FRC acolhe novamente exposição de Henry Wong Hoje Macau - 25 Jul 202325 Jul 2023 Pode ser vista novamente, na Fundação Rui Cunha (FRC), e até ao dia 5 de Agosto a exposição “Plágio – Extensão”, do artista Henry Wong. Esta mostra já esteve patente na FRC durante uma semana em Junho, apresentando-se agora um período mais alargado. O público poderá, assim, redescobrir os papéis de rascunho com desenhos a caneta colorida, representando as composições do artista em duetos de antes e depois, desde 1997 até hoje, mas também as reproduções em seda da arquitectura da cidade com pigmentos de cores naturais, usando a técnica Gongbi, da pintura tradicional chinesa, em estilo contemporâneo. O jovem artista Henry Wong, com 26 anos, apresenta, assim, 50 obras que reflectem não apenas a sua visão como a arte que tem vindo a desenvolver, incluindo o significado das antigas criações e compara com a sua obra actual, em termos de valores inerentes. Uma “energia visual interessante” A mostra teve a curadoria de Kuan U Leong, para quem “no processo de reflexão sobre o significado dos seus antigos desenhos, [Henry] Wong descobriu que os trabalhos de infância criados sem interferências externas continham uma energia visual interessante e indefinida, provocada pelo desvio subjectivo da criança. (…) Para Wong, a forma mais intuitiva de os comparar era copiá-los. Mas no processo da cópia, os desvios são racional e deliberadamente minimizados, e a nova obra perde a vitalidade da pintura infantil”. Assim, “mesmo que duas pinturas idênticas sejam desenhadas pela mesma pessoa, elas terão significados completamente diversos, devido aos diferentes objectivos do artista em cada momento. Ou seja, a pintura não é o mais importante, o que afinal importa é o significado da acção por trás da criação”, continua a curadora, convidando o público a pensar sobre o tema. Nascido em Macau em 1994, Henry Sio Hang Wong foi professor de inglês do ensino secundário. Em 2022, concluiu o bacharelato em Artes Visuais da Universidade Politécnica de Macau, com especialização em Pintura Chinesa (Belas Artes), explorando principalmente a arte contemporânea e a pintura chinesa. Actualmente, é membro da Associação de Artistas de Macau, da Associação de Pintores e Calígrafos Chineses Yu Un de Macau, da Associação de Arte Juvenil de Macau e da Creative Macau.
Rússia vai continuar a fornecer cereais a África Hoje Macau - 25 Jul 2023 O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu ontem aos países africanos que vai continuar a fornecer cereais apesar das sanções sobre Moscovo, num artigo publicado pelo Kremlin, nas vésperas da cimeira Rússia-África, quinta e sexta-feira. “Compreendemos perfeitamente a importância da interrupção do fornecimento de insumos alimentares para o desenvolvimento socioeconómico e a estabilidade política dos Estados africanos”, escreveu o chefe de Estado russo no artigo citado pela agência espanhola de notícias, a EFE, no qual acrescenta que, por isso, a Rússia “sempre prestou grande atenção às questões referentes aos insumos de trigo, cevada, milho e outros cultivos dos países africanos”. No artigo, Putin salienta: “E fizemo-lo não só sozinhos, numa base contratual, mas também gratuitamente, em forma de ajuda humanitária, inclusivamente através do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas”. Destinatário errado No ano passado, recordou, a Rússia exportou quase 11,5 milhões de toneladas de cereais para África e só nos primeiros seis meses de 2023 já enviou quase 10 milhões de toneladas. Sobre a suspensão da Iniciativa dos Cereais do Mar Negro, que permitia a exportação de cereais usando portos ucranianos através do Mar Negro, Putin argumenta que isso aconteceu porque “servia apenas para enriquecer as grandes empresas norte-americanas e europeias que exportavam e revendiam cereais a partir da Ucrânia”, vincando que “em quase um ano, do total de 32,8 milhões de toneladas de carga, mais de 70 por cento destinaram-se a países de alto e médio rendimento, incluindo a União Europeia, ao passo que países como a Etiópia, o Sudão e a Somália, para além do Iémen e do Afeganistão, receberam menos de 3 por cento. Para além disso, Putin sublinhou que nenhuma das exigências da Rússia relativamente ao levantamento das sanções impostas sobre as exportações russas de cereais e fertilizantes para os mercados mundiais foi cumprida, mas ainda assim assegura: “Apesar das sanções, a Rússia vai continuar a esforçar-se energicamente para enviar para África cereais, alimentos, fertilizantes e outras matérias-primas”. No artigo, o Presidente russo diz ainda que em São Petersburgo deverá ser aprovado um plano de acção sobre o Fórum da associação Rússia-África até 2026 e que serão assinados uma série de documentos bilaterais.
Family office David Chan - 25 Jul 2023 No passado dia 23, Li Jiachao, Chefe do Executivo de Hong Kong, visitou Singapura, a Indonésia e a Malásia em busca de oportunidades de negócio. Li Jiachao declarou que espera atrair mais family offices para Hong Kong. Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2023, Li Jiachao mencionou que o objectivo é vir a ter 200 family offices em Hong Kong em 2025. Family office é uma empresa privada de consultoria e gestão das fortunas de famílias muito ricas, com activos superiores a 100 milhões de dólares. Quantos mais family offices se estabelecerem em Hong Kong, mais famílias bilionárias farão negócios e investimentos em Hong Kong, promovendo a continuação do desenvolvimento económico da cidade. Além disso, as actividades económicas das famílias super-ricas não se limitam, obviamente, aos negócios e ao investimento. Dedicam-se frequentemente a leilões e a acções de caridade. Estas actividades também se desenvolvem com a presença de family offices, pelo que a sociedade de Hong Kong pode beneficiar de várias maneiras. Family offices são criados por indivíduos e famílias, ou por instituições profissionais. O seu âmbito de serviços não envolve apenas investimentos e negócios, mas também inclui planeamento patrimonial, gestão pessoal, gestão patrimonial, educação dos membros da família, etc. Do ponto de vista dos investimentos, estas empresas formulam planos de gestão financeira para as famílias de acordo com as suas necessidades, de forma a aumentar os seus patrimónios. Do ponto de vista pessoal, gerem a logística relacionada com heranças, educação dos jovens, ajudando o crescimento e o desenvolvimento da próxima geração. Como o âmbito dos serviços dos family office envolvem todos os aspectos da vida familiar e não se limitam à gestão das fortunas e dos investimentos, à semelhança do que é feito pelos tradicionais Bancos comerciais, os family offices surgem no mercado à medida que as necessidades assim o exigem. Os family offices são muitas vezes constituídos como «corporações colectivas» independentes e são totalmente detidos por administradores fiduciários ou empresas que detêm o património familiar. Por outras palavras, uma «corporação colectiva» independente é uma sociedade anónima. Um family office é propriedade de uma família, administrado por familiares ou por gestores externos, que promove os investimentos e gere os assuntos da vida familiar. A legislação dos vários países e regiões têm regulamentações diferentes no que respeita aos family offices e diferentes incentivos fiscais. Os family offices têm geralmente de obedecer a três normas: sobre a forma como se estabelecem, a forma como operam, e os impostos que pagam sobre o património familiar. No passado dia 10 de Maio, o Conselho Legislativo de Hong Kong aprovou a ‘Inland Revenue (Alteração) da Lei de 2022 (Desagravamento fiscal para os instrumentos de controlo do investimento familiar’), que contém regulamentos claros sobre o estabelecimento e o funcionamento dos family offices. Em resumo, O capital mínimo de um family office é de 240 milhões de dólares americanos. Pode ou não ser estabelecido em Hong Kong, mas muitas das operações comerciais só podem ser feitas a partir desta região. Desde que os regulamentos sejam respeitados, os lucros do family office podem ficar isentos de 5 por cento dos impostos. Para além de oferecer bonificação das taxas sobre a actividade comercial, Hong Kong também tem vantagens sobre o imposto sucessório. Desde 11 de Fevereiro de 2006, o imposto sucessório foi abolido na região, pelo que os herdeiros