Pandemia | LegCo de Hong Kong aprova nova ronda de apoios financeiros Hoje Macau - 16 Fev 2022 Os deputados do Conselho Legislativo de Hong Kong (LegCo) aprovaram esta terça-feira a sexta ronda de apoios para o Fundo Anti-Epidémico no valor de 27 mil milhões de dólares de Hong Kong. Numa nota divulgada na terça-feira à noite, citada pela Xinhua, Carrie Lam disse que os departamentos públicos do seu Governo devem implementar plenamente as medidas de apoio. Esta nova ronda de apoio inclui 48 medidas que vão beneficiar 67 mil negócios e operadores, sem esquecer cerca de 750 mil residentes mais carenciados. Algumas das propostas prevêem o pagamento de dez mil dólares de Hong Kong a quem perdeu o emprego nesta quinta vaga da pandemia ou para os que estiveram desempregados no último mês. Segundo o portal HK Free Press, a discussão no LegCo não esteve isenta de críticas, com alguns deputados a questionarem até que ponto estas propostas são suficientes para ajudar a população desempregada ou em regime de licença sem vencimento. Carrie Lam adiantou que, com o pleno apoio das autoridades de Pequim, e em cooperação com a comunidade local, o Governo vai continuar o desafio de lidar com a pandemia no território. A governante apelou a que os residentes se mantenham confiantes neste período difícil, tendo apelado novamente à vacinação.
Covid-19 | Xi Jinping pede ao Governo de HK para assumir responsabilidades Andreia Sofia Silva - 16 Fev 2022 O Presidente chinês defende que as autoridades da região vizinha devem assumir “a principal responsabilidade” quanto à explosão de casos de covid-19 no território. Xi Jinping assume estar muito preocupado com a situação e diz que o Executivo deve fazer do combate à pandemia a sua máxima prioridade Numa altura em que os casos locais de covid-19 em Hong Kong não dão sinais de abrandar, os sinais de alerta voltam a chegar de Pequim. Segundo o canal de rádio e televisão RTHK e jornal South China Morning Post, que citam os jornais chineses Ta Kung Pai e Wen Wei Po, o Presidente Xi Jinping está muito preocupado sobre a situação da pandemia em Hong Kong e pede que o combate aos contágios seja a máxima prioridade das autoridades locais para que a normalidade regresse à região vizinha. Segundo a imprensa chinesa, o Presidente chinês frisou que “as autoridades devem mobilizar todas as forças e recursos que podem ser mobilizados, adoptar todas as medidas necessárias e proteger a vida e a saúde das pessoas de Hong Kong”. Xi Jinping terá mesmo pedido a Han Zheng, vice-primeiro-ministro e responsável pelos assuntos de Hong Kong, para falar com Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, para lhe transmitir “a preocupação sobre a situação pandémica na cidade e o seu cuidado para com os residentes de Hong Kong”. A ideia é que o Governo Central, juntamente com as autoridades da província de Guangdong, possam trabalhar em conjunto com Hong Kong para travar a escalada de casos. Carrie Lam agradece Numa nota difundida ontem, a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, disse estar determinada a recorrer ao apoio de Pequim e unir vários sectores da sociedade para travar a quinta vaga da pandemia, numa altura em que a variante Ómicron do novo coronavírus domina a maior parte dos casos. “O Governo Central sempre disponibilizou o seu maior apoio a Hong Kong. O Governo da RAEHK vai suportar a grande responsabilidade de gerir os surtos de acordo com as instruções do Presidente Xi Jinping”, lê-se no comunicado citado pelo canal RTHK. A governante adiantou que o Governo local irá “mobilizar todos os recursos e adoptar todas as medidas necessárias para garantir a saúde pública e a estabilidade social”. A ideia é trabalhar de perto com as autoridades chinesas, reforçar locais de testagem e de vacinação e criar mais locais para o isolamento de doentes ou de pessoas com contacto próximo. Uma das primeiras medidas prende-se com a abertura, ontem, de sete clínicas públicas que irão apenas tratar doentes covid-19, dada a sobrecarga que já se faz sentir nos hospitais da cidade. O deputado Peter Koon defendeu mesmo que deveria ser dada a oportunidade de tratamento de doentes na China. “Sugiro enviar os doentes de covid-19, com sintomas ligeiros, para serem tratados na China de uma forma voluntário. Os hospitais temporários podem ser construídos rapidamente em Shenzhen ou em outras zonas de Guangdong, a fim de aliviar a pressão das quarentenas em Hong Kong.”
Autoridades chinesas começam a preparar reuniões anuais da APN e CCPPC Hoje Macau - 16 Fev 2022 O comité do secretariado-geral da Assembleia Popular Nacional (APN) reuniu esta terça-feira com os delegados para preparar a próxima sessão anual deste órgão legislativo chinês, que está agendada para 5 de Março. Segundo a agência Xinhua, Yang Zhenwu, secretário-geral do comité da APN, introduziu no encontro os pontos preliminares da agenda para esta legislatura, que contém cerca de 41 deliberações e 32 pontos a serem discutidos. O responsável pediu aos delegados para conduzir uma profunda investigação e preparação para esta sessão anual da APN, que decorre em Pequim. Foi também pedida uma revisão do trabalho feito até aqui, bem como o reforço do acompanhamento da Constituição chinesa. Foi exigida uma maior rapidez no trabalho legislativo. Recados de Li Keqiang Tendo em conta o arranque, também em Março, da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), o primeiro-ministro Li Keqiang disse, esta segunda-feira, que é necessário “reunir bom senso de todas as partes” para melhorar o trabalho governativo e adoptar medidas que fomentem a economia, incluindo os sectores industrial e de serviços. Numa reunião executiva com o Conselho de Estado, o governante adiantou que vai analisar as propostas dos delegados da APN e dos membros da CCPPC do ano passado. Em 2021, o Conselho de Estado recebeu quase nove mil sugestões da APN e um total de 5.718 propostas submetidas pelos membros da CCPPC. Os departamentos públicos adoptaram mais de 4.300 sugestões e introduziram 1.600 políticas, mas a nota da Xinhua não especifica as áreas de actuação. Na reunião foi ainda analisado o panorama económico no país, que ainda sofre com os efeitos da pandemia. Estão, por isso, a ser pensadas medidas para um maior apoio a sectores chave da economia, tal como a redução de impostos ou melhoria de serviços financeiros para empresas. Estão também a ser pensados apoios para os sectores da restauração, turismo e transportes.
Alfândega | Autoridades detêm traficantes de carne Hoje Macau - 16 Fev 2022 Os Serviços de Alfândega de Macau (SA) anunciaram a detenção de dois homens, acusados do contrabando de dez toneladas de carne congelada. Num comunicado, os SA apontam que uma patrulha tentou interceptar uma lancha rápida junto à Ponte da Amizade, que acelerou e acabou por atracar junto ao Centro de Ciência. Os tripulantes, dois residentes na província vizinha de Guangdong, puseram-se em fuga, mas foram mais tarde detidos pelas autoridades, que no interior da lancha encontraram 10 toneladas de carne congelada. O Instituto de Assuntos Municipais testou amostras do interior e do exterior das embalagens de carne, tendo todas dado negativo ao novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19. Também os dois suspeitos foram testados à covid-19 no Centro Hospitalar Conde S. Januário, tendo ambos registado resultado negativo. Os Serviços de Alfândega sublinharam que têm reforçado as patrulhas marítimas ao longo da costa de Macau, “em resposta às recentes mudanças na situação pandémica nas regiões vizinhas”. O reforço das patrulhas tem como objectivo combater a entrada ilegal de pessoas e o contrabando de bens, “prevenindo a entrada do coronavírus em Macau através de actividades ilegais”, afirmaram os SA.
