Conselho de Estado | Xia Baolong transmite carinho de Xi por Macau Hoje Macau - 16 Mai 2024 O director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado enalteceu o rumo da acção governativa da RAEM, elogiando o Executivo como pragmático e promissor. Além disso, Xia Baolong enalteceu o facto de Macau “ter sempre a defesa da segurança nacional como a sua maior prioridade”, reprimindo a interferência de forças externas O director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong, “reconheceu que a equipa do Governo da RAEM é pragmática e promissora, e concordou que o rumo da acção governativa do Governo da RAEM tem uma tendência de inovação activa, de revitalização da economia, e de empenho em melhorar o bem-estar da população”, indicou o Gabinete de Comunicação Social (GCS) na terça-feira à noite. Xia Baolong, que também dirige o Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, salientou que “Macau considera sempre a defesa da segurança nacional como a sua maior prioridade, acompanha a evolução do tempo para aperfeiçoar o respectivo regime jurídico e mecanismo de execução, persiste na prevenção e repressão da interferência de forças externas nos assuntos de Macau”. Na terça-feira, os líderes máximos do Executivo apresentaram o relatório dos trabalhos governativos. Ho Iat Seng indicou que “o director Xia Baolong transmitiu o carinho do Presidente Xi Jinping aos compatriotas da RAEM”, e que “o Governo Central tem dado apoio e atenção ao desenvolvimento de Macau e lançado atempada e eficazmente várias medidas favoráveis a Macau”. Neste aspecto, o Chefe do Executivo destacou a integração de mais de uma dezena de cidades chinesas na política de visto individual para visitar Macau e as medidas para facilitar a circulação de cidadãos e empresários. Volta a Macau Entre os vários pontos na agenda de visita de Xia Baolong ao território, destaque para o encontro com membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central e ao da Zona Norte, para se inteirar dos “assuntos cívicos e da vida da população daquelas zonas”, e ao Fórum Macau para visitar a Exposição sobre a Educação da Segurança Nacional”. O Governo indica que a passagem pela mostra permitiu ao director ficar a “conhecer o esforço e o contributo que a RAEM prestou à defesa da segurança nacional e sentir o amor pela pátria e por Macau da população local, que aumenta gradualmente”. A paragem seguinte foi à Associação Comercial de Macau, onde Xia Baolong garantiu que “o Presidente Xi Jinping dá elevada importância ao desenvolvimento de Macau, e está muito atento ao bem-estar dos compatriotas de Macau”. O director sublinhou a importância do princípio “Um País, Dois Sistemas”, que mantem inalterados o sistema de capitalismo e estilo de vida, beneficiando também do vasto mercado e as oportunidades de desenvolvimento do Interior da China. “Macau é a pérola na palma da mão da pátria. Se Macau pedir ajuda, a pátria responde sempre. A pátria é o forte apoio de Macau para sempre”, afirmou Xia Baolong. Num discurso fortemente carregado de significado nacionalista, o representante do Conselho de Estado enalteceu o desenvolvimento de Macau desde a fundação da RAEM e o destino partilhado com a China.
TDM | O “problema” inicial e o sucesso das emissões, 40 anos depois Andreia Sofia Silva - 16 Mai 2024 A TDM nasceu a 13 de Maio de 1984. A data, coincidente com a celebração das primeiras aparições de Fátima, foi escolhida pelo Governador Almeida e Costa. Os 40 anos da TDM foram celebrados na segunda-feira em Lisboa, com uma palestra onde participaram algumas personalidades políticas que recordaram como o projecto da TDM foi “um problema” que acabou por se revelar um sucesso Há 40 anos, o panorama audiovisual local levou uma reviravolta com o nascimento da Teledifusão de Macau (TDM), a estação pública de televisão e de rádio que levou profissionais da RTP para o território para criar conteúdos informativos e de entretenimento sobre Macau, como até então não se tinha visto. A data do nascimento da TDM, celebrada oficialmente na segunda-feira, dia 13 de Maio, foi escolhida pelo Governador Almeida e Costa que, em 1984, liderava a Administração portuguesa, e que coincidia com o dia da efeméride religiosa das primeiras aparições de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos. A ideia era fazer um canal bilingue que fosse o espelho de duas línguas e culturas. A transferência de administração portuguesa de Macau para a China estava a chegar e a criação do canal transformou-se num dossier diplomático complexo e parte integrante das negociações. A história da TDM foi recordada na segunda-feira em Lisboa no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) num evento que reuniu os profissionais da RTP que ajudaram a fazer o canal e a sua informação, mas também personalidades políticas portuguesas que testemunharam e participaram na criação da TDM. Todos destacaram as dificuldades de um projecto complexto que tinha tudo para nascer torto, mas que acabou por vingar. Disso deu conta Nicolau Santos, actual presidente do conselho de administração da RTP. “A TDM é um projecto notável que se afirmou em condições que não eram particularmente fáceis, com muitas pessoas que não falavam português. Esta é uma história de sucesso de que a RTP se orgulha particularmente. A TDM presta um serviço público moderno, eficaz e com forte impacto no território, sendo a defesa da língua portuguesa um dos objectivos estratégicos. Orgulhamo-nos muito do sucesso da TDM, que é a expressão do conhecimento e competências que a RTP possui na área do serviço público.” António Vitorino, figura do Partido Socialista (PS) e secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares do Governo português entre 1983 e 1985, com a tutela do audiovisual, foi mais claro quanto às dificuldades do nascimento da TDM. “A TDM era, na altura, um problema”, começou por dizer. “A TDM estava no coração de um dos temas mais delicados da Declaração Conjunta que era a questão dos direitos fundamentais como a liberdade de expressão e de imprensa, matéria a que a parte portuguesa era sensível. O mérito da intervenção sobre a TDM foi o meu colega de Governo, Carlos Monjardino, que persuadiu o Governador Pinto Machado a incluir a questão da TDM nas negociações sobre o contrato de jogo para garantir a sustentabilidade da televisão de Macau além da administração portuguesa do território”, recordou. Línguas de fora As primeiras emissões da TDM aconteciam apenas no horário das 18h às 23h e intercalavam entre chinês e português. Só mais tarde se criaram dois canais diferentes com conteúdos próprios, sendo que actualmente a TDM tem cinco canais, incluindo um com emissões em inglês. Desde cedo que a TDM se tornou numa questão diplomática, onde o bilinguismo era fundamental, destacou também António Vitorino. Não era apenas importante ter emissões locais em português, mas também em chinês. “O tema do bilinguismo era central nas negociações entre Portugal e a China. Este não era uma arma de arremesso, mas sim uma ferramenta forte utilizada pela parte chinesa para introduzir o chinês como língua corrente na Administração, que na sua maioria era composta por pessoas que tinham o português como língua de trabalho.” Além disso, recorda António Vitorino, Portugal “queria garantir que o português, que seria língua oficial [da RAEM], teria garantias de estabilidade”, sendo “imprescindível a garantia da manutenção de um canal bilingue” nas negociações para a Declaração Conjunta, assinada em Pequim em 1987. Segundo António Vitorino, a TDM com emissões bilingues constituía “um factor de confiança para a população de Macau e esse argumento foi muito bem aceite pela China”. “Um canal marcante” Maria de Belém Roseira, outra figura do PS, ex-candidata à presidência da República portuguesa e administradora da TDM entre 1986 e 1987, recorda que aceitou o cargo numa altura em que a empresa “atravessava problemas financeiros e de recursos humanos”. A responsável, que também classificou o nascimento da TDM como um “dossier complicado”, frisou que “nunca aceitaria ser presidente” e que veio para Macau para fazer os estatutos da empresa. “Quis vir-me embora, mas Pinto Machado achou que deveria continuar e fui ficando”. “Foi interessante perceber a importância estratégica da TDM e de como os chineses atribuíram à TDM uma atenção e sensibilidade que levaram a alguma alteração de comportamentos. Sentiu-se uma postura diferente até à assinatura da Declaração Conjunta e depois, porque as preocupações e princípios passaram a ser diferentes. A transição de Macau estava a prazo e era normal que os chineses tentassem ter uma presença mais marcante e de maior intervenção na gestão diária da empresa.” Maria de Belém falou ainda da polémica surgida em 1987 quando, já com Carlos Melancia como Governador, se tentou privatizar parcialmente a TDM com a entrada de um novo accionista, a Emáudio, ligada a Robert Maxwell. “Era apetecível do ponto de vista comercial um canal daquela natureza”, lembrou Maria de Belém. “Foi aí que surgiram as dificuldades com a Emáudio e Robert Maxwell e empresas que tiveram alguns problemas. Estavam a passar-se coisas que não me agradavam”, disse apenas, sem se prolongar em detalhes. Para a responsável, que também foi ministra da Saúde, a TDM “era realmente um canal muito marcante para a comunidade portuguesa que estava em Macau”, sendo que a língua tem hoje “um papel estratégico fundamental”. A prova de fogo Jorge Silva, um dos principais profissionais da TDM até hoje, recordou as primeiras emissões e os desafios em termos técnicos. “Na altura, a população de Macau via a TVB de Hong Kong e outros canais. A TDM foi uma pedrada no charco porque, pela primeira vez, Macau via-se a si própria, exibindo-se temas e reportagens sobre o território. O interesse da população no canal foi-se renovando e aumentando ao longo dos anos.” Assinada a Declaração Conjunta, começou-se a preparar a transição e a verdadeira prova de fogo da TDM em termos técnicos foi a transmissão em directo das cerimónias da transferência, a 20 de Dezembro de 1999. “A transferência de Hong Kong foi dois anos antes [1997] e aprendemos muito com essas transmissões. Eram muitos os convidados presentes, foram muitas horas no ar, cinco ou seis, e esse foi, talvez, o desafio mais marcante da TDM, tal como a chegada dos Governadores ao território. Tal implicava muitas horas de transmissão, desde o jetfoil até à chegada ao Palácio.” Se a TDM nasceu como projecto bilingue, será que se mantém na sua plenitude nos dias de hoje? Jorge Silva assegura que sim. “O espaço em língua portuguesa continua o mesmo. Com a separação dos canais continuamos a ter o mesmo espaço de emissão, formámos já jovens bilingues na redacção portuguesa, que dominam também o inglês e que são bastante úteis. A TDM está hoje muito virada para a troca de programas com o Interior da China e países de língua portuguesa.” O pivot de informação referiu também que “há o acordo entre a China e Portugal para a manutenção dos dois canais na TDM e seria bom que isso continuasse”. “Penso que a China vai honrar os seus compromissos como tem honrado. Os critérios editoriais são definidos pela própria empresa. Gostaria que esse espaço de liberdade e ideias continuasse na TDM e que Macau mantivesse essa autonomia e identidade própria, com ligação a Portugal, mas mantendo essa diferença no espaço e país em que estamos inseridos, que é a China”, concluiu. Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM, destacou que “uma televisão de língua portuguesa em Macau tem, de facto, um papel essencial”. “Foi a televisão que foi dando a conhecer a realidade de Macau e todas as mudanças que foram ocorrendo ao longo de 40 anos. O crescimento da própria TDM é também inegável, tendo passado de um canal bilingue para ter cinco canais. Esperamos estar aqui daqui a 40 anos a falar sobre mais um aniversário e fazemos votos para que este crescimento se mantenha”, adiantou.
