Trabalhadores dos lares queixam-se do modelo de circuito fechado

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O Sindicato dos Assistentes Sociais de Macau acusa o Governo de não ter ouvido as opiniões dos dirigentes e trabalhadores dos lares de idosos que operam em gestão de circuito fechado praticamente desde que começou o surto.

Numa publicação no Facebook, a associação profissional denuncia a existência de muitos problemas para manter idosos e funcionários no mesmo espaço 24 horas por dia, sete dias por semana, tal como a falta de espaço, más condições de trabalho, falta de materiais e aumento dos problemas psicológicos.

Os funcionários têm de partilhar o espaço de descanso comum e a casa de banho, sendo muitas vezes obrigados a dormir no chão, havendo casos em que dormem em cima de tapetes de ioga.

A associação refere também que existem profissionais com problemas do foro psicológico, sofrendo de ansiedade e receio devido ao tempo prolongado em que estão afastados de familiares. Muitos funcionários dizem não ter tido sequer tempo para preparar bens essenciais que necessitam para estar no lar a tempo inteiro, e que estes também não foram providenciados mais tarde.

Ao trabalharem em regime de circuito fechado, muitos trabalhadores desconhecem garantias e direitos de que dispõem, incluindo as resoluções a adoptar caso fiquem infectados com covid-19 ou isolados.

A associação indica também que algumas instituições não mencionam se vão ser pagas compensações pelo facto de os funcionários terem de ficar no local de trabalho a tempo inteiro.

Desta forma, os profissionais pedem que a gestão em circuito fechado seja breve ou então que sejam asseguradas as devidas condições de privacidade, com melhor organização do trabalho por turnos.

No total, foram encaminhadas para a associação 60 cartas com queixas de associados, o que levou o organismo a sugerir que os funcionários possam ficar em hotéis de quarentena, fazendo apenas o percurso hotel-trabalho, além de exigir melhor comunicação com as autoridades.

IAS rejeita queixas

Segundo o jornal Ou Mun, Paul Pun, secretário-geral da Caritas Macau e presidente do Conselho Profissional dos Assistentes Sociais, frisou que há poucos pedidos de demissão por parte de pessoas que não se adaptam a este regime. O responsável espera que esta forma de gestão dure pouco tempo, acreditando que muitos preferem ficar a viver nos lares por temerem o contágio na comunidade.

Opinião semelhante tem Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social (IAS), que recusa as acusações de falta de diálogo. “Temos comunicado com os dirigentes dos lares para tentar saber a situação. Em casos urgentes esperamos poder disponibilizar mais locais [de descanso], mas não é fácil encontrá-los. Tem de ser um local independente, não pode ser de uma associação. Muitas vezes propomos lugares para descanso, mas os próprios trabalhadores preferem ficar dentro dos lares, conseguimos controlar a situação e eles não querem também correr o risco. Temos mais de três mil utentes nos lares”, declarou ontem na conferência de imprensa diária de balanço da pandemia.

Proibido passear animais e fazer exercício físico na rua. IAS alerta para pressão psicológica

Tiago Alcântara
As autoridades esclareceram que o confinamento parcial, que começa hoje, proíbe os cidadãos de passear animais de estimação ou fazer exercício físico na rua por não serem actividades essenciais. Após o registo de novos casos de suicídio, o IAS admitiu que a semana que aí vem traz uma “certa pressão associada” e que é essencial maior tolerância e apoio de familiares e amigos. O total de casos de covid-19 subiu para 1.467

 

Perante o encerramento das actividades comerciais e industriais não essenciais e a obrigatoriedade de ficar em casa [ver páginas centrais], o Centro de Coordenação e Contingência do Novo Tipo de Coronavírus esclareceu ontem que, até ao próximo domingo, os cidadãos estão proibidos de sair à rua para passear animais domésticos, fazer exercício físico ou participar noutro tipo de actividades consideradas não essenciais.

“O despacho [do Chefe do Executivo] já refere alguns exemplos de situações urgentes para ir à rua, como aquelas em que é necessário sair para cuidar de idosos. Mas, por exemplo, passear o cão não é um caso urgente. Não posso responder por todos os casos, porque diferentes pessoas têm diferentes dúvidas ou razões para justificar sair de casa”, começou por explicar Lei Tak Fai, Chefe da Divisão de Relações Públicas do CPSP.

“Não considero que passear um animal na rua seja uma actividade fundamental para a subsistência da vida quotidiana da população. Espero que compreendam que estamos num momento crucial da prevenção da pandemia”, rematou.

O responsável frisou ainda que, desde a meia-noite, correr ao ar livre, jogar xadrez ou “passear na rua sem objectivo” não são “obviamente” actos permitidos.

“As sanções não são o nosso objectivo, o objectivo é (…) reduzir ao máximo as pessoas na nossa comunidade para assim diminuir o risco de propagação da doença”, afirmou Lei Tak Fai, depois de dizer que o patrulhamento nas ruas irá ser reforçado e os residentes inquiridos sobre os motivos para estarem fora de casa.

Sobre a entrega de artigos nos hotéis de quarentena ou nas zonas vermelhas, Lei Tak Fai disse que estas apenas são permitidas, caso se trate de “material necessário” como medicamentos. “As zonas vermelhas e os hotéis de quarentena já conseguem, de modo geral, satisfazer as necessidades de subsistência diária. Mas, em casos excepcionais, como a falta de medicamentos a familiares (…) é possível fazer a entrega”, apontou.

Alta pressão

Confrontado com o registo de novos casos de suicídios e os efeitos que o confinamento parcial de Macau podem implicar para a saúde mental dos residentes, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS) Hon Wai, admitiu que a semana que agora começa acarreta uma “certa pressão” e apelou à população para ter “maior tolerância” com os membros da família com quem habitam.

“O IAS tem vindo a cooperar com os Serviços de Saúde e a DSEDJ para acompanhar os casos de suicídio, fornecendo serviços de aconselhamento. Nesta semana, praticamente todos os membros da família estarão em casa e, por isso, devem estar preparados para ter maior tolerância. Por exemplo, os familiares com menos contacto, devem aproveitar para prestar maior atenção e ficar mentalmente preparados pois há, de facto, uma certa pressão associada a esta mudança”, começou por dizer.

“Por isso (…) esperamos que todos dêem maior atenção e encontrem meios adequados. Se não souberem como encarar esta situação podem ligar aos nossos serviços para pedir aconselhamento. Cada um sente a pressão à sua maneira e, por isso, tem de encontrar formas de encarar esta mudança. O apoio de familiares e amigos é muito importante”, disse.

Durante a conferência de imprensa, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long, revelou ainda que os trabalhadores que estarão a desempenhar actividades essenciais ao longo desta semana (grupos-chave) como os funcionários dos restaurantes, motoristas, trabalhadores de takeaway, seguranças, pessoal da limpeza e dos condomínios terão de fazer teste de ácido nucleico diário.

Questionado sobre o adiamento de cirurgias no hospital público, Alvis Lo garantiu que “internamentos, operações urgentes e hemodiálises” estão a decorrer “de forma normal”, mas admitiu que as intervenções não urgentes foram canceladas “para evitar a concentração de pessoas”. Ao final da tarde de ontem o número total de casos positivos confirmados desde o dia 18 de Junho era de 1.467.

Quarentena on the Rocks

A partir de hoje, o hotel Rocks, na Doca dos Pescadores, vai passar a acolher portadores de código amarelo obrigados a cumprir quarentena. Segundo a Chefe de Divisão de Relações Públicas da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), Liz Lam, o hotel irá fornecer, no total, 70 quartos.

Máscaras para crianças

Leong Mei Leng, vice-presidente da Associação Geral das Mulheres, defende que as crianças devem também poder usar máscaras do modelo KN95 quando se deslocarem aos centros de testagem em massa, além de estarem disponíveis no plano de fornecimento de máscaras à população. Para a responsável, uma vez que a sub-variante BA.5 da Ómicron é mais transmissível, Leong Mei Leng pede que as autoridades actualizem os equipamentos de protecção pessoal para crianças. A responsável alertou para o preço deste tipo de máscaras, o que constitui um maior encargo para as famílias, além de se verificar que muitas crianças usam muitas vezes a mesma máscara quando fazem os testes, comportamento que aumento o risco de infecção.

Pandemia | Consulado de portas fechadas até sexta-feira

Tiago Alcântara

O Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong vai continuar de portas fechadas até sexta-feira, dia 15 de Julho, “atendendo à situação pandémica e à semelhança dos serviços públicos da RAEM”.

Desta forma, os utentes que já tinham marcação para tratar de documentos vão ser contactados para o reagendamento da nova data.

Permanecem os serviços mínimos para “situações de urgência” relativas a documentação, devendo contactar o Consulado através dos emails disponibilizados nas redes sociais e website ou através do número de telefone 28356660.

Medicina tradicional chinesa | Mais de 600 pessoas medicadas contra a covid-19

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Um total de 684 pessoas que testaram positivo à covid-19, sejam assintomáticas ou com sintomas leves, foram tratadas com medicamentos da medicina tradicional chinesa (MTC). Segundo uma nota de imprensa, desde o dia 1, data em que arrancou o plano de tratamento alternativo de covid-19 com MTC, 817 pessoas “estavam dispostas a receber” este tratamento, mas apenas 684 puderam ser medicadas. Foram distribuídas quase 1.700 caixas de Cápsulas Lianhua Qingwen Jiaonang e cerca de 140 caixas de Cápsulas Huoxiang Zhengqi Jiaonang.

As autoridades apontam que “as pessoas a quem foram administrados os medicamentos da MTC têm idades compreendidas entre os 2 e os 84 anos, sendo que um certo número delas são de nacionalidade estrangeira”.
Relativamente aos pedidos de consulta, quase 1300 pessoas foram vistas por mestres de MTC, sendo que “mais de 70 pessoas administraram em simultâneo os dois medicamentos da MTC acima referidos”.

