Corrida da Grande Baía apurou mais pilotos para o GP

As corridas de apuramento para a Taça GT – Corrida da Grande Baía, integrada na 72.ª edição do Grande Prémio de Macau, terminaram com uma jornada dupla no Festival da Velocidade de Pingtan, no último fim de semana de Junho. Das vinte e oito vagas atribuídas pelas duas primeiras provas da SRO GT Cup, apenas um piloto de Macau conseguiu uma entrada directa no grande evento desportivo de Novembro.

Após o sucesso das duas corridas disputadas no âmbito do Grande Prémio da China de Fórmula 1, ambas as corridas de 30 minutos do campeonato chinês de GT4 contaram com um total de 21 participantes, no evento realizado no Circuito Internacional da Cidade do Lago Ruyi, em Pingtan. Esta pitoresca pista, localizada na província de Fujian, substituiu o Circuito Internacional de Zhuhai, inicialmente incluído no calendário provisório divulgado em Janeiro, mas que acabou por não confirmar a realização do seu evento.

No traçado semiurbano de Pingtan, o piloto chinês Han Lichao venceu ambas as corridas ao volante do seu Toyota GR Supra GT4 EVO2. Em duas provas bastante animadas, Kevin Leong Ian Veng (BMW M4 GT4) foi o único piloto de Macau a pontuar, tendo alcançado um sexto e um oitavo lugar, respetivamente.

Apesar de apenas um piloto da RAEM ter garantido o apuramento direto, é possível que mais pilotos do território venham a alinhar na grelha de partida da Taça GT – Corrida da Grande Baía, integrada no Grande Prémio de Macau. Isto porque apenas 21 pilotos pontuaram nestas quatro corridas, o que significa que, mesmo que todos estes pilotos se inscrevam na prova do Circuito da Guia, ainda restarão sete vagas por preencher.

Para além de Kevin Leong, outros sete pilotos de Macau — Miguel Lei, Wong Cheng Tou, Fok Wai Ming, Lao Kim Hou, Ip Un Hou, Wong Wai Hong e Lei Kit Meng — participaram em pelo menos uma das duas provas de qualificação e poderão ser repescados para a prova local, caso a Subcomissão Desportiva da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau assim o entenda.

Entre os pilotos apurados estão alguns nomes conhecidos do automobilismo da região, como Darryl O’Young, duplo vencedor da Taça GT de Macau; Chen Weian, vencedor das 12 Horas de Sepang; Liu Kaishun, vice-campeão chinês de F4; Daniel Lu, ex-campeão da Taça Porsche Carrera Ásia; ou Luo Kailuo, vencedor da Taça GT – Corrida da Grande Baía no 70.º Grande Prémio de Macau.

Ainda não acabou

Nesta temporada de estreia, a SRO GT Cup ainda conta com mais duas provas pontuáveis, sendo a última, naturalmente, disputada no icónico Circuito da Guia. A competição, que conta com o apoio da Associação Geral Automóvel de Macau – China (AAMC), atingiu o seu ponto intermédio, e a luta pelo título está ao rubro. Antes da visita obrigatória a Macau, de 17 a 19 de outubro, os carros da categoria GT4 irão competir no primeiro evento realizado nas ruas de Yizhuang, em Pequim.

O Circuito Citadino de Pequim é um dos eventos automobilísticos mais aguardados da República Popular da China e representa uma excelente oportunidade para os pilotos de GT4 de Macau — e não só — se prepararem para o grande desafio que são as curvas e contracurvas do traçado do território.

Nexus

Uma obra colossal é esta de Yuval Noah Harari!

Juntar as peças de um pensamento tão refinado e urgente requer também alguma solidão e rotina diárias que pode colidir com a dispersão lançada nas camadas mais trepidantes de uma certa humanidade que se mexe demais e constrói pouquíssimo. Mais: que não correlaciona há muito, factos, diálogos e profecia, e vive na poeira dos dias com características desconexas face ao desígnio temporal. E para que serve, quem o liga e desliga, desvenda e conecta o que é evidentemente esta experiência que foca o abismo e sua magnitude? Alguns Noés que constroem as suas Arcas e levam todas as espécies na esperança que as águas baixem, as lágrimas cessem, o sangue não corra, e que podem bem ser versões avançadas da salvação.

O prólogo, aquele texto que é preciso descodificar, aparece-nos como um portal para outra dimensão nunca antes visto na versão entrelaçada entre reflexão, poema e ciência, uma grande coluna onde nos vamos mais tarde adentrar para não mais sair até ao último fôlego, e todos sabemos, embora ninguém o denuncie, o quão difícil é chegar ao fim de um livro com seiscentas páginas, porém a diagonal forma de leitura também pode ser considerada como agente positivo na ordem da avidez de muitos leitores, e quanto mais é feita, mais empilhados de livros se fica, e isso é uma atmosfera bonita, quanto muito, requer respeito. Hoje, nós temos no entanto de saber apanhar boleia da «Nuvem» uma certa consciência alada que condense até a uma manifestação outra todas as coisas que ansiamos saber. Da Idade da Pedra à Inteligência Artificial, todo um roteiro a que o autor acrescenta, História Breve das Redes de Informação.

São onze os capítulos: 1- O que é a informação? 2- Narrativas: Nexos Ilimitados, 3- Documentos: Os Tigres de Papel também Mordem, 4- Erros: A Fantasia da Infalibilidade, 5- Decisões: Uma História Breve da Democracia e do Totalitarismo, 6- Novos Membros: O Que Distingue os Computadores da Prensa de Gutenberg, 7- Implacável: A Rede Não Dorme, 8- Falível: A Rede Costuma Enganar-se, 9- Democracias: Ainda Somos Capazes de Conversar? 10- Totalitarismo: O Poder Total aos Algoritmos? 11 – A Cortina de Silício: Império Global ou Cisão Global?

Estamos num tempo de reversão onde os orçamentos para a defesa aumentam a grande velocidade, mas no início deste século a despesa mundial em saúde era mais alta do que a da defesa, tudo se precipitou para o grau máximo da narrativa dos perigos fabricados, e este irromper belicista chama os cidadãos a tirar conclusões sem o arrastão do delírio tremule das vozes ofensivas que pretendem ensimesmar os povos para um tempo ulterior às suas reais circunstâncias.

Compreendemos nitidamente que nada vai ser assim – explica exemplarmente o livro em causa – que sublinha ainda o golpe de Estado algorítmico. A nossa psicosfera já mudou drasticamente, e ela não é regressiva, o limbo envolvente não nos devolverá nenhum conceito perene acerca das nossas façanhas, nem a audácia de uma qualquer rebelião será ouvida nas superfícies vindouras. Uma estagnação intrépida é o ponto de partida para rasurar de vez o idealismo tormentoso das nossas civilizações, e ela está a acontecer.

Esta obra mostra o quanto estamos exauridos e é brilhante a correlacionar todos os factos onde o epílogo é tão exemplar como o prólogo. O nuclear parece-nos um sistema pesado, difícil de por em prática, porém, a leveza das redes transmissoras da Inteligência Artificial, derrotá-lo-á. Este nosso humano está em vias de colisão com alguma coisa até improvável nos seus sonhos mais visionários. Para que nos situemos, Nexus indica-nos alguns caminhos.

Direito | Lançado livro bilingue sobre a Constituição de 1982

Acaba de ser editado, em português e chinês, o livro “A Constituição de 1982 e a Iniciação do Caminho Constitucional do Socialismo com Características Chinesas”, da autoria de Wang Yu, membro da Comissão da Lei Básica de Macau do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da República Popular da China e professor da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. A edição está a cargo da “Hall de Cultura”, situada em Macau.

Segundo uma nota de imprensa, este livro “traça as três grandes fases e os sete períodos do desenvolvimento constitucional da China nos tempos modernos, analisando em profundidade as cinco relações fundamentais entre o povo e o Governo, entre os poderes e os direitos, centrais e locais, entre partidos políticos e o poder político, e entre o Estado e a sociedade”.