Estudo conclui que nanoplásticos afectam células da pele de seres humanos e de peixes Hoje Macau - 15 Mai 2024 A exposição a nanoplásticos afecta as células da pele de seres humanos e de peixes, concluiu um estudo realizado por investigadores do Centro de Ciência do Mar (CCMAR) e da Universidade do Algarve (UAlg), hoje divulgado. Para chegar a esta conclusão, os investigadores “desenvolveram uma abordagem inovadora ‘in vitro’” para estudar os efeitos da absorção das minúsculas partículas de plástico nas principais células que compõem a derme, designadas por fibroblastos, explicou a academia em comunicado. O estudo, publicado na revista Science of the Total Environment, pretendeu compreender “como é que os nanoplásticos interagem com a pele”, um dos primeiros pontos de contacto com as partículas que estão em crescente presença no ambiente. De acordo com o investigador do CCMAR e da UAlg, Maoxiao Peng, citado na nota, “esta nova abordagem permite a utilização de linhas celulares da pele em ambiente laboratorial para recolher informação consistente e robusta sobre os efeitos dos nanoplásticos”. Esta utilização, refere o investigador, torna-a “mais ética e mais rápida porque evita a utilização de animais para o mesmo efeito”. A nova abordagem revelou que os nanoplásticos desencadeiam diferentes respostas fisiológicas nos vários tipos de células de fibroblastos, “acumulando-se de forma consistente em redor do núcleo e das membranas das células”. Segundo a investigadora Rute Félix, também citada na nota, foi constatado que os efeitos negativos nas células da pele variam conforme as características dos nanoplásticos, tais como o seu tamanho e a concentração. “Estes resultados sugerem que os nanoplásticos podem comprometer a saúde da pele”, alerta. Por seu turno, a investigadora Deborah Power realça que “este estudo abre caminho para uma melhor avaliação dos riscos e efeitos dos nanoplásticos a nível biológico e ecossistémico”. Face às conclusões do estudo, Deborah Power alerta para a “necessidade urgente” de se reduzir a presença de plásticos no ambiente, “dado o seu potencial para afetar a saúde humana e o biossistema em geral”. Os investigadores concluem que o estudo no contexto do Plastifish, um projecto com Macau e a China apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, representa “um importante avanço na compreensão dos impactos dos nanoplásticos na saúde da pele”.
Injustiça Climática (continuação) Olavo Rasquinho - 15 Mai 2024 Um dos assuntos prementes que a humanidade mais atenção dedica é, sem dúvida, as implicações das alterações climáticas. É já lugar-comum associar esta realidade, cientificamente provada, com o uso abusivo dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) e a consequente contaminação da atmosfera, dos oceanos e do solo. O petróleo está também na base da produção dos plásticos. Segundo a Plastics-Europe , a produção deste material à escala global tem vindo a aumentar, tendo atingido em 2019 cerca de 379,8 milhões de toneladas e, em 2023, aproximadamente 400,3 milhões de toneladas. Materiais à base do plástico estão de tal forma disseminados que já foram detetados vestígios na Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, a cerca de 11 km de profundidade. As partículas mais pequenas resultantes da deterioração dos plásticos, comummente designadas por microplásticos já entraram na cadeia alimentar de organismos marinhos e, consequentemente, na cadeia alimentar humana. As alterações climáticas constituem um problema que afeta não só toda a humanidade, mas também a biodiversidade, as florestas, os solos, os oceanos, ou seja, a sustentabilidade do nosso planeta. Está comprovado, no entanto, que as alterações climáticas não afetam as populações da mesma forma. A maioria das vítimas são os habitantes dos países que menos contribuíram para a degradação do clima, ou seja, os países menos industrializados. Segundo o PNUD , entre 2010 e 2020, a taxa de mortalidade devida a fenómenos meteorológicos extremos, entre os quais cheias, secas e tempestades, foi de cerca de 15 vezes mais elevada nos países mais vulneráveis. Surgiram, assim, desde há alguns anos, movimentos para tentar remediar esta situação, de modo que os países mais afetados sejam compensados pelos que mais contribuíram para o aumento da concentração de GEE na atmosfera. Foi neste sentido que, na última Conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP 28), realizada em Dubai, em 2023, foi tomada uma decisão com o objetivo de atenuar este problema. Tratou-se da criação de mecanismos de compensação, incluindo uma fonte de financiamento, o Fundo de Perdas e Danos (Loss and Damage Fund), para que os países em desenvolvimento possam recuperar dos prejuízos económicos e não-económicos associados a efeitos das alterações climáticas, deliberar estratégias de adaptação e mitigar as suas consequências. Perante a dificuldade de se concluir se um determinado evento é ou não consequência dessas alterações, houve o cuidado de este fundo vir a contemplar prejuízos causados por fenómenos meteorológicos extremos e eventos adversos de evolução lenta (slow onset events) como a subida do nível do mar, salinização dos oceanos, degradação do solo e florestas, perda de biodiversidade, etc., uma vez que as alterações climáticas não estão sempre na base da ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos. Estes sempre ocorreram muito antes do início da era industrial, ou seja, quando ainda as atividades humanas não dependiam significativamente dos combustíveis fósseis. Tudo indica, porém, que a sua frequência e intensidade têm vindo a aumentar, o que é atribuído à mudança do clima devido às atividades antropogénicas, cada vez mais intensas. Inicialmente este Fundo será supervisionado pelo Banco Mundial, sendo a fonte de financiamento constituída por doações dos países que mais contribuíram para a degradação do clima, nomeadamente os Estados Unidos da América, Reino Unido e União Europeia. As quantias prometidas apenas ultrapassaram 700 milhões de dólares americanos, ainda muito abaixo do pretendido. Segundo organizações não governamentais, as estimativas do custo anual de perdas e danos nos países mais vulneráveis variam entre 100 e 580 mil milhões de dólares americanos. Na opinião dos dirigentes da rede internacional Climate Action Network (CAN), constituída por mais de 1.900 organizações da sociedade civil, que promove ações de combate às alterações climáticas tendo em vista a justiça climática, as promessas iniciais de cerca de 700 milhões de dólares não passam de uma gota de água no vasto oceano das necessidades desses países. Segundo o coordenador da estratégia política global da CAN, Harjeet Singh, o atraso de mais de 30 anos na criação deste fundo, aliado à escassa contribuição dos países mais ricos, reflete a indiferença destes perante a situação dos mais fragilizados. Espera-se que na próxima conferência sobre o clima a ser promovida pelas Nações Unidas (COP29), em novembro de 2024 em Baku, no Azerbaijão, a justiça climática seja um dos assuntos mais relevantes a serem discutidos. É urgente que os países mais vulneráveis sejam compensados pelas perdas e danos causados pelas alterações climáticas e sejam assistidos no financiamento da transição energética, ou seja, na mudança de paradigma de uma matriz focada nos combustíveis fósseis para uma baseada em fontes renováveis.
