Nintendo | Lucro líquido caiu 9,4 % devido às vendas da ‘Switch’

A empresa japonesa de videojogos Nintendo obteve um lucro líquido de 432.768 milhões de ienes (2.920 milhões de euros), menos 9,4 por cento face ao ano anterior devido a uma desaceleração nas vendas da consola ‘Switch’ e problemas com ‘chips’.

A empresa sediada em Kyoto, no oeste do Japão, viu o seu lucro operacional interanual cair 14,9 por cento, para 504 milhões de ienes (3,4 milhões de euros), no seu último ano fiscal, de 1 de Abril de 2022 e o passado 31 de Março, de acordo com o relatório financeiro publicado ontem.

A Nintendo vendeu 17,97 milhões de unidades de consolas ‘Switch’ no seu mais recente ano financeiro (menos 22,1 por cento no ano anterior). As vendas de jogos caíram 9 por cento em relação ao ano anterior, para 213,96 milhões de cópias, “afectadas, até certo ponto, pela queda nas vendas de ‘hardware’”, indicou a Nintendo.

Relativamente à Nintendo digital, que inclui as vendas de cópias digitais de jogos e expansões ou do seu serviço de subscrição de pagamento Nintendo Online, as suas vendas aumentaram 12,7 por cento, até aos 405.200 milhões de ienes (2.730 milhões de euros).

A Nintendo apresentou previsões pessimistas para 2023, estimando uma quebra no seu lucro líquido de 21,4 por cento face ao ano anterior, até aos 340.000 milhões de ienes (2.290 milhões de euros), e uma quebra no seu lucro operacional de 10,8 por cento, até 450.000 milhões de ienes (3.030 milhões de euros).

LinkedIn | Rede social encerra a sua última aplicação na China

A rede social para uso profissional LinkedIn anunciou ontem que vai encerrar a sua última aplicação disponível na China, devido à “concorrência feroz” e “clima macroeconómico difícil”.

A Microsoft, que detém o LinkedIn, é uma das poucas empresas norte-americanas do sector da Internet que conseguiu estabelecer uma rede social na China. O grupo oferecia no país uma versão específica da sua rede profissional, de forma a cumprir com as regras locais, através da parceria com uma empresa local.

Em 2021, o LinkedIn passou a estar inacessível na China continental, devido a um “ambiente operacional difícil” e “maiores requisitos de conformidade com os regulamentos em vigor”. A rede social foi substituída por uma versão local e simplificada chamada InCareer, que permitia que profissionais locais continuassem conectados à rede social.

“Após uma cuidadosa consideração, tomamos a decisão de encerrar o InCareer a partir de 9 de Agosto de 2023”, disse a rede social, em comunicado. “Apesar do progresso inicial, o InCareer enfrenta uma concorrência feroz e um clima macroeconómico difícil, o que eventualmente nos levou a decidir interromper o serviço” na China, justificou o LinkedIn.

A rede social experimentou um rápido crescimento no país, impulsionado por uma cultura de relacionamento, onde a agenda de contactos e redes profissionais desempenham um papel fundamental. No entanto, nos últimos anos, o LinkedIn estava cada vez mais marginalizado, face a uma infinidade de aplicativos locais particularmente inovadores.

Deputado filipino suspenso está em Timor-Leste em busca de asilo

O secretário da Justiça das Filipinas anunciou que um deputado suspenso de funções naquele país, e que as autoridades do país querem declarar terrorista, está em Timor-Leste à procura de asilo político, segundo a imprensa filipina.

O portal Inquirer cita cartas entre responsáveis do sector judicial do país, e informação dada pela embaixadora das Filipinas em Díli, que indicam que Arnolfo Teves Jr. terá já apresentado o pedido de asilo às autoridades timorenses.

Numa carta divulgada pelo jornal, Jesus Crispin Remulla, secretário da Justiça, refere-se a outra missiva do secretário dos Negócios Estrangeiros, Enrique Manalo, em que este comunica informação sobre a localização de Teves em Timor-Leste.

“Escrevo em resposta à vossa carta de 29 de Abril com informação confidencial do nosso embaixador em Timor-Leste, de que o deputado Arnolfo Teves está na capital Díli, onde solicitou o visto de protecção, com o objectivo de asilo”, refere Remulla, na carta.

“Informo que o Departamento de Justiça deu passos concretos para designar o deputado Teves Jr. como terrorista, no âmbito da lei antiterrorismo”, refere.

Remulla explica ter solicitado ao Conselho Antiterrorismo a criação de um grupo técnico de trabalho com o fim de formalizar essa designação e que o grupo já se reuniu no passado dia 4 de Maio.

“Solicita-se respeitosamente que estas últimas actualizações sejam feitas ao nosso embaixador em Timor-Leste”, disse Remulla.

Fonte oficial da Embaixada das Filipinas em Díli escusou-se a fazer qualquer comentário sobre o caso, inclusive a confirmar se Teves Jr. está ou não em Timor-Leste.

“Estamos à espera de instruções da nossa capital. É o único que posso dizer nesta altura”, afirmou a fonte.

Não foi possível obter qualquer comentário sobre o caso da parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense.

Crimes e ameaças

Teves Jr., eleito para a Câmara dos Representantes desde 2016, tornou-se uma das vozes controversas da política filipina, tendo sido acusado de ser o mentor de Roel Degamo, governador da zona de Negros Oriental.

A 4 de Março, depois de o Tribunal Supremo proclamar Roel Degamo como governador, numa eleição contestada contra o ex-governador e irmão de Teves, Pryde Henry Teves, Degamo foi assassinado em casa. Teves negou qualquer envolvimento na morte e tem criticado os seus opositores pelas acusações.

O deputado foi de licença médica para os Estados Unidos a 28 de Fevereiro, tendo a 15 de Março solicitado uma licença de dois meses, citando o que considerou ser uma “ameaça muito grave” à sua vida e à sua família.

A 22 de Março de 2023, a Câmara dos Representantes votou por unanimidade suspender Teves por não ter regressado ao país, apesar de ter uma autorização de viagem expirada, e cuja validade terminava a 9 de Março.

A suspensão dura 60 dias e é a segunda maior pena da Câmara, depois apenas da expulsão. Desconhece-se quando Teves terá chegado a Timor-Leste.

MDMA na terapia de casal

Leram bem. MDMA, como quem diz, a droga do amor, molly, ou ecstasy, a droga recreativa, pode ser uma poderosa aliada na terapia de casal. Não se trata de uma proposta sem fundamento de tendências new age, como os mais críticos e conservadores poderão julgar à primeira vista.

