Timor-Leste | Xanana em Singapura para reforçar cooperação Hoje Macau - 15 Jul 2025 O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, iniciou ontem uma visita oficial a Singapura para reforço da relação bilateral e da cooperação entre os dois países. No primeiro dia da visita, segundo uma informação à imprensa distribuída pelo gabinete do primeiro-ministro, Xanana Gusmão vai reunir-se com o seu homólogo, Lawrence Wong, que acumula também o cargo de ministro das Finanças, e com o Presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam. A delegação timorense vai também visitar o Oceanário de Singapura para “conhecer melhor as abordagens nas áreas da educação marinha, investigação e desenvolvimento institucional”, pode ler-se na informação à imprensa. Timor-Leste está a desenvolver a sua economia azul e no âmbito daquela política pretende estabelecer um Centro de Educação e Investigação Marinha na ilha de Ataúro, situada em frente a Díli, na costa norte da ilha. Na terça-feira, o chefe do Governo timorense tem prevista uma visita ao Centro de Energia Ambiental Cora, para perceber como Singapura encontrou soluções para resolver os problemas relacionados com os resíduos ao transformá-los em soluções energéticas. Xanana Gusmão vai também proferir uma palestra numa escola de estudos internacionais dedicada ao tema “Timor-Leste e a ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]: Um novo capítulo na história da região” e plantar uma camélia nos Jardins da Baía. Sempre a aprender Ainda no âmbito da visita, que termina quarta-feira, o primeiro-ministro vai visitar o Conselho de Habitação e Desenvolvimento de Singapura para “obter informações sobre a política de habitação pública, os modelos de financiamento e o planeamento urbano com dimensão social”, refere a informação. “As lições aprendidas com o bem-sucedido modelo de habitação pública de Singapura poderão contribuir para os esforços contínuos de Timor-Leste para desenvolver habitação de qualidade e acessível para o povo timorense”, pode ler-se na informação divulgada à imprensa. Xanana Gusmão lidera uma delegação que inclui o vice-primeiro-ministro e ministro coordenador dos Assuntos Económicos e ministro do Turismo e Ambiente, Francisco Kalbuadi Lay, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Bendito Freitas, a vice-ministra para os Assuntos da ASEAN, Milena Rangel, e o secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes.
Reparação Predial | Distribuídos apoios de 8,3 milhões João Santos Filipe - 15 Jul 2025 No segundo trimestre do ano, o Fundo de Reparação Predial distribuiu 8,3 milhões de patacas em apoios públicos, de acordo com os dados oficiais publicados ontem. Os 183 apoios distribuídos variaram entre os valores de 455 patacas e 1,3 milhões de patacas, e em alguns casos são atribuídos a título de empréstimos sem juros. Os edifícios Lei Hong e Lei Tou, no Complexo Habitacional Fa Seng, foram os que receberam o apoio mais elevado, de 1,3 milhões de patacas, com o objectivo de “suportar as despesas emergentes do pagamento de obras de conservação ou reparação, nas partes comuns do condomínio”. De acordo com a informação oficial, o apoio foi distribuído ao abrigo do Plano de Apoio Financeiro e de Crédito sem Juros para Reparação de Edifícios (Apoio Financeiro para Reparação). O segundo apoio mais elevado, teve como destinatário o Edifício Industrial Kek Seng, com um montante de 526 mil patacas. Também neste caso, o apoio foi distribuído devido ao Plano de Apoio Financeiro e de Crédito sem Juros para Reparação de Edifícios e serve para auxiliar na reparação de partes comuns. Além dos apoios para obras, o Fundo de Reparação Predial subsidiou o início das operações de administração de vários edifícios, devido ao Plano de Apoio Financeiro para a Administração de Edifícios. Neste capítulo, os apoios tendem a envolver montantes mais baixos, que vão de valores como 455 patacas, como aconteceu com o edifício M. Residences a 5 mil patacas, como se verificou com o complexo habitacional Kam Keng Fa Un, constituído pelos edifícios Kam Hoi e Ngan Hoi. Menos é mais Em comparação com o primeiro trimestre do ano, os números mais recentes mostram uma diminuição de 4,9 milhões nos apoios distribuídos. Entre Janeiro e Março deste ano, o Fundo de Reparação tinha distribuído entre subsídios e empréstimos sem juros 13,2 milhões de patacas, embora tenha havido um menor número de apoios, um total de 152, o que significa uma média mais elevada dos apoios e subsídios. Quando a comparação é feita com o segundo semestre do ano passado, os dados mais recentes também apresentam uma redução do montante dos apoios. Entre Abril e Junho de 2024, o Fundo de Reparação Predial entregou 9,2 milhões de patacas entre empréstimos sem juros e subsídios. Este valor significa uma queda de aproximadamente 900 mil patacas em comparação com os dados mais recentes. No segundo trimestre de 2024, o número de apoios aprovados foi de 223.
Jogos Nacionais | Espectadores chineses com visto alargado João Luz - 15 Jul 2025 Os espectadores chineses que venham a Macau assistir a competições dos Jogos Nacionais vão beneficiar de uma extensão do visto para permanecer na RAEM. A novidade foi revelada no domingo pelo coordenador do gabinete preparatório para a organização dos jogos, Pun Weng Kun, que confirmou negociações com as autoridades de Guangdong no sentido de alargar os vistos para cidadãos chineses que tenham bilhetes para competições em Macau. Pun Weng Kun indicou que a extensão poderá incluir o dia antes e depois da competição. Para beneficiar da medida, os visitantes precisam apenas de mostrar os ingressos para provas em Macau nos departamentos que tratam dos vistos. No sentido de tornar mais conveniente as travessias fronteiriças, segundo Pun Weng Kun, as autoridades de Guangdong pretendem tornar o processo de inspecção alfandegária mais fácil, nomeadamente através do uso de tecnologia de reconhecimento facial. O coordenador do organismo encarregue da preparação logística para a competição espera que as novas medidas permitam aos espectadores ficar mais tempo em Macau, possibilitando ver um espectáculo e apreciar a gastronomia e a cidade. A bom ritmo A menos de quatro meses da cerimónia de abertura dos Jogos Nacionais, marcada para 9 de Novembro, é esperado que as três regiões envolvidas (Guangdong, Macau e Hong Kong) coloquem bilhetes à venda no próximo mês de Agosto. Além da venda online, serão colocados à venda bilhetes em locais específicos para facilitar a compra de ingressos por residentes de Macau. Para já, Pun Weng Kun afirma que o processo de testes e preparação para o início do evento desportivo está a decorrer com suavidade, com as instruções das autoridades nacionais. Aliás, apesar de existirem situações a corrigir, o feedback das autoridades chinesas sobre os testes feitos em Macau foi elogioso. Porém, além da boa organização das competições, Pun Weng Kun afirmou que o objectivo é proporcionar aos espectadores uma boa experiência em Macau. Uma das apostas passa pela colaboração com associações locais para angariar voluntários que estarão espalhados pela cidade como “embaixadores da boa vontade”, para ajudar as equipas desportivas e fãs do desporto no que for preciso. Macau irá acolher competições de cinco modalidades: Ténis de mesa (todos os grupos), basquetebol de três (todos os grupos), basquetebol de cinco (masculino sub-18), voleibol (feminino adultos) e karaté́ (todos os grupos). Além disso, a prova individual masculina de ciclismo irá atravessar as três regiões.
TNR | Ella Lei sugere recém-licenciados em cargos não qualificados Nunu Wu e João Luz - 15 Jul 2025 A substituição de trabalhadores não-residentes (TNR) é um dos pontos preferidos da agenda política dos deputados da Assembleia Legislativa, com particular intensidade antes de eleições. Ao longo da sua carreira como deputada, Ella Lei mostrou-se uma defensora acérrima da redução de TNR no mercado laboral da RAEM. A legisladora dos Operários lançou uma série de sugestões ao Grupo de Trabalho para a Coordenação da Promoção do Emprego, criado pelo Governo de Sam Hou Fai, a começar pela realização de uma análise às aspirações e planos dos desempregados no regresso ao activo. Ella Lei entende que conhecer as intenções dos candidatos, em especial de recém-licenciados e desempregados de média idade e longo prazo, pode ajudar à criação de medidas específicas de apoio. Em declarações ao jornal do Cidadão, a deputada citou dados de inquéritos que revelaram que os residentes procuram com mais frequência trabalhos de escritório e venda a retalho e defendeu que o Governo deveria analisar os requerimentos de cargos que não exigem qualificações especiais e que são ocupados por TNR. A ideia é substituir essa mão-de-obra por profissionais locais, incluindo recém-licenciados e jovens. A deputada lembrou que o Governo estima a substituição de 200 TNR no sector financeiro, algo que não considera suficiente, uma vez que a gestão do número de TNR deve articular-se com a procura de emprego pelos residentes. Duas realidades No sector do comércio, os mais de 21 mil TNR que trabalham em vendas a retalho são outro alvo da deputada, que entende que, principalmente, nas lojas de grandes cadeias abertas nos resorts integrados a substituição de TNR deve ser uma prioridade, assim como a formação profissional de residentes. Outro aspecto a melhorar, é a progressão na carreira profissional. A deputada deseja que a proporção de 85 por cento de cargos de chefia ocupados por residentes nas empresas de jogo seja alargada a outros sectores, mas não adiantou como se poderia atingir esse objectivo. Apesar do cenário traçado, não só por Ella Lei, os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos mostram que o número de TNR se manteve estável na última década e que a taxa de desemprego de residentes deste ano está entre as três mais baixas dos últimos 10 anos.