Nem Hamastão nem Fatahstão (III) Jorge Rodrigues Simão - 15 Mai 2024 “The purely military or undiplomatic recourse to forcible action is concerned with enemy strength, not enemy interests; the coercive use of the power to hurt, though, is the very exploitation of enemy wants and fears”. The Diplomacy of Violence Thomas Schelling Se os Acordos de Abraão tinham por objectivo bloquear a anexação da Cisjordânia em 2020, segundo Yousef Al Otaiba, embaixador dos Emirados em Washington, a sua extensão à Arábia Saudita poderia ter agora o duplo objectivo de mudar o curso da guerra e de relançar as negociações políticas que estão paradas há dez anos. De facto, os riscos para Israel tornaram-se mais elevados com a guerra em curso. A situação tornou-se também mais complexa para a administração americana, que investiu os seus melhores recursos diplomáticos em torno da normalização entre sauditas e israelitas. O fim da “guerra total” em Gaza e um acordo israelo-saudita poderiam também ter um efeito positivo na campanha eleitoral do actual presidente democrata, cujas sondagens continuam a cair na perspectiva das eleições de Novembro próximo. Os Estados Unidos não escondem o seu afastamento progressivo do Médio Oriente desde a retirada do Iraque, em Dezembro de 2011, reiterada pela acção diplomática do Presidente Barack Obama no acordo nuclear internacional com o Irão e, mais recentemente, pelos Acordos de Abraão, sob a presidência de Donald Trump. Mas o conflito em Gaza expandiu-se perigosamente na região com o ataque do Irão e Hezboolah, arrastando a América para as malhas de outros conflitos há muito não resolvidos. Em particular, os bombardeamentos britânico-americano contra várias posições militares dos Hutis no noroeste do Iémen destinam-se a travar os seus ataques contra a navegação comercial no Mar Vermelho e a travar a acção desestabilizadora do Irão, o seu improvável titereiro. Os americanos dissociaram oficialmente esta acção militar do conflito de Gaza, numa dupla tentativa de desacreditar as mensagens pro-palestinianas dos Hutis e de obter um consenso árabe que tarda em chegar. Contrariamente à possível normalização, integração ou pacificação regional que Antony Blinken previa para o seu aliado israelita, a acção anglo-americana no Iémen arrisca-se a acrescentar mais um apêndice à guerra de Gaza, com resultados muito incertos, bem como a ressuscitar o espectro da guerra civil do Iémen e as suas ramificações regionais. O Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Yi Wang, não demorou a contradizer a posição americana. Numa visita ao Cairo, qualificou a tensão no Mar Vermelho como “uma encarnação das repercussões externas do conflito de Gaza” e denunciou a ilegalidade dos ataques anglo-americanos ao Iémen por não terem autorização do Conselho de Segurança da ONU. Também se distanciou dos Estados Unidos e apelou, juntamente com o seu homólogo egípcio, a um cessar-fogo imediato em Gaza e a uma paz duradoura que passe pelo reconhecimento internacional do Estado da Palestina. Mas, para além das denúncias, o ministro chinês não apresentou uma solução diplomática para a insegurança no Mar Vermelho, por onde passa cerca de 12 por cento do tráfego marítimo mundial. Limitou-se igualmente a reiterar a posição chinesa a favor de uma conferência internacional sobre o conflito israelo-palestiniano, que, embora partilhada por Estados da região e da Europa, se opõe, sem sucesso, à abordagem bilateral seguida por Israel, apoiada pelos Estados Unidos, “no tratado de paz” com o Egipto negociado em 1978-1979. No Médio Oriente em ebulição, a competição sino-americana não dividirá ainda mais os países da região, que tencionam manter-se afastados dela para maximizar os seus benefícios. Não irá incitar a UE, dividida e ausente, a assumir um papel político incisivo nos assuntos da região. Em vez disso, vai pressionar os Estados Unidos a continuar a lidar com ela. Entretanto, o Irão lançou dezenas/centenas de drones kamikaze, mísseis de cruzeiro e lançadores balísticos a 13 de Abril contra Israel, em represália pelo bombardeamento da sede consular do regime dos ayatollah em Damasco a 1 de Abril. Trata-se do primeiro ataque directo da República Islâmica contra o Estado judaico. Teerão informou, no entanto, que tinha informado os seus vizinhos em tempo útil antes de lançar o ataque. Israel e os seus aliados tiveram, assim, tempo para preparar contra-medidas. Em todo o caso, os alvos designados não eram as zonas mais densamente povoadas. Os mísseis e os drones visavam sobretudo o Golã, o Sul e a Cisjordânia. Mas também foram efectuados ataques contra Jerusalém. De acordo com as Forças de Defesa de Israel, foram lançados cerca de 170 drones, 30 mísseis de cruzeiro e 120 mísseis balísticos. Alguns foram dirigidos contra a base de Nevatim, onde estão estacionados os valiosos caças F-35. Com a ajuda de americanos, britânicos, franceses, jordanos e sauditas, 99 por cento dos projécteis foram interceptados. O Estado judaico avaliou a necessidade de um contra-ataque. O gabinete de guerra presidido por Binyamin Netanyahu consideraou o tipo e o momento com as pressões americanas e dos aliados para não haver retaliação. Os dois membros do governo de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, apelaram a medidas militares pesadas. Por seu lado, o Presidente dos Estados Unidos, apelou ao “Rei Bibi” para que não retaliasse contra o ataque e considerasse os sucessos antiaéreos como uma “vitória”. Aparentemente coincidindo com o aniversário do Guia Supremo da Revolução Islâmica, Ali Khamenei, Israel efectuou uma represália limitada e simbólica contra uma base aérea perto de Isfahan. Ainda não há uma reconstituição coerente dos factos e o ataque foi efectuado com a utilização de pequenos drones, talvez mesmo a partir do interior do território iraniano, onde há muito tempo actuam agentes dos serviços secretos do Estado judaico. A resposta militar à agressão iraniana na noite de 13 para 14 de Abril foi feita com mísseis de longo alcance lançados de aviões segundo o “Jerusalem Post”. É certo, porém, que as defesas antiaéreas iranianas foram activadas e que se ouviram explosões, circunstâncias que confirmariam a perfeição de um ataque e apontariam para a hipótese de vectores exteriores à República Islâmica. Na ausência de mais pormenores, porém, parece possível concluir que Israel atacou efectivamente o Irão de forma a não causar vítimas, escolhendo um alvo de natureza militar e não muito distante das instalações utilizadas por Teerão para o seu programa de investigação nuclear. Assistimos a um exercício daquilo a que Thomas Schelling chamou “diplomacia da violência”. A mensagem transmitida pelo Estado judaico é, paradoxalmente, uma manifestação de boa vontade, porque se evitaram danos irreparáveis e agora também Israel pode considerar encerrada, pelo menos, esta fase do confronto com o Irão. Mas é também um aviso dirigido aos ayatollahs e ao Pasdaran (Guarda Revolucionária Iraniana) de que uma nova infracção será punida com ataques muito mais mortíferos a que Teerão não poderá resistir.
Cheques pecuniários em 2024 David Chan - 14 Mai 2024 Esta semana, espera-se que a notícia mais partilhada nas plataformas online venha ser o relatório referente à distribuição dos cheques pecuniários de 2024 em Macau. À semelhança dos anos anteriores, os residentes permanentes irão receber 10.000 patacas e os residentes não permanente 6.000. Estima-se que cerca de 750.000 pessoas beneficiem desta medida, com o Governo de Macau a alocar aproximadamente 7,5 mil milhões de patacas para a sua implementação. Com base em cálculos feitos por alto, esta medida proporciona a cada residente permanente um acréscimo mensal de 800 patacas e a cada residente não permanente um acréscimo mensal de 500. Embora estes valores possam parecer modestos, para as pessoas com mais de 65 anos, podem contribuir para um rendimento mensal de cerca de 6.300 patacas quando combinados com as pensões de velhice, os subsídios para residentes séniores, e os rendimentos do Fundo de Previdência Central. O leque de benefícios sociais oferecido pelo Governo de Macau assegura no seu conjunto uma base sólida que oferece segurança financeira aos residentes idosos. É essencial que o Governo defina claramente as suas políticas e os seus objectivos durante as fases de formulação, comunicação e implementação. Esta transparência ajuda a identificar quem pode beneficiar destas medidas e assegura que a sua execução está em sintonia com as metas pretendidas. Além disso, permite que a sociedade monitorize a eficácia das políticas e a alocação racional de recursos, garantindo, assim, que os grupos alvo desfrutem verdadeiramente destes benefícios. O principal propósito da distribuição de cheques pecuniários foi, desde o início, a partilha dos frutos do sucesso da economia de Macau com os seus residentes. No entanto, apesar do declínio das receitas do sector do jogo durante a pandemia, o Governo permaneceu empenhado em manter este programa, facultando benefícios aos residentes. Este procedimento demonstra claramente que esta medida se destina não só a partilhar os ganhos económicos, mas também que funciona como uma iniciativa de segurança social destinada a beneficiar os residentes de Macau. Actualmente, o objectivo da distribuição de cheques pecuniários vai além da mera partilha do sucesso económico. Considerando esta evolução, o Governo deve reformular o programa e esclarecer melhor os seus propósitos? Ao contrário das políticas gerais, a distribuição de cheques pecuniários é uma iniciativa de segurança social que beneficia todos os residentes de Macau. Como foi salientado pelo Chefe do Executivo em declarações públicas, o cheque de10.000 patacas anuais é uma componente importante nas finanças de muitas famílias. Por conseguinte, quaisquer mudanças neste programa iriam afectar os orçamentos dessas famílias. Neste caso, o seu objectivo é uma questão secundária; o mais importante é garantir que cada residente continue a beneficiar dele. Se existirem discussões na sociedade em relação ao propósito desta medida, podemos também considerar o assunto a partir desta perspectiva, o que poderá ir mais ao encontro do sentimento das pessoas. A partir de Julho, os residentes de Macau irão começar a receber gradualmente 10.000 patacas cada. Se os vão gastar ou poupar irá depender das circunstâncias e das necessidades de cada um. Valeria a pena responder às declarações do Chefe do Executivo, que afirmou: se decidirem gastá-lo “comprem uma refeição em Macau”. Desta forma, ajudam a promover a economia local, a beneficiar as empresas, os residentes e a sociedade no seu todo. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
GP | Zhuzhou recebeu primeiras provas de apuramento Sérgio Fonseca - 14 Mai 2024 As provas de apuramento para o 71.º Grande Prémio de Macau, da competição de carros de Turismo organizada pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), a Macau Roadsport Challenge, tiveram o seu início no pretérito fim de semana no Circuito Internacional de Zhuzhou Apesar da distância às RAEs, a competição reuniu mais de sessenta pilotos inscritos, sendo apenas catorze da RAEM. Dada a popularidade da competição que junta em pista os Toyota GR86 (ZN8) e os Subaru BRZ (ZD8), a AAMC viu-se obrigada a dividir por sorteio o pelotão em duas grelhas, o que obrigou a realização de quatro corridas ao longo do fim de semana. Numa pista que era nova para a grande maioria dos pilotos e sob condições meteorológicas que não tornaram a vida fácil para pilotos e equipas, assistiram-se a quatro corridas muito animadas e que adiaram muitas decisões para a próxima e final jornada dupla a realizar em Julho. No Grupo A ficaram colocados dois nomes portugueses bem conhecidos do automobilismo de Macau, Rui Valente e Jerónimo Badaraco, que este ano está a fazer a sua estreia nesta disciplina de carros de Turismo. Os dois veteranos pilotos do território tiveram qualificações modestas, 23.º e 27.º respectivamente, o que os colocou numa posição difícil para as corridas, pois é sabido que no meio do pelotão as lutas por posições são mais aguerridas e o risco de acidente muito maior. Resolvidos alguns problemas de afinações encontrados na qualificação, Rui Valente conseguiu levar o seu BRZ ao 19.º lugar na primeira corrida e, com muito esforço e resistindo a alguns toques da concorrência, ao 14.º lugar no segundo confronto. O apuramento não está fácil para o piloto português que terá que entrar no Top-10 nas duas corridas de faltam. “Noni” também não ficou com a vida facilitada, pois aos comandos de um GR86 foi 23.º e 18.º classificado. Neste grupo, Damon Chan de Hong Kong venceu as duas corridas, à frente de Adrian Chung, ao passo que Tse Ka Hing e Loo Long Yin dividiram os terceiros lugares. Outros dois estreantes No Grupo B encontraram-se dois pilotos macaenses que na época passada estiveram afastados das pistas e também eles fizeram a sua estreia na categoria este fim de semana: Célio Alves Dias e Sabino Osório Lei. Na qualificação, Sabino colocou o GR86 da equipa 778 Auto Sport num espectacular quinto lugar, enquanto Célio Alves Dias foi apenas o 21º no seu primeiro contacto com o GR86. A primeira corrida não correu bem a Sabino Osório Lei, que terminou no 14º lugar, mas um precioso terceiro lugar no segundo embate coloca-o com um pé dentro do Grande Prémio. Já Célio Alves Dias aplicou a sua experiência e escalou até ao 12º lugar na corrida de sábado, enquanto que na contenda de domingo viu a bandeira de xadrez no 18º posto, o que o obrigará a continuar a lutar por uma vaga. Neste grupo, Chan Ka Ping – o piloto de Macau treinado por Filipe Souza – venceu a primeira corrida, terminando à frente do seu companheiro de equipa, Cheng Hoi Man, e Hu Zuoliang do Interior da China. Jactin Chung, de Hong Kong, triunfou na segunda prova, fazendo-se acompanhar no pódio por Chan e Sabino. A segunda jornada dupla do Macau Roadsport Challenge, que será novamente disputada no traçado localizado na Província de Hunan, está marcada para o fim-de-semana de 6 a 7 de Julho. A 71ª edição do Grande Prémio de Macau decorrerá de 14 a 17 de Novembro.