Citado pela mesma nota, Wang Yu referiu que a Constituição de 1982 marcou “o início do caminho constitucional do Socialismo com Caraterísticas Chinesas, sendo a garantia jurídica fundamental para a realização do renascimento da nação chinesa e a promoção da modernização ao estilo chinês”.

CUT | Cinema Experimental na Ilha Verde

Fechado durante vários anos, o Convento da Ilha Verde prepara-se agora para receber um dos seus primeiros eventos culturais: o Festival de Cinema Experimental de Macau, organizado pela Associação Audiovisual CUT. Entre 24 de Julho e 2 de Agosto, o público poderá ver cinema local e uma nova exibição do documentário “999”, de António Nuno Júnior

 

De um espaço abandonado e perdido na história, o Convento da Ilha Verde, antiga casa dos jesuítas em Macau, tornou-se agora um espaço de cultura, acolhendo a partir do dia 24 de Julho o seu primeiro evento: o Festival de Cinema Experimental de Macau, organizado pela Associação Audio-visual CUT. Haverá também exibições na Cinemateca Paixão.

A edição deste ano tem como tema “The Grass Is Always Greener On The Other Side” [A relva é sempre mais verde do outro lado], no sentido de descoberta de outras imagens nem sempre visíveis.

“O que queremos dizer quando dizemos que a relva é mais verde? Que verdades se escondem por trás desta imagem sedutora do outro lado? Com este foco temático, o festival deste ano apresenta oito programas com novas encomendas locais, exibições temáticas, cinema interactivo e apresentações ao vivo”, é descrito no cartaz. A organização convida, assim, o público a “desafiar a relação privilegiada entre o público e o ecrã, estimulando a reflexão sobre o papel das imagens em movimento, os mecanismos de produção de imagens e os seus diálogos com o mundo que nos rodeia”.

Destaque para três séries da secção “Made in Macao”, que este ano apresenta a comissão “Transparent Landscape Project”, em que quatro artistas e cineastas locais foram convidados a explorar “‘paisagens’ tangíveis e intangíveis através de experiências pessoais e pesquisas sobre a história local”, tratando-se de filmes que “questionam as dinâmicas de poder entre a câmara e a cidade, a presença e a ausência, o colonialismo e a transferência de soberania, o humano e o não humano”.

Nesta comissão, podem ver-se os filmes “Have You Still Remember Me?”, de Veronique Wong, que digitalizou as imagens da sua câmara Super 8 ao fim de 25 anos. Trata-se de um trabalho que “examina directamente a fase de transição da transferência de soberania a partir de um ponto de vista popular, relembrando a atmosfera fervorosa de vários eventos comemorativos na véspera do regresso de Macau”.

Segue-se “A Way To The End”, de Ao Ieong Mike; “Flor de Panchão”, de Kate Ao Ngan Wa, actualmente a residir na Polónia e que aborda também a questão da identidade de Macau. Na sinopse deste filme, lê-se a história de alguém que deixou Macau e tenta procurar a sua terra natal sem viajar para ela, “procurando vários artigos ‘Made in Macao’ através da Internet e de mercados de artigos em segunda mão, desencadeando uma busca por experiências de crescimento pessoal e suscitando reflexões sobre a identidade num contexto pós-colonial”.

Destaque também para o filme “Portal Below”, de Tang Chi Fai, centrado no encerramento do Canídromo. “O Canidrome Yat Yuen de Macau fechou e o som dos cães a ladrar desapareceu da noite para o dia. Centenas de galgos desapareceram sem deixar rasto, sem que se saiba o seu paradeiro, com excepção de um cão, chamado ‘New Spirit’, que ainda vagueia pela zona”, revela a sinopse do filme.

O regresso de 999

Na segunda série de “Made in Macau” dá-se o nome de “Made in Macao II – 999 Interactive Cinema” e traz de volta o documentário “999”, feito pelo realizador português António Nuno Júnior há 25 anos e que até já pode ser visto em plataformas de streaming como a Filmin.

Esta é a obra que mostra os momentos em que o realizador ia deixar Macau e voltar a Portugal, com a câmara a adoptar “uma perspectiva familiar, mas ao mesmo tempo desconhecida, do viajante, observando as ruas quotidianas de Macau e a grandiosidade das suas celebrações, captando as cenas das ruas das áreas vizinhas”.

“Este programa apresenta duas exibições: a primeira é um cinema interactivo, onde vários segmentos serão incorporados durante o processo de visualização, convidando o público a interagir com o ecrã através de imagens, texto e sons fornecidos no local. O realizador também se juntará ao público através de uma transmissão ao vivo para apreciar o filme em conjunto. A segunda exibição seguirá um formato tradicional, permitindo ao público assistir ao filme sem qualquer intervenção”, revela o cartaz.

Por sua vez, a terceira série de “Made in Macao” ganha o nome de “Made in Macao III – Urban Illusion”, em que haverá uma performance com o artista local Jason Fong, o grupo de música experimental Guia Experimental e o animador John Wong. Assim, “a antiga fachada do edifício, o espaço do jardim e o miradouro serão transformados num local experimental para os artistas, apresentando uma palestra performativa e uma mostra audiovisual para todos”.

Em foco

Este festival tem ainda como artistas em foco Deborah Stratman e Patrick Bokanowski, grandes nomes do cinema experimental e figurativo. Lao Keng U é o director e curador do festival.

A primeira sessão decorre no dia 24 de Julho na Cinemateca Paixão, tendo como filme de abertura, às 19h30, “Levianthan”, do grupo Sensory Ethnography Lab. Na sexta-feira, 25, é tempo de rumar ao convento para ver os filmes integrados na série “Made in Macao I – Transparent Landscape Project”, seguindo-se, no sábado, a exibição dos filmes da segunda série de “Made in Macao”, a partir das 20h; a série “New Vision I: Unearthing Memory”, a partir das 14; e depois a série “New Vision II: I’m a Cyborg, But That’s Ok?”, a partir das 16h.

Dia 27 de Julho, um domingo, as exibições começam às 14h no convento, com a segunda série de “Made in Macao”, seguindo-se os artistas em foco. A 1 de Agosto os filmes passam na Cinemateca Paixão, nomeadamente a série “Spotlight: de ‘Humani Corporis Fabrica'”, do grupo Sensory Ethnographic Lab. No dia 2 de Agosto o convento abre portas para o evento de encerramento, a partir das 19h30, com a série “Made in Macao III – Urban Illusion” e “Made in Macao I – Transparent Landscape Project”.

Ucrânia | Pequim pede respeito pelos direitos de dois cidadãos chineses detidos

O Governo chinês pediu ontem que “se respeitem os direitos e interesses” dos seus cidadãos, depois de as autoridades ucranianas terem informado da detenção de dois cidadãos chineses, um homem de 24 anos e o seu pai.

Os dois homens foram detidos por alegadamente tentarem transmitir à China documentação sobre os mísseis Neptuno das Forças Armadas da Ucrânia.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning declarou em conferência de imprensa que as autoridades chinesas ainda estão a “verificar as informações”, sem fornecer mais detalhes.

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) informou que os dois cidadãos “tentaram exportar ilegalmente para a China documentação secreta” relativa aos sistemas R-360 Neptuno, um míssil de cruzeiro antinavio fabricado pela empresa de armamento ucraniana Oficina de Design Estatal de Kiev, mais conhecida como “Luch”.

O homem de 24 anos foi estudante universitário até 2023, ano em que perdeu esse estatuto devido aos seus maus resultados académicos, o que não o impediu de continuar a viver em Kiev.

O seu pai foi detido nesta quarta-feira “no âmbito de uma investigação pré-julgamento”, informou a Procuradoria. O progenitor vivia na China, mas viajava regularmente para Kiev, cidade onde chegou na segunda-feira desta semana.

China está a construir 74 por cento de todos os projectos solares e eólicos em curso

Quase três quartos de todos os projectos de energia solar e eólica em construção no mundo estão na China, segundo um relatório ontem divulgado, que destaca a rápida expansão das fontes renováveis no país asiático.