É dentro das ciências psicológicas que se tem assistido ao renascimento dos psicadélicos. Um renovado interesse sobre o que alguns grupos de investigação já diziam há décadas, e que as comunidades indígenas já praticam há milhares de anos: as substâncias psicadélicas têm um grande potencial de transformação, e para os mais puristas da linguagem médica, um grande potencial para a cura. Neste renascimento, recupera-se a investigação realizada com psicadélicos, de onde fazem parte outras substâncias como o LSD, psilocibina ou ketamina. O que estes psicadélicos fazem é a dissolução do ser e a expansão da mente para que toque tudo o resto à nossa volta. Estas “trips” levam as pessoas para outros lugares mentais, lugares incomuns do cérebro. Como que um exercício de ginástica e flexibilidade cerebral, processam-se e recriam-se os padrões neuronais, resultando em novas formas de se estar.

A ciência tem percebido o potencial transformador destas substâncias em stress pós-traumático e depressões resistentes. Na sociedade contemporânea que padece de doenças mentais e que força modelos (irrealistas) de se ser e estar, os psicadélicos – especialmente, se tomados em contextos terapêuticos – podem revolucionar a forma tradicional de experienciar.

A investigação sugere, também, o potencial dessa revolução na terapia de casal. A droga do amor, que nos torna mais amorosos, ajudando na produção de hormonas de prazer e bem-estar, teoriza-se útil para os casais desencontrados. Digo teoriza-se por que não se tem testado o uso de MDMA nestes contextos por razões óbvias.

Os poucos estudos que existem aplicaram MDMA em casos de stress pós-traumático que então mostrou resultados promissores na satisfação conjugal. Há quem foque a sua investigação no uso “naturalista” desta substância, ou seja, perceber as transformações nas pessoas que tomam MDMA de forma regular – muitas vezes em microdosing, ie., doses que não levam a viagens, mas ajudam a estarem mais ágeis mentalmente – e de como é que sentem que impacta a vida em casal ou a sua sexualidade.

As vantagens reportadas são muitas. De acordo com os participantes ajuda a reduzir o stress e reduz também a ansiedade associada à performance sexual. Isto então ajuda no aumento do desejo, bem como a intensidade da exploração sensorial. Claro que o crepitar destas sensações ajuda na ligação emocional entre os envolvidos.

O papel das substâncias psicadélicas nas relações amorosas e sexuais ainda é um terreno por desbravar, mas extremamente promissor. Se a investigação associada a doenças mentais mais graves ainda é insipiente, em relação a estas coisas do amor e do sexo ainda mais insipiente é. Não considerem, por isso, este um convite para tomar psicadélicos sem noção dos riscos, muito menos sem noção das condições necessárias para uma experiência terapêutica. Depois de muitos anos em que os psicadélicos foram demonizados, entramos agora numa fase promissora de desconstrução do seu significado. Um processo que será lento.

Ainda assim, este palavreado tenta contribuir para esse processo. Urge olhar com nuance e complexidade a forma como os psicadélicos podem ser absorvidos pela sociedade – e refletir sobre os resultados maravilhosos, coloridos e psicadélicos que podem trazer.

Creative Macau | Joan Lam apresenta amanhã a sua pintura

“A Drop in the Ocean” [Uma Gota no Oceano] é o nome da exposição que amanhã abre portas na Creative Macau e que é, ao mesmo tempo, a estreia de Joan Lam no mundo das exposições. Nesta mostra, observam-se obras de arte que nascem das observações pessoais da artista sobre o mundo que a rodeia

 

Num mundo marcado pelo universo do digital, até que ponto conseguimos desligar e observar a natureza e as pequenas vivências à nossa volta? Esta pergunta serve de ponto de partida para a nova exposição que, a partir de amanhã, estará patente na Creative Macau. Da autoria de Joan Lam, esta é a primeira oportunidade de a artista local mostrar o seu trabalho a título individual. A exposição está patente até ao dia 10 de Junho.

Descrevendo-se como comunicativa, activa e uma pessoa com a mente aberta, Joan Lam confessa gostar de conhecer outras culturas e pessoas de todo o mundo, embora nunca tenha pegado num pincel antes de viajar até Espanha para estudar. Aí, tudo mudou. “Conheci um professor que me encorajou muito a fazê-lo. A partir desse momento comecei a pintar e agora é algo que faço bastantes vezes. Depois de voltar a Macau comecei a desenvolver a minha arte com diferentes meios. Nesta exposição apresento trabalhos em aguarela, acrílico, guache e caneta branca.”

A importância de “desligar” de computadores, telemóveis e afins é a grande mensagem por detrás desta mostra. “Hoje em dia a maioria das pessoas está muito presa aos aparelhos electrónicos e deixou de explorar o mundo que as rodeia com os seus próprios sentidos, a natureza com o seu próprio coração. A maior parte dos trabalhos apresentados nesta mostra foram criados a partir das minhas observações pessoais e emoções. Adoro a natureza. No período que passei na Costa Rica visitei muitos parques nacionais e pude observar pequenos animais e tudo o que a natureza tinha para me oferecer.”

Segunda parte

“A Drop in the Ocean” é composta por uma segunda parte, marcada pela ideia de “sentimento”. “Depois de estar em Espanha e na Costa Rica, comecei a pensar nas diferenças entre o amor da família, da amizade e outro tipo de amor. Por isso criei quatro obras sobre ‘palavras'”, frisou.

Joan Lam resolveu ir buscar também influências da cultura árabe, usando o símbolo da ave para explorar a temática do sentimento e do amor nas suas mais variadas formas. A exposição contém ainda uma obra sobre a ideia do sonho, porque a artista quer “encorajar as pessoas a realizarem o seu”.

Um dos seus primeiros sonhos foi, aliás, o de aprender a língua espanhola, tendo não só atingido esse objectivo como foi voluntária da UNESCO na Costa Rica. “Penso que se não tivesse dado o primeiro passo e ido para Espanha, esta exposição nunca teria existido. Por isso é que criei esta última obra”, em torno da ideia de sonho, afirmou.

Joan Lam mostra também os animais que descobriu durante a sua estadia na Costa Rica, e diz querer “encorajar as pessoas a observar o que está à sua volta com os seus sentidos”. “Mesmo que não seja uma artista famosa, quero dizer às pessoas que se tiverem um sonho, nunca deixem de acreditar que o podem concretizar. Pelo menos eu comecei algo novo com o primeiro passo que dei em ir para Espanha. Tudo acontece por uma razão, mesmo uma gota no oceano. Nunca olhem de baixo para vocês mesmos”, concluiu.

Europa | Qin Gang esta semana na Alemanha, França e Noruega

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) da China, Qin Gang, está esta semana na Alemanha, França e Noruega, informou na segunda-feira a diplomacia chinesa, em comunicado.

“A convite dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França e Noruega, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang, está de visita aos três países entre 08 e 12 de Maio”, disse o ministério, numa nota informativa, sem dar mais detalhes.

A chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, visitou a China, no final de Abril, onde garantiu que um conflito militar no Estreito de Taiwan constituiria um “cenário de terror” com implicações para a economia mundial.