Kim Jong-un visita fábricas de armas e destaca capacidade produtiva “de nível mundial” Hoje Macau - 14 Mai 2024 O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, visitou no fim de semana várias fábricas de armamento e destacou “capacidades técnicas de nível mundial”, informou a agência de notícias estatal norte-coreana. Kim visitou uma fábrica que produz espingardas de atirador furtivo, tendo utilizado uma para praticar tiro ao alvo, e uma fábrica que aparentemente produz material para o novo sistema de lançadores múltiplos de foguetes de 240 milímetros do país, de acordo com um artigo e fotografias publicadas pela agência KCNA. O líder norte-coreano também conduziu pessoalmente um dos lançadores deste sistema, que o regime testou na sexta-feira, pela terceira vez este ano, antes de anunciar que o vai começar a utilizar ainda este ano. Durante as visitas, o líder norte-coreano falou de automatização, racionalização e modernização dos processos de produção e da importância da produção em massa, referindo que as fábricas de armamento norte-coreanas possuem actualmente “capacidades técnicas de nível mundial”. “O considerável avanço a nível mundial alcançado actualmente pela indústria bélica é produto da integridade e vitalidade da estratégia do Partido para o desenvolvimento económico da indústria de defesa nacional”, afirmou Kim, ainda de acordo com a KCNA. Kim “exortou todas as empresas industriais de defesa sob a Segunda Comissão Económica a empreender uma campanha para estabelecer uma cultura de vida e de produção, e a continuar a estabelecer e a melhorar a cultura exemplar do novo século para a classe trabalhadora da indústria de munições”. Fonte de fogo A Segunda Comissão Económica é um órgão-chave dos programas de desenvolvimento de armas de destruição maciça da Coreia do Norte. A atenção dos analistas dirige-se para esta nova entidade da indústria de defesa norte-coreana numa altura em que Pyongyang continua a fornecer a Moscovo contentores de armamento, incluindo artilharia e mísseis balísticos de curto alcance para serem utilizados na Ucrânia, de acordo com a agência de notícias EFE. Aumentam ainda os sinais de que o braço armado do Hamas e o regime iraniano também obtiveram armas norte-coreanas, escreveu a EFE.
Mar do Sul | Pequim acusa Filipinas de mentir sobre construção em águas disputadas Hoje Macau - 14 Mai 2024 A China afirmou ontem que as alegações das autoridades filipinas de que conseguiram impedir a Guarda Costeira chinesa de construir uma ilha artificial num atol em águas disputadas no Mar do Sul da China são “pura desinformação”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, disse em conferência de imprensa que as alegações das Filipinas são “infundadas e caluniosas”. Wang manifestou preocupação com as declarações, afirmando que procuram “manchar a imagem da China e enganar a comunidade internacional”. Instou Manila a deixar de “espalhar informações falsas” e a “enfrentar os factos de forma responsável”. “Apelamos às Filipinas para que regressem ao diálogo e às negociações para resolver correctamente as disputas marítimas”, afirmou o porta-voz. As autoridades filipinas afirmaram no sábado que impediram a Guarda Costeira chinesa de construir uma ilha artificial numa zona perto do Atol de Sabina, conhecido como Escoda para os filipinos e Xianbin Jiao para os chineses. Um porta-voz da nação insular disse que o navio da BRP Teresa Magbanua esteve nas águas em torno de Sabina durante 26 dias para impedir “actividades ilegais” por parte da China. O atol de Sabina situa-se no arquipélago de Spratly, a cerca de 123 milhas náuticas a oeste de Palawan, e é reivindicado pelas Filipinas, China e Vietname. Nos últimos meses, os confrontos entre navios chineses e filipinos aumentaram no Mar do Sul da China, principalmente em torno dos atóis de Scarborough e Tomé Segundo, onde pescadores filipinos vão pescar. As autoridades filipinas argumentam que os atóis se encontram dentro da zona de exclusividade económica de 200 milhas náuticas.
Pequim acusa ONG estrangeiras de “roubar dados” relacionados com o ambiente Hoje Macau - 14 Mai 2024 O Ministério da Segurança do Estado chinês acusou ontem organizações não-governamentais estrangeiras de “roubarem dados” relacionados com o trabalho ambiental do país, o que “coloca em risco a segurança nacional”. O ministério publicou um artigo na rede social Wechat no qual referiu dois casos de “roubo de dados geográficos, meteorológicos e biológicos e de dados sobre as reservas naturais da China”. Segundo o organismo, um dos casos envolve um professor de um país não identificado que “recolheu ilegalmente” dados de uma reserva nacional de zonas húmidas e de uma área florestal. De acordo com o ministério, o professor confessou ter recolhido e roubado dados “a coberto da cooperação académica”. O académico será punido, segundo o ministério, que não especificou o tipo de punição a que será sujeito. O segundo caso envolve uma “universidade estrangeira” que alegadamente cooperou com uma reserva natural no sudoeste da China com o apoio de uma ONG estrangeira. Os estrangeiros “instruíram e forçaram” o pessoal local a “roubar ilegalmente dados confidenciais da reserva natural” depois de lhes oferecerem vários incentivos, “incluindo sexo”. A ONG, que tinha “antecedentes complexos”, alegadamente “ajudou um certo país ocidental” a “roubar dados básicos e sensíveis”, segundo o ministério. Os dados foram obtidos através da “instalação de estações meteorológicas, equipamento de câmaras de infravermelhos e roubo de dados informáticos confidenciais”. O artigo alertou ainda para “o risco de fugas de dados ambientais por parte de empresas e agências governamentais chinesas” e instou os cidadãos a “estarem atentos à espionagem ambiental e a denunciarem possíveis casos às autoridades”. Público alerta Em 2017, Pequim aprovou uma lei controversa para gerir o trabalho das ONG estrangeiras no país que, segundo os afectados, apenas serviu para dificultar o seu trabalho, apertar o controlo sobre as suas actividades e “encurralar” a sociedade civil. O país também reviu a sua lei Contra-Espionagem no ano passado para incluir a “colaboração com organizações de espionagem e seus agentes” na categoria de espionagem. Para além das investigações lançadas nos últimos meses sobre empresas de consultoria e empresas estrangeiras na China, que suscitaram preocupações entre a indústria e potenciais investidores estrangeiros, o ministério reviu igualmente outra legislação para salvaguardar os segredos de Estado. O organismo também aumentou a sua actividade nas redes sociais para alertar para a ameaça representada pelos “espiões estrangeiros” e para pedir ao público que partilhe informações sobre “actividades suspeitas”. O Ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, afirmou no mês passado que as ameaças envolvem os domínios político, económico e militar, mas também outras áreas “não tradicionais” como a biossegurança, o ambiente e a inteligência artificial.
Economia | Pequim vai emitir pela primeira vez obrigações do Tesouro a 20, 30 e 50 anos Hoje Macau - 14 Mai 2024 O Governo continua a implementar medidas que estimulem a economia afectada pela crise no sector imobiliário e pelos anos da pandemia O Ministério das Finanças chinês anunciou ontem que vai emitir pela primeira vez obrigações do Tesouro a 20, 30 e 50 anos, numa altura em que as autoridades tentam estimular a economia, afectada por uma crise no imobiliário. Os primeiros lotes das obrigações a 20, 30 e 50 anos vão entrar no mercado a 24 de Maio, 17 de Maio e 14 de Junho, respectivamente, informou o ministério, em comunicado. Segundo fontes citadas pela agência Bloomberg, o país asiático vai emitir obrigações a 20 anos no valor de 300 mil milhões de yuan, a 30 anos no valor de 600 mil milhões de yuan e a 50 anos no valor de 100 mil milhões de yuan. Durante a sessão anual do órgão legislativo da China, em Março passado, o Governo previu, no relatório de trabalho, a emissão de obrigações de “ultra – longo prazo” como parte de um plano para “responder às necessidades financeiras de projectos importantes no processo de construção nacional”. As obrigações centrar-se-iam no “apoio à implementação da estratégia nacional e ao desenvolvimento das capacidades de segurança em áreas-chave”, lê-se no relatório. A imprensa local referiu então que os fundos obtidos através da emissão de obrigações seriam utilizados especificamente para “projectos relacionados com a inovação tecnológica, desenvolvimento urbano – rural integrado, integração regional, segurança alimentar e energética e o desenvolvimento de alta qualidade da população”. Citado pelo jornal Economic Daily, o analista Xiong Li afirmou na altura que a decisão “envia um sinal claro da política fiscal activa do Governo”, que poderá “estimular as expectativas, aumentar a procura total e melhorar a estrutura da oferta, impulsionando assim a recuperação económica”. Sobe e desce Em 2020, a China anunciou que iria emitir obrigações especiais do Estado no valor de 100 mil milhões de yuan para aliviar o impacto que a pandemia da covid-19 teve na economia, embora nessa ocasião tivessem um prazo máximo de sete anos. A fraca procura interna e externa, os riscos de deflação e os estímulos insuficientes, juntamente com uma persistente crise imobiliária e a falta de confiança no sector privado, são algumas das principais causas apontadas pelos analistas para explicar a situação da segunda maior economia do mundo. Em Dezembro passado, a agência de notação financeira Moody’s baixou a perspectiva do ‘rating’ da China de “estável” para “negativo”, devido aos altos níveis de endividamento da segunda maior economia do mundo. “A alteração para perspectiva negativa reflecte os indícios crescentes de que o Governo e o sector público vão prestar apoio financeiro aos governos regionais e às empresas públicas em dificuldades”, afirmou a Moody’s, em comunicado. Isto “gera riscos significativos (…) para a solidez orçamental da China”, face ao abrandamento da economia do país e às dificuldades no sector imobiliário, acrescentou. Durante muito tempo, o sector imobiliário representou um quarto do produto interno bruto (PIB) da China, assegurando a subsistência de milhares de empresas e de trabalhadores pouco qualificados.