A China está a construir 510 gigawatts (GW) de projectos solares e eólicos de grande escala, de um total de 689GW em todo o mundo, indicou a organização não-governamental norte-americana Global Energy Monitor (GEM), que monitoriza infraestruturas energéticas a nível global.

“A China está a liderar a expansão global de energias renováveis”, lê-se no relatório. O país asiático “continua a adicionar capacidade solar e eólica a um ritmo recorde”, vincou.

O crescimento das energias limpas no país é crucial para o combate às alterações climáticas, dado o papel dominante da China na produção industrial mundial. O país é responsável por cerca de um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa.

Segundo a GEM, a China deverá adicionar pelo menos 246,5GW de energia solar e 97,7GW de eólica apenas este ano. Até final de Março, o país já contava com 1,5 terawatts de capacidade instalada de energia solar e eólica.

No primeiro trimestre de 2025, estas fontes representaram 22,5 por cento do consumo total de eletricidade, de acordo com a Administração Nacional de Energia chinesa.

Apostas fortes

Embora continue a desenvolver novas centrais a carvão – tendo iniciado a construção do maior número de unidades da última década em 2024 –, a China tem apostado fortemente nas renováveis, tanto para reforçar a segurança energética como para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.

Segundo a GEM, cerca de 28GW da capacidade renovável em construção provêm da energia eólica ‘offshore’, que pode ajudar a descarbonizar centros industriais e megacidades nas regiões costeiras.

“Apesar de representar apenas uma fracção da capacidade total de energia eólica do país, a energia eólica ‘offshore’ está a ganhar força, à medida que as províncias costeiras estabelecem metas ambiciosas de descarbonização”, referiu o relatório.

A expansão da energia eléctrica também está a transformar o modelo energético do país. O aumento do uso de automóveis e comboios eléctricos significa que uma parcela crescente da energia consumida é fornecida por electricidade, levando alguns analistas a descrever a China como o primeiro ‘Estado electrificado’ do mundo.

Pequim deverá anunciar novos compromissos climáticos antes da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que decorrerá em Novembro em Belém, no Brasil.

Livre comércio | China e ASEAN preparam nova versão de acordo

O novo acordo de livre comércio entre países do Sudeste Asiático deverá estar concluído até ao final do ano

 

Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Sudeste Asiático manifestaram ontem, em Kuala Lumpur, a intenção de reforçar a cooperação económica com a China e modernizar o acordo de livre comércio com Pequim, assinado em 2010.

O encontro bilateral entre os chefes da diplomacia dos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, decorreu à margem do fórum regional da ASEAN, que conta também com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

“Através da actualização deste acordo, a ASEAN e a China vão fortalecer a sua cooperação económica e resiliência, durante este período difícil e no futuro”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Malásia, Mohamad Hasan, antes da reunião com Wang Yi, marcada pelo contexto da guerra comercial com os Estados Unidos. A nova versão do tratado, conhecida como “versão 3.0”, deverá ser concluída até ao final do ano.

O chefe da diplomacia da Malásia, país que detém este ano a presidência rotativa da ASEAN, sublinhou ainda que o bloco regional deve “manter-se vigilante perante ameaças a um sistema comercial aberto, justo e baseado em regras”, numa alusão indireta às taxas impostas por Washington.

Fundada em 1967, a ASEAN é composta por Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietname e Myanmar (antiga Birmânia).

Jogo das tarifas

Ao longo do dia, os ministros deverão também reunir-se com Marco Rubio, num momento em que os Estados Unidos anunciaram novos aumentos de tarifas para vários países do Sudeste Asiático.

As novas taxas, que entram em vigor a 01 de Agosto, aumentam as tarifas sobre produtos oriundos da Malásia (de 24 por cento para 25 por cento), Filipinas (de 17 por cento para 20 por cento) e Brunei (de 24 por cento para 25 por cento). Para a Indonésia (32 por cento) e Tailândia (36 por cento), os valores mantêm-se face ao anunciado em Abril.

Washington reduziu, por outro lado, as taxas sobre importações do Camboja (de 49 por cento para 36 por cento), Laos (de 48 por cento para 40 por cento) e Myanmar (de 44 por cento para 40 por cento).

Singapura mantém a taxa base de 10 por cento, enquanto o Vietname é o único país da região que chegou a um acordo com os Estados Unidos, beneficiando de uma redução para 20 por cento face aos 46 por cento inicialmente anunciados.

Droga | Homem detido por consumir metanfetaminas

Um homem com cerca de 30 anos foi detido pela Polícia Judiciária, e está indiciado pelos crimes de consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas e posse indevida de utensílio ou equipamento. O caso foi divulgado ontem pela PJ e o detido é um trabalhador não-residente da Indonésia empregado numa empresa de limpezas.

A situação foi descoberta depois de a PJ ter detido outro homem e uma mulher, no início do ano, que traficavam estupefacientes. A investigação mostrou que o detido mais recente era um dos clientes das outras duas pessoas. A detenção foi feita na passada terça-feira, na zona central da cidade.

Na casa do indivíduo foi encontrado um saco com metanfetaminas, numa dose reduzida, e ainda instrumentos para fumar. O teste à urina também apresentou um resultado positivo. Às autoridades o homem confessou ter por hábito drogar-se.

PJ | Croupier detida por ser cúmplice em burla

Uma croupier foi detida por burlar o casino onde trabalha em conjunto com dois jogadores do Interior da China.

O golpe causou perdas de 123 mil dólares de Hong Kong para o casino, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, que citou a informação da Polícia Judiciária (PJ). O caso foi descoberto depois da croupier ter sido denunciada por alegadamente permitir que os dois jogadores fizessem apostas depois do resultado ser conhecido, jogadas que renderam 6 mil dólares de Hong Kong aos apostadores.

A suspeita ajudou ainda um dos suspeitos a deixar uma aposta de 60 mil dólares de Hong Kong, em vez de recolher as fichas, originando um ganho de 120 mil dólares de Hong Kong na jogada seguinte. Os suspeitos foram detidos na quarta-feira e estavam em posse de 118 mil dólares de Hong Kong em fichas de jogo. Os suspeitos confessaram os factos, afirmando que o dinheiro das burlas ainda não tinha sido dividido. No entanto, a PJ acredita que havia, pelo menos, mais uma pessoa envolvida, que se encontra a monte.

Jogo | Detidos depois de serem apanhados a trocar dinheiro

Dois homens foram detidos depois de terem sido apanhados a fazer uma troca ilegal de dinheiro. O caso foi revelado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e citado pelo jornal Ou Mun. Os homens do Interior da China foram apanhados a trocar dinheiro por um agente, numa operação de rotina.

A troca envolveu uma quantia total de 213,9 mil dólares de Hong Kong e 400 patacas que se destinavam ao jogo, o que constitui um crime. Os dois suspeitos foram acusados pela prática de exploração de câmbio ilícito para jogo, que pode ser punido com pena até aos 5 anos de prisão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Jogo | Citigroup avisa que aumento de receitas terá pouco impacto nos lucros

O banco de investimento mostra grande confiança no mercado do jogo de Macau e afirma que merece maior reconhecimento dos investidores, dado que o “apetite” pelos casinos está longe de diminuir

 

Apesar das receitas brutas do jogo apresentarem um crescimento de 8 por cento no segundo trimestre do ano, o banco de investimento Citigroup estima que a repercussão nos resultados das concessionárias vai ser moderada. A posição foi deixada no relatório do banco de investimento, citado pelo portal GGR Asia, que, apesar da conclusão mostra muita confiança no futuro do jogo.

“As nossas estimativas apontam para que o crescimento de 8 por cento das receitas brutas do jogo no segundo trimestre se traduza no aumento de 3 por cento ao nível dos resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações [EBITDA, em inglês]”, consta no relatório assinado por George Choi e Timothy Chau. “Acreditamos que o menor crescimento do EBITDA do sector em relação ao GGR tem mais que ver com uma combinação ligeiramente desfavorável de receitas – uma vez que os concertos bem publicitados apelaram não só aos jogadores de massas premium, mas também directamente aos jogadores VIP”, foi acrescentado.

