Arte Macau | Mostra com curadoria de Alice Kok apresentada em setembro Andreia Sofia Silva - 24 Jul 2023 “Sincronicidade – Topologia da mente” é o nome da exposição com curadoria de Alice Kok que integra a “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023”. Apresentada em setembro junto ao mercado vermelho, a mostra junta trabalhos de Vincent Cheang, natural de Macau, e de Tan Bin, de Hangzhou, explorando os conceitos de realidade, sonhos e mente Chama-se “Sincronicidade – Topologia da Mente” e é um dos projectos criativos locais seleccionados pelo Instituto Cultural (IC) para integrar a edição deste ano da “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau”. Com curadoria de Alice Kok, a mostra apresenta-se ao público no “All Around Space”, junto ao mercado vermelho, entre os dias 30 de Setembro e 26 de Novembro. Trata-se de uma fusão de trabalhos díspares do artista local Vincent Cheang e do artista de Hangzhou Tan Bin que, com o trabalho de curadoria, acabam por se juntar e complementar. Vincent Cheang apresenta uma série de desenhos em “Sinfonia da Destruição”, enquanto Tan Bin traz uma instalação móvel intitulada “A Caverna do Céu: Sonhos em Sonhos”. Apresentam-se, nesta mostra, uma variedade de meios artísticos, incluindo o desenho, a escultura, instalações de vídeo móveis e imagens geradas por computador, integrando ainda espectáculos de som e música ao vivo de artistas de Macau e Hong Kong, bem como com workshops espirituais. Uma vez que o tema central da bienal Arte Macau 2023 é “A Estatística da Fortuna”, Alice Kok desenvolveu uma exposição centrada nas ideias de sonho, realidade e consciência, com ligações ao mundo da espiritualidade e dos adivinhos. “O meu projecto gira em torno das ideias de espiritualidade e de como se podem associar à ciência”, contou a curadora ao HM. “Construí, com a minha equipa e os dois artistas, esta ideia de sincronicidade, de topologia da mente.” Tan Bin propõe, com as suas obras, “um estudo sobre a tipologia dos sonhos”, apresentando “uma instalação que se move, com uma espécie de comboio que contém uma câmara que vai fotografando dentro de uma escultura de montanhas e túneis [envolvidos] numa paisagem”. Desenvolvem-se, assim, ideias em torno da dimensão e do espaço e de “como a matéria ou a substância vão mudando de forma”, que Alice Kok resolveu expandir “como um todo, além da tipologia dos sonhos e da própria mente”. Isto porque “num sonho estamos aqui, mas de repente podemos estar noutro lugar, então a dimensão do que vemos pode ser extrapolada em diferentes lugares, mas, ao mesmo tempo, tem origem na mesma fonte”. Por sua vez, os desenhos de Vincent Cheang variam entre o figurativo e o abstracto, tendo sido criadas “uma espécie de figuras que não são verdadeiramente reconhecíveis, mas cuja textura apela ao imaginário dos aliens, mas é também às criaturas mitológicas mais tradicionais”. “Há uma combinação desta mitologia com a dimensão do sonho”, frisou Alice Kok. Geometria secreta Em termos espaciais os trabalhos dos dois artistas coexistem numa exposição desenhada mediante o conceito de geometria secreta, com o espaço a ser organizado “de forma sistemática e harmoniosa”. “A geometria [tem uma base] matemática e espiritual por detrás, porque podemos encontrar a geometria secreta tanto na arte como na arquitectura”, explicou a curadora, que dividiu a exposição em três grandes áreas, viradas para a realidade, sonhos e o centro da mente. Cria-se, assim, um percurso percorrido pelo público, uma “espécie de túnel” que começa com o trabalho de Vincent Cheang, ou seja, a zona da realidade, passando-se depois para a zona dos sonhos, no meio, com a instalação de Tan Bin. A área destinada à mente junta os trabalhos dos dois artistas “de uma forma relativamente abstracta”. “Estas áreas mostram as diferentes dimensões dos trabalhos e o público poderá experienciar visualmente e fisicamente as imagens que são reveladas do interior. Apresenta-se uma nova forma de leitura de uma exposição, é como uma experiência”, disse Alice Kok. Universo pinhole “Sincronicidade – Topologia da mente” inclui ainda uma sala escura onde são projectadas imagens do mercado vermelha com recurso à técnica pinhole, onde apenas se utiliza a luz natural. “A ideia central da exposição é criar uma experiência visual, mas estimulando a mente quanto ao que pode acontecer num só espaço com obras de arte”, adiantou Alice Kok, que considera este um dos melhores projectos de curadoria que desenvolveu até à data. Partindo do tema central da bienal, Alice Kok diz ter tentado combinar “o trabalho de todos os artistas, que não se conhecem e que têm uma grande diferença de idades, além de possuírem estilos artísticos completamente diferentes”, mas que acabam por se complementar. “Para mim sincronicidade é isto, ter dois temas não relacionados entre si que, de repente, se unem para criar alguma conexão e um significado. Este é o meu trabalho principal como curadora, encontrar temas que não se relacionam propriamente entre si, não de forma óbvia, e que é algo maior do que simplesmente colocar dois trabalhos juntos de forma técnica.” É “algo mágico”, confidenciou.
Taipa | Intervenção policial em despejo da povoação de Cheok Ka João Luz - 24 Jul 202324 Jul 2023 O bairro clandestino da povoação de Cheok Ka, na Taipa, foi palco de uma acção de despejo de larga escala, depois de a empresa proprietária do terreno ter vencido uma batalha judicial. O bairro foi cercado pelas autoridades, com agentes antimotim a entrarem na povoação. Moradores exigem compensação Na manhã de sexta-feira, foi montado um grande aparato policial no bairro clandestino da povoação de Cheok Ka, entre o caminho das Hortas e a Avenida Dr. Sun Yat Sen, no coração da Taipa. A intervenção teve como objectivo cumprir a ordem judicial que determinou que os moradores da povoação deveriam desocupar e devolver o terreno à proprietária do terreno, a Companhia de Investimento e Desenvolvimento Continental Ocean. A intervenção começou às 10h da manhã de sexta-feira, com a presença no local de oficiais de justiça, acompanhados por elementos da Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro, Instituto de Habitação, Instituto de Acção Social, Instituto para os Assuntos Municipais e Corpo de Bombeiros. A circulação de veículos à entrada da povoação também foi controlada, com as vias rodoviárias e os acessos para pedestres a serem cortadas. Além disso, foram desmanteladas construções de madeira, com camiões a saírem do local carregados com material extraído. Apesar de as autoridades não terem confirmado, o jornal Ou Mun refere que alguns moradores recusaram abandonar o local e que agentes do CPSP foram chamados a intervir e que, por volta do meio-dia, alguns moradores saíram do bairro transportados por ambulâncias. Não foi revelado a intervenção do Corpo de Bombeiros se ficou a dever a ferimentos ou indisposição física. Por volta das 13h, um contingente alargado de agentes policiais, equipados com escudos e farda antimotim, entraram no bairro à medida que ambulâncias entravam e saíam. Cerca de uma hora depois, quase duas dezenas de trabalhadores não-residentes, presumivelmente moradores da povoação de Cheok Ka, acorreram ao local, depois de terem sido notificados enquanto trabalhavam, para recolher bens pessoais. Depois de identificados, os moradores foram, um a um e acompanhados por agentes policiais, chamados a levantar do local os bens pessoais. Viver nas margens Uma moradora que não se quis identificar, ou ser fotografada, afirmou ao jornal Ou Mun ter sido apanhada de surpresa com a acção de despejo. Após quatro décadas a residir na povoação de Cheok Ka, a execução da ordem judicial chegou numa altura em que a residente partilhava casa com seis familiares. Para já, a moradora tem esperanças que o proprietário, ou o Governo, compense os residentes do bairro com casas novas. No dia da intervenção, já o bairro clandestino estava cercado com barreiras físicas e contingente policial, o Tribunal Judicial de Base emitiu um comunicado a indicar que, depois de julgamentos nas três instâncias, o Tribunal da Última Instância (TUI) proferiu decisão final em 8 de Junho de 2022, que confirmou definitivamente a sentença do Tribunal Judicial de Base, no sentido de julgar procedente o pedido da autora de reconhecimento do seu direito de propriedade sobre o terreno, e de condenar os réus a devolver o referido terreno à autora no prazo de seis meses. Cinco acolhidos O Instituto de Acção Social (IAS) providenciou acolhimento temporário para cinco moradores da povoação de Cheok Ka, logo na sexta-feira, após a acção de despejo. Nas próximas duas semanas, os responsáveis do IAS vão avaliar as necessidades sociais das pessoas acolhidas, assim como a sua situação económica, indicou ontem o canal chinês da Rádio Macau. O IAS destacou para a acção de despejo seis profissionais para prestar apoio psicológico e um supervisor que ficou no local o dia inteiro para acalmar os moradores e responder às suas necessidades emocionais.