Ao correr da Pena: Exercício de Tradução em torno de Camões Ana Cristina Alves - 14 Mai 2024 * Coordenadora do Serviço Educativo do CCCM 12.5.2024 I …na outra a pena Na comemoração dos 500 anos do nascimento do poeta nacional, Luís Vaz de Camões, alegadamente em 1524 ou 1525, sabemos que cedo ficou órfão de pai, este viria a morrer em Goa, tendo, por isso, sido criado pela mãe no quadro familiar de pequena nobreza lisboeta. Também sabemos que cursou em Coimbra, onde se distinguiu nos estudos e no interesse pela literatura clássica, que transportaria tanto para a sua poesia épica como lírica. Conhecemos-lhe ainda os amores, que o haviam de manter bem agarrado à vida, projetando-o para aventuras guerreiras e exílios donde tiraria o maior proveito. A paixão, talvez por uma aia da rainha, conduzia-o à expulsão e à guerra no Norte de África, donde regressaria irremediavelmente ferido num olho. Também por sentimento, agora de amizade, experimentaria os calabouços de Lisboa, quando ao socorrer um amigo feriu um oficial da Corte. E foi ainda o amor que havia de o acompanhar por quase duas décadas de viagem no Oriente, amor à Pátria, vertido nos Lusíadas, amor às belas donzelas orientais, entre as quais se destacam Bárbara e, sobretudo Dinamene, por último ou primeiro na ordens da razão e da emoção, amor à poesia, que lhe valeria a publicação do poema épico em 1572 e uma magra tença apaziguadora da fome até 1580. Não assisti ao seu naufrágio no rio Mekong1 (湄公河Méigōng hé), e portanto o que se segue é fruto da imaginação, mas parece que o vislumbro com o poema numa mão, hesitando entre o salvamento da sua bem-amada chinesa e a obra-prima que assim considerava, a justo título e de acordo com os padrões limitadamente humanistas da época. Em Os Lusíadas, como bem refere Yao Feng no Prefácio a 100 Sonetos de Camões 賈梅士十四行詩, traduzidos por Zhang Weimin (張維民) “o Literato subscreve uma visão eurocêntrica, ou, mais corretamente, lusocêntrica do mundo” (Yao, 2014, 10). Os tempos eram propícios ao centramento das perspetivas, pelo que pouco mais há a acrescentar sobre o assunto. Quando medito sobre a biografia de Camões vem-me à ideia o inferno em vida, em que uns mais do que outros, ardem entre as fogueiras ateadas pelas limitadas mentalidades vigentes em todos os tempos. Mas também, pela atenção às suas vivências, o modo de o contornar. Nesse sentido, tendo tido oportunidade de rever há pouco uma obra de Italo Calvino intitulada na tradução portuguesa As Cidades Invisíveis (2008), na qual nos é apresentado um diálogo entre Marco Polo e Kublai Kan, onde são descritas as cidades, em conversa com o imperador dos tártaros, imaginadas e reais que o veneziano terá visitado, deparo-me no final com uma oportuna reflexão sobre o inferno dos vivos, que passo a citar (Calvino, 2008: 166): O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos. Há dois modos para não o sofremos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer o que não é inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar. Creio que Camões optou pelo segundo modo de não sofrer o inferno, nas suas caminhadas pela vida, agarrando-se a cada experiência em cada momento sempre pelo coração, mesmo que tal não parecesse: quando o imagino a optar entre dois bens, a Dinamene chinesa ou a poesia, agarrou-se ao amor maior, à poesia, através da qual pôde imortalizar o seu amor não digo menor, mas terreno. E ainda hoje, cinco séculos depois, todos cantamos e recordamos Dinamene, por exemplo, na primeira quadra de um dos célebres sonetos em honra da “ninfa inspiradora”: Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida descontente, Repousa lá no Ceo eternamente, E viva eu cá na terra sempre triste. Num outro cenário, talvez o poeta nem sequer tenha tido opção. Era mesmo impossível salvar Dinamene, com ou sem Lusíadas numa das mãos. Impossível para todos, exceto para aquele que empunhava a pena mágica, que aparentemente perdeu amada para as águas do rio, mas na realidade a soube transformar em musa inspiradora da sua poesia, elevando-a ao panteão das figuras imortais pelo menos enquanto Portugal, os portugueses, seus descendentes e todos os amigos da cultura portuguesa existirem aqui e espalhados pelo mundo II Exercícios de tradução ao correr da pena Zhang Weimin (張維民), nascido em Beijing em 1951, tem vindo a traduzir os nossos maiores poetas para chinês, Fernando Pessoa e Camões, tendo recebido em 1986 o Prémio de Tradução da Sociedade de Língua Portuguesa. É dele a tradução 100 Sonetos de Camões 賈梅士十四行詩, sobre a qual adiante se refletirá nos sonetos que a tradição literária acredita serem dedicados a Dinamene. Antes, porém, vamos regressar ao Prefácio desta obra com que inaugura o primeiro da colecção Escritores Chineses e Lusófonos, coordenada pelo Professor Yao Jing Ming, numa edição do Instituto Cultural de Macau, a fim de proceder a uma meditação sobre a possibilidade de traduzir poesia. Há uma longa discussão nos Estudos de Tradução sobre a tradução poética, com autores a defenderem a impossibilidade de traduzir satisfatoriamente na área, a menos que tal ação seja realizada por um poeta, porque o que se joga neste tipo de tradução é menos a comunicação eficaz do sentido e a fidelidade, tanto à ideia, como à palavra que a encarna, e mais a uma sensibilidade especial, que implica quer a atenção pictórica à imagem quer ao ritmo poético, incluindo às rimas dos versos, sobretudo na poesia tradicional. Tal cuidado será para muitos teóricos da tradução condição exclusiva de poetas. No entanto, sabemos que a sensibilidade poética não é do domínio exclusivo dos poetas, pelo que um bom tradutor apenas necessita de deixar correr a sua emoção em diálogo com o poeta para que a tradução fique bem, numa comunhão empática com as ideias e sentimentos do autor, logo, do meu ponto de vista, não é preciso ser poeta, basta que se deixe encantar pelas emoções do autor, transpostas em figurações e ritmos. Um (a) tradutor (a) meritoso (a) no campo da arte literária é muito mais do que um profissional consciencioso, ainda que também o deva ser; é alguém que intui, para o caso em estudo, o que o poeta sentiu e pensou, entrando num diálogo em uníssono, como que guiado por um poder indizível à maneira dos unicórnios que comunicam telepaticamente, sem que possam dar conta ou apresentar os passos lógicos da conversa contemplativa que no reino imaginário realizaram. Diz Yao, ele próprio tradutor, que assina o prefácio com o seu nome poético Yao Feng, numa reflexão certeira sobre a tradução poética (Yao, 2015, 14): Traduzir é difícil, traduzir poemas é uma aporia. Não é uma pura busca de palavras por palavras, exige (…) mesmo um diálogo espiritual entre o tradutor e o poeta: é como se fosse possível ouvir o pulsar do sangue dentro das veias, ora um silêncio, ora um rumor. Em resumo, traduzir é um “recriar a intenção poética”. Zhang Weimin é muito bem-sucedido na recriação da intenção poética de Camões, nos quatro sonetos que se julga poderem estar diretamente associados a Dinamene: “Alma minha gentil, que te partiste/你去了,我純潔的心靈”; “Chara minha inimiga, em cuja mão/你是我尊貴的仇家”; “Quando de minhas mágoas a comprida/長久沉浸在痛苦的想像”; “Ah minha Dinamene! Assi deixaste/ 阿蒂娜妹! 你這樣地棄別了”. Proponho aqui analisar em termos da tradução de Zhang, além do soneto a Dinamene, a primeira quadra e o último terceto do soneto “Alma minha gentil que te partiste/你去了,我純潔的心靈” (Yao, 2014, 36-37): Alma minha gentil que te partiste 你去了,我純潔的心靈, Tão cedo desta vida descontente, 過早了地從這個不幸的人生, Repousa lá no Ceo eternamente, 永恆地樓住在天上, E viva eu cá na terra sempre triste 留我在人間永遠哀傷。 A intenção poética é recriada com sucesso, já que o sentido é transmitido com fidelidade, muito embora não haja inteira reprodução do jogo rimático em português, pois apenas o segundo e o quarto versos rimam imperfeitamente (生/傷). No entanto, no quarto verso além da rima final, assistimos a um feliz jogo de rima interna(永遠/哀傷). Quanto ao último terceto, as rimas finais não são mantidas, ou melhor, são substituídas por uma rima interna e há o eclipse da imagem dos “olhos”, para além de se proceder a uma adaptação cultural da palavra “Deos” (天主), que é substituída por “divindade” (神). Roga a Deos que teus anos encurtou, 就去祈求縮短你生命的神, Que tão cedo de cá me leve a ver-te, 儘早將我帶去見你—— Quão cedo de meus olhos te levou. 如同那樣早,從這裡帶你而去。 Verifica-se ainda ao nível do primeiro terceto, que aqui não é apresentado, o recurso a uma metáfora expandida no último verso “Da mágoa, sem remédio de perder-te”, onde “remédio” é traduzido por “não há remédio que possa curar” (無藥可醫). Vamos encontrar o recurso a idênticas técnicas de tradução em Ah minha Dinamene! Assi deixaste/ 阿蒂娜妹! 你這樣地棄別了”. Atente-se à primeira quadra e ao primeiro terceto (Yao, 2014, 146): Ah minha Dinamene assi deixaste 呵蒂娜妹!你这样地弃别了 Quem nunca deixar pôde de querer-te! 永遠不能棄別對你的愛的人! Que já, Nympha gentil, não possa ver-te! 美麗的仙女,再也看不見你! Que tão veloz a vida desprezaste 你如此輕率地蔑視生命! É eficaz a estratégia de Zhang Weimin para “achinesar” o nome de Dinamene, aquela a quem a tradição sempre considerou chinesa, ainda como bem notou a Professora Cristina Zhou da Universidade de Coimbra, na palestra dedicada a este tema apresentada nas Conferências de Primavera de 2024 do CCCM, o nome em si não soa a chinês, a menos que, acrescento agora, se encurte e recorra a um sufixo inapelavelmente autóctone “mei”, que tanto pode ser menina como irmã mais nova. Ora creio que Zhang Weimin colocado perante a aporia de traduzir um nome supostamente chinês tão grande foi o que fez: transformou, em termos práticos, Dinamene em “Dina Mei” (蒂娜妹), ou seja, em menina Dina. Igualmente feliz foi a estratégia de adaptação cultural seguida pelo tradutor, quando traduziu “nympha” por “imortal” (仙女), palavra bem mais chegada à tradição chinesa. Soube também manter o ritmo de alta tensão emotiva da primeira quadra, salpicando-a de pontos de exclamação à maneira do original. A sua recriação poética apenas parou nas rimas finais, que não foram reproduzidas na tradução. Passando agora à análise do primeiro terceto, nota-se a necessidade de reinterpretar os dois últimos versos por respeito ao sentido na língua de chegada, que implicaram a deslocação de palavras do terceiro para o segundo verso: Nem somente falar-te a dura morte 你竞答應殘酷的死神 Me deixou, qu´apressada o negro manto 那樣快將黑絨蓋住你的眼睛, Lançar sobre os teus olhos consentiste. 都不讓我對你僅僅說一句話。 A tradução dos sonetos de Camões realizada por Zhang Weimin é muito meritória, até porque, como se viu, é na tradução poética que um tradutor se expõe mais, arriscando em cada palavra, em cada sentido, como nos passos que dá na vida. E se é verdade que se pode compor e começar de novo nas nossas caminhadas pela existência, valendo o mesmo para as novas traduções, não obstante haver passeios de vida ou de morte, o mesmo sucede com as traduções, em cada uma delas o tradutor de um poema sabe que tem de se dar por inteiro, convertendo a razão em coração, sob pena de falhar esse momento poético pelo menos até à próxima oportunidade, se ela surgir. Bibliografia Calvino, Italo. (2008). As Cidades Invisíveis. Lisboa: Teorema. Yao Jing Ming. (2014). 100 Sonetos de Camões 賈梅士十四行詩. Tradução de Zhang Weimin (張維民). Macau: Instituto Cultural de Macau. Zhou, Cristina. (2024). “Silhuetas de Macau no Mito de Camões”. In Conferências da Primavera do CCCM, 2024, Conferência de Macau, 8 e 9 de março. Segue-se na referência ao rio Mekong a pronúncia do Sul da China.