Este plano de tratamento conta com a participação de 72 médicos de MTC voluntários. Segundo o Centro de Coordenação de Contingência do novo tipo de coronavírus, “o tratamento da MTC tem elevada aceitação”, sendo que, após a avaliação dos médicos, “a maioria das pessoas está apta a tomar as cápsulas de Lianhua Qingwen Jiaonang”.

Ainda assim, “algumas pessoas preocupam-se de que as cápsulas de Lianhua Qingwen Jiaonang sejam de ‘natureza fria’ (negativa)”, mantendo, no entanto, a toma da medicação “após o esclarecimento e orientação por médicos de MTC”.

Jornalista e Nobel da Paz filipina Maria Ressa enfrenta pena de prisão

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A jornalista filipina e prémio Nobel da Paz Maria Ressa perdeu um recurso contra uma condenação por difamação ‘online’ e pode ter de passar até seis anos na prisão, anunciou na sexta-feira o seu portal de notícias Rappler.

Maria Ressa e o antigo colega Rey Santos Jr., visado no mesmo processo, “utilizarão todos os recursos legais à sua disposição”, incluindo levar o caso ao Supremo Tribunal, segundo o Rappler, citada pela agência francesa AFP.

A publicação ‘online’ considerou que a decisão judicial “enfraquece a capacidade dos jornalistas de pedir contas ao Governo”.

“O que está em última análise em jogo é a nossa democracia, cuja força repousa em meios de comunicação social que não sejam ameaçados pelo Estado nem intimidados por forças que procuram silenciar vozes críticas”, acrescentou.

Ressa tem sido uma crítica do ex-presidente filipino, Rodrigo Duterte, e da guerra que lançou em 2006 contra a droga, com acusações de execuções extrajudiciais de traficantes e consumidores.

As denúncias e críticas da jornalista desencadearam o que os defensores da liberdade de imprensa veem como uma série de acusações criminais, investigações e ataques ‘online’ contra Ressa e o Rappler.

Ressa e o jornalista russo Dmitri Muratov foram galardoados com o Prémio Nobel da Paz, em outubro de 2021, pelos seus esforços para “salvaguardar a liberdade de expressão”.

Antiga delegada da televisão norte-americana CNN em Jacarta, Ressa, 58 anos, enfrenta pelo menos sete processos judiciais, incluindo um por difamação ‘online’, pelo qual foi libertada sob fiança e que lhe pode valer até seis anos de prisão. Se for condenada pelos outros processos, poderá passar décadas na prisão.

Duterte foi Presidente das Filipinas até 30 de junho, quando foi substituído por Ferdinand Marcos Jr., filho do antigo ditador Ferdinand Marcos, que venceu as eleições de maio. Nas mesmas eleições, Sara Duterte, filha do chefe de Estado cessante, foi escolhida como vice-presidente.

Um dia antes de Duterte cessar funções, a Comissão do Mercado de Valores das Filipinas revogou o registo do Rappler, alegando violações às restrições ao investimento estrangeiro nas Filipinas, e ordenou o encerramento do portal de notícias. A decisão foi contestada judicialmente.

China avisa EUA de que “reagirá firmemente” a provocações na questão de Taiwan

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O general do Exército chinês Li Zuocheng alertou na sexta-feira que a “China reagirá firmemente caso seja provocada” na questão de Taiwan, durante uma conversa com o presidente do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Mark Milley.

Li salientou que, “em questões que dizem respeito aos principais interesses da China, incluindo Taiwan, não há espaço para compromissos ou concessões”, de acordo com o comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa chinês. “Quem nos provocar vai descobrir que a China reagirá com firmeza”, disse.

De acordo com Li, se os Estados Unidos “mantiverem a sua palavra de não apoiar a ‘independência de Taiwan’ ou não procurarem conflitos com a China, ambos os países poderão cooperar de formas mutuamente benéficas”.

“Neste momento, ambos os Exércitos devem comportar-se de forma racional e objetiva, com uma atitude de respeito mútuo, e fortalecer ainda mais o diálogo, gerir os riscos e promover a cooperação”, disse o general chinês durante a reunião virtual.

Li sublinhou que “os Estados Unidos devem respeitar os acordos já alcançados para não minarem a estabilidade no Estreito de Taiwan”. “Os militares chineses salvaguardarão firmemente a sua soberania nacional e integridade territorial”, disse.

De acordo com o comunicado, os dois lados concordaram que é do seu interesse “evitar gerar conflitos e confrontos” e “manter a comunicação”.

O Exército chinês realizou vários exercícios nas águas “perto da região de Taiwan” nos últimos dias, informou a imprensa local. Segundo o coronel chinês Shi Yi, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, “os atos provocativos norte-americanos na questão de Taiwan são em vão e só conseguirão perturbar a paz e aumentar a tensão regional”.

“É por isso que as nossas tropas estão sempre em alerta e continuam a preparar-se e a treinar. Eles estão prontos a qualquer momento para salvaguardar a nossa segurança e soberania e impedir qualquer tentativa que leve à ‘independência de Taiwan’”, disse.

EUA pedem à China que condene Russia pela invasão

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Os Estados Unidos manifestaram no sábado à China preocupação pelo seu alinhamento com a Rússia e pediram a Pequim que condene Moscovo pela invasão da Ucrânia, anunciou o chefe da diplomacia norte-americana, Anthony Blinken.

“Pequim diz que é neutra, mas eu digo-lhes que é muito difícil permanecer neutro perante tal agressão”, disse Blinken na ilha indonésia de Bali após uma reunião com o seu homólogo chinês, Wang Yi, segundo a agência espanhola EFE.

Blinken e Wang estiveram reunidos durante cinco horas, um dia após o fim da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G20 sobre a guerra na Ucrânia e os seus efeitos na economia a nível global.

A guerra na Ucrânia foi desencadeada pela Rússia, quando invadiu o país vizinho em 24 de fevereiro deste ano. Blinken disse que a China “continua a proteger” a Rússia “nas organizações internacionais e a fazer eco da sua propaganda”.

“Este é realmente o momento em que todos precisamos de nos levantar, como fez um país do G20 após outro, para condenar a agressão e exigir, entre outras coisas, que a Rússia permita o acesso a alimentos bloqueados na Ucrânia”, disse Blinken, citado pela agência francesa AFP.

A Rússia esteve representada na reunião de Bali pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov. A reunião de dois dias do G20 terminou sem uma declaração conjunta sobre o fim da guerra ou a forma de lidar com o seu impacto na segurança alimentar e energética.

No entanto, Blinken disse acreditar que a Rússia saiu de Bali isolada e sozinha, referindo que a maioria dos participantes expressou oposição à guerra na Ucrânia. “Houve um forte consenso e a Rússia ficou isolada”, disse Blinken, segundo a agência norte-americana AP.

Na quinta-feira, os ministros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) boicotaram o jantar de boas-vindas, em protesto contra a participação de Lavrov na reunião em Bali.

A reunião realizou-se em Nusa Dua, Bali, por a Indonésia exercer atualmente a presidência do grupo das 20 economias mais desenvolvidas ou em desenvolvimento.

Blinken disse que não viu em Bali qualquer sinal de cooperação por parte da Rússia e observou que Lavrov saiu mais cedo da reunião, possivelmente porque não gostava do que ouvia dos seus homólogos.

“Era muito importante que ele [Lavrov] ouvisse alto e claro de todo o mundo a condenação da agressão da Rússia”, comentou.

No longo encontro com Wang, Blinken disse ainda que transmitiu a “profunda preocupação” de Washington com a pressão militar de Pequim sobre Taiwan, a ilha com um governo próprio que Pequim considera parte do seu território.

“Manifestei a profunda preocupação dos Estados Unidos com a retórica e atividades cada vez mais provocatórias de Pequim em relação a Taiwan e a importância vital de manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”, disse Blinken.

Apesar das divergências Blinken mostrou-se satisfeito com as conversações com Wang. “Posso dizer com alguma confiança que as nossas delegações consideraram as discussões de hoje úteis, francas e construtivas”, acrescentou.

Além dos países do G7, participam na reunião os chefes da diplomacia de África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia, Turquia e União Europeia.

Macau praticamente fechado. Quem não usar máscara arrisca prisão

HM
Até dia 18 de Julho, todos os serviços não essenciais vão estar encerrados, incluindo casinos. Os cidadãos são obrigados a ficar em casa, salvo para comprar bens essenciais ou por motivos de trabalho necessário, devendo sempre usar máscaras KN95. A violação das regras pode ser “punida com uma pena de prisão de até dois anos ou até 240 dias de multa”. André Cheong diz que não estamos em confinamento geral

 

Desde a meia-noite de hoje, todas as actividades comerciais e serviços não essenciais, incluindo casinos, estão encerrados, anunciou no sábado o Governo, através de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo. Além disso, a não utilização de máscaras KN95 ou “de padrão superior” e a permanência na rua está proibida.

“[Entre] 11 a 18 de Julho, vão ser suspensos todos os serviços comerciais, mantendo alguns serviços essenciais aos cidadãos, para melhor controlar a transmissão da epidemia”, disse o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, citando o despacho assinado por Ho Iat Seng, durante a conferência de actualização sobre a covid-19.

De acordo com o despacho, do lado das excepções, estão “serviços públicos essenciais” como o fornecimento de água, energia eléctrica, gás natural e combustíveis, serviços de telecomunicações, transportes públicos e recolha de lixo. Durante a semana que agora começa, estarão ainda em funcionamento hotéis, serviços de limpeza e higiene, administração predial, comércio por grosso e transportes de bens básicos para a vida quotidiana.

Quer isto dizer que apenas mercados, supermercados, restaurantes (em regime de take-away), farmácias, estabelecimentos de cuidados de saúde e “estabelecimentos que tenham sido autorizados excepcionalmente pelos serviços competentes”, estarão de portas abertas ao longo desta semana. Dentro dos espaços que permanecem abertos a lotação é limitada.