O Citigroup explica também que a combinação ligeiramente desfavorável de receitas se prende com o facto de os jogadores VIP que jogaram em Macau apostarem menos dinheiro dentro do segmento de mercado com maior poderio financeiro.

No segundo trimestre do ano, as receitas atingiram 61,115 mil milhões de patacas, mais 8 por cento face ao período homólogo, quando as receitas tinham sido de 56,427 mil milhões de patacas.

Sinal de confiança

Em relação aos grandes investimentos das concessionárias em concertos no Cotai, os analistas do Citigroup não consideram que estejam a desviar dinheiro dos ganhos. “Acreditamos que [o desfasamento entre receitas e ganhos] tem pouco a ver com as actividades promocionais entre as seis operadoras, que acreditamos permanecerem em grande parte estáveis”, escreveram.

Além disso, o banco de investimento traça um cenário positivo da indústria: “É encorajador ver o mercado do jogo de Macau gerar um crescimento positivo tanto das receias brutas do jogo como potencialmente do EBITDA”, foi destacado. “O ‘apetite’ dos jogadores manteve-se forte apesar das tensões geopolíticas e das incertezas económicas e, na nossa opinião, o sector do jogo de Macau merece mais crédito dos investidores”, foi acrescentado.

Os analistas destacaram ainda que o segundo trimestre do ano foi o que atingiu as maiores receitas, com uma média de 672 milhões de patacas por dia, desde o fim das políticas da covid-19, no início de 2023.

Cultura | Arrancam em Setembro cursos de formação

O Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) irá organizar, entre Setembro e Outubro deste ano, e em colaboração com a Universidade de Turismo de Macau (UTM), “cursos de formação em negócios nas áreas culturais e criativas”, sendo que as inscrições decorrem entre os dias 14 de Julho e 8 de Agosto.

O objectivo destas formações é “ajudar empresas e associações locais dos sectores culturais e criativos a adquirirem conhecimentos sobre o funcionamento empresarial, melhorando assim gradualmente o grau de profissionalismo e as capacidades práticas nas indústrias culturais”.

Estes cursos de formação foram criados em 2022, visando uma “articulação com as tendências de desenvolvimento dos sectores culturais e criativos”, existindo 30 vagas por curso, sendo que todos são financiados pelo FDC.

Nos dias 15 e 16 de Setembro, decorre o curso “Aprender competências de gestão com mestres da teoria”, seguindo-se “Gestão das Indústrias Culturais e Criativas” entre os dias 22 e 29 de Setembro. O curso “Psicologia do Turismo e Estratégias de Gestão do Turismo Individual” decorre entre os dias 2 e 4 de Setembro. O último curso, “Expansão das Empresas de Macau nos Mercados Internacionais” acontece de 14 a 16 de Outubro.

PME | Apontada maior aposta no comércio online

Face à quebra das vendas e ao mercado limitado da RAEM, a Associação de Transmissão ao Vivo de Macau defende que o comércio local deve apostar nas grandes plataformas online do Interior para expandir as receitas

 

A Associação de Transmissão ao Vivo de Macau defende que as Pequenas e Médias Empresas (PME) têm de apostar mais no comércio online dos seus produtos, para fazerem face à crise económica. A posição da associação liderada por Chui Kei Pui surge num artigo publicado ontem no jornal Ou Mun.

De acordo com os argumentos da associação, é um facto que a economia tanto em Macau como no Interior atravessa um período com uma forte pressão negativa. No entanto, no Interior, os números mostram que as vendas de retalho online continuam em expansão, com um aumento anual de 7 por cento.

Face aos números a Associação de Transmissão ao Vivo de Macau tomou posição para defender que o caminho para comércio de Macau tem de passar pelas vendas online, principalmente para o Interior. A associação argumentou que actualmente as plataformas, tal como Taobao, Tmall, Douyin (Tik Tok chinês), JD, Xiaohongshu (Little Red Book), Wechat Shop, têm cerca de 600 milhões de consumidores e que esse é um mercado a ser explorado.

Além disso, foi defendido que as PME têm de apostar mais nas plataformas online e nos portais, para contrariar a tendência actual. Na lógica da associação, as PME precisam de pensar mais no mercado do Interior, porque apesar de o território ser visitado por milhões de pessoas, o desenvolvimento do mercado do retalho “é limitado”, assim como a “capacidade” das lojas físicas, sendo imperativo procurar alternativas.

Eles estão online

A Associação de Transmissão ao Vivo de Macau defende ainda que as PME têm de pensar em promover-se melhor entre os consumidores das novas gerações, que fazem compras principalmente online.

Segundo a visão da associação, estes consumidores não conhecem as marcas e os produtos que não estão nas grandes plataformas de comércio online e não ligam às reputações e grandes marcas tradicionais. Por isso, a associação argumentou que quase todas as grandes empresas no Interior não tiveram outra alternativa senão começar a comercializar os seus produtos online.

Na tomada de posição, a Associação de Transmissão ao Vivo de Macau elogiou ainda o trabalho de algumas lojas locais, embora sem indicar nomes, que afirmou terem conseguido estabelecer-se no mercado do Interior com receitas anuais que ultrapassam 200 milhões de renminbis.

Por isso, a associação considerou que o desenvolvimento de comércio electrónico não se limita a apoiar na transformação digital, reforçar a concorrência nos mercados interior e exterior, mas também permite as empresas explorarem novos mercados e criar espaço para o desenvolvimento profissional dos jovens.

FSS | Retroactivos dos apoios sociais pagos este mês

O Fundo de Segurança Social (FSS) vai pagar este mês os retroactivos aos seus beneficiários relativos aos aumentos nos montantes dos apoios sociais atribuídos.

Os retroactivos vão até Janeiro deste ano, sendo que “a diferença referente à pensão para idosos e à pensão de invalidez” entre os meses de Janeiro e Junho deste ano, incluindo a diferença relativa à prestação extraordinária de Janeiro, vai ser paga conjuntamente com as pensões de Julho a Setembro a atribuir em meados deste mês, explicou o FSS.

Em relação aos restantes subsídios, são pagos este mês também, com o FSS a alertar para o facto de os valores da diferença das prestações variarem de caso para caso, sobretudo para o cálculo da pensão para idosos, cujo valor é diferente consoante aplicação do regime antigo ou regime novo, a idade para apresentação de requerimento bem como o número de meses de contribuições efectivamente realizadas”.

Estágios | Candidaturas terminam dia 17

As candidaturas ao Plano de Estágio para Criar Melhores Perspectivas de Trabalho, organizado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), terminam na próxima quinta-feira, 17 de Julho.

O objectivo do programa da DSAL inclui oportunidades de estágio em Macau e no Interior e tem como objectivo “proporcionar aos finalistas do ensino superior a oportunidade de três meses de experiência profissional, ajudando-os a elevar as suas capacidades de trabalho, a fim de reforçar a sua competitividade no emprego”.

O programa prevê um total de 850 vagas de estágio, das quais 808 em Macau e 42 no Interior, em nove ramos de actividade como o turismo, finanças, tecnologia, saúde, serviços sociais, comércio a retalho, construção civil, serviços públicos e aviação civil.

Os candidatos devem ser titulares de Bilhete de Identidade de Residente e ter obtido uma licenciatura, ou grau académico superior, depois de 2023. Durante este período, os estagiários “podem” receber mensalmente um subsídio de estágio atribuído pela empresa no valor de 8 mil patacas, ou de um valor em renminbis equivalente.

O prazo de candidatura começou a 18 de Junho, e os interessados podem candidatar-se através da Conta Única de Macau, na área deste programa, tendo de submeter online os formulários e os documentos exigidos. As informações sobre o programa no portal da DSAL apenas estão disponíveis em chinês.