Procrusto e a banalidade Carlos Morais José - 16 Fev 2022 Hoje Procrusto é rei. Procrusto era um ladrão que prendia as suas vítimas a uma cama e depois lhes esticava os membros quando não eram suficientemente grandes ou os cortava quando excediam os limites do espaço que lhes era destinado. É o símbolo antigo da banalização, da redução a uma medida convencional, da tirania da mediocridade contra os que excedem ou não preenchem os critérios preconcebidos. Na idade do banal nada nos toca realmente. Mergulhados no imenso fluxo de notícias (reparem que num tempo mais acelerado que o chamado tempo real), somos de tal modo submergidos que os valores têm necessariamente que se esbater e não há tempo para perguntas: a nova informação está aí, nova e fresca, pronta a consumir, um pouco por todo o lado e vinda de todo o lado. Por ser banal, a informação tudo banaliza. E banaliza, sobretudo, os sentimentos. São irradiações de paixão, de amor, de adultério, de crenças nisto e naquilo, de piedade, de compaixão por si mesmo, de exposição da dor, a todo o momento, a toda a hora, sem limites, nem fronteiras. É por isso que temos tanta dificuldade em sofrer. Não é preciso: o sofrimento tem uma tão excessiva mediatização que já só existe no espaço público, deixou de fazer sentido na nossa própria privacidade. Ninguém sofre porque, na medida em que está em todo o lado o sofrimento alheio, nos sentimos, finalmente, um pouco ridículos. O dito pragmatismo tornou-se num rei que vai nu, mas que ninguém tem a coragem de denunciar, sob pena de desinserção, de não pertença ao esprit du temps. O falso fato do rei nunca foi presentificado como hoje. Nunca noutros tempos se apostou tanto na falsidade, na mentira, na verdade entrecortada, como agora. É o caso paradigmático das revistas cor-de-rosa, as publicações que mais vendem em todos os países. É porque, na realidade, o banal aflige as pessoas. E as vidas dos ricos e famosos são, pretensamente, um passo mais além dos percursos da banalidade. É claro que se trata meramente de uma aparência mas, no mundo contemporâneo, a aparência é o que interessa mesmo às pessoas que têm a sensação efectiva da extinção do real. Esta extinção está presente sobretudo nos media. Mas não só. Existe nos nossos empregos, existe nos cafés, existe nas conversas pouco fluidas e repetitivas, existe na repetição à exaustão de temas vazios como motivo simples de entretenimento. Ninguém quer avançar nada, não se trocam ideias. O banal reina como imperador supremo nas nossas vidas. Acabaram as noites no largo, sob as estrelas, quando os homens tentavam seriamente avançar um pouco na concepção que faziam do mundo, de si próprios e das coisas. Aliás, ai de quem tentar superar um pouco o regime da banalidade. Será olhado como um ser estranho, desviante, até perigoso. Bom mesmo é manter o registo do banal, ainda que sobre ele se façam algumas flores, se modifique um pouco qualquer frase para dizer exactamente o mesmo. Esses são os génios do nosso tempo, os heróis dos poderosos, as estrelas dos humildes. Aparecem nas capas de revistas com afirmações brilhantes, considerações intempestivas do género “sou uma vítima da paixão”, entre garrafas de champanhe e paisagens de castelos. O pior é que o banal nos faz duvidar de nós mesmos. Da sinceridade das nossas intenções, da bondade dos nossos sentimentos. O próprio mal foi também banalizado e nesse sentido, nesse processo, foi igualmente glorificado. A banalidade representa o mundo dividido em dois, justificando por isso a existência da maldade, da cupidez, da traição barata, da crueldade. A banalidade é o pântano onde nos movimentamos como crocodilos tristes e desdentados, a charneca enevoada onde nenhum cão gigantesco e feroz alguma vez aparece. O banal é rex, mas pequeno, subtil, abafador das ilusões, assassino das mais legítimas esperanças. Não se trata de um tirano, mas de uma miríade de Procrustos que nos impedem de, noite após noite, ter uma simples, lúcida, clara, sufocante, visão das estrelas que – acreditamos – ainda estão lá em cima, penduradas num certo céu.
Plano Director | Parcelas no COTAI deixam de estar na zona turística Andreia Sofia Silva - 16 Fev 2022 O Plano Director de Macau prevê que as parcelas de terreno 7 e 8, no Cotai, anteriormente concessionadas à Venetian, passem a estar na zona comercial e não na zona turística e de diversões, associada ao jogo. Para o advogado Carlos Lobo, esta é uma “decisão política” que pode colocar um impasse no futuro concurso público para operadoras de fora Publicado esta segunda-feira em Boletim Oficial (BO), o tão esperado Plano Director de Macau não integra as parcelas 7 e 8, anteriormente concessionadas à Venetian SA, na zona turística e de diversões, mas sim na zona comercial. Na visão do advogado Carlos Lobo, esta é uma “decisão política” que reduz o espaço para a abertura de mais casinos. “Estes terrenos sempre foram pensados para um projecto ligado a jogo, e sempre presumi que o Governo, quando fizesse um concurso público internacional e concorrencial, libertaria, pelo menos, um terreno para uma possível concessão ou para uma operadora estrangeira que ainda não estivesse presente em Macau, para esta poder concorrer.” Os terrenos situam-se junto aos empreendimentos The Londoner e Macau Studio City, e foram posteriormente revertidos para a Administração. “Num futuro concurso público, como é que uma operadora de fora pode fazer propostas ao Governo quando não há terrenos disponíveis dedicados ao jogo?”, questionou Carlos Lobo. O analista defende mesmo que tal situação pode gerar um impasse aquando da realização do concurso público para a atribuição de novas licenças de jogo. “Não estou a ver o Governo voltar atrás e classificar um novo terreno [para a finalidade de jogo]. Houve aqui uma clara decisão no sentido de não permitir que haja mais terrenos para casinos. Acho que estamos a fechar a porta a projectos do exterior”, entendeu Carlos Lobo. Abre-se uma janela Na visão do advogado, e também especialista em jogo, Óscar Madureira, esta decisão não surpreende, tendo em conta os sinais claros de que as autoridades pretendem reduzir o peso dos casinos na economia local. “Se o Governo quer apostar na diversificação da economia e reduzir a exposição da economia a esta indústria, faz sentido esta alteração e disponibilizar uma menor área de jogo. Na verdade, Macau já tem muitas propriedades ligadas ao jogo e não fazia sentido continuar a expandir-se.” O causídico entende que, mesmo sem novos casinos, poderão existir novos interessados no concurso público, pois “será aumentada a área comercial e de retalho, e pode haver mais oferta dentro desse modelo”. “Na verdade, aqueles terrenos nunca foram aproveitados e não houve uma alteração efectiva”, lembrou. Segundo o Plano Director, as zonas comerciais “destinam-se essencialmente ao acolhimento de actividades de comércio e serviços e visam criar condições para a diversificação adequada da economia”. Nestes locais, pretende-se também “oferecer condições e um ambiente para a criação de indústrias emergentes e de ponta e articular a criação das zonas habitacionais, de modo a melhorar as condições para os residentes trabalharem nas zonas onde habitam”. Por sua vez, relativamente à zona turística e de diversões, não existe uma referência explícita aos casinos. O Plano Director determina que estas áreas “destinam-se essencialmente à instalação de empreendimentos turísticos e serviços complementares e visam articular a distribuição dos demais usos dos solos, de modo a atingir um desenvolvimento conjunto, oferecendo aos turistas uma experiência de viagem abrangente, bem como optimizar a capacidade das instalações turísticas e de diversões”. Urbanismo | Pedidos mais detalhes sobre distribuição populacional A União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) espera que o Governo possa fazer bem o planeamento da cidade com base no Plano Director e revele em detalhe a distribuição da população pelas diferentes zonas. De acordo com o jornal Ou Mun, a presidente da UGAMM, Ng Sio Lai, considera que apesar de o Plano Director dividir Macau em 18 zonas tal não significa que as zonas são separadas, porque face à falta de terrenos deve haver uma lógica de complementaridade. Ng Sio Lai sublinhou a necessidade de as zonas se complementarem e partilharem os equipamentos, como centros recreativos ou parques, em vez de adoptarem uma postura individual, ou seja, em que cada zona olha só para os seus interesses, o que pode levar a um duplicação de recursos desnecessária.
Covid-19 | Duas residentes vindas dos EUA testam positivo Pedro Arede - 16 Fev 2022 Duas residentes de Macau, provenientes dos Estados Unidos da América (EUA) testaram positivo à covid-19, após chegarem ao território na segunda-feira via Singapura. Em comunicado divulgado ontem pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, ambas foram classificadas como “casos importados de infecção assintomática”, após os testes de ácido nucleico realizados à chegada e no dia seguinte terem sido positivos. A primeira residente, com 57 anos de idade, administrou nos EUA três doses da Vacina de mRNA da Moderna e nos dias 9, 10 e 11 de Fevereiro efectuou três testes de ácido nucleico na cidade de São Francisco, que revelaram estar todos negativos. No dia 12 de Fevereiro, a paciente apanhou o voo n.º SQ33 de EUA para Singapura (assento n.º 36E), e na segunda-feira viajou no avião n.º TR904 de Singapura para Macau (assento n.º 27C). A outra residente, com 25 anos de idade, também administrou nos EUA três doses da Vacina de mRNA da Moderna, tendo testado negativo à covid-19 em exames realizados nos dias 7, 9 e 11 de Fevereiro. No dia 12 de Fevereiro de 2022, apanhou o voo n.º SQ37 dos EUA para Singapura (assento n.º 51A), e na segunda-feira, viajou no avião n.º TR904 de Singapura para Macau (assento n.º 8A). As duas residentes não apresentam qualquer sintoma relacionado com a doença e foram encaminhadas para o Centro Clínico de Saúde Pública para isolamento. Por serem consideradas “casos importados de infecção assintomática”, as infecções não contam para as estatísticas de casos confirmados de Macau.