deixaram de pagar este imposto ao Governo. Estas medidas ajudam o estabelecimento dos family offices em Hong Kong. Hong Kong é um centro financeiro internacional, e a livre circulação de fundos é garantida pela Lei Básica. Actualmente, existem cerca de 80 bancos e 70 sociedades de gestão de activos a operar em Hong Kong. No final de 2021, os family offices estabelecidos em Hong Kong administravam activos no valor de 4,6 biliões. Hong Kong é apoiado pela China Continental, tem um sistema de impostos simples, um sistema jurídico bem estabelecido e um sólido sistema financeiro, tudo excelentes condições que fomentaram o desenvolvimento financeiro da cidade. Por conseguinte, o meu país apoia Hong Kong no reforço do seu estatuto de centro internacional de gestão de activos no “Esboço do 14º Plano Quinquenal”. Hong Kong está empenhado em ter pelo menos 200 family offices até 2025, o que significa que mais família super-ricas vão passar a operar e a investir na região. A isenção de 5 por cento dos impostos é apenas uma das condições favoráveis que aqui vão encontrar. Se se esperar a vinda de mais family offices para a cidade, o Governo de Hong Kong deve investir mais no desenvolvimento e na divulgação da Área da Grande Baía, salientando as oportunidades de negócio que esta pode trazer para o futuro desenvolvimento de Hong Kong. O facto de Hong Kong ser apoiado pela mãe pátria não está ao alcance de outros países ou regiões, e é insubstituível. Este factor insubstituível é o incentivo mais importante para atrair family offices para Hong Kong. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão do Instituto Politécnico de Macau Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
Artes | Bienal arranca na quinta-feira com explicações do curador João Luz - 25 Jul 2023 A Bienal Internacional de Arte de Macau 2023 será inaugurada na sexta-feira, mas no dia anterior o curador irá explicar o conceito central desta edição, na primeira de três palestras. Qiu Zhijie, vice-director da Academia Central de Belas-Artes, volta a assumir o leme da curadoria da Arte Macau, com um tema centrado no conflito entre ciência e religião Com a cerimónia de inauguração da “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023” marcada para próxima sexta-feira no Museu de Arte de Macau, o Instituto Cultural (IC) irá servir uns aperitivos introdutórios ao “mega-evento cultural e artístico internacional da cidade”. Assim sendo, a começar na quinta-feira e com extensão para duas sessões no sábado, Qiu Zhijie, “artista de renome e vice-director da Academia Central de Belas-Artes”, que voltou a ser convidado para o cargo de curador principal desta edição do evento Arte Macau 2023, irá apresentar três palestras no Auditório do Museu, sito no 1.º piso do MAM. Além do convite à reflexão sobre o tema central da edição deste ano da Bienal Internacional de Macau, as palestras têm como “intuito de apresentar aos visitantes, de forma profunda, a lógica da curadoria, bem como as novas tendências do panorama artístico internacional”. A partir do tema “A Estatística da Fortuna”, o curador propõe através da criação artística uma cuidada análise “às expectativas e preocupações derivadas do desenvolvimento da ciência e tecnologia”, e exploração “dos embates e interacções entre ciência e religião”. Esta dicotomia entre dois aspectos centrais à existência humana e à procura de conhecimento e do divino estará no epicentro da palestra “Religião e Ciência – A Curadoria da Bienal Internacional de Arte de Macau”, que se realiza na próxima quinta-feira, às 19h, no Auditório do Museu, no MAM. Nesta sessão, Qiu Zhijie “irá partilhar com o público a lógica subjacente à curadoria desta edição da “Arte Macau”, realçando várias obras de arte que exploram as tradições religiosas a partir de novos pontos de vista e que examinam a história da tecnologia a partir de perspectivas culturais profundas, explorando assim a correlação e a contradição entre ciência e religião”. O IC indicou ontem que a palestra será realizada em mandarim, sem tradução. Interpenetração cultural No sábado, Qiu Zhijie irá presidir a duas tertúlias intituladas “Conversas com Artistas”, com as sessões marcadas para as 14h e as 16h, no Auditório do Museu, no MAM. Para estas conversas foram convidados artistas locais, artistas portugueses e artistas do Sudeste Asiático, para abordar a relação entre a arte contemporânea e a cultura. A primeira Conversa tem como tema “Encontro entre Macau e Portugal — A Direcção Criativa da Interpenetração Cultural Chinesa e Portuguesa”, contando com a participação de vários artistas, nomeadamente, Carlos Marreiros e Konstantin Bessmertny, de Macau, e Fábio Colaço, Catarina Mil-Homens, Helena Mendes Pereira e Mafalda Santos, de Portugal. Enquanto a segunda Conversa, intitulada “Um Sonho Tropical – Debate sobre Arte Contemporânea do Sudeste Asiático”, conta com a presença de artistas, como Ming Wong, da Singapura, Heri Dono, da Indonésia, e Khvay Samnang, do Camboja. Estas sessões serão realizadas em inglês, com interpretação simultânea em mandarim. As inscrições para as palestras encerraram ontem, o mesmo dia em que a informação foi divulgada em português e inglês. Criar a sorte A Arte Macau 2023 divide-se em oito secções. 30 exposições de arte serão apresentadas por toda a cidade para exibir obras-primas modernas e contemporâneas da autoria de mais de 200 artistas entusiásticos e representativos de mais de 20 países e regiões. O fim condutor da grande oferta cultural será a intersecção entre ciência e espiritualidade, ponto fulcral o tema “A Estatística da Fortuna”. Qiu Zhijie começa por explicar que a dicotomia entre ciência e religião em Macau teve um marco essencial no final do século XVI, quando o missionário jesuíta italiano Matteo Ricci chegou a Macau em 1582, constituindo um marco na história das trocas culturais entre a China e o Ocidente. Na China, Ricci colaborou com Li Zhizao e outros para desenhar o Kunyu wanguo quantu (Mapa Geográfico Completo de Dez Mil Países) e dedicou-o ao Imperador Wanli, da Dinastia Ming. Também colaborou com Xu Guangqi para traduzir parte dos Elementos de Geometria, de Euclides, iniciando assim o processo de disseminação do conhecimento científico ocidental moderno na China imperial. E sendo Matteo Ricci um missionário jesuíta, sabe-se que a ciência veio junto com a religião, destacou o curador-principal da Bienal Internacional de Arte de Macau. Tendo em conta este contexto histórico, Qiu Zhijie destaca a singular posição geográfica de Macau que colocou o território “na vanguarda dos intercâmbios globais de conhecimentos, crenças religiosas e costumes, onde se misturam budismo, taoísmo, crença em A-Má e catolicismo europeu.
Índia | Terminam buscas por dezenas de desaparecidos Hoje Macau - 25 Jul 2023 Centenas de socorristas deram ontem por encerradas as buscas, que decorreram durante quatro dias, por dezenas de pessoas desaparecidas, depois um enorme deslizamento de terras provocado por chuvas, numa aldeia no oeste da Índia. As equipas de resgate recuperaram, nos primeiros dois dias de buscas, os corpos de 27 pessoas que morreram no deslizamento de terras, que ocorreu na quarta-feira à noite na aldeia de Irshalwadi, localizada a quase 80 quilómetros de Mumbai, a capital do estado de Maharashtra. O governo estadual e a agência nacional de socorro decidiram ontem encerrar as operações de busca, por entenderem que não há esperança de encontrar sobreviventes, quando continuam desaparecidas 78 pessoas, Deepak Avadh, responsável da força nacional de resposta a desastres. Pelo menos 17 das 48 casas da aldeia foram total ou parcialmente soterradas pelos escombros, disseram as autoridades. Entre os mortos, estão quatro crianças, segundo a agência de notícias Press Trust of India, acrescentando que 75 pessoas foram resgatadas com vida, quatro delas encontrando-se hospitalizados. Chuvas recordes de monções mataram mais de 100 pessoas no norte da Índia nas últimas três semanas, disseram as autoridades, com a força das águas a causar a queda de pontes e estradas e o colapso de casas. A Índia sofre regularmente inundações severas durante a temporada de monções, entre Junho e Setembro, que os cientistas dizem que estão a tornar-se mais erráticas por causa das mudanças climáticas, levando a deslizamentos de terra frequentes e inundações repentinas.
