessário alterar a “questionável” delegação de competências por níveis, que tem sido responsável por aumentar os custos administrativos. Isto, dado que a “cíclica mudança de pessoal” determina, constantemente, novas delegações de competências, que esbarram nas actuais disposições “dispersas” do regime de delegação de poderes. Relativamente à reestruturação dos fundos autónomos, o Governo irá com base no princípio de gestão sectorial centralizada, “clarificar a divisão de tarefas e as responsabilidades de cada fundo autónomo”, procedendo-se à sua “reestruturação, fusão ou extinção” conforme as necessidades da sua prática operacional. Desta feita, Kou Peng Kuan avança que, após a extinção do Fundo dos Pandas e do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia está a ser analisado o rumo a dar a outros fundos. Nomeadamente, se o Cofre dos Assuntos de Justiça será extinto ou se o Fundo de Turismo será reestruturado. Além destes, está ainda em cima da mesa a fusão do Fundo de Cultura com o Fundo das Industrias Culturais e ainda a integração do Fundo de Desenvolvimento Educativo, Fundo de Acção Social Escolar e o Fundo do Ensino Superior num só.
AL | Mak Soi Kun e Zheng Anting exigem subsídio extra de 10 mil patacas Nunu Wu e João Santos Filipe - 20 Ago 2021 Os deputados da comunidade de Jiangmen defendem que o Governo tem de fazer mais pelos desempregados e recém-licenciados, assim como pelas Pequenas e Médias Empresas que dizem ser responsáveis por 80 por cento do emprego Os deputados Mak Soi Kun e Zheng Anting, ligados à comunidade de Jiangmen, exigiram ao Governo que reforce as medidas de apoio à população e que distribua mais apoios, inclusive um apoio para os residentes de 10 mil patacas. As declarações foram feitas na terça-feira, numa conferência de imprensa de balanço dos trabalhos legislativos desde 2017. Segundo o relato do jornal Cidadão, Zheng Anting começou por apontar que a pandemia está a afectar a economia de Macau há dois anos, e que muitos residentes estão em situação de desemprego ou licença sem vencimento. Além disso, o deputado destacou que a taxa de desemprego entre os locais foi de 3,9 por cento, o que reflecte a dificuldade que os recém-formados encontram para entrar no mercado do trabalho. Apesar de reconhecer que o Governo melhorou a formação subsidiada, que agora chega a mais gente, Zheng Anting e Mak Soi Kun afirmaram que é preciso fazer mais para apoiar a população e apelaram à distribuição de um apoio de 10 mil patacas por residente. Em relação à actividade empresarial, Zheng Anting sublinhou que as Pequenas e Médias Empresas (PME) constituem 90 por cento do tecido empresarial local e oferecem 80 por cento dos empregos. Apesar da importância destas empresas, Zheng considerou que o Governo tem a obrigação de fazer mais e sugeriu a criação de um subsídio de água e luz e um empréstimo sem juros até ao valor máximo de 1 milhão de patacas. Ataque a democratas A não ser que seja nomeado para a próxima legislatura, Mak Soi Kun está de saída do hemiciclo. No entanto, segundo o jornal All About Macau, o deputado considerou que os democratas não são patriotas e mereceram ser proibidos de participar nas eleições. “Não são patriotas, não têm sentimento do Amor a Macau, como nos podem governar?” perguntou, dizendo depois que concorda com a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. Quanto à actividade extra parlamentar dos escritórios dos deputados, Mak Soi Kun e Zheng Anting revelaram que entre 2017 e 2021 receberam 7.779 pedidos de ajuda, com os assuntos de habitação e saúde a ocuparem 40 por cento dos pedidos. Um dos outros assuntos mais abordados foi a questão do trânsito. Na mesma ocasião, os deputados afirmaram que entre Outubro de 2017 e Agosto deste ano foram responsáveis por 355 interpelações escritas, 37 interpelações orais e 122 intervenções antes da ordem do dia. Lee Sio Kuan desconhece motivos da desistência de candidato O mandatário da lista Ou Mun Kong I, Lee Sio Kuan apontou desconhecer as razões da desistência do cabeça-de-lista, Ho Ion Kong. O anúncio sobre a retirada de Ho tinha sido feito na terça-feira pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. Segundo o jornal digital All About Macau, Lee Sio Kuan explicou que a desistência foi uma decisão individual, e o mandatário destacou que Ho tem liberdade para se candidatar e desistir, que não necessita de apresentar justificações. Apesar de a lista só ficar com três candidatos, Lee Sio Kuan confirmou que a desistência não vai ter impacto e que os outros membros vão ao sufrágio. Chui Sai Peng quer subsídios para trabalhadores e empresas O deputado Chui Sai Peng defende que há necessidade de atribuir subsídios aos comerciantes que são obrigados a suspender os negócios, por se encontrarem nas zonas afectadas pela pandemia, ou seja aquelas com código vermelho. Para o legislador esta é uma forma de ajudar as pessoas a contribuírem para o esforço de prevenção, e aliviar o impacto da suspensão forçada aos comerciantes. Ao mesmo tempo, Chui Sai Peng considera ainda que as pessoas forçadas a faltar ao trabalho devem ser apoiadas com subsídios, para que não fiquem numa situação em que têm de escolher entre dizer a verdade sobre eventuais sintomas ou zonas onde circularem e o ordenado que precisam para fazer face às despesas quotidianas.