Aviação | Deputado quer subsídio para voos entre Macau e Lisboa João Santos Filipe - 15 Jul 2025 O deputado Ip Sio Kai defende a necessidade de o Governo subsidiar a exploração inicial de um voo directo entre Macau e Lisboa. A posição foi tomada ontem na Assembleia Legislativa, com o deputado a alertar para que a falta de ligações directas para a Europa compromete o papel da RAEM como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na intervenção antes da ordem do dia, Ip apontou os dados oficiais de Outubro do ano passado, indicando que o “Aeroporto Internacional de Macau contava com 40 rotas directas regulares para o Interior da China e outras regiões da Ásia”. Contudo, apontou a ausência de “voos directos de médio e longo curso para a Europa e os países de língua portuguesa”. O legislador considerou que esta falha “compromete, em certa medida, o papel de ligação de Macau na rede internacional”, e “a contribuição e a influência de Macau, enquanto plataforma entre estes países”. Ao mesmo tempo, Ip afirmou que a ligação directa entre Macau e Portugal pode funcionar como centro de ligação com os outros países da plataforma: “Julgo que a abertura de voos directos entre Macau e Lisboa é a base de uma plataforma, que serve para ligar, através da companhia aérea portuguesa, o Brasil e os países de língua portuguesa em África, o que contribuirá para promover ainda mais o comércio, o turismo e o fluxo de pessoas entre Macau e os países europeus”, justificou. Além disso, para Ip a falta de ligações torna as deslocações mais inconvenientes: “Devido à falta de voos directos para Lisboa, os residentes e os visitantes de Macau têm de viajar por Hong Kong, Dubai, Istambul, Xangai, etc., o que representa uma longa viagem de ida, tendo de mudar de aeroporto ou esperar por voos de ligação, o que torna o tráfego aéreo consideravelmente inconveniente e não favorece a promoção da normalização das actividades comerciais e empresariais sino-portuguesas, nem a atracção de mais turistas internacionais para Macau”, justificou. Abrir os cordões Apesar da sugestão, Ip Sio Kai reconheceu que “este tipo de rotas de longa distância tem custos operacionais elevados e desafios como o longo período de desenvolvimento da clientela”. Como principais custos apontou o preço do combustível, os salários do pessoal de voo e de manutenção, a manutenção do avião, a despesas de descolagem e aterragem no aeroporto ou as tarifas de utilização da rota. Dado que os custos e a dificuldade inicial de rentabilidade tendem a afastar os interessados da exploração das ligações directas, o deputado considera que o Executivo pode assumir parte dos custos. “O Governo deve estudar a criação de um subsídio específico para apoiar os elevados custos da exploração inicial das rotas aéreas, por exemplo, as despesas com os direitos de tráfego, as tarifas do aeroporto, bem como os custos do pessoal e do combustível, atribuindo subsídios financeiros faseados”, sugeriu. Esses subsídios podem ser atribuídos através de um montante fixo de acordo com o número de voos ou, mais flexível, através da redução gradual e faseada de um montante inicialmente atribuído consoante o número de anos de exploração das rotas, a fim de ajudar as companhias aéreas a reduzir os riscos iniciais e promover a entrada em funcionamento dessas rotas”, acrescentou. Ip pediu também que se negoceie com as autoridades de Portugal com vista a tentar reduzir parte dos custos de voar para a Europa, em aspectos como as tarifas cobradas no aeroporto.
IPOR ajuda Club Lusitano a elevar qualidade do ensino do português Hoje Macau - 14 Jul 2025 Os cursos de língua portuguesa oferecidos pelo Club Lusitano de Hong Kong vão ter orientação do Instituto Português do Oriente (IPOR), graças a um acordo assinado em Macau, disseram as duas instituições à Lusa. O Club Lusitano de Hong Kong, com cerca de 400 membros, tem disponíveis cursos de português há cerca de cinco anos, mas a iniciativa “não é oficial”, indicou à Lusa o presidente a instituição, Patrick Rozario, que quer agora levar mais qualidade à oferta da instituição. Nesse sentido, Club Lusitano e IPOR assinaram, na quinta-feira, em Macau, um acordo que, entre outros propósitos, quer reforçar a colaboração no ensino e aprendizagem de português. “No futuro, as aulas de português que oferecemos no Club estarão sob a orientação e aprovação do IPOR. Continuaremos a fazer o que temos feito, mas o IPOR vai ajudar-nos com o material e programa”, reforçou o presidente da maior instituição da comunidade lusodescendente de Hong Kong, fundada em 1866. Rozario espera também no futuro disponibilizar os cursos para não-membros. Para já, especifica, “membros e amigos” – incluindo ‘vistos gold’ – têm recorrido ao programa linguístico. “Parece que temos cada vez mais pessoas interessadas em frequentar aulas de português”, disse o lusodescendente, notando que, nos últimos “quatro, cinco anos”, passaram por ali entre 30 a 40 alunos. Lançar âncora Sobre como esta parceria vai funcionar, a directora do IPOR explicou à Lusa que os cursos serão organizados pelo IPOR – incluindo programas e metodologia de ensino – e os formadores orientados pela instituição. “Quando se emitir um certificado das aprendizagens destes cursos, que são feitos no Club Lusitano, tem-se à partida a chancela do IPOR, e a chancela do IPOR oferece a qualidade”, adiantou. Ainda no que diz respeito ao protocolo assinado na quinta-feira, Patrícia Ribeiro falou na intenção de “estreitar a colaboração na área cultural e realização de eventos” em Hong Kong. “Somos convidados a participar em feiras ou festivais (…) Como o consulado [de Portugal em Macau e Hong Kong] não tem um gabinete [em Hong Kong], mas apenas uma pessoa – e não é todos os dias -, o Club Lusitano será um apoio para podermos desenvolver estas actividades e promover a língua e a cultura portuguesa”, notou.