Banguecoque | Protestos contra bloqueio na nomeação de PM Hoje Macau - 25 Jul 2023 Centenas de tailandeses manifestaram-se domingo em Banguecoque para protestar contra o bloqueio político que está a impedir que o vencedor das recentes eleições no país seja nomeado primeiro-ministro. A afluência ao protesto, que obrigou ao encerramento de um importante cruzamento da capital tailandesa, foi afectada pelas fortes chuvas das monções que caíram em Banguecoque. Apesar do mau tempo, centenas de pessoas contestaram o bloqueio que se verifica no Senado, que já impediu por duas vezes a nomeação de Pita Limjaroenrat para Chefe do Executivo. Pita, líder do partido Avançar, que venceu inesperadamente as eleições de 14 de Maio, viu na quarta-feira o Tribunal Constitucional suspender o seu mandato de deputado até que fique concluída uma investigação contra ele por suspeitas de irregularidades durante a campanha. Depois das duas tentativas falhadas, o Avançar aceitou dar a vez ao seu parceiro de coligação Phue Thai, que ficou em segundo lugar nas eleições, para indicar o primeiro-ministro. A candidatura de Pita foi amplamente bloqueada pelos senadores, o que resultou num impasse político. O Phue Thai, ligado ao influente clã Shinawatra, fez domingo uma segunda ronda de contactos com formações conservadoras com o objectivo de conseguir um maior apoio e alcançar a maioria simples necessária na votação agendada para a próxima quinta-feira.
ONU | Anunciados contactos com Pyongyang sobre militar norte-americano Hoje Macau - 25 Jul 2023 Travis King terá atravessado a fronteira com a Coreia do Norte, onde se supõe estar detido. Pyongyang mantém-se em silêncio O vice-chefe da delegação da ONU na Coreia do Sul disse ontem que foram iniciadas “conversações” com Pyongyang sobre o soldado americano Travis King, que alegadamente se encontra detido na Coreia do Norte. “Foram iniciadas conversações com o Exército Popular da Coreia através do mecanismo do acordo de armistício”, declarou o general Andrew Harrison numa conferência de imprensa, ontem, na capital da Coreia do Sul. Harrison referia-se ao acordo que pôs fim às hostilidades em 1953 na Península da Coreia. A Coreia do Norte mantém o silêncio sobre o soldado americano, Travis King, que supostamente atravessou a fronteira na passada terça-feira. As autoridades norte-americanas mostraram-se preocupadas com o bem-estar do militar e afirmaram que a Coreia do Norte tem ignorado os pedidos de informações sobre King, incluindo o local onde está detido assim como pedem detalhes sobre o estado de saúde do militar. Os analistas citados pela agência norte-americana Associated Press (AP) recordam que a Coreia do Norte costuma demorar semanas ou meses para fornecer informações significativas deste género, a fim de potenciar influência e aumentar a urgência dos esforços dos Estados Unidos para garantir a libertação. Segundo a AP, a Coreia do Norte pode tentar obter concessões de Washington, como por exemplo, fazer depender a libertação de King da redução das actividades militares dos Estados Unidos na Coreia do Sul. Os Estados Unidos e a Coreia do Sul têm aumentado o número de exercícios militares conjuntos e a aumentar o destacamento regional de meios estratégicos norte-americanos, como bombardeiros, porta-aviões e submarinos, numa demonstração de força contra a Coreia do Norte, que testou cerca de 100 mísseis desde o início de 2022. Visita de peso Entretanto, um submarino de propulsão nuclear norte-americano chegou à Coreia do Sul, no segundo destacamento de um importante activo naval norte-americano para a Península da Coreia, informaram ontem as forças armadas sul-coreanas, reforçando a demonstração de força para combater as ameaças nucleares da Coreia do Norte. O USS Annapolis chegou a um porto na ilha de Jeju cerca de uma semana depois de o USS Kentucky ter atracado no porto continental de Busan. O Kentucky foi o primeiro submarino norte-americano com armas nucleares a chegar à Coreia do Sul desde a década de 1980. A Coreia do Norte reagiu à presença dos navios com a realização de um teste de mísseis balísticos e de cruzeiro, numa aparente demonstração de que poderia efectuar ataques nucleares contra a Coreia do Sul e contra os navios de guerra norte-americanos.
Estudo | Pequim tem oportunidade para reforçar papel internacional do yuan Hoje Macau - 25 Jul 2023 O país deve intensificar a utilização internacional do yuan através de acordos de livre comércio e investimentos, são algumas das conclusões de um estudo da Universidade Renmin. Argentina, Brasil e Rússia são países que já usam a moeda chinesa nas trocas comerciais A China pode aumentar o papel internacional do yuan, segundo um estudo elaborado pela Universidade Renmin, apesar da ausência de convertibilidade da moeda chinesa e do rígido controlo imposto por Pequim sobre o fluxo de capital. Argentina, Brasil e Rússia incrementaram já o uso do yuan nas trocas comerciais com a China, numa altura em que o debate sobre a fragmentação do mercado monetário e a diluição do domínio do dólar norte-americano foi renovado pelas sanções impostas pelo Ocidente contra a Rússia. O estudo da Universidade Renmin, que mede a “internacionalização” da moeda, com base no seu uso no comércio internacional, reservas e transacções cambiais, conclui que o yuan teve uma pontuação de apenas 6,4, numa escala de 0 a 100, no ano passado. Embora este tenha sido o valor mais alto do yuan até à data, ficou bem atrás do dólar e do euro, que obtiveram 50,5 e 25,16 pontos, respectivamente. O estudo apontou que a China deve pressionar por mais acordos de livre comércio, bilaterais ou regionais, para aumentar as oportunidades de comércio e investimento e criar condições favoráveis para o uso do yuan no exterior. “Também devemos fortalecer os intercâmbios com países desenvolvidos no âmbito da transformação do modelo económico para baixar as emissões de carbono e no desenvolvimento financeiro verde, e aproveitar o potencial do yuan para servir a cooperação no combate contra as alterações climáticas e o desenvolvimento de baixo carbono”, lê-se. O mesmo documento sugeriu: “A China deve participar activamente na formulação das futuras regras de comércio digital e na governação económica digital global, e aproveitar ao máximo as vantagens na transformação digital e no desenvolvimento da moeda digital do banco central”. Luta antiga A China tem tentado internacionalizar a sua moeda, o yuan, desde 2009, visando reduzir a dependência do dólar em acordos comerciais e de investimento e desafiar o papel da divisa norte-americana como a principal moeda de reserva do mundo. O dólar é utilizado em 84,3 por cento das trocas comerciais a nível global, segundo dados recentes divulgados pelo jornal britânico Financial Times. Mas a participação do yuan mais do que duplicou desde a invasão da Ucrânia, de menos de 2 por cento para 4,5 por cento, reflectindo o maior uso da moeda chinesa no comércio com a Rússia. Num ensaio académico, Michael Pettis, professor de teoria financeira na Faculdade de Gestão Guanghua, da Universidade de Pequim, explicou como a “rigidez” do sistema financeiro da China, em contraste com o mercado de capitais aberto dos Estados Unidos, impede o yuan de assumir maior predominância como moeda de reserva. Pettis lembrou que o mundo continua a usar o dólar devido à “profundidade, flexibilidade” e “governação superior” do mercado financeiro norte-americano, e à “disposição e capacidade dos EUA de acomodar e absorver os desequilíbrios” comerciais do resto do mundo, incorrendo em grandes ‘deficits’ comerciais. “A economia e o sistema financeiro dos EUA absorvem quase metade das poupanças do mundo”, apontou Pettis. O mercado aberto de acções e títulos de dívida do país desempenha também um papel central no financiamento das empresas, famílias e governos. A China, por outro lado, tem um sector financeiro “mais rígido”, com o crédito bancário a servir directamente os objectivos do Estado e a alocação de crédito a ser determinada pela liderança política. O sistema financeiro e os activos chineses estão, assim, praticamente vedados ao capital estrangeiro, e o yuan não é inteiramente convertível. O banco central chinês estabelece diariamente uma taxa de paridade para o valor do yuan, em relação ao dólar norte-americano. A moeda chinesa pode oscilar até 2 por cento face a essa taxa de referência. A crescer No evento que marcou a publicação do estudo da Renmin, Chen Yulu, ex-vice-presidente do banco central e agora presidente da Universidade Nankai, disse que o yuan é já a terceira maior moeda internacional, superado apenas pelo dólar e euro, e que a sua participação no mercado e influência estão a crescer. “Para transformar o yuan numa moeda equivalente ao dólar norte-americano e ao euro, até 2035, são necessárias três condições: um sistema industrial moderno apoiado pela economia real, o aprofundamento do mercado financeiro doméstico e grandes progressos na infraestrutura de internacionalização do yuan e um equilíbrio de alto nível entre a abertura institucional do sistema financeiro da China e o regime de controlo de risco”, apontou Chen. Num relatório divulgado no início deste mês, a Associação Bancária da China chamou os bancos estatais e os gigantes industriais a desempenhar um papel de liderança, priorizando o uso da moeda chinesa no comércio de matérias-primas e em projetos no exterior. “Dado o ajuste no sistema monetário internacional após a pandemia e o conflito Rússia – Ucrânia, a internacionalização do yuan tem uma importante janela para se desenvolver”, lê-se no relatório. “Os bancos chineses devem aproveitar a oportunidade histórica”, acrescentou.