MP | Homem investigado por suspeita de devassa da vida privada Pedro Arede - 16 Fev 2022 Um homem, que revelou informações sobre uma mulher através de Internet e apelou para que esta fosse incomodada com chamadas telefónicas, está a ser investigado pelo Ministério Público. As autoridades acreditam que o sujeito praticou o crime de devassa da vida privada. A notícia foi avançada ontem através de um comunicado e na origem da conduta do homem do Interior esteve um desentendimento entre os dois. “Segundo o apurado, uma mulher de Macau recebeu, há dias, várias chamadas telefónicas desconhecidas e perturbadoras, pelo que suspeitou terem sido divulgados os seus dados pessoais, razão pela qual participou o caso à polícia”, começou por explicar o MP.” A polícia deteve um homem do Interior da China e encontrou os dados em causa na aplicação de transmissão em directo no seu telemóvel e suspeitou que o mesmo tivesse publicado o nome e número de telefone da ofendida na plataforma de transmissão em directo”, foi acrescentado. Segundo o MP, o arguido está a ser investigado pelo crime de devassa da vida privada, punido com uma pena de prisão de dois anos ou 240 dias de multa. No entanto, a pena pode ser elevada em um terço, caso se considere que o crime foi praticado através “de meio de comunicação social”. O MP apelou também a quem se sinta prejudicado com a divulgação de informações online que apresente queixa. “Caso suspeitem que o direito à reserva da intimidade privada tenha sido ofendido, os cidadãos devem procurar ajuda do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais e denunciar o facto à polícia ou ao Ministério Público”, foi apelado. Em 2021, foram autuados 54 inquéritos e deduzidas 32 acusações pela prática do crime de devassa de vida privada.
Pandemia | Novo caso assintomático e 50 estudantes regressam este mês Pedro Arede - 16 Fev 2022 Um trabalhador não residente em quarentena acusou positivo para a covid-19 ao fim de três dias em Macau. Ao todo, a DSEDJ revelou ter recebido 106 pedidos de ajuda de estudantes em Hong Kong que querem regressar ao território. Destes, 50 devem voltar ainda em Fevereiro, já que as autoridades dizem ter encontrado os quartos necessários para a realização da observação médica Com parte do trabalho de prevenção epidémica focado na situação de Hong Kong, cuja quinta vaga levou ao registo de mais de 2.000 casos diários na segunda-feira, as autoridades anunciaram a detecção de um novo caso importado de um trabalhador não residente proveniente da região vizinha. Quanto aos residentes de Macau que estão a estudar em Hong Kong e manifestaram intenção de regressar ao território devido ao agravamento da situação epidémica, a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), apontou, segundo o jornal Ou Mun, ter recebido 106 pedidos de ajuda, entre os quais, 50 de estudantes que desejam voltar até ao final de Fevereiro. Sobre o novo caso de covid-19, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus aponta trata-se de um residente de Hong Kong de 51 anos que entrou em Macau na passada sexta-feira e que apenas acusou positivo para a doença ao fim de três dias de observação médica no Regency Art Hotel. Antes de acusar positivo, os testes de ácido nucleico realizados nos dias 11 e 13 de Fevereiro foram negativos. Como medida de precaução, foi encaminhado para o Centro Clínico de Saúde Pública, onde vai cumprir isolamento. O paciente, inoculado com três doses da vacina Sinopharm não apresenta qualquer sintoma nem histórico de infecção por covid-19, tendo sido classificado como “caso importado de infecção assintomática” e não como caso confirmado. Isto, depois de as autoridades terem alterado os critérios de classificação de casos por covid-19 no início de Dezembro. Solução à vista Depois de vários alunos de Macau em Hong Kong terem relatado a impossibilidade de voltar ao território devido à falta de quartos para quarentenas, a DSEDJ revelou que, em coordenação com a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), obteve entretanto por parte dos hotéis de observação médica a disponibilização dos quartos necessários para concretizar o regresso de cerca de 50 alunos durante o mês de Fevereiro. Segundo um comunicado da DSEDJ, citado pelo jornal Ou Mun, os serviços de educação dizem ter recebido, no total, 106 pedidos de ajuda provenientes de estudantes de Macau em Hong Kong que desejam voltar ao território. “A DSEDJ concluiu o seu trabalho de recolha. Um total de 106 estudantes do ensino superior que estão em Hong Kong manifestaram vontade de regressar a Macau, entre os quais, cerca de 50 pretendem voltar em Fevereiro. Após a coordenação entre a DST e os hotéis de observação médica, e de acordo com as exigências dos Serviços de Saúde (…) os estabelecimentos estão em condições de providenciar quartos aos estudantes que desejam regressar a Macau em Fevereiro”, pode ler-se no comunicado. Na mesma nota, a DSEDJ sublinha ainda que irá manter uma comunicação próxima com todos os alunos que se encontram em Hong Kong e responder às solicitações em coordenação com a DST, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e os Serviços de Saúde.
Ho Iat Seng | Media em português e inglês ajuda a divulgar Macau e China Hoje Macau - 16 Fev 202216 Fev 2022 O Chefe do Executivo sublinhou que as vantagens dos órgãos de comunicação social em língua portuguesa e inglesa de Macau “são cada vez mais relevantes” para dar a conhecer Macau e a China ao mundo e manter contacto com residentes no estrangeiro. Ho Iat Seng disse ainda esperar que a comunicação social potencie as ligações com os países de língua portuguesa e agradeceu o contributo dado na prevenção da pandemia O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, disse ontem esperar que os ‘media’ em português e inglês do território possam “ajudar o mundo a conhecer melhor Macau e a China” e que as suas vantagens “são cada vez mais relevantes”. Os órgãos de comunicação social (OCS) em língua portuguesa e inglesa de Macau têm levado notícias sobre “o desenvolvimento do Interior da China” tanto aos residentes a viver fora da cidade como aos “estrangeiros que estão atentos à situação de Macau”, disse o Chefe do Executivo, num almoço oferecido aos representantes de uma dezena de órgãos de comunicação social em língua portuguesa e inglesa do território. “As vantagens do jornalismo português e inglês são cada vez mais relevantes no sector, e muitos residentes de Macau que se encontram no estrangeiro ou os estrangeiros que estão atentos à situação de Macau, adquirem informações da RAEM ou ficam a conhecer o desenvolvimento do Interior da China através da plataforma de notícias dos OCS portugueses e ingleses locais”, apontou. Por isso mesmo, o Chefe do Executivo frisou esperar que os profissionais da comunicação social “continuem a potenciar as suas vantagens” e a aproveitar a presença num meio multicultural, multilínguístico e próximo da cultura chinesa para “potenciar as suas funções de ligação na Plataforma entre a China e Países da Língua Portuguesa” e na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. Ho Iat Seng pediu ainda aos ‘media’, a divulgação de notícias, “de forma oportuna e correcta”, sobre a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, também conhecida como Ilha da Montanha. “Neste novo ano, a cooperação entrou numa fase de implementação e desenvolvimento. Espero que o sector da comunicação social de Macau possa divulgar informações, de forma oportuna e correcta, sobre os recentes desenvolvimentos da Zona. Assim como, através de vários meios e de forma profissional, aprofundar o conhecimento da comunidade portuguesa e inglesa sobre as políticas e projectos da Zona de Cooperação Aprofundada, participando juntos na construção dos projectos”, disse Ho Iat Seng durante o discurso. Elos de ligação O Chefe do Executivo agradeceu ainda o papel que os órgãos de comunicação social em português e inglês têm tido na transmissão das informações oficiais sobre a prevenção da pandemia de covid-19. Ho Iat Seng disse que os ‘media’ são um “elo” que permite ao Governo de Macau perceber “as necessidades e expectativas” das comunidades de língua portuguesa e inglesa e agradeceu aos profissionais pelo desempenho das suas funções. “Os profissionais da comunicação social portugueses e ingleses são o elo entre as diversas comunidades e o Governo, profissionais e responsáveis, permitindo que o Governo possa inteirar-se, de forma integral, das necessidades e expectativas de diversos residentes, e que as acções governativas possam abranger todos os grupos da sociedade”.
DSAL | Desempregados acusados de viverem “na zona de conforto” Hoje Macau - 16 Fev 2022 Lei Lai Keng, chefe do Departamento de Emprego da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), considera que os desempregados têm de “sair da zona de conforto”. As declarações foram prestadas ao jornal Ou Mun e têm como alvo os desempregados de junkets que não estão disponíveis para aceitar os trabalhos promovidos através da DSAL. Segundo Lei Lai Keng, a DSAL, em conjunto com as concessionárias, conseguiu arranjar 1.890 vagas de trabalho para ex-empregados junkets, mas apenas 605 aceitaram as propostas. A responsável da DSAL revelou que a maior parte dos outros trabalhadores recusou os empregos, por não ter interesse nas posições oferecidas. As críticas aos desempregados estão ainda ligadas a uma acção de promoção de vagas de trabalho junto de lojas livres de impostos, as chamadas duty free. Segundo Lei, numa feira de emprego promovida junto deste tipo de lojas, participaram 43 desempregados, mas só 21, menos de metade, aceitaram ir às entrevistas de emprego. Os dados adiantados ao jornal, indicam também que depois das férias do ano novo chinês, a DSAL recebeu 2.621 pedidos de ajuda de indivíduos que trabalhavam em empresas junkets. Entre estes pedidos, 2.097, ou seja 80 por cento, estavam relacionados com candidaturas ao subsídio de desemprego.