Por outro lado, casinos, lojas e outros serviços estarão obrigatoriamente suspensos, mantendo-se encerrados cinemas, salões de beleza, bares, cabeleireiros, piscinas e outros espaços de entretenimento e lazer.

Ho Iat Seng “exige” ainda que “todas as pessoas permaneçam no domicílio, salvo por motivos de trabalho necessário e compra de bens básicos para a vida quotidiana ou por outros motivos urgentes”. Quando na rua, os adultos estão obrigados a usar máscaras do tipo KN95 ou de padrão superior. Já os menores podem usar máscaras de outros padrões, “quando as condições não permitam”.

Rua dos pecadores

André Cheong realçou ainda que “desta vez” a permanência em casa ou a utilização da máscara não são “um apelo”, mas uma “exigência legal”, sendo que a violação destas regras pode ser “punida com uma pena de prisão de até dois anos ou até 240 dias de multa”. “Desta vez não se trata de um apelo. Através do despacho do Chefe do Executivo temos um instrumento legal para implementar estas medidas. Estas medidas são coercivas”, começou por dizer, segundo a TDM Canal-Macau.

“Fazer desporto fora de casa e passear no jardim não são actividades (…) essenciais para uma pessoa e, por isso, são consideradas ilegais, ou seja, as pessoas não podem fazer isso. Quem precisa de se deslocar, ao sair, tem de utilizar a máscara KN95. Caso contrário, haverá consequências jurídicas e penais porque, de acordo (…) com a lei de prevenção de doenças transmissíveis, ao violar essas regras [os infractores] podem ser punidos até dois anos de prisão ou 240 dias de multa”, explicou.

O comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Leong Man Cheong, acrescentou ainda que serão enviadas “mais forças para patrulhar as ruas” e abordar os cidadãos “procurando saber o motivo para estarem na rua”. No entanto, assegurou, que antes de executar a lei, será feito “um apelo”. Contudo, na mesma ocasião, o secretário frisou que as medidas não constituem um confinamento geral.

“Esperamos ter um estado relativamente (…) confinado, mas não estamos a aplicar a gestão comunitária circunscrita. Não é um lockdown. Esperamos, através da colaboração dos estabelecimentos e da população, poder diminuir, ao máximo, a mobilidade na sociedade. Daí que o cumprimento deste despacho tem exigências muito claras (…) através da fiscalização nós exigimos o fecho total de certos estabelecimentos. Para os residentes também existe uma exigência legal, mas a sua execução não exige medidas muito rigorosas. Não há problema se uma pessoa sair à rua para fazer compras no supermercado”, disse.

Maldito tufão

Questionada sobre se a obrigatoriedade de participar nas quatro rondas de testes em massa [ver texto] não seria de certa forma uma contradição perante a proibição de sair de casa, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, rejeitou a ideia. “É obrigatório continuar com esta medida dos testes em massa, pois é um meio essencial para detectar casos positivos e interromper a cadeia de transmissão”, apontou.

Além disso, Ao Ieong U referiu que a “gestão relativamente estática” de Macau só não foi aplicada antes, devido à passagem do tufão Chaba e à incapacidade de reunir condições ao nível dos recursos humanos para “realizar testes de ácido nucleico de forma massiva e intensa”. “Naquele momento, não era altura adequada para aplicar a gestão de relativa ‘paragem’ em Macau”, disse segundo um comunicado oficial.

A secretária disse ainda que as autoridades do Interior da China enviaram 650 trabalhadores para apoiar na recolha de amostras das testagens em massa.

 

Testes em massa | Mais quatro rondas até domingo

As autoridades de saúde anunciaram na sexta-feira quatro novas rondas de testagem massiva da população, a realizar até ao próximo dia 17 de Junho. A primeira ronda de testes começou ontem e decorre até às 18h de hoje, com a segunda ronda a acontecer entre amanhã e quarta-feira. A terceira ronda decorre na quinta e sexta-feira, ao passo que a quarta ronda poderá ser feita entre sábado e domingo. A realização diária de testes rápidos de antigénio continua a ser obrigatória. Com esta decisão, o número de testagens massivas vai totalizar dez num só mês, uma estratégia que, segundo o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, visa “atingir zero casos, para a vida voltar ao normal”, salientou.

Aviação | Garantidos voos para o exterior

O secretário para a Administração e Justiça, André Cheong garantiu na sexta-feira que, apesar do confinamento parcial de Macau, o transporte aéreo de mercadorias está assegurado e continua a ser possível viajar para o exterior, via Singapura, a partir de Macau. “Sobre o funcionamento do aeroporto, os voos de mercadorias mantêm-se, mas esses voos têm também de cumprir rigorosas medidas de prevenção. Sobre os voos de passageiros, temos três voos semanais para Singapura. Estes voos continuam e estão também sujeitos à aplicação de medidas rigorosas. Tanto a tripulação como os passageiros, têm de continuar a cumprir essas medidas”, apontou o secretário.

Lei Wai Nong | Paragem forçada pode implicar cortes salariais

O secretário para a economia e finanças, Lei Wai Nong, admitiu no sábado que a suspensão das actividades não essenciais ao longo da semana, poderá implicar cortes salariais para os trabalhadores envolvidos nesses serviços. Isto, dado que legalmente os empregadores não estão obrigados a pagar os dias em que estes não comparecem no trabalho, apesar de as faltas estarem justificadas. “De acordo com a Lei das Relações de Trabalho, os empregadores não precisam pagar a respectiva remuneração, mas nós incentivamos as empresas (…) a ficar com os empregados. Creio que muitas empresas podem dar condições melhores do que as previstas na lei”, explicou.

Empregadas domésticas | Circulação livre para trabalhar

Dado terem sido classificadas como “trabalhadoras essenciais”, as empregadas domésticas poderão circular livremente para ir trabalhar, ao longo da semana. A garantia foi dada pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong. “Sobre as empregadas domésticas, os Serviços de Saúde já tinham apelado para os empregadores darem condições para (…) poderem ficar nas suas casas. Se não tiverem essas condições, as empregadas domésticas podem circular entre a sua casa e a casa dos empregadores, pois é essencial para o funcionamento da sociedade e, por isso, não vai haver nenhuma proibição. Cuidar dos idosos e das crianças é um serviço essencial para as famílias”, referiu.

Sri Lanka | Presidente e PM pedem demissão. EUA apelam à estabilidade

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Os Estados Unidos pediram hoje aos futuros dirigentes do Sri Lanka que “trabalhem rapidamente” para restaurar a estabilidade económica e serenar o descontentamento popular, depois do Presidente e do primeiro-ministro do país terem anunciado a demissão.

Washington espera que os novos líderes do Governo do Sri Lanka “trabalhem rapidamente para identificar e implementar soluções que tragam estabilidade económica a longo prazo e acalmem o descontentamento popular”, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, em Banguecoque, capital da Tailândia, onde se encontra de visita o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken.

Washington também alertou os apoiantes do Governo contra ataques a manifestantes ou jornalistas, deixando ainda críticas a violência que eclodiu no sábado, quando multidões invadiram a residência presidencial.

“O povo do Sri Lanka tem o direito de levantar pacificamente a voz, e exigimos uma investigação completa, a prisão e o julgamento de qualquer pessoa envolvida em qualquer incidente violento relacionado com os protestos”, referiu o porta-voz.

O presidente do Parlamento do Sri Lanka, Mahinda Yapa Abeywardene, anunciou no sábado que o Presidente do país, Gotabaya Rajapaksa, o contactou para informar que se demitirá do cargo na próxima quarta-feira.

Segundo fontes citadas pelos ‘media’ do país asiático, Rajapaksa informou sobre a decisão através de um contacto privado e pediu-lhe um prazo até quarta-feira para preparar a transição e concluir assuntos pendentes, indicou o diário local Daily Mirror.

As principais forças políticas do Sri Lanka concordaram que será o presidente do Parlamento a assumir a chefia do Estado na sequência da demissão de Rajapaksa, de acordo com a Constituição, e durante um período de um mês até à eleição de um novo Presidente.

A revolução popular que eclodiu no sábado no Sri Lanka forçou à demissão do dirigente, que anunciou a renúncia ao cargo após ceder às pressões de múltiplas frentes, desde formações políticas e associações civis, pela incapacidade em confrontar a pior crise económica da história do país.

Rajapaksa acabou por ceder após meses de protestos pela falta de alimentos e combustível, e que derivaram numa crítica generalizada à sua atuação, com acusações de corrupção e nepotismo, após colocar o irmão Mahinda no cargo de primeiro-ministro, e até ser forçado a demiti-lo em maio passado sob intensa pressão popular.

Ranil Wickremesinghe, um antigo rival de Rajapaksa e que sucedeu a Mahinda numa última tentativa para solucionar a crise, tinha-se demitido algumas horas antes para permitir a formação de um governo de concertação que terá como principal objetivo a convocação de novas eleições.

Apesar da decisão de Wickremesinghe, um grupo de manifestantes incendiou a sua residência privada, horas depois de milhares de pessoas terem invadido as residências oficiais do Presidente e do primeiro-ministro.

A tensão e o descontentamento aumentaram no país no final de março, quando as autoridades impuseram cortes de energia de mais de 13 horas, o que levou a população a sair às ruas para exigir a demissão do Governo do Sri Lanka.

Desde essa altura, centenas de manifestantes instalaram-se nos arredores do edifício presidencial, em Colombo, e protestos pacíficos em todo o país multiplicaram-se, enquanto as autoridades tentam chegar a um acordo de resgate com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

China apresenta condolências pela morte de Shinzo Abe. Japoneses começaram hoje a votar para o Senado

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Os japoneses começaram hoje a votar para renovar metade do Senado do país, dois dias após o assassínio do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe durante um comício da campanha eleitoral. O Partido Liberal Democtata (PLD), do qual Abe era uma das principais figuras, é dado como grande favorito nas eleições de hoje.