Inflação | Taxa sobe 0,8% em Junho, a 19º subida mensal consecutiva João Luz - 24 Jul 2023 A taxa de inflação em Macau voltou a subir em Junho, o décimo nono mês consecutivo de crescimento. A subida foi impulsionada por propinas escolares, salários de empregados doméstico, refeições e quartos de hotel. Em contrapartida, os preços de bilhetes de avião e habitação caíram face a Junho do ano passado A taxa de inflação em junho em Macau subiu 0,8 por cento face ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. “O crescimento foi impulsionado, principalmente, pela ascensão das propinas escolares e dos salários dos empregados domésticos, assim como pela subida dos preços: das refeições adquiridas fora de casa; dos quartos de hotéis e do vestuário”, explicou em comunicado a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os maiores aumentos verificaram-se nos preços de bens e serviços, com os custos da educação a subirem 9,98 por cento, vestuário e calçado 5,44 por cento, recreação e cultura 5,38 por cento e produtos alimentares e bebidas não alcoólicas 2,64 por cento. Porém, os índices de preços das secções dos transportes, assim como da habitação e combustíveis baixaram 3,74 e 1,76 por cento, respectivamente. Comparação mensal Em termos mensais, o índice de preços no consumidor de Junho subiu 0,11 por cento, face ao verificado em Maio. A inflação verificada em Junho culmina um período de 19 meses de subidas sucessivas de um ciclo iniciado em Dezembro de 2021, depois de três trimestres de deflação provocada pela paralisia económica resultante do combate à pandemia. Na variação mensal dos preços, a DSEC destaca subida nas secções de vestuário e calçado, com o aumento de preços de 1,61 por cento, e da saúde, com a subida de 0,38 por cento, “graças ao acréscimo dos preços do vestuário de Verão e das consultas externas”. Apesar da descida de preços em termos anuais, entre Maio e Junho, os preços dos bilhetes de avião aumentaram 0,27 por cento. Em relação ao índice de preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, o aumento de 0,21 por cento foi impulsionado pela subida dos preços “dos produtos do mar e das refeições adquiridas fora de casa, apesar dos preços dos produtos hortícolas terem diminuído”, indicou a DSEC. Com Lusa
EUA-China | Visita de Kissinger a Pequim vista como um aproximar de relações Andreia Sofia Silva - 24 Jul 2023 Tido como um “velho amigo” da China, Henry Kissinger, antigo secretário de Estado norte-americano, terminou recentemente a sua visita a Pequim onde foi recebido ao mais alto nível e deixou várias sugestões de paz e diálogo entre os EUA e a China. Académicos entendem que esta é uma viagem simbólica, e que Pequim recorre a Kissinger para enviar sinais de uma certa aproximação Antigo secretário de Estado de Richard Nixon, Henry Kissinger é há muito conhecido como um “velho amigo” da China, país que já visitou inúmeras vezes. A sua mais recente estadia em Pequim, onde chegou a reunir com o Presidente Xi Jinping, “tem um imenso simbolismo”, isto numa altura em que as relações entre a China e os EUA acarretam algumas tensões. “A China também está a jogar, utilizando um pouco a figura de Kissinger para dar um sinal aos EUA. Ele [Kissinger] é um líder histórico e também é respeitado pela própria elite política americana, sendo uma figura lendária da diplomacia americana que se aproximou muito da China”, defendeu ao HM Jorge Tavares da Silva, analista de assuntos chineses ligado à Universidade da Beira Interior, em Portugal. Outrora uma influente figura política no panorama norte-americano, Kissinger é hoje “uma espécie de lobista pró-China”, pois “durante muitos anos ajudou empresas americanas a entrar na China”. O antigo secretário de Estado tornou-se, assim, “quase uma espécie de diplomata a defender a imagem do país”, acrescentou o académico. Com esta visita, a China quer, no fundo, mostrar que “se predispõe a fazer uma aproximação aos EUA, uma vez que os americanos também fazem algum esforço para se aproximarem da China”. “Há tensões que não vão mudar, há a questão da tecnologia e do Mar do Sul da China, mas os EUA tentam agora uma certa aproximação, o que sucedeu com algumas visitas [John Kerry]. Tentam chamar a atenção para certas questões, como a questão climática, que pode avançar. É fundamental que os dois países não entrem numa escalada de tensão. Os EUA estão preocupados com isso, e Kissinger está a ser usado para a China dar um sinal de que o caminho certo é o do diálogo”, frisou o académico. A jogada da Casa Branca Tiago André Lopes, especialista em assuntos asiáticos e docente na Universidade Portucalense, defendeu ao HM que a visita de Kissinger não é mais do que uma “diplomacia de celebridade”, pois o antigo secretário de Estado “usou o seu estatuto académico-diplomático para encetar uma verdadeira operação de charme, sabendo que Xi Jinping é um fã confesso da política de Kissinger que terminou com o isolamento da RPC, que a alavancou para o Conselho de Segurança da ONU e que permitiu à China ter uma palavra dizer no sistema internacional”. O académico entende que a visita é, também, uma “jogada diplomática da Casa Branca que sinaliza a sua vontade de ter uma cooperação mais estreita com Pequim, sem, contudo, se comprometer aberta e publicamente com os resultados da visita”. Desta forma, os EUA pretenderam “relembrar a China que, no quadro da diplomacia triangular, o país, durante a Guerra Fria, era uma espécie de contra-peso ao jogo de influências travado entre a URSS e os EUA”. Assim, a Casa Branca “parece querer voltar à ideia do ‘Condomínio a Dois’, avançada no final da Guerra Fria, no qual a estrutura internacional seria bipolar, mas de matriz cooperante e não de matriz conflitual”. Acima de tudo, a ida de Henry Kissinger à China não pode ser encarada como sendo apenas “um acaso de agendas”, acrescentou Tiago André Lopes. “Há muitas camadas de análise e intenção e não há inocência no ocorrido. Washington percebeu, no ano passado, que Pequim está com uma postura mais assertiva e até de cariz mais beligerante, pelo que importa tentar aliviar tensões e esclarecer mal-entendidos, antecipando desde já a previsível fúria de Pequim quando o candidato ao governo de Taiwan passar pela América Latina e se encontrar com representantes políticos dos EUA. A visita de Kissinger tenta instaurar uma nova fase de cooperação pragmática na Ásia Oriental, mas creio que Pequim tem menos interesse nessa cooperação neste momento”, adiantou. Um homem “pragmático” Jorge Tavares da Silva entende que Henry Kissinger foi, nos anos 70, um político “pragmático” na sua tentativa de encetar o diálogo bilateral numa altura em que a China comunista estava fechada ao mundo. Numa viagem secreta a partir do Paquistão, Kissinger vai a Pequim onde se reúne com o então primeiro-ministro chinês, Zhou Enlai, para discutir os pormenores da viagem. Em 1972, Richard Nixon aterrava em solo chinês para uma viagem que ficou para a história, que ficou conhecida como “A semana que mudou o mundo”. “Foi ele iniciou negociações para o restabelecimento das relações bilaterais entre os países. O momento histórico era terrível, porque a China e a URSS estavam num período de tensão e os EUA aproveitaram esse momento para se aproximarem da China. O país tornou-se comunista em 1949 e nos EUA as autoridades questionavam como tinham perdido a China, o que foi um grande abalo para os interesses americanos no mundo. Durante muitos anos nunca se reconheceu a RPC”, descreveu Tavares da Silva. Na década de 70 a China dava sinais de uma aproximação, mas “Kissinger foi o interlocutor máximo, encontrando-se com Zhou Enlai nessa viagem secreta”. Contudo, só em 1979 é que as relações diplomáticas entre os dois países seriam formalizadas, com Deng Xiaoping e Jimmy Carter no poder. Na sua passagem pela China, Henry Kissinger deixou vários recados em prol do relacionamento bilateral EUA-China, apelando a que se “eliminem mal-entendidos e coexistam pacificamente [os dois países]”, disse, durante um encontro com o ministro da Defesa chinês, Li Shangfu. Segundo um comunicado emitido pelo ministério da Defesa chinês, Kissinger afirmou que, no mundo actual, coexistem desafios e oportunidades, e que Pequim e Washington devem “evitar a confrontação”. O veterano político norte-americano disse esperar que as duas potências façam o seu melhor para alcançar resultados positivos no desenvolvimento da relação bilateral, de forma a salvaguardar a paz e a estabilidade mundiais. “A história e os factos mostraram repetidamente que EUA e China não podem arcar com o custo de se tratarem como oponentes”, realçou. A visita não anunciada de Kissinger coincidiu com a presença na China do enviado especial dos EUA para os Assuntos Climáticos, John Kerry, que também foi secretário de Estado, entre 2013 e 2017, durante parte do mandato presidencial de Barack Obama. Na quarta-feira, Xi Jinping, Presidente chinês, destacou o significado da deslocação a Pequim de Kissinger, lembrando que ele fez recentemente 100 anos e já visitou a China por mais de 100 vezes. “Este resultado de ‘duzentos’ torna a visita significativa”, disse o também secretário-geral do Partido Comunista da China. O Presidente chinês sublinhou que, há 52 anos, os dois países viviam um “momento crítico”, mas que graças à visão estratégica dos líderes da época, foi tomada a “decisão certa” de retomar a cooperação sino – norte-americana. Xi referiu-se ao veterano político norte-americano como um “velho amigo da China”. Kissinger expressou a sua “honra por visitar novamente a China”, no mesmo local onde se encontrou, pela primeira vez, com os líderes chineses, em 1971, e sublinhou que a relação entre os dois países é “importante” para a “paz mundial e o progresso da sociedade humana”.