Totourgências André Namora - 14 Jul 2025 Antes, tínhamos o Totobola e o Totoloto. Agora, temos o Totourgências. Nada mais, nada menos, que o caos nas urgências dos hospitais do país. Há sempre mais que uma urgência encerrada. Aos fins de semana o povinho fica doido, especialmente as mulheres grávidas. O escândalo está instalado quando ficamos chocados que uma grávida perdeu o filho porque andou de hospital em hospital a ver qual é que tinha a urgência de Obstetrícia aberta. No mínimo, em cada fim de semana estão seis urgência encerradas e já estiveram dez. Não há compreensão para que o ministério da Saúde gaste milhões de euros e não resolva um problema premente e de importância vital num país onde a natalidade só tem baixado. As mulheres grávidas deviam ser as únicas cidadãs que não deveriam ter uma urgência sequer encerrada. Chega-se ao ponto de muitas grávidas terem o parto no interior das ambulâncias, porque o Totourgências é andar de hospital em hospital a ver qual é que lhe cai em sorte de modo a aparecer um com a urgência obstétrica aberta. O aumento é notável devido ao encerramento de serviços de urgência obstétrica e de Pediatria em vários hospitais. Em alguns casos, grávidas são transportadas para hospitais mais distantes devido a essas indisponibilidades, e o parto ocorre durante o transporte. No último ano, cerca de meia centena de bebés nasceram em ambulâncias. E por falarmos em ambulâncias, estamos perante outro grave problema porque um grande número de ambulâncias está num estado de risco elevado de acidente. Há ambulâncias sem revisão e manutenção, com pneus a pedirem substituição e com os motoristas a protestar junto dos responsáveis do INEM que não é mais possível conduzir ambulâncias em tão mau estado de conservação. Mais uma vez, a tutela faz ouvidos de mercador e a propaganda governamental só sabe anunciar que está a gastar muito mais dinheiro na Saúde. Em quê? Em dermatologistas que ganham num dia 50 mil euros? Em gestores que são demitidos por suspeita de corrupção na aquisição de material hospitalar? Em salários miseráveis a bons médicos cirurgiões que acabam por se transferirem para o privado?… Os milhões desaparecem e o socorro aos cidadãos está cada vez pior. Continuam a decorrer inquéritos às mortes de pessoas sem socorro durante uma greve do INEM. Quando na nossa opinião, INEM, médicos e enfermeiros nunca poderiam fazer greve. Há dias, em Bragança, uma mulher de 69 anos morreu por alegada falha no socorro do INEM, depois de ter sofrido um AVC. A doente demorou mais de duas horas a dar entrada no hospital, por não haver ambulâncias disponíveis em Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, tendo a paciente vindo a morrer. Ainda na passada quinta-feira, uma grávida esperou 40 minutos por socorro do INEM, quando a grávida era levada para o hospital o bebé nasceu na ambulância, mas viria a morrer. Os casos sucedem-se e a ministra da Saúde não se demite e foi reconduzida no novo governo por Luís Montenegro. Isto, quando o último caso escandaloso de falta de socorro tem a ver com a falta de helicópteros ao serviço do INEM. Um concurso público anunciado o ano passado ainda não levou à compra de qualquer aeronave. Actualmente, está apenas um heli do INEM operacional no país, algo inacreditável. E o que fez a ministra? Combinou com o seu colega da Defesa que houvesse um acordo com a Força Aérea a fim de que os helicópteros militares pudessem transportar os doentes. Em princípio podia ser uma solução provisória. Só que, reina a incompetência e a falta de conhecimento da realidade. Um helicóptero militar levantou voo, socorreu um doente e dirigiu-se ao hospital mais próximo, ali chegado não aterrou porque o heliporto era de pequenas dimensões, edificado para os pequenos helicópteros que o INEM possuía. O heli militar seguiu para outro hospital e a cena repetiu-se até que aterrou em local próximo de um hospital e uma ambulância transportou o doente. Imaginem quanto tempo se perdeu com toda esta manobra e deixando-se de poder contar com os helis da Força Aérea. E isto, não é vergonhoso? Não é motivo para a demissão da ministra? Para terem uma ideia do Totourgências, no passado fim de semana, sete urgências estiveram encerradas no sábado e oito no domingo, sendo uma de Pediatria e as restantes de Ginecologia e Obstetrícia, indicou o Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS). As urgências de Obstetrícia e Ginecologia dos hospitais do Barreiro, Setúbal, Vila Franca de Xira, Santarém, Aveiro e Leiria estiveram encerradas no sábado e domingo, enquanto as do Hospital de Abrantes fecharam no domingo. Nos hospitais de Amadora-Sintra, Loures, São Francisco Xavier-Lisboa e Braga encerraram as urgências das especialidades referidas durante a noite ao fim de semana. Com este panorama nacional, a preocupação governamental continua a ser a venda da TAP, o aeroporto de Alcochete e o TGV para Espanha. Já não há cu que aguente… P. S. – O semanário ‘Expresso’ publicou em manchete na sua edição de sábado passado, precisamente o que o ‘Hoje Macau’ anunciou aqui há duas semanas, que militares no activo deram instrução a um grupo neonazi com o fim de acções muito violentas e terroristas no país.
Nova edição da Bienal de Macau arranca sábado Hoje Macau - 14 Jul 2025 É já no sábado, 19, que começa mais uma edição da Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau, que tem como tema “Olá, o que fazes aqui?”. No primeiro dia, a exposição principal da Bienal será inaugurada no Museu de Arte de Macau (MAM), e inclui trabalhos de 46 artistas oriundos de 13 países e regiões, apresentando-se ao público cerca de 80 obras ou conjuntos. Nesta mostra, que está patente até ao dia 19 de Outubro deste ano, o público é “convidado a reflectir sobre a história e memória ‘local’ de Macau”, bem como as “complexidades da situação global e a explorar a natureza da vida em profundidade”. Participam artistas como Xu Bing, Bart Hess, Zhang Peili, Chan Hung-Lu e Kimsooja. Também no sábado, decorre, às 15h, uma palestra moderada pelo curador da Bienal, Feng Boyi, que estará a dialogar com os co-curadores Liu Gang e Wu Wei, juntamente com os artistas Song Dong e Xue Feng. Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), estas personalidades vão aproveitar a Bienal de Macau como “caso de estudo”, analisando na sessão “os temas de exposição, conceitos, os detalhes de implementação, as discrepâncias resultantes e os resultados, explorando o estado actual, as questões e os dilemas que a curadoria enfrenta actualmente, assim como o pensamento, as estratégias e soluções envolvidas”. Destaque para o facto de esta palestra decorrer em mandarim e ter tradução apenas para inglês. Explorar alienígenas Ainda no sábado, decorrem duas sessões de um workshop protagonizado pelo artista Chan Hung-Lu. Este evento tem como tema “Exploração de alienígenas interiores”, recorrendo-se às obras expostas e orientação dos participantes para que estes possam “visualizar mentalmente outros alienígenas através do telemóvel e reflectir sobre as origens e diferenças através de práticas de meditação e tecnologia de geração de imagens por Inteligência Artificial”. Este workshop será ministrado em mandarim. A Bienal de Macau divide-se em seis secções, nomeadamente a Exposição Principal, a Exposição de Arte Pública, o Pavilhão da Cidade, a Exposição Especial, o Projecto de Curadoria Local e a Exposição Colateral, com cerca de 30 exposições realizadas entre Julho e Outubro deste ano.
Doca dos Pescadores | Festival de Gastronomia até ao próximo domingo Hoje Macau - 14 Jul 2025 Os curiosos sobre comidas diferentes das dos seus países de origem têm a oportunidade de, até domingo, descobrir a gastronomia do Interior da China, países como Tailândia, Turquia ou mesmo Arábia Saudita, e até o Brasil. Todos os sabores vão dar à Doca dos Pescadores que acolhe a Festa Internacional das Cidades da Gastronomia Arrancou na sexta-feira a Festa Internacional das Cidades da Gastronomia que, até domingo, 20, deambula entre a Praça do Coliseu Romano e Legend Boulevard da Doca dos Pescadores. Além das palestras que decorrem hoje com chefs de renome, o público poderá provar comidas de várias regiões e países, com destaque para a gastronomia do Interior da China, de zonas como Chengdu, Shunde, Yangzhou, Huai’an e Chaozhou. Importa lembrar também a presença de dez bancas que representam cinco cidades de outros países (Phuket, Tailândia; Hatay, Turquia; Buraida, Arábia Saudita; Iloiloi, Filipinas; e Quermanxá, Irão) com “sabores exóticos”; bem como dez bancas que mostram aquilo que se come nas cidades brasileiras de Florianópolis, Belém, Paraty e Belo Horizonte. Todos estes pontos de atracção para experimentar novas iguarias estão na “Avenida de Gastronomia Internacional”, com mais de 100 bancas complementadas por várias zonas temáticas, como as áreas de café e bar e de jogos. Ao todo, estão representadas 15 Cidades Criativas de Gastronomia de todo o mundo, destacando-se 25 bancas só de cinco cidades do Interior da China. Macau marca presença com 54 bancas que oferecem pratos macaenses, ocidentais, locais e cantoneses, além de iguarias do Sudeste Asiático, grelhados, opções vegetarianas, sobremesas e bebidas, “reflectindo a diversidade e o pluralismo culinário da cidade”, destaca a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a entidade promotora do evento. A Avenida de Gastronomia Internacional estará aberta das 15h30 às 22h, de segunda a sexta-feira, e das 15h às 23h aos sábados e domingos. Há um total de cinco zonas de refeição com 1000 lugares. Nos espectáculos programados destacam-se danças folclóricas portuguesas, apresentações de bandas, saltos à corda artísticos e danças de rua, complementados por interacções com marionetas, magia e modelagem de balões por palhaços. Destaque ainda para o facto de este evento ter entrada gratuita, além de que a organização decidiu disponibilizar três linhas gratuitas de “shuttle bus” que ligam o Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, a Rua do Dr. Pedro José Lobo, o Parque Central da Taipa e seis grandes complexos turísticos no Cotai (Grand Lisboa Palace, Wynn Palace, MGM Cotai, Studio City, Venetian Macao e Galaxy Macau) ao recinto da festa. O serviço opera de segunda a sexta-feira, das 15h30 às 22h30, e aos sábados e domingos, das 15h00 às 23h30. Chefs em diálogo Para hoje, o cartaz da festa da gastronomia traz o “Fórum Internacional de Gastronomia, Macau”, que decorre entre as 9h e as 13h, no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores. Tendo como tema “O Sabor da Vida: Conexões Culinárias de Macau”, o fórum é realizado em parceria com o jornal de Hong Kong South China Morning Post. Segundo a DST, o evento “inclui dois discursos inaugurais e três painéis temáticos, com foco no papel essencial das especiarias e ervas aromáticas na gastronomia global”. Os discursos inaugurais serão apresentados pelo chef e fundador do restaurante das Filipinas Toyo Eatery, Jordy Navarra, e pelo chef do restaurante da Índia Masque Restaurant, Varun Totlani. Nas suas intervenções, os chefs convidados partilharão as suas perspectivas sobre o uso de especiarias e ervas aromáticas, estabelecendo o tom para as discussões que se seguirão ao longo do fórum. O fórum inclui três sessões de painéis temáticos com a participação de 15 personalidades de relevo na indústria da restauração. No primeiro painel, subordinado ao tema “História e legado das especiarias: Revista às origens da culinária de fusão”, será abordada a influência do comércio de especiarias na evolução do panorama cultural da Ásia. O segundo painel tem como tema “Sinfonia de sabores: Culinária de fusão na Macau moderna e no mundo”, e conta com a chef macaense Antonieta Fernandes Manhão; o chef executivo e co-fundador do restaurante italiano Estro em Hong Kong, Antimo Maria Merone; a presidente da academia dos prémios Asia’s 50 Best Restaurants e World’s 50 Best Restaurants (regiões de Hong Kong, Macau e Taiwan), Susan Jung; o director de operações culinárias da City of Dreams, Jack Siew; e o chef consultor do MGM e chef-proprietário do Dooreyoo em Seul, Tony Yoo. O terceiro painel intitula-se “Especiarias como ponte: Celebração da fusão cultural e de comunidades”, sendo que “a discussão centrar-se-á na capacidade das especiarias em unir diferentes comunidades em Macau”.