Primeiro caso de covid-19 identificado na Aldeia Paralímpica Hoje Macau - 19 Ago 2021 Um primeiro caso de covid-19 foi identificado na Aldeia Paralímpica, anunciou hoje a organização, cinco dias antes da abertura dos Jogos Paralímpicos, quando o Japão enfrenta um aumento de infeções. O doente faz parte do pessoal ligado aos Jogos e não reside no Japão, disseram os organizadores. A organização registou, até agora, 74 casos ligados aos Jogos Paralímpicos, que se realizam de 24 de agosto a 05 de setembro, principalmente entre o pessoal que vive no Japão. Seis outros casos foram assinalados por coletividades locais que acolhem equipas paralímpicas antes do início dos Jogos. Este é o primeiro caso comunicado na Aldeia Paralímpica, que abriu na terça-feira. Os organizadores dos Jogos Olímpicos, que terminaram em 08 de agosto, afirmaram que conseguiram evitar um grande surto de covid-19 no Japão, através de medidas sanitárias rigorosas, uma afirmação contestada por alguns peritos. Até à data, foram diagnosticados 546 casos ligados aos Jogos Olímpicos. O número de casos da covid-19, que tem vindo a aumentar no arquipélago, atingiu um novo máximo na quarta-feira, com quase 24 mil infeções em todo o país. Perante esta nova vaga de infeções, na terça-feira, o Governo japonês prolongou o estado de emergência, em vigor desde julho em parte do Japão, até 12 de setembro em 13 prefeituras, incluindo Tóquio.
China aguarda criação de governo afegão “aberto e representativo” para reconhecimento Hoje Macau - 19 Ago 2021 A China disse que está a aguardar o estabelecimento de um governo “aberto, inclusivo e amplamente representativo” no Afeganistão, antes de decidir sobre o reconhecimento das novas autoridades em Cabul. “Se vamos reconhecer um governo, temos que esperar até que o governo seja formado”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian. “Só depois chegaremos à questão do reconhecimento diplomático”, observou, em conferência de imprensa. Zhao reiterou que Pequim espera uma “transição suave”, após o retorno dos talibãs ao poder, para evitar mais violência ou um desastre humanitário. “A China vai continuar a apoiar a reconstrução pacífica do Afeganistão e a fornecer assistência ao desenvolvimento económico e social do Afeganistão, dentro da sua capacidade”, disse Zhao. O porta-voz afirmou que os talibãs devem cumprir com o seu compromisso de não dar abrigo a terroristas ou permitir que elementos estrangeiros operem no seu território, destacando o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, que Pequim culpa pelos ataques na região noroeste de Xinjiang, que compartilha uma fronteira estreita e remota com o Afeganistão. Pequim há muito pede que os EUA deixem o Afeganistão, mas condenou o que chama de retirada “apressada” das forças norte-americanas. A China procurou ter boas relações tanto com o ex-Governo afegão como com os talibãs, hospedando o principal líder político do grupo, o ‘mullah’ Abdul Ghani Baradar, durante as conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, no final do mês passado.
Líderes estudantis de Hong Kong detidos por “defenderem terrorismo” Hoje Macau - 19 Ago 2021 A polícia de Hong Kong deteve esta quarta-feira três líderes estudantis universitários, acusados de “defenderem o terrorismo”, noticiou a imprensa local. Entre os detidos estão o presidente e mais dois responsáveis do sindicato dos estudantes da Universidade de Hong Kong. Os três terão participado numa reunião, no mês passado, durante a qual foi aprovada uma moção que lamentava e “apreciava o sacrifício” de um homem que apunhalou um agente da polícia e depois se suicidou, em 01 de julho. Perante as críticas à moção, aprovada em 07 de julho, com 30 dos 32 presentes a votar a favor, o sindicato decidiu retirá-la, mas a universidade proibiu este mês o acesso ao ‘campus’ dos participantes na reunião. O presidente do sindicato estudantil, Charles Kwok Wing-ho, de 20 anos, repudiou mais tarde a moção, considerando-a como “extremamente inapropriada”, enquanto outros líderes do movimento estudantil apresentaram desculpas. De acordo com o diário South China Morning Post, a polícia considerou o ataque um “acto terrorista” de um “lobo solitário”. Em meados do mês passado, agentes das forças de segurança invadiram as instalações do sindicato de estudantes, no âmbito de uma investigação sobre se o grupo tinha defendido ou incitado o terrorismo. Ao abrigo do artigo 27.º da lei da segurança nacional de Hong Kong, que Pequim impôs ao território no ano passado, os acusados de incitar ou defender o terrorismo enfrentam uma pena de prisão entre cinco a dez anos, “se as circunstâncias da infração (…) forem de natureza grave”. A lei também prevê penas de prisão perpétua para actos de secessão, terrorismo ou conluio com forças estrangeiras.
Carlos Marreiros e Costa Antunes deixam conselho de Arquitectura, Engenharia e Urbanismo Andreia Sofia Silva e João Santos Filipe - 19 Ago 2021 O arquitecto Carlos Marreiros e o engenheiro João Costa Antunes deixaram de integrar o Conselho de Arquitectura, Engenharia e Urbanismo. A informação foi revelada ontem em Boletim Oficial, com Carlos Marreiros a ser substituído pela arquitecta Joy Choi Tin Tin e Costa Antunes, que representava a administração pública e se reformou, pelo engenheiro Ip Chong Wa. Ao HM, Carlos Marreiros confirmou a saída do órgão, que justificou com compromissos pessoais e a necessidade de dar oportunidade às gerações mais novas, e afirmou ter aprendido muito ao longo dos seis anos em que desempenhou estas funções. “Aprendi muito nestes seis anos. Os primeiros dois anos foram muito intensos porque tínhamos um regime de acreditação inexistente. Desde os anos 90 que lutávamos por um processo de acreditação profissional de arquitectos, engenheiro, urbanistas e outros técnicos que laboram na arquitectura, construção civil, urbanismo, entre outros, e isso foi conseguido”, realçou. “Tivemos de analisar as qualificações dos profissionais do sector, e foi um processo inédito, difícil, moroso, que fez com que todos tivéssemos aprendido”, acrescentou. Carlos Marreiros confessou ainda que já tinha ponderado sair em 2017, no final do segundo mandato, mas voltou atrás. “Depois do segundo mandato pedi escusa, só por razões estritamente pessoais, por falta de tempo, por não conseguir por tudo isso na agenda diária. Na altura, o secretário disse-me que a carga seria menos intensa, porque muito do trabalho estava feito, e continuei no terceiro mandato”, admitiu. Passar a pasta O Conselho de Arquitectura, Engenharia e Urbanismo é composto por representantes da administração pública e membros do sector privado. Na despedida, Carlos Marreiros diz ter sido sempre muito bem tratado, admite contribuir para o Conselho sempre que for necessário, e elogia a escolha pelo Chefe do Executivo de Joy Choi Tin Tin. “Só tenho de aplaudir porque precisamos muito também da sensibilidade e saber feminino nesta área”, apontou. “Senti que era altura de dar o meu lugar a uma geração mais nova e forte”, sublinhou. O HM contactou igualmente o engenheiro João Costa Antunes, que optou por não fazer comentários. Segundo a informação disponibilizada no Boletim Oficial, Rui Martins, que representa a administração pública, vai continuar como presidente. Por sua vez, Eddie Wong, do sector privado, mantém-se como vice-presidente.