Redes sociais | Dirigente de associação pede censura de críticas ao Governo João Santos Filipe e Nunu Wu - 24 Jul 202324 Jul 2023 O presidente da Associação para o Desenvolvimento da Indústria Financeira e de Tecnologia da Grande Baía, Un Ieng Long, defendeu que as declarações nas redes sociais a acusar o Governo de despesismo e de tomar decisões com base em jogos de bastidores são “falsas”, pelo que devem ser censuradas e os responsáveis punidos criminalmente. Numa opinião reflectida à Lótus TV, o também coordenador de ligação comunitária, um órgão de informadores do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), apontou que estes crimes de difamação devem ser prevenidos e combatidos na origem, e que a censura rápida dos comentários nas redes sociais pode impedir impactos negativos para a imagem do Governo. Un Ieng Long também indicou que é necessário aplicar multas aos censurados e aumentar as molduras penais para este tipo de crimes, como efeito dissuasor. Un Ieng Long justificou que as declarações de despesismo e cedência a jogos de bastidores são falsas, porque “todas as obras e planos do Governo são aprovadas por comissões para efeito, o que também acontece com os orçamentos” do Executivo. O residente indicou também que os mecanismos de supervisão internos são complementados pela fiscalização dos deputados da Assembleia Legislativa e pelos governantes, pelo que “não existem jogos de bastidores” em Macau. Após as declarações, o artigo da Lótus TV acabou removido do site da estação, sem que tivesse sido apresentada qualquer justificação.
Estátua de Kun Iam | Petição contra projecto com mais de 8 mil assinaturas João Santos Filipe e Nunu Wu - 24 Jul 202324 Jul 2023 Com a petição a ganhar tracção, as associações tradicionais que na semana passada tinham defendido o projecto do Governo recuaram, e pediram a suspensão das obras Uma petição a exigir que o Chefe do Executivo suspenda a construção da estátua gigante de Kun Iam perto da Barragem de Hac Sá e que mantenha a zona de churrasco reuniu mais de 8 mil assinaturas até ontem. A iniciativa foi lançada pela Associação da Sinergia de Macau, ligada ao deputado Ron Lam, e o número de assinantes foi actualizado ontem, no mesmo dia em que as associações tradicionais começaram a recuar no apoio inicial ao projecto. No texto da petição pode ler-se que “de forma a preservar o ambiente ecológico da Barragem de Hac Sá” é pedido ao Chefe do Executivo que a construção da estátua gigante seja suspensa, que as zonas de churrasco e para escorregar na relva sejam mantidas e que haja uma explicação detalhada sobre os motivos que fizeram o orçamento do futuro Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac Sá subir de 230 milhões de patacas para 1,6 mil milhões de patacas. Ao mesmo tempo, a polémica para a construção da estátua adensou-se, porque o contrato de 42 milhões de patacas foi adjudicado sem concurso público à empresa Companhia de Arte Shang Guo, Limitada (tradução fonética do nome), sediada em Guangzhou. A empresa foi fundada em 2021 e não disponibiliza informação online. Nas averiguações sobre a empresa, Ron Lam afirmou não ter encontrado qualquer ligação entre a Shang Guo e o famoso escultor Liang Runan, conhecido pelas obras do estilo Lingnan, característico de Cantão. Durante a apresentação do projecto para Hac Sá, André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, frisou as ligações entre a estátua, a empresa e o escultor. Liang Runan tem obra em Macau e é o autor da estátua em forma de aperto de mão instalado no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen. No fim-de-semana ficou igualmente a saber-se que os trabalhos de construção da estátua já começaram e que existem várias máquinas no local. Neste momento, foi concluída a demolição do labirinto com plantas que existia na zona. Agora, podem avançar os trabalhos para instalar uma grande base de betão. Recuos tradicionais O dia de ontem ficou ainda marcado pelo recuo de várias associações tradicionais, com representação na Assembleia Legislativa, que tinham expressado apoio público ao projecto. A manhã começou com três deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau, Lam Lon Wai Ella Lei e Leong Sun Iok, a pedirem, em comunicado, a suspensão do projecto, devido às “várias opiniões negativas” que receberam. O recuo de Lam Lon Wai Ella Lei e Leong Sun Iok é mais significativo porque os três tinham feito comunicados na quinta-feira demonstrando o apoio total ao projecto. Uma posição semelhante foi adoptada pela Associação de Moradores. Na sexta-feira, depois das primeiras críticas, a associação saiu em defesa do Governo, numa posição assinada por Chan Ka Leong, presidente da associação e membro do Conselho Executivo. A publicação foi inundada com críticas e pedidos para que fosse a associação a financiar a estátua de 42 milhões de patacas. Porém, 48 horas depois, através de um artigo do jornal Ou Mun, as críticas ficaram sem resposta, mas Chan Ka Leong apelou ao “Governo para suspender a construção da estátua”, ouvir a população e focar-se “nas instalações daquela zona que verdadeiramente interessam aos cidadãos”. Wong Kit Cheng e Ma Io Fong, deputados da Associação das Mulheres, também deram o dito por não dito, e colocaram-se ao lado dos que querem a suspensão das obras. Por sua vez, o deputado Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, que na sexta-feira havia pedido a reformulação dos planos para Hac Sá, afirmou que vai apresentar uma proposta de debate sobre o tema na Assembleia Legislativa, caso o Governo não suspensa a construção.
Clima | Kerry garante que EUA não pretendem impor soluções à China Hoje Macau - 21 Jul 2023 O enviado do governo do Presidente Joe Biden para os assuntos do clima, John Kerry, garantiu quarta-feira que os EUA não pretendem impôr qualquer solução para a ruptura climática à China. As declarações de Kerry foram feitas depois de o Presidente chinês, Xi Jinping, ter declarado que a China vai tomar as suas próprias decisões quanto à forma de responder ao aquecimento global do planeta. Na China desde domingo para retomar o diálogo sino-norte-americano a propósito dos assuntos climáticos, John Kerry afirmou na quarta-feira que ele e a sua equipa tinham tido “reuniões extremamente calorosas e produtivas” com altos responsáveis chineses. Durante a presença de Kerry em Pequim, Xi pronunciou um discurso sobre o ambiente. “Devemos tomar as nossas próprias decisões sobre o caminho, os métodos, o ritmo e a intensidade com a qual os devemos concretizar. Ninguém pode esperar que pode exercer uma qualquer influência sobre nós”, afirmou, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. Questionado a este propósito durante uma teleconferência com jornalistas, Kerry respondeu: “Não impomos nada a ninguém. Seguimos a ciência. Não há política nem ideologia no que fazemos”, acrescentou. O enviado norte-americano reuniu-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e o seu homólogo, Xie Zhenhua. “Nenhum dos dirigentes com quem reuni sugeriu que haveria uma qualquer razão pela qual não nos devêssemos coordenar, com respeito mútuo”, acrescentou.