Pagamentos | 70 a 80% das transacções são electrónicas

De todas as contas e compras pagas em restauração e comércio a retalho, entre 70 a 80 por cento são feitas através de aplicações de pagamento electrónico. Nos primeiros cinco meses de 2025, nos dois sectores de actividade, os pagamentos electrónicos totalizaram 31,75 mil milhões de patacas

 

Ler um código QR para pagar uma conta tornou-se o novo normal, num mundo em que o telemóvel é omnipresente. A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) indicou que “o volume de transacções com pagamento electrónico tanto do ramo da restauração como do ramo do comércio a retalho representa cerca de 70 a 80 por cento das receitas de cada ramo”.

A informação consta das “estatísticas do volume de transacções com pagamento electrónico – restauração e comércio a retalho referente a Maio de 2025”, divulgada ontem.

No total, foram pagos, entre Janeiro e o fim de Maio, 31,75 mil milhões de patacas através de pagamentos electrónicos nos dois sectores em análise. Olhando apenas para Maio, os pagamentos totalizaram 5,25 mil milhões de patacas.

As maiores variações verificaram-se no sector do comércio a retalho. Nos primeiros cinco meses do ano, o uso de meios electrónicos caiu 13,6 por cento, face ao mesmo período de 2024. A queda foi menos acentuada na variação homóloga, com uma descida de 3,1 por cento. Porém, os resultados de Maio mostram uma subida mensal de 14,1 por cento do uso de aplicações para pagar compras. As maiores subidas anuais verificaram-se em farmácias (+18,6 por cento) e produtos cosméticos e de higiene (19,4 por cento).

A variação acumulada, que tem em conta o somatório dos primeiros cinco meses do ano, registou decréscimos em todos os tipos de negócios, excepto nos supermercados.

Noodles e bitoques

No ramo da restauração, o volume de contas pagas com aplicações móveis nos primeiros cinco meses do ano ascendeu a 5,69 mil milhões de patacas, mais 3,2 por cento no que no mesmo período do ano passado.

Em termos mensais, nos restaurantes de Macau o volume de transacções pagas electronicamente ascendeu a 1,15 mil milhões de patacas, mais 9,5 por cento face a Abril, e mais 7,7 por cento em relação a Maio de 2024.

A DSEC aponta que o volume de transacções dos proprietários de todos os sub-ramos da restauração subiu face a Maio de 2024, nomeadamente, nos restaurantes de comida rápida (fast food), nos restaurantes ocidentais e nos estabelecimentos de comidas e lojas de sopas de fitas e canjas, com acréscimos de 16,2, 13,2 e 9,8 por cento, respectivamente.

Jovens de Macau partilharam “espírito da guerra” em Shanxi

“Devemos promover o espírito da guerra e activamente contribuir para a construção da Grande Baía quando regressarmos a Macau”, afirmou Tan Wei Hang, residente de Macau durante a sua primeira viagem à província de Shanxi, onde aprofundou o conhecimento histórico sobre a Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa.

Tan Wei Han foi um dos jovens adultos que participaram na visita a Shanxi de quatro dias organizada pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), no final do mês de Junho, em jeito de celebração do 80.º aniversário da vitória na guerra.

Citado num artigo publicado ontem no China Daily, Tan Wei Han destacou o profundo orgulho na forma como o exército chinês lutou, apesar das difíceis condições de vida, falta de medicamentos e equipamento militar de qualidade inferior.

O vice-director da DSEDJ, Wong Ka Ki, que liderou a comitiva da RAEM na actividade “Juventude de Macau explorando a mãe-pátria”, indicou ter-se sentido transportado no tempo para os anos tumultuosos da guerra ao entrar no salão memorial do oitavo destacamento do exército de caminho (Route Army na tradução em inglês), na zona montanhosa de Taihang.

“Estamos profundamente conscientes das dificuldades para conquistar a paz e dedicação altruísta dos nossos antecessores na luta pela independência e à libertação nacionais é inspiradora”, afirmou o dirigente, citado pelo China Daily. O vice-director da DSEDJ salientou que “este espírito é um bem precioso que a geração mais jovem deve herdar e promover quando confrontada com dificuldades e desafios”.

Emoções ao alto

Wong Ka Ki destacou a forma corajosa como os soldados lutaram na região montanhosa de Taihang para defender as suas casas e o país, demonstrado “o espírito nacional do povo chinês unido contra os invasores estrangeiros”.

“Apesar de Macau também ter locais históricos relacionados com a revolução, ao visitar os antigos aquartelamentos do exército chinês em Shanxi tive sentimentos diferentes”, contou Calvin Fong, um residente de Macau com 33 anos.

Zhao Yuan destacou o fervor revolucionário que se sente ainda hoje em Shanxi. “Quase chorei. A geração mais nova daquele tempo sacrificou a sua família pelo país e lutou pela independência. Esse espírito deve ser levado como exemplo”, indicou a jovem ao China Daily.

A viagem organizada pela DSEDJ faz parte de uma série de medidas para marcar o 80º aniversário da vitória contra as forças japonesas. Em Setembro, serão introduzidos nos currículos do ensino primário e secundário materiais didáctico suplementares centrados na vitória da China na guerra de 1931-1945.

Trânsito | Pedidas mais barreiras na Av.Artur Tamagnini Barbosa

Leong Hong Sai considera que é necessário combater o fenómeno dos residentes e turistas que atravessam a estrada fora das passadeiras. Uma das soluções passa por instalar mais barreiras nos passeios

 

O deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, quer que o Governe instale mais barreiras ao longo da Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, para impedir os peões de atravessar fora das passadeiras. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita, divulgada ontem no portal da Assembleia Legislativa, em que o legislador culpa os residentes e os turistas pelo fenómeno.

No documento escrito, Leong define a Avenida de Artur Tamagnini Barbosa como um dos “pontos negros” do trânsito da cidade, devido ao facto de ser uma avenida estreita, o que faz com que haja mais pessoas a atravessar a estrada fora das passadeiras.

Além disso, o membro da Assembleia Legislativa indica que as pontes pedonais naquela zona são vistas como “inconvenientes”, pelo que a população considera “mais prático e mais rápido atravessar a estrada directamente”.

Face a estes problemas, Leong Hong Sai quer a instalação de grades para manter as pessoas nos passeios: “Para combater a situação caótica dos peões que atravessam a estrada da Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, tenciona a Administração colocar grades de ambos os lados da estrada e sinais de trânsito que recordem aos peões o cumprimento das regras de trânsito?”, perguntou.

Leong indica também que as infracções tendem a ocorrer mais junto à paragem de autocarro: “Como vai a Administração implementar medidas eficazes para erradicar esta situação caótica sem afectar o ambiente para os transportes públicos?”, questionou. “Além disso, tenciona a Administração melhorar a localização e o tempo dos semáforos existentes nas imediações da zona?”, acrescentou.

Ligações aéreas

Como forma de melhorar o trânsito na zona, e de fazer com que os residentes e os turistas deixem de atravessar a avenida fora das passadeiras, Leong defende o desenvolvimento das pontes aéreas, inclusive com ligações às Portas do Cerco: “Existem quatro passadeiras aéreas na Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, mas estão relativamente longe entre si, o que desincentiva a sua utilização pelos peões. Tenciona a Administração melhorar a ligação das passadeiras de modo a aumentar o desejo dos peões de os utilizarem?”, questionou. “O Governo vai estender as ligações aéreas a destinos mais adequados, por exemplo, às imediações da Praça das Portas, de modo a atingir o objectivo de separar os peões dos veículos através de um corredor aéreo?” perguntou.

O legislador ligado à Associação dos Moradores pede ainda que seja apresentado um calendário para os trabalhos e que o Governo revele se vai instalar novos equipamentos, como elevadores, para facilitar a utilização das pontes aéreas pelos idosos e pessoas com dificuldades motoras.