Direito de resposta da Casa de Macau em Lisboa Hoje Macau - 19 Ago 202119 Ago 2021 Face à publicação recente de um artigo de opinião no jornal “Hoje Macau”, onde são apresentadas alegações infundadas e factos que não correspondem à verdade, a Direcção da Casa de Macau em Portugal vem, por este meio, esclarecer publicamente o seguinte: 1. O imóvel sito na Av. Almirante Gago Coutinho, 142, em Lisboa, é propriedade da Fundação Casa de Macau. O referido espaço foi cedido à Casa de Macau para o desenvolvimento das suas actividades, através de um contrato de comodato a termo. 2. Muito embora o edifício reúna todas as condições e dignidade para o normal funcionamento da Casa de Macau, a Fundação Casa de Macau tem previstas obras de manutenção, nomeadamente a pintura do seu exterior, as quais não puderam ainda ser realizadas devido a contingências múltiplas, resultantes da presente Pandemia. 3. Fundada em 1966 e reconhecida pelo estado português com o estatuto de instituição de utilidade pública em 1988, a Casa de Macau tem-se pautado, ao longo dos seus 55 anos de existência, pela promoção activa da cultura macaense em Portugal. Naturalmente, face à presente crise sanitária, não tem sido possível realizar as inúmeras e habituais actividades presenciais, que serão retomadas assim que estejam garantidas as condições necessárias de segurança, para os seus associados, parceiros e visitantes. 4. A Casa de Macau é um espaço de encontro intergeracional, de reflexão e partilha, aberto a toda a comunidade macaense, não só de naturais de Macau, mas também de todos aqueles que vivem ou viveram em Macau, ou se interessam pela sua cultura e identidade. 5. As instalações da Casa de Macau estão encerradas durante o presente mês de Agosto, para férias do seu pessoal, reabrindo no dia 1 de Setembro. São todos bem vindos a visitar-nos após essa data! Por último, a Direcção da Casa de Macau gostaria de saudar e agradecer a todos os seus associados e amigos, que nos últimos dias têm manifestado publicamente o seu apoio a esta que é a sua “Casa”, assim como pela defesa daqueles que são os interesses genuínos e maiores de Macau e da sua comunidade.
O que nos distingue dos animais? António Cabrita - 19 Ago 2021 Como transmite o anjo? As formas de comunicação angélica distinguem-se dos modos de ver e de apreensão sensíveis, e o anjo testemunha o mistério na sua forma mistérica, transmite o invisível enquanto invisível, não o atraiçoa com os sentidos. Resiste o infinito, aos olhos do anjo, a ser desonerado. O anjo actua como um espelho, certamente, mas da pureza do silêncio e do mistério de Deus. E mesmo que o homem se encontre num estado de não-dualidade, num estado de “enosis” (de fusão entre o sujeito e o objecto), a contemplação da Verdade, impossível de alcançar discursivamente, segundo o místico Angelus Silesius, só se produz por contágio: «Deus habita uma luz a que nenhuma estrada conduz; quem não se converte em luz, não o vê em toda a eternidade». O que o poeta Holderlin corroborou ao escrever: «creem no divino/ só aqueles que o são». Mas gostaria de associar a isto uma ideia atrevida do filósofo Rafael Argullol: «A ideia mais audaz que pode conceber-se é a de um infinito que, enamorado da nossa vida, só através desta tenha a sua razão de ser.» // Do alto da sua pureza, lastimava Breton a Voznessenski que o Cocteau desse cabo da sua poesia, e exemplificava, horrorizado: «La guitare, bidet qui chante.» Entretanto, leio no controverso Richard Millet: «O poder literário da América reside menos nas virtudes da língua inglesa ou nas qualidades de seus escritores do que no engenho destes em apoiar-se numa paisagem natural ou urbana das quais o cinema (primeiro, e agora também a televisão) definiu o cenário e que não existiria mais sem a sétima arte. Portanto, trata-se antes de evocar um regime literário audiovisual ao invés de uma verdadeira literatura – com excepção, é claro, daqueles escritores que consideramos como tal e não como americanos» E acho que ele tem razão: «La télé, bidet qui chante». // Um escritor amigo propôs a uma editora um romance de sua autoria. Enviou por e-mail. Passados 3 (três) minutos, obteve a sua resposta: “Boa tarde, Obrigado pelo seu contacto. Não estamos a aceitar originais. Cumprimentos, JM” (sic)» “Ao menos foram rápidos”, observou o meu amigo. Nunca houve despacho maior. Parece uma ficção: um gajo leva um ano a empobrecer a si e aos seus até à quarta geração da sua genealogia para escrever em letras duradouras a sua noveleta, mete no prego o último ourito da mulher para irem comemorar o triunfo da palavra FIM, e, antes de se banquetearem com um rodízio brasileiro, a família em meia-lua assiste ao envio do e-mail para a editora com o futuro estampado a ouro no anexo. E quando regressam do jantar, onde gastaram a massa de uma semana, a editora já tinha respondido: não estamos a aceitar originais. É caso para perguntar: as editoras vivem de quê, afinal? Mudou muito, desde que o Garcia Marquez, sem dinheiro para enviar o manuscrito de Cem Anos de Solidão, meteu nos correios só metade do manuscrito. Como é que uma editora responde à cabeça: não estamos a aceitar originais? Uma mercearia pode não aceitar batatas, legumes, pêssegos carecas? Um clube de futebol pode não aceitar golos? Antes o erro humano de Camus que rejeitou a edição de Pessoa na Gallimard. // A palavra crivada de caroços, a palavra quarto-minguante, a palavra que desincha o nevoeiro; a palavra que adoça os citrinos, a que revela corredores, patamares, lances de escada quando se desdobra numa algazarra, a palavra que nunca se confessa, a palavra de inúmeros pedúnculos, a extensa palavra… perdão!; a que o meu pai não disse antes de morrer, a palavra que só entre aspas desaperta o colarinho, a que vive no sobrolho da raposa; a palavra que