Suriname | Xi Jinping felicita presidente eleita Hoje Macau - 14 Jul 2025 O Presidente chinês, Xi Jinping, felicitou ontem Jennifer Geerlings-Simons pela sua eleição como Presidente do Suriname, que considerou como um “parceiro estratégico de cooperação da China na região do Caribe”. Na sua mensagem de felicitações, citada pela agência oficial chinesa Xinhua, Xi Jinping assinalou que os dois países têm vivido “um crescimento sólido e constante, com uma cooperação prática e frutífera em diversas áreas e uma estreita coordenação em assuntos multilaterais” desde o estabelecimento das relações diplomáticas, há 49 anos. O chefe de Estado chinês sublinhou a “grande importância” que atribuiu ao desenvolvimento das relações bilaterais entre China e Suriname e, segundo a Efe, mostrou-se disponível para trabalhar com Geerlings-Simons. O trabalho com a Presidente eleita do Suriname pretende “aprofundar a cooperação amigável e mutuamente benéfica, bem como impulsionar a parceria estratégica bilateral de cooperação”, registou. Jennifer Geerlings-Simons foi eleita Presidente do Suriname no passado fim de semana, tornando-se, aos 71 anos, na primeira mulher a liderar este país sul-americano, num sufrágio em que era a única candidata ao cargo. Geerlings-Simons foi eleita pelo parlamento, depois de o Partido Nacional Democrático (PND), ao qual pertence, se ter aliado a cinco pequenos partidos para conseguir os dois terços de votos necessários para aceder à Presidência do Suriname. A investidura de Geerlings-Simons para um mandato de cinco anos à frente do país com cerca de 600.000 habitantes está prevista para 16 de Julho. O Suriname, uma antiga colónia neerlandesa fustigada por rebeliões e golpes de Estado desde que se tornou independente em 1975, dispõe de importantes reservas petrolíferas descobertas recentemente.
Aviação | Pequim defende como legítima aproximação de caça chinês a avião japonês Hoje Macau - 14 Jul 2025 O Governo da China defendeu ontem a aproximação de um caça chinês a uma aeronave militar japonesa em águas internacionais, no mar da Leste da China, garantindo que a manobra foi “legítima, razoável [e] profissional”. O incidente ocorreu na quarta-feira, quando um caça-bombardeiro chinês JH-7 se aproximou de uma aeronave de inteligência electrónica japonesa YS-11EB a uma distância considerada insegura pelas autoridades japonesas, que apresentaram um protesto formal a Pequim sobre a manobra. O porta-voz do Ministério da Defesa chinês, coronel Jiang Bin, afirmou que as aeronaves de reconhecimento japonesas entraram na Zona de Identificação de Defesa Aérea do mar do leste da China em “múltiplas ocasiões” para realizar “reconhecimento de aproximação”. Esta zona aérea – que inclui as ilhas Diaoyu, administradas por Tóquio, mas reivindicadas por Pequim – foi anunciada unilateralmente pela China em 2013 e não é reconhecida pelos vizinhos Japão e Coreia do Sul. “As aeronaves militares chinesas, em conformidade com a lei, realizaram verificações de identificação, rastreio e vigilância, e todas as acções correspondentes foram completamente legítimas, razoáveis, profissionais e em conformidade com os regulamentos”, afirmou Jiang Bin. O porta-voz realçou que tais actividades de “aproximação e interferência” por parte de navios e aeronaves japonesas “são a causa raiz dos riscos para a segurança aérea e marítima entre a China e o Japão”. “Esperamos que o lado japonês avance na mesma direcção que a China e crie um ambiente favorável ao desenvolvimento estável das relações bilaterais”, disse Jiang, em declarações citadas pela televisão estatal chinesa CCTV.
Austrália | PM encontra-se com Xi em nova aproximação a Pequim Hoje Macau - 14 Jul 2025 O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, anunciou sexta-feira que vai reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, durante a visita à China, centrada no reforço das relações económicas bilaterais. Albanese partiu no sábado para uma digressão que inclui passagens pela capital, Pequim, o principal centro financeiro, Xangai, e Chengdu (capital da província de Sichuan, no sudoeste). O programa da visita inclui encontros com Xi, o primeiro-ministro, Li Qiang, e o presidente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. Segundo o gabinete do chefe do Governo australiano, Albanese vai reunir-se com representantes dos sectores empresarial, turístico e desportivo em Xangai e Chengdu. Em Pequim, liderará uma delegação empresarial e participará numa mesa-redonda com presidentes executivos, amanhã. “Em áreas como a energia verde, por exemplo, há uma real possibilidade de aprofundar a cooperação”, disse Albanese, aos jornalistas, em Sydney, no sudeste do país. “Cooperamos sempre que possível e discordamos quando necessário, mantendo conversas francas sobre os temas em que temos divergências”, acrescentou. Esta será a segunda visita de Albanese à China desde que o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, chegou ao poder, em 2022. O partido conseguiu uma maioria reforçada nas eleições de Maio.