Casinos-satélite | Futuro de trabalhadores preocupa deputados João Santos Filipe - 16 Fev 2022 Os legisladores querem perceber quais as medidas do Governo para lidar com o crescimento do desemprego ligado ao fim dos casinos-satélite. O assunto dominou, pelo segundo dia consecutivo, o debate na especialidade da nova lei do jogo Na reunião de ontem da comissão da Assembleia Legislativa que discute a Lei do Jogo, os deputados focaram as atenções no futuro dos empregados que trabalham nos casinos-satélite. Os legisladores querem saber qual vai ser o futuro destas pessoas em caso de encerramentos ou falências. À imagem do encontro de segunda-feira, a reunião para analisar o diploma na especialidade voltou a mobilizar vários deputados, com oito não-membros a participarem na discussão, entre os quais José Pereira Coutinho e Ângela Leong. Uma vez mais, os legisladores mostraram-se preocupados com a obrigação de os imóveis onde operam os casinos-satélite serem propriedade das concessionárias. A medida é vista como o fim dos casinos-satélite, e existe a preocupação de que vá aumentar o desemprego, através da dispensa de vários trabalhadores e pelo impacto para os negócios à volta desses casinos. “Além do deputado José Pereira Coutinho, houve mais seis deputados que levantaram muitas questões sobre a transição dos casinos-satélites para as operadoras. As pessoas querem perceber como vão ser tratados os trabalhadores no caso de ocorrerem falências”, explicou Chan Chak Mo, presidente da Comissão Permanente da AL. “Há também quem questione se o prazo de três anos é suficiente para assegurar que a transição decorre sem problema”, acrescentou. Face à reunião de segunda-feira, o presidente da comissão reconheceu que ontem existiu “um tom mais pesado” sobre a matéria. Contudo, o assunto ficou para já arrumado, até às próximas reuniões com a presença de membros do Executivo terem lugar. “Já falei com os deputados que não podemos continuar a discutir esta questão em todas as reuniões. Só vamos voltar ao assunto nas reuniões com o Governo”, sublinhou. Novos jogos A reunião de ontem serviu assim para concluir a discussão de alguns assuntos que Chan Chak Mo afirmou serem de “generalidade” e entrar no debate sobre o texto proposto. Nesta fase da discussão, os deputados focaram as atenções na autorização para as concessionárias explorarem novos jogos de casino. “Actualmente, há 24 tipos de jogos que podem ser explorados pelas concessionárias. E se surgir um novo jogo? Será que todas as concessionárias têm de fazer um pedido individual para poder explorá-lo? Ou a partir do momento que uma concessionária faz o pedido, todas podem explorar esse jogo?”, questionou o presidente da comissão. “A resposta a esta pergunta não é clara, por isso queremos perguntar ao Governo como encarar esta parte da lei”, justificou. Os trabalhos da comissão prosseguem esta tarde, com mais uma reunião agendada para as 16h30. Os deputados têm como meta terminar a discussão do diploma na generalidade, incluído a votação, até ao final de Junho.
Beijing 2022 | Dupla francesa conquista ouro na dança do gelo Pedro Arede - 16 Fev 2022 Ao som de “Elegie”, a dupla francesa Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron arrebatou o título olímpico na dança do gelo, batendo o recorde mundial de pontuação na patinagem artística (226.98). Nos saltos acrobáticos de esqui estilo livre, a medalha de ouro sorriu a Xu Mengtao, que conquistou assim o primeiro título olímpico na modalidade para a República Popular da China Numa ode à sintonia, à cumplicidade e à técnica, a dupla francesa Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron conquistou na segunda-feira a medalha de ouro na dança do gelo da patinagem artística. Ao som de Elegie (Gabriel Faure), Papadakis e Cizeron, não só superaram a prata obtida em PyeongChang 2018, como bateram ainda o record mundial nesta vertente ao alcançar uma pontuação inédita (226.98). A medalha de prata da competição foi para a dupla Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov, do Comité Olímpico Russo (ROC), ao passo que o bronze foi para os norte-americanos Madison Hubbell e Zachary Donohue (EUA). Aplaudidos de pé no final da actuação que viria a garantir o ouro olímpico, Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron protagonizaram uma performance que roçou a perfeição pelo entrosamento, precisão de movimentos, execução técnica, sintonia e estética. Como resultado, a apresentação é já considerada uma das melhores de sempre da história da modalidade. Isto, para além de ter sido a primeira medalha de ouro conquistada pela França na vertente em mais de 20 anos. “Acho que ainda não acredito. Honestamente é completamente surreal porque era algo que desejávamos há anos. Esta medalha é tudo o que queríamos. O meu cérebro ainda não compreende bem o que se está a passar”, disse Gabriella Papadakis durante a conferência de imprensa realizada após a cerimónia de entrega de prémios, segundo o Olympic Channel. Sobre a dedicação que foi depositada nas últimas temporadas para que este objectivo se materializasse, a atleta frisou que a medalha de ouro “era a única desejada” e que os últimos quatro anos foram “muito difíceis e de muito trabalho”. Por sua vez Guillaume Cizeron partilhou o que sentiu durante a apresentação que viria a ser histórica. “Honestamente, não me lembro de muita coisa (risos)…não sei, é como se o tempo parasse. É como se entrasses num embalo que depois acaba de forma súbita”, apontou. Já a dupla Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov (ROC) arrecadou a medalha de prata após uma apresentação que misturou suavidade e força, não registou falhas de maior e foi ovacionada pelo público. Ao som de Sergei Rachmaninov (concerto de piano número dois), música que começa de forma suave e vai crescendo, a dupla conseguiu, segundo o Olympic Channel, conduzir a performance com leveza, flexibilidade e elegância. Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov obtiveram 220.51 de nota final. Quanto à performance que atribuiu o bronze a Madison Hubbell e Zachary Donohue (EUA), Drowning (por Anne Sila) foi a melodia escolhida que deu o mote para a dupla preencher praticamente todo o espaço no gelo de forma “espectacular”. Segundo o Olympic Chanel, Hubbell e Donohue foram irrepreensíveis na componente técnica, na interpretação e composição. Isto, além de terem ido “ao limite” nos elementos apresentados e sido “ousados”. Madison Hubbell e Zachary Donohue obtiveram 218.02 de nota final. Ouro inédito Memorável foi também a medalha de ouro conquistada por Xu Mengtao, na vertente de saltos acrobáticos do esqui estilo livre (aerials), tornando-se assim na primeira atleta da República Popular da China a subir ao lugar mais alto do pódio na modalidade em Jogos Olímpicos. A prata foi para Hanna Huskova (Bielorrússia), enquanto o bronze seria atribuído a Megan Nick (EUA). “Estou muito feliz. Esta é a primeira medalha de ouro da China no aerials feminino e isso é simplesmente fantástico,” afirmou Xu Mengtao ao Olympic Channel, que viria a alcançar uma pontuação final de 108.61. Numa final marcada por emoção e manobras arriscadas, a bielorrusa Hanna Huskova parecia estar encaminhada para renovar o título conquistado em PyeongChang 2018, depois de um primeiro salto impressionante onde obteve uma pontuação de 107.91. Contudo, Xu Mengtao estava decidida em ser ainda mais atrevida e, na última descida, acabou mesmo por superar Huskova e conquistar o ouro. “Foquei-me apenas em executar as melhores manobras que estavam ao meu alcance e acabei por conseguir fazer isso mesmo” destacou a atleta da República Popular da China, que conquistou igualmente uma medalha de prata na prova de equipas mistas. Huskova, que tentava o bicampeonato Olímpico, pontuou 107.96 no salto final, e Megan Nick obteve uma nota de 93.76. COI aguarda decisão final sobre Valieva para entregar medalhas O Comité Olímpico Internacional (COI) vai aguardar por uma decisão sobre o controlo antidoping positivo da jovem patinadora russa Kamila Valieva para então entregar as medalhas das provas nas quais a atleta participou nos Jogos Olímpicos de Inverno. Enquanto o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS, na sigla inglesa) autorizou a jovem atleta de 15 anos a manter-se nos Jogos de Pequim 2022 e a poder participar na prova individual de patinagem artística que aconteceu ontem, já depois de ter ajudado os russos a vencer a prova por equipas, o COI considera “inapropriado” organizar as cerimónias de entrega de medalhas sem que tudo esteja resolvido. A instância olímpica defende que, “por uma questão de equidade entre os atletas”, vai aguardar para que a eventual violação das regras antidopagem por parte da atleta russa esteja ou não estabelecida, o que