A viagem de Baerbock aconteceu meses depois de o chanceler alemão, Olaf Scholz, ter visitado o país asiático, onde mostrou vontade de cooperar com a China, ao mesmo tempo em que admitiu divergências entre os dois países.

O encontro de Qin Gang com a sua homóloga francesa Catherine Colonna ocorre após a visita de Estado de três dias do Presidente francês, Emmanuel Macron, à China em Abril passado, naquela que foi a sua primeira viagem ao país desde 2019.

Os líderes europeus têm instado repetidamente Pequim, nos últimos meses, a usar a sua influência junto da Rússia para pôr fim à guerra na Ucrânia.

Desde o início da guerra, a China, que se opõe a sanções contra Moscovo, reiterou a importância de respeitar a integridade territorial dos países, incluindo a Ucrânia, e as “legítimas preocupações de segurança de todas as partes”, referindo-se à Rússia.

A China considera a parceria com a Rússia fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, numa altura em que a sua relação com os Estados Unidos atravessa também um período de grande tensão.

MNE | Pequim expulsa diplomata em retaliação contra Otava

A China anunciou ontem a expulsão de uma diplomata do Canadá, em retaliação contra a decisão de Otava de afastar um funcionário consular chinês por alegadas ameaças a um deputado canadiano e aos seus familiares.

Em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse que a China adoptou uma “contramedida recíproca à acção inescrupulosa do Canadá”. A mesma nota informou que a diplomata do Canadá colocada em Xangai, Jennifer Lynn Lalonde, foi convidada a sair, até ao dia 13 de Maio, e que a China “reserva o direito de tomar outras medidas retaliatórias”.

O Canadá anunciou anteriormente a expulsão de um diplomata chinês, acusado por Otava de ter tentado intimidar um deputado canadiano crítico do regime de Pequim.

Um alto funcionário do Governo canadiano disse que o diplomata, identificado como Zhao Wei, tem cinco dias para deixar o país.

O caso envolve o deputado conservador canadiano Michael Chong e a sua família, que alegadamente sofreram pressão chinesa por causa das críticas de Chong ao histórico de violação dos Direitos Humanos do país asiático.

As relações entre Pequim e Otava deterioraram-se, nos últimos anos, após a detenção, em 2018, pelas autoridades canadianas, de uma executiva do grupo chinês de telecomunicações Huawei. Em represália, a China deteve dois cidadãos canadianos.

Embora todos tenham sido libertados, as tensões persistiram, com Pequim a acusar Otava de alinhar na política de Washington para conter a China e as autoridades canadianas a acusarem regularmente a China de interferência nos assuntos internos do país.

Celulose | Maior produtora mundial pondera usar renmimbi em vendas

A utilização da moeda chinesa como alternativa ao dólar é cada vez mais uma realidade no país asiático. A empresa brasileira Suzano contempla seriamente usar o renmimbi nas trocas comerciais com a China

 

A maior produtora de celulose do mundo, a brasileira Suzano, está a ponderar vender os seus produtos para a China usando a moeda chinesa, disse o presidente da empresa, Walter Schalka. Numa entrevista à Bloomberg, Schalka revelou que muitos clientes na China, país que compra 43 por cento da celulose produzida pela Suzano, estão a exigir assinar contratos com preços fixados na moeda chinesa.

O executivo disse acreditar que a importância do renmimbi está a crescer e que o dólar norte-americano se tornará menos relevante, mas reconheceu que ainda não houve uma “grande transição” para a moeda chinesa.

Schalka sublinhou que o aumento das tensões entre os EUA e a China é a principal preocupação da Suzano, uma vez que pode prejudicar a procura e os preços da celulose por um período significativo.

“A minha visão é que seria muito melhor ter uma colaboração de longo prazo entre o Ocidente e o Oriente, mas o que vemos é uma tensão crescente neste momento”, lamentou o líder da empresa.

A China tem tentado internacionalizar o renmimbi desde 2009, visando reduzir a dependência do dólar em acordos comerciais e de investimento e desafiar o papel da moeda norte-americana como a principal moeda de reserva do mundo. A China realizou em Março, pela primeira vez, mais transações transfronteiriças com a sua moeda do que com o dólar.

Luz verde

Em Abril, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, atacou, em Xangai, o domínio do dólar como moeda de reserva mundial e apelou para o uso de outras divisas na relação comercial entre Brasil e China.

Schalka foi um dos representantes de 107 empresas brasileiras e multinacionais sediadas no Brasil que, em 2021, assinaram uma carta a defender que o país, então liderado por Jair Bolsonaro, devia assumir a liderança no combate às alterações climáticas.

O executivo disse que o novo Governo de Lula da Silva “tem o discurso certo. É apenas o plano de acção que não é tão rápido quanto o esperado. Precisamos de ter zero desflorestação ilegal. Isso é crítico para o mundo”.

Lula da Silva comprometeu-se durante a campanha eleitoral a alcançar a “desflorestação zero” na Amazónia até 2030, após Bolsonaro ter promovido políticas que impulsionaram a exploração mineira e outras actividades económicas na região.

O novo Presidente brasileiro, que tomou posse a 1 de Janeiro, reactivou também o Fundo Amazonas, que tinha criado em 2008, e para o qual pretende atrair a China e a França, entre outras potências económicas.

O Fundo Amazonas tem actualmente cerca de mil milhões de dólares contribuídos pela Noruega e Alemanha, os únicos doadores até agora. Em Abril, os Estados Unidos comprometeram-se a fazer uma contribuição de 500 milhões de dólares.

Energia | Moradores “atacam” preço dos combustíveis

A Associação de Moradores (Kaifong) “atacou” ontem os “preços excessivos” dos combustíveis, principalmente na venda do gás. Chu Hou Iun, representante da Associação de Moradores, pediu ao Governo que abra um inquérito à situação e que explique a acentuada diferença entre o preço de importação e de venda no mercado por retalho.

Segundo o dirigente, as estatísticas oficiais mostram que o preço de importação do gás entre Janeiro e Fevereiro deste ano foi de 6,89 patacas por cada quilograma. Contudo, quando chegou a altura de vender o gás à população os preços praticados chegaram a atingir as 19,95 patacas pro quilograma. A média do preço de venda ficou-se pelas 11,1 patacas por quilo.

Citado pelo jornal Cheng Pou, Chu Hou Iun indicou que a diferença é demasiado elevada, principalmente quando se faz uma comparação com as regiões vizinhas.

Também os preços de combustíveis foram mencionados pelo representante dos Kaifong, que argumentou serem vendidos muito acima do preço de compra, com margens de lucro pouco razoáveis. O maior desequilíbrio foi indicado ao nível da gasolina sem chumbo 98.

Por considerar que tanto o gás como a gasolina são produtos “essenciais” para os residentes e que estão a desgastar o poder de compra da população de forma acelerada, Chu apelou ao Governo para investigar a formação dos preços e controlar o mercado. Para o representante da associação, só com uma investigação com resultados é possível evitar, nesta fase, a perda de qualidade de vida da população.