O primeiro-ministro (PLD) denunciou o ataque “bárbaro” contra o seu antigo mentor, insistindo na importância de “defender eleições livres e justas, que são o fundamento da democracia”. “Nunca cederemos à violência”, disse.

A morte a tiro de Abe, um dos políticos mais conhecidos do arquipélago, chocou o Japão e o estrangeiro, com mensagens de condolências a chegarem do mundo inteiro, incluindo a China e a Coreia do Sul, com quem o Japão tem muitas vezes relações conturbadas.

O suposto autor do ataque, detido no local, confessou ter alvejado deliberadamente o ex-primeiro-ministro, explicando à polícia que estava zangado com uma organização à qual acreditava que Abe estava filiado. Alguns meios de comunicação japoneses mencionaram um grupo religioso.

O homem, de 41 anos e chamado Tetsuya Yamagami, é um ex-membro da marinha japonesa e encontrava-se desempregado desde maio, quando deixou de trabalhar numa empresa industrial em Kansai, no centro-sul do país.

Abe foi primeiro-ministro em 2006-2007 e, depois, de 2012 a 2020, tendo sido o chefe de Governo mais jovem do pós-guerra, aos 52 anos, o primeiro nascido depois da Segunda Guerra Mundial e o que esteve mais tempo no cargo.

Suspeito confessou crime

O suspeito detido pelo assassinato do antigo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe confessou ter cometido o crime, disse na sexta-feira um oficial da polícia da região de Nara. “O suspeito disse guardar rancor contra uma certa organização e confessou ter cometido o crime porque acreditava que o antigo primeiro-ministro Abe estava relacionado com ela”, declarou o oficial aos jornalistas, sem adiantar mais pormenores.

Segundo a polícia nipónica, o suspeito é um desempregado de 41 anos, Tetsuya Yamagami, que indicou aos investigadores ter utilizado uma arma artesanal. “É o que o suspeito afirma e determinámos que [a arma utilizada] aparenta claramente ser artesanal, mas a nossa análise ainda está em curso”, afirmou um agente.

China e EUA apresentam condolências

O Presidente chinês, Xi Jinping, expressou no sábado as “profundas condolências” ao primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, pelo assassinato do antigo líder Shinzo Abe, anunciou a emissora estatal chinesa CCTV.

“Em nome do Governo e do povo chineses, e em seu nome, Xi Jinping expressou as suas profundas condolências após a morte prematura do antigo primeiro-ministro Shinzo Abe”, apontou a CCTV, acrescentando que Xi Jinping ficou “profundamente entristecido com a morte súbita” do antigo líder.

Por sua vez, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, viaja esta segunda-feira até ao Japão para apresentar condolências pela morte do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado na sexta-feira durante um comício eleitoral, anunciaram as autoridades dos EUA.

Blinken, que se encontra hoje na Tailândia, “apresentará as condolências ao povo japonês” durante reuniões com membros das autoridades nipónicas, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Shinzo Abe, o líder japonês que resistiu a escândalos e bateu recordes de longevidade

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O ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, baleado hoje na cidade de Nara, bateu recordes de longevidade na liderança do país e resistiu a numerosos escândalos políticos e financeiros que envolveram também a sua família.

Abe, de 67 anos, deixara há quase dois anos o cargo de primeiro-ministro por razões de saúde. O nacionalista pragmático tinha 52 anos quando se tornou chefe de Governo pela primeira vez em 2006, o mais jovem da história do seu país no pós-guerra.

Deixou a sua marca durante o segundo mandato (2012-2020) com uma política ousada de recuperação económica e uma intensa atividade diplomática.

O ex-primeiro-ministro japonês chegou a pedir desculpas em 2020 no Parlamento por um escândalo relacionado ao financiamento de receções organizadas para os seus partidários, apesar da Justiça ter decidido não apresentar acusações contra Abe.

Antes, a reptação de Shinzo Abe e da mulher, Akie, assim como a do então ministro das Finanças, ficaram manchados depois de os seus nomes terem sido removidos de documentos relacionados com a venda de um terreno do Estado, a um preço quase dez vezes inferior ao do mercado, a favor de uma instituição educativa privada com ligações a Abe e à mulher.

No Verão de 2020, quando se tornara impopular devido à gestão da pandemia de covid-19, considerada desastrosa pela opinião pública, admitiu que sofria de uma doença inflamatória intestinal crónica, colite ulcerosa, e demitiu-se pouco tempo depois. Esta doença tinha já sido uma das razões para o fim abrupto do primeiro mandato em 2007.

Shinzo Abe tornou-se conhecido a nível internacional sobretudo pela política económica, apelidada de “Abenomics”, lançada no final de 2012 e que combinava a flexibilização monetária, estímulos fiscais maciços e reformas estruturais.

Conseguiu alguns êxitos, tais como um aumento significativo da taxa de participação das mulheres e dos cidadãos idosos na força de trabalho, bem como um maior recurso à imigração face à escassez de mão-de-obra.

No entanto, sem reformas estruturais suficientes, a ‘Abenomics’ só produziu êxitos parciais.

A sua ambição última era a de rever a Constituição pacifista japonesa de 1947, escrita pelos ocupantes norte-americanos e não mais mais alterada desde então.

Tendo construído parte da sua reputação com base na posição dura sobre a Coreia do Norte, Abe também assumiu um Japão descomplexado com o passado: em particular, recusou-se a carregar o fardo do arrependimento pelos abusos do exército japonês na China e na península coreana na primeira metade do século XX.

No entanto, absteve-se de visitar como primeiro-ministro o santuário Yasukuni de Tóquio, um foco do nacionalismo japonês, depois da sua visita a esse templo no final de 2013 ter indignado Pequim, Seul e Washington.

As relações entre Tóquio e Seul deterioraram-se no contexto das suas disputas históricas, enquanto que as relações com Pequim, que pioraram, continuam tensas.

Com o grande aliado do Japão, os Estados Unidos, Abe sempre se adaptou e tinha conseguido estabelecer laços estreitos com o ex-Presidente norte-americano Donald Trump, com quem partilhava uma paixão pelo golfe.

Shinzo Abe também tentou não hostilizar o Presidente russo, Vladimir Putin. A esperança de resolver a disputa sobre as Ilhas Kuril do Sul, anexadas pela União Soviética no final da Segunda Guerra Mundial e que não mais regressaram à soberania do Japão, fracassaram.

O ex-governante também tentou reforçar a presença do Japão na cena internacional, por exemplo, através da mediação entre o Irão e os EUA, promovendo o multilateralismo e aumentando os acordos de comércio livre.

Para permanecer no poder, Abe beneficiou largamente da ausência de um sério rival dentro do seu partido político, o Partido Liberal Democrático (LDP, direita nacionalista), e da fraqueza da oposição, que ainda não recuperou da desastrosa passagem no poder entre 2009 e 2012.

Algumas leis aprovadas por Abe, nomeadamente sobre o reforço da proteção dos segredos de Estado, a expansão das missões das Forças de Auto-Defesa Japonesas e o reforço da luta contra o terrorismo, causaram controvérsia no Japão, levando mesmo a grandes manifestações, raras no país.

Por outro lado, manteve-se durante muito tempo focado na esperança de organizar os Jogos Olímpicos de Tóquio no Verão de 2020, que seria o ponto alto do seu último mandato, contrariando a maioria da opinião pública. Os Jogos Olímpicos de Tóquio acabaram por ter lugar um ano mais tarde, à porta fechada. Curiosamente, o primeiro-ministro que mais tempo tinha ficado no cargo antes dele foi seu tio-avô, Eisaku Sato – entre 1964 a 1972.

Ex-primeiro ministro japonês sem sinais de vida após ataque em comício

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O antigo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe foi hoje alvo de um ataque durante um comício na cidade de Nara, e não apresenta sinais de vida, de acordo com a emissora pública nipónica NHK, que cita fonte dos bombeiros locais.

Shinzo Abe participava num comício eleitoral do Partido Liberal Democrático (PLD) para as eleições parlamentares de 10 de julho, quando foram ouvidos tiros, disse a emissora estatal NHK e a agência noticiosa Kyodo.

Abe, de 67 anos, foi transportado de ambulância para um hospital perto da estação Kintetsu Yamato-Saidaiji, acrescentou o jornal Yomiuri Shimbun. Um repórter desta publicação diária disse que, após ouvir o som de um disparo, o ex-primeiro-ministro caiu no chão inconsciente.

Fonte do PLD realçou à agência de noticias japonesa Jiji que o político japonês encontrava-se a sangrar do pescoço. Nem o PLD nem a polícia local confirmaram a informação quando contactados pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A emissora NHK relatou, por sua vez, que quando Shinzo Abe foi transportado para o hospital, aparentava estar em paragem cardiorrespiratória – um termo utilizado no Japão para indicar a ausência de sinais de vida, notou a AFP.

Vários meios de comunicação social relataram que Abe terá sido alvejado pelas costas. A NHK relatou ainda que um homem de cerca de 40 anos foi detido e apreendida uma arma de fogo, mas não divulgou detalhes sobre o alegado suspeito. Horas mais tarde, foi anunciado que o suspeito é um desempregado de 41 anos e ex-membro da força naval do país, anunciou a polícia japonesa.

Yamagami Tetsuya, originário de Nara, foi detido no local do atentado, enquanto segurava uma arma com a qual terá disparado dois tiros contra o antigo líder japonês. Segundo fontes do Ministério da Defesa japonês, o alegado agressor trabalhou no ramo naval das Forças de Auto-defesa por três anos, até 2005.

Governo do Japão condena ataque

O Governo japonês condenou o ataque ao antigo primeiro-ministro Shinzo Abe. “Esta barbárie não pode ser tolerada, independentemente da razão da pessoa, por isso condenamo-la fortemente e faremos o nosso melhor para ajudar”, disse o porta-voz do Governo nipónico, Hirokazu Matsuno.