normalmente demora vários meses, para então determinar o pódio das provas por equipas, o mesmo sucedendo caso Valieva termine entre as três primeiras na prova individual. Rússia confiante Por seu lado, a Rússia rejubilou com a decisão do TAS de permitir que a jovem patinadora prossiga nos Jogos: “Todo o país a apoia, bem como todas as nossas patinadoras na prova individual”. Em mensagem na sua conta Telegram, o Comité Olímpico Russo (ROC) qualifica a decisão do TAS “a melhor notícia da jornada”, enquanto o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov manifestou-se “contente” por a adolescente poder competir na prova individual de terça-feira: “Todo o país deseja que Kamila vença os Jogos”. A jovem russa testou positivo a trimetazidina no dia 25 de Dezembro, durante os campeonatos da Rússia, e foi suspensa já no decurso dos Jogos de Inverno, mas a decisão foi mais tarde levantada. A 11 de Fevereiro, a Agência Russa Antidopagem (RUSADA) decidiu abrir um inquérito interno a todos os treinadores e médicos em torno de Valieva, que é “menor de idade” e, portanto, passível de ter visto os seus interesses mal defendidos por pessoas com essas funções. A agência prometeu publicar os resultados desta investigação na sua página oficial na Internet. O caso ocorre numa altura em que os desportistas russos participam em Pequim debaixo da bandeira do comité russo, uma vez que a Rússia, enquanto país, foi banida dos Jogos devido a um grande escândalo de doping de Estado, do qual Moscovo se defende denunciando um complô anti-russo. Slalom | Ricardo Brancal encerra hoje participação portuguesa O português Ricardo Brancal entra hoje em competição nos Jogos Olímpicos de Inverno na modalidade de slalom, naquela que será a última participação portuguesa em Pequim. Recorde-se que o esquiador português estreou-se no domingo nos Jogos Olímpicos com um 37.ª lugar na prova de slalom gigante do esqui alpino, tendo alcançado o objectivo de melhorar o 66.º posto de Arthur Hanse em PeyongChang 2018 na disciplina. O esquiador, que tem preferência pelo slalom, competição marcada para as 10h15 de hoje, afirmou que, tendo em conta a performance já alcançada “talvez arrisque um pouco mais” na disciplina em que se sente mais confortável. “Eu nunca me senti tão bem fisicamente, fiz uma boa preparação. Tenho as condições necessárias para fazer uma boa prova, agora, é também preciso ter um bocado de sorte e as coisas saírem no dia, porque o slalom, ao mínimo erro, não perdoa”, frisou Ricardo Brancal, em declarações à agência Lusa. Agenda para hoje Biatlo (15h45) – Medalhas Bobsled (a partir das 9h40) Combinado Nórdico (15h00) Curling (a partir das 09h05) Esqui Alpino (10h15) – Medalhas Esqui Cross-Country (a partir das 17h00) – Medalhas Esqui Estilo Livre (a partir das 9h30) – Medalhas Hóquei no Gelo (a partir das 12h10) – Medalhas Patinagem de velocidade em Pista Curta (a partir das 19h30) – Medalhas * O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa
Milhões de licenciados na China obrigam a medidas de apoio ao emprego Hoje Macau - 15 Fev 2022 O Governo chinês anunciou hoje medidas de apoio para os empresários que geram empregos, perante as previsões de que quase 11 milhões de estudantes universitários vão entrar este ano no mercado de trabalho, informou um jornal de Hong Kong. Os 10,76 milhões de universitários que terminam este ano os estudos constituem um número recorde na China, acrescentando uma pressão ao exigente mercado laboral do país asiático, segundo a mesma publicação. Em Dezembro, o desemprego entre os jovens chineses entre os 16 e 24 anos atingiu 14,3 por cento, valor muito superior à taxa de desemprego de 5,1 por cento para profissionais de todas as idades, segundo dados oficiais. O jornal South China Morning Post informou que quase 4,4 milhões de pequenas e médias empresas (PME) fecharam nos primeiros onze meses do ano passado, mais do triplo do número de PME que abriram durante o mesmo período, o que mostra que este tipo de empresas continua a enfrentar grande pressão, desde o início da pandemia da doença covid-19. Este tipo de empresas representa cerca de 80 por cento do emprego no sector privado do país. PME com apoios A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planeamento económico do país, anunciou apoios para fazer face aos problemas de emprego dos recém-licenciados. Empréstimos com juros baixos vão ser concedidos às PME que empregam recém-formados ou pessoas que se formaram nos dois anos anteriores e não encontraram emprego. As medidas anunciadas também incluem a criação de “incubadoras” governamentais para empresas emergentes (‘start-ups’) ou benefícios fiscais. O Governo vai oferecer ajuda especial a jovens empreendedores, pois “começar um novo negócio tem um efeito multiplicador na geração de empregos”, apontou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. “Nos últimos anos, mais licenciados participaram do empreendedorismo, mas também enfrentam dificuldades de financiamento, falta de experiências e serviços, entre outros [problemas]”, explicou o órgão. O mercado de trabalho é visto como um pilar da estabilidade social por Pequim, mas enfrenta vários desafios, face a surtos esporádicos do novo coronavírus, que continuam a pesar no consumo, uma desaceleração do mercado imobiliário ou o aumento do custo das matérias-primas.
Hong Kong | Secretário para a Administração isolado após contacto próximo Andreia Sofia Silva - 15 Fev 2022 John Lee, secretário para a Administração de Hong Kong, está isolado em casa depois da sua empregada doméstica ter testado positivo para a covid-19. Ontem a Chefe do Executivo, Carrie Lam, garantiu que não será decretado um confinamento geral na região Um dia depois de Hong Kong ter registado mais de dois mil casos diários de covid-19, o pior panorama desde o início da pandemia, foi hoje divulgada a informação de que o secretário para a Administração, John Lee, está isolado em casa depois da sua empregada doméstica ter testado positivo para a covid-19. Segundo o canal de rádio e televisão RTHK, o próprio secretário e os seus familiares realizaram testes de despistagem à covid-19, com resultados negativos. Um porta-voz declarou que serão enviadas amostras de saliva para o Departamento de Saúde de Hong Kong para testagem. Entretanto, John Lee deveria ter estado presente na sessão de hoje no Conselho Legislativo (LegCo) onde se discutiu um plano de injecção de 27 mil milhões de dólares de Hong Kong no Fundo Anti-Epidémico, mas foi substituído pelo secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, Edward Yau. Hong Kong registou hoje 1619 novos casos de covid-19, tendo sido anunciada a abertura de clínicas comunitárias para o tratamento destes doentes, em zonas como Shau Kei Dan, Kennedy Town e Kowloon Bay, entre outras. Neste momento mais de quatro mil pacientes com covid-19 estão em hospitais públicos ou locais de isolamento, noticiou o canal RTHK. Sem confinamento Entretanto, Carrie Lam disse hoje, em conferência de imprensa, que as autoridades não deverão decretar um novo confinamento geral da cidade, apostando nas medidas preventivas. “Até este momento as nossas medidas para conter o aumento de contágios mantém-se legítimas e válidas”, disse, citada num comunicado oficial. “O problema que estamos a enfrentar deve-se à magnitude, velocidade e severidade da quinta vaga da pandemia em Hong Kong, o que ultrapassou as nossas capacidades. A capacidade imediata do Governo de Hong Kong, agora com o apoio do Governo Central, é reforçar a nossa capacidade [de resposta] em várias áreas neste esforço contra a pandemia. E estamos a fazer isto”, acrescentou a governante. Carrie Lam considerou que têm sido eficazes medidas como as restrições e declarações de testes aplicadas a cada distrito da cidade. “Desde a última vaga, em finais de Dezembro do ano passado, que o Governo levou a cabo 100 operações desse género. Estas operações provaram ser eficazes, em termos da identificação de um grande número de infecções”, acrescentou. A Chefe do Executivo garantiu que vai converter apartamentos de habitação pública para isolamento de pessoas, além de procurar mais quartos de hotel para este fim, reforçando a resposta das autoridades nesta matéria. Amanhã Carrie Lam deverá reunir com representantes do sector hoteleiro para encontrar um consenso. “Sabemos que temos mais de 80 mil quartos de hotel em Hong Kong mas nem todos se ajustam. Procuramos um complexo inteiro – um hotel que ocupe todo um edifício com um certo número de quartos, porque se for demasiado pequeno as operações tornam-se muito difíceis”, explicou. Entretanto, o canal RTHK noticiou também que os pais têm feito uma corrida à vacina Sinovac para que as suas crianças sejam vacinadas contra a covid-19. Os agenciamentos começaram hoje às 8h.