Yangtsé | Desmanteladas 300 barragens para restaurar ecossistema Hoje Macau - 14 Jul 2025 A iniciativa de devolver ao rio Yangtsé um ecossistema saudável visa proteger espécies em vias de extinção como o esturjão que voltou a ter comportamentos reprodutivos naturais A China desmantelou 300 barragens e encerrou a maioria das centrais hidroeléctricas no Chishui – um importante afluente do rio Yangtsé – para proteger espécies de peixes ameaçadas e restaurar o ecossistema, informou sexta-feira a imprensa oficial. De acordo com a agência noticiosa oficial Xinhua, até Dezembro foram removidas 300 das 357 barragens existentes no Chishui, também conhecido como rio Vermelho. Além disso, foram desactivadas 342 das 373 pequenas centrais hidroeléctricas, permitindo que várias espécies raras de peixes retomassem os ciclos naturais de reprodução. Com mais de 400 quilómetros de extensão, o Chishui atravessa as províncias de Yunnan, Guizhou e Sichuan, no sudoeste da China, sendo considerado pelos ecologistas como um dos últimos refúgios para espécies raras e endémicas da bacia superior do Yangtsé. Nas últimas décadas, a construção intensiva de barragens e centrais hidroeléctricas restringiu o fluxo de água a jusante e, em alguns trechos, provocou o completo esgotamento do caudal, segundo a Xinhua. Uma situação que destruiu habitats naturais e zonas de desova, além de bloquear as rotas migratórias de diversas espécies piscícolas. Zhou Jianjun, professor de engenharia hidráulica na Universidade Tsinghua, explicou que o encerramento das centrais não implica necessariamente a demolição física das infraestruturas. “O mais importante é que, após cessarem a produção de electricidade, se possa alterar o modo de gestão da água para satisfazer as necessidades ecológicas”, afirmou, citado pela Xinhua. Ganhar vida A agência acrescentou que, desde o início dos trabalhos de reabilitação ecológica, em 2020, espécies como o esturjão do Yangtsé recuperaram o habitat e vitalidade. Esta espécie, declarada extinta na natureza pela União Internacional para a Conservação da Natureza em 2022, foi afectada pela construção de barragens e pelo desenvolvimento da navegação fluvial desde a década de 1970. No entanto, investigadores do Instituto de Hidrobiologia da Academia Chinesa de Ciências, liderados por Liu Fei, registaram sinais encorajadores de recuperação. Segundo a Xinhua, duas levas de esturjões do Yangtsé foram libertadas no rio Vermelho em 2023 e 2024 e conseguiram adaptar-se com sucesso ao ambiente natural. Em Abril passado, os investigadores libertaram 20 esturjões adultos numa secção do rio em Guizhou, tendo registado comportamentos reprodutivos naturais e a eclosão de ovos. “Este feito demonstra que o actual ambiente ecológico do rio Vermelho é agora adequado para o habitat e reprodução do esturjão do Yangtsé”, afirmou Liu Fei. Os dados mais recentes do instituto revelam um aumento significativo da biodiversidade aquática no Chishui, com maior diversidade de espécies de peixes detectadas em várias secções do rio. Medidas de protecção Desde 2020, a China implementou uma série de medidas para proteger o Yangtsé, incluindo uma moratória de dez anos à pesca e a regulamentação de centrais hidroeléctricas. No final de 2021, a província de Sichuan concluiu a reestruturação de 5.131 pequenas centrais, encerrando 1.223, segundo um relatório oficial, citado pela Xinhua. As autoridades locais proibiram ainda a extração de areia nos cursos de água, numa tentativa de preservar os habitats aquáticos. Num comunicado divulgado em Agosto, o Governo chinês indicou que a biodiversidade aquática melhorou de forma constante desde a adopção destas medidas, com destaque para a recuperação de peixes, invertebrados e anfíbios.
Como Gu Bing Iluminou a História da Pintura Hoje Macau - 14 Jul 2025 Michal Piotr Boym (Bu Migé, 1612-1659), o missionário jesuíta polaco, no seu infatigável labor de mostrar à Europa a língua, os costumes, a fauna e a flora que encontrava no Império do Meio, incluiu entre as inumeráveis revelações que acompanhavam o inédito mapa da Magna Cathay, cinco figuras desenhadas por um autor local e impressas em xilografias. Entre ela a flor mu furong, o hibiscus mutabilis, ou rosa da China, que possui a admirável capacidade de, a cada manhã apresentar uma cor branca ou rosada e no fim do dia, ao entardecer, revelar a cor vermelha como se fora um prémio outorgado à sua existência sob a luz solar. O autor dessas figuras, o pintor de Hangzhou Gu Bing, activo entre 1594 e 1603, realizara uma proeza notável e inédita na história da arte em qualquer lugar do mundo, ao juntar à enumeração dos nomes e biografias breves de pintores, poemas, comentários e ilustrações exemplares do seu estilo e modo de proceder. Reproduzidas em xilogravuras, no formato portátil de 26,9 x 41,9 cm, tinham o potencial de mostrar a um muito maior número de observadores uma arte até então reservada a um número limitado de pessoas. A esse conjunto de cento e seis pintores, apresentados de modo cronológico, desde o lendário Gu Kaizhi à corrente dinastia Ming, editado em 1603, deu-lhe o nome de Lidai minggong huapu, «Álbum de senhores famosos através de sucessivas dinastias». De notar a palavra huapu, «registo de figuras» já usada antes para designar um tratado, uma colecção, um guia ou um manual. E o mais raro uso da palavra laudatória e reverencial gong, «senhores», para referir os pintores. O álbum alcançaria grande divulgação, chegando até às ilhas do Japão onde foi particularmente acarinhado pelos pintores proíbidos de viajar ao estrangeiro. Conhecido também como Gushi Huapu, «Álbum de pinturas do mestre Gu», mesmo quando a figura do seu autor, que seguiu um percurso incomum, foi por vezes esquecida. Gu Bing ficara orfão desde muito cedo mas tivera a sorte de ter um avô que o quis poupar ao fastidioso trabalho de decorar os clássicos, imprescindível para se apresentar aos exames imperiais e em vez disso lhe deu a ver os mais excelentes exemplos de caligrafias e pinturas. E depois, ele mesmo se deslocou às mais veneradas montanhas e visitou ilustres literatos, acabando por fixar a sua morada numa cabana no sopé da montanha Wu, a sudeste do Lago do Oeste. Em 1599 aceitou, brevemente, uma posição na Cidade Proíbida no Wuying dian, o «Pavilhão do valor militar», na altura usado pelo imperador para se reunir com literatos como pintores ou poetas e onde terá tido oportunidade de observar reconhecidas obras da história da pintura. Que depois usou na sua obra, onde os traços esquemáticos na madeira jamais poderiam imitar a complexidade das pinturas mas seriam um precioso auxiliar da memória.
UNESCO | Governo garante que vai responder a preocupações Hoje Macau - 14 Jul 2025 Macau vai dar “seguimento às resoluções relevantes” da UNESCO. Em questão está a exigência de avaliação de impacto ambiental à construção do viaduto entre as zonas A e B dos Novos Aterros e informações sobre a Linha Leste do Metro Ligeiro. Especialistas salientam que o reconhecimento da UNESCO impulsionou o turismo cultural no território Amanhã, celebram-se os 20 anos da entrada do centro histórico de Macau na lista do património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO na sigla em inglês). Decorre até à próxima quinta-feira, em Paris, a 47.ª convenção do Comité do Património Mundial, onde a RAEM está representada pelo Instituto Cultural. No final da semana passada, durante a convenção da UNESCO, o comité emitiu uma resolução de acompanhamento ao estado da conservação patrimonial de Macau. Além de alguns elogios, a instituição internacional pede a avaliação de impacto ambiental abrangente em relação à construção do viaduto que irá ligar as zonas A e B dos Novos Aterros, em especial uma parte que poderá violar as restrições de altura em torno do Farol da Guia. A questão dos prédios por acabar na Calçada da Guia e a construção da Linha Leste do Metro Ligeiros foram também temas sobre os quais o Comité do Património Mundial pediu informações adicionais, apontando como prazo de entrega de toda a documentação o dia 1 de Dezembro de 2026, noticiou o Jornal Tribuna de Macau (JTM). Num comunicado divulgado na noite de sexta-feira, o Instituto Cultural indica que “dará seguimento às resoluções relevantes e submeterá ao Comité do Património Mundial da UNESCO os documentos relativos ao acompanhamento dos projectos relevantes para análise, de acordo com o mecanismo geral de comunicação existente no passado”. A entrega da documentação será feita através da Administração Estatal do Património Cultural da China. Sem dar cavaco O JTM indicou também que o comité da UNESCO realça os compromissos e esforços assumidos no Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico, com vista a implementar os pedidos anteriores da organização internacional. Porém, lamenta não ter sido ouvido, como fora solicitado, antes de ter entrado em vigor, no início de Junho do ano passado. No comunicado na sexta-feira, o IC não menciona o reparo do comité da UNESCO, mas que este congratulou as autoridades da RAEM pela entrada em vigor formal e a implementação do plano de salvaguarda e gestão e pelo trabalho de conservação, monitorização, interpretação e exposição do património de Macau. História e jogo Especialistas consideram que a classificação do centro histórico de Macau pela UNESCO impulsionou o turismo cultural no território, apoiando a diversificação de uma economia tradicionalmente dependente dos casinos, mas alertam para desafios na promoção do património. O templo de Na Tcha e as Ruínas de São Paulo encontram-se lado a lado no centro histórico de Macau. Logo pela manhã, famílias posam para a câmara, na parte inferior da emblemática escadaria