Museus de Macau celebram Dia Internacional com visitas, exposições e workshops Hoje Macau - 14 Mai 2024 O Dia Internacional dos Museus celebra-se este sábado e, a pensar na efeméride, 22 museus locais irão lançar uma série de actividades comemorativas a fim de chamar a atenção da população para a área da museologia, história e exposições. A edição deste ano tem como tema “Museus para a Educação e a Investigação”, esperando-se, neste contexto, a realização de eventos que pretendem “realçar a essência cultural de Macau”, além de promover “um ambiente intensamente cultural e festivo para as comunidades”, destaca o Instituto Cultural (IC), em comunicado. Assim, sob a égide do departamento dos museus do IC, realiza-se este domingo e no dia 26 de Maio o “Workshop de fotografia dedicado ao tema da gastronomia de Macau” no Museu Memorial de Xian Xinghai, com um máximo de dez participantes. No sábado irá realizar-se uma visita guiada ao núcleo arqueológico da praia de Hac-Sá, em Coloane, bem como um workshop para famílias no Museu da História da Taipa e Coloane, aberto à participação de cinco núcleos familiares. No sábado, 25 de Maio, realiza-se o “Workshop de marcadores de livros em vitral” no Museu Memorial de Xian Xinghai, para um máximo de oito famílias. Também no sábado, acontece uma série de visitas guiadas ao Museu de Macau, mas apenas em mandarim e cantonense. Podem participar 20 pessoas por cada visita. No mesmo dia, mas no Museu de Arte de Macau (MAM), tem lugar a visita guiada pelo curador da exposição “Foco: Integração artística entre a China e o Ocidente nos séculos XVIII-XIX”, para um máximo de 30 participantes. Recordar Chinnery Tendo em conta que este ano se celebram os 250 anos do nascimento daquele que é considerado o grande pintor de Macau, George Chinnery, o programa de celebração do Dia Internacional dos Museus traz, este sábado, a actividade “Passeando pelas ruas de Macau nas pinturas de George Chinnery”, cujo ponto de encontro será nas Ruínas de São Paulo e Igreja de São Domingos. Irão decorrer três sessões com 20 pessoas cada uma. No dia 25 de Maio realiza-se a actividade, exclusiva para o programa de adesão “amigos do MAM”, “Passeando no MAM”, com duas sessões com 30 participantes cada uma. No domingo, 26, acontece a palestra “Olhar o mundo a partir do Delta do Rio das Pérolas: Reinterpretando o pinto China Trade de Cantão, Lam Qua, da Dinastia Qing”. O evento vai realizar-se no auditório do MAM e pode acolher até 100 pessoas. Ainda no sábado, há também actividades disponíveis no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau, como uma visita guiada a todo o conteúdo do museu para um máximo de 20 pessoas. Por sua vez, no domingo, na Academia Jao Tsung-I, realiza-se o “Domingo de Arte em Família: Academia Jao Tsung-I”, com duas sessões de produção artística para seis pares de pais e filhos. No Museu Marítimo está patente, até Novembro, a mostra “Relação entre Macau e Ostras – Vida Costeira e Ecologia”, sendo que este fim-de-semana acontece um jogo interactivo com o público e ainda o workshop “Criar peças de decoração com conchas de janelas chinesas ‘Capiz'”. Esta quinta-feira, acontecem no Museu das Comunicações dos CTT diversos seminários, sendo inaugurada, no mesmo dia, a exposição temporária “Dragão presente nos selos postais”. No caso do Museu do Grande Prémio, que apresenta um leque de eventos variados este mês, tem lugar, sábado, uma sessão de modelagem de balões de carros de corrida. As participações fazem-se por ordem de chegada. No Centro de Ciência, entre os dias 26 de Maio e 31 de Outubro, decorre a exposição, que inclui experiências digitais, intitulada “Descoberta do Salão do Cultivo Mental”. Muitas das inscrições decorrem na plataforma da “Conta Única de Macau”, podendo também ocorrer nos próprios museus.
“Little Black Note” | Primeiro livro de Vicky Lo traz mensagens inspiradoras Andreia Sofia Silva - 14 Mai 2024 “Little Black Note” é o nome do primeiro livro de Vicky Lo, residente de Macau, que apresenta aos leitores 22 mensagens inspiradoras divididas em cinco capítulos, complementadas com ilustrações. A ideia é “incentivar a auto-reflexão dos leitores”. A obra está à venda na Livraria Portuguesa, Pin-to Livros ou Amazon Vicky Lo é residente de Macau e acaba de se estrear nas lides editoriais. Com a chancela da Ipsis Verbis, o livro “Little Black Note” contém 22 mensagens inspiradoras para quem as lê e procura um caminho novo para os desafios do dia-a-dia. A obra está à venda online na plataforma Amazon, mas também em suporte físico na Livraria Portuguesa e Pin-to Livros. A obra, escrita em inglês, é o reflexo dos 15 anos da carreira de Vicky Lo, mas também um reflexo das suas “origens humildes”, contou ao HM. “A noção de ‘pequeno’ [do livro] simboliza algo modesto e despretensioso, mas capaz de causar impacto. O aspecto ‘negro’ [também do livro] deriva da crença de que a vida não é composta apenas por momentos claros e agradáveis, sendo uma mistura de alegria e tristeza, semelhante a uma tapeçaria tecida com diversos fios”, frisou. A autora destaca o “design minimalista e ilustrações que podem não estar em conformidade com a estética convencional”, mas que são “profundamente pessoais”. O termo “nota” presente no título do livro significa que “o conteúdo foi criado a partir de reflexões pessoais destinadas a elevar ou a provocar o pensamento, não só para mim, mas para todos os que as possam encontrar”. Uma surpresa desde o início “Little Black Note”, lançado em Abril, nem sequer era um objectivo inicial para Vicky Lo, tendo começado por ser “um projecto pessoal para captar inspirações fugazes”. A autora começou a escrever em 2018, nomeadamente “pequenas reflexões” espontâneas “que se foram acumulando, formando-se uma colecção significativa”. Em 2019, surgiu a ideia de editar um livro apenas para os amigos. “De entre um vasto leque de ideias, seleccionei 30 frases, colaborando com um designer criativo e uma gráfica para criar um pequeno lote de livros. O feedback encorajador que recebi foi catalisador para uma publicação mais alargada. O livro não é mais do que um compêndio de conselhos práticos e reflexões que pretendem ser do agrado dos leitores”, adiantou a autora. Vicky Lo entende que lançar uma obra sobre experiências no local do trabalho, ou com frases relacionadas com a área de desenvolvimento pessoal, acaba por estar “em sintonia com o espírito actual”, tendo em conta que “as pessoas procuram activamente crescer e ter um maior significado nas suas vidas profissionais”. A autora defende que “se nota bastante um desejo de orientação e de conhecimentos que possam conduzir à realização e ao sucesso”. Desta forma, “Little Black Note” tenta “colmatar esta lacuna, oferecendo diversas perspectivas e estratégias baseadas em experiências da vida real”. Abrir este livro realça também “a importância de abraçar a mudança, explorar novos caminhos e compreender que a procura de melhorias é uma viagem contínua”. “O meu objectivo é incentivar os leitores a considerarem abordagens alternativas e a verem o valor de cada experiência, seja ela convencional ou não”, rematou.