Tailândia | PM cessante pede calma a manifestantes Hoje Macau - 21 Jul 2023 O primeiro-ministro cessante da Tailândia, general Prayut Chan-o-cha, pediu ontem calma aos manifestantes que protestaram na noite de quarta-feira após a rejeição pelo Parlamento da candidatura de Pita Limjaroenrat à chefia do Governo. Cerca de mil manifestantes reuniram-se na noite de quarta-feira ao redor do Monumento à Democracia, no centro de Banguecoque, para expressar a sua desilusão pela decisão dos parlamentares em bloquear, horas antes, a candidatura a primeiro-ministro do deputado progressista Pita Limjaroenrat. O general Prayut, que chegou ao poder através de um golpe militar em 2014 e está no cargo desde a eleição como líder interino, disse que “entende” a frustração dos apoiantes do Avançar, segundo o seu porta-voz, Rachada Dhnadirek. O primeiro-ministro cessante pediu moderação e declarou que “todos devem trabalhar para fazer a Tailândia avançar em direcção à democracia e ao lado da monarquia”, de acordo com Dhnadirek. O partido de Pita, o Avançar (Move Forward/MFP), venceu por ampla margem as eleições de 14 de Maio, graças ao apoio maioritário dos jovens, que esperavam mudanças profundas no país governado pelos militares há quase uma década. Na quarta-feira, além de ver a sua candidatura a chefe de Governo rejeitada pelo Parlamento tailandês pela segunda vez, o Tribunal Constitucional do país suspendeu provisoriamente Pita do cargo de deputado devido a uma denúncia sobre uma alegada irregularidade eleitoral. O candidato do Avançar tem a maioria na câmara alta do parlamento, mas não entre os senadores escolhidos pela ex-junta militar tailandesa (2014-2019). Apesar da suspensão, Pita ainda pode ser nomeado para o cargo de primeiro-ministro porque, de acordo com a lei tailandesa, o chefe do Governo não é obrigado a ser membro do legislativo, mas não pode participar na votação, nem está autorizado a permanecer no hemiciclo.
Índia | Modi condena agressões a mulheres forçadas a desfilar nuas Hoje Macau - 21 Jul 2023 O primeiro-ministro indiano quebrou mais de dois meses de silêncio sobre os confrontos étnicos mortais no nordeste da Índia, dizendo que as agressões a duas mulheres forçadas a desfilar nuas por uma multidão no estado de Manipur eram imperdoáveis. Um vídeo dos ataques provocou uma indignação massiva e tornou-se viral na quarta-feira, apesar de a Internet ter sido amplamente bloqueada e de ter sido travado o acesso aos jornalistas. As imagens mostram duas mulheres nuas cercadas por dezenas de rapazes, que lhes apalpam os órgãos genitais e as arrastam para um campo. “Os culpados não serão poupados. O que aconteceu com as filhas de Manipur nunca pode ser perdoado”, disse Narenda Modi aos jornalistas, antes de uma sessão parlamentar, naquele que foi o seu primeiro comentário público sobre o conflito em Manipur desde que os confrontos começaram, em Maio passado. O chefe do governo de Manipur, Biren Singh, disse ontem, por sua vez, no Twitter, que “a polícia entrou em acção e fez a primeira detenção hoje (ontem) de manhã”. “Uma investigação minuciosa está em andamento e garantiremos que serão tomadas medidas contra todos os perpetradores, incluindo a possibilidade de pena capital. Na nossa sociedade não há lugar para actos hediondos”, disse Singh. Revolta total O incidente suscitou uma onda de indignação, tanto entre partidos políticos e organizações da sociedade civil, como no mais alto órgão judicial do país. O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, D.Y. Chandrachud, afirmou ontem que o incidente é “simplesmente inaceitável” e que o tribunal vai agir “se o Governo não o fizer”, segundo declarações recolhidas pelo jornal Indian Express. De acordo com a polícia de Manipur, o incidente ocorreu no dia 4 de Maio, no distrito de Thoubal, e as duas mulheres forçadas a desfilar nuas pertencem à comunidade tribal Kuki-Zomi, segundo um comunicado do Fórum de Líderes Tribais Indígenas (ITLF). Aquele estado do nordeste foi invadido por uma onda de violência étnica, que eclodiu a 3 de Maio, quando uma marcha de jovens de maioria Kukis, tribos concentradas principalmente em áreas montanhosas, protestou contra um pedido judicial para classificar a maioria Meitei, que reside no vale do estado, como “tribais”, condição que lhes permitiria espalhar-se pelas montanhas e ter acesso a postos do governo. A situação deu origem a um conflito entre os dois grupos tribais, que provocou 142 mortos, segundo dados do governo. Mais de 50.000 pessoas foram deslocadas pela violência e, até o momento, os esforços das autoridades para mediar o conflito não foram suficientes para acabar com os confrontos.
Lembrando o Doutor Li Wenliang Paul Chan Wai Chi - 21 Jul 2023 Na obra, “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã”, da autoria do académico israelita Yuval Noah Harari, é mencionado que, ao longo da História, o desenvolvimento da Humanidade foi por vezes interrompido pela fome, pelas pragas e pela guerra. Recentemente, o mundo inteiro, e Macau em particular, viveu durante quase três anos a ameaça de uma praga: a COVID-19, que se começou a manifestar globalmente em 2020. No início de 2023, o Governo de Macau implementou a política nacional relativa à infecção pelo novo tipo de coronavírus, “doenças de categoria B e gestão de nível B”, e a Organização Mundial de Saúde anunciou, pouco depois, que a COVID-19 deixara de ser uma “emergência de saúde a nível global”. A ameaça da pandemia parece estar cada vez mais longe de nós. Com o gradual regresso da circulação entre Macau e o resto do mundo à normalidade, tudo o resto também deveria estar a regressar à normalidade. No entanto, ainda existem muitos problemas. Recentemente, visitei um amigo em Hong Kong e marcámos um encontro no distrito de Mongkok. Antes de me encontrar com ele, fui beber um café. Passaram poucos anos sobre o período conturbado que Hong Kong atravessou e a sociedade voltou aparentemente à normalidade, mas, só quem experienciou as reviravoltas ocorridas, pode falar do que aconteceu verdadeiramente a Hong Kong. Em primeiro lugar, muitos dos restaurantes onde costumava ir têm agora novos proprietários e os preços da comida aumentaram, enquanto outros encerraram depois da pandemia. Estes negócios fecharam devido ao aumento das rendas e ao abrandamento da economia. De tudo isto, o que mais me perturbou foi o seguinte: pouco depois de ter tomado café, cerca das 17.00 horas, na Shanghai Street, em Mongkok, vi muitas mulheres vestidas de forma provocante, já não muito novas e com um aspecto vulgar, calcorreando as ruas. São certamente muitas as razões que contribuem para este fenómeno, mas isto não deveria acontecer quando o Governo de Hong Kong se empenha em contar ao mundo belas histórias sobre a cidade e acolhe a “Sinfonia das Luzes”, um espectáculo diário de luz e som realizado ao longo do Victoria Harbour. Este cenário urbano fez-me sentir desconfortável e pouco à vontade. A luta contra a pandemia deve focar-se na prevenção e não só no tratamento. Em Dezembro de 2019, Li Wenliang, um oftalmologista da cidade de Wuhan, enviou uma mensagem sobre o coronavírus no grupo de chat dos seus colegas, recordando-os que deveriam ter cuidados para se protegerem. Daqui resultou que Li Wenliang, o homem que deu o alerta, passou a ser o“espalha boatos”. Embora, no final, se tenha feito justiça a Li, foi uma pena que o jovem e promissor oftalmologista tenha morrido. O que ficou para a História foi uma frase que Li proferiu durante uma entrevista à Caixin Media: “Penso que se deve falar a mais do que uma voz numa sociedade saudável”. O período da consulta pública sobre a revisão da Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo e da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa termina a 29 de Julho. Se prestarmos atenção ao que se passou durante todo o processo de consulta, nomeadamente aos conteúdos, às discussões e à publicidade nos jornais, os resultados desta consulta podem ser inferidos de uma forma geral. Algumas pessoas podem dizer que em Macau o povo goza de liberdade de expressão. Se tivermos uma opinião sobre a revisão da Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo e da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa, podemos ligar para um programa da Rádio TDM para a expressar, ou comparecer nas sessões de consulta abertas ao público. Ainda se deve lembrar que em 2012, quando Governo de Macau realizou a Consulta sobre Desenvolvimento do Sistema Político, os membros da sociedade debateram os temas entusiasticamente. Quando uma pessoa adoece tem de ir ao médico. Mas o que devemos fazer quando uma sociedade fica doente?