não se enxerga, nem quando mete a mão no lume, a palavra que seca num átimo e que sorveu um lago na Suíça, a palavra que ilumina por dntro o mel, a palavra que suicida os cemitérios, a palavra chuva, que quanto mais se adensa mais azula as nuvens, a palavra nítido nulo, a palavra martelada por presságios e a palavra lesionada: dez músculos estirados contra os onze do atrito; a palavra que surripia os arrepios e nunca se sabe para onde os carrega, a palavra que deseduca os figos, fazendo-os cair; a palavra que rói as unhas até ao sabugo; a palavra que croma o vento e se aposenta em bolinhas de cânfora, a palavra assobiada por dois incisivos separados, a palavra cunhada e amante do cunhado, a palavra que ventila a narina do ácaro e a narina das mariposas, a palavra de hulha que tossiu o mês inteiro e a que desafinou junto à campa de minha mãe; a palavra que pesquei em Esmirna, na Turquia, com quatro quilos e meio; a palavra que nunca viu o mar e alucina com a pacatez dos legumes; a palavra que abre a China ao meio como os polegares a laranja; a palavra desaustinadamente terna; palavra com duas gemas por pão, a palavra que amo e por decoro nunca pronunciei, a palavra convertida em confetti e a palavra que lavra Rá seguem de perto o meu silêncio. // O que nos distingue dos animais? Antes da invenção dos nomes, para Adão dizer a Eva, És tola como um jumento, ele teria de agarrar na sua cara-metade e de perambular pelo Éden à cata de jumento para apontar a criatura e pôr-se a grunhir, aos pulos, enquanto mimava caretas idiotas, para que ela entendesse e então decidisse se o escoiceava nas partes ou não. Agora é mais simples, ele regozija-se, com ironia, “Sou um homem de sorte… em relação ao jumento és muito mais bonita!”, e ela replica, “E se fosses levar nos entrefolhos!?”. E em cima passa o urubu, soberano.
FRC | Pintura e caligrafia de Lee Chau Peng em exibição até 28 de Agosto Pedro Arede - 19 Ago 2021 Até ao próximo dia 28 de Agosto, a Fundação Rui Cunha acolhe a exposição “A Lua de Outono Brilha Sobre o Lago de Lingnan” do pintor local Lee Chau Peng. A mostra inclui 40 obras de pintura e caligrafia do artista que passam para tela, a paz e a harmonia de elementos naturais da pintura chinesa como flores, pássaros e árvores As cores brotam delicadas em sintonia com as flores que parecem surgir à sorte da ramagem pálida, mas sólida, da vegetação onde pousam os pássaros. Quando tinha sete anos de idade, Lee Chau Peng, apaixonou-se pela caligrafia e pintura tradicional chinesa por influência do pai, que lhe ensinou a esboçar os primeiros traços. Desde então, não mais parou de apurar as técnicas que lhe permitiram retratar ao longo do tempo através da caligrafia e da pintura, tópicos como flores, pássaros, peixes, insectos e paisagens. “Quando era criança, o meu pai ensinou-me muito sobre a pintura chinesa e isso foi muito importante para a minha carreira. Desde logo, fiquei muito interessado e, por isso, comecei a aprender como desenhar flores com o meu pai. Na escola e mais tarde continuei a cultivar esse gosto pela pintura e por aprender a pintar sobre estes tópicos, tendo procurado sempre aprender com artistas que ficaram famosos por pintar flores”, apontou Lee Chau Peng ao HM. Cinco décadas depois do início da sua carreira artística, o calígrafo e pintor local que é também Presidente da Associação de Artes, Pintura e Caligrafia de Macau, vai expor pela 18.ª vez o seu trabalho. Desta feita, até ao próximo dia 28 de Agosto, a Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe a exposição “A Lua de Outono Brilha Sobre o Lago de Lingnan”, que inclui 40 peças de pintura com caligrafia de Lee Chau Peng. Assumindo que ao longo da carreira tem “trabalhado arduamente” para que as flores e a natureza que aparecem nos meus trabalhos fossem “o mais perfeitas possível”, a mostra patente na FRC reflecte a influência de Lee Chau Peng enquanto discípulo do estilo artístico da Escola de Pintura de Lingnan. Nos trabalhos é possível que o estilo de pintura do artista se centra especialmente em peónias, flores de lótus, árvores de bambu, crisântemos, e pequenos pássaros. Num comunicado, artista ressalva ainda ser uma “grande honra” que a exposição decorra no mesmo ano em que se comemora o 100.º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, permitindo servir o propósito de amar Macau e a China ao mesmo tempo que se promove a educação artística e se une a comunidade de calígrafos e pintores locais. Missão sagrada Numa nota oficial alusiva à inauguração da exposição que decorreu ontem na FRC, um dos alunos de Lee Chau Peng frisou que o artista tem levado a cabo a “missão sagrada” de promover a pintura e a caligrafia chinesa e ajudar os artistas especializados na matéria, a “realizar os seus sonhos”, naquilo que considera ser uma “jornada de amor”. O mesmo aluno lembra também que, ao longo dos anos, o Presidente da Associação de Artes, Pintura e Caligrafia de Macau já realizou mais de 150 actividades de divulgação de pintura e caligrafia chinesa, um pouco por todo o Sudeste Asiático e que, durante mais de 10 anos, ensinou a sua arte em locais como a Universidade de Macau, a Associação Taoísta de Macau, o Grupo Nam Kwong e a Igreja Anglicana de Macau. Nascido em 1959, Lee Chau Peng começou a sua carreira como designer de interiores, formado pelo Instituto de Design e Indústria de Hong Kong. O percurso académico levou-o depois para o mundo do design e da gestão de negócios. Seguiu para a Canadian Public Royal University, onde fez um Master of Business Administration, e passou ainda pela Princeton University, onde obteve um PhD em Filosofia de Gestão, e pela Renmin University of China, para uma graduação em Administração de Empresas. Aos 62 anos, Lee Chau Peng é licenciado e praticante de Medicina Chinesa desde 1999.