PJ investiga denúncia anónima de assédio sexual em escola

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou estar a investigar um alegado caso de abuso sexual numa escola no norte da Península de Macau. A denúncia foi feita, na terça-feira, numa página de Facebook intitulada “Macau Students Secret”, utilizada para denúncias anónimas sobre as escolas no território.

“Estudo numa escola feminina na zona norte e fui vítima de abusos sexuais por parte de um professor, há uns meses atrás. Fiquei muito triste com o acontecido, mas quando perguntei à minha família se devia fazer queixa à polícia, não acreditaram em mim”, podia ler-se na denuncia. “Falei com o professor e com o director da escola e disseram-me que não devia falar sobre o assunto, também me ofereceram dinheiro para tentar resolver o problema”, acrescentou.

Como consequência do episódio, a denunciante declarou “sofrer de insónias todas as noites”, sem conseguir “esquecer as imagens do ataque”. “Não sei como lidar com tudo isto”, desabafou.

O comentário não foi identificado, porém a PJ admitiu estar a investigar a publicação anónima, devido à possibilidade de ter sido cometido um crime sexual. A polícia deixou ainda um apelo à vítima, ou a alguém com conhecimento do caso, para contactar as autoridades através do número 993.

No comunicado da PJ foi ainda deixado o apelo para que as vítimas de crimes sexuais façam queixa e procurem ajuda, de forma a levar os criminosos à justiça.

Comunicado da escola

Horas depois da denúncia, a Escola Feminina Nossa Senhora de Fátima, no norte da Península de Macau, emitiu um comunicado interno para “deixar descansados os pais e os alunos”. No documento era negada a existência de qualquer queixa.

“Nem o reitor, professores ou psicólogos receberam qualquer queixa de estudantes”, começou por ser indicado. “Esta escola tem um compromisso permanente de proteger os alunos e contribuir para que se possam focar nos estudos”, acrescentou.

Além disso, a escola garantiu fazer tudo para proteger a sua reputação, o que passa por cooperar sempre com as autoridades e cumprir as suas responsabilidades sociais.

Imobiliário | Bens da Jiayuan International vendidos por ordem judicial

A empresa que em 2017 comprou o terreno mais caro de sempre em Macau está em situação de incumprimento. Os tribunais de Hong Kong impuseram a venda de bens para saldar uma dívida superior a 100 milhões de dólares de Hong Kong

 

Um tribunal de Hong Kong declarou a venda de bens do Grupo Jiayuan International para pagar dívidas de 112,8 milhões de dólares de Hong Kong. A decisão contra a imobiliária responsável pela construção do projecto Ocean Hill, na Avenida Dr. Sun Yat-Sen na Taipa, foi conhecida na semana passada.

A obrigação de vender o património da imobiliária resulta de dois casos que decorriam nos tribunais da região vizinha relacionados com uma dívida de 112,8 milhões de dólares de Hong Kong, ligada à emissão de um empréstimo obrigacionista e respectivos juros. De acordo com a agência noticiosa Bloomberg, a reclamação da dívida deve-se a um único subscritor do empréstimo obrigacionista.

Os dois casos tinham sido tornados públicos em Junho do ano passado, e, na altura, o Grupo Jiayuan International afirmou que “segundo a informação disponível” os pedidos de insolvência não teriam “um impacto material ou significante nas operações ou na situação financeira” da empresa.

No entanto, desde essa data, e na sequência da crise financeira do sector imobiliário no Interior da China, que a situação de solvência do grupo tem sofrido uma rápida deterioração.

A Jiayuan International entrou no mercado de imobiliário de Macau em 2017, quando adquiriu pelo preço recorde de 3,51 mil milhões de dólares de Hong Kong dois terrenos na Taipa, na Avenida Dr. Sun Yat-Sen. A compra foi feita à Companhia de Fomento Predial San Kin Tai, na altura detida a 40 por cento por William Kuan, condenado a 18 anos de prisão no processo que em que foram também considerados culpados os ex-directores das Obras Públicas, Jaime Carion e Li Canfeng.

O projecto Ocean Hill, actualmente em construção, é composto por habitações e lojas. No total, os dois terrenos implicam uma área de 5.597 metros quadrados, o que significa que o negócio foi feito com o pagamento de 627,1 mil dólares de Hong Kong por metro quadrado.

Acções suspensas

Também desde o início de Abril, a transacção das acções da Jiayuan International na Bolsa de Hong Kong foi suspensa, medida que entrou em vigor depois de o grupo ter falhado a apresentação dos resultados financeiros, como exigido.

Os atrasos na publicação dos resultados foram explicados com três motivos: falta de mão-de-obra no departamento de contabilidade da empresa, falta de tempo dos directores da empresa, por estarem em curso negociações com credores, e ainda devido à mudança de auditora.

As dificuldades do Grupo Jiayuan International acompanham a tendência das construtoras do Interior, depois da grave crise financeira que começou a afectar o sector no ano de 2020.

Nesse ano o Governo Central começou a impor limites ao endividamento destas empresas, o que contribuiu para que várias atravessassem grandes dificuldades, como aconteceu com a Evergrande, Grupo Kaisa, Fantasia Holdings, ou Sinic Holdings.

Hengqin | Novo Bairro de Macau com 60 espaços para lojas

A Macau Renovação Urbana SA divulgou ontem serão disponibilizados 60 espaços comerciais para arrendamento no Novo Bairro de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, que deverá estar concluído no segundo semestre.

As lojas estarão situadas numa zona comercial com cinco mil metros quadrados, numa localização central da Zona entre as ruas Tianyu Road e Xiangshun Road. Os espaços são destinados à abertura de mercearias, lojas de retalho e espaços de venda de comida, bebidas, artigos diversos para o lar e serviços.

A Macau Renovação Urbana aponta que o arrendamento é sobretudo destinado a pequenas e médias empresas de Macau para fomentar a presença de empresas locais na Zona de Cooperação e “promover o desenvolvimento de negócios entre Hengqin e Macau”.

Os empresários e comerciantes interessados em estabelecer-se em Hengqin devem contactar o departamento de imobiliário da Macau Renovação Urbana através dos contactos telefónicos (853) 8290 0288 ou (853) 6321 8238 via WhatsApp ou WeChat ou ainda através do email mnnshop@mur.com.mo.

O Novo Bairro de Macau em Hengqin terá, no total, uma área de 190 mil metros quadrados, estando a seis minutos de distância de carro do posto fronteiriço de Hengqin. Haverá quatro mil unidades residenciais para venda bem como escolas, um posto médico, um centro para idosos e famílias e um parque de estacionamento com quatro mil lugares, incluindo outras infra-estruturas de entretenimento destinadas às famílias que ali se estabelecerem.