Matsuno não deu mais informações sobre a saúde de Abe, que os serviços de emergência disseram estar em paragem cardiorrespiratória quando foi transportado para um hospital. O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, cancelou a agenda eleitoral e está a caminho de Tóquio.

A ex-ministra do Interior e das Comunicações do Japão, Sanae Takaichi, também condenou o ataque, dizendo que espera que Abe esteja vivo e que “não perdoa o terrorismo político”, enquanto o ministro da defesa no tempo de Abe, Satoshi Nakanishi, disse que “o terrorismo e a violência não devem ser perdoados”.

“Estamos tristes e chocados com o ataque ao antigo primeiro-ministro. Abe foi um líder notável para o Japão e um aliado inabalável dos Estados Unidos”, disse o embaixador dos EUA em Tóquio, Rahm Emanuel.

Shinzo Abe esteve em funções como primeiro-ministro do Japão em 2006 durante um ano e novamente de 2012 a 2020.

Desmascarados

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Quase três anos depois, voltei a fazer uma viagem internacional, a minha segunda travessia aérea do Pacífico: por inusitados motivos profissionais vi-me pela primeira vez – e última, provavelmente – no famigerado arquipélago do Havai, que até parece estranho escrito assim, com a grafia portuguesa, mas que é globalmente promovido e reconhecido como oásis para férias de verão, paraíso prometido na terra, areia, mar, palmeiras, bom clima e todos os confortos para viajantes que apreciem os prazeres do estio e os decorrentes modos de vida, de recreio e de consumo.

Foi naturalmente a minha primeira visita a um destes lugares que se vão designando como “pós-covid”, não porque o vírus tenha desaparecido ou porque se tenha desenvolvido uma qualquer forma de imunidade colectiva, mas porque deixou de ser obrigatório o uso de máscaras de protecção e se voltou a uma convivência “cara a cara”, sem as barreiras higiénicas que o vírus impôs em todo o mundo – e ainda impõe no Japão, onde vivo.

Na realidade, são muito semelhantes os números de novos casos diários na cidade onde resido e na cidade de Honolulu, onde passei uma pacata semana. A diferença está nas cautelas que ainda se seguem ou já se deixaram de seguir: em Hiroshima, toda a gente, sem excepção, continua a usar máscara de protecção; em Honolulu, nem sequer quem trabalha em cafés, restaurantes ou pequeno comércio utiliza (com poucas excepções). Nas ruas, além de mim, foram raríssimas as pessoas que vi com máscara.

Pela parte que me toca, dispenso o risco, ainda que fosse certamente mais agradável voltar a fazer parte desse mundo desmascarado que se vai recompondo. O regresso a casa pressupunha a apresentação à chegada de um teste-covid negativo, além dos problemas acrescidos de uma eventual infecção num sítio onde não sou residente.

Por isso me mantive entre esses certamente menos de 1 por cento da população que usava máscara. Diga-se que nem por isso senti qualquer tipo de pressão ou condicionamento por não estar a seguir o padrão social dominante.

Esse padrão dominante tem outras características: como na generalidade dos sítios com localização costeira e fortes tradições balneares, vive-se num território ultra urbanizado, com um modelo urbano que se vai repetindo ao longo da costa com formas diversas mas com estruturas e funções muito semelhantes: praia, hotéis, centro comercial, mais lojas, cafés. Com ligeiras variações ao longo dos 3 quilómetros da praia de Waikiki, foi por aqui que me entretive à beira mar, mais interessado nas águas mornas do Pacífico do que nas multidões turísticas na sua voragem consumista.

Os preços, aliás, não enganam: o custo do alojamento, o dos cafés e restaurantes, o das lojas e até o dos supermercados estão muitíssimo acima daquilo que é o meu padrão quotidiano. As mais destacadas marcas do universo da moda contemporânea têm também aqui as suas lojas e assinalam um certo padrão de consumo ao qual não é fácil escapar: pode não se comprar roupa nestes estabelecimentos mas em algum sítio se terá que comer, por preços altos ou muito altos, mas nunca por menos que isso.

Há, no entanto, um pormenor que é semelhante ao do comércio, restauração e hotelaria em outras destinos turísticos com características estivais semelhantes, mesmo que tenham menos prestígio e gabarito internacional (como seja, por exemplo, o Algarve): em quase todas as lojas, restaurantes, hotéis e centros comerciais se encontram anúncios a anunciar postos de trabalho disponíveis. Conclui-se facilmente que têm dificuldades, estes diligentes empresários, em encontrar pessoas para trabalhar.

Não havendo especiais notícias sobre escassez de população e de mão-de-obra no Havai e tratando-se de uma área comercialmente tão atractiva e dinâmica, surpreende esta generalizada procura de pessoas para trabalhar, que percorre quer os estabelecimentos mais luxuosos, quer os de gama média que por ali se encontram. Ocorre então perguntar, como se estivéssemos em Portugal: então e se pagassem salários decentes?

Ficamos sem saber, naturalmente, o que aconteceria nessa economia da decência: sabemos é que aqueles empregos, com os salários que se praticam, são manifestamente desinteressantes para a população local. Não é um problema de subsídio-dependência ou de preferência por um qualquer rendimento mínimo garantido: é a rejeição possível do trabalho sem condições que se vai oferecendo, sabendo-se que há sempre alguém que o vai aceitar – é a chantagem sistemática da ameaça do desemprego e não uma qualquer forma de dependência de parcos subsídios.

Basta passear pelas ruas mais próximas da famigerada praia de Waikiki, abarrotada de fregueses com generosas carteiras e magníficos cartões de crédito, para se ver que as soluções que se encontram para os postos de trabalho necessário são as mesmas que se encontram – e que na realidade se procuram cada vez mais – em Portugal e noutras paragens: pessoas imigrantes, neste caso do sudoeste asiático, para quem os parcos salários recusados pela juventude norte-americana constituem generosa compensação que não encontrariam nos lugares de onde partiram. Vivem certamente mal, longe da praia e do conforto da massa de turistas que abarrota os hotéis e os espaços públicos – mas ainda assim é uma vida melhor do que a que tinham antes.

É também disto que se vai fazendo a globalização: circulam os capitais por circuitos mais ou menos opacos para se valorizarem em mercados especulativos diversos; recusam-se salários decentes; explora-se a miséria de quem procura vida melhor onde for possível; acumulam-se riquezas cada vez maiores em cada vez menos pessoas.

Podem até as ruas sugerir um certo ar de prosperidade e modernidade mas basta olhar para quem trabalha para se verificar a habitual e ancestral brutalidade da exploração. São negócios facilmente desmascarados.

Animais Fantásticos da China XXI – A Feiyi

Ana Jacinto Nunes

Alguns animais pertencem a um só lugar, pois as suas características estão intimamente ligadas à terra onde nasceram. São, pois, incapazes de surgir como habitantes de outros territórios. Uma vez nascidos, para sempre ali ficam como se existisse uma lei natural que os impedisse de noutro sítio existir. O mesmo fenómeno ocorre com as plantas.

Contudo, outros bichos existem que não se eximem de percorrer o mundo e são mesmo capazes de se adaptar a outros habitates. É o caso da feiyi, uma bela serpente, cujas quatro asas implantadas no seu dorso lhe permitem voar pelos céus, feito que executa com vívido prazer.

Um dos lugares onde podemos encontrar uma feiyi é na Montanha do Grande Lótus (assim denominada por causa da sua forma). E repare-se que esta bela mas inóspita montanha não acolhe plantas ou animais, à excepção desta extraordinária cobra, capaz de sobreviver num sítio cuja míngua todos os outros animais assusta.

Avistar uma feiyi é, para alguns da escola pessimista de Wuhan, sinal de que uma tremenda seca assolará o país. Já as escolas de Emei adoptam uma postura radicalmente diferente, entendendo a feiyi como um sinal de que algo positivo ocorrerá. E lembram o episódio em que Tang, o primeiro rei da dinastia Shang, ainda antes de adquirir o mandato do Céu, terá avistado uma feiyi, facto interpretado como sinal de desgraça para a moribunda dinastia Xia.

Bom ou mau presságio, a feiyi tem sido vista em diversas lugares e por variadas ocasiões. Numa lenda taoista, a feiyi aparece ligada ao culto da imortalidade e à beberragem capaz de proporcionar outras dimensões à vida. Não é claro se ela é capaz de produzir o tão almejado elixir ou se ela conduz um mestre à fonte de onde brota o licor que nos torna transcendentes, precisamente situada na Montanha do Grande Lótus.

De igual e desgraçado modo, não sabemos de alguém que tenha experimentado o elixir da imortalidade – ou porque esses felizardos migram para as ilhas do imortais; ou porque vivem discretamente entre os comuns mortais sem alardear a sua relevante condição. Ao que sabemos, a própria feiyi busca continuamente fontes sábias de onde haurir vida. Quando as encontra, nelas se enrosca e suga-as até não restar uma gota.

Daí que mestre Zuo tenha erguido perguntas, cujas dimensões se confundem com a própria grande muralha: “Por que precisa um ser imortal de continuamente procurar outras fontes de imortalidade? Não será o seu estado perene e infinito? Precisará este ser de ciclicamente renovar a sua condição? Poder-se-á ser imortal mas não para sempre?”

USJ | Conferência sobre media digitais acontece em Novembro



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A Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José acolhe, nos dias 24 e 25 de Novembro, a ARTeFACTo 2022 Macao, uma conferência focada para a área dos media digitais e criatividade ligada ao mundo informático. A instituição privada de ensino superior já está a aceitar propostas de académicos, investigadores e criativos das áreas da cultura, arte ou educação

 

Chama-se ARTeFACTo 2022 Macao e é a próxima conferência organizada pela Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José (USJ). Agendada para os dias 24 e 25 de Novembro, a conferência pretende dar visibilidade a uma série de investigações e projectos na área dos media digitais e na criação de artefactos tecnológicos. Segundo uma nota de imprensa, projectos nas áreas da cultura, arte ou educação, entre outras, bem como iniciativas artísticas, podem ser submetidas para apreciação, a fim de virem a integrar o programa da conferência.