Covid-19 | Governo pode adiar início do ano lectivo e quer fazer testes Andreia Sofia Silva - 19 Ago 2021 O Governo não descarta a possibilidade de adiar o início de um novo ano lectivo devido ao regresso de mais de três mil alunos transfronteiriços. Há também a ideia de testar os alunos e professores antes do regresso às aulas A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) está a ponderar adiar o regresso às aulas devido ao retorno ao território de mais de três mil alunos transfronteiriços de zonas como Zhuhai ou Zhonghshan. A ideia foi deixada ontem na habitual conferência do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus por Wong Ka Ki, representante da DSEDJ. “O nosso plano é, se a situação não estiver estável, ponderar o adiamento do ano lectivo. Se for retomado o ensino presencial, uma grande parte dos alunos regressa do Interior da China e poderá colocar em risco o regresso às aulas. Depois da pandemia de Agosto, e estando atenuada a situação, estamos a desenvolver diferentes planos de contingência”, frisou. O Executivo tem também planos para testar alunos e docentes antes do arranque das aulas. “Antes do início das aulas serão realizadas reuniões com todas as escolas para implementar as medidas necessárias. Vamos ter em conta se vamos estender o número de testes de ácido nucleico a serem feitos por alunos e professores antes do início do ano lectivo”, adiantou. Recorde-se que o Governo já fez o apelo para que os estudantes que residam em Zhuhai ou Zhongshan regressem 14 dias antes do início do ano lectivo. Não há ainda certezas se serão apenas os alunos que residem fora de Macau a ser alvos de testagem contra a covid-19. “Segundo a nossa experiência, [deve ser feito] um teste de sete em sete dias. Não temos ainda a decisão”, adiantou Wong Ka Ki. Diferentes vacinas, novos dados Leong Iek Hou, coordenadora do Centro, falou da situação de saúde dos quatro membros de uma só família infectados com covid-19. “O pai e a mãe apresentam ainda alguns sintomas do trato respiratório, mas não precisam de apoio de oxigénio. O irmão mais velho e a irmã estão estáveis e já recuperaram o paladar. Em termos gerais, os quatro estão numa situação de saúde estável.” Quanto aos oito casos de efeitos adversos graves das vacinas, cinco dizem respeito à vacina MRNA/BioNTech, e três estão relacionados com a Sinopharm. Há apenas um caso confirmado de miocardite relacionado com a vacinação, enquanto que os restantes “ainda não foram confirmados”, disse Tai Wa Hou, médico responsável pelo programa de vacinação. Em relação à pessoa que, por engano, levou duas doses de vacinas diferentes, a sua situação de saúde é estável, sem sintomas. “Um caso de mistura de vacinas, mesmo que apresente um nível de anti-corpos elevado, não é suficiente para provar se a mistura de vacinas é eficaz. Necessitamos de mais dados.” Tai Wa Hou falou, no entanto, de uma preocupação das autoridades relacionada com o facto de “a maior parte das pessoas que receberam a vacina Sinopharm, que ainda não é reconhecida nos EUA”. “Se estas tiverem de voltar aos EUA têm de receber outra vacina da MRNA/BioNTech”, rematou o responsável.
Cuidadores informais | Pedidos serviços complementares além de subsídio Andreia Sofia Silva - 19 Ago 2021 Hetzer Siu e Paul Pun, ligados a associações de cariz social, defendem que o programa piloto de atribuição de subsídios a cuidadores informais deve ir além da mera ajuda financeira. São necessários apoios complementares para que os cuidadores possam ter tempo para si O Instituto de Acção Social (IAS) assegurou há dias, numa resposta a uma interpelação escrita do deputado Sulu Sou, que pretende rever em Novembro as regras do programa piloto de concessão de subsídios a cuidadores informais. No entanto, Hetzer Siu, director-executivo da Macau Special Olympics, e Paul Pun, secretário-geral da Caritas, defendem que é necessário mudar conceitos e criar mais serviços complementares de apoio a quem cuida. “As famílias no geral estão satisfeitas, sobretudo as que têm portadores de deficiência severa. São pessoas que não saem de casa e um dos pais tem de estar quase sempre em casa. Mas gostariam de ter mais serviços complementares em vez de só receberem dinheiro”, disse o responsável, quando questionado se, com base na sua experiência, as famílias estão satisfeitas com este programa. “Temos de pensar que estamos a ajudar o cuidador e a pessoa que precisa de ajuda, porque o cuidador precisa de ajuda para fazer as suas próprias coisas”, lembrou Paul Pun. “Houve uma mudança de conceitos na comunidade, o subsídio não é apenas um apoio para o cuidador, acaba por ajudar todos”, referiu, afirmando também que um mero aumento do valor do subsídio poderá não ser suficiente. “Este não é, actualmente, um programa muito abrangente, porque não estamos a pensar nestas duas pessoas [cuidador e pessoa que necessita de apoio]. Pode não ser necessário aumentar o subsídio, mas talvez sejam necessários mais serviços complementares para os cuidadores”, adiantou o secretário-geral da Caritas. Números precisam-se Hetzer Siu destaca também o facto de serem necessários dados que permitam avaliar o funcionamento deste programa piloto. Até porque “o subsídio não cobre todos os casos, apenas as situações mais severas de deficiência e prestação de cuidados a idosos”. “Ainda não sabemos os números das famílias que necessitam de apoio. Será que há resultados concretos deste apoio? Será que as famílias sofreram alguma alteração [em termos da sua situação económica]? Necessitamos de um relatório para melhorar este programa.” O director-executivo da Macau Special Olympics alerta que, com o prolongamento da crise económica, devido à pandemia da covid-19, talvez o programa piloto possa continuar por apenas alguns meses para poder progredir. “O mais importante é analisar se este programa pode continuar a apoiar este tipo de famílias, e por quanto tempo. O subsídio não é um salário, é outro conceito. Se a nossa economia não melhorar, este programa [piloto] deveria continuar por mais um ano ou dois para poder melhorar e para termos mais dados. Na resposta ao deputado, o presidente do IAS, Hon Wai, assegurou que “em Novembro de 2021, após a conclusão do projecto piloto, o IAS vai proceder à revisão do mesmo através da experiência, nomeadamente no que concerne à apreciação de casos, o instrumento de avaliação, a definição de critérios de avaliação económica e conteúdo concreto da prestação de cuidados”.