Arte Macau | Exposição de Hsiao Chin para ver na próxima semana Andreia Sofia Silva - 21 Jul 2023 O trabalho de Hsiao Chin, um dos nomes mais reputados do abstraccionismo na China, pode ser visto em Macau no MGM Cotai a partir da próxima sexta-feira, com curadoria de Calvin Hui. “Para o infinito e mais além: A arte de Hsiao Chin” revela um trabalho artístico ligado à tecnologia Conhecido como uma das figuras mais importantes da arte abstracta chinesa na actualidade, Hsiao Chin estará representado, a partir da próxima sexta-feira, na exposição patente no MGM Cotai, intitulada “Para o infinito e mais além: A arte de Hsiao Chin”. Esta conta com curadoria de Calvin Hui e insere-se na iniciativa “Arte Macau: Bieanl Internacional de Arte de Macau 2023”, promovida pelo Instituto Cultural (IC) que percorre vários pontos da cidade com exposições e iniciativas culturais. Segundo uma nota do MGM, esta mostra apresenta um “conceito revolucionário” que mistura arte com tecnologia e entretenimento, introduzindo as obras de arte de Hsiao Chin em oito zonas diferentes. Desta forma, “os visitantes poderão experimentar uma energia infinita e [ver de perto] o universo artístico de Hsiao Chin através das suas criações, capazes de inspirar gerações futuras”, criando uma atmosfera “para o infinito e mais além”, expressão que dá nome à mostra. Considerado um dos mais importantes artistas chineses dos últimos anos, Hsiao Chin mostrou trabalhos inspirados “na cultura chinesa tradicional misturada com a filosofia chinesa, criando um estilo artístico único que difere da arte abstracta ocidental”. Para a MGM, acolher esta exposição representa uma oportunidade de “criar, em Macau, uma plataforma de intercâmbio do turismo cultural”, além de desenvolver o conceito de “Turismo+”, proposto pelo Governo. Além-fronteiras Nascido na cidade de Xangai em 1935, é considerado pioneiro na arte moderna abstracta na China, estando as suas obras incluídas nas colecções dos principais museus de todo o mundo, nomeadamente o Museu de Arte Metropolitana de Nova Iorque, o Museu M+ de Hong Kong, a Galeria Nacional de Roma ou o Museu Song, em Pequim, entre outros. Hsiao Chin embrenhou-se no estudo da cultura chinesa tradicional, bem como nas filosofias ocidentais, a partir de meados da década de 50, começando, aí, a explorar o abstraccionismo artístico a partir do conceito de “Espírito Oriental”, ou seja, a busca por uma espiritualidade oriental e uma expressão artística moderna. Em 1955, Hsiao Chin criou o grupo artístico Ton Fan, o primeiro grupo de arte moderna chinesa do pós-guerra. No ano seguinte, o artista chinês começou a viajar pela América e Europa, tendo vivido durante várias décadas em Milão, Itália. Essas viagens revelaram-se fundamentais para a sua formação como artista. Por volta dos anos 60, Hsiao Chin começou a interessar-se por correntes taoístas, entre outras, inspirando-se nas ideias de Lao Tzu e Chuang Tzu.
Banco central chinês mantém taxa de juro de referência em 3,55% Hoje Macau - 21 Jul 2023 O Banco Popular da China, o banco central do país, vai manter a taxa de juro de referência em 3,55 por cento, pelo segundo mês consecutivo, após a redução de 10 pontos base ocorrida em Junho, a primeira desde Agosto de 2022. Na actualização mensal, a instituição indicou que a taxa de referência para empréstimos (LPR, na sigla em inglês) se vai manter no nível actual, durante pelo menos um mês. O indicador, estabelecido como referência para as taxas de juros em 2019, é usado para definir o preço dos novos empréstimos – geralmente para as empresas – e do crédito com juros variáveis, que está pendente de reembolso. O cálculo é realizado com base nas contribuições para os preços de uma série de bancos – incluindo os pequenos credores que tendem a ter custos de financiamento mais elevados e maior exposição a empréstimos malparados – e visa reduzir os custos do crédito e apoiar a “economia real”. A LPR a cinco anos ou mais – a referência para o crédito à habitação – também não se alterou, mantendo-se nos 4,2 por cento, depois de ter sofrido também uma redução de 10 pontos base (0,10 pontos percentuais), no mês passado. O banco central confirmou assim as previsões dos analistas, que anteciparam que não haveria alterações nas principais taxas de juros da China este mês.
EUA | Xi Jinping destaca significado da visita de Henry Kissinger Hoje Macau - 21 Jul 2023 O Presidente chinês destacou ontem o significado da deslocação a Pequim do antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, lembrando que fez recentemente 100 anos e já visitou a China por mais de 100 vezes. “Este resultado de ‘duzentos’ torna a visita significativa”, disse Xi Jinping. O Presidente chinês sublinhou que, há 52 anos, os dois países viviam um “momento crítico”, mas que graças à visão estratégica dos líderes da época, foi tomada a “decisão certa” de retomar a cooperação sino – norte-americana. Xi referiu-se ao veterano político norte-americano como um “velho amigo da China”. Kissinger expressou a sua “honra por visitar novamente a China”, no mesmo local onde se encontrou, pela primeira vez, com os líderes chineses, em 1971, e sublinhou que a relação entre os dois países é “importante” para a “paz mundial e o progresso da sociedade humana”. Kissinger, que foi assessor de Segurança Nacional e secretário de Estado de Richard Nixon (1969-1974) e Gerald Ford (1974-1977), visitou secretamente Pequim, em Julho de 1971, para preparar o estabelecimento de relações diplomáticas e abrir caminho para a histórica visita de Nixon à China, em 1972. O antigo político norte-americano continuou, nas últimas décadas, a visitar a China, onde se reuniu por várias vezes com Xi Jinping. A abertura de Washington à China, então isolada, propiciou o início da transformação económica do país asiático, hoje a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A visita não anunciada de Kissinger coincide com a presença na China do enviado especial dos EUA para os Assuntos Climáticos, John Kerry, que também foi secretário de Estado, entre 2013 e 2017, durante parte do mandato presidencial de Barack Obama.
Economia | Pequim promete mais apoio ao sector privado Hoje Macau - 21 Jul 2023 O Governo chinês assegura que vai dar melhores condições ao sector privado para fortalecer o crescimento económico e combater o desemprego jovem que atinge registos históricos As autoridades chinesas prometeram ontem adoptar medidas adicionais de apoio ao sector privado, face ao crescimento económico aquém das expectativas e uma taxa de desemprego jovem em máximos históricos. Em comunicado, o Conselho de Estado (Executivo) e o Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) comprometeram-se a melhorar o ambiente de negócios, fortalecer mecanismos para garantir a “concorrência leal” e um tratamento não discriminatório, face às empresas estatais, em resposta às reclamações frequentemente feitas por grupos estrangeiros. O plano de Pequim, que está dividido em 31 pontos, promete também melhorar os sistemas de apoio ao financiamento e ao mercado de trabalho, visando promover o “espírito empreendedor” no sector privado. O documento visa ainda incentivar as empresas a empreender processos de transformação digital e tecnológica. No entanto, a directriz apela também às empresas privadas para que “cumpram com as suas obrigações sociais”, através de donativos para caridade, apoio em situações de emergência ou colaboração na “construção da defesa nacional”. A mesma directriz pede o reforço da influência do Partido Comunista no sector privado. Após a publicação do documento, um porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planeamento económico do país, indicou que o sector privado se tornou num “elemento intrínseco” do sistema económico chinês, embora reconheça que “algumas empresas enfrentam dificuldades” e que os mecanismos propostos vão ter de ser ajustados para aumentar a “confiança e vitalidade”. Jogar pelo seguro A falta de confiança das empresas privadas é um dos factores que alguns analistas destacam para explicar a desaceleração da economia chinesa. “As empresas estão hesitantes em aumentar a produção ou o investimento, face a contratempos económicos. Muitas estão à espera para ver o que vai acontecer, e não tentarão expandir as suas operações até que haja uma recuperação da procura geral”, afirmou, esta semana, num relatório, o economista Harry Murphy Cruise, da Moody’s Analytics. A taxa oficial de desemprego entre os jovens urbanos da China (entre 16 e 24 anos) atingiu novo recorde histórico em Junho, ascendendo a 21,3 por cento, segundo dados oficiais publicados esta semana. A economia chinesa registou um crescimento homólogo de 6,3 por cento, no segundo trimestre do ano, aquém das expectativas dos analistas, já que o efeito base de comparação, após um ano de bloqueios rigorosos, fazia prever uma taxa superior. Em relação ao período entre Janeiro e Março, a economia cresceu apenas 0,8 por cento no segundo trimestre do ano.