Taiwan | Reduzida quarentena para viajantes de 14 para 10 dias Hoje Macau - 15 Fev 2022 Taiwan vai reduzir o período de quarentena obrigatória para quem chega à ilha oriundo do exterior, dos actuais 14 dias para 10, a partir de Março, anunciou hoje o Centro de Controlo de Epidemias do território, segundo a imprensa local. Quem entrar em Taiwan, vai ter que passar 10 dias num hotel designado para quarentenas ou em casa, se morarem sozinhos. Actualmente, quem chega a Taiwan tem três opções de quarentena: estadia num hotel designado durante 14 dias, passar 10 dias num hotel e quatro em casa ou cumprir metade do período de quarentena no hotel e a outra metade em casa. Da mesma forma, as autoridades de saúde declararam que, no futuro, vão relaxar as proibições de entrada para viagens de negócios. Tal como a China continental, Taiwan continua a ser um dos poucos territórios do mundo que adopta uma política de zero casos de covid-19, com extensas restrições fronteiriças. Desde o início da pandemia, o território registou 19.666 casos de covid-19 e 852 óbitos.
Casa Garden | Exposição de raquetes decorativas japonesas abre este sábado Hoje Macau - 15 Fev 202215 Fev 2022 A Casa Garden acolhe, a partir deste sábado, a exposição intitulada “Os encantos mágicos de Hagoita”, onde serão mostrados vários exemplos de raquetes decorativas japonesas. Esta mostra, que será inaugurada a partir das 17h30, é realizada pela delegação de Macau da Fundação Oriente em parceria com o Printmaking Centre of Macau. As raquetes Hagoita são usadas para jogar Hanetsuki, um jogo tradicional do Ano Novo que é jogado como uma prece para salvaguardar a saúde das pessoas. Este é um jogo semelhante ao badminton e é jogado principalmente por meninas e mulheres. A partir do século XVII iniciou-se a tradição de oferecer raquetes Hagoita às meninas por ocasião do seu nascimento ou no Ano Novo, quando o jogo era geralmente jogado. Aparentemente, também eram colocadas em templos para afastar os maus espíritos e trazer felicidade. As raquetes Hagoita são feitas de uma madeira leve. A pena (hane-ume) para o jogo é feita da baga da árvore-sabão (mukuroji) e é coberta de penas de pássaros pintadas com cores vivas para parecerem flores. O jogo, tal como no badminton, consiste em manter a pena no ar. Quem deixar cair perde e é marcado no rosto com um um risco a tinta da China. Quando o rosto de alguém estiver totalmente coberto de tinta, o jogo acaba e esse jogador é o vencido. O jogo não é considerado um desporto, mas sim um simples entretenimento para as mulheres. Durante o período Edo (1603-1867), foi desenvolvida a técnica Oshi-e (colagem acolchoada) para fazer desenhos tridimensionais com decorações usando tecido acolchoado de algodão. A reprodução de cenas de peças de Kabuki nas decorações das raquetes Hagoita tornou-se popular entre a população em geral e a beleza da decoração das peças tornou-se cada vez maior.
Património | IC recorre à realidade virtual para “reconstruir” Ruínas de São Paulo Hoje Macau - 15 Fev 2022 É já este ano que o Governo deverá terminar o projecto de “reconstrução” das Ruínas de São Paulo com recurso à realidade virtual. Posteriormente o público poderá realizar visitas com recurso a óculos e equipamentos especiais, estando a ser organizada uma exposição com o apoio da Diocese Católica em Macau O Instituto Cultural (IC) de Macau quer terminar, ainda este ano, uma “reconstrução tridimensional” das Ruínas de São Paulo, através de realidade virtual. O IC disse numa resposta enviada à Lusa que o objectivo é lançar visitas “imersivas” ao edifício da antiga Igreja da Madre de Deus através de utilização de óculos de realidade virtual e outro equipamento disponibilizado no local. As visitas guiadas, em português, inglês, cantonense e mandarim, serão lançadas para residentes e turistas, “após um período de testes e ajustes”. O IC está actualmente pesquisar e a recolher dados históricos para a exposição em realidade virtual, com o apoio da diocese da Igreja Católica em Macau. Assim que a recolha estiver concluída, a produção da realidade virtual será entregue a uma empresa especializada. As futuras visitas em realidade virtual poderão “mostrar a história e cultura única da fusão das culturas chinesa e ocidental em Macau ao longo de centenas de anos” e melhorar a imagem da cidade como um destino para o turismo cultural, defendeu o IC. Renascido das cinzas A Igreja da Madre de Deus foi construída pela Companhia de Jesus na segunda metade do século XVI, tendo sido destruída por um incêndio em 1835. As Ruínas de São Paulo incluem a fachada e escadaria de granito da igreja e os vestígios arqueológicos do vizinho Colégio de São Paulo, a primeira universidade ocidental no leste asiático. A 4 de Fevereiro, na cerimónia de posse, a nova presidente do IC, Leong Wai Man, prometeu empenhar-se na salvaguarda e gestão do Centro Histórico de Macau, que inclui vários edifícios e monumentos de raiz portuguesa, incluindo as Ruínas de São Paulo. O Centro Histórico de Macau foi inscrito na lista do Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a 15 de Julho de 2005, tendo sido designado como o 31.º local do Património Mundial da China. A classificação integra vários edifícios históricos construídos pelos portugueses, incluindo o edifício e largo do Leal Senado, a Santa Casa da Misericórdia, as igrejas da Sé, de São Lourenço, de Santo António, de Santo Agostinho, de São Domingos ou a fortaleza da Guia.
China apela à calma e diz que a sua embaixada na Ucrânia está a operar normalmente Hoje Macau - 15 Fev 2022 A China apelou ontem a que “todas as partes envolvidas” na questão da Ucrânia atuem de forma “racional” e “evitem ações que aumentem as tensões”, garantido que a sua embaixada no país “está a operar normalmente”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, disse em conferência de imprensa, que a China está a “acompanhar de perto a situação”, mas que a embaixada e os consulados do país asiático na Ucrânia estão a funcionar “normalmente”. Wang explicou que a embaixada chinesa na Ucrânia emitiu um aviso consular pedindo aos cidadãos chineses que estejam atentos e acompanhem a situação. As declarações contrastam com as de vários países, que pediram aos seus cidadãos que saiam da Ucrânia, depois de o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, ter observado que uma “invasão” russa “pode começar a qualquer momento”. Questionado sobre a posição da China, o porta-voz reiterou que para resolver o problema ucraniano é “necessário voltar ao ponto de partida do acordo Minsk-2, que conta com o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas”. “Todas as partes devem buscar ativamente uma solução por meio do diálogo e da negociação”, acrescentou o porta-voz. No início do mês, Xi Jinping e Vladimir Putin, presidentes da China e da Rússia, respetivamente, prometeram enfrentar juntos o que consideram “ameaças à segurança”, após reunirem em Pequim. Ambos os países emitiram uma declaração conjunta na qual, sem mencionar explicitamente os Estados Unidos ou a crise na Ucrânia, denunciaram que um “pequeno número de forças da comunidade internacional continua obstinada em promover o unilateralismo e interferir nos assuntos de outros países”. O texto frisou que “China e Rússia se opõem a uma maior expansão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)”.
Acidentes de trânsito aumentaram 25,3 por cento no ano passado Andreia Sofia Silva e Pedro Arede - 15 Fev 2022 Em 2021 registaram-se 12.776 acidentes de viação, um crescimento de 25,3 por cento relativamente a 2020, havendo a lamentar, no total, cinco vítimas mortais e 4.374 feridos. De acordo com dados divulgados na sexta-feira pelos os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), só em Dezembro ocorreram 1.076 acidentes de viação, mais 5,9 por cento em termos anuais, tendo-se registado duas vítimas mortais e 338 feridos. Quanto ao número de veículos matriculados, no final de 2021 havia em Macau um total de 247.603, ou seja, mais 1,4 por cento face a 2020. O número de veículos com matrículas novas fixou-se em 12.489, mais 0,9 por cento em relação a 2020. Relativamente aos estacionamentos ilegais, os dados, contabilizados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), revelam que houve um aumento de 21,7 por cento nos estacionamentos ilegais nas vias públicas, enquanto que em zonas com parquímetro deu-se uma quebra de 18,79 por cento entre 2020 e Dezembro de 2021. Em termos anuais houve uma redução de 12,61 por cento no total das multas cobradas, de cerca de 118 mil para 133 mil patacas. O bom taxista Os números avançados pelo CPSP mostram ainda que o serviço de táxis melhorou durante a pandemia, uma vez que os casos relativos à cobrança abusiva de tarifas baixaram para metade, de oito para quatro casos entre 2020 e 2021, enquanto que os casos de recusa de transporte baixaram 25 por cento. As estatísticas da DSEC revelam ainda que em 2021, o peso bruto da carga contentorizada que entrou e saiu pelos portos de Macau totalizou 158.696 toneladas, mais 30,9 por cento, em relação a 2020. Em relação ao transporte aéreo, efectuaram-se, no total, 13.966 voos comerciais, ou seja mais 2,1 por cento, relativamente a 2020. Já o peso bruto da carga aérea movimentada, situou-se em 48.542 toneladas, mais 45,8 por cento, face ao ano anterior. Ao nível das comunicações, destaque para existência de 99.989 utentes de telefone fixo (menos 6,8 por cento) e 1,27 milhões de utentes de telemóvel (menos 21,4 por cento). Quanto aos serviços de internet, existiam no mês passado 671.805 assinantes registados, tendo sido utilizadas, no total de 2021, 66 mil milhões de horas de serviços, um ligeiro aumento de 0,4 por cento em relação a 2020.