Coloane | Governo cancelou projecto do museu das palafitas há 9 anos

Muito antes de as autoridades integrarem na jurisdição da RAEM os 85 quilómetros quadrados de áreas marítimas, havia a ideia de erguer um museu das palafitas a fim de consagrar no tempo este tipo de habitações existentes em Coloane. Porém, anos depois, a Direcção dos Serviços de Turismo diz que o projecto não vai mesmo avançar, tendo sido suspenso logo em 2016

 

Entre 2016 e 2017, o Governo planeou erguer um museu sobre as palafitas de Coloane, para contar a história destas casas tão peculiares de Macau. Porém, depois de terem sido publicadas notícias na imprensa a veicular a inauguração do projecto em 2017, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) confirmou ao HM que não vai nascer nenhum museu. Mais: não só não vai ser construído, como o plano foi abortado há nove anos.

“Devido à inclusão da área onde se localizam as casas de palafitas no plano de ordenamento urbano do Governo para a zona ribeirinha de Coloane, os estaleiros de Lai Chi Vun e a Rua dos Navegantes, a DST encerrou o plano de desenvolvimento do ‘Projecto Museu da Casa Palafita’ em 2016, e, subsequentemente, concluiu o procedimento de devolução do imóvel. Por conseguinte, o ‘Projecto Museu da Casa Palafita’ foi cancelado”, foi referido na resposta.

O cancelamento logo em 2016 não deixa de surpreender, tendo em conta que a 14 de Junho do mesmo ano o Jornal Tribuna de Macau (JTM) noticiava que a inauguração do museu iria acontecer em 2017. Nesse artigo foram citadas declarações da directora da DST, Helena de Senna Fernandes, feitas ao jornal Ou Mun, explicando que o “projecto estava na fase de [concepção] do design”. Já teriam sido realizadas, inclusivamente, “várias consultas para recolher opiniões dos moradores daquela zona, na expectativa de aperfeiçoar a proposta de construção”.

Segundo citou o JTM, o projecto deveria “estar concluído até ao final do ano” de 2016, para que a obra fosse “iniciada logo no princípio de 2017”, sendo que a DST esperava “que a construção estivesse concluída no mesmo ano”.

Depois da promessa, em 2018 faltavam ainda “fundamentos legais” para erguer o museu em Coloane, conforme noticiou também o JTM. A justificação dada pela DST era de que Macau não dispunha ainda dos 85 quilómetros quadrados de áreas marítimas sob sua jurisdição, algo que está legislado, precisamente, desde 2018.

Uma questão de prioridades

O HM procurou saber o estado do projecto do museu das palafitas na sequência do lançamento recente de um livro sobre as palafitas de Coloane, da autoria de Filipe Afonso, coordenador da licenciatura em Arquitectura da Universidade de São José. Confrontado agora com o cancelamento oficial do projecto de museu, o responsável lamentou a decisão das autoridades.

“O cancelamento do Projeto Museu das Palafitas não é apenas uma notícia sobre um projecto que não avançou, mas sim um ponto de partida para equacionar as prioridades de desenvolvimento de Macau, a forma como o património é gerido e o que significa para a memória colectiva, neste caso de Coloane”, começou por dizer. Na opinião do autor de “The Coloane Grammar”, “o plano para a marginal da Rua dos Navegantes deveria incluir propostas de novas edificações que utilizem e reinterpretem a madeira como elemento principal e essencial de construção”, sendo que a conexão dessa rua com os estaleiros de Lai Chi Vun, “especialmente no que diz respeito à frente marítima, é uma oportunidade única para criar um corredor costeiro que celebre a história marítima e cultural de Coloane”.

Assim, e “dada a riqueza do contexto e o cancelamento do museu das palafitas, o foco deve ser em integrar a memória dessas estruturas no novo plano”, pelo que se deveria restaurar as estruturas existentes dos estaleiros, das palafitas, mantendo as suas características originais e materiais, mas adaptando-as para novos usos”.

Ainda sobre o valor patrimonial, Filipe Afonso descreveu, na entrevista ao HM, a proposta de “classificação das palafitas como património para lhes conferir protecção legal”.

“Ao catalogar as palafitas existentes, o livro contribui para preservar a memória deste tipo de arquitectura e para uma discussão mais vasta sobre a sua possível protecção”, defendeu, acrescentando que as habitações, muitas delas deixadas ao abandono, “poderiam ser reaproveitadas para turismo de experiência, ou centros de interpretação cultural, valorizando a história local”.

Poderiam ainda “ser transformadas em espaços criativos e artísticos ou na realidade propor novas construções em madeira ao longo da linha de água, com diversos usos e que possam gerar valor para a comunidade de Coloane, contribuindo para a diversificação cultural e económica de Macau”.

Esperanças à beira-mar

Filipe Afonso destaca o processo de revitalização e recuperação da zona dos estaleiros de Lai Chi Vun como uma “iniciativa com valor histórico e cultural imenso, e que remete para a rica tradição da construção naval da região”. Na verdade, a zona dos estaleiros de Lai Chi Vun é uma das “seis zonas” antigas a recuperar pelo Governo e operadoras de jogo, e que incluem também locais como os cais no Porto Interior ou Avenida Almeida Ribeiro, entre outros.

Na zona de Lai Chi Vun já existe uma zona de lazer onde se têm realizado iniciativas culturais, com uma área museológica que conta a história da indústria de construção de juncos no território.

Neste sentido, Filipe Afonso pede que “o Governo de Macau não limite o desenho destes projectos a um leque restrito de ‘short-listed companies'”, ou seja, um grupo restrito de empresas.

Até porque, na sua opinião, “Macau tem uma nova geração de arquitectos e criativos talentosos prontos para dar a sua contribuição”. “Acredito que através de mais concursos de ideias, abertos, estes profissionais poderiam oferecer perspectivas inovadoras para os desafios urbanos e culturais da cidade. Excluí-los de processos tão cruciais para o desenvolvimento urbano e cultural de Macau é um desperdício”, acrescentou.

O HM contactou outros arquitectos no sentido de obter reacções ao cancelamento do projecto do museu, mas não obteve respostas.

O que diz a lei

Entre a suspensão do projecto e os dias de hoje muita coisa mudou. Em 2018, Macau passou a dispor da Lei de Bases de Gestão das Áreas Marítimas, que inclui 85 quilómetros quadrados de área, e cujos princípios prevê a preservação ambiental de espaços como aqueles que as palafitas se inserem.

A legislação introduziu conceitos como “zoneamento marítimo funcional”, no sentido da delimitação de zonas “com funções marítimas fundamentais e específicas de acordo com a localização, recursos naturais, condições ambientais e necessidades de exploração e aproveitamento”.

Na lista de princípios a cumprir, a legislação fala de algo como a “protecção do ambiente das áreas marítimas”, no sentido de se dever “proteger os recursos naturais e o meio ambiente do mar, concretizando o planeamento de protecção e de fomento do ecossistema marinho, devendo as áreas marítimas ter em consideração a protecção do meio marinho”.

Deve-se ainda “conservar a sustentabilidade do aproveitamento e desenvolvimento” dessas áreas, além de que a sua utilização deve ser feita “de forma científica”, segundo o zoneamento marítimo funcional”.

Além da legislação concreta que empatava a concretização do museu das palafitas em 2016, faltava também um Plano Director à RAEM, algo que foi implementado em 2022 e que traz também novas directivas para a exploração das zonas marítimas.

Coloane tem agora a sua própria UOPG – Unidade Operativa de Planeamento e Gestão, onde se deve aplicar uma “organização racional das infra-estruturas públicas e dos equipamentos de utilização colectiva”, bem como “um aproveitamento apropriado dos solos”, a fim de criar uma “estrutura espacial coordenada”.

A UOPG de Coloane integra-se na “Zona de Conservação Ecológica”, que visa “a protecção das áreas com valor ecológico” e ainda “contribuir para a maior protecção dos recursos naturais com valor ecológico”. Aqui não será permitido “destinar solos para usos habitacional, comercial, industrial, turístico e de diversões”, lê-se no Plano Director da RAEM.

A UOPG de Coloane está também integrada na “Zona verde ou de espaços públicos abertos”, devendo aqui “manter-se o actual uso para espaços verdes e actividades ao ar livre, integrando-o [a UOPG de Coloane] na zona verde ou de espaços públicos abertos”.