Emprego | Burladas em mais de 260 mil patacas João Santos Filipe - 21 Jul 2023 Duas mulheres que estavam à procura de emprego a tempo parcial foram burladas em mais de 260 mil patacas, de acordo com a informação da Polícia Judiciária, citada pelo Jornal Ou Mun. O primeiro caso aconteceu no dia 16 e envolve uma residente de Macau, que respondeu a um anúncio onde se indicava que uma empresa de venda de produtos de beleza procurava pessoas para trabalharem na área do apoio aos clientes. Com a resposta à candidatura de emprego, a mulher foi informada de que os candidatos escolhidos iam receber uma comissão das vendas, pelo que tinham de pagar uma caução. No início, a mulher realizou um pagamento de 23.700 patacas, mas foi informada que devido a problemas técnicos tinham de pagar mais 45 mil patacas. Nessa altura a vítima percebeu que estava a ser burlada e exigiu que lhe devolvessem as 23.700 patacas. A partir desse momento nunca mais conseguiu contactar com a alegada empresa, pelo que apresentou queixa junto das autoridades. O segundo caso diz respeito a uma mulher do Interior, que também procurava um part-time online. Também neste caso foi pedido à vítima que pagasse cauções para a candidatura, o que ela foi fazendo de forma repetida, uma vez que lhe era dito que tinha ocorrido “um problema técnico”. No final, quando suspeitou de que estava a ser burlada, a mulher já tinha perdido mais de 236 mil patacas. Ambos os casos estão a ser investigados pela Polícia Judiciária, não havendo ainda informação sobre os criminosos.
Crime | Agente que recusou teste do balão condenado a 4 meses de prisão João Santos Filipe - 21 Jul 2023 Além da condenação pelo crime de desobediência, o agente foi alvo de um processo disciplinar que terminou com a imposição de uma sanção de suspensão de funções Um polícia que recusou fazer o teste do balão, quando estava de folga e foi mandado parar numa operação stop, foi condenado a quatro meses de prisão, com a pena a ficar suspensa pelo período de dois anos. A informação foi actualizada recentemente no portal do secretário para a Segurança. O agente foi condenado pelo crime de desobediência. “Embora não tenha sido possível provar que o referido guarda bebeu álcool, com tal conduta o mesmo cometeu o crime de desobediência […] o Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Base decidiu condenar o supramencionado guarda, que se encontrava em situação de folga, na pena de 4 meses de prisão, com suspensão da execução da pena por 2 anos, e inibição de condução pelo período de 5 meses”, foi revelado. Além da responsabilidade criminal, o agente foi alvo de um processo disciplinar concluído com a pena de suspensão de funções, de acordo com um despacho do Comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública, com a data de 23 de Junho. Ética e disciplina A infracção foi detectada no dia 19 de Março de 2023, quando o agente do CPSP, durante o período da folga, conduziu um veículo ligeiro em sentido contrário, no cruzamento da Rua de Coimbra e da Rua de Évora, na Taipa. Contudo, quando foi abordado pelos colegas de trabalho, depois de ter sido interceptado, recusou-se a fazer o exame para detectar o nível de álcool no sangue. O caso foi anunciado pelo próprio CPSP, que frisou não tolerar infracções dos agentes à disciplina imposta. “O CPSP lamenta profundamente o caso de desobediência praticado por um agente policial durante o período da folga, e reitera que não tolera qualquer acto de violação da lei e da disciplina”, foi dito na altura, em comunicado. O episódio serviu também para que o CPSP emitisse instruções internas aos agentes, a lembrá-los de que devem tomar atenção aos comportamentos, mesmo nos períodos de folga e respeitar a lei. “O CPSP tem vindo a prestar grande importância à ética profissional do seu pessoal, e o Comando ordenou, de imediato, às chefias das diferentes subunidades para reforçarem a educação e a supervisão disciplinar do seu pessoal, exigindo-lhes a tomada de atenção rigorosa ao seu comportamento e conduta pessoal, advertindo todo o pessoal que nunca deve desafiar a lei”, foi revelado.
Trânsito | Acidentes aumentam 11,6% no primeiro semestre João Luz - 21 Jul 2023 Durante a primeira metade de 2023, o número de infracções rodoviárias aumentou 17,6 por cento, com destaque para o aumento das multas de trânsito aplicadas, que subiram 18,26 por cento para mais de 80 milhões de patacas. Os acidentes fatais também aumentaram até ao fim de Junho e infracções por taxistas quase triplicaram Ao longo dos primeiros seis meses de 2023, o valor total das multas de trânsito aplicadas na RAEM foi mais de 82,1 milhões de patacas, quantia que representa um aumento de 18,26 por cento face ao primeiro semestre de 2022, de acordo com as estatísticas do trânsito reveladas ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). A subida de quase um quinto de multas de trânsito corresponde aproximadamente ao registo de infracções ao código da estrada e ao estacionamento ilegal. Segundo os dados divulgados ontem, as autoridades detectaram nos primeiros seis meses do ano 362.084 infracções à Lei do Trânsito Rodoviário e ao Regulamento do Código da Estrada, número que representa uma subida anual de 17,6 por cento. Os estacionamentos ilegais também aumentaram na mesma ordem de grandeza, 17,79 por cento, para quase 335 mil casos, quase mais 50 mil estacionamentos ilegais face à primeira metade de 2022. Não é de estranhar, portanto, que também o bloqueio de veículos na via pública tenha aumentado no período em análise. O número de automóveis bloqueados subiu 23,64 por cento, enquanto os motociclos bloqueados aumentaram 21,92 por cento. Bate chapas Em relação à sinistralidade rodoviária, o número de acidentes de viação aumentou 11,61 por cento, com a primeira metade do ano a registar 6.479 acidentes, mais 674 do que no ano passado. O número de acidentes fatais manteve-se igual ao registo de 2022, com cinco casos mortais. Já o número de feridos, aumentou 10,65 por cento, para um total de 2.264 casos. Um número que salta à vista neste capítulo é o dos feridos de acidentes de viação que tiveram de ser submetidos a internamento hospitalar, que mais que duplicou para 68 casos. Em relação aos casos de excesso de velocidade, a CPSP registou um aumento significativo, 41,62 por cento, com um total de 6.401 casos, número que contrasta com os 4.520 registados na primeira metade do ano passado. As irregularidades praticadas por taxistas registaram alguns dos maiores aumentos de todas as estatísticas do trânsito, quase triplicando em termos anuais. Nos primeiros seis meses do ano, o CPSP detectou 194 infracções praticadas por taxistas, valor que representa uma subida de 193,94 por cento. O número de cobranças abusivas aumentou 350 por cento, passando de dois para nove casos em termos anuais, enquanto os casos de recusa de transporte aumentaram 278,9 por cento para um total de 72 casos.
Jogo | Impostos no primeiro semestre duplicam face a 2022 João Luz - 21 Jul 202321 Jul 2023 Durante a primeira metade do ano, o Governo apurou 26,79 mil milhões de patacas em receitas fiscais à indústria do jogo, segundo informação divulgada ontem pela Direcção dos Serviços Financeiros (DSF). O valor colectado representa uma subida de 107 por cento face ao mesmo período do ano transacto, quando os impostos do jogo não chegaram aos 13 mil milhões de patacas. De acordo com a estimativa orçamental do Governo para 2023, as receitas provenientes dos impostos sobre o jogo deverão atingir este ano cerca de 50,85 mil milhões de patacas. Segundo os dados revelados ontem pela DSF, mais de metade do “caminho” foi percorrido, com o Governo a apurar cerca de 52,7 por cento da receita fiscal anual nos primeiros seis meses de 2023. Analisando os dados de Junho, os cofres públicos amealharam mais de 6 mil milhões de patacas através das receitas dos casinos, quantia que representa uma subida mensal de 5,6 por cento face aos impostos pagos pelas concessionárias de jogo em Maio. No primeiro semestre deste ano, as receitas brutas do jogo totalizaram 80,14 mil milhões de patacas, mais do triplo das receitas apuradas nos primeiros seis meses de 2022. Recorde-se que, desde dia 1 de Janeiro, os impostos do jogo foram fixados em 40 por cento, com a entrada em vigor das nossas concessões que vão regular a indústria durante uma década.
DSAL | Inscrições para três feiras de emprego abrem hoje Hoje Macau - 21 Jul 2023 A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) vai organizar três feiras de emprego no final do mês, onde serão disponibilizadas 433 ofertas de trabalho. Segundo um comunicado divulgado ontem, as inscrições para as sessões de emparelhamento vão estar abertas entre hoje e a próxima quarta-feira. As primeiras duas sessões realizam-se na manhã e tarde da próxima quinta-feira, 27 de Julho, com 116 ofertas de emprego. Os cargos disponibilizados são para “supervisor de balcão de atendimento, supervisor dos serviços de quarto, supervisor de gestão, supervisor de restauração, recepcionista, agente dos serviços de atendimento aos clientes, trabalhador na engenharia civil, trabalhador de rouparia, cozinheiro e empregado de mesa”. Na manhã do dia seguinte, serão disponibilizadas 267 ofertas de emprego para os sectores de segurança e limpeza. As empresas vão tentar recrutar pessoal para os cargos de “supervisor de segurança, capitão de segurança, supervisor da secção de limpeza, empregado de escritório, jardineiro, guarda de segurança e empregado de limpeza”. Na parte da tarde, a sessão será dedicada ao sector da venda a retalho de produtos alimentares, com 50 ofertas de emprego “para agente dos serviços de loja, operador de produção de alimentos, entre outros”. As feiras de emprego realizam-se na sala polivalente da DSAL, na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nº 221-279.