Testagem obrigatória e lei do trabalho David Chan - 15 Fev 2022 As leis do trabalho estipulam que, quando um empregado está doente, deve apresentar uma baixa médica justificando desta forma a sua ausência. No entanto, essas mesmas leis normalmente não consideram que um empregado que tenha de ser submetido a um teste obrigatório à COVID fique dispensado de comparecer no local de trabalho. O que pode fazer uma pessoa que seja despedida por não se apresentar ao trabalho, quando tem de fazer um teste obrigatório? No passado dia 8, a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou que em resposta à grave epidemia que grassa na cidade, será necessário implementar medidas de prevenção mais restritivas, nas quais se incluem não permitir que se formem grupos com mais de duas pessoas, alargar a apresentação do certificado de vacinação a centros comerciais, supermercados, lojas, cabeleireiros, etc. Além disso, a Employment Ordinance (Lei do Trabalho) vai ser revista. Se o empregado estiver a ser testado, ou se estiver numa área confinada e precisar de ser submetido a um teste que o impeça de se apresentar no local de trabalho, o Departamento de Saúde emitirá um certificado justificativo. Após revisão da legislação do trabalho, este certificado passa a equivaler a uma baixa médica. Se o trabalhador for despedido enquanto está doente, considera-se que houve “despedimento sem justa causa” e o visado pode pedir uma indemnização. Em Hong Kong, para se considerar que houve “despedimento sem justa causa” o empregado terá de ter estado ao serviço da empresa por um período mínimo de dois, e o despedimento terá de ter ocorrido sem que se verifique nenhuma das causas que o tornam plausível à luz da lei do trabalho. Depois da revisão desta lei, a ausência do empregado devido à realização de “um teste obrigatório” deixa de ser motivo que justifique o despedimento. Se o despedimento ocorrer nestas circunstâncias será considerado “sem justa causa”. Como a epidemia em Hong Kong se está a agravar, cada vez mais pessoas são submetidas à testagem obrigatória, pelo que um número crescente de trabalhadores terá de faltar e alguns deles foram despedidos por este motivo. É claro que durante a epidemia muitos negócios foram afectados e as receitas das empresas baixaram. O despedimento de trabalhadores pode reduzir as despesas das empresas. No entanto, quando as pessoas perdem os seus trabalhos ficam desempregadas. Num contexto de epidemia é ainda mais difícil encontrar um novo emprego. As más relações de trabalho dificultam a cooperação do Governo, dos empregadores e dos empregadores no combate à epidemia. Por isso mesmo, a revisão da lei do trabalho em Hong Kong foi muito bem recebida pela população em geral. Esta revisão vem acabar com certas lacunas. Daqui em diante, mais ninguém poderá vir a ser despedido por ter tido de se submeter a um teste obrigatório. Além disso, estas alterações serão uma grande ajuda no combate à epidemia em Hong Kong, levando a que os trabalhadores colaborem de boa vontade com o Governo. Vão ainda reduzir o receio de despedimento entre os trabalhadores. Desde o início da epidemia, que a situação em Macau tem estado sob controlo, tendo havido muito poucos casos de infecção pelo novo coronavírus. Macau está unido, o Governo e os residentes trabalham juntos para lutar contra este vírus. Durante as várias testagens universais que se fizeram na cidade, ninguém foi despedido por esta causa. Se a epidemia continuar, é provável que venham a haver mais testagens universais. Como sabemos, é melhor prevenir do que remediar. Embora a Lei Laboral de Macau contemple a ausência do trabalhador por motivo de doença, ser submetido a um teste não equivale a estar doente. Poderá ser considerada uma “ausência justificada” pelo facto de não se dever “a uma decisão do trabalhador”, de acordo com o Artigo 50 (2) (9) da Lei Laboral de Macau. No entanto, para ter a certeza de que assim seja, serão necessários mais esclarecimentos. Esta potencial ameaça só será eliminada, quando a lei de Macau proibir claramente o despedimento sempre que o trabalhador esteja a ser submetido a um teste obrigatório. De momento, as alterações da lei do trabalho em Hong Kong são um exemplo com o qual podemos aprender. Faz-nos compreender que ser submetido a um teste não é a mesma coisa do que estar doente. Devemos estar atentos à experiência de outros locais, prestar mais atenção às leis necessárias para combater a epidemia e à sua revisão, para proteger os direitos e os interesses dos residentes de Macau. Assim que a sociedade de Macau tiver mais apoio e mais colaboração de todos, a nossa capacidade de prevenção da epidemia aumentará significativamente. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
淮阳 Huaiyang celebra Fu Xi José Simões Morais - 15 Fev 2022 Visitar a província de Henan, situada na parte média do Rio Amarelo, é como entrar nas primeiras páginas do longo livro da História da China por ser um dos berços da civilização chinesa e onde se registam do período Neolítico muitas culturas como, a Peiligang (6100-5000 a.n.E.), a Yangshao (5000-3000 a.n.E.), a Longshan (2500-2000 a.n.E.) e a Erlitou (c.1900-1500 a.n.E.), esta ligada à dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.), a primeira das dinastias imperiais que duraram até 1911. Já a Cultura de Erligang (1600-1400 a.n.E.) está relacionada com o início da dinastia Shang (1600-1046 a.n.E.). Chegamos a Zhengzhou, capital da província de Henan, para a 230 km ir a Huaiyang, na prefeitura de Zhoukou, assistir às festividades em honra de Fu Xi, que se estendem entre o segundo dia do segundo mês lunar até ao terceiro dia do terceiro mês. Ana Maria Amaro lembra-nos, “no segundo dia do segundo mês do calendário lunar chinês celebra-se a tradicional festa conhecida por ‘O Dragão levanta a cabeça’ que anuncia as primeiras chuvas da Primavera.” O dragão é considerado a divindade que domina a chuva e para um povo de agricultores como eram os chineses, esta era-lhes essencial para os campos. Ainda nessa prefeitura, no concelho de Luyi celebra-se na mesma altura o aniversário de Lao Zi, enquanto Xihua, ligado a Nu Wa e onde tem o mausoléu, é outro dos oito concelhos da prefeitura de Zhoukou localizada no Sudeste da província. Da cidade de Zhoukou partimos para Huaiyang numa viagem de 45 minutos de autocarro. Chamada Wanqiu no tempo de Fu Xi, ficou em 200 a.n.E. a ser Huaiyang por se encontrar a Norte do Rio Huai e daí o nome, pois yang designa Norte. Local onde Fu Xi e Nu Wa escolheram fazer as suas capitais, tal como também aí, já com o nome Chen, viveu Yan Di, estando assim relacionada com os Três Ancestrais Soberanos (San Huang) e mesmo considerando Nu Wa não ser um dos três, mas sim Sui Ren, o deus do Fogo, este era de Shangqiu, na fronteira para Nordeste da prefeitura de Zhoukou. A FEIRA Em Huaiyang (淮阳), após sair do autocarro, ao caminhar o quilómetro e meio até ao Templo de Fu Xi temos a sensação de pertencer ao imenso grupo proveniente da tribo Feng (风, Vento), que há 4800 anos viera da província de Gansu para Leste chefiada por Fu Xi. Percorreu desde a bacia do Rio Wei até ao Rio Amarelo onde encontrou terras férteis na Planície Central, na actual província de Henan e aí se instalou. Criou a povoação amuralhada de Wanqiu para albergar o grupo, que então passou a designar-se tribo Yi e escolheu como totem o Dragão. Após a realização de festas onde se promoveram casamentos, parte da tribo separou-se e Nu Wa com as suas gentes seguiu para Norte dessa área, estabelecendo-se em Xihua. Chegando pelo lado Oeste contornamos o Lago Dragão (Long hu), que separa o templo de Fu Xi da vila de Huaiyang, encontrando-se no meio da água uma escultura com dois dragões semi-submersos. A moldura humana caminha e avolumando-se dá lugar a uma multidão, ladeada por um sem número de vendedores. Dois pormenores logo rapidamente saltam à vista. Um grande número de pessoas em sentido inverso vem da festa trazendo bolas de basquete e outras, tigres feitos de tecido laranja com a face pintada, que pela forma parecem ser comprados para servir de almofadas. A confusão é grande e as tendas de circo, instaladas num recinto descampado ao lado do muro do complexo do templo, animam com os altifalantes o som geral do local, anunciando animais ferozes, famosos artistas malabaristas e tudo o que pudesse causar espanto e estupefacção aos habitantes da região aí apinhados. Por detrás dos muros do complexo do templo pode-se ver um monte e os telhados de alguns dos pavilhões que constituem o Tai Hao ling (太昊陵), Templo-mausoléu de Tai Hao, a divindade de Fu Xi. Na porta lateral Oeste (Xi Hua men) o rebuliço é ainda maior, pois muita gente tenta por aí entrar no templo, não deixando