de pedra das ruínas. “Gosto da calçada [portuguesa], é especial”, diz à Lusa Alina Wang, turista de Xangai. O filho, de oito anos, York Xiong, complementa: “Os edifícios são bonitos”. Nem todos na família, porém, conhecem a história por detrás do ‘ex-líbris’ de Macau, reduzido à fachada após incêndios. O patriarca, Li Zijian, ia jurar que tinha sido destruído durante a II Guerra Mundial. Ao lado, outra família, esta de Xi’an, associa a imagem das ruínas a um bombardeamento japonês na Grande Guerra. Há 20 anos, no dia 15 de Julho de 2005, o centro histórico de Macau, um conjunto de 22 monumentos que combina arquitectura portuguesa e chinesa, entrou para a lista do património mundial da UNESCO. Esse marco para o património da cidade, refere à Lusa a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), trouxe mais turistas a Macau, alterando o perfil do visitante, que deixou de cruzar a fronteira apenas para jogar. “Isto mudou a imagem de Macau de uma ‘cidade do jogo’ para um destino cultural, diferenciando-o na região Ásia-Pacífico”, sublinhou a DST. Um estudo aos visitantes conduzido pela DST este ano revela que 53,3 por cento dos turistas chegam ao território para visitar o património, ultrapassando aqueles que querem fazer compras (33,7 por cento) e os que estão mais interessados na gastronomia (18,5 por cento). Para Lei Ip Fei, historiador e ex-membro do conselho do Património Cultural de Macau, o estatuto UNESCO elevou o perfil global de Macau. “O jogo impulsionou a economia a curto prazo, a cultura deve impulsionar o crescimento a longo prazo”, disse à Lusa. Parque de diversões Mas se, por um lado, a inscrição do património veio ajudar a diversificar o perfil do turista, há que pensar naqueles que vivem na cidade diariamente, notou Ka Nok Lo, vice-presidente da Associação dos Embaixadores do Património de Macau. Em entrevista à Lusa, o responsável alertou para a necessidade de não transformar Macau “numa Disneylândia”, defendendo o equilíbrio entre turismo e as necessidades dos residentes. “Os museus devem servir a comunidade, assim como as bibliotecas, as livrarias, e não apenas os turistas”, considerou. Ka sublinhou, por outro lado, que ainda falta entregar aos visitantes a narrativa que une os vários locais distinguidos pela UNESCO. “Não há uma história que ligue estes monumentos”, disse. O Governo de Macau tem como um dos principais objectivos procurar a diversificação económica, com a finalidade de reduzir a sua dependência em relação à indústria do jogo através do desenvolvimento de novos sectores. Mas o apelo dos casinos é incontornável, como as famílias de Xangai e Xi’an deixaram em evidência. No dia seguinte ao passeio pela zona histórica de Macau, a visita à região iria continuar nas estâncias modernas do jogo concentradas no Cotai, realçando o duplo papel de Macau como destino de jogo e património cultural. Lusa / JL
WeChat | Burlão desfalca mulher em grupo de pais Hoje Macau - 14 Jul 2025 Na passada quinta-feira, a Polícia Judiciária recebeu uma denúncia de burla num grupo de WeChat que uma escola de Macau criou para manter pais e encarregados de educação em contacto com os professores. Um burlão, que se faz passar por um agente policial, desfalcou uma mulher num total de 480 mil renminbis. Na sequência deste caso, a Associação de Educação de Macau pediu às pessoas que gerem os grupos de conversação entre pais e docentes que denunciem situações anormais para manter a ordem e proteger os direitos de pais e estudantes. O vice-presidente da associação, Vong Kuoc Ieng, apontou ao jornal Ou Mun que os grupos de WeChat entre escolas e pais são cada vez mais comuns, principalmente para fazer notificações importantes das actividade das turmas. Porém, acrescentou que frequentemente nestes grupos os pais tentam vender produtos ou bilhetes para concertos, e pedir dinheiro emprestado.
Air Macau | Avião regressa à pista após levantar voo Hoje Macau - 14 Jul 2025 Um avião da Air Macau com destino a Tóquio regressou na quinta-feira ao território pouco depois de levantar voo, informou a Teledifusão de Macau, dando conta de versões diferentes apresentadas pela companhia aérea e a empresa gestora do aeroporto. “O voo NX862 de Macau para Tóquio foi atingido por um raio durante um voo”, disse, em resposta à Teledifusão de Macau (TDM), a Air Macau, notando que, para garantir a segurança da ligação aérea foi ordenado ao avião que “retornasse para inspecção de acordo com os procedimentos”. A justificação não coincide com a dada pela empresa gestora do aeroporto à emissora, que disse que se tratou de um “problema no motor” do aparelho que se dirigia ao aeroporto de Narita, em Tóquio, e que descolou às 09:40. Também nas redes sociais, esta foi a versão apresentada no primeiro relato sobre o sucedido. No grupo Macau Buses and Public Transport Enthusiastic (Entusiastas de Autocarros e Transportes Públicos de Macau) explica-se que, pouco depois de o avião da Air Macau levantar voo, quando se encontrava perto de Taichung, no centro de Taiwan, o aparelho teve de regressar a Macau, aterrando em segurança.
ICBC | Banqueiro desaparecido com vínculos a Ng Lap Seng João Santos Filipe e Nunu Wu - 14 Jul 2025 Jiang Yisheng foi presidente da representação de Macau do Banco Industrial e Comercial da China entre 2018 e 2023, altura em que a instituição foi distinguida com a Medalha de Mérito Industrial e Comercial. O banqueiro está a ser investigado por relações com o projecto de imobiliário Windsor Arch O ex-presidente da representação de Macau do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, em inglês), Jiang Yisheng, está a ser investigado pelas autoridades do Interior, encontrando-se em paradeiro incerto, devido a factos praticados em Macau e às ligações com o empresário Ng Lap Seng. A notícia foi adiantada na sexta-feira pelo jornal Caixin Global, uma publicação do Interior. Horas depois da informação, que inicialmente indicava que Jiang estava incontactável e desaparecido, a Comissão Central de Inspecção Disciplinar confirmou que Jiang Yisheng está ser investigado por “violação grave da disciplina e da lei”, um termo normalmente utilizado em investigações relacionadas com corrupção. Além da Comissão Central de Inspecção Disciplinar, a investigação envolve igualmente a Comissão de Supervisão Municipal de Zhuhai. Segundo o Caixi Global, a investigação que visa Jiang Yisheng prende-se com empréstimos imobiliários aprovados pelo ICBC de Macau, principalmente o projecto de luxo Windsor Arch, construído à frente do Jockey Club e no qual participaram vários empresários locais. Este foi um projecto desenvolvido por Ng Lag Seng, então presidente do Grupo Sun Kian Ip, e que também foi parte da investigação no âmbito do caso judicial que resultou no julgamento dos ex-directores das Obras Públicas, Jaime Carion e Li Canfeng. Também Ng Kei Nin, filho de Ng Lap Seng, um dos directores da empresa, foi implicado no caso. Ambos foram condenados em Macau ao cumprimento de penas de prisão. Malparado a crescer O Caixin Global indica que a investigação surge numa altura em que o ICBC Macau apresenta um aumento do crédito malparado, ou seja, dos empréstimos que foram aprovados a devedores que depois não têm capacidade para pagar as dívidas. O ICBC de Macau terá igualmente movido acções contra os bens de Ng Lap Seng e Ng Kei Nin devido a dinheiro emprestado ao grupo empresarial que não foi devolvido. Entre os bens que são alvo de arresto encontram-se cerca de 80 parques de estacionamento, 40 escritórios e depósitos bancários e acções na bolsa de valores avaliados em mais de 1,7 milhões de patacas. Jiang Yisheng, que foi presidente do ICBC de Macau entre 2018 e 2023, foi ainda visado por um processo disciplinar interno do banco, que começou no início de 2024, devido à aprovação de empréstimos, sem as garantias necessárias. Em 2019, durante a presidência de Jiang Yisheng o ICBC de Macau foi distinguido por Fernando Chui Sai On com a Medalha de Mérito Industrial e Comercial. Jiang Yisheng recebeu a distinção do então Chefe do Executivo. A par do Banco da China, Banco de Construção da China e do Banco Agrícola da China, o Banco Industrial e Comercial da China integra o grupo dos quatro grandes bancos do Interior, considerados como os principais do país. Além disso, o ICBC é um banco estatal.
DSAMA | Garantida qualidade do fornecimento de água Hoje Macau - 14 Jul 2025 A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) garante que “a qualidade da água fornecida em Macau cumpre os padrões”. A posição foi tomada em resposta ao jornal Macau Daily Times, na consequência das dúvidas sobre a qualidade de água da rede pública de Jiangmen. Nos últimos dias surgiram várias queixas no Interior devido ao facto de a água da torneira fornecida em Jiangmen surgir com uma cor amarela ou acastanhada. A questão foi explicada pelas autoridades locais com a adopção de novos procedimentos na desinfecção e tratamento das águas. As explicações não impediram que várias imagens circulassem online e nos meios de comunicação social oficiais. Em Macau, indica o Macau Daily Times, 90 por cento da água é proveniente da hidrovia de Xijiang Modaomen, localizada em Zhuhai. Contudo, estra hidrovia estende-se a uma secção de rio Ri, que passa através de Jiangmen. Sobre estes aspectos, a DSAMA assegurou que em conjunto com o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) controla a qualidade da água fornecida e que existe um mecanismo de segurança conjunto com o Interior, para os casos de emergência sobre a qualidade da água. Este mecanismo de alerta, explicaram as autoridades, funciona por classificação das emergências em diferentes graus, que exigem diferentes respostas.