Lei Chan U pede medidas para reduzir acidentes na Ponte da Amizade Hoje Macau - 19 Ago 2021 O deputado Lei Chan U perguntou ao Governo quais as medidas que tenciona implementar para reduzir a sinistralidade na Ponte de Amizade. As questões fazem parte de uma interpelação divulgada ontem pelos serviços de assessoria do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). No documento enviado ao Executivo, Lei reconhece que foram aplicadas várias medidas ao longo dos anos para reduzir o número de acidentes. Entre os exemplos de políticas adoptadas, o deputado sublinha os 17 radares de velocidade instalados, a sinalização luminosa e os semáforos nas intersecções, para resolver a questão das prioridades. Porém, Lei Chan U sustenta que os resultados foram escassos: “Contudo, a situação do tráfego da Ponte da Amizade não melhorou significativamente como resultado das medidas”, defendeu. Nesse sentido, quer saber que outras políticas vão ser aplicadas: “Tendo em conta as causas dos acidentes na Ponte da Amizade, que outras medidas mais focadas nas causas podem ser lançadas pelas autoridades para melhorar o ambiente de condução e garantir a segurança do pessoal?”, perguntou. Além da velocidade No que diz respeito à causa dos acidentes, Lei Chan U afirma acreditar que o problema não está na velocidade. Segundo o deputado, e citando dados oficiais do ano passado, apenas se contabilizaram 94 multas na Ponte de Amizade por excesso de velocidade, que contrastam com as 795 multas na Ponte de Sai Van e as 133 multas na Ponte do Governador Nobre Carvalho. O legislador sugere assim que se estude como principal causa o facto de os veículos não respeitarem as distâncias de segurança: “Quais são as principais causas dos acidentes na Ponte de Amizade nos últimos anos?”, pergunta. Na interpelação escrita, Lei Chan U tenta ainda saber se há ligação entre a circulação de motas e a sinistralidade e pede dados sobre o número de acidentes envolvendo com motos. A Ponte da Amizade é a única travessia que permite que motos e viaturas ligeiras e pesadas circulem nas mesmas faixas de rodagem.
AL | Coutinho fala em menor fiscalização do Governo após afastamento de candidatos Pedro Arede - 19 Ago 2021 Apesar de não comentar a decisão do TUI, José Pereira Coutinho considera que a fiscalização da acção governativa da próxima legislatura vai ficar “desfalcada” após a desqualificação de candidatos às eleições de Setembro. Contudo, o deputado recusa perder a “esperança” e acredita que a Assembleia Legislativa vai continuar a defender os interesses dos residentes O deputado José Pereira Coutinho considera que a desqualificação de candidatos às eleições de Setembro por parte da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) irá resultar numa configuração do plenário que irá desfalcar a fiscalização do Governo. “É evidente que a fiscalização da acção governativa vai ficar desfalcada porque vai em sentido contrário ao que temos vindo a assistir. Todos nós sabemos que a situação vai mudar. Agora tudo depende do espectro político e da composição que, no futuro, vai existir na assembleia”, apontou ontem Pereira Coutinho por ocasião de uma conferência de imprensa dedicada ao balanço dos trabalhos da legislatura que terminou a 16 de Agosto. Quanto ao acórdão do Tribunal de Última Instância (TUI) que ditou a inelegibilidade de 21 candidatos por não serem fiéis a Macau e não defenderem a Lei Básica, o deputado recusou-se a tecer comentários, vincando respeitar a decisão e a necessidade de seguir a Lei Básica. “Não posso dizer se concordo ou não porque o acordão é do TUI, que é um órgão independente da estrutura política da RAEM e, por isso, eu só tenho que respeitar e seguir escrupulosamente a Lei Básica, que é o instrumento constitucional mais importante que há em Macau”, reiterou. Sublinhando que “nunca faria nada contra a própria consciência”, Pereira Coutinho disse ainda não estar qualificado para comentar o trabalho feito durante a legislatura passada pelos deputados afastados Sulu Sou e Ng Kuok Cheong e que as razões pelas quais não foi também ele desqualificado só podem ser apontadas pela CAEAL. “Não posso ser juiz em causa própria”, acrescentou. Sobre o trabalho futuro da Assembleia Legislativa (AL), Pereira Coutinho defendeu que é preciso manter a esperança. “Uma pessoa só perde a esperança se morrer. Há sempre muita esperança e eu sou uma pessoa optimista por natureza e acredito que a AL vai continuar a desempenhar um bom trabalho em prol dos cidadãos de Macau”, referiu. Está difícil Sobre a legislatura que passou, Pereira Coutinho apontou ser “cada vez mais difícil” apresentar projectos de lei, apesar de o sistema permanecer inalterado. “Aquilo que era possível no passado, hoje é impossível. Não obstante o sistema permanecer inalterado e de as leis serem as mesmas. Mudou alguma coisa, mas eu não sei o que é. Nesta legislatura só conseguimos apresentar cinco projectos de lei. Apresentámos outros, mas foram indeferidos (…) vai haver cada vez mais dificuldades de cumprir o disposto do artigo 75.º da Lei Básica, ou seja, apresentar projectos de lei por parte dos deputados”, disse. O mesmo se passou, referiu, com os debates de interesse público, tendo sido rejeitadas 13 propostas de discussão. Para Pereira Coutinho, o facto de não existir interesse em debater ideias tornou a AL num “carimbo” que serve apenas para aprovar leis. “Não sei porque é que os deputados da AL (…) não gostam de debater assuntos de interesse público relacionados com questões sociais. A AL tornou-se num carimbo e esse carimbo dá muito má imagem perante os cidadãos de Macau”. Nos últimos quatro anos, o gabinete de José Pereira Coutinho apresentou, no total, 201 interpelações (185 escritas e 16 orais), 48 intervenções antes da ordem do dia, 11 propostas de debate, 5 projectos de lei e 102 cartas dirigidas ao Chefe do Executivo e aos secretários.