Concretamente, a UOPG de Coloane deve “promover o desenvolvimento do ecoturismo e do turismo cultural, com a criação de uma zona de passeios pela natureza e da ‘Cintura Verde e Resiliente’, com base na conjugação dos recursos naturais, designadamente colinas, mar e linhas costeiras”. Deve também “conservar e optimizar as zonas industriais existentes, construir a ‘Cintura de Conhecimento – Indústria – Ciência’ e a ‘Cintura de Cooperação de Um Rio, Duas Margens’ e, simultaneamente, planear de forma racional as zonas habitacionais em localização adequada, de acordo com o princípio do equilíbrio entre as funções profissional e residencial”, sendo que estes pontos se interligam com a zona das palafitas, Rua dos Navegantes e estaleiros de Lai Chi Vun.

O Plano Director explica também que “o uso predominante dos solos na UOPG Coloane é zona de conservação ecológica”.

Taiwan | Pequim aplica controlos de exportação a empresas militares

A China impôs ontem controlos de exportação a oito empresas de defesa de Taiwan, numa medida que visa, segundo Pequim, proteger a segurança nacional, no dia em que arrancam as maiores manobras militares da ilha.

As restrições afectam entidades como a Aerospace Industrial Development Corporation (AIDC), fabricante do caça de combate IDF, a maior construtora naval de Taiwan, a CSBC Corporation, e o principal centro de investigação em defesa da ilha, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Chung-Shan, entre outras companhias dos sectores aeroespacial e naval.

As novas regras, com efeito imediato, proíbem a exportação para estas empresas de “bens de uso duplo”, ou seja, com aplicações civis e militares, segundo um comunicado do Ministério do Comércio chinês. A decisão insere-se também, segundo a mesma fonte, nas obrigações internacionais de não-proliferação assumidas por Pequim.

O anúncio surge no dia de arranque dos exercícios militares Han Kuang, que simulam uma resposta a uma eventual invasão da China e que, este ano, decorrem ao longo de dez dias, envolvendo 22 mil reservistas, no maior e mais longo exercício militar alguma vez realizado pela ilha.

Apesar das sanções, as empresas visadas asseguraram que o impacto sobre as suas operações será limitado, uma vez que a maioria das cadeias de abastecimento não depende da China continental.

UE | China rejeita interferências na relação com a Rússia

O Governo chinês rejeitou ontem as interferências nas suas relações com a Rússia, depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter apelado a Pequim para pôr fim ao seu “apoio inabalável” a Moscovo na guerra contra a Ucrânia.

“A cooperação normal entre a China e a Rússia não admite interferências de terceiros”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, em conferência de imprensa. Mao garantiu que os laços entre Pequim e Moscovo “não são dirigidos contra nenhuma terceira parte”.

As declarações surgem em resposta às críticas de von der Leyen, que afirmou na véspera, durante um debate no Parlamento Europeu, que “o apoio inabalável da China à Rússia está a criar uma grande instabilidade e insegurança para a Europa”.

“Podemos afirmar que, na prática, a China está a permitir a economia de guerra da Rússia – e isso não é aceitável”, disse a líder do executivo comunitário, sublinhando que a forma como Pequim continuar a interagir com a guerra de Vladimir Putin será determinante para o futuro das relações entre a União Europeia (UE) e a China.

Von der Leyen deverá visitar Pequim no final de Julho, acompanhada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para uma cimeira que assinalará os 50 anos de relações diplomáticas entre as duas partes.

Cheque | IAS vai fazer distribuição a idosos e pensionistas

O Instituto de Acção Social (IAS) vai fazer a distribuição da comparticipação pecuniária de 2025 aos residentes qualificados para receber os subsídios para Idosos e de Invalidez.

De acordo com a informação indicada ontem pelo IAS, os “beneficiários qualificados do subsídio para Idosos que residem fora de Macau e os beneficiários qualificados do subsídio de Invalidez” vão receber o “cheque”, ou a transferência bancária, em Julho se tiverem concluído a prova de vida até 22 de Junho.

No caso de não terem efectuado a prova de vida até essa data, o IAS apela que tratem dela “o mais brevemente possível”, para receber o cheque no mês seguinte ao da prova de vida. Além da distribuição do cheque, o IAS diz que “para gestão do erário público e acompanhamento da situação dos beneficiários” vai continuar os “trabalhos de verificação dos beneficiários do Subsídio para Idosos”.

Literatura | Associação de Escritores de Macau visita Lisboa

Arranca no próximo domingo uma visita oficial da Associação dos Escritores de Macau, fundada em 11 de Novembro de 2011, a Lisboa.

Segundo uma nota do seu vice-presidente, Miguel de Senna Fernandes, esta visita, apoiada pela Fundação Macau, tem como “objectivo estabelecer e aprofundar as relações com instituições de cariz cultural em Portugal, tais como o Instituto Camões, O Centro Científico e Cultural de Macau, a Fundação Jorge Álvares, a Casa de Macau, entre outras”.

Além disso, será feita “uma visita de cortesia à Embaixada da China em Lisboa”. Da parte da associação, viajam 12 membros que vão aproveitar esta viagem para “melhor conhecer a vida portuguesa e sentir a sua cultura sob variadíssimas formas”.

Halftone | Nova edição da revista apresentada hoje na FRC

A Halftone – Macau Photographic Association apresenta hoje, a partir das 18h30, na Fundação Rui Cunha, a 12.ª edição da sua revista Halftone, uma publicação dedicada à fotografia. O novo número apresenta seis projectos visuais, dois deles a preto e branco, que abrem e fecham a revista.

O primeiro, de Jane Xu, que se intitula “Black enlivened by colors”, oferece um retrato da intimidade feminina, em linha com a prática visual da artista e sua pesquisa temática.

De uma forma diversa, mas ainda a preto e branco, João Palla conclui neste número da revista a segunda parte do seu projecto “Sussurros do Ouro Branco”. “A expressão poética da sua proposta visual articula-se perfeitamente com o efeito estético obtido com o contraste entre o preto e o branco”, indica a organização do evento

Os quatro demais projectos visuais, a cores, testam diferentes abordagens de composição cromática e temática. Jorge Veiga Alves apresenta “Memórias de Macau”, procurando reforçar o efeito de memória na aproximação à contemplação de espaços tradicionais, designadamente de natureza religiosa.

Campo e cidade

O segundo projecto a cores, de José Luís de Sales Marques, é dedicado à famosa Procissão do Senhor dos Passos, que se realiza em Macau, sublinhando o papel deste evento, não só no contexto social e cultural da cidade, como também na sua integração no espaço público de Macau.

No terceiro projecto, António Duarte Mil-Homens apresenta-nos um tempo contemplativo em “Sunset, Moonrise”, abordando a natureza e essência da paisagem alentejana. A sucessão de cores marca as horas e diferencia impressões, que conformam a imensidão da planície alentejana e a sua morfologia.

No quarto projecto, a cor também desempenha um papel fundamental na sua expressividade e conformação visual: “Fotossíntese”, de Tang Kuok Hou, propõe uma exploração social e estética da cidade de Macau, reforçando o seu papel como local de estudo fotográfico por excelência, que tem justificando uma multitude de diversas abordagens, tanto temáticas como sociológicas ou formais, dada a sua riqueza expressiva.

A porta das estrelas (III)

“Beginning immediately, Stargate will be building the physical and virtual infrastructure to power the next generation of advancements in AI, and this will include the construction of colossal data centers.”

Donald Trump

Para Elon, a IA é, pelo contrário, uma ameaça existencial a ser controlada e contida, para evitar que o seu poder se liberte e aniquile a consciência humana. Em suma, o que para Trump é a porta das estrelas, para Musk é o caminho para o inferno nem mesmo muito pavimentado com boas intenções. Altman sabe, e por isso toca nas cordas certas.