Água | Pedida supervisão apertada após escândalos recentes Andreia Sofia Silva - 14 Jul 2025 Os quatro episódios de águas engarrafadas localmente que falharam os testes de qualidade e segurança levaram a deputada a pedir um maior controlo dos produtos em Macau e a pedir novas formas de testar as águas A deputada Song Pek Kei apela às autoridades para reforçarem as medidas de controlo de qualidade da água engarrafada no território. Foi desta forma que a legisladora ligada à comunidade de Fujian reagiu aos recentes episódios das águas engarrafadas localmente que não cumprem os padrões de qualidade nem de segurança. Na interpelação, a deputada escreveu esperar que as autoridades contribuam para assegurar a qualidade da água engarrafada em Macau e corrigir as falhas de inspecção existentes. E um dos problemas identificados pela deputada passa pela forma como o controlo da qualidade da água é feito: “Apesar de o Instituto para os Assuntos Municipais fazer regularmente inspecções aleatórias, a maioria destas inspecções é feita através das análises às amostras de água, pelo que a segurança da linha de produção e dos garrafões reciclados pelas águas não é controlada”, escreveu Song. Desde o início de Maio que as autoridades revelaram pelo menos quatro casos em que diferentes marcas de água engarrafadas e distribuídas em Macau não cumpriam os padrões e qualidade. As marcas visadas são a água Iceblue, da fábrica Oi Kou Pou, marca Ieong Iat Tat, da fábrica com o mesmo nome, a água O Sun, do Miram Grupo, e ainda a água NK, da Fábrica de Água Potável NK. Sobre estes casos, que foram detectados pelo IAM, Song Pek Kei reconheceu que foram tomadas medidas para lidar com as diferentes situações. Todavia, criticou a falta de um mecanismo mais abrangente de controlo de qualidade e segurança. Casos que se repetem A deputada ligada à comunidade de Fujian mostrou-se preocupada com o facto de terem sido identificados “tantos casos” num curto espaço de tempo, o que contribui para uma “preocupação social” face à água fornecida. Song Pek Kei escreve que outra das preocupações da população visa a água disponibilizada em espaços públicos, em que muitas vezes os garrafões não identificam o fornecedor da água, não apresentam os resultados dos testes mais recente à qualidade da água, nem a data recomendada do consumo da água. Além disso, Song pretende que o Governo passe a disponibilizar nos espaços públicos a data da última limpeza das máquinas que fornecem a água dos garrafões. Por esta razão, a legisladora espera que o Governo peça aos fornecedores de água para fixarem as etiquetas com informações nos garrafões de água. Além disso, a deputada pede que as máquinas sejam limpas e mantidas regularmente, principalmente nos espaços e serviços públicos, como escolas, hospitais e lares para idosos. Uma das águas visadas pelos problemas de qualidade viu ser suspensa a certificação M-Mark, um selo de qualidade da Administração. Sobre este aspecto, Song Pek Kei considerou que este tipo de certificação deve estar sempre dependente de testes de qualidade, para que os produtos em Macau possam desenvolver uma reputação mais forte.
Finanças | Contas públicas com prejuízo antes do reforço de apoios sociais Hoje Macau - 14 Jul 2025 As contas públicas apresentaram em Junho perdas de 289,4 milhões de patacas, um registo contrário à tendência verificada desde o início do ano. Entre Janeiro e Junho, a RAEM apresenta um excedente de 11,4 mil milhões de patacas As contas públicas mostram uma perda de 289,4 milhões de patacas em Junho, ainda antes de uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais. No entanto, quando é considerado o período entre Janeiro e Julho, os dados da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) mostram um excedente nas contas públicas de 11,4 mil milhões de patacas. Este valor representa uma queda de 2,5 por cento em comparação com o final de Maio, quando Macau tinha um excedente de 11,7 mil milhões de patacas. Ainda assim, o excedente da cidade entre Janeiro e Junho foi 40,3 por cento maior do que no mesmo período do ano passado e já é maior do que a previsão do Governo para todo o ano de 2025: 6,83 mil milhões de patacas. Macau fechou 2024 com um excedente de 15,8 mil milhões de patacas, mais do dobro do registado no ano anterior. A despesa pública de Macau caiu 8,2 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2024, para 41,4 mil milhões de patacas. A única razão para a queda foram os gastos em apoios e subsídios sociais, que diminuíram 17,7 por cento para 20,7 mil milhões de patacas. Mas a Assembleia Legislativa aprovou na quarta-feira uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até 3 anos, para elevar a mais baixa natalidade do mundo. Menor receitas A receita corrente de Macau também caiu 0,95 por cento na primeira metade do ano, para 52,3 mil milhões de patacas. A principal razão para a diminuição foi uma queda de 62,3 por cento, para 520 milhões de patacas, nos “rendimentos da propriedade”, rubrica que inclui a receita das concessões de terrenos. Pelo contrário, as receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 86,4 por cento do total – subiram 1 por cento, para 45,3 mil milhões de patacas. As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos. As receitas totais dos casinos de Macau atingiram 118,8 mil milhões de patacas na primeira metade do ano, mais 4,4 por cento do que no mesmo período de 2024. Em 15 de Abril, Sam Hou Fai admitiu recear um défice orçamental em 2025, devido à desaceleração nas receitas do jogo.
Jogo | Leona Lee acredita que dependência vai continuar Hoje Macau - 14 Jul 2025 A académica Leona Lee acredita que os grandes projectos do Governo não vão ser suficientes para inverter a dependência da economia face ao jogo. A opinião foi partilhada pela professora da Economia à Rádio Macau. “O que Governo está a tentar fazer é apenas aumentar o tamanho do bolo. Sabemos que o rendimento da actividade dos casinos está a aumentar, mas também há as outras coisas. Mas, concordo que se olharmos para a composição do PIB [Produto Interno Bruto], também temos a política 1 mais 4 há tantos anos, e em termos de cálculo do PIB, não devemos esperar uma mudança muito óbvia ou efectiva da composição do PIB”, afirmou Lee. Os projectos visam a construção do Bairro Turístico Internacional, a extensão do aeroporto, a aposta num centro de investigação e desenvolvimento e o alargamento da Universidade de Macau à Ilha da Montanha. A académica defendeu também que não é recomendável que o Governo queira intervir na composição do PIB, porque pode colocar em causa outras políticas, como a atracção de quadros qualificados do exterior, devido à necessidade de ajustar as fontes de receitas da Administração à futura realidade: “O Governo não tem de impor a sua própria visão sobre a estrutura das receitas. Porque o jogo tem uma taxa fixa. Assim, se as receitas do jogo forem elevadas, a tributação do Estado, a tributação do jogo, aumentará proporcionalmente”, explicou. “Mas se pensarmos nas outras fontes de receita do Governo, estas seriam os impostos sobre o rendimento, os impostos sobre as sociedades. Penso que se aumentarem esses impostos, isso vai contra a vontade de quererem atrair pessoas para investir em Macau”, acrescentou.
Transportes | Ron Lam quer nova avaliação de táxis especiais Hoje Macau - 14 Jul 2025 Com as licenças de táxis especiais atribuídas em 2017 e 2018 a terminarem em 2028, o deputado Ron Lam pretende que o Governo faça uma nova avaliação sobre se o modelo adoptado é o que melhor serve a população de Macau. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita do deputado. Os táxis especiais visam permitir a marcação de um veículo de transporte por telefone, ou através da central de táxis, e também servir pessoas que precisam de cuidados especiais de deslocação. Segundo Ron Lam, o Governo deve repensar o modelo e ponderar se haverá alternativas mais benéficas para a população. No caso de se concluir que a eliminação do sistema de licenças especiais é mais benéfica, Lam pretende que o Governo aponte alternativas. Sobre as queixas dos taxistas, o deputado aponta que os condutores queixam-se da obrigação de chegar a serviços marcados com uma antecedência mínimas de 30 minutos, medida imposta pela concessionária depois da divulgação do relatório do Comissariado da Auditoria. Antes disso, a antecedência mínima era de 10 minutos, o que permitia atender mais clientes. Além destas questões, Ron Lam aponta que as autoridades de Hong Kong vão aprovar legislação para permitir legalizar o transporte através das aplicações móveis. O deputado quer saber se há intenção em Macau de seguir o mesmo caminho e planos para avançar com uma consulta pública.