Fundo de Pensões | Miguel Ian afastado de chefia de departamento Hoje Macau - 19 Ago 2021 Miguel Ian foi afastado de forma automática do cargo de chefe de Departamento do Regime de Aposentação e Sobrevivência do Fundo de Pensões. A informação consta na versão de ontem do Boletim Oficial e é justificada com a impossibilidade de Miguel Ian desempenhar as funções por um período superior a um ano. “Para os devidos efeitos se declara que, cessou, automaticamente, a comissão de serviço de Ian Iat Chun, como chefe do Departamento do Regime de Aposentação e Sobrevivência deste Fundo, a partir de 26 de Outubro de 2019, por se encontrar impedido de exercer funções por mais de 12 meses”, lê-se na declaração. Miguel Ian encontra-se a cumprir a pena de prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Coloane, depois de o Tribunal Judicial de Base ter dado como provado a prática de sete crimes de falsificação de documento. A acusação surgiu no âmbito do processo do caso do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). Anteriormente, a secretaria para a Administração e Justiça já havia tentado afastar Miguel Ian da posição de chefe de Departamento do Regime de Aposentação e Sobrevivência do Fundo de Pensões. O Governo considerava que o funcionário devia ver a comissão de serviço terminada, uma vez que esteve mais de seis messes impossibilitado de exercer o cargo. O afastamento acabou por ser anulado no TUI devido a vícios processuais.
Eleições | Mais desistências e Ou Mun Kong I vai a jogo com três membros João Santos Filipe - 19 Ago 2021 Além da Ou Mun Kong I, a lista Aliança Para a Promoção da Lei Básica de Macau viu os seus membros reduzidos para quatro. Ontem, a CAEAL admitiu ainda haver um plano B para adiar as eleições, no caso de surgir um novo surto da RAEM A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) revelou que houve mais dois candidatos a desistirem das eleições de 12 de Setembro. Os demissionários são Ho Ion Kong, cabeça-de-lista da Ou Mun Kong I, e Wong Tit Kuan, da lista Aliança Para a Promoção da Lei Básica de Macau. O anúncio foi feito ontem, depois de mais uma reunião da comissão que coordena as eleições para escolher os futuros deputados. A lista Ou Mun Kong I era inicialmente liderada por Lee Sio Kuan, que prometeu implementar a campanha eleitoral do “cão louco”. Contudo, Lee foi um dos candidatos vetado pela CAEAL. Agora, com a desistência do novo cabeça-de-lista, a candidatura fica reduzida a apenas três elementos. Caso a Ou Mun Kong I não tivesse sido previamente aprovada, o número fazia com que fosse obrigada a desistir, mas como foi aceite, mesmo que o número de candidatos seja inferior a quatro, pode participar no acto eleitoral. “Só um candidato é que desistiu, não foi a lista. De acordo com a lei, após a publicação da lista e da confirmação, mesmo que haja uma redução do número de candidatos, a lista não fica prejudicada [e pode participar nas eleições]”, afirmou Tong Hio Fong, juiz e presidente da CAEAL. Por sua vez, a lista Aliança para a Promoção da Lei Básica de Macau fica reduzida a quatro membros com a saída de Wong, a segunda candidata. Plano B Com as eleições a decorrerem em ambiente de pandemia, a CAEAL admitiu que foram estipulados vários planos e não é afastado o cenário de adiar o acto eleitoral. Segundo Tong, caso se verifique um surto que obrigue a tomar medidas mais drásticas, as eleições podem ser adiadas por um período de 30 dias. Porém, se a situação não se alterar de forma substancial, as eleições vão ser realizadas no dia 12 de Setembro e todos poderão votar, mesmo quem apresentar um código de saúde de cor vermelha. Os pormenores ainda não foram revelados, mas o presidente da CAEAL afirmou que há uma solução pensada. Por outro lado, a CAEAL apelou à população para não se concentrar no dia das eleições nos locais de voto. Nesse sentido, vai existir informação com o número de pessoas à espera de votar nos diferentes postos. Campanha limitada Mas, mesmo sem surto, já há uma grande alteração face a 2017 confirmada: deixa de haver cerimónia de lançamento da campanha eleitoral, que normalmente juntava todas as listas. Segundo Tong, a medida foi tomada para evitar aglomerações. Contudo, o juiz recusou que haja uma redução do orçamento de 50,8 milhões de patacas, uma vez que os fundos vão ser canalizados para aplicar as restrições pandémicas. Quanto às campanhas das diferentes listas nos locais públicos, vão ser limitadas no número de pessoas. Segundo a CAEAL, os SSM definiram um limite para os participantes que terá de ser cumprido para evitar aglomerações. Alterações a programas No final da reunião de ontem foi ainda confirmado pela CAEAL que todas as listas entregaram as bases do programa político dentro do prazo legal. Os documentos vão estar posteriormente disponíveis para consulta, inclusive através do portal da comissão. Contudo, Tong Hio Fong admitiu que foi pedido a algumas listas que alterassem os conteúdos apresentados: “Quanto à base do programa político, se mencionaram os sucessos, trabalhos ou contribuições anteriores, isso pode causar uma desigualdade para as outras listas e sugerimos o cancelamento dessas menções”, justificou. “Foram duas ou três listas que tiveram de cortar essa parte”, revelou. O encontro com os jornalistas serviu ainda para divulgar que há 8.016 eleitores qualificados para votarem “em representação de pessoas colectivas”, ou seja no sufrágio indirecto.