Emprego | Aposta na arte de cultura portuguesa pouco atraente

O Inquérito de Satisfação e Confiança no Emprego da MUST mostra que o “mercado artístico” com base na cultura portuguesa é pouco atraente. Os resultados revelam ainda que a população está cada vez mais confiante no mercado de trabalho

 

A aposta na arte com base na cultura portuguesa foi considerada a opção menos atraente para o desenvolvimento das indústrias criativas e culturais e para a diversificação económica, de acordo com o Inquérito de Satisfação e Confiança no Emprego, publicado ontem pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês).

Entre os mais de 800 inquiridos, apenas 7,3 por cento considerou o mercado artístico com base na cultura portuguesa como atraente e eficiente para promover a diversificação económica.

No polo oposto, as apostas na cultura gastronómica, entretenimento e mercado de produtos com características de Macau são tidas como as mais atraentes, por 48,9 por cento, 46,2 por cento e 33,1 por cento dos inquiridos, respectivamente. Também as apostas nos museus (28,5 por cento) e leilões (25,2 por cento) foram consideradas mais interessantes do que o mercado artístico com base na cultura portuguesa.

Ainda de acordo com o Inquérito de Satisfação e Confiança no Emprego, a confiança e contentamento dos inquiridos com a situação do mercado de trabalho cresceu 8,37 por cento este ano, em comparação com 2022.

Grande parte desta tendência mais optimista ficou a dever-se a uma visão mais optimista do mercado e do surgimento de oportunidades de emprego, onde se constatou um aumento da confiança de 11,87 por cento.

Abaixo da pré-pandemia

No entanto, quando se compara o nível de satisfação geral no trabalho entre 2019, o último ano antes do surgimento da pandemia da covid-19, e os primeiros meses deste ano, os dados do estudo da MUST revelam uma quebra na satisfação dos trabalhadores de 2,6 por cento.

A diminuição da satisfação no trabalho deve-se essencial a dois factores: a qualidade do emprego e a estabilidade do mesmo. Em relação à qualidade dos empregos, ainda se verifica um grau de satisfação inferior em 4,1 por cento em comparação com os valores apurados em 2019. No que diz respeito à estabilidade, houve uma quebra do nível de satisfação de 2,6 por cento entre os dois períodos.

Face a estes resultados, a equipa liderada por Liu Chengkun, director do Instituto de Desenvolvimento Sustentado da MUST, apontou que “o impacto negativo da pandemia na qualidade e na estabilidade do emprego ainda não foi totalmente eliminado”. No entanto, indicaram que “se a economia de Macau continuar a mostrar sinais de recuperação, que os níveis de satisfação vão aumentar”.

O inquérito foi realizado entre 24 de Março e 1 de Abril deste ano, e contou com a participação de 807 empregados a tempo inteiro.

PJ | Investigada denúncia de assédio sexual em escola

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou estar a investigar o alegado caso de abuso sexual numa escola no norte do território. A denúncia foi feita, na terça-feira, através de uma página de facebook “Macau Students Secret”, utilizada para denúncias anónimas sobre as escolas no território.

“Estudo numa escola feminina na zona norte e fui vítima de abusos sexuais por parte de um professor, há cerca de uns meses. Fiquei muito triste com o sucedido, mas quando perguntei à minha família se devia fazer queixa à polícia, não acreditaram em mim”, podia ler-se na denuncia. “Falei com o professor e com o director da escola e disseram-me que não devia falar desse assunto, também me ofereceram dinheiro para tentar resolver o problema”, acrescentou. A denunciante declarava ainda estar “a sofrer de insónias todas as noites”, sem conseguir “esquecer as imagens do ataque”. “Não sei como lidar com tudo isto”, desabafava.

O comentário não foi identificado, porém a PJ admitiu estar a investigar a publicação anónima. A polícia deixou ainda um apelo para a vítima, ou alguém com conhecimento do caso, contactar as autoridades através do número 993.

Burla | Perde 42 mil patacas em chamada telefónica

Um aluno universitário foi vítima de uma burla telefónica e perdeu 42 mil patacas, de acordo com a informação divulgada ontem pela Polícia Judiciária (PJ). Segundo o relato, citado pela Rádio Macau, o estudante de 20 anos recebeu uma chamada de um alegado funcionário de uma empresa de correio rápido. Durante a conversa, foi informado que a encomenda que tinha enviado para o Interior continha artigos proibidos, pelo que violava a lei.

Poucos depois da primeira conversa, a chamada foi transferida para alguém que se fez passar pela polícia da cidade Fuzhou, na província de Fujian. Do outro lado da linha, o estudante ouviu um alegado agente pedir-lhe que se deslocasse ao Interior, para prestar depoimento. Dado que o aluno precisava de assistir às aulas, e não se podia deslocar ao Interior, o “agente” explicou que era preciso pagar uma caução de 19 mil patacas, para se poderem utilizar meios electrónicos de depoimento.

Sem dinheiro, o aluno foi convencido pelo burlão a empenhar as joias de jade e de ouro da mãe e utilizou o dinheiro para fazer a transferência bancária para o falso polícia. Só depois de contar o sucedido à mãe é que percebeu que tinha sido burlado e apresentou queixa.

CPSP | interrogada mulher que atirou objectos de prédio

Na manhã de ontem, foram atirados vários objectos de um prédio, como roupas, caixas, sacos, entre outros, que bloquearam parte da entrada do Silo Ferreira de Almeida, na Avenida do Conselheiro Ferreira da Almeida.

Na sequência, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou ter levado uma mulher para interrogatório, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, por suspeitar que a mulher foi responsável pela queda dos objectos.

A suspeita tem cerca de 30 anos, é residente local e foi encontrada perto do local. Os objectos atirados para a via pública não causaram qualquer ferido.

1º de Maio | PJ conclui que não houve pressão a Wong Wai Man

A Polícia Judiciária adiantou ontem em que o cancelamento do pedido de manifestação para o Dia do Trabalhador não se deveu a pressão policial a Wong Wai Man, mas a “pressão pessoal”. De seguida, as autoridades fizeram um inventário das infracções de trânsito cometidas pelo dirigente associativo. O CPSP pondera responsabilização criminal

O presidente da única associação que apresentou um pedido para manifestação no Dia do Trabalhador pode vir a ser responsabilizado criminalmente na sequência de um artigo em que terá afirmado que o cancelamento da manifestação se deveu a pressões policiais.

Depois de o gabinete do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, ter adiantado no sábado que a Polícia Judiciária (PJ) iria investigar o caso, no mesmo dia, Wong Wai Man, presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço e ex-candidato a deputado que apresentara o pedido para manifestação, foi “convidado a prestar declarações” nas instalações da PJ durante quatro horas.

O porta-voz da PJ, Chan Wun Man, indicou que as autoridades concluíram que o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) não foi responsável por qualquer pressão para que o cidadão desistisse da manifestação requisitada. Aliás, a PJ indica que Wong Wai Man terá afirmado ter sentido apenas “pressão pessoal”, não explicando o que isso significa, acrescentando que não houve aplicação selectiva da lei e que o cidadão terá dito à PJ que as declarações prestadas ao All About Macau não corresponderam ao artigo publicado.