DSAT | Governo vai lançar concurso público para táxis normais João Luz e Nunu Wu - 25 Jul 202325 Jul 2023 A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego anunciou que estará para breve a abertura de um concurso público para atribuir mais licenças para táxis normais. Além disso, o Governo irá organizar quatro cursos de formação para motoristas de táxis em Agosto Para responder à perda de validade de centenas de licenças para operar táxis que se verificou nos últimos anos, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou no domingo à noite que está a ultimar os detalhes para lançar um concurso público para atribuir licenças para táxis, com a maior brevidade possível. Este será o primeiro concurso público para atribuir licenças desde 2018. Há cerca de três anos, circulavam no território perto de 1800 táxis, frota que foi reduzida em mais de 400 veículos até hoje, o que representa uma diminuição de quase 30 por cento, mesmo com a procura a aumentar consideravelmente desde que regressou a normalidade nas travessias de fronteiras. A diminuição da frota estará ligada às licenças que foram expirando ao longo dos últimos anos. “Face às notícias que indicaram que o número de táxis diminuiu devido à expiração de licenças, a DSAT informa que está a fazer as preparações devidas para lançar um concurso público para atribuir licenças de táxis normais, com vista a corresponder às necessidades dos serviços de táxis por residentes e turistas e aumentar a qualidade dos serviços de táxis,” lê-se o comunicado da DSAT. Sempre a aprender A DSAT indicou ainda que no passado dia 17 de Julho, existiam em Macau 1.602 táxis licenciados, 1.302 deles normais (que se podem apanhar na rua, sem reserva) e 300 especiais. Recorde-se que nos últimos tempos, representantes do sector dos táxis têm feito repetidos pedidos para lançamento de novas licenças de táxi, com particular incidência a partir do segundo trimestre deste ano na sequência do aumento de turistas que visitam Macau. Um dos representantes mais interventivos nesta matéria é o presidente da Associação de Taxistas, Tony Kuok, que recentemente se queixou da redução de cerca de 30 por cento da frota de táxis, mas que cerca de uma centena de licenças irá expirar no próximo ano. O dirigente associativo tem reivindicado também o aumento das tarifas para fazer face à escalada de preços dos combustíveis e custos operacionais. A DSAT anunciou ontem que vai realizar cursos obrigatórios de formação de taxistas, com a duração de dois dias, divididos em quatro turmas ao longo do mês de Agosto. As inscrições arrancaram ontem e existem 160 vagas disponíveis. Quem completar o curso com aproveitamento, fica habilitado a fazer o exame para obter a carteira profissional de taxista, requisito essencial para exercer a profissão. A DSAT destacou que desde 2022 até agora, organizou cursos de formação para um total de 1880 vagas para os candidatos a taxistas.
SMG intensificam trabalhos de inspecção de qualidade da água João Santos Filipe - 25 Jul 202325 Jul 2023 Face aos planos do Governo japonês para libertar no oceano a água acumulada da Central Nuclear de Fukushima, o Governo da RAEM revelou ter intensificado as inspecções às águas do território. A medida foi tomada pelos Serviço Meteorológicos e Geofísicos (SMG) e revelado numa resposta a interpelação do deputado Lei Chan U, assinada por José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). “Relativamente ao plano do Japão de despejar água contaminada com resíduos radioactivos para o Oceano Pacífico, os SMG aumentaram a frequência de recolha de amostras da água do mar para análise, bem como irão ajustar oportunamente o grau de monitorização, para assegurar a saúde dos residentes”, foi explicado ao deputado Lei Chan U. Este tipo de inspecção faz parte das medidas adoptadas pelos SMG em 2014, quando foi criado um “mecanismo de monitorização permanente do nível de radioactividade da água do mar nas zonas costeiras de Macau e nas áreas marítimas circundantes”. A ferramenta implica a recolha anual de “amostras para análise da água do mar em vários pontos de monitorização”, feita de acordo com os padrões do Interior, além da cooperação com regiões vizinhas. Para complementar estes trabalhos, foi garantido que também a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) “realiza mensalmente um teste de triagem preliminar sobre o nível de radiação da água do mar nas áreas marítimas sob jurisdição, servindo como referência interna para analisar a tendência de mudança”. Tudo nos conformes Como revelado anteriormente, na resposta à interpelação do deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), José Tavares reitera que caso sejam libertadas águas da central de Fukushima a RAEM vai avançar com um plano para bloquear as importações de várias regiões do país nipónico. “Se o Japão despejar água contaminada com resíduos radioactivos de Fukushima no mar, este Instituto irá tomar mais medidas para suspender a importação de alimentos oriundos de nove distritos, a saber: Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano, Saitama e Tóquio”, foi indicado. “Em paralelo, o IAM reforçará a inspecção dos produtos alimentares importados do Japão, e não se exclui a possibilidade de ajustar as respectivas medidas de inspecção e quarentena, de acordo com as necessidades reais”, foi acrescentado. José Tavares informou ainda que o IAM “reforçou as análises de radioactividade nos alimentos importados do Japão desde meados de Maio do ano corrente, incluindo produtos aquáticos e seus derivados, frutas, vegetais, leite e produtos lácteos, carnes de animais domésticos e seus derivados”. Nos testes mais recentes não foi verificada “qualquer anomalia”.
Tufão | Doksuri intensifica-se amanhã com trajectória incerta João Luz - 25 Jul 2023 À medida que o tufão Doksuri se intensifica no Mar do Sul da China, as temperaturas vão continuar a subir em Macau. Para amanhã, os SMG estimam que o calor se agrave, com a temperatura máxima a atingir os 35 graus e as trovoadas a voltarem. O Observatório de Zhuhai estima que o tufão passe a 500 quilómetros da cidade vizinha, entre quinta e sexta-feira Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau emitiram ontem o alerta amarelo de temperaturas elevadas, com a previsão da intensificação do calor nos próximos dias, com os termómetros a chegarem amanhã e quinta-feira aos 35 graus celsius. Aliás, o sol dos últimos dias irá dar lugar à instabilidade com “dispersos períodos de aguaceiro de trovoada” já a partir amanhã e ao longo dos próximos dias, inclusive durante o fim-de-semana, à medida que a região comece a sentir os primeiros efeitos do tufão Doksury. Ontem, o Observatório de Hong Kong apontou que “é esperado que o ciclone tropical Doksuri se intensifique para um super-tufão e se mova através do Estreito de Luzon nos próximos dois dias”. O organismo que monitoriza as condições meteorológicas em Hong Kong indicou ainda que é possível que o Doksury vá em direcção à costa leste de Guangdong, com a possibilidade de também se poder mover para as imediações do sul de Taiwan. Até ontem, o Observatório de Hong Kong indicava que o impacto do tufão Doksury para a região era incerto, sem haver ainda previsão sobre a possibilidade de emitir sinal de tufão. Para já, a questão é saber se a tempestade irá aproximar-se mais de Taiwan ou da costa leste de Guangdong. Porém, o Observatório Meteorológico de Zhuhai prevê que a proximidade máxima do tufão Doksury seja atingida entre a tarde de quinta-feira e a manhã de sexta-feira, quando a tempestade passar a cerca de 500 quilómetros de Zhuhai. Além disso, o organismo da cidade vizinha referiu ontem que autoridades de várias regiões e países são consistentes na passagem do Dokusury pelo Canal de Bashi, no Estreito de Luzon. Ventos e chuva Um responsável do Observatório de Hong Kong alertou ontem quem pensa viajar para Taiwan, Fujian e a costa leste de Guangdong para prestar atenção às mudanças meteorológicas e aos anúncios das autoridades. A evolução do Doksuri, baptizado a partir da palavra “águia” em coreano, começou como uma tempestade tropical que se intensificou para tufão no domingo, registando rajadas de vento que atingiram, no máximo, 230 quilómetros por hora, segundo avançou a agência meteorológica filipina Pagasa. Ontem à tarde, o tufão estava a aproximar-se de Luzon, a maior e mais populosa ilha das Filipinas, onde as previsões apontam hoje para chuvadas e cheias.