Formação profissional | Número de formandos subiu 25,1% João Luz - 14 Mai 2024 No ano passado realizaram-se 1.915 cursos de formação profissional (+17,8 por cento, em termos anuais), que contaram com a participação de 97.672 formandos, mais 25,1 por cento face ao registo de 2022, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Dos cursos ministrados, 891 destinaram-se a empresas/instituições/órgãos (+5,8 por cento, face a 2022) e tiveram a participação de 47.048 formandos (+14,7 por cento). Os restantes cursos tiveram o público geral como destinatários, com 2023 a ser sinónimo de um aumento anual de 30,8 por cento destas formações, com o número de participantes a subir 36,6 por cento para mais de 50 mil pessoas. A DSEC destaca o aumento significativo do número de formandos que frequentaram cursos em áreas relacionadas com indústrias emergentes durante o ano passado. Na área de convenções/exposições, os formandos (1.970) aumentaram cerca de 1,9 vezes. Tecnologias da informação e comunicação, educação, artes e design e saúde tiveram aumentos de 75,4, 45,2, 44 e 39,2 por cento respectivamente. No sentido inverso, os formandos em “lotarias e entretenimento” caíram 35,9 por cento, enquanto culinária e tratamento de alimentos registaram uma quebra de afluência superior a 30 por cento. Os cursos mais frequentados no ano passado foram no sector do comércio e administração, com 24.617 formandos, mais de um quarto do universo de pessoas que frequentaram cursos profissionais, seguido das áreas da saúde, informação e comunicação e educação.
Indonésia | Acção de promoção da DST “bem-sucedida” Hoje Macau - 14 Mai 2024 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) realizou no último fim-de-semana de 9 a 12 de Maio mais uma acção promocional do território em Jacarta, na Indonésia, intitulada “Sentir Macau” que foi bem-sucedida, registando-se “bons resultados no seminário promocional e nas bolsas de contacto” organizadas. Além disso, as actividades de rua, e também num centro comercial, atraíram 217 mil visitantes em quatro dias. Sob o mote “Experience Macao” organizaram-se jogos e actividades interactivas que revelam aos participantes as grandes atracções de Macau, nomeadamente os pastéis de nata, a competição do Grande Prémio ou o património. As acções promocionais foram realizadas em parceria com as seis operadoras de jogo e a Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin, além de que a Air Macau e nove agências de viagens da Indonésia promoveram a venda de vários produtos turísticos com ofertas especiais, como bilhetes de avião e estadias em hotéis, “que tiveram muita procura entre os visitantes da promoção”, destaca a DST. O evento contou ainda com a participação da cantora indonésia Lyodra Ginting, a banda TBA e o grupo masculino UN1TY que actuaram ao vivo. Serão realizadas, nos próximos meses, mais acções promocionais do turismo local nas cidades de Seul, na Coreia do Sul, Banguecoque, na Tailândia e Kuala Lumpur, na Malásia.
Dia da Mãe | Vendas de restaurantes e floristas a piorar João Luz e Nunu Wu - 14 Mai 2024 O Dia da Mãe costumava ser uma época “dourada” para os negócios da restauração e floristas. Porém, este ano as vendas pioraram em relação a 2023, apesar da baixa de preços e descontos especiais para comemorar o dia. O consumo do outro lado da fronteira e a falta de competitividade do comércio local foram motivos apontados A tradição já não é o que era. O Dia da Mãe, que costumava representar um acréscimo considerável de negócios para restaurantes e floristas, este ano foi uma desilusão. Vários donos de restaurantes chineses da Península de Macau deram conta de quebras anuais entre 10 e 20 por cento do volume de negócios durante o Dia da Mãe deste ano. Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável por um restaurante da zona centro de Macau previu um corte de receitas na ordem dos 20 por cento, mas apontou outras alterações no consumo, nomeadamente o desaparecimento das reservas de mesas para 12 pessoas, e a aposta em mesas de seis pessoas ou pratos individuais. O responsável indicou que mesmo com a introdução de descontos nos menus não conseguiu atrair mais clientela, em especial mesas para 12 pessoas, apesar de o menu para seis pessoas, que inclui Pato à Pequim e peixe-jaguar custar menos de 1.000 patacas, cerca de 150 patacas por pessoa, e o menu para 12 pessoas (com leitão, noodle de camarões com queijo e bucho de peixe) custar 2.600 patacas. Embora a afluência desse a impressão de bons negócios com a sala cheia, o gerente apontou que os clientes passaram a pedir menos pratos. Questionado sobre possíveis razões, apontou o dedo à possibilidade de viajar de automóvel para Guangdong, onde os restaurantes fazem preços incomparavelmente mais baixos, mesmo que ele faça descontos. Um outro dono de restaurante na zona norte justificou a quebra de receitas também com a concorrência desigual com restaurantes do outro lado da fronteira. Apesar de ter também baixado os preços este ano, clientes habituais contaram-lhe que os mesmos pratos no Interior da China custam menos de metade e os ingredientes são mais frescos. Flores murchas Também a venda de flores sofreu quebras de negócios em relação a anos anteriores, quando o Dia da Mãe significava esforços e lucros redobrados. Em declarações ao jornal Ou Mun, uma florista da zona norte da península afirmou que no ano passado vendeu cerca de 200 bouquets de flores, volume de vendas que este ano caiu para pouco mais de 100. A gerente relevou que é comum os clientes visitarem a loja só para perguntarem os preços para compararem com outras lojas no Interior da China. Porém, não pode competir com o custo de matéria-primeira e despesas com mão-de-obra. Como tal, resta-lhe apostar na qualidade e no profissionalismo no atendimento. Outra lojista ouvida pelo Ou Mun afirmou que é muito difícil manter portas abertas se depender exclusivamente de clientes individuais. Portanto, independentemente dos dias de celebrações que requerem flores, passou a focar-se no sector empresarial e na organização de workshops de arranjos florais.
Futebol | Lendas portuguesas jogam este fim-de-semana na Taipa Hoje Macau - 13 Mai 202414 Mai 2024 Decorre este fim-de-semana o jogo de futebol e uma série de eventos desportivos que trazem a Macau grandes nomes portugueses deste desporto como é o caso de Luís Figo, que foi considerado Jogador do Ano pela FIFA e vencedor de uma Bola de Ouro, Pauleta, Nuno Gomes, Dimas, Maniche, Bosingwa, Tiago, Hélder Postiga e Ricardo Quaresma. O evento “Legends of Tomorrow” tem o patrocínio da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) e decorre este sábado num pequeno campo de futebol do Centro Desportivo Olímpico – Zona Multiusos, na Taipa. Esta iniciativa inclui um treino e interacção entre os antigos jogadores portugueses e os jovens a partir das 11h30. Depois, no domingo, acontece o jogo amigável de cinco “Portugal Icons vs. GBA Flying Dragons” às 16h no Dome. Na equipa portuguesa “Portugal Icons” jogam Luís Figo, Pauleta, Nuno Gomes, Dimas, Maniche, Bosingwa, Tiago, Helder Postiga e Ricardo Quaresma, enquanto na equipa adversária “GBA Flying Dragon” jogam nomes como Natalis Chan, Eddie Ng ou Frankie Lam. Além da SJM, o evento é apoiado e organizado pelo Instituto do Desporto e Associação de Futebol de Macau. A equipa “GBA Flying Dragons” é composta por jogadores de futebol da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau e da Associação Desportiva All Stars de Hong Kong. Antes do jogo de domingo será também realizado o evento “Legends of Tomorrow – Football Camp” para promover o desporto junto dos jovens.
Táxis | Exigidas mais funcionalidades com novas licenças Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 13 Mai 2024 O mercado prepara-se para receber 500 novas licenças de táxi e há quem defenda que está na hora de simplificar o sistema para que seja mais fácil a residentes e turistas chamar uma viatura, através da criação de uma plataforma unificada ou de um modelo de compensações e sanções a aplicar aos melhores e piores condutores de táxi Um deputado e um dirigente associativo desejam uma maior simplificação do actual modelo em vigor para se chamar um táxi, numa altura em que há 500 novas licenças a chegar ao mercado. O deputado Ngan Iek Hang defendeu, segundo o Jornal do Cidadão, a criação de uma plataforma unificada para se poder chamar um veículo. Ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), Ngan Iek Hang apontou que o actual sistema de marcação de táxis funciona de forma instável, pelo que deveria existir a plataforma unificada para todos os táxis a fim de melhorar o sistema de marcações e a eficácia de todo o serviço. O deputado elogiou ainda a obrigatoriedade, com as novas licenças, da existência de meios de pagamento electrónicos, considerando ser algo mais conveniente para os clientes. No entanto, Ngan Iek Hang disse esperar que o Governo possa negociar com as empresas que fornecem este sistema de pagamento e com o sector financeiro para que possam ser criados meios de pagamento no formato “contactless” para cartões bancários. O deputado ligado à UGAMM exige ainda uma maior comunicação entre as novas empresas de táxis e o Governo para que estas possam ser mais transparentes quanto ao modelo de operação e gestão, tendo em conta que todas as empresas com as 500 licenças são novas no mercado. Ligação à Conta Única Por sua vez, o presidente da Associação dos Comerciantes e Operários de Automóveis de Macau, Leng Sai Wai, defende que o sistema de terminal de táxis, a que as novas viaturas têm de aderir, deve permitir também a marcação de viagens com ligação à plataforma da “Conta Única de Macau”, a fim de reduzir as dificuldades sentidas pelos residentes para chamar um táxi. De frisar que este sistema de terminal permite prevenir as infracções cometidas pelos taxistas, sendo a cobrança excessiva de tarifas e adição de destinos de chegada a meio da viagem as mais comuns. O dirigente recordou que a maioria dos taxistas prefere fazer serviços nas zonas turísticas dada a elevada possibilidade de conseguir apanhar novos clientes, mas os táxis a operar sob novas licenças devem prestar mais serviços nos bairros comunitários. Desta forma, o sistema de terminal deve supervisionar o percurso feito pelos taxistas, a fim de garantir que estes trabalham nas zonas menos turísticas do território e que não rejeitam clientes de forma intencional. Leng Sai Wai entende que cabe às autoridades chamar a atenção dos taxistas para que mudem a sua atitude na relação com os passageiros, agora que o mercado tem um sistema corporativo. Assim, o responsável defende a criação de subsídios para os dias feriados e trabalho nocturno para que os taxistas melhorem o serviço prestado, bem como um sistema de pagamento de compensações aos melhores condutores de táxi. Este sistema poderia também aplicar sanções caso os taxistas prestem um mau serviço, adiantou.