O principal objectivo desta palestra é revelar outras realidades emergentes no mundo digital, bem como “promover o interesse na actual cultura dos media digitais e na sua intersecção com a arte, comunicação e tecnologia como áreas de investigação”. Pretende-se mostrar trabalhos que se foquem na conceptualização, design, processos de prática e investigação ou virados para a criatividade e para o mundo artístico. A ideia é depois mostrar a ligação que existe entre essas vertentes com uma sociedade de informação e de comunicação.

Espaço comum

Realizada com um modelo híbrido (presencial e online), a ARTeFACTo 2022 Macao pretende dar visibilidade aos que criam artefactos digitais e aos académicos desta área, a fim de estabelecer “um espaço comum para a discussão e troca de novas experiências”, ao mesmo tempo que se promove “uma melhor compreensão sobre as artes digitais e a cultura num espectro abrangente em termos de práticas culturais, profissionais e disciplinares”.

A ARTeFACTo vai contar com um painel artístico e científico, de nível internacional, com oradores e especialistas das mais variadas disciplinas. A ideia é que, com a ARTeFACTo, se possa dar a conhecer trabalhos de investigação, instalações, vídeos ou posters de trabalhos e investigações em curso.

Suncity Group | Valor das acções triplica com divulgação de novo accionista maioritário

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O anúncio de que Andrew Lo passou a ser accionista maioritário do Suncity Group impulsionou as acções do grupo fundado por Alvin Chau para ganhos de quase 200 por cento. O novo CEO do grupo, e “partes que com ele actuam”, assumiram assim a carteira de acções detida anteriormente pelo arguido principal de um mega-processo cujo julgamento arranca em Setembro

 

Depois de terem sido retiradas da Bolsa de Valores de Hong Kong sucessivamente desde que Alvin Chau foi detido, o valor das acções do Suncity Group quase triplicou ontem após o anúncio de que Andrew Lo é o novo accionista maioritário.

O grupo empresarial emitiu um comunicado a indicar que Andrew Lo Kai Bong, que já ocupava o cargo de director-executivo, e “partes que com ele actuam” passaram a deter 74,89 por cento do capital social do Suncity Group, assumindo a carteira de acções detida anteriormente por Alvin Chau.

O documento acrescenta que a nova maioria está obrigada a fazer uma oferta respeitante a todas as emissões de acções da empresa, conforme exigido pelo Código de Aquisições de Hong Kong. É também acrescentado que Andrew Lo irá submeter a questão do que constitui um “preço apropriado para a oferta” de acordo com o Painel de Aquisições e Fusões da Bolsa de Valores de Hong Kong.

Sol nascente

Quase dois meses depois da última suspensão de transacções na Bolsa de Hong Kong, as acções do Suncity Group subiam ao meio-dia de ontem 182 por cento, colocando o valor do grupo em cerca de 130 milhões de dólares norte-americanos.

Alvin Chau fica assim afastado oficialmente do grupo que fundou, enquanto permanece no Estabelecimento Prisional de Coloane a aguardar julgamento, cuja primeira sessão de audiência está marcada para 2 de Setembro.

O antigo líder do Suncity Group é acusado de ter liderado uma sociedade secreta dedicada ao branqueamento de capitais e à promoção de jogo ilegal, tanto online como em apostas paralelas nos casinos de Macau. Alvin Chau foi detido em Novembro de 2021 e é um dos 21 arguidos envolvidos no caso. O processo está nas mãos da juiz presidente Lou Heng Ha.

Exclusão de pró-democratas deixou Macau sem “válvula de escape”

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A exclusão do campo pró-democracia das eleições parlamentares, há um ano, deixou Macau “sem válvula de escape” para a crescente insatisfação da população durante o actual surto de covid-19, afirmou Scott Chiang. Já o analista Sonny Lo caracteriza o papel da AL como “oposição leal”

 

Faz amanhã um ano que a comissão que gere as eleições para a Assembleia Legislativa (AL) excluiu cinco listas e 21 candidatos, 15 dos quais pró-democracia, por “não defenderem a Lei Básica da RAEM” e não serem “fiéis à RAEM”.

A decisão afastou o campo pró-democracia, que detinha quatro lugares na AL, deixando o parlamento com apenas duas vozes mais críticas do Governo, incluindo o português José Pereira Coutinho. “A missão de fiscalização que a Assembleia Legislativa deveria ter desapareceu por completo”, disse à Lusa Leon Ieong, professor de política na Universidade de Macau. A AL “está agora a desempenhar o papel de uma oposição leal”, contrapôs Sonny Lo Shiu-Hing.

O comentador político disse à Lusa que os deputados pró-democracia “eram incisivos em identificar assuntos e políticos”, mas garantiu que “ainda é possível ouvir diferentes vozes” no parlamento. Dando como exemplo a nova lei que regula a indústria do jogo, Sonny Lo defendeu que “os deputados discutiram a proposta de forma racional e aprofundada e houve algumas críticas ao Governo”.

Um dos candidatos pró-democracia excluídos, Scott Chiang Meng Hin, discorda: “A lei dos casinos foi aprovada num período relativamente curto, com pouca discussão e enormes consequências. Não vejo como é que a AL teve qualquer papel numa decisão marcante para Macau”.

O activista disse à Lusa que continua a haver deputados mais críticos na AL, mas que “o ambiente mudou por completo e o trabalho deles tornou-se mais difícil”.

“Os actuais deputados tendem naturalmente a ser mais cautelosos do que anteriormente nas suas acções e comentários em público, porque se forem abertamente críticos, podem arriscar uma desqualificação”, admitiu Sonny Lo.

Panela de pressão

Vários deputados contactados pela Lusa recusaram-se a comentar o impacto da exclusão do campo pró-democracia. A cautela é ainda mais necessária para “potenciais futuros candidatos ou candidatos desqualificados”, acrescentou Sonny Lo.

Também Leon Ieong disse acreditar que alguns dos candidatos excluídos em 2021 possam competir em futuras eleições, com a “pré-condição de demonstrarem a sua lealdade”.

“Segundo a mentalidade habitual da política chinesa, os termos ‘inimigo’ e ‘amigo” são relativos e alteráveis”, explicou o académico. Algo que não se irá alterar, disse Leon, é a certeza de que, “tal como no caso de Hong Kong, Macau tem agora censura política”.

Além disso, realçou o académico, a ausência de uma verdadeira oposição “vai também criar dificuldades extras para o Governo receber as opiniões da sociedade”.

“Os 30 anos do movimento pró-democracia em Macau foram um fracasso absoluto, mas pelo menos éramos bastante bons como uma válvula de escape para as preocupações das pessoas”, disse Scott Chiang. Uma ausência que se agudizou durante o actual surto de covid-19, acrescentou o activista. “As pessoas sentem-se muito frustradas, estão no limite da sanidade”, disse.

Apesar da proibição de manifestações devido à pandemia, na semana passada houve um protesto de trabalhadores da construção civil, impedidos de regressar a casa, na cidade vizinha de Zhuhai. “É impossível parar um protesto se as pessoas estiverem suficientemente zangadas. Com o tempo, haverá outras formas de oposição. Nesse sentido, estou optimista”, disse Scott.

CCP | Rita Santos reuniu com Marcelo Rebelo de Sousa 

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Rita Santos, na qualidade de representante do Conselho Regional da Ásia e da Oceania do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), reuniu com o Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, tendo abordado “questões como o ensino, divulgação e o uso diário da língua portuguesa em Macau como língua oficial”.

Além disso, Rita Santos defendeu também, segundo uma nota de imprensa, “o incremento das relações bilaterais através Comissão Mista entre Macau e Portugal”. A responsável abordou ainda o regresso do voo directo Lisboa-Macau ou via Banguecoque, sem esquecer os problemas de recursos humanos e salariais registados no Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa “realçou a importância do papel dos Conselheiros e das Comunidades Portuguesas no estrangeiro”.

De frisar que os restantes membros do CCP têm reunido, em Lisboa, com diversos partidos políticos, tendo debatido os problemas verificados com as eleições, nomeadamente a importância de implementar o voto electrónico. Foi sugerido o aumento do número de conselheiros das comunidades portuguesas de 80 para 100, “atendendo ao aumento de recenseamento automático de mais de 350 mil eleitores portugueses residentes nos Círculos da Europa e Fora da Europa para quase 1 500 000 eleitores”, entre outras matérias.

Neste encontro, Rita Santos criticou o facto de os programas eleitorais dos partidos “terem poucas referências em relação aos portugueses da diáspora, atendendo a que muitos eleitores no interior da China, Macau e Hong Kong não dominam a língua portuguesa”.

Registadas dificuldades na compra de bilhetes para autocarros dourados 

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Vários residentes têm relatado ao HM a dificuldade na compra de bilhetes para os autocarros dourados, a fim de se poderem deslocar directamente para o aeroporto de Hong Kong. Um residente, que pediu para não ser identificado, contou ter estado vários dias a tentar adquirir bilhete online para a próxima sexta-feira, dia 16, sendo que os ingressos esgotaram “em poucas horas” na quarta-feira. Após várias tentativas, o residente conseguiu comprar bilhete para esta segunda-feira. “Com a actual situação pandémica, e com voos três vezes por semana via Singapura, deveriam aumentar a oferta de bilhetes para os autocarros dourados”, defendeu.

O HM tem conhecimento de outro caso em que dois residentes não conseguem sair de Macau até domingo, por não terem conseguido adquirir o bilhete, temendo ficar no território caso a situação pandémica se agrave. Sara Ng, funcionária da agência de viagens Travel Agency, confirmou que tem recebido muitos pedidos de apoio para a marcação destes bilhetes.

Pedidos de ajuda

Uma vez que muitos residentes portugueses têm viagens de férias marcadas para este período, o HM contactou o Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong que tem mantido um serviço de piquete para o serviço de documentos. Sobre a questão das viagens, foi dito que não há um canal especial de comunicação com empresas para resolver o problema.