Sands China | Lucro de 187 milhões no segundo trimestre Hoje Macau - 21 Jul 2023 A concessionária dos hotéis e casinos Venetian, Parisian e Londoner voltou a registar lucros, acompanhando a recuperação do turismo. O presidente e director executivo da Las Vegas Sands, Robert Goldstein, fala de uma recuperação nos sectores do jogo e não jogo A operadora de jogo em Macau Sands China anunciou um lucro de 187 milhões de dólares americanos no segundo trimestre. Os resultados foram apresentados ontem, através de um comunicado. Em igual período de 2022, a operadora registara um prejuízo de 422 milhões de dólares. O EBIDTA (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) ajustado foi de 541 milhões de dólares no segundo trimestre do ano. A empresa tinha registado perdas de 110 milhões de dólares no EBIDTA ajustado entre Abril e Junho de 2022, de acordo com um comunicado divulgado ontem pela bolsa de valores de Hong Kong. O presidente e director executivo da Las Vegas Sands, Robert Goldstein, destacou “a recuperação em curso em todos os segmentos de jogo e não jogo” durante o trimestre, no território, salientando que a “solidez financeira” do grupo “apoia os programas de investimento e despesas de capital em curso” em Macau e em Singapura. No primeiro trimestre deste ano, a Sands China tinha anunciado um prejuízo de 10 milhões de dólares, menos 97 por cento do que no período homólogo, embora as receitas tenham mais do que duplicado em comparação com os primeiros três meses de 2022, atingindo 1,27 mil milhões de dólares. Recuperação global Macau recebeu 11,6 milhões de visitantes, no primeiro semestre do ano. O número representa mais 236,1 por cento face ao mesmo mês do ano passado, mas ainda assim quase metade em relação ao primeiro semestre de 2019, de acordo com dados oficiais. Em Junho, as receitas do jogo em Macau atingiram 15,21 mil milhões de patacas, no segundo valor mais alto do ano, e mais 513,9 por cento em relação ao mesmo mês de 2022. Ainda assim, aquele valor foi menor do que o alcançado em Junho de 2019, antes da pandemia da covid-19: 23,8 mil milhões de patacas. Macau, que à semelhança da China seguiu a política ‘zero covid’, anunciou em meados de Dezembro o cancelamento gradual da maioria das medidas de prevenção e contenção, depois de quase três anos de rigorosas restrições. A região administrativa especial chinesa reabriu as fronteiras a todos os estrangeiros, incluindo turistas, a 8 de Janeiro.
Salário mínimo | Proposta subida entre 2 e 4 patacas por hora Hoje Macau - 20 Jul 2023 O Governo apresentou ontem uma proposta para aumentar o salário mínimo para um valor entre 34 e 36 patacas por hora. Actualmente, o salário está fixado em 32 patacas por hora e a sugestão foi ontem discutida na reunião do Conselho Permanente de Concertação Social, de acordo com o vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau, Fong Ka Fai. No entanto, o representante afirmou que antes de ser tomada uma decisão, o Governo vai ouvir as opiniões dos representantes das partes laborais e patronais.
Coloane | Nova Estátua de Kun Iam satirizada na Internet João Santos Filipe - 20 Jul 2023 O novo projecto para a Barragem de Coloane tornou-se alvo de vários memes e críticas online, ao mesmo tempo que associações tradicionais de todos os quadrantes vieram a público defender a proposta do Governo A nova Estátua de Kun Iam planeada para o futuro Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac Sá, onde actualmente se situa o parque de merendas da Barragem de Hac Sá, está a ser alvo de várias críticas e montagens sarcásticas nas redes sociais. Após o projecto ter sido apresentado no início desta semana, a polémica surgiu devido ao custo total do projecto, que vai ser de 1,6 mil milhões de patacas, quando a estimativa inicial apontava para 229 milhões de patacas. Os deputados Ron Lam e Pereira Coutinho foram duas das vozes mais críticas devido à derrapagem do orçamento do projecto, e não pouparam o facto de o custo da estátua gigante de Kun Iam ser de 42 milhões de patacas. As críticas também se prendem com o impacto que terá uma estátua gigante rodeada de betão numa zona verde, um dos poucos locais no território que permite o contacto com a natureza, e ainda face à falta de consulta pública para ouvir a população sobre o projecto. Neste ambiente de insatisfação começaram a surgir várias imagens online a fazer troça do projecto e a sugerir figuras alternativas para a estátua. Uma das propostas nas redes sociais propõe uma estátua com a imagem do polícia conhecido como “o pai do cheque pecuniário”. Este foi o agente que durante uma manifestação em Macau disparou para um tiro para o ar, criando uma situação de tensão, aliviada pelo lançamento do “programa de comparticipação pecuniária” pelo Governo de Edmund Ho. Outras das imagens partilhadas nas redes sociais sugere que a estátua preste homenagem a Guan Yu, o famoso general da Dinastia Han, que, segundo o portal China Highlights, é venerado como um Deus da Guerra. Guan Yu tem a particularidade de ser o Deus associado na cultura chinesa às polícias, mas também ao crime organizado, as tríades. Como Macau é uma cidade de casinos, houve também quem preferisse focar esse aspecto, ao propor que a estátua instalada no meio da natureza tivesse a forma de uma máquina de jogo. Amigos para a ocasião Apesar das várias críticas, as associações tradicionais vieram a público defender a construção da estátua e o elevado investimento público. Ontem foi a vez da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, presidida pelo membro do Conselho Executivo desde 2014 e deputado Chan Chak Mo, a defender o projecto, por considerar que vai permitir aos cidadãos terem mais espaços para actividades ao ar-livre. Também a Associação do Desenvolvimento da Juventude Chinesa, que tem como fundador e membro o deputado Si Ka Lon, considerou que o projecto vai ser benéfico para o território, podendo inclusive ser utilizado para “formar atletas de alta competição”. A única preocupação da associação, de acordo com um artigo publicado no jornal Ou Mun, passa pelo facto de as obras poderem afectar o trânsito em Coloane. Na quarta-feira, as associações dos Moradores, Operários e Mulheres, através de Chan Ka Leong, Lam Lon Wai e Wong Kit Cheng, respectivamente, vieram a público defender a proposta do Governo.