Novo Bairro de Macau | Mudanças permitem compradores com 18 anos João Luz - 13 Mai 2024 A Macau Renovação Urbana anunciou ontem o relaxamento dos critérios para comprar apartamentos no Novo Bairro de Macau. Desde ontem, residentes com mais de 18 anos podem comprar uma fracção no bloco habitacional em Hengqin. A alteração teve em conta “as mudanças no ambiente económico” A Macau Renovação Urbana (MRU) anunciou ontem que os critérios para a aquisição de um apartamento no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, foram aligeirados, permitindo que residentes de Macau, portadores de BIR, podem comprar fracções desde que tenham mais de 18 anos. A medida, que entrou em vigor ontem, foi implementada para “responder às mudanças no ambiente económico trazidas pelas novas políticas relativas ao mercado imobiliário de Macau e Hong Kong”, “após terem sido ouvidas opiniões de todos os sectores”. A empresa liderada por Peter Lam revela que submeteu à Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin uma proposta para melhorar os critérios para comprar casa no Novo Bairro de Macau, proposta que foi aprovada. Assim sendo, no passado dia 6 de Maio, as autoridades governamentais e a Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai), Limitada assinaram uma emenda que oficializou a alteração de critérios. Idas para a Montanha O deputado Leong Sun Iok partilhou ontem uma resposta a interpelação escrita assinada por Peter Lam, o presidente do Conselho de Administração da MRU, onde é indicado que até ao dia 6 de Março, data da assinatura da resposta, “o número de assinaturas de contratos e de registos online concluídos foi de cerca de 800”. O responsável recordou que desde que foram postas à venda, no dia 28 de Novembro do ano passado, até ao início do ano, foram vendidas mais de 1.000 fracções. Seis semanas após o início das vendas, o Novo Bairro de Macau começou a acolher os primeiros moradores e, “há menos de meio ano, muitos proprietários já se mudaram, sucessivamente, para Hengqin. Também existem muitas pessoas que estão a mudar de casa e adquirir mobiliário”, aponta a empresa. Sem actualizar os dados de vendas de apartamentos há mais de cinco meses, a MRU vinca o objectivo de “criar um espaço de vida de qualidade que reúne residências, educação, cuidados de saúde, serviços sociais e empresas num só bairro”, e “tornar a vida quotidiana mais conveniente, com melhores serviços e instalações.”
Motoristas | Nick Lei pede revisão da lei Hoje Macau - 13 Mai 2024 O deputado Nick Lei exige que as autoridades revejam um decreto-lei de 1984 que permite a emissão de licenças especiais de condução para motoristas de pesados que pertençam a empresas com capital chinês. Estas licenças destinam-se ao transporte de mercadorias e passageiros, mas Nick Lei entende que deve ser alterado a fim de combater os motoristas ilegais no território. Em interpelação escrita entregue ao Executivo, Nick Lei considera que a legislação está desactualizada tendo em conta as mudanças na sociedade e é necessário introduzir sanções para estes casos. Para Nick Lei, é também preciso reduzir os requisitos e critérios para a atribuição das licenças especiais na emissão ou renovação, ou mesmo criar um sistema de quotas, a fim de evitar abusos. O deputado destaca que, nos últimos anos, muitos motoristas aproveitaram-se da licença especial para realizar trabalho ilegal. O legislador quer ainda saber quais os principais sectores económicos locais afectados pela presença dos motoristas ilegais e quais as medidas de inspecção a adoptar.
Orçamento | Ho Iat Seng pede prudência e razoabilidade nas propostas João Luz - 13 Mai 2024 O Chefe do Executivo publicou ontem as orientações para os orçamentos dos diversos serviços da Administração para 2025. Em fim de mandato, Ho Iat Seng pediu prudência, razoabilidade, enquanto as receitas estimadas devem reflectir o nível do desenvolvimento socioeconómico. Não foi repetida a exigência de não exceder as despesas do ano transacto Ponderação, sensatez e discernimento são os caminhos apontados por Ho Iat Seng, nas últimas orientações para elaboração das propostas orçamentais deste mandato. Nas propostas dos diversos serviços e organismos da Administração para 2025, “devem ser avaliadas, com prudência, a necessidade e a razoabilidade das diversas despesas orçamentais”, é indicado no despacho assinado pelo Chefe do Executivo publicado ontem no Boletim Oficial. “Considerando que o ano de 2024 é o último ano do quinto mandato do Chefe do Executivo (…) devem ser elaboradas as propostas orçamentais de acordo com o orçamento básico, incluindo, para o ano de 2025, as despesas necessárias que asseguram a satisfação do funcionamento regular dos serviços e organismos, dos compromissos já assumidos e da concretização da realização de actividades definidas no ano em apreço”, é indicado. Ho Iat Seng sublinha também que “as dotações destinadas aos projectos realizados e por realizar que são do encargo do PIDDA, cuja adjudicação será realizada até ao primeiro trimestre do ano de 2025”, devem seguir os mesmos critérios. Uma orientação que não se encontra este ano, em relação aos anos transactos, é a determinação de que a as despesas não devem exceder o valor do orçamentado no ano anterior, apesar da forte tónica de contenção orçamental. Espelho da sociedade Para a elaboração das propostas de orçamento de cada serviço e organismo da Administração, Ho Iat Seng refere que estas devem “reflectir o nível do desenvolvimento socioeconómico na receita orçamental estimada”. Em relação à mão-de-obra de cada serviço, não deve ser ultrapassado “o número padrão de trabalhadores autorizado e o número de trabalhadores a serem recrutados também não deve exceder o número de quota de trabalhadores disponíveis das entidades tutelares”. Outra ressalva feita por Ho Iat Seng, implica que só em situações devidamente justificadas podem ser previstas dotações no orçamento do PIDDA, ou nos orçamentos privativos dos serviços e organismos autónomos, que visem a aquisição de bens imóveis. As orientações publicadas ontem estabelecem também as datas para os diversos organismos submeterem as suas propostas orçamentais. Assim sendo, até 1 de Julho a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) deve receber informações orçamentais de diversas direcções de serviços, como Economia e Desenvolvimento Tecnológico, Estatística e Censos, Administração e Função Pública, Inspecção e Coordenação de Jogos, Turismo e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. Até 19 de Agosto a DSF apresenta uma proposta para determinação dos valores globais das receitas e das despesas da proposta do Orçamento da RAEM 2025. As Obras Públicas seguem um calendário diferente. Até 22 de Julho, a Direcção dos Serviços de Obras Públicas tem de “enviar à DSF uma proposta orçamental global, de onde constam as condições de implementação de cada uma das obras públicas, nomeadamente o faseamento previsto para a sua execução, bem como os correspondentes orçamentos anuais.” Finalmente, a proposta de Orçamento da RAEM para 2025 deve ser apresentada ao Chefe do Executivo até 7 de Outubro.
Congresso EUA | RAEM expressa “firme oposição” a relatório Hoje Macau - 13 Mai 2024 O Governo da RAEM expressou ontem “a sua firme oposição às falsas acusações sobre Macau, feitas no relatório anual de 2023 da Comissão Executiva do Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) para a China, no que diz respeito à apreciação do Comité dos Direitos do Homem da Organização das Nações Unidas e à revisão da Lei relativa à defesa da segurança do Estado”. O Executivo declarou que se sujeitou à apreciação pelo Comité dos Direitos do Homem da Organização das Nações Unidas, que acolheu legislações e medidas políticas adoptadas, “e ainda elogiou o diálogo activo e construtivo com a delegação da RAEM”. Nesse sentido, o Governo declara que “a citação parcial das Observações Finais do relatório Comité dos Direitos do Homem, é típica distorção da realidade, tratando-se de um acto indesejável”. Além disso, é exigido ao Congresso dos EUA, assim como à referida Comissão, que se “liberte de quaisquer preconceitos e pare de aproveitar os direitos humanos como pretexto para interferir nos assuntos internos da China, designadamente da RAEM”.
Líder dos CTT em Portugal diz que IA vai gerar novas oportunidades de emprego Hoje Macau - 13 Mai 2024 O presidente executivo dos CTT, João Bento, admitiu sexta-feira que a inteligência artificial (IA) vai “causar perturbações no curto prazo”, mas defendeu que “vai certamente gerar novas oportunidades” de emprego. À margem do 31.º Fórum AICEP (Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa) das Comunicações Lusófonas, a decorrer em Macau, sob o tema “Criar Valor com Inteligência Artificial”, João Bento disse à Lusa que os CTT já estão a usar ferramentas de IA. “Lançámos um chatbot [de conversação] de IA, Helena, no final do ano passado, que já reduz em 30 por cento o número de contactos que precisam de intervenção humana. Quer dizer que tenho menos gente no ‘call centre’ para o mesmo nível de resposta”, sublinhou o executivo. Especialistas têm apontado 2024 como o ano em que começará a extinção de empregos devido às ferramentas de IA. Mas João Bento disse que tanto os CTT como os sindicatos dos trabalhadores da empresa “não sentem esse receio”. No final de Março, os CTT tinham 13.574 trabalhadores, um aumento de quase 800 em comparação com a mesma data do ano passado. “Certamente que vamos ter, no curto prazo, tarefas que deixam de ser feitas por pessoas, o que significa que teremos menos necessidades de mão-de-obra, mas isto vai certamente gerar novas oportunidades”, defendeu João Bento. “Historicamente todos os momentos de fratura tecnológica causaram perturbações no curto prazo, mas geraram sempre ganhos de riqueza e de bem-estar”, acrescentou o presidente executivo dos CTT. João Bento preferiu dizer que a IA já permite à empresa “fazer mais com as pessoas que tem”, dando como exemplo a área do recrutamento: “Nós temos muita gente, estamos sempre a recrutar, e grande parte do procedimento, análise de currículos, já é feita automaticamente”. Em acção O executivo disse que a IA já está a tomar conta de “tarefas repetitivas, que são feitas ou com mais qualidade ou com mais eficiência”, incluindo uma ferramenta usada na empresa para completar moradas. “Quando são incompletas ou mal escritas, fica muito dependente do conhecimento dos carteiros saber interpretar uma morada que não está bem escrita”, sublinhou João Bento. O presidente executivo disse acreditar que esta é uma ferramenta que no futuro pode mesmo ser comercializada pela empresa parceira que a desenvolveu e que já recebeu investimento dos CTT. João Bento mostrou-se mais preocupado com os problemas éticos criados pela utilização de ferramentas de IA e sublinhou que, ao usarem o Helena, “é muito importante que os clientes percebam que estão a contactar com um ‘chatbot’ e não com uma pessoa”. Este é uma das exigências que já consta num regulamento aprovado em 13 de Março pelo Parlamento Europeu e que vai entrar em vigor em todos os Estados-membros da UE, depois da “luz verde” do Conselho Europeu.