“Nos nossos registos consta apenas um pedido de apoio deste género, e procurámos transmitir ao interessado as informações disponibilizadas por aquelas companhias transportadoras.” Sobre questões relacionadas com passaportes, cartões de cidadão ou outros documentos em período de pandemia, o Consulado diz ter “solucionado mais de uma centena de pedidos”.

De portas fechadas até hoje, o Consulado diz que vai continuar a coordenar o horário de funcionamento consoante o que o Governo determinar. “A retoma total dos serviços deste Consulado-Geral dependerá da evolução da situação pandémica e das medidas sanitárias tomadas pelo governo da RAEM”, foi referido.

Confinamento geral | Autoridades rejeitam medida, para já, e mantêm política de testes 

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As autoridades afastam, por enquanto, a possibilidade de Macau entrar em confinamento total, numa altura em que se registam 1215 casos positivos, com 750 assintomáticos. A política de combinação de testes rápidos com testagem em massa mantém-se activa. Há mais dois hotéis disponíveis para quarentena

 

A ideia de o território poder entrar em confinamento geral começa a circular nas redes sociais e a ser defendida por vários analistas, mas as autoridades afastam, para já, essa possibilidade. “Esta informação que circula nas redes sociais é falsa, não temos nenhuma intenção ou decisão quanto ao confinamento. Os bens essenciais são suficientes e temos os supermercados com bastante stock. Em relação ao plano de gestão circunscrita, ainda estamos a ver a situação e iremos divulgar o plano no momento oportuno”, adiantou Leong Iek Hou, médica e coordenadora do Centro de Coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus.

No entanto, a mesma responsável frisou que “só depois da sexta ronda [de testes em massa] podemos saber qual a tendência da evolução deste surto”, tendo em conta as próximas medidas a adoptar.

Confrontada com as declarações do epidemiologista Manuel Carmo Gomes, publicadas no HM, de que a realização frequente de testes não resulta com a variante Ómicron, Leong Iek Hou assegurou que essa medida é para continuar.

“O nosso objectivo é atingir zero casos e pôr termo à cadeia de transmissão. Os testes em massa e rápidos são medidas bastante importantes para o alcançarmos. Todas as rondas de testes são importantes para nós. Entre a quarta e a quinta ronda vimos que o número das amostras mistas reduziu.”

De fora, está também a possibilidade de as quarentenas dos infectados serem realizadas em casa, como acontece na maioria dos países ocidentais. “Queremos alcançar o plano de transmissão zero e temos de terminar a cadeia de transmissão na nossa sociedade. A redução da cadeia é para melhor proteger grupos como os idosos. Este é o nosso princípio e mantém-se inalterado”, frisou a responsável.

Mais quartos

Entretanto, foram ontem também anunciadas mais duas unidades hoteleiras que vão passar a receber, a partir de hoje, pessoas para quarentena. Trata-se da ala leste do Grand Lisboa Palace, no Cotai, que irá providenciar 470 quartos, enquanto que a torre B1 do Grand Hyatt irá disponibilizar 300 quartos. De frisar, que hoje começa mais uma ronda de testes em massa, com fim marcado para as 18h de amanhã. As marcações podem começar a ser feitas às 7h de hoje, existindo 63 postos de testagem.

Relativamente ao alojamento das empregadas domésticas, foi pedido “um consenso” entre empregadores e trabalhadores. “O dormitório das trabalhadoras domésticas é pequeno e nele vivem muitos trabalhadores de diferentes sectores, tal como da área da limpeza ou segurança. Neste momento existe um risco de transmissão, e uma vez que as trabalhadoras domésticas tomam conta das crianças e idosos, constituem um elevado risco. Espero que os empregadores possam negociar e chegar a um consenso”, foi dito.

Quanto ao caso do hotel Grand Lisboa, selado em virtude de um surto de covid-19, permanecem 504 pessoas no interior, incluindo 260 trabalhadores, 200 trabalhadores do casino e 30 hóspedes. Estas pessoas, recebem das autoridades comida e bens essenciais, como se estivessem numa zona vermelha.

Tem leite materno?

Um jornalista questionou as autoridades sobre a ocorrência de casos em que as mães são impedidas de levar leite materno aos recém-nascidos que estão na neonatologia. As autoridades dizem que só proíbem quando há um elevado risco de transmissão do vírus. “Nunca impedimos as mães de darem o leite materno aos bebés se não houver um risco de contágio. Se houver, aí haverá uma separação entre a mãe e o bebé, que não pode ser vacinado.”

MTC “não é tão científica”

A medicina tradicional chinesa (MTC) faz parte do plano de tratamento adoptado pelas autoridades para os casos covid-19 assintomáticos ou com sintomas leves, mas ontem Leong Iek Hou admitiu que “a MTC não é uma forma de intervenção tão científica como a medicação ocidental”. No entanto, “se o paciente consentir, enviamos uma lista de mestres de MTC que, através de uma consulta online, administram chás e medicamentos. Temos um número de pessoas que tomam o chá e os medicamentos de MTC. A maior parte dos doentes toma medicamentos antivirais para atenuar a febre e tosse.”

Académico estima que testes rápidos produziram 258 toneladas de resíduos

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Cada teste rápido pesa cerca de 33 gramas, o que, multiplicando por uma população de cerca de 650 mil pessoas, vezes os seis dias em que já se realizaram este tipo de testes, dá um gasto de resíduos, sobretudo plástico, de cerca de 120 toneladas. Estas foram as contas feitas até ao dia 30 de Junho por David Gonçalves, académico da Universidade de São José (USJ) especialista em questões ambientais.

“Os cálculos são feitos muito por alto, tendo em conta o lixo produzido a partir dos testes rápidos. É uma pequena gota no total de lixo produzido por equipamento e desperdício associado ao combate à pandemia. As luvas, máscaras e batas também contribuem para muito mais toneladas de lixo do que os testes rápidos”, adiantou.

Segundo os cálculos do HM, hoje a população de Macau irá fazer o 12º teste rápido obrigatório, duplicando a matemática do académico para um assombroso resultado de 258 toneladas de resíduos, apenas com testes rápidos.

Annie Lao, activista para as questões ambientais, entende que a população deveria preocupar-se em reciclar este tipo de materiais, sobretudo as caixas de papel. “Se o Governo de Macau se preocupasse com as questões ambientais, deveria ter lançado um plano de reciclagem há mais tempo”, disse apenas.

Entrar na equação

David Gonçalves entende que, numa altura em que o número de casos de covid-19 continua a aumentar em Macau, as questões de saúde pública são bem mais importantes que as preocupações ambientais. No entanto, alerta para a necessidade das autoridades começarem a ter em conta os problemas ambientais como uma das consequências da pandemia.

“Não sei se o desperdício ambiental foi ou não tido em consideração nas decisões de gestão da pandemia, mas a meu ver deverá fazer parte da equação. Neste momento, este tipo de lixo é incinerado, como o resto do lixo em Macau, sendo as cinzas depositadas em aterro, o que contribui ainda mais para a poluição no território.”

Segundo David Gonçalves, “alguma parte [desse lixo] é mal gerida e acaba por, directamente, poluir o ambiente, nomeadamente os oceanos pela via fluvial”. “Basta ver o número de máscaras que aparecem nas praias”, concluiu.

Coutinho defende vias especiais para sair de Macau em caso de lockdown

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Perante a possibilidade de ser decretado um confinamento geral (gestão circunscrita) em Macau, o deputado José Pereira Coutinho sugeriu que o Governo deve criar corredores especiais para sair do território, a pensar naqueles que têm passagens aéreas marcadas.

Para o deputado, o aumento do número de infectados nos últimos dias e as instruções que tem recebido por parte dos serviços da Assembleia Legislativa (AL) sobre a simulação de uma reunião plenária via Zoom, podem indicar que o anúncio sobre um eventual lockdown pode estar para breve.

“Com o aumento do número de casos e esta informação que recebi da AL, presumo que pode haver um lockdown. Isto preocupa-me muito porque há muitos portugueses com bilhetes de avião marcados e espero que o Governo de Macau tenha alternativas, como corredores especiais, para permitir às pessoas chegar ao aeroporto e apanhar os aviões nas partidas, de forma segura. Espero que o Governo tenha essa preocupação para com as pessoas que já têm viagens marcadas, porque é um prejuízo e um transtorno para as suas vidas”, disse ao HM.

Pereira Coutinho considera mesmo que, se nas próximas conferências de imprensa, o Chefe do Executivo “der a cara”, será, muito provavelmente para “dar essa notícia”.

Sem dramatizar

Contudo, o deputado defende que, perante aquilo que é, para já, apenas uma possibilidade, “a população não deve estar preocupada”, nem fazer corridas ao supermercados, porque Macau “tem experiência” neste tipo de situações, sendo capaz de garantir o fornecimento de bens essenciais, caso venha a ser necessário.

“A quantidade de bens essenciais é manifestamente suficiente para enfrentar esta situação durante cinco ou sete dias, no caso eventual de haver lockdown”, apontou.

Sobre as instruções dadas pela AL, Pereira Coutinho detalhou que durante a tarde de hoje os deputados vão reunir pela primeira vez através da plataforma Zoom e recorrendo a tablets fornecidos pelo Governo, para simular, a partir de casa, uma sessão plenária com intervenções antes da ordem do dia.

O deputado partilhou ainda que “muitas pessoas estão preocupadas” com os efeitos que um eventual confinamento geral da cidade poderá ter na economia.