Recorde-se que o All About Macau referiu que Wong Wai Man terá afirmado que depois de apresentar o pedido para marcha do 1.º de Maio, recebeu mensagens da polícia, a sede da sua associação foi visitada por agentes, e o prédio onde se situa chegou a ser vigiado pelas autoridades, com agentes no local. A PJ afirmou ontem ter analisado as imagens de videovigilância e não descortinou qualquer agente a vigiar o local.

Em relação às mensagens que Wong Wai Man disse ter recebido via WeChat, a PJ não foi clara. O porta-voz da PJ disse que o dirigente não revelou todas as mensagens, mas que o conteúdo mostrado às autoridades não indica pressões de qualquer espécie. Questionado sobre quem teria enviado essas mensagens, foi dito que como estas são do foro privado, adiantar mais informações seria contrário à protecção de dados pessoais.

Vilão do trânsito

Grande parte da conferência de imprensa e da apresentação feita ontem pela PJ sobre a eventualidade de Wong Wai Man ter sido pressionado pela polícia recaiu sobre a quantidade de multas de trânsito que este terá acumulado desde 2018.

A polícia declarou ainda que, segundo informações do CPSP, desde 2018, foram recebidas cinco denúncias de que na sede da associação presidida por Won Wai Man haveria exploração de jogo ilegal. Por quatro vezes, agentes do CPSP foram ao local, onde encontraram várias pessoas e quatro mesas de mahjong, sem que tenham recolhido provas da prática de crimes.

Após a conferência de imprensa da PJ, o CPSP emitiu um comunicado a vincar que a investigação confirmou que os “relatos não são verdade”.

O CPSP indicou ainda que “tem vindo a garantir, de forma suficiente, o exercício do direito de reunião e de manifestação, nos termos da Lei Básica e das respectivas leis”, abrindo a possibilidade de responsabilizar criminalmente Wong Wai Man.

“Os comentários do residente de apelido Wong (…) são completamente contrários aos factos objectivos, violando gravemente o prestígio da polícia e prejudicando a boa reputação da polícia. Esta Corporação condena de forma veemente o assunto, irá acompanhar as possíveis infracções envolvidas no incidente, estudando que as pessoas em causa serão responsabilizadas criminalmente”.

Casinos | Deputado quer segurança reforçada

Leong Hong Sai apelou às concessionárias de jogo para reforçarem a cooperação com as forças policias, de forma a evitar os crimes dentro dos casinos e o impacto negativo na imagem de Macau. A mensagem foi deixada através de um texto publicado na edição de ontem do Jornal Cheong Pou.

Foi desta forma que o deputado ligado aos Moradores reagiu aos casos recentes, de uma cena de luta com sete pessoas num casino e de um homicídio no quarto de um hotel no Cotai.

“São acontecimentos que vão ter um impacto negativo na imagem de Macau, e que podem levar os turistas a ficarem preocupados na altura de visitar Macau, o que é prejudicial para o desenvolvimento sustentado do turismo”, indicou Leong Hong Sai.

O deputado apontou também que com o aumento do número de turistas a visitarem a cidade há uma tendência natural para o aumento da criminalidade. Face a esta realidade, apelou às autoridades para que combatam de forma activa as práticas criminosas e que façam tudo para levar os criminosos à justiça.

Quanto ao papel das concessionárias, Leong Hong Sai considerou que o caso da luta com sete pessoas pôs a nu falhas graves na segurança interna dos casinos, devido à demora da intervenção. O legislador sugeriu um melhor treino para estas situações, que inclua procedimentos como a retirada de quem está nas imediações, para evitar que inocentes acabem feridos.

Cosmética | Pedido que não se tomem injecções para a pele

O deputado Chan Iek Lap apelou ontem para que se evite tomar injecções que tornam a pele mais branca. Foi desta forma que o também médico reagiu ao caso de uma trabalhadora não-residente que perdeu a vida, após ter tomada um injecção deste tipo.

Ao jornal Ou Mun, o deputado considerou que como ainda se aguarda pela autópsia não se deve especular sobre as causas de morte. Porém, avisou que este tipo de injecções têm várias composições químicas que podem gerar reacções alérgicas com efeitos muito sérios. Como alternativa a este tipo de tratamentos, Chan avançou que há outros produtos no mercado que podem produzir os mesmos efeitos, como a utilização de produtos de protecção solar e camisas com mangas compridas.

Justiça | Vong Hin Fai quer Macau a seguir o Interior

A delegação dos membros de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) visitou a cidade Wuyishan, em Fujian, para estudar os processos instaurados pelo Ministério Público contra crimes que atentam às políticas de protecção ambiental.

Vong Hin Fai, um dos membros de Macau na APN, considerou que o território é uma cidade com património cultural pelo que deve acompanhar os exemplos do Interior, não só a pensar na área ambiental mas também de defesa do património cultural. Ouvido pelo jornal Ou Mun, o também deputado indicou que o Ministério Público de Wuyishan assume um papel importante ao instaurar processos que resultam na protecção ambiental, ao aplicar as leis, mas também com a divulgação das mesmas.

Hengqin | Mercadorias isentas de impostos

As mercadorias oriundas de Macau com destino a Hengqin passarão a estar isentas do pagamento de impostos, adiantou ontem o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, no âmbito de uma conferência de Promoção de Investimento Global em Hengqin, que contou com 300 participantes.

Segundo a TDM Rádio Macau, o secretário referiu num discurso que a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin apresenta “vários benefícios políticos” e económicos, constituindo um “terreno fértil para o investimento e empreendedorismo”.

PME | Abertura de fronteiras afasta consumo de residentes

Após três anos a depender de subsídios e consumo interno, a normalidade fronteiriça e a possibilidade de levar o automóvel para o Interior afastou o consumo de residentes e prejudicou as PME locais. Leong Sun Iok pede diminuição de custos intermediários na importação de produtos para aumentar a competitividade

 

Entre os muitos vícios nascidos da clausura fronteiriça imposta pelo combate à pandemia, a dependência exclusiva do consumo interno parece estar a afectar as pequenas e médias empresas que subsistiam com base nas despesas dos residentes.

Segundo relatos do deputado Leong Sun Iok, comerciantes e gestores de pequenas e médias empresas (PME) referem que desde que a normalidade nas fronteiras foi reposta, e implementado o Programa de Veículos de Macau para Norte, o consumo dos residentes também migrou para o Interior, onde os produtos são muito mais baratos.

O deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau afirmou que, devido às oscilações socioeconómicas que o território atravessou, o tecido empresarial e o Governo devem pensar em conjunto os caminhos para aumentar a competitividade, cabendo ao Governo de Ho Iat Seng ajudar as PME e microempresas a reduzir custos operacionais, actualizar operações e reestruturar o negócio com vista a reduzir os preços finais ao consumidor.