IAS | Organizada base de dados para língua gestual Andreia Sofia Silva - 25 Jul 2023 O Instituto de Acção Social (IAS) está a desenvolver uma base de dados com os léxicos da língua gestual a fim de levar a cabo “uma padronização” da mesma, além de estar prevista a implementação de um plano de acção que irá incluir uma plataforma de base de dados lexical da língua portuguesa de acesso gratuito para os residentes de Macau. Na resposta de Hon Wai, presidente do IAS, à interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, lê-se ainda que a entidade irá, “juntamente com as instituições de pesquisa e associações das pessoas com deficiência auditiva, concretizar em Macau o plano de desenvolvimento, a fim de poder impulsionar o trabalho relativo ao ensino da língua gestual e sua interpretação”. Quanto ao “Plano piloto financeiro para a aquisição de equipamentos auxiliares e equipamentos domésticos especiais para deficientes”, já prestou apoio a 55 pessoas, sendo que cerca de 60 por cento são pessoas com deficiência auditiva. O IAS acrescentou ainda, na mesma resposta, que “o número de equipamentos de auxílio [no âmbito do plano de apoio] atingiu mais de 80 unidades, sendo os aparelhos auditivos e as cadeiras de rodas eléctricas os mais solicitados”.
Portas do Entendimento | Multa de 2,8 milhões por atraso nas obras João Santos Filipe - 25 Jul 2023 O desentendimento relacionado com o atraso de 59 dias nas obras entre o secretário para os Transportes e Obras Públicas e as construtoras Lei Fung e Grupo de Construção de Xangai – SCG obrigou à resolução em tribunal As construtoras responsáveis pelas obras de renovação do monumento Portas do Entendimento tiveram de pagar uma multa superior a 2,8 milhões de patacas, devido a atrasos na conclusão dos trabalhos. A sanção imposta pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas em Outubro de 2022 foi alvo de recurso para o Tribunal de Segunda Instância, e acabou por ser confirmada no mês passado. Em finais de 2018, foi lançado o concurso público para as obras de reparação das Portas do Entendimento, na zona do Largo Sai Van. À altura, foram apresentadas 20 propostas, todas admitidas a concurso. O consórcio constituído pela Companhia de Construção e Engenharia Lei Fung e Sociedade de Construção e Engenharia – Grupo de Construção de Xangai – SCG (Macau) prometia fazer os trabalhos em 515 dias, com um orçamento de 38,8 milhões de patacas. A proposta era a quarta mais barata e a nível do tempo dos trabalhos era a décima mais rápida. Adjudicado o contrato, o prazo inicial apontava para que as obras ficassem concluídas a 18 de Março de 2021. No entanto, mais tarde, o prazo acabaria por ser prorrogado até 9 de Junho de 2021. A 8 de Junho de 2021 o consórcio tentou fazer a entrega da obra, que foi recusada, após a vistoria das Obras Públicas, por se considerar que “a obra não estava em condições de ser recebida”. Este cenário voltou a repetir-se a 7 de Julho, quando se verificou uma nova recusa. Finalmente, a 20 de Agosto, com um atraso de 59 dias de trabalho, a obra de renovação do monumento Portas do Entendimento foi tida como pronta e recebida pelas Obras Públicas. Em nenhuma das datas, a empresa apresentou reclamação contra a decisão das Obras Públicas de não receberem as obras. Falta de reclamação fatal Face à aplicação da multa de 2,8 milhões de patacas pelos atrasos de 59 dias, decidido pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, de acordo com o estipulado no contrato de adjudicação, a empresa recorreu para os tribunais. Segundo a queixa das empresas, a Administração teria violado o princípio da confiança ou da boa-fé, na forma como recusou receber os trabalhos nas diferentes datas. Além disso, as adjudicatárias argumentaram ainda que as exigências dos trabalhos tinham sido modificadas, no que dizia respeito à instalação do sistema de iluminação. No entender do TSI, num acórdão que teve como relator Vasco Fong, como a empresa nunca apresentou reclamação para o secretário da decisão de não recepção das obras no prazo de 10 dias, perdeu o direito a contestar a multa. No entender dos juízes, o silêncio do consórcio equivaleu ao reconhecimento da falta de condições para entregar a obra. Neste sentido, o tribunal validou a multa aplicada de 2,8 milhões de patacas.
DSEC | Indústrias emergentes terão estatísticas específicas Nunu Wu - 25 Jul 2023 A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) está a elaborar um novo quadro estatístico relativo às indústrias emergentes que irão traduzir para números os sectores abrangidos pela política do Governo “1+4”. A informação consta na resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Sun Iok e é revelada por Wong Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Numa primeira fase, está a ser iniciada a recolha de dados para a elaboração de indicadores estatísticos que possam avaliar o desenvolvimento das novas indústrias. A necessidade de elaborar novas estatísticas impõe-se devido ao facto de os actuais dados não estarem de acordo com as novas políticas consideradas como prioritárias pelo Governo. Neste momento, vigoram normas nacionais de classificação e documentos estatísticos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O director da DSAL disse ainda que esta entidade tem cooperado com diversas cidades da Grande Baía para lançar exames profissionais de reconhecimento de competências e apoiar os residentes locais a serem mais competitivos no mercado laboral da Grande Baía.
Kun Iam | Ron Lam entrega petição antes do anúncio de suspensão Nunu Wu - 25 Jul 2023 O deputado Ron Lam U Tou apresentou uma petição, em nome da Associação de Sinergia de Macau, a exigir a suspensão da obra de construção da estátua de Kun Iam, em Hac Sá, Coloane, e a manutenção da zona de churrascos e infra-estruturas actuais. A entrega da petição, que reuniu 8929 assinaturas, aconteceu escassas horas antes do anúncio do cancelamento do projecto. O deputado pediu também explicações sobre o aumento do orçamento para o projecto destinado ao Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac Sá. Johnson Ian, presidente da associação, explicou que a petição juntou este número de assinaturas em apenas três dias e meio, esperando que o Governo dê atenção às opiniões expressas e dê explicações adicionais sobre o projecto em causa. Ron Lam U Tou, vice-presidente da associação, adiantou que a grande maioria das queixas dos residentes prendem-se com a ausência de uma consulta pública sobre o projecto. O deputado defendeu que o Comissariado contra a Corrupção e Comissariado da Auditoria deveriam investigar o projecto e o respectivo orçamento.