Ruby Hok Meng O, Sociedade para a Saúde Alimentar e Ambiental: “A população preocupa-se com o ambiente” Andreia Sofia Silva - 20 Jul 202320 Jul 2023 Em pouco tempo, a Sociedade para a Saúde Alimentar e Ambiental, criada em 2021, já chegou a escolas e grandes empresas promovendo a aposta na sustentabilidade e na redução do desperdício alimentar e do uso do plástico. Ruby Hok Meng O, fundadora e presidente da organização, considera que a sociedade de Macau está cada vez mais vocacionada para a protecção ambiental Criou a Sociedade para a Saúde Alimentar e Ambiental [Society of Food & Environmental Health] em 2021. Como analisa o trabalho desenvolvido até aqui? Uma das principais razões que me levou a criar esta organização foi o facto de ver muitas pessoas com dificuldades em aderir a um estilo de vida que implique a redução da sua pegada de carbono ou com vontade de melhor proteger os recursos naturais. Juntando um grupo de amigos, e pessoas ligadas às áreas da restauração e segurança alimentar, podemos usar a alimentação como um meio para aumentar a consciência das pessoas, incluindo residentes, turistas e representantes de todo o sector turístico [de Macau], com destaque para as indústrias alimentar, de catering e de hotelaria. Todos nós temos um papel muito importante na mitigação das emissões de carbono, reduzindo o uso do plástico e tentando fazer com que Macau seja um destino turístico de baixo carbono, onde é servida comida saudável e onde são respeitados os recursos naturais. [É importante] ter uma indústria de catering mais consciente do que se passa em questões de segurança alimentar ou a poluição causada pelo plástico, tentando criar novos valores. Criámos então esta associação tendo a alimentação como foco e tentando promover uma boa conexão entre as pessoas e o ambiente. Arrancaram em plena pandemia. Foi uma altura particularmente desafiante para começar um projecto que implica a criação de laços e contactos? Estava tudo muito calmo e queria aproveitar essa oportunidade para estar mais tempo na minha cidade e com a minha comunidade, com pessoas apaixonadas pelas questões da sustentabilidade, tentando criar um projecto inspirador que tentasse compreender e transformar comportamentos no dia-a-dia, e eventualmente transformar a própria cultura [de relacionamento com o meio-ambiente]. Tentámos apostar na literacia sobre a alimentação, formação e workshops. Foi algo que criámos e que levámos a diferentes escolas secundárias, por exemplo a Pui Ching, Santa Rosa de Lima, Sagrado Coração, entre outras. Tentámos uma aproximação junto da indústria, dizendo-lhes que os alimentos não são apenas bens de consumo, e que cada vez existem mais pessoas a dedicarem-se à protecção dos recursos naturais e a tentar perceber o caminho do desperdício alimentar. Até à data, conduzimos cerca de seis ou sete workshops e debates em escolas do território. Sentimos que grande parte dos comportamentos [que implicam maior desperdício] devem-se ao facto de as pessoas não estarem conscientes do gasto em energia e recursos e de toda a pegada de carbono que está associada [à produção alimentar]. Apostamos em recursos educativos junto dos mais jovens, pois acreditamos que se conseguirmos dar poder à juventude teremos mais possibilidades de potenciar comportamentos sustentáveis no futuro. Espero que os mais jovens possam ganhar maior consciência sobre o que é, de facto, sustentável, quando chegar a altura de escolhorem os seus cursos ou projectos na Grande Baía ou em competições internacionais, por exemplo. Já poderão ter uma mentalidade que dá às questões da sustentabilidade a importância que merecem. De outra forma seremos como outras cidades e países. Até à data, a reacção [em relação ao nosso trabalho] tem sido bastante boa. Observamos em Macau muitos comportamentos que são ainda ecologicamente pouco sustentáveis, como o facto de a fruta estar toda embalada em plástico nos supermercados, entre outras questões. Sente que há ainda um longo caminho a percorrer para mudar este panorama? Isso não é inteiramente verdade. Nos últimos dois ou três anos temo-nos aproximado de diversos actores [na promoção de comportamentos sustentáveis]. Antes estava mais focada no meu trabalho ou nos meus amigos, mas esta plataforma permite uma conexão com pessoas e entidades com quem nunca tinha falado antes, e a percepção que recebo é que as pessoas de Macau se preocupam bastante com a protecção do meio ambiente e da sua comunidade. Sentimos alguma frustração quando vamos a Hong Kong ou mesmo a Hengqin e vemos coisas que não acontecem em Macau. Mas voltando à sua questão, a fim de que isso possa acontecer [uma mudança de paradigma], precisamos de uma sistematização do pensamento e cada actor deve ter um papel a desempenhar. Alguém tem de assumir essa iniciativa e em Macau penso que os resorts integrados estão a liderar esse processo, nomeadamente ao nível dos processos de reciclagem e da redução do desperdício alimentar, por exemplo. Assim que as grandes empresas ou organizações iniciarem esse processo, as coisas vão tornar-se mais acessíveis. Penso que é uma questão de tempo e definir quais são as prioridades a atingir e colocá-las na agenda da cidade. Falou dos resorts integrados. Com os novos contratos de jogo, que reforçam a responsabilidade social corporativa, os casinos estão mais predispostos a apostar na área da sustentabilidade? Penso que os operadores de jogo são de facto a força motriz neste campo. Falamos de empresas de grande dimensão que lidam com diversas jurisdições, que precisam de realizar relatórios de responsabilidade social e de sustentabilidade, que não se resumem a uma ou duas frases. Precisam de ter uma missão no seu interior, são avaliados por uma terceira parte em relação ao seu nível de sustentabilidade. O investimento é feito numa empresa sustentável, que respeita as pessoas, que é credível, que cresce em conjunto com a sociedade. Com essa ideia, todas as operadoras de jogo têm objectivos de sustentabilidades e metas de redução da pegada de carbono a atingir. O impacto climático [das suas operações] tem de ser reduzido. Todas estas questões se relacionam com as pequenas e médias empresas, numa partilha de valores. De outra forma não conseguem corresponder ao panorama internacional. Acredita que o Governo deve alterar a estratégia e políticas relativamente às questões ambientais? A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental tem um plano a cinco anos de melhoria do ambiente da cidade, com ideias para a redução do consumo de energia, por exemplo, e programas educacionais. Sei que têm feito trabalho de consulta com diferentes associações. Penso que tudo depende dos recursos importantes, como, por exemplo, os custos associados a termos no território um centro de reciclagem ou a importarmos esse serviço. Macau tem um modelo de economia baseado no consumo, na medida em que importamos quase tudo para consumir, e geramos lixo. A estratégia está relacionada com a tal sistematização e mudança de pensamento. Isso pode ser uma responsabilidade do Governo, mas penso que é mais das pequenas e médias empresas e dos próprios consumidores e empresários. Penso que o consumidor tem muito poder nesse sentido: porque compramos tantas coisas online, por exemplo? Todos têm um papel a desempenhar, e todos apontam o dedo ao Governo, que não está a fazer isto ou aquilo. Mas devemos questionar-nos a nós próprios: sempre que sabemos que determinada embalagem não vai ser reciclada, ou que vai demorar muitos anos a sê-lo, porque a vamos comprar ou continuar a usar esse tipo de produto? Como cidade, devemos perguntar-nos a nós próprios o que podemos fazer? Reduzir a partir da fonte é de facto o mais importante e deve ser feito por cada indivíduo. Relativamente ao despejo para o mar de água usada na refrigeração da central nuclear de Fukushima. O Instituto para os Assuntos Municipais pondera deixar de importar comida do Japão. Qual a sua posição? Sim. Penso que, sem uma decisão, vamos todos sofrer passivamente. Esta questão é semelhante à da reciclagem: todos têm responsabilidade. O Governo assegura a transparência da importação e os requisitos de qualidade, mas as grandes empresas devem também testar os alimentos importados. Esta pode ser uma oportunidade para falarmos sobre a qualidade da alimentação e pensarmos na possibilidade de diversificar a nossa dieta, comendo alimentos orgânicos e locais, beneficiando o meio ambiente, sem gastarmos imenso dinheiro.
Mar do Japão | China e Rússia preparam exercício conjunto Hoje Macau - 19 Jul 2023 A China enviou navios da Marinha para preparar exercícios conjuntos com as forças navais da Rússia, num sinal de apoio contínuo de Pequim a Moscovo, divulgou o Governo. Os exercícios conjuntos ocorrem apesar das crescentes repercussões económicas e humanitárias suscitadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia. O exercício envolve mais de dez navios e mais de 30 aeronaves, de acordo com a agência noticiosa oficial Xinhua. O ministério e a Xinhua não deram mais detalhes, mas os exercícios deverão realizar-se em diferentes partes do Mar do Japão ao longo dos próximos dias. Pequim recusou condenar a invasão da Ucrânia em fóruns internacionais, mas assegurou que não fornecerá armas para nenhum dos lados da guerra. O ministério da Defesa revelou que os navios chineses se juntaram aos navios russos ao meio-dia de ontem. Entre eles estavam os contratorpedeiros Qiqihar e Guiyang, as fragatas de mísseis guiados Zaozhuang e Rizhao e o navio de abastecimento Taihu. Os navios chineses transportavam quatro helicópteros, segundo o ministério. Os participantes russos incluíram as fragatas Gromkiy e Otlichnyy, que recebem visitantes desde há uma semana em Xangai, a maior cidade e o centro financeiro da China. Laços fortalecidos Os exercícios conjuntos concentram-se em comunicações navio a navio, manobras em formação e busca e salvamento marítimo, de acordo com a nota do ministério. O exercício ocorre após uma reunião em Pequim entre o ministro da Defesa da China e o chefe da marinha russa, nas primeiras negociações militares formais entre os países vizinhos, desde um motim de curta duração protagonizado pelo grupo mercenário russo Wagner. O ministro da Defesa chinês, Li Shangfu, disse ao almirante russo Nikolai Yevmenov que a China espera aumentar os intercâmbios, exercícios conjuntos e outras formas de cooperação para ajudar os laços na área da Defesa a “atingir um novo nível”, de acordo com o ministério. A China opera a maior marinha do mundo em número de cascos e supera em muito a marinha da Rússia em tamanho e capacidade técnica. As frotas e as forças aéreas dos dois países realizaram vários exercícios e manobras conjuntas desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, no ano passado.