São Tomé e Príncipe | Relação com China é discreta, mas estratégica Hoje Macau - 14 Jul 2025 Celebraram-se no sábado 50 anos da independência de São Tomé e Príncipe. O futuro avança ao ritmo das relações diplomáticas com os outros países falantes de português. Para a académica Cátia Miriam Costa, o país africano e a China são parceiros estratégicos, apesar da descrição pautar as relações entre ambos A investigadora Cátia Miriam Costa considera que a relação entre São Tomé e Príncipe e a China mantém-se discreta, apesar de estar quase a celebrar uma década, com crescente interesse estratégico de Pequim na posição do arquipélago no Atlântico Sul. “Como nem um país nem outro fala muito sobre o assunto, acabamos por não perceber bem a profundidade da relação. Mas creio que não é ainda uma relação muito profunda”, observou à agência Lusa a investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. A posição geoestratégica do arquipélago, situado no Golfo da Guiné, alimenta, no entanto, o interesse de Pequim, nomeadamente no contexto da aposta chinesa na expansão de corredores logísticos e marítimos no Atlântico Sul. “São Tomé, se não é um porto muito importante em termos logísticos, é um porto relevante para controlo, por exemplo, de pirataria, de ameaças. Portanto, essa posição também de certeza que foi reflectida por Pequim”, explicou. O restabelecimento de laços formais em 2016, após duas décadas de reconhecimento de Taiwan por parte de São Tomé, foi uma decisão “pragmática” do país africano, e um trunfo para a diplomacia de Pequim, que manteve sempre “canais abertos”, mesmo durante o período de afastamento, explicou Cátia Miriam Costa. “A relação com a China é mais frutífera porque traz outras contrapartidas”, explicou a investigadora. “Também foi por essas contrapartidas, que [em 1997] São Tomé trocou a República Popular da China por Taiwan, porque nessa altura a República Popular da China era um país em desenvolvimento. Portanto, não tinha para oferecer aquilo que Taiwan tinha, que estava perfeitamente integrado no mercado internacional”, contou. Um volte-face Em Dezembro de 2016, São Tomé anunciou oficialmente o estabelecimento de relações com a República Popular da China, pondo fim ao reconhecimento de Taiwan. A decisão provocou o cancelamento imediato das bolsas de estudo oferecidas por Taiwan a estudantes são-tomenses, muitos dos quais acabaram por ser integrados nas restantes universidades chinesas. A China tornou-se rapidamente um dos principais parceiros de cooperação de São Tomé, com promessas de investimento e apoio em áreas como a educação, formação técnica, agricultura e infra-estruturas. A investigadora recordou que, mesmo antes de haver relações formais, Pequim nunca rompeu completamente com São Tomé, mantendo o país envolvido nas actividades do Fórum de Macau, ainda que apenas como observador, estratégia que considera “típica da diplomacia chinesa”. “A China não fecha totalmente as portas. Pode suspender relações, mas se for algo do interesse nacional, normalmente volta a ser renegociado”, afirmou. “Resultados limitados” Apesar disso, Cátia Miriam Costa reconheceu que os resultados concretos da cooperação ainda são limitados. “Há mais projectos no papel do que propriamente obras em curso”, apontou, atribuindo parte da responsabilidade à fraca capacidade institucional de São Tomé, que só recentemente começou a criar estruturas para atrair e negociar investimento externo. Entre os sectores com potencial para o aprofundamento da cooperação, a investigadora destacou as pescas, os recursos marinhos e, eventualmente, o cacau. Já a exploração petrolífera levanta “riscos elevados”, tanto pela complexidade técnica como pelas limitações ambientais. “A China tem interesse na região, mas não é por São Tomé ser um mercado atractivo – porque não é -, é, sim, pela sua localização, estabilidade e capacidade de integração num projecto regional mais amplo”, afirmou. A investigadora salientou ainda o investimento chinês no ensino da língua chinesa em São Tomé, que visa também “criar uma rede de pessoas com domínio da língua, familiarizadas com a cultura e potencialmente úteis para o futuro das relações bilaterais”. “A China mantém um interesse estratégico na relação, mesmo que não o expresse com grande visibilidade. E para um país como São Tomé, qualquer pequena ajuda pode ter um impacto significativo”, concluiu. Relatos de quatro são-tomenses que seguiram cursos na China Denise, Lucineidy, Reginaldo e Aithysa cresceram sob o signo de uma aliança com Taiwan, até que a vida e o trajecto académico acabaram redefinidos pela ruptura dos laços diplomáticos entre São Tomé e Taipé, em 2016. Denise Aragão Fortes ainda se lembra de apertar a mão a Tsai Ing-wen. Era Novembro de 2016, celebrava-se, com meses de atraso, o dia de África em Taiwan, e a responsável marcava presença na ocasião. É muito provável que nos bastidores se esboçasse já o fim da diplomacia entre Taiwan e São Tomé e Príncipe, mas para esta estudante de Relações Internacionais da Universidade de Ming Chuan, em Taoyuan, norte taiwanês, a notícia, que chegou um mês depois dessas celebrações, em 21 de Dezembro, foi uma surpresa. “Não havia rumores, nada”, recorda à agência Lusa Denise, hoje com 29 anos, a trabalhar em marketing e a viver em Almada, Portugal. Quando terminou o secundário, também os laços entre a ilha e a nação africana, acordados em 1997, tinham alcançado há pouco a maioridade. Havia “muita proximidade” entre as partes, com amizades taiwanesas no seio familiar. Normalidade abalada nesse Dezembro de 2016. A estudarem com uma bolsa concedida por Taipé, a Denise e a outros alunos são-tomenses em Taiwan foi dada a opção de aí prosseguirem os estudos, sem assistência financeira, ou serem transferidos para a China como bolseiros. Por se encontrar no final do percurso académico, Denise permaneceu em Taoyuan. A maioria, porém, mudou de geografia, de universidade e de vida. País “cheio de oportunidades” Lucineidy Almeida, hoje com 28, viu a chegada a Tianjin, norte da China, como “um novo recomeço” num “país cheio de oportunidades”. A frequentar o segundo ano de Biotecnologia em Taichung, esta natural de Santo António sentia alguma dificuldade em acompanhar a licenciatura em mandarim. Uma limitação que eventualmente ultrapassaria, avalia hoje, mas, na China, teve a possibilidade de estudar em inglês Ciências Farmacêuticas. Diz que soube da ruptura diplomática através das redes sociais e, à semelhança de todos os estudantes que falaram à Lusa, deixou críticas à condução do processo, com “muitas incertezas”, informações dadas “em cima da hora”, “um sentimento de desrespeito”, e, pelo meio, a suspensão das bolsas. Dois meses após o anúncio, aterrou em Hong Kong, onde tratou do visto, embora ainda sem saber qual o destino final. Só à chegada a Pequim foi-lhe dito que ia para Tianjin, recorda Lucineidy, a viver hoje também em Portugal, no Cacém, e a trabalhar como intérprete de inglês e português na área médica. Sobre a interrupção diplomática, nota que “pelo que se percebeu na altura”, tratou-se de “uma questão monetária”: “No sentido em que a China ofereceu mais [a São Tomé] do que Taiwan na altura poderia proporcionar”. O primeiro-ministro são-tomense de então, Patrice Trovoada, considerou a ruptura unilateral das relações como “a mais acertada”, tendo em conta a visão das autoridades para o desenvolvimento do país. “Decidimos o princípio de aderir a uma só China e ao aderir implica o corte das relações com Taiwan. O cenário internacional, há 20 anos, não é o mesmo de hoje”, acrescentou. Mas a nova ordem política não demoveu os estudantes de avançarem na carreira académica. Aithysa Ramos, 32 anos, ainda hoje está em Pequim, onde, após deixar Taiwan, concluiu o mestrado em Gestão de Empresas. Se naquela manhã de 2016, a história não tivesse tomado este rumo, provavelmente teria ficado em Taiwan, onde já vivia há sete anos. Na altura, lembra agora a professora de inglês do ensino infantil, ficou “devastada e revoltada”: “Era como se fosse a minha segunda casa, passei aí [parte da] minha adolescência, fases de crescimento”. Reginaldo encontrava-se no segundo ano de Gestão de Empresas, na Universidade de Yuan Ze, em Taoyuan, quando ficou ao corrente das notícias. Percebeu que “não tinha poder” para alterar o curso da história. O choque inicial, assume hoje, foi mesmo o frio. Apesar de admitir ter “sido um processo sempre de dúvidas”, a China, para onde se mudou dois meses após o corte de relações, “foi uma surpresa para melhor”. “Pelo facto de ainda estar aqui, de não ter voltado, posso dizer que sim, foi a melhor coisa que aconteceu”, diz.