sair os que acabam de o visitar. Prosseguimos em direcção à porta Sul, a principal do templo e por onde se deve entrar, entre tendas com esculturas de deuses e imagens de muitos dos soberanos mitológicos à venda, havendo ainda as bancas com geomantes entendidos no Feng-Shui e no Yi Jing. CÃO DE ARGILA DE HUAIYANG Da grande praça em frente ao templo, o nosso olhar é atraído pela água do lago e expande-se até aos edifícios da vila de Huaiyang, na margem oposta. O que parece uma ampla praça está interrompida por um canal, não perceptível devido às inúmeras tendas colocadas em frente. É o Rio Cai, cujo significado antigo era o de tartaruga. Segundo os registos do livro Chenzhou Fu Zhi, foi no Rio Cai que Fu Xi encontrou a tartaruga branca a trazer-lhe a base para criar os oito trigramas. Este rio nasce a Noroeste de Huaiyang, atravessa Wanqiu, a cidade construída por Tai Hao, que foi a primeira capital da China, e passa em frente do templo mausoléu. Como viemos pelo lado Oeste, para o atravessar escolhemos a ponte mais próxima das três existentes e assim, entramos no recinto limitado entre o Rio Cai e o Lago Dragão (Long hu). Aí, a imensa feira, que para além do lado comercial tem uma parte de diversão, estende-se desde o lago até à entrada do templo. Nas tendas vendem-se os papéis votivos e incenso, assim como estátuas de porcelana de muitos deuses, sobretudo os da Riqueza, contando com uma variedade de outros produtos típicos apresentados nas normais feiras de pendor rural. As pessoas ao passarem pelos carrinhos cheios de lingjiao, fruta com sabor a castanha e forma em miniatura de pares de cornos de búfalo, esperam a vez para a adquirir. Encontramos então os famosos tigres (ou serão cães?) em vários tamanhos e feitos de tecido cor de laranja com pinturas a dar as feições e outros pormenores, parecem ser uma novidade. Produção actualizada, mais ao gosto dos compradores, inspirada nas pequenas esculturas antigas de barro pintado com fundo preto, ornamentadas por cores vivas a criar as feições das formas primitivas de seres humanos e pássaros. Servem como instrumento musical pois ao soprar-se por um buraco dão um assobio. Assim, os locais camponeses artesãos entre a multidão chamam a atenção, pois vão com elas na boca usando-as como apitos, enquanto transportam cestas de vime cheias dessas pequenas esculturas para vender. São os ‘Cães do Mausoléu’, que por terem formas amórficas muito diversas, revelam ser provenientes de uma figuração muito antiga. Também conhecidos por Cão de Argila de Huaiyang, ou Cão Ling, é o nome dado a estas figuras no seu todo, não importando a representação que têm. Está relacionado, segundo o conhecimento popular, com o nome de Fu Xi, em cujo primeiro caractere (伏) existem dois radicais, um de homem (人) e outro de cão (犬). Segundo especulações de alguns estudiosos, a tribo de Fu Xi tinha como totem o cão e após o seu chefe deixar esta vida, os cães tornaram-se as divindades que guardam o mausoléu. Confúcio confirmou passados dois mil anos estar ali enterrado o corpo do inventor dos trigramas.
GT | Pandemia não tirou o apetite por Macau aos construtores Sérgio Fonseca - 15 Fev 202215 Fev 2022 O GT World Challenge Asia, a ainda competição de carros da categoria GT3 mais importante no continente asiático, não contempla no seu calendário provisório qualquer corrida em solo chinês este ano, enquanto que, ao contrário de outros anos, nenhum dos construtores colocou nos seus planos desportivos para a temporada de 2022 a presença no Grande Prémio de Macau. Contudo, a chama do maior evento desportivo do território ainda não se apagou Em 2021, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) quis novamente realizar as suas três Taças do Mundo na RAEM, mas como o território não aliviou as restrições de entrada de cidadãos estrangeiros, impostas no contexto da pandemia, incluindo a obrigatoriedade do cumprimento de uma quarenta, o órgão máximo que rege o automobilismo optou por cancelar a viagem ao Oriente. Em comunicado, a FIA expressou a vontade que as suas Taças regressem a Macau em 2022. Hoje, apenas a Corrida da Guia faz parte do calendário provisório da Taça do Mundo de Carros de Turismo – WTCR de 2022, sendo que a federação internacional ainda não se pronunciou sobre a Fórmula 3 e GT. De 2015 a 2019, o Circuito da Guia recebeu a Taça do Mundo de GT da FIA, uma competição para viaturas da classe GT3, co-organizada pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) em parceria com a Stephane Ratel Organisation. A organização europeia, que também gere o GT World Challenge Asia a partir da sua base em Hong Kong, estava confiante que a prova do ano passado teria sido um sucesso e acredita que a vontade das marcas automóveis em Macau ainda não esmoreceu. “Definitivamente o apetite para correr em Macau continua elevado por parte dos construtores”, sublinhou ao HM o coordenador das últimas edições da Taça do Mundo de GT da FIA, Benjamin Franassovici. “Antes de termos abortado a edição do ano passado, tínhamos vinte e sete carros inscritos”, recorda o responsável pela Stephane Ratel Organisation na Ásia. Caso tivesse ido à avante, a edição de 2021 da Taça do Mundo de GT da FIA teria contado com equipas oficiais da Audi, BMW e Porsche. Mercedes, Aston Martin, Ferrari e Honda também teriam uma representação na corrida a título privado. Como não se disputou a Taça do Mundo, realizou-se mais uma edição da Taça GT Macau que foi ganha, com uma boa dose de drama pelo meio, por Darryl O’Young (Mercedes AMG GT3). Singularidade inigualável Durante vários anos, alguma imprensa estrangeira noticiou a vontade de alguns intervenientes, incluindo representantes das marcas envolvidas, em que a Taça do Mundo de GT da FIA fosse realizada noutras paragens, preferencialmente num outro circuito mais convencional. Contudo, Stephane Ratel e a sua organização continuam a considerar o Grande Prémio de Macau, pela sua unicidade, a prova que melhor se coaduna para este troféu. “Para mim, Macau é o melhor lugar para a Taça do Mundo de GT da FIA”, refere Benjamin Franassovici. “É um circuito citadino único e com história. Tem público e atmosfera, mais ainda, na altura do ano em que se desenrola penso que não há outra localização que possa ser considerada.” Por enquanto, para além da WTCR, apenas o organizador dos campeonatos TCR China e TCR Ásia colocou a 69ª edição do Grande Prémio de Macau no seu calendário provisórios, e neste caso como prova extra-campeonatos.
Escola Luso-chinesa da Flora vence concurso lusófono infanto-juvenil Hoje Macau - 15 Fev 2022 A escola Luso-chinesa da Flora sagrou-se vencedora da primeira edição do concurso infanto-juvenil “Era Uma Vez…O Meu Mar”, promovido pela associação Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP). O texto apresentado intitula-se “Long e Hoo e os piratas afortunados” e valeu um prémio pecuniário de 7.500 patacas. Na categoria de melhor ilustração o vencedor foi o Instituto Pandavas Núcleo de Educação, Cultura, Ações Socioambientais, no Brasil, ao apresentar um desenho sobre o conto de Portugal, ganhando cinco mil patacas. Foram ainda atribuídas duas menções honrosas a Cabo Verde com o conto “O Mar de Cabo Verde” e a Timor-Leste com o “O Rei Maquiavel”. O escritor angolano Ondjaki, que fez parte do júri do concurso, disse, citado por um comunicado, que foi “bonito que várias partes do mundo, várias vozes, vários dedos e corações de crianças, se tenham reunido em torno do mar simplesmente para escrever.” O também padrinho da iniciativa reiterou a importância do acto de escrever, encarado pelo escritor como uma forma de “olhar e pensar”. “Escrever é também multiplicar cuidados e dedicar tempo. E o mar, todos os mares, todas as águas do nosso planeta, requerem, cada vez mais, cuidado, amor e dedicação. Ao olhar para e pelo mar, cuidamos do presente; mas estamos também a preparar o futuro”, frisou. Livro na calha Até ao final de Março do corrente ano, a Somos – ACLP irá publicar os contos em livro com as ilustrações, os textos foram traduzidos e adaptados para a língua chinesa. A capa do livro vai ser assinada pelo cartoonista português, António Antunes, com a selecção dos vários desenhos das escolas participantes. Este concurso contou com a participação de uma escola por cada país ou região, num total de nove, e destinou-se a alunos do 5.º e 6.º anos de escolaridade, com idades compreendidas entre os dez e os 12 anos das instituições de ensino participantes, onde o português é utilizado como língua veicular. Cada escola concorreu com um conto original produzido individualmente ou em grupo. Numa fase posterior, os contos foram distribuídos aleatoriamente por todas as escolas participantes para a respectiva ilustração.