Presidente chinês pede redistribuição da riqueza e regulação dos altos vencimentos Hoje Macau - 18 Ago 2021 O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou hoje a uma “regulação mais forte sobre os altos vencimentos”, no último sinal de que uma campanha inicialmente orientada para as gigantes tecnológicas expandiu-se para abranger objetivos sociais mais amplos. Segundo a imprensa estatal, durante uma reunião da Comissão Central para Assuntos Financeiros e Económicos do Partido Comunista Chinês (PCC), realizada na terça-feira, e presidida por Xi, o líder chinês enfatizou a necessidade de “regular rendimentos excessivamente altos e encorajar grupos e empresas com altas margens de lucro a devolverem mais à sociedade”. A comissão acrescentou que, embora o PCC tenha permitido que algumas pessoas e regiões “enriquecessem primeiro”, nas primeiras décadas após o país se abrir à economia de mercado, a prioridade agora é “prosperidade para todos”. Alguns dos empresários mais ricos da China estão sob crescente pressão desde novembro, quando a oferta pública inicial da financeira tecnológica Ant Group, fundada pelo magnata Jack Ma, foi cancelada. Teria sido a maior entrada em bolsa de sempre, mas foi cancelada depois de Ma ter criticado os reguladores financeiros do país asiático. Também a empresa de serviços de transporte partilhado Didi Chuxing foi punida pelos reguladores chineses, após ter ignorado avisos para adiar a entrada na Bolsa de Valores de Nova Iorque. O ensino de acompanhamento e preparação para os exames de acesso ao ensino superior foi outro dos setores afetado. A Comissão Central para os Assuntos Financeiros e Económicos, que geralmente se concentra em políticas macroeconómicas, fez alusão àquele último setor, afirmando que a China deve criar “condições mais inclusivas e justas para as pessoas melhorarem os seus níveis de educação”. Trata-se da primeira reunião presidida publicamente por Xi, desde o final de julho. Pequim está a encetar uma transição no modelo económico do país, visando uma maior preponderância do setor dos serviços e do consumo, em detrimento das exportações e construção de obras públicas. Os dados do consumo doméstico têm, no entanto, ficado abaixo das expectativas, tornando mais urgente combater a desigualdade na distribuição de riqueza.
ONG diz que mais de mil pessoas foram “assassinadas” no Myanmar pelos militares desde Fevereiro Hoje Macau - 18 Ago 2021 Mais de mil pessoas morreram devido à repressão exercida pelas autoridades no poder em Myanmar depois do golpe de Estado de fevereiro, disse hoje a Associação de Apoio aos Presos Políticos. “De acordo com as nossas informações, 1001 inocentes foram assassinados. O número real de vítimas pode ser muito mais elevado”, refere Tate Naing, secretário da Associação de Apoio aos Presos Políticos birmaneses através de uma mensagem divulgada na rede social Twitter. A organização não-governamental acompanha a situação dos presos políticos birmaneses desde o golpe de Estado militar, assim como recolhe informações sobre atos de violência contra os civis. As Forças Armadas justificaram a tomada do poder alegando a existência de fraude eleitoral nas eleições gerais que decorreram no país em novembro de 2020 e que deram a vitória à Liga Nacional para a Democracia. O golpe de Estado militar do passado dia 01 de fevereiro fez aumentar a instabilidade política e social no país marcada pela violência contra a população.
Covid-19 | GP do Japão de Fórmula 1 cancelado pelo segundo ano consecutivo Hoje Macau - 18 Ago 2021 O Grande Prémio do Japão de Fórmula 1, previsto de 08 a 10 de outubro, foi cancelado, pelo segundo ano consecutivo, informou hoje a organização da maior competição automobilística mundial. “A decisão de cancelar a corrida esta temporada foi tomada pelo governo japonês, devido às complexidades existentes no país com a pandemia [da covid-19]”, disse a Fórmula 1 em comunicado, acrescentando estar a rever o calendário e que novos detalhes serão dados nas próximas semanas. A decisão do Japão cria novos constrangimentos em relação às corridas sediadas na Ásia, depois dos cancelamentos da prova na China, e também na Austrália (Oceânia). “A Fórmula 1 já provou este ano, e em 2020, que nos conseguimos adaptar e encontrar soluções para as incertezas em curso, e entusiasma-nos o nível de interesse demonstrado por vários locais para receberem os eventos”, adianta a F1. No calendário de 23 corridas, Portugal recebeu o Grande Prémio pelo segundo ano consecutivo, esta época entre 30 de abril e 02 de maio, numa corrida ganha por Lewis Hamilton. Já este ano, o governo japonês organizou os Jogos Olímpicos e prepara-se para receber os Paralímpicos, depois de ambos terem sido adiados de 2020 devido à pandemia, e as infeções pelo novo coronavírus triplicaram, embora os especialistas afirmem que a situação não tem correlação com o evento. A covid-19 provocou pelo menos 4.370.427 mortes em todo o mundo, entre mais de 207,84 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.