E coloca Elon «o empresário mais inspirador da nossa época», segundo a definição do chefe da OpenAi diante de uma escolha, a de seguir as regras do jogo escritas pelo magnata, contentando-se assim em ser um dos muitos nomes escritos no seu Manual Cencelli, ou largar tudo e perseguir sonhos de “palingenesia universal”. Não existe terceira opção. Mas os pontos de tensão entre o fundador da SpaceX e os homens da Stargate não terminam aqui. Musk também não gostou da piada de Trump sobre Larry Ellison e o TikTok. Questionado sobre a possibilidade de uma compra do aplicativo chinês pelo empresário, o presidente americano inicialmente evitou responder. Mas depois respondeu que também não se importaria se a Oracle o comprasse afirmando que « Também gostaria que Larry o comprasse».

O caso TikTok, que sofreu uma aceleração nos últimos meses, pode, portanto, constituir mais um elemento de atrito entre Musk e os homens da Stargate. Depois de evitar o encerramento da aplicação, prolongando a sua vida útil por setenta e cinco dias, Trump lançou a sua proposta. Cinquenta por cento da rede social chinesa deve acabar nas mãos americanas. Em relação a 2020, quando a intenção parecia realmente banir a «aplicação chinesa», o presidente mudou de posição.

O mérito também é da sua neta Kai que, como habilidosa golfista e criadora de conteúdos, fez com que o TikTok entrasse «no coração» do presidente, que acredita que a aplicação foi fundamental juntamente com a sua frequência de podcasts, sugerida pelo jovem Barron para conquistar os votos dos jovens. Portanto, o presidente não gostaria de bani-la, mas sim incluí-la num acordo mais amplo com Pequim. Pena que Musk se antecipou. A notícia, aliás nunca comentada por Elon, de um possível interesse do fundador da SpaceX na compra do aplicativo foi fornecida à Bloomberg e ao Wall Street Journal por «autoridades chinesas» não especificadas.

Atenção, não se trata de personalidades ligadas à empresa chinesa ByteDance, que controla o TikTok e com quem Elon Musk continua a manter relações estreitas. Estas figuras definiam Musk como um «intermediário» perfeito, dando a entender que as duas partes em causa ou seja, a China e os Estados Unidos podiam confiar nele. E, olhando bem, o único tweet de Elon sobre o assunto parece mesmo uma abertura de negociação pois diz que «Nunca fui a favor da proibição do TikTok, mas não entendo porque pode operar nos Estados Unidos e o X não pode operar na China».

Elon tinha feito a sua proposta de que garante ao presidente o TikTok, mas troca, abrem o mercado chinês para o X. Foi nesse momento que Trump interveio, especificando que, pelo menos oficialmente, a venda do TikTok deve ser negociada com a ByteDance, e não com «autoridades chinesas» não sendo melhor especificado. E, acima de tudo, o presidente ressalta que o aplicativo também pode ser tranquilamente comprado por Larry Ellison, que, aliás, gerencia a nuvem do TikTok nos Estados Unidos por meio da Oracle e esteve muito perto de comprá-lo em 2019.

O que quer dizer «Elon, não precisamos de ti. Nem para a IA nem para o TikTok». Sic transit gloria mundi? Ainda não. Mas Musk está encurralado. E nos seus ouvidos ressoam tanto o dilema de Altman «Trump ou a humanidade» quanto o imperativo categórico de Masayoshi Son, conhecido como Masa «Isto não é apenas negócio». Em suma, é hora de colocar os Estados Unidos em primeiro lugar.

Independentemente de sonhos transplanetários, universalistas ou mais prosaicamente chineses. Trump fez a sua jogada, coroando-se «rei tecnológico» da América. Agora caberá aos grandes magnatas da tecnologia organizarem-se em conformidade. Se pretendem desafiar-se uns aos outros com inovação, tudo bem. Se Zuckerberg, apesar de excluído do Stargate, considera útil investir sessenta e cinco mil milhões em IA, muito bem. O presidente não vai prejudicar quem ficou de fora da porta das estrelas. Pelo contrário, como um verdadeiro soberano medieval, vai oferecer água, terra e desregulamentação. Mas as relações de vassalagem e o interesse nacional não devem ser questionados. Quem pensa em usar a política para perseguir exclusivamente os seus interesses, sejam marcianos ou chineses, está errado.

E quem acredita que a sua estrela pode brilhar mais do que a do presidente está muito enganado, porque o Donald está convencido de que «foi salvo por Deus para tornar a América grande novamente». Obviamente, não será fácil. As empresas tecnológicas que Trump está a tentar federar são simplesmente muito poderosas. E é sempre o senhor que depende do servo, especialmente se este último é capaz de produzir engenhocas tecnológicas capazes de levar a humanidade a Marte ou de superar a inteligência humana.

Stargate é, portanto, uma experiência social, antes de ser económica, tecnológica e geopolítica. Se os protagonistas da tecnologia americana ou seja, uma dezena de bilionários, todos com evidentes distúrbios comportamentais se mostrarem dispostos a colaborar entre si e com o governo, então o sonho americano poderá ser reprogramado. Se, pelo contrário, o caos e o rancor prevalecerem, a América morrerá, colapsando sobre si mesma. Exactamente como uma estrela.

CCM | Chopin e Debussy fecham temporada da Orquestra de Macau

No dia 27 de Julho, o Centro Cultural de Macau acolhe o concerto que encerra a temporada 2024-2025 da Orquestra de Macau. O espectáculo irá reunir o maestro Lio Kuokman e o pianista coreano Kun-Woo Paik, numa noite em que se vão ouvir composições de Chopin, Tchaikovsky e Debussy

 

Da Coreia do Sul chega, no final do mês, o pianista Kun-Woo Paik, para se juntar em palco ao maestro da Orquestra de Macau (OM), Lio Kuokman. Juntos vão protagonizar o “Concerto de Encerramento da Temporada de Concertos da Orquestra de Macau 2024-25”, onde se apresenta uma “obra-prima de Chopin”, mas também composições de Claude Debussy.

O espectáculo sobe ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) no dia 27 de Julho, a partir das 20h, aliando a mestria de dois nomes habituados à beleza da música clássica. De destacar que Lio Kuokman, além do maestro principal da OM, é também director musical da mesma. No concerto, e segundo uma nota do Instituto Cultural (IC) sobre o espectáculo, apresenta-se “uma selecção de obras sublimes, proporcionando aos amantes da música um serão musical inesquecível”.

Neste concerto, Paik interpretará o “Concerto para Piano e Orquestra n.º 2 em Fá menor” de Chopin, composto entre 1829 e 1830 e que estreou em Viena a 17 de Março de 1830. Aqui o pianista sul-coreano deverá revelar “a sua técnica virtuosística”.

A OM apresentará ainda o “Prelúdio à Sesta de Um Fauno” de Debussy, uma composição feita entre 1892 e 1894 que se baseia num poema de Stéphane Mallarmé. Esta peça foi tocada pela primeira vez ao vivo em Paris, na Société Nationale de Musique, a 22 de Dezembro de 1894.

O concerto do dia 27 de Julho inclui ainda a célebre “Sinfonia N.º 5 em Mi menor” de Tchaikovsky, compositor russo do chamado período romântico, encerrando-se assim a temporada “com obras clássicas marcantes e emotivas”.

Uma estreia precoce

Kun-Woo Paik fez a sua estreia como solista na Orquestra Sinfónica Nacional da Coreia aos dez anos de idade, tendo prosseguido os estudos e carreira artística em diversos países da Europa e América, obtendo excelentes resultados em múltiplos concursos de música de destaque.

A sua família já tinha ligações à música, uma vez que o pai de Paik é violinista e a mãe professora de piano. Quando se estreou em palco, Paik executou o “Concerto para Piano”, de Edvard Grieg.

O pianista colaborou com várias orquestras e maestros de renome mundial, consolidando-se como um dos principais mestres do piano, e editou diversos álbuns aclamados pela crítica.

Em 2000, foi condecorado pelo Governo francês com o título de “Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras”, em reconhecimento pelo seu contributo artístico. Desde os anos 70, o pianista sul-coreano vive em Paris. Os bilhetes estão à venda e os preços variam entre 180 e 400 patacas.