O Executivo deve encontrar também formas de cortar nos custos de importação de bens, diminuindo o peso dos intermediários, para aumentar a competitividade das empresas.

As queixas mais frequentes vieram de responsáveis por oficinas de reparação de automóveis, restaurantes fora dos pontos turísticos e retalhistas, que se queixaram a Leong Sun Iok que os negócios estão piores do antes da pandemia.

Custos de vida

Enquanto o comércio nos pontos turísticos, como nas imediações das Ruínas de São Paulo e a Taipa Velha facturaram bem nos feriados do Dia do Trabalhador, muitas lojas dos bairros comunitários optaram por fechar as portas durante esses dias devido à falta de movimento.

Na óptica de Leong Sun Iok, uma das razões que leva os residentes a consumir no Interior é a inflação que se sente em Macau, alavancada pela subida das taxas de juro. Assim sendo, além do corte nos custos intermediários na importação de bens, o deputado sugere a organização de mais eventos como os carnavais de consumo e programas de promoção do consumo dos residentes nos bairros em que vivem.

Apesar de compreender que a população deseja uma nova ronda de cartão do consumo, o deputado da FAOM mostra-se compreensivo face às justificações do Governo para não avançar com a medida.

Em termos de promoção, Leong Sun Iok acha que as PME devem recorrer à publicidade online, através de conteúdos concebidos por influencer, usando métodos que envolvam inteligência artificial, sem, no entanto, explicar como isso poderia ser alcançado.

Farol da Guia | Estudo de impacto patrimonial peca por tardio, dizem arquitectos

Maria José de Freitas e Francisco Vizeu Pinheiro defendem que o estudo de “Avaliação do impacto patrimonial e concepção urbana da zona ao redor da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues” deveria ter sido feito há mais tempo, destacando, no entanto, o lado positivo de serem propostos sete corredores visuais relativos ao Farol da Guia, ao invés dos três apresentados pelo Instituto Cultural em 2018. Mário Duque entende que o estudo nada traz de novo face ao que o Governo poderia fazer

 

O passar dos anos foi fazendo de Macau cada vez mais uma cidade mais moderna, de edifícios altos, em detrimento de uma cidade de comércio com embarcações estacionadas no Delta do Rio das Pérolas. Mas o património desses tempos mantém-se e tenta sobreviver no meio da construção, sendo o caso do Farol da Guia o mais paradigmático.

Tendo em conta a divulgação, na última sexta-feira, de algumas conclusões do estudo de “Avaliação do impacto patrimonial e concepção urbana da zona ao redor da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues”, o HM questionou três arquitectos sobre a sua importância e carácter inovador. Na visão de Maria José de Freitas, arquitecta e vogal do Conselho do Património Cultural, este trabalho deveria ter sido feito logo em 2008, quando a publicação de um despacho pelo então Chefe do Executivo, Edmund Ho, interrompeu a construção em altura de um edifício habitacional na Calçada do Gaio, que tapou a vista do Farol da Guia, pois já tinha 81,32 metros de altura. O despacho determinou um limite máximo de construção em altura para o local de 52,5 metros.

“Se calhar este estudo já deveria ter sido feito em 2008 quando foi publicado o despacho”, apontou. “Foi importante encomendá-lo e estou muito satisfeita com o teor do documento, pois era mesmo isto que era necessário ser focado quando se fala da protecção do património, sobretudo no caso de bens incluídos na lista classificada da UNESCO.”

A responsável lamenta que o estudo não seja mais incisivo relativamente à questão do prédio na Calçada do Gaio, cuja construção prossegue com a altura existente. “Parece-me importante a questão da Calçada do Gaio neste enquadramento e deveria ser revista. Espero que essa situação [da altura] venha a ser negociada tendo como base os pressupostos deste estudo. Estas situações têm de ser vistas caso a caso. São muito corajosos os passos dados, que vão no sentido de proteger o património”, frisou Maria José de Freitas.

Sem regra

Também Francisco Vizeu Pinheiro entende que este estudo “deveria ter sido feito há muito tempo”. “Em muitas cidades existe o chamado ‘Heritage Impact Assessment’, um parecer sobre o impacto do património e ambiente. Essa legislação determina as condições urbanísticas e isso é importante se quisermos ter uma cidade sustentável e manter o património. Em Macau, infelizmente, não é obrigatória essa análise, só em algumas situações, quando se faz uma intervenção numa zona ou edifício classificados”, disse.

Cabe agora remediar e preservar o que é possível, tendo em conta que, “durante muito tempo, não houve definição clara para estas zonas históricas”. “Tínhamos o antigo plano do ZAPE quando a classificação da UNESCO não existia e, portanto, não havia problemas de altura. Agora existe. A cidade é um organismo vivo e a legislação tem de se adaptar”, frisou.

Francisco Vizeu Pinheiro espera que teor deste estudo “venha a ser aberto ao público para poder haver comentários”. “Normalmente a UNESCO pede transparência e uma decisão de baixo para cima. O estudo está bem feito, foi desenvolvido por uma empresa de Pequim que já fez mais de mil estudos, e como académico e cidadão estou interessado em vê-lo.”

O arquitecto Mário Duque, por sua vez, entende que este trabalho poderia ter sido feito há muitos anos pelas Obras Públicas. “Do que foi explicado serem as recomendações, não me ocorre nada de urbanisticamente extraordinário que o Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana não pudesse lá ter chegado sozinho, há mais tempo.”

Exemplo disso é a sugestão de “escalonar” os andares para aliviar um “constrangimento” ou “recuar” os pavimentos em altura, quando “surgiu o alerta de que a cidade se estava a tornar numa tremenda escadaria para o céu”, algo que “já se fazia em consequência da lei das sombras, entretanto revogada”.

Mário Duque aponta que “das situações que requerem maior escrutínio, a melhor salvaguarda que se obtém é por planos de pormenor com condições descritivas, em vez de prescritivas. Ou seja, definições volumétricas que já são geométricas, em vez de meramente algébricas”.

Além disso, “os residentes já estavam seguros de que ‘os edifícios existentes não serão afectados’ pelo ordenamento jurídico da RAEM, na medida em que as autorizações já proferidas não são livremente revogáveis, e que as novas leis só dispõem para o futuro. Por isso, é melhor que se apressem”, declarou.

Mais corredores

Francisco Vizeu Pinheiro destaca ainda o facto de o estudo realizado pela consultora Conservision propôr sete corredores visuais em redor do Farol da Guia. “Na consulta pública que foi feita pelo Instituto Cultural em 2018 eram previstos três corredores visuais [do Farol da Guia para a Fortaleza do Monte, praça do Tap Seac e Porto Exterior] e agora vemos sete corredores, o que prova que há mais zonas em que se prevê uma protecção da visualização da colina da Guia e do farol. Estes corredores visuais vão limitar as alturas dos edifícios, mas deveriam ser definidas separações entre os edifícios. Para mim, o grande problema não é a altura, mas o espaço entre os edifícios, sendo de evitar o surgimento de uma espécie de ‘muralha’ entre edifícios que estejam muito colados uns aos outros.”