Kun Iam | Projecto de estátua suspenso e empresa será compensada João Santos Filipe - 25 Jul 2023 Após vários dias de críticas da população e da mudança de posição das associações tradicionais, que passaram do apoio a pedir o cancelamento, o Governo recuou e cancelou a construção da estátua gigante de Kun Iam em Hac Sá A construção de uma estátua gigante de Kun Iam na Barragem de Hac Sá foi suspensa. O anúncio foi feito ontem em conferência de imprensa pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, que admitiu que o projecto se tornou um problema. “Não esperávamos que um projecto em prol da população se tornasse em algo negativo. Vamos fazer com que o espaço regresse ao estado original o mais rapidamente possível”, afirmou o secretário. “Não queremos que um projecto cause impacto negativo e por isso optámos pela suspensão da construção da estátua”, frisou. Na semana passada, foi anunciado que seria construída uma estátua a representar a figura da deusa Kun Iam ao pé da barragem de Hac Sá, com um custo de 42 milhões de patacas. A obra tinha sido adjudicada de forma directa à Companhia de Arte Shang Guo, ligada ao escultor Liang Runan. A decisão foi comunicada à empresa, e o Governo admite que face à desistência será necessário pagar à companhia, mas o montante não foi revelado ontem. “Temos de ver o que está estipulado nas cláusulas do contrato assinado entre o Instituto dos Assuntos Municipais e a empresa”, reconheceu o governante. “Vamos seguir rigorosamente a lei”, garantiu. Até ontem, de acordo com as palavras do secretário, a empresa não tinha comunicado a sua posição face ao cancelamento do contrato. Com a decisão, o Governo preparar-se para restaurar o labirinto, que já tinha sido removido para instalar a estátua, e prometeu manter não só a zona para churrascos, mas também a área onde estava instalado um escorrega de relva. No mesmo sentido, o secretário admitiu que a maioria dos projectos do IAM está relacionada com a vida quotidiana da população, e que é necessário garantir que os mecanismos para ouvir os cidadãos são eficazes. A fazer as contas Grande parte da conferência de imprensa, marcada após a chuva de críticas ao projecto e aos memes sarcásticos que inundaram a internet, serviu para explicar o disparo orçamental para o chamado Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac Sá, que estava orçamentado em 229 milhões de patacas e que terá um custo estimado de 1,4 mil milhões de patacas. Segundo as explicações de André Cheong, nos últimos anos o projecto foi alterado. No início apontava-se para a construção para um espaço com sete hectares, que representa 10 campos de futebol, porém, a área de construção vai ser de 10 hectares, o que significa 14 campos de futebol. As obras de 1,4 mil milhões de patacas vão ser realizadas para instalar um parque de estacionamento com três andares, uma zona para jogos aquáticos, com mini piscinas, uma torre de escalada, pistas de BTT entre outras actividades, e ainda um sistema contra inundações. O novo projecto teve por base um estudo de concepção encomendado à empresa Huayi, numa adjudicação directa de 11,7 milhões de patacas. Neste aspecto, André Cheong apontou que os planos para a zona foram pensados para responder às “opiniões da população”, com o objectivo aproveitar melhor o espaço, face à falta de terrenos. De acordo com o governante, grande parte da área vai ser arborizada. O secretário também reconheceu que o custo estimado de 1,4 mil milhões de patacas pode ficar abaixo do estimado, quando houver um orçamento final, e que será escolhida uma entidade independente para fazer a supervisão e garantir que não há gastos injustificados.
China | Trabalhadores migrantes em crise buscam empregos temporários Hoje Macau - 25 Jul 2023 Emprego temporário para trabalhadores que procuraram as cidades em busca de melhores condições de vida é uma das consequências do menor crescimento da economia chinesa, espelhado nos mais recentes dados do Produto Interno Bruto. Os cerca de 296 milhões de trabalhadores migrantes existentes no país procuram trabalhos a tempo parcial para se conseguirem sustentar O abrandamento económico da China deixou trabalhadores migrados nas grandes cidades a lutar por trabalho temporário, enquanto economistas reconsideram previsões, até recentemente tidas como certas, sobre a ascensão do país asiático a maior economia mundial. Na vila de Houchang, situada no norte de Pequim, em frente à sede da rede social Baidu, símbolo do desenvolvimento tecnológico da China, milhares de trabalhadores rurais saem todos os dias em busca de trabalho temporário: na construção, mudanças ou entregas ao domicílio. “Ocasionalmente aparece trabalho, mas a maioria tem agora pouco que fazer: estão praticamente desempregados”, descreve Wang Yushua, um trabalhador oriundo da província de Henan, à agência Lusa. A China tem cerca de 296 milhões de trabalhadores migrantes – oriundos do interior chinês, radicados nas prósperas cidades do litoral. No primeiro trimestre do ano, o seu rendimento médio caiu para 4.504 yuan, de 4.615 yuan no ano passado, segundo dados oficiais. A economia chinesa cresceu 0,8 por cento, no segundo trimestre, em comparação com os três meses anteriores. Isto representa uma desaceleração, em relação ao primeiro trimestre, quando a economia cresceu 2,2 por cento. Estas taxas de crescimento contrastam com a média de quase 10 por cento ao ano, alcançada entre 1979 e 2019. Uma mudança de paradigma para taxas de crescimento menores tem impacto para trabalhadores como Wang. Com 44 anos, nota que, para a sua geração, é “imprescindível” ganhar dinheiro: “devemos cuidar dos familiares mais velhos e dos mais jovens, antes de pensar em nós mesmos”. Este novo paradigma acarreta também consequências para a posição global da China: ultrapassar os Estados Unidos como a maior economia do mundo teria especial importância para Pequim, num período de crescente competição ideológica, geopolítica e tecnológica com Washington. Até recentemente, muitos economistas davam como certo que o PIB da China ultrapassaria o dos EUA até ao final desta década. Seria o culminar daquela que é considerada a mais extraordinária ascensão económica de todos os tempos: de um país pobre e isolado, a China converteu-se no principal mercado do mundo para várias matérias-primas e produtos com valor acrescentado. A procura chinesa tornou-se fundamental para determinar o preço da soja, petróleo ou minério de ferro e para os resultados trimestrais das principais marcas mundiais. Covid e liquidez Mas as perspectivas deterioraram-se nos últimos anos, face a uma crise de liquidez no sector imobiliário, fraco consumo interno ou altos níveis de endividamento dos governos locais. Estes factores foram agravados pela política ‘zero covid’ e crescentes fricções geopolíticas. A situação está a criar dúvidas sobre com que tipo de modelo a China poderá realizar a transição, quando um crescimento assente no consumo interno parece improvável, já que os salários permanecem baixos, e a aposta em sectores de alto valor acrescentado sofre grande resistência externa, com os Estados Unidos a imporem sanções e a restringirem a venda de tecnologia à China. Pequim lançou um plano, designado “Made in China 2025”, para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades nos sectores de alto valor acrescentado, incluindo inteligência artificial, robótica e carros eléctricos. No sector automóvel, a China conseguiu gerar marcas como a BYD [Build Your Dreams], NIO ou Xpeng, capazes de ameaçar o ‘status quo’ de uma indústria dominada há décadas pelas construtoras alemãs, japonesas e norte-americanas. “A minha pergunta é: será que há deste tipo de empresas em número suficiente?”, aponta Richard Koo, economista na consultora japonesa Nomura Research Institute. O dividendo demográfico que propiciou o rápido desenvolvimento económico do país chegou também ao fim. A ONU projecta que a população da China em idade activa vai diminuir em mais de 100 milhões, na próxima década. A consultora Capital Economics estima que, se o PIB da China não ultrapassar o dos Estados Unidos até meados dessa década, talvez nunca o venha a fazer. Ruchir Sharma, presidente da gestora de ativos Rockefeller Capital Management, concorda: “uma crise demográfica, baixos níveis de produtividade, altos níveis de endividamento e crescente rivalidade com os EUA, significam que o período de trepidante crescimento económico da China chegou ao fim”. Posições revistas Outros economistas continuam a antever a ascensão do país à posição de maior economia mundial, mas estão também a rever as suas previsões. O Centro de Estudos Económicos e Empresariais, um grupo de reflexão com sede no Reino Unido, diz agora que a China vai ultrapassar os EUA apenas em 2030, dois anos mais tarde do que a previsão original. O Centro de Pesquisa Económica do Japão, com sede em Tóquio, também adiou em quatro anos, para 2033, a consagração da China como ‘número 1’. Há cerca de uma semana foram divulgados os dados semestrais do desempenho da economia chinesa, tendo-se registado um crescimento homólogo de 6,3 por cento no segundo trimestre, um valor bastante aquém das expectativas dos analistas, ainda que esta percentagem tenha sido superior à de 4,5 por cento registada nos meses de Janeiro a Março. No entanto, a economia cresceu apenas 0,8 por cento no segundo trimestre. A expansão robusta, em termos homólogos, deve-se em grande parte ao crescimento de apenas 0,4 por cento, durante o segundo trimestre de 2022, quando o país impôs rigorosos bloqueios em Xangai e outras cidades, visando conter surtos de covid-19. Os analistas previam que o crescimento se fosse fixar acima dos 7 por cento. O Governo chinês estabeleceu a meta de crescimento económico deste ano em “cerca de 5 por cento”. Para alcançar aquele valor, o PIB vai ter que crescer mais rapidamente nos próximos meses. Relativamente às exportações, estas caíram 12,4 por cento em Junho, em termos homólogos, devido a uma menor procura global potenciada pelo aumento das taxas de juros na Europa, Estados Unidos e outros países, que visam conter a inflação. Ao contrário do resto do mundo, a China não enfrenta altas taxas de inflação, mas pode acabar por registar o oposto: a queda dos preços, ou deflação, devido à fraca procura. Nos últimos meses, as autoridades tentaram estimular o crédito e gastos. Se nas grandes cidades os trabalhadores migrantes buscam emprego temporário, ou estão mesmo desempregados, a realidade não é muito melhor para os jovens. Actualmente, a taxa de desemprego entre os jovens urbanos da China, dos 16 aos 24 anos, é de 21,3 por cento, tendo atingido um novo recorde histórico no mês passado. O Gabinete Nacional de Estatística avançou ainda que a taxa de desemprego urbano, no primeiro semestre, foi de 5,3 por cento, sendo que Pequim estabeleceu, ainda para este ano, a meta de criar cerca de 12 milhões de novos empregos nas cidades. A China tem mais de 96 milhões de jovens com idades entre 16 e 24 anos, entre os quais mais de 33 milhões deles ingressaram este ano no mercado de trabalho.