Economia | Custo total das 9 rondas será superior a 441 milhões só em testes em massa

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Com a conclusão amanhã de mais uma ronda de testes em massa, o Governo terá gasto, no total das nove testagens, mais de 441 milhões de patacas só em testes, faltando ainda apurar despesas com recursos humanos e materiais. Pereira Coutinho considera “difícil” prolongar por muito mais tempo, uma política que “está a esvaziar” a reserva financeira. O peso das testagens nos orçamentos dos Governos locais da China faz-se sentir cada vez mais

 

O custo total das nove rondas de testes em massa realizadas em Macau desde Agosto de 2021 deverá ser superior a 441 milhões de patacas só em testes e sem contar com as despesas relacionadas com recursos humanos, equipamentos e materiais.

Sem que o Centro de Coordenação e Contingência do Novo Tipo de Coronavírus tenha revelado, até à data, o custo final das várias rondas de testagem em massa à população, o montante foi calculado tendo por base os dados apresentados no ano passado por Tai Wa Hou, médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

Quando questionado sobre o assunto após aquela que foi a primeira testagem em massa da população de Macau em Agosto de 2021, o responsável disse que, devido à “complexidade da operação”, as contas finais não estavam ainda feitas. No entanto, o custos dos testes poderia ser calculado multiplicando o número aproximado dos habitantes de Macau (700 mil), pelo preço de cada exame (70 patacas), ou seja, 49 milhões de patacas. Contas feitas, multiplicando o valor por nove rondas, chegamos às 441 milhões de patacas só em testes.

“Vamos daqui para frente fazer essas contas, porque foram utilizados vários recursos humanos e materiais. É fácil calcular as despesas relativas ao teste ácido nucleico: são 700 mil habitantes a multiplicar por 70 patacas por cada teste, ou seja, são 49 milhões de patacas. Mas não é só esta a despesa, pois [a operação] ainda envolveu vários recursos humanos e materiais. Assim que tivermos os dados vamos anunciar”, disse há quase um ano em conferência de imprensa.

Até hoje, a população de Macau foi submetida a nove rondas de testagem em massa, com a primeira a acontecer em Agosto de 2021, a segunda e a terceira em Outubro de 2021 e as restantes seis rondas, a acontecer após o surgimento do actual surto de covid-19, cujos primeiros casos foram detectados a 18 de Junho de 2022. A última ronda de testes em massa está ainda a decorrer e termina amanhã às 18h.

De frisar ainda que, a somar aos custos dos testes e de operação das testagens em massa há ainda que contabilizar despesas relacionadas com o fornecimento de testes rápidos à população durante as últimas rondas.

O HM procurou obter dados sobre as despesas totais de cada testagem em massa realizada em Macau junto dos Serviços de Saúde. No entanto, as respostas foram remetidas para o final do actual surto, dado que “as equipas estão todas envolvidas no combate epidémico” e que “não há disponibilidade para compilar e informar os números solicitados”.

Custe o que custar

Contactado pelo HM, o deputado José Pereira Coutinho considera que este tipo de abordagem inerente à política de zero casos de covid-19 está a contribuir para “esvaziar os cofres” da RAEM e que, financeiramente, será difícil de prolongar. Contudo, sublinha, por se tratar de uma política onde está subjacente a defesa da saúde da população e que implica a inexistência de casos, “não há discussão possível”.

“Acho que financeiramente é difícil de prolongar este tipo de política porque nós estamos a esvaziar os cofres e as reservas que, com muito esforço, foram acumuladas nos últimos 20 anos”, começou por dizer. “Essa abordagem tem custos económicos extremamente elevados, mas isto não está em causa, tendo em consideração que, sobrepõe-se a isto tudo, a questão da política de zero casos e a defesa da saúde da população e aí, não há discussão possível”, acrescentou.

Afirmando que “a saúde pública está de rastos” há mais de 10 anos e que “a economia está cada vez pior”, Pereira Coutinho aponta, contudo, que a maior preocupação consiste no facto de o surgimento de novos surtos estar sempre iminente.

“Mesmo que nós consigamos fazer com que não haja mais casos em Macau, o facto é que, passado umas semanas, pode aparecer mais um caso e fica tudo parado outra vez. Assim não há economia que possa ser sustentável. Quando o surto acabar é uma contagem decrescente até ao próximo”, rematou.

Alta pressão

A obrigatoriedade da realização de testes para a covid-19 rotineiramente nas principais cidades da China está a ter um peso crescente no orçamento dos governos locais, à medida que Pequim adopta um novo modelo de prevenção epidémica.

Segundo a agência Lusa, a correctora China Merchant Securities estimou que o custo com testes de ácido nucleico na cidade de Shenzhen, sudeste da China, entre 6 de Abril e 5 de Junho ascendeu a cerca de 3,16 mil milhões de yuans.

Tao Chuan, analista da Soochow Securities, empresa de serviços financeiros com sede no leste da China, estimou num relatório que se todas as cidades de primeiro e segundo nível do país, cuja população somada ascende a cerca de 505 milhões de habitantes, implementarem testes em massa durante um ano, a despesa ascenderá a 1,7 bilião de yuans, o que representaria cerca de 1,5 por cento do PIB da China em 2021, ou cerca de 8,7 por cento da receita fiscal pública do ano passado.

Ron Lam defende fecho da cidade

O deputado Ron Lam disse que a população está a sofrer de “fadiga anti-pandémica” e critica o Governo por ser “incapaz de decidir coexistir com a covid-19, ou de implementar a política de casos zero” de Pequim. À agência Lusa, o deputado sustentou que a população “está à beira de um colapso nervoso” e defende que é crucial que Macau perceba que não tem opção se não “seguir as políticas do interior da China” e que “o Governo tem de ter um plano e um calendário” para controlar o actual surto de covid-19. “A minha opinião é que, como muitos comerciantes me têm dito, o Governo deve fechar completamente Macau o mais depressa possível, durante uma semana, duas semanas”, acrescentou.

AJM pede plano para eventual lockdown

António Monteiro, presidente da Associação de Jovens Macaenses (AJM) considera que “o Governo tem de definir um calendário, uma agenda, um plano e o momento exacto [sobre um eventual confinamento geral] para o executar”. Até porque, destaca segundo a Lusa, “a população não concorda com a abordagem” das autoridades. Mesmo frisando que “Macau não pode ser fechado para sempre”, questionado sobre a hipótese de um confinamento geral, o dirigente associativo deixa o recado em jeito de pergunta: “É mais seguro em casa, eu estou em casa e muitos [funcionários de] departamentos governamentais estão em casa. Mas há pessoas que trabalham em autocarros, sectores privados, supermercados, e têm de fazer testes em massa, e assim que saímos, estamos em risco de infeção. Haverá uma solução melhor?”.

Cloee Chao diz que é tarde de mais para confinamento

Cloee Chao, presidente da Associação Novo Macau pelos Direitos dos Trabalhadores de Jogo disse à Lusa que “agora a epidemia não pode ser controlada”, e se “o Governo, no início, fechasse [Macau] completamente, talvez tivesse sido melhor do que a actual testagem massiva contínua”. Cloee Chao sustenta que o arrastar do surto é que é “o grande problema”, uma vez que “a situação actual de ausência de rendimentos durante um longo período de tempo é definitivamente um enorme impacto na vida” dos trabalhadores. “A população de Macau está dividida em dois pontos de vista: do ponto de vista económico, é que Macau deveria ser aberto, no entanto, do ponto de vista da segurança da saúde pública, é que deveria ser implementada a política de zero casos”, explica.

PR filipino encerra comissão anti-corrupção no seu primeiro decreto presidencial

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O Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., pôs fim à comissão presidencial anticorrupção, responsável por acompanhar e investigar possíveis crimes de corrupção no Governo, no seu primeiro decreto presidencial, segundo fontes oficiais.

No decreto publicado hoje, mas assinado em 30 de junho, a presidência filipina referiu que o encerramento da comissão presidencial anticorrupção (PACC) visa “atribuir corretamente os recursos públicos” e evitar “duplicação de organizações” no país.

Criada em 2017 pelo ex-Presidente Rodrigo Duterte (2016-2022), a comissão tinha como objetivo coibir casos de corrupção em instituições, organizações e por funcionários públicos em altos cargos do Governo filipino e, somente entre 2019 e 2020, o órgão investigou centenas de casos e concluiu mais de 70 destes.

Marcos Jr., filho do ex-ditador Ferdinand Marcos, chegou à presidência filipina em maio, após eleições polarizadas, e a sua vitória levantou dúvidas entre especialistas sobre a continuidade da política anticorrupção realizada pelo seu antecessor, já que a família Marcos enfrenta mais de 40 ações cíveis.

O atual Presidente também acumula uma série de condenações por crimes fiscais e por corrupção.

Neste contexto, vozes críticas ao Governo têm manifestado preocupação com o futuro da comissão presidencial de boa governação (PCGG), criada em 1986 após a queda do regime de Ferdinand Marcos, para recuperar a suposta fortuna ilícita acumulada pela família durante o seu governo (1965-1986).

Até agora, a PCGG conseguiu recuperar cerca de 3,6 mil milhões de dólares ao longo dos seus 36 anos de existência, embora durante a gestão de Duterte, aliado de Marcos Jr., tenha definhado em termos de orçamento e apoio presidencial.

Durante a campanha eleitoral, Marcos Jr. assegurou que não eliminaria o PCGG, mas pretendia que esta passasse a investigar não apenas os casos de corrupção na família Marcos, mas também entre “todos” os envolvidos em subornos, peculatos e outros escândalos.

Ferdinand Marcos Jr. foi empossado em 30 de junho como Presidente das Filipinas para um mandato único de seis anos, depois das presidenciais de maio, sucedendo ao controverso Rodrigo Duterte como chefe de Estado.

Marcos Jr. completa o regresso ao poder da famosa dinastia, 36 anos depois de uma revolução popular ter acabado com o regime do pai e forçado a família a fugir do país de helicóptero.

A cerimónia contou com a presença, entre outros, da mulher do atual Presidente e quatro filhos de Imelda Marcos, a matriarca do clã que governou o arquipélago sob a sombra de Marcos (pai) entre 1965 e 1986, incluindo a década de violenta lei marcial declarada pelo então líder, que morreu no exílio em 1989.