Também Maria José de Freitas se mostra surpreendida “de forma positiva” pela definição de mais corredores visuais, o que “denota uma abertura e preocupação de que este estudo tenha sido feito com bases muito objectivas”.

“O farol, que existe praticamente a uma cota 100 metros acima do nível do mar, que permite visualizar a envolvente de Macau e marítima, a 360º, ficou praticamente inviabilizado com os edifícios que já estão construídos na avenida dr. Rodrigo Rodrigues e ficaria ainda mais ameaçado se fossem construídos mais lotes na continuidade dos que já estão edificados. Na zona virada para o Porto Interior [a vista do farol] também já está praticamente inviabilizada.”

Negociar é preciso

Recorde-se que o estudo propõe a redução do limite máximo de construção dos edifícios em torno do Farol da Guia, com diferentes valores. Um dos projectos de construção situa-se no lote de terreno número 134, junto ao Arco do Oriente, alvo de críticas por prever uma altura máxima de 90 metros. Este estudo vem sugerir uma redução para 60 metros, sugerindo ainda, para o terreno ao lado do edifício do Ministério Público, prédios com uma altura que não vá além dos 15, 22 e 28 metros acima do nível da água do mar, de sul a norte.

São, no total, 21 as zonas consideradas problemáticas e visadas por este estudo, tendo Lai Weng Leong, director da DSSCU, confirmado que serão suspensas as plantas de condições urbanísticas já emitidas. Chan Tak Seng, responsável pelo Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia, queixou-se esta segunda-feira ao HM de que a sugestão de diferentes alturas máximas podem gerar desigualdade entre promotores dos projectos de construção. Se Maria José de Freitas defende uma revisão do projecto da Calçada do Gaio, Francisco Vizeu Pinheiro também acredita que um diálogo com os promotores será sempre possível e necessário.

“Parece-me bem que se crie o chamado ‘zoneamento’ no planeamento e que haja maior definição do que se pode ou não construir. Claro que isso irá afectar o valor da propriedade e comercial [da construção], mas isso também existe noutras cidades. Por exemplo, em Lisboa, em zonas como a Mouraria e Bairro Alto, não se podem construir arranha-céus, havendo uma altura máxima estabelecida. É algo normal em cidades históricas e não me parece que seja uma injustiça”, disse Vizeu Pinheiro.

Cinco dias depois da divulgação do estudo em chinês, não está ainda disponível uma versão do mesmo em português. Segundo uma nota da DSSCU, o estudo foi encomendado no contexto da aprovação, em 2021, na 44.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, de uma resolução relativa ao Centro Histórico de Macau. A área de estudo abrange ambos os lados da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues e estende-se à Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE) e aos Novos Aterros do Porto Exterior (NAPE), localizados nas zonas de controlo de 2 a 5 delimitadas pelo despacho do Chefe do Executivo n.º 83/2008.

São, assim, sugeridos, “sete corredores visuais e vistas” classificadas em dois níveis, além da já referida proposta de redução do limite máximo de construção nas zonas limítrofes do farol. O estudo conclui que as “vistas a partir da Fortaleza de N.ª Sr.ª da Guia e do Farol para o mar estão bem preservadas”, apresentando-se medidas de controlo para as restantes zonas.

Associated Press distinguida com dois prémios Pulitzer

A agência Associated Press (AP) foi distinguida com dois prémios Pulitzer de jornalismo, na segunda-feira, nas categorias de serviço público e fotorreportagem, relativos à guerra na Ucrânia, que incluem imagens surpreendentes do cerco russo a Mariupol.

Os jornalistas da AP também estiveram entre os finalistas nas categorias de fotorreportagem, pela cobertura da crise política no Sri Lanka, e pelo impacto da invasão russa da Ucrânia nas pessoas idosas. Para o prémio do serviço público, o júri citou o trabalho do vídeojornalista Mstyslav Chernov, do fotógrafo Evgeniy Maloletka, da produtora de vídeo Vasilisa Stepanenko e da repórter Lori Hinnant. Durante quase três semanas, os únicos jornalistas estrangeiros em Mariupol eram da AP, que capturaram imagens notáveis de uma mulher grávida ferida a ser transportada para ter cuidados médicos e de soldados russos a dispararem sobre alvos civis.

Outros distinguidos com o Pulitzer foram o AL.com, de Birmingham, no Estado do Alabama, pelo noticiário e comentário local, o Los Angeles Times, o New York Times e o Washington Post.

Estes prémios distinguem o melhor no jornalismo em 2022, em 15 categorias, bem como em oito categorias artísticas, focadas em livros, música e teatro. O distinguido pelo serviço público recebe uma medalha de ouro, os outros, 15 mil dólares americanos.

O vice-presidente da autarquia de Mariupol afirmou que o trabalho da AP suscitou a atenção internacional, que levou a pressões para os russos abrirem vias de retirada de pessoas, o que permitiu salvar milhares de vidas. “Informaram o mundo sobre o custo humano desta guerra nos seus primeiros dias”, disse a editora executiva da AP, Julie Pace, durante uma comemoração dos prémios, via Zoom. “Serviram de contrapeso da desinformação russa e ajudaram a abrir um corredor humanitário de saída de Mariupol com o seu trabalho”, realçou.

A equipa de fotógrafos da AP distinguida com o prémio inclui, além de Maloletka, também Bernat Armangue, Emilio Morenatti, Felipe Dana, Nariman El-Mofty, Rodrigo Abd e Vadim Ghirda. “Estar lá foi provavelmente mais importante e crítico do que nunca”, disse o diretor de fotografia da AP, David Ake.

The Atlantic premiada

A revista The Atlantic ganhou um prémio na categoria de jornalismo explicativo, pela investigação, feita por Caitlin Dickerson, da política de Donald Trump de separar pais e filhos na fronteira.

Premiados foram também o Wall Street Journal, pelas notícias sobre dirigentes públicos que possuíam acções de empresas que podiam beneficiar com as decisões políticas, e Anna Wolfe, do Mississippi Today, pela exposição de um antigo governador que dava dinheiros públicos a amigos e familiares.

Andrew Long Chu, da revista New York, ganhou um Pulitzer por crítica, Nancy Ancrum, Amy Driscoll, Luisa Yanez, Isadora Rangell and Lauren Constantino, de Miami Herald, pelas prosas editoriais, Mona Chalabi, colaboradora do New York Times, pelas ilustrações de notícias e comentários, e o ‘staff’ da Gimlet Media, pelo noticiário radiofónico. Os prémios foram estabelecidos por vontade do editor Joseph Pulitzer e começaram a ser atribuídos em 1917.