Ucrânia | Pequim promete aumentar importações de produtos ucranianos Hoje Macau - 24 Jul 2023 A primeira viagem de um governante ucraniano a Pequim, desde o início da guerra, serviu para fortalecer os laços entre os dois países e promover a cooperação económica bilateral O vice-ministro chinês do Comércio, Ling Ji, disse ao seu homólogo ucraniano, Taras Kachka, que a China quer aumentar as suas importações da Ucrânia, informaram sexta-feira as autoridades de Pequim. Nesta que é a primeira visita de alto nível de uma autoridade ucraniana a Pequim, desde o início da invasão russa, Ling transmitiu a mensagem de que Pequim quer “trabalhar com Kiev para desenvolver activamente a cooperação económica e comercial bilateral”, bem como “promover a parceria estratégica entre os dois países”. “A China está disposta a aumentar as importações de produtos de alta qualidade da Ucrânia”, acrescentou Ling durante a reunião, realizada na quinta-feira. Pelo seu lado, Kachka garantiu que Kiev espera “expandir as exportações de produtos agrícolas para a China”, numa promessa feita após uma reunião com representantes do Ministério da Agricultura em Pequim. Desde o início da invasão russa, a Ucrânia tentou, por meios diplomáticos, impedir a China de ajudar militarmente a Rússia e espera que Pequim use a sua influência sobre o Kremlin para conseguir uma redução nos ataques russos contra a Ucrânia. Da mesma forma, as negociações também acontecem depois de a Rússia ter abandonado, na segunda-feira, o acordo pelo qual se havia comprometido a não atacar navios que exportam cereais ucranianos pelo Mar Negro. Desde essa altura, a Rússia tem intensificado os ataques a infraestruturas ucranianas, nomeadamente no porto de Odessa, localizado na costa do Mar Negro. As autoridades ucranianas denunciaram, na quinta-feira, que o consulado chinês na cidade sofreu danos na sequência de um ataque russo com mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’). O Governo chinês afirmou sexta-feira que não houve “vítimas” após as “explosões” ocorridas nas proximidades do seu consulado na cidade de Odessa, no sul da Ucrânia, afirmando que as instalações “foram evacuadas há muito tempo”. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China indicou que a onda de choque “despedaçou parte das paredes e janelas” do consulado. A mesma nota referiu que há “informações” que apontam para o Exército russo como responsável. Da neutralidade Pequim recusou condenar a invasão da Ucrânia em fóruns internacionais, mas assegurou que não fornecerá armas para nenhum dos lados da guerra. A China afirma ser neutra no conflito, mas acusou os Estados Unidos e os seus aliados de provocarem a Rússia e reforçou a relação económica, diplomática e comercial com Moscovo. Desde o início da invasão, a Ucrânia tentou diplomaticamente impedir que a China ajudasse militarmente a Rússia e expressou esperança de que Pequim use a sua influência sobre o Kremlin para conseguir uma redução nos ataques russos. Em Fevereiro de 2022, pouco antes do início da intervenção militar russa, os líderes de ambas as nações, Vladimir Putin e Xi Jinping, proclamaram uma “amizade sem limites” entre os seus países, em Pequim.
A seita espiritual e a morte de um bebé de catorze meses André Namora - 24 Jul 2023 Ao que isto chegou em Portugal. Uma seita dita espiritual, denominada Reino do Pineal, instalada na aldeia de Seixo da Beira, em Oliveira do Hospital, no ano de 2020, comprou uma herdade de cinco hectares completamente fechada. O seu líder não acredita que a terra seja redonda ou que o homem tenha ido à Lua. Os membros são brancos e pretos e passam a maioria do tempo em danças e abraços. A seita assistiu à morte de um bebé de pouco mais de um ano, e resolveu cremá-lo e atirar as cinzas para o rio Mondego, em Abril do ano passado. Um crime hediondo, com a agravante de existirem na herdade mais crianças que estão a preocupar as suas famílias e as autoridades. O Ministério Público já começou a investigar a morte do bebé e a avó de um outro bebé de sete meses alertou as autoridades para forçarem a entrada na herdade e recuperarem todas as crianças que lá vivem. A bebé que a avó reclama nunca foi registada, não foi vacinada e nem teve qualquer assistência médica. A preocupação dos familiares das crianças deve-se fundamentalmente ao facto devido às crenças da seita ali praticadas estarem relacionadas em não ter acesso a cuidados de saúde, educação e cidadania. A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital já participou várias denúncias sobre a comunidade em causa à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e consequentemente ao Ministério Público. Os membros da seita caracterizam-se como “nómadas viajantes com uma vocação espiritual” que escolheram “restaurar, proteger e preservar os modos de vida orgânicos, naturais, espirituais, culturais e indígenas”. Um chorrilho de mentiras chocantes que levam a uma prática incivilizada sem lei e sem moral. O líder da seita, Água Aknal Pinheiro, teve o desplante de afirmar que “estamos aqui a viver em paz, cuidando respeitosamente da terra que actualmente habitamos até ao momento em que encontrarmos e estabelecermos uma casa permanente, talvez uma ilha…”. Inclusivamente, a Câmara Municipal de Coimbra já tinha feito denúncias sobre esta comunidade às várias instâncias oficiais, salientando a presença na herdade de mais crianças e com a edilidade coimbrã preocupada com a segurança dos menores e por suspeitar que os mesmos não tinham acesso a cuidados de saúde, cidadania e educação, quando a lei diz que o ensino é obrigatório até aos 12 anos de idade. A avó de uma bebé de sete meses luta na justiça pela guarda da neta – que está na seita do Reino do Pineal. A criança nascida no seio da seita está a deixar os seus familiares desesperados, sobretudo depois de terem conhecimento da morte de um bebé no ano passado. A avó da criança não consegue falar com a filha e quer urgentemente a guarda da neta. A Polícia Judiciária já está a investigar as circunstâncias da morte do bebé, mas até agora as outras crianças da comunidade seitosa continuam na quinta à guarda do chefe da seita. Toda esta prática inacreditável nos dias de hoje, poderá ser alvo de processos judiciais, especialmente devido à exposição ao abandono, maus-tratos e profanação de cadáver, crimes pelos quais a seita do Reino do Pineal pode responder judicialmente após a morte e cremação de uma criança. Vários canais de televisão, jornais e revistas têm dedicado o maior espaço à actuação desta seita em causa, salientando-se que vivem na marginalidade, que a morte da criança e a cremação decorreu completamente na ilegalidade e à margem da lei, que uma comunidade de 40 a 100 pessoas que se instalou em território português e que decretou a autodeterminação, que ao acreditarem que a terra é plana é inserir-se numa teoria de conspiração que leva a todo o tipo de pensamento depravado, que a maioria das pessoas que vivem na herdade não é portuguesa tratando-se de estrangeiros que se conheceram na internet e que ninguém sabe se estão em Portugal dentro da legalidade, que a soberania que apregoam relativamente ao Estado português é por si só uma afronta ilegal ao Direito Constitucional português, que naquele espaço se gera uma grande vulnerabilidade dos direitos fundamentais particularmente dos menores, que se trata de um abuso sobre humano possuir uma criança que morre sem registo e cremada sem certidão de óbito. Enfim, estamos perante algo idêntico ao que tem acontecido por esse mundo fora na área das teorias de conspiração e que em certos casos tem levado ao suicídio dos membros pertencentes a este tipo de seitas. O que não é aceitável é que perante tanta gravidade, as autoridades judiciais ainda não tenham tomado uma posição severa, chamado à colação os membros da seita e terminar em absoluto com este denominado Reino do Pineal.
Fotografia | Somos lança hoje concurso sobre solidão da pandemia Hoje Macau - 24 Jul 2023 A Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos — ACLP) lança hoje a quarta edição do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia”, subordinada ao tema “Na solidão dos dias”. Num comunicado divulgado ontem, a associação explica que “depois de um hiato de cerca de dois anos, devido às medidas de combate à pandemia de covid-19, na edição deste ano, a associação desafia os participantes a fazerem uma auto-reflexão e a submeterem fotografias que simbolizem justamente o tipo de solidão vivido naqueles dias de restrições impostas globalmente pelas autoridades sanitárias”. A Somos — ACLP “pretende reunir imagens que retratem como a pandemia mudou a nossa vida e mesmo fragmentos desses momentos de solidão originados pela pandemia, por exemplo em contextos hospitalares, em lares, escolas, nos quartos de casa”. A associação indica que a ideia é retratar fotograficamente os sentimentos das comunidades dos Países de Língua Portuguesa e de Macau nesse período, e dar uma visão de como se vai fechando esse ciclo de solidão”. Um júri composto por profissionais da área da fotografia irá escolher três vencedores, com os prémios a variar entre 10.000 patacas ao primeiro classificado, 5.000 patacas ao segundo e 3.500 patacas ao terceiro. O júri será constituído pelos fotojornalistas Gonçalo Lobo Pinheiro (presidente do júri e membro da Somos — ACLP), Marcio Pimenta (Brasil), Henry Milleo (Brasil), Rui Miguel Pedrosa (Portugal) e Francisco Ricarte (Macau).
Alfândega | CCAC acusa agentes de falsificar registos de assiduidade João Santos Filipe - 24 Jul 2023 O caso foi revelado na sexta-feira pelo CCAC, que acusa os sete agentes dos Serviços de Alfândega de terem recebido de forma indevida mais de 130 mil patacas O chefe de um posto alfandegário em conjunto com seis subordinados duplicaram os cartões de presença, para picarem o ponto uns por outros e evitarem penalizações por atrasos ou saídas antes da hora do fim do turno. O caso foi revelado na sexta-feira pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que acusa os agentes dos Serviços de Alfândega (SA) de receber indevidamente mais de 130 mil patacas. Segundo o CCAC, a investigação começou em 2020, quando foi recebida uma denúncia de que “uma chefia de um posto alfandegário de um posto fronteiriço reproduziu, em segredo, o seu cartão de assiduidade e ordenou aos seus colegas que ‘picassem ponto’ em sua substituição”. A queixa levou o CCAC a concluir que “o responsável do posto alfandegário e uns agentes alfandegários da secretaria, envolvidos no caso, tinham cartões de identificação dos SA reproduzidos em segredo”. Esses cartões eram utilizados pelo primeiro indivíduo do grupo a chegar ao trabalho para fazer o “registo de assiduidade em substituição de outros colegas”, que ainda não tinham chegado. Os cartões duplicados eram ainda utilizados para permitir aos colegas saírem mais cedo, antes do fim do horário de trabalho, para “criar no sistema electrónico de controlo de assiduidade dos SA uma simulação de assiduidade normal em relação aos referidos indivíduos”. Os abusos não terão ficado por aqui, com o órgão de supervisão a indicar que os agentes aproveitaram ainda as “competências como responsáveis pelos turnos, como auditores e como oficiais revisores” para apresentarem “às subunidades competentes os dados onde constavam os seus registos falsificados de assiduidade, com o objectivo de encobrir as respectivas infracções disciplinares”, nomeadamente, os atrasos e saídas antecipadas”. Os sete indivíduos são suspeitos dos crimes de falsificação praticada por funcionário, falsificação informática e burla de valor elevado, tendo o caso sido encaminhado para o Ministério Público. SA dizem-se “chocados” Face à situação revelada pelo CCAC, os Serviços de Alfândega afirmaram estar “chocados”. “Os SA estão profundamente chocados com o caso e enfatizam que nunca irão tolerar qualquer violação de leis e disciplinas, cooperando plenamente com o trabalho de investigação do Comissariado contra a Corrupção e do Ministério Público”, pode ler-se no comunicado. Foram também instaurados processos de disciplinares aos sete suspeitos, que resultaram em suspensões preventivas de funções por 90 dias da chefia envolvida no caso e de um outro subordinado. Por outro lado, o SA revelou as medidas de coacção aplicadas aos agentes, que passam por apresentações periódicas. Também o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, “manifestou-se surpreendido e lamentou profundamente o caso” e “deu instruções ao Director-geral dos Serviços de Alfândega (SA) para seguir rigorosamente o respectivo processo disciplinar”.
Função Pública | Pereira Coutinho pede aumento de salários João Luz - 24 Jul 2023 Depois de aplaudir a proposta de aumento do salário mínimo, o deputado Pereira Coutinho defendeu a actualização de dois ou três pontos da tabela indiciária que estabelece as remunerações dos funcionários públicos. Em declarações à TDM – Rádio Macau, o deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) referiu que os bons resultados económicos verificados desde o início do ano, assim como a “realidade social de Macau”, deveriam levar o Governo a actualizar os salários da Função da Pública, assim como os subsídios anexados aos próprios vencimentos dos trabalhadores. Em relação ao aumento do salário mínimo, Pereira Coutinho argumentou que a actualização peca por tardia, uma vez que a discrepância entre pobres e ricos tem crescido, levando muitos residentes comprar bens essenciais do outro lado da fronteira. O deputado deixou ainda críticas ao Governo por gastar em “obras megalómanas”, como o Parque Juvenil de Hac Sá que irá custar 1,6 mil milhões de patacas, e não actualizar o salário mínimo e das remunerações dos funcionários públicos.
DST | Visitantes diários podem chegar aos 80 mil Hoje Macau - 24 Jul 2023 A directora dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, acredita que o número de visitantes em Julho vai trazer notícias positivas para o território. As declarações foram citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, e Maria Helena de Senna Fernandes afirmou que o número deverá rondar as 80 mil entradas de turistas por dia. Ao mesmo tempo, a directora DST informou que a taxa de ocupação hoteleira na semana passada rondou os 90 por cento. Em relação aos primeiros seis meses do ano, a entrada de turistas vindos de Hong Kong alcançou o nível de 90 por cento dos valores registados antes da pandemia. Segundo os dados oficiais, em Junho chegaram a Macau 2.209.662 visitantes, no que foi uma média superior a 73 mil entradas por dia. O número representou um acréscimo de 480,5 por cento, em termos anuais, o que não é uma surpresa uma vez que no ano passado a circulação enfrentava várias restrições, principalmente para quem vinha da RAEHK ou do resto do mundo, à excepção do Interior.
Óbito | Morreu o cantor norte-americano Tony Bennett Hoje Macau - 24 Jul 2023 O cantor norte-americano Tony Bennett, que deu voz a clássicos como “I left my heart in San Francisco”, morreu sexta-feira aos 96 anos, em Nova Iorque. A morte do cantor, que tinha sido diagnosticado com Alzheimer em 2016, foi confirmada à agência de notícias norte-americana Associated Press pela agente Sylvia Weiner. Tony Bennet ficou famoso no início dos anos 1950 com sucessos como “Because of you”, tendo relançado a sua carreira a partir de meados dos anos 1990, com duetos com figuras ‘pop’, destacando-se mais recentemente duetos com Amy Winehouse e Lady Gaga. A par de Sinatra, Perry Como e Dean Martin, Tony Bennett é apontado com um dos mais importantes cantores norte-americanos de origem italiana, que dominaram o panorama musical norte-americano durante décadas.